Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.001681/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1997
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL
1- Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
2- Se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo em questão, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Afastada a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/1997 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL 1- Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2- Se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo em questão, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Afastada a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.001681/2003-11
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5822043
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.233
nome_arquivo_s : Decisao_19515001681200311.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001681200311_5822043.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Redatora designada (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
id : 7092132
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736092581888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 567 1 566 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001681/200311 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.233 – 1ª Turma Sessão de 09 de novembro de 2017 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FIGAR GESTAO DE BENS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1997 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL 1 Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2 Se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo em questão, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Afastada a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 81 /2 00 3- 11 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 568 2 maioria de votos, acordam em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício e Redatora designada (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 110100.221, de 06/11/2009, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, acolheu a arguição de decadência e cancelou a exigência fiscal contida nestes autos. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: DECADÊNCIA IRPJ Tratandose de tributo em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150, parágrafo quarto, do CTN, quando o contribuinte realiza a atividade de apuração e não apura imposto a pagar em sua DIPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1” Câmara / 1° Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, ACOLHER a decadência, suscitada pelo relator, e cancelar integralmente o lançamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 569 3 Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS a e. Câmara a quo declarou, por unanimidade de votos, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de IRPJ referente ao anocalendário de 1997, com notificação em 30/04/2003, por aplicação do art. 150, §4°, do CTN, considerando indiferente a ausência de recolhimento antecipado do tributo; ora, compulsando os autos, verificase que inexistiu pagamento antecipado. Conforme Termo de Verificação fiscal, fls. 95/98, apurouse omissão de rendimentos, vez que o contribuinte compensou, indevidamente, o prejuízo de seu lucro liquido além do percentual de 30%; conforme demonstraremos a seguir, o acórdão supra merece reforma, para que se coadune com os entendimentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, eis que, diante da ausência de recolhimento do tributo, aplicase o art. 173, inc. I, do CTN; DO CABIMENTO DO RECURSO a respeito do prazo para o lançamento do tributo em comento, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, e está representado em acórdão da e. CSRF cuja ementa está abaixo transcrita: Acórdão CSRF/0103.103: ”IRPJ LANÇAMENTO EX OFFICIO PRAZO DECADENCIAL Tratandose de lançamento de ofício, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional”. consoante essa linha de interpretação, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação”, observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4º. Válido transcrever trecho do voto condutor do acórdão CSRF/0103.103, proferido pelo r. conselheiro Cândido Rodrigues Neuber: [...]; o acórdão ora recorrido afastou a exigência, sustentando que por força do prazo disciplinado no art. 150, §4°, do CTN, o lançamento referente anocalendário de 1997 estaria alcançado pela decadência, tendo em vista que a notificação se deu em 30/04/2003; diversamente, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entende que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerse á pelo contido no art. 173, I, do CTN; no caso em tela, como o contribuinte não efetuou nenhum pagamento de tributo, ocorreu o lançamento de ofício. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, não deve ser aplicado o art. 150, §4°, e sim o art 173, I, do CTN; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 570 4 DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO DO PRAZO DECADENCIAL PARA OS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO FALTA DE RECOLHIMENTO reza o art. 150, §4º, do CTN: [...]; com base nesse dispositivo, poderseia chegar, de modo precipitado, à conclusão de que a decadência teria alcançado do fato gerador referente ao anocalendário de 1997 (31/12/1997), pois decorridos 05 anos do fato gerador, nos termos do art. 150, §4°, do CTN, considerando que o contribuinte foi notificado em 30/04/2003. Contudo, adotandose o cuidado necessário ao perfeito entendimento da legislação tributária, tornase imprescindível atentar para o que dispõe o art. 149, V, CTN: [...]; no caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa; ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V); sendo lançamento de ofício, para fins de contagem de prazo decadencial não se aplica o art. 150, § 4º, do CTN e sim o art. 173, I, que assim dispõe: [...]; o Col. Superior Tribunal de Justiça, pela Primeira Seção, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, pacificou o entendimento, no julgamento de matéria objeto de recursos repetitivos, entendendo que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; no acórdão proferido em sede de Recurso Especial nº 973.733SC, o STJ entendeu que: [...]; logo, a matéria abordada já fora decidida pelo STJ em sede de recurso especial, tendo a mens legis o fim de pacificar a tese, de maneira que, realizado o julgamento pelo STF ou STJ, os demais recursos devem ter o mesmo destino daquele que foi destacado para julgamento. É norma que há de ser observada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 543C do CPC; citese, ainda, outros julgados no mesmo sentido: [...]; transcrevo entendimento da jurisprudência administrativa, senão vejamos: [...]; acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas constantes do parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e pelo Ministro da Fazenda, que trata, inclusive, da forma de contagem dos prazos de decadência e prescrição tributários (art. 150, §4° e art. 173, I, ambos do CTN): [...]; Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 571 5 logo, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1997, o lançamento poderia ter sido efetuado somente no ano de 1998. Dessa forma, o dies a quo do prazo decadencial para lançamento, previsto no art. 173, I, será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que corresponde, no presente caso, ao primeiro dia do ano de 1998, findandose o prazo em 31/12/2003. Como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deuse em 30/04/2003, não há que se cogitar de decadência. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho n° 1100 000.263, exarado em 14/07/2014, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: [...] Neste julgamento, considerandose a ciência do auto de infração em 30/4/03, reconheceuse a extinção do crédito tributário (IRPJ, fato gerador 31/12/97) por decadência com base no art.150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN), mesmo diante da inexistência de recolhimento de tributo, conforme se constata do seguinte excerto: [...] A Recorrente, por sua vez, aduz haver no âmbito do CARF interpretação divergente sobre a matéria, tendo sustentado a tese de que “...não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art.173, I, do CTN”. Para tanto, apontou o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: [...] Em tal decisão, assentouse que “...o prazo decadencial é regido pela regra contida no art.173 do CTN”, tendo ainda, alicerçado em outro acórdão (CSRF/011.563), fixado: [...] Pelo exposto, concluise que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional comprovou o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a tese contemplada no paradigma, ao contrário da estabelecida no acórdão recorrido, é no sentido de incidência do art.173, I, do CTN quando inexiste antecipação de pagamento do tributo. Presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO seja ADMITIDO o recurso especial interposto. Em 23/10/2014, a contribuinte foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN. Tempestivamente, em 07/11/2014, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 572 6 A IMPROCEDÊNCIA DO RECURSO ESPECIAL a Constituição Federal (CF/88), em seu art. 146, III, b, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; o CTN, que tem força de lei complementar, estabelece as normas gerais relativas às matérias tributárias referidas no art. 146, III, b, da CF/88, as quais são aplicáveis a todo e qualquer tributo; nesse cenário, dispõe o art. 150, §4º, do CTN: [...]; o STJ, em julgamento sujeito ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), decidiu que o art. 150, §4º, do CTN, não seria aplicável aos casos em que (i) a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo; ou (ii) a despeito de previsão legal, o mesmo não ocorre, não havendo declaração do débito pelo contribuinte. Nesses casos, conclui o STJ, aplicarseia o prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN; transcrevese abaixo a ementa do Acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 973.733/SC: [...]; em 21.12.2010, foi inserido no Regimento Interno do CARF, por meio da Portaria n° 586, o art. 62A, que impõe aos Conselheiros do CARF que sigam o entendimento adotado em julgamento definitivo de mérito pelo STJ, na sistemática do art. 543C do CPC: [...]; diante disso, o CARF deve aplicar aos julgamentos que envolvam a discussão acerca da decadência necessariamente o entendimento adotado pelo STJ no julgamento do REsp n° 973.733/SC; como a recorrida demonstrará a seguir, na linha do entendimento consolidado pelo STJ, a decisão é acertada e não merece reparos, uma vez que: (i) a recorrida antecipou o pagamento do IRPJ no anocalendário de 1997, ao compensar prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 1994; e (ii) mesmo que se considere, equivocadamente, que não teria havido antecipação do pagamento, a jurisprudência do CARF é clara no sentido de que o que se homologa é a atividade da recorrida voltada a apurar os tributos devidos; no caso em análise, a recorrida apurou lucro real no ano anocalendário de 1997, informado por meio de sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) no exercício de 1998, no valor de R$ 4.172.572,13; diante da existência de prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 1994, e com base em autorização judicial válida à época, concedida nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 98.00258760, a recorrida efetuou o pagamento integral do IRPJ incidente sobre o lucro real apurado no anocalendário de 1997. por meio de compensação, utilizandose do prejuízo fiscal por ela apurado no anocalendário de 1994; Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 573 7 dessa forma, não há que se falar em falta de antecipação de pagamento, como alega a recorrente, uma vez que o IRPJ ora discutido foi extinto por compensação pela recorrida; de fato, os dispositivos legais que tratam da apuração e utilização do prejuízo fiscal se referem sempre à possibilidade de compensação do lucro tributável: [...]; o art. 156 do CTN define tanto o pagamento quanto a compensação como hipóteses de extinção do crédito tributário: [...]; com isso, não restam dúvidas de que a recorrida extinguiu o crédito tributário relativo ao IRPJ apurado no anocalendário de 1997, por meio da compensação de prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 1994, sujeitandose a referida extinção à homologação da autoridade fiscal, no prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Considerando que o AI foi lançado apenas em 30.04.2003, mais de 5 anos, portanto, contados da ocorrência do fato gerador (31.12.1997), verificouse a decadência dos créditos tributários ora discutidos; a recorrente invoca precedentes judiciais e administrativos que concluem por aplicar o art. 173, I, do CTN, analisando casos em que não houve o pagamento antecipado pelo contribuinte, como se verifica do seguinte trecho de seu Recurso Especial: [...]; tais precedentes, no entanto, não se aplicam ao presente caso, tendo em vista que aqui se discute o pagamento, ainda que parcial, do IRPJ por meio de compensação de prejuízos fiscais; é importante ressaltar que, ainda que venha a ser proferida decisão final desfavorável no MS n° 98.00258760, negando o direito à compensação integral do lucro auferido pela recorrida no anocalendário de 1997 com prejuízo fiscal de 1994, não se discute que houve pagamento parcial do IRPJ no período autuado, uma vez que a própria fiscalização, na lavratura do AI, reconheceu a procedência da compensação de 30% do lucro apurado em 1997 com a utilização desse prejuízo fiscal; na realidade, o AI não discute a validade e legitimidade do prejuízo fiscal apurado pela recorrida no anocalendário de 1994, limitandose a questionar a possibilidade de sua utilização para compensação de percentual superior a 30% do lucro tributável dos períodos subsequentes; basta consultar o TVF para se verificar que o crédito tributário exigido pelo AI decorre da aplicação da alíquota do IRPJ não sobre o total (100%) do lucro real apurado pela recorrida em 1997, no valor de R$ 4.172.572,13, mas sobre 70% desse lucro, correspondente a R$ 2.920.800,50; ora, se não tivesse havido pagamento antecipado pela recorrida, a que título o valor de R$ 1.251.771,63, correspondente a 30% do lucro auferido pela recorrida no ano calendário de 1997, teria sido excluído da autuação? o que se discute na presente autuação é a discordância das autoridades fiscais justamente em relação a quanto foi antecipado, e não se houve antecipação de pagamento pela recorrida. Não se discute que ao menos 30% do IRPJ devido pela recorrida no anocalendário de 1997 foi devidamente extinto, tanto que esse valor não compõe o AI; Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 574 8 nesse ponto, vale transcrever o seguinte trecho, extraído do TVF, que deixa claro que a discordância da autoridade fiscal quanto à apuração do IRPJ pela recorrida se limita apenas a parte do valor apurado: [...]; não procede, assim, a alegação da recorrente, no sentido de que não teria ocorrido o pagamento antecipado; o trecho acima deixa claro que ao menos 30% do valor do lucro líquido apurado pela recorrida foi considerado efetivamente extinto pela autoridade fiscal autuante. Comprovada, assim, a antecipação de pagamento na apuração do IRPJ do anocalendário de 1997 pela recorrida; em caso muito similar ao da recorrida, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou a ocorrência de decadência no caso do lançamento de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) após decorridos 5 anos do fato gerador (1º trimestre de 1997) na hipótese em que o contribuinte também havia compensado 100% da base de cálculo da CSLL com bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores: [...]; no mesmo sentido o Acórdão n° 130100.086, de 14.05.2009: [...]; não é outro o entendimento do STJ, como se verifica da decisão abaixo, em que se concluiu que, nos casos em que o contribuinte compensou integralmente o seu resultado tributável do período com prejuízos fiscais acumulados, aplicase a contagem do prazo decadencial de acordo com o previsto no art. 150, §4º, do CTN: [...]; concluise, assim, que o art. 173, I, do CTN, não se aplica ao presente caso, tendo em vista que, como restou comprovado, verificouse a antecipação, ainda que parcial, do pagamento do IRPJ devido no anocalendário de 1997, por meio da compensação de prejuízo fiscal apurado em período anterior; não obstante, ainda que se considere que não houve pagamento antecipado no período, o fato de que a recorrida cumpriu com todas as suas obrigações acessórias e, ao final do período de apuração, chegou à conclusão de que não haveria resultado tributável, não é capaz de a afastar do prazo decadencial disciplinado pelo art. 150, §4º, do CTN; de fato, em diversas decisões recentes, o CARF, ao interpretar o entendimento do STJ consubstanciado no julgamento do REsp n° 973.733/SC, concluiu que não é apenas o pagamento que se homologa, e sim a atividade do contribuinte para a apuração do tributo, que pode, inclusive, chegar em resultado nulo ou negativo. Nesse sentido, transcrevese abaixo, a título de exemplo, trecho do Acórdão n° 1101000.935, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF: [...]; concluise, portanto, que, ainda que, por absurdo, se considere que a compensação de prejuízo fiscal não configura antecipação de pagamento para fins da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, a recorrida cumpriu com todas as suas obrigações acessórias inerentes à apuração do lucro real, chegando a resultado tributável disponibilizado ao fisco, devendo, necessariamente, aplicarse o prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador; O PEDIDO Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 575 9 por todo o exposto, pede e espera a recorrida seja negado provimento ao recurso especial da PGFN, mantendose a decisão nos seus exatos termos; entretanto, caso, por absurdo, seja dado provimento ao recurso especial da PGFN, devem os autos serem remetidos à 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF para que sejam analisados os argumentos de mérito trazidos pela recorrida em seu recurso voluntário, enumerados nos itens 2.4 e 2.6 do relatório contido nas contrarrazões. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 576 10 Voto Vencido Voto vencido no conhecimento Voto vencedor no mérito Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Embora o sujeito passivo não tenha trazido nas contrarrazões preliminar de não conhecimento do recurso especial, da tribuna foi suscitado o não conhecimento e acabei por acolhêlo pela seguinte razão: no recorrido se discutia se a compensação de prejuízo fiscal configura antecipação de pagamento, enquanto no paradigma sequer poderia haver essa discussão, já que lá não havia a situação de compensação de prejuízo fiscal; assim, na minha ótica, no contexto do tema decadência, por ser um fato relevante que impede o estabelecimento da divergência jurisprudencial, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Ficando vencido no conhecimento, dado que a maioria do colegiado entendeu ser o caso de se conhecer do recurso, passo ao mérito. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ com fato gerador ocorrido em 31/12/1997 (lucro real anual). O motivo da autuação é que a contribuinte compensou todo o lucro real apurado no período com prejuízo fiscal de período anterior, sem observar o limite de 30% para essa compensação. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 30/04/2003. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial sobre a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. O acórdão recorrido reconheceu a decadência com base no art, 150, §4º, do CTN, registrando que a contribuinte não tinha apurado saldo de imposto a pagar em sua DIPJ, que não havia imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado. Destacou ainda que o que se homologa é a própria atividade da contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por esta. Em seu recurso especial, a PGFN defende o entendimento de que, por não ter havido pagamento, a decadência deveria ser contada pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, §4º, do mesmo código. A contribuinte, por meio de contrarrazões, desenvolve argumentação em dois sentidos. Primeiro, ela alega que antecipou sim pagamento de IRPJ no anocalendário de 1997, ao compensar prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 1994. Na sequência, ela alega que mesmo que se considere, equivocadamente, que não teria havido antecipação de Fl. 576DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 577 11 pagamento, a jurisprudência do CARF é clara no sentido de que o que se homologa é a atividade da recorrida voltada a apurar os tributos devidos. Quanto a essa questão sobre decadência, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento (decisão que foi citada tanto no recurso especial, quanto nas contrarrazões): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia do débito. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou de declaração/confissão do débito (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da declaração/confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou declaração/confissão parciais mesmo. Até Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 578 12 porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou declarado/confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, aplicando o prazo do art. 150, §4º, do CTN, reconheceu a decadência para o fato gerador de IRPJ ocorrido em 31/12/1997. O lançamento foi formalizado em 30/04/2003. Compulsando os autos, extraio do Termo de Verificação Fiscal (vol. 1, efls. 99) a informação de que a contribuinte não comprovou recolhimento do IRPJ em questão, e que também não há registro de pagamentos nos sistemas da SRF referente a esse tributo. A Declaração de Rendimentos DIRPJ apresentada pela contribuinte (vol. 1, efls. 55/70) não apresenta "Imposto de Renda a Pagar" no ajuste anual, e também não apresenta nenhuma apuração de estimativa a pagar (todas as bases mensais para recolhimento de estimativa são negativas). Além disso, o próprio contexto do acórdão recorrido e dos argumentos da contribuinte evidencia que não houve pagamento, nem declaração de débito. Assim, de acordo com o que foi decidido pelo STJ, não havendo pagamento e nem declaração prévia do débito, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Não procede a alegação da contribuinte no sentido de que a compensação de prejuízo fiscal (no limite permitido de 30% do lucro real) configura pagamento antecipado de uma parte do IRPJ do anocalendário de 1997. A compensação realizada pela contribuinte é compensação de base de cálculo, procedimento que é preparatório para a apuração do tributo. Não se trata aqui da compensação tributária prevista no art. 156, II, e art. 170 do CTN, ou seja da "compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A compensação de prejuízo fiscal não é forma de repetição de indébito, de devolução de pagamento indevido ou a maior feito pelo contribuinte, de encontro de contas em que uma parte é ao mesmo tempo credora e devedora da outra, ou algo semelhante. Vale registrar que o Supremo Tribunal Federal, quando examinou a constitucionalidade da chamada trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, no julgamento dos RE 344.944 e 545.308, entendeu que prejuízos havidos em exercícios anteriores à vigência da Lei 8.981/1995 configuravam meras deduções, cuja projeção para exercícios futuros era autorizada nos termos da lei, a qual poderia, contudo, ampliar ou reduzir a proporção de seu aproveitamento. Nos referidos julgados, o STF concluiu que o abatimento de prejuízos, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Tratase, portanto, de um procedimento de apuração de base de cálculo, de dimensionamento do lucro a ser tributado em determinado período, que não pode significar de modo algum pagamento de IRPJ. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 579 13 Basta ver que a referida DIRPJ não indica nenhum valor a título de "Imposto de Renda a Pagar", justamente porque a base de cálculo (lucro real) foi totalmente zerada pela contribuinte. A dedução feita na base de cálculo, no limite legal permitido, é uma benesse de política fiscal segundo o STF, e, especialmente por isso, não pode ser equiparada a pagamento de tributo (o que seria um duplo benefício). Essa dedução não configura a compensação tributária prevista no CTN, e não pode ser entendida como uma forma de repetição de indébito, de restituição de pagamento indevido ou a maior feito pelo contribuinte em momento anterior. Realmente, não houve nenhum pagamento a título de IRPJ referente ao ano calendário de 1997, nem mesmo por meio de compensação de indébito tributário. Na sua segunda linha de argumentação, a contribuinte procura retomar a superada tese (a meu ver) de que o que se homologa é a atividade e não (apenas) o pagamento. Para tanto, ela busca amparo em decisões que vislumbram maiores possibilidades de interpretação para a decisão do STJ no REsp repetitivo nº 973.733/SC, especialmente porque essa decisão também prevê o encurtamento do prazo decadencial quando houver "declaração prévia do débito", o que permitiria, segundo essa interpretação ampliada, a inclusão de outros tipos de "conduta objetiva" (atividade) do contribuinte, distintas do pagamento. Aliás, o próprio acórdão recorrido seguiu essa linha de interpretação, quando entendeu que "a decisão em referência (do STJ) não se aplica aos casos em que o contribuinte não tenha apurado saldo de imposto a pagar em sua DIPJ, pois, neste caso, não haveria imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado. Nesta hipótese, aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, do CTN, que dispõe: [...]". Não compartilho do entendimento de que a "declaração prévia do débito" pode significar vários tipos de "conduta objetiva" do contribuinte, inclusive conduta da qual não resulta débito a ser declarado. Realmente, como afirmado na decisão citada pela contribuinte, que embasa a sua linha de defesa (Acórdão nº 1101000.935, de 10/09/2013), o STJ não fez maior aprofundamento que pudesse esclarecer essa questão sobre a "declaração prévia do débito", o que permitiria interpretação em relação a isso. Contudo, pelo teor do voto que orientou a referida decisão do STJ, o que se percebe a todo momento é a ideia de vincular a homologação ao "pagamento antecipado" (mesmo que ele seja inferior ao efetivamente devido), e não a outro tipo de conduta ou ato do contribuinte. O critério de vincular o fenômeno da "homologação" à realização de algum "pagamento" (e não a outra atividade/conduta do contribuinte), na linha de interpretação adotada pelo STJ, decorre do próprio texto do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 580 14 referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos acrescidos) Nessa perspectiva, a menção pelo STJ de que a "declaração prévia do débito" permitiria o enquadramento no referido art. 150 do CTN (lançamento por homologação) só pode ser tomada em sentido restrito, ou seja, de "declaração" que constitua confissão de dívida, que sirva de instrumento hábil à execução fiscal, sob pena de completo desvirtuamento da linha adotada pelo STJ, que, relativamente ao fenômeno da homologação, claramente prioriza o "pagamento" e não a "atividade de apuração". Com efeito, é somente esse tipo de "declaração" que pode se encaixar na sistemática do art. 150 do CTN, na lógica traçada pelo STJ, no sentido de se entender que houve o atendimento (ainda que parcial) do que é exigido pelo art. 150 do CTN, que houve o "auto lançamento", que houve constituição de alguma parte do crédito tributário, e que, por equiparação, há algum "pagamento" a homologar. O que aproxima o pagamento da declaração/confissão do débito é o fato de que, tanto num caso quanto noutro, o lançamento de ofício abrangerá sempre uma parte do crédito tributário, porque a parte paga ou declarada/confessada já foi "auto lançada" pelo contribuinte (lançamento por homologação), já está constituída, não havendo necessidade de lançamento de ofício para ela. Se a constituição do crédito tributário pela fiscalização é parcial (porque uma parte já está paga ou declarada/confessada), obviamente não havendo dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o prazo de decadência é regido pelo art. 150, §4º, do CTN. A meu ver, é esse o sentido da decisão do STJ quando fez menção à "declaração prévia do débito" como fator de definição do prazo decadencial, juntamente com o pagamento. Entretanto, no caso sob exame, já ficou bem esclarecido que não só inexistiu pagamento, como também não houve nenhuma declaração/confissão do débito de IRPJ em questão, até porque a contribuinte zerou (esvaziou) totalmente a base de cálculo do tributo, e nem imposto devido ela apurou. Portanto, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN, conforme entendeu o STJ em sede de julgamento de recursos repetitivos. Ao final de suas contrarrazões, a contribuinte solicita, para o caso de ser dado provimento ao recurso especial da PGFN, que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para apreciação de matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Realmente, na fase de recurso voluntário, a contribuinte suscitou questões sobre o mandado de segurança por ela impetrado e seus reflexos no lançamento objeto deste processo administrativo, questões sobre a multa de ofício e também sobre os juros de mora, mas o exame dessas matérias ficou prejudicado, porque o lançamento foi cancelado em razão da decadência, que ora está sendo afastada. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 581 15 Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência do crédito tributário, determinando que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para o exame das matérias suscitadas no recurso voluntário e não apreciadas naquela fase processual em razão do que lá foi decidido. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Voto Vencedor Voto vencedor no conhecimento Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Redatora designada Em que pesem os argumentos do eminente relator, esse colegiado, por maioria de votos, divergiu de seu entendimento quanto ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. O relator manifestouse no sentido de que não estaria caracterizada a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, porque, diferentemente do primeiro, o segundo não trataria de compensação de prejuízo fiscal. Entendeu, assim, que como no acórdão recorrido a análise da decadência levou em conta se tratar o caso concreto de compensação de prejuízo fiscal, não seria possível estabelecer divergência jurisprudencial. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face do Acórdão nº 110100.221, de 6/11/2009, cuja ementa possui o seguinte teor: DECADÊNCIA – IRPJ – Tratandose de tributo em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150, parágrafo quarto, do CTN, quando o contribuinte realiza a atividade de apuração e não apura imposto a pagar em sua DIPJ. Em seu recurso especial, a Procuradoria indicou como paradigma o Acórdão CSRF/0103.103, de 12/09/2000, a fim de demonstrar a existência de divergência entre os colegiados desse Conselho quanto à contagem do prazo decadencial na hipótese de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não houve antecipação de pagamento. Transcrevese a ementa do acórdão paradigma: IRPJ – LANÇAMENTO EX OFFICIO – PRAZO DECADENCIAL – Tratandose de lançamento de ofício, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 582 16 A partir do cotejo das ementas e dos votos condutores dos acórdãos em tela, verificase que está caracterizada a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do recurso especial, não havendo reparos a serem feitos no despacho que deu seguimento ao recurso (efls. 406 a 408). Isso porque, o acórdão paradigma entendeu, que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando não houver antecipação de pagamento, o prazo decadencial é regido pela regra contida no artigo 173, do CTN, e não pela regra contida no art. 150, § 4º. Em seu voto condutor, restou consignado que ainda que se esteja diante de tributo em regra sujeito a lançamento por homologação, se o lançamento ocorreu de ofício, "por constatação de omissão ou inexatidão na declaração efetuada pela contribuinte", aplica se o disposto no art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, cumpre transcrever trechos do acórdão paradigma que demonstram as razões para o afastamento da decadência naquele caso: A forma de lançamento do imposto de renda, se por declaração ou homologação, tem sido objeto de amplo debate nesta Câmara. Porém, abstraindose dessa discussão, o certo é que, no caso presente, estamos diante do lançamento de ofício, portanto efetuado pela autoridade tributária, por constatação de omissão ou inexatidão na declaração efetuada pela contribuinte. Neste caso, o entendimento reiterado desse colegiado é no sentido de que o prazo decadencial é regido pela regra contida no art 173 do CTN No Acórdão n° CSRF/011 563, do qual fui relator, expressei esse entendimento e, por pertinente, transcrevo trecho do voto: "(...) Há tributos, como o imposto de renda na fonte (IRF), cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente(CTN art 150, caput) ou tacitamente, pelo decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador (art 150 § 4º CTN). A homologação, quer expressa, quer tácita, na modalidade de lançamento de que se ocupa o artigo 150, não implica decadência do direito de lançar, mas, ao contrário, traduz o exercício mesmo desse direito. A homologação, sob qualquer de suas duas formas (expressa ou tácita), representa a afirmação administrativa de que o pagamento antecipado condiz com o tributo devido. E que nada mais há para ser exigido. Vêse, pois, que a homologação é o exercício do direito de lançar e não sua preclusão. Mas a homologação, expressa ou tácita, para que se dê, pressupõe uma atividade do contribuinte o pagamento prévio determinado em lei. Sem ele não há fato homologável. Dai estabelecer o art 149, V, do CTN que 'quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte' o lançamento é efetivado de ofício. Nada mais lógico. Se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V), Fl. 582DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 583 17 se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V). Como se vê, não tendo havido pagamento antecipado, não há que se falar em homologação do artigo 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do artigo 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do artigo 173 do CTN. (...)" (...) Embora o Acórdão nº CSRF/011.563 trate de imposto de renda na fonte e o Acórdão do T.R.F. trate de contribuições previdenciárias, o entendimento exposto aplicase, em sua plenitude, ao caso dos autos, relativo ao imposto de renda pessoa jurídica e decorrentes, pois a tese levantada considera que a falta de pagamento antecipado, ou o recolhimento em desacordo com a legislação aplicada, autoriza o lançamento ex officio, sendo o direito de lançar regido pelo artigo 173 do CTN, já que, neste caso, não há fato passível de homologação. Por outro lado, o acórdão recorrido acolheu a decadência por entender que aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que "não haveria imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado" aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Ou seja, entendeu aquele colegiado que ainda que não tenha havido antecipação de pagamento e o lançamento tenha se dado de ofício, não se aplica o art. 173, I, do CTN. Transcrevese trechos do voto condutor do acórdão recorrido: O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973733, entendeu que, nos casos em que não há pagamento antecipado, aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN, decisão esta que está submetida ao regime do artigo 543C, do CPC, que dispõe sobre os recursos repetitivos. Entendo, contudo, que a decisão em referência não se aplica aos casos em que o contribuinte não tenha apurado saldo de imposto a pagar em sua DIPJ, pois, neste caso, não haveria imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado. Nesta hipótese, aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, que dispõe: Conforme disposto no § 4º do art.150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tornando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. (...) Ressaltese que, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e pagar o mesmo, sem qualquer participação do sujeito ativo, que;de outra parte, já tem o direito Fl. 583DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 584 18 de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo, independentemente de qualquer informação ser lhe prestada, e independentemente do pagamento realizado pelo contribuinte. O contribuinte não deve aguardar o pronunciamento da administração para saber da existência, ou não, da obrigação tributária, pois esta já está delimitada e prefixada na lei, que impõe ao sujeito passivo o dever do recolhimento do imposto em questão. A obrigação tributária decorre diretamente da lei. Conforme indicado no caput do art. 150 do CTN, o que se homologa é a própria atividade do contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por este. Pelo exposto, vêse que no acórdão paradigma entendeuse que no caso de tributos sujeitos, em regra, a lançamento por homologação, em que não houve antecipação de pagamento e o crédito tributário foi constituído a partir de lançamento de ofício, em face da constatação de infração à norma tributária, aplicase, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, ainda que a constituição do crédito tributário se dê por lançamento de ofício, aplicase o art. 150, § 4º, se o contribuinte não apurou saldo de imposto a pagar em sua DIPJ. Ou seja, em ambos os casos, estamos diante de tributos que, em regra, são sujeitos a lançamento por homologação, mas em relação aos quais o contribuinte não antecipou o pagamento e que foram lançados de ofício, diante da constatação, pela Fiscalização, de infrações à norma tributária. Assim, verificase que a infração apurada é irrelevante para o entendimento adotado por cada um dos colegiados. Na verdade, o acórdão paradigma afirma expressamente que "a falta de pagamento antecipado, ou o recolhimento em desacordo com legislação aplicada, autoriza o lançamento ex officio, sendo o direito de lançar regido pelo artigo 173 do CTN, já que neste caso, não há fato passível de homologação", de forma que podese concluir que se porventura o colegiado estivesse diante do caso ora em análise aplicaria à decadência o art. 173, e não o art. 150, § 4º, do CTN. Da mesma forma, caso o colegiado recorrido estivesse diante do caso tratado no acórdão paradigma, aplicaria o art. 150, § 4º, o que evidencia a divergência jurisprudencial. Ante ao exposto, votase por CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001732/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORREÇÃO DOS CÓDIGOS ADOTADOS. CONTRIBUINTE E FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Demonstrada que as classificações fiscais adotadas, tanto pelo contribuinte, como aquela imputada pela fiscalização, não se mostram adequadas ao produto, deve ser reconhecida a improcedência do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3401-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (1) por unanimidade, para entender erradas, tanto a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, quanto à imputada pela Fiscalização; (2) por maioria, para entender prejudicadas as multas aplicadas, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Cleber Magalhães e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram pela manutenção das multas isoladas.
Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto.
André Henrique Lemos Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães; e em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou-se impedido, o Conselheiro suplente Cássio Schappo.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORREÇÃO DOS CÓDIGOS ADOTADOS. CONTRIBUINTE E FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrada que as classificações fiscais adotadas, tanto pelo contribuinte, como aquela imputada pela fiscalização, não se mostram adequadas ao produto, deve ser reconhecida a improcedência do lançamento. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.001732/2002-77
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789413
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.958
nome_arquivo_s : Decisao_11128001732200277.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRE HENRIQUE LEMOS
nome_arquivo_pdf_s : 11128001732200277_5789413.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (1) por unanimidade, para entender erradas, tanto a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, quanto à imputada pela Fiscalização; (2) por maioria, para entender prejudicadas as multas aplicadas, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Cleber Magalhães e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram pela manutenção das multas isoladas. Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto. André Henrique Lemos Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães; e em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou-se impedido, o Conselheiro suplente Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6986842
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736115650560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 768 1 767 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.001732/200277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.958 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2017 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente BASF POLIURETANOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORREÇÃO DOS CÓDIGOS ADOTADOS. CONTRIBUINTE E FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrada que as classificações fiscais adotadas, tanto pelo contribuinte, como aquela imputada pela fiscalização, não se mostram adequadas ao produto, deve ser reconhecida a improcedência do lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (1) por unanimidade, para entender erradas, tanto a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, quanto à imputada pela Fiscalização; (2) por maioria, para entender prejudicadas as multas aplicadas, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Cleber Magalhães e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram pela manutenção das multas isoladas. Fenelon Moscoso de Almeida – Presidente substituto. André Henrique Lemos – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães; e em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarouse impedido, o Conselheiro suplente Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 17 32 /2 00 2- 77 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 769 2 Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de Auto de Infração (fls. 01 a 23), pelo qual o contribuinte foi intimado a recolher ou impugnar a diferença de tributos (II e IPI) que deixou de ser pago, juros de mora e multas. A autuação baseouse na Declaração de Importação 02/01018742, de 04/02/2002 (fls. 13), tendo como produto: "LUPRANAT M 20 S 4,4 — DIFENIL METILDIISOCIANATO QUALIDADE INDUSTRIAL ESTADO FISICO LÍQUIDO UTILIZADO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL, ETC.", classificandoo no código 2929.10.90, como OUTROS ISOCIANATOS, com alíquota de 3,5% para o II e de 0% (zero) para o IPI. O laudo técnico n° 0370.01 do LABANA (fls. 45) concluiu tratarse de uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4' Diisocianato de Difenilmetano, na forma liquida, enfatizando não se tratar de composto de constituição química definida, mas sim de uma preparação. Em aditamento ao laudo técnico (fls. 55 a 68), o LABANA manifestouse dizendo que o produto não se trata de preparação, ratificando tratarse de outro produto a base de compostos orgânicos, não especificado nem compreendido em outras posições e sem constituição química definida. Acrescentou ainda que o LUPRANAT M 20 S é constituído de uma mistura de reação, também denominada de Polimetileno Polifenil Poliisocianato ou Isocianatos Poliméricos ou PMDI, a qual tem como constituinte principal 4060% de 4,4 Diisocianato de Difenilmetano e o restante são siômeros, trímeros e oligômeros de alto peso molecular. Diante disso, a Fiscalização rejeitou enquadramento tarifário pleiteado pela importadora (código 2929.10.90, II de 3,5% e IPI de 0%), reclassificando a mercadoria no código NCM 3824.90.89, como um Produto das Indústrias Químicas não compreendido, nem especificado em posição diferente da 3824, com alíquotas de 15,5% para o II e 10% para o IPI. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 8194), dizendo, em síntese: 1. solicitou parecer técnico ao IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a .fim de que determinasse qual a posição tarifária; 2. de acordo com o parecer técnico n ° 7071/97 passou a utilizar o código 2929.10.90 para a classificação da mercadoria; 3. o fato de o LABANA ter definido o produto como uma mistura não descaracteriza a posição adotada pelo impugnante, pois a Nota I "b" do Capitulo 29 assegura o enquadramento da mercadoria no referido Capitulo, por se tratar de uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas); 4. a posição pretendia pelo Fisco é residual e subsidiária, não se aplicando ao presente caso, posto que a classificação mais especifica deve prevalecer sobre a mais genérica; 5. à multa do imposto de importação aplicase o ADN COSIT 10/97; Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 770 3 6. à multa do art. 526, II do Decreto 91030/95 aplicase o ADN COSIT 12/97, sendo que o LABANA não negou a presença de 4,4 — DIFENILMETIL DIISOCIANATO; 7. não cabe a multa por classificação incorreta por haver classificação corretamente e por ela ter sido instituída por medida provisória; 8. não cabe multa do IPI em razão de não se encaixar a situação do art. 80 da Lei 4.502/64, com alterações da Lei 9.430/96; 9. os juros não podem ser cobrados durante o procedimento administrativo, posto que o débito ainda está sendo discutido; 10. a taxa SELIC é inconstitucional; 11. anexou laudo do IPT que diz não se tratar de mistura de reação, mas sim de mistura de isômeros; 12. requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração; 13. requer nova perícia ao INT. Sobreveio acórdão da DRJ de SP, o qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento (fls. 168176), cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/02/2002 LUPRANAT M 20 S. O produto identificado por análise laboratorial como, sendo uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4DIIsocianato de Difenilmetano se classifica no código 3824.90.89, pretendido pela fiscalização. Lançamento Procedente Irresignado com a r. decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 215248), ratificando seus argumentos. Juntou entendimento jurisprudencial específico, em caso do mesmo produto importado, no qual a mesma DRJ de SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento (fls. 274279, PAF 11128.005544/200137), sendo interessante mencionar sua ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/07/2001 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 771 4 O produto LUPRANATE M 20 S, foi importado e classificado na posição NCM 2929.10.90, tida como incorreta pela fiscalização. O código utilizado pela Fiscalização, ou seja, o 3824.90.32 também não encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos. A preparação é urna mistura intencional com o propósito de se obter um produto diferente para uma finalidade especifica. Em razão dessa diferença, uma mistura de reação não pode ser classificada como urna Preparação. Lançamento Improcedente Às fls. 315319 decidiu este Conselho, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Delegacia de origem, obtivesse laudo técnico oficial, respondendo os seguintes quesitos: 1) O produto sob exame é LUPRANAT MM 103 CARBODIIMIDA MODIFICADA DO 4,4 DIFENILMETANO DIISOCIANATO TEOR NCO: 29,0 30,0 QUALIDADE: INDUSTRIAL USO FINAL: UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DE SISTEMAS DE POLIURETANOS COM USO FINAL NAS INDUSTRIAS DE CALÇADOS, AUTOMOTIVA, REFRIGERAÇÃO, CONSTRUÇÃO CIVIL, MOVELEIRA E ELÉTRICA? Em caso negativo, favor fornecer os dados corretos. 