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Numero do processo: 13312.000550/2003-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/05/1998 a 30/11/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Tendo o Pleno do e. STF declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, é possível sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau a contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26-A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. 26 da Lei 11.941. Tratando-se de empresa comercial, industrial ou de serviços, essa extensão se mostra induvidosa diante da remansosa jurisprudência daquele tribunal que somente a faz incerta quando se trate de instituições financeiras e correlatas.
Numero da decisão: 9303-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/05/1998 a 30/11/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo o Pleno do e. STF declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, é possível sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau a contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26-A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. 26 da Lei 11.941. Tratando-se de empresa comercial, industrial ou de serviços, essa extensão se mostra induvidosa diante da remansosa jurisprudência daquele tribunal que somente a faz incerta quando se trate de instituições financeiras e correlatas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 07/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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ALARGAMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE ENERGIA, TELEFONIA E DESENVOLVIMENTO RURAL VALE DO COREAÚ LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/05/1998 a 30/11/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo o Pleno do e. STF declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, é possível sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau a contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. 26 da Lei 11.941. Tratandose de empresa comercial, industrial ou de serviços, essa extensão se mostra induvidosa diante da remansosa jurisprudência daquele tribunal que somente a faz incerta quando se trate de instituições financeiras e correlatas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 07/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 05 50 /2 00 3- 16 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, proferido em 20 de junho de 2007, que afastou o alargamento da base de cálculo da COFINS ao reconhecer que ela não incide sobre receitas financeiras. Fêlo por aplicação da decisão proferida pelo STF no julgamento do recurso 357.950, sendo de relevo mencionar que a beneficiada não é instituição financeira. O recurso especial vem lastreado na hipótese de contrariedade à lei prevista no regimento dos Conselhos de Contribuintes e recepcionada no RICARF para as decisões anteriores à instituição deste novo órgão julgador de segunda instância. A Procuradoria aponta que teriam sido contrariados os arts. 195 da CF e 1º e 3º da Lei 9.718/98, sendo constitucional, em seu entender, a modificação introduzida pela Lei 9.718. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Entendo que o recurso foi bem admitido em face da norma do art. 4º do RICARF e porquanto arguida, ao menos, a contrariedade à lei nele exigida. Mas a ele não se pode dar provimento. É que, como bem apontado pelo Conselheiro Walber José da Silva, relator da decisão combatida, o e. STF já firmou posição no sentido de que a alteração promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 é inconstitucional, posição reiterada em diversos outros julgados além daquele apontado pelo dr. Walber. A questão ainda pende apenas quando não se trate de empresa dedicada à venda de mercadorias ou prestação de serviços em razão do posicionamento manifestado pelo ministro César Peluso de que faturamento corresponde às receitas provenientes das atividades operacionais, o que faria duvidoso o conceito para financeiras e correlatas. Notese que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada (Lei 11.941, art. 79, XII). Por fim, de que há hoje norma legal autorizando as autoridades julgadoras a aplicar decisão definitiva do pleno do STF sem a necessidade de aguardar publicação de Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 13312.000550/200316 Acórdão n.º 9303002.764 CSRFT3 Fl. 4 3 Resolução do Senado Federal, principal ponto dos argumentos expendidos no recurso especial. Refirome, como bem sabido, ao art. 26 da Lei 11.941/2009. Com tais considerações, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720561/2009-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2137; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 127 1 126 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720561/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.800 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente CLAUDIA LULA XAVIER GARCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 61 /2 00 9- 45 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 2802002.800 S2TE02 Fl. 128 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 1 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei complementar estadual baiana de número 20/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. A Lei estadual em comento estabeleceu a sistemática de pagamento de tais parcelas em virtude da objeto da Ação Ordinária de nº140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias n.. 613 e 614. Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 39 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa e de juros moratórios por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram, bem como deveria ter sido levada em consideração a remuneração à época em que o pagamento deveria ter ocorrido para fins de apuração da base de cálculo do imposto; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xii) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xiii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais; (xiv) que não poderiam ser tributadas parcelas relativas a correção de valores recebidos a título de férias indenizadas e de 13o salário, pela natureza das verbas principais; (xv) que a pretensão do Fisco de receber o valor do imposto supostamente devido acrescido de multa e juros represente quebra do princípio da capacidade contributiva, por resultar em valor muito mais elevado a ser enfrentado pelo contribuinte. Em sessão realizada em 03 de março de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou PROCEDENTE em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 2802002.800 S2TE02 Fl. 129 5 tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados ou Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia.. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13o salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações da contribuinte. Intimada da supramencionada decisão (fls.139), interpôs tempestivamente o recurso de fl.140, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, no sentido de conduzirem todos ao cancelamento do lançamento, salvo quando argui que a DRJ não enfrentou as teses de ilegitimidade da União para exigência do imposto e de quebra do princípio da capacidade contributiva da contribuinte, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão à Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 2802002.800 S2TE02 Fl. 130 7 a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720561/200945 Acórdão n.º 2802002.800 S2TE02 Fl. 131 9 não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904542/2012-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 42 /2 01 2- 58 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904542/201258 Acórdão n.º 3803004.892 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904542/201258 Acórdão n.º 3803004.892 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904542/201258 Acórdão n.º 3803004.892 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10183.006014/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9202-000.009
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .0 06 01 4/ 20 05 -1 1 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10183.006014/200511 Resolução nº 9202000.009 CSRFT2 Fl. 6 2 RELATÓRIO Em face de José de Barros Lima foi lavrado o auto de infração de fls. 02/07, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de2001, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Utilização Limitada e do arbitramento do Valor da Terra Nua com base nos valores constantes no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal. A Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 210201.405, que se encontra às fls. 305/313 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (DITR). ERRO DE FATO. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Provido em Parte” Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10183.006014/200511 Resolução nº 9202000.009 CSRFT2 Fl. 7 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, deu parcial provimento para reconhecer a área de preservação permanente de 11.363,4 ha. Intimada do acórdão (fl.333), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 334/345,pleiteando a reforma do v. acórdão sustentando a necessidade da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental para a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, ante a divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nºs 30239.414 e 2101000.759. Ao recurso especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho de 02/05/2012 (fls. 319/319v). Intimado do acórdão em 07/08/2012 (fl. 329), o contribuinte interpôs, em 24/08/2012, o recurso especial de fls. 330/343 e as contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 374/384). O recurso especial do contribuinte teve seu seguimento negado por ter sido apresentado após o prazo legal, não atendendo, portanto, os pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de 14/11/2012 (fl. 387/388), confirmado pelo despacho proferido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais de fls. 389. É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 30239.414 e 210100.759. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados, respectivamente: Acórdão nº 30239.414 “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. UTILIZAÇÃO DE ADA. É obrigatória a utilização do ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nos termos da Lei. ELEVAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO EM DECORRÊNCIA DA GLOSA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. A glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal resulta na redução automática do grau e utilização da terra. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Acórdão nº 210100.759 “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 (...) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10183.006014/200511 Resolução nº 9202000.009 CSRFT2 Fl. 8 4 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL EXECÍCIO POSTERIOR A 2001 – EXIGIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, após a vigência da Lei n° 10,165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal,” Verifico que o acórdão paradigma n.º 210100.759 considerou, em situação semelhante às dos presentes autos, ser necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADAtempestiva à época do fato gerador para que fosse admitida a exclusão da base de cálculo do ITR devido a Área de Preservação Permanente. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, a matéria em discussão é a necessidade da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental para a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Já me manifestei em diversas oportunidades no sentido de que o ADA é meio de prova, mas não exclusivo, à comprovação do direito à exclusão da área tributável sujeita ao ITR, nos termos do disposto no artigo 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001. O art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, a meu ver, instituiu a obrigatoriedade de apresentação do ADA para situações em que o benefício de redução do ITR dependa do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorra diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Em outras palavras, a finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Tal não é, entretanto, a posição de todos os membros do colegiado. Para alguns deles a apresentação do ADA é elemento necessário à exclusão de algumas áreas isentas da base de cálculo do ITR. Examinando os autos verifico constar (fls. 293/295) o protocolo do ADA apresentado pelo contribuinte junto ao IBAMA com a informação da existência de área de APP, mas não a íntegra do referido ato. Tratandose de questão que pode influenciar no resultado do julgamento e tendo em vista tal informação constaem arquivo da própria administração federal, nos termos do Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10183.006014/200511 Resolução nº 9202000.009 CSRFT2 Fl. 9 5 disposto no artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, o julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade preparadora junte cópia do ADA ao presente processo administrativo. Em vista do exposto e com amparo no disposto nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora: (i) junte aos autos do presente processo administrativo a íntegra do ADA de fls. 293/295, (ii) informe se foi apresentado pelo contribuinte ADA relativo ao exercício de 2001, e (iii) em caso positivo, junte aos autos cópia do ADA relativo ao exercício de 2001. Caso a informação não esteja disponível no banco de dados da Receita Federal do Brasil o IBAMA deverá ser oficiado para que disponibilize as informações/cópias ora solicitadas. Posteriormente o Contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, para se manifestar no prazo de 30 dias, nos termos do artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 465DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002998/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade.
IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS.
É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real.
ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA.
Somente ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, é medida extrema e excepcional de auditoria, o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real.
Assim a desclassificação da escrita contábil do contribuinte somente cabível quando não há a apresentação dos livros fiscais, dos livros contábeis e dos demais documentos que fundamentaram os registros, de forma que tome a contabilidade totalmente imprestável para a fiscalização. A não entrega das notas fiscais, não justifica o arbitramento do lucro.
