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Numero do processo: 10680.008276/2004-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no RE nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 9101-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª turma do câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, sem o retorno dos autos à Câmara a quo. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e João Carlos de Lima Junior que davam provimento com retorno à DRF, vencidos também os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão que davam provimento com retorno à DRJ.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto)
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no RE nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543-B, do Código de Processo Civil.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no RE nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDOO CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, sem o retorno dos autos à Câmara a quo. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e João Carlos de Lima Junior que davam provimento com retorno à DRF, vencidos também os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão que davam provimento com retorno à DRJ. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 82 76 /2 00 4- 10 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.008276/200410 Acórdão n.º 9101001.925 CSRFT1 Fl. 7 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto) (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte, em face do Acórdão n° 10709.436, proferido pela Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes em sessão de 26 de junho de 2008. Originalmente, o processo versa sobre Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (fls. 02/17), ambos solicitados em 21 de agosto de 2003. Em suma, a Contribuinte intentou realizar pagamento de estimativas de CSLL, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2003, com saldo negativo apurado no anocalendário de 2002. Em Despacho Decisório de fls. 99/102, foi reconhecido parcialmente o saldo negativo apurado pela Contribuinte, homologando a Autoridade Fiscal o valor de R$ 3.662.428,34, nos termos da ementa que segue: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO AO CRÉDITO CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Saldo negativo apurado em declaração de rendimentos DIPJ/2003. DIREITO AO CRÉDITO PARCIALMENTE RECONHECIDO A Contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 112/122), pleiteando a homologação integral da compensação solicitada. Para tanto, afirmou que a fiscalização apurou apenas o saldo negativo referente ao anocalendário de 1999 e, não havendo pagamento a maior nesse período, a quitação da CSLL de fevereiro e março de 2000 restou prejudicada. Como consequência houve redução do saldo negativo e insuficiência do crédito total acumulado informado nas DIPJs de 2001 e 2002. Contudo, conforme alega a Contribuinte em sua manifestação, o saldo negativo utilizado para quitar as estimativas de janeiro e fevereiro de 2000 tem origem nos anoscalendário de 1995 e 1997. Sobreveio decisão da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte que indeferiu a solicitação, afirmando ter a Contribuinte Fl. 602DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.008276/200410 Acórdão n.º 9101001.925 CSRFT1 Fl. 8 3 suscitado a formação de saldos negativos nos anoscalendário 1995 e 1997 apenas em sede manifestação de inconformidade, e não no momento que poderia ter feito, conforme o acórdão 08.360 nos termos da ementa colacionada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Exercício: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO A utilização da compensação como forma de extinção do crédito tributário é uma opção do contribuinte, que pode ser exercida ou não, obedecidos os critérios estabelecidos pela legislação em regência. RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO O saldo negativo de CSLL apurado ao final do período pode ser utilizado para compensação de débitos próprios, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, facultada ainda a sua restituição em espécie. Solicitação Indeferida. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 237/244), reiterando os termos da manifestação de inconformidade. A Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuinte, ao analisar a contenda, houve por bem converter o julgamento em diligência para apurar a existência de saldo negativo nos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998, nos termos da Resolução 107 00.622 (fls. 310/320), conforme excerto abaixo transcrito: “Por isso voto por converter o julgamento em diligência para que a fiscalização verifique os registros contábeis e fiscais do contribuinte e confirme a existência de créditos relativos à CSLL formados a partir de ano calendário de 1995 e ainda não utilizados.” Respondida a diligência a contento, foi constatada a existência de saldo negativo não utilizado referente aos anoscalendário de 1995 e 1997. Na sequência, foi proferido acórdão 10709.436 que negou provimento ao Recurso Voluntário com fundamento no transcurso do prazo decadencial de cinco anos para promover a repetição do indébito. É a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO REQUISITOS NECESSÁRIOS Na vigência do art. 66 da Lei no 8.383/91, art. 66, a compensação de tributos e contribuições da mesma espécie não estava sujeita a pedido prévio nem a comunicação escrita à administração. Entretanto, o encontro de contas deve, de alguma forma, ser demonstrado como ocorrido em período ainda não atingido pela decadência do direito à repetição do indébito. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.008276/200410 Acórdão n.º 9101001.925 CSRFT1 Fl. 9 4 A Contribuinte interpôs Recurso Especial de divergência (fls. 506/511), argumentando que o prazo decadencial de cinco anos, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas se inicia quando decorridos cinco anos do fato gerador (tese dos cinco mais cinco). Foi dado seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte em Exame de Admissibilidade às fls. 522/523. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 528/534, defendendo o transcurso do prazo decadencial para requerer a repetição do indébito. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e, comprovada a divergência, a ele foi dado seguimento em despacho de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cumpre esclarecer que o processo incialmente versava sobre a insuficiência do saldo negativo de 2002. Em síntese, o Fisco ao apurar que não houve saldo negativo em 1999 para quitar as estimativas de fevereiro e março de 2000, acabou por reduzir o saldo negativo apurado em 2002, não homologando a compensação integralmente para as estimativas de janeiro e fevereiro de 2003. A Contribuinte, todavia, afirma que o saldo negativo que quitou as estimativas de fevereiro e março de 2000 foi formado nos anoscalendário de 1995 e 1997, razão pela qual afirma a necessidade de homologação integral da compensação, posto que fundada em crédito existente. Nesse contexto, adveio nova questão à lide, isto é, a existência ou não de crédito referente a esses períodos. Em diligência (fls. 409) ficou consignado que de fato foram formados os saldos negativos alegados pela Contribuinte, nos termos da tabela demonstrativa abaixo inserida: Anocalendário Saldo Negativo Reclamado Saldo Negativo Confirmado Saldo Negativo Utilizado 1995 R$ 899.673,34 R$ 899.673,34 R$ 0,00 1996 R$ 26.521,39 R$ 26.521,39 R$ 26.521,39 1997 R$ 709.679,11 R$ 709.679,11 R$ 0,00 1998 R$ 323.976,38 R$ 323.976,38 R$ 0,00 Nesse contexto, superada a dúvida quanto a existência de crédito hábil para quitação das estimativas de fevereiro e março de 2000, o acórdão do Recuso Voluntário trouxe nova questão para debate. Isso porque, muito embora após respondida diligência ter sido constatada a existência do saldo negativo ainda não utilizado, houve por bem a Sétima Câmara do então Conselho de Contribuintes negar provimento ao Recuso Voluntário, por entender ter decorrido prazo decadencial de cinco anos para repetição do indébito. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.008276/200410 Acórdão n.º 9101001.925 CSRFT1 Fl. 10 5 Nesse passo, em Recurso Especial a Contribuinte invocou a aplicação da tese dos “cinco mais cinco”, isto é, a contagem do prazo para fins de repetição do indébito se inicia após transcorrido o prazo decadencial para o lançamento do tributo. Passo então a discorrer sobre o prazo para restituição. Sobre o tema, verifico que há decisão do Supremo Tribunal Federal nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil, a qual deve ser reproduzida por este Tribunal Administrativo, conforme determinação do artigo 62A do atual Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Em julgamento ocorrido em 04/08/2011, no RE nº 566621, o Pleno do Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, e considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da Fl. 605DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.008276/200410 Acórdão n.º 9101001.925 CSRFT1 Fl. 11 6 norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição em 21 de agosto de 2003 (fls. 02), portanto, antes da data fixada pelo STF para a vigência do “novo prazo de 5 anos”, de se aplicar o entendimento anterior, segundo o qual o prazo decadencial de 5 anos para pleitear a restituição tem início apenas após transcorridos 5 anos do pagamento indevido ou a maior, ou seja, com a homologação tácita (tese dos 5 + 5). Esse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C do Código de Processo Civil), no REsp nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005,conforme firmado no RE nº 566.621, julgado pela sistemática do artigo 543B, do Código de Processo Civil. A despeito de pessoal entendimento divergente, devo aplicar a conclusão da decisão proferida na sistemática dos Recursos Repetitivos e/ou Representativos de Controvérsia. Por fim, tendo em vista o disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF, que determina seja reproduzido o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça nos termos dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, bem como, tendo em vista a diligência antes cumprida e acima mencionada que bem quantificou o saldo negativo – reclamado, confirmado e utilizado pelo contribuinte – é o presente para, nos termos da própria diligência DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 606DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.008276/200410 Acórdão n.º 9101001.925 CSRFT1 Fl. 12 7 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.002840/2004-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/07/2000, 01/10/2000 a 30/11/2000, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/03/2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PERDA DE ESPONTANEIDADE
DCTF retificadora transmitida após início de ação fiscal não surte efeitos, em face de previsão legal de carência de espontaneidade, não se identificando com o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN.
AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. APLICAÇÃO DE EFEITOS.
Dado escorreito cumprimento da ação judicial transitada em julgado no abatimento dos créditos tributários constituídos, deve ser mantido o auto de infração para exigência do saldo devedor remanescente.
Numero da decisão: 3803-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativamente aos períodos de apuração setembro/99 e outubro/99, sem embargo da retificação do erro material cometido na elaboração da planilha da folha 960, nos termos do voto do relator.
O Dr. Rafael Márquez acompanhou o julgamento, OAB nº 23.597.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/07/2000, 01/10/2000 a 30/11/2000, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/03/2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PERDA DE ESPONTANEIDADE DCTF retificadora transmitida após início de ação fiscal não surte efeitos, em face de previsão legal de carência de espontaneidade, não se identificando com o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. APLICAÇÃO DE EFEITOS. Dado escorreito cumprimento da ação judicial transitada em julgado no abatimento dos créditos tributários constituídos, deve ser mantido o auto de infração para exigência do saldo devedor remanescente.
