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Numero do processo: 10675.005279/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato Gerador: 04/12/2007
DOSIMETRIA DA MULTA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA.
Considera-se suficientemente caracterizada a reincidência quando houver, nos autos, a identificação do auto de infração anteriormente lavrado com base na informação do seu número, dispositivo legal infringido, data da autuação e data do pagamento da multa. Constatando-se reincidência no mesmo tipo de infração a multa-base deve ser majorada em três vezes. Inteligência do art. 292, IV, do RPS/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Thiago Taborda Simões e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas que afastavam a agravante de reincidência. Apresentará o voto vencedor a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Luciana de Souza Espíndola Reis Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente XINGULEDER COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 04/12/2007 DOSIMETRIA DA MULTA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. Considerase suficientemente caracterizada a reincidência quando houver, nos autos, a identificação do auto de infração anteriormente lavrado com base na informação do seu número, dispositivo legal infringido, data da autuação e data do pagamento da multa. Constatandose reincidência no mesmo tipo de infração a multabase deve ser majorada em três vezes. Inteligência do art. 292, IV, do RPS/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 52 79 /2 00 7- 13 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Thiago Taborda Simões e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas que afastavam a agravante de reincidência. Apresentará o voto vencedor a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Luciana de Souza Espíndola Reis – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10675.005279/200713 Acórdão n.º 2402004.169 S2C4T2 Fl. 689 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado com código de fundamento legal 38 por ter a empresa deixado de apresentar, apesar de solicitação formal pela fiscalização, todos os documentos de caixa da conta Ensino/Instrução dos anos de 2003 a 2006 e todos os documentos de caixa das seguradoras lançadas na conta Despesas Indedutíveis no período de 2004 a 2006. De acordo com o relatório fiscal de fls. 19, a conduta gerou infração ao artigo 33, § 2°, da Lei n° 8.212/91, vez que a empresa, ao ser intimada a apresentar documentos deixou de fazêlo. Nos termos do relatório fiscal de aplicação da multa de fls. 20, a multa foi aplicada no valor mínimo estabelecido pelo art. 283, II, alínea j, do RPS. Todavia, por ter a empresa já sido autuada pela mesma infração (AI DEBCAD 35.549.4981), incorrera na circunstância agravante da reincidência, sendo a penalidade elevada em três vezes nos termos do incido IV do art. 292 do Decreto n° 3.048/1999. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 233/257 que foi julgada improcedente pelo acórdão de fls. 271/285 sob os seguintes fundamentos: 1) A aplicação da penalidade e o cálculo para fixação do valor da multa foram efetuados observando a norma previdenciária; 2) A reincidência considerada para majoração é válida quando verificada a prática de nova infração a dispositivo legal por uma mesma pessoa ou seu sucessor dentro do prazo de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data da revelia; 3) As práticas violadoras ao dispositivo ocorreram em 01/2004 e 12/2007, sendo verificada a reincidência; Devidamente intimada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 290/301 segundo o qual: 1) Há cumulação de multa formal e material, pois nos autos de obrigação principal a autoridade fiscal aplicou penalidade de ofício; 2) Não há prova nos autos de que a Recorrente tenha reincidido na conduta, devendo ser decretada a nulidade do AI ou ao menos a redução da multa pela não aplicação da circunstância agravante; 3) A recorrente apresentou todos os documentos solicitados pela Fiscalização; 4) Caráter confiscatório da multa; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5) Os documentos foram juntados no curso da instrução processual. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10675.005279/200713 Acórdão n.º 2402004.169 S2C4T2 Fl. 690 5 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar Nulidade Pretende a Recorrente seja decretada a nulidade da autuação sob o fundamento inicial de que há cumulação formal e material das penalidades, uma vez que nos autos de obrigação principal a autoridade aplicou multa de ofício, que se confunde com a penalidade ora aplicada. Não tem respaldo a alegação. A legislação previdenciária faz diferenciação clara entre os dois tipos de penalidades. A causa de aplicação, os critérios, valores e momentos de aplicação de cada uma das penalidades são totalmente distintos, não havendo qualquer relação entre elas. Uma é aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória por deixar o contribuinte de apresentar informações corretas em GFIP. A outra se faz necessária quando, intimado a apresentar documentos – não necessariamente GFIPs – o contribuinte não o faz. Mérito Ausência de prova da reincidência A fiscalização majorou a penalidade aplicada em 3 vezes sob a justificativa de que teria a Recorrente reincidido na infração ao mesmo dispositivo legal em menos de 5 anos. Para tanto, informa as datas em que as infrações foram cometidas e os AI DEBCADs a elas referentes (35.549.4981 e 35.549.4973), ambos já arquivados. Todavia, da análise dos autos é impossível verificar o resultado desses autos de infração ou, ao menos, os processos administrativos a eles referentes para que se pudesse verificar se de fato houve trânsito em julgado da decisão condenatória contra a Recorrente, nos termos do art. 655, V, § 1°, da Instrução Normativa n° 3/2005 aplicável à data do fato gerador: Art. 655. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: [...] V – incorrido em reincidência. § 1° Caracterizase reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar Fl. 693DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 irrecorrível a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. Assim, diante da ausência de demonstração pela fiscalização dos critérios acima mencionados, reconheço o direito da Recorrente à redução da multa ao patamar inicial. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para que seja calculada a multa sem aplicação da agravante. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10675.005279/200713 Acórdão n.º 2402004.169 S2C4T2 Fl. 691 7 Voto Vencedor Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, redatora designada. Em seu voto, o relator decidiu afastar a agravante de reincidência específica, sob o argumento de que não ficou demonstrada, nos autos, a data do trânsito em julgado administrativo dos autos de infração anteriormente lavrados em desfavor da recorrente e o resultado dos processos administrativos a eles correspondentes. Apesar da fundamentada explicação, divirjo do entendimento do ilustre relator, pois, a meu juízo, a reincidência está caracterizada nos autos, assim como também está configurada a eficácia da reincidência como agravante da multa. De acordo com o relatório fiscal de aplicação da multa, f. 40, a autoridade fiscal majorou em três vezes o valorbase da multa pelo fato de a empresa ter incorrido na circunstância agravante da reincidência específica, informando o número do processo (Debcad) e a data da autuação, nos termos do art. 290, V, e parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Ficou demonstrado, nos autos, que a recorrente havia sido autuada anteriormente por infração ao mesmo dispositivo legal de que trata a presente autuação, o que foi objeto do auto de infração Debcad no 35.549.4973, cuja multa foi recolhida pela autuada e o pagamento foi homologado em 28 de janeiro de 2004, conforme registrou a decisão de primeira instância nos trechos do voto do relator abaixo transcritos: (...) Sendo elevado em três vezes por ocorrência de circunstância agravante de reincidência em infrações em relação à autuação acima identificada, nos termos do inciso IV do art. 292 do RPS, totalizando R$35.853,63. (Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, folhas 20). Apesar de erro de digitação no relatório fiscal ao incluir os DEBCAD relativos a autuação anterior, constata se através de outros relatórios pertencentes aos resultados da mesma ação fiscal e através dos sistemas corporativos tratarse Fl. 695DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 de AI DEBCAD n° 355494981 (AI 25/11/2003, BAIXADO POR DN 22/09/2004 ARQUIVAMENTO 24/09/2004, FLEGAL 53) e n° 355494973 (AI 24/11/2003, BAIXADO POR DN 28/01/2004 HOM. DN. RD. CREDITO 28/01/2004, FLEGAL 38). (...) Os Auditores Fiscais atestam a reincidência específica em seu relatório fiscal, e apesar de não ter sido anexada aos autos as telas para comprovação da informação das autuações anteriores, foram verificadas através de consulta aos sistemas corporativos, PGF — PGFN — DATAPREV — DIVIDA ATIVA — CONSULTA AS INFORMAÇÕES DO CREDITO, DATAPREV — INSS — SISTEMA DE COBRANÇA — CONSULTA DADOS IDENTIFICADORES DE PROCESSO, DATAPREV — INSS — SISTEMA DE COBRANÇA — LISTA DE COMPETENCIAS DE PROCESSOS e SISCOL. (...) A nova infração, da qual a recorrente foi pessoalmente intimada em 05 de dezembro de 2007, ocorreu dentro do prazo de cinco anos contados da data do pagamento da autuação anterior, em 28 de janeiro de 2004. Constatandose reincidência específica, a multabase deve ser elevada em três vezes, conforme disposição do art. 292, IV, do RPS/99: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Em suma, foram demonstrados com clareza os fundamentos de fato e de direito adotados na metodologia de quantificação do valor da multa, cuja gradação foi feita de acordo com o art. 290, V, parágrafo único e art. 292, IV do RPS/99. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REI S, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13819.001440/2003-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
COMPENSAÇÃO.
Compete ao sujeito passivo demonstrar a liquidez e certeza dos alegados créditos que possui para efetuar compensações
Numero da decisão: 1301-001.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 COMPENSAÇÃO. Compete ao sujeito passivo demonstrar a liquidez e certeza dos alegados créditos que possui para efetuar compensações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 14 40 /2 00 3- 62 Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Campinas/SP. Tratase na espécie de Declarações de Compensação apresentadas pela ora recorrente (fls. 531/532), que indicaram, primitivamente, o seguinte histórico: Anocalendário R$ Saldo Negativo de IRPJ 1999 489.973,60 Saldo Negativo de IRPJ 2001 1.410.744,70 Estimativa de maio (fl. 306) 2002 285.207,60 IRRF – aplicação financeira 2002 359.951,26 Saldo negativo de CSLL 1998 507.756,90 Saldo negativo de CSLL 1999 291.811,31 Estimativas de jan e abril (fls. 304/305) 2000 327.062,11 Total 3.672.507,48 De acordo com o disposto no presente processo, para determinar o direito creditório a que fazia jus a requerente, a autoridade administrativa verificou os saldos de IRPJ e CSLL a pagar dos anoscalendário de 1998 a 2003, elaborando as planilhas de folhas 700 a 711, apurando um direito creditório no montante de R$ 2.162.106,57. Verificase ainda, que o Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT ressaltou que "as retenções na fonte, relativas ao anocalendário de 2002, bem como as estimativas, foram averiguadas em Mandado de Procedimento Fiscal", frisando que "afora todo o extenso trabalho realizado em Diligência Fiscal, nenhuma outra verificação sobre a veracidade das informações prestadas pelo contribuinte nas declarações de IRPJ referentes aos exercícios de 1999 a 2003 foi efetuada nesta análise" e, por fim concluiu que, "em face da análise efetuada no Serviço de Fiscalização desta Delegacia — SEFISIDRFISBC, resultante em Informação Fiscal, com obediência às normas legais em vigência, proponho o deferimento parcial do pedido de reconhecimento de direito creditório referente ao saldo negativo acumulado de imposto de renda e contribuição social dos exercícios de 1999 a 2003, anos calendário de 1998 a 2002, conforme demonstrado nas planilhas anexas". Diante do precitado Parecer, a DRF de origem proferiu o Despacho Decisório de folhas 696 a 713, deferindo parcialmente o direito creditório solicitado, dando ciência à contribuinte dessa decisão em 28/03/2006. Posteriormente, homologouse as compensações até o limite do crédito reconhecido, cientificando a empresa em 26/03/2007. Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13819.001440/200362 Acórdão n.º 1301001.630 S1C3T1 Fl. 3 3 Eis o Demonstrativo do direito creditório solicitado versus o Direito creditório reconhecido: AC Valor solicitado Valor reconhecido Saldo Neg de IRPJ 1999 489.973,60 489.973,60 Saldo Neg de IRPJ 2001 1.410.744,70 872.564,76 Estimativa de maio 2002 285.207,60 0,00 IRRF – aplicação financ 2002 359.951,26 0.00 Saldo negativo de CSLL 1998 507.756,90 507.756,90 Saldo negativo de CSLL 1999 291.811,31 291.811,31 Estimativa de jan e abril 2000 327.062,11 0,00 Total 3.672.507,48 2.162.106,57 A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 770 – 784), devidamente aditada após as compensações efetuadas e a posterior ciência, nas quais alegou, em síntese, que no intuito de justificar o indeferimento do saldo negativo no valor de R$ 1.510.400,91, a decisão recorrida sustentou divergências no saldo a restituir/compensar na ordem de somente R$ 41.393,09, não havendo qualquer indicação das causas de indeferimento dos R$ 1.469.007,82 remanescentes, e, desta forma, na ausência de fundamentação para o indeferimento no valor apontado estaria impossibilitada qualquer pretensão de exercício do contraditório e da ampla defesa e prejudicada a legalidade da decisão, razão pela qual não se poderia admitir a subsistência dos efeitos dela decorrentes. Aduziu ainda, que tendo em vista as conclusões da fiscalização sobre os débitos, créditos e compensações compreendidos no presente processo, que apurou insuficiência de R$ 25.059,52 para satisfazer as compensações pleiteadas, e não havendo nenhum fato novo a justificar a sua revisão, revelamse descabidas as conclusões alcançadas pela decisão recorrida, notadamente a revisão dos saldos credores e valores a pagar de IRPJ e CSLL apurados pela manifestante. No mérito, argumentou que a despeito da qualidade do trabalho exercido pela fiscalização, foram identificadas significativas inconsistências nas apurações apresentadas, as quais comentou pontualmente nos seguintes termos: IR exercício 1.999 (anocalendário 1.998) fl. 518, alegou que em relação a este exercício, a fiscalização reconheceu um saldo "a compensar" correspondente a R$ 1.302.181,55, valor este resultante da diferença entre o "Total IR devido" (R$ 510.483,79) e o "Total Pago" (R$ 1.812.665, 34), sendo este último composto de valores "Pago DARE" (R$ 1.797.533,13) e "Pago IRRF" (R$15.132, 21). Neste caso, a impropriedade reside no Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 montante de IRRF reconhecido pela fiscalização, pois, conforme atestam os anexos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o total retido à Recorrente no anocalendário de 1.998 soma R$ 45.443,82, sendo utilizados R$ 45.443,82 (DIPJ/1999, ficha 13, pág. 16, linha 13), valor significativamente superior ao montante reconhecido (diferença: R$ 30.311,61). Em decorrência desta divergência, verificase o reconhecimento a menor do saldo "a compensar" relativo ao IRPJ/1999, que, efetivamente, corresponde a R$ 1.332.493,15 (R$ 1.302.181,55 + R$ 30.311, 61); É oportuno salientar que, deste montante, R$ 1.300.000,00 já foram utilizados na liquidação do débito constituído no processo administrativo n.' 19392.0000961/200591, estando a matéria atualmente submetida à apreciação judicial por meio da Ação de Execução Fiscal n 2005.61.14.0073667, em trâmite perante a 3ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Bernardo do Campo/SP. 4.2 IR exercício 2.001 (anocalendário 2.000) fl. 07118 Em relação a este exercício, a fiscalização reconheceu um saldo "a pagar" correspondente a R$ 144.663,30, valor este resultante da diferença entre o "Total IR devido" (R$ 3.680.877,30) e o "Total Pago" (R$ 3.536.214,00), sendo este último composto de valores 'Pago DARF" (R$ 3.322.027,10), 'Pago IRRF" (R$ 22.051,23) e 'Pago exterior" (R$ 192.135,67). Neste caso, a impropriedade reside no montante de IRRF reconhecido pela fiscalização, pois, conforme atestam os anexos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o total retido à Recorrente no anocalendário de 2.000 soma R$ 46.535,25, sendo utilizados R$ 46.532,60 (DIPJ12001, ficha 12A, pág. 11, linha 13), valor significativamente superior ao montante reconhecido (diferença: R$ 24.481,37). Em decorrência desta divergência, verificase o reconhecimento a maior do saldo "a pagar" relativo ao IRPJ/2001, que, efetivamente, corresponde a R$120.181,93 (R$144.663,30 R$ 24.481,37). 4.3 IR exercício 2.002 (anocalendário 2.001) fl. 08118 Em relação a este exercício, a fiscalização reconheceu um saldo "a compensar" correspondente a R$ 872.564,76, valor este resultante da diferença entre o "Total IR devido" (R$ 3.221.054, 64) e o "Total Pago" (R$ 4.093.619,40), sendo este último composto de valores 'Pago DARF" (R$ 4.000.438,62) e 'Pago IRRF" (R$ 93.180,78). Neste caso, a primeira impropriedade reside no montante de IRRF reconhecido pela fiscalização, pois, conforme atestam os anexos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o total retido à Recorrente no anocalendário de 2.001 soma R$ 194.493,52 (DIPJ12002, ficha 12A, pág. 11, linha 13), valor significativamente superior ao montante reconhecido (diferença: R$101.312, 74). Além disso, verificase equívoco na indicação do valor lançado a título de "Out. cp / IR pg. " no mês de setembro (R$ 378.428, 71), inferior em R$1.000,00 ao valor efetivamente pago (R$ 379.428,71). Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13819.001440/200362 Acórdão n.º 1301001.630 S1C3T1 Fl. 4 5 Em decorrência destas divergências, verificase o reconhecimento a menor do saldo "a compensar" relativo ao IRPJ/2002, que, efetivamente, corresponde a R$ 974.877,50 (R$ 872.564,76 + R$ 101.312, 74 + R$1.000, 00). 4.4 IR exercício 2.003 (anocalendário 2.002) f 1.09118 Em relação a este exercício, a fiscalização reconheceu um saldo "a pagar" correspondente a R$ 571.389,43, valor este resultante da diferença entre o "Total IR devido" (R$1.175.155,20) e o "Total Pago" (R$ 603.765, 77), sendo este último composto de valores "Pago DARF" (R$ 285.207, 60) e "Pago IRRF" (R$ 318.558,17). Neste caso, a primeira impropriedade reside no montante de IRRF reconhecido pela fiscalização, pois, conforme atestam os anexos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o total retido à Recorrente no anocalendário de 2.002 soma R$ 360.038,85, sendo utilizados R$ 359.951,10, valor significativamente superior ao montante reconhecido (diferença: R$ 41.392,93). Além disso, a revisão de ofício verificase incompleta na medida em que, ao contrário do ocorrido em relação ao exercício de 2.001, a fiscalização não reconhece a compensação do IR pago no exterior (DIPJ12002, ficha 12A, pág. 11, linha 12), nos termos da Instrução Normativa SRF n. ° 21312002. É importante frisar que, nos termos da retromencionada Instrução Normativa, lucros do exterior (Filial Argentina) no valor de R$ 2.286.345,16 foram oferecidos à tributação pelo Imposto de Renda/CSLL devidos no Brasil, conforme adição ao lucro líquido para determinação do Lucro Real Parte W do LALUR e da base de cálculo da CSLL, não se justificando, em hipótese alguma, a vedação ao correspondente crédito, expressamente previsto na mesma legislação (declarações e mapas de conversão anexos). Em decorrência destas divergências, verificase o reconhecimento a maior do saldo "a paga!" relativo ao IRPW2003, que, efetivamente, corresponde a R$ 349.835,97 (R$ 571.389,43 R$ 41.392,93 R$ 180.160,53). 4.5 IR exercício 2.004 (anocalendário 2.003) fl. 10/18 Em relação a este exercício, a fiscalização reconheceu um saldo "a pagar" correspondente a R$ 773.819,22, valor este resultante da diferença entre o "Total IR devido" (R$ 820.252,45) e o "Total Pago" (R$ 46.433,23), sendo este último correspondente apenas ao valor "Pago IRRF". Neste caso, a impropriedade reside no montante de IRRF reconhecido pela fiscalização, pois, conforme atestam os anexos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o total retido à Recorrente no anocalendário de 2.003 soma R$ 69.266,10, sendo utilizados R$ 69.112,06 (DIPJ12004, ficha 12A, pág. 11, linha 13), valor significativamente superior ao montante reconhecido (diferença: R$ 22.678, 83). Em decorrência destas divergências, verificase o reconhecimento a maior do saldo "a pagar" relativo ao IRPJ12004, que, efetivamente, corresponde a R$ 751.140,39 (R$ 773.819,22 R$ 22.678,83). Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 4.6 CSLL exercício 2.001 (anocalendário 2.000) fl. 13118 Em relação a este exercício, a fiscalização identificou um saldo "a pagar" correspondente a R$ 1.047.794,34, valor este resultante da diferença entre o "Tot CS devida" (R$ 1.399.604,08)_ e o "Total Pago" (R$ 351.809,74), sendo este último composto de valores 'Pago ret. org . p. " (R$ 24.747, 63) e 'Pago DARF" (R$ 327.062, 11). Neste caso, a impropriedade reside na aparente desconsideração do Auto de Infração n.' 13819.0014811200430, por meio do qual foi constituído, contra a Recorrente, crédito tributário de CSLL, relativo ao exercício de 2.001, no valor de R$1.374.856,45 (principal). Uma vez que o crédito tributário relativo a CSLL devida no exercício e 2.001 é objeto de parcelamento junto à Secretaria da Receita Federal desde Agosto2005 (Comunicado de Deferimento anexo), inexiste o saldo a pagar apontado pela fiscalização, revelandose injustificada a sua exigência em duplicidade, uma vez no Auto de Infração supra e outra no presente processo. Por outro lado, uma vez que o valor das estimativas recolhidas em 29.02.2000 (R$ 158.263,64) e 31.05.2000 (R$ 168.798,47) não foi utilizado como dedução do saldo a pagar em 31.12.2000 (objeto de Auto de Infração e Parcelamento), temse que, em relação ao período sob análise, a Recorrente não possui débito, mas sim saldo a compensar, correspondente ao valor destas antecipações não reconhecidas (R$ 327.062,11 DARF's anexos). Em decorrência destas divergências, verificase indevida a indicação de "Saldo a Pagar", uma vez que, conforme acima exposto, a Recorrente não possui débito, mas sim saldo "A compensar" correspondente às estimativas recolhidas (R$ 327.062,11). 4.7 CSLL exercício 2.002 (anocalendário 2.001) fl. 14118 Em relação a_ este exercício, a fiscalização identificou um saldo "a pagar" correspondente a R$ 1.204.350,17, correspondente ao valor apontado como "Tot CS devida". Neste caso, assim como no exercício anterior, a impropriedade também reside na aparente desconsideração do Auto de Infração n 13819.001481/200430, por meio do qual foi constituído, contra a Recorrente, crédito tributário de CSLL, relativo ao exercício de 2.002, no valor de R$1.204.350,17 (principal). Uma vez que o crédito tributário relativo a CSLL devida no exercício de 2.002 também é objeto de parcelamento junto à Secretaria da Receita Federal desde Agosto2005 (Comunicado de Deferimento anexo), inexiste o saldo a pagar apontado pela fiscalização, revelandose injustificada a sua exigência em duplicidade, uma vez no Auto de Infração supra e outra no presente processo. Em decorrência desta divergência verificase indevida a indicação de "Saldo a Pagar uma vez que, conforme acima exposto, o débito apontado contra a Recorrente já se encontra em curso de parcelamento. [...] A 2ª Turma da DRJ em Campinas/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.073 em diante, deferiu em parte a solicitação, elaborando novamente o gráfico comparativo entre os valores solicitados e os já reconhecidos no Despacho Decisório, conforme segue: Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13819.001440/200362 Acórdão n.º 1301001.630 S1C3T1 Fl. 5 7 AC Valor solicitado Valor reconhecido 1. Saldo Neg de IRPJ 1999 489.973,60 489.973,60 2. Saldo Neg de IRPJ 2001 1.410.744,70 872.564,76 3. Estimativa de maio 2002 285.207,60 0,00 4. IRRF – aplicação financ 2002 359.951,26 0.00 5. Saldo negativo de CSLL 1998 507.756,90 507.756,90 6. Saldo negativo de CSLL 1999 291.811,31 291.811,31 7. Estimativa de jan e abril 2000 327.062,11 0,00 Total 3.672.507,48 2.162.106,57 Feito este quadro demonstrativo, assinalou a decisão recorrida que os direitos creditórios relativos aos itens 1, 5 e 6 foram totalmente reconhecidos, não existindo matéria a ser discutida, e que em relação aos valores dos itens 3 e 4, a própria contribuinte teria reconhecido em sua manifestação que não possui saldo negativo de IRPJ, mas sim saldo de imposto a pagar, de sorte que tendo em conta a indiscutível inexistência do direito creditório pleiteado, também não haveria lide a ser apreciada. Diante disso, pontuouse que estaria em discussão, portanto: i) o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, que a recorrente alegava ser de R$ 974.877,50 e não de R$ 872.564,76, como apontou a DRF; e ii) as estimativas de CSLL, relativas aos meses de janeiro e abril do ano 2000, que segundo a contribuinte não teriam sido deduzidas da CSLL apurada em auto de infração, cujo crédito tributário constituído foi parcelado. Definido o litígio, passou a decisão recorrida a apreciar as questões preliminares, assinalando que a recorrente acusava o Fisco de elaborar o Despacho Decisório sem esclarecer as razões pelas quais teria indeferido créditos no montante de R$ 1.510.400,91 e que tal fato teria impedido a ampla compreensão da decisão e impossibilitado a perfeita formulação de sua defesa, inquinando todo o procedimento face ao cerceamento de defesa ocorrido. Assinalou a decisão recorrida, quanto ao tópico acima, que não se encontra no despacho decisório ora analisado as faltas ou omissões referidas pela contribuinte, eis que o exame da robusta manifestação apresentada evidencia a correta percepção da matéria e da motivação do deferimento parcial do direito creditório, discutindo profundamente sobre cada um dos saldos credores de IRPJ e CSLL calculados pela DRF. Assim, não se verificando qualquer violação aos requisitos formais legalmente exigidos e havendo sido possibilitada a defesa, que demonstrou ter ciência plena dos fatos motivadores da exigência, afastouse a preliminar de nulidade. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 No mais, quanto ao fato de a decisão exarada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT divergir da Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização, esclareceu a decisão recorrida que a competência originária para apreciar processos de restituição/compensação pertence aquele setor, conforme o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 030, de 25102/2005, no Capítulo III — Competência das unidades — a qual dispõe o seguinte acerca da apreciação em processos administrativos Assinalada a competência, entendeu a decisão recorrida que no despacho de fl. 274, o SEORT pediu a realização de diligência ao Serviço de Fiscalização, para obter mais informações sobre o direito creditório pleiteado e, desta maneira, melhor formar sua convicção, sendo indubitável que o trabalho elaborado pelo agente fiscal durante a diligência é material de apoio que o SEORT utilizou para decidir e não uma decisão definitiva, cuja retificação consistiria em uma "revisão de ofício', como chamou a recorrente. Sendo assim, entendeuse que não procede a alegação da contribuinte versando sobre a impossibilidade de o SEORT rever as conclusões da diligência efetuada pelo Serviço de Fiscalização. Quanto ao mérito, no que se refere ao saldo negativo de IRPJ a pagar do ano calendário de 2001, assentou a decisão recorrida que de fato na planilha elaborada pela DRF (fl. 703) consta como valor pago a título de estimativa mensal de setembro o valor de R$ 378.428,71, quando o correto seria R$ 379.428,71, conforme extrato de pagamento de folha 1.059. Ainda sobre o saldo negativo de IRPJ de 2001, destacouse que a recorrente insiste também na consideração de apenas parcela do IRRF, R$ 93.180,78, no ajuste anual. Segundo a requerente, no referido período, o valor retido é de R$ 194.493,52. Nesse sentido, segundo a decisão recorrida, pesquisa realizada nos sistemas da Receita Federal (DIRF), extratos de folhas 1.061 a 1.063, mostrariam que o valor de R$ 93.180,78 corresponde somente ao IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos pela matriz, CNPJ n° 19.199.348/000188, sendo que as retenções suportadas pelas filiais não foram consideradas, cabendo assim, admitir a dedução do IR Fonte incidente sobre as receitas das filiais, CNPJ n° 19.199.348/000854 e n° 19.199.348/001311, nos respectivos valores de R$ 100.605,98 (ver extrato DIRF de fl. 1.064) e R$ 528,73 (ver extrato DIRF de fl. 1.065). Ressaltouse assim, que tais rendimentos e retenções foram informados na ficha 43 da DIPJ/2002 (fl. 93), itens 1, 2, 5 e 6 do Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte. Considerando o exposto, retificouse o saldo negativo de IRPJ a pagar de R$ 872.564,76 para R$ 974.699,47 (R$ 872.564,76 + R$ 1.000,00 + R$ 100.605,98 + R$ 528,73). Quanto às estimativas de CSLL de janeiro e abril de 2000, no total de R$ 327.062,11, pontou a decisão recorrida que a contribuinte requereu sua restituição/compensação, pois, segundo ela, tais valores não foram deduzidos da contribuição lançada de ofício em auto de infração (cópia do auto de infração às fls. 963/976), débito que inclusive teria sido integralmente parcelado. De acordo com a decisão recorrida, de fato, compulsandose ao acórdão DRJ/CPS nº 8.125, de 17 de janeiro de 2005, prolatado no processo nº 13819.001481/200430, verificavase que tais antecipações, confirmadas pelo extrato de folha 1.060, não foram consideradas no saldo de CSLL a pagar do anocalendário 2000 e que a simples comparação do valor lançado, R$ 1.374.856,45, e o saldo de CSLL a pagar calculado pelo SEORT, R$ 1.047.794,34, cuja diferença é exatamente de R$ 327.062,11, sugere que as estimativas não foram consideradas na ação fiscal. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13819.001440/200362 Acórdão n.º 1301001.630 S1C3T1 Fl. 6 9 Sendo assim, considerando o recolhimento das antecipações (ver documentos de fl. 958/961 e fl. 1.060) assentouse que o entendimento assente no âmbito da Receita Federal de que “na constituição de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração ", seria indubitável que o valor constituído pelo Fisco no auto de infração está equivocado, razão pela qual seria cabível revisar o referido lançamento. Entretanto, para a decisão recorrida, não procederia a repetição de indébito pleiteada pela manifestante, eis que as antecipações mensais somente se convertem em direito creditório passível de restituição/compensação, quando a empresa apura saldo negativo de CSLL a pagar, o que não houve no período em questão. Em suma, segundo entendimento firmado na decisão impugnada, na presente situação caberia a contribuinte solicitar a revisão do lançamento, em face da desconsideração das estimativas recolhidas, bem como a retificação do débito parcelado e não a utilização desses pagamentos em procedimentos de compensação, até porque, a CSLL constituída no auto de infração não foi extinta, sendo que o parcelamento supostamente efetuado somente suspende a exigibilidade do débito. Por fim, esclareceuse que aquela DRJ não teria competência para realizar revisões de ofício em autos de infração, devendo a contribuinte dirigirse para tanto à DRF jurisdicionante, nos termos do art. 160, XXI, da Portaria Ministério da Fazenda nº 95, de 30 de abril de 2007. Considerando o exposto, reconheceuse em parte o direito creditório em litígio, no valor de R$ 102.134,71, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, e homologouse as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. Devidamente cientificada da decisão relatada acima, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, folhas 1.129 em diante, relatando os fatos sucedidos bem como tecendo um histórico dos valores já reconhecidos pelas decisões anteriores, reafirmando o argumento de que teria havido uma “revisão de ofício” pela decisão da DRF que decidiu por revisar todo o trabalho executado Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em SBC, que originalmente havia concluído pela insuficiência de apenas R$ 25.059,52, para alcançar uma nova conclusão pelo indeferimento de créditos na ordem de R$ 1.510.400,91. No mais, afirmou que a decisão recorrida ao apreciar sua alegação de nulidade do Despacho Decisório, careceu de fundamentação, preferindo apenas afirmar a “robustez” da Manifestação de inconformidade apresentada, motivo pelo qual seria igualmente nula. Na sequência, teceu considerações acerca da segurança jurídica e pugnou pelo provimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. De início assinalo a correção da decisão recorrida ao dispor sobre os limites objetivos do caso apreciado, de sorte que a despeito do inconformismo genérico da recorrente em sua peça recursal, é fato que remanesce para discussão, nesta sede de Recurso Voluntário, apenas os valores relacionados ao “indébito” das estimativas de CSLL de janeiro e abril de 2000, no total de R$ 327.062,11. Com efeito, após as decisões anteriores (DRF e DRJ), assim ficou o quadro comparativo entre os valores pleiteados e os reconhecidos: AC Valor solicitado Valor reconhecido 1. Saldo Neg de IRPJ 1999 489.973,60 489.973,60 2. Saldo Neg de IRPJ 2001 1.410.744,70 974.699,47 3. Estimativa de maio 2002 285.207,60 0,00 4. IRRF – aplicação financ 2002 359.951,26 0.00 5. Saldo negativo de CSLL 1998 507.756,90 507.756,90 6. Saldo negativo de CSLL 1999 291.811,31 291.811,31 7. Estimativa de jan e abril 2000 327.062,11 0,00 Total 3.672.507,48 2.264.241,28 Sendo assim, importa relembrar que os direitos creditórios relativos aos itens 1, 5 e 6 foram totalmente reconhecidos no Despacho Decisório, os itens 3 e 4, a própria contribuinte em sua manifestação, admite que não possui saldo negativo de IRPJ, mas sim saldo de imposto a pagar, e o item 2 foi acatado pela decisão recorrida até o limite ali disposto, de sorte que apenas o item 7, remanesce para discussão. Neste sentido, cumpre assinalar que a própria decisão recorrida reconheceu, quanto às estimativas de CSLL de janeiro e abril de 2000, no total de R$ 327.062,11, que compulsandose o acórdão DRJ/CPS nº 8.125, de 17 de janeiro de 2005, prolatado no processo Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13819.001440/200362 Acórdão n.º 1301001.630 S1C3T1 Fl. 7 11 nº 13819.001481/200430 (apenso), verificavase que tais antecipações, confirmadas pelo extrato de folha 1.060, não foram consideradas no saldo de CSLL a pagar do anocalendário 2000 e que a simples comparação do valor lançado, R$ 1.374.856,45, e o saldo de CSLL a pagar calculado pelo SEORT, R$ 1.047.794,34, cuja diferença é exatamente de R$ 327.062,11, sugere que as estimativas não foram consideradas na ação fiscal. Sendo assim, dispôs a decisão recorrida que considerando o recolhimento das antecipações (ver documentos de fl. 958/961 e fl. 1.060) seria mister esclarecer que na constituição de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração, afirmando, expressamente, que o valor constituído pelo Fisco no auto de infração estaria equivocado, razão pela qual seria cabível revisar o referido lançamento, procedimento, contudo, que se julgou incompetente para fazêlo. Em suma, como afirma a decisão recorrida na presente situação caberia a contribuinte solicitar a revisão do lançamento, em face da desconsideração das estimativas recolhidas, bem como a retificação do débito parcelado e não a utilização desses pagamentos em procedimentos de compensação. Mesmo porque, a CSLL constituída no auto de infração não foi extinta. O parcelamento supostamente efetuado somente suspende a exigibilidade do débito. Por fim, realmente como afirma a decisão recorrida o órgão julgador não tem competência para realizar revisões de oficio em autos de infração, devendo a contribuinte dirigirse para tanto à DRF jurisdicionante, nos termos do art. 160, XXI, da Portaria Ministério da Fazenda n.' 95, de 30 de abril de 2007. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15555.000080/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GRUPO ECONÔMICO Recorrente UNIWAY COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS LIBERAIS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 5. 00 00 80 /2 00 8- 60 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000080/200860 Acórdão n.º 2402004.270 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente à contribuição prevista no art. 1, inciso I, da Lei Complementar 84/96 e art. 22, inciso III, da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.876/1999, incidente sobre as remunerações pagas a trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços, apuradas nos Livros Diário/Razão na conta intitulada “serviço prestado pessoa física”, sendo que a empresa não apresentou os recibos de pagamento de autônomos (RPA) correspondentes, para as competências 01/1999 a 12/2003. O Relatório Fiscal (fls. 49/52) informa que, em decorrência de a notificada integrar grupo econômico, foram chamadas outras empresas partícipes a se manifestarem nos autos, contandose o termo para apresentação de defesa a partir da última empresa cientificada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 04/08/2004 (fl.01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. há nulidade do lançamento, na medida em que este omite os artigos das normas legais específicas dadas como infringidas. Argúi, ainda, a nulidade do lançamento pela falta de intimação dos demais supostos devedores do presente crédito; 2. sustenta a ilegalidade da caracterização de grupo econômico pela fiscalização, posto que realizada com base em presunção. Nesse passo, pondera que não há qualquer relação de subordinação entre as empresas, não bastando a mera vinculação; 3. afirma que os recolhimentos da contribuição ora exigida foram integralmente efetuados, como restará demonstrado em perícia a ser realizada, que desde já requer; 4. por fim, contesta a aplicação de juros moratórios pela taxa SELIC, sustentando a sua ilegalidade. Embora intimadas por via postal, em 25/08/2004 (fls. 108/112), as empresas Uniwork Coperativa de Trabalho LTDA. e EDablio Consultoria e Projetos Ltda., supostas integrantes do grupo econômico, não impugnaram o lançamento. A Delegacia da Receita Previdenciária em Duque de Caxias – por meio da DecisãoNotificação (DN) 17.422.4/0146/2005 (fls. 120/123) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. Sem apresentação de recursos, houve a lavratura de Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Processo foi encaminhado ao setor de cobrança judicial. A Procuradoria Especializada do Fisco determina que o processo retorno à fase administrativa para que as empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. A empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda., suposta integrante do grupo econômico, apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua alegação fática de que não integraria o grupo econômico delineado pelo Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (RFB) em Nova Iguaçu/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000080/200860 Acórdão n.º 2402004.270 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Cumpre esclarecer que somente a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda apresentou recurso voluntário. Quanto às prejudiciais, há questão que merece ser analisada. Da análise inicial dos autos, verificase questão prejudicial ao julgamento do recurso encaminhado, face à ocorrência de cerceamento da garantia da ampla defesa e da supressão de instância, vícios esses que devem ser sanados. Após a apresentação da peça de impugnação – oportunidade em que a empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda alegava que não existiria a caracterização de grupo econômico, tendo em vista que não haveria relação de controle ou de subordinação entre as empresas apontadas pelo Fisco como integrantes do suposto grupo econômico, havendo apenas uma presunção de grupo econômico –, a Delegacia de Julgamento proferiu decisão indeferindo as alegações expostas nessa peça de impugnação, nos seguintes termos: “[...] 9. Quanto à argüição de ilegalidade na caracterização do grupo econômico, vale perquirir qual o interesse jurídico da impugnante na exclusão do pólo passivo das empresas coligadas/controladas, quando a sua própria situação permanecerá inalterada qualquer que seja o desfecho da controvérsia suscitada; em outros termos, figurando a impugnante no pólo passivo da presente relação jurídica na qualidade de contribuinte – por possuir relação pessoal e direta com o fato gerador das contribuições ora exigidas –, a condição de eventual responsável tributário por parte das demais empresas solidárias constitui verdadeira exceção pessoal e, portanto, somente a estas pertine. 10. Acrescentese, por oportuno, que eventual vício na caracterização do Grupo Econômico terá como efeito a mera alteração na garantia do crédito tributário, não implicando, em qualquer hipótese, na invalidade do lançamento. 11. Ainda assim, não é despiciendo desfazer a equivocada afirmação da defendente de que a caracterização do Grupo Econômico se deu por presunção, eis que devidamente verificado pela fiscalização, a partir da análise da escrituração contábil da notificada, notadamente nas contas denominadas "empresas coligadas e empresas controladas", conforme item 7 do relatório fiscal. [...]” (processo 15555.000080/200860, Decisão Notificação (DN) 17.422.4/0146/2005, fls. 120/123) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Com a prolação da decisão de primeira instância, inicialmente não houve a apresentação de recurso voluntário. Com isso, o Fisco lavrou Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância, e encaminhou os autos ao setor de cobrança judicial. Posteriormente, a Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada) determinou o retorno do processo à fase administrativa para que as empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. Por sua vez, o Fisco determinou a reabertura de prazo para a interposição de recurso para todas as empresas integrantes do suposto grupo econômico, nos seguintes termos: “[...] 1. Tratase de DecisãoNotificação DN emitida em 10/05/2005, sob o n° 17.422.4/0146/2005, que julgou pela procedência do crédito previdenciário lançado sob o DEBCAD n° 35.699.8380. 2. O referido crédito previdenciário foi lançado quando da ação fiscal desenvolvida na empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda 72.387.665/000100 (integrante de grupo econômico), porém, são responsáveis solidárias pelo crédito previdenciário lançado, além da empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda, todas as demais empresas participes do grupo econômico, a saber: Uniway Serv. Coop. De Trab. De Profissionais Liberais Ltda CNPJ 40 73.206.245/000143 , Uniwork Cooperativa de Trabalho Ltda CNPJ 73.206.245/000143 , EDablio Consultoria e Projetos Ltda CNPJ 03.721.322/000118. 3. Todas as empresas identificadas no item supra – item 2 do presente Despacho, foram chamadas a se manifestarem nos autos, conforme fls. 1 (notificação pessoal da empresa Uniway Cooperativa de profissionais Liberais Ltda), fls. 107 (cópia de Edital Publicado no Jornal do Comércio de 12/11/2004 – empresa Uniway Serv. Cooperat. De Trab. De Profissionais Ltda), fls. 108 (carta enviada à Uniwork Cooperativa de Trabalho LTDA – recebida em 25/08/2004 conforme aposição de assinatura em AR) e fls. 112 (carta enviada à empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda – recebida em 25/08/2004 conforme aposição de assinatura em AR). 4. No entanto, nos autos consta apenas a comprovação do recebimento da DN pela empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda 72.387.665/000100 (fls. 125). 5. Às fls. 145, consta Despacho da Procuradoria Especializada do INSS devolvendo o processo a Seção do Contencioso Administrativo para que todas as empresas participes do grupo econômico recebam cópia da presente DecisãoNotificação DN. 6. Dessa foram, esta Seção reencaminha cópia da Decisão Notificação n° 17.422.4/0146/2005 as demais empresas participes do grupo econômico, a saber: Uniway Serv. Coop. De Trab. De Profissionais Liberais Ltda CNPJ 73.206.245/0001 43, Uniwork Cooperativa de Trabalho Ltda — CNPJ 73.206.245/000143, EDablio Consultoria e Projetos Ltda – CNPJ 03.721.322/000118. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000080/200860 Acórdão n.º 2402004.270 S2C4T2 Fl. 5 7 7. Ressaltese que o presente Despacho está sendo encaminhada a todas as empresas que integram o grupo econômico, uma vez que o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS está sendo reaberto pelo presente Despacho e começará a fluir após a ciência de todas as empresas participes do grupo. [...]” (processo 15555.000080/200860) (g.n.) No retorno do processo à fase administrativa, conforme determinação da Fazenda Nacional, a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda interpôs recurso alegando, em síntese, os seguintes fatos: 1. a sua constituição como empresa somente ocorreu em março de 2000, logo não há de se falar em contribuições nas competências 01/1999 a 02/2000; 2. ela não pertence a grupo econômico algum, e em tal condição não pode ser considerada solidária aos débitos mencionados no lançamento fiscal, pois o único vinculo existente entre a eDablio Consultoria e Projetos Ltda e a cooperativa Uniway era um vínculo comercial, onde a primeira contratava os serviços da segunda; 3. Conforme impugnação da Cooperativa Uniway, a qual sofreu a fiscalização, não restou comprovada, durante a fiscalização, a existência do controle por parte de uma das cooperativas sobre as outras e muito menos da empresa limitada sobre as cooperativas, portando a autoridade fiscalizadora fundamentouse em simples presunção e informações comerciais constantes no site www.uniway.com.br, onde constava a eDablio Consultoria e Projetos Ltda, como sua cliente; 4. Conforme Contrato Social (doc. 3) o responsável pela administração da empresa eDablio Consultoria e Projetos Ltda. era seu Sócio Gerente Pedro Azambuja Pinheiro Machado, portando não há de se falar em controle e direção, pois o Sr. Pedro não fazia parte da direção e muito menos controlava a Cooperativa Uniway; 5. a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 35.699.8380, de 30/07/2004, nunca foi entregue a eDablio Consultoria e Projetos Ltda, apenas a empresa tomou conhecimento em 07/08/2006, quando sua procuradora recebeu cópias da NFLD em questão. Isto, por uma única razão, não há vínculo entre a empresa UNIWAY e a EDABLIO, que é uma empresa limitada e a Uniway, cooperativa. Dessa forma, afirma que não faz parte do mesmo grupo econômico que a cooperativa Notificada e, para comprovar as suas alegações, junta aos autos cópias de documentos. Considerando a garantia da ampla defesa e da supressão de instância, entendese que a decisão de primeira instância deverá examinar e analisar as alegações postas na peça recursal, eis que essa decisão não analisou, de forma suficiente, todos os pontos abordados pela peça de impugnação, no momento em que não houve uma demonstração fática Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 de que todas as empresas comporiam ou não o grupo econômico delineado pelo lançamento fiscal. Segundo a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda), ela não tornou conhecimento imediato da autuação, sendo que isso impossibilitou, dentro do prazo regulamentar, a sua produção de prova na fase de impugnação, e, com isso, somente na fase recursal foram apresentadas as questões fáticas e jurídicas da impugnação do lançamento fiscal. Com a finalidade de afastar qualquer dúvida acerca do sujeito passivo da relação obrigacional tributária do presente processo, já que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) alega que os fatos apontados pelo Fisco não guardam correspondências com a documentação existente na empresa (fato novo para o processo) – tais como as questões fáticas expostas nos itens 1 a 5 retromencionados –, deverá a autoridade de primeira instância de julgamento rebater os pontos apresentados na peça de impugnação, bem como a matéria fática somente apresentada em sede de recurso voluntário (fato superveniente ao momento de sua apresentação), visando demonstrar que o Fisco cumpriu, ou não, a legislação de regência na época de ocorrência do fato gerador. Ou caso os autos não possuam os elementos suficientes, entendese eficaz a baixa do processo em diligência para manifestação do Fisco quanto aos argumentos apresentados na peça recursal ou na peça de impugnação, dandose uma chance para que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) emende a peça inicial (peça de impugnação) e especifique os elementos probatórios que demonstram as suas alegações. Dentro desse contexto da decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que tal decisão deve ser pautada dentro princípio da motivação. Esta motivação exige da Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os pressupostos fáticos e jurídicos, assim como a correlação lógica entre os fatos expostos nos autos e o ato praticado, demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim, exige um raciocínio lógico entre o motivo, o resultado da decisão e a lei. Assim, não é razoável o exame de toda a matéria fática na fase recursal, se a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) não a apresentou em decorrência de uma causa dada pelo próprio Fisco, corroborado pelo retorno do processo à fase administrativa e pela reabertura de prazo, conforme determinação da Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada e Fisco). Isso permitirá que tal matéria fática seja analisada pela primeira instância e evitará a garantia da supressão de instância e da ampla defesa. Esse entendimento acima está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) Diante disso, entendese que a decisão de primeira instância não está devidamente motivada, eis que lhe faltou examinar as questões fáticas retromencionadas (itens a 5 dessa decisão) e sinalizadas na peça de impugnação pela empresa autuada (Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda). Nesse particular não há outra solução a ser dada ao presente processo, anulandose a decisão de primeira instância em decorrência da constatação do cerceamento a garantia da ampla defesa e da supressão de instância evidenciada nos autos. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000080/200860 Acórdão n.º 2402004.270 S2C4T2 Fl. 6 9 A Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) possui o direito de verificação e análise de todos seus argumentos na primeira instância. Não procedendo dessa forma, ocorrerá a supressão de instância do direito de defesa da Recorrente, motivo de nulidade, ainda que se trata de matéria fática exposta somente na peça recursal, desde que seja de forma excepcional e justificada, que foi: impossibilidade de se manifestar, no prazo regulamentar, da autuação em decorrência da falta de ciência de todos os sujeitos passivos (solidariedade). Esse entendimento é corroborado pelo fato de que, após o retorno do processo à fase administrativa, houve a reabertura de prazo para que as empresas (sujeitos passivos), pertencentes ao suposto grupo econômico, apresentassem peça de contestação (recurso), sendo isso determinado pela Fazenda Nacional. Da forma como foi prolatada a decisão de primeira instância, o direito do sujeito passivo ao contraditório não foi conferido de forma ampla. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações”. Ressaltese, também, que há determinação legal para que se verifique o direito dos cidadãos, nos termos do art. 2o da Lei 9.784/1999 e do art. 5o, inciso LV, da Constituição Federal/1988. Lei 9.784/1999: Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; ......................................................................................................... Constituição Federal/1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (g.n.) Assim, é dever da Administração Pública garantir o direito dos cidadãos contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na Constituição Federal/1988 como cláusula pétrea. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (g.n.) Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da Recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15555.000080/200860 Acórdão n.º 2402004.270 S2C4T2 Fl. 7 11 Em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressalto que o Fisco deverá cientificar os sujeitos passivos dessa decisão – ou seja, deverá dar ciência a todas as empresas que integram o suposto grupo econômico delineado pela auditoria fiscal –, emitir nova decisão, dar ciência de todas as diligências e de seus respectivos resultados (pronunciamentos da fiscalização e do órgão julgador), reabrir prazos e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vício apontado para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento fiscal, bem como a análise do recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO: Voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja proferida uma nova decisão consubstanciada em motivação fática e jurídica, presentes nos autos, bem como seja oferecido aos sujeitos passivos um novo prazo para manifestação. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.012762/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja apensado ao de nº 10680.721353/2006-92. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri e Gilberto Baptista.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja apensado ao de nº 10680.721353/200692. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri e Gilberto Baptista. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 12 76 2/ 20 08 -6 6 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.012762/200866 Resolução nº 1301000.176 S1C3T1 Fl. 621 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Multa Isolada, relativas ao anos calendário de 2003 e de 2004, formalizadas em razão da imputação de insuficiência de recolhimento, apurada a partir do confronto dos dados escriturados com os declarados e com os recolhimentos efetuados. Por bem sintetizar os fatos apurados, reproduzo fragmentos do Relatório Fiscal transcritos na decisão exarada em primeira instância. [...] No anocalendário de 2003 o sujeito passivo optou pelo pagamento mensal do imposto de renda e da contribuição social calculados por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos conforme declarado na DIPJ 2004 e apurado por esta fiscalização no demonstrativo anexo [...] Em 30/09/2004, o sujeito passivo entrou com Declaração de Compensação Eletrônica DCOMP n° 21831.98829.300904.1.3.023207 [...] para compensação dos débitos das estimativas dos meses de janeiro a julho que não foram liquidadas através de pagamento. A DCOMP foi tratada através do processo n° 10680.721353/200692, tendo o Despacho Decisório n° 1126, de 14/12/2006 [...] decidido "glosar o uso das estimativas não extintas (compensação considerada não declarada) na linha 17 da ficha 12 da DIPJ/2004 (AC/2003), conforme quadro a seguir: Valores glosados 01/2003 244.848,61 02/2003 466.856,87 03/2003 88.840,26 Total 800.545,74 Esta fiscalização apurou, também [...] a falta de declaração em DCTF e o não pagamento das estimativas de CSLL relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e parte do mês de março do anocalendário 2003, como segue: Valores declarados e não pagos 01/2003 101.804,40 02/2003 83.539,25 03/2003 10.534,61 Total 195.878,31 [...] Fl. 621DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.012762/200866 Resolução nº 1301000.176 S1C3T1 Fl. 622 3 No anocalendário de 2004 o sujeito passivo optou pelo pagamento mensal do imposto de renda e da contribuição social calculados por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos, porém, com levantamento dos balanços de suspensão/redução nos meses de janeiro, maio e junho, conforme declarado na DIPJ 2005 e apurado por esta fiscalização. Na DCOMP n° 18444.37735.220605.1.3.02562 [...] foi pleiteada pelo sujeito passivo a compensação do valor da estimativa do mês de setembro/2004, no valor de R$ 263.729,77. O Despacho Decisório nº 1126, de 14/12/2006, reformado em 10/09/2007 [...] decidiu por "procederse à sua glosa na apuração desse tributo no ajuste anual" tendo em vista a não comprovação de retenção de IR por órgão público federal, no valor de R$ 234.455,51, informado na linha 14 da ficha 12 A da DIPJ/2005. Assim sendo, estamos efetuando, neste ato, o lançamento de ofício dos saldos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ relativos aos anoscalendário 2003 e 2004, valores resultantes das estimativas não extintas (compensação considerada não declarada anocalendário 2003), resultante das estimativas não integralmente pagas, acompanhadas das respectivas multas de oficio e juros de mora. Efetuamos também o lançamento da multa de oficio de 50% (cinqüenta por cento) prevista no art. 44, da Lei n° 9.430/96, alterada pela Medida Provisória nº 351, de 2007, aplicada isoladamente sobre os valores das estimativas não pagas conforme demonstrativos de fls. 29, 30 e 32. [...] Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 247/278), por meio da qual argumentou: que a pessoa jurídica de USINA HIDRELÉTRICA GUILMANAMORIM S.A. teria sofrido cisão, sendo seu capital social inteiramente vertido para ARCELORMITTAL BRASIL S.A. (CNPJ n° 17.469.701/000177) e SAMARCO MINERAÇÃO S.A. (CNPJ n° 16.628.231/000161); que as empresas acima referenciadas deveriam ser incluídas no pólo passivo do litígio; que o processo administrativo de n° 10680.721353/200692 ainda se encontrava pendente de decisão definitiva, posto que havia sido apresentado recurso administrativo em 09/07/2007 (doc. 04), o qual ainda não havia sido apreciado pela DISIT, que seria o órgão competente para a análise da questão; que, enquanto não julgado em definitivo o recurso administrativo acima citado deveria ser decretada a nulidade do lançamento e nenhum outro poderia ser instrumentalizado, nos exatos termos do art. 151 do CTN; que, como poderia se depreender das declarações do compensação objeto do processo n° 10680.721353/200692, todos os débitos quitados por aquelas PER/Dcomp referemse à estimativa de imposto de renda de 2003 (janeiro a julho) e de setembro de 2004; que, no mesmo sentido, o lançamento referente à estimativa de CSLL de setembro de 2004 teria sido feito sem nenhum fundamento explícito no relatório fiscal (“ESTE PERÍODO NÃO CONSTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO VINCULADO. PORTANTO, NÃO PODEM AS IMPUGNANTES EXERCER SEU DIREITO DE DEFESA SEM TER ACESSO AOS MOTIVOS QUE LEVARAM A FISCALIZAÇÃO A TAL GLOSA); Fl. 622DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.012762/200866 Resolução nº 1301000.176 S1C3T1 Fl. 623 4 que, em vista do exposto, faltaria pressuposto de validade do ato administrativo pois não haveria descrição da situação de fato sobre o qual incidiram os dispositivos capitulados, sendo que, no caso do lançamento, tal expediente seria objeto de expressa previsão legal no art. 142 do CTN; que o lançamento de CSLL, então, seria nulo, pois não especifica se se trata de valores em aberto, valores compensados, declarados como não compensados ou compensações que tiveram a PER/DCOMP não homologadas, sendo certo que a motivação do ato administrativo referese a processo administrativo vinculado (onde nada consta sobre CSLL) de declarações de compensação, tidas como não declaradas; que foram lançados valores referentes a estimativas do anocalendário de 2003, os quais já se encontravam decaídos, uma vez que o lançamento somente ocorreu em 26/09/2008; que, admitir que o pagamento por estimativa já poderia ser exigido antes do encerramento do anocalendário de competência, é admitir que o prazo decadencial já estava em curso, sob pena de ter de se pressupor que a legislação ordinária alterou a determinação do CTN; que, relativamente à multa de oficio fundamentada no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, deveria ser ressaltado que a exação era inconstitutcional, por ofender o principio do nãoconfisco (CF; art. 150, IV) e da proporcionalidade (CF; art. 50, LV); que não seria possível a aplicação da multa isolada após o término do ano calendário; que a aplicação de multa isolada juntamente com a multa de oficio representaria bis in idem, afigurandose ilegal a aplicação cumulada das duas penalidades. A contribuinte trouxe ainda considerações acerca de depósitos judiciais vinculados a estimativas dos meses de junho e julho de 2000, eis que, no seu dizer, “encontra se pendente de decisão no processo administrativo vinculado ao presente a parte da compensação que foi considerada não homologada”. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 02 28.146, de 12 de agosto de 2010, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE Não se cogita de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a manifestação do contribuinte demonstra perfeito entendimento dos trabalhos fiscais. LEGISLAÇÃO Os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração Federal. CONSTITUCIONALIDADE Fl. 623DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.012762/200866 Resolução nº 1301000.176 S1C3T1 Fl. 624 5 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DEPÓSITOS JUDICIAIS Os valores mantidos em depósito judicial não podem ser considerados como pagamento de antecipações de imposto em bases estimadas mensais. SUCESSÃO Os aspectos ligados à responsabilidade por sucessão não afetam o exame da ocorrência do fato gerador do tributo. DECADÊNCIA Nos lançamentos de oficio, como regra geral, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA ISOLADA A falta de pagamento de IRPJ ou de CSLL na declaração de ajuste não se confunde com a falta dos respectivos pagamentos da CSLL por estimativa e, assim, cada uma destas infrações recebe tratamento próprio. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS Não se examina matéria estranha aos autos, uma vez que os atos e termos processuais deverão conterão somente o indispensável à sua finalidade. Irresignada, ARCELORMITTAL BRASIL S/A e SAMARCO MINERAÇÃO S/A, sucessoras por cisão da contribuinte autuada, apresentaram o recurso voluntário de fls. 523/548, em que sustentam: a nulidade do auto de infração em virtude da nomeação equivocada para o pólo passivo; cobrança em duplicidade representada pela glosa de uma compensação que compôs o saldo negativo e pela glosa da compensação realizada com o próprio saldo negativo; nulidade do lançamento em relação à CSLL, em virtude da falta de fundamentação (omissão quanto à CSLL de setembro de 2004); caducidade do direito de constituir créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no primeiro semestre de 2003; impossibilidade da aplicação da multa isolada após o término do ano calendário correspondente; As recorrentes trouxeram, ainda, considerações acerca das compensações tratadas no processo administrativo nº 10680.721353/200692. Por meio da Resolução nº 140200121, sessão de 13 de junho de 2012, a 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara resolveu encaminhar o presente processo para esta 1ª Fl. 624DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.012762/200866 Resolução nº 1301000.176 S1C3T1 Fl. 625 6 Turma Ordinária para que o julgamento fosse efetuado de forma conjunta com o relativo ao processo nº 10680.721353/200692. É o Relatório. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.012762/200866 Resolução nº 1301000.176 S1C3T1 Fl. 626 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Relatório Fiscal de fls. 23/26, foram imputadas à contribuinte as seguintes infrações: i) insuficiência de recolhimento do IRPJ relativo ao anocalendário de 2003, derivada da glosa das estimativas correspondentes ao meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 800.545,74, efetuada por meio do processo administrativo nº 10680.721353/200692; ii) ausência de registro em DCTF e de pagamento dos valores relativos às estimativas de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro e março (parte) de 2003, no montante de R$ 195.878,31; iii) insuficiência de recolhimento do IRPJ relativo ao anocalendário de 2004, derivada da redução de R$ 263.729,77 para R$ 29.274,26 da estimativa do mês de setembro de 2004, em virtude de ausência de comprovação de retenção de imposto por órgão público federal no montante de R$ 234.455,51. Como se vê, a solução do litígio instaurado no presente processo, ao menos em parte, depende diretamente da apreciação das controvérsias tratadas no processo administrativo nº 10680.721353/200692. Cumpre esclarecer que esta Turma Julgadora decidiu por determinar a reforma da decisão de primeira instância exarada nos autos do processo administrativo nº 10680.721353/200692, para que seja examinado o mérito dos direitos creditórios relativos aos anoscalendário de 1995 a 2000, nele pleiteados. Assim, em consonância com o decidido no citado processo administrativo nº 10680.721353/200692, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja apensado ao referido feito, para fins de apreciação conjunta.. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 626DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/0 1/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 13963.000810/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
AUXÍLIO DOENÇA RECEBIDO NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. VERBAS DE CARÁTER NÃO REMUNERATÓRIO.
Não incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa que não tenha natureza remuneratória, como é o caso das verbas relativas ao auxílio doença (os 15 primeiros dias de afastamento do empregado).
VALORES PAGOS SOBRE A VERBA TITULADA DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTAM CARÁTER REMUNERATÓRIO.
Não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de terço constitucional de férias. Precedentes do STF.
VALORES PAGOS A TÍTULO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS. HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Há incidência de contribuição social previdenciária, dada a natureza remuneratória da verba paga a título de horas extras pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerá-lo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que sejam excluídas do lançamento as parcelas terço constitucional de férias, auxílio-doença, auxílio-acidente e aviso prévio indenizado. Vencidos o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou pela não incidência também sobre o adicional de horas-extras e o relator que votou pelo provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Ronaldo de Lima Macedo Redator Designado
Participaram deste julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AUXÍLIO DOENÇA RECEBIDO NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. VERBAS DE CARÁTER NÃO REMUNERATÓRIO. Não incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa que não tenha natureza remuneratória, como é o caso das verbas relativas ao auxílio doença (os 15 primeiros dias de afastamento do empregado). VALORES PAGOS SOBRE A VERBA TITULADA DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTAM CARÁTER REMUNERATÓRIO. Não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de terço constitucional de férias. Precedentes do STF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS. HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há incidência de contribuição social previdenciária, dada a natureza remuneratória da verba paga a título de horas extras pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerá-lo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que sejam excluídas do lançamento as parcelas terço constitucional de férias, auxílio-doença, auxílio-acidente e aviso prévio indenizado. Vencidos o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou pela não incidência também sobre o adicional de horas-extras e o relator que votou pelo provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Ronaldo de Lima Macedo Redator Designado Participaram deste julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. SIMULAÇÃO. Recorrente TRANSAL TRANSPORTADORA SALVAN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AUXÍLIO DOENÇA RECEBIDO NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. VERBAS DE CARÁTER NÃO REMUNERATÓRIO. Não incide contribuição previdenciária sobre as rubricas pagas pela empresa que não tenha natureza remuneratória, como é o caso das verbas relativas ao auxílio doença (os 15 primeiros dias de afastamento do empregado). VALORES PAGOS SOBRE A VERBA TITULADA DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO OSTENTAM CARÁTER REMUNERATÓRIO. Não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de terço constitucional de férias. Precedentes do STF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS. HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há incidência de contribuição social previdenciária, dada a natureza remuneratória da verba paga a título de horas extras pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 08 10 /2 01 0- 18 Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que sejam excluídas do lançamento as parcelas terço constitucional de férias, auxíliodoença, auxílioacidente e aviso prévio indenizado. Vencidos o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou pela não incidência também sobre o adicional de horasextras e o relator que votou pelo provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Ronaldo de Lima Macedo – Redator Designado Participaram deste julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.553 3 Relatório Tratase de auto de infração de obrigação principal lavrado sob DEBCAD n° 37.279.7903, relativo ao período de 01/01/2006 a 31/12/2009, contendo cobrança de contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, destinadas ao custeio da Seguridade Social. De acordo com o relatório fiscal de fls. 71/79, foi realizada auditoria conjunta das empresas TRANSAL TRANSPORTADORA SALVAN LTDA, IRMÃOS SALVAN TRANSPORTES LTDAEPP e TS TRANSPORTES DE CARGAS LTDA. A autoridade fiscal, ao analisar o contexto fático entre as empresas mencionadas, concluiu pela ocorrência de simulação ocorrida nas relações jurídicas realizada entre tais, com vistas a se elidir das contribuições destinadas à Seguridade Social, já que as pessoas jurídicas IRMÃOS SALVAN TRANSPORTES LTDAEPP e TS TRANSPORTES DE CARHAS LTDA usufruem do regime especial do SIMPLES NACIONAL. Os levantamentos estão individualmente discriminados às fls. 32/58, no discriminativo de débito – DD que compõe a autuação. Ainda no relatório fiscal, a autoridade menciona que a autuação decorreu da relação de emprego observada entre os empregados das duas últimas empresas em relação à primeira, já que através dos documentos analisados se verificou a inexistência de patrimônio daquelas, bem como inexistência de endereço próprio ou contratação por outras empresas. Em suma, restou verificado, nos termos da fiscalização, que as empresas IRMÃOS SALVAN e TS TRANSPORTES utilizavam todos os equipamentos, instalações, estrutura física e recursos materiais da empresa TRANSAL que, nos termos dos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas, ‘terceirizava’ inclusive os profissionais de atividades de administração, supervisão, chefia de serviço e Recursos Humanos. Não obstante, em consulta a ficha cadastral das empresas, todas as três utilizam mesmo nome fantasia “TRANSAL” e a mesma logomarca em seus caminhões “TS”. A conclusão da fiscalização foi no sentido de haver simulação entre as empresas, entendendo a autoridade ser necessária a autuação da Recorrente pelo não recolhimento de contribuições previdenciária de todos os funcionários ligados às outras empresas. Em relação à multa, a autoridade explica que foi feito quadro comparativo para verificar a menos gravosa ao contribuinte. Face a autuação, a Recorrente interpôs impugnação (fls. 194/235), a qual foi julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão de fls. 1946/1509. Intimada do resultado do julgamento (fls. 1511/1512), a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 1513/1546, alegando, em síntese: Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 i) Preliminarmente, que os créditos discutidos já foram constituídos via GFIP pelas empresas IRMÃOS SALVAN e TS TRANSPORTES, devendo ser estes valores recolhidos no SIMPLES abatidos do cálculo do crédito tributário em discussão; ii) O auto de infração é nulo, pois não havia necessidade de novo lançamento e os débitos já foram pagos pelas empresas contratadas, devendo ser o crédito tributário cancelado; iii) A apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária dos empregados foi feita sem se considerar o valor percebido por cada empregado. O auditor utilizou para cálculo apenas o valor total da contribuição mensal informada pelas empresas, acarretando em nulidade do AI; iv) No mérito, que a desconsideração da personalidade jurídica é indevida, uma vez que as empresas contratadas possuíam, até determinado período, estabelecimento próprio, contabilidade e negócios independentes da Recorrente e bens próprios; v) Não se pode admitir a permanência de multa vez que a autoridade deveria considerar os registros e lançamentos contábeis realizados pelas empresas, bem como abrir prazo legal para que a Recorrente se adequasse a sua nova realidade diante da desconsideração de personalidade jurídica das outras empresas; vi) A autoridade considerou a contabilidade das empresas tão somente para utilizar os valores como base de cálculo, mas não o fez par considerar o cumprimento de obrigação acessória; vii) Deveria ser concedido prazo para retificação da contabilidade da empresa Recorrente; viii) Indevida a inclusão de verbas indenizatórias na base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei n° 8.212/91, que determina a incidência de contribuições previdenciárias apenas sobre os valores destinados a retribuir trabalho, portanto, de natureza salarial; ix) Sobre o terço de férias e quinze dias que antecedem o auxílioacidente, não pode haver incidência de contribuições por se tratarem de verbas de natureza indenizatória, conforme entendimento do STJ; x) Quanto ao quinze dias que antecedem o auxíliodoença previdenciário ou acidentário, a não incidência se impõe por não haver contraprestação de atividade laboral já que o funcionário encontrase afastado por doença; xi) Sobre as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador a título de indenização por férias em pecúnia, 13° salário, licençaprêmio não gozada, conversão de 1/3 de férias, ausência permitida ao trabalho, extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada e aviso prévio indenizado, não pode haver incidência por não configurar acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda; xii) No caso do aviso prévio indenizado, não há caráter remuneratório na verba, mas sim indenizatório, vez que paga em razão do não cumprimento do aviso prévio pelo empregado, que terá seu contrato de trabalho rescindido imediatamente; Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.554 5 xiii) Sobre as horas extras, não deve haver incidência de contribuições sobre os valores que se referem à hora suplementar, de até 20%, por se tratar de indenização paga ao trabalhador que ultrapassa a jornada diária; xiv) No que tange à multa, a imposição de penalidade de 75% é imprópria, pois configura violação ao princípio do não confisco. Ao final, a Recorrente requer: i) O cancelamento dos autos de infração ou a compensação de ofício em razão do pagamento das contribuições pelas empresas aderidas ao SIMPLES; ii) O afastamento das exigências de multa, tendo em vista a possibilidade de consideração dos registros contábeis das empresas cujas personalidades jurídicas tenham sido desconsideradas; iii) O afastamento da base de cálculo das contribuições das verbas de natureza indenizatória. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Em Preliminar Alega a Recorrente, em preliminar, que os créditos discutidos já foram constituídos via GFIP pelas empresas IRMÃOS SALVAN e TS TRANSPORTES, devendo ser estes valores recolhidos no SIMPLES abatidos do cálculo do crédito tributário em discussão; Merece guarida em parte a pretensão da Recorrente. Ainda que se considere o fato de os valores declarados e recolhidos pelas empresas no SIMPLES NACIONAL terem decorrido de situação fática irregular – por simulação de terceirização , necessário que se considere também que os valores pagos pelas empresas no SIMPLES serviram ao pagamento de contribuições previdenciárias devidas à época dos recolhimentos e, ainda, que o novo lançamento desses valores resultaria em enriquecimento sem causa do INSS. Destarte, legítimas as alegações da Recorrente no tocante à constituição de parte do crédito tributário, vez que extintos pelo pagamento, nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional. Isto porque, se reconhecida simulação e reputada a responsabilidade pelos fatos geradores à Recorrente, necessário que os valores já recolhidos pelas empresas até então dadas como prestadoras de serviços na modalidade do SIMPLES sejam identificados e deduzidos do total devido, já que referentes a fatos geradores objetos da presente autuação. No Mérito Da Simulação Verificada No mérito, a Recorrente alega ser indevida a desconsideração da personalidade jurídica das empresas contratadas sob a justificativa de que as mesmas possuíam registros contábeis, bens e estabelecimento próprio até determinado período. Não prosperam suas alegações. Conforme vasta documentação acostada aos autos de infração é possível verificar que a relação de subordinação entre as empresas é inquestionável. Apesar de se tratarem de empresas constituídas individualmente, com registros contábeis independentes da Recorrente e supostos bens próprios, a relação entre as empresas resta demonstrada quando se verifica: 1) que as empresas contratadas prestam serviços exclusivamente à Recorrente; 2) que as empresas possuem o mesmo endereço; 3) Uma das empresas contratadas (IRMÃOS SALVAN) representa a Recorrente no Estado do Paraná, Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.555 7 uma vez que esta última não pode operar na região por existir outra empresa com nome parecido; 4) Todos os cargos de administração, Recursos Humanos e diretoria da Recorrente são exercidos via terceirização através das empresas em comento; 5) o controle de pontos de todos os funcionários das empresas contratadas é feito através de aparelho de propriedade da Recorrente, entre outros pontos descritos no Relatório Fiscal de fls. 71/79, devidamente comprovados através documentos colhidos na fiscalização. Não obstante, vale esclarecer que a própria Recorrente, ao requerer a dedução dos valores pagos pelas empresas supostamente contratadas por ela a título de contribuições previdenciárias no SIMPLES NACIONAL assume a ocorrência de simulação e, por conseqüência, a sua responsabilização pelos débitos de INSS em aberto. Da Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória Alega a Recorrente que a multa aplicada por ter deixado de entregar a documentação prevista em lei não deve prevalecer vez que deveriam ser considerados os registros e lançamentos contábeis efetuados pelas empresas contratadas. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória não é matéria da presente autuação, não cabendo análise da questão nos presentes autos. Da Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Verbas de Caráter Indenizatório De acordo com o artigo 28 da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O dispositivo indigitado prescreve a regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal. A mensuração do quantum debeatur é determinada pela conjugação de prescrições lógica e cronologicamente concatenadas, que ao final revelam o arquétipo do aspecto quantitativo previsto na norma geral e abstrata instituidora do tributo: a) a primeira parte do dispositivo determina que a base de cálculo é o valor da remuneração auferida, compreendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados. b) a segunda determina que apenas os valores destinados a retribuir o trabalho devem ser oferecidos à tributação. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O primeiro comando tem espectro mais abrangente que o segundo. Em considerado isoladamente, interpretação que com frequência induz ao erro, representaria a tributação de quaisquer remunerações pagas aos segurados a serviço do empregador. Entretanto, a segunda determinação promove um corte no alcance normativo, prescrevendo expressamente que apenas a remuneração destinada à retribuição da atividade laborativa integra a base de cálculo do tributo. A necessária relação de inerência entre a materialidade do tipo e a base de cálculo impõe a harmonização dos critérios a fim de garantir a integridade normativa. De acordo com as lições de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo afirma, confirma ou infirma a hipótese tributária. Afirma quando elucida. Confirma quando reflete. E infirma quando diverge e sobre a mesma prevalece. “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída na consequência da regramatriz tributária, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária. Paralelamente, tem a virtude de confirmar, infirmar ou afirmar o critério material expresso na composição do suposto normativo. A versatilidade categorial desse instrumento jurídico se apresenta em três funções distintas: a) medir as proporções reais do fato; b) compor a específica determinação da dívida; e c) confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma. (...) A grandeza haverá de ser mensuradora adequada da materialidade do evento, constituindose, obrigatoriamente, de uma característica peculiar ao fato jurídico tributário. Eis a base de cálculo, na sua função comparativa, confirmando, infirmando ou afirmando o verdadeiro critério material da hipótese tributária. Confirmando, toda vez que houver perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado. Infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fática. Por fim, afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal, prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação tipo que está sendo avaliada.”1 Tratase no caso em análise da base de cálculo em sua função infirmadora, na medida em que adiciona conteúdo de materialidade ao antecedente normativo, preenchendo o complemento do verbo previsto no descritor. 2 A hipotética dissonância interna não prejudica a apreensão do comando determinado, posição que sigo acompanhado de Alfredo Becker: “O critério de investigação da natureza jurídica do tributo, que se mostrará ser o único verdadeiramente objetivo e jurídico, 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 20ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 363/364 2 Considerando a análise da acepção lógica da estrutura vazia da materialidade [verbo + complemento]. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.556 9 parte da base de cálculo para chegar ao conceito de tributo. Este só poderá ter uma única base de cálculo.” 3 Não se trata de hipótese de não incidência legalmente qualificada, operada em momento subsequente à determinação da base (isenção), mas da instituição originária dos contornos mensurativos do tipo. A restrição à tomada da remuneração na completude de sua acepção linguística realiza corte intraconceitual que cria a definição legal de quais dinheiros integram a base imponível. Essa base é necessariamente composta pela relação binária indigitada. Passo a analisar o conteúdo semântico dos termos empregados. O direito tributário é sobrelinguagem ou linguagem de sobrenível4, buscando o conteúdo de seus termos em outros tipos de linguagens, positivadas ou não. Essa proposição foi normativamente introduzida pelo art. 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O conceito de remuneração é buscado da legislação trabalhista. Conforme art. 457 da CLT: Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Grifo nosso) Assim, ainda que a referência à necessidade de contraprestação não fosse veiculada pelo art. 28 da lei 8.212/91, sua observância é imperativa também por força do conceito trabalhista de remuneração. A dupla prescrição pode derivar de falha técnica legislativa. Prefiro entendêla como reforço a uma forte vontade do legislativo no sentido da realização do Valor vetorizado na norma, qual seja, o primado do trabalho. Reduzindo a proposição prescritiva à sua estrutura mínima de conteúdo semântico, é forçoso entender que: 3 Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, p. 339. 4 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Edição. São Paulo: Noeses, 2009. p. 190/192. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Dessa forma, independente do que se entenda por salário, o mesmo só integrará o conceito de remuneração se e somente se for pago em contraprestação pelo trabalho. A única exceção a essa regra são as gorjetas recebidas. 5 Tornase seguro afirmar que remuneração é qualquer valor pago ao segurado, desde que em contraprestação pelo trabalho. Resta determinar o conceito de contraprestação pelo trabalho. A contraprestação deriva da relação direta entre a paga e o exercício efetivo da atividade laborativa. Não ocorre de maneira genérica, mediata, mas específica e imediata. A presença do elemento trabalho é condição necessária para o nascimento da obrigação tributária. Todo exercício de competência tributária por via da criação de norma geral e abstrata tem um sentido positivo e um negativo6. O sentido positivo concede ao Sujeito Ativo da Relação Jurídica Tributária um poderdever de exigir o tributo exatamente pelos contornos normativamente traçados (princípio da tipicidade cerrada). Já o sentido negativo proíbe a invasão do patrimônio do contribuinte fora desses contornos, sob pena de ofensa à legalidade, representando de outra mão um direito do contribuinte. Acerca da legalidade e de da estrita legalidade, ensina Roque Antonio Carrazza: “O tipo tributário (descrição material da exação) há de ser um conceito fechado, seguro, exato, rígido, preciso e reforçador da segurança jurídica. A lei deve, portanto, estruturálo em numerus clausus; ou, se preferirmos, há de ser uma lei qualificadora ou Lex stricta. Em síntese, tudo o que é importante em matéria tributária deve passar necessariamente pela lei da pessoa política competente. (...) Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abastratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do princípio da legalidade. Convém lembrar que são “elementos essenciais” do tributo os que, de algum modo, influem no na e no quantum da obrigação tributária. (...) Deve, pois, a base de cálculo harmonizarse com a hiótese de incidência do tributo. É que, como é sabido e consabido, o que distingue um tributo do outro é seu binômio hipótese de incidência/base de cálculo. (...) a manipulação da base de cálculo pelo Fisco, acaba fatalmente alterando sua regramatriz constitucional, deixando o contribuinte sob o guante da insegurança.” 7 5 Considerando as grandezas proporcionais envolvidas na relação jurídica tributária de custeio da Seguridade Social, desconsideramos a gorjeta com vistas a fundamentar um arquétipo normativo que permita a análise do caso concreto. 6 Derivação das lições de Amílcar de Araújo Falcão. Direito Tributário Brasileiro. 7 Curso de Direito Constitucional Tributário. Saraiva. 2006. p. 249252. Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.557 11 Isso significa que o contribuinte tem o direito de não ser tributado sobre a remuneração que não depende do exercício do trabalho para sua fruição (inexistência de contraprestação). Hipótese contrária significa o alargamento da base de cálculo legal para alcançar valores fora da materialidade normativa. Nesse conceito incluemse as verbas de caráter indenizatório, argumento frequentemente empregado sobretudo na jurisprudência para qualificar a incidência tributária das contribuições sociais. O caráter, indenizatório, entretanto, não é o qualificativo primário da exclusão da incidência, nem constitui isenção. O caráter de não contraprestação da verba é que determina a não incidência, do qual a natureza indenizatória é subgrupo. A lógica de classes permite dizer que a inexistência de contraprestação é gênero do qual a verba indenizatória é espécie. Dessa forma, todas as verbas indenizatórias demandam a inexistência de contraprestação pelo trabalho, mas nem todas as verbas pagas sem contraprestação pelo trabalho são indenizatórias. E todas as duas categorias situamse no campo da não incidência. É o caso, por exemplo, dos valores pagos por mera liberalidade do empregador (abonos desvinculados de salário), que nada indenizam, mas não derivam do exercício do trabalho. Remuneração para o trabalho e pelo trabalho Um dos mecanismos para segregação das verbas que pertencem à base de cálculo das contribuições sociais reside na diferenciação entre os conceitos de remuneração pelo trabalho para o trabalho, que, embora próximos, não se confundem. Enquanto que o primeiro é o objetivo almejado pelo prestador de serviços na relação de emprego, o segundo consubstancia os meios e instrumentos necessários à realização do objeto principal. A origem da palavra salário remonta ao latim salarium, derivado de salis – sal, pela freqüência com que os legionários o recebiam como soldo. Essa paga, entretanto, não se confunde com salário in natura, pois era usado como moeda na Roma antiga. O sal era remuneração por contraprestação pelo trabalho. Já os elmos, gládios, armaduras e sandálias representavam remuneração para o desempenho da função. Hoje, os valores despendidos com vestimentas de uso obrigatório, transporte, alimentação, etc, não são o objeto nuclear do contrato do contrato de trabalho, nem o retribuem. São acessórios em relação ao objeto principal, razão esta pela qual o negócio jurídico foi firmado. O conceito de remuneração alberga os valores pagos pelo empregador como contraprestação pelo trabalho realizado. O exercício do trabalho, entretanto, é fato central em torno do qual orbitam outras relações apêndices, necessárias à manutenção das estruturas sociais que sustentam o sistema escolhido pela sociedade de contexto como o mais adequado à persecução de seus fins. O contínuo processo de racionalização e burocratização das estruturas produtivas tem como resultado, por exemplo, a normatização protecionista do empregado no que tange às condições ambientais do trabalho, à privatização de parcela da proteção social Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 assistencialista (cujo ônus entregase aos empregadores) e a necessidade de investimentos no bemestar social genérico dos empregados, do que são reflexos as obrigações pactuadas nos instrumentos coletivos de trabalho. Nesse contexto, o custeio do transporte do empregado entre sua residência e o local de trabalho, o fornecimento de uniformes, equipamentos de proteção, as diárias de viagens, os reembolsos de despesas, entre outros, são investimentos necessários por força de lei ou instrumentos particulares. Esses investimentos têm como objetivo a proteção do empregado. Entretanto, tais dispêndios não se enquadram no conceito de remuneração tal como o prescrito pela norma instituidora da contribuição patronal. Assim porque tais valores não consubstanciam contraprestação pelo trabalho realizado, mas fornecem as condições necessárias ao desempenho da função. Nesse contexto a remuneração é chamada para o trabalho. Com efeito, o acréscimo patrimonial auferido pelo empregado cedente de serviços em prol do empregador deve ser líquido dos ônus necessários à sua prestação em decorrência da normatização a que se sujeitam as partes. Por contrário, seu ganho seria dilapidado pelas despesas inerentes à persecução do objeto da relação jurídica por condições metacontratuais, quais sejam, as obrigações de proteção. Assim, a remuneração para o trabalho é ônus a ser suportado para auferimento da remuneração pelo trabalho, este o efetivo direito do empregado por decorrência do contrato laboral. Tributar a remuneração para o trabalho implica no desvio da intentio legis, afetando parcelas supostamente remuneratórias que não guardam relação de identidade com o conteúdo material da hipótese normativa. Extrapolao. Ultrapassa os contornos do campo de incidência para afetar eventos que não refletem o descritor normativo, fazendo tabula rasa do princípio da legalidade. De acordo com o magistério de Maurício Godinho Delgado8: “Não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido pelo empregador ao empregado como meio de tornar viável a própria prestação de serviços. (...). Também não consistirá salárioutilidade o bem ou serviço fornecido como meio de aperfeiçoar a prestação de serviços. (...)” A questão é matéria da Súmula 367 do Tribunal Superior do Trabalho: UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no 8 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. São Paulo: LTR, 2009, p. 671. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.558 13 caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. (exOJ nº 24 da SBDI1 inserida em 29.03.1996) (TST. Súmula 367) Enfim, sempre que a atividade desempenhada tiver natureza instrumental, servindo de meio para a efetiva prestação de serviços (objeto principal do contrato de trabalho), os valores recebidos não refletirão o conceito de remuneração legalmente qualificada para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias. Isenção Isenção é hipótese de não incidência legalmente qualificada. A norma isentiva atinge a regramatriz de incidência, prejudicando sua integridade sistêmica e negando lhe o vigor. A norma tributária portanto, nem chega a incidir, pois carente da completude imposta pela tipicidade cerrada. De acordo com Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção investe contra um ou mais dos critérios da normapadrão de incidência multilandoos, parcialmente” 9. Acompanha esta posição Roque Antonio Carrazza: “Isenção é uma limitação legal do âmbito de validade da norma jurídica tributária, que impede que o tributo nasça ou faz com que surja de modo mitigado (isenção parcial). Ou, se preferirmos, é a nova configuração que a lei dá à norma jurídica tributária, que passa a ter seu âmbito de abrangência restringido, impedindo, assim, que o tributo nasça in concreto.” 10 Isenção, portanto, é norma de estrutura que impede o nascimento da obrigação tributária na hipótese vinculada. Verificando o espectro da norma de isenção, positivado na Lei 8.212/1991: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28.” “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) 9 Curso de Direito Tributário, p. 33. 10 Curso de DT. P. 829. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.” A interpretação sistêmica dos dispositivos transcritos identifica norma que afeta o critério quantitativo da regramatriz de incidência da contribuição previdenciária patronal, para excluir da base de cálculo: a) os ganhos eventuais; e b) os abonos expressamente desvinculados de salário. A obliteração da incidência sobre os ganhos eventuais é isenção parcial na acepção técnica do termo. Sua dinâmica impede a incidência tributária sobre os valores pagos aos empregados e trabalhadores avulsos sem habitualidade, termo este também não definido pelo direito11. Disso derivase que as verbas pagas de maneira eventual devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal. Já a isenção dos abonos desvinculados de salário é norma vazia, pois pretende afetar hipótese de não incidência. Tais verbas, justamente por serem desvinculadas do salário, carecem do elemento contraprestação, resultando no nãoser jurídico tributário12. Novamente, revelase a preocupação do legislador ao reiterar a pretensão de salvaguardar esta materialidade da incidência tributária. Em homenagem à boa hermenêutica, frisase que a norma de isenção é a constante no Art. 22, § 2º. A referência ao Art. 28, “e”, “7”, não demanda uma conjugação de normas, mas de norma com suporte físico (texto positivo). A primeira “toma de empréstimo” o conteúdo meramente linguístico da segunda para completarlhe o sentido, da mesma maneira como se transcrevesse no § 2º os grafemas contidos no item “7”. Essa observação é necessária para corroborar outra proposição: a de que a base de cálculo da contribuição patronal não se identifica com o salário de contribuição (base de cálculo das contribuições dos empregados e trabalhadores avulsos). O comando prescrito pela norma que positiva a instituição do tributo esgota se em si mesmo. Com isso queremos dizer que a norma geral e abstrata de tributação, bem como os contornos do seu conteúdo pecuniário potencial, estão encerrados na previsão hipotética legal, e podem ser conhecidos pela análise do binômio materialidade/base de cálculo. 11 A identificação do conteúdo semântico dos grafemas “ganhos eventuais” demanda verticalização da matéria, o que abstenhome de realizar à vista na inaplicação ao caso concreto. 12 A nãoincidência é simplesmente a explicação de uma situação que ontologicamente nunca esteve dentro da hipótese de incidência possível do tributo. Deveras, não há incidência quando ocorre um fato tributariamente irrelevante, isto é, que não se ajusta (subsume) a nenhuma hipótese de incidência tributária. (...) Fica claro, desse modo, que, enquanto a isenção depende de lei (lato sensu) para validamente surgir, a não incidência decorre da própria natureza das coisas, podendo – e devendo – ser deduzida por mero labor exegético. Ou, se preferirmos, enquanto a isenção deriva da lei, a nãoincidência deriva da falta de lei (em alguns casos) ou da impossibilidade jurídica de tributarse certos fatos, em face de a regramatriz constitucional do tributo a eles não se ajustar. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.559 15 Incide novamente o princípio tributário da tipicidade cerrada ou numerus clausus, de acordo com o qual todos os elementos (critérios) determinantes da incidência devem constar pormenorizados no corpo do diploma normativo introdutor. Esses critérios determinam a condição necessária e suficiente para instaurar o liame jurídico obrigacional entre Sujeito Ativo (União) e Sujeito Passivo (contribuinte), cujo objeto é a obrigação tributária, devendo ser mensurado de acordo com a relação de refiribilidade materialidade/base de cálculo. Essa mensuração, portanto, esgotase no veículo introdutor (Art. 22), sendo descabido colher de suporte alheio (Art. 28) elementos supostamente capazes de mensurar o conteúdo financeiro do tipo. Assim sendo, concluo que: Base de cálculo da contribuição social previdenciária Patronal Segurados e trabalhadores avulsos Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Da aparente identidade entre os conceitos decorre a imprecisão técnica de considerar os itens “a” a “x” do § 9º do Art. 28 como as únicas hipóteses de exclusão de valores da base de cálculo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.560 17 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A lógica proposicional determina, pelo princípio da identidade, que “uma cosa es uma cosa, y outra cosa es outra cosa” 13. A proposição é terminativa, ou seja, dizer que uma coisa é uma coisa não implica dizer que outra coisa também é, ou não é. Com isso, concluo que a lista prevista nos itens “a” a “x” do artigo 28 não é taxativa da não incidência, qualificada ou não. Os valores pagos sem contraprestação também delimitam os contornos do aspecto quantitativo da norma. Resumo no seguinte quadro sinótico: Isto posto, temos a regramatriz de incidência da contribuição social previdenciária patronal: Critério Material Pagar remuneração (salário em contraprestação pelo trabalho) e gorjetas, com habitualidade Critério Espacial 13 ECHAVE, Delia Teresa; URQUIJO, María Eugenia; GUIBOURG, Ricardo A.. Lógica, proposición y norma. Editora Astrea: Buenos Aires, 2008. p. 83. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.561 19 Antecedente Território Nacional Critério Temporal Momento do pagamento Sujeito Ativo União Critério Pessoal Sujeito Passivo Empregador, empresa ou entidade equiparada Consequente Base de Cálculo Remuneração habitual e gorjetas Critério Quantitativo Alíquota 20% Colocadas essas premissas, passo à análise do caso concreto. A matéria objeto de apreciação resumese à tributação dos valores pagos a título das rubricas “terço de férias”, “afastamento nos primeiros quinze dias a título de auxílio acidente e doença”, “verbas rescisórias”, “aviso prévio indenizado” e “horas extras”. Do Terço de Férias O surgimento de referido acréscimo foi inaugurado com a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º inciso XVII: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XVII gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; Certo é que o constituinte conferiu aos trabalhadores além do descanso, compulsoriamente “pago”, um valor “extra” para melhor fruição do período de descanso, sendo certo que este acréscimo não é pago em virtude da contraprestação pelo trabalho. A meu entender, isso não significa, ao contrário do que tem decidido o STF, que referida paga revestese de caráter indenizatório. Esta qualidade decorre sempre da supressão de um direito, hipótese que não se enquadra no caso. De fato, não existe nada a indenizar, mas simplesmente uma obrigação legal de pagar. Na esteira do entendimento demonstrado, penso que se trata de hipótese de não incidência simples. Assim, sigo acompanhando a Corte Constitucional pelas conclusões: Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TERÇO CONSTITUCIONAL. FÉRIAS. O STJ entendia que o acréscimo de 1/3 sobre as férias integraria a remuneração do servidor público e, conseqüentemente, a base de cálculo da contribuição previdenciária (art. 4º da Lei n. 10.887/2004), pois se trataria, ao cabo, de vantagem retributiva da prestação do trabalho. Contudo, esse entendimento mostrouse contrário a vários arestos do STF, que concluíam não incidir a referida contribuição sobre aquele adicional, visto que deteria natureza compensatória, indenizatória, por não se incorporar ao salário do servidor para aposentadoria (art. 201, § 11, da CF/1988). Assim, embora esses julgados não sejam do Pleno do STF, a Seção reviu sua posição, para entender também que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. Anotese, por último, que esse entendimento da Seção foi firmado em incidente de uniformização jurisprudencial que manteve o acórdão impugnado da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais acorde com a jurisprudência do STF. Precedentes citados do STF: AI 712.880MG, DJe 11/9/2009; AI 710.361 MG, DJe 8/5/2009; AgRg no AI 727.958MG, DJe 27/2/2009; AgRg no RE 589.441MG, DJe 6/2/2009; RE 545.317DF, DJe 14/3/2008, e AI 603.537DF, DJ 30/3/2007”. (STF, Pet 7.296PE, Rel. Min. Eliana Calmon, julgada em 28/10/2009) Do AuxílioDoença (Afastados) A Constituição de 1988 adotou o princípio da dignidade da pessoa humana como valor a ser perseguido pelo Estado e pela sociedade. Tratase de positivação do modelo do Estado Social, pressupondo a cobertura dos riscos sociais decorrentes do convívio. O princípio da universalidade do atendimento alberga a proteção à maternidade, ao desemprego, à velhice, à reclusão, entre outros. Essa cobertura é operacionalizada pela prestação de serviços e pela concessão dos benefícios pelo SSS, diretamente pelo Estado, e também por transferência aos particulares, obrigados a colaborar em função da primazia do interesse coletivo. Os chamados “auxílio doença” e o “auxílio–acidente” são exemplos de benefícios sociais cujo encargo foi transferido ao empregador em função dessa sistemática. Caracterizados como benefícios, subsumemse à hipótese da norma de isenção prescrita pelo art. 22 da Lei 8.212/91: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.562 21 salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...)” “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;” A norma de isenção indigitada fulmina a materialidade da hipótese, impedindo o nascimento da obrigação tributária. Os valores pagos a título de auxíliodoença e auxílio acidente são isentos de contribuições previdenciárias. Não obstante, por outra e óbvia razão, a tributação previdenciária não alcança as referidas pagas: a relação carece do indispensável elemento contraprestação. Os valores pagos a título de auxíliodoença não retribuem o trabalho, pois trabalho não há. Tratase de período em que o empregado está se recuperando da enfermidade ou do dano físico causado pelo acidente, e recebendo por isso. A hipótese desnatura a relação sinalagmática do contrato de trabalho, o transformado temporariamente em relação de obrigação unilateral, vez que há pagamento de salário independente de retribuição laboral. Esse encargo unilateral do empregador não subsiste por benesse, mas por obrigação legal, como é natural que seja. No mercado, impera a lei do “there’s no free lunch”. A obrigação de pagar salário sem contraprestação não deriva do contrato laboral particular. Carente de contraprestação, o pagamento é um nãoser jurídico para fins de incidência de contribuição previdenciária. Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica: “RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIODOENÇA. CONTRIBUIÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDE. O empregado afastado do trabalho por motivo de doença não presta serviços e, por isso, não recebe salário, mas apenas uma verba de caráter indenizatório durante os primeiros quinze dias de afastamento. Por conseguinte, resta afastada a incidência da Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 contribuição previdenciária, que tem por base de cálculo a remuneração percebida habitualmente. Recurso provido.” (STJ, REsp 748193 / SC, Ministro José Arnaldo da Fonseca, DJ 17.10.2005 p. 347) “PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIODOENÇA. NÃOINCIDÊNCIA SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES DESTA CORTE DE JUSTIÇA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adota entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Esta Corte já consolidou o entendimento de que não é devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado, durante os primeiros quinze dias do auxíliodoença, à consideração de que tal verba, por não se tratar de contraprestação do trabalho, não tem natureza salarial. 3. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento no sentido de que o saláriomaternidade tem natureza remuneratória, e não indenizatória, integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. Recurso especial parcialmente provido.” (STJ, REsp 886954 / RS, Ministra Denise Arruda, DJ 29.06.2007 p. 513) Verbas Rescisórias As verbas rescisórias especiais recebidas a título de férias em pecúnia, 13° salário, licençaprêmio não gozada, conversão de terço de férias, ausência permitida ao trabalho, extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada e aviso prévio indenizado, merecem especial atenção. São verbas pagas quando do término da relação de trabalho, em que se constata a pendência de direitos trabalhistas a cargo do empregador. São direitos que, ao tempo em que deveriam ser atendidos não o foram e, diante da impossibilidade de concedêlos no momento da rescisão contratual, fica o empregador obrigado a conceber tais direitos mediante indenização ao empregado. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.563 23 Vale dizer que, a nosso ver, independentemente da natureza da verba a ser convertida em rescisória – seja ela 13° salário, férias, licença prêmio ou aviso prévio indenizado , no momento em que se constata seu descumprimento por parte do empregador e fica este obrigado à conversão em pecúnia, os valores passam a ter caráter indubitavelmente indenizatório e, portanto, não passível de inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Neste sentido já decidiu o CARF em relação à incidência de IRPF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2000 VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE FÉRIAS PROPORCIONAIS E RESPECTIVO TERÇO CONSTITUCIONAL. INDENIZAÇÃO. No tocante ás férias não gozadas e respectivo terço constitucional, recebidas na rescisão contratual, há de se reproduzir o decidido no REsp 1111223/SP, recurso representativo de controvérsia, submetido ao procedimento do art. 543C do CPC, nos termos em que dispõe o art. 62A do anexo II do RICARF. Os valores recebidos a título de férias proporcionais e respectivo terço constitucional são indenizações isentas do pagamento do Imposto de Renda. VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE LICENÇA PRÊMIO NÃO GOZADA. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. A jurisprudência do CARF e do STJ é pacífica no sentido de que não incide imposto de renda sobre verbas indenizatórias, decorrentes de rescisão do trabalho, tal como a licençaprêmio. Precedentes STJ. Precedentes CARF. Recurso especial negado.” (CARF, PAF 19679.005336/200375, Acórdão n° 2801 002.847, Rel. Marcelo Vasconcelos de Almeida) Assim, não há que se falar em inclusão de verbas indenizatórias pagas em razão de rescisão contratual. Aviso Prévio Indenizado O aviso prévio é direito constitucionalmente garantido ao trabalhador no art. 7º, XXI, CF, que determina que em casos de demissão sem justa causa, o trabalhador seja informado do rompimento de seu contrato de trabalho com um mês de antecedência, o que lhe garante prazo para a procura de novo emprego. Muito comum, no entanto, que empregadores, ao invés de cumprirem o prazo do aviso prévio, comuniquem o empregado do rompimento do contrato de trabalho, ficando obrigado a indenizálo por não mantêlo em seu cargo por mais trinta dias. É o aviso prévio indenizado. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Os Tribunais Superiores pacificaram o entendimento de que, por se tratar de verba genuinamente indenizatória e, ainda, por não se destinar a retribuição de trabalho, não há que se incluir o aviso prévio indenizado na base de cálculo das contribuições previdenciárias: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. A Segunda Turma do STJ consolidou o entendimento de que o valor pago ao trabalhador a título de aviso prévio indenizado, por não se destinar a retribuir o trabalho e possuir cunho indenizatório, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária sobre a folha de salários. 3. Recurso Especial não provido.” (STJ, REsp 1218797 / RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 04/02/2011) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA. ART. 22, INC. I, DA LEI N. 