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Numero do processo: 10980.914193/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.884
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 93 /2 01 2- 97 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.818, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.914193/201297 Acórdão n.º 3201003.884 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720431/2013-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de despesas médicas por motivos distintos da autuação.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de despesas médicas por motivos distintos da autuação. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 74 1 73 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.720431/201346 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.170 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ALCIONE RODRIGUES PRADO SOARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de despesas médicas por motivos distintos da autuação. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 04 31 /2 01 3- 46 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 75 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 76 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 7/11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$855,59 para saldo de imposto a pagar de R$1.168,41. A notificação consigna a dedução indevida de despesas médicas no montante de R$7.360,00 (fls.8/9). Impugnação Cientificada à contribuinte em 8/2/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 27/2/2013, à fl. 2/22 dos autos, na qual a contribuinte indicou a juntada de documentação comprobatória de parte das despesas glosadas. A impugnação foi apreciada na 22ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgoua improcedente em decisão assim ementada (fls. 27/31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Ementa: GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Presentes nos autos os pressupostos legais autorizadores da exigência da comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas e não apresentados os documentos probatórios, deve se manter o lançamento nos termos em que efetuado. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 11/6/2013 (fl. 35), a contribuinte, em 2/7/2013 (fl. 37), apresentou recurso voluntário, às fls. 37/66, no qual indica a juntada de extratos bancários, consignando saques e cheques compensados em datas e valores compatíveis com os recibos emitidos. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (flS.68/69). Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 77 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre as despesas médicas informadas com Lilian Alves (R$1.160,00) e Catia Parisi (R$5.200,00). Em relação a essas despesas, a autuação registra (fl.9): Contribuinte não comprovou dispêndios médicos: CPF 041.112.69826 (falta endereço), CPF 248.671.32802 (falta endereço). (destaques acrescidos) A decisão de piso manteve as glosas dessas despesas, consignando: No presente caso, a glosa da dedução teve por motivo o fato de não ter havido prova do efetivo dispêndio das despesas médicas, uma vez que ficou constatado que os recibos estavam em desacordo com a legislação de regência do imposto de renda. Para comprovar as despesas médicas acima relacionadas, a Impugnante apresentou os seguintes documentos: CPF/CNPJ Nome/Razão Social Código Valor Glosado Docs. Apresentados 041.112.69893 Tit. LILIAN MELLO A. MOREIRA 10 1.160,00 Declaração, de fls.18; Recibos, de fls.19/21. 248.671.32802 Tit. CATIA G. PARISI 10 5.200,00 Recibos, de fls.13/17, no valor total de R$ 5.200,00 Os documentos apresentados não comprovam o efetivo dispêndio para fazer face às despesas médicas declaradas. Tal prova deve ser feita por meio de cheques nominativos coincidentes em valores e datas (que podem ser próximas) aos Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 78 5 recibos apresentados ou, se efetuado o pagamento em dinheiro, seja provada a disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, com a apresentação de extratos bancários com saques que justifiquem os pagamentos, permitindose, assim, a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados, com base no artigo 73 do RIR. (destaques acrescidos) Em seu recurso, a contribuinte junta extratos de fls. 55/66, consignando saques em datas e valores compatíveis com as despesas glosadas, sendo de se restabelecêlas. Ainda que assim não fosse, entendo que a decisão de piso teria que ser revista. Vejamos. Não consta dos autos intimação à contribuinte para comprovar o efetivo pagamento das despesas em tela. Na autuação, embora a autoridade fiscal se utilize do vocábulo "dispêndio", ao esclarecer, após os dois pontos, o motivo da glosa apontou a falta de endereço para as duas despesas. Assim, depreendese que o termo "dispêndio" não foi utilizado na autuação como sinônimo de efetivo pagamento, como aponta a decisão de piso, mas no sentido de despesa, gasto. Nessa toada, a manutenção das glosas pela DRJ utilizandose de outro fundamento mostrase indevida e incabível, uma vez que viola o princípio do contraditório e da ampla defesa. Seguem decisões deste Conselho abordando a questão da inovação pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação. (Acórdão nº2202004.103, de 9/8/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. (Acórdão nº 2402005.705, de 15/3/2017) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13819.720431/201346 Acórdão n.º 2002000.170 S2C0T2 Fl. 79 6 Assim, as glosas devem ser canceladas. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, para restabelecer despesas médicas no montante de R$6.360,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.722135/2016-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-006.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 21 35 /2 01 6- 16 Fl. 480DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pelo Sujeito Passivo em face de decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção. Em sessão plenária de 27 de janeiro de 2016, foi julgado o Recurso Voluntário de folhas 293 a 306, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão n° 2301 004.441 (folhas 318 a 331), assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2011 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Contextualizando, A decisão foi assim registrada : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões que implicam em controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento a Dra. Thabitta Rocha, OAB/GO 42.035. O processo foi encaminhado, para cientificar o contribuinte do Acórdão de Recurso Voluntário, que, tempestivamente protocolou, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, não conhecido, através de Despacho do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção às folhas 358 a 359 do processo. Após ciência ao contribuinte do despacho que não conheceu dos embargos de declaração, este interpôs, Recurso Especial admitido Acórdão n.º 3402002.799 e Acórdão n.º 3401003.176 questionando a possibilidade de incidência dos juros sobre multa de ofício, Importante observar que o Processo em análise de n.º 10675.722135/2016 16, é resultante do desmembramento dos créditos tributários lançados no Processo n.º Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10675.722135/201616 Acórdão n.º 9202006.884 CSRFT2 Fl. 684 3 10970.720302/201226, tendo em vista que o contribuinte apresentou Recurso Especial questionando tão somente a cobrança dos juros incidentes sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Com relação à não incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, entendo que assiste razão à Recorrente. Isto porque inexiste no ordenamento jurídico pátrio dispositivo legal que fundamente tal exigência, e aqui passo a reproduzir irrepreensíveis argumentos gizados pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz no acórdão n. 3402003.148: Com efeito, o artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430, de 37 de dezembro de 1996 (“Lei n. 9.430/96) dispõe que sobre os "os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, (...) não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora”, e que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora”. O comando do citado artigo, portanto, determina que sobre os débitos (tributos) será aplicada multa de mora quando pagos a destempo, e sobre os débitos aplicarseá, igualmente, os juros de mora. Contudo, a multa de ofício não foi incluída no débito tributário para fins de aplicação dos juros. Seria de fato“ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput”, nas palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013). Vêse, assim, que a literalidade do artigo separa os débitos tributários das penalidades (multas de ofício), determinando a incidência dos juros só sobre os primeiros, e não sobre as segundas. Parece ter assim andado o legislador buscando estar em sintonia com as regras estabelecidas pelo Código Tributário Nacional (CTN), com o status de lei complementar que tem ao dar cumprimento às funções estipuladas pelo artigo 146 da Constituição Federal. Efetivamente, o CTN além de claramente separar a natureza jurídica dos tributos (invariavelmente decorrente de condutas lícitas, segundo o artigo 3o ) e das multas (penalidades pela prática de ilícitos, ou seja, sanções aplicadas quando da ocorrência de infrações ao sistema tributário), em seu artigo 161 coloca que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 482DF CARF MF 4 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária aplicação dos juros. Afinal, caso quisesse que as penalidades estivessem abarcadas pela locução “crédito”, no início do dispositivo, não as teria destacado e dado tratamento diferenciado ao final do mesmo dispositivo legal. Ressalto que não se está aqui a olvidar que a separação entre crédito tributário (do ponto de vista do Fisco, o que corresponde ao débito tributário, do ponto de vista do contribuinte) e penalidades, do artigo 161 do CTN, colide com outras normas DF CARF MF Fl. 17946 Processo nº 10880.723059/201398 Acórdão n.º 3402003.817 S3C4T2 Fl. 17.921 53 trazidas pelo próprio CTN, vale dizer, o artigo 1131 combinado com o artigo 139,2 os quais, lidos conjuntamente, levam à conclusão de que o crédito tributário abarca toda a obrigação principal, composta tanto pelos tributos como pelas penalidades pecuniárias devidas pelo contribuinte aos Cofres Públicos. Tal incoerência, contudo, não é suficiente para afastar a dissociação entre crédito/débito tributário e penalidades, estampada tanto no artigo 161 do CTN como no artigo 61 da Lei n. 9.430/96, quando tratam especificamente a incidência dos juros sobre os valores devidos pelos contribuintes ao Fisco. Em ambos os dispositivos somente há autorização para a incidência de juros (no âmbito federal representado pela SELIC) sobre o crédito/débito, entendido como aquele decorrente de fatos gerados de tributos, mas não sobre as penalidades tributárias. As incoerências da legislação tributária são diversas, cabendo aos órgãos julgadores solucionálas da maneira mais lógica e justa possível, que é justamente o que aqui se pretende, chegando, das razões acima expostas, à conclusão pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Nesse sentido vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013; Acórdão 3402002.862, de 26 de janeiro 2016), porém ainda não consolidada. Assim, ao meu ver, é nesse sentido que deve ser interpretada a Súmula CARF n. 4,3 cujo teor impõe o reconhecimento como devida a SELIC sobre débitos tributários administrados pela Secretaria Receita Federal. São sim devidos os juros SELIC, mas tão somente sobre os tributos no período de inadimplência, e não sobre eventuais multas de ofício cobradas no mesmo suporte documental (auto de infração). Sem lei que estabeleça expressamente a aplicação de juros sobre a multa de ofício, incabível a cobrança pretendida pela Autoridade Fiscal nestes autos, devendo ser a mesma cancelada por este Colegiado. Neste ponto, insta mencionar que não seria aplicável ao presente caso o art. 43, da Lei n.º 9.430/96, mencionado no Acórdão 9303002.399, da 3ª Turma da CSRF. Isso porque o referido dispositivo traz a previsão de aplicação dos juros de mora quando da lavratura auto de infração que se refira, "exclusivamente, a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente", tratandose, portanto, de "Auto de Infração sem tributo" nos termos do título utilizado pela própria lei neste artigo: "Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo DF CARF MF Fl. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10675.722135/201616 Acórdão n.