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Numero do processo: 11020.000376/2006-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/01/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado.
Numero da decisão: 9303-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Charles Mayer de Castro Souza.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). O julgamento iniciara-se na sessão de 17/3/2016, em que votaram o Relator e os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconelo e Maria Teresa Martínez López, tendo sido interrompido em face do pedido de vista do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que presidiu a sessão, e concluído nesta data.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Charles Mayer de Castro Souza. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 03 76 /2 00 6- 04 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). O julgamento iniciarase na sessão de 17/3/2016, em que votaram o Relator e os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconelo e Maria Teresa Martínez López, tendo sido interrompido em face do pedido de vista do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que presidiu a sessão, e concluído nesta data. Relatório Controvertese direito a inclusão das despesas com industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96, negado na decisão recorrida. Para comprovação da divergência o sujeito passivo aponta os acórdãos nº 20215.733 e nº 20216.361. Neles, que têm o mesmo relator, a possibilidade de inclusão foi reconhecida quando o produto resultante da industrialização por encomenda é utilizado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na produção daquele que vem a ser exportado pelo postulante ao crédito presumido. Em todas as peças de defesa apresentadas pelo sujeito passivo, afirmase ser esta a situação dos autos, mas não se diz qual o bem submetido a industrialização adicional e nem como ele é usado no processo produtivo. E nada há nas decisões já proferidas, muito menos no relatório elaborado pela fiscalização acerca desse aspecto, visto que para as autoridades que já examinaram o processo isso seria irrelevante. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnam pela manutenção do julgado com os mesmos fundamentos da decisão. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como relatado, cuidamos de mais um daqueles casos em que informação fundamental para formação da convicção do julgador encontrase por completo ausente dos autos. No caso concreto, partilho exatamente a tese dos paradigmas colacionados, que exige que o material submetido a industrialização adicional seja posteriormente utilizado no processo produtivo do bem que venha a ser exportado, aí servindo como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, informação que não se encontra nos autos, ainda que objeto de afirmação nas defesas apresentadas. Na segunda instância (Turmas Ordinárias) baixaríamos os autos em diligência para que essa informação fosse colhida. Aqui na CSRF, temse entendido impraticável tal conduta. Concluo pela aceitação do recurso, na medida em que a informação de que os produtos recebidos entram no processo produtivo da recorrente, que consta de todas as suas Fl. 339DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11020.000376/200604 Acórdão n.º 9303003.836 CSRFT3 Fl. 339 3 peças de defesa, não foi controvertida em momento algum no processo. Destarte, assumoa como verdadeira e passo ao exame do mérito do recurso. E cabe, a meu ver, lhe dar inteiro provimento, pois partilho, há muito, a tese sufragada nos recursos paradigmas. As razões para tanto já foram por mim explicitadas quando indicado redator em outro processo (nº 11065.001205/200163). Peço vênia para transcrevêlas aqui: Incumbiume o i. Presidente da redação do acórdão no atinente à industrialização por encomenda, visto ter a maioria divergido do entendimento esposado pelo n. relator. Conforme se observa de seu voto, três são os fundamentos para que ele entenda que o valor pago pelo industrialexportador não pode ser computado na base de cálculo do benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96. Em primeiro lugar porque a interpretação daquela norma haveria de ser restritiva por envolver renúncia de receita fiscal. Ocorre que ele não explicita o comando legal que dá suporte à sua conclusão e, por isso, começo daí minha divergência. É que, a contrário senso, se lê no artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Destarte, a se entender que essa seria sua fundamentação, necessário se faz enquadrar o benefício em tela como hipótese de suspensão ou de exclusão do crédito tributário, dado que não se trata nem de isenção de tributo nem de autorização para não cumprimento de obrigações acessórias. Não considero, no entanto, que os créditos presumidos em geral, e o da Lei 9.363 em particular, assim se possam definir. Com efeito, o mesmo CTN que a todos nós vincula, estabelece as hipóteses de exclusão de crédito tributário em seu art. 175: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 E como a isenção já havia sido destacadamente mencionada no art. 111 entendo que os dois dispositivos lidos conjugadamente impõem a interpretação restritiva ou literal apenas à anistia, à suspensão de crédito tributário e à dispensa de obrigações acessórias. Não me parece que o crédito presumido se inclua em qualquer dessas situações. Assim, ainda que fosse necessário dar uma interpretação “ampliativa” ao comando inserto na Lei 9.363/96 considero que nada o impede. Sequer há tal necessidade, porém. É que o segundo fundamento do dr. Rodrigo é a premissa de que o valor aqui discutido não se enquadra como “valor de aquisição”, ou seja, decorrente de uma operação de compra e venda, como exigido pela Lei, mas sim de um pagamento por uma prestação de serviço. A essa premissa também não adiro. Em primeiro lugar porque a própria legislação do IPI, única ao que eu saiba que cuida da figura da industrialização por encomenda mediante a remessa de insumos por parte do encomendante, é clara em caracterizála como uma operação de “industrialização parcial” sujeita ao IPI. E dessa imposição não exclui nem mesmo os casos em que o executor da encomenda não agrega nenhum insumo por si adquirido. Isto é, mesmo nesta última hipótese, em que se poderia legitimamente pretender sua equiparação a mera prestação de serviço, a obrigação relativa ao IPI é mantida. E, no meu entender, ainda quando sujeita ao ISS. Deixemos por enquanto essa hipótese de lado, dado que é mister reconhecer não ser ela a regra. De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. A opção não está, assim, vinculada ao aproveitamento de um possível benefício fiscal. Está ligada, isto sim, à racionalidade econômica. Em outras palavras, ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em tela, seja porque infreqüente, seja porque é mais barato realizá la fora. Posta essa diferente premissa, o fato é que o item em discussão (couro, no caso concreto) só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçado) após ter sido submetida a essa industrialização parcial adicional. Antes, matéria prima ainda não é. Essa conclusão, a meu ver, se impõe pela própria definição de matéria prima tantas vezes por nós repetida: item que é utilizado no processo produtivo e aí é integral e imediatamente consumido, incorporandose fisicamente ao item fabricado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Fl. 341DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11020.000376/200604 Acórdão n.º 9303003.836 CSRFT3 Fl. 340 5 Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. E, como já disse, mesmo a interpretação literal do texto normativo permite sua inclusão nesse caso. Deveras, dispõem os arts. 1º e 2º da Lei 9.363: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. De todo modo, admitindo que na maior parte das vezes há mesmo outros itens compondo o “preço dos serviços prestados”, a restrição proposta pelo dr. Rodrigo, pareceme, não os alcançaria. De fato, quanto a eles, a meu sentir, não há como dizer que não ocorra uma operação comercial. A celeuma, pois, vêse restrita às despesas com mãodeobra. De fato, em outros processos ela vem expressa em votos da primeira instância e em relatórios de verificação fiscal elaborados pelas autoridades incumbidas dos trabalhos fiscais. E pode ser resumida assim: se o postulante houvesse internalizado a operação, não haveria crédito presumido sobre essa parcela. Por “analogia” (ou “isonomia” ou “justiça fiscal” ou qualquer Fl. 342DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 coisa semelhante) também não deveria haver se ele a “externaliza”. Como já repeti, a validade do argumento tem como condições necessárias que 1) o postulante ao crédito presumido possa fazer internamente a operação; 2) o valor pago ao executor se resuma ao da mãodeobra empregada. Essa segunda condição só seria válida na ausência de qualquer capital. Do contrário, haverá, pelo menos, o “custo do capital” empregado, entendido como a sua depreciação mais lucro. Em outras palavras, apenas se fosse contratado algum(ns) trabalhador(es), sem qualquer equipamento, para “prestar o serviço”. Admitindo que isso fosse mesmo possível (e valesse a pena, do ponto de vista econômico) o argumento ganharia força pela nossa jurisprudência que limitava o incentivo às “aquisições realizadas a contribuintes dos tributos a ressarcir”. Desnecessário dizer que ela já não mais se sustenta em face das reiteradas decisões do STJ em sentido contrário. De modo que, aclarados devidamente os contornos da restrição cogitada pelo dr. Rodrigo, acredito que a questão somente se coloca se: 1) houver uma contratação apenas de “serviços” de industrialização e 2) ela se der junto a pessoas físicas que não empreguem qualquer insumo ou equipamento nessa prestação. Não é sequer necessário aqui adentrála: no presente processo (e acredito que em todos que venhamos a examinar) muito longe estamos dessa situação. Aqui se pagou a outra empresa para transformar couro cru em couro wet blue, o que requer o emprego de equipamentos específicos e pessoal especializado. Despiciendo dizer, sobre o valor pago incidiram integralmente as contribuições que se quer ressarcir. E, por fim, não foi sequer questionado pela fiscalização que o couro wet blue recebido é empregado, como matériaprima, nos calçados fabricados. Essa é, em verdade, a única restrição que faço: dado que a lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. De fato, já tivemos oportunidade de examinar caso em que a “fábrica” de calçados de fábrica não tinha mais nada, “terceirizada” que fora toda a produção. Ela se limitava a exportar o produto pronto, assim recebido dos executores. Nessa hipótese, entendo eu, não há benefício algum. Mas aqui, ao contrário, a empresa emprega o couro beneficiado na efetiva fabricação dos calçados que exporta. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Não muda essa minha conclusão o terceiro argumento do n. relator. É ele o fato de a Lei 10.276 ter expressamente Fl. 343DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11020.000376/200604 Acórdão n.º 9303003.836 CSRFT3 Fl. 341 7 autorizado a inclusão dessa parcela que não consta expressamente da Lei 9.363. A conclusão foi: se a partir daí pode, é porque antes não podia. Com a devida vênia, entendo que as regras de hermenêutica consagradas não permitem essa ilação. De fato, não faz sentido (lógico) deduzir uma proibição em uma lei porque de outra tal proibição não conste. A não ser que a nova lei esteja regulando a mesma matéria. Como se sabe, a Lei 10.276 institui uma forma alternativa de cálculo do benefício, como reconhece o relator. Assim, dela tudo o que decorre é que na sistemática por ela introduzida pode; nada se pode inferir quanto à outra modalidade de que ela não trata e cuja legislação cabe interpretar. Com essas considerações, manteve a maioria o deferimento da parcela que a douta PFN pretendia fosse excluída. E esse é o acórdão que me coube redigir. Como se vê, divirjo do posicionamento exposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarazões ao recurso especial, verbis: Cumpre destacar a interpretação da legislação de IPI, no que respeita à prestação de serviços na industrialização por encomenda a terceiros, trazida a lume pelo Boletim Central nº 147, de 4 de agosto de 1998, aprovado pela Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX nº 312, de 3 de agosto de 1998, pergunta 2.7, ora transcrita, verbis: 2.7) Encontrase com habitualidade, casos em que a empresa produtora exportadora, remete matérias primas de seu estoque para efetuar uma etapa produtiva em outra empresa. Por exemplo, o produtor exportador adquire couro semi acabado e o envia a outra empresa (um curtume) para acabamento. Nesse processo, são agregados a essa matéria prima diversos outros insumos, como produtos químicos, corantes, etc. O couro retorna modificado para o estabelecimento produtor exportador, acompanhado de nota fiscal indicando operação de beneficiamento. Perguntase, se o valor agregado, correspondente ao beneficiamento deve ser computado como aquisição de insumos (período de 1996) e como custos (a partir de 1997)? E, em caso de beneficiamento que não agregue outras matérias primas (exemplo, parte de calçado remetida para costura, colagem ou trançamento, acompanhada de todos os materiais necessários), o tratamento deve ser o mesmo? R) No caso em que o encomendante remete os insumos com suspensão do IPI ao executor da encomenda (hipótese prevista no art. 36, incisos I e II do RIPI/82 correspondente ao art. 40, incisos VII e VIII do RIPI/98) e o executor da encomenda remete Fl. 344DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 os produtos com suspensão, não há que se falar em inclusão do valor cobrado pelo encomendante na base de cálculo do crédito presumido,tratase de mera prestação de serviços e não de aquisição de matéria prima, material de embalagem e produto intermediário. Porém, no caso em que o encomendante remete os insumos com tributação, e o industrializador por encomenda utiliza insumos próprios e, após a industrialização, remete os produtos tributados pelo IPI ao encomendante, o valor cobrado pelo realizador da industrialização ao encomendante integra a base de cálculo do crédito presumido. O entendimento aplicase tanto ao exercício de 1995, quanto aos posteriores. (destaques do original) Como já afirmei no voto, nem mesmo se o encomendante não remeter nenhum insumo podese dizer que não haverá acréscimo de insumos ("mera prestação de serviços"). Com efeito, nem mesmo a conclusão extraída pela PFN da informação produzida pela SRF em seu site (questão nº 723, inserida na publicação "Perguntas e Respostas do Programa de Imposto de Renda PIR 2001"), vênia máxima, procede: mesmo quando o executor nenhum insumo acresce em seu processo industrial, ainda assim a operação é industrialização para efeito do IPI e sobre ela incide sim o imposto, consoante as disposições dos arts. 3º e 4º da Lei 4.502/64 na forma reiteradamente interpretada nos diversos decretos que a regulamentaram. Notese que, em meu entender isso não é condição para deferir ou não o incentivo. E, como digo em meu voto, nem mesmo nesse caso é lícito concluir que o valor da operação apenas corresponde ao valor da mãodeobra empregada. Caracterizado, pois, que a industrialização se deu sobre insumo que vem a ser, depois, efetivamente empregado no processo produtivo do bem exportado, cabe, em meu entender, incluir o valor pago no cálculo do incentivo. Com essas mesmas considerações, que, acredito, abordam todas as razões normalmente suscitadas para negar o direito ora discutido, voto por dar provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 13811.001716/99-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
