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Numero do processo: 10680.924984/2016-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 49 84 /2 01 6- 33 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10680.924984/201633 Acórdão n.º 3201003.554 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.698, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.924984/201633 Acórdão n.º 3201003.554 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.722298/2016-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 10/01/2012 a 10/12/2013
INFORMAÇÃO INEXATA NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. TIPICIDADE. Em obediência ao princípio da tipicidade, somente se aplica a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, a quem prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial, definidas nos incisos do § 1º do art. 711 do Regulamento Aduaneiro e aquelas constantes do anexo único da IN SRF nº 680, de 2006.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o art. 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferir-se o princípio do duplo grau de jurisdição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira em relação à aplicação da multa prevista no art. 711, III, do Regulamento Aduaneiro, e o Conselheiro Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), em relação ao afastamento da Selic sobre multa de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/01/2012 a 10/12/2013 INFORMAÇÃO INEXATA NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. TIPICIDADE. Em obediência ao princípio da tipicidade, somente se aplica a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, a quem prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial, definidas nos incisos do § 1º do art. 711 do Regulamento Aduaneiro e aquelas constantes do anexo único da IN SRF nº 680, de 2006. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o art. 17, do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferir-se o princípio do duplo grau de jurisdição. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/01/2012 a 10/12/2013 INFORMAÇÃO INEXATA NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREJUÍZO AO CONTROLE ADUANEIRO. TIPICIDADE. Em obediência ao princípio da tipicidade, somente se aplica a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, a quem prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial, definidas nos incisos do § 1º do art. 711 do Regulamento Aduaneiro e aquelas constantes do anexo único da IN SRF nº 680, de 2006. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA APRESENTADA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A função do recurso no âmbito administrativo é a revisão da decisão da DRJ. Segundo o art. 17, do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente. Não se deve conhecer do recurso quando a matéria nele trazida não foi objeto de impugnação, sob pena de ferirse o princípio do duplo grau de jurisdição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira em relação à aplicação da multa prevista no art. 711, III, do Regulamento Aduaneiro, e o Conselheiro Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), em relação ao afastamento da Selic sobre multa de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 22 98 /2 01 6- 72 Fl. 7443DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.444 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de auto de infração (efls. 34 a 7.362), lavrado pelo Serviço de Fiscalização Aduaneira, que constituiu a exigência da multa regulamentar, com suporte no art. 711, III, do Decreto nº 6.759/2009, por omissão ou informação inexata ou incompleta de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle apropriado, decorrente de revisão de declarações de importação registradas, no período de 01/2012 a 04/2016, no montante total de R$ 35.477.684,37. No Termo de Verificação Fiscal (efls. 7.3547.360), a autoridade relata: Analisando as declarações de importação da empresa no período de 01/2012 a 04/2016, constatase que, a Volvo utilizou a Lei 10.637/2002 como base legal para requerer suspensão de IPI sobre as importações das mercadorias nelas contidas. Nesta ocasião a empresa foi intimada a informar o motivo de declarar nas declarações de importação (DIs), como base legal para a suspensão do IPI, a Lei 10.637/2002. A Lei 10.637/2002 prevê a suspensão de IPI no desembaraço de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem importados diretamente por estabelecimentos de que tratam o caput e o § 1° do artigo 29. O § 1º do artigo 29, abaixo transcrito, abrange as seguintes condições: §1° O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1° da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1°C do art. 4° da Lei n° 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. Fl. 7444DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.445 3 Na sua resposta à intimação, a empresa declara que não é empresa preponderantemente exportadora, o que afasta o inciso II do § 1° acima. Informa ainda que, duas são as razões pelas quais utilizou essa base legal: “a) Porque está dentro do contexto legal geral do tratamento dado ao IPI às importações realizadas pela Contribuinte – SUSPENSÃO DO IPI. Situação essa reconhecida em Solução de Consulta da própria Empresa – Solução de Consulta nº 448 – SRRF 09/Disit (cópia em anexo), da qual destacamos a seguinte parte: “18. Todavia, especificamente em relação ao setor automotivo, a Lei n° 9.826, de 23 de agosto de 1999, com redação dada pela Lei nº 10.485, de 3 de agosto de 2002, em seu art. 5°, e a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu art. 29, concedem suspensão do pagamento do lPI na importação e na saída de mercadorias do estabelecimento industrial... ... 22. Diante do exposto, solucionase a consulta respondendo ao interessado que, no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof), quando da aplicação da mercadoria importada ou adquirida com suspensão de tributos no mercado interno como insumo em produto destinado ao mercado interno, o IPI com exigibilidade suspensa deve ser recolhido até o décimo dia útil do mês subsequente ao da destinação da mercadoria importada, podendo esse valor ser descontado como crédito no pagamento posterior de IPI relativo ao produto final. Todavia, no caso específico de importação ou aquisição dos bens relacionados no art. 5° da Lei n° 9.826, de 1999, e no art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, é possível, quando da destinação ao mercado interno, a aplicação da suspensão do IPI prevista nesses dispositivos legais (reforma a Solução de Consulta SRRF/98 RF/Disit n° 305, de 2005).” (grifado) b) Em segundo lugar porque, no campo atualmente disponível das DIs para informação do fundamento legal, não cabe a identificação de todos os dispositivos legais pertinentes (Leis nºs 9.826, 10.485 e 10.637, com a redação dada pela Lei nº 10.684), optando a Empresa, então, pela citação apenas do mais recente deles, qual seja, a Lei nº 10.637. A título de complementação quanto à tratativa legal ampla do IPI do setor automotivo em geral, devese considerar, também, o disposto no § 4°, do mesmo artigo 29, desta Lei nº 10.637: “As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1° serão desembaraçados com suspensão do IPI.” A Volvo, na notória condição de montadora de autopropulsados, não se enquadra na Lei 10.637/02 (suspensão do IPI para MP, Produtos Intermediários e materiais de embalagem). Tanto é que não entrega as listas de mercadorias a serem importadas, exigência para a fruição do benefício de que trata esta lei. A IN RFB nº 948/2009, estabeleceu os termos e condições para a fruição da suspensão do IPI prevista no art. 29, § 1º, incisos I e II, da Lei nº 10.637/2002. A IN RFB nº 948/2009 condicionou o desembaraço com suspensão do IPI à apresentação da informação, à DRF de domicílio do contribuinte, dos produtos que industrializa; dos produtos autopropulsados aos quais os mesmos se destinam; e das matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de Fl. 7445DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.446 4 embalagem que irá adquirir nos mercados interno e externo. Não se trata de mera obrigação acessória, e sim de condição para fazer jus ao benefício de suspensão de IPI previsto no § 1º, inciso I, do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e disciplinado pela IN RFB nº 948/2009. No entanto, não se encontrou registro de listas ou relações de MP, PI e ME (conforme arts. 6º e 7º da IN RFB nº 948/2009) protocolizadas na DRF/Curitiba ou mesmo eprocessos formalizados para anexar eventuais listas entregues pela VOLVO para fins da suspensão do IPI do art. 29 da Lei nº 10.637/2002. E não seria de se esperar encontrar estas listas, uma vez que a legislação que se aplica à empresa para a suspensão do IPI é a Lei 9.826, de 23 de agosto de 1999, com a redação dada pela Lei º 10.485, de 03 de julho de 2002, uma vez que a Volvo não é fabricante preponderantemente de componentes, chassis, carrocerias, partes e peças dos produtos autopropulsados previstos no art. 1º da Lei 10.485/2002, mas sim fabricante dos próprios veículos autopropulsados, como se constata nos seus dados cadastrais junto à RFB. Abaixo, nos dados cadastrais da RFB, junto ao Sistema RADAR, temos a confirmação de que a empresa é uma montadora de veículos autopropulsados – CNAE 2920401 – FABRICAÇÃO DE CAMINHÕES E ÔNIBUS. (...) A empresa não preenche nenhum dos dois requisitos básicos estabelecidos na Lei nº 10.637/2002, ou seja: a não é fabricante PREPONDERANTEMENTE de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças (para usufruir da suspensão neste caso, além de ser fabricante preponderantemente de componentes, chassis, carrocerias, partes e peças, teria que apresentar as listas exigidas pela IN RFB 948/09, o que nunca fez). b não é PJ preponderantemente exportadora conforme já declarou na resposta à intimação, (e, para ter esta condição reconhecida pela RFB, teria que ter ADE (Ato Declaratório Executivo) de empresa predominantemente exportadora, o que também não ocorre). O fato da empresa ser montadora de veículos autopropulsados, corroborado pelo fato de que a empresa não entregou nenhuma lista relativa a Lei 10.637/02 (exigência da IN RFB 948/09) demonstra que houve engano na informação da base legal. Mas a empresa não havia respondido de forma satisfatória a informação demandada pelo fisco. Então, esta fiscalização intimou novamente a empresa a esclarecer qual sua atividade industrial preponderante, e sob qual base legal se enquadra para ter o benefício da suspensão do IPI. Na resposta à intimação a empresa esclarece que é uma pessoa jurídica montadora de caminhões e ônibus, tal qual consta no seu CNAE 2920401. E que a suspensão do IPI está baseada na Lei 9.826/1999, art. 5°, § 1° com a redação dada pelo artigo 4° da Lei 10.485/2002. A Volvo, como montadora de veículos autopropulsados, realmente, tem direito à suspensão do IPI, for força da Lei 9.826, de 23 de agosto de 1999 (com a redação dada pela Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, e alterada pela Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004). LEIS 9826/99 E 10.485/02 Fl. 7446DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.447 5 Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999 (com a redação dada pela Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterada pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004) Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. § 1º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. § 2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. A Volvo tem direito à suspensão do IPI como montadora, para todas as partes, acessórios, componentes, carrocerias e chassis, com base no inciso II do § 2º do artigo 5° da Lei 9.826/99, com a redação dada pelo artigo 4º da Lei 10.485/2002 com a condição de que os produtos sejam utilizados na industrialização de autopropulsados. Caso a empresa fosse enquadrada na Lei 10.637/2002, como não cumpre as condições para a suspensão do IPI exigidas pela mesma (apresentação das listas da IN RFB 948/09), estaria se beneficiando da suspensão do IPI de maneira irregular. O que poderia acarretar a glosa do imposto suspenso, com o consequente lançamento do mesmo de ofício. A Solução de Consulta Interna Cosit nº 26/2013, a qual esta fiscalização está vinculada, aponta que cabe a multa de 1% do valor da mercadoria por erro de informação da base legal: 16. Em conclusão: a) As informações descritas nos incisos do § 1º do art. 711 do RA são exemplificativas. b) A multa do art. 711, III, do RA aplicase para qualquer informação a ser prestada constante do anexo único da IN SRF nº 680, de 2006, bem como a qualquer outra informação a ser prestada constante de norma complementar. c) A multa do art. 711, III, do RA, é objetiva; não cabe na sua aplicação analisar se ela é ou não necessária ao controle administrativo; A empresa importou, entre janeiro/2012 a abril/2016, mercadorias com suspensão do IPI, em 582 adições informando como base legal a Lei 10.485/02. Fl. 7447DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.448 6 Consideramos que, apesar de não ser a melhor informação, não está incorreta, uma vez que esta lei deu nova redação à Lei n° 9.826/99. Além disto a empresa indicou, em muitos casos, no campo de informações complementares, a Lei n° 9.826/99. A empresa importou, entre janeiro/2012 a abril/2016, mercadorias com suspensão do IPI, em 145.902 adições informando como base legal a Lei 10.637/02. Em impugnação, a empresa aduziu: 1. Também se extrai do TVF (fls. 7.359) a constatação de que a “suspensão do IPI está sendo utilizada de forma correta pela empresa”, do que se constata, que, independentemente do fundamento legal apontado, faz jus ela à suspensão do IPI, matéria, portanto, que é incontroversa; 2. Data vênia, não obstante o zeloso trabalho fiscal, a exigência não tem condições de prosperar; 3. Com efeito, o fato é que a Contribuinte faz jus à suspensão do IPI na importação de insumos e matériasprimas, o que já foi reconhecido pelo próprio Sr. Fiscal Autuante. A informação considerada inexata referese, apenas, à sua fundamentação legal; 4. Há de se reconhecer, inclusive, o quão intrincada é a legislação que trata dos benefícios fiscais do IPI para o setor automotivo. Vejase: a) Artigo 29, da Lei nº 10.637/2002, em especial seus parágrafos, na redação dada pela Lei nº 10.684/2003, beneficia os estabelecimentos industriais fabricantes de componentes, chassis, carroçarias, partes, peças destinadas ao setor automotivo em geral. Em se tratando de importação, o §4º, deste artigo 29 é claro ao prever a suspensão do IPI, na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem diretamente pelo estabelecimento industrial de tais componentes, chassis, carroçarias, partes e peças. b) Artigo 5º, da Lei nº 9.826/99, na redação dada pela Lei nº 10485/2002 e 10.865/2004, beneficia a montadora em si dos produtos autopropulsados, o estabelecimento industrial do produto final da cadeia produtiva. O comando do §1º, do artigo 5º autoriza a importação com suspensão do IPI dos componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças utilizados no seu processo produtivo, quando feita diretamente pelo estabelecimento industrial. A própria regulamentação dessa matéria está disciplinada, de forma global, no mesmo ato normativo, qual seja, a IN RFB nº 948, de 15.06.2009, o que demonstra estar ambas as situações dentro de um mesmo contexto legal e operacional, relativa a uma mesma cadeia de produção e consumo – indústria automotiva, diferenciandose uma e outra previsão legislativa apenas quanto ao seu destinatário final (estabelecimentos fabricantes de componentes automotivos e montadora em si). Mas sempre, frisese, com os mesmos benefícios fiscais. Logo, resta evidenciado que a informação inexata quanto ao fundamento legal da suspensão do IPI a que tem direito, nas declarações de importação, não trouxe qualquer prejuízo ou dificuldade operacional ao Fisco, tratandose, de “apenas um erro material sem maiores consequências”, conforme expressamente reconhecido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 7.359). Fl. 7448DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.449 7 5. A multa imposta à empresa está disciplinada no artigo 711, inciso III do regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009, (...) Da leitura do dispositivo supratranscrito, constatase que o pressuposto para a imposição da penalidade é que a informação prestada com inexatidão ou de forma incompleta seja necessária à determinação do procedimento do controle aduaneiro. Vale dizer, tal informação deve ter causado algum tipo de prejuízo ou dificuldade ao Fisco, no controle aduaneiro, circunstância que, no caso concreto, inquestionavelmente, não ocorreu. Nenhum prejuízo o Fisco teve, mesmo porque nada nesse sentido foi apontado pela Fiscalização. Ao contrário, como já destacado acima; 6. Além disso, a indicação da fundamentação legal de benefício fiscal vinculado à importação também não se encontra dentre aquelas informações necessárias ao controle aduaneiro e detalhamento da operação e arroladas pelo parágrafo primeiro do mesmo artigo 711. Nem mesmo há qualquer ato normativo específico da RFB – a que se refere o §1º, que aponte o fundamento legal de benefício fiscal como elemento de informação necessária ao controle aduaneiro. Portanto, o suposto equívoco cometido pela empresa, identificado por informação inexata quanto à fundamentação legal do regime de isenção do IPI, caracterizase, quando muito, como mero erro formal, não se enquadrando em tal preceito legal; 7. Em situações semelhantes à presente, o CARF tem assente seu entendimento de que para a imposição da multa do art. 711, III, há necessidade de se demonstrar, objetiva e concretamente, o prejuízo causado à administração aduaneira, em função da informação inexata prestada pelo contribuinte. 8. No caso concreto, em momento algum há a demonstração e/ou comprovação de que a conduta do contribuinte tenha, de forma objetiva, prejudicado ou dificultado o controle aduaneiro, o que impõe o cancelamento da multa aplicada. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/FOR, no acórdão n° 0838.505, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: INEXATIDÃO DE INFORMAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. É cabível a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, conforme artigo 711, III, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. Não há obrigatoriedade de se comprovar a ocorrência de dano ao controle aduaneiro, vez que tal restrição é estranha à regra matriz de incidência da multa. A responsabilidade aduaneira tributária é objetiva, não tendo de se comprovar culpa ou dolo. Em recurso voluntário, a empresa reitera os termos de sua impugnação, e acrescenta o pedido de afastamento de juros SELIC sobre a multa, por absoluta ausência de previsão legal. É o relatório. Fl. 7449DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.450 8 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente fez constar nas DIs que a suspensão do IPI estava amparada no art. 29, §1° e 4° da Lei n° 10.637/2002: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; (...) § 4o As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1o serão desembaraçados com suspensão do IPI. Se beneficiária fosse da n° Lei 10.637/2002, não teria cumprido as condições para a suspensão do IPI exigidas, impostas pela IN RFB n° 948/09. Ocorre que a empresa é montadora de autopropulsados, beneficiária da suspensão do art. 5° da Lei n° 9.826/1999: Art. 5o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições Fl. 7450DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.451 9 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. § 1o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. § 2o A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. O direito da Recorrente à suspensão do IPI, com base no art. 5° da Lei n° 9.826/1999, é fato incontroverso. Isso porque, foram verificados os requisitos para cumprimento da suspensão nos termos do art. 5°, como atestou a fiscalização: Na intimação, também foram solicitadas informações sobre mercadorias importadas com suspensão do IPI, mas que poderiam, eventualmente, não ser submetidas à industrialização. A empresa, em sua resposta à intimação indicou, para cada item para o qual foi pedida a informação, qual o produto industrializado onde o mesmo é agregado. Desta forma, concluímos que, no tocante a este aspecto, a suspensão do IPI está sendo utilizada de forma correta pela empresa. Em termos de levantamento de estoques, entradas e saídas de mercadorias, importadas, compradas no mercado interno, transferidas de e para outros estabelecimentos, não observamos nenhuma irregularidade, uma vez que, para este levantamento, é necessário ter os estoques iniciais de mercadorias. Assim, importa classificar a infração como mero equívoco formal no preenchimento da Declaração de Informação ou como prestação de informações incompletas ou imprecisas, para fins de aplicação da multa prevista no art. 711, III, do Regulamento Aduaneiro. Dispõe o art. 711, III, que: Art.711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): Fl. 7451DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.452 10 III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 2º): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador) ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. Ressaltese que todas as informações referidas no inciso III do caput foram cumpridas, todavia o parágrafo 1° referese a “outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil”. Quer isso significar que a RFB pode prescrever outras informações de cunho obrigatório que implicam na “descrição detalhada da operação”. A Instrução Normativa n° 680/2006 disciplina o despacho aduaneiro de importação. Seu anexo único traz as INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR, as quais são obrigatórias: Declaração de Importação Art. 4º A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. (...) ANEXO ÚNICO INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR Fl. 7452DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.453 11 47 Regime de Tributação para o Imposto sobre Produtos Industrializados. Regime de tributação pretendido, conforme a tabela "Regimes de Tributação do I.P.I.", administrada pela SRF. 47.1 Fundamento Legal Fundamento legal que ampara o regime de tributação pretendido para o I.P.I., conforme a tabela "Fundamentação Legal", administrada pela SRF. 47.2 – Redução Benefício aplicável ao I.P.I. quando o regime de tributação for "redução". Pode ser uma alíquota reduzida ou um percentual de redução do imposto, conforme previsto no texto legal. A aplicação de um tipo de redução exclui o outro. 47.2.1 Alíquota Reduzida Alíquota ad valorem reduzida incidente sobre a base de cálculo do imposto. 47.2.2 Percentual de Redução do Imposto Percentual de redução aplicável sobre o valor do imposto devido. É pressuposto para a aplicação de penalidade ter havido prestação de forma inexata de informação, que, no caso, é o erro de capitulação legal. Isso porque, a capitulação legal do benefício de IPI é uma informação de natureza administrativotributária, inerente ao controle aduaneiro. Assim, mesmo fazendo jus a benefício da suspensão com outra fundamentação legal, nos termos do art. 111, do CTN, tal informação é equivocada, justificando a aplicação da multa. Logo, devem ser afastadas as alegações da Recorrente de que a informação inexata quanto ao fundamento legal da suspensão do IPI a que tem direito não trouxe qualquer prejuízo ou dificuldade operacional ao Fisco. Argumenta a empresa que a própria regulamentação da matéria está disciplinada, de forma global, no mesmo ato normativo, qual seja, a IN RFB nº 948, de 15.06.2009, o que demonstra estar ambas as situações dentro de um mesmo contexto legal e operacional, relativa a uma mesma cadeia de produção e consumo – indústria automotiva, diferenciandose uma e outra previsão legislativa apenas quanto ao seu destinatário final (estabelecimentos fabricantes de componentes automotivos e montadora em si), mas sempre com os mesmos benefícios fiscais. Discordo de tal colocação, uma vez que a IN RFB nº 948/2009 não equipara os dois regimes, tratandoos de forma individual, em capítulos diferentes. Cada qual com seus requisitos e procedimentos de fruição específicos. Fl. 7453DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.454 12 Nem mesmo a Recorrente equipara os regimes, uma vez que, para o mesmo período fiscalizado, janeiro/2012 a abril/2016, pequena parte de suas declarações (582) informaram como base legal a Lei n° 10.485/02, que deu nova redação à Lei n° 9.826/99, tendo, inclusive, indicado, em muitos casos, no campo de informações complementares, a Lei n° 9.826/99. Para o restante, 145.902 declarações, informou como base legal a Lei n° 10.637/02. Quanto à alegação de que a fundamentação do acórdão recorrido é falha e desconexa com a sua conclusão, ao dizer que a situação concreta teria causado "de algum modo" prejuízo ao Fisco, mas, em momento algum, aponta qual teria sido tal prejuízo, nem direta, nem indiretamente; não procede uma vez que ficou consignado no acórdão recorrido que o regime de suspensão do IPI é essencial ao controle aduaneiro. A Recorrente agiu de boafé como o próprio relatório fiscal afirma, em sua conclusão (efl. 7359): Entretanto, a responsabilidade decorrente tem caráter objetivo, ou seja, não se cogita a intenção do agente ou a sua boafé. É o que dispõe art. 673 do Decreto n° 6.759/09: Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). No mesmo sentido, a prescrição do art. 94, § 2º, do DecretoLei 37/66: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no Fl. 7454DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.455 13 seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por fim, quanto ao argumento de que o uso como fundamento legal da Lei n° 10.637 foi avalizado pela administração tributária, na Consulta n° 448 SRRF09/Disit de sua titularidade, não procede. Dispôs a consulta que: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI RECOF. DESTINAÇÃO AO MERCADO INTERNO. DIREITO À SUSPENSÃO. No Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof), quando da aplicação da mercadoria importada ou adquirida com suspensão de tributes no mercado interno como insumo em produto destinado ao mercado interno, o IPI com exigibilidade suspensa deve ser recolhido até o decimo dia útil do mês subsequente ao da destinação da mercadoria importada, podendo esse valor ser descontado como credito no pagamento posterior de IPI relativo ao produto final. Todavia, no caso específico de importação ou aquisição dos bens relacionados no art. 5° da Lei n° 9.826, de 1999, e no art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, é possível, quando da destinação ao mercado interno, a Aplicação da suspensão IPI prevista nesses dispositivos legais (reforma a Solução de Consulta SRRF/9R RF/Disit n° 305, de 2005). Observese que a referida solução de consulta não equiparou as duas legislações. E ainda, a empresa, nas operações autuadas, não se utilizou do Recof, conforme se observa na efls. 13: Quanto à não utilização do RECOF nessas situações, tratase de uma decisão administrativa/operacional da empresa que se fundamentou nas seguintes razões: a) todas essas importações, vindas da Argentina, são amparadas por Certificado de Origem Mercosul, com preferência tarifária de 100% para o Imposto de Importação; b) o IPI é suspenso de acordo com a Lei 9.826/99, alterada pela Lei 10.485/02; c) há o recolhimento integral somente do PIS e COFINS, os quais são tributos recuperáveis e não parte do custo do produto. Fl. 7455DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.456 14 Logo, entendo que não merece reparos a decisão recorrida. Afastamento de juros SELIC sobre a multa de oficio, por absoluta ausência de previsão legal Tratase de pedido inédito no curso do presente processo, pois não fora suscitado na impugnação e, porquanto, não foi objeto de apreciação da primeira instância de julgamento. O Decreto nº 70.235/1972, que regula o Procedimento Administrativo Fiscal, dispõe sobre a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por isso, não tendo sido apontada a temática na impugnação, não é possível em sede de recurso voluntário conhecêla. Operouse a preclusão, uma vez que não se trata de matéria de ordem pública. Fl. 7456DF CARF MF Processo nº 15165.722298/201672 Acórdão n.º 3301004.606 S3C3T1 Fl. 7.457 15 Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 7457DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.903561/2012-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/2007
DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como no parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limita-se à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise dos argumentos relacionados aos débitos declarados na DCOMP, razão pela qual o Recurso Voluntário não deve ser conhecido nesta parte.
PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Constatando-se que o crédito indicado na declaração de compensação foi reconhecido e integralmente utilizado em outros PERDCOMPs, correta se mostra a decisão neste processo discutida que, levando em conta a indisponibilidade do crédito, não homologou a compensação instrumentalizada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não sendo conhecido em relação aos argumentos apresentados na defesa no que tange aos débitos constantes da DCOMP, tendo em vista que a competência do CARF restringe-se à análise do crédito pleiteado e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrente GF LABOR COM E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2007 DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como no parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limitase à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise dos argumentos relacionados aos débitos declarados na DCOMP, razão pela qual o Recurso Voluntário não deve ser conhecido nesta parte. PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Constatandose que o crédito indicado na declaração de compensação foi reconhecido e integralmente utilizado em outros PERDCOMPs, correta se mostra a decisão neste processo discutida que, levando em conta a indisponibilidade do crédito, não homologou a compensação instrumentalizada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não sendo conhecido em relação aos argumentos apresentados na defesa no que tange aos débitos constantes da DCOMP, tendo em vista que a competência do CARF restringese à análise do crédito pleiteado e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 35 61 /2 01 2- 13 Fl. 55DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 33/34 dos autos: Trata se de manifestação de inconformidade apresentada em razão da não homologação de compensação formalizada por meio do PER/DCOMP nº 14179.48276.241110.1.3.043101, fls. 22/25, contendo crédito indicado no PER/DCOMP nº 23968.89192.250309.1.3.040406, em que foi compensado débito da Cofins, fato gerador outubro/2010, no valor de R$ 4.509,74. Concluída a análise do documento, a unidade de origem emitiu despacho decisório eletrônico, fl. 19, no sentido da não homologação da compensação, fundamentado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A ciência deu se em 16/11/2012, fls. 28, e a manifestação de inconformidade foi apresentada no órgão preparador em 11/12/2012, fls. 02/03, elaborada nos seguintes termos: [...] DOS FATOS De acordo com os fatos abaixo ora apresentados, a PER/DCOMP n° 14179.48276.241110.1.3.043101 está correta, pois observem: O débito de cód. 2172 PA 31/03/2007 que está sendo cobrado no despacho decisório acima, no valor de R$ 11.806,45, já foi pago na PERDCOMP n° 12147.77683.300407.1.3.045259 deixando assim livre para compensação o saldo do crédito original de R$ 3.285,56, conforme consta no PERDCOMP; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10730.903561/201213 Acórdão n.º 3002000.198 S3C0T2 Fl. 56 3 Inclusive a empresa declarou em DCTF que seu débito para o PA 31/03/2007 era só R$ 9.201,51 e não o valor que constava no PERDCOMP citado no item 1 acima, que foi de R$ 17.457,78 e do qual a empresa tentou cancelar e não foi possível. E no despacho decisório ora em questão, a RFB está cobrando mais R$ 11.806,45. De que parâmetro a RFB está cobrando valor muito superior ao declarado em DCTF? Não há razão para a RFB cobrar mais um pagamento de um débito que não existe, pois já foi devidamente pago; Esse mesmo débito de R$ 11.806,45 está sendo cobrado em outros despachos decisórios (dos quais também já apresentamos manifestação de inconformidade), ou seja, em efeito cascata a Receita Federal está indeferindo todos os nossos PERDCOMPS, pois esse débito está sendo utilizado vez por vez de forma incorreta nos despachos decisórios. DO DIREITO Face ao exposto acima, entendemos que é de nosso direito a liberação integral do saldo do crédito original conforme consta no PERDCOMP n° 14179.48276.241110.1.3.043101, pois está correto e o que deve ser verificado e estornado é a cobrança de um débito em DUPLICIDADE que não tem base, pois já foi pago anteriormente e essa cobrança vem trazendo muito transtorno ao contribuinte e também gerando trabalho desnecessário à Receita Federal. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Estorno do débito cobrado em duplicidade (débito já foi pago no PERDCOMP n° 12147.77683.300407.1.3.045259); b) Homologação integral do direito creditório informado no PER/DCOMP n° 14179.48276.241110.1.3.043101: [...] É o que se tem a relatar. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2007 PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Constatandose que o crédito indicado na declaração de compensação foi reconhecido e integralmente utilizado em outros PERDCOMPs, correta se mostra a decisão neste processo discutida que, levando em conta a indisponibilidade do crédito, não homologou a compensação instrumentalizada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 57DF CARF MF 4 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 02/04/2014 (vide AR à fl. 40 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 30/04/2014, Recurso Voluntário (fls. 42/43), por meio do qual, repisando os exatos termos de sua manifestação de inconformidade, requereu a homologação integral de seu pedido de compensação. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 42/43), por meio do qual insurgese contra a não homologação da compensação que formalizou através do PER/DCOMP nº 14179.48276.241110.1.3.043101 (fls. 22/25), realizada no despacho decisório emitido pela SRFB em 05/11/2012, (fls. 12 e 19) e mantida pelo acórdão recorrido (fls. 32/36). Em resumo, são três os fundamentos trazidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário: 1 O débito de cód. 2172 PA 31/03/2007 que está sendo cobrado no despacho decisório acima, no valor de R$ 11.806,45, já foi pago na PERDCOMP n° 12147.77683.300407.1.3.045259 deixando assim livre para compensação o saldo do crédito original de R$ 3.285,56, conforme consta no PERDCOMP; 2 Inclusive a empresa declarou em DCTF que seu débito para o PA 31/03/2007 era só R$ 9.201,51 e não o valor que constava no PERDCOMP citado no item 1 acima, que foi de R$ 17.457,78 e do qual a empresa tentou cancelar e não foi possível. E no despacho decisório ora em questão, a RFB está cobrando mais R$ 11.806,45. De que parâmetro a RFB está cobrando valor muito superior ao declarado em DCTF? Não há razão para a RFB cobrar mais um pagamento de um débito que não existe, pois já foi devidamente pago; 3 Esse mesmo débito de R$ 11.806,45 está sendo cobrado em outros despachos decisórios (dos quais também já apresentamos manifestação de inconformidade), ou seja, em efeito cascata a Receita Federal está indeferindo todos os nossos PERDCOMPS, pois esse débito está sendo utilizado vez por vez de forma incorreta nos despachos decisórios. Sobre o primeiro ponto, assim se manifestou a DRJ: A questão neste processo discutida reporta se ao PER/DCOMP Nº 14179.48276.241110.1.3.043101, cuja compensação não foi homologada tendo em vista que o crédito, integralmente reconhecido, foi totalmente utilizado em compensações levadas a termo nos PER/DCOMPs de números 39718.73770.220910.1.7.049750 e 33414.22049.220509.1.3.049300. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10730.903561/201213 Acórdão n.º 3002000.198 S3C0T2 Fl. 57 5 Segundo a defesa, “O débito de cód. 2172 PA 31/03/2007 que está sendo cobrado no despacho decisório acima, no valor de R$ 11.806,45, já foi pago na PERDCOMP n° 12147.77683.300407.1.3.045259 deixando assim livre para compensação o saldo do crédito original de R$ 1.927,03”. Acontece que o débito compensado no PER/DCOMP objeto deste processo referese à Cofins, fato gerador outubro/2010, o que diverge do afirmado pela interessada, quanto a se tratar da Cofins da competência março/2007. Em verdade, o pagamento indevido ou a maior da Cofins de março/2007 diz respeito ao crédito indicado no PER/DCOMP de nº 39718.73770.220910.1.7.049750, integralmente reconhecido no bojo do processo nº 10970.901737/201031 e utilizado em compensações formalizadas através das declarações de compensação de números 39718.73770.220910.1.7.049750 e 33414.22049.220509.1.3.049300, não restando saldo disponível para qualquer outra compensação. O relacionamento entre o PER/DCOMP contido neste processo, de nº 14179.48276.241110.1.3.043101, e aquele em que o crédito foi informado, nº 39718.73770.220910.1.7.049750, pode ser atestado na tela abaixo reproduzida, obtida em pesquisa efetivada no Sistema Sief – Perdcomp: (...) Comprovase, por conseguinte, a correção do despacho decisório questionado que não homologou a compensação pelo fato de o crédito manejado pelo sujeito passivo haver sido totalmente utilizado em outras compensações da pessoa jurídica, inexistindo qualquer reparo a se fazer no presente julgado. Ou seja, a decisão recorrida consignou que o crédito declarado pelo contribuinte na PER/DCOMP nº 14179.48276.241110.1.3.043101, objeto deste processo, embora tenha sido integralmente reconhecido, já foi totalmente utilizado nos PER/DCOMP nº 39718.73770.220910.1.7.049750 e nº 33414.22049.220509.1.3.049300. Assim, entendeu correto o despacho decisório, tendo em vista que todo o crédito declarado neste processo foi utilizado em outras compensações já realizadas pelo contribuinte, não restando possível homologar a compensação pretendida. Em seu recurso voluntário, o contribuinte não refuta que tal crédito fora utilizado nos PER/DCOMP nº 39718.73770.220910.1.7.049750 e nº 33414.22049.220509.1.3.049300, limitandose a repisar os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, em que pretendia discutir a suposta inexistência dos débitos exigidos. Não trouxe, portanto, nenhum elemento novo apto a abalar a conclusão a que chegou a DRJ na passagem acima transcrita no sentido de que parte do crédito já havia sido utilizada em outra DCOMP, o que impossibilitava a homologação integral do crédito pleiteado na presente contenda. Entendo, portanto, que a decisão recorrida deva ser mantida. De outro norte, o contribuinte trouxe ainda em seu Recurso Voluntário o seguinte fundamento de defesa: a empresa teria declarado em DCTF que seu débito para o PA 31/03/2007 era só R$ 9.201,51, e não o valor que constava no Perdcomp, que foi de R$ 17.457,78, tendo destacado que a empresa tentou cancelar, não tendo sido possível. Fl. 59DF CARF MF 6 Como se vê, pretende o contribuinte, nesta oportunidade, discutir a existência ou não dos débitos por ele mesmo confessados em DCOMP. Não se está em discussão, portanto, a existência do crédito alegado, cuja existência já foi reconhecida, ou mesmo a utilização prévia ou não de tais créditos, nos moldes do que restou consignado na decisão recorrida, mas sim a suposta inexistência dos débitos declarados. Entendo, contudo, que o CARF não possui competência para proceder à análise pretendida pelo contribuinte. Para que melhor se compreenda a questão aqui posta, transcrevo a seguir teor do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a qual, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, passou a prever de forma expressa que a não homologação de compensação também seria objeto de apreciação no contencioso administrativo especializado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 8ª Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) A hipótese aqui analisada, porém, não se enquadra na situação disposta acima. Isso porque, não pretende o contribuinte, através do seu Recurso Voluntário, ter deferida a homologação apresentada, mas sim vêla retificada, para fins de excluir parte dos débitos ali indicados. Tal análise, contudo, não cabe a este Conselho Administrativo Fiscal. Até porque, como é cediço, nos pedidos de DCOMP apresentados pelo contribuinte, compete a este Conselho manifestarse acerca da existência do crédito pleiteado, e Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10730.903561/201213 Acórdão n.º 3002000.198 S3C0T2 Fl. 58 7 não da inexistência de débito confessado. Tanto que a previsão de competência para julgar os pedidos de homologação de DCOMPs segue a regra da origem do crédito, conforme se extrai do parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), in verbis: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Ademais, sabese que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, conforme previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alteração dada pela MP MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por essa razão, inclusive, que o cerne da discussão nos pedidos de compensação é o direito ao crédito pleiteado pelo contribuinte, e não a existência do débito por ele confessado. Nesse contexto, em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como do parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limitase à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise de pedido de retificação da DCOMP no que concerne aos débitos ali declarados. Sobre este tema, já se manifestou o CARF anteriormente, a exemplo da passagem do voto proferido no Acórdão nº 110100.476, extraída do voto proferido no Acórdão nº 1301002.591, a seguir colacionada: A autoridade julgadora recorrida apontou dispositivos regimentais e normativos para declarar sua incompetência para apreciar atos de nãoadmissão dos PER/DCOMP retificadores e dos pedidos de cancelamento. Contudo, a própria lei Fl. 61DF CARF MF 8 apresenta obstáculos à discussão destas decisões administrativas no âmbito do contencioso administrativo especializado, instituído pelo Decreto n° 70.235/72. Isto porque, com a edição da Lei n° 9.784/99, o contencioso administrativo passou a observar suas regras, exceto quando disciplinados por lei própria: Art. 1° Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. E, até então, o Decreto n° 70.235/72 tratava, apenas, da discussão dos lançamentos tributários no âmbito das instâncias administrativas especializadas (DRJ, Conselhos de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais): Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instilados com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) Art. 25. 0 julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância: a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10730.903561/201213 Acórdão n.º 3002000.198 S3C0T2 Fl. 59 9 II Em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com a ressalva prevista no inciso III do § 1º. § 1º Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos, de ofício e voluntário, de decisão de primeira instância, observada a seguinte competência por matéria: [...] III 3º Conselho de Contribuintes: tributos estaduais e municipais que competem à União nos Territórios e demais tributos federais, salvo os incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal; [...] § 4º O recurso voluntário interposto de decisão das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes no julgamento de recurso de ofício será decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) Com a alteração da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, passou a existir previsão legal expressa no sentido de que a nãohomologação de compensações também seria objeto de apreciação no contencioso administrativo especializado: (...). O ato de não homologação, porém, é formalizado em face de uma determinada DCOMP considerada sujeita à apreciação da autoridade administrativa competente. O ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos de DCOMP é anterior a esta apreciação, e prestase, justamente, a impedila em relação às novas informações ali veiculadas, fazendo prevalecer a declaração anterior. Assim, o ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos não integra o ato de nãohomologação passível de discussão no contencioso administrativo especializado. Tratase de providência paralela, que pode até repercutir no ato de não homologação da DCOMP, mas que se sujeita à discussão administrativa no âmbito do contencioso administrativo geral. Nesse contexto, caso pretenda o contribuinte corrigir eventual informação acerca dos débitos confessados em DCOMP, deverá fazêlo através de pedido de revisão de ofício, a ser analisado pela unidade de origem. Como se não bastasse, ainda que tivesse este Conselho competência para apreciar eventual equívoco do contribuinte no que concerne à indicação do débito constante da DCOMP, é cediço que caberia ao contribuinte comprovar que os valores indicados em sua DCTF estão corretos, através da juntada aos autos da documentação fiscal/contábil apta a este fim, o que não ocorreu nos presentes autos, em que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação quanto ao montante do débito que pretende ter retificado. Fl. 63DF CARF MF 10 Com fulcro nas razões supra expendidas, entendo que deverá ser mantida a decisão recorrida, em razão da inexistência de comprovação do direito creditório alegado. Da conclusão Diante do acima exposto, não conheço dos argumentos apresentados no Recurso Voluntário no que tange aos débitos constantes da DCOMP, tendo em vista que a competência do CARF restringese à análise do crédito pleiteado e, na parte conhecida, voto no sentido de negarlhe provimento, face à utilização prévia do crédito em outras DCOMPs. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.720051/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 04/04/2011
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA.
