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Numero do processo: 13884.906422/2009-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO.
A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados.
Numero da decisão: 3403-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ACEITAÇÃO. A DCTF retificadora espontaneamente apresentada antes da veiculação do despacho decisório, nos casos normativamente permitidos, substitui a DCTF original em relação aos débitos e vinculações declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo “ab initio”. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 64 22 /2 00 9- 81 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre DCOMP (fls. 75 a 781) transmitida em 14/07/2005, solicitando a compensação de débito de Contribuição para o PIS/Pasep (referente a jun/2005, no valor de R$ 721,43) com crédito da mesma contribuição, derivado de “pagamento indevido ou a maior” em 15/04/2005, no valor de R$ 721,43 (DARF em valor total de R$ 307.479,58). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 8 (emitido em 09/06/2009, acusase que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 4), alega a empresa que: (a) a DCTF transmitida continha valor equivocado do débito (R$ 307.479,58 ao invés de R$ 301.047,15), originando um saldo a compensar de R$ 6.432,43; e (b) na DACON o valor estava correto, tendo a DCTF sido retificada em junho de 2009 (fl. 7), antes mesmo da notificação do despacho decisório. Em 21/06/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 86 a 90), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório, concluindose que “a DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF”, e que “a declaração em DACON não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data de apresentação da DCOMP”. Cientificada da decisão de piso em 12/07/2012 (AR à fl. 94), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 98 a 110), em 10/08/2012 (cf. atestado à fl. 186), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, e propugna: (a) pela nulidade da decisão de primeira instância, por inobservância ao princípio da verdade material, afrontando o contraditório e a ampla defesa; (b) pela improcedência do único argumento utilizado na decisão, visto que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, conforme atesta a Instrução Normativa no RFB 903/2008 (art. 11, § 1o), vigente à época da retificação efetuada.; e (c) que a mesma Instrução Normativa (art. 11, § 2o, III) somente exclui os efeitos de retificação efetuada após a intimação de início de procedimento fiscal, o que não ocorreu no presente processo. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13884.906422/200981 Acórdão n.º 3403002.457 S3C4T3 Fl. 191 3 Resta inequívoco, no presente processo, logo de início, que a DCTF retificadora foi transmitida antes da ciência (em verdade, antes até da própria emissão) do despacho decisório eletrônico denegatório da compensação. E quando foi registrada a DCTF retificadora, vigente estava a Instrução Normativa no RFB 903/2008, que contém os comandos a seguir transcritos: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...)” (grifos nossos) Apesar de a Instrução Normativa (IN) no RFB 903/2008 já ter sido revogada pela IN RFB no 974/2009, por sua vez revogada pela IN no RFB 1.110/2013 (atualmente vigente), os comandos referentes à retificação de DCTF aqui reproduzidos não sofreram modificações. Aliás, eles remontam à IN SRF no 255/2002, tendo sido reproduzidos em todas as IN subseqüentes que tratam da matéria (IN SRF no 482/2004; IN SRF no 583/2005; IN SRF no 695/2006; IN RFB no 786/2007, ...). Não se vê, assim, motivo para que se tenha atribuído efeito diverso à DCTF retificadora na decisão de primeira instância. Em relação ao despacho decisório eletrônico, a desconsideração da DCTF retificadora é até compreensível procedimentalmente (embora inadmissível juridicamente), pois o sistema informatizado, em suas operações automatizadas, tomou em conta um dado desatualizado (provavelmente por retardo na captura de dados ou na emissão do próprio despacho). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, o julgador de primeira instância tem um papel especial, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado na DCTF original com o pago, ignorando a existência de retificação efetuada tempestivamente, dentro das regras estabelecidas pelo próprio Fisco. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação, seja pela autoridade lançadora, seja pelo julgador a quo. Aliás, nesse sentido tem decidido esta turma unanimemente2, inclusive em outros casos do mesmo sujeito passivo. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, possibilitando à autoridade fiscal competente reexaminar o pleito objeto do presente processo, considerandose a DCTF vigente no momento da prolação do (eventual) novo despacho decisório. Rosaldo Trevisan 2 Acórdãos n. 3403002.223 a 229, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 04/06/2013. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 37005.001742/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - NULIDADE DA AUTUAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CORRELATA - Tendo o levantamento fiscal referente à obrigação principal sido anulado e não havendo Autuação substitutiva, o AI pelo descumprimento da obrigação acessória correlata não pode subsistir até que seja realizado um novo lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto dar provimento ao recurso, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - NULIDADE DA AUTUAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CORRELATA - Tendo o levantamento fiscal referente à obrigação principal sido anulado e não havendo Autuação substitutiva, o AI pelo descumprimento da obrigação acessória correlata não pode subsistir até que seja realizado um novo lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto dar provimento ao recurso, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 00 5. 00 17 42 /2 00 7- 05 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação acessória correspondentes ao descumprimento do disposto no art. 32, IV, §§ 3° e 5° da Lei n° 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 41/44, a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social –GFIP, sem informar; (i) o campo "ocorrência" com o código 04 — exposição a agente nocivo (aposentadoria com 25 anos de trabalho) para os segurados que exerceram suas atividades laborais expostos a agentes nocivos prejudiciais à saúde e integridade física, relacionados no Anexo I da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD 35.493.9726 onde está sendo cobrada a alíquota adicional do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais o trabalho(GILRAT), prevista no § 6° do art. 57 da Lei no 8.213, de 1991, nas GFIP dos estabelecimentos 01.417.222/000177, 01.417.222/000258 e 01.417.222/000339, no período de 06/2003 a 06/2005 ; e (ii) as remunerações de segurados contribuintes individuais, nas GFIP do estabelecimento 01.417.222/000339, nas competências 01/2003, 03/2003, 04/2003, 03/2004, 07/2004 e 08/2004, conforme discriminado no Anexo III. As contribuições previdenciárias sobre elas incidentes foram recolhidas em época própria. Inconformado com a Decisão de fls. 905/907 que julgou procedente o lançamento, a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Sustenta que a exigência cobrada na presente autuação é correlata a NFLD n° 35.493.9726 que foi lavrada para a cobrança da obrigação principal (alíquota adicional para o SAT — aposentadoria especial e respectivos consectários legais), que foi anulada pelo Conselho de Contribuintes através do Acórdão 206.01.517, o qual se pronunciou sobre a matéria aqui exposta, acolhendo a preliminar de decadência e reconhecendo como indevido o procedimento de aferição indireta, anulando, assim, o lançamento em sua integralidade. Defende assim que, a manutenção do presente Auto de Infração é ilegal, pois considera como infração, penalizada com multa isolada, uma conduta atípica. A atipicidade advém do fato de que os fatos geradores supostamente omitidos na GFIP só poderiam ser compreendidos como comprovadamente ocorridos com o final do processo administrativo em que os mesmos são discutidos (NFLD 35.493.9726) e ao declararse a nulidade da referida NFLD, não há como subsistir a obrigação aqui exigida, face à inexistência do fato gerador que a ensejou. Que o fato da nulidade ter sido declarada por vicio formal, não afasta a conexão com a presente autuação. Se houve reconhecimento de vicio no lançamento da obrigação principal, a presente exigência encontrase maculada do mesmo vicio, a ensejar sua nulidade, já que decorre diretamente daquela autuação, inclusive no cálculo dos valores que a tomam por pressuposto, não havendo como se obter decisão divergente ao presente caso, sob pena de ofensa aos arts. 142 e 150 do CTN. Requer a improcedência do lançamento ou, alternativamente a aplicação da multa mais benéfica da Lei 11.941/09m com a aplicação do novo art. 32A da Lei 8212/91. É o relatório. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 37005.001742/200705 Acórdão n.º 2403002.112 S2C4T3 Fl. 1.009 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O recorrente apresentou recurso contra a decisão de primeira instância se insurgindo contra a manutenção do presente Auto de Infração em face da anulação da NFLD conexa. Inicialmente, transcrevemos abaixo a Ementa do Acórdão 20601.517, que anulou a mencionada notificação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2005 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. ADICIONAL DE APOSENTADORIA ESPECIAL. DECADÊNCIA. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. 1DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nas 556664, 559882 e 560626, oportunidade ciii que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercido seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART 173, I); (h) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, 4 0). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável portanto, a regra do art. 150, 40 do CTN. 2 ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A ausência do fundamento de direito que autoriza o procedimento de arbitramento, determina a nulidade do lançamento em i decorrência de vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, /c artigo 11, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Processo Anulado. Como visto acima, o levantamento efetuado na NFLD acima mencionada é correlata ao presente Auto de Infração, englobando inclusive, o período da autuação pelo descumprimento da obrigação acessória. Da análise mais pormenorizada dos autos, todas as informações dão conta de que até a presente data não foi lavrada a Notificação Substitutiva àquela anulada. Logo, discordo do entendimento de primeira instância de que, tendo o lançamento sido anulado por vício formal, importa em possibilidade de reformulação do lançamento, saneando o vício de forma. De fato, tendo o processo sido anulado por vício formal, poderá ser efetuado outro lançamento dentro do prazo decadencial previsto no art. 173, II do CTN. Porém, isto não Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 implica em dizer que efetivamente ocorrerá e que serão levantados os mesmos débitos contidos na NFLD n° 35.493.9726. Num eventual lançamento substitutivo, a autoridade fiscal poderá, por exemplo, verificar a existência de outras contribuições ou ainda, não lançar aquelas contidas na NFLD anulada por entender de forma diversa do outro auditor. Notese que, conforme noticiado no relatório do Acórdão de primeira instância, foi solicitada a informação acerca da lavratura de uma nova NFLD, tendo o auditor fiscal informado ser incompetente para decidir sobre novas ações fiscais no sujeito passivo, que possui domicílio fiscal em outra localidade. Transcrevo abaixo o trecho do relatório supra mencionado: Face à conexão do presente Auto de Infração com a NFLD n° 35.493.972 6 e a declaração de nulidade da referida NFLD, os autos foram encaminhados à Seção de Fiscalização em 21/12/2010 (fls. 901/902) para obtenção de informações quanto à possível lavratura de nova notificação. Em 13/03/2011, o auditor fiscal alegou incompetência para decidir sobre novas ações fiscais no sujeito passivo, o qual possui domicilio fiscal no Rio de Janeiro. Ou seja, tendo o levantamento fiscal referente à obrigação principal sido anulado e não havendo Autuação substitutiva, o AI pelo descumprimento da obrigação acessória correlata não pode subsistir até que seja realizado um novo lançamento. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Dar lhe Provimento para anular o Auto de Infração. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10875.908541/2009-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 85 41 /2 00 9- 99 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.908541/200999 Acórdão n.º 3801002.135 S3TE01 Fl. 132 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.908541/200999 Acórdão n.º 3801002.135 S3TE01 Fl. 133 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alega: O fundamento, decisão e enquadramento legal são apenas fática, sob a alegação de que o darf embora localizado registra um ou mais pagamentos, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não consignando crédito disponível. Do pagamento indevido ou a maior Do Darf localizado...foi detectado um pagamento indevido ou a maior.. , que corrigido pela taxa Selic acumulada ...importou em ... 0 referido crédito, foi compensado com o débito de Cofins... Desta forma, do DARF identificado pela Inconformada e localizado pela RFB, foi destacado o pagamento indevido ou a maior..., que após corrigido ficou apto a compensar o débito de Cofins na forma como realizado. 0 procedimento da Inconformada portanto, foi realizado dentro da mais estrita legalidade. Do pedido Assim, o DARF então identificado tendo registrado pagamento indevido ou a maior de tributo, resta legitimada a compensação realizada pela Inconformada, devendo ser homologada na forma da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 55/58, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.908541/200999 Acórdão n.