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Recorrida DRJRIO DE JANEIRO II ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/07/2000, 01/10/2000 a 30/11/2000, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/03/2002 DECADÊNCIA. DIREITO DE LANÇAR. Extinguese em cinco (5) anos a contar do fato gerador o prazo para constituição do crédito tributário correspondente à ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98, na constância de ação judicial pleiteando o afastamento da incidência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/07/2000, 01/10/2000 a 30/11/2000, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/03/2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PERDA DE ESPONTANEIDADE DCTF retificadora transmitida após início de ação fiscal não surte efeitos, em face de previsão legal de carência de espontaneidade, não se identificando com o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. APLICAÇÃO DE EFEITOS. Dado escorreito cumprimento da ação judicial transitada em julgado no abatimento dos créditos tributários constituídos, deve ser mantido o auto de infração para exigência do saldo devedor remanescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 40 /2 00 4- 77 Fl. 993DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 19515.002840/200477 Acórdão n.º 3803000.350 S3TE03 Fl. 994 2 ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativamente aos períodos de apuração setembro/99 e outubro/99, sem embargo da retificação do erro material cometido na elaboração da planilha da folha 960, nos termos do voto do relator. O Dr. Rafael Márquez acompanhou o julgamento, OAB nº 23.597. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1317.670, de 30 de outubro de 2007, da DRJ/Rio de Janeiro II/RJ, fls. 880 a 890, que considerou o lançamento procedente, em face da manifestação de inconformidade, fls. 306 a 327. O auto de infração foi lavrado para exigência de diferenças da contribuição para o PIS correspondentes às receitas decorrentes da ampliação da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, em questionamento no Judiciário por meio da AMS nº 1999.61.00.0129686. A autuada impugnou o lançamento argumentando: a) a nulidade do lançamento com fundamento do art. 62 do Decreto nº 70.235/72, em vista do qual não poderia a Administração dar início a procedimento fiscal na ocorrência de suspensão de exigibilidade no bojo de ação judicial impetrada pela autuada; b) a decadência para o período de apuração até 30.11.1999, tendo em vista a ciência do auto de infração ter ocorrido em 30.11.2004, com fundamento no art. 150, § 4º, do CTN; c) a ausência de motivo do auto de infração, em razão de a Fiscalização ter desconsiderado a retificação de DCTFs do ano de 1999, providenciada em setembro de 2004, data posterior ao início do procedimento fiscal, por falta de espontaneidade, quando o fato não se circunscreve no instituto da denúncia espontânea, conforme previsão do art. 138 do CTN, mas tratouse a retificação de reparação formal, pelo fato de não ter havido falta de recolhimentos tempestivos, tendo sido a contribuição corretamente paga; d) no mérito, a impossibilidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, que, no intento de conceituar o termo faturamento, ofendeu o comando contido no art. 110 do Código Tributário Nacional, recepcionado com hierarquia de lei complementar, e Fl. 994DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 19515.002840/200477 Acórdão n.º 3803000.350 S3TE03 Fl. 995 3 por estar desprovida de fundamento constitucional de validade, sendo impossível sua recepção pela EC nº 20/98; e) infringência do princípio da hierarquia das leis, com a modificação da base de cálculo instituída pela lei complementar nº 07/70 pela lei ordinária nº 9.718/98; f) a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC aos créditos tributários, pelo fato de não ter sido esta taxa criada para fins tributários; A DRJ/Rio de Janeiro II refutou todas as posições da Defesa fundamentando a integral procedência da ação fiscal: a) por ser para prevenir a decadência, obstandose apenas a ação de cobrança do débitos lançados, em face da suspensão da exigibilidade; b) por não admitir como denúncia espontânea a retificação das DCTFs, nos termos do art. 138 do CTN, como resultado do cotejo das datas do início da ação fiscal 30/09/2002 e da retificação das DCTFs, 30/09/2004, tida como extemporânea; c) por não admitir a decadência do direito de lançar, com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/91; d) posto não ser oponível na esfera administrativa a matéria do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, em face da renúncia a esta via que se configura pelo manejo da ação que move no Judiciário; e) com validade da cobrança dos juros à taxa Selic, com respaldo no art. 13 da Lei nº 9.065/95 e art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão em 29 de maio de 2008, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 921 a 934, em 25 de junho de 2008, por meio do qual reitera os mesmos argumentos conduzidos na manifestação de inconformidade e acrescenta o informe de que sua ação judicial teve trânsito em julgado em 02 de abril de 2008, com provimento parcial declarando indevido o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, mantendo a exigência decorrente da majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%. Ao fim, considerando ter comprovada a exatidão dos procedimentos por si adotados, pede que se dê integral provimento ao presente recurso voluntário, com a reforma integral da decisão recorrida, de forma a cancelar a exigência com o consequente arquivamento do processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São PauloDERAT/SP, firmada na decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0129686, em seu despacho de fl. 981, informa ter elaborado a planilha de fl. 980, contendo os créditos tributários improcedentes, tendo em conta as receitas declaradas inconstitucionais, pelo Judiciário. Na coluna à direita, para alguns períodos de apuração deduziu saldos devedores remanescentes, razão com que justifica a remessa dos presentes autos para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 19515.002840/200477 Acórdão n.º 3803000.350 S3TE03 Fl. 996 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. O procedimento da DERAT/SP, de ofício, de aplicar o resultado da decisão judicial, fls. 980 e 981, exclui da presente controvérsia o debate quanto: a) ao início e à condução da ação fiscal, por existir uma anterior ação judicial, com medida liminar deferida em favor da impetrante suspendendo a exigibilidade do recolhimento da contribuição para o PIS no molde da Lei nº 9.718/98, e autorizando a impetrante a fazêlo segundo a Lei nº 07/70; b) à ineficácia das DCTFs retificadoras, por suposta perda da espontaneidade do contribuinte face ao anterior início da ação fiscal, ainda que a reclamante tenha alegado tratarse de reparação de erro formal apenas; c) à opção da recorrente pela via judicial para discutir o âmago da presente disputa, qual seja, o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, resultando na renúncia à instância administrativa; Todavia, resta a encetar como objeto deste julgamento a matéria da decadência, afastada pela decisão recorrida por ampararse no art. 45 da Lei nº 8.212/91, que ora deve ser espancada em face da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No caso, a ciência deste auto de infração tendo ocorrido em 30 de novembro de 2004, estão decaídos os períodos de apuração de setembro e outubro de 1999, nos valores respectivos de R$ 837,12 e R$ 268,51 Quanto ao saldo devedor do mês de novembro de 1999, no valor de R$ 927,37, a base de cálculo considerada na planilha de fl. 980 está de acordo com o demonstrativo de apuração elaborado pela própria contribuinte, à fl. 174, destes autos. Contudo, às fl. 853, a DCTF anexada está em desacordo com o citado demonstrativo de apuração elaborado pela contribuinte. Sedo o valor do lançado R$ 2.810,68, e não havendo nos autos comprovação de quitação da diferença relativamente ao valor suspenso, R$ 1.883,31, é pertinente o saldo devedor acima indicado. Quanto ao saldo devedor referente ao mês de dezembro de 2000, ele é inexistente, porquanto há equívoco na planilha elaborada pela DERATSP, que considerou o débito constante da coluna “débitos originais do processo” do mês de novembro como se fosse do mês de dezembro, no valor de R$ 1.050,70; ver demonstração de fl. 290 e auto de infração de fl. 361. Não há débito lançado referente ao mês de dezembro de 2000. Referente aos saldos devedores de junho e dezembro de 2001, já considerada no próprio lançamento a DCTF Complementar transmitida pela contribuinte, e correta a dedução efetuada pela aplicação da decisão judicial, restam, de fato os saldos devedores nos aludidos meses. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 19515.002840/200477 Acórdão n.º 3803000.350 S3TE03 Fl. 997 5 Pelo exposto, voto por dar parcial provimento para declarar a decadência dos períodos de apuração setembro e outubro de 1999, sem embargo da recomendação de que seja aplicada de forma escorreita a decisão judicial, para o fim de que se cobre tãosó os saldos devedores dos meses de novembro de 1999 e junho e dezembro de 2001, devendose observar o erro material quanto ao apontado saldo devedor de dezembro de 2000. Sala das Sessões, em 12 de março de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 997DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 15504.725895/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/08/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. - LIMITE DA SENTENÇA
Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores cujo direito líquido e certo a compensação não lhe está assegurado.
COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente.
Nos termoa do art.170-A do CTN é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - APRECIAÇÃO - INCOMPETÊNCIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
GRUPO ECONÔMICO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; II) Por maioria de votos, manter a responsabilidade solidária do grupo econômico, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava; e III) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/08/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. - LIMITE DA SENTENÇA Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores cujo direito líquido e certo a compensação não lhe está assegurado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. Nos termoa do art.170-A do CTN é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - APRECIAÇÃO - INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. GRUPO ECONÔMICO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes. Recurso Voluntário Negado.
