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Numero do processo: 13839.909943/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.448
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 99 43 /2 01 2- 31 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.765, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13839.909943/201231 Acórdão n.º 3301004.448 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904205/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.293
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 05 /2 01 2- 48 Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10746.904205/201248 Acórdão n.º 3301004.293 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.854, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.579. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10746.904205/201248 Acórdão n.º 3301004.293 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10746.904205/201248 Acórdão n.º 3301004.293 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10746.904205/201248 Acórdão n.º 3301004.293 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 973DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904628/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 28 /2 01 6- 01 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904628/201601 Acórdão n.º 3201003.517 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.494, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904628/201601 Acórdão n.º 3201003.517 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675906/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 59 06 /2 00 9- 14 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.708, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.675906/200914 Acórdão n.º 3301004.370 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000954/2004-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 07/11/2002 a 28/01/2003
VALORAÇÃO ADUANEIRA. VINCULAÇÃO ENTRE COMPRADOR E VENDEDOR. NÃO AFETAÇÃO DO PREÇO.
O preço praticado não foi influenciado pela vinculação entre exportador e importador.
O preço praticado nas operações de importação já estava pautado por fato concreto e relevante externo a essa relação: Acordo global estabelecido entre empresas não vinculadas para fornecimento de matéria- prima do elastano.
Numero da decisão: 3302-005.390
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro F. Aguiar, José Fernandes do Nascimento e Paulo Guilherme Déroulède que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Jorge Lima Abud para redigir o voto vencedor.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
[assinado digitalmente]
Jorge Lima Abud - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 07/11/2002 a 28/01/2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. VINCULAÇÃO ENTRE COMPRADOR E VENDEDOR. NÃO AFETAÇÃO DO PREÇO. O preço praticado não foi influenciado pela vinculação entre exportador e importador. O preço praticado nas operações de importação já estava pautado por fato concreto e relevante externo a essa relação: Acordo global estabelecido entre empresas não vinculadas para fornecimento de matéria- prima do elastano.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro F. Aguiar, José Fernandes do Nascimento e Paulo Guilherme Déroulède que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Jorge Lima Abud para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. [assinado digitalmente] Jorge Lima Abud - Redator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
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Valoração Aduaneira Recorrente DU PONT DO BRASIL S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 07/11/2002 a 28/01/2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. VINCULAÇÃO ENTRE COMPRADOR E VENDEDOR. NÃO AFETAÇÃO DO PREÇO. O preço praticado não foi influenciado pela vinculação entre exportador e importador. O preço praticado nas operações de importação já estava pautado por fato concreto e relevante externo a essa relação: Acordo global estabelecido entre empresas não vinculadas para fornecimento de matéria prima do elastano. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria do Socorro F. Aguiar, José Fernandes do Nascimento e Paulo Guilherme Déroulède que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Jorge Lima Abud para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. [assinado digitalmente] Jorge Lima Abud Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 54 /2 00 4- 10 Fl. 548DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: O interessado foi autuado em face da inflação "declaração inexata do valor da mercadoria" A autoridade fiscal rejeitou os valores aduaneiros declarados sob o argumento de que a vinculação entre comprador e vendedor afetou o preço e aplicou o segundo método de valor ação aduaneira. Foram lançados imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados, juros de mora e multas de oficio Intimado em 23/7/2004, o interessado apresentou impugnação em 24/8/2004, juntada as fls 196 e ss alega, em síntese: 1 Produz o fio elastano (Lycra), cuja principal matériaprima é o PTMEG (Terathane) 2 No período entre janeiro e outubro de 2002 o Terathane foi negociado a US$ 3,07/Kg FOB Sofreu redução a partir de novembro de 2002 (US$ 2,10/Kg). 3 A redução de preço decorreu da implementação de contrato mundial entre Du Pont e Basf para fornecimento de PTMEG da marca Poly THF (Basf) às unidades industriais da Du Pont (doc 3 — fls. 21545) 4 As mercadorias de marca Poly THF e Terathane são similares, conforme descrito pelo próprio relatório fiscal que fundamenta o auto de infração. 5 O preço praticado pela Basf à Du Pont é em torno de US$ 2,08/Kg 6 O contrato prevê (cláusula 4 1) o fornecimento mínimo de 50.000 toneladas em 2004 e 60.000 nos anos seguintes 7 O impugnante é parte do contrato, o qual lhe permite adquirir o PTMEG por US$ 2,08, proporcionando substancial redução de custos 8 O crescimento da demanda pelo produto não foi acompanhado de aumento da produção do Poly THF , de modo que a Basf não pôde fornecer o produto 9 As unidades da Du Pont da Ásia e da América continuaram a adquirir o Terathane, cujos fabricantes foram obrigados a ajustar o preço em patamar compatível com o Poly THF Fl. 549DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 506 3 10 0 auditorfiscal entende que a redução de preço do Terathane foi fruto dos vínculos corporativos entre fabricante e comprador . 11. A alegação do auditor, de que a Du Pont estaria a abandonar a produção de PTMEG pois não teria condições de produzilo e vendêlo ao preço da Basf não tem qualquer respaldo probatório, expressando especulações e suposições pessoais 12 O principal principio orientador do Acordo de Valoração Aduaneira é o de estimular o livre comércio 13 O acordo busca a preservação da autonomia de vontades das partes que conduzem seus negócios dentro de um padrão de normalidade. 14 A formação do preço de um produto envolve elementos subjetivos e objetivos Os elementos objetivos são determinados a partir do custo do produto negociado, combinado com outros fatores, tais como reputação do vendedor, marca, demanda, concorrência, conjuntura 15 A dinâmica do comércio internacional, norteada pela busca de competitividade e pela concorrência, faz com que as partes vinculadas muitas vezes se comportem como negociadores independentes, buscando melhores condições comerciais, em vez de favorecer empresas coligadas 16 O motivo determinante para a redução do preço do Terathane foi o contrato de fornecimento mundial celebrado com a Basf A vinculação não exerceu qualquer influência no preço 17 Se o contrato com a Basf tem abrangência mundial, não seria correto que, por uma contingência de demanda, apenas as fabricas servidas pela Basf se beneficiem de um PTMEG mais barato, ao passo que as fábricas servidas pela própria Du Pont/Invista arquem com um custo maior 18 O produto passou a ser vendido às fábricas da Ásia e da América a US$ 2,10/Kg, conforme faturas de fls 24654 19 Caso o Terathane tivesse sido mantido nos patamares vigentes antes do contrato celebrado com a Basf, as fábricas de elastano estariam abrindo mão de redução de custos para continuar negociando com empresas vinculadas. Seria um negócio claramente dissonante dos padrões de mercado, no qual os vínculos entre as partes exerceriam influência direta no preço da mercadoria. 20 Cita nota interpretativa ao artigo 1.2 do Acordo de Valoração Aduaneira Fl. 550DF CARF MF 4 21. A autoridade fiscal entende que a concorrência na oferta de um determinado produto não é razão suficiente par a redução do preço 22 O artigo 30, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 327/2003 prevê que a comprovação do valor aduaneiro deve ser feita em face das circunstâncias econômicas do mercado internacional 23 O lançamento viola o artigo 148 do Código Tributário Nacional (CTN) 24 A fiscalização alega, mas não comprova, que a Du Pont/Invista teria sofrido substancial redução em sua produção de Terathane Tratase de uma presunção descompromissada com a realidade dos fatos 25 As alegações fiscais não são suficientes para comprovar que os vínculos existentes entre a vendedora do Terathane e o impugnante foram a causa da redução do preço Diante da ausência de comprovação dos fatos alegados pela fiscalização, suas acusações não podem prosperar Recebida a impugnação pela repartição a quo em face da tempestividade e aspectos formais, os autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento e distribuídos ao relator, com 229 fls A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Exercício: 2002, 2003 VALORAÇA0 ADUANEIRA Vinculação entre comprador e vendedor. Importador admite que a redução do preço visou a equilibrar os custos do produto final nos diferentes prises em que é produzido Omitindose o interessado em seu dever de demonstrar a aceitabilidade dos preços praticados, nos termos do artigo 1 2(b) do Acordo de Valoração Aduaneira, é procedente a rejeição do primeiro método e a aplicação de método substitutivo Lançamento Procedente Após ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho alegando, em síntese: a) que a redução do preço do Terathane não decorreu da vinculação entre importador e exportador; b) se a vinculação não influenciou na fixação do prego de importação, as normas do AVA determinam a aplicação do 1° método de valoração aduaneira, ou seja, determinam que se respeite o valor da transação; c) ainda que admitida a influência da vinculação sobre o preço praticado na importação, a Recorrente trouxe elementos que comprovam a aceitabilidade do preço praticado (US$ 2,10/kg); Fl. 551DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 507 5 d) a aplicação seqüencial dos métodos de valoração aduaneira, determinada pelo artigo 4 do AVA, não foi respeitada; tendo sido omitida à Recorrente a oportunidade de exercer o seu direito à aplicação do 4° método de valoração; e) sequer o 6º método não foi aplicado corretamente pela autoridade aduaneira, a qual chegou a valor desprovido de razoabilidade e que, ao arrepio do preceito da unicidade do ordenamento jurídico, levaria a Recorrente a infringir as regras de preço de transferência, caso tal valor tivesse sido praticado nas suas importações. Através do Acórdão nº 3101.000.608 de 02 de fevereiro de 2011, foi proferido o julgamento, em que, por maioria de votos, decidiu a r. turma, negar provimento ao recurso voluntário interposto perante este E. Conselho, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2002, 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. VINCULAÇÃO ENTRE EXPORTADOR E IMPORTADOR. INFLUÊNCIA NO PREÇO. A redução do preço de matériaprima visando equilibrar os custos do produto final industrializado por empresas vinculadas em diferentes países denota que a vinculação teve influência no preço. Omitindose o importador no dever de demonstrar a aceitabilidade dos preços praticados, nos termos do artigo 1 2(b) do Acordo de Valoração Aduaneira, é procedente a rejeição do primeiro método e a aplicação de método substitutivo Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Em 03/02/2015, a interessada foi cientificada do referido acórdão, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fl. 478. Em 06/02/2015, conforme Termo de Solicitação de Juntada, fl.479, apresentou os embargos de declaração de fls. 480/491, em que alegou vícios de omissão em relação às seguintes matérias: 1 A nulidade da decisão embargada, em razão de a Conselheira designada ad hoc para formalizar o acórdão em comento não ter participado da sessão de julgamento; 2 Falta de apreciação de provas apresentadas pela Recorrente: "III.1 Omissão na análise do contrato com a BASF. Em seu recurso voluntário, a Embargante demonstrou que a redução do preço do Terathane a partir de novembro de 2002 decorreu da implementação de um contrato mundial de fornecimento celebrado entre as sedes dos grupos Du Pont e BASF, por meio do qual esta empresa se obrigou a atender às unidades de elastano da Du Pont (dentre as quais, a do Brasil) com o PTMEG de sua produção, comercialmente denominado PolyTHF. Fl. 552DF CARF MF 6 (...) O que a Embargante pretendia demonstrar com essa argumentação é que a redução do preço do PTMEG não decorreu de seu vínculo com os exportadores, mas sim de novas conjecturas do mercado internacional deste produto.(grifei). Para comprovar suas alegações, a Embargante pretendia que a valoração aduaneira levasse em consideração o contrato mundial de fornecimento celebrado com a BASF. Assim o fez porque o art. 30, §§ 1º e 2º, inc. II, da Instrução Normativa n° 327, de 9 de maio de 2003, da Secretaria da Receita Federal, observado o seu Anexo III, item 2, letra "a", item 3 e item 5, determina que o contrato relativo ao fornecimento de bens e serviços é meio de prova hábil a comprovar o valor da transação. (...) No entanto, nenhuma atenção foi dada a este documento.grifo do original). A bem da verdade, no que tange ao contrato firmado com a BASF, o acórdão embargado se limita a repetir o argumento utilizado pela decisão de 1º instância, a saber (fls. 466): Pergunta: não fosse a vinculação entre as Du Pont, que pressupõe defesa dos interesses econômicos do grupo como um todo, qual o objetivo em reduzir o preço de um produto ao preço de seu similar, fabricado por outra empresa? Ao proceder dessa forma, revelase notória a omissão do acórdão embargado quanto à análise jurídica do documento apresentado pela Embargante, especialmente porque esse documento tem valor jurídico, por expressa previsão normativa, para comprovar o valor da transação. Afinal de contas, que litigante se contentaria em ver seus argumentos de defesa superados por uma simples indagação? Ora, a decisão administrativa deve ser devidamente fundamentada, ainda mais quando se trata de um ponto nodal da tese de defesa do contribuinte, comprovado por meio de um documento legalmente indicado para tanto. Se o acórdão embargado tivesse se debruçado sobre essa prova, teria verificado que não há como pressupor que a redução de preços do insumo importado decorre de vinculação entre as partes, eis que o preço respectivo fora alterado em nível mundial! (...) 