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A indenização decorrente da falta de aviso prévio visa reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na CLT, bem como não pôde usufruir da redução da jornada a que fazia jus (arts. 487 e segs. da CLT). 2. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial. 3. Recurso especial não provido.” (STJ, REsp 1198964 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 04/10/2010) Horas Extras A Constituição Federal, no art. 7°, inciso XVI, prevê: “Art. 7°. (...) XVI remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal;” Regulamentando a norma constitucional, a CLT estabelece que: “Art. 58 A duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite.” “ Art. 59 A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.564 25 § 1º Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior à da hora normal.” Sergio Pinto Martins define hora extra como sendo a hora prestada “além do horário contratual, legal ou normativo, que devem ser remuneradas com o adicional respectivo”14. Amauri Mascaro do Nascimento atribui conceito semelhante, significandoas como as horas “que ultrapassam a jornada normal fixada por lei, convenção coletiva, sentença normativa ou contrato individual de trabalho”15. Assim também é o entendimento do Ministro do TST Maurício Godinho Delgado16, que caracteriza a hora extra como “a jornada cumprida em extrapolação à jornada padrão à relação empregatícia concreta”. “Estabelecese em face da ultrapassagem da fronteira normal da jornada de trabalho”. A doutrina caracteriza a hora extraordinária pela anormalidade, porque se instaura à revelia do pactuado ou do determinado pela lei. Enquanto a jornada de trabalho contratada ou legal é previsível, a extra jornada é imprevisível, ante a ausência de elemento jurídico necessário à sua expectatividade. Inobstante a possibilidade do acontecimento, a ocorrência da hora extraordinária é imprevisível, simplesmente porque não é previamente pactuada. A jornada extraordinária acontece sem que o empregado ou empregador se programem; porque se programada seria normal (contratual). Ademais, as questões de signo, como adverte Bobbio, “... são de grande importância para o direito, porque, elegendo um nome ao invés de outro, tornase rigorosa e não suscetível de malentendido uma determinada linguagem”17. O significado da palavra extraordinária confirma a eventualidade da hora extra, porque caracteriza o excepcional, o anormal e o imprevisível: “Extraordinário é o que não é comum ou ordinário, configurandose, dessarte, em anormalidade, excepcionalidade, singularidade ou imprevisibilidade.” 18 Noutro vértice, mesmo que programada, expectada ou combinada entre as partes da relação de emprego, não há periodicidade, porque o extraordinário é acidental ou fortuito. Mesmo que casuisticamente ordinária, a extra jornada somente adquire a condição de habitual se mantiver essa característica durante doze meses (Súmula nº 291 do TST); caso contrário, mesmo que por menor período expectada e reiterada, a hora extraordinária mantém se na categoria da eventualidade. Necessário então classificar as importâncias pagas em contraprestação às horas extras como isentas de contribuição previdenciária, haja vista que se encontram na 14 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 22ª Ed. São Paulo: Atlas. 2006, p. 490. 15 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 26ª Ed. São Paulo: LTr. 2000, p. 264. 16 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 3ª Ed. São Paulo: LTr. 2004, p. 889. 17 BOBBIO, Norberto. Studi Sulla Teoria Generali delDiritto. Torino: Giappichelli. 1955, p. 37. 18 Comissão de Redação. Extraordinário, in Enciclopédia Saraiva do Direito. FRANÇA, R. Limongi (Coord.). São Paulo: Saraiva. 1977, p. 513. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 modalidade de valores prevista no item 7 da alínea “e” do § 9º do art, 28 da Lei nº 8.212/91, ou seja, na categoria das importâncias eventuais. Essa identificação, ao menos, deve ser atribuída às importâncias que remuneram horas extraordinárias que não atingiram o critério de habitualidade definido pela Súmula nº 291 do TST. Além da norma de isenção acima demonstrada, a incidência da contribuição previdenciária sobre o pagamento da hora extra deve ser também analisada sob a ótica do disposto no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. O trabalho extra jornada, além de remunerado, é indenizado em, no mínimo, 50% da remuneração. Esse adicional, embora pago acessoriamente à remuneração, não se identifica nessa classe, caracterizandose, diferentemente, como espécie de indenização; compensação pelo descumprimento do contrato, que estabelecia jornada de trabalho descumprida pelo empregador. Ultrapassada a jornada ordinária, o contrato de trabalho é descumprido. Afora remunerar essa atividade com a remuneração pactuada, o empregador, outrossim, indeniza o empregado pelo descumprimento do contrato, pagandoo, como indenização, 50% a mais da remuneração devida pelo trabalho: O TST, por meio da Orientação Jurisprudencial nº 18 da SDI1, confirmou a natureza indenizatória do adicional da hora extra, excluindoo da basedecálculo dos benefícios previdenciários: “Orientação Jurisprudencial nº 18 da SDI1, do TST – Complementação de Aposentadoria. Banco do Brasil. I – As horas extras não integram o cálculo da complementação de aposentadoria.” Se a hora extraordinária não integra o cálculo do benefício previdenciário, não integra, também, a basedecálculo da contribuição previdenciária, porque entre o benefício e a contribuição há intima referibilidade, manifestada através da sinalagmaticidade genética. Com base em tais fundamentos, com relação ao imposto sobre a renda, o. STJ já decidiu: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. VERBAS INDENIZATÓRIAS. HORASEXTRAS TRABALHADAS (IHT). NÃOINCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. SÚMULAS NºS 125 E 136/STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que proveu o recurso especial do particular. 2. O acórdão a quo entendeu pela incidência do imposto de renda sobre verbas indenizatórias (horasextras trabalhadas). 3. O imposto sobre a renda tem Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.565 27 como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN). 4. A indenização especial, o 13º salário, as férias, o abono pecuniário não gozados, assim como a indenização de horas trabalhadas (IHT), não configuram acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda e, portanto, não são fatos imponíveis à hipótese de incidência do IR, tipificada pelo art. 43 do CTN. A referida indenização não é renda nem proventos. 5. Inteligência das Súmulas nºs 125 e 136/STJ. 6. Precedentes desta Corte Superior. 7. Agravo regimental não provido.” (STJ, AgRg no REsp 670.699/RN, Rel. Min. José Delgado, publ. 01.02.2006) Se para fins de Imposto de Renda o entendimento firmado é o de que as horas extras não têm natureza de remuneração, mas sim de indenização, não há por que se entender de outra maneira no que tange à contribuição previdenciária sobre a folha. Multa – Alegação de Inconstitucionalidade A Lei n° 9.430/ estabelece que: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...)” A Recorrente alega que a aplicação da multa de ofício em 75% viola o Princípio do NãoConfisco previsto na Constituição Federal e, por conseqüência, configura absoluta inconstitucionalidade. Não cabe aos órgãos administrativos o julgamento de constitucionalidade de qualquer que seja a legislação vigente, uma vez que a esfera administrativa está adstrita à correta aplicação da norma em plena vigência. Registrese que a instância administrativa não possui competência legal para manifestarse sobre questões em que se alega eventual colisão da legislação face à Constituição Federal, tendo em vista ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal (art. 102, I, a, e III, b; art. 103, § 2°; EC n° 3/1993). Assim, na esfera administrativa, a competência limitase a afastar aplicação de leis já declaradas inconstitucionais definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a determinação do Secretário da Receita Federal. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e dou a ele provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.566 29 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Redator Designado. Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange à discussão acerca dos valores decorrentes da verba paga a título de horas extraordinárias (horas extras), constante da folha de pagamento, entendo que tais valores devem integrar a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, pelas razões que passo a expor. A Recorrente argumenta que não há incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de horas extraordinárias e seu adicional, entendendo que tais pagamentos teriam natureza indenizatória. Não confiro razão a Recorrente, eis que a natureza remuneratória da parcela não é definida pelo seu nome, mas sim em decorrência da sua natureza jurídica. Ficou demonstrado nos autos (Relatório Fiscal e demais documentos acostados aos autos) que os valores decorrentes da verba paga a título de horas extras são oriundos da prestação de serviços realizados pelos segurados empregados após o horário normal da jornada de trabalho. Assim, como o intervalo de sua jornada de trabalho foi alterado, tais segurados receberam uma remuneração a mais pela prestação de serviços à Recorrente, isso confere aos valores pagos a natureza de salário de contribuição (base de cálculo) para as contribuições sociais lançadas, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Portanto, foi correto o procedimento da Auditoria Fiscal em considerar como salário de contribuição os valores pagos a título de horas extras, uma vez que esses pagamentos não estão abarcados pela regra de isenção prevista no art. 28, § 9°, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (....) Extraise dessa regra que todas as importâncias que se destinem a retribuir o trabalho – que é caso dos valores pagos a título de horas extras –, independentemente de sua denominação ou a forma como são pagas, deverão compor a base de cálculo das contribuições sociais apuradas no presente processo, eis que os valores pagos correspondem à remuneração oriunda de trabalho extraordinário. Caminha com o mesmo entendimento, os precedentes emanados das decisões do Tribunal Superior de Justiça (STJ) tratando da matéria: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. HORAS EXTRAS. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. INCIDÊNCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. 1. Incide Imposto de Renda sobre as verbas recebidas a título de horasextras e adicional de insalubridade, ante seu caráter remuneratório, o que importa em acréscimo patrimonial. Precedentes do STJ. (g.n.) 2. Recurso Especial não provido. (STJ; REsp 615327 RS 2003/02191600; Relator(a): HERMAN BENJAMIN; em 19/06/2007; Publicação: DJe 19/12/2008) Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica e configura uma hipótese de trabalho extraordinário, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. Ainda cumpre esclarecer que os acordos celebrados entre empresa e seus empregados não têm o condão de afastar o fato gerador da obrigação tributária, tendo em conta que seus efeitos operamse apenas entre as partes envolvidas na esfera civil. Não é vedado que alguém contrate com outrem a responsabilidade particular por determinado tributo. Vale registrar que caso qualquer cláusula do contrato firmado entre as partes determinasse expressamente que os valores pagos a título de indenização não representariam um pagamento de vantagem econômica para os segurados empregados, ainda assim tal afirmação seria totalmente inócua e absolutamente ineficaz em face do Fisco, nos termos do art.123 do CTN, que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante disso, pelos mesmos motivos anteriormente expostos e tendo em conta o que dispõe o art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991 e o seu § 9o, já exaustivamente mencionado, mantémse a exigência oriunda da verba paga a título de horas extraordinárias, Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000810/201018 Acórdão n.º 2402003.569 S2C4T2 Fl. 1.567 31 incluindo o seu adicional, eis que essa verba decorre da supressão do intervalo entre as jornadas de trabalho que deveria ter sido concedido aos segurados empregados. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao abatimento dos valores pagos pelas empresas desconsideradas do SIMPLES, bem como para reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, auxílioacidente, auxíliodoença, verbas rescisórias e aviso prévio indenizado. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.017410/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA é obrigatória desde o exercício de 2001 para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, que incluiu o art. 17-0, § 1°, na Lei n° 6.938/1981.
No presente caso, a autuação decorrente de glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal deve ser mantida em virtude do contribuinte não ter apresentado Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente.
PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide.
No caso, os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte tem oportunidade de produzi-los e não toma qualquer procedimento.
MULTA - CONFISCO - ILEGALIDADE
O julgador administrativo não tem competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária, cabendo apenas cumprir a determinação legal.
VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). MODIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA DAS NORMAS MÍNIMAS ABNT.
O Valor da Terra Nua - VTN constante do SIPT, válido para fins de arbitramento, pode ser alterado quando o contribuinte apresenta Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação de regência (NBR 14.653/04 da ABNT).
RESERVA LEGAL. ADA. MITIGAÇÃO.
Reconhece-se a Reserva Legal que tenha sido averbada tempestivamente em decorrência de Termo de Responsabilidade de Conservação de Floresta expedido pelo órgão ambiental estadual da situação do imóvel.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, em afastar a prejudicial de conversão do julgamento em diligência, para verificação de provas não juntadas aos autos e referidas na sustentação oral, vencidas as Conselheiras Mara Eugência Buonano Caramico e Eivanice Canário da Silva, (b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e (c) por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para (i) considerar o valor da terra nua do imóvel em questão no montante de R$ 8.073.597,00, e (ii) considerar como Reserva Legal a área averbada de 253,80 ha (fl. 68), vencido o conselheiro relator, Eduardo de Souza Leão, que votou por dar provimento em parte em menor extensão. Designada para redação do voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora Designada.
EDITADO EM: 12/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGÊNIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA é obrigatória desde o exercício de 2001 para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, que incluiu o art. 170, § 1°, na Lei n° 6.938/1981. No presente caso, a autuação decorrente de glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal deve ser mantida em virtude do contribuinte não ter apresentado Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente. PERÍCIA E DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. No caso, os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte tem oportunidade de produzilos e não toma qualquer procedimento. MULTA CONFISCO ILEGALIDADE O julgador administrativo não tem competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária, cabendo apenas cumprir a determinação legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 74 10 /2 00 8- 12 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 VTN ARBITRADO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). MODIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA DAS NORMAS MÍNIMAS ABNT. O Valor da Terra Nua VTN constante do SIPT, válido para fins de arbitramento, pode ser alterado quando o contribuinte apresenta Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural revestido das formalidades exigidas pela legislação de regência (NBR 14.653/04 da ABNT). RESERVA LEGAL. ADA. MITIGAÇÃO. Reconhecese a Reserva Legal que tenha sido averbada tempestivamente em decorrência de Termo de Responsabilidade de Conservação de Floresta expedido pelo órgão ambiental estadual da situação do imóvel. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, em afastar a prejudicial de conversão do julgamento em diligência, para verificação de provas não juntadas aos autos e referidas na sustentação oral, vencidas as Conselheiras Mara Eugência Buonano Caramico e Eivanice Canário da Silva, (b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e (c) por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para (i) considerar o valor da terra nua do imóvel em questão no montante de R$ 8.073.597,00, e (ii) considerar como Reserva Legal a área averbada de 253,80 ha (fl. 68), vencido o conselheiro relator, Eduardo de Souza Leão, que votou por dar provimento em parte em menor extensão. Designada para redação do voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora Designada. EDITADO EM: 12/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGÊNIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 3 3 Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário e Oficial onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0420.027 da 1ª Turma da DRJ/CGE (fls. 131/141), que, por unanimidade de votos, indeferiu a perícia, rejeitou as preliminares arguidas e, no mérito, julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo parte do crédito tributário lançado na autuação. Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificado do lançamento em 15/12/2008 (fl. 29), o interessado apresentou, em 13/01/2009, a impugnação de fls. 30 a 49, aduzindo, em síntese, que: • O interessado não recebeu o Termo de Intimação, em virtude de estar incapacitado devido ao estado de saúde crítico, por isso teve prejudicado sua ampla defesa, visando resgatála, em parte, com o pedido de diligência para apresentação de novos documentos; • O quadro de uso do solo demonstra de forma incontestável que a área de preservação permanente representa 73,6% da área total do imóvel, além da área de reserva legal averbada na matrícula imobiliária de 20,8%, comprovando tecnicamente que o imóvel não possui aptidões para exploração agropecuária e/ou florestal, pois apenas 4,6% é passível de uso fora de sua vocação primária e original de preservação ambiental; • O valor da terra nua foi apurado com base em dados da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do estado do Paraná, que é exatamente a fonte utilizada pelo SIPT, servindo de parâmetro para aferição de valores apontados pelos proprietários rurais em suas declarações anuais de apuração do ITR, tendo em vista que não existe qualquer outro ponto de referência, por falta de transações imobiliárias na região de imóveis de dimensões que pudessem servir de paradigma e a Prefeitura Municipal de Guaratuba negou fornecer os valores que atribuiu às terras do município visando a apuração do ITBI; • Foi comprovada a inserção da área total do imóvel na área de proteção ambiental através do Decreto estadual 1.234/92 e na área de influência dos parques Estadual do Boguaçu e Nacional "Saint HilaireLang", conforme mapa apresentado; • A decisão de glosar de forma arbitrária as áreas de preservação permanente e de reserva legal, sem uma contra argumentação técnica o resultado de um trabalho criterioso e sério elaborado por empresa de renome na área de consultoria ambiental; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 • A área com 73,6% de área de preservação permanente e 20,8% de área de reserva legal não significa que seu proprietário não produz porque não quer, que a propriedade existe uma fauna que foi permitida pelo fato do proprietário não ter desmatado nem degradado a área; • A área aproveitável de 455,0 ha e tributável de 470,8 ha de área tributável teve imputação de tributação em sua área total de 9.136 ha como aproveitável e 9.120,0 ha como tributável por falta de apresentação do ADA ao Ibama; • Quanto ao valor da terra nua, o laudo técnico apresenta justificativas e critérios para o enquadramento das terras como inaproveitáveis, considerando que o conceito estabelecido pelo SEAB é o que mais se identifica com a realidade local, enquanto que o fisco enquadrou as terras como não mecanizáveis; • Dentro desse mesmo enfoque, temse a considerar o conceito da SEAB para terras não mecanizáveis que atinge áreas de reserva legal, e que, no caso, qualquer atividade de exploração é proibida pela legislação que criou o APA de Guaratuba como área de proteção aos parques mencionados Estadual do Boguaçu e "Saint HilaireLang", além do fato de que 74,2% das terras são de preservação permanente em razão das características de declividade, morros, limítrofes de rios, córregos e ou nascentes, sem contar com a área de reserva legal de 20,2 %vinculada em registro imobiliário; • Está sendo aplicada a pena máxima que a legislação do ITR impõe ao proprietário que mantém sua propriedade passível de exploração agropecuária em abandono total, aplicando a alíquota máxima sobre o valor da terra nua super dimensionado; • Tudo isso ocorre sob uma base única da falta do ADA Ato declaratório ambiental, argumentando que decorre de imposição legal nos termos do § 1º do artigo 17O da lei 6.938/81, com a redação dada pela lei 10.165/2000, mais o artigo 9º § 3° inciso I da IN SRF 256/2002 acrescentando no argumento o teor do item 3.1 da Solução de consulta interna 12/2003; • A exigência do ADA através da Instrução normativa 67/97 não prosperou por não decorrer de lei, e em seguida a lei 10.165/2000 introduziu o parágrafo 1º ao artigo 17O da lei 6.938/81 dentre outros itens introduzidos, criando a obrigatoriedade da utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR a pagar, apesar de ter aparência de verdade cristalina, tal dispositivo não tem eficácia uma vez que a medida provisória 2166 de agosto de 2001, portanto, posterior à lei 10.165/2000 que havia tornado obrigatório o ADA, não faz qualquer exigência nesse sentido; • O parágrafo 7º do artigo 10 da lei 9393/96 introduzido pela MP 2166 de 2001 está em pleno vigor, dispensando a comprovação prévia por parte do declarante a declaração para fins de isenção as áreas que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II do artigo 10 da lei 9393/96 que assim regrou; • Transcreve e anexa ementas de julgados do Conselho de Contribuintes e decisão judicial para justificar seu entendimento sobre a não obrigatoriedade de apresentação do ADA, • O fisco refuta o laudo técnico apresentado sem apresentar um laudo divergente como se exige o trato transparente de uma conduta fiscal, devendo o fisco provar a inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente na propriedade, da mesma forma que deve demonstrar as razões do enquadramento da terra nua como terras não mecanizáveis em detrimento das classificadas como inaproveitáveis; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 4 5 • Cita doutrina e jurisprudência para justificar o entendimento da multa tributária aplicada com efeito confiscatório, é vedada pela Constituição Federal de 1988, inciso IV, art. 150; • Por último, cita a Lei 11.428/2006 que prevê a exclusão de áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. (...)” (fls. 133/135). A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande (MS), restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Nulidade do Lançamento . Cerceamento do Direito de Defesa. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, não há que se falar em nulidade do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal – PAF Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Tributação. ADA. Por expressa determinação legal, as áreas de preservação permanente e de reserva legal para efeito de exclusão da tributação do ITR devem ser tempestivamente declaradas ao órgão ambiental IBAMA através de requerimento do ADA Ato Declaratório Ambiental. Por outro lado, a área de reserva legal para ser excluída deve ser averbada à margem da matrícula no registro imobiliário. Valor da Terra Nua VTN A apuração do valor da terra nua efetuada pela Autoridade fiscal conforme previsto em lei é passível de modificação, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Fl. 268DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No julgamento, restou mantida a cobrança de parte do ITR lançado no Auto de Infração, em face do contribuinte não ter apresentado os documentos exigidos pela legislação que autorizam a concessão da isenção quanto ao total da Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal declarada. De fato, foram glosadas as isenções declaradas pelo Contribuinte/Autuado, tendo em vista a falta de apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental ao órgão ambiental IBAMA, assim como não comprovadas as devidas averbações no registro imobiliário. Findaram apenas acolhidas as informações trazidas em Laudo Pericial juntado aos autos pelo próprio Contribuinte, quanto a natureza do solo do imóvel e sua aptidão agrícola, de forma a alterar o Valor da Terra Nua (VTN), concluindo por um VTN tributável de R$ 8.634.950,00; Imposto Devido em R$ 1.726.990,00; e a Diferença de Imposto Apurada (Apurado – Declarado) para R$ 1.726.610,73. Em consequência da redução do crédito tributário lançado inicialmente, houve Recurso de Ofício. No Recurso Voluntário, o Recorrente insiste nos argumentos anteriormente suscitados, certo de não haver obrigatoriedade de apresentação do ADA para efeitos tributários. Considera necessária a produção de perícia, assim como traz alegativas sobre os efeitos confiscatórios da autuação, para ao final requerer a desconstituição do crédito tributário lançado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O presente feito trata do Imposto Territorial Rural ITR, cuja sistemática de apuração é definida na Lei nº 9.393/96, nos seguintes termos: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 5 7 “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;(revogado) a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) d) sob regime de servidão ambiental; (Redação atual dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...)” Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Avulta da norma transcrita que, na apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Consigno, desta feita, que a configuração da existência de área de preservação permanente nos termos da legislação em vigor e o assentamento imobiliário da área de reserva legal são, por princípio, suficientes a garantir a fruição do benefício pelo proprietário do bem. No entanto, como a legislação determina requisitos específicos para que os contribuintes obtenham o benefício fiscal da isenção de ITR para as APP e ARL, entendo que a existência de um laudo não é suficiente para suprir um desses requisitos, que é a correta apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Ora, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA se tomou obrigatória a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000, que incluiu o art. 17 O, § 1°, na Lei n° 6.938/1981, in verbis: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” Por seu turno, em 24 de agosto de 2001, foi editada a MP 2.16667, que inseriu o § 7º ao art. 10, da Lei n° 9.393/96: "Art. 10. (...) §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa As áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1 2, deste Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 6 9 artigo, não está sujeita a. previa comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." É bem verdade que, não obstante a previsão legal da obrigatoriedade do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR, a partir do exercício de 2001, é inexigível a sua prévia comprovação. Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na Declaração do ITR, sendo os meios utilizados para tal aferição determinados por lei, cabendo ao contribuinte, quando solicitado, apresentar os documentos de suporte aos dados declarados. Tanto assim que a Instrução Normativa da RFB hoje em vigor, de no 1.380/2013, resguarda a exigência de apresentação do ADA, conforme abaixo transcrito: “Art. 6º Para fins de exclusão das áreas não tributáveis da área total do imóvel rural, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, observada a legislação pertinente.” Ora, o Ato Declaratório Ambiental – ADA configura documento de cadastro das áreas de interesse ambiental do imóvel rural junto ao IBAMA, permitindo o controle e verificação dessas áreas pela Administração Pública, por meio do órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR, conforme previsto na legislação citada. De fato, a isenção tributária decorre exclusivamente de lei. Nesses termos, a autuação decorrente de glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal deve ser mantida, em virtude do contribuinte não ter apresentado Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Este é o entendimento uniforme deste Conselho: “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NECESSIDADE. O ADA protocolizado junto ao Ibama é o documento hábil para comprovar a existência das áreas de preservação permanente, para as quais a legislação não estabelece qualquer exigência adicional para o seu reconhecimento. Rejeitase a comprovação mediante Laudo Técnico que sequer especifica e quantifica as áreas de preservação permanente existentes no imóvel rural. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Cumprida a exigência legal de que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. Recurso Provido em Parte” (Acórdão nº 2102002.793, Processo nº 10680.720313/200976, Relatora Conselheira ALICE GRECCHI, 2ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). Por outro lado, embora o Contribuinte tenha aludido em sua Impugnação assim como no Recurso Voluntário, a existência de averbação das áreas de preservação permanente e de reserva legal no cartório de registro de imóveis, não fez prova do alegado. Apenas apresentou Certidão (fls. 68) referente a uma gleba de terras com área total de 769 ha, que supostamente teria uma “área de conservação de 253,80 ha”, sem declarar especificamente qual seria a Área de Reserva Legal em relação ao montante informado de 253,80 ha. Vale salientar que a área total do imóvel em exame é de 9.136 ha, tendo sido declarado na DITR uma Área de Reserva Legal de 2.157,80 ha. E quanto a isenção das áreas de reserva legal, não se pode dispensar a competente averbação, conforme disposto no artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, vigente até 28/05/2012, quando restou revogada pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 7 11 II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7º deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” Mesmo que tenha havido inicialmente alguma discussão judicial sobre a necessidade de observação da norma, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) referente à Área de Reserva Legal está condicionada à sua prévia averbação na matrícula do imóvel. Vejamos a ementa do julgado: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação "da reserva legal" (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos.” (EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 21/10/2013). A egrégia Corte Superior de Justiça tem reiterado o entendimento proferido em inúmeros julgados, dentre os quais destacamos apenas a título de exemplo: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. É imprescindível a averbação da área de reserva legal no registro do imóvel para gozo do benefício fiscal do ITR. 2. "Os precedentes do STJ consagram valores que enobrecem e contribuem para o progresso de uma sociedade pautada nos ideais da justiça e da lealdade, pois impedem que a parte se valha da própria torpeza para burlar o ordenamento jurídico" (REsp 1.396.544/CE, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 11/10/13). 3. Agravo regimental não provido.” (AgRg no AREsp 479.139/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Primeira Turma, DJe 25/04/2014); “TRIBUTÁRIO. ITR. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. NECESSIDADE. ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO 1. "A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp n. 1.027.051, SC, reafirmou o entendimento de que, para gozar da isenção fiscal prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei n. 9.393, de 1996, relativa ao imposto territorial rural, é imprescindível a averbação da área de reserva legal no respectivo registro imobiliário" EREsp 1310871/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Seção, julgado em 23/10/2013, DJe 4/11/2013 2. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AgRg no AREsp 450.574/SC, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe 24/03/2014). No mesmo sentido e de modo uniforme, este Conselho tem se posicionado, conforme recentes manifestações: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 8 13 “ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. In casu, o contribuinte não logrou êxito na comprovação necessária à isenção pleiteada. Recurso Voluntário Negado” (Acórdão nº 2101002.373, Processo nº 10245.720233/200950, Relator Conselheiro GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, 1ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF) “EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais contradições verificadas no acórdão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.” (Acórdão nº 2201002.289, Processo nº 13896.720016/200811, Relator Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, 1ª TO / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); Portanto, não pode haver dúvidas quanto a imprescindibilidade de averbação da Área de Reserva Legal na margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro competente, dando publicidade à área reservada do imóvel, e assim autorizar a isenção do ITR. E sabese que o legislador cuidou em antever situações onde a validação da área objeto de isenção deveria ser comprovada, sendo o ônus da prova do declarante, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Destarte, compulsando os autos verificase que o Contribuinte carreou os autos uma simplória Certidão que não identifica a área do imóvel declarada na DITR como sendo de reserva legal (2.157,80 ha), razão pela qual não pode prevalecer a isenção pleiteada. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Quanto ao pedido de diligências e perícias, estes podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. É que os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio Recorrente dispõe de meios próprios para providenciálos. Ora, a apreciação da prova trazida aos autos é objeto de convencimento do julgador, não implicando em cerceamento de defesa, tão somente, porque o julgador não acatou os argumentos postos pelo recorrente. A perícia somente é necessária quando a matéria exige conhecimento técnico específico, o que não é o caso. Neste sentido, entendo que não cabe perícia e/ou diligência, tendo em vista que foi oportunizado ao Recorrente corroborar as suas alegações com provas hábeis a demonstrar a verdade material, as quais poderiam ter sido acostadas quando da intimação do Termo de Procedimento Fiscal, ou ainda, por ocasião da Impugnação e na interposição do presente Recurso Voluntário. Não tendo o Contribuinte/Recorrente trazido aos autos provas insofismáveis de suas alegações, não compete a Administração Tributária promover tais providências, muito menos em afronta ao ordenamento jurídico em vigor. Por fim, pugna o Recorrente de forma prolixa e genérica, sem enfrentamento direto a situação fática evidenciada nos autos, quanto a um suposto efeito de confisco na autuação, assim como na multa aplicada. Ocorre que o julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à validade da legislação tributária. Inclusive, a matéria é sumulada nesse Tribunal Administrativo: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula CARF nº 2) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 9 15 Aliás, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. Nesses termos, em vista da previsão legal da aplicabilidade de multa, bem como da impossibilidade desse Conselho em se manifestar quanto matéria atinente à constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei em tese, não conheço do pedido do recorrente, julgando acertado o entendimento proferido na decisão da DRJ. No que diz respeito ao Recurso de Oficio perpetrado pela Delegacia de Julgamento em face da reforma parcial do lançamento, acolhendo as informações trazidas em Laudo Técnico juntado aos autos pelo próprio Contribuinte, quanto a natureza do solo do imóvel e sua aptidão agrícola, de forma a alterar o Valor da Terra Nua (VTN), concluindo por diminuir o crédito tributário lançado, não há o que se criticar em razão da verdade material revelada no citado documento. Ora, o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural somente tem o condão de alterar o VTN arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, na hipótese de encontrarse revestido das formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas – ABNT. Sendo este o caso, não há reparos a fazer na decisão a quo. Contudo, entendo que o mesmo Laudo traz outros dados que devem ser considerados em atenção ao princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. No tocante à utilização do SIPT, da leitura da art. 14 da Lei 9.393/96, entendo que somente poderá a Fiscalização dele se socorrer nos casos (i) de não entrega do DIAT, (ii) de subavaliação, ou (iii) de prestação de informações equivocadas ou fraudulentas, não podendo ser aplicado quando o contribuinte, como no caso, comprovar que o valor arbitrado é superior ao valor correto e adequado conforme características do imóvel, nos termos do Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte. Quanto ao arbitramento, aliás, admito ser legítima a utilização dos dados do SIPT para fins de arbitramento de VTN, desde que, para tanto, os parâmetros adotados estejam Fl. 278DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 baseados, por exemplo, na aptidão agrícola das terras do município e não apenas no VTN médio declarado por município, pois este, notoriamente, não contempla as características intrínsecas e extrínsecas que determinam o potencial de uso da terra. Tendo em vista que, in casu, o contribuinte apresenta Laudo Técnico que apurou tal valor considerando a capacidade potencial da área em questão, entendo que esta é a grandeza que deve prevalecer. No caso a avaliação foi feita por profissional devidamente habilitado, conforme consta na ART (fl. 88) e restou devidamente fundamentada, não sendo suficiente para desconstituílo a alegação de que não teria atendido a todos os requisitos da ABNT. Nesse sentido, como o próprio contribuinte trouxe Laudo de Avaliação com informação diversa da prestada originalmente em sua declaração, entendo que deve prevalecer a verdade real e ser considerado como Valor da Terra Nua total do imóvel para o cálculo do ITR em apreço, o valor de R$ 8.073.597,00 (oito milhões, setenta e três mil, quinhentos e noventa e sete reais) encontrados pelo signatário do laudo (fls. 105), retificandose, neste ponto, a autuação lavrada. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para considerar o valor da terra nua do imóvel em questão no montante de R$ 8.073.597,00, e negar provimento ao Recurso de Oficial. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recorrente não apresentou Ato Declaratório Ambiental para as áreas que alega sejam de Preservação Permanente/Reserva Legal. Observase, entretanto, que consta do processo (fl.66 numeração manual) documento de registro do imóvel, com comprovação de averbação de uma área de preservação Fl. 279DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.017410/200812 Acórdão n.º 2101002.595 S2C1T1 Fl. 10 17 ambiental de 253,80ha. A averbação decorreu de um Termo de Responsabilidade de Conservação de Floresta, expedido pelo Instituto Ambiental do Paraná, em 14/12/1999. Entendo, desta forma, que tal área deve ser isenta do tributo por apresentar os requisitos mínimos para exoneração: averbação tempestiva no registro do imóvel, e o órgão ambiental está devidamente cientificado da existência da mesma, podendo, desta forma, planejar procedimentos fiscalizatórios para o cumprimento do acordo de preservação. Voto por acrescentar ao voto do Recurso Voluntário proposto pelo Relator, a exoneração da área de 253,80ha de Reserva de Preservação Ambiental. Maria Cleci Coti Martins Conselheira Redatora Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.904889/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 89 /2 01 2- 13 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904889/201213 Acórdão n.º 3801003.694 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904889/201213 Acórdão n.º 3801003.694 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904889/201213 Acórdão n.º 3801003.694 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904889/201213 Acórdão n.º 3801003.694 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904889/201213 Acórdão n.º 3801003.694 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904889/201213 Acórdão n.º 3801003.694 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.000316/2003-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. PRESCRIÇÃO.
O prazo prescricional inicia-se a partir da constituição do crédito tributário, suspendendo-se com a apresentação da impugnação do contribuinte (CTN, art. 174 c.c. art. 151, III).
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF n.º 11).
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2 do CARF).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula n.º 4 do CARF).
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.625
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
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PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional iniciase a partir da constituição do crédito tributário, suspendendose com a apresentação da impugnação do contribuinte (CTN, art. 174 c.c. art. 151, III). “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” (Súmula CARF n.º 11). MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n.º 2 do CARF). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (Súmula n.º 4 do CARF). IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção. Recurso negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 16 /2 00 3- 81 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000316/200381 Acórdão n.º 2101002.625 S2C1T1 Fl. 338 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 327/334) interposto em 04 de fevereiro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) (efls. 312/322), do qual o Recorrente teve ciência em 21 de janeiro de 2009 (efl. 326), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de efls. 268/271, lavrado em 29 de janeiro de 2003, em decorrência de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificadas no anocalendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000316/200381 Acórdão n.º 2101002.625 S2C1T1 Fl. 339 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Lançamento Procedente” (efls. 312/313). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 327/334), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Discutese, no presente caso, (i) a ocorrência da prescrição, nos termos do art. 174 do CTN, (ii) se a multa de ofício aplicada seria confiscatória, (iii) se seria inconstitucional a aplicação da taxa SELIC a título de juros de mora e (iv) se seria necessário o Fisco efetuar pedido de esclarecimento. Preliminarmente, o Recorrente alega que o crédito tributário teria sido alcançado pela prescrição. Não obstante, razão não lhe assiste, pois, no presente caso, o imposto diz respeito ao anocalendário de 1998, de modo que, de acordo com o artigo 150 do Código Tributário Nacional, a fiscalização teria até o dia 31 de dezembro de 2003 para intimar o Recorrente do auto de infração. De acordo com os documentos acostados aos autos, a intimação foi recebida em 30 de janeiro de 2003 (efl. 272), não tendo decaído, portanto, o direito de a Fazenda efetuar o lançamento. Quanto ao prazo prescricional, este teve início com a constituição definitiva do crédito tributário (Código Tributário Nacional, art. 174), mas em seguida foi suspenso com a apresentação da impugnação de efls. 280/309 (Código Tributário Nacional, artigo 151, III), assim permanecendo até hoje. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000316/200381 Acórdão n.º 2101002.625 S2C1T1 Fl. 340 4 No que se refere à prescrição intercorrente, este e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula n.º 11, segundo a qual “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Consequentemente, a preliminar suscitada pelo Recorrente deve ser afastada. No mérito, o Recorrente alega, inicialmente, ser confiscatória a multa aplicada. Entretanto, cumpre salientar que, com relação à arguição de inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao art. 150, IV, da Constituição Federal, temse que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Portanto, tratandose de dispositivo legal vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2. Ademais, a taxa SELIC é aplicável a título de juros de mora, consoante jurisprudência mansa e pacífica firmada por este Conselho, traduzida na Súmula n.º 04, que tem a seguinte redação: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Finalmente, no que tange à alegada falta de pedido de esclarecimento, melhor sorte não socorre ao Recorrente. Depreendese dos autos que o contribuinte foi intimado do início do procedimento fiscal em 02 de setembro de 2002, tendo subscrito o MPF, conforme se infere da efl. 02, tendo ainda sido intimado diversas vezes para apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos (efls. 04/05, 08/09, 10/11, 36 e 258/266), tendo ainda comparecido à sede da Receita Federal (efl. 07). Portanto, não há que se falar em ilegalidade do procedimento, até porque a fiscalização excluiu inúmeros valores da base de cálculo do imposto por ocasião da lavratura do auto de infração, conforme se extrai do termo de constatação de efls. 258/266. Além disso, o contribuinte teve a oportunidade de apresentar impugnação e recurso voluntário, exercendo, portanto, plenamente, seu direito de defesa. Como é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Nesse sentido, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n.º 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000316/200381 Acórdão n.º 2101002.625 S2C1T1 Fl. 341 5 sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual esta 1ª Turma Ordinária teve origem, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.º 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000316/200381 Acórdão n.º 2101002.625 S2C1T1 Fl. 342 6 intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) No presente caso, o Recorrente não desconstituiu a presunção. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10510.721220/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO. CONSTATAÇÃO DE FRAUDE. CONTAMINAÇÃO DE TODO O LANÇAMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação, nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.
Considerando-se que o que se homologa é o lançamento e este é um ato único, a qualificação da multa de uma glosa no ano-calendário contamina todas as demais, não havendo como dissociá-la para fins de contagem do prazo decadencial. Interpretação do artigo 150, do CTN. Ou seja, a regra a ser aplicada na identificação do termo inicial da decadência é única e a presença de fraude contamina o lançamento em relação ao fato gerador como um todo.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Nos casos em que o próprio profissional médico emissor de recibos acusa que houve prestação dos serviços médicos, tal declaração, aliada à apresentação de outras provas, autoriza a dedução de despesas, desde que conste em tais documentos o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF do profissional prestador de serviço. Após comprovações apresentadas pelo contribuinte, a glosa de dedução de despesas somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade.
PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO DE ERRO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 832 do Decreto nº 3.000/99, a retificação da declaração de ajuste, com vistas a sanar erro contido na mesma, somente é possível antes de iniciado o procedimento de lançamento de ofício.
Desta forma, deve ser mantida a glosa das despesas médicas dispendidas pelo contribuinte com plano de saúde de sua filha, tendo em vista que esta não figurou no rol dos dependentes constante da declaração de ajuste anual do contribuinte.
Numero da decisão: 2102-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando apenas a retificação do lançamento para que efetivamente seja considerada a dedução do valor de R$1.927,94, pago a IPES Saúde no ano-calendário de 2007, conforme reconhecido pela DRJ de origem, mas não computado no cálculo de retificação do lançamento.
Assinado digitalmente.
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO. CONSTATAÇÃO DE FRAUDE. CONTAMINAÇÃO DE TODO O LANÇAMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação, nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Considerando-se que o que se homologa é o lançamento e este é um ato único, a qualificação da multa de uma glosa no ano-calendário contamina todas as demais, não havendo como dissociá-la para fins de contagem do prazo decadencial. Interpretação do artigo 150, do CTN. Ou seja, a regra a ser aplicada na identificação do termo inicial da decadência é única e a presença de fraude contamina o lançamento em relação ao fato gerador como um todo. IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Nos casos em que o próprio profissional médico emissor de recibos acusa que houve prestação dos serviços médicos, tal declaração, aliada à apresentação de outras provas, autoriza a dedução de despesas, desde que conste em tais documentos o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF do profissional prestador de serviço. Após comprovações apresentadas pelo contribuinte, a glosa de dedução de despesas somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO DE ERRO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 832 do Decreto nº 3.000/99, a retificação da declaração de ajuste, com vistas a sanar erro contido na mesma, somente é possível antes de iniciado o procedimento de lançamento de ofício. Desta forma, deve ser mantida a glosa das despesas médicas dispendidas pelo contribuinte com plano de saúde de sua filha, tendo em vista que esta não figurou no rol dos dependentes constante da declaração de ajuste anual do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando apenas a retificação do lançamento para que efetivamente seja considerada a dedução do valor de R$1.927,94, pago a IPES Saúde no ano-calendário de 2007, conforme reconhecido pela DRJ de origem, mas não computado no cálculo de retificação do lançamento. Assinado digitalmente. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO. CONSTATAÇÃO DE FRAUDE. CONTAMINAÇÃO DE TODO O LANÇAMENTO PARA IDENTIFICAÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação, nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Considerandose que o que se homologa é o lançamento e este é um ato único, a qualificação da multa de uma glosa no anocalendário contamina todas as demais, não havendo como dissociála para fins de contagem do prazo decadencial. Interpretação do artigo 150, do CTN. Ou seja, a regra a ser aplicada na identificação do termo inicial da decadência é única e a presença de fraude contamina o lançamento em relação ao fato gerador como um todo. IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Nos casos em que o próprio profissional médico emissor de recibos acusa que houve prestação dos serviços médicos, tal declaração, aliada à apresentação de outras provas, autoriza a dedução de despesas, desde que conste em tais documentos o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF do profissional prestador de serviço. Após comprovações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 12 20 /2 01 0- 54 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 283 2 apresentadas pelo contribuinte, a glosa de dedução de despesas somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO DE ERRO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 832 do Decreto nº 3.000/99, a retificação da declaração de ajuste, com vistas a sanar erro contido na mesma, somente é possível antes de iniciado o procedimento de lançamento de ofício. Desta forma, deve ser mantida a glosa das despesas médicas dispendidas pelo contribuinte com plano de saúde de sua filha, tendo em vista que esta não figurou no rol dos dependentes constante da declaração de ajuste anual do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, determinando apenas a retificação do lançamento para que efetivamente seja considerada a dedução do valor de R$1.927,94, pago a IPES Saúde no ano calendário de 2007, conforme reconhecido pela DRJ de origem, mas não computado no cálculo de retificação do lançamento. Assinado digitalmente. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA – Relator EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 284 3 Cuidase de recurso voluntário de fls. 258 a 266, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls., que julgou parcialmente procedente o lançamento do IRPF de fls. 137 a 155, relativo aos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, lavrado em 02/12/2010, com ciência do RECORRENTE em 13/12/2010 (fl. 157). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 53.572,89, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício, ora aplicada no percentual de 75%, ora no percentual de 150%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 139 a 146, o presente lançamento decorreu da glosa de deduções relativas a despesas médicas, conforme abaixo discriminado: Anocalendário 2004: Valor Despesa com Motivo da glosa Multa R$500,00 Dr. Luiz Soares Machado Recibo não informa a quem foi prestado o serviço médico, portanto não foi comprovado que citado gasto se refere a tratamento médico do próprio contribuinte ou de seus dependentes. 75% R$ 5.000,00 Dr. Daniel Aragão Siebra Recibos não informam a quem foi prestado o serviço médico, portanto não foi comprovado que citado gasto se refere a tratamento médico do próprio contribuinte ou de seus dependentes. 75% R$ 8.817,44 UNIMED SERGIPE Declarações apresentadas não informam quem são os beneficiários do referido plano, não sendo comprovado que citado gasto tem o contribuinte ou seus dependentes como beneficiários. 