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Numero do processo: 10320.003858/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2009
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS. ATO DO FISCO FEDERAL.
No caso de problemas técnicos ocorridos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declaração, reconhecidos por ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo deverá transmiti-la no prazo nele indicado. Caso contrário, incidirá em mora e, por via de conseqüência, na multa por atraso na entrega da declaração.
Numero da decisão: 1803-001.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2009 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS. ATO DO FISCO FEDERAL. No caso de problemas técnicos ocorridos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declaração, reconhecidos por ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo deverá transmiti-la no prazo nele indicado. Caso contrário, incidirá em mora e, por via de conseqüência, na multa por atraso na entrega da declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Recorrente S F CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2009 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS. ATO DO FISCO FEDERAL. No caso de problemas técnicos ocorridos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declaração, reconhecidos por ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo deverá transmitila no prazo nele indicado. Caso contrário, incidirá em mora e, por via de conseqüência, na multa por atraso na entrega da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 38 58 /2 00 9- 11 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10320.003858/200911 Acórdão n.º 1803001.409 S1TE03 Fl. 111 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado a Notificação e Lançamento para exigência do crédito tributário, referente a multa por atraso na entrega da seguinte Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O contribuinte insurgiuse apresentando impugnação sustentando que: o atraso decorreu da conduta do Fisco, que foi inclusive questionada por diversas entidades de classe; no dia 7.10.2010 (data final para entrega da DCTF), ocorreram problemas técnicos nos computadores da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), que impossibilitaram a transmissão da declaração pela Internet; a RFB reconheceu o problema editando o Ato Declaratório Executivo n° 90, de 11.11.2009, considerando tempestiva a entrega das declarações que tenham ocorrido até o dia 8.10.2009; o Ato Declaratório, com o fim de regular o prazo para a prática de ato que deveria ter acontecido no passado, está viciado, por conta da impossibilidade de seu objeto, e feriu os princípios da boafé, da confiança e da segurança jurídica. Em sede de cognição ampla, os argumentos da impugnante foram rechaçados, mantendose incólume o lançamento em questão. Inconformada com a decisão, a impugnante interpôs tempestivamente Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos sustentados na impugnação. É o simples relatório. Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. Pois bem, depreendese importante salientar que o problema técnico ocorrido no dia 7.10.2009, foi efetivamente reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio do Ato Declaratório RFB n° 90, de 11.11.2009, abaixo transcrito: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10320.003858/200911 Acórdão n.º 1803001.409 S1TE03 Fl. 112 3 "Ato Declaratório Executivo RFB n° 90, de 11 de novembro de 2009 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso das atribuições (..) declara: Art. 1°. Considerase tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009. Art. 2° Ficam sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009. Entrementes, no caso em tela denotase que a DCTF apenas foi entregue no dia 29.10.2009, portanto incontroversa a mora da Recorrente. Portanto, entendo que resta defeso elastecer os efeitos do Ato Declaratórios alhures apontado sob pena de violar o artigo 111, III do CTN, uma vez que é cediço que a legislação que trata da dispensa de cumprimento de obrigações instrumentais deve ser interpretada de forma literal. Demais disso, por expressa disposição prevista no parágrafo primeiro do artigo 108 do CTN, também resta defeso ao aplicador da norma tributária lançar mão de critérios de equidade para desonerar o contribuinte do crédito tributário. Em virtude do exposto, conheço do inconformismo porém negolhe provimento. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.905118/2012-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/04/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 51 18 /2 01 2- 43 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905118/201243 Acórdão n.º 3801003.711 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905118/201243 Acórdão n.º 3801003.711 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905118/201243 Acórdão n.º 3801003.711 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905118/201243 Acórdão n.º 3801003.711 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905118/201243 Acórdão n.º 3801003.711 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905118/201243 Acórdão n.º 3801003.711 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13732.000643/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Somente podem ser deduzidas as despesas com pensão alimentícia comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, que comprovem não só a determinação de seu pagamento, mas também a sua efetividade. Sem esta prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-001.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Assinado digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos
Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
Relator
EDITADO EM: 13/05/2011
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente podem ser deduzidas as despesas com pensão alimentícia comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, que comprovem não só a determinação de seu pagamento, mas também a sua efetividade. Sem esta prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Assinado digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 2. 00 06 43 /2 00 8- 04 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 04/06 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas deduzidas por ele a título de despesas médicas (no valor de R$ 400,00) e pagamento de pensão alimentícia (no valor de R$ 13.036,35). Ambas as infrações estavam relacionadas ao ano calendário 2005. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, por meio da qual requereu o cancelamento da Notificação, trazendo cópia dos documentos comprobatórios das despesas médicas cuja dedução pretendia, e ainda cópia da decisão judicial que indica Lea Andrade de Souza como beneficiária de pensão paga por ele. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ no Rio de Janeiro decidiram pela manutenção parcial do lançamento, tendo reputado como comprovadas as despesas médicas objeto do lançamento. A dedução dos valores pagos a título de pensão foi acolhida em parte, tendo sido acolhida a despesa de R$ 2.647,77 com Lea Andrade de Souza. Contra tal decisão foi interposto o Recurso Voluntário de fls.32/33, agora em nome de Nilzete Maria Lazzarini, que alegou ser viúva do contribuinte e pugnou pelo acolhimento da Impugnação anteriormente apresentada, acrescentando ainda que: não tinha condição de pagar o débito; estava se sentindo lesada e prejudicada fisicamente; a exesposa do contribuinte (Lea) passou a receber 50% de sua aposentadoria, não tendo porém nenhuma despesa; ela (Nilzete) tem que sustentar a si mesma e outras 4 pessoas; e que a cobrança fora gerada em razão da pensão paga a Lea, Daniel e Danielle, sendo que o falecido já apresentara sua defesa, a qual era novamente anexada, para que fosse reapreciada. Anexou ao Recurso Voluntário os documentos de fls. 34 e seguintes. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator A ciência da decisão recorrida se deu em 01.10.2009, como atesta o AR de fls. 31. O Recurso Voluntário foi interposto em 13.10.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Antes de apreciar o mérito do Recurso Voluntário em tela é preciso que se verifique a legitimidade da Recorrente, eis que o contribuinte contra o qual o lançamento foi Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13732.000643/200804 Acórdão n.º 2102001.282 S2C1T2 Fl. 73 3 lavrado faleceu em fevereiro de 2009, e o recurso foi interposto pela Sra. Nilzete Maria Lazzarini. Os documentos de fls. 34 e 35 demonstram que o Sr. Manoel Gomes de Souza (contribuinte autuado) faleceu em 22.02.2009, quando era casado com Nilzete. Consta da certidão de óbito que o referido contribuinte não deixara bens, razão pela qual não haveria necessidade de abrir Inventário. Assim sendo, deve ser reconhecida a legitimidade da Recorrente para atuar em nome do de cujus. Reconhecida a legitimidade, é de se analisar o mérito do Recurso interposto. A discussão trazida a esta Turma julgadora em sede de Recurso Voluntário diz respeito somente à glosa de despesas declaradas pelo contribuinte a título de pensão alimentícia. De acordo com as autoridades fiscais responsáveis pelo lançamento, o contribuinte deixara de comprovar o pagamento de R$ 13.036,35 alegadamente pagos a título de pensão alimentícia. Deste montante, R$ 11.672,35 teriam sido pagos a Lea Andrade de Souza, e – em relação aos demais beneficiários, parte dos pagamentos não teria sido comprovada. Eis o que consta da Notificação de Lançamento: Glosa do valor de R$ ********13.036,35, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimenticia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Valores comprovados: 1) Daniel e Danielle Oliveira Gomes de Souza (Denise Cêsar de Oliveira) Comprovante de Rendimentos Banerj/ RioPrevidência R$ 16.869,63 + R$ 1.626,63 = R$ 18.496,26; INSS R$ 24E4,95 + R$ 248,95 = R$ 497,90; Depósitos bancarias: Daniel R$ 124,00 (04 e 05/2005) =R$ 248,00; Danielle R$ 124,00 (04 a 12/2005) = R$ 1.116,00. Total = R$ 20.358,16. Obs.: Lea Andrade de Souza O contribuinte não apresentou decisão judicial que a indique como beneficiária de pensão alimenticia. Dedução glosada. Com os documentos trazidos em sede de Impugnação, a decisão recorrida acolheu em parte as alegações do Recorrente, pelos seguintes motivos: O contribuinte em sua DIRPF declarou ter pago a Lea Andrade de Souza o valor de R$11.672,35, entretanto só logrou comprovar R$882,59X3=2647,77.Tal valor referese ao demonstrado na memória de cálculo de f1.9 e comprovado pelos extratos do sistema DATAPREV à fl 24. Com relação aos outro beneficiários de pensão mencionados na DIRPF não foi trazido qualquer documento que pudesse alterar o valor de R$20.358,16 considerado pela fiscalização. No Recurso Voluntário são trazidos novos documentos aos autos. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Dentre eles consta um ofício por meio do qual é determinado à fonte pagadora do Recorrente que deposite o montante correspondente a 30% dos seus vencimentos a seus filhos Daniel e Danielle, na proporção de 15% para cada. Em seguida, foi anexada aos autos a cópia da petição de solicitação de exoneração da pensão, pleiteada pelo contribuinte. Não foi trazida aos autos qualquer notícia acerca do desfecho de tal pedido. Foram anexados também ao Recurso Voluntário extratos dos pagamentos da aposentadoria recebida pelo contribuinte ao longo do ano de 2005. Destes extratos, porém, só consta a dedução da pensão alimentícia a partir do mês de novembro de 2005, o que já fora deferido pela decisão recorrida. Em resumo, nenhum dos documentos trazidos em sede de Recurso Voluntário é capaz de corroborar aquilo que foi declarado pelo contribuinte – no sentido de que tenha pago todos aqueles valores a título de pensão alimentícia. De fato, como bem salientado na decisão recorrida, qualquer dedução (e não só aquelas pagas a título de pensão alimentícia) há de ser devidamente comprovada – inclusive com a prova do pagamento – para que possa ser considerada no cálculo do Ajuste Anual. No caso vertente, porém, esta prova não foi trazida aos autos, quer pelo contribuinte, quer pela sua viúva, signatária do Recurso Voluntário. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 11 de maio de 2011 Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10950.002739/2005-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
Ementa:
DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA.
É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB.
Numero da decisão: 9101-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente-substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 Ementa: DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA. É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente-substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
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IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA DA ADMINISTRAÇÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA. É incabível a imposição de multa pelo atraso na entrega da DCTF, quando este ocorre em razão do congestionamento de dados no site da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidentesubstituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 27 39 /2 00 5- 93 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR 2 Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 43/53) interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 56, inciso II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes c/c art. 7, inciso II, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 30335.212 proferido pelos membros da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário. O voto condutor do acórdão recorrido foi no sentido de que é indevida a incidência da multa de oficio por atraso na entrega da DCTF, em razão da existência de problemas técnicos na sua transmissão. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA ADMINISTRATIVA. EMPREGO DA EQÜIDADE AO CASO. INCABÍVEL A IMPOSIÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Cumpre, ainda, a transcrição de trecho do voto condutor do acórdão: “(...) A recorrente, por sua vez, não refuta a entrega das DCTF fora do prazo legalmente previsto, entretanto, imputa à Delegacia Regional da Receita Federal a responsabilidade pelo atraso, em decorrência dos problemas técnicos constantes dos sistemas de recepção e transmissão das aludidas declarações, os quais impossibilitaram a apresentação das declarações faltantes no lapso temporal estabelecido. A mais, sustenta que procedeu na forma como orientado por funcionária da Delegacia local. (...) In casu, inferese, pois, uma atuação negligente por parte da administração fiscal, no que toa à prévia e adequada definição do critério de distribuição de transmissão e recepção da demanda de declarações, bem como o prazo geral prospectivo que deveria ser concedido, em igualdade de condições, a todos os contribuintes que foram impedidos de entregar suas DCTF, pela via eletrônica, no prazo legal. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR Processo nº 10950.002739/200593 Acórdão n.º 9101001.931 CSRFT1 Fl. 289 3 Com base nos fundamentos suscitados, bem como em observância às circunstâncias do caso e a devida equidade, conforme previsto no CTN, devese afastar a penalidade indevidamente aplicada pela entrega a destempo das DCT's/2004.” A Fazenda Nacional sustentou que o entendimento adotado no acórdão recorrido diverge do adotado por outra Câmara deste Conselho. Em suas razões recursais afirmou que, apesar da ocorrência de falha no sistema eletrônico da RFB, a forma de cumprimento da obrigação acessória foi estabelecida no Ato Declaratório SRF nº 24 de 08/04/2005, o qual dispôs que as declarações entregues entre 16 a 18 de fevereiro de 2005, seriam consideradas como entregues em 15 de fevereiro de 2005, sem prejuízo ao contribuinte, entretanto, no caso, o contribuinte apresentou a DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004 em 24/02/2005. Trouxe como paradigma o acórdão 30238.631, assim ementado: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. 