3 Falta de apreciação de seu argumento quanto à unicidade do ordenamento jurídico: Omissão quanto ao argumento de unicidade do ordenamento jurídico (preços de transferência) Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 508 7 Em seu recurso voluntário, a Embargante sustentou que o 6o método de valoração aduaneira pautado por um "critério razoável" escolhido pela autoridade aduaneira, jamais poderia conduzir, como ocorreu no presente caso, à indicação de um valor aduaneiro que geraria incompatibilidade com outras normas do nosso ordenamento. Neste ponto, a Embargante se refere à utilização de um valor aduaneiro dito "razoável" que não se compatibiliza com outras normas do próprio ordenamento jurídico, dentre elas as que tratam dos preços de transferência, em especial a norma veiculada no art. 18, inc. I, da Lei 9.430/96. Caso tivesse continuado a praticar US$ 3.07/kg após a queda do preço internacional do PTMEG para US$ 2.10/kg, em razão do contrato de fornecimento com a BASF, a Embargante incorreria em eventual infração à legislação do imposto de renda, sendo fatalmente penalizada com a glosa dos custos respectivos deduzidos na apuração do seu lucro real. Em verdade, ainda que valoração aduaneira e preços de transferência sejam regras absolutamente independentes e desvinculadas, elas pertencem a um mesmo sistema jurídico e devem ser interpretadas harmonicamente e (especialmente o 6º método do AVA). Tratase do princípio da unicidade do ordenamento jurídico. (...)"No entanto, nenhuma consideração a esse respeito foi realizada no acórdão ora embargado. Com efeito, não há enfrentamento da questão. A decisão se limita a registrar que o valor aduaneiro arbitrado pelo fisco foi tomado a partir de diversas importações do Terathane em período anterior ao da vigência do contrato com a BASF." Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 501/504, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o então presidente da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento reconheceu, à exceção do argumento quanto à nulidade, a procedência dos alegados vícios de omissão e determinou a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento, uma vez que a Turma julgadora foi extinta e a Relatora não mais integra nenhum dos colegiados desta 3ª Seção. Através do Acórdão de Embargos nº 3302003.716, de 20/02/2007, fls.526/540, foi anulado o acórdão embargado, nos termos a seguir ementados: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2003 ACÓRDÃO LAVRADO POR REDATOR AD HOC. PREVISÃO DO ART.17, III, RICARF/2015. INEXISTÊNCIA DE VOTO PROFERIDO PELO RELATOR ORIGINÁRIO. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO.INTELIGÊNCIA DO ART. 489 DO CPC. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Fl. 554DF CARF MF 8 A inexistência/ausência de voto proferido pelo relator originário enseja o reconhecimento de inexistência de julgamento propriamente dito, o que torna, por conseqüência lógica, nulo o acórdão proferido pelo redator ad hoc. Diante da primazia do direito constitucional a ampla defesa, a devida prestação jurisdicional e a busca pela verdade material, é de rigor o acolhimento dos embargos de declaração. Conforme despacho de fl.544, o contribuinte teve ciência do Acórdão de Embargos em 05/05/2017. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento em parte, dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de omissão. Examinase as matérias trazidas em sede recursal conforme fundamentos a seguir. Matéria preclusa Observase que houve inovação nas matérias trazidas em sede recursal, notadamente quanto ao teor dos argumentos elencados sob o título de falta de apreciação do argumento quanto à unicidade do ordenamento jurídico, haja vista que essa matéria não foi submetida à análise da decisão de piso, conforme se verifica da peça impugnatória de fls. 198/212 e relatório da referida decisão, fls.265/273. Excertos do Recurso Voluntário, fls.285/303: Como se sabe, são acaloradas as discussões teóricas a respeito da existência ou não de correlação — ou mesmo de vinculação — entre as regras de valoração aduaneira, previstas no AVA, e as regras de preços de transferência, previstas na Lei n° 9 430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que, reconhecidamente, ambas tem como objetivo concretizar o chamado principio at arm's lenght. (grifei) e) sequer o 6º método não foi aplicado corretamente pela autoridade aduaneira, a qual chegou a valor desprovido de razoabilidade e que, ao arrepio do preceito da unicidade do ordenamento jurídico, levaria a Recorrente a infringir as regras de preço de transferência, caso tal valor tivesse sido praticado nas suas importações. (grifei) Destarte, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 509 9 sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), a matéria não contestada de forma expressa na impugnação/manifestação de inconformidade, arguida pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não foi instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo o regramento do processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. MÉRITO Tratandose a espécie em comento da análise do valor aduaneiro declarado, urge trazer à lume a legislação de regência da matéria, considerando que a autuação compreende o período de 07/11/2002 28/01/2003, a legislação doravante citada vigia à época dos fatos autuados. O art. 75 do Decreto nº 4.543, de 26/12/2002, ( Regulamento Aduaneiro, aprovado), assim dispõe: Art. 75. A base de cálculo do imposto é (Decretolei no 37, de 1966, art. 2o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o, e Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994): I quando a alíquota for ad valorem, o valor aduaneiro apurado segundo as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994; e Assim a valoração aduaneira das mercadorias importadas é disciplinada pelas normas do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira), publicado no Brasil pelo Decreto nº 1.355/94, cuja determinação será realizada, observandose a aplicação sucessiva dos seis métodos, previstos nos Artigos 1 a 7 do AVA. Segundo o Acordo de Valoração Aduaneira AVA, a base primeira para a valoração de uma mercadoria é o seu “valor de transação”, este definido como o preço efetivamente pago ou a pagar, por essa mercadoria, em uma venda para exportação para o país de importação, com os ajustes previstos na forma do art. 8 do Acordo. A comprovação do valor de transação fazse, ordinariamente, pela apresentação da fatura comercial, admitindose, ainda, possa tal prova ser feita com outros documentos, tais como: contrato de compra e venda, lista de preços do fornecedor, ordem de compra, registros contábeis, dentre outros. Em síntese, o Acordo dispõe que a base primeira para a valoração aduaneira é o “valor de transação”, como dispõe o art. 1º, item 1, do referido Decreto: “...o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8º...”.(grifei) Assim dispõe o Acordo de Valoração Aduaneira : "Artigo I Fl. 556DF CARF MF 10 0 valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o pais de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (a) não haja restrições à cessão ou A. utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo 2 (a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do Artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito; (b) no caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, vigentes ao mesmo tempo ou aproximadamente ao mesmo tempo: (i) o valor de transação em vendas a compradores não vinculados, de mercadorias idênticas ou similares destinadas a exportação pata o mesmo pais de importação; (ii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 5; (iii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 6; Na aplicação dos critérios anteriores, dever ser levadas na devida conta as diferenças comprovadas nos níveis comerciais e nas quantidades, os elementos enumerados no Artigo 8 e os custos suportados pelo vendedor, em vendas nas quais ele e o comprador não sejam vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele e o comprador não sejam Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 510 11 vinculados, e que não são suportados pelo vendedor em vendas nas quais ele o comprador sejam vinculados. (c) Os critérios estabelecidos no parágrafo 2(b) devem ser utilizados por iniciativa do importador e exclusivamente para fins de comparação Valores substitutivos não poderão ser estabelecidos com base nas disposições do parágrafo 2 (b) " Tendo em vista a norma de regência, verificase que esclarece o TVF de fl. 105/108: A mercadoria Terathane, fabricada na Holanda por Du Pont de Nemours (Nederland) B. V , vendida na Suíça por Du Pont de Nemours International S. A., foi importada regularmente pela Du Pont do Brasil S. A. até janeiro/2003 (CNPJ 61.064 929/002899). De fevereiro/2003 em diante, as importações deramse por intermédio de Dupont Textile & Interiors do Brasil Ltda (CNPJ 05.304 987/000232), cuja denominação foi alterada para Invista Brasil Indústria e Comércio de Fibras Ltda em setembro/2003. A mercadoria acima, classificada na NCM 3907.20.20 poiitetrametilenoeterglicoi, enquanto matéria prima para a fabricação do fio elastano Lycra, é negociada exclusivamente entre os intervenientes acima indicados, todos vinculados entre si, nos termos do artigo 15, parágrafo 4o, do Acordo de Valoração Aduaneira O preço unitário desta mercadoria, na condição de venda FOB Roterdã ou Antuérpia, sempre foi US$ 3.07 o quilograma líquido Então, em meados de novembro/2002, este preço foi alterado para US$ 2.10, nas mesmas condições.. Os procedimentos fiscais A Aduana sempre aceitou o preço histórico de US$ 3 07/kg.. Frente à alteração de preço para US$ 2.10/kg, questionou o importador no curso do despacho aduaneiro da DI n° 03/00029912, de 03/01/2003, tendo desembaraçado a mercadoria mediante prestação de garantia, formalizada no processo administrativo n° 11128.005478/200367.. Considerando insuficientes os esclarecimentos prestados, a Aduana prosseguiu em sua investigação por meio do MPFF n° 0817100 2004 00020 3, de 17/02/2004, quando então solicitou à Du Pont do Brasil S. A. o esclarecimento de suas dúvidas, abrangendo agora todo o período em que a mercadoria Terathane teve seu preço minorado, até janeiro/2004, inclusive as importações de Dupont Textile & Interiors do Brasil Ltda. (MPFF n° 0817100 2004 00164 1, de 24/06/2004),. A dúvida da Aduana Basicamente, a dúvida da Aduana apresentada ao importador referese à afetação do preço da mercadoria Terathane, em virtude de sua vinculação com o exportador, nos termos do Fl. 558DF CARF MF 12 artigo 1o, parágrafo 1(c), conjugado com o artigo 15, parágrafo 4o, do Acordo de Valoração Aduaneira AVA A resposta do importador O importador nega que o preço questionado tenha sido afetado pela vinculação. Justifica o novo preço em virtude da concorrência mundial e apresenta um contrato global de fornecimento de mercadoria similar com preço até um pouco abaixo do aqui questionado. O contrato, estabelecido a nível mundial, prevê o fornecimento, pela BASF Aktiengesellschaft, com sede na Alemanha, da mercadoria PolyTHF, similar e substituta do Terathane, a todas as fábricas da Du Pont, para a fabricação do fio elastano Lycra.. Ocorre que, dada a impossibilidade momentânea deste fornecimento atingir 100% das fábricas da Du Pont, algumas ficaram de fora, dentre estas a fábrica brasileira Então a matéria prima para a fabricação do fio elastano Lycra, continuou sendo o Terathane, mas com o preço minorado para acompanhar o preço praticado nas fábricas abastecidas com o PolyTHF. Os motivos da Aduana Face ao exposto, constante dos autos deste processo, a Aduana apresenta os motivos abaixo para considerar que a vinculação influenciou o preço. 1o) O Terathane negociado a US$ 3.07/kg obviamente não suporta a concorrência do PolyTHF a US$ 2.10/kg ou menos A Du Pont não mais é concorrente da BASF: foi vencida pela concorrência. Foi tão cabalmente vencida, que se viu obrigada a comprar de seu concorrente: de concorrente transformouse em cliente E se ainda fabrica o Terathane é apenas porque a BASF por ora não está em condições de abastecer a totalidade das fábricas da Du Pont 2o) Ao comprar PolyTHF da BASF, a Du Pont abandona sua produção de Terathane e confirma a impossibilidade de, ao produzilo, vender ao preço de seu concorrente, Contudo, precariamente, ainda o produz para algumas fábricas, e o vende ao preço de seu concorrente Isto é, sua produção mundial diminuiu substancialmente, perdendo ganhos provenientes da produção em larga escala, e contrariamente ao esperado, passou a vender o produto a preço 30% inferior ao que sempre praticou Desse modo, o preço ora questionado não pode ter sido determinado de maneira compatível com as práticas normais de fixação de preços de nenhum setor industrial 3o) Não houve nenhuma alteração de quantidade ou nível comercial, nos termos do Comentário 101, divulgado pela Instrução Normativa SRF n° 318, de 04/04/2004, nas importações de Terathane, para a fabricação do fio elastano Lycra, que justificasse a variação de preço ocorrida, Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 511 13 4o) Não houve nenhuma tentativa de o importador demonstrar que o valor ora questionado se aproxima de algum valor critério previsto no artigo 1o, parágrafo 2{b), do AVA, 5o) Solicitado especificamente para este fim, o importador não demonstrou que o preço questionado é suficiente para cobrir todos os custos e assegurar um lucro representativo do lucro global obtido por seu fornecedor estrangeiro, durante um período de tempo também representativo, em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie. 6o) Em nenhum momento foi alegado que o fornecedor ou fabricante teve ganhos de produtividade ou aumento de vendas ou diminuição de custos, que pudesse justificar a redução do preço da mercadoria Terathane Desclassificação do método do valor de transação j Pelos motivos apresentados acima, após ter examinado as circunstâncias da venda, a Aduana considera que a vinculação entre