75% R$ 10.000,00 M & B Serviços Odontológicos LTDA. A nota Fiscal de serviço apresentada pelo contribuinte foi atestada como inidônea pela fiscalização, pois: (i) houve a confirmação, prestada pelos sócios da empresa, de que a nota fiscal de nº 80 (apresentada pelo contribuinte) nunca havia sido emitida, uma vez que a última nota emitida foi a de nº 27; (ii) as notas apresentadas pelos sócios da empresa apresentam layout completamente diferente da nota apresentada pelo RECORRENTE; (iii) a data de emissão da nota (17/05/2004) é anterior à data de autorização, emitida pela Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador, para emissão de blocos de notas fiscais (28/09/2004), conforme informação constante no rodapé da nota; (iv) outro contribuinte, em processo de fiscalização distinto, apresentou a mesma nota fiscal de nº 80. 150% R$ 10.000,00 Eletrocárdio Consultas e Exames LTDA. A fiscalização constatou que a nota fiscal apresentada pelo RECORRENTE era inidônea por diversos motivos, dentre os quais podese citar: (i) tanto a nota fiscal nº 18 da Eletrocárdio Consultas e Exames LTDA. como também a nota fiscal nº 80 da M & B Serviços Odontológicos LTDA. possuem a mesma numeração da autorização para emissão de blocos de notas fiscais, emitida pela Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador (nº 26430); (ii) o serviço discriminado na nota informa que se trata de tratamento dentário, atividade estranha à praticada pela empresa; (iii) a Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador confirmou que a autorização para emissão de 150% Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 285 4 blocos de notas fiscais é a de nº 31173 e não de nº 26430, conforme constante na nota. Anocalendário 2005: Valor Despesa com Motivo da glosa Multa R$230,00 Tereza Cristina Costa Recibo não informa a quem foi prestado o serviço médico, portanto não foi comprovado que citado gasto se refere a tratamento médico do próprio contribuinte ou de seus dependentes. 75% R$ 10.000,00 Daniel Aragão Siebra Recibos não informam a quem foi prestado o serviço médico, portanto não foi comprovado que citado gasto se refere a tratamento médico do próprio contribuinte ou de seus dependentes. 75% R$ 9.258,83 UNIMED SERGIPE Declarações apresentadas não informam quem são os beneficiários do referido plano, não sendo comprovado que citado gasto tem o contribuinte ou seus dependentes como beneficiários. 75% Anocalendário 2006: Valor Despesa com Motivo da glosa Multa R$ 240,00 Luiz Soares Machado Recibos não informam a quem foi prestado o serviço médico, portanto não foi comprovado que citado gasto se refere a tratamento médico do próprio contribuinte ou de seus dependentes. 75% R$ 10.825,91 UNIMED SERGIPE Declarações apresentadas não informam quem são os beneficiários do referido plano, não sendo comprovado que citado gasto tem o contribuinte ou seus dependentes como beneficiários. 75% Anocalendário 2007: Valor Despesa com Motivo da glosa Multa R$ 10.608,59 UNIMED SERGIPE Declarações apresentadas não informam quem são os beneficiários do referido plano, não sendo comprovado que citado gasto tem o contribuinte ou seus dependentes como beneficiários. 75% R$ 1.927,94 IPES SAÚDE Documentação comprobatória apresentada não informa quem são os beneficiários do referido plano, não sendo comprovado que citado gasto tem o contribuinte ou seus dependentes como beneficiários. 75% R$ 720,00 Luiz Soares Machado Recibos não informam a quem foi prestado o serviço médico, portanto não foi comprovado que citado gasto se refere a tratamento médico do próprio contribuinte ou de seus dependentes. 75% R$ 3.000,00 Daniel Aragão Siebra Recibos não informam a quem foi prestado o serviço médico, portanto não foi comprovado que citado gasto se 75% Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 286 5 refere a tratamento médico do próprio contribuinte ou de seus dependentes. DA IMPUGNAÇÃO Em 04/01/2011, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 160 a 166. Em suas razões, afirmou o seguinte: I. Que o lançamento referente ao anocalendário 2004 estaria atingido pela decadência; II. Anexou cópias dos comprovantes das despesas médicas (fls. 168 a 229); III. Em relação às despesas com o Dr. Luiz Soares Machado no ano de 2004 (R$ 500,00), no ano de 2006 (R$ 240,00) e no ano de 2007 (R$ 720,00), o RECORRENTE apresentou cinco recibos relativos aos honorários e três declarações informando o nome do paciente que recebeu o tratamento (fls. 179 a 186); IV. Em relação às despesas com o Dr. Daniel Aragão Siebra no ano de 2004 (R$ 5.000,00), no ano de 2005 (R$ 10.000,00) e no ano de 2007 (R$ 3.000,00), o RECORRENTE apresentou vinte e dois recibos relativos aos honorários pagos ao fisioterapeuta e três declarações informando o nome do paciente que recebeu o tratamento (fls. 187 a 211); V. Em relação às despesas com o plano de saúde UNIMED Sergipe no ano de 2004 (R$ 8.717,44), no ano de 2005 (R$ 9.258,83), no ano de 2006 (R$ 10.825,91) e no ano de 2007 (R$ 10.608,59), o RECORRENTE apresentou os comprovantes fornecidos pela UNIMED Sergipe e pela Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, os quais especificam os beneficiários do plano (fls. 170 a 177 e fls. 214 a 229). Neste sentido, reconheceu que não poderia ocorrer a glosa dos valores dispendidos em favor dele próprio e de sua dependente Monique Mendonça Amaral, quais sejam: R$.3.498,60 em 2004, R$ 4.183,00 em 2005, R$ 4.502,01 em 2006 e R$ 5.219,49 em 2007; VI. Em relação às despesas com a Dra. Tereza Cristina Costa no ano de 2005 (R$ 230,00), o RECORRENTE apresentou cópia do recibo relativos aos honorários pagos à odontóloga e uma declaração informando o nome do paciente que recebeu o tratamento (fls. 212 e 213); VII. Em relação às despesas com o plano de saúde IPES SAÚDE Sergipe no ano de 2007 (R$ 1.927,94), o RECORRENTE apresentou declaração fornecida pela Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, informando que o beneficiário do plano é o próprio contribuinte (fls. 171 e 178); Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 287 6 Conforme acima exposto, o RECORRENTE aceitou e reconheceu o lançamento em relação às seguintes glosas: Anocalendário 2004: Valor Despesa com Multa R$ 5.218,84 UNIMED SERGIPE 75% R$ 10.000,00 M & B Serviços Odontológicos LTDA. 150% R$ 10.000,00 Eletrocárdio Consultas e Exames LTDA. 150% Anocalendário 2005: Valor Despesa com Multa R$ 5.075,83 UNIMED SERGIPE 75% Anocalendário 2006: Valor Despesa com Multa R$ 6.323,90 UNIMED SERGIPE 75% Anocalendário 2007: Valor Despesa com Multa R$ 5.389,10 UNIMED SERGIPE 75% Assim, os valores impugnados pelo RECORRENTE foram os seguintes: Anocalendário 2004: Valor Despesa com Multa R$ 3.498,60 UNIMED SERGIPE 75% R$500,00 Dr. Luiz Soares Machado 75% R$ 5.000,00 Dr. Daniel Aragão Siebra 75% Anocalendário 2005: Valor Despesa com Multa R$ 4.183,00 UNIMED SERGIPE 75% R$230,00 Tereza Cristina 75% Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 288 7 Costa R$ 10.000,00 Daniel Aragão Siebra 75% Anocalendário 2006: Valor Despesa com Multa R$ 4.502,01 UNIMED SERGIPE 75% R$ 240,00 Luiz Soares Machado 75% Anocalendário 2007: Valor Despesa com Multa R$ 5.219,49 UNIMED SERGIPE 75% R$ 1.927,94 IPES SAÚDE 75% R$ 720,00 Luiz Soares Machado 75% R$ 3.000,00 Daniel Aragão Siebra 75% Neste sentido, o crédito tributário não impugnado foi transferido para o processo nº 10510.720028/201121, de acordo com o documento de fls. 230 a 233. Através das fls. 234 e 235, a DRJ de origem atestou que a inidoneidade de alguns documentos apresentados pelo RECORRENTE. Assim, determinou que o mesmo fosse intimado a apresentar comprovantes dos pagamentos (cópia dos cheques ou extratos bancários) relacionados a cada um dos recibos da despesas com o Dr. Luiz Soares Machado e com o Dr. Daniel Aragão Siebra, no total de R$19.460,00. Em resposta à intimação, o RECORRENTE afirmou que efetuou o pagamento de tais despesas em espécie, e que realizava saques únicos para realizar vários pagamentos, sendo difícil atrelar os saques com os pagamentos referentes às despesas médicas. Neste sentido, afirmou que os recibos, reforçados pelas declarações apresentadas, seriam prova suficientes das despesas médicas incorridas, por atender aos requisitos da lei. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 309 a 328 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 289 8 Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em caso de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento tem como termo inicial de contagem desse prazo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE. Inadmissíveis as deduções de despesas médicas quando não atendidas as exigências legais para a dedutibilidade, inclusive a apresentação de documentação hábil e idônea e a comprovação do pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora analisou, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar parcialmente procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. É o resumo da decisão: “Inicialmente, registrase que nas declarações de ajuste anual do contribuinte há inclusão de dependente, Monique Mendonça Amaral, filha nascida em 1986, no anocalendário 2004 (fl. 7). Nos demais anoscalendário autuados, 2005 a 2007 (fl. 14; fl. 22 e fl. 30), não consta qualquer dependente. A análise dos comprovantes relacionados aos planos de saúde Unimed Sergipe e Ipes Saúde, (fls. 170/178) constata a dedutibilidade de apenas uma parte das despesas cujos beneficiários são o próprio contribuinte ou dependente seu, como indicado no quadro a seguir, ressaltandose que as despesas com plano de saúde relativas a pessoas não incluídas especificamente nas declarações, inclusive Monique Mendonça Amaral, mesmo quando comprovadas são indedutíveis por expressa determinação legal. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 290 9 Dedutível também a despesa declarada de R$ 230,00, no ano calendário 2005, relacionada a recibo emitido por Tereza Cristina Gonçalves Costa (fls. 68 e 212). Quanto às despesas médicas relativas aos profissionais Luiz Soares Machado e Daniel Aragão Siebra, o contribuinte reapresenta os recibos dos profissionais assim como declarações com a identificação dos tomadores dos serviços (pacientes). Entretanto, a análise destes elementos constata que tanto as três declarações de Luiz Soares Machado apresentadas (fls. 179/180 e 183) e os recibos (fls. 179, 181/182, 184 e 186) contêm assinaturas divergentes, como os inúmeros recibos mensais de expressivo valor (fls. 188/194; 196/207 e 209/211), de Daniel Aragão Siebra, indicam prestação de serviços fisioterápicos continuados em Salvador, e não em Aracaju, onde reside o contribuinte; e o profissional, em 2010, ainda com domicílio em Salvador, emitiu as três declarações apresentadas (fls. 187,195 e 208) em Aracaju. Estas discrepâncias indicam que os comprovantes apresentados, por si só, não são hábeis à comprovação de despesas dedutíveis. (...) Enfim, comprovadas parte das despesas médicas glosadas, deve se retificar o lançamento Isso posto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação e manter o imposto de renda, de R$ 6.807,64, como indicado acima, com multa de ofício de 75%.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, intimado da decisão em 05/12/2011, conforme AR de fl. 256, apresentou recurso voluntário de fls. 258 a 266, em 29/12/2011. Em sua defesa, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação acrescidas das seguintes razões: I. O prazo decadencial do 173, I, do CTN deveria ser somente aplicado ao lançamento que envolveu a constatação de fraude, quais sejam, as glosas de despesas médicas sobre as quais incidiu a multa de 150%. Assim, em relação às glosas de R$ 500,00 e de R$ 5.000,00 relativas ao Dr. Luiz Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 291 10 Soares Machado e Dr. Daniel Aragão Siebra, respectivamente, incorridas no anocalendário 2004, deveria ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN; II. Em razão das despesas com o Dr. Luiz Soares Machado, cujos recibos foram declarados como inidôneos pela DRJ de origem em razão da divergência existente entre as assinaturas constantes dos recibos e as constantes das declarações prestadas pelo médico, o RECORRENTE providenciou o reconhecimento da firma do profissional médico (fls. 268 a 270); III. Em relação ao caso envolvendo as despesas com o profissional Daniel Aragão Siebra, o RECORRENTE afirmou que a existência de inúmeros recibos devese à existência de necessidade de fisioterapia continuada realizada em Salvador/BA, justificada pelo seu quadro clínico, conforme Relatório Fisioterapêutico anexo (fl. 275). Ademais, a cidade de Aracajú/SE consta como local da emissão das declarações pois o profissional também presta serviços na mencionada cidade (além de Salvador/BA), pois é sócio da empresa DEA Consultórios Integrados LTDA., nome fantasia da SALUS, conforme declaração do profissional e contrato social anexos (fls. 276 a 280); IV. Em relação aos dispêndios com o plano da UNIMED Sergipe em prol de sua filha Munique Mendonça Amaral, nos valores de R$ 1.422,37, R$ 1.711,48 e R$ 1.926,09 nos anos de 2005, 2006 e 2007, respectivamente (não aceitos pela DRJ pois a mesma não foi incluída como dependente na declaração de ajuste anual), o RECORRENTE alegou que a dedução estaria correta pois tal fato independe de sua inclusão ou não como dependente em sua declaração de ajuste anual. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Do erro material constatado no julgamento de primeira instância Inicialmente, importante esclarecer que a autoridade julgadora de primeira instância, apesar de ter reconhecido o direito do RECORRENTE à dedução com despesa médica paga ao plano IPES SAÚDE no anocalendário 2007 (fl. 251), no valor de R$ 1.927,94, deixou de efetuar a retificação do lançamento em relação à mencionada despesa. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 292 11 Da análise das tabelas elaboradas pela DRJ de origem, constante do acórdão de fls. 247 a 253, é possível verificar que, num primeiro momento, a autoridade julgadora reconhece o direito à dedutibilidade da despesa médica paga ao plano IPES SAÚDE e, quando do cálculo de retificação, por lapso, corrigiu o lançamento apenas em relação às despesas pagas à UNIMED. Notese que o valor reconhecido pela DRJ como dedutível no anocalendário 2007 totalizou o montante de R$ 5.221,34, representado pela soma do valor pago à UNIMED (R$ 3.293,40) e à IPES SAÚDE (R$1.927,94), conforme exposto na primeira tabela. No entanto, de acordo com a segunda tabela, houve a retificação do lançamento apenas em relação ao valor pago à UNIMED (R$ 3.293,40). Sendo assim, por dever de ofício, é imprescindível a retificação do lançamento para que efetivamente seja considerada a dedução do valor de R$ 1.927,94 pago à IPES SAÚDE no anocalendário 2007. Após tal constatação, para facilitar a análise do recurso, apresentase abaixo os valores que são objeto do presente recurso voluntário: Anocalendário 2004: Valor Despesa com Multa R$500,00 Dr. Luiz Soares Machado 75% R$ 5.000,00 Dr. Daniel Aragão Siebra 75% Anocalendário 2005: Valor Despesa com Multa R$ 1.422,37 UNIMED SERGIPE 75% Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 293 12 R$ 10.000,00 Daniel Aragão Siebra 75% Anocalendário 2006: Valor Despesa com Multa R$ 1.711,48 UNIMED SERGIPE 75% R$ 240,00 Luiz Soares Machado 75% Anocalendário 2007: Valor Despesa com Multa R$ 1.926,09 UNIMED SERGIPE 75% R$ 720,00 Luiz Soares Machado 75% R$ 3.000,00 Daniel Aragão Siebra 75% Feitos tais esclarecimentos, passase para a análise das razões de defesa do RECORRENTE. Da decadência Em princípio, passo a analisar a decadência dos créditos tributários lançados referente ao anocalendário 2004. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 294 13 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 294DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 295 14 Por restar caracterizado o intuito de fraude do RECORRENTE, ao pleitear deduções indevidas com recibos considerados – corretamente – fraudulentos pela fiscalização, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Este é o entendimento pacificado deste CARF, conforme julgado abaixo da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1993, 1994, 1995 e 1996 Ementa: DECADÊNCIA. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal (STF), os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. O prazo decadencial é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no I, Art. 173, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação, nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Extraordinário Provido em Parte.” (processo nº 10680.006369/200167; Câmara Superior de Recursos Fiscais; julgado em 08/12/2011) Assim, em relação aos lançamentos decorridos da glosa dos R$ 10.000,00 pagos à M & B Serviços Odontológicos LTDA. e dos R$ 10.000,00 pagos à Eletrocárdio Consultas e Exames LTDA., fatos ocorridos no anocalendário 2004, declarados pelo contribuinte em 2005, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1º/01/2006. O RECORRENTE reconheceu a procedência do lançamento em relação a tais glosas, e efetuou o parcelamento de tal parte do lançamento. No entanto, através do recurso voluntário, questionou a aplicação do prazo decadencial do 173, I, do CTN também em relação Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 296 15 às glosas de R$ 500,00 e de R$ 5.000,00, relativas ao Dr. Luiz Soares Machado e Dr. Daniel Aragão Siebra, respectivamente, incorridas no anocalendário 2004, tendo em vista que não foram atestadas fraudes das mesmas. Assim, no entender do RECORRENTE, deveria ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN em relação ao lançamento decorrente das glosas de R$ 500,00 e de R$ 5.000,00. No entanto, devese destacar que, em termos de definição do dies a quo para a contagem do prazo decadencial, a fraude constatada pela fiscalização não se restringe aos recibos considerados fraudulentos. Neste sentido, se presente o dolo, a fraude ou a simulação na conduta do contribuinte, todo o lançamento é atingido, para efeito da contagem do prazo decadencial, visto que a regra a ser aplicada na identificação do termo inicial é única, e a presença de fraude contamina o lançamento em relação ao fato gerador como um todo. Não há quase dolo ou quase fraude ou quase simulação. O contribuinte que tentou ludibriar o fisco sofre os ônus da conduta para a contagem do imposto de renda devido em todo o ano calendário, desde que a conduta esteja vinculada a fato gerador relacionado com o imposto devido no ajuste anual. Ou seja, considerandose que o que se homologa é o lançamento e este é um ato único, a qualificação da multa de uma glosa no anocalendário contamina todas as demais, não havendo como dissociála para fins de contagem do prazo decadencial. Neste sentido, já se consolidou o entendimento do CARF, desde quando Conselho de Contribuintes: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1998, 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não existe cerceamento do direito de defesa, uma vez que o contribuinte tem acesso às cópias do processo na repartição fiscal. DECADÊNCIA Estando configurada fraude, dolo ou simulação, inclusive com aplicação de multa qualificada de 150%, não pode ser utilizada a norma do § 4º do art. 150 do CTN, por expressa previsão. Nesse caso, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA É plenamente aplicável a presunção legal nos termos previstos no artigo 42 da Lei 9.430/96. ARBITRAMENTO DOS LUCROS OMISSÃO DE RECEITAS A presunção legal de omissão de receitas é norma que autoriza o auferimento, por parte da fiscalização, da receita omitida, ao passo que o arbitramento do lucro é forma de, com base na receita declarada e não declarada, apurar o lucro passível de tributação. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 297 16 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os efeitos do decidido sobre o Imposto de Renda aplicamse aos lançamentos decorrentes, ante a estreita relação de causa e efeito. IRPJ e CSL DECADÊNCIA TERMO INICIAL Uma vez que a base de cálculo do IRPJ e da CSL é o lucro do período ajustado e não cada componente do resultado, a regra a ser aplicada na identificação do termo inicial da decadência é única e a presença de fraude contamina o lançamento em relação ao fato gerador como um todo. IRPJ – CSL – DECADÊNCIA – CONSTATAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro, tributos cuja legislação prevê a antecipação de pagamento sem prévio exame pelo Fisco, estão adstritos à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador (art. 150 parágrafo 4º do CTN). No caso de dolo, fraude ou simulação, deslocase esta regência para o art. 173, I, do CTN, que prevê como início de tal prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorrendo a ciência do auto de infração pela contribuinte em 09/12/2002, é incabível a preliminar de decadência suscitada para os tributos lançados no ano calendário de 1997. IRPJ E CSL – OMISSÃO DE RECEITAS – CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE INTERPOSTAS PESSOAS – VINCULAÇÃO Provada nos autos a vinculação com a autuada das contas bancárias em nome de interpostas pessoas, cabível a tributação do total dos depósitos bancários de origem não justificada como omissão de receitas da pessoa jurídica vinculada. Recurso Voluntário Negado. (processo nº 13830.001509/200219; 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes; julgado em 16/04/2008)” “DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução. PAF NULIDADE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Não se vislumbrando nenhuma das hipóteses do artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco cerceamento ao amplo direito de defesa do Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 298 17 contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. DECADÊNCIA Considerandose que o que se homologa é o lançamento e este é um ato único, a qualificação da multa de uma glosa no anocalendário contamina todas as demais, não havendo como dissociála para fins de contagem do prazo decadencial. Interpretação do artigo 150, do CTN. PAF MULTA DE OFÍCIO A multa de lançamento de ofício de 75% tem previsão legal expressa e em vigor (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas, assim reconhecidos por Ato Declaratório Executivo, caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada, ainda mais quando o contribuinte não comprova a efetividade da prestação do serviço e do seu pagamento. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. (processo nº 10850.000931/200573; 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes; julgado em 17/10/2007)” Sendo assim, em relação ao lançamento decorrente de todo o anocalendário 2004, o dies a quo do prazo quinquenal da regra decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1º/01/2006. Portanto, tendo em vista que o RECORRENTE foi notificado do presente auto de infração em 13/12/2010 (fl. 157), resta nítido que o lançamento em relação a todo o anocalendário 2004 ocorreu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 173, I, do CTN. Assim, entendo que o crédito tributário relativo ao anocalendário 2004 não foi atingido pela decadência. Ultrapassada as razões preliminares, passo a analisar o mérito da questão. Da dedução de despesas médicas e com plano de saúde: O presente caso resumese à aceitação dos documentos apresentados pelo RECORRENTE como prova dos serviços odontológicos prestados pelo Dr. Luiz Soares Machado, bem como os serviços fisioterapêuticos prestados pelo Dr. Daniel Aragão Siebra, nos anoscalendário 2004 a 2007, no total de R$ 1.460,00 (referentes ao Dr. Luiz Soares Machado) e R$ 18.000,00 (referentes ao Dr. Daniel Aragão Siebra). Sobre as deduções da base de cálculo na declaração de ajuste anual, o Decreto nº 3.000/99, em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 299 18 "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. §1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. §2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. §3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos foram rejeitados pela fiscalização tendo em vista que o RECORRENTE deixou de apresentar comprovação da efetividade dos serviços, bem como a efetiva realização dos pagamentos correspondentes através de cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem a despesa realizada. Entendo que a legislação de regência impõe ao contribuinte o ônus de comprovar a efetividade dos serviços cujo valor pretende deduzir da apuração do imposto anual. Sem a efetiva comprovação da realização dos serviços, é de se manter a glosa realizada, conforme vastos precedentes do CARF; a exemplo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 300 19 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Negado (Acórdão 2801003.446, julgado em 18 de março de 2014, Relatora Tânia Mara Paschoalin) Entendo que o lançamento deve ser mantido também em relação à glosa dos valores pagos à UNIMED SERGIPE relativo ao plano de saúde da filha do RECORRENTE (Monique Mendonça Amaral), tendo em vista que a mesma não constou como dependente nas declarações de ajuste referente aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, não podendo, portanto, tais despesas (apesar de comprovadas) serem deduzidas na declaração do RECORRENTE. O RECORRENTE argumenta que teria direito à dedução, pois esta independeria da inclusão do nome de sua filha nas declarações de ajuste, sendo certo que a mesma não tem meios para sua manutenção financeira. No entanto, não assiste razão ao RECORRENTE. É que a indicação de despesas dedutíveis na DIRPF é uma faculdade do contribuinte, podendo ser exercida ou não. Neste sentido, cumpre transcrever, novamente, o previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000/99, verbis: “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Conforme acima exposto, a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao próprio tratamento ou com o tratamento Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10510.721220/201054 Acórdão n.º 2102002.909 S2‐C1T2 Fl. 301 20 de seus dependentes, que, necessariamente, devem estar indicados na declaração de ajuste anual. Qualquer retificação da declaração de ajuste deve ser realizada antes de qualquer procedimento de lançamento de ofício. Nesse sentido, importante transcrever o teor do art. 832 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): “Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício.” A não inclusão de sua filha como dependente foi uma opção do RECORRENTE. Portanto, caso entendesse equivocada tal opção, o RECORRENTE deveria ter retificado a sua declaração de ajuste antes do lançamento de ofício. Assim, é impossível realizar tal retificação neste momento. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, determinando apenas a retificação do lançamento para que efetivamente seja considerada a dedução do valor de R$ 1.927,94 pago à IPES SAÚDE no anocalendário 2007, conforme reconhecido pela DRJ de origem, mas não computado no cálculo de retificação do lançamento. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 28/10/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 16004.720669/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório PAULO BRUNETTI & ADVOGADOS ASSOCIADOS, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1436.996, de 20/03/2012, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 66 9/ 20 11 -8 2 Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.014 2 Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 245.922,63 (fl. 1376), Contribuição para o PIS no valor de R$ 20.133,49 (fl. 1475), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de 92.923,82 (fl. 1421), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 27.650,33 (fl. 1433), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo o crédito tributário de R$ 830.916,01, em virtude das seguintes irregularidades: (01) Omissão de Receita da Atividade (prestação de serviços profissionais legalmente regulamentados) e (02) Omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O procedimento fiscal iniciouse em 13/04/2011 com a ciência do Termo de início do procedimento fiscal (fls. 161/163), por meio do qual foi a empresa intimada a apresentar os Livros Diário e Razão e os extratos de todas as contas bancárias mantidas por ela nos anoscalendário de 2007 a 2009. Após pedido de prorrogação de prazo (fl. 164), a contribuinte apresentou em 16/05/2001, por meio do expediente de fl. 167, os extratos bancários e, em 25/05/2001, apresentou os livros Diário e Razão (fls. 380/818), cujos documentos foram devolvidos à fiscalizada em 29/07/2011 por meio do Termo de Devolução de Documentos nº 04 (fl. 849), ficando a fiscalização com cópia dos mesmos. Posteriormente, em 12/07/2011, em atendimento à intimação (fl. 819), a empresa apresentou o contrato social (fl. 819). Ao analisar os extratos bancários e os livros contábeis, a fiscalização constatou as inconsistências: "1) No Livro Diário n° 02 relativo ao anocalendário 2007, em suas folhas 74 a 77, constam o Balanço Patrimonial, a Demonstração do Resultado do Exercício e a Demonstração de Lucros/Prejuízos Acumulados da CASA DOS IDOSOS DE NOVA GRANADA, CNPJ 46.611.406/000101, no lugar das respectivas demonstrações relativas à pessoa jurídica fiscalizada; 2) Não constam do Livro Razão n° 02 relativo ao anocalendário 2007 as contas "1.1.1.001.00001 CAIXA GERAL" e "1.1.1.002.00021 BANCO NOSSA CAIXA S.A."; 3) Os Livros Diário e Razão n° 04 referemse somente ao 1° semestre de 2009, ou seja, NÃO foi apresentado nenhum livro contábil relativo ao 2° semestre de 2009; 4) Apesar de constar do Plano de Contas a conta contábil "1.1.1.02.001.0003 Banco Bradesco", a respectiva conta bancária não foi contabilizada nos Livros Diário e Razão n° 04 relativos ao 1° semestre do anocalendário 2009; 5) Em virtude do constatado no item 03 acima, não foi possível verificar a contabilização da conta bancária mantida pela pessoa jurídica no Banco Real; 6) Não foram encontrados nos Livros Diário e Razão relativos ao ano calendário 2008 apresentados pela pessoa jurídica lançamentos contábeis relativos ao crédito bancário listado abaixo, “qual seja, o crédito de R$ 7.122,20 na conta 40.0688 da agência 65757 do Banco do Brasil no dia 03/04/2008”; 7) Com exceção dos resgates de aplicações financeiras e do depósito listado no item anterior, todos os demais créditos bancários na conta Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.015 3 bancária mantida no Banco Nossa Caixa (o qual foi incorporado pelo Banco do Brasil) relativos aos anoscalendário 2007 e 2008 e ao primeiro semestre do anocalendário 2009 foram contabilizados com o histórico "DEPOSITO" e como contrapartida a conta "1.1.1.001.00001 CAIXA GERAL". 8) Inclusive os depósitos bancários relativos a transferências entre contas bancárias (DOC e TED) e recebimentos de duplicatas em cobrança, recursos que NÃO transitaram pelo CAIXA da pessoa jurídica, foram contabilizados da forma descrita no item anterior; 9) Todas os lançamentos contábeis de receitas reconhecidas pela pessoa jurídica tiveram como contrapartida a conta "1.1.1.001.00001 CAIXA GERAL", o que, conjuntamente com o constatado nos itens 6 a 8 acima, impossibilita a esta fiscalização identificar a relação entre a movimentação financeira da pessoa jurídica e as receitas escrituradas pela mesma; 10) Nenhum dos Livros Diário apresentados pela pessoa jurídica foi autenticado na repartição competente, no caso a Ordem dos Advogados do Brasil (OABSP), em desacordo com o disposto no artigo 258 § 4° do RIR/1999." Por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05 (fls. 851/853), de 27/07/2011, a empresa foi intimada a refazer e apresentar os seus Livros Diário e Razão de forma a corrigir todas as falhas neles encontradas e a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas correntes conforme planilha anexa à intimação. Foi ainda alertada que a não apresentação de sua contabilidade ou a sua apresentação sem a correção de todas as inconsistências constatadas implicaria no arbitramento do lucro tributável. Após pedir 02 (duas) prorrogações de prazo para atendimento ao que foi solicitado (em 15/08/2011 e em 13/09/2011 – fls. 874 e 875), a empresa apresentou a sua contabilidade relativa aos anoscalendário de 2008 e 2009, cujo recebimento foi recusado pela fiscalização (fl. 878) em razão de encontrarse no mesmo estado em que foi devolvida por meio do Termo 04, ou seja, sem a correção das falhas apontadas no Termo 05 (fls. 878/884). Em 14/10/2011 a empresa apresentou os livros Diário e Razão relativos ao ano calendário de 2007 e (03) três contratos de mútuo com a empresa Consutec Administradora de Bens e Créditos com o fim de justificar a origem dos créditos bancários relacionados no Termo 05 (fls. 855/1053) e informou o seguinte: "1. A contribuinte entrega Livro Diário n° 02 / Livro Razão n° 02, atendendo parcialmente o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 05, itens: 01 e 02, com as devidas correções e justificativas;" A fiscalização constatou que não foram sanadas na contabilidade do ano calendário 2007 as falhas constatadas em seus itens 07 a 10 e que, resumidamente, a contabilidade dos anoscalendário 2007 a 2009 continha, naquela data, as seguintes falhas: · os Livros relativos ao anocalendário 2009 referemse somente ao 1° semestre, ou seja, não foi apresentada nenhuma escrituração relativa ao 2° semestre desse ano; Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.016 4 · as contas bancárias mantidas no anocalendário 2009 no Banco Bradesco e no Banco Real não foram escrituradas, ou seja, estão à margem da contabilidade da empresa; · quase todos os créditos bancários na conta do Banco do Brasil (o qual incorporou a Nossa Caixa) foram contabilizados com o histórico "DEPOSITO" e com contrapartida a conta "1.1.1.001.00001 CAIXA GERAL", inclusive os relativos a DOC e TED e recebimento de duplicatas em cobrança, ou seja, foram contabilizados como depósito inclusive o que não é depósito e com a contrapartida CAIXA o que seguramente não passa pelo Caixa; · a contabilidade não foi registrada no órgão competente, contrariando o disposto no artigo 258 do RI R/1999. Por meio do Termo de Reintimação Fiscal n° 07 (fl. 1056), de 3/11/2011, com ciência em 07/11/2011 (fls. 1056 e 1057), a contribuinte foi novamente intimada a refazer a sua contabilidade dos anoscalendário de 2008 e 2009 com a correção de todas as inconsistências apontados no Termo 05. Em 22/11/2011 a fiscalizada apresentou resposta contendo alegações a respeito de sua contabilidade do anocalendário de 2007, porém não apresentou os livros Diário e Razão relativos a esse período. E, com o fim de justificar a origem de alguns depósitos, reapresentou os contatos de mútuo (fls. 1058/1115) firmados com a empresa Consutec Administradora de Bens e Créditos (antiga denominação: Consutec Serviços de Cobrança), CNPJ 02.342.260/000170, (fls. 1010 a 1053), datados de 02/01/2007, 03/01/2008 e 05/01/2009. Analisando os contratos de mútuo apresentados, a fiscalização constatou que os mesmos continham as seguintes características: “ o senhor Paulo Roberto Brunetti, CPF 080.810.20870, assina o contrato tanto pela CONSUTEC (na condição de procurador) quanto pela FISCALIZADA (por ser o sócio administrador desta); não houve reconhecimento de firma das assinaturas mencionadas acima, o que comprovaria que este contrato teria sido realmente firmado nas datas mencionadas nos mesmos; não consta em nenhum dos três contratos a assinatura de testemunhas; não há coincidência entre as datas e valores constantes nos recibos de entrega de numerário que acompanham estes contratos e os dos depósitos bancários listados no TERMO 05; consta desses recibos que as quantias nele mencionadas foram entregues em dinheiro, com o fim de suprimento de caixa; não foram encontrados na contabilidade da FISCALIZADA lançamentos correspondentes aos recebimentos de numerário mencionados nesses recibos.” Segundo a fiscalização, tais aspectos levantados colocam em dúvida a veracidade desses contratos e respectivos recibos e levam a crer que os mesmos foram, em tese, “fabricados” pelo sócio administrador da Fiscalizada para tentar justificar a movimentação financeira de sua empresa. Além disso, como estes valores em dinheiro Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.017 5 que a Fiscalizada alegou ter recebido poderiam justificar diversas transferências (DOC e TED) e recebimento de duplicatas em cobrança que foram creditados em suas contas bancárias, valores estes que obviamente não foram recebidos em dinheiro? Por essas razões, a fiscalização desconsiderou os contratos de mútuo apresentados e levou à tributação os créditos/depósitos bancários de origem não comprovada relacionados no Anexo ao Termo 05, reproduzidos no "DEMONSTRATIVO FINAL DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS" em anexo ao presente Termo de Verificação Fiscal (fl. 1303), com fulcro no artigo 42 da Lei 9.430/1996. Além da omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem comprovada, ainda foi constatada omissão de receita operacional, assim relatada pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1309): “O senhor Paulo Roberto Brunetti, sócio administrador da FISCALIZADA, no curso do procedimento fiscal relativo a sua pessoa física, para justificar diversos depósitos bancários em suas contas pessoais, apresentou cópia de 2 contratos de prestação de serviços advocatícios celebrados em 25/01/2007 e 04/04/2008 pela FISCALIZADA e a ADPM Associação Desportiva Polícia Militar do Estado de São Paulo, CNPJ 61.935.318/000159, fis. 1105 a 1111. Nesses contratos consta que a FISCALIZADA receberia a título de honorários advocatícios as seguintes importâncias: R$ 100.000,00 {cem mil reais) divididos em 10 parcelas mensais fixas, sendo o primeiro pagamento realizado 30 (trinta) dias após a assinatura do contrato, ou seja, a partir do mês de fevereiro de 2007; R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), sendo R$ 75.000,00 (setenta e cinco mil reais) na assinatura do contrato e o restante em 10 parcelas mensais fixas de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais) a serem pagas a partir de 15/05/2008. Consta nos dois contratos que as importâncias acima citadas seriam depositadas na conta da pessoa física do sócio administrador da FISCALIZADA mantida na Caixa Econômica Federal. Ou seja, a FISCALIZADA, mesmo possuindo contas bancárias próprias, celebrou contratos estabelecendo que o pagamento do serviço prestado fosse efetuado em conta da pessoa física de seu sócio gerente. Não constam da contabilidade apresentada pela FISCALIZADA lançamentos relativos às receitas desses contratos de prestação de serviços, nem dos valores totais, nem do recebimento das parcelas neles previstas. Foram encontrados na conta bancária do sócio gerente da FISCALIZADA 5 (cinco) depósitos no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) cada um nos meses de fevereiro a junho de 2007, os quais coincidem com os pagamentos das 5 primeiras parcelas previstas no contrato celebrado em 25/01/2007. Desse modo, tais créditos foram EXCLUÍDOS da base de cálculo do Auto de Infração de IRPF devido pelo senhor Paulo Roberto Brunetti, objeto do processo administrativo fiscal n° 16004.720523/201137. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.018 6 Porém, a fiscalizada, apesar de ter feito a opção pelo lucro presumido como regime de tributação, informou em suas DIPJ relativas aos anos calendário 2007 e 2008 que o regime de apuração de receitas seria o de competência, e não o de caixa, e que sua escrituração seria contábil, fls. 07 a 51 , tendo apresentado os Livros Diário e Razão relativos a este período. Assim, foi considerada como receita omitida pela empresa fiscalizada os valor total dos contratos acima citados no período de apuração em que os mesmos foram celebrados, ou seja, R$ 100.000,00 no 1° trimestre de 2007 e R$ 150.000,00 no 2º trimestre de 2008. Já o senhor Gustavo Mendes Pequito, CPF 195.746.7789 3 , no curso do procedimento fiscal relativo a sua pessoa física, também para justificar diversos depósitos bancários em suas contas pessoais, alegou que diversos créditos tratamse de receitas da FISCALIZADA, e apresentou o respectivo contrato. Transcrevemos abaixo o trecho da resposta que contém estas alegações: "2. O contribuinte justifica que, quanto ao item 4 do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 06 que encontrase na planilha esta justificativa: Contrato Alta Paulista (inclusive como depósito identificado Banco Bradesco agência 2886 conta 6235 sendo: data 25/02/2009 valor R$ 20.000,00, data 27/02/2009 no valor de R$ 15.000,00 e 06/03/2009 valor R$ 12.851,28) tratase de contrato (anexo 1) firmado entre Paulo Roberto Brunetti e Alta Paulista Indústria e Comércio Ltda no ano de 2003. Como contrato previa na sua cláusula terceira, 5% de honorário de com o resultado da sentença, os depósitos foram realizados nas datas acima, entretanto dizem respeito à Brunetti Advogados, já que a carteira de clientes passou a compor seu quadro de clientes;" (grifo nosso). Os créditos bancários mencionados acima (R$ 20.000,00, R$ 15.000,00 e R$ 12.851,28) forma relacionados na TABELA 3 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1310) Receitas da Fiscalizada creditadas em conta do senhor Gustavo Mendes Pequito. Segundo a fiscalização, em virtude dos valores constantes da TABELA 3 acima terem sido realmente pagos pela empresa contratante dos serviços, foram aceitos os argumentos feitos pelo senhor Gustavo Mendes Pequito, sendo estes créditos também considerados receitas omitidas pela Fiscalizada. A fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro nos anoscalendário 2007 e 2008 e ao 1° semestre do anocalendário 2009 pelas seguintes razões constantes no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1311): a escrituração contábil da FISCALIZADA relativas aos anos calendário 2007 e 2008 e ao 1° semestre do anocalendário 2009, em virtude das faltas apontadas no tópico "III. DA ANÁLISE DA CONTABILIDADE DA FISCALIZADA", foi considerada imprestável para identificar sua efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, o que a enquadra no disposto no artigo 530, inciso II, alínea "a" do RIR/1999 não foi apresentada escrituração relativa ao 2° semestre do ano calendário 2009, o que se enquadra no artigo 530, inciso III, do RIR/1999. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.019 7 O arbitramento se deu sobre a receita conhecida, compreendendo os valores listados no "DEMONSTRATIVO FINAL DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS" em anexo ao presente Termo e os valores apurados conforme descrito no tópico " OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL DA PESSOA JURÍDICA", tendo sido descontados os valores desses tributos declarados pela FISCALIZADA em DCTF, fls. 52 a 160. Foi aplicada a multa de 75% sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da infração “Depósitos bancários de origem não comprovada”, com fulcro no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, e sobre os tributos e contribuições apurados em decorrência da infração “Omissão de receita operacional” foi aplicada a multa de 150% sob o seguinte argumento: A aplicação da multa qualificada para os valores apurados no tópico IV.2 acima decorreu da constatação de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 , 72 e 73 da lei 4.502, de 1964 (sonegação, fraude e conluio), considerando os fatos descritos acima. Essa multa qualificada está prevista no § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Com relação aos valores relacionados na TABELA 3 acima, depositados em conta do senhor Gustavo Mendes Pequito, o evidente intuito de fraude por parte da FISCALIZADA ficou constatado pela utilização de conta bancária de um terceiro para recebimento de suas receitas, reduzindo a sua movimentação financeira e não oferecendo tais receitas à tributação. Já com relação aos 2 contratos de prestação de serviços advocatícios celebrados em 25/01/2007 e 04/04/2008 pela FISCALIZADA e a ADPM Associação Desportiva Polícia Militar do Estado de São Paulo, o evidente intuito de fraude foi constatado na prática intencional do senhor Paulo Roberto Brunetti, na condição de sócio administrador da FISCALIZADA, ter celebrado contratos de prestação de serviços de sua empresa, os quais previam que os pagamentos pelos serviços prestados seriam feitos por meio de depósitos em conta bancária de sua titularidade, fls. 1105/1111, reduzindo desta forma a movimentação financeira da FISCALIZADA e, conseqüentemente, omitindo parte de suas receitas tributáveis. Constatouse ainda que a FISCALIZADA não contabilizou em seus Livros Diário e Razão as receitas relativas aos depósitos na conta do senhor Gustavo Mendes Pequito nem a relativa aos contratos de prestação de serviço mencionados no parágrafo anterior, o que reforça a tese de que a utilização de contas de pessoas físicas teve como objetivo omitir estas receitas da tributação devida. Esta prática fraudulenta constitui exercício irregular da condição de sóciogerente e representante legal da FISCALIZADA, ainda mais quando o próprio sócio utiliza conta pessoal para tanto, estipulando tal procedimento em cláusula contratual! Este "modus operandi" também viola o Princípio Contábil da Entidade, previsto no caput do artigo 4° da Resolução n° 750/1993 do Conselho Federal de Contabilidade, abaixo transcrito: Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.020 8 Art. 4° O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição, (grifo nosso). A fiscalização ainda concluiu pela responsabilidade do senhor Paulo Roberto Brunetti pelo crédito tributário devido pela Fiscalizada, nos termos do disposto no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a empresa apresentou em 08/02/2012 a impugnação de fls. 1340/1369 alegando, em síntese, que: são seus, em parte, os valores financeiros encontrados em suas contas correntes, entretanto, muitas das justificativas apresentadas foram desprezadas pela fiscalização, o que afronta ao esculpido em nossa Carta Magna (art. 5º, LIV e LV); os depósitos à vista apontados na conta corrente dos sócios da Impugnante são resultantes da atividade rural e declarados na DIRPF (2007), e sendo tributado, com recolhimento ao erário, os efeitos deste procedimento acabam por tributar novamente na contribuinte pessoa jurídica, ora Impugnante; na nova escrituração do livro razão/analítico, conforme determinado pelo agente fiscal onde, justificandose que os valores recebidos na conta corrente dos sócios foram repassados para conta corrente da Impugnante, erguese a teoria da boafé que deve ser interpretado por esta Delegacia da Receita Federal em favor da contribuinte Impugnante; na pressa em autuar o agente fiscal não visualizou que no ano calendário fiscalizado, houve contratos de exportação não realizados, cujos valores se transformaram em receita pela fiscalização, quando na verdade todo o valor recebido foi automaticamente devolvido ao exportador contratante, e portanto não houve lucro e sim prejuízo; o fisco ao tributar a movimentação financeira por dedução glosou todas as despesas da contribuinte, ignorando por completo o princípio básico da contabilidade da receita e despesa; resta caracterizada a caducidade do direito de exigir o crédito tributário relativo a fatos geradores sobre o ano anterior de 2007; o fisco tributou toda movimentação financeira, ignorando transferências entre contas de mesma titularidade, empréstimos bancários, limites de cheque especial, capital de giro disponível por empréstimo na conta corrente originário de terceiros; o fisco poderia ter requerido as instituições financeiras maior detalhamento da movimentação financeira, como por exemplo, de onde proviam e a que fim se destinava os depósitos efetuados nas contascorrente; a existência dos documentos em que se embasou o fisco, por si só, não é fato gerador; a multa aplicada ofende o princípio constitucional do não confisco; Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.021 9 diante dos termos do auto de infração se vê na impossibilidade de exercer sua ampla defesa, uma vez que, não se descreve com a necessária clareza o fato gerador; o princípio do "in dúbio pro reo", no caso da contribuinte, foi esquecido pela administração pública, no instante de que não avaliou os documentos e a escrituração da empresa, e o órgão responsável pela lavratura do auto de infração também desprezou o teor do artigo 112,1,11 e IV, do CTN. a expressão utilizada pelo Agente Fiscal em relação aos três contratos de mútuo teriam sido "fabricados" é totalmente incoerente com a instituição fiscalizadora (SRFB); se foi verificada a condição que permitia à Impugnante diferir o lucro, condição que determina que deva ser aplicado o regime de caixa nos casos de contratos de longo prazo firmados com empresas, não pode a administração negar esse direito em razão do descumprimento de uma formalidade; o incorreto preenchimento do LALUR poderia eventualmente ter sido objeto da aplicação de uma multa, nos termos da legislação, mas não pode ser fato impeditivo do direito de diferimento. Até mesmo porque a legislação permite que o contribuinte faça estornos nos lançamentos efetuados no LALUR. Ora, se o contribuinte pode estornar lançamentos e até mesmo retificar o LALUR, não poderia ser penalizado com a exclusão dos valores decorrentes desses contratos, que não auferiram lucros; se o registro feito estava errado, deveria ter sido objeto de lançamento pela autoridade fiscal no prazo estipulado pela legislação. Como não o foi, não existe mais para o Fisco o direito de lançar esse alegado tributo no ano calendário de 2007; o percentual da multa de 75% viola dos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; os juros incidentes sobre eventual débito que venha a ser reconhecido não poderão ultrapassar o limite de 1% ao mês porque no art. 161 do CTN não há autorização para que o índice utilizado pelo legislador ordinário tenha "dupla" natureza, como é o caso dos juros SELIC que tanto repõe ao credor os prejuízos da mora como lhe remunera o capital; No final requereu que a impugnação seja julgada procedente para o fim de declarar a "NULIDADE" do auto de infração e a insubsistência e a improcedência da AÇÃO FISCAL, de forma a cancelar integralmente os débitos exigidos. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1436.996, de 20/03/2012 (fls. 1722/1739), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.022 10 seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. CONTRATOS PARTICULARES DE MÚTUO. INOPERÂNCIA DA PROVA. Os contratos de mútuo não se prestam para o fim de justificar a origem de depósitos bancários se os valores supostamente recebidos não coincidem em data e valor com os depósitos em conta corrente, além de tais contratos não preencherem as exigência para ter validade em relação a terceiros. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Por relevante, ressalto que, no voto condutor do acórdão, restou consignado (fl. 1731) que “Paulo Roberto Brunetti não apresentou impugnação contra a responsabilidade que lhe foi atribuída, nos termos do disposto no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, tratandose, portanto, de matéria não controversa”. Ciente da decisão de primeira instância em 29/03/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1750, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/04/2012 conforme carimbo de recepção à folha 1752. No recurso interposto (fls. 1752/1767), após historiar os fatos, por sua ótica, a interessada discorre sobre os tópicos a seguir, em apertada síntese. Sobre os contratos de empréstimos, trazidos aos autos a título de comprovação da origem dos valores que transitaram em suas contascorrentes, a interessada reclama que não poderiam ser desprezados e que seriam documentos bons e válidos para os fins a que se destinam. Seria ônus da Administração provar que não seriam reais ou falsos, o que não ocorreu. Colaciona doutrina e jurisprudência em favor de sua tese. Em suas palavras (fl. 1754): Como não existe na legislação civil norma que impeça de um representante legal de uma empresa jurídica que, também, tem participação em distinta empresa jurídica de contratar empréstimo, soa absurdo do ranço de um país cartorial e com excesso de burocracia é constatar que a administração pública tenta desqualificar os contratos, por ausência de reconhecimento de firmas nos contratos. Qual é o artigo do Código Civil que exige reconhecimento de firmas nos contratos? Foram três contratos de empréstimo financeiro firmados anos de 2007, 2008 e 2009 (anexo VI). Os valores somados dos três contratos são os valores exatos ao total dos depósitos encontrados nas contas correntes da recorrente. Pouco importa se numa determinada data foi feito depósito em valor inferior e noutra data valor superior. O que importa é a soma dos três contratos. Não pode é a administração pública querer tributar como receita quando não é. O que importa é que os valores entraram na conta corrente da recorrente no mesmo anocalendário e de acordo com a necessidade do fluxo de caixa que necessitava. Daí mesmo contrair empréstimos financeiros de quem pode emprestar. O que deveria importar a administração pública são os seguintes fatos: Quem emprestou possuía caixa financeiro para emprestar? – O valor emprestado foi declarado Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.023 11 e tributado, além de saber se os tributos foram pagos por quem emprestou? Caberia a fiscalização provar essas premissas a fim de desqualificar os contratos de empréstimos feitos pela recorrente. E, isso, nada a administração pública aprofundouse para até mesmo desqualificar a impugnação da recorrente. A recorrente passa a discorrer sobre presunções, legais e simples, e conclui que o arbitramento seria instrumento colocado à disposição do fisco para ser adotado em situação de extrema necessidade. Na seqüência, traz à luz o conceito de renda e proventos como meio de acréscimo patrimonial. Sustenta que o auto de infração baseado única e exclusivamente em depósitos bancários seria uma presunção frágil e injusta. Também aqui colaciona doutrina e jurisprudência. Conclui que os depósitos existentes não significaram acréscimo patrimonial ou renda ou faturamento. Sobre a multa de 150%, a recorrente reclama que não teria sido comprovado o dolo em fraudar, escudada em jurisprudência e na Súmula CARF nº 14. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento. É que o acórdão de primeira instância decidiu pela manutenção integral do lançamento, inclusive no que toca à sujeição passiva tributária imputada solidariamente ao Sr. Paulo Roberto Brunetti, na qualidade de responsável. No entanto, não encontro nos autos prova de que esse sujeito passivo tenha tomado ciência do acórdão. Tratase, a meu ver, de vício processual que, se não sanado, poderá implicar futura arguição de nulidade do julgamento em segunda instância por cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Na sequência, restariam igualmente prejudicadas as pretensões da Fazenda Nacional em uma hipotética execução do crédito tributário, ao menos no que tange ao Sr. Paulo Roberto Brunetti. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, devolvendo se o processo à Unidade Preparadora, para que o Sr. PAULO ROBERTO BRUNETTI, CPF nº 080.810.20870, seja cientificado do Acórdão n° 1436.996, de 20/03/2012, (fls. 1722/1739), facultandolhe ainda a interposição de recurso voluntário no prazo legal. Após cumpridas as providências acima, o processo deverá retornar a este CARF, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16004.720669/201182 Resolução nº 1302000.341 S1C3T2 Fl. 2.024 12 Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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