2) O produto sob exame é uma mistura ou uma preparação ou um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, mesmo contendo impurezas? Qual o processo utilizado para sua obtenção? Favor informar qual a função ou propriedade conferida ao produto por cada componente e o processo de fabricação do mesmo. 3) Qual a aplicação principal ou predominante do produto? Se . houver outras aplicações, favor informar. 4) O produto é uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas)? O produto é uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não? 5) Na confecção do produto foi adicionado ao (ou deixado no) mesmo algum componente por motivo de segurança, por necessidade de estabilização para transporte ou indispensável à sua conservação? Ou foi adicionado de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por • razões de segurança? Em caso de resposta afirmativa a qualquer das Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 772 5 perguntas deste item, favor informar se esta substância atribuiu alguma característica especial ou o tomou especialmente apto a algum uso específico? Favor especificar. 6) Favor acrescentar os comentários e informações que no entender do técnico responsável são importantes para a correta classificação fiscal do produto ou sua identificação não abrangidas nos quesitos anteriores. Às fls. 323325, a EQREV do SEFIA da Alf/Santos solicitou que o Laboratório de Análises Falcão Bauer, respondesse os quesitos formulados. Sobreveio o Parecer Técnico 056/2009 do L.A. Falcão Bauer, o qual, em resumo concluiu: Considerando as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado (SH) onde a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, entendemos que a mercadoria com a denominação comercial "LUPRANAT M 20 S", tratase de Poli(lsocianato de Fenil Metano) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma líquida, Outra Resina Amínica, em forma primária. Às fls. 369372, a Recorrente se manifestou acerca do aludido Parecer Técnico, defendendo que o Parecer Técnico do IPT, apresentado à época da Impugnação, foi taxativo ao afirmar que o produto é uma mistura de isocianatos cíclicos, e como tal, deveria ser classificado na posição 2929.10.90, tendo o texto da NESH capítulo específico sobre o produto, deve esta posição específica prevalecer sobre a genérica (adotada pelo fisco, posição 3824.90.89). Demais disso, disse que o Parecer Técnico do L.A. Falcão Bauer, concluiu que o produto se trata de outra resina amínica, em forma primária, encontrado na posição NESH 3909, e com isso, de forma alguma pode prevalecer o entendimento fiscal, devendo ser aplicado o benefício da dúvida, julgandose o feito em favor da Recorrente. Às fls. 484485, citou precedente específico sobre o mesmo produto, sendo o lançamento julgado improcedente, nos autos do PAF 11128.004010/200355, sem recurso de ofício devido ao valor de alçada, possuindo a ementa o seguinte teor (fl. 512): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/02/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LUPRANAT M2OS Tendo sido retificado o laudo técnico e idemt.9.cado o produto em questão como uma resina aminica ;Poll (!socianato de Fenil Metano), é incabivel sua classificação no capitulo 38. impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 773 6 Arguiu, ainda que, em virtude de sua composição química possuir a resina anímica, torna sua classificação fiscal específica na posição 2929.10, jamais podendo ser classificada na posição genérica 3824.90.32. Informou à fl. 558 que obteve nos do processo 2001.61.00.0075870, da 1a Vara Federal da Seção de SP, laudo pericial favorável sobre a mesma matéria, da lavra do sr. perito Miguel Tadeu Campos Morata, em março de 2012, do IPT (fls. 566596). À fl. 721 a União deu ciência do resultado da diligência, apenas pedindo o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos Oportunamente o recurso voluntário foi admitido, razão bastante para haver sua ratificação quanto à este ponto. Como se viu a celeuma diz respeito a classificação do produto importado LUPRANAT M 20 S 4,4 — DIFENILMETILDIISOCIANATO QUALIDADE INDUSTRIAL ESTADO FISICO LÍQUIDO UTILIZADO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL, ETC.". De um lado a Recorrente o classificou no código 2929.10.90, como OUTROS ISOCIANATOS, com alíquota de 3,5% para o II e de 0% (zero) para o IPI, entendendo que tal classificação é específica. Por outro, entendeu a Administração Pública Federal que a mercadoria deve ser classificada no código NCM 3824.90.89, como um Produto das Indústrias Químicas não compreendido, nem especificado em posição diferente da 3824, com alíquotas de 15,5% para o II e 10% para o IPI, exigindo da Recorrente, a diferença dos referidos tributos e seus consectários legais. Cumpre a este Colegiado, depois da diligência feita e analisando as provas contidas nos autos decidir qual a correta classificação fiscal. Como se viu dos autos, em outros 2 (dois) processos administrativos fiscais, referente ao mesmo produto, a DRJ de SP, por unanimidade de votos, julgou improcedentes lançamentos lavrados em face da Recorrente. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 774 7 Demais disso, em um laudo pericial feito em juízo, também onde litigaram as mesmas partes sobre o mesmo produto a ser classificado, a conclusão do perito judicial foi de que a classificação feita pelo Contribuinte fora a correta. No caso dos autos, o primeiro laudo técnico (fl. 45) concluiu que se tratava de uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4' Diisocianato de Difenilmetano, na forma liquida, enfatizando não se tratar de composto de constituição química definida, mas sim de uma preparação. Depois tal laudo foi aditado (fls. 55 a 68), e ao sentir deste relator, se desdisse, mencionando que o produto não se trata de preparação, mas ratificando que se referia a outro produto a base de compostos orgânicos, não especificado nem compreendido em outras posições e sem constituição química definida. Acrescentou ainda que o LUPRANAT M 20 S é constituído de uma mistura de reação, também denominada de Polimetileno Polifenil Poliisocianato ou Isocianatos Poliméricos ou PMDI, a qual tem como constituinte principal 4060% de 4,4 Diisocianato de Difenilmetano e o restante são siômeros, trímeros e oligômeros de alto peso molecular. Devido as incertezas estabelecidas, este Conselho decidiu pela baixa em diligência, determinandose novo laudo técnico, o qual concluiu que o produto se trata de outra resina amínica, em forma primária, encontrado na posição NESH 3909. Penso que a solução do problema passa pela correta identificação do produto químico e, na seqüência, à luz das regras específicas, a sua classificação fiscal adequada. Nesse sentido, temse que o laudo do LABANA nº 0370.01 (efls. 46/47) concluiu tratarse de uma “Mistura de Isocianatos Aromáticos 4,4Diisocianato de Difenilmetano”, informando ainda que se trataria de um “ISOCIANATO POLIMÉRICO OU PMDI”. Posteriormente, em laudo complementar, houve, mais uma vez, a ratificação que o produto em questão LUPRANAT seria constituído de uma mistura denominada POLIETILENO POLIFENIL POLIISOCIANATA OU ISOCINATOS POLIMÉRICOS (PMDI) (efls. 57/70). Em impugnação o contribuinte afirmou que o Parecer Técnico nº 7071 do IPT ampararia a classificação adotada, todavia aludida transcrição revela que a definição do IPT se assemelha àquela externada pelo LABANA, ao asseverar que se trataria de um produto “sem constituição química definida pois, provavelmente, é constituída de uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, (...)” (efls. 86 e 113/115). Às efls. 125/127 há uma tradução juramentada de um documento onde se identifica, pela BASF, o produto LUPRANAT M20S, como um POLIMETILENO POFENILISOCIANATO, tendo como sinônimo a descrição MDI POLIMÉRICO. O Parecer Técnico nº 056/2009, do Instituto Falcão Bauer, emitido em atendimento a diligência determinada pelo CARF, concluiu que o LUPRANAT M20S é um Poli(isocianato de Fenil Metano) (MDI Polimérico), sem carga inorgânica, na forma líquida, outra resina amínica, em forma primária. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 775 8 Mesmo o Parecer Técnico nº 127 319205, do IPT, que embasou o laudo emitido pelo perito judicial a que alude o relatório, concluiu que seria “nítida a presença majoritária nas análises de espectrometria de massa de PMDI (...)” (efl. 596). De todos os destaques supra verificase que o produto LUPRANAT M 20 S é um “MDI POLIMÉRICO”, de maneira que, aplicandose as orientações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, aprovada pela IN RFB 807/2008 e posteriores alterações, com respaldo no art. 3º do DL 1.154/71, esse produto não pode ser classificado no código 2929.10.90, por força da seguinte ressalva: “29.29 Compostos de outras funções nitrogenadas (azotadas). 2929.10 Isocianatos 2929.90 Outros (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) Entre os compostos compreendidos nesta posição, citamse especialmente: 1) Os isocianatos Este grupo de produtos químicos compreende os isocianatos mono e polifuncionais. Os isocianatos di ou polifuncionais, tais como o isocianato de difenil metileno (MDI), o diisocianato de hexametileno (HDI), o diisocianato de tolueno (TDI) e o dímero de diisocianato de tolueno, são bastante utilizados na fabricação dos poliuretanos. Esta posição não compreende o poli(isocianato de fenil metileno), o MDI em bruto ou o MDI polimérico (posição 39.09). 2) Os isocianetos (carbilaminas). 3) As azidas de ácidos carboxílicos. 4) Os derivados orgânicos de substituição amidados dos ácidos inorgânicos (com exclusão do ácido carbônico) e os derivados orgânicos de substituição imidados dos ácidos inorgânicos. 5) O ciclamato de cálcio (cicloexilsulfamato de cálcio). 6) O octametilpirofosforamida (OMPA). 7) A dimetilnitrosamina. 8) A tetranitrometilamilina (tétryl), etc. utilizado como explosivo. 9) A nitroguanidina. Explosivo.”(destacado) Por outro lado, a classificação NCM 3824.90.89, adotada pela fiscalização, também não se mostra adequada, por força da RGI/SH 3.a), primeira parte, consoante a qual a Fl. 775DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 776 9 posição mais específica prevalece sobre a mais genérica, que, de acordo com a já citada NESH, deve ocorrer na posição 3909, verbis: “39.09 Resinas amínicas, resinas fenólicas e poliuretanos, em formas primárias. 3909.10 Resinas ureicas; resinas de tioureia 3909.20 Resinas melamínicas 3909.30 Outras resinas amínicas 3909.40 Resinas fenólicas 3909.50 Poliuretanos (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) Esta posição abrange: 1) As resinas amínicas Resultam da condensação de aminas ou amidas com aldeídos (formaldeído, furfurol ou outros). Os mais importantes são os produtos de condensação do formaldeído com uréia ou com tiouréia (resinas uréicas e resinas de tiouréia), com a melamina (resinas melamínicas) ou com anilina (resinas de anilina). Estas resinas utilizamse na fabricação de artefatos de plástico transparente, translúcido ou colorido e com brilho notável; são muito empregadas para moldação, utensílios de mesa, artigos de fantasia ou objetos para usos eletrotécnicos. Em soluções e dispersões (emulsões e suspensões) (modificadas ou não por óleos vegetais, ácidos graxos (gordos*), álcoois ou outros polímeros sintéticos), utilizamse como colas, aprestos para têxteis, etc. (ver as Considerações Gerais deste Capítulo, exclusão b), para a classificação das colas). O poli(isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado “MDI em bruto” ou “MDI polimérico”) apresenta se na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeído para constituir o poli(metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante prépolímero utilizado na fabricação de poliuretanos. As resinas poliaminas, tais como as poli(etilenoaminas) não são resinas amínicas e classificamse na posição 39.11 quando satisfaçam as disposições da Nota 3 do presente Capítulo.” Fl. 776DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 777 10 Assim, tratandose de uma resina amínica sem especificação própria nos códigos 3909.10 e 3909.20, sem carga inorgânica, sua classificação fiscal, a meu sentir, deveria se dar no código NCM 3909.30.20 – Outras Resinas Amínicas, sem carga. A CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, por meio da Divisão de Nomenclatura, Classificação Fiscal e Origem de Mercadorias, expediu a Informação COANA/COTAC/DINOM Nº XX, de 2007, onde, revendo a posição adotada na Informação COANA/COTAC/DINOM nº 329/2005, de 20/06/2005, que indicava a NCM 3824.90.90 para o produto denominado ‘LUPRANAT M 20 S”, definiu que a posição fiscal adequada se dava no código NCM 3909.30.20: “Tendo em conta as características dos produtos, dadas na Informação Técnica n.º 004/2004 do Laboratório de Nacional de Análises Luiz Angerami (Labana), às fls. 117 a 177, verificase que as mercadorias “RUBINATE 1680”, “LUPRANATE MS 103”, “LUPRANATE MM 103”, “SUPRASEC 2020”e “RUBINATE 9497” são compostos denominados “MDI modificados”, similares ao “ISONATE 143L”, e que as mercadorias “ELASTOFLEX R 23000 T”, , “LUPRANAT M 70 R”, “LUPRANAT M 20 S”, “MILLIONATE MR100” e “RUBINATE 7065” são compostos denominados “MDI poliméricos”, similares “RUBINATE 5005”. Analisando a fundamentação legal apresentada pela SRRF08/Diana, nas Soluções de Consulta nº 5 e nº 55, de 2005, esta Dinom concorda que o produto “difenilmetano diisocianato polimérico (MDI polimérico)”, por tratarse de prépolímero de resina amínica quimicamente modificada, em forma primária, classificase no código 3909.30.20 da NCM e que o produto “difenilmetano diisocianato modificado (MDI modificado)”, por tratarse de prépolímeros com grupos isocianatos e um grupo uretonimina, classificase no código 3911.90.29 da NCM. A posição 38.24 do Sistema Harmonizado (SH) produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições – somente compreende, conforme seu próprio texto, produtos não compreendidos por outras posições da nomenclatura. Uma vez que os referidos produtos são abrangidos, respectivamente, pelas posições 39.03 e 39.11 do SH, classificamse nestas posições e não na posição 38.24. Diante do exposto, esta Dinom retifica a Informação Coana/Cota/Dinom nº 2005/00329, às fls. 180 e 181, concluindo que as mercadorias “RUBINATE 1680”, “LUPRANATE MS 103”, “LUPRANATE MM 103”, “SUPRASEC 2020”, “RUBINATE 9497” e “ISONATE 143L” classificamse adequadamente no código 3911.90.29 da NCM e que as mercadorias “ELASTOFLEX R 23000 T”, , “LUPRANAT M 70 R”, “LUPRANAT M 20 S”, “MILLIONATE MR100”, “RUBINATE 7065” e “RUBINATE 5005” classificamse adequadamente no código 3909.30.20 da NCM.” Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 778 11 Com essas considerações, tenho que, tanto a classificação adotada pelo sujeito passivo, quanto pela fiscalização aduaneira, não são condizentes com o produto importado, de maneira que, na linha jurisprudencial desse CARF, em hipótese como a dos autos, quando ambas as classificações propostas não são adequadas, deve ser dado provimento ao recurso para tornar o lançamento insubsistente. Não acatada a classificação proposta pelos autuantes, restam prejudicadas as multas aplicadas, que, por arrastamento, devem ser consideradas insubsistentes. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe dou provimento. André Henrique Lemos Relator Fl. 778DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.002132/2005-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
INSUMOS. CRÉDITAMENTO. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE;
Considerando que, no caso vertente, o sujeito passivo é produtor de camarão destinado à exportação e realiza sua produção de camarão, a partir da larva do camarão, passando pela engorda, despesa e seleção, finalizando com o resfriamento e embalagem do animal adulto, devidamente apropriado para consumo, é de se considerar como itens passíveis de constituição de crédito das contribuições ao PIS/Pasep, os gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ou seja, oxigênio, acetileno, argônio e amônia; telas e cercas de proteção, tarrafas, redes arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas e tábuas; cloro, material de limpeza e higienização de instalações e medicamentos. Eis serem tais itens essenciais à atividade do sujeito passivo e, por conseguinte, encartarem-se no conceito de insumo.
