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Numero do processo: 10855.724559/2012-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 45 59 /2 01 2- 73 Fl. 109DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, ano calendário de 2008, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 48,000,00. Na impugnação apresentada, fls.02/09, o Impugnante alega, em síntese, que foi cumprida a exigência do disposto''no . art. 80 do RIR/99, com a apresentação dos recibos originais de pagamentos emitidos pelos prestadores de serviços, bem como requer seja realizada perícia contábil a fim de verificar se as pessoas mencionadas no lançamento receberam os valores declarados pelo requerente; que os prestadores dos serviços sejam ouvidos neste procedimento administrativo. Quanto aos pagamentos da Access Clube e Sul América Seguros anexa os comprovantes. Quanto aos valores glosados da UNIMED foram os tributos recolhidos conforme documento anexo. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 05/06/2014 (fl. 85), o interessado interpôs, em 18/06/2014, o recurso de fls. 87/104. Nas razões recursais aduz preliminarmente a nulidade do processo por suposta violação aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e , no mérito, roga que seja desconsiderado o lançamento fiscal objeto da notificação aqui ventilada impedindo, assim, a glosa dos valores declarados pelo contribuinte, tendo em vista que apresentou em oportunidade anterior os recibos originais de pagamentos efetuados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, bem como as respectivas declarações que atestam a prestação de serviços médicos, de modo que sejam mantidos os dados e os lançamentos de sua declaração de renda do ano de 2009, anocalendário 2008. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Violação dos princípios da ampla defesa , contraditório e devido processo legal O Recorrente teve garantida as suas oportunidades de manifestação, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Não há comprovação nos autos de cerceamento de defesa. Ao reverso, o contribuinte teve as chances para a produção de provas ao seu favor em alguns momentos, e as usufruiu. A autoridade lançadora não violou qualquer princípio Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10855.724559/201273 Acórdão n.º 2001000.021 S2C0T1 Fl. 3 3 constitucional ou cláusula pétrea, mas tão somente entendeu não ser fundamental a produção de determinadas provas para a formação do seu convencimento. Com relação ao pedido de perícia e outras supostas produção de provas, menciono aqui trecho da decisão da DRJ/REC, qual me amparo para fundamentar a análise desta preliminar: "Inicialmente, cabe destacar que o pedido do defendente para que sejam juntados aos autos as DIRPF dos seus prestadores de serviços médicos é indeferido, por expressa disposição legal, disposta no CTN, como segue: Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação,por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. Com relação ao período de perícia formulado pelo Impugnante, temos a informar que o Decreto nº 70.235, de 06/06/1.972, que trata do processo administrativo fiscal e dá outras providências, assim dispõe em seus artigos 16 e 18: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia,o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Pois bem, com base na legislação acima transcrita, informamos que o pedido de perícia formulado pela Impugnante será indeferido, por ser absolutamente prescindível, haja vista que, o presente levantamento foi efetuado com base nos valores declarados (pelo próprio contribuinte), a quem compete comprovar a sua exatidão Do ônus da Prova Insta destacar que não cabe a este órgão julgador requisitar informações aos prestadores de serviços no intuito de sanar Fl. 111DF CARF MF 4 dúvidas a respeito de documentos apresentados. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções declaradas, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, sofre as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Desta forma, cabe ao impugnante trazer aos autos documentos e elementos que façam prova cabal da despesa deduzida na declaração de ajuste anual nos moldes previstos na legislação do imposto de renda. Desta feita, não acolho a preliminar de nulidade, passando, assim, à análise do mérito. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10855.724559/201273 Acórdão n.º 2001000.021 S2C0T1 Fl. 4 5 recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos originais dos pagamentos efetuados, relativos ao próprio tratamento, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, além de declaração dos próprios prestadores de serviço, ratificando a existência dos fatos. A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Na fase impugnatória, o interessado carreou aos autos documentos argumentando que os recibos e declarações juntados são provas suficientes da prestação dos serviços e pagamentos, não cabendo ao Fisco qualquer outra exigência. 19 O contribuinte traz em sua impugnação uma mera declaração simples dos profissionais sem especificar qual teria sido o tratamento e paciente. Alega que os tratamentos foram para si, no entanto não há nos autos nenhuma prova de que assim tenha sido. Não há indicação de que tenha sido ele defendente o paciente das despesas médicas informadas na DIRPF, sendo certo que para fazer jus à dedução pleiteada teria que ter como tal o próprio ou os seus dependentes, na forma da legislação indicada. 20. Conforme já relatado, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, o fato de as deduções apresentarem valores elevados é, por si só, motivo para a autoridade fiscal ser mais cautelosa e exigir outros elementos de prova da efetividade da prestação do serviço e do pagamento das referidas despesas, sem que isso se caracterize em arbitrariedade, como alegado na defesa. O defendente não logrou êxito em fazer a comprovação da regularidade das deduções informadas, embora tenha sido regularmente intimado para tanto. 21. Não se trata aqui de concluir que há limites para estas deduções, que não os há. Nem que são situações que não possam ocorrer. As deduções são expressivas e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943. 22. Assim é que, nessas circunstâncias, a mera apresentação de recibos, desacompanhada de documentação que ateste o pagamento dos valores neles constantes e a realização dos serviços, é insuficiente para caracterizar a efetividade da despesa passível de dedução.. “[...] A exigência, pela autoridade fiscal, de comprovação de pagamento dos serviços contratados pelo Recorrente, através de a apresentação de cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviços, de fato me parece ser coerente diante do fato concreto, tendo em vista, principalmente, o valor envolvido em relação às despesas médicas. Fl. 113DF CARF MF 6 Nesta senda, entendo, ademais que a fundamentação fiscal a qual deu amparo ao lançamento aqui analisado está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico. Senão vejamos o que dispõe o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999 : Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. Assim é que, nessas circunstâncias, a mera apresentação de recibos, desacompanhada de documentação que ateste o pagamento dos valores neles constantes e a realização dos serviços, é insuficiente para caracterizar a efetividade da despesa passível de dedução. É conveniente lembrar, que o contribuinte é a responsável perante o fisco pela guarda dos documentos que serviram de base para o preenchimento de sua declaração, enquanto não decorrido o prazo decadencial. Assim, ao fazer pagamentos de despesas que serão utilizadas a posteriori, para dedução da base de cálculo do imposto de renda, tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação. No que se refere às despesas com SPA “Casas de Repouso”, muito bem feita a análise da DRJ/REC. Como bem mencionado no acórdão, estes estabelecimentos podem ser equiparados à estabelecimentos geriátricos, merecendo o mesmo tratamento. Consta o seguinte no perguntas e respostas do sítio da RFB: "Despesas de internação em estabelecimento geriátrico são dedutíveis a título de hospitalização apenas se o referido estabelecimento se enquadrar nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde estiver a licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes(municipais, estaduais ou federais). O Ato Declaratório Interpretativo nº 19/2007, por sua vez, dispõe sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços pré hospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10855.724559/201273 Acórdão n.º 2001000.021 S2C0T1 Fl. 5 7 suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Foi devidamente pesquisado o CNAE do estabelecimento em questão e verificouse que não se caracteriza como estabelecimento hospitalar. A dedução das despesas pagas a este título, no entanto, está condicionada à comprovação da qualificação do estabelecimento como hospital no cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde, o que não foi feito. O Ministério da Saúde MS, através da Portaria MS/SAS nº 376, de 03 de outubro de 2000, determinou o recadastramento de todos os Estabelecimentos de Saúde no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde – CNES, visando à criação do Banco de Dados Nacional de Estabelecimentos de Saúde, abrangendo a totalidade de hospitais existentes no país, assim como, a totalidade dos serviços ambulatoriais vinculados aos SUS e, ainda, os Estabelecimentos de Saúde ambulatoriais não vinculados ao SUS. Sendo assim, mais uma vez, devidamente suportada e fundamentada a decisão a quo, que indeferiu a dedução das despesas desta natureza. Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela manutenção do crédito lançado, o qual restou claramente respaldado e fundamentado pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, declarando, pois, a manutenção do crédito fiscal pretendido pela autoridade lançadora. Fernanda Melo Leal. Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.935234/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.332
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para determinar o retornar à Unidade Preparadora para proceder à reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com declaração de compensação cujo crédito alegado é oriundo de pagamento a maior de IOF, relativo ao período de apuração de 30/11/2008. A DRF de jurisdição do contribuinte indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 35 23 4/ 20 09 -6 8 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10680.935234/200968 Resolução nº 3201001.332 S3C2T1 Fl. 52 2 O despacho decisório foi emitido, eletronicamente, em 07/10/2009 (fl. 04), e a ciência do contribuinte deuse em 20/10/2009 (fl. 14). Todavia, o contribuinte transmitiu DCTF retificadora em 08/06/2009, conforme relatado na decisão da DRJ (fl. 09), ou seja, em data anterior à emissão do despacho decisório que indeferiu o pleito e não homologou a compensação. A Unidade de origem encaminhou o processo para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que, por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0240.736, sessão de 01/10/2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconheceu o direito creditório postulado e não homologou a compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/11/2008 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Na ausência de provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão recorrida fundamentouse no fato de que, inobstante a DCTF retificadora transmitida dentro do prazo legal, não houve apresentação de prova inequívoca de erro de fato no preenchimento da DCTF original, que demonstraria a certeza e liquidez do crédito alegado. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual aduz: 1. Diante do Pedido de Restituição/Compensação formulado e DCTF válida, a aferição quanto á certeza e liquidez do crédito pretendido tornase incumbência da Fazenda Pública; 2. Cometeu erro ao informar na DCTF valor incorreto do IOF devido, retificado em DCTF posterior; 3. Há espontaneidade na retificação da DCTF, não configurando nenhuma das hipóteses de sua vedação elencadas no art. 11 da IN RFB nº 903/2008; 4. O Fisco não lhe concedeu oportunidade para fazer prova do erro cometido no preenchimento da DCTF original; 5. Pede ao final, o provimento do recurso para que seja reconhecido seu direito e homologada a compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.935234/200968 Resolução nº 3201001.332 S3C2T1 Fl. 53 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Ocorre que tal decisão não considerou a DCTF retificadora válida e eficaz nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operou se ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. A própria decisão recorrida afirmou a regularidade da declaração. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados no despacho decisório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10680.935234/200968 Resolução nº 3201001.332 S3C2T1 Fl. 54 4 A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Este entendimento é compartilhado por esta Turma em sua maioria e passo a aderilo. Em recente voto de minha relatoria, restei vencido pelos demais Conselheiros em situação análoga que se traduz na "impossibilidade de se considerar a inexistência de prova da certeza e liquidez do crédito para indeferir o pleito de restituição/compensação quando o Fisco sequer analisou DCTF retificadora válida e oportunizou ao contribuinte a comprovação de seu direito". A decisão a que me refiro foi prolatada na sessão de 30/01/2018, reproduzida na imagem: Conclusão Diante do exposto, voto para que o julgamento seja convertido em diligência para a que a Unidade de Origem promova a reanálise do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.001047/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. FATO SUPERVENIENTE. CRÉDITO OBJETO DE PARCELAMENTO.
Haja vista ocorrência de fato superveniente representado pela adesão da Recorrente ao REFIS justamente para parcelar o crédito que estava sendo discutido em sede de mandado de segurança, necessário o reconhecimento da compensação aqui pleiteada, ainda que o resultado da diligência fiscal de fls. tenha apontado em sentido diverso.
Numero da decisão: 1401-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. FATO SUPERVENIENTE. CRÉDITO OBJETO DE PARCELAMENTO. Haja vista ocorrência de fato superveniente representado pela adesão da Recorrente ao REFIS justamente para parcelar o crédito que estava sendo discutido em sede de mandado de segurança, necessário o reconhecimento da compensação aqui pleiteada, ainda que o resultado da diligência fiscal de fls. tenha apontado em sentido diverso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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FATO SUPERVENIENTE. CRÉDITO OBJETO DE PARCELAMENTO. Haja vista ocorrência de fato superveniente representado pela adesão da Recorrente ao REFIS justamente para parcelar o crédito que estava sendo discutido em sede de mandado de segurança, necessário o reconhecimento da compensação aqui pleiteada, ainda que o resultado da diligência fiscal de fls. tenha apontado em sentido diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 10 47 /2 00 7- 01 Fl. 438DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão 0334.133 2' Turma da DR.I/BSB que por unanimidade julgar improcedente a manifestação de inconformidade. A Recorrente efetuou compensações de débitos de tributos diversos no montante total de R$ 458.684,38 com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2004, no valor de R$ 448.021,47 (original), mediante a apresentação dos PER/Dcomp n° 04980.69306.150205.1.3.022791, 34018.21179.280205.1.3.029330, 08732.61416.280205.1.3.025694 e 21804.07715.251007.1.3.020029. Posteriormente transmitiu os PER/Dcomp retificadores: 13912.83773.020305.1.7.028205, 01331.71586.020305.1.7.029604, 03.68127440.020305.1.7.020506, 37307.16080.290307.1.7.022200 e 06312.41621.040407.1.7.026746, dos quais apenas o terceiro não foi admitido, tendo em vista que aumentou o débito compensado no PER/Dcomp original, o que é vedado pelos art. 58 e 59 da IN SRF n° 600/2005 que à época regia o assunto. Mediante o Despacho Decisório(fls. 110 a 115), o Delegado da DRF/BSA/DF homologou o PER/Dcomp n° 37307.16080.290307.1.7.022200, homologou parcialmente o PER/Dcomp n° 01331.71586.020305.1.7.029604, e não homologou os n° 06312.41621.040407.1.7.026746 e 21804.07715.251007.1.3.020029, haja vista o crédito reconhecido ser insuficiente para compensar integralmente os débitos apontados. Conforme a decisão, do crédito apontado de R$ 448.021,47, foi confirmado apenas R$ 215.403,66, por não ter sido aceita a parcela do crédito decorrente de sentença em mandado de segurança, ainda não transitada em julgado. Cientificada da decisão em 11/03/2008, consoante Aviso de Recebimento(fl. 119), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade(fls. 122 a 127) em 07/04/2008. A DRJ julgou como improcedente a manifestação de inconformidade. E sendo notificada da decisão em 28/12/2009(fl. 189), a Recorrente apresentou recurso voluntário perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF(fls. 192 a 202) em 26/01/2010. Ocorre que, em 07/06/2013 com o trânsito em julgado do acórdão proferido em sede de apelação, restou cassada a sentença concessiva da segurança no MS 1999.34.00.0030846, a sentença final também reconheceu a constitucionalidade da indedutibilidade das despesas de CSLL da apuração do lucro real. A contribuinte então, para poder aderir ao REFIS instituído pela Lei 11941/2009, cujo prazo de adesão foi reaberto pela Lei 12865/2013, protocolou petição perante o CARF em 13/12/2013, na qual apresentou pedido de desistência e de renúncia a quaisquer alegações de direito sobre os quais se fundam o referido processo administrativo. Mesmo tendo solicitado a desistência do recurso voluntário, a contribuinte protocolou em 27/08/2014 perante o CARF documento no qual alegou que o débito dela no presente processo foi integralmente quitado e que a manutenção da glosa configuraria bis in idem. Solicitou que o CARF desse provimento ao recurso ou alternativamente que convertesse o julgamento em diligência para determinar a manifestação da DRF em Brasília acerca do pagamento integral e a vista realizado na adesão ao REFIS. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 14033.001047/200701 Acórdão n.º 1401002.602 S1C4T1 Fl. 439 3 O CARF, então por meio da Resolução nº 1803000.114, decidiu por converter o julgamento em diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das exigências constantes nos presentes autos e aquelas relativas aos pagamentos efetuados. O Conselho solicitou em especial que se verifique se remanesce o saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$448.021,47 referente ao ano calendário de 2004, apurado pelo lucro real anual, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp. Da diligência fiscal, sobrevieram as seguintes conclusões: 11.Analisandose as informações prestadas pela contribuinte, verse que os pagamentos por ela efetuados extinguiram o crédito tributário do processo 11853.001612/200607, citado pela contribuinte em suas alegações. No entanto o crédito desse processo nada tem a ver com o crédito glosado, pois o motivo da glosa foi o não reconhecimento da dedução de despesa com CSLL da base de calculo do IRPJ, enquanto que os pagamentos extinguiram crédito tributário cuja cobrança se achava suspensa devido a sentença de 1º grau proferida no MS nº 1999.34.00.0030846, que concedeu segurança a contribuinte para que esta pudesse deduzir da base de cálculo do IRPJ as despesas com a CSLL. 12.Assim, não merecem prosperar os argumentos da contribuinte que a manutenção da glosa caracterizaria bis in idem e que a regularidade do pagamento integral e a vista do crédito tributário do processo 11853.001612/200607 importaria no reconhecimento do crédito glosado pelas razões expostas no parágrafo anterior. 13. Diante do exposto, proponho que se dê ciência a interessada do teor desta Informação Fiscal, para que se a contribuinte entender necessário apresente defesa, e que em seguida se devolva este processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Instada a se manifestar sobre o resultado da diligência a Recorrente reiterou pelo provimento de seu Recurso Voluntário pra reconhecer e homologar integralmente as DCOMP objeto de questionamento, uma vez que o débito devido no feito já foi integralmente quitado, ante pagamento realizado quando da adesão do REFIS reaberto pela Lei 12.865/13. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Fl. 440DF CARF MF 4 Conforme apontado pela decisão de piso, a Recorrente adquiriu em primeira instância de julgamento do MS n° 1999.34.00.0030846 o direito a deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ. Interposta apelação pela Fazenda Nacional, a mesma ainda não foi apreciada, conforme fl. 170/175, razão pela qual não houve ainda o trânsito em julgado. Menciona que: "Consoante se extrai das cópias das fichas 09B, 11, 12B e 17 da DIN is f1.47/48 e 62/75, e das DCTF As 77/96, bem assim do relato da autoridade administrativa no despacho decisório, o interessado: • apurou R$ 930.474,22 a titulo de CSLL no ajuste no ano 2004, deduzida pela CSLL apurada por estimativa durante o ano; • não deduziu a CSLL apurada por estimativa da base de cálculo do 1RPJ estimado com base em balanço/balancete de suspensão por não haver campo especifico para tanto (conclusão alcançada por não ter sido contestada pela autoridade fiscal); • não deduziu a CSLL apurada no ajuste da base de cálculo do IRPJ no ajuste (conclusão alcançada por não ter sido contestada pela autoridade fiscal); • beneficiouse da CSLL apurada por estimativa para deduzir o valor devido do IRN .estimado informado na DCTF, porém, na DIPJ, especificamente no ajuste, não se beneficiou desta dedução, pois considerou apenas o IRPJ estimado apurado efetivamente pago, ou seja, o liquido entre o apurado e a dedução da CSLL efetuada na DCTF. Em vista disso, a princípio, salvo uma análise mais aprofundada da formação da base de cálculo do IRPJ, o que não é possível fazer com base nos documentos que integram os autos, o saldo negativo de IRPJ apurado na DlPJ não levou em consideração a dedução da CSLL. Então, efetivamente se a dedução da CSLL tivesse sido considerada na DIN, o saldo negativo do IRPJ no ajuste seria de R$ 215.403,66 (declarado) mais R$ 232.617,81 (correspondente A redução do IRPJ provocada pela dedução da CSLL: 25% de R$ 930.471,24), ou sela, em um total. de R$ 448.021,47, exatamente o valor do crédito apontado pelo interessado nos PER/Dcomp. Diante deste contexto e justamente por não haver o trânsito em julgado do decidido em sede de Mandado de Segurança, a autoridade administrativa entendeu que o crédito somente surge após o encerramento da lide judicial, enquanto o interessado defende que a sentença em MS gera efeito imediato. Corretos os fundamentos adotados pela DRJ, contudo, haja vista ocorrência de fato superveniente representado pela adesão da Recorrente ao REFIS justamente para parcelar o crédito que estava sendo discutido em sede de mandado de segurança, necessário o reconhecimento da compensação aqui pleiteada, ainda que o resultado da diligência fiscal de fls. tenha apontado em sentido diverso. Isto porque, conforme extrato de fls. 356 a 359, no processo 11853.001612/200607, se encontram controlados os débitos cuja exigibilidade ficou suspensa em razão do Mandado de Segurança, assim tendo sido os débitos parcelados no REFIS e quitados podem ser usados na composição do saldo negativo. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 14033.001047/200701 Acórdão n.º 1401002.602 S1C4T1 Fl. 440 5 Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720393/2012-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA.
Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
Numero da decisão: 3002-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 03 93 /2 01 2- 96 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201296 Acórdão n.º 3002000.100 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de IPI vinculado à importação no valor de R$ 24.791,02, relativo ao imposto devido em importações realizadas no 4º trimestre/2008 e lançado por meio de auto de infração em 2010. O pedido foi formalizado em novembro/2012 (fl. 2). Ao invés de utilizar o programa Per/Dcomp, o contribuinte apresentou um formulário, sob a alegação de que os valores a compensar não constavam de notas fiscais, mas haviam sido identificados em procedimento fiscal, que constatou erro na classificação da mercadoria, e foram exigidos mediante auto de infração, situação essa que gerou erro impeditivo de transmissão do PER. O pedido foi instruído com documentos de identificação/procuração e contrato social (fls. 3 a 14), Auto de Infração/Processo nº 11041.000869/201074 – juntado na parte que relativa ao montante deste processo (fls. 15 a 21), Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fls. 22 e 23), tela de Aviso de Erro do Per/Dcomp (fl. 24). Por meio do Relatório de Verificações Fiscais e do Despacho Decisório IRF/BG nº 16/2013 (fls. 34 a 39), a Delegacia da Receita Federal em Bagé decidiu pela denegação do pedido de ressarcimento, por entender tratarse de uma solicitação de restituição de valores já utilizados em compensação, o que significaria utilização em duplicidade dos créditos, não prevista em legislação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que o ressarcimento que solicitava era relativo à diferença de IPI exigida por meio de auto de infração e “paga” com créditos de IPI que havia pedido anteriormente. Uma vez que essa diferença era relativa a importações de folhas para a fabricação de latas, e que o produto acabado era vendido com suspensão de IPI para uma empresa exportadora, entendia que tinha direito ao ressarcimento do IPI (fl. 46). Instruiu sua manifestação de inconformidade com identificação e contrato social (fls. 44 a 57). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 48.834 (fls. 65 a 68), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a recorrente falhou em provar que não estava requerendo ressarcimento em duplicidade, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 78DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201296 Acórdão n.º 3002000.100 S3C0T2 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 14/03/2014, conforme ciência pessoal na Comunicação nº 2/037/2014 constante à fl. 73, e protocolizou seu recurso voluntário em 15/04/2014, conforme carimbo do protocolo no Recurso à fl. 74. Em seu recurso voluntário a recorrente repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade (fl. 74). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. O cerne deste julgamento consiste em definir se o contribuinte solicitou ressarcimento de um crédito que já havia utilizado em uma compensação, ou seja, se ele tenta usar o mesmo crédito uma segunda vez e, para tanto, fazse necessário recompor a cronologia dos eventos a partir das informações de que se dispõe neste processo. O contribuinte realizou diversas importações de tampas de folha de flandres para a fabricação de latas de conserva para o acondicionamento de alimentos com alíquota menor do que a devida, acarretando um recolhimento a menor de IPI, PIS e Cofins. Para fins de lançamento no auto de infração, foram consideradas as importações realizadas entre 01/01/2007 e 31/07/2009. O valor do IPI devido para todo o período, sem considerar juros e multa, foi de R$ 126.752,58. O procedimento de revisão aduaneira iniciouse em outubro/2010, com a devida ciência do contribuinte. Entretanto, anteriormente ao início dessa revisão, no ano de 2009, o contribuinte entrou com um pedido de ressarcimento de IPI (PER nº 34797.31655.090609 1.1.016094). Não se sabe a data de registro desse PER6094, sabese apenas que foi em 2009 pelo número do processo ao qual está vinculado (processo nº 11041.000306/200942). Do Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fl. 22), proferido em resposta ao PER6094, destacamos: (...) RECONHEÇO o direito creditório no valor de R$ 223.516,65 (duzentos e vinte e três mil, quinhentos e dezesseis reais e sessenta e cinco centavos) a título de ressarcimento de IPI referente ao 1º trimestre de 2009, solicitado através do Pedido de Ressarcimento nº 34797.31655.090609.1.1.016094, havendo uma glosa de R$ 319,83 (trezentos e dezenove reais e oitenta e três centavos) do valor solicitado e HOMOLOGO a compensação de débitos constantes das Declarações de Compensação nº 31986.51404.210111.1.3.010991 e 18048.9833.210111.1.3.010316, conforme demonstrativo abaixo, restando após compensação das declarações saldo Fl. 79DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201296 Acórdão n.º 3002000.100 S3C0T2 Fl. 5 4 credor de R$ 41.557,66 (quarenta e um mil, quinhentos e cinquenta e sete reais e sessenta e seis centavos): (grifado) Desse parágrafo extraemse informações que nos permitem fazer algumas inferências sobre o caso. Primeiro, o PER6094, que já sabemos ter sido registrado antes do início da revisão aduaneira, referiase exclusivamente a um crédito do 1º trimestre/2009, confirmando que não guardava, portanto, relação com o que se apurou no auto de infração. Segundo, foi solicitada a compensação do débito exigido por auto de infração com o crédito de IPI reconhecido no PER6094 – naturalmente que essa solicitação foi posterior à ciência do auto de infração, por uma questão de lógica. Essa compensação foi declarada por meio da DCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.010991. Assim, temos o PER 6094 registrado em 2009 e a DCOMP0991 registrada em algum momento após a ciência do auto de infração e o ano de 2012, quando é proferida decisão sobre os pedidos. Partindo agora para o Relatório de Verificações Fiscais que embasou o Despacho Decisório IRF/BG nº 16/2013 (fls. 34 a 39), que denegou o PER s/nº que inaugura o presente processo, vemos que a Delegacia reconheceu a procedência da alegação de que foi lançada a diferença de IPI vinculado à importação e de que tal débito foi extinto com créditos do PER6094, sendo tal compensação expressamente homologada pela Delegacia em Pelotas: De fato, analisandose o auto de infração do processo nº 11041.00869/201074 anexado aos autos, verificase que o contribuinte à época beneficiouse da alíquota de 5% de IPI até 12/05/2008 e de 0% a partir de 13/05/2008, tendo em vista erro de classificação fiscal das mercadorias importadas. Através deste auto de infração, foi feito o lançamento dos valores devidos após as autoridades fiscais constatarem que a alíquota correta seria a de 10%. Não tendo sido apresentado o correspondente recurso, tal lançamento foi definitivamente constituído na esfera da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Estes valores inicialmente lançados no processo nº 11041.00869/201074 foram compensados na PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 0991 sendo tal compensação homologada pelo Despacho Decisório DRF/PEL SAORT nº 31, de 28 de maio de 2012, todos anexados aos autos. (grifado) Estes valores pleiteados pelo contribuinte foram compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, conforme consta neste documento. (grifado) Todavia, a partir desse ponto, percebese um equívoco no raciocínio desenvolvido. Apontase para a exata correspondência entre os débitos compensados na DCOMP0991 e os créditos para os quais se solicita ressarcimento no presente processo, concluindo que seriam pedidos em duplicidade: Em anexo a este relatório consta um resumo deste PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991 onde verificase a exata correspondência dos valores trimestrais declarados com aqueles da tabela constante no item 1 deste relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201296 Acórdão n.º 3002000.100 S3C0T2 Fl. 6 5 Logo, concluise que todos os pedidos de ressarcimento tratados são na realidade solicitações de restituição de valores compensados. E estas solicitações não se enquadram em nenhuma hipótese previstas no art. 165 da Lei nº 5.172/66 (CTN) repetidas no art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 900/08, em vigor à época do protocolo destes pedidos: (...) Em outras palavras, o contribuinte solicita “ressarcimento” de valores provenientes de auto de infração compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, resultando na duplicidade deste crédito já usado, caso isto fosse possível. Ademais, não se pode esquecer que a declaração de compensação, e aqui referese a PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991, constituise confissão de dívida, conforme § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei 10.833/03:(...) Entendo que não há duplicidade. Em um primeiro momento, esses valores aparecem como débitos na DCOMP0991, a serem compensados com os créditos do PER 6094. Em um segundo momento, após a homologação da compensação, tais valores passam a representar IPI pago e, por esse motivo, são informados como créditos no PER s/nº que inaugura o presente processo. É claro que são os mesmos valores, mas com uma natureza diferente: o débito de IPI transformase em crédito após a compensação – e ele foi compensado com um crédito que não guarda relação com o auto de infração. Vejamos o Demonstrativo de Apuração do auto de infração (fls. 18 a 20). Há 3 colunas: imposto devido (calculado com a alíquota correta, após a reclassificação fiscal), imposto recolhido (imposto pago no momento do registro da declaração de importação) e diferença apurada (valor de IPI lançado pela fiscalização e que foi compensado por meio da DCOMP0991, homologada expressamente). Seguem os valores totais do período: Imposto Devido Imposto Recolhido Diferença Apurada 49.581,97 24.790,95 24.791,02 Em suma, o que o contribuinte pleiteia é que se reconheça o direito ao crédito da “diferença apurada”, no que, entendo, lhe cabe razão. A Delegacia de Julgamento tomou a mesma direção da unidade de origem, acrescentando como motivação a falta de prova, como se vê no trecho a seguir do Acórdão DRJ: Destarte, se a fiscalização, após exame da documentação apresentada pelo contribuinte conclui que o pedido de ressarcimento foi feito em duplicidade, caberia a defesa contrapor provas contra tal conclusão, a simples alegação de que o IPI pago na importação confere direito ao crédito não é suficiente para afastar o fundamento do Despacho Denegatório. (grifado) Em relação ao ônus da prova, entendo ter o contribuinte se desincumbido de sua tarefa, pois juntou à manifestação de inconformidade cópia do auto de infração, que é a Fl. 81DF CARF MF Processo nº 17437.720393/201296 Acórdão n.º 3002000.100 S3C0T2 Fl. 7 6 origem do imposto, e a homologação expressa da compensação, que é a prova da quitação do débito. Tais documentos, considerados conjuntamente, demonstram que o IPI decorria da importação de matériaprima para industrialização e que o crédito tributário exigido foi extinto por meio de compensação, configurando hipótese para creditamento prevista no RIPI/2010: Art.226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: (...) V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; É certo que a diferença apurada em revisão aduaneira não foi paga no desembaraço aduaneiro, mas incorporase ao que foi pago originalmente, é a diferença que faltou pagar quando do desembaraço e foi exigida em procedimento de revisão aduaneira. Neste caso, dadas as suas particularidades, não há que se falar na exigência de nota fiscal ou de livro contábil para demonstração do direito creditório. Concluise que a recorrente demonstrou o seu direito ao crédito relativo à diferença de IPI exigida em auto de infração, excluídos a multa e os juros de mora, condicionado o ressarcimento à verificação pela unidade de origem da quitação de impostos e contribuições federais do interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000108/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção.
A despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS CREDITADOS EM CONTA DO CONTRIBUINTE
Durante toda a fiscalização a Recorrente procurou exaustivamente demonstrar a efetiva origem dos depósitos considerados como não comprovados, através de documentos juntados ordenadamente, planilhas e notas explicativas.
No Relatório e Termo de Encerramento da Diligência o Auditor Fiscal fez considerações, correlacionando os quesitos constantes na decisão da Resolução do CARF com o acervo probatório colacionado pelo contribuinte.
Através do contexto fático probatório, restaram comprovados as origens dos depósitos.
Numero da decisão: 2401-005.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo: a) o montante de R$ 2.941.000,00, relativo aos adiantamentos realizados pela Norfil SA; b) o valor de R$ 2.055.883,80, relativo ao incentivo Conab-Pepro; c) o valor de R$ 312.786,99 relativo a incentivo Proalba; d) o valor de R$ 2.406.069,00, relativo à venda de caroço e fibrilha; e) o valor de R$ 1.055.000,00, relativo a depósitos vinculados às cooperativas agrícolas; f) o valor de R$ 2.522.240,49, relativo ao empréstimo da Franor; g) o valor de R$ 1.992.000,00, referente ao empréstimo bancário; h) os valores de R$ 8.542,00 e R$ 20.000,00, referente à alienação de veículos automotores; i) o valor de R$ 40.000,00, referente à alienação de usina de beneficiamento de arroz.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. A despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS CREDITADOS EM CONTA DO CONTRIBUINTE Durante toda a fiscalização a Recorrente procurou exaustivamente demonstrar a efetiva origem dos depósitos considerados como não comprovados, através de documentos juntados ordenadamente, planilhas e notas explicativas. No Relatório e Termo de Encerramento da Diligência o Auditor Fiscal fez considerações, correlacionando os quesitos constantes na decisão da Resolução do CARF com o acervo probatório colacionado pelo contribuinte. Através do contexto fático probatório, restaram comprovados as origens dos depósitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo: a) o montante de R$ 2.941.000,00, relativo aos adiantamentos realizados pela Norfil SA; b) o valor de R$ 2.055.883,80, relativo ao incentivo Conab-Pepro; c) o valor de R$ 312.786,99 relativo a incentivo Proalba; d) o valor de R$ 2.406.069,00, relativo à venda de caroço e fibrilha; e) o valor de R$ 1.055.000,00, relativo a depósitos vinculados às cooperativas agrícolas; f) o valor de R$ 2.522.240,49, relativo ao empréstimo da Franor; g) o valor de R$ 1.992.000,00, referente ao empréstimo bancário; h) os valores de R$ 8.542,00 e R$ 20.000,00, referente à alienação de veículos automotores; i) o valor de R$ 40.000,00, referente à alienação de usina de beneficiamento de arroz. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. A despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS CREDITADOS EM CONTA DO CONTRIBUINTE Durante toda a fiscalização a Recorrente procurou exaustivamente demonstrar a efetiva origem dos depósitos considerados como não comprovados, através de documentos juntados ordenadamente, planilhas e notas explicativas. No Relatório e Termo de Encerramento da Diligência o Auditor Fiscal fez considerações, correlacionando os quesitos constantes na decisão da Resolução do CARF com o acervo probatório colacionado pelo contribuinte. Através do contexto fático probatório, restaram comprovados as origens dos depósitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 08 /2 01 0- 19 Fl. 9894DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo: a) o montante de R$ 2.941.000,00, relativo aos adiantamentos realizados pela Norfil SA; b) o valor de R$ 2.055.883,80, relativo ao incentivo ConabPepro; c) o valor de R$ 312.786,99 relativo a incentivo Proalba; d) o valor de R$ 2.406.069,00, relativo à venda de caroço e fibrilha; e) o valor de R$ 1.055.000,00, relativo a depósitos vinculados às cooperativas agrícolas; f) o valor de R$ 2.522.240,49, relativo ao empréstimo da Franor; g) o valor de R$ 1.992.000,00, referente ao empréstimo bancário; h) os valores de R$ 8.542,00 e R$ 20.000,00, referente à alienação de veículos automotores; i) o valor de R$ 40.000,00, referente à alienação de usina de beneficiamento de arroz. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 9895DF CARF MF Processo nº 19515.000108/201019 Acórdão n.º 2401005.415 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP (DRJ/SP1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, conforme ementa do Acórdão nº 1637.002 (fls. 7745/7770): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 REQUISITOS FORMAIS DO LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA. Uma vez que a autoridade fiscal consignou os motivos para a não aceitação de parte das justificativas do contribuinte, não se vislumbra a existência de vícios que inquinem o lançamento. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. DESCABIMENTO. Não se acolhe o pedido de apresentação posterior de laudo que comprovaria a variação de preço de um produto decorrente da atividade rural exercida pelo contribuinte, já que tal questão em nada influi na solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata da exigência de Crédito Tributário de Auto de Infração (fls. 6573/6578) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, anocalendário 2006, onde foi lançado o imposto no valor de R$ 3.826.166,66, acrescido de juros de mora de R$ 1.120.684,21, calculados até 29/01/2010, e de multa de ofício de R$ 2.869.624,99, resultando no montante total de R$ 7.816.475,86. Fl. 9896DF CARF MF 4 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 6577/6578) a autuação trata de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do Lançamento Fiscal em 03/02/2010 (AR – fl. 6582), o Contribuinte apresentou, tempestivamente, sua Impugnação de fls. 6584 a 6636 em 03/03/2010. O processo foi encaminhado à DRJ/SP1 para julgamento, que, através do Acórdão nº 1637.002, julgou improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário lançado. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SP1 em 12/04/2012, conforme autodeclararão à fl. 7772 e em 09/05/2012, tempestivamente, interpôs o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 2.066 a 2.103, instruído com os documentos de fls. 7.819 a 7.924. Em seu Recurso Voluntário, com relação à decisão proferida pela DRJ, aduz que: 1. É possível a apresentação de documentos após a entrega da impugnação, desde que presente quaisquer das circunstâncias previstas no art. 16 do Decreto 70235/1972; 2. Teve negado a sua solicitação de apresentação de laudo em momento posterior à entrega da impugnação, uma vez que tal laudo poderia influir consideravelmente na solução do litígio instaurado; 3. Não deveriam ser levadas em consideração na Ação Fiscal duas de suas contas correntes por serem pessoais. São as contas correntes: 72.0826, Banco Bradesco, com movimentação de R$ 101.152,43 no ano (fl. 65390) e conta corrente 10.7603, Banco do Brasil, com movimentação em 2006 de R$ 1.295,00 (fl. 6549). Quanto à descrição dos fatos que serviram de motivação para interposição do RV, asseverou que: 1. O Contribuinte integra um Condomínio rural, figura regida pelos art. 1.314 e seguintes do Código Civil, do qual participa com 1% e cuja constituição está contida no documento "Instrumento Particular de Exploração Rural em Regime de Condomínio" (fls. 6638/6644); 2. Apesar da participação ínfima na composição do condomínio foi escolhido pelos demais condôminos, para ser o Titular do Condomínio; 3. Como Titular foilhe atribuído uma série de responsabilidades e dentre elas destacase a de manter uma conta no próprio nome no Banco do Brasil S/A, aonde são depositados os aportes solicitados (§1º da Cláusula 7ª do Instrumento Particular de Exploração Rural em Regime de Condomínio). Por essa conta passa toda a movimentação financeira dos negócios do Condomínio, o que motiva a intensa movimentação financeira nas contas bancárias que administra; Fl. 9897DF CARF MF Processo nº 19515.000108/201019 Acórdão n.º 2401005.415 S2C4T1 Fl. 4 5 4. A atividade principal do condomínio é a exploração agrícola, com destaque para algodão e soja, conforme documentos 03 (fls. 6645/6651) e 04 (fls. 6652/6658); 5. Os integrantes do condomínio também participam, na condição de sócios, do conglomerado de empresas, das quais se destacam Norfil S.A. Indústria Têxtil e Franor Agrícola S.A, sendo que a primeira financia antecipadamente todas as etapas da cultura de algodão. A empresa Franor arrenda imóveis rurais ao Condomínio Rural; 6. A alta movimentação financeira nas contas do contribuinte também é originária do recebimento de incentivos fiscais pelo condomínio rural, nas esferas estadual (ICMS) e federal (CONAB Cia. Nacional de Abastecimento Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento); 7. O Condomínio Rural também comercializa outros produtos e subprodutos dos produtos principais, tais como caroço de algodão, fibrilha, palha, etc., bem como, eventualmente, equipamentos do ativo permanente na substituição dos mesmos. Segue dizendo que o Acórdão recorrido deixou de observar, em cada um dos tópicos impugnados, os anexos trazidos que comprovaram a licitude das operações efetuadas pelo Condomínio Rural, que redundaram nos créditos nas contas correntes bancárias do Contribuinte. Afirma também que na mesma Ação Fiscal, operações idênticas tiveram tratamentos diferentes, ora não sendo tributadas, por terem sido consideradas lícitas, e em outras ocasiões tributadas porque, segundo entendimento da fiscalização, não foram comprovadas. Prossegue rebatendo alguns créditos computados na base de cálculo do lançamento (fls. 7.778/7.817) para finalizar requerendo: 1. Que seja dado provimento ao RV; 2. Que, na pior das hipóteses, seja anulado o Acórdão recorrido por ter deixado de apreciar as provas apresentadas na impugnação, simplesmente convalidando os atos praticados pela fiscalização. Em 25/09/2012, após ter sido finalizado o procedimento administrativo para verificar as obrigações tributárias relativas ao IRPF 2008, o Contribuinte apresentou uma complementação ao Recurso Voluntário (fls. 7933/7999), instruída com os documentos de fls. 7942/7989, onde: 1. Informa que à época da interposição do Recurso Voluntário, estava sendo fiscalizado pela DEMAC – Belo Horizonte, por sua Equipe Remota no Rio de Janeiro/RJ, cuja ação fora concluída em 11/09/2012; Fl. 9898DF CARF MF 6 2. Argumenta que algumas matérias são novas e só vieram à tona porque são contraditórios com os trabalhos executados pela DEMAC – Belo Horizonte; 3. Explica que deste processo, que se refere aos depósitos do ano calendário 2006 e a outra, subsequente, que se refere aos depósitos do anocalendário 2008, as contas bancárias são as mesmas e que apresentou semelhantes elementos de comprovação, contudo, no caso deste processo (AC 2006), as comprovações apresentadas não foram aceitas ao contrário do que ocorreu no segundo processo; 4. Informa também que o tratamento dado aos contratos de venda de algodão e soja, e seus subprodutos, firmados entre o Condomínio Rural e seus clientes tiveram abordagens distintas nas duas autuações; 5. Diz que a ação fiscal relativa a 2008 atestou a efetividade dos valores depositados antecipados pelos clientes, por conta de futuras aquisições, em contas correntes bancárias de titularidade do Contribuinte, vinculandoos a pagamentos futuros, e que a ação fiscal relativa a 2006 simplesmente os teria ignorado, não estabelecendo qualquer relação entre os depósitos efetuados antecipadamente e os respectivos faturamentos posteriores. Conclui o complemento ao RV apresentado asseverando acerca da incongruência dos trabalhos fiscais efetuados de forma absolutamente subjetiva, e pleiteando pela insubsistência do lançamento. O Processo foi encaminhado para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF onde a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade, através da Resolução nº 2401000.502 (fls. 7991/8006), resolveu converter o julgamento em diligência fiscal para que a Autoridade Fiscal tome as providencias enumeradas conforme a decisão de fl. 7991, relativamente à análise, com mais profundidade, dos documentos juntados. Em 08/04/2016 o Contribuinte apresentou a petição de fl. 8008 solicitando a juntada dos documentos de fls. 8008/8427. O Recorrente foi intimado pelo Auditor Fiscal para apresentar os documentos e/ou esclarecimentos especificados no Termo de Início de Diligencia (fls. 8436/8437), o que foi perfectibilizado em 18/10/2016, conforme documentos e esclarecimentos às fls. 8444/9863. Após a análise dos documentos foi emitido o Relatório Fiscal e Termo de Encerramento de Diligência às fls. 9868 a 9873, e em 11/08/2017 o Contribuinte apresentou a petição de fls. 9885 a 9891 contendo algumas considerações assinaladas na diligencia concluída pela fiscalização. Foram apresentados memoriais de julgamento com a prova documental sobre os fatos mais relevantes. É o relatório. Fl. 9899DF CARF MF Processo nº 19515.000108/201019 Acórdão n.º 2401005.415 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido Preliminarmente, pleiteia o Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido sob a alegativa de cerceamento do direito de defesa, conforme preceitua o artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972. Assevera que a decisão de piso, de maneira infundada, deixou de levar em consideração os elementos apresentados por ocasião da impugnação. Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Não há que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. De acordo com o posicionamento firmado pelo julgador a quo, a manutenção do lançamento se justifica por não terem sido apresentados documentos hábeis, coincidentes em datas e valores, que comprovassem a vinculação dos depósitos bancários com as operações apontadas pelo contribuinte, razão porque considerou ter ocorrido omissão de receita ou rendimento nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996. A decisão de primeira instância explicitou as razões pelas quais não acatou as justificativas dos créditos apresentados pelo contribuinte. Destarte, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, rejeito a preliminar suscitada pela parte quanto a nulidade da decisão de primeira instância. Fl. 9900DF CARF MF 8 Mérito Consoante se infere no Termo de Verificação Fiscal, o lançamento combatido através do Recurso Voluntário, foi baseado em depósitos bancários cujas origens foram tidas pela fiscalização como não comprovadas, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/1996, alterado pelo artigo 4° da Lei 9.481/97. Durante o procedimento fiscal foram apresentados inúmeros documentos colacionados nas milhares de folhas do processo administrativo, conforme se constata no item II do Termo de Verificação Fiscal intitulado “Da Documentação Apresentada pelo Contribuinte”, subitens 1 a 13 (fls. 6.551/6.553). O contribuinte buscou subsidiar a origem de sua movimentação financeira em cada resposta às solicitações da fiscalização para a apresentação de documentos. Nas alegações de defesa constantes tanto na impugnação como no Recurso Voluntário (fls. 7.771 e seguintes), complementado às fls. 7.933 e seguintes; na petição às fls. 8.008 e seguintes; petição de atendimento à diligência (fls. 8.444 e seguintes); petição de considerações acerca do Relatório Fiscal e Termo de Encerramento da Diligência (fls. 9.885 e seguintes), o Recorrente procurou demonstrar a verdade material e, para tanto, juntou novamente grande acervo probatório relacionados à origem dos depósitos bancários indicados no lançamento. Pois bem. Para a análise no presente caso já submetido ao crivo deste colegiado, conforme Resolução nº 2401000.502 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fls. 7.991/8.000), impende ressaltar que restou incontroverso o fato de que o contribuinte autuado é administrador de um condomínio rural e realizava a movimentação financeira do referido condomínio em sua conta bancária pessoal. A conversão do julgamento em diligência foi estabelecida com o intuito de serem confrontados os documentos apresentados pelo Recorrente com a sua movimentação financeira. Segundo o voto vencedor, que entendeu pela baixa dos autos em diligência, muitos dos documentos carreados aos autos e desconsiderados pela autoridade fiscal, conjugados com as alegações do contribuinte, apresentaram fortes indícios de comprovação da movimentação financeira levantada pela fiscalização. Na Resolução do CARF foi determinada a realização de diligência para que: (i) a autoridade fiscal verifique se as Notas Fiscais de venda realizadas à Norfil, estão albergadas no montante de R$ 2.941.000,00 indicado como adiantamentos recebidos por conta de compra de algodão pela NORFIL INDÚSTRIA TÊXTIL; (ii) o contribuinte comprove o efetivo elo entre valores depositados em conta bancária e o retorno de benesses fiscais repassadas pelas cooperativas que realizaram a comercialização da produção rural do condomínio rural, informando a Autoridade Fiscal acerca dos valores que já tenham sido considerados e que foram excluídos do lançamento no curso da fiscalização; (iii) o contribuinte apresente as notas fiscais de venda de caroço de algodão que permitam concluir que o montante de R$ 2.414.000,00 apurado como omissão de receita sejam, de fato, receitas referentes à venda de produção agrícola (caroço de algodão), através de Notas Fiscais que não tenham servido anteriormente de lastro para as justificativas anteriores; (iv) o contribuinte apresente as notas fiscais que lastreiem os valores depositados pelas referidas cooperativas Fl. 9901DF CARF MF Processo nº 19515.000108/201019 Acórdão n.º 2401005.415 S2C4T1 Fl. 6 9 Coproeste, Copavante e Fitec na conta corrente do Recorrente, de modo a comprovar, ou não, se trata de receitas do condomínio decorrentes da comercialização da produção rural; (v) o contribuinte comprove a efetividade da operação de empréstimo de R$ 2.594.820,19 realizada junto a empresa Franor. Os documentos de fls. (fls. 8.008/8.427) e a petição com os 6 (seis) itens das notas explicativas sobre os documentos anexados, explicitam de forma pormenorizada a origem dos depósitos (item 01 – adiantamento de valores da Norfil S/A relativos à compra antecipada de algodão – fls. 8.449/8.451; item 03 – incentivo fiscal CONABPEPRO. Premio Equalizador pago a produtor rural de algodão em pluma – fls. 8.577/8.578; item 04 – incentivo fiscal programa de incentivo à cultura do algodão – PROALBA – fl. 8.914; item 05 – venda de subproduto do algodão – caroço e fibrilha – fls. 9.104/9.105; item 06 – valores não acatados de determinados depósitos vinculados às cooperativas agrícolas fls. 9.735/9.765; item 02 – empréstimo conta corrente entre a Franor e o Recorrente fls. 9.766). Como já se viu, em nenhum momento a empresa fiscalizada permaneceu inerte, na medida em que procurou exaustivamente demonstrar a efetiva origem dos depósitos considerados como não comprovados, através de documentos juntados ordenadamente, planilhas e notas explicativas. Nesse contexto foi apresentado o Relatório e Termo de Encerramento da Diligência (fls. 9.868/9.873), no qual o Auditor Fiscal fez considerações, correlacionando os quesitos constantes na decisão da Resolução nº 2401000.502 do CARF com o acervo probatório colacionado pelo contribuinte. Nesse diapasão, necessário se faz a análise de cada item conforme a seguir indicado. Adiantamentos realizados pela Norfil S/A em favor do Recorrente – Valor total de R$ 2.941.000,00 Com relação a esse item, o Recorrente colacionou Notas Explicativas, lastreadas com prova documental, em que assevera restarem comprovadas as operações de venda de algodão para a empresa Norfil e o adiantamento de parte do preço, conforme contrato formal firmado entre as partes. No Relatório e Termo de Encerramento da Diligência, o Auditor Fiscal destacou a existência de Instrumento Particular de Adiantamento de Recursos para Fornecimento de Produção Agrícola, celebrado entre a empresa Norfil e Ariel Horovitz em 15/01/2004, porém, sem registro em cartório e sem autenticação de assinaturas; Termo de Abertura e de encerramento do Livro de Registro de Entradas, com os respectivos registros contábeis da empresa Norfil, do período de 01/01/2006 a 31/12/2006, registrado na Junta Comercial da Paraíba; registros no Livro Razão; demonstrativo denominado “Controle de pagamentos a serem efetuados para produtores" e respectivas Notas Fiscais de produtor e sua correlação com as Notas Fiscais de venda para a Norfil. Em resposta ao encerramento da diligência o contribuinte asseverou que a fiscalização não encontrou nenhum óbice quanto à justificativa através das provas apresentadas Fl. 9902DF CARF MF 10 com a devida correlação entre a atividade rural desempenhada pelo contribuinte e os créditos efetuados em sua conta bancária. Pois bem. Durante o procedimento fiscal constatouse que o Recorrente integra, como titular, um condomínio rural que tem participação no capital social de outras pessoas jurídicas, dentre elas a Norfil e a Franor. Tendo em vista o interesse econômico da empresa Norfil em decorrência do seu ramo de atividade (indústria têxtil), foi firmado o Instrumento Particular de Exploração Rural em Regime de Condomínio, através do qual são antecipados recursos para a produção de algodão. Referidas antecipações de valores ao condomínio é realizada através de transferência de recursos entre contas correntes, sendo o Recorrente titular das contas do condomínio. A acusação fiscal destaca o fato do contrato particular de adiantamento de recursos para fornecimento de produção agrícola não ter registro em cartório e nem autenticação de assinaturas, o que foi corroborado pela decisão de piso e, posteriormente, ressaltado no Relatório de Diligência que também relaciona a prova documental realizada. Nesse contexto, ressaltese que a análise das provas não deve ser efetuada de forma isolada. A conversão do julgamento em diligência teve como objetivo a apuração da verdade material que deve ser albergada no processo administrativo. O fato da Norfil integrar o mesmo grupo econômico daqueles que participam do condomínio rural já justificaria a falta de maiores formalidades de registro do contrato formal e legalmente realizado. Mas não é só. A operação encontrase lastreada por vasta documentação que indicam que a origem dos numerários foram os adiantamentos realizados pela Norfil em favor do Recorrente (fls. 8.453/8.576 e 9.869). O conjunto fáticoprobatório dos autos demonstrou restarem comprovadas a origem do montante de R$ 2.941.000,00 utilizados nessas operações, razão porque deve esse numerário ser excluído da base de cálculo tributável. Incentivo CONABPEPRO. Premio Equalizador pago a produtor rural de algodão em pluma O Recorrente disserta sobre o incentivo CONABPEPRO. Esclarece que a CONAB é quem organiza os leilões de venda via Bolsa de Mercadorias de Brasília e que o valor pago ao produtor através da COCABCooperativa é de R$ 0,55 centavos/tonelada, juntando documentos aos autos para comprovarem a existência dessas negociações e remessas objetivando serem considerados os fatos por ele trazidos e respaldados. Das informações deduzidas no Relatório de Diligência, constatase a existência de regulamento instituído pela Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB para a operacionalização da oferta de Prêmio Equalizador pago ao Produtor Rural – PEPRO nº 001/06, com os demonstrativos de controle de pagamentos a serem efetuados a produtores, e respectivas Notas Fiscais, bem como comprovantes de transferência financeira dos recursos através de TED, além de documentos correspondentes emitidos pela Bolsa de Mercadorias de Brasília – BBSB. Fl. 9903DF CARF MF Processo nº 19515.000108/201019 Acórdão n.º 2401005.415 S2C4T1 Fl. 7 11 No entanto, apenas no que se refere às Notas Fiscais Produtor nº 2.311 e 2.312, afirma a Diligência que foram utilizadas tanto para justificar o crédito de R$ 650.971,08, em 29/09/2006, quanto para justificar o crédito de R$ 118.341,56, no dia 23/11/2006, na conta corrente do Banco Itaú. Referida informação foi corroborada pelo contribuinte, em sua resposta ao Relatório de Diligência, acatando como não comprovados o valor de R$ 15.202,00 (fl. 9.887). Do acervo probatório podese afirmar que o regulamento para a operacionalização da oferta premio equalizador juntamente com a cartilha do premio (fls. 8.580/8.589); os comprovantes de TED – Transferência Eletrônica Disponível da Copavante Coopa Tecnologic nos valores de R$ 1.301.827,16 (fl. 8.590), R$ 650.917,08 (fl. 8.790) e R$ 118.341,56 (fl. 8.892), juntamente com os documentos emitidos pela Bolsa de Mercadorias de Brasília – BBSB, referente ao algodão em pluma e que tem como arrematante a Copavante – Cooperativa Agrícola de Avanços Tecnológicos, além das Notas Fiscais (folhas seguintes a cada TED), convergem para a comprovação de que o montante dos créditos estão relacionados ao incentivo fiscal CONABPEPRO. Assim, considero como comprovados o importe de R$ 2.055.883,80 (já excluído o valor de R$ 15.202,00 reconhecido pelo contribuinte como não comprovado). Incentivo fiscal (ICMS) programa de incentivo à cultura do algodão – PROALBA O PROALBA trata de programa de incentivo à cultura do algodão criado pela Lei nº 7.932/01 através do qual é concedido crédito presumido de 50% (cinquenta por cento) do ICMS incidente sobre o valor da comercialização do algodão, sendo que o valor do incentivo será abatido do valor a ser pago pelo produtor ou remetente ou utilizado como crédito pelo beneficiador ou industrial adquirente para a redução do valor do imposto a ser recolhido, desde que o valor seja repassado ao produtor. Vale ressaltar, quando da apreciação probatória no decorrer da auditoria fiscal, a própria acusação fiscal reconheceu o incentivo PROALBA e considerou excluídos do lançamento os valores indicados às fls. 9.870/9.871 do Relatório Fiscal e Termo de Encerramento de Diligência. Na diligência realizada, a fiscalização esclarece que o Recorrente juntou ao processo administrativo texto da Lei nº 7.932/2001 da Bahia, com o incentivo PROALBA e ressalva apenas que as Notas Fiscais Produtor nº 1.859 e 1.860 foram utilizadas para justificar o crédito de R$ 234.066,79, no dia 05/01/2006 e de R$ 10.957,86, no dia 08/08/2006 no Banco do Brasil, o que foi acatado pelo contribuinte ao reconhecer que do volume total apontado como crédito de incentivo no montante de R$ 323.744,85, não foi comprovado o valor de R$ 10.957,86 (fl. 9.888). Verifico que à fl. 8.922 consta o valor da transferência bancária no importe de 234.066,79, acompanhado das Notas Fiscais de fls. 8.923 e seguintes; a transferência bancária de fl. 9.014 no importe de R$ 14.500,39, juntamente com as Notas Fiscais de fls. 9.015 e seguintes; a transferência no valor de R$ 10.310,47 (fl. 9.022) e Notas Fiscais às fls. 9.023 e seguintes; a transferência de R$ 10.957,86 (fl. 9.028) e Notas Fiscais às fls. 9.029 e seguintes; a transferência de R$ 40.991,42 (fl. 9.051) e Notas Fiscais às fls. 9.052 e seguintes. Fl. 9904DF CARF MF 12 Dessa forma, considero justificado o montante de R$ 312.786,99. Venda de subproduto do algodão – caroço e fibrilha Com relação ao quesito relativo à apresentação das Notas Fiscais de venda de caroço de algodão objetivando comprovar que o montante de R$ 2.414.000,00 corresponde a receitas de venda de produção agrícola (caroço e fibrilha), o contribuinte tece aos detalhes a forma como se perfectibiliza referida operação. Esclarece que, no universo rural, esse tipo de produto tem alta procura pelos compradores que normalmente não é quem vai receber efetivamente a mercadoria. Na prática, existe a presença de um intermediário (vendedor) que compra do produtor, efetua o pagamento adiantado e, gradativamente, autoriza a entrega fracionada das toneladas adquiridas para terceiras pessoas que compõem essa operação triangular, podendo inclusive acontecer que a entrega da mercadoria se desdobre em várias notas fiscais. Disserta que existem peculiaridades próprias desse tipo de venda, tais como a prática de antecipação de pagamento, antecipação com cheques de terceiros, a intermediação, a diferença de preço dependendo da época do ano. O Relatório de Diligência afirma que o contribuinte apresentou declaração emitida pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia – AIBA, de 12/11/2013, na qual restaram esclarecidas a operação, além de demonstrativo e Notas Fiscais respectivas. Nesse ponto, a diligência ressalvou apenas o valor de R$ 7.931,00. O contribuinte reconhece que do total em análise de R$ 2.414.000,00, não restou justificado o montante de R$ 7.931,00 (fl.9.888). Na avaliação das provas, entendo que as planilhas de fls. 9.106/9.117, lastreadas pelas Notas Fiscais de fls. 9.118/9.733, cujos valores encontramse refletidos nos extratos do Banco do Brasil (fls. 790/978), a Declaração de fl. 9.734, além das Notas Explicativas do contribuinte, justificam o valor creditado em conta no montante de R$ 2.406.069,00. Valores não acatados de determinados depósitos vinculados às cooperativas agrícolas No que tange ao quesito da Resolução para a apresentação de Notas Fiscais comprobatórias dos valores depositados pelas cooperativas Coproeste, Copavante e Fitec como receitas do condomínio decorrentes da comercialização da produção rural, o Auditor Fiscal esclarece que o contribuinte apresentou demonstrativos de controle de pagamentos e respectivas Notas Fiscais. Nesse ponto, o Recorrente esclarece porque a mesma nota fiscal serve para justificar o crédito nela contida, da mesma forma que pode ser utilizada para comprovar os incentivos CONABPEPRO e PROALBA, senão vejamos: Fl. 9905DF CARF MF Processo nº 19515.000108/201019 Acórdão n.º 2401005.415 S2C4T1 Fl. 8 13 Não há dúvidas de que as justificativas são esclarecedoras e satisfatórias no que tange à comprovação da origem dos depósitos bancários. Através do PROALBA é concedido crédito presumido de 50% (cinquenta por cento) do ICMS incidente sobre o valor da comercialização do algodão, sendo que esse direito se perfectibiliza a partir da emissão das Notas. No caso CONAB/PEPRO, a mesma nota serviu para justificar a venda de algodão e o referido incentivo. Considero justificado o valor de R$ 1.055.000,00. Fl. 9906DF CARF MF 14 Empréstimo conta corrente entre a Franor e o Recorrente Com relação à justificativa da operação de empréstimo de R$ 2.594.820,19 realizada junto à Franor, a auditoria fiscal afirma que o contribuinte apresentou contrato de empréstimo datado de 03/05/2005, sem registro em cartório e sem autenticação de assinaturas; Razão contábil da empresa Franor; comprovantes de transferências financeiras dos recursos; extrato da conta corrente de titularidade da Franor. O Recorrente juntou aos autos o contrato de empréstimo (fls. 9.768/9.770); Livro Razão da Franor (fls. 9.771/9.790) e Livro Razão de Ariel Horovitz (fls. 9.771/9.810); documentos de crédito e autorizações de transferência (fls. 9.811/9.844); extratos bancários (fls. 9.845/9.863). Na avaliação das provas, foram observados os documentos e confrontados com a planilha apresentada pelo contribuinte a título de “EMPRÉSTIMOS EM CONTA CORRENTE FRANOR”. O cotejamento da planilha com a documentação que dá lastro aos empréstimos, comprovam a origem dos valores creditados em conta do contribuinte no montante de R$ 2.522.240,49. Empréstimo bancário No intuito de justificar a origem de crédito ocorrido em 29/08/2009 na conta corrente 780209, do Banco Itaú, o contribuinte apresentou o Instrumento Particular de Assunção de Dívida firmado em 29/08/2006, através do qual o Condomínio "Ariel Horovitz e outros" assumiria dívida oriunda de empréstimo bancário realizado por Franor Agrícola S/A junto ao Banco Santander Banespa, no valor de R$ 1.992.000,00 (fls. 6773/6776), para o repasse de empréstimo bancário por ela contraído junto ao Banco Santander Banespa S/A, na importância, que o transferiu na mesma dada ao efetivo usuário dos recursos (fl. 6.776). Junta ainda o documento de empréstimo de fls. 7.827/7.833, com data de 28/08/2006. Assim, entendo atendidos o contexto probatório da origem do numerário, devendo ser excluído da base de incidência. Demais valores Segundo o contribuinte, as importâncias de R$ 8.542,00 e R$ 20.000,00, levadas a crédito na conta corrente n° 72.0836, mantida junto ao Banco Bradesco S/A, correspondem a recebimentos de parcelas pela alienação de veículo automotor, Audi/A3, placas CSJ 1611, venda essa efetivada em 11 de dezembro de 2006 (fl. 6766). Afirma que o veículo foi alienado por R$ 29.500,00 e que a diferença de R$ 958,00 se refere a desconto concedido. A data da alienação e o valor convergem para o entendimento de que o documento apresentado à fl. fl. 6766 justifica a origem do depósito. Em relação ao crédito de R$ 40.000,00, de 10/03/2006, assevera o contribuinte que se refere à venda de usina de beneficiamento de arroz e atrela o crédito às seguintes notas fiscais de venda de ativo imobilizado: 002153 e 002154, em 23/05/2006, ambas Fl. 9907DF CARF MF Processo nº 19515.000108/201019 Acórdão n.º 2401005.415 S2C4T1 Fl. 9 15 no valor de R$ 10.000,00 cada; 002155 e 002156, em 29/05/2006, nos valores de R$ 10.000,00 e R$ 7.000,00, respectivamente, e 002160, emitida em 03/06/2006, no valor de R$ 3.000,00 (fls. 6890/6895). De acordo com a documentação adunada aos autos, entendo que restou comprovada a origem do crédito. No tocante ao crédito de R$ 17.000,00, de 28/06/2006 (fl. 6903), embora o contribuinte tenha procurado demonstrar a sua vinculação com a operação de venda de ativo imobilizado, não entendo que a documentação juntada comprove referida alegação, razão porque não reconheço a origem do crédito. Por fim, com relação aos demais créditos relacionados no demonstrativo adunado ao Recurso Voluntário (fl. 7813), não há nos autos justificativas plausíveis para a exclusão dos referidos valores da base apurada. Assim, entendo que encontramse justificados os valores de R$ 2.941.000,00, R$ 2.055.883,80, R$ 312.786,99, R$ 2.406.069,00, R$ 1.055.000,00, R$ 2.522.240,49, R$ 1.992.000,00, R$ 8.542,00, R$ 20.000,00 e 40.000,00, razão pela qual devem ser excluídos da base de cálculo tributável. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, nego a preliminar suscitada e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de cálculo tributável os valores de R$ 2.941.000,00, R$ 2.055.883,80, R$ 312.786,99, R$ 2.406.069,00, R$ 1.055.000,00, R$ 2.522.240,49, R$ 1.992.000,00, R$ 8.542,00, R$ 20.000,00 e 40.000,00, considerados de origem comprovada. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 9908DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.722085/2011-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 04678402969 - CPF não encontrado.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente MORAISTER GUINDASTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº. 2. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 20 85 /2 01 1- 02 Fl. 73DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 46 à 49) interposto contra o Acórdão n° 0238.367, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (efls. 38 à 40), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). No que se refere à jurisprudência, por falta de lei que lhe atribua eficácia normativa, não constitui norma geral de direito tributário decisão judicial que produz efeito apenas em relação às partes que integram o processo (art. 100 do CTN). É fato não contestado que a entrega se deu fora do prazo. Assim sendo, a multa foi aplicada conforme previsto na legislação tributária. De acordo com o inciso VI do art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple a hipótese invocada como razão para a dispensa da multa em lide. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13603.722085/201102 Acórdão n.º 1002000.184 S1C0T2 Fl. 74 3 A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funciona (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Ante o exposto, VOTO no sentido de julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO para manter a exigência do crédito tributário lançado. Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o reconhecimento da denúncia espontânea e sua ausência de intenção em lesar o Fisco. Pugna, também, pela violação dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e nãoconfisco, verbis: Assim sendo, como é fato simples e notório que o contribuinte não lesou e nem tentou lesar o Fisco Federal, reconhecendo e confessando espontaneamente a infração cometida e efetuando, concomitantemente, o pagamento dos tributos apurados; e como inexiste antecedente de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração; e ainda, amparado nos Princípios da Razoabilidade; Proporcionalidade e o do Não Confisco e na legislação citada nos fundamentos deste instrumento, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Embora os fundamentos utilizados em sede recursal tenham alcançado um maior espectro, o cerne do pedido reside no mesmo objeto apresentado na Impugnação. Somandose a isso, os argumentos trazidos à baila pela Recorrente já se encontram pacificados por este Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual não há óbice de supressão de instância. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, afasto de imediato a alegação de malferimento ao processo administrativo fiscal, por suposta ausência de procedimento apuratório antecedente. Cumpre registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal,. desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio, tampouco qualquer pedido de esclarecimento endereçado à Contribuinte. Em assim sendo, o lançamento deve ser feito (e tal como o foi) mediante notificação recebida via Internet (efl. 7), conforme o art. 11 do Decreto 70.235/72,. inexistindo, por conseqüência, quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no citado Decreto. Fl. 75DF CARF MF 4 Não vejo como acolher os outros pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF; os indigitados argumentos defensivos foram fundamentadamente afastados em primeira instância. No que cinge às ilegalidades levantadas pela Recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Nessa trilha, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13603.722085/201102 Acórdão n.º 1002000.184 S1C0T2 Fl. 75 5 pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Estribado em tais argumentos, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, a Contribuinte só eventualmente é onerada pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, considerando os elementos dos autos, o controle de legalidade exercido não aponta quaisquer incorreções. A exigência se apresenta adequada. De arremate, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. No que concerne o eventual malferimento aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e nãoconfisco, repiso que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Logo, não há que se arguir nessa instância o eventual efeito confiscatório da multa. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 77DF CARF MF 6 Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721598/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM COMPROVADA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Uma vez comprovada a origem dos valores creditados em conta bancária, confirmando não se tratarem de renda, a exigência não se sustenta, devendo ser extinto integralmente o crédito tributário exigido de ofício.