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LIMITE DA SENTENÇA Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores cujo direito líquido e certo a compensação não lhe está assegurado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. Nos termoa do art.170A do CTN é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 58 95 /2 01 1- 56 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS APRECIAÇÃO INCOMPETÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. GRUPO ECONÔMICO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; II) Por maioria de votos, manter a responsabilidade solidária do grupo econômico, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava; e III) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal AIOP, lavrado sob o n. 51.014.1641, em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, tendo o crédito sido constituído por meio da glosa de compensação efetuadas pela empresa sem que a mesma tivesse direito a mesma, no período de 11/2009 a 08/2011. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 15 a 31, na ação fiscal foi constatado que a empresa declarou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP, compensações que foram deduzidas dos recolhimentos constantes das Guias da Previdência Social – GPS durante o período de 11/2009 a 08/2011. Em análise aos relatórios, planilhas e documentos apresentados, a auditoria fiscal constatou que a S/A Estado de Minas procedeu às respectivas compensações, mediante aproveitamento de tributo ainda em disputa judicial nos processos de números 2009.34.00.0222470 e 201034.00.9022699, em que a empresa Autora pede o direito de não recolher contribuições previdenciárias incidentes sobre partes integrantes dos salários de contribuição de seus empregados, entre elas: quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, adicional de 1/3 das férias e férias. 2.1.3.2 Dentre os relatórios e documentos apresentados pela empresa, não consta a certidão de trânsito em julgado solicitada item 2.3 do TIF 001. A pesquisa e consulta processual efetuada em 05/12/2011, confirma que não houve decisão transitada em julgado nas ações judiciais processos números 2009.34.00.0222470 e 201034.00.9022699. 2.1.3.3 Desta forma, não havendo decisão transitada em julgado e não havendo crédito líquido e certo em favor do contribuinte, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base no Art. 170A e 170 da Lei Nº 5.172 de 25 de Outubro de 1966 – DOU de 27/10/1966 Código Tributário Nacional e Art. 89 da Lei 8.212/91 c/c Art. 70 § 1º Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 DOU de 31.12.2008. 2.1.3.4 O critério de apuração dos valores dos "créditos", elaborado de maneira globalizada e apresentado pela empresa, não contempla o solicitado no item 1.4 do Termo de Intimação Fiscal N° 001 – TIF 001, pois não permite identificar, dentro dos valores das contribuições previdenciárias compensadas mês a mês, o quanto se refere a cada uma das partes integrantes dos saláriosdecontribuição que são questionadas nos processos judiciais de números 2009.34.00.0222470 e 201034.00.9022699. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 2.1.3.5 Os valores originários das compensações indevidas, ora glosadas, foram levantados pelos valores totais mensais constantes das informações declaradas pela empresa a título de compensações nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP extraídas dos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB. 2.1.3.7 As compensações realizadas pela empresa nos recolhimentos relativos às competências dezembro e 13º Salário de cada ano foram somadas e lançadas pelo total na competência dezembro do respectivo ano. 2.1.3.8 Aos valores originários (de acordo com a legislação infracitada) foram acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento, e, juros de mora obtidos pela aplicação da taxa referencial doSistema Especial de Liquidação e de Custódia –SELIC. Os valores resultantes apurados na forma do previsto no Art 89 § 9º da Lei 8.212/91 de 24/07/91 c/c Art. 35 da mesma Lei e Art. 61 da Lei Nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996 constam do relatório integrante do Auto de Infração denominado DD – Discriminativo do Débito. Da Responsabilidade Solidária Concomitantemente à auditoria fiscal procedida junto à S/A Estado de Minas, foram realizadas auditoria fiscal nas empresas Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda – CNPJ 17.247.925/000134 e S/A Rádio Guarani – CNPJ: 17.247.891/000188. Através dos trabalhos desenvolvidos pela auditoria fiscal, restou configurada entre as empresas S/A Estado de Minas, Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda e S/A Rádio Guarani, a figura do Grupo Econômico que se caracteriza pela manutenção de direção, controle ou administração comum nas empresas, vinculandose umas às outras. A gestão administrativa das empresas é centralizada no mesmo endereço cita se a Av. Getúlio Vargas, 291 Funcionários, Belo HorizonteMG, é praticada por alguns dos dirigentes e pessoal administrativo comuns a todas as empresas e tem sua contabilidade mantida sob a responsabilidade técnica contábil da mesma profissional. Os planos de conta contábil e de folha de pagamento das empresas têm a mesma nomenclatura, estrutura e padrão. As empresas realizam operações financeiras entre si através de lançamentos contábeis de mútuos. Além da gestão administrativa centralizada, as empresas seguem ainda, a mesma orientação jurídica, à medida que, ajuizaram ações ordinárias tributárias à mesma época,constituídas pelos mesmos advogados e visando os mesmos objetos. Iniciaram aos procedimentos de compensações (indevidamente) através de aproveitamento do tributo, objeto das contestações judiciais em tramitação, sem decisão transitada em julgado a partir da mesma competência 09/2011, apurandoas sob os mesmos critérios e contabilizandosas sob os mesmos títulos e contas contábeis. Em relação ao Termo de Intimação Fiscal Nº 001, solicitaram dilatação de prazo para atendimento e atenderam, através de relatórios e documentos similares, na mesma data. Fazem parte integrante deste relatório fiscal os relatórios, planilhas e documentos apresentados pelas 03 (três) empresas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal Nº 001. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 4 5 Na forma do que neste relatório ficou demonstrado e nos termos da legislação a seguir, restou caracterizada a sujeição passiva solidária entre as empresas S/A Estado de Minas, Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda e S/A Rádio Guarani. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 05/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 12/12/2011. Não conformada com a autuação a recorrente S/A ESTADO DE MINAS apresentou impugnação, fls. 275 a 307. Também apresentaram impugnações as empresas indicadas como solidárias SOCIEDADE RADIO E TELEVISÃO ALTEROSA LTDA, fls. 199 a 207 e S/A GUARANI, fls. 371. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 371 a 385 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/08/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher à previdência social as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, a seus empregados. COMPENSAÇÃO. A compensação entre crédito e o débito tributário efetiva se por iniciativa do contribuinte, mas no âmbito de tributo lançado por homologação sujeitase à posterior verificação da autoridade fiscal. GLOSA. A compensação feita no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentou recurso, fls. 448 a 485, onde argumenta em síntese: 1. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE 1.1. Disserta sobre mora e suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cita doutrina e legislação. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 1.2. Assevera que como a matéria encontrase com sua exigibilidade suspensa em seu favor, o fisco deve observar obrigatoriamente o que dispõe o artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, podendo, se for o caso, lavrar o auto de infração somente para prevenir a decadência sem a cobrança da multa de ofício ou moratória. 1.3. Afirma que não restam dúvidas que o caso concreto se relaciona a crédito tributário com exigibilidade suspensa, devendo ser afastada a cobrança da multa aplicada e, consequentemente, anulado o auto de infração, diante de vício de natureza insanável. 2. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE MORA EM FACE DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL FAVORÁVEL À IMPUGNANTE. 2.1. Afirma que obteve a tutela antecipada para suspender a exigibilidade do crédito nas ações a que se refere o relato fiscal, cuja decisão fora confirmada em sentença, o que, nos termos da legislação em vigor, impede a aplicação de multa de mora sobre eventual crédito tributário lançado pela autoridade fazendária. 2.2. Conclui que se estava obstada e ainda está a prática de qualquer ato administrativo de constituição do crédito relativo à contribuição previdenciária sobre 1/3 férias, inclusive, sobre os primeiros 15 dias de afastamento por motivo de doença ou acidente, o lançamento levado à efeito está viciado, devendo ser anulado. 2.3. Acrescenta que ainda que se considere a argumentação no sentido de que a decisão judicial não é capaz de obstar a realização do lançamento do crédito tributário, mas somente a sua exigibilidade, o presente Auto de Infração carrega vícios de natureza insanável: não poderia ter sido aplicada qualquer penalidade. 3. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS COMPENSADOS 3.1. Afirma que ao ser intimado para apresentação dos documentos listados no TIF nº 001, o auditor fiscal, sem conferir qualquer oportunidade para apresentação de documentos adicionais que entendesse necessários para apurar as verbas, resolveu autuarlhe de pronto. 3.1.1. Aponta que ao se atribuir aos contribuintes o ônus da prova em contrário nos casos em que haja eventual recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação exigida pelo fisco, conferiuse aos contribuintes o direito à ampla defesa e ao contraditório. 3.2. Cita doutrina. 3.3. Alega que ao agir desse modo, considerandose a complexidade da apuração dos dados requisitados, o presente auto de infração deve ser anulado, sob pena de ofensa ao direito ao contraditório e à ampla defesa. 3.4. Assevera que caso o órgão julgador entenda de forma contrária, a autuação merece ser revista, procedendose à realização de diligência conforme Decreto nº 70.235/1972, artigo, 16, inciso IV, tendo em vista a importância dessas informações para o deslinde do feito. 4. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 170A DO CTN 4.1. Afirma que a Lei nº 8.383/1991, artigo 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização pela administração tributária, que independe de prévia Fl. 555DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 5 7 autorização judicial ou administrativa, enquanto que os artigos 170 e 170A do Código Tributário Nacional CTN cuidam de outra modalidade de compensação realizada pelos agentes fiscais, a pedido do contribuinte, e que extingue crédito tributário já constituído. Cita doutrina e jurisprudências que considera capazes de corroborar essa alegação. 4.2. Aduz que as demandas judiciais que propôs não buscaram autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária fosse efetuada antes ou depois do trânsito em julgado da decisão, pois tal permissivo já está contido no artigo 66, da Lei nº 8.383/1991. Acrescenta que pleiteou apenas a devida proteção judicial contra a aplicabilidade do artigo 170A do CTN. Cita doutrina e jurisprudência. 