CONCEITO DE INSUMO. CAIXAS DE ISOPOR UTILIZADAS NO TRANSPORTE DE PESCADO
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Não se enquadram no conceito de insumo as caixas de isopor utilizadas no transporte de pescado.
Numero da decisão: 9303-005.675
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o crédito da caixa de isopor, vencidos, quanto a este item, os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, na parte relativa à exclusão do crédito das caixas de isopor, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 INSUMOS. CRÉDITAMENTO. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE; Considerando que, no caso vertente, o sujeito passivo é produtor de camarão destinado à exportação e realiza sua produção de camarão, a partir da larva do camarão, passando pela engorda, despesa e seleção, finalizando com o resfriamento e embalagem do animal adulto, devidamente apropriado para consumo, é de se considerar como itens passíveis de constituição de crédito das contribuições ao PIS/Pasep, os gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ou seja, oxigênio, acetileno, argônio e amônia; telas e cercas de proteção, tarrafas, redes arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas e tábuas; cloro, material de limpeza e higienização de instalações e medicamentos. Eis serem tais itens essenciais à atividade do sujeito passivo e, por conseguinte, encartarem-se no conceito de insumo. CONCEITO DE INSUMO. CAIXAS DE ISOPOR UTILIZADAS NO TRANSPORTE DE PESCADO O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Não se enquadram no conceito de insumo as caixas de isopor utilizadas no transporte de pescado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16707.002132/2005-71
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789993
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.675
nome_arquivo_s : Decisao_16707002132200571.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 16707002132200571_5789993.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o crédito da caixa de isopor, vencidos, quanto a este item, os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, na parte relativa à exclusão do crédito das caixas de isopor, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora (Assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 6989392
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736120893440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 297 1 296 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16707.002132/200571 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.675 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria PIS/PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado POTIGUAR ALIMENTOS DO MAR LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 INSUMOS. CRÉDITAMENTO. SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE; Considerando que, no caso vertente, o sujeito passivo é produtor de camarão destinado à exportação e realiza sua produção de camarão, a partir da larva do camarão, passando pela engorda, despesa e seleção, finalizando com o resfriamento e embalagem do animal adulto, devidamente apropriado para consumo, é de se considerar como itens passíveis de constituição de crédito das contribuições ao PIS/Pasep, os gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ou seja, oxigênio, acetileno, argônio e amônia; telas e cercas de proteção, tarrafas, redes arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas e tábuas; cloro, material de limpeza e higienização de instalações e medicamentos. Eis serem tais itens essenciais à atividade do sujeito passivo e, por conseguinte, encartaremse no conceito de insumo. CONCEITO DE INSUMO. CAIXAS DE ISOPOR UTILIZADAS NO TRANSPORTE DE PESCADO O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 21 32 /2 00 5- 71 Fl. 297DF CARF MF 2 todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Não se enquadram no conceito de insumo as caixas de isopor utilizadas no transporte de pescado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para excluir o crédito da caixa de isopor, vencidos, quanto a este item, os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, na parte relativa à exclusão do crédito das caixas de isopor, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 298 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3301000.959, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do sujeito passivo ao creditamento da contribuição não cumulativa. O Colegiado, assim, consignou acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Ementa: PIS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSAS. São devidas as glosas de créditos de Cofins/PIS não cumulativos, quando a interessada deixar de observar as normas que reguem a matéria. PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. INSUMO. ALCANCE DO TERMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS NÃO CUMULATIVOS. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Fl. 299DF CARF MF 4 No caso das contribuições não cumulativas é inaplicável a atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de aproveitamento de crédito, por expressa vedação legal. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo a sua reforma na parte desfavorável à Fazenda Nacional, restaurandose a decisão de 1ª instância no ponto a fim de manter a glosa dos insumos indevidamente incluídos no cálculo do crédito do pedido de ressarcimento, em razão da ofensa ao disposto na Lei 10.637/02 e art. 111 do CTN. Traz que o acórdão recorrido considerou que sejam considerados como insumos: · Gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ou seja, oxigênio, acetileno, argônio e amônia; · Telas e cercas de proteção, tarrafas, redes arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas e tábuas; · Cloro, material de limpeza e higienização de instalações, medicamentos; § Combustíveis, óleo diesel e lubrificantes; § Caixas de isopor para transporte de pescado, utilizadas para levar o camarão dos tanques onde são criados pelos produtores até a sede da empresa para processamento e embalagem. Em Despacho às fls. 251 a 253, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, esperando o improvimento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 299 5 trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 301DF CARF MF 6 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 300 7 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 303DF CARF MF 8 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 301 9 Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] Fl. 305DF CARF MF 10 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 302 11 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 307DF CARF MF 12 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 303 13 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 309DF CARF MF 14 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 304 15 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, é de se recordar que os itens passíveis de discussão são aqueles que foram considerados insumos para fins de constituição de crédito das contribuições – quais sejam: · Gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais, ou seja, oxigênio, acetileno, argônio e amônia; · Telas e cercas de proteção, tarrafas, redes arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas e tábuas; · Cloro, material de limpeza e higienização de instalações, medicamentos, · Caixas de isopor para transporte de pescado, utilizadas para levar o camarão dos tanques onde são criados pelos produtores até a sede da empresa para processamento e embalagem. Importante trazer que essa conselheira não apreciará os itens “Combustíveis, óleo diesel e lubrificantes”, ainda que o acórdão recorrido tenha feito menção a esses itens, eis que não foram objeto de discussão no Despacho Decisório. Fl. 311DF CARF MF 16 Passadas essas considerações, para melhor elucidar a discussão, importante recordar que o sujeito passivo é produtor de camarão destinado à exportação e realiza sua produção de camarão, a partir da larva do camarão, passando pela engorda, despesa e seleção, finalizando com o resfriamento e embalagem do animal adulto, devidamente apropriado para consumo. Nesse processo, o sujeito passivo faz uso de uma variedade de insumos, tais como, ração, fertilizantes, medicamentos, redes, gases, cloro, cal, gelo, embalagem, etc. Ademais cabe trazer que a etapa da produção do camarão em cativeiro compreende a preparação dos tanques, passando pela introdução da larva e dos pós larva nos canteiros de produção, incluindo o período da engorda, até a captura e despesca. O que, por conseguinte, no caso do sujeito passivo, o camarão exportado é, por óbvio, oriundo de um processo de industrialização. Inegável ainda que as larvas, pós larvas, ração, cloro, fertilizantes, adubos, cal, calcário, oxigênio, acetileno, redes arames, cordas, dentre outros, combustíveis são utilizados pelo produtor exportador de camarão, nas etapas de criação, engorda, captura, despesca, embalagem e acondicionamento. No processo produtivo, inclusive a ração integra o processo para fins de alcançar o objetivo final – a partir de sua ingestão que se alcança o peso e o tamanho exigido pelo mercado internacional. No que tange à embalagem, é de se recordar o entendimento já pacificado por essa turma: “NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.” (Acórdão nº 9303004.175, de 05/07/2016). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16707.002132/200571 Acórdão n.º 9303005.675 CSRFT3 Fl. 305 17 “TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP não cumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão nº 9303004.192, de 06/07/2016).” NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. (Acórdão 9303004.343, de 6.10.2016) Com efeito, independentemente de a embalagem ser de isopor, de caixa de papelão ou tambores, a turma sempre considerou como insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins. E, no caso vertente, vêse que as caixas de isopor para transporte de pescado são utilizadas para levar o camarão dos tanques onde são criados pelos produtores até a sede da empresa para processamento e embalagem. O que, inegável, que faz parte do processo produtivo do sujeito passivo, reforçando o direito ao crédito para o sujeito passivo. Não se está tratando de transporte de embalagens de produtos acabados. Ademais, é de se trazer que a caixa de isopor se desgasta com o tempo e uso, não podendo ser utilizados “ad aeternum” no processo produtivo, até mesmo por questões regimentais sanitárias. Em vista de todo o exposto, entendo que todos os itens devem ser considerados essenciais ao processo produtivo/atividade do sujeito passivo – pois estão vinculados à produção do camarão para a exportação. Nesse sentido, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 313DF CARF MF 18 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Discordamos da il. Relatora apenas quanto às caixas de isopor utilizadas no transporte do camarão, uma vez que, por óbvio, não podem ser consideradas como insumo na sua produção. São bens que, pela sua própria natureza, não se consomem no processo produtivo, mas, ao contrário, podem ser permanentemente reutilizados, daí porque devem ser ativados, ou seja, incorporados ao ativo permanente da contribuinte. Ante o exposto, e sem maiores delongas, dou provimento ao recurso especial, para afastar o creditamento sobre as aquisições de caixas de isopor. É como voto. (Assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.721057/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE
Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte.
Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 3° trimestre de 2010.
Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Luiz Augusto do Couto Chagas, que negavam provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte. Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 3° trimestre de 2010. Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10315.721057/2011-17
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801295
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-004.120
nome_arquivo_s : Decisao_10315721057201117.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10315721057201117_5801295.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Luiz Augusto do Couto Chagas, que negavam provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7024099
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736126136320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 471 1 470 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.721057/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.120 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria IPI Recorrente SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte. Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 3° trimestre de 2010. Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Luiz Augusto do Couto Chagas, que negavam provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 10 57 /2 01 1- 17 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3301004.120 S3C3T1 Fl. 472 2 Relatório A síntese da "Informação Fiscal" e o "Despacho Decisório" descrevem adequadamente a contenda, motivo pelo qual os reproduzo, a seguir: "INFORMAÇÃO FISCAL 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassificação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matériaprima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Declaratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. 5. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 24000.12716.310111.1.1.010913 e nãohomologadas as compensações declaradas nos documentos 26895.88957.310111.1.3.019953 e 33974.65458.170211.1.3.015104. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARCOS ALEXANDRE LUCENA DA COSTA Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Mat. 0130.23.63 DESPACHO DECISÓRIO Com fulcro nas informações estabelecidas neste ato administrativo, que aprovo, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 600, de 29 de dezembro de 2005, decido INDEFERIR O PEDIDO DE RESSARCIMENTO 24000.12716.310111.1.1.010913 e CONSIDERAR NÃO HOMOLOGADAS as compensações declaradas nos documentos 26895.88957.310111.1.3.019953 e 33974.65458.170211.1.3.015104. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3301004.120 S3C3T1 Fl. 473 3 2. Dêse ciência ao contribuinte dos termos deste Despacho Decisório, e formalizese representação para lançamento da multa prevista no Art. 38 da IN RFB nº 900/2008. Juazeiro do Norte – CE, 26 de outubro de 2011. (ASSINADO DIGITALMENTE) RICARDO CÉSAR BEZERRA DE MORAIS Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Mat. Siapecad n. 1220975 Seção de Arrecadação e Cobrança – SARAC/DRFB/JNE/CE" O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em suma, que tem direito ao ressarcimento. por força do princípio da nãocumulatividade, previsto no inc. II do § 3° do art. 153 da Constituição Federal, e do disposto no art. 11 do Lei nº 9.779/99. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1445.646 foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O contribuinte interpôs recurso voluntário e o processo foi pautado para julgamento pela 2° Turma Especial da 3° Seção do CARF, que assim sumarizou as alegações da recorrente: "Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) a adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (ii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iii) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado." Não obstante o fato de não ter sido alegado pela recorrente, o colegiado do CARF declarou nula a decisão da DRJ, em razão de o respectivo relator ter consignado no Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3301004.120 S3C3T1 Fl. 474 4 relatório que o contribuinte produzia e comercializava LIVROS e não ÁGUA MINERAL. A ementa do Acórdão n° 3802004.086 é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada." O processo então retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3301004.120 S3C3T1 Fl. 475 5 industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3301004.120 S3C3T1 Fl. 476 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda seria de simples deslinde, posto que gravita em torno do tema objeto da Súmula CARF n° 20: possibilidade de registro de créditos de IPI, derivados de compras de insumos para fabricação de produtos não tributados pelo IPI classificação fiscal "NT". E assim dispôs este colegiado: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Entretanto, o presente processo não pode ser concluído com base na Súmula CARF n° 20. O contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER (fls. 2 a 28) de créditos de IPI do terceiro trimestre de 2010, ao qual foram vinculados dois Pedidos de Compensação DCOMP (fls. 29 a 34 e 35 a 38). Consta no PER que o crédito pleiteado R$ 57.912,15) foi formado ao longo dos meses de julho a dezembro de 2010. Por meio do Despacho Decisório n° 156/2011 (fls. 250), citado PER foi indeferido e os DCOMP não homologados. Ocorre que a decisão foi baseada na ação fiscal desenvolvida em cumprimento do MPF n° 03.1.02.002011003620, cujo escopo foi a revisão dos créditos de IPI registrados no quarto trimestre de 2006 e nos anos de 2007 a 2009. Tal fato pode ser comprovado, de pronto, pela leitura da síntese da "Informação Fiscal", apresentada no Despacho Decisório n° 156/2011, o qual encontrase na fl. 250 dos autos. E também pela revisão dos seguintes documentos: "Informação Fiscal" (fls. 41 a 53), notadamente do item 3 "DOS PRODUTOS FABRICADOS" (fl. 43), instruída pela ação fiscal amparada pelo MPF n° 03.1.02.002011003620; Anexos I (fls. 54 a 79) e II (fls. 80 a 106) da "Informação Fiscal": notas fiscais de compras e vendas de 2007 a 2009; e "Representação Fiscal" (fl. 39): menciona o citado MPF, porém, como escopo, a análise dos créditos de IPI do quarto trimestre de 2006 e anos de 2007 a 2009, além de um Pedido de Compensação DCOMP que não consta como vinculado ao PER do terceiro trimestre de 2010. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10315.721057/201117 Acórdão n.º 3301004.120 S3C3T1 Fl. 477 7 Vale mencionar que no Anexo III da "Informação Fiscal" (fl. 107), há uma lista de PER, da qual consta a do terceiro trimestre de 2010 (n° 24000.12716.310111.1.1.01 913), objeto do processo em julgamento, com a seguinte informação: "SITUAÇÃO DA DECLARAÇÃO EM ANÁLISE AUTOMÁTICA". Já no Anexo IV (fl. 108), figuram DCOMP, dentre as quais não se encontram as vinculadas ao PER do terceiro trimestre de 2010 DCOMP n° 26895.88957.310111.1.3.019953 e 33974.65458.170211.1.3.015104. Não obstante constar no Anexo III da "Informação Fiscal", reitero que os créditos de IPI pleiteados não foram formados nos anos de 2006 a 2009, porém nos meses de julho a dezembro de 2010 o PER em julgamento, n° 24000.12716.310111.1.1.01913, encontrase nas fls. 2 a 28. De todo o exposto, concluise que o "Despacho Decisório" (fl. 250) contém vício material e deve ser anulado, com base no art. 50 da Lei n° 9.784/99, pois foi lastreado em documentação não atinente aos meses de julho a dezembro de 2010, período em que foram registrados os créditos de IPI objeto dos Pedidos de Ressarcimento PER n° 24000.12716.310111.1.1.01913 e que suporta os Pedidos de Compensação DCOMP n° 26895.88957.310111.1.3.019953 e 33974.65458.170211.1.3.015104. Desta forma, voto por declarar nulo o despacho decisório, por conter vício material. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905179/2010-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.905179/2010-71
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5805247
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.696
nome_arquivo_s : Decisao_10480905179201071.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10480905179201071_5805247.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7042954
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736128233472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.905179/201071 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.696 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 79 /2 01 0- 71 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10480.905179/201071 Acórdão n.º 9303005.696 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.356, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10480.905179/201071 Acórdão n.º 9303005.696 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10480.905179/201071 Acórdão n.º 9303005.696 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002687/2005-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO.
