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Numero do processo: 10380.900664/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/03/2007, 20/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
O reconhecimento de parte do crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) implica a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até o limite do valor reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
Numero da decisão: 3301-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/03/2007, 20/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) implica a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
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CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese o direito ao crédito presumido do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de pessoas físicas. CASCAS DE CASTANHA DE CAJU (COMBUSTÍVEL). AQUISIÇÕES. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/03/2007, 20/04/2007, 18/05/2007, 20/06/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento de parte do crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) implica a homologação das compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 06 64 /2 01 0- 87 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI às fls. 02/12, apurado para o 4º trimestre de 2000, transmitido na data de 03/10/2005, e não homologou as compensações declaradas nas Dcomp nº 12861.97854.170209.1.7.014926 e 35629.11327.170209.1.7.010800. A DRF em Fortaleza indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações declaradas sob o fundamento de que todos os créditos apurados pela recorrente foram glosados, conforme despacho às fls. 13. Inconformada com indeferimento do seu pedido e não homologação das compensações declaradas, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 17/25), insistindo no ressarcimento e na homologação das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a empresa apresentou, tempestivamente, em 09.09.2010, manifestação de inconformidade (fls. 17/25) na qual, em síntese, defende o seu direito, considerando que o motivo do indeferimento já teria sido ultrapassado na esfera administrativa, não interessando se seus produtos são NT ou se os insumos são adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0123.719, datado de 07/12/2011, às fls. 37/40, sob a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido relativo a produtos utilizados como insumos na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições em que houve incidência do PIS/Pasep e da Cofins.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 44/55), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de ressarcimento e homologue as compensações declaradas, alegando, em síntese, que faz jus ao crédito Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900664/201087 Acórdão n.º 3301001.929 S3C3T1 Fl. 62 3 presumido do IPI apurado sobre os custos com aquisições de castanha in natura (matéria prima) e de casca de castanha utilizada como combustível em caldeira, adquiridos de pessoas físicas, tendo em vista que a Lei nº 9.363, de 1996, não restringiu esse benefício às aquisições de pessoas jurídicas. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão oposta nesta fase recursal se restringe ao direito de a recorrente apurar créditos presumidos do IPI sobre aquisições, no mercado interno, de castanha de caju in natura (matériaprima) de pessoas físicas (produtores rurais) e de casca de castanha de caju utilizada como combustível na caldeira. A Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que institui o crédito presumido do IPI, assim dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente.” (...). Conforme se verifica do conteúdo do art. 1º dessa lei, o crédito presumido do IPI é o valor do PIS e da Cofins incidente e pago nas respectivas aquisições, sendo que o art. 5º, daquela mesma lei, estabelece que eventual restituição ao fornecedor das contribuições pagas, bem assim a compensação com outros débitos tributário implica estorno do crédito presumido pelo produtor exportador. Assim, não tendo o produtor exportador pagado PIS e Cofins nas aquisições de não contribuintes destas contribuições, não há do que se ressarcir. Ressarcimento implica Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 pagamento na etapa anterior, como não houve pagamento das contribuições não há custos a serem ressarcidos. No entanto, em face do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 993.164, decidido sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, os valores dos créditos presumidos do IPI, apurados sobre aquisições de cooperativas e de pessoas físicas, glosados pela autoridade administrativa competente e mantidos pela autoridade julgadora de primeira instância, deverão ser restabelecidos, reconhecendose à recorrente o direito ao ressarcimento do benefício sobre aquisições daquelas pessoas. Quanto aos custos com aquisições de cascas de castanha de caju, utilizadas como combustível, além de não constituir matériaprima nem produto intermediário empregado na industrialização da castanha, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, citado e transcrito anteriormente, tratase de matéria sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos termos da súmula nº 19, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Dessa forma, em relação à glosa dos créditos presumidos do IPI apurados sobre os custos com cascas de castanha de caju, utilizadas como combustível em caldeiras, aplicase esta súmula, mantendose a glosa efetuada pela autoridade administrativa competente. Já em relação à homologação das compensações declaradas, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega e/ ou a transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900664/201087 Acórdão n.º 3301001.929 S3C3T1 Fl. 63 5 No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento de parte dos créditos presumidos do IPI, utilizados nas Dcomps enumeradas no Despacho Decisório às fls. 13, correspondente aos créditos apurados sobre os custos com aquisições de castanha in natura de pessoas físicas, produtores rurais. Assim, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, citado e transcrito anteriormente, o valor do ressarcimento, ora reconhecido, pode ser compensado com os débitos declarados nas referidas Dcomp. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos presumidos do IPI sobre os custos com aquisições de castanhas de caju in natura, de pessoas físicas, efetivamente utilizadas na industrialização dos produtos exportados, cabendo à autoridade administrativa competente apurar o valor total dos créditos e homologar as compensações dos débitos declarados até o limite apurado. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16327.720497/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora.
A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados.
REGIME DE COMPETÊNCIA.
Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, haja vista que, em observância ao regime de competência, a despesa juros com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades.
Numero da decisão: 1201-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Luis Fabiano Alves Penteado e Nereida de Miranda Finamore Horta, que davam provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Rafael Correia Fuso, tendo sido substituído pela Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. REGIME DE COMPETÊNCIA. Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, haja vista que, em observância ao regime de competência, a despesa juros com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Luis Fabiano Alves Penteado e Nereida de Miranda Finamore Horta, que davam provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Rafael Correia Fuso, tendo sido substituído pela Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Luis Fabiano Alves Penteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PATRIMÔNIO LÍQUIDO DE PERÍODOS ANTERIORES. INCIDÊNCIA. FACULDADE. EXERCÍCIO. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destinálos aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. REGIME DE COMPETÊNCIA. Ainda que os juros sobre o capital próprio pudessem ser pagos/creditados ao titular, sócios ou acionistas da pessoa jurídica em um determinado período base, relativamente ao patrimônio líquido de períodos base anteriores, a respectiva despesa com esses juros deverá ser atribuída aos períodos anteriores, haja vista que, em observância ao regime de competência, a despesa juros com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 97 /2 01 1- 02 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Luis Fabiano Alves Penteado e Nereida de Miranda Finamore Horta, que davam provimento ao recurso. Declarou se impedido o Conselheiro Rafael Correia Fuso, tendo sido substituído pela Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1634.082, exarado pela 10ª Turma da DRJ1 em São Paulo – SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 202 e ss.): DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Constatação Fiscal de fls.83/84, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, o autuante verificou em síntese que: 1. As declarações do Imposto de Renda da contribuinte sucedida por ITAÚ UNIBANCO S/A, relativas aos períodos de janeiro a abril/2007 e maio a dezembro/2007, registraram a título de despesas com pagamento de Juros sobre Capital Próprio os valores de R$ 10.800.000,00 e R$ 183.440.000,00, respectivamente. 2. Intimada sobre o fato, a contribuinte sucessora apresentou planilhas de cálculo demonstrativas dos Juros sobre Capital Próprio nos seguintes valores (em R$): A/C de 2007 (jan. a abr.) A/C de 2007 (mai. a dez.) Limite no A/C 2007 28.826.515,59 55.347.309,54 84.173.825,13 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 4 3 3. Não obstante tenha procedido aos cálculos em conformidade com os parâmetros estabelecidos pela legislação de regência, art. 9º, da Lei n° 9.249/95, foram distribuídos aos sócios R$ 10.800.000,00 (janeiro a abril de 2007) e R$ 183.440.000,00, a perfazer o total de R$ 194.240.000,00; (a entrega de duas declarações decorreu de cisão parcial da E. JOHNSTON REP. E PART. S/A, evento ocorrido em abril de 2007). 4. Evidenciase, assim, excesso de R$ 110.066.174,87 a onerar o resultado do período de maio a dezembro de 2007. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 26/05/2011 foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls.85/89) e CSLL (fls.90/94), com os valores a seguir discriminados: (...) DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls. 103/109, protocolizada em 27/06/2011 e acompanhada dos documentos de fls. 110/199, expondo, em síntese, que: 1. No caso em tela , não se configurou excesso de dedutibilidade de juros sobre capital próprio (JCP), pois a impugnante efetuou a dedução de valores pagos a título de JCP relativo ao ano de 2007 dentro dos limites permitidos pela legislação fiscal em vigor. 1.1. Por meio das planilhas e balancetes anexos, a impugnante demonstra os valores máximos de JCP que poderiam ser distribuídos entre os anos de 2001 a 2007, os quais foram efetivamente pagos ou creditados aos sócios ou acionistas no ano de 2007, conforme consta nas respectivas deliberações e atas de assembléia (documentos de fls.132/199). 1.2. Referidos valores foram integralmente deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em vista que, nos termos da legislação, estavam dentro dos limites de dedutibilidade por ela permitidos. 2. A Lei 9.430/96 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput), e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. cit., §3º). Ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora. Portanto, não cabem juros sobre a multa. Se, para argumentar, fossem cabíveis, seriam aplicáveis apenas juros moratórios à taxa Selic, limitados a 1%. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 5 4 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CÁLCULO DO VALOR DEDUTÍVEL. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Para os fins de cálculo da remuneração, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 214 e ss.): a) o fato de a ata sumária das AGO realizadas no dia 30/04/2008 ter sido taxativa ao afirmar que o valor de juros sobre o capital próprio (JCP) referiase ao lucro líquido findo em 31/12/2007, e não a exercícios anteriores, é irrelevante para o deslinde da questão pois a formalização na ata da assembléia para fins societários não altera em nada os aspectos contábeis e fiscais que embasaram a distribuição dos JCP, a qual foi efetuada nos limites da legislação tributária; b) a recorrente demonstrou por meio de planilhas e balancetes que tinha capacidade para distribuir JCP entre os anos de 2002 e 2007, os quais foram efetivamente pagos ou creditados aos sócios ou acionistas somente no ano de 2007; c) pode a contribuinte decidir o momento adequado para realizar o pagamento ou crédito dos JCP, o que torna possível o pagamento ou crédito após o término do ano calendário. Não existe, portanto, limite temporal para pagamento de JCP e, via de consequência, para sua dedutibilidade das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; d) corroboram esse entendimento uma decisão proferida pelo STJ bem como diversas decisões exaradas pelas turmas do CARF; e) é incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 6 5 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Distribuição de Juros sobre o Capital Próprio Acerca dos juros sobre o capital próprio o art. 9º da Lei nº 9.249/95 assim estabelece: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, os juros de que trata este artigo serão adicionados à base de cálculo de incidência do adicional previsto no § 1º do art. 3º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 7 6 ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital, garantida sua dedutibilidade, desde que o imposto de que trata o § 2º, assumido pela pessoa jurídica, seja recolhido no prazo de 15 dias contados a partir da data do encerramento do períodobase em que tenha ocorrido a dedução dos referidos juros, não sendo reajustável a base de cálculo nem dedutível o imposto pago para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. O valor da remuneração deduzida, inclusive na forma do parágrafo anterior, deverá ser adicionado ao lucro líquido para determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) Pois bem, é pacífico o entendimento, tanto administrativo quanto judicial, de que o pagamento/crédito de juros sobre o capital próprio é uma faculdade da pessoa jurídica, e, como tal, poderá ou não vir a exercêla, conforme melhor lhe convier. Essa faculdade encontra se regulada pela norma acima transcrita, bem como pelas demais normas comerciais, societárias e fiscais que com ela interajam. Parece claro que a faculdade de pagar/creditar juros sobre o capital próprio poderá ser exercida ao longo dos anos em que o capital do titular, sócios ou acionistas permanecer no patrimônio líquido da pessoa jurídica, e que o valor dos JCP será calculado mediante a aplicação da taxa de juros (limitada à TJLP) sobre o patrimônio líquido do ano em que exercida a faculdade, observados os limites estabelecidos na norma acima transcrita. Mas no caso dos presentes autos a contribuinte, além de haver pago/creditado, em 2007, JCP calculado sobre o patrimônio líquido do ano de 2007, também pagou/creditou JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, quais sejam, os anos de 2002 a 2006. É a dedutibilidade desses últimos que está aqui em discussão. Nesse sentido, especificamente no caso sob exame, é preciso responder às seguintes questões de direito: a) a faculdade de pagar/creditar JCP poderá ser legalmente exercida em um determinado ano, mas incidir sobre o patrimônio liquido de anos anteriores? b) em caso positivo, em qual ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Passemos, então, a responder essas questões. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 8 7 2.1) Do Exercício da Faculdade de Pagamento/Crédito de JCP Sobre a possibilidade legal do exercício da faculdade de pagar/creditar JCP calculados sobre o patrimônio líquido de anos anteriores, peço licença para transcrever, a seguir, trechos do excelente voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferido em 12/06/2013 nos autos do processo nº 16327.002051/200716, e acompanhado pela unanimidade dos demais membros da 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF: Como se vê, a lei não disciplina precisamente este aspecto, motivo pelo qual há diferentes entendimentos firmados pelos colegiados deste Conselho acerca deste tema. A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos: (...) JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL — O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 10196751, sessão de 29 de maio de 2008, Relator Conselheiro Valmir Sandri) (...) De outro lado, há jurisprudência administrativa favorável ao entendimento que justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Os juros sobre o capital próprio devem ser apropriados com observância do regime de competência, com obediência os limites impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos de lucros acumulados ou do exercício, na data do crédito ou pagamento. (Acórdão nº 19500.023, sessão de 20 de outubro de 2008, Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch). (...) Enfatizando o aspecto defendido pela Fiscalização, diz Hiromi Higuchi et alli em Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática (36ª ed., São Paulo, IR Publicações, 2011, p. 130), que “(...) a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 9 8 incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos). À semelhança do que disse a Fiscalização, o referido autor assevera que a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio (Op. cit., p. 131). No mesmo sentido é a manifestação de Edmar Oliveira Andrade Filho em Imposto de Renda das Empresas (3a ed., São Paulo, Atlas, 2006, p. 240242): (...) Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercêla ao final do período de apuração, é razoável afirmar que a sociedade, por não segregar o resultado comum de sua atividade daquele que seria atribuível à utilização do capital dos sócios, designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição. Em conseqüência, a destinação destes lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital próprio. Concluise, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado: Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléia geral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no momento em que formalizada a obrigação de pagálos em favor dos sócios. Contudo, a constituição de obrigação a este título somente é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida. Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 10 9 correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no ano calendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. (...) Portanto, segundo o acórdão acima referido, cujas conclusões aqui adoto, a lei não permite que os JCP incidam sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, em especial, porque nos anos anteriores, à falta do exercício tempestivo da faculdade de pagar/creditar JCP, a pessoa jurídica destinou integralmente o lucro ao pagamento de dividendos, ou à reserva de lucros para posterior distribuição. Nesse sentido, é de se admitir que no caso dos autos a contribuinte pagou/creditou em 2007 JCP até o limite legal permitido para o período, sendo indedutível a despesa com JCP relativos a períodos anteriores. 2.2 ) Da Apropriação da Despesa com Pagamento/Crédito de JCP Mas ainda que admitíssemos, meramente para fins de argumentação, que o exercício da faculdade de pagar/creditar JCP pudesse incidir sobre o patrimônio líquido de períodos anteriores, teríamos ainda que responder à questão levantada na letra “b”, contida ao final do item 2 deste voto, qual seja: em que ano deverá ser legalmente apropriada a respectiva despesa com pagamento/creditamento de JCP? Pois se é certo que a lei faculta à pessoa jurídica pagar/creditar JCP, uma vez exercida essa faculdade, não caberá a ela determinar, a seu bel prazer, o período em que deverá ser apropriada respectiva despesa com JCP. Sobre o período em que deverão ser apropriadas as mutações patrimoniais (despesas, custos, perdas, receitas, ganhos, etc.), a lei societária assim estabelece: Lei nº 6.404/76: (...) Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (Grifamos) (...) Não é demais recordar que o registro das mutações patrimoniais pelo regime de competência constitui regra geral que, por conseguinte, deverá ser observada na interpretação e aplicação das demais normas contábeis e fiscais relativas às pessoas jurídicas em geral e, em especial, por aquelas constituídas sob a forma de sociedade anônima, como é o caso da contribuinte. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 11 10 Daí porque é desnecessário que cada uma dessas normas contábeis e fiscais contenha expressamente a observação de que o registro das respectivas receitas, despesas etc. deva observar o regime da competência. Em verdade, ocorre justamente o contrário. Quando a receita, despesa, etc. deva ser registrada segundo o regime de caixa é que deverá haver expressa referência na norma, já que esse regime é empregado apenas excepcionalmente. Isso posto, e uma vez que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 é silente sobre qual o regime de apropriação da despesa com JCP deverá ser adotado, é de se concluir, necessariamente, que deverá ser empregado o regime de competência, pois, se a lei desejasse excepcionálo haveria que estabelecer, expressamente, a apropriação pelo regime de caixa. Mas afirmar que a despesa com JCP deverá ser apropriada segundo o regime de competência resolve apenas parte da questão que no propusemos a responder. Resta ainda investigar a qual período compete a apropriação de juros sobre o capital próprio. Em outras palavras, e especificamente no caso dos autos, resta investigar se a despesa competirá a 2007, data em que a contribuinte exerceu a faculdade de distribuir JCP incidente sobre o patrimônio liquido de 2002 a 2006, ou se a despesa competirá aos anos de 2002 a 2006. Para tanto, necessário se faz determinar a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio. Sobre o assunto vale transcrever as lições de Luís Eduardo Schoueri, em seu artigo intitulado Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de Apuração diante da "Nova Contabilidade" (in Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos), 3º volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012, p. 169/193): (...) Afastandose qualquer aproximação com categorias de Direito Privado, há que se reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9º da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital. O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica de custo de oportunidade, entendida enquanto renúncia, pelo agente econômico, dos benefícios derivados de determinado investimento em função do potencial de lucro superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o lucro do negócio, sob uma perspectiva econômica, somente poderia ser apurado se desconsiderado o lucro sobre o capital. (...) Tais considerações, intimamente relacionadas com o conceito econômico de custo de oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que é dedutível. E dizer, do ponto de vista tributário, a situação apresentase tal qual como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (Grifamos) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 12 11 Ora, pelo acima exposto, é de se concluir que as despesas com JCP têm a natureza jurídica de despesa com juros pagos/creditados ao titular sócios ou acionistas pelo uso do capital por estes investido na empresa. Em outras palavras, tratase de despesa pelo uso do dinheiro investido na pessoa jurídica. E, segundo o regime da competência, as despesas pelo uso do dinheiro devem ser apropriadas ao longo dos períodos em que for utilizado esse dinheiro. Respondendo, então, à questão objeto deste item do voto, ainda que a contribuinte estivesse autorizada por lei a exercer, em 2007, a faculdade de pagar/creditar JCP incidente sobre o patrimônio líquido de 2002 a 2006, a respectiva despesa com JCP deveria ter sido apropriada nos anos de 2002 a 2006, e não em 2007, como fez a recorrente, já que se trata de uma despesa pelo uso, ao longo daqueles anos, do capital empregado na pessoa jurídica por seus acionistas. Por fim, quanto à decisão do STJ proferida nos autos do REsp 1.086.752/PR, em que acolhe o argumento trazido pela recorrente, e cuja ementa abaixo se transcreve, é importante ressalvar que se trata da única decisão do STJ sobre o assunto, e que, a meu sentir, não é negligenciável a possibilidade de a Corte vir a rever seu entendimento em outra oportunidade, pois aquele julgado considera que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 deve ser aplicado segundo o regime de caixa, quando, de acordo com o art. 177 da Lei nº 6.404/76, correto seria o emprego do regime de competência. MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720497/201102 Acórdão n.º 1201000.857 S1C2T1 Fl. 13 12 3) Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Afirma a recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Também aqui não assiste razão à defesa. Isso porque a multa de ofício é parte integrante do crédito tributário sobre o qual incidirão os juros de mora. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme de observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Embora essa decisão, tal qual aquela citada pela contribuinte acerca dos JCP, não possua efeito vinculante perante esse Conselho, é importante ressaltar que, diferentemente daquela única decisão, a Corte vem reiteradamente admitindo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício em decisões proferidas por ambas as Turmas de sua Primeira Seção. 4) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11516.003461/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 01/06/2007
RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO E ANTES DO LANÇAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO EM RELAÇÃO AO TRIBUTO.AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF SOBRE A MATÉRIA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação velha ou artigo 35-A do citado diploma na redação da Lei 11.941/2009 a depender da atitude do contribuinte em relação ao pagamento, parcelamento e da fase de execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 01/06/2007 RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO E ANTES DO LANÇAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO EM RELAÇÃO AO TRIBUTO.AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF SOBRE A MATÉRIA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação velha ou artigo 35A do citado diploma na redação da Lei 11.941/2009 a depender da atitude do contribuinte em relação ao pagamento, parcelamento e da fase de execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 61 /2 00 9- 97 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.003461/200997 Acórdão n.º 2803002.491 S2TE03 Fl. 154 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.003461/200997 Acórdão n.º 2803002.491 S2TE03 Fl. 155 3 Relatório O presente Auto de Infração, DEBCAD 37.133.9898, objetiva o lançamento da Obrigação Principal, contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador contribuinte – SAT/RAT, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, de fls. 22 a 25, com período de apuração de 10/2004 a 05/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 27. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 26/06/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 37 a 48, recebida, em 31/07/2009, porém postado via Correio, em 28/07/2009, conforme envelope, de fls. 37, estando acompanhada dos documentos, de fls. 49 a 103. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 104. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0719.563 5ª Turma da DRJ/FNS, em 16/04/2010, fls. 105 a 109, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 13/05/2010, AR, de fls. 111. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 116, recebida, em 14/06/2010, e com razões recursais, as fls. 117 a 128, , acompanhado dos documentos, de fls. 129 a 132, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Mérito. · que o lançamento é ilegal, pois dentro do prazo de 20 dias após os 10 dias para declaração, conforme consta da intimação a recorrente promoveu o recolhimento da contribuição com os acréscimos legais, sendo este recolhimento voluntário e antes de qualquer lançamento de ofício por parte da autoridade fiscal, cita decisão do STJ, caracterizando ato ilegal o lançamento de tributo já pago; · que a multa de 75% do artigo 44, da Lei 9.430/96 não é devida, uma vez que a contribuição foi declarada e em ato posterior recolhida espontaneamente, cita HBM e KH, não havendo lançamento de ofício, pois a empresa só foi intimada para retificar a GFIP, mas por vontade própria esta promoveu o recolhimento das contribuições, antes de qualquer lançamento por parte do fisco, ficando afastado o lançamento de ofício, uma vez que a recolhimento espontâneo se deu antes do lançamento fiscal, cita HGS e o TRF4; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.003461/200997 Acórdão n.º 2803002.491 S2TE03 Fl. 156 4 · que o auto não deve subsistir em razão de sua manifesta nulidade, mas alternativamente este E. Conselho deve excluir do lançamento os valores declarados e pagos pela recorrente; excluir a multa de 75% e substituíla pela multa do artigo 32A, I e II c/c o §2º, II, da Lei 8.212/91, pois esta é lei específica sobre a matéria, reduzidoa em 75%, como consta do inciso II, do artigo 32A, da Lei 8.212/91, assim, a multa só pode ser ¾ de 20%, ou seja, 15%, aplicandose o artigo 106, do CTN e a norma citada; · que, ainda, que não seja aplicado o inciso II, do artigo 32A, da Lei 8.212/91, a multa a ser aplicada seria a do artigo 61, da Lei 9.430/96, isto é, 20%, caso não considerado nulo o auto de infração, os valores pagos devem ser excluídos e a sua multa deve ser reduzida para 15% ou 20%; · que a RFFP é indevida, pois a punibilidade está extinta pelo pagamento e não houve o trânsito em julgado administrativo, cita o STJ e o TRF4, não havendo dolo, o que se demonstra principalmente por recolher a maior, após a redução da alíquota, na cabendo a RFFP; · A recorrente requer e pede: a) conhecimento e provimento do recurso com a reforma do acórdão a quo; b) anulação do auto em razão do pagamento da contribuição antes do lançamento e da inaplicabilidade da multa do artigo 44, da Lei 9.430/96; c) de forma alternativa exclusão do valores já pagos e afastamento da multa do artigo 44, da Lei 9.430/96, uma vez que não houve lançamento de ofício; d) ainda, de forma alternativa substituir a multa de 75% pela dos incisos I e II, c/c o §2º, II, do artigo 32A, da Lei 8.212/91, limitandoa em 15% ou a do artigo 61, da Lei 9.4396, limitada a 20% e) afastar a RFFP em razão da extinção da punibilidade pelo recolhimento da contribuição; f) juntada dos documentos anexos; g) que as intimações sejam remetidas exclusivamente ao causídico Rafael de Assis Horn, OAB 12.203, no endereço do rodapé sob pena de nulidade; O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 134. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 134. Consta, as fls. 136 a 137, determinação judicial para que os autos sejam julgados em 90 dias. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.003461/200997 Acórdão n.º 2803002.491 S2TE03 Fl. 157 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Cumpre, inicialmente, esclarecer que o recolhimento das contribuições pela recorrente, antes do lançamento de ofício, pelo fisco, mas após o início do procedimento de fiscalização relativo ao tributo não exclui o direito de lançar do fisco. Desta forma, havendo pagamento como no presente caso, o contribuinte aquiesceu com o lançamento e renunciou a discussão quanto a parte incontroversa, pois ocorre preclusão lógica entre o pagamento e o desejo de impugnar. Não há ilegalidade no lançamento, pois nos termos do artigo 37, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 c/c o artigo 142, parágrafo único da Lei 5.172/66 constatado pela fiscalização a falta de recolhimento tem o agente fiscal o dever legal de promover o lançamento e o contribuinte em procedimento de fiscalização perde a espontaneidade em sanar a infração. No caso a ilegalidade esta na atuação da recorrente que após o início do procedimento fiscal recolheu a contribuição em atraso de forma irregular, pois não mais havendo a espontaneidade da conduta não pode se eximir da multa, pois o tributo depende de apuração e o sujeito passivo perdeu o direito de apurálo após o início da ação fiscal. Não é sem propósito que o Instruções para o Contribuinte – IPC manda o contribuinte procurar o órgão de atendimento da RFB para obter a guia de recolhimento. Não presente caso não se está no campo do descumprimento de obrigação acessória o lançamento em questão discute o não recolhimento de parcela da contribuição previdenciária em si, ou seja, o tributo obrigação principal. Não se aplicando a jurisprudência ou por cuidar de denúncia espontânea que não é o caso ou por cuidar de obrigação acessória que nestes autos, também, não incide. A contribuição foi declarada depois do início da fiscalização em razão da intimação do agente fiscal, fls. 30. Tal intimação nos termos do artigo 32, IV c/c o artigo 32 – A, I e II, § 2º, I e II, é dever legal do agente fiscal e uma vez cumprida pelo contribuinte permite a redução na aplicação da multa por descumprimento do dever instrumental. Mas não autoriza o pagamento do tributo devido após o início da fiscalização e sem autorização do fisco e sem a obediência as formas legais. No presente caso a espontaneidade estava afastada pelo procedimento fiscal e foi aplicada a multa determinada pela legislação em vigor para o caso, a qual não é de cem por cento com alega a recorrente, sendo em percentual menor, basta ver o relatório Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 10 a 13. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.003461/200997 Acórdão n.º 2803002.491 S2TE03 Fl. 158 6 No que tange a redução da multa em ¾ para um percentual de vinte por cento em razão da aplicação do artigo 32A, I e II c/c o §2º, II, da Lei 8.212/91 como explicitado acima isto não é possível, pois tal multa só é aplicável no caso de descumprimento de dever instrumental obrigação acessória e no autos em vergasta, temse Auto de Infração de Obrigação Principal, sendo que sua disciplina jurídica é outra. A multa do artigo 61, da Lei 9.430/96, também, não se aplica ao caso, pois tal multa é aquela que o contribuinte, embora em atraso com o tributo o apura e o paga de forma espontânea sem a atuação do fisco e a própria recorrente concorda que sua conduta não foi espontânea. Assim está multa, também, fica afastada. Todavia, apesar de não concordar com os argumentos da recorrente em relação a multa. É dever de todo agente público pautarse pela aplicação do princípio da legalidade. No crédito em questão está lançado o período de 10/2004 a 05/2007 e neste período estava vigente o artigo 35, da Lei 8.212/91 em sua redação velha que estipulava um intervalo de multa 24% a 100% a depender da fase do processo. Desta forma, na atual fase alínea “c”, do inciso II, do artigo 35, o percentual é quarenta por cento e assim mais benéfico ao contribuinte. A nova multa de 75% só será mais benéfica, se e somente se o crédito chegar a fase da alínea “c”, do inciso III, do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação antiga, que estipulava multa de 80%, aqui sim neste momento deverá ser aplicado o artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009. Tudo a depender do momento do pagamento, parcelamento e da fase de execução. A questão da Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP é matéria que vai além da competência deste colegiado e não nos cabe falar sobre isso, basta ver a súmula CARF transcrita. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que seja aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação velha ou artigo 35A do citado diploma na redação da Lei 11.941/2009 a depender da atitude do contribuinte. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.003461/200997 Acórdão n.º 2803002.491 S2TE03 Fl. 159 7 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13984.900125/2008-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996.
Numero da decisão: 3803-004.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por declínio de competência para julgamento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por declínio de competência para julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata de PER/DCOMP transmitido em 24/04/2008 com a finalidade de compensar crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior contido em DARF no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 25 /2 00 8- 12 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 valor R$ 1.189,84 e arrecadado em 10/04/2002, referente ao período de apuração de 31/03/2002. Alertase de pronto que a matéria discutida nos autos referese a exclusão da empresa do regime do Simples, logo está turma é incompetente para a apreciação do recurso interposto. À fl. 04 está anexo Despacho Decisório, por meio do qual não foi homologado o pedido de compensação, sob o argumento de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Já às fls. 01/03 o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e argumentou em sua defesa que apresentou o PER/DCOMP indevidamente, uma vez que estava enquadrada no SIMPLES. Informa que quitou o DARF referente ao período de apuração 31/03/2002 no valor de R$ 1.189,84, conforme faz prova o DARF anexo à fl. 05 e que é exatamente este DARF que foi informado no pedido de compensação. Desta forma, argumenta a recorrente que inexiste qualquer valor a ser compensado. Consequentemente, isso demonstra o equívoco na apresentação do PER/DCOMP em exame, já que os tributos que ali se requeria a compensação, não eram devidos, tendo em vista que a empresa estava enquadrada no SIMPLES. Deste modo, pleiteou o cancelamento da PERD/COMP e que fosse desconsiderada a declaração de compensação. Às fls. 20/21 foi exarado o Acórdão nº 0725.956 – 3ª Turma da DRJ/FNS, por intermédio do qual foi indeferido o pedido formulado e não reconhecido o direito creditório, sob o argumento de que o pedido de desistência da compensação foi realizado após a data de ciência do despacho decisório que não a homologou. Outro motivo alegado pela DRJ, para indeferir o pedido de compensação, consiste em que a recorrente foi excluída do Simples Federal a partir de 01.01.2002, logo seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores a data de início dos efeitos da exclusão do regime simplificado. Os julgadores de primeiro grau, ainda fundamentaram a decisão, no fato de que a 3ª Seção de Julgamento do CARF já proferiu Acórdão nº 380300.035 – 3ª Turma Especial em 16.03.2009 no PAF nº 13984.001555/200345, por meio do qual a empresa foi excluída do Simples Federal. Trago abaixo o teor da ementa para melhor elucidar a questão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. IMPEDIMENTO. Excesso de Receita de Pessoa Jurídica da Qual Participe Sócio Detentor de Percentual Superior a 10% do Capital. EFEITOS Na vigência da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, a exclusão motivada pelo excesso de receita de pessoa jurídica de que participe sócio com mais de 10% do capital gera efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se caracteriza o excesso. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13984.900125/200812 Acórdão n.º 3803004.487 S3TE03 Fl. 23 3 Assim, conforme se retira do acórdão acima citado, a decisão da DRJ em relação a qual o contribuinte se insurge no presente recurso, insiste em afirmar que a recorrente foi excluída do Simples Federal em razão de ter violado o art. 9º, inciso IX, da Lei nº 9.317/96: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso lido art. 2°; No voto condutor que acompanha o Acórdão nº 380300.035 – 3ª Turma Especial no PAF nº 13984.001555/200345, concluiu que o sócio Genir Storrnowski figurou nos anos de 2001 e 2002, na empresa e concomitantemente nas empresas — ambas optantes pelo regime de lucro presumido de tributação Transbeve Transportes Ltda. e Incobel Indústria e Comércio de Bebidas Ltda., com participação de 75% em cada uma e assim restou comprovada a superação do limite legal de faturamento que autoriza a permanência no SIMPLES. Entretanto, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual sustenta que jamais foi excluído do SIMPLES e com o propósito de comprovar esta afirmação anexou Despacho Decisório nº 30/2009 proferido em 10/02/2009 no PAF nº 13984.001706/200870. Neste despacho consta ter ocorrido a reforma da decisão de exclusão de ofício da empresa do SIMPLES, em razão da verificação de erro de fato da decisão de exclusão. Assim, extraise do Despacho Decisório nº 30/2009 que nos exercícios de 2002 e 2003 a empresa não estava obrigada a recolher o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no regime do lucro presumido, mas somente pelo regime do SIMPLES. Consequentemente, naquele despacho decisório restou decido o cancelamento dos PER/DCOMPs com fundamento no art. 82 da IN nº 900/2008, o qual por sua vez apregoa que a desistência do pedido de compensação poderá ser requerida mediante a apresentação de PER/DCOMP. No recurso voluntário o contribuinte afirma que jamais esteve no regime do lucro presumido no período de 2002 e 2003 e não há débito lançado em DCOMP e por isso requer o seu cancelamento. Que são válidos os débitos recolhidos no regime do SIMPLES nos exercícios de 2002 e 2003 e que estes pagamentos foram considerados pela Receita Federal. Ao final requer a reforma da decisão para que seja declarada a inexistência dos débitos em questão e o cancelamento do PER/DCOMP enviado, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do SIMPLES, referente a competência de março/2002. Este é o relatório. Voto Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de litígio referente a compensação cujo crédito decorre de pagamento a título do regime do Simples Nacional, código de Receita 6106. Assim, a matéria deste contencioso é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É o voto. Sala das sessões, 22 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923606/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 36 06 /2 00 9- 29 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.923606/200929 Acórdão n.º 3803004.550 S3TE03 Fl. 42 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 30 de março de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 313,12, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 29/6/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o crédito apurado decorrera da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 357.950, em sessão plenária de 9/11/2005; b) no processamento do PER/DCOMP, o sistema da Receita Federal não localizou o crédito em razão do fato de que, na DCTF, o débito havia sido declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, fundamentandose no fato de que, não obstante o Decreto nº 2.346, de 1997, ter autorizado aos órgãos julgadores da Administração tributária o afastamento da aplicação de lei declarada inconstitucional pelo STF, no presente caso, não se comprovaram as condições previstas no decreto para a sua aplicação, não se tendo por configurado o alegado pagamento a maior. Cientificado do acórdão da DRJ Curitiba/PR em 22 de setembro de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20 de outubro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de homologação da compensação, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo destacado que, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, esta Turma encontrarseia obrigada a reproduzir o teor da decisão do STF, proferida na sistemática da repercussão geral (RE 585.235). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.923606/200929 Acórdão n.º 3803004.550 S3TE03 Fl. 43 3 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Curitiba/PR, em razão da falta de comprovação do alegado pagamento a maior. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e do despacho decisório, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre as receitas financeiras, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita conhecer os valores envolvidos, como o faturamento, o total das receitas financeiras, a contribuição devida etc., sem o que não se conseguem aferir a existência e a extensão do indébito reclamado. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.923606/200929 Acórdão n.º 3803004.550 S3TE03 Fl. 44 4 A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.923606/200929 Acórdão n.º 3803004.550 S3TE03 Fl. 45 5 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13864.720046/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF, GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL. SIMULAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO.
Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados divergiam da real intenção subjacente, caracteriza-se a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto
MULTA QUALIFICADA
Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior que desqualificavam a multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL. SIMULAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO. Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados divergiam da real intenção subjacente, caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto MULTA QUALIFICADA Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior que desqualificavam a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 46 /2 01 1- 91 Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720046/201191 Acórdão n.º 2202002.427 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, VALDECIO APARECIDO DA COSTA, foi lavrado auto de infração onde apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 1.601.256,24 (um milhão, seiscentos e um mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e vinte e quatro centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS E FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL, ano calendário 2007, sendo R$ 562.030,36 referentes ao imposto, R$ 843.045,54 referentes à multa proporcional e R$ 196.180,34 referentes aos juros, em conformidade com o fundamento legal de fls. 2003 e 2004. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no termo de constatação do Auto de Infração (fls. 1979 e 2000) e nos dá conta dos seguintes aspectos: que o procedimento fiscal iniciou se em razão dos valores declarados em DIRPF/2008, tendo sido verificado que o contribuinte em epígrafe auferiu rendimentos isentos e não tributáveis no valor total de R$ 13.874.092,99, em relação ao ano calendário 2007, sendo que declarou como rendimentos tributáveis apenas o valor de R$ 113.282,55; que verificouse, ainda, divergência entre os valores constantes na DIRPF/2008 e os valores dos dividendos distribuídos nas DIPJ das empresas em que o fiscalizado é sócio; tendo sido, então, efetuada a análise de todos os aspectos necessários à verificação da correta distribuição de lucros, constatouse que assiste razão ao Fiscalizado, encontrandose correta a distribuição de lucros declarados na DIRPF/2008; objetivando uma análise mais detalhada referente ao ganho de capital na venda de bens, foi efetuada uma circularização na Empresa IBR Empreendimentos e Participações Ltda. de forma a verificar se as alegações do fiscalizado em relação às vendas de seus bens à referida empresa foram efetuados de forma regular e dentro dos moldes da correta legislação pertinente; passou se a analisar os valores referentes as vendas dos seguintes imóveis, para a empresa IBR Empreendimentos e Participações Ltda.: Garagem 597 / terreno (em Taubaté) Gleba de Terra em Eugênio de Melo (Fazenda Santa Catarina). . sobre a venda da Garagem 597 e terreno de 2.750m2 (fls. 1991 e 1992): Valdécio: Valor de compra = R$ 600.00,00 (fl. 25) Data de compra: 11/11/2005 Valor de venda: R$ 650.000,00 (fl. 25) Data da venda: 22/11/2007 (fl. 25) Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Comprador IBR Empreendimentos e Participações Ltda. IBR: Data de compra de Valdécio Valor de compra = R$ 650.000,00 (fl. 75 vº) Data da escritura na venda: 07/03/2008 ( fl. 512) Valor da venda: R$ 3.639.450,00 (fl. 513) Parte que pertencia a Valdécio (50%) = R$ 1.846.725,00 (custos) Data de venda (conforme RAZÃO da empresa) = 30/09/2007 Comprador EMÍLIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Valores recebidos (cf. RAZÃO) = 30/09/2007 – R$ 115.000,00 (fl. 810), 30/11/2007 – R$ 804.200,00 (fl. 811), 31/12/2007 – R$ 301.575,00 (fl. 811), 23/01/2008 – R$ R$ 301.575,00 (fl. 815), 07/03/2008 – R$ 301.575,00 (fl. 816), total R$ 1.823.925,00 conforme constante na escritura de venda, na data de 07/03/2008 consta a pagar somente o valor de R$ 603.150,00, que foi pago no ato da mesma, pois o valor de R$ 3.036.300,00, já havia sido pago anteriormente pela compradora, conforme comprovase pelo RAZÃO da IBR; . ou seja, quando da escritura de venda de Valdécio para a IBR, a IBR já teria efetuado a venda do bem para a EMÍLIO; assim por todo o exposto, concluiu se que: o objetivo real da venda da Garagem 597 + Terreno, era de Valdécio para EMÍLIO, sendo o valor real da venda, na cota pertencente ao Valdécio (50%), o valor de R$ 1.845.725,00, e não de R$ 650.000,00; que o valor do ganho de capital tributável pelo IR, referente a esta venda, foi de R$ 723.187,11, conforme cálculo abaixo, e não de R$ 38.852,42, conforme apurado pelo fiscalizado (fl. 26); . sobre a venda da Gleba de Terra (245.220 m2) em Eugenio de Melo (fls. 1993 a 1994): Valdécio: Valor de compra = R$ 726.876,00 (cálculo deste valor encontra se em planilha à fl. 861) Data de compra: 27/03/2002 Valor de venda: R$ 1.226.099,95 (fl. 727) Data da venda: 01/11/2007 (fl. 25) Comprador IBR Empreendimentos e Participações Ltda. IBR: Data de compra de Valdécio = 01/11/2007 Valor de compra = R$ 1.226.099,95 (fl. 727) Data do contrato de venda: 16/11/2007 ( fl. 740) Valor da venda: R$ 36.895.980,00 (fl. 734) Parte que pertencia a Valdécio (26,70%) = R$ 9.851.226 (o cálculo do valor consta em planilha à fl. 851) Data de venda (conforme RAZÃO da empresa) = 16/11/2007 Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720046/201191 Acórdão n.º 2202002.427 S2C2T2 Fl. 4 5 Comprador EMÍLIO INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. ou MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES LTDA Valores recebidos (cf. RAZÃO): 23/11/2007 = R$ 2.700.785,74 31/12/2007 = R$ 1.970.245,33 Total auferido em 2007 = R$ 4.671.031,18 Restante pago em 2008 e 2009, conforme contrato. observa se que, quando da ocorrência de venda de Valdécio para a IBR, apenas 16 dias após, a IBR já efetuou a venda do bem para a HELBOR. Ainda, conforme pôde se observar neste mesmo contrato de venda (fl. 730 e 740), o próprio Valdécio assinou, como interveniente anuente, em vista de ser o dono da empresa NSA Vale Construção e Incorporação Ltda, proprietária de 36,6% do mesmo imóvel vendido; conclui a fiscalização que, restou claro que o Sr. Valdécio já conhecia os termos e valores envolvidos na venda do referido imóvel à empresa HELBOR, muito antes de tê lo “vendido” para a IBR; . prossegue “Conforme podemos ver ainda, quando intimado a comprovar o valor auferido, o Sr. Valdécio apresentou diversos instrumentos particulares, firmados entre ele e a empresa AREVALE, que conforme já consta nestes autos, pertence ao Sr. Mário Fumio Aoki, alegando ter utilizado os valores auferidos diretamente na compra de diversas outras áreas de terra. Ocorre porém que, não havendo qualquer registro nestes instrumentos, os mesmos não podem ser aceitos como comprovação, tendo em vista o fato de poderem ter sido construídos em qualquer momento, mesmo durante o período do procedimento fiscal, como se pode comprovar no instrumento às fls., 744 a 745 verso, 748 e 749, 751 e 751verso, 752 e 752verso.” assim, concluiu a fiscalização que: o objetivo da venda da Gleba de Terra em Eugênio de Melo/Fazenda Santa Catarina, era de Valdécio para HELBOR MRV Engenharia e Participações Ltda, sendo o valor real da venda, na conta pertencente ao Valdécio (26,7%), o valor de R$ 9.851.226,00 e não de R$ 1.226.099,95, conforme alegado pelo fiscalizado; . que o valor do ganho de capital tributável pelo IR, referente a esta venda apropriando se corretamente os valores auferidos em 2007, foi de R$ 3.038.505,88, conforme cálculo de fl. 1995; acrescenta, houve uma venda ‘dissimulada’, para a empresa IBR, apenas para que ocorresse a economia referente ao imposto de renda sobre ganho de capital na venda destes imóveis, conforme cálculos de fls. 1995; descrição dos fatos caracterizadores do ilícito: a situação ocorrida enquadrou se, em tese, como crime contra ordem tributária, pelos procedimentos praticados pelo fiscalizado, que, em resumo, foram: Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 o contribuinte efetuou a venda de dois de seus imóveis, sendo que, em um deles, não apurou ganho de capital, e no outro, apurou um valor pequeno de ganho, recolhendo o imposto de renda por ele calculado; as duas vendas foram efetuadas para a mesma empresa, a IBR Empreendimentos e Participações Imobiliárias, empresa esta que atua no ramo da compra e venda de imóveis, sendo que, o sócio administrador desta empresa, o Sr. Mário Fumio Aoki, é também empresário da região, e que mantém diversos negócios com o fiscalizado; inclusive o Sr. Mário Aoki detinha a participação de 50% em um dos bens imóveis vendidos; . posteriormente (ou simultaneamente), estes bens imóveis foram vendidos para terceiros, por valores bem superiores aos obtidos pelo fiscalizado, sendo, em um dos casos, o triplo do preço, e no outro, praticamente sete vezes o preço, inclusive com o conhecimento a anuência do fiscalizado; da análise do fluxo financeiro de recebimento dos valores da venda destes bens, efetuada pela IBR a terceiros, notou se a entrada de valores até anteriores à venda do bem de Valdécio para IBR; concluiu se, portanto, que o objetivo real dos negócios jurídicos seria a venda dos bens imóveis, não para IBR, pelos valores declarados, mas para os terceiros, pelos valores efetivamente praticados pela IBR; . que as vendas efetuadas para a IBR não tinha fundamentação econômica, e serviram apenas como uma ponte utilizada para dissimular o real valor das vendas dos imóveis, de forma a permitir ao fiscalizado o recolhimento do imposto de renda sobre ganho de capital em valor menor que o que seria devido ao Fisco Federal; assim, considerouse que o comportamento do fiscalizado no caso concreto, se enquadrou à norma legal em abstrato, a qual caracteriza a existência de crime contra ordem tributária, no caso em que o contribuinte tenta reduzir ou se furtar do pagamento de tributos, através de artifícios e ações ilícitas e duvidosas. . em relação ao ganho de capital na alienação de bens, após uma análise de todos os documentos apresentados, conforme já explanado em itens anteriores, apurouse valores a serem lançados, por recolhimento a menor de seus valores, conforme abaixo: venda de 26,7% da gleba de terra em Eugênio de Melo (Fazenda Santa Catarina): Valor apurado do ganho de capital tributável = R$ 3.038.505,88 Valor declarado de ganho de capital = R$ 0,00 Diferença a tributar= R$ 3.038.505,88 . Venda de 50% da garagem 597 + terreno: Valor apurado do ganho de capital = R$ 747.216,41 Valor declarado de ganho de capital = R$ 45.708,72 Diferença de valor a lançar = R$ 701.507,69 Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720046/201191 Acórdão n.º 2202002.427 S2C2T2 Fl. 5 7 O Auto de Infração foi lavrado em 03/06/2011, tomando o autuado ciência em 13/06/2011, conforme AR de fl. 2010, ingressou com a impugnação (fls. 2013 a 2039), através de seus advogados legalmente constituídos (procuração de fl. 2040), em 13/07/2011, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: pela documentação apresentada e pelos valores envolvidos corroborada pela confirmação dos pagamentos efetuados, vislumbrase com mediano conhecimento que o Sr. Valdécio ora impugnante e o proprietário das empresas envolvidas gozavam e gozam de total confiança entre si, e efetuaram pagamentos vultosos unicamente baseada e lastreada em documentos particulares, condição este que traz autenticidade aos mesmos, principalmente pelo aval do próprio auditor que confirmou e aceitou como correto toda movimentação financeira do impugnante, assim, convalidando as transações efetuadas; quanto aos cálculos do Ganho de Capital, na área localizada em Eugênio de Melo/Fazenda Santa Catarina, comete o Auditor erro de cálculo o valor das prestações recebidas, deixando de descontar o custo proporcional do imóvel alienado, que segundo tal demonstrativo é de R$ 726.876,00 devendo o cálculo ser refeito em substituição ao constante do item 6 do termo de Verificação Fiscal – Termo Final; quanto a declarada “economia tributária” pelo Sr. Auditor Fiscal,é bom que seja consignado que a empresa IBR recebeu, reconheceu e contabilizou toda receita que envolveu as operações imobiliárias, e, por conseguinte, recolheu todos os impostos incidentes que remontam a importância de R$ 438.644,97, conforme demonstrativo de fl. 2023; pelos números demonstrados, à afirmativa do Sr. Auditor de que haveria uma economia tributária efetuando a venda por uma pessoa jurídica (IBR), desaparece, ou seja, ficaria mais econômico tributariamente falando a incidência pela pessoa física, assim, sendo, fica a teoria fiscal desacreditada e inaceitável. Não há dissimulação para pagar mais tributo. A ALEGADA SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO. Vale destacar que não houve qualquer simulação ou dissimulação, mas ao contrário, simples exercício de lícita relação comercial de compra e venda, em total respeito ao princípio de autonomia da vontade num mercado imobiliário dinâmico, onde o Impugnante julgou por bem alienar os bens em tela para se capitalizar e realizar outros negócios. Assim, como comprovado pela fiscalização o Impugnante comprou imóvel de 15 milhões de reais, ou seja, com dita alienação “dissimulada” o Impugnante viabilizou recurso para aquisição de outro imóvel; e, mais, se o impugnante alienou os imóveis e os compradores destes tais bens conseguiram realizar a venda mais lucrativa que o impugnante, isso não é e jamais poderá ser considerada uma venda simulada ou dissimulada para se economizar Ganho de Capital. Até porque, como dito, com a venda o Impugnante viabilizou seu ingresso em outro investimento, este também devidamente comprovado pela fiscalização; Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 incontroverso que de fato houve o negócio jurídico além do mais, o lançamento é tão desproposital e ilógico que supõe que o impugnante teve prejuízo na venda para economizar o ganho de capital; prova disso, são as alegações da própria fiscalização trazidas nos itens seguintes do TERMO FINAL, onde convalida a movimentação bancária do impugnante, que, se tivesse havido o “dito retorno camuflado” este necessariamente teria de emergir da movimentação bancária, o que não ocorreu; com efeito, o negócio jurídico efetivamente ocorreu, e efetividade restou incontroversa, assim, o negócio jurídico não foi artificial e muito menos simulado/dissimulado. O impugnante pretendia comprar outro imóvel e para tanto precisou vender outros; . entretanto, por dever de argumentação, o impugnante poderia planejar o recolhimento dos tributos, pois, este é um direito do contribuinte, assim corrobora o parágrafo único do art. 116, desde que o planejamento não simule ou dissimule a ocorrência do fato gerador, o que no presente caso não ocorreu, pois sobre o efetivo ganho de capital houve integral recolhimento de tributos; . a alegação simulação do negócio jurídico no caso em tela não encontra respaldo no texto do Código Civil que prevê em quais hipóteses fáticas pode ocorrê la, neste sentido, o impugnante trouxe á colação o disposto no artigo 167 do Código Civil, para esclarecer a total falta de subsunção do fato alegado no presente caso à norma em abstrato; pela análise do enunciado referido, não há simulação ao se alienar um bem por valor menor ao de mercado, não há previsão legal para tal hipótese, até porque tal disponibilidade encontra se dentro da esfera de direitos do cidadão, proprietário; DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 116 DO CTN. A par disso, prossegue o impugnante, o disposto do parágrafo único, do artigo 116, do CTN, não é norma auto aplicável e muito menos constitucional, primeiramente, por prever a necessidade de expedição de lei ordinária, o que não ocorreu, segundo, ao retirar do legislador o poder de legislar e passar este ao fiscal, quem define caso a caso qual contrato é válido ou dissimulado; o planejamento tributário é permitido pela legislação, e a ele não se aplica o limitador do parágrafo único, do art, 116, do CTN, se assim o pretender aplicar, essa norma está incorrendo em flagrante inconstitucionalidade, pois desrespeitaria os princípios constitucionais da segurança jurídica, certeza do direito e legalidade; oportuno dizer a alegação de que houve simulação/dissimulação, não restou comprovado, ao contrário foi devidamente espacanda, pelos argumentos arrolados em fls. 2033 e 2034; QUALIFICAÇÃO DA MULTA E DA REPRESENTAÇÃO PENAL. O fato de ter vendido os imóveis para a empresa IBR, cujo proprietário mantém negócios com o Impugnante, não quer dizer nada, absolutamente nada; Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720046/201191 Acórdão n.º 2202002.427 S2C2T2 Fl. 6 9 o fato do Sr. Mário Aoki ter participação na venda de um dos imóveis alienado pelo Impugnante, somente vem a reforçar a total ausência de conluio para praticar um ato de dissimulação, pois, o sócio condômino, Mário, adquiriu do outro, ora Impugnante, para poder guardar para si fazer um bom negócio, ao passo que o Impugnante visualizou a viabilização de aquisição de outro imóvel, com a venda deste. Cuida se de oportunidade de negócios, onde cada qual projeta expectativas e realiza apostas; por outro lado, referente a venda de um dos imóveis, a fiscalização afirma que houve entrada de valores na empresa IBR, até mesmo antes da venda do Impugnante à IBR, mas, deve ser devidamente esclarecido que tais valores ingressaram na IBR após compromisso particular de compra e venda, e estes são anteriores a escritura, ato este registra praticado em razão de que a IBR pretendia alienar o bem a terceiros; . prossegue o impugnante dizendo que, a jurisprudência é pacífica em afirmar que se faz necessário comprovar a fraude, que neste caso não houve, e mais, que a simples divergência de dados, que também não ocorreram não pode agravar a multa; DO PEDIDO. “Frente à total ausência de comprovação do ‘INIMAGINÁVEL’ recebimento dos valores submetidos à tributação como ‘ganho de capital’, desaparece a ‘base de cálculo’, culminado pela ‘diligência’ junto a real vendedora que comprovou a compra, seus pagamentos e a respectiva venda integralmente tributada, desta forma deve ser julgado improcedente o presente lançamento ora impugnado cancelando se integralmente...”. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciar se a respeito da conformidade da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO Os negócios formalizados pelas pessoas físicas não são válidos por si mesmos, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria geral do direito e devem ser desconsiderados se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Sujeita se à incidência do imposto de renda o ganho de capital correspondente à diferença positiva entre o valor de alienação e Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 o valor do custo de aquisição do imóvel. Para efeito da apuração de ganhos de capital, o valor e a data da operação a serem considerados na alienação do imóvel são os consignados na escritura de compra e venda, exceto se restar comprovado de forma inequívoca que outros dados é que são os verdadeiros de fato. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos o intuito de fraude. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, a contribuinte apresenta o recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Destacando os seguintes pontos: Da alegada simulação / dissimulação; Da inconstitucionalidade do art,116 do CTN; Do agravamento da multa e da representação penal. É o relatório. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720046/201191 Acórdão n.º 2202002.427 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A fiscalização apurou omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, referentes à alienação de bens, ano calendário 2007. A seguir são apresentadas as razões da autoridade julgadora para manter o lançamento: A fiscalização destaca que os atos ou negócios jurídicos em causa enquadram se, em tese, como crime contra a ordem tributária pelos procedimentos praticados pelo fiscalizado, abrangendo a venda de dois de seus imóveis, sendo que, em um deles, não apurou ganho de capital, e no outro, apurou um valor pequeno de ganho, recolhendo o imposto de renda por ele calculado. Esclarece a fiscalização que, as vendas foram efetuadas para a mesma empresa, a IBR Empreendimentos e Participações Imobiliárias, empresa esta que atua no ramo da compra e venda de imóveis, sendo que, o sócio administrador desta empresa, o Sr. Mário Fumio Aoki, é também empresário da região, e que mantém diversos negócios com o fiscalizado, e que, inclusive, o Sr. Mário Aoki detinha a participação de 50% em um dos bens imóveis vendidos. Posteriormente (ou simultaneamente), estes bens imóveis foram vendidos para terceiros, por valores bem superiores aos obtidos pelo fiscalizado, sendo, em um dos casos, o triplo do preço, e no outro, praticamente sete vezes o preço, inclusive com o conhecimentos e anuência do fiscalizado. Da análise do fluxo financeiro de recebimento dos valores da venda destes bens, efetuada pela IBR a terceiros, notouse a entrada de valores até anteriores à venda do bem de Valdécio para IBR. Conclui, então, a fiscalização, que o objetivo real dos negócios jurídicos seria a venda dos bens imóveis, não para IBR, pelos valores declarados, mas para os terceiros, pelos valores efetivamente praticados pela IBR. As vendas efetuadas para a IBR não tinha fundamentação econômica, e serviram apenas como uma ponte utilizada para dissimular o real valor das vendas dos imóveis, de forma a permitir ao fiscalizado o recolhimento do imposto de renda sobre ganho de capital em valor menor que o que seria devido ao Fisco Federal. Para justificar que teria ocorrido uma simulação assim se pronuncia a autoridade recorrida: Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 Registre se, primeiramente, que há motivo para a prática da simulação, o crédito tributário de alto valor. Tal motivo, por si só não seria suficiente para configurar a simulação, mas por sua essencialidade, não pode deixar de ser previamente analisado, na medida em que, sem ele, não há que se falar em simulação. Prosseguindo, verifica se ter sido constatado efetivamente grande descompasso entre os valores das alienações dos dois imóveis, feitas pelo contribuinte em epígrafe à empresa IBR, e os valores das alienações desses mesmos imóveis, feitas logo após a aquisição por parte da IBR, à terceiros. Embora a segunda alienação tenha ocorrido em curtíssimo espaço de tempo, um dos imóveis foi vendido pelo triplo do preço pago ao Sr. Valdécio e o segundo imóvel foi vendido por sete vezes o preço pago ao Sr. Valdécio, quando da aquisição dias antes. É evidente, portanto, a falta de coerência entre os respectivos valores. Não se trata de determinar o quanto alguém deve ou não receber por aquilo que aliena, todavia, a comparação entre os valores permite constatar que não houve real vontade de realizar as transações entre o contribuinte em epígrafe e a empresa IBR Empreendimentos e Participações Imobiliárias, mas de ocultar o real ganho de capital por parte do Sr. Valdécio, pela venda de seus imóveis para HELBOR MRV Engenharia e Participações. Destaque se, ainda, que a alienação do imóvel “Garagem 597 e terreno de 2.750 m2”, embora alienado pelo contribuinte à IBR em 22/11/2007, a mesma começou a receber os valores da venda deste bem a terceiros em mês anterior ao da venda efetuada por Valdécio à IBR, qual seja, setembro/2007. Cabe ainda acrescentar como observações adicionais: Acrescente se a tudo isso que o próprio Sr. Valdécio assinou como interveniente anuente da alienação do imóvel em Eugênio de Melo feita pela IBR a empresa HelborMRV Engenharia e Participações Ltda., em vista de ser o dono da empresa NSA Vale Construção e Incorporação Ltda, proprietária de 36,6% do mesmo imóvel vendido. Ainda, quando o Sr. Valdécio foi intimado a comprovar o valor auferido (na alienação para a IBR), apresentou diversos instrumentos particulares, firmados entre ele e a empresa AREVALE, que pertence ao Sr. Mário Fumio Aoki, alegando ter utilizado os valores auferidos diretamente na compra de diversas outras áreas de terra, ocorre que o Sr. Mário Fumio Aoki, também representara a empresa IBR Empreendimentos e Participações Ltda. (como sócio) por ocasião da suposta aquisição dos imóveis e também o Sr. Mário Fumio Aoki era proprietário em condomínio (50%) com o Sr. Valdécio de um dos imóveis negociados à IBR. Esse conjunto de constatações permitem concluir pela existência de simulação nas operações entre o Sr. Valdécio e a IBR Empreendimentos e Participações Ltda. quando conferiram a alienação dos imóveis do primeiro para o segundo. Não se trata de ignorar a vontade do contribuinte ou de forçar a ocorrência de fato tributável, pois o que ocorreu foi a constatação da prática de atos que não tinham fundamentação econômica, deixando à mostra a real intenção dos negócios Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720046/201191 Acórdão n.º 2202002.427 S2C2T2 Fl. 8 13 jurídicos que seria a venda dos bens imóveis, não para IBR, pelos valores declarados, mas para terceiros, pelos valores efetivamente praticados pela IBR. Não identifico qualquer reparo a realizar no arrazoada do autoridade recorrida.. Deste modo as utilizo como fundamento para o voto. Destaquese que o farto encadeamento de fatos, devidamente documentados, demonstram o intuito doloso da contribuinte, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, e caracterizam a fraude fiscal, além de tipificar conduta prevista no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10530.725712/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APURAÇÃO DO CRÉDITO. REGIME DA COMPETÊNCIA.
