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Numero do processo: 36266.007340/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Thalisson Campos. OAB: 31652/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Thalisson Campos. OAB: 31652/SP. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Tratase de NFLD lavrada, por meio do qual foram lançadas contribuições previdenciárias corresponde à parte patronal e ao financiamento da complementação das RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 66 .0 07 34 0/ 20 06 -9 1 Fl. 5370DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 36266.007340/200691 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.402 S2C3T1 Fl. 5.469 2 prestações por acidentes de trabalho SAT, bem como para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relatório fiscal o sujeito passivo teve sua isenção cancelada desde 01/01/1993, por meio do Ato Cancelatório nº 02/2004. Além disso, o Ministério Público Federal ingressou com a Ação Civil Pública nº 2004.61.00.0077842 requerendo a suspensão da imunidade tributária conferida à FAAP. Diante desse quadro a fiscalização considerou como salário indireto a concessão de bolsas de estudo fornecidas a segurados empregados. Devidamente intimada a Recorrente apresentou tempestivamente impugnação, sustentando, em síntese, que: (i) nulidade na apuração do crédito previdenciário com base na aferição indireta; (ii) ocorrência da decadência; (iii) que o Ato Cancelatório está suspenso em virtude de recurso interposto; (iii) inconstitucionalidades do SAT, SalárioEducação, Incra, Sesc e Sebrae. Os autos foram convertidos em diligência para a elaboração e envio de Relatório Fiscal Aditivo para incluir a fundamentação legal pertinente à aferição e análise e manifestação a respeito da documentação ora apresentada. Do resultado da diligência fiscal, a qual concluiu por retificar os valores apurados em determinadas competências, o sujeito passivo foi devidamente intimado e repisou seus argumentos iniciais. A DRJ em São Paulo acolheu a preliminar de decadência, bem como o relatório fiscal complementar para retificar os valores inicialmente apurados, o que ensejou a interposição dos recursos de ofício e voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Antes de adentrar ao mérito da questão alguns pontos necessitam de melhores esclarecimentos. Isto, porque não há a informação nos autos de que o processo administrativo que se instaurou com o Ato Cancelatório nº 02/2004 transitou em julgado, uma vez que o sujeito passivo sustenta, em sede de recurso voluntário, que o processo encontrase em trâmite, não obstante haver cópia de acórdão do CRPS acostado nesses autos. Ademais, verificase que do breve material colhido nesse processo sobre a ação civil pública nº 2004.61.00.0077842, há discussão acerca da vigência da imunidade inicialmente conferida ao sujeito passivo em períodos atingidos pelo presente lançamento. Por fim, em sede de recurso voluntário, sustenta o sujeito passivo que para fins de cálculo das contribuições previdenciárias foram incluídos como segurados empregados alunos e estagiários os quais haviam sido beneficiados com as bolsas de estudo. Fl. 5371DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 36266.007340/200691 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2301000.402 S2C3T1 Fl. 5.470 3 Diante da ausência de elementos seguros, nesse processo, necessário é que se converta o julgamento em diligência para o seguinte: i) informe a autoridade administrativa se o processo administrativo instaurado por ocasião do Ato Cancelatório nº 02/2004 transitou em julgado na esfera administrativa, trazendo a esses autos todas as decisões nele proferidas; ii) intime o sujeito passivo para trazer cópia da petição inicial, sentença e eventuais acórdãos proferidos na ação civil pública nº 2004.61.00.0077842, bem como certidão de objeto e pé; iii) informe a autoridade administrativa se na base de cálculo apurada relativa às bolsas de estudo foram incluídos alunos e estagiários, explicando as suas razões; iv) informe a autoridade administrativa se os dados para o lançamento fiscal foram entregues por qualquer meio antes de sua efetivação; e v) informe a autoridade administrativa se a bolsa de estudos foi fornecida a todos os segurados da recorrente. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam tomadas as providências elencadas nos itens “i” a “v” acima descritas e, após, intimar o contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 5372DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000036/89-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1985
Concomitância. Renúncia à Esfera Administrativa:
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n º 1.)
Numero da decisão: 1801-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius de Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1985 Concomitância. Renúncia à Esfera Administrativa: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n º 1.)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1985 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF n º 1.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius de Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 00 36 /8 9- 78 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRF em Sorocaba que não tomou conhecimento da impugnação apresentada pela interessada contra a exigência de IRRF consubstanciada nos autos, por considerála intempestiva. 1 Dos Fatos Através da Notificação a que se refere o documento de fl. 01, foi a empresa em epígrafe, intimada a recolher o IRRF no valor equivalente a Cz$ 51.039,45 que, acrescido de correção monetária, multa de 50% e juros de mora, constituiuse em crédito tributário no montante total de Cz$ 7.317.559,62, relativamente ao exercício de 1986 , anobase de 1985, tributada exclusivamente na fonte à razão de 25% ( vinte e cinco por cento ) como lucros automaticamente distribuídos aos sócios. nos termos do art. 8o.do Decreto L? 2065/83, como exigência reflexa da autuação principal de IRPJ, em cujo procedimento foi constatada omissão de receita na pessoa jurídica acima identificada, decorrente do confronto dos valores referentes à receita com revenda de mercadorias e às compras constantes da declaração de rendimentos, com os dados informados pelos fornecedores. A interessada foi cientificada da notificação, em 14/01/89, como demonstra a cópia do AR à fl. 27 e ingressou com impugnação, em 16/02/89, refutando, através de vasta argumentação, o procedimento adotado pela Secretaria da Receita Federal, na apuração da omissão de receita da empresa. A autoridade administrativa não tomou conhecimento da impugnação, por considerála intempestiva, nos termos do artigo 15 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF, e por decorrência, aplicou o mesmo entendimento à exigência de IRRF (fls. 30/31). Notificada da decisão, em 28/04/89 (AR fl. 32), apresentou, em 04/05/89, recurso voluntário (fls. 33/40). Nas razões recursais alegou, em preliminares, que as devoluções de mercadorias por motivos diversos seriam essenciais não só para fins do IRPJ, mas vitais para o PIS onde, ressalvado o PISdedução, só o faturamento seria a base de cálculo. Assim, se por qualquer motivo a mercadoria não é entregue, não seria possível admitir que a mesma gerou um fato econômico perfeito e acabado. Afirma que diante da dificuldade em demonstrar as falhas e equívocos praticados pelo SERPRO – que teria feito as vezes da fiscalização – teria conseguido através de outros autuados pelo mesmo Sistema FISGAS, prova de que a distribuidora Esso Brasileira de Petróleo S.A., emitiu várias "Notas Fiscais de Entrada", por motivos vários, tornando sem efeito a pretendida entrega da mercadoria. Conclui, assim, que não tendo o ordenador de dados do SERPRO detectado tais devoluções, em virtude da não ordenação dessas informações, teria simplesmente acolhido índices que não traduziriam a realidade, baseado num processo indiciário destituído de valor probante legal para os fins de direito. Aduz ter anexado aos autos Notas Ficais Fatura devidamente acompanhadas das Notas Fiscais de Entrada da mencionada distribuidora no aludido período do levantamento FISGAS, com observações que provariam que não houve a entrega daquelas mercadorias. Observa que a fiscalização não teria provado a entrega das mercadorias e que sua escrituração, mantida de acordo com as leis comerciais e fiscais, faria prova a seu favor, dos fatos nela registrados. E prossegue, em suas palavras: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 3 3 “ É fato notório, corriqueiro, saberse que quando um posto atinge sua quota de combustível, previamente prevista em contrato, o combustível continuará sendo entregue ao mesmo, contra pagamento é óbvio, mas lançada em nome de terceiros. Dessa forma, quem paga o suposto fato neste tipo de processo por lançamento indiciário, são os terceiros que ainda não atingiram suas quotas, mas que as distribuidoras lançam para proteger os que já excederam não ficarem sem o combustível e os que precisam atingir a sua quota, não ficarem sujeitos às severas penalidades, previstas nos famosos contratos de CVM Contrato de Venda Mercantil. Como pode a fiscalização ter certeza que o Recorrente recebeu determinada quantidade de combustível, se não comprovou a real e efetiva entrega do mesmo, algo foi descarregado em seu nome só para atender a quota de alguém!” No mérito inicialmente tece considerações a respeito da possível nulidade da notificação, eis que o Coordenador do Sistema de Fiscalização não teria competência para lavrála, assim como o SERPRO não teria competência para fiscalizar e autuar. Prossegue no sentido de que a questão nuclear, in casu, seria o conceito jurídico de renda, na demonstração do patrimônio líquido da empresa e na análise de suas mudanças e que somente a avaliação direta do lucro do exercício é que poderia discernir o acréscimo patrimonial tributável, em outras palavras, 'renda' (C.T.N., art. 43, inc. I ). Afirma que a unilateralidade dos elementos computados pela Fiscalização Fazendária (dados fornecidos pelas Distribuidoras) teria ignorado, sem nenhum embasamento jurídico plausível, a bilateralidade ínsita ao negócio comercial entre Fornecedora e Posto de Revenda, e que o simples levantamento de notas fiscais de venda, nos estabelecimentos das Distribuidoras, seria insuficiente para deduzir pela omissão de receita, uma vez que não consultados, por exemplo, os respectivos canhotos daquelas notas, de posse dos Postos autuados. Tece considerações a respeito dos conceitos jurídicos que envolvem as expressões “fato gerador”, “presunção”, e “tributação indireta”, para concluir que a exigência foi desmedida, também porque resultou em bitributação reflexa nas pessoas dos sócios. Ao final pediu pelo acolhimento do recurso e conseqüente reforma da decisão de 1a. instância. Pelo Acórdão n º 10179.049, de 15/08/89, o então 1o. Conselho de Contribuintes confirmou a intempestividade da impugnação. Constou do julgado que, como no recurso apresentado a interessada não recorreu dessa questão à instância superior, declarou a perempção das razões de defesa e não conheceu do recurso (fls. 97/99 e verso). Cientificada da decisão, em 22/09/89 (AR. Fl. 101) e, inconformada, a interessada apresentou pedido de "Retificação de Acórdão", fls. 102/109, sendo a petição indeferida pelo Presidente da 1a. Câmara, "por inexistência do pretendido erro material, o que importa dizer que nada há a retificar no acórdão questionado", conforme despacho de fls. 199/200. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Diante do indeferimento do pedido de retificação de acórdão, a contribuinte apresentou "Pedido de Reconsideração", fls. 202/210, igualmente indeferido, nos termos do despacho de fls. 211/212. Sobreveio, em 04/02/2013, o despacho da DRF em Sorocaba (fls. 333 e verso) que tem o seguinte teor: 1. O presente processo administrativo trata de impugnação a Notificação de Lançamento, de Oficio, referente a Imposto de Renda Fonte, declarados na DPJ de 1986, conforme fls. 26 destes autos. 