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Numero do processo: 18471.003278/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VALETRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
TERCEIROS
As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 32 78 /2 00 8- 13 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003278/200813 Acórdão n.º 2302002.610 S2C3T2 Fl. 263 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 27/10/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 04/12/2008, referese às contribuições arrecadadas para as Terceiras entidades,, incidentes sobre a remuneração dos empregados, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme consta do relatório fiscal de fls28/33, a autuada regularmente intimada a apresentar as folhas de pagamento, não o fez, sendo a base de cálculo do débito apurada através dos registros contábeis, onde se verificou que os valores declarados em GFIP eram inferiores aos valores contabilizados referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativamente a pagamentos efetuados através de “cartão salário”. Aduz também o relatório, que foram tomados como base de incidência contributiva os valores referentes a alimentação e valetransporte pagos em pecúnia. A autuada não apresentou adesão ao PAT. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para esclarecimentos quanto aos lançamentos contábeis utilizados e informação fiscal fls. 198/199, se pronunciou pela retificação do crédito lançado para as alegações da autuada que se mostraram procedentes, conforme discriminativo de fls 220. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, com regular prazo para manifestação, após o que, Acórdão de fls. 233/230 julgou o lançamento procedente em parte, para excluir das bases de cálculo apuradas os lançamentos contábeis relativos a salário família, valetransporte e valealimentação, feitos a crédito da conta 52.101.9 Salários. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que demonstrou na diligência que o contador utilizou metodologia que foge aos padrões habituais lançando o pagamento de valores na conta “prestação de serviços”, quando deveria lançar na conta “adiantamento de salários a pagar”; b) que os pagamentos de salário foram devidamente contabilizados e pagas as contribuições; c) que os valores levantados se tratam de adiantamento de salários; d) que por medida de segurança realiza o pagamento de valealimentação e valetransporte em dinheiro, o que foi permitido por Acordo Coletivo; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que o STF considerou inconstitucional a cobrança da contribuição previdenciária sobre o valetransporte em pecúnia. Requer a revisão do Acórdão, para considerar a impugnação procedente em seu todo. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003278/200813 Acórdão n.º 2302002.610 S2C3T2 Fl. 264 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos é de se ver que o crédito lançado referese aos Terceiros e que tiveram como base de incidência valores apurados através da contabilidade da recorrente pagos através de “cartãosalário”, alimentação e vale transporte em pecúnia. Em que pesem os argumentos da recorrente quanto a métodos não convencionais de contabilização e por isso não haveria incidência de contribuição previdenciária sobre os valores lançados na conta prestação de serviço, informo à recorrente que a diligência efetuada após a impugnação, se deteve sobre o assunto e inclusive se pronunciou pela retificação do crédito lançado para aquelas alegações que se mostraram procedentes na análise da contabilidade. Todavia, os valores que permaneceram no Auto de Infração referentes a pagamentos efetuados através de cartãosalário devem integrar a base contributiva previdenciária, porque não houve qualquer demonstração por parte da recorrente de que não se subsumem ao conceito de salário de contribuição exposto no artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Quanto ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos empregados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A par do conceito de salário de contribuição, acima transcrito, a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; exceptuou da base de incidência contributiva o fornecimento de alimentação somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos segurados sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). e Decreto n.º 5, de 14/01/1991: Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a L 006.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003278/200813 Acórdão n.º 2302002.610 S2C3T2 Fl. 265 7 de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação citada que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica, a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado. Muito embora a recorrente alegue que o pagamento de alimentação em pecúnia esteja ao abrigo do Acordo Coletivo de Trabalho, tal instrumento não tem força de lei para impor a isenção das contribuições previdenciárias sobre determinada rubrica. Ademais, o acordo tem valor entre as partes, mas não pode ser aposto à Fazenda Nacional. Quanto ao valetransporte, merece acolhida a argüição da recorrente e deve ser obedecida a Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32, que desonerou a verba da incidência contributiva previdenciária, quando paga em pecúnia: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Destarte, é de se ver que, por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10882.902824/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 24 /2 00 8- 57 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 76 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que houve equívoco no preenchimento do campo relativo ao documento de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do crédito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim, requer a homologação da compensação por força da existência do crédito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o crédito requerido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 31/35, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 77 3 pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 37 a 44, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 78 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente alega que ao preencher o PERDCOMP cometeu erros no preenchimento do campo relativo aos DARF's que dão origem ao crédito tributário, pois informou como origem de crédito valores que não retratam a realidade, mais precisamente informou como origem de crédito o valor a ser compensado e não o que efetivamente recolheu a maior. Compulsando os autos, verificamos que a recorrente anexou cópia do comprovante de arrecadação que teria embasado o crédito pleiteado referente ao recolhimento de PIS, código de receita 8109 período de apuração dezembro/1999, recolhido em 14/01/2000, no montante de R$ 8.523,85, conforme comprovante à fl. 08. Todavia, nas PER/DCOMPs que teriam utilizado este crédito consta como valor do DARF o montante de R$ 5.588,45. Diante disso, o pagamento não foi localizado, sendo exarado o Despacho Decisório de fls. 03, com ciência em 22/08/2008, não homologando a compensação pleiteada. Posteriormente, em 19/02/2009, apresentou DCTF retificadora na qual estaria o valor apurado da contribuição e que embasaria o seu crédito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, caso o contribuinte não informe corretamente os dados do pagamento ele efetivamente não será localizado, o que de fato ocorreu conforme consta no Despacho Decisório. Nesse procedimento não se está adentrando efetivamente no mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento do PERDCOMP e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 79 5 No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Esclarece ainda a autoridade julgadora de 1ª Instância que a recorrente foi intimada, ainda antes da emissão do despacho decisório, a retificar as informações sobre o documento de arrecadação, conforme documentação anexada aos autos, mas não tomou providências nesse sentido. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003707/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2009
PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.
No direito constituciona1 vigente o princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores.
O princípio da não-cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados.
CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados (N/T) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. SOLUÇÃO DE CONSULTA. APLICAÇÃO. ALCANCE.
O alcance da Solução da Consulta restringe-se estritamente aos questionamentos formulados pela consulente. O instituto da Consulta Fiscal não se presta a dirimir dúvida genérica, em tese, sobre a interpretação da legislação tributária. O sujeito passivo, ao formular consulta, deve informar qual o fato determinado sobre o qual incide a dúvida a ser objeto de interpretação por parte do Fisco.
A Solução de Consulta não autoriza o contribuinte adotar entendimento contrário aos dispositivos legais constantes do ordenamento jurídico.
Entender de forma diversa seria acatar um raciocínio absurdo de que a resposta, ao não tratar da matéria (crédito de insumos NT), estaria autorizando-o.
Numero da decisão: 3202-000.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Amanda R. Queder, OAB/SP nº 282.769.
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2009 PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. No direito constituciona1 vigente o princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da não-cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados (N/T) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. SOLUÇÃO DE CONSULTA. APLICAÇÃO. ALCANCE. O alcance da Solução da Consulta restringe-se estritamente aos questionamentos formulados pela consulente. O instituto da Consulta Fiscal não se presta a dirimir dúvida genérica, em tese, sobre a interpretação da legislação tributária. O sujeito passivo, ao formular consulta, deve informar qual o fato determinado sobre o qual incide a dúvida a ser objeto de interpretação por parte do Fisco. A Solução de Consulta não autoriza o contribuinte adotar entendimento contrário aos dispositivos legais constantes do ordenamento jurídico. Entender de forma diversa seria acatar um raciocínio absurdo de que a resposta, ao não tratar da matéria (crédito de insumos NT), estaria autorizando-o.
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No direito constituciona1 vigente o princípio da nãocumulatividade garante aos contribuintes apenas e tãosomente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da nãocumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados (N/T) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. SOLUÇÃO DE CONSULTA. APLICAÇÃO. ALCANCE. O alcance da Solução da Consulta restringese estritamente aos questionamentos formulados pela consulente. O instituto da Consulta Fiscal não se presta a dirimir dúvida genérica, em tese, sobre a interpretação da legislação tributária. O sujeito passivo, ao formular consulta, deve informar qual o fato determinado sobre o qual incide a dúvida a ser objeto de interpretação por parte do Fisco. A Solução de Consulta não autoriza o contribuinte adotar entendimento contrário aos dispositivos legais constantes do ordenamento jurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 37 07 /2 00 9- 32 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 365 2 Entender de forma diversa seria acatar um raciocínio absurdo de que a resposta, ao não tratar da matéria (crédito de insumos NT), estaria autorizandoo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Amanda R. Queder, OAB/SP nº. 282.769. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício formalizado através de auto de infração (efls. 02/ss) para a cobrança do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 14.744.955,65, pelo uso indevido de crédito básico do imposto, uma vez que o contribuinte adquiriu resíduos de papel não tributados pelo imposto e os utilizou em seu processo produtivo, para fabricação de caixas de papel, apropriandose de créditos sobre estas aquisições, no período de apuração de 31/09/2005 a 30/04/2009. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Em julgamento o auto de infração de fls.2/7, que exige o montante de R$ 14.744.955,65 a título de imposto, multa de oficio e juros moratórios. O relatório fiscal de fls.8/15 assim descreveu a situação fática in casu: Com base na documentação recepcionada, constatouse que o contribuinte adquiriu resíduos de papel não tributados pelo IPI (classificação TIPI 4707.90.00) junto a comerciantes, Fl. 365DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 366 3 associações de catadores e cooperativas de catadores de papel e utilizou esses resíduos para produzir o papel que foi utilizado na fabricação de caixas de papel (classificação TIPI 4819.10.00). Sobre 50% do valor dessas aquisições o contribuinte calculou o IPI à alíquota de 15% (alíquota TIPI do produto final). Questionado no Termo de Intimação Fiscal (fis.37/38) acerca da fundamentação em que se amparou para se creditar do IPI nas aquisições de insumos não tributados por esse imposto, o fiscalizado indicou a Solução de Consulta SRRF/8° RF/DISIT n° 43/2005 que em sua opinião lhe daria amparo para o questionado creditamento (fl.39). Tal solução de consulta, encontrada às fls.40/46, foi formulada pelo estabelecimento matriz da Klabin SÃ (CNPJ 89.637.490/000145), e, conforme entendo, não dá amparo ao aproveitamento dos créditos utilizados pelo fiscalizado. Isto porque a solução de consulta se ateve apenas à condição do fornecedor e à questão da não aplicabilidade das regras relativas ao valor tributável (art.135, RIPI/2002) ao caso exposto pelo contribuinte... ... Em nenhum momento a solução de consulta deu guarida ao contribuinte para o aproveitamento do crédito do IPI incidente nas aquisições de insumos nãotributados por esse imposto. Ao contrário, a formulação de uma solicitação pelo contribuinte sobre a possibilidade de adoção de um crédito presumido de IPI sequer foi objeto de análise na medida em que a questão não traduziu dúvidas quanto à interpretação endossada pela SRF sobre alguma norma tributária federal. Com efeito, conforme entendimento já consolidado não somente no âmbito administrativo, mas no Poder Judiciário, só são reconhecidos como créditos de IPI aqueles provenientes de aquisições de MP, PI e ME sujeitos ao pagamento do imposto. Produtos isentos, nãotributados e de alíquota reduzida a zero não podem oferecer direito a crédito, porquanto inocorreu pagamento do tributo pelo remetente e, consequentemente, não feriu o princípio da nãocumulatividade. Irresignada, assim se manifestou a Interessada (fls.170/187): Com base no princípio constitucional da nãocumulatividade de que trata o art.153, §3 0, II, da CF/88, a Impugnante tem direito ao crédito do imposto, e no caso dos autos, não restam dúvidas de que, na origem, as caixas de papelão ondulado que foram coletadas para se transformar em papel reciclado foram tributadas pelo IPI No entanto, a d. Fiscalização lavrou a presente autuação fiscal, por entender indevido o direito ao crédito de IPI pela Impugnante, incidente sobre a aquisição de aparas ou de papéis usados, contrariando a orientação dada pela SRRF/8° Região, nos autos do processo administrativo n° 19679.001620/200453, relativo à Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 43... Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 367 4 ... não há dúvida de que a SRRF/8ª RF, ao solucionar a consulta formulada garantiu à ora impugnante o direito ao crédito do imposto, no percentual de 50% da alíquota de 15%, calculado sobre o valor das notas fiscais de compra de aparas ou papéis usados, com base no art.165 do RIPI vigente. ...a Impugnante adotou exatamente a orientação dada pela SRRF/8° RF, na Solução de Consulta n° 43/2005 e apropriouse dos créditos de IPI relativos a aquisição de caixas de papelão e de papéis usados, para serem utilizados como MP no seu processo industrial. Ou seja, creditouse do IPI calculado no percentual de 50% sobre a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor das notas fiscais de compras feitas de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI, exatamente como orientou a referida Solução de Consulta n° 43/2005 e como autorizam o DL n° 400/68 e o art.165 do Regulamento do IPI de 2002. Dessa forma, não poderia a Autoridade Fiscal considerar este procedimento adotado pela ora Impugnante como ilegal, uma vez que realizado nos termos da orientação dada pela própria Autoridade Administrativa Pública vigente à época da apropriação dos créditos de IPI, sob pena de violar o princípio da segurança jurídica insculpido na CF de 1988. ... Nem se alegue que o presente Auto de Infração seria procedente face à revogação da SC n° 43/2005 pela SC n° 415/2008, uma vez que nas hipóteses de alteração de entendimento expresso em decisão proferida em processo de consulta já solucionado, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência da consulente. ... Ressaltese que a Impugnante deixou de apropriar créditos a partir da publicação da SC n° 415/2008. Ademais é evidente que a SC n° 415/2008 revogou a SC n° 43/2005. Isto porque em nenhum momento a aludida SC n 043/2005 restringiu o direito ao crédito do IPI sobre as aquisições de aparas ou produtos usados aos comerciantes, atacadistas não contribuintes do imposto e que, além disso, adquirissem matériasprimas sujeitas à tributação, requisito nunca expresso anteriormente. Portanto, o presente auto de infração merece ser cancelado, uma vez que a d. Fiscalização desconsiderou por completo o teor da SC n° 43, vigente à época da apropriação dos créditos de IPI, que garantiu o direito à Impugnante de se creditar do IPI sobre aquisição de caixas de papelão usadas. ...não merece prosperar o entendimento da d. Autoridade Administrativa no sentido de que a SC n°415/08 complementou a matéria já disciplinada pelo Parecer Normativo CST n°125/71. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 368 5 Com efeito, o referido PN dispõe que só é cabível o crédito quando se tratar de produtos que tenham sido tributados na origem. Caso o produto adquirido constasse na TIPI como não tributado ou isento não haveria o direito ao crédito do imposto, como nos casos de sucata, aparas e resíduos. Contudo não houve nenhuma manifestação da d. Autoridade Fiscal no sentido de que as MP utilizadas pela Impugnante não estariam sujeitas ao IPI, como NT, isentas ou com alíquota zero. ... No presente caso a Impugnante seguiu a orientação da SC n° 43/2005 vigente à época da apropriação do IPI, creditandose do imposto calculado no percentual de 50% sobre a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor das notas fiscais de compra feitas de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI ... a título de complementação da argumentação, a MP utilizada pela Impugnante — papelão ondulado usado — para produção dos seus produtos, no caso em questão papéis reciclados, não é simples apara de papel comum como fez parecer a fiscalização, mas sim aparas de papelão ondulado, com especificações técnicas diversas de aparas normais de papel, não havendo que se fazer confusão quanto a etapa produtiva de cada um. Por isso, o erro no entendimento da autoridade fiscal consiste na premissa de considerar que a Impugnante adquire simples aparas de papel, as quais não tributadas pelo IPI, quando na realidade a sua MP é papelão ondulado, ainda que já utilizado anteriormente, mas que é tributado devidamente na origem quando novas, gerando em seu favor o direito de aproveitamento do crédito desse imposto. A classificação dada pela autoridade fiscal à MP utilizada pela Impugnante decorre de interpretação equivocada, pois não se tratam de meras aparas de papel comum não tributada anteriormente. ... Com relação aos valores objeto do lançamento fiscal ora discutido, as importâncias referentes aos períodos de apuração março e abril/2009 devem ser desconsideradas do crédito tributário constituído, tendo em vista que as mesmas foram integralmente recolhidas pela Impugnante, conforme fazem prova os documentos (DARF) ora juntados." É como relato. Segue o voto. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0928.428, em 26 de fevereiro de 2010 (efolhas 295/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2009 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 369 6 IPI. CRÉDITOS ILEGÍTIMOS. APARAS DE PAPEL PRODUTO NÃO TRIBUTADO. SOLUÇÃO DE CONSULTA INEFICAZ. Questionamentos tidos por ineficazes em sede de consulta dirigida à Autoridade Tributária não geram qualquer proteção para o consulente, estando, por conseguinte, o Fisco apto a formar livremente juízo de valor quanto à presença ou não de valores inadimplidos como decorrência de creditamento indevido. IPI. VALORES RECOLHIDOS PREVIAMENTE AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Constatado o recolhimento prévio de valores lançados no auto de infração por falta de declaração em DCTF, é de se levar a efeito a alocação de tais pagamentos a fim de se extinga o que comprovadamente já foi pago. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Juiz de Fora, em 29/04/2010 (efolhas 318/ss), interpôs Recurso Voluntário em 27/05/2010 (e fls. 319/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão nestes autos referese à possibilidade da empresa creditarse do IPI em relação às aquisições de “resíduos de papel” não tributados pelo IPI (classificação TIPI 4707.90.00), segundo a versão da fiscalização, ou “aparas ou papéis usados” na versão da Recorrente, junto a comerciantes, associações de catadores e cooperativas de catadores de papel e utilizados no processo industrial da empresa para a fabricação de caixas de papel (classificação TIPI 4819.10.00). Alega a Recorrente que a utilização desses créditos estaria respaldada pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005. Analisemos inicialmente se a citada Solução de Consulta é aplicável ao caso em tela. Dos efeitos da Solução de Consulta Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 370 7 Para uma melhor compreensão da matéria, transcrevemos os questionamentos feitos pela interessada, trechos da fundamentação e a conclusão da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005 (o texto integral encontrase anexado às efolhas 42 a 46 dos autos): Questionamentos formulados: 8. Diante do exposto, indaga, "in verbis": "1 — (...) poderá creditar o IPI, calculado pela mesma alíquota a que estão sujeitos os produtos por ela fabricados, sobre o valor das entradas, tendo em vista que, em assim o fazendo, estará atendendo ao quanto dispõe o art. 7° do DL 400/68, que determina o pagamento do imposto sobre o valor agregado, na industrialização de produtos usados; OU 2. — Poderá creditar o IPI, calculado pela alíquota a que se sujeitaram em operações anteriores (15% ou 5%, conforme o caso), sobre os produtos usados adquiridos para emprego no processo industrial, atendendo assim ao princípio maior da não cumulatividade; OU 3. — Poderá creditar o IPI, calculado pelas mesmas alíquotas (15% e 5%) sobre 50% do valor das entradas, tendo em vista trataremse de aquisições feitas a comerciantes atacadistas não contribuintes desse imposto.". Fundamentação: (...) 14. A industrialização por recondicionamento ou renovação, prevista no art. 4°, inciso V, do Ripi/02, é aquela que exercida sobre produto usado ou parte remanescente do produto deteriorado ou inutilizado, renova ou restaura o produto para utilização. Como orienta o Parecer Normativo CST n° 214/1972 (publicado no DOU em 15/02/73), em seu item 3, a operação restitui ao produto condições de funcionamento como se fosse novo. Vale dizer, o produto resultante do processo industrial é exatamente o mesmo do início do processo, mantendo, inclusive, sua identidade original, isto é, o produto inicial não é transformado em outro, mas, sim, aperfeiçoado para os fins que lhe são próprios. 15. Tal não é o caso, porém, nas industrializações realizadas pela consultante e que consistem na produção de matériaprima a partir do processamento de aparas ou papéis usados (reciclagem) e na produção de caixas de papelão e de papelão ondulado a partir de papéis reciclados. Nos dois processos industriais não se pode dizer que os produtos resultantes da industrialização são usados, muito menos que houve manutenção do produto inicial, mas, sim, que houve a obtenção, a partir deles, de novos produtos, feitos de material reciclado. 16. É de se convir que tanto a reciclagem de aparas ou papéis usados, em que estes são transformados em massa e, Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 371 8 posteriormente, em folhas bobinadas, bem como a conversão de folhas bobinadas em caixas de papelão ou em papelão ondulado caracterizamse como transformação, modalidade de industrialização de que trata o inciso I do art. 40 do Ripi/02 e definida como a operação que exercida sobre matériaprima ou produto intermediário importa na obtenção de espécie nova. 17. Por conseguinte e em contraposição ao que afirma a interessada, as operações em pauta nesta consulta não se enquadram na modalidade de industrialização mencionada no Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 21, de 1996, não se aplicando aos produtos resultantes das industrializações o valor tributável do art. 135 do Ripi/02. 18. Feitos os esclarecimentos acima, cabe, agora, analisar as questões formuladas na consulta e aqui transcritas no item 8, sobre crédito de IPI relativo a aquisição de papéis usados/aparas. 19. Quanto à indagação 1 não há mais o que se considerar pois, conforme evidenciado nos itens 12 a 17 retro, a interessada utilizou premissas incorretas para formular o seu questionamento. 20. Com relação a questão 2, cabe notar que: 20.1 o processo de consulta, regido pelos arts. 48 a 50 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e arts. 46 a 53 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, destinase exclusivamente a dirimir dúvidas do sujeito passivo sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária federal aplicáveis a fato determinado; 20.2 o art. 46 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabelece que o sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária e o art. 52, inciso I, do mesmo ato legal determina que não produzirá efeitos a consulta formulada em desacordo com os arts. 46 e 47; 20.3 na indagação em exame, a consultante, apesar de citar os dispositivos legais relativos ao princípio da nãocumulatividade do imposto, não apresenta qualquer dispositivo da legislação do IPI que trate sobre a forma de crédito de IPI que apresenta e sobre o qual pairaria a sua dúvida. Na verdade, formula uma solicitação sobre a possibilidade de adotar um crédito presumido de IPI em que toma emprestado a alíquota do imposto incidente em operações anteriores; 20.4 na medida em que a questão não traduz dúvidas quanto à interpretação endossada pela SRF sobre alguma norma tributária federal não pode produzir efeitos. 21. Quanto à indagação 3, sobre a possibilidade de efetuar o crédito do imposto com base no art. 165 do Ripi/02, uma vez que o fornecedor de aparas ou de papéis usados ao vender para a indústria é considerado comerciante atacadista (ver subitem 7.2), observese que o artigo regulamentar dispõe: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 372 9 (...) 22. Da simples leitura do artigo regulamentar, verificase que, para o industrial ter direito ao crédito do imposto na forma do art. 165 do Ripi/02, não basta que o fornecedor seja caracterizado como comerciante atacadista; é, ainda, necessário que, na condição de atacadista, e seja, também, não contribuinte do IPI; em outras palavras, o fornecedor deverá ser considerado comerciante atacadista e não poderá se enquadrar na hipótese do art. 10 ou art. 11 do Ripi/02, situação em que será considerado contribuinte do IPI. 23. No caso da pleiteante, as aparas e os papéis usados adquiridos de fornecedores para a produção de papel reciclado caracterizamse como bens de produção (matériaprima) do processo de reciclagem de papel. Sendo assim e de acordo com as definições do art. 14, inciso I, c/c art. 519, inciso I, do Ripi/02, a seguir transcritos, os fornecedores de aparas ou de papéis usados por estarem vendendo bens de produção são considerados comerciantes atacadistas: (...) 24. Entretanto e como já salientado no item 22, para que a consultante tenha direito ao crédito do imposto na forma do art. 165 do Ripi/02 não basta caracterizar o fornecedor como atacadista, é necessário, também, que ele seja nãocontribuinte do IPI, isto é, o fornecedor não poderá estar enquadrado nas hipóteses do art. 10 ou art. 11 do Ripi/02. Conclusão: 25. Diante do exposto e com base nos atos mencionados soluciono a consulta declarando que: 25.1 nas aquisições de aparas ou papéis usados, para serem utilizados na fabricação de papel reciclado, para que a consultante tenha direito ao crédito do IPI de que trata o art. 165 do Ripi/02 não basta que o fornecedor das aparas ou papéis usados seja caracterizado, de acordo com o Ripi/02, como comerciante atacadista; é ainda necessário que, na condição de atacadista, seja, também, nãocontribuinte do IPI. 25.2 as operações que consistem na produção de folhas de papel em bobinas, a partir da reciclagem de aparas ou papéis usados e na produção de caixas de papelão ou papelão ondulado, a partir de papéis reciclados, caracterizamse como industrialização, na modalidade de transformação, conforme definida no art. 4°, inciso I, do Ripi/02. Desta forma, as regras relativas ao valor tributável de produtos usados, constantes do art. 135 do Ripi/02, não podem ser adotadas naquelas operações, tendo em vista que tais regras aplicamse exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação e recondicionamento, definidas no art. 4°, inciso V, do Ripi/02. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 373 10 25.3 a questão de que trata o item 20 desta solução de consulta é ineficaz com base no art. 52, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Como muito visto, assiste razão à fiscalização quando afirma que “a Solução de Consulta se ateve apenas à condição do fornecedor e à questão da não aplicabilidade das regras relativas ao valor tributável (constantes do art. 135 do Ripi/02) ao caso exposto pelo contribuinte”, conforme pode ser observado pelo próprio texto da ementa. Este entendimento foi dado em resposta à terceira questão formulada pela Recorrente. Muito importante destacar que a consulta atevese, exclusivamente, à caracterização da condição do fornecedor, que além de comerciante atacadista deveria ser, também, não contribuinte do IPI. Este foi o objeto da resposta ao questionamento 3. Verificase, inclusive, quanto à segunda indagação formulada pela empresa, que foi destacado na Solução da Consulta o fato de o contribuinte fazer questionamentos genéricos, em tese, sem especificar uma situação concreta cujas dúvidas de interpretação deveriam ser dirimidas, verbis: 20.3 na indagação em exame, a consultante, apesar de citar os dispositivos legais relativos ao princípio da nãocumulatividade do imposto, não apresenta qualquer dispositivo da legislação do IPI que trate sobre a forma de crédito de IPI que apresenta e sobre o qual pairaria a sua dúvida. Na verdade, formula uma solicitação sobre a possibilidade de adotar um crédito presumido de IPI em que toma emprestado a alíquota do imposto incidente em operações anteriores. Em relação ao primeiro questionamento, no item 19 da Solução de Consulta há a informação expressa de que “não há mais o que se considerar pois, conforme evidenciado nos itens 12 a 17 retro, a interessada utilizou premissas incorretas para formular o seu questionamento”. Deste modo, a meu sentir, a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005 não tratou especificamente da situação discutida nestes autos, ou seja, sobre a possibilidade da empresa creditarse do IPI em relação às aquisições de “resíduos de papel” (na versão da fiscalização), ou mesmo “aparas ou papeis usados” (na versão da Recorrente), não tributados pelo IPI (classificação TIPI 4707.90.00). O instituto da Consulta Fiscal não se presta a dirimir dúvida genérica, em tese, sobre a interpretação da legislação tributária. O sujeito passivo, ao formular consulta, deve informar qual o fato determinado sobre o qual incide a dúvida a ser objeto de interpretação por parte do Fisco. O alcance da Solução da Consulta restringese estritamente aos questionamentos formulados pela consulente. Em nenhum momento a Solução de Consulta autorizou o creditamento de insumos classificados como N/T – não tributados. Portanto, não orientou ao contribuinte que adotasse o entendimento no sentido de aproveitarse do crédito do IPI incidente nas aquisições de insumos não tributados por esse imposto. Ao que me parece, a consulente adotou como “premissa” que poderia se creditar de insumos classificados como não tributado – um “crédito presumido de IPI”, e tentou, a partir desta tese adotada, obter da Administração Tributária uma fórmula de apuração desses créditos (apresentando três possibilidades genéricas – vide item 8 do Relatório da Solução de Consulta). Muito embora a explicitação dos fundamentos legais adotados na Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 374 11 Solução de Consulta não esteja muito clara (devese admitir!), em sua conclusão não abarcou a tese defendida pelo contribuinte, qual seja, que poderia tomar crédito do IPI em relação às aquisições de “resíduos de papel” / “aparas ou papéis usados”, não tributados pelo IPI, utilizados no processo industrial da empresa para a fabricação de caixas de papel (classificação TIPI 4819.10.00). O item 25.1 da Solução de Consulta faz referência ao direito ao crédito apenas às “aquisições de aparas ou papéis usados, para serem utilizados na fabricação de papel reciclado”. No caso concreto em discussão, conforme explicitado no item 15, a industrialização realizadas pela consulente consiste em duas operações: (i) produção de matériasprimas a partir do processamento de aparas e papeis usados (reciclagem) e (ii) na produção de caixas de papelão e de papelão ondulado a partir de papeis reciclados. Portanto, não há como aplicar situação exposta Solução de Consulta ao caso em litígio. Devemos, ainda, levar em conta o alcance da resposta ao item 3 da consulta formulada (“Poderá creditar o IPI, calculado pelas mesmas alíquotas (15% e 5%) sobre 50% do valor das entradas, tendo em vista trataremse de aquisições feitas a comerciantes atacadistas não contribuintes desse imposto"). A resposta é clara e objetiva: para que o creditamento seja realizado, dentro das condições citadas no questionamento, as aquisições devem ser feitas de comerciantes atacadistas necessariamente não contribuintes, e apenas isso! Em momento algum afirmou que o contribuinte estaria autorizado a adotar procedimentos contrários à legislação em vigor. Entender de forma diversa seria acatar um raciocínio absurdo de que a resposta, ao não tratar da matéria (crédito de insumos NT), estaria autorizandoo. Ademais, a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005 não poderia ter autorizado a operação pretendida pela Recorrente, como no meu entender não o fez, pois se assim o fizesse, estaria indo de encontro a dispositivos legais do nosso ordenamento jurídico, como se verá no tópico seguinte. Da impossibilidade do creditamento do IPI sobre insumos classificados como não tributáveis NT Pelo relato, vêse que a Recorrente está pleiteando o cancelamento do lançamento porque entende legítima a escrituração e o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos não tributados. Portanto, a solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito de creditarse desse tributo referente à matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem não tributados pelo IPI. A controvérsia tem como “pano de fundo” a correta interpretação do princípio constitucional da nãocumulatividade do imposto. A sistemática da nãocumulatividade do IPI permite que o contribuinte compense o tributo destacado na nota fiscal de aquisição de insumos de fornecedores com aquele que for devido na operação seguinte, na saída do produto. Neste sentido dispõe a Carta Magna (art. 153, parágrafo 3º., inciso II) ao prescrever que o IPI “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores” Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 375 12 O CTN, da mesma forma, em seu artigo 49 e parágrafo único, trata da não cumulatividade do IPI: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Essa é a regra trazida pelo art. 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;”. (grifo não constante do original) Como visto a Carta Magna, o CTN e os demais dispositivos da legislação foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado/pago nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados (N/T), não há o que se creditar, portanto, não há também que se falar em nãocumulatividade. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é imperativo ao garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (nem lançamento na nota fiscal houve) do tributo na operação Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 376 13 de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a nãocumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base” (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como parece pretender a Recorrente. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de suspensão do imposto, de alíquota neutra (zero), de isenção ou de não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido nas diversas fases do processo produtivo. O crédito do IPI utilizado pela Recorrente, portanto, tratase de um valor fictício, presumido, posto que ele não existe de fato, repitase, não foi pago pelo contribuinte e nem cobrado pelo Fisco na operação anterior. Não houve ônus ao contribuinte na aquisição dos insumos. Não há lei específica que autorize o contribuinte utilizar os créditos originários da aquisição de insumos não tributados, para a hipótese tratada no caso em discussão. E mais, a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, sem lei que autorize, conforme dicção do § 6o do art. 150, verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (negritei) Mais ainda, este Tribunal Administrativo já firmou entendimento de que a aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera crédito do IPI (o que, registrese, não é exatamente o mesmo que “não tributado”, mas prestase a corroborar a linha de entendimento), nos termos da Súmula nº 10, abaixo transcrita: SÚMULA nº 10 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. O entendimento proferido na decisão recorrida, mantida neste voto, está em perfeita harmonia com a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na sessão do dia 15/02/2007, negou provimento, por maioria, aos Recursos Extraordinários (REs) nºs Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 377 14 370.682 e 353.657, decidindo pela impossibilidade de compensação de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero. Concluindo o julgamento dos Recursos Extraordinários acima, em sessão plenária do dia 25/06/2007, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por dez votos a um, que a União poderá reaver o IPI das empresas que compensaram tributos com créditos de matériasprimas isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero. Transcrevese a ementa e trechos do voto constantes do RE nº 370.682/SC, cujo relator foi o Ministro Gilmar Mendes, sessão de 25/06/2007: Ementa: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. Voto:: Quanto à jurisprudência trazida à colação pela Recorrente, além de superada, não dá respaldo à autoridade administrativa divorciarse da vinculação legal e negar vigência a texto literal de lei, até porque não tem efeito vinculante. À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 16095.720294/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GFIP. DOCUMENTO PÚBLICO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A empresa é obrigada, por força de lei, a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esse órgão, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
A Coisa Julgada Administrativa configura-se causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
RFFP. CABIMENTO.