Vigora no Regime Geral de Previdência Social o regime da competência, e não o de caixa, para a apuração das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados e para a constituição do crédito tributário.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96) e que a verba relativa a um terço de férias não integra o salário de contribuição.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APURAÇÃO DO CRÉDITO. REGIME DA COMPETÊNCIA. Vigora no Regime Geral de Previdência Social o regime da competência, e não o de caixa, para a apuração das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados e para a constituição do crédito tributário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96) e que a verba relativa a um terço de férias não integra o salário de contribuição. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APURAÇÃO DO CRÉDITO. REGIME DA COMPETÊNCIA. Vigora no Regime Geral de Previdência Social o regime da competência, e não o de caixa, para a apuração das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados e para a constituição do crédito tributário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 57 12 /2 01 0- 81 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96) e que a verba relativa a um terço de férias não integra o salário de contribuição. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2008 Data da lavratura do AIOP: 14/12/2010. Data da Ciência do AIOP: 16/12/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Salvador/BA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.305.2499, consistente em contribuições sociais previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, não declaradas em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 74/91. De acordo com a resenha assinada pela Autoridade Lançadora, constituemse bases de cálculo do vertente lançamento as diferenças de remuneração de segurados empregados entre as constantes nas folhas de pagamentos apresentadas e aquelas declaradas nas GFIP correspondentes. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 210 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 178/180. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 181/191, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/06/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 193. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 196/204, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que no lançamento do crédito houve a apuração por competência de pagamento da folha e não no momento da sua liquidação, contrariando o art. 52 da IN RFB nº 971/2009; · Que estão sendo exigidas contribuições sobre verbas de natureza indenizatória, in casu, o adicional constitucional de férias e horas extras; · Que se o CTN estabelece os imperativos para a aplicação da norma mais benéfica ao Contribuinte, não pode uma Portaria interna da RFB criar novos parâmetros. Ao fim, requer a declaração de nulidade do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 28/06/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19/07/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Alega o Recorrente que estão sendo exigidas contribuições sobre verbas de natureza indenizatória, in casu, o adicional constitucional de férias e horas extras. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matéria não foram, nem mesmo indiretamente, invocadas pelo Impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 211 5 Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas no primeiro parágrafo deste tópico, não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DA COMPETÊNCIA DO LANÇAMENTO Mudamse os tempos, mudamse as vontades, Mudase o ser, mudase a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as magoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 212 7 O tempo cobre o chão de verde manto, Que já cuberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o doce canto. E, afora este mudarse cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soia Luís de Camões Alega o Recorrente que no lançamento do crédito houve a apuração por competência de pagamento da folha e não no momento da sua liquidação, contrariando o art. 52 da IN RFB nº 971/2009. Sem Razão Em primeiro lugar, deve ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. No caso em apreciação, o período de apuração dos fatos geradores estendese desde 01/09/2006 até 31/12/2008, horizonte temporal em que ainda nem se vislumbrava a edição na IN RFB nº 971/2009, a qual somente se houve por publicada e, assim produzir seus efeitos típicos, em 17 de novembro de 2009, ou seja, dez meses e meio após o encerramento do prazo de investigação dos Fatos Jurígenos Tributários em relevo. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fica no ar a pergunta: Como poderia a Fiscalização contrariar uma norma tributária que, sequer, se houve ainda por editada ? Em segundo lugar, deve ser esclarecido que o regime de lançamento adotado pela Lei de Custeio da Seguridade Social é o regime de competência, conforme assim estipula o art. 22 da Lei nº 8.212/91, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, creditadas ou devidas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). Diverso não é o conceito de Salário de Contribuição, o qual dá contornos à base de cálculo das contribuições dos segurados empregados: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Tal compreensão não colide com as disposições inscritas no art. 66 da IN SRP nº 3/2005, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores ora apurados. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 213 9 Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: (...) III em relação à empresa: a) no mês em que for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, a segurado empregado ou a trabalhador avulso em decorrência da prestação de serviço; (grifos nossos) (...) §2º Para os órgãos do Poder Público considerase creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendose como tal, o momento do reconhecimento da despesa. Anotese que a própria elaboração de folha de pagamento e a prestação de informações em GFIP já revelam o reconhecimento da despesa com pessoal, contingência que implica a consideração da competência a que se referem tais documentos como a efetiva competência de crédito da remuneração. A adoção do regime da competência pelos órgãos públicos, no que se refere às despesas com pessoal e aos encargos sociais e previdenciários, também é imposta pela Lei de Responsabilidade Fiscal, conforme estabelecido expressamente no §2º do seu art. 18, in verbis: Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entendese como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. (grifos nossos) (...) §2º A despesa total com pessoal será apurada somandose a realizada no mês em referência com as dos onze imediatamente anteriores, adotandose o regime de competência. (grifos nossos) Os dispositivos normativos que regulam a matéria são eloquentes, precisos e convergentes. Eloquentes, porque revelam que na apuração dos fatos geradores de contribuições previdenciárias deve ser observado o regime da competência; Precisos, porque delas avulta, de maneira inequívoca, a impossibilidade jurídica de se adotar qualquer outro Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 regime que não o da competência; e são convergentes porque todos os dispositivos inscritos em lei ordinária, lei complementar e legislações infralegais conduzem a essa mesma ilação. Em terceiro lugar, o Recorrente vem aos autos apenas para alegar que o regime adotado pelo Fisco destoa daquele por ele adotado, mas não esclarece qual seria esse regime e, muito menos, demonstra ou comprova que, de acordo com esse suposto regime, os recolhimentos das contribuições previdenciárias por ele devidas estaria correto. 2.2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Tributário o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promove a constituição formal do crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos em competências anteriores à vigência da MP nº 449/2008, ocasião em que fulguravam vigentes e Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 214 11 eficazes as normas atinentes à incidência de multa de mora irradiadas pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 215 13 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, coloquialmente falando, a lei que deu com uma mão, retirou com a outra. Se por um lado reduziu o percentual da multa moratória, incentivando dessarte a denúncia espontânea, pelo outro, fez inserir no ordenamento jurídico, em ádito, uma outra penalidade, com o nome de batismo de “multa de ofício”, visando a desencorajar o inadimplemento tempestivo da obrigação tributária principal. No novo regime legislativo, em se tratando de recolhimento espontâneo, o atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias é apenado com a multa moratória assinalada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96. Dispensando agora um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, tratandose de lançamento de ofício, como assim se configura o presente caso, enquanto que a legislação anterior à MP nº 449/2008 previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, antes da inscrição em dívida ativa, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44 da Lei nº 9.430/96, à razão fixa de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada, enquanto não ajuizada a execução fiscal. Ocorre, todavia, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária acessória. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação principal que é absolutamente independente de qualquer obrigação acessória a ela associada. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de obrigação principal, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 216 15 somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que as disciplinas acerca da imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessória e principal encontramse previstas em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastamos por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010. Assim, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 um tratamento mais gravoso ao contribuinte, inexistindo hipótese de a legislação superveniente, durante o contencioso administrativo, impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Diante de tal cenário, tratandose de lançamento de ofício, o atraso objetivo no recolhimento de contribuições previdenciárias pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10530.725712/201081 Acórdão n.º 2302002.648 S2C3T2 Fl. 217 17 a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao Contribuinte que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, circunstância que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. Ocorre que, findo o contencioso administrativo e após o ajuizamento da execução fiscal, a multa de mora é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, nos termos do art. 106, II, "c" do CTN. Nessa prumada, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN, concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora de recolhimento trazida pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 2.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Pondera o Recorrente que o CTN estabelece os imperativos para a aplicação da norma mais benéfica ao Contribuinte, não podendo uma Portaria interna da RFB criar novos parâmetros. A matéria atinente à quantificação da multa e ao regime jurídico de regência da penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória não poderá ser tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, por ser alheia ao objeto do vertente lançamento, o qual versa, exclusivamente, sobre contribuições previdenciárias a cargo de segurados empregados incidentes sobre seus respectivos salário de contribuição. As questões atávicas ao lançamento tributário decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória fixada no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, aviado no Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.305.2472, lavrado na mesma ação fiscal, serão apreciadas e julgadas nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10530.725710/201091, falecendo de competência esta Turma Julgadora para apreciar e julgar, nestes autos, matérias objeto de Processo Administrativo Fiscal diverso. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benéfica ao infrator inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 16682.721104/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1101-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às exigências dos anos-calendário de 2008 e 2009; mas, 3) por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, relativamente à exigência do ano-calendário 2007, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado nas conclusões pela Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, e designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às exigências dos anoscalendário de 2008 e 2009; mas, 3) por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, relativamente à exigência do anocalendário 2007, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado nas conclusões pela Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, e designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 10 4/ 20 11 -2 1 Fl. 8114DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte em epígrafe, foi lhe dada ciência em 27.12.2011 (fls 7781) de Auto de Infração relativo aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, (fls. 7719 a 7737) por meio do qual foram constituídos os seguintes créditos tributários: (i) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ no valor de R$ 29.005.753,44 e (ii) Contribuição Social s/Lucro Liquido no valor de R$ 10.442.071,44, totalizando a importância de R$ 39.447.824,88, incluídos os valores dos tributos, da multa de oficio ofício (75%), e dos juros de mora (calculados até 30/11/2011). Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as acusações encontram se devidamente capitulados no auto de infração. 1. Da Autuação A autuação lavrada a termo pautouse na glosa de dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica (art.17, I, da lei 11.196/2005). Em apertada síntese, verificase pela análise do relato da autoridade fiscal, que a motivação da inclusão de ofício ao lucro líquido da Recorrente, fundouse basicamente em duas ocorrências que serão melhores detalhadas a seguir: a emissão de parecer desfavorável do Ministério de Ciência e Tecnologia em relação que teria descaracterizado os dispêndios de P&D incorridos pela contribuinte no anocalendário de 2007 e a irregularidade na forma de registro contábil individualizado dos citados dispêndios nos três anoscalendário objeto de autuação. Isto posto, passo, inicialmente, aos detalhes da fiscalização realizada. Segundo descreve o Termo de Constatação Fiscal, a deflagração do procedimento de auditoria se deu com base em procedimento de seleção interna, no âmbito do qual foram observados indícios de exclusão indevida, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de valores relativos a incentivos fiscais tecnológicos. No curso do procedimento fiscalizatório, a recorrente em resposta aos termos de intimação informou os seguintes montantes como dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica, excluídos das bases de cálculo do IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2007 a 2009: Fl. 8115DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 4 3 Esclareceu ainda que a alocação de referidos montantes se deu da forma destacada no quadro adiante na ficha do lucro real das DIPJ’s entregues: Apresentou também à fiscalização, cópia dos formulários enviados ao Ministério da Ciência e Tecnologia contendo as informações sobre as atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, aplicável às pessoas jurídicas beneficiárias dos incentivos fiscais relativos, pertinentes aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Completando o ciclo de informações necessárias a análise da fruição do incentivo gozado, a Recorrente informou ter utilizado duas contas patrimoniais do ativo conta #13210203 DISPÊNDIOS C/INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, e respectiva conta de amortização #13250203 TRANSF.DE DISPÊNDIOS C/INOVAÇÃO TECNOLÓGICA para registro e controle dos dispêndios cujos respectivos percentuais foram utilizados como incentivos fiscais, de modo a atender ao disposto no inciso I do art. 22 da mesma Lei 11.196/2005. Ainda segundo relato da autoridade fiscal, os valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação (inclusive recursos humanos), foram informados individualizadamente nos formulários do MCT na seguinte conformidade: A empresa informou que os referidos dispêndios, quando registrados em contas de ativo eram levados a resultados de forma diferida, via de regra, por meio de sua amortização. Da análise dos dados disponibilizados foram apuradas pelo auditor fiscal as seguintes divergências entre os valores dos dispêndios informados nos formulários MCT e os montantes totais dos saldos das contas contábeis #13210203 e #13250203 em 31 de dezembro dos respectivos anos calendários: Fl. 8116DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 5 4 De forma a melhor evidenciar as divergências, a autoridade fiscal procedeu sua abertura por rubrica: Perquirido sobre citadas diferenças o contribuinte informou que: Despesas com Recursos Humanos: esta parcela assim como as demais atinentes a mesma rubrica foram classificadas durante o exercício no grupo de contas 211.1 PESSOAL, ENCARGOS E BENEFÍCIOS, todavia não foram reclassificados, em tempo, para as contas próprias #13210203 e #13250203. Despesas com Serviços de Terceiros: despesas com empresas contratadas que também não foram contabilizadas, em tempo, para a constituição da conta de ativo, apesar de fazerem parte do programa, conforme apontado no relatório do MCT. Podese representar de forma breve os registros contábeis e fiscais adotados pela Recorrente para registro o incentivo fiscal usufruído por meio do quadro esquemático a seguir: De posse das informações apresentadas, a autoridade lançadora passou a apontar no relatório falhas que em seu entendimento tornariam inválido o incentivo fiscal considerado pela Recorrente, acarretando seu expurgo da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anoscalendário de fruição, justificando o lançamento de ofício ora guerreado. É o que passamos a ver. 1.1 AnoCalendário de 2007 1.1.1 Parecer emitido pelo MCTI. Fl. 8117DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 6 5 No curso da ação fiscal, o auditor fiscal oficiou o setor competente do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para se manifestar acerca da caracterização dos dispêndios com P&D incorridos pela Recorrente, apontados em formulários enviados a este ministério, para cumprimento da previsão constante do art. 14, §2º do Decreto nº 5.798/06, que determina a obrigatoriedade de envio até 31 de julho de relatório sobre os programas de P&D desenvolvidos pelas empresas. Com base nas conclusões do Parecer Técnico Conjunto n° 009/2011 (PTC n° 009/2011) da Coordenação Geral de Inovação Tecnológica (CGIT) e da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação (CGTE), ambas do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) relativo ao ano base de 2007, pondera a fiscalização que os projetos de P&D apresentados pela contribuinte não teriam sido corroborados pelos analistas deste ministério, nos termos e propósitos estabelecidos pela Lei n° 11.196, de 21/11/2005. Isto porque o PTC n° 009/2011 teria classificado a empresa na relação das "Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas e/ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei no 11.196/05”. 1.2 Da Irregularidade no Registro Contábil dos Dispêndios. Além da questão regulatória apontada no tópico anterior, para a autoridade fiscal as contas contábeis 13210203 e 13250203 foram utilizadas pela Recorrente apenas para fins de reclassificação contábil, efetuada ao final do exercício em que os dispêndios foram efetuados, sendo que tal procedimento apenas visou dar um aspecto formal de cumprimento à exigência legal que determina a contabilização segregada dos dispêndios relacionados ao incentivo fiscal gozado. Prova disso, seria a falta de controle nesta reclassificação, pois o próprio contribuinte teria deixado de promover a reclassificação de parcelas de valores de dispêndios informados no Formulário MCT 2007, no montante de R$ 897.494,98 (RECURSOS HUMANOS) os quais teriam permanecido na conta 211.1 PESSOAL, ENCARGOS E BENEFÍCIOS, juntamente com outras despesas de pessoal não relacionadas com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Na mesma toada infirma que os dispêndios com SERVIÇOS DE TERCEIROS relacionada no Formulário MCT 2007, no montante de R$ 13.227.082,11 foi "reclassificada" para as contas 13210203 e 13250203 em 31/12/2007, conforme extratos do Razão. Tais parcelas declaradas no Formulário MCT 2007 tiveram seus lançamentos contábeis iniciais registrados em conta de fornecedor (0021120140 FORNECEDORES – ENTR MERC/SERV ENTRFATURA) juntamente com outros prestadores de serviços não relacionados aos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica declarados no Formulário MCT 2007. Fl. 8118DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 7 6 1.3 AnoCalendário de 2008 Relativamente a este anocalendário, os projetos de P&D apresentados pela contribuinte ao MCTI por meio dos formulários estabelecidos para esta prestação de contas, tiveram seu enquadramento corroborado por meio do Parecer Técnico Conjunto n° 021/2011. Para este período de apuração, a glosa total perpetrada pelo fisco pautouse somente na questão atinente ao procedimento de registro contábil adotado, inadmitindose o uso contas contábeis 13210203 e 13250203 apenas para fins de reclassificação contábil efetuada ao final do exercício em que os dispêndios foram efetuados. Para o fisco tal procedimento, como já exposto não atende à exigência legal de controle dos dispêndios por contas contábeis específicas. Novamente utiliza como sustentáculo desta alegação, o descontrole destas reclassificações, na medida em que parte dos dispêndios acabou não sendo reclassificado pela contribuinte de suas contas gerais para as contas específicas destinadas ao assento dos dispêndios relacionados aos projetos de P&D. 1.4 AnoCalendário de 2009 Para este anocalendário, os projetos de P&D apresentados pela contribuinte ao MCTI por meio dos formulários estabelecidos para esta prestação de contas, tiveram seu enquadramento corroborado por meio do Parecer Técnico Conjunto n° 022/2011. Sendo assim, a glosa integral do incentivo fiscal foi igualmente pautada apenas na questão do procedimento de registro contábil dos dispêndios, tal qual apontado pelo auditor fiscal para os anos de 2007 e 2008. Em termos gerais, apresenta a fiscalização o seguinte quadro resumo abrangendo os anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 (objeto de outro MPF) para corroborar a incorreção praticada pela contribuinte em termos contábeis. 