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Numero do processo: 13839.912650/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/10/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 26 50 /2 00 9- 35 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 142 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 85,39, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 31/10/2006) veiculado na PER/DCOMP 37722.36128.301106.1.3.043468, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 15/09/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/10/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre e assistência técnica (Cód. 0422), no importe de R$ 23.066,77 em 31/10/2006 referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato este que não aconteceu. b) Parte de tal crédito foi utilizado na PER/DCOMP n 03773.60297.291106.1.3.046985, restando valor aproveitado na PER/DCOMP objeto do presente processo. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 143 3 disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) O apoio de defesa pautado em meras alegações não tem a força de Verdade Material em sede dos ritos e formalidades disciplinados para o Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 15 e 16, III e § 4°). A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 24/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 144 4 pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 145 5 Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 146 6 Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 147 7 instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos são § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13839.912650/200935 Acórdão n.º 2401005.647 S2C4T1 Fl. 148 8 extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e o Certificado de Averbação apresentados, como reconhece a própria recorrente teriam validade de cinco anos a contar de 27/12/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 31/10/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000898/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL.
A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindo-se a prova de quitação ou regularidade em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37).
Numero da decisão: 1301-000.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recursovoluntário.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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(sucessora de ITAUCARD ADM DE CARTOES DE CRED IMOBILIARIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL INCENTIVOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A exigência de comprovação de regularidade fiscal, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a DIPJ na qual se deu a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes, admitindose a prova de quitação ou regularidade em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto 70.235/72. (Súmula CARF 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recursovoluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — Perc relativo ao anocalendário de 2002, protocolizado em 30/06/2006 (fls.02). Conforme dados constantes da "Ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais" da Declaração de Rendimentos (fls.20), a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINOR. A solicitação do PERC foi motivada porque os incentivos fiscais destinados na Declaração de Rendimentos não foram emitidos pela Receita Federal, conforme demonstra a cópia do Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais de fls.32. Ocorre que o pedido de revisão em tela foi indeferido, de acordo com despacho decisório da DIORT/DEINF/SP de 23/08/2006 (fIs.91/94), nos seguintes termos: "(.) DECIDO INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2003, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida: pelo art. 60 da Lei n°9.069/95 e pelo inciso II, art. 6° da Lei n°10.522/2002". Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 03/10/2006 (fls.97/101), alegando em síntese que: “Analisando a listagem fornecida pela Secretaria da Receita Federal, datada de 22/08/2006, que embasou o indeferimento em questão, verificase que todos os supostos débitos foram devidamente justificados e não podem impedir a liberação do incentivo fiscal, conforme se demonstrado nesta defesa.” A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do acórdão 1620.039, de 12/01/2009 (fls. 135), indeferindo o pleito, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte, bem como sua inscrição no CADIN, impedem o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 173DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000898/200677 Acórdão n.º 1301000.624 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A questão posta ao conhecimento do Colegiado cingese ao exame do indeferimento do pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais — PERC em razão da situação irregular da contribuinte perante os órgãos fazendários (RFB, PGFN e CADIN). Constatase dos autos, que as pendências que resultaram no indeferimento da Manifestação de Inconformidade, restringemse aos seguintes processos, transcrevo: Do DÉBITO EM COBRANÇA NO SISTEMA SIEF No que se refere A alegação de que o débito em cobrança no sistema SIEF apontado As fls.75 estaria suspenso por depósito judicial, a contribuinte não juntou aos autos provas documentais que amparassem tal argumento. A manifestante se limitou a apresentar a cópia do comprovante de recolhimento de fls.121, sem, no entanto, explicitar de maneira clara e objetiva qual seria a eventual correlação entre o recolhimento em questão e o débito apontado pelo sistema SIEF. Ademais, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer peça referente ao mandado de segurança a que faz referência, e nem ao menos apresentou uma certidão de objeto e pé referente àquela lide judicial. Sendo assim, não é possível concluir que o débito em tela estaria suspenso por medida judicial. DAS INSCRIÇÕES EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO No que tange aos processos administrativos 16327.000452/200481 (inscrição na Divida Ativa da União n° 8060605170000) e 10680.017133/99 06 (inscrições na Divida Ativa da Unido n° 8070604030457 e 8020607809726), em relação aos quais a contribuinte apresentou os documentos de fls.122/124, alegando que os créditos tributários em questão estariam depositados judicialmente, cumpre inicialmente destacar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) têm competências distintas em relação ao controle dos créditos tributários. No que tange A verificação da regularidade fiscal de contribuintes, cada órgão (RFB e PGFN) efetuará a análise em relação as pendências existentes na sua esfera de competência, sendo que, para que haja a comprovação de regularidade fiscal, é necessário que não existam óbices em ambos os órgãos. Fl. 174DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Portanto, conforme já esclarecido, os respectivos débitos inscritos em divida ativa são de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ela se manifestar a seu respeito. DA INSCRIÇÃO NO CADIN Cumpre ressaltar que a manifestante não faz nenhuma menção A inscrição no CADIN apontada pelo despacho decisório, conforme o relatório de fls.90, motivo que, por si só, é suficiente para determinar a irregularidade fiscal da contribuinte, nos termos do inciso II, do art. 6°, da Lei no 10.522/2002. Fica claro, assim, que os fundamentos do despacho decisório permaneceram inalterados, pois a contribuinte não demonstrou que estaria regular na data de 23/08/2006. Ressaltese que a opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos, com o direito aos certificados correspondentes, a partir do momento da concordância da SRF com a opção formalizada. A emissão do extrato representa um ato administrativo da Secretaria da Receita Federal e que tem por objetivo informálo a respeito da confirmação ou não da opção pelos incentivos fiscais. O art. 60 Lei n° 9.069/95 estabelece como condição para a concessão do incentivo a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. O dispositivo está assim redigido: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Para a solução da lide fazse necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regularidade fiscal com o fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que esta matéria encontrase pacificada , através da Súmula CARF n° 37, publicada no DOU em 17/07/2010, de aplicação obrigatória, haja vista seu caráter vinculante, nos termos abaixo transcritos: “Súmula CARF no. 37: IRPJ – Incentivos Fiscais Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto no. 70.235/72.” Defendese o contribuinte no recurso interposto argumentando, em síntese que: A interpretação dada pela DRJ é a de que o momento exato corresponde a data do julgamento do processo, ou seja não importa se no anocalendário em que se Fl. 175DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000898/200677 Acórdão n.º 1301000.624 S1C3T1 Fl. 3 5 pleiteou tal incentivo o contribuinte possuía certidão negativa, bem como não importa se na data em que protocolou seu Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal o contribuinte possuía certidão negativa. 0 E. Conselho de Contribuintes se manifestou sobre o assunto: "PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. Descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior a opção pelo beneficio fiscal. Recurso Provido."(Acórdão 10516164, 5" Câmara do I" Conselho de Contribuintes). "INCENTIVO FISCAL — PERC — PRAZO PARA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — A lei não fixou prazo para o contribuinte comprovar a sua regularidade fiscal. Identificandose débitos nos sistemas de controle da SRF, a fiscalização deverá intimar o interessado para o cumprimento de tal requisito. (Acórdão 10322338, do 1o. Conselho de Contribuintes).” Todavia, o Recorrente a fim de comprovar que não possui pendências impeditivas da concessão do incentivo fiscal pleiteado, anexa ao presente Recurso cópia da Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (doc. 03), a qual comprova que os débitos apontados estão com a sua exigibilidade suspensa.. De fato, constatase desses autos, que o contribuinte fez prova de que os débitos verificados nos controles internos estão garantidos ou com exigibilidade suspensa. Prova disso, vêse na Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (doc. de fls.166), emitida em 04/02/2009, que a meu ver, por si só, faz desaparecer as pendências que impediam o reconhecimento do incentivo. Por todo o exposto voto por dar provimento ao recurso interposto. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 176DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/ 08/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11075.002314/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a discussão de matéria que não tenha sido impugnada pelo contribuinte.
SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS.