0 atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Por fim, pugnou pela reforma do acórdão recorrido. Submetido ao exame de admissibilidade (fls. 56/58) foi dado seguimento ao recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls70/76. Preliminarmente, pugnou pelo não conhecimento do recurso por inexistência de divergência, já que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações fáticas diversas, isto porque a motivação apresentada no acórdão paradigma referese à ausência de prova da alegação do contribuinte de que tentou fazer a entrega no prazo, o que não é o caso do acórdão recorrido. No mérito, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido, pois tentou fazer a entrega da DCTF dentro do prazo, seguiu todas as orientações da DRF local e, por isso, não teve responsabilidade pela não transmissão da declaração no prazo determinado. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR 4 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimeto. O cerne da questão referese à verificação da legitimidade ou não da imposição da multa por atraso na entrega da DCTF (4º trimestre de 2004) diante da existência de situação peculiar, qual seja, falha no sistema eletrônico da RFB. No caso dos autos, a DCTF foi entregue no dia 24 de fevereiro de 2005, sendo o atraso decorrente de falha no sistema da Receita Federal para transmissão da declaração. Cumpre observar, nesse ponto, que a legislação aplicável à espécie não previa nenhuma forma alternativa para entrega da declaração, apenas a internet. Nesse contexto, a própria administração reconheceu os problemas técnicos para envio da declaração e passou a admitir a sua entrega extemporânea, via internet, nos três dias seguintes ao do prazo, como se tempestiva fosse. O Ato Declaratório SRF 24 de 8 de abril de 2005, teve a seguinte redação: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002 , e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005.” Ocorre que, ainda que a administração tributária tenha flexibilizado a entrega da declaração pela internet nos três dias posteriores, isso só se deu quase dois meses após a data para entrega da DCTF (15/02/2005), já que o Ato Declaratório Executivo n° 24, de 08 de abril de 2005 foi publicado no dia 12 de abril de 2005. Assim, no período de 15/02/2005 a 12/04/2005, o contribuinte não teve qualquer orientação oficial sobre o cumprimento da obrigação acessória, razão pela qual verificase, no período, a adoção de diversos meios alternativos para o cumprimeto de tal obrigação. Diante da lacuna da lei verificada no caso em análise, cumpre destacar o que dispõe o artigo 108 do CTN: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR Processo nº 10950.002739/200593 Acórdão n.º 9101001.931 CSRFT1 Fl. 290 5 “Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade.” Nesse passo, merece destaque o princípio da segurança jurídica, o qual baliza o sistema jurídio e é essencial ao Estado Democrático de Direito, pois visa proteger e preservar as expectativas das pessoas e, para tanto, veda a adoção de medidas legislativas, administrativas ou judiciais capazes de frustrarlhes a confiança que depositam no Poder Público. Ora, para garantir a proteção da segurança jurídica, não pode o contribuinte arcar com o ônus decorrente de uma falha no sistema da própria receita federal. Além disso, merece atenção a “equidade”, citada no artigo transcrito. No dicionário aurélio, a palavra é assim definida: “Disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um; justiça”. Vejase que para alcançar a equidade, que é uma forma de se aplicar o direito da maneira mais proxima possível do justo, devemos buscar a melhor interpretação da lei para preenchimento dos vazios nela encontrados, evitando a aplicação que de alguma forma prejudique alguém, no caso, o contribuinte que esteve impedido de enviar sua declaração pela internet. Do exposto, temse que não é possível admititr que o ato declaratório SRF nº 24 de 08/04/2005 possa retroagir para restringir direitos. Ora, não se pode aceitar que após deixar o contribuinte quase 60 (sessenta) dias sem qualquer orientação acerca do procedimento que deveria adotar, a Receita possa editar norma com capacidade de restringir direitos. Desse modo, tendo em vista que: (i) houve falha na entrega da declaração por culpa exclusiva da Secretaria da Receita Federal do Brasil; (ii) a legislação que regula a entrega da DCTF não previu meio alternativo para a sua entrega em caso de falha no sistema e (iii) no período de 15/02/2005 a 12/04/2005 o contribuinte não poderia prever com a necessária certeza qual seria a solução adotada pela RFB; entendo que, no caso, não é possível concluir que houve atraso da entrega da declaração (24/02/2005), isto porque, não é razoável apenar o contribuinte em decorrência de falha no sistema da própria administração tributária, especialmente quando não é dado a ele uma opção alternativa ou sucessiva, para cumprimento da obrigação em situações excepcionais como a da hipótese em debate. Nesse mesmo sentindo é a jurisprudência deste Conselho: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR 6 DCTF/2004. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA NA DATA FIXADA. FALHA NOS SERVIÇOS DE RECEPÇÃO E TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES. CULPA ADMINISTRATIVA. EMPREGO DA EQÜIDADE AO CASO. INCABÍVEL A IMPOSIÇÃO DE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS RESPECTIVAS DCTF's. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (processo 10950.002385/200587. Ac. 30335.453). Diante do exposto, nego prvimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por JOAO CARLOS DE L IMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902436/2012-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/05/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 36 /2 01 2- 90 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.741, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 07881.40728.161107.1.2.042600, rastreamento nº 029224985, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.469,80, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/04/2004, efetuado em 14/05/2004, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902436/201290 Acórdão n.º 3802002.591 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 14/05/2004 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902436/201290 Acórdão n.º 3802002.591 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902436/201290 Acórdão n.º 3802002.591 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902436/201290 Acórdão n.º 3802002.591 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13811.004031/2001-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/SPOI/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF realizado em decorrência de erros ou inconsistências verificados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF dos 1° e 2° trimestres de 1997, segundo o disposto nas Instruções Normativas n°45/1998 e n°77/1998 (fls. 03 a 18). No Auto de Infração do IRRF (fl. 06), foram apontados os enquadramentos legais do imposto, da multa de oficio vinculada, dos juros de mora devidos em função de falta de recolhimento ou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 04 03 1/ 20 01 -2 6 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13811.004031/200126 Resolução nº 2801000.265 S2TE01 Fl. 274 2 pagamento do principal, dos juros de mora não pagos e da multa de oficio isolada em decorrência da falta de pagamento da multa de mora. A Interessada apresentou sua impugnação em 21/12/2001 (fls. 01 e 02), por intermédio de seu SócioGerente (fls. 43 a 48), alegando, em síntese, que os pagamentos foram realizados dentro do prazo legal, conforme DARFs anexados (doc. 2) Às fls. 55, consta análise da impugnação por parte da Delegacia de origem, na qual se concluiu pela manutenção do lançamento, tendo sido ressalvado que: "apesar do contribuinte apresentar diversos pagamentos com código de receita "1708", não foi possível efetuar as alocações. As informações prestadas na impugnação não possibilitaram identificar a correspondência entre os recolhimentos apresentados e os débitos do Auto. Vale lembrar também que o débito n° 858890, correspondente à multa de oficio e juros pela insuficiência de acréscimos legais do débito da 1' semana de janeiro (0561), já fora objeto do Auto de Infração n° 23.214, extinto por pagamento, conforme observase à fl. 53." O lançamento foi considerado procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 187/198, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 FALTA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL. Não provado o pagamento relativo a débito informado em DCTF, mantémse a exigência. FALTA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II "c", da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 CTN há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada. DCTF. JUROS DE MORA. Devidos os juros de mora isolados, uma vez que não foi demonstrada a tempestividade dos recolhimentos. MULTA ISOLADA. EXTINÇÃO DA PENALIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA. Aplicase retroativamente aos atos não definitivamente julgados a norma benigna que extinguiu a multa de oficio isolada de 75% anteriormente prevista na legislação tributária para os casos de pagamento ou recolhimento em atraso, sem o acréscimo da multa moratória. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificada daquele Acórdão em 02/07/2007 (fl. 218), a interessada, representada pelo sócioadministrador (fl. 548), interpôs o recurso de fls. 222/223, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13811.004031/200126 Resolução nº 2801000.265 S2TE01 Fl. 275 3 em 01/08/2007. Em sua defesa, alega que os DARF, referentes ao Códigos 3208, foram pagos dentro do vencimento legal, porém com indicação errada dos fatos geradores na DCTF, conforme planilha ora apresentada. Solicita, assim, seja autorizada a substituição dos 1°, 2° e 3° Trimestre da DCTF/1997 para as devidas correções do fato gerador, o que resolverá o entrave, dado que naquela época todo mundo fazia confusão no mês do fato gerador e na lª, 2ª,3ª,4ª e 5ª semana. Acrescenta que os DARF referemse ao IRF sobre o Aluguel do Galpão Industrial da empresa, conforme Contrato de Locação, sendo que o pagamento do aluguel sempre ocorreu na 1ª ou 2ª semana de cada mês. Em relação aos DARF, referentes ao Códigos 0561, também informa que foram pagos dentro do vencimento legal, porém com indicação errada dos fatos geradores na DCTF, conforme planilha ora apresentada. Portanto solicita a substituição dos 1° e 2° Trimestre da DCTF/1997 para as devidas correções do fato gerador. Registra que os DARF referemse ao IRF sobre a Folha de Pagamento da empresa, e naquelas datas o Salário era pago sempre no último dia de cada mês. Por fim, afirma que os débitos, referentes aos códigos 1708 e 8045, serão pagos com correção. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De plano, registrese que a recorrente não contesta a exigência dos débitos, referentes aos códigos 1708 e 8045. Aliás, afirma que fará os correspondentes pagamentos. Em relação à cobrança do débitos, referentes aos códigos 3208 e 0561, alega que os DARF foram pagos dentro do vencimento legal, porém com indicação errada dos fatos geradores na DCTF, conforme planilhas apresentadas à fl. 223. A decisão recorrida observou que os dados constantes dos DARF anexados como suposta comprovação do recolhimento do imposto devido não correspondem aos dos DARF indicados nas DCTF, razão pela qual concluiu que não restou provada a conexão entre estes documentos, mantendo, portanto, a autuação no que se refere a este aspecto. Salientese que não há informação alguma nos autos de que os aludidos DARF constam alocados para outros débitos da autuada. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto no sentido de converter o julgamento do processo em diligência para que a autoridade preparadora: · Verifique se ocorreram os erros apontados pela recorrente, bem como a possibilidade de quitação dos débitos efetivamente confirmados mediante os DARF por ela apresentados; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13811.004031/200126 Resolução nº 2801000.265 S2TE01 Fl. 276 4 · caso necessário, intimese a contribuinte para apresentar cópias de declarações, documentos ou outras informações; · providencie relatório consubstanciado nas informações acima requeridas e, após, seja dada ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado. A seguir, retornem os presentes autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que seja concluído o julgamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000011/2003-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).
A fruição do crédito presumido de IPI restringe-se aos produtores exportadores de produtos industrializados, não alcançando, por conseguinte, as sociedades empresárias que exportam mercadorias Não Tributadas (NT).
Numero da decisão: 3803-006.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma que davam provimento. Designado o conselheiro Hélcio Lafetá Reis para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). A fruição do crédito presumido de IPI restringese aos produtores exportadores de produtos industrializados, não alcançando, por conseguinte, as sociedades empresárias que exportam mercadorias Não Tributadas (NT). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma que davam provimento. Designado o conselheiro Hélcio Lafetá Reis para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 11 /2 00 3- 04 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13204.000011/200304 Acórdão n.º 3803006.370 S3TE03 Fl. 632 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI correspondente ao 4º trim/02 no valor de R$ 485.961,50 (fl. 01), deste valor foi utilizado para compensação R$ 430.971,02, remanescendo R$ 54.990,48. Por meio de despacho decisório de fls. 85/85v, foi reconhecida a homologação tácita da compensação no valor de R$ 485.961,50 (fl. 12), não o sendo em relação ao crédito remanescente de R$ 54.990,48, sob o fundamento de que em relação ao produto não tributado – NT, inexiste direito ao crédito presumido. Cientificado do teor do referido despacho o contribuinte manifestou a sua inconformidade (fls. 128/137), aduzindo que o crédito presumido de IPI foi instituído pela Lei nº 9.363/96, para ressarcimento do PIS e da Cofins, pois objetiva incentivar as exportações, sendo certo que tal lei criou uma ficção jurídica tendo em vista não ser esse um crédito gerado pelo sistema de IPI e nem em razão do princípio da não cumulatividade, porém como uma forma de exoneração fiscal, que permite o ressarcimento de parte de carga tributária que onerou determinadas operações relacionadas à aquisição de insumos utilizados na fabricação do produto final; portanto o referido crédito é gerado por operações sobre as quais o princípio da não cumulatividade não têm aplicação, tendo em vista se tratar de operações imunes à incidência do imposto. Em sua narrativa o manifestante mencionou que o art.1º dessa lei impôs que a sociedade tão somente produza e exporte mercadorias nacionais, não sendo relevante a sua