A Súmula nº 2 do CARF estabelece que o mesmo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. A Súmula nº 2 do CARF estabelece que o mesmo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10675.002687/2005-51
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805631
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3001-000.035
nome_arquivo_s : Decisao_10675002687200551.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CLEBER MAGALHAES
nome_arquivo_pdf_s : 10675002687200551_5805631.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
id : 7050395
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736130330624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.002687/200551 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.035 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de outubro de 2017 Matéria Base de cáculo de PIS/COFINS Recorrente Uberlândia Automóveis S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. A Súmula nº 2 do CARF estabelece que o mesmo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 26 87 /2 00 5- 51 Fl. 453DF CARF MF 2 Trata o p.p. de pedido de restituição de PIS e COFINS por parte de comerciante de veículos automotores (efl. 2 e ss.). Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora (efl. 414 e ss): O interessado apresentou pedido de restituição de PIS/Pasep e COFINS que teriam sido retidos a maior, por ter sido incluído o IPI na base de cálculo das contribuições (fl.01); A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório n° 1.009/2008, no qual não reconhece o direito creditório pleiteado(fls. 187 e seguintes); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 194 e seguintes), na qual alega que a inclusão do IPI na base de cálculo do PIS/COFINS através de Instrução Normativa é inconstitucional e ilegal. Posteriormente a DRJ/Juiz de Fora ementou da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2000, 2001, 2002 PIS/PASEP E COFINS BASE DE CALCULO A IN 54/2000 não criou base de calculo das contribuições diferente da prevista na legislação de regência. Solicitação Indeferida No Recurso Voluntário, a Recorrente, em suma, repetiu as considerações anteriores. Alegou, em especial que: Não aplicar a Instrução Normativa, portanto, não significaria, em qualquer hipótese, controle de legalidade e constitucionalidade, privativos do Judiciário, eis que a Administração Pública pode e deve afastar a aplicação de normas que não estejam em conformidade com a lei federal, que atentam aos princípios previstos em nossa Constituição Federal ou, ainda, que estejam incompatíveis de aplicação em virtude de ausência de lei que tutele a regulamentação da norma. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Da alegada ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 54, de 2000 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10675.002687/200551 Acórdão n.º 3001000.035 S3C0T1 Fl. 3 3 As Conselheiros do CARF é defeso pronunciarse sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. A questão foi pacifica pela Súmula n 2, in verbis: Súmula CARF nº2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do mérito a alegação de que o IPI não deve fazer parte da base de cálculo da COFINS Vamos, inicialmente, buscar como o Judiciário tem enfrentado a questão: "TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. 1. O STJ firmou o entendimento de que, no regime da substituição tributária,o IPI não pode ser deduzido da base de cálculo do PIS e da COFINS, ante a ausência de norma autorizadora. 2. Agravo Regimental não provido." (AgRg no REsp 1058330/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,julgadoem05/02/2009,DJe19/03/2009) "TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES E IMPORTADORES DE VEÍCULOS (SUBSTITUTOS) E COMERCIANTES VAREJISTAS (SUBSTITUÍDOS).BASE DE CÁLCULO.VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IPI DESTACADOS NA NOTA FISCAL. INCLUSÃO NO CONCEITO DE "PREÇO DE VENDA" EX VI DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 54/2000. LEGALIDADE. LEI 9.718/98 (ARTIGO 3º, § 2º, I).DEDUÇÕES DA BASEDE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. 1.AInstruçãoNormativaSRFnº54/2000,revogada pela INSRF nº 247, de 21.11.2002, dispunha sobre o recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas pelos fabricantes (montadoras) e importadores de veículos, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas (regime de substituição tributária instituído pela Medida Provisória nº 1.99115/2000, atual MP nº 2.15835/2001, editada antes da EmendaConstitucionalnº32). 2. A base de cálculo das aludidas contribuições, cujos contribuintes de fato são os comerciantes varejistas, é o preço de venda da pessoa jurídica fabricante ou do importador (artigo44, parágrafo único,daMP1.991 15/2000,eartigo3º,caput,da IN SRF 54/2000), sendo certo que o ato normativo impugnado limitouse a definilo como o preço do produto acrescido do valor do IPI incidente na operação. 3. A insurgência especial dirigese ao reconhecimento da ilegalidade do artigo 3º, da Instrução Normativa SRF nº 54/2000,em virtude do disposto no inciso I,do§2º,doartigo8º, da Lei n.º 9.718/98, verbis: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Fl. 455DF CARF MF 4 Intermunicipal e de Comunicação ICMS,quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;" 4. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio,e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão,consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PISe à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços,não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na mesma assentada, afastouse a argüição de inconstitucionalidade do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, mantendose a higidez das deduções da base de cálculo das contribuições em tela , elencadas em seu §2º. 6. Deveras, à luz do supracitado dispositivo legal, as "vendas canceladas",os"descontos incondicionais",o"IPI"eo"ICMS" cobrado pelo vendedor do bem ou pelo prestador do serviço,na condição de substituto tributário,não integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição destinada ao PIS. 7. Entrementes, as informações prestadas pelo órgão local da Secretaria da Receita Federal, coerentemente, elucidam a quaestio iuris: "... o regime de substituição tributária envolve uma presunção de fato gerador. O fato gerador presumido diz respeito às contribuições devidas pela concessionária, não se confundindo, pois, com as contribuições do próprio fabricante,a que alude o art.3º,§2º,I, daLeinº9.718/98,especialmente no que diz respeito à exclusão do IPI. Este dispositivo trata da base de cálculo usual do PIS e da COFINS vinculada a fato gerador praticado pelo fabricante ou importador ,na condição de contribuinte do IPI. Exemplificando:o fabricante, contribuinte do IPI, tem de apurar o que elefabricantedeve a título de PIS e COFINS. Para isso, ele fabricante deve determinar o valor do seu faturamento, que é a base de cálculo dessas contribuições.Ora, por certo que o IPI devido pelo fabricante não poderia ser considerado para fins de determinação do faturamento dele(o valor destacado em nota fiscal é repassado aos cofres públicos), donde a exclusão prevista pelo tal dispositivo da Lei 9.718/98 que, repito, é comando dirigido ao fabricante (contribuinte do IPI).(...)tanto é verdade que o IPI está incluído no preço de venda do fabricante que o legislador teve de expressamente excluílo, para fins de determinar o faturamento do fabricante, pois, de outra forma, estarseia a considerar o IPI destacado na nota fiscal pelo fabricante como se fosse receita dele. Situação totalmente diversa é a apuração do faturamento do revendedor, que não é contribuinte do IPI (não há destaque na nota fiscal). Assim, esqueçamos, por ora, o regime de substituição tributária. Na situação acima proposta (sem substituição),o revendedor de automóveis não tem nem de pensar no IPI, que está embutido no custo da mercadoria e, ademais, será integralmente repassado ao consumidor final. Logo, quando se pergunta qual o faturamento do revendedor (base de cálculo do que ele revendedor deve a título de PIS e COFINS), é obvio que a Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10675.002687/200551 Acórdão n.º 3001000.035 S3C0T1 Fl. 4 5 resposta somente poderá ser o preço de venda do veículo ao consumidor final. Dizer, ou reclamar, que nesse preço está incluído o IPI é algo de tão esclarecedor quanto dizer que nele está incluído o custo do motor do carro e de todas as demais peças que o compõe.Ou seja, não é preciso dizer. É óbvio que todo o custo do produto, somado à margem de lucro do revendedor,integra o seu preço final, pago pelo consumidor. (...)O que parece ocorrer é que existe uma enorme dificuldade, por parte das impetrantes, em perceber a diferença entre as situações,deveras díspares, do fabricante(contribuinte do IPI) e do revendedor (não contribuinte do IPI),para fins de determinar o faturamento (base de cálculo) de cada um deles. (...)Nesse sentido,considerando o disposto no art.3º,§1º,I,da Lei 9.718/98,é importante, no caso em tela,ter em mente dois pontos básicos, a saber: 1. Os revendedores varejistas de veículos não são contribuintes de IPI,quer dizer, não destacam o valor do mesmo nas notas fiscais de venda;e 2.A exclusão do valor do IPI prevista no art. 3º, § 1º, I, referese apenas a pessoas jurídicas que são contribuintes do IPI, posto que apenas pode ser excluído o valor do IPI quando destacado em separado no documento fiscal."(fls.71/73). 8. Destarte, a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS somente aproveita o contribuinte do aludido imposto(o fabricante), quando da apuração de seu próprio faturamento, a fim de efetuar o recolhimento das contribuições devidas pelo mesmo. 9.Consectariamente, a referida dedução,prevista no artigo3º, § 2º,I, da Lei9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, não contribuintes do IPI, donde se de assume a legalidade da IN SRF54/2000. 10. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 665.126/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgadoem21/08/2007,DJ01/10/2007,p.214) "TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. POSSIBILIDADE.LEGALIDADE DA IN/SRFN.54/2000. 1.Jurisprudência pacífica desta Corte no sentido de que,diante da ausência de norma autorizadora, no regime de substituição tributária,o IPI não pode ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS.Precedentes:AgRgnoREsp802436/RS,Rel.Min. César Asfor Rocha, Segunda Turma,DJe de 14.10.2011;AgRg no REsp 1058330/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma,DJede19.3.2009;REsp881.370/RJ,Rel.Min.LuizFux, Primeira Turma, DJede3.4.2008. 2.Inexistência de ilegalidade da IN/SRFn.54/00 ao determinar que, para efeito das contribuições recolhidas no regime de substituição, "considerase preço de venda do fabricante ou importador, o preço do produto acrescido do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI incidente na operação"(art.3º, §1º). 3. Agravo regimental não provido." (Ag Rg no AREsp 175.285/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA,julgadoem14/08/2012,DJe21/08/2012) DoTribunalRegionalFederalda4ªRegiãoTRF4: "EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 457DF CARF MF 6 COMÉRCIO DE VEÍCULOS.ART.43DAMP2.158 35/2001.INSRF54/2000.AautoraafirmaqueaIN54/2000da Secretaria da Receita Federal,ao incluir expressamente o IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS, desbordou dos limites postos pelo artigo 43 da MP 2.158 35/2001. Não merece guarida a irresignação. Antes mesmo da edição da IN SRF 54/2000, a parcela correspondente ao IPI já integrava o preço de venda do veículo determinado pelo fabricante.O próprio§1º do artigo 43 da MP 2.15835/2001 já previa como base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS devidos pelos comerciantes varejistas o "preço da venda da pessoa jurídica fabricante".A parcela correspondente ao IPI sempre integrou o preço de venda do fabricante, não tendo a instrução normativa alargado a base de cálculo das contribuições. O destaque do IPI nas notas fiscais, é irrelevante, servindo unicamente para fins de apuração. O artigo 3º, §2º, I, da Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre a possibilidade de exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS destinase ao contribuinte do IPI, no caso, o fabricante do veículo. Esta isenção não aproveita a autora. Ainda que as contribuições em comento sejam recolhidas pelo fabricante, este atua como substituto tributário, pagando obrigação que, a rigor, não é sua, pois é o substituídono caso o comerciante varejistaquem realiza o fato gerador até então presumido." (TRF4, AMS 2004.70.03.0080066, PRIMEIRA TURMA,Relator VILSON DARÓS,DJ05/07/2006) O CARF também tem se manifestado ne mesmo sentido, de reconhecer a correção da inclusão do IPI na base de cálculo da COFINS nos casos em que são recorrenetes comerciantes de automóveis. Trago voto da lavra do Conselheiro Cássio Schappo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração:01/06/2000a31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituído pela MP 1.99115/2000 com base no art.150, § 7º da Constituição Federal, determinou que os fabricantes e os importadores de veículos ali mencionados fossem os responsáveis na condição de substitutos tributários por essas contribuições, devidas pelos comerciantes varejistas art. 44 da Medida Provisória, tendo como base de cálculo o preço de venda do fabricante. A INSRF 54/2000 não trouxe inovação ao disciplinar a matéria,explicitou apenas o previsto em lei, de que o IPI recolhido pelo fabricante compõe o preço de venda da mercadoria. Não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestar a cerca da inconstitucionalidade de normas vigentes. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido." (Processo n°13851.001484/200558; Acórdão n° 3801005.245; Relator Conselheiro Cássio Schappo ;Data da sessão18/03/2015). Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10675.002687/200551 Acórdão n.º 3001000.035 S3C0T1 Fl. 5 7 A decisão mais moderna a tratar do assunto foi exarada em 24 de julho de 2017, pela 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção, gerando o acórdão 3201003.020, que também mantem o entendimento: ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2000,2001 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestar acerca da inconstitucionalidade de normas vigentes. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins,estabelecido para os comerciantes varejistas pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000, não contempla a exclusão do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI devido pelo fabricante na operação de venda. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Assim, por todo o exposto, entendo que não cabe razão à Recorrente. Nestes termos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010987/2007-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.010987/2007-05