A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90 será encaminhada ao Ministério Público, após proferida a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. DEDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO.
Na determinação dos valores de contribuição previdenciária a serem lançados de ofício, em razão do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Sujeito Passivo nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e também, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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GFIP. DOCUMENTO PÚBLICO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A empresa é obrigada, por força de lei, a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esse órgão, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Coisa Julgada Administrativa configurase causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90 será encaminhada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 94 /2 01 2- 60 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ao Ministério Público, após proferida a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. DEDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. Na determinação dos valores de contribuição previdenciária a serem lançados de ofício, em razão do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Sujeito Passivo nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e também, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 Data da lavratura do AIOP: 18/09/2012. Data da Ciência do AIOP: 24/09/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campinas/SP que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 51.030.6101 e 51.030.6110, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 323 3 incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 47/53. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 51.023.6375, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. De acordo com a resenha fiscal, houvese por constatado que as GFIP referentes a todas as competências de 2008 a 2011 entregues pela Empresa informavam no campo “Opção pelo SIMPLES” o código “2”, declarandose assim ao Fisco Federal tratarse de Empresa optante pelo Simples Nacional, e dessa forma sujeitando, apenas, ao recolhimento das contribuições descontadas dos segurados, eximindose do recolhimento das contribuições patronais e para Outras Entidades e Fundos. Informa a Fiscalização que a Empresa protocolizou na ARF SUZANO, em 30/08/2011, requerimento almejando sua inclusão no sistema SIMPLES com data retroativa, ao argumento de haver sido desenquadrada indevidamente do referido Sistema simplificado. O pleito da Autuada resultou na constituição do eprocesso nº 13894.720831/201197. Em 13/02/2012, a Requerente tomou ciência do Despacho Decisório nº 08/2012 da DRF/GUA/SEORT, a fls. 62/65, que indeferiu seu pedido por intempestividade, não cabendo mais recurso administrativo. Aduz a Fiscalização que desde a data da ciência do despacho nº 08/2012, 13/02/2012, até o início do vertente procedimento fiscal, 01/08/2012, a Empresa teve tempo suficiente para retificar as GFIP dos exercícios de 2008 a 2011, onde poderia ter informado não ser optante pelo SIMPLES, mas não o fez. A base de cálculo das contribuições ora lançadas houveramse por apuradas diretamente das remunerações dos segurados empregados declarados nas GFIP entregues antes do início do procedimento fiscal. A empresa está sendo autuada também por infração ao disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, com redação da Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, por apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 87/103. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0539.766 – 9ª Turma da DRJ/CPS, a fls. 212/223, julgando procedente em parte o lançamento, para dele deduzir os valores já recolhidos pela empresa na sistemática do SIMPLES, recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/02/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 261. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 263/297, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que ignora a existência de qualquer ato administrativo indeferindo a sua opção pelo Simples ou excluindoa do Sistema Simplificado, emitido pela Administração tributária da Receita Federal ou de qualquer outro ente da Federação; · Que não houve a demonstração de máfé ou de dolo a justificar a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais. Ao fim, requer o cancelamento da exigência tributária, bem como dos processos de Representação Fiscal para Fins Penais e arrolamento de bens e direitos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 28/02/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 28 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 324 5 Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do provimento parcial dos pedidos formulados pelo Impugnante dado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do Acórdão recorrido, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos a que se referem os pedidos contemplados pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA CONDIÇÃO DE OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL O Recorrente ignora a existência de qualquer ato administrativo indeferindo a sua opção pelo Simples ou excluindoa do Sistema Simplificado, emitido pela Administração tributária da Receita Federal ou de qualquer outro ente da Federação. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, mostrase alvissareiro trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 325 7 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração de Obrigação Principal um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Vencidos tais prolegômenos, e doravante atendose às alegações recursais, se nos afigura que os argumentos exortados pelo Recorrente não merecem a guarida por ele pretendida. Compulsando os autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13894.720831/201197, constatamos que a intimação da Empresa ora recorrente relativa ao Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional referente à solicitação de opção realizada em 18/07/2007 ocorreu após 15 dias contados do registro do aludido Termo, o qual se deu em 1º de outubro de 2007, Número de recibo 00.00.95.04.51, conforme previsto no art. 23, §2º, III, ‘b’ do Decreto 70.235/72, incluída pela Lei nº 11.196/2005. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) (...) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) (...) §2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) (...) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) Tal procedimento de intimação encontrase expressamente previsto nos artigos 29, §8º e 39, §4º da Lei Complementar nº 123/2006. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; III for oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VI a empresa for declarada inapta, na forma dos arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; IX for constatado que durante o anocalendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; X for constatado que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos Fl. 437DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 326 9 de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade. XI houver descumprimento da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 desta Lei Complementar; XII omitir da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. §2º O prazo de que trata o § 1º deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. §3º A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. §4o (REVOGADO); §5º A competência para exclusão de ofício do Simples Nacional obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar. §6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput deste artigo, a pessoa jurídica será notificada pelo ente federativo que promoveu a exclusão. §7º Na hipótese do inciso I do caput deste artigo, a notificação de que trata o §6º deste artigo poderá ser feita por meio eletrônico, com prova de recebimento, sem prejuízo de adoção de outros meios de notificação, desde que previstos na legislação específica do respectivo ente federado que proceder à exclusão, cabendo ao Comitê Gestor disciplinála com observância dos requisitos de autenticidade, integridade e validade jurídica. (grifos nossos) §8º A notificação de que trata o §7º deste artigo aplicase ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (grifos nossos) Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. §1º O Município poderá, mediante convênio, transferir a atribuição de julgamento exclusivamente ao respectivo Estado em que se localiza. §2º No caso em que o contribuinte do Simples Nacional exerça atividades incluídas no campo de incidência do ICMS e do ISS e Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior alíquota prevista nesta Lei Complementar, e a parcela autuada que não seja correspondente aos tributos e contribuições federais será rateada entre Estados e Municípios ou Distrito Federal. §3º Na hipótese referida no §2º deste artigo, o julgamento caberá ao Estado ou ao Distrito Federal. §4º Considerase feita a intimação após 15 (quinze) dias contados da data do registro da notificação eletrônica de que tratam os §§7º e 8º do art. 29 desta Lei Complementar. (grifos nossos) Não procede, portanto, alegação de que a “na época em que ocorreu o indeferimento não vigorava a ciência eletrônica”. A notificação eletrônica encontrava prevista na Lei Complementar nº 123/2006 desde a sua redação originária. Também não procede a alegação de que “o indeferimento de sua opção em 2007 não produziu nenhum efeito jurídico, por realizado em afronta ao artigo 39 da Lei Complementar 123/2006”. O Recorrente deveria ter lido o citado art. 39 até o seu parágrafo quarto, que prevê expressamente, a modalidade de intimação de indeferimento da opção pelo Simples Nacional por meio eletrônico, com prova de recebimento. In casu, tal intimação se deu em 16 de outubro de 2007, número de recibo 00.00.95.04.51. Conforme taxativamente consignado no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional referente à solicitação de opção realizada em 18/07/2007, a pessoa jurídica dispunha do prazo de 30 dias contados da data de intimação acima referida para impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, dirigida ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento com jurisdição sobre o domicilio tributário do Contribuinte, e protocolizada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Apesar de o procedimento de impugnação ao indeferimento de Opção pelo Simples Nacional restar claramente descrito no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, o Sujeito Passivo em tela somente se dispôs a apresentar tal impugnação em 30/08/2011, quase quatro anos após o exaurimento do prazo normativo, razão pela qual o pedido formulado pelo Contribuinte não foi apreciado, dada a sua intempestividade, conforme assentamento esclarecedor aviado no Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 08/2012, a fls. 62/63, do qual o Recorrente houvese por intimado em 13 de fevereiro de 2012, de acordo com Aviso de Recebimento a fl. 64. Tal constatação revela a carência de fundamento da alegação de que “o fato de não ter sido cientificado do indeferimento da opção prejudicou totalmente a pessoa jurídica, já que, não teve como apresentar defesa adequada contra o ato administrativo, tendo sido negado o seu ingresso posterior ao Simples, por supostamente enquadrado no artigo 17 da LC 123/2006”. (sic) Nessa prumada, na data de protocolização do requerimento almejando a inclusão no sistema SIMPLES com data retroativa, ao argumento de haver sido desenquadrada indevidamente do referido Sistema simplificado, a decisão proferida pela DRF/Guarulhos já havia se tornado definitiva no âmbito administrativo, não sendo mais cabível qualquer rediscussão sobre o mérito, eis que se encontrava permeada com o atributo da coisa julgada administrativa, à qual a Lex Excelsior ordenou respeito. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 327 11 “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V, in fine, do art. 267 do Código de Processo Civil, a coisa julgada figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Diante de tal cenário, configurandose o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional como decisão administrativa em relação à qual não cabe mais recurso nessa Instância, não comporta o presente Processo Administrativo Fiscal mais qualquer debate em torno da questão, em virtude da Coisa Julgada Administrativa, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Dessarte, ao contrário do que afirma o Recorrente, este não se encontra amparado pelo sistema simplificado de tributação do Simples Nacional, devendo recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo na forma prevista na Lei de Custeio da Seguridade Social. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Pela mesma razão, ciente que estava, desde 16 de outubro de 2007, de que a sua opção pelo Simples Nacional houvera sido indeferida, o Recorrente não poderia declarar o código ‘2’ no campo “Opção pelo Simples” das GFIP. Daí a procedência do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 78. Em reforço a tal compreensão, consulta realizada no site http://www8.receita.fazenda.gov.br/SIMPLESNACIONAL/aplicacoes.aspx?id=21 revela que a empresa em tela não figura, nem jamais figurou, como optante pelo Sistema Simplificado de tributação em relevo. Também o Recorrente não produziu qualquer prova de que, um dia, já estivera devidamente amparado pelo regime simplificado de tributação ora em realce. Tal condição de não optante é reconhecida pelo próprio Recorrente, conforme deflui de suas alegações, a fls. 270/271: “Segundo a consulta efetuada pelo relator da decisão recorrida, em 11/12/2012, espelhada às fls. 217 do processo, a situação da Recorrente consta até hoje, como tendo pendência fiscal com o município, impeditivo, até hoje, do seu ingresso no Simples Nacional. Isso decorrente ainda do ilegal indeferimento de sua opção, em 2007. Desde então o acesso da Recorrente ao Simples Nacional encontrase travada, com sérios prejuízos decorrentes desse ilegal e malfadado indeferimento da opção ao Simples, em 2007.” (sic) (os grifos constam no original) Tal excerto, extraído do próprio texto do Recurso Voluntário, demonstra de maneira inequívoca que o Recorrente tinha perfeita consciência de que não se encontrava amparado pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Nessa vertente, mesmo ciente de que o acesso ao Simples Nacional encontravase “travado” por problemas fiscais, com pendências com o município, o Recorrente não cuidou de resolver, primeiramente, tais empecilhos com o município em pauta para, a partir de então, reformular sua opção pelo Simples Nacional. Optou, por sua conta e risco, por se auto enquadrar como empresa optante do Simples Nacional, declarando tal condição nas GFIP referentes ao período de apuração, e recolhendo as contribuições previdenciárias ora exigidas na forma prevista na Lei Complementar nº 123/2006, mesmo ciente, desde 16 de outubro de 2007, de que a opção pelo Simples Nacional requerida em 18/07/2007 houvera sido indeferida. 2.2. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente alega que não houve a demonstração de máfé ou de dolo a justificar a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais. Sem razão. A fraude se manifesta, in casu, na ação premeditada tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a modificar as suas Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 328 13 características essenciais, mediante a volitiva e consciente declaração nas GFIP da condição de optante pelo Simples Nacional, mesmo sabedor de que tal pretensão houvera sido indeferida pelo órgão competente, com vistas a reduzir o montante do tributo devido. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Corrobora a compreensão acerca da existência de fraude o fato de o Recorrente alegar que a prestação de transportes intermunicipais e interestaduais de carga serem tributados na forma do anexo III da Lei Complementar nº 123/2006, o qual prevê a destinação de tributos referentes ao IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP e ISS, além da contribuição previdenciária. Ora, se a tributação do Simples Nacional na forma do anexo III já inclui a tributação relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, porque razão a empresa Recorrente, nos anos calendários de 2009 e 2010, foi tributada pelo lucro presumido ? Em outras palavras: Para o IRPJ a empresa se declara com optante pelo lucro presumido, não pelo Simples Nacional. Porém, em relação às contribuições previdenciárias, a empresa declara nas GFIP ser optante do Simples Nacional. Não ressobram dúvidas de que a Autuada, conscientemente, visou a induzir o Fisco Previdenciário a erro, mediante o artificio da declaração do código ‘2’ no campo “Opção pelo SIMPLES” das GFIP, de maneira divorciada da realidade dos fatos, eis que sabedora, desde 16/10/2007, de que a sua opção pelo Simples Nacional houvera sido indeferida, mas com aptidão para conferir uma sofismática aparência de legalidade aos recolhimentos efetuados de acordo com o Sistema Simplificado de Tributação ora em xeque, encobrindo, dessarte, as circunstâncias materiais de Fatos Jurígenos Tributários que implicariam a tributação de contribuições previdenciárias na forma prevista na Lei de Custeio da Seguridade Social, reduzindo com tal conduta, de maneira consciente e voluntariosa, o montante do tributo devido a título de contribuição patronal. Colimou a Autuada, mediante tal ardil, afastar das dependências da empresa em realce a Fiscalização Previdenciária, pela compreensão de que “empresa que aparentemente nada deve ao Fisco, por este não é fiscalizada in loco”. A consciência da Autuada de que não podia desfrutar dos benefícios do Simples Nacional se mostra às claras pelo fato de a empresa ter protocolizado, em 30/8/2011, petição formal requerendo “a inclusão no Sistema Simples, com data retroativa, devido à Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 mesma ter sido desenquadrada indevidamente”, circunstância que revela ser a empresa sabedora de que não se encontrava abraçada pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. A volição de suprimir tributo também pode ser apurada pelo fato de a empresa, mesmo tendo tomado ciência, em 13/02/2012, do Despacho Decisório nº 08/2012 da DRF/GUA/SEORT, que indeferiu seu pedido de inclusão no Simples Nacional, com data retroativa, até a data de início do vertente procedimento fiscal, 01/08/2012, não ter dado início a qualquer procedimento, o mínimo que fosse, tendente a retificar o campo “Opção pelo SIMPLES” das GFIP dos exercícios de 2008 a 2011, apostando na ineficiência da Fiscalização Previdenciária para apurar e constituir de oficio os créditos tributários de que é titular. Ao contrário ! Continuou o informando o código 2 no campo “Opção pelo Simples”. Nessa esteira, a ação volitiva e consciente perpetrada pela Autuada, por conferir aparente regularidade no recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, é tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como acerca das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Diante de tal quadro fático, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização nas dependências do sujeito passivo tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da natureza e das circunstâncias materiais de ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e da real condição de não optante pelo Simples da pessoa jurídica Contribuinte. A operação fraudulenta levada a efeito pela Autuada configurase, coloquialmente falando, como verdadeiro “estelionato tributário”, uma vez que tem por objetivo obter vantagem ilícita, consistente na redução indevida da tributação previdenciária, em prejuízo da Seguridade Social, induzindo o Fisco Federal em erro, mediante declaração de ser empresa optante do Simples Nacional, mesmo sabedora, desde 16/10/2007, de que sua opção pelo Sistema Simplificado em realce houvera sido indeferida pelo órgão competente. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude e da sonegação, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Em reforço a tal assertiva, atentese que, em razão da prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, consistente na declaração do código ‘2’ no campo “Opção pelo Simples” das GFIP, sabedora de que não se subsumia a tal condição, a empresa reduziu o montante de contribuição previdenciária destinada ao custeio da Seguridade Social e suprimiu as contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, conduta essa que, em tese, configura crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º, I da Lei nº 8.137/91, motivando a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, constituída em autos apartados, representando ao órgão competente para a persecução criminal. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 329 15 II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. A insurgência do Recorrente em face da formalização da Representação Fiscal para Fins Penais não tem, portanto, fundamento. Atentese que o art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 330 17 omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de concessão de liminar postulado na ADIn nº 1.571, proclamou que o art. 83 da Lei 9.430/96 não estipulou uma condição de procedibilidade da ação penal por delito tributário. Consignou o STF que tal dispositivo dirigiuse apenas a atos da administração fazendária, prevendo o momento em que a notitia criminis acerca de delitos contra a ordem tributária, descritos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90 deveriam ser encaminhada ao Ministério Público. (Informativo STF nº 64, 1728 mar. 97, p. 1 e 4). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (grifos nossos) Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Ao contrário do tipo penal previsto no art. 2º, I, da Lei 8.137/90, consoante clássica diferenciação, pertence à categoria denominada delito formal, isto é, descreve o resultado naturalístico (supressão de pagamento de tributo), mas não o exige para a consumação formal do delito, os delitos previstos no art. 1º da Lei 8.137/90 são qualificados como crimes materiais, havendo a necessidade de se aguardar a decisão administrativa, para somente então poder ser intentada a ação penal. Dessarte, não havendo Notificação Fiscal ou Auto de Infração válido e/ou definitivo, não se pode dar, em tese, por caracterizado o crime, Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 331 19 nem sequer excogitar sua materialidade, pois o artigo 142 do CTN estatui ser competência privativa da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento; Por outro lado, o artigo 5º, inciso LV, da CF, garante, ademais, a todo e qualquer contribuinte o direito de impugnar o lançamento tributário; Ademais, o art. 34 da Lei 9.249/95 concede ao sujeito passivo a alternativa de pagar o tributo devido e seus acessórios antes da denuncia, para ver extinta a punibilidade dos crimes descritos nos artigos 1º e 2º da Lei n. 8.137/90; Nesse contexto, o Pretório Excelso, por maioria, acolheu e aprovou proposta de edição da Súmula Vinculante nº 24, com o seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. No caso presente, a Fiscalização apurou conduta comissiva que representa, em tese, crime contra a ordem tributária nos termos dos artigos 1º, I da Lei nº 8.137/90. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituem autos apartados que permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Cumpre ressaltar, por relevante, que a prestação da RFFP ao Ministério Público não se consubstancia em hipótese de quebra de sigilo fiscal, conforme se depreende dos termos insculpidos no art. 198, §3º, I do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 (...) §3º Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo dos Autos de Infração em litígio, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. Quanto à lavratura do Termo de Arrolamento de Bens pela Fiscalização, há que se considerar que tal atribuição decorre diretamente de determinação contida na legislação tributária, não possuindo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais competência para sindicar a conveniência e oportunidade da lavratura de tal Termo, mas, tão somente, para julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 3. DO RECURSO DE OFÍCIO. O Órgão Julgador de 1ª Instância, ao verificar que a autoridade fiscal não houvera deduzido do crédito tributário ora lançado os valores correspondentes à contribuição previdenciária contidos nos recolhimentos efetuados pelo Sujeito Passivo na sistemática do Simples Nacional, procedeu à dedução de tais montantes, na forma exposta nas planilhas demonstrativas a fls. 220/221 dos autos, e recorreu de ofício de sua decisão. Não merece reparo, todavia, o provimento levado a efeito pela DRJ/CPS, uma vez que se houve por realizado em conformidade com o entendimento adotado por este Conselho Administrativo, devidamente resumido no verbete da Súmula 76 do CARF, motivo pelo qual se nega provimento ao Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 332 21 Arlindo da Costa e Silva Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.922967/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 171 1 170 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.922967/201157 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.958 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2013 Matéria PIS DCOMP Recorrente FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/02/2005 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 29 67 /2 01 1- 57 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal de IRPJ, vencido na data de 30/11/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 07/12, transmitida na data de 18/08/2008, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de janeiro de 2005, recolhida em 15/02/2005. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 05. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 0238.069, datado de 20/03/2012, às fls. 63/67, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.922967/201157 Acórdão n.º 3301001.958 S3C3T1 Fl. 172 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 74/96), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de janeiro de 2005 e recolhida em 15 de fevereiro do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de janeiro de 2005, no valor de R$2.082,56, efetuado por meio de darf, de mesmo valor, recolhido em 15/02/2005, visando à compensação de débito do IRPJ, no valor de R$2.082,56, vencido em 30/11/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de janeiro de 2005: a) débito de PIS, no valor de R$2.082,56; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no mesmo valor. Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$2.082,56 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta, a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 100/107, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 133/169, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.922967/201157 Acórdão n.º 3301001.958 S3C3T1 Fl. 173 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de janeiro de 2005 e recolhida em 15 de fevereiro do mesmo ano era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de janeiro de 2005, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12897.000201/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
CSLL. TRIBUTAÇÃO RECORRENTE .
Aplica-se à autuação tida como decorrente o resultado do julgamento no processo que lhe deu origem.
Numero da decisão: 1402-001.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento.Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN/SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 CSLL. TRIBUTAÇÃO RECORRENTE . Aplicase à autuação tida como decorrente o resultado do julgamento no processo que lhe deu origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento.Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 02 01 /2 00 9- 95 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2004 no valor de R$ 926.046,13 e R$ 333.376,59; respectivamente, incluindo juros de mora e multa de ofício aplicada no percentual de 75%. A autuação decorreu de ajuste de preços de transferência relativamente a alguns insumos adquiridos pelo sujeito passivo junto a pessoas ligadas domiciliadas no exterior e utilizados na produção de bens comercializados no país. A autoridade lançadora utilizou o método PRL60 tendo como base a Lei 9.430/96 e a Instrução Normativa (IN) SRF nº 243/2002. O sujeito passivo apresentou impugnação onde preliminarmente faz um histórico da legislação que rege a matéria. A seguir, questiona a metodologia estabelecida na IN que implicaria em aumento da carga tributária e suscita a ilegalidade desse instrumento normativo que teria extrapolado os limite estabelecidos na Lei nº 9.430/96. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1233.695 (sessão de 14/10/2010) considerando improcedente a impugnação. No entendimento do Órgão julgador não caberia à esfera administrativa analisar qualquer aspecto de validade da IN/SRF nº 243/2002 sendo, portanto, totalmente legítima a utilização na apuração dos preços de transferência pelo método PRL60. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este colegiado repisando os argumentos utilizados na peça impugnatória e acrecentando a necessidade de controle da legalidade dos atos administrativos pela autoridade . É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo e foi apresentado por signatário legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A linha argumentativa principal do sujeito passivo dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, na aplicação do método PRL60 para ajuste de preços de transferência ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. Defende a obediência exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois segundo alega a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 4 5 PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo com base na revogada IN SRF 32/2001, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Fl. 430DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 5 7 Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 431DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 6 9 No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas Fl. 433DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 7 11 bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 435DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.900181/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância.
O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância. O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 183 1 182 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.900181/201019 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.029 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria IPI DCOMP Recorrente CADAM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância. O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 01 81 /2 01 0- 19 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belém que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu, em parte, o pedido de ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI às fls. 02/16, apurado para o 1º trimestre de 2003, e, conseqüentemente, homologou, em parte, as compensações informadas nas Declarações de Compensação (Dcomp), objeto deste processo, transmitidas a partir de 19/01/2006. O deferimento parcial do pedido de ressarcimento e, conseqüentemente, a homologação parcial decorreram de glosas de créditos aproveitados indevidamente pela recorrente sobre custos que não se enquadram no conceito de insumos utilizados no seu processo industrial, conforme Relatório Fiscal às fls. 90/95 e Despacho Decisório às fls. 63. Inconformada com aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 72/80), insistindo no ressarcimento integral do valor pleiteado e na homologação das compensações declaradas, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) Preliminarmente, quanto à tempestividade: ‘Em 23.03.2011 (quarta feira), a REQUERENTE foi intimada do despacho decisório (Doc. N° 03) que homologou parcialmente o seu pedido de compensação. Vêse, pois, que é tempestiva a presente manifestação de inconformidade, eis que protocolada dentro do prazo de 30 dias previsto no art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 66 da IN/RFB n° 900/2008, isto é, até o dia 22.04.2011 (sextafeira), inclusive.”; b) No mérito, alega que o entendimento da Unidade, baseado no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, não merece prosperar, uma vez que tal parecer extrapola o teor do art. 164 do RIPI, afrontando o princípio da legalidade, além de não se encontrar em consonância com os precedentes firmados nos Conselhos de Contribuintes e nos Tribunais do País, tendo sido todos os materiais adquiridos consumidos na produção; c) Solicita perícia, indicando questionamento e perito, e pede o provimento de sua manifestação.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ não conheceu dela, conforme Acórdão nº 0124.182, datado de 08/02/2012, às fls. 132/134, sob a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, apresentar manifestação contra a decisão da Unidade de origem. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 140/151), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de ressarcimento e se homologuem as compensações declaradas, alegando, em síntese: (i) em preliminar, a possibilidade de analisar a manifestação de inconformidade interposta de forma intempestiva e, consequentemente, anular a decisão recorrida e determinar à autoridade julgadora de primeira instância que profira nova decisão enfrentando as questões de mérito, expendidas na manifestação de inconformidade; e, (ii) no mérito: a) a nulidade de despacho Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900181/201019 Acórdão n.º 3301002.029 S3C3T1 Fl. 184 3 decisório por ausência de descrição dos fatos e fundamentação legal; e, b) a documentação apresentada comprova o ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. No entanto questão preliminar prejudica o conhecimento das questões de mérito nele expendidas e, conseqüentemente, seu julgamento nesta fase recursal. A autoridade julgadora de primeira instância não conheceu das razões de mérito da impugnação, com fundamento no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 15, c/c o art. 23, pelo fato de aquela ter sido interposta a destempo, ou seja, depois de decorridos mais de 30 trinta dias, contados da data em que a recorrente foi intimada do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp em discussão. Em seu recurso voluntário, a recorrente reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade interposta por ela. Contudo, em face dos princípios da razoabilidade e da verdade material, suscitou a possibilidade de sua análise e julgamento pela autoridade julgadora de primeira instância, com a conseqüente anulação, por esta Turma Ordinária de Julgamento, da decisão de primeira instância e a determinação para que outra seja proferida por aquela autoridade com o enfretamento do mérito. Ao contrário do sei entendimento, inexiste amparo legal para se anular a decisão recorrida e para se determinar a prolação de uma nova pela autoridade julgadora de primeira instância. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que instituiu a compensação de créditos contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), assim dispõe: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...]. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...].” Por sua vez, o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, estabelece: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” No presente caso, conforme demonstrado na decisão recorrida e reconhecido pela própria recorrente a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente. Assim sendo, a apreciação e julgamento das matérias de mérito, expendidas no recurso voluntário, ficaram prejudicadas. O recurso voluntário somente teria cabimento quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade decidida em primeira instância, contudo esta não foi suscitada. Aquele decreto assim dispõe: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Conforme demonstrado anteriormente, a recorrente não contestou a perempção decidida em primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.003392/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. MPF. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. MERA IRREGULARIDADE. NATUREZA DO MPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
A falta de prorrogação do MPF, em caso de ação fiscal encerrada dias antes do prazo de validade do mandado, não é causa de nulidade do lançamento, dada a natureza de instrumento de controle interno do MPF e a ausência de prejuízo na defesa da recorrente.
NULIDADE. INTIMAÇÃO PARA PRESTAR JUSTIFICATIVAS. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PELO FISCO. NATUREZA INQUISITÓRIA DA AÇÃO FISCAL.
Dada a natureza inquisitória do procedimento fiscal, durante o qual o fisco não imputa acusação contra o contribuinte, a fiscalização não tem a obrigação de intimar a empresa para prestar esclarecimentos, quando já dispuser de informações suficientes para efetuar o lançamento, cabendo ao sujeito passivo contestá-lo na fase litigiosa, que tem início com a interposição da impugnação.