importador e exportador influenciou o preço da mercadoria Terathane, de modo que a aplicação do 1o método de valoração aduaneira, a saber, o valor de transação, tornouse inaceitável, nos termos do artigo 1o, parágrafo 1{d), do AVA. Aplicação de método alternativo de valoração aduaneira Para as mercadorias importadas no mês de novembro/2002, aplicouse o 2o método de valoração, utilizandose como parâmetro as mercadorias idênticas, importadas pela própria Du Pont do Brasil S A.., nesse mesmo mês, ao preço de US$ 3.07/kg. Para as mercadorias importadas de dezembro/2002 a janeiro/2004, por força das , limitações indicadas abaixo, aplicouse o 6o método de valoração, com a flexibilização do 2o método no que diz respeito à proximidade temporal das importações idênticas, isto é, foram utilizadas como parâmetro as mercadorias idênticas, importadas pela própria Du Pont do Brasil S A , no período de junho/2001 a novembro/2002, ao preço de US$ 3.07/kg. Para essas mercadorias, não foi aplicado o 2° método porque não mais há mercadorias idênticas importadas ao mesmo tempo ou em tempo aproximado, i cujo valor aduaneiro tenha sido determinado com base no 1o método de valoração. Igualmente o 3o método foi afastado por não haver importações de mercadorias / similares à mercadoria Terathane, como matéria prima do fio elastano Lycra Também o 4o método ficou prejudicado por a mercadoria Terathane não ser revendida, mas inteiramente processada na produção do fio elastano Lycra, perdendo sua identidade, Fl. 560DF CARF MF 14 Por fim o 5o método não pôde ser utilizado já que, tendo sido solicitado, não foi apresentado documentação comprobatória de custos e lucros na produção e venda da mercadoria Terathane. A valoração aduaneira Como resultado da aplicação tanto direta quanto flexibilizada do 2° método de valoração, encontrouse o valor de US$ 3,07/kg Como as mercadorias ora valoradas tinham sido todas declaradas ao preço de US$ 2,1 O/kg, acrescentase agora ao valor aduaneiro já declarado a diferença de US$ 0.97/kg. Multiplicandose sta diferença pelo peso líquido declarado em cada DI/adição e pela respectiva taxa de câmbio do data do registro da DI, temos o valor aduaneiro em reais, base de cálculo do Imposto de Importação ora cobrado com os devidos acréscimos legais, conforme detalhado na planilha abaixo (...)(grifos nossos) Analisandose o TVF no qual estão indicadas as provas que dão suporte ao lançamento verificase que: 1 são incontroversos: 1a) a vinculação entre importador e exportador conforme declaração da própria empresa, fl.04; 1b) a afetação do preço praticado essa afetação está bem demonstra no TVF, como acima transcrito, podendose destacar em apertada síntese que conforme demonstrado o preço do Terathane era praticado de US$ 3,07/Kg e depois foi reduzido para US$ 2,10/Kg, sem que tivesse sido comprovado pelo autuado que no mercado mundial o PTMEG sofrera unia redução de preços, mas sim em decorrência do contrato firmado com a BASF Aktiengesellschaft, com sede na Alemanha, para fornecimento do mercadoria PolyTHF, similar e substituta do Terathane, a todas as fábricas da Du Pont, para a fabricação do fio elastano Lycra. No entanto, dada a impossibilidade momentânea deste fornecimento atingir 100% das fábricas da Du Pont, algumas ficaram de fora, dentre estas a fábrica brasileira, então a matéria prima para a fabricação do fio elastano Lycra, continuou sendo o Terathane, mas com o preço minorado para acompanhar o preço praticado nas fábricas abastecidas com o PolyTHF. 2 a análise sequencial dos métodos pela fiscalização tendo a fiscalização demonstrado os fundamentos para rejeição de cada um dos métodos; 3 Não apresentação de provas pelo autuado o autuado não produziu as provas previstas no artigo I 2(b) restou constatado que o importador não produziu as provas previstas no artigo I 2(b), do artigo I do AVA, ou seja não foram trazidos aos autos elementos que comprovam a aceitabilidade do preço de US$ 2,10/kg praticado nas importações do Terathane nos termos das disposições do parágrafo 2 (b), (i), (ii), e (iii)) do AVA, acima transcrito; Vale ressaltar quanto a essa questão os seguintes excertos da decisão de piso: Noutras palavras, se, diante da impossibilidade de a Basf atender a demanda de todas as unidades da Du Pont/Invista, tivessem tais unidades a possibilidade de adquirir no mercado internacional, de quaisquer outros fornecedores, o PTMEG em Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 512 15 condições próximas de US$ 2,10/Kg FOB, não restaria dúvida de que a redução de preços da Du Pont/Invista não decorreu da vinculação, mas do contexto econômico.(grifei) É ônus do autuado produzir prova de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fiscal, no presente caso, prova de que os preços internacionais do PTMEG foram reduzidos (Instrução Normativa SRF n 2 327/2003, artigo 30, § 1 2) Mas tal prova não foi produzida pelo interessado Apenas foram juntadas faturas de vendas entre empresas do próprio grupo Du Pont/Invista, as quais não demonstram que outros fornecedores estariam competindo com os mesmos níveis de preço. Portanto, os fatos alegados, ao contrário da intenção do impugnante, fazem prova a favor da fiscalização. Tendose omitindo o impugnante em seu dever de demonstrar a aceitabilidade dos preços praticados, nos termos do artigo 1 2(b) do Acordo de Valoração Aduaneira, é procedente a rejeição do primeiro método. Ante o exposto constatase que não assiste razão à defesa, visto que houve a motivação quanto à desclassificação de cada método. Quanto ao juízo de valor efetuado pela fiscalização, tem razão a recorrente em suas observações, no entanto tal fato se caracteriza como mera atecnia, não interferindo nos fatos já demonstrados acima, que revelaram que a vinculação influenciou o preço praticado. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Voto Vencedor Conselheiro Jorge Lima Abud. Inaugurase o texto saudando a i. Relatora e a cumprimentando pela clareza do seu VOTO, onde evidencia sua inteligência e expertise a respeito do assunto em lide. Todavia, neste diapasão, pedese a devida vênia para discordar de suas conclusões no tocante ao Recurso Voluntário. Para tanto, é indispensável a análise do conceito do procedimento de VALORAÇÃO decorrente de vinculação entre o comprador e o vendedor. Fl. 562DF CARF MF 16 A base de cálculo do imposto de importação é o valor aduaneiro, determinado nos termos do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira – AVA), promulgado pelo Decreto nº 1.355/94. O AVA prevê a aplicação sucessiva de seis métodos de valoração, observada a ordem seqüencial nele estabelecida. O primeiro e principal método de valoração aduaneira é baseado no valor de transação das mercadorias importadas em operação comercial de compra e venda, conforme disposto no artigo 1 do referido acordo, in verbis: Artigo 1 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (a) não haja restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador, ressalvadas as que: (…) (b) a venda ou o preço não estejam sujeitos a alguma condição ou contraprestação para a qual não se possa determinar um valor em relação às mercadorias objeto de valoração; (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou, se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo. 2. (…)” (a) Ao se determinar se o valor de transação é aceitável para os fins do parágrafo 1, o fato de haver vinculação entre comprador e vendedor, nos termos do Artigo 15, não constituirá, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor de transação inaceitável. Neste caso, as circunstâncias da venda serão examinadas e o valor de transação será aceito, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Se a administração aduaneira, com base em informações prestadas pelo importador ou por outros meios, tiver motivos para considerar que a vinculação influenciou o preço, deverá comunicar tais motivos ao importador, a quem dará oportunidade razoável para contestar. Havendo solicitação do importador, os motivos lhe serão comunicados por escrito; (b) no caso de venda entre pessoas vinculadas, o valor de transação será aceito e as mercadorias serão valoradas segundo as disposições do parágrafo 1, sempre que o importador demonstrar que tal valor se aproxima muito de um dos seguintes, Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 513 17 vigentes ao mesmo tempo ou aproximadamente ao mesmo tempo: (i) o valor de transação em vendas a compradores não vinculados, de mercadorias idênticas ou similares destinadas a exportação para o mesmo pais de importação; (ii) o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 5; o valor aduaneiro de mercadorias idênticas ou similares, tal como determinado com base nas disposições do Artigo 6; Qando o comprador e o vendedor forem vinculados, as circunstâncias que envolvem a venda serão examinadas e o valor de transação será aceito como valor aduaneiro, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Com isso não se pretende que seja feito um exame de tais circunstâncias em todos os casos em que o comprador e o vendedor forem vinculados. Tal exame só será exigido quando houver dúvidas quanto à aceitabilidade do preço. Quando a administração aduaneira não tiver dúvidas quanto à aceitabilidade do preço, ele deverá ser aceito sem que outras informações sejam solicitadas ao importador. Por exemplo, a administração aduaneira pode ter examinado previamente a vinculação, ou pode ter informações detalhadas a respeito do comprador e do vendedor, e pode, diante de tais exames e informações, estar convencida de que a vinculação não influenciou o preço. Logo, não é a vinculação em si que desabona o primeiro método de valoração aduaneira, mas quando houver fatos por si só relacionados a aceitabilidade do preço. Se a administração aduaneira não puder aceitar o valor de transação sem investigações complementares, deverá dar ao importador uma oportunidade de fornecer informações mais detalhadas, necessárias para capacitála a examinar as circunstâncias da venda. Nesse contexto, a administração aduaneira deverá estar preparada para examinar os aspectos relevantes da transação, inclusive a maneira pela qual o comprador e o vendedor organizam suas relações comerciais e a maneira pela qual o preço em questão foi definido, com a finalidade de determinar se a vinculação influenciou o preço. Quando ficar demonstrado que o comprador e o vendedor, embora vinculados conforme as disposições do artigo 15, compram e vendem um do outro como se não fossem vinculados, isto comprovará que o preço não foi influenciado pela vinculação. A Impugnação vem a ser o momento propício para que o autuado demonstre que se o preço tiver sido determinado de maneira compatível com as práticas normais de fixação de preços do setor industrial em questão, ou com a maneira pela qual o vendedor fixa seus preços para compradores não vinculados a ele, isto por si só revelaria que o preço não foi influenciado pela vinculação. Ou, de outro modo, demonstrar que o preço é suficiente para cobrir todos os custos e assegurar um lucro representativo do lucro global obtido pela firma durante um período de tempo também representativo (por exemplo, anual), em vendas de mercadorias da mesma classe ou espécie, estaria assim comprovado que o preço não foi influenciado pela vinculação. Chegase a um entrave: De um lado a necessidade da fiscalização apontar um outro fato que não só a vinculação para poder desabonar o 1o método do Acordo de Valoração Fl. 564DF CARF MF 18 Aduaneira. De outro a autuada de se valer da impugnação para demonstrar que o preço foi determinado de maneira compatível com as práticas normais de fixação de preços do setor industrial em questão, ou pela mesma maneira que o vendedor fixa seus preços para compradores não vinculados. Comumente, em casos análogos em que prospera a autuação, a fiscalização traz como fato concreto e relevante descontos concedidos nas operações travadas entre o importador e o exportador vinculados. Concreto porque caso não justificado o desconto, estariam sendo desobedecidos os propósitos do Acordo de Valoração Aduaneira ao se permitir a priori o uso do 1o método. É relevante, dada sua magnitude, caso não justificado, estaria havendo favorecimento frente a outros importadores na mesma situação. Um outro aspecto relevante a ser enfatizado no cenário em análise é que esse favorecimento sem justificativa está cingido a relação exportador/importador. Portanto, tomando por metáfora a balança do direito, podese içar as seguintes situações em cada um dos pratos: 1. De um lado o direito da empresa importadora se valer do primeiro método de valoração aduaneira, ainda que exportador/importador sejam vinculados; 2. De outro lado o PoderDever da fiscalização aduaneira em evitar que o mercado interno sofra uma concorrência desleal, sem falar na própria mitigação dos tributos arrecadados. O que determinará o fiel da balança será a presença ou não de justificativa – fato concreto e relevante – para o valor aduaneiro praticado. Nesse diapasão, tomase emprestado argumento que embasou o VOTO VENCEDOR referente ao Acórdão de Recurso Voluntário n° 3101000.608, prolatado pela 1a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, na Sessão de 02 de fevereiro de 2011, que posteriormente foi anulado por Acórdão de Embargos. O fragmento transcrito se encontra às folhas 463 do processo digital: Se houver vinculação entre comprador e vendedor e a Aduana apresentar razões para entender que a vinculação influenciou os preços praticados, cabe ao importador prova em contrario, nos termos do parágrafo 2(b) e (c) do artigo 1, visto acima. Ou seja, nessa hipótese, é ônus probatório do fiscalizado demonstrar que o valor de transação praticado é aceitável, com fundamento nos meios de prova alinhados pelo próprio Acordo de Valoração Aduaneira —artigo 1 2(b), itens (i) a (iii). A vinculação entre o interessado e o exportador é fato incontroverso. A autoridade aduaneira responsável pela fiscalização em pauta fundamenta seu entendimento de que a vinculação influenciou os preços praticados na comparação destes com os anteriormente praticados pelas mesmas partes, na importação do mesmo produto (fls.. 103 e 104). É incontroverso que nas importações o preço praticado era de US$ 3,07/Kg e foi reduzido para US$ 2,10/Kg. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 514 19 Concluise que agiu corretamente a fiscalização ao aventar a hipótese de que a vinculação tinha afetado o preço Também acertada foi a decisão de solicitar esclarecimentos ao importador, conforme determina o Acordo de Valoração Aduaneira. O interessado, por sua vez, não produziu as provas previstas no artigo I 2(b), visto anteriormente. Apenas é aduzido em sua defesa que o preço foi reduzido para que a fábrica brasileira tivesse acesso ao PTMEG, matéria prima do elastano, ao mesmo preço obtido pelas unidades abastecidas com produto fornecido pela Basf. (Grifo e negrito nossos) É de se frisar três aspectos muito relevantes: 1. A interpretação da aplicação da legislação pertinente ao caso não difere do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3101000.608, da Sessão de 02 de fevereiro de 2011, do VOTO aqui vencido e deste VOTO VENCEDOR, pois afirmam que a vinculação em si não desabonam o 1o método de valor aduaneiro; 2. Cabe a Aduana apresentar razões que a vinculação influenciou os preços praticados e cabe ao importador prova em contrario, ou seja, demonstrar que o valor de transação praticado é aceitável, critério que neste VOTO, ora apresentado, foi denominado de “justificativa” e identificado como o fiel da balança; 3. A divergência no presente caso, não reside na interpretação da legislação, conforme o ponto 1, mas na interpretação de um único fato: O acordo global estabelecido |entre a DU PONT e a BASF para fornecimento do PTMEG, matéria prima do elastano, assunto que será analisada agora. CONTRATO FIRMADO ENTRE A DU PONT E A BASF PARA FORNECIMENTO DO PTMEG Peças traduzidas para o vernáculo do referido contrato estão presentes nos autos a partir das folhas 405 do processo digital. O acordo foi celebrado em Ludwigshafen, na data de 01 de março de 2002, informação presente às folhas 422 do processo digital. Das partes: Este Contrato é celebrado entre a BASF Aktiengesellschaft, com sede em 67056 Ludwigshafen, Alemanha, (doravante denominada "BASF"), e a E, I, DuPont de Nemours, com sede em 1007 Market Street. Wilmington, DE 19898 [Delawaré|, Estados Unidos da América, (doravante denominada "DuPont"). Fl. 566DF CARF MF 20 Do objeto: CONSIDERANDO QUE a BASF deseja construir novas plantas, de grande escala, para o PolyTHF em todo o mundo; e CONSIDERANDO QUE a DuPont concorda em adquirir o PolyTHF da BASF e a BASF concorda em vender o PolyTHF originário dessas plantas recém construídas e de plantas já existentes de PolyTHF para a DuPont, a fim de suprir as necessidades de compra desta última. Do Prazo: O prazo deste Contrato deverá ter início na data da assinatura por ambas as partes, continuando a vigorar por prazo indeterminado, salvo se rescindido por qualquer uma das partes, sem motivo, mediante aviso prévio de 36 (trinta e seis) meses à outra parte, desde que a data de validade de tal rescisão não tenha efeito antes de 31 de dezembro de 2013. Do preço: Uma observação: Não se sabe o porquê, mas das cópias do acordo juntadas aos autos supre o início da Cláusula 8, que deve dispor sobre o PREÇO. Nesse diapasão, toamse o preço praticado a partir da mesma informação constante do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3101000.608, prolatado na Sessão de 02 de fevereiro de 2011, como do VOTO aqui vencido além da própria decisão de piso – Acórdão n° 1729.076 da 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo II: (...) as unidades de fio elastano negociaram uma redução do preço do Terathane em termos globais, de tal sorte que esse produto passou a ser vendido às fábricas situadas na Asia e nas Américas por preços equivalentes ou muito próximos a US$ 2,10/KG, DA DIVERGÊNCIA Fazse necessário a apresentação da seguinte sequência de acontecimentos reportados nos autos: 1. As importações do Terathane de fevereiro de 2003 a janeiro de 2004, realizadas em nome da Du Pont Textile & Interiors do Brasil Ltda , sucessora da Recorrente e que teve a sua denominação alterada para Invista Brasil Indústria e Comércio de Fibras Ltda tiveram como exportador a empresa Du Pont de Nemours & Co. Inc. Ambas as empresas são vinculadas, sendo esse fato inconteste; 2. No período entre janeiro e outubro de 2002 o Terathane foi negociado a US$ 3,07/Kg FOB. Sofreu redução a partir de novembro de 2002 (US$ 2,10/Kg); 3. A redução de preço decorreu da implementação de contrato mundial entre Du Pont e Basf para fornecimento de PIMEG da marca Poly THF (Basf) às unidades industriais da Du Pont; Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16327.000954/200410 Acórdão n.º 3302005.390 S3‐C3T2 Fl. 515 21 4. As mercadorias de marca Poly THF e Terathane são similares, conforme descrito pelo próprio relatório fiscal que fundamenta o auto de infração; 5. O preço praticado pela Basf à Du Pont é em torno de US$ 2,08/Kg; 6. O crescimento da demanda pelo produto não foi acompanhado de aumento da produção do Poly THF , de modo que a Basf não pôde fornecer o produto, o que implicou no seu fornecimento pelo exportador: a empresa Du Pont de Nemours & Co. Inc. Pela análise até aqui empreendida, lembrando que não há divergência quanto à inteligência da legislação aplicável, mas sim da inteligência dos fatos, se tomarmos unicamente os pontos 1 e 2 elencados acima, resta evidente que a vinculação entre importador e exportador influenciou no preço praticado. Pois essa análise estanque dos pontos 1 e 2 identifica os componentes necessários para a PROCEDÊNCIA da ação fiscal. Contudo, desde o primeiro momento, a empresa autuada trouxe fato concreto e relevante para justificar o preço praticado: O acordo global estabelecido entre a DU PONT e a BASF para fornecimento do PTMEG, matéria prima do elastano. Esse fato concreto e relevante demonstra que o PREÇO PRATICADO não adveio do alvedrio do exportador e do importador vinculados. O PREÇO PRATICADO se pautou em fato externo a essa relação, fazendo com que o exportador: a empresa Du Pont de Nemours & Co. Inc. apenas concedesse ao importador Du Pont Textile & Interiors do Brasil Ltda as mesmas bases contratuais negociadas em âmbito global com a empresa BASF Aktiengesellschaft. Podese assim concluir que: 1. O PREÇO PRATICADO não foi influenciado pela vinculação entre exportador e importador; 2. O PREÇO PRATICADO já estava pautado por fato concreto e relevante externo a essa relação: O acordo global estabelecido entre a DU PONT e a BASF para fornecimento do PTMEG, matéria prima do elastano. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. [assinado digitalmente] Jorge Lima Abud. Fl. 568DF CARF MF 22 Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16636.000032/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO.
O prazo para a apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução.
Conforme entendimento da própria Receita Federal, no período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso (Parecer Normativo Cosit nº 11/2014, DOU de 22/12/2014).
SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ Nº 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas sim a opção entre a restituição via precatório e a compensação, conforme Súmula STJ nº 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário provido em parte
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-005.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário na seguinte forma: (i) por maioria de votos, afastar a prejudicial de prescrição apontada no despacho decisório somente em relação a DCOMP nº 08839.17023.110610.1.3.54-9300, transmitida em 11.06.2010, e determinar que a autoridade administrativa analise o seu mérito. Vencido o Conselheiro Relator Pedro Sousa Bispo, que negava provimento neste ponto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor; (ii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais DCOMPs envolvidas no processo. O Relator foi acompanhado somente nas suas conclusões pelos demais Conselheiros; e (iii) por unanimidade de votos, com relação ao processo apensado nº 11040.722141/2012-79, negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Pedro Sousa Bispo. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário na seguinte forma: (i) por maioria de votos, afastar a prejudicial de prescrição apontada no despacho decisório somente em relação a DCOMP nº 08839.17023.110610.1.3.54-9300, transmitida em 11.06.2010, e determinar que a autoridade administrativa analise o seu mérito. Vencido o Conselheiro Relator Pedro Sousa Bispo, que negava provimento neste ponto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor; (ii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais DCOMPs envolvidas no processo. O Relator foi acompanhado somente nas suas conclusões pelos demais Conselheiros; e (iii) por unanimidade de votos, com relação ao processo apensado nº 11040.722141/2012-79, negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Pedro Sousa Bispo. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO. O prazo para a apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. Conforme entendimento da própria Receita Federal, no período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso (Parecer Normativo Cosit nº 11/2014, DOU de 22/12/2014). SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ Nº 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas sim a opção entre a restituição via precatório e a compensação, conforme Súmula STJ nº 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário provido em parte Aguardando nova decisão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 63 6. 00 00 32 /2 00 9- 15 Fl. 1032DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário na seguinte forma: (i) por maioria de votos, afastar a prejudicial de prescrição apontada no despacho decisório somente em relação a DCOMP nº 08839.17023.110610.1.3.549300, transmitida em 11.06.2010, e determinar que a autoridade administrativa analise o seu mérito. Vencido o Conselheiro Relator Pedro Sousa Bispo, que negava provimento neste ponto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula para redigir o voto vencedor; (ii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais DCOMPs envolvidas no processo. O Relator foi acompanhado somente nas suas conclusões pelos demais Conselheiros; e (iii) por unanimidade de votos, com relação ao processo apensado nº 11040.722141/201279, negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Pedro Sousa Bispo. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório nº 99/2011 da DRF Pelotas, no qual a autoridade a quo reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado por Transportadora Tessmann Ltda., homologando também em parte as compensações declaradas pela requerente. O fundamento da decisão impugnada é a decadência parcial do direito, conforme se depreende da ementa, assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anoscalendário: 1991 a 1995 (Crédito) Ementa: De acordo com as determinações constantes nos autos da Ação Ordinária n° 97.00036758, transitada em julgado, que não faculta o direito à restituição, tem o contribuinte requerente direito a compensar os valores recolhidos a maior a título de PIS, Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.033 3 decorrentes da inexigibilidade das regras trazidas nos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, restabelecendose a vigência da L.C. n° 07/1970 e suas alterações, até a entrada em vigor da M.P. 1.212/1995 (28.02.1996). Tratandose de empresa com predominância na prestação de serviços, a base de cálculo é o percentual de 5% sobre o Imposto de Renda Devido (PisRepique). Por força do art. 1o do Decreto n° 20.910/1932, bem como do inciso IV, §4°, do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008, o contribuinte tem o prazo de cinco anos para utilização do crédito, contados do trânsito em julgado da decisão judicial, ocorrida em 24.10.2000, ou da homologação da desistência da execução do título judicial. No presente caso, está comprovada a homologação da desistência da pretensão executória no dia 09.06.2005. Consequentemente, as Declarações de Compensação apresentadas após 09.06.2010, não podem ser homologadas, eis que extinto o direito ao aproveitamento do credito decorrente da referida decisão judicial. Cabenos, como consequência, homologar em parte o procedimento realizado pelo contribuinte, considerando que o crédito apurado com as referidas diretrizes é suficiente para suportar a totalidade dos valores apresentados tempestivamente em declaração de compensação. Declaração de Compensação Homologada em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (fl. 704) A decisão foi complementada pelo Despacho Decisório nº 51/2013, no qual foram indicadas as dcomps cujas compensações não foram homologadas. Não resignada, a contribuinte se insurgiu contra a decisão, alegando que em ação judicial obteve o reconhecimento do direito de compensar o valor recolhido a título de PIS na forma estabelecida pelos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, todos de 1988, no que excedesse ao devido nos moldes das Leis Complementares nº 7/1970 e 17/1973. A decisão transitou em julgado em 24/10/2000. Em 18/07/2005, a DRF Pelotas, no processo administrativo nº 13001.000059/200552, habilitou o crédito. Em 28/09/2005, antes, portanto, de transcorrer o prazo de cinco anos do trânsito em julgado da sentença, a requerente procedeu, por meio do per/dcomp nº 39634.33124.280905.1.2.549105, ao pedido de restituição do crédito já habilitado, no valor de R$ 932.083,34. Em seguida, com fulcro no art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, a requerente foi apresentando várias declarações de compensação, todas se reportando à declaração inicial. Disse que o despacho decisório se funda na suposição de que o pedido administrativo de restituição era desnecessário e descabido, não servindo para interromper o prazo decadencial. A requerente enfrentou essa tese com os seguintes argumentos: a) Quando da ciência do despacho decisório, o direito de a Administração julgar o pedido administrativo de restituição já havia decaído, em face do decurso do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, que fixa em 360 dias o tempo para a Administração apreciar qualquer requerimento que lhe seja apresentado. Assim, não tendo julgado o pedido administrativo de restituição, formalizado em 2005, já não poderia fazêlo em 2013. b) O pedido de restituição mediante a entrega de per/dcomp é válido e interrompeu o prazo prescricional. A autoridade a quo teria se equivocado ao entender que a Fl. 1034DF CARF MF 4 decisão judicial autorizara apenas a compensar os créditos e não a obter restituição em dinheiro. A prescrição do direito só ocorreria em caso de inércia do contribuinte, fato que concretamente não existiu. Frisou que o trânsito em julgado ocorrera em 24/10/2000 e a homologação da desistência da execução da sentença em 09/06/2005. Em 09/07/2005 foi deferida a habilitação do crédito e em 28/09/2005, dentro do prazo legal, foi apresentado o per/dcomp, ao qual estão vinculadas as sucessivas compensações. c) Disse que, para poder pleitear administrativamente a restituição, não é necessário que na ação judicial originária se determine expressamente a restituição. A própria legislação fiscal é clara ao dispor que os créditos compensáveis são aqueles passíveis de restituição ou ressarcimento. d) Não é possível estabelecer distinção entre as formas de exercício do direito creditório, se por meio de restituição ou de compensação. A própria legislação diz que os créditos compensáveis são aqueles passíveis de restituição. e) Não há necessidade de utilizar todo o crédito dentro do prazo de cinco anos. O prazo prescricional obriga o contribuinte a apresentar o pedido de restituição ou as declarações de compensação dentro de cinco anos do trânsito em julgado da decisão ou dentro de cinco anos da homologação da desistência da execução. Portanto, tendo apresentado o pedido tempestivamente, pode o contribuinte promover as compensações, sem qualquer risco de prescrição. Disse ainda que não teria como aproveitar todo o crédito em cinco anos, porque não teve débitos suficientes para absorvêlos. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação das compensações. Ato contínuo, a DRJCAMPO GRANDE (MS) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 DIREITO CREDITÓRIO. AÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. DESISTÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. PRAZO. No caso de direito creditório reconhecido por decisão judicial, o prazo para efetuar a compensação é de cinco anos contados da data de homologação da desistência de execução. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório. Cumpre destacar que a empresa no mesmo Recurso Voluntário também apresentou defesa contra o auto de infração apensado nº11040.722141/201279. Por orientação da Secretaria desta Câmara, no mesmo acórdão deverão ser julgados o processo principal e o seu apenso. Dessa forma, também passo a expor o relatório do último. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.034 5 O referido auto de infração trata de lançamento fiscal de multa isolada pela não homologação das compensações do processo principal por insuficiência de créditos, fundamentada no disposto no §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996. Não resignada, a contribuinte impugnou o lançamento fiscal. Preliminarmente, requereu que fossem examinadas em conjunto a impugnação aqui apresentada e a manifestação de inconformidade constante do processo que tem por objeto as compensações que, não sendo homologadas, deram ensejo à imposição da multa isolada. No mérito, sustentou a inaplicabilidade da multa. Disse que os dispositivos legais não estão em harmonia com a ordem jurídica constitucional brasileira. Que a penalidade seria abusiva, pois tem como pressuposto o exercício legítimo de um direito fundamental que é o direito de petição. Nesse sentido, a multa seria uma forma de inibir o exercício de um direito assegurado pela Constituição Federal. Socorreuse também dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, legalidade e moralidade. Ressaltou, no caso de não serem homologadas as compensações, que os créditos tributários já estariam constituídos por meio de DCTF, sendo desnecessário qualquer lançamento. A impugnante, por fim, pugna que o CARF não declare a inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, mas apenas reconheça sua inaplicabilidade ao caso concreto. Com essas argumentações, solicitou a desconstituição do lançamento fiscal. Ato contínuo, a DRJCAMPO GRANDE (MS) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. EXAME NO PROCESSO FISCAL. NEGATIVA DE VIGÊNCIA DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, nele se incluindo a negativa de vigência à lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente em sua defesa repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Impugnação. Fl. 1036DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Sousa Bispo Processo nº16636.000032/200915 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A discussão do processo principal limitase a definição do prazo para o Contribuinte exercer o seu direito creditório reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, na qual foram afastados os mandamentos dos DecretosLeis nº2.445 e 2.449/88, restabelecendose a vigência da LC nº07/70 e suas alterações, e surgindo, em consequência, valores recolhidos a maior a título de PIS. A Delegacia da Receita Federal reconheceu parcialmente o direito ao crédito de PIS alegando que parte dele já teria sido atingido pela Decadência, haja vista que já teriam transcorridos mais de cinco anos da data da homologação da desistência da ação de execução. A Recorrente, tendo o seu crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, optou inicialmente pela execução judicial para obter a restituição do seu direito creditório pela via do precatório. Posteriormente, conforme lhe permitia a legislação tributária, optou pela via administrativa a fim de utilizar os seus créditos em compensações com o mesmo tributo ou outros administrados pela Receita Federal, nos termos da Lei nº9.430/96. Para tanto, desistiu da execução, obtendo a sua homologação no dia 09/06/2005, conforme previa a então vigente IN SRF nº517/2005: Art. 3º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo.” § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: ... IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito.” (grifei) Até essa data da desistência da execução judicial, percebese que existia impedimento na via administrativa para apreciação do pleito do Contribuinte, posto que o Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.035 7 crédito era objeto de execução na esfera judicial. Afastado esse impedimento, o Contribuinte se tornou apto a pleitear e executar o seu crédito administrativamente, passando, consequentemente, a correr o seu prazo prescricional. O Contribuinte possui o prazo de 5 (cinco) anos para promover a execução do seu direito creditório reconhecido judicialmente, seja na modalidade judicial ou administrativa, com fundamento no art. 1o do Decreto n° 20.910/1932, bem como do inciso IV, §4°, do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008. No caso de direito creditório discutido judicialmente, a legislação tributária estabelece como termo inicial para a contagem do prazo prescricional do direito creditório a data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial, como ocorreu no caso concreto. A seguir reproduzido o art. 71 da IN nº900/08 que dispôs sobre a matéria: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI cópia do documento comprobatóriomento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. Fl. 1038DF CARF MF 8 § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º. A Receita Federal também expôs mais detalhadamente a questão no Parecer Normativo nº11 de 19 de dezembro de 2014, in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.036 9 tributários próprios na via administrativa. Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. Eventual mudança de interpretação sobre a matéria será aplicável somente a partir de sua introdução na legislação tributária. Dispositivos Legais. Constituição Federal, arts. 37 e 100; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 100, 170 e 170A; Decreto nº 20.910, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 9.779, art. 16; Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º; Portaria MF nº 203, de 2012, art. 1º, III, e art. 280, III e XXVI; IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 81 e 82 eprocesso 10880.724252/201346. No caso concreto, tendo o contribuinte obtido a homologação da desistência da execução judicial em 09/06/2005, poderia apresentar declarações de compensação até 09/06/2010. Dessa forma, as declarações apresentadas após essa data foram atingidas pela prescrição. A alegação da Recorrente de que apresentou pedido de restituição em 28/09/2005 e que por isso teria o seu prazo prescricional interrompido, não pode prosperar. Não há respaldo em lei para pedido de restituição administrativa de crédito reconhecido judicialmente. Diversamente do que alega a Recorrente, na esfera administrativa, a única possibilidade legal de execução do título judicial é a compensação, conforme já explicitado anteriormente. Além da falta de amparo em lei, a restituição administrativa de crédito reconhecido judicialmente também viola a ordem de pagamento de precatório, em afronta a Fl. 1040DF CARF MF 10 Constituição Federal, o que representaria uma quebra de isonomia entre os administrados garantida pelo art. 100 da CF/88. Em consonância com o art.100 da CF/88, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria por meio da aprovação da Súmula Nº 461, D.J. 25/08/2010, in verbis: O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. Se o Contribuinte pretendia a restituição do seu crédito ao invés da compensação, então deveria ter dado prosseguimento a sua execução por via de precatório que é o modo adequado de se pleitear restituição em dinheiro de crédito decorrente de título judicial. Administrativamente, conforme já afirmado, a única possibilidade legal da execução é por meio da compensação. Pelo exposto, concluo que a entrega de pedido de restituição pelo Contribuinte não interrompeu ou suspendeu o prazo prescricional para execução administrativa do seu direito creditório. Está correta, portanto, a decisão recorrida. A Recorrente argumenta ainda que quando da ciência do despacho decisório, o direito da Administração julgar o seu pedido administrativo de restituição já havia decaído, em face do decurso do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, que fixa em 360 dias o tempo para a Administração apreciar qualquer requerimento que lhe seja apresentado. Assim, não tendo julgado o pedido administrativo de restituição, formalizado em 2005, já não poderia fazêlo em 2013. Transcrevo o art. 24, da Lei nº 11.457/2007: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Conforme antes explicitado, o pedido de restituição não teve qualquer efeito sobre a execução do crédito quanto ao prazo de prescrição. Corretamente a Autoridade Tributária o considerou desnecessário e descabido. Ademais, a norma transcrita não se aplica ao caso concreto porque não se trata de petição, defesa ou recurso. A compensação de créditos na forma administrativa é regulada pelo art. 74 da Lei nº9.430/96. Segundo determina a referida lei, a apresentação de Dcomp(Declaração de Compensação) à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A Fazenda Nacional tem o prazo de 5 anos da data da entrega da declaração para homologar ou não a compensação de forma expressa, ou, no caso da não pronúncia da Administração Tributária, a homologação ocorrerá de forma tácita. Dessa forma, o Contribuinte não terá nenhum prejuízo no caso de demora da Administração Tributária para realizar procedimento de verificação das compensações efetuadas. Diante de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Processo Apensado nº11040.722141/201279 Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.037 11 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Os autos deste processo foram apensados aos do processo nº16636.00032/200915 para que as matérias pudessem ser apreciadas em conjunto. A questão central da lide posta pelo contribuinte é quanto a validade da norma jurídica que estabeleceu a multa isolada no percentual de 50% incidente sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, nos termos §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996. Todas as argumentações da Recorrente dizem respeito a constitucionalidade da multa isolada lançada com fundamento no §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996. Utilizase para questionar a validade da norma de vários princípios e dispositivos constitucionais, tais como a vedação ao confisco e razoabilidade. Essas argumentações por se constituírem matérias que somente o Poder Judiciário é competente para julgar, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1º e 2º, não podem ser analisadas pelas turmas deste colegiado. Nesse sentido, inclusive, a Súmula CARF nº2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 1042DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor por maioria de votos, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. Consta no Despacho Decisório nº 99 DRF/PEL (a partir da fl. 704), de 19/02/2011, complementado pelo Despacho Decisório DRF/PEL nº 51, de 25/01/2013, que a autoridade administrativa não homologou as Declarações de Compensação apresentadas após 09.06.2010, conforme ementa abaixo: A decisão foi mantida pelo Delegacia de Julgamento em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 DIREITO CREDITÓRIO. AÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA.DESISTÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. PRAZO. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.038 13 No caso de direito creditório reconhecido por decisão judicial, o prazo para efetuar a compensação é de cinco anos contados da data de homologação da desistência de execução. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ocorre, no entanto, que a Receita Federal, mediante o Parecer Normativo Cosit nº 11, de 19 de dezembro de 2014, publicado no DOU de 22/12/2014, aprovado pelo Despacho RFB s/n, publicado na mesma data, manifestouse no sentido de que o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação ficaria suspenso no período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, conforme ementa e fundamentação abaixo transcritas: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. (...) Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. (...) No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. (...) Dispositivos Legais. Constituição Federal, arts. 37 e 100; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 100, 170 e 170A; Decreto nº 20.910, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 9.779, art. 16; Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º; Portaria MF nº 203, de 2012, art. 1º, III, e art. 280, III e XXVI; IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 81 e 82. eprocesso 10880.724252/201346 (...) 11. Entretanto, como já visto, para a apresentação da Dcomp, o sujeito passivo que apurou o crédito deve apresentar o pedido de habilitação prévia dos créditos, nos termos do art. 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. A questão é se tal pedido influi na contagem do prazo prescricional para apresentação da Dcomp. 