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5824805
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.319
nome_arquivo_s : Decisao_10680010987200705.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10680010987200705_5824805.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
id : 7097514
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736212119552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 211 1 210 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.010987/200705 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.319 – 2ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Retroatividade Benigna Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINTTEL MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 09 87 /2 00 7- 05 Fl. 211DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, sem os respectivos recolhimentos e declarados em GFIP – Guia do FGTS e Informações para a Previdência Social. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO.SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A CARGO DA EMPRESA. MULTA DE MORA. PENALIDADE MENOS SEVERA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Na exegese da redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97 ao inciso I do art. 28 da Lei n° 8.212/91, entendese por salário de contribuição do segurado empregado, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, a empresa deve recolher à Seguridade Social as contribuições correspondentes. Na forma da Medida provisória MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, determinouse que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. O artigo 106 do Código tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional afirma que, no presente caso, o acórdão merece ser reformado no tocante ao cálculo da multa incidente sobre a obrigação principal, em decorrência da aplicação da retroatividade benigna do artigo 106, II, 'c', do CTN. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10680.010987/200705 Acórdão n.º 9202006.319 CSRFT2 Fl. 212 3 Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões pugnando pela aplicação da PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, o que vem ao encontro do Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Importa frisar que o recorrido não aplicou a Portaria 14/2009, conforme constante das contrarrazões do Contribuinte, que na realidade, não é a manutenção do acórdão recorrido, mas vem ao encontro do pedido da Fazenda Nacional. De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 213DF CARF MF 4 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10680.010987/200705 Acórdão n.º 9202006.319 CSRFT2 Fl. 213 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 215DF CARF MF 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10680.010987/200705 Acórdão n.º 9202006.319 CSRFT2 Fl. 214 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Fl. 217DF CARF MF 8 Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10680.010987/200705 Acórdão n.º 9202006.319 CSRFT2 Fl. 215 9 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.938912/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPENSAÇÃO. SUFICIÊNCIA COMPROVADA.
Comprovada nos autos a existência de direito creditório, líquido e certo, em valor superior ao reconhecido no Despacho Decisório, ou seja, suficiente para compensar os débitos para com a Fazenda Pública, faz jus o contribuinte a tal direito, devendo-se afastar a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1402-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Qintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPENSAÇÃO. SUFICIÊNCIA COMPROVADA. Comprovada nos autos a existência de direito creditório, líquido e certo, em valor superior ao reconhecido no Despacho Decisório, ou seja, suficiente para compensar os débitos para com a Fazenda Pública, faz jus o contribuinte a tal direito, devendo-se afastar a decisão recorrida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.938912/2013-74
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801325
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.794
nome_arquivo_s : Decisao_10880938912201374.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DEMETRIUS NICHELE MACEI
nome_arquivo_pdf_s : 10880938912201374_5801325.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Qintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7024129
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736238333952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1444; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 184 1 183 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.938912/201374 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.794 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Per/Dcomp Estimativas Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV (INCORPORADA POR "AMBEV S.A."; CNPJ 07.526.557/0001 00) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPENSAÇÃO. SUFICIÊNCIA COMPROVADA. Comprovada nos autos a existência de direito creditório, líquido e certo, em valor superior ao reconhecido no Despacho Decisório, ou seja, suficiente para compensar os débitos para com a Fazenda Pública, faz jus o contribuinte a tal direito, devendose afastar a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Qintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 89 12 /2 01 3- 74 Fl. 184DF CARF MF 2 Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.938912/201374 Acórdão n.º 1402002.794 S1C4T2 Fl. 185 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 1664.335, julgado em 19 de dezembro de 2014, pela 4ª Turma da DRJ/SPO, complementandoo ao final com as pertinentes atualizações processuais. Foi transmitido o PER/DCOMP nº 14960.66292.271109.1.3.030333 (com demonstrativo do crédito), em que apontado crédito referente ao Saldo Negativo de CSLL (SNCSLL), relativo ao anocalendário (AC) de 2004, no montante de R$21.574,97 (detentor do crédito: CNPJ 97.363.642/000197). 2. Foi exarado, em 04/09/2013, Despacho Decisório (fl. 10) que apurou direito creditório disponível de R$1.653,77 em favor da Recorrente e, consequentemente, homologada parcialmente a compensação constante no PER/DCOMP sob exame, nos termos a seguir sintetizados: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 12/09/2013 (AR; fls. 11 e 12), e dele recorreu a esta DRJ, em 14/10/2013, nos seguintes termos, resumidamente (fls. 14 a 18): Fl. 186DF CARF MF 4 I DOS FUNDAMENTOS PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO 3.1. Tratase de despacho decisório (doc. 02) que não homologou a compensação declarada pela Recorrente no PERDCOMP n° 14960.66292.271109.1.3.030333 (doe. 03), com base em alegada inexistência de crédito de saldo de IRPJ em razão de suposta não confirmação de pagamento de estimativas no valor de R$19.921,30: (...). 3.2. Na espécie, realizada a analise dos créditos referentes a composição do saldo negativo informado em DIPJ, a Receita Federal do Brasil RFB, confirmando apenas o pagamento de R$1.653,77, entendeu que não haveria saldo disponível para utilização do crédito informado de R$21.575,07 por suposta falta de confirmação das estimativas compensadas no período. 3.3. Ocorre que o crédito é da empresa Inbev Holding (CNPJ: 97.363.642/0001 97). Na declaração do anocalendário de 2004, conforme constam na Ficha 17 (Cálculo de CSLL), foi pago por estimativa a quantia de R$21.574,97. Naquele mesmo ano, a empresa fechou com um prejuízo fiscal no valor de R$9.166.611,40: (...). 3.4. Os créditos, portanto, decorrem, além do pagamento considerado pela RFB, de compensações realizadas através dos PERDCOMP's n°s. 07817.00852.270204.1.3.02 1962 (doc. 04) e 29191.83893.300304.1.3.020424, que ainda aguardam homologação por parte da RFB: (...). 3.5. A compensação referente à janeiro de 2004 compensou débito de CSLL pago por estimativa neste mês, por meio de saldo negativo de IRPJ AC 2003, através do PERDCOMP n° 07817.00852.270204.1.3.021962 (doe. 04): (...). 3.6. Já a segunda compensação glosada, do mês de fevereiro de 2004, refere se a débito pago de CSLL por estimada naquele período, em que utilizado crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, através do PERDCOMP n° 29191.83893.300304.1.3.020424 (doe. 05): (...). 3.7. Percebese da planilha apresentada que resta demonstrada a composição do crédito de saldo de CSLL do período, devendo ser considerados os pagamentos através de estimativas compensadas por meio dos PERDCOMP relacionados, sob pena de duplicidade de cobrança, já que eventual não homologação das compensações (ainda não apreciadas doc. 06), repercutirá na imediata cobrança do crédito lá declarado em razão das consequências da confissão do débito no procedimento eletrônico de compensação. 3.8. Nesse sentido, é de se reformar a decisão recorrida para homologação da compensação com a extinção do crédito tributário. II DOS PEDIDOS 3.9. Ante o exposto, requer o provimento desta Manifestação de Inconformidade para a consequente homologação da compensação referente ao PERDCOMP de n° 14960.66292.271109.1.3.030333. 3.10. Por fim, requer a Recorrente o direito a apresentação de documentos complementares a fim de comprovação do direito creditório. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.938912/201374 Acórdão n.º 1402002.794 S1C4T2 Fl. 186 5 Em primeira instância a defesa da contribuinte foi julgada improcedente, não tendo sido reconhecido o direito creditório por ela pleiteado. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não confirmada a existência de direito creditório, líquido e certo, em valor superior ao reconhecido no Despacho Decisório, mantémse a decisão recorrida. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, pleiteando o reconhecimento de seu direito creditório "diante da liquidez e certeza do crédito utilizado, uma vez que foi homologado o crédito das estimativas compensadas do período através do Processo Administrativo nº 10880.916917/200889." (efolha 103). É o relatório. Fl. 188DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de compensação de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2004, DIPJ 2005, apontando um crédito de R$ 21.574,97 (p. 59). Na formação desse valor, R$ 1.653,77 foi pago via DARF (confirmado) e o valor de R$ 19.921,30 foi pago mediante compensação (R$ 9.313,04 – DCOMP 07817.00852.270204.1.3.021962 com saldo negativo de IRPJ Exercício 2003 – p. 67; e, R$ 10.608,26 – DCOMP – 29191.83893.300304.1.3.020424 com saldo negativo de IRPJ Exercício 2004 – p. 74). Ambas as DCOMP são objeto do processo administrativo nº 10880.916917/200889. Na ocasião do julgamento deste processo, pela DRJ/SPO, em dezembro/14, ainda não havia decisão naquele processo, razão pela qual concluiuse neste pela inexistência de direito creditório líquido e certo, redundando na apresentação de recurso voluntário, ora em julgamento. Feita essa síntese, o fato novo, ocorrido após a decisão recorrida, foi o julgamento, pela DRJ/RJO, do processo administrativo nº 10880.916917/200889, conforme acórdão 1275.120 – 8ª Turma, anexado ao feito pela Recorrente às fls. 174 / 180, decisão esta que já é definitiva, uma vez que, exarada no processo administrativo em questão, não foi objeto de recurso voluntário, nem está passível de recurso de ofício para fins de confirmação (compensação). Na referida decisão – p. 180, o i. Julgador reconheceu que o contribuinte se equivocou na indicação da origem do crédito na DCOMP 07817.00852.270204.1.3.021962, corrigindo para “saldo negativo de IRPJ Exercício 2004”. Corrigiu, ainda, o valor do crédito, nos termos apontados pelo contribuinte, de R$ 144.393,23, informado na DCOMP em questão, para R$ 55.971,94, uma vez que a diferença, no importe de R$ 88.421,29 foi objeto de utilização no anocalendário 2003 para adimplir estimativas de novembro e dezembro – p. 177/178. No entanto, conforme aponta o i. Julgador da DRJ/RJO, o saldo negativo apurado na DIPJ 2004 é, em verdade, o montante de R$ 2.693.709,21 e não o valor de R$ 55.791,94 apontado pelo contribuinte – p. 179. Essa diferença, contudo, também decorre de equívoco do contribuinte, uma vez que além da retenção de IRRF sobre aplicações financeiras que gerou o saldo negativo de R$ 55.971,94, também teve retido IRRF decorrente de juros sobre capital próprio recebido, que gerou saldo negativo no importe de R$ 2.637.737,27, sendo que tal valor está controlado através do processo administrativo 16306.000036/200935, razão pela qual o i. Julgador da DRJ/RJO fixou sua atenção exclusivamente no crédito de R$ 55.971,94 para fins de julgamento do processo administrativo 10880.916917/200889 – p. 180, que se vincula a este em razão da DCOMP 07817.00852.270204.1.3.021962, bem como pela DCOMP 29191.83893.300304.1.3.020424, as quais foram homologadas na referida decisão administrativa – p. 181. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.938912/201374 Acórdão n.º 1402002.794 S1C4T2 Fl. 187 7 Por decorrência, as compensações de estimativa não confirmadas no despacho decisório de p. 10, neste feito, no importe de R$ 19.921,30, são ora confirmadas à vista da homologação das compensações objeto das DCOMP 07817.00852.270204.1.3.02 1962 e 29191.83893.300304.1.3.020424 no processo administrativo nº 10880.916917/2008 89, conforme acima detalhado. Assim, julgo procedente o recurso voluntário interposto, reformando integralmente a decisão exarada pela DRJ de São Paulo, Acórdão 1664.335, de 19 de dezembro de 2014, homologando integralmente as compensações vinculadas ao PER/DCOMP 14960.66292.271109.1.3.030333, em razão da suficiência dos créditos apontados pelo contribuinte – saldo negativo de CSLL AC 2004, DIPJ 2005. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720046/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16643.720046/2011-84
