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5032250 #
Numero do processo: 10680.014369/2007-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não tendo o sujeito passivo logrado afastar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas apurada pela fiscalização, deve ser mantido o correspondente lançamento. MULTA OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõe-se a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014369/2007­26  Acórdão n.º 2801­003.096  S2­TE01  Fl. 109          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  9ª  Turma da DRJ/BHE/MG.  Por  bem  descrever  os  fatos,  reproduz­se  abaixo  o  relatório  da  decisão  recorrida:  “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de  Infração  acostado  As  fls.  02/06,  relativo  ao  imposto  de  renda  pessoa  física  (IRPF)  do  exercício  2004,  que  lhe  exige  crédito  tributário no valor total de R$61.190,91, distribuídos da seguinte  forma:  ­ imposto suplementar (2904) R$27.225,00   ­ multa de oficio R$20.418,75   ­juros de mora (calculado até 31/08/2007) R$13.547,16   ­ total R$61.190,91  Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 07/11, o  contribuinte  foi  selecionado  para  fiscalização  em  razão  de  Representação  Fiscal  emitida  por  Equipe  Especial  de  Fiscalização  que  foi  designada  para  apurar  indícios  de  irregularidades  em  operações  realizadas  ,  dentre  outros,  pelo  Grupo Schincariol.  Informa a autoridade lançadora que a referida equipe encontrou  um comprovante de depósito bancário no valor de R$99.000,00,  feito  por  meio  de  Transferência  Eletrônica  Disponível  (TED/fl.29),  da  conta  corrente  n°  02011982­3,  Agência  0306,  Banco Mercantil do Brasil, titularidade Rubira Distribuidora de  Bebidas  Ltda  para  a  conta  n°  081184200­6,  Agência  n°  175,  Banco Sudameris,  titularidade José Ricardo Esteves Rodrigues,  CPF 131.245.796­15. Confrontando­se o recibo encontrado com  a declaração de ajuste anual/2004 do beneficiário do depósito,  constatou­se que a quantia recebida não foi informada ao Fisco.  Em face do fato relatado, o contribuinte foi intimado a justificar  a  omissão  e  a  informar  a  natureza  jurídica  desse  depósito,  devendo  suas  alegações  virem  acompanhadas  dos  documentos  que as sustentassem.  Em  resposta  à  intimação  o  contribuinte  informou  que  a  importância  creditada  refere­se  a  pagamento  pela  venda  de  cadastro  de  clientes  à  pessoa  física  que  possuía  interesse  comercial pelo referido cadastro. Acrescentou que não localizou  os  comprovantes  da  cessão  onerosa  do  cadastro  em  razão  do  tempo decorrido desde então.  De  acordo  com  a  autoridade  lançadora  o  contribuinte  foi  novamente intimado a dizer porque omitiu o valor recebido e a  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014369/2007­26  Acórdão n.º 2801­003.096  S2­TE01  Fl. 110          3 retificar  ou  ratificar  a  natureza  jurídica  do  depósito,  tendo  em  vista que ele  foi  feito pela pessoa jurídica Rubira Distribuidora  de  Bebidas  Ltda,  CNPJ  05.728.725/0001­14,  e  não  por  pessoa  física conforme alegado pelo contribuinte.  0 contribuinte justifica que a omissão deveu­se ao fato de ele não  ter dado recibo a quem efetuou o pagamento e de desconhecer o  nome  e  CPF  do  pagante.  Reiterou  não  ter  localizado  os  documentos  comprobatórios  da  cessão  onerosa  do  cadastro  e  reconheceu o erro cometido.  Destaca  a  autoridade  fiscal  que  intimou  a  empresa  Rubira  Distribuidora Ltda  a  esclarecer  a  natureza  jurídica da  quantia  transferida  ao  contribuinte  em  epígrafe  e  a  apresentar  a  documentação  comprobatória  das  informações  prestadas.  A  intimação  foi devolvida com a  indicação de que a empresa não  mais se encontrava naquele endereço.  Acrescenta a fiscalização que, em consulta via internet, por meio  de  Acórdão  (fls.  30/32)  emitido  pela  Secretaria  Estadual  da  Fazenda de Minas Gerais,  tomou  conhecimento  que a  empresa  citada, não possuía  alvará  de  licença  para o  exercício  de  suas  atividades. Constatou também, mediante informação de vizinhos,  que  ela  não  mais  funcionava  no  endereço  para  o  qual  encaminhou a intimação há pelo menos dois anos.  Por  fim,  informa  a  autoridade  lançadora  que,  nos  termos  da  legislação  tributária,  sobretudo artigo 43 do Código Tributário  Nacional e do artigo 3° da Lei n° 7.713/88, efetuou o lançamento  em questão, porque " ... a tributação independe da denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  dos  bens  produtores  da  renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para a  incidência  do  imposto,  o  beneficio  do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo."  Cientificado  do  lançamento,  o  contribuinte  apresenta  a  impugnação de fls. 42/60, subscrita por procuradora constituída,  onde aduz o que se segue.  Alega  que  o  crédito  tributário  não  se  apresenta  como  devido,  uma  vez  que  houve  a  retenção  na  fonte  do  imposto  devido  e  ainda  porque  o  Auditor  baseou  todo  o  lançamento  apenas  em  conferência de extrato bancário do Impugnante.  Tece  vasto  arrazoado  para  defender  a  impossibilidade  de  lançamento tributário fundamentado em presunção, quando se é  possível  verificar  por  outros  meios  a  ocorrência  dos  fatos  suficientes e necessários ao surgimento da obrigação tributária.  Aduz que o Agente Fiscal não poderia lançar o crédito tributário  sob  o  argumento  de  que  o  Impugnante  não  justificou  por  que  razão  omitiu,  em  sua  DIRPF/2004,  o  recebimento  de  R$99.000,00 e que tal quantia foi transferida por pessoa jurídica  e  não  pessoa  física,  uma  vez  que,  conforme dito,  o  imposto  de  renda foi devidamente retido pela fonte pagadora.  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014369/2007­26  Acórdão n.º 2801­003.096  S2­TE01  Fl. 111          4 Salienta que o auditor não conseguiu confirmar junto à empresa  Rubira  Distribuidora  de  Bebidas  Ltda  a  natureza  jurídica  da  quantia  transferida  e,  assim,  a  prova  indiciária  não  permite  a  conclusão  direta  da  ocorrência  do  objeto  da  prova.  Nesse  sentido,  é  absurda  a  pretensão  fiscal  de  considerar  que  unicamente  a  conferência  do  extrato  bancário  presume  o  beneficio patrimonial auferido pelo contribuinte.  Salienta que o lançamento decorre de mera presunção e não de  fortes indícios, o que não se pode admitir.  Ressalta  que  não  houve  cruzamento  de  informações  das  declarações  de  imposto  de  renda  do  Impugnante  com  as  da  empresa  Rubira  Distribuidora  de  Bebidas  Ltda,  de  modo  a  comprovar que não houve a retenção do imposto na fonte.  Insurge­se  também  contra  a  multa  de  oficio  aplicada  no  percentual de 75% (setenta e cinco por cento), sob o argumento  de  que  ela  ofende  de  maneira  direta  os  princípios  da  estrita  legalidade, da capacidade contributiva e do não confisco.  Requer, ao final, o cancelamento do crédito tributário exigido e,  caso  o mesmo  permaneça,  que  seja  reduzida  a multa  aplicada  para o percentual de 50% (cinqüenta por cento).”  A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 72/78.  Regularmente  cientificado  daquele  acórdão  em  22/08/2011  (fl.  83),  o  interessado, representado por sua advogada (fl. 68), interpôs recurso voluntário de fl. 87/94, em  21/09/2011 (fl. 105). Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoa  jurídica, pois a fiscalização constatou que, em 08/08/2003, houve a transferência da quantia de  R$ 99.000,00 da empresa Rubira Distribuidora de Bebidas Ltda. para conta de titularidade do  recorrente, haja vista cópia de comprovante de Transferência Eletrônica Disponível ­ TED (fl.  36), no valor de R$ 99.000,00  (noventa e nove mil  reais) da  conta  corrente n.° 02011982­3,  Agência  0306,  no  Banco  Mercantil  do  Brasil,  de  titularidade  de  Rubira  Distribuidora  de  Bebidas  Ltda,  para  a  conta  n.°  081184200­6,  Agência  n.°  175,  no  Banco  Sudameris,  de  titularidade do Sr. Jose Ricardo Esteves Rodrigues, CPF 131.245.796­15.  Em atendimento ao  termo de  intimação, o contribuinte alegou que  tal valor  tem natureza de rendimentos de trabalho não assalariado, pois foi recebido em decorrência de  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014369/2007­26  Acórdão n.º 2801­003.096  S2­TE01  Fl. 112          5 venda  de  cadastro  de  clientes  a  pessoa  física.  Porém,  não  apresentou  documento  algum  que  comprovasse as suas informações.  Também  não  foi  possível  confirmar  a  natureza  do  valor  recebido  pelo  contribuinte  junto à  empresa Rubira Distribuidora de Bebidas Ltda., uma vez que  a empresa  não  funciona  e  provavelmente  jamais  tenha  funcionado  no  endereço  constante  nos  sistemas  informatizados da RFB.  Assim,  considerando  que  a  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da  origem  dos  bens  produtores  da  renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  beneficio  do  contribuinte  por  qualquer  forma  e  a  qualquer titulo, foi apurado o imposto de renda pessoa física incidente sobre o valor omitido de  R$ 99.000,00, de acordo com o art. 43 da Lei n° 5.172/66, arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts.  1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713/88 e Art. 1° da Lei n° 10.451/2002.  Observe­se  que,  neste  caso,  não  foi  apurada  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada, mas  apenas  omissão  de  rendimentos recebidos de pessoa jurídica que foi identificada no comprovante de Transferência  Eletrônica Disponível ­ TED (fl. 36),  Em  sede  de  recurso,  assim  como  na  fase  impugnatória,  o  interessado  nada  trouxe a respeito da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica que lhe foi imputada.  Isto  é,  o  recorrente  não  apresentou  qualquer  argumento  ou  elemento  de prova  no  sentido  de  rechaçar a conclusão da autoridade fiscal no que se refere a este aspecto.   No que tange à tese defendida no sentido de que sem ocorrência de acréscimo  patrimonial  não  há  que  se  falar  em  lançamento,  embora  não  esteja  diretamente  vinculada  à  infração  em  litígio,  é  de  se  salientar  que  tal matéria  já  está  sumulada  de  forma  contrária  ao  entendimento do recorrente, pela Súmula CARF nº 26, transcrita a seguir:  “A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.”  Ademais, deve ser mantida a multa de oficio de 75%, aplicada nos termos do  artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, visto que a apuração de infrações em auditoria fiscal é  condição  suficiente  para  ensejar  a  exigência  dos  tributos  mediante  lavratura  do  auto  de  infração. Isto é, havendo lançamento de ofício, essa multa é devida.  Ainda, no tocante ao suscitado caráter confiscatório da exigência, destaque­se  a súmula nº 2, do CARF, a saber:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.014369/2007­26  Acórdão n.º 2801­003.096  S2­TE01  Fl. 113          6                               Fl. 113DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/07/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN

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5154248 #
Numero do processo: 10715.003355/2009-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 RETROATIVIDADE DE NORMA BENÉFICA ANTES DE JULGAMENTO DEFINITIVO. De acordo com o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, é de ser aplicada norma que aumenta o prazo para apresentação do registro de dados de embarque, por deixar de considerá-lo intempestivo no prazo mais exíguo exigido pela regra revogada. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso para dar-lhe provimento, de modo a excluir do lançamento a parcela relativa a todos os registros de embarque apresentados dentro do prazo de sete dias contados da data do embarque. Regis Xavier Holanda- Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi- Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso para dar-lhe provimento, de modo a excluir do lançamento a parcela relativa a todos os registros de embarque apresentados dentro do prazo de sete dias contados da data do embarque. Regis Xavier Holanda- Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi- Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     2    Regis Xavier Holanda­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi­ Relator.  (assinado digitalmente)    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Tatiana  Midori  Migiyama,  José  Fernandes  do  Nascimento e Solon Sehn.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 07­ 22.083,  de  12/11/2010,  de  lavra  da  1ª.  Turma  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento  de  Florianópolis/SC.  Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente sejam  revisitados os atos e fases processuais já superados.  Por  bem  resumir  a  controvérsia  até  a  respectiva  fase  processual,  tomo  emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fl. 49 dos  autos):    Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04 por meio  do  qual  encontra­se  normalizada  a  exigência  do  crédito  tributário  no  valor de R$ 15.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda  a autuação,  ter registrado intempestivamente os dados de embarque de  mercadorias,  relativos  aos  despachos  de  exportação  indicados  na  planilha  de  fis.  05  e  06,  descumprindo  dessa  forma  a  obrigação  acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27  de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n°  510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitando­se por essa infração à multa  prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto­lei n° 37, de  18  de  novembro  de  1966,  com  a  redação  dada  pelo  art.  77  da  Lei  n°  10.833, de 2003.  Cientificada da exigência que  lhe é  imposta, a  interessada apresenta a  impugnação de fls. 11 a 22, argumentando, em síntese, que: a) o auto de  infração é nulo em razão do incorreto enquadramento legal da infração;  b) a autuação utilizou norma não existente  época dos  fatos  (norma do  art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada  pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 2005); c) inexiste embaraço à  atividade de fiscalização aduaneira no registro intempestivo de dados de  embarque de mercadorias destinadas à exportação; d) ocorreu violação  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.003355/2009­02  Acórdão n.º 3802­000.609  S3­TE02  Fl. 112          3 ao principio da proporcionalidade, da razoabilidade e da  isonomia; e)  ao  tempo  em  que  deveria  ter  efetuado  os  registros  em  questão,  no  Siscomex, ocorreu falha no sistema; e) registrou espontaneamente, sem  deixar transcorrer muito tempo, os dados de embarque das mercadorias.  Ao analisar a impugnação oposta à ação fiscal, a 1ª. Turma da DRJ de  Florianópolis/SC  entendeu  pela  procedência  do  lançamento  tributário,  refutando  os  argumentos  expendidos  na  peça  defensiva  do  sujeito  passivo.    Confira­se a ementa do julgado:  Assunto: Obrigações Acessórias  Exercício: 2004  Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas  exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade.  O  registro  dos  dados  de  embarque,  no  Siscomex,  relativo  à  mercadoria  destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo  descumprimento  da  obrigação  acessória  prevista  no  art.  37  da  Instrução  Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador multa prevista na  alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto­lei n° 37, de 18 de novembro  de 1966.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Em  seu  Recurso  Voluntário  (fls.  63­77),  que  ora  é  objeto  de  exame,  o  sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, pelo qual, além de reiterar os argumentos já  aduzidos  por  ocasião  da  sua  impugnação  inicial,  requer:  (i)  a  aplicação  de  retroatividade  de  norma tributária posterior que aumentou o prazo para apresentação dos registros de dados de  embarque de mercadorias transportadas para o exterior.  Os  autos  então  seguiram  ao  CARF  para  conhecimento  e  julgamento  da  referida manifestação recursal.  Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão  de lançamento tributário, passa­se ao voto.  Voto             Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator  O  recurso  se  mostra  admissível  quanto  à  sua  tempestividade,  motivo  pelo  qual passo ao respectivo exame.  Compulsando  os  autos,  verifica­se  que  o  lançamento  de  ofício  contestado  resultou de registros de embarque realizados a destempo,  já que posteriores ao prazo exigido  pela legislação.  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     4  À época da ocorrência dos fatos geradores, o art. 37 da Instrução Normativa  SRF  nº  28/94  determinava  os  registros  de  embarque  no  SISCOMEX  imediatamente  após  o  efetivo transporte da mercadoria exportada, nos termos que seguem abaixo:    Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador  registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele  emitidos.  Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional,  por  via  rodoviária,  fluvial  ou  lacustre,  o  registro  de  dados  do  embarque,  no  S1SCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá  ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da  SRF de despacho.  O  Recorrente,  na  qualidade  de  transportador,  nada  obstante  tecer  longas  linhas sobre o conteúdo jurídico da expressão imediatamente, sabe ou deveria saber que além  do vernáculo não abrir possibilidades de dilação temporal ao conceito comum imediatamente, a  Notícia SISCOMEX nº 105/94 esclarece que a exigência de apresentação  imediata comporta  até 24 horas de tolerância para o cumprimento da referida obrigação acessória.  Por oportuno, esclarecemos que o  termo  imediatamente,  contido no art. 37 da  IN  28/94, deve ser interpretado como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da  mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base  nos documentos por ele emitidos". Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN,  ou  seja,  a  previsão  legal  para  autuação  do  transportador  no  caso  de  descumprimento do previsto no artigo acima referenciado.  Observe­se que a referida Notícia faz menção expressa à previsão legal para  autuação do transportador, o que realça ainda mais sua adequação ao caso.  Nada obstante isso, o Recorrente deixou de cumprir o disposto na IN SRF nº  28/94,  vindo  a  efetuar  o  registro  dos  embarques  das mercadorias  somente  depois  dessas  24  horas,  em  diversas  ocasiões  ao  longo  do  exercício  de  2004.  Isso,  de  plano,  já  rechaça  seu  argumento  de  necessidade  de  interpretação mais  benéfica  ao  sujeito,  ante  a  dúvida  sobre  o  conteúdo jurídico da expressão imediatamente carreada pelo art. 37 da IN SRF nº 28/94 (item  III.1 do Recurso Voluntário).  Apesar,  todavia, da apresentação dos registros de embarque ter superado 24  horas (ferindo assim as disposições da IN SRF nº 28/94), o Auto de Infração, lavrado em 2009,  já partiu de norma mais benéfica – qual seja a redação dada ao mesmo dispositivo pela IN SRF  nº 510/2005, que passou a tolerar a apresentação dos registros de embarque dentro do prazo de  dois dias contados da data da realização do embarque, in verbis:  Art.  37. O  transportador  deverá  registrar,  no  Siscomex,  os  dados  pertinentes  ao  embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de  dois dias contado da data da realização do embarque.  §  1º  Na  hipótese  de  embarque  de  mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será  de  responsabilidade  do  exportador  ou  do  transportador,  e  deverá  ser  realizado  antes  da  apresentação  da  mercadoria  e  dos  documentos  na  unidade  da  SRF  de  despacho.  § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias  para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (grifou­se)  Isso  porque  a  própria  autoridade  administrativa  já  houvera  reconhecido  a  aplicação da norma mais benéfica para o sujeito passivo, uma vez que o art. 37 da IN SRF nº  28/94,  com  a  redação  dada  pela  IN  SRF  nº  510/2005,  passou  a  considerar  intempestivos  –  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.003355/2009­02  Acórdão n.º 3802­000.609  S3­TE02  Fl. 113          5 infracionais, portanto – os  registros de embarque apresentados somente após dois dias, e não  mais as exíguas 24 horas exigidas à época da ocorrência dos fatos geradores.  Ora,  fez­se  o  quanto  exigido  pelo  art.  106,  II,  a,  do  Código  Tributário  Nacional,  que  exige  a  aplicação  retroativa  da  norma  que  deixe  de  considerar  como  infração  algum ato não definitivamente julgado.  O  Recorrente,  todavia,  mesmo  pretendendo  anular  o  auto  de  infração  pela  aplicação de norma posterior à vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, ampara­se no  critério adotado pela autoridade administrativa (e reafirmado pela instância a quo) para buscar  a aplicação de norma mais recente, que, alterando novamente a redação da IN SRF nº 28/94,  aumentou o prazo para apresentação dos registros de embarque para sete dias. Trata­se da IN  RFB nº 1096/2010, que, modificando o art. 37 da IN SRF nº 28/94, deixou referida norma com  a seguinte redação:  Art.  37.  O  transportador  deverá  registrar,  no  Siscomex,  os  dados  pertinentes  ao  embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7  (sete) dias, contados da data da realização do embarque.   §  1º  Na  hipótese  de  embarque  de  mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária,  ferroviária,  fluvial  ou  lacustre,  o  registro  de  dados  do  embarque,  no  Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser  realizado  antes  da  apresentação da mercadoria  e  dos  documentos  na  unidade  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho.  §  2º  Na  hipótese  de  o  registro  da  declaração  para  despacho  aduaneiro  de  exportação  ser  efetuado  depois  do  embarque  da  mercadoria  ou  de  sua  saída  do  território  nacional,  nos  termos  do  art.  52,  o  prazo  a  que  se  refere  o  caput  será  contado da data do registro da declaração.  §  3º  Os  dados  de  embarque  da  mercadoria  poderão  ser  informados  pela  fiscalização aduaneira  nas  hipóteses  estabelecidas  em ato  da Coordenação­Geral  de Administração Aduaneira (Coana).  De fato, a regra ora vigente possui disposição que beneficia o sujeito passivo,  ao considerar intempestivos somente os registros de embarque apresentados após o decurso de  sete dias contados da data da realização do embarque.  