º 9202006.884 CSRFT2 Fl. 685 5 17947 54 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifo nosso) Como se depreende do relatório, a hipótese trazida no dispositivo legal acima distinguese claramente daquela sob análise, no qual foi aplicada multa de ofício sobre o valor do tributo não recolhido (IPI), esta sim sem previsão legal para a incidência de juros. Por fim, cumpre tecer alguns comentários sobre o julgamento do Superior Tribunal de Justiça, que poderia ser citado como fundamento da posição em sentido contrário a aqui exposta. Tratase do AgRg no REsp 1.335.688PR, segundo o qual: "entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.' (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." Com a devida vênia ao Egrégio Tribunal, entendo que a decisão ali alcançada não merece guarida. Para ser mais precisa, por uma análise acurada do teor do julgamento, entendo que o STJ ainda não se manifestou sobre a específica questão aqui discutida, pois no AgRg no REsp 1.335.688PR não foi trazido um único fundamento de decidir a respeito da diccção do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96, apresentada alhures, tendo sido a decisão calcada em acórdãos do próprio órgão que não resolvem ao tema. Explico. No Recurso Especial n. 1.335.688, bem como no Agravo de Instrumento de mesmo número, as razões de decidir do Ministro Relator Benedito Gonçalvez se limitam a afirmar que o acórdão do TRF da 4ª Região, objeto de reclame do contribuinte, ao decidir pela incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício espelhou a jurisprudência firmada pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, justamente como consta no trecho da ementa acima citado, quais sejam: o REsp 1.129.990/PR e o REsp 834.681/MG. Ocorre que no REsp 1.129.990/PR, segundo os dizeres do Ministro Castro Meira (Relator) "a questão devolvida a este Superior Tribunal de Justiça consiste em saber se a multa decorrente do inadimplemento de ICMS sujeitase à incidência de juros de mora, como defende o Fisco Estadual, ou sequer integra o crédito tributário e, portanto, não pode sofrer este acréscimo, conforme a tese adotada pelo acórdão hostilizado." Não são necessárias maiores digressões para chegar a conclusão de que se a matéria analisada pelo STJ nesse caso dizia respeito à tributo estadual (ICMS), de modo que não foi objeto de apreciação a legislação federal que fundamenta o presente voto (artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96). Com efeito, o r. acórdão teve como base unicamente as normas constantes dos artigos 113, 139 e 161 do CTN. Na mesma Fl. 484DF CARF MF 6 problemática incorre o REsp 834.681/MG, no qual discutiase, em primeiro lugar, a aplicabilidade da taxa Selic como índice legítimo de correção monetária e juros de mora para a correção de débitos do contribuinte perante a Fazenda Pública estadual (de Minas Gerais, in casu). Como segundo ponto enfrentado pelo STJ aparecia a incidência dos juros sobre a multa de ofício que, por óbvio, também se limitava ao âmbito da legislação estadual, provável razão pela qual mais uma vez o Tribunal silenciou sobre a exegese do artigo 61, caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Constatase, assim, que os precedentes utilizados como alicerce para a decisão do AgRg no REsp 1.335.688PR não tangenciaram especificamente os dizeres do artigo 61 caput e §3º da Lei n. 9.430/96. Por essa razão não vislumbro qualquer razão para alterar o posicionamento majoritário que vem sendo adotado por esse Colegiado, a respeito da falta de previsão legal para a incidência da Selic sobre a multa de ofício imposta nos autos de infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal. 112. Com base em tais fundamentos, afasto a incidência dos juros sobre a multa incidente sobre o crédito tributário aqui remanescente. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10675.722135/201616 Acórdão n.º 9202006.884 CSRFT2 Fl. 686 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir no mérito, no que diz respeito à incidência de Juros Selic sobre a multa de ofício. A propósito entendo inexistir, in casu, dúvida sobre a mencionada incidência, adotando como razões de decidir aquelas brilhantemente expostas pela ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1a. Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, verbis: “(...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. (...) Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. Fl. 486DF CARF MF 8 O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. (...) A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10675.722135/201616 Acórdão n.º 9202006.884 CSRFT2 Fl. 687 9 reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61,§ 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.(g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Fl. 488DF CARF MF 10 Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." De se ressaltar, ainda, que, no âmbito administrativo deste Conselho, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal (dos quais não vislumbro se poder excluir os valores a título de multa de ofício) já foi pacificada com a edição da Súmula CARF n°. 4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, diante do exposto, concluo pela incidência dos juros de mora, calculados pela taxa SELIC, sobre a multa de ofício constante do lançamento e, destarte, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 489DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.002636/2007-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003
NULIDADE. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É válido o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que, inclusive, exerceu adequadamente o direito de defesa e o contraditório e, na forma da legislação vigente.
Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003
CIDE ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA.
O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE.
Numero da decisão: 9303-006.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito, que conheceram parcialmente do recurso, somente quanto ao CIDE. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válido o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que, inclusive, exerceu adequadamente o direito de defesa e o contraditório e, na forma da legislação vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003 CIDE ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei nº 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito, que conheceram parcialmente do recurso, somente quanto ao CIDE. No mérito, acordam, por maioria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 36 /2 00 7- 85 Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 9303006.990 CSRFT3 Fl. 404 2 de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3402004.340, de 27 de julho de 2017, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento ao recurso de ofício e afastou a preliminar de nulidade declarada pela Relatora, nos termos das ementas transcritas abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. Descabe a alegação de falta de motivação para lavratura de auto de infração quando a autoridade fiscal o faz indicando os pressupostos de fato e de direito em que se fundamenta. CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide sobre o valor de royalties, a qualquer título assim entendido como aqueles decorrentes de qualquer exploração de direito autoral, de propriedade industrial ou intelectual que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a residente ou domiciliado no exterior." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, requerendo o seu provimento, a fim de que seja cancelado o lançamento, alegando, em síntese, a nulidade do auto de infração (lançamento) por ausência da correta descrição dos fatos e fundamentos da autuação; e, no mérito, que a CIDETecnologia não incide sobre a remessa de valores para o Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 9303006.990 CSRFT3 Fl. 405 3 exterior, para pagamento de royalties sobre aquisições/licenças de direitos sobre obras audiovisuais, tendo em vista que não há aquisição de tecnologia relacionada à área industrial, conforme previsto na Lei nº 10.168/2002 e no Decreto nº 3.949/2001 que a regulamentou. Alegou ainda que, no presente caso, não se aplica o §§ 2º e 3º do art. 2º daquela lei, alterado pela Lei nº 10.322/2001, por não incluir direitos autorais. Por meio do despacho Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 376/381, o recurso do contribuinte foi admitido pelo Presidente da Quarta Câmara. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão recorrido, alegando, em síntese: em preliminar, que as suscitadas divergências não foram comprovadas nos acórdãos paradigmas apresentados; assim o recurso especial não deve ser conhecido; e, no mérito: 1) quanto à nulidade, a sua improcedência tendo em vista que os alegados equívocos, na lavratura do auto de infração, não são causam sua nulidade, uma vez que o autuado compreendeu o motivo da autuação e exerceu seu direito de defesa, não só em relação à preliminar, mas também quanto ao mérito; e 2) quanto à incidência da CIDE Royaties sobre as remessas ao exterior de pagamentos de direitos autorais, defendeu as mesmas razões expendidas no voto vencedor do acórdão recorrido. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matérias em litígio abrangem, em preliminar, a nulidade do lançamento, e, no mérito, a incidência da CIDERoyalties sobre remessas ao exterior para pagamento de direitos autorais sobre programas audiovisuais televisivos. Quanto à admissibilidade do recurso especial, o Acórdão paradigma nº 2803 003.074, às fls. 354/357, comprova a divergência, em relação à nulidade. Já o paradigma nº 30134.753, às fls. 344/353, comprova à divergência, quanto à incidência da CIDERoyalties. I) Nulidade do auto de infração. O auto de infração e, conseqüentemente, o lançamento somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente, sem fundamentação legal ou com cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que trata de nulidade atos administrativos, assim dispõe: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 9303006.990 CSRFT3 Fl. 406 4 (...).” O auto de infração em discussão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, servidor competente para exercer fiscalizações de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração e no cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. No auto de infração constam: i) a infração imputada ao sujeito passivo falta e/ ou insuficiência do pagamento da CIDE incidente sobre as remessas de valores para o exterior para o pagamento de direitos autorais nas aquisições/licenças de obras audiovisuais televisas; ii) a fundamentação do lançamento Lei nº 10.168, arts. 2º e 3º; iii) a motivação a falta/insuficiência de recolhimento da contribuição devida; e iv) a determinação da exigência do crédito tributário e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias. Esses requisitos permitiram ao sujeito passivo impugnar o crédito tributário, tanto é que o fez no prazo regulamentar. Todo o crédito tributário foi apurado com base nos documentos fiscais e contábeis fornecidos pelo próprio contribuinte. Possíveis incorreções e/ ou deficiências não tornam nulo nem anulável o lançamento e sim defeituoso ou ineficaz até o seu aperfeiçoamento. No presente caso, caso a insuficiência na descrição da infração não trouxe prejuízo algum ao contribuinte, tendo em vista que a infração, a motivação e determinação do crédito tributário lançado e exigido foram detectadas e apuradas com base nos documentos fiscais e contábeis fornecidos pelo ele próprio o que lhe permitiu exercer sua ampla defesa, não só com relação à preliminar, mas também em relação ao mérito, tanto é que o fez em todas as fases recursais. Assim, não há que se falar em nulidade do auto de infração e, consequentemente, do lançamento. II) Mérito. A CIDE foi criada e regulamentada pela Lei nº 10.168/2000 que assim dispõe: "Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 9303006.990 CSRFT3 Fl. 407 5 ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001 (...)." O Decreto nº 4.195/2002, que regulamentou essa lei, assim dispõe: "Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes." Desses dispositivos legais, extraise que o legislador determinou a incidência da contribuição tanto nos casos em que a pessoa jurídica é detentora de licença de uso como nos casos de aquisição de conhecimentos tecnológicos. Interpretase que, pelo texto legal, a licença de uso não está vinculada à suposta necessidade de haver a transferência de conhecimento tecnológico. De acordo com o artigo 2º da Lei nº 10.168, de 2000, as hipóteses de incidência da CIDE são: a) pagar, creditar, entregar e/ ou remeter a residentes/domiciliados no exterior, royalties a título de remuneração decorrente de contratos de licença de uso e de aquisição de conhecimentos tecnológicos que impliquem transferência de tecnologia, dentre Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 9303006.990 CSRFT3 Fl. 408 6 eles, os relativos à exploração de patentes, ao uso de marcas ao fornecimento de tecnologia e à prestação de assistência técnica; b) pagar, creditar, entregar e/ ou remeter a residentes/domiciliados no exterior, royalties a título de remuneração decorrente de contratos de prestação de serviços técnicos, de assistência administrativa e assemelhados; c) pagar, creditar, entregar e, ou remeter a residentes/domiciliados no exterior, royalties a qualquer título. Os valores tributados, objeto do lançamento em discussão, estão elencados nas hipóteses acima, royalties a título de contratos de licença e royalties a qualquer título. Destacamos ainda que, dentre os objetivos sociais e econômicos da recorrente estão a importação e a distribuição de filmes para vídeo, bem como a prestação de serviços relativos a venda e promoção de filmes, conforme contrato social acostado (Doc. 1) Assim, entendemos que os serviços pagos a domiciliados/residentes no exterior, pelo direito de transmitir filmes e programas de televisão, são royalties por contraprestação pela aquisição de direitos autorais sobre obras de terceiros. A Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que trata de direitos autorais assim dispõe: “Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...); VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; (...).” Já a Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, assim define royalties: “Art. 22. Serão classificados como ‘royalties’ os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...); d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. (...).” Portanto, a remessa de royalties ao exterior, a título de pagamento por licença para exploração e transmissão de programas de TV, configura hipótese de incidência da CIDE, nos termos da Lei nº 10.168, de 2000. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 9303006.990 CSRFT3 Fl. 409 7 Assim, demonstrado e provado que, independentemente de transferência de tecnologia, as remessas de valores feitas ao exterior para pagamento de licença para transmissão de programação televisa estão sujeitas a CIDE, mantémse o lançamento. À luz do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36660.000566/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.000329/200827, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação da antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 60 .0 00 56 6/ 20 07 -9 0 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 36660.000566/200790 Resolução nº 2401000.661 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório, constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mãodeoba base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1º e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 36660.000566/200790 Resolução nº 2401000.661 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.000329/200827, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Rayd Santana Ferreira, digno Relator da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 36660.000566/200790 Resolução nº 2401000.661 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira, Relator. " Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000290/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE.