º 3801002.135 S3TE01 Fl. 134 4 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 67 a 85, alegando, em síntese, que identificou recolhimentos a maior decorrentes de alargamento da base de cálculo de PIS/COFINS com base no artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e com base de exclusão na base de cálculo dessas mesmas contribuições de créditos decorrentes do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e, ainda, da exclusão do ICMS e do ISS sobre a base de cálculo dos tributos, requerendo, a final, o reconhecimento dos créditos É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.908541/200999 Acórdão n.º 3801002.135 S3TE01 Fl. 135 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, referente ao mês de setembro/2004, que teria sido paga a maior. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que esse pagamento a maior ou indevido teria como fundamentação jurídica o alargamento da base de cálculo de PIS/COFINS com base no artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e com base de exclusão na base de cálculo dessas mesmas contribuições de créditos decorrentes do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis e, ainda, da exclusão do ICMS e do ISS sobre a base de cálculo dos tributos. Conforme Despacho Decisório de fls. 40 a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Em que pese as alegações da interessada quanto ao mérito do direito creditório, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.908541/200999 Acórdão n.º 3801002.135 S3TE01 Fl. 136 6 III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10875.908541/200999 Acórdão n.º 3801002.135 S3TE01 Fl. 137 7 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 18050.003335/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - CONTRATANTE - CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO CONTRATANTE CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 33 35 /2 00 8- 15 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003335/200815 Acórdão n.º 2403002.038 S2C4T3 Fl. 304 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, Acórdão nº 1517.953 5ª Turma, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP nº. 37.059.6870, com valor consolidado de R$ 175.696,68. Conforme o Relatório Fiscal, foi lançado pela fiscalização o Auto de Infração referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, relativas à contribuição das empresas em geral sobre a remuneração paga às cooperativas de trabalho. Segundo o Relatório Fiscal, o código de levantamento correspondente aos fatos geradores é: CM Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPERMED COOPERATIVA MÉDICA, CNPJ 40.537.9611000154, a titulo de prestação de serviços médicos. PLA Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPPRO COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS LIBERAIS AUTÔNOMOS E OUTROS, CNPJ 03.620.45810001 69, a titulo de prestação de serviços técnicos. SAU Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPERSAUDE COOPERATIVA DE SAÚDE E SERVIÇOS CORRELATOS, CNPJ 01.599.7481000115, a titulo de prestação de serviços médicos. Verificamos que nenhum valor pago á Cooperativa foi declarado na GFIP nas respectivas competências de vencimento. O Relatório Fiscal discrimina os documentos que serviram de base ao lançamento: as Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pelas cooperativas contratadas e confrontadas com os lançamentos contábeis do Livro Diário números 25, notas fiscais estas anexadas a este auto de infração da folha 91 a 129 folha. livros Diário e Razão relativo ao período de janeiro a dezembro/2004. Consulta ao CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais — Resumo Mensal —GFIP por estabelecimento, no qual deve ser informado o montante dos valores brutos das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas pelas cooperativas no decorrer do mês, sobre o qual incide a contribuição de 15%. Constatamos que nas GFIPs não foram declaradas as bases de incidência bem como as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga às cooperativas de trabalho: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Contratos de Prestação de Serviços das cooperativas; Notas Fiscais de Serviços de Cooperativas; Balanço Patrimonial de 2006; CNPJ do INSBOT; Atas de Assembléia da eleição de Diretoria; Contrato Social, Alterações Contratuais; . Documentos pessoais dos sócios. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Fiscal, às fls. 26, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 09.06.2008, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, resumidamente, conforme Relatório da decisão de primeira instância: Alega o contribuinte que esta norma (art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991) padece do vício de inconstitucionalidade por não corresponder a base de cálculo autorizada pela Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998, ressaltando que há ausência de norma regulamentando o fato ora questionado, isto é, serviço prestado por pessoa física através de cooperativa de trabalho. Mencionando a Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3° e 4% Lei n° 8.212, de 1991, parágrafo único do art. 15, Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999, alega ofensa ao art. 150, inciso II, da Constituição Federal de 1988, acarretando desestimulante contratação de serviços de cooperativas. Prosseguindo seu arrazoado, a empresa alega impossibilidade de lei ordinária revogar uma lei complementar, visto a vedação contida no art. 195, caput e parágrafo 4% ressaltando que a contribuição contida no art. 22, inciso IV, para ter validade e eficácia teria que ter sido instituída por lei complementar, o que não ocorreu, onde, mencionando e • transcrevendo doutrina (Hugo de Brito Machado) discorre a respeito de lei complementar, e salienta que a Lei n° 9.876, de 1999, é inconstitucional por ferir o Princípio de Hierarquia da Lei, contido no art. 59 da Constituição Federal de 1988. Recorrendo ao doutrinador TERCIO SAMPAIO FERRAZ JR, o contribuinte discorre .a respeito do Princípio. da Segurança Jurídica, afirmando restar evidente que o legislador ao instituir esta contribuição social a cargo das cooperativas de trabalho o fez com a intenção de respaldar com maior segurança a instituição da referida contribuição. Por fim, requer a desconstituição total deste Auto de Infração, visto a ilegalidade e inconstitucionalidade da exação exigida. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003335/200815 Acórdão n.º 2403002.038 S2C4T3 Fl. 305 5 Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, emitiu o Acórdão nº 1517.953 5ª Turma, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A empresa é obrigada a recolher quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando o aduzido em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) da inconstitucionalidade da legislação (art. 22, IV, lei 8.212/1991) que fundamentou o presente Auto de Infração (ii) Da impossibilidade de revogação de Lei Complementar por lei ordinária (iii) Da inconstitucionalidade – possibilidade de apreciação pelo Fisco Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 302. É o Relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 302. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) da inconstitucionalidade da legislação (art. 22, IV, lei 8.212/1991) que fundamentou o presente Auto de Infração (ii) Da impossibilidade de revogação de Lei Complementar por lei ordinária (iii) Da inconstitucionalidade – possibilidade de apreciação pelo Fisco Analisemos. O previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003335/200815 Acórdão n.º 2403002.038 S2C4T3 Fl. 306 7 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (ii) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Conforme o Relatório Fiscal, foi lançado pela fiscalização o Auto de Infração referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, relativas à contribuição das empresas em geral sobre a remuneração paga às cooperativas de trabalho. Segundo o Relatório Fiscal, o código de levantamento correspondente aos fatos geradores é: CM Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPERMED COOPERATIVA MÉDICA, CNPJ 40.537.9611000154, a titulo de prestação de serviços médicos. PLA Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPPRO COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 LIBERAIS AUTÔNOMOS E OUTROS, CNPJ 03.620.45810001 69, a titulo de prestação de serviços técnicos. SAU Valores brutos das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela COOPERSAUDE COOPERATIVA DE SAÚDE E SERVIÇOS CORRELATOS, CNPJ 01.599.7481000115, a titulo de prestação de serviços médicos. Verificamos que nenhum valor pago á Cooperativa foi declarado na GFIP nas respectivas competências de vencimento. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.059.6870 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.059.6870) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003335/200815 Acórdão n.º 2403002.038 S2C4T3 Fl. 307 9 a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.059.6870, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 (iii) Da multa aplicada Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003335/200815 Acórdão n.º 2403002.038 S2C4T3 Fl. 308 11 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901151/2008-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2002
COFINS. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROVA DO RECOLHIMENTO A MAIOR.
Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio do demonstrativo previsto no Anexo III da IN SRF nº 247/2002, comprovando-se que seus dados foram extraídos do balancete contábil do período, resta demonstrado o valor devido do tributo e, consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO-HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF.
A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2002 COFINS. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROVA DO RECOLHIMENTO A MAIOR. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio do demonstrativo previsto no Anexo III da IN SRF nº 247/2002, comprovando-se que seus dados foram extraídos do balancete contábil do período, resta demonstrado o valor devido do tributo e, consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO-HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente. Recurso provido.
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ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PROVA DO RECOLHIMENTO A MAIOR. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio do demonstrativo previsto no Anexo III da IN SRF nº 247/2002, comprovando se que seus dados foram extraídos do balancete contábil do período, resta demonstrado o valor devido do tributo e, consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 11 51 /2 00 8- 80 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (assinado digitalmente) Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Transcrevo abaixo o relatório elaborado pelo Conselheiro Robson José Bayer para a Resolução 340300.103, por meio da qual houve a conversão do julgamento em diligência: Cuidase de compensação não homologada referente a pagamento indevido de PIS/Pasep cujo direito creditório, segundo despacho decisório eletrônico, fora integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação aviada através do PER/DCOMP 33791.91441.310304.1.3.041959. Em manifestação de inconformidade o contribuinte informa que, devido à falta de retificação das DCTF no momento adequado, tivera suas compensações não homologadas sob o argumento de falta de crédito, mas que, todavia, já providenciara a correção em 30/05/2008, conforme demonstrativo confeccionado. A DRJ Florianópolis/SC reputou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento que o contribuinte, por ocasião da efetivação da compensação, não dispunha de créditos líquidos e certos como determina o art. 170 do CTN, porquanto providenciara a retificação da DCTF após a apresentação da DCOMP sob vergasta, o que retiraria os atributos exigidos por aquele dispositivo legal, bem assim, que a conformação jurídica da existência do pagamento indevido somente se revelaria se a retificação fosse anterior à compensação. Em recurso voluntário o contribuinte protesta, preliminarmente, pela nulidade da decisão recorrida pela falta de análise da procedência do seu direito creditório, sustentando a ausência de motivação deste ato administrativo e a superficialidade com que tratou a questão, em desobediência aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99 e 59 do Decreto nº 70.235/72. No mérito, ratifica a existência de seu direito creditório, demonstrando a apuração correta da base de cálculo da exação e o valor pago indevidamente; alega que houve mero erro de preenchimento da DCTF; assevera que a decisão recorrida violou o princípio da verdade material, citando farta doutrina e jurisprudência a respaldar seus argumentos; por fim, defende a impossibilidade de se lhe exigir valores declarados incorretamente, como pretende a Administração Tributária, simplesmente porque preencheu erroneamente a DCTF. O contribuinte juntou cópia do documento de arrecadação e extratos do PERDCOMP e das DCTF apresentadas. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10983.901151/200880 Acórdão n.º 3403002.370 S3C4T3 Fl. 216 3 Naquela assentada, por unanimidade de votos, concordouse com o entendimento daquele Relator, cujo voto foi no seguinte sentido: O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando a situação em debate observei que o fundamento inicial para o indeferimento da compensação, melhor dizendo, sua não homologação, decorreu de uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de tal forma que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Noto que a Administração Tributária não contestou diretamente a existência do crédito. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, a verdade material exigem muito mais do processo administrativo fiscal que o simples exame fundado em verificações automáticas de sistema, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinaram o despacho decisório, validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, lastreandose o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material. Em face de todo o exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC (DRF), em atendimento à diligência, apresentou manifestação nos seguintes termos (fls. 73/74): Passamos a seguir às respostas aos quesitos formulados pelo CARF: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação. À época da emissão do Despacho Decisório o crédito era improcedente. Conforme muito bem expresso no acórdão da DRJ/FNS, à data da transmissão da Dcomp o crédito não era líquido e certo. O crédito passou a existir somente quando da retificação da DCTF, em 30/05/2008 (fl.35), motivada pela não homologação da Dcomp (ciência em 20/05/2008, fl. 09). O valor do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação, é o valor do débito da Dcomp (fl.30), R$ 2.668,23. O direito creditório seria constituído pela diferença do valor do débito de Confins de junho/2002 indicado na DCTF vigente quando da não homologação da Dcomp, R$ 45.493,96, e o valor do débito de Confins informado na retificadora transmitida após a ciência da não homologação, R$ 42.825,73 (fl. 38). b) Informase, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório. Conforme consta do Despacho Decisório, em 09/05/2008, considerandose a DCTF vigente quando de sua emissão, a totalidade do pagamento de R$45.493,96 havia sido usada na quitação do débito de Confins de junho/2002 (fl. 37). Após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da Dcomp, o contribuinte retificou a DCTF, reduzindo o valor do débito de Confins de junho/2002 de R$ 2.668,23, que corresponde exatamente ao valor usado na Dcomp (fl. 30), ficou desvinculado do débito de Confins de junho/2002 (fl. 69). E ainda, consulta ao sistema SIEF indicou que não há outras Dcomps, além da Dcomp n° 29411.03536.310304.1.3.046063, que tenham usado crédito do DARF de R$ 45.493,93. c) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada. Efetuandose, no sistema Sapo (fls. 70/72), a alocação dos R$ 2.668,23 ao débito compensado na Dcomp, observase que esse valor seria suficiente para efetuar a compensação declarada. O resultado da diligência foi elucidativo na parte em que esclareceu (1) que não há outras compensações além desta, discutida nestes autos, que pretenda a utilização do mesmo crédito indicado pelo contribuinte, nem qualquer parcela do mesmo DARF ao qual se refere o crédito, (2) que a retificação de DCTF promovida pelo contribuinte depois da notificação de nãohomologação da DCOMP, o valor de R$ 2.668,23 foi desvinculado do Fl. 219DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10983.901151/200880 Acórdão n.º 3403002.370 S3C4T3 Fl. 217 5 débito de Cofins de junho/2002, e (3) que esse valor seria suficiente para quitar o débito apresentado na declaração. Ocorreu, no entanto, que o primeiro questionamento da diligência, que solicita “a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação”, não foi compreendido pela Unidade de origem, que se limitou a descrever em palavras o raciocínio que já se encontrava matematicamente exposto no Despacho Decisório Eletrônico que negou homologação à compensação. Este Conselho, então, por meio da Resolução nº 3403000.284, de 24 de janeiro de 2012 (fls. 81/83) entendeu por novamente converter o julgamento em diligencia, com o objetivo de obter o integral cumprimento da diligencia anteriormente solicitada para que, em atendimento ao item “a”, fosse intimado o contribuinte a provar o recolhimento a maior do valor que indica como crédito na compensação. Tendo retornado a origem, houve a manifestação do contribuinte (fls. 88/91), na qual alega que o valor do indébito é demonstrado por meio dos documentos que apresenta, entitulados “Cálculo do PIS e COFINS para recolhimento em 15/07/2002”, “Apuração do PIS/PASEP e da COFINS das Entidades Fechadas d e Previdência Complementar”, também apresentando cópia do “Balancete de junho/2002” (fl. 90). O relatório da diligência (fls. 164/168e) manifestou o seguinte: Das informações supra, convém assinalar que, conquanto o interessado tivesse transmitido, na data de 31/03/2004, a Dcomp n° 29411.03536.310304.1.3.046063, este não retificou o débito da Cofins de junho/2002, antes •da apresentação da aludida Dcomp, nem tampouco, quando da transmissão da DCTF n° 0000.100,2004.71851793, recepcionada em 10/12/2004, ou seja, mesmo após a transmissão da Dcomp em apreço o interessado teria retificado a DCTF original sem, contudo, alterar o débito de Cofins em tela. Apenas o fez, após conhecer o conteúdo do despacho decisório que não teria homologado' a compensação pela inexistência de crédito (DCTF ND 0000.100.2008.12401485). Em que pese a alegação da interessada no sentido de se aplicar o principio verdade material, entendo que tal postulado não teria o condão de legitimar o procedimento flagrantemente atentatório As normas da Administração Tributária, cujo. entendimento é no sentido de que a retificação da DCTF. após a ciência do despacho decisório, seria um procedimento ineficaz, posto que a retificadora transmitida a destempo não produziria Fl. 220DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 seus efeitos em relação a fatos jurídicos pretéritos, conforme preceitua o § 2° do art. 11 da IN SRF n° 786, de 2007, in verbis: (...) Portanto, a retificação efetuada somente poderia produzir efeitos jurídicos em relação às DCOMP's apresentadas posteriormente ao procedimento de retificação, e desde que anteriores ao inicio de procedimento fiscal, mas nunca para validar compensações anteriores, motivo pelo qual entendemos improcedente a utilização de suposto crédito advindo do pagamento a maior da Cofins de junho de 2002 na compensação da Dcomp n° 29411.03536.310304.1.3.046063. Quanto à suficiência do crédito, entendemos prejudicada a sua análise, vez que inaplicável o crédito no que concerne à compensação entabulada na Dcomp supracitada. Intimada do resultado da diligência, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 171/175e) argumentado que: O crédito é decorrente de um equivoco apurado pela Recorrente, que levou tributação de receitas que não deveriam compor a base de cálculo do tributo, tendo a Recorrente promovido o pagamento a maior, ou seja, recolheu montante que não era devido ao Fisco. Constatado o equivoco, a Recorrente promoveu a retificação da DCTF relativa ao período indicado, após a prolação de despacho decisório que negou homologação à compensação. De fato, quando tomou ciência do teor do despacho decisório, e naquela oportunidade, constatou a Recorrente que, por um equivoco, deixou de promover a retificação da DCTF relativa ao período indicado. Diante disso, em 30 de maio de 2008, apresentou sua Manifestação de Inconformidade, informando a retificação do documento fiscal, de modo a demonstrar a existência inequívoca de seu crédito. Ora, independente do momento da retificação da Declaração, fato é que o crédito a favor da Recorrente é inconteste! Não há que se negar qualquer direito creditório, tendo em vista que o montante é referente a pagamento feito a maior. E tal fato não foi analisado propositalmente pelo Fisco, que mais uma vez, deixou de atender ao comando deste Colegiado. A negativa de homologação da compensação pretendida pela Recorrente constitui afronta aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, além de configurar inegável enriquecimento ilícito por parte do Estado. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti Fl. 221DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10983.901151/200880 Acórdão n.º 3403002.370 S3C4T3 Fl. 218 7 O recurso voluntário foi protocolado em 24/03/2010 (fl. 13), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 23/02/2013 (fl. 14). Na diligência fiscal o recorrente apresentou o demonstrativo de apuração de PIS/Cofins do período de apuração junho/2002 (fl. 95), demonstrando que os dados forma extraídos das respectivas contas de seu balancete contábil do período (fls. 96/114v). Embora o demonstrativo de fl. 95 esteja pouco legível na parte esquerda do documento em que se indica o título da conta , tratase exatamente do demonstrativo previsto no Anexo III da IN SRF nº 247/2002, cujos campos, portanto, são conhecidos e não variam, sendo os seguintes: ANEXO III Base de Cálculo do PIS/Pasep e da Cofins das Entidades Fechadas de Previdência Complementar CONTA CÓDIGO MOVIMENTO MÊS DE _________ CÁLCULO DAS RECEITAS (+) Recursos Coletados Previdenciais 3.1 (+) Recursos Coletados Assistenciais 4.1 (+) Receitas Administrativas 5.1 (+) Rendas de Investimento (bruta) 6.1 (>) TOTAL DAS RECEITAS (A) CÁLCULO DAS EXCLUSÕES (+) Recursos Coletados Previdenciais 3.1 () Custeio do Programa Administrativo 3.4.2.3 (+) Rendas de Investimentos (bruta) 6.1 () Rendimentos/ganhos não equiparados a aplicações financeiras 6.1.8... () Remuneração dos Investimentos Assistenciais 6.4.2.2 () Remuneração dos Investimentos Administrativos e Custeio 6.4.2.3 (>) TOTAL DAS EXCLUSÕES (B) CÁLCULO DAS DEDUÇÕES (+) Reversão de provisão* e recuperação de créditos baixados como perda que não . representem ingressos de novas receitas 4.1... (+) Recursos utilizados Assistenciais (art. 3º, incisos I e III) 4.2... (+) Constituição de provisões técnicas assistenciais (art. 3º, inciso II) 4... . (+) Ganhos na venda de bens do ativo permanente 5.1... (+) Reversão de provisão* e recuperação de créditos baixados como perda que não representem ingressos de novas receitas 5.1... (>) TOTAL DAS DEDUÇÕES (C) APURAÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS A PAGAR CONTRIBUIÇÃO VALOR BASE DE CÁLCULO > (A) (B) (C) PIS/PASEP > BASE DE CÁLCULO x 0,65% COFINS > BASE DE CÁLCULO x 3% Este Anexo III, vigente na época, era previsto pela IN nº 247/2002 como prova da apuração da base de cálculo de PIS/Cofins para as entidades de previdência, conforme previsto em seus arts. 96 e 97: Art. 96. As empresas de seguros privados, as empresas de capitalização e as entidades abertas e fechadas de previdência complementar deverão apurar o PIS/Pasep e a Cofins de acordo com as planilhas de cálculo constantes dos Anexos II e III, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 conforme o caso.(Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012) Art. 97. As planilhas de que tratam os arts. 95 e 96 devem ser preenchidas mensalmente e mantidas no estabelecimento matriz da instituição, à disposição da SRF.(Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.285, de 13 de agosto de 2012) O Anexo III, portanto, é a planilha que deve ser preenchida e mantida no estabelecimento matriz do fundo de pensão, devendo ficar à disposição da Receita Federal justamente como forma de provar a apuração da base de cálculo das contribuições. Como visto cima, os campos do Anexo III correspondem a rubricas específicas da contabilidade do fundo de pensão. No presente caso, o contribuinte apresentou o seu balancete contábil analítico, por meio do qual faz prova do valor das rubricas que compõem o demonstrativo do Anexo III. A propósito, por causa da dificuldade de leitura do demonstrativo, causada pela digitalização (fl. 95), a única dúvida que poderia haver seria em relação à dedução constante no demonstrativo, a qual se resolve com segurança, verificando que o valor indicado corresponde à rubrica 4.2, referente aos “recursos utilizados assistenciais”, que se encontra no balancete à fl. 106. Entendo que o contribuinte fez prova suficiente da base de cálculo, com a qual se chega ao valor devido do tributo, demonstrando, assim, que houve recolhimento em valor maior que o devido. Por isso, em respeito à verdade material, deve ser reconhecido o direito de indébito do contribuinte. No mais, é necessário deixar claro não tem cabimento o entendimento da DRJ e da Delegacia de origem, de que a compensação apenas seria viável se a DCTF tivesse sido retificada antes da transmissão da DCOMP, tal como se o ato de retificar a DCTF (para cosntar diferença de valor entre o confessado e o recolhido) tivesse o efeito jurídico de criar o direito de crédito. É compreensível que a Administração queira ver a DCTF retificada, no intuito de que haja coerência entre a informação da DCTF e da DCOMP, ou seja, para que a diferença entre o confessado e o recolhido (na DCTF) corresponda exatamente ao crédito indicado pelo contribuinte (na DCOMP). Mas é absurdo sustentar que o ato de retificar a DCTF, ou de passar a existir diferença entre os dados da confissão e do recolhimento, configure ato jurídico que gera o direito de crédito. Mas, principalmente, é absurdo erigir tal retificação como se se tratasse de uma condição prévia para a transmissão da DCOMP, selando de morte, no nascedouro, o direito de crédito do contribuinte. Nem a legislação, nem as instruções existentes no site da Receita Federal, e nem mesmo os programas informatizados, instruem o contribuinte a retificar a DCTF como condição para a tramsissão do pedido de ressarcimento ou da declaração de compensação, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10983.901151/200880 Acórdão n.º 3403002.370 S3C4T3 Fl. 219 9 muito menos erigem tal providência ou informação como condição de admissibilidade do ressarcimento ou da compensação. Nas palavras do Conselheiro Alexandre Kern, “a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC – Lei n 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, enre elas, a do erro no preenchimento da declaração” (treco do voto proferido no Acórdão nº 3403002.136, Processo nº 10920.912324/200919, j. 24/04/2013). O que importa é que concretamente exista o indébito, ou seja, que se prove que o valor devido do tributo é inferior ao valor recolhido, que antes se considerava equivocadamente como devido. É o que ocorreu neste caso, devendo ser reconhecido o direito de crédito do contribuinte, motivo pelo qual, voto pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 224DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15215.720136/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
INTEMPESTIVIDADE
Demonstrado que a impugnação foi apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da notificação de lançamento, correta a decisão de primeira instância que não conheceu das demais razões de defesa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 INTEMPESTIVIDADE Demonstrado que a impugnação foi apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da notificação de lançamento, correta a decisão de primeira instância que não conheceu das demais razões de defesa. Recurso negado.