É de se aplicar então o art. 106, II, a, do Código Tributário Nacional, o qual  impõe  a  retroatividade  da  norma  que  deixa  de  considerar  infrações  certos  atos  ainda  não  definitivamente  julgados. No caso particular,  não  é mais  infração,  para  os  fins da  legislação  aduaneira,  a  apresentação  do  registro  de  embarque  após  dois  dias  contados  da  data  da  realização do embarque, desde que essa apresentação não ocorra em tempo superior a sete dias.  Desse modo, é de se excluir do presente lançamento todo e qualquer registro  de  embarque  porventura  feito  em  prazo  inferior  a  sete  dias,  em  estrita  observância  ao  que  determina a IN SRF nº 28/94, com a redação dada pela IN RFB nº 1096/2010.  Acolhe­se,  portanto,  a  preliminar  constante  do  item  II.a  do  Recurso  Voluntário.    Quanto ao mérito  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     6  No que toca o mérito, o Recorrente traz como argumentos (i) a retroatividade  da norma mais benigna,  (ii) a ofensa aos princípios da finalidade e da razoabilidade, e (iii) a  ofensa  ao  princípio  da  isonomia,  (iv)  inexistência  de  embaraço  à  atividade  de  fiscalização  aduaneira no registro de dados do embargue de mercadoria.  Passo à análise de cada um deles.  Quanto ao argumento (i) retroatividade da norma mais benigna, tal deve ser  conhecido,  tendo  em  consideração  o  artigo  37  da  Instrução  Normativa  RFB  no  1.096,  de  13/12/2010, que veio alterar o prazo da IN :  "Art.  37.  0  transportador  deverá  registrar,  no  Siscomex,  os  'dados  pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por  ele  emitidos,  no  prazo  de  7  (sete)  dias,  contados  da  data  da  realização  do  embarque."        Quanto aos argumentos (ii e iii) expendidos no Recurso Voluntário (ofensa aos princípios da  isonomia,  razoabilidade e da finalidade) não podem ser conhecidos, como já  foi estabelecido  pelo Acórdão 07­22.083. Conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF (Portaria  MF  256/2009)  e  Súmula  01  da  CSRF,  é  vedado  ao  Conselho  realizar  análise  tendente  à  avaliação dos aspectos inerentes a constitucionalidade das normas, pois esse mister é exclusivo  do  Poder  Judiciário,  como  tem  entendido  os  tribunais  administrativos  e  judiciais. Arguições  dessa natureza, portanto, são inócuas na esfera administrativa.   Assim,  sempre  e quando  se  entender que  a  norma  aplicada  não  atendeu  os  princípios mencionados, a matéria deve ser levada à apreciação do Poder Judiciário.       Quanto  ao  último  argumento  (iv)  inexistência  de  embaraço  à  atividade  de  fiscalização aduaneira no registro de dados do embargue de mercadoria, é correta a imputação  proposta  pela  autuação  e  o  seu  enquadramento  legal.  Não  se  trata  de  embaraço,  mas  de  descumprimento  de  obrigação  acessória  prevista  na  alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decreto­lei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003.    Conclusão    Isto  posto,  conheço  parcialmente  do  recurso  voluntário  para  DAR­LHE  PROVIMENTO, a fim de se aplicar a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB  nº 1.096/2010, excluindo­se do  lançamento, por conseguinte,  todos os  registros de embarque  apresentados  dentro  do  prazo  de  sete  dias  contados  da  data  do  embarque  das  mercadorias  transportadas.    (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi               Fl. 148DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.003355/2009­02  Acórdão n.º 3802­000.609  S3­TE02  Fl. 114          7                 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA

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Numero do processo: 13603.907207/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE. O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1672; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 38          1 37  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.907207/2009­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­001.397  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de agosto de 2013  Matéria  COFINS  Recorrente  AUTO PECAS E ACESSORIOS IGARAPE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  DCTF  RETIFICADA  EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE.  O  direito  creditório  deve  ser  reconhecido,  se  comprovado  o  erro  na  declaração apresentada originalmente.  É  ônus  do  contribuinte  comprovar  a  liquidez  e  certeza  de  seu  direito  creditório,  conforme  determina  o  caput  do  art.170  do  CTN,  devendo  demonstrar  de  maneira  inequívoca  a  sua  existência,  e,  por  conseguinte,  o  afirmado erro na valoração dos créditos.  RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção  de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto  do relator.  JOEL MIYAZAKI – Presidente    LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES ­ Relator.  EDITADO EM: 24/09/2013      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 72 07 /2 00 9- 14 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES     2  Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena  Trajano  D’  Amorim,  Ana  Clarissa Masuko  dos  Santos  Araújo,  Carlos  Alberto  Nascimento.  Ausente momentaneamente Adriana Oliveira e Ribeiro.  Relatório  Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão  julgador de primeira instância até aquela fase:  O  presente  processo  trata  de Manifestação  de  Inconformidade  contra Despacho Decisório nº rastreamento 848554558 emitido  eletronicamente  em 07/10/09,  fls.  6,  referente  ao PER/DCOMP  nº 38717.55076.200208.1.3.04­9890 (doc. de fls. 2­5).  A  Declaração  de  Compensação  gerada  pelo  programa  PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido  o  direito  creditório  correspondente  a  COFINS  –  Código  de  Receita  5856,  no  valor  original  na  data  de  transmissão  de  R$15.167,10, representado por Darf recolhido em 13/01/06 e de  compensar  o(s)  débito(s)  discriminado(s)  no  referido  PER/DCOMP.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório  a  partir  das  características  do  DARF  descrito  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte, não restando crédito disponível para compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Assim,  diante  da  inexistência  de  crédito,  a  compensação  declarada  NÃO  FOI  HOMOLOGADA.  Como enquadramento  legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei nº  5.172 de 25 de outubro de 1966  (Código Tributário Nacional  ­  CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado  do  Despacho  Decisório,  o  interessado  apresenta  manifestação  de  inconformidade  (fl.  10),  alegando  que  possui  créditos  referentes  ao  PIS  sobre  faturamento,  COFINS,  recolhidos  a  maior  no  período  de  Novembro  de  2.002  a  Setembro de 2.006; que por um lapso não retificou a DCTF ; que  na  data  de  29/10/2009  retificou  a  DCTF  ,  conforme  recibo  de  entrega numero 10.67.99.90.89­202292683278.  Requer a reavaliação do Despacho Decisório.  Na  decisão  de  primeira  instância,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento de Belo Horizonte/MG não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/BHE  n.º 39.829, de 15/06/2012:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Ano­calendário: 2005  Fl. 39DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13603.907207/2009­14  Acórdão n.º 3201­001.397  S3­C2T1  Fl. 39          3 PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  Na  falta  de  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a  maior,  não há que se falar de crédito passível de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário.  É o relatório.    Voto             O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade.  Discute­se  nestes  autos  a  existência  de  direito  creditório  suficiente  para  validar as compensações pretendidas pela recorrente.  Embora  o  principal  fundamento  da  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é de que o CARF vem  relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material.  Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte  deve  comprovar  o  erro  ocorrido  e  o  seu  direito  creditório  pleiteado,  ainda  mais  quando  a  retificação da declaração ocorre após a ciência do despacho decisório.  Nesse sentido, há diversos julgados:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA­ IRPJ  Ano­calendário:2003  DCTF.  RETIFICAÇÃO  CONSIDERADA  NÃO  ESPONTÂNEA  EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL.  DCTF  retificadora  apresentada  de  forma  não  espontânea,  em  virtude  de  transmissão  efetivada  após  a  ciência  de  despacho  decisório  de  não  homologação  de  compensação,  que  não  reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações  posteriores,  relativas  a  esse mesmo  crédito  se  for  comprovada  através  dos  documentos  fiscais  competentes  em  virtude  do  princípio da verdade material.  DÉBITOS  CONFESSADOS.  RETIFICAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  ESCRITA  FISCAL.  COMPROVAÇÃO  DE  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR.  Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter  por  fundamento,  como  no  caso,  os  dados  da  escrita  fiscal  do  contribuinte,  para  a  comprovação  da  existência  de  direito  Fl. 40DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES     4  creditório  decorrente  de  pagamento  indevido  (Acórdão  130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária)    Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  Ano­calendário:  2004  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  O  contribuinte,  a  despeito  da  retificação  extemporânea  da  DCTF,  tem  direito  subjetivo  à  compensação,  desde que apresente prova da existência do crédito compensado.  A  simples  retificação,  desacompanhada  de  suporte  probatório,  não  autoriza  a  homologação  da  compensação  do  crédito  tributário.  Recurso  Voluntário Negado. Direito  Creditório Não  Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial)  Na medida em que a recorrente não comprovou nos autos as bases para sua  alegação de erro no envio original dos valores devidos, não á como validar o crédito pleiteado.  Em  face  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  interposto,  prejudicados os demais argumentos.  Sala de sessões, 21 de agosto de 2013.    Luciano Lopes de Almeida Moraes ­ Relator                                Fl. 41DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES

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5056866 #
Numero do processo: 10166.911268/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3802-001.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. RELATOR CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 289          1 288  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.911268/2009­86  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­001.525  –  2ª Turma Especial   Sessão de  30 de janeiro de 2013  Matéria  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Recorrente  HOSPITAL SANTA LUZIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/07/2003  Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do  sujeito  passivo,  necessário  se  faz  que  fique  comprovada  a  existência  de  créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.  Nesse  sentido,  tendo  em  vista  a  ausência  de  prova  e  a  não  existência  dos  requisitos  específicos  da  liquidez  e  certeza  do  crédito,  não  há  como  se  proceder à compensação pleiteada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por  unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR­LHE PROVIMENTO.     RÉGIS XAVIER HOLANDA ­ Presidente.     RELATOR CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Bruno  Maurício  Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 68 /2 00 9- 86 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA     2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  2ªa  Turma  da  DRJ/BSB,  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  recorrente,  a  qual  objetivava  o  reconhecimento  da  validade/legitimidade  do  PERD/COMP,  juntado  aos  autos,  nos  termos  do  Acórdão  assim  ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/07/2003  Diante da não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo,  cabe  à  Fazenda  Nacional  efetuar  a  cobrança  do  débito  informado  na  declaração  de  compensação,  que  constitui  confissão  de  dívida,  sem  necessidade de formalizar notificação lançamento.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  A decisão seguiu­se nos seguintes termos:  “A manifestação de  inconformidade é tempestiva a atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  cabendo  dela  tomar  conhecimento  A  respeito  da  alegação  da  interessada,  inicialmente  oportuniza­se  esclarecer  que  o  despacho  denegatório da homologação de compensação não se trata  de notificação de lançamento prevista no art.  . 9º do Dec.  nº.  70.235,  de  1972.  Isto  porque  não  é  necessário,  na  espécie,  emitir  instrumento  de  constituição  do  crédito  tributário da Fazenda Nacional, eis que o débito declarado  pelo sujeito passivo no PER/DCOMP constitui confissão de  dívida,  por  força  do  disposto  no  art.  74,  §  6º.,  da  Lei  nº.  9.430,  de  1996,  verbis:  Art.  74  (...)  §  6º  A  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados.  (Incluído pela Lei nº 10.833,  de  2003)  Em  suma,  não  homologada  a  compensação,  a  Fazenda  Nacional  deve  comunicar  o  fato  ao  interessado,  identificando  os  motivos  da  recusa,  e,  na  mesma  oportunidade,  proceder  a  cobrança  do  débito  indevidamente compensado. Discordando o sujeito passivo  dos motivos  que  levaram à  recusa  da  compensação,  pode  expressar  sua  irresignação  em  manifestação  de  inconformidade,  no  prazo  de  trinta  dias,  como  lhe  é  assegurado pelo mesmo art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996,  com os parágrafos incluídos pela Leinº. 10.833, de 2003, a  seguir  reproduzidos:  Art.  74  (...).  §  9º  É  facultado  ao  sujeito  passivo,  no  prazo  referido  no  §  7º,  apresentar  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não  homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  caberá  recurso  ao  Conselho  de  Contribuintes.  §  11.  A  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911268/2009­86  Acórdão n.º 3802­001.525  S3­TE02  Fl. 290          3 manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam  os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  e  enquadram­se  no  disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de  outubro  de  1966  Código  Tributário  Nacional,  relativamente  ao  débito  objeto  da  compensação.  Não  há  portanto,  que se  falar  em  tolhimento do direito de defesa,  muito menos em nulidade. Apenas para ressaltar, no caso  concreto  a  compensação  não  foi  homologada  por  inexistência do crédito utilizado PER/DCOMP transmitido  pela interessada, a qual poderia, em sua petição, se assim  entendesse,  diante  do  fato  esclarecido  pelo  Fisco,  trazer  aos  autos  argumentos  e  provas  que  pudessem  deixar  patente a certeza e a liquidez do crédito pleiteado.  Em  sede  de  impugnação  e  de  recurso,  o  contribuinte  apresenta  os mesmos  argumentos:  (i)  que  retificou  a  DCTF  originária  nos  termos  do  que  dispõe  o  artigo  11  da  Instrução Normativa da RFB nº 903/2008, (ii) que a Constituição Federal assegura o princípio  do  devido  processo  legal  e,  por  via  de  conseqüência,  as  decisões  administrativas  devem  se  revestir dos valores nele inerentes para ter validade e eficácia e (iii) que, no presente caso, não  foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório.  É o relatório.  Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator    Voto             Conselheiro Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira  Admissibilidade do Recurso  Tendo  em  vista  a  presença  dos  requisitos  regulares  do  desenvolvimento  positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente  análise do mérito recursal.  Mérito  Dá  análise  dos  autos  podemos  extrair  que,  conforme  Despacho  Decisório  reproduzido  à  fl.  22,  emitido  eletronicamente  em  07/10/2009,  a  autoridade  competente  não  homologou  a  compensação  efetuada  pela  contribuinte  acima  identificada  por  meio  do  PER/DCOMP nº09832.93242.190608.1.7.04­0010, transmitido em 19/06/2008, tendo em vista  que  não  foi  confirmado  o  crédito  utilizado,  no  valor  original  de  R$  17.525,95,  atribuído  a  pagamento a maior relativo ao período de apuração de 31/07/2003, efetuado através de DARF  no  importe  de R$  77.400,02,  recolhido  em  15/08/2003,  sob  o  código  de  receita  8109  (PIS),  cujo valor foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF.  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA     4 De  início,  ressaltamos  que  os  valores  declarados  em DCTF,  a  teor  do  que  dispõe o Decreto­lei 2.124 de 1984, em seu artigo 5º, § 1º, constituem confissão de dívida e  instrumento hábil para a exigência do crédito tributário, bem como o artigo 74, § 6º da Lei n.  9.430  de  1996,  dispõe  que  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados.  Portanto, salvo melhor juízo, não dúvida que a dívida foi confessada.  Em ato contínuo, temos que o processo administrativo é formalizado, dentre  outros  fins,  com o objetivo de espelhar  com clareza o  conteúdo nele  contido para  garantir  a  segurança  jurídica  nos  conflitos  existentes  entre  o  administrado  e  administração,  já  que  é  instrumento  que  decorre  do  dever  do  Estado  de  cumprir  a  lei.  Nesse  sentido,  o  processo  administrativo  é  cercado de  regras que compõem o procedimento. Portanto,  conforme  acima  exposto, de pronto, podemos chegar a algumas conclusões: (i) sem definição das etapas por lei  própria, o processo perde sua nitidez e transparência, de modo a tornar difícil ao contribuinte  identificar  suas possibilidades de participação na marcha processual administrativa, deixando  de exercer seus direitos assegurados, (ii) sem comunicação dos atos processuais, o contribuinte  não poderá conhecer ou exercer seu direito de defesa. Aqui estamos diante tanto do direito de  saber qual é a exigência tributária quanto aos fundamentos aos quais motivaram tal exigência e  (iii) não existindo medidas que permitam ao contribuinte contestar o feito, inviabilizado estará  o exercício da confrontação dos elementos de prova dos argumentos apresentados pelas partes  na relação jurídica instaurada.  Estabelecidas  as  premissas  acima,  passemos  para  análise  da  lide  administrativa  que  se  resume  em  duas  partes:  (i)  aplicação  dos  princípios  da  ampla  defesa,  contraditório e devido processo legal e (ii) possibilidade de provas em fase recursal.  No que concerne à alegação da não aplicação dos princípios constitucionais  da  ampla  defesa,  contraditório  e  devido  processo  legal,  esta  deve  ser  rechaçada  de  plano  porquanto a recorrente foi intimada de todas as etapas processuais, inclusive tomando ciência  do  teor  e  fundamentos  dos  atos  da Administração.  Tudo  nos moldes  da  norma  de  regência:  Decreto  70.235/72.  Outrossim,  da  leitura  das  peças  processuais,  denotamos  a  participação  efetiva  da  contribuinte  na  estrada  processual  administrativa  na  busca  do  reconhecimento  do  alegado direito ao crédito.  No que diz respeito à apresentação de prova em grau de recurso, art. 16, § 4º,  do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe:  Art. 16. [...]  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;(Incluído pela Lei  nº 9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997).  Entendemos que o caso em exame não se ajusta a nenhuma das hipóteses de  exceção acima descritas. A prova, com efeito, poderia e deveria  ter sido feita de imediato,  já  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10166.911268/2009­86  Acórdão n.º 3802­001.525  S3­TE02  Fl. 291          5 que,  consoante  amplamente  destacado  no  curso  do  processo,  a  não  homologação  estava  assentada na não comprovação do crédito. Ou seja: matéria exclusivamente de prova.  Sobre o tema, sempre é bom lembrar, que o artigo 170 do Código Tributário  Nacional  determina  expressamente  que,  para  que  seja  possível  a  compensação  de  créditos  tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz a comprovação da existência de  créditos  líquidos  e  certos  contra  a  Fazenda Nacional.  Frisamos:  o  comando  legal,  portanto,  fixou pressupostos nucleares para a efetivação da compensação de créditos tributários  O  direito  de  compensar  crédito  tributário  indevidamente  pago,  conforme  permitido em lei, exige­se que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua  liquidez  e  certeza,  em homenagem ao  devido  processo  legal.  Precedentes  do STJ  – REsp n.  111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS.  Por outro lado, apenas em sentido de alerta, admitida a juntada da prova em  segunda  instância,  esta  deveria  ser  apreciada  e,  caso  demonstrada de  plano  a  existência do  direito creditório, seria determinada sua compensação, uma vez que, por força do princípio da  verdade material,  a  Fazenda Pública  tem o  dever  de  tomar  decisões  com base  nos  fatos  tais  como se apresentam na realidade.  De  modo  que,  dada  a  ausência  de  provas  no  sentido  de  comprovação  da  liquidez  e  certeza  do  direito  ao  crédito,  somada  a  ocorrência  da  preclusão  temporal,  não  há  como reconhecer o pleito da recorrente.  Posto  Isto,  voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGO­LHE  PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância.    Sala de Sessões, 30 de janeiro de 2013.  (assinado digitalmente)  Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator    Relator  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira  ­  Relator                             Fl. 294DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS X AVIER HOLANDA

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Numero do processo: 13971.904713/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO E. STF (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário(RE 585235 QO-RG). REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART. 62-A DO RICARF. Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas as compensações declaradas até o montante do indébito apurado através da diligência realizada. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). .
