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Numero do processo: 11128.007396/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do Fato Gerador: 08/03/2003
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto de nome comercial TRIGONOX 42S identificado por análise laboratorial como sendo Peróxido de 3,5,5-Trimetilhexanoato de terc-Butila, deve ser classificado no código 2915.90.90 da TEC.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Hélcio Lafetá Reis e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 08/03/2003 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto de nome comercial TRIGONOX 42S identificado por análise laboratorial como sendo Peróxido de 3,5,5Trimetilhexanoato de tercButila, deve ser classificado no código 2915.90.90 da TEC. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Hélcio Lafetá Reis e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 73 96 /2 00 6- 08 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por bem descrever a controvérsia nestes autos, transcrevo o relatório da Resolução nº 3102000.173, da 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, que baixou o presente feito em diligência em 01/09/2011: Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ São Paulo II SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1740.025, proferido em 15 de abril de 2010. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de imposto de importação, juros de mora, multa de ofício de setenta e cinco por cento, aplicada por recolhimento fora do prazo legal, prevista no art. 44, I da Lei 9430/96, multa de trinta por cento do valor aduaneiro, aplicada pela exigência de novo licenciamento de importação, prevista no art. 169, I, b do Decretolei 37/66, e multa de um por cento do valor aduaneiro, aplicada por classificação incorreta de mercadoria, prevista no art. 84, I da MP 215835 c/c art. 69 e 81,1V da Lei 10833/03. Tal cobrança se faz em face de reclassificação fiscal da mercadoria denominada TRIGONOX 42S, importada pela interessada sob a classificação 2915.90.90, relativa a outros ácidos monocarboxílicos acíclicos saturados e seus anidridos, halogenetos, peróxidos e perácidos, ésteres e sais, bem como os derivados (incluídos os derivados mistos) halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados destes produtos. A mercadoria foi objeto de laudo de análises n° 2767 (fl. 25), o qual apontou que o produto se trata de 3,5,5 Trimetil Hexanoperoxoato de 1,1Dimetiletila, éster de um peróxido de ácido, derivado de peróxido de ácido monocarboxílico acíclico saturado, não sendo qualquer outro ácido monocarboxílico acíclico saturado e seus derivados. Em razão do laudo, a fiscalização entendeu correta a classificação 2915.90.50, relativa a peróxidos de ácidos. Cientificada do auto de infração, a interessada protocolizou impugnação, alegando, em síntese, que: • Ao contrário do laudo emitido pelo Laboratório de Análises, entende que o produto é um peróxido de éster; • Junta laudo detalhado aos autos, ao contrário do laudo 2767 da FUNCAMP; • Esse laudo define o que são peróxidos orgânicos (de ésteres e de ácidos), a composição do produto; • A descrição do produto nos documentos de importação não tem a ver com o constante no laudo; • Não é cabível a multa de 75% do tributo e de 30% do valor aduaneiro da mercadoria; • Requer seja julgado improcedente o lançamento. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: Enquanto a interessada defende a classificação no código 2915.90.90, relativa a outros ácidos monocarboxílicos acíclicos saturados e seus anidridos, halogenetos, peróxidos e perácidos, ésteres e sais, bem como os derivados (incluídos os derivados mistos) halogenados, sulfonados, nitrados ou Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 12 3 nitrosados destes produtos, a fiscalização entende correta a classificação 2915.90.50, relativa a peróxidos de ácidos. Para uma adequada análise, imprescindível a reprodução dos textos dos códigos NCMs em questão: 29.15 ÁCIDOS MONOCARBOXÍLICOS ACÍCLICOS SATURADOS E SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 2915.90 Outros 2915.90.50 —Peróxidos de Ácidos 2915.90.90 — Outros O laudo de análises n° 2767 (fl. 25) apontou que o produto se trata de 3,5,5 Trimetil Hexanoperoxoato de 1,1 Dimetiletila, éster de um peróxido de ácido, derivado de peróxido de ácido monocarboxílico acíclico saturado, não sendo qualquer outro ácido monocarboxílico acíclico saturado e seus derivados. O texto do código NCM 2915.90.50, sendo expresso ao citar peróxidos de ácidos, é o que encontra perfeita ressonância com o resultado do laudo de análise n° 2767, o que também é comprovado pela nota da posição 2915: Esta posição inclui os ácidos monocarboxílicos acíclicos saturados e seus anidridos, halogenetos, peróxidos e perácidos, ésteres e sais, bem como os derivados (incluídos os derivados mistos) halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados destes produtos. O laudo apresentado pela interessada aponta o produto como peróxido de éster, outro peróxido orgânico, o que contraria o laudo oficial apenas em sua conclusão, uma vez que este último também aponta o produto como éster de um peróxido, mas de ácido, apresentandose como derivado de peróxido de ácido monocarboxílico acíclico saturado, uma conclusão mais completa e acertada, menos econômica. A análise oficial não está incompleta, o que a difere da apresentada pela interessada é que a mesma não se preocupa com diversas definições mas apenas com o produto em questão, o que realmente importa. As multas são cabíveis em função de descrição incompleta da mercadoria, sem todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário e também por insuficiência de recolhimento de tributos. A recorrente apresenta recurso voluntário, fls. 145 e sgs, onde em síntese solicita: 14. A mercadoria em questão denominada TRIGONOX 42S é uma solução líquida de constituição química definida a base de Peróxido de 3,5,5 Trimetilexanoato de tButila, com teor de pureza de 97%. 15. Verificase, portanto, que não se trata de preparação, cuja adição do produto orgânico as ditas substâncias inorgânicas causa uma reação de forma a ativar a função para o qual a Recorrente pretende comercializar. Em outras palavras, não se tratam de substâncias que são deliberadamente deixadas no produto para tornálo particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral. 16. Conforme explicitado na impugnação ao auto de infração, a fórmula estrutural do produto em questão é um peróxido de éster, do tipo Peroxoéster de tAlquila, um Peróxido de Éster de Ácido Carboxílico, de forma genérica, diferentemente do Laudo do Laboratório de Análises que entendeu ser um Peróxido de Ácido. Em que pese o Laboratório de Análise da FUNCAMP ter Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 13 4 identificado a correta composição química, conclui ao final tratarse apenas de um Peróxido de Ácido, o que de fato não é um peróxido de ácido, mas sim um Éster de um Peróxido de Ácido. 17. Porém, em que pese as alegações e documentos técnicos trazidos na impugnação, houve a insistência de se afirmar que o produto químico se enquadra na posição 2915.90.50. Ou seja, quis dar interpretação equivocada e que não se coaduna com os laudos juntados aos presentes autos, sem qualquer fundamentação técnica. O fiscal não pode simplesmente desconsiderar o enquadramento dado pela Recorrente baseado em laudos químicos e estudos técnicos efetuados ao longo dos seus negócios. 18. Nesse sentido, tratandose de questão puramente técnica, não pode o fiscal interpretar o laudo técnico de acordo com a sua conveniência, pois não possui conhecimentos técnicos para tanto. É o que se pode verificar do seguinte julgado proferido por esse E. Conselho, verbis: [...] 19. Ademais, o próprio julgador de primeira instância argui que os laudos apontam o produto corno peróxido de éster e nesse sentido, não pode fazer tabula rasa sobre os aspectos técnicos e ignorar as razões colocadas em sede de impugnação. 20. Observando as posições e itens da NCMTEC podese notar que não tem um subitem específico, isto é, cuja descrição seja coincidente ou que permita a inclusão da mercadoria de nome Peróxido de 3,5,5 Trimetilexanoato de t Butila, e por se tratar de um Peróxido de Éster foi classificada no código TEC 2915.90.90 — Outros, que é um dos subitems da Posição dos Peróxidos. 21. A ser dessa forma, a classificação fiscal adotada pela Recorrente na importação da mercadoria em referência ("TRIGONOX 42S") é a adequada, a vista de que a classificação foi determinada pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulos, conforme determina as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado RGISH. 22. Não obstante a relevância das argumentações trazidas nas presentes razões, para concluir que o processo administrativo é nulo de pleno direito, não se pode aceitar também a imposição da penalidade de 30% incidente sobre o valor das mercadorias importadas do exterior, supostamente sem guia de importação ou documento equivalente, conforme previsto no artigo 526; Do nãocabimento da multa por controle administrativo das importações de 30% sobre o valor das mercadorias inciso II, do Decreto n° 91.030/85 (Antigo Regulamento Aduaneiro) — legislação prevista para os fatos geradores ocorridos até 26 de dezembro de 2002, nem mesmo a multa de oficio no percentual de 75%, prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, e a multa de 1% por suposto erro de classificação fiscal. 23. Referida penalidade de 30% incidente sobre o valor das mercadorias importadas do exterior monta sozinha à quantia de R$ 19.759,90 (dezenove mil, setecentos e cinqüenta e nove reais e noventa centavos), ou seja, aproximadamente 49,00% (quarenta e nove por cento) do crédito tributário constituído por meio do lançamento fiscal em tela. 24. Relativamente a multa por controle administrativo das importações de 30% sobre o valor das mercadorias e a multa de 1% por suposto erro de classificação fiscal, conforme consta da peça acusatória fiscal, tal multa justificarseia diante da constatação de que a Recorrente haveria importado "mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul". Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 14 5 25. A jurisprudência administrativa é pacífica, em suas diferentes instâncias, sobre o não cabimento da multa do controle administrativo das importações diante de casos de mera divergência na classificação fiscal adotada pelo importador, nos quais as mercadorias estejam devidamente descritas nos documentos de importação a permitir ao Fisco suas respectivas identificações. 26. Dentro desse contexto, não se pode nunca perder de vista que em nenhum momento foram glosadas ou contestadas as informações prestadas pela Recorrente sobre a mercadoria importada em seus documentos e dec 14 3, de importação, tanto que foi plenamente identificada pelo Laboratório de Análise FUNCAMP. Toda a questão sempre se cingiu à classificação fiscal de produtos. Não há e nunca houve nenhuma dúvida ou inconsistência nas informações prestadas pela Recorrente sobre a mercadoria. Daí porque restam infrutíferas todas as alegações do D. Julgador de primeira instância sobre a questão em referência. 28. No caso em concreto, a Recorrente descreveu na Declaração de Importação em comento nas presentes razões de que se trata de um peróxido orgânico — tipo D, sendo confirmado pelo Laboratório FUNCAMP tratase do mesmo produto "3,5,5 Trimetil Hexanoperoxoato de 1,1 Dimetiletila, Éster de um peróxido de ácido, derivado de peróxido de ácido monocarboxilínico acíclico saturado". Isso se confirma na decisão de primeira instância quando a Delegacia de Julgamento afirma que "o laudo apresentado pela interessada aponta o produto como peróxido de éster, outro peróxido orgânico, o que contraria o laudo oficial apenas em sua conclusão, uma vez que este último também aponta o produto como éster de um peróxido". 29. Não há como consentir que a Recorrente tenha efetuado uma descrição incorreta tão somente para desviar a fiscalização e adotar uma classificação fiscal com carga tributária menor. Essa foi a intenção do legislador ao determinar o percentual de 30% de multa sobre o valor aduaneiro. Tratase tão somente de divergência de interpretação de classificação fiscal, o que não dá ensejo a referida multa. 30. Cumpre mencionar o Ato Declaratório COSIT n° 12/1997 que determina que não constitui infração administrativa ao controle das importações, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado e ,de: não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Esse Ato Declaratório fora mencionado pela fiscalização no Auto de Infração, mas que se aplica a favor da Recorrente. 31. Por fim, em última instância administrativa, a Câmara Superior de Recursos Fiscais sacramenta tal entendimento jurisprudencial, afastando a exigência da multa em questão nos casos de simples divergências de classificação fiscal. Os dois recentes acórdãos abaixo transcritos refletem, com clareza, a hipótese legal em que a multa do controle administrativo das importações de 30% sobre o valor da mercadoria mostrase cabível, bem como aquela na qual sua aplicação resta afastada. Vejamos: [...] 32. Verificase, portanto, que se tratando a questão objeto da autuação fiscal de mera divergência na interpretação das regras de classificação fiscal, totalmente incabível a pretendida imposição de multa do controle Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 15 6 administrativo das importações, além das multas de ofício no percentual de 75% e multa de 1% por suposto erro de classificação fiscal. A Resolução nº 3102000.173, da 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, converteu o feito em diligência para ver esclarecidas através de laudo as seguintes questões: • O que é um éster de um peróxido de ácido? • O que é um peróxido de ácido? • Podese dizer que um éster de um peróxido de ácido é uma ESPÉCIE de peróxido de ácido? Ou tratase de outro composto químico? Em 12/01/2012, foi elaborado o Parecer Técnico 01/2012, da Falcão Bauer, às fls. 190193. Em seguida, os autos retornaram ao CARF. Registrese que intimada sobre a referida perícia, a Recorrente sobre ela não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil após o despacho do produto denominado "TRIGONOX 42S", através da Declaração de Importação n° 03/0820286 9, de 21/09/2003, ter sido classificado na posição 2915.9090 (com alíquotas de 0% para o Imposto de Importação e de 0% para o IPI), ao invés de ter sido classificado na posição 2915.90.50 (alíquotas de 13,5% para o Imposto de Importação e de 0% para o IPI). Portanto, cingese a controvérsia à determinação da classificação fiscal mais adequada para o produto TRIGONOX 42S. Segundo a fiscalização, tratase o produto de Peróxido de Ácido; a Recorrente por sua vez entende tratarse de Peróxido de Éster, que, por não ter classificação específica, se enquadra no item 29.15.90.90 (Outros — Peróxido de Éster, Outro Peróxido Orgânico). Observese a classificação fiscal possível, nos seguintes termos: 29.15 ÁCIDOS MONOCARBOXÍLICOS ACÍCLICOS SATURADOS E SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS. 2915.90 Outros Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 16 7 2915.90.50 —Peróxidos de Ácidos 2915.90.90 — Outros Segundo a fiscalização, amparada no laudo de efl. 25, o produto: Tratase de 3,5,5TrimetilHexanoperoxoato de 1,IDimetiletila, Éster de um Peróxido de Ácido, Derivado de Peróxido de Ácido Monocarboxílico Acíclico Saturado. RESPOSTAS AOS QUESITOS: I. Não se trata de Qualquer Outro Ácido Monocarboxílico Acíclico Saturado e seus Derivados. Tratase de 3,5,5TrimetilHexanoperoxoato de 1,1Dimetiletila, Éster de um Peróxido de Ácido, Derivado de Peróxido de Ácido Monocarboxílico Acíclico Saturado. 2. Tratase de composto orgânico de constituição química definida. 3. De acordo com Referências Bibliográficas, TRIGONOX 42S referese ao de 1,1 Dimetiletila utilizado como iniciador de polimerização de resinas poliacrílicas. Em sentido oposto, o Parecer Técnico, emitido pelo Químico José Maia Dantas, juntado pela Recorrente, atesta que o Peróxido de 3,5,5Trimetilexanoato de tButila é um Peróxido de Éster, do tipo Peroxoéster de tAlquila, um Peróxido de Éster de Ácido Carboxílico, de fórmula genérica, diferentemente do Laudo do Laboratório de Análises que entendeu ser um Peróxido de Ácido, verbis (efl.85): 3. TRIGONOX® 42S Com base nas informações contidas nos itens anteriores, bem como nos anexos, o produto TRIGONOX® 42S, produzido pela AKZO NOBEL POLYMER CHEMICALS, é constituído de Peróxido de 3,5,5 Trimetilexanoato de tButila, na forma líquida, com um teor de pureza de 97%. Desse modo, sendo formada por uma substância pura, Peróxido de 3,5,5 Trimetilexanoato de tButila, a mercadoria caracterizase como um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Com base na sua fórmula estrutural, Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 17 8 concluise que o Peróxido de 3,5,5Trimetilexanoato de tButila é um Peróxido de Éster, do tipo Peroxoéster de tAlquila, um Peróxido de Éster de Ácido Carboxilico, de fórmula genérica Em toda a documentação técnica consta também que, embora esse tipo de Peróxido seja altamente reativo, pode ser produzido e embalado na forma pura, sem o uso de solvente orgânico volátil ou outros diluentes. Suas principais propriedades e usos, bem como as informações de segurança (transporte, manuseio e armazenamento) estão detalhadas nos documentos e Tabela anexos. (...) Com base nestas informações e nos estudos realizados junto aos dizeres das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando outras posições foram excluídas, sugerese que a mercadoria TRIGONOX® 42S, um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, com grau de pureza de 97%, classificase entre os produtos compreendidos no Capítulo 29 da TEC, como um Peróxido de Éster, do tipo Peroxoéster de tAlquila, um Peróxido de Éster de Ácido Carboxílico na subposição 2915.90, por falta de subposição mais específica, e no subitem: 2915.90.90 — Outros (Peróxido de Éster, Outro Peróxido Orgânico). Em suma, o produto TRIGONOX® 42S constatase que o mesmo não deve ser classificado no subitem 2915.90.50 (Peróxidos de Ácidos), já que este composto não se trata de um Peróxido de Ácido, mas sim de um Peróxido de Éster. Rumo à conclusão, ressaltese que o Parecer Técnico da Falcão Bauer (efls. 190 193), resultado da diligência fiscal, estatui que o TRIGONOX 42S, referese ao Peróxido de 3,5,5Trimetilhexanoato de tercButila, com a seguinte fórmula estrutural: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.007396/200608 Acórdão n.º 3301002.977 S3C3T1 Fl. 18 9 São os termos do Parecer da Falcão Bauer: 3 Os Perésteres (Peóxidos Ésteres) são erroneamente denominados como Esteres de Peróxidos Ácidos, porém quimicamente não são obtidos pela reação de um Peróxido Ácido com um Álcool. Desta forma, consideramos que os Peróxidos Ésteres não Derivados de Peróxidos Ácidos indicando que não se trata de uma Espécie Derivada de Peróxido Ácido. Tratase de qualquer outro derivado de Ácido Orgânico, obtido pela reação de um Ácido Orgânico com um Hidroperóxido. Do exposto, a mercadoria não foi erroneamente classificada, motivo pelo qual deve aplicarse as alíquotas de 0% para o imposto de importação e para o IPI, mantida a classificação no código 2915.90.90 da TEC. Por conseguinte, não é cabível a aplicação das multas de 75%, por falta de pagamento de imposto, a de 30% referente à Importação Desamparada de Guia de Importação ou Documento Equivalente e a de 1% por mercadoria classificada incorretamente. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelamento do auto de infração. Sala de Sessões, em 18 de maio de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 35570.004613/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ACRÉSCIMO DE ALÍQUOTA PARA FINANCIAMENTO DE APOSENTADORIA ESPECIAL.
Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial.
Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em desacordo com os normativos legais, expondo seus empregados a condições especiais que prejudiquem sua saúde ou integridade física, a fiscalização deverá lançar o respectivo acréscimo de alíquota, visto que a aposentadoria especial é financiada pela empresa que expõe seus empregados a tais condições.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO.
A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior; (b) por maioria de votos, não conhecer de ofício questão envolvendo a aplicação da multa previdenciária; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Designada para fazer o voto vencedor em relação à multa a conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira. Fez sustentação oral a Dra. Andrea de Souza Gonçalves Carvalho, OAB/ 163.879.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Marcela Brasil de Araújo Nogueira Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ACRÉSCIMO DE ALÍQUOTA PARA FINANCIAMENTO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial. Ao se deparar com inconsistência nos documentos relacionados com o gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, ou a sua apresentação deficiente ou em desacordo com os normativos legais, expondo seus empregados a condições especiais que prejudiquem sua saúde ou integridade física, a fiscalização deverá lançar o respectivo acréscimo de alíquota, visto que a aposentadoria especial é financiada pela empresa que expõe seus empregados a tais condições. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 57 0. 00 46 13 /2 00 5- 59 Fl. 13583DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 2 Barca Texeira Júnior; (b) por maioria de votos, não conhecer de ofício questão envolvendo a aplicação da multa previdenciária; vencidas a relatora e os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Designada para fazer o voto vencedor em relação à multa a conselheira Marcela Brasil de Araújo Nogueira. Fez sustentação oral a Dra. Andrea de Souza Gonçalves Carvalho, OAB/ 163.879. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Marcela Brasil de Araújo Nogueira – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira. Relatório Tratase de crédito previdenciário no montante de R$25.642.336,36 (vinte e cinco milhões seiscentos e quarenta e dois mil e trezentos e trinta e seis reais e trinta e seis centavos), consolidado em 13/12/2005, que, de acordo com o Relatório Fiscal de folhas 200 a 391 (197 a 386), referese ao adicional à alíquota da contribuição social de que trata o art. 22, II da Lei 8.212/91 (RAT), o qual foi instituído pela Lei 9.732/98, exigível a partir de 04/1999. A matéria foi ratificada pela Emenda Constitucional 20/98. DO RELATÓRIO FISCAL O Relatório Fiscal informa que o AI Auto de Infração Debcad n° 35.749.9077, lavrado em 14 de dezembro de 2005, constante da NFLD trata do R01 Riscos Ocupacionais (período declarado em GFIP); RO2 Riscos Ocupacionais (período não declarado em GFIP). No caso em questão, nos termos do §6° do art. 57 da Lei 8.213/91, o referido adicional ao RAT está previsto em 6%, para financiamento da concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição, e incide exclusivamente sobre a remuneração dos segurados que trabalhem permanentemente sujeitos a condições especiais nocivas à sua saúde/integridade física por exposição a agentes químicos, físicos e biológicos, ou sua associação, os quais, nos termos do art. 58 da Lei 8.213/91, estão relacionados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A razão do lançamento, segundo o Fisco, devese ao fato de a empresa, ter deixado de comprovar o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, de controlar os riscos ocupacionais existentes e, por fim, de dar cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. Fl. 13584DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.584 3 O fato gerador do tributo em tela é a efetiva exposição dos trabalhadores a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou a associação desses agentes, que prejudiquem a saúde ou a integridade física daqueles. A referida exposição foi constatada a partir da análise da documentação ambiental da notificada, especialmente os laudos técnicos de condições ambientais de trabalho. Cabe à empresa o dever de cumprir os mandamentos constitucionais, reduzindo o risco à saúde e integridade física de seus empregados, e de promover e comprovar o eficaz gerenciamento dos riscos ocupacionais e demais medidas e ações que visem, preventivamente, a preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, com o escopo de evitar a concessão de benefícios previdenciários indevidos, e garantir, por outro lado, o financiamento daqueles devidos, sob pena de responsabilização, no âmbito tributário, pelo pagamento da alíquota referente ao adicional previsto no § 6º , do art. 57, da Lei n.º 8.213/91. Segundo o Relatório Fiscal o crédito previdenciário foi constituído tendo em vista que a fiscalização constatou que a empresa não faz o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, deixando de controlar os riscos ocupacionais existentes e, por fim, por ter ficado evidenciada a presença de agentes nocivos, os quais estão trazendo prejuízos à saúde ou a integridade física dos trabalhadores. Tal constatação decorreu, dentre outros motivos pela existência de Laudos Técnicos atestando a exposição a agentes nocivos acima dos limites de tolerância previstos nos regulamentos próprios; das evidências de que a empresa não possui gerenciamento eficaz sobre a distribuição, o uso e a substituição dos Equipamentos de Proteção Individual — EPI e que o uso dos EPI não acontece por todos os trabalhadores expostos a agentes nocivos e durante toda a jornada de trabalho; das constatações médicas de que vem crescendo o número de casos mórbidos entre os trabalhadores; da falta de cuidado da empresa em respaldar as informações que prestou no campo "ocorrência" da GRIP, verificada pelo desencontro dessas informações com aquelas obtidas através de outros documentos analisados, como Perfis Profissiográficos Previdenciarios — PPP, formulários DIRBEN8030, atas de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA e Comunicações Internas de Acidentes de Trabalho — CIA; e também pela falta de apresentação de diversos documentos, como Comunicações de Acidentes de Trabalho CAT e relações de acidentes de trabalho ocorridos da maioria de seus estabelecimentos. Tais fatos também geraram autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias. A GFIP, Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, é o documento próprio para que a empresa declare, entre outras informações, quais trabalhadores estão expostos a agentes nocivos acima dos limites de tolerância (no campo ocorrência). Esta declaração faz com que sejam calculadas as contribuições destinadas ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91. A obrigação de as empresas informarem mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, inclusive no tocante aos trabalhadores expostos a agentes nocivos que permitem a concessão de aposentadoria especial, foi instituída pela Medida Provisória n.º Fl. 13585DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 4 1.59614/97, convertida na Lei n.º 9.528, de 10 de dezembro de 1997, que acrescentou o inciso IV ao artigo 32 da Lei n.º 8.212/91. A partir das informações declaradas e confessadas pelos contribuintes por meio da GFIP, devidamente armazenadas nos bancos de dados informatizados da Autarquia Previdenciária, o INSS promoverá, atendidos os requisitos e a respectiva carência exigida a cada espécie, os cálculos para a concessão dos benefícios previdenciários, resguardado o direito de o segurado, a qualquer tempo, fazer prova contra qualquer informação prestada de maneira equivocada pelo seu empregador. Que de posse da documentação disponibilizada pela notificada, procedeu a análise individual dos documentos e foram cotejados seus conteúdos com as declarações prestadas no campo "ocorrência" da GFIP, sendo constatadas as seguintes irregularidades: desconformidades das demonstrações ambientais com as normas regulamentadoras — NR, aprovadas pela Portaria 3.214, de 08 de junho de 1978; e incompatibilidades entre os diversos documentos e programas integrantes do gerenciamento do ambiente de trabalho. Assim, verificase que foram prestadas informações incorretas no campo "ocorrências" da GFIP, ao ser informado o código 00 — sem exposição a agente nocivo, quando foi constatada a existência de funcionários que teriam direito à aposentadoria especial. Tal falha gerou auto de infração, além do presente lançamento do adicional devido. As Autoridades Fiscais informam, no item 11.8 do relatório fiscal, que os valores depositados judicialmente pela empresa para o estabelecimento CNPJ 33.042.730/0001 04, por este não estar incluído no presente lançamento, foram apropriados (abatidos) aos demais estabelecimentos constantes desta NFLD, para serem lançados na NFLD 35.749.9085. DA IMPUGNAÇÃO A Impugnação consta em folhas 6.493 a 6.503 (6.306 a 6.338) Preliminares Nulidade do Auto de Infração Protesta pela nulidade do lançamento, em decorrência de terem sido incluídos seus diretores no relatório de corresponsáveis. Alega que para proceder dessa forma, é necessária a exposição pormenorizada dos fatos, logo indispensável, para a responsabilidade dos diretores, através da descrição, pelas D. Autoridades Fiscais, de forma especifica, do ato de gestão que comprovaria a conduta mencionada que acarretaria a infração e constituiria o crédito previdenciário. Não se podendo saber (por inexistente a menção) a capitulação legal que as D. Autoridades Fiscais da Previdência Social entenderam sustentar a indicação como corresponsáveis pelo débito da empresa, dos diretores relacionados, óbvia resta a configuração de nulidade da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Afronta ao Princípio da Irretroatividade: A Aplicação Da Instrução Normativa SRP N° 3/2005 Defende que a Instrução Normativa, expressamente, indica a data de sua vigência, a D. Autoridade Fiscal não pode retroceder sua aplicação, considerando o período Fl. 13586DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.585 5 fiscal do lançamento, janeiro de 2002 a junho de 2005, quando ocorreram os fatos que, na sua análise, fariam surgir as obrigações acessórias quanto aos riscos ambientais do trabalho. Relatório Fiscal Invoca o art. 689 da Instrução Normativa 100/2003, para protestar contra a falta de clareza e precisão do relatório fiscal, por entender que os subjetivismos nele encontrados não espelham a liquidez e certeza do crédito. Aponta como exemplos as expressões "milagrosamente", "como em uma (sic) passe de mágica", "milagre", "casos milagrosos", "objetos mágicos", as presunções feitas no item 8.4.23.2.6 e "opiniões técnicas emitidas sem qualquer fundamento". Aponta trechos do relatório fiscal em que os notificantes teriam excedido sua competência, ao emitirem opiniões e avaliações sobre as consequências dos agentes nocivos para a saúde dos segurados empregados a eles submetidos. Chama a atenção para trechos do relatório em que os notificantes teriam desconsiderado documentos emitidos por Médico do Trabalho ou Engenheiro de Segurança do Trabalho. Alega que, embora tenham anexado dois quadros demonstrativos, os notificantes não deixaram claro o método usado para a apropriação dos valores consignados judicialmente pela empresa, o que impede a verificação dos cálculos empregados. Mérito Entende que "a desconsideração de inúmeros documentos apresentados, assinados por profissionais legalmente habilitados, torna impeditivo (sic) qualquer avaliação de mérito". Requer seja deferida a realização de perícia independente, defendendo que somente assim se poderia avaliar se o agente físico ruído não foi eliminado ou reduzido a limites de tolerância, em função das medidas adotadas pela empresa. Da Decisão “a quo” A Decisão da Delegacia da Receita Previdenciária RJ – Duque de Caxias DN nº 17.422.4/ 0348/2006 de folhas 6.528 a 6.542 (6.442 a 6.456) manteve na integra a peça fiscal e obteve a seguinte Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. ACRÉSCIMO DE ALÍQUOTA PARA FINANCIAMENTO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. Nos termos do Art. 57 da Lei n° 8.213/91, a aposentadoria especial é financiada com os recursos provenientes da contribuição de que trata o artigo 22, inciso II, da Lei n° 8.212/91 pela empresa que expõe seus empregados a condições especiais que prejudiquem sua saúde ou integridade física, sendo a concessão do citado benefício após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. PEÇAS QUE INSTRUEM 0 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PREVIDENCIARIO. RELAÇÃO DE CO RESPONSÁVEIS. Fl. 13587DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 6 A relação de coresponsáveis é anexo obrigatoriamente integrante da Notificação Fiscal de Débito — NFLD, e apenas lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, conforme artigo 660, inciso X da Instrução Normativa SRP n.° 03/2005. LANÇAMENTO PROCEDENTE Do Recurso Inconformada, interpõe, tempestivamente, o Recurso Voluntário, folhas 6.548 a 6.573 (6.461 a 6.486), acompanhado de Apólice de “SeguroGarantia” autorizado judicialmente, substituindo o depósito. Reitera as preliminares e argumentos da impugnação e especialmente afirma que: a D. Autoridade Julgadora não vislumbrou a necessidade de que fosse realizada perícia em relação à presente autuação, contudo, pelo tamanho do Relatório de Informação da "NFLD" n° 35.749.9077 (190 folhas) e pela complexidade na análise da matéria aqui questionada a perícia era essencial para que se pudesse acurar a relação entre os empregados envolvidos e os cargos e funções exercidas que, de acordo com a D. Autoridade Fiscal, ensejam a necessidade da retenção do adicional da contribuição para a aposentadoria especial e que, porventura, não tenham sido realizados pela ora RECORRENTE. o mínimo que a D. Autoridade Julgadora deveria ter observado era a necessidade da realização de criterioso processo administrativo, com a efetivação de tantas diligências quantas fossem necessárias para que restasse configurado, se for o caso, alguma irregularidade cometida pela RECORRENTE e que o crédito tributário a ser constituído refletisse exatamente, e não aproximadamente, o montante que deixou de ser recolhido em razão da exposição de segurados a riscos ocupacionais. não há espaço para se acolher a alegação de que a perícia requerida possuía cunho meramente protelatório, pois tal diligência era essencial para que fosse aferido o número exato de segurados que estivessem supostamente expostos a riscos ocupacionais e para os quais não estivesse sendo realizado recolhimento do adicional aqui questionado. indeferir de plano tal pedido importa em cercear o direito de defesa da ora RECORRENTE que, por meio de tal diligência, poderia facilmente afastar as imputações constantes desta autuação fiscal. alegar, ainda, que não houve a formulação de quesitos é ainda mais descabido, eis que a perícia se confunde com o próprio mérito desta autuação, pois toda a matéria aqui questionada é passível da realização de prova pericial para que se possa aferir os riscos ocupacionais a que estão expostos os segurados. DILIGÊNCIA Resolução n.º 230100.007 Conforme consta em folhas 6.589 a 6.593 (6.500 a 6.504), a 1ª Turma, 3ª Câmara, da 2ª Seção, Resolução n.º 230100.007 de 05 de maio de 2009, deste Conselho, decidiu que: VOTO Fl. 13588DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.586 7 Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DO SANEAMENTO Como já apresentado em outros recursos interpostos pela mesma Recorrente do presente sob análise, cujo objeto referiamse, outrossim, ao adicional à alíquota da contribuição social de que trata o art. 22, II da Lei n. 8.212/91 [RAT], para financiamento da concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição, e incide exclusivamente sobre a remuneração dos segurados que trabalhem permanentemente sujeitos a condições especiais nocivas à saúde/integridade física por exposição a agentes químicos, físicos e biológicos, ou sua associação, os quais, nos termos do art. 58, da Lei n. 8.213/91, entendi pela conversão do julgamento em diligência, haja vista se tratar de matéria complexa e depender essencialmente de análise pericial da realidade fática encontrada no interior dos estabelecimentos da Recorrente. No presente lançamento percebese que, apesar do detalhamento louvável realizado pelas autoridades notificantes constante do Relatório Fiscal, verifico que a justificativa reproduz uma ficção jurídica, consubstanciada na inversão de obrigação probatória [ônus], por força da nãoapresentação de documentos exigidos pela legislação de regência, conforme se subsume de alguns trechos da DecisãoNotificação [fls. 6.347/48]: [...] 24. No que concerne à competência dos AuditoresFiscais da Previdência Social, evidenciase nos autos que, embora façam observações relativas aos agentes nocivos, os notificantes limitaramse a lançar as contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela empresa segundo a documentação que esta apresentou (quando apresentou), inclusive cruzando informações constantes de tais documentos, nos termos da lei. 0 lançamento só é oposto a algum documento apresentado, se nele havia inconsistência com informações obtidas em outros documentos também apresentados pela notificada, ou se a documentação prescindia de elemento essencial à sua validade, como assinatura, por exemplo. 25. Quando os notificantes relatam o que entendem de um risco ocupacional, fazemno para ilustrar o relatório, nunca com a pretensão de estar emitindo laudos, estes de competência de peritos de Medicina do Trabalho e em Engenharia de Segurança do Trabalho. Aliás justamente pela convicção dos limites de sua atribuições que os notificantes emitiram tantos TIAD solicitando os laudos daqueles profissionais, solicitação que nem sempre a empresa atendeu. Em tais circunstâncias, a Legislação Previdenciária atribui o ônus da prova ao contribuinte, uma vez que este se mostrou negligente com suas obrigações acessórias de manter sob a guardar os documentos relacionados às Fl. 13589DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 8 contribuições previdenciárias, observando todos os requisitos de sua validade e em bom estado de conservação. 26. Uma vez que a documentação disponibilizada para exame não constituiu um conjunto coeso, por estabelecimento (em relação a alguns estabelecimentos, não foram apresentados os PPP, em período em que este já era exigível; para outros, o documento que faltou foi o LTCAT; para outros, ainda, era o PCMSO que faltava, e assim por diante), os notificantes viram se na contingência de formar, através do cruzamento de informações dos documentos que foram efetivamente apresentados pela empresa, ainda que, como já mencionado, muitos documentos faltassem, o quadro geral dos trabalhadores expostos aos riscos ocupacionais em níveis correspondentes à incidência do adicional do RAT, por estabelecimento em que estavam lotados. [Grifouse] Ressaltese, nobres pares, que a procedência do lançamento terá o condão, em verdade, de declarar e afirmar o direito à aposentadoria especial de todos os trabalhadores considerados expostos pela auditoria fiscal, de tal sorte que todo esse contingente de pessoas poderá apresentar requerimento junto As Agências da Previdência Social pleiteando o reconhecimento do tempo de contribuição para a aposentadoria especial. Tal consequência não se mostra em consonância com as mudanças feitas na legislação de aposentadoria especial, que passou a exigir a efetiva exposição aos agentes nocivos para o deferimento dos benefícios. Desta forma, considerando o acima exposto e a natureza eminentemente técnica da controvérsia travada nos presentes autos, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligencia para que seja elaborado parecer técnico para cada um dos estabelecimentos da empresa, a ser elaborado por Médico Perito do Fisco ou Engenheiro de Segurança do Trabalho, de forma a comprovar que os segurados empregados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos (considerando, inclusive, se havia ou não utilização eficaz de equipamento de proteção para cada um dos agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 e seguintes da Lei n° 8.213/91. Para tanto, deverá ser realizada inspeção técnica no local de trabalho da empresa, considerado pelos auditores fiscais, emitindose parecer conclusivo. Inclusive com a confirmação se houve a concessão de benefícios por incapacidade acidentária aos segurados da empresa em epígrafe, no período do levantamento do crédito previdenciário, referente a cada um dos respectivos estabelecimentos da empresa. Da mesma forma, seja elaborada planilha relacionando os empregados expostos e seus respectivos setores, de forma a deixar claro se estão ou não incluídos no presente lançamento. Tais informações poderão ser adquiridas no local de trabalho dos segurados ou na prestadora de serviços, já que esta é obrigada a ter folha de salário separada por cada empresa Fl. 13590DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.587 9 contratante (art. 31, §5°, da Lei n° 8.212/91) ou outro meio capaz de assegurar que os segurados efetivamente estavam expostos a agentes nocivos à saúde. Por fim, fazse mister que, antes da realização da perícia, seja intimada a Recorrente para que no prazo de 05 [cinco] dias apresente quesitos e indique assistente técnico. Em fls. 6.599 a 6.604 (6.510 a 6.515) a Recorrente apresentou os quesitos abaixo transcritos, bem como indicou três assistentes técnicos, vejamos os quesitos apresentados: Quesitos: 1) Queira o Ilustre Senhor Perito descrever o processo de produção e as condições ambientais onde eram desenvolvidas as atividades da PETICIONARIA informando os agentes de riscos presentes em cada um dos estabelecimentos indicados na autuação; 2) Queira o Ilustre Senhor Perito identificar, dentre as diversas áreas de cada estabelecimento da PETICIONARIA, se alguma delas apresentava a presença de agentes nocivos em intensidade/concentração acima dos limites estabelecidos pela Norma Regulamentar n° 15, Portaria TEM n° 3.214178. Caso positivo, discriminar a área, o agente, a intensidade/concentração x limite estabelecido pela legislação; fundamentação legal, atividades desenvolvidas, forma de exposição durante a jornada de trabalho; 3) Queira o Ilustre Senhor Perito informar se as D. Autoridades Fiscais procederam com verificações in loco para aferir as medidas protetivas adotadas pela PETICIONARIA, bem como a eficácia das mesmas para eliminação dos agentes nocivos, detalhados no quesito n° 2. Caso negativo, a PETICIONARIA protesta pela realização de diligência com esse intuito; 4) Queira o Ilustre Senhor Perito informar se as D. Autoridades Fiscais verificaram junto aos segurados empregados se havia fornecimento regular de equipamentos de proteção individual ("EPI's"), bem como palestras (por exemplo, o treinamento introdutório) ressaltando a importância da utilização dos mesmos para garantir a eliminação dos agentes nocivos. Caso negativo, a PETICIONARIA protesta pela realização de diligência com esse intuito; 5) Queira o Ilustre Senhor Perito informar se a PETICIONARIA adotava procedimentos operacionais para ressaltar, a obrigatoriedade da utilização de "EP1's"; 6) Queira o Ilustre Senhor Perito informar qual foi o valor dos investimentos de melhorias do processo de trabalho da implementação de medidas administrativas e organizacionais e o custo médio anual da PETICIONARA Fl. 13591DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 10 com a aquisição de "EPI's" durante o período objeto da autuação; 7) Queira o Ilustre Senhor Perito e informar e identificar, caso existentes, medidas de proteção coletivas adotadas pela PETICIONÁRIA em relação a cada um dos estabelecimentos indicados nessa autuação, demonstrando a eficácia das mesmas; 8) Queira o Ilustre Senhor Perito informar se a PETICIONÁRIA possuía procedimento especifico para avaliar, preventivamente, a exposição aos riscos á saúde e segurança dos seus trabalhadores como, por exemplo, a elaboração de Análise Preliminar de Riscos ("APR"). Caso positivo, informar se este documento atende os requisitos de planejamento e informações para mitigação dos riscos relativos ao trabalho a ser desenvolvido; 9) Queira o Ilustre Perito se os procedimento administrativos para a execução das tarefas obedeciam a algum padrão técnico de forma a prevenir e controlar a exposição de seus segurados empregados aos riscos ambientais; 10) Queira o Ilustre Perito informar se a PETICIONARIA possuía, à época, Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho ("SESMT"). Caso afirmativo, favor informar: i) a especialização dos profissionais que faziam parte desse quadro; ii) as atividades desenvolvidas por esses profissionais; iii) a natureza dos documentos técnicos gerados e a interface dos mesmos com os setores de produção da PETICIONARIA; 11) Queira o Ilustre Senhor Perito identificar, caso existentes os segurados empregados que, mesmo após a adoção das medidas protetivas por parte da PETICIONARIA, durante o período de junho de 2001 a junho de 2005, estiveram efetivamente expostos a agentes nocivos capazes de ensejar a concessão de aposentadoria especial, demonstrando a atividade desenvolvida, o grau de exposição, a falha/ausência na utilização do "EPI", o período sujeito à exposição, o nexo causal entre a atividade laboral e o agente nocivo, bem como os exames médicos capazes de comprovar a presença dos referidos agentes em razão das atividades desenvolvidas nos estabelecimentos da PETICIONARIA. INFORMAÇÃO FISCAL Instado a se manifestar, o Ilustre Auditor emitiu “Informação Fiscal” em fls. 6.613 a 6.622 (6.525 a 6.533), em síntese, questionou a relevância da diligência e ratificou os termos do lançamento realizado: 1. Em atenção ao contido na Resolução n° 230100.007, da 3a Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que, em breve síntese, solicita a elaboração de um parecer técnico conclusivo por um médico perito do fisco ou engenheiro do Fl. 13592DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.588 11 trabalho, buscando comprovar que os segurados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos, temos a informar que o referido procedimento não há como ser atendido pela RFB, pelos motivos que procuraremos demonstrar nos parágrafos seguintes. 