Recurso Especial Do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial Do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que dava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 17 16 /9 9- 44 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 423 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 424 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401002.014, de 23/10/2012, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO A COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, TELEFONIA E LENHA. Não se permite o aproveitamento de créditos relativos a combustíveis, energia elétrica e a telefonia, visto não possuir relação com a produção industrial. Sumula CARF nº 19. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É cabível a aplicação da taxa SELIC em casos de cobrança de juros moratórios, conforme a Súmula nº 4 deste egrégio Conselho. Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial, contestando, em síntese, a aplicação do art. 62A do RICARF ao caso vertente, em especial, a aplicação da taxa SELIC aos pedidos de ressarcimento e quanto ao termo inicial para sua fluência. O recurso especial da Fazenda Nacional foi parcialmente admitido, apenas em relação à forma/sistemática de correção monetária do crédito reconhecido, através do despacho s/nº de fls. 733/736, de 25/06/2015. A Fazenda Nacional apresentou pedido de reconsideração em face do despacho que admitiu em parte o recurso especial apresentado, que foi indeferido, conforme despacho s/nº de fls. 744/745. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 425 4 Contrarrazões às fls. 753/764. É o relatório. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 426 5 Voto Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Quanto ao mérito, todavia, o recurso especial da Fazenda Nacional não merece melhor sorte. A matéria aceita como divergente no recurso especial da Fazenda Nacional cingese à forma/sistemática de correção monetária do crédito reconhecido. A decisão recorrida determinou a aplicação da taxa Selic para atualização monetária do crédito a ser ressarcido, relativo à aquisição de insumos provenientes de pessoas físicas, desde a data da formulação do pedido. Já o Acórdão 310200.914, paradigma, definiu o termo inicial como sendo a data da ciência do despacho decisório que indeferiu o pleito inicial, enquanto o Acórdão 3201001.765, inaugurando uma terceira via, defendeu que a atualização monetária somente fluiria a partir do transcurso de 360 (trezentos e sessenta) dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, a contar da data do protocolo do pedido de ressarcimento, pois, até então, não se verificaria mora da União. Preliminarmente, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, conforme decidido no acórdão recorrido, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância Fl. 806DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 427 6 que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, com a redação mantida atualmente no § 2º do art. 62 do RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Já em relação ao termo inicial para a incidência da taxa SELIC sobre os créditos a ressarcir, apesar das posições discordantes aventadas nos paradigmas apresentados, entendo que esta deve ser admitida desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Isso porque a demora no aproveitamento do crédito ocorre a partir do protocolo do pedido de ressarcimento, que foi o momento em que a Recorrente optou em exercer o seu direito e que ficou configurada a mora do fisco. Nesse sentido, aliás, já decidiu essa Câmara, nos autos do Processo Administrativo nº 10768.005638/0010: 1 art.62, § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13811.001716/9944 Acórdão n.º 9303003.463 CSRFT3 Fl. 428 7 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997, 01/01/1999 a 30/06/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). (grifos nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 808DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 11060.003727/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, mormente quando se trata de qualificação da penalidade, situação diretamente ligada à conduta do sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, mormente quando se trata de qualificação da penalidade, situação diretamente ligada à conduta do sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 37 27 /2 01 0- 31 Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratavase inicialmente de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo em vista a omissão de rendimentos da atividade rural, relativa aos anoscalendário de 2004 e 2005. No julgamento em primeira instância foi desqualificada a penalidade e declarada a decadência relativamente ao anocalendário de 2004, mantendose a autuação referente ao anocalendário de 2005, inclusive com a qualificadora. Em sessão plenária de 15/08/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801002.647 (fls. 1.891 a 1.908), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não é nulo o acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. CONTRATO MEDIANTE ENTREGA FUTURA. NÃO CUMPRIMENTO. RESTITUIÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Cabível a exclusão da base de cálculo do lançamento referente à omissão de rendimentos da atividade rural quando devidamente comprovado nos autos a restituição em espécie (devolução) de valores correspondentes a uma parte dos títulos (CPR Cédula de Produto Rural) relacionados na autuação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA 14 DO CARF. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150%, condicionase à comprovação, por parte da autoridade lançadora, do evidente intuito de fraude do contribuinte, o que não restou caracterizado nos autos. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.949 3 " Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$ 76.315,50 da base de cálculo lançada a título de omissão de rendimentos da atividade rural, anocalendário 2005, e para desqualificar a multa de ofício exigida com supedâneo nesta mesma infração, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator." O processo foi encaminhado à PGFN em 19/09/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.909). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu 30 dias após a referida data (19/10/2012) e, em 29/10/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.910 a 1.919 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.920), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, visando rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 07/06/2013 (fls. 1.921/1.922). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: inicialmente, cumpre observar que o dispositivo legal que fundamenta a multa agravada é o art. 44, II, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." como se vê, a multa agravada incide no caso de evidente intuito de fraude, que está definido nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64; dentre os ilícitos dispostos nos artigos acima mencionados, o que mais se aplica ao presente caso é a sonegação, prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64, in verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 não há a menor dúvida de que o contribuinte, ao omitir de forma recorrente sua renda verdadeira ao Fisco, procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo; tal fato restou provado nos autos, e, salientese, não foi ilidido no r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo; entretanto, ainda que provado o ilícito, de acordo com a jurisprudência do CARF, somente caberia o agravamento da multa, quando restasse demonstrado o "evidente intuito de fraude", ou seja, caberia demonstrar que o contribuinte dirigiu a sua vontade, de forma consciente, para o fim de obter o resultado gravoso para o Fisco; ocorre que, data maxima venia, a e. Câmara a quo se equivocou quando entendeu que, no ilícito cometido pelo recorrido, não estaria evidenciado o intuito de fraude, a importar no agravamento da multa; com efeito, vêse o intuito de fraude quando o recorrido adota a prática de declarar ao Fisco uma renda que sabia não ser verdadeira, e, digase de passagem, os valores omitidos são de grande vulto, assim é muito claro que o contribuinte passou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco; ora, depreendese do próprio art. 71 da Lei n.º 4.502, de 1964, que não é, de forma alguma, permitido ao contribuinte declarar informações sabidamente falsas ao Fisco; interessante salientar, novamente, que o dever fixado pelo art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, é plenamente compatível com as demais normas que compõem o sistema de direito tributário; com efeito, diferentemente do que poderia ocorrer em outros ramos do Direito, no direito tributário os fiscalizados possuem o dever de colaborar com os fiscais, conforme os artigos 194, 195 e seguintes do Código Tributário Nacional (cita doutrina de James Marins e Alberto Xavier); demonstrado que o contribuinte declarou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco, não há a menor dúvida de que agiu com dolo, e a vontade dolosa resta absolutamente clara quando se vê que o contribuinte passou informações sabidamente falsas ao Fisco em suas Declarações de Ajuste Anual; a infração foi reiterada, ou seja, o contribuinte estava ciente dos seus atos, e mais, estava certo de que sairia impune, de que o ilícito estaria "valendo a pena", então a fraude é ainda muito mais grave, pois não decorreu de atos isolados, ao contrário, vêse uma clara prática fraudulenta, a merecer repúdio ainda muito maior. a jurisprudência do CARF já condenou tal prática fraudulenta, pacificando o entendimento de que, quando o contribuinte apresenta ao Fisco declarações falsas, de modo reiterado, está provado o evidente intuito de fraude, sendo inteiramente cabível a multa agravada: Acórdão nº 10514.098 "MULTA AGRAVADA Cabível a multa agravada, quando, além de confessado expressamente pelo contribuinte, perfeitamente demonstrado nos autos, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, além Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.950 5 de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixaram de recolher os tributos devidos. A prática reiterada de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artifício, é forte indício de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada de 150%." Acórdão nº 10707.084 "IRPJ DECLARAÇÕES APRESENTADAS, SISTEMATICAMENTE, COM RECEITAS MENORES QUE AS ESCRITURADAS EM LIVROS FISCAIS ‑ MULTA AGRAVADA CABIMENTO O dolo, elemento imprescindível à caraterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular o imposto de renda e informálo nas Declarações de Rendimentos e nas DCTF, tomando como base para apuração do tributo um percentual quase fixo (entre 7% e 10%) das receitas efetivamente auferidas e escrituradas em livros fiscais." Acórdão 10807.569 "MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA DECLARAÇÃO ABAIXO DO VALOR DA RECEITA PARA ENQUADRAMENTO NO SIMPLES EM ANOS SEGUIDOS O fato do contribuinte declarar pelo "Simples" em vários anos sucessivos, quando, na verdade, auferia receita muito superior a declarada, confirma hipótese de aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%." Acórdão 10194.230 "FRAUDE CARACTERIZAÇÃO A reiterada conduta ilícita do contribuinte, ao longo do tempo, consistente na não escrituração de contas bancárias e na emissão de notas calçadas ao longo de vários períodosbase, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude.". desse modo, o ilícito foi cometido pelo recorrido com evidente intuito de fraude, sendo inteiramente cabível, conforme jurisprudência pacificada, a cobrança da multa qualificada. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, restabelecendo se a multa de 150%. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 06/12/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.939/1.940), o Contribuinte ofereceu, em 12/12/2013, as Contrarrazões de fls. 1.932 a 1.935). Ademais, informou às fls. 1.936 haver aderido a parcelamento, relativamente à parcela do crédito tributário que foi mantida. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta, em síntese: Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 o Recurso Especial não tem condições de prosseguir, por colidir com o Regimento do CARF, que impede a interposição do apelo contrário a entendimento consolidado em súmula; ainda que assim não fosse, o recurso não deve ser acolhido, em face da inexistência da alegada divergência jurisprudencial; o primeiro paradigma, Acórdão n° 10196.908, não tem a mínima identidade fática com o acórdão recorrido, por envolver situação de declaração falsa de inatividade, que nada tem a ver com o presente feito; o segundo paradigma, Acórdão n° 10517.107, igualmente, não tem a mínima identidade fática com o recorrido, seja por envolver situação de pagamentos não escriturados por uma pessoa jurídica, seja em face do caráter aleatório do enunciado da ementa dita como divergente, o que impossibilita qualquer confronto de conteúdo; na Impugnação e no Recurso Voluntário está reiteradamente demonstrado que, neste processo, a "omissão de rendimentos" foi lançada mediante uso da presunção pessoal da autoridade lançadora, conforme o excerto abaixo: " ... diante da constatação de que alguns contratos de CPR anteriormente pactuados mediante a concessão de ADIANTAMENTOS DE RECURSOS FINANCEIROS foram liquidados sem a indicação das notas fiscais que lhes dariam ensejo, os Autuantes presumiram que houve a entrega de produtos sem emissão de notas fiscais. Ora, dita presunção não pode prosperar por carecer de uma base factual e documental mínima. Ademais, no item 4.3 retro (e subitens), a Impugnante demonstrou, com base em vários motivos, que, de fato, inexiste a omissão de receita apontada. Assim sendo, resta evidente a inexistência do fenômeno SONEGAÇÃO, que os Autuantes atribuíram à situação em comento. De qualquer forma, mesmo que a referida presunção fosse admitida para fins de lançamento, a mesma não se estenderia ao campo da penalização. Crime não se presume, provase. No presente caso, não está provado. Complementando o que aduziu no item precedente, o Recorrente observa que todas as inferências e imputações promovidas pelos Autuantes TEM ORIGEM em dados extraídos da escrituração e do vasto documentário apresentado. Logo, carece de nexo lógico, é paradoxal a alegação de que houve intuito doloso de ocultar patrimônio e rendimentos ao Fisco, ou impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do imposto. Se alguma penalização fosse aplicável, seria uma eventual multa administrativa decorrente das dificuldades geradas pela falta de organização. Tratase de um fato culposo jamais tipifícável como sonegação." é inverídica a alegação fazendária de que "os valores omitidos são de grande vulto", basta ver o pequeno valor mantido em relação ao originalmente lançado (RS Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.951 7 18.737,37), o qual, mesmo não concordando, o recorrido optou por pagar parceladamente para não prolongar aborrecimentos. Ao final o Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. A matéria suscitada no Recurso Especial é a desqualificação da multa de ofício, levada a cabo no acórdão recorrido. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte questiona o seguimento do apelo, alegando ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Primeiramente, cabe especificar a situação verificada no caso do acórdão recorrido, no que diz respeito à qualificação da penalidade. Tratavase inicialmente de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo em vista a omissão de rendimentos da atividade rural, relativa aos anoscalendário de 2004 e 2005. A Fiscalização assim fundamentou a qualificadora: "O não reconhecimento de parte das receitas auferidas no ano calendário 2004 e a não emissão das notas fiscais no ano calendário 2005, caracterizam conduta que, em tese, incorrem na infração prevista no art. 71 da Lei n° 4.502764, cabendo a aplicação da multa de ofício qualificada prevista no art. 44, inc. I e parágrafos da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 sobre os rendimentos de atividade rural omitidos pelo sujeito passivo, que totalizaram RS 369.436,06 no anocalendário 2004 e RS 216.515,10 no ano calendário 2005." No julgamento em primeira instância foi desqualificada a penalidade e declarada a decadência relativamente ao anocalendário de 2004, mantendose a autuação referente ao anocalendário de 2005, inclusive com a qualificadora. A DRJ assim fundamentou a decisão: "Sobre a multa qualificada sobre os rendimentos omitidos no anocalendário 2004 Para esse anocalendário a qualificação da multa de ofício se deu em função de que parte das notas fiscais de venda emitidas não foram oferecidas à tributação. A simples omissão de rendimentos não dá causa à qualificação da multa de ofício. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 presumir a ocorrência de sonegação. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova de que o sujeito passivo empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro para que fique caracterizada a conduta dolosa. A qualificação da multa não se vincula às importâncias envolvidas no lançamento. Não cabe à autoridade administrativa, em razão do valor apurado no auto de infração, aplicar ou deixar de aplicar a multa qualificada. Deve basear se, sim, na conduta adotada pelo infrator em relação à infração. Verificada a intenção dolosa do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido, a multa deve ser qualificada, sejam grandes ou sejam pequenos os valores discutidos. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica neste sentido, tendo sido editada a Súmula CARF n° 25,com efeito vinculante em relação á administração tributária federal, publicada pela Portaria MF/GM n° 383, no D.O.U. de 14/07/2010, in verbis: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Sobre a multa qualificada sobre os rendimentos omitidos no anocalendário 2005 A qualificação da multa de ofício sobre os rendimentos omitidos no anocalendário 2005 foi decorrente da não emissão de notas fiscais das vendas relativas às entregas de produto em cumprimento aos contratos de adiantamento. Correto o procedimento fiscal quanto à aplicação da multa qualificada. Embora o contribuinte afirme que a constatação de não emissão de notas fiscais das vendas no cumprimento a contratos de adiantamento resulta do uso de uma presunção pessoal dos autuantes, não é o que ocorre. O extrato dos estoques mantidos pela parceria na Herter Cereais no anocalendário 2005 indicam a liquidação das CPR com a entrega de grãos. Com exceção de alguns pagamentos parciais das CPR, não houve nenhuma comprovação de que as liquidações ocorreram de forma diversa dos contratos. Assim, houve entrega de grãos a Herter Cereais sem a devida emissão de nota fiscal. Cumpre dizer que o dolo é a vontade consciente orientada para um determinado resultado buscado pelo agente, e, sendo de natureza subjetiva, se não for confessada, só pode ser perquirida através da sua manifestação exterior. A conduta adotada pelo contribuinte revela o intuito doloso de ocultar patrimônio e rendimentos ao fisco, bem como impedir o conhecimento, por parte do fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, configurando, portanto, sonegação, definida nos termos do artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, devendo ser Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11060.003727/201031 Acórdão n.º 9202003.982 CSRFT2 Fl. 1.952 9 mantida a exigência da multa qualificada de 150% incidente sobre a omissão de rendimentos apurada no anocalendário(...)" (grifei) Assim, conforme a decisão de Primeira Instância, no anocalendário de 2004 não ocorreu o dolo, portanto inaplicável a multa qualificada. Ademais, restou claro nessa decisão que os valores envolvidos na autuação não deveriam condicionar a exasperação da penalidade, devendose observar tãosomente a conduta do autuado. Tal decisão transitou em julgado, uma vez que não sujeita a Recurso de Ofício, de sorte que, restando apenas um ano calendário tido como sujeito à qualificadora, não há que se falar em reiteração. Tampouco se pode falar em valores elevados, já que, repitase, este não foi o critério adotado na decisão que se tornou definitiva. Como paradigma, a Fazenda Nacional indicou os Acórdãos nºs 10196.908 e 10517.107. Quanto ao primeiro deles, a Recorrente limitase a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ AnosCalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: MULTA QUALIFICADA DE 150% CONDUTA FRAUDULENTA A prática reiterada da contribuinte, por sucessivos exercícios, em omitir receitas, mediante declaração falsa de inatividade, e em declarar de maneira significantemente reduzida a receita auferida, caracterizam sua intenção fraudulenta e, por conseguinte, justificam a aplicação da multa qualificada de 150%." (destaques da Recorrente) De plano constatase que esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência, já que nele a qualificadora foi fundamentada na conduta reiterada, por cinco anoscalendário consecutivos, de apresentação de declaração falsa de inatividade, o que de forma alguma ocorreu no caso do acórdão recorrido. Com efeito, no acórdão recorrido não houve reiteração, já que a conduta considerada dolosa, após decisão definitiva da DRJ, limitou se a apenas um anocalendário. Ademais, a expressividade de valores foi descartada como critério de qualificação da multa e não houve qualquer menção a apresentação de declaração de inatividade. No que tange ao segundo paradigma indicado Acórdão nº 10517.107 a Fazenda Nacional assim colacionou a ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2000 Ementa: DECADÊNCIA Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Constatado que as infrações apuradas Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Termo de Verificação Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. REMESSAS PARA O EXTERIOR. COMPROVAÇÃO Se os elementos aportados aos autos pela Fiscalização, em confronto com as alegações apresentadas pela contribuinte, possibilitam criar convicção acerca do autor das remessas de recursos para o exterior, há que se manter o lançamento tributário. OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza, também, omissão de receita. MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." A leitura da ementa, mormente do trecho destacado, permite concluir que se trata essencialmente de matéria de prova, o que não se presta à demonstração de divergência, já que, nesse particular, cada processo constitui um universo específico. Nesse passo, a divergência somente restaria demonstrada se, em situação semelhante à do Contribuinte autuado no processo ora em julgamento, fosse mantida a qualificadora. No caso do acórdão recorrido, a infração foi a não emissão de nota fiscal por pessoa física que desempenha a atividade rural. Já no caso do paradigma, ao que tudo indica, tratase de pessoa jurídica que efetuou remessas para o exterior, bem como deixou de escriturar pagamentos. Com efeito, as situações fáticas são diversas, sendo que sequer as infrações se assemelham, de sorte que esse segundo paradigma também não demonstra a alegada divergência. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 15463.000166/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Natanael Vieira dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Natanael Vieira dos Santos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Lourenço Ferreira do Prado, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 54 63 .0 00 16 6/ 20 10 -3 6 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15463.000166/201036 Resolução nº 2402000.563 S2C4T2 Fl. 119 2 RELATÓRIO 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARIA HELENA BLOOMFIELD PEREGRINO DA SILVA, em face do acórdão nº 1253.921, proferido pela 21ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, Rio de Janeiro (RJ), na sessão de 20 de março de 2013, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. 2. O lançamento efetuado, contra o qual se insurge a contribuinte, referese a rendimentos omitidos em sua DAA, anocalendário 2005, exercício 2006, que montam o valor de R$ 38.129,49 e se refere aos pagamentos efetuados pela fonte pagadora FUNDAÇÃO BANCO CENTRAL DE PREVIDÊNCIA PRIVADA CENTRUS (fl. 13). 3. Em cotejo dos valores recebidos de pessoa jurídica, informados em DIRF, com o declarado foi constatada a omissão de rendimentos acima mencionados, os quais refletiram na apuração do IRPF e com a consequente cobrança suplementar do imposto no valor de R$ 5.295,56, conforme Notificação de Lançamento, de 14/12/2009 (fls. 12/15). 4. Em 22/12/2009 (fl. 36), a contribuinte foi devidamente notificada do lançamento, e, em 21/01/2010, por não concordar com o procedimento fiscal, tempestivamente, ingressou com a competente impugnação (fls. 03/10), a respeito da qual, por unanimidade de votos, entendeu os julgadores de primeira instância pela sua improcedência (fls. 51/58). 5. Cientificada da decisão supra, em 13/02/2014 (fl. 63), a recorrente interpôs recurso voluntário, em 17/03/2014 (fls. 66/81), onde, basicamente, reitera o alegado em sede de impugnação, argumentando, em síntese, quanto à necessidade de reforma do r. acórdão recorrido, e, consequentemente, tornar insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15463.000166/201036 Resolução nº 2402000.563 S2C4T2 Fl. 120 3 VOTO Conselheiro Natanael Vieira dos Santos Relator 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade, previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. 2. A Fiscalização em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA do Imposto de Renda da contribuinte, referente ao Exercício de 2006, AnoCalendário de 2005, apurou crédito tributário de R$ 11.485,54, já acrescido de multa de mora e juros de mora calculados até 30/12/09. Contudo, a recorrente alega, em síntese, não ser devida tal importância, uma vez que se refere a benefícios pagos por entidade de previdência privada, constituídos pelas contribuições do próprio participante, e, assim isento do imposto de renda. 3. O imposto de renda suplementar acima mencionado decorre, portanto, de omissão de rendimentos num montante de R$ 38.129,49, relativos aos pagamentos efetuados a contribuinte pela Fundação Banco Central de Previdência Privada Centrus que, segundo a interessada, reiterese, não tributado pelo imposto de renda. 4. Em sede recursal, assim como fez na impugnação, sem trazer provas, mas apenas alegações, insiste no direito à isenção, apontando inclusive que se trata de matéria já pacificada no STJ, reproduzindo, inclusive, diversas decisões da referida Corte. 5. No recurso voluntário a contribuinte faz referência no sentido de que ingressou no Poder Judiciário requerendo restituição e/ou afastamento de tributação da complementação de aposentadoria, nos termos da IN RFB nº 1343/2013. 6. Vejase que, a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir mesma matéria com objeto idêntico importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso já interposto. 7. É neste sentido o já pacificado por esta Corte Administrativa por meio da Súmula CARF n° 01: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." 8. Assim, tendo em conta as informações sumárias da contribuinte, quanto ao ingresso de ação judicial para pleitear o afastamento de tributação da complementação de aposentadoria, entendo como sendo necessário baixar os autos em diligência para que posteriormente se verifique eventual concomitância de instância, o que se constatado cessaria na esfera administrativa o exame do recurso interposto pela recorrente. 9. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa de origem intime a contribuinte para que esta junte aos autos cópia Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S Processo nº 15463.000166/201036 Resolução nº 2402000.563 S2C4T2 Fl. 121 4 da petição inicial, inclusive eventuais decisões de primeira e segunda instância judiciária, se houver, relativamente aos autos do processo judicial nº 2004.34.00.0075370. Após as providências diligenciais, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/0 7/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/07/2016 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10715.004861/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 224 1 223 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.004861/200919 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.763 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AMERICAN AIRLINES INC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 48 61 /2 00 9- 19 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 225 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.801, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 226 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 227 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 228 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 229 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 230 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 231 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004861/200919 Acórdão n.º 9303003.763 CSRFT3 Fl. 232 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.722032/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONDUTOR AUTÔNOMO DE VEÍCULO RODOVIÁRIO - SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO
O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do Decreto 3.048/1999, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO - LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO - APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Todavia, antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. A multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 - A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.491/2009, de forma que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §4º, mas sim o artigo 32 - A - I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, c, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.263
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso, para excluir o AIOA nº 37.362.602-9, em função da anistia da Lei nº 13.097/2015, vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negaram provimento. Foi designada a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO para redigir o voto vencedor.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONDUTOR AUTÔNOMO DE VEÍCULO RODOVIÁRIO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do Decreto 3.048/1999, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 32 /2 01 1- 59 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO. Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Todavia, antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. A multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.491/2009, de forma que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §4º, mas sim o artigo 32 A I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 991 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso, para excluir o AIOA nº 37.362.6029, em função da anistia da Lei nº 13.097/2015, vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negaram provimento. Foi designada a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO para redigir o voto vencedor. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Júnia Roberta Gouveia Sampaio Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0252.619 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente as Autuações por descumprimento de obrigações: Principal AIOP nº. 37.362.6037 (parte da empresa); e Acessória AIOA nº. 37.362.6029 (CFL68). O Relatório da decisão de primeira instância aponta os Autos de Infração: (i) AIOP nº 37.362.6037, com valor consolidado em 19/12/2011, de R$ 612.119,12, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social inclusive, relativas às competências de 01/2007 a 12/2007, parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. (ii) AIOA nº 37.362.6029, no valor de R$ 60.942,80, lavrado em 20/12/2011, por descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV e § 4 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Em obediência ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” tais multas foram aplicadas relativamente a erros e omissões nas Guias de recolhimento do FGTS e informações à previdência social – GFIP de 03/2007 e de 08/2007 a 10/2007. O Relatório Fiscal mostra a descrição do código de levantamento CI: O débito relativo ao código de levantamento CI referese às contribuições devidas pela empresa incidentes sobre pagamentos efetuados aos contribuintes individuais taxistas autônomos que prestam serviços a Associação Zona Leste Rádio Táxi. Os valores apurados não foram informados na Guia de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP. Ainda, o Relatório da decisão de primeira instância mostra os motivos da aferição indireta: Durante a fiscalização relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, constatouse, conforme dispõe o estatuto social do contribuinte, que a Associação Zona Leste Rádio Táxi foi constituída com a finalidade de gerar ganhos aos taxistas autônomos associados, e de administrar/coordenar as atividades econômicas por eles desenvolvidas proporcionandolhes maior número de “corridas”. Constatouse, ainda, que sua atividade é a execução de serviços de Rádio Táxi. Tal circunstância Fl. 992DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 992 5 (finalidade econômica) fere o que dispõe o Código Civil, artigo 53. Por essa razão, concluiuse que o contribuinte não é uma associação, pois uma entidade dessa natureza deve ser constituída com a finalidade de defesa e representação dos associados, e não como forma de potencializar rendimentos de uma classe de trabalhadores. Diante dessa circunstância restou demonstrado o não atendimento dos requisitos para o gozo de isenção de impostos previstos na Lei nº 9.532/1997, artigo 12, § 2º, alíneas “a”, “b” e “d”. Dessa feita, por meio do Ato Declaratório Executivo da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – DEFIS/SPO nº 243, de 10/10/2011, foi declarada a suspensão da isenção tributária relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e a contribuição social sobre o lucro líquido, por descumprimento ao disposto na Lei nº 9.532/1997, artigo 15, § 3º. O sujeito passivo, após ser intimado a apresentar as folhas de pagamento dos contribuintes taxistas autônomos (com vistas a verificar o recolhimento das contribuições previdenciárias patronais), apenas se manifestou informando: que a associação não faz pagamento algum aos associados, que os associados são remunerados pelas empresas tomadoras de serviços, que são os associados a remunerar a associação pagando pelos serviços de radiocomunicação, e que não existe folha de pagamentos para associados. Por esse motivo, considerandose o que dispõe a Lei nº 8.212/1991, artigo 33, a remuneração foi aferida com base no faturamento da Associação Zona Leste Rádio Táxi. Em relação à base de cálculo, informa o relatório da decisão de primeira instância: Para a apuração da base de cálculo foram consideradas as quantias faturadas, no ano de 2007, pelo contribuinte, contabilizadas nas contas contábeis “4.1.1.01.001– Prestação de Serviços – Associados”, “4.1.1.01.006 – Prestação de Serviços Wappa” e “4.1.1.01.002 – Prestação de Serviços – Cartão de Crédito”. As operações de faturamento, identificadas com base nos registros contábeis efetuados nessas contas, e relativas a serviços prestados a pessoas jurídicas (ou com intermediação delas), bem como, os valores de receitas com serviços recebidos por meio de cartão de crédito estão discriminados no demonstrativo de fls. 83/224. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Considerandose o que dispõe a IN SRP nº 3 de 14/7/2005, artigo 69, § 2º, o valor da remuneração, por competência, foi apurado pela aplicação do percentual de 20% sobre o faturamento mensal. A AuditoriaFiscal fez um quadro comparativo de multas aplicáveis com base na legislação de regência (antes da publicação da MP nº 449/2008) e com base na legislação modificada após a publicação da MP nº 449/2008. Desta forma, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando as modificações da legislação previdenciária levadas a efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e considerandose o que dispõe o art. 106, II, alínea “c”, CTN: Como houve alterações importantes na Legislação em virtude da edição da MP 449/08, convertida na lei 11.941/09, temos que a multa a ser aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna, nos moldes do art. 106, "c" do Código Tributário Nacional até a data de entrada em vigor da MP em 04/12/2008. Portanto, comparamos a multa prevista pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com a multa prevista na legislação superveniente, para cominação da mais benéfica ao contribuinte, no período de 01/2007 a 11/2007 (...) Conforme tabela acima, que contempla o código de levantamento CI verificamos que a multa deve ser aplicada nos moldes da legislação anterior por ser benéfica ao contribuinte nas competências 03/2007, 08/2007, 09/2007 e 10/2007. Em relação ao AIOA nº 37.362.6029 CFL68 o contribuinte foi autuado por ter enviado GFIP relativas às competências 03/2007, de 08/2007 a 10/2007, omitindo os valores pagos a contribuintes individuais, que tiveram que ser aferidos. Mostra o relatório da decisão de primeira instância: Em razão dessas infrações foi aplicada a multa total de R$ 60.942,80, apurada conforme determina na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, § 5º e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II, e artigo 373. O valor da multa foi atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, publicada no DOU de 3/1/2011. Nesse caso, o valor da multa, por competência, corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada limitada, com base no valor mínimo atualizado pela portaria mencionada, em função do número de segurados. Para identificação do número de associados, dividiuse o valor total das mensalidades pagas na competência pelo valor da mensalidade individual paga por cada associado. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 993 7 O cálculo da multa foi demonstrado no documento de fl. 81. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2007 a 12/2007. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 20.12.2011, às fls. 230. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Esclarece que está em curso uma impugnação ao Ato Declaratório nº 243, de 10/10/2011 que suspendeu sua isenção tributária. Afirma que, ao contrário do que consta no item 2.3.1 do Termo de Verificação Fiscal, apresentou esclarecimentos. Informa que formulou uma consulta tributária a respeito das contribuições para a previdência social antes do início do procedimento fiscal. Apresenta informações acerca dessa consulta: processo nº 13807.000704/201118, protocolado em 2/2/2011. Afirma que no caso não se aplica o disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 30, inciso I, pois os contribuintes individuais (transportadores autônomos) não estão a seu serviço, mas ele é que está a serviço deles (associados). Aduz que deve ser considerado o disposto no inciso II do mesmo artigo 30. Aponta que as rádiotaxis são constituídas como associações para prestarem serviços, principalmente, de “tele radiocomunicação” aos associados. Acrescenta que não possui veículos, e por essa razão, não presta serviços de transporte. Transcreve os artigos 1º e 3º do Estatuto Social da Zona Leste Táxi com o fito de comprovar que foi constituída para prestar serviços ao grupo a que se destina, sem fins lucrativos. Aponta que o serviço de transporte prestado a passageiros é remunerado pelas empresas desses passageiros e que no RIR, artigo 652, há a previsão de incidência de imposto de renda na fonte sobre valores pagos por serviços prestados por associados. Diz que sua atividade está representada pelo código CNAE 52290/01 – Serviços de apoio ao transporte por táxi, inclusive centrais de chamada. Afirma que os associados não integram sua folha de pagamento porque não são empregados, ao contrário, são os donos. Assevera que não gera lucro pois todas as contribuições dos associados são revertidas para eles em serviços, e que foi constituída, precípuamente, para atender a telefonemas de passageiros, anotar o pedido de táxi, e passálo para o associado que estiver em melhores condições de atender. Aduz Fl. 995DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 que tal atividade não é fato gerador de contribuição previdenciária, mas somente de IR, e que em decorrência da Lei nº 9.632/1997, artigo 15, também nesse caso, há isenção. Alega que a tentativa de vislumbrar finalidade lucrativa com base em seu modo de atuação que propiciaria benefício econômico é pífia. Cita doutrina para corroborar essa alegação. Aduz que a fiscalização citou a mesma doutrina. Aponta que o fato de gerar benefício econômico não indica que ele tenha fins lucrativos, a ser assim todas as entidades filantrópicas seriam entidades com fins lucrativos. Afirma que nesse caso, a lei veda a distribuição de superávit. Conclui que gera benefícios econômicos, ainda que indiretamente, mas não há distribuição de superávit (finalidade lucrativa). Diz que não ocorreu nenhuma das hipóteses de incidência da contribuição lançada. ERRO NA ESCOLHA DA BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE ASSOCIADOS. ERRO NA ESCOLHA DAS ALÍQUOTAS Aponta que as receitas da associação são, unicamente, as contribuições mensais dos associados que pagam os serviços de radiocomunicação. Afirma que o pagamento das empresas tomadoras de serviços dos associados são apenas transferidos (transportados) pela associação aos respectivos “donos” que fizeram as corridas. Acrescenta que esses valores são recursos financeiros que não se destinam à associação, pois a remuneração pelo transporte, paga pelo passageiro (empresas), é entregue inteiramente ao respectivo associado e que isso não chega a integrar a receita da associação. Tece considerações acerca da aplicação da legislação tributária e aponta que a fiscalização errou ao eleger como base de cálculo 20% da remuneração não respeitando o teto do salário de contribuição dos transportadores autônomos. Diz que ao proceder dessa forma também houve erro ao eleger a alíquota sem o limite previdenciário. DECISÃO DE SUSPENSÃO DA ISENÇÃO FISCAL Aponta que não celebra contratos em seu nome, mas em nome dos associados, que são os permissionários de serviço público, e que não poderia se obrigar a transportar passageiros. Acrescenta que não recebe pagamento de corridas em nome próprio, mas em nome deles. Afirma que o procedimento de fiscalização levou à suspensão da isenção, mas que a conclusão de que não cumpre os requisitos legais previstos na Lei nº 9.532/1997 está errada e que os argumentos da fiscalização não são técnicos, mas contraditórios, estando em desacordo com a lei. Assevera que a fiscalização errou em suas conclusões acerca da definição das instituições “associação” e “cooperativa”. Retoma suas considerações acerca da possibilidade de obtenção de ganhos, da vedação à distribuição de superávit (resultado financeiro positivo) e sobre o conceito de lucro e finalidade lucrativa. Cita a Lei nº Fl. 996DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 994 9 9.532/1997 para fundamentar o seu conceito de entidade sem fins lucrativos. Diz que para constatar