O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao §2º do artigo 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3402-005.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao §2º do artigo 62 do RICARF.
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao §2º do artigo 62 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 90 /2 00 8- 56 Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16349.000290/200856 Acórdão n.º 3402005.461 S3C4T2 Fl. 721 2 Relatório Trata o presente processo de análise de Pedido de Restituição relativo a crédito presumido de IPI referente ao 3° trimestre de 2003, acompanhado de Declaração de Compensação (PER/DCOMP). A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido, excluindo do cálculo do crédito presumido, apurado pela Lei n° 9363/96 e Portaria MF n° 38/97, as parcelas referentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando a ilegalidade dos atos normativos relativos às exclusões em questão, citando decisões judiciais e administrativas em sentido contrário à posição fazendária. Por meio do acórdão nº 1435.076, de 29 de agosto de 2011 (fls. 637 a 642), a 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP (fl. 569). O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os valores referentes As aquisições de insumos de pessoa nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, pela legalidade e direito ao reconhecimento de crédito presumido de IPI calculados sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Requereu a homologação da compensação realizada, e a oportunidade de exercer a sua ampla defesa através da sustentação oral no dia do julgamento e perante o colegiado julgador. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16349.000290/200856 Acórdão n.º 3402005.461 S3C4T2 Fl. 722 3 A questão trazida a este colegiado cingese sobre a legalidade da inclusão, no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas. A matéria foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, e encontrase sumulada pelo STJ. Em razão do disposto no §2º ao artigo 62 do RICARF, deve ser reproduzido o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, pela sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC, no sentido de que os valores oriundos das aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas utilizados no processo produtivo de mercadorias a serem exportadas, devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI produtoras e exportadoras de Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16349.000290/200856 Acórdão n.º 3402005.461 S3C4T2 Fl. 723 4 produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Súmula 494/STJ O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Deste modo, deve ser reconhecido o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, para reconhecer o seu direito creditório relativo ao crédito presumido de IPI do 3º trimestre de 2003, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, com a consequente homologação das compensações realizadas até o limite do valor reconhecido. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 723DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.001055/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
Simples Federal. Exclusão no Curso do Ano. Atividade Vedada. Comprovação.
A exclusão do Simples feita pelo próprio contribuinte, no curso do ano e com efeitos imediatos, em razão do exercício de atividade econômica incompatível com aquele regime, exige a comprovação do fato.
Obrigação Apurada na Sistemática do Simples. Recolhimentos de Tributos Específicos. Dedução.
Na determinação dos valores a serem lançados no Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos de tributos incluídos naquela sistemática de apuração, observando-se os percentuais previstos em lei para o pagamento de forma unificada.
Multa. Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade. Exame na Esfera Administrativa. Vedação.
É vedado no processo administrativo examinar a validade da multa sob o prisma da proporcionalidade ou da razoabilidade, por implicar controle de constitucionalidade, o que foge à competência do CARF, nos termos do entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para, se ainda estiverem disponíveis os pagamentos, autorizar a dedução dos valores recolhidos pelo contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Simples Federal. Exclusão no Curso do Ano. Atividade Vedada. Comprovação. A exclusão do Simples feita pelo próprio contribuinte, no curso do ano e com efeitos imediatos, em razão do exercício de atividade econômica incompatível com aquele regime, exige a comprovação do fato. Obrigação Apurada na Sistemática do Simples. Recolhimentos de Tributos Específicos. Dedução. Na determinação dos valores a serem lançados no Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos de tributos incluídos naquela sistemática de apuração, observando-se os percentuais previstos em lei para o pagamento de forma unificada. Multa. Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade. Exame na Esfera Administrativa. Vedação. É vedado no processo administrativo examinar a validade da multa sob o prisma da proporcionalidade ou da razoabilidade, por implicar controle de constitucionalidade, o que foge à competência do CARF, nos termos do entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO NO CURSO DO ANO. ATIVIDADE VEDADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão do Simples feita pelo próprio contribuinte, no curso do ano e com efeitos imediatos, em razão do exercício de atividade econômica incompatível com aquele regime, exige a comprovação do fato. OBRIGAÇÃO APURADA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. RECOLHIMENTOS DE TRIBUTOS ESPECÍFICOS. DEDUÇÃO. Na determinação dos valores a serem lançados no Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos de tributos incluídos naquela sistemática de apuração, observandose os percentuais previstos em lei para o pagamento de forma unificada. MULTA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado no processo administrativo examinar a validade da multa sob o prisma da proporcionalidade ou da razoabilidade, por implicar controle de constitucionalidade, o que foge à competência do CARF, nos termos do entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para, se ainda estiverem disponíveis os pagamentos, autorizar a dedução dos valores recolhidos pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 10 55 /2 00 9- 95 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 446 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 447 3 Relatório Tratase de recurso interposto por COREMA INDÚSTRIA DE MADEIRAS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1525.804, da DRJ Salvador, que negou provimento à impugnação da recorrente e manteve o lançamento pelo qual se exigia crédito tributário no montante de R$ 314.252,00 a título de Simples Federal. A infração foi assim descrita no Termo de Fiscalização de fls. 167 a 172: A fiscalizada ingressou no SIMPLES em 01.01.1997, permanecendo no sistema até julho do anocalendário 2004. A partir de 01.08.2004, submeteuse à tributação do LUCRO PRESUMIDO. Apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (SIMPLES) 2005, abrangendo janeiro a julho de 2004, e a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 2005, para o restante do ano 2004 (fls. 07/26). Na intimação de 22.07.2008, a empresa foi indagada acerca da saída do SIMPLES, no sentido de esclarecer se o fato se deu por opção da empresa ou por ato de ofício da Receita Federal (fl. 58). Esclareceu que "a exclusão do Simples em data de 01.08.2004 se deu por motivo de que a empresa obtivera receita referente a atividade vedada para o SIMPLES"r fato que teria determinado a saída, formalizada mediante a apresentação de FCPJ em 14.09.2004 (fls. 60, 66). Nova intimação, de 06.08.2008, requereu esclarecimentos adicionais: 1 apresentar cópia das Notas Fiscais comprobatórias das receitas que originaram a exclusão do SIMPLES no .ano de 2004; 2 informar a natureza da atividade determinante da exclusão, bem como a base legal da vedação; 3 apresentar cópia do livro Razão, abrangendo as receitas vedadas ao SIMPLES do período janeiro a dezembro de 2004 (fl. 69). A empresa comprovou ter alterado seu objeto social, em 14.07.2004, para fins de incluir no rol a "representação comercial em geral", cuja atividade teria determinado sua exclusão da sistemática do SIMPLES, em razão da vedação prevista no artigo 9º, inciso XIII, da Lei 9.317/96. Afirma que "à época a empresa não providenciou talonário de notas fiscais para respaldar representação comercial, aguardando amadurecimento dos negócios na área". Apresentou cópia dos livros Diário, Razão e ISS, onde consta a primeira e única operação de representação comercial que teria sido realizada pela empresa. Tratase de um lançamento a crédito da conta PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A VISTA, datado de 31.07.2004, no valor de R$ 552,82, com o seguinte histórico: "N/RECIBO NF0001 J.T. Móveis Torneados" (fl. 92/94). No entanto, a empresa não apresentou nota fiscal comprobatória da referida operação de representação comercial, ou seja, não apresentou a NF0001 informada no histórico do lançamento. Também não apresentou qualquer outro documento hábil a comprovar o lançamento contábil registrado na contabilidade, nem os vínculos negociais e jurídicos entre representante e representada. Como se vê, a fiscalizada não logrou êxito em comprovar a natureza de representação comercial do único lançamento que teria sido o fato determinante de sua exclusão do SIMPLES. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 448 4 Aliás, esse teria sido o único lançamento dessa natureza durante todo o período fiscalizado, de 2004 a dezembro de 2006. É o que se depreende do exame da declaração do SIMPLES, relativa ao primeiro semestre de 2004, campo "Receita Bruta da Prestação de Serviços" (fls. 08/11), em conjunto com o campo "Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%", informado nas declarações DIPJ referentes ao segundo semestre de 2004, bem como as dos anoscalendário 2005 e 2006 (fls. 15/16 e 27/28). A tabela a seguir demonstra essa situação: (...) Em virtude da falta de comprovação da "representação comercial", não procede, a exclusão formalizada pela fiscalizada, a qual se daria a partir de agosto de 2004 (mês subsequente ao fato excludente), conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96). Uma vez afastada a causa da exclusão, concluise que a pessoa jurídica permaneceu na sistemática do SIMPLES durante todo o ano 2004. Somente a partir ano seguinte, ou seja, a partir de 01.01.2005, a empresa estaria fora do sistema, porém em virtude de causa diversa da alegada pela fiscalizada. O fato causador de sua exclusão foi ter auferido, durante o anocalendário de 2004, receitas tributáveis num montante superior ao admitido pelo SIMPLES. A empresa apresentou R$ 2.451.716,04 de receita bruta total naquele ano, valor superior ao limite de R$ 1.200.000,00 previsto no art. 2º, II, da Lei 9.317/96. A exclusão, neste caso, opera efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, ou seja, a partir de 01.01.2005, conforme o disposto no art. 15, IV da Lei 9.317/96. Como se vê, durante o período compreendido de agosto a dezembro de 2004 a fiscalizada estava sujeita à sistemática do SIMPLES, circunstância a ensejar o lançamento de ofício das importâncias devidas segundo essa modalidade de tributação. As receitas brutas mensais, base de cálculo para o SIMPLES, foram apuradas com base nas receitas informadas pelo contribuinte na DIPJ apresentada para o período de agosto a dezembro de 2004, cujos valores foram conferidos e corroborados com as informações constantes nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) do período. O lançamento foi impugnado, o que fez com que o processo fosse remetido à DRJ SDR, que negou provimento à impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. E correto o lançamento de oficio fundamentado na apuração de receita bruta declarada ao Fisco Estadual, através da Guia de Informação e Apuração do ICMS, e não declarada pela sistemática do Simples Federal. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. NÃOCONFISCO. No lançamento de ofício cobramse, em virtude de expressa previsão legal, juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de ofício no percentual de 75%, não havendo que falar em confisco. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 449 5 OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO NO DECURSO DO ANO CALENDÁRIO. ATIVIDADE VEDADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A opção pelo Simples é definitiva para todo o período. A exclusão do sistema no decorrer do anocalendário só é possível se restar comprovado que a pessoa jurídica auferiu receita bruta oriunda de pelo menos uma das atividades vedadas previstas no art. 92, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996, tendo a exclusão efeito a partir do primeiro dia do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente. INCONSTITUCIONALIDADE. Na instância administrativa não se discute versões de inconstitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Alegou que a auto exclusão do Simples foi motivada pelo fato de a recorrente ter auferido, em julho de 2004, receita de atividade econômica incompatível com aquele regime de tributação favorecido. Assim, a partir de agosto do mesmo ano, passou a recorrente a adotar a sistemática do lucro presumido. Porém, a autoridade lançadora, considerando a falta de exibição da nota fiscal de prestação do serviço, pôs em dúvida a existência do fato. A recorrente entendeu que só caberia a penalidade por falta de emissão de nota fiscal. Disse, por outro lado, que a decisão recorrida não enfrentou as matérias de índole constitucional. Concluiu afirmando que é dever dos órgãos administrativos apreciar todas as questões suscitadas no processo, e é direito do administrado ter tais pontos examinados pelos órgãos julgadores. No mérito, reafirmou a existência de causa para a auto exclusão do Simples, a qual consistiu no recebimento de receita proveniente da exploração de serviço profissional de representante comercial. Tendo em vista esse fato e considerando as disposições da Lei nº 9.317/1996, a recorrente comunicou à Receita Federal sua auto exclusão. Quanto à falta de apresentação do documento fiscal relativo ao serviço, disse que os registros contábeis não servem para comprovar a situação excludente do Simples, mas apenas para apurar omissão de receitas. No caso concreto, o máximo que se poderia fazer era aplicar multa por falta de emissão de nota fiscal, já que omissão de receita não houve. A par desse fato, alegou a recorrente excesso de autuação, visto que não foram considerados, na apuração do crédito tributário, os tributos recolhidos no período de agosto a dezembro de 2004. Por fim, acusou o efeito confiscatório da multa. Firmada nessas razões, pugnou a recorrente pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 450 6 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, cumpre esclarecer que, no processo administrativo, é possível examinar questões de índole constitucional. O que não se permite é deixar de aplicar a lei ao argumento de inconstitucionalidade. Por outro lado, mesmo que se possa analisar matéria de cunho constitucional, o órgão julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas na impugnação ou no recurso. Basta abordar os pontos necessários a fundamentar a decisão, desde que não remanesça sem análise nenhuma questão que possa infirmar as conclusões exaradas na decisão. No caso em exame, o acórdão recorrido não incorreu em nenhum desses vícios. Até mesmo a pretensão de deduzir os valores pagos entre agosto e dezembro de 2004 foi examinada pela DRJ, que assim se manifestou a propósito dessa pretensão: No tocante aos alegados pagamentos pelo regime do lucro presumido, do período autuado, cabe informar que estes poderão ser considerados no momento da efetivação da cobrança do crédito tributário exigido, desde que comprovada a sua disponibilidade nos sistemas de controle da RFB. (fl. 384) No mérito, a controvérsia consiste em saber se existiu o fato alegado pela recorrente, e cujo efeito tributário seria a imediata exclusão do Simples Federal. A legislação do Simples permitia ao contribuinte ingressar e sair do regime por ato de vontade. A opção, pelo ingresso ou retirada, havia de ser formalizada em um exercício para surtir efeito no exercício seguinte. No entanto, a mesma legislação previa casos em que a exclusão do regime darseia imediatamente, ou seja, a partir do mês seguinte ao do evento. Entendeu o legislador que, diante de determinadas situações, a empresa não poderia permanecer usufruindo do regime favorecido até o final do ano. É o que se dá, por exemplo, com o exercício de determinadas atividades econômicas. No caso em tela, a recorrente sustenta ter recebido em julho receita da atividade de representação comercial e que, por essa razão, estaria obrigada a deixar o regime simplificado no mês subsequente. A Fiscalização pediu que fosse comprovado o fato. Mas a comprovação não foi feita. Disse, a propósito, a Fiscalização: (a recorrente) Apresentou cópia dos livros Diário, Razão e ISS, onde consta a primeira e única operação de representação comercial que teria sido realizada pela empresa. Tratase de um lançamento a crédito da conta PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A VISTA, datado de 31.07.2004, no valor de R$ 552,82, com o seguinte histórico: "N/RECIBO NF0001 J.T. Móveis Torneados" (fl. 92/94). No entanto, a empresa não apresentou nota fiscal comprobatória da referida operação de representação comercial, ou seja, não apresentou a NF0001 informada no histórico do lançamento. Também não apresentou qualquer outro documento hábil a comprovar o lançamento contábil registrado na Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 451 7 contabilidade, nem os vínculos negociais e jurídicos entre representante e representada. Como se vê, a fiscalizada não logrou êxito em comprovar a natureza de representação comercial do único lançamento que teria sido o fato determinante de sua exclusão do SIMPLES. (g.n.) (fl. 170) A recorrente não comprovou o fato que obrigaria a saída imediata do Simples. O fato remanesce não comprovado. Nem em grau de recurso a recorrente se preocupou em fazer a prova desse fato. Sendo assim, está correta a Fiscalização ao afirmar que a exclusão do Simples só ocorreu em 2005, por força do excesso de receita bruta no ano de 2004. A recorrente, portanto, deveria ter cumprido as obrigações tributárias no regime do Simples até dezembro de 2004. O lançamento está correto. Quanto ao aproveitamento dos valores recolhidos entre agosto e dezembro de 2004, a meu juízo, agiu bem a Fiscalização. Não cabe a dedução pretendida pela recorrente. Para que haja dedução é preciso que os valores recolhidos se refiram à mesma obrigação, ou seja, que haja identidade quanto aos aspectos subjetivos e objetivos. O valor pago deve corresponder ao mesmo tributo e ao mesmo período de apuração, além, é óbvio, de envolver mesmo credor e mesmo devedor. No caso concreto, inexiste identidade de obrigações. O lançamento se refere aos débitos apurados na forma do Simples Federal, enquanto os alegados pagamentos se referem aos tributos especificamente considerados. Não existe identidade quanto ao tributo, quanto período de apuração e quanto aos prazos de vencimento. Nessa linha de raciocínio, é incabível a dedução pretendida. Não obstante, o entendimento adotado pela Receita Federal é diferente. O manual de Fiscalização orienta, baseado na Solução de Consulta Interna nº 23/2006, que a dedução, nessa hipótese, deve ser feita no ato do lançamento, entendendo existir pagamentos do mesmo tributo. No mesmo sentido, aliás, é a Súmula CARF 76: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Portanto, deve ser deferida a dedução, que há de ser feita observando cada rubrica individualmente, e, sobretudo, a efetiva disponibilidade dos pagamentos. Por fim, no que tange à alegação de que a multa, ultrapassando os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, teria efeito confiscatório, cabe dizer que a matéria não é passível de exame pelo CARF, pois implica, por vias transversas, o controle de constitucionalidade, o que é vedado de forma expressa a este órgão. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 452 8 O mesmo entendimento está consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento, apenas para autorizar a dedução dos valores pagos, desde que estejam disponíveis. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909111/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 91 11 /2 00 9- 15 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000190/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS.