A imputação de responsabilidade solidária aos sócios-administradores pelas obrigações tributárias, no caso de gestão com excesso de poderes ou infração à Lei, encontra amparo e exige a invocação do artigo 135 do CTN. A sujeição passiva, nesse caso, é primariamente da pessoa jurídica, e subsidiariamente, dos sócios.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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DE METAIS E PLÁSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. A imputação de responsabilidade solidária aos sóciosadministradores pelas obrigações tributárias, no caso de gestão com excesso de poderes ou infração à Lei, encontra amparo e exige a invocação do artigo 135 do CTN. A sujeição passiva, nesse caso, é primariamente da pessoa jurídica, e subsidiariamente, dos sócios. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 00 51 /2 01 1- 15 Fl. 682DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 03/04, por meio do qual é feita a exigência de R$ 468.354,67, relativa à multa de que trata o art. 23, §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Às fls. 08/66, a fiscalização relata que houve ocultação do sujeito passivo, do real comprador e responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, e por interposição fraudulenta de terceiros, para todas as mercadorias importadas pela empresa no período de março de 2009 a março de 2010. Foram identificados como reais adquirentes das mercadorias importadas FRANKLIN MENDES FREIBERGER e ARNALDO SIMÕES JUNIOR, sócios da empresa ERGONOFLEX, os quais eram responsáveis em determinar todos os procedimentos para a realização das operações de comércio exterior, seja na escolha das mercadorias, embarque, pagamento aos fornecedores no exterior e o custeio das despesas relacionadas ao despacho aduaneiro, utilizandose de recursos, sem origem lícita definida, transferidos a partir de outra empresa de fachada constituída para esse fim (DENAL MAX). Relata a auditoria que, para alcançar seus objetivos, estas pessoas uniramse a ELOI MORO, controlador de fato das empresas de fachada MAX MOBILE e RECH & PETRICH e também responsável em incluir no esquema fraudulento as empresas exportadoras uruguaias, NOLIMAR e FEDITIN, com o intuito de ocultar os reais exportadores das mercadorias estrangeiras, bem como permitir que as mercadorias ingressassem como sendo sem cobertura cambial, de forma que o fechamento de câmbio pudesse ser feito diretamente pelos reais adquirentes das mercadorias, sem necessidade de vincular os contratos às Declarações de Importação registradas. A empresa autuada também registrou parte das Declarações de Importação solicitando regimes especiais aduaneiros para suspensão dos tributos incidentes no registro da DI (II, IPI, PIS e COFINS). Para tanto, apresentou contratos que simulavam prestação de serviços, de forma a justificar que estas mercadorias ficariam temporariamente no país para sofrer processo de beneficiamento, requisito fundamental para se obter o regime de admissão temporária de bens pretendido. Relata que as empresas testaram por diversas vezes os sistemas do DECEX até que obtivessem licenças de importação para registrar algumas Declarações de Importação com o regime de drawback, que da mesma forma que o anterior, pressupõe que a mercadoria fique temporariamente no país e seja insumo para a fabricação de mercadorias destinadas à exportação, fazendo jus à suspensão dos tributos incidentes na importação. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 15165.720051/201115 Acórdão n.º 3201003.690 S3C2T1 Fl. 3 3 Informa que ambos os regimes especiais – Admissão Temporária e Drawback pressupõem que a mercadoria retornará ao exterior, sob pena de punirse e cobraremse os tributos suspensos quando do inadimplemento das condições do regime. Entretanto, nos casos em tela, a intenção premeditada não era essa, uma vez que as mercadorias já haviam sido pagas integralmente aos seus fornecedores e, assim que nacionalizadas, eram revendidas a terceiros. E os reais adquirentes estavam confiantes de que não haveria nenhum risco, pois as imputações tributárias e criminais decorrentes seriam aplicadas às empresas que haviam solicitado os regimes especiais, ou seja, as empresas de fachada utilizadas, que não existiam de fato nos endereços cadastrais e cujos sócios não poderiam ser localizados, ou, caso o fossem, não teriam qualquer capacidade econômicofinanceira para arcar com os danos gerados ao Erário. Desta forma, foram arrolados também como responsáveis solidários pelo crédito tributário ora apurado: ELOI MORO, FRANKLIN MENDES FREIBERGER e ARNALDO SIMÕES JUNIOR (fls. 67/68), pelas razões expostas que demonstram a participação direta destas pessoas nas infrações apuradas. Cientificados da exigência através dos AR de fls. 598/601 e Edital de fl. 624, a empresa autuada e Eloi Moro não se manifestaram, enquanto os autuados Franklin Mendes Freiberger e Arnaldo Simões Junior apresentaram impugnação em conjunto (fls. 602/616), na qual, em síntese: Alegam que a real adquirente das mercadorias é a empresa Ergonoflex e não os seus sócios, que agiam em nome da sociedade empresarial e que não houve a desconsideração da sua personalidade jurídica, providência esta de natureza judicial. Aduzem que a atribuição da responsabilidade solidária, nos moldes do art. 121 e 124 do CTN, é aplicável aqueles que possuem interesse comum na causa, o que ocorre com a Ergonoflex, real interessada nas mercadorias e não aos seus sócios, pois, para estes, haveria a necessidade de prova da responsabilização pessoal do agente nos moldes preconizados pelos artigos 134, 135 e 137 do CTN. Alegam que inexiste interposição fraudulenta de terceiros quando o adquirente é pessoa física, pois a legislação referese aos negócios firmados entre pessoas jurídicas e que sequer o Siscomex admite o registro de importações por encomenda ou conta e ordem de pessoa física. Portanto, a conduta não se amoldaria à hipótese de incidência. Argúem que o método probatório adotado pela fiscalização é demasiadamente genérico e não se vincula às mercadorias individualmente consideradas, o que prejudica a sua defesa. Afirmam que necessitaria da fundamentação para cada fato que se pretenda punir e de seu vínculo com os impugnantes. Cita Fl. 684DF CARF MF 4 como exemplo, a DI 09/06626506, no valor CIF US$ 54.457,60 (R$ 110.189,00), relativo à importação de chapas de inox (fls. 104/108), que não tem relação com o objeto de mercancia da Ergonoflex e a ela não foram destinadas. Requerem a exclusão dos impugnantes do pólo passivo, a improcedência da medida fiscal e a exclusão das penalidades aplicadas às mercadorias sobre as quais não houve prova direta e específica de que foram efetivamente destinadas aos impugnantes. A DRJ/Florianópolis/SC – 2ª Turma, por meio do Acórdão 0734.743, de 7/05/2014, decidiu pela procedêcia parcial da Impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 04/04/2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, bem como a interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento ou com a multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O acórdão de Impugnação excluiu da lançamento a responsabilidade solidária de Franklin Mendes Freiberger e Arnaldo Simões Júnior, no que toca à DI 09/06626506, no valor CIF de US$ 54.457,60 – R$ 110.189,00, relativas a chapas de aço, por não ter encontrado elementos que vinculassem essa específica importação a esses responsáveis solidários. Franklin Mendes Freiberger e Arnaldo Simões Júnior apresentaram, conjuntamente, Recurso Voluntário, onde argumentam: que não contestam o fato de que a Ergonoflex atuou em desconformidade com a Lei, por ter a Max Mobile importado por conta e ordem da Ergonoflex; Entretanto, a Max Mobile tinha outros clientes, que importaram mercadorias estranhas ao objeto social da Ergonoflex; que o Fisco atribuiu a multa não à Ergonoflex, mas a seus sócios, os recorrentes, o que não encontraria arrimo jurídico e estaria em descompasso com a realidade fática; que a decisão recorrida não teria enfrentado essa questão; que os documentos utilizados na autuação foram encontrados na sede da Ergonoflex; que a personalidade jurídica da empresa não poderia ser desconsiderada, sem o respaldo do Poder Judiciário; Fl. 685DF CARF MF Processo nº 15165.720051/201115 Acórdão n.º 3201003.690 S3C2T1 Fl. 4 5 que não se atribuiu responsabilidade pessoal aos sócios por atos da pessoa jurídica, e portanto, não se poderia transferir a responsabilidade da adquirente (pessoa jurídica) aos sócios da adquirente; que o interesse comum, expressão do art. 124, I, do CTN, não significa o interesse geral dos sócios, mas copertencimento à base legal imponível; que não existiria interposição fraudulenta de pessoas, na importação, se o adquirente for pessoa física; que a própria Receita Federal asseveraria que as modalidades de importação por conta e ordem e por encomenda somente são atribuídas a pessoas jurídicas; cita Processo de Consulta 139/09 da 7ª RF; 361/09 da 9ª RF; 441/09 da 9ª RF; e, portanto, caso os recorrentes, pessoas físicas, forem considerados como os reais adquirentes, não haveria o fato típico punível; É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e, não vislumbrando óbices, deve ser conhecido. A defesa, no Recurso Voluntário, centrase em afastar a responsabilidade solidária dos recorrentes. Não defende, nesta fase, a inocorrência da ocultação do real adquirente. Nesse aspecto específico, tenho que lhes assiste razão. A narrativa fática aponta o trabalho de ambos os recorrentes na operação das importações, como sócios, o que caracteriza pessoa jurídica, sem que se individualizasse a conduta de cada um. Vejase relatório fiscal, fl. 29: Como afirmado por FRANKLIN, e comprovado através dos diversos documentos retidos durante a diligência, toda a negociação comercial, bem como o pagamento das mercadorias e das despesas de sua nacionalização, era controlada por ele juntamente com seu sócio ARNALDO. Sendo assim, podese dizer que FRANKLIN e ARNALDO eram os reais beneficiários das operações de importação realizadas. (...) Fl. 30: Todas as declarações de importação registradas acima amparam mercadorias descritas como sendo cadeiras e suas partes e peças, ou seja, exatamente as mercadorias que faziam parte do objeto mercantil da empresa ERGONOFLEX. Fl. 32: Fl. 686DF CARF MF 6 b) Mensagem de Franciane (funcionária da Ergonoflex) para Debora (funcionária da Ergonoflex), de 18/02/2009, com assunto “dados para depósito”. Esta mensagem solicita que a empresa ERGONOFLEX efetue o pagamento de título protestado em nome da empresa MAXMOBILE. Tal fato não parece ser um procedimento corriqueiro entre empresas que possuam apenas uma relação comercial de compra e venda; Portanto, a conduta fraudulenta é apontada contra a empresa Ergonoflex. No caso, a Ergonoflex é responsável solidária por importação por conta e ordem, artigo 32, § único, III1, conforme apontado pelo Fisco no Relatório da autuação. Porém, não houve imputação de responsabilidade solidária à Ergonoflex, mas às pessoas físicas de seus sócios, os recorrentes. A responsabilidade solidária dos recorrentes foi enquadrada no art. 124, I2 do CTN, que configura a punibilidade de coparticipantes numa operação de que decorra a sujeição passiva como contribuinte, em sentido formal ou material. Em outras palavras, o artigo 124, I, permite a inclusão no polo passivo da obrigação tributária, como responsáveis solidários, as pessoas que possam constituirse em sujeitos passivos da mesma obrigação. Colaciono jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, Resp 884.845/SC, nesse sentido: “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação” (destaquei) O art. 124, I, não prevê a extensão da sujeição passiva quanto aos sócios. Essa extensão pode ocorrer no caso previsto no artigo 1353, pela gestão fraudulenta da empresa. Além disso, a responsabilidade solidária somente pode existir após a responsabilidade do sujeito passivo, a pessoa jurídica, que, no presente caso, não foi colocada no polo passivo. A legislação brasileira, com efeito, protege o patrimônio do sócio nas sociedades empresárias limitadas, tais como a Ergonoflex, no que exceda a quota de participação no capital social, conforme previsto no artigo 1.0524 do Código Civil, o que 1 Art . 32. É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. 2 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 3 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 4 Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 15165.720051/201115 Acórdão n.º 3201003.690 S3C2T1 Fl. 5 7 abrange também a seara tributária, salvo no caso de gestão com excesso de poderes ou infração à Lei, o que obriga a invocação do artigo 135, e também, o caso do art. 134, VII. Nesse sentido, precedente do Carf: “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PASSIVA. ART. 124 E 135 DO CTN. Para caracterizar a responsabilidade tributária prevista no inc. I do art. 124 do CTN devese demonstrar de forma inequívoca o interesse comum na situação que caracteriza o fato gerador. Já a responsabilidade do art. 135 do CTN deve ser atribuída aos sóciosadministradores, sócios de fato e mandatários da sociedade, se restar comprovado que tais pessoas exorbitaram as suas atribuições estatutárias ou limites legais, e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias.” (Acórdão 3301003.033) No caso, há fartos elementos para caracterizar a gestão fraudulenta, pela ocultação do real adquirente nas operações, o que, de resto, nem mais foi objeto de defesa. Todavia, não houve o enquadramento correto da responsabilidade no artigo 135, e nem houve a sujeição passiva da Ergonoflex. Toda a argumentação do Fisco, no Relatório Fiscal, acerca da solidariedade é pertinente, porém, atribuível aos sócios, como pessoas físicas, somente se por meio do enquadramento no artigo 135, por gestão fradulenta, efetivamente caracterizada., o que ocorre somente após a sujeição passiva da pessoa jurídica. Não se pode cobrar dos sócios antes de cobrar da pessoa jurídica. A falha de sujeição passiva da pessoa jurídica enseja a improcedência do lançamento. Pelo exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 688DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907543/2009-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento ou à compensação.
Numero da decisão: 3002-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento ou à compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento ou à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 75 43 /2 00 9- 17 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10935.907543/200917 Acórdão n.º 3002000.179 S3C0T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 4º trimestre de 2006, ao qual foi vinculada uma declaração de compensação relativa ao período de agosto/2008 (PER fls. 41 a 62 e Dcomp fls. 63 a 66). A Delegacia da Receita Federal em Cascavel emitiu Despacho Decisório no qual negou o direito ao ressarcimento de IPI, tendo em vista que o crédito passível de ressarcimento foi utilizado na escrita fiscal nos períodos subsequentes ao 4º trimestre/2006, e consequentemente não homologou a compensação. O despacho decisório foi acompanhado de demonstrativos do saldo credor ressarcível e do detalhamento da compensação (fls. 27 a 33). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou que tinha direito ao crédito nas saídas de produtos isentos, com alíquota zero ou imunes, bem como nas aquisições de estabelecimento comercial atacadista não contribuinte; que deveria ter sido considerado o saldo credor do período anterior; e, por fim, que não utilizou créditos sem lastro, residindo o problema no programa PER/Dcomp, que permitiu a transmissão de uma compensação vinculada a mais de um pedido de ressarcimento, fazendo o contribuinte crer que teria indicado crédito suficiente para a compensação quando, em realidade, tal procedimento não seria aceito. Requereu o reconhecimento integral do seu crédito e, a título de demonstração do seu direito, juntou um demonstrativo do saldo credor e uma tabela de controle de ressarcimentos e compensações (fls. 22 a 26). A Delegacia de Julgamento em Belém proferiu o acórdão nº 0132.616 (fls. 74 a 76), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito pleiteado havia sido integralmente reconhecido, mas utilizado na escrita fiscal de períodos posteriores, não restando crédito para a compensação. Em relação à alegação de não aproveitamento de saldo credor de período anterior, esclareceu que a própria interessada informou no Per/Dcomp sua utilização em pedidos de ressarcimento anteriores. Transcrevese a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. MULTA E JUROS DE MORA. Caberá o acréscimo de multa e juros de mora sobre os débitos extintos em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 01/04/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem constante à fl. 78, e protocolizou seu recurso voluntário em 02/05/2016, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 80. No recurso voluntário (fls. 81 a 84), a recorrente retoma as alegações da manifestação de inconformidade: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10935.907543/200917 Acórdão n.º 3002000.179 S3C0T2 Fl. 4 3 a) questiona a metodologia adotada pela Receita Federal para apuração do crédito disponível para ressarcimento, afirmando que as planilhas juntadas à manifestação de inconformidade demonstram o acerto do seu raciocínio e que há saldo credor de IPI em valor superior ao reconhecido; b) reitera que a necessidade de se considerar todo o período envolvido e o saldo anterior ao período referência, o que não teria sido feito; c) reafirma que não utilizou créditos sem lastro, decorrendo a divergência do equívoco desencadeado pelo programa Per/Dcomp que deixa entender que pode ser utilizado mais de um pedido de ressarcimento para uma única compensação; e d) por fim, requer que seja reconhecido o crédito solicitado nas Per/Dcomps, sendo afastada a aplicação de quaisquer multas e juros. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este processo integra um lote de 10 processos similares, todos versando sobre pedidos de ressarcimento, nos quais ocorreram alguns percalços que tornam a situação aparentemente mais confusa do que é realmente. A matéria de fundo diz respeito à existência de créditos suficientes para o ressarcimento de IPI, por vezes cumulado com pedido de compensação. O contribuinte fez um pedido inicial, que consta do processo nº 10935.907532/200929, integralmente reconhecido, mas insuficiente para quitar a totalidade dos débitos declarados. A homologação apenas parcial na primeira compensação, agravada pelo não reconhecimento do direito ao ressarcimento do IPI a partir do processo nº 10935.907538/200904, desencadeou divergência entre todas as decisões administrativas e os pedidos subsequentes. Para maior clareza, apresentamos uma tabela da correlação entre processos, pedidos de ressarcimento (PER) e declarações de compensação (Dcomp). Os dados do presente processo estão em negrito. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10935.907543/200917 Acórdão n.º 3002000.179 S3C0T2 Fl. 5 4 Nestes autos, temos o PER0812, cujo crédito não foi reconhecido e ao qual foi vinculada a Dcomp4575, não homologada. Ciente de que o PER0812 era insuficiente para quitar a compensação, o contribuinte informou o PER0929 no campo “Nº do último PER/Dcomp” da Dcomp, na expectativa de que fosse considerado o crédito contido nos dois PER. Desta feita, ao contrário dos primeiros processos, temse acesso ao segundo PER, de onde viria, segundo o contribuinte, crédito suficiente para a homologação. O PER 0929 consta do processo nº 10935.907544/200953, como se verifica na tabela acima. Da consulta ao processo, constatase que, apesar de integralmente reconhecido, o ressarcimento foi negado porque o crédito foi utilizado na escrita fiscal dos períodos subsequentes. Logo, mesmo que ele fosse considerado, não haveria crédito suficiente para a homologação da Dcomp4575. Diante desta situação fática que, em si, é simples, a recorrente traz alegações que dizem respeito unicamente à metodologia utilizada pelo programa Per/Dcomp para fazer a conciliação entre os diversos pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação, já que o resultado não condiz com aquele por ele encontrado e que consta das planilhas anexas à manifestação de inconformidade. O contribuinte requer que seja considerado todo o período envolvido entre o primeiro e último pedidos, assim como o saldo credor do período anterior ao do PER, por entender que não teriam sido considerados, o que teria afetado negativamente o resultado da análise. Tais alegações não encontram respaldo nos demonstrativos que acompanham o Despacho Decisório – Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível (que se inicia com o saldo credor do período anterior informado pelo sujeito passivo) e o Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento (que vai do 1º trimestre/2007 até o 3º trimestre/2008) –, nem na tela de sistema inserida no Acórdão da DRJ, que abrange todos os PER referentes ao período que abrange do 1º trimestre/2004 até o 4º trimestre/2005. Pela tela juntada pelo relator, vêse que o crédito foi reconhecido e utilizado em todos os trimestres. É essencial que se lembre que esses demonstrativos resultam unicamente das informações prestadas pelo próprio contribuinte nas Per/Dcomps transmitidas à Receita Federal. Não há nenhuma informação acrescida, resultante por exemplo de uma fiscalização, nem foi efetuada nenhuma glosa dos créditos de IPI. Apenas tais créditos foram sendo utilizados, na escrita fiscal ou em compensações e, a partir de um determinado momento, não estavam mais disponíveis. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10935.907543/200917 Acórdão n.º 3002000.179 S3C0T2 Fl. 6 5 Em suma, os motivos do não reconhecimento ou da não homologação residem nas próprias declarações transmitidas pelo contribuinte, que são a prova e o motivo do despacho decisório. É cediço que nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, a demonstração da certeza e liquidez é ônus que pertence ao requerente. Define o CPC em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Não tendo a recorrente logrado provar o que alega, não há como reconhecer o direito ao ressarcimento nem autorizar a compensação, uma vez que é vedada a autorização de compensação de créditos que não sejam líquidos e certos art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Considerando que a defesa consiste no questionamento pela forma como o sistema efetua seus cálculos, frente ao raciocínio por ele desenvolvido nas planilhas, e nada mais foi trazido aos autos, temse por não provada a razão da recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000808/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/08/2007
AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS.
Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeita-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros.
COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL.
Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/08/2007 AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS. Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeita-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL. Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 394 1 393 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000808/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.174 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL Recorrente DME DISTRIBUIÇÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/08/2007 AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS. Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeitase ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL. Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 08 08 /2 00 9- 34 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 395 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 396 3 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.086.2333, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI). Segundo a acusação fiscal, no período em que a empresa não estaria inscrita no PAT, toda despesa por ela realizada com fornecimento de alimentação ("Refeições, Lanches e Vale Alimentação") seria fato gerador de contribuição previdenciária. A base de cálculo teria sido apurada depois de deduzidos os valores pagos pelos próprios empregados. Os valores pagos pela empresa não constariam das GFIP, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração com CFL 68, que compõe outro PAF. Foi efetuado o comparativo da multa mais benéfica, considerandose a entrada em vigência da Lei 11941/09. Por fim, o agente fiscal relata que o sujeito passivo, muito embora fosse uma autarquia, estaria sujeito ao regime jurídico das empresas privadas para o cálculo das contribuições. A alíquota aplicada foi de 5,8%. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, na qual suscitou a decadência das contribuições lançadas, bem como a sua inexigibilidade por razões de mérito, questionando, ainda, o percentual da multa aplicada neste lançamento. Em razão da conexão existente entre o presente processo e o processo 12963.000816/200947 (contribuições patronais e dos segurados), o qual foi baixado em diligência, os autos foram também baixados em diligência para acompanhamento. Em 25/06/2014, foi emitida Informação Fiscal e juntados documentos aos autos, referentes às contribuições incidentes sobre a alimentação do trabalhador, apuradas nos processos 12963.000813/200947 e 12963.000816/200981, relativos à contribuição da empresa e dos segurados, dos períodos 04/2004 a 11/2004 e 12/2004 a 08/2007, respectivamente, e nos processos 12963.000807/200990 e 12963.000808/200934, relativos à contribuição destinada a outras entidades e fundos, dos períodos 04/2004 a 11/2004 e 12/2004 a 08/2007, respectivamente. Na referida Informação Fiscal, a autoridade lançadora afirmou que a não apresentação de demonstrativo individualizado das verbas recebidas a título de alimentação se deu em razão de o contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados ou têlos apresentado de forma insatisfatória, apesar de reiteradas intimações; explicitou as tentativas efetuadas para obter as informações junto ao contribuinte por ocasião da ação fiscal e também na diligência. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 397 4 Deduzidos os descontos das remunerações, a autoridade fiscal apresentou planilha com valores a serem retificados. O presente processo foi apensado ao processo 12963.000816/200981. Em 06/08/2014, os autos foram devolvidos para ciência do contribuinte, a qual se deu em 18/08/2014, mediante A.R. O contribuinte não se manifestou novamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme decisão assim ementada: NATUREZA JURÍDICA. ATIVIDADE ECONÔMICA. CÓDIGO FPAS. O enquadramento do contribuinte no código FPAS está relacionado à atividade econômica que exerce e não à sua natureza jurídica. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores relativos à alimentação in natura fornecida pela empresa, tendo em vista a emissão de Ato Declaratório da Procuradora Geral da Fazenda Nacional e de Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação. Diante do montante exonerado, não houve a interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 10/02/2015, através de aviso de recebimento (fl. 378), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/03/2015, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, sustentou o seguinte: Mérito Da natureza jurídica do autuado (a) o recorrente foi constituído como entidade autárquica para a prestação de serviço público exploração do serviço essencial de energia elétrica em favor dos munícipes de Poços de Caldas; (b) quem está fazendo a exploração é o próprio Ente Público através de sua administração indireta; (c) o recorrente tem caráter não lucrativo; Das contribuições Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 398 5 (d) por ser uma autarquia legalmente constituída, o recorrente enquadrase no código FPAS 582, que não está sujeito ao pagamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos; (e) cita decisões da justiça do trabalho em processos de que é parte e parecer da Procuradoria do INSS; (f) cita decisão do TJMG, que lhe concedeu a imunidade tributária recíproca em processo relativo ao IPVA; Da multa aplicada (g) questiona a multa de 24%, sob o argumento de que a Lei 11941/09 teria revogado os incs. I a III do art. 35 da Lei 8212/91, de forma que a multa aplicável seria de no máximo 20%, conforme o art. 61 da Lei 9430/96. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 399 6 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da inexigibilidade das contribuições de terceiros O contribuinte basicamente alega que, por ser uma autarquia, enquadrase no código FPAS 582, que não está sujeito ao pagamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. É que o relatório fiscal e a decisão recorrida partiram da premissa de que o sujeito passivo, por exercer atividade econômica, condição inerente ao fato de ser empresa do setor elétrico, estaria sujeito ao regime jurídico próprio das empresas privadas. Num primeiro momento, portanto, deve ser analisado se a prestação do serviço de energia elétrica é uma atividade econômica (atividade econômica em seu sentido estrito) ou, como alega o recorrente, um serviço público. Pois bem. A Constituição Federal não define serviço público e nem atividade econômica. Em seu art. 170, entretanto, a Lei Maior traz um traço característico da atividade econômica: a livre iniciativa, em que é expressamente livre o exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Vejase: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 400 7 prestação;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. (destacouse) Do texto constitucional, ainda se depreende que a atividade econômica está fundamentada em inúmeros princípios igualmente expressos, entre os quais o da propriedade privada e o da livre concorrência. Assim, as pessoas têm ampla liberdade para explorar as atividades econômicas e nem mesmo necessitam de autorização dos órgãos públicos para fazêlo, salvo nos casos previstos em lei. Como regra, ademais, as atividades econômicas apenas podem ser exploradas pelos particulares, somente sendo permitidas ao Estado quando necessárias aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. Vejase: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. Em contraponto, os serviços públicos são de prestação pelo Poder Público, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação. Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II os direitos dos usuários; III política tarifária; IV a obrigação de manter serviço adequado. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 401 8 Ao contrário das atividades econômicas, fundadas primordialmente na livre iniciativa, os serviços públicos têm como traços característicos a obrigatoriedade, a continuidade, a regularidade, a universalidade, a modicidade, a eficiência, o controle, etc. O art. 175 retro transcrito determina, de forma clara, que a lei disporá sobre a obrigação de manutenção de um serviço adequado, o que se distingue totalmente da atividade econômica, a qual está alicerçada quase que apenas na livre iniciativa, dentro de uma economia de mercado livre, individualista e fortemente concorrencial. O jurista e exministro do Supremo, Eros Grau, faz interessante constatação que merece ser transcrita: A Carta Substancial de 1988 projeta um Estado desenvolto e forte, sob as balizas dos seus fundamentos constantes no art. 1° e objetivos, no art. 3°, para que este venha a ser concretizado. Assim, todas as parcelas da atividade econômica que sejam indispensáveis à realização e ao desenvolvimento da coesão e da interdependência social devem ser prestadas como serviço público; e não como atividade econômica em sentido estrito, que privilegia a perspectiva individualista do mercado e confronta a Constituição1. É que a Constituição adotou um estado predominantemente social, a quem incumbiu a prestação dos serviços públicos como forma de garantir a cidadania, a dignidade, a construção de uma sociedade justa e solidária, etc. A perspectiva não individualista dos serviços públicos é facilmente notada na conceituação do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello: [...]toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral, mas fruível singularmente pelos administrados, que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes, sob um regime de Direito Público – portanto, consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais – instituído em favor dos interesses definidos como públicos no sistema normativo2. Nesse contexto, não há dúvidas de que os serviços de energia elétrica são serviços públicos. A sua exploração é de competência estatal, como determina o art. 21, inc. XII, alínea b, da Constituição, e, diferentemente da atividade econômica em sentido estrito, os particulares necessitam de autorização, concessão ou permissão do ente competente para explorálo. Acrescentese que se trata de comodidade material destinada à coletividade, conforme lição retro mencionada, e que a sua exploração não pode se dar dentro de uma 1 Citado por Ricardo Duarte Jr, em http://www.ambito juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6746, acesso em 09/01/2018. 2 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 25 ª Ed., 2 ª tiragem, São Paulo: Malheiros, 2008. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 402 9 perspectiva individualista, mas sim de acordo com os princípios do regime jurídico administrativo. Se os serviços de energia elétrica não fossem de competência do estado, mas sim uma atividade econômica pautada pelo princípio da livre iniciativa, é evidente e inegável que os municípios menores e menos abastados ficariam privados da sua prestação, o que explica o fato de a Constituição Federal, de caráter notadamente social, têlos colocado como serviços públicos obrigatórios e de competência da administração pública. Vejase: Art. 21. Compete à União: XII explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos; Não é por outra razão que a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização de energia elétrica é regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), autarquia em regime especial vinculada ao Ministério de Minas e Energia, conforme determina a Lei 9427/96 e o Decreto 2335/97. A citada lei, de forma expressa e já em seu preâmbulo, determina que os serviços de energia elétrica são serviços públicos, o que se alinha com a Constituição Federal, conforme antes demonstrado. Vejase: LEI Nº 9.427, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica e dá outras providências. (destacouse) Por outro lado, e no caso em particular, a pessoa jurídica encarregada da prestação do serviço de energia elétrica para o Município de Poços de Caldas integra a administração pública indireta, na qualidade de órgão autárquico. O sujeito passivo foi assim criado pela Lei Municipal 420/1954 (criou o Departamento Municipal de Eletricidade), com as alterações da Lei 2547/77, o que é confirmado pelo seu Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral CNPJ. Vejase o teor da art. 1º da Lei 2547: Art. 1º O Departamento Municipal de Eletricidade é um órgão autárquico da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas, com autonomia financeira, econômica e administrativa. E a legitimidade do recorrente para a execução dos serviços de energia elétrica naquele Município está comprovada no Contrato de Concessão 49/99 ANEEL, no qual a União, enquanto poder concedente, e por intermédio da citada agência reguladora, concedeulhe o direito de exploração do serviço público de distribuição de energia elétrica. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 403 10 Do citado contrato, ainda se depreende que o sujeito passivo, enquanto concessionário da exploração de serviço público dotado de utilidade pública, está obrigado a garantir a modicidade das tarifas, consoante previsão expressa de sua "CLÁUSULA PRIMEIRA", "Subcláusula Quinta", o que se coaduna com o regime jurídico administrativo próprio dos serviços públicos, diferentemente do regime privado das atividades econômicas em sentido estrito. Nesse mesmo contrato, observamse outras cláusulas próprias do regime jurídico administrativo, pois visam a garantir a obrigatoriedade, a continuidade, a regularidade, a universalidade, a eficiência e o controle dos serviços objeto da concessão. Daí se conclui que o sujeito passivo, entidade autárquica sem fins lucrativos, e obviamente integrante da administração pública indireta, presta os serviços públicos de energia elétrica mediante concessão da União, fazendolhe às vezes, sob um regime jurídico administrativo, e não sob um regime privado. Traçando um paralelo com a imunidade tributária recíproca de que trata o art. 150, inc. VI, alínea a, da Constituição Federal, lembrese que ela é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Vejase: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Nessa toada, o recorrente não está sujeito ao recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos, cujo recolhimento é próprio das empresas privadas, devendo ser provido o seu recurso, para que seja cancelado o lançamento. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 404 11 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à inexigibilidade das contribuições destinadas aos Terceiros. Da natureza jurídica do Recorrente e das contribuições destinadas aos Terceiros Tendo em vista a natureza jurídica do Recorrente, ou seja, de entidade autárquica e prestadora de serviço público, o Relator acompanhou as razões recursais, invocando a imunidade tributária recíproca, prevista no art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal, e afastou a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições destinadas aos Terceiros, afirmando, ainda, que tal obrigação seria própria das empresas privadas. Primeiramente, gostaríamos de apontar que o Recorrente deixou de ser uma entidade autárquica, em 2010, para ser uma empresa pública, segundo dispõe a Lei Complementar nº 111, de 27/3/10, do Município de Poços de Caldas: De qualquer forma, o lançamento diz respeito ao período de 12/2004 a 08/2007, quanto o Recorrente ainda era uma entidade autárquica. Todavia, em que pese o Recorrente ter sido uma autarquia no período abrangido pelo lançamento e a Carta Republicana abrigar as autarquias na imunidade constitucional recíproca, tal imunidade diz respeito apenas a impostos, senão, vejamos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; [...] § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 405 12 § 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. (Grifo nosso) Portanto, como as contribuições em análise não estão abarcadas pelo art. 150, inciso VI, da Constituição Federal, não cabe serem afastadas com base na imunidade recíproca. Além do mais, o § 3º deixa claro que tal imunidade não se aplica em relação à exploração de atividade econômica regida pelas “normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário”, que é o que ocorre no caso da DME DISTRIBUIÇÃO S.A. Ademais, corroborando tal entendimento, trazemos à baila a ementa do Acórdão n° 10708.768, de 18/10/2006, citada na decisão a quo e que trata exatamente da questão em foco, pois o Recorrente é concessionário3 de serviço público de competência da União: IRPJ/CSLL/PIS E COFINS – PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR, POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO – NATUREZA JURÍDICA DE FATO – SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados não está abrigado pela imunidade constitucional. Dessa forma, superada a questão quanto à imunidade, vamos tratar da natureza jurídica do Recorrente. Pois bem, independente da sua natureza jurídica, por ser uma concessionária de serviço público, o Recorrente deve e teve que se submeter à Lei 8.987, de 13/2/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, previsto no art. 175 da Constituição Federal. A Lei 8.987/95 estabelece que a concessão será objeto de licitação prévia e tratamento isonômico dos concorrentes, nos seguintes termos: Art. 14. Toda concessão de serviço público, precedida ou não da execução de obra pública, será objeto de prévia licitação, nos termos da legislação própria e com observância dos princípios da legalidade, moralidade, publicidade, igualdade, do julgamento por critérios objetivos e da vinculação ao instrumento convocatório. [...] 3 Contrato de Concessão nº 49, de 1999 – fls. 77 a 93. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 406 13 Art. 17. Considerarseá desclassificada a proposta que, para sua viabilização, necessite de vantagens ou subsídios que não estejam previamente autorizados em lei e à disposição de todos os concorrentes. § 1º Considerarseá, também, desclassificada a proposta de entidade estatal alheia à esfera políticoadministrativa do poder concedente que, para sua viabilização, necessite de vantagens ou subsídios do poder público controlador da referida entidade. (Renumerado do parágrafo único pela Lei n° 9.648. de 1998) § 2º Incluise nas vantagens ou subsídios de que trata este artigo, qualquer tipo de tratamento tributário diferenciado, ainda que em conseqüência da natureza jurídica do licitante, que comprometa a isonomia fiscal que deve prevalecer entre todos os concorrentes. (Incluido pela Lei n° 9.648, de 1998) Sendo assim, em que pese a natureza jurídica de autarquia, ao prestar serviço público de competência da União (distribuição de energia elétrica), por meio de concessão e com cobrança de tarifas, o Recorrente deve estar em par de igualdade com os demais concorrentes, o que o torna sujeito ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. Da multa aplicada Segundo o Recorrente, como a multa aplicada de 24% estaria prevista nos incisos do art. 35 da Lei 8.212/91, e como tais incisos foram revogados pela Medida Provisória 449, de 3/12/08, a qual foi convertida na Lei 11.941, de 27/5/09, pela nova sistemática, deveria ser aplicada a multa 20%, prevista no art. 61 da Lei 9430/96. Antes de considerações outras, devemos observar que a lei tributária é aplicável ao ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a lei vigente ao tempo do respectivo ato ou fato, nos termos art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN) 4. Dessa forma, devemos examinar o que dispõe a legislação de regência das multas aplicáveis ao caso, antes e depois da entrada em vigor da MP 449/08. Antes da MP 449/08 Lei 8.212/91 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; 4 Lei 5.172, de 25/10/66. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 407 14 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Após a MP 449/08 Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, independente do nomen iuris dado a cada multa (ofício ou mora), em essência, todas são multas de mora, sendo aplicadas em razão da mora do contribuinte. A diferença é que a multa do art. 35, inciso I, alínea “c”, da Lei 8.212/91, e a multa do art. 61, da Lei 9.430/91, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso as contribuições, porém, espontaneamente, ou seja, sem que a fiscalização seja acionada. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 408 15 Por sua vez, a multa prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, e a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso, porém, de forma não espontânea, ou seja, após as contribuições serem lançadas de ofício pela fiscalização. Tal situação explica o porquê da Lei 8.212/91 incluir em seu art. 35, que trata da multa de mora, a multa de ofício prevista no inciso II, alínea “a”. Portanto, diante desse quadro, somente é possível compararmos recolhimento espontâneo com recolhimento espontâneo e recolhimento não espontâneo com recolhimento não espontâneo, da seguinte forma: Nessa linha de raciocínio é o Acórdão 9202005.667, da Câmara Superior de Recurso Fiscais do CARF, proferido em 26/7/17, o qual apresenta a seguinte ementa: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Sendo assim, como a multa aplicável (de ofício) na sistemática anterior à MP 449/08, era a multa de 24%, prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, a multa correspondente, na nova sistemática, é a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Além do mais, para que não paire qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade menos severa, devemos lembrar que na sistemática anterior, para o caso em análise, seria aplicada a multa de 24% mais a multa do CFL5 68, prevista no art. 32, § 5º, da Lei 5 Código de Fundamentação Legal. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 12963.000808/200934 Acórdão n.º 2402006.174 S2C4T2 Fl. 409 16 8.212/91, em razão do contribuinte ter apresentado GFIP6 com omissão ou incorreção de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Na nova sistemática, porém, para o caso em análise, seria aplicável apenas a multa de 75%, pois esta já engloba o não recolhimento e a pena por apresentação de GFIP como omissão ou incorreção. Pois bem, compulsando a Planilha de fls. 23 a 25, constatase que a fiscalização realizou a comparação das multas, concluindo pela aplicação, em todo o período, da multa do 24% (mais a multa do CFL 68), por ser menos severa ao contribuinte. Portanto, improcedem as alegações recursais quanto à multa a ser aplicada. De qualquer forma, lembramos que no momento do pagamento do presente crédito ou no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) será verificada a multa mais benéfica a ser mantida, nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 4/12/09. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 6 Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 409DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.726078/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como as pessoas que tenham interesse em comum com a situação que constitui o fato gerador.
À falta de elementos de prova de que o sócio anterior realizou atos com infração à lei ou ao contrato social, afasta-se a correspondente responsabilização pelo crédito tributário lançado, sem prejuízo da sua posterior reinclusão no pólo passivo da obrigação tributária, em razão de novos fatos trazidos ao conhecimento da Fazenda Nacional.
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO PROVIMENTO.
Demonstrada que a decisão a quo agiu acertadamente ao excluir um dos responsáveis solidários por falta de demonstração dos atos específicos praticados, mantém-se a decisão que exonerou a sua responsabilidade.