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 94          1 93  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.904713/2009­55  Recurso nº  01   Voluntário  Acórdão nº  3301­001.832  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2013  Matéria  Processo Administrativo Fiscal  Recorrente  Metalúrgica Fey S.A.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  PIS  E  DA  COFINS.  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE  DECLARADA PELO E.  STF  (RE  nº  346.084/PR, Rel.  orig. Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário(RE  585235  QO­RG).  REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGAMENTOS DO CARF. ART.  62­A DO RICARF.   Reconhecido os créditos pleiteados pela Recorrente, devem ser homologadas  as  compensações declaradas  até o montante do  indébito  apurado através  da  diligência realizada.  Recurso Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do  voto do relator.  Rodrigo da Costa Pôssas  Presidente  Antônio Lisboa Cardoso  Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 47 13 /2 00 9- 55 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de  Moraes,  Antônio  Lisboa  Cardoso  (relator),  Andrada Marcio  Canuto  Natal,  Bernardo  Motta  Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).  .    Relatório  Cuida­se de recurso em face do acórdão de fls. 43/44, referente à Declaração  de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte  solicita compensação de  valores  que  teriam  sido  indevidamente  recolhidos  a  título  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social — Cofins,  no  período  de  apuração  de  agosto  de  2003,  decorrente da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de  1998 (alargamento da base de cálculo), conforme sintetiza a seguinte ementa:  “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  PRELIMINAR.  NULIDADE.  AUSÊNCIA  DE  REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.  A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  restituição/compensação poderá,  ou  seja,  tem a  faculdade  de  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de  determinar  a  realização  de  diligência.  Se  pela  DCOMP  apresentada  já é possível concluir que o crédito pleiteado  carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de  diligência.  ARGÜIÇÃO  DE  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  DAS  INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância da legislação tributária vigente no País, sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  argüições  de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  de  atos  legais  regularmente editados.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.”  Conforme  consta  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido,  não  compete  à  Administração Tributária a apreciação de argumentos sobre inconstitucionalidade de lei, cita a  Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes Parecer Normativo CST/SRF de n° 329,  de 1970, que assim dispõe:  “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido  de  que  a  argüição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904713/2009­55  Acórdão n.º 3301­001.832  S3­C3T1  Fl. 95          3 oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de  sua  competência  o  julgamento  da  matéria,  do  ponto  de  vista  constitucional.”  Ademais disto, o artigo 3°, §1 0 da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de  apuração em análise, não pode este juízo afastá­la, sob pena de, com isto, estar ultrapassando  seus limites legais de competência, não tendo a contribuinte demonstrado ser parte de nenhuma  ação  judicial  que  a  beneficie,  e  até  a  presente  data,  o  Supremo  Tribunal  Federal  só  tomou  decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as  ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga  omnes. O art. 1.°, caput, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, apenas as decisões do  Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto  constitucional,  deverão  ser  uniformemente  observadas  pela  Administração  Pública  Federal  direta e indireta.  Cientificada  em  08/06/2010  (AR  fl.  46),  a  Recorrente  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  47/57,  em  07/06/2010,  sustentando  que  por  ocasião  do  julgamento  dos  Recursos Extraordinários n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, na sessão de 9 de novembro  de 2005, o plenário do Supremo Tribunal Federal  reconheceu a  inconstitucionalidade do  art.  3°, § 1 0 da lei n° 9.718/98 e, por conseguinte, da exigência de COFINS sobre as receitas não  operacionais, ou seja, diversas do produto da venda de bens ou serviços.  Por  essa  razão,  apresentou  pedidos  de  compensações,  via  PER/DCOMP,  a  fim  de  aproveitar  os  pagamentos  indevidos  de  COFINS  calculados  sobre  as  receitas  não  operacionais,  com outros débitos vincendos administrados pela Receita Federal do Brasil, na  data de 14/12/2005,  através da PER/DCOMP n° 03421.80954.141205.1.3.04­0893, por meio  da qual declarou a compensação de um crédito de COFINS (2172) relativo à competência de  agosto  de  2003,  já  que  na  data  de  15/09/2003  recolheu  indevidamente,  "a  maior",  o  valor  originário de R$ 5.351,82  (calculado sobre receita não operacional da empresa, conforme bem  demonstram os documentos anexos, em especial a DCTF e ficha do livro razão).  Na sessão de 7 de outubro de 2011,  este  colegiado converteu o  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  de  origem  apreciasse  o  mérito  do  pedido  de  restituição/compensação formulado pela /Recorrente.  Realizada a diligência,  restou confirmado com base nos dados constantes da  DIPJ­2004, ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº  9.718/98  , que, dos R$ 176.956,52  recolhidos  sob o cód. 2172,  relativamente ao período de  apuração 08/2003, a empresa faria jus à repetição da importância de R$ 5.351,82 a título de  pagamento indevido ou a maior.  É o relatório    Voto             Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO     4 O  recurso  merece  ser  conhecido,  porquanto  tempestivo  e  revestido  das  demais condições legais pertinentes.  Conforme  relatado,  trata  o  presente  recurso  de  pedido  de  restituição/compensação indeferido, tendo em vista que a recorrente pretende utilizar o indébito  decorrente  do  alargamento  da  base  de  cálculo  das  contribuições  PIS/Pasep  e  COFINS,  promovido pela art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Pleno do E. STF,  conforme depreende­se do seguinte julgado:  “EMENTA:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE nº  346.084/PR, Rel.  orig. Min.  ILMAR GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº  9.718/98.    (RE 585235 QO­RG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado  em  10/09/2008, DJe­227 DIVULG 27­11­2008 PUBLIC  28­11­ 2008 EMENT VOL­02343­10 PP­02009 RTJ VOL­00208­02 PP­ 00871 )   Em 10/09/2008, foi reconhecida a repercussão geral do caso, sendo, inclusive  sendo aprovada a edição de Súmula vinculante, consoante a seguinte decisão, in verbis:   “Decisão:  O  Tribunal,  por  unanimidade,  resolveu  questão  de  ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão  constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  9.718/98  e  negar  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional,  tudo  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencido,  parcialmente,  o  Senhor  Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão  do  processo  em  pauta.  Em  seguida,  o  Tribunal,  por  maioria,  aprovou proposta do Relator para edição de  súmula vinculante  sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões,  vencido  o  Senhor  Ministro  Marco  Aurélio,  que  reconhecia  a  necessidade  de  encaminhamento  da  proposta  à  Comissão  de  Jurisprudência.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a  Senhora  Ministra  Ellen  Gracie  e,  neste  julgamento,  o  Senhor  Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008.”  Desta  forma,  considerado  que  com  a  realização  da  diligência  restou  confirmado,  com  base  nos  dados  constantes  da  DIPJ­2004,  ante  a  declaração  de  inconstitucionalidade  do  §  1º,  do  artigo  3º,  da  Lei  nº  9.718/98  ,  que,  dos  R$  176.956,52  recolhidos sob o cód. 2172, relativamente ao período de apuração 08/2003, a empresa faria jus  à  repetição  da  importância  de  R$  5.351,82  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maio,  exatamente o valor solicitado pela Recorrente, enseja o provimento do recurso.  Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, a fim de  reconhecer  o  indébito  decorrente  dos  pagamentos  maiores  que  os  devidos,  em  virtude  do  alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, nos termos do art. 3º, § 1º, da Lei  nº 9.718, de 1998, com a respectiva homologação das compensações declaradas.  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.904713/2009­55  Acórdão n.º 3301­001.832  S3­C3T1  Fl. 96          5 Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013  Antônio Lisboa Cardoso                              Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO

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Numero do processo: 10510.902572/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 ERRO MATERIAL NA IDENTIFICAÇAO DO RECURSO. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO. Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/0001-37, estranha à lide do processo, considero que houve apenas erro material na identificação do recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos (contrato social, procuração e recolhimento-DARF) referindo-se à SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram indicados corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida. O citado erro material foi constatado pela própria interessada (recorrente) que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o citado lapso manifesto na identificação do recurso, e no mais repetiu na íntegra as mesmas razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boa-fé da recorrente. O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do mesmo grupo econômico. Portanto, por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE PARA QUITAR OUTRO DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se falar em direito creditório remanescente.
Numero da decisão: 1802-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER do recurso voluntário por considerá-lo tempestivo, nos termos do voto vencedor. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 ERRO MATERIAL NA IDENTIFICAÇAO DO RECURSO. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO. Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa & Cia. Ltda, inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/0001-37, estranha à lide do processo, considero que houve apenas erro material na identificação do recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos (contrato social, procuração e recolhimento-DARF) referindo-se à SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram indicados corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida. O citado erro material foi constatado pela própria interessada (recorrente) que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o citado lapso manifesto na identificação do recurso, e no mais repetiu na íntegra as mesmas razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boa-fé da recorrente. O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do mesmo grupo econômico. Portanto, por invocação do princípio da instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido. CRÉDITO UTILIZADO INTEGRALMENTE PARA QUITAR OUTRO DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se falar em direito creditório remanescente.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2392; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 234          1 233  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10510.902572/2009­75  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­001.813  –  2ª Turma Especial   Sessão de  08 de agosto de 2013  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  SERIGY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  ERRO  MATERIAL  NA  IDENTIFICAÇAO  DO  RECURSO.  PRINCÍPIO  DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. RECURSO CONHECIDO.  Embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa G. Barbosa  & Cia. Ltda,  inscrita no CNPJ sob o nº 13.004.742/0001­37, estranha à lide  do  processo,  considero  que  houve  apenas  erro material  na  identificação  do  recurso não configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram  juntados  todos  os  documentos  (contrato  social,  procuração  e  recolhimento­ DARF)  referindo­se  à  SERIGY  PARTICIPAÇÕES  E  EMPREENDIMENTOS LTDA, bem assim foram  indicados corretamente o  número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso  e foram atacados os fundamentos da decisão recorrida.   O  citado  erro  material  foi  constatado  pela  própria  interessada  (recorrente)  que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas  razões,  corrigiu  o  citado  lapso manifesto  na  identificação  do  recurso,  e  no  mais  repetiu  na  íntegra  as mesmas  razões  que  já  haviam  sido  apresentadas  inicialmente. Fato que denota boa­fé da recorrente.  O equívoco gráfico ou erro material decorreu do fato das empresas serem do  mesmo  grupo  econômico.  Portanto,  por  invocação  do  princípio  da  instrumentalidade das formas, o recurso deve ser conhecido.  CRÉDITO  UTILIZADO  INTEGRALMENTE  PARA  QUITAR  OUTRO  DÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.  Se o crédito foi reconhecido e aproveitado em outro processo, não há que se  falar em direito creditório remanescente.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 25 72 /2 00 9- 75 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 235          2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER  do recurso voluntário por considerá­lo tempestivo, nos termos do voto vencedor. Designado o  Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. E no mérito, por unanimidade de votos,  em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.     (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão  ­ Relator.      (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel – Redator designado.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa,  José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.   Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 236          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal de Julgamento em Salvador  (BA), que por unanimidade de votos  indeferiu a  juntada  posterior  de  provas  e  no  mérito  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada pela contribuinte mantendo integralmente a decisão da DRF que não homologou a  compensação da contribuinte.  Inicialmente  a  interessada  transmitiu  em  22/06/2004  o  PER/DCOMP  eletrônico n° 24691.33120.220604.1.3.04­2120, visando utilizar direito creditório fundado em  pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 5993, onde consta:  a) débito compensado  ­  IRPJ  –  PJ  que  apuram  imposto  pelo  lucro  presumido  (código  de  receita  2089)  ­ Período de apuração: 2º Trim. / 2001;  ­ vencimento: 31/07/2001  ­ principal: R$ 174,37;  ­multa moratória: R$ 0,00;  ­ juros de mora: R$ 0,00;  Total: R$ 174,37.   b) crédito utilizado:  ­ Valor Original do Crédito Inicial: R$ 201,36;  ­ Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 174,37  ­ Crédito Atualizado: R$ 196,27  ­ Total dos débitos desta DCOMP: R$ 174,37  ­ Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 154,91  ­ Saldo do Crédito Original: R$ 19,46  A  DRF  Recife  emitiu  Despacho  Decisório  (fl.  7),  onde  não  homologou  a  compensação, com a seguinte fundamentação:  “Limite do crédito analisado, orrespondente ao valor do crédito  original  na  data  de  transmissão  Informado  no  PER/DCOMP:  174,37.  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 237          4 A  partir  das  características  do  DARF  discriminados  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito  dispionível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  .(...)  Diante  do  exposto,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada.  Inconformada com essa  decisão,  a  contribuinte  apresentou Manifestação  de  Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes:  a)  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  subsidia  sua  decisão  fundamentando  que  o  DARF  utilizado  pela  Requerente  como  origem  do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para  a  própria  compensação  do  imposto  apurado,  tendo  em  vista  a  coincidência do código de reolhimento, competência, prazo para recolhimento e valor;   b)  Infere­se  que  entendimento  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  levou  em  consideração  tão  somente  as  informações  prestadas  pela  Requerente  na  DCTF  –  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desprezando as informações constantes  na DIPJ, bem como nos Livros Contábeis da Recorrente;  c)  Junta planilha demonstrando crédito de  IRPJ decorente de pagamentos  a  maior em agosto e setembro de 2000;  d)  Em  face  do  exposto,  o  que  se  verifica  é  que  existe meramente  um  erro  material  cometido  pela  Requerente mo  preenchimento  da  DCTF  do  ano­calendário  de  2000  que,  ao  invés  de  informar o  valor  do  débito  de  IRPJ  – ESTIMATIVA  informou  como  tal  o  valor do pagamento efetuado transfigurando­se em um débito irreal em total desconformidade  com  a  DIPJ  apresentada  e  com  os  Livros  Contábeis  existentes,  cuja  cópia  vai  anexada  a  presente Manifestação de Inconformidade;   e)  Tendo  em  vista  que  se  tratou  de  um  erro  material  cometido  pela  Requerente no preenchimento da DCTF do ano­calendário de 2000, o débito de IRPJ deve ser  lançado  com  base  nos  valores  informados  na  DIPJ  e  consubstanciados  na  escrita  contábil  desta”;  f) De tudo que foi exposto na presente Manifestação de Inconformidade, da  análise da  legislação vigente à época da ocorrência dos  fatos geradores  e da superficialidade  com que foram tratados os fatos aqui consignados, vem requerer a essa Delegacia da Receita  Federal do Brasil: a) O conhecimento do presente reccurso, em todos os seus efeitos legais; b)  A Reforma da decisão da DRF; c) Protesta pela juntada de novas provas.  A DRJ de Salvador (BA) julgou parcialmente procedente a manifestação de  inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa:  “ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2000  Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 238          5 PROVAS. APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação  precluindo  o  direito  da  contribuinte  de  fazê­lo  em  outro  momento  processual,  ao menos  que  demonstre  a  ocorrência  de  força maior  que  a  impossibilitasse  de  apresentá­la;  se  refira  a  fato ou direito  superveniente,  e  se destine a contrapor  fatos ou  razões posteriormente trazidos aos autos.  MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPENSAÇÃO.  EXCESSO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO  A manifestação de inconformidade protoolizada tempestivamente  configura litígio e suspende a exigibilidade do crédito tributário  objeto  da  declaração  de  compensação,  nos  termos  do  art  151,  inciso III, do Código Tributário Nacional.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  LIQUIDEZ E CERTEZA.  Incabível a  compensação do  alegado pagamento  indevido  ou  a  maior,  se  ausentes  a  liquidez  e  certeza  do  direito  creditório  pleiteado.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido”  Inconformada  com  essa  decisão  a  qual  tomou  ciência  em  08/11/2011  (fls.  100),  a  empresa  G.  Barbosa  &  Cia.  Ltda,  inscrita  no  CNPJ  sob  o  nº  13.004.742/0001­37,  apresentou  recurso  voluntário  em  09/12/2011,  embora  mencionasse  o  processo  e  acórdão  corretos. Sete dias após, em 16/12/2011, a ora Recorrente protocola petição informando que se  atrapalhou na elaboração da peça recursal, pois informou o nome de outra empresa do mesmo  grupo econômico.  Para se esquivar do erro cometido cita a doutrina da Maria Sylvia de Pietro e  Hely Lopes Meirelles para avocar os princípios da boa fé, economia processual e da verdade  material.  No cerne da defesa complementar afirma que a DRJ não considerou em seu  julgamento parte de pagamento efetuado a maior no mês de julho/2000, eis que considerou o  saldo negativo de IRPJ ao final do ano­calendário, ao invés de considerar o valor pago a título  de IRPJ e valores pagos a maior.  Mencionou ainda que não  foi considerado o DARF no valor de R$ 840,00,  cuja cópia foi anexada aos autos.  É o relatório.  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 239          6   Voto Vencido  Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator.  O presente recurso é intempestivo, portanto dele não tomo conhecimento.  Conforme  podemos  observar  no  AR  acostado  às  fls.  100,  a  contribuinte  tomou ciência do acórdão nº 15­27.663, da 1ª Turma da DRJ/SDR, no dia 08 de novembro de  2011. A apresentação do Recurso Voluntário pelo contribuinte que chega a nossa apreciação  foi protocolado no dia 16 de dezembro de 2011.  Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do recurso voluntário, de  acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma  legal,  a  contagem  do  prazo  iniciou­se  no  dia  09  de  novembro  de  2011,  tendo  seu  término  ocorrido em 09 de dezembro de 2011, por considerar que dia 08 de dezembro foi feriado am  Aracajú. A entrega após essa data é considerada intempestiva, havendo portanto a preclusão do  direito da contribuinte de se defender na esfera administrativa.  “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.”  xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx  “Art.  5º  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos  só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.”    Primeiramente  a  ora  Recorrente  alega  erro  na  representação  se  deu  por  equívoco  entre  duas  empresas  pertencentes  ao  mesmo  grupo  econômico  e  estabelecidas  no  mesmo endereço.  Os  grupos  de  sociedades  têm  como  características  a  independência  jurídica  de seus  integrantes e a unidade de direção. Não é por outro motivo que as  relações  jurídicas  travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das outras sociedades do mesmo  grupo,  salvo  quando  essas  outras  também  sejam  parte  na  relação  jurídica  ou  quando  haja  simulação, dada distinção entre as personalidades.  No  direito  comercial/empresarial  brasileiro,  as  sociedades  se  vinculam  em  um grupo por relações societárias (sociedades coligadas – Lei nº 10.406/2002, (Código Civil)  art. 1.097 e segs.) ou por constituição formal do grupo em convenção entre as sociedades (Lei  nº 6.404/76 (LSA) arts. 266 e 271).  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 240          7 No  primeiro  caso,  a  unidade  de  direção  se  concentra  na  sociedade  controladora,  enquanto  que  na  segunda  hipótese  o  centro  de  decisões  será  previsto  na  convenção do grupo, elaborado pelas sociedades que o componham.  Já a legislação fiscal brasileira não adota o conceito de grupo econômico, não  havendo  personificação,  devendo  cada  empresa  ser  dotada  de  inscrição  distinta,  com  contabilizações  e  apurações  apartadas.  O  fato  de  serem  residentes  no  mesmo  endereço  e  possuirem  os  mesmos  sócios  não  justifica  o  fato  de  que  uma  assinou  em  nome  próprio  a  representatividade cabível a outra empresa.  Frise­se  que  não  se  trata  de  erro  de  grafia;  sucessora  /  sucedida;  incorporadora  /  incorporada; ou  troca de nome ou CNPJ, mas de duas  empresas que de  fato  existem e que são totalmente independentes para fins comerciais e tributários.  Para  corroborar  com  esse  entendimento  vale  lembrar  que  sob  a  ótica  tributária,  mais  especificamente  o  campo  da  responsabilização  tributária,  ressalvadas  as  hipóteses em que ocorra a simulação, o simples fato de pertencer a um grupo de sociedades não  atribuir a responsabilidade tributária solidária a uma sociedade desse grupo por fatos geradores  que  não  realizou,  ou  cuja  realização  e  respectivo  cumprimento  de obrigações  tributárias  não  determinou concretamente.  Validando o entendimento com base nessas mesmas premissas a 1ª Turma do  STJ,  no  julgamento  do  REsp  859.616/RS  de  relatoria  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  18.09.2007, já se manifestou contra a responsabilização de sociedades pertencentes ao mesmo  grupo econômico com base no suposto interesse comum previsto no art. 124, I do CTN, senão  vejamos trecho do voto:  “(...) a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas  ou  mais  pessoas  na  condição  de  prestadoras  de  apenas  um  único  serviço  para  o  mesmo  tomador,  integrando,  desse  modo,  o  pólo  passivo  da  relação.  Forçoso  concluir,  portanto,  que  o  interesse  qualificado  pela  lei  não  há  de  ser  o  interesse  econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da  obrigação  principal,  mas  o  interesse  jurídico,  vinculado  à  atuação  comum  ou  conjunta da situação que constitui o fato imponível”.  Assim,  por  óbvio  não  cabe  a  avocação  do  princípio  da  verdade  material,  como bem disciplina a nossa doutrina, por absoluta falta de representatividade que configura­se  vício insanável.  Tendo sido vencido nessa preliminar por este colegiado, vamos ao cerne do  processo.  No mérito não assiste razão a Recorrente. Afirma a contribuinte que no mês  de  julho/2000  recolheu um DARF no valor principal de R$ 830,26, que não  foi considerado  pela  DRJ  na  apuração  do  valor  a  ser  compensado,  gerando  o  provimento  parcial  da  Manifestação  de  Inconformidade.  Tal  fato  é  verídico,  contudo  o  crédito  em  questão  foi  integralmente  reconhecido  no  processo  nº  10510.900302/2008­49,  portanto  compensado  através do PER/DCOMP eletrônico n° 16876.98194.180604.1.7.04­6732.  Assim se deu a ementa e conclusão do citado processo em questão:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 241          8 Ano­calendário: 2000  IRPJ. ESTIMATIVA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO  Comprovada  a  existência  de  pagamento  de  estimativa  não  computado  pela  DRJ,  cabe  o  reconhecimento  do  direito  creditório complementar.  (...)  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PARCIAL  provimento  ao  recurso  para  reconhecer  o  crédito  adicional  no  valor  de  R$  830,26,  homologando  a  compensação  no  limite  desse valor.”    Quanto  ao  DARF  de  código  3373,  no  valor  de  R$  840,00,  não  assiste  qualquer  razão  a  Recorrente,  eis  que  se  trata  de  pagamento  referente  a  outro  período  de  apuração, portanto não compõe o saldo negativo do exercício em questão. Vale mencionar que  não se trata nem mesmo de pagamento a título de estimativa de IRPJ.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário.    (assinado digitalmente)  Gustavo Junqueira Carneiro Leão                           Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 242          9   Voto Vencedor  Conselheiro Nelso Kichel, Redator designado.    Discordo do entendimento do nobre Relator que não conheceu do recurso.  É óbvio, patente, que houve mero erro material na identificação do recurso.  Vale dizer, embora a peça recursal nomine a recorrente como sendo empresa  G. Barbosa & Cia.  Ltda,  inscrita  no CNPJ  sob  o  nº  13.004.742/0001­37,  estranha  à  lide  do  processo,  considero  que  houve  apenas  erro  material  na  identificação  do  recurso  não  configurando vício ou óbice de legitimidade recursal, pois foram juntados todos os documentos  (contrato  social,  procuração  e  recolhimento­DARF)  referindo­se  à  SERIGY  PARTICIPAÇÕES  E  EMPREENDIMENTOS  LTDA,  bem  assim  foram  indicados  corretamente o número do processo e respectivo acordão no cabeçalho das razões de recurso e  foram atacados os fundamentos da decisão recorrida.   O  citado  erro  material  foi  constatado  pela  própria  interessada  (recorrente)  que, uma semana depois da apresentação tempestiva do recurso e respectivas razões, corrigiu o  citado  lapso manifesto  na  identificação  do  recurso,  e  no mais  repetiu  na  íntegra  as mesmas  razões que já haviam sido apresentadas inicialmente. Fato que denota boa­fé da recorrente.  Ainda,  o  equívoco  gráfico  ou  erro material  decorreu  do  fato  das  empresas  serem do mesmo grupo econômico.   Portanto, sem delongas e por invocação do princípio da instrumentalidade das  formas, o recurso deve ser conhecido.  Em situação análoga ­ erro na identificação do recurso, o Tribunal Regional  do Trabalho – TRT –13 também já decidiu pela legitimidade de recurso, conforme o seguinte  precedente jurisprudencial que transcrevo, in verbis:  TRT­13 ­ Agravo de Instrumento em Recurso Ordinário  Processo:­AIRO 131503 PB 00656.2011.004.13.01­0  Relator(a):­EDVALDO DE ANDRADE  Julgamento:­12/03/2012  Órgão Julgador:­Tribunal Pleno  Publicação:­14/03/2012  Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. ERRO MATERIAL NA  IDENTIFICAÇAO  DO  RECURSO.  PRINCÍPIO  DA  INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. PROVIMENTO.  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10510.902572/2009­75  Acórdão n.º 1802­001.813  S1­TE02  Fl. 243          10 Embora  a  peça  recursal  nomine  a  recorrente  como  Ambiental  Soluções Ltda., empresa estranha a este processo, considero que  houve  apenas  erro  material,  porquanto  os  recolhimentos  de  custas processuais e depósito recursal foram efetuados em nome  da Construtora Mart Ltda., esta, sim, figurando como reclamada  nos presentes autos, com legitimidade para recorrer. Além disso,  o  número  do  processo  foi  corretamente  indicado  no  cabeçalho  das  razões  de  recurso,  assim  como  o  nome  do  reclamante.  Portanto,  por  invocação do  princípio  da  instrumentalidade  das  formas,  o  recurso  deve  ser  recebido.  Agravo  de  instrumento  a  que se dá provimento.  Por tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso.    (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel                  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por GUS TAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, A ssinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL

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Numero do processo: 10580.728625/2009-56
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. O recolhimento de imposto complementar deve ser feito no curso do ano-calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual referente ao ano-calendário de 2007. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1688; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 54          1 53  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.728625/2009­56  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.083  –  1ª Turma Especial   Sessão de  20 de junho de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  WALTER BONIN DINIZ  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008  IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA.  O  recolhimento  de  imposto  complementar  deve  ser  feito  no  curso  do  ano­ calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução  de  imposto  recolhido  em  2008,  a  título  de  imposto  complementar,  na  declaração de ajuste anual referente ao ano­calendário de 2007.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício.   Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros  Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 25 /2 00 9- 56 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/2009­56  Acórdão n.º 2801­003.083  S2­TE01  Fl. 55          2 Trata­se de Auto de  Infração  relativo ao  Imposto de Renda Pessoa Física –  IRPF por meio do qual se exige crédito  tributário no valor de R$ 124,62,  incluídos multa de  mora no percentual de 20% (vinte por cento) e juros de mora.  Consta  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal”,  à  fl.  29  deste  processo digital, que houve a glosa do valor de R$ 1.800,00, pleiteado indevidamente a título  de Imposto Complementar (mensalão), correspondente a diferença entre o valor declarado e os  valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0246.  O  contribuinte  apresentou  a  impugnação  de  fls.  2/3,  que  foi  julgada  procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/SDR, por intermédio de acórdão de fls. 37/38.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  22/03/2011  (Termo  de  Intimação  à  fl.  42),  o  Interessado  interpôs,  em  04/04/2011,  o  recurso  de  fl.  43/44. Na  peça  recursal alega, em síntese, que:   ­  Deixou  de  incluir,  na  sua  primeira  declaração,  o  valor  recolhido  de  R$  1.800,00, a título de carnê­leão, o que resultou em imposto a pagar de R$ 1.891,55, recolhido  em 22.04.2008 com o código de receita 0211 (cópia em anexo).   ­  No  dia  29.03.2009  apresentou  a  primeira  declaração  retificadora,  o  que  resultou em imposto a pagar no valor de R$ 91,12.   ­  Em  14.04.2009  apresentou  a  segunda  declaração  retificadora,  incluindo  o  valor  de R$  1.800,00  (cópias  dos DARF  em  anexo),  que  resultou  em  imposto  a  restituir  da  ordem de R$ 1.708,88.  ­ Reanalisando  a  segunda  declaração  retificadora,  percebeu, mais  uma  vez,  que o valor da restituição estava a menor, pois o correto seria R$ 1.800,43 (R$ 1.891,55 – R$  91,12).  Contudo,  não  enviou  a  terceira  retificadora  em  razão  do  recebimento  da  presente  Notificação de Lançamento.  Ao final, pugna pela juntada do conta corrente de seu CPF onde constarão os  valores pagos, bem como seja convidado a prestar explicações verbais para eliminar o impasse.  Pleiteia, outrossim, que seja cancelado o débito fiscal reclamado.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  O  motivo  do  lançamento  foi  a  compensação  indevida  de  imposto  complementar  (código  de  receita  0246),  no  valor  de R$ 1.800,00. No  recurso,  o  Interessado  colaciona aos  autos  cópias de DARF que  totalizam o mesmo valor  (fls.  48/51),  recolhidos  a  título  de  carnê­leão  durante  o  ano­calendário  de  2007  (código  de  receita  0190).  Anexa,  também, comprovante de pagamento do DARF de fl. 52, no valor de R$ 1.891,55,  recolhido  em 22.04.2008, com código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração de  ajuste anual).  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.728625/2009­56  Acórdão n.º 2801­003.083  S2­TE01  Fl. 56          3 A declaração retificadora apresentada em 14.04.2009, que originou a presente  Notificação  de  Lançamento,  evidencia  que  o  Recorrente  lançou,  na  ficha  “Rendimentos  recebidos de Pessoas Físicas” (fl. 20), o valor de R$ 1.800,00, recolhidos no ano­calendário de  2007 a título de carnê­leão (DARF às fls. 48/51, código de recolhimento 0190), além do valor  de R$ 1.800,00 na ficha “Demais Rendimentos” (fl. 21), a título de imposto complementar.  O que se percebe, pela linha argumentativa do Recorrente, é que ele, por não  ter lançado os valores recolhidos a título de carnê­leão na declaração primeva e ter recolhido o  valor de R$ 1.891,55 no código de receita 0211 (cota única do imposto apurado na declaração  de  ajuste  anual,  recolhido  em 22.04.2008),  tentou  recuperar R$ 1.800,00  (R$ 1.800,43 = R$  1.891,55  ­ R$ 91,12)  por via  transversa,  lançando­o,  na  segunda  retificadora,  como  se  fosse  “imposto complementar”, o que não é permitido pela legislação do imposto de renda, haja vista  que os recolhimentos a esse título devem ser feitos no curso do ano­calendário, até o último dia  útil do mês de dezembro.  Noutro giro verbal: o recolhimento de imposto complementar deve ser feito  no curso do ano­calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. É descabida a dedução  de imposto recolhido em 2008, a título de imposto complementar, na declaração de ajuste anual  referente ao ano­calendário de 2007.  Assim,  correta  a  glosa  do  valor  de R$  1.800,00  pleiteado  indevidamente  a  título  de  “imposto  complementar”,  porquanto  não  houve  recolhimento  a  esse  título  no  ano­ calendário de 2007.   Observo,  por  oportuno,  que  é  totalmente  desnecessária  a  juntada  do  conta  corrente  do  Interessado,  que,  se  tivesse  recolhido  algum  valor  a  título  de  imposto  complementar,  tal  como  lançado  na  segunda  retificadora,  teria  colacionado  aos  autos  os  comprovantes de recolhimento, assim como fez com os valores pagos a título de carnê­leão.  Registro,  por  derradeiro,  que  se  o  Recorrente  tem  interesse  em  prestar  explicações  verbais  para  eliminar  o  impasse,  poderia  tê­lo  feito  neste  Plenário,  mediante  sustentação oral, mas não por convite da Administração Tributária.  Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos Almeida                                Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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Numero do processo: 10935.001757/2004-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE PESSOAS FÍSICAS. DOCUMENTAÇÃO NÃO APRESENTADA. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS ITENS ADQUIRIDOS NO DOCUMENTÁRIO FISCAL APRESENTADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CONTABILIDADE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. 1. É ônus do contribuinte provar o direito ao crédito presumido do IPI calculado sobre matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoas físicas, por meio de documentação adequada que demonstre a regularidade das aquisições e identificação dos insumos, bem como os registros das respectivas operações nos livros contábeis e fiscais. 2. A falta ou a apresentação de documento sem a perfeita identificação dos produtos adquiridos de pessoas físicas impossibilita o conhecimento da natureza e do tipo de produto adquirido e, por falta de identificação, a sua inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 10          1 9  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.001757/2004­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­001.943  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de julho de 2013  Matéria  IPI ­ RESSARCIMENTO  Recorrente  SERRARIAS CAMPOS DE PALMAS S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMO  DE  PESSOAS  FÍSICAS.  DOCUMENTAÇÃO  NÃO  APRESENTADA.  DESCRIÇÃO  IMPRECISA  DOS  ITENS  ADQUIRIDOS  NO  DOCUMENTÁRIO  FISCAL  APRESENTADO.  AUSÊNCIA  DE  REGISTRO  NA  CONTABILIDADE.  INCLUSÃO  NA  BASE  DE  CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.  1.  É  ônus  do  contribuinte  provar  o  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI  calculado  sobre  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem  adquiridos  de  pessoas  físicas,  por  meio  de  documentação  adequada  que  demonstre  a  regularidade  das  aquisições  e  identificação  dos  insumos,  bem  como  os  registros  das  respectivas  operações  nos  livros  contábeis e fiscais.  2. A  falta ou a apresentação de documento sem a perfeita  identificação dos  produtos  adquiridos  de  pessoas  físicas  impossibilita  o  conhecimento  da  natureza  e  do  tipo  de produto  adquirido  e,  por  falta  de  identificação,  a  sua  inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara  da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos  do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 17 57 /2 00 4- 65 Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   2 (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro,  Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento,  Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.  Relatório  Trata­se  de  Pedido  de  Ressarcimento  (fls.  2.454/2.455)  complementar,  no  valor de R$ 815.963,47, ao crédito presumido do IPI do 4º trimestre de 2003, no valor de R$  4.493.909,26, anteriormente reconhecido por meio do Despacho Decisório de fls. 2.386/2.399,  que se tornou definitivo na esfera administrativa, em face da ausência de contestação.  Em  cumprimento  à  determinação  judicial,  exarada  na  Sentença  de  fls.  2.542/2.521, o titular da Unidade da Receita Federal de origem proferiu o Despacho Decisório  de  fls.  2.722/2.730,  em que  reconheceu,  parcialmente,  o  crédito  complementar  pleiteado,  no  valor  de  R$  19.639,21,  acrescido  da  taxa  Selic  a  partir  de  25/6/2009,  com  base  nas  razões  apresentadas nos  itens 19 a 31  (fls. 2.725/2.728). A glosa parcial do crédito, no valor de R$  796.324,26, foi motivada pelos fatos explicitados nos itens 19 a 30, a seguir transcritos:  CFOP 2.151 (Matriz)  19. De acordo com os esclarecimentos prestados pela  interessada nas fls.  2592/2594,  é  com  a  dedução  dos  valores  relativos  ao  Código  Fiscal  de Operação  e Prestação  (CFOP)  2.151  (transferências  para  industrialização  da  filial  para  a  matriz)  da  soma  dos  demais  CFOP's  listados  no  quadro  acima  que  se  explica  as  diferenças  entre  os  valores  apontados  na  linha  12  do  DCP  original (ajustado pela RFB) e do DCP retificador.  20. Assim, a interessada reconhece que tais valores (2.151), que  integraram  o  cálculo  original  do  crédito  presumido,  não  deveriam ter integrado esse cálculo.  21. De  fato,  essas  operações  de  transferências  da  filial  para  a  matriz  não  se  referem  a  aquisições  (ainda  que  delas  decorrentes),  portanto,  não  deveriam  ter  integrado  o  cálculo  original, ainda mais agora, que se pretende incluir as aquisições  feitas  pela  filial  no  novo  cálculo.  Por  isso,  a  análise  dos  documentos  relativos  aos  demais  CFOP's  listados  no  quadro  acima implica a exclusão dos valores relativos ao CFOP 2.151  do cálculo original.  CFOP 2.116 (Matriz)  22. Na análise dos documentos do CFOP 2.116, as ocorrências a  seguir  foram  verificadas  para  justificar  a  não  inclusão  dos  valores no recálculo do crédito.  23. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas,  conforme demonstrado no Anexo I  (fls. 2659/2661), verificou­ se que:  Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 11          3 a)  Os  documentos  foram  localizados  nos  arquivos  digitais  (fiscais),  mas  não  constam  da  contabilidade,  fato  que  não  caracteriza  uma  aquisição  regular  de mercadorias,  pois  neste  caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem  mesmo  de  uma  expectativa  de  pagamento  (registro  de  um  passivo),  o  que  torna  inviável  o  ressarcimento  de  valor  não  pago.  Ademais,  constam  nos  arquivos  digitais  que  seriam  "DIVERSOS"  as  mercadorias  adquiridas,  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários ou materiais de embalagem; e  b)  Tratam­se  de  operações  com  pessoas  físicas,  que  não  são  contribuintes  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS,  portanto,  não  passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido, conforme  previsto  no  art.  5°,  §2°,  da  IN  SRF  n°  315/2003,  disposição  normativa já citada na primeira decisão.  