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794821
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-000.455
nome_arquivo_s : Decisao_16643720046201184.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 16643720046201184_5794821.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6994416
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736288665600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 841 1 840 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.720046/201184 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.455 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de setembro de 2017 Assunto PROVISÕES INDEDUTÍVEIS Recorrente GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .7 20 04 6/ 20 11 -8 4 Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16643.720046/201184 Resolução nº 1402000.455 S1C4T2 Fl. 842 2 Relatório Trata o presente de autos de infração que implicou na redução do saldo negativo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2006 decorrente da exclusão indevida no LALUR de provisões referentes à CIDE com exigibilidade suspensa (R$ 29.466.846,81) e de constituídas nesse mesmo anocalendário como reforço de contingência de períodos anteriores (R$ 66.705.600,00). Sustenta a Fiscalização que, em relação à conta denominada "Provisão para Despesas com Cide Exigibilidade suspensa" (R$ 75.002.209,31) cujo saldo foi integralmente revertido em 2006, a interessada teria confessado que parte do valor foi paga apenas em janeiro/2007 não se justificando a reversão integral ocorrida em 31/12/2006. Em relação à conta denominada "Provisão para Despesas com Autuações Fiscais" o Fisco não acatou a justificativa do sujeito passivo para a reversão calcada no argumento de que o valor se referia a ajuste de exercícios anteriores. e não afetaria o resultado do anocalendário de 2006. A impugnação do sujeito passivo foi assim resumida no Relatório da decisão recorrida: I. a provisão de valores relativos a “Despesas com CIDE –exigibilidade suspensa” se referia a dois processos judiciais, quais sejam, os mandados de segurança nºs 2002.61.26.0013259 e 2002.61.26.0015049, tendo havido, em agosto de 2006, renúncia expressa ao direito em que se fundava o primeiro writ, com reversão da provisão no importe de R$ 44.822.703,97, que se encontrava integralmente depositada, com a competente conversão em renda para União no ano de 2007, tendo a autoridade fiscal acatado a exclusão de tal valor do LALUR. Já em 28/12/2006, houve a renúncia expressa ao direito em que se fundava o segundo writ acima, com reversão do restante da provisão no importe de R$ 29.466.846,81; que se encontrava parcialmente depositada (R$ 13.859.021,20), com conversão em renda e pagamento da diferença em 15/01/2007 (R$ 15.607.825,61), cujo valor total foi glosado pela autoridade fiscal. Dessa forma, incorreta a afirmação da autoridade de que a totalidade dos valores do segundo mandamus havia sido pago em janeiro de 2007, sendo certo, no mínimo, que se deve dar o mesmo tratamento tributário às parcelas convertidas em renda de ambas as ações judiciais, permitindo a exclusão delas do LALUR, inclusive porque os depósitos judiciais, no regime da Lei nº 9.703/98, têm natureza de pagamento antecipado do tributo, sendo suficiente, portanto, a formalização do ato de renúncia da ação judicial para fins de conversão da respectiva provisão contábil; II. mesmo no tocante à parcela da CIDE paga em 15/01/2007, tal provisão deveria ser excluída no anocalendário 2006, pois a renúncia ao direito em que se funda a ação efetivada pelo requerente em 28/12/2006 foi suficiente para considerar a despesa da CIDE como certa, plena e efetiva, ou seja, “A partir do momento que essas perdas de ativos ou obrigações se tornam totalmente definidas (como no caso da renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação no qual se discute um tributo), as provisões poderão ser revertida uma vez que as despesas, ainda que não pagas, configuramse como ocorridas, pelo princípio da competência contábil” (fl. 288 – destaque do original); Fl. 842DF CARF MF Processo nº 16643.720046/201184 Resolução nº 1402000.455 S1C4T2 Fl. 843 3 III. “55. Ainda, cumpre observar que o procedimento adotado pela Requerente, qual seja, a reversão contábil da provisão no anobase 2006, no máximo poderia ser compreendido como “exclusão extemporânea”, ou seja, exclusão de um valor em momento anterior ao que a despesa efetivamente incorreu (no caso, em 2007). A esse respeito, em caso análogo, já se posicionou o então Conselho de Contribuintes no sentido de que, por exemplo, a postergação da exclusão (que, na prática, é o mesmo que a sua antecipação) somente pode ser questionada pelas Autoridades Fiscais se dela resultar prejuízos reais ao Fisco. (...). 56. No caso concreto, a Requerente informa que a provisão revertida em relação à Conta Contábil nº 548960611 não impactou o resultado de 2007, motivo pelo qual sob qualquer ângulo de análise inexistiu no presente caso prejuízo ao erário. A esse respeito, caso Vossas Senhorias entendam necessário, oportuno que o julgamento seja convertido em diligência para o fim de certificar essa assertiva” (fl. 290); IV. lembrando que a legislação permite a exclusão dos valores das reversões das provisões na apuração do lucro real quando as provisões não se referirem ao exercício corrente, mas sim a exercícios anteriores, o que não pode impactar o resultado daquele ano, a seguir se demonstrará que grande parte da glosa de R$ 66.705.600,00, excluída pelo requerente no LALUR/2006 (montante de R$ 61.856.000,00) referese à provisão constituída em 31/12/2006 em razão de ajustes de exercícios anteriores, especificamente ajustes relacionados ao ano de 2005, sendo impertinente a glosa feita pela autoridade fiscal, que deve se restringir apenas ao importe de R$ 4.849.600,00, que aqui o impugnante reconhece como correta, a demonstrar sua boafé e lealdade processual; V. no ano de 2006, o impugnante verificou a necessidade de ajustes no ano de 2005, e, entre outras retificações, verificouse que o saldo da conta de provisão para contingências anteriores a 2006 deveria ser aumentado em R$ 61.856.000,00, visando complementar a provisão de acordo com os processos cuja perda seria considerada provável (provisão para despesas com autuações fiscais – conta do Razão nº 588960605), o que se pode ver na anexa “Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido”, sendo certo que, nos termos do § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76, tais valores devem ser registrados como ajustes de exercícios anteriores, na conta de Lucros e Prejuízos Acumulados, sem afetar o resultado do período, “ou seja, esse valor correspondente a uma provisão constituída retroativamente para autuações de anos anteriores (ajustes de exercícios anteriores) de forma alguma poderia afetar o resultado do ano de 2006, justamente por se referir a fatos de anos anteriores (no caso, do ano de 2005) e cujos efeitos contábeis e fiscais repercutiram somente em relação ao período pretérito. 74. De fato isso ocorreu no presente caso, conforme se verifica dos documentos acima destacados, bem como da DIPJ do ano de 2007 ora anexada (doc. nº 28), o qual demonstra que o Lucro Real oferecido à tributação foi exatamente o apurado após os ajustes realizados no LALUR de 2006 (dentre eles, os ajustes de exercícios anteriores)” (fls. 295 e 296 – destaques do original); VI. os esclarecimentos acima (itens IV e V) já haviam sido explanados para a autoridade lançadora, que, no entanto, não compreendeu com exatidão os fatos apresentados e houve por bem lavrar o auto de infração, sem intimar o contribuinte a sanar eventuais dúvidas/apresentar documentos complementares. Concluindo, o impugnante pede a conversão do julgamento em diligência, caso a documentação juntada para combater as glosas se mostre insuficiente para convencer Concluindo, o impugnante pede a conversão do julgamento em diligência, caso a documentação juntada para combater as glosas se mostre insuficiente para convencer esta Turma de Julgamento, diante de todas as evidências apontadas a indicar a improcedência da autuação. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16643.720046/201184 Resolução nº 1402000.455 S1C4T2 Fl. 844 4 O Tribunal Regional Federal da 3ª Região homologou os pedidos de renúncia ao direito em que se fundavam as ações referentes aos MS nºs 2002.61.26.0013259 e 2002.61.26.0015049 em 28/06/2006 (fl. 503) e em 19/01/2007 (fl. 501), respectivamente, como se vê pelas certidões narratórias anexadas à impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE prolatou o Acórdão 11044.829 considerando a impugnação totalmente improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 TRIBUTO COM QUESTIONAMENTO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. ADIÇÃO NO LALUR NO EXERCÍCIO DA CONSTITUIÇÃO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA A AÇÃO JUDICIAL. EXCLUSÃO DO LALUR NO EXERCÍCIO DA HOMOLOGAÇÃO DA RENÚNCIA. No exercício em que houver o reconhecimento da perda ou ganho dos valores que foram provisionados, deve ocorrer a competente reversão da provisão, por respeito ao regime de competência. Em caso de renúncia ao direito em que se fundava as ações judiciais geradoras das provisões indedutíveis, a exclusão no LALUR somente resta autorizada quando da homologação judicial desta e, desde que, quando da constituição, tenha havido a competente adição para fins de apuração do lucro real. CONSTITUIÇÃO DE RESERVA PARA CONTINGÊNCIAS FISCAIS DE EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE O VALOR EXCLUÍDO DO LALUR E AQUELE QUE PRETENDE O IMPUGNANTE. MANUTENÇÃO DA GLOSA. À míngua de qualquer vínculo contábil entre o valor da exclusão glosada que constou no LALURAC2006 com o valor da nota informativa da “Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido” que pretende o impugnante, não se pode aqui sequer verificar a pertinência da exclusão, ou não, do reforço da provisão para contingências fiscais de exercícios pretéritos. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Em primeira apreciação nesta Corte, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara prolatou a Resolução 1301000.264 pela qual o julgamento foi convertido em diligência a fim de que fosse verificada a possível ocorrência de postergação em relação ao montante da provisão concernente à ação judicial questionando a CIDE, que teria sido indevidamente revertida no anocalendário de 2006. Complementando o recurso voluntário, a interessada trouxe aos autos um laudo contábil elaborado por empresa de auditoria pelo qual, segundo atesta, estaria demonstrada a correção do procedimento de reversão da provisão decorrente do ajuste de exercícios anteriores. É o Relatório. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16643.720046/201184 Resolução nº 1402000.455 S1C4T2 Fl. 845 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Antes de apreciar o mérito do recurso, cabem algumas considerações específicas sobre a reversão da provisão com origem, segundo o sujeito passivo, em ajustes de exercícios anteriores. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora referese às justificativas do sujeito passivo para a reversão efetuada como "um emaranhado de cálculos sem pé nem cabeça para justificar o injustificável". A decisão recorrida também não aceitou as explicações da interessada por não ter atestado o vínculo contábil entre o valor da exclusão glosada (R$ 66.705.600,00) com o valor indicado na nota informativa da "“Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido” (R$ 61.856.000,00). Ainda que sem a contundência da autoridade lançadora, admito partilhar da mesma dúvida emanada no Acórdão recorrido. Por outro lado, em adendo ao recurso voluntário o sujeito passivo trouxe aos autos um laudo contábil emitido por empresa de auditoria que contém explicações mais detalhadas sobre o valor questionado. Penso que a razoabilidade indique a necessidade de remessa dos autos à Unidade Local a fim de que a autoridade lançadora examine o laudo e com base nas explicações ali contidas tenha melhor embasamento para se pronunciar quanto à regularidade do procedimento adotado pela recorrente. Sendo assim, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a Fiscalização examine o referido documento e ratifique ou não o posicionamento quanto à regularidade da reversão no montante de R$ 61.856.000,00 ( eis que a reversão do valor de R$ 4.849.600,00 já foi admitida como irregular). Nesse exame, o Fisco pode intimar o sujeito passivo a apresentar documentos e explicações que entender necessários. Após, elaborar relatório circunstanciado o qual deve ser cientificado ao recorrente com prazo para manifestação. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16643.720046/201184 Resolução nº 1402000.455 S1C4T2 Fl. 846 6 Fl. 846DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018409/2008-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.018409/2008-44
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5805185
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.909
nome_arquivo_s : Decisao_15504018409200844.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 15504018409200844_5805185.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 7038651
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736310685696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.018409/200844 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.909 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MANGABEIRAS ENSINO FUNDAMENTAL LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 09 /2 00 8- 44 Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 15504.018409/200844 Acórdão n.º 9202005.909 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 1283DF CARF MF
score : 1.0