2. Preliminarmente, cumpre destacar que o crédito previdenciário em questão se originou através de procedimento fiscal que, em atendimento à normatização vigente à época da sua realização, teve por finalidade a verificação do correto e efetivo gerenciamento dos riscos ocupacionais no ambiente de trabalho, bem como do cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias dele decorrentes, em relação a seus segurados empregados, mais especificamente: [...] 4. Em relação ao adicional do RAT, promovido pelo §6° do art. 57, da Lei 8.213/91, a constatação de que a empresa não obedeceu às determinações contidas pela legislação previdenciária, segundo constou no Relatório Fiscal, foi feita, considerando, de um lado, a presença dos agentes nocivos apontados pelos laudos técnicos apresentados pela empresa, enumerados no item 3 acima, e de outro, conforme exaustivamente demonstrado ao longo do Relatório Fiscal, as deficiências do programa de gerenciamento dos riscos ambientais, evidenciadas principalmente — mas não somente — nas faltas de cuidados em fornecer aos seus trabalhadores o EPI adequado ao risco de cada atividade; em orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação dos mesmos; em deixar de substituilos imediatamente, quando danificado ou extraviado; em se responsabilizar pela higienização e manutenção periódica dos mesmos; nas evidências de ordem médica, verificadas pelos níveis de morbidade dos trabalhadores, constantes nos PCMSO apresentados e na quantidade de CAT referente à perda auditiva induzida por ruído; nas sucessivas manifestações dos órgãos públicos competentes, notadamente a Curadoria Regional do Meio Ambiente, Consumidor e Cidadania do Rio de Janeiro, o Ministério Público do Trabalho, e a Fiscalização do Ministério do Trabalho; e nas observações colhidas nas atas de reunião da CIPA. 5. No que concerne ao contido nos itens 3 e 4 acima, vale aqui fazer algumas indagações e considerações, mesmo que pontuais, acerca do tema que envolve a presente Diligência Fiscal: 0 que significa gerenciamento de risco? Qual a significação de laudo técnico? Da mesma forma que um filme é um conjunto de fotos continuas, o gerenciamento é uma reunião de ações ao longo do tempo. 0 LTCAT, por exemplo, traz em seu bojo um conjunto de determinações que a empresa deve cumprir. Assim, se o contribuinte informa que a utilização do EPI neutraliza a nocividade do agente físico "Ruído", deve ele, contribuinte, cumprir uma série de ações e procedimentos para que tal neutralidade se torne eficaz ao longo do tempo em que o Fl. 13593DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 12 empregado estiver exposto à nocividade, tais como: realizar treinamentos de seus empregados, conscientizandoos da importância do uso dos EPI; possuir e cumprir norma interna, que determine a forma de entrega e a periodicidade de seu uso; demonstrar, através de qualquer forma, o recebimento pelo empregado do EPI; deve também demonstrar, através de exames audiométricos anuais, a eficiência das ações propostas etc. Portanto, não basta o contribuinte afirmar que o uso do EPI neutraliza a nocividade do agente. Deve demonstrar a real efetividade de suas ações, através dos diversos programas/procedimentos obrigatórios por Lei. Foi este o trabalho objeto da fiscalização quando da lavratura da presente Notificação Fiscal: verificar o cumprimento das ações determinadas pelo Laudo Técnico apresentado, bem como as normas oriundas da Legislação da Segurança e Medicina do Trabalho. [...] No que concerne às alegações aventadas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, especificamente ao contido às Fls. 6485, itens 3 e 4, mister que façamos aqui, mesmo que de forma pontual, algumas observações que nos levaram a concluir que tais alegações não merecem prosperar 7. Ainda nesta linha, verificase também que, atentos ao fato de o referido crédito previdenciário tratarse de contribuição individualizada, incidindo exclusivamente sobre a remuneração referente ao segurado que efetivamente exerceu a atividade em condições especiais, as autoridades fiscais procederam ã identificação precisa dos trabalhadores e dos fatores ambientais de risco a que estavam expostos, informações estas extraídas exclusivamente dos documentos apresentados pela empresa, elaborando as "Planilhas de Levantamento de Riscos — por Estabelecimento" de forma anual, onde são identificados os trabalhadores expostos aos agentes nocivos em níveis acima do Limite de Tolerância, com a respectiva identificação do agente, bem como do nível de exposição. A base de cálculo, individualizada por empregado, foi detalhada nos "Demonstrativos Mensais relacionando todos os trabalhadores expostos, com a respectiva base de cálculo de contribuições previdenciárias — por Estabelecimento". Todos estes demonstrativos, componentes do presente processo, foram anexados ao Relatório Fiscal, de forma a tornar límpido e claro o critério para estipular o valor da contribuição previdenciária devida. 8. Estão ainda individualizadas no Relatório Fiscal as rubricas da folha de pagamento consideradas como integrantes do saláriodecontribuição (Item 11.6.2 — Fls. 385) e as respectivas alíquotas aplicadas (Item 11.7 — Fls. 386). 9. Também se encontram detalhados no item 11.8 do Relatório Fiscal (Fls. 386) e nos Anexos XIX, XX e XXI (Fls. 4616/4621), os critérios utilizados para apropriação dos depósitos judiciais realizados pela empresa. 10. Destarte, retornando ao tema matriz da solicitação que impulsionou esta Diligência Fiscal, registrese que creditamos todo o respeito que a manifestação da 1a Turma da 3a Câmara Fl. 13594DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.589 13 do Conselho inspira, mas pedimos vênia para nos posicionarmos no sentido de que, a nosso sentir, o procedimento solicitado está fora da competência da Receita Federal do Brasil, uma vez que a fiscalização previdenciária de riscos ocupacionais não inclui a elaboração de pareceres ou laudos, conforme prevê os arts. 376 e 377 da então IN INSS/SRP n° 03/2005 vigente à época (atualmente os Arts. 288 e 289 da IN 971/2009), que discrimina os procedimentos a serem adotados pelo fisco (da RFB) nessa área. Vale ressaltar que os atos que devem ser praticados pela fiscalização são os definidos na legislação especifica, como bem observa o art. 6°, incisos I e II, da Lei no 10.593, de 06 de dezembro de 2002 (que trata da competência dos AFRFB) [...] 11. Assim, por absoluta falta de amparo legal, não cabe ao Fisco a supressão de deficiências nas demonstrações ambientais (PPRA, LTCAT, etc), as quais são de competência da empresa. A função precípua da RFB é buscar a garantia do custeio e verificar se as obrigações exigíveis pelas legislações no que concerne à exposição aos agentes nocivos estão sendo cumpridas pela empresa. A título de exemplificação, quando o Fisco encontra lançamentos não registrados corretamente pela empresa em seus livros contábeis, não temos competência para inserilos na sua contabilidade, mas podemos constituir o crédito pelo lançamento; assim, por analogia, não cabe ao Fisco realizar os programas que são obrigatórios da empresa, mas tão somente a análise quanto ao cumprimento das disposições legais, até porque os programas são atos pretéritos e deveriam ser implementados a contento pela empresa. Apesar de exaurida sua competência com a interposição do recurso voluntário, o auditor conclui o documento com a “reabertura do prazo para complementação do recurso voluntário” e reafirma a desnecessidade da diligência: 12. Finalizando, por tudo já exposto do corpo desta Informação Fiscal, entendemos que a apreciação do pedido formulado pelo contribuinte. As fls. 6510/6515 encontrase também prejudicada e não deve prosperar. Ademais, pela análise do pedido formulado (v.g., observar a presença de agentes nocivos nos ambientes de trabalho de cada expostos aos agentes nocivos), verificase que os mesmos já foram analisados no Relatório Fiscal e seus anexos (vide os itens 8.2 a 8.12 e 10 e anexos VII ao XVII). 13. Face à emissão desta Informação Fiscal, estamos reabrindo novo prazo do recurso voluntário interposto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais —CARF, facultando ao sujeito passivo a apresentação de adendo à defesa já encaminhada, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do primeiro dia al seguinte ao da ciência, a qual poderá ser protocolizada em qualquer Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil. 14. Sendo o que incumbe a fiscalização esclarecer, submetemos a presente informação à consideração do Sr. Chefe de Equipe Fiscal, sugerindo o encaminhamento do presente processo à Fl. 13595DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 14 SACAT, para conhecimento e guarda do prazo regulamentar acima descrito e posterior providências de envio à 3' Câmara / 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, para seu prosseguimento. RECURSO VOLUNTÁRIO COMPLEMENTAR Intimado da “Informação Fiscal”, o Sujeito Passivo interpôs novo recurso voluntário fls. 6.631 a 6.646 (6.543 a 6.558) que reitera os argumentos já apresentados e questionam a incompletude do lançamento: Como se verifica do trecho acima, a matéria tratada é de fato complexa, isto porque, para que se torne exigível a cobrança da contribuição para aposentadoria especial, é preciso que fique comprovada a exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. Entretanto, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, justamente por não analisar de forma precisa e individualizada os fatos geradores da obrigação previdenciária, qual seja, os riscos a que efetivamente estão expostos os segurados, não cumpriu os requisitos de clareza exigidos, inviabilizando qualquer presunção de liquidez e certeza do crédito previdenciário ora questionado. Nessa linha, cumpre destacar que a valoração do crédito previdenciário em tela apresenta diversas dúvidas. Como é sabido, o referido crédito previdenciário tratase de contribuição individualizada, ou seja, que incide sobre a remuneração referente ao segurado que efetivamente exerceu a atividade laborativa em condições especiais, entretanto, não houve por parte das D. Autoridades Fiscais, qualquer identificação ou a demonstração da efetiva exposição desses trabalhadores a agentes nocivos, para que se atingisse o valor certo e devido do crédito previdenciário que originou a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Assim, não restando identificados de forma exata os empregados que exerceram essas atividades, bem como o tempo de duração das mesmas, ou seja, restando indevidamente analisado o fato gerador da obrigação ora questionada, questionase: Qual o critério utilizado pela D. Autoridade Fiscal e mantido pela D. Autoridade Julgadora para estipulação do valor da obrigação previdenciária em tela? Em face do quanto narrado, verificase que as D. Autoridades Fiscais não observaram o referido dispositivo, uma vez que faltaram elementos que caracterizassem os fatos geradores da obrigação, de forma que não há certeza e liquidez quanto ao tributo devido. Ora, não demonstrada a efetiva ocorrência do fato gerador, deve ser, desde logo, cancelada a autuação em tela. Ademais, a desconsideração de inúmeros documentos apresentados pela RECORRENTE, devida e regularmente Fl. 13596DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.590 15 assinados por profissionais legalmente habilitados, prejudicou ainda mais a comprovação da ocorrência dos fatos geradores da obrigação previdenciária. Dessa forma, o lançamento fiscal de débito findou por não atender aos requisitos de precisão e clareza, lançando valores em desacordo com a efetiva prestação dos serviços, sem individualizar os segurados que efetivamente estiveram expostos aos riscos ambientais, nem tampouco a mitigação de eventuais riscos em razão da utilização de Equipamento de Proteção Individual ou Coletiva, conforme previsto no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA acostados aos autos. [...]Uma vez demonstrado que o lançamento fiscal ora questionado não possui elementos suficientes para a configuração dos fatos geradores da obrigação previdenciária, verificase que a realização da perícia determinada através da Resolução no 230100.007 seria indispensável para se aferir os segurados supostamente expostos a riscos ocupacionais, bem como o nível de exposição, de forma a embasar a exigência da contribuição para aposentadoria especial. A CSN requereu, por fim, que: (i) diante da ausência de realização de perícia médica não há como se emprestar segurança e liquidez ao crédito tributário, motivo pelo qual deve ser provido o Recurso Voluntário; e (ii) alternativamente, deve ser realizada a diligência comandada pela Resolução n. 230400.007, bem como a análise dos documentos apresentados pela Recorrente fls. 6.649 a 13.479 (6.561 a 11.846). DILIGÊNCIA Resolução n.º 2301000.413 Em fl. 13.483 e ss, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, através da Resolução nº 2301000.413, em 18 de setembro de 2013, resolveram, novamente, em converter o julgamento em diligência, a fim de análise da documentação acostada pelo sujeito passivo, nos termos do voto do Redator. No voto do relator consta todos os fatos acima relatados e por fim decide que: VOTO: [...] Considerando o princípio da verdade material e o direito do contribuinte de ter seus argumentos adequadamente apreciados, conforme previsto no art. 3º, inciso II da Lei 9.784/99, não se pode deixar de apreciar os documentos juntados aos autos [fls. 6.518/11.846]. Para tanto, tornase imprescindível a realização de diligência para que a autoridade fiscal responda os quesitos apresentados. Após a realização da diligência, a recorrente deve ser intimada a manifestarse no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Fl. 13597DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 16 (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator VOTO VENCEDOR: Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto à necessidade do Fisco responder quesitos. Em verdade, após debates, chegouse à conclusão de que alguns dos quesitos apresentados em diligências anteriores seria de impossível resposta, pelo passar do tempo. Diferentemente da documentação acostada pelo sujeito passivo, que pode e deve ser analisada pela parte, Fisco, para verificação da procedência do lançamento e para respeito ao devido processo legal, em que as partes devem ter a mesma oportunidade. Assim, decido converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco analise e emita parecer conclusivo sobre os documentos anexos aos autos, para a integridade do lançamento. Após essa medida deve ser dada ciência ao contribuinte, para, caso deseje, apresente seus argumentos quanto á informação fiscal elaborada, somente. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator “ad hoc” INFORMAÇÃO FISCAL Novamente, instados a se manifestarem, os Ilustres Auditores emitiram “Informação Fiscal”, em fls. 13.506 a 13.559, em resumo, nos seguintes termos: 1. Esta Informação é emitida em atendimento ao dispositivo da Resolução nº 2301000.413, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que solicita que o Fisco analise e emita parecer conclusivo sobre os documentos anexos aos autos, de fls. 6.631 a 13.478, e que, após essa medida, seja dada ciência ao contribuinte, para, caso deseje, apresente seus argumentos quanto à informação fiscal elaborada, somente. [...] 6. Revendo o processo, evidenciase que todos os documentos apresentados pelo contribuinte foram analisados, constituindo os mesmos elementos comprobatórios da efetiva exposição dos trabalhadores a agentes nocivos, e da ausência de utilização eficaz de equipamentos de proteção, comprovandose assim a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição em tela, nos Fl. 13598DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.591 17 termos do Art. 142 da Lei Nº 5.172, de 25/10/1966 – Código Tributário Nacional. 7. Os critérios para estipulação do valor da obrigação previdenciária em tela foram demonstrados pela identificação de forma individualizada dos riscos a que efetivamente estiveram expostos os trabalhadores (Planilhas de Levantamento de Riscos – por estabelecimento, fls. 392 a 441), e a identificação de forma exata e individualizada dos trabalhadores que estiveram expostos aos citados riscos e suas respectivas remunerações (Demonstrativos mensais relacionando todos os trabalhadores expostos com a respectiva base de cálculo de contribuições previdenciárias – por estabelecimento, fls. 442 a 4.629), indicandose assim todos os elementos do fato gerador da obrigação em tela. Todas as informações, repitase, extraídas dos documentos apresentados pelo próprio contribuinte. [...] 11. No ensejo da apresentação do Recurso voluntário complementar, o contribuinte juntou ao processo os novos documentos relacionados a seguir, os quais passamos a analisar: [...] 12. Inicialmente, temos que o relatório fiscal traça uma análise acerca de diversos estabelecimentos da empresa, tais como: 33.042.730/001348; 33.042.730/001771 (UPV); 33.042.730/006730; 33.042.730/011572 (Porto de Sepetiba); e 33.042.730/013435 (Araucária). 13. Neste sentido, observase, de pronto, que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu recurso abarca, tão somente, o estabelecimento 33.042.730/001771 (UPV), nada mencionando acerca dos demais estabelecimentos analisados no âmbito do relatório fiscal. 14. Da mesma forma, observase que os documentos juntados as fls. 12.498 a 13.478 tratam, basicamente, do agente físico ruído, não mencionando, ou o fazendo de forma superficial, quanto aos demais agentes nocivos abordados pela fiscalização em seu relatório fiscal. 15. Doc. n 03: Recibos e controles de entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no período de 2001 à 2005 (Fls. 6.668 a 12.497) 15.1. Registrese que toda a análise relativa ao controle efetivo dos equipamentos de proteção individuais (EPI) encontrase detalhadamente descrita no item 8.12 do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito demonstrando, de forma inequívoca, que a empresa não obedeceu à hierarquia estabelecida pela legislação, atribuindo ao EPI a neutralização dos agentes nocivos, especialmente o ruído. Fl. 13599DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 18 15.2. [...] o uso e a substituição dos EPI, e que o uso destes não acontece por todos os trabalhadores expostos a agentes nocivos e durante toda a jornada de trabalho. 15.3. Em seu recurso, a empresa apresentou diversos recibos e controles de distribuição de EPI, fls. 6.668 a 12.497 [...] 15.4. A análise dos recibos e controles de distribuição de EPI apresentados pela empresa em seu recurso apenas ratifica todas as conclusões anteriores a que chegaram os AuditoresFiscais no curso do procedimento de fiscalização, as quais se encontram pormenorizadamente descritas no Relatório Fiscal da NFLD, no que tange à ausência de gerenciamento eficaz sobre a distribuição, o uso e a substituição dos EPI aos seus empregados, conforme será, mais uma vez, amplamente demonstrado no curso da presente informação fiscal. [...] 15.8. A forma de preenchimento das fichas de distribuição não permite um efetivo controle do tipo de equipamento que está sendo distribuído ao empregado, bem como a data exata em que esta distribuição ocorre. [...] 15.10. Neste ponto, notase que os próprios documentos de distribuição de EPI apresentam campo próprio de discriminação, descrevendo a necessidade de se informar quantidade, tipo, marca, além de outras informações. Porém, o que se observa nos documentados apresentados pela empresa é o total desrespeito ao correto e completo preenchimento deste campo na ficha de distribuição, apresentando diversos casos de utilização de termos genéricos para os equipamentos distribuídos, tais como “luva”, “perneira”, “máscara”, “protetor”, “botina”, “óculos”, “punho”, “plug”, etc, não especificando o tipo, a marca e tampouco a quantidade do equipamento fornecido, não permitindo assim um correto e efetivo controle do tipo de equipamento e da quantidade que está sendo distribuída ao empregado. [...] 15.12. Além da questão do preenchimento incompleto da data de recebimento, observase a existência de diversas fichas em que simplesmente não há o preenchimento da data de recebimento de determinado EPI, estando o campo destinado a esta informação completamente em branco, conforme exemplos abaixo descritos. [...] 15.14. Declarações de entrega a empregados de protetores auriculares tipo Plug, da marca Pomp, C.A. 2271, juntadas pela empresa ao longo das fls. 7035 a 7356, apresentam a informação de que a troca deste equipamento deverá ser feita a cada três meses. Estas declarações registram ainda a entrega ora de 04 (quatro) pares de protetores auriculares para alguns empregados, ora a entrega de apenas 01 (um) par de protetor auricular para outros empregados. Fl. 13600DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.592 19 [...] 15.16. Considerando que a documentação apresentada pela empresa trata basicamente do agente físico ruído, apresentamos abaixo diversos exemplos que ilustram, de forma inequívoca, as falhas acima apontadas no fornecimento de EPI aos empregados, especialmente nos protetores auriculares, apontando as deficiências quanto ao seu fornecimento e troca, com intervalos de troca de um, dois, três, e não raramente, superiores a quatro anos, colidindo frontalmente com o prazo trimestral de troca dos protetores auriculares tipo Plug, da marca Pomp C.A. 2271 contido nas declarações supra. Neste ponto, alertamos ainda para a falha anteriormente descrita no que tange à ausência de informação detalhada na discriminação dos protetores auriculares fornecidos, bem como a quantidade deste equipamento fornecida aos empregados, sendo que, nos casos em que consta a informação de quantidade na ficha, esta registra, majoritariamente, o recebimento de apenas 01 (um) equipamento pelo empregado. 15.17. Salientase que os funcionários abaixo descritos se encontravam expostos ao agente físico ruído, conforme informações contidas nos documentos denominados “Planilha de Levantamento de Riscos” e “Demonstrativos Mensais relacionando todos os trabalhadores expostos a agentes nocivos com respectivas bases de cálculo de contribuições previdenciárias” (fls. 418 a 436 e 618 a 4.436, respectivamente). [...] 15.20. Comparandose os equipamentos previstos no citado documento com aqueles efetivamente recebidos pelo empregado, mediante registro próprio, apurase, mais uma vez, a existência de falhas no controle e distribuição de EPI por parte da empresa, seja pela ausência de registro de recebimento pelo empregado de determinado EPI previsto no próprio documento de distribuição, seja pela constatação da existência de longos intervalos de troca, ou ainda pela existência de um único registro de recebimento de determinado EPI em um intervalo de anos, colidindo, mais uma vez, frontalmente com a alegação da empresa de que os EPI entregues aos funcionários variavam de acordo com a necessidade de cada função exercida, sendo tal situação ilustrada a partir dos exemplos abaixo descritos: [...] 15.21. Os exemplos acima descritos, relativos às falhas encontradas nos controles de distribuição de EPI, espelham bem a falta de cuidados da empresa em fornecer aos seus trabalhadores o EPI adequado ao risco de cada atividade, jogando uma pá de cal na sua alegação de que os EPI entregues variavam de acordo com a necessidade de cada função exercida. [...] Fl. 13601DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 20 15.23. Por todo o acima exposto, resta, mais uma vez, amplamente demonstrado que a empresa não comprovou possuir uma política clara de distribuição, troca/reposição e uso de EPI, refletindo esta ausência de controle observada, por exemplo, nas diversas situações encontradas nos documentos de distribuição de EPI apresentados pela empresa e mencionados, a título ilustrativo, no curso da presente informação fiscal. [...] 16. Doc. n 04: "Programa de Conservação Auditiva" (fls. 12. 499 a 12.746) 16.1. A empresa juntou o Programa de Conservação Auditiva" (Doc. n° 04), que passaram a constituir as fls. 12.499 a 12.746 do presente processo. Registrese, de início, que tal documento abrange exclusivamente o estabelecimento 33.042.730/001771. [...] 16.3. Os novos documentos trazidos ao processo possuem a seguinte estrutura e conteúdo: a) Programa de Conservação Auditiva PCA – 2003 (fls. 12.499 a 12.514) : apenas exposição teórica; [...] 17. Doc. n 05: "Lista de Presença do Treinamento do Programa de Conservação Auditiva" (Fl. 12.748 a 13.242) 17.1. A empresa juntou, sob esse título, os seguintes documentos: Lista de Presença do Treinamento do Programa de Conservação Auditiva PCA/2005" (Fl. 12.748 a 13.051 e Fl. 13.129 a 13.191); Registros de Treinamento e Desenvolvimento (Fl. 13.052 a 13.128) e Planilhas com o título “Atividades de Treinamento” (fl. 13.192 a 13.242). [...] 18. Doc. n 06: "Termo de Recebimento e Orientação do uso de EPI" (Fl. 13.244 a 13.263) 18.1. Foram juntados 20 (vinte) Termos de Recebimento de EPI, datados entre 01/2001 e 04/2001, em número irrelevante, frente ao universo de empregados da empresa. Não há como, por meio desses documentos, comprovar que a empresa “possui e cumpre norma interna que determina a entrega do "EPI", bem como comprova o seu recebimento pelos empregados, uma vez que dele consta o nome, a função, e a assinatura do empregado”, como pretende. 19. Doc. n 07: "Programa de Prevenção a Riscos Ambientais — Dosimetria de Ruído" (Fl. 13.265 a 13.366) 19.1.A empresa também juntou ao Processo o documento denominado "Programa de Prevenção a Riscos Ambientais — Dosimetria de Ruído" (Fl. 13.265 a 13.366). É composto, nas fls 13.265 a 13.354, de 90 (noventa) fichas com o título “Dosimetria do Ruído”, e, nas fls. 13.355 a 13.364 de fichas com o título Fl. 13602DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.593 21 “Planilha de controle de dosimetria de ruído/Planilha de Controle de Distribuição de Dosímetros”. [...] 20. Doc. n 08: "Laudo Técnico" (Fl. 13.368 a 13.390) 20.1. A empresa juntou ao processo um Laudo Técnico elaborado em Abril de 1999, com o objetivo de verificar a eficácia dos protetores auditivos e das máscaras semifaciais com filtro contra poeiras (respiradores para retenção de partículas sólidas) utilizados nas instalações da CSN — Companhia Siderúrgica Nacional). 20.2. Na avaliação dos protetores auditivos foram avaliados alguns setores da Usina Presidente Vargas (estabelecimento 33.042.730/001771) [...] 20.3. Observese que, no procedimento fiscal que deu origem ao presente processo, foram analisados e juntados ao processo, um conjunto de vinte e quatro Laudos Técnicos de Avaliação Quantitativa dos níveis de ruído nos Locais de Trabalho, elaborados pela empresa CPH Tecnologia em Saúde, assinados pelos responsáveis técnicos Pedro Eijmard S. Nascimento, Químico, CRQ IV 73009 e Eduardo de Souza Matos, Engenheiro de Segurança do Trabalho, CREA 5060991780, elaborados por setor do estabelecimento 33.042.730/001771, e realizados no período de Abril a Agosto de 2000. [...] 20.5. Nesse sentido, mantémse as conclusões expostas no item 8.5.4.1.2 do Relatório, uma vez que fundamentadas em Laudos posteriores, com o mesmo objeto e maior abrangência do agora apresentado. [...] 21. Doc. n 09: "Comprovante de Auditorias Internas sobre Comportamento Seguro" (Fls 13.392 a 13.450) 21.1. A empresa juntou ao processo os documentos denominados "Comprovante de Auditorias Internas sobre Comportamento Seguro" que se constituem as fls. 13.392 a 13.349. [...] 22. Doc. n 10:"Relação de Empregados para Exclusão da Insalubridade — por Ruído" (Fls. 13.452 a 13.478) 22.1. A empresa apresentou o documento denominado "Relação de Empregados para Exclusão da Insalubridade — por Ruído" (Doc: 10). Tratase de uma simples planilha, sem identificação ou assinatura do profissional responsável pela sua elaboração. Apesar de a empresa afirmar que a exclusão da insalubridade se deu “pelos motivos expostos ao final do documento”, não há Fl. 13603DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 22 nenhuma indicação dos motivos pelos quais se deu a referida exclusão. [...] 23. Em síntese, após as análises dos documentos trazidos aos autos nas fls. 6.631 a 13.478, efetuadas em atendimento ao dispositivo da Resolução nº 2301000.413, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, chegase às seguintes conclusões: 23.1. Os “Recibos e controles de entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no período de 2001 à 2005” (Fls. 6.668 a 12.497) reforçam e evidenciam que a empresa não comprovou possuir uma política clara de distribuição, troca/reposição e uso de EPI, refletindo esta ausência de controle observada, por exemplo, nas diversas situações encontradas nos documentos de distribuição de EPI apresentados pela empresa e mencionados, a título ilustrativo, no presente Informação fiscal, conforme pormenorizadamente exposto nos itens 15.1 a 15.25 da presente Informação Fiscal. 23.2. O "Programa de Conservação Auditiva", juntado às fls. 12. 499 a 12.746, demonstra que a empresa não respeitou o cronograma de treinamentos por ela própria estabelecido, e que não foi avaliada a eficácia das medidas de proteção coletiva adotadas. 23.3. As "Listas de Presença do Treinamento do Programa de Conservação Auditiva" (Fl. 12.748 a 13.242) não comprovam a realização de atividades de treinamento para a imensa maioria dos trabalhadores, além de evidenciar, mais uma vez, que a empresa não respeitou a periodicidade de treinamentos a cada 12 meses e o cronograma por ela própria estabelecido no documento Programa de Conservação Auditiva. 23.4. O "Termo de Recebimento e Orientação do uso de EPI" (Fl. 13.244 a 13.263), juntados em número irrelevante não comprovam que a empresa possui e cumpre norma interna que determina a entrega do "EPI", e nem comprova o seu recebimento pelos empregados. 23.5. O "Programa de Prevenção a Riscos Ambientais — Dosimetria de Ruído", juntado às fls 13.265 a 13.366, na verdade constituise somente em fichas que subsidiaram a elaboração de Laudos Técnicos cujos resultados já foram discutidos nos itens 8.2, 8.4 e 8.5 do Relatório Fiscal, razão pela qual tais documentos nada acrescentam ao Processo. 23.6. O Documento "Laudo Técnico", juntado às 13.366 a 13.390, abrange apenas alguns setores da Usina Presidente Vargas (estabelecimento 33.042.730/001771). Laudos mais abrangentes e com o mesmo objeto já foram analisados no Relatório Fiscal da autuação. 23.7. Os documentos "Comprovantes de Auditorias Internas sobre Comportamento Seguro" (fls. 13.392 a 13.349) abrangem apenas uma fração muito pequena dos trabalhadores da Fl. 13604DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.594 23 empresa, limitandose a um período de apenas 5 meses, e apenas um estabelecimento, não demonstram “a real efetividade de suas ações, através dos diversos programas/procedimentos obrigatórios por lei”, como pretende a empresa. 23.8. Na "Relação de Empregados para Exclusão da Insalubridade — por Ruído" não há nenhuma indicação dos motivos pelos quais se deu a referida exclusão. Em vista disso, não há como atribuir qualquer valor probante ao referido documento. Pode apenas se supor que a empresa excluiu os referidos empregados da insalubridade pelos mesmos motivos que não os informou como expostos aos riscos ensejadores da concessão da aposentadoria especial. Ademais, não consta no documento os tais “motivos expostos ao final do documento” mencionado pela empresa em seu recurso. [...] Por fim, o Fisco conclui que os documentos juntados não só confirmam, como reforçam as conclusões que embasaram a presente autuação, devendo a mesma, por esse motivo, ser integralmente mantida. MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE Intimado da “Informação Fiscal”, a Recorrente, no prazo estipulado na Resolução do CARF, fls. 13.568 a 13.573, relata os fundamentos da autuação e, em resumo diz que após a apresentação da Impugnação, a qual foi sobejamente rejeitada, ainda sob a égide da Secretaria da Receita Previdenciária, coube ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando da análise do Recurso Voluntário, determinar a sua conversão em diligência, para que fossem elaborados laudos relativos a cada um dos ambientes do trabalho sobre o qual era pretendida a exigência do adicional do "RAT", para que restasse configurada a presença, ou não, dos agentes que poderiam vir a configurar o risco ambiental, essencial para justificar o recolhimento do retro mencionado adicional. Atendendo a determinada constante da diligência, procedeu com a apresentação de um grande número de documentos, ainda nos idos de 2009, bem assim com a apresentação de quesitos, os quais espera ver analisados e respondidos, inclusive, com a elaboração do Laudo Técnico exigido. Assinala a sua inconformidade com o fato com o desrespeito a determinação do CARF, pela Autoridade Fiscal em deixar de proceder a com a análise exigida. Registra que, ao analisar essa resposta, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, determinou que não fosse realizada a diligência anteriormente determinada, e tampouco respondidos os quesitos, mas apenas analisados os documentos colacionados aos autos, isto em setembro de 2013. Consiga que não foi observado o princípio da isonomia: Ora, a violação ao princípio da isonomia é evidente, pois a D. Autoridade Fiscal gozou de dois anos para proceder com sua análise e alcançar as conclusões consignadas na Informação Fiscal. Agora, para que a Peticionária apresente suas considerações acerca dos pontos consignados naquela Fl. 13605DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 24 Informação Fiscal é concedido apenas o prazo de 10 (dez) dias, o que não possui qualquer razoabilidade. Afirma ter ocorrido a primeira nulidade, pedindo que seja reconhecida, sendolhe garantido prazo para que se manifeste acerca das conclusões constantes da Informação Fiscal, arguindo que: Diante da evidente impossibilidade de, no exíguo prazo concedido, a PETICIONÁRIA se manifestar acerca das conclusões ali apontadas, cumprelhe trazer à lume dois pontos que merecem atenção desse Egrégio Conselho. O primeiro diz respeito à natureza da exigência aqui combatida, qual seja, o adicional do "RAT". A concessão desse adicional enseja o direito a um sem número de trabalhadores em obter a aposentadora especial, no prazo de 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, o que certamente onera a Previdência Social. Daí, ser louvável o rigor que norteou a primeira conversão em diligência determinada, por meio da qual se buscava definir quais segurados faziam ou não jus àquele benefício. Tal preocupação tinha por objetivo, inclusive, o atendimento ao comando das normas regulamentares vigentes à época dos fatos geradores aqui analisados, que destacavam a importância de evitar a concessão de benefícios indevidos e a garantia do custeio daqueles devidos, como se vê: Transcreve legislação e diz que a primeira diligência estava na linha da doutrina e da jurisprudência administrativa transcrevendo doutrina e jurisprudência. Informa ainda que: A Peticionária, após o recebimento da autuação fiscal aqui combatida, foi surpreendida pela citação em uma Ação Civil Pública, movida pelo "INSS", questionando uma série de benefícios concedidos pela Peticionária a título de aposentadoria especial. É isso mesmo, a Peticionária, de um lado (nesta autuação fiscal), é cobrada por não ter realizado o recolhimento do adicional do "RAT", que é a fonte de custeio da aposentadoria especial, para um sem número de segurados; de outro lado (na ação civil pública), a Peticionária é questionada pela suposta concessão indevida de benefícios vinculados à aposentadoria especial. Afinal, qual das duas medidas é que merece prosperar? A existência dessas duas demandas processuais revela a incerteza, por parte do próprio órgão responsável pela gestão daquelas informações, acerca do cabimento ou não da aposentadoria especial para os segurados da Peticionária. Diante de tal fato, é imperativo que sejam acostados aos autos do processo administrativo o Laudo Técnico elaborado no bojo da Ação Civil Pública, para que haja coerência entre as análises feitas, na medida em que os fatos são os mesmos, devendo ser definido, apenas, se os ambientes de trabalho determinam ou não o recolhimento do adicional do "RAT". Fl. 13606DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.595 25 Como as pretensões veiculadas na Ação Civil e nesta “NFLD” são antagônicas, é necessário reconhecer que apenas uma delas deverá ser acolhida, sendo decretada a extinção da outra, necessariamente. Dessa forma, pugna a Peticionária para que seja determinada a juntada do Laudo Técnico elaborado nos autos da Ação Civil Pública neste processo administrativo, para que a análise seja feita com o maior conjunto possível de elementos. Por fim requer a concessão de prazo adicional de 90 (noventa) dias para se manifestar em relação a Informação Fiscal e a juntada do Laudo elaborado nos autos da Ação Civil Pública em razão de evidente conexão. É o Relatório. Voto Vencido Conheço dos Recursos e demais manifestações. PRELIMINARES As preliminares arguidas na Impugnação, tais como a ilegalidade da relação dos diretores da notificada junto a peça fiscal, as expressões de impacto utilizados pelos fiscais em seu Relatório Fiscal e o Princípio da Irretroatividade da IN SRP 03/2005, entendo que restaram superadas, pois em seus Recursos a Recorrente se insurge apenas contra a não autorização de perícia. Portanto, com o intuito de que não restem dúvidas, acolho os fundamentos da decisão “a quo”, em relação as preliminares arguidas e sua respectiva rejeição. No que tange a Perícia, a questão encontrase superada, pois conforme já relatado, inicialmente houve a diligência referente a Resolução n.º 230100.007 de 05 de maio de 2009, da 1ª Turma, 3ª Câmara, da 2ª Seção, em relação a qual além de apresentar quesitos foi oportunizado à Recorrente apresentar Recurso Voluntário complementar, no qual acostou 6.831 documentos. Ocorreu uma segunda diligência da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, através da Resolução nº 2301000.413, em 18 de setembro de 2013, resolveram, novamente, converter o julgamento em diligência, a fim de análise pelo Auditor Fiscal da documentação acostada pelo sujeito passivo, nos seguintes termos: Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto à necessidade do Fisco responder quesitos. Em verdade, após debates, chegouse à conclusão de que alguns dos quesitos apresentados em diligências anteriores seria de impossível resposta, pelo passar do tempo. Diferentemente da documentação acostada pelo sujeito passivo, que pode e deve ser analisada pela parte, Fisco, para verificação da procedência do lançamento e para respeito ao devido processo legal, em que as partes devem ter a mesma oportunidade. Fl. 13607DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 26 Assim, decido converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco analise e emita parecer conclusivo sobre os documentos anexos aos autos, para a integridade do lançamento. Após essa medida deve ser dada ciência ao contribuinte, para, caso deseje, apresente seus argumentos quanto à informação fiscal elaborada, somente. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator “ad hoc” Tendo em vista que foi oportunizado a Recorrente a apresentar Recurso complementar e todos os documentos que entendeu necessários à sua defesa, os quais foram analisados pelo Fisco e oportunizado, novamente a Recorrente apresentar suas contrarrazões, resta superada a perícia. Até porque a perícia in loco, como pretendia a Recorrente, apenas poderia ajudar na avaliação do ambiente de trabalho na data de sua realização, mas não na avaliação do ambiente que existia em datas anteriores. Para os períodos pretéritos, como é o caso do lançamento em tela, a fiscalização dispõe apenas dos documentos que a empresa era obrigada a elaborar por determinação legal. Como o presente lançamento se refere ao período compreendido entre 01/2002 a 06/2005, a auditoria não pode mais, por meio de vistoria in loco, verificar o eficaz gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, valendose para isso dos documentos apresentados pela empresa. Portanto, restam a ser analisados os pedidos constantes da última manifestação da Recorrente de fls. 13.568 a 13.573: a) Nulidade – em obediência aos princípios da isonomia, legalidade processual, razoabilidade, ampla defesa e contraditório. Afirma a Recorrente ter ocorrido nulidade, diante da evidente impossibilidade de, no exíguo prazo concedido de 10 (dez) dias, para manifestarse a acerca das conclusões apontadas na Informação Fiscal, sobre os documentos por ela juntados com o Recurso Voluntário complementar. Ocorre que não resta dúvidas que todos os documentos foram juntados pela própria Recorrente, portanto todos eram do seu conhecimento, razão pela qual não vislumbro nenhuma nulidade, na concessão de prazo de 10 (dez) dias para se manifestar acerca das conclusões do Fisco, em relação a tais documentos, entendo que foram devidamente respeitados os princípios invocados. Ademais, cabe salientar que a Recorrente em sua manifestação não questionou nenhuma das análises dos documentos apresentada pelo Fisco, mesmo que o prazo de 10 (dez) dias, realmente fosse exíguo, para analisar toda a Informação Fiscal, por certo teria tido tempo hábil para analisar, por amostragem, demostrando, se fosse o caso, algum documento analisado impropriamente pelo Fisco na Informação Fiscal. Entendo que, no caso concreto, foram plenamente observados os princípios da isonomia, legalidade processual, razoabilidade, ampla defesa e contraditório. Fl. 13608DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.596 27 b) Laudo Técnico elaborado nos autos da Ação Civil Pública. A Recorrente requer que este E. Conselho determine a juntada do Laudo Técnico elaborado nos autos da Ação Civil Pública, neste processo administrativo, para que a análise seja feita com o maior conjunto possível de elementos. Afirma que como as pretensões veiculadas na Ação Civil e nesta “NFLD” são antagônicas, é necessário reconhecer que apenas uma delas deverá ser acolhida, sendo decretada a extinção da outra, necessariamente. Salientase: a um que não foi por falta de oportunidade de juntar documentos, visto que o Princípio da Verdade Material foi amplamente respeitado, que a Recorrente deixou de fazêlo, efetivamente, se entedia indispensável sua juntado, devia têlo acostado, apontado, item a item, em que casos existiria o antagonismo. A dois – cabe transcrever abaixo, excertos da Decisão “a quo” em relação a Ação Civil Pública: 23. Mais compreensível, ainda, se tivermos em mente que as conclusões a que chegaram os Auditores notificantes coincidem com os fatos apontados em Ação Civil Pública, motivada por denúncia feita pela Curadoria Regional do Meio Ambiente, Consumidor e Cidadania do Rio de Janeiro, que reportou a suspensão do adicional de insalubridade sem a comprovação da eliminação do fator de risco à saúde ou integridade física dos empregados expostos aos agentes nocivos; o que também foi constatado em Auditoria Fiscal do Trabalho, que se manifestou pela não comprovação, por parte da empresa, de inexistência de risco à saúde dos referidos trabalhadores. (grifos do original) Portanto se a Recorrente entendia que a juntada do Laudo Técnico elaborado nos autos da Ação Civil Pública ajudaria para o deslinde do presente litígio, deveria têlo acostado e demonstrando em que pontos o mesmo colaboraria para o melhor entendimento da questão posta. Ante o exposto, rejeito as preliminares. MÉRITO Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de valores correspondentes ao adicional da alíquota da contribuição social de que trata o art. 22, inciso II, da Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no D.O.U. de 25/07/91, a qual se destina ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n.2 8.213, de 24 de julho de 1991, publicada no D.O.U. de 25/07/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. O lançamento se restringe ao período de 01/2002 a 06/2005. A presente notificação está alicerçada nas informações contidas nos laudos e demais documentos apresentados pela empresa e assinados por médicos do trabalho e engenheiros de segurança do trabalho. Sendo que, a Recorrente, não comprovou o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, no controle dos riscos ocupacionais existentes, dando Fl. 13609DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 28 cumprimento às normas de saúde e segurança do trabalho, de acordo com a legislação de regência. Cabe registrar, que desde a Impugnação, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova da sua pretensa regularidade junto à Previdência, bem como silenciou quanto ao mérito de todos os levantamentos. O adicional ao RAT está previsto em 6%, para o caso em questão, nos termos do §6° do art. 57 da Lei 8.213/91, para financiamento da concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição, o qual incide exclusivamente sobre a remuneração dos segurados que trabalhem, permanentemente, sujeitos a condições especiais nocivas à sua saúde/integridade física por exposição a agentes químicos, físicos e biológicos, ou sua associação, nos termos do art. 58 da Lei 8.213/91. Sendo o fato gerador do tributo em tela a efetiva exposição dos trabalhadores a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou a associação desses agentes, que prejudiquem a saúde ou a integridade física. A referida exposição foi constatada a partir da análise da documentação ambiental da notificada, especialmente os laudos técnicos de condições ambientais de trabalho. O crédito previdenciário foi constituído tendo em vista que a fiscalização constatou que a empresa não fazia o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, deixando de controlar os riscos ocupacionais existentes ficando evidenciada a presença de agentes nocivos, os quais trouxeram prejuízos à saúde ou a integridade física dos trabalhadores. Restou caracterizado, pelos Laudos Técnicos que atestam a exposição a agentes nocivos acima dos limites de tolerância previstos nos regulamentos próprios; pelos documentos que a Recorrente não possui gerenciamento eficaz sobre a distribuição, o uso e a substituição dos Equipamentos de Proteção Individual — EPI e que nem todos os trabalhadores expostos a agentes nocivos e durante toda a jornada de trabalho, faziam uso dos EPI; das constatações médicas de que vem crescendo o número de casos de trabalhadores atingidos por falta de controle razoável dos riscos ocupacionais; da falta de cuidado da empresa em respaldar as informações que prestou no campo "ocorrência" da GRIP, verificada pelo desencontro dessas informações com aquelas obtidas através de outros documentos analisados, como Perfis Profissiográficos Previdenciarios — PPP, formulários DIRBEN8030, atas de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes CIPA e Comunicações Internas de Acidentes de Trabalho — CIA; e também pela falta de apresentação de diversos documentos, como Comunicações de Acidentes de Trabalho CAT e relações de acidentes de trabalho ocorridos da maioria de seus estabelecimentos. Na “Informação Fiscal”, em fls. 13.506 a 13.559, emitida em atendimento as diligências deste E. Conselho, restou consignado que foram acostados junto ao Recurso voluntário complementar, os novos documentos, registrando, ainda, que o Relatório Fiscal, base da autuação fiscal analisou diversos estabelecimentos da Recorrente, tais como: 33.042.730/001348; 33.042.730/001771 (UPV); 33.042.730/006730; 33.042.730/011572 (Porto de Sepetiba); e 33.042.730/013435 (Araucária) e, a documentação apresentada no Recurso complementar abarca, tão somente, o estabelecimento 33.042.730/001771 (UPV), nada mencionando acerca dos demais estabelecimentos analisados para a lavratura da Notificação Fiscal. A “Informação Fiscal” (fls. 13.506 a 13.559) faz uma minuciosa análise de todos os documentos acostados, demostrando em cada um as deficiências apresentadas. Resta comprovado que os equipamentos previstos no citado documento com aqueles efetivamente recebidos pelo empregado, mediante registro próprio, a existência de falhas no controle e distribuição de EPI por parte da Recorrente, seja pela ausência de registro de recebimento pelo empregado de determinado EPI previsto no próprio documento de Fl. 13610DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.597 29 distribuição, seja pela constatação da existência de longos intervalos de troca, ou ainda pela existência de um único registro de recebimento de determinado EPI em um intervalo de anos. É oportuno ressaltar, ainda, que o gerenciamento do risco ambiental da empresa não pode se pautar apenas na utilização de EPI's. O Conselho Pleno do Conselho de Recursos da Previdência SocialCRPS, no exercício de sua competência para julgar as questões relacionadas à concessão de benefícios aos segurados da Previdência Social, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a utilização do EPI, por meio do Enunciado 21, transcrito a seguir: "ENUNCIADO n° 21 Editado pela Resolução N° 1/1999, de 11/11/1999, publicada no DOU de 18/11/1999. O simples fornecimento de equipamento de proteção individual de trabalho pelo empregador não exclui a hipótese de aposição do trabalhador aos agentes nocivos à saúde, devendo ser considerado todo o ambiente de trabalho" As “Listas de Presença do Treinamento do Programa de Conservação AuditivaPCA/2005" (Fl. 12.748 a 13.051 e 13.129 a 13.191), registram treinamentos realizados somente no período de 20/06/2005 a 24/06/2005 e 13/07 a 14/07/2005. São listas de presenças diárias preenchidas pelos participantes do treinamento. Não sendo possível apurar a quantidade de trabalhadores envolvidos. As “Planilhas de controle de dosimetria de ruído” são fichas que relacionam números de dosímetros com o nome de uma pessoa. Na grande maioria dos casos, não há registro de preenchimento dos demais campos, como Horário, Resultado, Tempo Total, e Leq dB(A). Além do exposto, acolho, ainda, como razões de decidir e de fundamento do meu voto, as conclusões da “Informação Fiscal” (fls. 13.506 a 13.559) abaixo transcritas: 23. Em síntese, após as análises dos documentos trazidos aos autos nas fls. 6.631 a 13.478, efetuadas em atendimento ao dispositivo da Resolução nº 2301000.413, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, chegase às seguintes conclusões: 23.1. Os “Recibos e controles de entrega de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no período de 2001 à 2005” (Fls. 6.668 a 12.497) reforçam e evidenciam que a empresa não comprovou possuir uma política clara de distribuição, troca/reposição e uso de EPI, refletindo esta ausência de controle observada, por exemplo, nas diversas situações encontradas nos documentos de distribuição de EPI apresentados pela empresa e mencionados, a título ilustrativo, no presente Informação fiscal, conforme pormenorizadamente exposto nos itens 15.1 a 15.25 da presente Informação Fiscal. 23.2. O "Programa de Conservação Auditiva", juntado às fls. 12. 499 a 12.746, demonstra que a empresa não respeitou o cronograma de treinamentos por ela própria estabelecido, e que Fl. 13611DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 30 não foi avaliada a eficácia das medidas de proteção coletiva adotadas. 23.3. As "Listas de Presença do Treinamento do Programa de Conservação Auditiva" (Fl. 12.748 a 13.242) não comprovam a realização de atividades de treinamento para a imensa maioria dos trabalhadores, além de evidenciar, mais uma vez, que a empresa não respeitou a periodicidade de treinamentos a cada 12 meses e o cronograma por ela própria estabelecido no documento Programa de Conservação Auditiva. 23.4. O "Termo de Recebimento e Orientação do uso de EPI" (Fl. 13.244 a 13.263), juntados em número irrelevante não comprovam que a empresa possui e cumpre norma interna que determina a entrega do "EPI", e nem comprova o seu recebimento pelos empregados. 23.5. O "Programa de Prevenção a Riscos Ambientais — Dosimetria de Ruído", juntado às fls 13.265 a 13.366, na verdade constituise somente em fichas que subsidiaram a elaboração de Laudos Técnicos cujos resultados já foram discutidos nos itens 8.2, 8.4 e 8.5 do Relatório Fiscal, razão pela qual tais documentos nada acrescentam ao Processo. 23.6. O Documento "Laudo Técnico", juntado às 13.366 a 13.390, abrange apenas alguns setores da Usina Presidente Vargas (estabelecimento 33.042.730/001771). Laudos mais abrangentes e com o mesmo objeto já foram analisados no Relatório Fiscal da autuação. 23.7. Os documentos "Comprovantes de Auditorias Internas sobre Comportamento Seguro" (fls. 13.392 a 13.349) abrangem apenas uma fração muito pequena dos trabalhadores da empresa, limitandose a um período de apenas 5 meses, e apenas um estabelecimento, não demonstram “a real efetividade de suas ações, através dos diversos programas/procedimentos obrigatórios por lei”, como pretende a empresa. 23.8. Na "Relação de Empregados para Exclusão da Insalubridade — por Ruído" não há nenhuma indicação dos motivos pelos quais se deu a referida exclusão. Em vista disso, não há como atribuir qualquer valor probante ao referido documento. Pode apenas se supor que a empresa excluiu os referidos empregados da insalubridade pelos mesmos motivos que não os informou como expostos aos riscos ensejadores da concessão da aposentadoria especial. Ademais, não consta no documento os tais “motivos expostos ao final do documento” mencionado pela empresa em seu recurso. [...] Diante de todo o exposto acima, não tendo guarida as preliminares, não havendo Recurso ao mérito propriamente dito, levandose em consideração que a Notificação Fiscal e os Relatórios Fiscais descrevem pormenorizadamente todos os fatos geradores das contribuições sociais lançadas, permitindo a perfeita identificação da base de cálculo, das alíquotas utilizadas e dos períodos a que se referem, e, que vem acompanhado de vasta documentação comprobatória, concluise que o lançamento revestese de todas as formalidades Fl. 13612DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.598 31 legais exigidas pelo art. 142 do CTN, razão pela qual a manutenção do crédito tributário constituído se impõe. REVISÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 35 DA LEI N.º 8.212/1991 DE OFÍCIO Inicialmente, esclareçase que as contribuições sociais, pagas com atraso, ficavam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/91, redação original, cujos percentuais variavam, de modo que a multa poderia chegar ao patamar de 100%. Ocorre que, o art. 35 ganhou nova redação dada pela Lei n° 11.491/09 que transformou em lei a Medida Provisória MP n° 449, de forma que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430/96. " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. " O STJ julgando o agravo regimental da Fazenda Pública (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.343.805 SC), Relator Min. Humberto Martins, acompanhado por unanimidade, registrou que a jurisprudência daquela Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, verificandose que o art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei nº 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20% que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica. "Conforme consignado na decisão agravada, a jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea c, do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial independentemente da natureza da multa, sem contudo descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20% que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN.” Fl. 13613DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA 32 Refirase que, para as Contribuições Previdenciárias, a aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída através da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Logo, considerando que o crédito fora constituído para o período 01/2002 a 06/2005 deve ser aplicada a multa mais benigna. O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96, uma vez que o art. 35 da Lei n.º 8.212/91 foi alterado pela Lei nº 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da ementa do acórdão nº 2403 002.912, do Relator Ivacir Júlio de Souza: “[...] MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso RETROATIVIDADE BENÍGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. [...]” Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para aplicar de ofício, com fundamento no art. 106 do CTN, a retroatividade benigna em relação a multa de mora, que seja aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Peço licença para discordar da relatora, somente na questão atinente à aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, incidente sobre o crédito tributário lançado. A relatora do Voto Vencido, nesse particular, manifestouse pela redução do percentual da multa para o patamar de 20% (vinte por cento), considerando a aplicação Fl. 13614DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA Processo nº 35570.004613/200559 Acórdão n.º 2301004.739 S2C3T1 Fl. 13.599 33 retroativa da nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.491, de 2009, por força do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. Sem adentrar ao mérito da aplicação retroativa da multa em percentual inferior, cumpre perquirir, inicialmente, se a matéria foi arguida pela Recorrente, no caso, a COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL, de forma a se instaurar o litígio e exigir a manifestação dos nobres conselheiros da Turma. Verificase que a Recorrente limitase a solicitar a declaração de nulidade do Auto de Infração, sem enfrentar o mérito do lançamento, qual seja, a exigência do adicional à alíquota da contribuição social de que trata o art. 22, II da Lei 8.212, de 1991 (RAT), e ainda, a multa incidente sobre o RAT lançado. Nesse contexto, entendo que o litígio instaurado limitouse à discussão da validade do lançamento e, por conseguinte, não acolhida a preliminar de nulidade, fica mantido integralmente o crédito tributário lançado, sem qualquer alteração no percentual da multa aplicada originalmente. A meu ver, a redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento. Por tal razão, Voto no sentido de manter o percentual da multa aplicada no Auto de Infração, com a redação original do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Assinado digitalmente Marcela Brasil de Araújo Nogueira Redatora do Voto Vencedor Fl. 13615DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/07/2016 por MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA
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Numero do processo: 10730.722142/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja comprovado que os recursos recebidos são efetivamente referentes à aposentadoria, nos termos do voto do relator.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja comprovado que os recursos recebidos são efetivamente referentes à aposentadoria, nos termos do voto do relator. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 22 14 2/ 20 11 -0 0 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.722142/201100 Resolução nº 2401000.518 S2C4T1 Fl. 68 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1248.472 (fls. 102/108), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), que julgou procedente em parte a impugnação (fl. 02/04) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Comprovada documentalmente a parcela da despesa médica declarada relativa ao contribuinte, cabível a sua dedução da base de cálculo do Imposto de Renda. DEDUÇÕES DEPENDENTES GUARDA JUDICIAL NÃO COMPROVADA Somente pode ser considerado dependente, para efeito de apuração do Imposto de Renda, o neto até 21 anos, do qual o contribuinte detenha a guarda judicial. DESPESAS COM INSTRUÇÃO NÃO DEPENDENTE Não pode ser considerada na apuração do IR a despesa com instrução relativa a dependente indevidamente incluído na DAA. DAA RETIFICAÇÃO MATÉRIA NÃO OBJETO DO LANÇAMENTO Não se inclui no âmbito de competência da DRJ a análise de matéria não alcançada pelo lançamento e, portanto, não integrante do litígio instaurado por meio da impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Notificação de Lançamento nº. 2010/143547396408169 (fls. 07/12) exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 6.923,46, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), referente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08/11) a fiscalização informa as seguintes glosas: Do valor de R$ 21.713,14, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, nos seguintes termos: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.722142/201100 Resolução nº 2401000.518 S2C4T1 Fl. 69 3 Do valor de R$ 1.730,40, correspondente à dedução indevida com dependentes, nos seguintes termos: Do valor de R$ 2.708,94, correspondente à dedução indevida de despesas com instrução, nos seguintes termos: Para demonstrar a efetividade das suas despesas, o contribuinte alegou em sua peça impugnatória (fl.02/04), em síntese: a) Que é portador de cardiopatia grave desde 2005, conforme documentos trazidos aos autos; b) Que embora tenha cometido equívoco, declarando como tributáveis os rendimentos de aposentadoria recebidos em 2009, a Lei n° 7.713/88 estabelece isenção do IR sobre tais rendimentos de pessoas portadoras de cardiopatia grave, como é o caso do impugnante; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.722142/201100 Resolução nº 2401000.518 S2C4T1 Fl. 70 4 c) Que preparou sua retificadora, mas não conseguiu enviála, razão pela qual requer, através da impugnação apresentada, que seja procedida a retificação dos rendimentos do campo de tributáveis para isento; d) Quanto às despesas médicas, o recorrente apresentou quase todos os recibos exigidos pela autoridade fiscal, contendo evidências suficientes à comprovação do direito à dedução; e) Que tais despesas médicas foram incorridas na saúde do impugnante e de sua família, tendo sido glosada até mesmo a parcela do plano de saúde relativa ao impugnante; f) Relativamente às despesas com instrução, referemse a gastos incorridos com seu neto, que sempre viveu sob sua guarda e expensas; g) No que se refere a dedução com dependente, pelo fato de criar seu neto desde o nascimento e pagar todas as despesas com o referido menor, o requerente indicouo como dependente de fato, apresentando cópia do processo no qual requereu a guarda judicial, que não foi deferida. Para a DRJ/RJ1, a impugnação foi considerada parcialmente procedente considerandose a dedução do valor de R$ 3.997,91(despesas médicas) e mantendose todas as demais glosas efetuadas. Intimado do acórdão da DRJ/RJ1 em 30/05/2011 (A.R. fl. 22), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário, onde alega, em síntese: a) Que é portador de Cardiopatia grave desde o ano de 2005, tendo sido vítima de ocorrência de infarto do miocárdio em novembro de 2006, e, portanto, submetido a intervenção cirúrgica, juntando aos autos documento relativo aos procedimentos cirúrgicos expedidos por médico cardiologista. b) Que embora tenha cometido equívoco declarando como tributáveis o montante da aposentadoria recebida no anocalendário de 2009 no valor de R$ 85.381,65, o inciso XIV, Art. 6° da Lei Federal n° 7.713/88 da Lei 11.052 de 2004, estabelece a Isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos de aposentadoria de pessoas portadoras de Cardiopatia Grave, como é o caso do Recorrente. c) Que preparou a retificação de sua declaração e tentou remetêla para a receita federal, no entanto, o sistema informatizado do Ministério da Fazenda não permitiu a referida formalização da declaração retificadora, fato que levou o Impugnante a requerer, neste ato, que seja procedida a retificação dos rendimentos do campo de tributáveis para isentos. d) Ressalta em seu pedido que é portador de cardiopatia grave, e está respaldado em Cláusula Pétrea, não sendo justo nem de direito ter a isenção negada na via administrativa É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.722142/201100 Resolução nº 2401000.518 S2C4T1 Fl. 71 5 VOTO Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator O contribuinte, ora recorrente, centrou todas as suas razões recursais no intui de comprovar a sua condição de portador de moléstia grave e, assim, fazer jus ao benefício da isenção do IRPF. Ocorre que para o gozo da isenção, além da comprovação da condição de portador de moléstia grave, o rendimento que será considerado isento deve ser oriundo, entre outros, de aposentadoria, nos termos do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.(Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Ocorre que, no presente caso, centrandose na comprovação da moléstia, o contribuinte não apresentou novas provas a fim de demonstrar, cabalmente, que os seus rendimentos da fonte pagadora "Governo do Estado do Rio de Janeiro" são proventos de aposentadoria, ainda que indícios encontrados no processo possam levar a essa conclusão. Assim, em busca da verdade material e para oportunizar o maior grau de certeza a esses julgadores no julgamento do presente processo, decidese por converter o julgamento em diligência para o fim de que seja o Sr. Dalvino Antonio Cazotto intimado a fim de demonstrar qual a natureza dos rendimentos recebidos da fonte pagadora "Governo do Estado do Rio de Janeiro" contidos na sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2009. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 13706.001670/2003-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1986
VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindo-se aí Programas de Demissão Voluntária - PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória.
Os Programas de Demissão Voluntária - PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador.
Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado pelo STJ sob o rito do art. 543-C do CPC (Recurso Repetitivo).
Hipótese em foram pagas três indenizações ao contribuinte: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho, porquanto paga por mera liberalidade, e outras duas decorrentes da legislação trabalhista, não sujeitas à incidência do imposto de renda, e que não foram tributadas na rescisão do contrato de trabalho.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória. Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC (Recurso Repetitivo). Hipótese em foram pagas três indenizações ao contribuinte: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho, porquanto paga por mera liberalidade, e outras duas decorrentes da legislação trabalhista, não sujeitas à incidência do imposto de renda, e que não foram tributadas na rescisão do contrato de trabalho. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 16 70 /2 00 3- 07 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 296 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório As folhas citadas neste “Relatório” referemse à numeração do processo digital. Tratase de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte acima identificado que aponta “Total a Restituir” no valor de R$ 426.066,52 (fls. 2/10). O pedido foi protocolizado em 03/06/2003 e referese a valores retidos a título de imposto de renda na fonte sobre verbas recebidas em decorrência de rescisão do contrato de trabalho, no anocalendário de 1985. O Requerente anexou ao pedido cópia da “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) que discrimina as verbas que lhe foram pagas, bem como carta assinada pelo Gerente de Recursos Humanos da empresa (fl. 14) datada de 03 de abril de 2003, na qual constam as seguintes informações: a empresa vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários um Programa de Desligamento, mediante pagamento de incentivo; esse incentivo recebeu os seguintes títulos: a) Indenização Espontânea Pessoal; b) Indenização Pessoal Espontânea; c) Indenização Espontânea Especial; d) Gratificação Incentivo Aposentadoria; e e) Contribuição Extraordinária; para os funcionários elegíveis ao Plano de Aposentadoria da empresa, a carta oferta fazia referência a esta condição, mas só poderiam se aposentar após a demissão. Assim, o incentivo foi pago pelo desligamento da Empresa, e não pela condição de aposentado; o Sr. José Henrique Azevedo da Silva, portador do CPF 021.381.90749, foi desligado em 30/04/1985 e recebeu um incentivo a título de Indenização Complementar, no valor de CR$ 667.714.527,00, e a título de indenização 07 anos o valor de CR$ 92.848.903,00; o valor total de IRRF foi de CR$ 302.837.470,00. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 297 3 O pedido foi indeferido na Unidade de origem por intermédio do Despacho Decisório de fls. 26/27, com fundamento no art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN, uma vez que, na data do protocolo do pedido, já havia decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito (a data de desligamento da empresa ocorreu em 04/06/1985). O contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 35/42, pleiteando a restituição dos valores retidos na fonte, com a correção prevista na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27 de junho de 1997, acrescidos da variação da taxa SELIC a partir de 01 de janeiro de 1996 e dos expurgos inflacionários aceitos pelo Conselho de Contribuintes, nos moldes do acórdão 10706.113. Alegou que participou de Programa de Demissão Voluntária PDV no ano de 1985 e que a retenção de imposto de renda sobre as verbas pagas no PDV foi objeto de ampla discussão judicial, tendo o Superior Tribunal de Justiça decidido, em inúmeros julgados, pela não incidência da exação, pacificando a matéria. Acrescentou que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, em seu Parecer PGFN/CRJ nº 1278/1998, recomendou a desistência de ações versando sobre o tema em discussão e que a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998, passou a dispensar a constituição de crédito tributário oriundo da cobrança do imposto de renda sobre verbas indenizatórias relativas ao PDV. Por derradeiro, ressaltou que as decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes vinham reconhecendo o direito àqueles que não puderam exercer a repetição do indébito em data anterior à IN n° 165/1998. A manifestação do contribuinte foi indeferida pela DRJ/RJOII em acórdão assim ementado (fls. 46/51): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1985 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição de imposto de renda retido indevidamente na fonte extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS As decisões administrativas e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida Regularmente intimado o Interessado apresentou o recurso de fls. 53/63, por meio do qual reiterou integralmente os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 298 4 Acordaram os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão às fls. 67/71), por maioria de votos, em afastar a decadência e determinar o retorno dos autos a 2ª Turma da DRJ/RJOII, para o enfrentamento do mérito, nos termos do voto vencedor, cuja parte dispositiva está assim descrita: Em face ao exposto, voto por afastar a decadência acolhida pela instância a quo, devendo o processo retornar à 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro/RJII para análise do pedido em causa, inclusive, se necessário ao deslinde da questão, com intimação do interessado para juntada de documentos. A decisão considerou que o termo a quo para o pedido de restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário PDV é a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido, no caso, a data da publicação IN SRF n° 165/1998, que ocorreu em 06/01/1999. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 73/80) sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à lei tributária, especificamente ao artigo 168, I, do CTN e ao Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, no concernente ao prazo para se pleitear o reconhecimento de crédito com o consequente pedido de restituição ou compensação. Após ser intimado da decisão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões e anexou aos autos os documentos de fls. 95/106. A Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional (acórdão às fls. 108/113). Acordaram os membros da CSRF, por maioria de votos “em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos à DRF de origem para apreciação do mérito”. A Fazenda Nacional, insatisfeita, interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 117/127, que não foi conhecido pelo Pleno da CSRF por meio do acórdão de fls. 181/183. O processo foi encaminhado à DRF de origem, para as providências cabíveis. A DRF de origem intimou o contribuinte a apresentar os seguintes documentos (fl. 205): a) Declaração de Rendimentos e cópia do recibo de entrega, ano calendário 1985, exercício 1986; b) Declaração Retificadora correspondente, caso haja, com a exclusão das verbas referentes ao PDV; c) Comprovante de Rendimentos emitido pela fonte pagadora, relativo ao anocalendário de 1985; d) Declaração informando se impetrou ou não ação judicial pleiteando a restituição pretendida neste processo. O interessado requereu a juntada da declaração de fl. 224, por meio da qual afirma não ter ajuizado ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo. Porém, deixou de colacionar aos autos os demais documentos solicitados pela DRF de origem. A DRF de origem (DRF/RJOII) emitiu Despacho Decisório (fls. 226/227) indeferindo novamente o pleito do contribuinte, com fundamento na ausência dos documentos não apresentados. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 299 5 Irresignado, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 249/258, por meio da qual requereu o deferimento do pedido de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte com os acréscimos legais. A 18ª Turma da DRJ/RJO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1985 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Ainda que se conclua pela isenção de parte da verba recebida por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, deve ser negado o pedido de restituição do IRRF quando os elementos juntados aos autos não são suficientes para que se conclua que o Contribuinte pagou imposto em valor superior ao devido no ano calendário em que foram auferidos os rendimentos, verificação que deve ser realizada mediante retificação dos valores informados na declaração de ajuste anual do exercício em questão. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/03/2015 (fl. 272), o Interessado postou nos correios (fl. 290), em 17/04/2015, o recurso de fls. 276/289. Na peça recursal aduz, em síntese, que: O próprio Acórdão de fls. 262/269 reconhece expressamente às fls. 267 que o Parecer n° 304/2014 concluiu que Recorrente percebeu CR$ 667.714.527 a título de indenização por adesão a Plano de Demissão Voluntária (PDV), mas insiste nas mesmas premissas do Despacho Decisório no sentido de que o Recorrente não teria apresentado o Comprovante de Rendimentos Pagos, o Imposto de Renda Retido na Fonte e a Declaração de Ajuste Anual, todos relacionados ao ano calendário de 1985. Para tanto, o Acórdão utiliza como fundamentação o Ato Declaratório SRF n° 3/1999 e o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 7/1999, ambos publicados "apenas" quatorze anos depois do fato objeto do Processo Administrativo. A situação é tão esdrúxula e absurda que todos esses documentos foram apresentados à Receita Federal no momento oportuno, isto é, na época em que cabia ao Recorrente declarar o imposto de renda referente ao ano calendário de 1985. Logo, se tais documentos já foram apresentados à Receita Federal é simplesmente absurdo exigir a apresentação novamente quase trinta anos depois. É igualmente absurda a tese de que a ausência desses documentos impede o cálculo do imposto efetivamente recolhido pelo Recorrente. Por óbvio que a Administração possui muito mais condições que o Recorrente de deter (30 anos depois) documentos apresentados nos anos de 1985/1986. Simplesmente não faz sentido e revelase completamente desmedido e injusto transferir para o Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 300 6 Recorrente a responsabilidade de apresentar tais documentos. A inversão do ônus da prova, neste caso, é medida que se impõe. O entendimento manifestado no acórdão recorrido é tão absurdo que o voto é concluído com a declaração expressa de que a verba recebida sob a denominação de "Indenização Complementar" é isenta do recolhimento de Imposto de Renda. Tratase de um claríssimo reconhecimento do direito do Recorrente. A Declaração de Rendimentos do ano de 1985 (exercício de 1986), por óbvio, não está mais em poder do Recorrente, por ser muito antiga. É a Receita Federal que tem o dever de registrar o documento em seu sistema. Se a própria Receita Federal não possui mais a Declaração de Rendimentos do ano de 1985 (exercício de 1986), seria justo exigir que o Recorrente ainda possuísse a mesma? É óbvio que não! A Declaração Retificadora correspondente não existe. Portanto, não há como o Recorrente apresentar um documento inexistente. Mostrase desnecessária a apresentação do Comprovante de Rendimentos diante dos documentos de fls. 14/15, nos quais a fonte pagadora atesta expressamente os valores recebidos a título de indenização e o imposto de renda correspondente. A verba recebida por ocasião de adesão ao PDV é insuscetível de tributação pelo imposto de renda, conforme entendimento da própria RFB, (IN SRF nº 168/1998), da PGFN (Parecer PGFN nº 1.278/1998) e do STJ (Súmula nº 215). Também a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão CSRF 01 03.490, concede a todos os contribuintes que não puderam exercer seu direito à repetição do indébito em data anterior à IN 165/98 a possibilidade de sanar tal injustiça. Em função de tudo isso é claríssimo o direito do Recorrente à restituição dos valores indevidamente retidos a título de imposto de renda na fonte sobre suas verbas rescisórias. Ressaltese que ao valor restituído deve ser aplicada a correção prevista pela Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8 de 27 de junho de 1997, acrescidos da variação da Taxa SELIC, a partir de 01 de janeiro de 1996 e dos expurgos inflacionários aceitos pelo Conselho de Recorrentes do Ministério da Fazenda conforme Acórdão 107 06.113. Portanto, o Recorrente requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que o Pedido de Restituição seja devidamente deferido. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 301 7 VERBAS TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO DO RECORRENTE O conteúdo do documento acostado à fl. 14 (carta da empresa instituidora do “Programa” dirigida à RFB, datada de 3 de abril de 2003) evidencia que a “Indenização Complementar” não estava contemplada no PDV. Oportuna é a transcrição da correspondência, na parte que interessa: A empresa X, com sede na cidade do Rio de Janeiro, (...) “vem informar, que esta empresa vem, ao longo dos anos, oferecendo a seus funcionários um Programa de Desligamento, que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento”. “Esse incentivo recebeu os seguintes títulos: • Indenização Espontânea Pessoal • Indenização Pessoal Espontânea • Indenização Espontânea Especial • Gratificação Incentivo Aposentadoria • Contribuição Extraordinária”. “Para os funcionários que na época fossem elegíveis ao Plano de Aposentadoria (...), a carta oferta fazia referência a esta condição, mas só poderiam se aposentar após a demissão. Ratificando dessa forma que o incentivo foi pago pelo desligamento da Empresa, e não pela condição de aposentado”. “O Sr. José Henrique Azevedo da Silva, portador do CPF 021.381.90749, foi desligado em 30/04/85 e recebeu um incentivo a título de Indenização Complementar, no valor de CR$ 667.714.527.00”, e a título de Indenização 07 anos o valor de CR$ 92.848.903,00. A carta da empresa não deixa nenhuma dúvida de que a intitulada “Indenização Complementar” não estava inserida no Programa de Desligamento, haja vista que os incentivos do Programa foram intitulados, de acordo com o próprio documento da empresa dirigido à RFB, com as seguintes nomenclaturas: a) Indenização Espontânea Pessoal; b) Indenização Pessoal Espontânea; c) Indenização Espontânea Especial; d) Gratificação Incentivo Aposentadoria; e e) Contribuição Extraordinária. Noutros termos: se a empresa informa que está oferecendo um Programa de Desligamento que tem como objetivo um pagamento de incentivo por desligamento denominados “A”, “B”, “C”, “D” e “E” e no mesmo documento relata que pagou um incentivo intitulado de “F”, resta comprovado que o incentivo “F” não estava contemplado no PDV, por declaração da própria instituidora do Programa. Registro, ainda, por oportuno, que a declaração de fl. 106, firmada pela empresa, confirma que a “Indenização Complementar” foi paga por mera liberalidade. Confira: (...) DECLARAM, PARA TODOS OS EFEITOS DE DIREITO, O SEGUINTE: QUE, NESTA DATA RESCINDEM AMIGAVELMENTE O CONTRATO DE TRABALHO DE JOSE HENRIQUE AZEVEDO DA SILVA Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 302 8 QUE, PELA REFERIDA RESCISÃO, A (...) PAGARÁ A JOSÉ HENRIQUE AZEVEDO DA SILVA CR$ 100.586.312 (CEM MILHÕES, QUINHENTOS E OITENTA E SEIS MIL E TREZENTOS E DOZE CRUZEIROS), CORRESPONDENTE À INDENIZAÇÃO ROR TEMPO DE SERVIÇO ANTERIOR À OPÇÃO PELO FGTS (ACRESCIDA DO PREJULGADO 20/66), NA BASE DE 100% (CEM POR CENTO), CONFORME PREVISTO NA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA BRASILEIRA, E UMA INDENIZAÇÃO COMPLEMENTAR DE CR$ 667.714.527 (SEISCENTOS E SESENTA E SETE MILHÕES SETECENTOS E QUATORZE MIL E QUINHENTOS E VINTE E SETE CRUZEIROS), A TÍTULO DE LIBERALIDADE. A declaração da empresa revela que as verbas recebidas pelo Recorrente e que foram quitadas por meio da “Rescisão do Contrato de Trabalho” de fl. 15 são de duas ordens: verbas indenizatórias previstas na legislação trabalhista, no valor total de CR$ 100.586.312, correspondentes à soma das seguintes rubricas: Indenização 07 anos = CR$ 92.848.903 + Prejulgado 20/66 = CR$ 7.737.409 e a intitulada “Indenização Complementar” (CR$ 667.714.527), paga por mera liberalidade. Em outras palavras: na “Rescisão do Contrato de Trabalho” (fl. 15) constam duas indenizações no valor total de CR$ 100.586.312 que não foram tributadas por conta de suas naturezas indenizatórias e outra de CR$ 667.714.527, batizada de “Indenização Complementar”, que foi tributada, porquanto paga por mera liberalidade da empresa. Anoto, para encerrar este tópico, que o quantum da “Indenização Complementar (Cr$ 667.714.527) não encontra correspondência na Pergunta 07 (Em que consiste a oferta?) constante do “Perguntas e Respostas” elaborado pela empresa (fls. 143/148) para esclarecimentos dos funcionários elegíveis ao programa, o que reforça o entendimento de que a “Indenização Complementar” não foi paga por força do PDV, mas sim por mera liberalidade. NATUREZA DA VERBA DENOMINADA “INDENIZAÇÃO COMPLEMENTAR” No REsp nº 1.112.745/SP, julgado sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, o eminente Relator partiu da premissa de que nas rescisões de contrato de trabalho é imprescindível verificar a exata natureza jurídica da verba paga para se saber se a mesma se sujeita ou não à tributação do imposto sobre a renda da pessoa física, haja vista a diversidade de denominações utilizadas para classificação de tais verbas. São deles as palavras abaixo: “Sabese que nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas, o que enseja, em alguns casos, confusão na aplicação da já consolidada jurisprudência do STJ. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada verba a fim de classificála como sujeita ao imposto de renda ou não”. Em seguida, o Relator estabeleceu um parâmetro para diferenciar as verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho das verbas em relação às quais, para por fim à relação empregatícia, inexiste liberalidade por parte do empregador. Confira: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 303 9 “Acertadamente, a verba paga por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho é aquela que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, é paga sem decorrer de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tal verba a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda”. Por outro lado, consta do acórdão que estão fora do campo de incidência do imposto de renda os valores recebidos em PDV decorrentes de uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, no qual existe um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador, hipótese em que se aplica a Súmula 215 do STJ. A tese repetitiva restou consubstanciada na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. INDENIZAÇÃO PAGA NO CONTEXTO DE PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 215/STJ. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1. Nas rescisões de contratos de trabalho são dadas diversas denominações às mais variadas verbas. Nessas situações, é imperioso verificar qual a natureza jurídica de determinada verba a fim de, aplicando a jurisprudência desta Corte, classificála como sujeita ao imposto de renda ou não. 2. As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda já que não possuem natureza indenizatória. Precedentes: EAg Embargos de Divergência em Agravo 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, DJ 12.06.2006; EREsp 769.118 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ de 15.10.2007, p. 221; REsp n.º 706.817/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005; EAg 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, v.u., julgado em 24.5.2006, DJ 12.6.2006 p. 421; EREsp 775.701/SP, Relator Ministro Castro Meira, Relator p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 26/4/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 1.8.2006 p. 364; EREsp 515.148/RS, Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 8/2/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 20.2.2006 p. 190 RET vol. 48 p. 28; AgRg nos EREsp. Nº Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 304 10 860.888 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.11.2008, entre outros. 3. "Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja a resilição ou distrato do contrato de trabalho no caso das relações regidas pela CLT, ou a exoneração, no caso dos servidores estatutários. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. [...] Inexiste liberalidade em acordo de vontades no qual uma das partes renuncia ao cargo e a outra a indeniza [...]" (REsp Nº 940.759 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.3.2009). "A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda". Enunciado n. 215 da Súmula do STJ. 4. Situação em que a verba denominada "gratificação não eventual" foi paga por liberalidade do empregador e a chamada "compensação espontânea" foi paga em contexto de PDV. 5. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. A diferenciação perpetrada pelo STJ pode ser assim sintetizada: QUADRO RESUMO VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO VERBAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA VERBAS NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA 1) Pagas por liberalidade (depende unicamente da vontade do empregador) 5) Existência de uma oferta pública para realização de um negócio jurídico 2) Demissão com ou sem justa causa 6) Acordo de vontades para por fim à relação de trabalho 3) Verbas pagas que não decorram de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, inclusive PDV e Acordos Coletivos 7) Inexistência de liberalidade por parte do empregador 4) Verbas que excedem as indenizações legalmente previstas Na espécie, verificouse que a "Indenização Complementar" foi paga pelo empregador ao empregado fora do contexto do PDV (tópico anterior). Acrescento que não consta dos autos menção a qualquer acordo coletivo que determine a obrigatoriedade do pagamento da referida verba por ocasião do desligamento do empregado da empresa. Tampouco há na legislação brasileira a determinação para o pagamento da verba intitulada “Indenização Complementar”. Logo, a verba foi paga por liberalidade do empregador, o que a afasta, a meu ver, das “Verbas não Sujeitas à Incidência” do “Quadro Resumo”. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 305 11 Por outro lado, os requisitos fixados no REsp nº 1.112.745/SP para caracterizar a verba como sujeita à incidência do imposto de renda foram os seguintes: a) Demissão com ou sem justa causa: não há dúvidas quanto a este requisito. A “Rescisão do Contrato de Trabalho” (fl. 15) demonstra que o Recorrente foi demitido sem justa causa (condição 3 do “Quadro Resumo”). b) Pagamento de verbas que não decorram da imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, inclusive os PDV e os acordos coletivos: consoante visto acima, o quantum da “Indenização Complementar (CR$ 667.714.527) não encontra correspondência em nenhuma das indenizações previstas na “Carta de Oferecimento do PDV”. Não consta dos autos menção a qualquer acordo coletivo que determine a obrigatoriedade do pagamento da referida verba por ocasião do desligamento do empregado da empresa. Tampouco há na legislação brasileira a determinação para o pagamento da verba intitulada “Indenização Complementar”. Logo, o seu pagamento não decorreu de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (condição 3 do “Quadro Resumo”). c) Liberalidade (dependência da vontade única empregador): se o pagamento da verba não decorreu de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, aí incluídos os PDV e os Acordos Coletivos, é porque decorreu de mera liberalidade do empregador, conforme, aliás, consta da declaração da empresa adunada aos autos em fl. 106 (condição 1 do “Quadro Resumo”). d) Exceder as indenizações legalmente instituídas: a “Rescisão de Contrato de Trabalho” (fl. 15) e a declaração de fl. 106 revelam que foram pagas três indenizações ao Recorrente: duas decorrentes da legislação trabalhista, não tributada, e outra não decorrente de nenhuma fonte normativa, intitulada de “Indenização Complementar” (CR$ 667.714.527), tributada (condição 4 do “Quadro Resumo”). O valor pago ao Recorrente, denominado “Indenização Complementar”, se amolda, a meu ver, ao item 2 da ementa do Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, caracterizandose como “Verba Sujeita à Incidência” do imposto de renda. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.001670/200307 Acórdão n.º 2201002.991 S2C2T1 Fl. 306 12 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13603.724508/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Os embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, devendo ser rejeitados quando não presentes os pressupostos de dúvida, contradição ou omissão no acórdão recorrido. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Acompanhou o julgamento pelo contribuinte o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrahim, OAB/MG n° 110.372. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 45 08 /2 01 1- 11 Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.667 2 Relatório Em sessão transcorrida em 29 de janeiro de 2016, esta Primeira Turma Ordinária deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3301002.801, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.668 3 insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.669 4 créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento O dispositivo do voto condutor do acórdão embargado segue abaixo transcrito: Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: I) negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF); II) reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF); III) manter o entendimento da fiscalização pela impossibilidade de creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); IV) quanto à glosa dos créditos calculados sobre fretes pela “falta de identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade fiscal no relatório de diligência de fls. 3593/3598; V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.670 5 vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial provimento ao recurso para permitir o ajuste necessário de forma a considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas até o término de cada trimestre data a partir da qual a contribuinte passou a ter direito ao crédito; VII) negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo. (grifouse) Aduz a d. Procuradoria que o acórdão em tela incide em omissão, contradição e dúvida a respeito das questões que elenca, as quais seguem abaixo discriminadas. Especificamente no que concerne ao item II do dispositivo acima transcrito, cujo entendimento foi o de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)", aduz a Fazenda Nacional que referido entendimento se alicerçou no equivocado argumento de que os serviços prestados pela citada empresa seriam inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme seguinte trecho extraído do voto condutor do acórdão: [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. Segundo a Fazenda Pública, o equívoco restaria caracterizado diante da leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a embargada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., cujo objeto estaria restrito à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Assim o contrato contemplaria apenas a cessão de mãode obra, e não a prestação de serviços, como, ressalta, entendera a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.671 6 Assim, entende a Fazenda Nacional que deveria ser afastada a possibilidade de creditamento inerente às despesas contratuais com a pessoa jurídica GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.. Em relação ao item V do dispositivo acima transcrito, concernente ao afastamento da reclassificação de créditos efetuada pela fiscalização (item 4.2 do TVF), entendeu a Fazenda Pública que seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendeu não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Ainda, aduz a d. Procuradoria que o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário com repercussão geral, já se pronunciara sobre a impossibilidade de utilização concomitante da benesse da exclusão do crédito e da não cumulatividade. Reproduz a ementa do acórdão proferido nos autos do RE nº 398.365/RG, e ressalta que muito embora citado decisum trate do IPI, a questão foi analisada sob a ótica do artigo 153, inciso IV, § 3º, inciso II, da Constituição Federal, aplicável à nãocumulatividade das contribuições sociais. Reportase ainda a Fazenda Pública à interpretação literal de que trata o artigo 111 do CTN. Diante do exposto, e dada a aduzida necessidade de saneamento das supostas obscuridades, contradições e omissões, requer sejam acolhidos e providos os presentes embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Inicio a análise dos presentes embargos declaratórios apreciando os questionamentos da d. Fazenda Pública quanto ao item II do dispositivo do voto condutor da decisão embargada, cujo entendimento foi no sentido de "reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF)". A Fazenda Nacional alega equivocado o argumento segundo o qual os serviços prestados pela citada empresa são inerentes a um "sistema de controle de fluxo de produção e dos estoques ligados à produção", conforme trecho extraído do voto condutor do acórdão, reproduzido linhas acima. Para a Fazenda Pública, a leitura da Cláusula Primeira do contrato firmado entre a interessada e a GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. restringiria o objeto do contrato à disponibilização de mãodeobra sob a gerência de órgão de planejamento da CNH. Dessa forma, o contrato contemplaria apenas a cessão de mãodeobra, e não a prestação de serviços, Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.672 7 como, ressalta, teria entendido a decisão de primeira instância, segundo a qual os serviços prestados pela citada empresa teriam caráter nitidamente administrativo. A Cláusula Primeira do contrato referenciado, no qual se alicerça a Fazenda Pública, segue abaixo reproduzida: De pronto, releva destacar que a cláusula primeira acima transcrita não se restringe à "disponibilização de três colaboradores" e, portanto, a mãodeobra, mas também, em parágrafo distinto, à "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas". Ou seja, entendemos que o contrato em tela contempla, sim, o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris [...] essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, 'depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time'" (nos termos da decisão embargada). Isso é corroborado pela Cláusula Sétima do contrato em evidência, segundo a qual a execução dos serviços pela contratada ocorrerá, também, "em local diverso das dependências da CONTRATANTE". Confirase: Ademais, conforme demonstrado no voto condutor do acórdão embargado, a suposta restrição do contrato em tela à sessão de mãodeobra não foi levantada em nenhum momento pela fiscalização. Com efeito, a fundamentação adotada pela fiscalização para a glosa do creditamento pelos serviços pagos à empresa GFL foi a impossibilidade de creditamento em face de serviços de "Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante". Isso é reiterado pela fiscalização quando reproduz a ementa da Solução de Consulta Nº 125/2007 da DISIT da 10ª RF, segundo a qual "não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada". Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.673 8 Foi fundado nessa premissa que analisamos a questão e entendemos que [...] em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Confirase o correspondente trecho da decisão embargada abaixo reproduzido: Das glosas objeto do item 3.2 do TVF: serviços não empregados diretamente na industrialização A fiscalização glosou o creditamento correspondente a alguns serviços que não foram “empregados diretamente na industrialização”. Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão: Instado, conforme Termo de Intimação nº 0551/2011, a informar quais tipos de serviços prestavam as empresas Fiat do Brasil S/A e GFL Gestão de Fatores Logísticos, e a apresentar os respectivos contratos, a empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte: “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A: [...] Serviços prestados à INTIMADA pela GFL GESTÃO DE FATORES LOGÍSTICOS LTDA: • Gerenciamento das operações de transporte "IN Bound" Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante.” Nenhuma destas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos. Os serviços prestados pela Fiat do Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a crédito da Cofins a aquisição de serviços de movimentação e controle de estoques de matérias primas, materiais de embalagem e produtos acabados, realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada. As contas contábeis responsáveis pelo registro dos créditos de PIS e COFINS incidentes sobre serviços, conforme resposta ao Termo de Início entregue em 08/06/2011, são as de nos 144240 e 144241, e a esmagadora maioria dos lançamentos referemse a serviços prestados pelas duas empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal nº 149087 da Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito o contribuinte afirmou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.674 9 fiscais, em 2010, referentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos expostos acima, é vedada a geração de créditos. Deste modo, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nas memórias de cálculo entregues em 08/07/2011, em resposta ao Termo de Início, deve ser glosado [...] A análise do problema envolve essa que talvez seja a questão mais controvertida em relação à nãocumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. [...] Contudo, em relação aos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., (“Gerenciamento das operações de transporte ‘Inbound’ Transportes de materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Followup" Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela contratada, perante os fornecedores da contratante”), esses, por estarem relacionados ao controle de fluxo de componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”. Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual entendo que os créditos calculados com base nos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos. Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que sejam admitidos os créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (os destaques em negrito não constam do original) Vale ressaltar, ainda, que, diferentemente do que afirma a d. Procuradoria, a decisão de primeira instância também não se fundamentou na apontada restrição do contrato referido à sessão de mãodeobra, conforme comprova o seguinte trecho da decisão em referência: 4. SERVIÇOS NÃO EMPREGADOS DIRETAMENTE NA INDUSTRIA LIZAÇÃO. ITEM 3.2 DO TVF. A DRF glosou tais despesas em virtude de a legislação somente autorizar o creditamento sobre serviços utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, e desde que aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto e prestados por pessoa jurídica domiciliada no país. Afirma que a contribuinte não observou essa regra ao apurar os créditos das contribuições, indicados nas memórias de cálculo apresentadas, enquanto que, instada a informar quais os tipos de serviços prestados pelas pessoas jurídicas Fiat do Brasil Ltda. e GFL Gestão de Fatores Logísticos, a recorrente esclareceu que a primeira prestou serviços relativos ao comércio exterior, contabilidade geral, controle fiscal, gestão tributária e societária e assessoria a expatriados enquanto que a última teria prestado serviços relativos a gerenciamento das operações de Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.675 10 transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes. Nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo. Em adição, a DRF informou que os serviços destacados correspondem à esmagadora maioria dos lançamentos contábeis nas contas nº 144240 e nº 144241, com exceção da nota fiscal nº 149087 da pessoa jurídica Metropolitana Vigilância Comercial, cujo crédito a contribuinte informou não ter incluído na base de cálculo, e algumas notas fiscais concernentes a treinamentos técnicos de diversos tipos, aos quais, pelos mesmos argumentos, é vedada a geração de créditos das contribuições em exame. Assim, concluiu a DRF, todo o crédito descrito como “Serviço Nacional” nos documentos acostados, foi objeto de glosa. Conforme evidenciado, podem ser considerados insumos para efeitos fiscais somente aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na fabricação ou na produção de bens, ou na prestação de serviços. Desse modo, os serviços em tela não podem ser tidos por insumos. Em adição, embora a requerente alegue que esses serviços são essenciais, não foi o critério da indispensabilidade ou essencialidade, como visto, que motivou a legislação ora em exame. (grifos nossos) Como se vê, também na decisão da DRJ é ressaltado que a natureza dos serviços prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda. é a de "gerenciamento das operações de transporte e acompanhamento de entrega de materiais e componentes", tendo entendido a decisão de primeira instância, com base na rejeição do critério da "indispensabilidade ou essencialidade" acolhido na decisão embargada , que "nenhuma dessas atividades pode ser considerada como aplicada ou consumida na fabricação de produtos, eis que possuem caráter nitidamente administrativo". Assim, em vista de a aduzida (e equivocada) restrição à sessão de mãode obra no contrato firmado entre a interessada e a GFL, em nenhum momento, ter servido de fundamentação para a glosa dos créditos (seja pela unidade de origem, seja pela DRJ) o que revela inadmissível inovação argumentativa em sede de embargos , e ainda, pelo fato de referido contrato, com efeito, contemplar a "identificação das restrições dos métodos e processos produtivos (gargalos)" com a sugestão de "alternativas em prazos que possibilitem ações técnicas corretivas", demonstrando albergar o "controle de fluxo de componentes nas instalações fabris", como destacado na decisão embargada, entendo que, nessa parte, deverão ser rejeitados os embargos da d. Procuradoria da Fazenda Nacional, eis que demonstrada a perfeita higidez da decisão em tela e, portanto, a ausência de quaisquer dos pressupostos de admissibilidade de embargos de declaração (obscuridade, omissão ou contradição). O d. Procuradoria também se insurgiu contra o entendimento objeto do item V do dispositivo do voto condutor do acórdão embargado, o qual reproduzo novamente: V) concernente à reclassificação de créditos (item 4.2 do TVF), desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela fiscalização, uma vez caracterizada a possibilidade de utilização dos créditos, para fins de compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos veículos destinadas à revenda; Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.676 11 Segundo a Fazenda Pública, seria contraditória a interpretação adotada pelo acórdão recorrido, eis que inadmissível o embargado valerse do desconto da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 10.865) conjuntamente com o direito de compensação ou restituição do crédito veiculado pelo artigo 15 da mesma lei. Ressalta que a decisão da DRJ entendera não ser possível a cumulação de ambos os benefícios fiscais, e que enquanto o artigo 17 da Lei nº 10.865 veicula norma de exclusão do crédito tributário, o artigo 15 da mesma lei trata de previsão de não cumulatividade. Faz referência ainda ao RE nº 398.365/RG, cujo entendimento deveria ter sido observado na decisão embargada. Não obstante, da análise dos argumentos contidos no voto condutor do acórdão recorrido, vêse que, no mesmo, não há nenhuma contradição entre o que foi decidido e os fundamentos do acórdão que justifique o acolhimento dos presentes embargos declaratórios. Tãosomente foi adotada uma interpretação específica dentre entendimentos possíveis na lamentável colcha de retalhos que é a legislação inerente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. No caso, o colegiado entendeu que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, ao admitir a compensação e o ressarcimento também em relação aos créditos decorrentes da incidência do PIS e da COFINS sobre as importações nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, abrangia as mercadorias discriminadas no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004, por entender que aduzido dispositivo (artigo 17) trata de um subconjunto das hipóteses amplamente abordadas pelo artigo 15, principalmente considerando o teor do parágrafo 8º do mesmo artigo 17, segundo o qual "o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei" (grifei). Segundo o entendimento exarado no acórdão, a especificidade do artigo 17 referenciado seria inerente à forma de apuração dos créditos, prescrita em seu parágrafo 2º, o qual, no caso dos bens de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004 (“máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM”), correspondia a 2% e a 9,6%, respectivamente, para o PIS e para a COFINS, nos termos da redação à época vigente do artigo 1º da Lei nº 10.485/20021, a que remete o inciso III do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Exceção, pois, às alíquotas gerais de 1,65% para o PIS e de 7,6% para a COFINS, prescritas pelo caput do artigo 2º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Evidentemente, acaso exista dissenso jurisprudencial no âmbito deste CARF, poderá a questão ser questionada via recurso especial, mas não mediante embargos de declaração, eis que este recurso não pode ser utilizado para a rediscussão do direito. Da conclusão 1 Art. 1° As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724508/201111 Acórdão n.º 3301002.955 S3C3T1 Fl. 3.677 12 Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de dúvida, omissão ou contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 28 de abril de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10814.011322/2007-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/09/2006 a 24/01/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 13 22 /2 00 7- 48 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 230 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.305, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo não apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 231 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 232 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 233 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 234 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 235 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 236 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.011322/200748 Acórdão n.º 9303003.799 CSRFT3 Fl. 237 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10611.000844/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/06/2006, 27/06/2006
PERICIA. INDEFERIMENTO.
Não se justifica o deferimento de perícia para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade.
De qualquer forma, a correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional.
Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional.
EX-TARIFÁRIO. EXCLUSÃO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS DEVIDOS. MULTAS. JUROS DE MORA.
A utilização indevida de ex-tarifário acarreta a cobrança dos tributos não recolhidos, acrescidos de juros de mora e multa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Schappo, que davam integral provimento ao recurso. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Luiz Roberto Domingo, OAB/SP nº 105.509.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 05/06/2006, 27/06/2006 PERICIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica o deferimento de perícia para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade. De qualquer forma, a correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decreto-lei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decreto-lei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. EX-TARIFÁRIO. EXCLUSÃO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS DEVIDOS. MULTAS. JUROS DE MORA. A utilização indevida de ex-tarifário acarreta a cobrança dos tributos não recolhidos, acrescidos de juros de mora e multa. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Schappo, que davam integral provimento ao recurso. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Luiz Roberto Domingo, OAB/SP nº 105.509. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
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INDEFERIMENTO. Não se justifica o deferimento de perícia para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade. De qualquer forma, a correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. EXTARIFÁRIO. EXCLUSÃO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS DEVIDOS. MULTAS. JUROS DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 08 44 /2 00 9- 62 Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 A utilização indevida de extarifário acarreta a cobrança dos tributos não recolhidos, acrescidos de juros de mora e multa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Schappo, que davam integral provimento ao recurso. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Luiz Roberto Domingo, OAB/SP nº 105.509. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de exigência de diferenças de tributos (Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS), acrescidas de juros de mora e multas que, na data da autuação, perfizeram o montante de R$ 4.687.080,80 (quatro milhões seiscentos e oitenta e sete mil, oitenta reais e oitenta centavos), formalizadas em auto de infração e relatório de Fiscalização (fls. 02 a 79). Conforme consta no Relatório de Fiscalização, parte integrante do auto de infração lavrado contra o contribuinte (fls. 32 à 79), a Inspetoria da Receita Federal em Belo Horizonte (Sapel/IRF/BHE), com vistas a identificar possível utilização indevida de alíquota mais favorável ao importador, em decorrência do aproveitamento incorreto de extarifários, selecionou para fiscalização as DIs n° 06/06506815 e Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.085 3 06/14636471. Sendo importado, através da primeira, o Sistema integrado 420 (SI 420), assim definido na Resolução Camex n° 009, de 04/05/2006, e através da outra, máquinas semiautomáticas. O dossiê formado pela IRF/BHE sugere ação fiscal a fim de apurar a correta utilização de Extarifário, “tendo em vista que não houve conferência física no despacho, pois a parametrização foi para o canal amarelo.” Inicia a autoridade autuante seu relatório com a definição do que é extarifário e sua base legal, salientando o disposto no artigo 111 do CTN e artigo 113 do Decreto 4.543/2002, ambos dispondo sobre a interpretação literal que deve ser observada quando da outorga de isenção ou redução de imposto de importação. O Auditor Fiscal descreve a competência regimental que ampara a fiscalização informando que “em ato de revisão aduaneira, dentro do procedimento de Fiscalização de Extarifário verificação da regularidade da classificação fiscal e a devida utilização dos Extarifários adotados, selecionouse as Declarações de Importação registradas pela Tecnoval Laminados Plásticos Ltda contempladas com redução de alíquota e Extarifário, no prazo ainda não atingido pela decadência. A presente ação fiscal tem por objetivo verificar a correta utilização de Ex tarifário.” Informa a fiscalização que a Declaração de Importação – DI de nº 06/14636471 se refere ao extarifário de nº 16, definido pela Resolução Camex n° 011, de 08/06/2006, com a seguinte descrição: "Máquinas cortadeirasrebobinadeiras semiautomáticas para filmes plásticos biorientados de espessura compreendida entre 10 e 80pm com largura máxima de entrada igual ou superior a 4.200mm, largura máxima de saída compreendida entre 500 e 1.500mm e velocidade máxima de operação de 800m/min, com acionamentos independentes para cada eixo rebobinador e "modem" de comunicação." Já a Declaração de Importação – DI de nº 06/06506815 com 10 adições, compõe o Sistema Integrado 420 (SI 420), assim definido na Resolução Camex n° 009, de 04/05/2006: "Sistema integrado automático para produção de filme de polipropileno biorientado, contendo 5 camadas, com razão de estiramento longitudinal de até 8 vezes, razão de estiramento transversal de 4 a 10 vezes e largura máxima igual ou superior a 4.200mm, constituído por:” CÓDIGO EX DESCRIÇÃO 8418.69.99 714 1 subsistema de resfriamento do "cast" por rolo resfriado de diâmetro de 1.800mm e largura máxima de 1.200mm Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 8477.20.10 716 1 subsistema de coextrusão, composto por uma extrusora principal com diâmetros de rosca de 135mm e L/D de 32 composta de rosca dupla corotativas 8477.20.90 738 1 subsistema de formação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 660mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4mm de gap, de cinco camadas 8477.20.90 739 1 subsistema deformação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 950mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4mm de gap, de cinco camadas 8477.20.90 747 1 sistema de puxação por rolos 8477.20.90 748 1 subsistema de tratamento superficial por chama, com duplo queimador e tratamento corona 8479.89.99 651 1 subsistema de estiramento longitudinal e transversal com velocidade máxima de 350m/min 8479.89.99 652 1 subsistema de embobinamento e de manuseio de bobinas jumbo, para bobinas com largura de 4.200mm 8537.10.20 822 1 subsistema de controle integrado eletrônico/digital 9022.19.99 701 1 subsistema de medição e controle automático de espessura por RaioX Em 18/03/2008 iniciouse a fiscalização, através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de n° 0615100.2008.002101, bem como do Termo de início de Ação Fiscal e Intimação, de n° 2008.08.1801. Foram solicitados ao contribuinte os seguintes documentos: a) Documentos originais de importação (BL Packing List, faturas e notas fiscais de entrada), relativos aos bens constantes nas Declarações de Importação n° 06/06506815, de 05/06/2006, e 06/14636471, de 01/12/2006; b) Manual de instalação, operação e funcionamento de cada um dos 10 (dez) equipamentos constantes da DI n° 06/06506815 e do equipamento constante da DI 06/14636471. Em 10/09/2008, através do Termo de Intimação, de n° 2008.09.1001, o contribuinte foi solicitado a apresentar os seguintes documentos: a) Contrato firmado entre a Tecnoval e a empresa DMT S/A, fabricante dos equipamentos importados através da DI 06/06506815, onde constam as exigências de customizados e informações detalhadas sobre os equipamentos customizados, tais como: diâmetro e largura máxima dos rolos, medidas de aberturas e gaps, velocidade máxima etc; Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.086 5 b) Contrato firmado entre a Tecnoval e a empresa EUROMAC, fabricante do equipamento importado através da DI 06/14636471, onde constam as exigências de customização e informações detalhadas sobre o equipamento customizado. Descreve a fiscalização que o contribuinte, em resposta às intimações, apresentou, em 17 de setembro de 2008, conforme palavras do importador, “Laudo de conformidade referente aos equipamentos adquiridos da DMT S/A, solicitado pela Secretaria da Receita Federal de Varginha, elaborado por perito por ela credenciado, e devidamente vistado pelo fiscal.” A fiscalização informa que o contribuinte agendou reunião para esclarecimento de dúvidas. Em 30 de setembro de 2008 foram apresentados os contratos solicitados e esclarecidas as dúvidas levantadas. Em 06 de janeiro de 2009, através do Termo de Intimação, de nº 2004.01.0601, a fiscalização confirma o recebimento do Laudo Técnico do CETEC referente ao equipamento constante da DI n° 06/06506815,fazendo a ressalva de que: “Da análise do laudo verifiquei que algumas medidas não estão de acordo com a descrição do equipamento por diferença bem pequena.” Diante da constatação a fiscalização afirma: “Entrei em contato com o CETEC questionando se poderia haver erro de medição e fui informado por eles que poderia sim, uma vez que a medição foi realizada com a máquina em funcionamento.” Com isso, nova data para medição foi marcada. Na análise do manual de operação, referente à máquina importada através da DI nº 06/06506815, a fiscalização informa que, diferente do que consta no extarifário pleiteado, a largura do rolo resfriado (Chill roll width) é de 1250 mm e não de 1200 mm, como deveria ser. Houve uma diferença de 50 mm ou 5 cm entre o que descreve o manual de operação e o Extarifário. Também, na descrição do Extarifário 8477.20.101, subsistema de coextrusão, composto por uma extrusora principal com diâmetros de rosca de 135mm e L/D de 32 composta de rosca dupla corotativas a fiscalização observou uma diferença de 2 mm no diâmetro da rosca da extrusora principal (screw diameter) descrito no extarifário em relação ao manual de operação do equipamento. A fiscalização, ao fazer comparação entre a descrição do ex tarifário, o manual de operação e o Contrato e Apêndice Técnico nº TC4D217 04 registra as seguintes diferenças: DIÂMETRO LARGURA EXTRUSORA Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 DO ROLO DO ROLO PRINCIPAL (mm) (mm) (mm) Manual de Operação 1.800 1.250 133 Contrato e Apêndice Técnico 1.600 1.200 135 Descrição do ExTarifário 1.800 1.200 135 Com relação à diferença de diâmetro do rolo (Chill roll Diameter), a fiscalização explica que o contrato prevê a possibilidade do diâmetro ser aumentado para 1.800 mm, conforme se decidiu no encontro entre a Tecnoval e a fornecedora do equipamento. Relata a fiscalização que os Laudos de Assistência Técnica Fiscal n°025/2006, de 27/06/2006, e n° 025a/2007, de 17/05/2007, referentes aos equipamentos adquiridos da DMT/SA, importados através da DI n° 06/06506815, foram solicitados pela DRF/Varginha e elaborados por perito por ela credenciado (fls. 244 à 254). A fiscalização, sem ter convicção a respeito de alguns itens dos referidos Laudos, questiona: “entendemos que as perguntas foram feitas de forma bastante ampla, não sendo, assim, capaz de dirimir dúvidas pontuais sobre o enquadramento do equipamento no extarifário.” Questiona também que “com relação cortadeirarebobinadeira, o manual de operação não detalha todas as características contidas na descrição do Ex tarifário.” Em vista das dúvidas explicitadas, opta a fiscalização por nova avaliação: “considerando que os objetos (máquinas) exigem conhecimentos técnicos específicos, solicitamos a elaboração de laudos técnicos, relativos ao Sistema Integrado 420 e a cortadeirarebobinadeira, necessários à verificação do regular cumprimento das regras de classificação fiscal de mercadorias, bem como verificar se elas se enquadram no texto do ex tarifário.” Após novas inspeções efetuadas pela Fundação Centro Tecnológico Minas Gerais CETEC, foram apresentados os Laudos Técnicos, de n°s 121616 e 121617. A fiscalização, ao solicitar nova avaliação técnica, elaborou diversas perguntas no intuito de esclarecer se as importações atendiam ao que estava disposto no extarifário. O primeiro Laudo Técnico, de nº 121616, referente à máquina cortadeirarebobinadeira semiautomática, importada através da DI n° 06/14636471, registrou que os cinco quesitos propostos pela fiscalização foram respondidos e comprovaram a adequação da importação ao que estava disposto no extarifário. O Laudo Técnico nº 121617, relativo à DI nº 06/06506815 e referente ao Sistema Integrado SI 420, respondeu aos quesitos formulados pela fiscalização (fls. 58 a 60). O 1º questionamento era se “Todos os subsistemas estão montados formando um sistema integrado ?” A resposta da perícia afirmou que “Não. O subsistema de formação, composto Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.087 7 por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 950 mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4 de gap, de cinco camadas, encontravase inoperante e localizado no almoxarifado de peças grandes da Tecnoval. O subsistema inoperante é utilizado somente na produção de bobina de filmes Oriented Polystyrene (OPS). A máquina produzia no momento da inspeção, bobina de filmes BiOriented Polypropylene (BOPP), que emprega todos os demais subsistemas e sistema, integrantes do processo produtivo.” No quesito nº 3 o laudo técnico informou que as dimensões do rolo resfriado possui 1.836 mm de diâmetro e 1.250 mm de largura. A fiscalização ressalta que neste caso as dimensões diferem do que está descrito no extarifário, ou seja, diâmetro de 1.800 mm e largura de 1.200 mm. Relata a fiscalização que em virtude das pequenas diferenças apresentadas nas medições referente ao sistema integrado SI 420, questionou os peritos responsáveis se poderia haver erro na medição uma vez que elas foram efetuadas com a máquina em funcionamento. A resposta foi positiva. Com isso, nova medição, com as máquinas em descanso, foi agendada com a Fundação Centro Tecnológico Minas Gerais – CETEC e a empresa Tecnoval Laminados Plásticos. O novo Laudo Técnico, de nº 121691 (fls. 63), concluiu que o citado rolo resfriado, em descanso, possuía diâmetro de 1.800 mm e largura máxima de 1.250 mm. Diante das informações colhidas, a fiscalização confirma que “a Máquina Cortadeira Rebobinadeira, importada através da DI n° 06/14636471 de 01/12/2006, apresenta todas as características necessárias para fazer jus ao Extarifário.” Com relação a DI n° 06/06506815, referente ao Sistema Integrado 420 (SI 420), a fiscalização afirma que “fica demonstrado que o diâmetro do rolo resfriado se enquadra perfeita e literalmente na descrição do extarifário (EX 714), cujo diâmetro do rolo resfriado é de 1.800 mm.” Porém, “a Largura do rolo resfriado NÃO se enquadra perfeita e literalmente na descrição do extarifário (EX 714), cuja Largura do rolo resfriado é de 1.250mm.” Relata ainda a fiscalização que, com relação ao SI 420, o laudo técnico nº 121691 constatou que um dos subsistemas permanecia inoperante e guardado no almoxarifado da empresa. Dispõe ainda, o laudo técnico, que: “o subsistema (Ex 739) inoperante é utilizado somente na produção de bobina de filmes Oriented Polystyrene (OPS). O subsistema (Ex 738) é utilizado somente na produção de bobina de filmes BiOriented Polypropylene (BOPP).” Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 A fiscalização relata que: “Pelo que se constatou não é possível a montagem de todos os subsistemas em conjunto. Devese optar, de acordo com a produção desejada, pelo subsistema Ex 738 ou pelo subsistema Ex 739.” Destaca ainda a fiscalização, em seu relatório, o disposto no parágrafo 1° do art. 3° da Resolução Camex nº 009, de 04/05/2006 que determina: “O tratamento tributário previsto neste artigo somente se aplica quando se tratar da importação da totalidade dos componentes especificados em cada sistema, a serem utilizados em conjunto na atividade produtiva do importador.” Conclui o Auditor Fiscal em seu relatório, que: “Assim, por todo exposto, concluímos que um dos subsistemas que compõe o sistema integrado não se enquadra perfeita e literalmente no EX 714, sendo assim, não houve a importação da totalidade dos componentes especificados no Sistema Integrado 420 (SI 420), descritos no art 3° da resolução Camex nº 009, de 04 de maio de 2006, configurando o não enquadramento do Sistema integrado como um todo e, conseqüentemente, a não aplicabilidade de todas as reduções tarifárias. Diante do exposto, a fiscalização lavrou o auto de infração contra o contribuinte exigindo as diferenças não recolhidas de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, PISimportação e COFINSimportação, além dos juros de mora devidos, bem como da multa prevista pelo não recolhimento dos impostos e contribuições citados. Os lançamentos com os valores exigidos e acréscimos legais, no montante de R$ 4.687.080,80 estão discriminados às folhas 77 do presente processo. IMPUGNAÇÃO Tomando ciência do auto de infração contra ela lavrado, a empresa Tecnoval Laminados Plásticos Ltda, apresentou impugnação com as razões a seguir explanadas (fls. 501 à 523). A defesa da autuada inicia seu relato informando que a utilização de extarifário, em questão, foi instituído para atender importação da própria impugnante, conforme Resolução da Camex nº 09/2006. Informa a impugnante que após publicação da Resolução citada, solicitou procedimento especial de desembaraço aduaneiro previsto no artigo 505, parágrafo único, inciso II, do Regulamento Aduaneiro comprometendose a manusear a mercadoria importada somente após autorização expressa da Receita Federal, mediante conferência física e expedição de Laudo Técnico por engenheiro credenciado pela Receita Federal, e o devido desembaraço aduaneiro. Informa a impugnante que a mercadoria importada chegou ao seu estabelecimento, em 17/05/2006, e que a Fiscalização Aduaneira designou Assistente Técnico para elaboração de Laudo de Assistência Técnica Fiscal (n° 25/2006), quando teve Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.088 9 oportunidade de averiguar todos os equipamentos e atestálos como compatíveis com a importação dec1arada e com o Sistema Integrado (SI 420), tendo sido normalmente desembaraçado e liberado pelo Fisco. Afirma que: “Houve, portanto, inspeção física das mercadorias importadas no despacho aduaneiro que promoveu o desembaraço com os benefícios do "ex tarifário". Aduz que “encomendou no exterior uma máquina com características e especificações técnicas previamente determinadas com a fabricanteexportadora, exatamente idênticas àquelas que foram informadas no Pedido de redução da alíquota, perante o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (DOC. 05)”. Alega a defesa que a diferença de 50 mm no diâmetro do “rolo resfriado” não havia sido detectada pela impugnante nem pela fiscalização à época da importação e que tal diferença não ocasionou qualquer alteração no funcionamento ou no resultado da produção do filme de polipropileno biorientado. Afirma a defesa que “a medição que deveria ser verificada deve relacionarse com a largura do produto processado que passa pelo resfriamento, como será a seguir demonstrado.” A impugnante alega cerceamento de defesa, em razão de não lhe ter sido disponibilizado o dossiê que indicou a revisão do ex tarifário. Conforme suas palavras, “Ora, se o Dossiê n° 9, de 10/03/2008, é motivação para instauração da fiscalização e lavratura do auto de infração, não pode o Fisco omitir seu conteúdo ao contribuinte, uma vez que a acusação advém de conclusões sobre as quais o contribuinte fiscalizado tem o direito de saber. Não tendo ocorrido tal comunicação impõese o reconhecimento do cerceamento do direito à ampla defesa e do contraditório.” Acrescenta ainda que “Ademais, não está autorizado o Fisco, sob pena de infringir o princípio da impessoalidade, de selecionar os contribuintes fiscalizados pelo volume das importações que realiza, o que de plano impõese o afastamento da motivação da fiscalização no VMLE.” Revoltase a impugnante e diz não condizer com a verdade a afirmação contida no relatório de fiscalização, de que não houve conferência física no despacho. Alega que houve designação de Assistente Técnico, pela própria fiscalização, para elaboração de Laudo de Assistência Técnica Fiscal, ocasião em que se teve oportunidade de averiguar todos os equipamentos e atestálos como compatíveis com a importação declarada e com o Sistema Integrado (SI 420). Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Acrescenta a defesa em sua impugnação, questionando, agora, o motivo de haver nova fiscalização: “Ressaltese que no caso, encontramos flagrante revisão da fiscalização já realizada no momento do despacho aduaneiro. Naquela época o contribuinte submeteu à apreciação do Fisco todas as mercadorias e documentos que instruíram a importação. De posse desses elementos o Fisco Aduaneiro teve oportunidade de verificar a qualidade das mercadorias importadas, tanto que o fez por meio de Laudo de Assistência Técnica Fiscal (n° 25/2006) liberando a importação com os benefícios do "extarifário", confirmando a classificação e o enquadramento aos requisitos estabelecidos pela Resolução CAMEX n° 09/2006.” Com base na argumentação citada, a defesa conclui também que: “Se assim, a nova fiscalização e retificação do entendimento prolatado à época do despacho aduaneiro, continuem MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO, o que veda novo lançamento, como veremos adiante.’ (sic) Conclui, então, a defesa que “Diante disso, entende a Impugnante que tanto o procedimento de fiscalização como o Ato Administrativo de Lançamento não apresentam motivação que os suportem, pelo que requer seja declarada nulo o lançamento de pleno direito e improcedente a exigência fiscal.” (sic) A impugnante questiona a extensa explicação acerca da Classificação Fiscal das Mercadorias, dada pela fiscalização, e também o critério para interpretação do extarifário. Explica que tanto na Declaração de Importação – DI, quanto na expedição da Resolução Camex nº 09/2006, a Receita Federal não questionou a posição tarifária adotada. Argumenta a impugnante que não se trata de isenção tarifária que é instituída por lei e constitui dispensa legal do pagamento de tributo, já “As "EXCEÇÕES TARIFÁRIAS”, denominadas simplesmente "ex – tarifários” (no masculino) são expressões da intervenção estatal na política de controle aduaneiro, proteção do mercado nacional e incentivo ao desenvolvimento e modernização da indústria nacional.” Informa a impugnante que diferente das isenções, os ex tarifários não significam necessariamente isenção e cita o ensinamento do Auditor Fiscal César Olivier Dalston (Exceções Tarifárias. Edições Aduaneiras/Lex Editora S/A, Sao Paulo, 2005, p. 52 e 59/60): Assim sendo, a expressão "exceção tarifária” deve ser traduzida como alteração, para mais ou menos, na alíquota ad valorem de um tributo, em especial, estimular, ampliar ou reestruturar um ou mais setores da economia ou, de forma indireta, atuar nas citadas direções equalizando as condições para a saudável competição entre as empresas num determinado mercado, inferindose daí que "exceção tarifária" não é, por isso, um benefício fiscal. Conclui, a impugnante, para afastar a fundamentação da fiscalização sobre a interpretação literal que se deve dar para a isenção: “Pois bem, se a ‘EXCEÇÃO TARIFÁRIA’ é forma de majorar ou reduzir alíquotas do Imposto de Importação e tal alteração não se dá por norma de hierarquia da lei ordinária, a tal instituto não se aplica a interpretação literal do art. 111 do Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.089 11 CTN, a que se refere a fiscalização para fundamentar seu lançamento.” A impugnante lista os motivos pelos quais acredita, deveria a fiscalização basear sua análise para a aceitação da importação efetuada ao amparo do extarifário, quais sejam: A) Inovação Tecnológica: A solicitação “não visava a isenção do imposto, pura e simplesmente visava criar possibilidades econômicas de a Impugnante trazer equipamento com inovação tecnológica, cujo investimento melhoraria o nível de qualidade da produção Nacional; B) Proteção da Indústria Nacional: Destaca a impugnante que “o mesmo ocorre com o subsistema de formação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 950mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4mm de gap, de cinco camadas, que somente pode ser usado quando o subsistema de formação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 660 mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4mm de gap, de cinco camadas, não estiver funcionando. Não há, do ponto de vista técnico, exigir simultaneidade no funcionamento do conjunto. Há, no entanto, prova de que as peças podem ser instaladas alternativamente. Portanto, não seria a diferença constatada de 50 mm, capaz de destituir os objetivos de proteção da produção nacional” C) Produção de Emprego e Renda: Nesse ponto afirma a autuada “que é importante destacar que o incentivo à importação do equipamento sob as perspectivas do Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior, pautouse pela inegável produção do efeito multiplicador de emprego e renda sobre segmentos diferenciados da economia nacional.” Conclui, então, a impugnante que “Desta forma, é inegável que a interpretação do Fisco ao depararse com uma importação cuja alíquota é contemplada por uma "EXCEÇÃO TARIFÁRIA", seja ela de redução ou gravosa, não pode ser reduzida à literalidade da expressão, mas sim, pelos elementos determinantes da instituição do "EX", não sendo possível a cambialidade dos conceitos que orientam a isenção.” Além das considerações acima descritas a impugnante afirma ainda que houve por parte da fiscalização, erro na interpretação da prova. Considera haver “desconexão interpretativa entre o texto do "EXTARIFÁRIO" e o que foi apurado pelos técnicos indicados pelo Fisco.” A defesa desenvolve raciocínio e argumenta, com relação às larguras, diâmetros e demais medidas descritas, dos equipamentos componentes do sistema SI 420, que “Na verdade, esses elementos não são essenciais para determinação da aplicação do "EX – TARIFÁRIO”, uma vez que a boa técnica indica que o prejuízo não esta na limitação do tamanho do Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 subsistema, mas na capacidade do sistema como um todo”. Afirma, ainda, que “Necessário seria o técnico habilitado que elaborou o laudo responder se o sistema integrado produz o filme de polipropileno biorientado, contendo 5 camadas, com razão de estiramento longitudinal de até 8 vezes, razão de estiramento transversal de 4 a 10 vezes e largura máxima igual ou superior a 4.200 mm, e se os equipamentos descritos no subsistema foram importados e estão disponíveis à produção. Haveria, ainda, que consignar se as medidas dos equipamentos atendem aos requisitos e se eventuais divergências de medidas interferem nas condições mínimas de proteção à indústria nacional.” Alega, ainda, a impugnante que não houve por parte da fiscalização a interpretação correta e que “Se a indústria nacional não está capacitada a fornecer todo esse conjunto com o rolo de resfriamento com largura de 1.200 mm, com muito mais razão não terá capacidade de fornecer com medida de 1.250 mm. Ou seja, não seria essa diferença que mudaria a realidade das coisas.” E que a “leitura técnica que se fez dos bens importados no laudo que amparou o lançamento, não congrega as dimensões exatas de largura rolo de resfriamento definida como sendo de 1.200mm. Ocorre que essa é a largura mínima para ma matriz de extrusão plana (tenter), com 950mm de largura de abertura, como a importada, conforme descrito na Adição 04 da DI n° 06/06506815.” Ao final do tópico, pede a impugnante que seja efetuada nova perícia, a cargo do Instituto Nacional de Tecnologia para responder a sete quesitos formulados pela autuada, quais sejam: 1. O conjunto importado atende aos requisitos de produção de filme de polipropileno biorientado, contendo 5 camadas, com razão de estiramento longitudinal de até 8 vezes, razão de estiramento transversal de 4 a 10 vezes e largura máxima igual ou superior a 4.200mm? 2. Há alguma alteração técnica na produção considerando que a largura do rolo de resfriamento é de 1.250 mm? 3. Qual a largura máxima de utilização do rolo de resfriamento verificada na produção dos filmes de polipropileno? 4. A medida do rolo de resfriamento é totalmente utilizada? 5. É possível a montagem dos subsistemas de formação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 950mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4mm de gap, de cinco camadas e subsistema de formação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 660mmde largura da abertura e 1,5 a 3,4mm de gap, de cinco camadas, formando um conjunto único? 6. Como conciliar a norma que instituiu o "EX TARIFÁRIO" e os equipamentos importados, para dar lógica à aplicação da norma jurídica? 7. Houve a importação dos equipamentos relacionados na norma que instituiu o "EX TARIFÁRIO" ? Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.090 13 Acrescenta ainda a impugnante, que “Protesta pela formulação de quesitos adicionais, quando do provimento da perícia, indicando desde já como assistente técnico o Engenheiro Carlos Alberto de Almeida Simões Branco, CPF 239.713.71604 e CREAMG 16586, com domicílio comercial na Rua Leonardo Costa Gonçalves, 1100, Parque Monte Verde, Itamonte/MG.” “Concluído o laudo, requer a Impugnante que seja consultada CAMEX a fim de que diga se a diferença de 50 mm traz prejuízos à industria nacional ou se haveria alguma alteração no estabelecimento do "EX TARIFÁRIO" a diferença constatada no rolo de resfriamento, segundo os princípios orientadores desse instituto da exceção tarifária.” “Concluídas as diligências, certamente verificarseá que o erro de projeto perpetrado pelo fornecedor internacional não trouxe qualquer dano ao Erário ou à indústria nacional.” Além das contestações referidas, a impugnante questiona o auto de infração lavrado, alegando que o Imposto de Importação é um tributo cujo lançamento se dá por homologação. Sendo o lançamento por homologação e já havendo a fiscalização efetuado a conferência aduaneira, amparada inclusive por laudo técnico da própria RF Varginha/MG, e posterior desembaraço da mercadoria, não caberia mais a revisão. O desembaraço, para a impugnante, caracterizaria a homologação, conforme Jurisprudência dos Tribunais trazida aos autos na impugnação. Afirma a impugnante que o lançamento “não pode ser alterado pela autoridade lançadora, pois é próprio do procedimento administrativo de lançamento o ato de revisão e a definitividade da prática do ato de ofício ou seja, o ato é uno e indivisível devendo a autoridade, no momento de sua expedição, dálo por concluído” e que as situações descritas pelo Código Tributário para alteração do lançamento (incisos I e II do artigo 145 e incisos do artigo 149) não se aplicam ao presente caso. Entre as decisões dos Tribunais, trazidas aos autos pela impugnante, todas de mesmo teor, temos: "TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO SÚMULA 227/TFR. 1. Em havendo na declaração do contribuinte erro de direito não detectado pelo Fisco, que a aceita integralmente, a mudança de entendimento constituise alteração de critério vedada pelo CTN. 2. Só a falsidade, o erro ou a omissão são capazes de provocar a revisão do lançamento com a conseqüente autuação do contribuinte. 3. Recurso especial improvido. (REsp 171.119/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/08/2001, DJ 24/09/2001 p. 263)” Pede então a impugnante que “Diante disso, requer a Impugnante seja declarado insubsistente o lançamento por ser a revisão mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo Código Tributário Nacional.” Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Questiona também a impugnante a multa de ofício. Argumenta basicamente que em momento algum houve dolo ou máfé e que a mercadoria foi perfeitamente descrita na Declaração de Importação, sendo aceita pela autoridade autuante e que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10 de setembro de 2002 dá respaldo à sua argumentação: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado,e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Ao final de sua peça impugnatória a autuada requer: “1) seja deferido o pedido de conversão do julgamento em diligência a fim de que nova perícia seja elaborada, na qual deverão ser levados em consideração os pressupostos legais que amparam a expedição da exceção tarifária, conforme normas expedidas pela CAMEX, bem como sejam respondidos os quesitos formulados; 2) seja solicitado ao órgão concessor seu pronunciamento acerca da diferença de 50mm e se tal diferença traz prejuízos à industria nacional ou se haveria alguma alteração na expedição do "EXTARIFÁRIO" a diferença constatada no rolo de resfriamento, segundo os princípios orientadores desse instituto da exceção tarifária; 3) seja dado provimento à impugnação para declarar a nulidade do lançamento em face dos argumentos acima exposto, e caso assim não entenda, seja julgado improcedente o lançamento, por não ser possível desqualificar o "EX" em face dos argumentos trazidos pela autoridade lançadora e; 4) Por fim, requer seja excluída a penalidade de ofício do imposto de importação e respectivos reflexos (IPI, PIS, COFINS) em face da norma expedida pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13/2002, uma vez que não houve descrição incorreta das mercadorias importadas, conforme amplamente reconhecido pela jurisprudência do Eg. Conselho de Contribuintes.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não acatou as alegações da recorrente, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/06/2006, 27/06/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.091 15 Tendo a impugnante tomado conhecimento das circunstâncias necessárias à caracterização do ilícito a ela imputado, não há falar em cerceamento do direito de defesa. DO PEDIDO DE PERÍCIA. DA DESNECESSIDADE. Diante da robustez das provas, bem como dos fatos trazidos pela fiscalização, resta despicienda a realização de exame pericial, com amparo nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972 c/c o artigo 436 do CPC (aplicado subsidiariamente). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/06/2006, 27/06/2006 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A revisão aduaneira prevista no artigo 570 do Decreto 4.543 de 2002 não significa mudança de critério jurídico. Não há vedação ao reexame do despacho aduaneiro, inclusive no tocante ao cabimento de benefício fiscal na forma de Extarifário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/06/2006 DO EXTARIFÁRIO. DA INDEVIDA UTILIZAÇÃO. DA COBRANÇA DE TRIBUTOS NÃO RECOLHIDOS, ACRESCIDOS DE JUROS DE MORA E MULTA. A utilização indevida de Extarifário acarreta a cobrança dos tributos não recolhidos, acrescidos de juros de mora e multa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 05/06/2006, 27/06/2006 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. RECONSTITUIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Retificada a alíquota do Imposto de Importação, cabe reconstituir os valores do Imposto sobre Produtos Industrializados, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da CofinsImportação, exigindose as diferenças que deixaram de ser recolhidas juntamente com juros de mora e multas de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 A teor do relatado a lide esta em desclassificação de ex tarifário realizado pela Fiscalização Aduaneira referente a importação do equipamento denominado Sistema integrado 420 (SI 420), congregando a importação de dez partes e peças que em conjunto montam a máquina , baseado em duas razões: a primeira que (i) O subsistema de formação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 950 mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4 de gap, de cinco camadas, encontravase inoperante e localizado no almoxarifado de peças grandes da Tecnoval e (ii) que a Largura do rolo resfriado com 1.250mm de largura não se enquadra perfeita e literalmente na descrição do extarifário, que estaria limitado à largura a 1.200mm” A Recorrente apresenta argumentos combatendo o procedimento adotado pela fiscalização inicialmente em sede preliminar argumenta falta de motivação para o lançamento, cerceamento do direito de defesa, ofensa a segurança jurídica devido a mudança de critério jurídico. Da discussão sobre a motivação e legalidade da decisão da DRJ, do pedido de perícia e de ofensa a princípios constitucionais Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise da alegação de nulidade da decisão de primeira instância em razão do indeferimento do pedido de perícia e de ofensa a princípios constitucionais. A Recorrente pede a realização de perícia para a correta solução sobre a classificação das mercadorias. Entendo não ser necessária nenhuma informação adicional alem daquelas constantes dos autos. A perícia tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua e não se presta a produção de provas que devem ser apresentadas em sede de impugnação. No caso em tela, os documentos acostados ao processo e os esclarecimentos prestados são suficientes para a convicção do julgador, não sendo necessária nenhuma informação adicional para solução da lide. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia. Quanto a Decisão da Delegacia de Julgamento, também entendo não assistir razão ao recurso. A decisão da DRJ atendeu todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do julgamento, a descrição da motivação esta claramente delineada, demarcando a posição daquela autoridade sob o tema em discussão nos autos. A decisão foi corretamente descrita e detalhada, sendo objeto de recurso voluntário. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa. O procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, ao devido processo administrativo fiscal. Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais. Também aqui não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.092 17 CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária” Assim, este colegiado é compelido a seguir nos seus julgados, as determinações legais e conforme descrito alhures, as multas aplicadas, foram lastreadas em atos legais normativos vigentes e de cumprimento obrigatório, por parte da Fiscalização Aduaneira. Da classificação de mercadorias e da mudança de critério jurídico As mercadorias em litígio sofreram reclassificação por parte da Fiscalização, em procedimento de revisão aduaneira. O recurso traz a alegação de mudança de critério jurídico, por existirem diversas operações de importações dos produtos em despachos anteriores. Esta questão já foi enfrentada neste colegiado em recente acórdão que teve a relatoria do i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, quando foi decidido que a reclassificação de mercadorias, em processo de revisão aduaneira de despachos anteriormente desembaraçados, não configura uma mudança de critério jurídico, sendo matéria afeita a Fiscalização da Receita Federal, não existindo nenhuma ilegalidade na reclassificação realizada. Os motivos de decidir deste Acórdão caminham no mesmo entendimento deste Relator, assim, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele minhas razões de decidir quanto a esta matéria. "Aduz o sujeito passivo que a classificação empregada não poderia ser revista. Tal insurreição está concentrada na alegação de que o lançamento promovido, decorrente da reclassificação da mercadoria promovida de ofício, alegadamente fundada em “erro de direito” por parte do Fisco, representaria alteração de critério jurídico e, consequentemente, violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional1. Invocase, para tanto, a dicção da Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos2. Penso que tal pleito, pelo menos no presente litígio, não pode prosperar. 1 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 2 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 Antes de se analisar os aspectos jurídicos envolvidos, há que se registrar que a classificação intentada pelo sujeito passivo, pelo menos no despacho de importação alvo do presente litígio, não foi referendada pelo Fisco. De fato, como é possível extrair do doc. de fl. 18verso, a mercadoria em análise foi alvo de desembaraço com base art. 39 da Instrução Normativa nº 69, de 19963, que autorizava a entrega da mercadoria, mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade, até que se concluísse o correspondente exame laboratorial. Assim, ainda que se pudesse falar que, regra geral, a revisão aduaneira caracterizaria dita mudança de critério, no caso em tela, esse argumento restaria completamente esvaziado. De qualquer forma, mesmo que não se estivesse diante de tais particularidades, há que se recordar que a melhor doutrina já se manifestou acerca da impossibilidade de se isolar o chamado “erro de direito”. Vejase, à guisa de exemplo, a lição de Souto Maior Borges4 “[...} rigorosamente falando, a distinção entre o direito e o fato não é realizável, porque só é relevante o fato qualquer fato natural enquanto juridicamente qualificado, ou seja, enquanto corresponde ao conceito de fato jurídico, algo inteiramente diverso do fato natural “bruto”. Os fatos naturais são, pois, selecionados e subsumidos às normas jurídicas que lhes forem aplicáveis. E estas, de sua vez, para sua aplicação, também são selecionadas em função da estrutura do caso concreto. Por isso, averbouse, elegantemente, que ao se considerar a questão de fato está presente e relevante a questão de direito; ao se considerar a questão de direito não se pode prescindir da solidária influência da questão de fato. Há, pois, nesse sentido, não só uma solidariedade, mas também uma indivisibilidade entre a questão de fato e a questão de direito. (os destaques não constam do original) Para outros autores, ainda que se admita a distinção entre erro de fato e de direito, o art. 146 não produz o efeito almejado. Acerca desta segunda corrente, confirase: Hugo de Brito Machado5: O art. 146 do CTN, que veda a revisão do lançamento tributário em razão de mudança de critérios jurídicos, não se aplica ao erro de direito, porquanto se tratam de fenômenos distintos: o erro de direito ocorre quando não seja aplicada a lei ou quando a má aplicação desta seja notória e indiscutível, enquanto a mudança de critério jurídico ocorre, basicamente, com a substituição, pelo órgão de aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer delas seja incorreta. 3 Art. 39º A autoridade aduaneira poderá autorizar a entrega de mercadoria cujo desembaraço dependa unicamente do resultado de análise laboratorial, mediante assinatura de Termo de Responsabilidade, nos termos da legislação específica. 4 Borges, José Souto Maior. Lançamento Tributário. São Paulo. Malheiros, 2ª ed., p. 274. 5 Temas de direito tributário. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1993, p. 107. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.093 19 Napoleão Nunes Maia Filho6: Não importa ao exercício da atividade administrativa de revisão do lançamento a circunstância de se tratar de lançamento eivado de erro de fato ou de direito, porque em qualquer hipótese sempre deverá prevalecer a supremacia da lei sobre o ato administrativo viciado. Ou seja, ainda que caracterizado como erro de direito, este autorizaria revisão do ato viciado, não se confundindo, portanto, com mudança de critério jurídico. De qualquer forma, há que se reconhecer que o lançamento dos tributos devidos na importação, principalmente após o advento do Sistema Integrado do Comércio Exterior, se insere na modalidade “por homologação”, onde todas as informações são transmitidas pelo sujeito passivo e homologadas tacitamente por decurso de prazo ou expressamente, após a realização da competente revisão aduaneira. Confirase, nessa linha, a redação da Seção II, do Capítulo II, do Título II, do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988: Seção II Conclusão do Despacho Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. Não se pode confundir, portanto, o desembaraço aduaneiro, não raras vezes realizado automaticamente, sem a realização de qualquer verificação fiscal, com a homologação do despacho, promovida em sede de revisão aduaneira. De fato após a implantação do Siscomex, resta claro dever atribuído ao sujeito passivo de promover o autolançamento, o que inclui a informação a classificação fiscal, quando da formulação da declaração que servirá de base para o despacho. Ou seja, diferentemente do que se verifica quando o lançamento se opera na modalidade “por declaração” onde, nos termos do art. 147 do CTN7 o sujeito passivo fornece informações ao Fisco e este promove o lançamento, nesse novo contexto, o sujeito passivo passa a ser responsável pela formulação do lançamento. 6 Competência para retificação do lançamento tributário. Revista Dialética de Direito Tributário, no 43, São Paulo: Dialética, julho de 1999, p. 59. 7 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 20 Nessa linha, tornase evidente que a classificação fiscal se situa no plano das informações passíveis de revisão, ex vi do art. 149, V do Código Tributário Nacional8. De qualquer forma, não se pode deixar de registrar que o sujeito passivo deixou igualmente de fornecer ao Fisco os elementos que lhe dariam a conhecer a mercadoria importada, descrevendoa sucintamente como “Areia Artificial Nome Comercial Carbo Life (sic). Lembrar que a classificação fiscal indicada no despacho é a própria para classificação de areias artificiais. Nesse caso, resta ainda mais evidente que o que se detectou, no presente processo, inserese no plano do erro de fato. Vejase, acerca do tema, recente manifestação da Segunda Turma do E. Superior Tribunal de Justiça nos autos do AgRg no REsp 942539/SP9: TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido." Mérito da classificação das mercadorias importadas No mérito, a Recorrente alega que os fatos levantados pela Fiscalização não podem configurar a desclassificação do ex tarifário. Por trataremse de argumento distintos, faço a análise das matérias separadamente. 8 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. 9 Ministro HUMBERTO MARTINS, Julgado em 02/09/2010 (DJe de 13/10/2010) Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.094 21 Inicialmente analiso a não utilização simultânea do subsistema de formação, composto por uma matriz de extrusão plana (tenter), com 950 mm de largura da abertura e 1,5 a 3,4 de gap, de cinco camadas. Entendo que o fato do subsistema em determinados momentos não ser utilizada em conjunto com as outras partes e peças em conjunto não é razão suficiente para a desclassificação de todo o sistema.O texto do Extarifário deixa claro que a importação precisa ocorrer com todas as partes e subsistemas e que precisam fazer parte do mesmo conjunto. No laudo técnico restou consignado que o subsistema que encontravase no depósito, apesar de não estar sendo utilizada naquele momento, faz parte do conjunto e pode ser utilizada quando necessária a sua aplicação para fabricação de determinados produtos. Portanto, entendo não ser obrigatório a utilização de todas as partes e peças importadas ao mesmo tempo. Para a adequação ao extarifário é necessária a importação em conjunto e a sua utilização estar vinculada ao sistema, estando estas premissas atendidas, não pode prosperar a desclassificação do ex tarifário por este motivo. Quanto a segundo motivo aventado pela Fiscalização para desconsideração do Extarifário, fazse necessário esclarecer que não existe contestação no recurso quanto às conclusões do laudo, restando fartamente comprovado nos autos que rolo resfriado possui 1.250 mm de largura. O texto do extarifário determina que o cilindro deve possuir largura até 1200mm. A Recorrente alega que o fato do cilindro possuir 1.250mm de largura não impede a classificação do sistema importado. Em que pese a relevância dos argumentos do recurso, somente a CACEX, responsável por definir e incluir o extarifário na TEC, poderia fazer tal afirmação, pois, o texto é claro, ao determinar que para utilização do extarifário a largura do cilindro necessita ter até 1200mm. Não vejo como este Conselho questionar a Portaria da CAMEX e interpretar de forma diferente do texto do Extarifário. O fato é que o texto limita a 1200mm e a máquina importada possui 1250mm, acima da especificação prevista na TEC. Portanto, não é possível manter a exceção tarifária para esta máquina que esta fora das especificações previstas para o denominado Sistema integrado 420 (SI 420). Confirmada a posição da Fiscalização Aduaneira na desclassificação do ex tarifário, resta a discussão quanto a desclassificação de todo o conjunto ou apenas da parte que não tenha atendido os requisitos necessários. De acordo com o extarifário, as partes e peças que foram o sistema necessitam ser importados todos em conjunto e se prestarem a sua utilização em conjunto para que a classificação seja aquela do ex tarifário. Assim, entendo que se uma das partes não seja importada ou seja importada em desacordo desqualifica todo o sistema. Considerando, que a uma das partes que compõe o sistema importado, foi desqualificado como formador do conjunto, a configuração do conjunto esta comprometida, determinando a sua exclusão do extarifário. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 22 Aplicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002 A Recorrente pede a aplicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002 que afasta a exigência de multa nos casos de exclusão do extarifário, quando a mercadoria esta corretamente descrita. No caso em tela, a Recorrente registrou a Declaração de Importação (fls. 100 a 112), indicando para o rolo resfriado a seguinte descrição : "8418.69.99 EX 714 1 subsistema de resfriamento do "cast" por rolo resfriado de diâmetro de 1.800mm e largura máxima de 1.200mm." Conforme se verifica na descrição da DI, foi informado que o "rolo resfriado" possuía largura máxima de 1.200mm, o que conforme já demonstrado, não corresponde a realidade, inviabilizando a aplicação do ADI SRF nº 13/2002. Sendo corretamente exigido as multas referentes a desclassificação de mercadoria. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Nesta Declaração de Voto expresso entendimentos divergentes do nobre colega Relator em questões de mérito, situação que prejudica neste momento a discussão de outras solicitações do contribuinte e demais pontos do processo. Meu entendimento é convergente com Declaração de Voto constante na decisão a quo da DRJ, que será oportunamente transcrito. O contribuinte importou e encomendou corretamente o equipamento, Sistema integrado 420 (SI 420). A desclassificação de Ex Tarifário realizada pela Fiscalização Aduaneira sob a argumentação de que a Largura do rolo resfriado com 1.250mm de largura não se enquadra perfeita e literalmente na descrição do ExTarifário, que estaria limitado à largura a 1.200mm é Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.095 23 extremamente radical e contrária aos princípios da livre iniciativa e da razoabilidade, que norteiam o instituto do Direito na República Federativa Brasileira. Ainda que não seja fato controverso a identificação do equipamento, sendo exatamente o mesmo equipamento do ExTarifário, o principal fundamento utilizado pela instância a quo para manutenção do lançamento é a aplicação da interpretação literal prevista no Art 111 do CTN. Ora, importante salientar que a diferença entre 1.250mm e 1.200mm são exatamente 5cm, o que de forma alguma altera a produção de filmes ou o equipamento em si, preservado seu objetivo e funcionalidade para a qual foi concedida o Ex Tarifário. Inclusive há medições divergente nos autos, o que clama, ao menos, por diligência que verificasse estas divergências de medidas. Mas mesmo assim, pelo princípio da economia processual e princípio da insignificância, os requisitos do Ex Tarifário para o Sistema integrado 420 SI 420 de 2006, devem aceitar alguma flexibilidade, porque não tem motivo fático ou legal para serem tão taxativos ou literais. Entendo que o limite não implica em penalidades e desqualificação do direito ou benefício, mas sim uma medida de referência, apesar do Ex Tarifário expressamente utilizar a expressão “limite máximo”. O próprio Regulamento Aduaneiro prevê para as mercadorias a granel a flexibilização de medidas e aceita diferenças, por exemplo. Claramente cabe a interpretação não literal para a máquina/equipamento importado, porque a interpretação literal não pode ser utilizada em detrimento do contribuinte de forma simples e deve conter lógica sistêmica e social. É bom senso entender que uma diferença de 5cm em um dos componentes de um equipamento que tem o valor de alguns milhões de reais, certo de gerar emprego e produção, não implica em fraude ou qualquer dano ao erário. Ao contrário, seria extremista e teria efeitos desastrosos nos âmbitos jurídico, político e econômico entender pela literalidade da diferença de 5cm e a consequente manutenção do lançamento tributário. Qualquer literalidade teria de ter, no máximo, relação com o objetivo proposto no Ex Tarifário, e não com relação aos centímetros de um dos componentes da máquinas. Entendo pela não aplicação do Art. 111 CTN Interpretação literal, ao caso em concreto. Causa prejuízo ao Contribuinte esta inflexibilidade, e por isso aplicase ao caso em concreto o Art. 112 CTN, dispositivo pró contribuinte que dispõe: “A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado”. Mais temerária ainda seria a conclusão de que se uma das partes que compõem o sistema importado, foi desqualificada, como formadora do conjunto, a configuração do conjunto estaria comprometida, determinando a sua exclusão do ExTarifário. Não há sentido lógico nem ao menos amparo fático e legal para tal conclusão, viciando todo o processo com o cerceamento de defesa e a mais grave insegurança jurídica. Aqui é importante reproduzir a declaração de voto constante na Decisão da DRJ de São Paulo, que reconheceu o direito do Contribuinte: Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 24 “Verificando os autos, encontramos a Declaração de Importação DI 06/06506815 (fls. 104) onde a 1ª adição se refere ao “Ex” 714, descrito, conforme a referida resolução da Camex. A Empresa Tecnoval Laminados Plásticos foi a autora do pedido de exceção tarifária, definiu o tamanho das máquinas e, após a concessão do benefício, preencheu sua Declaração de Importação de forma coerente com o pedido de exceção tarifária. Sempre transpareceu no processo, que a intenção do importador era realmente importar as máquinas por ele descritas. Não há lógica em pensar que o importador importou outra máquina com diferença de cinco centímetros, propositadamente. Cumpre destacar ainda que a diferença de 5 centímetros encontrada não teve como consequência a produção de filmes de polipropileno biorientado de características diferentes do que estava contido na descrição do Sistema Integrado 420 (SI 420), ou seja, mesmo com a diferença de cinco centímetros na largura do rolo resfriado os filmes produzidos continuam “contendo 5 camadas, com razão de estiramento longitudinal de até 8 vezes, razão de estiramento transversal de 4 a 10 vezes e largura máxima igual ou superior a 4.200m.” [...] O importador investiu milhões de reais. Produziu a mercadoria descrita no sistema integrado 420. Antes disso, seguiu as etapas necessárias à obtenção do benefício de redução de alíquotas; obteve a concessão do órgão autorizador do benefício; fez sua declaração de importação com todos os elementos previstos na descrição da exceção tarifária e importou os equipamentos. Na esteira do pensamento dos renomados juristas e por tudo mais que encontramos nos autos este julgador entende que o aplicador da norma não deve escudarse atrás da rigidez da interpretação literal para esquivarse da lógica, fugir do bom senso e concluir pela penalização do contribuinte. “ A divergência desta declaração de voto é no mérito e neste, o contribuinte acertou na encomenda e importação do equipamento, inclusive o Registro de Assistência Técnica Fiscal nº 25/2006, concluído pelo laudo final complementar confirmam a insignificância dos 5cm na funcionalidade do equipamento. O contribuinte preencheu as regras gerais e interpretativas, contribuiu para a manutenção das práticas reiteradas e observou o Registro da DI em 2006, momento em que a fiscalização conferiu e aplicou o Ex Tarifário no desembaraço aduaneiro Canal Vermelho que constatou os elementos. Logo, de acordo com o Art. 110 CTN, está configurada a característica de normas complementares às práticas reiteradas das autoridades administrativas em favor do contribuinte. Com fundamento em todo o exposto, de acordo com o Regimento Interno deste Conselho e principalmente nos Artigos 100, 112, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, que estabelecem a legalidade das práticas administrativas reiteradamente observadas e protegem o contribuinte das modificações de critério jurídico, não há legitimidade para o lançamento pois é "conditio sine qua non" que o Auto de Infração tenha elementos suficientes para a configuração do fato tributável. Por todo o exposto, por faltar objeto e não restar configurada a pretendida infração, diante do vício material insanável que caracteriza o lançamento, voto pela nulidade do Auto de Infração, seu cancelamento integral e consequente Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10611.000844/200962 Acórdão n.º 3201002.084 S3C2T1 Fl. 1.096 25 cancelamento de todas as penalidades e demais encargos, e seja conhecido e provido o Recurso Voluntário em sua integralidade. assinado digitalmente Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por PEDRO RINALDI DE OLI VEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 16095.720053/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE.
O Mandado de Procedimento Fiscal manifesta-se como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. A relação jurídica entre a autoridade e o contribuinte não se instaura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. CABIMENTO.
A entrega pela interessada de escrituração digital em desacordo com a realidade exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento, em razão da imprestabilidade das informações.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO.