2. Da Impugnação Em sua defesa de primeira instância, a Recorrente apresentou os seguintes argumentos para ao final pleitear a improcedência do lançamento: Fl. 8119DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 8 7 A) Das nulidades da autuação. A Impugnante cumpriu o requisito do art. 22, I, da Lei n° 11.196/05 ao utilizar conta de ativo específica para controle dos dispêndios com P&D, a lei não estabelece a forma ou prazo para a contabilização. Esta lei foi regulamentada pelo Decreto n° 5.798/06. • A Instrução Normativa RFB n° 1.187/11 também se manteve silente a respeito do prazo e da forma em que os dispêndios deveriam ser controlados, restringindose a prescrever que, em algumas situações, os valores deveriam ser controlados no LALUR. • A impugnante entendeu que seria mais adequado registrar os dispêndios com P&D em contas específicas de ativo, criadas para esta única finalidade (Conta Dispêndios com Inovação Tecnológica 13210203 e sua contrapartida, Conta Transferências de Dispêndios com Inovação Tecnológica 13250203). • Não cabia à fiscalização estabelecer a forma ou o prazo para a contabilização dos dispêndios com P&D. Portanto ao fazer, exorbitou sua competência, atuando como verdadeiro legislador. • Há alternativas de controle em contas específicas dos dispêndios com P&D. Podese citar, a título de exemplo: (i) criação de contas específicas de resultado, ativo e passivo, para os dispêndios com P&D, funcionando como um centro de custos; (ii) a criação de contas de ativo, com correspondentes contrapartidas, com esta específica finalidade; etc. • O art. 247, § 1o, do RIR/99 não se presta como fundamento para exigir a contabilização dos dispêndios em contas específicas sob o regime de competência. • Os dispêndios com P&D foram contabilizados segundo o regime de competência, em seu respectivo grupo de contas. O controle em duas contas de ativo foi feito a posteriori, apenas para atender as exigências da Lei do Bem, o que não altera o resultado da empresa. • Como o benefício é fruído via exclusões no LALUR, a contabilidade não é afetada, tampouco o resultado, portanto os lançamentos fiscais feitos posteriormente não implicam violação ao art. 247, § 1o, do RIR/99, pois os dispêndios seguem o regime de competência. • A empresa não está mudando seu regime de apuração para caixa, apenas, posteriormente, é que os dispêndios classificáveis como despesas operacionais nos termos do art. 17, I, da Lei do Bem, foram lançadas em conta específica para atender as exigências da lei, o que não representou qualquer impacto na apuração do lucro líquido. • A decisão de adotar conta de ativo específica para controle dos dispêndios com P&D decorreu da necessidade de observar simultaneamente as exigências da Lei do Bem (art. 22,1) e da Lei n° 11.638/07. Fl. 8120DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 9 8 • A adoção de contas de ativo específicas para controle dos dispêndios com P&D decorreu da necessidade de compatibilizar o requisito do art. 22, I, da Lei n° 11.196/05 com os comandos da Lei n° 11.638/07, os quais exigem clareza nas informações. • A mudança de paradigma da lei fez com que as demonstrações contábeis, antes voltadas para o Fisco, passassem a ser elaboradas e apresentadas para usuários externos em geral, tendo em vista suas finalidades distintas e necessidades diversas. • Após a edição da Lei do Bem, toda a estrutura da contabilidade brasileira foi alterada pela Lei n° 11.638/2007 e pelos Pronunciamentos emitidos pelo CPC Comitê de Pronunciamentos Contábeis. A contabilidade passou a voltarse para o investidor. Foi por essa razão que entendeu a empresa que a utilização de duas contas de ativo, neutras para efeitos fiscais e contábeis, traria as informações necessárias ao cumprimento das exigências do art. 22,1, da Lei n° 11.196/05, sem desvirtuar as normas contábeis válidas. • A circunstância de terem sido identificadas algumas poucas divergências entre os valores lançados nestas contas e aqueles informados nos formulários do MCT, serve de prova de que a contabilidade se presta para o controle dos dispêndios com P&D. • Caso não houvesse controle contábil em conta específica como seria possível ao Fiscal, a partir exclusivamente dos documentos apresentados pela impugnante, verificar que algumas Notas Fiscais deixaram de ser incluídas na conta do ativo, como o fez às fl. 31, 33 e 35 do TVRF? • As normas concessivas de benefícios fiscais devem ser interpretadas restritivamente não apenas pelo contribuinte, mas também pelo Fisco. • O art. 111 do CTN, as regras relativas à concessão de incentivos fiscais devem ser interpretadas literalmente, não cabendo ao intérprete ampliar seu conteúdo e alcance. • O Fisco deve interpretar literalmente as normas legais que dispõem sobre esta matéria. Sendo assim, como não há qualquer disposição, seja na Lei n° 11.196/05, seja no Decreto n° 5.798/06, seja ainda na Instrução Normativa RFB n° 1.187/11, estabelecendo o prazo e a forma de controle dos dispêndios com P&D, não poderia a fiscalização, por mera liberalidade, alargar seu conteúdo, criando exigência não prevista na lei. • Não tendo a lei estabelecida a técnica de contabilização ou um prazo, o que deve ser apreciado são a finalidade e se os lançamentos foram feitos antes de se proceder às exclusões. • Se a contabilidade da empresa for suficiente para atingir o objetivo da lei, que é justamente permitir a conferência dos valores utilizados pelo contribuinte na exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e daqueles que efetivamente poderiam sêlo, não há qualquer fundamento jurídico para Fl. 8121DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 10 9 desqualificála, entendimento em sentido contrário viola a interpretação literal do art. 22,I, da Lei n° 11.196/05. • No que se refere ao prazo, não estando previsto na legislação um termo para a contabilização, não há argumento jurídico para o aplicador considerar ineficazes os lançamentos realizados antes de se proceder às exclusões previstas na lei. • Uma coisa é o dever de contabilizar as despesas operacionais relevantes para a apuração do lucro real no regime de competência. Outra é o dever de registrar dispêndios classificáveis como despesas operacionais em contas específicas como condição para o benefício fiscal. • A impugnante cumpriu o primeiro dever de contabilizar suas despesas operacionais sob o regime de competência e cumpriu o segundo dever ao reclassifcar as despesas operacionais em contas de ativo específicas antes do uso do benefício e sem que tivesse iniciado qualquer procedimento fiscal. Este procedimento é legitimo, pois: (i) não há qualquer prescrição da Lei do Bem ou do Decreto que o regulamentou estabelecendo um prazo para o lançamento em conta específica desses valores; e (ii) não se tratando de fato contábil, mas de fato meramente fiscal, não se pode exigir a observância do art. 247, § 1º, do RIR/99 no caso. • Ausência de fundamento legal para proceder à glosa integral dos valores contabilizados em conta específica a identificação de notas fiscais de serviços de terceiros não contabilizadas, no máximo, autoriza a glosa parcial • Compulsando os documentos apresentados à fiscalização e as próprias conclusões do Termo de Verificação Fiscal, observase que apenas um pequeno percentual das notas fiscais relativas a dispêndios com serviços de terceiros deixaram de ser contabilizadas nas contas de ativo específicas de dispêndios com P&D. • Tendo a fiscalização identificado todos os dispêndios com serviços de terceiros que não foram lançados nas contas de ativo de P&D, jamais poderia proceder à glosa integral dos valores excluídos do lucro real pela impugnante no período. A constatação de que uma parcela ínfima dos valores relativos aos dispêndios com P&D não foram lançados nas contas de ativo n° 13210203 e 13250203 não é fundamento jurídico para a glosa. • Não é razoável que um mero erro formal, seja usado como único fundamento para indeferir o benefício fiscal em questão. B. Dos Equívocos do Parecer MCT do Ano Base de 2007. • O projeto relativo ao ano de 2007 é de inovação tecnológica. O Parecer Técnico Conjunto CGIT/MCT e CGTE/MCT n° 0009/2011 (doc. 06), que não aprovou o enquadramento dos projetos de P&D não corresponde à Fl. 8122DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 11 10 realidade dos fatos, todos os campos exigidos pelo Ministério foram detalhadamente preenchidos, discriminado a empresa, de forma pormenorizada, os novos produtos que estava desenvolvendo. • Todos os campos exigidos pelo Ministério foram detalhadamente preenchidos no Formulário MCTI discriminando os novos produtos que estava desenvolvendo, bem como as melhorias. • Todos os dispêndios com P&D classificáveis como despesas operacionais podem ser considerados no cômputo do benefício fiscal prescrito no art. 19 da Lei nº 11.196/05. • Outro fundamento apresentado no Parecer foi o de que apenas os dispêndios com a contratação de terceiros que se enquadrassem como microempresa ou empresa de pequeno porte para a execução de pesquisa com P&D poderiam ser deduzidos do lucro real. • Segundo o art. 19,§ 1o, da Lei n° 11.196/05, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido o valor correspondente a 80% dos dispêndios com P&D realizados no período de apuração, classificáveis como despesas pela legislação do IRPJ, nos termos do inciso I do art. 17 desta Lei. Portanto, todos os dispêndios com P&D podem ser deduzidos do lucro real. C. Da impossibilidade de se exigir juros SELIC sobre a multa • A finalidade da taxa SELIC é remunerar, em face do atraso no pagamento, receita esperada pela Fazenda Pública. Daí sua vocação para incidir exclusivamente sobre o tributo (principal) e não sobre a multa, que nunca é esperada. Por essa mesma razão, a SELIC nunca incide sobre a multa de mora, e de forma coerente, nunca poderá incidir sobre a multa de ofício, o que, infelizmente, não tem sido observado pela administração tributária. 3. Do Acórdão Proferido pela DRJ/RJ1 Ao analisar a impugnação apresentada, a 8ª Turma da DRJ/RJ1, optou por manter integralmente o lançamento, ementando sua decisão da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007,2008,2009 NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade se a fiscalização agiu em perfeita consonância com o artigo 142 do CTN, e ainda com as normas contidas no Decreto 70.235/72. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. DISPÊNDIOS. BENEFÍCIO FISCAL. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica somente poderão ser Fl. 8123DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 12 11 excluídos do lucro líquido se forem controlados contabilmente em contas específicas. Artigos 17; 19; 22, inciso I; e 24, da Lei nº.11.196/2005. INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. PARECER TÉCNICO. O parecer técnico emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia vincula a Receita Federal, uma vez que aquele órgão é que tem a competência legal para opinar sobre matéria técnica a ele afeita. Artigo 14, do Decreto nº.5.798, de 2006. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161, CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007,2008,2009 CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.” Visando dar maior clareza a ementa citada, destacase trecho do acórdão proferido no tocante a questão do registro contábil dos dispêndios relacionados ao incentivo fiscal: “(...)Como se vê, os dispêndios com recursos humanos e serviços de terceiros, referentes à pesquisa e inovação tecnológica, obrigatoriamente, deverão estar em contas especialmente criadas para tal fim, e, portanto, separadas das demais despesas da empresa. O controle desses dispêndios em separado é essencial para que o contribuinte possa usufruir do benefício fiscal. O controle dos dispêndios implica que o registro deve ocorrer no momento da ocorrência dos fatos. Observese que se o registro pudesse ser feito posteriormente, não haveria sentido em falar de controle. Não basta registrar ou contabilizar, tem que controlar os dispêndios e isto envolve o registro no momento correto e não posteriormente. Portanto, não há como se acatar a tese da interessada relativa a contabilização a posteriori e da reclassificação, não tendo o menor sentido a afirmação de que a lei não estabeleceu a forma e o prazo para a contabilização. Para que fosse cumprido o requisito do art. 22, I, da Lei n° 11.196/05, ou seja, o controle dos dispêndios, o contribuinte teria que registrar os dispêndios à medida que os mesmos fossem ocorrendo e na conta específica e não em outra conta para posteriormente reclassificála. (...) O procedimento de reclassificação pode até ser utilizado para a análise dos balanços quando há dúvidas sobre certas contas, contudo não se coaduna com a finalidade do artigo 22, inciso I, da Lei nº 11.196/2005. A contabilidade deve revelar de maneira clara, precisa e inquestionável os dispêndios ocorridos a título de pesquisa e inovação tecnológica, quando da efetiva ocorrência dos fatos que motivaram os lançamentos contábeis. Fl. 8124DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 13 12 (...) Atentese que a contabilidade tem que produzir informações íntegras e tempestivas, não sendo possível que se utilize reclassificações para cobrir erros e omissões na contabilização. (...) O contribuinte alega que nem a Lei n° 11.196/2005, nem o Decreto n° 5.798/06, nem Instrução Normativa RFB n° 1.187/11 estabeleceram a forma ou prazo para a contabilização dos dispêndios com atividades de pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica. Ocorre que não é preciso que os citados dispositivos façam qualquer previsão especial, devendo ser usados os métodos, princípios e normas contábeis comuns de modo a se registrar os citados dispêndios à medida que estes forem acontecendo, sendo exercido o preciso controle sobre os mesmo (...) Outro ponto a ser esclarecido ao contribuinte se refere ao art. 247, § 1o, do RIR/99. Tal dispositivo fornece regras sobre apuração do Lucro Real, sendo perfeitamente correta a sua menção na autuação, posto que, foi glosada uma exclusão o que aumenta o Lucro Real e consequentemente o IRPJ, ressaltando que ficou bem claro na autuação que o fundamento para a glosa foi a Lei 11.196/2005. De qualquer maneira, um suposto erro no enquadramento não é suficiente para anular ou exonerar a interessada da autuação. Não tem sentido a alegação de que os procedimentos do contribuinte não alteraram o resultado contábil, na realidade a autuação não está visando a apuração do lucro, mas a verificação de um procedimento previsto em lei que autoriza a fruição de um benefício fiscal. Também não pode ser acatada a alegação que a edição da Lei 11.638/2007, que fez alterações na contabilidade brasileira, teve alguma influência nos procedimentos de controle dos dispêndios com P&D, não há qualquer relação entre a citada lei e a condição de controle dos dispêndios para auferir o benefício fiscal, pelo contrário, é necessário que o investidor tenha todas as informações da empresa com os valores exatos e registrando o momento da ocorrência. Ademais o contribuinte não apresentou qualquer dispositivo que colida com a necessidade de controle dos gastos com P&D. O contribuinte alega que o Fisco deveria interpretar a legislação literalmente (art. 111 do CTN). Na verdade, a fiscalização o fez, pois, não foi alargado o conteúdo, nem foi criada exigência não prevista em lei, somente foi verificado que o contribuinte não fez o necessário controle dos dispêndios com P&D,conforme previsão do art. 22,I da Lei 11.196/2005. Não assiste razão à interessada quando esta argumenta que não há fundamento para a glosa integral das exclusões pelo fato de que apenas parte das notas fiscais deixaram de ser contabilizadas. Como já foi Fl. 8125DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 14 13 anteriormente exposto, o artigo 24 da Lei 11.196/2005 afirma. que no caso de descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos, implica no recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos em decorrência dos incentivos já utilizados, acrescidos de juros e multa, de mora ou de ofício, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. 4. Do Recurso Voluntário Cientificado do acórdão proferido a Recorrente apresentou recurso voluntário, fundado nas alegações já apresentadas em sede de impugnação, as quais ainda foram adicionadas as seguintes argumentações: • Falta de manifestação da DRJ de que os dispêndios indicados para o ano de 2007 não corresponderiam a investimentos em P&D, uma vez que a decisão se limitou a afirmar que a RFB estaria vinculada ao que ficou assentado no Parecer Técnico CGIT/MCT nº 09/2011, o qual não corroborou o enquadramento do projeto. Ademais o parecer afirmou equivocadamente, que somente dispêndios correspondentes à contratação de terceiros como ME e EPP poderiam ser deduzidos do lucro real, enfrentando, assim, matéria jurídica, não técnica. • Esta falha quando ao não enfretamento de argumentos expostos na impugnação, viola seu direito de defesa, sendo a decisão proferia nula nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. • Diferentemente do que alega o acórdão recorrido, o Parecer Técnico Conjunto CGIT/CGTE MCT nº 09/11 deixou de corroborar o enquadramento dos projetos de P&D não por deixar de entender que os dispêndios não correspondiam a inovação tecnológica, mas pelo fato de entender que a informações constantes do item 4.1 do formulário, não evidenciaram com clareza, as atividades de pesquisa contratadas pela empresa. Logo o parecer não é conclusivo, no sentido de que os dispêndios não correspondem a P&D. • Diante da constatação, de que o MCTI não externou sua opinião sobre a matéria técnica, tendo se limitado a afirmar que as informações constantes do formulário supostamente não evidenciaram as atividades de pesquisa contratadas pela empresa, conclui que o CARF pode julgar a ilegalidade da atuação deste ministério na análise do projeto da empresa. É o relatório. Fl. 8126DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 15 14 VOTO VENCIDO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. A) Análise da Preliminar de Nulidade do Acórdão Recorrido Ante de adentrar ao mérito propriamente dito, fazse necessário promover pequeno aparte para manifestarme sobre a nulidade do acórdão proferido pela 8ª Turma da DRJ/RJ1, suscitada pela Recorrente com lustro no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72: “Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Em essência, alega a Recorrente que não houve manifestação da DRJ quanto ao fato de que os dispêndios indicados para o ano de 2007 não corresponderiam a investimentos em P&D, uma vez que a decisão se limitou a afirmar que a RFB estaria vinculada ao que ficou assentado no Parecer Técnico CGIT/MCTI nº 09/2011, o qual não corroborou o enquadramento do projeto. Ademais infirma a Recorrente, que o parecer teria afirmado equivocadamente, que somente dispêndios correspondentes à contratação de terceiros como ME e EPP poderiam ser deduzidos do lucro real, enfrentando, assim, matéria jurídica, não técnica. Não vejo como acatar a preliminar em questão, tendo em vista que houve juízo de mérito pela autoridade julgadora, que optou, independente do acerto ou erro dessa opção, por filiarse as conclusões do parecer emitido por analistas vinculados ao Ministério da Ciência e Tecnologia. O acerto ou o erro quanto à valoração ou a interpretação de uma prova dentro de um conjunto probatório, não pode anular um julgamento. Para eventuais distorções ou erros de avaliação, o remédio o duplo grau de jurisdição e não a nulidade do julgamento. O vício existente no parecer, se existente, referese a análise de prova, cujo valor probatório pode ser revisto pela autoridade julgadora de primeira ou de segunda instância. Não se trata aqui de preterição do direito de defesa, como alegado pelo contribuinte, mas de simples discordância da DRJ quanto aos argumentos apresentados pela Recorrente acerca do conteúdo de uma prova, e sua pertinência ao deslinde caso concreto. Se a autoridade julgadora anuiu com as conclusões do parecer emitido pelos analistas do MCT, atribuindolhe valor probatório para respaldar o lançamento, cabe ao contribuinte como de fato o fez em seu recurso, desconstruir tal impressão, apontando falhas tanto no parecer, quanto a importância e higidez que lhe foram atribuídos no julgamento em DRJ. Fl. 8127DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 16 15 Em suma, não se trata de caso de nulidade de decisão, mas de decisão da qual cabe recurso. Neste sentido são as manifestações deste colegiado: “ACÓRDÃO 240200.664 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES NULIDADE – INEXISTÊNCIA. A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção.” No mesmo sentido: “ACÓRDÃO 120200.086 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO ACÓRDÃO E DO LANÇAMENTO Rejeitase preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, bem como do lançamento, quando não configurado vicio ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa.” “ACÓRDÃO 110100.260 PRELIMINAR DE NULIDADE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA IMPROCEDÊNCIA Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.” Isto posto, passase agora a análise dos fundamentos de fato e de direito que embasaram do lançamento. Pelo fato de a matéria autuada ser dotada de certo ineditismo neste colegiado, opto por fazer inicialmente alguns esclarecimentos sobre a legislação que cerca o benefício fiscal de IRPJ/CSLL envolvendo dispêndios com P&D. Vejamos: B) Do Incentivo Fiscal Instituído Pelo Art. 17, I, Da Lei Nº 11.196/2005. A exposição de motivos da Medida Provisória nº 252, de 15 de junho de 2005, atesta de forma expressa a intenção do Poder Executivo, por meio dos artigos 17 a 26 deste diploma legal, de ratificar incentivos fiscais já existentes e, criar outros, por meio de renúncia tributária, outros, voltados ao fomento de atividades desenvolvidas pelas pessoas jurídicas em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. “EM Interministerial nº 00084/2005 MF MDIC. (...) Fl. 8128DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 17 16 6. Os incentivos à inovação tecnológica estão sendo instituídos em cumprimento ao previsto no art. 28 da Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, que prescreve que a União fomentará a inovação na empresa mediante a concessão de incentivos fiscais à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. 7. As normas adotadas na Medida Provisória, em obediência à determinação legal mencionada, ratificam e expandem os mecanismos atualmente existentes de incentivo fiscal por meio de renúncia tributária com relação às atividades desenvolvidas pelas pessoas jurídicas em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. 8. O inciso I do art. 17 permite que as pessoas jurídicas que tenham dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de produtos deduzam, para efeito de apuração do lucro líquido, valor correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de produtos, classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ. 