A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ainda que proveniente de atividade estranha ao objeto social da empresa, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 30/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 30/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a discussão de matéria que não tenha sido impugnada pelo contribuinte. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS. A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ainda que proveniente de atividade estranha ao objeto social da empresa, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 30/06/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 23 14 /2 00 7- 74 Fl. 2918DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ e Reflexos (fls. 7/119), referentes aos anoscalendário de 2002 a 2006, em razão de omissão de receitas apuradas no contexto do Simples Federal. De acordo com o Relatório de Atividade Fiscal (fls. 120/178): Através do Termo de Início de Ação Fiscal, foi intimada a apresentar a escrituração comercial e fiscal relativa ao período fiscalizado, bem como uma série de documentos de interesse da fiscalização para a execução do procedimento fiscal. Em atendimento ao referido termo fiscal, o sóciogerente da fiscalizada, João Henrique Weber Martins, declarou que não elaborava escrituração das atividades da empresa, conforme consta no Termo de Declaração de 15/12/2006: “Quanto aos Livros Caixa solicitados no Termo de Inicio de Ação Fiscal declarou que não elaborava os mesmos e por isso estava impossibilitado de apresentálos." A falta de realização de escrituração das atividades da fiscalizada, e a conseqüente impossibilidade de a mesma prestar ao Fisco, de forma completa e concatenada, as informações relativas aos negócios e atividades da empresa e a sua movimentação financeira de recursos, consiste em razão imperativa para que se proceda a EXCLUSÃO DE OFÍCIO da fiscalizada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, consoante o que dispõe o art. 14, ll, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996: "Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: () II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros quando intimado e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); [...] Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 3 3 Neste contexto, entende esta fiscalização que, pelas razões expostas, deve a fiscalizada ser excluída de oficio do SIMPLES. [...] Por outro lado, será providenciada oportunamente a exclusão da fiscalizada do referido regime simplificado de tributação, em processo a ser formalizado de forma apartada do que se refere a exigência fiscal. [...]apurouse que, a partir do ano calendário de 2002, a fiscalizada pouco operou no ramo de atividade para o qual foi constituída, realizando uma pequena quantidade de operações de transporte internacional que, exclusivamente, restringiramse a travessia de cargas na fronteira SÃo TOMÉ (ARG) _ sÃo BORJA (BRA). Tal fato pode ser verificado analisandose os Manifestos Internacionais de Cargas Rodoviárias (MICS) e os Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovias (CRTS), apresentados pela fiscalizada, cujas cópias foram juntadas ao processo (Anexo ll). O próprio sóciogerente da fiscalizada declarou tal fato a fiscalização, conforme consta no Termo de Declaração de 05/07/2007: “Que, quanto a realização de operações de Transporte Internacional de Cargas por conta e risco da Weber Transportes de Cargas Ltda, foram poucos os Fretes realizados, os quais normalmente consistiram no transporte de cargas entre as cidades de São Boija (BRA RS) e São Thomé (ARG)". Por outro lado, no mesmo período, muito mais numerosas foram as operações da fiscalizada relativas a LOCAÇÃO de sua LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS, as quais, a partir do ano de 2002, consistiram na fonte de receitas mais relevante da empresa, conforme podese verificar nos Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos, apresentados pela fiscalizada, cujas cópias foram juntadas ao processo (Anexo I). Conforme, comentarseá adiante, os referidos instrumentos, na verdade, não registram operações de LocAÇÃo DE VEICULOS, mas sim operações de LocAÇÃo DE LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS. Assim, em primeira instância, entende esta fiscalização que, pela relevância quantitativa das operações realizadas pela fiscalizada, a partir do ano de 2002, relativas a LOCAÇÃO DE LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS, as receitas delas decorrentes, caracterizamse como RECEITAS DA ATIVIDADE da fiscalizada. Isto pois, embora a referida atividade não conste nos atos constitutivos da fiscalizada como sendo um de seus objetivos sociais (e nem poderia constar visto que alugar a terceiros a permissão para o transporte internacional de cargas, que é concedida pelo Estado em caráter individual ao permissionário Fl. 2920DF CARF MF 4 que preenche os requisitos fixados na legislação, é obviamente ILEGAL), é inegável que, a partir do ano de 2002, a principal atividade e fonte de recursos da fiscalizada consistia justamente na realização de operações de LOCAÇÃO de sua LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS. Neste contexto, a atividade de transporte rodoviário de cargas nacionais e internacionais, relativa ao objeto social constituído da fiscalizada passou, a partir do ano de 2002, a ser secundária. Desta forma, diante do que foi exposto, a fiscalização, ao proceder a apuração da base de cálculo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, relativa a fiscalizada, apurou, como RECEITAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA, o somatório das receitas auferidas pela mesma nas operações de LOCAÇÃO DE LICENÇA INTERNACIONAL PARA TRANSPORTE DE CARGAS e de TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS. Cabe ressaltar que, conforme já citado, a fiscalizada não elaborava escrituração de suas atividades. Neste contexto, toda a apuração, realizada pela fiscalização, das receitas da atividade da empresa, que integram a base de cálculo do SIMPLES, teve por base a documentação apresentada pelo sóciogerente da fiscalizada, cujas cópias constam do processo (Anexos I e II). [...] Em função de todas estas inconsistências nos referidos INSTRUMENTOS DE ARRENDAMENTO E DE LOCAÇÃO, esta fiscalização suspeitou que os referidos Instrumentos de Arrendamento tinham por exclusiva finalidade possibilitar que a fiscalizada registrasse os referidos veículos de terceiros em sua frota autorizada para o transporte internacional de cargas. Uma vez registrados os veiculo na frota, da fiscalizada, habilitada na ANTT, isto é, estando o veículo legalizado para o transporte internacional, o suposto Contrato de Locação de Veículo instrumentalizava a LOCAÇÃO, ao proprietário do veículo, DESTA LICENÇA INTERNACIONAL PARA O TRANSPORTE DE CARGAS, mediante uma contraprestação mensal prevista no próprio contrato de forma dissimulada: a suposta taxa mensal para o pagamento de despesas com agentes de transporte. Tais artifícios driblavam assim as exigências preconizadas na Resolução n° 1474 de 31/05/2006. da ANTT ¬ que estabelece requisitos mínimos às empresas que desejam habilitarse ao transporte internacional de cargas, inclusive requisitos que versam sobre a necessidade do interessado dispor de uma frota mínima de veículos. As conclusões da fiscalização, mencionadas acima, foram questionadas ao sóciogerente da fiscalizada, o qual admitiu que os referidos entendimentos correspondiam a verdade dos fatos, conforme consta no Termo de Declaração de 05/07/2007: Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 4 5 “Que a Weber Transportes de Cargas Ltda. celebrou com terceiros Contratos de Arrendamento de veículos de propriedade destes, conforme consta nos “Instrumentos Particulares de Arrendamento", os quais foram apresentados a fiscalização; Que os referidos contratos foram celebrados com a finalidade exclusiva de que os veículos citados nos “Instrumentos Particulares de Arrendamento” pudessem ser habilitados para o transporte internacional de cargas, na frota de veículos da empresa, na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT'); Que, em função disso, a Weber Transportes de Cargas Ltda. em nenhum momento passou a dispor da posse dos veículos citados nos “Instrumentos Particulares de Arrendamento" e em nenhum momento chegou a efetuar pagamentos aos arrendantes de veículos, conforme previa a Cláusula Segunda dos “Instrumentos Particulares de Arrendamento”; Que estando os referidos veículos de propriedade de terceiros habilitados em nome da Weber Transportes de Cargas Ltda. para o transporte internacional de cargas, a empresa alugava aos respectivos proprietários dos veículos as suas Licenças para o Transporte Internacional de Cargas; Que os proprietários dos veículos então utilizavam as Licenças para o Transporte Internacional de Cargas emitidas em nome da Weber Transportes de Cargas Ltda, em operações de transporte internacional de cargas, por conta própria destes; Que pela locação a terceiros, proprietários dos veículos, das Licenças para o Transporte Internacional de Cargas emitidas em nome da Weber Transportes de Cargas Ltda, esta empresa recebia como contraprestação um pequeno pagamento mensal, especificado na Cláusula Terceira dos “Instrumentos Particulares de Contrato de Locação de Veículo para Uso de Transporte de Cargas em Geral”, os quais foram apresentados a fiscalização;" Desta forma, diante de tudo o que foi exposto, o que se tem, em outras palavras, é que, quanto aos Instrumentos de Arrendamento. os referidos documentos estão eivados de FALSIDADE MATERIAL. isto é. versam sobre arrendamentos de veículos que, DE FAT0, nunca tiveram ocorrência. [...] Resta claro, então, que, mediante as condutas acima descritas, a fiscalizada alugou a terceiros o uso de sua LICENÇA PARA O TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS, operação esta obviamente ilegal, mas que, conforme já foi comentado, serviu como fonte de receitas da fiscalizada, receitas estas que devem ser normalmente oferecidas a tributação. [...]6.1.4. Apuração