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Numero do processo: 16151.720007/2013-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDECIÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
As contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos, que possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados e sujeitam-se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91.
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MULTA MAIS BENÉFICA
Prevê o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional - CTN que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Entretanto §1° aduz que aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN).
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDÃO os membros deste Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fez sustentação oral o Dr. Amaury Maciel, OAB/RS nº 212481.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos, que possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MULTA MAIS BENÉFICA Prevê o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Entretanto §1° aduz que aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDÃO os membros deste Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 00 07 /2 01 3- 81 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fez sustentação oral o Dr. Amaury Maciel, OAB/RS nº 212481. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16151.720007/201381 Acórdão n.º 2403002.199 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, (Al n° 37.251.6769), de contribuições devidas às Outras Entidades e Fundos OEF (Salário Educação 2,5%, INCRA 0,2%, SESC 1,5%, SENAC 1% e SEBRAE 0,6%) sobre a remuneração de segurados empregados, referente às competências de 01/06 a 12/07. O montante deste crédito perfez R$ 387.549,54 (trezentos e oitenta e sete mil e quinhentos e quarenta e nove reais e cinquenta e quatro centavos), consolidado em 26/03/2010. O Relatório Fiscal, fls. 40/2, informa, sumariamente, o que segue., deram origem ao débito as remunerações dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais pagas ou creditadas pela empresa nos anos de 2006 e 2007. DA IMPUGNAÇÃO Na peça de impugnação contestou o lançamento com base nos mesmos argumentos apresentados no processo principal de n ° 19515.000814/201052. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Confirme Acórdão de n ° 1627.201 a 13a Turma da DRJ/SP1 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), fls 220, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Resultado da mesma ação fiscal que constituiu créditos tributários por descumprimento de obrigações principais lançados no processo 19515.000814/201052 que carrega este em apenso, na forma do Relatório Fiscal de fls.40, a empresa deixou recolher contribuições destinadas aos terceiros conveniados (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena e Média Empresa SEBRAE e Serviço Social do Comércio – SESC), incidentes sobre as parcelas integrantes da remuneração, constantes das guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP, pagas aos empregados e contribuintes individuais nos anos de 2006 e 2007: “ 1 Destinação do débito: Aos terceiros conveniados (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena e Média Empresa SEBRAE e Serviço Social do Comércio SESC. 2 Identificação do débito: Contribuições destinadas aos terceiros conveniados incidentes sobre as parcelas integrantes da remuneração, constantes das guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP, pagas aos empregados e contribuintes individuais. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3 Origem do débito: Remunerações pagas ou creditadas pela empresa aos seus segurados empregados e contribuintes individuais nos anos de 2006 e 2007. ” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ás fls 232, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário reiterando as mesmas alegação trazidas em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16151.720007/201381 Acórdão n.º 2403002.199 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA VINCULAÇÃO COM O PROCESSO PRINCIPAL Resultado da mesma ação fiscal que constituiu créditos tributários por descumprimento de obrigações principais lançados no processo 19515.000814/201052 que carrega este em apenso, na forma do Relatório Fiscal de fls.40, a empresa deixou recolher contribuições destinadas aos terceiros conveniados (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena e Média Empresa SEBRAE e Serviço Social do Comércio – SESC), incidentes sobre as parcelas integrantes da remuneração, constantes das guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP, pagas aos empregados e contribuintes individuais nos anos de 2006 e 2007: “ 1 Destinação do débito: Aos terceiros conveniados (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena e Média Empresa SEBRAE e Serviço Social do Comércio SESC. 2 Identificação do débito: Contribuições destinadas aos terceiros conveniados incidentes sobre as parcelas integrantes da remuneração, constantes das guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP, pagas aos empregados e contribuintes individuais. 3 Origem do débito: Remunerações pagas ou creditadas pela empresa aos seus segurados empregados e contribuintes individuais nos anos de 2006 e 2007. ” DO RESULTADO DO PROCESSO PRINCIPAL N °19515.000814/201052 Na mesma seção de 13 de agosto de 2013, julgado o processo em epigrafe , ,também de minha relatoria, no Mérito, a turma me acompanhou por maioria de votos, dando provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Assim, em razão de economia processual, aguardei a manifestação da Turma para , nas circunstâncias, não adentrar ao mérito e aproveitar aquela decisão vinculante. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, resolvo, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa de mora na forma do comando da redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 05/06/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10530.720031/2009-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Nov 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que o contido no art. 157, I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual, na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI Nº 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART. 62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Marcelo Vasconcelos de Almeida
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que o contido no art. 157, I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual, na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 31 /2 00 9- 92 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 152 2 APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI Nº 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART. 62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 153 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 149. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Tratase de auto de infração (fls. 02 e ss. do processo eletrônico) relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos nas DIRPF. Esclareçase que se cuida de rendimentos recebidos em razão da Lei Estadual baiana de número 8.730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nºs 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 43 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou o contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não do contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 154 4 (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que se trata de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do imposto no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Foi determinada pela DRJ diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, porém os autos foram devolvidos sem a realização da diligência tendo em vista a suspensão do Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2331/2010. Em sessão realizada em 16/02/11 pela DRJ/SDR, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte, afirmando que os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia, não justificam o recolhimento indevido, pois deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal. Portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que a conceda, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 155 5 deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão de o impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a natureza isentiva do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estado da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia.. O impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria se manifestado pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TER/SP, em razão de recebimento da verba referente à URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não de uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimado da supramencionada decisão (fls. 100), interpôs tempestivamente o recurso de fls. 102/140, repisando os argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 156 6 mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, § 1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº 1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, parágrafo único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013 foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 157 7 A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF nº 12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, registrase que é natural que a repartição das receitas tributárias deva ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que se trata de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu, a Lei Ordinária Estadual n° 8.730, a qual o Recorrente busca equivalência à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República, sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto da Resolução Administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, em ato administrativo interna corporis, que passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional. Ao passo que os artigos 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8.730, dispõe: Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 158 8 Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia, ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considerando a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. (...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...) (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. (...) (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 159 9 Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas à incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art. 55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei nº 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF nº 256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento, à espécie, do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720031/200992 Acórdão n.º 2802003.367 S2TE02 Fl. 160 10 De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado em 02/12/11, reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do recurso no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 12448.733473/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTOS DE CAIXA. EFETIVIDADE DO SUPRIMENTO. PROVA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
O emprego da presunção legal pressupõe a inexistência de dúvidas acerca do fato indiciário. No caso do suprimento de caixa, o ingresso dos valores, em espécie, no caixa da pessoa jurídica tem que estar provado acima de qualquer dúvida. No caso vertente, comprovada a ocorrência de erro contábil, o lançamento deve ser afastado.
Numero da decisão: 1301-001.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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SUPRIMENTOS DE CAIXA. EFETIVIDADE DO SUPRIMENTO. PROVA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O emprego da presunção legal pressupõe a inexistência de dúvidas acerca do fato indiciário. No caso do suprimento de caixa, o ingresso dos valores, em espécie, no caixa da pessoa jurídica tem que estar provado acima de qualquer dúvida. No caso vertente, comprovada a ocorrência de erro contábil, o lançamento deve ser afastado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 34 73 /2 01 1- 88 Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.395 2 Relatório ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1246.917, de 17/05/2012, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de quatro autos de infração lavrados em face da ALIANSCE SHOPPING CENTERS SA CNPJ nº 06.082.980/000103 constituindo os créditos tributários referentes a: a) imposto sobre a renda (IRPJ) no valor de R$ 7.446.047,23; b) contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) no valor de R$ 2.698.050,56; c) contribuição para o programa de integração social (PIS), no valor de R$ 494.642,60 e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 2.278.353,81. As autuações foram acrescidas da multa de ofício de 75% e dos juros de mora (fls. 2). As exigências decorreram da infração “Suprimento de Numerário por Pessoas Ligadas quando não comprovada a origem dos recursos” (artigos 249, inciso II, 251, parágrafo único, 279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3000/99 e artigo 24 da Lei 9249/95). Transcrevo abaixo os principais trechos do Termo de Verificação Fiscal de fls. 394/405, no qual a autoridade fiscal esclareceu os motivos de fato e de direito que a levaram à constituição dos créditos tributários ora em debate: 1 Introdução (...) Conforme ata da AGE da Alpar Investimentos Participações S/A, realizada em 21/05/2007, foi aprovado o boletim de Subscrição de Ações, com aumento de capital social em R$ 29.978.339,62 mediante emissão de 12.338.332 ações ordinárias sem valor nominal, subscritas por MASU6 PARTICIPAÇÕES SA – CNPJ 08.091.139/000108, a serem integralizadas no prazo de 30 (trinta) dias contados de 21/05/2007 em moeda corrente do país; Os assentamentos contábeis efetuados na ALPAR, em 24/05/2007, registram débito na conta 110101 Caixa e contrapartida a crédito na conta 270101 Capital Social Integralizado, no valor de R$ 29.978.339,62, com o histórico de" Valor integralizado nesta data; Os assentamentos contábeis efetuados na ALIANSCE, em 30/06/2007, registram débito na conta : 110224 Unibanco MASU6 e contrapartida a crédito na conta 110103 Caixa Alpar, no valor de R$ 29.978.339,62, com o histórico de "reclassificação entre contas') Considerando estes documentos a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes esclarecimentos/documentos: Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.396 3 Comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, da origem, efetiva entrega e recebimento dos numerários, no valor de R$ 29.978.339,62, relativo à integralização do capital social da ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A CNPJ ne 08.298.717/000173 pela MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 08.091.139/000108, ocorrido em 24/05/2007; Apresentar os razões contábeis dos registros destas operações em ambas as empresas; Apresentar ata da AGE da MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A, onde foi aprovada a subscrição das ações da ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, no valor de R$ 29.978.339,62; Apresentar ata da AGE da ALIANSCE SHOPPING CENTERS S.A, onde foi aprovada a incorporação da MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A; Apresentar, por escrito, esclarecimento conclusivo a respeito da integralização do capital social da ALPAR pela MASU6, no valor de R$ 29.978.339,62, em moeda corrente do país, através do lançamento na conta caixa 110103, em 24/05/2007 (na contabilidade da ALPAR) e lançamentos de reclassificação entre contas efetuados em 30/06/2007, com crédito na conta caixa Alpar 110103 e débito na conta 110224 Unibanco MASU6, no valor de R$ 29.978.339,62 (na contabilidade da ALIANSCE). Em 05/07/2011, Através de carta escrita assinada pelo Diretor, o contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos/documentos: 1 Segue em anexo a AGE da ALPAR, datada de 21/05/2007, aprovando a deliberação de aumento de capital no valor de R$ 29.978.339,62, totalmente subscrito pela MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A; 2 O valor de R$ 29.978.339,62, lançado em conta caixa, em 24/05/2007, na empresa ALPAR, como mencionado em correspondência anterior a respeito da mesma transação, devese a lançamento de aumento de capital de sua acionista MASU6 (Razão contábil de MASU6 e ALPAR seguem anexos); 3 Ocorre que tal lançamento em conta caixa teve a intenção de ser apenas momentâneo, pois a acionista MASU6 seria também incorporada pela empresa ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A. As atas de Assembléia Geral Extraordinária da ALIANSCE realizadas em 31/05/2007, que aprovaram a incorporação da MASU6 e da ALPAR seguem anexas. 4 Em 31/05/2007 ALIANSCE procede com os lançamentos contábeis de incorporação das empresas ALPAR e MASU6, sendo assim, o valor mencionado de R$ 29.978.339,62, transitou apenas para a formalização das transações de aumento de capital e lançamentos de Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.397 4 incorporação, não transitando pela conta de banco na empresa ALPAR ou da ALIANSCE, pois ficaram na conta bancária da MASU6 (extrato bancário já disponibilizado em correspondência anterior) que fora transferida por incorporação para a ALIANSCE; 5 Em 30/06/2007, para fazer valer o saldo da conta bancária ora transferida da empresa MASU6, ALIANSCE corrigiu através de lançamento de reclassificação o saldo da conta caixa 110103 de R$ 29.978.339,62, para a conta Unibanco MASU6, cujo montante de R$ 29.978.339,62 encontrase incluso. Em 11/07/2011 Através de carta assinada pelo Diretor, o Contribuinte encaminhou os seguintes documentos: Carta resposta aos questionamentos feitos no TIF 06 (repetiu a carta acima); Cópia dos extratos bancários em nome de MASU6 Participações S/A, informando que a mesma foi incorporada pela remetente, no período de 01/06 a 13/09/2007, pósincorporação. Cópia do Razão contábil da ALIANSCE, conta "1.1.02.04 Unibanco MASU6", do mesmo período. (...) De posse dos documento dos “Atos Sociais”, dos extratos bancários e registros contábeis a fiscalização analisou a movimentação financeira do contribuinte, verificando o seguinte: 1) De fato ocorreu uma reorganização societária no grupo, sendo que a auditoria por amostragem mostrou que as incorporações efetuadas pela ALPAR Investimentos e Participações S/A CNPJ ne 08.298.717/000173 e a sua incorporação pela ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A CNPJ ne 06.082.980/000, ') foram por avaliação a valor contábil. Não foram criados ágios ou deságios; 2) A empresa MASU6 Participações S/A CNPJ 08.091.139/000108, não comprovou a efetiva entrega dos numerários e a origem dos recursos, no valor de R$ 29.978.339,62, relativa à subscrição ~ inicialização de 12.388.332 ações ordinárias nominativas, emitidas por ALPAR Investimentos e Participações S/A CNPJ ne 08.298.717/0001 73, nos termos do "Boletim de Subscrição", aprovado na Ata de Assembléia Geral Extraordinária da ALPAR, realizada no dia 21 de maio de 2007. 