classificação no TIPI; que não há a exigência de que o produto exportado seja tributado pelo imposto e, tendo em vista o princípio de que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir, todo e qualquer entendimento acerca de normas inferiores que pretendam limitar a apuração de crédito presumido estará violentando o direito do contribuinte, citando jurisprudência judicial e administrativa em prol da sua tese. Finalmente vazou o entendimento de que os produtos NT, sob o ponto de vista econômico, equiparamse aos isentos e aos de alíquota zero, por força da lei e da jurisprudência, geram crédito presumido de IPI, não havendo se falar em diferenças entre as referidas hipóteses desonerativas, pois o resultado final é o mesmo – o não pagamento do tributo, para postular pela homologação do crédito não reconhecido pelo despacho decisório recorrido. Concluso foram os autos para apreciação pela 3ª /turma da DRJ/BEL que, em sessão realizada em 27/04/10 (fls. 178/181), por meio do Acórdão nº 0117.247, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório. A decisão de piso ao tratar dos produtos NT delineou o campo que se situa o crédito presumido de IPI, relacionado às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens, utilizados na confecção de produtos constantes da TIPI, com notação NT, destinados à exportação, cujo conceito de ‘produção’ é aquele utilizado nos termos do art. 3º, parág. único, da Lei nº 9.393/96. Isto posto firmou o escólio em que a sistemática vigente é pela exclusão dos valores correspondentes às exportações de produtos não tributados pelo IPI (NT), eis que nos Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13204.000011/200304 Acórdão n.º 3803006.370 S3TE03 Fl. 633 3 termos do caput do art. 1º da Lei nº 9.363/96, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado tãosomente, as sociedade empresárias (e empresários) que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a dois requisitos: a) ser produtora; e b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos "NT", não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtores; Assim sendo as sociedades que apenas operam com produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3° da Lei 4.502/1964, somente são assim considerados aqueles que industrializam produtos sujeitos ao imposto; que os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — TIPI com a notação "NT" (Não Tributado) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. O voto condutor desse acórdão vazou o entendimento de que, se nas atividades relativas aos produtos nãotributados a sociedade empresária não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a um dos requisitos a que está subordinado o beneficio em apreço, é dizer, o de ser produtora, mencionando o disposto no art.6º da Lei n° 10.541/2002, que excluiu do campo de incidência do IPI os produtos cuja classificação corresponde a notação "NT". Ao analisar à citada norma deduziu que ao contrário do entendimento profligado pelo contribuinte, a notação NT se presta também para distinguir produtos não industrializados de produtos industrializados., conforme dispõe o art. 13 da Lei nº 9.493/97, que determina que o campo de incidência do IPI abrange os produtos com alíquota zero, ou seja, os produtos são industrializados, mas com alíquota zero, bem assim que excluemse desse campo de incidência aqueles produtos a que corresponde a notação "NT", ou seja, produtos não tributados pelo IPI. Em seu entendimento excluemse da incidência do IPI os produtos não industrializados. O voto condutor concluiu à sua análise sistemática dos dispositivos citados suso, no sentido de que o legislador restringiu, sim, o beneficio aos estabelecimentos produtores e exportadores de produtos sujeitos ao IPI, restando excluídos, portanto, os produtos não tributados, correspondentes a notação "NT", citando o disposto no art. 2º, caput, da IN SRF nº 313/03, que veio para dirimis qualquer dúvida sobre o entendimento administrativo alusivo a essa questão, ao dispor que “fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais”. A titulo de ilustração mencionou o Acórdão nº 20181.252, no mesmo sentido desse julgado, de interesse da contribuinte, cujo resultado lhe foi desfavorável. Cientificado da decisão proferida no Acórdão de fls. 178/181 em 25/08/10 (fl. 182) a contribuinte protocolou na repartição preparadora o seu recurso voluntário em 21/09/10 (fl. 183), aduzindo sucintamente às fls. 184/197. A Recorrente esclareceu que é produtora e exportadora de mercadoria nacional, classificada na TIPI sob o código NCM 2507.00.10, não se submetendo à incidência do IPI mesmo nas vendas internas, uma vez que o mineral caulim possui na TIPI o enquadramento como produto "NT". Em face de exportar 92% de sua produção total, figura nos ADE nº 37 e 49, editados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil da 2ª Região, concedendolhe o registro de empresa preponderantemente exportadora. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13204.000011/200304 Acórdão n.