Numero da decisão: 1401-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Luiz Antonio Monte Ribeiro para tão somente excluir sua responsabilidade tributária em relação aos débitos exigidos através do presente processo. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como as pessoas que tenham interesse em comum com a situação que constitui o fato gerador. À falta de elementos de prova de que o sócio anterior realizou atos com infração à lei ou ao contrato social, afastase a correspondente responsabilização pelo crédito tributário lançado, sem prejuízo da sua posterior reinclusão no pólo passivo da obrigação tributária, em razão de novos fatos trazidos ao conhecimento da Fazenda Nacional. RECURSO DE OFÍCIO. NÃO PROVIMENTO. Demonstrada que a decisão a quo agiu acertadamente ao excluir um dos responsáveis solidários por falta de demonstração dos atos específicos praticados, mantémse a decisão que exonerou a sua responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário Luiz Antonio Monte Ribeiro para tão somente excluir sua responsabilidade tributária em relação aos débitos exigidos através do presente processo. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 60 78 /2 01 2- 81 Fl. 4200DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso, com os nossos acréscimos. Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis, lavrados em 13/11/2012, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 238.899.670,33, incluindo multa de ofício qualificada e agravada (225%) e juros de mora calculados até 11/2012, em razão do arbitramento do lucro e da constatação de omissão de receita da revenda de combustíveis, nos anoscalendário 2008 e 2009. O IRPJ foi exigido mediante aplicação do percentual de determinação do lucro de 9,6% e a CSLL mediante aplicação do percentual de determinação do lucro de 12%. O Pis e a Cofins foram exigidos no regime cumulativo, às alíquotas de 1,46% e 6,74%, respectivamente. Foram arrolados os seguintes sujeitos passivos solidários: Jeferson Luiz Veng (CPF: 832.842.14968); Atílio Búfalo (CPF: 234.766.21987); Luiz Antonio Monte Ribeiro (CPF: 742.269.83815); Alcyon Ricardo Cardoso de Lima (CPF: 020.390.23941) e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda (CNPJ: 04.902.590/000107). A infração foi discriminada no Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual o trabalho de auditoria foi iniciado em 21/09/2011, buscando verificar a insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ nos anoscalendário 2008 e 2009. A fiscalização relata que a contribuinte exerce a atividade de comercialização no ramo atacadista de álcool hidratado, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista, possuindo no seu quadro societário o Sr. Jeferson Luiz Veng (15%) e a empresa Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda (85%), a qual, por sua vez, tem em seu quadro social o referido sócio da autuada (0,01%) e a empresa uruguaia Pellyon Corporation Financial & Trading S/A (99,99%), que tem o Sr. Alcyon Ricardo Cardoso de Lima como representante legal/procurador. Informa o Fisco que a autuada tem o Sr. Atílio Bufalo como preposto do sócio administrador, conforme procuração que lhe confere amplos poderes de administração, Fl. 4201DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.201 3 gerais e ilimitados. E que o Sr. Luiz Antonio Monte Ribeiro constou como sócio administrador da fiscalizada até 20/02/2008, portanto, dentro do período objeto de ação fiscal. Diz que a fiscalizada apurou o lucro real trimestral, não tendo sido localizado nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil RFB qualquer recolhimento a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos anoscalendário 2008 e 2009, sendo que no anocalendário 2008 a pessoa jurídica apresentou a DIPJ em branco, assim como a Dacon, relativa aos meses de maio a dezembro; e no anocalendário 2009 declarou na DIPJ receita de venda no total de R$ 8.508.087,00, apresentando a Dacon apenas para os meses de janeiro a junho e, ainda, com informações zeradas. A autoridade fiscal informa que intimou a interessada a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur; as Demonstrações do Lucro Real e do Resultado do Exercício; planilhas contendo os resumos das vendas de combustíveis; cópia das GIA entregues ao Fisco Estadual; as Notas Fiscais de Vendas de Combustíveis; os documentos que acobertam a escrituração, bem como a informar a existência de ação judicial e/ou parcelamento, conforme Termo de Início da Ação Fiscal (21/09/2011) e Reintimações seguintes (24/10/2011, 14/11/2011, 08/12/2011, 02/02/2012); Termo de Intimação Fiscal (19/03/2012) e reintimações seguintes (12/04/2012 e 22/05/2012); e Termo de Intimação Fiscal (04/06/2012), sob pena do não atendimento implicar o agravamento da penalidade e o arbitramento do lucro. E que a contribuinte se manifestou somente quando da ciência do Termo de Início da Ação Fiscal, requerendo prorrogação de prazo, deixando de atender às diversas intimações. Em razão do não atendimento às intimações a fiscalização entendeu que a conduta do contribuinte constitui atos de sonegação e fraude, na forma dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. A autoridade fiscal esclarece no referido Termo de Verificação que obteve as informações necessárias ao prosseguimento da auditoria, conforme abaixo: 1 – No sítio da Secretaria da fazenda foram extraídas as notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa; 2 – Da SEFAZ/SP foram obtidas as GIAs com as informações das receitas de venda de gasolina, álcool e diesel; 3 – Da ANP foram ontidos os volumes de venda de combustíveis declarados àquela agência; 4 – Da REPLAN foram obtidas planilhas com a listagem de todas as compras da empresa junto á refinaria. E informa que procedeu ao arbitramento do lucro, com fundamento no art. 530, II, do RIR/99, em razão da falta de apresentação dos livros de escrituração obrigatória e dos documentos pertinentes, bem como em razão da falta e/ou da entrega das declarações DIPJ, DCTF e DACON com informações zeradas e/ou com receitas parcialmente transcritas, visando impedir e/ou retardar o conhecimento das informações por parte do Fisco. Fl. 4202DF CARF MF 4 Observa, para fins da determinação do percentual aplicável, que se trata de distribuidora de combustíveis para postos revendedores, não se enquadrando na hipótese do art. 15, §1º, I, da Lei nº 9.249, de 1995. Consta do Termo de Verificação Fiscal a determinação da receita bruta omitida e da base de cálculo do tributo e das contribuições devidos, conforme abaixo: Infração 4.1 – Omissão de Receitas Receita bruta de gasolina e diesel => Foram obtidos por meio dos registros das nostas fiscais eletrônicas os valores das receita bruta auferida com a venda de gasolina e diesel. Destacouse que não houve vendas entre janeiro e março/2008. Infração 4.2. – Omissão de Receitas – Receita bruta de álcool => Para a apuração dos valores das receitas brutas omitidas da venda de álcool foram utilizadas, além das notas fiscais eletrônicas os valores declarados pela empresa à SEFAZ por meio de suas GIAs. Destacou que, em relação ao álcool, houve receita bruta nos meses de janeiro a março/2008, conforme verificado na GIA destes períodos. Das bases de Cálculo de IRPJ e CSLL Com base na apuração da receita bruta, conforme acima indicado, foram obtidas as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, compostas pelo somatório das receitas brutas de venda de álcool, gasolina e diesel. Da apuração das contribuições do PIS e COFINS Até 30/09/2008 – Foram apuradas pela aplicação das alíquotas de 1,46% e 6,74%, conforme Lei nº 9.718/98, art. 5º, sobre o valor da receita bruta omitida. A partir de 01/10/2008 as contribuições foram apuradas a partir do volume de vendas de combustíveis, conforme opção do contribuinte pela Lei nº 11/727/2008, art. 8º. Nesta sistemática os valores a recolher são calculados por meio de valores definidos relativos ao volume de álcool vendido. Assim, foram obtidos, a partir dos volumes de venda, os valores devidos das contribuições neste período. Acerca da multa qualificada e agravada, prevista no art. 44, I, e parágrafos 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a fiscalização acrescenta que foi exigida diante da falta de atendimento às diversas intimações fiscais “com claro objetivo de impedir que a autoridade fazendária conhecesse os fatos geradores que geraram a RECEITA BRUTA apurada neste Termo de Verificação Fiscal”. Sobre a responsabilidade solidária, foi imputada com fundamento nos artigos 124, I e II, e 135, II e III, ambos do CTN, mediante os seguintes argumentos: JEFFERSON LUIZ VENG, na condição de sócio e administrador da empresa, detentor de 15% do capital social e representante da Pellyon do Brasil Comércio e Participações. ATILIO BUFALO, preposto de Jefferson Luiz Veng, com procuração com poderes gerais e ilimitados de administração da empresa. LUIZ ANTONIO MONTE RIBEIRO, na condição de sócio administrador até 20/02/2008, quando retirouse da sociedade. Fl. 4203DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.202 5 ALCYON RICARDO CARDOSO DE LIMA, na condição de representante da PJ Pellyon Corporation Financial & Trading, que é sócia majoritária da Pellyon do Brasil. PELLYON DO BRASIL COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES, na condição de sócia majoritária da empresa fiscalizada. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de nº 10830.726079/201225; bem como processo de Arrolamento de Bens, de nºs 10830.017459/200970 (este, perante a autuada e decorrente de ação fiscal anterior), 10830.726886/201248 (Jeferson Luiz Veng), 10830.726888/201237 (Luiz Antonio Monte Ribeiro), 10830.726889/201281 (Atilio Bufalo), 10830.726890/201214 (Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda), 10830.726891/201251 (Pellyon Corporation Financial & Trading SA). A ciência dos autos de infração se deu por via postal, em 14/11/2012, para a contribuinte Gasforte Combustíveis e Derivados Ltda e os responsáveis solidários Luiz Antonio Monte Ribeiro e Jeferson Luiz Veng e, em 16/11/2012, para o responsável solidário Atílio Bufalo; e por via de edital, afixado nas correspondentes repartições locais em 30/11/2012, para os responsáveis solidários Alcyon Ricardo Cardoso de Lima e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda. As impugnações foram apresentadas nas seguintes datas: em 15/12/2012, data da postagem da correspondência nos Correios (Jeferson Luiz Veng e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda), em 17/12/2012 (Gasforte Combustíveis e Derivados Ltda, Atílio Bufalo, Luiz Antonio Monte Ribeiro, Márcia Bregagnolo Ribeiro, esta última insurgindose contra o arrolamento de seus bens no processo nº 10830.726888/201237, na qualidade de exesposa do responsável solidário Luiz Antonio Monte Ribeiro) e em 04/01/2012, data da postagem da correspondência nos Correios (Alcyon Ricardo Cardoso de Lima). DAS IMPUGNAÇÕES GASFORTE COMBUSTÍVES E DERIVADOS LTDA Preliminarmente, requer que todas publicações, notificações e intimações “forenses” sejam encaminhadas em nome e endereço de seus advogados, sob pena de nulidade. Após breve resumo dos fatos, requer a improcedência do auto de infração, porque manifestamente indevido e insubsistente, quer no tocante à forma de apuração, quer no tocante aos valores apurados a título de multa e juros. Antes de adentrar no mérito da questão, requer o reconhecimento da tempestividade da defesa ofertada. Na seqüência, protesta pela nulidade do auto de infração, pois os valores nele lançados não representam a realidade da empresa. Argumenta que a fiscalização, em total desprezo dos documentos apresentados em demonstração de restar a contribuinte impossibilitada de fornecer os livros e Fl. 4204DF CARF MF 6 documentos exigidos, porque em poder do Fisco Estadual, “aplicou o arbitramento de valores para apurar o quantum devido a título de imposto de renda e contribuições social (sic), sem conceder prazo razoavelmente e necessários para uma correta análise dos livros e documentos fiscais, que fatalmente demonstraria ter a empresa impugnante sofrido prejuízos nos períodos apontados”. Contrapõese à acusação fiscal, dizendo que “conforme se pode observar através dos documentos acostados a este petitório, a empresa autuada sempre atendeu as exigências da fiscalização, sendo que todas as intimações, efetivamente recebidas pela impugnante, foram tempestivamente respondidas e, se eventualmente não foram entregues os livros contábeis e fiscais, bem como, as notas fiscais, teve seu motivo justificadamente apresentado, razão pela qual, o arbitramento de valores a título de imposto sobre a renda e contribuição social na forma como estabelecido são equivocados, ato contínuo, a multa de 225% aplicada sobre o valor apurado é abusivo, portanto ilegal”. Diz que a fiscalização deixou de analisar os documentos fiscais e contábeis da empresa, os quais, por estarem em poder de outra repartição fazendária, não puderam ser retirados para apresentação ao Fisco Federal, como solicitado. Questiona o arbitramento sem considerar as despesas e os custos das mercadorias vendidas. Alega que a Constituição Federal de 1988 (CF/88) assegura o direito ao contraditório (art. 5º, LV) e que o auto de infração não preenche os requisitos necessários exigidos na Lei nº 6.763/75 “para o fim de garantir o contraditório a autuada, lesando assim sua defesa, uma vez que, referido auto não descreve corretamente e com precisão os fatos que fundamentaram a aplicação da penalidade”. Acusa que o auto não permite verificar quais os dispositivos invocados para capitulação da multa. E conclui: “Portanto, ante a falta de cópias necessárias, bem como, a falta de notificação ou intimação da Impugnante da existência do processo administrativo tributário, é de rigor seja, o presente auto de infração julgado totalmente improcedente”. Também, aponta que o auto de infração foi lavrado fora do estabelecimento da autuada, em afronta a segurança jurídica, à seriedade que deve existir nas relações entre Fisco e contribuinte e ao princípio do contraditório, “pois, durante as diligências da fiscalização, o contribuinte tem o sagrado direito de se fazer representar através de seu contabilista e se necessário, também pelo seu advogado (CF, art. 5º, LV e art. 133), matéria esta que desde logo fica préquestionada”. Cita doutrina. Ainda, acusa a inexistência de intimações para esclarecimentos das irregularidades verificadas, para atendimento em prazo razoável. Fundamentase, da mesma forma, no princípio do contraditório. Passa a questionar a multa aplicada. Nesse mister, afirma que não recolheu o Pis e a Cofins na forma antecipada, “porque entende ser impossível a aplicação do regime de substituição tributária no caso vertente”. Descreve que a multa foi agravada com fundamento no art. 44, I e §§ 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, “usando como pano de fundo a seguinte alegação: “Em decorrência da falta de atendimento da contribuinte às diversas intimações lavradas por esta Fiscalização Federal, com claro objetivo de impedir que a autoridade fazendária conhecesse os fatos geradores que geraram a RECEITA BRUTA apurada neste Termo de Verificação Fiscal, o Fl. 4205DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.203 7 percentual da multa de ofício foi aumentado na proporção prevista no Art. 44, inciso I, e parágrafos 1º e 2º da Lei 9.430/96...”. Defendese, dizendo que não praticou dolosamente sonegação e/ou fraude, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, porquanto “não se recusou apresentar as informações necessárias para apuração do fato gerador, embora tenha havido incorreções nas informações apresentadas à Receita Federal, a empresa já havia contratado um escritório de contabilidade, para efetivação das correções necessárias e apuração do valor devido, consoante contrato de prestação de serviços que ora se junta (doc. 04)”. Afirma que a Lei nº 4.502, de 1964, ao descrever as condutas configuradoras para a qualificação da pena, faz referência ao dolo, o qual deve ser inequivocamente demonstrado, fato não verificado no presente caso. Busca o conceito de dolo previsto no art. 18 do Código Penal, concluindo decorrer de ação consciente e voluntária do agente, razão pela qual não cabe a mera presunção para a configuração da prática dolosa. E que, no caso presente, “o simples fato da impugnante não ter apresentado os documentos exigidos pelo agente fiscal, no prazo, por ele estabelecido, não tem o condão de configurar a pratica dolosa de sonegação de informações e/ou fraude, que justificasse a aplicabilidade do agravamento da multa”. Ademais, acusa que a multa se revela totalmente desproporcional à suposta infração, refletindo verdadeiro confisco. Conceitua a multa, dizendo que tem caráter de pena, instituída com objetivo de reprimir e desestimular o comportamento de inadimplência da contribuinte, não podendo ser insignificante de modo a estimular a inadimplência e nem tão elevada a ponto de atingir o patrimônio da contribuinte. Fundamentase nos arts. 150, IV, e 5º, XXII, ambos da CF/88, bem como na doutrina. Discorre sobre o princípio da proporcionalidade e sobre a sanção tributária, apontando jurisprudência do STF e STJ. E reitera o caráter confiscatório da multa. Contrapõese à cobrança de juros à taxa Selic, por ilegal, “porquanto viola o disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional”. Alega que os juros têm caráter moratório e de indenização, ao qual não se destina referida taxa. Encerra, nos seguintes termos: “XII – DOS REQUERIMENTOS Mediante todo o exposto e por tudo o mais que dos autos se extrai, é o presente, para sempre com o devido acatamento, requerer se digne: I. Receber a presente Impugnação em todos os seus termos, determinando a sua juntada nos autos do processo administrativo nº 10830.726.078/201281, acolhendo as prejudiciais para declarar nula a sanção imposta à impugnante; Fl. 4206DF CARF MF 8 II. Ao apreciar o mérito, decidir pela TOTAL IMPROCEDÊNCIA da autuação, determinando o cancelamento do auto de infração e Imposição de Multa, e determinando seu arquivamento, isso tudo por ser de direito e da mais escorreita aplicação da JUSTIÇA! III. In casu o entendimento de Vossa Senhoria seja diverso, o que se admite apenas por amor à demanda, requerse, subsidiariamente e sem prejuízo aos pleitos supra, o reconhecimento do caráter de confiscabilidade da multa aplicada em 225% sobre o valor nominado como imposto, eis que, não restou, durante a verificação fiscal, configurado a prática, dolosa de sonegação ou fraude, para, assim reconhecendo, declarar nula a sua aplicação, adequandoa na forma da lei nº 9.430/96, artigo 44, caput; IV. Por derradeiro, requer a concessão de prazo para a juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazêlo neste ato.” PELYON DO BRASIL COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA Na apresentação da impugnação, de igual forma da autuada, comunica receber intimações e notificações no endereço de seu advogado. Após breve resumo dos fatos, pretende demonstrar que a responsabilização da impugnante não deve permanecer, pois não preenche os requisitos legais para sua configuração. Quanto à multa de 225%, a qual entende também prejudicar a ora impugnante, julga que não deve prosperar, porque não há comprovação de fatos imponíveis para a subsunção à hipótese de incidência “das sanções cumuladas”. Ao abordar o direito, igualmente requer o reconhecimento da tempestividade da defesa ofertada. Na seqüência, alega ilegitimidade passiva. Diz que o Termo de Verificação Fiscal aponta a responsabilidade com fundamento no art. 124, I e II, do CTN. Contrapõese, dizendo não existir enquadramento no inciso II, “pois não há lei que aloque como responsável solidária uma pessoa jurídica distinta do contribuinte do tributo somente pelo fato de ela ser sócia deste”. Entendendo que a sua solidariedade perante o crédito tributário estaria amparada no art. 124, I, do CTN, acusa inexistir qualquer indício de que a impugnante teria interesse financeiro e pessoal em omitir as receitas da autuada, pois o simples fato de ser sócia não é suficiente para imputar um efetivo ganho financeiro ou de qualquer outra espécie, “dado que, se tivesse ocorrido, deveria estar provado no processo”, o que não teria sido feito. Alega não existir nos autos sequer indícios de que a impugnante teria agido em conjunto para um resultado comum. E que “a administração feita por uma mesma pessoa não liga o comportamento de uma empresa ao da outra, assim como não acarreta responsabilidade comum entre as pessoas jurídicas”. Afirma que, mesmo se as empresas fossem do mesmo grupo econômico, ainda assim, tal solidariedade não poderia ser imputada, consoante jurisprudência do STJ. Fl. 4207DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.204 9 Ensina ser necessária a comprovação de ter efetivamente havido proveito de ambas empresas a condição a qual constitui a premissa para poderem ser unidas na responsabilidade fiscal, não podendo a solidariedade ser presumida. Ainda, argumenta que não se pode considerar a solidariedade como uma espécie de sujeição passiva e que não é possível a inclusão de uma terceira pessoa no pólo passivo pelo simples fato de ser sócia da contribuinte. Cita exemplo de solidariedade por interesse comum e diz que o art. 124, I, do CTN trata de situação de solidariedade, que não é a mesma coisa de responsabilidade, tanto que a disciplina da responsabilidade está em capítulo separado e específico para tal fim. Aponta doutrina. Lembra que a pessoa jurídica não se confunde com as pessoas de seus sócios, em especial no presente caso, cujas empresas são constituídas sob a forma de responsabilidade limitada. E acerca da responsabilidade tratada no art. 135 do CTN, ressalta, de início, que a impugnante não se enquadra em nenhuma das situações descritas no dispositivo legal citado, o qual transcreve juntamente com o art. 134 do CTN, ao qual aquele faz remissão. Diz que o legislador não discriminou uma pessoa jurídica como possível responsável solidário. E não é porque a impugnante tem como sócio administrador o mesmo da autuada que a pessoa jurídica pode ser arrolada como responsável solidária perante o crédito tributário constituído, inexistindo previsão legal para que tal vinculação seja feita. Cita jurisprudência do STJ. Ainda, ressalta que o art. 135 do CTN traz os pressupostos para se estender a responsabilidade às pessoas ali arroladas, quais sejam: de que os atos praticados tenham sido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. E, novamente, aponta que faltam provas, elementares ou indiciárias, da prática pela impugnante de algum dos atos mencionados. Salienta, ademais, que deveria ter sido demonstrado eventual ato doloso da impugnante, “pois é esta a situação que se impõe para que a responsabilização pudesse ser atribuída à empresa”. Mesmo assim, reitera que não há nenhuma menção à possibilidade legal de imputar responsabilidade tributária a uma pessoa jurídica. Conclui que o dispositivo cuida de responsabilidade subjetiva, com exigência de comprovação de dolo específico. E emenda: Fl. 4208DF CARF MF 10 Fl. 4209DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.205 11 Acerca da penalidade qualificada e agravada, observa, frente aos fundamentos apontados pelo Fisco, que a autuada não deixou de responder à fiscalização, “pois atendeu à primeira intimação, conforme petição de fls. 123 e 124, na qual, por meio de seus anexos, comprovou que diversos documentos fiscais e contábeis estavam em poder da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo”. Ademais, alega que a intimação para apresentação de declarações (DCTF, DIPJ e DACON) demonstrase totalmente desnecessária, pois todas se encontram à disposição da RFB, nos sistemas informatizados. Portanto, conclui que se a autuada não apresentou todos os documentos solicitados houve justificativa plausível para tanto, sendo inaplicável o agravamento da pena em 50%, “pois não houve recusa da contribuinte fiscalizada em apresentar os documentos ao Fisco. O que ocorreu foi a impossibilidade de entregálos à Fiscalização, vez que eles estavam na posse da Fazenda do Estado de São Paulo”. Reitera que a impugnante não pode ser responsabilizada por atos de outra empresa. Especificamente quanto à qualificação da multa, nota que somente pode ser imputada a quem tenha cometido um dos crimes previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, salientando inexistir qualquer prova nos autos, nesse sentido. Discorre acerca do conceito de sonegação, dizendo ser nítida a não configuração do pretenso crime, pois a autuada comprovou estar sem os documentos requeridos, havendo, ademais, a necessidade de comprovação do dolo, não bastando presunção em mera suspeita. Ainda, completa ser evidente não se poder considerar omissão dolosa de receitas “quando estas foram, todas, registradas nas GIAS e nas notas fiscais eletrônicas, as Fl. 4210DF CARF MF 12 quais foram obtidas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que, por sua vez, deram condições ao Fisco de efetuar o lançamento dos tributos”. Da mesma forma, discorre sobre o conceito de fraude, concluindo, também aqui, a necessidade de comprovação do dolo, denotando que “a ação ou omissão dolosa é no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do fato jurídico tributário, assim como excluir ou modificar suas características”, não sendo este o caso em questão. Nestes termos, alega: “não é possível a majoração em 100% da multa de ofício, bem como, em vista da resposta dada à fiscalização, referente a não disponibilidade dos documentos fiscais (estavam com a Fazenda do Estado), não pode prevalecer a multa de 50% sobre a de ofício e sobre a qualificada”. Encerra protestando pelo reconhecimento da ilegitimidade passiva da impugnante, bem como sejam excluídos a qualificação e o agravamento da penalidade. JEFERSON LUIZ VENG Apresenta as mesmas razões de impugnação da responsável Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, acima mencionadas, inclusive no tocante ao endereçamento das intimações, tempestividade da defesa ofertada e ilegitimidade passiva. Acrescenta que o impugnante nem recebeu as intimações, pois não reside no município sede da autuada, não possuindo condições de administrar diretamente a empresa Gasforte Combustíveis e Derivados Ltda, “porque é sócio da Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, que, como se sabe, tem sede em Curitiba, município no qual Jeferson Luiz Veng reside com sua família (vide atestados de residência anexos)”, sendo esta a razão pela qual nomeou um procurador para atuar em seu nome. Desta forma, conclui que nenhuma responsabilidade pode ser imposta ao impugnante, em especial porque não participou do aventado ilícito, pela falta absoluta de prova em contrário. Encerra protestando igualmente, pelo reconhecimento da ilegitimidade passiva da impugnante, bem como sejam excluídos a qualificação e o agravamento da penalidade. MÁRCIA BRAGA AGNOLO RIBEIRO Apresenta impugnação aos Autos de Infração e ao Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, na qualidade de excônjuge de Luiz Antonio Monte Ribeiro, identificado como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, em virtude de também terem sido incluídos seus bens no arrolamento efetuado. Requer, como os demais impugnantes, que todas publicações, notificações e intimações “forenses” sejam encaminhadas em nome e endereço de seus advogados, sob pena de nulidade. Faz um breve resumo dos fatos, contrapondose ao arrolamento de seus bens, dizendo não possuir qualquer relação com os fatos apurados. Acrescenta que se separou consensual e extrajudicialmente do excônjuge, em 18 de julho de 2008, conforme documentos Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.206 13 anexos (doc. 03). Desta feita, conclui ser nulo o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos em face da impugnante, “eis que não possuem fundamento legal para sua aplicação”. Requer o recebimento da impugnação, por tempestiva, presentes os pressupostos de sua admissibilidade. Protesta pela legitimidade para impugnar o lançamento, nos seguintes termos: Alega cerceamento do direito de defesa, diante da falta de intimação do início da ação fiscal, em desacordo com a Lei nº 9.784, de 1999 (arts. 2º e 3º). Destaca que, quando da ciência dos lançamentos, feita ao seu excônjuge, não houve qualquer menção à impugnante acerca da possibilidade de instauração do contraditório e efetivação da ampla defesa, relativamente ao Termo de Arrolamento de Bens, ferindo de morte os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, entre outros, norteadores do processo administrativo tributário. Fundamentase na CF/88 (art. 5º, LV), na doutrina e jurisprudência. Ainda, requer a nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária de seu ex cônjuge e Arrolamento de Bens e Direitos, também pelo fato de Luiz Antonio Monte Ribeiro nunca ter participado efetivamente da gerência e