Numero da decisão: 1801-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 NULIDADE. MPF. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. MERA IRREGULARIDADE. NATUREZA DO MPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A falta de prorrogação do MPF, em caso de ação fiscal encerrada dias antes do prazo de validade do mandado, não é causa de nulidade do lançamento, dada a natureza de instrumento de controle interno do MPF e a ausência de prejuízo na defesa da recorrente. NULIDADE. INTIMAÇÃO PARA PRESTAR JUSTIFICATIVAS. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PELO FISCO. NATUREZA INQUISITÓRIA DA AÇÃO FISCAL. Dada a natureza inquisitória do procedimento fiscal, durante o qual o fisco não imputa acusação contra o contribuinte, a fiscalização não tem a obrigação de intimar a empresa para prestar esclarecimentos, quando já dispuser de informações suficientes para efetuar o lançamento, cabendo ao sujeito passivo contestá-lo na fase litigiosa, que tem início com a interposição da impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. MPF. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. MERA IRREGULARIDADE. NATUREZA DO MPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A falta de prorrogação do MPF, em caso de ação fiscal encerrada dias antes do prazo de validade do mandado, não é causa de nulidade do lançamento, dada a natureza de instrumento de controle interno do MPF e a ausência de prejuízo na defesa da recorrente. NULIDADE. INTIMAÇÃO PARA PRESTAR JUSTIFICATIVAS. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PELO FISCO. NATUREZA INQUISITÓRIA DA AÇÃO FISCAL. Dada a natureza inquisitória do procedimento fiscal, durante o qual o fisco não imputa acusação contra o contribuinte, a fiscalização não tem a obrigação de intimar a empresa para prestar esclarecimentos, quando já dispuser de informações suficientes para efetuar o lançamento, cabendo ao sujeito passivo contestálo na fase litigiosa, que tem início com a interposição da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 33 92 /2 00 8- 51 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ano calendário 2004, e de multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de CSLL do período 09/2004. O auto de infração de CSLL (fls. 03/10) exige o recolhimento de R$ 45.406,84 de contribuição, R$ 34.055,13 de multa de lançamento de ofício, e R$ 536,88 de multa isolada, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Insuficiência de recolhimento da CSLL: no período de 12/2004. Enquadramento legal nos arts. 841 incisos I, III e IV do RIR/1999. Multa de 75%; Multas isolada. Falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada: no período de 09/2004. Enquadramento legal nos arts. 222 e 843 do RIR/1999; art. 44, §1° da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 106, inciso III, “c” do CTN. Foi interposta impugnação (fls. 83/88), que foi julgada improcedente pela DRJ/Brasília, conforme acórdão de fls. 110/116, prolatado em 28/01/2010. Cientificada da decisão em 15/02/2012, conforme AR de fl. 128, tempestivamente, em 15/03/2012, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 129/137, por meio de seu procurador (procuração à fl. 138), que se resume a seguir: a. Alega que o desenvolvimento da ação fiscal, foi autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n°. 03.1.01.002007005829, datado de 30/10/2007, não constando o tempo ou a data para conclusão da fiscalização, como determina o CTN em seu artigo 196. A ação fiscal foi realizada fora do estabelecimento e em 127 dias durante o período de 30/10/2007 a 06/03/2008, conforme pode ser visto nos termos de abertura e conclusão da fiscalização, acostados aos autos, extrapolando o prazo determinado na Lei n°. 5.172 de 25/10/1966 e no Decreto n°. 70.235 de 06/03/1972; b. Frisa que a Fiscalização ao lavrar o auto de infração, com procedimentos fiscais ao arrepio da legislação, exorbitou de seus poderes, razão por que se impõe a anulação do mesmo, por ter ferido o princípio da legalidade objetiva que consiste na obrigação, que tem a administração tributária, de observar rigidamente o disposto na lei, pois que o lançamento é uma operação que a lei quer vinculada e obrigatória, como determina o artigo 142 do CTN e o princípio da garantia de defesa; c. Entende que, havendo sido o auto lavrado fora do estabelecimento, sem, ao menos, serem pedidas explicações ou esclarecimentos sobre eventuais falhas ou irregularidades, tornase evidente a ruptura do contraditório, o que faz do presente auto abusivo e nulo; d. Cita doutrina; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.003392/200851 Acórdão n.º 1801001.723 S1TE01 Fl. 142 3 e. Aduz que, se o Agente do Fisco encontra qualquer diferença, antes de autuar, deve intimar o contribuinte, por escrito, na pessoa de seu representante legal, a prestar no prazo razoável todos os esclarecimentos necessários, da origem ou das causas da pretensa infração constatada (no caso, presumida). O procedimento é essencialmente obrigatório em obediência ao princípio do contraditório assegurado pela própria Constituição Federal. O princípio do contraditório deve ser observado mesmo na fase que precede à lavratura do auto de infração e da imposição de multa, porque depois de lavrada a peça básica que será julgada pelo próprio Fisco, qualquer tentativa de descaracterizar a infração será inútil. Só por este motivo, há de ser o presente Auto de Infração declarado nulo ou insubsistente; f. Afirma que o lançamento não está correto, já que a diferença que o Autuante demonstrou em sua apuração nos exercício de 2004, ano calendário 2003 o AuditorFiscal não considerou o crédito remanescente de recolhimentos de estimativas mensais no valor de R$ 181.667,41 como comprova a Recorrente, com os seguintes documentos, constantes dos autos: i) Cópia da Ficha 17, página 1 da DIPJ do exercício de 2004, ano calendário 2003, recebida pela RFB, Protocolo do Recibo de Entrega número 37.44.84.24.70 (4118478432) para comprovação do crédito remanescente no valor de R$ 181.667,41; ii) Cópia da Ficha 7, página 1 da DIPJ do exercício de 2005, ano calendário 2004, recebida pela RFB, Protocolo do Recibo de Entrega número 13.70.99.11.15 (0253391128) para comprovação de que o crédito remanescente foi aproveitado (compensado), parcialmente, com a CSLL devida do ano calendário 2004, restandolhe um crédito (saldo) de R$ R$ 136.260,57, conforme planilha de cálculo anexa; iii) Anexo Planilha com Demonstrativo dos cálculos/apuração da CSLL devido e compensado no ano de 2004, para rebater os cálculos errados da fiscalização, ou melhor dizendo, a falta de inclusão do crédito remanescente da Autuada; g. Ao final, requer seja: i) considerado nulo de pleno direito, o auto de infração ora questionado, lavrado contra a Recorrente, por não cumprir as formalidades legais da legislação que dispõe sob o processo administrativo fiscais, principalmente, pela falta do cumprimento do prazo para a conclusão da ação fiscal desenvolvida que deu origem à lavratura do auto de infração ora questionado; ou ii) O auto de infração que ora se cuida, julgado IMPROCEDENTE, por carecer de fundamento de fatos e direito e consequentemente invalidados seus desdobramento jurídicos que possam resultar na sua exigibilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O contribuinte foi autuado, mediante auto de infração, pelo qual foram exigidos créditos tributários de CSLL, relativos ao três primeiros trimestres do ano calendário de 2004, e de multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de CSLL do período 09/2004. Os lançamentos têm origem na insuficiência ou falta de recolhimento, constatada na própria escrituração contábil da empresa. A DRJ/Fortaleza manteve integralmente os lançamentos, em decisão resumida pelo seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Anocalendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Constando do corpo do MPF o prazo para realização do trabalho de fiscalização, assim como a ressalva de sua prorrogação, é inadmissível a alegação de que não teria sido observada a legislação pertinente. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. É válido o auto de infração lavrado fora do estabelecimento do sujeito passivo. DIREITO DE DEFESA. O contraditório e o direito de defesa são exercidos pelo contribuinte na impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento. COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE DECLARAÇÃO. A partir da vigência da Lei nº. 10.637, de 2002, a compensação passou a ser obrigatoriamente efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração própria. No recurso voluntário, a recorrente traz os seguintes argumentos: i) o MPF não menciona o tempo ou a data para conclusão da fiscalização, como determina o CTN em seu artigo 196; ii) a ação fiscal foi realizada fora do estabelecimento e em 127 dias durante o período de 30/10/2007 a 06/03/2008, extrapolando o prazo determinado na Lei n° 5.172 de 25/10/1966 e no Decreto n° 70.235 de 06/03/1972; iii) a fiscalização feriu o princípio da legalidade objetiva e o princípio da garantia de defesa; iv) a fiscalização deixou de intimar o contribuinte a prestar no prazo razoável todos os esclarecimentos necessários, da origem ou das causas da pretensa infração constatada; v) a fiscalização não considerou o crédito remanescente de recolhimentos de estimativas mensais no valor de R$ 181.667,41, conforme provas constantes dos autos. A análise dos fatos revela que as alegações formuladas pela defesa são insubsistentes. O MPF número 03.1.01.002007005829, juntado à fl. 02, foi emitido pela DRF/Fortaleza em 16/10/2007, com ciência pelo contribuinte em 30/10/2007. Ao contrário do que afirma a recorrente, nele consta a informação de que o mandado deverá ser executado até 13/02/2008. Tampouco prevalece a reclamação de que o tempo decorrido de 127 dias teria extrapolado o prazo determinado pelo CTN ou pelo PAF, já que nenhum desses instrumentos legislativos estipula qualquer prazo de duração do procedimento fiscal. Essa matéria é disciplinada por meio de Portaria; ao tempo do início da ação fiscal estava em vigor a Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007, a qual define que a duração máxima do MPFF (fiscalização) é de 120 dias, prazo este que pode ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato o prazo máximo de 60 dias. Antes do final do procedimento fiscal, sobreveio a Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, mantendo os mesmos prazos. Confiramse os dispositivos: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.003392/200851 Acórdão n.º 1801001.723 S1TE01 Fl. 143 5 II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1 º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7 º , inciso VIII. § 2 º Na hipótese do § 1 º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. ____________________________________________________ Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Não consta, nos autos, prorrogação do MPF, que venceu em 13/02/2008, dias antes do final da ação fiscal, a qual ocorreu com a ciência do auto de infração, em 13/03/2008, conforme AR de fl. 81. Entretanto, entendo que tal irregularidade não encerra nenhum óbice ao prosseguimento da ação fiscal, já que compartilho da tese de que o MPF constitui em instrumento de controle interno da RFB, de modo que eventuais irregularidades em sua emissão não invalidam o procedimento fiscal. É essa a jurisprudência dominante na instância administrativa, inclusive no âmbito da CSRF, consoante os seguintes precedentes: Número do Processo 10120.009665/200246, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 23/01/2006, Relator(a) Henrique Pinheiro Torres, Nº Acórdão CSRF/0202.187 Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso. NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. ____________________________________________________ Número do Processo 10120.002508/200391, Tipo do Recurso Recurso Voluntário, Data da Sessão 11/11/2008, Relator(a) Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Nº Acórdão CSRF/01 06.085 Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. Quanto à circunstância de a ação fiscal ter sido realizada fora do estabelecimento, tratase de matéria solidificada na jurisprudência do CARF, que editou a súmula n° 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. É igualmente improcedente a reclamação de que a fiscalização deixou de intimar o contribuinte a prestar no prazo razoável todos os esclarecimentos necessários, da origem ou das causas da pretensa infração constatada, e que assim agido teria violado o princípio da legalidade objetiva e o da garantia de defesa. Há que se compreender que, durante o procedimento fiscal, não se fala em garantia do contraditório, conclusão essa que se extrai até mesmo da leitura do texto constitucional (CF, art. 5° inciso LV), abaixo transcrito, que direciona o princípio ao litigantes e acusados em geral. Na fase fiscalizatória, a exemplo do que ocorre no inquérito policial, não se fala em contraditório porque até então inexiste acusação alguma e portanto sequer pode haver litígio. Além disso, o próprio rito em si é incompatível com o contraditório, que pressupõe uma relação entre três partes (acusador, defensor e julgador). No caso da fiscalização e do inquérito policial todo o procedimento é presidido por uma única autoridade, a quem compete investigar os fatos, sem fazer acusação alguma. Somente após a lavratura do auto de infração e no exato instante em que o contribuinte protocola a peça de defesa é que se instaura a fase litigiosa, esta sim garantida pelo contraditório. Visto assim, se a autoridade fiscal, durante o procedimento fiscal, já dispõe de elementos suficientes para se convencer da existência da infração, não tem obrigação nenhuma de intimar o contribuinte para prestar mais esclarecimentos. LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Finalmente, tampouco merece acolhimento o argumento de que o auditor fiscal deveria ter considerado o crédito remanescente de recolhimentos de estimativas mensais no valor de R$ 181.667,41, apurado no ano calendário 2003. Para tanto, a recorrente indica a DIPJ/2004 que, à fl. 91, revela que houve saldo negativo da CSLL, naquele valor, na apuração ao final do ano calendário 2003. O pleito é inviável, porque o contribuinte entende, Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.003392/200851 Acórdão n.º 1801001.723 S1TE01 Fl. 144 7 equivocadamente, que o fisco deveria ter feito uma compensação de ofício, figura essa que não existe. A compensação, que é modalidade de extinção do crédito tributário, é direito do contribuinte e só ele poderá exercêlo, de sorte que a RFB jamais poderia, substituindo a vontade da pessoa jurídica, proceder a uma compensação de ofício. O papel do fisco, na compensação, é autorizála, a teor do art. 170 do CTN. E mais, a partir da Lei n° 10.632, de 30/12/2002 (ou, mais exatamente, a partir da MP n° 66, de 29/08/2002, que foi convertida naquela lei), a compensação somente pode ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, conforme o art. 74 da Lei n° 9.430/96: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 12268.000720/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
É causa para aferição indireta do salário-de-contribuição o fato da empresa contabilizar os valores concernentes a várias obras de construção civil em um mesmo centro de custo, posto que impossibilita à verificação da regularidade fiscal de cada um dos empreendimentos.
AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO PARA EXECUÇÃO DE EDIFICAÇÕES. MÉTODO CUB.
Tratando-se de aferição indireta das remunerações utilizadas na execução de edificações, deve-se utilizar o método que leve em conta a área construída e o padrão da obra com base no Custo Unitário Básico - CUB.
CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA. FUNÇÕES E ATIVIDADES NÃO COMPONENTES DO CUB. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.
Na obtenção, mediante a aferição indireta, do salário-de-contribuição decorrente de execução de obra de construção civil, não devem ser consideradas as remunerações de trabalhadores e as retenções sobre notas fiscais de serviço que não componham o cálculo do Custo Unitário Básico - CUB.
AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Nos lançamentos em que se justifica aplicação da aferição indireta da base de cálculo, não tendo o sujeito passivo feito prova suficiente quanto à improcedência do lançamento, deve prevalecer o arbitramento levado a efeito pelo fisco.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996.
Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-003.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, ) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração o levantamento AF1 - PARQUE DOS TROPEIROS AFERIÇÃO. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landin, que davam provimento parcial em maior extensão, ao limitarem o valor da multa em 20%, sendo que a conselheira Carolina Wanderley Landim, votou, também, por afastar toda a aferição indireta.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE INTERFERÊNCIA NO CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite o arbitramento das contribuições, motivado por falhas contábeis, quando estas não têm relevância para o cálculo das contribuições. CENTRALIZAÇÃO DE REGISTROS CONTÁBEIS DE VÁRIAS OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES COM BASE NA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. PROCEDÊNCIA. É causa para aferição indireta do saláriodecontribuição o fato da empresa contabilizar os valores concernentes a várias obras de construção civil em um mesmo centro de custo, posto que impossibilita à verificação da regularidade fiscal de cada um dos empreendimentos. AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO PARA EXECUÇÃO DE EDIFICAÇÕES. MÉTODO CUB. Tratandose de aferição indireta das remunerações utilizadas na execução de edificações, devese utilizar o método que leve em conta a área construída e o padrão da obra com base no Custo Unitário Básico CUB. CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO POR AFERIÇÃO INDIRETA. FUNÇÕES E ATIVIDADES NÃO COMPONENTES DO CUB. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Na obtenção, mediante a aferição indireta, do saláriodecontribuição decorrente de execução de obra de construção civil, não devem ser consideradas as remunerações de trabalhadores e as retenções sobre notas fiscais de serviço que não componham o cálculo do Custo Unitário Básico CUB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 07 20 /2 00 8- 89 Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA EM CONTRÁRIO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Nos lançamentos em que se justifica aplicação da aferição indireta da base de cálculo, não tendo o sujeito passivo feito prova suficiente quanto à improcedência do lançamento, deve prevalecer o arbitramento levado a efeito pelo fisco. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 NULIDADE DA DECISÃO A QUO. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS PONTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se aterse aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, ) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II) pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração o levantamento AF1 PARQUE DOS TROPEIROS AFERIÇÃO. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landin, que davam provimento parcial em maior extensão, ao limitarem o valor da multa em 20%, sendo que a conselheira Carolina Wanderley Landim, votou, também, por afastar toda a aferição indireta. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.047 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 40.071 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.188.8794. O crédito em questão trata da exigência de contribuições dos segurados incidentes sobre a remuneração dos segurados que atuaram em obras de construção civil de responsabilidade da empresa autuada. Nos termos do relato do fisco, a remuneração foi aferida indiretamente com base na área construída e no padrão da edificação, tomandose como parâmetro o método do Custo Unitário Básico – CUB. Para justificar o procedimento adotado, a Autoridade Lançadora apresentou dados que comprovariam que a contabilidade da empresa continha informações não condizentes com a realidade econômicofinanceira, que houve a contabilização incorreta de custos das obras, além de que a mãodeobra declarada pela empresa na GFIP seria insuficiente para execução das obras de construção civil fiscalizadas. Para a obra denominada Condomínio Residencial Montreal (CEI n. 50024.83654/74), afirmou o fisco que a escrituração contábil não observou a obrigação de lançar os fatos contábeis em títulos próprios e por obra de construção civil, uma vez que os custos decorrentes da edificação foram registrados no centro de custo “2631 – obras em construção SCP – Jardim Canadá”, no qual eram alocados os lançamentos relativos a três obras independentes (Montreal, Quebec e Vancouver). Em relação à obra Residencial Parque dos Tropeiros (CEI n. 50025.65124/73), o fisco asseverou que fez o confronto dos valores das notas fiscais relativas à compra de concreto usinado com os lançamentos contábeis e verificou que houve lançamentos em duplicidade, com consequente aumento dos custos da obra. O fisco apresentou, para as obras Condomínio Montreal e Residencial Parque dos Tropeiros, estudo detalhado em que tenta demonstrar que a remuneração declarada em GFIP não seria suficiente para conclusão das citadas edificações. O referido estudo tomou como parâmetros o método do CUB e o método da Produtividade da MãodeObra, este baseado em índices de produtividade constantes na Tabela de Composições de Preços para Orçamentos – TCPO. Foram encontrados os seguintes resultados: Obras Rem GFI / Rem CUB Rem GFIP/ Rem TCPO Residencial Montreal 54,10% 35,40% Residencial Pq dos Tropeiros 58,89% 63,40% Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em 06/02/2009, a empresa ofertou defesa, na qual alegou a ausência de motivo para que a sua contabilidade fosse desconsiderada, haja vista não haver na Lei n.º 8.212/1991 a obrigação de que a escrituração contábil seja efetuada por obra de construção civil. Afirmou que a obra Residencial Montreal não teve o seu custo contabilizado em contas individualizadas porque faz parte do empreendimento “Condomínio Jardim Canadá”, composto de três condomínios distintos. Alertou que a contabilização unificada não alterou o recolhimento da contribuição previdenciária. Quanto aos lançamentos em duplicidade para a obra Residencial Parque dos Tropeiros, sustentou que a falha foi regularizada mediante ajuste de exercícios anteriores. Argumentou que o procedimento de comparação do custo da mãodeobra pelos métodos do CUB e da produtividade não autorizam a aferição indireta da remuneração, posto que não se comprovou a existência de erros e omissões contábeis e/ou recusa na apresentação de documentos. O fisco não conseguiu demonstrar, mediante análise contábil e documental, que existiria mãodeobra não declarada pela empresa nas referidas obras. A aferição da mãodeobra, asseverou, não levou em conta o aumento de produtividade provocado pela utilização de novas tecnologias, bem como da forma de execução dos serviços. Chamou a atenção para diversos erros cometidos pelo fisco na sua apuração, quais sejam: a) a Tabela CUB a ser utilizada deveria ser aquela específica para obras do Programa de Arrendamento Residencial – PAR da Caixa Econômica Federal; b) foram excluídos vários recolhimentos de trabalhadores que efetivamente atuaram nas obras em questão; c) Relativamente ao empreendimento Residencial Condomínio Parque dos Tropeiros, há, na competência janeiro de 2007, divergência entre o valor declarado pela empreiteira Sermontel Serviços de Montagens Elétricas Ltda (R$ 3.164,22) e o montante considerado pela fiscalização (R$ 609,40); d) não pode ser desconsiderada a retenção de contribuições sobre as faturas da prestadora KLS Construções, mesmo que a contratada não tenha preparado a GFIP; e) o fisco deixou de aplicar os redutores de área previstos na legislação. Alegou que o lançamento é nulo, por lhe faltar clareza quanto à ocorrência dos fatos geradores. O órgão de primeira instância converteu o julgamento em diligência, de modo que o fisco se pronunciasse sobre os erros apontados pelo sujeito passivo. O processo retornou com a Informação Fiscal, na qual o fisco ponderou que: Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.048 5 a) inexistiu erro quanto à aplicação da Tebela CUB, posto que o sujeito passivo, mesmo intimando, não comprovou que o Residencial Parque dos Tropeiros se referia a obra enquadrada como conjunto residencial popular; b) na aferição indireta da mãodeobra foram excluídas as remunerações das funções que não fazem parte do Custo do CUB, conforme determina a legislação; c) não procede a alegação de que tenha havido erro no valor declarado pela empreiteira Semontel Serviços, posto que o valor adotado pelo fisco foi aquele constante no banco de dados da RFB; d) deve ser feita retificação para incluir na apuração da remuneração da obra Residencial Montreal as notas fiscais n. 22.938; 19.405 e 19.369, todas emitidas pela empresa Hipermix Serviços de Concretagem; e) na apuração da mãodeobra são consideradas as remuneração dos trabalhadores alocados pelas prestadoras de serviço na obra e não o valor retido das notas fiscais de prestação de serviço; f) a base de cálculo dos créditos lançados constitui a diferença entre a remuneração aferidas pelo CUB e a remuneração declarada na GFIP; g) quanto às empresas Sala Impermeabilizações, Engrena Terraplanagens e KLS, não foram apresentadas GFIP específicas da matrícula, mas mesmo que o tivesse, não seriam consideradas, posto se tratarem de serviços de impermeabilização, pavimentação e terraplanagem, os quais não integram o cálculo do CUB; h) não há permissivo legal para redução da área do salão de festas; i) o redutor de área para a churrasqueira foi devidamente aplicado, conforme cálculo apresentado. Cientificada da diligência, a autuada reiterou as razões apresentadas na defesa. Na decisão de primeira instância, afastouse a nulidade do lançamento, sob a justificativa de que as informações e documentos trazidos pelo fisco permitem a perfeita identificação da origem das contribuições lançadas. No mérito, o órgão a quo acatou a retificação sugerida pelo fisco em sede de diligência e, por considerar que a empresa preparou a sua contabilidade de forma inadequada, além de que a mãodeobra declarada seria insuficiente para execução das edificações, julgou parcialmente procedentes as contribuições aferidas indiretamente pelo método CUB. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) todos os processos de débito relativos a mesma ação fiscal devem ser julgados conjuntamente, posto que tratam de matérias conexas; Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 b) o arbitramento das contribuições é ilegítimo, uma vez que a empresa possui contabilidade regularmente formalizada e a sua desconsideração está fundamentada em premissa equivocada; c) a aferição indireta do saláriodecontribuição somente deve prevalecer quando se verifique a total impossibilidade de se extrair da documentação apresentada as remunerações pagas aos trabalhadores a serviço da empresa; d) a estrutura jurídica do “Condomínio Jardim Canadá” (sociedade em conta de participação), formado por três obras independentes denominadas Residencial Montreal, Residencial Quebec e Residencial Vancouver, justifica que a contabilização dos custos tenha se dado em um único centro, a despeito de cada residencial ter sua matrícula no cadastro da Receita Federal; e) os lançamentos contábeis são consistentes e pautados na documentação relativa ao empreendimento, assim, ao contrário do que se afirmou na decisão recorrida, não houve atropelo à Lei n.º 8.212/1991; f) a previsão do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008, determinando a contabilização individualizada por obra, não se presta a impor obrigação aos contribuintes, posto que sua natureza é infralegal, além de que os registros, da forma como foram efetuados, em nada afetaram o recolhimentos das contribuições sociais; g) a força probatória da contabilidade quanto ao cálculo das contribuições não pode ser afastada pela existência das duplicidades de lançamentos apontadas pelo fisco no Residencial Parque dos Tropeiros, uma vez que as irregularidade cessaram em abril de 2007 e o saldo contábil irregular foi saneado mediante ajustes de exercícios anteriores; h) cópias da escrituração contábil comprovam cabalmente a correção do equívoco levantado pela fiscalização, não havendo razão para que não se considere as provas exibidas; i) é fato que as eventuais imprecisões não trouxeram qualquer prejuízo à apuração das contribuições previdenciárias devidas, cujo pressuposto de incidência é a remuneração dos trabalhadores envolvidos na consecução dos empreendimentos; j) ao contrário do que consta no relatório fiscal e na decisão recorrida, nem a falta de escrituração contábil individualizada por centro de custo específico, nem as eventuais duplicidades de lançamento, isoladamente, têm o condão de levar à desconsideração da contabilidade como um todo, mormente porque a tais circunstâncias não afetaram a apuração da contribuição previdenciária; k) a utilização do critério da aferição indireta somente é admissível quando for inviável a correção dos registros contábeis e houver a completa impossibilidade de se apurar o tributo devido com base na escrita; l) o próprio CARF, conforme decisões colacionadas, não chancela o arbitramento pela simples presunção de que a mãodeobra utilizada seria insuficiente para a realização do empreendimento imobiliário; m) o suposto indício de insuficiência de remuneração levantado pelo fisco se mostra inconsistente, na medida em que as particularidades fáticas que circunscrevem a Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.049 7 hipótese confirmam que a mãodeobra efetivamente empregada no período considerado na autuação não pode ser comparada com os padrões normais de construção civil; n) a recorrente demonstrou, exaustiva e justificadamente, os elementos que conduzem ao aumento da produtividade da mãodeobra e reduzem, por conseguinte, a sua utilização nos canteiros, assim, para averiguação da suficiência das horas trabalhadas empregadas nas obras em questão, devese observar as particularidades da tecnologia empregada e da forma de execução dos serviços, sob pena de distorção dos resultados o) o sistema construtivo adotado pela recorrente, em alvenaria estrutural, aliado à utilização do sistema de argamassa industrial, reduzem sensivelmente a utilização de mãodeobra nas suas edificações; p) especificamente para a obra Condomínio Montreal, além das observações acima, o fisco deveria ter considerado que a execução foi levada a efeito adotando a fundação tipo radier, bem como mediante o emprego de peças préfabricadas na confecção das lajes dos pavimentos e de escadas prémoldadas prontas; q) esclareçase que todo o revestimento externo das construções foi realizado com o sistema de argamassa projetada, não havendo trabalhadores envolvidos no transporte horizontal e vertical do produto; r) as instalações elétricas e hidráulicas também foram implementas por sistema construtivo mais célere e menos dispendioso, uma vez que as passagens de tubulações são previamente definidas no projeto, possibilitando a previsão de blocos especiais para tanto, sendo desnecessário cortar/quebrar paredes para embutir instalações, conforme figuras colacionadas; s) a TCPO, utilizada no cálculo das horas orçadas, depende da obra em análise e não pode ser adotada de forma indiscriminada, posto que representa uma média nacional, além de que sequer possui caráter normativo infralegal, capaz de sujeitar os contribuintes aos padrões ali definidos; t) há de se considerar ainda que diversos valores contabilizados não compõem o custo do CUB, o que torna imprecisa a comparação efetuada pelo fisco; u) a TCPO não é aplicável aos chamados “imóveis econômicos”; v) as particularidades dos imóveis em questão poderiam ter sido verificados in loco pela auditoria, porém, esta preferiu trilhar o caminho mais cômodo de fazer ilações que levassem ao arbitramento das contribuições; w) há serviços que não constam nas planilhas orçamentárias porque não foram executados, assim jamais poderiam ser considerados no cálculo das horas orçadas. Essa questão, por não ter sido considerada pela Autoridade Lançadora, levou a grandes equívocos na apuração; x) o quantitativo de horas utilizados pela fiscalização para os serviços de elétrica e hidráulica de ambas as obras está superestimado, conforme índices constantes em diversos trabalhos acadêmicos; Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 y) ao orçar os custos de serviços de alvenaria, o fisco incorporou atividades de transporte, as quais não foram realizadas, posto que estas foram executadas de forma mecânica; z) verificase discrepâncias quanto ao orçamento dos serviços de piso, reboco e aplicação de azulejos, conforme explicações técnicas colacionadas; a1) o método CUB não leva em conta a variação de produtividade entre as diversas regiões do país; b1) apresenta várias particularidades das obras em comento que indicam que a mãodeobra declarada está compatível com os serviços realizados, não havendo motivos para desconsideração de sua contabilidade; c1) no cálculo da remuneração por aferição indireta foram verificados vários erros que comprometem a imputação fiscal, os quais não foram saneados nem mesmo após a realização de diligência; d1) por outro lado, o órgão recorrido deixou de apreciar aspectos relevantes para o deslinde da contenda, limitandose a afirmar que “Quantos aos demais erros, a defesa não logrou comproválos...”; e1) tal procedimento inquina a decisão de nulidade, uma vez que foi preterido o direito de defesa do sujeito passivo, havendo a necessidade de que os autos retornem à primeira instância, de forma que analisem todas as inconsistências apontadas na impugnação; f1) o mais grave dos erros cometidos pelo fisco decorreu do enquadramento da obra, posto na aplicação do método CUB deverseia ter tomado o valor correspondente às obras do Programa de Arrendamento Residencial – PAR da CEF, conforme documentação comprobatória do tipo de edificação, a qual foi acostada aos autos; g1) foram indevidamente desconsideradas as remunerações de vários segurados que laboraram nas obras, sob o injustificável argumento de que esses trabalhadores não fariam parte da composição do CUB; h1) não foram computadas no cálculo da remuneração os custos dos equipamentos utilizados na produção, o que contraria o disposto na NBR 12.721/2006; i1) para o empreendimento Residencial Parque dos Tropeiros, na competência 01/2007, há divergência entre o valor declarado pela prestadora Sermontel – Serviços e Montagens Elétricas Ltda e o montante considerado pela fiscalização; j1) deixouse de considerar diversas remunerações de mãodeobra terceirizada, indiscutivelmente vinculadas às obras, cujas retenções da contribuição foram efetuadas sobre o valor das notas fiscais. Apresenta relação dos prestadores; k1) para aplicação da multa mais benéfica, devese utilizar o cálculo previsto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996. É relatório. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.050 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Julgamento conjunto O pedido para que os processos decorrentes da mesma ação fiscal sejam julgados em conjunto está sendo atendido, posto que foram distribuídos para relatoria deste Conselheiro e todos estão em pauta nesta sessão de julgamento. Nulidade da decisão recorrida Alegou o sujeito passivo que a decisão da DRJ seria nula por não ter apreciado todos os argumentos constantes da impugnação, deixando de enfrentar argumentos defensórios relevantes. Essa tese não merece sucesso. É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Portanto, descabe a alegação de nulidade pelo fato do órgão recorrido supostamente não ter enfrentado todas as alegações apresentadas pelo sujeito passivo na sua defesa, uma vez que a DRJ fundamentou sua decisão com esteio nos elementos que julgou mais se adequarem ao direito aplicável. Aferição indireta O sujeito passivo asseverou que não há justificativa legal para desconsideração de sua contabilidade, de modo que não deve prevalecer o arbitramento das contribuições lançadas, além de que não houve recusa em apresentar todos os elementos requeridos pela Autoridade Fiscal. Façamos um breve passeio acerca da legislação que dá guarida à aferição indireta da remuneração para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. A legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.051 11 Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o fisco justificou a adoção da aferição indireta em três razões, quais sejam: a) falta de contabilização individualizada para a obra Residencial Montreal; b) lançamentos de notas fiscais em duplicidade na contabilização dos custos da obra Residencial Parque dos Tropeiros; c) divergência entre os valores declarados na GFIP para ambas as obras e aqueles obtidos com pelo método CUB e pela Tabela de Composições de Preços para Orçamentos – TCPO. Os erros apontados quanto a escrita contábil foram punidos com a aplicação de multa nos autos de infração há pouco julgados, tendo esse colegiado concluído que efetivamente as infrações se configuraram. Uma pergunta, todavia, mostrase pertinente nesse momento: essas infrações seriam suficientes para que toda a escrita contábil fosse desconsiderada e as contribuições fossem apuradas por aferição indireta? Fazendose uma interpretação sistemática entre as disposições previstas nos §§ 3. e 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, podese chegar a conclusão de que é prerrogativa do fisco a utilização da aferição indireta para se calcular o montante das remunerações pagas para execução de obra de construção civil, desde que o sujeito passivo não apresente os documentos necessários ao cálculo da contribuição devida ou os apresente com deficiência. Nessa toada, somente cabível a aferição indireta do saláriodecontribuição quando o fisco se veja impossibilitado de apurar as remunerações com base nos documentos apresentados pela empresa. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Na espécie, não se registrou a falta de apresentação de documentos necessários a quantificação da mãodeobra, eis que foram disponibilizados folhas de pagamento, GFIP, recibos e notas fiscais, todos com vinculação inequívoca às obras. As falhas contábeis relativas à duplicidade de lançamentos de notas fiscais relativas a obra Residencial Parque dos Tropeiros, foi punida com imposição de multa isolada, mas não leva, entendo, necessariamente à apuração do tributo por arbitramento, posto que não vejo que seja causa de desconsideração total da contabilidade, haja vista que o erro no lançamento de notas fiscais não impede o cálculo da remuneração paga para execução da obra. Sobre essa questão há precedentes do CARF no sentido de que falhas contábeis que não interfiram na apuração das contribuições previdenciárias não podem ser tomadas como motivo para desconsideração total da contabilidade, com consequente apuração das contribuições por arbitramento. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/01/2003 AFERIÇÃO INDIRETA. CUB Não se pode adotar o método excepcional da aferição indireta sob o argumento de imprestabilidade da contabilidade apresentada, quando ocorridos meros equívocos em contas contábeis que em nada dizem respeito à apuração dos salários pagos pela execução de obra de construção civil. (Acórdão n. 2301003.016 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 16/08/2012) ................................................................................................... ..... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por aferição indireta/arbitramento, somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta dos fatos geradores de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples informação da utilização de referida presunção legal, sem que haja a sua devida motivação, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento.(...) Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.052 13 (Acórdão n. 2401002.221 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 20/01/2012) ................................................................................................... ...... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2003 LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, PELO FISCAL AUTUANTE, DA PRESENÇA DOS REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. Apesar do método da aferição indireta ser uma prerrogativa do Fisco para os casos em que a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, quando da lavratura do auto de infração deve ser demonstrada a presença de todos os requisitos indispensáveis para a sua validade, além da juntada dos documentos que orientaram a Autoridade Fiscal, e a apresentação de relatório fiscal devidamente fundamentado com todos os fatos que levaram à desconsideração da contabilidade da empresa, elementos estes que serão importantes para a defesa do contribuinte, não bastando a simples menção de que algumas notas fiscais ou folhas de pagamento não foram contabilizadas. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A base de cálculo e o cálculo do montante devido constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de métodos que resultem em base de cálculo incerta e duvidosa constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Recurso voluntário provido. (Acórdão n. 2402002.126 – 4.ª Câmara /2.ª Turma Ordinária, de 30/09/2011). De se concluir que a apuração por arbitramento das contribuições relativas à obra Residencial Parque dos Tropeiros não deve prevalecer, posto que a justificativa do fisco para desconsideração da contabilidade se funda em falhas que não impedem a apuração do saláriodecontribuição com base nos documentos apresentados e na própria escrita contábil. Para o empreendimento denominado Residencial Montreal a situação muda de figura. O próprio sujeito admitiu que escriturou os custos envolvidos juntamente com os de duas outras obras, o Residencial Quebec e o Residencial Vancouver. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 É que a contabilização em um mesmo centro de custo de fatos contábeis relativos a três obras independentes, além de representar descumprimento de obrigação acessória, impede que o fisco possa fazer o cotejo entre a documentação apresentada e os lançamentos contábeis. Mesmo tendose em conta que houve a apresentação de folhas de pagamento, GFIP, recibos, etc, o fisco estaria impedido de verificar em qual das obras deramse os fatos geradores. Bastante elucidativo o pronunciamento do fisco, quando prestou informações em sede de diligência fiscal: ”A contabilização se fosse efetuada na forma prevista pela legislação em nada comprometeria “a relevância da demonstração da estrutura jurídica do empreendimento”, enquanto, na forma como foi feita, com todos os custos das três obras lançados em um único centro de custos, inviabilizou a auditoria fiscal com base na contabilidade da empresa. Este critério contábil adotado impossibilita a identificação e a segregação, de forma clara e precisa, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias decorrentes da execução de cada obra de construção civil individualmente. Também há uma impossibilidade prática de segregar custos de uma e outra obra, o que inviabiliza qualquer tentativa de auditar a obra com base nos custos incorridos;” Esse posicionamento deixa bem clara a limitação imposta ao fisco pela contabilização centralizada do custo da obra. Posicionome, então, pela validade do procedimento de aferição indireta para apuração do saláriodecontribuição decorrente da execução da obra Residencial Montreal. Passemos então a analisar a possibilidade do arbitramento em face da discrepância entre a contribuição declarada e aquela apurada com esteio no método CUB e na Tabela – TCPO. A princípio o simples fato da mãodeobra declarada divergir dos valores apurados com base em métodos indiretos de aferição não é causa a justificar o arbitramento. Para que esse procedimento seja válido, deve haver o pressuposto da apresentação deficiente de documentos. Assim, a comparação entre os valores declarados em GFIP com as remunerações determinadas pelo método CUB e a pela Tabela – TCPO tem cunho apenas elucidativo, no sentido de reforçar as conclusões do fisco acerca da insuficiência de mãode obra na execução dos projetos de construção civil. À guisa de conclusão, posso afirmar que deve prevalecer o arbitramento em relação à obra Residencial Montreal, devendo ser afastada a aferição indireta para a obra Residencial Parque dos Tropeiros. Aplicação do Método CUB Alega a empresa que a própria aferição levada a efeito pela auditoria, mediante a adoção do método CUB, revelase incorreta, posto que deixou de considerar a remuneração de vários profissionais que aturam na execução das obras. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.053 15 A aferição indireta das remunerações para os serviços prestados em obras de construção civil é feita com base na área e no padrão de execução da construção, conforme determina o § 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Na data do lançamento o procedimento de aferição era normatizado pela Instrução Normativa – SRP n. 03/2005, que assim dispunha: Art. 435 . Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. § 1º Custo Unitário Básico CUB é a parte do custo por metro quadrado da construção do projetopadrão considerado, calculado pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de acordo com a Norma Técnica nº 12.721, de 2006, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, e é utilizado para a avaliação dos custos de construção das edificações. (Redação dada pela IN SRP nº 24, de 30/03/2007) (Vide art. 3º da IN SRP nº 24, de 30/04/2007) § 2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da emissão do ARO referente ao CUB obtido para o mês anterior. (Redação dada pela IN SRP nº 24, de 30/03/2007) (Vide art. 3º da IN SRP nº 24, de 30/04/2007) (Vide art. 3º da IN RFB nº 829, de 18/03/2008) § 3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: I na competência de emissão do ARO; II na competência da emissão das notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, quando a aferição indireta se der com base nestes documentos; III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. § 4º Serão utilizadas as tabelas do CUB divulgadas pelo SINDUSCON: I da localidade da obra ou, inexistindo estas; II da unidade da Federação onde se situa a obra; III de outra localidade ou de unidade da Federação que apresente características semelhantes às da localidade da obra, caso inexistam as tabelas previstas nos incisos I e II deste parágrafo, a critério da chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP circunscricionante da obra. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 § 5º Para obras executadas fora da circunscrição da DRP do estabelecimento centralizador da empresa construtora, serão utilizadas as tabelas divulgadas pelo SINDUSCON ao qual o município a que pertence a obra esteja vinculado ou, inexistindo estas, as tabelas de CUB previstas no inciso II do § 4º deste artigo. Assim, ao utilizar o método CUB para aferição indireta das remunerações decorrentes da execução das obras, o fisco respaldouse na legislação previdenciária, não havendo desvio quanto a utilização deste procedimento, o qual inclusive é admitido pelo Egrégio STJ, como se pode ver da decisão abaixo: PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IRREGULARIDADE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. ART. 33, § 4º, DA LEI 8.212/91. REEXAME DE MATÉRIA PROBATÓRIA. ÓBICE DA SÚM. 07/STJ. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO – CUB. UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 197, DO CTN. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA CDA. SUBSTITUIÇÃO DO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. ARTS. 202 E 203, DO CTN. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 13/STJ E ART. 255, DO RISTJ. PRECEDENTES. 1. Comprovada a irregularidade na escrituração contábil da pessoa jurídica, sujeito passivo da obrigação tributária, pode a Fazenda Pública, nos termos expressos do art. 33, § 4º, da Lei 8.212/91, valerse da aferição indireta dos valores devidos, conforme evidenciado na hipótese. 2. A verificação de eventual equívoco na fiscalização dos documentos contábeis da empresa recorrente, o que, em tese, afastaria a utilização do lançamento por arbitramento, é mister que encontra óbice intransponível na Súmula 07/STJ. 3. A Lei 4.591, de 16/12/64, determinou que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, estabelecesse, dentre outros, critérios e normas para o cálculo de custos unitários de construção, o que foi materializado por intermédio da NB 140, atual NBR 12.721/92, que define os padrões para a apuração do Custo Unitário Básico da Construção Civil – CUB. Esta unidade de medida é calculada mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil –SINDUSCON, não havendo neste ato ingerência do agente previdenciário fiscalizador e tampouco estabelecimento de base de cálculo diversa da legalmente prevista. 4. Improcede a alegada ofensa ao art. 97 (inc. I e IV) do CTN, porquanto a Autarquia Previdenciária, ao utilizar o Custo Unitário BásicoCUB, não instituiu base de cálculo por intermédio de Ordem de Serviço, mas tãosomente aplicou um método para apurála, procedimento que se evidencia inteiramente em sintonia com o § 4º, art. 33, da Lei 8.212/91. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.054 17 5. Na esteira dos precedentes da Corte, a mera substituição do fator de atualização monetária – na hipótese, a TRD pelo INPC , não induz à nulidade da Certidão de Dívida Ativa – CDA, considerando que foi verificado no título todos os elementos exigidos pela Lei 6.830/80, havendo o devedor exercido regularmente o direito à ampla defesa. Ausente, dessarte, qualquer ofensa aos artigos 202 e 203, do CTN (REsp 331.343/MG, DJ 18.03.2002 e REsp 167.592/MG, DJ 17/08/1998, Relator Min. José Delgado) 6. A demonstração do dissenso pretoriano exige a similitude das situações fáticas julgadas, sendo indispensável a realização do cotejo analítico entre as teses em confronto, não se prestando ao mister paradigmas originados no mesmo tribunal recorrido, requisitos que na espécie não foram atendidos. Presente, portanto, o óbice contido na Súmula 13/STJ e artigo 255 do RISTJ. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, nego provimento. (Resp n. 384.528/SC,DJ 10/06/2002) Acerca da exclusão de determinadas remunerações do cálculo do CUB, a IN n. 03/2005 determina que não sejam consideradas para fins de cálculo das contribuições à remuneração relativa a trabalhadores não vinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que estes trabalhadores estejam incluídos na GFIP. Essa é a inteligência do art. 453: Art. 453 . Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados não vinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP referente à obra. Por exigência da Lei n. 4.591/1964, os Sindicatos da Indústria da Construção Civil ficam obrigados a divulgar mensalmente até o dia 5 de cada mês, os custos unitários de construção a serem adotados nas respectivas regiões jurisdicionais, calculados com base nos diversos projetospadrão e levando em consideração os lotes de insumos (materiais e mãode obra), despesas administrativas e equipamento e com os seus respectivos pesos constantes nos quadros da NBR12.721:2006 da ABNT. Todavia, determinados profissionais do segmentos da construção civil não são incluídos na composição do CUB, os quais são enumerados no Anexo VIII da NBR 12.721:2006: 01 engenheiro e arquiteto projetistas; 02 encarregado; 03 almoxarife; 04 auxiliar de almoxarife; Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 05 apontador; 06 demais administrativos da obra. Tendose em conta que as remunerações desses profissionais não figuram no pacote de insumos que formam o CUB, não poderiam tais pagamentos, ainda que informados na GFIP, serem abatidos do cálculo efetuado com base neste parâmetro, uma vez que, por uma questão de lógica, não se pode retirar do custo um item que não foi ali incluído. Também não foram consideradas as retenções efetuadas sobre as faturas das empresas Sala Impermeabilizações, Engrena Terraplanagens e KLS, posto que os serviços executados (impermeabilização, pavimentação e terraplanagem) não compõem o cálculo do CUB. Assim, o inconformismo da recorrente quanto a esse ponto não merece acolhimento. Enquadramento da obra Outra questão que o sujeito passivo apresenta, a qual reputa como grande equívoco da fiscalização, diz respeito ao enquadramento das obras, para fins de aplicação da Tabela CUB. Eis os exatos termos constantes no recurso: “Com efeito, o presente auto de infração toma como base para aferição do saláriodecontribuição o valor do CUB/PR referente ao projetopadrão R8B/PR1 no valor de R$ 731,24. A norma NBR 12721:2006, em sua tabela 4, faz clara referência que, para as obras do Programa de Arrendamento Residencial PAR da Caixa Econômica Federal, que são classificadas como de interesse social, seja considerado o enquadramento como projetopadrão PIS (ANEXO VII). Para o projetopadrão PIS, o valor do CUB/PR em novembro de 2008 corresponde a R$ 553,16, ou seja, bem inferior àquele constante da memória de cálculo elaborada pela Fiscalização. (...) Em 02/05/2012, atendendo ao Termo de Intimação Fiscal n. 01, a Empresa apresentou à fiscalização toda a documentação comprobatória de que o empreendimento foi executado dentro do PAR, nos termos das Leis n. 10.188/2001 e n. 10.859/2004, tendo como agente gestor a Caixa Econômica Federal, tratandose de obra popular de interesse social, nos termos da norma NBR 12721:2006 e art. 437, da IN/SRP n. 03/2005. Os contratos firmados com a Companhia de Habitação Popular de Curitiba – COHABCT e com a sua inclusão dentro do PAR/CEF, bem demonstram que se trata de construção de conjunto habitacional popular, tal como disposto na IN/SRP n. 03/2005. Além disso, o cumprimento dos requisitos para o enquadramento da obra no projetopadrão PIS também restou Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.055 19 comprovado pelo Resumo do Quadro de Áreas apresentado à fiscalização.” Sobre essa questão, o fisco se pronunciou na informação fiscal decorrente da diligência. Eis as palavras do Auditor: “Intimada a empresa, através do Termo de Intimação Fiscal 01, de 25/04/2012, a comprovar que a obra atende a previsão do artigo 437, inciso V, c/c artigo 322, inciso XXV da IN 03/2005, (empreendimento classificado como econômico, popular ou outra denominação equivalente no código de posturas de obras do Município de Curitiba), deixou de fazê lo, limitandose, a partir de documentos que juntou, a afirmar: “Consoante se extrai da documentação anexa, o empreendimento “Residencial Parque dos Tropeiros” foi executado dentro do PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL – PAR, nos termos das Leis nºs 10.188/2001 e 10.859/2004, tendo como agente gestor a Caixa Econômica Federal – CEF, tratandose de obra de interesse social, cujo enquadramento deve ser efetuado como projetopadrão PIS, nos termos da Norma NBR 12.721/2006 e art.437, da IN/SRP nº 03/2005”; Não comprovado que o empreendimento atende ao contido na Instrução Normativa, e estando o auditor fiscal vinculado a esta, mantémse o enquadramento original;” Verificase, portanto, que a alegação de erro de enquadramento ficou restrita ao empreendimento Residencial Parque dos Tropeiros, para o qual me posicionei por afastar a aferição indireta, conforme vimos alhures. Assim, perdeu o objeto a alegação relativa à erro no enquadramento. Da prova em contrário Nos termos do § 4. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, tendose as contribuições sido apuradas por arbitramento, o ônus de fazer prova para desconstituir a exigência é do responsável pela obra. Para se desincumbir desse encargo, a empresa trouxe várias considerações de ordem técnica, no afã de demonstrar que a mãodeobra declarada fora suficiente para executar as obras em destaque. Embora tenha me sensibilizado com os argumentos da recorrente, não devo acatálos, haja vista que as inconsistências que levaram o fisco a seguir a trilha da aferição indireta não foram saneadas. Se antes da ação fiscal o fisco não pode verificar com base na contabilidade todos os fatos geradores, agora também não poderia, posto que a empresa não apresentou os dados relativos aos custos das obras segregados por matrícula CEI, pelo menos no que diz respeito ao empreendimento Residencial Montreal. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Vejo que embora a empresa possa até ter razão em alguns dos argumentos lançados para comprovar a redução da mãodeobra utilizada em razão do aumento de produtividade, verifico que não há uma demonstração consistente da remuneração efetivamente paga aos segurados que laboraram nas obras, mas apenas tentativas de desqualificar o método utilizado pelo fisco para aferir indiretamente o saláriodecontribuição. Conforme, já afirmamos acima é legítima a aferição indireta nas situações em que a contabilidade não apresenta os elementos necessários à apuração da base de cálculo das contribuições, além de que o fisco, ao aplicar o arbitramento, não se desviou da norma previdenciária, portanto, a exigência relativa ao Residencial Montreal é legítima. Da multa aplicada Sobre as contribuições lançadas foi aplicada multa no patamar de 30%, conforme o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Requer o sujeito passivo que a multa seja imposta observandose a nova redação dada ao dispositivo em questão pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento de ofício. Às situações em que houve o sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000720/200889 Acórdão n.º 2401003.150 S2C4T1 Fl. 1.056 21 da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, não há de se acatar o requerimento da empresa, posto que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, impõe multa mais gravosa (75% do tributo não recolhido) que aquela prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, devese manter a multa aplicada no lançamento, posto que a aplicação retroativa da nova legislação conduziria a um valor mais gravoso ao sujeito passivo. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração o levantamento AF1 PARQUE DOS TROPEIROS AFERIÇÃO. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13896.909034/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, deve-se sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada.