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 36 /2 01 2- 33 Fl. 978DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, ROGERIO MAGESTE VIEIRA, foi lavrado Auto de Infração com ciência pessoal do sujeito passivo em 30/05/2012, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercícios 2009 e 2010, anos calendário 2008 e 2009, sendo o total do crédito tributário apurado 3.166.730,78 Motivou o lançamento de ofício a constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e a redução indevida das bases de cálculo mensal e anual do imposto de renda com dedução a título de previdência oficial (ano calendário 2009), tendo sido aplicada multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre os impostos apurados. Também faz parte do lançamento a constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, e as glosas de deduções indevidas de previdência privada/Fapi no ano calendário 2009, no valor de R$ 4.600,00, de dependente nos anos calendário 2008 e 2009, nos respectivos valores de R$ 3.311,76 e R$ 3.460,80, de despesas com instrução nos valores anuais de R$ 2.592,29 e R$ 5.417,88, e a constatação de redução indevida das bases de cálculo mensal e anual do imposto de renda com dedução a título de Livro Caixa nos valores de R$ 4.978,00 e R$ 3.591,67 (anos calendário 2008 e 2009), tendo sido aplicada multa de ofício de 75% sobre os impostos apurados. Aplicouse as multas isoladas pela falta de recolhimento mensal obrigatório dos impostos correspondentes (carnê leão). Conforme detalha a autoridade lançadora em seu Relatório Fiscal: o procedimento fiscal teve início em representação protocolada contra o autuado perante o Ministério Público Federal, com denúncia de irregularidades praticadas por ele, na condição de advogado, em recebimentos de alvarás judiciais, quitações de honorários e apresentação de declarações anuais de ajustes de terceiros. No curso do procedimento fiscal, o sujeito passivo foi intimado a apresentar os extratos das contas correntes bancárias relativos ao período fiscalizado. Em seguida, a partir da documentação bancária apresentada, foi intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados em operações realizadas a crédito da contas bancárias no Banco Itaú e Caixa Econômica Federal. Após análise dos comprovantes e justificativas apresentados pelo contribuinte, foram lançados como omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada os valores de R$ 1.192.307,96 e R$ 2.953.558,73, referentes respectivamente aos anos calendário 2008 e 2009, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15215.720136/201233 Acórdão n.º 2202002.457 S2C2T2 Fl. 3 3 A Fiscalização qualificou a multa de ofício, aplicandoa no percentual de 150%, baseada no art. 44 da Lei nº 9.430/96, argumentando que existem indícios fortíssimos de que o autuado esteve envolvido com envio de declaração original de terceiro, na qual constava a conta do autuado para depósito da restituição apurada e que o volume de recursos movimentados na conta do fiscalizado era muito alto em relação às rendas declaradas, além do fato de que o contribuinte não conseguiu demonstrar a origem dos depósitos nas contas bancárias. Esclarece a autoridade lançadora que as omissões de rendimentos de pessoas físicas lançadas referemse a valares apurados como pagos por clientes do contribuinte e não declarados, conforme detalhado no Relatório Fiscal, nos valores de R$ 7.500,00 em 09/2008, R$ 24.952,50 em 07/20096 e R$ 4.500,00 em 09/2009. Com relação às despesas de Livro Caixa glosadas, esclareceu a autoridade lançadora que o contribuinte não apresentou comprovantes que justificassem a dedução. Quanto à dedução com previdência oficial, a Fiscalização relata que o interessado declarou R$ 4.229,17 como pagamentos a este título em 2009, contudo não existe nos sistemas da RFB registro destes pagamentos, apenas o valor de R$ 31,90 pago pela empresa Gontijo de Transportes Ltda. Considerou a Fiscalização que este valor foi inserido com o intuito de reduzir o tributo devido, o que implicou o lançamento da multa de ofício qualificada, nos termos do art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430/96. Relativamente às despesas glosadas de previdência privada, a autoridade lançadora esclareceu que o fiscalizado deduziu o valor de R$ 4.600,00 em sua declaração relativa ao ano calendário 2009, porém comprovou pagamento de apenas R$ 990,00 à previdência privada, ainda assim na modalidade VGBL, não passível de dedução. As deduções relativas a dependentes, prossegue a autoridade lançadora em seu relatório, foram glosadas por ter o contribuinte declarado a este título a Sra. Grécia Júlia Leite Mageste, que porém apresentou declaração de ajuste em separado constando rendimentos tributáveis, e o filho Pedro Lucas Mageste, para cuja mãe, Juliana Rodrigues Pereira, o contribuinte pagou pensão alimentícia, o que impede a dedução como dependente. Consequentemente, foram também glosadas as deduções com despesas de instrução relativas aos beneficiários não considerados dependentes. Conclui a autoridade lançadora que o autuado não havia pleiteado em suas declarações relativas anoscalendário 2008 e 2009 dedução com pensão alimentícia. Contudo, durante o Fl. 980DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 procedimento fiscal, foi verificada a pertinência da dedução, que foi efetuada de ofício pela Fiscalização. Tendo em vista que o sujeito passivo não efetuou o recolhimento mensal obrigatório de valores apurados no decorrer dos anos calendário, a Fiscalização aplicou a multa isolada prevista na legislação tributária, como detalhado no demonstrativo de fls. 16/17. O sujeito passivo apresentou impugnação em 02/07/2012 (fls. 880/950), salientando ter sido a autuação recebida em 30/05/2012 (quarta feira), encerrandose o prazo para apresentação de defesa 30 dias após, o que teria ocorrido em 30/06/2012 (sábado), deslocando o vencimento para a segunda feira dia 02/07/2012, o que caracterizaria sua tempestividade. Preliminarmente, requer a nulidade do Auto de Infração por ter a Fiscalização omitido a fundamentação legal em que se baseou para o lançamento, bem como a descrição da matéria tributável, limitando se a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação. Alega que a Fiscalização não pode exigir mais do que a legislação prevê, a fim de considerar esta ou aquela circunstância como dedutível ou indedutível, ou supressão intencional ou não do tributo. Argumenta ter ocorrido cerceamento de defesa, na medida em que a Fiscalização teve quase 400 dias para realizar seu trabalho, ao passo que ao contribuinte foi assinalado o prazo de apenas 30 dias para preparar sua defesa, diminuído ainda pelos entraves burocráticos para a liberação de documentos. Ainda em preliminar, impugna todos os documentos carreados aos autos pela RFB, exceto os por ela gerados, por não conterem autenticação de fé pública, nos termos do Código de Processo Civil – CPC ou exibição em seu original, o que inquinaria de vício insanável todo o trabalho apresentado, por carência de provas. Alega ter sido quebrado ilegalmente o sigilo bancário do impugnante, sem recomendação expressa em decisão judicial, o que deve levar à anulação do Auto de Infração. Sustenta que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, o prazo decadencial de cobrança ocorre após o transcurso de 5 anos do fato gerador, estando portanto prescritos os créditos tributários (IRPF e multas) referentes aos créditos tributários anteriores a 30 de junho de 2007. No mérito, o impugnante alega que atuou na qualidade de procurador em ações trabalhistas que o Sindicato dos Ferroviários – Sindfer, moveu a favor dos membros da categoria, denominados substituídos, em face da Vale S/A. Aduz que, após o trânsito em julgado dos processos judiciais, iniciaramse os processos de execução, culminando com o pagamento aos substituídos, através de alvará judicial em nome Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15215.720136/201233 Acórdão n.º 2202002.457 S2C2T2 Fl. 4 5 do sindicato, com poderes para levantamento por meio do procurador, com crédito em sua conta bancária. Ressalta que dinheiro que advogado movimenta, via levantamento de alvarás judiciais, não é de sua propriedade, e sim de seus contratantes. Esclarece que os saques da conta bancária para os pagamentos aos substituídos geralmente eram feitos de forma única, ou seja, o valor integral era levantado. Contudo, em diversas ocasiões o pagamento a alguns era feito posteriormente, por demora em sua localização, o que ocasionaria divergência entre os depósitos na conta do impugnante e os alvarás judiciais levantados. Desta forma, prossegue, os valores oriundos de créditos em alvará judicial não traduzem remuneração própria Requer perícia contábil, indicando quesitos a serem respondidos, a fim de provar que todos os rendimentos auferidos na sua conta corrente seriam rendimentos de terceiros oriundos de crédito judicial e a existência de lançamentos em duplicidade, não podendo ser admitida simples análise pelo auditor fiscal como única forma de comprovação das diferenças a favor do Fisco. Reitera que a autoridade administrativa entendeu erroneamente que à todo e qualquer valor percebido a título de alvará judicial deveria ser aplicado honorário advocatício, o que não foi o caso, dado a seu caráter facultativo. Argumenta que, na pior das hipóteses, caso entenda devido o tributo sobre a movimentação financeira, esse deveria ter como base de cálculo os honorários advocatícios, cujo percentual era de 1% a 5% sobre o crédito. Pugna pela impossibilidade da cobrança de juros de mora sobre débitos de natureza fiscal pela taxa Selic, sendo o correto a aplicação apenas do percentual máximo de 1% ao mês. Combate a multa de ofício aplicada, que deveria ser limitada ao percentual de 2% ao mês, e sua qualificação em 150%, eleita por conclusão subjetiva da Fiscalização que se ancorou em depoimentos esparsos de alguns clientes, revestidos da condição de leigos, descuidados de sua organização documental, não sendo provada a intenção de dolosamente sonegar ou fraudar o Fisco, o que foi apenas presumido. Com relação à multa isolada por falta de recolhimento do carnê leão, argumenta que é pacífica a jurisprudência no sentido de que não é cabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com a multa isolada, devendo essa ser afastada. O impugnante cita o princípio da capacidade contributiva, alegando que os critérios adotados na Fiscalização são decisivos Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 para sua inserção no rol de inadimplentes, o que vai na contramão dos interesses público e governamental. Por fim solicita que, para a instrução da defesa, seja juntado nos autos os documentos referentes ao Auto de Infração em que figura como autuado Carlos Alberto Cunha Alves, Gilson Vitor Campos e Mário de Oliveira Filho, a fim de comprovar que os créditos para eles lançados referemse a mesma base de cálculo e mesmo fato gerados dos seus. A DRJ ao apreciar a impugnação, considerou a mesma intempestiva nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2008, 2009 IMPUGNAÇÃO DA EXIGÊNCIA. INTEMPESTIVIDADE. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, deverá ser apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que for feita a intimação da exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, apresenta recurso voluntário, no qual questiona o entendimento da autoridade recorrida no que toca ao fato da impugnação estar intempestiva. É o relatório. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15215.720136/201233 Acórdão n.º 2202002.457 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Trata o recurso voluntário contra decisão de primeira instância que não conheceu a impugnação por esta ser intempestiva. O auto de infração foi cientificado pessoalmente em 30/05/2012, quartafeira, (fls.04). O que tornava indispensável a apresentação da impugnação até o dia 29/06/20121 (sextafeira). O contribuinte apresentou impugnação em 02/07/2012 (segundafeira), fora do prazo fatal. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a impugnação. Uma vez que a impugnação foi declarada intempestiva, não há mais como revisar o lançamento na esfera do processo administrativo tributário. Deste modo, não se apreciam as razões expostas pelo interessado em seu recurso. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15374.916972/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/04/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 72 /2 00 9- 93 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916972/200993 Acórdão n.º 3803004.538 S3TE03 Fl. 126 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 15 de junho de 2005, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IOF, no valor atualizado de R$ 679,30, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 4/5/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o crédito utilizado teve origem em equívoco cometido no cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme atestaria laudo técnico anexo; b) no preenchimento da última DCTF enviada à Receita Federal, não demonstrara a existência do crédito de IOF, tendo sido declarado como devido exatamente o valor que havia sido recolhido; c) a existência do crédito poderia ser facilmente observada a partir da comparação entre os valores apresentados como devidos na base de cálculo, conforme planilha anexa, e a guia de recolhimento da mesma competência; d) os equívocos cometidos no preenchimento das declarações não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, pois a quantia recolhida a maior não pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, de correspondências emitidas por ALL Consultoria Ltda., da DCTF, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e de planilha por ele elaborada. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916972/200993 Acórdão n.º 3803004.538 S3TE03 Fl. 127 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2001. DIREITO CREDITóRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. I0F. ANOCALENDÁRIO 2001. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o julgador de piso que, não tendo sido retificado o valor do débito confessado em DCTF, o pagamento informado na Dcomp teria permanecido integralmente alocado ao débito confessado, do que se concluiria pela inexistência de crédito. Destacouse, também, que, em nome da verdade material, ainda que se superasse a falta da DCTF retificadora, não haveria previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam fossem substituídos por planilha, como a que o interessado trouxe aos autos, planilha essa desacompanhada dos contratos a que se reporta, não se tendo por identificadas as pessoas a quem os empréstimos teriam sido concedidos. Por fim, ressaltouse que, mesmo tendo o interessado recolhido o IOF, quem arcara com o encargo teria sido o tomador do empréstimo, sendo que, se restituição houvesse, seria desse último a legitimidade para a requerer, ou para autorizar o interessado que assim o fizesse. Cientificado do acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ em 13 de outubro de 2011, o contribuinte postou o Recurso Voluntário em 11 de novembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de homologação da compensação, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo informado que, mediante decisão do Conselho Deliberativo da pessoa jurídica, o Recorrente havia sido autorizado a buscar a repetição do indébito e, uma vez recuperado o valor pago indevidamente, que este fosse devolvido aos participantes, conforme constaria de sua contabilidade; Ao final de sua peça recursal, o contribuinte faz o pedido alternativo de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que, caso fossem considerados insuficientes os elementos probatórios até então trazidos aos autos, se apurasse o crédito efetivamente existente. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916972/200993 Acórdão n.º 3803004.538 S3TE03 Fl. 128 4 Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos cópias de correspondência enviada à Diretora da pessoa jurídica, de deliberação do Conselho, de planilhas de cálculo e de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Rio de Janeiro I/RJ, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchimento da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação, da DCTF, de correspondências e de planilhas por ele elaboradas, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Notese que, mesmo após ter sido alertado pela julgador de primeira instância quanto à necessidade de apresentação da escrita fiscal, dos contratos de empréstimo e da identificação dos beneficiários, o Recorrente se predispôs a instruir os autos com documentos hábeis e idôneos, sendo juntadas apenas cópias de planilhas, de correspondências e de uma deliberação que, segundo ele, comprovariam sua defesa. Contudo, as planilhas trazidas aos autos na fase recursal não se encontram acompanhadas dos registros contábeis e nem dos documentos fiscais que os embasam, constando de uma delas inúmeros registros sem a identificação de sua vinculação com a matéria sob análise neste processo, não sendo os demais elementos juntados aos autos hábeis à comprovação do indébito reclamado. A correspondência do Recorrente datada de 29/3/2005, endereçada à DIFIN, sugere a necessidade de se formalizar consulta junto à Receita Federal para dirimir dúvidas quanto aos detalhes técnicos da recuperação dos valores recolhidos a maior, mas não consta dos autos que essa providência tenha sido tomada. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916972/200993 Acórdão n.º 3803004.538 S3TE03 Fl. 129 5 Não consta dos autos a demonstração da alteração do critério de apuração do imposto que acarretara o surgimento do indébito, havendo apenas uma fórmula que, segundo o contribuinte, teria sido por ele utilizada sem respaldo na legislação tributária. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e o requerimento de realização de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916972/200993 Acórdão n.º 3803004.538 S3TE03 Fl. 130 6 Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11080.007273/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. GLOSA.