24.  Nas  operações  de  compra  de  mercadorias  de  pessoas  jurídicas,  conforme  demonstrado  no  Anexo  II  (fls.  2662/2670),  verificou­se que:  a)  Alguns  documentos  foram  localizados  nos  arquivos  digitais  (fiscais),  mas  não  constam  da  contabilidade,  fato  que  impossibilita  caracterizar  a  operação  como  regular,  pois  neste  caso não existe um registro contábil do efetivo pagamento, nem  mesmo  de  uma  expectativa  de  pagamento  (registro  de  um  passivo), o que torna inviável o ressarcimento de valor não pago.  Ademais, constam nos arquivos digitais que seriam "DIVERSOS"  as  mercadorias  adquiridas,  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou materiais de embalagem; e  b)  Os  demais  documentos,  emitidos  por  DAL  PAI  S/A  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  ­  CNPJ  76.490.887/0004­58  e  INDÚSTRIAS  PEDRO  N.  PIZZATO  LTDA  ­  CNPJ  76.501.394/0004­76, não foram localizados nos arquivos digitais,  fato  que  impossibilita  a  identificação  e  o  enquadramento  das  mercadorias  adquiridas.  Somado  a  isso,  também  não  foram  localizados na contabilidade, fato que impossibilita caracterizar  a operação como regular, pois neste caso não existe um registro  contábil do  efetivo  pagamento,  nem mesmo  de  uma  expectativa  de  pagamento  (registro  de  um  passivo),  o  que  torna  inviável  o  ressarcimento de valor não pago.  PESSOAS FÍSICAS (Matriz)  25.  Verificou­se  inicialmente  que  o  total  das  operações  de  compra de mercadorias de pessoas físicas no trimestre coincide  com o valor  total  que não  foi  considerado no cálculo  inicial do  crédito  presumido  (nem  pela  interessada  no  DCP,  nem  pelo  Fisco). Por isso, o valor total do período, para o efeito de cálculo  do  crédito  presumido,  foi  computado  uma  única  vez,  pois,  com  certeza, não se referem (ou não deveriam se referir) a operações  diversas.  De  qualquer  modo,  as  ocorrências  a  seguir  foram  verificadas para justificar a não inclusão dos valores no recálculo  do crédito.  Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   4 26.  Procedida  à  análise  do  demonstrativo  apresentado  pela  interessada,  conforme  demonstrado  no  Anexo  III  (fls.  2671/2676), verificou­se que:  a) A quase totalidade dos documentos (aqueles que constaram  dos  arquivos  digitais)  aponta  a  descrição  das  mercadorias  adquiridas  como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento como matérias­primas, produtos intermediários  ou materiais de embalagem;  b)  Alguns  dos  documentos  relacionados  são,  na  verdade,  da  Filial  0002,  portanto,  lançados  indevidamente  na  matriz  (em  duplicidade);  c) Outros documentos se referem a aquisições de produtos para  recebimento  futuro (simples  faturamento ­ CFOP 2.922),  cuja  inclusão no cálculo do crédito presumido somente é permitida a  partir  do momento  da  sua  efetiva  entrada  no  estabelecimento  adquirente  (art.  17  da  IN  SRF  no  315/2003  já  citada  na  la  decisão);  d)  Outros  documentos  foram  omitidos  nos  arquivos  digitais,  fato  que  impede  identificar  e  enquadrar  as  mercadorias  adquiridas  como matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais de embalagem; e  e) Por fim, tratam­se de operações com pessoas físicas, que não  são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto, não  passíveis  de  inclusão  no  cálculo  do  crédito  presumido,  conforme  previsto  no  art.  5  0  ,  §2°,  da  IN SRF n°  315/2003,  disposição normativa já citada na primeira decisão.  CFOP 1.101 (Filial 0002)  27. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais  apresentados,  parte  dos  documentos  do  Código  Fiscal  de  Operação  e Prestação  (CFOP)  1.101  encontra­se  devidamente  lançado  na  escrita  fiscal  (livros  fiscais)  e  também  na  contabilidade,  fato que denota,  em face do  registro contábil  do  pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias  de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta  nesses  arquivos  digitais  (campo  "descrição  da  mercadoria"  /  "descrição  complementar  da  mercadoria"  do  arquivo  4.3.4  do  ADE COFIS n° 55/2009) tratar­se de aquisição de mercadorias  enquadradas como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem.  Mostra­se,  assim,  procedente  a  inclusão de parte desses valores no recálculo do crédito. Já em  relação  ao  restante  dos  documentos,  as  ocorrências  a  seguir  foram verificadas para  justificar a não  inclusão dos valores no  recálculo do crédito.  28. Nas operações de compra de mercadorias de pessoas físicas,  conforme demonstrado no Anexo IV (fls. 2677/2679), verificou­ se que:  a)  A  totalidade  dos  documentos  aponta  a  descrição  das  mercadorias  adquiridas  como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários ou materiais de embalagem; e  Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 12          5 b) Além disso, tratam­se de operações com pessoas físicas, que  não são contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, portanto,  não  passíveis  de  inclusão  no  cálculo  do  crédito  presumido,  conforme  previsto  no  art.  5°,  §2°,  da  IN  SRF  n°  315/2003,  disposição normativa já citada na primeira decisão.  29.  Nas  operações  de  compra  de  mercadorias  de  pessoas  jurídicas,  conforme  demonstrado  no  Anexo  V  (fls.  2680/2681),  verificou­se que a totalidade dos documentos aponta a descrição  das mercadorias  adquiridas  como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários ou materiais de embalagem.  CFOP 2.101 (Filial 0002)  30. De acordo com as informações contidas nos arquivos digitais  apresentados,  parte  dos  documentos  do  Código  Fiscal  de  Operação  e  Prestação  (CFOP)  2.101  encontra­se  devidamente  lançado  na  escrita  fiscal  (livros  fiscais)  e  também  na  contabilidade,  fato que denota,  em face do  registro contábil  do  pagamento (ou do passivo), a regular aquisição de mercadorias  de contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Além disso, consta  nesses  arquivos  digitais  (campo  "descrição  da  mercadoria"  /  "descrição  complementar  da  mercadoria"  do  arquivo  4.3.4  do  ADE COFIS n° 55/2009) tratar­se de aquisição de mercadorias  enquadradas como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem.  Mostra­se,  assim,  procedente  a  inclusão de parte desses valores no recalculo do crédito. Já em  relação  ao  restante  (anexo  VI  ­  fl.  2682),  verificou­se  que  o  documento aponta a descrição das mercadorias adquiridas como  "DIVERSOS",  portanto,  não  passíveis  de  enquadramento  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  embalagem. (grifos não originais)  Em  sede  de manifestação  de  inconformidade  (fls.  2.754/2.758),  a  recorrente  contestou apenas a glosa da parcela dos créditos relativos às aquisições de pessoas físicas, no valor  de  R$  3.787.963,30,  com  base  na  alegação  de  que  todas  as  aquisições  de  insumos,  independentemente de ser o fornecedor contribuinte ou não da Contribuição para o PIS/Pasep e  da Cofins, deviam ser computadas na base de cálculo do crédito presumido do IPI.  Sobreveio  a  decisão  de  primeira  instância  (fls.  2.773/2.779),  em  que,  por  unanimidade  de  votos,  a  8ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Ribeirão  Preto/SC  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  sob  o  fundamento  de  que  as  compras  de  insumos de pessoas físicas não podiam ser utilizadas para efeito de determinação da base de  cálculo do crédito presumido do IPI.  Em  30/4/2012,  a  recorrente  foi  cientificada  da  decisão  de  primeira  instância.  Inconformada,  em  30/5/2012,  protocolou  o  Recurso Voluntário  de  fls.  2.785/2.794,  em  que  reafirmou  as  razões  de  defesa  aduzidas na manifestação de  inconformidade. Em aditamento,  alegou  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  sob  o  regime  do  recurso  repetitivo,  no  julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 993.164/MG, reconhecera a ilegalidade das normas  que excluíra da base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores das matérias­primas e  dos insumos adquiridos de pessoas físicas.  Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   6 É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator.  O  recurso é  tempestivo e preenche os demais  requisitos de admissibilidade,  portanto, deve ser conhecido.  A controvérsia limita­se apenas a glosa dos créditos relativos às compras de  pessoas físicas, no valor de R$ 3.787.963,30, descritas nos Anexos I  (fls. 2.684/2.686), III (fls.  2.696/2.701)  e  IV  (fls.  2.702/2.704)  do  Demonstrativo  do  Crédito  Presumido  do  IPI  do  4º  Trimestre de 2003.  Conforme delineado no relatório precedente, as razões da glosa dos créditos  provenientes das aquisições de pessoas jurídicas quanto dos créditos decorrentes das compras  das pessoas físicas foram fundamentadas praticamente nos mesmos fatos. Porém, a recorrente  não contestou à glosa dos créditos relativos às aquisições das pessoas jurídicas.  Com efeito, a  inconformidade da recorrente limitou­se apenas as glosas dos  créditos  decorrentes  das  compras  das  pessoas  físicas,  porém,  limitada  à  questão  jurídica,  ou  seja, a existência de restrição normativa ao direito de apropriação do crédito presumido do IPI  relativo às aquisições de pessoas físicas.  Entretanto,  conforme  explicitado  nos  itens  23,  26  e  28  do  contestado  Despacho Decisório, além do óbice de natureza jurídica, foram relatadas questões de natureza  fática que motivaram a glosa dos referidos créditos. Tais fatos, em suma, foram os seguintes:  a) uma parte dos documentos não foi localizada nos arquivos digitais;  b) outra parte dos documentos foi lançada em duplicidade; e  c) a parte restante dos documentos, embora localizada nos arquivos digitais,  apresentava as seguintes irregularidades: c.1) uma parte dos documentos não  foi registrada na contabilidade; c.2) outra parte dos documentos se referem a  aquisições de produtos para recebimento futuro, cuja inclusão no cálculo do  crédito  presumido  do  IPI  somente  é  permitida  a  partir  do momento  da  sua  efetiva  entrada  no  estabelecimento  adquirente;  e  c.3)  os  produtos  foram  descritos  como  “DIVERSOS”,  o  que  impossibilitava  o  enquadramento  das  respectivas  aquisições  como  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais de embalagem.  Conforme mencionado, no  recurso em apreço, assim como na manifestação  de inconformidade, a recorrente alegou apenas que as aquisições de pessoas físicas integravam  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  do  IPI,  com  suporte  no  entendimento  esposado  na  jurisprudência  administrativa  e  judicial  transcrita  na  peça  defensiva,  porém  não  apresentou  qualquer  contestação  em  relação  às  relevantes  irregularidades  apontadas  pela  fiscalização,  tampouco apresentou qualquer elemento probatório que infirmasse os motivos fáticos da glosa  dos créditos decorrentes das compras de pessoas físicas.  No âmbito deste Conselho, por força do disposto no art. 62­A do Regimento  Interno deste Conselho,  aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de  junho de 2009, com as  alterações posteriores, a questão jurídica, atinente à falta de amparo legal para apropriação dos  Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 13          7 créditos provenientes das aquisições de insumos de pessoas físicas, ficou superada a partir da  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  prolatado  no  julgamento  do  REsp  nº  993.164/MG,  processado  sob  regime  do  art.  543­C  do  CPC,  que  reconheceu  o  direito  de  o  contribuinte  apropriar­se  do  crédito  presumido  do  IPI  relativo  a  matérias­primas,  produtos  intermediários e material de embalagens adquiridos de pessoas físicas. O enunciado da ementa  do referido acórdão tem o seguinte teor, in verbis:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS  PRODUTORAS  E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS DE  FORNECEDORES  SUJEITOS À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI  ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC.  INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não  poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução  Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode  inovar no ordenamento jurídico, subordinando­se aos limites do  texto legal.  2.  A  Lei  9.363/96  instituiu  crédito  presumido  de  IPI  para  ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que:  "Art.  1º  A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de  setembro  de  1970,  8,  de  3  de  dezembro  de  1970,  e  de  dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no  mercado interno, de matérias­primas, produtos intermediários e  material de embalagem, para utilização no processo produtivo.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim  específico de exportação para o exterior."  3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que  "o  Ministro  de  Estado  da  Fazenda  expedirá  as  instruções  necessárias  ao  cumprimento  do  disposto  nesta  Lei,  inclusive  quanto  aos  requisitos  e  periodicidade  para  apuração  e  para  fruição  do  crédito  presumido  e  respectivo  ressarcimento,  à  definição  de  receita  de  exportação  e  aos  documentos  fiscais  comprobatórios  dos  lançamentos,  a  esse  título,  efetuados  pelo  produtor exportador".  Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   8 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições,  expediu  a  Portaria  38/97,  dispondo  sobre  o  cálculo  e  a  utilização  do  crédito  presumido  instituído  pela  Lei  9.363/96  e  autorizando  o  Secretário  da Receita Federal  a  expedir  normas  complementares  necessárias  à  implementação  da  aludida  portaria (artigo 12).  5.  Nesse  segmento,  o  Secretário  da  Receita  Federal  expediu  a  Instrução  Normativa  23/97  (revogada,  sem  interrupção  de  sua  força  normativa,  pela  Instrução  Normativa  313/2003,  também  revogada,  nos  mesmos  termos,  pela  Instrução  Normativa  419/2004),  assim  preceituando:  "Art.  2º  Fará  jus  ao  crédito  presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora  e exportadora de mercadorias nacionais.  §  1º  O  direito  ao  crédito  presumido  aplica­se  inclusive:  I  ­  Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero;  II  ­  nas  vendas  a  empresa  comercial  exportadora,  com  o  fim  específico de exportação.  §  2º  O  crédito  presumido  relativo  a  produtos  oriundos  da  atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de  12  de  abril  de  1990,  utilizados  como  matéria­prima,  produto  intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será  calculado,  exclusivamente,  em  relação às  aquisições,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas,  sujeitas  às  contribuições  PIS/PASEP  e  COFINS."  6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF  23/97,  restringiu  a  dedução  do  crédito  presumido  do  IPI  (instituído  pela  Lei  9.363/96),  no  que  concerne  às  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  produtos  oriundos  de  atividade  rural,  às  aquisições,  no mercado  interno,  efetuadas  de  pessoas  jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à  COFINS.  7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos  normativos  secundários)  pressupõe  a  estrita  observância  dos  limites  impostos  pelos  atos  normativos  primários  a  que  se  subordinam  (leis,  tratados,  convenções  internacionais,  etc.),  sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese  que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar­ se­ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes  do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso  de  Mello,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  11.12.1991,  DJ  03.04.1992;  e  ADI  365  AgR,  Rel.  Ministro  Celso  de  Mello,  Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991).  8.  Conseqüentemente,  sobressai  a  "ilegalidade"  da  instrução  normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96,  ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente  aos  produtos  oriundos  de  atividade rural) de matéria­prima e de insumos de fornecedores  não  sujeito  à  tributação  pelo  PIS/PASEP  e  pela  COFINS  (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda  Turma,  julgado  em  19.08.2010,  DJe  28.09.2010;  AgRg  no  REsp  913433/ES,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10935.001757/2004­65  Acórdão n.º 3102­001.943  S3­C1T2  Fl. 14          9 julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.  Ministro  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  julgado  em  16.04.2009,  DJe  06.05.2009;  REsp  1008021/CE,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  01.04.2008,  DJe  11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira  Turma,  julgado  em  12.12.2006,  DJ  15.02.2007;  REsp  617733/CE,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  03.08.2006,  DJ  24.08.2006;  e  REsp  586392/RN,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004).  9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto  rural  e,  por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor­exportador,  mesmo  não  havendo  incidência na  sua última aquisição";  (ii)  "o Decreto 2.367/98  ­  Regulamento do IPI ­, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição  às aquisições de produtos rurais"; e  (iii) "a base de cálculo do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  (art.  2º),  sem  condicionantes"  (REsp 586392/RN).  10.  A  Súmula Vinculante  10/STF  cristalizou  o  entendimento  de  que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a  decisão  de  órgão  fracionário  de  tribunal  que,  embora  não  declare  expressamente  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo  do  poder  público,  afasta  sua  incidência,  no  todo  ou  em parte."  11.  Entrementes,  é  certo  que  a  exigência  de  observância  à  cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos  secundários  do  Poder  Público,  uma  vez  não  estabelecido  confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável  a Súmula Vinculante 10/STF à espécie.  12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  de  IPI  (decorrente  da  aplicação  do  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil),  exsurgindo  legítima  a  incidência  de  correção monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Aplicação  analógica  do  precedente  da  Primeira  Seção  submetido  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o  Manual  de  Cálculos  da  Justiça  Federal  e  a  jurisprudência  do  STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de  1996)  na  correção  monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  20.04.2010, DJe 03.05.2010).  14. Outrossim,  a  apontada ofensa  ao  artigo  535,  do CPC,  não  restou  configurada,  uma  vez  que  o  acórdão  recorrido  Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO   10 pronunciou­se de forma clara e suficiente sobre a questão posta  nos  autos.  Saliente­se,  ademais,  que  o  magistrado  não  está  obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte,  desde  que  os  fundamentos  utilizados  tenham  sido  suficientes  para embasar a decisão, como de  fato ocorreu na hipótese dos  autos.  15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da  Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  13/12/2010,  DJe  17/12/2010)  Entretanto, conforme já mencionado, além da questão jurídica, a fiscalização  apontou  diversas  irregularidades  nos  elementos  probatórios  apresentados  pela  recorrente  que  impossibilitam  o  reconhecimento  do  alegado  direito  creditório.  Ademais,  a  recorrente  não  contestou nem apresentou qualquer explicação sobre tais irregularidades, o que torna a matéria  fático­probatória incontroversa.  Dessa forma, na ausência de comprovação da regularidade da aquisição dos  insumos de pessoas físicas, bem como de parte dos registros contábeis e fiscais das respectivas  operações, fica impossibilitado o reconhecimento do respectivo direito creditório.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso,  para  manter na íntegra o acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                              Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /08/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO

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Numero do processo: 11060.003122/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: - no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; - no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; - no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: - as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; - nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. - A glosa de valores estranhos à obra. - A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: - A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. - A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. - Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. - A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. - A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. - A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. - A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. - A inexistência de prejuízo ao Fisco. - Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo - A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. - A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. - Considerando que a decisão recorrida está embasada em “prova emprestada inexistente”, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora - O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". - No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa - Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. - Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) - No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. - Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos. - Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). - O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. - Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'. - Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' — inclusas as edificações – submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. - Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". - Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: - preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; - no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir: Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 43 a 52) referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano-calendário 2004, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 87.058,08, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Nulidade do Lançamento A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. Os autuantes promoveram a descrição do fato imponível de forma insuficiente, superficial, tornando o lançamento nulo por dois motivos principais. Um, porque descumpriram o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Guiado pelo princípio da tipicidade, o citado dispositivo preconiza que a descrição do fato tributável deve apresentar uma evidente subsunção (vinculação) à previsão legal. Guiado pelo princípio da certeza e da segurança jurídica, o referido dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar-se na incerteza, num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção. Dois, porque a motivação genérica, aliada à sumaria indicação do montante glosado, ou seja, a não individualização dos valores glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa. Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento. A glosa de valores estranhos à obra Dentro do montante lançado/glosado (R$ 673.488,14), existem desembolsos com materiais/serviços que não foram aplicados na edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações. Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior. A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção Diferentemente do que entendeu a fiscalização, a maior parte dos gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando teria havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14. De fato, a implantação da obra (e anexos), e a correspondente distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de abril/2003 a abril/2005. Isto, aliás, está detalhado nas planilhas de fls. 14/16, elaboradas em resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009. Visualizando-as, verifica-se que o total investido perfez o montante de R$ 875.091,51, sendo que: - no ano-calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72; - no ano-calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72; - no ano-calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94. Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização. Logo, se foram, ainda que tacitamente, acolhidos pela autoridade lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a de lançar. A inatingibilidade, neste feito, dos gastos correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005 O caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador. Assim sendo, no presente feito, se cabível fosse a glosa só poderia incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano-calendário 2004. Logo, por dizerem respeito a fatos geradores enquadráveis em outros períodos de apuração (anuais), impõe-se o desfazimento da glosa dos valores correspondentes aos anos-calendário de 2003 e 2005. Argui a decadência do direito do Fisco promover a glosa dos gastos relativos ao ano-calendário 2003. De qualquer forma, mesmo que, por hipótese, os motivos apontados não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como adiante é demonstrado, outros existem para determinar seu cancelamento. A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias' e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica-se que todos os 'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como as benfeitorias, maquinário agrícola e semoventes à disposição da parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula terceira. Examinando a 'cláusula décima', verifica-se que a administração é feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento, pelo filho-varão (Fábio). Examinando as Declarações de Bens (dos 'parceiros'), juntadas nos respectivos processos administrativos, verifica-se que a exploração conjunta ocorreu sobre glebas rurais com títulos de propriedade individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos filhos destes, Fábio e Ingrid. Os elementos expostos autorizam concluir que, no presente caso, apesar de ser denominado como sendo de PARCERIA, o contrato revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um CONDOMÍNIO FAMILIAR. Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros proprietários, isto é, entre parceiro-outorgante e parceiros-arrendatários, mas a junção (exploração coletiva) do patrimônio familiar, objetivando racionalizar a administração, diminuir custos, enfim, otimizar o desempenho técnico-financeiro advindo da exploração agropecuária condominial. Sustenta que o incontestável fato de haver uma exploração agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o afastamento das regras aplicáveis à parceria, que, em parte, embasaram o lançamento. A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide. Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato de o título de propriedade da terra-nua (4 ha) estar em nome de Pedro Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela mesma pessoa, das benfeitorias e anexos sobre ela (terra-nua) edificadas. De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que sobre a terra- nua de alguém (no caso, do Sr. Pedro), sejam construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar'). De outro, porque visualizando tanto este, como os processos administrativos instaurados contra os demais familiares, torna-se evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos). A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias Conjuntamente com as ponderações feitas no item precedente, o Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram de levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as fases, isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra (benfeitorias e anexos). A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem. A fase (período cronológico) da edificação da obra O momento cronológico da edificação envolveu todos os parceiros (melhor dizendo, condôminos). Todos eles, inquestionavelmente, manifestaram conhecimento e concordância na participação conjunta dos custos. Para ter certeza, basta ver: - as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção de cada um, informaram os resultados tributáveis apurados no 'caixa comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não gerou rendimentos, havendo apenas custos; - nos anexos da atividade rural, o quadro 'Dívidas vinculadas à atividade rural', onde todos condôminos declararam como sendo proporcionalmente suas, as dívidas de financiamento assumidas para fins de edificação. Diante do exposto, forçoso se torna concluir que a apropriação conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros. | Obvio é que tais atos de vontade, enquanto lícitos, usuais e legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente fiscalizador. A fase (momento cronológico) da alienação da obra O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função do ingresso do Sr. Pedro Herter como sócio na empresa "Herter Cereais Ltda". A primeira vista, poder-se-ia afirmar que um bem de propriedade coletiva (armazém e anexos) teria sido alienado em benefício de apenas um dos 'parceiros' (condôminos). Este, aliás, foi o entendimento adotado pelos autuantes, apoiado na premissa de que, necessariamente, o fruto da alienação deveria favorecer a todos. Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco. A inexistência de prejuízo aos demais parceiros Examinando o "Contrato de Parceria", verifica-se que na sua cláusula quarta consta que "Nenhum dos parceiros poderá transferir, ceder, emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência por escrito de todos os parceiros". No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal Pedro/Margareth, quanto em relação aos filhos Fábio/Ingrid, com a aposição das assinaturas na alteração contratual firmada com tal finalidade. Eventual contestação pela Sra. Maria Odila (sogra de Pedro, mãe de Margareth), deveria ser invocada pelos meios e no tempo próprio, o que não aconteceu(rá), notadamente porque tudo permaneceu no âmbito do patrimônio familiar. O certo é que tal decisão aconteceu mediante deliberação familiar, objetivando atender conveniências negociais. De fato, a incorporação da obra ao capital da empresa 'Herter Cereais Ltda', foi feita por necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu. A inexistência de prejuízo ao Fisco Examinando a alienação sob o prisma fiscal, verifica-se que mesmo imputando o valor da alienação da obra (benfeitoria e anexos) à pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco. Essencialmente porque os quantitativos pertencentes aos demais 'parceiros' (condôminos), ao serem utilizados pelo Sr. Pedro na integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou um fenômeno caracterizável como recebimento em doação, que representa um ganho isento (do Sr. Pedro). Para os doadores (demais condôminos) sua tributabilidade ou não deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à matéria em causa. Outro erro de raciocínio da fiscalização Visualizando o "Relatório de Fiscalização", verifica-se que os autuantes cometeram outro erro de raciocínio ao glosar a totalidade das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'. Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge-meeira Margareth) que, segundo a (errônea) ótica fiscal, seria(m) o(s) único(s) empreendedor(es). Significa dizer: se o Fisco entende que as despesas não são apropriáveis pelo grupo familiar, devem, então, serem atribuídas a alguém. Só não podem ser de ninguém. Em sendo atribuídas ao Sr. Pedro e sua cônjuge, o motivo da glosa (contra os dois) deixaria de existir. Dentro da mesma linha de raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído, alterando as bases de cálculo de positivas para negativas. A improcedência da glosa das "demais despesas". A contestação da glosa das "Demais despesas", no importe de R$ 34.316,70, apoia-se no argumento de que, por representarem dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis. Independentemente disto, alerta que o crédito tributário correspondente aos valores glosados, proporcional a cada um dos parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela maior do lançamento. Os pedidos Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento. No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. DEDUÇÃO. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão em 23/05/2011 (fl. 123), o Interessado apresentou recurso em 22/06/2011 (fls. 124/133), acompanhado dos documentos de fls. 134/145, por intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória, listados abaixo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do direito de defesa. - A glosa de valores estranhos à obra. - A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos havidos na construção. Neste ponto, o Recorrente observa que: - A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. - A glosa da totalidade dos gastos escriturados na conta "Construções e Reformas", subconta "Materiais, manutenção e conservação de imóveis", baseada apenas na inferência de que todos "os valores que constam das demais subcontas também estão relacionadas com a construção'", não atende um dos requisitos nucleares do lançamento, consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de tributação. - Diversamente do aduzido no acórdão, o cerceamento de defesa não resulta apenas de despachos e decisões. Também ocorre na lavratura de autos de infração com as deficiências apontadas no parágrafo precedente. A IMPROCEDÊNCIA, NO MÉRITO, DA GLOSA DAS DESPESAS PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA. - A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas rurais. - A irrelevância da área e da edificação estarem em nome (individual) do Sr. Pedro. - A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias. - A inexistência de prejuízo aos demais parceiros. - A inexistência de prejuízo ao Fisco. - Erro de raciocínio da fiscalização. Em complemento ao pedido de reexame dos pontos acima elencados, aduz o Recorrente, em síntese, que: ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA O desconhecimento dos fatos de outro processo - A Turma Julgadora afastou o total da glosa promovida pela Fiscalização e, alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a R$ 277.867,83, valor este que foi objeto de outro lançamento lavrado em face de outro contribuinte. - A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo fiscal, impede o exercício do direito constitucional à ampla defesa. Entretanto, tomou conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado. - Considerando que a decisão recorrida está embasada em “prova emprestada inexistente”, impõe-se concluir pela sua total insubsistência jurídica. A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora - O ato da Turma Julgadora é juridicamente nulo. Diz o artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". - No presente caso, a autoridade julgadora operou como autoridade lançadora, desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da Fiscalização ao "inovar o lançamento". A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa - Se a Turma Julgadora tivesse determinado o retorno ao Órgão Fiscalizador para examinar o documentário existente noutro processo, solicitar os esclarecimentos necessários, alterar o lançamento, lavrar auto de infração complementar (se cabível), abrir o prazo legal para o contribuinte manifestar-se, o processo administrativo-fiscal teria tido sua tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa. - Não tendo assim acontecido, criou-se a anômala situação de o Recorrente, no exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham sido examinados pela autoridade fiscal. O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS (INTEGRALIZADOS) - No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010-60), o "custo das benfeitorias" não perfaz o montante de R$ 277.867,83. - Isto porque a fiscalização agiu ilegalmente ao apurar e tributar o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos. - Visualizando as cópias da 'Escritura Pública de Integralização e Incorporação de Bem ao Capital Social de Empresa', verifica-se que a integralização de capital ocorreu através de um bem imóvel, de um silo graneleiro e das (demais) benfeitorias (que os acompanharam). - O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares. O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele instalados consistem no maquinário de movimentação de grãos, classificação, limpeza e secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios. As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água, de esgoto, nas vias de acesso. - Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra-nua' está submetida a um regime especial de tributação, denominado pela legislação fiscal como 'Tributação Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas. Apenas o ganho obtido na alienação da mesma (terra-nua), submete-se à tributação na modalidade 'ganho de capital'. - Por sua vez, os ingressos correspondentes à alienação de tudo quanto é catalogável no amplo conceito de 'benfeitorias' — inclusas as edificações – submetem-se ao mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas físicas, ou seja, sujeitos à tabela progressiva e à consolidação da base tributável, realizada através da Declaração de Ajuste Anual. - Deduzindo-se que a Fiscalização apurou e tributou o ganho de capital em questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra-nua e das benfeitoras/equipamentos, impõe-se concluir que promoveu um lançamento legalmente equivocado, improcedente. A improcedência da glosa das "outras despesas". - Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados. Pedidos Ao fim, requer o Recorrente: - preliminarmente, declare a nulidade do lançamento e/ou da decisão de 1ª instância; - no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário mantida na decisão de 1º instância; e, - por fim, o arquivamento do processo fiscal. Voto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 152          1 151  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11060.003122/2009­14  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2801­000.225  –  1ª Turma Especial  Data  18 de junho de 2013  Assunto  IRPF  Recorrente  FÁBIO PINTO HERTER  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Ausente,  momentaneamente,  o  Conselheiro José Valdemir da Silva.  Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício.   Assinado digitalmente   Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.   Participaram do  presente  julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.  Relatório  Por bem descrever os fatos, adota­se o relatório do acórdão de primeira instância  (fls. 107/112) deste processo digital, reproduzido a seguir:  Contra  o  contribuinte  foi  lavrado  auto  de  infração  (fls.  43  a  52)  referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do ano­calendário  2004,  no  qual  foi  apurado o  crédito  tributário  de R$ 87.058,08,  nele  compreendido  imposto,  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  em  decorrência da apuração de glosa de despesas da atividade rural, na  forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 03 12 2/ 20 09 -1 4 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 153          2 Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência  às fls. 59 a 67. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas.  Nulidade do Lançamento   A  insuficiente  (deficiente)  descrição  dos  fatos  e  o  consequente  cerceamento do direito de defesa.  Os  autuantes  promoveram  a  descrição  do  fato  imponível  de  forma  insuficiente, superficial,  tornando o lançamento nulo por dois motivos  principais.  Um,  porque  descumpriram  o  disposto  no  artigo  10,  inciso  III,  do  Decreto  n°  70.235/72.  Guiado  pelo  princípio  da  tipicidade,  o  citado  dispositivo  preconiza  que  a  descrição  do  fato  tributável  deve  apresentar  uma  evidente  subsunção  (vinculação)  à  previsão  legal.  Guiado pelo  princípio  da  certeza  e  da  segurança  jurídica,  o  referido  dispositivo impõe que o lançamento não pode assentar­se na incerteza,  num estado de dúvida. Este caso não autoriza o uso de presunção.  Dois,  porque  a  motivação  genérica,  aliada  à  sumaria  indicação  do  montante  glosado,  ou  seja,  a  não  individualização  dos  valores  glosados, implica no cerceamento do exercício do direito de defesa.  Tais vícios conjugados determinam a nulidade do lançamento.  A glosa de valores estranhos à obra   Dentro  do  montante  lançado/glosado  (R$  673.488,14),  existem  desembolsos  com  materiais/serviços  que  não  foram  aplicados  na  edificação do pavilhão e anexos, mas em outras situações.  Observação: este item deve ser analisado em conjunto com o posterior.  A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos  gastos havidos na construção   Diferentemente  do  que  entendeu  a  fiscalização,  a  maior  parte  dos  gastos havidos com a construção não ocorreu em 2004, quando  teria  havido o alegado desembolso de R$ 673.488,14.  De  fato,  a  implantação  da  obra  (e  anexos),  e  a  correspondente  distribuição dos gastos, ocorreu no período de tempo compreendido de  abril/2003 a abril/2005.  Isto,  aliás,  está  detalhado nas  planilhas  de  fls.  14/16,  elaboradas  em  resposta ao Termo de Intimação de 16.07.2009.  Visualizando­as, verifica­se que o total investido perfez o montante de  R$ 875.091,51, sendo que:  ­ no ano­calendário 2003, foram despendidos R$ 238.534,72;  ­ no ano­calendário 2004, foram despendidos R$ 320.534,72;  ­ no ano­calendário 2005, foram despendidos R$ 300.011,94.  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 154          3  Observação: Referidos dados não foram contestados pela fiscalização.  Logo,  se  foram,  ainda  que  tacitamente,  acolhidos  pela  autoridade  lançadora, não podem ser desacolhidos pela autoridade julgadora na  fase contenciosa, visto que a função de julgar não se confunde com a  de lançar.  A  inatingibilidade,  neste  feito,  dos  gastos  correspondentes  aos  anos­ calendário de 2003 e 2005   O  caput  do  artigo  144  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  estabelece que o  lançamento  reporta­se à data da ocorrência do  fato  gerador.  Assim  sendo,  no  presente  feito,  se  cabível  fosse  a  glosa  só  poderia  incidir sobre os dispêndios pertinentes ao ano­calendário 2004.  