Numero da decisão: 1301-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Uma vez comprovada a origem dos valores creditados em conta bancária, confirmando não se tratarem de renda, a exigência não se sustenta, devendo ser extinto integralmente o crédito tributário exigido de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 98 /2 01 3- 25 Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.305 2 Relatório O presente processo foi alvo de Resolução proferida por este colegiado (1301000.309) na sessão de 01 de março de 2016 com composição absolutamente distinta da presente. Por oportuno, transcrevo o relatório de tal decisão, complementandoo ao final: MCCANNERICKSON PUBLICIDADE LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário lançado no presente processo. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi apurada omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada em todos os meses do ano de 2009, razão pela qual foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 641646), CSLL (fls. 647651), COFINS (fls. 652657) e PIS (fls. 658664). Conforme descrito no “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 613615, o contribuinte foi intimado a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados e/ou creditados em suas contas bancárias mantidas junto ao CITIBANK, ao ITAÚ, ao BRADESCO, ao SANTANDER e ao UNIBANCO. Não houve atendimento integral à intimação, tendo então sido lavrado Termo de Reintimação para apresentação dos documentos. Esgotados os prazos das intimações, o contribuinte não logrou comprovar a origem da totalidade dos recursos depositados e/ou creditados em suas contas bancárias. Diante disso, foram elaboradas relações de depósitos/créditos bancários cuja origem não foi comprovada, junto aos bancos CITIBANK (Anexo A), ITAÚ (Anexo B), SANTANDER (Anexo C) e UNIBANCO (Anexo D). Especificamente quanto aos depósitos/créditos bancários encontrados no CITIBANK, afirma a autoridade autuante que são valores provenientes do exterior relativamente aos quais o contribuinte apresentou cópias de contratos de câmbio, mas não apresentou documentação hábil e idônea que desse suporte à razão e/ou motivo para o ingresso dos valores. Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.306 3 Em conseqüência da falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos bancários discriminados nos referidos Anexos, foram tais valores reputados receitas omitidas, com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Sobre os créditos tributários apurados a partir das receitas omitidas foi aplicada multa de ofício de 75%. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 668696, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: No curso da ação fiscal foi apresentada, para cada um dos itens apontados pela autoridade autuante, toda a documentação comprobatória do ingresso dos recursos nas contas bancárias. A despeito disso, a autoridade autuante presumiu indevidamente que os depósitos bancários são receitas omitidas. A presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é relativa, de modo que a prova da origem e natureza dos recursos ingressados nas contas bancárias afasta sua aplicação. Essas provas foram apresentadas durante a fiscalização e são reapresentadas junto da impugnação, consistindo elas de: a) demonstrativos de lançamentos contábeis; b) extratos do sistema eletrônico contábil; c) contratos de câmbio; d) avisos de recebimento/extratos emitidos pelas respectivas instituições financeiras; e) notas de débito emitidas pela McCANN ERICKSON PUBLICIDADE LTDA (doravante apenas McCANN); f) notas fiscais de terceiros comprovando os custos a serem reembolsados pela McCANN; g) ordens de compra emitidas pela MC CANN para a contratação de terceiros. Somente o preço do serviço de agenciamento de publicidade (comissão) cobrado pela McCANN de seus clientes podem ser reputados receita bruta dela. Não são receitas da McCANN os valores que apenas ingressam em seu caixa, mas não são incorporados ao seu patrimônio, de modo que são debitados ao ativo em contrapartida a créditos no passivo, sem transitar por conta de resultado. Nessa situação encontram se os reembolsos dos serviços prestados por terceiros, como veículos de divulgação, os reembolsos dos custos incorridos pela McCANN para manutenção de uma estrutura administrativa utilizada por mais de uma empresa do grupo e os valores provenientes de mútuo. Tais ingressos sequer representam receita da McCANN, não havendo razão para incidência sobre eles de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.307 4 A McCANN contraiu empréstimo junto a empresas pertencentes ao mesmo grupo e residentes no Brasil e no exterior, sendo tais operações comprovadas por lançamentos contábeis, contratos de câmbio e extratos emitidos pelas instituições financeiras. Essas operações são assim identificadas: a) R$ 8.667.500,00, constantes do Anexo A (CITIBANK), identificadas como item 30; b) R$ 245.427,00, constantes do Anexo C (SANTANDER), identificadas como item 04; c) R$ 300.000,00, constantes do Anexo D (UNIBANCO), identificadas como item 171. Nos termos da Circular nº 3.491/2010, do Banco Central do Brasil, os empréstimos concedidos por empresas estrangeiras às empresas nacionais pressupõem o registro eletrônico da operação financeira (ROF) no Sistema de Informações do Banco Central (SISBACEN), de modo que é descabido considerar o Contrato de Câmbio nº 07/078383 como insuficiente para a comprovação da origem dos recursos ingressados na conta mantida junto ao CITIBANK, quando este contrato expressamente aponta a operação de natureza “605078509590 – empréstimos Diretos” e o número do registro RDE TA5/01548. Já o Contrato de Câmbio nº 09/004369, referente ao ingresso de recursos no SANTANDER, apresenta, erroneamente, a natureza de serviços administrativos, sendo que essa inconsistência formal não altera a natureza de empréstimo da operação. Por fim, o ingresso de recursos na conta bancária mantida junto ao UNIBANCO se refere à amortização, pela MOMENTUM PROMOÇÕES LTDA, de empréstimo nacional anteriormente efetuado pela McCANN, na qualidade de mutuante, de modo que a operação é comprovada pelos próprios registros contábeis. Junto da impugnação é apresentada, ainda, versão em português do contrato que originou o ingresso de recursos por empréstimo no CITIBANK. Ficam comprovadas, assim, as operações de empréstimos, de modo que os recursos movimentados em virtude dessas operações não podem ser reputados receitas omitidas. A McCANN realiza atividades cujos custos são reembolsados por outras empresas do grupo, atividades essas relacionadas à centralização e padronização dos procedimentos e políticas financeiras e administrativas (contabilidade, orçamento, planejamento financeiro, folha de pagamento etc), gerenciamento de riscos, desenvolvimento de estratégias de marketing, consultoria internacional e estrutura de tecnologia. Os reembolsos desses custos e despesas incorridos não podem ser qualificados como receitas tributáveis. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.308 5 Para comprovar tais fatos, são apresentados registros contábeis a título de reembolso de despesas, contratos de câmbio relativos ao ingresso de recursos a título de reembolso, avisos de recebimento emitidos por instituições financeiras e as correspondentes notas de débito emitidas pela McCANN no exato valor dos reembolsos. As notas de débito foram denominadas Invoices, mas não correspondem a cobranças por serviços prestados, mas sim a meros reembolsos de custos. Qualificamse como reembolsos dessa espécie, os depósitos/créditos bancários assim identificados: a) valor total de R$ 10.579.933,00, correspondente ao somatório dos itens 12, 20, 25, 34, 36, 38 e 39, constantes do Anexo A (CITIBANK); b) valor total de R$ 206.758,00, correspondente ao somatório dos itens 16, 499 e 570, constantes do Anexo D (UNIBANCO). Tais depósitos/créditos bancários não podem ser considerados receitas, pois não acrescentam riqueza ou patrimônio à McCANN. Ainda que fossem reputados receitas, seria descabida a exigência de PIS e COFINS sobre os valores provenientes do exterior, pois seriam isentos, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Quanto ao IRPJ e à CSLL, a autoridade autuante, ao considerar receitas tais valores, deveria também ter computado as despesas e custos incorridos para auferilas, despesas e custos estes que a MC CANN não computou como dedutíveis. As atividades das agências de propaganda, tal qual a MC CANN, são reguladas pela Lei nº 4.680/1965 e pelo Decreto nº 57.690/1966. Segundo esses diplomas normativos, o faturamento das agências de publicidade deve ser segregado em duas parcelas distintas, quais sejam: a) despesas geradas pela prestação do serviços e que serão reembolsadas pelo anunciante, como as relacionadas à contratação do veículo de divulgação, despesas essas discriminadas em um demonstrativo baseado na nota fiscal emitida pelo veículo, a qual deve ser remetida para a agência, em nome do anunciante; b) valores relativos aos honorários da agência de publicidade propriamente ditos, conforme fatura por ela emitida. Relativamente aos valores definidos no item “a”, é descabida a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS da McCANN, pois eles apenas transitam pelas contas bancárias da empresa, não representando receitas. Esses fatos estão comprovados pelos respectivos registros contábeis, pelos extratos bancários, recibos, contratos de câmbio e notas de débito emitidas pela MC CANN, bem como pelas notas fiscais emitidas por terceiros. Qualificamse como reembolsos dessa espécie, os depósitos/créditos bancários assim identificados: a) valor total de R$ 1.601.302,00, correspondente ao somatório dos itens 02, 06, 07, 10, 11, 13, 14, 15, 18, 22, 26, 27 e 37, constantes do Anexo A (CITIBANK); Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.309 6 b) valor total de R$ 122.066,00, correspondente ao somatório dos itens 05, 07, 08, 09, 10 e 15, constantes do Anexo B (ITAÚ); c) valor total de R$ 797.779,00, correspondente ao somatório dos itens 02, 07 e 09, constantes do Anexo C (SANTANDER); d) valor total de R$ 605.002,00, correspondente ao somatório dos itens 63, 101, 107, 108, 178, 179, 217, 218, 224, 236, 255, 265, 267, 272, 273, 302, 340, 359, 365, 405, 429, 510, 514, 521, 529, 530, 532 e 533. Ainda que esses recursos que apenas transitam pelas contas bancárias da McCANN fossem reputados receitas, seria descabida a exigência de PIS e COFINS sobre os valores provenientes do exterior, pois seriam isentos, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Para os reembolsos feitos por clientes locais, a exigência de PIS e COFINS representa bis in idem, pois os valores repassados aos veículos de divulgação são tributados por essas exações nestas empresas. Quanto ao IRPJ e à CSLL, também nesse caso a autoridade autuante, ao considerar receitas tais valores, deveria também considerar que os custos e despesas reembolsadas representariam, então, despesas dedutíveis para a McCANN. Caso se entenda pela necessidade de um maior detalhamento para apuração da verdade material, pede a impugnante a realização de diligência com relação aos documentos apresentados, para que se comprove a origem de todos os recursos reputados receitas omitidas. Por fim, pede o cancelamento dos autos de infração lavrados. Protesta, ainda, pela juntada de novos documentos que porventura se fizerem necessários. A 1ª Turma da DRJ/RPO, analisou os argumentos apresentados pelos impugnantes, proferindo decisão para julgar improcedente as manifestações de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumese que correspondem a receitas omitidas os valores dos depósitos bancários cuja origem não for comprovada pelo sujeito passivo, por meio de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2009 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.310 7 impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, finalizando com os seguintes pedidos, os quais podem ser assim resumidos: 1) requer a nulidade do lançamento, ou, alternativamente; 2) o provimento do recurso para que o auto de infração seja julgado totalmente improcedente, cancelandose o crédito tributário nele consubstanciado em virtude da inexistência de omissão de receita e da total falta de caracterização do fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e 3) por fim, requer a realização de diligência, em observância ao princípio da verdade material. O então relator dos autos, assim encaminhou seu voto: O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi apurada omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada em todos os meses do ano de 2009, razão pela qual Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.311 8 foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 641646), CSLL (fls. 647651), COFINS (fls. 652657) e PIS (fls. 658664). Conforme descrito no “Termo de Constatação Fiscal” de fls. 613615, o contribuinte foi intimado a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados e/ou creditados em suas contas bancárias mantidas junto ao CITIBANK, ao ITAÚ, ao BRADESCO, ao SANTANDER e ao UNIBANCO. Esgotados os prazos das intimações, o contribuinte não logrou comprovar a origem da totalidade dos recursos depositados e/ou creditados em suas contas bancárias. Diante disso, foram elaboradas relações de depósitos/créditos bancários cuja origem não foi comprovada, junto aos bancos CITIBANK (Anexo A), ITAÚ (Anexo B), SANTANDER (Anexo C) e UNIBANCO (Anexo D). Especificamente quanto aos depósitos/créditos bancários encontrados no CITIBANK, afirma a autoridade autuante que são valores provenientes do exterior relativamente aos quais o contribuinte apresentou cópias de contratos de câmbio, mas não apresentou documentação hábil e idônea que desse suporte à razão e/ou motivo para o ingresso dos valores. Em conseqüência da falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos bancários discriminados nos referidos Anexos, foram tais valores reputados receitas omitidas, com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Sobre os créditos tributários apurados a partir das receitas omitidas foi aplicada multa de ofício de 75%. Ocorre que junto com a Manifestação de Inconformidade, o interessado juntou os documentos de fls. 7572037, os quais, no entendimento deste julgador, tem o condão de comprovar, se não tudo, pelo menos parte das alegadas omissão de receitas por depósitos bancários não identificados, haja vista que lá se encontram os contratos de câmbio (acima tratados), bem como os documentos que comprovam a prestação de serviços de publicidade à seus clientes, com os respectivos custos das mídias, valores estes que apesar de terem transitado pelas contas bancárias da interessada, foram alegadamente repassados às empresas onde as campanhas foram veiculadas. Assim, por aplicação do Princípio da Verdade Material, entendo que tais documentos, ainda que apresentados a destempo, devam ser devidamente avaliados a fim de se verificar se os mesmo são capazes de afastar a presunção de omissão de receitas lançadas no auto de infração. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá sejam avaliados os documentos juntados quando da interposição da Impugnação (fls. 7572037) e Recurso Voluntário; Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.312 9 2. A Unidade Preparadora se manifeste conclusivamente sobre tais documentos, esclarecendo se os mesmos comprovam os depósitos bancários realizados nas contas bancárias do interessado, refazendo, se for o caso, os Anexos A (Citibank), B (Itaú), C (Bradesco), D (Santander) e E (Unibanco) ao Termo de Constatação Fiscal; 3. Caso entenda necessário a intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos que assim o faça; e, por fim 4. se manifeste a Autoridade sobre quaisquer outras informações que entender necessárias e relevantes para a correta elucidação deste litígio. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. Ato contínuo, o processo foi remetido à unidade de origem para realização da diligência. Por meio do relatório de fls. 22962999, a autoridade fiscal designada para o exame concluiu pela impossibilidade de alteração do lançamento, conforme parte final do relatório transcrita a seguir: Após a análise do presente processo, temos a informar: Os documentos mencionados pela 3ª Câmara / 1º Turma Ordinária (fls. 757 2037) , já foram verificados e analisados pela 1@ Turma da DRJ/RPO; Encontramos às fls. 5 do Acordão [sic] nº 1450.911 da 1§ Turma da DRJ/RPO (fls. 2047 do presente processo): "Indefiro o pedido de diligência formulado pelo interessado por ser prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, ante a verificação de que há nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador (grifo nosso), em consonância com o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que regulou o Processo Administrativo Fiscal (PAF), ...” Com relação aos documentos apresentados no Recurso Voluntário, não constatamos, s.m.j. , fatos novos , que possam modificar a convicção deste Auditor Fiscal , quanto a matéria controversa. Compactuamos com o que consta às fls. 06 do já citado Acordão (fls. 2050 do presente processo) : "A lide que se apresenta no presente processo administrativo tem como ponto central, conforme já referido, o poder de convencimento dos documentos apresentados pela impugnante quanto à origem dos depósitos/créditos bancários ingressados em suas contas" Conforme consta no voto do Acordão [sic] nº 1450.911 da 19 Turma da DRJ/RPO , e que concordamos, a impugnante juntou aos autos, documentos de Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.313 10 emissão unilateral da própria impugnante nos quais constam informações acerca de supostos mútuos. Os referidos documentos não têm qualquer confirmação pelo terceiro contratado, de modo que, somente com base neles, não há como reconhecer a efetividade da operação. Com relação aos Contratos de Câmbio , conforme explanado a partir das fls. 2052 do presente processo e que também concordamos, temos: "Da leitura deste ato normativo inferese que o registro da operação de empréstimo externo junto ao BACEN é feito por meio de Registro Declaratório Eletrônico RDE , no Sistema de Informações Banco Central Sisbacen. Tratase de registro declaratório, devendo o responsável por ele manter a documentação comprobatória da operação registrada pelo prazo de cinco anos, sendo que o registro não exime os responsáveis do cumprimento das disposições legais e regulamentares aplicáveis às operações registradas, inclusive as de natureza tributária. Em suma, o contrato de câmbio registrado junto ao Sisbacen contém informações inseridas pelos próprios responsáveis pelo registro e não exime a estes de apresentar a documentação comprobatória da operação quando necessários, inclusive para fins tributários. Na situação de que se trata o presente processo administrativo, a autoridade autuante intimou o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos/créditos bancários ingressados em sua conta. Evidentemente, a documentação hábil e idônea a comprovar que o depósito ora sob análise se trata de empréstimo entre empresas do mesmo grupo, tal como alega a impugnante, não se limita ao contrato de câmbio registrado no Sisbacen. É necessária a apresentação do próprio contrato de mútuo firmado entre as partes, de modo a que se possa constatar que os valores ingressados na conta bancária tem por origem, de fato, um empréstimo e que os dados inseridos no Sisbacen têm correspondência com a operação efetivamente praticada. Não se está aqui admitindo a existência de provas legais nessa matéria, vale dizer, não há norma que imponha à autoridade administrativa o dever de reputar verdadeiras as informações constantes do contrato de mútuo. A despeito disso, o fato de ter sido emitido com a participação da contraparte e de conter informações específicas a respeito das condições a serem observadas pelas partes são atributos que o qualifica como fundamental no convencimento do julgador.) " Em relação ao reembolso , a impugnante alega que realiza atividades cujos custos são reembolsados por outras empresas do grupo, atividades essas relacionadas à centralização e padronização dos procedimentos e políticas financeiras e administrativas, gerenciamento de riscos, desenvolvimento de estratégias de marketing, etc... Entretanto as alegações deduzidas pela impugnante não encontram sustentação nas provas apresentadas, provas essas que sugerem a ocorrência de prestação de serviço , sem entretanto comprovar esta efetiva prestação. As provas apresentadas junto à impugnação para cada um dos depósitos listados pela recorrente , seguem um padrão e constituemse, sobretudo, de registro contábeis, extratos bancários, recibos, contratos de câmbio, notas de débito emitidas pela própria MC CANN e notas fiscais de terceiros. Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.314 11 É pacífica a jurisprudência, que as despesas para serem dedutíveis devem: a) comprovadamente corresponder a bens e serviços efetivamente recebidos e pagos; b) ser necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; Os documentos apresentados, conforme já relatado, apenas atestam a remessa de recursos entre empresas, com resumidos históricos que sugerem a existência de prestação de serviço,sem contudo comprovar a efetiva prestação de serviços da MC CANN para as demais empresas. No mesmo sentido, são inconsistentes os documentos apresentados pela impugnante a fim de comprovar a origem dos depósitos bancários relacionados no Anexo D de fls. 18781879, que ela afirma corresponderem a reembolso de pagamentos efetuados aos veículos de comunicação no interesse dos anunciantes. Foram apresentados como documentos comprobatórios , lançamentos contábeis, documentos com anotações do tipo : devolução de fornecedor, recebimento de cliente. De todo o exposto, não entendemos que a documentação apresentada, seja capaz de afastar a presunção de omissão de receitas lançadas no auto de infração, devendo portanto ser mantida a totalidade do lançamento. Fica o contribuinte MCCANNERICKSON PUBLICIDADE LTDA , ciente do teor deste relatório, do qual ficará com uma cópia , podendo o mesmo se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, de acordo com o art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574 de 29 de setembro de 2011. Intimado a se manifestar sobre as conclusões da diligência, a recorrente apresentou o expediente de fls. 22792292 reafirmando os termos de seu recurso voluntário e criticando o resultado da diligência por ter deixado de examinar as provas e, para suas conclusões, ter se baseado única e exclusivamente na decisão de primeira instância, não atendendo ao determinado pelo colegiado na resolução proferida. É o relatório. Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.315 12 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso voluntário já foi conhecido quando da conversão do julgamento em diligência. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Para a recorrente a decisão de primeira instância seria nula em razão de indeferir pedido de diligência e por conter falhas e incoerências. Em sede de impugnação, a interessada requereu a realização de perícia a fim de demonstrar que grande parte dos recursos movimentados em suas contas correntes diz respeito a valores estranhos ao seu faturamento. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. Se a análise das provas realizada pela decisão de primeira instância foi, ou não, satisfatória, isso diz respeito ao mérito da exigência e será analisado em ponto específico deste voto, não implicando, de antemão, qualquer nulidade na decisão recorrida, uma vez que essa foi proferida por autoridade competente e sem cercear o direito de defesa da recorrente, ou seja, não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 559 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Desse modo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. 2 MÉRITO A recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.316 13 A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.317 14 Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas. Em sede de recurso voluntário, conforme já esclarecido na resolução 1301 000.309, além da menção a documentos apresentados na fase de impugnação, foram anexados aos autos outros elementos que, a bem da verdade, buscam rebater os argumentos contidos na decisão de primeira instância a respeito da suposta não comprovação da origem dos depósitos questionados e considerados como receitas omitidas. Compulsando os elementos complementares de prova, em conjunto com os elementos já apresentados em impugnação, concluiuse serem verossímeis as alegações da recorrente, e, com base em tal juízo de valor, determinouse à unidade de origem que analisasse a documentação, cotejandoa com os demais elementos constantes dos autos. Contudo, a autoridade fiscal responsável pelo cumprimento da diligência negouse a realizála, limitandose a transcrever trechos do voto da decisão de primeira instância como razões para não considerar justificada a origem de quaisquer dos depósitos bancários objetos de lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ocorre que, segundo o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Longe de se discutir questões de ordem hierárquica, fica evidente que o legislador deixou suficientemente claro que uma vez decidido pelos órgãos julgadores a necessidade de diligência, deveria a autoridade fiscal incumbida de sua realização proceder conforme a decisão. Vejase que a própria Receita Federal do Brasil também comunga de tal entendimento. Por exemplo, em recente Portaria editada pelo Subsecretário de Fiscalização a respeito do planejamento, diretrizes e metas para as atividades da Fiscalização para o ano de 2016 (Portaria RFB/Sufis nº 1.567, de 13 de novembro de 2015), assim dispõe o § 4º de seu art. 2º: § 4º Os procedimentos de diligências requeridos pelos órgãos de julgamento, PGFN e o Poder Judiciário na fase de contencioso, Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.318 15 administrativo ou judicial deverão ser executados por AuditorFiscal da unidade de jurisdição atual do sujeito passivo ou pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo lançamento. [grifos nossos] Como não poderia deixar de ser, tal Portaria é taxativa: os procedimentos de diligência requeridos pelos órgãos de julgamento deverão ser executados pela unidade de origem. Por fim, corroborando o até aqui exposto, destaco a redação do § 3º do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União: § 3º Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. [grifos nossos] Pois bem, feita essa pequena introdução, passo à análise dos elementos de prova, com as limitações que me são impostas, nesta fase processual, para análise individualizada de todos os elementos de prova apresentados na impugnação e também no recurso voluntário, dificuldade essa agravada pela negativa do exame requerido na resolução proferida nestes autos. A recorrente tem por objeto social a prestação de serviços de agência de publicidade, incluindo o planejamento, redação, preparação, colocação, publicação e exibição de anúncios, bem como a prestação de serviços de assistência e desenvolvimento de pesquisas referentes a métodos de organização, negócios e condições comerciais em geral, verificação das preferências do público, assim como outras atividades semelhantes ou que tenham por escopo incrementar ou facilitar a consecução destes objetivos. Indo ao cerne do litígio, passo a analisar os pontos controvertidos. Antes de tudo, é importante salientar que a recorrente alega que, para cada depósito indicado pela autoridade fiscal, em regra apresentou o seguinte conjunto de elementos de prova (como a própria recorrente esclarece, dependendo da natureza da operação, um ou mais itens pode não ser aplicável a todos os depósitos): a) Demonstrativos de lançamentos contábeis em "contas T"; b) Extratos do sistema eletrônico contábil da Recorrente, os quais comprovam os lançamentos contábeis mencionados no item anterior; c) Contratos de câmbio; d) Avisos de recebimento/extratos emitidos pelas respectivas instituições financeiras; e) Notas de débito emitidas pela Recorrente; f) Notas fiscais de terceiros comprovando os custos a serem reembolsados pela Recorrente; Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.319 16 g) Ordens de compra emitidas pela Recorrente para a contratação de terceiros. Tais documentos foram apresentados em forma de anexos, cada um se referindo a depósitos realizados em uma determinada instituição financeira, a saber: A recorrente elaborou ainda quadro que sintetiza, sob sua ótica, a comprovação da origem dos depósitos considerados como receita omitida pela autoridade fiscal autuante: Das Operações de Empréstimos Intercompany Segundo o Termo de Constatação Fiscal "são valores vindos do exterior, que o contribuinte [...] apresentou a esta fiscalização cópias dos contratos de câmbio, não apresentando porém a documentação hábil e idônea que desse suporte à razão e/ou motivo para o ingresso destes valores". Segundo a recorrente, empresa integrante de um dos três maiores grupos de publicidade do mundo, o Interpublic Group IPG, presente em mais de 100 (cem) países contraiu empréstimos de empresa pertencente ao mesmo grupo. Para comprovar suas alegações, foram anexados à impugnação os seguintes documentos: demonstrativos de lançamentos contábeis, contratos de câmbio e extratos emitidos pelas respectivas instituições financeiras (DOC. 04 da Impugnação), assim organizados: Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.320 17 Compulsando os elementos de prova, discordo do entendimento da autoridade fiscal autuante e também da turma julgadora de primeira instância. A meu sentir, concluo que os depósitos em questão dizem respeito a obrigação com terceiros (depósitos decorrentes de empréstimos). No que diz respeito aos contratos de câmbio, a autoridade fiscal autuante os classificou como "insuficientes para comprovar o ingresso de recursos a título de empréstimo". Conforme já explanado discordo dessa conclusão. É o próprio Banco Central do Brasil que regula o tema, determinando, por meio da Circular n.° 3.491/101 que os empréstimos concedidos por empresas estrangeiras à empresas nacionais pressupõem o registro eletrônico de operação financeira (ROF) no Sistema de Informações do Banco Central (SISBACEN). Desse modo, é o próprio BACEN que promove a regulação e o registro de cada ingresso de recursos no país, inclusive no que toca à natureza de cada um desses ingressos. A passagem do recurso voluntário a seguir transcrita elucida bem o ocorrido: Ao considerar o Contrato de Câmbio n° 09/078383 (DOC. 04, Anexo A, Item 30 da Impugnação) como "insuficiente" para a comprovação do ingresso de recursos a título de empréstimo, no caso dos recursos ingressados na conta corrente mantida no Citibank (quando este contrato expressamente aponta a operação de natureza "605078509590 Empréstimos Diretos", e o número do registro RDE TA5/01548), o auditor fiscal simplesmente desconsiderou o controle da operação pelo próprio BACEN. A decisão de primeira instância, por sua vez, assim se manifestou sobre o tema: Da leitura desse ato normativo inferese que o registro da operação de empréstimo externo junto ao BACEN é feito por meio do Registro Declaratório Eletrônico RDE, no Sistema de Informações Banco Central Sisbacen. Tratase de registro declaratório, devendo o responsável por ele manter a documentação comprobatória da operação registrada pelo prazo de cinco anos, sendo que o registro não exime os responsáveis 1 Em seu Título 3 (Capitais Estrangeiros no País), Capítulo 3 (Operações Financeiras), Seção 2 (Créditos Externos), Subseção 1 (Empréstimos Esterno). Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.321 18 do cumprimento das disposições legais e regulamentares às operações registradas, inclusive as de natureza tributária. Tal conclusão, com a devida vênia, deve properar. Isso porque, conforme dispõe o § 1º do artigo 845 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), “os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, § 1º)”. Nesse sentido, havendo prova do ingresso dos recursos no país (conforme atestado pelo próprio BACEN), e tendo sido apresentados todos os lançamentos retratando os exatos termos da operação, não há como se falar em falta de comprovação de origem dos depósitos. Para que a autoridade fiscal pudesse infirmar os argumentos da recorrente, deveria apresentar os elementos de prova que demonstrassem a inexatidão ou falsidade nos esclarecimentos prestados e documentos apresentados. Como bem argumentou a recorrente, o contrato de câmbio comprova não só o ingresso dos recursos provenientes do exterior, mas também sua conversão para a moeda nacional. E, no caso concreto, há demonstração de que o valor depositado na conta do Citibank da recorrente teve origem na operação retratada no contrato de cambito em questão. Aquiescendo tal interpretação, podese citar o decidido no Acórdão 10421726, cujo excerto da ementa que interessa à presente discussão reproduzo a seguir: [...] ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS EMPRÉSTIMO NO EXTERIOR INGRESSO NO PAÍS E CONVERSÃO COMPROVAÇÃO Empréstimo tomado em país vizinho, em moeda norteamericana, ainda que documentado, não pode ser aceito como justificativa de depósitos efetuados em moeda nacional em contas bancárias no País, se o contribuinte não comprova o ingresso desses recursos do exterior, tampouco a respectiva conversão em moeda nacional. [...] (1o Conselho de Contribuintes, 4a Câmara, Acórdão 10421726, DOU 06/09/2007). No mesmo sentido aponta o decidido no Acórdão 10323.45: [...] Ementa: MÚTUO COM EMPRESA DOMICILIADA NO EXTERIOR COMPROVAÇÃO DE INGRESSO DO NUMERÁRIO Se os lançamentos contábeis referentes aos valores mutuados com pessoa jurídica domiciliada no exterior estão embasados por documentos que comprovam o ingresso do numerário no país, deve ser aceita a dedução dos encargos financeiros previstos no contrato. [...] (1o Conselho de Contribuintes, 3a Câmara, Acórdão 10323.145, DOU 25.09.2007). Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.322 19 Convém ainda ressaltar que além do contrato de câmbio e os registros contábeis apresentados, a recorrente anexou ainda cópia do contrato de mútuo (fl. 2031) e o extrato bancário (fl. 1420) que reflete o exato valor consignado no instrumento cambial em questão. Ainda assim a decisão de primeira instância questionou a divergência de datas e valores. Vejase: Com efeito, o contrato de mútuo prevê o empréstimo, pela IPG à MC CANN, de US$ 10.000.000,00, em 21/05/2009, valor esse a ser amortizado em 21/10/2009. Porém, o contrato de câmbio, relativo ao recebimento de valores pela MC CANN, provenientes da IPG, foi registrado somente em 12/11/2009, no valor de US$ 5.000.000,00. Em sua peça recursal, assim se manifestou a recorrente a esse respeito: Enfim, o detalhe das datas alegado na decisão não pode ser levado em consideração para descaracterizar a operação. Embora tenha havido a assinatura em maio de 2009, a operação somente ocorreu meses seguintes, situação corriqueira e mais do que normal, ainda mais quando envolve a disponibilização de quantia tão relevante. A questão do valor (empréstimo de US$ 5.000.000,00 ao invés de US$ 10.000.000,00) também não possui qualquer fundamento para se descaracterizar a operação de empréstimo. O contrato autorizava o empréstimo (ou seja, uma linha de crédito) de até US$ 10.000.000,00, mas apenas US$ 5.000.000,00 foram emprestados. Aí sim não poderia o contribuinte provar a existência de empréstimo se o recebimento fosse de valor maior do que aquele previsto em contrato. No presente caso, é muito claro que, primeiramente, a Recorrente receberia apenas US$ 5.000.000,00, conforme manifestaram as partes. Isso consta expressamente à fls. 2032, 2033 e 2036 {"initial draw" retirada inicial), parte do contrato, que foi o documento registrado no BACEN e aceito pelos bancos para realizar a transação. Além disso, e em que pese já haver prova robusta e inconteste da existência de uma operação de empréstimo, a Recorrente aproveita a oportunidade para, já que foi levantada dúvida pela decisão, mostrar que esse empréstimo de US$ 5.000.000,00 foi completamente quitado, conforme mostram (i) o contrato de câmbio devidamente registrado no BACEN enviando ao exterior o principal (os mesmos US$ 5.000.000,00) juntamente com os juros aplicáveis; (ii) extrato bancário; (iii) lançamentos contábeis e planilhas de cálculo dos juros; e (iv) emails trocados à época em que fica evidente a natureza da remessa e a existência desse empréstimo, todos aqui juntados da forma como autoriza o art. 16, §4°, alínea "c" do Decreto n° 70.235/72 (doe. 01 anexo). Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.323 20 Ora, a meu ver, os esclarecimentos prestados mais uma vez apontam no sentido de o depósito em questão ter origem na operação de crédito junto a empresas ligadas situadas no exterior. O lapso temporal entre a data consignada no contrato e o efetivo ingresso dos recursos pode muito bem ter origem nas dificuldades burocráticas comuns a operação do gênero no Brasil. A respeito do valor, o contrato estipulava um teto de US$ 10.000.000,00, ou seja, um limite, e não um valor exato na operação. E não há dúvidas de que o valor percebido foi exatamente o equivalente a US$ 5.000.000,00, dentro, portanto, do limite de crédito consignado em contrato. Ademais, a recorrente anexou ao recurso comprovação da efetiva quitação do empréstimo contratado mediante remessa ao exterior via BACEN, apresentando ainda extrato bancário, cópia dos lançamentos contábeis e planilha discriminando o cálculo dos juros efetivamente pagos, além de cópia de emails trocados à época que tratavam da operação em questão. A meu ver, os elementos de prova são mais do que suficientes a comprovar que a operação em questão tratavase de empréstimo, devendo ser exonerado o crédito tributário correspondente. No que diz respeito ao Contrato de Câmbio n° 09/004369 (DOC. 04, Anexo C, Item 04 da Impugnação ingresso de recursos no Banco Santander), segundo a recorrente houve erro no seu preenchimento, constando a natureza de Serviços Administrativos. Argumenta, contudo, que tal ingresso possui natureza de empréstimo e reembolso de despesas, conforme indicam seus registros contábeis, e que essa inconsistência formal não poderia alterar a natureza de empréstimo/reembolso de despesa da operação. A esse respeito, assim decidiu a DRJ: Mais que isso, às fls. 18311834, foi apresentado contrato de abertura e linha de crédito, redigido em língua inglesa e data do [sic] de 01/04/2003, por meio do qual a MC CANN abre em favor da MCCANN ERICKSON BARBADOS linha de crédito no valor limite de US$ 40.000,00. Consta do referido instrumento que os empréstimos tomados por esta empresa devem ser pagos àquela em 360 dias, com possibilidade de prorrogações anuais, sendo que os pagamentos devem ser realizados na cidade de Montevidéu/Uruguai. Destarte, o contrato de linha de crédito apresentado contém divergências de valor, data e local de pagamento relativamente ao contrato de câmbio registrado no Sisbacen. Diante disso, não há como concluir que o depósito bancário, ocorrido em 28/01/2009, no valor de R$ 243.426,52, na conta da MC CANN mantida junto ao SANTANDER tem por origem mútuo celebrado com a MCCANN ERICKSON, sediada em Trinidad e Tobago. À míngua de prova consistente da origem desse depósito bancário, correta é a aplicação da presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996." Já a recorrente argumenta que a referida remessa ao Brasil, no valor de US$ 106.000,00, é composta pelo valor de US$ 40.000,00 (devolução de empréstimo, nos termos do Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.324 21 contrato apresentado com a Impugnação fls. 18311834) acrescido de montante relativo a reembolso de despesas pagas pela recorrente em nome da empresa MC CANN ERICKSON de Trinidad e Tobago. Isso teria ocorrido porque, naquele momento, a empresa estrangeira não disporia de caixa para pagamento de rescisão contratual de seu general manager. Analisando os argumentos e os documentos apresentados concluo que razão assiste à recorrente mais uma vez. Os documentos de fls. 18291830 e os anexados ao recurso voluntário (doc. 02) demonstram que a diferença dos valores entre o contrato de mútuo e a remessa realizada pela empresa domiciliada no exterior advém do reembolso realizado à recorrente de despesas por ela pagas, no Brasil, em nome da empresa ligada MC CANN ERICKSON de Trinidad e Tobago. No que atine aos recursos depositados no Unibanco, aduz a recorrente tratar se de amortização feita pela mutuária (empresa Momentum Promoções Ltda.) de empréstimo nacional anteriormente efetuado pela recorrente, na qualidade de mutuante. Assim, obviamente não havendo contrato de câmbio, a operação se encontra comprovada pelos próprios registros contábeis inclusos no DOC. 04, Anexo D, item 171 da Impugnação, fls. 1906, bem como no contrato (fls. 16571659) e trocas de mensagens entre as empresas (fls. 1907 e 1908). Sobre o tema, consta na decisão de primeira instância: Nesse caso, além do comprovante de lançamento contábil (fl. 1906), a impugnante apresenta o "Contrato de Mútuo" de fls. 16571659, firmado em 15/02/2008, por meio do qual a MC CANN concede à MOMENTUM PROMOÇÕES LTDA empréstimo, no valor de R$ 1.500.000,00, a ser pago em uma única parcela, em até sessenta dias contados da data da respectiva assinatura, correndo juros mensais equivalentes à taxa de variação do CDI acrescidos de um spread de 0,3% ao mês. Da mesma forma, nesse caso os termos e condições do contrato apresentado não permitem concluir que o depósito bancário ora sob apreciação foi efetuado com base nele. A impugnante sequer juntou aos autos as provas da remessa dos valores contratados à MOMENTUM PROMOÇÕES LTDA. e as provas da quitação do saldo remanescente, com os acréscimos contratuais. Em resumo, a prova apresentada é claramente insuficiente, de modo que, corretamente, a autoridade autuante, fundada no disposto no art. 42 da Leri (sic) n° 9.430/1996, reputou os valores depositados receitas omitidas. Novamente entendo que a decisão de primeira instância não se sustenta. Conforme se depreende do documento de fl. 1906, a operação foi devidamente contabilizada com base no contrato de fls. 16571659. Há ainda cópia de troca de mensagens entre as empresas sobre os detalhes e operacionalização do mútuo em questão (fls. 19071908). Em sede de recurso voluntário, em contraposição à decisão de primeira instância, apresentou a recorrente também os documentos citados na decisão recorrida como Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.325 22 necessários à comprovação da origem do depósito em questão, a saber: (i) o registro contábil da concessão do empréstimo à Momentum Promoções Ltda no dia 15/02/2008; (ii) a carta de transferência assinada pelos procuradores autorizando o débito da conta da Recorrente e o crédito na conta da Momentum Promoções Ltda.; (iii) o registro contábil da Momentum Promoções Ltda. onde consta o recebimento do valor remetido pela Recorrente; e (iv) a contabilização da liquidação do empréstimo no dia 10/12/2010 no Banco Itaú e composição através de relatórios contábeis deste valor recebido (R$ 9.757.299,54). Desse modo, comprovada também a origem de tal depósito, a exigência deve ser cancelada também em relação a esse item. Das Operações de Reembolso de Despesas Assim discorre inicialmente a recorrente sobre o tema: O reembolso de custos e despesas relativos a atividades administrativas que beneficiam empresas de um mesmo grupo é prática lícita, comum e aceita pelas autoridades fiscais, sempre que comprovadas as transações e sua real natureza. É lícito e usual que empresas de um mesmo grupo acordem ser conveniente e empresarialmente eficiente que uma delas contrate certos serviços, bem como arque com os custos de certos setores e de profissionais alocados em apenas uma delas, mas desenvolvem atividades aproveitadas por todas as entidades do grupo. Por isso é corrente e legal também que não seja apenas essa empresa contratante a lançar como suas essas despesas e custos. Tais despesas e custos são reembolsados, mediante a devida comprovação e cada uma toma como suas e dedutíveis / apropriáveis apenas as parcelas de despesas e custos que efetivamente lhes cabem. Assim, uma das empresas do grupo concentra atividades como recursos humanos, departamentos financeiro, de marketing, legal e contabilidade, recebendo das demais o reembolso exato de custos e despesas. É necessário notar, entretanto, que, para a adequada caracterização do reembolso de despesas, apenas atividades que não estejam essencialmente vinculadas ao objeto social da empresa provedora das utilidades podem ser reembolsadas. Isto decorre do postulado lógico de que, geralmente, nenhuma empresa se submete a executar a sua principal atividade sem cobrar por ela. Nesse sentido, quanto mais próxima à atividade principal da empresa for a atividade exercida, maior será a possibilidade de questionamento fiscal. No caso da Recorrente, as atividades cujos custos são reembolsados por outras empresas do grupo são relacionadas à centralização e padronização dos procedimentos e políticas financeiras e administrativas (contabilidade, orçamento, planejamento financeiro, folha de pagamento etc), gerenciamento de riscos, desenvolvimento de estratégias de marketing, consultoria internacional e estrutura de tecnologia. Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.326 23 Referidas atividades não correspondem ao objeto precípuo da Recorrente, de forma que podem legalmente ser como de fato o são objeto de uma relação de reembolso de custos e despesas. Isto porque a base territorial na qual os profissionais que desenvolvem tais atividades, que normalmente seria nos Estados Unidos da América, (Miami, Estado da Flórida) foi, por razões de logística e por conveniência do grupo, deslocada para São Paulo, sendo que a Recorrente incluiu tais profissionais em sua folha de pagamentos. Porém, por se tratar de profissionais que, como dito acima, desenvolvem suas atividades em benefício de outras empresas do grupo, convencionouse que a Recorrente seria reembolsada pela empresa localizada em Miami, em relação aos custos de salários e encargos dos referidos profissionais. A Recorrente, por óbvio, uma vez reembolsada dos custos e despesas incorridos, não ocasiona efeito em seu resultado tributável, não havendo, portanto, efeito nas bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Desta forma, o resultado desta operação (Recorrente incorrendo nos custos e despesas, mas, posteriormente, sendo reembolsada dos mesmos) é neutro do ponto de vista tributário. Assim, estes ingressos de recursos em conta corrente da Recorrente nada mais são do que os reembolsos dos custos para manutenção dos profissionais internos que desenvolvem atividades administrativas em prol do grupo empresarial, não correspondendo a receitas para a Recorrente e, portanto, não tendo natureza tributável. A respeito da viabilidade de rateio de despesas entre empresas de um mesmo grupo, a própria Receita Federal reconhece essa possibilidade, conforme se observa na ementa da Solução de Divergência Cosit nº 23, de 2013: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tão somente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.327 24 contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Sobre o tratamento dos reembolsos recebidos há precedente do extinto Conselho de Contribuintes não considerando tais valores como receitas para a empresa que suportou o custo total inicialmente. Vejase: IRPJ RESSARCIMENTO RATEIO DE DESPESAS EMPRESAS DO MESMO GRUPO NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA LUCRO DA EXPLORAÇÃO O ressarcimento da parcela da despesa rateada, por outra empresa do mesmo grupo empresarial, não representa receita para a empresa que suportou inicialmente todo o custeio, mas mero estorno daquele custo. [...](Ac. 8a Câmara do 1o CC 10806.604/2001, DOU 06.10.2001) No caso concreto, portanto, para fins de identificação da origem dos depósitos bancários fazse necessária tão somente a análise dos elementos de prova que demonstrariam que ingressos de recursos em questão dizem respeito a reembolsos de despesas suportadas inicialmente pela recorrente e alvo de posterior rateio entre diversas empresas do grupo. Pois bem, a recorrente anexou à sua impugnação os seguintes documentos (doc. 4): registros contábeis a título de reembolso de despesas, contratos de câmbio relativos ao ingresso de recursos a título de reembolso, avisos de recebimento emitidos pelas instituições financeiras, e as correspondentes notas de débito emitidas por ela no exato valor dos reembolsos. Argumenta ainda a recorrente que em relação às notas de débito, tais documentos foram denominados "Invoices", ou seja "faturas", que seria a prática internacional do grupo, mas não corresponderiam a cobranças por serviços prestados, mas sim meros reembolsos de custos. Arremata que, apesar dessa inconsistência, os documentos internos de fato funcionariam como notas de débito, visto que se prestariam ao efetivo reembolso Sobre o tema, assim discorreu o voto condutor da decisão recorrida: Evidentemente, as provas apresentadas não permitem concluir que o depósito bancário ora sob análise tem por origem reembolsos de despesas pagas pela MC CANN no interesse da empresa MCCANN ERICKSON LATIN AMERICA COORDINATION, sediada nos EUA. Os documentos sugerem, pela presença do termo "invoices", que a MC CANN prestou serviços à MCCANN ERICKSON LATIN AMERICA COORDINATION e foi remunerada por isso [...] Não há como aferir, a partir desses documentos, se as supostas despesas pagas em favor de terceiros foram efetivamente incorridas, em qual interesse foram elas incorridas e qual o critério utilizado para rateálas. Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.328 25 Em seu recurso voluntário, aduz ainda a recorrente que cobrou tais valores porque o escritório brasileiro cobria a região da América Latina e concentrava uma série de tarefas (sobretudo backoffice) que eram de interesse dessas outras empresas do grupo e, consequentemente, usufruídas nas regiões específicas e os valores que foram cobrados e remetidos ao Brasil corresponderiam totalmente a reembolso de despesas. Salienta que a comprovação de seus argumentos pode ser verificada nas próprias invoices, pois todas conteriam a descrição dessas despesas e estariam individual e pormenorizadamente discriminadas nos respectivos contratos de câmbio (cita como exemplo o contido ao final das fls. 1029, 1042, 1176, ...). Esse conjunto de provas demonstraria, de formal cabal, a origem dos valores recebidos do exterior. Por fim, sobre o tema, esclarece: Aqui é válido ressaltar que, ao contrário do alegado na decisão recorrida, nem toda invoice embasa uma prestação de serviço. O termo empregado internacionalmente no grupo (invoice) é genérico e utilizado para instrumentalizar quaisquer cobranças, razão pela qual uma invoice não possui como reflexo imediato e automático uma prestação de serviço (e, ainda que tivesse, pelo menos em relação a PIS e COFINS haveria isenção porque os pagamentos vieram do exterior, como veremos adiante). Nas operações com as agências brasileiras o grupo passou a empregar o termo "debit note" para evitar novas interpretações distorcidas. Pois bem, compulsando os elementos de prova, convencime que os argumentos da recorrente devam ser acatados: (i) os documentos se referem a despesas com pessoal (folha de pagamento, encargos, benefícios e despesas de viagem) pagos pela recorrente e repassados para a McCann Erickson Latin America Coordination; (ii) pequenas despesas de viagem, refeição, transporte, estacionamento, entre outras, além de reembolso de serviços de consultoria contratados de terceiros locais para implementação de software que seria utilizado na administração dessas empresas latinoamericanas. Como bem esclareceu a recorrente, tratamse de despesas de serviços usufruídos por todas as empresas na América Latina e, por isso, houve reembolso a recorrente com valores depositados em sua conta bancária, via contrato de câmbio. Em seu recurso a recorrente anexou ainda (doc. 04) planilhas e lançamentos contábeis relativos aos gastos com pessoal, com a discriminação, por pessoa, dos gastos reembolsáveis, e também despesas extraordinárias (por exemplo, reembolso de um processo trabalhista de funcionário que trabalhou para todas as empresas do grupo), além de pagamento para uma associação de classe que sequer está situada no Brasil. Além disso, todas despesas eram muitas vezes formalizadas e comunicadas à empresa que fez os reembolsos (McCann Erickson Latin America Coordination), conforme pode ser observar no documento intitulado “Intercompany PreApproval Form”. Adicionalmente, como bem frisado pela recorrente, as atividades das agências de propaganda são disciplinadas pela Lei n° 4.680/65 e pelo Decreto n° 57.690/66, diplomas esses que deixam claro o funcionamento das agências no que diz respeito ao pagamento e reembolso de despesas. Destaco os seguintes dispositivo do citado Decreto: Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.329 26 Art. 7º Os serviços de propaganda serão prestados pela Agência mediante contratação, verbal ou escrita, de honorários e reembolso das despesas previamente autorizadas. [...] Art. 9º Nas relações entre a Agência e o cliente serão observados os seguintes princípio básicos: [...] III A Agência obrigarseá a apresentar ao Cliente, nos primeiros dias de cada mês, uma demonstração dos dispêndios do mês anterior, acompanhada dos respectivos comprovantes, salvo atraso por parte dos Veículos de Divulgação, na sua remessa. IV O Cliente comprometerseá a liquidar à vista, ou no prazo máximo de trinta (30) dias, as notas de honorários e de despesas apresentadas pela Agência. [...] Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pala propaganda. Finalizando seus argumentos, a recorrente carreou aos autos no momento da apresentação da impugnação documentos comprobatórios das despesas objeto de reembolso (registros contábeis a título de recursos transitórios (agências), bem como extratos bancários, recibos, contratos de câmbio, notas de débito emitidas pela Recorrente e notas fiscais de terceiros) assim organizados: Novamente entendo assistir razão à recorrente. A fim de dirimir algumas dúvidas levantadas pela decisão de primeira, alguns comentários adicionais fazemse necessários. Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.330 27 Destaco trecho do aresto recorrido a respeito do tema: Tampouco nesse caso há qualquer indício de que o depósito bancário ingressado na conta da MC CANN tem por origem reembolso de despesas com veículos de divulgação. Esse documento, pelo contrário, sugere que a MC CANN foi subcontratada pela MCCANN ERICKSON (ÍNDIA) PVT LTD para a prestação de serviços de publicidade. À fl. 788, ê apresentado documento de emissão da MC CANN, com a indicação "INVOICE 06.F.09", datado de 22/06/2006, e com referência à MCCANN ERICKSON ÍNDIA, no qual são feitas as seguintes observações: "Client: Cocacola índia Usage rights for 6 months of the TV spot convocados Coca cola Talents". Também esse documento sugere subcontratação da MC CANN pela MCCANN ERICKSON (ÍNDIA) PVT LTD, para a prestação de serviços de publicidade à CocaCola indica, serviços esses consistentes no direito à utilização, por seis meses, da peça publicitária "Convocados". Essa suspeita é confirmada pelas Notas Fiscais juntadas às fls. 799 e 803, emitidas, respectivamente, por CONTEÚDO CRIATIVO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA e por SEAGULLS FLY LTDA, nas quais são cobrados cachê e direitos autorais relacionados ao filme "Convocados". Evidentemente, a MCCANN ERICKSON (ÍNDIA) PVT LTD não é um veículo de divulgação. Tratase de agência de publicidade, integrante do mesmo grupo da MC CANN, de modo que os recursos remetidos por aquela empresa a esta, em virtude de serviços de publicidade prestados à CocaCola índia não podem ser reputados reembolso de despesas pagas a veículos de divulgação. Nenhum dos documentos apontados demonstra o pagamento de despesas com veículos de divulgação. Com a devida vênia, não foi isso que ocorreu. Na realidade, a recorrente foi intermediária na contratação de direito de autor detidos por brasileiros para esse fosse utilizado em campanha publicitária desenvolvida pela MC CANN da Índia. Para se chegar a essa conclusão basta analisar as notas fiscais emitidas pelos detentores desses direitos (fls. 799, 803 e 807) onde resta evidente que essa utilização será realizada na índia. Nesse mesmo sentido aponta o documento de fl. 807 (ordem interna de aprovação) por meio do qual a empresa do grupo localizada na índia realizou o pedido de intermediação à recorrente. Destaco ainda outra passagem do voto condutor da decisão recorrida: No tocante ao depósito no valor de RS 763.727,16, datado de 15/01/2009, ocorrido na conta da MC CANN mantida junto ao SANTANDER, os documentos de fls. 18141822 nada comprovam quanto à respectiva origem. Não foi apresentada nota fiscal ou qualquer outro documento que coincida em data e valor com o depósito e que comprove a respectiva origem. No documento de fl. 1814 a impugnante apenas registro que houve recebimento do cliente SANTANDER. Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 19515.721598/201325 Acórdão n.º 1301002.846 S1C3T1 Fl. 2.331 28 A esse respeito, esclarece a recorrente que esse valor diz respeito a reembolso por gastos com veiculação de campanha do cliente Santander. Para comprovar suas alegações anexou ao recurso (fl. 2254) cópia da nota fiscal de faturamento gerada contra Santander no dia 08/01/2009, no valor de R$ 842.500,80, bem como o "Pedido de Inserção" que autorizou a veiculação da propaganda (fl. 2247), realizada pela Editora Abril S.A. (nota fiscal n° 477471, emitida dia 26/12/2008, como valor bruto a pagar de R$ 842.500,80 – fl. 2248). É importante ressaltar que no corpo da nota fiscal (e também no boleto bancário fl. 2249) é mencionada a concessão de um desconto condicional de 9,35% (R$ 78.773,84), desde que o pagamento fosse realizado até o prazo de vencimento (15/02/2009). E assim procedeu a recorrente, que realizou o pagamento no dia 23/01/2009 (cópia de comprovante anexa ao recurso voluntário – fl. 2249). Como fora concedido o mesmo desconto financeiro ao Santander, o valor questionado pelo Fisco é exatamente o valor líquido pago a Editora Abril S/A pela recorrente e posteriormente reembolsado pelo cliente Santander, no valor de R$ 763.727,16. Desse modo, resta evidente que os ingressos em questão tratamse de reembolsos de despesas, ou seja, justificadas estão as origens dos depósitos bancários, não se tratando de renda tributável, afastandose, portanto, a presunção legal de omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904631/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 31 /2 01 6- 17 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904631/201617 Acórdão n.º 3201003.520 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.497, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.904631/201617 Acórdão n.º 3201003.520 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901490/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVADO.
