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Numero do processo: 11516.002914/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) .
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado).
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF) . Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 29 14 /2 00 6- 15 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado). Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.002914/200615 Acórdão n.º 2202002.832 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a matéria discutida nos presentes autos, abaixo se transcreve o inteiro teor do relatório descrito no Acórdão nº 0722.358, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC): Por meio da Notificação de Lançamento (fl. 09/11), foi apurado o valor do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 1.773,01, acrescido da multa de ofício e juros de mora, relativo anocalendário 2004. Conforme relatório Descrição dos fatos e Enquadramento Legal, fl. 10, o lançamento teve como fato gerador a omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$ 16.264,56, recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, auferido pelo contribuinte. Foi compensado o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.337,67. O contribuinte apresenta impugnação, fls. 01/07, a qual em síntese apresenta os seguintes argumentos: Cita que a exigência de imposto sobre a indenização recebida é uma flagrante violação dos dispositivos da Lei 7.713/88 e da Constituição Federal de 1988, uma vez que os valores decorrem de indenização sobre verbas trabalhistas decorrentes de acordo % homologado judicialmente, celebrado entre o impugnante e a empresa RGS Comercial e Distribuidora de Veículos Ltda, na ação trabalhista n° 00557.022/959, do qual resultou o acordo judicial. Alega que as verbas teriam caráter indenizatório e que os encargos fiscais seriam de responsabilidade da reclamada (empregador). Colaciona diversas doutrinas e jurisprudências sobre o assunto no sentido de que os valores recebidos se caracterizariam como verbas indenizatórias que deveria ser afastada a incidência do imposto sobre estas verbas. A DRJ/FNS (SC), julgou a impugnação improcedente, fls. 26 a 28, por entender que: Dos elementos que compõem os autos, se constata que o valor recebido pelo contribuinte decorrente da ação judicial não tem previsão legal para isenção de imposto de renda. Consta do processo, fls. 14/15, discriminação das verbas trabalhistas pleiteadas pelo requerente, na ação judicial, as quais estão claramente identificadas como sendo relativas a Diferenças de Comissões, Integração Comissões, Horas Extras, Diferença Integração Horas Extras. Horas Extras sobre Comissões e Reflexos sobre Horas Extras. Estas foram a natureza das rubricas cujos valores serviram de base para a homologação judicial da demanda trabalhista e também foram os valores considerados pela autoridade fiscal para efetuar o presente lançamento. Resta demonstrado, portanto, de forma inequívoca, que as verbas trabalhistas objeto da demanda judicial que resultou em acordo entre as partes são relativas a comissões e horas extras decorrentes da relação de emprego Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 entre o contribuinte e o seu ex empregador, a empresa RGS Comercial e Distribuidora de Veículos Ltda. De se notar ainda que, em decorrência da atividade econômica da empresa citada, no caso específico, o comercio de veículos, evidentemente os valores pleiteados judicialmente pelo contribuinte foram inerentes a comissões sobre vendas de veículos não pagas pelo empregador, bem como a ocorrência de horas extras, com seus reflexos. No que se refere às isenções tributárias, cabe esclarecer que estas são sempre decorrentes de lei, conforme determina a Constituição Federal, em seu art. 150, § 6o, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17/03/1993, que dispõe: Art. 150. [...] [...] § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2a, XII.g. No mesmo sentido, o artigo 176 do CTN determina: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica, sendo caso, o prazo de sua duração. A isenção tributária para o imposto de renda das pessoas físicas está legalmente estipulada no art. 6o da Lei n° 7.713/88. o qual elenca de forma clara os rendimentos isentos de tributação. Tratase de legislação federal vigente quando do lançamento do presente auto de infração. Desta forma, para a tributação do IRPF, importa observar o total dos rendimentos auferidos. O RIR/1999, vem a consolidar as disposições gerais sobre a abrangência do conceito de rendimento bruto, e assim enuncia em seu artigo 37, in verbis Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os aumentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei n. "5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II. e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º§ 1.°). (g.n.) Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.002914/200615 Acórdão n.º 2202002.832 S2C2T2 Fl. 4 5 Já o art. 38 do RIR/99 não deixa margem para dúvidas quanto ao fato de que, independente da denominação que seja dada aos rendimentos ou a forma de percepção da renda ou proventos, para a incidência do imposto sobre a renda ou proventos, basta o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei n 7.713, de 1988, art. 3, § 4°). Portanto, para que um rendimento, embora no campo da incidência, não seja tributado, se faz necessária uma norma explícita que o isente. Cumpre lembrar que as verbas isentas de tributação do IRPF encontramse especificadas, tanto no art. 6o da Lei 7.713/88, b T v mo no art. 39 do RIR/99. Nestes dispositivos citados e colacionados, não existe previsão para a não incidência de imposto de renda sobre verbas decorrentes de rendimentos a título de comissões e horas extras. Cabe ainda salientar que os dispositivos de lei que outorguem isenção devem ser interpretados literalmente, de acordo com disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional. Quanto à suposta violação de princípios constitucionais levantada pelo contribuinte, é mister ressaltar que tais alegações escapam à competência da autoridade administrativa julgadora, pois versam sobre a constitucionalidade de dispositivos legais. Compete à autoridade fiscal verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de possíveis inconstitucionalidades ou ilegalidades das normas vigentes, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142. parágrafo único, do CTN. A autoridade tributária, tanto a lançadora quanto a julgadora, encontrase cingida aos estritos termos da legislação fiscal, estando impedida de ultrapassar tais fronteiras para examinar questões outras, como as suscitadas na impugnação em tela, uma vez que às autoridades tributárias cabe apenas cumprir e aplicar a lei. Os mecanismos de controle de constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. E inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois a presente autoridade julgadora não pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar a norma cuja validade está sendo questionada pela defesa, em observância ao artigo 142, parágrafo único, do CTN. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Postada a intimação para a ciência de tal julgamento em 14/02/2011, fls. 30, o interessado ingressou recurso voluntário em 16/03/2011, fls. 31/37, reiterando as alegações expostas na impugnação para, ao final , requerer o cancelamento do débito fiscal em discussão. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.194, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.002914/200615 Acórdão n.º 2202002.832 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No presente caso, o auto de infração objeto deste processo versa sobre incidência do imposto de renda pessoa física, em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. Compulsando os autos, verificase que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao anocalendário 2003 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente, utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O C. Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, fixou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010, destacamos). Em síntese, estabeleceu o C. STJ que os rendimento acumulados devem ser tributados “...com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos...”, vale dizer, pelo regime de competência e não regime de caixa, como fez a autuação. Importa ressaltar que o julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Esse entendimento do C. STJ, no REsp n° 1.118.429SP, submetido ao regime do art. 543C do CPC, é de aplicação obrigatória por esta Conselheira, conforme dispõe o art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27.08. 2009 e 586, de 21.12.2010. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Justifica tratar se de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Anoto que ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO– O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.002914/200615 Acórdão n.º 2202002.832 S2C2T2 Fl. 6 9 então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICO CONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Cuidam os presentes autos de lançamento efetuado sobre verbas recebidas acumuladamente. Pois bem, no tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática regime do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.002914/200615 Acórdão n.º 2202002.832 S2C2T2 Fl. 7 11 Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10730.912787/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/10/2003 a 29/02/2004
IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES.
A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de insumos de estabelecimento optante pelo SIMPLES.
CRÉDITOS.BENS PARA USO E CONSUMO.
Não existe autorização legal para o aproveitamento de créditos de IPI sobre as aquisições de bens para uso e consumo.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3102-002.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Demes Brito e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2003 a 29/02/2004 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de insumos de estabelecimento optante pelo SIMPLES. CRÉDITOS.BENS PARA USO E CONSUMO. Não existe autorização legal para o aproveitamento de créditos de IPI sobre as aquisições de bens para uso e consumo. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Demes Brito e José Luiz Feistauer de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 27 87 /2 00 9- 18 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Juiz de Fora que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, por entender que não geram direito ao crédito de IPI os produtos destinados ao uso e consumo, tampouco as aquisições de pessoas optantes do Simples. Apenas reconheceu o crédito relativamente à operação realizada com fornecedor que, a despeito de constar no sistema eletrônico da Receita Federal como optante do Simples Federal, apurou no ano calendário de 2006 o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas sob a sistemática do lucro presumido. O contribuinte transmitiu PER/DCOMP tendo por objeto o ressarcimento de saldo credor de IPI no montante de R$ 70.214,82, apurado no final do 3º trimestre de 2006. A ela vinculou compensação de débito de COFINS no montante de R$ 69.841,54. A DRF proferiu eletronicamente despacho decisório não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações declaradas. Inconformada, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando em estreita síntese que: (i) o despacho decisório é nulo tendo em vista que nos seus fundamentos se reporta apenas à apuração procedida em outro processo administrativo, que sequer é definitiva; ademais, não foi identificada a natureza das operações dos valores cujos créditos foram glosados; (ii) à época das operações, as fornecedoras eram optantes do lucro presumido, não do Simples, conforme consulta realizada às telas do CNPJ; (iii) é de se admitir o crédito tendo em vista que se referem a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, adquiridos e aplicados no processo de industrialização, sob pena de violação do princípio constitucional da não cumulatividade; (iv) a autoridade julgadora não poderia ter procedido à glosa sem a realização de diligência, na forma do art. 65 da IN SRF 900/08; (v) a decisão aviltada fere o princípio do não confisco. A DRJ em Juiz de Fora julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, nos seguintes termos: AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PARECER NORMATIVO CST Nº 65/79. Podem gerar direito creditório de IPI os insumos adquiridos para utilização no processo produtivo e que, além de sofrerem uma efetiva onerosidade do imposto, estejam expressamente enquadrados na conceituação de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, dada pelo PN CST nº 65/79. Excluise desta definição o material para uso e consumo adquirido sob operação de CFOP 2.556. OPTANTES PELO SIMPLES. Regra geral, aos contribuintes optantes pelo SIMPLES é vedada a apropriação ou transferência de créditos de IPI. Excepcionalmente, se o fornecedor se insumos, apesar de ter efetuado a opção pelo SIMPLES, não exerceu de fato a opção, tendo destacado, declarado e recolhido o IPI no regime do lucro presumido, situação não mais passível de retificação, é de se reconhecer o direito ao creditamento do IPI destacado nas notas Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10730.912787/200918 Acórdão n.º 3102002.364 S3C1T2 Fl. 11 3 fiscais de aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. DCOMP. LIVRO APÓS. CRÉDITO PARCIALMENTE UTILIZADO NA ESCRITA FISCAL ANTES DA TRASNMISSÃO DA DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Somente a parcela do saldo credor ressarcível apurado ao final do trimestre calendário que não foi utilizada para amortizar débitos de períodos de apuração subsequentes tornase apta a lastrear as compensações objeto de DCOMP transmitidas após a referida utilização parcial do crédito. Assim, cabe homologar as compensações declaradas até o limite daquela parcela do crédito ressarcível. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, importa registrar que a ora Recorrente não trouxe qualquer argumento contra a parte da decisão recorrida que limitou o direito de crédito à parcela do saldo credor ressarcível apurado ao final do trimestre calendário que não foi utilizada para amortizar débitos de períodos de apuração subsequentes. Assim, não cabe a este colegiado analisar o acerto ou não da decisão neste ponto. Dito isto, inferese que o deslinde da presente controvérsia gira em torno da apenas definição da possibilidade de se apropriar de créditos de IPI relativos à aquisição (i) de insumos de empresas optantes do Simples o direito ao crédito de IPI; e (ii) de produtos destinados ao uso e consumo. Fornecedor optante do Simples A matéria em questão foi inicialmente regulada pela Lei nº 9.317/96, que assim dispunha em seu art. 5º: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Esta disposição foi regulamentada pelo Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que determinava igualmente a vedação aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, em seu artigo 118: Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto Em 14 de dezembro de 2006, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei Complementar nº 123. Todavia, diferentemente do que alega a Recorrente, este diploma legal manteve a vedação ao crédito nas compras de insumos de empresas optantes do SIMPLES: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Referido enunciado normativo passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), nos seguintes temos: Art. 178. Às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES Nacional, é vedada: I a apropriação e a transferência de créditos relativos ao imposto; e II a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal Diante dessas disposições expressas, a conclusão é única: não é permitido a este colegiado, no exercício do controle de legalidade, reconhecer como possível o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Por outro lado, importa registar que a alegação da Recorrente no sentido de que tal vedação fere o princípio da não cumulatividade passa pelo exame da constitucionalidade destes dispositivos, matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, importa registar que a DRJ de Juiz Fora neste ponto realizou um trabalho primoroso, na medida em que não se contentou com a realidade formal. Isso porque limitou a glosa apenas àquelas operações realizadas efetivamente com empresas optantes do Simples, não estendo a limitação do crédito às operações realizadas com fornecedores de insumos que, apesar de ter efetuado a opção pelo SIMPLES, não exerceu de fato esta opção, tendo destacado, declarado e recolhido o IPI no regime do lucro presumido. Aquisição de produtos destinados ao uso e consumo Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10730.912787/200918 Acórdão n.º 3102002.364 S3C1T2 Fl. 12 5 No que se refere à alegação de improcedência da glosa de créditos do IPI sobre a aquisição de material para uso e consumo (CFOP 2556), também não assiste razão à Recorrente. O direito ao crédito de IPI está regulado pelo art. 25 da Lei nº 4.502/64 c/c o art. 164 do RIPI/02 (vigente à época dos fatos), que assim dispõem respectivamente: Art. 25. A importância a recolher será o montante do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do impôsto relativo aos produtos nêle entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Como é possível perceber, a legislação em referencia não assegura o direito ao crédito em relação aos produtos adquiridos genericamente considerados, restringindo o direito de crédito apenas às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. tributados e adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Assim, verificando que material para uso e consumo (CFOP 2556) não se subsume ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tampouco se trata de produto que integre o produto novo, sofra desgaste ou seja consumido na industrialização, não há como reconhecer o direito ao crédito. Os Pareceres Normativos CST n° 181/74 e CST n° 65/79 deixam bem evidente que no conceito de insumos não se incluem as partes e peças de máquinas, tampouco os bens do ativo permanente: 13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, às partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâminas de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. É pacífica a jurisprudência deste Tribunal Administrativo neste sentido: COMPRAS DE MATERIAL PARA USO OU CONSUMO. INEXISTÊNCIADODIREITOACRÉDITODOIPI. Ascomprasdematerialparausoouconsumonãodãodireitoacréditod oIPI.(CARF, Acórdão 3401002.688, 3ª Seção, 4ªCâmara, 1ªTurmaOrdinária, Sessão de 24 de julho de 2014) CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO E MATERIAL DE CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica o principio da nãocumulatividade em relação ao IPI pago na aquisição de bens do ativo permanente e material de consumo, sendo, portanto, indevido o seu creditamento. (CARF, Acórdão 330100.172, 3ª Seção, 3ªCâmara, 1ªTurmaOrdinária, Sessão de 13 de agosto de 2009) Por fim, importa esclarecer que a Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova para afastar a qualificação dos presentes produtos como destinados ao uso e consumo, limitandose a tecer argumentações genéricas relativas ao direito ao crédito. Neste contexto, resta evidente que deve ser mantida a presente glosa de créditos. Violação ao princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade Por outro lado, assim como o fez a DRJ, deixo de apreciar a alegação de inconstitucionalidade da exigência por violação ao princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10730.912787/200918 Acórdão n.º 3102002.364 S3C1T2 Fl. 13 7 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10845.002413/93-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISCUTIDOS EM JUÍZO, INCLUSIVE SOBRE OS QUE ESTAVAM AMPARADOS POR DEPÓSITOS JUDICIAIS POSTERIORMENTE LEVANTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. LEGITIMIDADE.