2. Impugnação apresentada pelo contribuinte não foi conhecida por intempestividade, fls. 28/31, assim como, por Acórdão proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, não se tomou conhecimento do Recurso Voluntário apresentado, vide fls. 93/96. 3. Inconformado, o interessado apresentou pedido de "Retificação de Acórdão", fls. 102/109, sendo a petição indeferida pelo Presidente da 1a. Câmara, "por inexistência do pretendido erro material, o que importa dizer que nada há a retificar no acórdão questionado", conforme despacho de fls. 199/200. 4. Diante do indeferimento do pedido de retificação de acórdão, o contribuinte apresentou"Pedido de Reconsideração", fls. 202/210, o qual foi indeferido nos termos do despacho de fls.295. 5. Objetivando dar seguimento ao seu recurso, o interessado impetrou Mandado de Segurança, autuado sob o n° 90.00030269, que tramitou na 4aVara Cível da Justiça Federal de São Paulo. 6. Nesta Ação houve concessão de medida liminar para que o recurso voluntário apresentado pelo autor fosse encaminhado à instância superior. 7. Sobreveio sentença de mérito concedendo a Ordem e confirmando medida liminar deferida. 8. Recurso de Apelação apresentado pela União, bem como a remessa oficial não foram conhecidos pelo TRF 3a Região. Também não foi admitido Recurso Especial interposto pela União, e, finalmente, o Superior Tribunal de Justiça negou seguimento ao Agravo apresentado pela União. Esta decisão transitou em julgado, e os autos retornaram ao Juízo de origem. 9. Intimados da baixa dos autos, ambas as partes nada requereram. 10. Compulsando os autos do Processo Administrativo de Acompanhamento da Ação Judicial respectiva, processo n° 10855.000094/9059, verifiquei que houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio de Parecer, fls. 59/62, concluindo pela impossibilidade de seguimento do Pedido de Reconsideração de Acórdão apresentado pelo contribuinte. Houve, ainda, orientação da PFN para que fossem suspensos os processos administrativos respectivos, apensandoos ao PAJ em comento, para aguardar decisão judicial no âmbito do Mandado de Segurança citado, o que foi providenciado em 13/03/1990. 11. Em razão dessa juntada, os processos administrativos n°s 13876.000016/8961, 13876.000037/8931 e 13876.000036/8978 ficaram sem cadastramento no sistema de controle de débitos da época (PROFISC), o que dificultou, a identificação dos mesmos nesta Equipe, onde chegaram em novembro de 1992. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 4 5 12. Da análise das Decisões proferidas no âmbito do Mandado de Segurança em questão e, considerando que ocorreu o trânsito em julgado da ação, concluo que o presente processo administrativo, deve ser encaminhado ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para apreciação do Pedido de Reconsideração de Acórdão apresentado pelo contribuinte, ainda que o interessado não tenha manifestado interesse em dar seguimento ao referido recurso após a baixa dos autos ao Tribunal de origem, nos termos do despacho judicial de 01/08/2008. 13. v Registro, ainda, que os créditos tributários objetos da Impugnação e do Recurso Voluntário do contribuinte estão sendo discutidos no âmbito da Ação Judicial n° 001065327.1990.403.6100, ação esta que, por desmembramento, deu origem à Ação n° 001081380.2012.403.6100, em face da delimitação de litisconsórcio determinado pelo Juízo competente. Vide cópia do andamento processual respectivo, bem como das principais decisões extraídas no Sítio do TRF 3a Região. 14. O estágio atual destas ações é o de saneamento dos processos para prolação de sentença de Primeiro Grau, uma vez que as sentenças prolatadas anteriormente foram canceladas pela Instância Superior. 15. Frente ao exposto, encaminho o presente processo administrativo ao setor responsável para cadastramento dos débitos no sistema de controle adequado (SIEF ou PROFISC), e remessa ao CARF, em cumprimento à determinação Judicial. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Em cumprimento a expressa determinação judicial, transitada em julgado, como constou do relatório acima e, unicamente por tal razão, tomo conhecimento da petição denominada “Pedido de Reconsideração”, admitindoa como Recurso Voluntário, para o fim de apreciar as razões de defesa nela deduzidas. 2 Preliminarmente. Nesse contexto a recorrente insurgese contra o julgado que considerou intempestiva a impugnação afirmando, em suas palavras, que: a) a autoridade julgadora de primeira instancia não observou o disposta no art. 23, II do Decreta n º 70.235/72, isto é, a mesma não observou a data da prova do Fl. 376DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 recebimento da intimação, somente a data da expedição da intimação, conforme determina a referido dispositiva legal a saber: art. 23 Farseá a intimação: II Por via postal ou telegráfica, COM PROVA DE RECEBIMENTO b) A autoridade julgadora de 1a. instancia não só deixou de observar esta providencia legal, como também não exigiu a exibição da referida prova de recebimento no processo. Deu por cumprida a intimação, com a simples expedição, contrariando frontalmente o dispositivo legal, não podendo dessa forma alegar intempestividade. c) outro fato, somente "ad argumentandum tantum" tendo a Requerente postado não na dia 16/02/89, mas no dia 15/02/89 (vide docs. anexos ns 1 e 2), por si só já estaria dentro do prazo, seguindo a mesma raciocínio da autoridade de 1a. instancia. d) Ad Argumentandum tantun", a Requerente passa também a relatar o Acórdão proferido pelo Egrégio 1o. Conselho de Contribuintes, confirmado pela CSRF, a saber: "PRAZO DE IMPUGNAÇÃO CONTAGEM. Se a contribuinte é notificada em um sábado, dia em que não ha expediente na repartição fiscal, a contagem do prazo para impugnação só se inicia na terçafeira seguinte, porque o dia do início foi a segundafeira (se de expediente normal) e está excluído da contagem" (Art. 210 e paragrafo único do CTN). (Ac. Recorrido n9 1041.990, de 040581, da 4 ª Camara do 1o. CC e Ac. na CSRF/010.188, de 261181 ) . Como se verifica dos autos a recorrente foi cientificada das Notificações de Lançamento do IRPJ, IRRF e PIS, em14/01/89, como demonstra a cópia do AR à fl. 27. 14/01/89 foi a data em que a notificação foi recepcionada no endereço cadastral da empresa, foi aposta a mão e assinada pelo recebedor, Sr. João Camargo, como pode ser visto com clareza cristalina. Á época da ciência das Notificações de Lançamento, os artigos 5o. e 23 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o PAF, tinham a seguinte redação: Dos Prazos Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: I pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu Fl. 377DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 5 7 mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento; III por edital, quando resultarem improfícuo os meios referidos nos incisos I e II. § 1º O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II na data do recebimento, por via postal ou telegráfica; se a data for omitida, quinze dias após a entrega da intimação à agência postaltelegráfica; III trinta dias após a publicação ou a afixação do edital, se este for o meio utilizado. No caso sob exame o dia 14/01/89 recaiu num sábado. Como os prazos do PAF somente se iniciam em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo, não se considera, para efeitos de contagem do prazo, nem o sábado, dia 14/01/89, nem o domingo, dia 15/01/89. O primeiro dia útil seguinte ao domingo, segundafeira, dia 16/01/89 deve ser excluído da contagem, porque foi o dia do início. Assim, o dia 17/01/89, terçafeira, é o dia 1 do prazo e o dia 15/02/89, é o 30o. e, portanto, último dia do prazo para apresentação tempestiva da impugnação, nos exatos termos do artigo 5o. do PAF, acima reproduzido . De acordo com carimbo da agencia dos correios constante do envelope remetido à repartição contendo a impugnação (fl. 63 e verso, processo principal do IRPJ), a peça de defesa foi postada em 16/02/89, quartafeira, fora, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias determinado pelo Decreto n º 70.235, de 1972, para sua apresentação. A impugnação apresentada é, portanto, intempestiva e, nessas condições, acertadamente não foi conhecida pela autoridade julgadora de 1a. instância. A recorrente alega, ainda em sede inicial, a nulidade das Notificações de Lançamento ao argumento de que o agente signatário não seria competente para sua lavratura. Eis os argumentos da defesa: e) "Ad Argumentandum Tantum" nos termos da art. 7o., I do Decreto n º 70.235/72, a autoridade que efetuou a autuação o Coordenador do Sistema de Tributação não tinha poderes para tal, sendo conseqüentemente nula e irrita de pleno direito o auto lavrado a saber: art. 79 0 procedimento fiscal tem inicio com: I o primeiro ato de oficio escrito, praticado par servidor competente... Fl. 378DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Em que pese a afirmação, a recorrente não expôs os motivos pelos quais considerou que o agente fiscal – Coordenador do Sistema de Tributação – não teria competência para lavrar as notificações combatidas. De todo modo, este órgão colegiado de julgamento já possui sólido entendimento, no sentido de que o Auditor Fiscal, independentemente da função que ocupe, é competente para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário, nos termos do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional – Lei n º 5.172, de 1966: Art. 142.Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Mérito. Muito embora a impugnação apresentada pela recorrente tenha sido claramente intempestiva, incapaz, assim, de instaurar o contencioso administrativo fiscal, como prescrevem os artigos 14 e 15 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF abaixo reproduzidos o que implicaria no não conhecimento das razões recursais há, como foi consignado anteriormente, determinação judicial expressa, transitada em julgado, com ordem para que o recurso seja conhecido na esfera administrativa. Art. 14.A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Entretanto, após o transito em julgado da ação que determinou o conhecimento das razões de defesa – preclusas na esfera administrativa – Mandado de Segurança – a recorrente ingressou com a ação judicial de rito ordinário n° 0010653 27.1990.403.6100, que, por desmembramento deu origem à ação ordinária n° 0010813 80.2012.403.6100 (litisconsórcio), com o fim de discutir, naquela esfera judicial, o mérito das autuações de que tratam as Notificações de Lançamento do IRPJ, IRF (objeto dos presentes autos) e PIS, como demonstram as pesquisas anexadas às fls. 315 a 332, em especial decisão de fls. 326/328. Esse novo fato impede , agora por outro motivo, o conhecimento das razões meritórias de defesa, já que as ações judiciais tem por objeto as mesmas razões de fato e de direito que também são tratadas nas notificações de lançamento combatidas. Nesse sentido, este Órgão Colegiado de Julgamento já possui sólido e pacifico entendimento no sentido de não ser possível apreciar as razões recursais que forem Fl. 379DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000036/8978 Acórdão n.º 1801001.814 S1TE01 Fl. 6 9 objeto de ação judicial, uma vez que à Esfera Judicial caberá a última palavra e é o poder que, de fato, irá decidir sobre o assunto em discussão na esfera administrativa. À propósito, transcrevo a seguinte súmula, que, de acordo com o artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF – é de observação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF n º 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RICARF – Portaria MF 256, de 2009 ( e alterações): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Em face do exposto voto por tomar conhecimento do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 380DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10715.000014/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex.
Recurso Voluntário provido em parte.
Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea b do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte.