A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais de vendas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte, e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
Numero da decisão: 1201-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Loa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais de vendas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte, e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais de vendas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte, e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Loa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 90 /2 00 8- 79 Fl. 188DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração (fls. 55/99) que exigem tributos na sistemática do Simples (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), referentes ao anocalendário de 2003, em razão da apuração de omissão de receitas. De acordo com o descritivo da autuação: 001 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 0140100.2007.00485 de 06 de dezembro de 2007, lavrouse o Termo de Início de Fiscalização em 06/12/2007, tendo o contribuinte tomado ciência em 10/12/2007. No referido Termo, o contribuinte foi intimado a apresentar os elementos abaixo especificados, relativo aos anos de 2003 e 2004: 1 Livros Caixa ou Diário e Razão 2 Livro Registro de Apuraçao do ICMS 3 Contrato/Estatuto Social e suas alterações Durante o procedimento da fiscalização foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados do SIMPLES, conforme o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL, o qual compõe o presente Auto de Infração. Obs.: 01) Os valores componentes da base de cálculo foram obtidos junto ao livro Registro de Apuração de ICMS do ano de 2003; 02) O valor tributável informado neste Auto foi obtido conforme a diferença apurada no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL. 03) Segundo o DEMONSTRATIVO DE APURAÇAO DA RECEITA BRUTA TOTAL (receita declarada e receita omitida apurada pela fiscalização), em anexo, a fiscalizada enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte, auferiu, no decorrer do ano calendário de 2003, receita bruta acumulada em excedente ao limite estabelecido para ingressar no SIMPLES. Diante o exposto, como a empresa infringiu o art. 9° da Lei n° 9.317/1996 alterado pelo art. 6° da Lei n° 9.779/99 ao optar e Fl. 189DF CARF MF Processo nº 14120.000190/200879 Acórdão n.º 1201002.323 S1C2T1 Fl. 3 3 permanecer no SIMPLES no ano calendário 2004, mesmo excedendo os limites estabelecidos para Empresas de Pequeno Porte (EPP), a empresa, fundamentado no inciso I do art. 14 da Lei n° 9.317/1996, será excluída do SIMPLES a partir do ano calendário de 2004. [...] A empresa autuada apresentou impugnação (fls. 120/137). Alega, em síntese, a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até junho/2003, bem como que o lançamento é nulo por violar o artigo 142 do CTN e pelo fato da fiscalização ter utilizado mero indício ou presunção não admitida. Em Sessão de 11/06/2010, a DRJ/CGE julgou a impugnação parcialmente procedente, reconhecendo a decadência parcial em questão, por meio de decisão de fls. 150/159 que restou assim ementada: ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte antecipado O pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, O prazo para a Fazenda Pública constituir O crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN). RECEITAS NÃO DECLARADAS. LIvRoS COMERCIAIS REGISTRADOS NOS ÓRGÃOS COMPETENTES. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE A CONTABILIDADE E DECLARAÇÕES SIMPLIFICADAS. Legítimo O lançamento de receitas não declaradas, apurado com base em livros contábeis e fiscais, dotados de presunção de validade pelo registro nos órgãos competentes, tendo sido a receita omitida corretamente apurada, computandose Somente saídas referentes a venda de mercadorias, com as devidas deduções legais, sendo que O contribuinte não logrou êxito em comprovar as divergências com relação às declarações simplificadas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇA DE ALÍQUOTA. Apurada omissão de receitas para empresa optante pelo Simples, alterase a receita bruta mensal que havia sido declarada e Fl. 190DF CARF MF 4 consequentemente os percentuais sobre ela aplicáveis, gerando insuficiência de recolhimento. Cientificada da decisão em 24/06/2010 (AR de fls. 166), a contribuinte, em 06/07/2010 (fl.167), interpôs recurso voluntário (fls. 167/185), reiterando as razões de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Nulidade A Recorrente essencialmente se concentrou em argumentos de nulidade da autuação por questionar o método de tributação adotado. Aduz, nesse sentido, que o fisco não cumpriu o ônus de provar a infração e se valeu de uma presunção que não tem base em lei, violando, assim, o artigo 142 do CTN. Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 191DF CARF MF Processo nº 14120.000190/200879 Acórdão n.º 1201002.323 S1C2T1 Fl. 4 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, conforme prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a caracterização de omissão de receita na sistemática de tributação do Simples Federal, caracterizada pela diferença entre os valores escriturados e registrados nos Livros de Apuração do ICMS, e aquela informada ao fisco federal em declaração simplificada. A fiscalização, nesse ponto, demonstrou cabalmente que a Recorrente ofereceu à tributação receita menor do que foi efetivamente auferida com base nas notas fiscais de vendas. No exercício, então, de sua atividade plenamente vinculada, a autoridade fiscal responsável cumpriu seu dever de identificar as diferenças tributáveis de ofício e assim procedeu. O conjunto probatório acostado aos autos, somado à descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores da infração, ademais, são suficientes para motivar a infração de receitas omitidas, bem como permitem o pleno conhecimento da lide. Afasto, portanto, a nulidade invocada. Omissão de receitas A divergência entre o valor da receita bruta apurada com base nas notas fiscais de vendas emitidas, escrituradas pelo contribuinte, e o valor a menor por ele declarado ao fisco federal constitui fonte direta de omissão de receitas. Nesse ponto, nenhum reparo cabe à decisão de piso, in verbis: Fl. 192DF CARF MF 6 "[...] O legislador, ao editar as normas do Simples, visou a facilitar o tratamento tributário dado às microempresas e empresas de pequeno porte, concentrando todos os tributos federais sob um único código de recolhimento, facilitando, assim sua apuração, e, ao mesmo tempo, concedeulhes uma faculdade de dispensar os livros comerciais. A interessada, em relação às diferenças de base de cálculo apuradas pelo auditor fiscal ao confrontar os valores declarados nas Declarações Simplificadas com o livro Registro de Apuração de ICMS da empresa, no anocalendário de 2003, devidamente intimada (fls. 24/25), não se manifestou. Após ciência dos autos de infração, em sua impugnação, limitouse a questionar a validade das autuações, alegando que as diferenças apuradas com base no livro Registro de Apuração de ICMS, são meros indícios de omissão de receitas, e, por se basear em presunção comum, caberia ao Fisco provar a ocorrência das alegadas omissões, citando jurisprudência administrativa. Se o contribuinte apresenta os livros contábeis e fiscais ao fisco, incluindo o Livro Registro de Apuração de ICMS, referente ao ano de 2003, conforme fls. ll/23, devidamente registrado na Receita Estadual do Mato Grosso do Sul, apresentam eles presunção legal de validade. Constatando o Fisco a divergência de informações e intimando a contribuinte a justificálas, houve a inversão do ônus da prova. A contribuinte não se manifestou para justificar as diferenças na fase procedimental. Agora, na fase impugnatória, sem qualquer comprovação que a esclareça as divergências, afirma que cabe ao Fisco confirmar a veracidade da escrituração do próprio contribuinte. Como dito, cabe a ela o ônus de provar por que motivo manteve uma contabilidade que está de acordo com os livros de apuração do ICMS, e, por outro lado, declarou acentuadamente a menor das Declarações Simplificadas. Nesse contexto, e considerando que o contribuinte não apresentou nenhum documento ou comentário que pudesse justificar as divergências apuradas, correto o lançamento de ofício dos tributos que deixaram de ser pagos sobre as receitas omitidas. Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 193DF CARF MF Processo nº 14120.000190/200879 Acórdão n.º 1201002.323 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002413/2006-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 16/03/2005
A reclassificação tarifária do código 0711.20.01 para o 2005.70.00 é cabível tão somente quando baseada em provas inequívocas de que o produto é próprio para alimentação no estado em que se encontra.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.642
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator), Liziane Angelotti Meira e Ari Vendramini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques D'Oliveira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/03/2005 A reclassificação tarifária do código 0711.20.01 para o 2005.70.00 é cabível tão somente quando baseada em provas inequívocas de que o produto é próprio para alimentação no estado em que se encontra. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator), Liziane Angelotti Meira e Ari Vendramini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques D'Oliveira Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 24 13 /2 00 6- 72 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 327 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0717.667, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de Autos de Infrações lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de [...], referentes à Contribuição PIS/PASEP —Importação, Contribuição COFINS — Importação, Juros de Mora — calculados até 31/08/2006, Multa Proporcional (75%), Multa Regulamentar (Classificação incorreta — 1%), e Multa Regulamentar (Descrição incorreta — 1%), (sic) em razão da reclassificação fiscal da mercadoria efetivamente importada. O interessado por meio da declaração de importação (DI) n° 05/02728048 (fls. 28 a 32) submeteu a despacho 40.500 kg de "azeitonas verdes arauco em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." e 27.000 kg de "azeitonas negras azapa em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." , classificando ambas no código Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 0711.20.10, solicitando enquadramento tarifário conforme Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 39 — Brasil Peru. Retiradas amostras das mercadorias e encaminhadas para análise, o Perito Virgílio Ferrari Cocicov emitiu Laudo Técnico, Aduaneiro n° 111/05 (fls. 39 a 42) em 07/06/2005. Considerando que as mercadorias não se apresentavam em acondicionamento hermético e que, assim, careciam de tratamento que conferisse esterilidade comercial ao produto, o Perito afirmou que, para os efeitos de regulamentos sanitários e segurança alimentar, as mercadorias não estão aptas para o consumo no estado em que se apresentam. Asseverou ainda que as azeitonas foram submetidas a tratamento: adoçamento pelo uso de álcalis (desamerização), processo de remoção do amargor do fruto pela adição de solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) à salmoura, processo de fermentação láctica. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 328 3 Considerando o disposto no Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05 e também o disposto Laudo de Procedimento de elaboração e envase (fls. 56 a 58) elaborado pela própria interessada, a autoridade fiscal concluiu que na acepção das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH, não se tratam de azeitonas conservadas transitoriamente, visto terem sido submetidas ou à maceração prolongada em salmoura ou à tratamento com lixívia de soda cáustica. Neste contexto, as azeitonas apresentamse preparadas para consumo, já processadas e prontas para posterior envase fracionado, pasteurização e distribuição. Desta forma a fiscalização reclassificou a mercadoria para a NCM 2005.70.00. Regularmente cientificada (fls. 01, 06, 11 e 15), a interessada apresentou impugnação de folhas 77 a 87, anexando os documentos de folhas 88 a 120. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, tratase de exigência infundada e, portanto, ilegal. O enquadramento utilizado é pertinente, está em acordo com a NESH; Que, não foi oportunizado contestar as conclusões alcançadas pelo expert, o laudo foi elaborado unilateralmente pelo Fisco, sem respeito à ampla defesa e ao contraditório. [...] O citado acórdão decidiu pela procedência parcial da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/03/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas referidas nas posições do Capítulo 07 da NCM classificamse no Capítulo 11 ou na Seção IV. É o que sucede com as azeitonas preparadas ou conservadas por quaisquer processos não previstos naquele Capítulo. Classificamse no código NCM 2005.70.00 (Seção IV) pela aplicação da 1ª RGI/SH e 6ª RGI/SH. O Colegiado de 1ª instância entendeu que "a multa de 1 % relativa à descrição incorreta não pode prosperar". E o fez, entendendo que “está ocorrendo penalização em duplicidade em face da aplicação das multas de 1% por classificação incorreta e de 1% por descrição incorreta sobre a mesma mercadoria”. O tema não foi objeto de recurso. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese: preliminarmente, aduz a nulidade da autuação por não ter esta apontado precisamente o valor do ICMS, nem a base de cálculo; e, no mérito; alega que, se a mercadoria é imprópria para consumo, classificase na NCM 0711.20.10; como também, se conservada transitoriamente em salmora. Insurgese ainda contra a aplicação das multas restantes e dos juros de mora. Ao final, pugna pelo provimento de seu recurso. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 329 4 Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminar Preliminarmente, a recorrente aduz a nulidade do auto de infração por não ter a fiscalização discriminado "precisamente o valor do ICMS decorrente da alteração da classificação fiscal nem tampouco o valor que serviria de base de cálculo para o Imposto de Importação, cerceando assim o direito de defesa ao contribuinte" e ferindo " principio constitucional da ampla defesa", mencionando ainda os artigos. 10 e 59 do Decreto 70.235/72. Tal questão não foi posta em sede de impugnação (fl. 81 e seguintes), tendo havido preclusão consumativa. Ainda assim, o valor do ICMS e todos os elementos necessários à verificação da base de cálculo tomados na autuação constam da Declaração de Importação acostada aos autos e na legislação de regência. Também não aponta a recorrente qual alteração no ICMS teria havido em função da reclassificação levada a cabo. Nesse ponto, portanto, não assiste razão à recorrente. Mérito No mérito, a controvérsia está na classificação fiscal das mercadorias no relatório descritas. A recorrente as importou declarandoas no código NCM 0711.20.10 A fiscalização reclassificouas para a NCM 2005.70.00, o que foi mantido pelo acórdão recorrido.. A classificação das mercadorias, mediante "a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul" (NCM) "será feita com 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 330 5 observância das Regras Gerais para "Interpretação (RGIs), "das Regras Gerais Complementares" (RGCs) "e das Notas Complementares" (NCs) "e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), "da Organização Mundial das Aduanas" (NESH) (art. 94, parágrafo único do RA/09, com base no DecretoLei 1.154/71, art. 3º, caput). O acórdão recorrido bem expõem sobre os normas atinentes à classificação das mercadorias em pauta: As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992, trazem em referência ao capítulo 07 PRODUTOS HORTÍCOLAS, PLANTAS, RAÍZES E TUBÉRCULOS, COMESTÍVEIS as seguintes considerações gerais: O presente Capítulo compreende os produtos hortícolas de qualquer espécie, incluídos os vegetais mencionados na Nota 2 do presente Capítulo, frescos, refrigerados, congelados (crus ou cozidos em água ou a vapor), ou ainda provisoriamente conservados ou dessecados (incluídos os desidratados, evaporados ou liofilizados). Deve notarse que alguns destes vegetais, secos, triturados ou pulverizados, se empregam às vezes como tempero mas não deixam, por isso, de se classificar na posição 07.12. ... Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas referidas nas posições deste Capítulo classificamse no Capítulo 11 ou na Secão IV. É o que sucede, por exemplo, com as farinhas, sêmolas e pós, de legumes de vagem secos e com as farinhas, sêmolas, pós, flocos, grânulos e pellets, de batata (Capítulo 11), e com os produtos hortícolas preparados ou conservados por quaisquer processos não previstos neste Capítulo (Capítulo 20). ... Os produtos hortícolas deste Capítulo, mesmo que apresentados em embalagens hermeticamente fechadas (cebola em pá, em latas) permanecem aqui classificados. Na maioria dos casos, todavia, os produtos contidos nestas embalagens encontramse incluídos no Capítulo 20 por terem sido preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no presente Capítulo. ... (Grifos acrescidos) Por sua vez a NESH para à posição 0711 PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE (POR EXEMPLO: COM GÁS SULFUROSO OU ÁGUA SALGADA, SULFURADA OU ADICIONADA DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS DESTINADAS A ASSEGURAR TRANSITORIAMENTE A SUA Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 331 6 CONSERVAÇÃO), MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO. traz as seguintes considerações: Esta posição compreende os produtos hortícolas que tenham sido submetidos a um tratamento que lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou armazenagem, antes da utilização definitiva (por exemplo, por meio de gás sulfuroso ou água salgada, surrada ou adicionada de outras substâncias), desde que permaneçam impróprios para consumo, neste estado. Estes produtos destinamse geralmente a servirem como matérias primas na indústria das conservas. Consistem principalmente em cebolas comestíveis, azeitonas, alcaparras, pepinos, pepininhos (cornichons), cogumelos, trufas e tomates. Apresentamse geralmente em barris ou em tambores. Todavia, classificamse no Capítulo 20 os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis (por exemplo, as azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o feijão verde). ... (Grifos acrescidos) Já para o capítulo 20, a citada NESH traz as seguintes considerações gerais: 6)Os produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparados ou conservados por processos diferentes dos previstos nos Capítulos 7, 8 e 11 ou em qualquer outra parte da Nomenclatura. ... (Grifos acrescidos) Para a posição 2005 OUTROS PRODUTOS HORTICOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06. a citada NESH traz as seguintes notas explicativas: O alcance da expressão 'produto hortícola" na presente posição está limitado aos produtos referidos na Nota 3 do Capítulo. Estes produtos (com exceção dos produtos hortícolas preparados ou conservados em vinagre ou em ácido acético da posição 20. 01, dos produtos horticolas congelados da posição 20.04 e dos produtos hortícolas conservado em açúcar da posição 20.06) classificamse aqui quando tenham sido preparados ou conservados por processos não previstos nos Capítulos 7 ou 11. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 332 7 O modo de acondicionamento não influi na classificação destes produtos, que se apresentam muitas vezes em latas ou outros recipientes hermeticamente fechados. [...] Entre as preparações compreendidas na presente posição podem citarse: 1) As azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada. (As azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água, que inclui nesta posição a salgada, classificamse na posição 07.11 ver a Nota Explicativa desta posição). ... (Grifos acrescidos) Por sua vez o Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05 indica de maneira explicita que: O pH e o teor de ácido láctico encontrado nas amostras e referendado no quadro abaixo, evidencia já ter ocorrido o processo de fermentação láctica para a desamerização das azeitonas: ... Conforme CRUESS' (1970), sem o acondicionamento em salmouras ou tratamento pela lixívia de soda cáustica (hidróxido de sódio), as azeitonas deterioram rapidamente. As azeitonas são submetidas à tratamento com álcalis (NaOH) para retirar amargor decorrente da presença de um glucosideo (Oleuropeina). ... (Grifos acrescidos) A despeito do perito indicar que o produto em questão precisa ser adequado às normas do CODEX Alimentarius e da ANVISA (RDC 352/02) tendo em vista os regulamentos sanitários e de segurança alimentar, em especial a necessidade de acondicionamento hermético, tais aspectos, notadamente relacionados à comercialização (venda) do produto final estão evidenciados no Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada, do qual se extrai as seguintes considerações: A azeitona é um produto que para se tornar apto ao consumo precisa sofrer um processo fermentativo. Este processo é sempre feito no país de origem das azeitonas pois os frutos precisam ser processados assim que colhidos. Antes da fermentação propriamente dita, fazse inicialmente uma queima das azeitonas a qual é feita com solução diluída de soda. Após esta queima, as azeitonas são lavadas e inicia se o processo fermentativo com bactérias lácticas. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 333 8 ... No recebimento das azeitonas na fábrica da Vale Fértil, fezse amostragens da mercadoria afim de verificar sua qualidade. (..) ... Depois de definidas as azeitonas que serão usadas em produção, a primeira operação realizada antes de utilizálas é a lavagem das mesmas com água em abundância. (..) ... A segunda operação fundamental é a seleção das azeitonas. (..) ... Depois de selecionadas, as azeitonas são encaminhadas por esteira transportador' até um tambor giratório do qual são acondicionadas em embalagens específicas já previamente higienizadas. Na seqüência fazse a adição de salmoura a quente e o fechamento das embalagens. ... Depois de fechados os potes são lavados, secos, rotulados, identificados com lote e validade e então encaixotados. ... (Grifos acrescidos) Os laudos são claros ao indicar que as azeitonas, na origem, foram submetidas a outros processos distintos dos destinados à sua conservação transitória para transporte. Como se percebe o tratamento dado às mercadorias em questão, após a sua importação, está nitidamente relacionado à sua adequação aos padrões demandados pelos consumidores (qualidade, gosto, tipo e outros fatores) e requisitos sanitários para o envase destinado às vendas a retalho, aspectos notadamente relacionados à comercialização interna das mercadorias. As azeitonas, nos moldes em que importadas estão aptas a consumo, neste aspecto o Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada é extremamente claro: [...] Evidente que tendo sido acondicionadas em tambores sob salmoura específica para transporte, necessitam de tratamento posterior para retirada de tal salmoura de transporte e adequação às normas sanitárias para Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 334 9 reembalagem e posterior revenda à retalho. O tratamento dado às azeitonas, após a importação, ratifica decisivamente tal conclusão. [...] Assim, as NESH, para o capítulo 07, determinam que os produtos hortícolas serão incluídos no Capítulo 20, se forem preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no capítulo 07. Já para a posição 0711, estabelecem a classificação no Capítulo 20, para os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis, processo distinto dos destinados à sua conservação transitória para transporte, o que foi explicitamente evidenciado nos autos: a) no Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05, o qual, segundo o relatado, asseverou que as azeitonas foram submetidas a tratamento: adoçamento pelo uso de álcalis (desamerização), processo de remoção do amargor do fruto pela adição de solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) à salmoura, processo de fermentação láctica; b) no Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada: “A azeitona é um produto que para se tornar apto ao consumo precisa sofrer um processo fermentativo. Este processo é sempre feito no país de origem das azeitonas”. No capítulo 20, as NESH colocam os produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparados ou conservados por processos diferentes dos previstos nos Capítulos 7, 8 e 11 ou em qualquer outra parte da Nomenclatura. Há explicação semelhante para a posição 2005. Também inclui nesta mesma posição “as azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada”, tal como evidenciada nos referidos laudos; deixando “as azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água salgada” na posição 07.11. Sendo azeitonas e não produtos hortícolas homogeneizados2, batatas, ervilhas, feijões ou aspargos; e, em não havendo desdobramento na subposição 2005.70; classificamse no NCM 2005.70.00, pelas RGIs 1 3 e 64: 2 Notas de subposições. 