Segundo a súmula CARF nº 5, "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral".
A exceção contemplada pela citada súmula não se aplica aos casos em que os montantes depositados em juízo foram posteriormente levantados pelo sujeito passivo, amparado que foi por decisão judicial nesse sentido. A não incidência dos juros, diante das decisões judiciais que reconheceram a legitimidade do crédito tributário vergastado, vigoraria unicamente se os depósitos judiciais tivessem sido convertidos em renda da União.
Despojada a União dos tributos que lhe eram devidos, sujeita-se o recorrente, portanto, à incidência dos juros moratórios destinados à remuneração do Erário pela retenção indevida de seu capital.
Recurso ao qual se nega provimento
Numero da decisão: 3802-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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(incorporadora de Transportadora Atlântica Ltda.) Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DISCUTIDOS EM JUÍZO, INCLUSIVE SOBRE OS QUE ESTAVAM AMPARADOS POR DEPÓSITOS JUDICIAIS POSTERIORMENTE LEVANTADOS PELO SUJEITO PASSIVO. LEGITIMIDADE. Segundo a súmula CARF nº 5, "são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". A exceção contemplada pela citada súmula não se aplica aos casos em que os montantes depositados em juízo foram posteriormente levantados pelo sujeito passivo, amparado que foi por decisão judicial nesse sentido. A não incidência dos juros, diante das decisões judiciais que reconheceram a legitimidade do crédito tributário vergastado, vigoraria unicamente se os depósitos judiciais tivessem sido convertidos em renda da União. Despojada a União dos tributos que lhe eram devidos, sujeitase o recorrente, portanto, à incidência dos juros moratórios destinados à remuneração do Erário pela retenção indevida de seu capital. Recurso ao qual se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 24 13 /9 3- 50 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 2 Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo (fls. 191/197), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento formalizado contra a recorrente, nos termos do Acórdão nº 05.446, proferido em 1º de junho de 2004. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Em ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi apurada falta de recolhimento da contribuição para financiamento da seguridade social – Cofins, relativa aos períodos de apuração ocorridos entre abril e dezembro de 1992, razão pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 01, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, com o seguinte enquadramento legal: art. 1º, 2º, 5º, 9º e 10º da Lei Complementar 70/1991. 2. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, pela multa e pelos juros moratórios, calculados até março de 1993, perfaz o total de 161.570,25 Ufir (cento e sessenta e uma mil quinhentos e setenta unidades fiscais de referência e vinte e cinco centésimos). 3. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente intimado em 30.03.93, o contribuinte protocolizou, em 29.04.1993, a impugnação de fls. 17 a 31, acompanhada dos documentos de fls. 32 a 143, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. A impugnante ajuizou a Ação Ordinária 92.00426131, bem como a Medida Cautelar incidental 92.00490379, nas quais discute a legitimidade da exigência da Cofins, tal como instituída pela Lei Complementar 70/91. Portanto, havia litispendência no tocante a esta matéria, que se tornou litigiosa com as ações ajuizadas. Diante destes fundamentos, é vedado à União alterar o estado de fato vigente, quando da citação, visto caracterizar atentado. Neste contexto, a lavratura de auto de infração com imposição de multa constitui violação ao direito de ação, de ampla defesa e ao devido processo legal, pois não houve ilícito tributário que justifique a medida. 3.2. A discussão judicial da contribuição não traz qualquer prejuízo para a União, pois, em caso de insucesso da autora, os valores devem ser recolhidos aos cofres públicos no prazo do art. 160 do CTN. Ademais, enquanto não dirimida a questão, não é lícito à Administração invadir o direito de propriedade do contribuinte. 3.3. O lançamento deve se limitar ao valor da contribuição devida, sem a imposição de multa, pois sua finalidade é apenas evitar a decadência do crédito tributário. Tal como na consulta fiscal, também no caso de ação Fl. 345DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 10845.002413/9350 Acórdão n.º 3802004.064 S3TE02 Fl. 247 3 declaratória deve ser afastada a imposição de juros e multa moratória, mesmo diante da ausência de liminar ou depósito. 3.4. O crédito tributário tem sua exigibilidade suspensa em razão dos depósitos judiciais, relativos aos períodos de apuração de abril a agosto de 1992, efetuados nos autos da Medida Cautelar 92.00490379, e, para os períodos subseqüentes, em virtude da liminar concedida no Mandado de Segurança 92.03.522654, de modo que a autuação caracteriza atentado. 3.5. Por fim, pede a impugnante que seja cancelado o auto de infração lavrado. 4. Na “Informação Fiscal” de fls. 145 a 149 a autoridade autuante afirma que, diante da ausência de recolhimento da contribuição devida, não restou outra alternativa à Fiscalização senão lançar o crédito tributário, inclusive com os acréscimos legais devidos. O cumprimento da lei pela autoridade administrativa não configura atentado. Ademais, o lançamento teve apenas a finalidade de prevenir a decadência, já que a litispendência não interrompe o curso do prazo decadencial, ficando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Não há autorização legal para deixar de aplicar os acréscimos legais na hipótese de lançamento de ofício. Por fim, propõe a autoridade que seja mantida a autuação, considerandose suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 5. Mediante o despacho de fls. 187 o processo administrativo foi encaminhado a esta DRJ/SPO I, para julgamento da impugnação interposta. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, como já dito, foram acolhidos apenas em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, que, em seu julgamento, exonerou o montante de R$ 78.864,42 a título de multa de ofício de 100%, tendo mantido, no entanto, a quantia de R$ 78.864,42 a título de COFINS. O Acórdão correspondente foi assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/1992, 31/05/1992, 30/06/1992, 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992 Ementa: DEPÓSITO JUDICIAL LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA MULTA JUROS LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA A existência de depósitos judiciais do montante integral do tributo devido e de liminar em mandado de segurança afasta a imposição de multa de ofício. Os juros moratórios são incorridos quando não pago o tributo na data de vencimento prevista na legislação, independentemente da propositura de ação judicial e do depósito dos valores devidos. Mesmo diante da suspensão da exigibilidade do crédito tributário é cabível o lançamento de ofício para prevenir decadência. Lançamento Procedente em Parte Cientificada da referida decisão em 21/08/2008 (fls. 206), a interessada, em 19/09/2008 (fls. 232), apresentou o recurso voluntário de fls. 232/243, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos seguintes argumentos: a) que a contagem dos juros moratórios não deveria considerar como termo inicial os respectivos fatos geradores, uma vez que "[...] até o dia Fl. 346DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 4 15/12/2001, os valores referentes aos meses de abril a agosto de 1992 estavam depositados judicialmente, portanto, até esta data, não havia, por parte da Recorrente, nenhum descumprimento de obrigação tributária, seja ela acessória seja ela principal"; b) que "somente após o desaparecimento da causa suspensiva da exigibilidade do crédito há que se falar na incidência dos juros moratórios, pois o crédito passou a ser exigível [...]"; c) assim, "até o dia 15/12/01 a Recorrente não havia descumprido nenhuma norma legal, pois os valores referentes aos meses de abril/92 a agosto/92 estavam depositados"; d) que seria indevida a exigência de juros moratórios correspondente a período em que os valores depositados estavam sob a custódia do Poder Judiciário; e) quanto ao período de setembro a dezembro de 1992, o crédito correspondente encontravase com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar, tornandoo, assim, inexigível; "nesse passo, até a publicação final da decisão que denegou a segurança postulada, a Recorrente não se encontrava em mora"; f) ressalta que "o enunciado do artigo 161, do Código Tributário Nacional, é claro ao determinar que somente o crédito tributário não pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora"; g) assim, "a Recorrente nunca esteve em mora, não devendo, portanto, os juros incidentes sobre o crédito pago no devido prazo, qual seja, 30 (trinta) dias após a publicação da decisão final", em sintonia com o artigo 160 do CTN, c/c artigo 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96; h) que "durante o período de suspensão de exigibilidade do crédito tributário vige decisão judicial que inibe o vencimento do referido crédito"; i) que a COFINS só teria se tornado exigível como trânsito em julgado da decisão denegatória; j) apresenta doutrina e jurisprudência em sintonia com os argumentos apresentados. Diante do exposto, requer: a) em relação aos valores depositados, a contagem dos juros moratórios se inicie após levantamento dos valores, que se deu em 15/12/2001; b) em relação aos valores suspensos, a contagem dos juros moratórios se inicie após o trânsito em julgado da decisão judicial do processo nº 92.00426131 O presente processo foi distribuído para este relator na sessão do dia 28/01/2015, tendo sido indicado para a pauta de julgamento da primeira sessão seguinte à sua distribuição. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 10845.002413/9350 Acórdão n.º 3802004.064 S3TE02 Fl. 248 5 É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Há, portanto, que ser conhecido. A recorrente entrou com a medida cautelar inominada nº 92.00490379, incidental à ação declaratória principal nº 92.00426131 que visa a declaração de inexistência de relação jurídicotributária que a obrigasse ao recolhimento da COFINS , para que, até a decisão final, a autora não estivesse sujeita à imposição de penalidade ou a qualquer caução, depósito em dinheiro ou acréscimo. A liminar em tela não foi concedida, tendo o magistrado, na análise do pedido de reconsideração, recebido a postulação como agravo de instrumento (nº 92.606628). Diante disso, a interessada impetrou mandado de segurança (nº 92.03.522654) por meio do qual requereu a concessão de liminar para que fosse suspensa a exigibilidade do crédito tributário enquanto não fosse julgada a ação principal. Segundo o despacho de fls. 156, o mandado de segurança é objeto do processo administrativo nº 10880.087272/9101. Há ainda, o processo administrativo nº 10845.003414/9358, que, juntamente com o de nº 10880.087272/9101, foi juntado ao presente. Muito embora aludidos processos não tenham sido digitalizados (consta do e processo unicamente os termos de juntada dos mesmos por apensação em 02/01/2015), noticia o despacho de fls. 156: a) que o contribuinte, via mandado de segurança, logrou a obtenção de liminar a qual, no entanto, foi "posteriormente cassada, tendo em vista a decisão de primeira instância confirmada pelo TRF"; b) que muito embora tenham sido efetuados "alguns depósitos judiciais do que seriam as importâncias devidas, entretanto, por decisão do TRF (fls. 153 do processo 10880.087272/9201) embora tenham perdido a ação mandamental, por uma questão processual, o Juízo autorizou os contribuintes a levantarem de tais depósitos" (grifei); c) reitera, pois, que "desta forma, nenhum pagamento houve quanto aos créditos tributário constituídos pelos autos de infração". Não obstante os processos administrativos acima citados (nos 10880.087272/9101 e 10845.003414/9358) não estejam disponíveis para consulta no e processo, há, nos autos do presente processo administrativo, elementos suficientes para a resolução da lide. Às fls. 158/159 e 162/166 foram juntadas cópias das decisões judiciais proferidas nos autos da ação cautelar nº 92.00490379, que negaram o pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Às fls. 160/161 consta cópia da sentença prolatada na ação declaratória nº 92.00426131, que reconheceu a constitucionalidade da COFINS e julgou improcedente o Fl. 348DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS 6 pedido da autora. Tal entendimento foi mantido pela 4ª Turma do TRF da 3ª Região (onde a ação foi protocolizada sob o nº 95.03.0686237), a qual, no entanto, considerou que o juízo a quo decidiu ultra petita na parte em que determinou a conversão dos depósitos judiciais em renda da União (v. fls. 168/172 fls. 261/265 da cópia digitalizada no eprocesso). Alicerçada nesse entendimento, a interessada, na ação cautelar nº 92.00490379, peticionou o levantamento dos valores depositados em juízo, o que foi deferido mediante a decisão de fls. 175 (fls. 268 do eprocesso). O correspondente alvará de levantamento está acostado às fls. 176. Patente, pois, relativamente a TODOS os créditos tributários objeto dos autos, inclusive aqueles correspondentes ao período de abril a agosto de 1992, que não há nenhum depósito do montante integral, posto que todos os depósitos outrora realizados pelo sujeito passivo foram levantados pelo mesmo, que peticionou nesse sentido junto ao Poder Judiciário, conforme demonstrado. Não me parece legítimo que a recorrente, agora, alicerçada em condição com respeito à qual ela mesma atuou de forma comissiva para modificar, requeira a não incidência dos juros de mora sobre o período de abril a agosto de 1992. Diferentemente seria se a interessada, ciente do indeferimento de seu pleito pelo Poder Judiciário, tivesse pleiteado a conversão dos valores em renda da União. Aí sim, entendo, não deveriam incidir os juros moratórios. Não obstante, estáse diante de realidade em que, como já dito, não foi oferecida nenhuma garantia com respeito à totalidade dos créditos tributários objeto do presente litígio, de sorte que é legítimo, sim, a incidência dos juros moratórios sobre todos os correspondentes valores. Tal entendimento está alicerçado pelo caput do artigo 161 do Código Tributário Nacional, segundo o qual o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) Portanto, falecem também os argumentos da suplicante inerentes à não incidência dos juros moratórios quanto aos créditos cuja exigibilidade permaneceu temporariamente suspensa por decisão judicial. No mais, a questão em tela já está sumulada por este Conselho, conforme se depreende da leitura de sua Súmula nº 5, abaixo transcrita: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A exceção contemplada pela Súmula CARF nº 5, acima reproduzida, repita se, não se aplica ao caso presente, já que os montantes depositados em juízo foram levantados pela suplicante, a qual, à luz das decisões judiciais que reconheceram a constitucionalidade da COFINS, deveria ter pleiteado a conversão dos mesmo em renda da União. Não tendo adotado tal medida, sujeitase a interessada, portanto, à incidência dos juros moratórios destinados à remuneração da União pela retenção indevida de seu capital. Da conclusão Fl. 349DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS Processo nº 10845.002413/9350 Acórdão n.º 3802004.064 S3TE02 Fl. 249 7 Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 24 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 350DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BA RROSO RIOS
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Numero do processo: 13896.002619/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOAQUIM TADEU DE SOUZA CAMPOS
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por Por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por Por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 02 61 9/ 20 10 -4 3 Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13896.002619/201043 Resolução nº 2202000.498 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, JOAQUIM TADEU DE SOUZA CAMPOS, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física. Uma das supostas infrações cometida foi de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise referemse ao anos calendário de 2005 e 2006 tendo sido obtidas as informações mediantes RMF de fls. 168, 208 e 257. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13896.002619/201043 Resolução nº 2202000.498 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13896.002619/201043 Resolução nº 2202000.498 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13896.002619/201043 Resolução nº 2202000.498 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13896.002619/201043 Resolução nº 2202000.498 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10855.001176/2004-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
Nulidade - Depósito Bancário - Falta de intimação do Co-titular
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Sumula 29 CARF)
Numero da decisão: 2202-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade arguída para dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que rejeitava a preliminar
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA.