Numero da decisão: 3803-004.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Uma vez constatada a ocorrência de contradição entre o resultado da decisão e os fundamentos desta, devese sanear o acórdão com o expurgo dos termos indevidos, de modo a preservar a coerência entre a premissa argumentada e a conclusão adotada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para eliminar a contradição do acórdão. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 90 34 /2 00 9- 12 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 315 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos por SND Distribuição de Produtos de Informática Ltda. contra o Acórdão nº 380303.465, de 23 de agosto de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF). O presente processo originarase de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitido pelo contribuinte supra identificado, relativo a pretenso pagamento da Cofins efetuado a maior, no montante de R$ 412.187,98, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 3.242,10. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação oportunamente, alegando que até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo decidido não reconhecer o direito creditório por falta de prova, não tendo sido autorizada a dilação de prazo para apresentação de documentos e indeferido o pedido de perícia. Inconformado, o contribuinte recorreu a este Conselho e requereu o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, (i) a necessidade de realização de perícia ou diligência, (ii) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; (iii) o direito à compensação da contribuição derivaria do fato de que as receitas financeiras haviam sido incluídas indevidamente na base de cálculo e (iv) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria (alargamento da base de cálculo), retirando do ordenamento jurídico o art. 3º e § 1º da Lei nº 9.718/1998. Posteriormente à apresentação do recurso, o Recorrente trouxe aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 316 3 Em 23 de agosto de 2012, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380303.465, decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, tendo ficado vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Na ocasião, fez sustentação oral o Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. No voto condutor do acórdão, constaram as razões de indeferimento do pedido de perícia, assim como o fato de que, em razão da apresentação, somente em grau de recurso, dos fundamentos de defesa quanto à natureza do direito creditório, tal matéria não seria apreciada, por se encontrar preclusa, pelo fato de não ter sido exposta na primeira instância administrativa, nos termos exigidos pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Como até a impugnação, o contribuinte não havia se pronunciado sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido, essa matéria foi considerada não controvertida nos autos, tornandose não passíveis de apreciação na segunda instância administrativa. Ainda de acordo com o relator, restara controvertido nos autos apenas a existência ou não de um recolhimento do tributo a maior, o pedido de diligência/perícia, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados. Cientificado da decisão desta 3ª Turma Especial em 16 de novembro de 2012, o contribuinte interpôs embargos de declaração no dia 23 do mesmo mês, com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, alegando a ocorrência de omissão, contradição e de obscuridade no acórdão embargado, nos seguintes termos: Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 317 4 a) tendo a Turma Especial se manifestado pela preclusão do seu direito de prova, prevalecera na ocasião, aparentemente, a interpretação literal e mais severa do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, posição essa já superada na jurisprudência do CARF e no Poder Judiciário; b) constou do acórdão embargado apenas o voto vencedor, da lavra do conselheiro relator, tendo sido omitida as razões que conduziram o voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, situação esta que inquinaria de nulidade o acórdão, por preterição do direito de defesa e por ausência de motivação. O voto vencido deve ser juntado aos autos, oportunizandose a reabertura de prazo para defesa (novos embargos de declaração); c) o acórdão não foi suficientemente claro a respeito das razões que levaram o relator a negar provimento ao recurso, em preliminar e no mérito, o que reclamaria o saneamento da decisão; d) a parte dispositiva do acórdão mereceria ajustes quanto às conclusões do voto vencido, pelo fato de ali ter constado que o conselheiro Juliano Eduardo Lirani teria se abstido de votar o mérito, mas teria votado pela conversão do julgamento em diligência, situação essa que demandaria esclarecimentos quanto ao conhecimento ou não do recurso, total ou parcial, à ausência de pronúncia quanto aos demais tópicos suscitados no recurso; e) necessidade da Turma esclarecer o que entende como mérito do recurso, se abrange também o pedido de exame da prova documental; f) existência de contradição entre as razões do voto condutor, a parte dispositiva do voto e a ementa, que pareceriam indicar a inclinação do relator pelo não conhecimento do recurso, por entender tratarse matéria preclusa, enquanto que, ao final, restara decidido o não provimento do recurso nessa parte; g) a diligência requerida, considerada pelo relator como hipótese de inversão do ônus da prova – a despeito de qualquer previsão nesse sentido –, é instituto regularmente disciplinado do Regimento Interno do CARF (arts. 18, I, 50, § 2º, e 58, § 9º) e no Decreto nº 70.235/1972, tratandose de instrumento eficaz e imprescindível à formação do livre convencimento do julgador administrativo que, mesmo na instância revisional, não se encontra submetido às limitações próprias do processo judicial no que diz à apreciação da prova; h) a conversão do julgamento em diligência é também decorrência direta da garantia constitucional do direito de defesa, até por força do que prevê o art. 38, § 2º, da Lei nº 9.784, de 1999, e atende o fim precípuo do lançamento, que é o de constituir somente o crédito efetivamente devido; i) a conversão do julgamento em diligência jamais importará em inversão do ônus da prova em desfavor do Fisco, pois o processo administrativo é inquisitório e o ato administrativo deve ser motivado; j) o laudo contábil apresentado é idôneo e preciso, tendo sido produzido por auditoria independente, sendo, portanto, imparcial; k) não é dever do contribuinte produzir prova negativa ou prova impossível, mas sim demonstrar que a exigência padece de vícios; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 318 5 l) necessidade de recebimento dos embargos de declaração com efeitos modificativos ou infringentes, porquanto assim se encontra autorizado pela interpretação extensiva da lei, bem como pela jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF), para correção de premissa equivocada. Por fim, requereu o Embargante que os embargos fossem recebidos e providos, inclusive em seus efeitos infringentes, de modo a sanar a omissão e esclarecer as obscuridades, bem como corrigir a equivocada premissa em que se fundou a decisão embargada, com modificação da parte dispositiva do acórdão, para dele constar o provimento do recurso no que tange ao pedido de conversão do julgamento em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. Nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Nesse mesmo sentido, afirma Humberto Theodoro Junior1 que os Embargos de Declaração não visam à reforma do acórdão ou da sentença, admitindose a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que as funções dos embargos de declaração “são, somente, afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão”, não servindo “para forçar o ingresso na instância especial” 2. Conforme já decidiram o Supremo Tribunal Federal (STF) 3 e o STJ4, somente em casos excepcionais, quando a decisão embargada encontrase em total dessintonia com a matéria fática presente nos autos, contendo vícios insanáveis decorrentes da inexistência 1 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004, p. 560 e ss. 2 Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo De Instrumento nº 659677, processo: 200500270696SP, Primeira Turma: 28/06/2005. 3 ARE 738259 AgRED / DF DISTRITO FEDERAL, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, j. 18/06/2013, Segunda Turma; RE 372975 AgRED / SP SÃO PAULO, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 21/05/2013, Segunda Turma; ARE 664537 AgR ED / BA BAHIA, EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, j. 16/04/2013, Segunda Turma etc. 4 EDcl no AgRg no HC 183515 / DF, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS 2010/01590664, Relator(a) Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, j. 20/06/2013 etc. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 319 6 das premissas da decisão ou desprovida de fundamentação e, por conseguinte, passível de anulação, vislumbrase a possibilidade de se acolherem os embargos de declaração com efeitos infringentes. A par dessas considerações, verificase, de pronto, que o Embargante postou se assaz reativo aos fundamentos engendrados no voto condutor do acórdão embargado, pretendendo, por via oblíqua, alcançar a reapreciação da matéria litigada na mesma esfera em que decidida. Conforme se demonstrará na seqüência, não se trata o presente caso de hipótese excepcional a exigir a aplicação de efeitos infringentes aos embargos com vistas à prolação de novo acórdão. Registrese, de início, que o Embargante cometera um equívoco ao requerer a juntada aos autos do voto vencido do conselheiro Juliano Eduardo Lirani, pois, no acórdão embargado, o voto do relator restou vencedor, não se aplicando ao caso, por total incompatibilidade, a designação de outro conselheiro para a redação de um outro voto, não importando de que natureza. De acordo com o § 1º do art. 63 do Regimento do CARF5, a figura do voto vencido ocorre nos casos em que o voto do relator não obtém a adesão da maioria da turma julgadora, restando, por conseguinte, vencido, decorrendo dessa hipótese a necessidade de se designar um outro conselheiro para redigir o voto vencedor. Contudo, essa hipótese não ocorreu neste processo, pois, conforme acima já dito, o voto do relator, ou seja, do conselheiro para quem o processo fora sorteado, foi acompanhado pela maioria, excetuandose o já citado conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, diferentemente dos demais membros da turma que decidiram por não prover o recurso voluntário, votou pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos solicitados pelo então Recorrente. Esclareçase que inexiste no Regimento Interno do CARF, ou mesmo no Decreto nº 70.235, de 1972, previsão de juntada de um voto específico contendo as posições dos conselheiros que restaram vencidos no acórdão, havendo, no máximo, a previsão de declaração de voto, mas de caráter facultativo, a depender do interesse do conselheiro vencido em demonstrar a posição por ele defendida, conforme se depreende do contido no art. 63 e §§ do Regimento do CARF. Nesse sentido, não tendo o conselheiro vencido se predisposto a apresentar declaração de voto, a ausência desta no acórdão embargado não pode ser considerada causa de anulação ou de declaração de nulidade da decisão, uma vez que esta, conforme acima apontado, fora formalizada em conformidade com as regras do processo administrativo fiscal. 5 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. § 1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 320 7 Se o conselheiro vencido votara pela conversão do julgamento em diligência, não se pronunciando sobre o teor e a extensão dessa medida, logicamente que essa diligência só pode ser aquela requerida pelo então Recorrente. Não se pode perder de vista que a referida diligência fora matéria vencida por ampla maioria, não gerando qualquer efeito jurídico no presente processo a descrição pormenorizada dos procedimentos que, caso tivesse sido vencida a tese, deveriam ser observados em sua realização. Ainda mais por se tratar de pedido do próprio Recorrente, encontrandose o objeto da lide, nessa matéria, restringido pelo que fora arguido pela parte interessada. No que tange à decisão contida no acórdão embargado quanto à preclusão processual, nada há a reparar, pois tal matéria foi extensivamente abordada no voto do relator, tendo siso apontadas as razões de fato e de direito em que se pautara, bem como os dispositivos legais aplicáveis. O fato de o interessado não concordar com a tese vencedora, mesmo que amparado em posições doutrinárias e/ou jurisprudenciais, não é razão suficiente para que se reaprecie a matéria, dada a inocorrência de qualquer vício a reclamar por reforma. No que se refere ao pedido do Embargante de esclarecimentos quanto ao que a turma considera preliminar ou mérito, e se este abrange também o pedido de exame da prova documental, registrese que, conforme o próprio Embargante apontara em sua peça recursal, o voto condutor do acórdão embargado fora didaticamente elaborado, enfrentandose de início a preliminar de nulidade arguida e, na seqüência, o mérito do recurso, encontrandose abrangido por este toda a matéria enfrentada a partir de então, tudo em conformidade com o art. 59, caput, e § 1º, do Regimento Interno do CARF6. Por outro lado, em um ponto, assiste razão ao Embargante, pois, de acordo com o entendimento externado no parágrafo anterior, por se tratar o pedido de diligência de questão de mérito, não poderia ter constado do resultado do julgamento a afirmativa de que o conselheiro vencido havia se abstido de votar o mérito e ao mesmo tempo votado pela conversão do julgamento em diligência, dada a total incompatibilidade das duas asserções. Essa contradição deve ser reformada. Quanto à alegada contradição entre a decisão de não se conhecer dos argumentos de defesa trazidos aos autos somente em sede de recurso, por preclusão processual, e a conclusão do acórdão embargado de negar provimento ao recurso, conforme se demonstrará a seguir, ela também não merece acolhida. Conforme se verifica do relatório supra, assim como do acórdão embargado e do conteúdo dos embargos ora analisados, para além dos elementos fáticos e das razões de direito considerados preclusos, se encontravam controvertidas nos autos apenas as questões relativas à existência de um pagamento a maior – e aqui merece o destaque que tal possibilidade pode não depender do fundamento de direito da ocorrência desse pagamento a maior, pois este poderia decorrer de mero erro no preenchimento do DARF ou de erro na declaração do valor da contribuição na DCTF – , do pedido de diligência/perícia e da apresentação extemporânea de prova, tendo sido os pedidos correlatos a essas questões não 6 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. § 1° Rejeitada a preliminar, o conselheiro vencido votará o mérito. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 321 8 acolhidos pela turma, nos termos extensivamente expostos no voto condutor do acórdão embargado. Uma vez que os novos argumentos trazidos aos autos somente em sede de recurso não compunham a lide, pois, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fase litigiosa do procedimento é instaurada pela impugnação/manifestação de inconformidade, temse que as outras questões apreciadas, que restaram controvertidas – prova e diligência –, uma vez denegadas, reclamavam uma conclusão contendo a negativa do recurso então interposto, conforme efetivamente se deu. A extensa exposição acerca da preclusão processual justificavase, também, para se fundamentar a negativa à apresentação de documentos a posteriori, matéria essa que compunha o mérito então apreciado, em razão do já dito neste voto quanto à formação da lide no momento da impugnação e ao trânsito em julgado de matéria não impugnada. Por outro lado, há que se ponderar que o acórdão embargado poderia ter especificado, além da negativa do recurso na parte controvertida, o não conhecimento das outras questões consideradas preclusas. Contudo, a falta de agir nesse sentido não importa em omissão ou contradição no acórdão embargado, pois, como se constata de muitas decisões do Poder Judiciário, a negativa de provimento do recurso pode abranger a preclusão processual, conforme se verifica, exemplificativamente, das decisões reproduzidas a seguir: STF. AI 769955 AgR / MG, Relator Min. Gilmar Mendes, j. 04/02/2010, Tribunal Pleno. Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Ausência de peça obrigatória à formação do instrumento (art. 544, § 1º, CPC). Cópia da procuração outorgada aos patronos da parte agravante. 3. Ônus de fiscalização da parte agravante. Precedentes. 4. Juntada extemporânea. Desconsideração. Preclusão consumativa. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) STF. AI 824256 AgR / PR, Relator Min. TEORI ZAVASCKI, j. 19/02/2013, Segunda Turma Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO, BEM COMO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279 E 454/STF. VIOLAÇÃO DO ART. 93, IX, DA CF. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. OFENSA AOS ARTS. 5º, LIV, E 105, III, “A”, DA CF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (grifei) Com base nos excertos supra, constatase que a preclusão processual pode ser abrangida pela decisão de se negar provimento ao recurso, ainda mais quando esta abarca, também, pedidos conhecidos mas não acolhidos pela turma. Por fim, quanto ao pedido de diligência formulado no recurso voluntário, nos termos do art. 18, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF e no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, ele se submete ao juízo da autoridade julgadora administrativa quanto à sua Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909034/200912 Acórdão n.º 3803004.371 S3TE03 Fl. 322 9 necessidade, imprescindibilidade e praticabilidade, devendo ser indeferido o pedido que não se enquadre nessas hipóteses. No presente processo, conforme constou do voto condutor do acórdão embargado, por se tratar de pedido de restituição e declaração de compensação formulados pelo próprio contribuinte, o ônus da prova a ele compete, pois se refere a informações e documentos presentes em sua contabilidade e em seus controles e arquivos internos, não se podendo transferir ao julgador administrativo a tarefa de buscar tais dados, pois, assim agindo, estarseá, efetivamente, invertendo o ônus da prova, daí a negativa do pedido de diligência. Diante do exposto, voto por ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, para excluir do resultado do julgamento do acórdão nº 380303.465 a expressão “abstendose de votar o mérito”, resultado esse que passará a ter o seguinte teor: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que votou por converter o julgamento em diligência.” É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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