4.3. Conclui que é impossível condicionarse a compensação ao trânsito em julgado dos feitos, afastandose, por completo, a aplicação do artigo 170A do CTN. 5. Destaca que o entendimento do STJ é no sentido de que os valores de pagamentos de atestado até 15 dias, 1/3 de férias, salário maternidade e férias gozadas tem sido no sentido de não incidência de contribuição. 6. EXACERBAÇÃO DA MULTA/PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO 6.1. Assevera que considerados os princípios constitucionais que regem a tributação, o parâmetro utilizado para apuração da multa aplicada deve ser afastado ante seu evidente caráter confiscatório. Cita jurisprudência. 6.2. Aduz que, como estão ausentes qualquer intenção de fraude ou dolo, justificase a redução da sanção pecuniária em atendimento do disposto na Súmula 14 do 1º Conselho de Contribuintes. 7. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA/GRUPO ECONÔMICO 7.1. Alega que os elementos apontados pelo Auditor Fiscal não demonstram de forma inequívoca a necessária vinculação e subordinação entre a impugnante e as demais empresas capaz de caracterizar a figura do grupo econômico. 7.2. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 ao prever a responsabilidade solidária pela existência de grupo econômico recaiu em patente inconstitucionalidade já que a teor do disposto no artigo 146, inciso II, alínea “b”, da Constituição da República de 1988, tal matéria deveria ter sido tratada por Lei Complementar. 7.3. Aduz que diante disso, inexiste norma legal válida para fundamentar atribuição de responsabilidade solidária pela hipótese de grupo econômico entre a impugnante e as demais empresas e não houve a indicação precisa sobre qual dos incisos do artigo 124, do CTN. 7.4. Assevera que o artigo 124 do CTN não estabeleceu como hipótese de responsabilidade solidária a figura do grupo econômico. 7.5. Aduz que, mesmo que se entenda pela constitucionalidade do disposto na Lei nº 8.212/1991, é necessária a comprovação cabal que, entre as referidas empresas, restou configurado o grupo econômico. Cita doutrina. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 7.6. Acrescenta que não exerce qualquer controle e administração sobre as demais empresas, inclusive, no que diz respeito à condução das atividades destas, não havendo entre elas relação de dependência. 7.7. Afirma que não restou configurado o interesse comum das empresas na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal, pois as empresas não tiveram qualquer participação na ocorrência do fato imponível. Cita doutrina. 7.8. Conclui afirmando que, por ausência de elementos concretos para caracterização do grupo econômico devese afastar a responsabilidade solidária entre ela e demais empresas arroladas. 8. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Alega que inexistem razões para o prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pois os créditos tributários exigidos são totalmente controversos, razão pela qual, impõese a imediata suspensão dos efeitos da referida representação até o final do julgamento da presente impugnação. 9. REQUERIMENTOS 10. Requer seja decretada a nulidade do presente auto de infração e, caso assim não se entenda, que seja determinada diligência para que seja efetuado o desdobramento dos valores compensados mês a mês e das respectivas rubricas. 11. Requer, ainda, seja determinada a constituição de novos cálculos com exclusão da multa de mora ante a subsistência de decisão judicial e o que dispõe o artigo 63 da Lei nº 9.430/1996. 12. Requer, também, seja relevada a multa aplicada em patamar condizente com a realidade dos fatos e pela ausência de dolo ou intenção de fraude; cancelandose a multa de 150%. 13. Requer sejam excluídas de qualquer responsabilidade as demais empresas arroladas como responsáveis solidárias; 14. requer seja intimada, na pessoa do representante legal para oportuna sustentação oral quando do julgamento da referida impugnação e que seja suspenso os efeitos da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP até o julgamento definitivo da impugnação. 15. O contribuinte juntou cópias de documentos (fls. 145 a 152), dentre as quais: cópia de acórdão de 2ª instancia, processo nº 2009.34.00.0222470, autorizando a compensação mesmo após a entrada em vigor do Decreto nº 6.717/2009. (fls. 347/363). Consta nessa decisão que devem ser aplicadas na compensação o disposto no CTN 170A (a compensação somente poderá ser efetivada após o transito em julgado da decisão nos termos da disposição contida no artigo 170 A do CTN, exigência que também alcança as situações em que o STF já tenha declarado a inconstitucionalidade de tributo/contribuição). A sentença, atribuiu direito a compensar apenas em relação a 1/3 férias e 15 primeiros dias. Já a SOCIEDADE RADIO E TELEVISÃO ALTEROSA LTDA, apresenta recurso às fls. 494, onde insurgese: 16. Alega que a autuação não pode prevalecer porque não possui interesse comum na hipótese de incidência da exação, não preenchendo, dessa maneira, os requisitos do artigo 124, do CTN. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 6 9 17. Assevera que a Constituição da Republica de 1988 outorgou às leis complementares a função de regular a solidariedade nos termos do artigo 146, inciso III, alínea “b”, sendo assim seria inviável a aplicação da solidariedade de direito prevista no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991. 18. Aduz que a solidariedade somente se revelaria aplicável em caso de fraude e de abuso da personalidade jurídica, nos termos do artigo 50 do Código Civil. 19. Disserta acerca da solidariedade de fato e da solidariedade de direito e aponta que a autoridade lançadora não se desincumbiu do ônus de demonstrar que havia interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal a cargo da S A Estado de Minas. 20. Alega que o simples fato de pertencer ao mesmo grupo econômico não é situação suficiente para a aplicação da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I, do CTN. Cita jurisprudência. 21. Diz que é inviável a aplicação da solidariedade de direito prevista no artigo 30, inciso IX da Lei nº 8.212/1991, porque tal matéria somente poderia ser regulada por lei complementar conforme dispõe a Constituição da República de 1988. Aponta que o CTN não revogou em momento algum, para fins de responsabilidade tributária, a distinção entre as pessoas jurídicas. Por fim, a S/A GUARANI, apresenta recurso com as mesmas alegações e faz o mesmo pedido contido no recurso apresentada pela Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda, fls. 395 a 412 A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 448 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DAS NULIDADE QUANTO A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Quanto as nulidades suscitadas pelo recorrente, de que os valores ora lançados referemse a créditos cuja exigibilidade encontrase suspensa, face a discussão judicial sob as rubricas em comento, entendo que razão não assiste ao recorrente. Aliás, entendo que o posicionamento adotado pelo julgador de primeira instância é o correto no presente caso, já que realmente tratase de lançamento de GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA, face inobservância dos preceitos legais. Confundese o recorrente com o objeto da autuação. Observase que em momento algum ingressou o auditor no mérito efetivo sobre a incidência de contribuições sobre as verbas, para as quais entende o recorrente, a exigilibilidade encontrase suspensa, sejam elas: quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, adicional de 1/3 das férias e férias. Vejamos trecho do relatório: Em análise aos relatórios, planilhas e documentos apresentados, a auditoria fiscal constatou que a S/A Estado de Minas procedeu às respectivas compensações, mediante aproveitamento de tributo ainda em disputa judicial nos processos de números 2009.34.00.0222470 e 201034.00.9022699, em que a empresa Autora pede o direito de não recolher contribuições previdenciárias incidentes sobre partes integrantes dos salários de contribuição de seus empregados, entre elas: quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, adicional de 1/3 das férias e férias. Apenas com a leitura desse ponto já é possível identificar que o mérito da incidência das contribuições encontrase sob júdice, mas, para a legislação previdenciária, não pode simplesmente o recorrente por ter ingressado em juízo, e entender não constituir a verba salário de contribuição, realizar a compensação a seu bel prazer, ainda mais quando o mesmo desobedeceu os limites da sentença proferida. Importante, ainda observar que não obteve a empresa nenhuma medida que impedisse a realização da auditoria, muito menos o lançamento do débito em questão. Conforme dito, o presente lançamento tem por base simplesmente os valores declarados em GFIP como compensação, sem o direito do recorrente a realização a mesma, encontrarse liquido e certo.Assim, entendo que deva ser rejeitada a nulidade pretendida. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS Fl. 559DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 7 11 Quanto a argüição de que o procedimento é nulo, tendo em vista que não é possível determinar os créditos compensados, o que feriu o direito do recorrente ao contraditório e a ampla defesa também não confiro razão. Primeiramente os créditos ora glosados foram apurados em documentos do próprio recorrente, quais sejam, os valores lançados em GFIP à título de Compensações. Dessa forma, não há que se falar em desconhecimento dos valores dos créditos, uma vez que compete ao recorrente, a demonstração de quais valores entendi indevido, promovendo a indicação do mesmos e atualizandoos na forma da legislação aplicável. Por outro lado, o auditor não obteve êxito ao requerer do recorrente a documentação que embasou as compensações descritas na própria GFIP pelo recorrente, razão pela qual, promoveu o lançamento com base no total por competência. Dessa forma, incabível a alegação de não determinação dos créditos apurados, quando competiria ao recorrente, o detalhamento dos mesmos. O auditor cumpriu o seu papel, dentro dos limites legais (intimando para apresentar os documentos pertinentes) e promovendo o lançamento embasado nos documentos que tese acesso. DO MÉRITO Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações mediante aproveitamento de tributo sem estar amparado pelo recolhimento indevido ou mesmo por ação judicial transitada em julgado. Notese que não colacionou o recorrente qualquer ação judicial definitiva que amparasse suas compensações, baseando seu direito na jurisprudência do STJ em relação a determinadas verbas e pareceres e doutrina esparsa em relação a verbas que compõem o conceito de remuneração. Ao contrário do que argumenta o recorrente, identificase que o mesmo na ação proposta obteve apenas êxito parcial (15 primeiros dias e 1/3 férias), devendo, ainda condicionar o direito a compensação aos termos do art. 170A do CTN. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu a norma e os limites da sentença posto que realizou compensações sem ter direito a mesma. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar o direito líquido e certo a realizar as compensações, o que não restou demonstrado, tendo em vista que os valores compensados, referemse a verbas, que não se encontram dentro do rol de exclusão da base de cálculo do § 9º do art. 28da lei 8212/91. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos.no âmbito previdenciário. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 8 13 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Não há que se falar em aplicação do art. 66 da lei 8383, considerando que a norma que rege as compensações e restituições no âmbito previdenciário é é a lei 8212/91 , contudo, conforme observado ao optar por ingressar em juízo, o recorrente passou ao judiciária a solução da contenda, devendo aguardar a decisão final para só então reivindique o seu direito. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Dessa forma, não é cabível a homologação da compensação, posto que não deve se considerar que a interpretação dado pelo recorrente acerca da definição do salário de contribuição, ou mesmo por decisões esparsas he atribua direito de promover a redução do tributo devido, por meio de compensações muitas vezes questionáveis, como no presente caso. NÃO EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE AS VERBAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Quanto ao argumento de que as verbas que embasaram a compensação não constituírem salário de contribuição de acordo com a jurisprudência, entendo que não cabe aqui sua discussão, já que não foi a natureza da verba que ensejou a lavratura da NFLD, mas a sua compensação em GFIP, sem o devido cumprimento do rito necessário. Ademais, incabível seria a este colegiado adentrar ao mérito da incidência de contribuições, sobre: quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, adicional de 1/3 das férias e férias, tendo em vista o recorrente ter ingressado em juízo, abrindo mão da discussão administrativa sobre as matérias descritas na cão. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA E JUROS SELIC APLICADOS Fl. 562DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Questiona o recorrente a aplicação da multa, por entender confiscatória. Entendo que, não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, ou havendo compensação indevida (sem o efetivo direito líquido e certo, que no presente caso é o trânsito em julgado), tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Vejamos, como descreveu o auditor a multa aplicada: 2.1.3.8 Aos valores originários (de acordo com a legislação infracitada) foram acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento, e, juros de mora obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Esp ecial de Liquidação e de Custódia –SELIC. Os valores resultantes apurados na forma do previsto no Art 89 § 9º da Lei 8.212/91 de 24/07/91 c/c Art. 35 da mesma Lei e Art.61 da Lei Nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996 constam do relatório integrante do Auto de Infração denominado DD – Discriminativo do Débito. Lei 8.212, de 24 de Julho de 1991. Art. 89 As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação alterada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Redação alterada pela MP nº 449 de, de 03/12/2008, DOU de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996 (Redação alterada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009). Lei Nº 9.430, de 27 DE Dezembro de 1996. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 563DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 9 15 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de multa e juros, estando os valores descritos no AIOP, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Da mesma forma, aplicou a autoridade fiscal a multa de acordo com o disposto na legislação aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, face ser a atividade vinculada a estrita observância da lei. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O § 9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece que os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata esta Lei. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentando que a ausência de incidência deuse em função da interpretação de que o questionamento dar rubricas em juízo por não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente. Por outro lado também correto o lançamento com a aplicação dos juros SELIC, conforme previsto na legislação acima transcrita.Quanto à cobrança de juros, claro é a aplicação da taxa SELIC pela não recolhimento na época oportuna, inclusive no presente caso, onde constatado a diminuição do recolhimento por meio de compensações indevida. Dessa forma, entendo correto o tratamento dado pelo auditor, tendo promovido o lançamento não apenas como a multa de mora, como com a aplicação de juros SELIC. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais Face o exposto não vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida, tampouco os argumentos do recorrente demonstram estar incorreto o lançamento realizado. Ressalto apenas, que também não há de se acatar a inaplicabiliade de multa pela existência de ação judicial.. Conforme já amplamente enfatizado, a ação não contemplou a compensação imediata das contribuições, nem tampouco descreveu a impossibilidade da auditoria fiscal lançar contribuições sobre as rubricas questionadas pelo recorrente. Assim, a realização da glosa pela compensação indevida, deve seguir o mesmo regramento das contribuição não realizadas oportunamente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Ao observarmos os termos do relatório fiscal,, a fiscalização apenas informa que as situações descritas nos Autos de Infração configuram, em tese, CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, previsto no art. 337A, inciso I do Código Penal e, portanto, serão objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. A formalização de RFFP observa os exatos termos do artigo 1º da Portaria RFB nº 665, de 24/04/2008, publicada no DOU de 28/04/2008, vigente à época: Art. 1º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil deverão formalizar representação fiscal para fins penais, perante o Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativofiscal, sempre que no exercício de suas atribuições identificarem situações que, em tese, configurem crime relacionado com as atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Importante mencionar que não compete a este órgão julgador apreciar razões pertinentes a essas representações e nem se manifestar quanto ao seu encaminhamento ou não ao Ministério Público pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário do contribuinte. Vale transcrever a Súmula nº 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que possui efeito vinculante em relação à administração tributária federal, nos termos da Portaria nº 383, de 12/07/2010, do Ministério da Fazenda, publicada no DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 10 17 Dessa forma, não cabe a este órgão administrativo proceder qualquer análise nesta seara. DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO GRUPO ECONÔMICO O primeiro ponto questionado tanto pela empresa autuada, como em relação as indicadas como solidárias, é que o simples fato de pertencer ao grupo econômico, não é suficiente para determinar a solidariedade sobre os débitos lavrados. Aduzem que a solidariedade somente se revelaria aplicável em caso de fraude e de abuso da personalidade jurídica, nos termos do artigo 50 do Código Civil. Quanto a este ponto e os demais trazidos nos recursos entendo que razão não assiste aos recorrentes. Conforme se depreende da legislação tributária, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que em sendo constatado que a administração de empresas é realizada de forma centralizada, por um sócio comum entre as mesmas, ou mesmo não figurando expressamente como sócio, exerça a direção de fato sobre as mesmas, deverseá atribuir a todos as empresas do grupo a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias. Senão vejamos os dispositivos legais. O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria trazidas nos presentes autos, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Fl. 566DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 A Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: “ Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Fl. 567DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725895/201156 Acórdão n.º 2401003.493 S2C4T1 Fl. 11 19 Os próprios recorrentes destacam a existência de grupo econômico, assim, correto o posicionamento da autoridade fiscal, que atribuiu responsabilidade solidaria a todos os membros do grupo, conforme determina a legislação. Aqui não se faz necessário a demonstração de fraude, conforme argmenta o recorrente, bastando a existência de um grupo para que todos possam vir a responder pelo débito lançado. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu entendimento não merece acolhimento, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação ,bem assim, na decisão recorrida, e n róprio recurso das empresas autuadas, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos (inclusive buscando judicial os mesmos interesses em relação a não incidência de contribuições sobre as verbas ora glosadas), na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade, manter a responsabilidade do grupo econômico e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11041.000425/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/11/2002, 01/05/2003 a 30/06/2003
Os débitos tributários cuja Dcomp não foi homologada são passíveis de lançamento de ofício para suas cobranças.
Recurso Voluntário Provida em Parte.
MULTAS DE OFÍCIO. MULTAS ISOLADAS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo as multas de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTF e cancelando os lançamentos das multas isoladas por alteração do dispositivo legal que as fundamentou.
Numero da decisão: 3301-002.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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CAMAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2002, 15/11/2002, 15/12/2002, 15/06/2003, 15/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. MULTAS DE OFÍCIO. MULTAS ISOLADAS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo as multas de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTF e cancelando os lançamentos das multas isoladas por alteração do dispositivo legal que as fundamentou. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/11/2002, 01/05/2003 a 30/06/2003 DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Os débitos tributários cuja Dcomp não foi homologada são passíveis de lançamento de ofício para suas cobranças ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/11/2002, 01/05/2003 a 30/06/2003 Os débitos tributários cuja Dcomp não foi homologada são passíveis de lançamento de ofício para suas cobranças. Recurso Voluntário Provida em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 04 25 /2 00 3- 18 Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Santa Maria (RS) que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de setembro a outubro de 2002 e de maio e junho de 2003. Os lançamentos decorreram da não homologação das declarações de compensações (Dcomp) apresentadas pela recorrente. Como se trata de lançamento de débitos tributários cujas Dcomp não foram homologadas, foram anexados a este processo os dois processos das multas isoladas do PIS e da Cofins decorrentes da não homologação das compensações (11041.000428/200424PIS e 11041.000429/200479Cofins). Intimada dos lançamentos a recorrente impugnouos, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: • é autora do processo judicial n° 98.16002485 onde discute a constitucionalidade e a exigibilidade do PIS de 1% sobre a folha de pagamento e da contribuição de 0,75% sobre a receita concernente às vendas para não associados, e da exigência da referida contribuição através da Medida Provisória n° 1.212, de 1995, e reedições; • nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, passou a realizar mensalmente a compensação dos valores referentes à exação discutida judicialmente com créditos tributários vincendos; • em 14/08/2004 apresentou Declaração de Compensação — art. 21, § 1°, da IN SRF no 210, de 2002 — na qual informa a ocorrência do referido procedimento com base em pagamentos indevidos realizados a titulo de PIS, não tendo sido homologada a sua declaração; • não cometeu nenhuma infração, tendo procedido conforme a legislação tributária e jurisprudência da Suprema Corte, sendo descabida a autuação procedida. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11041.000425/200318 Acórdão n.º 3301002.133 S3C3T1 Fl. 1.218 3 [...]. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 3.622, datado de 11/03/2005, às fls. 900/932, sem ementas, mantendo a exigência dos débitos cujas compensações não foram homologadas pela DRF e, ainda, a exigência das multas isoladas sobre os débitos do PIS e da Cofins. Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 946/954), requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente os lançamentos, alegando, razões assim resumidas pelo conselheiro para o qual o processo foi inicialmente distribuído: Em suas razões recursais, em apertada síntese e fundamentalmente, a interessada aduz a superveniência de "fato novo", que: com o advento das Leis nºs 10.676 e 10.684, ambas de 2003, foi disciplinada uma série de alterações quanto à tributação do PIS e da Cofins sobre o ato cooperativo, alterações essas que tiveram efeitos retroativos quanto a sua aplicação; dessa forma, a contribuinte realizou o recálculo de sua base de cálculo do período da DComp em referência à presente demanda, aplicando as exclusões regulamentadas pelas precitadas leis; com a aplicação das precitadas normas, a contribuinte chegou à conclusão de que nos períodos relativos à compensação, informados na Declaração, as bases de cálculo para a tributação do PIS sobre o faturamento e a Cofins restaram zeradas; dessa forma, a mesma realizou a entrega das DIPJs retificadoras (docs. juntados) "os quais demonstram a completa inexistência da base de cálculo para o PIS e a COFINS nos períodos de apuração relativos as competências de 09 a 11 de 2002 e de 05 e 06 de 2003."; em relação aos valores cobrados pela SRF, relativos às compensações de PIS sobre a Folha de Pagamento (cód. 8301) do período de 09 a 11 de 2002, a recorrente realizou o pagamento e a retificação das DCTFs entregues, conforme docs. que junta aos autos; pelos documentos juntados, entende que ficou a DComp inteiramente reformada, o que deve culminar na sua desconsideração e no cancelamento do procedimento de compensação anteriormente realizado. Pede, ao final, para que seja desconsiderada a DComp apresentada declarandose a integral regularidade da recorrente em relação aos períodos objeto da presente. O processo foi colocado em julgamento, contudo os Membros da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que “a repartição pública, junto à contribuinte, apure e analise fatos informados em grau recursal, em especial: registre a existência de créditos e débitos, em face da superveniência da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, capaz de modificar os efeitos da Declaração de Compensação protocolizada em 15/08/2003; verifique se os pagamentos efetuados (fls. 535, 539 e 543) atendem ao débito porventura devido Darfs de débitos, trazidos em grau de recurso; traga outras informações pertinentes ao processo, de forma a facilitar o julgamento do feito fiscal”, conforme Resolução nº 202 01.109 às fls. 1.135/1.155. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Em cumprimento à diligência foram carreados aos autos a Informação às fls. 1.164 e o Relatório do Procedimento Fiscal às fls. 1.210/l.214. O processo foi então devolvido a esse CARF e sorteado novamente a esta relator, tendo em vista que a relatora original faz parte da CSRF e está dispensada de relatar na Turma. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim dele conheço. Em que pese a extensa documentação com que os autos foram instruídos e as diversas manifestações sobre os lançamentos, as questões a serem analisadas e julgadas, nesta fase recursal, se resumem aos lançamentos: (i) do PIS e da Cofins decorrentes da Dcomp não homologada; e, b) das multas isoladas, decorrentes da não homologação da Dcomp. i) exigência do PIS e da Cofins Os lançamentos do PIS e da Cofins, decorreram da homologação parcial da Dcomp às fls. 02, apresentada em 15/08/2003, em que a recorrente compensou débitos destas mesmas contribuições, apurados paras as competências de setembro a novembro de 2002 e de maio a junho de 2003, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou maior de PIS sobre folha de salários, apurados para as competências mensais de maio de 1994 a junho de 1995 (planilha às fls. 06) e de pagamento indevido de Cofins referente à competência de maio de 2003, informado nos PER às fls. 165/173 e fls. 187/195. A autoridade administrativa competente não reconheceu o direito de a recorrente repetir/compensar os indébitos reclamados para as competências de maio de 1994 a junho de 1995 (planilha às fls. 06) sob o fundamento de que, na data de apresentação da Dcomp, em 15/08/2003, o seu direito já se encontrava prescrito pelo decurso do prazo qüinqüenal e também pelo fato de suas certeza e liquidez serem objeto de discussão judicial, conforme Parecer/Despacho Decisório DRF/SLV/Saort nº 41 às fls. 207/215. Assim, em que pese as inovações feitas pela recorrente, em relação à Dcomp e a diligência determinada pelos membros da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, a questão de mérito, em relação aos lançamentos do PIS e da Cofins, se restringe à certeza e liquidez dos indébitos utilizados nas compensações não homologadas. Quanto à prescrição do direito de a recorrente repetir/compensar os referidos indébitos tributários, embora, na data de apresentação da Dcomp, seu direito ainda não estivesse prescrito, pela adoção da tese dos “cinco mais cinco”, a que esta Turma está obrigada a adotar, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.221, c/c o art. 62A do RICARF, sua compensação, mediante apresentação de Dcomp, não tinha amparo legal. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11041.000425/200318 Acórdão n.º 3301002.133 S3C3T1 Fl. 1.219 5 A compensação de créditos financeiros, em discussão judicial, com débitos tributários do mesmo contribuinte, mediante apresentação de Dcomp, somente é permitida depois do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme dispõe o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...].” No presente caso, a recorrente interpôs Ação Declaratória de Inconstitucionalidade cumulada com Repetição de Indébito, processo nº 97.00001970, cópia às fls. 286/302, contestando a exigência da contribuição para o PIS sobre a folha de salários, alegando inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, e requerendo a compensação ou repetição dos valores recolhidos. Segundo consta do Despacho Decisório, até a data de sua prolação, a decisão naquela ação judicial ainda se encontrava em trâmite. Assim, correta a não homologação da compensação dos débitos tributários de PIS e Cofins com créditos tributários de PIS, em discussão judicial, e suas exigências por meio de lançamento de ofício. Quanto às multas de ofício, lançadas e exigidas juntamente com as contribuições, como se trata de débitos declarados nas respectivas DCTF, em face da retroatividade benigna das leis, aquelas deverão ser excluídas dos respectivos lançamentos, aplicandose ao caso o disposto na Lei nº 10.833, de 29 de setembro de 2003, art. 18, c/c o CTN, art. 106, II, “c”, que assim dispõe: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n.o 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” ii) multas isoladas Alem dos lançamentos das parcelas dos débitos de PIS e Cofins cujas compensações não foram homologadas, foram também exigidas por meio de lançamento de ofício multas isoladas decorrentes da não homologação das compensações, formalizados nos processos administrativos nºs 11041.000428/200424 e 11041.000429/200479. Os lançamentos das multas isoladas tiveram como fundamento, o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, c/c o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Segundo o art. 18, citado e transcrito acima, vigente na data em que a Dcomp foi apresentada, a multa isolada era aplicada, dentre as hipóteses, a de o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, como no presente caso. No entanto, posteriormente, aquele dispositivo legal foi alterado por meio da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, excluindo aquela hipótese, assim, dispondo: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Ora, segundo este dispositivo, somente se aplica a multa isolada, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. No presente caso, do exame da cópias dos autos de infração, mais especificamente das Descrições Fatos e Enquadramento Legal de cada um deles, PIS as fls. 403 e Cofins às fls. 682, as multas foram aplicadas sob o fundamento que o crédito financeiro não compensável por expressa vedação legal. Assim, não tendo ficado caracterizado a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/194, os lançamentos das multas isoladas deverão ser cancelados, aplicandose também neste julgamento, o disposto na Lei nº 10.833, de 29 de setembro de 2003, art. 18, c/c o CTN, art. 106, II, “c”. Quanto às retificações das DIPJ, da Dcomp e cancelamento de compensação informados nesta fase recursal, não cabe a esta Turma se manifestar a respeito, devendo tais matérias serem opostas à autoridade administrativa competente, ou seja, o Delegado ou Inspetor da Receita Federal do Brasil da circunscrição fiscal do contribuinte. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar os lançamentos das multa isoladas, objeto dos processos nºs 11041.000428/200424 e 11041.000429/200479, e para cancelar a multa de ofício, objeto do lançamento em discussão, mantendo a exigência das contribuições do PIS e da Cofins, acrescidas das cominações legais, juros de mora e multa de mora, cabendo à autoridade administrativa aproveitar, se comprovados, os pagamentos efetuados pela recorrente para as competências de setembro a novembro de 2002, informados por ela, nesta fase recursal, fazendose a devida imputação dos valores pagos. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11041.000425/200318 Acórdão n.º 3301002.133 S3C3T1 Fl. 1.220 7 , Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10980.923593/2009-98
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 93 /2 00 9- 98 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinandose o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 25): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 26): Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842573942), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 20706.77320.300506.1.3.045089, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 1.300,00, pois o pagamento informado de R$ 9.794,67, sob o código 8109, efetuado em 15/05/2002, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 04/2002. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923593/200998 Acórdão n.º 3802002.940 S3TE02 Fl. 48 3 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 32 e ss., sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 22/10/2011 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 10/11/2011 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência do regime nãocumulativo, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre as demais receitas, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, por meio de seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923593/200998 Acórdão n.º 3802002.940 S3TE02 Fl. 49 5 Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão de outras receitas na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13003.000314/2001-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 22/12/1987 a 02/06/1988
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, somente cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma. A não configuração de uma dessas hipóteses impede o acolhimento dos embargos.
Embargos de declaração negados.