3) Conforme "Ata da Assembléia Geral Extraordinária, Realizada no dia 21 de Maio de 2007"de Alpar Investimentos e Participações S/A (documento entregue à fiscalização, em 13 de outubro de 2010, em atendimento ao Termo Fiscal nQ 2), no parágrafo DELIBERAÇÕES APROVADAS POR UNANIMIDADE, fora aprovado (Doe. 13/10/2010 "AGE Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.398 5 ALPAR 21/05/2007) : por unanimidade, o aumento de capital social no valor de R$ 29.978.339,62, mediante emissão de 12.388.332 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal. Com a expressa concordância dos demais acionistas, que renunciaram ao seu direito de preferência, sendo a totalidade das ações subscritas pela acionista MASU6 Participações S/A, a serem integralizadas em moeda corrente nacional, nos termos do "Boletim de Subscrição", firmado nesta data, ora anexado à presente ata. 4) Conforme "Boletim de Subscrição Documento III, lido na Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 21 de Maio de 2007" de Alpar Investimentos e Participações S/A, foi aprovado o seguinte (Doe. 13/10/2010 "AGE ALPAR 21/05/2007):” Subscritor: Masu6 Participações S/A CNPJ 08.091.139/0001 08 Número de ações subscritas: 12.388.332 ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal. Valor de Subscrição: R$ 29.978.339,62 {vinte e nove milhões, novecentos e setenta e oito mil, trezentos e trinta e nove reais e sessenta e dois centavos); Forma de Integralização: As ações ora subscritas serão integralmente integralizadas no prazo de até 30 (trinta) dias contados desta data, em moeda corrente do país. 5) conforme "razão contábil por contrapartida" (13/10/2010 Razão ALPAR Caixa 110101), em 24/05/2007, ALPAR fez lançamento contábil na conta "110101 Caixa", no valor de R$ 29.978.339,62, em contrapartida com a conta "270101 Capital Social Integralizado, com o histórico "Valor integralizado nesta data", como se fosse um recebimento em moeda; ; Conforme os razões contábeis das contas "110206 Banco ABC do Brasil" e "110209 Unibanco", em seus registros não existe o valor de R$ 29.978.339,62 (Doc. 05/07/2011 Razões Contábeis ALPAR); 5.1) Conforme "razão contábil da MASU6" (05/07/2011 Razões Contábeis MASU6), em 24/05/2007, MASU6 fez lançamento na conta "110209 Unibanco", em contrapartida com a conta "130102250001 Investimentos" sub conta "Alpar Investimentos S/A", com o histórico "valor aportado nesta data", no valor de R$ 29.978.339,62, como se fosse uma transferência bancária: 5.2) Registro contábil na ALIANSCE Incorporação da ALPAR: Conforme "Razão de lançamentos contábeis" da ALIANSCE, em 31/05/2007, ALIANSCE fez lançamentos contábeis na conta "270109 Capital Integralizado Alpar", relativos a incorporação da ALPAR, (05/07/11 Razão Lanç. Cont. ALIANSCE), com avaliação a valor contábil, inclusive com o Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.399 6 capital social integralizado de R$ 65.098.179,80 (Saldo anterior de R$ 35.119.840,18 + R$ 29.978.339,62) e a conta caixa no valor de R$ 29.978.339,62, conforme balancete da ALPAR em 31/05/2007 (Doc. 05/07/11 AGE ALIANSCE 31/05/2007 Inc. ALPAR); Conforme razão e lançamentos contábeis da ALIANSCE , em 30/06/2007, foi creditada a conta “110103 – Caixa Alpar” e debitada a conta “110224 – Unibanco – Masu6”, com o histórico de “reclassificação entre contas” (Doc. 05/07/11 – Razão Lanç. Cont. ALIANCE) no valor de R$ 29.978.339,62. 5.3) Extratos Bancários: 5.3.1) Extratos Bancários da MASU6: Conforme extrato bancário da "CC: 300 10252000 Unibanco", no período de 24/04/2007 a 31 07, não houve a transferência de R$ 29.978.339,62, para a integralização do capital da ALPAR (Doe. 20/06/2011 Extratos Bancários e Reg. Cont. MASU6). 5.3.2 Extratos Bancários da ALPAR: Conforme extratos bancários das "CC: 0022011430 Banco ABC Brasil S.A" e "CC: 3001025141 Unibanco", também não houve a transferência de R$ 29.978.339,62, para a integralização do capital da ALPAR (Doe. 13/10/2010: Extratos do Unibanco ALPAR e Extratos do Bc ABC Brasil); 5.3.3 Extrato Bancário da ALIANSCE (antiga CAYAPAS): Conforme extrato bancário da "CC: 300 2042699 Unibanco", também não houve a transferência de R$ 29.978.339,62, relativo à integralização do capital da ALPAR (Doe. 21/06/2011 Extratos do Bancários ALIANSCE). 6. Esclarecimentos Formais do Contribuinte: O lançamento em conta caixa teve a intenção de ser apenas momentâneo, pois a acionista MASU6 seria também incorporada pela empresa ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A ("ALIANSCE"), As atas de Ata de Assembléia Geral Extraordinária da ALIANSCE realizadas em 31/05/2007, que aprovaram a incorporação da MASU6 e da ALPAR, seguem anexas. Em 31/05/2007 ALIANSCE procede com os lançamentos contábeis de incorporação das empresas ALPAR e MASU6, sendo assim, o valor mencionado de R$ 29.978.339,62, transitou apenas para a formalização das transações de aumento de capital e lançamentos de incorporação, não transitando pela conta de banco na empresa ALPAR ou da ALIANSCE, pois ficara na conta bancária da MASU6 \ (extrato bancário já disponibilizado em correspondência anterior) que fora transferida por incorporação para a ALIANSCE; Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.400 7 Em 30/06/2007, para fazer valer o saldo da conta bancária ora transferida da empresa MASU6, ALIANSCE corrigiu através de lançamento de reclassificação o saldo da conta caixa 110103 de R$ 29.978.339,62, para a conta Unibanco MASU6, cujo montante de R$29.978.339,62 encontrase incluso". 7. Conclusão da Fiscalização: 7.1 Registros contábeis e Extrato Bancário da MASU6. Com base nos registros contábeis e extratos bancários, considero que ocorreu a falta de comprovação da origem dos recursos e da efetiva entrega dos numerários, por parte da companhia MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ Nº 08.091.139/000108 quando da integralização de capital na ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ Nº 08.298.717/000173 nos termos do boletim de subscrição no valor de R$ 29.978.339,62. 7.2 Registros contábeis e Extrato Bancário da ALIANSCE: Com a incorporação da ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ Nº 08.298.717/000173, ocorrida em 31/05/2007, com avaliação a valor contábil, inclusive com o capital social integralizado de R$ 65.098.179,80 (Saldo anterior de R$ 35.119.840,18 + "R$ 29.978.339,62") e a conta caixa no valor de R$ 29.978.339,62 (conforme balancete da ALPAR de 31/05/2007), ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A CNPJ n9 06.082.980/000103, em 30/06/2007, "ajustou" a sua conta bancária, transferindo os recursos da conta "110103 Caixa Alpar" e debitando a conta "110224 Unibanco Masu6", com o histórico de "Reclassificação entre contas". 7.3 Relativamente às alegações do Contribuinte ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A CNPJ nº 06.082.980/000103: 7.3.1 Não há comprovação nos lançamentos contábeis e extratos bancários da ALIANSCE, ALPAR ou MASU6 de que os recursos no valor de R$ 29.978.39,62 relativos à Integralização de Capital efetuada por MASU6 PARTICIPAÇÕES S/A – CNPJ Nº 08.091.139/000108 na ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ N9 08.298.717/000173, conforme AGE de 21/05/07 nos termos do Boletim de Subscrição no valor de R$ 29.978.339,62. 7.3.2 Não procede a alegação de que o lançamento contábil de integralização de capital pela MASU6 na ALPAR teve intenção de ser apenas momentâneo, pois sua incorporação pela ALIANSCE , ocorrida em 31/05/2007, se deu pela avaliação com base no valor contábil da ALPAR, inclusive com o capital integralizado de R$ 65.098.179,80 (saldo anterior de R$ 35.119.840,18 + 29.978.339,62 integralizado pela MASU6 conforme balancete da ALPAR de 31/05/2007, passando a fazer parte do capital integral da incorporadora ALIANSCE. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.401 8 7.3.3 Considerando que a incorporação da ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ Ne 08.298.717/000173 pela ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A CNPJ ns 06.082.980/000103, ocorrida em 31/05/2007, se deu com avaliação a valor contábil, cujo patrimônio líquido foi aprovado por empresa de auditores independentes (Global Auditores Independentes CNPJ nº 08.298.717/000173), está correto o lançamento de reclassificação do saldo da "conta 110103 Caixa Alpar" para a "conta 11024 Unibanco Masu6", cujo saldo era de R$ 29.978.339,62. 8. CONSTATAÇÃO FISCAL: A empresa MASU6 Participações S/A CNPJ 08.091.139/0001 08, não comprovou a efetiva entrega dos numerários e a origem dos recursos, no valor de R$ 29.978.339,62, relativa à subscrição e integralização de 12.388.332 ações ordinárias nominativas, emitidas por ALPAR Investimentos e Participações S/A CNPJ ne 08.298.717/000173, nos termos do "Boletim de Subscrição", aprovados na Ata de Assembléia Geral Extraordinária da ALPAR, realizada no dia 21 de maio de 2007, incidindo na infração de "Suprimento de Numerário por Pessoas Ligadas, Quando não Comprovada a Origem dos Recursos", com infração aos artigos 249 inciso II, 251 parágrafo único, 279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n9 3.000, de 26/03/1999 e artigo 24 da Lei 9.249/95. Tendo em vista que a ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A. – CNPJ 06.082.980/000103, incorporou as companhias ALPAR e MASU6, em 31/05/2007, tornouse a sucessora daquelas empresas e, por conseguinte, o lançamento do crédito tributário será em seu nome e CNPJ. (. . .) A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 05/11/11 conforme AR de fls. 430 e, irresignada, apresentou a impugnação de fls. 521/546 em 02/12/11, a qual, em síntese, contém as seguintes alegações: a) a IMPUGNANTE esclareceu à fiscalização que apesar de os registros contábeis da ALPAR e da MASU6 indicarem a integralização, em 24.05.2007, do referido aumento de capital de R$ 29.978.339,62, tais recursos não foram transferidos da MASU6 para o caixa da ALPAR na referida data. Foi um erro contábi1. b) Na realidade, os R$ 29.978.339,62 em questão estavam disponíveis em conta bancária da MASU6 mantida no Banco Unibanco (ag. 0300, c/c n° 1025208), e lá permaneceram até a incorporação da MASU6 pela IMPUGNANTE, quando tal conta passou à titularidade da IMPUGNANTE, por sucessão. c) Esclareceu a IMPUGNANTE, ainda, que tais equívocos foram corrigidos pouco depois, quando a IMPUGNANTE, tendo incorporado tanto a ALPAR como a MASU6, reclassificou a conta contábil "11013 Caixa Alpar" para a sua conta contábil "110224 Unibanco Masu6" (correspondente justamente à referida conta corrente anteriormente de titularidade da MASU6). Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.402 9 d) Por entender que as justificativas e documentos apresentados pela IMPUGNANTE não seriam suficientes para comprovar a origem e a efetividade da entrega dos recursos em discussão, a fiscalização concluiu que o aumento de capital no montante de R$ 29.978.339,62, supostamente recebido pela ALPAR, corresponderia a uma omissão de receitas, sujeita à incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. e) Pela leitura dos AUTOS e do Termo de Constatação Fiscal a eles anexado, percebese claramente que a autuação tem por base o art. 282 do RIR/99. Os demais dispositivos invocados pela fiscalização, (arts. 249, II, 251, parágrafo único, 279, e 288 do RIR/99 e o art. 24 da Lei n° 9.249/96 servem apenas para dar subsídios gerais à autuação. f) O item 6.3 do Termo de Constatação fiscal demonstra que a própria autoridade fiscal reconhece que os recursos em questão nunca chegaram a ser transferidos da MASU6 para a ALPAR, permanecendo sob a titularidade da MASU6 até a sua incorporação pela IMPUGNANTE, e considera correta reclassificação feita pela IMPUGNANTE do valor de R$ 29.978.339,62 de sua conta contábil "110103 Caixa Alpar" para a sua conta contábil "110224 Unibanco Masu6". Transcrevo o item 6.3: "6.3 Registros Contábeis Efetuados na ALIANSCE Com a incorporação da ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ N° 0 8.298.717/000173, ocorrida em 31/05/2007, com avaliação a valor contábil, inclusive com o capital social integralizado de R$ 65.098.179,80 (Saldo anterior de R$ 35.119.840,18 + 'R$ 29.978.339,62) e a conta caixa no valor de R$ 29.978.339,62 (conforme balancete da ALPAR de 31/05/2007), ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/A CNPJ n° 06.082.980/000103, em 30/06/2007, 'ajustou' a sua conta bancária, transferindo os recursos da conta '110103 Caixa Alpar' e debitando a conta '110224 Unibanco Masu6', com o histórico de 'Reclassificação entre contas'. Considerando que a incorporação da ALPAR INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. CNPJ N° 0 8.298.717/000173 pela ALIANSCE SHOPPING CENTERS S/ACNPJ n° 06.082.980/000103, ocorrida em 31/05/2007, se deu com avaliação a valor contábil, cujo patrimônio líquido foi aprovado por empresa de auditores independentes (Global Auditores Independentes CNPJ n° 08.298.717/000173), está correto o lançamento de reclassificação do saldo da 'conta 110103 Caixa Alpar' para a 'conta 11024 Unibanco — Masu6', cujo saldo era de R$ 29.978.339,62." (Grifos da IMPUGNANTE). A contribuinte transcreve precedentes administrativos do CC, atual CARF, contendo entendimento de que erros contábeis não são fatos geradores de tributos. h) No caso concreto, porém, a própria fiscalização reconhece que o montante correspondente ao aumento de capital em discussão jamais ingressou no caixa da ALPAR; nesse sentido, vale transcrever o seguinte trecho do Termo de Constatação Fiscal: Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.403 10 "2 Registros Contábeis: 2.1 Registros contábeis na ALPAR: Conforme 'razão contábil por contrapartida' (Doe. 13/10/2010 Razão ALPAR Caixa 110101), em 24/05/2007, ALPAR fez lançamento contábil na conta '110101 Caixa', no valor de R$ 29.978.339,62, em contrapartida com a conta '270101 Capital Social Integralizado' , com o histórico 'Valor integralizado nesta data', como se fosse um recebimento em moeda; Conforme razões os contábeis das contas '110206 Banco ABC do Brasil' e '110209 Unibanco', em seus registros não existe o valor de R$ 29.978.339,62 (Doe. 05/07/2011 Razões Contábeis ALPAR); 2.2 Registro contábil na MASU6: Conforme 'razão contábil da MASU6' (Doe. 05/07/2011 Razões Contábeis MASU6), em 24/05/2007, MASU6 fez lançamento na conta '110209 Unibanco', em contrapartida com a conta '130102250001 Investimentos' sub conta 'Alpar Investimentos S/A', com o histórico 'valor aportado nesta data', no valor de R$ 29.978.339,62, como se fosse uma transferência bancária; 3 Extratos Bancários: 3.1 Extratos Bancários da MASU6: Conforme extrato bancário da ' CC: 300 102520 Unibanco', no período de 24/04/2007 a 31/05/2007, não houve a transferência de RS 29.978.339,62, para a integralizaçâo do capital da ALPAR (Doe. 20/06/2011 Extratos Bancários e Reg. Cont. MASU6). 3.2 Extratos Bancários da ALPAR: Conforme extratos bancários das CC: 0022011430 Banco ABC do Brasil S.A' e ' CC: 300 1025141 Unibanco', também não houve a transferência de R$ 29.978.339,62, para a integralização do capital da ALPAR (Doe. 13/10/2010: Extratos do Unibanco ALPAR extratos do Bc ABC Brasil); 3.3 Extrato Bancário da ALIANSCE (antiga CAYAPAS): Conforme extrato bancário da CC: 300 2042699 Unibanco, também não houve a transferência de R$ 29.978.339,62, relativo à integralização do capital da ALPAR (Doc. 21/06/2011 Extratos do Bancários [sic] ALIANSCE) i) Ou seja, é fato incontroverso que o montante em discussão nunca chegou a ingressar no caixa ou em conta bancária de titularidade da ALPAR. j) Em outras palavras, a fiscalização acusa ter havido "suprimento de numerário" reconhecendo, paradoxalmente, que o numerário não ingressou no caixa ou nas contas bancárias da ALPAR. É o "suprimento de numerário" sem "suprimento" e sem "numerário"! Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.404 11 k) Além de contraditório, tal procedimento é totalmente despropositado. Isso porque, como já destacado, o art. 282 do RIR/99 tem por base legal o art. 12 do Decretolei n° 1.598/77, concebido para coibir a prática do chamado "caixa dois" por empresas vendedoras de mercadorias ou prestadoras de serviços; não há razão para se estender a aplicação do art. 282 do RIR/99 a empresas "holding" como a ALPAR e a MASU6, que tinham por objeto apenas e tãosomente a participação em outras sociedades, o que lhes gerava basicamente receitas de equivalência patrimonial e de dividendos, isentas da incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. l) a simples alegação de suprimento de caixa por administradores ou sócios não é suficiente para justificar uma autuação com base no art. 282 do IR/99; a fiscalização precisa apresentar provas ou, no mínimo, indícios de que a empresa questionada teria omitido e deixado de oferecer à tributação parte das receitas de usas atividades operacionais. m) Em realidade, houve um mero erro contábil, depois corrigido, que foi tomado por renda omitida da ALPAR, para tentar justificar a autuação da IMPUGNANTE. n) Não obstante, para não restar dúvidas quanto à legitimidade das operações realizadas, a IMPUGNANTE passa a demonstrar a origem desses recursos, que passaram à sua titularidade, por sucessão, por ocasião da incorporação da MASU6 e da ALPAR. n1) Em 30.03.2007, como se verifica no extrato bancário da conta corrente de titularidade da MASU6 no UNIBANCO (DOC. 05) , havia saldo de apenas R$ 16.316,79. Dois meses depois, em 31.05.2007, quando de sua incorporação pela IMPUGNANTE, o saldo da conta corrente em questão era de R$ 31.618.730,32 (o qual compreende os R$ 29.978.339,62 que deveriam ter sido integralizados em ALPAR, mas acabaram não o sendo). n2) Eis todos os lançamentos credores na referida conta corrente durante esse período (vide DOC. 06): · Em 05.04.2007: TEDRECEBIDA de GIF no valor de R$ 104.024.596,30; · Em 13.04.2007: TEDRECEBIDA de GIF no valor de R$ 32.271.700,00; · Em 08.05.2007: BÔNUS DE CPMF CASH no valor de R$ 65.511,72; · Em 25.05.2007: TEDRECEBIDA de GIF no valor de R$ 23.000.000,00; · Em 29.05.2007: TRANSFERÊNCIA INTERCONTA no valor de R$ 7.323.665,72; e · Em 29.05.2007: TEDRECEBIDA de GIF no valor de R$ 849.558,97. n3) Os créditos ocorridos nos dias 05.04.2007 e 13.04.2007 referemse à transferência de recursos financeiros de GIF em realização de aumento de capital de MASU6 no valor de R$ 136.296.296,30 . A descrição do respectivo extrato bancário Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.405 12 não deixa dúvidas quanto à origem dos recursos: "TEDRECEBIDA BRADESCO GBP I FUNDO DE INV". n4) A IMPUGNANTE ora junta como DOC. 07 a ata da respectiva AGE de MASU6 realizada em 05.04.2007, por meio da qual foi aprovado o mencionado aumento de capital de R$ 136.296.296,30, inteiramente subscrito por GIF, bem como o respectivo boletim de subscrição, que indica sua integralização em duas parcelas nos exatos montantes citados. n5) Por sua vez, os créditos ocorridos nos dias 25.05.2007 e 29.05.2007 são transferências de recursos financeiros de GIF e MANET em realização de outro aumento de capital de MASU6, no valor total de R$ 34.249.558,97. n6) IMPUGNANTE também junta como DOC. 08 a ata da AGE da MASU6 realizada em 25.05.2007, por meio da qual foi aprovado aumento de capital de R$ 34.249.558,97, subscrito por GIF e MANET na proporção de R$ 23.000.000,00 e R$ 11.249.558,97, respectivamente. n7). O item acima, corresponde exatamente ao crédito de R$ 23.000.000,00 na conta corrente de MASU6 em razão da integralização de ações de sua emissão por GIF, no dia 25.05.2007, como descrito no respectivo boletim de subscrição (DOC. 09) n8) . Já os valores creditados em 29.05.2007 referemse a transferências realizadas por MANET, ou em nome desta, para a integralização parcial no valor de R$ 8.173.224,69 das ações acima subscritas, restando uma parcela a integralizar de R$ 3.076.334,38. Para comprovar a origem e entrega desses recursos financeiros à MASU 6, a IMPUGNANTE apresenta os seguintes extratos bancários, que demonstram a sua origem: · extrato bancário da conta corrente UNIBANCO de MANET demonstrando a transferência dos R$ 7.323.665,72 em 29.05.2007; e · extrato bancário da conta corrente UNIBANCO de RIQUE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. (RIQUE) demonstrando a transferência dos R$ 849.558,97 em 29.05.2007. Notese que tais recursos foram transferidos por RIQUE à MASU6 em nome de MANET, a qual passou a registrar uma obrigação/passivo RIQUE com em igual valor. n9) Quanto ao saldo remanescente a ser integralizado no valor de R$ 3.076.334,38 , a IMPUGNANTE esclarece que o mesmo foi integralizado por meio de cheque emitido pela MANET no mesmo valor e cujo beneficiário original era a MASU6 (DOC. 10), que, no entanto, endossouo em favor da IMPUGNANTE, para quitar uma dívida que tinha com esta. Para comprovar tal fato, a IMPUGNANTE ainda apresenta os respectivos extratos bancários da MANET e da própria, que evidenciam a emissão do cheque e o respectivo depósito (DOC. 11). o) Resta claro, portanto, que os recursos mantidos em conta corrente da MASU6 tiveram por origem transferências de capital de seus sócios, e não atividades operacionais por ela pontualmente desenvolvidas, sobre as quais poderia ser presumida uma omissão de receitas. p) Nesse sentido, ainda que a autoridade fiscal pudesse arguir de ALPAR e da IMPUGNANTE, sua sucessora, a comprovação da origem dos recursos transferidos Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.406 13 finalmente à IMPUGNANTE, a autuação fiscal não pode prosperar em razão da documentação acima apresentada, que comprova a licitude de sua origem. A contribuinte termina sua impugnação requerendo que sejam julgados improcedentes todos os autos de infração. A 6ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1246.917, de 17/05/2012 (fls. 675/701), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTOS DE CAIXA. ERRO CONTÁBIL NÃO COMPROVADO. A escrita contábil deve refletir os fatos , sendo inadmissível que os acervos líquidos das controladas, avaliados pelos seus valores contábeis no momento de suas incorporações à sua controladora, estejam discrepantes com aquela. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS PARA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. INDÍCIO SUFICIENTE PARA VERIFICAÇÃO DA HIPÓTESE DA OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA COM BASE NO VALOR DO SUPRIMENTO. A existência de suprimento de numerário por sócios é o indício que, no caso de falta de comprovação pelo contribuinte de sua origem e de sua efetividade, autoriza a presunção de que esse mesmo valor suprido é oriundo de omissão de receita e deve ser tributado de forma autônoma, não se comunicando com outras hipóteses de omissão de receita ou quanto a atividade principal da pessoa jurídica autuada. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2007 AUTOS DE INFRAÇÃO CORRELATOS Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outros tributos a mesma sorte terão os autos de infração correlatos observadas suas bases de cálculo e alíquotas próprias. A ciência da decisão de primeira instância se fez por meio eletrônico, tendo sido lavrado Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 712) e o Termo de Perempção (fl. 713). O processo foi encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União. Posteriormente, o contribuinte se insurgiu contra os rumos que o processo havia tomado, alegando que não havia optado pelas intimações por meio eletrônico. Encontro, nos autos, diversos termos, despachos e extratos eletrônicos, sempre no sentido de averiguar o que de fato teria ocorrido. Afinal, o Despacho de Encaminhamento, proferido pela autoridade competente da Unidade Preparadora (fl. 1268) bem resume a conclusão, quanto a este ponto: Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e reflexos, com decisão de 1ª instância, fls. 675/701. A ciência foi realizada por meio eletrônico, fl. 705, com Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.407 14 o que não concordou o contribuinte, sob a alegação de que nunca havia feito a opção por intimações dessa natureza. Providências foram adotadas por essa RFB, juntamente ao SERPRO, na intenção de se comprovar que a opção havia sido feita, porém, sem sucesso. Assim, foi solicitado o cancelamento da inscrição em dívida ativa, que já havia sido feita, e considerouse como ciência, não a decorrente da intimação eletrônica, mas a data na qual o contribuinte obteve cópia integral do processo, fl. 833, 22/03/2014. O interessado apresentou a documentação para Recurso Voluntário, fls. 836/885 dentro do prazo legal. Desta forma, proponho o encaminhamento o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O recurso voluntário foi apresentado em 12/04/2013, conforme carimbo de recepção à folha 836. No recurso interposto (fls. 837/876), a recorrente alega preliminarmente a tempestividade de seu recurso, protestando que a ciência da decisão de primeira instância, feita por meio eletrônico, seria inválida, posto que nunca teria optado por essa forma de comunicação de atos processuais. No mérito, a interessada reitera os argumentos apresentados em sede de impugnação, no sentido de que tratarseia de mero equívoco contábil e que a efetiva integralização do aumento de capital da ALPAR, subscrito por MASU6, nunca teria de fato ocorrido. Ao serem ambas as empresas incorporadas, ao mesmo tempo, pela ora recorrente ALIANSCE, a correção do equívoco contábil teria sido feita mediante realocação da conta caixa para a conta banco. A recorrente sustenta, ainda, que a presunção legal do art. 282 pressupõe ter havido um efetivo recebimento no caixa, o que não seria o caso dos autos. Acrescenta que a própria fiscalização teria reconhecido que não houve ingresso no caixa da ALPAR. A interessada combate o entendimento do acórdão recorrido, e afirma que os erros contábeis cometidos por ALPAR e MASU6 em nada teriam interferido na quantificação do saldo da conta de capital social da recorrente. Em suas palavras (fl. 858): 5.23. Em outras palavras, ou o valor de R$ 29.978.332,62 estava refletido na conta de investimentos de MASU6 em ALPAR e não em disponibilidades como erroneamente constava da sua contabilidade ou tal valor estava refletido na conta de disponibilidades e não na de investimentos como indicavam os extratos bancários da empresa , mas em ambas as hipóteses o aumento de capital da RECORRENTE decorrente da absorção dos acervos líquidos de ALPAR e MASU6 seria o mesmo. 5.24. Na primeira hipótese, os investimentos de MASU6 em ALPAR seriam desprezados para não haver duplicidade de valores uma vez que ALPAR também estaria sendo incorporada; na segunda hipótese, não se consideraria o valor de R$ 29.978.332,62 na conta de investimentos de MASU6 em ALPAR e nem tal valor no acervo líquido de ALPAR, mas seriam consideradas as disponibilidades de MASU6. 5.25. Ou seja, o acervo líquido consolidado de MASU6 e ALPAR sempre representaria o mesmo valor e, por conseguinte, o aumento de capital da RECORRENTE sempre seria o mesmo. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.408 15 Na sequência, a recorrente repete os argumentos acerca da origem dos recursos da MASU6, que passaram à titularidade da ALIANSCE por ocasião da incorporação da MASU6 e da ALPAR. Também repisa as alegações de que seriam necessárias provas e/ou indícios de que a empresa teria omitido e deixado de oferecer à tributação parte de suas receitas. Conclui com o pedido de cancelamento das exigências. Finalmente, em 19/08/2015, foi juntado aos autos (fls. 1321/1384) documento intitulado "Aditamento ao Recurso Voluntário", mediante o qual a recorrente traz reforço dos argumentos já apresentados no recurso voluntário e requer a juntada de laudo pericial. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Após toda a celeuma, já relatada, acerca da comunicação dos atos processuais por meio eletrônico, e da falta de prova de que a interessada houvesse optado por essa via, fato admitido pela autoridade preparadora, tenho que o recurso deve ser considerado tempestivo. Tendo em vista que também atende aos demais requisitos processuais, dele conheço. Gira a lide em torno da acusação de omissão de receitas, quantificada com base na presunção legal conhecida como “suprimentos de caixa” estatuída pelo art. 12, § 3º, do DecretoLei nº 1.598/1977 e art. 1º, inciso II, do DecretoLei nº 1.648/1978, bases legais do art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Eis o dispositivo em comento: Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). As presunções legais são um instrumento que permite ao Fisco a constituição de créditos tributários em situações que seriam de muito difícil alcance. Uma vez verificado, na prática, que um determinado fato econômico está, na grande maioria dos casos, associado ao fato gerador tributário, a lei atribui àquele primeiro fato (denominado fato indiciário) a condição de necessário e suficiente para a constituição de crédito tributário, sem a necessidade de provar diretamente a ocorrência do fato gerador. A presunção dizse relativa quando o Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.409 16 contribuinte tem a faculdade de provar que, em seu caso particular não ocorreu o fato gerador, apesar de ter ocorrido o fato indiciário. É a inversão do ônus da prova. Naturalmente, o fato indiciário deve ser provado sem qualquer sombra de dúvida. Além disso, a presunção deve ser aplicada dentro da situação fática que, reiteradamente observada na vida econômica das empresas, conduziu o legislador a estatuir a presunção legal. Especificamente sobre a presunção legal aqui discutida, Higuchi1 leciona que: Os suprimentos de Caixa cuja origem dos recursos não for devidamente comprovada são tributados como receitas omitidas da própria empresa. Quando a pessoa jurídica paga duplicatas com recursos provenientes de receitas omitidas e contabiliza os pagamentos terá necessidade de contabilizar a entrada de dinheiro na conta Caixa, porque, do contrário, o seu saldo ficaria credor. Essa contabilização, denominada suprimentos de Caixa, poderá ter como contrapartida a conta dos sócios ou capital. Qualquer que seja a contrapartida dos lançamentos, os suprimentos de caixa devem ser comprovados com documentação idônea e coincidente em datas e valores. A inteligência da presunção é de que o contribuinte empregou recursos estranhos à contabilidade (caixadois) para efetuar pagamentos contabilizados. Para impedir ou mascarar o “estouro” do caixa, faz constar um ou mais lançamentos a débito da conta Caixa, como suprimento dessa conta, supostamente feito por sócio. Não pode haver dúvidas de que os recursos efetivamente ingressaram no Caixa, e a melhor prova disso, a meu ver, é a utilização contábil desses recursos, ou seja, o fato de serem empregados na operação normal da empresa, com desembolsos e pagamentos variados, sempre a crédito da conta Caixa. No caso concreto, a acusação de suprimento de caixa se baseia no fato de que, no entender da fiscalização, não haveria prova suficiente da origem e efetivo ingresso, na pessoa jurídica ALPAR Investimentos e Participações S/A, da integralização de capital feita por MASU6 Participações S/A, no montante de R$ 29.978.339,62, em 24/05/2007. A defesa da recorrente, desde a fase de fiscalização, afirma que, não obstante os lançamentos contábeis em ambas as empresas ALPAR e MASU6, antes do evento de incorporação, a movimentação financeira nunca teria de fato ocorrido. Os recursos destinados à integralização do capital teriam, na verdade, permanecido em poder da investidora (MASU6), em sua conta corrente bancária. Quanto da incorporação de ambas pela ALIANSCE em 31/05/2007, teria ocorrido o ajuste contábil, em 30/06/2007. A decisão de primeira instância fixou, de modo irretocável, a correta interpretação do art. 282 do RIR/99, especialmente acerca da desnecessidade da presença de “outros indícios” para a aplicação da presunção em tela. Quanto a este ponto, não há qualquer reparo a fazer. 1 HIGUCHI, Hiromi, e outros. Imposto de Renda das Empresas Interpretação e Prática. 29ª Ed. São Paulo: Editora do Autor, 2004, p. 600. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.410 17 No entanto, no que tange à aplicação prática do dispositivo ao caso concreto, com a devida vênia, devo divergir. O ponto central da discussão é se os R$ 29.978.339,62 efetivamente ingressaram, em espécie, no caixa da ALPAR em 24/05/2007, conforme registrado na contabilidade daquela empresa, à fl. 320. Já se provou, à saciedade, que o lançamento contábil na investidora MASU6, na mesma data, não correspondeu à realidade (Razão fl. 334, conta contábil 1.1.02.09 – Unibanco), visto que não houve a correspondente saída de recursos da contacorrente 300 1025208 mantida no Unibanco (extrato fl. 262). Mas antes de se buscar a “origem e efetivo ingresso” no Caixa da investida ALPAR, é necessário perquirir se o suprimento foi real, como afirma o Fisco, ou não, como sustenta a ora recorrente. Compulsando os autos, não encontro aquilo que, no meu entender, constituiria a prova da realidade do suprimento, a saber, o emprego do valor supostamente suprido para pagamentos e desembolsos, no curso da operação normal da pessoa jurídica. Em outras palavras, lançamentos a crédito da conta Caixa, correspondentes ao uso dos recursos supridos, a confirmar que, sem o suprimento, a conta Caixa ficaria com saldo credor. O razão da conta 1.1.01.01 – Caixa na ALPAR (fl. 320) mostra que, em 31/05/2007, o saldo era de R$ 29.861.744,71. Na mesma data, por conta da incorporação da ALPAR pela ALIANSCE, esse valor foi transferido para a conta 1.1.01.03 – Caixa Alpar na Aliansce. Considerando, por ora, exclusivamente a contabilidade, essa disponibilidade de caixa passou à titularidade da incorporadora Aliansce. Por outro lado, na investidora MASU6, o razão da conta 1.1.02.09 – Unibanco (fl. 334) mostra que o saldo contábil em 31/05/2007 era credor em R$ 1.049.558,97. Esse valor deveria corresponder (mas, de fato, não correspondia) ao saldo da contacorrente 300 1025208, mantida pela MASU6 no Unibanco (extrato fl. 262, saldo da contacorrente em 31/05/2007 positivo de R$ 31.618.730,32). Após a incorporação da MASU6 pela ALIANSCE, essa contacorrente passou à titularidade da incorporadora. Na contabilidade, foi criada a conta contábil 1.1.02.24 – Unibanco Masu6 para essa finalidade (razão à fl. 388). Aqui, considerandose exclusivamente a contabilidade, não haveria disponibilidade financeira na conta do Unibanco, muito embora, de fato, essa disponibilidade existisse. Alega a recorrente que essa discrepância somente veio a ser corrigida um mês depois, em 30/06/2007. Isso teria sido feito mediante o lançamento de R$ 29.867.744,71, a débito de 1.1.02.24 – Unibanco Masu6 e a crédito de 1.1.01.03 – Caixa Alpar. A alegação da recorrente faz sentido. Observese que, após 31/05/2007, tanto o antigo Caixa da ALPAR quanto a antiga contacorrente da MASU6 passaram à titularidade da ALIANSCE. Em assim sendo, o “excesso” encontrado na contacorrente, quando comparado com a contabilidade, foi corrigido contra a “falta” encontrada no caixa, quando também comparado com a contabilidade. Isso é compatível com a afirmação de que a movimentação de recursos nunca teria ocorrido de fato, em 25/05/2007, da MASU6 para a ALPAR. Adicionalmente, observo que o valor do caixa da ALPAR nunca foi empregado para pagamentos ou desembolsos quaisquer, permanecendo intacto até o lançamento de ajuste, com a única exceção descrita no parágrafo seguinte. O razão do caixa da ALPAR (fl. 320) acusa um pagamento de CPMF no valor de R$ 117.594,91, em 24/05/2007. Esse seria o único emprego do suprimento de caixa, desde essa data (mesma do suposto suprimento) até 30/06/2007, data do lançamento de Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.411 18 reclassificação contábil, já após a incorporação da ALPAR pela ALIANSCE. Esse pagamento nunca veio a ser questionado pelo Fisco. De pronto, o histórico do lançamento (CPMF) já levanta dúvidas, visto que despesas com o pagamento dessa contribuição são sempre debitadas pela instituição financeira na própria contacorrente, e seria, no mínimo, pouco usual que tal despesa viesse a ser paga com recursos de caixa. Além disso, após a incorporação, o razão da conta 1.1.02.24 – Unibanco Masu6 registra um lançamento a débito, em 01/06/2007, no valor de R$ 116.594,94 com o histórico “Diferença de caixa de Alpar / Masu6”. Esse valor, somado à “reclassificação entre contas” de R$ 29.861.744,71, conduz precisamente ao suposto suprimento de caixa aqui discutido, R$ 29.978.339,62. Tenho, assim, que o lançamento a título de CPMF em 24/05/2007 foi equivocado, e corrigido após a incorporação. No mesmo sentido, a análise do razão da conta 1.1.02.09 – Unibanco (fl. 334), na MASU6, no período entre 24/05/2007 e 31/05/2007, e da conta 1.1.02.24 – Unibanco Masu6 (fl. 388), no período entre 01/06/2007 e 30/06/2007, mostra que diversos pagamentos foram contabilizados fazendo com que o saldo contábil muitas vezes se apresentasse credor, enquanto que o saldo da contacorrente sempre foi positivo no período. Com isso, concluo que não há provas de que o suprimento de caixa no valor de R$ 29.978.339,62 tenha de fato ocorrido, tudo levando a crer que tenha se tratado, conforme sustenta a recorrente, de lançamento contábil sem sustentação na realidade fática, tanto na investida ALPAR quanto na investidora MASU6, ambas posteriormente incorporadas pela recorrente ALIANSCE. A Autoridade Julgadora em primeira instância empreendeu análise minuciosa de aspectos envolvendo as transferências de acervo líquido das incorporadas ALPAR e MASU6 para a incorporadora ALIANSCE. Entre outros aspectos, sua análise se baseou na confrontação dos livros Razão com o Balancete da MASU6 (fl. 356, anexo ao protocolo de incorporação). Sua conclusão, em apertada síntese, foi de que a ALIANSCE teria auferido benefício em duplicidade na operação, posto que “[...] a ALPAR foi incorporada pela ALIANSCE considerando a integralização de capital feita pela MASU6 com um suprimento de caixa no valor de R$ 29.978.332,62, registrada contabilmente tanto na ALPAR como na MASU6 e, ao mesmo tempo, a MASU6 foi incorporada pela ALIANSCE desconsiderando que o saldo contábil da conta Banco Movimento Unibanco encontravase deduzido do valor de R$ 29.978.332,62 que serviu para a integralização do capital na ALPAR”. Com todo o respeito, considero que o Balancete da MASU6 (fl. 356), muito embora de fato revele certas incompatibilidades com as contas do livro Razão, é muito sintético e insuficiente para firmar convicção acerca da correção de um (balancete) ou de outro (livro Razão). Seriam necessárias maiores verificações e aprofundamentos para se chegar a essa conclusão, aprofundamentos esses que não foram feitos em momento algum, nem na fase procedimental, nem após instaurado o contencioso administrativo. Ademais, ainda que, apenas por hipótese argumentativa, se admita a ocorrência de alguma irregularidade societária no momento da incorporação de ALPAR e MASU6, conduzindo a um benefício em duplicidade para a incorporadora ALIANSCE, não vejo de que modo isso implicaria a comprovação de que recursos de caixa no valor de R$ 29 milhões teriam sido supridos, em espécie, à ALPAR em 25/05/2007. O emprego da presunção legal pressupõe a inexistência de dúvidas acerca do fato indiciário. No caso do suprimento de caixa, o ingresso dos valores, em espécie, no caixa da pessoa jurídica tem que estar provado acima de qualquer dúvida. Não é o que ocorre no Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12448.733473/201188 Acórdão n.º 1301001.928 S1C3T1 Fl. 1.412 19 presente caso, pelo que a acusação de omissão de receitas com esse fundamento não pode subsistir. Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000429/2003-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. MÉRITO BASEADO EM AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO DESFAVORAVELMENTE AO SUJEITO PASSIVO.