11.1. O posicionamento da RFB é que a aplicação do prazo para execução da sentença, aí incluído para apresentar a Dcomp, é de cinco anos por uma construção sistêmica, e não entende que há aplicação do art. 168 do CTN nem que se trata de normas gerais de direito tributário, o que necessitaria de lei complementar para seu disciplinamento, por força da alínea “a” do inciso III do art. 146 da CF. Fl. 1044DF CARF MF 14 11.2 Notese que neste Parecer Normativo analisase apenas a execução/liquidação da sentença que já concedeu o direito creditório ao contribuinte. O prazo para interposição da ação judicial realmente deve se dar mediante lei complementar, mas não é o caso para sua execução mediante compensação. Foi o art. 170 do CTN que deixou à lei (ordinária, portanto) dispor como realizar a compensação. Tanto que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, trouxe a possibilidade de existir uma Declaração de Compensação que já extingue o débito tributário com posterior homologação no prazo de cinco anos. Se essa lei ordinária dispusesse que a compensação somente se daria após pedido (como ocorre com a restituição, por exemplo), evidentemente que a Dcomp como existe hoje seria impossível. E mais: uma interpretação de que o prazo para apresentar a Dcomp após a sentença somente se daria por lei complementar é o mesmo que dizer que todo o instituto de compensação tributária deveria estar disciplinada por lei complementar. Nunca houve decisão judicial nesse sentido, muito pelo contrário. Citase julgado que corrobora o aqui exposto: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DIREITO À REPETIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. DECRETOSLEI Nº 2.445/88 E 2.449/88. TRÂNSITO EM JULGADO. EXECUÇÃO DA SENTENÇA. DESISTÊNCIA. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS. DECRETO Nº 20.910/32. 1. A prescrição, em favor da Fazenda Pública, para execução de crédito em favor do contribuinte, não se confunde com a regra de prescrição tributária nem exige lei complementar, estando disciplinada pelo Decreto nº 20.910/32, que fixa prazo de cinco anos, com uma única interrupção, e retomada pela metade do prazo inicial (artigos 8º e 9º). (...) (AC 2008.61.00.0207810/SP, Rel. Des. Fed. Carlos Muta, TRF3, Terceira Turma, julgado em 03/12/2009, DJ 15/12/2009) 11.3. Desta feita, a melhor interpretação é que a interposição do pedido de habilitação suspende o prazo prescricional para apresentar a Dcomp, conforme dispõe o art. 4º do Decreto nº 20.910, de 1932: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificar seá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. 11.4. Tal entendimento é compartilhado pelo STJ. No seguinte julgado, ele entendeu que ao prazo para interpor a execução aplicase o disposto no art. 168 do CTN, mas que o pedido de habilitação prévia impõe a aplicação do art. 4º do Decreto nº 20.910, de 1932: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. PRAZO PARA O AJUIZAMENTO DE AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO REFERENTE A CRÉDITO Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.039 15 JUDICIALMENTE RECONHECIDO. ART. 168, II, C/C ART. 165, III, DO CTN. PRÉVIO PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO PERANTE A SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 4º DO DECRETO N. 20.910/32. 1. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, merecem ser rejeitados os embargos declaratórios interpostos que têm o propósito infringente. 2. A jurisprudência invocada pela embargante referese a situação de Pedido de Restituição Administrativa ou Pedido de Compensação. O caso em apreço diz respeito a Pedido de Habilitação de Crédito, procedimento que antecede o próprio Pedido de Restituição Administrativa ou de Compensação. De fato, o Pedido de Restituição Administrativa ou Compensação não suspende ou interrompe o prazo para o Pedido Judicial, até porque são alternativas que podem ser exercidas no mesmo prazo (art. 168, II, do CTN), mas quando a Administração Tributária cria procedimento prévio ao Pedido Administrativo, chama para este caso a aplicação do Decreto n. 20.910/32. Pensar de forma diferente significa entregar à Administração Tributária o poder de, com sua própria mora na apreciação do Pedido de Habilitação de Crédito, obstar o exercício do direito do contribuinte de repetir o indébito administrativamente (Pedido de Restituição Administrativa ou Compensação) ou judicialmente (Pedido de Restituição Judicial). (grifouse) 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no EDcl no REsp 1.174.017/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, 2ª Turma, j. em 4/12/2012, DJe de 10/10/2012) (...) Assim, embora o Parecer Normativo Cosit nº 11/2014, tenha analisado os arts. 81 e 82 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 em conjunto com os demais dispositivos da legislação pertinente, e não especificamente os dispositivos da Instrução da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, vigente na data das declarações de compensação do presente processo, considerando que a matéria era idêntica, a norma interpretativa veiculada pelo referido Parecer, a teor do disposto no art. 106, I do CTN, deve ser aplicada ao presente caso concreto. As declarações de compensação não homologadas nos Despachos Decisórios foram as seguintes: Fl. 1046DF CARF MF 16 Na situação sob estudo, temse que: i) a homologação da desistência da execução judicial deuse em 09/06/2005; ii) em 06/07/2005 a contribuinte protocolizou o pedido de habilitação dos créditos; e iii) em 27/07/2005 (fl. 313) a contribuinte foi cientificada do deferimento do pleito de habilitação. Com efeito, o prazo da prescrição para a apresentação da Declaração de Compensação iniciouse em 09/06/2005; ficou suspenso por 22 dias, no trâmite do processo de habilitação dos créditos (de 06/07/2005 a 27/07/2005); e voltou a fluir a partir de 28/07/2005. Assim, adicionando o período de suspensão ao final do prazo considerado pela fiscalização, temse que, na verdade, não deveriam ter sido homologadas as Declarações de Compensação apresentadas após 01/07/2010 (09/06/2010 + 22 dias). Dessa forma, cabe reformar a decisão recorrida apenas em relação à Declaração de Compensação abaixo, apresentada em 11.06.2010, abaixo identificada: Com relação ao pedido de restituição, a autoridade administrativa assim se manifestou no seu indeferimento: Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.040 17 Conforme se observa nos trechos abaixo da sentença (fls. 254/260) e nos demais acórdãos sobre os recursos interpostos nas folhas subsequentes deste processo, a recorrente obteve provimento no que concerne à compensação: (...) Dessa forma, a recorrente não possui título judicial que a ampare quanto à determinação à autoridade administrativa para que aja no sentido por ela pretendido, no que concerne à restituição no âmbito administrativo. Assim, entendo que nada há a reformar nesta parte do despacho decisório, nem tampouco há previsão legal para suspensão ou interrupção do prazo de prescrição relativamente ao tempo que tramitou o pedido administrativo de restituição. Nesse sentido foi também decidido nos Acórdãos abaixo: Processo nº 10680.724080/200981 Acórdão nº 3403001.832– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2012 Relator: Rosaldo Trevisan Fl. 1048DF CARF MF 18 (...) VOTO (...) Não há, assim, no processo judicial, nenhuma menção à possibilidade de ser restituído o saldo remanescente das compensações pela Administração. Vejase que a Súmula 461 do STJ (derivada da aplicação do art. 66, § 2º da Lei no 8.383/91, quando invocada a tutela jurisdicional) também não assegura esse direito, garantindo apenas a possibilidade de recebimento via precatório (com execução judicial da sentença). Aliás, é exatamente esse o pedido alternativo da inicial da ação judicial da recorrente (repetição via precatório). (...) Da mesma forma que não se pode confundir restituição com compensação, como já referido neste voto, não se pode confundir restituição administrativa em virtude de sentença judicial com repetição de indébito via precatório (que está sujeita a atributos orçamentários próprios). O que busca a interessada guarda características de uma execução administrativa da sentença judicial. O posicionamento aqui externado é endossado por precedente de substancial similitude neste tribunal administrativo. Vejase o voto condutor (unânime em relação ao tópico analisado) do Acórdão nº 20402.110: “Verificase que a sentença e o acórdão da apelação cível se limita (sic) a autorizar a compensação do PIS recolhido a maior com o próprio PIS ou outros tributos administrados pela SRF, sem sequer mencionar o direito à restituição. Não poderia ser diferente, haja vista o motivo pelo qual a contribuinte ajuizou a préfalada ação judicial, detalhado pelo acórdão recorrido, confirase (fl. 698): (...) Assim, falece competência à autoridade administrativa para autorizar a restituição quando a decisão judicial ordenou a compensação dos seus créditos. Esclareçase, não se está negando direito ao referido crédito, mas tão somente afirmando que deve exercêlo dentro dos limites impostos pela decisão judicial transitada em julgado na Apelação Cível 9604589865, que lhe autorizou apenas o direito à compensação com o próprio PIS, conforme se verifica às fls. 521/522 dos autos.” (Conselho de Contribuintes, Acórdão 20402.110, Relator Cons. Rodrigo Bernardes de Carvalho, maioria, sessão de 24.jan.2007) (grifo nosso) Improcedente, assim, a argumentação da recorrente no que se refere à restituição administrativa da contribuição. (...) Processo nº 12448.726664/201274 Acórdão nº 2202003.470 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de junho de 2016 Relator: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 16636.000032/200915 Acórdão n.º 3402005.106 S3C4T2 Fl. 1.041 19 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. O direito de restituição/compensação de crédito oriundo de ação judicial extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito ou da homologação da desistência da execução do título judicial. SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ Nº 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial transitada em julgado que permite exclusivamente a compensação não garante o direito à restituição administrativa, mas sim a opção entre a restituição via precatório e a compensação, conforme Súmula STJ nº 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial. (...) VOTO (...) Ainda que não se admita a prescrição do pedido do Contribuinte, não há como prosperar a sua pretensão, posto que, no tocante ao outro ponto da controvérsia, qual seja, o alcance da decisão judicial, observase que a decisão de primeira instância considerou que a União foi condenada a compensar os valores indevidamente retidos a título de imposto de renda e, dessa forma, não poderia o Contribuinte solicitar a restituição de tais valores, sob pena de modificação da decisão judicial. Não cabe reparo à decisão de primeira instância, uma vez que a sentença judicial foi no sentido de condenar a União a compensar as importâncias descontadas indevidamente a título de imposto de renda na fonte sobre as parcelas recebidas a título de abono assiduidade, férias e licençaprêmio não gozadas. (...) Na decisão judicial, cujo pedido administrativo se fundamenta, a compensação pleiteada foi autorizada. Com o trânsito em julgado da sentença que negou provimento aos Embargos à Execução, não havia mais possibilidade de executar judicialmente o título, para obter restituição mediante precatório ou requisição de pequeno valor. Portanto, se a decisão judicial que amparava o direito do contribuinte só estava sujeita à execução na forma determinada, não estando disponível a faculdade de desistir da execução na forma proposta na inicial, há de se considerar que também inexistia possibilidade de opção pelo pedido de restituição na via administrativa. O Contribuinte, em seu requerimento inicial de fl. 12, fez a opção pelo pedido de restituição do imposto retido indevidamente, alegando que se mostra impraticável a compensação contra parcelas futuras do imposto de renda, pois não há como determinar ao Banco Central do Brasil, autarquia que lhe paga os rendimentos, que deixe de realizar a retenção na fonte sobre seus proventos. Entretanto, não há como modificar a Fl. 1050DF CARF MF 20 decisão judicial que determinou a compensação dos valores retidos indevidamente. (...) Dessa forma, entendo que deve ser afastada por este Colegiado a prejudicial de prescrição apontada no despacho decisório, para que a autoridade administrativa analise o mérito da declaração de compensação objeto da DCOMP nº 08839.17023.110610.1.3.549300, transmitida em 11.06.2010. O entendimento acima não traz qualquer repercussão no processo apensado nº 11040.722141/201279, que trata do auto de infração para a exigência de multa isolada em face da não homologação de compensações com fundamento no disposto no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, vez que tal declaração de compensação foi excluída do referido lançamento conforme constou no Relatório Fiscal1. Assim, pelo acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em relação a DCOMP nº 08839.17023.110610.1.3.549300, transmitida em 11.06.2010, afastar a prejudicial de prescrição apontada no despacho decisório, para que a autoridade administrativa analise o mérito dessa declaração de compensação. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Conselheira 1 Relatório Fiscal do processo nº 11040.722141/201279: (...) 5. Assim, aplicase o disposto na Lei nº 12.249/2010, de 11/06/2010, D.O.U. de 14/06/2010, em seu art. 62, que promoveu a inclusão do § 17 ao art. 74, da Lei nº 9.430/1996, que impõe o lançamento da multa de ofício de 50% sobre o crédito objeto do documento não homologado, conforme transcrição parcial a seguir: (...) 6. Registrese que, pelo Princípio do Tempus Regit Actum, segundo o qual as coisas jurídicas se regem pela lei da época em que ocorreram, somente as DCOMPs transmitidas após 14/06/2010 subsumem à aludida legislação, de forma que inaplicável a multa pela não homologação da DCOMP nº 08839.17023.110610.1.3.549300, eis que transmitida em 11/06/2010. (...) Fl. 1051DF CARF MF
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Numero do processo: 10620.000157/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003
DIF-PAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA, INDEPENDENTE DE TER HAVIDO OU NÃO OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE NO PERÍODO.