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Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001 Nulidade - Depósito Bancário - Falta de intimação do Co-titular Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Sumula 29 CARF)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade arguída para dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que rejeitava a preliminar (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA. .
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Acordam os membros do colegiado por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade arguída para dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que rejeitava a preliminar (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 11 76 /2 00 4- 13 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA. . Fl. 395DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10855.001176/200413 Acórdão n.º 2202003.015 S2C2T2 Fl. 602 3 Relatório Em ação levada a efeito na contribuinte acima qualificada, apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 1.326.353,59 (um milhão, trezentos e vinte e seis mil, trezentos e cinqüenta e três reais e cinqüenta e nove centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física — OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS, nos anoscalendário 1999 e 2000, sendo R$ 552.139,80 referentes ao imposto, R$ 414.104,84 referentes à multa proporcional e R$ 360.108,95 referentes aos juros, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 270 a 272.. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 265 e 266) e nos dá conta, segundo relato, de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em Instituições Financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados na operação. O Auto de Infração foi lavrado em 04/05/2004, tomando o autuado ciência em 10/05/2004, via postal, AR de fl. 275, tendo ingressado com a impugnação (fls. 277 a 304), em 09/06/2004. Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SPOII, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1725.254, de 27 de maio de 2008. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Nulidade Falta de Intimação Contaconjunta Podemos verificar nos autos do presente processo administrativo que as contas correntes do Banco do Brasil, Bandeirantes e Itaú, tinham dois titulares, e um deles não foi devidamente intimado para comprovar a origem dos depósitos nelas referidos. O fato é que, em momento algum, os cotitulares foram chamado aos autos para justificar ou informar a respeito da movimentação que lhes cabia em cada uma das contas bancárias, o que macula o procedimento fiscal como um todo. Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado o comentado do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. .... “§ 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” (grifouse) Fl. 397DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10855.001176/200413 Acórdão n.º 2202003.015 S2C2T2 Fl. 603 5 Tratase, pois, de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Constatese que há dois requisitos exigidos pelo dispositivo retrotranscrito: 1º. que os titulares da conta conjunta tenham apresentado declaração de rendimentos em separado, o que efetivamente aconteceu, conforme se extrai da declaração de ajuste anual do Contribuinte, 2º. que todos os titulares da conta corrente sejam intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários. É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro titular da referida conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independentemente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto, não foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias. Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se vê das seguintes ementas: “DEPÓSITO BANCÁRIO CONTA CONJUNTA Tratandose de conta conjunta, é imprescindível que todos os titulares estejam sob o procedimento de ofício. Ademais, o lançamento com base em depósitos bancários deve ter a base tributável dividida pelo número de titulares da conta conjunta, nos casos em que estes tenham rendimentos próprios e declarem em separado.” (Acórdão nº 10421006, de 13.09.2005, Relatora Cons. Meigan Sack Rodrigues) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatório intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de ofício, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6º do artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Exigência cancelada.” (Acórdão nº 10247838, de 16.08.2006, Relator Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva) Fl. 398DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 “... OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. ...”(Acórdão nº 10421419, de 23.02.2006, Relator Cons. Pedro Paulo Barbosa) Tal posicionamento foi ratificado através da Súmula nº 29 do CARF, que foi publicada através da Portaria de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, supratranscrita, eis que ambas as contas correntes cujos depósitos não tidos como não comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável pelo número dos titulares, na esteira da jurisprudência desse respeitável tribunal administrativo. Diante, disso conheço do recurso e no mérito dou provimento. . (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 399DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000047/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
- Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/96, presumem-se receitas omitidas os depósitos bancários cuja regular origem não for comprovada pelo contribuinte. Mantêm-se os lançamentos quando corretas as bases de cálculo utilizadas e calculados os tributos com base nas alíquotas previstas na sistemática do SIMPLES. Correta a exclusão do regime de tributação do SIMPLES, uma vez configurada a extrapolação de receitas tributáveis no período considerado. Recurso negado.
SIMPLES. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do montante mensal devido a título de SIMPLES, não cabe a invocação assim das normas atinentes ao lucro real onde a renda disponível é obtida pela diferença entre as receitas e as despesas efetivas do sujeito passivo.
SIMPLES. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASE E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do montante mensal devido a título de SIMPLES, a base de cálculo é idêntica para todos os tributos abarcados pelo regime.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção.
JUROS SOBRE MULTA.
A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere-se à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna corno base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.
APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DO SÓCIO GERENTE.
O administrador de fato que infringe as normas tributárias com o objetivo de omitir rendimentos à tributação deve figurar como responsável pelo débito da empresa contribuinte
Numero da decisão: 1401-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão .
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2006 Ementa: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. - Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/96, presumem-se receitas omitidas os depósitos bancários cuja regular origem não for comprovada pelo contribuinte. Mantêm-se os lançamentos quando corretas as bases de cálculo utilizadas e calculados os tributos com base nas alíquotas previstas na sistemática do SIMPLES. Correta a exclusão do regime de tributação do SIMPLES, uma vez configurada a extrapolação de receitas tributáveis no período considerado. Recurso negado. SIMPLES. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do montante mensal devido a título de SIMPLES, não cabe a invocação assim das normas atinentes ao lucro real onde a renda disponível é obtida pela diferença entre as receitas e as despesas efetivas do sujeito passivo. SIMPLES. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASE E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do montante mensal devido a título de SIMPLES, a base de cálculo é idêntica para todos os tributos abarcados pelo regime. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo refere-se à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna corno base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DO SÓCIO GERENTE. O administrador de fato que infringe as normas tributárias com o objetivo de omitir rendimentos à tributação deve figurar como responsável pelo débito da empresa contribuinte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão . (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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Recorrente O G ARTIGOS PARA INFORMÁTICA E APARELHOS ELETRO ELETRÔNICOS LTDA ME e OTTO AZEVEDO GRACI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2006 Ementa: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/96, presumemse receitas omitidas os depósitos bancários cuja regular origem não for comprovada pelo contribuinte. Mantêmse os lançamentos quando corretas as bases de cálculo utilizadas e calculados os tributos com base nas alíquotas previstas na sistemática do SIMPLES. Correta a exclusão do regime de tributação do SIMPLES, uma vez configurada a extrapolação de receitas tributáveis no período considerado. Recurso negado. SIMPLES. DEDUÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do montante mensal devido a título de SIMPLES, não cabe a invocação assim das normas atinentes ao lucro real onde a renda disponível é obtida pela diferença entre as receitas e as despesas efetivas do sujeito passivo. SIMPLES. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASE E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do montante mensal devido a título de SIMPLES, a base de cálculo é idêntica para todos os tributos abarcados pelo regime. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 47 /2 01 1- 12 Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 2 n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna corno base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DO SÓCIO GERENTE. O administrador de fato que infringe as normas tributárias com o objetivo de omitir rendimentos à tributação deve figurar como responsável pelo débito da empresa contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão . (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela OG Artigos de Informática e Aparelhos EletroEletrônicos LTDA ME contra o Acórdão proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Ribeirão PretoSP – DRJ/RPO, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas pela contribuinte e seu sócio administrador, e improcedente a manifestação de inconformidade ofertada. Por bem descrever os fatos, adotase parcialmente o Relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 12901325): Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração (ciência em 18/03/2011) exigindolhe os Impostos e Contribuições integrantes do Simples, ou seja, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 55.276,28 (fl. 1070), Contribuição para o PIS no valor de R$ 40.553,75 (fl. 1080), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 56.559,44 (fl. 1090), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 166.477,29 (fl. 1101) e Contribuição para Seguridade Social – INSS de R$ 478.300,06 (fl. 1112), acrescidos de juros de mora e multa de ofício,perfazendo o crédito tributário de R$ 2.374.847,35 (fl. 02), em virtude de omissão de receita não escrituradas e insuficiência de recolhimentos em razão da mudança de faixa das alíquotas provocada pela inclusão da receita omitida. Em procedimento fiscal de diligência instaurada contra a contribuinte acima identificada, conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal n° 08109002009014796, foi ela intimada em 15/10/2009 a apresentar, de imediato, cópia do contrato social e alterações; Livro Diário; Livro Razão; Livro Caixa; Livro Registro de Entradas de Mercadorias; Livro Registro de Saídas de Mercadorias; Livro Registro de Apuração de ICMS; Livro Registro de Apuração de IPI; Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência; e as Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou de Serviços, tudo relativamente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006 (fls. 21/22). Foi lavrado na mesma data (15/10/2009) o Termo de Retenção de fl. 42, no qual consta a retenção de talões de notas fiscais de saída de mercadorias, no total anual de R$26.177,00 (fl. 44). À fl. 43 a autoridade fiscal relacionou os documentos apresentados: a) Registro de Entradas, b) Contrato Social e Alterações, c) Registro de Util. de documentos fiscais e Termos de Ocorrências, d) Notas fiscais de saídas de 2.006, e) Livro Registro de Inventário (Sem estoque), f) Planilha (manuscrita) e informou não ter Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 4 apresentado o Livro de Registro de Saídas e Resumo do ICMS. A contribuinte, por sua vez (fl. 23), informou estar extraviado o livro Caixa. Da análise da documentação apresentada cotejada com as informações constantes do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB, a fiscalização constatou que a empresa declarou receita bruta anual de R$ 26.177,00, relativamente ao anocalendário de 2006, e apresentou notas fiscais no montante de R$ 22.177,00, portanto compatível com a receita declarada a SRFB, mas incompatível com a sua movimentação financeira no mesmo período que foi de R$ 5.917.928,02. Além disso, a contribuinte teria deixado de apresentar os Livros Diário/Razão ou Caixa, bem como seu Livro de Registro de Saídas. Em razão disso, a diligência foi transformada em fiscalização e a contribuinte foi intimada, através do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 45/47), a apresentar os Livros Diário/Razão ou Caixa do ano de 2006, o Livro de Registro de Saídas e o Livro de Apuração do ICMS referentes ao ano de 2006, bem como os extratos de todas as contas correntes bancárias pertencentes ao contribuinte movimentadas nas instituições financeiras no ano de 2006. Em 17/11/2009 a contribuinte solicitou prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias (fl. 48), tendo sido concedido prorrogação até 17/11/2009 (fl. 48). Não tendo a contribuinte atendido à intimação, foi ela novamente intimada em 23/02/2010 (fls. 54/56). Novamente, decorrido o prazo sem que a contribuinte tivesse atendido a intimação, e tendo em vista que a receita bruta declarada era incompatível com a movimentação financeira, a fiscalização concluiu que os extratos bancários eram imprescindíveis para se apurar a receita bruta e, então, requisitou às instituições financeiras (Banco do Brasil e Banco Bradesco fls. 60/152 e 157/224) a movimentação financeira da contribuinte. Às fls. 60/152 e 157/224 foram juntados os documentos fornecidos por essas instituições financeiras. De posse dos extratos bancários, a fiscalização procurou excluir dos depósitos/créditos as transferências de mesma titularidade, os estornos, empréstimos e demais créditos que não decorrentes da atividade comercial, e apurou um montante de créditos no valor de R$ 6.148.418,58. Tais créditos foram relacionados e individualizados na planilha 1 anexa ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal Sefis n° 328/2010 (fl. 232), pelo qual foi a contribuinte intimada a identificar, se for o caso, no prazo de 20 dias, mediante documentação hábil e idônea. quais dos créditos relacionados na planilha 1 que não são provenientes da sua atividade comercial. Não atendida à intimação, a contribuinte foi novamente intimada para o mesmo fim, conforme Termo de Reintimacão Fiscal Sefis nº 357/2010, lavrado em 17/09/2010 (fl. 291), e memo assim nada apresentou conforme consta no Termo de Encerramento Fiscal à fl. 1149. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 4 5 Considerada imprescindível a identificação (CNPJ/CPF) dos remetentes dos depósitos e transferências recebidos pela fiscalizada e os reais beneficiários dos seus resultados, a fiscalização requisitou ao Banco Bradesco cópia de alguns cheques e a identificação dos remetentes, o que foi atendido com a apresentação dos documentos de fls. fls.307 a 835. Com base nas informações recebidas, a fiscalização selecionou, por amostragem, as pessoas físicas e jurídicas, e em seguida, as intimou a esclarecer a natureza da operação que motivaram os pagamentos efetuados a empresa OG. Das respostas às intimações a fiscalização concluiu que os clientes da fiscalizada efetuaram vários depósitos em cheques de terceiros (de clientes seus) nas contas correntes da fiscalizada, ou seja. a natureza das operações que originaram os depósitos e transferências creditados nas contas correntes da fiscalizada são decorrentes da atividade comercial desenvolvida pela fiscalizada. Conclui ainda que a fiscalizada efetuou vendas sem emitir notas fiscais e que auferiu no ano calendário de 2006 receita bruta no montante de R$ 6.148.418.58 e que ofereceu à tributação apenas cerca de 0.42% das receitas auferidas. Esse procedimento teria se dado de forma reiterada, durante todos os meses do ano calendário de 2006, com a intenção dolosa de se manter enquadrada no SIMPLES, regime simplificado e favorecido de tributação, e assim pagar menos impostos. Conforme Demonstrativo de fl. 1154, a fiscalização relacionou, mês a mês, a receita apurada e a receita declarada e, por diferença, apurou a receita omitida. Informou que os valores declarados na DIPJ foram devidamente deduzidos dos valores tributados. Sobre os tributos e contribuições apurados foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fulcro no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, sob a argumentação de que o “conjunto probatório trazido nos autos. sólido e suficiente no sentido de confirmar a prática dolosa da fiscalizada que quis o resultado de sonegar tributos, ao não emitir documentos fiscais, com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da fazenda pública da ocorrência do fato gerador, materializa as hipóteses previstas nos artigos 71 e 72 da lei 4502/64 e enseja a majoração da multa de ofício para 150% nos termos do inciso ii do artigo 44 da lei 9430/96”. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva em nome de OTTO AZEVEDO GRACI pelo crédito tributário apurado na pessoa jurídica, sob a argumentação de que, no ano fiscalizado, a administração da empresa foi exercida por ele, sendo ele responsável pela prática contumaz de omitir receitas de quase totalidade das receitas auferidas e de não Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 6 emitir documentos fiscais e, ainda, por ser ele o real beneficiário dos resultados da sonegação praticada pela fiscalizada. Diante desses fatos, estaria caracterizada a sujeição passiva solidária de Otto Azevedo Graci, CPF 943.704.27800, conforme dispõem os artigos 135, III e 137, I, do CTN. No termo de Conclusão Fiscal (fls. 1157/1158) a fiscalização ressaltou que no ano de 2006 a administração da sociedade foi exercida pelo sócio OTTO AZEVEDO GRACI conforme contrato social e alterações, sendo ele que assinava os cheques e que a maioria deles foram emitidos no valor de R$ 9.900,00 nominais ao Sr Wagner Volta e que foram sacados na "boca do caixa". Acrescentou que, em depoimento, o Sr Wagner Volta declarou que prestou serviços de confiança ao Sr. Otto, principalmente, desconto de chegues e pagamentos de contas e entregava o troco para o Sr OTTO e que às vezes o Sr Otto lhe pagava alguma gratificação. Tendo em vista que a receita bruta apurada no ano calendário de 2006 foi superior os limites de R$ 240.000,00 e R$ 2.400.000.00, estabelecidos pela legislação para que a empresa pudesse ser mantida neste regime tributário diferenciado e favorecido, na condição de Micro Empresa e Empresa de Pequeno Porte, foi emitido o Ato Declaratório Executivo n° 51, de 16/03/2011, excluindo a empresa do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2007, conforme incisos I e II do art. 9º, inciso I do art. 14 e inciso IV do artigo 15, todos da Lei n° 9.317/1996. Também foi emitido o Ato Declaratório Executivo n° 52, de 16/03/2011, excluindo a empresa do Simples Nacional, por ter incorrido nas hipóteses previstas no artigo 3º da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, com efeitos a partir de 01/07/2007. Inconformada, a contribuinte ingressou com a Impugnação de fls. 1214/1245 contra o auto de infração e com a Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo n. 051, de 16 de março de 2011. DA IMPUGNAÇÃO 1 Do sigilo bancário e de dados. Direito fundamental (art. 5°, CF). Alegou que foi quebrado o sigilo bancário da Impugnante, sem qualquer, observação dos competentes requisitos legais e inconstitucionais (incisos X e XII, ambos do art. 5º da Constituição Federal), o que poderia se dar somente pelo Poder Judiciário mediante razões fáticas fortemente plausíveis e por ato judicial. 2 Da ofensa ao devido processo legal administrativo. Alegou ter sofrido flagrante restrição a um direito individual (inviolabilidade de domicilio, sigilo de dados), com respectivas consequências legais, sem a observância do devido processo legal, pois já a partir da conclusão da Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 5 7 fiscalização realizada, que é unilateral, impõese sanção com suas conseqüência jurídicas imediatas, o que lhe causou flagrantes e irreparáveis prejuízos, sem lhe possibilitar, antes disso, um devido processo legal. 3 Omissão de Receitas Depósitos Bancários não Contabilizados. Alegou que, acaso superadas as alegações acima, é preciso também terem mente que, para a apuração de renda (no sentido do artigo 43 do CTN, como aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica), pesam preponderantemente o confronto entre entradas e despesas, ambas devidamente identificadas, e que o autuante não disfarça o fato de ter se esquecido das despesas, pois, em nenhum momento, faz alusão á elas. Além disso, o lançamento com base em extratos bancários vem sendo rechaçado pela jurisprudência e que é preciso ter em mente que os extratos bancários podem conter empréstimos, valores liberados por cheques especiais, circulação de valores entre bancos, e muitas outras situações que não afetam a renda da Impugnante em cada ano, porquanto não representam "plus". Alegou ainda que a falta de apresentação de planilha contendo os depósitos bancários no termo de verificação fiscal acarretou a impossibilidade de a Impugnante demonstrar a inexistência de omissão de receitas, pautada simplesmente em presunção, o que basta para demonstrar a necessidade de realização da competente prova pericial. 4 Diferenças de Simples. Abatimento do montante recolhido a título de simples. Contestou a exigência de diferenças do SIMPLES e alegou que os valores recolhidos a título de SIMPLES devem ser abatidos (compensados) do montante lançado. 5 Indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. Alegou inconstitucionalidade do art 3º, §1º da L 9.718/98. por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal e concluiu que os valores de ICMS não podem ser incluídos na base de cálculo do PIS, uma vez que não configuram faturamento e também não tem relação com o conceito de receita, sendo indevida sua inclusão. 6 Exclusão da comissão cobrada quanto ao cartão de credito ou de débito da base de cálculo do PIS/COFINS. Alegou que, por se tratar de receita de terceiro, de rigor a exclusão da comissão cobrada pelas administradoras de cartão de crédito e débito a título de PIS e COFINS. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 8 7 Dos Juros SELIC Aplicados Alegou que os juros são devidos à razão de 1 % (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1o , do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. 8 Da Multa Confiscatoria Aplicada Alegou que o valor da multa de 150%, é de evidente irrazoabilidade e confisco, principalmente, em virtude da Impugnante, em momento algum, ter sonegado as informações solicitadas. Além disso, não houve a demonstração, comprovação e configuração de condutas que possam ser qualificadas como de evidente intuito de fraude, pois não basta alegar genericamente em virtude da mera atuação fiscal, é preciso demonstrar claramente em qual tipo suposta conduta resta enquadrada, além de apresentar as provas, o que não teria ocorrido. 9 Da não incidência de juros sobre a multa. Alegou que haverá incidência de juros SELIC sobre o montante cobrado a título de multa, mas que, no entanto, não procede a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor por, ficar privado do uso de seu capital, conforme ensina Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, 2o vol. Pág. 322), eles devem incidir somente sobre o que não foi passado aos cofres públicos, que diz respeito tão somente à obrigação principal. Acrescentou que não existe previsão legal para a incidência dos juros sobre a multa, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Por isso, os juros sobre a multa lançada não podem prosperar. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 1 Da presunção de omissão de receitas Alegou que não basta a simples presunção "ad hominis" levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas para dar fundamento ao Ato Declaratório Executivo que culminou corria exclusão do Simples. É preciso que a fiscalização apresente ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS SEGUROS da suposta omissão de receitas, o que não foi feito. Estamos, indubitavelmente, diante de um caso em que as autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta ao Impugnante, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal. Concluiu que o ato declaratório é fruto de mera presunção "ad hominis", sem embasamento em prova que possa vaticinar a conduta praticada pela autoridade administrativa, sendo de rigor sua insubsistência, uma vez que estamos diante de um Estado Democrático de Direito. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 6 9 2 Da obtenção de prova ilícita/ofensa aos princípios constitucionais do sigilo bancário. Alegou ilegalidade a quebra de sigilo bancário em processamento fiscal, pela simples solicitação do Fisco, sem a autorização prévia do Poder Judiciário, e que nem mesmo a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, não tem o condão de tomar o Fisco Federal independente de autorização judicial e concluiu que é de rigor que se verifique que todo o procedimento fiscal já nasceu nulo de pleno direito porque inobservou direitos constitucionais básicos inerentes ao cidadão. Contestou a tributação com base em depósitos bancários alegando que nem tudo que entra no caixa da impugnante, independentemente da escrituração contábil (uma vez que ela não pode criar fatos, apenas retratálos), pode ser considerado faturamento e que o Conselho de Contribuintes já pacificou entendimento no sentido de não admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita, para fins de lançamento tributário. 3 Da impossibilidade de efeito retroativo da exclusão Alegou que é preciso deixar claro que resta impossível os efeitos da exclusão do Simples retroagirem à data de 01/01/2004, nos termos propostos pelo art. 2º do Ato Declaratório Executivo, pois a Lei 9.732/98 que alterou o art. 15º, II, da Lei 9.317/96 está em plena validade, o que nos permite afirmar que os efeitos da exclusão do Simples somente se operam a partir do mês subseqüente à aludida exclusão, ou seja, a partir de 23/19/2008 e não a partir de 01/01/2004. Ademais, as situações jurídicas anteriores ao Ato Declaratório não podem infringir o principio da irretroatividade das normas, sendo imperiosa a aplicação do principio da irretroatividade da norma, estampado no art. 150, II, a, da Constituição Federal. Requereu que seja acolhida a impugnação, especialmente, para se julgar improcedente o ato de exclusão mantendo a impugnante no SIMPLES, como medida de legalidade. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR OTTO AZEVEDO GRACI OTTO AZEVEDO GRACI apresentou a impugnação de fls. 1253/1274, aduzindo como razões de defesa o seguinte: 1 Dever de obediência ao devido processo legal. Necessidade de lançamento tributário. Alegou que o devido processo legal não foi observado para a inclusão de OTTO AZEVEDO GRACI como coresponsável, pois, conforme auto de infração, este não foi devidamente incluído, mas tão somente citado no relatório fiscal, e não houve qualquer lançamento tributário para sua Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 10 inclusão coresponsável, cujo administrativo tributário é obrigatório, inclusive, em relação à imposição de responsabilidade tributária solidária, sob pena de evidente desrespeito ao art. 142 do Código Tributário Nacional e ao devido processo legal administrativo (art. 5º, incisos LIV e LV.da Constituição Federal). 2 Inconstitucionalidade e Ilegalidade. A responsabilidade tributária. Impossibilidade. Após fazer algumas considerações a respeito dos art. 124 e 135 do CTN, alegou, em síntese, que, a) em regra, a pessoa jurídica e seus sócios possuem deveres e obrigações distintas; b) que o art. 135, III, do CTN, responsabiliza os sócios gerentes de pessoas jurídicas de direito privado no caso de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes, ou infração de lei, de contrato social ou estatutos; mas que não existe no presente caso inadimplemento da pessoa jurídica muito menos do impugnante, e mesmo que existisse este não seria suficiente para responsabilizar os sócios com seus bens particulares, c) não houve a descrição e prova de supostas condutas fraudulentas e dolosas praticadas, especificamente, pelo impugnante, cujo ônus ao Fisco incumbia. Requereu seja acolhida a impugnação e que seja julgando improcedente o lançamento tributário no tocante à imputação de responsabilidade tributária, como medida de legalidade. É o relatório. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as impugnações apresentadas, e improcedente a manifestação de inconformidade ofertada, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 7 11 devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/1996. Os valores dos depósitos cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO OBRIGAÇÃO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que, no exercício de sua administração praticaram os sócios, gerentes ou representantes da pessoa jurídica atos com excesso de poderes ou infração de lei, tipificada estará a sua responsabilidade prescrita pelo art. 135 do Código Tributário Nacional. Tal responsabilidade é pessoal, mas não exclusiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificados do Acórdão, a contribuinte e o Sr. Otto Azevedo Graci, responsável tributário, interpuseram conjuntamente o recurso voluntário de fls. 1333 a 1430, no qual arguiram novamente todas as matérias discutidas em sede de impugnação e manifestação de inconformidade, em suma: i) a nulidade do lançamento pela quebra de sigilo bancário da Recorrente, por meio da requisição de movimentação financeira às instituições financeiras; ii) a nulidade do procedimento fiscal, em virtude de afronta ao devido processo legal, em decorrência da quebra de sigilo bancário levada a efeito; iii) A inconsistência do auto de infração em virtude da ausência de análise das despesas realizadas pela Recorrente, face à natureza diversa de “renda” da movimentação bancária da Recorrente, bem como diante Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 12 da impossibilidade de justificar as entradas de dinheiro no período fiscalizado; iv) A insubsistência do auto de infração em virtude da impossibilidade do lançamento com base em extratos bancários, de que resultou cerceamento de defesa; v) A improcedência da tributação sobre os reflexos ao IRPJ; vi) A necessidade de abatimento dos valores recolhidos sob o regime do SIMPLES; vii) A impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; viii) Exclusão da comissão cobrada quanto ao cartão de crédito ou de débito da base de cálculo do PIS/COFINS e a impossibilidade de inclusão de receitas oriundas da venda de produtos à Zona Franca de Manaus; ix) A necessária fixação da taxa SELIC sob o patamar máximo de 1% ao mês; x) O caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, assim como necessária redução, dada a ausência de caracterização de fraude; xi) A não incidência de juros sobre a multa; xii) A impossibilidade de atribuição de responsabilidade tributária solidária ao sócio administrador Otto Azevedo Graci, razão pela qual seria nulo o lançamento realizado em face deste; xiii) A indevida exclusão da Recorrente do regime do SIMPLES, devido à impossibilidade de presunção de omissão de receitas; xiv) A obtenção de prova ilícita pelo Fisco, decorrente da quebra indevida do sigilo bancário da Recorrente; xv) A necessária distinção entre meros ingressos (entradas) e receita; xvi) A impossibilidade de concessão de efeito retroativo à exclusão do SIMPLES; Nestes termos, contribuinte e responsável requereram a reforma do acórdão recorrido, e o cancelamento da autuação em sua totalidade. Devido à Resolução lavrada em 08/11/2012 (fls. 14421444), o julgamento dos referidos Recursos foi sobrestado em razão de pendência de julgamento de matéria constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da antiga redação dada aos §§ 1º e 2º do art. 62ª do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dada a edição da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, a qual revogou tais dispositivos, determinouse, em 31 de janeiro de 2014, por meio de Despacho de Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 8 13 Reinclusão em Pauta de Processo Sobrestado (fl. 1447), o retorno do processo para prosseguimento do julgamento, o que culminou na posterior inclusão deste em pauta. É o relatório. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 14 Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA – Relator. Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende aos pressupostos de admissibilidade. Quanto ao mérito recursal, tenho que razão não assiste aos Recorrentes, razão pela qual deve ser mantida na íntegra a decisão proferida pela DRJ/POR. 1 Quebra de sigilo bancário da Recorrente e Afronta ao Devido Processo Legal Arguem os Recorrentes que o lançamento é nulo por se utilizar de prova supostamente obtida por meio ilícito (inconstitucional), em decorrência da quebra do sigilo bancário da empresa Recorrente. No entanto, não é próspera tal argumentação, visto que se mostra legítima, e em consonância com a ordem jurídica vigente, a obtenção de informações bancárias por parte do Fisco mediante solicitação às instituições financeiras. Tal é o que se extrai da interpretação do Art. 1°, §3º, inciso VI da Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, senão vejase: “Art. 1º ... (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar.” Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 9 15 Com efeito, as informações obtidas pelo Fisco encontram amparo no interesse público de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias do sujeito passivo, razão pela qual a autuação em análise não resultou em violação a direito do contribuinte. Demais disso, não há se falar em afronta ao devido processo legal no que tange à requisição de informações de movimentações bancárias da Recorrente, visto que tal requisição foi promovida no curso de procedimento fiscal, e somente após a inércia da Recorrente em apresentar a devida documentação requisitada pela autoridade fiscal, e possibilitada a este a ampla defesa e o contraditório. Ademais, o devido processo legal e a defesa dos Recorrentes foram amplamente conferidos, tanto pela intimação da Recorrente para comprovar a origem dos depósitos bancários, quanto após a lavratura do auto de infração, com direito à impugnação. Desta feita, a formalização do lançamento decorreu de ação fiscal regular, nos termos do art. 142 do CTN. Não fosse isso o bastante, nos termos do Art. 6º da Lei Complementar 105/2001, resta claro que é possível o exame de documentos e registros de instituições financeiras pelo Fisco, quando a autoridade fiscal considere indispensável sua análise no curso de procedimento fiscal: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Deveras, no caso em comento não houve outra alternativa ao Fisco senão a requisição de informações às instituições financeiras mantenedoras de contas bancárias da Recorrente, visto que esta, intimada em duas ocasiões, não apresentou extratos bancários requeridos pela autoridade fiscal, tampouco Livro de Caixa devidamente escriturado, ou o Livro de Registro de Saídas e Resumo do ICMS, cujo procedimento fiscal encontra embasamento na Lei Complementar 105/2001, na Lei n° 9.430/1996, e Decreto n° 3.724/2001. Aliás, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, e também o Supremo Tribunal Federal também assim se posicionou quando do julgamento do RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011. Assim, não há qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 16 2 Análise de Despesas e Presunção de Omissão de Receitas Quanto à alegação da Recorrente de que o auto de infração é nulo por não ter havido a análise das despesas realizadas, e por considerar presumidamente omitidas receitas da Recorrente no anocalendário de 2006, também esta não deverá prosperar, visto que o procedimento levado a efeito pelo fisco foi escorreito, cujas conclusões não foram infirmadas pela Recorrente por documentos e informações hábeis. Com efeito, aplicamse à empresa optante pelo SIMPLES todas as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência do imposto sobre a renda, nos termos da Lei nº 9.317, de 1996, in verbis: Art. 18º Aplicam se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. (grifei) In casu, aplicase especificamente a hipótese de presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Com a edição da referida lei, a existência de depósitos bancários não identificados, e cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte, adquiriu status de presunção legal juris tantum de omissão de receita, e, por tal razão, transferiuse ao contribuinte o ônus da prova da inexistência de correspondência entre os depósitos bancários e a receita alegadamente omitida. No caso concreto, após procedimento fiscal instaurado, e cumprido o devido procedimento fiscal, a autoridade fiscal requereu a apresentação de extratos bancários, cheques e identificação de remetentes às instituições financeiras às quais a Recorrente estava vinculada. De posse dos extratos bancários, a fiscalização procurou excluir dos depósitos/créditos as transferências de mesma titularidade, os estornos, empréstimos e demais créditos que não decorrentes da atividade comercial, e apurou um montante de créditos no valor de R$ 6.148.418,58. A Recorrente, intimada a identificar, por duas ocasiões, mediante Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 10 17 documentação hábil e idônea, referidos documentos, e informações sobre quais dos créditos não eram provenientes da sua atividade comercial, não atendeu à intimação, Das respostas às intimações a fiscalização concluiu que a natureza das operações que originaram os depósitos e transferências creditados nas contas correntes da fiscalizada são decorrentes da atividade comercial desenvolvida pela Recorrente, e que a empresa efetuou vendas sem emitir notas fiscais e que auferiu no ano calendário de 2006 receita bruta no montante de R$ 6.148.418.58 e que ofereceu à tributação apenas cerca de 0.42% das receitas auferidas. Diante disso, verificase que a presunção legal de omissão de receitas não restou, em momento algum, infirmada pela Recorrente, razão pela qual é lícito concluir que se tratam de receitas tributáveis não incorporadas àquelas registradas na escrituração, e, portanto, passíveis de lançamento de ofício da tributação incidente sobre o regime do SIMPLES. Aliás, verifiquese que tanto o Poder Judiciário, quanto este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), admitem a possibilidade de lançamento no caso da ausentes elementos probatórios que afastem a presunção legal de omissão de receitas, com base em extratos bancários, senão vejase: CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL AGRAVO DE INSTRUMENTO TUTELA ANTECIPADA INDEFERIDA PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS PROVENIENTES DE VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, E DE NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS ACESSO DE DADOS BANCÁRIOS DOS CONTRIBUINTES PELO FISCO CONTROVÉRSIA JURISPRUDENCIAL REQUISITOS DA TUTELA ANTECIPADA AUSENTES. 1. Na hipótese vertente, a autoridade administrativa deflagrou procedimento administrativo fiscal n 10580722.273/200844 para apuração de atos atribuídos à parte autora (omissão de receitas provenientes de valores de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, e de notas fiscais não escrituradas, relativamente ao anocalendário de 2005, assim como por ter ultrapassado o limite de receita bruta previsto para empresas de pequeno porte neste mesmo ano) e concluiu pela prática das infrações capituladas no art. 24, da Lei n. 9.249/95, no art. 2, § 22, art. 3, § l, "a", art. 52, art. 42, da Lei n. 9.430/96, dispositivos da Lei n. 9.317/96, art. 3, da Lei n. 9.732/98, arts. 186, 188 e 199, do RIR/99, tendolhe aplicado multa punível com sanção pecuniária prevista em lei. 2. Os atos administrativos praticados por autoridade competente gozam de presunção de validade e somente se justifica a intervenção do Poder Judiciário para afastarlhes os efeitos quando constatados vícios capazes de deflagrar o reconhecimento de sua nulidade. Ao menos neste primeiro exame de vista, não há nada que desautorize a atuação administrativa, eis que não se fazem presentes elementos de prova contundentes que Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 18 conduzam ao convencimento acerca da verossimilhança da nulidade alegada. Precedentes. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, sem necessidade de prévia autorização judicial e com aplicação imediata, ainda que recaiam sobre fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência das referidas normas. Assim, sendo constatado que a requisição de informações à instituição bancária foi devidamente precedida do respectivo procedimento fiscal exigido pelo art. 6º, da LC n.º 105/01, não há que se falar, em princípio, em qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. 4. Ainda que existam precedentes dando pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo pelo Fisco, sem autorização judicial (RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011, a matéria ainda não se encontra pacificada no Judiciário e o RE nº 601314 /SP (repercussão geral) ainda está pendente de julgamento, circunstâncias que não autorizam a liminar na linha do bom senso. Precedentes deste Tribunal. 5. O exame das condições concretas da manutenção da empresa no Simples é matéria que exige dilação probatória. 6. Agravo regimental não provido. Decisão mantida. (TRF1. AGA 002332497.2013.4.01.0000 / BA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.550 de 04/10/2013) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento decorrente de omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores informados na Declaração Anual Simplificada e o livro Caixa e o livro de Registro de Saídas de Mercadorias. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A conduta ativa do contribuinte com o objetivo de fraudar o Fisco impõe a qualificação da multa, mormente quando no exercício de um benefício fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Alegações contra suposto caráter abusivo da multa de ofício instituída em lei, bem assim contra suposta ilegitimidade do uso da Taxa Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 11 19 SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se houve dissolução irregular da sociedade. (CARF. Acórdão n° 1401001.002 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. 10 de julho de 2013) Neste sentido, no tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Como bem asseverou a DRJ no Acórdão Recorrido, “mesmo na impugnação a contribuinte nada alegou sobre a origem dos numerários depositados/creditados em contas correntes de sua titularidade, preferindo contestar a legalidade da tributação com base em depósitos bancários. E, conforme já demonstrado, nada de ilegalidade existe no lançamento feito com base em depósito bancário de origem não comprovada, principalmente na vigência da Lei nº 9.430 de 1996, que é o caso dos autos.” Ademais, não há se falar em consideração de despesas na apuração do resultado tributável, visto que, pela sistemática do SIMPLES, é de se considerar tão somente a receita bruta mensal auferida para se apurar o valor mensal devido. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantenho o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. 3 A tributação sobre os reflexos ao IRPJ; Alegaram os Recorrentes que não deveria incidir tributação sobre reflexos ao IRPJ, tais como CSLL e PIS/COFINS. No entanto, não deverá prosperar a argumentação dos Recorrentes. Isto porque a contribuinte é optante pelo SIMPLES, que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta, assim entendendo o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia. Assim, não há se falar em reflexos de um tributo em outro na sistemática do , razão pela qual não procede o pedido deduzido pelos Recorrentes. 4 Abatimento dos valores recolhidos sob o regime do SIMPLES; Os Recorrentes contestam a exigência das diferenças apuradas a título do Simples e pedem que os valores recolhidos devem ser compensados do montante lançado. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 20 Ocorre que, em face da receita omitida pela Recorrente, os valores declarados pela contribuinte sofreram mudanças de alíquotas, face à alteração de faixa de tributação, o que gerou insuficiência de recolhimento. Quanto ao pedido de compensação dos valores recolhidos, não merece acolhimento, visto que, quando do lançamento de ofício levado a efeito pelo Fisco, já foram considerados e abatidos os tributos calculados pelo contribuinte na Declaração Simplificada apresentada pela contribuinte (fls. 1065/1069), conforme consta do Termo de Conclusão. 