Nada obstante a possibilidade de o pedido administrativo de restituição tramitar paralelamente ao processo judicial em que o contribuinte busca obter provimento favorável à sua pretensão de fundo, o encerramento do litígio desfavorável ao contribuinte impede o deferimento da repetição de indébito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. MÉRITO BASEADO EM AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO DESFAVORAVELMENTE AO SUJEITO PASSIVO. Nada obstante a possibilidade de o pedido administrativo de restituição tramitar paralelamente ao processo judicial em que o contribuinte busca obter provimento favorável à sua pretensão de fundo, o encerramento do litígio desfavorável ao contribuinte impede o deferimento da repetição de indébito. Recurso Voluntário Negado.
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EM SAÚDE OCUPACIONAL S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. MÉRITO BASEADO EM AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO DESFAVORAVELMENTE AO SUJEITO PASSIVO. Nada obstante a possibilidade de o pedido administrativo de restituição tramitar paralelamente ao processo judicial em que o contribuinte busca obter provimento favorável à sua pretensão de fundo, o encerramento do litígio desfavorável ao contribuinte impede o deferimento da repetição de indébito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 04 29 /2 00 3- 92 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 434), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte MESO MED. EM SAÚDE OCUPACIONAL S/C LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0522.326, proferido em primeira instância pela 1ª Turma da DRJ de Campinas (DRJ/CPS), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo sujeito passivo, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o sucinto relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Tratase de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 23/05/2003, no valor de R$ 45.840,70, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativos aos períodos de apuração janeiro/1998 a março/2003, fundamentado na suposta ilegalidade do art. 56 da Lei 9.430, de 1996, que revogou a isenção 'prevista no art. 6° da Lei Complementar 70, de 1991, conforme razões de fls. 03/34, Darfs de fls. 35/56 e planilhas de cálculo de fls. 57/61. Ao direito creditório postulado, a contribuinte vinculou débitos tributários mediante apresentação de declarações de compensação. Em 26/07/2004 a DRF de origem exarou o despacho de fl. 86, decidindo pela cobrança dos débitos compensados, tendo em vista que o fundamento do pedido de restituição da contribuinte seria o mesmo por ela argüido no Mandado de Segurança n° 2004.61.19.0001143. Cientificada desse despacho em 19/09/2006, a interessada apresentou “manifestação de inconformidade” em 09/10/2006 (fls. 194/217), alegando, em síntese: a distinção entre os pedidos formulados no mandado de segurança e no presente processo, conforme cópia da peça inicial em anexo; seu direito ã restituição/compensação, em face da suposta ilegalidade do art. 56 da Lei 9.430, de 1996, que revogou a isenção prevista no art. 6° da Lei Complementar 70, de 1991; prescrição decenal e suposta ilegalidade do artigo 3° da Lei n° 118, de 2005; direito à correção monetária. Remetidos os autos à nova DRF jurisdicionante em 02/10/2007, essa unidade emitiu o Despacho Decisório de fls. 262/266, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações dos débitos, sob a fundamentação de que: estaria extinto o direito a pleitear eventual restituição quanto aos recolhimentos em análise, a teor do disposto nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, e na Lei Complementar 118, de 2005; o art. 56 da Lei 9.430, de 1996, revogou a isenção concedida às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, por ser a Lei Complementar n° 70, de 1991 apenas Fl. 436DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13893.000429/200392 Acórdão n.º 3802003.664 S3TE02 Fl. 436 3 formalmente lei complementar, não cabendo à autoridade fiscal decidir sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade das leis. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório, na forma da ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/2003 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação é de competência exclusiva do Poder Judiciário. A extensão administrativa dos efeitos jurídicos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no exercício do controle difuso condicionase às hipóteses estabelecidas no Decreto n° 2.346, de 1997. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar n° 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei n° 9.430, de 1996. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada.' Cientificada acerca da decisão exarada, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os termos de sua manifestação de inconformidade e reforça a possibilidade de tramitação, paralelamente, entre o processo administrativo de restituição e a ação judicial em que se discute a constitucionalidade da revogação da isenção de COFINS sobre as sociedades uniprofissionais. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 434), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Tempestivamente interposto e manifestamente admissível, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Nada obstante todos os elementos trazidos a exame, há uma questão que entendo prejudicial para a análise do mérito: tratase do trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000011451.2004.4.03.6119 (2004.61.19.0001143). Isso porque o presente pedido de restituição tem como fundamento o mesmo do Mandado de Segurança, qual seja a discussão acerca da constitucionalidade da revogação da isenção da COFINS para sociedades uniprofissionais. Entendo, a princípio, que nada obsta a que o contribuinte receoso de vir a caducar parte de seus créditos apresente pedido de restituição, paralelamente a uma ação judicial em que discute o mérito da questão central. Ocorre que, no caso concreto, o Mandado de Segurança em que o Recorrente discutia a questão de fundo transitou em julgado, desfavoravelmente à sua pretensão, em decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região, cujo Acórdão restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADA. LEI 10.833/03. RETENÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O art. 30 da Lei 10.833/03 trata da chamada substituição tributária para frente, técnica de facilitação da arrecadação tributária, possibilitada pelo art. 150, § 7º, da Constituição Federal e declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (RE 194.382 e 213.396). 2. Não há ofensa ao art. 246 da Constituição Federal. O art. 30 da Lei 10.833/03 não é regulamentação do art. 150, § 7º, mas mera aplicação da permissão constitucional especificamente à COFINS. Ademais, o art. 246 se refere a artigo modificado por emenda promulgada a partir de janeiro de 1995 e a emenda que acrescentou à Constituição o § 7º do art. 150 é datada de 1993. 3. Medida provisória pode regulamentar matéria tributária. 4. Apelação desprovida. No voto condutor do Acórdão da Apelação, Rel. Des. Fed. Márcio Moraes, resta nítida a identificação entre o presente processo administrativo e a tese de fundo: “A impetrante alega que possui crédito tributário por ter recolhido a COFINS, apesar da isenção conferida pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar 7/70. Afirma que já vinha efetuando a compensação, tendo protocolado um pedido de restituição em 23 de maio de 2003, mas foi surpreendida com a Lei 10.833/03, que impõe a retenção e a impede de continuar compensando seu crédito. O MM. Juízo a quo denegou a segurança. A impetrante apela, pugnando pela reforma da sentença para não ser submetida à retenção do art. 30 da Lei 10.833/03, reafirmando os argumentos expostos na inicial.” Fl. 438DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13893.000429/200392 Acórdão n.º 3802003.664 S3TE02 Fl. 437 5 O encerramento da ação judicial (com arquivamento definitivo, após trânsito em julgado, em 19/12/2007) desfavoravelmente ao Recorrente inviabiliza a restituição de créditos decorrentes da tese defendida em juízo. Dessa forma, restam prejudicados todos os demais argumentos aduzidos no presente Recurso Voluntário, uma vez que qualquer análise feita à materialidade do crédito esbarraria no provimento jurisdicional que considera insubsistentes os seus motivos para repetição do indébito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para, nessa parte, negarlhe provimento. Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10880.000959/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 PEDIDO RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR E IRRF. São passíveis de restituição ou compensação os valores retidos na fonte referentes a receitas oferecidas à tributação apenas na medida em que contribuam para a formação de saldos credores de IRPJ. Considera-se apenas o IRRF cuja receita correspondente tenha sido oferecida à tributação, não cabendo a restituição/compensação do IRRF em si (apenas de eventual saldo credor). ANÁLISE E RECOMPOSIÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO. COMPETÊNCIA. Compete ao órgão preparador a análise e recomposição do saldo do imposto em face da apresentação de provas documentais pertinentes pela contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Rejeita-se a preliminar de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa quando o ato tenha sido praticado por pessoa competente e a Contribuinte, intimada a esclarecer as divergências encontradas pela autoridade tributária, não se manifesta.
Numero da decisão: 1402-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, adentre no mérito, superando o erro de preenchimento da DCOMP, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que entendia que o colegiado poderia apreciar o mérito, ao amparo do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 PEDIDO RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR E IRRF. São passíveis de restituição ou compensação os valores retidos na fonte referentes a receitas oferecidas à tributação apenas na medida em que contribuam para a formação de saldos credores de IRPJ. Considera-se apenas o IRRF cuja receita correspondente tenha sido oferecida à tributação, não cabendo a restituição/compensação do IRRF em si (apenas de eventual saldo credor). ANÁLISE E RECOMPOSIÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO. COMPETÊNCIA. Compete ao órgão preparador a análise e recomposição do saldo do imposto em face da apresentação de provas documentais pertinentes pela contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Rejeita-se a preliminar de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa quando o ato tenha sido praticado por pessoa competente e a Contribuinte, intimada a esclarecer as divergências encontradas pela autoridade tributária, não se manifesta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PEDIDO RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR E IRRF. São passíveis de restituição ou compensação os valores retidos na fonte referentes a receitas oferecidas à tributação apenas na medida em que contribuam para a formação de saldos credores de IRPJ. Considerase apenas o IRRF cuja receita correspondente tenha sido oferecida à tributação, não cabendo a restituição/compensação do IRRF em si (apenas de eventual saldo credor). ANÁLISE E RECOMPOSIÇÃO DO SALDO DO IMPOSTO. COMPETÊNCIA. Compete ao órgão preparador a análise e recomposição do saldo do imposto em face da apresentação de provas documentais pertinentes pela contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa quando o ato tenha sido praticado por pessoa competente e a Contribuinte, intimada a esclarecer as divergências encontradas pela autoridade tributária, não se manifesta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, adentre no mérito, superando o erro de preenchimento da DCOMP, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que entendia que o colegiado poderia apreciar o mérito, ao amparo do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 784 2 (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório BriPar Dois Participações S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo/SP01, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “DOS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO Trata o presente de Pedidos de Restituição (constantes do presente processo, de nº 10880.000959/200219, e dos processos de nºs 11610.005684/200244 e 11610.011320/200201, ora juntados ao presente), relativos, saldo credor de IRPJ e IRRF (anoscalendário de 1999 a 2001), totalizando o montante de R$ 669.484,88, cumulados com Pedidos de Compensação (vide relação à fl. 197). Os Pedidos de Restituição, nos montantes de R$ 192.979,08, R$ 328.704,93 e R$ 147.800,87, encontramse, respectivamente, às fls. 01, 428 e 492 do presente processo. DO DESPACHO DECISÓRIO DA DERAT/DIORT Em face desses pedidos, a DERAT/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 197 a 224, nos seguintes termos: A fim de determinar a quais anoscalendário se referem os Pedidos de Restituição fezse a análise descrita à fl. 199 (item 6), cuja conclusão está a seguir sintetizada: Fl. Valor (R$) Anoscalendário 01 192.979,08 1999, 2000 e 2001 428 328.704,93 1999 492 147.800,87 2000 Em relação ao débito da COFINS, período de apuração dez/2001, objeto do Pedido de Compensação de fl. 02, verificouse, na DIPJ do anocalendário de 2001, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 785 3 que o valor da COFINS a pagar em dezembro/2001 é de R$ 539.716,40 (fl. 162). Foi encontrado um pagamento de R$ 346.737,32, referente a esse débito (fl. 117), sendo que o restante (R$ 192.979,08) corresponde ao Pedido de Compensação (fl. 02). O valor declarado em DCTF foi de R$ 346.737,32 (fl. 127), de modo que o valor correspondente ao Pedido de Compensação não foi declarado em DCTF. A seguir a autoridade tributária descreve aparentes inconsistências encontradas na análise das pesquisas nos sistemas da Receita Federal. Comparandose os valores referentes a Juros sobre Capital Próprio (JCP) declarados nas DIPJs dos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001 (fls. 137, 146 e 154, respectivamente) com os valores declarados nas DIRFs correspondentes (fls. 142, 143, 149, 150, 159 e 160), encontraramse algumas divergências, conforme tabela abaixo: Juros Sobre Capital Próprio DIPJ (R$) DIRF (R$) Pagos em 1999 2.788.816,49 1.700.000,00 Recebidos em 1999 0,00 1.088.816,49 Pagos em 2000 4.382.490,05 559.398,41 Recebidos em 2000 3.970.280,68 3.970.280,68 Pagos em 2001 17.460.119,73 17.460.119,73 Recebidos em 2001 17.972.079,36 17.968.530,80 Executando pesquisas para comprovar o efetivo recolhimento do IRRF relativo a JCP pagos, conforme dados declarados em DIRF, observa a autoridade tributária que não foi encontrado recolhimento correspondente ao IRRF do ano calendário de 2001 (R$ 2.619.017,96, conforme DIRF de fl. 160), e que esse débito de IRRF não foi declarado em DCTF. A fim de esclarecer as supracitadas divergências, a contribuinte foi intimada (fls. 107 a 109). No dia 30/10/2006, alegando dificuldades operacionais no levantamento das informações (fl. 110), a interessada solicitou, tempestivamente, mais 20 dias de prazo, tendo sido atendida. Até a data do presente despacho, não houve manifestação da interessada. Não havendo a comprovação da ocorrência de recolhimento ou pagamento indevido ou a maior, há que se considerar a hipótese de a interessada pretender a restituição de saldo credor de IRPJ (artigo 858 do RIR/99). Analisando as DIPJs juntadas aos autos, a autoridade tributária interpretou, por economia processual, que a interessada pretende obter restituição de saldos credores de IRPJ apurados nessas DIPJs. Considerando que a interessada não atendeu à supracitada intimação, procedeuse ao recálculo do imposto de renda a pagar, com base nos sistemas constantes na Receita Federal, conforme detalhado às fls. 207/211 (anocalendário 1999), 212/216 (anocalendário 2000) e 217/221 (anocalendário 2001), e a seguir sintetizado: Anocalendário Declarado (R$) Recalculado (R$) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 786 4 1999 294.613,85 471.642,57 2000 231.245,43 212.944,28 2001 115.128,97 1.678.304,70 Observa a autoridade tributária que: os saldos credores de imposto de renda, depois dos recálculos, passaram a imposto de renda a pagar; a interessada deduziu como despesa de JCP a importância de R$ 17.460.119,73, sendo que: a) não foi localizado pagamento relativo ao respectivo IRRF; e b) esse débito de IRRF não foi declarado em DCTF, impossibilitando averiguar se houve compensações; a interessada eximiuse de prestar as informações solicitadas em intimação. Assim sendo, a DERAT/DIORT indeferiu os Pedidos de Restituição de fls. 01, 428 e 492 e não homologou as compensações declaradas, vinculadas aos créditos analisados, nos termos do disposto no artigo 49 da Lei nº 10.637/2002 e § 2º do artigo 26 da IN SRF nº 600/2005. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório em 08/01/2007 (fl. 225, verso), a contribuinte, por meio de seu advogado, regularmente constituído (fls. 244 e 748/754), apresentou, em 07/02/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 228 a 242, alegando, em síntese, o seguinte. PRELIMINARMENTE O primeiro argumento utilizado pelo agente fiscal para negar os pleitos formulados pela requerente foi o de que esta, intimada a prestar esclarecimentos, mantevese inerte. Referida premissa, no entanto, não procede. Conforme consta dos presentes autos, ao ser intimada, a requerente apresentou pedido de dilação de prazo ao agente fiscal – o qual foi deferido – uma vez que o levantamento de todos os dados e documentos demandaria tempo e considerável esforço, especialmente pelo fato de que boa parte desses documentos referiase a período superior a 5 anos. Após árduo trabalho, concluído no último dia do prazo, os esclarecimentos e documentos foram postados via correio à Receita Federal. Estes, no entanto, supostamente não foram recepcionados pela Receita, razão pela qual o agente fiscal procedeu imediatamente ao recálculo do imposto de renda a pagar, decorrendo daí o indeferimento das restituições e das compensações. Tivesse a autoridade tributária reintimado a requerente, esta poderia exercer regularmente seu direito de defesa, comprovando a improcedência do Despacho Decisório e evitando o contencioso administrativo. Ademais, a autoridade tributária omite o dispositivo legal ou regulamentar que daria base ao aludido recálculo. Assim, além de evidenciar a precipitação na prolação do Despacho Decisório, a omissão da previsão legal do recálculo acaba por precipitar ainda mais o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 787 5 cerceamento do direito de defesa da requerente, impondose a declaração de nulidade do referido despacho. DO MÉRITO O Auditor Fiscal procedeu ao recálculo do imposto de renda a pagar com base nos dados constantes dos sistemas da Receita Federal, tendo em vista o não esclarecimento, pela requerente, de divergências verificadas entre os valores declarados nas DIRFs e nas DIPJs a título de Juros sobre Capital Próprio, relativos aos anos de 1999, 2000 e 2001. Em relação a 1999, o Auditor Fiscal ofereceu à tributação receitas de aplicação financeira de renda fixa (linha 24 da Ficha 7A da DIPJ), no montante de R$ 1.609.749,46, conforme demonstrativo de fl. 208. O oferecimento dessas receitas à tributação, no entanto, afigurase manifestamente indevido, uma vez que já foram consideradas pela contribuinte na linha 21 da Ficha 7A da DIPJ (doc. 3), ainda que não tenha sido a melhor alocação. Ademais, o correspondente informe de rendimentos (doc. 2) demonstra ter havido a retenção de R$ 305.062,37 a título de IRRF em relação a esses rendimentos. E nem se alegue que eventual inconsistência na DIRF ou na DIPJ poderia justificar o oferecimento à tributação daquilo que já foi reconhecido como receita tributável. Ainda em relação a 1999, verificase que o recálculo procedido pelo Auditor Fiscal resultou o oferecimento à tributação, a título de receitas de Juros sobre Capital Próprio (linha 23 da Ficha 7A da DIPJ), do montante de R$ 1.088.816,49. A requerente possui participações em outras sociedades, em virtude do que aufere receitas a título de Juros sobre Capital Próprio (JCP). Por outro lado, periodicamente efetua a distribuição de seus próprios resultados a seus sócios, também por meio de JCP. No ano de 1999, a requerente recebeu a importância de R$ 1.088.816,49 a título de JCP, devidamente consignado no seu balancete de dezembro de 1999, lançado como outras receitas operacionais (doc. 3) e na linha 29 da Ficha 7A da DIPJ (Outras Receitas Operacionais), ainda que não tenha sido a melhor alocação. Em relação ao referido montante, houve a retenção do imposto de renda à alíquota de 15% pela fonte pagadora, equivalente a R$ 163.325,50, ativado na contabilidade pela requente como “IR a recuperar”. Em seguida, a requerente pagou, ela própria, JCP aos seus sócios, no montante de R$ 2.788.816,49, passando a ter a obrigação de reter o respectivo imposto, no valor de R$ 418.322,47, o qual também encontrase lançado no mesmo balancete de dezembro de 1999 (doc. 3). Como possuía créditos devidamente contabilizados de IRRF sobre JCP (R$ 163.325,50), a requerente efetuou a compensação do IRRF, vindo a recolher apenas a diferença efetivamente devida de R$ 254.996,97 (R$ 418.322,47 R$ 163.325,50), procedimento este previsto no artigo 9º, § 6º, da Lei nº 9.249/95. A autoridade tributária, no entanto, desconsiderou o procedimento absolutamente regular e legítimo adotado pela requerente, e, a um só tempo, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 788 6 ofereceu à tributação novamente as receitas a título de JCP, no valor de R$ 1.088.816,49 e glosou o mesmo valor nas despesas com JCP, reduzindose para R$ 1.700.000,00. Notese que mesmo se esses valores tiverem sido incorretamente declarados na DIRF e na DIPJ correspondentes, desse erro não poderá resultar a cobrança de tributo, nem tampouco obstar o direito da requerente de reaver valores pagos a maior. Em relação a 2000 e 2001, o mesmo procedimento foi adotado pela requerente e, da mesma forma, a autoridade tributária desconsiderou a compensação realizada. Em relação a 2000, conforme demonstrativo de fl. 213, houve a glosa de R$ 3.823.091,64 nas despesas de JCP (linha 35 da Ficha 6A da DIPJ), em virtude de ter sido desconsiderada a compensação do imposto retido com o devido quando do recebimento de receitas de mesma origem. Aliás, o pagamento de todo o montante originalmente declarado a título de JCP pode ser verificado e comprovado pela documentação anexa (doc. 4). Em relação a 2001, conforme demonstrativo de fl. 218, houve a glosa de todos os R$ 17.460.119,73 originalmente declarados na DIRF e na DIPJ como despesas de JCP (linha 35 da Ficha 6A da DIPJ). Também nesse caso, os documentos juntados aos autos demonstram o efetivo pagamento dos JCP e, por conseguinte, a ilegitimidade do recálculo efetuado pela autoridade fiscal (doc. 5). DO PEDIDO Diante do exposto, pede a requerente, em sede de preliminar, que seja anulado o Despacho Decisório, determinandose o retorno dos autos à origem, para que nova decisão seja proferida. Caso assim não se proceda, que seja reformado o Despacho decisório, para fim de que as restituições sejam deferidas e as compensações homologadas. Protestase provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 18.423 (fls. 756765) de 08/09/2008, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da contribuinte. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PEDIDO RESTITUIÇÃO. SALDO CREDOR E IRRF. São passíveis de restituição ou compensação os valores retidos na fonte referentes a receitas oferecidas à tributação apenas na medida em que contribuam para a formação de saldos credores de IRPJ. Considerase apenas o IRRF cuja receita correspondente tenha sido oferecida à tributação, não cabendo a restituição/compensação do IRRF em si (apenas de eventual saldo credor).” Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 789 7 Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/09/2008 (fl. 765), a interessada interpôs recurso voluntário em 09/03/2010 (fls. 766781) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminarmente, há que se fazer algumas considerações quanto à apreciação do direito creditório pleiteado pela interessada. Dispõem os artigos 837 e 858 do RIR/99: “Art. 837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º)”. (...) “Art. 858. O imposto devido, apurado na forma do art. 222, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (Lei nº 9.430, de 1996, art. 6º). § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será (Lei nº 9.430, de 1996, art. 6º, § 1º): (...) II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. (...)”. Assim, entendese passíveis de restituição ou compensação os valores retidos na fonte referentes a receitas oferecidas à tributação apenas na medida em que contribuam para a formação de saldos credores de IRPJ. Considerase apenas o IRRF cuja receita correspondente tenha sido oferecida à tributação e não cabe a restituição/compensação do IRRF em si (apenas de eventual saldo credor). Observase, nesse sentido, que a Unidade de Origem deixou de efetuar a análise do saldo credor pleiteado. A DRJ, quanto a esse aspecto, assim se posicionou: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 790 8 “... Por outro lado, na análise do saldo credor pleiteado pelo contribuinte, a competência da DERAT é limitada, pois esse Órgão não pode exercer a atividade de revisão de declarações apresentadas pelos sujeitos passivos, consoante se depreende do que dispõe o artigo 140 do Anexo da Portaria do Ministério da Fazenda nº 302/2005, então vigente. Essa competência, nos termos do artigo 145 da citada Portaria, pertence à Divisão de Fiscalização (Difis), do Serviço de Fiscalização (Sefis), da Seção de Fiscalização (Safis) ou do Setor de Fiscalização (Sofis), conforme a Delegacia da Receita Federal da circunscrição do contribuinte. Cabe à DERAT apenas verificar se as receitas relativas aos valores retidos na fonte, que implicaram saldos credores de IRPJ, foram oferecidas à tributação. ... Conforme já mencionado, no item “DAS CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES”, na análise do Pedido de Restituição, não é possível a revisão das declarações apresentadas pelos sujeitos passivos (seja pela DERAT, seja por esta DRJ), ...” Com efeito, entendo de maneira diferente. A análise e recomposição do saldo do imposto é da alçada da Unidade de Origem, não importando qual setor seja o competente para tanto. Não pode a contribuinte ser penalizada sob o argumento de que a DERAT não é competente para tanto. Por outro lado, entendo não caber razão à recorrente quanto à alegação de nulidade por cerceamento do seu direito de defesa. Nos termos do § 11 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 18.833/2003, a manifestação de inconformidade deve obedecer ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Assim, com relação à preliminar de nulidade suscitada, há que se observar o disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. No caso em tela, o ato foi praticado por pessoa competente e não se vislumbra o alegado cerceamento do direito de defesa, pois a contribuinte foi intimada a esclarecer as divergências encontradas pela autoridade tributária (fls. 107 a 109), solicitou Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.000959/200219 Acórdão n.º 140200.716 S1C4T2 Fl. 791 9 (tendo sido atendida) mais 20 dias de prazo (fl. 110), e não apresentou à DERAT/DIORT as informações requeridas. Entendese, nesse caso, que os motivos alegados pela interessada não invalidam o Despacho Decisório proferido pela DERAT/DIORT, sendo que eventuais irregularidades serão sanadas, nos termos do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72. Improcede, assim, a alegação de nulidade do Despacho Decisório proferido pela DERAT/DIORT. Dessa forma, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa e dar provimento parcial ao recurso apresentado para que o processo seja devolvido à Unidade de Origem para que seja efetuada a recomposição do saldo do imposto. Caso não seja apurado saldo credor, ou que esse seja insuficiente para fazer frente à compensação pleiteada, devese, em obediência ao princípio do contraditório e da ampla defesa, facultar à interessada a apresentação de nova manifestação de inconformidade ao Órgão Julgador de primeira instância. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722426/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência nos termos do voto do relator. Compareceu à sessão de julgamento o(a) advogado(a) Ana Paula Lui, OAB/SP nº 175658. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 22 42 6/ 20 13 -3 6 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722426/201336 Resolução nº 3201000.605 S3C2T1 Fl. 6 2 Trata o presente processo de cobrança referente a pedido de compensação não homologado, que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000.287/201011. O Processo Administrativo nº 12585.000.287/201011, foi julgado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que manteve o despacho decisório negando os créditos pleiteados pela Recorrente. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recurso voluntário, posteriormente os processos foram desapensados no CARF e distribuídos a este Relator para julgamento. A turma de julgamento ao analisar o Processo Administrativo nº 12585.000287/201011 resolveu converter o processo em diligência, que ainda encontrase pendente de realização pela Unidade de Origem. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o pedido de compensação controlado no presente processo referese aos créditos constantes do Processo Administrativo nº 12585.000287/201011, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Entendo, que a desapensação do processo foi equivocada sendo necessário a sua juntada novamente ao Processo Administrativo nº 12585.000287/201011. Confirmando este entendimento, o novo Regimento Interno do CARF determina de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.722426/201336 Resolução nº 3201000.605 S3C2T1 Fl. 7 3 acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o processo em diligência para que a Unidade Preparadora providencie a apensação do presente processo ao Processo Administrativo nº 12585.000287/201011. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/02/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722737/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A FORMA DE CÁLCULO DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPUGNAÇÃO SOBRE A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO E NÃO RECOLHIDO NO AJUSTE ANUAL. IRRF DEPOSITADO À DISPOSIÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. IMPUGNAÇÃO QUE DEVE SER CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 1.
Não há identidade de matéria quando em juízo se discute como deve ser calculado o imposto de renda sobre rendimentos pagos acumuladamente e no processo administrativo o litígio é sobre o procedimento correto para aproveitamento da retenção retida judicialmente. A diversidade de matéria implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a concomitância com decisão judicial, determinando o retorno dos autos para que seja conhecida a impugnação e proferido novo Acórdão.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A FORMA DE CÁLCULO DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. IMPUGNAÇÃO SOBRE A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO E NÃO RECOLHIDO NO AJUSTE ANUAL. IRRF DEPOSITADO À DISPOSIÇÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE DE MATÉRIA. IMPUGNAÇÃO QUE DEVE SER CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 1. Não há identidade de matéria quando em juízo se discute como deve ser calculado o imposto de renda sobre rendimentos pagos acumuladamente e no processo administrativo o litígio é sobre o procedimento correto para aproveitamento da retenção retida judicialmente. A diversidade de matéria implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a concomitância com decisão judicial, determinando o retorno dos autos para que seja conhecida a impugnação e proferido novo Acórdão. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 27 37 /2 01 1- 13 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/201113 Acórdão n.º 2202003.045 S2C2T2 Fl. 134 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pelo Julgador de 1ª instância, que bem descreve e resume os fatos (fl. 43), complementandoo ao final: Por meio da notificação de lançamento, de fls. 05/08, foi apurado o imposto de R$ 92.832,06, a multa de mora de R$ 18.566,41 e acréscimos legais, em decorrência da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2009, ano calendário 2008. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fl. 07, apurou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 92.832,06. Cientificado do lançamento em 02/05/2011, o contribuinte apresentou, em 26/05/2011, a impugnação de fls. 02/03, instruída com os anexos de fls. 09/10. Aduz que o valor de R$ 92.832,06, “objeto da glosa é oriundo de pagamento de Precatório Judicial, referente aos Autos nº 8167/1991, do Juízo de Direito da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba”. Informa que no “levantamento das importâncias declaradas referente ao precatório, foi expedida certidão explicativa dos valores, retidos pelo Cartório referente a honorários advocatícios, previdência e imposto de renda retido na fonte, conforme se infere da certidão inclusa”. Assevera que o imposto “ficou retido pelo Cartório da 1ª Vara da Fazenda Pública, desta forma, o responsável pelo recolhimento do Imposto de Renda é o Cartório que fez a retenção na fonte, consoante estabelece a legislação do I.R.”. Acrescenta que, “pela cópia da informação retirada às fls. 307, dos autos, indicado, verificase que o tributo retido não foi recolhido, conforme documento incluso”. Diz que “não concorda com a glosa da compensação do imposto de renda retido na fonte, em face de que o Cartório da 1ª Vara da Fazenda Pública efetuou o desconto do tributo devido no ato do pagamento, retendo o valor do imposto, e, por conseguinte, Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/201113 Acórdão n.º 2202003.045 S2C2T2 Fl. 135 3 sendo o responsável pelo seu recolhimento à Fazenda Nacional” e requer o cancelamento da glosa efetuada pelo lançamento. Solicita prioridade no trâmite do processo, com fulcro no Estatuto do Idoso. Ao analisar os autos, assim dispôs o Julgador de Primeira Instância: O impugnante alegou que o imposto foi retido pelo Cartório no momento do pagamento do precatório, o que é confirmado pela certidão de fl. 09, assim como é certo que não fora recolhido ou colocado à disposição da Fazenda Pública até 18 de junho de 2010, consoante informação de fl. 10. (...) Em resposta (a Ofício da RFB), a autoridade judicial informou, à fl. 33, “que os valores retidos a título de imposto de renda e previdência, permanecem depositados à disposição deste Juízo, em razão da existência de discussão se os referidos descontos são devidos ou não”. Assim, o IR no valor de R$ 92.832,06 foi objeto de depósito judicial, porque o impugnante está discutindo se é cabível a retenção. Ou seja, esse valor de IR não foi recolhido e nem se encontra à disposição da Fazenda Nacional. Por conseguinte, a compensação desse imposto na declaração de ajuste anual, para obter restituição ou para reduzir o saldo de imposto a pagar, fica condicionada ao desenrolar da ação judicial em que o impugnante contesta a própria retenção. (...) A via judicial é uma opção adotada pelo contribuinte no seu livre exercício de escolha e o exercício dessa faculdade produz como efeito processual obrigatório a perda do poder de continuar a parte a litigar na esfera administrativa, ou seja, importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso interposto.(...) Alfim, concluiu a instância recorrida pelo "não conhecimento da Impugnação, julgando definitivo o lançamento na esfera administrativa, prosseguindose na cobrança..." (sublinhei) Dessa decisão de 1ª instância o contribuinte foi cientificado em 26/06/2012, conforme AR na fl. 49, e apresentou recurso voluntário em 25/07/2012, conforme protocolo na folha 54. Em sede de recurso, argumenta que houve a retenção do imposto de renda, efetuada pela Justiça, que determinou o pagamento de precatórios, como comprova documentalmente; se aquela não informou ou não recolheu aos cofres da Fazenda a importância, a responsabilidade não é sua; reputa equivocada a decisão recorrida, esclarecendo que não propusera ação judicial para discutir a retenção do imposto na fonte nem as contestou. Diz que houve omissão da Delegacia de Julgamento e que jamais se poderia cogitar "trânsito em julgado". Levanta questões sobre a informação judicial , para tentar elucidála. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/201113 Acórdão n.º 2202003.045 S2C2T2 Fl. 136 4 Assim, REQUER a) revisão de ofício do lançamento, pela RFB; b) retorno dos autos à DRJ, após a juntada de novos documentos, para que conheça da Impugnação ou c) encaminhamento ao CARF para conhecimento do recurso. A Unidade de origem providenciou o encaminhamento dos autos à DRJ, que em despacho (fl. 126) entendeu exaurida sua competência e sugeriu o encaminhamento ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. O Contribuinte recorrente recebeu rendimentos tributáveis, acumuladamente, em virtude de ação judicial, em face do Estado do Paraná, conforme informa a Certidão de folha 09. Os precatórios, que se referem a competências pretéritas, entre outubro de 1989 e março de 1996 (fl. 73 e ss.) foram pagos no ano de 2008. Deramse quatro depósitos, com retenção na fonte do imposto, sobre a totalidade do montante levantado, como se depreende da mesma Certidão. O Recorrente informou o recebimento dos rendimentos e compensou o valor informado na Certidão (DIRPF, fl. 12), na declaração de ajuste anual. A DIRF apresentada pela fonte não trouxe a informação de nenhum valor de retenção, tendo a mesma sido integralmente glosada (Notificação, fl. 07). O MM. Juiz, atendendo ao contido em petição que não se localiza nestes autos, observou sobre a forma de cálculo do imposto retido na fonte, sobre a totalidade dos rendimentos recebidos acumuladamente, elaborada pela Contadoria, e determinou o seguinte (fls. 63 e 65): Quanto ao contido na petição de fls. 2707/2708, observo que os cálculos relativos à retenção de imposto de renda retido na fonte dos quatro primeiros depósitos não foram elaborados com base no valor mensal, mas sim com base no valor total. Assim, remetamse novamente os autos ao contador para que elabore novo cálculo relativo à retenção do imposto de renda retido na fonte, em relação aos quatro primeiros depósitos, mês a mês, pois, do contrário "o credor estaria sob dupla penalização: por não receber o que lhe era devido na época própria em que tais valores eram suscetíveis de tributação e por recebêlos, posteriormente, ocasião em que, por acumulação, formam, então, um montante tributável".(grifos originais) Cumprida a determinação do Juiz, constam anexadas aos autos várias tabelas, a partir da folha 71, onde se calcula o imposto de renda devido mês a mês, aplicandose as alíquotas devidas a cada competência a que se referem, individualmente, os rendimentos, para Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/201113 Acórdão n.º 2202003.045 S2C2T2 Fl. 137 5 ao final concluir o Contador que "procedeu ao recolhimento do imposto de renda no valor de R$ 22.412,71, devido pelo Sr. Marcos Henrique Machado Pereira..."(Certidão, fl. 120). Ou seja, daqueles R$ 92.832,06, que constaram da Certidão de folha 09 e da DIRPF, após terem ficado retidos à disposição da Justiça, somente R$ 22.412,71 foram recolhidos a título de imposto aos cofres da Fazenda Pública, não esclarecendo os documentos acostados aos autos sobre o que foi feito com a diferença. A petição feita nos autos judiciais que motivou o Juízo competente a rever a forma de cálculo do montante retido não se confunde com a Impugnação administrativa que objetiva ter reconhecido o direito a compensar o valor retido e, na época da entrega da declaração, ainda a disposição da fonte, ou seja, analogamente, "depositado em juízo" (O Juiz disse: "... informo a Vossa Senhoria que os valores retidos a título de imposto de renda e previdência permanecem depositados à disposição deste Juízo..., fl. 119). Nesse sentido, valhome das disposições contidas no Acórdão 2802003.244 2ª Turma Especial, de 05 de novembro de 2014: A contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual no campo dos rendimentos tributáveis o valor cujo crédito tributário correspondente estava com exigibilidade suspensa por força do depósito judicial e no campo de IRRF o total do depósito judicial relativo à retenção sobre os mesmos rendimentos. O acórdão recorrido não conheceu da impugnação sob fundamento de que a propositura de ação judicial pela contribuinte acerca da não incidência do imposto importou renúncia à instância administrativa. Não há identidade entre a matéria discutida judicialmente e a que se discute no processo administrativo: lá se discute a tributação ou não dos rendimentos; aqui, a forma de se cumprir a decisão judicial, notadamente quanto ao IRRF depositado judicialmente e a suspensão da exigibilidade. A diversidade de matérias implica o conhecimento da impugnação, nos termos da parte final da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Problemas desta natureza motivaram a modificação do Programa Gerador da Declaração de Ajuste Anual, de forma que a partir do exercício 2010, a DIRPF passou a ter um campo próprio para os rendimentos e respectiva retenção, nos casos de exigibilidade suspensa. Para os exercícios anteriores, como é o caso dos autos, a Secretaria da Receita Federal, por meio de Solicitação de Consulta Interna nº 9 Cosit, deu adequada interpretação por Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.722737/201113 Acórdão n.º 2202003.045 S2C2T2 Fl. 138 6 meio do entendimento transcrito abaixo, do qual está dissonante o acórdão recorrido. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA).Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa. (grifos acrescidos) Dispositivos Legais: Lei n º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), art.151. (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Solucoes Consulta/2013/Cosit/SCICosit 09/2013.pdf) É irrelevante que a decisão de primeira instância tenha sido proferida antes da Receita Federal ter expedido a Solução de Consulta Interna. Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que a Delegacia de Julgamento conheça a impugnação na íntegra e profira novo acórdão. Por estas razões, VOTO por conhecer do recurso e dar provimento para afastar a concomitância com ação judicial e determinar o retorno dos autos à primeira instância para que a Delegacia de Julgamento conheça a impugnação e profira novo Acórdão. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16327.001902/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Encontra-se homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário objeto do presente lançamento.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Considera-se Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias.