Numero da decisão: 3202-000.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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REGISTRO. TRANSPORTADOR. DATA DO EMBARQUE DA MERCADORIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, quando o transportador descumpre a obrigação de registrar o embarque da mercadoria no Siscomex, no prazo e condições estabelecidos pela RFB. Na contagem desse prazo, excluise o dia de início e incluise o de vencimento, conforme o caput do art. 210 do CTN, não sendo de aplicar, porém, a regra encartada em seu parágrafo único. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, alterado pela IN SRF n° 510/05, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN RFB nº 1.096/10, que estabeleceu o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, para todas as modalidades de transporte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para refutar o lançamento efetuado com base em informações extraídas do Siscomex. Recurso Voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 14 /2 01 0- 19 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, que negava provimento ao recurso. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ nº. 134.407. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, lavrouse auto de infração formalizando a exigência de multa de ofício isolada, no valor total de R$ 50.000,00, com origem em transportes de carga realizados em fevereiro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 50.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segundo a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada às fls. 09 e 10, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 15 a 31, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 200, para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Drecretolei n° 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 131 3 ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta n° 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal. Com esses argumentos, a interessada propugna pela insubsistência do auto de infração. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07 21.458, de 08/10/2010 (fls. 57/72), em decisão assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 77/108, por meio do qual sustenta, em síntese, depois de defender a sua tempestividade e de relatar os fatos: Os prazos só vencem em dia de expediente normal na repartição. A questão encontrase absolutamente livre de controvérsias. Desde 2004, a própria Receita Federal, através da Solução de Consulta SRRF/9ª RF n° 215, de 16 de agosto de 2004, não deixou dúvidas quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem do prazo para registro das informações no Siscomex às sextasfeiras, sábados, domingos, vésperas de feriados e feriados. A interpretação atribuída pela r. decisão a quo é exatamente o inverso daquela que se poderia admitir considerandose o princípio do in dubio pro contribuinte. Tratase, desta forma, de nítida violação também ao art. 106 do Código Tributário Nacional. O art. 112 do CTN deve ser observado primeiramente pela Administração Pública. Há impossibilidade prática de se realizar a averbação em dias não úteis. A Recorrente, da mesma forma que a Receita Federal, realiza suas operações 7 (sete) dias por semana. Aos sábados, domingos e feriados, todavia, o faz em regime de plantão. Nestas ocasiões não é viável a manutenção da totalidade de seus funcionários e pessoal técnico especializado para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex, sob pena de aumentar imensamente e injustificadamente os seus custos operacionais. A manutenção da cobrança da multa para averbações realizadas dentro do prazo contado de acordo com a legislação brasileira vai de encontro direto aos princípios da Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 motivação e da finalidade dos atos administrativos, bem como implica em desobediência à lei e a questão já definitivamente decidida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, apesar de o art. 37 da Instrução Normativa – IN n° 28 estar em vigor desde 1994, nenhuma multa era aplicada às companhias aéreas justamente pela indefinição da norma. Somente com a edição da Instrução Normativa n° 510, de 2005, é que se passou a ter ciência que o prazo para inserção dos dados de embarque era de 02 dias, mas ainda sem definição acerca da forma de contagem do prazo. É nulo o auto de infração em relação a alguns voos (vide fl. 87), eis que a empresa inseriu as informações de embarque no sistema dentro do prazo de dois dias úteis, conforme a Solução de Consulta n° 215, de 2004. Não existe prova de que o registro efetuado pela Recorrente se deu a destempo. Segundo art. 46 da IN nº 28, de 1994, a averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação pela fiscalização aduaneira do embarque. Ou seja, depreendese do referido dispositivo que a planilha de embarques que acompanha o auto de infração está informando, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a do registro, porque esta efetivamente não consta do SISCOMEX. O auto de infração apresenta uma lista de datas de informação de embarque que não é correta porque o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Frisese ainda que até o ano de 2008 o sistema SISCOMEX EXPORTAÇÃO registrava alterações aos registros tempestivamente realizados como novos registros. Assim, caso fosse verificado, por exemplo, divergência de peso que impossibilitasse a averbação automática, as companhias aéreas tinham que excluir a informação equivocada, apagála do sistema e, em seguida, incluir a informação correta. Todavia, tal alteração somente era possível com a intervenção da fiscalização, nos termos do que dispõe o art. 49 da IN n° 28, de 1994. Para efeitos de contagem de prazo, portanto, e por defeito no sistema, levavase em conta a data da inserção da informação correta. Ou seja, a empresa aérea poderia até ter inserido a informação no prazo e com base no AWB, mas, em face de informação divergente da DDE, apenas a data da retificação ficava registrada. Daí porque não há como se considerar as informações constantes do auto de infração impugnado como corretas para fins de afirmação de que o registro se deu a destempo, porque o sistema era falho em guardar a data do primeiro registro efetuado pela Recorrente. Este fato foi objeto inclusive de análises da própria Receita Federal em várias Soluções de Consulta (Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT/N° 215, de 16 de agosto de 2004). É fato frequente nos dias de hoje, e ainda mais frequente em anos anteriores, que as companhias tentem acessar o SISCOMEX e não obtenham êxito, tendo que aguardar o sistema retornar ao seu status regular após diversas horas ou mesmo dias. A constatação da infração não leva em consideração as indisponibi1idades do sistema e sequer as aponta. Considera o mundo ideal em que o SISCOMEX está à disposição ininterruptamente. Por esta razão todas as empresas de aviação, bem como os agentes de carga, sem exceção, consideram injusta a aplicação da multa pelo atraso na inserção de dados no sistema, eis que não podem ser responsabilizadas por fato alheio às suas vontades. Visando comprovar o alegado, a Recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, razão pela qual é absurda a imposição de multa à Recorrente considerandose as diversas falhas do Siscomex (referente a datas dos anos de 2002 a 2005). É imprescindível notar que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela secretaria da Receita Federal, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema (reproduz trecho da IN RFB n.º 835, de 2008). Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 132 5 As obrigações acessórias previstas no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 têm por finalidade auxiliar o controle de conferência e estatístico da exportação. A inobservância daqueles prazos somente acarreta embaraço à fiscalização quando impacta de modo negativo a capacidade de arrecadação do Fisco. Tal ocorre, por exemplo, quando a averbação é corrigida para enquadrar a remessa em regime especial tributário (drawback). De fato, é o exportador, e não o Fisco, o maior interessado na averbação, pois o fechamento do câmbio e o consequente recebimento das receitas de exportação só se dão com a conclusão desta formalidade. O despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação encerrase com a autorização para o embarque da mercadoria, na forma do artigo 29 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994. Todos os voos de que trata o auto de infração impugnado na instância a quo são voos de exportação. O regime tributário brasileiro desonera ampla e irrestritamente a exportação. Mesmo as receitas derivadas das exportações são imunes de contribuições sociais por determinação constitucional. Neste sentido, as obrigações acessórias relativas ao despacho de exportação existem para fins de controle de conferência e estatístico. Sendo assim, a aplicação da multa somente poderia se dar se o atraso da averbação efetivamente ocasionasse prejuízo ao interesse público ou ao fisco o que não ocorreu em qualquer das ocorrências listadas no Termo de Constatação. A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública, dispõe que é vedado ao Estado impor aos administrados obrigações e sanções em medida desnecessária ao atendimento do interesse público. Vale ressaltar, por fim, que a Receita Federal possui diversas soluções de consulta afirmando que a multa por embaraço à fiscalização somente pode ser aplicada quando restar comprovado o impedimento ou o embaraço à atividade fiscal, conforme soluções transcritas no Recurso, o que não ocorre no caso em exame. Há uma absoluta falta de proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa pela alegada infração da Recorrente. A Receita Federal vem aplicando multas à Recorrente por praticamente todos os voos realizados nos anos de 2004 a 2009. A Recorrente presta informação completa em relação a todos os AWBs voados. Isto sugere que o atraso era decorrente de questões operacionais (falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa. É importante lembrar que a obrigação de prestar informações referese a um conjunto de embarques e não apenas a uma única mercadoria. A obrigação acessória de prestar a informação na forma do artigo 37 da Instrução Normativa 28/94 é complexa. A intenção de embaraçar a fiscalização, que é a falta passível de penalidade, somente se configuraria se a Recorrente tivesse descumprido a obrigação em toda a sua complexidade, isto é, se tivesse tido a intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques. A multa prevista no DecretoLei n° 37/66 não foi concebida considerandose a prática do negócio de exportação aérea. Ela é uma multa única para situações totalmente diversas. Quanto mais AWBs embarcados, mais chances de atrasos existem por força da lei universal e inafastável da estatística. No presente caso, devese observar que a aplicação de multa à Recorrente pela inserção intempestiva de dados no Siscomex não obedece aos requisitos do art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional, eis que não visa ao interesse da fiscalização ou da arrecadação de tributos. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 A multa aplicada tem caráter confiscatório. O processo foi distribuído a este Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente principia as suas razões de defesa com a alegação de que nulo é o lançamento, ao fundamento de que a multa aplicada não corresponde à infração praticada, o que cerceou o seu direito de defesa. Acresce também que não haveria provas do cometimento da infração. O equívoco, em ambos os casos, é evidente. Primeiro, porque basta verificar o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar, acostado à fl. 3 dos autos, para constatar que a fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, não alínea “c” do mesmo dispositivo. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga Portanto, enquadramento incorreto não há. Segundo, porque que os dados que embasaram o lançamento foram extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) – sistema informatizado que reflete, num único ambiente, todas as informações relativas ao comércio exterior e no qual é exercido o controle governamental brasileiro, a partir inclusive, impende ressaltar, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregos ou representantes legais. Se alguma delas está incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Contudo, nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas na planilha de fls. 11/12. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 133 7 Pelo mesmo motivo, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas com algumas que se teriam verificado inclusive em anos anteriores ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. No mérito, a questão litigiosa já foi inúmeras vezes apreciada por esta Turma – a multa pelo não registro no Siscomex, no prazo assinalado na legislação aduaneira, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Em julgamento recente, expus o entendimento de que o prazo que deveria regrar a obrigação do transportador era o estabelecido na legislação vigente na data do embarque, independentemente de sua ampliação por legislação superveniente. Depois de meditar sobre o assunto com maior detença, cheguei à conclusão de que, de fato, é de se aplicar a tese da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN. Por comungar com o entendimento firmado pelo il. Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator do Acórdão n.º 3202000643, de 27/02/2013, adotoo como razão de decidir, motivo pelo qual passo a transcrever a parte que se refere ao tema: A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa ao transportador por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para facilitar a análise da matéria, convém inicialmente transcrever o referido dispositivo legal: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga (grifei). O dispositivo legal acima transcrito que tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa. A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37, de Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX pelo transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. A IN SRF n° 510/05, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 2 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via aérea. Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contado da data da realização do embarque. §1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. §3° Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana).” (grifei) Muito bem. Neste passo, importante registrar que após muito refletir sobre a aplicação da retroatividade benigna a situações Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 134 9 como a que se apresenta nesse litígio, estou alterando entendimento anterior já adotado nessa Turma (quando acompanhei a i. relatora no Acórdão nº 3202000.544, que votou no sentido de não aplicar a retroatividade), por entender que a situação fática posta nesses autos amoldase perfeitamente à hipótese de retroatividade benigna. Senão vejamos. A matéria em tela comporta a seguinte interpretação. A Constituição Federal estabelece a regra da irretroatividade da lei como corolário do princípio da segurança jurídica, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). Nesse diapasão, o CTN consagrou no artigo 106, inciso II, alíneas “a”, “b”, e “c”, três hipóteses em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior: a) a lei nova já não mais define determinado ato, como infração; b) a lei nova deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência legal de ação ou omissão (desde que não tenha ocorrido fraude, nem falta de pagamento de tributo exigido); c) a pena menos severa substitui a mais grave da legislação anterior. O professor Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 17ª edição, p. 95) afirma que “as duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses”. Muito embora concorde que a ponderação do jurista é extremamente pertinente, no caso em tela, a meu sentir, a hipótese prevista na alínea “b” amoldase melhor à situação fática. Isto porque a legislação nova (IN SRF n° 1.096/2010) deixou de tratar o ato praticado não registrar os dados de embarque da mercadoria no Siscomex no prazo de 2 dias (previstos na IN SRF n° 28/94 alterada IN SRF n° 510/05) – como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão (alínea “b”), uma vez que a nova norma prescreve, agora, o prazo de 7 dias. Em outras palavras, o ato de não registrar os dados de embarque da mercadoria no SISCOMEX, quando efetivado em até 7 dias, deixou de ser apenado pela nova norma. Assim, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa aplicada especificamente para aqueles casos em que o registro dos dados de embarque da mercadoria no Siscomex tenham ocorrido em até 7 dias nos termos do que dispõe a IN SRF n° 1.096, norma que atualmente regula a matéria. Em situação muito semelhante à tratada nestes autos, a RFB já se manifestou na Solução de Consulta Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, com relação à retroatividade benigna em relação aos prazos para prestação de informação no Siscomex: “SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8 COSIT DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF n" 28, de 1994, é a que se refere à alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n" 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no. 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. (Grifei) Portanto, devem ser excluídas da autuação fiscal os embarques cujos registros de dados foram efetuados no Siscomex no prazo de até 7 (sete) dias. De conseguinte, deve ser mantida a autuação apenas quanto aos embarques a seguir mencionados (extraídos da tabela de fls. 10/11): DDE Data de Embarque Data de Informação no Sistema Voo Dias transcorridos para o registro Multa 20601208765 04/02/2006 13/02/2006 AF/442 9 20601246357 04/02/2006 13/02/2006 AF/442 9 20601269624 04/02/2006 13/02/2006 AF/442 9 5.000,00 20601148673 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 20601217756 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 20601235258 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 20601303849 04/02/2006 13/02/2006 AF/443 9 5.000,00 20601554906 14/02/2006 14/03/2006 AF/443 28 5.000,00 Na contagem dos prazos, a decisão recorrida acertadamente considero a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei 5.172, de 1966 CTN, que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada. Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10715.000014/201019 Acórdão n.º 3202000.985 S3C2T2 Fl. 135 11 O nosso entendimento, como se vê, é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT n.º 215, de 2004. Contudo, além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/voo, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 15.000,00. O argumento de que a multa tem caráter confiscatório (ou que viola qualquer outro princípio constitucional), bem como que confronta com o Código Tributário Nacional, não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes (Súmula CARF n.º 2). Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração adicional. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/12/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012697/2010-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 69 7/ 20 10 -2 2 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012697/201022 Resolução nº 2403000.190 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 38/52, interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, de n. 0533.487, prolatada na sessão de 19 de abril de 2011. A Recorrente afirma que em 18/02/2010, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08104002010000640, o qual o cientificou acerca dos procedimentos de fiscalização para o período de 2006 e 2007, que decorreu na lavratura do Auto de Infração – AI DEBCAD 37.286.5569, objetivando a cobrança do crédito tributário no importe de R$ 56.041,57 (cinqüenta e seis mil, quarenta e um reais e cinqüenta e sete centavos). O Recorrente alega ausência de descrição com clareza e precisão das infrações, supostamente violando o princípio da ampla defesa, bem como a impossibilidade da tributação do reembolso de despesas, denominados de premiação. Também argui o caráter confiscatório da multa aplicada, ao arrepio do art. 150 da Constituição Federal, art. 150, VI, requerendo ao final, a reforma do acórdão recorrido, determinandose por conseguinte a nulidade do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012697/201022 Resolução nº 2403000.190 S2C4T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.53, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A partir da análise da fl. 53 do processo principal (10830.012696/201088), percebese que o presente processo era, originalmente, de papel e foi convertido em digital pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, que atestam a tempestividade do recurso e informam que o processo 10830.012696/201088 (DEBCAD 37.286.5550) é o principal e os processos 10830.012695/201033 (DEBCAD 37.286.5542) e 10830.012697/201022 (AI 37.286.5569) foram a eles apensados. No entanto, nos arquivos disponíveis no eprocesso, consta apenas a capa do Volume I dos autos, fl. 01, além dos termos de apensamento e recursos voluntários. Tal situação inviabiliza o julgamento por parte deste colegiado, sendo necessário a realização de diligência para fins de busca dos documentos físicos para digitalização e posterior indicação para julgamento. CONCLUSÃO Do exposto, converto o julgamento em diligência a fim de determinar a digitalização completa do processo. Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000759/96-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994
IRPJ - CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO - MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS - DECRETO Nº 332/91.