Comprovada a existência de grupo econômico e confirmado que as referidas empresas desempenham a mesma atividade que configurou o fato gerador, resta caracterizado o interesse comum, com a consequente responsabilização solidária dos envolvidos, em conformidade com o art 124, I, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, na hipótese tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, notadamente quando comprovada a interposição fraudulenta de terceiros.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntários.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal manifesta-se como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. A relação jurídica entre a autoridade e o contribuinte não se instaura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. CABIMENTO. A entrega pela interessada de escrituração digital em desacordo com a realidade exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento, em razão da imprestabilidade das informações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO. Comprovada a existência de grupo econômico e confirmado que as referidas empresas desempenham a mesma atividade que configurou o fato gerador, resta caracterizado o interesse comum, com a consequente responsabilização solidária dos envolvidos, em conformidade com o art 124, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, na hipótese tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, notadamente quando comprovada a interposição fraudulenta de terceiros. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntários. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa e Ronaldo Apelbaum.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720053/201482 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.453 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de julho de 2016 Matéria Auto de Infração Recorrente GARANTIA TOTAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal manifestase como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. A relação jurídica entre a autoridade e o contribuinte não se instaura com a expedição do MPF, mas com a ciência do início dos procedimentos, nos termos do artigo 196 do Código Tributário Nacional, esta sim providência essencial e inarredável para a validade dos atos praticados durante a fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. CABIMENTO. A entrega pela interessada de escrituração digital em desacordo com a realidade exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento, em razão da imprestabilidade das informações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. GRUPO ECONÔMICO. Comprovada a existência de grupo econômico e confirmado que as referidas empresas desempenham a mesma atividade que configurou o fato gerador, resta caracterizado o interesse comum, com a consequente responsabilização solidária dos envolvidos, em conformidade com o art 124, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 53 /2 01 4- 82 Fl. 30596DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 3 2 sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, notadamente quando comprovada a interposição fraudulenta de terceiros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntários. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados contra a empresa em epígrafe e relativos ao anocalendário de 2010. Houve arbitramento do lucro e qualificação da multa de ofício. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir: Houve por bem a autoridade fiscal lavrar também os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária em face de 4 (quatro) pessoas jurídicas e de 3 (três) pessoas físicas, a saber: 1) Torlim Alimentos S/A; 2) JPP Empreendimentos e Participações Ltda; 3) JVA Transportes Ltda; Fl. 30597DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 4 3 4) Machado Participações Societárias EIRELI (sucessora de Machado & Gaeta Ltda); 5) Jair Antonio de Lima; 6) Pedro Cassildo Pascutti; e 7) Jorge Machado. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL No Termo de Verificação Fiscal de fls. 29.801/29.816, a autoridade fiscal historia as diversas intimações fiscais, desde o Termo de Início do Procedimento Fiscal, por meio das quais solicitou ao contribuinte livros, documentos, demonstrativos de apuração das contribuições sociais, entre outros. O contribuinte atendeu em parte as solicitações da Fiscalização. Dentre as solicitações do Fisco, merece destaque a de apresentação da Escrituração Contábil Digital Retificadora do ano calendário de 2010, pois, no entender da autoridade fiscal, a Escrituração Contábil Digital (ECD) identificada pelo arquivo hash n° 3E.49.22.2F.45.02.A4.D1.DC.72.E2.35.7A.40.39.65.06. 6B.77.FB não expressaria a veracidade dos dados contábeis do ano calendário de 2010. A contribuinte não atendeu a essa solicitação fiscal. Nesse cenário, considerando que a ECD apresentada pelo contribuinte não trazia a realidade dos atos e fatos contábeis, o agente fiscal, com fundamento no artigo 530 do RIR/99, procedeu ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA, e apurou o IRPJ e a CSLL devidos. Ainda em razão do arbitramento do lucro da pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA, a autoridade fiscal, com fulcro nos artigos 8°, II, da Lei n° 10.637/02 e art. 10, II, da Lei 10.833/03, apurou a contribuição para o PIS e a Cofins devidas, no regime de incidência cumulativa. Ressaltou o agente fiscal que, da ECD identificada pelo hash n° 283D966321DE873FA14D4F05D1A7369A39AE3C77, extraiu balancetes de janeiro e fevereiro (exemplos), nos quais não constam receitas nestes períodos, em contradição com os registros de saídas e planilhas apresentadas pelo próprio contribuinte. Destacou também o autor do procedimento que, da ECD identificada pelo hash n° 3E.49.22.2F.45.02.A4.D1.DC.72.E2. 35.7A.40.39.65. 06.6B.77.FB, extraiu balancete, que apresentava período de 01/02/2010 a 31/12/2010 com receitas no valor de R$ 909,10. Concluiu a autoridade fiscal que nenhuma das Escriturações Contábeis Digitais tem condições de ser utilizada, pois os livros de Registro de Saídas não conferem com os valores apurados Fl. 30598DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 5 4 pelas Notas Fiscais Eletrônicas, faltando escrituração nos Registros de Saídas de lançamentos da filial 000512 das notas fiscais de n° 4040 a 7237, demonstrando a falta de veracidade dos atos e fatos contábeis através destes livros fiscais. Informa, também, o agente fiscal que utilizou, para extração das receitas mensais, base para o arbitramento, os arquivos da Nota Fiscal Eletrônica, resultando nas planilhas anexas ao presente processo. Ainda em decorrência da existência de ECD com informações inexatas, o autor do procedimento aplicou a multa prevista no inciso III do art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, incluído pela Lei n° 12.766, de 27 de dezembro de 2012, à base de 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da escrituração equivocada, nos termos do art. 5º, § 4º, da Instrução Normativa RFB n° 1.056, de 13 de julho de 2010. Por outro lado, em razão dos trabalhos de auditoria, concluiu também o agente fiscal pela existência de um grupo econômico. Segundo o autor do procedimento, o Grupo Econômico Torlim constituise, principalmente, das empresas Torlim Alimentos S/A, Torlim Produtos Alimentícios Ltda (nova razão social de Irapuru Produtos Alimentícios Ltda), Amambai Industria Alimentícia Ltda, JPP Empreendimentos e Participações Ltda, Fribai Frigorifica Vale do Amabai Ltda, JVA Transportes Ltda, Garantia Participações Ltda, Garantia Total Ltda, Limatore Industria Frigorifica S/A. Segundo o autuante, no período fiscalizado, a controladora do Grupo era a empresa Torlim Alimentos S/A, e os administradores de fato da GARANTIA TOTAL LTDA eram os Senhores Pedro Cassildo Pascutti e Jair Antonio de Lima. No que tange especificamente à contribuinte GARANTIA TOTAL LTDA, destacou o agente fiscal as seguintes alterações societárias ocorridas após a sua constituição: 1. O contribuinte GARANTIA TOTAL LTDA iniciou suas atividades como Viscutti Alimentos, tendo como sócios os Senhores Antonio Vilhena Paula Souza e Pedro Cassildo Pascutti (Vilhena e Pascutti). 2. Em 30/12/2008 saiu o sócio Antonio Vilhena Paula Souza e entrou na sociedade a pessoa jurídica JPP Empreendimentos e Participações Ltda, sendo os sócios desta os Senhores Pedro Cassildo Pascutti e Jair Antonio de Lima. 3. Em 17/02/2009 saiu o sócio Pedro Cassildo Pascutti e entrou na sociedade a pessoa jurídica Garantia Participações Ltda, sendo os sócios desta os Senhores Pedro Cassildo Pascutti e Jair Antonio de Lima. Fl. 30599DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 6 5 4. Em 03/04/2009 saiu a pessoa jurídica Garantia Participações Ltda e entrou na sociedade a pessoa jurídica JVA Transportes Ltda, sendo os sócios desta os Senhores Pedro Cassildo Pascutti e Jose Edimício Cardoso da Silva. 5. Em 17/08/2010 saíram as pessoas jurídicas JPP Empreendimentos e Participações Ltda e JVA Transportes Ltda e entraram na sociedade a pessoa física Jorge Machado e a pessoa jurídica Machado & Gaeta, sendo os sócios desta os Senhores Jorge Machado e Cleber Gaeta. Para embasar a sua convicção de existência de um grupo econômico, o autor do procedimento identificou o que denomina "coincidências administrativas", listando, em relação a Pedro Cassildo Pascutti, (1) a existência de um recibo de entrega de escrituração contábil que estaria assinado por Pedro Cassildo Pascutti; e (2) um relatório de produtos por cliente, em cujo canto superior esquerdo constaria o nome "Torlim". Segundo o agente fiscal, a existência de um grupo econômico também estaria confirmada por declarações colhidas em ações trabalhistas, as quais foram movidas por exempregados contra as empresas Irapuru Produtos Alimentícios Ltda., Produtora de Charque Alvorada e outros e Torlim Produtos Alimentícios Ltda. e outros (a mesma Irapuru Produtos Alimentícios Ltda.). Ainda, para a autoridade fiscal, o caso retrataria interposição fraudulenta de pessoas, uma vez que não teria sido provada a integralização do capital social da empresa GARANTIA TOTAL LTDA, por parte de seus sócios, Senhores Jorge Machado e Cleber Gaeta, o que comprovaria que estes não teriam condições de adquirir a empresa. Assim, as pessoas realmente gestoras e interessadas nos negócios comerciais da empresa GARANTIA TOTAL LTDA seriam os seus antigos sócios, vale dizer, os Senhores Jair Antonio de Lima e Pedro Cassildo Pascutti. Para corroborar a sua convicção de que o Senhor Jair Antonio de Lima era sócio de fato da empresa GARANTIA TOTAL LTDA, o agente fiscal identificou que este Senhor teria constituído como seu procurador um dos posteriores sócios da empresa GARANTIA TOTAL LTDA., o Sr. Cleber Gaeta, além de ter sido fiador quando da locação de um imóvel predial por aquela empresa. Nesse cenário, a autoridade fiscal lavrou os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária em face das já mencionadas 4 (quatro) pessoas jurídicas e das já referidas 3 (três) pessoas físicas, com fundamento nos artigos 124 e 135 do CTN. Por fim, em face da interposição fraudulenta de pessoas, o agente fiscal aplicou a multa qualificada de 150%, com fulcro no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 2. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 30600DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 7 6 A contribuinte GARANTIA TOTAL LTDA foi cientificada dos autos de infração em 20/05/2014 e deu entrada em sua impugnação em 20/06/2014 (fls. 30.020/30.045). Intimados, os responsáveis solidários Torlim Alimentos S/A e Jair Antonio de Lima apresentaram a impugnação (peça única) de fls. 29.928/29.943. Intimado, o responsável solidário Pedro Cassildo Pascutti apresentou a impugnação de fls. 29.977/29.987. Intimados, os responsáveis solidários JPP Empreendimentos e Participações Ltda, JVA Transportes Ltda, Machado Participações Societárias EIRELI (sucessora de Machado & Gaeta Ltda) e Jorge Machado não apresentaram a impugnação. 2.1. Da Impugnação da contribuinte GARANTIA TOTAL LTDA Em sua peça de impugnação, a contribuinte GARANTIA TOTAL LTDA deduz suas razões de irresignação em dois tópicos, a saber: a) Da existência de fato da empresa Garantia Total Ltda e da sua administração pelo sócio Jorge Machado Inicia a suplicante historiando suas atividades, destacando que tinha como atividade central a produção de charque, na cidade de Arapongas (PR), e que, depois, por questões logísticas, abriu estabelecimentos em outras cidades em São Paulo e no Paraná. Destaca que o mercado de produtos derivados de abates de bovinos trabalha com grandes volumes de mercadorias, dando ensejo a faturamento muito alto, mas com margens de lucro baixíssimas. Ressalta que, como a grande maioria das empresas do ramo, não possuía (e não possui até hoje) maquinários ou sede física, os quais são alugados de terceiros. Aduz que o valor comercial de uma empresa do seu ramo não pode ser medido apenas pelo seu faturamento, mas pelo sistema de vendas, de entregas e carteira de clientes. Informa a impugnante: (1) O Sr. Jorge Machado, que ocupava a função de vendedor comissionado da empresa Torlim Produtos Alimentícios Ltda, possuía créditos de comissão de vendas para receber dessa empresa; (2) Considerando a baixa lucratividade apresentada pela GARANTIA TOTAL LTDA e a existência da obrigação de pagar créditos a um de seus vendedores, os antigos controladores resolveram então vender as cotas sociais da impugnante para o Senhores Jorge Machado e Cleber Gaeta; Fl. 30601DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 8 7 (3) O valor da transação foi fixado no valor do capital social da empresa. Pela avença firmada, os créditos de comissões que estavam em aberto seriam a paga pelo valor comercial da impugnante; (4) Jorge e Cleber, que atuavam há anos no mercado de carne, tinham grande conhecimento de mercado e, em função desse know how, possuíam também credibilidade junto a fornecedores, sabendo onde e quando comprar com melhores condições de preço e qualidade; (5) Jorge e Cleber se tornaram formalmente donos da Garantia em agosto/2010, mas iniciaram o processo de compra, realizando operação de due dilligence desde junho daquele ano (e mesmo alguns meses antes) já tomando decisões e administrando, de fato, a empresa; (6) Nesse cenário, como identificou o autuante, o Sr. Jair de Almeida Lima já constituiu o Sr. Cleber Gaeta como seu procurador: exatamente porque já estavam em andamento as tratativas de venda da empresa. (7) Sob o comando de ambos, a Garantia passou a adquirir produtos no mercado interno, com prazo de pagamento inicial de 30 (trinta) dias junto a várias empresas, adquirindo não apenas produtos resultantes do abate bovinos, mas também peixes, derivados do abate de suínos e do abate de aves. (8) Os sócios Jorge Machado e Cleber permaneceram, de fato, à frente da empresa, firmando documentos, contratando e dispensando funcionários, e tomando todas as providências no sentido de bem administrála; (9) Embora os Senhores Jorge Machado e Cleber Gaeta sejam conhecedores do setor comercial da atividade, não tinham experiência específica nem na área contábil nem na área administrativa, haja vista que ambos sempre atuaram como vendedores e compradores; (10) Em razão disso, o Senhor Pedro Cassildo Pascutti, anterior sócio indireto da Garantia, foi convidado e concordou em permanecer assessorando a empresa nessa área, o que ocorre ainda hoje; ou seja, deixou de ser um sócioadministrador com a minoria das cotas sociais e com todos os ônus daí decorrentes, para ser um mero prestador de serviços, remunerado estritamente pelos serviços que prestar. Sustenta também que a existência de grupo econômico não foi provada pela Fiscalização, uma vez ausente o corpo diretivo único e a confusão patrimonial entre a autuada e as diversas pessoas e empresas arroladas pelo agente fiscal. Assevera que o único fato realmente demonstrado é que determinadas pessoas, que já fizeram parte do quadro societário da autuada (até agosto de 2010) têm relações pessoais com o atual sócioadministrador. Fl. 30602DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 9 8 Aduz, por fim, que a existência de um participante comum dos quadros societários não tem o condão de levar à existência de grupo econômico. b) Da improcedência dos autos de infração Sustenta a suplicante a nulidade do arbitramento do lucro promovido pelo agente fiscal, por erro na determinação da receita bruta. Segundo a impugnante, a receita bruta não corresponde ao valor total das operações comerciais estampadas nas notas fiscais, devendo ser excluídos os valores permitidos pela legislação, tais como despesas operacionais, aluguéis, tributos indiretos etc, tanto na formação da base de cálculo do IRPJ e CSLL, como da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS. Pede sejam declarados improcedentes os autos de infração, bem como seja afastada a penalidade. 2.2. Da Impugnação dos responsáveis solidários Torlim Alimentos S/A e Jair Antonio de Lima a) Da nulidade dos autos de infração e respectiva responsabilização solidária, por ausência de MPF específico em face dos responsáveis solidários Asseveram os impugnantes que a autoridade fiscal efetuou procedimentos exaustivos de fiscalização junto à empresa GARANTIA TOTAL LTDA, e que somente após o levantamento entendeu o agente fiscal por lavrar os autos de Infração e incluir os impugnantes como responsáveis solidários. Sustentam que os mencionados autos de infração e respectiva responsabilização solidária aos impugnantes são nulos, pois não houve Mandado de Procedimento Fiscal direcionado aos impugnantes, passível de oportunizar qualquer meio de defesa e/ou apresentação prévia de documentos necessários para elucidar toda e qualquer dúvida da autoridade fiscal. Alegam os suplicantes, com amparo em manifestações doutrinárias, que o procedimento fiscal está eivado de vício, pois teria sido promovido ao arrepio das determinações legais que regem o procedimento administrativo, bem como dos princípios constitucionais consagrados. b) Da responsabilização solidária por mera presunção Alegam os impugnantes que o agente fiscal não fez prova da acusação de que o Senhor Jair Antonio da Silva teria continuado a administrar a pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA, mesmo após a sua saída como sócio dessa empresa. Segundo os suplicantes, as constatações fiscais nada tem de anormais, pois (1) a empresa foi vendida aos novos cotistas Machado e Gaeta Ltda. (da qual era sócio o Sr. Cleber Gaeta) e Jorge Machado apenas em agosto de 2010 (portanto, quando da Fl. 30603DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 10 9 outorga do mandato, o impugnante poderia mesmo fazêlo); e 2) quando a empresa GARANTIA TOTAL LTDA celebrou o contrato de locação mencionado pelo autuante, ela era, realmente, representada pelo Sr. Jair, pois isso ocorreu antes da venda da empresa, em agosto de 2010. Aduzem que, cabendo privativamente à autoridade administrativa a apuração da matéria tributável e suas conseqüências, cabe ao agente fiscalizador indicar e consignar junto ao auto de infração as provas em que se sustenta, jamais baseandose em meras suposições. Concluem que não é possível exigirse do contribuinte que venha a produzir a impossível prova negativa de que não cometeu nenhuma irregularidade. c) Da não aplicação ao caso das disposições dos artigos 124, I e 135, do CTN Sustentam os impugnantes que não está presente, no caso, o elemento fático comprobatório da solidariedade de que trata o art. 124, I, do CTN. Reiteram as mesmas informações apresentadas pela contribuinte GARANTIA TOTAL LTDA em sua já mencionada peça de impugnação, no tocante (1) à baixa lucratividade apresentada pela GARANTIA TOTAL LTDA; (2) à existência da obrigação de pagar créditos a um de seus vendedores; (3) ao fato de Jorge Machado e Cleber Gaeta terem iniciado o processo de compra da GARANTIA TOTAL LTDA desde junho de 2010, já tomando decisões e administrando, de fato, a empresa; (4) entre outras. Aduzem que, no que tange à aplicação do art. 135 do CTN, não há que se falar, por parte do Senhor Jair Antonio de Lima, em excesso de poder, infração de lei e/ou culpa no desempenho de funções das empresas que tenha sido sócio, tampouco em concorrência à quaisquer tipos de infração, como quer fazer acreditar o Auditor Fiscal. Ressaltam também que não há que se invocar o artigo 124 do CTN, eis que a aplicação desse dispositivo pressupõe a produção de prova de que o responsável tenha efetiva participação e interesse real na realização do fato gerador. Concluem que caberia à autoridade fiscal, enquanto autora de aludidas acusações, fazer prova cabal dos fatos constitutivos do lançamento fiscal e respectivas responsabilidades, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que todas as acusações se baseiam em meros indícios. d) Da necessária incidência, no caso, do art. 112 do CTN Protestam os impugnantes pela aplicação do artigo 112 do CTN, que reproduz a máxima do Direito Romano in dubio pro reo, uma vez que não haveria qualquer certeza quanto aos fatos Fl. 30604DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 11 10 narrados pelo agente fiscal, mas sim meros indícios, sobre os quais o autuante pretendeu construir sua conclusão. 2.3. Da Impugnação do responsável solidário Pedro Cassildo Pascutti Em sua peça de defesa, o Senhor Pedro Cassildo Pascutti deduz idênticas alegações constantes da peça impugnatória apresentada pelos responsáveis solidários Torlim Alimentos S/A e Jair Antonio de Lima, especialmente no que tange aos tópicos “Da nulidade dos autos de infração e respectiva responsabilização solidária, por ausência de MPF específico em face dos responsáveis solidários”, “Da não aplicação ao caso das disposições dos artigos 124, I e 135, do CTN” e “Da necessária incidência, no caso, do art. 112 do CTN”. Assevera o impugnante que, em razão dos seus longos anos de atuação no aludido nicho empresarial, a pedido dos novos sócios, concordou em continuar assessorando a GARANTIA TOTAL LTDA na área contábil e fiscal, firmando contrato com a referida empresa e, com isso, passando a opinar na realização de despesas, no sentido de dar ao administrador auxílio e subsídios para tomada de decisões. Aduz que presta serviços de assessoria em Contabilidade, conforme comprovariam o Instrumento Particular de Contrato de Prestação de Serviços Profissionais Contábeis, bem como os recibos de pagamento de autônomo que anexa à sua peça de defesa. Em sessão de 13 de fevereiro de 2015 a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, por unanimidade de votos, decidiu: (1) julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte Garantia Total Ltda; (2) considerar matéria não impugnada a exigência da multa regulamentar; (3) julgar improcedentes as impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários Torlim Alimentos S/A, Jair Antonio de Lima e Pedro Cassildo Pascutti; e (4) declarar definitivamente constituído o crédito tributário em face dos responsáveis solidários JPP Empreendimentos e Participações Ltda, JVA Transportes Ltda, Machado Participações Societárias EIRELI e Jorge Machado. Com a ciência da decisão, a Contribuinte Garantia Total e os responsáveis solidários Torlim Alimentos S/A, Jair Antonio de Lima e Pedro Cassildo Pascutti apresentaram Recursos Voluntários, nos quais repisam, basicamente, os argumentos formulados nas respectivas impugnações. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 30605DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. De plano convém destacar que apenas a autuada e os responsáveis solidários Torlim Alimentos S/A, Jair Antonio de Lima e Pedro Cassildo Pascutti apresentaram Recursos Voluntários, sendo que a empresa Torlim S/A interpôs dois recursos, em 18 de junho e 04 de setembro de 2015. Como são várias peças recursais, analisaremos o conjunto dos argumentos de defesa, como se compusessem único instrumento, no intuito de cotejar as infrações imputadas com os pontos recorridos, de forma tópica, evitando repetições ou sobreposições, com a certeza de que as teses comuns aproveitam a todos os interessados. 1. Da nulidade por ausência de MPF específico Entende a defesa que deveria existir um MPF específico para os responsáveis solidários, posto que isso seria direito de todo contribuinte. Fundamenta seu entendimento em posições doutrinárias e normas internas da Receita Federal. A despeito do argumento veiculado pela Recorrente, é assente neste Conselho, há tempos, o entendimento de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa ato de controle interno da Receita Federal, com o objetivo de planejar e organizar as atividades de fiscalização. O MPF, em nenhum momento, limita ou condiciona o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, desde que atendidos os pressupostos de validade do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, destacamos, entre muitas, as seguintes decisões da Câmara Superior: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40202187 do Processo 10120009665/200246 23/01/2006 NORMAS PROCESSUAIS – MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (grifamos) Fl. 30606DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 13 12 e Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Acórdão nº 40105330 Processo 13982001173/200170 05/12/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts. 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. (grifamos) Destaquese, ainda, que a fase litigiosa só se instaura com a ciência do Auto de Infração, de sorte que durante os trabalhos de fiscalização não há qualquer necessidade de intimação específica dos responsáveis solidários, até porque a própria existência da solidariedade decorre das conclusões da autoridade fiscal. A providência essencial e inafastável para a legalidade do procedimento é a ciência dos responsáveis solidários, para que lhes seja conferido o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos exatos moldes do que ocorreu no processo. Nesse contexto, afasto todas as alegações de nulidade suscitadas pelos Recorrentes, com fundamento na invalidade dos lançamentos por supostos vícios ou omissões decorrentes dos Mandados de Procedimento Fiscal mencionados neste processo. 2. Da autuação principal e do arbitramento do lucro A fiscalização demonstrou que a ECD apresentada pela contribuinte não correspondia à realidade dos fatos, pois os valores indicados estavam muito aquém da atividade financeira da empresa. Fl. 30607DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 14 13 Nesse sentido, promoveu o arbitramento do lucro, ante a imprestabilidade dos registros contábeis apresentados, descrita nos seguintes termos: Considerando que a ECD apresentada pelo contribuinte não trazia a realidade dos atos e fatos contábeis e, de acordo com o disposto no artigo 530 do RIR/99, e aos artigos 8o, II, da Lei n° 10.637/02 e art. 10, II, da Lei 10.833/03, optamos pelo arbitramento de IRPJ com reflexos. Da ECD identificada pelo hash n° 283D966321DE873FA14D4F05D1A7369A39AE3C77 extraímos balancetes de janeiro e fevereiro (exemplos), nos quais não constam receitas nestes períodos, em contradição aos registros de saídas e planilhas apresentadas pelo próprio contribuinte. Na ECD identificada pelo hash n° 3E.49.22.2F.45.02.A4.D1.DC.72.E2.35.7A.40.39.65.06.6B.77.FB extraímos balancete, que apresentava no período de 01/02/2010 a 31/12/2010 com Receitas no valor de R$ 909,10. Isto posto, constatamos que nenhuma das Escriturações Contábeis Digitais tem condições de serem utilizadas. Os livros de Registro de Saídas não conferem com os valores apurados pela Notas Fiscais Eletrônicas, faltando escrituração nos Registros de Saídas de lançamentos da filial 000512 das notas fiscais de n° 4040 a 7237, demonstrando a falta de veracidade dos atos e fatos contábeis através destes livros fiscais. Ora, conforme atestado pela autoridade lançadora, a não apresentação da escrituração nos moldes estabelecidos pela legislação exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Fl. 30608DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 15 14 Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifamos) De se notar que os lançamentos com base no lucro arbitrado, efetuados pela autoridade fiscal, decorrem de comando normativo expresso, que se amolda perfeitamente aos fatos narrados nos autos. Ante a perfeita subsunção dos fatos à diretriz normativa, aprecio e rechaço todos os argumentos trazidos pela Contribuinte contra à utilização do arbitramento pela autoridade fiscal. Aliás, como bem destacado pela decisão de piso, os interessados nem se insurgiram especificamente contra o arbitramento, mas sim em razão de que a receita bruta não deveria corresponder ao valor total das operações comerciais, pois deveriam ser excluídos os montantes a título de despesas operacionais, tributos indiretos etc. É evidente que o argumento não pode prosperar, pois o artigo 224 do Decreto n. 3.000/99 expressamente estabelece: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). (grifamos) Resta evidente, portanto, que no arbitramento do lucro não há margem para as deduções pleiteadas pela Recorrente. Ademais, caberia à própria interessada identificar, mediante a elaboração de planilhas e a apresentação dos respectivos documentos de suporte, a existência de qualquer erro ou imprecisão na base apurada pela autoridade fiscal (vendas canceladas ou outra circunstância autorizada pela legislação). No que tange à autuação do PIS e da COFINS, também não há de se falar em qualquer erro ou vício na base apurada ou sistemática de tributação, como já destacado pela decisão de primeira instância, cujos argumentos reproduzo e acolho (grifos no original): Com relação às exigências da contribuição para o PIS e da Cofins, cabe ressaltar que, por força do arbitramento do lucro da pessoa jurídica, o regime de apuração dessas contribuições sociais é obrigatoriamente o regime de incidência cumulativa, consoante estabelecem, respectivamente, os artigos 8º, II, da Lei n° 10.637/02 e art. 10, II, da Lei 10.833/03 Os referidos dispositivos legais são de idêntico teor. Vejase, em relação à contribuição para o PIS, a dicção do referido art. 8º, verbis: Fl. 30609DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 16 15 “Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...)” Corretos, portanto, os lançamentos relativos às contribuições. Afastase, ainda, o argumento de que os Autos de Infração foram lavrados mediante presunção, pois restou evidente que a matéria tributável foi arbitrada pela autoridade fiscal somente depois de diversas intimações para que a empresa apresentasse documentos e comprovasse as operações, sendo certo que a escrituração digital finalmente entregue não correspondia à sua real atividade financeira. Destaquese, por oportuno, que a multa regulamentar, pela entrega da ECD com informações inexatas, não foi sequer objeto de impugnação e, portanto, já transitou na esfera administrativa, conforme decidido em primeira instância. 3. Dos fatos imputados à empresa A fiscalização constatou que houve interposição fraudulenta de terceiros, como tentativa de ocultar as atividades da empresa, que atuaria dentro de um grupo econômico capitaneado por empresas ligadas à Torlim. A acusação fiscal foi formulada nos seguintes termos: O Sr. Jorge Machado trabalhou na empresa Torlim Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ 03.426.346/0000144 até setembro de 2010. O sr. Jorge Machado trabalhou no AC 2009 para a TORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 03.426.346/0001 44, empresa de propriedade do Sr. Jair Antonio de Lima, recebendo o valor bruto de R$ 42.629,00. No AC 2010 recebeu rendimento bruto de PF no valor de R$ 18.000,00. Tal fato corrobora com a informação SECAT/IRF/CTA n° 019/2013, constante nos autos do Mandado de Segurança n° 50166439120134047000, impetrado pela Garantia Total Ltda, quanto à falta de capacidade econômica e financeira para aporte do capital social na GARANTIA TOTAL LTDA. O sr. Cleber Gaeta, no AC 2009, conforme DIRPF, recebeu rendimentos do trabalho assalariado das empresas TORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS, CNPJ 03.426.346/000144, empresa de propriedade do Sr. Jair Antonio de Lima, no valor Fl. 30610DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 17 16 bruto de R$ 11.035,10 e da GARANTIA TOTAL LTDA, CNPJ 10.197.224/000199, empresa que esteve formalmente até 03/2009 sob a administração do Sr. Jair Antonio de Lima e até 08/2010 sob a administração formal do Sr. Pedro Cassildo Pascutti, o valor de R$ 8.410,80 totalizando R$ 19.445,90 de rendimento bruto no AC 2009. No AC 2010 recebeu da GARANTIA TOTAL LTDA, CNPJ 10.197.224/000199, o valor de R$ 11.610,47 e declarou rendimentos recebidos de PF no valor de R$ 5.850,00 por mês, totalizando R$ 70.200,00 no ano, SEM O RECOLHIMENTO DE CARNÊ LEÃO, evidenciando a criação de fundo para fluxo de caixa. Tal fato corrobora com a informação SECAT/IRF/CTA n° 019/2013, constante nos autos do Mandado de Segurança n° 50166439120134047000, impetrado pela Garantia Total Ltda, quanto à falta de capacidade econômica e financeira para aporte do capital social na GARANTIA TOTAL LTDA. Os Senhores Jorge Machado e Cleber Gaeta são os únicos sócios da pessoa jurídica MACHADO & GAETA que, conjuntamente com o Sr. Jorge Machado, adquiriram em 08/2010 a pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA, CNPJ 10.197.224/000199, empresa que faturou mais de R$ 104.000.000,00 (Cento e quatro milhões de reais) pelo valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais). A empresa Machado & Gaeta foi aberta com capital social de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) sendo que o Sr. Jorge Machado aportou o valor de R$ 110.000,00 (Cento e dez mil reais) e o Sr. Cleber Gaeta aportou o valor de R$ 90.000,00 (Noventa mil reais). O Sr. Jorge Machado, no ano calendário de 2009 possuía numerários a receber no valor de RS 117.294,12. No ano calendário de 2010 declarou rendimentos até agosto (mês da suposta transação) o total de R$ 12.000,00. Notase que não há renda nem para subsistência. O Sr. Cleber Gaeta, no ano calendário de 2009, não possuía bens nem numerários. No ano calendário de 2010, declarou rendimentos até agosto o total de R$ 58.410,47. O valor é insuficiente para o aporte de R$ 90.000,00 feita na Machado e Gaeta. Conforme descrito no item 4.1.4 DO CAPITAL SOCIAL APORTADO NA PESSOA JURÍDICA, a empresa não logrou comprovar a integralização do capital. Isto posto, deduzse que os Senhores Jorge Machado, CPF 766.978.19804 e Cleber Gaeta, CPF 177.789.39843 não tinham capacidade econômica para serem os sócios da MACHADO E GAETA, CNPJ 12.504.161/000100, e conseqüentemente serem sócios da GARANTIA TOTAL LTDA. Por seu turno, o Contribuinte faz longo registro do histórico das operações da empresa e fundamenta sua linha de defesa no curioso argumento de que em todo o setor Fl. 30611DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 18 17 frigorífico existe "faturamento alto e lucratividade baixa". Noticia, nesse sentido, informações da imprensa demonstrando que grandes empresários do setor "operam no vermelho" e que empresas enormes são vendidas a "preço zero". Com a devida vênia, nada disso interessa ao processo. Se o mercado é ruim, deficitário ou de baixa lucratividade isso em nada altera a constatação fiscal. Em qualquer cenário, remanesce a obrigação do contribuinte em manter a correta escrituração das suas operações, até para que tais registros possam servir de prova em seu favor e, eventualmente, confirmar a realidade do mercado. Contudo, ao apresentar ECD imprestável, com valores irrisórios e informações incompletas, não resta alternativa à autoridade fiscal senão promover o arbitramento do lucro, com as consequências legais daí decorrentes. Conforme se depreende dos autos, as conclusões fiscais são amparadas nos documentos e nas diligências realizadas. Com efeito, as informações e documentos trazidos ao processo comprovam, à evidência, que os Srs. Jorge Machado e Cleber Gaeta, que trabalharam para a Torlim, realmente não tinham capacidade financeira para adquirir a autuada. Ainda que seja possível o argumento de que empresas possam ser adquiridas por valores baixos a despeito de seu enorme faturamento é óbvio que isso só ocorreria na hipótese de existir um passivo significativo, que teria de ser enfrentado e absorvido pelos adquirentes. No caso sob análise a Recorrente afirma que os Srs. Jorge Machado e Cleber Gaeta sabiam "administrar bem" o negócio, tornandoo viável por força do giro financeiro (compras faturadas e vendas praticamente à vista), apesar da baixa lucratividade das operações. Por certo, este não é o motivo que levou uma empresa que faturava cem milhões de reais a ser vendida por 0,1% desse montante. Nem tampouco a estranha tese de que os referidos senhores possuíam "direitos de crédito" perante a autuada, no valor de R$ 110.000,00. Ou seja, o raciocínio da defesa decorre da premissa de que dois funcionários sem capacidade econômica prévia conseguiram adquirir, a partir de comissões de venda e eventuais direitos trabalhistas, no valor total de R$ 110.000,00, a empresa na qual atuavam, cujo faturamento era superior a 100 milhões de reais, o que é um evidente absurdo. A lógica e os documentos acostados demonstram que não foi esse o caso, mas sim a conhecida figura da interposição de terceiros, cujo único objetivo é a ocultação dos sócios de fato e reais interessados na empresa "adquirida". A fiscalização trouxe aos autos, ainda, manifestações judiciais que apontam a existência do alegado grupo econômico e da fraude engendrada pelas partes: Processo 10393227 Agravo de Instrumento. Agravado: Cobrapar Assessoria em Cobranças Agravante: GARANTIA TOTAL LTDA Interessado: Torlim Alimentos S/A. "Tratase de agravo de instrumento em face da decisão interlocutória de fls. 422/426, proferida nos autos de cautelar de arresto sob n° 000030388.2013.8.16.0017, que acolhe a tese de existência de grupo econômico e incluiu a agravante no pólo passivo da demanda." Fl. 30612DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 19 18 "Assim, o fato das empresas Torlim Alimentos e GARANTIA TOTAL LTDA atuarem na importação e comércio de carne bovina, da nota promissória representativa do crédito líquido e certo emitida pela Torlim ser avalizada por Jair Antonio de Lima, Pedro Casildo Pascutti e JPP Empreendimentos e Participações Ltda.; de Jair Antonio de Lima e Pedro Casildo Pascutti serem sócios na JPP, de Jair Antonio de Lima ser sócio da JVA; da empresa JPP e da empresa JVA terem sido sócias cotista da agravante; da JPP e da JVA terem transferido as cotas sociais da agravante para terceiros após a emissão da nota promissória, da agravante ter alterado seu objeto social para atuar como frigorífico após a propositura da cautelar de arresto contra a Torlim Alimentos, das empresa importarem carne do mesmo fornecedor estabelecido no Paraguai e administrado pelo irmão de Jair Antonio de Lima, de compartilharem os mesmos caminhões para transporte, quando somados, são indicativos suficientes da existência de grupo econômico (negritei). Acresçase que no cumprimento do mandado de arresto no endereço da filial da agravante em Curitiba à Rua General Potiguara n° 1326, foram apreendidos produtos importados pela Torlim Alimentos (fls. 578/580). Estes elementos de convicção bastam para nesta fase procedimental de cognição sumária manter a decisão agravada." Aduz a Recorrente que essa decisão foi adotada em liminar de uma ação cautelar de arresto e que o processo teria se encerrado sem o julgamento do mérito. Conquanto não traga prova de tal alegação, isso é absolutamente irrelevante (pois o que se analisa não é a decisão em si, mas os seus fundamentos), até porque existem vários outros documentos em sentido diverso nos autos. Todos eles indicam, como manifestado judicialmente, a existência de um grande grupo econômico envolvendo várias empresas relacionadas à Torlim e seus reais sócios. A fiscalização colacionou, também, decisões na esfera trabalhista que corroboram essa situação, que foram expressamente citadas na decisão de piso: A existência do mencionado grupo econômico também é corroborada por depoimentos de exempregados das aludidas empresas em processos trabalhistas. Vejase a respeito o resumo dos seguintes processos trabalhistas: Processo 000244718.2011.5.02.0317 RECLAMANTE: ADRIANA EUGÊNIO RECLAMADA: IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA E OUTRO. Preposto da reclamada Irapuru Produtos Alimentícios Ltda: Ana Maria Souza e Silva. Preposto da reclamada Garantia Total Ltda: Cleber Gaeta. Fl. 30613DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 20 19 Depoimento pessoal da reclamante: "Que foi contratada pelo Sr. Cleber Gaeta, supervisor de venda, ....., que recebia ordens do Sr. Cleber Gaeta ....., que nem todos os funcionários da Torlim passaram para a Garantia Total,...” Depoimento pessoal do preposto da 1a reclamada (Irapuru Produtos Alimentícios Ltda):" ... que desde 2009 a 1a reclamada não tem atividade em Guarulhos; que a 1a reclamada é fornecedora de carne bovina para a 2a reclamada; ... que Cleber Gaeta trabalhou para a 1a reclamada, sendo o mesmo caso de Edvilson, ou seja, quando da demissão de todos os funcionários em jul/09 ele passou a trabalhar para a 2a reclamada. Depoimento pessoal do preposto da 2a reclamada: "que trabalhou para a 1a reclamada de 2005 a 2009, aproximadamente, como supervisor de vendas;...que o depoente é um dos sócios da 2a reclamada desde out/2010; que a 2a reclamada foi constituída em junho ou julho de 2009; ...que o depoente foi demitido da 1a reclamada porque entrou no lugar dela uma outra empresa, que é a Garantia Total ...". E outra: Processo 000246389.2011.5.02.0472 RECLAMANTE: LILIA SILVA RECLAMADA: Produtora de Charque Alvorada Ltda e outros. Ausente o réu Produtora de Charque Alvorada Ltda. Preposto da reclamada Irapuru Produtos Alimentícios Ltda: Ana Maria Souza e Silva. Preposto da reclamada Garantia Total Ltda: Sueli Cardoso Silva. Interrogatório do reclamante: "...que o Sr. Jair, proprietário das reclamadas,..." Depoimento da primeira testemunha do reclamante: "...que tanto a 2a quanto a 3a reclamada eram frigoríficos e vendiam; que ambas pertenciam ao mesmo dono e mesma administração, pegavam as carteiras e mudavam o nome; ... que o Sr. Jair era tido como responsável e proprietário de todas as reclamadas; ...". Depoimento da segunda testemunha do reclamante: "... respondeu o depoente que trabalhou para a 3a reclamada de 2009 até 2010;...; que o Sr. Jair era administrador da empresa;...". Depoimento da primeira testemunha da 3a reclamada:"...; que o Sr. Cleber é proprietário da 3a reclamada; ... que a gerência que trabalhava na 2a reclamada foi para a 3a ....” Acerca dessas decisões judiciais, que reconheceram a existência do grupo econômico, as interessadas não se manifestaram. Ressaltese que a autoridade fiscal destacou no TVF todas as empresas que formam o grupo, conforme excertos a seguir: Fl. 30614DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 21 20 O grupo econômico TORLIM iniciouse com a IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, mudando sua Razão Social para TORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, sendo que esta se encontra com sua situação cadastral no CNPJ como INAPTA por não ter sido localizada no domicílio fiscal indicado pelo contribuinte. Assim sendo, a TORLIM ALIMENTOS S/A, situada na mesma rua, mesmo andar, com indicação de sala diferente passa a ser considerada a controladora do grupo, fazendo parte da presente ação fiscal como Sujeito Passivo Solidário nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. RAZÃO SOCIAL CNPJ SITUAÇÃO ENDEREÇO IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA 03.426.346 INAPTA Rua Conselheiro Saraiva 306 20 andar sala 202 AMAMBAI IND ALIMENTÍCIA 03.013.546 ATIVA Rua Conselheiro Saraiva 306 20 andar sala 204 GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA 09.445.723 ATIVA Av. Florisvaldo Ricieri Tampelini 1215 sala 10 JPP EMPREEENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA 09.389.460 ATIVA Rod Amambai/Caarapo km 02 s/n sala 12 FRIBAI FRIGORIFICO VALE DO AMAMBAI LTDA 01.926.764 ATIVA Rua Conselheiro Saraiva 306 20 andar sala 205 SP/SP TORLIM ALIMENTOS 07.859.642 ATIVA Rua Conselheiro Saraiva 306 20 andar sala 206 SP/SP GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA 09.445.723 ATIVA Av. Florisvaldo Ricieri Tampelini 1215 sala 10 JPP EMPREEENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA 09.389.460 ATIVA Rod Amambai/Caarapo km 02 s/n sala 12 JVA TRANSPORTES LTDA 07.706.110 ATIVA Rua Tico Tico Rei S/N Arapongas/PR Entendo que restou comprovada, sem margem para dúvidas, a existência do mencionado grupo econômico, de forma que foi correta e adequada sua caracterização pela autoridade fiscal. 