Logo, por dizerem respeito a  fatos geradores enquadráveis em outros  períodos de apuração (anuais),  impõe­se o desfazimento da glosa dos  valores correspondentes aos anos­calendário de 2003 e 2005.  Argui  a  decadência  do  direito  do Fisco  promover  a glosa  dos  gastos  relativos ao ano­calendário 2003.  De  qualquer  forma,  mesmo  que,  por  hipótese,  os  motivos  apontados  não fossem suficientes para desfazer o lançamento, ainda assim, como  adiante  é  demonstrado,  outros  existem  para  determinar  seu  cancelamento.  A  verdadeira  característica  (natureza  jurídica)  da  exploração  conjunta das áreas rurais   Examinando a cláusula sexta do 'contrato de parcerias agropecuárias'  e do 'aditivo' anexados por cópia às fls. 32/37, verifica­se que todos os  'parceiros' colocam todas as glebas de suas propriedades, assim como  as  benfeitorias,  maquinário  agrícola  e  semoventes  à  disposição  da  parceria, para serem explorados pela mesma, recebendo cada um, em  troca, a participação no resultado financeiro mencionado na cláusula  terceira.  Examinando  a  'cláusula  décima',  verifica­se  que  a  administração  é  feita pelo Sr. Pedro Herter, o líder da família, e, no seu impedimento,  pelo filho­varão (Fábio).  Examinando  as  Declarações  de  Bens  (dos  'parceiros'),  juntadas  nos  respectivos  processos  administrativos,  verifica­se  que  a  exploração  conjunta  ocorreu  sobre  glebas  rurais  com  títulos  de  propriedade  individual ou conjunta da Sra. Odila, do casal Pedro/Margareth, e dos  filhos destes, Fábio e Ingrid.  Os  elementos  expostos  autorizam  concluir  que,  no  presente  caso,  apesar  de  ser  denominado  como  sendo  de  PARCERIA,  o  contrato  revela, de fato, a pactuação de uma exploração conjunta típica de um  CONDOMÍNIO FAMILIAR.  Significa dizer: não há obrigações específicas assumidas com terceiros  proprietários,  isto  é,  entre  parceiro­outorgante  e  parceiros­ arrendatários,  mas  a  junção  (exploração  coletiva)  do  patrimônio  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 155          4 familiar,  objetivando  racionalizar  a  administração,  diminuir  custos,  enfim,  otimizar  o  desempenho  técnico­financeiro  advindo  da  exploração agropecuária condominial.  Sustenta  que  o  incontestável  fato  de  haver  uma  exploração  agropecuária conjunta de proprietários (condomínio familiar), impõe o  afastamento  das  regras  aplicáveis  à  parceria,  que,  em  parte,  embasaram o lançamento.  A  irrelevância da área e da  edificação estarem em nome  (individual)  do Sr. Pedro   A existência de título exclusivo da área de 4 ha em nome de Pedro Luiz  Herter, bem como das benfeitorias (e anexos) sobre ela edificadas, não  constitui motivo legal (causa) hábil para a realização da glosa em lide.  Em suma, está equivocada a premissa dos Autuantes de que pelo fato  de o título de propriedade da terra­nua (4 ha) estar em nome de Pedro  Herter implica na automática/consequente propriedade individual, pela  mesma  pessoa,  das  benfeitorias  e  anexos  sobre  ela  (terra­nua)  edificadas.  De um lado, porque nenhuma determinação legal existe impedindo que  sobre  a  terra­  nua  de  alguém  (no  caso,  do  Sr.  Pedro),  sejam  construídas benfeitorias por outrem (no caso, o 'conjunto familiar').  De  outro,  porque  visualizando  tanto  este,  como  os  processos  administrativos  instaurados  contra  os  demais  familiares,  torna­se  evidente a propriedade condominial benfeitorias (e anexos).  A  inobservância  das  fases  da  edificação  e  da  alienação  das  benfeitorias   Conjuntamente  com  as  ponderações  feitas  no  item  precedente,  o  Impugnante aduz que, na formalização da glosa, os autuantes deixaram  de  levar em consideração, ou, melhor dizendo, de distinguir as  fases,  isto é, os momentos cronológicos da edificação e da alienação da obra  (benfeitorias e anexos).  A diferenciação é demonstrada nos subitens que seguem.  A fase (período cronológico) da edificação da obra   O  momento  cronológico  da  edificação  envolveu  todos  os  parceiros  (melhor dizendo, condôminos).  Todos  eles,  inquestionavelmente,  manifestaram  conhecimento  e  concordância na participação conjunta dos custos.  Para ter certeza, basta ver:  ­ as respectivas declarações de rendimentos, onde todos, na proporção  de cada um,  informaram os  resultados  tributáveis apurados no  'caixa  comum', observado que a área de 4 ha em nome de Pedro Herter não  gerou rendimentos, havendo apenas custos;   Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 156          5 ­  nos  anexos  da  atividade  rural,  o  quadro  'Dívidas  vinculadas  à  atividade  rural',  onde  todos  condôminos  declararam  como  sendo  proporcionalmente  suas,  as  dívidas  de  financiamento  assumidas  para  fins de edificação.  Diante  do  exposto,  forçoso  se  torna  concluir  que  a  apropriação  conjunta dos custos da edificação é regular em face da concordância  com a assunção dos mesmos, expressa por todos os parceiros.   |  Obvio  é  que  tais  atos  de  vontade,  enquanto  lícitos,  usuais  e  legalmente permitidos, como são, não podem ser desfeitos pelo agente  fiscalizador.  A fase (momento cronológico) da alienação da obra   O momento cronológico da alienação da obra ocorreu quando da sua  destinação, como aporte (integralização) de capital, havido em função  do  ingresso  do  Sr.  Pedro  Herter  como  sócio  na  empresa  "Herter  Cereais Ltda".  A  primeira  vista,  poder­se­ia  afirmar  que  um  bem  de  propriedade  coletiva  (armazém  e  anexos)  teria  sido  alienado  em  benefício  de  apenas um dos 'parceiros' (condôminos).  Este,  aliás,  foi  o  entendimento  adotado  pelos  autuantes,  apoiado  na  premissa  de  que,  necessariamente,  o  fruto  da  alienação  deveria  favorecer a todos.  Entretanto, cumpre ver se o referido fenômeno teria sido feito à revelia  e em prejuízo tanto dos demais 'parceiros', quanto do Fisco.  A inexistência de prejuízo aos demais parceiros   Examinando o "Contrato de Parceria", verifica­se que na sua cláusula  quarta  consta  que  "Nenhum  dos  parceiros  poderá  transferir,  ceder,  emprestar os direitos existentes na presente parceira, sem a anuência  por escrito de todos os parceiros".  No caso, dita anuência escrita se consumou, tanto em relação ao casal  Pedro/Margareth,  quanto  em  relação  aos  filhos  Fábio/Ingrid,  com  a  aposição  das  assinaturas  na  alteração  contratual  firmada  com  tal  finalidade.  Eventual  contestação  pela  Sra.  Maria  Odila  (sogra  de  Pedro,  mãe  de  Margareth),  deveria  ser  invocada  pelos  meios  e  no  tempo  próprio,  o  que  não  aconteceu(rá),  notadamente  porque  tudo  permaneceu no âmbito do patrimônio familiar.  O  certo  é  que  tal  decisão  aconteceu  mediante  deliberação  familiar,  objetivando atender conveniências negociais. De fato, a  incorporação  da  obra  ao  capital  da  empresa  'Herter  Cereais  Ltda',  foi  feita  por  necessidade cadastral em nome de Pedro Herter, objetivando ampliar  os limites de crédito bancário, o que, de fato, aconteceu.  A inexistência de prejuízo ao Fisco   Examinando  a  alienação  sob  o  prisma  fiscal,  verifica­se  que  mesmo  imputando  o  valor  da  alienação  da  obra  (benfeitoria  e  anexos)  à  pessoa individual do Sr. Pedro Herter, não haveria prejuízos ao Fisco.  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 157          6 Essencialmente  porque  os  quantitativos  pertencentes  aos  demais  'parceiros'  (condôminos),  ao  serem  utilizados  pelo  Sr.  Pedro  na  integralização do capital sem oposição dos demais parceiros consumou  um  fenômeno  caracterizável  como  recebimento  em  doação,  que  representa um ganho isento (do Sr. Pedro).  Para  os  doadores  (demais  condôminos)  sua  tributabilidade  ou  não  deveria ser objeto de procedimentos e de questionamentos paralelos à  matéria em causa.  Outro erro de raciocínio da fiscalização   Visualizando  o  "Relatório  de  Fiscalização",  verifica­se  que  os  autuantes  cometeram outro  erro  de  raciocínio  ao  glosar  a  totalidade  das despesas, sob a alegação de que não pertencem à 'parceria'.  Ora, se a ela (parceria) não pertencem, devem, então, serem atribuídas  ao Sr. Pedro Herter (por extensão, à cônjuge­meeira Margareth) que,  segundo  a  (errônea)  ótica  fiscal,  seria(m)  o(s)  único(s)  empreendedor(es).  Significa  dizer:  se  o  Fisco  entende  que  as  despesas  não  são  apropriáveis  pelo  grupo  familiar,  devem,  então,  serem  atribuídas  a  alguém. Só não podem ser de ninguém.  Em  sendo  atribuídas  ao  Sr.  Pedro  e  sua  cônjuge,  o  motivo  da  glosa  (contra  os  dois)  deixaria  de  existir.  Dentro  da  mesma  linha  de  raciocínio, o resultado tributável (de ambos) deveria ser reconstituído,  alterando as bases de cálculo de positivas para negativas.  A improcedência da glosa das "demais despesas".  A  contestação  da  glosa  das  "Demais  despesas",  no  importe  de  R$  34.316,70,  apoia­se  no  argumento  de  que,  por  representarem  dispêndios necessários e efetivos, são dedutíveis.  Independentemente  disto,  alerta  que  o  crédito  tributário  correspondente  aos  valores  glosados,  proporcional  a  cada  um  dos  parceiros, depende da decisão final a ser dada à contestação à parcela  maior do lançamento.  Os pedidos   Preliminarmente, que seja declarada a nulidade do lançamento.  No mérito, o cancelamento do auto de infração, determinando, após, o  arquivamento do processo fiscal.  A  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  foi  julgada  procedente  em  parte  pelo acórdão de fls. 106/118, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF   Ano­calendário: 2004   NULIDADE.   Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 158          7 Comprovado que o procedimento  fiscal  foi  feito  regularmente, não se  apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.°  70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.  ATIVIDADE  RURAL.  DESPESAS  DE  CUSTEIO.  INVESTIMENTOS.  DEDUÇÃO.   Consideram­se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários  à  percepção  dos  rendimentos  e  à  manutenção  da  fonte  produtora,  relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com  documentação hábil e idônea.  Cientificado  da  decisão  em  23/05/2011  (fl.  123),  o  Interessado  apresentou  recurso  em  22/06/2011  (fls.  124/133),  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  134/145,  por  intermédio do qual pede o reexame de todos os argumentos expendidos na peça impugnatória,  listados abaixo:  ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO   ­ A insuficiente (deficiente) descrição dos fatos e o consequente cerceamento do  direito de defesa.  ­ A glosa de valores estranhos à obra.   ­ A inobservância do período de tempo consumido e da distribuição dos gastos  havidos na construção.  Neste ponto, o Recorrente observa que:   ­ A arguição de nulidade do lançamento não está vinculada ao descumprimento  das hipóteses do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.  ­  A  glosa  da  totalidade  dos  gastos  escriturados  na  conta  "Construções  e  Reformas",  subconta  "Materiais, manutenção  e  conservação  de  imóveis",  baseada  apenas  na  inferência  de  que  todos  "os  valores  que  constam  das  demais  subcontas  também  estão  relacionadas  com  a  construção'",  não  atende  um  dos  requisitos  nucleares  do  lançamento,  consistente na clara individualização dos fatos, bem como na certeza de que são passíveis de  tributação.  ­  Diversamente  do  aduzido  no  acórdão,  o  cerceamento  de  defesa  não  resulta  apenas  de  despachos  e  decisões.  Também  ocorre  na  lavratura  de  autos  de  infração  com  as  deficiências apontadas no parágrafo precedente.  A  IMPROCEDÊNCIA,  NO  MÉRITO,  DA  GLOSA  DAS  DESPESAS  PROMOVIDA PELA TURMA JULGADORA.  ­ A verdadeira característica (natureza jurídica) da exploração conjunta das áreas  rurais.  ­ A  irrelevância  da  área  e  da  edificação  estarem  em  nome  (individual)  do  Sr.  Pedro.  ­ A inobservância das fases da edificação e da alienação das benfeitorias.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 159          8 ­ A inexistência de prejuízo aos demais parceiros.  ­ A inexistência de prejuízo ao Fisco.  ­ Erro de raciocínio da fiscalização.  Em  complemento  ao  pedido  de  reexame  dos  pontos  acima  elencados,  aduz  o  Recorrente, em síntese, que:  ARGUIÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA   O desconhecimento dos fatos de outro processo   ­  A  Turma  Julgadora  afastou  o  total  da  glosa  promovida  pela  Fiscalização  e,  alternativamente, manteve o valor incidente sobre a quantia de R$ 55.573,57, correspondente a  R$  277.867,83,  valor  este  que  foi  objeto  de  outro  lançamento  lavrado  em  face  de  outro  contribuinte.  ­ A mera referência a dados existentes em outro processo, protegidos pelo sigilo  fiscal,  impede  o  exercício  do  direito  constitucional  à  ampla  defesa.  Entretanto,  tomou  conhecimento de que o correspondente lançamento foi totalmente cancelado.  ­  Considerando  que  a  decisão  recorrida  está  embasada  em  “prova  emprestada  inexistente”, impõe­se concluir pela sua total insubsistência jurídica.  A incompetência de ato praticado pela autoridade julgadora   ­ O ato da Turma Julgadora é  juridicamente nulo. Diz o artigo 59,  inciso I, do  Decreto n° 70.235/72 que são NULOS "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente".  ­ No presente  caso,  a  autoridade  julgadora operou como autoridade  lançadora,  desviando da sua esfera de atuação (competência funcional) e invadindo poderes exclusivos da  Fiscalização ao "inovar o lançamento".   A supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa   ­  Se  a  Turma  Julgadora  tivesse  determinado  o  retorno  ao  Órgão  Fiscalizador  para  examinar  o  documentário  existente  noutro  processo,  solicitar  os  esclarecimentos  necessários,  alterar o  lançamento,  lavrar  auto  de  infração  complementar  (se  cabível),  abrir  o  prazo  legal  para  o  contribuinte manifestar­se,  o  processo  administrativo­fiscal  teria  tido  sua  tramitação de forma regular, inclusive no que se refere à observância do direito de defesa.  ­ Não tendo assim acontecido, criou­se a anômala situação de o Recorrente, no  exercício do direito em pauta, postular perante a segunda instância julgadora, sem que tenham  sido examinados pela autoridade fiscal.   O TRATAMENTO TRIBUTÁRIO ATRIBUÍVEL AOS BENS ALIENADOS  (INTEGRALIZADOS)  ­ No ganho de capital apurado e tributado de ofício na integralização de capital  promovida pelo Sr. Pedro Herter (PAF 11060.001682/2010­60), o "custo das benfeitorias" não  perfaz o montante de R$ 277.867,83.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11060.003122/2009­14  Resolução nº  2801­000.225  S2­TE01  Fl. 160          9 ­  Isto  porque  a  fiscalização  agiu  ilegalmente  ao  apurar  e  tributar  o  ganho  de  capital  em  questão mediante  a  soma  conjunta  dos  valores  correspondentes  às  alienações  da  terra­nua e das benfeitoras/equipamentos.  ­ Visualizando as cópias da  'Escritura Pública de Integralização e Incorporação  de  Bem  ao  Capital  Social  de  Empresa',  verifica­se  que  a  integralização  de  capital  ocorreu  através  de  um  bem  imóvel,  de  um  silo  graneleiro  e  das  (demais)  benfeitorias  (que  os  acompanharam).  ­ O bem imóvel corresponde a uma fração de terras de campo de 4,00 hectares.  O silo graneleiro consiste num pavilhão (armazém) de alvenaria/zinco. Os equipamentos nele  instalados  consistem  no  maquinário  de  movimentação  de  grãos,  classificação,  limpeza  e  secagem de cereais, sistema de carga e descarga, de pesagem, ferramentas, móveis e utensílios.  As benfeitorias consistem nas cercas colocadas, no sistema de captação e distribuição de água,  de esgoto, nas vias de acesso.  ­ Segundo o artigo 4º , § 3º, da Lei n° 8.023/1990, a 'terra­nua' está submetida a  um  regime  especial  de  tributação,  denominado  pela  legislação  fiscal  como  'Tributação  Definitiva', ou seja, sob um critério diferenciado dos demais rendimentos das pessoas físicas.  Apenas  o  ganho  obtido  na  alienação  da  mesma  (terra­nua),  submete­se  à  tributação  na  modalidade 'ganho de capital'.  ­  Por  sua  vez,  os  ingressos  correspondentes  à  alienação  de  tudo  quanto  é  catalogável  no  amplo  conceito  de  'benfeitorias' —  inclusas  as  edificações  –  submetem­se  ao  mesmo regime dos demais rendimentos oriundos da exploração da atividade rural das pessoas  físicas,  ou  seja,  sujeitos  à  tabela  progressiva  e  à  consolidação  da  base  tributável,  realizada  através da Declaração de Ajuste Anual.  ­  Deduzindo­se  que  a  Fiscalização  apurou  e  tributou  o  ganho  de  capital  em  questão mediante a soma conjunta dos valores correspondentes às alienações da terra­nua e das  benfeitoras/equipamentos,  impõe­se  concluir  que  promoveu  um  lançamento  legalmente  equivocado, improcedente.  A improcedência da glosa das "outras despesas".  ­ Baseado no princípio da eventualidade, o Recorrente sustenta improcedente a  glosa das demais despesas. Isto porque a determinação do 'quantum' eventualmente arrecadável  depende da decisão a ser proferida no tocante aos tópicos anteriormente questionados.  Pedidos   Ao fim, requer o Recorrente:  ­  preliminarmente,  declare  a  nulidade  do  lançamento  e/ou  da  decisão  de  1ª  instância;   ­ no mérito, o cancelamento, por improcedente, da parcela do crédito tributário  mantida na decisão de 1º instância; e, ­ por fim, o arquivamento do processo fiscal.  Voto  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 161  ___________     Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  Da  simples  leitura  do  “Relatório  de  Fiscalização”,  acostado  aos  autos  em  fls.  80/84 deste processo digital, verifica­se que o mesmo está incompleto, impossibilitando a exata  compreensão da materialidade da infração imputada ao contribuinte.  Descrevo, para comprovar o afirmado, duas situações em que se pode constatar,  de pronto, que o referido “Relatório” está mutilado: a) o início da fl. 81 deste processo digital  (fl. 47 do processo físico) está em letra minúscula e desconectado da parte final da fl. 80 (fl. 46  do processo físico), que termina com um parágrafo integral, finalizado por ponto final; e b) o  impugnante descreve, em sua peça de defesa, excertos do “Relatório de Fiscalização”, às  fls.  93/95  do  processo  digital  (fls.  59/61  do  processo  físico),  que  não  constam  da  peça  fiscal  adunada aos autos pela Autoridade preparadora.  Observo,  por  oportuno,  que  a  segunda  situação  mencionada  evidencia  que  o  contribuinte recebeu o “Relatório de Fiscalização” em sua inteireza, o que, apenas em juízo de  delibação, não me induz, neste momento, à decretação de nulidade do lançamento.  A  instrução  deficitária  do  Auto  de  Infração,  principalmente  da  peça  que  descreve os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação, impede, a meu ver, que  este Colegiado afira a (i) regularidade do lançamento.  A importância da descrição dos fatos deve­se à circunstância de que é por meio  dela  que  a Autoridade  lançadora  demonstra  a  consonância  da matéria  de  fato  constatada  na  ação  fiscal  e  a  hipótese  de  incidência  abstratamente  descrita,  sendo  temerário,  em  meu  entendimento, concluir o julgamento com os autos instruídos de forma precária.  A descrição dos fatos é elemento fundamental à formação da livre convicção do  julgador,  posto  que  uma minudente  descrição  pode,  a meu  ver,  até mesmo  suprir  eventuais  incorreções no enquadramento legal adotado no Auto de Infração.  Nesse contexto, a fim de se evitar prejuízos a quaisquer das partes e prestigiar a  segurança  jurídica,  sou pela conversão do  julgamento em diligência,  a  fim de que a DRF de  origem:  a) junte aos autos o “Relatório de Fiscalização” em sua integralidade;  b)  intime  o  Recorrente  para,  caso  queira,  se  manifestar  sobre  os  pontos  abordados nesta Resolução.  Após,  os  autos  deverão  retornar  a  este  Conselho  para  a  conclusão  do  julgamento.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida    Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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5108873 #