5 A inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; Defendem os Recorrentes que não puderam verificar se o ICMS foi incluído na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, e, se o foram, deveriam ser decotados desta. Porém, não há se falar, na sistemática de tributação do SIMPLES, na inclusão do ICMS na base de cálculo de tais tributos, visto que as pessoas jurídicas optantes do SIMPLES deverão calcular e recolher o valor correspondente aos tributos e contribuições acima referenciados, com base na receita bruta, conforme Lei nº 9.317 de 1996 e legislação superveniente, inclusive quando os valores objeto de lançamento tenham decorrido de omissão de receita ou de diferenças apuradas a menor entre os valores apurados e os recolhidos/pagos. Entendese por receita bruta, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.317 de 1996, “produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos”. Assim, não há se falar em qualquer exclusão da base de cálculo do SIMPLES, face à especificidade da base de cálculo eleita pelo legislador ordinário. Como bem considerou a DRJ, “A base de cálculo é única para todos os tributos e contribuições, não podendo, como pretende a contribuinte, excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, por falta de previsão legal, bem assim aplicar alíquotas para o PIS e COFINS diversas daquelas previstas para os optantes pelo SIMPLES, ou ainda excluir da base de cálculo do PIS/COFINS os valores referentes às comissões cobradas nas vendas realizadas por meio do cartão de crédito ou de débito”. 6 Exclusão da comissão cobrada quanto ao cartão de crédito ou de débito da base de cálculo do PIS/COFINS e de receitas oriundas da venda de produtos à Zona Franca de Manaus; Requerem os Recorrentes a exclusão da comissão cobrada pelas administradoras de cartão de crédito e débito, bem como de receitas provenientes da Zona Franca de Manaus, a título de PIS e COFINS. Não obstante, na sistemática da tributação no SIMPLES, contribuições para o PIS e Cofins, devidas pelas Microempresas e pelas Empresas de Pequeno Porte, são calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/1998, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme dispõem os artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718,de 1998. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 12 21 Ademais, os Recorrentes não demonstraram, no curso do processo administrativo, que haveria receitas obtidas por vendas de produtos à Zona Franca de Manaus, razão pela qual as simples alegações por eles produzidas não têm o condão de afastar o lançamento realizado pelo Fisco. 7 – Juros de Mora taxa SELIC Aduzem os Recorrentes que a taxa SELIC não pode ser utilizada como juros de mora. Não há, no entanto, qualquer ilegalidade na utilização da referida taxa referencial. Na hipótese, coaduno do entendimento esposado no voto do Acórdão recorrido, porquanto este dê perfeita solução ao referido ponto: Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula n.º 4 do 1º CC, em vigor desde 28/07/2006: Súmula 1º CC n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por tais razões, correta a cobrança de juros moratórios tendo por base a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC. 8 A incidência de juros sobre a multa; Os Recorrentes também contestam a incidência de juros sobre a multa de ofício, por suposta ausência de amparo legal. No entanto, é dizer que a multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Aliás, não procederia eventual argumento de que a única hipótese de incidência de juros sobre multa está consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96, devendo, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1° do art. 161 do CTN. Assim, sem razão os Recorrentes. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9,430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Vejamos: Art, 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 22 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; No entanto, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Vejamos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. Ainda assim, como bem asseverado pela DRJ, há previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, vista que esta compõe o crédito tributário, razão pela qual não assiste razão aos Recorrentes quanto a este ponto. 9 A atribuição de responsabilidade tributária solidária ao sócio administrador Otto Azevedo Graci Defende o Recorrente que não pode ser atribuída responsabilidade tributária solidária ao sócio administrador da empresa, Sr. Otto Azevedo Graci. A autoridade fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Otto Azevedo Graci, CPF 943.704.27800, tendo em vista ser ele sócio com 90% do capital social, administrador único da sociedade, conforme Contrato Social e alterações (fls. 29 e seguintes), e responsável pela prática de sonegação fiscal (omissão de receitas em declaração de informações fiscais à SRFB e falta de emissão de documentos fiscais). Deveras, a responsabilidade constante do art. 135 do CTN é subjetiva e demanda a comprovação de ato infracional à lei, ao estatuto ou ao contrato social para poder ser invocada. O mero não pagamento do tributo, ou, como no caso em comento, a omissão de receitas que redundou no recolhimento a menor, não enseja a aplicação da responsabilidade do administrador, nos termos do REsp nº 1.101.728/SP, decidido no âmbito dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça. No caso em comento, importa dar ensejo à reflexão sobre o que se caracteriza infração à lei para fins de responsabilização pessoal dos sócios da pessoa jurídica. Como verificado no curso de procedimento fiscal, do qual participou ativamente o Recorrente, Sr. Otto Azevedo Graci, a empresa por ele administrada de maneira exclusiva efetuou vendas sem emitir notas fiscais, auferiu no ano calendário de 2006 receita bruta no montante de R$ 6.148.418.58, e que ofereceu à tributação apenas pequena parte das receitas auferidas. E mais, ainda: buscou, por meio de transações financeiras anormais, ocultar as referidas receitas. Veja se: Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 13 23 Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva em nome de OTTO AZEVEDO GRACI pelo crédito tributário apurado na pessoa jurídica, sob a argumentação de que, no ano fiscalizado, a administração da empresa foi exercida por ele, sendo ele responsável pela prática contumaz de omitir receitas de quase totalidade das receitas auferidas e de não emitir documentos fiscais e, ainda, por ser ele o real beneficiário dos resultados da sonegação praticada pela fiscalizada. Diante desses fatos, estaria caracterizada a sujeição passiva solidária de Otto Azevedo Graci, CPF 943.704.27800, conforme dispõem os artigos 135, III e 137, I, do CTN. No termo de Conclusão Fiscal (fls. 1157/1158) a fiscalização ressaltou que no ano de 2006 a administração da sociedade foi exercida pelo sócio OTTO AZEVEDO GRACI conforme contrato social e alterações, sendo ele que assinava os cheques e que a maioria deles foram emitidos no valor de R$ 9.900,00 nominais ao Sr Wagner Volta e que foram sacados na "boca do caixa". Acrescentou que, em depoimento, o Sr Wagner Volta declarou que prestou serviços de confiança ao Sr. Otto, principalmente, desconto de chegues e pagamentos de contas e entregava o troco para o Sr OTTO e que às vezes o Sr Otto lhe pagava alguma gratificação. O administrador de fato que infringe as normas tributárias com o objetivo de omitir rendimentos à tributação deve figurar como responsável pelo débito da empresa contribuinte Diante do exposto, resta configurada infração à lei suficiente para sujeitar o Recorrente à responsabilização pelo pagamento do tributo lançado. 10 – A Multa Aplicada; Defendem os Recorrentes ser inaplicável ao caso concreto a multa de ofício qualificada em 150%, porquanto não haveria provas do intuito fraudulento do contribuinte. Tenho entendimento de que a multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. É dizer: para que seja tolerada a qualificação da multa de ofício, é preciso que haja a efetiva comprovação da autoria da prática do fato delituoso. Isso porque, em matéria de delito não é admissível a presunção: ou existe prova concreta da autoria quanto à prática do fato delituoso ou, na dúvida, aplicamse as disposições do artigo 112, III, do CTN que determina que quando a lei tributária define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 24 da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). No caso dos autos, como supra descrito, o Recorrente agiu proativamente para ocultar as receitas à tributação, pelo que entendo ser pertinente a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da omissão de receita. 11 A exclusão da Recorrente do regime do SIMPLES Insurgemse os Recorrentes sobre a exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, bem como a concessão de feito retroativo à dita exclusão. Neste ponto, adoto parcialmente a decisão proferida pela DRJ, porquanto esta não mereça reparos: A exclusão da empresa do Simples com efeitos a partir de 01/01/2007 se deu em virtude da receita bruta apurada pela fiscalizada, e ora confirmada, ter atingido o patamar de R$ 6.148.418.58, ultrapassando, assim, os limites de R$ 240.000,00 e R$ 2.400.000.00, estabelecidos pela legislação que dispõe sobre Micro Empresa e Empresa de Pequeno Porte (art. 9º, II, da Lei nº 9.317, de 1996), sem a devida comunicação de exclusão do SIMPLES na condição de EPP. O ato declaratório juntamente com o Relatório Fiscal, contém a motivação suficiente, os fundamentos legais e não deixa qualquer dúvida da razão da exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, de forma a surtir os efeitos próprios. (...) Alegou ser impossível os efeitos da exclusão do Simples retroagirem à data de 01/01/2004 (sic), nos termos propostos pelo art. 2º do Ato Declaratório Executivo que excluiu a requerente, e que na atual sistemática, os efeitos da exclusão do Simples passam a valer a partir do mês Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 14 25 subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ou seja, a partir de julho de 2010, conforme dispõe o art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, com a redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.732/98. Ademais, é imperiosa a aplicação do princípio da irretroatividade da norma, estampado no art. 150, II, “a”, da Constituição Federal. De início já se observa o equívoco da impugnante porquanto o Ato Declaratório não estipulou efeitos da exclusão do Simples Federal a partir de 01/01/2004, mas sim a partir de 01/01/2007. As alegações concernentes à omissão de receita já foram analisadas e consideradas improcedentes. Resta, assim, analisar quando surtirá efeito a exclusão do sistema no caso dos autos em que a situação excludente se encontra prevista no inciso II do art. 9º da Lei 9.317/1996. (...) O texto legal acima não deixa dúvidas de que a exclusão do Simples surtirá efeito no anocalendário seguinte em que se verificaram receitas excedentes ao limite determinado no artigo 9º do mesmo dispositivo. Ora, uma vez constatado que a empresa auferiu receita no anocalendário de 2006 superior ao limite de R$ 2.400.000,00, previsto no art. 9º, II, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, impõese a sua exclusão da sistemática de tributação simplificada, nos termos dos arts. 13, II, “a”, e 14, I, da citada Lei, com efeitos a partir de 01/01/2007, a teor do art. 15, IV, da Lei nº 9.317, de 1996. Por isso, nenhuma alteração há a ser feita no marco inicial da exclusão, porquanto é assim que determina a lei de regência. Alegou ser imperiosa a aplicação do princípio da irretroatividade da norma, estampado no art. 150, II, “a”, da Constituição Federal. A alusão ao princípio da irretroatividade é impertinente à espécie, eis que ele diz respeito à vedação da possibilidade de uma lei aplicarse a fatos pretéritos, anteriores a sua publicação. Como se verifica dos dispositivos legais acima transcritos, desde a edição da Lei nº 9.317, em 05 de dezembro de 1996, os efeitos da exclusão do Simples, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9° da mesma lei, se dão “a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido”. Portanto, a regra que determina a eficácia retroativa dos efeitos da exclusão encontrase fixada desde a edição da Lei 9.317/96, não havendo, portanto, falarse em irretroatividade de lei. (...) Concluise pela correta exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01/07/2007, uma vez que seu enquadramento nesse sistema se deu nos termos previstos no art. 16, §4º da Lei Complementar nº 123/2006, porém em Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 26 razão de sua receita no anocalendário de 2006 ter sido superior ao limite de R$ 2.400.000,00, estabelecido pelo art. 3º, II, da mesma Lei Complementar, estava ela impedida de usufruir do referido sistema de tributação. (destacouse) Ademais, verificase que a decisão da DRJ se coaduna com a jurisprudência deste Conselho: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLESEXERCÍCIO: 2004EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL. DEVE SER EXCLUÍDA DO SIMPLES A PESSOA JURÍDICA QUE, NA CONDIÇÃO DE EMPRESA DE PEQUENO PORTE, TENHA AUFERIDO, NO ANOCALENDÁRIO IMEDIATAMENTE ANTERIOR, RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE LEGAL.EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA. OMISSÃO DE RECEITA.PARA EFEITO DE VERIFICAÇÃO DO LIMITE PARA ENQUADRAMENTO NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES, DEVESE CONSIDERAR NÃO SÓ A RECEITA BRUTA DECLARADA PELA EMPRESA, MAS TAMBÉM AS OMISSÕES DE RECEITAS APURADAS EM PROCEDIMENTO FISCAL.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTOS QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial Acórdão nº 180300547 do Processo 10680009697200620. Data05/08/2010) Assim, não há se falar em revisão do Ato Declaratório que resultou na exclusão da Recorrente do regime de tributação do SIMPLES. 12 A necessária distinção entre meros ingressos (entradas) e receita; Por fim, no que tange às alegações de que a fiscalização não apresentou elementos comprobatórios seguros da suposta omissão de receitas, que a mera entrada de ingressos não se confunde com a receita bruta para efeitos da base de cálculo, nem com faturamento, e que as provas (extratos bancários) foram obtidos de forma ilícita, todos esses pontos foram objeto de análise no presente voto, e considerados improcedentes, o que se reafirma. Diante do exposto, voto rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, também para como manter a sujeição passiva solidária do sócioadministrador da empresa Sr. Otto Azevedo Graci. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.000047/201112 Acórdão n.º 1401001.401 S1C4T1 Fl. 15 27 Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10880.720994/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. NECESSIDADE.
Para que ocorra compensação de débitos por parte do sujeito passivo é necessária a entrega de Dcomp.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em negar provimento ao recurso. Vencida a relatora, Conselheira Alice Grecchi. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dayse Fernandes Leite.