Em face da reiterada jurisprudência no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", e no termos da jurisprudência pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei.
Numero da decisão: 9101-001.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior votaram pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991, 1992, 1993, 1994 IRPJ - CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO - MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS - DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", e no termos da jurisprudência pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991, 1992, 1993, 1994 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", e no termos da jurisprudência pacificada na Câmara Superior de Recursos Fiscais a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada). Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Plínio Rodrigues de Lima e João Carlos de Lima Júnior votaram pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 07 59 /9 6- 37 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 9 2 Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 10194.766, proferido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O auto de infração exige IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1991 a 1994. Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo que julgou o lançamento procedente em parte, “exonerando parcela do valor correspondente à correção monetária da restituição de Imposto de Renda — particularmente as variações seguintes ao início da compensação desses valores com tributos apurados no auto, despesa de CSLL no cálculo do IRPJ — e a parcela da multa que excede 75%, mantendo as demais exigências que ensejaram o lançamento do IRPJ, CSLL e multa regulamentar, com as compensações alteradas conforme demonstrativos de fls. 199/200, parte integrante dessa decisão, e o demonstrativo dos valores exigidos de fls. 223/224”. Sobrevieram Recurso Voluntário, Recurso de Ofício e o acórdão da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer em parte a exigência relativa à correção monetária do IRFonte e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para: 1) excluir da matéria tributável a correção monetária, a partir de 30 de outubro de 1993, incidente sobre a parcela do IRRF vertido para a empresa J. Walter Thompson Publicidade; 2) cancelar a exigência relativa à correção monetária de mútuos; e 3) reconhecer o direito à dedução, da base de cálculo do IRPJ, da CSLL lançada de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A decisão restou assim ementada: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não configurado cerceamento de defesa, eis que não caracterizadas as alegadas insuficiências na narrativa das infrações e ausência de demonstrativos, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração. IRPJ RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. CORREÇÃO MONETÁRIA. A restituição do Imposto de Renda está sujeita à variação monetária que, por sua vez, é considerada receita operacional, devendo ser apropriada ao resultado segundo o regime de competência. MÚTUO ENTRE COLIGADAS CORREÇÃO MONETÁRIA. Com o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 10 3 advento do Decreto 332/91, as contas representativas dos mútuos entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas passaram a se sujeitar à correção monetária do balanço. Porém, como sua inclusão entre as contas sujeitas à correção monetária deuse através de decreto, e não de lei, a jurisprudência deste Conselho firmouse no sentido de sua invalidade. GLOSA DE DESPESAS RELATIVAS A NOTAS FISCAIS EM NOME DE CLIENTES. Não comprovado, pelo contribuinte, que as notas fiscais emitidas em nome de clientes integraram as receitas tributadas, não há como admitir sua dedução como custo, sendo de se manter a respectiva glosa. DEDUÇÃO DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei 9.316/96, o valor da contribuição, lançado de ofício, deve ser considerado como despesa dedutível na determinação do imposto de renda apurado no mesmo procedimento. FALTA DE ENQUADRAMENTO LEGAL. VALORES ARROLADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO PARA EFEITO DE CÁLCULO. A falta de enquadramento legal expressamente declarada no auto de infração não o invalida, uma vez esclarecido que os valores arrolados não correspondem a infração, tendo sido considerados somente para efeito de cálculo, tratandose de artifício empregado para utilização do programa de lavratura eletrônica de auto de infração, sem importar em resultados diferentes aos que se obteria sem a utilização do programa. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. Comprovado que ao apurar os valores a tributar o autuante realizou a compensação dos prejuízos fiscais, inclusive dos referentes ao período autuado, não fica caracterizado o vício de cálculo alegado. LANÇAMENTO REFLEXO CSLL. O decidido em relação ao IRPJ aplicase ao lançamento da CSLL, naquilo que influenciou sua base de cálculo e se não houver razões específicas para tratamento diferente.Aplicase ao lançamento reativo BASE DE CÁLCULO NEGATIVA TRAZIDA DO ANOBASE 1991. Somente pode ser compensada a base de cálculo negativa da CSLL quando apurada a partir de janeiro de 1992. DEDUÇÃO DA CSLL DE SUA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO Demonstrado ter sido considerada na ação fiscal, a dedução da CSLL de sua própria base de cálculo, descaracterizado o vício alegado. OMISSÃO DE RECEITA. CORREÇÃO MONETÁRIA. A falta de contabilização de receita de correção monetária pode ser compensada, de oficio, com bases de cálculo negativas de períodos anteriores,.não podendo ser considerada omissão de receita, nos termos da legislação que veda a compensação de valores omitidos, apurados em procedimento de ofício, com prejuízos acumulados ou do período. RETROATIVIDADE DE LEI. MULTA DE OFÍCIO. Excluise, de ofício, a exigência da multa superior ao percentual de 75%, por haver, a lei posterior ao fato gerador, cominado penalidade menos severa. Recurso de ofício e recurso voluntário providos em parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual requer a reforma do acórdão no tocante à correção monetária das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladas e controladoras, conforme Decreto nº 332/91 (que regulamentou a Lei nº 7.799/89). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 11 4 O despacho de fls. 811/812 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista ter sido interposto contra decisão não unânime proferida antes do atual Regimento Interno do CARF. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 824/829. Ato contínuo, o contribuinte também interpôs Recurso Especial (fls. 856/866), requerendo a reforma do acórdão recorrido quanto à correção monetária sobre os créditos de IRRF. O despacho de fls. 928/930 entendeu por negar seguimento, uma vez que não constatou divergência jurisprudencial. Cientificado do referido despacho, o contribuinte manifestouse pela adesão aos benefícios da Lei nº 11.941/2009, efetuando pagamento a vista considerando saldo atualizado dos depósitos efetuados (petição de fls. 952/953 e informação de fls. 965). As informações de fls. 965 esclarecem, ainda, que: Como o Recurso Especial da Fazenda Nacional ainda não foi julgado, o procedimento normal seria apartar o processo: a parte paga ficaria aguardando as providências para reconhecimento dos benefícios da Lei e então seria encerrada enquanto que a parcela objeto de Recurso Especial seria encaminhada ao CARF para julgamento. Mas neste caso este procedimento seria extremamente complicado porque a parcela em discussão (item 1.2 da autuação) faz parte da base de cálculo e, como se pode ver pelo demonstrativo de fl. 937, o cálculo é bem complexo para chegar ao valor devido. Dessa forma, o processo não será apartado e será encaminhado ao CARF para julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Após seu retorno e de acordo com o acórdão proferido, deverão ser tomadas as providências para a concessão dos benefícios da Lei 11.941/2009, considerando os pagamentos e os depósitos efetuados. Os autos foram então distribuídos a esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O presente julgamento tem por objeto o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de acórdão não unânime, proferido na vigência do antigo Regimento Interno do CARF, razão pela qual dele conheço. Ao Recurso Especial do contribuinte foi negado seguimento, tendo este posteriormente aderido ao parcelamento. Quanto à adesão ao parcelamento, a petição de fls. 952 noticia que: “A Requerente foi intimada, em 14/07/09, do despacho proferido pelo Presidente da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do qual foi negado Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 12 5 seguimento ao recurso especial da empresa. Junto com a intimação, veio a determinação para recolhimento do débito correspondente. 3. Conforme amplamente divulgado e também apontado pela referida intimação, a Lei n° 11.941/2009 instituiu condições especiais para parcelamentos de débitos no âmbito federal, alcançando a dívida cobrada por meio deste processo administrativo. 4. Desta forma, a Requerente adianta que pretende aderir ao Programa, confirmando, portanto, que tomará as medidas cabíveis para informar os débitos que serão parcelados, os descontos cabíveis, etc. Ou seja, sobre a parte que o Recorrente não se sagrou vencedor, o mesmo desistiu de prosseguir na discussão. No tocante ao Recurso Especial da Fazenda, a discussão se limita à necessidade de correção monetária das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas. As demais questões não foram objeto de Recurso Especial. Assim, delimitando a lide, a controvérsia se cingese à necessidade de correção monetária das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas. Segundo a Recorrente, a Lei nº 7.799/89 determinou a correção monetária de uma série de contas. O Decreto nº 332/91, ao regulamentar a referida lei determinou que as contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladas e controladoras deveriam sofrer correção monetária. Para a Recorrente, o mencionado decreto não ampliou ou inovou no ordenamento jurídico, tampouco ofendeu os limites da Lei nº 7.799/89. Aduz que a mencionada lei teria permitido ao Executivo incluir outras contas no rol de contas sujeitas à correção monetária previsto na Lei nº 7.799/89. A recorrente menciona nesse sentido o acórdão 10320.052. Dispõem as referidas normas: Lei nº 7.799/89: Art. 4° Os efeitos da modificação do poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do períodobase serão computados na determinação do lucro real mediante os seguintes procedimentos: (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) I correção monetária, na ocasião da elaboração do balanço patrimonial: (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) a) das contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou exaustão, e das provisões para atender a perdas prováveis na realização do valor de investimentos; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) b) das contas representativas do custo dos imóveis não classificados no ativo permanente; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 13 6 c) das contas representativas das aplicações em ouro; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) d) das contas representativas de adiantamentos a fornecedores de bens sujeitos à correção monetária, salvo se o contrato previr a indexação do crédito; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) e) das contas integrantes do patrimônio líquido; (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) f) de outras contas que venham a ser determinadas pelo Poder Executivo, considerada a natureza dos bens ou valores que representem; Decreto 332/91: Art. 4º Os efeitos de modificação do poder de compra da moeda nacional sobre o valor dos elementos do patrimônio e os resultados do períodobase serão computados na determinação do lucro real mediante os seguintes procedimentos: I correção monetária, na ocasião da elaboração do balanço patrimonial: (...) e) das contas representativas de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas ou associadas por qualquer forma, bem como dos créditos da empresa com seus sócios ou acionistas; O acórdão recorrido, a despeito de admitir a inclusão das contas representativas de mútuos entre pessoas coligadas/interligadas no rol de contas sujeitas à correção monetária, entendeu que tal inclusão não poderia ter sido feita por decreto, reconhecendo sua invalidade. Cita nesse sentido o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 794). A discussão se refere à período em que vigia a correção monetária de balanço, o que foi revogado pela Lei n 9.249/95. Naquela época, por ocasião da análise da determinação do artigo 4º da Lei 7.799/88 e do Decreto 332/91, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes era ampla no sentido de afastar a necessidade de correção monetária de contas representativas de mútuo entre pessoas coligadas. Referidos acórdãos mencionam inclusive jurisprudência judicial, verbis: Acórdão CSRF/0104.580, sessão de 10.06.2003 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência judicial no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", a exigência de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 14 7 correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Acórdão CSRF/0104.550, sessão em 09.06.2003 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91. Em face da reiterada jurisprudência judicial no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda, segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Acórdão CSRF/0104.644, sessão de 12.08.2003 IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO MÚTUO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS DECRETO Nº 332/91 Em fade da reiterada jurisprudência judicial no sentido de que só por lei pode ser alterada a base de cálculo dos tributos e ainda segundo decisão do Pleno do STF, Relator Ministro Moreira Alves, no sentido de que, em razão de os tributos estarem "sujeitos ao princípio da legalidade, garantia essa que não pode ser ladeada mediante delegação legislativa", a exigência de correção monetária nos negócios de mútuo contratados entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, ou associadas por qualquer forma, só teria fundamento se estabelecida em lei. Recurso especial a que se nega provimento. Fato é que tal discussão cingese a um período em que vigorou a possibilidade e o dever de corrigir monetariamente as contas do balanço patrimonial e que em nada impactam doravante nos procedimentos do contribuinte e da fiscalização. Se assim é, entendo que até pelo princípio da segurança jurídica e da isonomia, devo reportarme à posição tão sedimentada na Câmara Superior de Recursos Fiscais e cuja alteração de posicionamento nesse momento afetaria tão somente aqueles poucos casos ainda não analisados e não se prestaria a dirimir dúvida jurisprudencial sobre situações ou matérias que pudessem implicar em efeitos futuros. De todo o exposto, nos termos das reiteradas manifestações da Câmara Superior de Recursos Fiscais, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso da d. Procuradoria. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de julho de 2013. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13808.000759/9637 Acórdão n.º 9101001.682 CSRFT1 Fl. 15 8 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001542/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRRF. 13º SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual.