1. Na acepção da subposição 2005.10, consideramse “produtos hortícolas homogeneizados”, as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis de produtos hortícolas. A subposição 2005.10 tem prioridade sobre todas as outras subposições da posição 20.05 3 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: [...] Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 335 10 2005.10.00 Produtos hortícolas homogeneizados 2005.20.00 Batatas 2005.40.00 Ervilhas (Pisum sativum) 2005.51.00 Feijões em grão 2005.59.00 Outros 2005.60.00 Aspargos 2005.70.00 Azeitonas E assim tem decidido esta Casa, como nos julgados abaixo, o primeiro, trazido como precedente pela recorrente, e o segundo, do processo de n° 15165.001321/2007 09, no qual também figura como autuada: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Azeitonas pretas, quando importadas devidamente conservadas em salmoura, encontramse próprias para consumo, classificamse na posição NCM/NBM 2005.70.00. RECURSO IMPROVIDO. [...] Tais procedimentos de seleção, classificação e esterilização são usados apenas para as azeitonas que irão ser reembaladas em unidades menores. O item 2 esclarece que, quando mantidas nos baldes plásticos, mergulhadas na salmoura para sua conservação, as azeitonas já estão prontas para o consumo, ou seja, já foram devidamente fermentadas, o que não se confunde, entretanto, com fato de não estarem prontas para serem embaladas em unidades menores, pois ainda não foram selecionadas, classificadas e esterilizadas. (3ª Conselho de Contribuintes, Ac. 30328.833, de 15/04/1988, rel. Conselheiro João Holanda Costa). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. 4 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 336 11 Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam se no código 2005.70.00 da NCM. (CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.102, de 26/11/2015, rel. José Fernandes do Nascimento). Por sua vez, a recorrente discorre, inicialmente, sobre o processo de fabricação e envase da azeitona verde, exposto no processo mencionado acima, o qual, explica, "aplicase, em grande parte, ao das azeitonas pretas": [...] A "azeitona de mesa" em conserva (e só pode ser em conserva), aquela disponibilizada nos supermercados, bares e restaurantes, [...] A azeitona é um produto que se deteriora facilmente se não conservada de forma adequada. A esse respeito vale a transcrição do Laudo Técnico Aduaneiro n. 111/05, encomendado pela Receita Federal, onde o Sr. Perito afirma que "Conforme CRUES (1970), sem o acondicionamento em salmouras ou tratamento pela lixívia de soda cáustica (hidróxido de sódio), AS AZEITONAS DETERIORAM RAPIDAMENTE." [...] Logo depois da colheita das azeitonas, em razão do alto grau de acidez, típico do fruto, devem ser submetidas a tratamento em soda cáustica (lixívia), para equilibrar o PH e diminuir o seu amargor natural. Esse procedimento é de extrema importância, na medida em que caso os frutos não sejam imediatamente submetidos a esse tratamento logo após a colheita podem estragar ou ficar impróprios para posterior revenda em conserva. Essa etapa é essencial na preparação das "azeitonas de mesa". Após a adição da soda cáustica (lixívia) o produto é lavado com água abundante para eliminar qualquer resíduo de soda cáustica sobre o produto, sendo posteriormente acondicionado em enormes tanques de salmoura de alto grau de salinidade (salmouramãe), nos quais ocorrerá a fermentação do produto. [...] A esse respeito convém transcrever o parecer técnico ora juntado pela Recorrente, (DOC 2, pág. 02), elaborado pelo expert, donde se extrai que: "Como todo vegetal com alto teor de água, principalmente frutos, que é o caso dos frutos da oliveira, e também por este apresentar substâncias naturais que necessitam ser retirados ou abrandados como a oleuropeína, responsável pelo excessivo amargor Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 337 12 do fruto sem tratamento. As azeitonas passam por um pré processamento com tratamento com uma base forte (hidróxido de sódio — para azeitonas verdes) e posteriormente passa por uma fermentação láctica com uso de salmoura de 7% a 9% de sal por cerca de dois a três meses (azeitonas verdes) e por mais de seis meses (azeitonas pretas) para estabilização da fermentação e se obter a quantidade de ácido lático adequada. O produto resultante são frutos de oliveira fermentados mantidos transitoriamente em salmoura que são importados pelos países para industrialização, como é o presente caso. Esta forma de processamento é muito antiga e vem sendo efetuada por todos os países produtores que tanto podem vender o produto pronto para consumo (em potes de vidro, saches e baldes) assim como em barricas plásticas para industrialização.' Ou seja, o processo de fermentação é intrínseco à conservação da oliva (futura azeitona) em salmoura, processo este que, aliás, vem sendo praticado a milhares de anos e é o método usual e regular utilizado para preparação das azeitonas em conserva. De acordo com o parecer do Perito (DOC 02, pág. 08) "não há no comércio internacional azeitonas que não tenham sofrido um pré processamento adequado para que seja conservado em sal (salmoura, vinagre), ou em casos especiais em somente com sal (mas não é salmoura, salmoura é solução de sal e água)... Esta é a razão que o Codex Alimentarius (anexo 6) não cita outras formas de conservação e apresentação". No Anexo 6 do parecer, página 2119, constam as formas de preparação da azeitona de mesa e EM TODAS ELAS EXISTE REFERENCIA À SALMOURA E FERMENTACÃO NATURAL. OU SEJA, NÃO EXISTE EXPORTAÇÃO DE "AZEITONA DE MESA" EM SALMOURA EM BARRICAS, SEM QUE HAJA FERMENTAÇÃO. Sendo que, conforme será demonstrado adiante, a fermentação só pode ocorrer no país de origem, por razões físico químicas e de qualidade do produto. […] Portanto, a salmoura na qual a azeitona é importada é a mesma que inicialmente serviu para fermentação, sendo colocada em barricas de plástico (não fechadas hermeticamente, razão pela qual se formam leveduras não nocivas à saúde contato do produto com ar) para possibilitar o transporte do exportador até o importador no Brasil. Chegando ao Brasil o produto é processado, sendo descartada a salmoura mãe (em razão das impurezas que a acompanham, inclusive leveduras não nocivas à saúde, decorrentes da fermentação e incompatíveis com o consumo direto do produto), a qual exige tratamento químico para posteriormente ser despejada nas galerias pluviais (vide as fotos anexas ao parecer que ilustram essa etapa da produção; anexo 5 do parecer, DOC 02). Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 338 13 Posteriormente ocorre a lavagem das azeitonas em água corrente colorada para retirada das sujidades, retirados os frutos com defeitos (manchados ou murchados) e por meio de um processo mecânico são colocados em potes ou outro tipo de embalagem, sendo preparada nova salmoura, com aditivos (ácido cítrico ou ácido lático para controle da acidez) e conservantes a depender do tipo de embalagem e processo utilizado (item 3 do parecer técnico, DOC 2). Essa última salmoura é preparada "quase no ponto de ebulição da água (8501901IC), devido a necessidade de uma pasteurização branda do produto, para de bolores e leveduras e também para formar vácuo na embalagem" (pg. 04 do parecer DOC 2). Depois de colocada na nova salmoura e embalada, o produto comercializado. [...] Argumenta então a contribuinte que se a mercadoria é própria para consumo classificase na NCM 2005.70.00; caso contrário, na NCM 0711.20.10; amparandose nos textos das posições e nas NESH. E que, acordo com Laudo Técnico Aduaneiro n. 111/05, a mercadoria importada pela Recorrente foi considerada IMPRÓPRIA PARA CONSUMO: Ora, as NESH para a posição 2005 tratam de "azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada". As azeitonas autuadas foram submetidas a tais processos, deixandoas aptas ao consumo, segundo a regra internacional de classificação de mercadorias. E é esta a determinante no caso em pauta e não as normas do CODEX Alimentarius ou da ANVISA, como quer fazer crer a recorrente. A posição 0711 trata de PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE [...], MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO. No entanto, não é apenas a aptidão para o consumo que determina a classificação das azeitonas sob consideração. Como já registrado, as NESH, para o capítulo 07, determinam que os produtos hortícolas serão incluídos no Capítulo 20, se forem preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no capítulo 07. E mais, para a posição 0711 especificam que classificação no Capítulo 20 para os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis, processo distinto dos destinados à sua conservação transitória para transporte. Assim, não é a apenas a aptidão para o consumo nos termos das normas de classificação fiscal que determinam a classificação, mas também a aplicação de processos que levam as mercadorias para outro capítulo. Não assiste, pois, razão à recorrente. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 339 14 Ademais, há de se ter em mente que o julgador apreciará a prova constante dos autos conjugado todos os seus elementos (NCPC, artigos 371 e 489, § 3o), não estando adstrito à perícia: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO INDENIZATÓRIA.CONDUTA CULPOSA NÃO COMPROVADA. REVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7/STJ. LAUDO PERICIAL. NÃO VINCULAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. É inviável a revisão do entendimento exarado pelo tribunal de origem acerca da comprovação da conduta culposa, pois demandaria o revolvimento do acervo fáticoprobatório dos autos, o que é inadmissível em sede de recurso especial, ante o óbice contido na Súmula nº 7/STJ. 2. O juiz não está vinculado ao laudo pericial, porque na aplicação da lei processual vigora o princípio da persuasão racional, por meio do qual o juiz aprecia livremente a prova, atendendo aos fatos e às circunstâncias constantes dos autos, indicando os motivos que lhe formaram o convencimento. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, 3ª Turma, AgRg no Ag 1313964 SP 2010/00966268, de 23/10/2012, rel Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva). Prossegue a recorrente, afirmando que a NCM 0711 é aplicável aos casos em que a azeitona seja conservada transitoriamente, a exemplo da salmora, e que a perícia entendeu que " as mercadorias estão acondicionadas em solução saline que lhes assegura TRANSITORIAMENTE a conservação para fins de transporte e armazenagem". De fato, a colocação das mercadorias em salmora antes da importação, proporcionoulhe conservação, mesmo que transitória. E de fato, a posição 0711 abarca PRODUTOS HORTÍCOLAS [...] CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE. Porém não é só isso: à luz das normas de classificação fiscal, os processos a que foram submetidas no país de origem deramlhe aptidão para consumo e encaminhoulhes as capítulo 20 da NCM, mantendo se o raciocínio anterior. Mais adiante, a recorrente discorre sobre o processo de fermentação, corroborando as conclusões deste voto, na medida em que o distingue da simples conservação em salmora, ainda que dela decorra: Logo depois desse tratamento as olivas devem ser colocadas em salmora com alta concentração de sal (salmouramãe), tendo início imediato o processo de fermentação láctica. Essa fermentação decorre de um processo natural do contato das olivas com a salmoura, em razão dos microorganismos e bactérias lácticas existentes no próprio fruto da oliva. A fermentação deve ser realizada em local apropriado para que não ocorra nenhum problema nessa etapa de maturação das azeitonas (o que é feito em tanques de fermentação na Argentina), não sendo as barricas de transporte o local adequado para o processo de fermentação. Isso porque, se após o tratamento com hidróxido de sódio as azeitonas fossem colocadas em barricas de transporte com salmoura terseia início o processo de fermentação (natural, decorrente do contato dos Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 340 15 microorganismos da oliva com a salmoura), com a emissão de gases própria do processo de fermentação (CO2). Esses gases poderiam romper ou estourar as barricas de transporte, além de comprometer a qualidade do produto (azeitonas manchadas, não fermentadas homogeneamente), comprometendo o produto final e a sua respectiva comercialização. [...] Somente após a estabilização do processo de fermentação, que ocorre de 3 a. 6 meses, a depender do tipo de azeitona, é que se torna viável o seu acondicionamento em barricas de transporte para importação, sem comprometer a adequada fermentação e sem trazer nenhum risco no transporte em razão dos gases emitidos pela fermentação. A recorrente traz a lume afirmação do auto de infração no sentido de que o fato de "a Empresa ter alterado sua classificação de mercadorias da posição 0711 para a posição 2005 implicaria em uma espécie de aceitação tácita da classificação proposta pelo agente fiscal", acrescentando que o fêz por questões de mercado. Entendo que não há elementos para definirse pela aceitação tácita, mas tal discussão nada acrescenta ao presente voto. Por fim, insurgese a recorrente quanto a aplicação da multa de ofício e a do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/01, bem como dos juros moratórios, amparandose no art. 100, III, do Código Tributário Nacional (CTN) c/c art. 101, I, do DecretoLei n° 37/66, alegando que atribuem força normativa atribui às decisões do Conselho de Contribuintes, notadamente os precedentes que trouxe aos autos: Do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Do DecretoLei n.