Conforme expressamente disposto no parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº 159/2002 (com força normativa dada pelo art. 16 da Lei nº 9.779/99), que aprovou a versão 1.0 do programa gerador da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF-Papel Imune), a apresentação da declaração é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
Numero da decisão: 9303-006.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a multa aplicada no auto de infração litigado para o valor de R$ 5.000,00, por DIF.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 269 1 268 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10620.000157/200512 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.667 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DIF PAPEL IMUNE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GIOVANE JOSÉ SANTOS EPP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA, INDEPENDENTE DE TER HAVIDO OU NÃO OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE NO PERÍODO. Conforme expressamente disposto no parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº 159/2002 (com força normativa dada pelo art. 16 da Lei nº 9.779/99), que aprovou a versão 1.0 do programa gerador da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), a apresentação da declaração é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a multa aplicada no auto de infração litigado para o valor de R$ 5.000,00, por DIF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 01 57 /2 00 5- 12 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10620.000157/200512 Acórdão n.º 9303006.667 CSRFT3 Fl. 270 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 228 a 238), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3403001.429, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 222 a 225), sob a seguinte ementa (à época ainda com o nome empresarial da incorporada – INFOWORLD LTDA. ME): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de Apuração: 2003 Ementa: DIF PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÕES. INOCORRÊNCIA. NÃO REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES. NÃO CONFIGURADA A OBRIGAÇÃO DE ENTREGAR A DECLARAÇÃO. ART. 112, I E II, DO CTN. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL NA APLICAÇÃO DE PENALIDADES. Não se aplica a multa pelo atraso na entrega da DIFPapel Imune se o contribuinte, depois de obtido o Registro Especial, não chegou a realizar operações com papel imune. Recurso provido No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fl. 250), a PGFN transcreve excertos das Instruções Normativas que trazem os regramentos relativos à DIF Papel Imune, quais sejam: IN/SRF nº 21/2001 e IN/SRF nº 159/2002, sendo que esta última diz expressamente que a apresentação da declaração é obrigatória, mesmo que não tenha havido operação com papel imune no período. Argumenta que “Isso decorre da premissa erigida nesse recurso e assente em toda doutrina e jurisprudência, qual seja a de que a obrigação acessória tem viés autônomo e formal, em nada sendo influenciada pela obrigação principal” e que “não faria sentido instituir uma obrigação acessória em relação a fato imune, se não fosse justamente para controle de dados”, ou seja, “A Receita Federal, em casos deste jaez, quer tanto saber se houve comercialização como também se não houve não é apenas para os casos em que ha comercialização que se criou a obrigação de informar.”. Pondera ainda que “Quem nunca comercializou papel nem nunca vai comercializar simplesmente não faz um registro especial. O que não se pode admitir é o comportamento contraditório da empresa, o venire contra faction proprio, de quem se registra para operar com papel imune e não cumpre com as obrigações de informação que possibilitam à Receita controlar o sistema e o influxo dessa imunidade”. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10620.000157/200512 Acórdão n.º 9303006.667 CSRFT3 Fl. 271 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. No mérito, vejamos primeiro o que diz o Código Tributário Nacional acerca das obrigações acessórias: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. É consabido que quando o CTN fala em legislação tributária, aí estão embutidas também as normas complementares. E, no caso da Receita Federal, há remissão legal expressa (Lei nº 9.779/99) sobre a sua competência para regular as obrigações acessórias de seu interesse: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A IN/SRF nº 71/2001 dispôs sobre o Registro Especial e instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). A IN/SRF nº 159/2002 aprovou o programa gerador da declaração, versão 1.0, deixando, de forma expressa, bem clara a obrigatoriedade de entrega na situação que aqui se discute: Art. 2º A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPapel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Esta instrução normativa, inclusive, figura no descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração (fls. 5 e 6), juntamente com o art. 16 da Lei nº 9.779/99. Assim, não vejo o que haja mais a se discutir, para solucionar a lide, nos limites em que nos foi posta. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10620.000157/200512 Acórdão n.º 9303006.667 CSRFT3 Fl. 272 4 De toda, forma, falando também na Jurisprudência, esta 3ª Turma da CSRF já tratou, ainda que de forma indireta, do assunto (a questão sob julgamento, na realidade, era a partir de que data passava a ser obrigatória a entrega da declaração). Em recente decisão unânime (Acórdão nº 9303004.951, sessão de 10/04/2017, de minha lavra) está consignado no voto condutor que “A matéria já foi apreciada por esta Terceira Turma da CSRF, decidindo de forma favorável à tese de que a obrigação de entrega da DIFPapel Imune seria a partir da publicação do ADE no Diário Oficial da União, independentemente de ter havido ou não operação no período”. A decisão a que referi (e inclusive adotei como razões de decidir) é o Acórdão nº 930101.428, de 05/04/2011, que teve como Relator o ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, sendo que, na transcrição daquele voto condutor – no qual é trazida a IN/SRF nº 159/2002, ao final se vê que é dito que “Portanto, não é necessário empreender grandes esforços intelectuais para concluir que, com a publicação do ADE no Diário Oficial da União, o contribuinte estava obrigado a entregar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação no período”. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000454/2009-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-006.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 04 54 /2 00 9- 30 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 19991.000454/200930 Acórdão n.º 9303006.137 CSRFT3 Fl. 252 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3803002.335, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA Apresentadas nos autos provas que levam a crer que a empresa realizava cumulativamente as atividades previstas no § 6°, do art. 8°, da Lei n°10.925/2004, deve ser reconhecido o direito ao crédito presumido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE ADQUIRIU CAFÉ A apresentação de documentos que demonstrem que a empresa efetivamente comprou café, em especial, seu pagamento, é indispensável para assegurar o direito ao crédito alegado. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. O presente processo referese a pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, relativo ao PIS não cumulativo do segundo trimestre de 2008, indeferido pela unidade de origem sob dois fundamentos: (i) relativamente ao crédito presumido, ausência de prova de que a Recorrente produzia, ela própria, o café; e (i) em relação ao crédito ordinário, falta de prova do pagamento do café que adquiriu. A 3ª Turma especial da Terceira de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar glosa de crédito presumido, por entender que o crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 podia ser objeto de pedido de compensação com outros tributos administrados pela SRF, e que o contribuinte exercia as atividades de “padronizar, beneficiar. preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial”, atividades previstas no § 6° do art.8° da Lei n° 10.925/2004. Com relação ao outro ponto, confirmouse a decisão de primeira instância pela não comprovação da efetiva compra do café. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 19991.000454/200930 Acórdão n.º 9303006.137 CSRFT3 Fl. 253 3 A Fazenda apresentou recurso especial (fls. 207 a 217), suscitando divergência quanto a possibilidade do credito presumido de PIS e Cofins da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ser objeto de pedido de compensação com outros tributos administrados pela SRF ou de pedido de ressarcimento. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, conforme despacho de admissibilidade (fls. 235 a 238). O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito à possibilidade do credito presumido de PIS e Cofins da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ser objeto de pedido de compensação com outros tributos administrados pela SRF ou de pedido de ressarcimento. Visando comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou, como paradigmas, os Acórdãos 20313.264 e 310100749. O confronto das decisões comprova a divergência. Enquanto no Acórdão recorrido o colegiado afastou a incidência da IN SRF nº 660/06, que, expressamente, vedava à compensação dos créditos presumidos da agroindústria instituídos pelo art. 8º da Lei 10.925/2004 com outros tributos, bem como o seu pedido de ressarcimento, nos acórdãos paradigmas foi adotada a tese restritiva, pela impossibilidade de tais créditos serem objeto de pedido de ressarcimento. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da possibilidade do credito presumido de PIS e Cofins da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ser objeto de pedido de compensação com outros tributos administrados pela SRF ou de pedido de ressarcimento. A decisão recorrida adotou os seguintes fundamentos de forma a permitir a compensação de créditos referentes ao crédito presumido das agroindústrias com outros tributos e contribuições administrados pela SRF: i) que IN SRF 606/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 extrapolou o conteúdo da lei e, portanto, seria ilegal, não podendo servir de base para a não homologação da compensação declarada; e ii) que a compensação seria possível por se tratar de crédito referente a exportações, o que em tese se enquadraria na exceção prevista no §9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 19991.000454/200930 Acórdão n.º 9303006.137 CSRFT3 Fl. 254 4 Em que se preze os argumentos trazidos pelo i.Relator, entendo que os fundamentos apresentados na decisão recorrida estão equivocados e a decisão deve ser revista, conforme requer a Recorrente. O fundamento dos pedidos de ressarcimento e compensação dos créditos presumidos formulados pela Recorrida é o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referemse, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 606/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004, não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº Fl. 254DF CARF MF Processo nº 19991.000454/200930 Acórdão n.º 9303006.137 CSRFT3 Fl. 255 5 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº 15/2005 (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). Também não pode prosperar o fundamento de que a compensação pleiteada poderia ser deferida em razão da exceção contida no §9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, por se tratar de empresa exportadora. Em primeiro lugar, tratase de dispositivos introduzidos pelas MP 552 e 556 de 2011, portanto, em momento posterior aos fatos analisados no presente processo. Inclusive tais alterações não foram convertidas em lei, ficando sem efeito as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados com base nos referidos atos, conforme Decreto Legislativo 247/2012. Em segundo lugar, os parágrafos §8º e 9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não ampliaram as possibilidades de compensação previstas nas normas de regência. Tratamse apenas de permissão para as empresas exportadoras utilizarem tal crédito para pagamento de PIS e COFINS não cumulativos devidos, ainda que não sofressem a incidência das contribuições. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da nãocumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser reformada. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 15758.000542/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente.
Numero da decisão: 1301-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 42 /2 01 0- 87 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 697 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase o presente processo de autuação fiscal decorrente omissão de receitas no anocalendário de 2006, o que culminou com a lavratura dos autos de infração (fls. 3/52) exigindo os créditos tributários no montante de R$ 1.191.045,61 relativos ao Simples, bem como na exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2007. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão nº 1054.565 prolatado pela 6ª Turma da DRJ/POA (fls. 661/664): A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 0811400200900438, com a finalidade de verificar as receitas informadas pelo sujeito passivo em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ do exercício de 2007, que culminou com a formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2006 a 31/12/2006 na modalidade do Simples e na exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2007. A fiscalização teve início em 30/07/2009 quando o sujeito passivo foi intimado pessoalmente a informar todas as contas de movimentações bancárias e apresentar os extratos bancários e demais documentações comprobatórias de sua movimentação financeira no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. A empresa alegou dificuldades em obter os extratos bancários e forneceu autorização para que o Fiscal solicitasse tais documentos junto às Instituições Financeiras: Banco Santander S/A, Banco Itaú, Banco Real e Banco Nossa Caixa. Analisando a documentação apresentada, a fiscalização solicitou que o contribuinte comprovasse a origem dos depósitos em suas contas correntes. Ele alega que alguns depósitos seriam relativos a financiamento mediante títulos em garantia, porém não apresentou os documentos necessários para comprovar tal argumento. A Fiscalização entrou em contato com o Banco Itaú e foi esclarecido por email que a nomenclatura AG TEF se refere a valores transferidos para a conta corrente periodicamente e que são originados de cobrança de títulos, na medida que estes são recebidos. Outros depósitos diz o interessado tratarse de empréstimos obtidos de empresas pertencentes à sua família, não juntando documentos comprobatórios. Foi constatado também depósitos de valores referentes a transferência de mesma titularidade, sendo estes os únicos em que foi considerada comprovada a origem. Diante da falta de comprovação de suas alegações, a fiscalização elaborou planilhas relacionando os depósitos de origem não comprovada, excluindose as Fl. 697DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 698 3 transferências de mesma titularidade e devoluções, e efetivou o lançamento de ofício relativo à receita omitida de R$ 3.835.505,20. O lançamento de ofício relativo ao período de apuração 01/2006 a 12/2006 está consubstanciado nos autos de infração – Simples: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 82.703,48; Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 60.729,32; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 84.349,45; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 248.635,85; e Contribuição para Seguridade Social – INSS, no valor de R$ 714.627,56, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 1.191.045,65 (um milhão, cento e noventa e um mil, quarenta e cinco reais e sessenta e cinco centavos), aí incluído o principal, multa de 75% e juros de mora calculados até 29/10/2010. Em 16/11/2010 a Fiscalização encaminha à Delegada da Receita Federal do Brasil em Santo André a Representação Fiscal para Exclusão do Simples uma vez que o contribuinte, enquadrado na condição de microempresa, auferiu no decorrer do anocalendário analisado receita bruta excedente ao limite estabelecido para ingressar/permanecer no Simples. Em 08/02/2011 é emitido o Ato Declaratório Executivo nº 11/2011, excluindo a empresa “Calfa Comercial Ltda” do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples a partir de 01/01/2007 fundamentado na Lei nº 9.317/1996, artigo 9º, inciso II, artigo 12; artigo 13, inciso II, “a”, artigo 14, inciso I e artigo 15, inciso IV. O processo nº 18186.001966/201160, apensado ao presente em 02/08/2012, trata do Ato de Exclusão. O sujeito passivo foi cientificado pessoalmente dos Autos