da Receita Bruta: Receitas de Locação da Licença para o Transporte internacional de Cargas Fl. 2922DF CARF MF 6 A apuração das referidas receitas, que compõe a Receita Bruta da fiscalizada, apurada pela fiscalização, teve por base os Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos (Anexo I), nos quais, conforme já foi comentado, consta cláusula descritiva de uma taxa mensal a ser paga a fiscalizada em decorrência da cedência a terceiros de sua licença para o transporte internacional de cargas. Assim, os Contratos de Locação apresentados pela fiscalizada, estão brevemente relacionados no demonstrativo “Relação dos Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos” (fls. 240 a 246). Cabe observar que, no entendimento desta fiscalização, os referidos contratos de locação permanecem vigentes até a formalização dos respectivos distratos, em decorrência do que está previsto na cláusula QUARTA dos instrumentos: "QUARTA: O prazo de duração deste contrato é indeterminado, facultado a ambos os contratantes, rescindilos mediante aviso escrito (...)" Assim, no entendimento desta fiscalização, como o auferimento das receitas decorrentes dos referidos contratos independe do fato de as mesmas terem sido recebidas, a previsão contida nos contratos de uma taxa mensal a ser paga a fiscalizada em decorrência da cedência a terceiros de sua licença para o transporte internacional de cargas, faz prova do auferimento das receitas por parte desta. [...]elaborouse, a partir do demonstrativo “Relação dos Instrumentos Particulares de Contratos de Locação de Veículos”, um segundo demonstrativo no qual consta discriminada a quantidade de contratos, em tese, vigentes, para cada período mensal objeto da fiscalização, e as respectivas taxas mensais previstas nos mesmos que indicam a aquisição por parte da fiscalizada da disponibilidade jurídica de renda: “Receitas de Locação Anos 2002/2003/2004/2005/2006” (fls. 247 a 256). Desta forma, no referido demonstrativo consta a apuração da Receita Bruta Mensal da fiscalizada decorrente da locação a terceiros de sua licença para o transporte internacional de cargas. As referidas receitas constam ainda discriminadas nos “Demonstrativos de Apuração Simples EPP 2002/2003/2004/2005/2006” (fls. 206 a 239). 6.1.5. Apuração da Receita Bruta: Receitas do Transporte Internacional de Cargas A apuração das referidas receitas, que compõe a Receita Bruta da fiscalizada, apurada pela fiscalização, teve por base os Conhecimentos de Transporte Internacional por Rodovias (CRTS) e os Manifestos Internacionais de Cargas Rodoviárias (MICS), apresentados pela fiscalizada, e as informações disponiveis nos sistemas informatizados da Receita Federal relativos ao comércio exterior (Siscomex). Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 5 7 Cópias dos referidos documentos foram juntadas ao processo (Anexo ll). Quanto as receitas apuradas pela fiscalização, excepcionalmente a partir das informações disponíveis nos sistemas informatizados da Receita Federal relativos ao comércio exterior (Siscomex), tal circunstância se deu nos casos em que a fiscalizada não apresentou os respectivos CRTs ou MICs. Tal ocorrência se deu nos casos a seguir descritos: [...] 6.2.1. Omissão de Receitas: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Por ocasião do início da ação fiscal, a fiscalizada foi intimada a apresentar os extratos bancários de contascorrentes, contas de depósito, contas de investimentos e contas de aplicações, mantidas pela mesma em instituições financeiras, referentes a todo o período objeto da ação fiscal. Tendo logrado atender apenas parcialmente a intimação da fiscalização, foi providenciada, na forma do Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), em relação aos períodos de Jan/2005 a Set/2006. [...]Os respectivos extratos bancários das contascorrentes mantidas pela fiscalizada nas instituições financeiras citadas, referentes ao período de Jan/2005 a Setl2006, foram então apresentados por estas a fiscalização, conforme documentos constantes do Anexo III do processo. De posse dos extratos, a fiscalização procedeu a conciliação entre os registros lançados nas contas bancárias da fiscalizada, a fim de excluir, da totalidade dos créditos efetuados nas referidas contas, aqueles decorrentes de transferências bancárias entre as mesmas. Neste contexto, a fiscalização identificou os lançamentos constantes do demonstrativo “Conciliação Bancária” (fl. 266). A fiscalização também excluiu, da totalidade dos créditos efetuados nas contas bancárias da fiscalizada, aqueles relativos a: DEPÓSITOS EM CHEQUES QUE NÃO CHEGARAM A SER COMPENSADOS; [...] CRÉDITOS REFERENTES A ESTORNOS E A CHEQUES DEVOLVIDOS; [...] CRÉDITOS REFERENTES A EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS; Fl. 2924DF CARF MF 8 [...] Adotados os referidos procedimentos, os registros a crédito restantes, lançados nas contas bancárias em questão, no período de Jan/2005 a Set/2006, foram relacionados e apresentados a fiscalizada com a finalidade de que a mesma comprovasse a origem dos referidos recursos DEPOSITADOS/CREDITADOS nas contas bancárias de sua titularidade, conforme consta no Termo de Intimação Fiscal de 08/06/2007. Conforme consta ainda no referido termo fiscal, a fim de que a fiscalizada pudesse dispor de meios de providenciar atendimento a intimação da fiscalização, foram fornecidas a mesma cópias dos extratos bancários obtidos pela fiscalização através de RMF. A fiscalizada não logrou comprovar a origem dos referidos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias nos períodos analisados. [...] Assim, não tendo a fiscalizada comprovado a origem dos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias, nos períodos analisados, e não tendo sido capaz de apresentar qualquer documento que permitisse a fiscalização identificar a origem dos referidos recursos, tais valores, por força de presunção legal são considerados OMISSÃO DE RECEITAS, conforme dispõe o art. 42, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: 6.3.1. Insuficiência de Recolhimento decorrente da recomposição da Base de Cálculo do Simples Tal infração decorre do fato de que, com a recomposição da Base de Cálculo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, promovida pela fiscalização a partir da apuração da receita bruta da fiscalizada (item 6.1) e da omissão de receitas relativas a depósitos bancários de origem não comprovada (item 6.2), o percentual aplicável sobre a mesma, para fins de apuração do valor devido, relativo ao referido regime simplificado de tributação, alterase, uma vez que o mesmo depende da receita bruta acumulada até o final do respectivo período de apuração. Assim, com a alteração dos referidos percentuais, para os períodos de Dez/2003, Abr/2004, e Set/2005 a Dez/2005, foram apurados os seguintes valores a título de insuficiência de recolhimento do Simples, conforme consta no “Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos” (fls. 203 a 205): [...] Desta forma, diante do que foi exposto, os valores apurados pela fiscalização, relativos a cada tributo e contribuição abrangidos pelo SIMPLES, estão discriminados nas LINHAS (10) A (14) dos “Demonstrativos de Apuração Simples EPP 2002/2003/2004/2005/2006” (fls. 206 a 239). Por outro lado, os valores de cada tributo e contribuição abrangidos pelo SIMPLES, que foram lançados de oficio, correspondentes a diferença entre os valores apurados pela fiscalização e os valores espontaneamente declarados e/ou recolhidos pela fiscalizada (Insuficiência de Recolhimento), constam no desdobramento da LINHA (19) dos referidos demonstrativos. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 6 9 Os Autos de Infração relativos a cada tributo/contribuição social abrangidos pelo SIMPLES constam às seguintes folhas do processo: IRPJ fls. 004 a 012; PIS fls. 027 a 035; CSLL fls. 050 a 058; COFINS fls. 073 a 081; INSS fls. 096 a 104. [...] 6.5 Penalidades Aplicadas e Apuração da Multa de Oficio e dos Juros de Mora As penalidades aplicáveis no presente lançamento de ofício estão previstas no art. 44, incisos I e ll, da Lei n° 9.430, de 27/12/l996. [...] De acordo com os dispositivos legais transcritos, em relação as infrações identificadas no presente relatório como Infração 2 (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada) e Infração 3 (Insuficiência de Recolhimento), aplicouse, como multa de oficio, a penalidade básica de 75% (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96). Por outro lado, em relação a infração identificada no presente relatório como Infração 1 (Diferença de Base de Cálculo) a penalidade aplicável, neste caso, corresponde a multa de oficio de 150% (art. 44, ll, da Lei n° 9.430/96), tendo em vista que, segundo o entendimento da fiscalização, teria tratadose de caso de evidente intuito de fraude. Ainda segundo o relato da autoridade fiscal, tal fato, somado a alegação de que o administrador agiu com excesso de poderes ou infração a lei, ensejou a responsabilização solidária do sócioadministrador, Sr. João Henrique Weber Martins, por infração aos artigos 121, Parágrafo Único, II e 135, III, ambos do CTN. O responsável solidário, mesmo intimado (fls. 323), não impugnou. Já a contribuinte (Weber Transportes) apresentou defesa de fls. 324/325, questionando exclusivamente a composição da base de cálculo da Infração 1 (receitas diretas). Nas suas palavras: A fiscalização fazendária levou em consideração na formação e ingresso de receitas da empresa sob investigação as receitas advindas do serviço de transporte de cargas e atividade de locação de licença originária para o transporte internacional. Ocorre que quando da solicitação da entrega dos contratos de locação da licença originária a fiscalização considerou em “tese” que os contratos ainda encontravamse em vigência até a data da conclusão do PAF, bem como alguns destes contratos não foram perfectibilizados, ou seja, não geraram qualquer obrigação tendo em vista que não foram firmados, o que ponderase tendo em vistas que estas receitas foram todas elas presumidas no relatório e apuração de receitas e efetivamente