Numero da decisão: 1401-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. E quanto ao Recurso voluntário, pelo voto de qualidade, EM DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA. Somente ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, é medida extrema e excepcional de auditoria, o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Assim a desclassificação da escrita contábil do contribuinte somente cabível quando não há a apresentação dos livros fiscais, dos livros contábeis e dos demais documentos que fundamentaram os registros, de forma que tome a contabilidade totalmente imprestável para a fiscalização. A não entrega das notas fiscais, não justifica o arbitramento do lucro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. E quanto ao Recurso voluntário, pelo voto de qualidade, EM DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
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NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA. Somente ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, é medida extrema e excepcional de auditoria, o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Assim a desclassificação da escrita contábil do contribuinte somente cabível quando não há a apresentação dos livros fiscais, dos livros contábeis e dos demais documentos que fundamentaram os registros, de forma que tome a contabilidade totalmente imprestável para a fiscalização. A não entrega das notas fiscais, não justifica o arbitramento do lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 98 /2 01 0- 95 Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.905 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. E quanto ao Recurso voluntário, pelo voto de qualidade, EM DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.906 3 Relatório Tratase de analisar recursos de ofício e voluntário perante Acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP que cancelou em parte o lançamento. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação de fls. 249/272, em fiscalização empreendida no contribuinte acima identificada, relativa aos anoscalendário de 2005 e 2006, verificouse o seguinte: DOS FATOS A contribuinte foi intimada e reintimada em 20/08/2009, 16/09/2009, 14/10/2009, 09/11/2009, 01/12/2009, 05/01/2010, 28/01/2010, 02/03/2010, 25/03/2010 e 22/04/2010 a apresentar uma série de documentos (sintetizados às fls. 249/253), não tendo apresentado, até o encerramento da ação fiscal, a seguinte documentação: 1) Primeiras vias originais das notas fiscais de entrada e respectivos comprovantes de pagamento referentes aos fornecedores de mercadorias relacionados à fl. 254; 2) Livros Registro de Inventário mensais impressos; 3) Demonstrativos de cálculo e pagamento do IRPJ e da CSLL estimativa; 4) Demonstrativos analíticos de cálculo e pagamento do PIS e da COFINS; 5) Livro LALUR mensal impresso; 6) Arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, de acordo com a IN SRF n° 86/2001 e o Ato Declaratório Executivo (ADE) COFIS n° 15/2001; 7) Comprovação dos efetivos custos de R$ 46.310.353,60 (anocalendário 2005) e R$ 20.603.618,49 (anocalendário 2006), referentes às aquisições de mercadorias das empresas fornecedoras indicadas no item 1 anterior, A demonstrando de forma inequívoca os créditos de tributos não cumulativos oriundos das referidas empresas dos quais a contribuinte se compensou e a composição dos preços dos produtos com influência no resultado do lucro líquido; 8) Avaliação mensal dos bens adquiridos para revenda, efetuados através do inventário permanente ou periódico. Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.907 4 Os supracitados custos, de R$ 46.310.353,60 (anocalendário 2005) e R$ 20.603.618,49 (anocalendário 2006), implicam falta de comprovação, em relação aos totais das contas fornecedores (R$ 105.458.711,66 em 2005 e R$ 125.075.925,11 em 2006), de, respectivamente, 43,91% e 16,47%. Destaca a fiscalização que em 16/06/2010 foi lavrado Termo de Constatação e Ciência Fiscal constando que a falta de apresentação dos supracitados estaria sujeita à aplicação de sanções legais cabíveis, incluindo o arbitramento do lucro relativo aos anoscalendário de 2005 e 2006. Em face do exposto, a fiscalização efetuou, de ofício, o arbitramento do lucro, levando em consideração os valores das receitas brutas declaradas nas DIPJs dos anoscalendário de 2005 e 2006 pela contribuinte (CNPJ n° 00.436.Q42/004752), originalmente entregues com o CNPJ n° 00.436.042/000170, de acordo com o que determina os artigos 530, inciso III, e 532 do RIR/99. AS BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL O lucro arbitrado (base de cálculo do IRPJ e da CSLL)é determinado mediante a utilização dos seguintes percentuais: em relação ao IRPJ: 9,6% sobre a receita bruta auferida nas atividades para as quais não esteja previsto percentual específico; e 38,4% sobre a receita bruta auferida com a prestação de serviços; e em relação ao CSLL: 12% sobre a receita bruta auferida. As receitas brutas consideradas pela fiscalização foram as declaradas nas DIPJs relativas aos anoscalendário de 2005 e 2006. Na apuração do IRPJ e da CSLL, foram deduzidos os valores constantes das DCTFs. Em relação ao anocalendario de 2006, apesar de a contribuinte haver pago a título de IRPJ e CSLL os valores originais totais de R$ 806.691,93 e R$ 299.049,10, respectivamente, a fiscalização deixou de deduzir tais valores do IRPJ e da CSLL devidos através da apuração pelo lucro arbitrado, tendo em vista que não foram declarados em DCTF. Os cálculos estão demonstrados às fls. 267/270. DAS BASES DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS As contribuições para o PIS e a COFINS, originalmente apuradas pela contribuinte no regime nãocumulativo em razão da opção da apuração do IRPJ com base no lucro real formalizada e demonstrada através da entrega da DCTF, passam a ser devidas no regime cumulativo, em função do arbitramento de ofício do IRPJ. No anocalendário de 2006, em função de os valores devidos pela contribuinte a título de PIS e COFINS pelo regime nãocumulativo, declarados em DCTFs, terem sido superiores aos valores apurados pela fiscalização através do regime cumulativo, não deve haver lançamento de ofício de PIS e COFINS. Em relação ao anocalendário de 2005, a contribuinte fica sujeita ao lançamento de PIS e COFINS pelo regime cumulativo, com base nas receitas brutas mensais, deduzindose os valores constantes das DCTFs, conforme demonstrado às fls. 270/272. Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.908 5 DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos aos anoscalendário de 2005 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) e 2006 (IRPJ e CSLL) IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Auto de infração fls. 273/285 Fundamento Legal artigos 530, inciso III, e 532 do RIR/99 Crédito Tributário (em reais) 5.471.301,10 4.103.475,80 2.451.168,08 Contribuição Multa de ofício (75%) Juros de mora (cálculo até 30/09/2010) 12.025.944,88 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de infração fls. 286/296 Fundamento Legal artigo 2o, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 20 da Lei n° 9.249/95; artigo 29 da Lei n° 9.430/96; e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002 Crédito Tributário (em reais) 2.597.836,07 1.948.377,03 1.178.387,63 Contribuição Multa de ofício (75%) Juros de mora (cálculo até 30/09/2010) 5.724.600,73 TOTAL Contribuição para o PIS Auto de Infração fls. 298/306 Fundamento legal artigo 1o e 3o da Lei Complementar n° 07/70; e artigos 2o, inciso I, alínea "a" e § único, 3o, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002 Crédito Tributário (em reais) 325.788,67 244.341,45 198.973,93 Contribuição Multa de ofício (75%) Juros de mora (cálculo até 30/09/2010) 769.104,05 TOTAL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Auto de Infração fls. 308/316 Fundamento legal artigos 2o, inciso II e § único, 3o, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002 Crédito Tributário (em reais) 1.313.752,15 985.314,06 814.323,18 Contribuição Multa de ofício (75%) Juros de mora (cálculo até 30/09/2010) 3.113.389,39 TOTAL Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.909 6 Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 30/09/2010 12.025.944,98 5.724.600,73 769.104,05 3.113.389,39 IRPJ CSLL PIS COFINS 21.633.039,15 TOTAL DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 07/10/2010 (AR de fl. 320), a contribuinte, por meio de seu advogado, regularmente constituído (fl. 435), apresentou, em 08/11/2010, a impugnação de fls. 364/391, alegando, em síntese, o seguinte: INTRODUÇÃO A autuação versa sobre o arbitramento do lucro da contribuinte, em face de aduzida não apresentação de livros e documentos contábilfiscal, no curso de procedimento fiscalizatório desencadeado para averiguação, dentre outros aspectos, da efetividade dos custos de aquisição de mercadorias importadas para revenda, para fins de apuração da base de cálculo dor tributos incidentes sobre o lucro, de um lado, e de determinação dos créditos dedutíveis relativos aos tributos nãocumulativos cobrados sobre a receita bruta de vendas, de outro lado. DOS FATOS A contribuinte foi intimada em 20/08/2009 a apresentar os seguintes documentos: 1) Razão contábil impresso e em arquivo digital e primeiras vias originais das notas fiscais de entrada e respectivos comprovantes de pagamento referentes aos fornecedores de mercadorias relacionados à fl. 6; Livros Diário e Registro de Inventário impressos; 2) Demonstrativos de cálculo e pagamento do IRPJ e da CSLL estimativa 3)Demonstrativos analíticos de cálculo e pagamento do PIS e da COFINS; 4) Meio magnético contendo arquivos e sistemas de processamento eletrônico de dados. Em atendimento a esse requerimento, a contribuinte entregou, por amostragem, em 16/09/2009, parcela das notas fiscais de entrada solicitadas, juntamente com cópia dos livros Razão e Diário, pertinente ao período apurado. Com base na análise dos livros comerciais acima descritos, a autoridade fiscal houve por bem lavrar um segundo termo, solicitando a apresentação de outros livros fiscais e as primeiras vias das notas fiscais de entrada e respectivos comprovantes de pagamento referentes aos fornecedores de mercadorias relacionados à fl. 366. Tendo em vista, no entanto, o volume dos documentos e dos escritos contábil fiscais mantidos pela contribuinte fruto da grandeza de suas movimentações Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.910 7 comerciais , o agente fiscal foi informado da inviabilidade da remessa física de todos os papeis requisitados. Consignouse, pois, na oportunidade, que toda a documentação e a escrituração intentada seriam colocados à ampla e irrestrita disposição do Fisco para análise nas dependências da própria fiscalizada. Nesse cenário, o Auditor Fiscal competente passou, em algumas oportunidades, a perscrutar, in loco, o arcabouço documental produzido e mantido pela contribuinte, mais do que suficiente, em princípio, para embasar a apuração das bases de cálculo dos tributos devidos, na forma da legislação de regência. A despeito do explanado, continuaram a ser remetidas à contribuinte, nesse ínterim, intimações fiscais voltadas a solicitar as mesmas informações já preteritamente disponibilizadas. Levandose em consideração que a documentação e a escrituração pedidas já haviam sido integralmente apresentadas, creu a contribuinte que ditas missivas se destinavam apenas a fundamentar a continuidade dos trabalhos investigatórios, frente ao elevado montante de documentos a serem estudados pelo Auditor Fiscal. Assim, o procedimento adotado é totalmente improcedente. O arbitramento engendrado não colhe razão nem nos fatos, nem no direito, vez que todos os documentos componentes da escrituração da autuada foram postos à disposição do Fisco. Aliás, ainda que assim não fosse, é certo que a simples desconsideração de determinados custos – especificados pela própria Fazenda – não pode por si só, legitimar a medida extrema do procedimento arbitral. Arbitramento e discricionariedade O arbitramento não significa predominância de uma atribuição legal de liberdade (discricionariedade) administrativa, mas apenas um processo técnico alternativo e estrito, voltado à apuração do quantum debeatur. Ademais, embora o arbitramento deva ser utilizado como medida de inibição de condutas omissivas ou dolosas, não é possível que o instituto seja empregado, indiscriminadamente, como meio de punição por cometimento. A pena contra a omissão, a reticência ou a fraude é a lei, geralmente a multa, não sendo lidimo que haja a cominação de outra, sob o arbítrio fazendário puro e simples. 