a ocorrência de distribuição de superávit deveriam ser analisadas as receitas, as despesas e o resultado da atividade da associação. Disserta sobre como identificar se uma pessoa jurídica tem finalidade lucrativa e conclui que, como ele devolve aos associados todas as contribuições em forma de serviços e não em dinheiro, não há tal finalidade. Afirma que a isenção é concedida a associações civis que prestem serviços para os quais foram instituídas, e acrescenta que houve confusão da autoridade fiscal ao suspender a isenção, pois presta serviços para os associados, que por sua vez, como permissionários, prestam serviços de taxi a terceiros. Cita trecho de Termo de Credenciamento– TC expedido pela Prefeitura Municipal de São Paulo que lhe autoriza a prestar serviços de radiotáxi no município e no qual consta expressamente que tal credenciamento não lhe autoriza a transportar passageiros. Afirma que o TC está para o Radiotaxi como o alvará de estacionamento (permissão de serviço público) está para o taxista, o primeiro autoriza o serviço de radiocomunicação e o segundo o serviço de transporte. Acrescenta que ao contrário do pensamento do autuante, as associações têm patrimônio e este, dividido em frações, pertencem aos associados, conforme se depreende do Código Civil, artigo 56. Aduz que, o que as associações não possuem é capital social, pois as contribuições dos sócios são vertidas em seu favor por meio de serviços, mas elas podem adquirir bens e formar patrimônio divisível. Disserta sobre as cooperativas, ato cooperativo, e aponta elementos que segundo ele, demonstram não ter natureza de cooperativas. DESPESAS DE LOGÍSTICA Afirma que disponibilizava uma verba, limitada a R$ 3.500,00, para os associados que tivessem despesas trabalhando voluntariamente para a associação. Aponta que tais desembolsos se referiam ao reembolso de despesas que o associado suportou para efetuar o deslocamento em favor da associação. Assevera que a cada deslocamento que o associado faz, a seu serviço, gera despesas com o gasto de combustível, com o desgaste do veículo e ainda um “[...] prejuízo por tomarlhe o tempo em que poderia estar trabalhando na praça para si mesmo.” Afirma que, convencionouse restituir ou antecipar as despesas adotandose como critério único para o reembolso: o valor do custo do quilometro rodado e a despesa com o tempo despendido, o que seria uma indenização. Esclarece que não há um controle rígido sobre essas despesas, bastando ao associado, (...) Afirma que reembolsava, tanto pelo deslocamento do associado, quanto pelo tempo que ele passava atuando em favor da associação, o que lhe impedia de fazer uma ou duas corridas se Fl. 997DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 estivesse livre. Aduz que, em ambas situações, o critério para reparar o prejuízo do associado era o mesmo: reembolsavase com uma verba no valor dos quilômetros rodados (efetivamente ou potencialmente). Informa que as visitas dos associados em seu favor, eram feitas, dentre outros, na associação: reuniões, fiscalização do serviço e do patrimônio, orientação aos funcionários, aos 48 pontos de táxi/Pontos de Apoio – PA (para dar instruções aos taxistas, para vistoriar os pontos de apoio e a regularidade da fila ou para atender alguma solicitação do PA) e às empresas clientes e futuros clientes (negociação de contratos novos, contratos em andamento, levar boletos bancários, apresentar a fatura dos serviços, solucionar eventual reclamação, negociar a melhora no atendimento), a órgãos públicos (requerer providências e documentos, cumprir exigências ou atender a intimações, atualizar ou renovar registros ou licenciamento), aos prestadores de serviços, tais como, escritórios de contabilidade, advocacia, engenharia de comunicações (reuniões e consultas periódicas, apresentar quinzenalmente documentação para lançamentos e registro contábeis, tratar das defesas e das ações judiciais e questões relacionadas a Anatel). Diz que tais visitas eram diárias, rotineiras e essenciais ao funcionamento da Radiotaxi e eram distribuídas entre vários associados. Informa que qualquer associado poderia fazer tal visita, mas os eleitos para os cargos de conselheiros, de presidente, de tesoureiro e de secretário eram os mais aptos a realizálas, e que cada visita era feita pelo associado com atribuição mais pertinente ao motivo/assunto da visita. Discrimina as atividades desenvolvidas pelos associados eleitos para participar de cargos na associação nessas visitas. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0252.619 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 995 11 A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) Da natureza jurídica da recorrente da condição de associação da recorrente Inexistência de prestação dos serviços dos associados à associação A recorrente é associação civil, reunindo associados do ramo de transporte de passageiros (taxistas autônomos), sem finalidade lucrativa, tendo por objetivo principal a prestação de serviços não onerosos aos seus associados, possibilitandolhes a prestarão de serviços de comum rádio táxi aos passageiros. (...)A recorrente celebra contratos (já acostados aos autos) com pessoas físicas e jurídicas que telefonam para a central de chamadas e solicitam os serviços dos taxistas associados. A recorrente busca o associado mais próximo e lhe encaminha o pedido. Ao final da corrida, o usuário assina um boleto, o qual será reunido com os demais para faturamento ao contratante de forma unificada. A associação recebe o valor total e repassa a cada um dos associados o valor integral que lhe compete em decorrência das "corridas" realizadas para aquele contratante. Portanto, percebese que a recorrente não contrata os serviços dos taxistas associados, mas sim mantém uma estrutura física e humana à disposição dos referidos associados, os quais arcam com todos os custos através do pagamento de mensalidades que independem do fato de haverem prestado ou não serviços a terceiros (ii) Da Legislação Municipal e do Termo de Credenciamento Em verdade, a recorrente apenas atua nas balizas da legislação municipal vigente no Município de São Paulo. (iii) Da ausência de fenomenologia tributária das contribuições previdenciárias Os princípios que regem o direito tributário sujeitamse às limites impostos pela Constituição Federal, a qual delineia a regramatriz de incidência tributária e, nos termos do seu artigo 195, inciso I, alínea "a", permite o nascimento da relação jurídicoobrigacional tãosomente em relação os pagamentos Fl. 999DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 realizados a terceiros (contribuintes individuais) em decorrência de serviços prestados. Como dito, é absolutamente ilegal e inconstitucional a imputação da sujeição passiva à associação pelo recolhimento da contribuição social denominada quota patronal sobre os rendimentos auferidos pelos associados em decorrência dos serviços prestados por estes a terceiros, considerando' as seguintes premissas elementares (...) (iv) Da improcedência da multa Em virtude da não inclusão dos valores repassados aos taxistas associados na GFIP, foi lavrado o Auto de Infração 37.362.602 9 por haver incorrido a recorrente na infração dos artigos 32, IV e §§ 3o e 5o da Lei 8212/91 combinado com o artigo 225, IV e § 4o do Regulamento da Previdência Social Como base em todos os fundamentos acima expostos, concluise que os valores repassados aos taxistas autônomos associados à recorrente "não constituem fato gerador da contribuição previdenciária, razão pela qual a recorrente não infringiu nenhum dos artigos que constam da capitulação de legal do Auto de Infração atacado. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 996 13 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0252.619 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG que julgou procedente as Autuações por descumprimento de obrigações: Principal AIOP nº. 37.362.6037 (parte da empresa); e Acessória AIOA nº. 37.362.6029 (CFL68). O Relatório da decisão de primeira instância aponta os Autos de Infração: (i) AIOP nº 37.362.6037, com valor consolidado em 19/12/2011, de R$ 612.119,12, referente à exigência de contribuições destinadas à previdência social inclusive, relativas às competências de 01/2007 a 12/2007, parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. (ii) AIOA nº 37.362.6029, no valor de R$ 60.942,80, lavrado em 20/12/2011, por descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV e § 4 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Em obediência ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” tais multas foram aplicadas relativamente a erros e omissões nas Guias de recolhimento do FGTS e informações à previdência social – GFIP de 03/2007 e de 08/2007 a 10/2007. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados Autos de Infração que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 997 15 Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 998 17 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) Da natureza jurídica da recorrente da condição de associação da recorrente Inexistência de prestação dos serviços dos associados à associação Analisemos. Em relação à regularidade do lançamento, este assunto foi debatido no tópico (a), sendo afastada a argumentação da Recorrente. Em relação à inconstitucionalidade, este assunto foi debatido no tópico (b), sendo afastada a argumentação da Recorrente. O contribuinte argumenta que é associação civil, reunindo associados do ramo de transporte de passageiros (taxistas autônomos), sem finalidade lucrativa, tendo por objetivo principal a prestação de serviços não onerosos aos seus associados, possibilitandolhes a prestarão de serviços de comum rádio táxi aos passageiros. Anotese que o contribuinte, quando devidamente intimado pela Auditoria Fiscal, não apresentou as folhas de pagamento dos contribuintes taxistas autônomos tendo em vista o entendimento que a associação não faz pagamento algum aos associados, posto que estes são remunerados pelas empresas tomadoras de serviços, que são os associados a remunerar a associação pagando pelos serviços de radiocomunicação, e que não existe folha de pagamentos para associados. Temos que o conceito de associação está disposto no art. 53, CC/2002: Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 999 19 Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Anotese que as associações, conforme o art. 53, CC/2002, são formadas pela união de pessoas, com fins determinados, que não sejam lucrativos. Neste sentido, temse o Enunciado nº 534 da VI Jornada de Direito Civil (realizada nos dias 11 e 12.03.2013): ENUNCIADO 534 – As associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa. Artigo: 53 do Código Civil Justificativa: Andou mal o legislador ao redigir o caput do art. 53 do Código Civil por ter utilizado o termo genérico “econômicos” em lugar do específico “lucrativos”. A dificuldade está em que o adjetivo “econômico” é palavra polissêmica, ou seja, possuidora de vários significados (econômico pode ser tanto atividade produtiva quanto lucrativa). Dessa forma, as pessoas que entendem ser a atividade econômica sinônimo de atividade produtiva defendem ser descabida a redação do caput do art. 53 do Código Civil por ser pacífico o fato de as associações poderem exercer atividade produtiva. Entendese também que o legislador não acertou ao mencionar o termo genérico “fins não econômicos” para expressar sua espécie “fins não lucrativos. Ainda, o Relatório Fiscal mostra, dentre os motivos da aferição indireta, que durante a fiscalização relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, constatou se, conforme dispõe o estatuto social do contribuinte, que a Associação Zona Leste Rádio Táxi foi constituída com a finalidade de gerar ganhos aos taxistas autônomos associados, e de administrar/coordenar as atividades econômicas por eles desenvolvidas proporcionandolhes maior número de “corridas”. Constatouse, ainda, que sua atividade é a execução de serviços de Rádio Táxi. Tal circunstância (finalidade econômica) fere o que dispõe o Código Civil, artigo 53. Concordo com a AuditoriaFiscal quando esta afirma que a finalidade econômica do contribuinte se encontra evidenciada em seu estatuto, posto ter sido demonstrado que o objetivo da associação é de ter uma atividade econômica típica de uma empresa de agenciamento e de transporte individual de passageiros por rádio táxi com finalidade de obtenção de remuneração, viola o conceito jurídico de associação do art. 53, CC/2002. Registrese que, neste ponto em que restou demonstrada a violação dos requisitos para o gozo de isenção de impostos previstos no art. 12, § 2º, alíneas “a”, “b” e “d”, Lei 9.532/1997, foi lavrado o Ato Declaratório Executivo da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – DEFIS/SPO nº 243, de 10/10/2011, na qual se declarou a suspensão da isenção tributária relativamente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e a contribuição social sobre o lucro líquido. Peço vênia para colacionar a decisão de primeira instância neste ponto de descaracterização fática da forma jurídica de associação utilizada pelo contribuinte, posto que Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 adotoa pelos mesmos fundamentos, às fls. 902 (numeração do arquivo digital), que mostra que o contribuinte não apresentou qualquer suporte fático para as alegações de que sempre atuou como associação, inclusive apresenta elementos que corroboram a descaracterização do contribuinte como Associação, tais como o fato de que o contribuinte não demonstra que rateava a integralidade do valor recebido de um determinado cliente no mês, em favor dos transportadores autônomos: As alegações do impugnante no sentido de sempre atuou como uma associação, prestando serviços aos associados, estão desamparadas de suporte fático. O impugnante não junta aos autos qualquer documento que demonstre que procedia, conforme afirmado, apenas, repassando, ao associado, seus prepostos e locatários, via rádio/telefone, a demanda do cliente (terceiro) pelo serviço de transporte. A ocorrência de faturamentos (documentos de fls. 398/426) decorrentes de contratos assinados pela associação que, ao contrário do que alega, se comprometia, ela mesma, a prestar os serviços de transporte de pessoas, apenas, usando os veículos dos associados (conforme cópias de contratos de fls. 377/393), reforça a conclusão de que a associação não atuava como simples intermediária na prestação de serviços por transportadores autônomos. O balancete de verificação (juntado às fls. 369/373) demonstra que o contribuinte trata, contabilmente, as receitas auferidas com os transportes de passageiros como se fossem suas, e não dos transportadores autônomos, pois o grupo contábil “4.1.1 – Receitas e contribuições” representa a soma dos valores auferidos com o transporte de passageiros (contabilizados nas contas 4.1.1.01.001 – Prestação de Serviços – Associados, 4.1.1.01.002 –Prestação de Serviços Cartão de Crédito, 4.1.1.01.006 – Prestação de Serviços – Wappa) e das importâncias auferidas com o que são receitas próprias de uma associação (4.1.1.1.01.005 –Mensalidades dos associados). Tais circunstâncias, aliadas ao fato de que o contribuinte não demonstra que rateava a integralidade do valor recebido de um determinado cliente no mês, em favor dos transportadores autônomos (nem sempre um associado, conforme se depreende da leitura dos artigos 2º e 7º do Estatuto Social, à fls. 338/339) que haviam efetivamente realizado o transporte, corroboram o entendimento fiscal de que os transportadores autônomos (inclusive não associados) não recebiam apenas repasse de valores pagos por clientes, mas que eram remunerados pela associação. Tal conclusão é reforçada pelo fato de que o contribuinte também se utilizava do trabalho prestado pelos transportadores autônomos associados em seu favor. Isso é o que se depreende pela leitura de sua impugnação no tópico “DESPESAS DE LOGÍSTICA”. Nesse tópico, o contribuinte não deixa dúvidas de que efetuava pagamentos pelo transporte de documentos, pelo exercício de atividades necessárias ao seu funcionamento, e até mesmo, pelo tempo que um transportador ficava à sua disposição. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1000 21 Verificase que todas as atividades listadas pelo impugnante como exercidas por esses transportadores autônomos são necessárias ao desenvolvimento do seu objeto social. Percebese, portanto, que o contribuinte seria obrigado a contratar outras pessoas para desempenhar essas mesmas atividades caso não tivesse optado por tomar o serviço dos associados (conforme consta em sua impugnação). Depreendese da leitura da impugnação, que os pagamentos que o contribuinte classifica como reembolso foram efetuados sem qualquer exigência de comprovação de ocorrência das despesas. Assim, em que pesem as alegações e a nomenclatura dada pelo impugnante, esses pagamentos (efetuados em favor de pessoas físicas, transportadores autônomos) configuram remuneração recebida em contraprestação por serviço prestado à associação. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Da Legislação Municipal e do Termo de Credenciamento Analisemos. A legislação municipal neste ponto de tributação de contribuição social previdenciária não se aplica à discussão pois é competência privativa da União legislar sobre seguridade social, nos termos do art. 22, XXIII, CRFB/1988, sendo que a Lei Orgânica da Seguridade Social é a Lei 8.212/1991 regulamentada pelo Decreto 3.048/1999. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Da ausência de fenomenologia tributária das contribuições previdenciárias Analisemos. Em relação à inconstitucionalidade, argumento central do contribuinte neste tópico, registrese que tal assunto foi debatido no tópico (b), sendo afastada a argumentação da Recorrente. Em relação à aferição indireta das contribuições lançadas, o Relatório Fiscal, aponta os motivos determinantes para tal, qual seja: Haja vista a área Previdenciária e o anteriormente explanado, a Associação Zona Leste foi intimada a apresentar as folhas de pagamentos dos contribuintes taxistas autônomos para fins de apuração da Parte Patronal devida incidente sobre estes pagamentos. Em resposta por escrito e devidamente assinada, a Associação Zona Leste através de seu Presidente Mauro Jóia Teixeira Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 Vieira, declara que: a Associação não faz pagamento algum aos associados e que eles são remunerados pelas empresas tomadoras de serviços; são os associados que remuneram a Associação, eles pagam pelos serviços de teleradiocomunicação e não existe folha de pagamentos para associados na Leste Táxi Motivo pelo qual as contribuições foram aferidas com base no Faturamento da Associação Zona Leste .adio Táxi. Outrossim, observemos as regras normativas a respeito do procedimento de aferição indireta, constantes da Lei 8.212/1991, do Decreto 3.048/1999 e da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005: Lei 8.212/1991 Art. 33.. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (gn) Decreto 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;(gn) (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1001 23 II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Decreto 3.048/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Considerase deficiente o documento ou informação Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (gn) Decreto 3.048/1999 Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (gn) Em relação à base de cálculo, devese observar o art. 69, § 2º, IN MPS/SRP nº 3/2005: Art. 69. Entendese por salário de contribuição: (...)§ 2º O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor relativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento Neste sentido, o Relatório Fiscal mostra como base de cálculo das contribuições previdenciárias o correspondente a 20% dos valores referentes ao faturamento pela prestação de serviços: 5.1 Considerandose a atividade exercida pela Associação, no ano de 2007, em termos de faturamento pela prestação de serviços conforme balancete em anexo, temos que: Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Conta 4.01.01.01.01 Prestação de Serviços AssociadosR$ 7.019.152,71 Conta 4.01.01.01.06 Prestação de Serviços WappaR$ 529.235,37 Conta 4.01.01.01.02 Prestação de Serviços Cartão de CréditoR$ 192.529,02 TotalR$ 7.740.917,10 5.2 WAPPA, de acordo com esclarecimentos prestados pela Associação, é uma empresa que atua no mercado intermediando contratos entre as empresas de rádio táxi e as pessoas que utilizam estes serviços, cobrando para tanto, uma comissão que incide sobre o valor da somatória das corridas. 5.3 De acordo com o art 69, §2° da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14/07/2005: §2° O salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive o taxista), do auxiliar de condutor autônomo e do operador de máquinas, bem como do cooperado filiado à cooperativa de transportadores autônomos, conforme estabelecido no §4° do art. 201 do RPS, corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte, não se admitindo a dedução de qualquer valor ativo aos dispêndios com combustível e manutenção do veículo, ainda que parcelas a este título figurem discriminadas no documento. 5.4 Motivo pelo qual, consideramos como base de cálculo das contribuições previdenciárias o correspondente a 20% dos valores referentes ao faturamento. Consta em anexo planilha individualizando os valores do faturamento mensalmente, extraída dos arquivos magnéticos apresentados pela empresa. Diante do exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. (iv) Da improcedência da multa Analisemos. O contribuinte argumenta, como ponto central, que se os valores repassados aos taxistas autônomos não constituírem fato gerador de contribuição previdenciária deve ser afastada a multa lavrada de descumprimento de obrigação acessória. Em relação à inconstitucionalidade, tal assunto foi debatido no tópico (b), sendo afastada a argumentação da Recorrente. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o contribuinte deixou de declarar os contribuintes individuais taxistas autônomos em GFIP, Código de Fundamentação Legal CFL 68, no período 01/2007 a 12/2007. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1002 25 Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Portanto, diferentemente do argüido pelo contribuinte, em função do decidido por manter o Auto de Infração de Obrigação Principal, a autuação por descumprimento de obrigação acessória permanece hígida pois o contribuinte deixou de declarar os contribuintes individuais taxistas autônomos em GFIP, Código de Fundamentação Legal CFL 68, no período 01/2007 a 12/2007. Diante do exposto, não prosperam as alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 Voto Vencedor Júnia Roberta Gouveia Sampaio Redatora Designada Em que pese a argumentação do I. Relator, em relação ao AIOA nº 37.362.6029 divirjo do mesmo a partir da aplicação retroativa da anistia veiculada na norma da Lei nº 13.097/2015. Antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. Ocorre que o artigo 49 citado e abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega. O artigo 32 – A citado acima prevê as seguintes infrações, observese o texto legal transcrito. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1003 27 Da leitura do texto legal supramencionado verificase que três são as infrações possíveis: (i) apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, caput do artigo 32 A e parágrafo I; (ii) deixar de apresentar GFIP, caput do artigo 32 A e parágrafo II; (iii) apresentar GFIP fora do prazo, caput do artigo 32 A e parágrafo II; No caso vertente a recorrente foi autuada por ter praticado a conduta a seguir descrita: AIOA nº 37.362.6029, no valor de R$ 60.942,80, lavrado em 20/12/2011, por descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 32, inciso IV e § 5º, combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso IV e § 4 (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 68). Em obediência ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” tais multas foram aplicadas relativamente a erros e omissões nas Guias de recolhimento do FGTS e informações à previdência social – GFIP de 03/2007 e de 08/2007 a 10/2007. Com a entrada em vigor do artigo 32 – A como supramencionado, a infração passou a ter essa descrição: deixar a empresa de informar mensalmente a RFB, por intermédio do documentos a que se refere o art. 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 24.07.91, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da mesma. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem, descrição e com pequena alteração da capitulação legal. Desta forma, penso que a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 – A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.491/2009, e várias são as razões que me levam a essa conclusão. A uma, porque o artigo 108, I, da Lei 5.172/66 admite o emprego da analogia em matéria tributária, pois como diz o Supremo Tribunal Federal – STF, no AI 835.442 – RJ, 09/04/2013, R. Ministro Luiz Fux. 2. As transcrições revelam similaridade entre este caso e aquele que está com repercussão geral reconhecida. Aplicação das regras de hermenêutica jurídica segundo as quais: Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). A duas, porque o contribuinte não se defende do dispositivo legal infringido, mas sim da imputação, que a ele é feita e no caso como demonstrado a imputação é a mesma apenas o dispositivo legal é outro ou foi alterado, observese. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO.ANULATÓRIA DE DÉBITO. MULTA. APELAÇÃO CONHECIDA PARCIALMENTE. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF'S. OMISSÃO. LANÇAMENTO DE DÉBITO. REGULARIDADE. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. ARTIGO 115 DO CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. VALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. 1. A apelação da autora merece ser conhecida apenas em parte, pois, veicula, em suas razões, questão dissociada do quanto decidido ao pugnar pela redução do valor da multa, assunto não ventilado no pedido inicial e que refoge aos limites da lide posta. 2. No caso dos autos, a ação foi ajuizada visando a obter a decretação de nulidade da NFLD que aplicou à autora multa pela falta de entrega de DCTF's, em dado período, bem como para determinar a devolução de qualquer valor indevidamente pago a esse título. 3. O CTN admite, no art. 115, que a lei pode estabelecer, no interesse da administração tributária, obrigações acessórias a serem cumpridas pelo contribuinte no sentido de praticar ou não condutas outras, além da obrigação principal, consistente no dever legal de recolher o tributo devido, uma vez ocorrido o fato gerador dessa obrigação. 4. Em face disso, o Decretolei nº 2.065/1983, no art. 11, impôs ao contribuinte a obrigação de informar ao Fisco, por meio de declaração constante de formulário padronizado, no caso, denominado de DCTF, quanto aos seus créditos ou débitos tributários,sob pena de sujeitarse à multa por informação inexata, incompleta ou omitida. 5.Na verdade, referido dever legal já decorria do disposto no Decretolei nº 1.968/1982, tendo, posteriormente, o Decretolei nº 2.124/1984, autorizado o ministro da Fazenda a eliminar ou instituir outras obrigações acessórias relativas a tributos federais. 6. Verificase, pois, da breve remissão legislativa, que a DCTF não foi instituída por meio da Instrução Normativa nº 73/1994, ou qualquer outra subseqüente, pois, como não poderia deixar de ser, esta apenas baixou normas para esclarecer e orientar os contribuintes quanto ao preenchimento dos formulários com as informações a serem prestadas, inclusive por meio eletrônico. Assim sendo, resta claro que a obrigação de prestar informações ao Fisco, por meio das DCTF's, decorre de lei, não havendo falar em vulneração do princípio da legalidade. 7. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 8. No caso dos autos, a notificação delançamento,emitida em 23.09.1998, não registra vícios,falhasou irregularidades, posto que a fiscalização foi minuciosa ao elencar as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura, inclusive com o demonstrativo da apuração do crédito tributário,estando suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da autora, que não teve dificuldade em impugnar a exigência, não havendo falar ofensa Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722032/201159 Acórdão n.º 2202003.263 S2C2T2 Fl. 1004 29 aos princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, nem tampouco configurado qualquer prejuízo ao contribuinte. 9. Frisese, por relevante no caso, que a indicação da base legal da multa ainda que inadequada, incompleta ou até errônea, não invalida o lançamento quando os fatos estiverem devidamente narrados, pois o contribuinte se defende dos fatos e não da capitulação constante da autuação. Ademais, sequer exige fundamentação exaustiva quando restar claro, como no caso em tela, que a multa imposta decorreu do descumprimento da obrigação acessória consistente na entrega das declarações, portanto, aplicada dentro dos parâmetros legais. 10. Ademais, a autuação fiscal constituiuse em ato administrativo e este goza da presunção de legalidade e veracidade que somente pode ser afastada mediante prova robusta a cargo do administrado, e, no caso, não logrou este provar as suas alegações. 11. Em suma, a prestação de informações ao fisco por meio de DCTF's é dever legal, constituindose em obrigação acessória que, uma vez descumprida, sujeita os omissos ao pagamento de multa, impondose, pois, a manutenção da sentença que julgou improcedente o pedido. 