4. Da responsabilidade solidária a) Em relação à Torlim e ao Sr. Jair Antonio de Lima Os autos demonstram que o Sr. Jair Antonio de Lima foi sócio da GARANTIA TOTAL LTDA. até março de 2009, pessoalmente e por meio das pessoas jurídicas GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA. e JPP EMPREEENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. A fiscalização demonstrou que, de fato, a participação do Sr. Jair continuou mesmo depois da sua saída formal da sociedade: Mesmo após sua saída oficial o Sr. Jair Antonio de Lima continuou a administrar a PJ Garantia Total Ltda. Em 05 de maio de 2010, o Sr. Jair Antonio de Lima passou PROCURAÇÃO, identificandose como SEU REPRESENTANTE LEGAL, para o Sr. Cleber Gaeta, gerente, para representar a Garantia Total perante a CETESB Companhia de Tecnologia Fl. 30615DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 22 21 de Saneamento Ambiental. Documento constante do processo CETESB n° 15/00747/06 para representação da Solicitação de Alteração da Razão Social (doc. 15018359 do referido processo). Com efeito, o Sr. Jair Antonio de Lima é sócio de diversas empresas que compõem o grupo, conforme quadro elaborado pela fiscalização às fls. 29.815. Penso que está comprovado seu real interesse e atuação na Garantia Total, mesmo depois de sua saída formal, mediante alienação, por valor irrisório, para dois de seus exfuncionários, conforme demonstrado ao norte deste voto. A Justiça também se manifestou nesse sentido, mediante Acórdão no processo n. 10109972, prolatado pela 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, em 26/02/2014, como bem observado pela DRJ de Brasília (grifos no original): AGRAVO DE INSTRUMENTO. MEDIDA CAUTELAR. ARRESTO. INDÍCIOS DE INEXISTÊNCIA DE PATRIMÔNIO E EXERCÍCIO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL ATRAVÉS DE TERCEIRO. PROVA LITERAL DA EXISTÊNCIA DE DÍVIDA LÍQUIDA, CERTA E EXIGÍVEL. CAUTELA NECESSÁRIA PARA ASSEGURAR O RESULTADO ÚTIL DO FUTURO PROCESSO DE EXECUÇÃO. VENDA ANTECIPADA AUTORIZADA. PRODUTO PERECÍVEL. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Desse julgado, extraise o seguinte excerto: “(...) No caso presente, a agravante demonstrou ser credora de quantia líquida, certa e exigível representada em nota promissória vencida em 07/06/2011 no valor de R$ 4.225.026,60 (fl. 42). A devedora Torlim Alimentos S/A possui sede em endereço certo e conhecido e não há provas de tentativas de ausentarse furtivamente, de alienação de bens, da contração de dívidas extraordinárias, de transferência de bens para terceiros. Contudo, consta dos autos que a agravada Torlim não possui em seu patrimônio bens móveis ou imóveis que possam assegurar a satisfação do crédito representado pela nota promissória. Com efeito, em nenhum momento a empresa Torlim demonstrou nos autos ser proprietária de bens ou ativos. Os documentos referentes à concretização do arresto evidenciam que a empresa Torlim Alimentos S/A reduziu sua atuação no comércio de carnes, na medida em que parte dos produtos constritos foram importados em nome da empresa Garantia Total Ltda., consoante se admite em suas manifestações nos autos. O meio fraudulento encontrado pela agravada Torlim para frustrar a satisfação dos seus credores consiste, portanto, na inexistência de patrimônio físico e em operar na importação e Fl. 30616DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 23 22 comércio de carnes através de outras empresas, no caso específico, por meio da empresa Garantia Total Ltda. Somase à este meio ardiloso de agir o fato da agravada responder a diversas demandas judiciais nas quais são cobrados valores consideráveis de natureza trabalhista e civil. Registrese que a celebração de acordos e o exercício do direito de defesa nos referidos processos não afetam a finalidade de demonstrar que a agravada possui, aparentemente, um passivo superior ao seu ativo. (...)” O conjunto probatório é robusto e nos leva a concluir pela responsabilidade solidária da empresa Torlim e do Sr. Jair Antonio de Lima, assim como pela regularidade na aplicação dos artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento também adotado em primeira instância, cujos fundamentos acolho e reproduzo: Não assiste razão aos impugnantes, exatamente porque, no presente caso, restou demonstrado que as pessoas arroladas como solidariamente responsáveis tinham interesse na realização do fato gerador. Conforme já ressaltado linhas atrás, o Poder Judiciário, em face de todo o conjunto probatório (documentos, depoimentos de testemunhas, etc.) produzido nos aludidos processos judiciais já concluiu pela existência de um verdadeiro grupo econômico composto pelas aludidas empresas. Ora, flagrante é o interesse comum no caso sob exame, pois, o Senhor Jair Antonio de Lima, direta ou indiretamente, ou ainda, de fato, administrava as aludidas empresas do grupo econômico. O interesse comum também está demonstrado, mesmo considerando o entendimento mais restritivo do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o interesse comum apenas resta caracterizado quando as empresas do grupo econômico desempenham a mesma atividade configuradora do fato gerador, ou seja, é imprescindível que as empresas agrupadas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. Com efeito, no caso em tela, a atividade principal desenvolvida pelas aludidas empresas é o comércio de carnes, ainda que presentes atividades complementares, como a de transporte. Em outro flanco, sustentaram os impugnantes a inaplicabilidade, ao caso, da norma inserta no art. 135 do CTN, pois nem o Senhor Jair Antonio de Lima nem o Senhor Pedro Cassildo Pascutti teriam incorrido em excesso de poder, infração de lei e/ou culpa no desempenho de funções das empresas que tenham sido sócios. (...) Ora, conforme já demonstrado, o Poder Judiciário, em face das provas produzidas no aludido processo judicial já concluiu pela caracterização de interposição fraudulenta da pessoa jurídica Fl. 30617DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 24 23 GARANTIA TOTAL LTDA, o que permite confirmar a acusação fiscal de que o Senhor Jair Antonio da Silva continuou a administrar essa empresa, mesmo após sua saída formal do quadro societário. b) Em relação ao Sr. Pedro Cassildo Pascutti Diz a autoridade fiscal, no que tange à participação do Sr. Pedro Cassildo: O Sr. Pedro Cassildo Pascutti foi sócio formal da GARANTIA TOTAL LTDA, CNPJ 10.197.224/000199 até 08/2010, pessoalmente e através das pessoas jurídicas GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA, JPP EMPREEENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. O Sr. Pedro Cassildo Pascutti é o administrador e contador responsável pela contabilidade da GARANTIA TOTAL LTDA conforme recibo de entrega de ECD. É sócio das seguintes empresas: RAZÃO SOCIAL CNPJ SITUAÇÃO ENDEREÇO GARANTIA PARTICIPAÇÕES LTDA 09.445.723 ATIVA Av. Florisvaldo Ricieri Tampelini 1215 sala 10 JPP EMPREEENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA 09.389.460 ATIVA Rod Amambai/Caarapo km 02 s/n sala 12 JVA TRANSPORTES LTDA 07.706.110 ATIVA Rua Tico Tico Rei S/N Arapongas/PR Com a evidência destacada pelo Processo 10393227 Agravo de Instrumento (item 4.1.1), e em razão de todo o exposto, concluise que a alteração contratual com registro na Junta Comercial de São Paulo sob n° 306.975/105 foi feita com a finalidade de fraudar o cumprimento de obrigação tributária, com inserção no quadro societário de pessoas sem capacidade econômicofinanceira, permanecendo como administradores os senhores JAIR ANTONIO DE LIMA, CPF 814.078.07820 e PEDRO CASSILDO PASCUTTI, CPF 595.867.70982, os quais passam a ser sujeitos passivos solidários aos créditos tributários a serem lançados. A documentação acostada aos autos e as conclusões da fiscalização indicam que o Sr. Pedro Cassildo realmente atuava, com poderes de administração, além de ser encarregado da elaboração contábil da empresa, que, como visto, foi apresentada de forma imprestável, com valores ínfimos e em total desacordo com a legislação. Nesse contexto, correto o entendimento da autoridade lançadora, corroborado pela decisão de primeira instância: Flagrante também a prática de atos com infração de lei por parte do Senhor Pedro Cassildo Pascutti: no caso, tanto a lei societária, como a lei tributária. Com efeito, como destacaram os próprios impugnantes, a Cláusula 5ª da 4ª Alteração Social da pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA estabelece que “A administração da Fl. 30618DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 25 24 sociedade a partir desta data caberá ao não sócio PEDRO CASSILDO PASCUTTI, com os poderes e atribuições de gerir e administrar os negócios da sociedade, (...)”Assim, não há porque deixar de se atribuir responsabilidade solidária, ainda que na modalidade culposa, ao Senhor Pedro Cassildo Pascutti, que declaradamente prestou serviços de assessoria contábil e fiscal, tendo em vista a constatação fiscal de que nenhuma das Escriturações Contábeis Digitais tem condições de ser utilizadas, pois os livros de Registro de Saídas não conferem com os valores apurados pela Notas Fiscais Eletrônicas, faltando escrituração nos Registros de Saídas de lançamentos da filial 000512 das notas fiscais de n° 4040 a 7237, demonstrando a falta de veracidade dos atos e fatos contábeis através destes livros fiscais. De acordo com os fatos e documentos comprobatórios acostados aos autos entendo correta a responsabilidade solidária imputada à Torlim e aos Srs. Jair Antonio de Lima e Pedro Cassildo Pascutti. Descabe, por fim, o argumento de que deveria ser aplicado ao caso o disposto no artigo 112 do CTN, posto que o trabalho fiscal e as decisões judiciais trazidas aos autos não se constituem em meros indícios, mas em provas das infrações, não restando espaço para dúvidas razoáveis, que ensejariam a aplicação do dispositivo. 5. Da multa qualificada A qualificação da multa, por força da interposição fraudulenta de terceiros, tem como base o § 1º, do inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Já o conceito de fraude, aplicável à espécie, pode ser encontrado no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964, que estabelece, verbis: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 30619DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16095.720053/201482 Acórdão n.º 1201001.453 S1C2T1 Fl. 26 25 montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” A defesa dos Recorrentes, neste tópico, baseiase na ilegalidade, abusividade e efeito confiscatório do gravame qualificado, temas que refogem à competência deste Conselho, que tem por dever reconhecer e aplicar normas válidas e vigentes no ordenamento, vedada qualquer apreciação de caráter constitucional, como vaticina a Súmula n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. À luz dos fatos narrados e das provas carreadas aos autos entendo correto o enquadramento e a aplicação da multa qualificada. Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos e, no mérito, voto por NEGAR LHES provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 30620DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 16682.721106/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 02/02/2007 a 31/12/2007
Ementa:
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES. INCRA. REPERCUSSÃO GERAL.
Em se tratando de repercussão geral ainda não definitivamente julgada, não cabe ao tribunal administrativo se pronunciar sobre a matéria, em respeito a Súmula CARF nº 2..
CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PROUNI. LEI 11.096/2005. REDUÇÃO DE COTA PATRONAL. PERCENTUAL APLICÁVEL.
A aplicação do percentual de redução da cota patronal estabelecido no artigo 13, nos termos do parágrafo único , tem inicio no mês em que a entidade manifestar , através da ata da assembléia, o interesse para migração do regime econômico de entidade beneficente para sociedade empresária.
ÔNUS DA PROVA. FATOS MODIFICATIVOS E EXTINTIVOS.
Os fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devem ser demonstrados pelo contribuinte, no momento da impugnação, mediante produção de provas documentais, a fim de que possam provocar a extinção ou a alteração do crédito tributário constituído
RECURSO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 2201-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar o percentual das contribuições patronais à razão de 20%, a partir da opção. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Renato Tonini, OAB/RJ 159.466.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relatora.
EDITADO EM: 24/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 02/02/2007 a 31/12/2007 Ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES. INCRA. REPERCUSSÃO GERAL. Em se tratando de repercussão geral ainda não definitivamente julgada, não cabe ao tribunal administrativo se pronunciar sobre a matéria, em respeito a Súmula CARF nº 2.. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PROUNI. LEI 11.096/2005. REDUÇÃO DE COTA PATRONAL. PERCENTUAL APLICÁVEL. A aplicação do percentual de redução da cota patronal estabelecido no artigo 13, nos termos do parágrafo único , tem inicio no mês em que a entidade manifestar , através da ata da assembléia, o interesse para migração do regime econômico de entidade beneficente para sociedade empresária. ÔNUS DA PROVA. FATOS MODIFICATIVOS E EXTINTIVOS. Os fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devem ser demonstrados pelo contribuinte, no momento da impugnação, mediante produção de provas documentais, a fim de que possam provocar a extinção ou a alteração do crédito tributário constituído RECURSO PROVIDO EM PARTE
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CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES. INCRA. REPERCUSSÃO GERAL. Em se tratando de repercussão geral ainda não definitivamente julgada, não cabe ao tribunal administrativo se pronunciar sobre a matéria, em respeito a Súmula CARF nº 2.. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PROUNI. LEI 11.096/2005. REDUÇÃO DE COTA PATRONAL. PERCENTUAL APLICÁVEL. A aplicação do percentual de redução da cota patronal estabelecido no artigo 13, nos termos do parágrafo único , tem inicio no mês em que a entidade manifestar , através da ata da assembléia, o interesse para migração do regime econômico de entidade beneficente para sociedade empresária. ÔNUS DA PROVA. FATOS MODIFICATIVOS E EXTINTIVOS. Os fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devem ser demonstrados pelo contribuinte, no momento da impugnação, mediante produção de provas documentais, a fim de que possam provocar a extinção ou a alteração do crédito tributário constituído RECURSO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar o percentual das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 06 /2 01 1- 10 Fl. 6644DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 contribuições patronais à razão de 20%, a partir da opção. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Renato Tonini, OAB/RJ 159.466. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relatora. EDITADO EM: 24/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão proferida no acórdão 12.68.279 da 13ª Turma DRJ/RJ1 de 08 de setembro de 2014, fls. 6527/6549 ,que julgou parcialmente procedente a exigência ali consignada. O acórdão recorrido decidiu por maioria de votos, dar provimento parcial à impugnação, para considerar devidos os créditos tributários nos valores principais remanescentes dos AI DEBCAD nº37.273.0221, de R$ 6.237.457,59; e 37.273.023 0, R$ 636.886,54, sendo mantidos integralmente os valores lançados nos AI DEBCAD nº 37.273.0248, R$ 2.677,52 e 37.273.0256,R$ 4.776.223,33 todos acrescido de juros e multa moratória a serem calculados na data da liquidação. Impende consignar que a decisão foi proferida após diligência realizada nos termos do despacho de fls.6242/6243. Reproduzo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Referese o crédito a contribuições previdenciárias devidas à Receita Federal do Brasil incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, a cargo da empregadora, incluindo as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Fl. 6645DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.645 3 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 72/81, foram realizados os seguintes lançamentos: 2.1. AI 37.273.0221: auto de infração relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal devida pela empresa (parte patronal) que apura as contribuições não declaradas pelo contribuinte na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a partir das remunerações informadas em folha de pagamento, na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2.2. AI 37.273.0230: auto de infração relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal que apura as contribuições não declaradas pelo contribuinte na GFIP, a partir das remunerações informadas em folha de pagamento, na DIRF e na RAIS, tendo por objeto as contribuições calculadas dos segurados empregados e contribuintes individuais; 2.3. AI 37.273.0248: auto de infração relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal que apura as contribuições não declaradas pelo contribuinte na GFIP, a partir das remunerações informadas em folha de pagamento, tendo por objeto as contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais; 2.4. Al 37.273.0256: auto de infração relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal que apura as contribuições não declaradas pelo contribuinte na GFIP, a partir das remunerações informadas em folha de pagamento, relativa a Outras Entidades (Terceiros). 3. Esclarece a autoridade autuante que a Autuada considerava se imune às contribuições sociais para o financiamento da seguridade social, até janeiro de 2007, com fulcro no § 1o. do art. 195 da Constituição Federal. No entanto, com o advento da Lei 11.096/2005, que estabeleceu o Programa Universidade para Todos (PROUNI) e incentivou as EBAS em gozo da isenção das contribuições para o financiamento da seguridade social (art. 195, § 7o, Constituição Federal), mantenedoras de instituições de ensino superior, a adotarem as regras de seleção de estudantes bolsistas do Programa, através da transformação de sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, a Autuada aderiu ao PROUNI. 4. A referida lei, em seu artigo 13, estabelecia que as entidades que se enquadrassem nesta situação passariam a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual, durante o prazo de cinco anos, na razão de 20% do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas. O incentivo traduzse na seguinte redução da quota patronal, a depender da data que adotar as regras do PROUNI e optar pela transformação em sociedade empresária: Transcreve tabela (...) Fl. 6646DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 5. Assim, em fevereiro de 2007, a Autuada mudou sua natureza jurídica para sociedade empresária de fins econômicos, passando a gozar do incentivo previsto no citado art. 13 da Lei 11.096/05. Logo, no período objeto deste lançamento, a Autuada desfrutava de redução de 40% da quota patronal para a previdência social, tendo, portanto, que arcar com 60% desta, ou seja, à alíquota de 12% para a parte patronal, 0,6% referente ao SAT/RAT e 12% sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. Ressalvese que as contribuições para Outras Entidades (Terceiros) não se aproveitam da isenção do art. 13 da Lei 11.096/05, sendo devidas integralmente, posto que, embora arcadas pelas empresas e recolhidas na Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS), não se destinam a financiar a Previdência Social. 6. Entretanto, no curso da fiscalização, foram encontradas divergências que deram origem aos lançamentos ora em análise, a saber: 6.1. Deveria preencher o campo PERCENTUAL DE ISENÇÃO FILANTROPIA com 40 (quarenta), mas em vários CNPJ e competências, equivocadamente, pôs 100 (cem), deixando de calcular com isso a contribuição patronal previdenciária e para Terceiros; 6.2. quando preenchido corretamente o campo PERCENTUAL DE ISENÇÃO FILANTROPIA, na maior parte das vezes inseriu, erroneamente, o valor 0 (zero) no campo ALÍQUOTA RAT, quando deveria ser 1 (um), o que implicou erro no montante da contribuição patronal declarada; 6.3. quanto ao campo CÓDIGO DE OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS), deveria ser preenchido com 99 (noventa e nove), a fim de declarar as contribuições devidas para FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE, ou, quando preencheu o campo com código 99, apôs o percentual de isenção como 100, o que resultou em deixar de calcular a contribuição para Terceiros. 7. As movimentações das GFIP encontramse discriminadas no “ANEXO A”, no qual se podem constatar os erros de preenchimento que acarretam a falta de declaração da contribuição patronal e para Terceiros. 8. As remunerações de cada segurado integram o “ANEXO B”, sendo que nos casos onde há divergência entre as informações de folha de pagamento, RAIS, DIRF e GFIP foram considerados os maiores valores. As contribuições devidas calculadas integram o “ANEXO C”, e as contribuições a cargo de cada segurado estão arroladas no “ANEXO D”. 9. Para o cálculo da contribuição do contribuinte individual, foram conjugados o art. 21 e § 4o do art. 30 da Lei 8.212/91 com o art. 4o da Lei 10.666/03, a fim de demonstrar que o montante a ser descontado pela Autuada é de 14,6% do seu saláriode contribuição. Isto porque, embora a contribuição do contribuinte individual seja de 20% sobre o seu saláriodecontribuição, na hipótese de prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá deduzir, da sua contribuição mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa, efetivamente recolhida ou Fl. 6647DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.646 5 declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado (art. 30, § 4°, Lei 8.212/91). Ora, como a quota previdenciária patronal, no período da presente fiscalização, ficou reduzida para 12% (20% x 60%), a dedução da contribuição do contribuinte individual será de 5,4% (45% x 12%) do saláriodecontribuição, implicando contribuir com 14,6% (20% 5,4%) do saláriodecontribuição. Finalmente, como é obrigação da empresa arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração (art. 4o da Lei 10.666/03), cabia a Autuada reter 14,6% do saláriodecontribuição do contribuinte individual que lhe prestou serviço. 10. O crédito se constitui dos seguintes levantamentos: 10.1. G (VALORES DECL GFIP): registra os valores relativos às contribuições patronais, dos segurados empregados e contribuintes individuais e para Terceiros, bem como o reembolso a título de saláriofamília e saláriomaternidade, declarados em GFIP, para as quais foram apropriados prioritariamente os créditos do contribuinte, seja por meio de recolhimento em GPS ou pelo lançamento tributário do Débito Confessado em GFIP(DCG) 36.266.2916, à frente comentado. 10.2. SE (EMPREGADO NAO DECL GFIP): registra os valores das contribuições previdenciárias a cargo do segurado empregado, não declaradas em GFIP, e que foram calculadas a partir de sua remuneração. 10.3. SC (Cl NAO DECL GFIP): registra os valores das contribuições previdenciárias a cargo do segurado contribuinte individual, não declaradas em GFIP, e que foram calculadas a partir de sua remuneração. 10.4. DE (CONTRIBUIÇÃO DESC EMPREGADO): registra os valores das contribuições previdenciárias a cargo do segurado empregado, não declaradas em GFIP, e que foram descontadas pela empresa. 10.5. DC (CONTRIBUIÇÃO DESC CI): registra os valores das contribuições previdenciárias a cargo do segurado contribuinte individual, não declaradas em GFIP, e que foram descontadas pela empresa. 10.6. EE (EMP EMPREGADO NAO DECL GFIP): registra os valores das contribuições patronais sobre a remuneração de segurados empregados, não declaradas em GFIP. 10.7. EC (EMP CI NAO DECL GFIP): registra os valores das contribuições patronais sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP. 10.8. T (CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS): registra os valores das contribuições para outras entidades e fundos (Terceiros), incidente sobre a remuneração de segurados empregados, não declaradas em GFIP. Fl. 6648DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 10.9. Em obediência ao princípio da retroatividade benigna, foi efetuada a comparação das multas aplicáveis antes e depois da Lei 11.941/2009, ora em vigor, resultando ser mais benéfica a multa cominada pela legislação da época dos fatos geradores (multa de mora). Entretanto, em razão de a Autuada ter enviado GFIP em datas posteriores à edição da citada lei, foi aplicada a nova penalidade, que consta do art. 32A, I (COMPROT 16682.721.147/201114). 10.10. Foram consideradas as GPS recolhidas pela Autuada nos códigos 2305 e 2100, além de considerado também como crédito para o contribuinte o valor originário do DCG 36.266.2916, apurado automaticamente pelos sistemas da RFB em razão de divergência de valores declarados em GFIP e recolhidos em GPS. Também foram deduzidos das contribuições apuradas os pagamentos efetuados pelo contribuinte a título dos benefícios do saláriofamília e saláriomaternidade, como consta do ANEXO I. Da Impugnação 11. Notificada pessoalmente do lançamento em 29/12/2011, a Interessada protocolou impugnações em 30/01/2012 (fls. 6146/6185 e 6160/6185), assinadas por seu patrono, com a ressalva de que o substabelecimento foi recebido sem reconhecimento de firma, argumentando o que se segue: 11.1. Tece resumo dos fatos que ensejaram a autuação, afirmando que o Auditor fiscal baseouse em premissa equivocada e se distanciou da verdade material dos fatos. 11.2. Desenvolve argumentação acerca da inexigibilidade da contribuição ao INCRA, em razão de sua extinção pela Lei 7.787/89, a qual pôs fim à contribuição ao PRORURAL, de acordo com o artigo 3º. Ressalta que as Leis n9s 8.212/91 e 8.213/91, que tratam do custeio e do plano de benefício da Previdência Social, respectivamente, também não contemplaram a contribuição ao INCRA., e que a mesma, por ter natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, não pode incidir sobre a folha de salários. 11.3. Conclui afirmando que foi reconhecida no dia 3/11/2011, a existência da Repercussão Geral da questão constitucional suscitada pelo Ministro Dias Toffoli no Recurso Extraordinário n9 630.898/RS, concernente à recepção da contribuição destinada ao INCRA pela Constituição Federal, após a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº33/2001. Assim, requer que se aplique o disposto no artigo 62A, §§ 1 e 2, do Regimento Interno do CARF, que impõe que os recursos sejam sobrestados até que sobrevenha decisão de mérito pelo Supremo Tribunal Federal quanto à matéria cuja Repercussão Geral foi reconhecida. 11.4. Em relação ao lançamento relativo à diferença de percentual de isenção aplicado pela Impugnante, afirma que gozava, até janeiro de 2007, da imunidade relativa ao recolhimento das contribuições previdenciárias porquanto se enquadrava como entidade beneficente de assistência social. Fl. 6649DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.647 7 Entretanto, após a Lei 11.096/2005, que instituiu o PROUNI, a Impugnante alterou sua natureza jurídica para sociedade empresária de fins econômicos, em razão do benefício previsto no seu artigo 13, que prevê a redução da cota patronal durante 5 anos, na razão de 20% (vinte por cento) do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas. 11.5. Entretanto, a RFB entendeu que o recolhimento gradual de 20% a cada ano deveria ser observado a partir da vigência da citada lei, e não do momento em que a Impugnante promoveu a efetiva alteração da sua natureza jurídica, e, assim, no momento em que procedeu a esta alteração de natureza jurídica somente poderia gozar da redução de cotapatronal na proporção de 40%, o que destoa do entendimento da Impugnante segundo o qual a gradação tem inicio a partir do primeiro mês da realização da assembléia geral que autorizou a transformação da sua natureza jurídica, ou seja, em fevereiro de 2007. Esta divergência foi omotivo das diferenças apuradas pela Fiscalização. 11.6. A interpretação da Impugnante em relação ao artigo 13 e § único da Lei 11.096/2005 não só é a mais correta como a única possível, já que a lei é clara ao estabelecer o marco inicial do prazo de cinco anos para recolhimento da quota patronal como sendo o primeiro dia do mês de realização da assembléia geral que autorizar a modificação da natureza da pessoa jurídica e não a data da publicação da lei, como defendido pela Fiscalização, não se argumentando que a expressão "respeitada a gradação correspondente ao respectivo ano" apontaria para o início da gradação com a publicação da Lei em questão, pois tal frase apenas quer deixar claro que se deve respeitar a gradação correspondente ao primeiro dos cinco anos de desconto na quota patronal. 11.7. Afirma que a opção pelo novel regime não insinua que o marco temporal para se adotar as deduções escalonadas da quota patronal seria a data da publicação de tal Ato Normativo. Alega que os percentuais de desconto não vêm fixados em relação a cada ano e que a adoção do termo inicial do benefício fiscal em questão como sendo a publicação da Lei nº 11.096/2005 conferirá tratamento antiisonômico a diferentes contribuintes,além de que a interpretação tem intuito meramente arrecadatório e traduz máfé do fisco. 11.8. Argumenta que o recolhimento progressivo da contribuição previdenciária, tal qual previsto no artigo 13 da Lei n9 11.096/2005, revela, em verdade, situação de isenção parcial tributária, e que de acordo com o artigo 178 do CTN, tal só poderia ser revogada ou modificada por lei, assim, a limitação da fruição do beneficio não pode serimposta por Autoridade Administrativa. 11.9. Na peça defensiva relativa aos AI nº 37.273.0230 e 37.273.0248, afirma que a diferença encontrada nas contribuições dos segurados individuais advém do fatode os Fl. 6650DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 8 respectivos funcionários estarem vinculados (i) a outras fontes pagadoras ou (ii) a mais de um estabelecimento da própria Impugnante, hipóteses em que a retenção deve considerar o montante recolhido na mesma competência à Seguridade Social para determinado indivíduo. 11.10. Aduz que, em contrariedade à legislação e à jurisprudência, o AuditorFiscal da Receita Federal ao realizar o lançamento olvidouse do fato de que os funcionários constantes da folha de pagamentos da Impugnante também estavam vinculados a outras fontes pagadoras, responsáveis pela retenção das contribuições previdenciárias, ou possuíam mais de uma matrícula por estarem vinculadas a mais de um estabelecimento da própria Impugnante, lançando a diferença identificada entre o valor devido pela Impugnante na hipotética situação de ser ela a única fonte pagadora e o valor efetivamente recolhido, deixando, assim, de subtrair o montante previamente retido por outras fontes pagadoras ou estabelecimentos. O AFRFB olvidouse do fato de que a Impugnante, em várias oportunidades,recolheu o teto previsto na legislação para a parcela a cargo dos segurados, e mesmo assim efetuou o desconto dos mesmos. Acosta planilha a fim de demonstrar o equívoco da Fiscalização, e nomeia exemplos. 11.11. Assevera que o equívoco foi maior na competência Dezembro/2007, quando o valor máximo cuja retenção se faz permitida foi desconsiderado, de modo que os lançamentos correspondem ao valor calculado subtraído do valor efetivamente descontado, independentemente do fato deste valor ultrapassar o teto. Junta planilha demonstrando que foram promovidos lançamentos de desconto do segurado acima do teto máximo, e pede juntada de mídia eletrônica contendo as discrepâncias apuradas. 11.12. Em relação ao saláriofamília e ao saláriomaternidade, alega que embora as autuações tenham se restringido à divergência externada pelo AFRFB quanto à suposta falta de documentação, a Defendente faz os pagamentos destes valores nos termos da lei. Assim, o reembolso dos valores despendidos em razão do adiantamento do saláriofamília e do salário maternidade advém de uma determinação legal, e, por isto, o procedimento levado a efeito pela Impugnante não pode ser objeto de contestação. Portanto, corretas as deduções dos valores de saláriofamília e saláriomaternidade, as quais foram todas lastreadas em documentos, cujas cópias foram anexadas a este processo. 11.13. Questiona a regularidade dos lançamentos, que teriam sido feitos com base em uma análise superficial da contabilidade da Impugnante, e que a Fiscalização teria sido omissa quando deixou de se aprofundar sobre a contabilidade da Impugnante, agindo de forma simplória ao não questionar a razão pela qual os valores calculados não correspondiam ao montante retido, a despeito de os documentos fiscais evidenciarem que as contribuições previdenciárias foram corretamente descontadas. A Fiscalização teria desconsiderado informações constantes nos documentos fiscais entregues, ferindo o princípio da verdade material. Fl. 6651DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.648 9 11.14. Assim, conclui que, tendo em vista que o AFRFB equivocouse ao lançar débitos relativos a contribuições não descontadas dos segurados, requer a realização de diligência, pelo fato de todos os valores lançados em relação à competência de dezembro de 2007 desconsiderarem o teto previsto na Portaria nº 142/2007, conforme demonstrado em capítulo próprio de forma pormenorizada, bem como em virtude de as deduções dos valores correspondentes ao saláriofamília e ao saláriomaternidade encontrarem previsão legal e terem sido efetuadas com base na documentação idônea. Junta rol de quesitos, cujos esclarecimentos afirma que irão conduzir à anulação do Auto de Infração. 11.15. Requer sejam declarados insubsistentes os lançamentos, ou, subsidiariamente, que seja realizada diligência para alcançar a veracidade dos fatos. 11.16. O instrumento de subestabelecimento foi regularizado conforme fls.6227/6231. Da Diligência 12. Após análise da Impugnação, bem como dos documentos contidos em mídia digital trazida aos autos, esta Turma de Julgamento encaminhou os autos em retorno à Fiscalização (fls.6242/6243), propondo a realização de diligência a fim de verificar a pertinência das alegações em relação aos descontos de segurados. 13. Em resposta de fls. 6252/6255, a autoridade lançadora esclarece o que se segue: 13.1. Esclarece que a IN SRP n. 3, de 2005, vigente à época dos fatos geradores aqui tratados, dispunha que o segurado empregado que possuir mais de um vínculo deveria comunicar a todos os seus empregadores, mensalmente, a remuneração recebida até o limite máximo do salário de contribuição, envolvendo todos os vínculos, a fim de que o empregador pudesse apurar corretamente o salário de contribuição e a alíquota a ser aplicada (art. 78), e elenca as orientações para a comprovação de tais vínculos. 13.2. Diante do disposto no normativo, a impugnante apresentou mídia óptica (CDR), a fim de comprovar as suas alegações e o cumprimento do determinado na supracitada IN, nos casos de segurados em que sua contribuição é recolhida pelo limite máximo do salário de contribuição em outras empresas, assim como na hipótese de segurados em que sua contribuição é recolhida por valor inferior ao limite máximo do salário de contribuição em outras empresas, razão pela qual é exigida da impugnante o recolhimento complementar da contribuição a cargo do segurado. 13.3. Informa que, para a primeira hipótese, foram excluídos inclusive os lançamentos em competências para as quais não houve apresentação de documentação comprobatória do recolhimento da contribuição do segurado por outra empresa, mas em que há substancial indicativo de continuidade de Fl. 6652DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 10 prestação de serviço para outro empregador. Já para a segunda hipótese (letra "b"), não havendo a comprovação de vínculo em alguma competência,embora presumida a permanência, não há como excluir o lançamento, uma vez que não se conhece o valor sobre o qual hipoteticamente houve retenção, principalmente porque a remuneração mensal pode variar. 13.4. Assevera que não procede o argumento da Defendente de que foi desconsiderado por esta Auditoria o limite máximo do salário de contribuição quando um colaborador estiver vinculado a mais de um estabelecimento seu. Cita exemplos. Apenas acrescenta que o racional utilizado para averiguar a existência de múltiplo vínculo e o cálculo da contribuição do segurado leva em consideração a chave formada pelos campos COMP e NIT. Assim, respeitase o limite quando os campos são iguais. Ocorre que para o segurado Fernando Malheiros dos Santos Jr a empresa apresentou dois NIT (1.247.867.2458 e 1.277.168.9628), o que impediu o cálculo correto. 13.5. No que tange à apuração da competência 12/2007, assiste parcial razão à impugnante quando alega que a contribuição do segurado foi calculada sem atentar para o limite máximo do salário de contribuição, levandose em conta a remuneração total. Mas o erro ocorreu para alguns empregados, não para todos. Reconhece o equívoco, de forma que foram revistas todas as contribuições apuradas na competência 12/2007, de modo a respeitar o limite máximo do salário de contribuição. 13.6. Demonstra a retificação dos valores lançados em planilhas integrantes do ANEXO I, e, a fim de que se possa efetivar a retificação do lançamento nos sistemas informatizados da RFB, foram consolidados no ANEXO 2, por CNPJ e competência, os valores a excluir do AI DEBCAD 37.273.0230, indicando ainda os códigos de levantamento e de lançamento. 13.7. Informa, ainda, que as alterações promovidas no DEBCAD 37.273.0230, aqui explicadas, não geram reflexos no auto de infração consubstanciado no DEBCAD 51.014.8700, COMPROT 16682.721147/201114, que constitui crédito relativo à multa por obrigação acessória descumprida. 14. Cientificada pessoalmente do teor do Relatório Fiscal de diligência em 29/05/2014 (fls.6255), a Defendente apresentou nova manifestação em 30/06/2014 (fls. 6296/6306), onde tece os argumentos que se seguem: 14.1. Tece resumo dos fatos, e afirma que a Fiscalização insiste em avaliar a questão sob premissas sobremodo equivocadas, pois a Defendente de fato recolheu a contribuição a cargo dos segurados para os funcionários listados. Alega que grande parte das comprovações de que certos colaboradores prestavam serviço a outras entidades além da Impugnante foi desconsiderada, sob a justificativa de que os recibos estavam ilegíveis ou que, supostamente não há comprovação da existência de vínculo entre segurados que prestaram serviço à Impugnante e demais empresas e instituições de ensino. 14.2. A motivação invocada pela Fiscalização não merece acolhida, sob pena de ser gravemente violado o princípio da Fl. 6653DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.649 11 verdade material. Alega que a Fiscalização possui o dever de se empenhar ao máximo para atingir a verdade real dos fatos, e, portanto, supondo que parte da documentação acostada à impugnação realmente estava ilegível ou era insuficiente, deveria intimar a Impugnante a apresentar novas versões dos citados documentos ou, no mínimo, a prestar novos esclarecimentos. 14.3. Afirma que a Fiscalização deixou de atender ao disposto no artigo 23 do Decreto 7.574/2011, denotando que “deixou de se aprofundar sobre os documentos apresentados, priorizando o procedimento sintético ao invés daquele dedicado e cauteloso, conforme exige a busca pela verdade real dos fatos.” 14.4. O item 2.2 do novo relatório Fiscal evidencia a inobservância do princípio da verdade material, pois embora se reconheça a existência de indícios de que determinados segurados realmente prestavam serviço a mais de uma empresa durante o período do lançamento, a falta de apresentação de contracheques sequenciais justificou a manutenção da exigência fiscal. Aduz que o Fiscal deveria ter aprofundado sua análise e intimado a empresa, durante a realização da diligência, a colaborar com os trabalhos fiscais apresentando os documentos e esclarecimentos aptos a sanar as dúvidas. 