Numero do processo: 10715.000820/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006 EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Charles Mayer de Castro Souza. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 115          1 114  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10715.000820/2010­89  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3202­000.643  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de fevereiro de 2013  Matéria  MULTA ADUANEIRA ­ AVERBAÇÃO DE EMBARQUE   Recorrente  AMERICAN AIRLINES INC.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006  EXPORTAÇÃO.  EMBARAÇO  A  FISCALIZAÇÃO,  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS.  O  descumprimento  da  obrigação  de  registro  de  dados  de  embarque  no  SISCOMEX  no  prazo  previsto  na  legislação  constitui  embaraço  a  fiscalização.  APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE.  Aplica­se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art.  106  do  CTN,  pelo  não  registro  no  Siscomex  dos  dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria  no  prazo  previsto  no  art.  37  da  IN  SRF  nº  28,  alterado  pela  IN  SRF  n°  510/05,  em  face  da  nova  redação  dada  a  este  dispositivo  pela  IN  RFB  nº  1.096/10,  que  estabeleceu  o  prazo  de  7  dias,  contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex,  para todas as modalidades de transporte.   Recurso Voluntário provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial  ao Recurso Voluntário. Vencidos  os  Conselheiros  Irene  Souza  da  Trindade  Torres  e  Charles Mayer de Castro Souza.    Irene Souza da Trindade Torres – Presidente    Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 08 20 /2 01 0- 89 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade  Torres,  Rodrigo  Cardozo Miranda,  Luís  Eduardo Garrossino  Barbieri,  Gilberto  de  Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.  Relatório  O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto  de  infração  (fls.  01/ss)  para  a  cobrança  da  multa  isolada,  no  valor  de  R$  140.000,00,  por  registro intempestivo dos dados de embarque de exportação no Siscomex, prevista no art. 107,  inc. IV, alínea "e", do Decreto­lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo  art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  Para elucidar os fatos ocorridos transcreve­se o relatório constante da decisão  de primeira instância administrativa, verbis:   Relatório  O  presente  processo  trata  da  exigência  do  valor  de  R$  140.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11,  referente  à  multa  regulamentar  pela  não  prestação  de  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  ou  sobre  operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea  "e", do Decreto­lei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da  Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas  em 1994 e 2005, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,  respectivamente.  De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, as  autoridades  lançadoras,  ao  verificar  o  cumprimento  da  obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994,  alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, constataram que a  contribuinte  acima  identificada  deixou  de  registrar  no  prazo  regulamentar  os  dados  de  embarque  referentes  ao  transporte  internacional  realizados  no mês  de  maio  de  2006,  iniciado  no  Aeroporto  Internacional  do  Rio  de  Janeiro  ­  ALF/GIG,  concernentes  às  cargas  amparadas  nas  declarações  de  exportação ­ DDE's listadas no demonstrativo "Auto de Infração  n°  0717700/00047/10",  parte  integrante  do  respectivo  auto  de  infração, uma vez que de acordo registro dos dados de embarque  nos  despachos  de  exportação  efetuados  pelo  transportador  em  prazo superior a dois dias.  A  contribuinte  apresentou,  às  fls.  16  a  20,  impugnação  administrativa, por discordar da exigência à qual foi intimada.  Na referida peça de defesa, a autuada alega em preliminar que o  auto de  infração em apreço  foi  lavrado "com  total  carência de  informações  que  possam  relacionar  as  Declarações  de  Exportações  (DEs)  nele  referidas,  com  os  respectivos  conhecimentos aéreos (AWBs)", o que impõe sua nulidade, "uma  vez  que  dificulta,  ou  impede  completamente,  a  defesa  da  Impugnante".  No mérito, aduz que (i) autuação discrepa da norma reguladora  da espécie, posto que a locução "deve prestar", contida no artigo  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 116          3 37  do  Decreto­lei  37/1966,  modificado  pelo  artigo  77  da  Lei  10.833/2003,  constitui  mera  recomendação  ao  transportador,  não subsumindo suposto desatendimento à multa aplicada; (ii) a  autuação não esclarece quais são os conhecimentos aéreos a que  se  referem  às  diversas  declarações  de  exportação  objeto  da  apuração  realizada;  (iii)  jamais  deixou  de  prestar  as  informações  pertinentes  aos  embarques  às  autoridades  aduaneiras,  pois  de  outra  forma  não  teria  ocorrido  o  desembaraço,  muito  menos  o  embarque  das  referidas  mercadorias;  (iv)  em  atendimento  à  recomendação  legal,  imediatamente  disponibilizou  às  autoridades  aduaneiras  dossiê  contendo os conhecimentos aéreos, manifestos do vôo e demais  documentos  pertinentes  à  carga,  o  que  causa  estranheza  à  firmação  contida  na  peça  acusatória;  (v)  a  rigor  não  há  fato  gerador para as multas aplicadas no presente auto de infração,  pois o fato gerador de qualquer penalidade é o descumprimento  de obrigação legal, e não de mera recomendação, como é o caso  dos autos; e (vi) traz à colação excerto jurisprudencial que trata  da nulidade do lançamento por vício formal. (fls. 46 a 49).  Nesse sentido, requer seja declarado nulo o auto de infração, a  fim de ver cancelada a multa exigida.  É o relatório.    A  2ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis proferiu o Acórdão n.º 07­22.666 de 17 de dezembro de 2010 (folhas 51/ss), o  qual recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FALTA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  DE  FATO  E  DE  DIREITO.  INOCORRÊNCIA  É descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa por  falta de fundamentação de fato e de direito, quando se constata  que todos os fatos e bases legais  indispensáveis à compreensão  do  feito  fiscal  e  à  sua  validação  estão  presentes  no  auto  de  infração e no demonstrativo que o acompanha.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 04/05/2006 a 31/05/2006  DADOS  DE  EMBARQUE.  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  O  descumprimento  da  obrigação  de  prestar  à  Receita  Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas  é  punível  por  embarque  no  veículo  transportador,  cuja  data  a  ser  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     4 considerada, segundo a legislação de regência, é a do vôo,  no caso de transporte aéreo internacional.  NÚMERO  DA  DECLARAÇÃO  DE  EXPORTAÇÃO.  INFORMAÇÃO  OBRIGATÓRIA.  CONHECIMENTO  DE  CARGA. TRANSPORTADOR.  É  defeso  ao  transportador  aéreo  alegar  desconhecer  o  número  atribuído  à  declaração  para  despacho  de  exportação  uma  vez  que  referida  informação  deve  obrigatoriamente  constar  em  todos  os  documentos  que  instruem  o  despacho,  em  especial  no  conhecimento  e  no  manifesto de carga.  PRESTAÇÃO DE  INFORMAÇÃO.  INTEMPESTIVIDADE.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  NATUREZA  OBJETIVA DA INFRAÇÃO.  As penalidades aplicadas em razão do descumprimento de  obrigações  acessórias  autônomas,  como  é  o  caso  da  informação  dos  dados  de  embarque  de  mercadoria  destinada  à  exportação,  prestada  fora  do  prazo  estabelecido  normativamente  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  possui  natureza  objetiva,  cuja  sanção  objetiva disciplinar seu cumprimento tempestivo, por parte  dos transportadores e seus representantes.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis  em  24/01/2011  (folhas  59/61)  interpôs Recurso Voluntário  em  11/02/2011  (fls.  62/ss),  onde  repisa os  argumentos  trazidos  em  sua  impugnação,  além de  argumentar  sobre  “fato  novo”  a  justificar  a  exclusão  das multas  aplicadas,  trazidas  pela  IN SRF nº  1.096/2010,  que  ampliou  para sete dias o prazo constante da IN SRF nº 28/1994 para o registro dos dados pertinentes aos  embarques das empresas aéreas no Siscomex.   O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este  Conselheiro Relator na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator.  O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade  devendo, portanto, ser conhecido.   A controvérsia  em discussão nestes  autos  refere­se  à aplicação da multa  ao  transportador  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil.   A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto­ lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 117          5 de dezembro de 2003. Para  facilitar  a  análise da matéria,  convém  inicialmente  transcrever o  referido dispositivo legal:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:   (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):   (...)  e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga  nele  transportada, ou  sobre as operações  que  execute, na  forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­porta,  ou  ao  agente  de  carga   (grifei).  O  dispositivo  legal  acima  transcrito  que  tem  por  finalidade  penalizar  o  comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no  SISCOMEX,  ocasionando  acúmulo  desnecessário  de  pendências  no  Sistema,  o  que  levou  o  legislador  a  estabelecer  expressamente  que  o  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  na  forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa.  A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontra­se  estabelecida no art. 37 do Decreto­Lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei  nº 10.833, de 2003, in verbis:  Art.  37.  O  transportador  deve  prestar  à  Secretaria  da  Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas,  bem  como  sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele  destinado.  Quanto  à  forma e  ao prazo para  informação de  dados no SISCOMEX pelo  transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha:  Art.  37.  Imediatamente  após  realizado  o  embarque  da  mercadoria,  o  transportador  registrará  os  dados  pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por  ele emitidos.   Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária,  fluvial  ou  lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX,  será  de  responsabilidade  do  exportador  ou  do  transportador,  e  deverá  ser  realizado  antes  da  apresentação  da mercadoria  e  dos  documentos  à  unidade  da SRF de despacho.  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     6 A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa  SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 2 dias, contados da realização do embarque, para o  registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via aérea.   Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010,  deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de  7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis:  Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os  dados  pertinentes  ao  embarque  da mercadoria,  com  base  nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,  contado da data da realização do embarque.  §1°  Na  hipótese  de  embarque  de  mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária,  ferroviária,  fluvial  ou  lacustre,  o  registro  de  dados  do  embarque,  no  Siscomex,  será  de  responsabilidade  do  exportador  ou  do  transportador,  e  deverá  ser  realizado  antes  da  apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  de  despacho.  §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho  aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque  da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos  termos  do  art.  52,  o  prazo  a  que  se  refere  o  caput  será  contado da data do registro da declaração.  §3°  Os  dados  de  embarque  da  mercadoria  poderão  ser  informados  pela  fiscalização  aduaneira  nas  hipóteses  estabelecidas  em  ato  da  Coordenação­Geral  de  Administração Aduaneira (Coana).”  (grifei)  Muito bem. Neste passo, importante registrar que após muito refletir sobre a  aplicação  da  retroatividade  benigna  a  situações  como  a  que  se  apresenta  nesse  litígio,  estou  alterando entendimento anterior  já adotado nessa Turma (quando acompanhei a  i.  relatora no  Acórdão nº 3202­000.544, que votou no sentido de não aplicar a retroatividade), por entender  que a situação  fática posta nesses autos amolda­se perfeitamente à hipótese de  retroatividade  benigna. Senão vejamos.  A matéria em tela comporta a seguinte interpretação. A Constituição Federal  estabelece a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica,  exceto  para beneficiar  o  réu  (art.  5º, XL). Nesse  diapasão,  o CTN consagrou  no  artigo  106,  inciso II, alíneas “a”, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência  da norma anterior:  a) a  lei nova  já não mais define determinado ato, como  infração; b)  a  lei  nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde  que não  tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos  severa substitui a mais grave da legislação anterior.  O  professor  Paulo  de  Barros  Carvalho  (Curso  de  Direito  Tributário,  17ª  edição,  p.  95)  afirma  que  “as  duas  primeiras  alíneas  dizem  quase  a  mesma  coisa.  Toda  a  exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é  uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses”.   Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 118          7 Muito  embora  concorde  que  a  ponderação  do  jurista  é  extremamente  pertinente, no caso em tela, a meu sentir, a hipótese prevista na alínea “b” amolda­se melhor à  situação  fática.  Isto porque a  legislação nova  (IN SRF n° 1.096/2010) deixou de  tratar o  ato  praticado ­ não registrar os dados de embarque da mercadoria no Siscomex no prazo de 2 dias  (previstos  na  IN  SRF  n°  28/94  alterada  IN  SRF  n°  510/05)  –  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão  (alínea  “b”),  uma  vez  que  a  nova  norma  prescreve,  agora,  o  prazo  de  7  dias.  Em  outras  palavras,  o  ato  de  não  registrar  os  dados  de  embarque  da  mercadoria no SISCOMEX, quando efetivado em até 7 dias, deixou de ser apenado pela nova  norma.  Assim,  tratando­se  a  espécie  dos  autos  de  ato  não  definitivamente  julgado,  em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alíneas  “a” e “b”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa aplicada especificamente para  aqueles casos em que o  registro dos dados de embarque da mercadoria no Siscomex  tenham  ocorrido em até 7 dias nos  termos do que dispõe a  IN SRF n° 1.096, norma que atualmente  regula a matéria.  Em situação muito semelhante à tratada nestes autos, a RFB já se manifestou  na Solução de Consulta  Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, com relação à  retroatividade  benigna em relação aos prazos para prestação de informação no Siscomex:   “SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8 COSIT  DESPACHO  DE  EXPORTAÇÃO.  MULTA  POR  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO.  REGISTRO  NO  SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO.  Aplica­se a retroatividade benigna prevista na alínea “b”  do  inciso  II  do  art.  106  do  CTN,  pelo  não  registro  no  Siscomex  dos  dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28,  de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo  pela IN SRF nº 510, de 2005.  Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de  2003,  a  multa  a  ser  aplicada  na  hipótese  de  o  transportador  não  informar,  no  Siscomex,  os  dados  relativos  aos  embarques  de  exportação  na  forma  e  nos  prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é  a  que  se  refere  à  alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no.  10.833, de 2003.  Deve  ser  aplicada  ao  transportador  uma única multa  de  R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração.  (Grifei)  Portanto,  aplicando­se  a  retroatividade  benigna  devem  ser  excluídas  da  autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo  de até 7 dias. Restam, então, apenas três embarque cujos dados foram informados após o prazo  de  7  dias,  para  os  quais  deverão  ser mantidas  as multas  aplicadas,  conforme  tabela  abaixo  elaborada a partir dos dados informados pela fiscalização às folhas 9/10:   Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     8 DDE:  Data  de  embarque:  Data  da  informação  no  sistema:  Voo:  Dias  de  atraso:  Total  de  voos no dia:  20605265674  07/05/06  17/05/06  AA904  10    20605274738  07/05/06  17/05/06  AA904  10  1              2060551988  15/05/06  12/07/06  AA905  27  1              20605489491  15/05/06  03/08/06  AA904  49  1    Na  contagem  dos  prazos  foi  considerada  a  forma  prescrita  pelo  caput  do  artigo 210 da Lei 5.172/66  ­ CTN que determina os prazos  serão contínuos, excluindo­se na  sua contagem o dia de início e incluindo­se o de vencimento.   Quanto ao critério utilizado para aplicação da multa entendemos estar correta  a forma adotada pela fiscalização, ao considerar que a multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada  em relação a cada veículo  transportador, ou seja, por embarque/voo e não em relação a cada  despacho de exportação constante desse embarque. Este, inclusive, é a orientação trazida pela  Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008, acima transcrita.   Destarte,  comprovado  que  a  Recorrente  descumpriu  o  prazo  para  prestar  informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema restou perfeitamente tipificada a  infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto­Lei nº 37/66 (com a redação  dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), sujeitando o infrator à multa no valor de R$ 5.000,00  por embarque.  Passemos a análise dos demais pontos arguidos pela Recorrente.  Não  procede  a  alegação  de  que  a  autuação  não  esclareceu  quais  foram  os  conhecimentos aéreos (AWBs) a que se referem as diversas DEs objetos da apuração realizada,  o que teria como consequência a nulidade da autuação fiscal.   Como muito  bem  destacado  pela  decisão  de  primeira  instância,  a  autuação  fiscal informa claramente que a empresa foi penalizada em decorrência do descumprimento da  obrigação acessória referida no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF  510/2005, na medida em que deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque  referentes  aos  transportes  realizados  no  decorrer  do  mês  de  maio  de  2006,  iniciados  no  Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ­ ALF/GIG, relativamente às cargas amparadas nas  declarações  de  exportação  ­  DDE's  discriminadas  no  auto  de  Infração,  tendo  em  vista  que  segundo  o  comando  do  inciso  II  do  artigo  39  da mencionada  IN/SRF  28/1994  considera­se  extemporâneo  o  registro  dos  dados  de  embarque  relativos  aos  despachos  de  exportação  efetuados  pelo  transportador  em  prazo  superior  a  dois  dias  (à  época,  prazo  este  alterado  posteriormente para 7 dias). As autoridades fiscais juntaram às fls. 9 a 11 demonstrativo onde  estão  explicitados  os  embarques/voos  que  deram  fundamento  à  autuação,  Não  há,  portanto,  como acatar a alegação de cerceamento ao direito da Recorrente de se defender em razão da  não possibilidade de conhecimento dos fundamentos de fato e de direito da autuação.  Abaixo  transcreve­se  trechos  do  voto  condutor  do  Acórdão  da  DRJ­ Florianópolis  com  os  quais  concordo  plenamente  e  adoto  também  como  fundamento  deste  voto, verbis:   Não  assiste  razão  à  impugnante,  pois  o  artigo  37  da  IN/SRF  28/1994,  estatui  que  "o  transportador  deverá  registrar,  no Siscomex,  os dados pertinentes ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos  por  ele  emitidos".  Portanto,  se  evidencia  da  norma  que  o  transportador, independentemente do modal que opere, tem  Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000820/2010­89  Acórdão n.º 3202­000.643  S3­C2T2  Fl. 119          9 participação  ativa  no  processo  de  exportação,  na medida  em que tem a obrigação de informar no Siscomex os dados  de  embarque  de  determinada  carga,  que,  por  sua  vez,  é  identificada no referido sistema pelo número da declaração  de exportação (ME). Logo, é desarrazoado que a autuada,  na qualidade de transportadora aérea, afirme desconhecer  o fundamento da autuação pelo fato de o auto de infração  não  mencionar  a  correlação  existente  entre  os  conhecimentos  aéreos  e  as  declarações  de  exportação  listadas  às  fls.  06/07,  uma  vez  que  referida  informação  é  pré  requisito  para  que  tenha  condições  para  efetuar  o  embarque das cargas sob sua responsabilidade.  Corroborando a assertiva acima, o parágrafo 3º do artigo  16  da  referida  IN/SRF  28/1994,  prevê  textualmente  que  o  número  do  despacho  de  exportação  (DDE)  deve  obrigatoriamente  constar  do  próprio  conhecimento  de  embarque.     Quanto  à  afirmação da Recorrente no  sentido de que  “não há  fato gerador  válido para a imposição daquela indevida multa, eis que a própria norma legal  invocada —  qual seja, o Artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 2811994 — não envolve jus cogens, mas  mera  recomendação  para  fornecer  tais  informações,  ...”,  a  meu  sentir,  é  totalmente  improcedente.   No  caso  em  tela  a  conduta  praticada  pela  interessada,  ao  deixar  de  prestar  informações sobre veículo ou carga transportada no Siscomex, no forma e prazo previstos pela  RFB,  subsome­se  perfeitamente  a  hipótese  normativa  prescrita  pelo  artigo  107,  inciso  IV,  alínea "e", do Decreto­lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da  Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A referida multa é aplicada em razão do simples  descumprimento da obrigação acessória.   Ante o  exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário,  mantendo  a multa  no  valor  de R$  15.000,00  em  relação  apenas  aos  três  embarques  para  os  quais os dados foram informados após o prazo de 7 dias no Siscomex.   É como voto.    Luís Eduardo Garrossino Barbieri                              Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES

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