não ingressaram na pessoa jurídica. Fl. 2926DF CARF MF 10 Encontrase anexo a esta impugnação um relatório discriminando, fixando comprovadamente a data de término dos contratos de locação, bem como a cópia dos contratos que foram relacionados pelo fiscal, que encontramse sem assinatura ou em duplicidade, sendo que os que encontramse sem assinatura são: Flavio Gomes Pereira, Antônio Paulo Moyano Moreira, João Candido Machado e Lauro Antônio Rocha Moraes e em duplicidade o contrato de Roni Moura da Cruz. De tais fatos resulta que os valores lançados no procedimento fiscal, não são reais, ou seja, não correspondem aos valores realmente auferidos pela empresa, mas sim uma simples presunção, que neste momento se comprova as datas de efetiva.vigência dos contratos em questão, através do relatório e documentos em anexo. Em Sessão de 04 de julho de 2008, a 2a Turma da DRJ/STM, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, por meio de decisão de fls. 840/848 e cuja ementa ora transcrevo: NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo, representada por omissão de receita, ou insuficiência de recolhimento do imposto pela sistemática do SIMPLES constituem infrações que autorizam a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidenciam omissão de receita os depósitos realizados em conta de interposta pessoa, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas Operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. SIMPLES INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou insuficiência de recolhimento do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, COFINS, e CSSINSS Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 7 11 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da decisão em 04/09/2008 (fls. 1005), a empresa interpôs recurso voluntário em 03/10/2008 (fls. 1.009/1.011), alegando, em síntese, que não teria sido excluída a totalidade correta dos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos legais de admissibilidade. Dele, portanto, conheço e passo a apreciálo. As infrações apontadas nos Autos de Infração são: 1) Omissão de Receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, fatos geradores a partir de 31/01/2005 até 30/09/2006, com multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento); 2) Diferença de base de cálculo constatada a partir do confronto entre a Receita Bruta Apurada pela fiscalizada e a Receita Bruta Declarada pelo contribuinte em Declaração de Informações EconômicoFiscais das Pessoas Jurídicas (DIPJ), fatos geradores a partir de 31/01/2002 até 30/09/2006, com multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento); 3) Insuficiência de recolhimento apurada em decorrência da alteração do percentual a ser aplicado sobre a Receita Bruta Mensal, com multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). A contribuinte não questiona o fato de a fiscalização ter apurado omissão de receitas bancárias. Limitase a contestar o montante apurado a titulo de omissão de receita caracterizada como “Receitas de Locação”. Também não houve defesa contra a exigência da multa de oficio qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), bem como sobre o imposto e contribuições apurados relativos à Diferença de Base de Cálculo. Tratamse, portanto, de matéria não impugnada, nos termos do disposto no artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 2928DF CARF MF 12 Em relação à infração contestada, convém notar que a Recorrente nunca apresentou qualquer argumento contra a apuração de “Receitas de Transporte de Cargas Anos 2003/20042005”. Assim, a discussão gira tão somente em relação aos argumentos e documentos contra os valores apurados no demonstrativo de “Receitas de Locação Anos 2002/2003/2004/2005/2006”. A DRJ assim se pronunciou sobre a controvérsia: Em relação ao valor apurado a título de “Receitas de Locação” deve se observar, em primeiro lugar, que o montante apurado pela fiscalização a esse título (fls. 247 a 256) não está correto. Observando apenas a data de vigência dos contratos considerados pela fiscalização temse que a receita de locação é menor que a apontada pela fiscalização conforme demonstrado no Anexo 1 (folhas 791 a 834). O contribuinte também traz argumentos e provas contra o montante apurado a título de “Receitas de Locação”. Após a análise dessas provas foi elaborado novo demonstrativo de “Receitas de Locação” conforme o Anexo 2 (folhas 835 a 877). Nesse anexo foram relacionados todos os contratos (140 contratos). Para cada contrato foi apontado o motivo (conforme letras de “A” até “P”), na coluna “Observações”, pelos quais foi mantida, ou não, a respectiva receita. Na última folha do Anexo estão relacionadas as letras “A” a “P” e a respectiva motivação (Página 43). No Anexo n° 3 (folhas 878 a 918) foram computadas a Receita Bruta Declarada e os valores apurados nas infrações n° 001, 002 e 003. Seguindo a metodologia do auto de infração, da infração n° 002 foi excluída a Receita Declarada, mês a mês, a partir de janeiro de 2002 até setembro de 2006, apurandose o imposto e as contribuições devidas ao SIMPLES que foram mantidas no presente voto, com a multa de ofício de 150%. Sobre a infração 001, a partir do período de apuração de janeiro de 2005, a multa de ofício calculada foi de 75%. Já o Recorrente sustenta que: A decisão ora atacada não levou em consideração alguns contratos relacionados na lista em anexo, pois haviam sido relacionados pela fiscalização, mas o recorrente não possuía a este tempo os comprovantes, o que neste momento apresenta na lista em anexo, com o seu respectivo histórico e comprovantes dispostos em ordem conforme a lista. O contribuinte não pode sofrer a autuação da forma em que lhe é imposta tendo em vista que tais rendimentos não fazerem parte de seu patrimônio, tal imposição fiscal é no mínimo injusta e flagrantemente ilegal, pois a fiscalização como antes dito está ciente de que não existiu a receita e sim um faturamento em tese e com base em uma presunção quer arrecadar tributos. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 11075.002314/200774 Acórdão n.º 1201002.277 S1C2T1 Fl. 8 13 Assim, requer a revisão dos valores, visto`a comprovação da data de termino dos contratos de locação, bem como os contrato que não foram cumpridos ou ainda não foram executados não vigiram, tudo conforme lista e documentação em anexo, que comprova a ocorrência dos fatos. Pois bem. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, conforme o art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional cabível nas situações contempladas nos dispositivos citados. Em razão dos princípios da legalidade e verdade material, esses dispositivos normativos devem ser interpretados de forma flexível, o que significa dizer que, na prática, o recebimento ou a negativa de provas juntadas apenas por ocasião do recurso ou em momento posterior, mas antes do julgamento, devem ser feitos de acordo com as circunstâncias fáticas e motivação de cada caso. Em linhas gerais, penso que provas apresentadas em momento posterior à defesa devem ser aceitas somente se o Julgador se convencer (i) dos motivos apresentados pela parte para não terem sido produzidas anteriormente (até a impugnação) ou (ii) da pertinência e conteúdo da prova para fins do convencimento do Julgador acerca da controvérsia instaurada. Nestes termos, admitidas seriam as provas devidamente motivadas e desde que decisivas para dirimir a controvérsia. Especificamente quanto ao item (i), os documentos juntados pela Recorrente não decorrem de fato superveniente, razão pela qual, a todo rigor, eles sequer poderiam ser apreciados. Fl. 2930DF CARF MF 14 Não obstante, referida documentação consiste em planilhas de vigência e cópia de contratos, muito deles já apresentados e auditados, sem organização lógica e, principalmente, sem uma indicação clara dos itens e valores que se busca ao certo reduzir ou cancelar. A documentação não constitui prova capaz de alterar o lançamento e sequer possui uma vinculação direta com o demonstrativo dos valores mantidos pela decisão de piso. Tal como apresentada e instruída, referida documentação não tem o condão de reformar o resultado do julgamento em primeira instância. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660357/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 57 /2 01 2- 89 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660357/201289 Acórdão n.º 3401004.758 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.001671/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
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PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 16 71 /2 00 8- 61 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.750 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 30/06/2004, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. Foram, então, facultadas ao sujeito passivo vistas e cópias do presente processo e aberto o prazo para aditamento da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo apresentou aditamento, sustentando que os documentos indicados no Parecer que propôs a nãohomologação das compensações não indicariam os débitos a que teriam sido alocados o pagamento pleiteado. Segundo alegou, tal indicação seria necessária para a confirmação de que o crédito não teria sido alocado a débitos excluídos do parcelamento, por ocasião de pedidos de revisão apresentados, quando da consolidação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Frisou aquela decisão que a "alocação das cotas do parcelamento PAES é feita no débito total consolidado e não em cada tributo devido, como entende o interessado". Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.750 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 30/06/2004, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13748.001671/200861 Acórdão n.º 1302002.750 S1C3T2 Fl. 5 4 pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.720751/2010-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/01/2011
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA.
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa.
Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
Numero da decisão: 1001-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/01/2011 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
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DÉBITOS EM COBRANÇA. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Mantémse o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa no prazo legal estabelecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 07 51 /2 01 0- 98 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 59 2 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), mediante o Acórdão nº 1042.939, de 20/03/2013 (efls. 39/43), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, às fls. 03/24, em razão de sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional ) através do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/NHO nº 435.006, de 01 de Setembro de 2010 ( fls. 31). A referida exclusão ocorreu em virtude do contribuinte possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa e está fundamentada no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006 e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15/2007, produzindo efeitos a partir de 01/01/2011. A ciência do Ato deuse, via postal, em 22/09/2010 (fls. 37 ) e os débitos referemse ao período de apuração 03/2008 a 09/2008, 11/2008 e 12/2008. Em 22/10/2010, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: 1 O tratamento diferenciado obtido através da adesão das micro e pequenas empresas ao Simples não pode ser sobrepujado em face da mera impontualidade fiscal da empresa; 2 A Constituição da República, ao tratar do tratamento tributário favorecido às micro e pequenas empresas também não distingue as empresas em função de sua saúde financeira; 3 As disposições infraconstitucionais que criam embaraços ao tratamento tributário mais favorável colidem inelutavelmente com a Constituição Federal/1988; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 60 3 4 Discorre sobre a possibilidade de deixar de aplicar um dispositivo legal em virtude de considerálo inconstitucional; 5 Referese à ilegalidade e inconstitucionalidade da exclusão da microempresa do Simples Nacional. Sustenta que o Simples Nacional não se trata de um favor fiscal e sim de um regime jurídico específico, expressamente previsto pelo constituinte originário, por razões fiscais e extrafiscais; 6 A União, através de sua Procuradoria dispõe de lei própria para a cobrança dos créditos de Simples eventualmente impagos; 7 É abusiva toda forma de coerção e penalização à empresa impontual, como o que ocorre com a empresa que tem tributos impagos e pode ser excluída do Simples Nacional. Para continuar neste regime de tributação, deve a empresa regularizar o seu débito em trinta dias, conforme o previsto no artigo 30, parágrafo 2º da LC 123/2006, o que é uma forma de coação. Isto contraria o princípio do livre exercício de atividade econômica; 8 Referese aos artigos 170 e 179 da Constituição Federal; 9 O artigo 17, inciso V da LC 123/206 propugna violação ao artigo 150, II da Constituição Federal, que dispõe ser vedado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente; e 10 Pode o agente avaliar a conveniência e a oportunidade dos atos que vai praticar na qualidade de administrador dos interesses coletivos. Nessa prerrogativa de valoração é que se situa o poder discricionário. Requer, ao final, seja cancelado o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 435006/2010, de exclusão do Simples Nacional. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a Exclusão do Simples, com a seguinte fundamentação: (grifo não consta do original) O ADE exclui a empresa do Simples Nacional em função de débitos deste regime de tributação, com exigibilidade não suspensa. A exclusão no caso presente, se firma pelo disposto no inciso V do art. 17 da LC 123/2006, que assim diz: “Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Os débitos que originaram o ADE referemse ao período de apuração 03/2008 a 09/2008, 11/2008 e 12/2008. O contribuinte não contesta tais pendências, mas alega ilegalidade e inconstitucionalidade da exclusão, da forma coercitiva de cobrar tributo e sobre a possibilidade do agente fiscal de deixar de aplicar um dispositivo legal em virtude de considerálo inconstitucional. Não assiste razão ao contribuinte. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 61 4 O Sistema Simples que passou a integrar a legislação tributária a partir de 1997 ( Lei n º 9.317/1996 ) dando efetividade aos artigos 170, inciso IX e 179 da Constituição Federal, foi instituído com vistas à simplificação e unificação da sistemática de arrecadação de tributos recolhidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte. A estrutura inovadora de pagamento implicou substancial redução de procedimentos e custos para as empresas beneficiadas. Posteriormente sobreveio a Lei Complementar nº 123/2006, que instituiu o Simples Nacional. O artigo 2º desta LC trata do Comitê Gestor do Simples Nacional, a quem compete regular a opção, exclusão, tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, dívida ativa, recolhimento e demais itens relativos ao regime simplificado de tributação. Assim como esta LC 123/2006 trouxe benefícios, também impôs condições para ingresso e manutenção das empresas nesta sistemática simplificada de tributação, sendo uma delas não possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Sabemos que o verdadeiro objetivo da Lei Complementar 123/2006, do Simples Nacional, é o de proteger e facilitar a vida dos micro e pequenos empresários, para que possam sobreviver e competir saudavelmente no mercado. Ela implantou o regime simplificado em benefício dessas empresas de micro e pequeno porte, no entanto, a própria lei complementar restringe a possibilidade de ser optante empresas que se enquadrem em uma das hipóteses de exclusão dessa sistemática, o que inegavelmente é o caso da empresa em questão. Com relação a incompatibilidade entre os dispositivos constantes na Lei Complementar nº 123/2006 e os princípios constitucionais que regem a ordem econômica, entre eles os que determinam o tratamento jurídico favorável e diferenciado das MEs e EPPs com vistas a incentivar suas atividades, mediante simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias, não entendo que a mesma ocorra. Tais dispositivos são perfeitamente conformes com a finalidade buscada pelo regime de tributação unificado e simplificado estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006. O referido diploma legal deve ser compreendido e interpretado como um sistema integrado e harmônico. Não pode o sujeito passivo usufruir apenas as benesses do regime, sem qualquer ônus compensatório pelos benefícios auferidos. O fato de a Constituição Federal determinar o tratamento favorável às micro e pequenas empresas, não implica que a lei deva dar tratamento igual para empresas que se encontrem em situação jurídica distinta. Não haveria vantagem alguma em ser cumpridora das obrigações fiscais, caso a lei, ao final, igualasse tanto as empresas em situação fiscal regular quanto as que estão irregulares e lhes concedesse os mesmos benefícios. Assim é que a vedação constante do artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123/2006, e a hipótese de exclusão constante do artigo 30, II, do mesmo diploma, não limitam o exercício da atividade empresarial, mas tão somente prevêem uma condição razoável para o implemento de benefício fiscal. A submissão das pessoas jurídicas a esse regime específico não decorre de imposição legal, automática, mas fica a critério delas a adesão e permanência. Logo, se o contribuinte tem interesse em usufruir suas benesses, deve sujeitarse, incondicionalmente, ao respectivo regramento. O requisito previsto no art. 17, inciso V da LC 123/2006 não impede ou limita o exercício da atividade econômica da empresa; apenas caracteriza pressuposto Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 62 5 razoável estabelecido pelo legislador – com amparo na competência outorgada pela Carta Magna – para que a pessoa jurídica faça jus ao benefício fiscal. Quanto ao argumento de que deve ser afastada a regra contida no art. 17, V, da Lei Complementar nº 123/2006, que ela viola o artigo 150, II da Constituição Federal, importante salientar que os julgadores da administração fazendária encontramse restritos a proceder à exegese da legislação tributária sem adentrar nos campos da ilegalidade e inconstitucionalidade, pois no âmbito do Poder Executivo devese assumir que a legislação é legal e constitucional enquanto o contrário não for declarado pelos outros Poderes. Quanto às demais alegações do contribuinte, não têm pertinência. Isso porque a atividade administrativa é vinculada e obrigatória. Assim, constatado que o contribuinte incorreu na vedação tipificada no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, está correta a exclusão de ofício do Simples Nacional em 2011, não cabendo nenhum tipo de discricionariedade. Conclusão Portanto, por todo o exposto, uma vez que o interessado possui débitos do Simples Nacional, cuja exigibilidade não está suspensa, e, não tendo sido produzida prova em contrário, deve ser indeferida sua solicitação, devendo ser mantida a exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2011. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/01/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL DÉBITOS EM COBRANÇA PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Não cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 46, a recorrente apresentou recurso voluntário em 17/05/2013 (efls. 48/55), conforme carimbo aposto à efl. 48. É o Relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 63 6 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente alega que "atrasou algumas parcelas do SIMPLES de 03/2008 a 09/2008 e de 11/2008 a 12/2008, motivo pelo qual foi excluída com base em ADE de setembro de 2010", mas que "parcelou os débitos em aberto", conforme "comprovante do parcelamento dos valores devidos...(doc. 01)" e alega que "esta Corte possui entendimento de que, parcelado o débito no decorrer do processo de exclusão do SIMPLES, este deve ser afastado, com a manutenção da empresa naquele regime simplificado". Tratase de argumentos novos, não apresentados pela defesa em sede de manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas, verbis: (grifos não constam do original) “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 64 7 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” (destacado) A preclusão se verifica pela não dedução de todos os argumentos de defesa no recurso inaugural, isto é, as matérias de direito que pretendia questionar, decorrendo daí a perda da oportunidade processual de contestação, valendo acentuar que o recurso voluntário, como dito, é totalmente distinto da impugnação, chegando mesmo, em alguns pontos, a serem mutuamente contraditórios. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 65 8 Embora os argumentos ora apresentados não tivessem sido prestados em sede de recurso de primeira instância, o documento juntado pela recorrente, às efls. 5354, (Informações cadastrais da Matriz), extraído em 02/05/2013 por meio do Serviço de Atendimento Virtual (eCac), não comprova que o parcelamento foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência, o que ocorreu em 22/09/2010. É de suma importância observar que as presunções “juris tantum”, muito embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. Esse também é o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, exarado no Acórdão do 1º CC nº 010.071/1980, do qual se destaca o seguinte trecho: “O certo é que cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, sob pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece me elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte.” A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fito de se elidir a tributação erigida por lançamento. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Cabe ao litigante provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito, conforme o disposto no art. 16, III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Assim, considerando que a recorrente não tomou as medidas cabíveis para a suspensão ou pagamento dos débitos no prazo estipulada, e que o documento apresentado não faz prova em favor da rr, não há que se falar em reforma da decisão recorrida, cujas razões de decidir adiro, tendo em vista o disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11065.720751/201098 Acórdão n.º 1001000.704 S1C0T1 Fl. 66 9 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915385/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO.