Correta a glosa de prejuízos fiscais de períodos anteriores tendo em vista que a base anteriormente apurada foi modificada por lançamento fiscal definitivamente constituído.
MULTA CONFISCATÓRIA.
A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE
A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF.
JUROS SELIC APLICADOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
O crédito tributário decorre da obrigação tributária principal, que compreende o tributo e a multa de oficio. Assim, sobre o total do crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, deve incidir juros de mora, calculados à taxa Selic.
Numero da decisão: 1302-001.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter o lançamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator; e b) pelo voto de qualidade, em manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Frizzo, Pollastri e Cristiane.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. GLOSA. Correta a glosa de prejuízos fiscais de períodos anteriores tendo em vista que a base anteriormente apurada foi modificada por lançamento fiscal definitivamente constituído. MULTA CONFISCATÓRIA. A multa de ofício aplicada decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF. JUROS SELIC APLICADOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário decorre da obrigação tributária principal, que compreende o tributo e a multa de oficio. Assim, sobre o total do crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, deve incidir juros de mora, calculados à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, para manter o lançamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator; e b) pelo voto de qualidade, em manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Frizzo, Pollastri e Cristiane. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 72 73 /2 00 9- 03 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 617 2 (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 618 3 Relatório RIO GRANDE ENERGIA S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1029.621, de 20 de janeiro de 2011, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo ao IRPJ, no valor de R$ 26.744.842,31. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: A contribuinte alega, em resumo, que: 1. No relatório da ação fiscal fora explicado que o saldo do prejuízo fiscal em 2004 era fruto dos resultados apurados pela contribuinte entre 1999 e 2003, e que esses resultados estavam sendo discutidos no processo administrativo nº 11080.009008/200447, o qual estaria aguardando análise de recurso especial interposto pela impugnante perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 2. Mesmo não havendo uma decisão definitiva no processo administrativo nº 11080.009008/200447, a autoridade fiscal teria lavrado o presente auto de infração, sob o argumento de ter de cumprir o prazo decadencial de 5 (anos) imposto pelo CTN. 3. O mérito a ser discutido neste processo é idêntico ao mérito discutido no processo administrativo nº 11080.009008/200447, o que justificaria a suspensão do presente processo até o julgamento do mérito daquele, preservando a segurança jurídica das relações fisco contribuinte. 4. A dedução de despesas e a exclusão das receitas, entre 1999 e 2003, e que deram ensejo ao crédito tributário de IRPJ e CSLL, apurado no auto de infração do processo administrativo nº 11080.009008/200447, foram, a seu juízo, realizadas de acordo com os termos da legislação em vigor. A contribuinte requer o acolhimento integral de sua impugnação, o cancelamento do presente auto de infração, bem como das penalidades aplicadas e o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Protesta, ainda pela posterior juntada de documentos ou realização de provas eventualmente pertinentes. A 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS. analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1029.621, de 20 de janeiro de 2011 (fls. 40/441), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 618DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 619 4 Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. Não havendo saldo compensável de prejuízo fiscal no período, como conseqüência de ação fiscal já realizada com a conseqüente lavratura de auto de infração, não pode a contribuinte utilizar o saldo do prejuízo fiscal existente anteriormente à ação fiscal, sob a alegação de ter impugnado o referido auto de infração e o julgamento encontrarse pendente de decisão definitiva na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 QUESTÃO PREJUDICIAL. SUSPENSÃO DO PROCESSO. Não há previsão legal, no âmbito do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), de suspensão de processo cujo fundamento seja questionado em outro processo ainda pendente de julgamento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ciente da decisão de primeira instância em 18/02/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 444, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/03/2011 conforme carimbo de recepção à folha 445. No recurso interposto (fls. 445/475), alega preliminarmente o que se segue: 1) A recorrente alega a necessidade de suspensão do presente processo até o julgamento do Processo Administrativo n° 11080.009008/200447, tendo em vista que o lançamento ora discutido decorre diretamente do lançamento efetuado no processo referido. 2) Argumenta que atualmente o Processo Administrativo n° 11080.009008/200447 encontrase em fase de julgamento do Recurso Especial, portanto seus débitos encontramse com exigibilidade suspensa. 3) Fundamentado no inc. III do art. 151 do CTN alega que os débitos discutidos no Processo Administrativo n° 11080.009008/200447 estão com exigibilidade suspensa; conseqüentemente encontrase suspensa a discussão contida nesse processo administrativo, por ser reflexa ao Processo Administrativo n° 11080.009008/200447. 4) Sustenta que “a possibilidade de suspensão de um processo que dependa do julgamento de outro processo, embora não prevista expressamente no Decreto 70.235/72, encontrase prevista no artigo 265, IV, "a" do CPC, o qual, como é sabido, aplicase subsidiariamente aos processos administrativos em geral” 5) Prossegue argumentando que “uma decisão desfavorável à Recorrente neste processo, antes do término do Processo Administrativo n° 11080.009008/200447, pode causar uma celeuma processual desnecessária, com a possibilidade de surgirem duas decisões conflitantes entre si, o que deve ser evitado ao máximo, a fim de preservar a segurança jurídica nas relações entre o Fisco e os contribuintes”, uma vez que, “caso seja mantida a denegação das compensações neste processo, e, posteriormente, seja cancelado o auto de Fl. 619DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 620 5 infração do Processo Administrativo n° 11080.009008/200447, ficará caracterizado que as compensações efetuadas pela Recorrente foram, na verdade, legítimas”. No mérito, a Recorrente busca “demonstrar que o seu saldo de prejuízo fiscal acumulado em 2004 condiz com as compensações efetuadas, já que a dedução das despesas e a exclusão das receitas, entre 1999 e 2003 e que deram ensejo ao crédito tributário de IRPJ e CSL apurado no Auto de Infração do Processo Administrativo n° 11080.009008/200447, foram realizadas de acordo com os termos da legislação em vigor”. Para tanto repete os argumentos expendidos no âmbito do Processo Administrativo n° 11080.009008/200447. Insurgese ainda contra a imposição da multa de ofício de 75%, alegando que a mesma é “ilegal, inconstitucional e expropriatória do patrimônio do Recorrente”. Requer ainda o afastamento da incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, “uma vez que aquele índice não foi criado por lei para fins tributários” e, caso sua exigência seja admitida, que o mesmo não incida sobre a multa de ofício aplicada, uma vez que a mesma “configura penalidade e não tem natureza tributária”. Em sessão realizada em 12 de junho de 2012, este colegiado proferiu a Resolução nº 1302000.170, sobrestando o julgamento do presente recurso até a decisão final do processo nº 11080.009008/200447 e decidiu encaminhar os autos à unidade de origem para que a autoridade preparadora controlasse e acompanhasse o esgotamento das vias recursais no mencionado processo para que, então, os autos retornassem a este colegiado para julgamento. Na ocasião, estando pendente a apreciação de admissibilidade de recurso especial interposto pela recorrente no processo nº 11080.009008/200447, entendeu por bem este colegiado aguarda a solução final daquele litígio tendo em vista que a matéria discutida no presente processo decorre diretamente daquele processo. Os autos foram remetidos à unidade de origem da Receita Federal em 26/10/2012. Em 30/10/2012, a unidade preparadora juntou aos autos cópias de despachos proferidos no âmbito do processo nº 11080.009008/200447 (fls. 598/613) nos quais foi negada a admissibilidade do recurso especial interposto pela interessada naquele processo. No despacho de fls. 615 informa ainda que “que os débitos controlados no processo 1080.009008/200447 foram encaminhados à PSFN/CXL/RS, em 01/08/12 e inscritos em Divida Ativa da União em 15/08/12”. É o Relatório. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 621 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. O lançamento, ora em discussão, decorre de alteração dos saldos de prejuízos compensáveis, utilizados pela recorrente no ano de 2004, em face do lançamento formalizado por meio do Processo Administrativo Fiscal n° 11080.009008/200447. É o que se extrai dos subitens 2.4 a 2.7 do Relatório da Ação Fiscal (fls. 05/09), in verbis: 2.4 Em virtude das informações prestadas pela contribuinte, fl. 101, analisamos as informações constantes do processo n° 11080.009008/200417, anexado às fls. 111 a 155, em conjunto com os registros existentes no sistema SAPLI e constatamos que: 2.4.1 Através do auto de infração, processo n° 11080.009008/200417, a fiscalização alterou os resultados declarados pela empresa nos anoscalendário de 1999 a 2003, em conformidade com os demonstrativos de apuração, fls. 15 a 119 e demonstrativos da compensação de prejuízos fiscais (planilhas), fls. 130 a 134, integrantes do citado processo; 2.4.2 Nos saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, informados no Termo de Intimação Fiscal n° 081/2009, fl. 98, como existentes no sistema SAPLI, no anocalendário de 2004, não estavam incluídas as modificações promovidas pela fiscalização nos anoscalendário de 2002 e 2003. Consideradas as mesmas, não resta saldo compensável de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário de 2004, no citado sistema. 2.4.2.1 Esta assertiva é confirmada pelo cotejo dos registros constantes do demonstrativo de compensação de prejuízos fiscais do sistema SAPLI, relativos aos anoscalendário de 1999 a 2004, fls. 91 a 95, e as informações especificadas no demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais (planilhas) dos anoscalendário de 1999 a 2003, integrantes do processo n° 11080.009008/20047, fls. 130 a 134. 2.5 Diante desta situação, encaminhamos o documento de fl. 108, com a finalidade de complementar o Termo de Intimação Fiscal n° 081/2009 (fl. 98), conforme discriminado a seguir: 1. Através do auto de infração n° 11080.009008/20047, a fiscalização alterou os resultados declarados pela empresa nos anosalendário de 1999 a 2003, em conformidade com os demonstrativos de apuração e planilhas integrantes do citado processo, do qual a contribuinte tomou ciência por ocasião de sua lavratura. 2. No sistema da Receita Federal que faz o acompanhamento do prejuízo scal e da base de cálculo negativa da CSLL (sistema SAPLI) constam os valores apurados pela fiscalização no processo anteriormente citado. 2.1 Em decorrência desta situação, no anoalendário de 2004, não havia saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL a ser compensado. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 622 7 2.2 É oportuno esclarecer que nos saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, informados no Termo de Intimação Fiscal n° 081/2009, como existentes no sistema SAPLI, no anocalendário de 2004, não estavam incluídas as modificações promovidas pela fiscalização nos anoscalendário de 2002 e 2003. Consideradas as mesmas, não resta saldo compensável de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, no anocalendário de 2004, no citado sistema. 