(Assinado digitalmente)
Nubia Matos Moura - Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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COMPENSAÇÃO. DCOMP. NECESSIDADE. Para que ocorra compensação de débitos por parte do sujeito passivo é necessária a entrega de Dcomp. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em negar provimento ao recurso. Vencida a relatora, Conselheira Alice Grecchi. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dayse Fernandes Leite. (Assinado digitalmente) Nubia Matos Moura Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 09 94 /2 01 0- 50 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 16/06/2010 (fls. 04/11), contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos AnosCalendário 2005, 2006 e 2007, que exige crédito tributário no valor de R$ 5.008.599,16, acrescida multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 31/05/2010. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” às fls. 6/7, o Fisco apurou Falta de Recolhimento de IRF sobre Juros Pagos ou Creditados sobre Capital Próprio, sob o fundamento de que o contribuinte não efetuou o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o pagamento ou crédito a titular, sócios ou acionistas, dos juros a título de remuneração do capital próprio. De acordo com o relatório da ação fiscal, constante em fls. 13/17, o IRRF não foi pago, nem declarado em DCTF. Não obstante, verificouse que [...] foi efetuado lançamento contábil compensando os direitos de IRRF sobre valores recebidos por investimentos (...) com os deveres de IRRF sobre valores pagos aos acionistas. Tal procedimento não atende aos requisitos legais, pois a legislação em vigor exige que a compensação seja efetuada através de PER/Dcomp [...]. Para embasar esse entendimento, menciona o art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, e os arts. 26, 31 e 32, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 16/07/2010, alegando em síntese, o que segue: o direito à compensação do débito em questão é assegurado no § 6º, do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 1995, “direito este que não poderia, em hipótese alguma, ser anulado em face de previsão contida em uma Instrução Normativa (norma complementar de Direito Tributário)”; era detentora do “crédito (a compensar), como inclusive aferiu a Autoridade Fiscal”, e contabilizou “a compensação nos livros próprios, os quais sempre estiveram a disposição do Fisco, e foram, inclusive, imediatamente franqueados à Fiscalização”; seria improcedente “a atribuição de tão pesada sanção – não conhecimento da compensação com a constituição de todo o crédito tributário –, simplesmente pelo fato de a Impugnante não ter realizado uma obrigação acessória”, uma vez que inclusive não houve prejuízo à arrecadação, devendo o lançamento se limitar à imposição de multa pelo descumprimento de obrigação acessória; o PER/Dcomp serve apenas como instrumento para que a Administração possa indeferir compensações indevidas, mas nunca como requisito essencial à efetivação da compensação. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: “EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. NECESSIDADE. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10880.720994/201050 Acórdão n.º 2102003.259 S2C1T2 Fl. 244 3 Para que ocorra compensação de débitos por parte do sujeito passivo é necessária a entrega de Dcomp. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1036.412 da 1ª Turma da DRJ/POA em 25/05/2012 (fl. 192). Sobreveio Recurso Voluntário em 22/05/2012 (fl. 193/205), que em suma ratificou as alegações da impugnação, acrescentando que: A declaração de compensação não é pressuposto da compensação o pressuposto é a existência de créditos e débitos. As empresas não compensam porque apresentam declarações; elas compensam porque tem créditos. Pois isso precisa ser grifado: a Declaração é um meio de demonstração, mas não o fim, como tenta justificar a DRJ. Ainda que não observado o dever instrumental de entrega de declaração, é inconteste que o imposto já foi pago; fato que nos leva a conclusão de que pagar (novamente), já que não há mais imposto devido no final do período de apuração para que IR Fonte seja considerado “antecipação”, importa em bis in idem. Por isso, deve ser reconhecida, já que realizada com crédito existente e demonstrada contabilmente a compensação. (docs mais uma vez juntados em anexo). O fato de a recorrente não ter transmitido a PER/DCOMP não prejudicou em nada a arrecadação e a própria administração tributária. Alternativamente, em não sendo cancelado de forma integral o lançamento importa seja reconhecida a não incidência dos juros sobre a multa de ofício, fato que termina por violar a própria lei, ante a inexistência de previsão legal neste sentido. É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Inicialmente, cabe esclarecer que o litígio restringese à forma em que a recorrente efetuou a compensação do tributo, não obstante o Auto de Infração tenha sido lavrado por “Falta de Recolhimento de IRF sobre Juros Pagos ou Creditados sobre Capital Próprio”. Embora a contribuinte não tenha realizado a compensação através de PER/DCOMP, prevista na legislação tributária, procedimento pelo qual é apresentado ao Fisco os créditos e débitos para que este homologue ou não a respectiva compensação, no presente Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 caso, temse que o Fiscal ao verificar os livros contábeis da fiscalizada constatou a existência dos débitos e dos respectivos créditos, conforme afirmação abaixo transcrita, extraída do Relatório Fiscal constante em fls. 13/17: [...] verificamos que foi efetuado lançamento contábil compensando os direito de IRRF sobre valores recebidos por investimentos (Cia. Zaffari e Frazari) com os deveres de IRRF sobre valores pagos aos acionistas. [...] Atendendo à intimação, a fiscalizada apresentou os livros razões, dos quais obtivemos os valores contabilizados na conta 1.1.04.01 = IRRF, oriundos das retenções incidentes sobre os JCP recebidos das investidas Cia Zaffari e Frazari, bem como os valores contabilizados na conta 2.1.03.03 = IRRF, efetuado sobre os pagamentos de JCP aos acionista da Sanfari [...] (grifei) Com efeito, a decisão da DRJ/POA, ratifica a inexistência de lesão ao Erário Público, quando argumenta que a presente compensação só não extingue o crédito tributário pela forma errônea que foi realizada: “[...] Como se vê, não há previsão para que a compensação se efetue de forma meramente contábil, devendo o sujeito passivo, caso queira obter a compensação de seus débitos (“o sujeito passivo que apurar crédito [...] poderá utilizálo na compensação [...]”), utilizar obrigatoriamente a declaração de compensação (“a compensação [...] será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração [...]” Ao contrário da afirmação da decisão a quo, a obrigação principal sempre recai sobre o pagamento do tributo, e este pode ser pago de várias formas, conforme preceitua o art. 156 do CTN, que trata da extinção do crédito tributário, o qual também se extingue pela compensação, nos termos do inciso II do referido artigo. In verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação;” Apesar de a compensação não ter sido declarada através de PER/DCOMP, em homenagem ao princípio da verdade material, o Fisco só poderia ter efetuado o presente lançamento com a respectiva multa de ofício, se houvessem, diferenças entre o imposto de renda à pagar em relação ao imposto de renda à recuperar. Isso porque, a declaração por meio de PER/DCOMP, tratase de uma questão meramente instrumental, que no caso não demonstrou prejuízo à Fazenda Pública, e o equívoco poderia ter sido corrigido através de análise pelo Fiscal dos lançamentos contábeis, apurando os créditos e débitos, em consonância com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, que veda medidas superiores àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. De acordo com o caput do art. 7º do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, abaixo transcrito, o Fisco tem o poder de se sobrepor à PER/DCOMP, para compensar o valores constantes do pedido com débitos do mesmo contribuinte perante à Fazenda Nacional. Portanto, da leitura do supracitado artigo e com base no princípio da isonomia tributária, o Fiscal deveria, independente da existência de PER/DCOMP, ter realizado a compensação de ofício dos créditos e débitos, lançando as diferenças se fosse o caso. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10880.720994/201050 Acórdão n.º 2102003.259 S2C1T2 Fl. 245 5 “ Art. 7o A Receita Federal do Brasil, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá verificar se o contribuinte é devedor à Fazenda Nacional.” Ademais, assiste razão o recorrente quando afirma que: “A PER/DCOMP, em hipóteses como a presente, é procedimento hábil para que o Ente Tributante tenha o conhecimento das compensações promovidas, sem a necessidade de constatálas na contabilidade. Nesta linha, a Recorrente reconhece a pertinência da PERDCOMP como obrigação acessória (em prol da fiscalização e da arrecadação, como define o CTN), porém não como requisito de legitimidade da compensação; a PERD/DCOMP, aqui, nada mais é do que, no linguajar comum, um procedimento facilitador da verificação dee compensações, exatamente para que não seja necessária a verificação de compensações, exatamente para que não seja necessária a verificação individual da contablidade; por isso ela não é o único procedimento, mas sim é um dos procedimentos – o outro procedimento é o de verificação na contabilidade. Em outras palavras, portanto, a PER/DCOMP facilita o exame das compensações, evitando que se analisem mais documentos; entretanto, se ao se analisarem os “demais documentos” – contabilidade , verificase a legitimidade da compensação, não é razoável que tal não seja reconhecida; e isso porque simplesmente houve uma “maior dificuldade” em se atestála.” Assim, a fiscalizada exerceu o direito previsto na legislação de regência (art. 9º, §§2º, 6º e 7º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995), posto que por meio das DARFs de Recolhimento do Imposto que gerou o crédito e através dos lançamentos contábeis, restou legitima a compensação. Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. [...] § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. [...]” Logo, considerando que é inconteste que o imposto já foi pago, não é razoável obrigar o contribuinte à recolher novamente o tributo por não têlo feito da forma mais correta. Portanto, comprovada a extinção do crédito tributário através de compensação, embora efetuada sem atender as obrigações acessórias, o fato resta incontroverso de que a compensação era legítima, não havendo prejuízo ao Erário. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Conselheira Dayse Fernandes Leite Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pela Ilustre Conselheira Relatora, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhála. Entendo que o acórdão recorrido não merece reparo e peço vênia para transcrevêlo e adotar seus fundamentos como razão de decidir. Ressalto que para que ocorra compensação de débitos por parte do sujeito passivo é necessária a entrega de Dcomp. "A compensação de tributos federais está regulada no art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (grifei): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Como se vê, não há previsão para que a compensação se efetue de forma meramente contábil, devendo o sujeito passivo, caso queira obter a compensação de seus débitos (“o sujeito passivo que apurar crédito [...] poderá utilizálo na compensação [...]”), utilizar obrigatoriamente a declaração de compensação (“a compensação [...] será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração [...]”). Portanto, de acordo com que Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10880.720994/201050 Acórdão n.º 2102003.259 S2C1T2 Fl. 246 7 previsto nesse dispositivo legal, a Dcomp não é mera obrigação acessória, tratandose de instrumento de manifestação, de exercício de direito potestativo, com eficácia declaratória da vontade (direito potestativo) de compensar (daí o nome “declaração de compensação”), mas também com carga de eficácia constitutiva negativa de ambos os créditos (do fisco e do assim dito “sujeito passivo”). Outra demonstração de que a Dcomp não é obrigação (acessória) do sujeito passivo, mas, isto sim, exercício de poder por parte dele, é o fato de não existe cominação de multa para falta ou atraso em apresentação de Dcomp. Vêse, portanto, que a Dcomp é instrumento necessário, indispensável, à realização de compensações por parte do sujeito passivo, tanto como o Darf o é para a efetivação de pagamentos. Tal como nos casos em que não ocorre confissão de dívida (DCTF), nem extinção por pagamento (Darf), também nos casos de débitos não confessados nem extintos por compensação voluntária (Dcomp), o crédito tributário deve ser lançado de ofício. Isto é, sem Dcomp não há extinção (por compensação) de crédito tributário, o qual, em conseqüência, deve ser objeto de lançamento de ofício, caso não tenha sido confessado, como ocorreu no caso ora em análise. Finalmente, especificamente no caso de IRRF incidente sobre juros sobre capital próprio, as instruções normativas de RFB que tratam de compensação contêm determinações expressas de que a compensação desses débitos deve ser efetivada mediante entrega de Dcomp. Vide, por exemplo, o § 1º, art. 32, c/c o § 1º, do art. 26, da Instrução Normativa nº 600, de 1996 – dispositivos esses que, inclusive, serviram de embasamento para o auto de infração (grifei): Art. 26. sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...] Art. 32. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou anocalendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pela pessoa jurídica na forma prevista no § 1º do art. 26. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE 8 [...] Desta forma, meu voto Desta forma, meu voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE
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Numero do processo: 10314.003355/2001-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 02/09/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre exigência de multa regulamentar lastreada na legislação de IPI.
Numero da decisão: 3102-00.375
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declinar da competência de julgamento à Egrégia Segunda Seção, em razão da matéria. Vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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'''' MINISTÉRIO DA FAZENDA Içi, e, ,. . -tr--` CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS-y ••• -,:,4 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.003355/2001-60 Recurso n° 139.439 Voluntário Acórdão n° 3102-00.375 — i a Câmara ir Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente VAHE JEAN ASDOURIAN Recorrida DRJ-SÃO PAULO II/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 02/09/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre exigência de multa regulamentar lastreada na legislação de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declinar da competência de julgamento à Egrégia Segunda Seção, em razão da matéria. Vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. ' MLC,} HE ENAI A A O AMORIM - Presi entef,„ 7Àli , CORINTHO OLI,, u Ê' R,A. MACHADO — Relator t EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corinthp Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatri Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcorides Armando. i Relatório Reporto-me ao relato do órgão julgador de primeira instância, fls. 46 e seguintes, que sinteticamente nos diz o seguinte: Trata o presente processo da multa tipificada no art. 463, inciso I, do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98 (art. 83 da Lei 4.502/64 e Decreto-lei n°400/68, art. 1°. alteração 29, que pune o consumo ou a entrega a consumo de mercadoria estrangeira entrada irregular ou fraudulentamente no território nacional, no valor de R$ 46.000,00 (quarenta e seis mil reais). São as seguintes os dados de identificação do bem cujo consumo deu margem à autuação que ora se discute: Automóvel modelo C280 Ano/modelo 1995 Cor preta Placa CJB1935 Chassi WDBHA28E4SF 176060 Segue-se um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Em 08/06/95 foi registrada a DI n° 125.257 (fls. 10/ 18 do PAJ 10880-001.343/97-10), relativa à importação do veículo em tela por parte da empresa IMPORTADORA MELK LTDA. — CNPJ 15.765.886/0002- 12, Em 12/07/95 o veículo foi vendido para o Sr. JOÃO BEHISNELIAN, em estado de novo, e em nome dele do DETRAN/SP expediu o Certificado de Registro e Licenciamento de veículo, código RENA VAM 437261638 (lh. 19 /20 ). O impugnante (Sr. VAHE JEAN ASDOURIAN) adquiriu o veículo do Sr. JOÃO BEHISNELIAN em 02/09096, e o transferiu para o seu nome. Em 02/12/96, em ato de revisão aduaneira da Declaração de Importação já referida, constatou-se indícios de adulteração na data de embarque do BL n° 228, que permitiu ao importador, com base em liminar judicial vinculada à data do BL, desembaraçar o veículo com alíquota menor indevidamente, caracterizando-se a infração tipificada no art. 514, incisos VI e XI do Regulamento Aduaneiro, apenada com o perdimento da mercadoria. Tentando evitar a apreensão do veículo, o impugnante recorreu ao judiciário, impetrando Mandado de Segurança n° 97.0001462-2 (15° Vara Federal). Inicialmente foi deferida a liminar pleiteada (fls. 8/10), e posteriormente denegada a • segurança (lls. 15/17). 2 Processo n° 10314.003355/2001-60 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00375 Fl. 69 Sem amparo judicial, ficou o veiculo em situação irregular no país, sujeitando-se à apreensão. Pesquisa realizada no sistema RENA VAM (fls. 19/20) em 10/07/01, mostrou que o atual proprietário do veículo era o Sr. JOÃO ROBERTO ASSAD, tendo o Sr. Inspetor determinado a autuação do primeiro adquirente e do atual proprietário do bem. Foi lavrado Auto contra o impugnante às fls. 1/5, por infringência ao art. 463, inciso I, do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98 (art. 83 da Lei 4.502/64 e Decreto-lei n° 400/68, art. 1°. alteração 29. Ciente do teor do mesmo (fls. 25-v), o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 29/33, cujos principais argumentos são abaixo relacionados: Entende que o art. 463, inciso I do RIPI/98 dirige-se ao importador, que foi o praticante da adulteração. Alega ser adquirente de boa-fé, não tendo participado do desembaraço aduaneiro e sendo estranho à relação jurídica havida entre o fisco e a importadora. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 02/09/1996 IPI - MULTA REGULAMENTAR. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS, OU IMPORTADO FRAUDULENTAMENTE. A multa calculada sobre o valor da mercadoria, prevista no art. 463, inciso I do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98, requer a tipificação de consumo ou entrega a consumo de mercadoria de origem estrangeira entrada no território nacional de forma irregular ou fraudulenta. Presente a tipificação, legítimo se mostra o lançamento da referida multa. É irrelevante , para aplicação da mesma, o fato de não ser a autuada quem efetivou a importação Lançamento Procedente. Irresignado, o recorrente apresentou recurso voluntário às fls. 60 e seguintes. O recurso foi encaminhado ao Terceiro Conselho de Contribuintes, fl. 67. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário não preenche os requisitos de sua admissibilidade para ser julgado por esta Câmara nesta oportunidade, como ver-se-á adiante. A recorrente pleiteia neste expediente tão-somente a desconstituição de auto de infração que contém lançamento de penalidade inerente à multa regulamentar tipificada no artigo 463, Inciso I do RIPI198 e artigo 83, caput e inciso I, da Lei n° 4.502/64 (lei básica do IPI), com as alterações impostas pelo artigo 1° do Decreto-Lei n° 400/68, formalizado através do Auto de Infração de fls. 01 e seguintes. Reitera-se que a multa e a legislação correlata ao tributo em questão nesse processo é o IPI, e que os fatos descritos no Auto de Infração enquadram-se perfeitamente no RIPI. O IPI é um tributo elencado entre as competências do e. Segundo Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 8°, do Anexo II, da Portaria MF n° 55/98, Regimento dos Conselhos de Contribuintes, adotado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais enquanto não editado novo Regimento. Para ilustrar este voto, trago arestos de todas as Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, ratificando o entendimento esposado supra: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 28/05/2002 IPI. MULTA REGULAMENTAR ISOLADA. ART. 463, inciso I, RIPI198. Á competência para julgamento de matéria relativa a lançamentos de tributos elou multas fundadas na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), incidente sobre produtos relacionados à Zona Franca de Manaus, é do Segundo Conselho de Contribuintes, com fundamentos do art. 2° da Portaria do Ministério da Fazenda n° 147, de 25 de Junho de 2007. Declinada Competência ao Segundo Conselho de Contribuintes. Acórdão 301-34375; Rel. LUIZ ROBERTO DOMINGO; 23/04/2008. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/1999 a 20/06/1999 Ementa: Na forma do Art. 8° do RICC, conforme redação dada pela Portaria MF 1132/2002, o julgamento 4e multa regulamentar por infração ao RIPI é de competência do E. 2° Conselho de Contribuintes. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Acórdão 302-38356; Rel. PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR; 23/01/2007. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI 4 Processo n° 10314.003355/2001-60 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00375 Fl. 70 Exercício: 2004 Ementa: IPL MULTA REGULAMENTAR. COMPETÊNCIA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. A matéria referente ao IPI submetida à apreciação em segunda instância é, nos termos do Regimento Interno, da competência do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes. Acórdão 303-34667; Rel. ZENALDO LOIBMAN; 1110912007. Dessarte, em virtude de o presente recurso tratar de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de falta de pressuposto subjetivo desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, deve-se declinar da competência para a Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No vinco do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, e endereçá-lo à competente Seção Ido Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. \ CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 5
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Numero do processo: 10166.002348/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. IN NATURA.