administração da autuada, eis que no período entre 2008 e 2009 não mais fazia parte da sociedade. Discorre acerca do histórico da inclusão de seu excônjuge no quadro social da autuada, nos seguintes termos: Fl. 4212DF CARF MF 14 Acrescenta que a responsabilidade do sócio, mesmo que gerente, deve ser sempre subsidiária e não solidária, até porque não houve comprovação nos autos da prática de abuso de poder ou apropriação do valor devido como tributo. Julga abusiva e desarrazoada a imputação de responsabilidade de seu excônjuge, fundada nos arts. 124, I e II, e 135, II e III, do CTN. E justifica: Cita doutrina e jurisprudência. No mérito, diz inexistir liame jurídico da impugnante e/ou de seu excônjuge com a situação geradora do fato tributário, pelas mesmas razões acima expostas. Encerra, nos seguintes termos: “Mediante todo o exposto e por tudo o mais que dos autos se extrai, é o presente, para sempre com o devido acatamento, requerer se digne: I. Receber a presente Impugnação em todos seus termos, determinando a sua juntada nos autos do processo administrativo nº 10830.726.078/201281 e arrolamento de bens nº 10830.726.888/201237, acolhendo as prejudiciais para declarar nulo o termo de arrolamento de bens e direitos, em face da impugnante, nos termos da fundamentação alhures; II. Declarar que a Impugnante NÃO POSSUIR RELAÇÃO JURÍDICA com as partes envolvidas no presente Auto de Infração e Imposição de Multa, eis que rescindiu a sociedade conjugal com Luiz Antonio Monte Ribeiro em 18/07/2008, conforme certidão de casamento anexo (doc. 04); Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.207 15 III. Ao apreciar o mérito, decidir pela TOTAL PROCEDÊNCIA desta Impugnação, declarando inválido o termo de arrolamento de bens e direitos em face da Impugnante, isso tudo por ser de direito e da mais escorreita aplicação da JUSTIÇA TRIBUTÁRIA! IV. Por derradeiro, requer a concessão de prazo para juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazêlo neste ato.” (destaques do original) LUIZ ANTONIO MONTE RIBEIRO Apresenta as mesmas razões de impugnação da excônjuge Márcia Bregagnolo Ribeiro, bem como da empresa autuada, inclusive no que concerne à tempestividade, ao endereçamento das intimações, ao cerceamento do direito de defesa diante da falta de intimação do início da ação fiscal e à ilegitimidade passiva. Ao fazer um breve resumo dos fatos, alega não poder ser responsabilizado solidariamente pelo crédito tributário, por três motivos: Acrescenta a inexistência de intimações para esclarecimentos, entendendo ser obrigatória frente a todos os interessados na relação jurídica, a fim de ser apurada a efetiva responsabilidade, sob pena de ineficiência do ato. Fundamentase, igualmente, na Lei nº 9.784, de 1999 (art. 2º, X). Encerra, nos seguintes termos: Fl. 4214DF CARF MF 16 “Mediante todo o exposto e por tudo o mais que dos autos se extrai, é o presente, para sempre com o devido acatamento, requerer se digne: I. Receber a presente Impugnação em todos seus termos, determinando a sua juntada nos autos do processo administrativo nº 10830.726.078/201281 e arrolamento de bens nº 10830.726.888/201237, acolhendo as prejudiciais para declarar inválida a sujeição passiva e arrolamento de bens e direitos, em face do impugnante, nos termos da fundamentação alhures; II. Ao apreciar o mérito, decidir pela TOTAL PROCEDÊNCIA desta Impugnação, declarando nulos os termos de sujeição passiva e arrolamento de bens e direitos em face do Impugnante, isso tudo por ser de direito e da mais escorreita aplicação da JUSTIÇA TRIBUTÁRIA! III. Outrossim, roga pela procedência da Impugnação, para que seja cancelado o AIIM e o reconhecimento do caráter de confiscabilidade da multa aplicada em 225% sobre o valor nominado como imposto, eis que, não restou, durante a verificação fiscal, configurado a prática, dolosa de sonegação ou fraude, para, assim reconhecendo, declarar nula a sua aplicação, adequandoa na forma da lei nº 9.430/96, art. 44, caput; IV. Por derradeiro, requer a concessão de prazo para juntada de documentos novos pela impossibilidade de fazêlo neste ato.” (destaques do original) ATÍLIO BUFALO Apresenta as mesmas razões de defesa do responsável Luiz Antonio Monte Ribeiro, acima descritas. Acrescenta que é mero procurador, mandatário da autuada, prestando contas de sua gestão aos sócios da empresa. Diz que não participa do quadro societário, limitandose a representar a sociedade, agindo sempre em nome desta, prestando contas de sua administração “fato que não configura sua participação no fato gerador do tributo reclamado”. E ressalta que não pratica em nome próprio atos de gerência e administração da autuada, inexistindo comprovação do liame entre o impugnante e atos de abuso de poder, apropriação indevida do valor devido como tributo ou fraude a lei ou contrato. Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.208 17 Em suas palavras: Encerra com iguais requerimentos do responsável acima. ALCYON RICARDO CARDOSO DE LIMA Informa não ter sido intimado dos autos de infração, mas que tendo tomado conhecimento de sua inclusão no rol de responsáveis solidários, apresenta espontaneamente a impugnação, evidenciando sua tempestividade. Alega, igualmente, a ilegitimidade passiva, dizendo que, à época dos fatos, já não mais possuía poderes de representação da empresa estrangeira (Pellyon Corporation Financial & Trading S/A), pois sua procuração teria sido revogada por escritura pública, conforme foi a ele comunicado em março de 2007, via telegrama (cópias em anexo). Ainda que assim não fosse, entende também não ser possível a sua responsabilização, mediante as mesmas razões de defesa apresentadas pela responsável Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, acima descritas. E acrescenta: Fl. 4216DF CARF MF 18 Encerra requerendo o reconhecimento da ilegitimidade passiva. Encaminhados os autos para julgamento, esta mesma relatora, então lotada na 4ª Turma da extinta DRJ/CampinasSP, elaborou o Acórdão nº 0540.536, de 23/04/2013, acolhido por unanimidade pelos membros da referida Turma de Julgamento, com a seguinte conclusão: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.209 19 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Endereçamento das Intimações. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicílio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Limite da Lide. O julgado limitase à lide, ou seja, aos fatos perfeitamente descritos e identificados e devidamente enquadrados nos dispositivos legais que suportam a exação impugnada. A impugnação de lançamento não constitui espaço para discutir controvérsia relativa ao Processo de Arrolamento de Bens. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Omissão de Receita. Não havendo prova em contrário trazida pela contribuinte, correto é o lançamento do imposto em razão de rendimentos omitidos, apurados em Notas Fiscais, GIA e informações de terceiros. Arbitramento do Lucro. Falta de apresentação de livros e documentos. A não apresentação da escrituração obrigatória para o optante do Lucro Real, bem como dos documentos atinentes às suas operações, autoriza o arbitramento do lucro. Nos percentuais de apuração do lucro arbitrado já se consideram os custos inerentes à atividade desenvolvida. Fl. 4218DF CARF MF 20 Multa Qualificada. Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática de sonegação e fraude, cabe a aplicação da multa qualificada. Multa Agravada. É cabível o agravamento da multa de ofício em 50%, motivada pela falta de atendimento às intimações, quando a negativa da contribuinte traz claro prejuízo ao desenvolvimento da ação fiscalizatória. Juros de Mora à Taxa Selic. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária Solidária. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como as pessoas que tenham interesse em comum com a situação que constitui o fato gerador. À falta de elementos de prova de que o procurador constituído detinha poderes de administração, à época dos fatos, afastase a correspondente responsabilização pelo crédito tributário lançado, sem prejuízo da sua posterior reinclusão no pólo passivo da obrigação tributária, em razão de novos fatos trazidos ao conhecimento da Fazenda Nacional. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 4219DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.210 21 Acórdão Sessão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas. Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER da impugnação apresentada por Márcia Bregagnolo Ribeiro, JULGAR PROCEDENTE a impugnação apresentada por Atílio Búfalo, unicamente no sentido de excluir referida pessoa física da responsabilidade solidária perante o crédito tributário constituído, JULGAR IMPROCEDENTES as impugnações ofertadas pelos demais interessados (contribuinte e demais responsáveis) e MANTER as exigências fiscais trazidas a litígio, bem como a responsabilidade solidária de Jéferson Luiz Veng, Luiz Antonio Monte Ribeiro, Alcyon Ricardo Cardoso de Lima e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, nos termos do voto da relatora. Cientifiquese a interessada, intimandoa a recolher o crédito tributário atualizado até a data do pagamento, no prazo de 30 (trinta) dias, ressalvando lhe o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993 e pelo art. 32 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002." (destaques acrescidos) A contribuinte tomou ciência do Acórdão de Impugnação supra em 18/05/2013 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo – efls. 3635); o responsável solidário Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda foi cientificado em 18/06/2013 (edital – efls. 3646); o responsável solidário Jefferson Luiz Veng em 08/05/2013 (por via postal – efls. 3644); o responsável solidário Luiz Antonio Monte Ribeiro em 10/05/2013 (por via postal – efls. 3636); o responsável solidário Atílio Bufalo em 20/05/2013 (por via postal – efls. 3647); e o responsável solidário Alcyon Ricardo Cardoso de Lima em 23/07/2013 (edital – efls. 3655). Inconformado, o responsável solidário Luiz Antonio Monte Ribeiro apresentou Recurso Voluntário em 11/06/2013. Em 23/07/2013 os autos foram encaminhados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgamento do referido Recurso Voluntário, em razão do qual foi elaborado o Acórdão nº 1202001.195 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27/08/2014, de seguinte conclusão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE SÓCIO REQUISITO ESSENCIAL PODER E EFETIVIDADE DE GESTÃO ADMINISTRATIVA DE SÓCIO EXCLUSÃO SÓCIO APENAS EM PEQUENO PERÍODO FISCALIZADO INSUFICIÊNCIA DE PROVA CONSTITUÍDA PELO FISCO. Fl. 4220DF CARF MF 22 A responsabilidade solidária, para fins tributários, somente se mantém se comprovadamente demonstrado pelo fisco o vínculo administrativo e gerencial sobre os fatos jurídicos tributários, sem o que não se sustenta a implicação legal, notadamente no presente caso em que o sócio apenas se manteve poucos dias do início do período fiscalizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, considerar revéis o sujeito passivo autuado e os responsáveis tributários Jéferson Luiz Veng, Atílio Búfalo, Alcyon Ricardo Cardoso de Lima e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda. Quanto ao recurso voluntário impetrado por Luiz Antonio Monte Ribeiro, dar provimento ao recurso, para excluílo da responsabilidade tributária.” (destaques acrescidos) Constam do processo os Termos de Solicitação de Juntada, datados de 31/07/2013, analisados somente em 09/09/2014, relativos aos Recursos Voluntários apresentados perante o CARF pelos responsáveis solidários: Alcyon Ricardo Cardoso de Lima (Recurso postado no correio em 07/06/2013); Jeferson Luiz Veng (Recurso postado no correio em 07/06/2013); e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda (Recurso postado no correio em 07/06/2013). Em mesma data de 09/09/2014 o CARF encaminhou o processo para ciência do Acórdão à Procuradoria da Fazenda Nacional, após o que os autos foram devolvidos à Delegacia de origem para ciência aos interessados do referido Acórdão. Consta do processo o Termo de Solicitação de Juntada, datado de 22/10/2014, analisado em 30/10/2014, relativo a Embargos de Declaração apresentados conjuntamente, em 15/10/2014, por Alcyon Ricardo Cardoso de Lima, Jeferson Luiz Veng e Pellyon do Brasil Comércio e Participações Ltda, a fim de informar ao CARF que a revelia dos mencionados interessados não ocorreu, em contraposição ao contido no Acórdão CARF nº 1202001.195, de 27/08/2014. Em 03/12/2014, mediante despacho, a Delegacia de origem solicitou esclarecimentos sobre o referido Acórdão CARF nº 1202001.195, de 27/08/2014, diante de obscuridade na decisão, haja vista a conclusão de dar provimento ao recurso voluntário, justificando o retorno dos autos àquele Colegiado para adoção das seguintes providências: a) manifestação em relação à extinção ou não do Auto de Infração; e b) julgamento dos três Recursos Voluntários protocolados em 11/06/2013. Na oportunidade, a autoridade preparadora informou que apenas o Recurso Voluntário apresentado por Jeferson Luiz Veng era intempestivo. Em 10/12/2014 o processo foi distribuído para relato/julgamento, tendo sido devolvido em 02/06/2015 em razão da renúncia do mandato do então relator. Os autos foram redistribuídos por sorteio a outro Conselheiro, em 09/12/2015. Em 24/02/2016 foi concedida vista processual ao representante legal da contribuinte e, em 05/07/2016, foi elaborado o Acórdão CARF nº 1201001.497 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de seguinte conclusão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 4221DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.211 23 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE RECURSO DE OFÍCIO. ANULAÇÃO. Cabe a anulação da decisão de primeira instância quando não houver declaração expressa acerca da apresentação de recurso de ofício, sempre que presentes as condições para o reexame necessário, nos termos do artigo 34 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja realizado novo julgamento, nos termos do voto do Relator.” Por oportuno, destacamse os seguintes excertos do voto: “É forte neste Conselho o entendimento de que a exclusão da responsabilidade solidária, em montante superior ao limite de alçada, deva ser objeto de recurso, a fim de que a matéria possa ser submetida à necessária revisão. E nem poderia ser diferente, pois a medida é expressamente prevista no artigo 34 do Decreto n° 70.235/72 (destacaremos): Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (...) § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. Ocorre que, como demonstrado, a decisão não se manifestou sobre a interposição do recurso de ofício, embora tenha exonerado a responsabilidade solidária do Sr. Atílio Búfalo em montante superior a 238 milhões de reais. (...) Conquanto possamos imaginar que a ausência de manifestação acerca do Recurso de Ofício seja fruto de mero equívoco, o problema é que a providência exigida pela legislação não pode ser suprida ou integrada por este Conselho, conforme expressa determinação do artigo 34, § 2°, do Decreto n° 70.235/72: § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Inexiste, portanto, a possibilidade de se superar a ausência de Recurso de Ofício nos autos, sendo de rigor a devolução do processo para a primeira instância, a fim de que seja prolatada nova decisão, de acordo com os requisitos legais. Fl. 4222DF CARF MF 24 Tal medida, sobre ser jurídica, permite a recomposição da normalidade processual nos autos, de forma a resolver as pendências existentes pela não apreciação, em segunda instância, dos recursos tempestivamente interpostos pelos demais responsáveis solidários. Atende, ainda, ao anseio destes, conforme manifestado em sede de embargos. E mais, resolve o problema de esclarecimento suscitado pela Delegacia de Campinas, em razão da evidente contradição entre as razões de decidir e a conclusão formulada no Acórdão da extinta 2ª Turma. Por fim, o retorno dos autos para a Delegacia de Julgamento de Campinas, por força da anulação da decisão ali proferida, em nada prejudica as partes, sendo, sobretudo, medida de justiça, em razão do total descompasso cronológico e sequencial observado no processo. A partir da nova decisão, a ser proferida, poderão as partes, no prazo legal, interpor os respectivos recursos, da mesma forma que a D. Procuradoria da Fazenda Nacional terá a oportunidade de se manifestar, se assim desejar, sobre o eventual provimento em favor de qualquer dos responsáveis solidários, bem como acerca de todas as matérias objeto do julgamento, normalizandose, enfim, o rito processual dos autos. Ante o exposto, voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, devolvendo o processo à origem para que seja realizado novo julgamento.” (destaques acrescidos) Em decorrência da anulação do Acórdão de Impugnação, o processo retornou para novo julgamento em primeira instância administrativa. Da análise das impugnações apresentadas a Delegacia de Julgamento proferiu acórdão julgando procedente em parte as impugnações apenas para excluir do rol de responsáveis solidários o Sr. Atílio Búfalo, mantendo todas as exigência e os demais responsáveis solidários. Desta decisão a própria Delegacia recorreu de ofício em função da exclusão do responsável solidário Atílio Búfalo. A empresa e os responsáveis solidários foram intimados do referido acórdão, sendo que o contribuinte foi intimado por meio de edital em função de sua situação cadastral de INAPTA perante o CNPJ. Os responsáveis solidários Jefferson Luiz e Alcyon Ricardo foram intimados por meio de edital tendo em vista a devolução da correspondência encaminhada a seus endereços. Assim também o foi o Sr. Atílio Búfalo. A responsável Pellyon do Brasil foi intimada via postal mas não apresentou recurso. Desta forma a presente análise prenderseá unicamente à análise do recurso voluntário manejado pelo sr. Luiz Antonio Monte Ribeiro. Em sua peça, foram apresentados os mesmos argumentos de defesa da peça impugnatória, a qual foi reproduzida em toda sua literalidade, na qual o recorrente requer a retirada de sua imputação solidária em razão de não ter sido caracterizado nenhum ato por ele cometido para se sujeitar à norma do art. 135, do CTN e em relação às multas aplicadas, alega sua desproporcionalidade e ilegalidade. É o relatório. Fl. 4223DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.212 25 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Como esta análise prenderseá apenas ao recurso voluntário manejado pelo anterior sócio Luiz Antonio Monte Ribeiro, iremos apresentar os pontos de discordância por este levantados em sua peça. Falta de Intimação do Início da Verificação Fiscal. Entende que em razão de não ter siso intimado desde o início da verificação foilhe cerceado o direito de defesa e assim, nulo o termo de sujeição passiva solidária e o de arrolamento de bens. Com relação a esta preliminar, deixaremos de apresentar nossa análise tendo em vista que, com relação a este sujeito passivo solidário, já firmamos nossa posição quanto à sua exclusão na análise do item seguinte. Da não participação na gerência da empresa. Alega o recorrente que apenas formalmente ingressou na sociedade enquanto negociava a aquisição de 10.000 cotas da empresa e que em janeiro de 2008 saiu em definitivo por não ter chegado à conclusão do negócio de aquisição das cotas da sociedade. Com relação à participação deste responsável solidário assim consta do TVF: A imputação da responsabilidade solidária foi realizada sem a indicação pormenorizada dos atos praticados por cada responsável para fins de caracterização de responsabilidade. Apenas foi indicada a aplicação das normas dos arts. 124 e 135 do CTN, sem o detalhamento dos atos. Com relação a este sujeito passivo em específico, como não há demonstração do interesse comum, creio que não pode ser responsabilizado com base neste artigo, restando então a sua responsabilização em face do art. 135, do CTN. Fl. 4224DF CARF MF 26 Ocorre, no entanto, que a norma do art. 135, estabelece que a responsabilização com base neste dispositivo depende da constatação de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Neste sentido, verificamos inexistir do auto de infração e no TVF qualquer menção a atos específicos praticados pelo Sr. Luiz Antonio Monte Ribeiro que pudessem ser caracterizados na norma do art. 135, II, do CTN. Assim, não há como se manter a responsabilização solidária deste sócio se não tiver sido caracterizado nenhum ato que constitua ato com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social. Com relação a este tema, diversos são os precedentes deste CARF, conforme abaixo podemos relacionar. SUJEIÇÃO PASSIVA. A fiscalização deve fundamentar e motivar adequadamente o Termo de Sujeição Passiva demonstrando individualmente o benefício obtido e os atos contrários a lei, contrato social ou estatuto, praticados pela pessoa física e pela jurídica para imputar responsabilidade à sócioadministrador, à empresa pertencente ao Grupo Econômico ou a terceiro que possa ser relacionado a infração a legislação tributária. Para demonstrar a responsabilidade solidária ou subsidiária não basta repetir os mesmos fundamentos utilizados para lavra o Auto de Infração contra a empresa autuada, sob pena de se produzir Termos de Sujeição Passiva precários e sem a comprovação das especificidades constantes nos dispositivos relativos a responsabilização tributária solidária, subsidiária ou de terceiros. Acórdão nº 1402002.621, de 21/06/2017. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Acórdão nº 1402002.783, de 17/10/2017 EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado não podem ser pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias na medida em que não configurados os pressupostos legais do art.135, CTN. Acórdão nº 1402002.726, de 15/08/2017. Assim, não nos resta outra alternativa senão a de excluir a responsabilidade solidária do sujeito passivo relativa aos débitos do presente processo. Com relação aos demais temas levantados no recurso voluntário, todos eles se referem à irregularidades da autuação e, assim, deveriam ter sido apresentados pelo próprio Fl. 4225DF CARF MF Processo nº 10830.726078/201281 Acórdão n.º 1401002.308 S1C4T1 Fl. 4.213 27 sujeito passivo, não cabendo a sua apreciação em sede de análise de recurso de responsável solidário. Do Recurso de Ofício Em relação à interposição do recurso de ofício, em primeiro lugar havemos de considerar que a primeira decisão que exonerou um dos sujeitos passivos solidários indicados não apresentou a interposição do recurso. Assim, quando do julgamento do recurso voluntário foi determinada a anulação da decisão recorrida a fim de que fosse promovida a interposição do referido recurso. Quando à análise do mérito do mesmo não se faz necessários maiores delongas. Assim se pronunciou a Delegacia de Julgamento quanto a este ponto. Também o sócio Jeferson Luiz Veng detinha poderes de administração nos períodos auditados, sendo irrelevante a eventual concessão do mandato (procuração), conforme já esclarecido neste voto. Ainda que assim não fosse, notase que a procuração acostada aos autos, conferida pelo sócio Jeferson Luiz Veng ao Sr. Atílio Búfalo, data de 12/07/2011, possuindo prazo de validade de 6 (seis) meses (fls. 104/107), período posterior, portanto, àquele objeto da presente auditoria fiscal. Correta, portanto, a inclusão do citado sócio no pólo passivo da obrigação tributária. Contudo, à vista do acima exposto, nada mais tendo sido acostado ao processo acerca da efetiva atuação do referido mandatário (Atílio Bufalo) no período abrangido por esta auditoria (2008 e 2009), impõese reconhecer a falta de elementos suficientes para se imputar a responsabilidade solidária ao mencionado procurador, sem prejuízo da sua posterior reinclusão no polo passivo da obrigação tributária, em razão de novos fatos trazidos ao conhecimento da Fazenda Nacional. Conforme é entendimento desta turma julgadora para a caracterização da responsabilidade solidária fazse necessário a demonstração do interesse comum ou da atuação com excesso de poderes ou infração à lei, conforme seja o caso de solidarização. Em relação a este sujeito passivo exonerado a Delegacia de Julgamento já se pronunciou no sentido de que não foram acostadas provas da participação do mesmo em atos ou benefícios recebidos. Assim, analisando o caso e comprovando a inexistência de provas no sentido de caracterizar a imposição da solidarização, não vemos como adotar outro pronunciamento que não o de negar provimento ao recurso de ofício. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário manejado pelo responsável solidário Luiz Antonio Monte Ribeiro a fim de excluir a responsabilização solidária do mesmo relativa aos débitos do presente processo e negar provimento ao recurso de ofício. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 4226DF CARF MF 28 Fl. 4227DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.720616/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
Ementa:
ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE A FAZENDA PÚBLICA EFETUAR O LANÇAMENTO.
O fato gerador do ganho de capital é a data de alienação do imóvel. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e benfeitorias realizadas no imóvel.
MULTA QUALIFICADA. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO INFORMADO A MENOR.
Não há que se reformar lançamento que qualifica a multa de ofício quando resta constatado que o Contribuinte deliberadamente informou ao fisco, em sua DAA, valor menor do que aquele realmente praticado quando da venda do imóvel.
Numero da decisão: 2202-004.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 Ementa: ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE A FAZENDA PÚBLICA EFETUAR O LANÇAMENTO. O fato gerador do ganho de capital é a data de alienação do imóvel. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e benfeitorias realizadas no imóvel. MULTA QUALIFICADA. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO INFORMADO A MENOR. Não há que se reformar lançamento que qualifica a multa de ofício quando resta constatado que o Contribuinte deliberadamente informou ao fisco, em sua DAA, valor menor do que aquele realmente praticado quando da venda do imóvel.