O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
Numero da decisão: 1401-002.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PRECLUSÃO. Recorrente BROTO LEGAL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 53 85 /2 01 1- 53 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou compensação do(s) débito(s) discriminado(s) na Dcomp transmitida pela empresa. O Despacho Decisório considerou que, partir das características do DARF descrito na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas estes foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Em sua manifestação de inconformidade a Contribuinte alegou, em síntese, que na DIPJ e DCTF do respectivo anocalendário não foram levadas em consideração algumas despesas que mudariam a base de cálculo do IRPJ, juntando DIPJ e DCTF retificadoras. A DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese, que no anocalendário em discussão, não obstante tenha sido aprovada a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP), referidos valores não haviam sido contabilizados e declarados nas apurações dos respectivos tributos. Anos depois, ao verificar tal situação, a empresa então contabilizou os JCP, procedendo ao recolhimento do respectivo IRRF. Junta, então, documentos demonstrando o cálculo do JCP, Razão das contas demonstrando a contabilização extemporânea, comprovante de recolhimento do IRRF, memória de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme a apuração "antiga" e respectivos comprovantes de recolhimento, memória de cálculo do IRPJ e CSLL retificadas e alteração contratual referente ao aumento do seu capital social. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Relator Luiz Augusto de Souza Gonçalves O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.709, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10830.915387/2011 42, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.709): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pleiteia a contribuinte, via declaração de compensação, o reconhecimento da dedutibilidade de juros sobre o capital próprio (JCP) que vieram a ser registrados na contabilidade em momento posterior. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade por considerar que a DCTF original serviu como confissão de dívida e a empresa não apresentou documentação que comprovasse erro que desse fundamento à retificação do tributo declarado e recolhido. De fato, em sua manifestação de inconformidade a contribuinte se limita a afirmar que o recolhimento foi indevido e a anexar declarações retificadoras, sem tecer qualquer explicação da razão pela qual a retificação estaria sendo feita, nem juntar qualquer documento relativo a tal apuração. Apenas em sede recursal é que a empresa explica o motivo pelo qual entende que ocorreu pagamento a maior de tributos e anexa documentos tais como o Razão e a memória de cálculo dos JCP. Entendo que no caso se operou a preclusão contra a Recorrente. Nos termos da legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972), os fundamentos do pedido ou de defesa, conforme o caso – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade ou da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa (conforme o caso) e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão nesta ocasião precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Por exemplo, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, nenhuma de tais hipóteses de exceção resta configurada. Cumpre notar que, mesmo que assim não fosse, a Recorrente não logra sequer comprovar adequadamente seu direito, já que não foi juntado aos autos qualquer documento societário referente à deliberação dos JCP. Assim, mesmo que se 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10830.915385/201153 Acórdão n.º 1401002.716 S1C4T1 Fl. 6 5 admitisse a análise da documentação juntada e a supressão de instância daí decorrente, não seria possível verificar a procedência das alegações da Contribuinte. Neste sentido, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 491DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.977144/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 44 /2 01 6- 17 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977144/201617 Acórdão n.º 1401002.623 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/12/2014, no valor de R$ 203.374,64, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2014 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO INDISPONÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Impossível o reconhecimento de direito creditório integralmente utilizado para quitar outro PER/Dcomp do contribuinte. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter se insurgido contra a vinculação do direito creditório a outro PER/DComp e não a débito declarado em DCTF. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977144/201617 Acórdão n.º 1401002.623 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977144/201617 Acórdão n.º 1401002.623 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720085/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 07/10/2013
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.990
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 07/10/2013 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 85 /2 01 1- 39 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000053/2010-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82.
O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência.
A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas."
Numero da decisão: 9101-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura.
Julgamento iniciado na reunião de 03/2018.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82. O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência. A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. Julgamento iniciado na reunião de 03/2018. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 53 /2 01 0- 14 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 788 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório CLARO S/A recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 558 e ss., contra o Acórdão nº 1101000.971 (efls. 503 e ss.), de 09/10/2013, por meio do qual foi negado provimento ao seu recurso voluntário. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INDICADOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ (ANOCALENDÁRIO 2008) E CSLL (ANOSCALENDÁRIOS 2008 E 2009). LUCRO REAL NEGATIVO EM 2008. INEXISTÊNCIA DE CSLL DEVIDA AO FINAL DO MESMO PERÍODO E DIMINUTO RESULTADO TRIBUTÁVEL EM 2009. CANCELAMENTO DA COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. LINDES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte argumenta que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, deveria a cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2008 e 2009 ser cancelada, eis que não se apurou qualquer tributo devido ao final de 2008 (lucro real negativo e CSLL recolhida, via DARF. em valor muito superior à contribuição devida ao final do período) e que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo anocalendário. A questão atinente a cobrança dos débitos confessados por alegadamente serem indevidos não integra os estritos limites do Processo Administrativo Fiscal de compensação, cujo objeto cingese à análise da higidez dos créditos apontados e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados espontaneamente pelo contribuinte. Existência de instrumentos Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 789 3 eficazes para ilidir cobrança indevida, a despeito de confessada, mas em sede própria. A contribuinte apresentou à Receita Federal do Brasil nove declarações de compensação (fls. 2), todas apontando, como crédito, alegado saldo negativo de IRPJ no ano 2007, composto de: (i) Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 536.711,12); (ii) imposto pago no ext. s/ lucros, rend. e ganhos de capital (R$ 8.876.472,45); (iii) Imposto de Renda Retido na Fonte (R$ 3.990.070,68); (iv) IRRF por órgãos, aut. e fund. fed. Lei n° 9.430/1996 (R$ 224.449,23) e (v) Imposto de renda mensal pago por estimativa (R$ 80.681.332,50). A Administração Tributária reconheceu o crédito relativo ao item (i); não reconheceu o crédito relativo ao item (ii) e reconheceu parcialmente os créditos relativos aos itens: (iii) 3.916.535,64; (iv) 14.310,28 e (v) 27.916.188,49, levando à homologação parcial das declarações de compensação, nos termos do despacho decisório de efls. 119 e ss. Instaurado o contencioso administrativo, a DRJ em São Paulo considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1626.830 (efls. 215 e ss.). A contribuinte apresentou recurso voluntário em que requereu que fosse reconhecido todo o crédito demonstrado e, subsidiariamente, ainda que esse crédito não fosse reconhecido, requereu o cancelamento dos débitos relativos a estimativas dos anos 2008 e 2009, considerando que não havia imposto a pagar naqueles anos (efls. 247 e ss.). Antes do julgamento desse recurso, a contribuinte apresentou sua desistência parcial, efetuando o parcelamento dos débitos que pretendia extinguir por compensação, à exceção dos débitos de estimativa. Assim, o objeto da lide passou a ser, exclusivamente, o cancelamento desses débitos, conforme solicitado na petição do recurso. O Acórdão nº 1101000.971, ora recorrido, negou provimento ao recurso voluntário, adotando o entendimento de que o pedido extrapola os limites do processo administrativo fiscal de compensação, cujo objeto prendese à análise da higidez do crédito apontado e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados, nos seguintes termos (efls. 506): Consoante narrado acima, a controvérsia vertente limitase ao pedido do contribuinte, no sentido de que. a despeito de ter aberto mão da discussão sobre a pertinência do crédito que indicara, devem ser canceladas as cobranças atinentes às estimativas de IRPJ e CSLL dos anoscalendários 2008 e 2009, que foram compensadas com o pretenso Saldo Negativo de IRPJ de 2007, ante a inexistência de IRPJ ou CSLL devidos ao final de 2008 e a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo exercício, temse que igualmente não deve ser o pleito acatado. De fato, os lindes do processo administrativo derivado de não homologação de Declaração de Compensação não comportam tal análise: aqui, cabe aos julgadores unicamente se pronunciar sobre a higidez dos créditos e sobre a sua suficiência para a amortização dos débitos confessados. Em seguida, a contribuinte apresentou o presente recurso especial de divergência (efls. 558 e ss.), por entender que a decisão recorrida diverge da interpretação da Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 790 4 legislação tributária adotada nos acórdãos paradigmas nº 180300.664 e nº 180300.530, cujas ementas seguem transcritas, respectivamente: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS. Dado o caráter de confissão de dívida, sujeitamse à apreciação de liquidez e certeza os débitos declarados em DCOMP, pois não se admite a exigência de tributo indevido, rechaçada a teoria do solve et repete. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ERRO DE FATO. Dado o caráter de confissão de dívida dos débitos constantes da DCOMP, deve a autoridade julgadora apreciar as alegações pertinentes aos créditos e débitos compensados, cancelandose eventual exigência indevida por erro de fato contido na Declaração de Compensação. O recurso foi admitido por meio do despacho de efls. 716 e ss. Em contrarrazões (efls. 721 e ss.), a Fazenda Nacional questiona a admissão do recurso, afirmando que o contribuinte não demonstrou, de forma analítica, o dissenso entre o acórdãos contrapostos, buscando apenas o revolvimento do conjunto fáticoprobatório, nos seguintes termos (efls. 721 e ss.): Todavia, o recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório. [...] A decisão recorrida, deixa claro, portanto, que o contribuinte, ao pleitear a desistência parcial da discussão administrativa, reconheceu como indevido crédito, e, em não havendo crédito, pretendeu rediscutir débito já confessado. A Fazenda Nacional ainda reclama que não foi possível verificar em pesquisa no sítio do CARF a existência de decisão válida quanto ao acórdão paradigma nº 180300.664 e que o acórdão paradigma nº 180300.530 possui quadro fático distinto do acórdão recorrido, o que impossibilitaria o estabelecimento da divergência pretendida pelo recorrente. Quanto ao mérito, a Fazenda Nacional repisa os argumentos expostos na declaração de voto da exConselheira Edeli Pereira Bessa, que acompanhou o voto condutor apenas em suas conclusões. Deve ser salientado que o presente processo está sendo julgado em conjunto com os processos de compensação nº 16306.000058/201039 e nº 16306.000037/201013, em razão de conexão. O saldo negativo utilizado como crédito no presente processo é composto, em parte, por estimativas quitadas por compensação em apreço no processo nº 16306.000037/201013. O mesmo ocorrendo com o processo nº 16306.000058/201039. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 791 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo, foi apresentado por pessoa hábil a representar a parte e os demais requisitos de admissibilidade foram atendidos, conforme apontado no despacho de admissibilidade de efls. 716 e ss. Todavia, a Fazenda Nacional propugna pela não admissão do recurso, afirmando que o recorrente pretende revolver o conjunto fáticoprobatório. Entendo que essa afirmação não possui suporte, uma vez que a questão trazida pelo recurso é, em princípio, de natureza jurídica, qual seja, a possibilidade de o débito ser incluído na analise da declaração de compensação para que se proceda o seu cancelamento. Com esse foco, verificase que também não procede a outra resistência oferecida pela Fazenda Nacional para a admissão do recurso, qual seja, a falta de similitude fática entre os acórdãos contrapostos. Tanto no acórdão recorrido, quanto nos dois acórdãos paradigmas, as decisões recaíram sobre declaração de compensação, sendo que a decisão paradigma analisou apenas o crédito da compensação e negou a análise do débito, por entender extravagante ao processo. Por outro lado, as decisões paradigmas analisaram tanto o crédito quanto o débito da compensação, afirmando expressamente a necessidade da análise do débito. Com isso, entendo que há similitude fática suficiente para estabelecer a divergência, ainda que nos processos paradigmas não exista o mesmo pedido de cancelamento do débito presente no processo em julgamento. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso do contribuinte. Uma única questão é trazida para o conhecimento deste Colegiado, atinente à possibilidade de a autoridade julgadora do processo administrativo de compensação apreciar o débito e determinar o cancelamento daquele débito referente a estimativas, o qual se pretendia, inicialmente, extinguir por compensação. Em outras palavras, a contribuinte, no tempo correto, liquidou obrigação de estimativa mensal mediante a apresentação de declaração de compensação. Em seguida, parcelou alguns débitos que não foram reconhecidos pelas decisões anteriores, e agora pleiteia tão somente o cancelamento dos débitos relativos às estimativas, ao argumento de que o imposto a pagar ao término no anocalendário foi zero. A decisão recorrida negou o pedido de cancelamento do débito de estimativa, adotando o entendimento que este extrapola os limites da lide, uma vez que a análise da compensação, no âmbito do contencioso administrativo, deve se limitar à análise da higidez do crédito apontado e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados. Todavia, a recorrente apontou decisões de outra Turma de Julgamento do CARF que adotou entendimento diverso, franqueando a análise de débito declarado. Ora, a atividade de homologação de uma declaração de compensação exige a análise tanto do crédito (pagamento indevido ou a maior), quanto do débito (obrigação Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 792 6 tributária), nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, de onde destacase os seguintes trechos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1o: I omissis II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e É que essa Lei exige, expressamente, certas características do débito a ser compensado: que seja próprio do declarante (caput), que seja administrado pela RFB (caput), que não seja devido em razão de importação (§3º, II); que não esteja inscrito em Dívida Ativa da União (§3º, III); que não esteja incluído em programa de parcelamento (§3º, IV) e que não tenha sido objeto de outra compensação não homologada (§3º, V). Com isso, a atividade de homologação de uma declaração de compensação deve incluir a apreciação do débito, pelo menos nos aspectos acima apontados, em razão de comando legal. Aliás, a verificação do débito é ainda mais ampla, em razão da necessidade de se concretizar o princípio da verdade material frente às alegações do contribuinte quando argumenta, por exemplo: que o débito não existe, que o débito foi declarado em duplicidade, que o débito foi declarado a maior, que o débito já foi extinto etc.. Assim, o presente dissídio jurisprudencial deve ser resolvido nos termos dos paradigmas, os quais apontam para a possibilidade de análise do débito declarado, para que seja afastado o entendimento adotado na decisão recorrida, pelo qual o deslinde do processo estaria adstrito à análise do crédito declarado. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 793 7 Todavia, o resultado dessa atividade não comporta o cancelamento de uma obrigação tributária devida, ainda que tenha se tornado inexigível em razão de fato superveniente, conforme os seguintes fundamentos. É que a contribuinte não alega qualquer erro na sua declaração ou vício na constituição do crédito tributário. Apresenta argumentos em torno da natureza dos débitos de estimativas, que não poderiam ser exigidas após o término do anocalendário dada a sua natureza, motivo pelo qual defende a aplicação da lógica da Súmula CARF nº 82, conforme o seguinte excerto ( (efls. 584): Ou seja, após o término do anocalendário, as estimativas porventura não pagas já não poderão ser cobradas. A jurisprudência do E. CARF pacificou este entendimento através da aprovação da Súmula n° 82: "Súmula CARF n° 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas." O conteúdo do enunciado sumular é, neste sentido, claríssimo no sentido de corroborar todo o exposto. Em virtude de já se encontrarem encerrados os anoscalendários de 2008 e 2009, improcede a cobrança das estimativas de IRPJ relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2008, bem como das estimativas de CSLL relativa aos meses de janeiro, maio e junho de 2008 e fevereiro, junho e julho de 2009. Srs. Conselheiros, destaquese que este entendimento não deve ser aplicado apenas às hipóteses em que as estimativas são cobradas mediante lançamento de ofício, mas, igualmente, nos casos envolvendo compensação tributária de débitos de estimativas mensais regularmente confessadas pelo contribuinte em DCTF e PER/DCOMP. Isto porque, tanto na compensação tributaria quanto no lançamento de oficio o que não se admite, nos termos da jurisprudência do E. CARF, é a exigência de estimativas não recolhidas após o encerramento do ano calendário, já que elas não poderão representar logicamente qualquer "antecipação" de imposto ou contribuição a ser futuramente apurada. Todavia, os débitos objetos de análise no presente processo, no estado em que se encontram, têm origem em obrigações tributárias de antecipar tributo devido (estimativas). Assim, não há qualquer dúvida sobre a existência do débito e da possibilidade de sua compensação na época em que foi apresentada a correspondente declaração. A lógica da contribuinte para aplicação da Súmula CARF 82, aliás, decorre de um fato superveniente, qual seja, a apuração do tributo no final do correspondente exercício, resultando em valor zero, o que tornaria inexigíveis as supracitadas antecipações mensais, conforme o seguinte excerto (efls. 587 e ss.): Não bastasse a clareza do enunciado sumular, da jurisprudência do E. CARF e do entendimento da PGFN sobre o tema, importa ressaltar consoante já foi amplamente demonstrado nos autos do presente processo administrativo e, inclusive, reconhecido Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 794 8 pelo acórdão recorrido que a Recorrente não apurou IRPJ e CSLL a pagar no anocalendário de 2008, consoante evidenciado na petição protocolada em 24/01/2013. Quanto à apuração de IRPJ relativo ao anocalendário de 2008, a Recorrente demonstrou ter apurado lucro real negativo. No tocante à CSLL, restou demonstrado que, conquanto tenha sido apurada contribuição a pagar no valor de R$ 397.655,42, os pagamentos efetuados ao longo do referido ano superaram o referido valor, razão pela qual tampouco há qualquer valor complementar de contribuição a recolher. Em relação às estimativas de CSLL do anocalendário de 2009, a situação descrita em relação ao ano de 2008 se repetiu. A Requerente apurou a contribuição devida no montante de R$ 21.624.716,77, e estimativas pagas e compensadas no montante total de R$ 38.352.542,11, conforme se depreende da petição protocolada em 24/01/2013, resultando em saldo negativo, o que significa que nenhum valor haveria de ser pago no ajuste anual. Desse modo, concluise que qualquer recolhimento que venha a ser feito, no presente momento, pela Recorrente, a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL dos anoscalendários de 2008 e 2009 se transformará inexoravelmente em saldo negativo, ou seja, em um crédito. Ora, não faz sentido algum exigir que a Recorrente efetue o recolhimento da estimativa para que depois lhe seja devolvida. Tal procedimento implicaria custos tanto à Recorrente quanto à Administração Pública. Ocorre que, como muito bem fundamentado na declaração de voto da ex Conselheira Edeli Pereira Bessa, o caso em apreço, não é de simples aplicação da Súmula CARF nº 82, porque sequer de lançamento de ofício estamos tratando. Aliás, como ela bem enfatizou, todos os paradigmas dessa súmula tratavam de atos de constituição do crédito tributário promovidos de ofício, nos casos de estimativas não recolhidas. Nesses casos, a própria Instrução Normativa da Receita Federal nº 93, de 1997, vigente ao tempo dos fatos, já estabelecia que findo o anocalendário, cobrase multa pela falta de recolhimento da estimativa, e o imposto devido na apuração anual, verbis: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. § 2º Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 2o do artigo anterior, no prazo nela consignado, o AuditorFiscal do Tesouro Nacional procederá à aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º, ressalvado o disposto no § 3º do artigo anterior. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 795 9 § 3º A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § 1º. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. No entanto, ao teor do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, se o imposto a pagar ao final do anocalendário for negativo, o sujeito passivo pode requerer a restituição do indébito. Por oportuno, transcrevese a redação vigente na época dos fatos: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. E transcrevese, também, a redação atual: § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2º; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Logo, não pode esta CSRF cancelar um débito que é devido, no âmbito de um processo de homologação de compensação desse débito, ao argumento de que um fato superveniente ensejaria um indébito tributário. Em razão do exposto, devese indeferir o pedido do sujeito passivo de cancelamento das estimativas declaradas relativas ao AC 2008 e 2009. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 796 10 Com isso, votase por conhecer do recurso especial do contribuinte e negar o seu provimento. Diante dos fundamentos expostos, entendo desnecessária a realização da diligência suscitada durante a sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Designada Com a devida vênia à Ilustre Relatora, formalizo o presente voto vencedor por divergir com relação aos efeitos de fato superveniente com relação à compensação apresentada pelo contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria do Colegiado. Pondero que estou plenamente de acordo com a D. Relatora a respeito da possibilidade de apreciação do débito confessado em PER/DCOMP, adotando suas razões neste ponto, conforme trecho a seguir colacionado: Ora, a atividade de homologação de uma declaração de compensação exige a análise tanto do crédito (pagamento indevido ou a maior), quanto do débito (obrigação tributária), nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, de onde destacase os seguintes trechos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1o: I omissis II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 797 11 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e É que essa Lei exige, expressamente, certas características do débito a ser compensado: que seja próprio do declarante (caput), que seja administrado pela RFB (caput), que não seja devido em razão de importação (§3º, II); que não esteja inscrito em Dívida Ativa da União (§3º, III); que não esteja incluído em programa de parcelamento (§3º, IV) e que não tenha sido objeto de outra compensação não homologada (§3º, V). Com isso, a atividade de homologação de uma declaração de compensação deve incluir a apreciação do débito, pelo menos nos aspectos acima apontados, em razão de comando legal. A despeito de concordar com a possibilidade de apreciação do débito confessado, divirjo quanto à possibilidade de apreciação de fatos supervenientes que modifiquem o débito originalmente declarado. Vale lembrar que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL como as declaradas pelo contribuinte nestes autos não configuram obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação. A respeito das estimativas mensais, destaquese artigo 231, do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999), que estabelece a compensação dos valores antecipados a título de estimativa mensal ao final do ano: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. (grifamos) De acordo com o dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda, a pessoa jurídica que tenha recolhido estimativas poderá, ao final do anocalendário, deduzilas do saldo a pagar do IRPJ. Tal mecanismo demonstra a relação inafastável entre as estimativas mensais e a apuração ao final do período, confirmando que não se tratam de relações jurídicas tributárias autônomas, mas apenas uma técnica de arrecadação. Considerando a natureza de mera antecipação da estimativa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou entendimento sobre a impossibilidade de sua cobrança após o encerramento do ano calendário, conforme Enunciado n. 82 de sua Súmula: Súmula CARF 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 798 12 O E. Superior Tribunal de Justiça também decidiu que as estimativas mensais são meras antecipações do fato gerador, que ocorre ao final do período de apuração, verbis: É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de calculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no Resp 694.278, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 03/08/2006) São precisas as considerações de Paulo de Barros Carvalho tratando da relação indissociável entre o tributo pago ao final do ano e a estimativa mensal: Prescreve o art. 2º da Lei n. 9.430/969 que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento dos tributos, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada. Feita essa opção, temse recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, em que os valores devidos a título de imposto e de contribuição são determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos em lei. Essa opção não exclui, contudo, a obrigação de calcular a renda e o lucro líquido no final do anocalendário, e de efetuar o pagamento dos tributos sobre ele incidentes. O §3º do dispositivo acima transcrito não deixa dúvidas a respeito do assunto (...). E o §4º segue a mesma linha de raciocínio, ao estipular que o tributo pago no regime de estimativa deve ser deduzido para fins de determinação do saldo de tributo a pagar. Em sentido semelhante, também, é a disposição do art. 6º da Lei n. 9.430/96, a qual permite entrever a indissociabilidade do tributo pago no regime de estimativa e aquele devido ao final do anocalendário. (...) Os referidos preceitos legais nos levam a concluir que o regime de estimativa não veicula tributos distintos do IRPJ e da CSLL anuais. Tratase de técnica de tributação que implica antecipação do recolhimento de valores presumidamente devidos em 31 de dezembro de cada ano. Por isso, na apuração dos tributos no último dia do anocalendário (critério temporal do IRPJ e da CSLL) devem ser consideradas as quantias antecipadas e, ainda, se estas forem superiores ao débito efetivo, cabe sua restituição. (Derivação e Positivação no Direito Tributário, Volume 1, 2ª edição, São Paulo, Noeses, 2014, fl. 289/290) O caso dos autos trata de débitos (do contribuinte) de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, declarados em PER/DCOMP, para fins de compensação com créditos então identificados pelo contribuinte. Alega o contribuinte que os débitos (de estimativa mensal) teriam sido extinto pelo pagamento (REFIS IV) do IRPJ devido ao final do anocalendário. O contribuinte tem razão em seu pedido, tanto por reconhecimento do pagamento do tributo ao final do anocalendário inclusive no Programa REFIS IV , que é Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 799 13 forma de extinção do crédito tributário (IRPJ e CSLL devidos ao final do período e, por consequência, os débitos de estimativas mensais indicados pelo contribuinte em suas PER/DCOMPs), nos termos do artigo 156, do Código Tributário Nacional; como pela natureza antecipatória da estimativa mensal, como tratado anteriormente. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura A declaração de voto é para registrar, com a devida vênia ao substancioso voto da I. Relatora, discordância sobre entendimento de que no processo administrativo fiscal (normatizado pelo PAF) de reconhecimento de direito creditório, teria o presente Colegiado atribuição para apreciar tanto o crédito informado quanto o débito confessado na declaração. Isso porque entendo que a competência do julgador na fase contenciosa do processo administrativo fiscal, relativo à declaração de compensação, encontrase adstrita ao exame do crédito informado. Observase que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) conferiu aos débitos informados na declaração de compensação efeito de confissão de dívida: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Grifei) Há que se segregar, na declaração de compensação, dois elementos: (1) o crédito pleiteado, e (2) o débito (ou os débitos) sobre o qual se pretende a extinção, com fulcro no art. 156, inciso II do CTN. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 800 14 Fato é que, a partir do momento em que se confere ao débito objeto de declaração de compensação o efeito de confissão de dívida, escapa da fase contenciosa administrativa tributária a competência para eventual apreciação. A confissão de dívida implica na superação da fase de conhecimento do processo, e passa a ser objeto de fase de execução. A execução do débito já não é mais discutida no âmbito do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Uma vez confessado, o débito é inicialmente objeto de cobrança amigável pela Receita Federal. Caso a obrigação não seja adimplida, o débito é inscrito na Dívida Ativa da União, sob competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. A partir desse momento, em fase de execução, a discussão passa a ser de competência do Poder Judiciário. Não existem expressões inúteis na lei: declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Entender ao contrário esvazia, por completo, o efeito de confissão de dívida conferido pela legislação tributária. O que se abre para discussão na fase contenciosa é o crédito pleiteado na declaração de compensação. Verificase a liquidez e certeza do direito creditório. Atendidas as condições, o débito é extinto nos termos do art. 156, inciso II do CTN. Caso o Fisco não efetue a verificação no prazo previsto pela legislação, consumase a homologação tácita, ou seja, perdese o direito de se verificar a liquidez e certeza do direito creditório e, por consequência, o débito resta extinto. Por outro lado, em relação ao débito, tendo a declaração de compensação efeito de confissão de dívida, tratase de apreciação consumada no presente momento processual. Tanto que, caso o crédito não tenha os atributos de liquidez e certeza, ou seja, a declaração não seja homologada, ainda assim não há óbices para a cobrança do débito, vez que se trata de confissão de dívida, precisamente norma prevista no § 6º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Enfim, as condições estabelecidas no § 3º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser entendidas como requisitos para a admissibilidade de declaração de compensação. Ora, determinar que determinadas espécies de débito não podem ser objeto de declaração de compensação não tem como desdobramento ampliar o escopo da apreciação do mérito de uma declaração de compensação: o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Primeiro, iniciase exame de admissibilidade da declaração de compensação, mediante verificação de requisitos específicos, inclusive os dispostos no § 3º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por exemplo, não resta admitida declaração de compensação cujos débitos já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (débitos já em fase de execução), ou que já restem consolidados em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF (débitos objeto de parcelamento tem efeito de confissão de dívida), ou que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa (se já foi objeto de outra compensação, são débitos confessados). O que se observa é que a declaração de compensação não é admitida por perda de objeto, vez que versa sobre débitos previamente confessados. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 801 15 Superado o exame de admissibilidade, passase para a segunda etapa, a apreciação do mérito da declaração de compensação, momento em que se verifica apenas o crédito pleiteado, já que o débito, como já dito, encontrase confessado. Nesse sentido, tenho firme convicção que a discussão do débito em processo de compensação não é de competência da fase contenciosa administrativa tributária normatizada pelo PAF. Assim, não há como se acatar a pretensão da recorrente em discutir o débito nos presentes autos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 801DF CARF MF
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