PROVAR. PROVA. DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS.
Prova, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. Provar é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectando-as numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, por unanimidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/2003 a novembro/2003, em razão da homologação tácita do Crédito Tributário correspondente, na forma prevista no art. 150, §4º, do CTN, e em atenção à Súmula 99 do CARF. Vencidos os Conselheiros ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, CARLOS ALEXANDRE TORTATO e RAYD SANTANA FERREIRA, que discordaram quanto ao conhecimento parcial do recurso, na medida em que o voto do Relator adentrou, ainda que perfunctoriamente, na análise da questão suscitada apenas por ocasião da interposição do Recurso Voluntário.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 150, §4º, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Encontrase homologado tacitamente, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, parte do Crédito Tributário objeto do presente lançamento. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Considerase Salário de Contribuição do segurado empregado a remuneração por ele auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 02 /2 00 8- 86 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. BENEFÍCIO SALARIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS a título de Incentivo Desempenho tem natureza jurídica de gratificação, sendo, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. PROVAR. PROVA. DIFERENÇAS SUBSTANCIAIS. Prova”, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. “Provar” é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectandoas numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, por unanimidade, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/2003 a novembro/2003, em razão da homologação tácita do Crédito Tributário correspondente, na forma prevista no art. 150, §4º, do CTN, e em atenção à Súmula 99 do CARF. Vencidos os Conselheiros ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, CARLOS ALEXANDRE TORTATO e RAYD SANTANA FERREIRA, que discordaram quanto ao conhecimento parcial do recurso, na medida em que o voto do Relator adentrou, ainda que perfunctoriamente, na análise da questão suscitada apenas por ocasião da interposição do Recurso Voluntário. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 448 3 Relatório Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 Data da lavratura do Auto de Infração: 19/12/2008. Data da Ciência do Auto de Infração: 19/12/2008. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.174.8844, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, tendo por fatos geradores os valores pagos aos empregados quando as metas de venda de determinados produtos eram atingidas ou ultrapassadas, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 31/35. De acordo com o Relatório Fiscal, em auditoria fiscal realizada no contribuinte, foram solicitados esclarecimentos sobre valores e beneficiários das contas "950258 INCENTIVO DESEMPENHO 106" e "950494 DESP PESS BONUS DESEM", pertencentes ao grupo de contas COSIF "8.1.7.27.003 DESPESAS DE PESSOAL BENEFÍCIOS" e "8.1.7.33.004 DESPESAS DE PESSOAL PROVENTOS". O contribuinte informou que as referidas contas são utilizadas para registrar as despesas com INCENTIVO DESEMPENHO, representando valores pagos aos empregados quando as metas de venda de determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas, não havendo informado os critérios e as metas que geraram os valores pagos. Os valores objeto do presente levantamento constam na contabilidade do contribuinte como valores pagos aos empregados a título de incentivo por desempenho, valores esses não declarado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Mesmo reiteradamente intimada mediante Termo Próprio, a Autuada não forneceu a relação das pessoas beneficiadas com tal remuneração, fato que motivou a apuração do Quantum devido por aferição indireta, com fundamento no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, mediante a aplicação da alíquota mínima de 8% sobre o montante da matéria tributável, além da lavratura de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 86/99. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1621.857 11ª Turma da DRJ/SPO1, a fls. 148/162, julgando improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo, e mantendo o Crédito Tributário lançado em sua integralidade. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 31/07/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 165. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 166/188, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Decadência Parcial; · Improcedência do lançamento pela falta de diligência da Fiscalização em buscar a realidade dos fatos, e em razão da ausência de fato gerador do tributo; · Que nas contas contábeis onde foram apurados os fatos geradores eram contabilizadas provisões de despesas futuras com o pagamento a determinados níveis de executivos funcionários da Recorrente, de produtos de bonificação consubstanciados por uma opção de compra de ações que somente poderia ser exercida no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009; · Que as bonificações não integram o Salário de Contribuição; · Que o programa de bonificação previa a premiação para os eleitos de uma determinada quantidade de opções se a Recorrente atingisse, globalmente, determinadas condições, como preço de mercado das ações, etc. Aduz que se tratava de uma bonificação extraordinária, eis que as opções de compra puderam ser exercidas pela primeira vez no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009; Ao fim, requer declaração de improcedência do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 449 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 31/07/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01/09/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente advoga a improcedência do lançamento pela falta de diligência da Fiscalização em buscar a realidade dos fatos, e em razão da ausência de fato gerador do tributo. Alega que nas contas contábeis onde foram apurados os fatos geradores eram contabilizadas provisões de despesas futuras com o pagamento a determinados níveis de executivos funcionários da Recorrente, de produtos de bonificação consubstanciados por uma opção de compra de ações que somente poderia ser exercida no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009. Aduz que tal programa de bonificação previa a premiação para os eleitos de uma determinada quantidade de opções se a Recorrente atingisse, globalmente, determinadas condições, como preço de mercado das ações, etc., e que se tratava de uma bonificação extraordinária, eis que as opções de compra puderam ser exercidas pela primeira vez no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute, não se instaurando em relação a elas qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo Fl. 467DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 450 7 art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada originariamente em grau de Recurso Voluntário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude de preclusão legal. De todo o exposto, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADENCIA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 451 9 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em Fl. 470DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 452 11 Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 453 13 seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2002 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2004, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2008, inclusive. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência dos Autos de Infração em debate realizada aos 19/12/2008, os efeitos o lançamento em questão alcançarão com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2002, inclusive, nos termos do art. 173, I, do CTN, estando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2002, inclusive, bem como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo anocalendário. Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 475DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 454 15 poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Pelo exposto, considerando ser de 01/07/2003 a 31/12/2006 o período de apuração do crédito tributário ora em constituição, considerando ser a data de ciência do lançamento 19/12/2008 e sendo constatada a ocorrência de recolhimentos antecipados no período, concluímos que se encontram homologados tacitamente os Créditos Tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/2003 a novembro/2003, inclusive, nos termos expostos no §4º do art. 150 do CTN e da Súmula 99 do CARF. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS FATOS GERADORES Alega o Recorrente que as bonificações não integram o Salário de Contribuição. Sem razão. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 455 17 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 456 19 “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a “folha de salários”, como também, sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 457 21 A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pela empresa à pessoa física que lhe preste serviço. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 458 23 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 459 25 com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II, do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; No caso ora em apreciação, consta dos autos que, em auditoria fiscal realizada no contribuinte, foram solicitados esclarecimentos sobre valores e beneficiários das contas "950258 INCENTIVO DESEMPENHO 106" e "950494 DESP PESS BONUS DESEM", pertencentes ao grupo de contas COSIF "8.1.7.27.003 DESPESAS DE PESSOAL BENEFÍCIOS" e "8.1.7.33.004 DESPESAS DE PESSOAL PROVENTOS"; O contribuinte informou que as referidas contas são utilizadas para registrar as DESPESAS com INCENTIVO DESEMPENHO, representando VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS quando as metas de venda de determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas, não havendo informado os critérios e as metas que geraram os valores pagos. Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente, a título de incentivo de desempenho, assim considerados os valores recebidos pelos empregados quando as metas de venda de determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas, subsumemse no conceito de “salário de Contribuição” assentado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na forma de incentivos salariais, não estando acobertadas por nenhuma das hipóteses de não incidência tributária destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que tais pagamentos ostentam natureza jurídica de gratificação de desempenho. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque não se consubstanciam em ganhos eventuais, mas, sim, numa contraprestação remuneratória auferida por segurados obrigatórios do RGPS que lograram alcançar as metas estabelecidas pela empresa. Atingindo o trabalhador as metas estabelecidas, ele se titulariza no direito subjetivo à gratificação correspondente, podendo esta ser exigida inclusive judicialmente. Dessarte, Os prêmios e as gratificações frequentemente são utilizados pelas empresas como fonte de incentivo ao aumento de produtividade do trabalhador, visando a que este venha a participar da dinâmica da pessoa jurídica não somente como um dos fatores objetivos de produção trabalho em troca da contrapartida salarial, mas, principalmente, a que este se comprometa subjetivamente com a atividade econômica da empresa, dando o máximo de si para o sucesso do empreendimento. Tratase de parcela salarial cuja aquisição pelo obreiro depende do adimplemento de parâmetros objetivos, subjetivos e circunstanciais previamente estabelecidos pelas partes em comum acordo, consubstanciandose, assim, num direito subjetivo do trabalhador sujeito a condição suspensiva, o qual, uma vez adimplida a condição, passa a ser exigível judicialmente pelo empregado, circunstância que acentua a sua natureza jurídica remuneratória. Aditese que o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para o seu recebimento retiralhe o caráter de premiação eventual, uma vez que, para auferir tal "bônus" ou "prêmio de incentivo", bastava aos empregados apresentar o desempenho exigido pela empresa, de maneira que os referidos pagamentos encontramse totalmente vinculados à produção laboral do trabalhador, circunstância que demonstra o caráter contraprestacional remuneratório da rubrica em relevo, ajustandose perfeitamente à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Aqui, se hipoteticamente suprimirmos o trabalho realizado por cada um dos segurados que auferiram tais gratificações, a importância que cada um iria receber a esse título seria exatamente igual a ZERO, o que demonstra insofismavelmente que tais verbas decorreram da contraprestação pelo trabalho efetivamente prestado pelo trabalhador na realização dos objetivos sociais da pessoa jurídica. Logo, remuneração. Daí, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessarte, os benefícios auferidos pelos segurados sob o título de incentivo desempenho possuem natureza remuneratória, na forma de incentivos salariais. Tais ganhos ingressaram na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ao Recorrente, sendo, portanto, um benefício concedido pelo trabalho e não para o trabalho. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 460 27 Não procede a alegação de que tais verbas seriam “provisões de despesas futuras com o pagamento a determinados níveis de executivos funcionários da Recorrente, de produtos de bonificação consubstanciados por uma opção de compra de ações que somente poderia ser exercida no período de janeiro de 2008 a janeiro de 2009” De acordo com os esclarecimentos prestados pela empresa diretamente à Fiscalização as contas contábeis em realce “são utilizadas para registrar as DESPESAS com INCENTIVO DESEMPENHO, representando VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS quando as metas de venda de determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas”. Aditese que em sua impugnação administrativa, o contribuinte alegou que tais despesas referiamse a PAGAMENTOS efetuados a empregados/estagiários a título a título de ganhos eventuais (bonificações). “19. Por outro lado, insta esclarecer que os valores exigidos na presente Notificação de Lançamento Fiscal não são derivados do pagamento de comissões, como pretendeu fazer entender a D. Autoridade Fiscal, mas sim do pagamento efetuado aos empregados/estagiários a título de ganhos eventuais (bonificações). 20. Com efeito, os valores desembolsados pela Impugnante a título de Bônus, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, na medida em que tratam de ganhos eventuais. 21. Os bônus pagos pela Impugnante dependem da ocorrência de um grande número de fatores, muitos deles completamente fora do controle de quem paga e de quem recebe, como o resultado obtido pela empresa, o resultado da área específica de alocação do funcionário, bem como dos resultados individuais obtidos pelo empregado ou dirigente. Se um desses fatores não for favorável, ai da que os outros sejam, o empregado ou dirigente não fará jus a nenhum ganho. Por hipótese, se a Impugnante obtém os resultados esperados e o empregado cumpre suas metas individuais, mas sua área não em desempenho esperado. O mesmo acontece quando a área e o empregado tem o desempenho esperado, mas os resultados do Impugnante ficam abaixo do que estava projetado. Nestas condições, o empregado nada recebe, ou recebe em proporcionalmente à combinação dos resultados . 22. Assim, verificase que a patente eventualidade dos Bônus em comento, na medida em que o seu pagamento está diretamente ligado a eventos futuros e incertos, eis que o atingimento de metas e resultados dependem de inúmeras circunstâncias alheias a vontade do empregado/empregador para sua ocorrência”. Agora, em sede de Recurso Voluntário, o Sujeito Passivo já alega que não são pagamentos, mas, sim, provisões. Também já não são mais bonus eventuais, mas sim, opções de compra de ações. Afinal ! de que se trata ? Nem o Recorrente sabe, ou não se decidiu ainda ! Ademais, não fez acostar aos autos as provas de suas alegações. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 Merece ser enaltecido que “provar” e “prova” são conceitos afins, mas que não se confundem. “Prova”, em Direito, é todo meio destinado a convencer o Julgador, seu destinatário, a respeito da verdade de um fato levado a julgamento. As “provas” fornecem elementos para que o Julgador forme seu convencimento a respeito de fatos controvertidos relevantes para o processo. Daí serem referidas como “elementos de prova” ou, simplesmente, “meios de prova”. “Provar”, no entanto, é atividade cognitiva mediante a qual o Interessado, conjugando os registros assentados em documentos, as informações colhidas em depoimentos e em outros meios de prova, as vincula de maneira coerente e ordenada, interconectandoas numa sequência lógica, harmônica e convergente, tendente a formar uma correspondência unívoca com a verdade que se tenta demonstrar ao Órgão Julgador. Dessarte, provar um fato nada tem a ver com a mera colação de centenas e centenas de documentos e depoimentos ao Processo. Estes, são elementos estáticos nos autos. “Provar”, ao contrário, demanda a demonstração da correlação dinâmica e racional entre os registros e informações consignados em tais elementos de prova, de cuja sinergia emergirá a convicção acerca da realidade que se almeja revelar. A atividade probatória, portanto, não se resume, tampouco se encerra, com a mera juntada de documentos aos autos do processo. Esta é apenas a parte inanimada do procedimento probatório. Parte dinâmica de tal procedimento, consistente na concatenação entre os elementos probantes veiculados nos documentos e o fato/circunstâncias que se deseja demonstrar constitui capítulo apartado do primeiro, e se revela, exatamente, na atividade probatória propriamente dita. No caso presente, o Recorrente fez acostar a fls. 252/441 do processo uma miríade de planilhas, cópias de instrumentos de opção de compra de ações, e cópias de uma série de outros documentos. Não efetuou o Recorrente, no entanto, qualquer correlação entre tais documentos, qualquer vinculação entre os elementos neles constantes com aquilo que almejada demonstrar nos autos. Apenas elementos estáticos, sem qualquer produção cognitiva, os quais figuram nos autos simplesmente como um “2 de paus”. Ou seja, juntou documentos, mas nada provou. Não disse, mas foi como se houvesse dito : “Busque aí nesse amontoado de cópias aquilo que eu preciso provar”. Tentando suprir tal deficiência, este Subscritor ainda buscou identificar alguma correlação entre tais elementos e as alegações aviadas pelo Autuado, mas sem êxito igualmente. ALERTESE QUE A ATIVIDADAE COGNITIVA DE PROVAR O FATO AFIRMADO É ÔNUS DO INTERESSADO, ENCARGO ESTE QUE NÃO É ADIMPLIDO COM A MERA COLAÇÃO ALEATÓRIA DE DOCUMENTOS AOS AUTOS. Nessa esteira, a verdade processual que efetivamente se tem é que os valores objeto do lançamento referemse a “DESPESAS com INCENTIVO DESEMPENHO, representando VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS quando as metas de venda de determinados produtos são atingidas ou ultrapassadas”, conforme informado diretamente pela empresa à Fiscalização e consignado no Relatório Fiscal, o qual, na condição de Ato Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001902/200886 Acórdão n.º 2401004.093 S2C4T1 Fl. 461 29 Administrativo por excelência, ostenta presunção iuris tantum de legitimidade e veracidade de seu conteúdo. Ostentando, todavia, a presunção de veracidade dos Atos Administrativos eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Autuado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo dos Autos de Infração em debate. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos segurados da Autuada, a título de Incentivo Desempenho, dada a sua natureza jurídica de gratificação, e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento, tão somente, as Obrigações Tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências de julho/2003 a novembro/2003, em razão da homologação tácita do Crédito Tributário correspondente, na forma prevista no art. 150, §4º, do CTN, e em atenção à Súmula 99 do CARF. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 19515.720074/2014-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/08/2010, 30/12/2010, 17/01/2010, 22/02/2011, 04/11/2011
REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL SOBRE A INFRAÇÃO - RETROATIVIDADE BENIGNA
Deve ser cancelada a multa isolada, haja vista que, em data posterior à lavratura do auto de infração, foi revogado o dispositivo legal, que dispunha sobre a infração e a penalidade aplicável.