2.5.1 A contribuinte apresentou manifestação relativa ao citado documento através da Carta GDO n° 078/2009, anexada à fl. 110. 2.6 No que se refere ao processo n° 11080.009008/200447 é necessário fazer as seguintes considerações: 2.6.1 A impugnação apresentada foi examinada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre e o lançamento foi julgado procedente, consoante Acórdão DRJ/POA nº 5.331/2005, fls. 156 a 158. 2.6.2 Posteriormente, o processo foi encaminhado ao Primeiro Conselho de Contribuintes em virtude de Recurso Voluntário apresentado pela empresa. 2.6.2.1 Referido Órgão prolatou decisão do recurso interposto e, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de decadência e de nulidade suscitadas, e, no mérito, negou provimento ao recurso (Acórdão nº 10195.786 às fls. 159 e 160). 2.6.3 Em decorrência, a contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 74 a 186), que foram rejeitados de plano através do Despacho n° 247 do Presidente da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 195 e 196). 2.6.4 Presentemente, o processo em questão encontrase no Primeiro Conselho de Contribuintes (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), fl. 198, na situação "RETORNO PARA DESPACHO 1a Câmara", segundo se verifica pelo extrato da consulta processual que realizamos no "site" do citado Órgão em 27.10.2009, fls. 199 e 202. 2.7 Diante do explicitado, e considerando a proximidade do termo final do prazo decadencial para efetuar o lançamento referente ao anocalendário de 2004, formalizamos o presente auto de infração através do qual excluímos a compensação de prejuízo fiscal informada pela empresa na DIPJ do citado período, e, em conseqüência, efetuamos o cálculo do Imposto de Renda devido (Demonstrativo de Apuração de fl. 08). (...) O lançamento formalizado no PAF nº 11080.009008/200447 foi mantido integralmente pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 10195.786, de 18/10/2006, com a seguinte ementa: DECADÊNCIA — PERÍODO DE APURAÇÃO ANUAL — IRPJ — CSL — No caso de opção pela apuração anual da base de cálculo, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir de primeiro de janeiro do ano subseqüente. NULIDADE — PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO — Não existe nulidade se resta comprovado que não houve prejuízo ao direito de defesa da contribuinte. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 623 8 AJUSTE À CONTA DE DESPESAS ANTECIPADAS — CORREÇÃO DO CUSTO PELA TAXA SELIC — A alteração dos gastos antecipados pelas concessionárias de energia elétrica, mediante ajuste pela taxa Selic, importa acréscimo patrimonial, na medida em que não representa um contra valor de registro permutativo em caixa ou outro ativo correspondente. DEPRECIAÇÕES AJUSTES EXTRACONTÁBEIS — IMPOSSIBILIDADE — O limite máximo de registro contábil das depreciações representa uma faculdade ao contribuinte, que pode dimensionar tal valor mensal para menos. Incabíveis ajustes extracontábeis no LALUR, bem como retificações após o início da ação fiscal. CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA — AQUISÇÃO COM ÁGIO E POSTERIOR INCORPORAÇÃO DA CONTROLADORA PELA CONTROLADA — REGRAS DE AMORTIZAÇÃO PELO PRAZO DE CONCESSÃO — A regra fiscal de dedução da amortização do ágio deriva das regras da legislação comercial de amortização, somente sendo possíveis ajustes no LALUR se a amortização foi inferior a cinco anos (Lei 9.430/96, artigos 7º e 8º). Para a amortização de ágio em face de rentabilidade futura por conta de contrato de concessão, aplicáveis as normas estabelecidas pela Instrução CVM 247/96, alterada pela Instrução CVM 285/98, isto é, a amortização contábil e os decorrentes efeitos fiscais operamse pelo prazo da concessão. Cientificada do acórdão, a interessada interpôs recurso especial em 18/10/2006, cujo seguimento foi negado em decisão definitiva do presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme cópia do despacho (fls. 608 deste). Desta feita, tendo sido confirmado como definitivo o lançamento fiscal formalizado no processo nº 11080.009008/200447 e tendo em vista que a glosa de prejuízos fiscais do anocalendário 2004, objeto do presente, decorre diretamente daquele lançamento impõese a manutenção da exigência ora analisada. Com relação a alegação de que a imposição da multa de ofício de 75%, é “ilegal, inconstitucional e expropriatória do patrimônio do Recorrente”, esta deve ser rejeitada em face do disposto na Súmula CARF nº 02, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne ao pedido de afastamento da incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, “uma vez que aquele índice não foi criado por lei para fins tributários”, deve ser observada a Súmula CARF nº 4, in verbis: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 624 9 Por fim, analiso o pedido para que os juros à taxa Selic não incidam sobre a multa de ofício aplicada, sob a alegação de que a mesma “configura penalidade e não tem natureza tributária”. A alegação da recorrente não pode prosperar pelo que passo a expor. Dispõe o art. 161 do CTN que o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Estabelece, ainda, em seu parágrafo primeiro, que se a lei não dispuser de modo diverso os juros são calculado à taxa de 1% ao mês. Ocorre que o legislador estabeleceu no art. 61 da Lei nº 9.430/1996 que, a partir de janeiro de 1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Não resta dúvida que os débitos a que se refere a Lei nº 9.430/1996 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, em seu parágrafo primeiro define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Assim é que o art. 142 do mesmo CTN determina que a autoridade competente constitua o crédito tributário, calculando o montante do tributo e a penalidade aplicável. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida juntamente com o tributo devido. Assim, uma vez constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa Selic. Por fim, o art. 43 da Lei 9.430/1996, ao prever expressamente a incidência de juros Selic sobre a multa isolada somente reforça o entendimento de sua incidência sobre a penalidade pecuniária, pois na haveria sentido algum em exigila quando o crédito relativo à multa é constituído separadamente, nos casos previstos na legislação tributária, e não o seja quando a penalidade é exigida em conjunto com o tributo devido. A jurisprudência das turmas desta câmara e da própria CSRF é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: Acórdão nº 1301000.111, de 04/12/2012: JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11080.007273/200903 Acórdão n.º 1302001.206 S1C3T2 Fl. 625 10 A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão nº 1302000.959, de 07/08/2012: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assim, mantenho a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício lançada. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala de Sessões, em 10 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 10120.722128/2011-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2012
OPÇÃO. PRAZO. EFEITOS.
A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção.
Numero da decisão: 1803-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Marcos Antônio Pires.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2012 OPÇÃO. PRAZO. EFEITOS. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 21 28 /2 01 1- 86 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.722128/201186 Acórdão n.º 1803001.933 S1TE03 Fl. 47 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Marcos Antônio Pires. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.722128/201186 Acórdão n.º 1803001.933 S1TE03 Fl. 48 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 23): Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional”, de fl. 10 (data de registro em 24/03/2011), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional, formalizado pela interessada em 03/01/2011, conforme “Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional”, de fl. 19. A opção foi indeferida em virtude de a empresa desenvolver, na data da opção, atividade econômica vedada, 46354/99, “Comércio atacadista de bebidas não especificadas anteriormente”, com fundamento no art. 17, inciso X, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada da pendência listada, a pessoa jurídica interessada, por meio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fl. 12), protocolizou, em 06/05/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 02/03. Na sua defesa, alega que não exerce, no dia a dia de suas atividades, o comércio atacadista, mas tão somente a venda a varejo. Informa que alterou o contrato social e CNPJ, fazendo constar tão somente a atividade principal 4723700 de “comércio varejista de bebidas” e as atividades secundárias 4639701, 46460 01, 4729699, 4772500, 4729601 e, 4713002. Requer a inclusão no Simples Nacional. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 22): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 OPÇÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADES VEDADAS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso X, da Lei Complementar nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que exerçam atividades que tenham por finalidade o comércio atacadista de bebidas, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 25/10/2012 (fls. 43 numeração digital ND), a tempo, em 19/11/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 28 e 29 (ND), instruído com os documentos de fls. 30 a 41 (ND), nele argumentando, em síntese: a) que, de fato, a alteração foi posterior ao prazo para inclusão no Simples Nacional, porém, a Recorrente jamais exerceu atividade impeditiva e, especialmente, a do comércio atacadista de bebidas; Fl. 48DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.722128/201186 Acórdão n.º 1803001.933 S1TE03 Fl. 49 4 b) que, além de jamais ter exercido a atividade de comércio atacadista de bebidas, tão logo ficou sabendo da restrição, procurou regularizar espontaneamente a situação; c) que tal atitude comprova a sua boafé, além de não causar prejuízo aos cofres públicos, nem tentar burlar a legislação; e d) que, por isso, mantêla excluída do Simples Nacional é uma punição grave demais e resultaria em sérios prejuízos a ela. Em mesa para julgamento. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.722128/201186 Acórdão n.º 1803001.933 S1TE03 Fl. 50 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Como reconhece a própria Recorrente, a alteração cadastral procedida (exclusão da atividade de atacadista de bebidas) foi posterior ao prazo para inclusão no Simples Nacional, previsto no art. 16, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...]. § 2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo. 5. Assim, tendo sido a referida alteração cadastral efetuada no mês de abril de 2011, somente seria admissível a inclusão da Recorrente, no Simples Nacional, a partir do primeiro dia do anocalendário de 2012. 6. Contudo, também isso não é possível, pois, como bem observado pelo despacho de fls. 21 (ND), “A empresa retirou do contrato social a atividade vedada de atacadista de bebidas, entretanto, consta do contrato social a atividade vedada de atacadista de cigarros (fls. 05/09).” 7. Ainda, a consulta de fls. 20 (ND), indica a existência de débitos “com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa.” Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.722128/201186 Acórdão n.º 1803001.933 S1TE03 Fl. 51 6 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11516.004070/2007-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. INSUMOS. PARCERIA RURAL PECUÁRIA.
A pessoa jurídica que se dedica à produção de carne frango por meio do sistema de integração, tem direito ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 sobre os frutos da parceria rural (frangos vivos) que forem adquiridos dos produtores rurais pessoas físicas, sendo vedado, em relação a essas aquisições, o aproveitamento do crédito com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002.
CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI Nº 10.925/04.
O crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reformar o acórdão de primeira instância quanto ao critério utilizado para a determinação do percentual do crédito presumido e reconhecer à recorrente o direito de apurá-lo na forma do art. 8º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.925/2002 e 10.833/2003.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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INSUMOS. PARCERIA RURAL PECUÁRIA. A pessoa jurídica que se dedica à produção de carne frango por meio do sistema de integração, tem direito ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 sobre os frutos da parceria rural (frangos vivos) que forem adquiridos dos produtores rurais pessoas físicas, sendo vedado, em relação a essas aquisições, o aproveitamento do crédito com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002. CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI Nº 10.925/04. O crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reformar o acórdão de primeira instância quanto ao critério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 70 /2 00 7- 28 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 utilizado para a determinação do percentual do crédito presumido e reconhecer à recorrente o direito de apurálo na forma do art. 8º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.925/2002 e 10.833/2003. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento da Cofins nãocumulativa transmitida em 28/09/2006, relativo ao 3º Trimestre de 2006, cumulado com declarações de compensação. O objeto social da empresa é a produção de carne de frango e seus miúdos utilizando o sistema de integração, segundo o qual os pintos de um dia são entregues a terceiros para serem criados. Após um período que varia entre 35 e 55 dias, a aves atingem o peso ideal para abate. Nesse momento ocorre a divisão dos frutos da parceria rural e a parte das aves que cabe à recorrente lhe é devolvida pelos parceiros rurais e a parte das aves (frutos) que cabe a esses produtores é adquirida pela recorrente para serem processadas. Os frutos da parceria são estabelecidos em percentual de quilos de frango vivo, que é traduzido em unidades monetárias, conforme o grau de eficiência do produtor rural estabelecido em uma tabela anexa aos contratos de parceria. Por meio da informação fiscal e despacho decisório notificado ao contribuinte em 15/01/2009, foram efetuados ajustes no valor do ressarcimento e parcialmente homologadas as compensações declaradas. Foram efetuados os seguintes ajustes: 1) Foi glosada a parcela da ração e dos demais insumos aplicados na criação de aves em relação à quantidade de aves que cabe ao produtor integrado a título de remuneração por seu serviço, sob a justificativa de que essa parcela não constitui produção da pessoa jurídica e nem é por ela destinada à venda (sendo irrelevante a eventual prática de a processadora dos frangos adquirir essa parcela do produtor rural); 2) Foi glosada parcela do crédito presumido da agroindústria sobre as aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate e pintos de um dia, pois o contribuinte adotou o percentual de 4,56%, sendo o valor correto 2,66%, uma vez que se tratam de insumos de origem vegetal; 3) Foram excluídos da base de cálculo do crédito presumido da agroindústria os valores referentes às aquisições de “agulha dupla de 4 mm”, “produtos alimentícios”, “rotor para injetora” e “item genérico”, sob a justificativa de que não se tratam de aquisições de produtos agropecuários e também a aquisição de matrizes, pois estas fazem parte do ativo imobilizado. As matrizes destinadas ao abate foram admitidas. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: Fl. 442DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.004070/200728 Acórdão n.º 3403002.414 S3C4T3 Fl. 8 3 1) Em relação à glosa dos créditos decorrentes da aquisição de farelo de soja, entende o contribuinte que tem direito ao aproveitamento integral dos créditos referentes às aquisições desse insumo e não apenas do crédito presumido. O farelo de soja em questão é um produto industrializado por cooperativas pessoas jurídicas e por estas submetido à tributação do PIS e da COFINS, portanto, o crédito pela aquisição deste produto encontra amparo nos arts. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 2) Quanto à alíquota do crédito presumido aplicada sobre as aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate e pintos de um dia, alegou que o fisco aplicou o percentual de 35% sobre as alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,60 (Cofins), quando deveria ter utilizado o percentual de 60¨%. Sustentou que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 define que a alíquota aplicável é determinada em função do produto comercializado pelo detentor do direito creditório e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos meio necessários à obtenção do produto final; 3) No que concerne aos insumos glosados em relação à parcela das aves que cabe aos produtores integrados, alegou ser proprietária das aves e que, pelos contratos de integração e de parceria celebrados, cabe à parceiraproprietária: a) entregar os pintos de um dia para que sejam recriados e engordados pelos parceiros criadores (produtores rurais pessoas físicas); b) fornecer a ração, medicamentos e outros insumos que forem necessários; c) prestar serviços de orientação e assistência técnica. Por outro lado, os aludidos contratos obrigam os parceiroscriadores a: a) fornecer a mãodeobra e ceder para a parceria a posse conjunta das instalações criatórias; e b) entregar os frangos para abate com 35 a 55 dias de idade. Assim, o valor dos insumos aplicados na criação dos frangos são suportados exclusivamente pela recorrente; 4) No que tange às glosas referentes às aquisições de matrizes, alegou que as matrizes são utilizadas por um curto espaço de tempo (menos do que um ano), após essa utilização são remetidas para abate e comercializadas. Segundo o perguntas e respostas disponibilizado pela Receita Federal, a receita de venda de matrizes é classificada como receita operacional da atividade rural, muito embora tenha integrado o ativo imobilizado para fins contábeis. Desse modo, para fins fiscais as matrizes constantes do imobilizado são insumos da atividade rural e geram direito ao crédito de PIS e Cofins; 5) Relativamente à glosa do valor das peças de reposição, alegou que a agulha dupla de 4 mm é utilizada em máquinas injetoras de tempero, tendo como principal função injetar sal dentro da carne, temperandoa uniformemente. Assim, os valores de suas aquisições deveriam ser considerados integralmente para a apuração do crédito, pois as agulhas se desgastam em virtude de ação direta exercida sobre os frangos. Quanto à glosa denominada “item genérico”, alegou que se tratam de ovos férteis, pintos de um dia, entre outros. Anexa planilha com a discriminação das notas fiscais, bem como notas fiscais juntadas por amostragem para comprovar os créditos. Alegou que o fisco não motivou a glosa, o que caracteriza cerceamento de defesa; 6) Alegou que cometeu equívocos no preenchimento dos DACON do ano de 2006, o que acarretou divergências dos saldos de créditos remanescentes passíveis de compensação. A fiscalização, ao ajustar os DACON, teria preenchido de acordo com as orientações da Fazenda, no entanto levou em conta o saldo da declaração do contribuinte. Com isso a fiscalização glosou um valor maior do que o identificado no despacho decisório, o que Fl. 443DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 não pode ser admitido. Objetivando corrigir o equívoco, a defesa apresentou no prazo da manifestação de inconformidade o DACON retificador. Por meio do Acórdão 20.800, de 20 de agosto de 2010, a 4ª Turma da DRJ – Florianópolis julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte. Ficou decidido o seguinte: 1) Em processos de pedido de restituição e ressarcimento o ônus da prova do direito ao crédito é daquele que alega o crédito, no caso, o contribuinte. Foi fixado que o conceito de insumo a ser observado na decisão é aquele estabelecido nas Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004; 2) Em relação aos insumos utilizados na parceria rural avícola, ao contrário do que entendeu a fiscalização, as cláusulas 4ª, 5ª e 9ª dos contratos de parceria firmados com os produtores integrados, deixam bem claro que a recorrente é a proprietária dos frangos; que a quantidade de quilos de frango que cabe ao produtor integrado é convertida em valores monetários segundo uma tabela que integra o contrato; e que a parcela de frangos que cabe ao produtor reverte em favor da processadora dos frangos, sendo vedada a negociação da produção com qualquer outra empresa. Consequentemente, a glosa efetuada pela fiscalização em relação aos insumos aplicados no processo de criação dos frangos de corte é improcedente. Entretanto, ficou decidido que o valor pago pela recorrente aos produtores integrados pela parcela dos frangos vivos que lhes cabe, caracteriza pagamento efetuado a pessoa física, o que impede a tomada de crédito com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre esses valores; 3) Relativamente ao crédito presumido estabelecido no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ficou decidido que o critério a ser observado é o da natureza do insumo adquirido e não o da natureza do produto vendido pelo contribuinte. Quanto ao farelo de soja adquirido de cooperativas de produção pessoas jurídicas, foi decidido que, ao contrário da pretensão do contribuinte, não existe direito ao crédito pela aquisição (como insumo, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002), pois as vendas efetuadas por essas cooperativas estão abrigadas pela suspensão estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, aplicandose a essas aquisições a vedação contida nos arts. 3º, § 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em relação ao farelo de soja (NCM 1201.00), milho em grãos (NCM 1005.90.10), pintos de um dia (NCM 0105) e frango vivo para abate (NCM 0105.99.00), o que existe é o direito ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Considerandose a natureza dos insumos adquiridos, entendeuse que esses insumos não se enquadram no art. 8º, § 3º, I da Lei nº 10.925/2004 (percentual de 60%), mas sim no percentual de 35% estabelecido no inciso II do mesmo dispositivo legal, sendo mantida a glosa da fiscalização. Quanto ao crédito presumido em relação às aquisições de “agulha dupla de 4 mm”, foi decidido que somente rendem ensejo ao crédito presumido os produtos decorrentes da atividade agrícola ou pecuária utilizados como insumos no processo produtivo, o que não é o caso das aludidas agulhas; 4) No que tange à glosa de matrizes, foi decidido que não há direito ao crédito como insumo, uma vez que foram classificadas pelo próprio contribuinte como bens do ativo imobilizado. O contribuinte não comprovou a alegação de que as matrizes são utilizadas para reprodução por período inferior a um ano; 5) No tocante à glosa do “item genérico”, foi decidido que o ônus da prova do direito ao crédito cabe ao contribuinte. Embora tivesse sido intimado pela fiscalização, o contribuinte apresentou uma planilha visando demonstrar os créditos requeridos Fl. 444DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.004070/200728 Acórdão n.º 3403002.414 S3C4T3 Fl. 9 5 referentes ao crédito presumido da agroindústria, tendo descrito créditos como “farelo de soja”, “frango vivo para abate”, “item genérico”, “lenha de eucalipto”, “matrizes para abate”, “milho em grãos” e “pintos de um dia”. Diante da total incompreensão do que seria “item genérico”, a fiscalização glosou tais créditos. A planilha anexada com a manifestação de inconformidade visando à comprovação dos créditos do “item genérico”, também nada comprova; 6) Quanto ao equívoco no preenchimento do DACON, foi decidido que o eventual erro do contribuinte e o ajuste efetuado pela fiscalização, em nada alteram o crédito solicitado neste pedido de ressarcimento, pois os valores gerados em trimestres anteriores foram objeto de pedidos de ressarcimento pelo contribuinte e, desta forma, devem ser analisados em cada um destes processos. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 30/09/2010 (fl. 413), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/10/2010 (fl. 414), alegando, em síntese, o seguinte: 1) Contestou o conceito de insumo adotado pela decisão recorrida. Disse que não pleiteia que todo e qualquer custo ou despesa seja considerado insumo, mas sim que tal conceito deve alcançar tudo aquilo que sendo excluído do processo produtivo, não permita obter o produto final. Quanto ao ônus da prova, alegou que ele não impede a autoridade fiscal de requerer diligência ou outras provas para fins de verificação do crédito; 2) Discorreu sobre a sistemática de apuração nãocumulativa das contribuições e concluiu que tem direito aos créditos decorrentes da nãocumulatividade e ao crédito presumido da agroindústria; 3) No que tange ao farelo de soja, alegou que faz jus ao crédito integral como insumo e não apenas ao crédito presumido da agroindústria; 4) Em relação ao frango vivo, ao milho e aos pintos de um dia, alegou que faz jus ao crédito presumido calculado com o percentual de 60%, que também deve ser aplicado ao farelo de soja, se prevalecer o entendimento do fisco de que integra o crédito presumido. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 define que a alíquota aplicável é determinada em função do produto comercializado e não pelo insumo. Insurgiuse contra o entendimento do acórdão recorrido na parte em que decidiu que a parcela dos frangos que cabem aos produtores rurais constitui remuneração a pessoa física. Disse que no contrato de parceria não há remuneração, mas sim divisão de frutos. Sendo assim, a aquisição pela recorrente da parte da divisão de frutos do parceiro rural pessoa física não é remuneração, mas sim aquisição de insumo, sujeitandose ao crédito de PIS e Cofins; 5) Quanto à aquisição de matrizes, alegou que além das matrizes serem utilizadas nesta função por período inferior a um ano, a própria Receita Federal orienta em sua página eletrônica no sentido de classificar os animais reprodutores como receita operacional por ocasião de sua venda. Logo, esses animais devem ser considerados como insumos da atividade desenvolvida pelo contribuinte para fins de fruição dos créditos de PIS e Cofins, sob pena de ofensa à nãocumulatividade; Fl. 445DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 6) No que tange à agulha dupla de 4 mm, alegou que tem direito ao crédito integral, pois destinamse à reposição de outras agulhas que foram desgastadas em razão de ação direta sobre o produto em fabricação; 7) Relativamente ao “item genérico” o fisco glosou sem nenhuma justificativa os créditos aproveitados pela recorrente, cujas notas fiscais correspondentes comprovam se tratar de aquisições de produtos agropecuários idênticos aos reconhecidos pelo próprio fisco como insumos suscetíveis ao aproveitamento de créditos de PIS e Cofins (ovos férteis, pintos de um dia, entre outros); 8) Quanto aos erros de preenchimento do DACON em 2006, reiterou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Embora o acórdão de primeira instância tenha delimitado o conceito de insumo e adotado aquele estabelecido pelas Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004, não houve glosa de nenhum insumo, sob a justificativa de que o bem não atendia ao disposto naqueles atos normativos. As glosas tiveram fundamentos outros que não passam pela definição do que deva ser considerado insumo para fins de geração do crédito das contribuições no regime não cumulativo. Sendo assim, é irrelevante para o deslinde das questões postas no recurso a discussão teórica sobre o conceito de insumo que deve prevalecer no âmbito das contribuições no regime nãocumulativo. A primeira questão a ser enfrentada é a que diz respeito à natureza da parcela da produção que toca ao parceiro rural incumbido da criação dos frangos e que depois é adquirida pela ora recorrente. A existência dos contratos de parceria rural na modalidade pecuária é incontroversa nos autos e os contratos foram comprovados por amostragem por meio do doc. 05 trazido com a impugnação. Nas cláusulas quarta e quinta do contrato se pode verificar que na parceria foi estabelecido que cabe ao Produtor I (o proprietário rural) um percentual que varia entre 5% e 10% do peso total do lote de frangos, conforme seu desempenho e de acordo com uma Tabela de Performance e Avaliação do lote de frango anexa a cada contrato. Essas disposições contratuais estão de acordo com o estabelecido no art. 96, da Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra), na parte em que dispõe sobre a divisão de frutos da parceria. Em momento algum a lei que regula o contrato de parceria se refere a remuneração. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.004070/200728 Acórdão n.º 3403002.414 S3C4T3 Fl. 10 7 Portanto, na parceria rural o que se tem é a divisão de frutos, que no caso da criação dos frangos são representados pelo ganho de peso das aves. Entretanto, a quantidade de aves que toca ao Produtor I (fruto) é adquirida pela recorrente, que remunera o produtor rural pessoa física mediante a conversão do peso dessas aves em unidades monetárias, conforme tabelas anexas aos contratos. Ora, a aquisição dos frutos da parceria que pertencem ao produtor rural por parte da recorrente, configura a aquisição de matériaprima (frango vivo) de pessoa física, que não gera o crédito previsto no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004, por se tratar de aquisição de pessoa física, mas gera o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, nesta parte, não merece nenhum reparo a decisão recorrida, pois a DRJ, mesmo entendendo que se tratou de remuneração paga a pessoa física, reverteu a glosa efetuada pela fiscalização quanto aos insumos aplicados na parceria agropecuária e reconheceu o direito ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 em relação ao frango vivo. A questão do percentual a ser aplicado na apuração do crédito presumido será tratada mais adiante. O contribuinte alegou que tem direito à tomada do crédito em relação às aquisições de farelo de soja com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e não apenas ao crédito presumido. A DRJ decidiu que o contribuinte só tem direito ao crédito presumido sobre essas aquisições porque elas ocorreram de cooperativas agrícolas pessoas jurídicas ao abrigo de suspensão. As notas fiscais juntadas com a impugnação (doc. 04) comprovam que tais aquisições foram efetuadas de cooperativas agrícolas pessoas jurídicas e que não sofreram incidência do PIS e da Cofins, em razão da suspensão determinada pelo art. 9º , III, da Lei nº 10.925/2004. Se sobre essas aquisições não houve pagamento do PIS e da Cofins, não há direito à tomada do crédito com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, por força da vedação expressa que consta no art. 3º, § 2º, II, das referidas leis. Portanto, o acórdão de primeira instância deve ser mantido por seus próprios fundamentos nesta parte, uma vez que em relação a essas aquisições o contribuinte só tem direito ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Relativamente aos insumos farelo de soja, milho em grão, frango vivo e pintos de um dia, foi reconhecido pela autoridade administrativa e pela decisão recorrida o direito ao crédito presumido, entretanto, a recorrente se insurgiu contra o critério adotado pela fiscalização e pela DRJ – Florianópolis para eleger o percentual de apuração do crédito presumido. Entende a defesa que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 elegeu o produto fabricado pelo detentor do crédito como critério para definir o percentual de 60% ou 35% e não a natureza do insumo, como entendeu a decisão recorrida. Essa questão já foi enfrentada e decidida por unanimidade de votos por este colegiado ao proferir o Acórdão 3403002.139, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Ortiz, a quem peço licença para adotar os seus argumentos como fundamento deste voto, in verbis: “(...) O último tema a requerer enfrentamento diz com o crédito presumido outorgado pelo artigo 8º da Lei no. 10.925/04 às empresas do segmento em que atua a ora recorrente, a agroindústria. Eis o dispositivo, tal como vigente à época dos fatos: Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05,0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 21.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) §2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no §4º do art. 3º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. §3º O montante do crédito a que se referem o caput e o §1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I – 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 15.16.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II – 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis no. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. A controvérsia posta nos autos é exclusivamente de direito e reside toda ela na compreensão do § 3º acima transcrito. Calculado sobre o valor dos insumos adquiridos pela agroindústria, o crédito presumido corresponderá, de acordo com o preceito, a 60% ou a 35% daquele concedido pelo artigo 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, a depender do produto. Enquanto os produtos de origem animal listados no inciso I rendem à agroindústria crédito presumido de 0,99% e 4.56%, respectivamente para PIS e para COFINS, os demais, inclusive os de origem vegetal, proporcionam créditos menores, cujas alíquotas equivalem a 0,5775% e 2,66%. Fiandose na literalidade do texto, a recorrente interpreta a menção ao “produto” como uma referência à mercadoria a que o agroindustrial dá saída. Sob sua perspectiva, independentemente da natureza do insumo adquirido, se a agroindústria promove a venda de produtos de origem animal, seu crédito presumido é determinado pelas alíquotas de 0,99% e 4,56%. Como a recorrente produz carnes Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.004070/200728 Acórdão n.º 3403002.414 S3C4T3 Fl. 11 9 avícolas e suínas, seu procedimento consistiu em apurar o crédito presumido segundo estes percentuais. Já a DRF encarregada da auditoria atribui outro sentido ao dispositivo. De acordo com a sua leitura, o valor do crédito presumido varia não em função do bem produzido pela agroindústria, mas em razão da natureza do insumo adquirido. Insumos de origem animal– pouco importa a espécie de produto em que empregados – forneceriam o crédito presumido do inciso I, ao passo que insumos vegetais garantiriam o crédito presumido de menor valor, previsto no inciso II. Como a maior parte dos insumos que a recorrente emprega é de origem vegetal (rações), a glosa consistiu na redução do valor do crédito ao menor percentual previsto pelo art. 3º. Para subsidiar suas conclusões, a fiscalização invocou o artigo 8º, da IN SRF no. 660/06, cujo texto claramente diferencia o montante do crédito presumido em função da natureza do insumo adquirido e não do produto que com ele se obtém. Vejase: “Art. 8º. Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7o, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS será apurado com base no seu custo de aquisição. §1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: I – 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: a) dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 15.16.10 da NCM; b) das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; II – 0,5775% (cinco mil setecentos e setenta e cinco décimos de milésimos por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente no caso dos demais insumos.” Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5º de seus respectivos artigos 3ºs. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1º). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: “4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subseqüentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.” Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.004070/200728 Acórdão n.º 3403002.414 S3C4T3 Fl. 12 11 Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF no. 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8º, da Lei no. 10.925/04 define o montante do crédito presumido. Daí porque, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte, a fim de reconhecer à recorrente o direito de apropriálo nos valores em que originalmente o fez. (...)” Tendo em vista que o caso concreto em tudo se assemelha à situação fática sopesada por este colegiado por ocasião da prolação do Acórdão 3403002.139, adoto os fundamentos acima para reformar o acórdão de primeira instância, nesta parte, revertendo a glosa efetuada pela fiscalização, uma vez que o crédito presumido ao qual faz jus a recorrente deve ser calculado na forma do art. 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925/2004, ou seja, com o percentual de 60% a ser aplicado sobre o valor do crédito apurado com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Insurgiuse a recorrente contra o acórdão de primeira instância na parte em que manteve a glosa dos valores relativos às aquisições de matrizes ainda não destinadas ao abate. Ressalvouse que a glosa se referiu apenas às matrizes ainda não destinadas ao abate porque a fiscalização consignou no termo fiscal que admitiu o crédito em relação às matrizes que foram abatidas e quanto a isso não houve impugnação por parte da recorrente. Não há reparo algum a fazer na decisão recorrida nesta parte, pois é incontroverso nos autos que as matrizes foram contabilizadas pela própria empresa no ativo imobilizado. Além de a recorrente não ter trazido prova alguma de que as matrizes são utilizadas nesta função por prazo inferior a um ano, do fato de a receita decorrente da venda de matrizes ser classificada como receita operacional não decorre logicamente a conclusão de que na aquisição, para fins de apuração do crédito, essas aves devam ser consideradas insumos, em face da previsão contida no art. 3º, § 1º, III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (direito ao crédito sobre a despesa de depreciação). Tendo em vista que a própria recorrente coloca em dúvida a classificação contábil que adotou para as matrizes, sem nada provar, não há como este colegiado fixar o dispositivo legal que dá suporte ao crédito. Relativamente à agulha dupla de 4 mm, verificase que a fiscalização glosou o valor do crédito presumido tomado com base nas aquisições desse produto, sob a justificativa de que não se trata de produto de origem agropecuária. A recorrente alega que embora não se trate produto agropecuário, tem direito ao crédito previsto no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, pois se trata de um item que sofre desgaste em contato direto com o produto em fabricação. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 O requisito de sofrer desgaste em decorrência de contato direto com o produto em fabricação tem sido relevado por este colegiado, entretanto, para gerar o crédito na aquisição o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não pode ser classificado no ativo imobilizado. A recorrente não comprovou o tempo de vida útil das agulhas ou o intervalo de tempo com que são substituídas, nem a quantidade de agulhas que são utilizadas ao mesmo tempo e nem o valor unitário desses bens. Não é possível saber se as agulhas são itens de ativação obrigatória (art. 301 do RIR/99), que neste caso dariam direito ao crédito apenas sobre a cota mensal de depreciação. Portanto, há que se manter a decisão recorrida nesta parte, pois cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos constitutivos de seu direito. Não tendo feito prova de que as agulhas não se classificam no imobilizado, este colegiado não tem parâmetros suficientes para decidir se o crédito deve ser tomado com base no custo de aquisição ou sobre a despesa de depreciação. No que tange ao “item genérico”, alegou a recorrente cerceamento de defesa, pois a fiscalização não teria fundamentado a glosa. Entretanto, a leitura do termo fiscal revela que a glosa foi motivada no fato de que não se tratam de aquisições de produtos agropecuários, o que afasta a alegação de cerceamento de defesa por falta de motivação. Tanto a defesa não foi cerceada, que o contribuinte apresentou planilha anexada com a impugnação (doc. 06) para comprovar que se tratavam de produtos de origem agropecuária adquiridos de pessoas físicas. A planilha anexada não comprova a legitimidade do crédito alegado nem quanto a sua origem e nem quanto ao valor, pois veio desacompanhada não só das notas fiscais que deram lastro aos dados informados, mas também dos livros em que estariam escrituradas essas supostas notas fiscais. A defesa anexou cinco notas fiscais que dariam lastro à planilha, mas essas notas são insuficientes para comprovar a magnitude do crédito alegado. O contribuinte mais uma vez não se desincumbiu do ônus de provar os fatos jurígenos do crédito que alega possuir, devendo ser mantida a decisão de primeira instância nesta parte. Melhor sorte não colhe o contribuinte em relação aos alegados erros de preenchimento do DACON. Isto porque suas alegações vieram desacompanhadas de documentos hábeis à demonstração dos equívocos alegados. A apresentação do DACON retificador após o procedimento fiscal tem o mesmo efeito gerado pela apresentação de alegações desacompanhadas de documentos hábeis a sua comprovação, ou seja, nada provam. No tocante ao ônus da prova, alegou o contribuinte que ele não impede a determinação de diligência para verificação do crédito. Não tem razão o contribuinte. As diligências e as perícias se prestam para esclarecer dúvidas e obscuridades decorrentes da análise dos elementos de prova juntados aos autos pelas partes após terem se desincumbido do ônus processual de provar os fatos jurígenos do direito que alegam. Diligências e perícias não se prestam para produzir as provas que deveriam ter sido trazidas aos autos pelas partes no momento processual oportuno. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.004070/200728 Acórdão n.º 3403002.414 S3C4T3 Fl. 13 13 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reformar o acórdão de primeira instância quanto ao critério utilizado para a determinação do percentual do crédito presumido e reconhecer à recorrente o direito de apurá lo na forma do art. 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925/2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004. Antonio Carlos Atulim Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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