Passível de restituição quando comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1001-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVADO. Passível de restituição quando comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 14 90 /2 01 2- 13 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 241 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/ São Paulo I (SP), mediante o Acórdão nº 1653.114, de 27/11/2013 (efls. 82/87), objetivando a reforma do referido julgado que não reconheceu direito creditório interposto pleiteado. Dos fatos: Em 17/07/2010, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação retificadora nº 14597.68574.190710.1.7.04. 501 (efls. 02/06), (PER/DCOMP original: 03139.91933.301009.1.3.04.3875), informando: Direito creditório no valor de R$ 11.913,76 (valor original) devido ao seguinte pagamento indevido ou a maior do IRPJ: Período de Apuração Código de Receita Data de Arrecadação Valor Original do Crédito Inicial Crédito Original na Data da Transmissão Crédito Original utilizado na DCOMP 30/09/2007, 0220 (Lucro Real trimestral) 31/10/2007 22.128,15 11.914,69 11.913,76 Débitos compensados na DCOMP: Período de Apuração Código de Receita Data de Vencimento Valor Principal Multa Juros de Mora Valor Total Maio/2005 6912 (PIS/PASEP)) 15/06/2005 2.662,55 532,51 1.452,42 4.647,48 Maio/2005 5856 (COFINS) 15/06/2005 5.659,00 1.131,80 3.086,98 9.877,78 Em 03/07/2012, a DRF/Volta Redonda emitiu Despacho Decisório (eletrônico), efl. 08, denegando o direito creditório pleiteado, cuja fundamentação foi a seguinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERDCOMP(PD)/ DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4159236281 22.128,15 Db: cód 0220 PA 30/09/2007 22.128,15 VALOR TOTAL 22.128,15 A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 14/77), juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que após a transmissão da PER/DCOMP retificou a DCTF do 2° semestre/2007, excluindo o débito de IRPJ referente ao período de apuração de 30/09/2007 e solicita o reconhecimento da RFB do recolhimento indevido e por conseguinte do direito ao crédito. A 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado, cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 242 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão que homologou parcialmente a compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão da primeira instância, em 09/12/2013, por Aviso de Recebimento –AR (efl. 89), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 31/12/2013 (efls. 91/92), juntando documentos (efls. 93/144) e aduzindo em suas razões, in verbis: (...) 5. Ao verificar, portanto, que o darf com os dados de: período de apuração: 30/09/2007, código de receita 0220, valor total do DARF R$ 22.128,15 e data de arrecadação 31/10/2007, objeto do o crédito pleiteado, estava vinculado ao um débito inexistente na DCTF e, entendendo que esse era tão somente o motivo pelo qual a Receita Federal não encontrava subsídio para acatar o crédito, pareceu à empresa que sua ação seria exclusivamente a de corrigir a DCTF do 2º semestre/2007, o que de fato ocorreu. 6.O manifesto de inconformidade foi enfático em expressar o motivo da retificação da declaração. A inexistência do débito, (...) DCTF, poderia ser confrontada com a D1PJ, tendo em vista que o débito declarado inexistente se trata do IRPJ, cuja apuração é detalhada na DIPJ. 7. Foram apensados ao manifesto o recibo e cópia da declaração retificadora para a melhor compreensão da ação tomada. 8. Quanto ao fato da mesma ter sido transmitida após o despacho decisório, esclarece o contribuinte que ação não poderia ser diferente, pelo fato do despacho ter alertado o contribuinte para a incorreção cometida. 9. Entendendo que na denegação ao manifesto é que ficou expresso claramente que a Receita Federal desejava a presença Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 243 4 de outros elementos ( Diário, etc ) que lhe dessem a certeza do direito ao crédito, o contribuinte entende que não cabe a aplicação da preclusão aludida para a apresentação desses elementos. 10. Tampouco não faria sentido o direito de interpor recurso que permita restaurar o direito ao crédito, se ao contribuinte não for dado o direito de apresentar provas. 11. Sendo assim, no exercício do direito de interpor recurso e mais ainda no objetivo de demonstrar que faz jus ao crédito requerido, anexa cópias autenticadas do livro Diário do ano de 2007 ( origem do crédito ) e do livro Diário de 2009, extraído do SPED contábil (compensação do crédito ). (...) 12.Para tornar mais clara a identificação dos lançamentos do crédito no Diário de 2007, descreve abaixo as linhas relacionadas: a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor refeente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15 13. É oportuno mencionar, que o imposto excluído foi o IRPJ, e não a CSLL, conforme mencionado no item 8.3 do Acórdão. (...) Em 03/02/2015, os membros do colegiado da 2ª Turma Especial do CARF, mediante Resolução nº 1802000.614, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, cujas considerações do Relator, que propôs a diligência, transcrevo a seguir: Nesta instância recursal, compulsando os autos, observa falhas na instrução processual que não permitem ao julgador formar convicção acerca do mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado. Senão vejamos: a) não há nos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007, quanto à apuração do IRPJ do 3º trimestre/2007 (Lucro Real trimestral); b) não há nos autos cópia da DCTF primitiva, quanto ao débito do IRPJ do 3º trimestre/2007; c) não há nos autos cópia da escrituração contábil/fiscal quanto à apuração da base de cálculo do imposto e do imposto apurado quanto ao 3º trimestre/2007 (livros Razão, Diário, LALUR etc) que pudesse comprovar o alegado erro de fato na apuração do imposto/ preenchimento da DCTF primitiva e que pudesse justificar a apresentação da DCTF retificadora de 30/12/2012 de efls. 17/50. Nesta instância recursal, a recorrente juntou aos autos, apenas, cópia de 02 (duas) folhas do Livro Diário (efls. 113/114), ou seja: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 244 5 a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor referente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Volta Redonda a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF primitiva e a DIPJ 2008, ano calendário 2007), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 30/12/2012 (efls. 17/50) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maio ou indevido; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos do IRPJ do 3º trimestre/2007, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 3º trimestre/2007; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe ou não, e se está ou não disponível para restituição); (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Conforme relatado, a lide versa acerca do crédito utilizado na DCOMP objeto dos autos, e não reconhecido pela decisão a quo, em virtude do seu aproveitamento total em outro débito de IRPJ, referente ao período de apuração de 30/09/2007, que a recorrente alega ser inexistente. A SAORT da DRF/Volta Redonda (RJ) promoveu a devida diligência fiscal para afastar as falhas na instrução processual apontadas na Resolução da Turma Especial do CARF e elaborou relatório (efls. 249/251), cujos excertos transcrevo a seguir: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 245 6 (...) 05. Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência solicitada (item “e”), consultouse o sistema interno da RFB – SIEF Documentos de Arrecadação com o intuito de buscar a confirmação do pagamento realizado em 31/10/2007, código de receita: 0220, no valor de R$ 22.128,15, e pelas telas anexadas aos autos (efl. 166) verificase a realização do mesmo. 06. Da mesma forma, em atendimentos aos itens “c” e “d” da diligência, foi juntada cópia da DIPJ 2008 – anocalendário 2007 (efls. 167 a 210), e, também, cópia da DCTF ORIGINAL do PA 3º Trimestre/2007, data de recepção: 04/04/2008, vide efls. 211 a 214. 07. Em atendimento aos itens “a” e “b”, foi feita a Intimação Saort nº 173/2017, em 07/04/2017, vide efl. 164, da qual tomou ciência em 17/04/2017, conforme Aviso de Recebimento –AR, à efl. 165, intimando que o interessado atendesse, comprovando o que foi solicitado, aos referidos itens. 08. Em 28/04/2017, tempestivamente, o interessado apresentou os documentos para atendimento da referida Intimação. Dentre os documentos apresentados, o mais relevante é o LALUR –Livro de Apuração do Lucro Real, vide efls. 215 a 230. Por meio desse Livro, verificase que no 3º Trimestre de 2007 a interessada apurou prejuízo contábil, no valor de R$ 145.990,60, vide efl. 222, e, consequentemente, o Imposto de Renda sobre o Lucro Real foi zero (efl. 224). Tais valores lançados no LALUR correspondem aos valores declarados na DIPJ 2008 anocalendário 2007: Prejuízo Contábil de R$ 145.990,60 declarado na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral), vide efl. 191, e Imposto de Renda a Pagar igual a zero declarado na Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral), vide efl. 194. Dessa forma, verificase uma coerência entre os valores escriturados no LALUR e os valores declarados em DIPJ. 09. Observouse, também, a data de entrega da DIPJ 2008 anocalendário 2007, que foi em 30/06/2008, portanto dentro do prazo, salientando que a mesma não foi objeto de retificação, vide efl. 163. Dessa forma, a entrega dessa DIPJ ocorreu anteriormente à data de transmissão da Declaração de Compensação nº 14597.68574.190710.1.7.041501 (efls. 02/06), que é o objeto do presente processo, ocorrida em 19/07/2010. 10. Nessa mesma esteira, verificouse as datas dos Termos de Abertura e Encerramento do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, que foram 01/01/2007 e 31/12/2007, respectivamente. 11. Conforme comentado na Resolução nº 1802000.614 (efl. 153), a recorrente juntou aos autos cópias de folhas do Livro Diário (efls. 124/126), e, por meio dos registros constantes dessas folhas, verificouse que foi escriturado corretamente o valor do IRPJ A COMPENSAR (R$ 22.128,15) na conta respectiva, demonstrando a intenção da empresa de recuperar o pagamento realizado em 31/10/2007, no valor de R$ 22.128,15, referente ao IRPJ do 3º Trimestre de 2007, vide efl. 126. Verificouse, também, que foi feito o lançamento do referido pagamento no Banco Real, Agência: 0206, em Miguel Pereira (efl. 124). 12. De acordo com o já relatado no parágrafo 08, a DIPJ 2008 ano calendário 2007, que refletiu as informações econômicofiscais apuradas pela interessada, informou que o IRPJ a Pagar, referente ao 3º trimestre/2007, foi igual a zero (efl. 194), resultado de um prejuízo contábil de R$ 145.990,60 nesse trimestre, vide efl. 191. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 246 7 13. Da mesma forma, os valores escriturados no LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, vide parágrafo 08, estão em consonância com os argumentos da interessada a respeito do pagamento indevido. 14. Apesar da DCTF ORIGINAL do PA 3º Trimestre/2007, data de recepção: 04/04/2008, vide efls. 211 a 214, ter declarado um débito de IRPJ, código de receita: 0220, referente ao 3º Trimestre de 2007, no valor de R$ 22.128,15, vide efl. 213, verificouse, à luz da escrituração contábil do interessado, que esse débito foi igual a zero. 15. Diante do todo exposto nos parágrafos anteriores, considerandose os registros contábeis escriturados (Livro Diário e LALUR Livro de Apuração do Lucro Real), bem como as informações declaradas na DIPJ 2008 anocalendário 2007, resta comprovado que o IRPJ a Pagar, referente ao 3º trimestre/2007, foi igual a zero, resultado de um prejuízo contábil de R$ 145.990,60 nesse trimestre. Vejamos a conclusão do AuditorFiscal ao final do Relatório: 16. Por fim, conforme solicitação contida no item “f” da Diligência, vide parágrafo 04, informo que o valor pago (R$ 22.128,15), por meio de DARF, em 31/10/2007, está disponível para restituição, reservado para o presente processo, de forma que após o julgamento final da presente lide será feita a operacionalização nos sistemas internos da RFB. Conforme bem demonstrado pelo relatório da diligência fiscal, cujos documentos comprobatórios foram insertos nos autos, resta comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição. Portanto, há de ser reformada a decisão dada pela autoridade administrativa de primeira instância. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.721177/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
DA PRELIMINAR DE NULIDADE.
Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO.
A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal.
ÁREA DE BENFEITORIAS. FORMULAÇÃO INICIAL EXAURIDA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
A formulação inicial exaure e delimita o contorno da lide administrativa instaurada. Descabe a insurgência para complementar pedido já julgado pela decisão de primeira instância, resta preclusa a discussão quanto ao cômputo da área de benfeitorias como exclusão da área tributável.
DA ÁREA DE PASTAGEM.
A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da Norma Brasileira NBR ABNT 146533-3.
Numero da decisão: 2301-005.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir como Área Total do Imóvel 3.028,9671 hectares e como Área de Pastagens 1.410,6 hectares, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator) e Wesley Rocha, que deram provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. ÁREA DE BENFEITORIAS. FORMULAÇÃO INICIAL EXAURIDA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A formulação inicial exaure e delimita o contorno da lide administrativa instaurada. Descabe a insurgência para complementar pedido já julgado pela decisão de primeira instância, resta preclusa a discussão quanto ao cômputo da área de benfeitorias como exclusão da área tributável. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da Norma Brasileira NBR ABNT 146533-3.
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Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. ÁREA DE BENFEITORIAS. FORMULAÇÃO INICIAL EXAURIDA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A formulação inicial exaure e delimita o contorno da lide administrativa instaurada. Descabe a insurgência para complementar pedido já julgado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 11 77 /2 01 3- 79 Fl. 265DF CARF MF 2 decisão de primeira instância, resta preclusa a discussão quanto ao cômputo da área de benfeitorias como exclusão da área tributável. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da Norma Brasileira NBR ABNT 1465333. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir como Área Total do Imóvel 3.028,9671 hectares e como Área de Pastagens 1.410,6 hectares, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator) e Wesley Rocha, que deram provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Relatório Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 3 3 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 03060.978, de 30/04/2014, (fls. 68 a 82). Pela Notificação de Lançamento nº 06113/00014/2013, de fls. 06/09, emitida em 17/06/2013, o Contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 577.044,17, resultante do lançamento suplementar do ITR/2009, da multa proporcional (75%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Curralinho ou Engenho Velho” (NIRF 2.733.7413), com área total declarada de 3.209,6 ha, localizado no município de Paracatu MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2009, incidente em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal Nº 06113/00005/2013, de fls. 02/03, encaminhado ao Contribuinte em 17/01/2013 (fls. 04), porém devolvido em 23/01/2013. Tendo em vista a impossibilidade de intimar o Contribuinte por via postal, foi emitido e afixado o Edital nº 1, de 15/04/2013, com data de ciência para 30/04/2013, fls. 05. O referido Termo solicitava ao Contribuinte que apresentasse, além dos documentos inerentes à comprovação dos dados cadastrais relativos à sua identificação e do imóvel (matrícula atualizada e CCIR/INCRA), os seguintes documentos: fichas de vacinação expedidas por órgão competente, acompanhadas das notas fiscais de aquisição de vacinas; demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (DMG/DMR emitidos pelos Estados); notas fiscais de produtor referente a compra/venda de gado, para comprovação do rebanho existente no período de 01/01/2008 a 31/12/2008; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. Por falta de manifestação do Contribuinte, intimado por edital, procedendo à análise das informações constantes da DITR/2009, a fiscalização lavrou a referida Notificação de Lançamento, onde glosou integralmente as áreas de produtos vegetais (30,0 ha) e de pastagens (3.000,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), arbitrando o valor de R$ 3.209.600,00 (R$ 1.000,00/ha), com base no SIPT da RFB, com consequente redução da área utilizada na atividade rural e do Grau de Utilização e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada, disto resultando imposto suplementar de R$ 275.425,60, conforme demonstrado às fls. 08. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 07 e 09. Cientificado do lançamento em 24/06/2013 (fls. 10), o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 22, ofertou em 23/07/2013 a impugnação de fls. 11/21 e documentos de fls. 22/62. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: Embora a área registrada seja de 3.209,6 ha, a área real é de 3.014,8 ha, conforme georreferenciamento; transcreve o art. 12, incisos I, II e III, do Decreto nº 70.235/1972, para afirmar que o Fisco deveria ter esgotado todas as formas de intimação previstas no citado dispositivo legal, antes que fosse providenciada a publicação do Edital, Fl. 267DF CARF MF 4 ensejando a nulidade da intimação via edital e, por conseguinte, a desconstituição do lançamento; transcreve, parcialmente, jurisprudência do STJ para referendar suas alegações; informa que seu endereço à época da intimação e da impugnação permanece o mesmo; diante disso, requer seja decretada a nulidade do Termo de Intimação Fiscal ITR 06113/00005/2013, efetuado via edital, e, conseqüentemente, seja desconstituída a notificação de lançamento n° 06113/00014/2013, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DITR; no mérito, afirma que foi declarada na DITR/2009 uma área de 3.000,0 ha de pastagens, entretanto, comprova por meio de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, que da área total do imóvel, 1.410,7396 ha são utilizados como área de pastagens; por isso não se pode considerar que no imóvel inexista área de pastagens, quando, em verdade, a área utilizada para essa modalidade encontrase comprovada por meio de laudo técnico; quanto ao VTN, o Fisco considerou como valor total do imóvel o montante de R$ 4.859.600,00, sendo que na DITR/2009 havia sido declarado o valor total de R$ 1.850.000,00, conforme consta do laudo de avaliação elaborado por engenheiro agrônomo; não é possível admitir fixação do valor do imóvel nos parâmetros estabelecidos pelo fisco, razão pela qual requer a modificação da declaração para fazer constar o valor acima indicado; o fisco considerou 100% da área total do imóvel como sendo passível de tributação, contudo o laudo técnico comprova que 1.443,3379 ha são áreas de preservação permanente, 147,7915 ha são áreas cobertas com florestas nativas e 12,9363 ha são áreas com benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural; nos termos do art. 10, § 1º, II, "a" e "e", da Lei n° 9393/96, é tributável a área total do imóvel, menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/1989 e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; de igual forma, nos termos do art. 10, § 1º, IV, "a" da Lei n° 9393/96, da área aproveitável, deverão ser excluídas aquelas áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; cita jurisprudência de Tribunais para referendar suas alegações; nesse contexto, devem ser excluídas da área tributável, as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as áreas cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha), tudo conforme comprovado através do laudo técnico que segue anexado, promovendo, inclusive, a modificação do DIAT; Requer: Em preliminar, requereu ainda que seja decretada a nulidade do termo de intimação e desconstituída a notificação de lançamento, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DIAT. Por fim, no mérito, requereu que seja considerada a área de pastagens de 1.410,7396 ha, o VTN como sendo de R$ 1.850.000,00, sejam excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha). A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 4 5 Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE FLORESTAS NATIVAS. Para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada a glosa integral feita pela Autoridade Fiscal na área declarada de produtos vegetais, por não ter sido expressamente contestada nos autos, nos termos da legislação processual. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, Fl. 269DF CARF MF 6 atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão 03060.978 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/05/2014 (fl. 86), mediante Aviso de Recebimento AR. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 102 a 112) reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Em suas razões, alega preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que a intimação do Termo de Intimação Fiscal se deu via edital. Acosta jurisprudência e cita legislação que entende pertinente. O recorrente acosta documentação elencada à fl. 113 e no mérito aduz que: · Da Área Total do Imóvel que a fazenda Engenho Velho ou Curralinho está registrada na SRF sob o NIRF nº 2.733.7413, dotada de área total de 3.209,6 hectares, que após a certificação do georeferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, a área total da propriedade passou a ser 3.028,9671 hectares, que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos; · Que desse valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares), área da gleba 2 (278,5756 hectares), totalizando como área do imóvel 3.023,2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares); · que foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georeferenciada; que o trabalho realizado de georeferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georeferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios; · que apesar da inobservância quanto à apresentação da ADA do exercício de 2009, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 5 7 Acosta jurisprudência que através das matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, a existência de 647 hectares de reserva florestal legal, como norteadora da existência de áreas ambientais de preservação permanente APP, o contribuinte apresenta a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc que através da planta verificase que há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 14.309/2002; · que há inúmeras veredas com suas APP; · que o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. · que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida essas informações. Requer seja considerado como Área de Preservação Permanente APP a área de 796,337 hectares, Área de Reserva Legal – ARL a área de 647,0 e Área de Floresta Nativa AFN a área de 147,791 hectares, excluídas da área tributável. Da Área de Pastagem que a autoridade fiscal manteve a glosa no que diz respeito à área de pastagens em 3.000,00 hectares, constantes da DITR/2009 que para comprovar a quantidade de cabeças de animais apascentados no imóvel, o contribuinte apresenta a Ficha Sanitária do ano de 2008, emitida pelo Órgão de Defesa da Agropecuária do Estado de Minas Gerais, contendo 173 cabeças de até 12 meses, 352 cabeças de 13 a 24 meses e 175 cabeças com mais de 36 meses, totalizando 700 bovinos. Requer que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Do valor da Terra Nua Alega que o Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2009, estava avaliado em R$ 515,62/ha (por hectare), totalizando R$ 1.561.796,02. Aduz que não cabe prosperar a manutenção da tributação arbitrada pela autoridade fiscal, com base na SIPT, razão pela qual o contribuinte requer a modificação da declaração para fazer constar o valor mencionado. Da Área de Benfeitorias Úteis e Necessárias Informa que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares. Alega que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares. Requer seja excluída da área tributável a área de 27,2391 hectares. Resumidamente, o contribuinte postula que seja considerado: * Área total do Imóvel 3.028.9671 hectares *Área de Preservação Permanente – APP de 796,337 hectares * Área de Reserva Legal – ARL de 647,0 hectares Fl. 271DF CARF MF 8 *Área de Floresta Nativa – AFN de 147,791 hectares *Áreas de Benfeitorias Úteis de 27,2391 hectares * Área de Pastagem 1.410,6 hectares * Valor da Terra Nua – VTN para 2009 de R$ 515,62/ha, totalizando R$ 1.561,796,02. Assim, o Recorrente requer que seja excluída da área tributável as APP, ARL, AFN e as ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias. Em 16 de agosto de 2016, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF emitiu a Resolução n. 2301000.624 (fls. 244 a 251), convertendo o julgamento em diligência para que os autos fossem encaminhados ao Auditor Fiscal autuante, a fim de que o mesmo analise os documentos trazidos pelo contribuinte em relação a existência de rebanho apascentado na área destinada a pastagem, assim como seja feito exame se há compatibilidade entre a área pretendida de 1.410,6 ha de pastagem, e o rebanho existente conforme documentos de fls. 239/242. Em 16 de fevereiro de 2017, foi emitida a Informação Fiscal (fl. 256), pela qual o Auditor Fiscal autuante avalia a ficha sanitária de vacinação emitida pelo Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Minas Gerais, pela qual existiam na propriedade 700 bovinos em maio de 2008 e 718 em novembro. Assim, o Auditor considera a média de animais existentes durante o ano para fins de determinação da quantidade do rebanho, de modo que considerase um rebanho ajustado de 709 cabeças de bovinos. Ademais, pondera que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, deve ser considera a área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, sendo que conforme a tabela constante do Anexo I da IN RFB 256/2002, o índice de lotação por zona pecuária para a cidade de Paracatu/MG é 0,25, o que daria um valor comparativo de 2.836 ha. (709 / 0,25), de modo que com fundamento na documentação apresentada, considerase um rebanho existente em 2008 de 709 cabeças de bovinos e que há compatibilidade entre o rebanho e a área servida de pastagem de 1.410,6 ha. (RITR/2002, art. 25; IN SRF nº 256, de 2002, arts. 24 e 25) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Nulidade em Função da Intimação por Edital Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 6 9 O Recorrente requer a nulidade do lançamento em virtude de a intimação ter sido feita por edital, sendo que tal modalidade de intimação somente deveria ser utilizada quando as outras modalidades se mostrarem improfícuas. Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, o interessado, à luz do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/72, foi devidamente intimado, por meio do Edital nº 1/2013, de fls. 05, publicado em 15/04/2013, com data de ciência em 30/04/2013, para apresentar os documentos relacionados no referido Termo de Intimação Fiscal, de 02/03. Isto em razão ter sido infrutífera a tentativa de intimação por via postal, sendo devolvida a intimação encaminhada ao Contribuinte no endereço por ele indicado na sua DITR, exercícios de 2010 (Tela/Sucop de fls. 04); sendo que, nessa oportunidade constou como motivo da devolução, a ausência do Contribuinte (destinatário) ou de outra pessoa para receber tais documentos. Constatada que a intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal), realizada no domicílio informado pelo Contribuinte, restou improfícua, ela foi realizada por Edital. Vale ressaltar que o Decreto nº 70.235/72 não estabelece ordem de preferência que deva ser seguida para que se realize a intimação por Edital e tanto isso é verdade que o § 1º do seu art. 23 é expresso ao dizer “Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo...”, assim, basta que um só dos meios tenha sido utilizado e restado improfícuo para que possa ocorrer a intimação por Edital, não obstante entendimento diverso do impugnante. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 273DF CARF MF 10 Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa em função da intimação ter sido feita por edital, de modo que o contribuinte preparou detalhada impugnação e Recurso Voluntário para apresentar seus argumentos, exercendo plenamente sua ampla defesa. Assim, contendo a Notificação de Lançamento os requisitos legais, estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, constando devidamente identificada e motivada a irregularidade apuração pela autoridade fiscal (subavaliação do VTN declarado e arbitramento de novo valor com base no SIPT da RFB) e tendo o interessado, após dela ter tomado ciência, protocolado a sua impugnação, dentro do prazo legal, não há que se falar em nulidade, por ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Dessa forma, e enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 PAF, é incabível o pretendido cancelamento, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Área Total do Imóvel No que se refere à área total do imóvel, o Contribuinte alega que embora a área total registrada do imóvel seja de 3.209,6 ha, houve certificação do georeferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, pelo qual a área total da propriedade passou a ser 3.028,9671 hectares, sendo que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos. Para tanto, foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georreferenciada, sendo que do valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares – matrícula 24.856 – fls. 129 e ss), área da gleba 2 (278,5756 hectares – matrícula 24.857 – fls. 151 e ss), totalizando como área do imóvel 3.023,2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares – matrícula 24.858 – fls. 159 e ss). Vale ressaltar, ainda, que o trabalho realizado de georreferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georreferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios. Assim, em que pese a informação sobre a área total do imóvel não estivesse devidamente certificada no exercício relativo ao presente lançamento, tratase de questão de fato sobre a qual a tributação deve se fundamentar, ainda que tal fato tenha sido devidamente certificado em um momento posterior. Cumpre lembrar que o artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional dispõe que o lançamento pode ser revisto de ofício quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior, conforme pode ser observado abaixo: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 7 11 (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; No próprio Acórdão da DRJ, consta que os documentos acostados aos autos, por si só, não autorizariam que fosse procedida à alteração pretendida pelo requerente em relação à área total do imóvel, para efeito de apuração do ITR, do exercício de 2010, fazendo se necessário comprovar nos autos que tenha sido providenciada a necessária averbação da retificação da área originária do imóvel à margem da sua matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, nos termos dos artigos 212 e 213 da Lei nº 6.015, de 31.12.1973 (Lei de Registros Públicos), de modo que o contribuinte efetuou a atualização e registro do imóvel. Ante o exposto, o lançamento deve ser ajustado para que a área total a ser considerada seja alterada de 3.209,6 hectares para 3.028,9671 hectares. Das Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas Em que pese o entendimento manifestado no Acórdão da DRJ, no sentido de que para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, tal qual inclusive previsto no artigo 17O da Lei n. 6.938/81, é importante analisar qual vem sendo a interpretação dada a referido dispositivo. Nesse sentido, cumpre citar o Parecer n. 1.329/16 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo qual a PGFN é dispensada de recorrer em processos relacionados com a necessidade de exigência do ADA, uma vez que este teria natureza declaratória e não constitutivo, conforme pode ser observado abaixo: 17. Como dito anteriormente, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de ser inexigível a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal, dado que tal obrigação constava em ato normativo secundário – IN SRF nº 67, de 1997, sem o condão de vincular o contribuinte. 18. Contudo, a Lei nº 10.165, de 2000, ao dar nova redação ao art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, estabeleceu expressamente a previsão do ADA, de modo que, a partir da sua vigência, o fundamento do STJ parecia estar esvaziado. Dispõe o referido dispositivo que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 275DF CARF MF 12 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) 19. Ocorre que, logo após a entrada em vigor do artigo supra, a Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 20013, incluiu o § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, o qual instituiu a não sujeição da declaração do ITR à prévia comprovação do contribuinte, para fins de isenção. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. 20. Os dispositivos transcritos eram, em tese, compatíveis entre si, podendose depreender que o § 7º do artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, tãosomente desobriga o contribuinte de comprovar previamente a existência do ADA, por ocasião da entrega da declaração de ITR, mas não excluiria a sua existência em si. 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 8 13 Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.166 67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, Fl. 277DF CARF MF 14 dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido" (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. Assim, diante do entendimento que vem sendo dado pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da falta de necessidade de apresentação do ADA para que seja usufruída a isenção do ITR, a própria PGFN está desobrigada de discutir tal assunto em juízo. No caso em tela, vale lembrar que ainda que não tenha apresentado o ADA do exercício de 2010, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Além da informação da existência de 647 hectares de reserva florestal legal que já consta nas matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, o contribuinte apresentou a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc, de modo que é possível observar que: há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 9 15 14.309/2002; há inúmeras veredas com suas APP; o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. Vale ressaltar, ainda, que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida tais informações, de modo que o Recurso Voluntário deve ser provido para que sejam excluídas da área tributável pelo ITR a área de 796,337 hectares de Área de Preservação Permanente APP, a área de 647,0 de Área de Reserva Legal – ARL e a área de 147,791 hectares de Área de Floresta Nativa AFN. Das Áreas Utilizadas com Pastagens Verificouse que a autoridade fiscal promoveu a glosa integral da área de pastagens, de 3.000,0 ha. Para comprovação da área servida de pastagens, faziase necessário comprovar nos autos a existência de animais de grande e/ou médio porte apascentados no imóvel, no decorrer do anobase de 2008, em quantidades suficientes para justificala. No caso, para efeito de apuração da área servida de pastagens calculada, cabe observar o índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,25 (zero vírgula vinte e cinco) cabeça de animais de grande porte por hectare (0,25 cab/ha), fixado para a região onde se situa o imóvel, nos termos da legislação aplicada à matéria (alínea “b”, inciso V, art. 10, da Lei nº 9.393/93, art. 25, incisos I e II da IN/SRF nº 0256/2002 e no art. 25 do Decreto nº 4.382/2002 – RITR). Nos termos da citada legislação, a área aceita de pastagens será a menor entre a área declarada e a área calculada, a ser apurada com base no rebanho comprovado, aplicado o índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), fixado para a região onde se situa o imóvel, no caso, de 0,25 (zero vírgula vinte e cinco) cabeça por hectare. No caso, constitui documento hábil para comprovação do rebanho apascentado no imóvel no decorrer do ano de 2008 (exercício 2009), por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gado e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; anexo da atividade rural (DIRPF); laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, dentre outros. Para comprovação dessa área, o requerente apresentou Laudo Técnico, de fls. 41/62, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Fausto José Ulhoa, registrado no CREA/MG e com ART de fls. 64. Especificamente às fls. 45, é informado que o imóvel possui como atividade principal a criação de bovinos de corte e de leite, em uma área de mais de 1.400,00 há formados por pastagens. Às fls. 47, é apresentado quadro que informa o uso atual do imóvel, onde indica que a área de pastagem corresponde a 1.410,7396 ha, está em conformidade com a área de pastagem informada na Planta do Imóvel Georreferenciada, constante do Processo Dossiê em Papel do Processo Digital – PDPPD nº 10167.720035/201423 (anexo ao Processo principal). Cumpre ressaltar que o contribuinte apresentou documentação para dimensionar o rebanho apascentado no imóvel no período de 01/01/2010 a 31/12/2010, sendo Fl. 279DF CARF MF 16 que em 16 de fevereiro de 2017, foi emitida a Informação Fiscal (fl. 256), pela qual o Auditor Fiscal autuante avalia a ficha sanitária de vacinação emitida pelo Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Minas Gerais, pela qual existiam na propriedade 700 bovinos em maio de 2008 e 718 em novembro. Assim, o Auditor considera a média de animais existentes durante o ano para fins de determinação da quantidade do rebanho, de modo que considerase um rebanho ajustado de 709 cabeças de bovinos. Ademais, a autoridade fiscal pondera que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, deve ser considera a área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, sendo que conforme a tabela constante do Anexo I da IN RFB 256/2002, o índice de lotação por zona pecuária para a cidade de Paracatu/MG é 0,25, o que daria um valor comparativo de 2.836 ha. (709 / 0,25), de modo que com fundamento na documentação apresentada, considerase um rebanho existente em 2008 de 709 cabeças de bovinos e que há compatibilidade entre o rebanho e a área servida de pastagem de 1.410,6 ha. (RITR/2002, art. 25; IN SRF nº 256, de 2002, arts. 24 e 25) Dessa forma, damos provimento ao recurso voluntário no tocante à questão da área de pastagem, para que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Da Questão do Valor da Terra Nua VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o imóvel na DITR/2010, de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), sendo arbitrado o valor de R$ 3.209.600,00 (R$ 1.000,00/ha), com base no menor VTN/ha SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. O valor arbitrado de R$ 1.000,00/ha corresponde ao menor valor de VTN/ha, por aptidão agrícola (terras de campos), para o exercício de 2009, dos imóveis rurais localizados no município de Paracatu/MG, com base nos valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 9.393/1996. Ocorre que o Recorrente apresenta o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural (cálculo nas fls. 222 e 223), pelo qual atestase que Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2009, estava avaliado em R$ 515,62/ha (por hectare), totalizando R$ 1.561.796,016. O Laudo Técnico é elaborado por profissional habilitado, e encontrasse acompanhado da ART de fls. 227. Assim, diante da existência de laudo técnico, não há que se utilizar o valor arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT, pelo qual apurouse um VTN de R$ 3.209.600,00 (R$ 1.000,00/ha). Dessa forma, damos provimento ao Recurso Voluntário para que sejam considerados os preços da época do fato gerador, isto é, o exercício de 2009, de modo que multiplicandose o valor de R$ 515,62/ha pela área de 3.028,9671, chegase ao VTN de R$ 1.561.796,02. Área de Benfeitorias Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 10 17 O Recorrente afirma ainda que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares, sendo que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares, de modo que requer seja excluída da área tributável a área de 27,2391 hectares, conforme atestado na fl. 191 do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural. Assim, damos provimento ao Recurso no que tange à exclusão da área de 27,2391 hectares ocupada com benfeitorias. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Redator designado. Cumpre estabelecer que perfilamos dos entendimentos esposados pelo ilustre Relator na apreciação das questões processuais, ao rejeitar a preliminar de Nulidade em função da Intimação por Edital; assim como no exame das questões de mérito suscitadas no Recurso Voluntário e delineadas nos tópicos intitulados "Área Total do Imóvel" e "Área de Pastagens" do Voto Vencido. Entretanto, com a devida anuência do ilustre Relator, fazse imperativo na posição de Redator designado, contrapor entendimentos divergentes no julgamento das questões de mérito delimitadas nos tópicos que se seguem. 1. Das Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas 1.1. No caso concreto, temos lançamento do ITR referente ao Exercício de 2009, em decorrência da atividade de Malha Fiscal incidente sobre as informações prestadas pelo Contribuinte na Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR/2009. 1.2. Na declaração entregue não foram especificadas áreas suscetíveis de exclusão da Área Tributável, em particular "Áreas Ambientais de Preservação Permanente" e "Áreas de Florestas Nativas", fato evidenciado no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (efls 08), de que se extrai a visão que se apresenta a seguir: Fl. 281DF CARF MF 18 (visão parcial do documento anexado às efls 08 ) 1.3. A decisão de primeira instância administrativa, de 30/04/2014, formalizada por meio do Acórdão 03060.978 (efls 68/82), realizara exame minucioso acerca da postulação de áreas não declaradas e requeridas na fase contenciosa, com fundamento em Laudo Técnico (e fls.41/62) atrelado à impugnação. 1.4. Em tal decisão, já estava patente a não comprovação do cumprimento tempestivo da exigência legal prevista para justificar a exclusão das pretendidas áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha) e de floresta nativa (147,7915 ha) do cálculo do ITR/2009. Afigurase útil transcrever o excerto (efls 76) do acórdão que examinara a questão em particular: Com relação às áreas de preservação permanente e cobertas por florestas nativas, que o impugnante requer, conforme mapa georreferenciado constante do Processo Dossiê em Papel do Processo Digital – PDPPD nº 10167.720035/201423 (anexo ao Processo principal) e do Laudo Técnico de fls. 41/62, onde indica uma área de preservação permanente de 1.443,3379 ha, e de vegetação natural de 147,7915 ha, na Fazenda Curralinho ou Engenho Velho, a RFB orientou, no Manual de Perguntas e Respostas, referente ao Exercício 2009 e posteriores, sobre a necessidade da apresentação do ADA junto ao IBAMA, para a exclusão dessas áreas da incidência do ITR, em suas Questões nº 67 e 106: 067 — É exigido o ADA para excluir as áreas de preservação permanente, de reserva legal e as demais áreas nãotributáveis da incidência do ITR? Sim. As áreas declaradas como nãotributáveis devem ser obrigatoriamente informadas em ADA, a cada exercício. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º; RITR/ 2002, art. 10, § 3º, I; IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, I) (...) 106 Quais as condições exigidas para excluir as áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR? Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao Ibama, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 11 19 1.5. Com base no conjunto documental (efls 113/242), anexado na fase recursal, reformulouse o pleito relativo às exclusões da área tributável, ao moderar a Área de Preservação Permanente APP (796,337 hectares), permanecendo a Área de Floresta Nativa AFN de 147,791 hectares, em consonância com o teor do Ato Declaratório Ambiental ADA referente ao Exercício 2014 (efls 125). 1.6. Para fins de exclusão da tributação no tocante às áreas não tributáveis, entre elas, as áreas pretendidas de APP e AFN, é necessário, de regra, proceder a informação tempestiva das respectivas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal (art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR). 1.7. A questão central reside, pois, em estabelecer se, em sede de recurso voluntário, é possível admitir como exclusões da área tributável na apuração do ITR/2009, as áreas descritas como "Área de Preservação Permanente APP" e como "Área Coberta por Floresta Nativa (Vegetação Natural) AFN", tais como especificadas nos documentos anexados aos autos (e fls 124/125) que são referentes aos Exercícios de 2013 e 2014. 1.8. Afigurase, pois, relevante, traçar breves considerações sobre a evolução da jurisprudência administrativa, no que respeita ao marco temporal de apresentação do ADA, e de maneira própria, em relação a fatos geradores a partir do Exercício 2001, que guarda correspondência com o presente caso. 1.9. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mostrase pacífico o entendimento de não se acolher como exclusão da área tributável as áreas de interesse ambiental, dentre as quais, Área de Preservação Permanente e Áreas de Floresta Nativa, cujo ADA tenha sido protocolado após o início da ação fiscal. 1.10. A solidez de tal entendimento pode ser conferida em decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), corporificada no Acórdão nº 9202005.684. Seguese a transcrição do trecho do voto que faz exame específico da questão: No que tange à APP Área de Preservação Permanente, examinandose a legislação de regência, verificase que, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 17O, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA Ato Declaratório Ambiental, para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, tal exigência passou a ter previsão legal, portanto é legítima, conforme a seguir: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). Fl. 283DF CARF MF 20 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. É certo que, no caso da APP, tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, especificou o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR. Tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. 1.11. Em outra decisão proferida pela Câmara Superior (Acórdão nº 9202005.598) ficou assentido como marco temporal, para fins de exclusão da tributação seja de áreas de preservação permanente, seja de áreas de florestas nativas a protocolização do ADA anterior ao início da ação fiscal. É oportuno reproduzir a ementa do citado acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. 1.12. No caso em tela, é fato incontroverso que o contribuinte deixou de apresentar o ADA referente ao exercício de 2009, período a que se refere o lançamento. O início da ação fiscal se operou em 30/04/2013, data da ciência do Edital que fora publicado em 15/04/2013. 1.13. Somente em sede de recurso voluntário é que se operou a juntada dos Atos Declaratórios Ambientais ADA relativos aos Exercícios 2013 (efls 124) e 2014 (efls 125), com informações sobre pretensas áreas ambientais preexistentes na natureza. O ADA relativo ao Exercício de 2013 estampa como data de requerimento junto ao IBAMA, 11/09/2013; o ADA relativo ao Exercício de 2014, 16/06/2014. 1.14. Tanto um como outro foram protocolados em momentos posteriores ao início da ação fiscal (30/04/2013). Assim, não se tem nos autos a necessária comprovação de terem sido requeridos tempestivamente junto ao IBAMA. Com isso, não merece acolhida o pleito para excluir no cômputo da área tributável do ITR/2009 as áreas pretendidas de 796,337 hectares (Área de Preservação Permanente APP) e de 147,791 hectares (Área de Floresta Nativa AFN). 1.15. Em vista considerações delineadas nos subitens precedentes, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto aos pleitos relativos às Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 12 21 2. Da Área de Benfeitorias 2.1. Ao tempo da impugnação, o pleito relacionado à Área de Benfeitorias (12,9363 ha), se baseava no conteúdo do Laudo Técnico atrelado (efls. 41/62), tendo a decisão de primeira instância Acórdão 03060.978 (efls 68/82), se pronunciado nos seguintes termos (efls 76): Quanto à alteração na área declarada de benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural, pretendida como de 12,9363 ha, a mesma não será aqui considerada, pois além de não ter constituído item de malha, o seu acatamento implicaria em agravamento da exigência, o que não é permitido a esta autoridade julgadora, visto que a área declarada, de 14,0 ha, é superior à pretendida. 2.2. Por ter sido solucionada favoravelmente ao contribuinte pois na apuração do ITR/2009 já havia sido reconhecida exclusão da área de 14,0 (quatorze) hectares, superior à área pretendida a formulação inicial está consumada, decidida em observância aos exatos contornos da lide administrativa instaurada. Operase, com isso, a definitividade administrativa da decisão de primeira instância em relação à matéria apreciada. 2.3. Em sede de recurso voluntário, com base em novo Laudo Técnico (efls 185/242), descabe insurgência para complementar pleito tendente a excluir da tributação a área de 27,2391 hectares, correspondente às áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias a atividade rural, pois já se ultrapassou o momento em que se poderia discutir a questão. 2.4. Considerase, portanto, definitiva e irretratável o comando estabelecido pela decisão de primeira instância em relação à parte julgada, restando preclusa a discussão acerca da possibilidade do cômputo da área pleiteada a título de benfeitoria no imóvel. 2.5. Em vista das considerações supra delineadas, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao pleito relativo à Área de Benfeitorias. 3. Da Questão do Valor da Terra Nua VTN 3.1. Para análise da presente questão, é elucidativo destacar parte da abordagem trazida pelo Voto Vencido: Ocorre que o Recorrente apresenta o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural (cálculo nas fls. 222 e 223), pelo qual atestase que Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2009, estava avaliado em R$ 515,62/ha (por hectare), totalizando R$ 1.561.796,016. O Laudo Técnico é elaborado por profissional habilitado, e encontrasse acompanhado da ART de fls. 227. 3.2. Contudo, ao examinar o teor do Laudo de Avaliação anexado aos autos (efls 185/242), o conteúdo exposto no item "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL" e, em particular, a metodologia aplicada para alcançar o valor estimado do VTN, constatase imperfeição verificada ao tempo da seleção da amostra, que, por seu turno, acaba por ensejar dúvidas quanto à aceitação das Fl. 285DF CARF MF 22 conclusões e mesmo quanto à aptidão do mesmo para atender aos requisitos das normas da ABNT. 3.3. Ao iniciar o tópico "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL", o Laudo Técnico propugna que as amostras selecionadas possuem características "tanto quanto possível semelhantes as do imóvel avaliado". Segue a visão parcial do documento de efls 210 . 3.4. Em prosseguimento, apresentase visão parcial do documento anexado às efls 226, uma vez ter sido referenciado pelo Laudo de Avaliação, constituindose documento de suporte ao mesmo e, ainda, por guardar correspondência com o período de apuração (2009). 3.5. Na visão apresentada, podese ter uma noção quanto à abrangência qualitativa da amostra selecionada, bem como de características básicas dos imóveis rurais que a compõem, com destaque para os campos representativos das áreas dos imóveis. 3.5.1. De plano, podese constatar que parte substancial dos imóveis rurais componentes da amostra selecionada possui característica distinta do imóvel objeto de avaliação, denominado "Fazenda Curralinho ou Engenho Novo". Distinta, frisese, levandose em consideração um fator determinante: a área dos imóveis rurais da amostra. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 13 23 3.5.2. Com área avaliada de 3.028,97 hectares, o imóvel rural denominado "Fazenda Curralinho ou Engenho Novo " é classificado como grande propriedade (cerca de 60 Módulos Fiscais, considerando que para o Município de Paracatu, vige a correlação de um Módulo Fiscal para 50 hectares). 3.5.3. Da amostra constituída por 12 (doze) imóveis rurais, somente o oitavo item, "Fazenda Santo Antonio", com área de 2.046,12 hectares (cerca de 40 Módulos Fiscais), e o décimo primeiro, "Fazenda Ioshibras", com área de 984,40 hectares (em torno de 20 Módulos Fiscais) são classificados, quanto ao tamanho, em grande propriedade, assim como o imóvel objeto de avaliação. 3.5.4. Constatase, pois, que parte substancial da amostra elegida é composta por imóveis classificados como pequenas propriedades (área compreendida entre um e quatro Módulos Fiscais), considerandose, ainda, que o Laudo Técnico não traz em seu bojo, justificativa para proceder eleição de tal conjunto amostral. 3.5.5. Com tal distorção, verificada logo na etapa de seleção das amostras, não nos parece razoável que a aplicação dos critérios de homogeneização apresentados nos itens subseqüentes do Laudo Técnico, seja apta a alcançar a finalidade da metodologia proposta, destacadamente no tópico "Classificação da capacidade de Uso das Terras " (efls 211 e seguintes). 3.6. Dentre as diretrizes estatuídas pela Norma Brasileira NBR ABNT 146533 para a avaliação de imóveis rurais, podese destacar o disposto no item 7.7.2.2, ao traçar recomendações relacionadas à qualidade da amostra. 7.7.2.2 A qualidade da amostra deve estar assegurada quanto a: a) correta identificação dos dados de mercado, devendo constar a localização, a especificação e quantificação das principais variáveis levantadas, mesmo aquelas não utilizadas no modelo; b) identificação das fontes de informação e sua confiabilidade; c) número de dados de mercado efetivamente utilizados, de acordo com o grau de fundamentação; d) sua semelhança com o imóvel objeto da avaliação, no que diz respeito à sua localização, à destinação e à capacidade de uso das terras. 3.7. No caso do Laudo Técnico anexado aos autos (efls 185/242), característica específica do imóvel avaliando a dimensão do imóvel parece não ter sido contemplada na formação da amostra, em aparente desacordo com a diretriz estabelecida na alínea "d" do subitem 7.7.2.2 da Norma Brasileira ABNT NBR 146533. 3.8. É inevitável concluir que o conteúdo do Laudo Técnico analisado, em particular, no item "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL", não se presta para contrapor ao valor do VTN apurado pela autoridade fiscal. 3.9. Nestes termos, há de prevalecer o arbitramento do Valor da Terra Nua, nos moldes em que consubstanciado no lançamento. Fl. 287DF CARF MF 24 3.10. Em vista das considerações delineadas nos subitens precedentes, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao pleito relativo ao Valor da Terra Nua. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 288DF CARF MF
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