de Infração em 25/11/2010, e do ADE nº 11/2011, via postal em 14/02/2011. Em 11/12/2010 a empresa apresenta sua impugnação com relação aos autos de infração. Em síntese alega: 1 O Sr. Agente Fiscal não contemplou em suas razões de convencimento nenhum documento hábil e oficial dos bancos onde mantém suas contas bancárias, bem como não reconheceu a forma jurídica de operação da conta garantida, computando um valor maior do que o real faturado pela empresa; 2 A prova que deu origem à lavratura do auto (email) não pode ser considerada como válida, pela forma “não oficial” para sua obtenção; 3 A ausência de conhecimento do Sr. Fiscal sobre a forma jurídica de utilização de uma conta garantida fez com que o faturamento da sociedade fosse majorada em quase 70%; 4 Questiona a forma utilizada para obtenção de informações junto aos Bancos (mensagem eletrônica), caminho este que não seguiu as tradições legais e sequer os meios processuais vigentes. Esta mensagem eletrônica não esclarece as dúvidas da fiscalização no tocante ao procedimento de uma conta garantida e, especialmente, em seu conteúdo não é possível verificar uma explicação lógica acerca da codificação e termos utilizados nos extratos bancários; 5 Discorre sobre a conta garantida. A mesma funciona com antecipação de recebíveis, ou seja, o cliente possui títulos para recebimento futuro. Levaos ao Banco e esses recebíveis futuros são antecipados em conta do cliente, descontando Fl. 698DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 699 4 se a parte do Banco (geralmente um percentual sobre o valor total). Quando os clientes devedores das faturas pagam as duplicatas, os valores necessariamente entram novamente em conta do cliente, para que, somente depois do recebimento efetivo, o banco transfira de titularidade o dinheiro para a conta do próprio banco. Na forma atribuída pelo Fiscal para fazer a conta de checagem aplicase o instituto do bis in idem; 6 Das contas parceladas: é muito comum que a venda efetivada em um mês, tenha o recebimento dividido em dois ou mais pagamentos futuros; 7 Do cancelamento dos Boletos: existem empresas que, em princípio, pedem para parcelar o valor da aquisição, porém, passados alguns dias fazem o requerimento para antecipar estes pagamentos. Neste caso, já estão registrados os recebíveis futuros, bem como o pagamento do todo, e o saldo bancário cresce de forma irreal: computase contabilmente duas vezes os valores da mesma venda, pelos boletos e pelo depósito; 8 Por tudo que consta dos autos, é óbvio que os valores dos extratos bancários estavam dissonantes do que estava lançado na contabilidade, tendo em vista que em média 30% dos recebimentos da empresa, dentro de um mês, estavam pendentes de um depósito futuro, de uma antecipação de pagamentos ou até mesmo de um cancelamento; 9 As falhas apontadas no procedimento que culminou com a lavratura dos Autos de Infração são aptas para declarar a nulidade dos mesmos; e 10 Ao final requer seja julgada totalmente procedente a impugnação, com o objetivo inicial de que o aludido auto de infração seja anulado por completo, ou salvo melhor Juízo, seja refeito todo o procedimento, descontandose as variáveis esclarecidas, que de fato alteram por completo seu faturamento e, por conseqüência, o fato gerador do imposto de renda cobrado. Em 28/02/2011 o contribuinte manifestase com relação ao ADE nº 11/2011 – fls. 03/13 do processo administrativo nº 18186.001966/201160. Em síntese, alega que o ato formalizado exorbitou a esfera da legalidade e os limites do Poder Discricionário, tornandose nulo de pleno direito, pelas seguintes razões: 1 Referese novamente sobre a prova que deu origem à lavratura do a ausência de conhecimento, por parte do fiscal, sobre a forma jurídica de utilização de uma conta garantida fez com que o seu faturamento fosse majorado em quase 70%; 2 Traz os mesmos argumentos da impugnação acima sintetizados; e 3 Postula para que sua exclusão seja considerada a partir do anocalendário de 2010, momento em que informou sua exclusão diante do aumento de faturamento. De acordo com as apurações que originaram a exclusão de ofício do Simples, o valor auferido não corresponde à realidade de seu faturamento, e a empresa mantém os requisitos para permanecer inserida no aludido programa, especialmente em relação ao faturamento real; 4 Ao final requer seja anulado o Ato Declaratório Executivo de Exclusão da empresa do Simples. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 664/667, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo na íntegra a exação fiscal Fl. 699DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 700 5 Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (674/685), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. O recurso voluntário foi tempestivamente interposto e atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Cuidase o presente processo de autuação fiscal decorrente omissão de receitas no anocalendário de 2006, o que culminou com a lavratura dos autos de infração (fls. 3/52) exigindo os créditos tributários no montante de R$ 1.191.045,61 relativos ao Simples, bem como na exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2007. As infrações referemse a: (i) omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados) (ii) insuficiência de recolhimento. Como se depreende do TVF (fls. 503/507), a origem da ação fiscal foi em razão de indícios de omissão de receita. Isso porque constatouse que a movimentação financeira era incompatível com os rendimentos declarado no anocalendário de 2006 A Recorrente foi intimada a apresentar seus extratos bancários e demais documentação comprobatório de sua movimentação financeira no anocalendário de 2006. Frisase que diante da dificuldade em obter os extratos solicitados pela fiscalização, a contadora da empresa, Sra Joaninha Esther Patriani Alexandre compareceu à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) e autorizou a solicitação dos extratos bancários as seguintes instituições financeiras: Banco Santander SA, Banco Itaú SA, Banco Real SA e Banco Nossa Caixa Sa. Com efeito, foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira – RMF e com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras, foi elaborada planilha com a relação aos depósitos de origem não comprovadas realizados nos bancos supramencionados, excluindo as transferências de mesma titularidade e devoluções. Confirase esta síntese no quadro abaixo: Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 701 6 Conforme tabela acima, verificouse o valor de R$ 3.835.505,20 relativa à omissão de receita correspondente aos valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. Dessa forma, foi constituído o respectivo crédito tributário, conforme tabela abaixo: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 702 7 Em função disso, verificouse que a receita bruta no anocalendário de 2006 excedeu ao limite estabelecido para ingressar no Simples (R$ 2.400.000,00), razão pela qual a Recorrente foi excluída do regime simplificado, nos termos do art. 9 da Lei 9.317/96. Passemos as razões de defesa da Recorrente. PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente sustenta que a lavratura do presente auto de infração está eivada de vícios na sua origem, visto que o agente fiscal não contemplou em suas razões de convencimento nenhum documento hábil e oficial dos bancos onde ela mantém suas contas, bem como não reconheceu a forma jurídica de operação da conta garantida que a sociedade se utiliza. Assim, requer a revogação do Ato Declaratório Executivo de exclusão da recorrente do simples nacional, juntamente com a reforma da decisão proferida e o lançamento fiscal. Tais argumentos não devem prevalecer. Tanto o Auto de Infração quanto Ato de Exclusão do Simples decorrem de ação fiscal regular, lavradas nos termos da lei Nesse ponto, entendo que a nulidade de um auto de infração somente se daria em caso de ter sido lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, de acordo com o arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. Pelo exposto, os lançamentos efetuados pela fiscalização e o ADE revelaram se válidos para todos os fins legais, não havendo nulidade a ser reconhecida. MÉRITO DOS EXTRATOS BANCÁRIOS Fl. 702DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 703 8 A Recorrente questiona a formalidade da prova. Alega que o agente fiscal não contemplou em suas razões de convencimento nenhum documento hábil e oficial dos bancos onde mantém suas contas bancárias, que balizou a autuação fiscal. Nesse ponto, verificase que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancária tem fundamento na Constituição Federal, destacase: Art. 145 (...) § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Por sua vez, encontra guarida no CTN, a saber: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A Lei Complementar nº 105/2001 regulou os pormenores da solicitação de informações às instituições financeiras. Confirase: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) Fl. 703DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 704 9 §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Notese que também foram editados Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Confirase: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o TDPF. § 1o A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; IIPresidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência Fl. 704DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 705 10 Observase ainda que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, feita pelo Auditor Fiscal no curso da fiscalização efetuada em face da Recorrente, tem como matriz legal o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 acima mencionado. Primeiramente se verifica que o agente fiscal agiu dentro das hipóteses específicas, em que o acesso é permitido, utilizando destes com o fim na constituição do crédito tributário, a prova obtida é valida para este fim. A requisição feita às instituições financeiras foi realizada por meio do RMF encaminhada ao Banco Itaú e Itaú Bank Boston; às fls. 60 a RMF encaminhada ao Banco Santander Banespa; às fls. 81 a RMF encaminhada ao Banco Nossa Caixa; às fls. 122 a RMF encaminhada ao Banco Real. Foram disponibilizados pelas instituições bancárias os extratos solicitados que estão anexados ao presente processo, documentos estes hábeis e oficiais dos bancos onde o contribuinte mantém suas contas bancárias. Assim, entendo que a pretensão da Recorrente não deve prosperar nesse sentido. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Conforme visto, o presente cuida de processo de autuação fiscal decorrente omissão de receitas no anocalendário de 2006, o que culminou com a lavratura dos autos de infração (fls. 3/52) exigindo os créditos tributários no montante de R$ 1.191.045,61 relativos ao Simples, bem como na exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2007. O lançamento de ofício foi efetuado tendo em vista a omissão de receita (diferença na base de cálculo) e insuficiência de recolhimento (realinhamento das alíquotas do Simples aplicáveis a se considerar as receitas então omitidas). Verificase que a legislação criou a presunção legal que vincula autoridade fiscal. Assim, quando presentes seus pressupostos, quais sejam, a intimação ao contribuinte e a não comprovação da origem dos recursos usados nos depósitos bancários, deve ser feito o lançamento tributando esses valores como omissão de receita., com base no art. 42, § 5º, da 9.430/96, acrescentado pela Lei 10.637/12, em que diz: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse ponto, a decisão da DRJ informou que cumpre ao fisco, tãosomente comprovar o indício, como foi feito no presente caso, destacando que "a relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas." Adiante, quanto aos meios obtidos, a decisão a quo ponderou que: No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes e ela Fl. 705DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 706 11 não logrou fazêlo. A empresa alega tratarse de empréstimos obtidos de empresas pertencentes à sua família e financiamento mediante títulos em garantia (antecipação de recebíveis), porém nada comprova. A existência de antecipação de recebíveis denota que houve o faturamento, não podendo ser desconsiderado o crédito dele decorrente sem a comprovação de que a receita correspondente foi tributada. No Termo de Verificação Fiscal que o sujeito passivo foi cientificado em 25/11/2010, fls. 507, consta que apesar dos esclarecimentos sobre depósitos bancários, o mesmo não apresentou os documentos necessários para comprovar suas alegações. Portanto, na impugnação caberia ao sujeito passivo, para desconstituir a presunção de omissão de receitas, apresentar documentação hábil e idônea, que pudesse comprovar a origem dos depósitos bancários. Contudo, optou o Impugnante por discutir questões outras, como o cancelamento de boletos, parcelamento de contas, a forma utilizada para obtenção de informações junto aos Bancos (mensagem eletrônica), ou seja, só não laborou no que é o principal aspecto da matéria em discussão: produzir provas para desconstituir a presunção legal. Com relação ao contato telefônico com o Banco Itaú para esclarecer a nomenclatura utilizada nos extratos apresentados e a resposta por correio eletrônico não invalida a ação fiscal, pois a mesma decorreu, como vimos, da falta de comprovação dos valores depositados nas contas correntes do contribuinte. A consulta serviu para que o fiscal entendesse a nomenclatura utilizada pela instituição bancária, não afetando em nada o lançamento. O autuado possuía a prerrogativa de rebater as acusações, utilizandose de todos os meios lícitos de provas que julgasse relevantes para elidir o lançamento. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem relativamente à totalidade dos depósitos questionados durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou evidenciada. Desse modo, entendo ser correta a autuação fiscal, tendo em vista que o titular da conta bancária pessoa física, o qual foi regularmente intimado não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, estando o Fisco autorizado a proceder o lançamento do imposto correspondente. Assim, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da Recorrente como receita omitida, em decorrência da presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não apresentou qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas. Irretocável, portanto, a decisão da DRJ nesse ponto. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Verificouse que a receita bruta no anocalendário de 2006 excedeu ao limite estabelecido para ingressar no Simples (R$ 2.400.000,00), uma vez que a empresa auferiu receita neste ano na monta de R$ 5.030.367,54 (fls. 508), já descontadas as transferências de numerários havidas em suas contas bancárias Fl. 706DF CARF MF Processo nº 15758.000542/201087 Acórdão n.º 1301002.989 S1C3T1 Fl. 707 12 Por tal razão, impõese que Recorrente seja excluída do regime simplificado, nos termos do art. 9 da Lei 9.317/96 c/c arts. 13, II, “a”, e 14, I, da citada Lei, com efeitos a partir de 01/01/2007, a teor do art. 15, IV, da Lei nº 9.317/1996. Como já visto, a Recorrente não logrou êxito em comprovar os valores levantados pelo fisco como receitas omitidas. Conforme já exposto, os argumentos trazidos pela Recorrente não prevaleceram, de modo que a exclusão do sistema simplificado deve ser confirmada, a partir do exercício seguinte ao da constatação da ocorrência, isto é, 01/01/2007. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722341/2010-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes (Presidente).
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes (Presidente). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 23 41 /2 01 0- 18 Fl. 122DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 51/55), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário de 2008, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 22.278,75. O contribuinte apresentou impugnação parcial (f. 2/23), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RIO DE JANEIRO de f. 64/72. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 77/100. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Argui a preliminar de nulidade do lançamento e defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Insurgese contra a multa de 75%, que entende ser exorbitante, extorsiva, desconectada do fato efetivamente ocorrido. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10480.722341/201018 Acórdão n.º 2001000.149 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Fl. 124DF CARF MF 4 Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10480.722341/201018 Acórdão n.º 2001000.149 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do Fl. 126DF CARF MF 6 instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 127DF CARF MF
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