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP - FATO TÍPICO - MULTA ISOLADA E JUROS
A simples não homologação da DCOMP enseja a aplicação da multa isolada de 50%. Por conseguinte, também é aplicável a cobrança dos juros de mora sobre a penalidade.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido Em Parte
Numero da decisão: 3301-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de Ofício e, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara, que dava provimento parcial.
Andrada Márcio Canuto Natal- Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP FATO TÍPICO MULTA ISOLADA E JUROS A simples não homologação da DCOMP enseja a aplicação da multa isolada de 50%. Por conseguinte, também é aplicável a cobrança dos juros de mora sobre a penalidade. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de Ofício e, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara, que dava provimento parcial. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 74 /2 01 4- 06 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 11 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Francisco José Barroso Rios, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório contido na decisão de primeira instância: "Tratase de impugnação contra o lançamento de multa regulamentar isolada, exigida com fundamento nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, incluídos pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 11/06/2010, 15, com / c o art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, pelo fato de a Declaração de Compensação (Dcomp) nº 12742.20781.220211.1.7.092454, transmitida em 22/02/2011, não ter sido homologada, e, os Pedidos de Ressarcimento (PER) nº 20875.26815.041111.1.5.08 5070; 31715.02352.041111.1.5.094714; 02971.96.042.250810.1.1.08 2370; 02345.80625.250810.1.1.099860; 07453.66184.301210.1.1.08 4166; 16298.50921.301210.1.1.094875; 41627.28356.170111.1.1.08 4608; 38559.07000.170111.1.1.099099; transmitidos entre as datas de 25/08/2010 e 04/11/2001, terem sido indeferidos e/ ou deferidos, em parte, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 18/76, parte integrante do auto de infração. Intimado do lançamento, o interessado impugnouo (fls. 84/110), alegando, em síntese: I – em preliminar, a nulidade do auto de infração, sob o argumento de ausência da indicação da base de cálculo das multas, afrontando o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10, inciso V, e, conseqüentemente, cerceamento do seu direito de defesa; e, ainda, erro do cálculo das multas referentes ao 4º trimestre de 2011, tendo em vista que os créditos cujos fatos geradores ocorreram em 04/11/2011 foram pleiteados nos processo de ressarcimento nºs. 10880.941619/201211 (PIS) e 10880.941650/201244 (Cofins), nos valores de R$6.384.854,91 e R$29.409.028,73, respectivamente; e os valores indeferidos foram de R$3.170.705,86 e R$14.604.435,57, o que implicaria multas de R$1.585.352,93 e R$7.302.217,79, segundo a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 15, e não os valores de R$3.339.809,90 e R$15.383.364,98, exigidos no auto de infração, com afronta ao art. 142 do CTN; e, II – no mérito, o seu cancelamento, sob o argumento de que não ocorreu fato típico que ensejasse a aplicação da penalidade, porque o fato de os pedidos de ressarcimento/compensação terem sido indeferidos não caracterizou ato ilícito e, ainda, que o caracterizasse, a multa somente poderia ter sido aplicado depois de analisados e indeferidos todos os pedidos, sendo que as manifestações de inconformidade (doc. 05) apresentadas nos processo que tratam dos 3º e 4º de trimestres de 2010 e dos 1º e 4º de 2011 estão pendentes de julgamento (doc. 06)." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação. Reproduzo a ementa do Acórdão nº 2454.396, de 29 de outubro de 2014: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/08/2010, 30/12/2010, 17/01/2011, 22/02/2011, 04/11/2001 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 13 4 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. MOTIVAÇÃO. O auto de infração, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa da motivação e das infrações imputadas ao contribuinte e respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/08/2010, 30/12/2010, 17/01/2011, 22/02/2011, 04/11/2001 PENALIDADE. MULTA ISOLADA. PER/DCOMP. CRÉDITO INCERTO E ILÍQUIDO. O indeferimento de Pedido de Restituição (PER) e/ ou a não homologação de compensação, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Per/Dcomp), em face da incerteza e iliquidez dos créditos financeiros reclamados/utilizados, sujeita o contribuinte à multa regulamentar isolada, nos termos da legislação tributária vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O colegiado julgador, não obstante o fato de ter considerado como cabível a aplicação das multas isoladas, manteve suspensa a exigibilidade do crédito tributário, até a prolação de decisão definitiva sobre cada um dos processos administrativos em que se discutem o indeferimento dos PER e não homologação das DCOMP. Posteriormente, em sessão do dia 24 de fevereiro de 2015, o mesmo colegiado revisou o Acórdão n° 2454.396, cuja ementa foi acima reproduzida, em razão da revogação do § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que embasava a aplicação de multa isolada de 50% sobre o crédito tributário objeto de Pedido de Ressarcimento (PER) indeferido. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 14 5 Com fundamento no inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), foi proferida nova decisão (Acórdão n° 1456.642), por meio da qual foram canceladas as multas isoladas relativas aos PER indeferidos. Foram, contudo, mantidas as concernentes às Declarações de Compensação (DCOMP) não homologadas, no montante total de R$ 127.118,88. A DRJ recorreu de ofício, nos termos do inciso. I do art. 34 do Decreto n° 70.235/72. O contribuinte, por seu turno, apresentou Recurso, no qual contesta a cobrança da multa isolada de 50% remanescente, sob a alegação de que o fato típico que motivaria sua cobrança não teria ocorrido, e dos juros, em consequência do descabimento da exigência da multa isolada. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira I) ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os Recurso de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72, pelo que deles tomo conhecimento. II) DOS FATOS Tratase da lavratura de Auto de Infração (fls. 8 a 17), para a cobrança de multas isoladas pelo indeferimento de Pedidos de Ressarcimento (PER), transmitidos entre as datas de 25/8/2010 e 4/11/2011, e não homologação de Pedido de Compensação (DCOMP), transmitido em 22/2/2011, fundamentadas, respectivamente, nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. A multa isolada total era de R$ 56.814.722,36, sendo R$ 56.687.603,48, referente aos PER, e R$ 127.118,88, ao DCOMP. III) DO RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida, proferida pelo Acórdão n° 1456.642, de 24/2/2015, que revisou o Acórdão n° 2454.396, de 29/10/2014, cancelou a multa isolada de 50%, aplicada sobre os Pedidos de Ressarcimento (PER) indeferidos, em razão da revogação do § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. O § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa isolada de 50% sobre os PER indeferidos, foi revogado pela MP n° 656, de 7/10/2014. Esta MP foi convertida na Lei n° 13.097, de 19/01/2015, a qual, todavia, não confirmou tal revogação. Porém, em 30/1/2015, foi publicada a MP n° 668, trazendo novamente a revogação do § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. A extinção da penalidade foi mantida pela Lei n° 13.137, de 22/6/2015, na qual a MP 668/2015 foi convertida. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 16 7 Diante de tal revogação, há de se recorrer ao inciso II do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (. . .) (grifo nosso) Uma vez que a infração pelo indeferimento de PER deixou de existir no ordenamento jurídico, há de se cancelar a cobrança da penalidade correspondente, isto é, da multa isolada de 50%, no montante total de R$ 56.814.722,36. Portanto, nego provimento ao Recurso de Ofício. IV) RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente aduz que a multa isolada de 50% não poderia ser aplicada, porque "o fato típico ensejador da infração" ainda não teria ocorrido. Relata que estava em curso, na esfera administrativa, processo em que discute a glosa de créditos de PIS/COFINS e a consequente não homologação da correspondente Declaração de Compensação (DCOMP). Com efeito, foi este último fato o que originou a aplicação da penalidade pela autuante. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 17 8 Adicionalmente, pede o afastamento da cobrança dos juros de mora incidentes sobre a multa isolada, uma vez que restar comprovada a inaplicabilidade da penalidade. Dispõem os §§ 17 e 18 do artigo 74 da lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (. . .) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN)." (grifos nossos) Consta nos autos (fls 75 e 76) que a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 12742.20781.220211.1.7.092454, transmitida em 22/02/2011, não foi homologada e, como consequência, foi lavrado auto de infração para a cobrança da multa isolada de 50% sobre o crédito não homologado. Da leitura do § 17 do art. 74 Lei n° 9430/96, acima transcrito, verificase que a simples não homologação da DCOMP dá causa à aplicação da penalidade. Portanto, a autuante procedeu corretamente ao aplicar a multa isolada de 50%. Por conseguinte, também procede a cobrança dos juros incidentes sobre a multa isolada, nos termos da Súmula CARF n° 4, a saber: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 19515.720074/201406 Acórdão n.º 3301002.753 S3C3T1 Fl. 18 9 "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Outrossim, também verificase nos autos que a Recorrente está litigando, na esfera administrativa, contra as glosas de créditos de PIS/COFINS e a consequente não homologação da DCOMP. Assim sendo, nos termos do § 18 do mesmo artigo, deve ficar suspensa a exigência da multa prevista no § 17, até o desfecho do respectivo processo, tal qual já havia sido determinado pelo julgador de primeira instância. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, permanecendo suspensa a exigência da multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e dos juros de mora incidentes, até o desfecho do processo administrativo em que se discute a não homologação da respectiva DCOMP. V) CONCLUSÃO Com base nos argumentos acima expostos, nego provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário, ressalvando, no último caso, que deve permanecer suspensa a exigência da multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, até o desfecho do processo administrativo em que se discute a não homologação da respectiva DCOMP. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 13839.721219/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 27/11/2006 a 28/09/2010
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não se comprovaram a origem, disponibilidade e transferência dos recursos nela empregados.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do pólo passivo a empresa Red Bear e Logística. Sustentou: Dr. Guilherme de Macedo Soares - OAB 35.220 - DF, presente também o Dr. Luiz Carlos de Andrada Júnior - OAB 258.521 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ORIGEM DOS RECURSOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não se comprovaram a origem, disponibilidade e transferência dos recursos nela empregados. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do pólo passivo a empresa Red Bear e Logística. Sustentou: Dr. Guilherme de Macedo Soares OAB 35.220 DF, presente também o Dr. Luiz Carlos de Andrada Júnior OAB 258.521 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 12 19 /2 01 1- 04 Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de processo consubstanciado em auto de infração versando sobre aplicação da pena de perdimento da mercadoria nos caso de inserção de informação que não traduza a realidade da operação, motivo pelo qual foi aplicado a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, conforme disposto no § 3º do art. 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, pelo cometimento da infração tipificada no inciso VI do art. 105 do Decreto Lei n° 37/66, referente aos fatos geradores do período de apuração de 27/11/2006 a 28/09/2010. Assim, a Fiscalização considerou no caso dos autos que houve “cessão do nome da pessoa jurídica com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, descumprimento de manter em boa guarda os documentos ou de apresentá los a fiscalização e multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada”. Conforme se depura do Auto de Infração, fora constatado que a Fiscalizada, no período de 2006 à 2008, importou matérias diversas, entre tantas encontram tecidos, faqueiros, gravatas peças eletrônicas ,etc, através das Declarações de Importação nº 07/07730877, 08/805011506, 08/10898661, 06/14337768, 07/02299400, 07/03353343 e 07/04609805, sendo que, às ultimas quatro Declarações de Importação por conta e ordem de terceiros tinha como benefíciária a empresa K2 Logística Importação e Exportação Ltda, esta que, inclusive, fora declarada inapta pela Receita Federal do Brasil, ante a prática de irregularidades de comércio exterior, e, ocultar real adquirente de mercadorias e pela apresentação de faturas ideologicamente falsas. No período compreendido entre março e setembro de 2010, as operações realizadas foram por meio das declarações de importação n° 10/03353101, 10/03539078, 10/04811391, 10/05235734, 10/05235530, 10/05215830, 10/06456203, 10/06454189, 10/07815363, 10/08442994, 10/08475469, 10/09228546, 10/09227779, 10/09383401, 10/09383150, 10/10967071, 10/10963254, 10/11054894, 10/13151846, 10/14706990, 10/14782203, 10/14779776, 10/14889083, 10/16072580 e 10/1704311 8. Extraíse dos autos que a Fiscalização oportunizou a Interessada à apresentar os contratos de câmbio como meio de comprovar a efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, o que não o fez, cometendo a infração tipificada no § 2º, inciso V, do art. 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Também não apresentou a documentação exigida pelo fisco, tais como: notas fiscais de entrada e saída relativas às mercadorias importadas e os originais das faturas comerciais e conhecimento de carga das importações, incorrendo na infração definida no art. 70, inciso II, alínea “b” da Lei n° 10.833/03. E no período entre março e setembro de 2010, constatouse que a empresa Icon do Brasil Importação e Exportação Ltda importou para a Fiscalizada aparelhos de Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13839.721219/201104 Acórdão n.º 3302003.087 S3C3T2 Fl. 10 3 "fitness", capas para aparelhos eletrônicos, na modalidade “importação por conta e ordem”, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 225/02. Entretanto, dolosamente, também a identificou como encomendante no campo "informações complementares" de todas as declarações de importação citadas. (...). Simultaneamente passou a desfrutar de dois benefícios: vantagens tributárias da modalidade de importação por encomenda e importação sem limite de valor da modalidade por conta e ordem de terceiros.(...)./ Considerou o Contrato de Importação por Conta e Ordem como falso e os documentos de instrução das declarações de importação na mesma condição, fato motivador da aplicação à Fiscalizada a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, conforme disposto no § 3º do art. 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, pelo cometimento da infração tipificada no inciso VI do art. 105 do Decreto Lei n° 37/66. Ainda no mesmo período, narra o fisco que, documentalmente, as mercadorias passam por três empresas: 1º Icon, 2º Danrio (Fiscalizada), 3º APJ ou Gávea. Entretanto, na prática o caminho das mercadorias passa por apenas duas empresas: 1° Icon, 2º APJ ou Gávea, as quais são intimamente ligadas, funcionando em conluio, conforme consulta à Receita Federal do Brasil (fls. 39 e ss dos autos), tratandose de um esquema ilícito composto por empresas localizadas nos estados de São Paulo e no Estado do Espírito Santo, juntas objetivavam sonegar tributos federais, estaduais e municipais. Também neste período, entendeu a fiscalização que a motivação para a conduta da empresa Icon de vincularse perante o Cismes como “importadora por conta e ordem” da Fiscalizada foi importar sem limites de valores, utilizandose da modalidade de habilitação ordinária concedida à Fiscalizada. Já no momento de dar saída nas mercadorias declaravase como “importador para encomendante predeterminado”, pois aí utilizavase do benefício fiscal concedido pelo Estado do Espírito Santo. Sendo que numa mesma importação a legislação não permite a utilização simultânea dos dois institutos. Ressalta, por fim, que a empresa APJ nunca deixou de operar vinculada ao grupo. As mercadorias agora importadas em nome da Fiscalizada continuaram a ser repassadas, na maior parte, à empresa APJ. Esta que, nas informações prestadas ao Fisco não mais aparecia como encomendante ou adquirente, permanecendo oculta, estando desobrigada do recolhimento de IPI. Concluindo que Fiscalizada nunca foi a real destinatária das importações, mas sim a empresa APJ. Em síntese, fora imputada à Fiscalizada o ilícito de utilizar pessoas interpostas por meio de um esquema fraudulento, facilitando entrada irregular de mercadorias importadas para revenda, burlando o fisco. E, aos terceiros envolvidos na cessão, estes respondem juntamente com a Contribuinte, na condição de responsáveis solidários, sendo eles: Icon do Brasil Importação e Exportação Ltda, Gávea Distribuidora de Produtos Ltda, APJ International Consultoria e Comercio Ltda EPP, Red Bear Armazém e Logística SA, Francisco Escobar, Marco Antonio de Paiva Escobar, Bernard Anton Fuldauer, Carlos André Nascimento Silva, Rosanny Roncetti, Amadeu Jose Policastro Júnior e Antonio Calmon Du Pin e Almeida Filho. Tempestivamente, a Fiscalizada, bem como os responsáveis solidários apresentaram suas respectivas Impugnações. Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Proferido o r. Acórdão pela Turma de Julgamento, considerou improcedente a impugnação da interessada, mantendose a totalidade do credito lançado e, com relação aos responsáveis solidários, manteveos, com exceção a multa de 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, pela cessão do nome. Fase recursal, irresignados com o Acórdão desfavorável, apresentaram Recursos Voluntários: Da Fiscalizada: Recurso apresentado às fls. 3003/3028, rechaçando a decisão recorrida, alegando em síntese: a) ausência de prova certa e inequívoca para fundamentar a decisão fustigada, tendo em vista que o fisco apresentou elementos contraditórios, tais como fotos e declarações inconsistentes; b) caracteriza simples presunções do fisco, incapazes, por si só, em afirmar que a recorrente tenha cedido o nome com as demais empresas, com a forma de “esquema” para sonegação de impostos, havendo a necessidade do desmembramento do Auto de infração; c) que não houve ocultação da empresa APL, nem sonegação de IPI; d) que não houve uso de documentação falsa e nem fraude aos controles de importações, vez que não era a recorrente quem preenchia ou instruía as referidas informações; e) não cumprimento correto do art. 73 da lei. 10.833/2003, ante a aplicação da penalidade; Por fim, requer a improcedência da autuação. Dos Responsáveis solidários: Icon do Brasil Importação e Exportação Ltda apresentou impugnação as fls 3079/3097, alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseados em teorias e meras suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à norma, sem identificação precisa do sujeito passivo de cada uma das infrações elencadas, mas sujeitando todas as pessoas físicas e jurídicas a todas as infrações; c) da inobservância do artigo 112 do CTN; d) de ser inadmissível culpar a recorrente pelas fragilidades do SISCOMEX e pela mora da Receita Federal do Brasil em promover a adaptação do sistema às normas; e) da fiscalização não ter comprovado o cometimento de qualquer dos ilícitos apontados contra a recorrente. Diante disso, requer que seja declarada extinta a relação jurídicotributária. Gávea Distribuidora de Produtos Ltda, apresentou impugnação as fls 3065/3077, alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseados em teorias e meras suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à norma, sem identificação precisa do sujeito passivo de cada uma das infrações elencadas, mas sujeitando todas as pessoas físicas e jurídicas a todas as infrações; c) da inobservância do artigo 112 do CTN; d) da falta de nexo causal entre os ilícitos apontados e as suposta finalidade almejada; e) da ausência total de provas de que a recorrente teria “interesse comum” na prática dos supostos ilícitos; f) que não houve ocultação da empresa APL, nem sonegação de IPI; g) não cumprimento correto do art. 73 da lei. 10.833/2003, ante a aplicação da penalidade. Requerendo assim, a extinção da relação jurídicotributária.APJ – International Consultoria e Comércio Ltda EPP, apresentou impugnação as fls 3108/3133, alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseados em teorias e meras suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à norma e violação ao artigo 142 do CTN, sem identificação precisa do sujeito passivo de cada uma das infrações elencadas, mas sujeitando todas as pessoas físicas e jurídicas a todas as infrações; c) da inobservância do artigo 112 do CTN; d) da falta de nexo causal entre os ilícitos apontados e as suposta finalidade almejada; e) da não observância dos requisitos materiais e formais previstos Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13839.721219/201104 Acórdão n.º 3302003.087 S3C3T2 Fl. 11 5 no parágrafo 3º do artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76 (mercadoria não localizada ou consumida); f) da responsabilização da recorrente pelo valor global das DI, sem considerar que parte das mercadorias foram adquiridas por outras empresas. Ante o exposto, requer a declaração de extinção da relação jurídicotributária Red Bear Armazém e Logística S/A, apresentou impugnação as fls 3049/3063, alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseados em teorias e meras suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da inadequada subsunção dos fatos à norma e violação ao artigo 142 do CTN, sem identificação precisa do sujeito passivo de cada uma das infrações elencadas, mas sujeitando todas as pessoas físicas e jurídicas a todas as infrações; c) não cumprimento correto do art. 73 da lei. 10.833/2003, ante a aplicação da penalidade; d) da falta de nexo causal entre os ilícitos apontados e as suposta finalidade almejada; e) da responsabilização da recorrente pelo valor global das DI, sem considerar que parte das mercadorias foram adquiridas por outras empresas; f) da ausência total de justificativa para imputação de responsabilidade solidária pelos atos praticados entre os anos de 2006 e 2008 pela Fiscalizada; g)da ausência total de provas de que a recorrente teria “interesse comum” na prática do ilícito de cessão de nome supostamente praticado pela Fiscalizada. Assim, requer que seja extinta a relação jurídicotributária. Francisco Escobar (fls. 3035/3040), Bernard Anton Fuldauer (fls. 3141/3145), Carlos André Nascimento Silva (fls. 3147/3150), Rosanny Roncetti (fls. 3044/3047), Amadeu Jose Policastro Júnior (fls. 3153/3157) e Antonio Calmon Du Pin e Almeida Filho (fls. 3159/3162) apresentam seu respectivos recursos, alegando em síntese: a) as infrações imputadas serem baseadas em teorias e meras suposições, construídas sobre falsas premissas; b) da ausência de motivação ou justificativa para a imputação de responsabilidade solidária; c) da distinção entre as personalidades da pessoa jurídica e de seus sócios/administradores; d) da ausência de prova por parte do fisco, no tocante as infrações teriam sido cometidas nos termos dos artigos 135 e 137 do CTN; e) da fiscalização não ter comprovado o cometimento de qualquer dos ilícitos apontados. O responsável solidário Marco Antonio de Paiva Escobar não apresentou recurso cabível, conforme Termo de Perempção de fls. 3.188. Às fls. 3194/3196 os presentes autos foram encaminhados para julgamento. É o que interessa relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recursos tempestivos, verificado presentes os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser conhecidos. Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Registrase, o senhor Marcos Antonio Paiva Escobar deixou de apresentar Recurso Voluntário, conformandose com a decisão de primeira instância. A contenda trazida neste caderno se refere acusação de cessão de nome com intuito de ocultação dos reais destinatários das mercadorias importadas por meio de simulação. A fiscalização traçou longo caminho e fatos a levar a conclusão da existência de concluiu com o objetivo de fraudar o sistema aduaneiro engendrado entre as empresas: DANRIO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e as empresas ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO e EXPORTAÇÃO LTDA., APJ INTERNATIONAL CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA., e, GÁVEA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS LTDA. todas na qualidade de sujeito passivo da obrigação, e a empresa RED BEAR ARMAZEM e LOGISTICA S/A., e as pessoas dos sócios: Francisco Escobar, Marco Antonio de Paiva Escobar, Bernard Anton Fuldauer, Carlos André Nascimento Silva, Amadeu José Policastro Júnior, Antonio Calmon Du Pin e Almeida Filho e Rosanny Roncetti, todos na condição de sujeito passivo solidário. A decisão hostilizada em relação aos responsáveis solidários, manteve a solidariedade relativamente aos créditos tributários lançados relativamente ao período de 2010, com exceção do valor da multa de 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas. A decisão recorrida concluiu que a empresa Danrio Comércio Importação e Exportação Ltda integrou ao esquema para ceder seu nome, em substituição à empresa APJ – International Consultoria e Comércio Ltda e Gávea Distribuidora de Produtos Ltda, para possibilitar ao grupo a elevação do volume importado, caracterizando interposição fraudulenta, esteada no relatório fiscal e na longa transcrição da legislação. Nesse passo fazse necessário percorrer o caminho traçado pela fiscalização aduaneira que a levou a considerar a conduta da recorrente ilícita. O primeiro ponto que se destaca se refere ao comentário quanto aos produtos produzidos pela “ICON HEALTH FITNESS, segundo narra o relatório fiscal é a maior produtor mundial de artigos de “fitness”, no Brasil encontra representada pela ICON BRASIL. Seguindo o raciocínio lógico da fiscalização, notícia que as mercadorias eram importadas e desembaraçadas no Espírito Santo pela empresa ICON do Brasil e Exportação Ltda., estabelecida no Município de Vila VelhaES, e, transferida para empresa DANRIO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO e EXPORTAÇÃO LTDA., situada no Município de AtibaiaSP. Em seguida, a empresa DANRIO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO e EXPORTAÇÃO LTDA., eram vendidas às empresas APJ International Consultoria e Comércio Ltda. e a Gávea Distribuidora de Produtos Ltda., as quais distribuíam no mercado interno. Surge como laço a vincular o esquema na palavra do auditor encarregado do procedimento fiscal o fato de que as empresas ICON do Brasil e Exportação Ltda. e Gávea Distribuidora de Produtos Ltda., formalmente, estavam estabelecidas no mesmo local, em salas comerciais alugadas pela empresa RED BEAR ARMAZÉM E LOGÍSTICA S/A. Por seu turno, a empresa RED BEAR ARMAZÉM E LOGÍSTICA S/A., cujos sócios são as empresas ICON DO BRASIL e APJ Internacional Consultoria e Comércio Ltda., cabendo a presidência ao sócio da ICON do Brasil Ltda. A partir desses fatos a afirmação de que DANRIO emitia as notas fiscais de venda às empresas APJ e GÁVEA. Outro ponto de convencimento da fiscalização, que durante o procedimento fiscal a empresa Danrio Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13839.721219/201104 Acórdão n.º 3302003.087 S3C3T2 Fl. 12 7 Comércio Importação e Exportação Ltda. encontrava com restrição a operar no comércio exterior, e, sendo assim, a ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., deixou de importar por encomenda e passou a importar por conta e ordem da empresa SAVOX DO BRASIL TRADING S/A, estabelecida em São Paulo e no Espírito Santo, repassou a título de venda os aparelhos de “fitness” as empresas APJ International Consultoria e Comércio Ltda e Gávea Distribuidora de Produtos ltda. Esses acontecimentos fizeram a fiscalização concluir a presença de interposição fraudulenta e não apresentação de documentos instrutivos das declarações de importação e utilização de documentos falsos, fraudes contra os controles administrativos aduaneiros das importações e ocultação dos reais destinatários das importações visando o não recolhimento de IPI. Extraio dos fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal como sendo elemento de convicção que a empresa DANRIO pode ter sido usada para ocultação dos verdadeiros importadores decorre da visita da fiscalização em sua sede na cidade de Atibaia, quando encontrou o local fechado e a informação de terceiros estabelecidos no mesmo imóvel que o local estava a mais de um ano fechado e precária condições em relação a capacidade física e operacional. Quadra registra também a declaração colhida da proprietária do imóvel que o local só era utilizado para receber correspondências. Essa é uma técnica utilizada para atender a parte formal da existência da pessoa jurídica, no entanto, se revela falsa e confirma a inexistência de negócio sadio, confirma prática característica de sonegação. Assim, a exibição de contrato de locação diante da realidade configurada pela efetiva visita in loco confirmando inexistência de atividade comercial da fiscalizada, encontra despida de envergadura capaz de contrariar a verdade. Essa prática danosa está corroborada pela declaração de inatividade e inexistência de faturamento, assim como, ausência Declaração de Imposto de Renda dos sócios, que sequer informaram suas participações no capital da Fiscalizada. Compulsando os autos constatase, que a partir do momento que a Interessada vinculou no SISCOMEX com a empresa ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., a empresa APJ INTERNATIONAL CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA. passou ser cliente e não mais adquirindo as mercadorias importadora pela ICON, com essa manobra as empresas APJ e GÁVEA deixam de ser contribuinte do IPI, aprova encontra estampadas nas notas fiscais consignam a venda dos produtos “fitness” para as duas empresas. De outra banda, a recorrente não se esforçou em demonstrar que detinha condições financeiras, que disponibilizava de local apropriado para exercer atividade comercial. Com base nos documentos constantes dos autos, exsurge assim a presunção legal de que DANRIO foi interposta fraudulentamente para ocultar operações de comércio exterior realizadas por terceiros, no caso concreto as empresas: ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., a empresa APJ INTERNATIONAL CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA. GÁVEA Distribuidora de Produtos Ltda. Assim como, deixou de comprovar por meio de contratos de câmbio a efetiva de transferências de recursos financeiros utilizados em pagamento pelas importações do período de 2006 a 2008. Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 Há outros elementos o suficiente capaz de caracterizar interligação das empresas acima citadas, entre esses utilização do mesmo site, o mesmo número de telefone, email dirigidos a APJ respondido e atendido por sócio da ICON, definitivamente a prática comercial entre as empresas, como restou demonstrado pela fiscalização são bastante interligadas. Em visita ao endereço da GÁVEA, a fiscalização notou ausência dos responsáveis, cujo endereço fica ao lado da sala da ICON. Em sendo assim, as empresas ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., a empresa APJ INTERNATIONAL CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA. GÁVEA Distribuidora de Produtos Ltda., devem ser mantidas na qualidade de sujeito solidário, portanto, há de manter a decisão recorrida nos termos em que foi proferida. No tocante sujeição passiva a empresa RED BEAR ARMAZÉM E LOGÍSTICA S/A, tenho que só a relação existente de participação societária e locação de espaço não é suficiente para atribuirlhe participação efetiva no esquema desenhado e executados pelos sócios nas empresas ICON DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., a empresa APJ INTERNATIONAL CONSULTORIA E COMÉRCIO LTDA. Essa certeza é retirada do próprio relatório fiscal, os fatos narrados ali não são convencedores. A meu sentir o fato da fiscalização encontrar no local cedido a titulo de locação mercadorias desacompanhada de documento fiscal, e, posteriormente apresentados com evidência de ter sido emitidos após a presença da fiscalização não me convence. Penso que o fato de ceder o local não configura comportamento ilícito, capaz de lhe atribuir condição de sujeito passivo solidário. Diante de ausência de comprovação por parte do Fisco de que a empresa RED BEAR E LOGÍSTICA S/A. atuou efetivamente em prejuízo do erário, inclino acolher o pleito para afastála da condição de sujeito passivo solidário. Com essas razões, conheço do recurso e dou provimento parcial para afastar da sujeição passiva solidária a empresa RED BEAR E LOGÍSTICA S/A. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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