° 37/66: Art.101 Não será aplicada penalidade enquanto prevalecer o entendimento a quem proceder ou pagar o imposto: I de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal inclusive de consulta, seja o interessado parte ou não; Não lhe assiste razão à recorrente. Os precedentes trazidos aos autos não tratam exatamente da mesma situação. Também a eles não fora atribuída eficácia normativa Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 341 16 erga omnes, a exemplo das súmulas do CARF. Por óbvio, não há que se falar em decisão administrativa irrecorrível, menos ainda em processo de consulta. Traz também, em sua defesa, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 13/2002: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Não é o caso, a descrição da mercadoria registrada na Declaração de Importação, "AZEITONAS VERDES ARAUCO EM SALMOURA PARA SUA CONSERVACAO DURANTE O TRANSPORTE MAS NAO PROPRIA PARA CONSUMO IMEDIATO ACONDICIONADAS EM BARRIS PLASTICOS COM 50 KG LIQUIDOS APROX", não revela a questão da aptidão para consumo, nos termos das normas internacionais de classificação de mercadorias, nem o processo de fermentação a que fora submetida. A incorretude da descrição foi justamente o que levou à incidência da multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/01. Menciona a recorrente que a autuação teria desconsiderado o art. 636, § 3° e § 4°, I, do Regulamento Aduaneiro (RA) (sic), "que determina a soma do valor aduaneiro mercadorias objeto de reclassificação para fins de aplicação da alíquota de 1%". Na verdade, o dispositivo mencionado trata de matéria distinta no RA de 2009. Ainda assim, verificase da autuação que a multa em foco foi calculada em 1% do valor aduaneiro, dentro do que determina a lei de regência. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 342 17 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Redator Designado Peço vênia para discordar do voto do i. relator, nos que concerne à reclassificação fiscal. Fazse necessária a reprodução do trecho do relatório que resume a contenda: "O interessado por meio da declaração de importação (DI) n° 05/02728048 (fls. 28 a 32) submeteu a despacho 40.500 kg de "azeitonas verdes arauco em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." e 27.000 kg de "azeitonas negras azapa em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." , classificando ambas no código Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 0711.20.10, solicitando enquadramento tarifário conforme Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 39 — Brasil Peru. Retiradas amostras das mercadorias e encaminhadas para análise, o Perito Virgílio Ferrari Cocicov emitiu Laudo Técnico, Aduaneiro n° 111/05 (fls. 39 a 42) em 07/06/2005. Considerando que as mercadorias não se apresentavam em acondicionamento hermético e que, assim, careciam de tratamento que conferisse esterilidade comercial ao produto, o Perito afirmou que, para os efeitos de regulamentos sanitários e segurança alimentar, as mercadorias não estão aptas para o consumo no estado em que se apresentam. Asseverou ainda que as azeitonas foram submetidas a tratamento: adoçamento pelo uso de álcalis (desamerização), processo de remoção do amargor do fruto pela adição de solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) à salmoura, processo de fermentação láctica. Considerando o disposto no Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05 e também o disposto Laudo de Procedimento de elaboração e envase (fls. 56 a 58) elaborado pela própria interessada, a autoridade fiscal concluiu que na acepção das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH, não se tratam de azeitonas conservadas transitoriamente, visto terem sido submetidas ou à maceração prolongada em salmoura ou à tratamento com lixívia de soda cáustica. Neste contexto, as azeitonas apresentamse preparadas para consumo, já processadas e prontas para posterior envase fracionado, pasteurização e distribuição. Desta forma a fiscalização reclassificou a mercadoria para a NCM 2005.70.00." Entre as partes, não se observam diferenças nas interpretações das notas dos capítulos, textos de posições e das NESH aplicáveis às posições 0711.20.10 (recorrente) e 2005.70.00 (Fisco). Restou incontroverso que a posição adotada pela recorrente abriga azeitonas que têm de passar por processos complementares para encontraremse em condições Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 343 18 de serem consumidas. Por outro lado, a posição para a qual foram reclassificadas pela fiscalização contempla azeitonas prontas para o consumo. A reclassificação fiscal ocorreu, porque a fiscalização concluiu que o produto, na forma em que foi importado, já teria sido submetido a processos distintos dos que se destinam exclusivamente à conservação transitória para transporte. Tais processos teriam tido como objetivo o de adequálo aos padrões demandados pelos consumidores, isto é, colocandoos aptos para o consumo. Baseouse em Laudo Técnico de Procedimento de Elaboração e Envase, do qual a decisão de piso extraiu os seguintes trechos: "A azeitona é um produto que para se tornar apto ao consumo precisa sofrer um processo fermentativo. Este processo é sempre feito no país de origem das azeitonas pois os frutos precisam ser processados assim que colhidos. Antes da fermentação propriamente dita, fazse inicialmente uma queima das azeitonas a qual é feita com solução diluída de soda. Após esta queima, as azeitonas são lavadas e iniciase o processo fermentativo com bactérias lácticas. ... No recebimento das azeitonas na fábrica da Vale Fértil, fezse amostragens da mercadoria afim de verificar sua qualidade. (..) ... Depois de definidas as azeitonas que serão usadas em produção, a primeira operação realizada antes de utilizálas é a lavagem das mesmas com água em abundância. (..) ... A segunda operação fundamental é a seleção das azeitonas. (..) ... Depois de selecionadas, as azeitonas são encaminhadas por esteira transportador' até um tambor giratório do qual são acondicionadas em embalagens específicas já previamente higienizadas. Na seqüência fazse a adição de salmoura a quente e o fechamento das embalagens. ... Depois de fechados os potes são lavados, secos, rotulados, identificados com lote e validade e então encaixotados. ... " E assim concluiu a DRJ, ratificando o trabalho fiscal: "Os laudos são claros ao indicar que as azeitonas, na origem, foram submetidas a outros processos distintos dos destinados à sua conservação transitória para transporte. Como se percebe o tratamento dado às mercadorias em questão, após a sua importação, está nitidamente relacionado à sua adequação aos padrões demandados pelos consumidores (qualidade, gosto, tipo e outros fatores) e requisitos sanitários Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 344 19 para o envase destinado às vendas a retalho, aspectos notadamente relacionados à comercialização interna das mercadorias. As azeitonas, nos moldes em que importadas estão aptas a consumo, neste aspecto o Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada é extremamente claro: [...] Evidente que tendo sido acondicionadas em tambores sob salmoura específica para transporte, necessitam de tratamento posterior para retirada de tal salmoura de transporte e adequação às normas sanitárias para reembalagem e posterior revenda à retalho. O tratamento dado às azeitonas, após a importação, ratifica decisivamente tal conclusão. [...]" A conclusão do agente fiscal, corroborada pela DRJ e pelo i. relator, desprezaram, por completo, a do Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05. Este dispôs que o produto precisava ser beneficiado, para atendimento às normas do CODEX Alimentarius e da ANVISA (RDC 352/02), tendo em vista os regulamentos sanitários e de segurança alimentar, em especial a necessidade de acondicionamento hermético. E o trecho da conclusão abaixo transcrito, não deixa dúvidas: Isto posto, voto pelo provimento do recurso voluntário, mantendo a classificação fiscal (0711.20.10) originalmente adotada pelo contribuinte e cancelando o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator Designado Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 345 20 Declaração de Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira A presente declaração esclarece a posição por mim adotado no julgamento do presente processo, que decidiu por manter a classificação adotada pelo Contribuinte para Azeitonas Verdes em Salmora, acondicionadas em Barris Plasticos com 50kg. O meu voto foi determinado na análise do laudo técnico, que respondendo aos quesitos apresentados pela Fiscalização Aduaneira, confirmou a informação do Contribuinte que as Azeitonas importadas não estavam próprias para consumo, conforme transcrito no trecho abaixo extraído do laudo. 2. As mercadorias estão próprias ou impróprias para consumo humano, no estado em que se encontram? Para os efeitos de regulamentos sanitários e segurança alimentar, concluese que as mercadorias não estão aptas para o consumo no estado em que se apresentam, em razão do acondicionamento não ser hermético e ainda por não atender as disposições do CODEX 4 (Codigo de practices de higiene para alimentos poso acidas, alíneas 12, 2.4 e 2.7) e da ANVISA — Resolução RDC rir 352 dd 23.Dez.02, alíneas 2.4, 2.5, 4.7 e 4.8 z. Classificado pela Resolução ANVISA RDC rir 352 como hortaliça em conserva acidificada artificialmente ou acidificada por fermentação láctica, esta deve ser submetida a processo de pasteurização para sua conservação a fim de preservar o pH igual ou menor à 4,5 no produto final. A utilização de meios de pasteurização é preconizada em todas as fontes consultadas (CRUESS, CODEX, Instituto do Consumidor Português 3, outros) para a conclusão do processamento de azeitona. Os métodos de conservação para o produto já envasado consistem em, alternativamente: • Pasteurização ou esterilização; • Adição de substâncias conservantes; • Refrigeração; • Por tratamento com nitrogênio ou CO Z, sem salmoura. As etapas do processamento aparecem ilustradas em anexo. A posição adotada pela Fiscalização trata de produto próprio para consumo e a posição 07.11, adotada pelo Recorrente, abrange os produtos conservados, que sejam impróprios para alimentação nesse estado. 07.11 Produtos hortícolas conservados transitoriamente (por exemplo, com gás sulfuroso ou água Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 346 21 salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias destinadas a assegurar transitoriamente a sua conservação), mas impróprios para alimentação nesse estado. Ao meu sentir, os produtos que não atendem as regras definidas pelos órgãos sanitários para o consumo são produtos impróprios para alimentação no estado em que se encontram, confirmando a classificação fiscal na posição 07.11. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 347 22 Fl. 347DF CARF MF
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