0 arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, devendo ser utilizado em casos extremos, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária. Não basta que algum dos fatos previstos no artigo 148 do CTN ("Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o emprego de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial) tenha ocorrido para que surja para o Fisco a competência para arbitrar. Fazse imperioso que, além disso, o resultado da omissão ou do vício da documentação implique completa impossibilidade de descoberta direta da grandeza manifestada pelo fato jurídico.' O fato de existir omissão na escrita fiscal do contribuinte nem sempre justifica a realização do lançamento por arbitramento, que deve ocorrer apenas quando não existirem elementos capazes de quantificar o valor exato do crédito. Esse é o sentido Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.911 8 da Súmula 76 do antigo TFR ("Em tema de imposto de renda, a desclassificação da escrita somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa, não a justificando simples atraso na escrita"), que continua sendo aplicado pelo STJ. Princípio da verdade material É corrente da doutrina e na jurisprudência que o arbitramento só tem cabimento quando impossível ao Fisco verificar a documentação fiscal do contribuinte. Em se tornando essa totalmente imprestável, é lícita a aplicação do arbitramento. No entanto, havendo elementos suficientes para a apuração da verdade material, não cabe a aplicação da medida extrema. Não bastam simples dificuldades ou maiores onerosidades no exercício do dever de investigação, em decorrência de vícios isolados de escrita, para exonerar o Fisco do cumprimento de seu dever funcional. Enquanto a possibilidade de apuração da realizada factual subsistir, deve o Fisco prosseguir no cumprimento de tal dever, seja qual for a complexidade e o custo de tal investigação. Da hipótese eleita pela autoridade fiscal para justificar o lançamento por arbitramento Pela leitura do Termo de Constatação que acompanha o lançamento ora impugnado, verificase que a autoridade fiscal optou pelo arbitramento do lucro com fulcro, pretensamente, na hipótese autorizadora estatuída no artigo 530, inciso III, do RIR/99 (quando "o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal). Ora, devese entender que a não apresentação de documentos, citada pelo dispositivo legal, referese àquela que, de fato, impeça a apuração do lucro real ou presumido, escolhido pelo contribuinte como opção de tributação do IRPJ/CSLL. Dessa forma, se, com base nos livros e/ou documentos coletados, for possível à Fazenda apurar o lucro real ou presumido do contribuinte, não pode o Fisco se desvencilhar de fazêlo, sendo vedado o enquadramento de ofício para o lucro arbitrado. Durante o curso do procedimento fiscalizatório, foi franqueado à autoridade fiscal amplo acesso à documentação comercial e fiscal da impugnante. Não custa repisar que a contribuinte respondeu à primeira das intimações e ela encaminhadas, apresentando ao Auditor Fiscal, formalmente, os principais livros de sua escrituração. Tanto isso é verdade que, com base nos livros Diário e Razão, foi possível à autoridade fiscal esmiuçar e aprofundar seus apontamentos, de forma a solicitar novas informações. Outrossim, foi franqueado ao agente fiscal amplo e irrestrito as dependências da contribuinte, local em que se encontravam todos os livros e documentos contábil fiscal pedidos, mais do que suficientes à perscrutação do lucro tributável da empresa. As movimentações financeiras, as depreciações / amortizações, os critérios para reconhecimento de receitas e despesas e tantos outros elementos escriturados não foram objeto de qualquer reprimenda por parte da fiscalização. Fora colocada em dúvida, tãosomente, a formação de parte das compras para revenda (e Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.912 9 respectivas liquidações), as quais sequer perfazem a maior parte dos custos e das despesas supostamente declinados pela contribuinte. Da insidiosa opção pela menos laboriosa via do arbitramento A apuração da situação tributária da contribuinte é, sabidamente, labor de árdua realização. O porte econômico da empresa se reflete na volumosa quantidade de documentos e livros por ela produzidos, lavrados para cumprimento das obrigações acessórias prescritas em lei. Entendese, por isso, a razão que levou o Auditor Fiscal a optar pelo mecanismo do arbitramento, notoriamente mais simples, mormente quando conhecida a receita bruta da empresa, declinada nas DIPJs dos anoscalendário de 2005 e 2006. Tivesse havido, efetivamente, motivo real para o arbitramento, poderia o Auditor Fiscal ter optado pelo mecanismo arbitral desde logo, assim que se aperfeiçoassem as primeiras omissões da fiscalizada, sem a necessidade de reiterada reintimação da contribuinte. Esse fato corrobora o entendimento da contribuinte de que as variadas intimações a ela encaminhadas representariam meras formalizações da continuidade dos trabalhos investigativos, posto que os elementos solicitados já estavam, à época, à disposição do Auditor Fiscal. Da necessidade de glosa dos custos incomprovados, em lugar do arbitramento É ainda relevante acrescentar que, não tivesse a Fazenda acesso aos documentos fiscais pleiteados, o procedimento correto seria a glosa dos custos incomprovados, e não o arbitramento de todo o lucro exigível. Consoante se pode depreender do Termo de Constatação, o motivo determinante do arbitramento foi o fato de não ter a contribuinte, pretensamente, apresentado as notas fiscais de entrada solicitadas, com os respectivos comprovantes de liquidação. Sobre a legitimidade ou não do arbitramento em tela, é de se assentar que há inconciliáveis diferenças entre as situações de nãoapresentação de nenhuma das notas fiscais de aquisição, solicitadas genericamente, e a de indisponibilização de documentos fiscais específicos, arrolados pela fazenda com amparo na própria escrituração do contribuinte. É evidente que a nãoapresentação in gênero de notas fiscais, sem discriminação fazendária prévia, permite, sim, a adoção do mecanismo arbitral, nos moldes do artigo 530, inciso III, do RIR/99. Situação distinta, entretanto, é aquela em que o Fisco peticiona a comprovação de apenas alguns dispêndios, colacionados a partir dos próprios livros comerciais do sujeito passivo, caso este em que não se põe em xeque a sistemática contábil de dedução de despesas adotada pela empresa, mas somente a realidade de umas ou de outras das expensas escrituradas. É inconteste o fato de a contribuinte haver entregue ao Fisco seus livros Diário e Razão, os quais foram a base para a solicitação das especificas notas fiscais imaginadamente não remetidas. Assim, parece claro que a própria fiscalização ratifica a veracidade das informações escrituradas, na medida em que as utilizou para embasar sua superveniente intimação. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.913 10 Se os vícios referemse somente às expensas não demonstradas e não apropria escrituração em si remanesce claro que o procedimento a ser adotado passa pela simples glosa de custos, para fins de recomposição das bases de cálculo e dos créditos nãocumulativos apropriáveis, não sendo, por óbvio, hipótese de arbitramento. Nulo, por conseguinte, o lançamento efetuado. Aliás, há expressos manifestos do antigo Conselho de Contribuintes no sentido de que só cabe o arbitramento se a representatividade das despesas incomprovadas for substancial em face do todo, a ponto de determinar a invalidade da integralidade da escrituração fiscal. Nesse sentido, verificase que o percentual de supostos dispêndios não comprovados, em relação ao total dos valores que influenciaram a débito a apuração do resultado do anocalendário de 2006, foi de apenas 14,88%, percentual que não justifica descaracterizar uma escrita contábil inteira e se arbitrar o lucro da pessoa jurídica. Destaquese que, para se determinar a representatividade intentada pela autoridade fiscal, devese cotejar todos os custos e despesas, e não somente a primeira rubrica. DA JUNTADA DOS LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS Ademais de tudo o que se expôs, servese a contribuinte da presente oportunidade para trazer aos autos os livros e documentos fiscais pertinentes, relacionados às fls. 389/390, de cuja nãoapresentação resultou, erroneamente, o arbitramento perpetrado. Ressaltese que a atual apresentação dos documentos e livros fiscais não pretende sustentar a aplicação da figura do "arbitramento condicional", sabidamente rechaçada pelo CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Não se intenta alegar a revogação do arbitramento, por conta da atual disponibilização dos documentos outrora não entregues. A apuração do lucro pela via arbitral já não se sustenta desde o princípio. O que busca a impugnante, aqui, é ilustrar a aduzida prestabilidade de sua escrituração. A juntada dos livros Razão, cotejados com as notas fiscais relativas aos custos lançados, busca somente mostrar que a escrituração da contribuinte respondia, com suficiência, ao escopo de permitir a apuração efetiva das bases imponíveis dos tributos ora cobrados. Destaquese que a fiscalização teve à sua disposição, desde a primeira intimação enviada, os livros Diário e Razão da contribuinte. Ulteriormente, também pôde analisar a escrita fiscal in loco, na sede da contribuinte. Quanto ao mérito, requer, por todo o exposto, que seja reconhecida a improcedência do Auto de Infração impugnado. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.914 11 Para fins de cômputo do prazo de decadência de 5 anos, tendo havido pagamento do tributo, aplicase o artigo 150, § 4o, do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN (Súmula Vinculante n° 8 do STF e Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008). Tendo sido parte do crédito tributário formalizado após o prazo decadencial, exonerase a exigência correspondente. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CONDIÇÕES. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. ERROS NA APURAÇÃO. Constatados erros na apuração da matéria tributável, exonerase parcialmente a exigência. DEMAIS TRIBUTOS (PIS, COFINS E CSLL). DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase, mutatis mutandis, à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF da parte ainda mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.915 12 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade. RECURSO DE OFÍCIO A DRJ cancelou parte do lançamento por dois fundamentos: 1) decadência e 2) dedução de valores declarados em DCTFs, bem assim falta de imputação de pagamentos de valores não declarados. Em relação ao primeiro fundamento, no que interessa, assim procedeu a DRJ: A contribuinte alega que não poderiam ter sido lançados os valores relativos aos 3 primeiros trimestres de 2005, pois, tendo em vista que a lavratura/ciência dos Autos de Infração se deu em 07/10/2010 (AR de fl. 320), os referidos períodos teriam sido atingidos pela decadência. Com relação ao IRPJ e à CSLL, a análise deve se restringir apenas ao 3o trimestre de 2005, pois, em relação ao 1o e ao 2° trimestres não houve autuação (fls. 280 e 291). Quanto ao PIS e à COFINS, a análise deve se estender ao período de janeiro a setembro de 2005, pois houve autuação em todos esses meses (fls. 300 e 310).(...) Em suma, para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento do tributo, aplicase o artigo 150, § 4o, do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN. Para ambos os casos, o prazo decadencial é de 5 anos, qualquer que seja o tributo. No caso em tela houve pagamentos em todos os períodos autuados contestados pela contribuinte (IRPJ e CSLL do 3o trimestre de 2005, e PIS e COFINS de janeiro a setembro de 2005), conforme informação constante do Termo de Constatação (fis. 268, 269 e 271), confirmada por pesquisas nos sistemas da RFB (DCTFs às fis. 1688/1709 e pagamentos às fis. 1710/1713). Dessa forma, há que se aplicar a esses períodos o artigo 150, § 4o, do CTN, exonerando os lançamentos correspondentes, atingidos pela decadência. Havendo pagamento, na esteira do recurso repetitivo do STJ, que nos vincula, de fato a regra a ser aplicada é a do art. 150, § 4o, do CTN. Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido nesse aspecto e adoto também as mesmas razões de decidir do voto condutor da DRJ, negando provimento ao recurso de ofício nesta parte. Nesse mesmo mister, cabe ainda ratificar o que fora colocado pela DRJ em relação à aventada hipótese levantada pelo contribuinte de considerar como valores restituíveis como pagamentos indevidos os valores ora afetados pela decadência em função de considerar o regime arbitral substituível ao regime ordinário. Nada mais equivocado. Desconstituídos os Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.916 13 lançamentos de ofício ficam ainda valendo as apurações inicialmente efetuadas e confessadas em DCTFs e ora homologada em face do transcurso do prazo decadencial. O segundo fundamento que escorou a exoneração feita pela DRJ ligase a erros de fato cometidos pelo fiscal ao não considerar valores declarados em DCTF, bem assim deixado de deduzir do cálculo do lucro arbitrado valores pagos que não haviam sido declarados: (...)Em relação ao 4o trimestre de 2005 a fiscalização apurou IRPJ de R$ 790.514,27 (fl. 275) e CSLL de R$ 357.372,03 (fl. 291), tendo a contribuinte declarado em DCTF valores superiores, nos montantes de R$ 1.294.823,87 (IRPJ) e R$ 468.729,06 (CSLL), conforme demonstrativos de fls. 268/269 e pesquisa de fls. 1714/1719 (valores em reais): IRPJ CSLL out/2005 11.617,45 4.902,28 nov/2005 175.389,90 63.860,37 dez/2005 1.107.816,52 399.966,41 TOTAL 1.294.823,87 468.729,06 Assim, deduzindose da autuação os valores declarados em DCTF não resta matéria tributável relativa ao IRPJ e à CSLL do 4o trimestre de 2005, devendose exonerar os lançamentos correspondentes. Cumpre observar que a diferença verificada a favor da contribuinte no 4o trimestre não significa pagamento indevido ou a maior, pois em relação a todo o anocalendário de 2005 a contribuinte apurou (apuração anual) valores de IRPJ e CSLL menores que os valores apurados pela fiscalização (apuração trimestral), para o mesmo período. DO IRPJ E CSLL DO ANOCALENDÁRIO DE 2006 Em relação ao anocalendário de 2006, apesar de a contribuinte haver pago a título de IRPJ e CSLL os valores originais totais de R$ 806.691,93 e R$ 299.049,10, respectivamente, a fiscalização deixou de deduzir tais valores do IRPJ e da CSLL devidos através da apuração pelo lucro arbitrado, tendo em vista que não foram declarados em DCTF. Esse procedimento da fiscalização não está correto, pois a contribuinte tem o direito de ver deduzidos os valores efetivamente pagos, independentemente de estarem ou não declarados em DCTF. Relacionamos a seguir, em relação ao IRPJ e à CSLL do anocalendário os valores autuados (fls. 280 e 291), os pagamentos efetuados (comprovados de fls. 1720/1721) e a diferença tributável a ser mantida (valores em reais): Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido. Assim, adoto as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando também provimento ao recurso de ofício nesta parte. Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.917 14 RECURSO VOLUNTÁRIO ARBITRAMENTO Conforme relatado, apesar de ser intimado e reintimado por inúmeras vezes (em 20/08/2009 (fls. 06/07), 16/09/2009 (fls. 50/51), 14/10/2009 (fls. 64/65), 09/11/2009 (fls. 66/67), 01/12/2009 (fls. 68/69), 05/01/2010 (fls. 70/71), 28/01/2010 (fls. 72/73), 02/03/2010 (fls. 74/75), 25/03/2010 (fls. 130/131) e 22/04/2010 (fls. 132/133), não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização, o que ocasionou o arbitramento. Os livros fiscais e contábeis, bem assim documentação que os lastrei deixada de apresentar foram: 1) Primeiras vias originais das notas fiscais de entrada e respectivos comprovantes de pagamento referentes aos fornecedores de mercadorias relacionados à fl. 254; 2) Livros Registro de Inventário mensais impressos; 3) Demonstrativos de cálculo e pagamento do IRPJ e da CSLL estimativa; 4) Demonstrativos analíticos de cálculo e pagamento do PIS e da COFINS; 5) Livro LALUR mensal impresso; 6) Arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras (o Ato Declaratório Executivo (ADE) COFIS n° 15/2001) 7) Comprovação dos efetivos custos de R$ 46.310.353,60 (anocalendário 2005) e R$ 20.603.618,49 (anocalendário 2006), referentes às aquisições de mercadorias das empresas fornecedoras indicadas no item 1 anterior, demonstrando de forma inequívoca os créditos de tributos não cumulativos oriundos das referidas empresas dos quais a contribuinte se compensou e a composição dos preços dos produtos com influência no resultado do lucro líquido; 8) Avaliação mensal dos bens adquiridos para revenda, efetuados através do inventário permanente ou periódico. A obrigatoriedade de escrituração e apresentação de livros contábeis e fiscais, bem assim a documentação que os embasam está prevista para as empresas sujeitas à tributação com base no Lucro Real, em conformidade com o que estabelece o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu art. 530, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei nº 8.981/95: “Art. 47. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.918 15 (...)” Conforme consta dos autos resulta patente que a documentação efetivamente não foi entregue à fiscalização, mormente livros obrigatórios e indispensáveis, como é o Lalur e o Livro de Inventário, muito embora como já se disse, inúmeras foram as oportunidades concedidas. Alega em sua defesa que entregara, por amostragem, parte das notas fiscais de entrada solicitadas, juntamente com cópia dos livros Razão e Diário, pertinente ao período apurado e que em face do volume dos documentos e dos escritos contábilfiscais mantidos pela contribuinte, colocouos à disposição do Fisco para análise em suas dependências. Acrescenta que em face dessas providências, a contribuinte entendeu que todas as demais intimações se prestavam, exclusivamente, a fundamentar a continuidade dos trabalhos de fiscalização. Por fim, assevera que o arbitramento foi precipitado, pois não há falta ou vício na documentação e que o procedimento correto seria a glosa de custos. A contribuinte juntou aos autos documentação na tentativa de demonstrar que sua escrita seria prestável. Como é cediço, o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. A autoridade fiscal autuante fez prova de que solicitou a documentação acima exigida, mediante os vários termos de intimação e reintimação constantes dos autos, todos devidamente assinados pelo representante da empresa. A Recorrente, diferentemente, não apresentou nenhum recibo ou documento que comprovasse a entrega à fiscalização do que lhe fora solicitado, nem muito menos de que colocara à disposição da fiscalização a referida documentação. Outrossim, não faz sentido a sua argumentação de achar que o problema havia sido sanado e que tinha atendido plenamente a solicitação feita pela fiscalização na medida em que recebia reiteradamente intimações e reintimações da fiscalização em cujo conteúdo constava inclusive o alerta de que a falta do atendimento ensejaria o arbitramento do lucro. Pela leitura de sua defesa se constata um desconhecimento legal das normas impositivas que dizem respeito ao instituto do “arbitramento”. Alega de forma genérica que o autuante utilizouse inadequadamente, como técnica de ilação, da presunção sem contudo deixar muito claro em que ponto especificamente consistiria essa inadequação. Na verdade o autuante se utilizou, sim, de uma presunção, mas de uma presunção legal cognominada pela própria lei de “arbitramento”. A lei estatui hipóteses de arbitramento que uma vez ocorridas se presumiria desconhecido o lucro a ser tributado, situação em que a lei partindo do mecanismo consagrado da presunção forneceria meios para que se parta de algo conhecido, mas relacionado indiretamente com o lucro tributável (receita bruta conhecida, capital, lucro real de períodos anteriores, etc.) e se desvele esse lucro tributável até então desconhecido, através da aplicação de coeficientes sobre a base de cálculo conhecida. Esse algo desconhecido, então, passa por meio de uma ficção legal a ser considerado como conhecido, ou em outras palavras, como a verdade provável ou presumida por lei. Padece também de uma falha grave o raciocínio utilizado pela defesa o seu clamor para que fosse apenas glosado os custos. O fato de o fiscal também ter solicitado a comprovação de custos, não significa que o caminho a ser adotado por ele seja a mera glosa de custos, quando o contexto aponta para uma falha mais grave que compromete toda a contabilidade e a confiança dos dados constantes da declaração de rendimentos. O custo é apenas um dos elementos do quebracabeça para se chegar do lucro real tributável e que para ser aferido é preciso que toda a documentação contábil e fiscal seja apresentada pelo contribuinte para que o fiscal proceda com sua investigação. Os dados declarados perdem o seu Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.919 16 poder de inspirar confiança a partir do momento em que inquirido pelo órgão fiscalizador, não se apresentar prontamente outros documentos analíticos para lastreálos. Por outro lado, dúvidas não há quanto a existência de previsão legal para o autuante proceder com as investigações necessárias de forma a asseverar a exatidão da declaração de rendimentos. É o que se depreende da redação a seguir transcrita do artigo 911 do RIR/99, cuja matriz legal é art. 7º da Lei nº 2.354/1954. Art. 642 Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais. (grifos nosso). Nesse mesmo diapasão a Constituição Federal, na figura do seu parágrafo 1º, art. 145, também dá amplo respaldo a essa competência: “Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultando à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.” No que diz respeito à base de cálculo do lucro arbitrado, estatui o art. 532 do RIR/99 que: “Art. 532 O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, parágrafo 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).” No caso concreto, a autoridade fiscal autuante considerou que a receita bruta era conhecida, valendose das informações prestadas pelo próprio contribuinte em sua declaração de rendimentos. Registrese que tais valores não foram contestados pela contribuinte, reconhecendo implicitamente em sua peça de defesa como sendo as receitas efetivamente auferidas. Ainda a esse mesmo respeito, cabe salientar também que o fato de não ter sido apresentado determinados livros contábeis e fiscais, pelos motivos já expostos, não impede que se aproveitem documentos que revelem de alguma forma a receita auferida pela contribuinte, tal como a própria declaração de rendimentos. Ou seja, a utilização apenas das receitas informadas na declaração de rendimentos, para efeito de apurar a “receita conhecida”, não importa em ratificação da regularidade da escrituração mantida pela contribuinte, mesmo por que a não apresentação dos livros contábeis para confrontar a veracidade das informações constantes na declaração de rendimentos indicaria apenas que se suspeita que as receitas estejam subdimensionadas. No caso, se causar algum prejuízo ao se considerar essas receitas declaradas como ponto de partida para o arbitramento, esse prejuízo a evidência será do Erário, já que a suspeita é de que as receitas estejam subdimensionadas e não superdimensionadas, hipótese esta que se adotada de fato prejudicaria o contribuinte, pois majoraria o lucro arbitrado. Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.920 17 Outrossim, a ocasião própria para apresentação da escrita contábil e fiscal é durante a fiscalização, haja vista inexistir arbitramento condicional Nesta vertente também se direciona o CARF: ARBITRAMENTO DO LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS A falta de apresentação de livros e documentos à autoridade fiscal é motivo suficiente para que se arbitre o lucro da pessoa jurídica. (Acórdão 10517.186, Sessão de 17/09/2008) IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E DOCUMENTOS PERTINÊNCIA Cabe o arbitramento do lucro quando o Contribuinte, apurando lucro real, não apresentou os Livros Contábeis e Fiscais que suportaram a declaração apresentada. Correto o procedimento que tomou como base de cálculo do lançamento a receita bruta declarada. (Acórdão n° 10807765, Sessão de 14/04/2004) INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL Como não existe arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento, regularmente constituído, não pode ser modificado pela apresentação, na fase de impugnação, dos documentos cuja inexistência foi a causa do arbitramento. (Acórdão n° 10706411, Sessão de 18/10/2001). FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação jisca!, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Inexistindo o arbitramento condicional, o auto de infração não se modifica pela posterior apresentação desta documentação. " (Acórdão n° 10318947, Sessão de 14/10/97). IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS O lançamento efetuado de acordo com as normas legais, notificado o sujeito passivo, só pode ser alterado nas formas estabelecidas no art. 141 do CTN. A apresentação dos livros na fase impugnatória não tem o condão de tornar sem efeito o lançamento, posto que não há arbitramento condicional. " (Acórdão n° 10320070, Sessão de 18/08/99). ESCRITURAÇÃO APRESENTADA POSTERIORMENTE Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração, cuja recusa ou inexistência foi a causa do arbitramento. (Acórdão 1° CC 1052.959/88 DOU 07/06/89). ESCRITURAÇÃO APRESENTADA POSTERIORMENTE Cabível é o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica deixa de exibir ao Fisco, quando intimada para tal, a escrituração que ampararia a tributação com base no lucro real. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do alo administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos na lei. Como não existe arbitramento condicional, o lançamento não é modificável pelo posterior aparecimento da escrituração, Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.921 18 cuja inexistência foi a causa do arbitramento. " (Acórdão 1° CC 101 84.640/93 DOU20/06/94). Inadmissível, portanto, querer nessa fase trazer prova aos autos de forma a suprir falha anterior ou provar que o arbitramento foi feito de forma indevida. Por todo o exposto, NEGO provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Voto Vencedor Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta, Relator Designado Não obstante a coerente fundamentação contemplada no voto do Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto, tão bem exposto à Turma em relação ao recurso voluntário, pelo voto de qualidade, o colegiado entendeu que os autos não contemplaram elementos suficientes para a manutenção do auto de infração, conforme se passarei a expor. Observando tudo que consta dos autos, não tenho como concordar com a decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP, consubstanciada através do acórdão nº. 1629.825, constante das fls. 1.811 e seguintes, tendo em vista que o arbitramento é método excepcional e só deve ser usado nos casos previstos em lei. Ou seja, o arbitramento possui na sua natureza, um caráter de extraordináriedade; e, por conta dessa característica, somente deve ser utilizado em casos extremos, na medida em que deve sempre prevalecer à base de cálculo originária, valorizando se a regramatriz de incidência tributaria. Isso porque, o arbitramento não pode ser considerado uma penalidade ou castigo, mas sim uma forma de averiguação em que se procura restabelecer ou apurar resultados impossíveis de serem conhecidos diretamente, sob pena de se caracterizar uma sação politica. Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.922 19 Daí porque, a aplicação do arbitramento tem como pressupostos de validade os princípios da razoabilidade, da finalidade da lei e da proporcionalidade, podendo ser utilizado quando realmente mostrese impossível utilização da base de cálculo originária. Não é demais repetir que o arbitramento, segundo a doutrina dominante, tem caráter extravagante; e por conta essa caracteristica marcante há que prevalecer sempre a prova direta como forma de revelação da verdade material. É isso que determina o art. 148 do CTN, “verbis”: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial”. Com uma breve leitura do Art. 148 do CTN, podemos constatar, com uma clareza meridiana, que é condição essencial do arbitramento decorre da inquestionável impossibilidade de comprovação, pela fiscalização, da base originária. E, partindo desta posição, posso trazer a tona três pressupostos que entendo serem necessários para a validade da utulização pela fiscalização do arbitramento: (i) inexistência da escrituração; (ii) recusa de apresentação da escrituração; (iii) imprestabilidade da escrituração. Utilizando esses parâmetros, entendo que no momento que o contribuinte apresenta uma documentação correta, idônea e regular, deve a fiscalização utilizála e adotála. Não é dado ao ente fiscalizador utilizar, fora da excepcionalidade, critérios arbitrários, devendo respeitar os princípios anteriormente mencionados, bem como os pressupostos objetivos do arbitramento. Ou seja, o arbitramento, é nítida, clara e incontestável regra de exceção, só deve ser exercido em casos particulares, já que a base de cálculo originária é a que deve ser utilizada, por ser a prevista na regramatriz de incidência tributária e por guardar relação direta com as riquezas constitucionalmente previstas. Tomando como base as premissas acima e analisando o caso dos autos envolve muitas particularidades, sendo importantíssimo deixar consignado que não se trata da generalidade dos casos de arbitramento. Contudo, um exame acurado de como a fiscalização se desenvolveu até culminar com os lançamentos em análise demonstra a impropriedade do arbitramento no caso em tela. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.923 20 De fato, percebese que a fiscalização em apreço iniciouse em fins de agosto de 2009, sendo que os únicos anoscalendários objetos de exame são os anos 2005 e 2006. Basta ver que a primeira intimação dirigida a Recorrente intima para que seja deixada à disposição da fiscalização, na própria sede da empresa, Notas Fiscais de entrada relativas a 14 (catorze) fornecedores diversos, além de livros fiscais. Inequivocamente, conforme consta dos autos, a Recorrente atendeu a essa intimação. Tanto isso é verdade que, nas intimações posteriores, o Auditor Fiscal apenas requisita as Notas Fiscais de 11 (onze) dos 14 (catorze) fornecedores iniciais, a revelar que as Notas Fiscais atinentes a 3 (três) fornecedores foram examinadas. Além disso, consta dos autos com a leitura do Termo de Constatação, fls. 53 e seguintes, a autoridade fiscalizadora em visita à sede da Recorrente, examinou os Livros Diário e Razão e também examinou parcela das Notas Fiscais examinadas e também livros fiscais da Recorrente. Com efeito, é certo que toda essa fiscalização teve início pelo fato de o Fisco se voltar contra uma pequena parcela das aquisições da Recorrente no período, sob o argumento “que seriam pretensamente fraudulentas, com superfaturamento”; fração essa que equivalia a meros 16% das compras realizadas pela Recorrente no período, cifra essa que é expressamente mencionada no Termo de Constatação e descrito abaixo: Também não há dúvidas de que o Auditor Fiscal deparouse com essas Notas Fiscais quando de sua visita à empresa, ocasião em que examinou as Notas Fiscais de 3 (três) fornecedores e os Livros Diário e Razão. Nada obstante, sem que fosse declinada qualquer justificativa para tanto, a autoridade fiscalizadora decidiu alterar drasticamente a sua postura, passando a exigir, sem nenhuma fundamentação, fls. 67 e seguintes, que a Recorrente deixasse toda a documentação requisitada na repartição fiscal. Não reconheceu o Autidor Fiscal que a documentação da Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.924 21 Recorrente era volumosa, com grande número de operações no Brasil e que as Notas Fiscais e Livros Diário/Razão estavam à disposição da fiscalização. Mesmo assim, o Auditor Fiscal, houve por bem arbitrar o lucro da Recorrente, sem contudo observar os parâmetros para o exercício desta prerrogativa; ou seja, o Auditor Fiscal não reconheceu que o arbitramento só tem cabimento quando é claramente impossível verificar a documentação fiscal do sujeito passivo da obrigação tributária, o que entendo não ser o caso dos presentes autos. Assim, havendo elementos suficientes para apuração da verdade material, não cabe o arbitramento, sob pena de ser desconstituído. No entanto, quando os vícios forem isolados, não se exonera o Fisco de aplicar a prova indiciária, devendo o agente fiscalizador, no exercício de seu dever legal, por mais complexo que seja, encontrar a verdade material. Por essas razões o arbitramento aplicado não pode prosperar. Tendo em vista que diante dos fatos acima narrados e do que custa dos autos, é preciso salientar que não encontro qualquer menção de a Recorrente ter oposto qualquer embaraço à fiscalização, circunstância essa que, se tivesse ocorrido, teria motivado a lavratura do competente Termo de Embaraço à Fiscalização, inclusive com a aplicação da sanção cabível. Também não encontro nos autos um “Termo de Embaraço a Fiscalização”, sendo certo que não há uma linha sequer, em todo o Relatório Fiscal, em que a autoridade fiscal exponha qualquer impedimento oferecido pela Recorrente à fiscalização durante o processo de auditoria. O que se verifica nos autos é que o Auditor Fiscal, mesmo tendo tido acesso à documentação que a Recorrente colocou à sua disposição em sua sede, conforme solicitação da primeira intimação, sem qualquer embaraço causado à fiscalização, preferiu proceder, em seguida ao arbitramento do lucro da Recorrente. Nessa hipótese, deveria o Auditor Fiscal ter refeito o Custo das Mercadorias Vendidas CMV com a glosa dos valores que não tivessem lastro documental, procedimento esse que é verdadeiramente trabalhoso, mas que é perfeitamente factível e que é justamente o que se espera de uma auditoria fiscal. É certo que a Recorrente deixou de apresentar o Livro de Registro de Inventário, sendo que a apresentação do Livro de Apuração do Lucro Real apenas ocorreu por ocasião da apresentação da Impugnação. Contudo, não há como negar que os referidos documentos que estavam à disposição da fiscalização, na sede da Recorrente, eram mais do que suficientes para que a fiscalização refizesse o CMV, mormente quando o estoque inicial, em virtude da reconhecida operação da decadência até fins de 2005. Esse é um dado que não pode ser afastado da analise da validade da autuação e da decisão da proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Contra fatos não há argumentos. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 19515.002998/201095 Acórdão n.º 1401001.056 S1C4T1 Fl. 1.925 22 E, como disse acima, entendo que o arbitramento do lucro é medida extrema e sendo possível a apuração do Lucro Real, não podem as autoridades fiscais simplesmente arbitrar os resultados tributáveis pelo simples fato de que não foram apresentados livros obrigatórios. É que, a despeito da não apresentação do livro de registro de inventário, o cálculo do Lucro Real era plenamente factível pela fiscalização, de modo que não há que se falar que a escrituração do sujeito passivo era imprestável. Tudo leva a crer que o arbitramento foi levado a cabo pelo fato de que a autoridade fiscal não dispunha de tempo hábil para a apuração do Lucro Real do sujeito passivo: de acordo com o próprio Termo de Constatação, a Recorrente efetuou compras de mais de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais) exclusivamente no anocalendário de 2006. Contudo, a premência de tempo não é suficiente para que as autoridades fiscais deixem de proceder ao cálculo do Lucro Real para adotar o arbitramento, num contexto em que apenas 16% das compras da Recorrente eram contestadas. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP, na sessão de 23/02/2012 não pode ser mantida excluindo o arbitramento, por isso voto no sentindo de dar provimento ao recurso voluntário, revogando a decisão consubstanciada através do Acórdão nº 1629.825, e, por conseguinte, exonerando a Recorrente da imposição tributária. (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta – Relator Designado Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO , Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 10768.906812/2006-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000
PETIÇÃO DE DESISTÊNCIA.
A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta.
Numero da decisão: 1801-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por desistência da Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por desistência da Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 68 12 /2 00 6- 46 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 481 2 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 36319.68874.160903.1.7.035378 em 16.09.2003, fls. 1319, nº 07489.63928.231006.1.7.038770, em 23.10.2006, fls. 2027, nº 35202.23294.231006.1.7.038475 em 23.10.2006, fls. 3639, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$549.353,19 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 1999, para compensação dos débitos ali confessados, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 Descrição (A) Valor Original – R$ (B) CSLL Apurada 0,00 ()CSLL determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (549.353,19) (=) CSLL a Pagar (549.353,19) As informações constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), apresentada pela inclusive pessoa jurídica incorporada Telecomunicações do Pará S/A foram analisadas em cotejo com os dados constantes nos registros internos da RFB, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), bem como nos documentos de arrecadação, fls. 49226. Em conformidade com o Parecer Conclusivo nº 099, de 2011, fls. 227234, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Ficou esclarecido que: Aplicamse à CSLL as mesmas normas da legislação referentes à apuração do imposto de renda, acima citadas, nos termos do disposto no artigo 28 da Lei nº 9.430/96. Em pesquisa ao sistema IRPJ, fls. 120, verificase que a sucedida apresentou 5 declarações de rendimentos retificadoras relativas ao ano de 1999, sendo que a retificadora que se encontra na situação "liberada", de no. 1195325, é que será considerada para análise do crédito em tela. O saldo negativo de CSLL na DIPJ/2000, anocalendário 1999 da sucedida, retificadora de no. 1195325, é oriundo das seguintes deduções: 1) dedução de 1/3 da COFINS efetivamente paga, deduzida das estimativas de fevereiro a dezembro (tendo sido efetuado balancete de suspensão ou redução durante todo o ano); 2) CSRF Órgão Público código de receita 6190, no valor de R$20.277,73, fonte pagadora detentora do CNPJ no. 00.394.452/043929, e, no valor de R$14,832,22, fonte pagadora detentora do CNPJ no. 26.994.558/001871, conforme informado na DCOMP no. 07489.63928.231006.1.7.038770, fls. 20 e Ficha 29 Estimativas, fls. 122, correspondentes aos períodos de janeiro e fevereiro, e; 3) estimativas pagas, de janeiro a março, da seguinte forma, segundo confessado em DCTF : janeiro parte com DARF, parte compensada com saldo Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 482 3 negativo dos períodos anteriores de 1997 e 1998; fevereiro e março pagas com DARF, conforme se demonstra na planilha a seguir, baseada nas consultas aos sistemas informatizados desta RFB constantes de fls. 128/135: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Período de Apuração CSLL Apurada Dedução de 1/3 Cofins Efetivamente Paga CSLL Devida em Meses Anteriores (balanço/balancete susp./red.) CSRF Órgão Público Deduzida CSLL a Pagar CSLL Compensada com Saldo Negativo de 1997 CSLL Compensada com Saldo Negativo de 1998 CSLL Paga com DARF 01/99 404.901,78 0,00 0,00 20.277,73 384.624,05 196.907,14 139.288,46 48.428,45 02/99 684.381,59 229.622,57 404.901,78 14.832,22 35.025,02 35.025,02 03/99 992.759,72 443.406,54 454.759,02 94.594,16 94.594,16 04/99 1.156.622,34 607.269,16 549.353,18 05/99 1.384.008,96 834.655,77 549.353,18 06/99 606.064,04 56.710,86 549.353,19 07/99 903.477,93 354.124,75 549.353,18 08/99 1.135.162,68 585.809,49 549.353,18 09/99 1.573.357,44 1.024.004,26 549.353,19 10/99 1.786.423,90 1.237.070,72 549.353,18 11/99 1.643.307,04 1.093.953,86 549.353,18 12/99 2.133.775,83 2.133.775,83 549.353,18 Total 35.109,95 514.243,23 Consultandose a DIRPJ/99, anocalendário de 98, de nº 1116119, constatase que foi apurado um saldo negativo de CSLL no valor de R$654.215,17, fls. 143. Também, consulta à DIRPJ/98, anocalendário 97, de nº 3015059, demonstra a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$729.755,97, fls. 211/213. O sistema DCTF/GER, utilizandose como parâmetro "saldo negativo de CSLL de períodos anteriores informados", aponta que apenas a estimativa de janeiro/99 (em parte) foi utilizada para compensação com o saldo negativo de 97, assim como demonstra também, que a sucedida compensou as estimativas de CSLL relativas a janeiro, fevereiro e março/2000, nos valores de R$194.505,36, R$235.737,92 e R$293.933,18, respectivamente, para compensação com o saldo negativo de CSLL, ano de 98, além do valor descrito na planilha acima, relativo a parte da estimativa de janeiro de 99, fls. 136/142. Verificase que o valor do saldo negativo do ano de 97 se mostra suficiente para a compensação com o valor da parte da estimativa de 99 compensada, juntandose em fls. 214/215 o extrato SIEF/FISCEL mostrando a validação total dos pagamentos/compensações sem DARF relativos às estimativas. Já quanto ao ano de 98, calculandose através do sistema SAPO Sistema de Apoio Operacional, se o crédito relativo ao saldo negativo de 1998 seria suficiente para utilização nas compensações com os débitos acima citados, sem processo e efetuadas diretamente em sua contabilidade, constatouse, de acordo com os relatório emitidos, fls. 144/147, ser suficiente para a compensação com os quatro débitos. Com relação ao IRRF por órgãos públicos no ano de 99, constatouse que as fontes pagadoras informadas em DCOMP (IRRF Órgão Público código de receita 6190, no valor de R$20.277,73, fonte pagadora detentora do CNPJ no. 00.394.452/043929, e, no valor de R$14.832,22, fonte pagadora detentora do CNPJ no. 26.994.558/001871, totalizando o valor de R$35.109,95, fls. 20) declararam em DIRF retenções menores que as deduzidas pela interessada: CNPJ no. 00.394.452/043929 R$7.052,75; CNPJ no. 26.994.558/001871 R$1.438,08. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 483 4 Entretanto, em DIRF consta um total de R$438.452,62 de retenções sob o código 6190, fls. 148/150. O IR, a CSLL, o PIS e a COFINS retidos na fonte poderão ser deduzidos do valor do tributo de mesma espécie devidos no ano, conforme determinado no artigo 7o. da IN/SRF/no. 480/2004, e, aplicandose a esse valor total de retenção, constante de DIRF, os percentuais constantes do Anexo I da Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 23, de 2 de março de 2001, verificase, conforme planilha abaixo, que o valor de CSRF passível de dedução no ano de 99 é compatível com o valor deduzido em DIPJ/2000. Código de Retenção 6190 % a ser aplicado (9,45) IR (4,80) CSLL (1,0) PIS/PASEP (0,65) COFINS (3,0) Retenção Total no Ano de 2000 438.452,62 222.706,09 46.397,10 30.158,12 139.191,31 Quanto à forma de pagamento da COFINS do ano de 99, consulta aos sistemas IMPRESSÃOPJ/DCTFGER e FISCEL, mostram que os valores apurados em DIPJ/2000, anocalendário 1999, após as deduções permitidas, foram confessados em DCTF, como pagamentos com DARF e compensações com DARF e constam do sistema SIEF/FISCEL, pagamentos esses que encontramse alocados aos respectivos débitos, fls. 151/190, e, 191/199, conforme planilha abaixo: Período de Apuração Cofins Retida por Órgão Público Cofins Paga com DARF Cofins Paga com Compensação Cofins Apurada 1/3 da Cofins 01/99 5.843,30 443.771,52 10.965,91 460.580,73 153.526,91 02/99 4.084,46 607.996,24 612.080,70 204.026,90 03/99 14.105,76 431.722,34 146.564,26 592.392,36 197.464,12 04/99 14.473,53 535.394,38 70.706,08 620.573,99 206.858,00 05/99 10.240,66 576.808,03 90.090,55 677.139,24 225.713,08 06/99 9.453,72 592.018,97 104.328,68 705.801,37 235.267,12 07/99 8.310,30 612.116,79 72.485,95 692.913,04 230.971,01 08/99 10.572,30 685.213,01 79.412,24 775.197,55 258.399,18 09/99 8.526,65 836.420,52 844.947,17 281.649,06 10/99 5.688,80 675.709,37 681.398,17 227.132,72 11/99 9.186,61 739.864,25 749.050,86 249.683,62 12/99 6.327,25 996.119,22 1.002.446,47 334.148,82 Total 106.813,34 7,733.154,64 574.553,67 8.414.521,65 2.804.840,55 Visando conferir certeza e liquidez ao crédito em análise, a Derat/RJODIMCO, através do despacho de fls. 87/89, solicitou diligência para verificação do saldo negativo de CSLL do ano de 1999, ressaltando o fato de que a interessada teria apresentado valores divergentes relativos à reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, tendo informado R$30.242.587,39 na linha 14 da ficha da 30 "Cálculo da CSLL", e, R$ 3.466.195,62 na linha 19 da Ficha 10 "Demonstração do Lucro Real". Houve diligência para apuração desses fatos da qual se pode inferir: Referidas provisões, se são não dedutíveis, não poderiam afetar o lucro líquido do exercício LLE, base de cálculo da CSLL, nem quando de sua constituição, nem quando cie sua reversão. Quando essas provisões são constituídas deve haver o devido lançamento contábil à conta de Despesas, com a conseqüente Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 484 5 adição desse valor na apuração da base de cálculo do LLE, de forma que essa base de cálculo não sofra os efeitos da dedução daquela despesa no lucro líquido contábil. Em contrapartida, no momento em que se dá a sua reversão, deve haver o devido lançamento contábil a crédito da conta de resultado do exercício, aumentando assim o lucro líquido contábil, por meio de uma receita com a reversão, a qual deve ser declarada na linha 28 da ficha 07A da DIPJ, e, para que não houvesse efeitos sobre a base de cálculo da CSLL, uma vez que, repisese, tais provisões são não dedutíveis, o valor da reversão anteriormente somado ao lucro contábil, aí sim, poderia ser subtraído da CSLL através da linha 14 da ficha 30 da DIPJ em tela. Este porém não foi o procedimento adotado pela interessada, a reversão de R$30.242.587,39 foi excluída da CSLL (linha 14 da ficha 30 da DIPJ/2000, fls. 121), sem ter sido adicionada ao lucro líquido contábil, linha 28 da ficha 07A da DIPJ/2000, fls. 206, na qual consta como Reversão de Provisão não Dedutível o valor de apenas R$1.893.128,56, reduzindo indevidamente a base de cálculo da CSLL, e consequentemente, o valor da CSLL anual. Refazendose os cálculos da contribuição, após as constatações vêse que inexistiria saldo negativo de CSLL e sim contribuição a pagar, conforme abaixo: 11.880.075,29 LLE 38.027.174,35 Soma das Adições 0,00 () Reversão dos saldos das Provisões Não Dedutíveis 0,00 Soma das Exclusões 49.907.249,64 LLE+soma adições soma das exclusões (BC CSLL) 4.491.652,47 49.907.249,64 x 9% (CSLL apurada) 549.353,19 Estimativas Deduzidas 0,00 IRRF deduzido 3.942.299,28 CSLL a pagar [...] Com fundamento nas informações contidas no Parecer Conclusivo DIORT/DEMAC/RJO n.° 099/2011 de fls. 216/222, que é parte integrante deste Despacho Decisório, considerando tudo mais que do processo consta; no uso da competência do artigo 295 inciso VI do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista a delegação de competência disposta no artigo 6 da Portaria DEMACRJO n.° 028, de 28/02/2011, publicado no D.O.U. de 02/03/2011; em consonância com o que dispõe o artigo 63 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, DECIDO: NÃO HOMOLOGAR a compensação efetuada através das DCOMP eletrônicas no. 07489.63928.231006.1.7.038770 e no. 35202.23294.231006.1.7.03 8475, cujo crédito se refere a Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 1999, exercício de 2000, no valor de R$ 549.353,19 (quinhentos e quarenta e nove mil trezentos e cinqüenta e três reais e dezenove centavos), utilizado por TELEMAR NORTE LESTE S/A, CNPJ nº. 33.000.118/000179, saldo esse oriundo da empresa sucedida por incorporação TELECOMUNICAÇÕES DO PARÁ S/A, detentora do CNPJ no. 04.815.411/000196. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 485 6 Cientificada em 08.07.2011, fl. 238, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 08.08.2011, fls. 247260, com os argumentos a seguir sintetizados. Tece esclarecimentos sobre os fatos e suscita: 3.1. Da decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 1999. A declaração de informações econômicofiscais da Requerente (DIPJ) aponta, de forma inequívoca, a existência de saldo negativo no valor de R$549.353,19, tal como informado no PER/DCOMP [...]. Em vista do que consta na documentação fiscal da Requerente, não poderia o Fisco, em 2011 (data do despacho decisório), pretender reapurar o saldo negativo do período, questionando pontos específicos da apuração declarada. Tal conduta (a de questionar a validade de fatos já atingidos pelo prazo decadencial) é absolutamente vedada, uma vez que se trata de período já abrangido pela decadência, ou seja, de situação jurídica já consolidada e que não pode mais ser alterada ou desconsiderada [ § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional]. [...] Em síntese: o crédito da Requerente apurado em sua DIPJ do anocalendário de 1999 representa uma situação jurídica consolidada, impassível de desconstituição pelo Fisco, em razão de preclusão temporal. Assim, deve ser reconhecido o saldo negativo da empresa tal como informado na DIPJ, e, por conseqüência, a validade da compensação realizada, de modo a extinguir todos os débitos quitados através da PER/DCOMP. 3.2. Prazo de guarda de documentos. Ultrapassada a questão anterior, o que se admite apenas pelo princípio da eventualidade, o fato é que a compensação jamais poderia não ter sido homologada por ausência de documentação capaz de comprovar o saldo negativo de 1999 [art. 37 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996]. [...] Desta forma, não sendo exigível a manutenção dos documentos, a sua ausência não pode ser motivo para desqualifícação das receitas registradas nas declarações fiscais do contribuinte, o que ocorreu no caso dos autos, em que a autoridade fiscal exige da empresa em 2011 o LALUR do ano de 1999. Em casos como este, em que já transcorrido o prazo para guarda de documentos, a prova da natureza das deduções/exclusões passa a ser o documento fiscal no qual fora registrado (DIPJ), disponibilizado à RFB. 3.3. Da prova documental da exclusão realizada a título de "reversão do saldo das provisões não dedutíveis". Como já foi visto, além do problema da comprovação das retenções (cujo valor é pequeno), a principal questão discutida nos autos é a comprovação da reversão do saldo das provisões não dedutíveis [art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999)]. Apesar da empresa não ser obrigada a guardar documentação referente a operações de doze anos atrás, o fato é que a empresa já apresentou documentação contábil que demonstra essas exclusões. [...] Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 486 7 Em conclusão, tendo sido juntado aos autos diversos documentos que demonstram as exclusões informadas na linha 14 da ficha 30 da DIPJ de 1999, não pode haver dúvidas quanto ao montante deduzido pela Requerente em sua DIPJ (R$ 30.242.587,39). 3.4. Da CSLL retida por órgãos públicos. Conforme já demonstrado anteriormente, o saldo negativo de CSLL que gerou o crédito da presente compensação foi obtido através de deduções de (i) CSLL retida na fonte por Órgãos Públicos; (ii) estimativas compensadas com DARF e/ou saldo negativo de CSLL de períodos anteriores e pagas com DARF;e (iii) 1/3 da COFINS efetivamente paga, deduzida das estimativas de fevereiro a dezembro. [...] Nesse sentido, merece reforma o Despacho Decisório para considerar pelo menos o valor de R$8.490,83 como sido retido na fonte por Órgãos Públicos, valor este passível de dedução da CSLL de 1999. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À vista do exposto, pede a Requerente seja dado integral provimento à presente manifestação de inconformidade, para homologar a compensação aqui discutida. Nesses termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1240.509, de 16.09.2011, fls. 358366: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor: O cálculo da CSLL após os ajustes demonstra que não há saldo negativo, conforme abaixo: LLE 11.880.075,29 Soma das Adições 38.027.174,35 () Reversão dos saldos das Provisões Não Dedutíveis 0,00 Soma das Exclusões 0,00 LLE+soma adições soma das exclusões (BC CSLL) 49.907.249,64 CSLL apurada 4.491.652,47 Estimativas 549.353,19 CSLL Retida 898,50 CSLL a pagar 3.941.400,78 Restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 487 8 COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA APURAÇÃO EFETUADA PELA CONTRIBUINTE. DECADÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros, inclusive a apuração de eventual saldo negativo do IRPJ, indicado pela contribuinte na declaração de rendimentos. SALDO NEGATIVO CSLL. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Notificada em 16.04.2012, fls. 370 e 438, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.05.2012, fls. 386394, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta: Em que pesem os argumentos trazidos pela DRJ, o fato é que o acórdão recorrido merece pronta reforma pelo seguinte: a) impossibilidade de se pretender reapurar, em 2011 (ano em que proferido o despacho decisório), o saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999, pois ele representa uma situação jurídica já consolidada, em razão do decurso do prazo decadencial previsto no § 4o do art. 150 do CTN; b) há nos autos documentos que demonstram as exclusões informadas na linha 14 da ficha 30 da DIPJ do ano de 1999; e c) em relação às deduções referentes à retenção na fonte por órgãos públicos, a Fiscalização deveria ter considerado, para fins de apuração do resultado do exercício, os valores confirmados nas DIRFs das fontes pagadoras. Em relação à CSLL retida na fonte por órgão público diz que: Aplicando o percentual de retenção para o valor retido no código 6190 (R$438.452,62), é possível verificar que a CSLL indicada nessas DIRFs chega a R$46.397,107, isto é: valor muito superior ao reconhecido pelo acórdão da DRJ e suficiente para totalizar o montante retratado no PER/DCOMP (R$35.109,95). Assim, os valores das DIRFs citadas no referido relatório são prova inequívoca, gerada pela própria Receita Federal, da existência das retenções nelas indicadas, de modo que devem ser reconhecidos para compor o saldo negativo argui pleiteado. Vale registrar que o fato de algumas retenções sofridas terem sido, informadas no PER/DCOMP com o CNPJ errado das fontes pagadoras, ou mesmo com o valor incorreto da CSLL, não impede o direito ao crédito da contribuição imposto retida. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 488 9 Conclui Diante do exposto, a Recorrente pede que seja dado provimento ao seu recurso voluntário, para homologar as compensações aqui discutidas e extinguir todos os débitos relacionados. Nesses termos, pede deferimento. A Recorrente apresentou a petição de desistência total do recurso voluntário, fls. 439441. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário. Acerca da desistência total do recurso voluntário, estabelece o art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] §3° No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010). A Recorrente, por meio da petição, fls. 449441, apresentou desistência total do recurso voluntário e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Por conseguinte, não há mais litígio por falta de objeto. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.906812/200646 Acórdão n.º 1801001.852 S1TE01 Fl. 489 10 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.905929/2011-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 816 1 815 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.905929/201161 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.919 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 59 29 /2 01 1- 61 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905929/201161 Acórdão n.º 3803005.919 S3TE03 Fl. 817 3 efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 12 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de abril de 2013, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905929/201161 Acórdão n.º 3803005.919 S3TE03 Fl. 818 5 Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: IN SRF 468/04: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905929/201161 Acórdão n.º 3803005.919 S3TE03 Fl. 819 7 preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905929/201161 Acórdão n.º 3803005.919 S3TE03 Fl. 820 9 dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 825DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.905929/201161 Acórdão n.º 3803005.919 S3TE03 Fl. 821 11 Fl. 826DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.008508/2001-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 1999
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, ASSISTÊNCIA TÉCNICA, INSTALAÇÃO E REPAROS EM EQUIPAMENTOS E SISTEMA DE RÁDIO. SUMULA CARF Nº 57.
SUMULA CARF Nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1201-000.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso.