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PRÉ-QUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não levadas a debate em primeira instância constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRRF. 13º SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PRÉ-QUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não levadas a debate em primeira instância constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento. Recurso Voluntário Negado.
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TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, descabendo, pois, a compensação do imposto sobre ele retido com aquele calculado no Ajuste Anual. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PRÉQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não levadas a debate em primeira instância constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 15 42 /2 00 9- 61 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10950.001542/200961 Acórdão n.º 2801003.420 S2TE01 Fl. 107 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento lavrada para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor original de: (...) Conforme a Descrição dos Fatos de fl. 05 (verso), o lançamento é decorrente de deferimento parcial de SRL (Solicitação de Retificação de Lançamento). Após análise dos documentos apresentados, constatouse compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. O valor foi alterado para R$ 17.915,14 em razão da glosa de R$ 3.888,48 referente à parcela de rendimento sujeito a tributação exclusiva na fonte (13° salário), que não pode ser compensado na declaração de ajuste anual. Intimado, o contribuinte apresentou impugnação alegando que: “1 PRELIMINAR Solicito que seja revisto e cancelado o valor glosado, uma vez que, baseado em documentos comprobatórios, anexos à presente impugnação, comprovase o valor por mim declarado, como valor realmente retido e recolhido a Receita Federal por meio de DARF autenticado eletronicamente. Alega o auditor que o valor glosado referese parcela de 13° salário sujeita à tributação exclusiva na fonte, porém o referido valor foi deduzido do valor que eu deveria receber e foi repassado à Receita Federal, conforme DARF anexo, portanto novo recolhimento acarretaria em dupla tributação; 2 MÉRITO (inciso II e IV do art. 16 do dec. 70.235/72) Estou anexando à presente petição, os documentos comprobatórios : DARF recolhido pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 22.616,06, devidamente autenticado e o documento de comprovante de rendimentos pagos e de retenção do Imposto de Renda na base; ano calendário 2005, também fornecido pelo Banco do Brasil, onde comprovam o valor por mim declarado (R$ 22.616,06); Por fim, pede o acolhimento de sua impugnação e o cancelamento do débito. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10950.001542/200961 Acórdão n.º 2801003.420 S2TE01 Fl. 108 3 A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 91/93, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. O imposto de renda retido na fonte relativo ao décimo terceiro salário não pode ser compensado com o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, pois tratase de rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 24/01/2012 (fl. 97), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 98/100, em 15/02/2012. Em sua defesa, aduz que o valor do IRRF de R$ 17.915,14 incidiu sobre juros moratórios, férias indenizadas e reflexos de horas extras sobre férias indenizadas, acréscimos estes sobre os quais é indevido o imposto de renda, conforme entendimento do Colendo STJ. Também alega que o valor glosado não poderia ter sido deduzido do valor líquido a que tinha direito de receber à época da liquidação da ação trabalhista, pois, se o referido valor glosado (R$ 3.888,48) foi deduzido do montante que faria jus, o valor está sendo bitributado na medida que estão lhe querendo imputálo novamente. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida de o presente lançamento de glosa de imposto de renda, que foi mantida acertadamente pela decisão recorrida, uma vez que restou comprovado nos autos que se refere à parcela do 13° salário que não se sujeita ao ajuste anual. Ademais, conforme esclarecido pela decisão de primeira instância, não se verifica, no caso, a alegada dupla tributação, pois, o Contribuinte teve descontado IRRF sobre seus rendimentos em razão de ter recebido valores a título de terceiro salário que são rendimentos de tributação exclusiva. Assim, o que ocorreu no lançamento foi apenas a Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10950.001542/200961 Acórdão n.º 2801003.420 S2TE01 Fl. 109 4 correção dos valores compensáveis de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, tudo nos termos da Lei. Melhor sorte não socorre o Recorrente no que se refere ao argumento de que o valor do IRRF de R$ 17.915,14 incidiu sobre juros moratórios, férias indenizadas e reflexos de horas extras sobre férias indenizadas, acréscimos estes sobre os quais é indevido o imposto de renda, conforme entendimento do Colendo STJ, haja vista que a fiscalização considerou corretos os rendimentos tributáveis declarados. Isto é, as parcelas excluídas da tributação pelo Contribuinte não foram objeto do presente lançamento, tratandose, portanto, de matéria estranha ao presente litígio. Além disso, tratase de matéria preclusa da qual não se toma conhecimento, por não ter sido levada a debate em primeira instância. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13411.720018/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 72 00 18 /2 00 8- 05 Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado). Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, EDILBERTO DE CARVALHO COELHO, foi lavrado o auto de infração de fls. 4 a 17, no qual é cobrado o imposto de renda pessoa física (IRPF) relativamente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, no valor total de R$ 2.746.115,61, acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 30/04/2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 7.767.979,10. A ação fiscal foi precedida de investigações realizadas pelo Departamento da Polícia Federal, Ministério da Justiça por determinação judicial, conforme documentos de fls. 21 a 156. – Por meio do Ofício de fls. 19 a 20 o Exmo. Juiz da 1ª Vara da Justiça Federal no Piauí determina a realização de ação fiscal relativa ao sujeito passivo e, às fls. 742 a 747 autoriza a transferência de seu sigilo bancário. Constam do processo, entre outros, os seguintes documentos relativos à citada investigação: (i) Laudos de Exame Econômico Financeiro nº 53/2006 (fls. 28 a 36), nº 111/2006 (fls. 37 a 45), 130/2007 (fls. 49 a 54) decorrentes da análise da movimentação financeira do contribuinte, nos anos de 2003 a 2006; (ii) depoimento prestado pelo investigado junto ao Departamento da Polícia Federal (fls. 46 a 48), em que informa ser servidor público estadual e que “além de seu salário da fazenda, aufere renda em razão da troca de cheques que realiza no Município de Araripina/PE, cobrando comissão de dois a dois e meio por centro de cada cheque trocado” (fls. 46), utilizando para esse fim a conta corrente do Banco do Brasil nº 16.5816, agência 0600Araripina; (iii) Ofício da Delegacia da Receita Federal informando à autoridade judicial sobre o início da ação fiscal, como determinada (fls. 157). Foi expedido o termo de início de fiscalização de fls. 161 a 163, pelo qual foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, em relação aos anos calendário de 2003 a 2006, comprovação dos rendimentos auferidos bem como os extratos bancários de todas as contas mantidas em instituições financeiras. Em atendimento foram fornecidos por cópia os seguintes elementos: (i) documento de identidade (fls. 166); (ii) recibos de entrega e, parcialmente, declarações de ajuste anual dos anos calendário de 2003 a 2006 (fls. 167 a 177); (iii) DARF relativo a quota de IRPF do exercício 2007, no valor de R$ 355,71 (fls. 179); (iv) comprovantes de despesas com instrução(fls. 178 a 182); Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 (v) extratos bancários da conta corrente nº 16.5816 da agência 0600 do Banco do Brasil dos anos calendário de 2003 a 2006 (fls. 183 a 667). A fiscalização, então, de posse da documentação coletada, procedeu à elaboração de planilhas contendo os depósitos bancários de valor superior a R$ 3.000,00 efetuados na conta corrente acima citada (fls. 678 a 696) e as encaminhou ao contribuinte, mediante termo de intimação de fls. 674, solicitando que comprovasse a origem dos recursos depositados. – Foram apurados os seguintes valores anualmente, conforme consolidação de fls. 705: (i) ano calendário de 2003: R$ 2.634.174,16; (ii) ano calendário de 2004: R$ 2.505.194,43; (iii) ano calendário de 2005: R$ 1.926.751,33; e (iv) ano calendário de 2006: R$ 2.943.707,78. Em atendimento, o contribuinte apresentou a carta resposta de fls. 697 a698, argumentando haver atuado como gerente geral da filial de Araripina do Armazém Nordeste Ltda, recebendo comissões das vendas da referida empresa, conforme a seguir transcrito: “O contribuinte, por mais de 08 (oito)anos, exerceu a função e confiança, na qualidade de Gerente Geral, da filial de Araripina, do Armazém Nordeste Ltda, grupo este que tem sua Matriz na Cidade de PicosPI, perfazendo, nesse período, rodízios em várias cidades do Nordeste, como: SimõesPI, TauáCE, OuricuriPE, entre outras. Durante o pacto laboral, percebia uma remuneração sobre a totalidade das comissões das vendas das referidas loja.” (fls. 697). Nesta mesma carta resposta negou a aquisição da disponibilidade de renda pois os valores decorreriam de operações realizadas por terceiros, com utilização de sua conta corrente, como se lê abaixo: “Descabe, por conseguinte, cogitar se da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte, tendo em vista que as operações financeiras realizadas foram realizadas por terceiros, na conta corrente do contribuinte, entretanto, sobre o montante dessas operações ora investigadas, houve a incidência do imposto devido: a CPMF !!.” (fls. 698). Esclareceu que, nesse período, esteve licenciado do serviço público estadual e que não há relação entre os depósitos bancários e os gastos por ele realizados, visto que a movimentação financeira não caracterizou disponibilidade de renda e de proventos. Em relação aos valores contidos nas planilhas, solicitou fossem excluídos valores relacionados a cheques devolvidos e estornados. Constam ainda do processo as declarações de ajuste anual do contribuinte (DIRPF) dos anos calendário de 2003 a 2006, exercícios 2004 a 2007 (fls. 706 a 721) , e as declarações de imposto de renda retido na fonte (DIRF) dos anos calendário de 2003 a 2006 (fls. 722 a 726). Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 4 5 A autoridade lançadora procedeu, então, à lavratura do auto de infração, em virtude de ter sido constatada a seguinte infração, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 6 a 11: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (omissão no valor de R$ 2.634.174,16 no ano calendário de 2003; omissão no valor de R$ 2.505.194,43, no ano calendário de 2004; omissão no valor de R$ 1.926.751,33, no ano calendário de 2005; e omissão no valor de R$ 2.943.707,78, ano calendário de 2006). Foi aplicada multa qualificada no percentual de 150% sobre a infração. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, protocolada em processo nº 13411.720020/200876, cancelado em razão do prévio conhecimento do ação fiscal pela autoridade judicial (fls. 828 a 831). Cientificado da exigência o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 749 a 756, juntamente com cópia do auto de infração (fls. 757 a 772), dos termos de intimação recebidos no curso da ação fiscal (fls. 773 a 774), da carta resposta anteriormente apresentada (fls. 775 a 776) e de transcrição de jurisprudência relativa a terceiros (fls. 777 a 780), alegando em síntese: – que o auto de infração é nulo, inclusive no que tange à exorbitante multa aplicada; – que a renda bruta, base de cálculo utilizada no lançamento, está em desacordo com o conceito de renda previsto no inciso III do art. 153 da Constituição Federal (CF/1988) e no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN); – que o Tribunal Federal de Recursos (TRF) emitiu a Súmula nº 182, ainda em plena validade, declarando a ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base apenas em depósitos bancários; – que a exigência de imposto de renda sobre os depósitos bancários caracteriza bitributação, uma vez que parte dos valores já sofre a incidência de outros tributos; – que com o advento da Lei Complementar nº 105/2001, autorizando a quebra do sigilo bancário dos contribuintes, a permissão prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 para utilização da presunção juris tantum da omissão de receita, passou a exigir da fiscalização a real apuração dos fatos, por meio de investigação e auditoria; – que, conforme arts. 1º, 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, a administração tributária pode obter os extratos bancários por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) , mas não pode simplesmente lançar o tributo pelos saldos das contas bancárias, sem verificar outras circunstâncias, tais como os sinais exteriores de riqueza ou acréscimos patrimoniais; – que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 foi tacitamente revogado pela Lei Complementar nº 105/2001; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 – que com a edição do DecretoLei nº 2.471/1988 os créditos tributários constituídos com base exclusivamente em depósitos bancários foram cancelados, como previsto em seu art. 9, inciso VII. Cita doutrina e jurisprudência em apoio a suas alegações; – que a autoridade fiscal não levou em consideração as razões apresentadas durante o curso da ação fiscal conforme cartaresposta anexada ao processo; – que a multa aplicada no percentual de 150% é confiscatória, caracterizando afronta ao disposto no inciso IV do art. 150 da CF/1988. Que deveria ter sido aplicada a multa no percentual de 50% prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 pois, ainda que tivesse havido omissão de rendimentos como arbitrada pela fiscalização, a multa no percentual de 75% seria confiscatória; – que, ainda em relação à multa de 150%, não foi demonstrado o intuito de fraude; – “que os depósitos bancários anotados pela fiscalização referiram0se às atividades do defendente, como Gerente da filial de Araripina da empresa Armazém Nordeste Ltda, donde já se afastou, retornando ao cargo público, não tendo, em princípio, como provar documentalmente, por agora, a origem da movimentação bancária apontada” (fls. 756); – por fim, requer o acolhimento da impugnação e a decretação da nulidade do auto de infração e do crédito tributário lançado, protestando pela produção de todas as provas em direito admitidas. Tendo em vista a necessidade de dirimir dúvidas quanto à apuração dos valores considerados omitidos relativamente a estornos, cheques devolvidos e proventos, o processo foi baixado em diligência conforme Despacho nº 964 de fls. 785 a 793. . Realizada a diligência, foi elaborado o termo de encerramento de fls. 796 a 797, contendo planilhas com os valores dos créditos efetivamente depositados em conta corrente, conforme quadro abaixo: Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 5 7 A DRJ julga a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por se tratarem de infrações distintas, apuradas de formas distintas, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É cabível, por disposição literal da Lei nº 9.430/1996, a incidência da multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada, por meio de fatos e documentos constantes do processo, a ocorrência de uma das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 6 9 Em razão das parcelas eximidas terem ultrapassado o limite de R$ 1.000.000,00 (imposto e multas), deve o Acórdão ser levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grau de recurso de ofício. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos previstos na legislação tributária. NULIDADE. LANÇAMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ votou por julgar procedente em parte a impugnação, de acordo com a decisão, foram apuradas omissões de rendimentos no valor de R$ 2.634.174,16 no ano calendário de 2003, no valor de R$ 2.505.194,43 no ano calendário de 2004, no valor de R$ 1.926.751,33 no anocalendário de 2005 e no valor de R$ 2.943.707,78 ano calendário de 2006, decorrentes de depósitos bancários na conta corrente nº 16.5816 da agência 0600 do Banco do Brasil. Em razão de diligência realizada, objetivando a exclusão de cheques devolvidos, de estornos e de valores relativos a proventos, foram elaborados novos demonstrativos de depósitos bancários sujeitos à comprovação da origem conforme fls. 796 a 930, resultando na apuração de menores omissões de rendimentos anuais nos seguintes valores Desse modo foram afastadas importâncias relativas a omissão de rendimento nos anos calendários de 2003 a 2006. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Que os depósitos bancários não caracterizam rendimentos tributáveis. Inexistência de acréscimo patrimonial; Inversão do ônus da Prova não cabimento no Processo administrativo tributário; Do alcance e sentido dos art. 42 da Lei 9.430/96. É o relatório. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Está sob exame o recurso de ofício formulado pelo julgador recorrido, procedente em parte a impugnação, de acordo com a decisão, foram apuradas omissões de rendimentos no valor de R$ 2.634.174,16 no ano calendário de 2003, no valor de R$ 2.505.194,43 no ano calendário de 2004, no valor de R$ 1.926.751,33 no anocalendário de 2005 e no valor de R$ 2.943.707,78 ano calendário de 2006, decorrentes de depósitos bancários na conta corrente nº 16.5816 da agência 0600 do Banco do Brasil. Em razão de diligência realizada, objetivando a exclusão de cheques devolvidos, de estornos e de valores relativos a proventos, foram elaborados novos demonstrativos de depósitos bancários sujeitos à comprovação da origem conforme fls. 796 a 930, resultando na apuração de menores omissões de rendimentos anuais nos seguintes valores A autoridade julgadora acolheu o trabalho desenvolvido pela Fiscalização, representado pelo relato de fls. 403/407, em atenção à diligência propugnada pelo despacho de fls. 400/402. A informação fiscal de fls 403/407, representa o resultado do escorreito e esmerado o trabalho desenvolvido pela Fiscalização. Reconhecendo que parte do lançamento era indevido. Uma vez que não identifico qualquer vício no trabalho da fiscalização que revisou o montante de depósitos bancários, acompanho as razões de votar da autoridade de primeira instância. Com essas considerações, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. No que toca ao recurso voluntário, este reune os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da presunção baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). No que toca a nova diligência, não há necessidade da mesmo pois os elementos de prova poderiam ter sido apresentados na forma documental. Descabe diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Da Multa Qualificada No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13411.720018/200805 Acórdão n.º 2202002.552 S2C2T2 Fl. 8 13 Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindoa para a multa de ofício de 75%. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e no que toca ao recurso voluntario, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10120.912149/2009-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/2004
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender. Todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. À mingua de prova do direito alegado, deve-se de indeferir o direito pleiteado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/02/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender. Todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. À mingua de prova do direito alegado, devese de indeferir o direito pleiteado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 21 49 /2 00 9- 77 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 200 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior do PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito. Fundamentou que o pagamento informado como efetuado a maior encontravase integralmente utilizado na amortização de débito da contribuinte. A identificação do pagamento, bem como sua utilização na amortização de débito da contribuinte, foram informadas em demonstrativo que acompanha o Despacho Decisório. A contribuinte contestou a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não havia transmitido a DCTF retificadora, que aponta a existência do crédito oriundo do pagamento a maior. Informou que esta providência teria sido tomada em 27 de maio de 2009 e anexou as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega da DCTF retificadora. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 3801001.574, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/02/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 201 3 Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial do sujeito passivo foi por mim admitido. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão trazida a debate gira em torno da questão do ônus da prova do direito pleiteado, e tem como pano de fundo o princípio da verdade material, a preclusão para apresentação de prova, e, também, o alcance da retificação da DCTF, se suficiente para demonstrar o direito pleiteado. A recorrente defende que, em face do princípio da verdade material, a qualquer tempo pode trazer novas provas, e que a Fazenda Nacional não deve ficar adstrita às provas trazidas pelas partes, devendo fazer perícias e realizar diligências para descobrir a verdade dos fatos. Inicialmente, devese perquerir a quem incumbe o ônus da prova. A resposta a essa questão encontrase muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova,é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 202 4 Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo Civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Outro ponto que merece ser visitado é o do momento oportuno para a prática dos atos processuais pelas partes. Primeiramente, devese responder à questão processual, qual seja, a da aplicabilidade ou não, nas instâncias administrativas, das preclusões consumativa, e, também, da temporal. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 203 5 O processo é o meio pelo qual o indivíduo busca resolver determinado conflito de interesses. Existem situações que podem comprometer o andamento processual, como, por exemplo, a perda do prazo da apresentação de recurso, a não compatibilidade de um ato processual com outro já existente, ou até, a repetição de um ato já praticado. Para que esses tipos de irregularidades não ocorram, temse o instituto chamado preclusão. A doutrina, em sua grande maioria, baseada nas lições de Giuseppe Chiovenda, classifica a preclusão como sendo a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Segundo LUIZ GUILHERME MARINONI, “... a preclusão consiste – fazendose um paralelo com figuras do direito material, como a prescrição e a decadência – na perda de “direitos processuais”, que pode decorrer de várias causas. Assim como acontece com o direito material, também no processo a relação jurídica estabelecida entre os sujeitos processuais pode levar à extinção de direitos processuais, o que acontece, digase, tão freqüentemente quanto em relações jurídicas de direito material. A preclusão é o resultado dessa extinção, e é precisamente o elemento (aliado à ordem legal dos atos, estabelecida na lei) responsável pelo avanço da tramitação processual.” (MARINONI, Luiz Guilherme. Manual do Processo de Conhecimento, cit., p. 665.) Diversos são os artigos do Código de Processo Civil que tratam desse instituto, a exemplo dos arts. 1831 e 2452 A preclusão pode ser temporal, lógica e ou consumativa, e, ainda a pro judicato. Diante dessas considerações, podemos conceituar a preclusão como sendo a extinção do direito processual em virtude do decurso do prazo (preclusão temporal); da prática incompatível com aquele que é facultado pela lei (preclusão lógica); e da própria prática do ato facultado pela lei (preclusão consumativa). Considerase, assim, que a natureza jurídica da preclusão seja um mero efeito jurídico. A preclusão temporal é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de haver exaurido o prazo fixado na lei. Como exemplo, podese citar a não apresentação da impugnação de lançamento no prazo de 30 dias a contar da ciência do lançamento tributário. Assim, a peça impugnatória não poderá ser apresentada no trigésimo primeiro dia, visto que já ocorreu a preclusão. O já citado art. 183 do Código de Processo Civil menciona justamente tal conseqüência, evitando que a parte pratique um ato processual após aquele prazo fixado na lei. Isso seria uma forma de evitar a demora do processo, respeitando, assim, o Princípio da Celeridade Processual. A preclusão lógica é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude da não compatibilidade de um ato com outro já realizado. Por exemplo: o sujeito passivo, ao ser notificado do lançamento fiscal, faz a confissão da dívida e entra com pedido de parcelamento do débito, logicamente, concordou com o lançamento fiscal. Em seguida, impugna esse lançamento. Ora, se concordou com a dívida e entrou com o pedido de parcelamento do débito, com que finalidade impugna a exigência fiscal? Como o próprio nome já diz, a lógica seria a não impugnação. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 204 6 Já a preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em razão de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Por exemplo: o autuado apresentou a impugnação de lançamento no vigésimo nono dia. No dia seguinte, viu que se esquecera de mencionar um fato e tenta apresentar aditar a impugnação. Tal aditamento não poderá ser praticado em virtude da já apresentada impugnação anterior. Uma vez praticado o ato processual, não poderá ser mais uma vez oferecido, haja vista a existência do instituto da preclusão consumativa. Esta preclusão decorre do princípio da eventualidade, positivado no art. 3003 do CPC. Por esse princípio, o momento processual oportuno para apresentação de TODA matéria de defesa, circunscrevese ao prazo de apresentação, no processo administrativo fiscal, da impugnação de lançamento. O Princípio da Eventualidade deve ser observado pelo autuado, quando da apresentação de sua impugnação, pois, caso não alegue TODA matéria de defesa em tal ocasião, ocorrerá a denominada preclusão consumativa, ou seja, não lhe será lícito, após o prazo de apresentação de contestação, alegar matéria que deveria ter alegado na impugnação45. Anotese, por oportuno, que o princípio da eventualidade deve ser interpretado com o princípio da impugnação específica, enunciado no art. 302 do CPC. Por tal princípio, caberá ao acusado impugnar todos os fatos, um a um, aduzidos pelo Autor. Sobre aquele não impugnado incidirão os efeitos da revelia, e, por conseguinte, o ônus processual respectivo. Convém consignar o escólio dos ilustres juristas 6Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, ao tecer considerações acerca do instituto da preclusão consumativa, ao comentarem o artigo 183 do Código de Processo Civil. Vejamos: 4. Preclusão consumativa. Dizse consumativa a preclusão, quando a perda da faculdade de praticar o ato processual decorre do fato de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, isto é, de o ato já haver sido praticado e, portanto, não pode tornar a sêlo. Exemplos: a) se a parte apelou no 3º dia do prazo, já exerceu a faculdade, de sorte que não poderá mais recorrer ou completar seu recurso, mesmo que ainda não se tenha esgotado o prazo de 15 dias; b) se o réu contestou no 10º dia de prazo, não pode reconvir, ainda que dentro do prazo da resposta, porque a reconvenção deve ser ajuizada simultaneamente com a contestação (CPC 299): apresentada esta, a oportunidade para ajuizar reconvenção já terá ocorrido; c) se a parte recorreu no 10º dia do prazo, já exerceu a faculdade de modo que não poderá efetuar posteriormente o preparo, pois a lei exige que este seja feito juntamente com a interposição do recurso (CPC 511). Normalmente a preclusão consumativa ocorre quando se trata de ato complexo, isto é, de mais de um ato processual que devam ser praticados simultaneamente, na mesma oportunidade. De todo o exposto, podese concluir que a preclusão pode ser conceituada como a perda da faculdade de praticar determinado ato processual. Assim, um dos efeitos desse instituto será justamente a extinção do direito de praticar o ato processual, funcionando como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, que é o provimento jurisdicional. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 205 7 A grande importância, pois, da preclusão no ordenamento jurídico brasileiro, é evitar que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Após essa breve explanação sobre o instituto da preclusão e dos princípios da eventualidade e da impugnação específica, voltemos aos autos. Como relatado pela decisão recorrida, foi identificado pelos sistemas de processamento de dados da RFB que o crédito que o sujeito passivo pretendia compensar nestes autos havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DCOMP, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação objeto da atual lide. Em razão dessa constatação, foi emitido despacho decisório no sentido de não homologar a compensação aqui em debate. Após ser cientificado da denegação de seu pleito compensatório é que o sujeito passivo apresentou DCTF retificadora, pertinente ao crédito do suposto pagamento a maior. A meu sentir, o momento próprio para o sujeito passivo demonstrar o crédito passível de repetição era o do ato de protocolização do pedido, pois, ao autor cabe demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, não o fazendo no momento apropriado, preclui do direito de o fazer. Poderseia até admitir que o fizesse posteriormente ao protocolo do pedido, mas não após a decisão. Repare que a fase instrutória, onde devem ser produzidas as provas, em todos os ramos processuais, tanto administrativo quanto judicial, dáse antes da decisão ou da sentença. isso porque, como dito linhas acima, as partes têm o momento certo para praticar seus atos processuais sobre pena de preclusão, que funciona como força motriz que impulsiona o processo ao seu destino final, evitando que os atos processuais sejam feitos fora dos prazos previstos na lei; que sejam incompatíveis com outros atos já existentes; e que sejam repetidos de forma indevida. Ora, no caso sob exame, incorreuse em duas preclusões: a consumativa, pois ao apresentar o pedido, a recorrente exauriu sua participação nesta fase processual. Por conseguinte não poderia mais revisitála, ainda que para carrear provas aos autos; e a temporal, haja vista que a retificadora da DCTF que poderia representar indício do direito pleiteado, só foi apresentada após a fase instrutória. Sobre o tema o Superior Tribunal de Justiça, tratando de matéria processual análoga, posicionouse da seguinte forma: “Preclusão Consumativa. Complementação do recurso. Ao interpor recurso, a parte pratica ato processual, pelo qual consuma o seu direito de recorrer e antecipa o dias ad quem do prazo recursal (caso o recurso não tenha sido interposto no último dia do prazo). Por conseqüência, não pode, posteriormente, ‘complementar’ o recurso, ‘aditálo’, ou ‘corrigilo’, pois já se operou a preclusão consumativa (STJRT 745/197).” (Destaques no original).7 Repisese que as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituise em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazer posteriormente, pois nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 206 8 Por derradeiro, mas não menos importante, devese perquirir sobre os efeitos da declaração retificadora da DCTF, apresentada a destempo pelo sujeito passivo. A retificadora, regra geral, tem o efeito de substituir a declaração original, quando apresentada ao tempo de produzir os efeitos que dela se espera. Todavia, como todo e qualquer declaração, precisa ser calçada em provas que lhe confira legitimidade e verossimilhança. O que não é o caso dos autos, pois além haver sido apresentada após o despacho decisório haver apontado a ausência de crédito a compensar, pois o suposto indébito havia sido alocado para extinguir outro débito declarado pelo sujeito passivo, a retificadora não veio arrimada em documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito. Assim, como bem se consignou no acórdão recorrido, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Registrese, por oportuno, que a recorrente teve oportunidade de comprovar o seu direito creditório, mas não o fez, limitandose a apresentar demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 207 9 Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: ‘Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.’ (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.912149/200977 Acórdão n.º 9303002.555 CSRFT3 Fl. 208 10 A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado”. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10865.908895/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-001.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 95 /2 00 9- 52 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.150, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908895/200952 Acórdão n.º 3802001.837 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 10865.908895/200952 Acórdão n.º 3802001.837 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Eg. CARF. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 6 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS
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Numero do processo: 10980.725697/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 09/10/2011
BEBIDAS ALCOÓLICAS. TRANSPORTE SEM SELO DE CONTROLE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO, MULTA DE OFÍCIO E MULTA REGULAMENTAR.
Cobra-se o imposto e a multa de ofício, por responsabilidade tributária do adquirente, calculados conforme as classes de valores específicas, se as bebidas alcoólicas transportadas não apresentarem selo de controle; ademais, incide a multa regulamentar correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor comercial dos produtos não selados, sujeitos inclusive à pena de perdimento.
MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. DOLO.
É imposta a multa de ofício exacerbada (150%) se for observada circunstância qualificativa como a sonegação, indicadora de dolo na conduta do sujeito passivo da obrigação tributária.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO. SÚMULA Nº 04 DO CARF.
A aplicação da taxa SELIC deriva de lei. Além disso, segundo a Súmula n° 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CONFISCO. SUMULA Nº 02 DO CARF.
A multa de ofício agravada tem previsão legal e destina-se a punir o do dolo na conduta do sujeito passivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar de decadência acolhida quanto aos responsáveis solidários.
Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.008
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 09/10/2011 BEBIDAS ALCOÓLICAS. TRANSPORTE SEM SELO DE CONTROLE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO, MULTA DE OFÍCIO E MULTA REGULAMENTAR. Cobrase o imposto e a multa de ofício, por responsabilidade tributária do adquirente, calculados conforme as classes de valores específicas, se as bebidas alcoólicas transportadas não apresentarem selo de controle; ademais, incide a multa regulamentar correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor comercial dos produtos não selados, sujeitos inclusive à pena de perdimento. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. DOLO. É imposta a multa de ofício exacerbada (150%) se for observada circunstância qualificativa como a sonegação, indicadora de dolo na conduta do sujeito passivo da obrigação tributária. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. SÚMULA Nº 04 DO CARF. A aplicação da taxa SELIC deriva de lei. Além disso, segundo a Súmula n° 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CONFISCO. SUMULA Nº 02 DO CARF. A multa de ofício agravada tem previsão legal e destinase a punir o do dolo na conduta do sujeito passivo. O CARF não é competente para se pronunciar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 56 97 /2 01 1- 53 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 120 2 sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar de decadência acolhida quanto aos responsáveis solidários. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, verbis: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2010), aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, consoante capitulação legal consignada às fls. 28 e 30, foi lavrado o auto de infração de fls. 25 e 26, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Mario Andrey Bertelli, em 24/10/2011, para exigir R$ 50.943,60 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 76.415,40 de multa de ofício, e R$ 9.090,24 de multa regulamentar, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 136.449,24. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 121 3 Consoante a exposição dos fatos, de fls. 27/30, o exator dá conta de que, em fiscalização de rotina realizada pela Polícia Rodoviária Federal em 09/10/2011, conforme Boletim de Ocorrência anexo (fls. 03/07), foi verificada a existência de bebidas alcoólicas, sujeitas à aplicação de selos de controle, transportadas sem a aplicação dos selos de controle correspondentes, conforme o termo de constatação fiscal lavrado em 14/10/2011, de fls. 08 e 09, e o “formulário para contagem de mercadorias apreendidas” lavrado em 19/10/2011 na presença de representante da empresa, de fl. 10. As mercadorias foram sujeitas à pena de perdimento, conforme o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (fls. 11/14) cujo processo tem protocolo nº 10980.725542/201117. O transporte de produtos com irregularidades no tocante aos selos de controle resulta no lançamento de ofício do IPI pelo qual o transportador figura como responsável (RIPI/2010, art. 327, § 3º), além da cobrança dos consectários legais, incluída a multa de ofício de 150% já que foi caracterizado o dolo do sujeito passivo na sonegação de imposto. O imposto devido foi calculado conforme a quantidade das bebidas inventariadas e a classe de valor aplicável, consoante o demonstrativo de fl. 21. Foi também imposta a multa regulamentar igual ao valor comercial das mercadorias, não inferior a R$ 1.000,00 (RIPI/2002, 499, I, correspondente ao RIPI/2010, art. 585, I), cuja apuração consta do demonstrativo de fl. 24. O sujeito passivo tomou ciência da peça acusativa em 24/10/2011 por intermédio do respectivo procurador munido do instrumento de representação de fl. 19. Em 23/11/2011, inconformada, a empresa apresentou a impugnação de fls. 41/67, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica com procuração de fls. 68/69, em que aduz, em suma, que: a) o auto de infração não comprova a forma como foram avaliados os preços unitários de cada mercadoria apreendida, no caso, unidades de garrafas de bebidas diversas; não há menção se os valores foram extraídos de notas fiscais que acompanhavam as mercadorias; b) a apreensão de bebidas alcoólicas fora feita pela Polícia Rodoviária Federal e somente treze dias depois a ação fiscal foi deflagrada; enfim, uma situação inusitada: mercadorias apreendidas por outra autoridade em data anterior, 09/10/2011, e em local diverso, não especificado, daquele do início da ação fiscal e da lavratura do auto de infração; ou seja, em tais condições, as mercadorias, quando apreendidas pela autoridade fiscal, já não se encontravam da mesma forma, haja vista o manuseio de diversas mãos no trajeto; no auto de apreensão e guarda fiscal não há anotações ou assinaturas no campo correspondente a “Guarda Fiscal” quanto ao nome do órgão ou à pessoa responsável; c) há situações que demonstram a irregularidade da ação fiscal: as mercadorias apreendidas em 09/10/2011 foram encaminhadas pela Polícia Federal ao depósito de mercadorias apreendidas da Receita Federal, onde foi constatada a ausência de selos de controle em parte das bebidas, tendo sido contadas e relacionadas as mercadorias em “formulário de contagem de Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 122 4 mercadorias apreendidas”; não consta a data do encaminhamento das mercadorias ao depósito e nem documento acerca disso; apenas parte das bebidas estava sem selo de controle, sendo este, sempre colocado na tampa, de fácil retirada e é totalmente ilógico que uma empresa do porte da impugnante remeta mercadorias parcialmente sem selos de controle; no “termo de apreensão e guarda fiscal” não há a assinatura no campo “Responsável pelo Depósito”; neste documento não consta se estão relacionadas todas mercadorias transportadas ou somente aquelas sem selo de controle; há a dúvida de onde estejam relacionadas e guardadas as demais mercadorias; d) quanto aos valores utilizados para a apuração da multa regulamentar: há excesso de valor, pois se trata do total das mercadorias apreendidas, sendo que apenas parte estava sem selo de controle; se as mercadorias relacionadas no “termo de apreensão e guarda fiscal” são apenas aquelas desprovidas de selo de controle, é ignorada a quantidade e o destino das demais mercadorias apreendidas; e) além do prejuízo material sofrido pela empresa, há a dificuldade desta em fazer sua defesa cabal, já que no “termo de apreensão e guarda fiscal” não há a demonstração da forma e das condições da definição dos valores unitários das bebidas, ou seja, houve uma contagem irregular; f) há a previsão de multa de 50% do valor comercial do produto no caso de transporte deste sem selo de controle, conforme o Decretolei nº 1.593, de 21/12/1977, art. 33, V, e a modificação trazida pela Lei nº 10.637/2002, art. 52, V; g) o “auto de infração e apreensão”, que deu origem à autuação impugnada, é caracterizado por informações imprecisas que culminam em sua nulidade; a descrição das bebidas no “termo de apreensão e guarda fiscal” não permite saber se as bebidas apreendidas estariam ou não enquadradas no benefício previsto no Decretolei nº 1.435, de 16/12/1975, art. 6º, que trata de isenção de multa (sic) para diversos produtos constantes da TIPI, em confronto com o disposto no Decretolei nº 1.593/1977, art. 34, que exclui produtos do benefício; h) o fato de uma parte das bebidas ser transportada sem selo de controle não denota necessariamente o dolo, a intenção da empresa de burlar o fisco, mas sim um ato isolado marcado pelo descuido de funcionários do setor de expedição, “ora, seria um contrasenso admitirse imputação de sanção, majoração e agravamento de multa em face de mercadorias supostamente transportadas sem o respectivo selo de controle, sem antes tais mercadorias ser submetidas ao crivo de uma perícia para se apurar, por exemplo, se os selos encontrados se tratam realmente de selos reutilizados”; a imposição de multa em condições absurdas viola os princípios da proporcionalidade e da vedação do confisco, conforme doutrina trazida a colação; “assim sendo, é nulo o auto de infração que ora se hostiliza, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura contra a impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatória”; i) a autuação, eivada de erros, nega vigência ao art. 142 do CTN, conforme doutrina aduzida, e no caso deve ser aplicado o art. 112 do mesmo estatuto, que prevê a interpretação mais favorável ao acusado se houver dúvida nas circunstâncias que o dispositivo enumera; j) “por outro lado, destacase no caso em comento, que a apreensão das mercadorias com o fito de se obrigar coercitivamente a empresa autuada a efetuar o pagamento do tributo não se apresenta em consonância com a Súmula 323 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 123 5 do Supremo Tribunal Federal, que dispõe que "é inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos"”, conforme julgado do TJ do Distrito Federal; k) não há na conduta apenada de forma exasperada da impugnante o caráter da habitualidade quanto ao transporte de