12. Conheço em parte da apelação e na parte conhecida, negolhe provimento. AC 00022008319994036114 AC APELAÇÃO CÍVEL – 786915 JUIZ CONVOCADO VALDECI DOS SANTOS TRF3 TERCEIRA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:31/08/2012. A três, porque segundo a doutrina citada abaixo a anistia exclui a infração e não a capitulação legal imposta. “A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infrações cometidas anteriormente à vigência da lei, que a decreta.” 1 Aliás, é isso que diz o artigo 180, da Lei 5.172/66, a seguir transcrita. Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: A quatro, porque além disso temos que observar o que diz o artigo 112, III e IV, da Lei 5.172/66, ou seja, havendo dúvida quanto a imputabilidade e a natureza da penalidade aplicável, por ser a "anistia perdão da falta, da infração, que impede o surgimento do credito tributário correspondente à multa respectiva" [Hugo de Brito, 2006: 248], devese decidir a favor do contribuinte. 1 Direito Tributário Brasileiro. 7a edição. Rio de Janeiro. 1975, p. 533. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 Assim, não há razão jurídica para se aplicar a anistia a uma infração e não a aplicar a infração idêntica, apenas porque o dispositivo legal é outro, ou seja, mudou houve alteração na lei, mas manutenção da infração. Lembro, ainda, que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §4º, mas sim o artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa. CONCLUSÃO Diante do exposto, concluo pela exclusão da tributação incidente no AIOA nº 37.362.6029, em função da anistia da Lei nº 13.097/2015. Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por JUNIA ROB ERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000530/00-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, até então, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 00 53 0/ 00 -0 1 Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.043 2 “Do processo em análise, depreendese que a empresa interessada efetuou importação de “667.500 quilogramas de composto de borracha termoplástica polibutadieno, estereno – TR. Sintético,granulado, não vulcanizado, para fabricação de solados injetados” e “65.000 quilogramas de outros policloretos de vinila plastificado”, com suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação, assumindo o compromisso de exportar “2.004.525 pares de solados injetados de matérias primas importados”, mediante as Declarações de Importação DI no 001960, 001843, 001757, 002232, 002537, 003186, 004003, 004250, 003171, 004185, 003777, 003847, 006378, 006734, 008468, 009786, 010465, 010381, 011487, 012011, 012311, 97/00426556, 97/00897524, 97/01926218, 97/0216856 2, 97/06244140, 97/06253963, 97/09235729, 97/06186212, 97/04534221 e 97/07682833 (cfe. tabela elaborada pela fiscalização às fls. 28), amparadas pelo Regime Aduaneiro Especial DrawbackSuspensão, tendo em vista a emissão dos Atos Concessórios 075596/0030 (25/01/96), 0755 96/0102 (08/03/96), 075596/0145 (25/03/96), 075596/0153 (22/03/96), 075596/0242 (13/05/96), 075596/0420 (09/08/96), 075596/0439 (09/08/96), 075596/0528 (25/10/96), 31497/0000340 (05/02/97), 0314 97/0001303 (28/04/97), 031497/0001680 (16/05/97) e 31497/0002660 (10/07/97), acostados às fls. 58, 79, 100, 114, 128, 142, 168, 192, 202, 214 e 223, expedidos pela Carteira de Comércio Exterior Cacex do Banco do Brasil S/A em Canoas/RS e Novo Hamburgo/RS, respectivamente. Em 20/08/1999, a interessada protocolizou junto à unidade fiscal jurisdicionante, pedido de nacionalização das mercadorias objeto dos referidos atos concessórios, assumindo a condição de inadimplente, pela não apresentação dos relatórios de comprovação das exportações efetuadas pelas empresas exportadoras dentro dos prazos estipulados pelo DECEX (fls. 34/35). Tendo em vista a espontaneidade da denúncia efetuada pela contribuinte, a repartição fiscal de jurisdição (SAANA/DRF/NHB/RS) apurou e formalizou o crédito tributário decorrente da respectiva inadimplência, mediante a lavratura do “Termo de Ciência de Crédito Tributário” de fls. 36/37, acompanhados dos demonstrativos de fls. 37 a 57. Em agosto de 1999, a SRF, por meio do “Relatório de Comprovação de Drawback” acostados às fls. 62, 82, 104, 118, 132, 146, 162, 171, 195, 205, 216 e 225, é informada, pela autoridade competente para a concessão do regime em tela (Secex/Banco do Brasil), que a empresa autuada não comprovou as exportações dos retromecionados Atos Concessórios, declarando a beneficiária inadimplente. Não se verificando o recolhimento do crédito tributário lavrado na peça fiscal de fls. 36, a autoridade fiscal competente intimou a interessada, mediante “Termo de Intimação” de fls. 29, a apresentar os documentos hábeis que demonstrassem a regularidade fiscal das operações de Drawback em trato, assumidas nos respectivos atos concessórios. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.044 3 Em face da não comprovação e alicerçado na infração acima constatada, foram lavrados, em 17/03/2000, pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Novo Hamburgo, os Autos de Infração, MPF 1010700/00048/99, de fls. 02 a 04 e 16 a 18, integrado pelos demonstrativos de fls. 05 a 15 e 19 a 27 e pelo termo de encerramento de fls. 229/230, para a cobrança do montante integral de R$ 389.353,97, a título de Imposto sobre a Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, ambos acrescidos das multas de ofício de 75%, capituladas no art. 4o, I da Lei no 8.218/91 c/c art. 44, I da Lei no 9.430/96, art. 106, II, “c” da Lei no 5.172/66, além dos juros de mora, calculados à época da lavratura, conforme determinação contida no art. 61, § 3o da Lei no 9.430/96. Cientificada do lançamento em 17/03/2000, a autuada se insurge contra a presente exigência, apresentando a impugnação de fls. 232 a 234, instruída com os documentos de fls. 235 a 1306, solicitando a baixa dos termos de responsabilidade assinados quando das importações em trato, vez que as notas fiscais ora apresentadas demonstram a comprovação do compromisso assumido nos atos concessórios de drawback em trato. Aduz, também, que por motivos alheios a sua vontade não comprovou as exportações compromissadas no prazo de regência, mas que sua responsabilidade deve ser excluída haja vista a denúncia espontânea da infração. Visando subsidiar sua linha de defesa, transcreve excertos das seguintes normas legais e regulamentares: Instrução Normativa SRF no 21, de 13 de março de 1985, Portaria MEFP no 594/92 e o Comunicado DECEX no 21, de 11 de julho de 1997, da SECEX do MICT (MDIC), que publica a Consolidação das Normas do Regime “Drawback”. Por meio do despacho de fls. 1308, o processo nos foi enviado (DRJ/FNS/SC) para prosseguimento e apreciação. Este é o Relatório. Passo a Votar.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 3.972, de 16/04/2004, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 08/03/1996 a 08/10/1997 Ementa: DRAWBACK INTERMEDIÁRIO. DEFINIÇÃO. CONCESSÃO DO REGIME. PROVA. O regime aduaneiro especial de "drawback" intermediário, modalidade suspensão, permite a importação de matériaprima e produtos intermediários para utilização na fabricação de produto intermediário fornecido a empresa industrial exportadora, para emprego na industrialização de produto final destinado à exportação, com suspensão de tributos incidentes na importação. Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.045 4 Cabe à Secretaria de Comércio Exterior, órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, conceder o benefício do regime suspensivo de “drawback” intermediário, modalidade suspensão. VINCULAÇÃO FÍSICA DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, o produto beneficiado com suspensão dos tributos com base no regime especial de “drawback” deve ser utilizado na mercadoria a ser exportada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/03/1996 a 08/10/1997 Ementa: RESPONSABILIDADE. INFRAÇÕES FISCAIS. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 08/03/1996 a 08/10/1997 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Para que seja caracterizada a denúncia espontânea da infração, é imprescindível que esta seja acompanhada do recolhimento dos tributos devidos pelo contribuinte, antes do início do procedimento fiscal, o que não ocorreu no caso dos autos. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de considerar procedente o lançamento. Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, bem como documentos onde repisa basicamente os termos da impugnação. Verificase que foram apresentados documentos outros, de fls. 1646/1856 em 18/10/2004, portanto, após recurso voluntário. Ou seja, considero que a apresentação de prova documental, como é o caso, não contraria os princípios da legalidade, tampouco da verdade material que prevalecem sobre a formalidade processual. A recorrente alega que requereu a juntada da documentação referida acima, ou melhor, declarações das empresas para as quais vendeu os produtos intermediários, que foram, posteriormente, utilizados na industrialização dos produtos finais exportados (calçados), bem como anexou, laudos técnicos descrevendo o processamento industrial, dos produtos exportados, e que foi utilizado o produto intermediário, na forma do subitem 6.1.II da Consolidação das Normas do regime de drawback, que acompanha o Comunicado Decex de n º 21, de 11/07/97. Desta forma, foi convertido o julgamento em diligência, através da Resolução n° 3021.424, de 06/11/2007, para que a SECEX se pronunciasse sobre o enquadramento ou não no Drawback e se na modalidade intermediário, e em caso positivo, se o regime foi cumprido e em todas as exigências mencionadas acima, se for o caso, observância dos elementos adicionais aos requisitos do cumprimento desse benefício, tendo em vista documentação acostada aos autos, às fls. 1342 a 1638, bem como 1646 a 1856; emitindo, inclusive parecer conclusivo. Resposta da diligência pela Secex e Gecex/BB ao demandado: Encaminhamos cópias dos atos concessórios acima citados e dos respectivos relatórios de "Baixa por Inadimplência". Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.046 5 2. Informamos que os atos concessórios foram emitidos como drawback suspensão intermediários. 3. A empresa não comprovou as exportações, não apresentou até a data de vencimento do prazo para a baixa, os relatórios que comprovassem o fornecimento à industrial exportadora e da efetiva exportação do produto final. Não apresentou os Relatórios com a listagem dos Registros de Exportação (RE), em cujo campo 24 deveria constar expressamente a participação do fabricanteintermediário e o n° do ato concessório vinculado. Resposta pela fiscalização, nos seguintes termos: Em resposta a diligência solicitada pelo Conselho de Contribuintes, viemos através deste termo nos manifestar sobre a documentação acostada aos autos, As fls. 1342 a 1638, e 1646 a 1856. Esta documentação referese aos Registros de Exportação — RE's, que a Matrisola anexou aos Autos como forma de comprovar seu compromisso de exportação dos Atos Concessórios — AC's. De posse dos RE's informados pelo contribuinte, iniciouse a análise desses RE's com as informações contidas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal. Com base nesses RE's foi elaborada a tabela de fls. 1973 a 1981. Considerando todos os RE's chegouse a um valor total de 910.652 pares de produtos exportados, com um valor total de $10.441.280,70 dólares. Em relação aos enquadramentos das operações, verificouse que vários RE's possuem enquadramentos diferentes do regime de drawback. Há vários RE's com o enquadramento de Exportação Normal', e Sistema Geral de Preferência SGP 2 . Se esses RE's com enquadramentos divergentes fossem glosados, obterseia a tabela de fls. 1982 a 1989, com um valor total de 492.048 pares de produtos exportados, e com um valor total de $5.616.973,19 dólares. Em busca da informação no campo 24 dos RE's informados pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal, elaborouse a planilha de fls. 1990 a 1995. Essa planilha possui somente os RE's que continham a empresa Matrisola como fabricanteintermediário. Verificase que vários dos RE's possuem apenas a informação do fabricanteintermediário, sem nenhuma menção a que AC estariam vinculados. Os AC's que foram considerados pela fiscalização a época como inadimplentes totais foram os AC de número: 075596/0030, 0755 96/0102, 075596/0145, 075596/0153, 075596/0242, 0755 96/0420, 075596/0439, 075596/0528, 031497/0340, 0314 97/130 3, 031497/1680 e 031497/2660. De acordo com a resposta (fl. 1874) de Welber Cabral, Secretário de Comércio Exterior, os AC's foram emitidos como Drawback Suspensão Intermediário e que todos tiveram "Baixa por Inadimplência". Na resposta da diligência realizada à SECEX, foi anexado ao processo cópia dos atos concessórios (fls. 1885 a 1969), documentos que estavam arquivados no Banco do Brasil. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.047 6 Através desses documentos foi possível verificar o prazo de validade dos AC's. Esses prazos foram transcritos na tabela 01 abaixo: AC Prazo de Validade 075596/0030 05/03/1998 075596/0145 22/04/1998 075596/0528 15/07/1998 031497/1303 29/06/1998 031497/1680 09/08/1998 031497/2660 02/10/1998 075596/0102 28/11/1997 031497/0340 20/10/1998 075596/0420 01/09/1998 075596/0153 09/05/1998 075596/0242 18/07/1998 075596/0439 20/10/1998 tabela 01 (Observação da tabela 01 SECEX anexou ao processo cópia dos atos concessórios (fls. 1885 a 1969), documentos que estavam arquivados no Banco do Brasil. Dessa forma, foi possível verificar o prazo de validade dos AC's. ) O Art. 37, da Portaria Secex n°4/97, exige que o RE esteja devidamente vinculado ao AC, e as mercadorias devem ser exportadas dentro do prazo de concessão do regime. Com isso, elaborouse a tabela de fls 1996 a 2000. Nesta tabela selecionouse apenas os RE's informados pelo contribuinte nos quais constavam a informação de que a Matrisola é fabricanteintermediário, e que os AC's objeto da autuação estejam vinculados aos mesmos. Também evidenciouse, nesta tabela, os RE's que foram exportados fora do prazo, de acordo com as informações da tabela 01 acima. Com tais informações, elaborouse a tabela 02 abaixo. Esta tabela contém o n° dos RE's que foram considerados aptos para comprovar a exportação dos produtos vinculados ao respectivo AC, a quantidade total em pares dos produtos exportados nesses RE's, e o valor total em dólares dos RE's. Ac N° de RE's Qde em Pares Valor $ dólar AC 031497/0340 0 0 0 AC 031497/1303 0 0 0 AC 031497/1680 15 27.857 377.370,65 AC 031497/2660 15 50.164 482.858,56 AC 075596/0030 13 27993 321.910,50 AC 075596/0102 0 0 0 AC 075596/0145 8 32.454 400.922,10 AC 075596/0153 0 0 0 tabela 02 Salientese que quase a totalidade dos RE's, considerados na tabela 02, foram retificados após o registro, ou seja, as informações do fabricanteintermediário e do no do AC foram inseridos após a saída das mercadorias do pais. Nas fls. 2001 a 2008 temos as telas de alguns RE's onde demonstram as solicitações de retificação. Com isso encerrase esta manifestação. Foi observada falha processual e encaminhado o processo para que fosse dada ciência, a PGFN do resultado da diligência demandada, através da Resolução 3021.424, proposta anteriormente, em respeito ao princípio do contraditório. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 11065.000530/0001 Resolução nº 3201000.672 S3C2T1 Fl. 2.048 7 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Foram lavrados os Autos de Infração para a cobrança do montante de R$ 389.353,97, a título de Imposto sobre a Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, ambos acrescidos das multas de ofício de 75%, capituladas no art. 4o, I da Lei no 8.218/91 c/c art. 44, I da Lei no 9.430/96, art. 106, II, “c” da Lei no 5.172/66, além dos juros de mora, calculados à época da lavratura, conforme determinação contida no art. 61, § 3o da Lei no 9.430/96. Como relatado, foi observada falha processual, mas sanada, em relação à ausência da ciência à PGFN do resultado da diligência, acima referida. Da mesma forma, em ponto de votação, novamente, viuse que, o recorrente não teve ciência do resultado da diligência, demanda da Resolução de n° 3021.424 por este Conselho, ou seja, da conclusão elaborada pela fiscalização, conforme, efls. 1979 a 1981 e existia a ressalva na citada Resolução: Ao término, intimese o contribuinte para, querendo, manifestese a respeito, em homenagem ao principio do contraditório, retornando os autos para apreciação deste Conselho. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora dê ciência à recorrente do resultado da diligência acima solicitada, com reabertura de prazo, se for o caso, para possível manifestação, nos termos do que dispõe o Decreto 70.235/72; em respeito ao princípio do contraditório. Por fim, devem os autos retornar a esta turma para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10882.721456/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcelo Oliveira.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 83 1 82 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721456/201224 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.548 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de maio de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente GILBERTO DE CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .7 21 45 6/ 20 12 -2 4 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10882.721456/201224 Resolução nº 2402000.548 S2C4T2 Fl. 84 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a pagar do anocalendário 2004 de R$ 1.925,89 para o montante de R$ 4.780,39 (fls. 16/20), face à apuração de omissão de rendimentos de aluguéis, no valor de R$ 20.417,06. Na impugnação de fl. 3 o contribuinte alega, em síntese, que não houve omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física; ocorreu erro na informação da DIMOB que ao invés de apontar rendimentos recebidos de pessoa jurídica, indicouos como sendo de pessoas físicas; que os rendimentos recebidos de aluguéis de pessoa jurídica foram declarados pelo contribuinte; junta declaração emitida pela imobiliária Palaia Administradora Imobiliária. O lançamento foi parcialmente reformado pela instância de primeiro grau, restando o valor de R$ 4.631,50 como omissão de rendimentos de aluguéis (fls. 37/40). O contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/3/2013 (fls. 45/70), afirmando que recebeu da fonte pagadora Scan Diagnósticos não R$ 9.151,92, consoante consta na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), mas sim metade desse valor, R$ 4.575,96, sendo a outra metade paga a sua esposa, do que se conclui que não procede a omissão de rendimentos apontada. Junta documentos. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10882.721456/201224 Resolução nº 2402000.548 S2C4T2 Fl. 85 3 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Com efeito, o notificado trouxe ao julgamento de segundo instância declaração da locatária Scan Diagnósticos por Imagem S/C Ltda., CNPJ nº 02.882.571/000122, asseverando que a ele pagou R$ 4.575,96 a título de aluguéis, e de outra parte R$ 4.575,96 também a esse título à Rosângela Cravo Roxo de Campos, CPF Nº 672.713.57872, esposa do recorrente. Além disso, juntou também declaração da administradora dos imóveis, corroborando tais assertivas (fls. 49/50). Os contratos de locação que lastrearam tais recebimentos foram colacionados aos autos, indo ao encontro da versão dos fatos tal como narrada pelo contribuinte (fls. 55/68). Não obstante, mesmo considerando tais documentos, o fato é que existe a possibilidade de que o notificado tenha entregue sua DIRPF/2005 optando pela tributação conjunta dos seus rendimentos com o de sua esposa, nos termos regrados pelo caput do art. 8º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art.8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. §§ 1º a 3º (omissis) Assim sendo, ainda que os R$ 4.575,96, tidos como por ele omitidos, tenham sido pagos de fato e de direito a sua esposa, se a DIRPF/2005 se tratar de declaração conjunta, cabia ao contribuinte oferecer também tais valores à tributação pelo imposto de renda no ajuste anual. Todavia, não se encontram nos autos dita declaração, o que obsta o conhecimento da situação de fato relativa à opção pela declaração conjunta. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual do contribuinte relativa ao exercício 2005. Ronnie Soares Anderson. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 24/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720324/2013-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando deixe de defini-lo como infração.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.487
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando deixe de definilo como infração. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 03 24 /2 01 3- 84 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação de multa isolada, com origem em fatos geradores ocorridos entre 26/03/2012 e 13/07/2012, no valor total de R$ 916.125,39. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 188/192, em virtude de pedidos de ressarcimento indeferidos ou indevidos, com fatos geradores de 26/03/2012 e 13/07/2012, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$916.125,39. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 181/187, a interessada apresentou diversos Pedidos de Ressarcimento (PER), listados às fls. 182/183, transmitidos nas datas referidas como fatos geradores. Tais pedidos, tratados nos processos nºs 10945.721073/201274 (PIS Mercado Interno), 10945.721074/201219 (PIS Exportação), 10945.721075/2012 63 (COFINS Mercado Interno) e 10945.721076/201216 (COFINS Exportação), tiveram reconhecimento parcial do direito creditório, conforme cópias das Informações Fiscais e Despachos Decisórios de cada um deles, anexadas ao presente (fls. 91/180). Com base no § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, acrescentado pela Lei nº 12.249/2010, a fiscalização exigiu a multa de 50% sobre os valores indeferidos nos processos mencionados, conforme tabela 3 do Termo de Verificação, às fls. 185/186. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 196/217, na qual se insurgiu contra a multa aplicada basicamente por ferir o “direito constitucional de petição sem taxas ou posterior retaliação”, afrontando o art. 5º, XXXIV da Constituição Federal. Suscitou a declaração de inconstitucionalidade, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, do dispositivo legal que embasou a autuação, em julgado do qual transcreveu a ementa. Prosseguiu discorrendo sobre a multa como sanção tributária de atos ilícitos, mencionando doutrina. Trouxe também precedentes do antigo Conselho de Contribuintes. Reclamou do caráter confiscatório da multa. Alegou impossibilidade de aplicação em virtude da irretroatividade do art. 62 da Lei nº 12.249 (que institui tal multa), posto que tal lei é de 14/06/2010, enquanto os PER/DCOMP originais dos créditos (à exceção dos relativos aos 4º trimestres de 2008 e 2009), haviam sido transmitidos entre 29/10/2009 e 27/01/2010, antes da vigência da referida lei. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10945.720324/201384 Acórdão n.º 3202001.487 S3C2T2 Fl. 286 3 Argumentou a violação de diversos princípios da Administração Pública, mencionados e discutidos às fls. 206/216. Pleiteou ainda: (o julgamento conjunto dos processos de ressarcimento e dos autos de infração em que aplicada a multa isolada). Por fim, requereu o cancelamento da autuação. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 14 45.622, de 24/10/2013 (fls. 241 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/03/2012, 13/07/2012 RESSARCIMENTO INDEVIDO OU INDEFERIDO. MULTA. O pedido de ressarcimento de créditos tributários indevido ou indeferido deve ser apenado com multa no valor de 50% sobre o valor não reconhecido pela Fisco. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/03/2012, 13/07/2012 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 252/273, por meio do qual, depois de relatar os fatos, repisa os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou o ressarcimento de créditos de PIS/Cofins apurados no regime não cumulativo, cumulandoos com pedidos de compensação de débitos próprios, com origem em todos os trimestres dos anos de 2008 e 2009. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Deferido em parte o direito creditório, a fiscalização aplicou a multa isolada prevista no § 15 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, em virtude do ressarcimento indeferido ou indevido. É como consta do Termo de Verificação Fiscal à fl. 184, in fine: Como já foi explicado neste Termo de Verificação Fiscal, analisaramse os créditos solicitados nos pedidos de ressarcimento, sendo reconhecido parcialmente o direito creditório no montante original de R$ 70.679,72 nos PAF abaixo discriminados (esse valor abrange somente os PER que estão sujeitos à multa isolada por ressarcimento indeferido ou indevido, os quais fazem parte do presente processo) Embora também reproduzido no mesmo Termo de Verificação Fiscal, o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi o fundamento legal da exação, tal como se também se verifica da análise da tabela intitulada “Demonstração do Cálculo da Multa Isolada”, na qual se a base de cálculo da multa isolada informada pela fiscalização corresponde aos valores dos créditos não ressarcidos. Essa penalidade isolada, no entanto, foi expressamente revogada por meio da Medida Provisória n.º 656, de 7 de outubro de 2014, remanescendo unicamente a prevista no § 17 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, a ser aplicada somente no caso de compensação não homologada: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) (Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 656, de 2014) Nesse contexto, é de se reconhecer aplicável a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a”, do CTN, de forma que todo o crédito tributário lançado deve ser exonerado. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10945.720324/201384 Acórdão n.º 3202001.487 S3C2T2 Fl. 287 5 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005982/92-76
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI - LANÇAMENTO DE OFÍCIO. I) Não se caracteriza a ilegitimidade de sujeito passivo, relativamente à empresa que opera sua extinção, por contrato entre os sócios, com vistas a excluir a sua responsabilidade, em relação a fatos geradores ocorridos anteriormente, ainda mais, quando esse contrato não foi arquivado na Junta Comercial. O auto de infração, nesses casos, é legítimo, quando instaurado em nome da empresa e o sócio da mesma é notificado desse lançamento e intimado a recolher o débito lançado. II) Classificação fiscal na TIPI/88 dos produtos: a) condicionadores ou cremes de enxagüe dos cabelos, é correta no Código 3305.90.0100 e não, como pretende a fiscalização, no Código 3305.90.9900; b) água oxigenada, a 20, 30 e 40 volumes, apresentada em recipientes de 100 ml e 900 ml para venda e retalho. Sua adequada classificação é no Código 2847.00.0000, salvo se os recipientes contêm rótulos ou outros impressos que indicam se destinar o pro
duto a ser usado como descolorante do cabelo, ou então, que se apresentem em recipientes de acondicionamento muito especial, que não deixe dúvidas de que o mesmo se destina a ser empregado como descolorante do cabelo. III) O imposto lançado na nota fiscal de saída, se não recolhido e não declarado à Secretaria da Receita Federal no documento DCTF, há de ser exigido mediante Auto de Infração, com as penalidades cabíveis para o lançamento de ofício. IV) TRD a consoante reiteradas decisões do Colegiado, não pode incidir sobre os débitos fiscais no período que medeia o dia 01.02.91 a 01.08.91. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-69.243
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Sérgio Gomes Velloso
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ementa_s : IPI - LANÇAMENTO DE OFÍCIO. I) Não se caracteriza a ilegitimidade de sujeito passivo, relativamente à empresa que opera sua extinção, por contrato entre os sócios, com vistas a excluir a sua responsabilidade, em relação a fatos geradores ocorridos anteriormente, ainda mais, quando esse contrato não foi arquivado na Junta Comercial. O auto de infração, nesses casos, é legítimo, quando instaurado em nome da empresa e o sócio da mesma é notificado desse lançamento e intimado a recolher o débito lançado. II) Classificação fiscal na TIPI/88 dos produtos: a) condicionadores ou cremes de enxagüe dos cabelos, é correta no Código 3305.90.0100 e não, como pretende a fiscalização, no Código 3305.90.9900; b) água oxigenada, a 20, 30 e 40 volumes, apresentada em recipientes de 100 ml e 900 ml para venda e retalho. Sua adequada classificação é no Código 2847.00.0000, salvo se os recipientes contêm rótulos ou outros impressos que indicam se destinar o pro duto a ser usado como descolorante do cabelo, ou então, que se apresentem em recipientes de acondicionamento muito especial, que não deixe dúvidas de que o mesmo se destina a ser empregado como descolorante do cabelo. III) O imposto lançado na nota fiscal de saída, se não recolhido e não declarado à Secretaria da Receita Federal no documento DCTF, há de ser exigido mediante Auto de Infração, com as penalidades cabíveis para o lançamento de ofício. IV) TRD a consoante reiteradas decisões do Colegiado, não pode incidir sobre os débitos fiscais no período que medeia o dia 01.02.91 a 01.08.91. Recurso provido em parte.
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