(documento assinado digitalmente)
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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EM TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 1999 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, ASSISTÊNCIA TÉCNICA, INSTALAÇÃO E REPAROS EM EQUIPAMENTOS E SISTEMA DE RÁDIO. SUMULA CARF Nº 57. SUMULA CARF Nº 57: “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 85 08 /2 00 1- 26 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 127 2 JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada por meio da resolução nº 3011.944. Tendo em vista a riqueza de detalhes, segue transcrito relatório da Conselheira Valdete Aparecida Marinho: “Tratase de Recurso Voluntário, onde a Recorrente através de procurador habilitado e tempestivamente, alega que preenchendo os requisitos da Lei 9.317/96 fez opção pelo SIMPLES e que a mesma pretensão foi indeferida sob o fundamento de violação ao inciso XIII, do artigo 9º, da Lei n° 9.317/96, tendo apresentado razões de inconformismo. Segundo a Recorrente, essas razões de inconformismo foram rejeitadas pois entendeu o Nobre Julgador que as atividades descritas "...em sua página na rede de computadores divulga qualidade de alta especialização no ramo de telecomunicações...". A Recorrente, dando seguimento ao seu recurso administrativo apresentado discorre sobre "O PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE TRIBUTARIA E O ATO ADMINISTRATIVO COMO ESPÉCIE DO GÊNERO ATO JURÍDICO", a partir de fls. 67 dos autos. Resumidamente, nesse tópico do recurso discorre sobre as limitações constitucionais ao poder de tributar e conclui por afirmar que "o ato administrativo que declara exclusão das empresas é ato jurídico, cujos requisitos legais devem estar devidamente motivados, sob pena de nulidade." Ainda, afirma em seu recurso: "Criticase o fato de que não podem optar pelo SIMPLES "assemelhados", sem a especificação típica do Direito Tributário, violando o princípio da legalidade e da taxatividade para dar vazão a critério da autoridade, e não das normas de direito tributário" Também, afirma: "A impropriedade da exclusão é clara em face do que dispõe o art. 146, inciso III, alínea "d" da Constituição Federal, inclusive frente à Emenda Constitucional n° 42, que dispõe: (...)". "Portanto, sem a definição do que seja Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 128 3 tratamento diferenciado ao micro e pequeno empresário, não há como excluilo do SIMPLES, já que a norma constitucional menciona expressamente que o simples "favorecimento", já significa um benefício, visando fomentar a atividade comercial daqueles que possuem menos recursos." Em fls. 68 a 71 transcreve posicionamento de "Marcelo Magalhães Peixoto" sobre o tema, que no seu entender deixa claro as razões do recurso apresentado, que para não ser repetitivo, poderá ser lido em sessão. A Recorrente, finaliza essa parte do recurso fazendo essas duas próximas afirmações: "Mencionese, ainda, que informe publicitário não se presta a caracterizar as vedações previstas no inciso VIII, do artigo 9º, da Lei n° 9.317/96, a "desenquadrar" o contribuinte no que diz respeito a adoção ou não do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples." "Logo, em respeito ao princípio da taxatividade tributária, a vedação da analogia para exigir tributo não previsto em lei e em razão da interpretação da norma da maneira mais favorável ao contribuinte, a decisão do Nobre Julgador Originário, há de ser reformada." Dando sequência ao Recurso Voluntário, a Recorrente a partir de fls. 71 dos autos apresenta análise do que chamou de: "0 CARÁTER PESSOAL DOS IMPOSTOS E 0 PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA". Como destaque selecionamos as seguintes afirmações: "A literalidade do verbo 'favorecer" significa proporcionar favor, auxilio, ajuda, apoio. Portanto, o fato da exclusão, mediante ato administrativo, contraria a finalidade teleológica da norma constitucional: a manutenção de benefícios fiscais para as micros e pequenas empresas. (..)" "Ora, se a norma constitucional, de cunho programático, fixa a diretriz para a consecução dos fins a que se destina, não pode o Poder Executivo, por ato próprio, excluir da atividade do SIMPLES aquelas empresas que atenderam aos requisitos de opção, pela absoluta inexistência de lei posterior regulamentando a matéria, até porque não se pode dizer quais atividades são abrangidas pelas categorias profissionais, tendo em vista a necessidade de verificação física de cada uma delas." Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 129 4 "O que se diz é que excluindo, a seu critério, as empresas do regime de tributação originado pela Lei Federal n" 9.317/96, o Poder Executivo está a atentar contra o princípio da capacidade contributiva e do caráter pessoal dos impostos, especialmente pela imposição do pagamento retroativo dos tributos devidos desde o momento em que se opera a exclusão aos contribuintes que tenham atividade considerada "vedada" a permanecer no SIMPLES. E a limitação constitucional ao poder de tributar evidencia a plausibilidade do argumento, conforme parágrafo primeiro do art.146 da Carta Constitucional:" "Evidente a tipicidade que caracteriza o pressuposto de opção ao regime tributário: a receita bruta anual. 0 legislador não disse em momento algum que seriam vedadas as atividades profissionais especificas, não se podendo excluir uma micro ou pequena empresa do regime, a teor e conteúdo de uma condição "assemelhada" à empresa que tenha em seus quadros societários, integrantes de profissão cuja habilitação seja legalmente exigida." "Assim, excluir indiscriminadamente, e ainda cobrando retroativamente os tributos decorrentes de fator geradores pretéritos, é uma sanção que não pode nem deve ser imposta ao contribuinte, mormente o mesmo não tenha dado causa direta ou indiretamente ao fato da exclusão, a juízo da autoridade administrativa." "Se a exclusão se der pela vedação ao exercício da atividade comercial a juízo próprio da autoridade, em prejuízo direto da tributação simplificada, em face da opção do contribuinte ter sido realizada por ocasião da receita bruta anual, estaremos diante do malferimento do princípio da capacidade contributiva e da isonomia tributária, vez que o contribuinte excluído, além de pagar retroativamente os tributos devidos à época da exclusão, passará, a ter a tributação correspondente a empresas de grande porte, que pagarão os mesmos tributos, com as mesmas alíquotas e as mesmas bases de cálculo, em consequência, os que menos faturam pagarão mais tributos do que aqueles que faturam em maiores valores." "Se as evidencias indicam que as microempresas e empresas de pequeno porte estão atendendo o escopo constitucionalmente positivado, qual seja, o de fortalecer o desenvolvimento econômico e social, presumese que, com a exclusão, o fisco pretende na verdade aumentar a arrecadação, causando prejuízos diretos ao segmento das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte." Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 130 5 Na sequência do Recurso Voluntário a Recorrente através de seu patrono passa a tratar dos "DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS", destacando que houve uma ilegal determinação da Secretaria da Receita Federal em desenquadrar o contribuinte do Simples, pois diante do artigo 170 da CF, é nítido o direito mesmo, pois este artigo determina um tratamento favorecido às microempresas e as demais empresas de pequeno porte. Que a autoridade competente não levou em consideração o tratamento diferenciado concedido pela Constituição Federal, pois não tendo dispositivo legal para desenquadrar o contribuinte do Simples, essa desconsiderou os princípios constitucionais e desenquadrouo como se fosse a Lei Maior do Ordenamento Jurídico. Valeuse da citação do artigo 150 da CF que trata do princípio da Legalidade e afirmou que o agente público ignorou os princípios constitucionais aplicando de forma discricionária entendimento contrário ao espirito da Constituição, que por sua vez prejudicará o contribuinte. Finalizando essa parte do recurso, concluiu: " (...) não existir previsão expressa em lei, que veda o contribuinte de exercer a sua atividade na sistemática do Simples, a autoridade administrativa não poderia têlo desenquadrado, pelo mero fato de considerar, a atividade dele assemelhada com as atividades vedadas por lei". Em conclusão de fls. 77 requer: a)"reforma integral da referida decisão que julgou a solicitação de revisão da exclusão do Simples improcedente por inconstitucional e ilegal o seu desenquadramento do Sistema Simplificado (Simples), sob pena de afronta aos dispositivos já mencionados;" b) "sejam mantida a Recorrente no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples)" c) " e que sejam cancelados e arquivados os referidos Atos Declaratório Executivo de exclusão, pois só assim estará sendo distribuída a mais perfeita e escorreita JUSTIÇA." Submetido ao julgamento da Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, o julgamento foi convertido em diligência para buscar a real atividade exercida pelo contribuinte. Nesse contexto a fiscalização expediu termo de verificação fiscal nº 01/2009, por meio do qual solicitou ao contribuinte: (i) Demonstrativo das receitas discriminadas mês a mês e por tipo de atividade exercida pela empresa no período de mai/99 a dez/07, (ii) Documentos comprobatórios da elaboração do demonstrativo do Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 131 6 item anterior, especialmente notas fiscais de venda/prestação de serviço, (iii) Livro Caixa, folha de pagamento funcionários, autônomos, Livro de apuração do ISSQN. O contribuinte apresentou as notas fiscais de fls. 95 a 107, relativas aos anos de 1999 a 2007. A fiscalização emitiu novo termo de verificação, solicitando a descrição detalhada a atividade exercida e o tipo de serviço prestado referente às notas fiscais apresentadas. Às fls. 110 a 113 o contribuinte especificou as atividades de cada nota fiscal: (i) instalação, teste e ativação do equipamento do sistema satélite terrestre para liberação do canal de frequência junto a Anatel, (ii) instalação e ativação do equipamento de sistema de rádio para liberação do canal frequência junto a Anatel, (iii) montagem de antena, préteste e mandatário no sistema satélite para liberação do canal frequência junto a Anatel, (iv) manutenção corretiva no sistema rádio com o objetivo de reativar o sistema no ar (deixar o sistema operacional normalizado) e (v) reparação de placas e devolução para a empresa. Retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. O cerne da questão restringese à definição da real atividade exercida pelo contribuinte para verificar a possibilidade de sua inclusão no SIMPLES. Para tanto foi realizada diligência, determinada pelos membros da Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. As atividades relativas às notas fiscais acostadas aos autos, foram assim descritas: (i) nf 00013/99 instalação, teste e ativação do sistema satélite na estação CNI Vitória/ ES, (ii) nf 00029/99 instalação e ativação de sistema de rádio – cliente teconet (Piracicaba), (iii) nf 00113/00 instalação de sistema de rádio na rede CNI Florianópolis, (iv) nf 00278/00 montagem de antena, pré teste e mandatário no sistema satélite na rede Campos/RJ, (v) nf 00593/01 manutenção corretiva no sistema rádio da rede FS Muria em S.J do Rio Pardo, (vi) nf 00900/01 Manutenção corretiva no sistema rádio da estação tecnol corsini em Campinas, (vii) nf 066/02 Manutenção corretiva no sistema rádio na rede Saturno em Itu/SP, (viii) nf 282/02 Manutenção corretiva no sistema rádio fora do horário comercial na rede GELPLASTIC (GEVISA) em Campinas/SP, (ix) nf 480/03 referente ao serviço de instalação do sistema rádio no mês de dezembro/2002, (xi) nf 776/04 Referente ao serviço de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 132 7 instalação do sistema rádio acesso no mês de fevereiro/2004 em Itupeva, (xii) nf 963/05, nf 981/06 e nf 001/07 placas reparadas e devolvidas. Do resultado da diligência, notase que a atividade exercida pelo contribuinte referese à manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em equipamentos e sistema de rádio. Cumpre, ainda, observar os valores das notas fiscais acostadas, os quais variam entre R$ 500 e R$ 2.300,00. A Lei 5194/66 (Regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e EngenheiroAgrônomo, e dá outras providências) caracteriza as atividades da seguinte maneira: “Art. 1º As profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiroagrônomo são caracterizadas pelas realizações de interesse social e humano que importem na realização dos seguintes empreendimentos: a) aproveitamento e utilização de recursos naturais; b) meios de locomoção e comunicações; c) edificações, serviços e equipamentos urbanos, rurais e regionais, nos seus aspectos técnicos e artísticos; d) instalações e meios de acesso a costas, cursos e massas de água e extensões terrestres; e) desenvolvimento industrial e agropecuário.” E, define como atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiroagrônomo: “Art. 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiroagrônomo consistem em: a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais, autárquicas, de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 133 8 e) fiscalização de obras e serviços técnicos; f) direção de obras e serviços técnicos; g) execução de obras e serviços técnicos; h) produção técnica especializada, industrial ou agro pecuária.” Ora, do exposto tornase evidente que as atividades realizadas, no caso, não eram complexas e não envolviam qualquer das atividades mencionadas nos artigos transcritos e, por isso, não exigiam profissional habilitado para o seu exercício. A matéria em debate foi sumulada pelo Conselho, conforme segue: “Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Desse modo, tendo em vista a real atividade exercida pelo contribuinte, que não equiparase à de engenheiro, bem como o disposto na súmula transcrita, dou provimento ao Recurso para inclusão no contribuinte na sistemática do Simples desde 20 de maio de 1999. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 10830.008508/200126 Acórdão n.º 1201000.943 S1‐C2T1 Fl. 134 9 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 2/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ
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Numero do processo: 10925.907263/2012-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 63 /2 01 2- 15 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 4.867,14, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/09/2003. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907263/201215 Acórdão n.º 3803005.764 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907263/201215 Acórdão n.º 3803005.764 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907263/201215 Acórdão n.º 3803005.764 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16349.000271/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.478
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o processo em diligência nos termos do relator designado. Vencido o Cons. Fernando Luiz da Gama Lomo dEça. Designado o Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto e Relator Designado.