14.5. O Auditor Fiscal não empreendeu os esforços necessários para a realização da diligência ora comentada e rebatida, visto que não só deixou de analisar pormenorizadamente os documentos juntados aos autos, como também se olvidou de solicitar esclarecimentos adicionais à Impugnante. Anexa tabela com relação de alguns funcionários em que se constata a prestação de serviços em outros estabelecimentos da Impugnante, demonstrando os recolhimentos desconsiderados pela Fiscalização. Reitera o argumento de desrespeito da verdade material, que se materializa no caso como necessidade de aprofundamento dos trabalhos fiscais de forma confirmar ou refutar as presunções e indícios mencionados no relatório da diligência. 14.6. Requer seja julgada procedente a Impugnação apresentada, devendo ser canceladas as referidas autuações, ou que seja realizada nova diligência contando com a participação da Impugnante. 14.7. Para o lançamento da competência 12/2007, assevera que diferentemente do que consta do relatório fiscal da diligência, o lançamento de valores acima do teto não ocorreu para alguns funcionários, e sim para todos os funcionários constantes da folha de pagamentos desta competência. Registra que apurou as inconsistências tratadas neste tópico, enumerando os casos relativos ao mês de dezembro de 2007 em que foi lançada a diferença entre o valor recolhido e a quantia apurada/calculada, a despeito de o valor recolhido coincidir com o teto previsto na Portaria nº 142/2007, as quais foram devidamente acostadas aos autos através de mídia eletrônica. Embora o AFRFB tenha Fl. 6654DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 12 acolhido parcialmente este argumento, o equívoco atingiu integralmente a apuração do crédito supostamente devido para esta competência, pelo que devem ser acatados os argumentos da Impugnação, e canceladas as autuações. 14.8. Repete os argumentos relativos às deduções de salário família e saláriomaternidade, afirmando que o Relatório Fiscal da diligência quedou silente neste ponto. Reafirma que procedeu corretamente com as deduções comentadas, as quais foram lastreadas em documentos, de modo que devem ser cancelados os lançamentos correspondentes. 14.9. Requer o conhecimento das Impugnações e a sua procedência, para declarar insubsistentes os lançamentos, ou que, alternativamente, sejam acolhidas as alegações do Relatório Fiscal e parcialmente cancelados os AI 37.273.0230 e 37.273.0248. Ciência da decisão em 22 de setembro de 2014, conforme AR de fls.6557/6558, em seguida, às fls.6589/6616, em 22 de outubro seguinte, são oferecidas as razões recursais, onde inicia citando a tempestividade do recurso, repete os fatos e sua irresignação.com a repercussão de seus efeitos fiscais. Comenta que em relação às cobranças pretendidas no AI DEBCAD 37.273.0221, demonstrara que o método de contagem do prazo inicial do chamado "escalonamento", instituído pela Lei 11.096/2005, deveria levar em consideração a data da transformação societária da entidade e não o ano de edição da lei. E em relação ao AI DEBCAD 37.273.0256, além dos argumentos expendidos no item anterior, pela patente impossibilidade de cobrança de contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE que tenha por base de cálculo a folha de pagamentos, por não se encontrar elencada no artigo 149 da Constituição. Transcreve a ementa da decisão, reclama da validação dos lançamentos que não deveriam existir. No 3º item do recurso, analisa as razões de "MÉRITO", para: (a) reclamar da forma de escalonamento do termo inicial para contagem de prazo previsto no art.13 da Lei nº 11.096/2005. Comenta que este deve levar em consideração a data da transformação societária da entidade e não o ano de edição da lei.Assim, seu direito teve início em fevereiro de 2007, data da sua transformação societária para sociedade empresária. Transcreve o dispositivo. No seu entendimento o dispositivo permite usufruir o benefício, quanto ao pagamento gradual da contribuição Previdenciária Patronal CPP, à razão de 20% do valor devido ao ano, pelo período de 05 anos, desde que presentes os seguintes requisitos: a) adoção de regras de seleção de estudantes bolsistas a que se refere o artigo 11 da Lei 11.096/05; b) estar no gozo da imunidade prevista pelo art.195§7º, da CF, no que tange às contribuições devidas à seguridade social: e c) após a publicação da Lei nº 11.106/05, ter se convertido para sociedade econômica com fins lucrativos. Fl. 6655DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.650 13 No seu caso, cumprira todos os requisitos. Por isto, em 2007 sua contribuição previdenciária patronal seria de 20%, enquanto a fiscalização entendeu que a mesma seria na ordem de 60%, o que gerou a exigência combatida. O recolhimento progressivo da Contribuição Previdenciária, como previsto no artigo 13 da lei 11096/2005, revela, em verdade, situação de isenção parcial. Transcreve doutrina de Souto maior Borges, e assevera que para alterar sua instituição, só através de outra lei. Assim, diante de tudo que expusera, dúvidas não haveria sobre seu direito. (b) No tocante às "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS" referente aos autos de infração 37.273.0230 e 37.273.0248, objeto da diligência e do provimento parcial concedido, diz que as diferenças são inexistentes. Informa que decorrem: (i) do fato de os respectivos funcionários estarem vinculados a outras fontes pagadoras ou a mais de um estabelecimento da própria empresa, hipótese em que a retenção deve considerar o montante recolhido da mesma competência para cada indivíduo e (ii) inobservância das deduções corretas que realizou no tocante ao salário maternidade e salário família. Reclama da ótica equivocada da ação nos dois momentos, pois a farta documentação acostada e as alegações expostas, com riqueza de detalhes, não comportaria diferenças. E mais, os argumentos usados pela autoridade diligenciante para manutenção da exigência, de que; (i) os recibos estavam ilegíveis e (ii) supostamente, não havia comprovação da existência de vínculo entre os segurados que prestam serviços a ela e às empresas e instituições de ensino, prevalecerem implicara em ferimento ao princípio da verdade material. Transcreve Hely Lopes Meireles e diz que se houve este fato deveria ter sido novamente intimada a apresentar nova versão dos documentos e/ou prestar novos esclarecimentos. Tal prática positivada no artigo 23 do Decreto 7574/2011. O erro no procedimento estaria evidenciando a partir do item 2.2 do novo relatório fiscal . Porque embora reconhecendo a existência dos indícios de que determinados segurados prestariam serviço a mais de uma empresa durante aquele período autuado (pilar de toda sua defesa), a falta de apresentação de contracheques seqüenciais justificou a manutenção da exigência fiscal , como se verifica desse trecho: "Para a segunda hipótese(letra "b") não havendo a comprovação de vínculo em alguma competência, embora presumida a permanência, não há como excluir o lançamento(...)" Pede a reforma do acórdão recorrido e cancelamento das exigências ali mantidas, porque teria recolhido tudo que cabia, respeitada a limitação do salário de contribuição para a época dos fatos geradores, ou, no mínimo, a realização de nova diligência , contando com sua participação. Continua para reclamar do relatório fiscal em relação a competência de dezembro de 2007, para todos os casos em que recolheu as contribuições previdenciárias no limite máximo previsto em lei, dizendo que foi lançada a diferença entre o valor calculado sobre a remuneração e o efetivamente recolhido Segue para dizer que embora acolhendo parte dos seus argumentos, o equívoco do mês de dezembro atingiu integralmente a apuração do crédito supostamente Fl. 6656DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 14 devido para esta competência, pelo que devem ser acolhidos os argumentos constantes da impugnação apresentada, reafirmados no presente recurso, devendo ser determinada a integral reforma ao acórdão ora combatido.e, por conseguinte, o cancelamento das autuações (c) Aqui trata da "INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA," exigida no auto de infração 37.273.0256 contribuições devidas a outras entidades e fundos (Terceiros):FNDE,INCRA,SESC e SEBRAE., repisa seus argumentos iniciais sobre a cobrança ser indevida. Faz estudo histórico da instituição, a partir da Lei nº 2.613/55, da qual transcreve o artigo 6º,§ 4º.e do Decretolei 1146/70, os artigo 1º,I e II e 3º, para comentar que houve a mudança de destinatário da contribuição, mas foi ressalvada a manutenção da alíquota. Expende longo estudo doutrinário Aponta a materialidade que integra a regramatriz de incidência da contribuição para o INCRA, prevista no artigo 195,I,"a" da Constituição Federal, que constitui fundamento de validade apenas para as contribuições dedicadas ao custeio da seguridade social. E que a base de cálculo deixou de ter matriz constitucional com a superveniência da Emenda Constitucional 33/2001, a partir de quando as contribuições de intervenção no domínio econômico somente podem ter alíquotas ad valorem se as bases de cálculo coincidirem com o faturamento, a receita bruta da pessoa jurídica ou o valor da operação. Pede o provimento as suas razões de recurso. Despacho de fls. 6641 cientifica a tempestividade do recurso interposto e o encaminha ao CARF.O de fls. seguintes saneia numeração de páginas. O despacho de fls. 6643, distribui o processo. É o relatório. Voto Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e merece ser conhecido. Como anteriormente relatado, remanesce a exigência consignado nos lançamentos seguintes: AI DEBCAD nº37.273.0221, no valor original de R$ 6.237.457,59; e 37.273.0230, no valor original de R$ 636.886,54. Foram mantidos integralmente os valores lançados nos AI DEBCAD nº 37.273.0248, R$ 2.677,52 e 37.273.0256,R$ 4.776.223,33, valores sobre os quais incidirão juros e multa a serem calculados na data da liquidação. O Auto de Infração 37.273.0221, conforme fls. 1 do Relatório Fiscal do processo ,fls.79, diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária principal que apura as contribuições não declaradas pelo contribuinte na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Por tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a partir das remunerações informadas em folha de pagamento, na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). O objeto são as contribuições a Fl. 6657DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.651 15 cargo da empresa incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais; e aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do Trabalho(RAT)incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, no valor original de R$6.237.457(ajustado a partir do resultado da diligência valores sobre os quais incidiram juros e multa a serem calculados na data da liquidação. O auto de infração 37.273.0230, que apura as contribuições não declaradas na GEFIP, a partir das remunerações informadas em folhas de pagamento, na DIRF e na RAIS, tendo por objeto as contribuições calculadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, no valor original de R$ 636.886,54 valores sobre os quais incidiram juros e multa a serem calculados na data da liquidação. O auto de infração 37.273.0248 que apura as contribuições não declaradas na GEFIP, a partir das remunerações informadas em folhas de pagamento, tendo por objeto as contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, no valor original de R$ 2.677,52(ajustado a partir do resultado da diligência) valores sobre os quais incidiram juros e multa a serem calculados na data da liquidação. O auto de infração 37.273.0256 que apura as contribuições não declaradas na GEFIP, a partir das remunerações informadas em folhas de pagamento, na DIRF e na RAIS, tendo por objeto as contribuições para outras entidades e fundos (Terceiros) incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, incluindo FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SESC (1,5%) SEBRAE(0,3%), no total de 4,5%, no valor original de R$ 4.776.223,33 valores sobre os quais incidiram juros e multa a serem calculados na data da liquidação. Aqui, também cabe destacar, que em relação ao lançamento referente às obrigações acessórias descumpridas, DEBCAD 51.014.8700, COMPROT 16.682.721.147/201114, processo apensado a este, o Relatório Fiscal , fls.6254 assim consignou: Resta informar que as alterações promovidas no DEBCAD 37.273.0230, aqui explicitado, não geraram reflexos no auto de infração consubstanciado no DEBCAD 51.014.8700, COMPROT 16.682.721.147/201114, que constitui crédito relativo à multa por obrigação acessória descumprida. Com efeito, os documentos acostados pela impugnante tem o condão de simplesmente afastar a contribuição do segurado, exigida por responsabilidade tributária, não contestando as omissões ou incorreçõe dos registros em GEFIP, objeto da multa lavrada no DEBCAD 51.014.8700. Da verdade material e da Produção de provas Alude a recorrente que a análise dos dados oferecidos se fizera de forma superficial, com notório desrespeito ao princípio da verdade material, o que apontaria para a nulidade do feito, ou, no mínimo, necessidade de realização de nova diligência. Aqui não cabe razão a recorrente. Notese, por exemplo, os procedimentos adotados pela fiscalização, onde, através dos anexos 1 a 5 (fls.82/5188) vem, de forma sistemática, apontando todos passos percorridos na ação fiscal. Fl. 6658DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 16 No tocante às diferenças havidas no mês de dezembro de 2007, o termo de diligência esclarece: 2.3 do Relatório Fiscal, Assiste parcial razão à impugnante quando alega que a contribuição do segurado foi calculada na competência 12/2007 sem atentar para o limite máximo do salário de contribuição, levandose em conta a remuneração da mão de obra. Mas o erro ocorreu para alguns, não para todos. Certamente resvalouse ao inserir uma formula na planilha utilizada para o cálculo da contribuição. De qualquer forma foram revistas todas as contribuições apuradas na competência 12/2007, de modo a respeitar o limite máximo do salário de contribuição. Vejase que neste item, referente especificamente ao mês de dezembro de 2007, esclareceu o autuante que o erro se deu em alguns funcionários e não em todos. E como dito, foi refeito o cálculo, sendo, inclusive, objeto de parte do provimento parcial. No item 3 do relatório fiscal, este apontou a forma de apuração, que utilizou e demonstrou, no anexo I, de fls.6256/6275. 3.Após analisar os recibos de pagamentos e declarações e proceder ao cálculo das contribuições ao cabo devidas, elaborouse o anexo 1, que demonstra o valor da contribuição a ser excluída do lançamento formalizado no AIDEBCAD 37.273.0230. A fim de que a 13ª Turma da DRJ/RJ1 possa efetuar a retificação do lançamento fiscal em apreço, foram consolidados no ANEXO 2, com CNPJ e competência, os valores a excluir do AIDEBCAD37.273.0230, indicando ainda os códigos de levantamento e de lançamento.. Cabe notar a inexistência de lançamento de contribuições a cargo do segurado em certas competências do AIDEBCAD 37.273.0230., isto porque as contribuições devidas foram absorvidas pelos créditos inseridos por meio das guias de recolhimento(GPS) e do lançamento de débito confessado (LDC).Noutras palavras, o somatório do crédito concedido nas GPS e no LDC superou o montante da contribuição a cargo do segurado, o que implica a não constituição de crédito tributário relativo à contribuição do segurado nessas competências. O crédito não aproveitado no AIDEBCAD 37.273.0230.foi utilizado para abater valores devidos da contribuição previdenciária patronal, formalizado no AIDEBCAD 37.273.0221, conforme discriminado no ANEXO 3. São os anexos que demonstram os ajustes realizados. E a recorrente não aponta onde permaneceriam os erros a que ela se refere. Ao contrário, prefere transferir este ônus de prova para o fisco. O princípio da verdade material, no dizer de Marins(Direito processual tributário, 2002,pg.177/178): (...)corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de Fl. 6659DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.652 17 sua existência; entre a materialidade do evento econômico(fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário.A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais.Deve fiscalizar em busca da verdade material;deve apurar e lançar com base na verdade material. As faculdades fiscalizatórias da administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos Embora o processo administrativo fiscal também observe o princípio do formalismo moderado não cabe a administração suprir falhas procedimentais do particular. Este tem o momento certo para instruir o processo e deve fazêlo de modo correto, com todas as provas que embasaram seu direito, como disciplina o artigo 16 do Decreto 70235/76. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não houve fato novo. Todos argumentos oferecidos datam do início da ação fiscal e o Recorrente deveria ter apresentado as provas que diz possuir. Contudo quer que o fisco as produza em seu lugar. No dizer do Prof.Paulo de Barros Carvalho,(Direito Tributário Fundamentos jurídicos da incidência, p.97) Se os fatos são entidades lingüísticas, com pretensão veritativa, entendida esta cláusula como a utilização de uma linguagem competente para comprovar o Fl. 6660DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 18 consenso(Habermas), os fatos jurídicos serão aqueles enunciados que puderem sustentarse em face das provas em direito admitidas. As alegações contrárias ao lançamento fiscal não acompanhadas de prova inequívoca de sua procedência, são insuficiente para desconstituir a exigência . E verificase, por tudo que do processo consta, que a autoridade fiscal realizou o lançamento com base nos fatos e provas apresentados. O lançamento encontrase perfeito. Obedece aos ditames legais, conforme o previsto no artigo 37 , caput, da Constituição de 1988, assim como respeitou todo rito do processo administrativo fiscal. Por todo exposto, mostrase prejudicado o pedido de diligência formulado nas razões de recurso. Pedido idêntico já foi atendido em sede de impugnação, conforme relatório de fls.77 e nenhum fato ou direito superveniente se encontra presente, nem há fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, que o justifique. No tocante a ilegalidade da cobrança para o INCRA, o recurso extraordinário invocado pela recorrente como bastante para o cancelamento desta exigência, ainda não teve a repercussão geral definitiva. A última movimentação, no STF: (RE 630898 RECURSO EXTRAORDINÁRIO, se deu no dia 08/05/2013, cujo andamento está "Concluso ao Relator".(http://www.stf.jus.br/portal/processo dia 16.01.2016 às 19.35). E mais, ao colegiado administrativo não cabe se pronunciar sobre inconstitucionalidade de Lei. Só ao Poder Judiciário é dado exercer o controle concentrado ou difuso, de caráter repressivo, da constitucionalidade das leis. O Decreto nº 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, assim disciplina: Art. 26A. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Também no Colegiado Administrativo a matéria está sumulada: Súmula CARF nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de Lei Tributária. Portanto, não há como atender as razões de recurso neste item. Do Percentual de Isenção Aplicado A recorrente pede a aplicação da isenção parcial do artigo 13 da Lei 11096/2005, por entender que a redução concedida na exigência combatida não teria observado o comando ali constante. No item 17 das razões de decidir do acórdão combatido consignou o julgador de primeiro grau que o procedimento não observara o comando do artigo 319 da INSRP nº 03 , de 14/07/2005, na ordem seguinte: (...) Fl. 6661DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.653 19 Art. 319 . A EBAS em gozo de isenção, mantenedora de instituição de ensino superior, que adotar as regras de seleção de estudantes bolsistas na forma do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005 e optar, a partir de 14 de janeiro de 2005, por transformar sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, na forma facultada pelo art. 7ºA da Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, passará a pagar a cota patronal para a Previdência Social de forma gradual, durante o prazo de cinco anos, na razão de vinte por cento do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas, da seguinte forma: I até janeiro de 2006 vinte por cento da quota patronal devida à previdência social; II de fevereiro de 2006 a janeiro de 2007 quarenta por cento da quota patronal devida à previdência social; III de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008 sessenta por cento da quota patronal devida à previdência social; IV de fevereiro de 2008 a janeiro de 2009 oitenta por cento da quota patronal devida à previdência social; e V a partir de fevereiro de 2010 cem por cento da quota patronal devida à previdência social. § 1º Para os fins do caput, entendese por cota patronal para a Previdência Social o conjunto das contribuições descritas no art. 86 desta IN. § 2º As contribuições destinadas à outras entidades ou fundos são devidas integralmente desde o primeiro mês, não se lhes aplicando a gradação a que se refere o caput. § 3º A pessoa jurídica de direito privado em gozo de isenção passará a pagar a contribuição previdenciária na forma estabelecida neste artigo a partir do primeiro dia do mês de realização da assembléia geral que autorizar a transformação da sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, respeitada a gradação correspondente ao respectivo ano. § 4º A isenção concedida nos termos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, usufruída pela entidade de que trata o caput, será cancelada, com conseqüente expedição de Ato Cancelatório, a partir do primeiro dia do mês de realização da assembléia geral que alterar a sua natureza jurídica. (destaques do acórdão recorrido) E adiante, no item 17.7. ele aponta que o referido artigo foi revogado pela IN RFB nº 1.071/2010, contudo fora válido e eficaz durante toda a vigência da isenção parcial instituída pela Lei 11.096/2005. Daí correto afirmar que ele apenas detalhara, de forma a não Fl. 6662DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 20 deixar margens de dúvida, o procedimento previsto em lei, sem nenhuma inovação ao sistema jurídico, sendo editado tão somente com caráter interpretativo do dispositivo legal. Portanto,descabida a afirmação de que a instrução normativa alterara o que a Lei estabelecera. Ele continuou, nos itens seguintes: 17.8. É também flagrante que a edição da norma complementar acima foi feita antes do início do período em que poderia ser usufruído o benefício fiscal, e, em assim sendo, as empresas interessadas no mesmo possuíam todas as informações adequadas a efetivar sua opção e o seu planejamento. 17.9. Importa, ainda, ressaltar que as instruções normativas, editadas para oferecer orientações à aplicação da lei tributária, têm status de norma complementar a teor do artigo 100 do Código Tributário Nacional, sendo, portanto, de observância obrigatória, não cabendo à Administração, como acima já exposto, a avaliação das alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade relativas às mesmas. Em que pese as bem fundamentadas razões, discordo da conclusão a que chegou a decisão recorrida.Vejase o teor do artigo 13 da Lei 11096/2005: Art. 13. As pessoas jurídicas de direito privado, mantenedoras de instituições de ensino superior, sem fins lucrativos, que adotarem as regras de seleção de estudantes bolsistas a que se refere o art. 11 desta Lei e que estejam no gozo da isenção da contribuição para a seguridade social de que trata o § 7o do art. 195 da Constituição Federal, que optarem, a partir da data de publicação desta Lei, por transformar sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, na forma facultada pelo art. 7oA da Lei no 9.131, de 24 de novembro de 1995, passarão a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual, durante o prazo de 5 (cinco) anos, na razão de 20% (vinte por cento) do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas. Parágrafo único. A pessoa jurídica de direito privado transformada em sociedade de fins econômicos passará a pagar a contribuição previdenciária de que trata o caput deste artigo a partir do 1o dia do mês de realização da assembléia geral que autorizar a transformação da sua natureza jurídica, respeitada a gradação correspondente ao respectivo ano. Da leitura do artigo compreendo que cabe a interpretação dada nas razões de recurso oferecidas. Porque o dispositivo não fixa a data da publicação da lei para início da vigência do benefício. Por exemplo, quando o texto quis especificar um prazo definido, o faz em relação ao artigo 8º da Lei, que prevê em seu texto, a extensão do benefício: " (...)Art. 8o A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005)". Também, o parágrafo único permite entender que a data é aquela onde a entidade formaliza o desejo de sua transformação, quando diz que sociedade de fins econômicos passará a pagar a contribuição previdenciária de que trata o caput deste artigo a Fl. 6663DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 16682.721106/201110 Acórdão n.º 2201002.967 S2C2T1 Fl. 6.654 21 partir do 1o dia do mês de realização da assembléia geral que autorizar a transformação da sua natureza jurídica, respeitada a gradação correspondente ao respectivo ano. Como dito na decisão recorrida, a autuação estava de acordo com a normatização estabelecida pelo artigo 319 da IN SRP nº 03, de 14/07/2005, o qual dispôs, nos seus incisos, sobre os percentuais aplicáveis. Também ali está consignado que o referido artigo foi revogado pela IN RFB nº 1.071/2010. No tocante ao termo de início do gozo do benefício, a matéria foi votada na 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em 15 de abril de 2014 sendo objeto do acórdão 2401003.500, assim ementado : Assunto :CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2011 ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO GRADATIVO DA QUOTA PATRONAL. Para fruição do benefício fiscal de que trata o art. 13 da Lei n. 11.096/2005, é necessário ser: i) entidade beneficente mantenedora de instituição de ensino superior; ii) adotar as regras de seleção de bolsistas estabelecidas no programa Prouni;iii) estar em gozo da isenção da contribuição para a seguridade social, a partir da publicação da Lei n. 11.096/2005; e iv) optar pela alteração de sua natureza jurídica para sociedade de fins econômicos. Uma vez deferido o pedido de isenção apresentado pela Recorrente e retroagindo os seus efeitos à data do protocolo do pedido, restam atendidos todos os requisitos para o recolhimento gradativo da contribuição previdenciária, de que trata o artigo 13 da referida Lei. A Lei n. 11.096/2005 não exige que a entidade esteja no gozo da isenção na data da sua publicação (14/01/2005), mas apenas que esteja no gozo da isenção quando da alteração da sua natureza jurídica para aproveitamento do recolhimento gradual das contribuições previdenciárias. (...) É verdade que o litígio ali tratado não era idêntico ao que ora se analisa, contudo, no tocante ao termo inicial do gozo do benefício, o voto condutor é claro, quando assim versa: (...) A Lei n. 11.096/2005, em seu art. 13, concedeu às pessoas jurídicas de direito privado mantenedoras de instituição de ensino superior, no gozo do benefício de que trata o § º do art. 195, da CF/1988, o direito de, a qualquer tempo, a partir da publicação daquela lei, alterar sua natureza jurídica e passar a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual. Fl. 6664DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH 22 (...) Tanto é assim que a faculdade em debate já estava prevista no art. 12 da Medida Provisória nº 213, publicada em 27 de setembro de 2004:Art. 12. As pessoas jurídicas de direito privado, mantenedoras de instituições de ensino superior, sem fins lucrativos, que estejam no gozo da isenção da contribuição para a seguridade social de que trata o § 7º do art. 195 da Constituição Federal, que optarem, a partir da data de publicação desta Medida Provisória, por transformar sua natureza jurídica em sociedade de fins econômicos, na forma facultada pelo art. 7ºA da Lei nº 9.131, de 1995, passarão a pagar a quota patronal para a previdência social de forma gradual, durante o prazo de cinco anos, na razão de vinte por cento do valor devido a cada ano, cumulativamente, até atingir o valor integral das contribuições devidas. Nessa conformidade, entendo que o lançamento referente ao AI 37.273.022 1,(cota patronal) deverá ter seus percentuais ajustados. Nessa conformidade voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar o percentual das contribuições patronais à razão de 20%, a partir da opção. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 6665DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 27/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 16561.000053/2008-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2003
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL.
ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o
método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das
operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se
contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele
regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que
a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo
descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar
o método que lhe fosse mais favorável.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60.
AJUSTE, IN/SRF
243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN/SRF n.º 243/2002 cuja metodologia
busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na
produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre
o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas
sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto
final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com
maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade
do controle dos preços de transferência.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE
A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.
IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar
grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos
os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo
ônus tenha sido do importador MULTA DE OFÍCIO JUROS
DE MORA.
Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição,
não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do
art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Anocalendário:
2004
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de lançamento tido como decorrente, aplicase
a ele o resultado
do julgamento do processo tido como principal.
Numero da decisão: 1402-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento integralmente; e o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que
votou por dar provimento parcial para excluir da apuração os valore de frete, seguro e imposto de importação e cancelar a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO DO MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Na apuração do preço de transferência o sujeito passivo pode escolher o método que lhe seja mais favorável dentre os aplicáveis à natureza das operações realizadas. À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Não há como extrair do texto legal o corolário de que a fiscalização, ao desqualificar um método adotado pelo sujeito passivo pelo descumprimento de parâmetros legais ou normativos, teria o dever de buscar o método que lhe fosse mais favorável. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN/SRF n.º 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 53 /2 00 8- 71 Fl. 7890DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de lançamento tido como decorrente, aplicase a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento integralmente; e o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou por dar provimento parcial para excluir da apuração os valore de frete, seguro e imposto de importação e cancelar a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício.. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 7891DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL acrescidos de multa de ofício e juros de mora, referente ao anocalendário de 2003, como decorrência de ajustes de preços de transferência efetuados pelos métodos PRL20 e PRL60. A Fiscalização descaracterizou o método CPL adotado pelo sujeito passivo e recalculou os métodos PRL20 e PTL60 utilizandose das regras contidas na IN/SRF nº 243/2002. Foi também imputada ao sujeito passivo a multa isolada como decorrência da apresentação incorreta em meio magnético de informações solicitadas. A autuada apresenta impugnação alegando em síntese que: • A fiscalização está obrigada a adotar o método de apuração do preço parâmetro que seja mais benéfico ao contribuinte utilizandose dos 3 métodos existentes (PIC, CPL e PRL), sendo que não foi considerada a possibilidade de aplicação do método PIC; • Houve erro na apuração, pela fiscalização, do preço praticado, pois deveria ser adotado o preço FOB (e não CIF), o que levaria ao cancelamento ou, no mínimo, à anulação dos Auto de Infração; • Os ajustes calculados pela fiscalização com base no método PRL60 decorrem da aplicação da IN SRF n° 24312002, a qual, no entanto, extrapolou, de forma ilegal e inconstitucional, o conteúdo da norma que lhe dá fundamento de validade (Lei n° 9.430196, com a redação dada pela Lei n° 9.95912000); • A multa isolada deve ser afastada, pois a nãocorreção das planilhas em questão não se deu por desídia da contribuinte, mas por fato alheio à sua vontade e à sua esfera de atuação; • Não é possível a incidência da taxa de juros SELIC sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão nº 1618.807 considerando o lançamento integralmente procedente, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURíDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇOPARÂMETRO. DESCONSIDERAÇÃO DO MÉTODO ADOTADO PELA CONTRIBUINTE (CPL). APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO (PRL). Constatando a fiscalização que a contribuinte elaborou incorretamente os cálculos do preçoparâmetro segundo o Fl. 7892DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 método CPL, corretas a desqualificação desses cálculos e a opção da fiscalização em escolher um outro método e apurar os ajustes correspondentes (no caso, o método PRL). A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. • MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera administrativa não cabe apreciar questões relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicásla, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucional idade ou outros aspectos de sua validade. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. INCONSISTÊNCIAS. MULTA ISOLADA. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. A inobservância dessa norma acarretará a imposição de multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 7893DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Na apuração do ajuste de preços de transferência referente às operações de importação de insumos junto a empresas ligadas domiciliadas no exterior, a autoridade fiscalizadora utilizou os métodos PRL20 e PRL60, que também haviam sido utilizados pelo sujeito passivo, e desprezou o ajuste feito pelo método CPL, pela ausência de elementos comprobatórios os quais, reiteradamente solicitados, não foram apresentados. Preliminarmente a interessada sustenta que, por força da lei, a desconsideração do método CPL pela fiscalização implicaria no dever do Fisco em apurar o preçoparâmetro utilizando os três métodos existentes e adotar aquele mais favorável ao sujeito passivo. Quanto a esse ponto, não há qualquer dispositivo normativo que obrigue o Fisco a proceder da forma suscitada pela recorrente À faculdade conferida pela Lei ao contribuinte se contrapõe apenas o dever da fiscalização de aceitar a opção por ele regularmente exercida. Mas somente por abuso de interpretação se poderia extrair do texto legal, o corolário de que a fiscalização, ao desconsiderar um método adotado pelo sujeito passivo por descumprimento das normas, teria o dever de buscar o método mais favorável. Em relação ao método PRL60, a querela dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. O principal argumento de defesa utilizado pelo sujeito passivo dirigese ao fato de ter seguido exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Fl. 7894DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Fl. 7895DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 5 7 Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve Fl. 7896DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 7897DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 6 9 Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Fl. 7898DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou Fl. 7899DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 7 11 financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, Fl. 7900DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência. No que se refere à impossibilidade de dedução dos valores correspondentes a frete, seguro e imposto de importação na apuração do preço parâmetro, tratase de disposição expressa no § 6º, do art. 18, da Lei nº 9.430/96, confirmada na IN/SRF 242/2002. Além disso, não se pode olvidar que, para efeito de preços de transferência, a comparação deve ocorrer entre grandezas semelhantes. Ora, se tais valores são computados na apuração do preço de revenda, não se justificaria a exclusão no preço praticado. Fl. 7901DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 8 13 A meu ver a questão foi enfrentada com precisão no acórdão 1051671 prolatado pela antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ... A inclusão ou não dos valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis dependerá do método utilizado: PIC, PRL ou CPL. c. Os valores do frete, seguro e dos impostos não recuperáveis alteram de acordo com a variação do preço, das distâncias a serem percorridas,do tipo de transporte a ser utilizado, do peso transportado, entre outras variáveis. Desta maneira, nos casos de comparação direta entre os preços praticados na operação de importação de bens entre pessoas vinculadas e não vinculadas, como no método PIC, a inclusão dos valores mencionados alteraria a comparabilidade entre os preços praticados. d. Neste mesmo sentido, teríamos a opção de não computar os referidos valores, quando da utilização do método CPL. e. Não é o caso do PRL inscrito na legislação brasileira. Este método parte de um preço pelo qual o produto adquirido de uma pessoa vinculada é revendido a uma pessoa não vinculada. A partir deste preço de revenda são efetuados os ajustes deduzindo os valores legalmente especificados. Após o ajuste é deduzida uma margem legalmente estabelecida de 20%. 0 empresário agrega ao Prego de Revenda os custos correspondentes ao frete, seguro e os impostos não recuperáveis. Desta maneira, se desconsiderarmos no Custo da Importação os valores relativos ao frete, seguro e dos impostos não recuperáveis a comparabilidade para fins de prego de transferência estaria prejudicada. (......) De todo o exposto, dirijo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso nessa parte. A questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida junto com o tributo adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. Na definição dos limites da lide, o recurso do sujeito passivo apresenta questionamento contra a incidência da taxa SELIC como indexador dos juros de mora sobre a multa de ofício, parecendome com isso que seria aceitável a incidência da taxa de 1% ao mês. Foi inclusive apresentado como jurisprudência nas razões recursais o acórdão nº 10708.588 proferido pela antiga 7ª Câmara do 1º CC, que manifestouse nessa linha. Fl. 7902DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Entretanto para facilitar a linha de raciocínio, manifestarmeei também sobre a incidência à taxa de 1% ao mês. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo Fl. 7903DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 9 15 legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Arnaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à Fl. 7904DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: Fl. 7905DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 10 17 I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa Fl. 7906DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe um avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. Fl. 7907DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 11 19 A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. Fl. 7908DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano3 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito 3 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 7909DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 12 21 Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Fl. 7910DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) Fl. 7911DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 13 23 § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício4: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: 4 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 7912DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. Fl. 7913DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000053/200871 Acórdão n.º 1402001.508 S1C4T2 Fl. 14 25 (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96; motivo pelo qual nego provimento ao recurso também nessa questão. Em relação à multa isolada, partilho do entendimento da decisão recorrida no sentido de que o fornecimento de informações equivocadas não foi causado pela falta de informações da coligada estrangeira, mas sim por inconsistências nos próprios dados da fiscalizada. Ainda que a razão das irregularidades nos arquivos pudesse ser atribuída à ausência de informações da coligada, tal circunstância diria respeito apenas a questões administrativas do grupo empresarial, não oponíveis à administração tributária. De todo o exposto, voto por negar provimento integral ao recurso voluntário. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 7914DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/11 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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