bebidas sem selo de controle, nos termos de transcrição doutrinária; l) acrescenta: “É que a implantação de infração em circunstância não esclarecidas, como aqui retratada, posto que a suposta falta de selo de controle em parte de mercadorias no mínimo ofende o senso comum de realidade, sobre qual distribuição ninguém reclama, e que sustentou o pensador e filósofo “DESCARTES” em sua famosa obra ''DISCURSO DO MÉTODO" de que todos julgam possuílo até excessivamente ! Ocorre que o senso jurídico diverge muitas vezes do bom senso, posto que aquele deflui as normas jurídicas em vigor e este, muitas vezes, contraria a realidade das coisas, por exemplo, nas hipóteses de implantação do horário de verão, a morte civil, entre outros. Assim passado, os erros e deficiências do auto de infração ora hostilizado deflagram situações que o remetem a total nulidade, o que se requer de plano (sic)”. Encerra a peça impugnatória da seguinte forma: “EM FACE DO EXPOSTO, é a presente impugnação para requerer a nulidade do Auto de infração impugnado pelas razões acima destacadas, com o conseqüente arquivamento do procedimento Administrativo Fiscal dele decorrente. Caso não seja esse o entendimento do Ilustre julgador o que se admite apenas em obediência ao princípio da eventualidade requer seja o julgamento convertido em diligência no sentido de ser efetuada perícia na mercadoria apreendida visando constatar a total falta de dolo da empresa autuada, bem como de que os selos ali existentes não são reaproveitados, e ainda, para comprovar eventual retirada dos mesmos. Requer, também, sejam colhidos depoimentos dos agentes da Policia Rodoviária Federal com o fito de esclarecer datas, entregas, quantidades de mercadorias e outras indagações que se fizerem necessárias. Requer, ainda e finalmente, a imediata devolução das mercadorias apreendidas, uma vez que a ação fiscal já possibilitou a emissão do auto de infração impugnado, não havendo mais razão para sua manutenção em custódia no depósito respectivo, além do que, não se trata aqui de perdimento, posto que não constatado o dolo específico. Protesta por conhecer e se manifestar sobre eventuais provas carreadas nos autos de procedimento administrativo fiscal, bem como de qualquer manifestação do Auditor fiscal com relação a presente impugnação, sob pena de ficar caracterizado cerceamento de defesa proibido constitucionalmente. Confiante no alto grau de conhecimento do Ilustre Julgador sobre a matéria enfocada, e já préquestionando a matéria para outras instâncias superiores, no caso de ultrapassado os termos da presente impugnação e manutenção da peça básica na forma como se apresentou, e tendo em vista as provas existentes nos autos, espera a anulação do auto de infração impugnado, uma vez que assim procedendo, por certo estará Vossa Excelência restabelecendo o DIREITO e fazendo a costumeira aplicação da JUSTIÇA” (destaques do original). Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 124 6 A decisão da DRJ de Ribeirão Preto ficou assim ementada: BEBIDAS ALCOÓLICAS. TRANSPORTE SEM SELO DE CONTROLE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO, MULTA DE OFÍCIO E MULTA REGULAMENTAR. Cobrase o imposto e a multa de ofício, por responsabilidade tributária do adquirente, calculados conforme as classes de valores específicas, se as bebidas alcoólicas transportadas não apresentarem selo de controle; ademais, incide a multa regulamentar correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor comercial dos produtos não selados, sujeitos inclusive à pena de perdimento. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. DOLO. É imposta a multa de ofício exacerbada (150%) se for observada circunstância qualificativa como a sonegação, indicadora de dolo na conduta do sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/10/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa se o auto de infração ostentar os requisitos legais e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese pedido de perícia que seja materialmente prescindível e que, adicionalmente, não contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito. Impugnação Procedente em Parte. Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente protocolou recurso voluntário, alegando o que segue: (i) pelo fato da decisão recorrida determinar a exclusão de 50% da multa regulamentar, deveria estender esse entendimento à multa sobre o imposto apurado, não só sobre o percentual legal de 50% da mesma, como a exclusão do percentual majorado; (ii) a multa de 150% possui caráter confiscatório: e (iii) não é possível a aplicação da taxa SELIC para o cálculo dos juros. . É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 125 7 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. IPI. SELO. PENALIDADES No que diz respeito à questão central da lide, não merece retoque a decisão recorrida, a qual adoto neste ponto e transcrevo o seguinte trecho para fundamentar meu entendimento, nos termos do artigo 50, § 1º , da Lei n. 9.784/1999: As bebidas alcoólicas constantes do auto de infração (coquetéis diversos de frutas) são enquadradas no capítulo 22 da TIPI e estão sujeitas à tributação do IPI por classes de valores e à aplicação de selos de controle (Instrução Normativa SRF nº 504, de 3 de fevereiro de 2005, art. 14, c/c Anexo I). Pela IN SRF nº 504, de 2005, art. 16, as únicas exceções à exigência de selagem são as seguintes: “Art. 16. Não se aplicará o selo de controle nas bebidas: I destinadas à exportação para países que não sejam limítrofes com o Brasil; II objeto de amostras comerciais gratuitas destinadas à exportação; e III procedentes do exterior, observadas as restrições da legislação aduaneira específica, quando: a) importadas pelas missões diplomáticas e repartições consulares de carreira e de caráter permanente ou pelos respectivos integrantes; b) importadas pelas representações de organismos internacionais de caráter permanente, inclusive os de âmbito regional, dos quais o Brasil seja membro, ou por seus integrantes; c) introduzidas no País como amostras ou remessas postais internacionais, sem valor comercial; d) introduzidas no País como remessas postais e encomendas internacionais destinadas à pessoa física; e) constantes de bagagem de viajantes procedentes do exterior; f) despachadas em regimes aduaneiros especiais, ou a eles equiparados; g) integrantes de bens de residente no exterior por mais de três anos ininterruptos, que se tenha transferido para o País a fim de fixar residência permanente; h) adquiridas, no País, em loja franca; i) arrematadas por pessoas físicas em leilão promovido pela SRF; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 126 8 j) retiradas para análise pelos órgãos competentes”. Quanto à cobrança do imposto e das multas de ofício e regulamentar, impende reproduzir o teor dos dispositivos regulamentares (RIPI/2010) que compõem a capitulação legal do auto de infração e que são absolutamente autoexplicativos. “Da Falta do Selo nos Produtos e do seu Uso Indevido Art.314. A falta do selo no produto, o seu uso em desacordo com as normas estabelecidas ou a aplicação de espécie imprópria para o produto importarão em considerar o produto respectivo como não identificado com o descrito nos documentos fiscais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 46, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso IV)”. Mesmo que as bebidas não seladas estivessem acobertadas pela documentação fiscal obrigatória, o que não ocorreu, a falta de selo de controle implica que os produtos não seriam identificados com as descrições nas notas fiscais, sendo aplicável, de qualquer sorte, a responsabilidade pelo pagamento do imposto e sujeição à sanção cabível, conforme o dispositivo abaixo. “Dos Adquirentes e Depositários Obrigações Art.327.Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). §1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). §2º A comunicação feita com as formalidades previstas no § 1o exime de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da mercadoria pela irregularidade verificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). §3º No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 2º, e Lei no 9.532, de 1997, art. 37, inciso V). §4º A declaração, na nota fiscal, da data da entrada da mercadoria no estabelecimento será feita no mesmo dia da entrada”. (g.m.) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 127 9 A multa de ofício foi majorada (150%) porque há, com certeza, a caracterização do dolo na conduta do sujeito passivo. Este foi pilhado no transporte de bebidas alcoólicas desacompanhadas das notas fiscais e adquiridas sem selo de controle. Conforme narrado alhures (destaques na transcrição do Termo de Constatação Fiscal de fls. 08/09), trata se de prática contumaz da impugnante. Nesse caso, a circunstância qualificativa que dá azo à exacerbação da penalidade pecuniária é a sonegação. “Art. 561. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (Lei no 4.502, de 1964, art. 71): I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso I); e II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso II)”. As irregularidades atinentes ao lançamento e recolhimento do imposto em exame são apenadas da seguinte maneira, de acordo com o art. 569, caput e § 6º, do RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010: “Art. 569. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto destacado sujeitará o que deixou de ser destacado ou recolhido (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, e Lei no 11.488, de 2007, art. 13). (...) §6º O percentual de multa a que se refere o caput, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 6º, e Lei n 11.488, de 2007, art. 13): I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 6º, inciso I, e Lei no 11.488, de 2007, art. 13); e II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante, e nos casos previstos nos arts. 561, 562 e 563 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 6º, inciso II, e Lei no 11.488, de 2007, art. 13)”.(g.m.) A multa regulamentar é assim prevista: “Art.585. Aplicamse as seguintes penalidades, em relação ao selo de controle de que trata o art. 284, na ocorrência das infrações abaixo (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52): I venda ou exposição à venda de produtos sem o selo ou com o emprego do selo já utilizado: multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 128 10 R$ 1.000,00 (mil reais)(DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, inciso I, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52); II emprego ou posse do selo legítimo não adquirido diretamente da repartição fornecedora: multa de R$ 1,00 (um real) por unidade, não inferior a R$ 1.000,00 (mil reais)(DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, inciso II, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52); III emprego do selo destinado a produto nacional, quando se tratar de produto estrangeiro, e viceversa; emprego de selo destinado a produto diverso; emprego de selo não utilizado ou marcado como previsto em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil; emprego de selo que não estiver em circulação: consideramse os produtos como não selados, equiparandose a infração à falta de pagamento do imposto, que será exigível, além da multa igual a setenta e cinco por cento do valor do imposto exigido (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, inciso III, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52); IV fabricação, venda, compra, cessão, utilização, ou posse, soltos ou aplicados, de selos de controle falsos: independentemente de sanção penal cabível, multa de R$ 5,00 (cinco reais)por unidade, não inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), além da apreensão dos selos não utilizados e da aplicação da pena de perdimento dos produtos em que tenham sido utilizados os selos (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, inciso IV, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52); e V transporte de produto sem o selo ou com emprego de selo já utilizado: multa igual a cinquenta por cento do valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00 (mil reais)(DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, inciso V, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52). §1º Aplicarseá a mesma pena cominada no inciso II do caput àqueles que fornecerem a outro estabelecimento, da mesma pessoa jurídica ou de terceiros, selos de controle legítimos adquiridos diretamente da repartição fornecedora (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, § 1º, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52). §2º Aplicarseá ainda a pena de perdimento aos produtos do Código 2402.20.00 da TIPI (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, § 2º, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52): I na hipótese de que tratam os incisos I e V do caput; e II encontrados no estabelecimento industrial, acondicionados em embalagem destinada a comercialização, sem o selo de controle. §3º O disposto no inciso I do § 2o também se aplica aos demais produtos sujeitos ao selo de controle a que se refere o art. 284 (Lei no 11.196, de 2005, art. 61). §4º Para fins de aplicação das penalidades previstas neste artigo, havendo a constatação de produtos com selos de controle em desacordo com as normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, considerarseá Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.725697/201153 Acórdão n.º 3202001.008 S3C2T2 Fl. 129 11 irregular a totalidade do lote identificado onde eles foram encontrados (DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 33, § 3º, e Lei no 10.637, de 2002, art. 52)”. (g.m.) Sendo o caso de transporte de bebidas sem selo de controle, e não a respectiva venda ou exposição à venda, a multa regulamentar deve ser igual a 50% do valor comercial das mercadorias, ou seja, no montante de R$ 4.545,12. JUROS SELIC A aplicação da Taxa SELIC é determinada por lei, e cabe às instâncias julgadoras administrativas aplicar as normas legais aos casos concretos, sem possuir poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou ilegalidade, sendo essa atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, sobre o assunto, é aplicável Súmula n° 04 do CARF, mantendose a decisão recorrida quanto à incidência da Taxa SELIC sobre o débito tributário discutido nestes autos. MULTA CONFISCATÓRIA Quanto a alegação da Recorrente que a multa aplicada é exorbitante e que se afigura um verdadeiro confisco, aplicável a Súmula n° 02 do CARF à questão, não cabendo ao CARF se pronunciar sobre matéria constitucional, motivo pelo qual não conheço desta parte do recurso voluntário. Diante do exposto, conheço em parte do recurso e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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