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Recorrente RAUL DE JESUS LUSTOSA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 Ementa: ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE A FAZENDA PÚBLICA EFETUAR O LANÇAMENTO. O fato gerador do ganho de capital é a data de alienação do imóvel. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e benfeitorias realizadas no imóvel. MULTA QUALIFICADA. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO INFORMADO A MENOR. Não há que se reformar lançamento que qualifica a multa de ofício quando resta constatado que o Contribuinte deliberadamente informou ao fisco, em sua DAA, valor menor do que aquele realmente praticado quando da venda do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 06 16 /2 01 3- 63 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 360 2 (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF por omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de imóvel. Intimado, o Contribuinte protocolou Impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 08/07/2013 foi lavrado auto de infração (fls. 283/288), para constituir crédito de IRPF, identificando "OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS". Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 289/300), "O contribuinte realizou um contrato de compra e venda das Fazendas denominadas Casa Branca módulo I, II e III no valor Total de R$ 2.100.000,00, conforme resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, nas seguintes condições (fls. 40 e 54 a 64): R$ 1.000.000,00 em moeda corrente, recebido em 12/02/2010; R$ 600.000,00 em bens, em 05/02/2010; R$ 500.000,00 em duas notas promissórias, ainda não recebidos efetivamente. Em análise ao referido contrato, constatase que não foi discriminado o valor individual de cada módulo, portanto, para fins de cálculo do Ganho de Capital, será utilizado como base proporcional, o valor declarado de cada módulo na Declaração Anual de Ajuste, apresentado pelo contribuinte. (...) Conforme resposta ao Termo de Intimação nº 571, o contribuinte não tem como comprovar benfeitorias nos imóveis denominados Fazenda Casa Branca I, II e III, motivo pelo qual estão sendo desconsiderado os valores declarados na apuração do Ganho de Capital (fl. 131). " fl. 294; (...) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 361 3 Em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 590, o contribuinte informa que a discrepância entre os valores real da venda e o escriturado em Cartório, se deu pela falta de experiência de seu filho, Raul de Jesus Filho e Neto, que teria sido o procurador do contribuinte para o registro da venda. Contudo tal valor irreal da venda dos imóveis em questão também foi utilizado para a apuração do imposto devido a título de Ganho de Capital, a despeito de o contribuinte ter conhecimento do valor da venda. Tal ato, salvo melhor juízo, deixa claro a intenção do mesmo em retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador, caracterizando crime contra a ordem tributária, motivo pelo qual a multa de ofício para esta infração está sendo majorada, bem como foi lavrado Representação Fiscal para Fins Penais em desfavor do contribuinte (fl. 141)." fl. 294/295; (...) "É importante frisar que a negociação ocorrida, não tratase de uma permuta com torna, tendo em vista o valor repassado em numerário (complemento) é maior que o valor do imóvel e no registro do imóvel não há nenhuma menção a permuta, o que descaracteriza a situação jurídica de permuta." fl. 299; Intimado em 16/07/2013 (fl. 303), o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 308/318 e docs. anexos fls. 319/325) em 15/08/2013 (fl. 327). Analisando a questão, a DRJ proferiu o acórdão nº 0644.583, de 10/12/2013 (fls. 334/340), que negou provimento à defesa, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. Tributase o ganho de capital, considerado como a diferença positiva, entre o valor de alienação dos bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. No cálculo do ganho de capital quando da venda de imóvel rural, o valor correspondente às benfeitorias somente pode ser deduzido do preço total quando restar comprovada a sua realização, por meio de documentação hábil e idônea e quando aquelas não tenham sido deduzidas como despesas de investimento da atividade rural. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO. PRESENÇA DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. Presentes os pressupostos legais de qualificação e agravamento da multa de ofício, correta sua imposição. PERÍCIA. REALIZAÇÃO DISPENSÁVEL. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 362 4 O pedido de perícia não integra o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendêla dispensável, não acatar o pedido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 23/01/2014 (fl. 345), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 348/355) em 21/02/2014 (fl. 358), argumentando, em síntese: · Que o lançamento incluiu valores ainda não recebidos pelo Contribuinte, especificamente duas notas promissórias com vencimento para 05/02/2011 e 05/02/2012; · Que parte do pagamento foi recebido em permuta, de sorte que o valor desse imóvel recebido deve ser excluído do lançamento; · Que prescreveu o direito de o fisco fiscalizar o custo de aquisição de investimento realizado mais de cinco anos antes, não podendo exigir os documentos nesse lançamento; e · Que não restou demonstrada e comprovada a ocorrência de hipótese que justifique a qualificação da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Do pagamento parcelado parcelas não quitadas Argumenta a Contribuinte pela exclusão do valor de R$ 500.000,00 da base de cálculo pelo fato de que, a despeito de constituir o preço de venda do bem, essa parcela não foi paga. Efetivamente, a autoridade lançadora também foi clara, em seu Termo de Verificação Fiscal em anotar que tal montante ainda não havia sido pago. A DRJ, entretanto, esclareceu que o valor ainda não recebido pelo Contribuinte não foi incluído na base de cálculo. Para chegar a essa conclusão, apontou o item 1.1 do TVF (fls. 295/296). Efetivamente, sem razão a Contribuinte. A verdade é que, considerando que até o momento da autuação a Contribuinte só havia recebido parte do pagamento, a autoridade lançadora utilizou esse valor (recebido) para apurar a base de cálculo. É o que se constata dos Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 363 5 cálculos apresentados no item 1.1 do TVF (fls. 295/299). A título exemplificativo, observamos que na Fazenda Casa Branca I, a autoridade lançadora apurou: · Valor de venda: R$ 823.410,00 · Valor recebido: R$ 627.360,00 · Valor de diferimento (índice utilizado para identificar o montante do valor recebido que é passível de compor a base de cálculo): 65,88%; · Valor do Ganho de Capital lançado: R$ 413.304,76. Ora, o valor lançado é alcançado quando se multiplica o valor recebido pelo índice de diferimento. O verdadeiro valor do ganho de capital apurado é aquele identificado como "Resultado 4" nas tabelas, que é o valor de venda subtraído do custo de aquisição e das reduções legais: R$ 542.516,72. Em suma, não assiste razão ao Recorrente, não sendo possível retificar o lançamento nesse ponto. Da permuta Argumenta o Recorrente que parte do pagamento do preço da venda das fazendas foi feita por meio de permuta. Especificamente, anota que no contrato de compra e venda já ficou acordado que parte do preço seria pago por meio da entrega de um outro imóvel, em relação ao qual o alienatário tinha uma procuração autorizando a transferir, de sorte que o valor de R$ 600.000,00 também deve ser excluído da base de cálculo. A autoridade lançadora identificou que parte do pagamento foi feito em bem imóvel, mas concluiu que não se tratou de permuta porquanto (1) o valor da "torna" seria maior do que o valor do bem recebido; e (2) não consta menção ao negócio de permuta no registro do imóvel. Igualmente, analisando a questão, a DRJ esclareceu que: "O contribuinte tem razão ao afirmar que o imposto sobre ganho de capital não incide sobre bens objeto de permuta, no entanto, tal figura jurídica não se aplica ao caso em tela. Com base nas escrituras de compra e venda, registradas em 05/02/2010, apresentadas pelo impugnante no curso da ação fiscal (fls. 59/64), podese concluir que houve uma mera transação de compra e venda, com pagamentos realizados em moeda corrente, sem qualquer registro de realização de permuta. Em um dos seus esclarecimentos, o contribuinte apresenta a escritura de compra e venda do imóvel que diz ter sido recebido em permuta na venda imóvel rural. De acordo com o documento, o contribuinte comprou o imóvel de pessoa diversa e o pagamento da compra se deu em moeda corrente (fls. 194/195)." fl. 338; Pois bem. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 364 6 A Lei nº 7.713/1988 determina, em seu art. 3, §3º, que deve ser apurado ganho de capital sempre que houver alienação de bem, independente da sua causa. Nesse caminho, elenca como hipóteses que dão causa à alienação a doação, a dação em pagamento, a compra e venda e a permuta. Acontece que, para a apuração do ganho de capital fazse necessário que se estabeleça um valor para o bem alienado. A identificação desse valor é fácil nos casos de compra e venda: é o próprio preço. Em outras hipóteses, entretanto, não é tão simples, como nos casos de doação. A permuta se aproxima, no tocante à identificação do valor do bem quando da alienação, muito mais da doação do que da compra e venda. Na permuta não há avaliação do bem em pecúnia, mas tão somente por comparação com outro bem que em regra também não tem valor apurado em dinheiro. Nesse sentido, o Decreto nº 3.000/1999 configurou verdadeira hipótese de diferimento da tributação quando, em seu art. 121, II, excluiu das hipóteses determinação de ganho de capital as permutas de bens imóveis por outros bens imóveis. Entretanto, estabeleceu duas premissas: que o negócio seja objeto de escritura pública como permuta e que não seja imóvel rural com benfeitoria. No caso concreto, não assiste razão ao Contribuinte. Em primeiro lugar, não adimpliu o requisito exigido pelo Decreto para que haja exclusão do valor da base de cálculo, qual seja, que haja registro da operação, em cartório, como "permuta". Constatase que o instrumento contratual firmado entre o Recorrente e o comprador foi um "Contrato particular de compromisso de compra e venda ..." (fls. 55/56). Neste, a cláusula terceira se refere expressamente a "preço", que é a prestação devida pelo comprador no contrato de compra e venda. No mesmo sentido, a escritura pública de aquisição do outro imóvel pelo recorrente (que ele argumenta ter recebido em permuta) também consta nos autos (fls. 194/195), sendo expresso que se trata de compra e venda e não havendo nenhuma menção às fazendas. Nesse caminho, o imóvel adquirido pelo Contribuinte não foi recebido em permuta (troca) propriamente dita, mas sim como preço. Se é verdade que a fattispecie permuta é quase idêntica ao negócio de compra e venda inclusive, o art. 533 do CC/2002, único a tratar da permuta, faz remissão às normas da compra e venda , não é possível afirmar que são perfeitamente substituíveis. Nesse caminho, o motivo do negócio jurídico firmado entre as partes foi efetivamente a compra do imóvel, por uma das partes, e o recebimento de uma certa quantidade de dinheiro, pela outra. O imóvel recebido como parte do preço não era, em si mesmo, o objetivo do vendedor; desejava o seu preço, tanto assim que foi estipulado o seu valor em pecúnia. De qualquer sorte, no presente caso, tal como mencionado pela autoridade lançadora e pela DRJ, não ficou demonstrado que o negócio foi registrado como permuta, mas sim como compra e venda. É o que se extrai das Escrituras de fls. 59/64. Inclusive, nessas não há uma única menção ao referido imóvel recebido como pagamento parcial. Portanto, não é possível revisar o lançamento nesse ponto. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 365 7 Da "prescrição" do direito de fiscalizar Argumenta o Recorrente que teria ocorrido prescrição do direito da fazenda pública de exigir a comprovação dos investimentos realizados mais de cinco anos antes da fiscalização, mormente porquanto teriam sido declarados em suas DAA. A questão do prazo de fiscalizar os investimentos realizados em imóveis quando da apuração do ganho de capital já foi analisado por esse e.CARF em diversas outras oportunidades. Pode ser citado, como exemplo, Acórdão CARF nº 2402005.948, de 08/08/2017: ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE A FAZENDA PÚBLICA EFETUAR O LANÇAMENTO. O fato gerador do ganho de capital é a data de alienação do imóvel. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e benfeitorias realizadas no imóvel. Neste, o acórdão restou assim fundamentado: Asseverese que a norma tributária, ao tratar da decadência, estipula prazo para seu transcurso relacionadoo com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que, no caso que ora se analisa, iniciase com a alienação do bem imóvel e a respectiva apuração do ganho de capital. Referidos dispositivos não têm relação com a obrigatoriedade de guarda de documentos com vistas a comprovação de benfeitorias agregadas ao custo de imóveis. Assim, não vejo como conferir razão ao sujeito passivo quanto aos argumentos relacionados à pretensa prescrição ou decadência para a apresentação de documentos aptos a atestar o valor das benfeitorias adicionado ao custo do imóvel. Referidos instituto, relacionados no inciso V do art. 156 do CTN como hipóteses de extinção do crédito tributário, não têm pertinência com a obrigação de o contribuinte manter documentos sob sua guarda para atestar o incremento no valor de imóveis para fins de redução do ganho de capital decorrente de sua alienação. Efetivamente, a mesma conclusão deve ser alcançada neste julgamento: é ônus do Contribuinte comprovar os fatos de alega, inclusive aqueles que apresenta em suas DIRPFs. Nesse contexto, se informou ter realizado investimentos em benfeitorias no imóvel, é ônus seu comprovar que os efetivou, quando efetivou, e o montante desses investimentos. Não há que se falar em prescrição nem decadência do direito de a Fazenda Pública fiscalizar; a decadência referese ao direito de constituir o crédito e a prescrição ao direito de cobrar tal crédito. Pode, nessa senda, a Fazenda Pública fiscalizar mesmo períodos anteriores ao fato gerador, desde que tenham influência na identificação do fato gerador ou da apuração da base de cálculo, como é o caso do ganho de capital. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 366 8 Com relação à comprovação do custo de aquisição, a Contribuinte não trouxe aos autos quaisquer provas em relação às benfeitorias informadas nem ao seu custo. Portanto, ainda que fosse possível a comprovação do custo de aquisição por outros meios, a Contribuinte não se desincumbiu do seu ônus, razão pela qual não é possível dar provimento ao seu pleito nesse ponto. Da multa qualificada Argumenta o Contribuinte, enfim, pela desqualificação da multa de ofício, argumentando que é erro comum os cartórios estabelecerem o valor do negócio pelo valor de avaliação do município, e que o seu procurador, por inexperiência, não corrigiu o fato em tempo quando da escrituração. Além disso, traz vasta jurisprudência no sentido de que a mera constatação de omissão de rendimento não é suficiente para a qualificação da multa. A autoridade lançadora esclareceu, no TVF, que Em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 590, o contribuinte informa que a discrepância entre os valores real da venda e o escriturado em Cartório, se deu pela falta de experiência de seu filho, Raul de Jesus Filho e Neto, que teria sido o procurador do contribuinte para o registro da venda. Contudo tal valor irreal da venda dos imóveis em questão também foi utilizado para a apuração do imposto devido a título de Ganho de Capital, a despeito de o contribuinte ter conhecimento do valor da venda. Tal ato, salvo melhor juízo, deixa claro a intenção do mesmo em retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador, caracterizando crime contra a ordem tributária, motivo pelo qual a multa de ofício para esta infração está sendo majorada, bem como foi lavrado Representação Fiscal para Fins Penais em desfavor do contribuinte (fl. 141)." fl. 294/295; Analisando a questão, a DRJ manteve a multa qualificada, esclarecendo que: Os argumentos do impugnante quanto à ausência de dolo tornamse insubsistentes diante da constatação de que para apuração do cálculo do imposto, o autuado utilizou como valor da alienação montante menor do que teria de fato recebido. Esse procedimento evidencia consciente intuito de pagar menos tributos e configura, em tese, crime contra a ordem tributária. Portanto, correto o procedimento da autoridade tributária em aplicar a multa qualificada de 150% sobre imposto de renda apurado sobre o ganho de capital, conforme disposto no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996. O fato de o contribuinte ter colaborado com a fiscalização e não ter escondido os reais valores da transação, não configuram denúncia espontânea nos termos o art. 138 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN)" fl. 339; Pois bem. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10746.720616/201363 Acórdão n.º 2202004.428 S2C2T2 Fl. 367 9 Entendo que, mais uma vez, não assiste razão ao Recorrente. A verdade é que o suposto erro do Cartório, consolidado pela inexperiência do seu procurador quando da escrituração do negócio, não pode ser utilizada como justificativa para a apresentação do valor menor ao fisco. Efetivamente, a informação a menor foi dada não apenas na escrituração mas, mais relevante do ponto de vista fiscal, também foi utilizado o valor menor e não o valor real quando do preenchimento das Fichas de apuração do ganho de capital (fls. 20/25) na DAA/2011. Em outras palavras, irrelevante, para fins desse lançamento, se o cartório costuma apresentar como valor do negócio o valor da avaliação pela municipalidade. Importa, isso sim, o valor informado pelo Contribuinte quando do preenchimento da sua DIRPF, que foi quando apresentou informação inverídica ao fisco. Enfim, não se trata de meros erros de apuração do tributo, ou falta de comprovação de custo de aquisição, hipóteses em que a falha culposa seria possível ou mesmo provável. Tampouco pode ser aplicada, ao caso, a jurisprudência e as Súmulas tocantes à omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada, porquanto essas autuações decorrem de presunção em desfavor do Contribuinte, o que não ocorre no presente processo. Nessa senda, entendo que o Contribuinte não logrou afastar a justificativa apresentada pela autoridade lançadora quando da qualificação da multa de ofício, razão pela qual entendo ser impossível retificar o lançamento. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 367DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.008721/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 05/02/2004 a 04/03/2004
RECONHECIDA INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. CONSEQUENTE CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO AOS CONTRIBUINTES SOLIDÁRIO.
Da leitura e aplicação conjunta dos Artigos 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional e disposições constantes no Regimento Interno deste Conselho, se insubsistente o lançamento de ofício para o principal autuado em decisão de primeira instância e, irrecorrível tal medida, por não haver Recurso de Ofício, não há como considerar os contribuintes solidários como principais no curso do PAF e concluir pela ocorrência de um novo esquema fraudulento de interposição.