Não constitui fato gerador de contribuição previdenciária o fornecimento de alimentação sem inscrição da empresa no PAT. Principalmente quando seu fornecimento se dá in natura.
Numero da decisão: 2302-003.641
Decisão: Recurso Voluntário Parcialmente Provido
.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento as competências até 06/2000, inclusive, pela homologação tácita do crédito tributário, na forma do disposto pelo artigo 150§ 4º, do Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento a verba "alimentação in natura" em função do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. IN NATURA. Não constitui fato gerador de contribuição previdenciária o fornecimento de alimentação sem inscrição da empresa no PAT. Principalmente quando seu fornecimento se dá in natura. Recurso Voluntário Parcialmente Provido . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento as competências até 06/2000, inclusive, pela homologação tácita do crédito tributário, na forma do disposto pelo artigo 150§ 4º, do Código Tributário Nacional e para excluir do lançamento a verba "alimentação in natura" em função do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 23 48 /2 00 9- 49 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 3 2 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Cuidase de Notificação de Lançamento de Débito – NFLD, tombada sob o nº 35.722.7824, consolidada em 21 de julho de 2005, referente a fiscalização ocorrida no período de janeiro de 1995 a março de 2005, que culminou na constituição de crédito tributário em face do Hotel Nacional S/A, orçado no montante de R$ 1.477.872,16 (hum milhão quatrocentos e setenta e sete mil oitocentos e setenta e dois reais e dezesseis centavos), por deixar de incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária correspondente à parcela dos empregados, a alimentação in natura fornecida pela empresa, e pagamento efeitos indiretamente, a título de gorjetas e reclamações trabalhistas, durante o período fiscalizado. Segundo o relatório, a Recorrente deixou de constar na folha de pagamento, o fornecimento de alimentação in natura, sem estar cadastrada no programa de alimentação do trabalhador – PAT; valores devidos a título de gorjeta (taxa de serviço/ comissão sobre pontos); e valores pagos através de recibos avulsos referentes a reclamações trabalhistas. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária no Distrito Federal entendeu por manter o lançamento. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. GORJETAS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA. INSCRIÇÃO. PAT Nos termos da legislação previdenciária, as gorjetas são forma de remuneração, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e constitui base de cálculo das contribuições previdenciárias. Integra o salário de contribuição o fornecimento de alimentação in natura sem a inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que a decisão recorrida teria sido proferida em dissonância com os pressupostos legais da tributação, uma vez que os pressupostos essenciais do Fl. 754DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 4 3 lançamento (campo de incidência, fato gerador e base de cálculo) não estão de acordo com as disposições do Código Tributário Nacional. i. No que tange ao fato gerador correspondente à alimentação in natura fornecida aos empregados, o recorrente, aduz que a alimentação não pode ser caracterizada como espécie de alimentação, sendo apenas um benefício colocado à disposição do empregado para sua fruição, uma vez que inexiste previsão legal que defina o fornecimento de alimentação como parte da remuneração, consoante as deliberações dos artigos 22, inc. I, da Lei 8.212/91 e § V do art. 28, da Lei 8.212/91. ii. Ao que se refere as gorjetas, a recorrente afirma que inexiste qualquer tipificação legal que lhe imponha qualquer ônus fiscal, seguindo a mesma linha de raciocínio, afirma também que não há previsão legal do fato econômico, uma vez que não existe a concomitância da disponibilidade dos recursos para haver a constituição do fato gerador, nem da base de cálculo, já que inexiste previsão legal do fato econômico que tipifique a base de cálculo como geradora do tributo. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Da decadência No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento Fl. 755DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 5 4 administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 6 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 757DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 7 6 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação; Depreendese dos autos que a Recorrente efetuou o pagamento de algumas das contribuições devidas à Seguridade Social, o que afasta, de início, um dos pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 21 de julho de 2005, e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos anteriormente a julho de 2000, tenho como certo que essas competências foram atingidas pela decadência qüinqüenal. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 8 7 Do auxílio Alimentação Entendo que o auxílio alimentação pago aos empregados segurados, mesmo in natura, não tem caráter de remuneração e, por ilação lógica, sua não indecência sobre a contribuição previdenciária. Isto porque, ao prestar os alimentos, o Recorrente visa apenas proporcionar o aumento da produtividade e eficiência laboral dos seus empregados. É dizer, a verba paga se aproxima muito mais de um instrumento para o próprio trabalho, já que não se admite que um trabalhador possa trabalhar seguidas horas diárias sem se alimentar. Noutras palavras, a alimentação é concedida “para” e não “pelo” trabalho, ou seja, como meio de tornar viável a própria prestação de serviços, em benefício do trabalhador. Ademais, como é sabido, o ambiente de trabalho é um local estratégico de promoção da saúde e alimentação saudável e, nesta linha de raciocínio, há de se acrescentar que a alimentação vem proteger a própria segurança e a saúde do empregado. Outrossim, seria completamente desprovido de sentido entender que o legislador isenta da contribuição previdenciária o auxilio fornecido em vales alimentação e tributa o que é pago in natura e em dinheiro, porquanto em ambas situações buscase a mesma finalidade para o trabalhador, ou seja, o reembolso pelos valores pagos para o exercício do próprio trabalho. É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica de um benefício. Até porque, o pagamento in natura não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio da alimentação. Frisese, que qualquer ser humano, e não só o trabalhador, precisa se alimentar para o exercício de suas atividades, sendo certo que sem alimentação tornase inviável, quiçá impossível, o exercício de qualquer atividade profissional. Quanto à necessidade de inscrição no PAT, não vejo reprimenda legal para aquelas empresas que não obtiverem inscrição no respectivo programa. O próprio Superior de Tribunal de Justiça – STJ tem firmado entendimento que tal inscrição é dispensável, mitigando os ditames do artigo 3º da Lei nº 6.321/76, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 1 Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2 Recurso especial não provido. (STJ REsp 1.051.294 (2008/00873730) 2ª T. Relª Min. Eliana Calmon DJe 05.03.2009 p. 671) Fl. 759DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o pagamento efetuado in natura do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1392454/SC, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 25/11/2011) Desta feita, resta indubitável que a ajuda alimentação recebida in natura não integra o salário de contribuição, bem como é desnecessária a inscrição no PAT para a não incidência daquela. Das gorjetas É de sabença acadêmica que, predominantemente, o critério quantitativo da contribuição previdenciária a cargo da empresa tem como elemento nuclear a remuneração, discriminada no inciso I, do art. 22, da Lei nº 8.212/91. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Nessa tocada, além do legislador conceituar “remuneração”, salientou a incidência do tributo em fustigo sobre as gorjetas, que, em seu turno, tem sua significação determinada pelo § 3º, do art. 457, da CLT, em que “considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada à distribuição aos empregados”. Tratase de um instrumento utilizado para prestigiar o labor exercido com zelo e afinco, mensurado pelos clientes ao pagála, denotando, insofismavelmente, que o nascedouro de seu pagamento decorre do trabalho prestado. Ato contínuo, in casu, o auditor fiscal distinguiu efetivamente a natureza dos pagamentos efetuados a título de gorjeta, pormenorizando os trâmites administrativos da operação, como se vê pela transcrição do trecho abaixo, extraído do relatório da notificação fiscal de lançamento de debito NFLD n°. 35.722.7824l: No caso concreto do Hotel Nacional, o cálculo mensal do valor do ponto obedece Fl. 760DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 10 9 seguinte metodologia: a. O Sr. Wagner Canhedo Azevedo Filho, Diretor da empresa, define o valor total a ser distribuído a titulo de taxa de serviço (quota), utilizandose de critério pessoal não informado à fiscalização, apesar de existir apuração diária dos valores com base no faturamento, por meio de sistema informatizado; b. Apurase a quantidade total de pontos do mês, que consiste no somatório dos pontos a que tem direito cada empregado em atividade e conforme sua função na empresa; c. Finalmente, dividese o valor definido no item "a" pela quantidade apurada conforme item "h" encontrando, portanto, o valor mensal do ponto no mês, em reais. O método mencionado acima pode ser confirmado, a partir do relatório PRFPG572 — Relação dos Pontos dos Funcionários, do sistema de folha de pagamento da empresa. Uma vez encontrado o valor do ponto em reais, na elaboração da folha de pagamento, o sistema calcula a parte variável do salário dos empregados, multiplicando aquele valor pelo número de pontos de cada um dos funcionários. A esta verba, a empresa atribui, tanto na folha de pagamento como em sua contabilidade, o titulo de "Taxa de Serviço". Nesse sentir, é de clareza solar que os valores pagos se referem a gorjeta, que, indubitavelmente, compõe a remuneração do segurado empregado, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal. Dos valores pagos por meio de recibos avulsos, em razão de composição extrajudicial de querela trabalhista. Incialmente, cumpre ressaltar que é perfeitamente lícito que as partes, mediante concessões mútuas, transacionem para prevenir ou por fim a litígio. Todavia, uma vez proposta uma demanda judicial, todo e qualquer acordo deve ser levado ao conhecimento do judiciário, para que o homologue, efetivando a devida prestação jurisdicional. Destarte, pelo que dispõe o § 5º do art. 43, da Lei 8.212/91, incide a contribuição previdenciária sobre as verbas transacionadas em dissídio individual ou coletivo no âmbito da justiça do trabalho: Art. 43. Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social. "§ 5o Na hipótese de acordo celebrado após ter sido proferida decisão de mérito, a contribuição será calculada com base no valor do acordo." Bem assim, não escapa da incidência da contribuição previdenciária, em se verificando a composição extrajudicial de litígio trabalhista não levado ao conhecimento do juízo, à medida que sua hipótese de incidência decorre do acordo, e não da homologação. In casu, esse é o cenário descrito pelo auditor fiscal, no relatório da notificação fiscal de lançamento de debito NFLD n°. 35.722.7824l de fls. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 11 10 Foram encontrados, ainda, alguns recibos relativos a pagamentos efetuados a empregados em litígio com a empresa, entretanto referiamse a valores não determinados na sentença ou acordo, ou seja, pagamentos extra. Os empregados em questão eram José Antonio Severo e Rui Carlos Mota. Ante o exposto, os créditos lançados em virtude dos valores pagos por meio de recibos avulsos, aos reclamantes trabalhistas supracitados, devem ser mantidos integralmente. Das penalidades Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa, porque não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Entretanto, é de se notar que no caso em tela, o fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do Fl. 762DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 12 11 pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado. Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por este motivo, deve ser aplicado ao caso, o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, para as competências até 11/2008. Já para a competência 12/2008, há que ser aplicado o novo ordenamento trazido pela MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras Fl. 763DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 13 12 entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 764DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 14 13 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que está correta a aplicação do artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2008, para a competência 12/2008. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir da condenação as parcelas do período Fl. 765DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10166.002348/200949 Acórdão n.º 2302003.641 S2C3T2 Fl. 15 14 fiscalizado atingidas pela caducidade, e os lançamentos relativos as verbas devidas a título de alimentação in natura. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2015. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 766DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10907.002445/2006-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Exercício: 2006
LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. No entanto, não cabe a cobrança da multa de ofício, no caso de lançamento destinado à prevenção da decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3201-000.319
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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