9. Já o art. 18 possibilita que, no valor dos dispêndios passíveis de dedução como despesas operacionais, possam ser computadas as importâncias transferidas a microempresas e empresas de pequeno porte nos termos da Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, que atuem em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Referida medida provisória, acabou perdendo sua validade, todavia, os dispositivos relacionados aos incentivos criados acabaram sendo incorporados ao texto do projeto de conversão em lei da Medida Provisória nº 255, de 01 de julho de 2005, esta sim convertida na Lei nº 11.196 de 21 de novembro de 2005. Como já exposto o artigo 17, I, do diploma normativo telado, trouxe previsão autorizando os beneficiários do incentivo a considerar de forma imediata como despesa os gastos incorridos no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação do IRPJ: “Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: I dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, de valor correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou como pagamento na forma prevista no § 2o deste artigo; (...) § 6º A dedução de que trata o inciso I do caput deste artigo aplicase para efeito de apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL.” (destacamos) Fl. 8129DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 18 17 Esse incentivo tem seu ganho pautado no aspecto temporal, pois, vinculase a possibilidade de dedução imediata do ponto de vista fiscal das despesas com P&D, quando incorridas no período de apuração. Frisese que a Recorrente segundo consta do TVRF não fez uso desta prerrogativa relacionada a apropriação antecipada das despesa, optando por utilizála na medida de sua amortização Ainda quanto a este benefício, ressaltese que o mesmo não foi dotado de ineditismo, vez que tal previsão já havia sido arrolada anteriormente no artigo 39 da Lei nº 10.637/2002 (regulamentada pelo Decreto nº 4.928/2003), revogado posteriormente pelo advento da Lei nº 11.196/2005 e de seu regulamento (Decreto nº 5.768/2006): "Art. 39. As pessoas jurídicas poderão deduzir do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais relativas aos dispêndios realizados com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de produtos. § 1º Considerase inovação tecnológica a concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como a agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique melhorias incrementais e no efetivo ganho de qualidade ou produtividade, resultando maior competitividade no mercado. (...) § 4º Para fins da dedução, os dispêndios deverão ser controlados contabilmente em contas específicas, individualizadas por projeto realizado. § 5º No exercício de 2003, o disposto no caput deste artigo aplicase também aos saldos, em 31 de dezembro de 2002, das contas do Ativo Diferido, referentes a dispêndios realizados com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica". (destacamos) Na verdade a Lei nº 11.196/2005 consolidou a legislação anterior (Leis 8.661/93 e 10.637/2002) num único marco legal. Por outro lado, uma das grandes novidades trazidas por este diploma para fomentar ainda mais o investimento em pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, foi instituir uma despesa presumida em favor dos beneficiários do incentivo fiscal, cuja tipificação foi feita por meio do art.19 da Lei nº 11.196/05, em percentual incidente sobre os dispêndios incorridos nos termos do artigo 17, I : “Art. 19. Sem prejuízo do disposto no art. 17 desta Lei, a partir do ano calendário de 2006, a pessoa jurídica poderá excluir do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor correspondente a até 60% (sessenta por cento) da soma dos dispêndios realizados no período de apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis como despesa pela legislação do IRPJ, na forma do inciso I do caput do art. 17 desta Lei.” Fl. 8130DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 19 18 (...) § 1º A exclusão de que trata o caput deste artigo poderá chegar a até 80% (oitenta por cento) dos dispêndios em função do número de empregados pesquisadores contratados pela pessoa jurídica, na forma a ser definida em regulamento.” (destacamos) Este foi o benefício usufruído pela Recorrente e que se tornou tema do lançamento tributário ora guerreado. Como condição para fruição dos benefícios em destaque, a Lei nº 11.196/2005 estabeleceu as seguintes condições aos pretensos beneficiários: “Art. 17 § 7o A pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este artigo fica obrigada a prestar, em meio eletrônico, informações sobre os programas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, na forma estabelecida em regulamento. (...) Art. 22. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 17 a 20 desta Lei: I serão controlados contabilmente em contas específicas; e II somente poderão ser deduzidos se pagos a pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País, ressalvados os mencionados nos incisos V e VI do caput do art. 17 desta Lei. Art. 23. O gozo dos benefícios fiscais e da subvenção de que tratam os arts. 17 a 21 desta Lei fica condicionado à comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica. Art. 24. O descumprimento de qualquer obrigação assumida para obtenção dos incentivos de que tratam os arts. 17 a 22 desta Lei bem como a utilização indevida dos incentivos fiscais neles referidos implicam perda do direito aos incentivos ainda não utilizados e o recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos em decorrência dos incentivos já utilizados, acrescidos de juros e multa, de mora ou de ofício, previstos na legislação tributária, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.” (destacamos) Como se pode perceber basicamente, quatro foram os requisitos avençados pelo legislador como de observância obrigatória para as empresas incentivadas, sob pena de revisão dos incentivos utilizados ou a utilizar, com o consequente recolhimento de tributos não pagos em decorrência dos incentivos já utilizados, acrescidos dos encargos legais, inclusive multa de ofício: Prestar informações acerca dos projetos desenvolvidos; Fazer controle contábil em contas específicas dos dispêndios e pagamentos relacionados a pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica; Fl. 8131DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 20 19 Deduzir somente dispêndios incorridos com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no país, ressalvadas as hipóteses expressamente autorizadas para considerar dispêndios com fornecedores estrangeiros. Comprovar a situação da regularidade fiscal. Cumpre ainda destacar, alguns pontos abordados nas regulamentações feitas pelo Poder Executivo quanto aos incentivos positivados, dado que prementes ao deslinde deste voto até pela delegação expressa feita pelo poder legiferante para sua minúcia. B.1) Do Decreto nº 5.768/2006 e da IN RFB nº 1.187/2011 O Decreto nº 5.798, de 07 de junho de 2006, foi publicado sete meses após a Lei nº 11.196/2005 sobre a alcunha de regulamentar os incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, de que tratam os arts. 17 a 26 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005. Seu artigo 14 evidenciou de forma mais clara a obrigação relativa a prestação de informações acerca do projeto desenvolvidos pelos beneficiários: “Art. 14. A pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este Decreto fica obrigada a prestar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em meio eletrônico, conforme instruções por este estabelecidas, informações sobre seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, até 31 de julho de cada ano. § 1o A documentação relativa à utilização dos incentivos de que trata este Decreto deverá ser mantida pela pessoa jurídica beneficiária à disposição da fiscalização da Secretaria da Receita Federal, durante o prazo prescricional. § 2o O Ministério da Ciência e Tecnologia remeterá à Secretaria da Receita Federal as informações relativas aos incentivos fiscais.” (destacamos) Com base nesta a previsão, o MCT inicialmente por meio da Portaria nº 943, de 08 de dezembro de 2006 e posteriormente pela Portaria 327, de 29 de abril de 2010, aprovou o formulário para que as pessoas jurídicas beneficiárias dos incentivos fiscais previstos no Capítulo III da Lei nº 11.196, de 2005, prestem ao Ministério da Ciência e Tecnologia MCT as informações anuais sobre os seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Quanto a questão do registro contábil dos dispêndios, o decreto em nada inovou, repetindo laconicamente o quanto previsto em lei, como se pode perceber pela redação de seu artigo 10º: “Art. 10. Os dispêndios e pagamentos de que tratam os arts. 3o a 9o: I deverão ser controlados contabilmente em contas específicas;” Mais de 5 anos após a publicação da Lei nº 11.196/2005 e do Decreto nº 5.798/06, a RFB editou uma nova regulamentação, qual seja, a Instrução Normativa nº 1.187 de 29 de agosto de 2011 para igualmente disciplinar os incentivos fiscais às atividades de Fl. 8132DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 21 20 pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de que tratam os arts. 17 a 26 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Em seu artigo 3º, pela primeira vez, se faz menção a necessidade de controles analíticos dos custos e despesas integrantes para cada projeto incentivado: “Art. 3º Para utilização dos incentivos de que trata esta Instrução Normativa, a pessoa jurídica deverá elaborar projeto de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, com controle analítico dos custos e despesas integrantes para cada projeto incentivado. Parágrafo único. Na alocação de custos ao projeto de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica de que trata o caput, a pessoa jurídica deverá utilizar critérios uniformes e consistentes ao longo do tempo, registrando de forma detalhada e individualizada os dispêndios, inclusive: I as horas dedicadas, trabalhos desenvolvidos e os custos respectivos de cada pesquisador por projeto incentivado; II as horas dedicadas, trabalhos desenvolvidos e os custos respectivos de cada funcionário de apoio técnico por projeto incentivado. Detalhouse ainda por meio da instrução normativa que tipo de dispêndios poderiam ser considerados pelo contribuinte para fins de fruição do incentivo fiscal: “Art. 5º Para fins do disposto no art. 4º, poderão ser considerados os seguintes dispêndios: I os salários e os encargos sociais e trabalhistas de pesquisadores e de pessoal de prestação de serviço de apoio técnico de que tratam a alínea "e" do inciso II e o inciso III do art. 2º; II a capacitação de pesquisadores e de pessoal de prestação de serviços de apoio técnico de que tratam a alínea "e" do inciso II e o inciso III do art. 2º. § 1º Para fins deste artigo, poderão ser considerados como dispêndios os custos com pesquisadores contratados pela pessoa jurídica, sem dedicação exclusiva, desde que: I conste expressamente em seu contrato de trabalho o desempenho como pesquisador em atividades de inovação tecnológica desenvolvida pelo empregador; II a empresa possua, para o projeto incentivado, controle das atividades desenvolvidas e respectivas horas trabalhadas. § 2º Na hipótese do § 1º, só poderão ser computadas como dispêndios na forma do caput do art. 4º as horas efetivamente trabalhadas no projeto incentivado. Fl. 8133DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 22 21 § 3º Não serão considerados para fins do incentivo previsto neste capítulo: I os valores pagos a título de remuneração indireta; II os gastos com pessoal de serviços auxiliares, ainda que relacionados com as atividades de inovação tecnológica, inclusive as despesas: a) dos departamentos de gestão administrativa e financeira; e b) de segurança, limpeza, manutenção, aluguel e refeitórios. § 4º Também são considerados dispêndios vinculados à pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica os gastos destinados ao registro e manutenção de marcas, patentes e cultivares, ainda que pagos no exterior. Todavia, seu artigo 18, novamente reiterou de forma apenas singela a necessidade de controle contábil em contas específicas, sem maiores ilações quanto a forma de execução de tal procedimento. “Art. 18. Os dispêndios e pagamentos de que tratam esta Instrução Normativa deverão ser controlados contabilmente em contas específicas.” (destacamos) Feita esta digressão acerca do históricolegislativa que cerca o incentivo fiscal em debate, principalmente quanto as suas regras de funcionamento, sintome agora à vontade para tecer as considerações pertinentes ao caso concreto. Para este fim, dividirei minhas ponderações em dois pontos, a saber: i) o modo de contabilização adotado pelo contribuinte e sua repercussão para fins de fruição do incentivo fiscal nos anos de 2007 a 2009; ii) o efeito vinculativo do parecer emitido pelo MCT para fins de descaracterização dos projetos relativos ao ano base de 2007. C. Da Forma de Registro Contábil para Fins de Fruição do Benefício. Resta muito claro, que em nenhum momento seja a norma positivada, seja as regulamentações dela advindas, instituíram qualquer procedimento quanto a forma de lançamento contábil dos dispêndios com P&D pelo contribuinte. A única exigência é de que os valores devem ser controlados contabilmente em contas específicas. O fato de a Recorrente a princípio ter alocado durante o curso de cada ano calendário entre 2007 e 2009, os montantes atinentes a despesas com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento com inovação tecnológica em contas contábeis gerais utilizadas para registro despesas com demais fornecedores, seguindo o mesmo rito para os custos com recursos humanos, para somente depois ao final do período reclassificálos de uma única vez para contas específicas de ativo, visando o atendimento do requisito constante do art. 22 da Lei nº 11.196/05, não tem o condão de por si só invalidar o beneficio fiscal usufruído, sob pena de indevida prevalência da forma sobre o conteúdo, tão combatida nos mais diversos tipos de situações, principalmente nos afamados planejamentos tributários. Fl. 8134DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 23 22 Está claro nos autos, de que o princípio da competência foi observado pelo contribuinte quanto ao reconhecimento dos dispêndios com P&D, na medida em que foram considerados nas demonstrações financeiras dos anoscalendário em que incorridas. Até posso concordar com a autoridade lançadora que o ideal, pela boa técnica contábil seria ordinariamente o contribuinte ter promovido o registro dos valores diretamente nas contas específicas, voltadas para o assento dos citados dispêndios qualificados, mas daí a entender que a simples reclassificação global feita ao final do período de apuração invalida o benefício fiscal concedido é subverter a razão do incentivo e constituir um fato gerador de penalidade não previsto em lei. O requisito previsto como condição legal para a fruição do benefício referese a necessidade de controle contábil dos dispêndios em contas específicas. Desta feita, considerando este requisito de fruição, apenas valores não registrados nas referidas contas, poderiam ser objeto de glosa em ato fiscalizatório. Vislumbro, no contexto encimado, que a interpretação restritiva dos artigos 111 e 176 caput do Código Tributário Nacional militam em favor da Recorrente, no tocante as despesas registradas, ainda que por reclassificação, em contas específicas. “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção. (...) Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.” (destacamos) Vejome obrigado a concordar com as seguintes ponderações da Recorrente, vez que retratam a realidade fáticojurídica aplicável ao caso: • Uma coisa é o dever de contabilizar as despesas operacionais relevantes para a apuração do lucro real no regime de competência. Outra é o dever de registrar dispêndios classificáveis como despesas operacionais em contas específicas como condição para o benefício fiscal. • A impugnante cumpriu o primeiro dever de contabilizar suas despesas operacionais sob o regime de competência e cumpriu o segundo dever ao reclassifcar as despesas operacionais em contas de ativo específicas antes do uso do benefício e sem que tivesse iniciado qualquer procedimento fiscal. Este procedimento é legitimo, pois: (i) não há qualquer prescrição da Lei do Bem ou do Decreto que o regulamentou estabelecendo um prazo para o lançamento em conta específica desses valores; e (ii) não se tratando de fato contábil, mas de fato meramente fiscal, não se pode exigir a observância do art. 247, § 1º, do RIR/99 no caso Fl. 8135DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 24 23 A mim fica claro que o objetivo do requisito contábil (dever meramente instrumental) imposto pelo legislador ordinário foi tão somente assegurar que as autoridades administrativas possam identificar com facilidade e clareza os dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovações tecnológicas, para fins de fiscalização a aproveitamento do benefício fiscal, sendo que não consigo enxergar em que o procedimento de reclassificação adotada pela Recorrente malogra tal intuito. Em suma, desde que atendidas as finalidades das exigências postas pela Lei do Bem, é livre o contribuinte para escolher a forma como organiza sua contabilidade, desde que dentro dos limites legais. Importante destacar ainda, que a reclassificação contábil não se deu no curso do procedimento fiscalizatório, mas anteriormente a ele, no encerramento de cada anocalendário, o que denota a nítida boafé da Recorrente, visando atender ao requisito legal para fruição do incentivo. Até recente manifestação da Receita Federal, em resposta a consulta que tangenciou o assunto, não aponta o óbice colocado pela autoridade lançadora. “Processo de Consulta nº 14/2012 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 6a. RF Decisão. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Ementa: REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO RTT. GASTOS COM PESQUISA TECNOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. Atendidos os requisitos previstos na legislação tributária, a contabilização no ativo intangível, por força das regras contábeis introduzidas pela Lei nº 11.638/2007 e pela Lei nº 11.941/2009, do valor correspondente à soma dos dispêndios realizados, no período de apuração, com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis como despesas operacionais pela legislação do IRPJ, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. As pessoas jurídicas optantes pelo RTT poderão excluir do lucro líquido, na determinação do lucro real, o valor correspondente a até 60% (sessenta por cento) da soma dos dispêndios realizados, no período de apuração, com as mesmas atividades, limitada a exclusão ao valor do lucro real e da base de cálculo da CSLL antes da própria exclusão, vedado o aproveitamento de eventual excesso em período de apuração posterior. Alternativamente à possibilidade de se admitir como operacionais as despesas com desenvolvimento de inovação tecnológica , as pessoas jurídicas optantes pelo RTT poderão amortizar, no prazo mínimo de 5 (cinco) anos, os valores dos gastos com desenvolvimento de inovação tecnológica reclassificados para o "ativo intangível" em face do disposto no artigo 299A da Lei nº 6.404/1976, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, caso tenham utilizado a faculdade prevista no artigo 58, § 3º, alínea "b", da Lei nº 4.506/1964 em período anterior à 31/12/2008. Fl. 8136DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 25 24 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 4.506/1964, artigos 53, caput e 58, § 3º, alínea "b", Lei nº 11.196/2005, artigos 17, I, § 6º e 19, caput e § 5º, Decreto nº 5.798/2006, artigos 2º, 10, I e II, 12, 13 e 14, RIR/1999, artigo 349, caput, Lei nº 11.941/2009, artigo 16, IN RFB nº 967/2009, artigo 1º, § 1º, I e II, § 2º e § 3º, IN RFB nº 949/2009, artigo 3º, I, II, III e IV e § 1º e Pronunciamento CPC 04. Considerando o entendimento aqui definido, de que houve o controle em contas específicas em atendimento ao art. 22, I, da Lei nº 11.196/05, se realmente a autoridade fiscal quisesse glosar os dispêndios de P&D considerados pela Recorrente, deveria analisar a natureza dos gastos incorridos e contrapôlos a sua aplicação nos projetos realizados, podendo inclusive ir mais além e questionar o próprio viés do(s) projeto(s) em que os gastos foram incorridos. Em nenhum momento a fiscalização se preocupou em fazer o cotejo analítico das notas fiscais e/ou pagamentos relativos aos dispêndios considerados, preocupandose apenas em consultar o Ministério da Ciência e Tecnologia, sobre a contextualização dos projetos informados pela Recorrente como de P&D, que, digase de passagem, avalizou os apresentados para os anos base de 2008 e 2009 e colocou em dúvida os praticados pela Recorrente para o ano base de 2007, conforme se verá mais a frente. No presente lançamento o auditor fiscal, simplesmente se escorou em pareceres emitidos pelo MCT, sem fazer qualquer juízo próprio de mérito acerca dos dispêndios apontados nos formulários entregues pela Recorrente, ou dos projetos em que foram aplicados. Voltando ao raciocínio principal, considerando a questão do cumprimento do requisito contábil para a fruição do benefício do art.19 caput e §1º, da Lei nº 11.196/2005, mostramse passíveis de glosa, ao meu ver, os dispêndios não reclassificados pelo contribuinte para contas específicas, ou seja mantidos em contas gerais de fornecedores e recursos humanos, que segundo apontado pela fiscalização perfizeram os seguintes montantes: Se até o momento do início da fiscalização a Recorrente não tratou de promover o atendimento ao requisito do art. 22, I, da Lei nº 11.196/05, realmente fica configurado o não atendimento de condição jurídica para fruição do incentivo relativamente a estas parcelas, ficando justificada a glosa do incentivo fiscal usufruído perpetrada pela autoridade lançadora. D) Do Efeito Jurídico dos Pareceres do MCT para fins de Vinculação do Lançamento Tributário Como já exposto no relatório, para o ano base de 2007, além da questão atinente a forma de registro contábil dos dispêndios com P&D, a fiscalização fundamenta o lançamento também no fato de analistas do Ministério da Ciência e Tecnologia terem emitido o Parecer Fl. 8137DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 26 25 Técnico Conjunto CGIT/CGTE MCTI nº 09/2011, não corroborando o enquadramento dos projetos da Recorrente como P&D, para fins dos propósitos previsto na Lei nº 11.196/2005 Segundo consta do preâmbulo deste documento, seu objetivo foi avaliar o enquadramento de projetos realizados pela Recorrente, no escopo da Lei nº 11.196/2005, ano base de 2007, em razão do Ofício nº 02/2011 expedido pela Demac/RJO/Dipac. Consignouse ao final do citado parecer a seguinte conclusão: “face ao exposto os analistas que assinaram a presente Nota Técnica recomendam responder a Delegacia Especial de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro – DEMAC/RJO, que este Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT não corrobora o enquadramento como projetos de P&D apresentados pela beneficiária TNL PCS/AS no ano base de 2007, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei nº 11.196, de 21.11.2005.” A conclusão em citação deuse com fulcro nas considerações preliminares do parecer que apontaram os seguintes problemas para reconhecimento dos projetos apresentados: Com base nas informações constantes de seu formulário, mais precisamente relativo ao item 4.1 (linhas P&D) a empresa não evidenciou com maior grau de clareza quais foram, de fato, as atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e/ou inovação tecnológica realizadas pela mesma. Na descrição de suas linhas a empresa não demonstrou que competências foram exigidas na implementação de seus sistemas, para suporte da sua rede operacional, quais técnicas ou metodologias foram empregadas no desenvolvimento dos seus novos produtos visando a expansão da base dos usuários e ao atendimento dos clientes com serviços, mais sofisticados e adequados às reais necessidades dos mesmos. Na época a empresa apresentou esclarecimentos adicionais a respeito de suas linhas de P&D, contudo, o MCT não acatou as justificativas apresentadas” No item 5.1 (itens de dispêndios) a empresa relaciona despesas na modalidade de serviços de terceiros que contraria o princípio do tratamento diferenciado que a legislação dispensa às micro e pequenas empresas, conforme capítulo III da lei do Bem que trata sobre os incentivos à inovação tecnológica, no seu §2º, I, do Art.17 bem como do seu art. 18. Também é importante ressaltar que os incentivos são para estimular o esforço das empresas a desenvolverem atividades de P&D próprios e não comprar tecnologias ou apenas máquinas. No caso específico da TNL PCS/SA, à luz das informações prestadas no seu formulário, entendese que houve apenas encomenda para desenvolvimento de diversos sistemas de TI (software) para implantar novos serviços, melhorar a operação e o atendimento ao cliente. Portanto, não evidenciou nenhum esforço tecnológico por parte da empresa e nem ficou evidente em que medida seus profissionais contribuíram para a implementação do programa de convergência de serviços e a pretendida busca de excelência profissional. Evidentemente, é louvável a iniciativa da empresa em optar pelos investimentos realizados visando a modernização e consolidação das redes de multisserviços da empresa, entretanto tais iniciativas nos moldes apresentados não se coadunam à concessão dos incentivos da Lei do Bem. Fl. 8138DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 27 26 Tais constatações concorreram para que o MCT, relativo ao ano base de 2007, tenha classificado a empresa no Anexo II do Relatório Anual da Utilização de Incentivos Fiscais, na relação de “Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas e/ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei nº 11.196/2005”, cujo relatório foi enviado oficialmente ao Secretário da Receita Federal do Brasil, em 09.12.2009 Não obstante a conclusão do documento lavrado pelos analistas do MCT deve se ressalvar inicialmente que a legislação não determina a este órgão a prerrogativa de fiscalizar o correto enquadramento dos projetos para fins tributários, sendo tal incumbência de prerrogativa exclusiva da RFB. Corrobora tal entendimento trecho do Manual do Guia Prático de Apoio a Inovação editado pela ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) em parceria com o MCT o qual