Numero da decisão: 3201-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários. Fez sustentação oral o patrono Dr. Flávio Eduardo Carvalho, OAB 20.720.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CONSEQUENTE CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO AOS CONTRIBUINTES SOLIDÁRIO. Da leitura e aplicação conjunta dos Artigos 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional e disposições constantes no Regimento Interno deste Conselho, se insubsistente o lançamento de ofício para o principal autuado em decisão de primeira instância e, irrecorrível tal medida, por não haver Recurso de Ofício, não há como considerar os contribuintes solidários como principais no curso do PAF e concluir pela ocorrência de um novo esquema fraudulento de interposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários. Fez sustentação oral o patrono Dr. Flávio Eduardo Carvalho, OAB 20.720. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 87 21 /2 00 7- 62 Fl. 3007DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 2112 e fls. 2136 em face de decisão da DRJ/SP de fls. 2067 que decidiu pela improcedência das impugnações de fls. 1911, 1983 e 2376, restando mantido o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração aduaneiro de fls. 1875 e seguintes, nos moldes do Relatório Fiscal de fls. 1884. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, exposto a seguir: "A presente autuação é decorrente dos trabalhos de fiscalização das operações de importação realizadas entre janeiro de 2001 e dezembro de 2005 pela empresa MAGNO COMERCIAL LTDA. Baseouse o Auto de Infração em distintas fontes de dados, entre as quais citamos: A documentação apreendida durante a "OPERAÇÃO NARCISO", realizada em 13/07/2005 em ação conjunta do Ministério Público Federal, da Receita Federal e da Polícia Federal (conforme mandado de busca e apreensão prolatado nos autos do processo 2005.61.19.0044092 do Juízo da 2 Vara Federal de Guarulhos — São Paulo), depoimentos consignados em termos próprios e colhidos pela unidade responsável pela autuação, elementos trazidos ao processo pelos autuados, documentos recebidos do Departamento de Justiça norteamericano e repassados através do Ministério da Justiça brasileiro ao Ministério Público Federal e à Receita Federal e, em informações disponíveis na própria Secretaria da Receita Federal. A fiscalização, com base nos elementos de prova e de direito, entendeu que ficou caracterizado um esquema fraudulento de interposição da importadora MAGNO em conjunto com a MULTIMPORT, ocultando o real importador, a BOUTIQUE DASLU (nome fantasia da empresa NSCA IND. COM . EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNPJ n° 61.035.267/000109. O conluio entre essas empresas teria gerado grave dano ao erário além de caracterizar vários tipos penais. Tendo em vista o disposto no art. 124 da Lei n° 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), foram solidariamente responsabilizadas as empresa NSCA e MULTIMPORT com relação aos créditos constituídos neste Auto de Infração. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA MAGNO Intimada do Auto de Infração, a empresa MAGNO apresentou impugnação e documentos, juntados às folhas 02 e seguintes do anexo I, alegando em síntese, que: a defesa está prejudicada porque o tipo legal prevê uma série de condutas não sabendo qual foi praticada; Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 10314.008721/200762 Acórdão n.º 3201003.616 S3C2T1 Fl. 3.008 3 está comprovada a regularidade das importações, inclusive com fechamento de câmbio; todos os impostos foram pagos e contabilizados; não há prova de contradição de declarações de importação ou falsos valores; importadas; não há lei que proíba ou limite comercialização de mercadorias ainda que tenha lançado mão de conhecimentos técnicos de te , ros que fizeram partes do quadros da Multimport, isso não caracteriza qualquer ilícits se natureza administrativa; não houve omissão de receita ou tentativa de fraude; o representante legal sequer foi denunciado nos autos do processo criminal em trâmite na 2' Vara Federal de Guarulhos; não há previsão legal para ser eleita como responsável por operações que não realizou, ou seja, as referidas importações fraudulentas da Multimport para a Daslu. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA VITORIANA (MULTIMPORT) Intimada do Auto de Infração, a empresa MULTIMPORT apresentou impugnação e documentos, juntados às folhas 1754 e seguintes, alegando em síntese, que: teve prejudicado seu direito à ampla defesa por não ter sido formalizado o ato administrativo de suposta solidariedade através de Termo de Sujeição Passiva, não tendo definido de maneira clara e precisa a ofensa que lhe está sendo imposta, sua motivação e fundamentação; caso não seja reconhecido o cerceamento de defesa, requer o reconhecimento da ilegitimidade passiva ante a inexistência de relação pessoal e direta com o fato gerado e de dispositivo expresso de lei atribuindolhe a condição de responsável; o auto de infração é nulo por vício insanável por não ter sido demonstrado como se chegou à base de cálculo da penalidade, não havendo comprovação de que os valores desse auto correspondem aos valores comerciais das mercadorias ou mesmo dos valores constantes nas notas fiscais, nos termos do art 490 do Decreto 4544/2002; a conduta da autuada não se amolda à figura típica que se pretende imputar, visto que não houve ilícito tributário praticado, tampouco falta de recolhimento de tributos ou cumprimento de obrigações acessórias; não houve conluio, cooptação, gerência da impugnante com as demais relacionadas no presente, não podendo responder Fl. 3009DF CARF MF 4 solidariamente pela penalidade aplicada, sendo ilegítima sua passividade; considerando a ausência de dolo ou culpa, requer a inaplicabilidade da multa por tratar de infração à legislação aduaneira. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA NSCA (DASLU) Intimada do Auto de Infração, a empresa NSCA apresentou impugnação e documentos, juntados às folhas 1924 e seguintes, alegando em síntese, que: o trabalho fiscal é nulo por fazer referência a fatos e a auto d fração distintos da presente exigência; o termo de sujeição passiva não especifica em qual inciso do art. 124 do CTN estaria amparada a sua responsabilidade; o relatório fiscal aponta os incisos I e II do art. 124 do CTN e depois associa o mesmo inciso II ao inciso II do art. 121 do CTN; o relatório fiscal fundamentase em fatos que apenas demonstram a suposta participação oculta da Multimport nas operações, na qualidade de responsável pela operação; são inaplicáveis as regras de importação por conta e ordem em relação à impugnante; não se tratou de transferência de recursos para a Magno, que utilizou recursos próprios para custear a operação, mas simples pagamento pela aquisição de mercadorias; a fiscalização não poderia supor, a partir de correspondência, que a interessada teria custeado as operações da importadora; a presença de um encomendante não altera a natureza jurídica da operação realizada pela importadora; agiu em conformidade por haver tido a propriedade das mercadorias somente após a importação, conforme demonstram as notas fiscais; o auto de infração é por descumprimento relacionado ao IPI, tendo o Relatório Fiscal falado em responsabilidade solidária da impugnante relativa ao Imposto de Importação; a imposição de inulta pela entrega a consumo de mercadoria importada clandestina ou irregularmente é incabível ao caso por terem sido as mercadorias submetidas ao regular controle das autoridades aduaneiras; ao caso aplicase a retroatividade benéfica para aplicação da multa de 10% do valor da operação, prevista no art. 33 da lei 11488/07, na hipótese de utilização de pessoa jurídica para acobertar a participação dos reais intervenientes da operação de comércio exterior. É o relatório. Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 10314.008721/200762 Acórdão n.º 3201003.616 S3C2T1 Fl. 3.009 5 Passo ao Voto. A Ementa do Acórdão de primeira instância administrativa fiscal proferido pela DRJ/SP, foi assim publicada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Período de apuração: 05/02/2004 a 04/03/2004 INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Demonstrada a importação através de terceiros, com ocultação do real adquirente, é cabível a multa prevista no art 23, §3° do Decretolei 1455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei 10637/02 c/c art. 81, V da Lei 10833/03. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento e presentes os requisitos de admissibilidade, os tempestivos Recursos Voluntários devem ser conhecidos. O nobre relator publicou voto de primeira instância e determinou a improcedência das impugnações e ao mesmo tempo excluiu do lançamento o contribuinte principal da autuação, mantendo os sujeitos passivos solidários. Este fato pode ser rapidamente verificado ao ler a decisão e ao analisar as argumentações do Recursos Voluntários, que solicitam a aplicação do mesmo raciocínio legal que foi utilizado para a exclusão do contribuinte principal, para a exclusão dos sujeitos passivos solidários. Não há qualquer trecho do voto do relator para diferenciar ou justificar a razão pela qual o mesmo raciocínio legal utilizado para a exclusão do contribuinte principal não foi utilizado para a exclusão dos sujeitos passivos solidários. Da mesma forma, não houve Recurso de Ofício e também não houve descrição na Ementa do Acórdão. Fl. 3011DF CARF MF 6 Da leitura e aplicação conjunta dos Artigos 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional e disposições constantes no Regimento Interno deste Conselho, o lançamento de ofício que acusa a ocorrência de infração tributária deve conter prova direta ou indireta, ao menos a junção de indícios, que permita a verossimilhança de tal ocorrência. A ausência da prova ou da junção de indícios acarreta a insubsistência do lançamento de ofício. Se insubsistente o lançamento de ofício para o principal autuado em decisão de primeira instância e, irrecorrível tal medida, porque não há Recurso de Ofício, como considerar os contribuintes solidários como principais no curso do PAF e concluir pela ocorrência de um novo esquema fraudulento de interposição, que necessariamente exigiria a participação do contribuinte principal? Nos patamares e limites legais aplicáveis ao caso, não há como. Assim, se foi decidido em primeira instância administrativa fiscal, sem a posterior apresentação de recurso, que o lançamento o contribuinte não deve responder pelo lançamento de ofício em razão da retroatividade benéfica para aplicação da multa de 10% do valor da operação, prevista no art. 33 da lei 11488/07, o mesmo raciocínio deveria ter sido aplicado aos solidários, de modo que, não há como cancelar o lançamento por não ter observado a multa de 10% para o contribuinte principal e manter a multa de 10% para os solidários, sendo que sequer o lançamento foi realizado dessa forma. Portanto, o lançamento deve ser integralmente cancelado em razão da exclusão do contribuinte principal. CONCLUSÃO. Diante do exposto, com fundamento no Art. 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Regimento Interno deste Conselho, votase para DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, para cancelar integralmente o lançamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 10314.008721/200762 Acórdão n.º 3201003.616 S3C2T1 Fl. 3.010 7 Fl. 3013DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721533/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 08/01/2014
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Classificam-se no código 8521.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul os aparelhos do tipo gravador e reprodutor de sinais videofônicos em meio magnético, para utilização em sistemas de monitoramento de imagens e circuito fechado de TV. Aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 e 6 e da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1.
Numero da decisão: 3401-005.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/01/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Classificamse no código 8521.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul os aparelhos do tipo gravador e reprodutor de sinais videofônicos em meio magnético, para utilização em sistemas de monitoramento de imagens e circuito fechado de TV. Aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 e 6 e da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 15 33 /2 01 4- 57 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 278 2 Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de Autos de Infração, situado às fls. a 47 a 55, lavrados com a finalidade de formalizar a exigência de imposto de importação (II) , imposto sobre produtos industrializados/importação (IPIImportação), acrescidos de juros de mora, multa de ofício qualificada, no percentual de 75%, e multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro em decorrência da classificação incorreta, referente ao fato gerador de 08/01/2014, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 56.709,73. 2. Em conformidade com a descrição dos fatos e enquadramentos legais, situado às fls. 55, a contribuinte registrou a declaração de importação nº 14/00463396, referente a mercadorias indicadas como “Gravador Reprodutor e editor de Áudio e Vídeo”, para utilização em sistemas de monitoramento de imagens e circuito fechado de TV (CFTV), de modelos diversos (Q16, Q8 e CT4264), classificando as mercadorias no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8521.90.10, tendo sido determinado pela autoridade aduaneira, mediante despacho, a reclassificação fiscal da adição 001, alterando a NCM de 8521.90.10 para 8521.90.90. 3. A contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 80 a 87, na qual alegou, em síntese, que: (i) os esclarecimentos prestados não deixam qualquer dúvida no sentido de que os aparelhos importados realizam as funções de “edição” de 02 maneiras: alterando o formato do arquivo de vídeo ou utilizando a tela de backup, onde seleciona uma parte do vídeo original e o copia para um dispositivo portátil ou para o próprio disco rígido do DVR; e (ii) deve ser aplicado o princípio da isonomia, uma vez que outras empresas realizam a importação de idênticas mercadorias por meio da classificação fiscal adotada pela recorrente. 4. Em 18/09/2015, a 1ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão DRJ nº 0737.717 às fls. 221 a 228, de relatoria do AuditorFiscal Emerson da Silva Cabral, entendeu, por unanimidade de votos, ser a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/01/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Classificamse no código 8521.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul os aparelhos do tipo gravador e reprodutor de sinais videofônicos em meio magnético, para utilização em sistemas de monitoramento de imagens e circuito fechado de TV. Aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 e 6 e da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1. Impugnação Improcedente Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 279 3 Crédito Tributário Mantido 5. Intimada por meio de envio postal em 24/09/2005, conforme aviso de recebimento de fl. 231, a contribuinte apresentou, em 23/10/2005, recurso voluntário, situado às fls. 238 a 246, em cujas razões reiterou os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. A questão se resume à classificação fiscal da mercadoria importada como “Gravador Reprodutor e editor de Áudio e Vídeo”: (i) código NCM/SH nº 8521.90.10, como declarado pela contribuinte; ou (ii) código NCM/SH nº 8521.90.90, como reputa correta a autoridade fiscal: Código NCM/SH nº 8521.90.10 8521 APARELHOS VIDEOFÔNICOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO, MESMO INCORPORANDO UM RECEPTOR DE SINAIS VIDEOFÔNICOS 8521.90 Outros 8521.90.10 Gravador reprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético. Código NCM/SH nº 8521.90.90 8521 APARELHOS VIDEOFÔNICOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO, MESMO INCORPORANDO UM RECEPTOR DE SINAIS VIDEOFÔNICOS 8521.90 Outros 8521.90.90 Outros. 7. Reproduzimos, abaixo, trecho do acórdão a quo objeto de recalcitrância por parte da contribuinte: "(...) Com base na própria natureza/finalidade do equipamento (tais equipamentos, próprios para sistema de vigilância, não devem efetuar a edição da imagem e do som neles gravados, uma vez que a gravação deve assegurar a autenticidade das Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 280 4 informações) e nas características de “edição” apontadas pelo importador em resposta à autoridade fiscal (fl. 29 o equipamento altera o formato do arquivo de vídeo e através da função BACKUP permite selecionar parte do vídeo original e copiálo em outro dispositivo portátil ou no próprio disco rígido do equipamento) a fiscalização concluiu que a mercadoria não realiza a função de “edição de imagem e som” e, portanto, não pode ser classificada no código da NCM declarado pela interessada. (...) Em razão da discordância da reclassificação, no curso do despacho, o importador realizou o depósito extrajudicial (prestação de garantia) com vistas a viabilizar o desembaraço das mercadorias (processo administrativo n° 10950.720909/201414 – apensado ao presente processo – fl. 78). (...) Em 01/09/2015 foi juntado aos autos mensagem eletrônica n° 064/2015 –PSFN/LDA/LPM (comunicação e solicitação de cumprimento de antecipação de tutela – fl. 215), bem como cópia do Despacho/Decisão, de folhas 216 a 218, relacionado à concessão de tutela antecipada na ação ordinária (procedimento comum ordinário) n° 5009417 61.2015.4.04.7001/PR (Justiça Federal, Seção Judiciária do Paraná, 4ª Vara Federal de Londrina), cujo teor se extrai: Assim, considerando que os Pas 10950.720909/2014, 10950.720910/201431, 10950.721532/201411 e 10950.721533/201457, foram protocolados nos meses de fevereiro e março de 2014, ou seja, há mais de 470 dias, defiro em parte o pedido de tutela antecipada, para determinar que a União, por meio da autoridade administrativa competente, ultime a análise dos referidos pedidos no prazo de 30 dias, salvo comprovada impossibilidade, sob pena de aplicação de multa. À folhas 220, despacho de encaminhamento destina o processo em apreço à esta Delegacia de Julgamento na data de 01/09/2015. Na data de 16/09/2015 o processo foi então encaminhado para este Relator. (...) Preliminarmente, cumpre esclarecer à impugnante que não procede a alegação de que estaria recebendo tratamento diferenciado. O princípio da isonomia, invocado pela autuada, não tutela o tratamento de igualdade para condutas contrárias à lei, isto é, a aplicação de referido princípio deve ser conduzida de tal modo que a lei alcance a todos igualmente. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 281 5 Assim, se existe algum outro contribuinte que esteja descumprindo a lei (adotando classificação fiscal equivocada), o que se deve exigir, para que o princípio seja respeitado, é que este outro contribuinte seja obrigado também a cumprir a lei; e não que todos os contribuintes sejam desobrigados de cumprir a lei. A interessada interpreta equivocadamente a aplicação de referido princípio. Portanto, o tratamento isonômico não se refere a práticas contrárias à lei, pois o princípio da isonomia deve ser considerado em conjunto com todos os demais princípios que regem o ordenamento jurídico, e no caso específico com o princípio da legalidade, que vincula toda a administração pública à lei. Considerando o princípio da isonomia, a questão não é de deixar de aplicar a lei para dar tratamento igual à interessada, mas sim de aplicar a lei àqueles outros que se encontrem em situação idêntica à da interessada. Por outro lado, o presente litígio está restrito às mercadorias importadas pela impugnante e que foram objeto de autuação. Assim, eventual ilícito praticado por outros contribuintes deve ser objeto de procedimento fiscal próprio, diverso do procedimento fiscal em análise, e sob a tutela da autoridade competente para fiscalização destes contribuintes. A autoridade julgadora não tem competência para definir os parâmetros a serem exercidos no curso do procedimento fiscal (fase anterior à instauração do presente litígio), portanto, alegações desta espécie, no curso do contencioso, se revelam inócuas. A autoridade fiscal é regida pelo princípio da legalidade. Desta forma, afastamse as alegações apresentadas neste sentido. Depreendese da análise do processo, que os fatos controversos giram em torno da reclassificação fiscal das mercadorias, do código NCM 8521.90.10 para o código NCM 8521.90.90, em razão das mercadorias não possuírem a função de edição de som e imagem. A classificação fiscal é feita por meio do código NCM, que se refere à Nomenclatura Comum do Mercosul, e que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado no País por meio do Decreto nº 97.409/1988, de 23/12/1988, DOU de 27/12/1988. Para sua composição, os países do Mercosul consolidaram o código de classificação em oito dígitos, ao acrescentar mais dois dígitos de identificação de mercadorias. Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do Mercosul. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 282 6 Destarte, a classificação de mercadorias no Mercosul é realizada com base em seis Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (6 RGI/SH) e na Regra Geral Complementar (RGC –1). Regras previstas no Anexo I, do Decreto n° 2.376/97. Para que se possa formar convicção quanto ao adequado enquadramento no código NCM de uma mercadoria, é indispensável conhecer, com detalhes, todas as suas características, para assim chegarse a sua correta identificação e, em observância às normas pertinentes, laborar a correspondente classificação fiscal. Neste sentido, a fiscalização apôs, no Sistema “Siscomex Importação” exigência para que a interessada prestasse esclarecimentos “...de como é realizada a edição de imagens e som ...” das mercadorias (fl. 28). Resposta da interessada, a folhas 29, estabeleceu que: Os aparelhos pode realizar as funções de edição 2 maneiras: 1) Alterar o formato do arquivo de vídeo, optando entre .dat (H264) ou .avi 2) Os aparelhos permitem através da função BACKUP, selecionar apenas parte(s) do vídeo original e copiálo para um dispositivo portátil ou para o próprio disco rígido do DVR, desde que em outra partição, efetuando assim a edição de som e imagem, que consiste em alterar a originalidade da imagem/som. Como exemplo, de um arquivo com duração de 15 minutos de gravação, podese selecionar apenas 30 segundos e copiálo. E assim sucessivamente, de modo a selecionar apenas as partes que interessam ao usuário. Com essa função, é possível suprimir partes das gravações que não são desejáveis.... (Grifos acrescidos) A fiscalização, por sua vez, adotou o entendimento que as mercadorias, de fato, possuem as características acima detalhadas, mas que tais características não podem ser aceitas como funções aptas a editar imagens ou sons (fl. 32): ... [...]POR NÃO ACEITAR COMO CARACTERÍSTICAS DE EDIÇÃO DE IMAGEM AS FUNCIONALIDADES DESCRITAS PELO IMPORTADOR COMO JUSTIFICATIVA DE SUA CLASSIFICAÇÃO PRETENDIDA. DEVE, [...]...(Grifos acrescidos) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 283 7 Assim, é incontroverso, nos autos, que a mercadoria objeto de classificação possui as funções acima elencadas. 8. Ressaltase, sobretudo, por pertinente, o seguinte trecho da decisão recorrida: "A convicção deste Relator é que a característica de poder alterar o formato do arquivo de vídeo (.dat ou .avi) não se confunde com qualquer características relacionada propriamente à imagem ou ao som. Em tese, independentemente do formato do arquivo gravado, a pessoa que estiver assistindo ao vídeo verá exatamente a mesma imagem e ouvirá exatamente o mesmo som. O “formato do arquivo” tem relação com o programa (software) que irá realizar a gravação ou leitura dos dados registrados no equipamento. Nem as imagens e nem os sons registrados, em tese, sofrem qualquer modificação em razão do formato designado para gravação. Não se vislumbra que os formatos de arquivo possuam qualquer relação com a edição ativa do vídeo (desejo intencional de alterar determinado parâmetro da imagem ou som). Quanto à característica descrita para a função “BACKUP”, a convicção deste Relator é que, igualmente, tal característica não se confunde com a função “editar” um vídeo. A característica acima descrita pela impugnante (vide o exemplo citado) está relacionada com a possibilidade de o operador do equipamento copiar partes do vídeo original e gravar tais cópias (formando então um novo vídeo). Nesta situação não está havendo edição de imagem, nem de som. O vídeo originalmente gravado no equipamento continua intacto, com as mesmas características: nem as imagens e nem os sons originalmente registrados sofrem qualquer tratamento de edição. O que ocorre no plano concreto, de acordo com a descrição citada, é apenas a cópia de trechos do vídeo original, ou seja, nestas partes tanto a imagem quanto o som do novo arquivo são idênticos ao original. A função desempenhada é de cópia, e apenas isto, podendo ser realizada de modo parcial, o que não descaracteriza a mera capacidade de realizar uma cópia. A alegada função de edição em face da opção de realizar “BACKUP” de partes do vídeo, seria, quando muito, uma função de copia parcial do conteúdo, função que em muito se distancia da possibilidade de edição deliberada com cortes do conteúdo originalmente gravado. O que se vislumbra é que tal função tem por finalidade escolher trechos de vídeo e permitir a transferência desse conteúdo para um dispositivo de memória, para que tais imagens e sons possam ser reproduzidos em outros equipamentos. A função desempenhada é de cópia de arquivo (não é de edição, modificação ou tratamento das imagens e sons originalmente gravados). Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 284 8 A característica do “BACKUP” descrita anteriormente está notadamente ligada à realização de cópia de segurança de arquivos/exportação de dados. Permitindo que os dados do vídeo sejam protegidos de qualquer eventualidade (defeitos, panes, invasão deliberada, etc) ou, simplesmente que sejam exportados para serem analisados em outro equipamento. O equipamento notadamente não se destina à modificação das imagens e sons nele gravados, seria função incompatível com a própria destinação de uso do mesmo (sistemas de segurança e vigilância). Ao contrário, a considerar o uso a que se destina a mercadoria, equipamento de segurança para vigilância, o que se espera é que as imagens e sons nele registrados se mantenham intactas, fidedignas, para então desempenhar o fim a que se destinam. Portanto, a razão assiste à autoridade fiscal, não se constata, que as mercadorias importadas, com base nas características acima descritas, desempenhem a função de editor de imagens e sons. Para efeitos legais, a classificação de um produto é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral nº 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse, mutatis mutandis, para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar nº 1 – RGC 1). A Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RG1) e 6 (RG6), estabelecem que: 1.OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. ... 6.A CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NAS SUBPOSIÇÕES DE UMA MESMA POSIÇÃO É DETERMINADA, PARA EFEITOS LEGAIS, PELOS TEXTOS DESSAS SUBPOSIÇÕES E DAS NOTAS DE SUBPOSIÇÃO RESPECTIVAS, ASSIM COMO, MUTATIS MUTANDIS, PELAS REGRAS PRECEDENTES, ENTENDENDOSE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS SUBPOSIÇÕES DO Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 285 9 MESMO NÍVEL. PARA OS FINS DA PRESENTE REGRA, AS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO SÃO TAMBÉM APLICÁVEIS, SALVO DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO. Até aqui tanto fiscalização quanto impugnante concordam com a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, restando a mercadoria enquadrada no código 8521.90: 8521 APARELHOS VIDEOFÔNICOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO, MESMO INCORPORANDO UM RECEPTOR DE SINAIS VIDEOFÔNICOS 8521.90 Outros No âmbito da subposição 8521.90, por sua vez, verificamse os seguintes itens em nível regional: 8521.90.10 Gravadorreprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético 8521.90.90 Outros Como registrado anteriormente, a mercadoria em apreço não possui a função de “editor de imagem e som”, logo deve a mercadoria ser classificada, por aplicação da Regra Geral Complementar n° 1, no desdobramento em nível regional 8521.90.90 – “Outros”: 1.AS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO SE APLICARÃO, MUTATIS MUTANDIS, PARA DETERMINAR DENTRO DE CADA POSIÇÃO OU SUBPOSIÇÃO, O ITEM APLICÁVEL E, DENTRO DESTE ÚLTIMO, O SUBITEM CORRESPONDENTE, ENTENDENDOSE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS DESDOBRAMENTOS REGIONAIS (ITENS E SUBITENS) DO MESMO NÍVEL. ...(Grifos acrescidos) Resta claro, por conseguinte, que a mercadoria em tela classificase no código NCM 8521.90.90, por força da aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1 e 6, e também da Regra Geral de Interpretação Complementar n° 1, classificação indicada pela fiscalização. 9. A recorrente traz, em socorro de seu argumento, o Acórdão nº 303 31.444, proferido em 15/06/2004 pela 3ª Câmara do extinto 3º Conselho de Contribuintes, de relatoria do Conselheiro Sérgio de Castro Neves, em que restou assentada a classificação 8521.90.10, cuja franciscana fundamentação que, ademais, passa completamente ao largo de qualquer regra do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) afastamos, por dela discordar: Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 286 10 10. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10950.721533/201457 Acórdão n.º 3401005.042 S3C4T1 Fl. 287 11 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 287DF CARF MF
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