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator
EDITADO EM 22/04/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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Vencido o Cons. Fernando Luiz da Gama Lomo d’Eça. Designado o Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto e Relator Designado. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA – Relator EDITADO EM 22/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/FNS nº 0727.583 de 28/02/12 (fls. 1.798/1832) e exarado pela da 4ª Turma da DRJ de Florianópolis SC que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 207/243, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 167/168) e respectiva informação fiscal (fls. 149/167) da DRF de Itajaí SC, que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressacimentos (PER) no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 27 1/ 20 09 -1 9 Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 16349.000271/200919 Resolução nº 3402000.478 S3C4T2 Fl. 101 2 valor de R$ 1.302.006,01 relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa apurado no 1º trimestre de 2006 e respectivas Dcomps a ele vinculadas. Consoante esclarece a r. decisão ora recorrida a partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes a: “1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 da ficha 16A Do valor informado a título de "Bens Adquiridos para Revenda", foram glosados os valores das aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, de acordo com o inciso X do art. Ia da Lei na 10.925/2004, no caso, "X leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano. (Incluído pela Lei nº 11.051. de 2004)". 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 16A Inicialmente, o auditor fiscal relata que, em desconformidade com o requerido no Termo de Intimação, o critério estabelecido de separar as informações de acordo com as linhas do Dacon somente foi observado para a base de cálculo informada na linha 09, "Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação)", das fichas 06A e 1 6A do Dacon. Informa que para as demais bases de cálculo, a empresa apresentou as memórias discriminando as aquisições dos bens utilizados como insumos, no mesmo arquivo digital contendo os itens referentes a outras rubricas do Dacon, apenas com a indicação da alíquota utilizada (7,6% ou 4,56%) e que tratava dos créditos apurados nas fichas 06A, 16A, nomeadas da seguinte forma: DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS JANEIRO 2006. txt; DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS SEM CFOP JANEIRO 2006. txt. Informa que a forma como a empresa entregou as memórias de cálculo, sem a perfeita identificação da linha do Dacon, dificultou a comprovação do seu direito ao crédito da contribuição. Com a finalidade de determinar os valores corretos das aquisições dos bens utilizados como insumos a serem informados na linha 02, das mencionadas fichas do Dacon, a autoridade fiscal excluiu: 2.1) os itens nos quais o CFOP (Código Fiscal de Operações e de Prestações) corresponde a outras rubricas do Dacon (tais como: Compra para comercialização, Industrialização efetuada por outra empresa, Compra de energia elétrica e Aquisição de serviço tributado pelo Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza); Após a exclusão dos itens acima, foram excluídos os valores: 2.2) dos itens cujos CFOP não correspondem a aquisição de insumo (tais como: Transferência para comercialização, Retorno de animal do estabelecimento produtor, Compra de bem para o ativo imobilizado, Compra de material para uso ou consumo, Entrada para industrialização por encomenda, Compra para recebimento futuro, entre outros); 2.3) das aquisições de produtos cuja alíquota foi reduzida a zero; Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 16349.000271/200919 Resolução nº 3402000.478 S3C4T2 Fl. 102 3 2.4) dos serviços de fretes que não geram direito a crédito a título de “bens utilizados como insumo” – foram glosados os serviços contratados para transferências de produtos acabados entre filiais, escriturados nas contas "Frete Tramf.Prod. Acabados (UP p/Filiais)", conta contábil n.° 5.01.01.12.01.01.48 e "Frete Transf.Prod.Acabados (Entre Filiais)", conta contábil n.° 5.01.01.12.01.01.49, conforme registro sintético existente nos balancetes dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006. 2.5) das aquisições de materiais de embalagens utilizadas para o transporte dos produtos acabados; 2.6) do IPI incidente na compra de insumos; 2.7) das devoluções de compras de insumos, fornecidos por pessoa jurídica e não submetidos à alíquota zero; 3. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais Calculados à alíquota de 4,56% linha 25 Da base de cálculo do crédito presumido foram excluídos valores relativos a aquisições de pessoas jurídicas, indicados com a alíquota de Cofins 4,56%. Informa o auditor fiscal que essas aquisições foram consideradas na base dos créditos calculados à alíquota de 7,6%. Nos termos do caput do art. 82 da Lei nº 10.925/2004, às aquisições de pessoas físicas foram aplicadas: a alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%) para os demais insumos. 4. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumos, linha 02 da ficha 16B Dos valores informados nessa linha, conforme memória de cálculo apresentada, foram glosados os valores: dos bens importados sob o regime aduaneiro especial drawback (notas com CFOP 3127); dos bens importados para serem incorporados ao ativo imobilizado (CFOP 3551); e dos bens para uso e consumo (CFOP 3556). Forma de apuração do crédito de Cofins nãocumulativa Rateio das Exportações Considerando que a interessada utiliza o método de rateio proporcional, a autoridade fiscal, a partir dos valores das receitas declarados em Dacon, apurou a proporção entre as receitas vinculadas às aquisições de bens e serviços que geram direito ao crédito e a receita bruta total de vendas de bens e serviços, a ser aplicada sobre os valores dos custos, despesas e encargos comuns, incorridos no mês, conforme segue: (...). Apuração do Crédito Aplicando os percentuais acima sobre os valores de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns reconhecidos, a autoridade fiscal calculou os valores dos créditos relativos a aquisições no mercado interno e a importações, vinculados à receita tributada no mercado interno, à receita nãotributada no mercado interno e à receita de exportação, nos meses do lº trimestre de Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 16349.000271/200919 Resolução nº 3402000.478 S3C4T2 Fl. 103 4 2006. Em relação aos cálculos desses créditos, demonstrados no relatório, registra: 1. o valor indicado do “Total da Cofins apurada no mês” foi extraído da ficha 25B do Dacon da interessada e não se constituiu em objeto de procedimento de fiscalização, o qual ainda poderá ser realizado, respeitado o prazo decadencial; 2. os créditos relativos a: (1) aquisições no mercado interno vinculados à receita nãotributada no mercado interno, (2) relativos a importações vinculados à receita nãotributada no mercado interno e (3) relativos a importações vinculados à receita de exportação foram integralmente utilizados para desconto da contribuição apurada, não restando créditos desses tipos remanescentes, disponíveis para ressarcimento e compensações. Esclarece que após a utilização de todos os tipos de crédito, ainda seria necessária a utilização de parte dos créditos referentes às aquisições no mercado interno vinculados à receita de exportação para deduzir a contribuição apurada no mês – no valor de R$ 779.587,94, conforme informados pela empresa na ficha 24 do Dacon Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação e na Ficha 28B Saldos de Créditos Não Utilizados até 3 1/12/2005 Cofins. No entanto, informa e explica a impossibilidade do aproveitamento de ofício deste crédito, para fins de "Crédito Descontado no Mês".” Da mesma forma a decisão de fls. 1.798/1832 da 4ª Turma da DRJ de Florianópolis SC, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 207/243, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 167/168) e respectiva informação fiscal (fls. 149/167) da DRF de Itajaí – SC, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2006 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DE SUAS ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 16349.000271/200919 Resolução nº 3402000.478 S3C4T2 Fl. 104 5 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo Dacon. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Quando o contribuinte adquire bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições nãocumulativas, por disposição legal expressa, não tem direito a crédito sobre tais aquisições, independentemente de suas vendas serem ou não tributadas. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da nãocumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) preliminarmente a conexão do presente processo com os processos que indeferiram os pedidos de restituição e compensações de PIS e COFINS que deveriam ser julgados em conjunto; b) que as glosas decorrentes da diferença entre DACON e memória de cálculo são improcedentes, haja vista que decorrem de equívoco por parte da Recorrente na elaboração das memórias de cálculo, além do fato de que a r. autoridade fiscal, ao realizar as glosas, não analisou detidamente as mercadorias glosadas e sua caracterização como insumo, para fins de possibilitar o creditamento; c) a nulidade da r. decisão da DRJ, sem análise dos esclarecimentos e a documentação acostada que justificariam as supostas divergências ou analisada a pela Recorrente no decorrer do processo; d) que a suposta a divergência entre as memórias de cálculo apresentadas e os DACON's Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 16349.000271/200919 Resolução nº 3402000.478 S3C4T2 Fl. 105 6 decorrereria de simples erro na migração de dados contábeis para planilhas, e que a comprovada regularidade da apropriação dos créditos do PIS e COFINS com base nos balancetes de verificação, torna insubsistentes os lançamentos e a r. decisão que os manteve; e) que as restrições ao creditamento das contribuições prenderseiam a uma indevida interpretação restritiva do conceito de insumos da atividade da Recorrente; f) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões de consulta e decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita, g) que em sua impugnação já demonstrou que os CFOP's n° 1931 e 2931 correspondem a operações de serviços de transporte realizado de insumos adquiridos e das mercadorias industrializadas, e que as notas fiscais emitidas com o CFOP n° 1124 referemse a serviços de abate e processamento prestados pela empresa ARANTES ALIMENTOS LTDA., motivo pelo qual o creditamento nestas operações seria válido, eis que referemse a serviços de abate de aves e gado e processamento de carne destinada à exportação para oriente médio e conforme os requisitos do mercado internacional; h) relativamente a glosa dos fretes de produtos acabados, relativos às transferências realizadas entre os estabelecimentos da empresa em caminhões refrigerados são absolutamente imprescindíveis à atividade e à geração de receita da Recorrente, constituindose em verdadeiro insumo, motivo pelo qual devem ser julgadas improcedentes as glosas realizadas; i) no que toca ao material de embalagem (pallets, filme plástico, dentre outros) também consubstanciam insumos indispensáveis as operações e transportes das mercadorias industrializadas vez que os pallets são estruturas nos quais as mercadorias produzidas pela Recorrente são empilhadas e embaladas com filme plástico, viabilizando o seu transporte, o seu posicionamento nos caminhões ou mesmo nos contêineres, de modo a garantir a segurança do transporte e, sobretudo, para garantir a qualidade do produto final e portanto são insumos necessários para a venda do produto final e, portanto, para as atividades da empresa tal como reconhecido pela Jurisprudência; j) igualmente os serviços de carga, descarga e transbordo, de lavagem e higienação de uniformes/indumentárias, de inspeção sanitária e de armazenagem dos produtos, são indispensáveis à realização da atividade da Recorrente e necessários à geração de receita conferem direito a crédito; l) insumos importados, as partes e peças de reposição de máquinas destinadas à produção de alimentos, por serem importados com o recolhimento do PIS e da COFINS conferem direito a crédito; m) "bens adquiridos para a revenda" e "bens utilizados como insumos", adquiridos à alíquota zero também geram direito de crédito; n) que os créditos presumidos foram regulamente apropriados utilizando o percentual de 60%, nos termos do art. 8° § 3º, inc. I da Lei n° 10.925/2004; que os descontos incondicionados não se incluem na base de cálculo do PIS e da COFINS; o) a ilegalidade da exigência da multa punitiva da sucessora tributária. É o Relatório. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 16349.000271/200919 Resolução nº 3402000.478 S3C4T2 Fl. 106 7 Voto Submetido o processo a julgamento, na qualidade de relator original do presente processo, por me considerar devidamente esclarecido dos fatos, ousei divergir da d. Maioria vez que meu voto adentrava ao exame de mérito da questão, razão pela qual restei vencido na diligência proposta pelo relator ora designado e acolhida pela C. Turma, que se mostrava contraditória com a própria fundamentação de meu voto de exame de mérito. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator Designado. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia não se subsumirem a regra acima descrita. Neste contexto foram glosados diversos itens que nos termos da Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004 não se enquadram ao conceito de insumo. Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada bem glosado pela Autoridade Fiscal que entendeu não se enquadrar no conceito de insumo, no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 16349.000271/200919 Resolução nº 3402000.478 S3C4T2 Fl. 107 8 análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, em 25/10/2012 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA
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