encontrase postado no site http://proinova.isat.com.br/Download.asp>. “No caso dos incentivos fiscais, a auditoria tributária é de responsabilidade exclusiva da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Vale destacar que, para usufruir os incentivos fiscais, as empresas não precisam apresentar previamente um projeto de desenvolvimento tecnológico, sendo o usufruto de forma automática. A empresa fica obrigada a prestar ao MCT, por meio eletrônico, as informações anuais sobre os seus programas de pesquisa e desenvolvimento para inovação tecnológica, cujo prazo é 31 de julho do ano subseqüente a cada exercício fiscal (o formulário está disponível no site do MCT). Ou seja, a Lei do Bem autoriza que as empresas usufruam os incentivos e, somente no ano seguinte, apresentem um relatório ao MCT. Anualmente, o Ministério, após a análise das informações recebidas, envia à RFB um relatório consolidado.” Como se pode perceber a função do MCTI é recepcionar os formulários enviados pelos contribuintes e subsidiar a RFB com informações acerca dos projetos apresentados, para que a autoridade fiscal juntamente com outros elementos de prova/convencimento levantados no curso da auditoria tributária, possa formar sua convicção acerca do cumprimento ou não das condições necessárias à fruição dos incentivos fiscais concedidos pela Lei nº 11.196/2005. Em outras palavras, o parecer emitido pelo MCTI não efeito vinculativo para a RFB, podendo e devendo o Fisco fazer sua própria análise dos projetos apresentados e respectivos dispêndios para corroborálos ou não como de P&D. Analisando toda a legislação que cerca o incentivo fiscal ora debatido, não há uma linha sequer que determine a glosa do benefício exclusivamente com base em manifestação de lavra do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. No presente lançamento para o anocalendário de 2007, afora a questão da forma de registro contábil, o mesmo foi pautado exclusivamente na conclusão final do parecer emitido pelo MCTI, nos termos aqui já descritos (itens 4.2.1 a 4.2.3 do TCVF), sem que o auditor tenha promovido qualquer juízo de valor acerca da natureza dos projetos e respectivos dispêndios. Fl. 8139DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 28 27 Obviamente todo e qualquer o ato administrativo deve ser dotado de motivação, o que não é diferente para o lançamento tributário escorado no art. 142 do Código Tributário Nacional. Se admitido este tipo de juízo unilateral imutável por parte do MCTI sem que haja análise e revisão detalhada da RFB, temse ao arrepio do que se pode aceitar um lançamento efetuado pelo auditor fiscal apenas do ponto de vista formal, já que materialmente o ato de glosa do benefício acaba sendo efetuado por autoridade alheia a administração tributária, sem que haja possibilidade de contraditório do contribuinte. Minha ponderação é no sentido de que não pode simplesmente a autoridade fiscal escorarse em relatório de órgão não vinculado ao Ministério da Fazenda, que sequer é submetido ao duplo grau de jurisdição para definir a essência do fundamento para a constituição do crédito tributário. Faltou labor do fisco em esmiuçar as ponderações dos analistas do MCTI, para no mínimo, com base em suas próprias convicções, atestar a conclusão consignada no PTC CGIT/CGTE MCTI nº 09/2011. Sem essa verificação, dáse um cheque em branco para terceiro que não o fisco definir o destino do lançamento tributário. Tratase em meu entendimento de verdadeira inversão de valores e competências, em que um órgão incumbido de prestar assessoria técnica a RFB na chancela de projetos de P&D para fins da Lei nº 11.196/05, passa ao papel de lançador de fato, visto que segundo a conclusão do auditor e da própria DRJ o parecer emitido pelo MCT é vinculante, não podendo ser contraditado. Se analisadas as linhas do formulário entregue em 2007 pela Recorrente para a prestação de informações acerca dos projetos de P&D desenvolvidos, constatase que o mesmo apenas traz a possibilidade de se fazer um breve descritivo de cada programa. Certamente uma análise apurada demanda mais informações do que as dele constantes, bem como eventuais diligências para melhor compreensão do que envolve cada descritivo constante das linhas do item 4 do formulário. Se houve diligências in loco por parte do MCTI ao estabelecimento da Recorrente para averiguar os projetos desenvolvidos ou pelos menos a documentação interna que os respalda, isto não fica claro no parecer. Apenas se menciona que foram solicitadas informações adicionais a respeito das linhas de P&D e que estas não foram acatadas. Afinal, há de fato um processo de verificação por parte do MCT que não se baseie apenas nas parcas informações de um formulário, já que em minha compreensão sua função é apenas gerar um norte, um ponto de partida, para verificações mais aprofundadas? Se a resposta for afirmativa, devia no mínimo a autoridade fiscal ter se preocupado em juntálo para em embasar suas convicções. Caso inexista, vejo como indispensável o juízo de valor a ser feita pela verdadeira autoridade lançadora. Prova do risco de se levar a ferro e fogo as conclusões de terceiros (analistas) não referendadas de fato pela autoridade tributária, é a alegação da Recorrente quanto a suposta impropriedade do parecer quanto as despesas na modalidade de serviços de terceiros, prestados por empresas de médio e grande porte. A questão aqui não se trata do acerto ou erro de interpretação, mas o fato de a manifestação do MCTI neste particular aspecto ser dotada de um caráter jurídico e não do Fl. 8140DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 29 28 conteúdo estritamente técnico que dela se espera, mais uma vez exercendo papel de incumbência da Receita Federal do Brasil. Peço vênia aqui para abrir um parêntese: Segundo interpretação dada pelos analistas do MCTI ao art. 18 da Lei nº 11.196/2005, apenas as terceirizações de pesquisa tecnológica e desenvolvimento para inovação tecnológica, feitas a meio de ME´s e EPP´s fariam jus ao benefício fiscal. Neste particular, vejase a dicção deste dispositivo, cuja regulamentação pelo Decreto nº 5.798/06 tem idêntico teor. “Art. 18. Poderão ser deduzidas como despesas operacionais, na forma do inciso I do caput do art. 17 desta Lei e de seu § 6º, as importâncias transferidas a microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, destinadas à execução de pesquisa tecnológica e de desenvolvimento de inovação tecnológica de interesse e por conta e ordem da pessoa jurídica que promoveu a transferência, ainda que a pessoa jurídica recebedora dessas importâncias venha a ter participação no resultado econômico do produto resultante. A Recorrente em sua defesa interpreta que a mensagem do legislador teria sido no sentido de que a terceirização no âmbito de projetos de P&D para ME´s e EPP´s poderia ser cotejada para fins do benefício fiscal independente de ser operacional ou não. Tenta corroborar sua alegação trazendo trecho do manual de preenchimento do formulário a ser entregue anualmente ao MCTI bem como do manual de preenchimento da DIPJ (MAJUR), mas especificamente da ficha destinada a prestação de informações sobre os valores globais incorridos com P&D. Concordo que o artigo 17, I, da Lei nº 11.196/2005 não trouxe o conceito de dispêndio para fins do incentivo fiscal, mas fazendose uma interpretação sistemática deste dispositivo com os artigos 17, §2º e 18 do mesmo diploma, a mim fica claro que os projetos de P&D devem ser desenvolvidos internamente pela contribuinte, admitindose sua terceirização apenas em duas hipóteses: i) para microempresas e empresas de pequeno porte (art.18); e ii) para universidade, instituição de pesquisa ou inventor independente, desde que neste segunda hipótese a pessoa jurídica que efetuou o dispêndio fique com a responsabilidade, o risco empresarial, a gestão e o controle da utilização dos resultados dos dispêndios (art. 17, §2º). Fecho este parêntese, concluindo, portanto, que os gastos com empresas de médio e grande na terceirização dos projetos de P&D não deveriam ser considerados para fins do benefício abarcandose assim todos os argumentos expostos pela Recorrente, Voltando a questão da vinculação absoluta ou relativa do parecer do MCTI para fins de constituição do crédito tributário, tenho que a falta de diligência da autoridade fiscal quanto a realização de uma análise mais pormenorizada dos projetos e gastos da Recorrente gerou precariedade ao lançamento para o ano base de 2007 sob este fundamento, permanecendo apenas a glosa para os dispêndios não contabilizados em conta específica. Fl. 8141DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 30 29 Compactuar de forma inconteste com lançamento pautado em meio de prova não devidamente analisada pelo fisco, é autuar por presunção, não havendo em nosso ordenamento, qualquer textilha que avente tal possibilidade para esta hipótese. Caso não seja acompanhado por meus pares quanto a nulidade do lançamento galgada exclusivamente no parecer do MCTI, minha recomendação é de que no mínimo o processo seja convertido em diligência para que se proceda a uma análise robusta dos projetos apresentados pela Recorrente para o ano base de 2007. Se, porventura, também não for acompanhado quanto a diligência aqui recomendada, por se entender na turma a validade de fundamento do lançamento apenas com base no parecer do MCT, há ainda um fato superveniente que em minha opinião no mínimo deve levar ao sobrestamento do presente julgamento. Explicome: Foi juntado aos autos, declaração recentemente obtida pela Recorrente junto ao MCTI, recentemente juntada aos autos, datada de 05.04.2013, na qual se informa a existência de processo aberto em seu nome junto ao Instituto Nacional de Tecnologia (vinculado ao MCTI), onde estão sendo objeto de avaliação 20 projetos de inovação tecnológica relativos ao exercício de 2007, quanto ao seu conteúdo inovativo de forma a se exararem relatórios de diagnósticos observando os seguintes aspectos: estabelecimento dos marcos de início e fim do projeto de inovação; identificação de inovação tecnológica de produto(s) e/ou processo(s); características de inovação tecnológica; evidências de P&D realizadas internamente; identificação de esforços tecnológicos; identificação de riscos tecnológicos; resultados provenientes destas inovações e identificação de execução das etapas de pesquisa e desenvolvimento por parte da Recorrente. Esta declaração, claramente retira o caráter de definitividade do Parecer Técnico Conjunto CGIT/CGTE MCTI nº 09/2011, e torna instável o lançamento que nela se embasou. Neste esteio, não vejo como anuir com a procedência de crédito tributário cujo principal evidência encontrase pendente de confirmação, pelo mesmo órgão que antes atestava o seu teor perante a RFB. E) Da Incidência dos Juros SELIC sobre a Multa de Ofício Quanto a este ponto da defesa, em que pesem o atual posicionamento da Câmara Superior desta casa, bem como recentes julgados exarados pelas duas turmas do Superior Tribunal de Justiça, quanto a possibilidade de aplicação dos juros SELIC sobre o valor da multa de ofício a partir da data de vencimento do auto de infração, ousarei deste posicionamento discordar, tendo em vista ainda não existir condição regimental (existência de súmula ou aplicação do art. 62A do regimento interno, com base em recurso repetitivo/repercussão geral) que vincule o presente voto. Esposareime aqui das razões de decidir apresentadas pela própria Câmara Superior (1ª Seção) em composição pretérita, por meio do Acórdão nº 910100.722: “Quanto à não incidência dos juros sobre a multa de ofício, o Recurso Especial da Fazenda está interposto com base na contrariedade à lei, apontando as disposições dos artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002, mencionando, ainda, Parecer PGFN/CDA nº 1.936/2005, sendo que Fl. 8142DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 31 30 nesta parte deve ser conhecido, conforme determinado no Despacho nº 1030344/2008. Cumpre inicialmente fazer uma análise da legislação que regula a matéria. Como bem apontam diversos julgados deste Conselho Administrativo, a aplicação de taxa de juros lastreada em indicadores do mercado financeiro foi, inicialmente, determinada pela Lei n° Lei n° 8.981/95, por meio do art. 84, que assim dispõe: Art 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.) A taxa acima referida pelo artigo 84 da Lei nº 8.981/95 foi substituída pela taxa SELIC, conforme se verifica pelo disposto no artigo 13 da Lei n° 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n°8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8.981,de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Por fim, a Lei n° 9.430/97, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (.) § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 8143DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 32 31 Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições". A Receita Federal vem entendendo que a multa de oficio também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. No entanto, este Conselho Administrativo, por meio de diversos julgados – Acórdão nº 140200.213, sessão de 06/07/2010 e Acórdão nº 10709526, sessão de 16/10/2008, por exemplo – interpretando a citada expressão do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu o seguinte: “Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Em outras palavras a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio Assim, a conclusão dos referidos acórdãos, dentre outros, foi no sentido de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desde logo, tendo em vista não se tratar, in casu, da multa isolada prevista no artigo 43 da Lei nº 9.430/96, configurase como inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora incidente sobre a multa de oficio. Fl. 8144DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 33 32 Com relação à interpretação dos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, importante, ainda, apontar relevante consideração feita em alguns julgados deste Conselho Administrativo (por exemplo no Acórdão nº 10422.508, sessão de 13/06/2007), no sentido de que “se a expressão ‘débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições’ constante no ‘caput’ do artigo 61 contemplasse também a multa de oficio, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de oficio lançada isoladamente nos termos do ‘caput’ do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: "JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 202 16.397, sessão de 14.07.2005)". "JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007)”. “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008)”. Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de oficio não pagas no vencimento, dos juros previstos no art. 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês." Entretanto, nem aqui, ao meu ver, a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio, mas apenas o tributo, pois se Fl. 8145DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 34 33 assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis" que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de oficio está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN A conclusão a que chego, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Outrossim, ainda que se entenda ser cabível a taxa estipulada pelo CTN em seu artigo 161, esta deveria constar do lançamento; entender que não é devida a taxa Selic, imputada pelo órgão tributante, e alterála para a taxa de 1% determinada pelo CTN significa inovar o lançamento, o que é vedado a este órgão administrativo de julgamento. Diante do exposto, é de se prover o presente item, deixando claro que, na execução do acórdão, sobre a multa aplicada não podem incidir juros de mora contados a partir do vencimento do prazo para impugnação Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, cancelando as glosas relativas ao incentivo fiscal decorrente de dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento para inovação tecnológica, classificados em conta segredada de ativo. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 8146DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 35 34 VOTO VENCEDOR Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Endosso as extensas razões expostas pelo I. Relator para concluir que o fato de classificar os dispêndios com P&D em conta específica apenas ao final do período de apuração não macula a condição imposta pelo art. 22 da Lei nº 11.196/2005 para fruição do incentivo fiscal. Tal conduta apenas legitimaria a glosa das parcelas que não foram classificadas em conta específica. Todavia, discordo de seu entendimento acerca da nulidade do lançamento, porque ao reportarse às razões do parecer do MCT, a autoridade fiscal as endossou como motivação da glosa, cabendo à interessada demonstrar o equívoco da abordagem apresentada por aquele órgão. A contribuinte apresentou, em impugnação, oposição àquelas razões expostas no parecer, motivo pelo qual, afastada a causa principal apresentada para perda do incentivo, caberia a este Colegiado apreciar os demais argumentos da ora recorrente. O I. Relator, porém, noticia a juntada, aos autos, de declaração recentemente obtida pela Recorrente junto ao MCTI, na qual se informa a existência de processo aberto em seu nome junto ao Instituto Nacional de Tecnologia (vinculado ao MCTI), onde estavam sob avaliação 20 projetos de inovação tecnológica relativos ao exercício de 2007, quanto ao seu conteúdo inovativo. Em sua última manifestação, a recorrente informa que referidos projetos teriam sido aprovados. Diante deste fato, penso que a melhor solução para o caso não seria o sobrestamento do julgamento, mas sim sua conversão em diligência para confirmação da existência destes pedidos e avaliação de seus reflexos na presente exigência. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verifique se os projetos de inovação tecnológica recentemente aprovados pelo Instituto Nacional de Tecnologia amparam a integralidade dos incentivos por ela aproveitados no período fiscalizado. Ao final dos trabalhos fiscais deve ser elaborado relatório circunstanciado, a ser cientificado à recorrente com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 8147DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 36 35 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente no que tange à argüição de nulidade da decisão recorrida, vislumbro a questão sob ótica distinta do I. Relator, muito embora alcance a mesma conclusão por ele exteriorizada, no sentido de afastála. Os argumentos deduzidos pelo I. Relator acerca da inexistência de vinculação da Receita Federal ao parecer do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) me convencem. A Lei nº 11.196/2005 estabeleceu em seu art. 17, §7o, a obrigação da pessoa jurídica beneficiária dos incentivos prestar, em meio eletrônico, informações sobre programas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, na forma estabelecida em regulamento, e penalizou os interessados com a perda do direito ao incentivo quando descumprida esta, dentre outras obrigações (art. 24). Por sua vez, o Decreto nº 5.768/2006 determinou que: Art. 14. A pessoa jurídica beneficiária dos incentivos de que trata este Decreto fica obrigada a prestar ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em meio eletrônico, conforme instruções por este estabelecidas, informações sobre seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, até 31 de julho de cada ano. § 1o A documentação relativa à utilização dos incentivos de que trata este Decreto deverá ser mantida pela pessoa jurídica beneficiária à disposição da fiscalização da Secretaria da Receita Federal, durante o prazo prescricional. § 2o O Ministério da Ciência e Tecnologia remeterá à Secretaria da Receita Federal as informações relativas aos incentivos fiscais. Assim, a função do MCT em tais casos é atuar como órgão técnico que expressa sua visão dos fatos para subsidiar a decisão dos agentes da Receita Federal acerca do cabimento, ou não, do incentivo usufruído pelo sujeito passivo. Ausente qualquer norma legal específica, tais agentes são competentes para se manifestar sobre a compatibilidade dos projetos com as exigências legais, como inclusive evidencia a ementa da Solução de Consulta SRRF/1a RF nº 21/2011: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA. BUBBLEDECKS. POSSIBILIDADE. A utilização de bubbledecks no processo de construção de lajes, por ser considerada uma agregação de nova característica ao processo, é passível de enquadramento no conceito legal de inovação tecnológica previsto no § 1º do art. 17 da Lei nº 11.196/2005, desde que implique melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou produtividade e resulte em maior competitividade no mercado. Cabe à empresa o cumprimento das obrigações previstas na legislação que rege o assunto, dentre as quais destacamse o controle contábil específico dos dispêndios realizados e a prestação anual de informações ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), conforme o disposto na Portaria MCT nº 327/2010, sob pena de perda do direito aos incentivos não utilizados e recolhimento do valor correspondente aos tributos não pagos em decorrência daqueles benefícios já usufruídos, acrescidos de multa e de juros, de mora ou de ofício, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. Dispositivos Legais: arts. 17 a 26 da Lei nº 11.196, de 2005; Decreto nº 5.798, de 2006; Portaria MCT nº 327, de 2010. Fl. 8148DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 37 36 No presente caso, o sujeito passivo cumpriu com sua obrigação de prestar informações ao MCT, de modo que a perda do incentivo deve decorrer da falta de atendimento aos demais requisitos legais. Para promover o lançamento, o auditor responsável acolheu as objeções apresentadas no parecer do MCT, mas o fez de forma subsidiária, na medida em que entendeu, à semelhança do que verificado nos demais períodos autuados, que a falta de controle dos dispêndios e pagamentos originalmente em contas específicas era causa suficiente para a perda do incentivo, até porque em todos os períodos fiscalizados a contribuinte deixou de reclassificar parte dos dispêndios informados ao MCT. No mesmo sentido, a autoridade julgadora de 1a instância também entendeu que a contribuinte não teria direito ao incentivo por não promover o controle dos dispêndios em contas específicas, e esta motivação já seria suficiente para declarar improcedente a impugnação da recorrente. Em tais circunstâncias, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça que o julgador não está obrigada a apreciar todos os pontos suscitados pelas partes, mas apenas aqueles necessários para formação de seu convencimento acerca da lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CSSL. COMPENSAÇÃO DE RESULTADOS NEGATIVOS ANTERIORES A 1992 IMPOSSIBILIDADE LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 90/92. 1. Ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre, convencimento, não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados pelas partes nem a rebater, um a um, todos os argumentos levantados nas razões ou nas contrarazões de recurso. Ausência de violação ao art. 535 do Código de Processo Civil. [...] 3. Recurso especial improvido. (Recurso Especial nº 361.026/PI; data do julgamento 02/02/2006; data da publicação/fonte DJ 20.02.2006, p. 261) RECURSO ESPECIAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA ANTECIPADA. TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS. "CEGONHEIROS". INDÍCIOS DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E FORMAÇÃO DE CARTÉIS. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre o referido vício in procedendo posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. [...]. (Recurso Especial nº 677.585/RS; data do julgamento 06/12/2005; data da publicação/fonte DJ 13.02.2006, p. 679) Por tais razões, REJEITO a argüição de nulidade da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 8149DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16682.721104/201121 Resolução nº 1101000.079 S1C1T1 Fl. 38 37 Fl. 8150DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Numero do processo: 10120.003548/2006-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN).
Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 35 48 /2 00 6- 01 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Em sessão plenária de 05/02/2009, foi julgado o Recurso Voluntário 157.624, prolatandose o Acórdão 10617.252 (fls. 428 a 452), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 AÇÃO FISCAL MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL MOTIVAÇÃO – MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA QUE EXCEDE DEZ VEZES OS RENDIMENTOS DECLARADOS SITUAÇÃO QUE PERMITE A TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA 0 FISCO HIGIDEZ INDÍCIO DE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA 0 FISCO EM TODOS OS EXERCÍCIOS EM QUE EXISTAM INDÍCIOS DE INFRAÇÃO LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Caso a movimentação financeira exceda 10 (dez) vezes os rendimentos declarados, surge a motivação da ação fiscal para auditar a discrepância entre essa movimentação e os rendimentos, com a possibilidade da transferência compulsória dos dados bancários do contribuinte para o fisco, caso aquele não atenda a intimação para apresentar os extratos de suas contas bancárias. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.003548/200601 Acórdão n.º 9202002.768 CSRFT2 Fl. 516 3 Ocorrendo a discrepância relatada em um anocalendário, não fica o fisco adstrito a transferência compulsória do sigilo bancário apenas do exercício em que ocorreu o excesso, pois se trata de indicio de interposição de pessoa, situação merecedora de aprofundamento da investigação fiscal, e, como tal, devese fiscalizar os demais exercícios para os quais existam outros indícios de infração legislação tributária, podendo, igualmente, haver o assenhoreamento compulsório dos dados bancários dos demais exercícios. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174/2001 LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA VERSUS PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA 0 PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à. luz do art. 144, § 1 0, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente A. ocorrência do fato gerador, quando esta amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o principio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CONTA DE DEPÓSITO MANTIDA COM COTITULARES NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO TITULARES A AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO IMPLICA EM EXCLUSÃO DOS DEPÓSITOS DA CONTA CONJUNTA Nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, devem todos os titulares da conta de depósito serem intimados para comprovar a origem dos depósitos 1á efetuados, sob pena de exclusão da parcela dos depósitos que integraram o rol de rendimentos fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – AUSÊNCIA DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4°, DO CTN RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4 0, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 PERIODICIDADE MENSAL IMPOSSIBILIDADE APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4°, DA LEI N° 9.430/96 FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO Ê equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §40, da Lei n° 9.430/96 sequer dèfiniu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos h. tabela progressiva quando, então, apurase o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoouse em 31/12 do ano calendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do anocalendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de oficio, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnêledo); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa fisica é anual, na forma do art. 2° da Lei n° 7.713/88 c/c os arts. 2° e 9° da Lei n° 8.134/90. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI N° 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5° do art. 6' da Lei n° 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso voluntário provido parcialmente.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, vencidos os Conselheiros Carlos Nogueira Nicácio (suplente convocado) e Gonçalo Bonet Allage. Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento do anocalendário 2000 e excluir da base de cálculo do anocalendário 2004 o valor de R$ 115.379,00, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada do acórdão em 29/04/2009 (fls. 454), a Fazenda Nacional interpôs, em 30/04/2009, o Recurso Especial de Divergência de fls. 457 a 479, visando rediscutir a questão da decadência. Ao recurso foi dado seguimento, por meio do Despacho 20200.009, de 17/07/2009 (fls. 480 a 482). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, a inexistência de pagamento antecipado, razão pela qual deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.003548/200601 Acórdão n.º 9202002.768 CSRFT2 Fl. 517 5 Cientificada do acórdão, do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, e do despacho que lhe deu seguimento em 29/10/2009 (fls. 493), a Contribuinte ofereceu as ContraRazões de fls. 494 a 500, reiterando os argumentos contidos nas peças de defesa e aduzindo que, “diferentemente do que alega o nobre Recorrente, a Recorrida apurou, declarou e procedeu ao recolhimento antecipado dos tributos por ela reputados devidos no ano calendário autuado, conforme se verifica dos próprios autos, notadamente da Declaração de Ajuste Anual”. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de autuação por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. A questão a ser decidida diz respeito à decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2001, anocalendário de 2000, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2000. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 1º/06/2006 (fls. 331). A matéria já está pacificada no âmbito deste Colegiado que, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, ainda que parcial, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.003548/200601 Acórdão n.º 9202002.768 CSRFT2 Fl. 518 7 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se co0mprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, houve o pagamento antecipado, conforme assevera a Contribuinte em sede de ContraRazões (fls. 494 a 500), oferecidas tempestivamente, eis que juntadas aos autos em 12/11/2009 (fls. 501), portanto dentro do prazo de quinze dias da ciência do recurso, o que ocorreu em 29/10/2009 (fls. 493). Com efeito, o pagamento antecipado pode ser constatado pelo exame da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2001, anocalendário de 2000, às fls.239, bem como no Auto de Infração às fls. 323, onde consta a informação de imposto pago no valor de R$ 9.381,54. Destarte, tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2001, anocalendário de 2000, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2000. Assim, aplicandose o art. 150, § 4º, do CTN, o Fisco teria até o dia 31/12/2005 para efetuar o lançamento. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 1º/06/2006 (fls. 331), efetivamente consumouse a decadência. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para manter a decadência, relativamente ao exercício de 2001, ano calendário de 2000. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10840.001257/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
PIS E COFINS. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM VIRTUDE DE OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. NATUREZA DE RECEITA DE FINANCEIRA E NÃO DE RECEITA EXPORTAÇÃO
Não havendo comprovação de que foi avençado entre o exportador e o comprador que a variação cambial faz parte do preço final do produto, referido valor tem natureza jurídica de receita financeira, não devendo compor a receita de exportação para efeito de se determinar o percentual desta em relação à receita operacional bruta, para fins de cálculo do benefício de ressarcimento dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS acumulados em virtude de exportações.
AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
Numero da decisão: 3402-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de cana-de-açúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 Ementa: NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS E COFINS. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM VIRTUDE DE OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. NATUREZA DE RECEITA DE FINANCEIRA E NÃO DE RECEITA EXPORTAÇÃO Não havendo comprovação de que foi avençado entre o exportador e o comprador que a variação cambial faz parte do preço final do produto, referido valor tem natureza jurídica de receita financeira, não devendo compor a receita de exportação para efeito de se determinar o percentual desta em relação à receita operacional bruta, para fins de cálculo do benefício de ressarcimento dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS acumulados em virtude de exportações. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
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INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS E COFINS. SALDOS CREDORES ACUMULADOS EM VIRTUDE DE OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. NATUREZA DE RECEITA DE FINANCEIRA E NÃO DE RECEITA EXPORTAÇÃO Não havendo comprovação de que foi avençado entre o exportador e o comprador que a variação cambial faz parte do preço final do produto, referido valor tem natureza jurídica de receita financeira, não devendo compor a receita de exportação para efeito de se determinar o percentual desta em relação à receita operacional bruta, para fins de cálculo do benefício de ressarcimento dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS acumulados em virtude de exportações. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 12 57 /2 00 5- 63 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 296 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de canadeaçúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). Relatório Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão nº 3402001537, de 06 de outubro de 2011, que anulou o Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto nº 1432.172, in verbis: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito do PIS nãocumulativo referente ao período de apuração abril/2005, no valor de R$ 22.394,88, fls.1/2. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 27/31, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito presumido da agroindústria para desconto do PIS nãocumulativo. Os valores dos créditos do PIS não cumulativo apurados sobre aquisições de canadeaçúcar de pessoa física e jurídica não são passíveis de compensação. Ressalta que, a partir do período de apuração agosto de 2004. os créditos relativos à agroindústria só podem ser utilizados para abater os débitos do PIS nãocumulativo, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não podem ser compensados ou ressarcidos, com base no disposto no art. 8º , § 3º, II, da Instrução Normativa SRF n° 660, de 17 de julho de 2006. b) Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3º da Lei n° 10.637/2002 e no artigo 8º , inciso I, alínea "b" e "b1" e nos parágrafos 4º , item I, Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 297 3 alínea "a", e 9º , inciso I do mesmo artigo 8º da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados à venda. Destaca que a empresa descontou crédito indevido sobre o valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, nos termos do disposto nos dispositivos acima citados. c) Inclusão indevida nas receitas de exportações, de valores correspondentes a acréscimos decorrentes de variação cambial, que correspondem, na realidade, a receitas operacionais financeiras, não podendo compor o cálculo do demonstrativo de apuração da relação percentual entre receitas. A partir das divergências encontradas, foram refeitos os cálculos do crédito da empresa, conforme planilha de fls. 28, onde foi apurado credito no valor de R$ 7.245,25. Através do Despacho Decisório de fls. 32/33, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação; Fiscal,que aprovou, e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls. 43/79, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e, sobre as divergências encontradas, que geraram a glosa do valor pretendido, alega, em breve síntese, o seguinte: PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, "... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica "da etapa anterior" e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS. DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º , do art. 3º, da Lei n° 10/833, de 2003, utilizandose do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, "... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 298 4 necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de canadeaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF n° 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei n° 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA COMPENSAÇÃO. Quanto à possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, para compensação com outros débitos, alega que está embasada nesse próprio dispositivo legal e no disposto no art. 5º , § 1º , II, da Lei n° 10.637, de 2002. Que o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004 não pode ser afastado haja vista sua referência ao art. 3º das leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, sendo impossível "desvincular referido crédito dos dispositivos legais de ressarcimento com outros tributos federais". Que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF n° 660, de 2006, sendo vedado a aplicação de norma retroativa a fim de vedar forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei n° 10.925, de 2004 em relação à possibilidade de utilização do crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. VARIAÇÃO CAMBIAL Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 299 5 Quanto às receitas decorrentes de complemento de preços de exportação, tratadas pelo fisco como sendo receitas financeiras, alega que o açúcar é pago em data posterior à sua entrega, de forma que o manifestante não tem como emitir a nota fiscal de venda com destino á exportação já no valor efetivo dessa comercialização, uma vez que o contrato é celebrado em dólares que é convertido em reais na data do pagamento, posterior a data de entrega do produto. Assim, emite uma nota fiscal quando de sua efetiva saída e emite nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago. Assim, entende que tais valores correspondem a complemento de preço das mercadorias vendidas, não se tratando de receitas financeiras propriamente ditas. Transcreve várias ementas e trechos de julgamentos judiciais no sentido de embasar seu entendimento. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, considerando se esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL NÃO UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendemse como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível utilizado em fases que não a fabricação do produto não pode ser considerado insumo para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. VENDAS AO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL.CLASSIFICAÇÃO. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 300 6 Os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função da variação cambial dos valores das vendas ao exterior são considerados receitas ou despesas financeiras. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) a decisão da DRJ deve ser anulada em vista a omissão quanto a análise da matéria referente a possibilidade de creditamento dos custos com serviços de transporte; b) é possível a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais que não seja a Cofins apurada na sistemática da não cumulatividade; c) a recorrente faz jus ao aproveitamento de créditos sobre todos os gastos incorridos na geração da receita tributável (não cumulatividade); d) deve ser afastada a IN SRF nº 404/2004 por representar clara transgressão a sistemática da não cumulatividade, pois tende a restringir e mitigar os gastos passíveis de gerar crédito da exação; e e) as receitas de variação cambial decorrentes de contratos de exportação devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras. Assim, tais receitas devem compor o cálculo do demonstrativo de apuração da relação percentual entre receitas A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF anulou a decisão da primeira instância administrativa, em vista da falta de análise de matéria trazida aos autos na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 3402001538, de 06/10/2011, cuja ementa abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade. Decisão Anulada. Os autos retornaram a primeira instância que proferiu nova decisão mantendo a improcedência da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 301 7 1) A recorrente faz jus ao aproveitamento de créditos referentes aos custos com combustíveis e com transporte de pessoas e de canadeaçúcar; 2) É possível a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais que não seja a Cofins apurada na sistemática da nãocumulatividade; 3) O açúcar é pago em data posterior à sua entrega, de forma que o manifestante não tem como emitir nota fiscal de venda com destino a exportação já no valor efetivo dessa comercialização, uma vez que o contrato é celebrado em dólares que é convertido em reais na data do pagamento, posterior a data de entrega do produto. Assim emite uma nota fiscal quando de sua efetiva saída e emite nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago. Entende, portanto, que tais valores correspondem a complemento de preço das mercadorias vendidas, não se tratando de receitas financeiras propriamente ditas. Com efeito, tais complementos de preço referemse à variação cambial do preço do produto exportado e, assim, devem integrar as receitas de exportação para fins de cálculo do percentual do crédito presumido. Termina sua petição recursal requerendo integral provimento de seu recurso para possibilitar a compensação/ressarcimento de todos os créditos discutidos nestes autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. CONCEITO DE INSUMO A pedra angular do litígio posta nos autos cingese na interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 69 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 302 8 O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 303 9 custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 304 10 intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 305 11 As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 306 12 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 307 13 Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 308 14 citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 309 15 a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando aos autos, constato que as glosas efetuadas pelo Fisco foram relativas aos dispêndios havidos no transporte e plantio de canadeaçúcar. A Autoridade Fiscal entendeu que o combustível, o serviço de transporte de trabalhadores e o serviço de transporte da canadeaçúcar não se subsumiam ao conceito de insumo instituído pela Lei nº 10.822/2003. Tenho uma interpretação diferente para o caso, senão vejamos: A recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e álcool. Para a produção do açúcar e do álcool necessário se faz o corte, o carregamento e transporte da canadeaçúcar até o estabelecimento industrial para que nele, parque fabril, haja a transformação da matériaprima em produto final que será oportunamente comercializado. Portanto, na operação de fabricação de álcool e açúcar, o combustível para os veículos de transporte de pessoal e de canadeaçúcar, e os próprios serviços de transporte estão diretamente envolvidos no processo produtivo da empresa. Fato que possibilita o creditamento dos referidos custos. AGROINDÚSTRIA – RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO A lide passa necessariamente pelas irradiações das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 310 16 (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 311 17 A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 312 18 apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Deste modo, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 313 19 II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 314 20 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, a Lei nº. 12058, de 13 de outubro de 2009 aduziu importantes modificações no tema, a saber: a) Permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; b) Autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei nº. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direito concedidos pela Lei nº. 12058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Não se pode esquecer que o art. 106 do CTN autoriza a aplicação de lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 315 21 de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da não cumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria do PIS em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pelo contribuinte deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. Variação cambial – Complemento de preço. Quanto a essa matéria, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior em abordagem digna de aplausos, enfrenta o tem da seguinte forma: Passando em seguida à análise quanto às receitas denominadas pelo recorrente como complementos de exportação – e pela fiscalização como variação cambial ativa (portanto, receitas financeiras submetidas à tributação) – excluídas da base de cálculo das receitas de exportação, alterando, consequentemente, o percentual da proporcionalização entre as receitas de exportação e a receita bruta total, tenho que a mesma referese, de fato, à complementação de receitas de exportação, conforme sustenta a recorrente, em face, suscintamente, da análise das provas acostadas ao processo, e das considerações que doravante passo a expor. Dos documentos que a própria Autoridade Fiscal solicitou no curso de suas verificações, denotase que, mesmo que ocorridas por intermédio de empresa trading, ou ainda, mesmo que decorrente de efetiva variação monetária ocorrida na operação, a diferença financeira discutida ocorreu antes da efetiva exportação/embarque do produto ao exterior, enquanto ainda Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 316 22 não restava perfectibilizada a comercialização final do produto (especificamente no caso dos autos, açúcar). Observase que a diferença de preço capturada pelo Fisco como “receita financeira”, restou caracterizada como o preço final de venda negociado pela empresa, tendo sido a variação ocorrida no caso, mera consequência do lapso temporal entre o transporte da mercadoria ao porto (etapa do processo de venda), e o seu efetivo embarque ao exterior (finalização da negociação, com fechamento do preço), lapso esse em que houvera oscilação no preço em reais, originalmente fixado em dólar para a operação de exportação. (...) Na lógica a ser compreendida, a variação ocorrida somente ocorre por que a finalização da negociação ocorre com a mercadoria no porto, pronta para ser exportada, e que a taxa de câmbio utilizada anteriormente pela “VENDEDORA” somente serviu para a emissão das notas necessárias para que fosse realizado o transporte, mas de modo precário, já que o preço efetivamente pactuado apenas seria conhecido em momento posterior, segundo termo contratual expresso nesse sentido. É indubitável o conhecimento acerca do modo ou forma como a negociação comercial se concretiza, para concluir se as receitas questionadas tratamse ou não de receitas financeiras decorrentes de variação cabial ativa, ou então, apenas e somente de “complementos de vendas”. Sendo a variação financeira posterior ao fechamento da negociação, após a exportação do produto ao exterior, e, por exemplo, lá ocorrendo variação do câmbio sobre os recebíveis tornados definitivos pelo fechamento da exportação, claro fica que o “ganho” assim obtido é, de fato, uma receita financeira decorrente de “variação cambial ativa”. Entretanto, em ocorrendo a variação financeira entre o fechamento do câmbio apenas para emissão de nota de transporte (portanto de modo “precário” em relação ao preço contratado), antes da efetiva exportação, claro também fica que a emissão de nota fiscal de “complemento de venda” (com a diferença cambial ocorrida neste lapso temporal – emissáo de NF para transporte e fechamento do câmbio no “termo” contratual), é, e apenas é, complemento da venda efetuada, demonstrando ser apenas o cumprimento de uma formalidade essencial no negócio, que nada mais é do que o fechamento do preço final do produto, quando então pronto para o embarque ao exterior. Estando expressamente evidenciado que a negociação comercial destinada ao exterior, somente estará finalizada com o fechamento do preço final – exigido do comprador por meio de complemento de nota fiscal – concluise que a variação ocorrida neste interrégno revestese de natureza de “complemento do preço” das vendas nesse átimo consumadas, mas cuja execução de parte deste negócio jurídico se iniciara quando do envio Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.001257/200563 Acórdão n.º 3402002.163 S3C4T2 Fl. 317 23 prévio dos produtos para formação de lote destinado a exportação. Agora digo eu. Para restar caracterizada a variação cambial como complemento de preço, entendo que devem ser cumpridos dois requisitos, a saber: contrato de exportação prevendo a variação cambial no preço final do produto e a emissão de notas fiscais complementares. No caso em questão, não há dúvidas que foram emitidas as notas fiscais complementares. Contudo, não restou provado que havia no contrato de exportação clausula prevendo a inclusão da variação cambial no preço final do produto. O próprio recorrente afirma em resposta à intimação fiscal, fls. 22/24, que não possuía os contratos de exportação e que havia pedido cópia a Sociedade Cargil Agrícola S/A. Ressalto que essa petição foi anexada aos autos em 15/12/2009 e até o momento não se tem notícias dos referidos contratos de exportação. Assim sendo, por faltar um dos requisitos fundamentais para caracterização da variação cambial como complemento de preço, mantenho a decisão da Delegacia de Julgamento no sentido de definir tais valores como receitas financeiras, não devendo compor a receita de exportação para efeito de se determinar o percentual desta em relação à receita operacional bruta, para fins de cálculo do benefício de ressarcimento dos créditos das contribuições ao PIS e a COFINS acumulados em virtude de exportações. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustível, transporte de pessoal e de canadeaçúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na sistemática da não cumulatividade, bem como a utilização dos créditos para ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. É como voto. Sala das Sessões, em Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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