Numero da decisão: 3202-001.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Acompanhou o julgamento, pela interessada, o advogado Fábio Henrique Andrade dos Santos, OAB/RJ nº. 133.340.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/12/1987 a 02/06/1988 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, somente cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. A não configuração de uma dessas hipóteses impede o acolhimento dos embargos. Embargos de declaração negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Acompanhou o julgamento, pela interessada, o advogado Fábio Henrique Andrade dos Santos, OAB/RJ nº. 133.340. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 03 14 /2 00 1- 13 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, em face do Acórdão nº. 30134.371, de 23/04/2008 (fls. 1/20), cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 22/12/1987 a 02/06/1988 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS. É vedada a compensação de tributos e contribuições federais com créditos adquiridos de terceiros, descabendo a homologação das compensações efetuadas sob essa égide (art. 74 da Lei nº 9.430/96 e IN SRF nº 41/2000). Deferida a substituição de parte, motivada na cessão de crédito de terceiros, no pólo ativo de ação ordinária já transitada em julgado, de forma a que nele venha a constar a recorrente, e não tendo sido estabelecida nem referida no despacho judicial a permissão para compensação de tributos, há que se entender o direito como hábil para qualquer outra modalidade de aproveitamento, exceto aquela decorrente do instituto de compensação previsto no art. 170 do CTN. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não existindo na legislação de regência qualquer proibição a que o crédito da substituinte de parte no pólo ativo da ação, fundada na cessão de crédito de terceiros, seja objeto de deferimento por meio de processo de restituição, desde que atendidos os requisitos disciplinares estabelecidos nos atos administrativos da RFB, é licito o reconhecimento do direito creditório e a restituição do valor do crédito pleiteado. RECURSO PROVIDO EM PARTE Alega a Embargante que teria havido obscuridade no julgado, uma vez que o voto condutor conteria duas determinações, nos termos abaixo transcritos: 1) manter a decisão da DRJ que indeferiu a homologação das compensações efetuadas pela recorrente; 2) reconhecer o direito creditório para que seja restituído à recorrente o valor do pedido de restituição constante da página inicial do processo; Quanto ao item 1, sustenta a Embargante não haver quaisquer reparos a fazer. Contudo, quanto ao item 2, entende que o julgado foi além do esperado, “isto porque o direito creditório já havia sido reconhecido na seara judicial, sede competente para tal desiderato” e, desse modo, a decisão proferida no acórdão embargado seria extra petita. Concluiu que, se o objeto do processo é a compensação (porque o direito creditório já havia sido reconhecido judicialmente), não faria sentido a Turma julgadora pronunciarse novamente sobre o direito de Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13003.000314/200113 Acórdão n.º 3202001.179 S3C2T2 Fl. 1.620 3 restituição, devendo a interessada repetir os valores obtidos judicialmente ingressando com a competente execução judicial visando à formação do precatório. Entendeu o il. Relator ad hoc dos Embargos não haver qualquer contradição, obscuridade ou omissão no acórdão embargado. A presidente da Turma, todavia, discordou dessa conclusão, daí que, nos termos do § 3º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, remeteme o processo para incluílo em pauta de julgamento e submeter os Embargos à apreciação da Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O presente processo administrativo versa, originalmente, sobre pedido de restituição, acompanhado de pedidos de compensação, fundamentado em decisão judicial que deferiu a substituição de partes no pólo ativo de ação ordinária. A decisão que não homologou as compensações restou mantida na DRJ e aqui no CARF, mas o acórdão embargado reconheceu o direito à restituição do crédito vindicado em sede judicial. O julgamento, todavia, não me parece ultra petita. A uma, porque a Embargante, nas oportunidades em que compareceu aos autos, defendeu a legitimidade do crédito. À guisa de ilustração: Fl. 1242 (Manifestação de inconformidade): 12. Como conseqüência da cessão e da transferência do pólo ativo da ação, o crédito da autora original passou a ser crédito próprio da impugnante, que na qualidade de titular do mesmo, poderia optar entre as duas formas previstas em lei para receber seu direito: (i) via execução judicial, com expedição de precatório, conforme previsão doart. 567, I, do CPC; ou (ii) via compensação, nos termos da previsão contida no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação contida no art. 49 da Lei n° 10.637/2002. Fl. 1391 (Recurso Voluntário): 4. Após a cessão, a impugnante foi admitida no pólo ativo da ação judicial, passando de cessionária a autora original, por decisão que encontrase transitada em julgado.Ou seja, com a transferência do crédito, transmitiuse também a titularidade na relação jurídica que o cedente mantinha com a União Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Federal, investindose a cessionária, ora Recorrente, em todos os direitos inerentes ao crédito cedido. 5. Como conseqüência da cessão e da transferência do pólo ativo da ação, o crédito da autora original passou a ser crédito da Recorrente, que na qualidade de titular do mesmo, poderia optar entre as duas formas previstas em lei para receber seu direito: (i) via execução judicial, com expedição de precatório, conforme previsão do art. 567, inciso I, do CPC; ou (ii) via compensação, nos termos da previsão contida no art. 74 da Lei n° 9.430/96. A duas, porque, como cediço, não cabem os aclaratórios para correção de eventual error in judicando, tal como, no caso, pretende a Embargante, mas apenas quando configuradas contradição, obscuridade ou omissão no acórdão embargado, vícios que, conforme demonstrado, não existiram. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO aos embargos de declaração. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13003.000314/200113 Acórdão n.º 3202001.179 S3C2T2 Fl. 1.621 5 Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 3/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728320/2010-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.452
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 20 /2 01 0- 88 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.728320/201088 Acórdão n.º 2403002.452 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1531.744 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. NÃO APRESENTAÇÃO OU APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa, deixar o contribuinte de apresentar ou apresentar fora do prazo a GFIP, na forma prevista na Lei Orgânica da Seguridade Social. MULTA APLICADA. PEDIDO DE RELEVAÇÃO A TEOR DO ART.291, §1°, DO DECRETO Nº 3.048, DE 1999. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o art. 1º do Decreto nº 6.727, publicado no Diário Oficial da União do dia 13 de janeiro de 2009, foi revogado o art. 291 do Decreto nº 3.048, de 1999, que, mediante condições, admitia a relevação da multa aplicada. Considerando a data em que teve ciência da autuação o contribuinte (01/09/2010), não é possível a relevação da multa aplicada no presente AI, indeferindose solicitação nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF. PEDIDO DE PROCEDIMENTO DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO PROFISSIONAL DOS PATRONOS DA CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, a lei determina que as intimações sejam feitas por via postal, ou por qualquer outro meio ou via, porém com prova de recebimento, exclusivamente, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase do AI Auto de Infração, DEBCAD nº 37.289.0571, lavrado em 26/08/2010 e recebido pelo contribuinte, em 01/09/2010, conforme atesta Aviso de Recebimento – AR, às fls. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 119. Aludido AI foi lançado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no uso da competência de que tratam o art. 33 da Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991), e o art. 293 do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 2. Consoante se lê do AI (peça inicial e demais documentos que o integram, fls. 02 a 116), o contribuinte em tela, em relação à competência 13/2008 (13º Salário de 2008), foi autuado, em virtude de não apresentar ou apresentar fora do prazo a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, IV, § 9º, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997 (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP), e redação da Medida Provisória – MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 3. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 113 a 114), embora regularmente notificado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e de Termos de Intimação Fiscal para Apresentação de Documentos TIF (cópias anexas ao AI), em consulta realizada junto ao sistema corporativo GFIPWEB, da RFB, foi constatado que o contribuinte não entregou GFIP da filial 003/10, referente à competência 13/2008, embora tenha efetuado os recolhimentos previdenciários incidentes sobre a Folha de Pagamento. 3.1. Os fatos, ora relatados, caracterizam descumprimento da obrigação acessória consignada na fundamentação legal constante do item 2 acima, razão pela qual foi emitido o presente auto de infração. 4. Na forma do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 115 a 116), a penalidade aplicável para a infração capitulada é a prevista no art. 32A, caput, inciso II e §§ 1º, 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, com redação dada pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. A multa assim calculada, portanto, considerando que não se aplicam ao presente Al as circunstâncias agravantes, previstas no art. 290 do RPS, importa em R$500,00 (quinhentos reais), conforme tabela ali demonstrada. 5. Em impugnação interposta em 01/10/2010 (fls. 121 a 143, com anexos às fls. 144 a 183), o contribuinte autuado, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representálo, vem de contraporse ao presente lançamento fiscal. As razões de impugnar, em síntese, são as que, doravante, serão explicitadas. 5.1. Em caráter preliminar, alega a peça impugnatória que, segundo relato da fiscalização, a autuação imposta se refere à omissão, no lançamento contábil, de obrigação dita acessória, na competência 13/2008, cuja multa tem o valor básico de R$500,00. Adiciona, nesse sentido, que a autuação imposta não se encontra devidamente motivada, ou seja, não possui clareza Fl. 256DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.728320/201088 Acórdão n.º 2403002.452 S2C4T3 Fl. 4 5 bastante capaz de caracterizar e sustentar a infração ali consignada, uma vez que não possui informações precisas e necessárias acerca da suposta infração, a exemplo, também, da sua fundamentação legal. Aduz que este fato impede o exercício da ampla defesa por parte do autuado, inquinando, assim, de nulidade a presente autuação. 5.2. Já no mérito, argúi a impugnação que, tendo em vista o princípio da verdade material, e o espírito da lei, consubstanciado nos artigos 231, 232 e 233 do RPS, a folha de pagamento e os arquivos enviados pelo sistema, anexos à presente defesa, foram oportunamente apresentados à fiscalização, ali encontrandose todas as informações relevantes para precisar o tributo devido sob a rubrica de contribuição previdenciária. Por conseguinte, que o presente auto de infração deve ser julgado improcedente, com consequente baixa do débito nele perquirido, sob pena de ficar caracterizado o enriquecimento ilícito do Fisco. 5.3. Além das nulidades já explicitadas, requer, ante o exposto, a peça impugnatória, que seja julgado improcedente o lançamento de débito operado pela autuação em referência, com o reconhecimento, no mérito, das matérias que, no seu conjunto, importam na anulação dos termos da cobrança levada a efeito nesta oportunidade. Alternativamente, caso venha a ser o entendimento pela aplicação da penalidade, que seja a mesma relevada, como assegura o art. 291, §1°, do RPS, e, por consequência, extinto o respectivo débito. Por derradeiro, que, sob pena de nulidade prevista no art. 39, I, do Código de Processo Civil –CPC, a comunicação quanto ao resultado desta defesa aconteça no endereço profissional, ali fixado, dos patronos da contribuinte. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 8 de maio de 2013 (quartafeira) e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 7 de junho de 2013 (sexta feira). O notificado interpôs o recurso no dia 10 de junho de 2013 (segundafeira), portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 258DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10580.728334/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no instrumento de negociação.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, em dar provimento parcial ao recurso para que, sendo mais favorável ao recorrente, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no instrumento de negociação. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 34 /2 00 9- 68 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, em dar provimento parcial ao recurso para que, sendo mais favorável ao recorrente, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 164 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 17/12/2009 de contribuições previdenciárias sobre participação nos lucros e resultados da empresa. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade quando os elementos constantes nos autos são suficientes para informar ao impugnante como se chegou aos valores das contribuições lançadas, garantindo o exercício pleno do direito de defesa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI Nº 10.101/2000. INCIDÊNCIA. A Lei nº 8.212, de 1991, determina de modo expresso que a participação nos lucros e resultados, quando paga em desacordo com a lei nº 10.101, de 2000, sofre a incidência da contribuição previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O Relatório Fiscal afirma que as contribuições lançadas incidiram sobre a remuneração paga aos empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR. Segundo o relatório, o contribuinte apresentou os Regulamentos para o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos aos anos de 2004 a 2007. Todos eles foram protocolados no SINTERP/BA em 04/03/2009, ou seja, descumprindo o prazo exigido por lei. Além disso, os acordos não estabeleceram os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como não indicaram as metas a serem atingidas e as regras de aferição. Por esta razão, atribuiuse à PLR a natureza de parcela remuneratória, incidindo sobre ela as contribuições previdenciárias. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Os principais motivos para a incidência da contribuição foram a ausência de quaisquer metas para recebimento do benefício e algum instrumento de apuração do resultado, além do protocolo intempestivo do instrumento de negociação junto ao sindicado. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: No mérito, afirma que os valores pagos a título de PLR, ainda que descumpridos os requisitos legais, não sofrem a incidência da contribuição. O inciso XI do art.7º da Constituição não é norma jurídica de incidência, mas enunciado que regula sistematicamente a competência tributária da União. A norma infraconstitucional que regula o pagamento da PLR deve regulamentála e não restringila. Argumenta que os documentos de formalização de acordos para participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados comprovam que houve uma negociação entre a empresa e os representantes de seus empregados para pagamento da PLR, atendendo ao requisito legal. Neste sentido, afirma que sempre existiram regras para o pagamento de PLR pela empresa e que estas são relacionadas ao crescimento do faturamento da empresa, levandose em conta a expectativa do mercado publicitário face ao cenário comercial esperado para o ano. Como isto vem sendo feito há mais de dez anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, dos seus empregados ou do sindicato, para que estas regras constassem do acordo de modo detalhado. Nesta linha, argumenta que, ao final de cada anocalendário, a gerência da empresa se reúne com o setor financeiro para a demonstração do cumprimento da meta, de modo que seja determinado o pagamento da PLR. Junta atas destas reuniões, bem como planilhas que demonstram como se deu o cálculo da PLR de cada um dos empregados da empresa. Em seguida, argumenta que o protocolo tardio do acordo junto ao sindicato não pode acarretar a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR, pois o acordo não fixa um prazo peremptório para este arquivamento. Aduz ainda o impugnante que não houve o pagamento de participação nos lucros e resultados em periodicidade inferior a seis meses. O único caso ocorrido decorreu de fracionamento do pagamento da participação a um dos funcionários, cujo salário era elevado, por ausência de caixa. Assim, ainda que se considerase a incidência de contribuição em virtude deste fato, somente esta parcela paga em periodicidade inferior poderia ter sido incluída na base de cálculo do lançamento. Os valores pagos aos empregados são relativos a bônus oriundos da lucratividade da empresa, sendo, por isso mesmo, esporádicos e motivados. Não integram, portanto, o conjunto salarial dos empregados. Os valores pagos amoldamse à previsão do inciso VII do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e são, por conseguinte, isentos das contribuições previdenciárias. A verdade material deve se sobrepor aos requisitos formais. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 165 5 Como o pagamento de PLR não constitui fato gerador de contribuição previdenciária, não há que se falar em surgimento da obrigação tributária. Logo, também não gera a obrigação de declaração na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à previdência social – GFIP. Desta forma, é flagrante a ilegalidade da exigência de multa moratória ou punitiva neste Auto de Infração. Em seguida, afirma que a multa aplicada colide com os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco, devendo, portanto, ser afastada. É o Relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 166 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados e tão pouco se faz necessária a realização de diligência ou perícia, já que os autos estão devidamente instruídos para exame e julgamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 167 9 Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Porém, caso seja fixada como meta alguma avaliação do empregado, essa regra deverá ser cumprida. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a fiscalização, na análise dos documentos da empresa que sustentam o pagamento do benefício, verificou que a completa ausência de metas a serem cumpridas pelos empregados. O instrumento de negociação, fls. 45 e seguintes, apenas estipula que os empregados têm a garantia de recebimento de valor no mínimo correspondente a 50% de seus salários e que esse valor não integra a remuneração. A recorrente apresenta cópias de atas das reuniões com autenticação em 2010; portanto, após o encerramento da fiscalização, fls. 102 seguintes. Os documentos foram assinados pelo Diretor Financeiro e Chefe da Controladoria. De acordo com a cópia apresentada, o primeiro teria sido assinado em 08/01/2004 e o último, em 09/01/2008. Todos possuem muito semelhança entre si e apresentam como principal diferença a variação da meta de receita bruta. Pelas características das cópias juntadas, não há uma comprovação inequívoca de que os documentos existissem à época dos fatos e, ainda, faltamlhes a Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 assinatura de algum representante do sindicato. De acordo com o artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 nas reuniões deve participar o representante do sindicato: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Multas Aplicadas Insurgese a recorrente a multa moratória e a multa de ofício. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 168 11 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 169 13 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 170 15 A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728334/200968 Acórdão n.º 2402004.083 S2C4T2 Fl. 171 17 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Por tudo, voto pelo provimento parcial para que, em relação ao período anterior à MP nº 449/2008, seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 180DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.904262/2012-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 62 /2 01 2- 40 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904262/201240 Acórdão n.º 3803006.119 S3TE03 Fl. 66 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 6 de novembro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, e fica configurado o pouco caso em substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904262/201240 Acórdão n.º 3803006.119 S3TE03 Fl. 67 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11020.007719/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar a veracidade dos créditos, cumprindo com a legislação específica. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso do contribuinte. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar a veracidade dos créditos, cumprindo com a legislação específica. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso do contribuinte. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar a veracidade dos créditos, cumprindo com a legislação específica. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso do contribuinte. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 77 19 /2 00 8- 15 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo interessado contra o Despacho Decisório (fls. 375) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, que indeferiu pedido de ressarcimento de créditos de IPI. A solicitação objeto da Manifestação de Inconformidade alude ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363 de 1996, relativo ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao período acima, no valor de R$ 784.279,37, por meio do PER/DCOMP 15486.80129.310805.1.1.011039. Em decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu acórdão julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. A ementa consignou o seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. I Para fruição do incentivo fiscal representado pelo crédito presumido de IPI, não basta a simples fabricação e exportação de produtos nacionais, devendo o beneficiário fornecer à autoridade administrativa todos os elementos comprobatórios do seu direito, consoante previsto na legislação. II A avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e dos combustíveis utilizados no processo industrial durante o mês será efetuada pelo método PEPS, caso se trate de empresa que não mantém sistema de contabilidade de custos integrados à contabilidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Visando reverter a decisão da instância a quo, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 427/431), no qual aduz que a falta de escrituração mensal dos estoques não impede, nem inviabiliza a apuração precisa do crédito presumido de IPI. Menciona que embora os períodos de apuração sejam mensais, com a possibilidade de formular pedidos de ressarcimento trimestrais, a legislação que rege o crédito presumido de IPI exige que o cálculo seja efetuado considerando as receitas decorrentes de vendas para o mercado interno e externo acumuladas no ano. Aponta que a decisão de primeira instância contrariou as normas específicas de apuração de crédito presumido do IPI, notadamente o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 315, de 03 de abril de 2003. Conclui que é possível quantificar o crédito relativo aos períodos de apuração e que, em razão disso, a decisão recorrida merece ser reformada. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11020.007719/200815 Acórdão n.º 3401002.420 S3C4T1 Fl. 309 3 Sem contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do Recurso Voluntário. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso. DOS CRÉDITOS DE IPI Como é cediço, a Lei nº 9.363/1996 instituiu em nosso ordenamento jurídico o benefício fiscal de crédito presumido do IPI incidente sobre as aquisições no mercado interno de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregados na fabricação de produtos a serem exportados, como forma de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, apurado mensalmente pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora. Atualmente, cabe enfatizar, que esse direito só poderá ser aproveitado pela pessoa jurídica, em relação às receitas sujeitas à incidência cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins. Portanto, não fará jus ao crédito presumido do IPI relativamente ao ressarcimento das contribuições, as receitas sujeitas à não cumulatividade. O direito ao crédito presumido aplicase, inclusive, ao produto industrializado sujeito a alíquota zero e às vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Referido benefício foi incorporado aos artigos 241 a 250 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010, sendo que, as normas para o cálculo, utilização e apresentação das informações relativas ao crédito presumido abedecem as disposições da Portaria MF nº 93/2004 e das Instruções Normativas SRF nºs 419/2004 e 420/2004. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor e exportador, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito (Sistemática ordinária). Neste diapasão, fará jus ao crédito presumido a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. Esse direito aplicase, inclusive, a produto industrializado sujeito a alíquota zero e nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Observese, porém, que a partir de 01/02/2004, por força do artigo 14 da Lei 10.833/2003, o direito a utilização do crédito presumido não mais se aplicará às receitas, da pessoa jurídica, submetidas à apuração do PIS/Pasep e da Cofins sob o regime não cumulativo de apuração. Lembramos que, na hipótese de a pessoa jurídica auferir, concomitantemente, receitas sujeitas à incidência não cumulativa e cumulativa das contribuições, inclusive no regime de incidência monofásica, ela fará jus apenas ao crédito presumido do IPI relacionado às receitas sujeitas à cumulatividade. Esse entendimento é firmado, inclusive, pela Receita Federal do Brasil (RFB), conforme podemos verificar no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2004, abaixo transcrito: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 31 de março de 2004 Dispõe sobre a aplicação do crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da Cofins. (...) Artigo único. A pessoa jurídica, em relação às receitas sujeitas à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) na forma, respectivamente, dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não faz jus ao crédito presumido do IPI de que tratam as Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Parágrafo único. Na hipótese de a pessoa jurídica auferir, concomitantemente, receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e cumulativa, inclusive no regime de incidência monofásica, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, fará jus ao crédito presumido do IPI apenas em relação às receitas sujeitas à cumulatividade dessas contribuições. O crédito presumido relativo a MP, PI ou ME, utilizados na industrialização de produtos exportados, adquiridos de fornecedores com atividades rurais, conforme definido no artigo 2º da Lei nº 8.023/1990, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. A sistemática ordinária de cálculo, utilização e apresentação das informações relacionadas ao crédito presumido do IPI, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, de que trata a Lei nº 9.363/1996, está disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 419/2004, com redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 441/2004. O crédito presumido deve ser apurado pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora, ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. Assim, para fins de apuração do crédito presumido, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá: (i) apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, dos custos de aquisição, no mercado interno, de MP, PI e ME, utilizados no processo produtivo, sobre os quais incidiram as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11020.007719/200815 Acórdão n.º 3401002.420 S3C4T1 Fl. 310 5 (ii) apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; (iii) aplicar a relação percentual referida no item (ii), sobre o valor apurado de conformidade com o item (i); (iv) multiplicar o valor apurado de conformidade com o item (iii) por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento sobre), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; (v) diminuir, do valor apurado, de acordo com o item (iv), o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: v.i. utilizados para dedução do valor do IPI devido; v.ii. ressarcidos; v.iii. com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal do Brasil (RFB). O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o item (v) acima. Assim, observase que a recorrente não cumpriu com as exigências necessárias para a comprovação do crédito que pretendia ver ressarcido, se furtando a oferecer à autoridade administrativa a documentação necessária que possibilitasse a comprovação de seu direito. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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