º 3803006.370 S3TE03 Fl. 634 4 Entendeu que as decisões anteriores que não homologaram a DCCOMP de fls. 74 a 77, ora recorrida, são, data venha, incorretas, uma vez que estão em desacordo com os princípios constitucionais e legais que regem o Crédito Presumido de IPI, razão pela qual deve o presente recurso ser julgado totalmente procedente, para que assim seja reconhecido e homologado nessa superior instância o pedido de compensação dos débitos, o que desde já se requer. O Acórdão nº 20181.252 mencionado na decisão de piso não reflete o entendimento exarado noutros acórdãos, cujas decisões foram favoráveis a exemplo aquelas que foram proferidas, pelo menos em outros dez processos semelhantes, quais sejam: 13204.000064/200236, 13204.000065/200281, 13204.000066/200225, 13204.000068/2002 14, 13204.000069/200269, 13204.000071/200238, 13204.000072/200282, 13204.000073/200227, 13204.000070/200293 e 13204.000074/200271. A Recorrente entende que o crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, tem a natureza jurídica de incentivo fiscal exportação, cujo incentivo será representado pela possibilidade de creditamento, de parte da carga tributária com o PIS e a COFINS que grava a aquisição, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados no processo produtivo destinado à obtenção do produto final o caulim que será exportado. Vale dizer que, na condição de empresa produtora e exportadora, tem sim, ao contrário do que sustenta o despacho decisório, o direito de beneficiarse dos incentivos fiscais referentes ao crédito presumido do IPI criado pela Lei 9.363/96. A Recorrente assinalou que a inteligência do dispositivo legal contido no art. 1º da Lei nº 9.363/96 revela que, para fazer jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, é necessário apenas que a empresa produza e exporte mercadorias nacionais, pouco importando a sua classificação na TIPI como `NT'(nãotributado), isento' ou `aliquota zero'. Entendeu a Recorrente que a referida lei ao adotar em seu artigo primeiro a expressão "mercadorias nacionais", não excepcionou ou distinguiu quais seriam as mercadorias aptas à gerar o crédito presumido do IPI, bastando, para a fruição do incentivo fiscal, que sejam mercadorias nacionais. Ou seja, em nenhum momento a •Lei 9.363/96 faz qualquer vinculação ou exigência no sentido de que as receitas com exportação, aptas à gerar o crédito presumido do IPI, são apenas aquelas obtidas com produtos tributados. A Recorrente mencionou jurisprudência judicial e administrativa, para concluir que a exportação pela Recorrente de produtos classificados como "NT"(não tributados) na TIPI, gera sim direito ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS, nos termos da Lei n° 9.363/96 e demais dispositivos legais aplicáveis à espécie, direito que exsurge de forma vigorosa seja pela análise da natureza jurídica do referido crédito (incentivo fiscal exportação), seja pela análise da sua finalidade (retirar do custo das exportações os ônus com o PIS/PASEP e com a COFINS) e, principalmente, pelo fato de não haver qualquer limitação ou vinculação deste direito à espécies de mercadorias, bastando, apenas, que sejam elas nacionais, nos precisos e exatos termos do que dispõe o art. 10 da Lei 9.363/96. Finalmente requer em face do exposto, e à vista dos documentos acostados aos autos e que comprovam os fatos ora alegados, a Recorrente lmerys Rio Capim Caulim S/A pede e espera pelo julgamento procedente do presente Recurso, ocasião em que está certa de Fl. 422DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13204.000011/200304 Acórdão n.º 3803006.370 S3TE03 Fl. 635 5 que V.Sas considerarão homologada a compensação dos débitos não reconhecida no Despacho Decisório, com os créditos presumidos de IPI estabelecidos pela Lei n° 9.363, de 13.12.1996, de que cuida o presente processo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso voluntário interposto é tempestivo e reúne os demais pressupostos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida para apreciação por este colegiado é o indeferimento do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, sob o argumento de que inexiste direito ao crédito presumido para produto não tributado – NT. A Recorrente é produtora e exportadora de mercadoria nacional, classificada na TIPI sob o código NCM 2507.00.10. O mineral caulim possui na TIPI o enquadramento como produto "NT", e em face de exportar 92% de sua produção total, figura nos ADE nº 37 e 49, editados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil da 2ª Região, que lhe concedeu o registro de empresa preponderantemente exportadora. A decisão a quo se pronunciou quanto aos beneplácitos instituídos pela Lei nº 9.363/96, mencionando que o crédito é destinado tãosomente, as sociedades empresárias (e empresários) que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a dois requisitos: a) ser produtora; e b) ser exportadora. Atendidos, pois, os requisitos para a recorrente fazer jus ao beneplácito pretendido, segundo à ótica do juízo de piso, quais sejam: empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O benefício fiscal previsto na Lei nº 9.363/96 é o da desoneração de PIS e de Cofins na cadeia produtiva, litteris: Lei nº 9.363/96. Art. 1º. A empresa exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (Grifei). Fl. 423DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13204.000011/200304 Acórdão n.º 3803006.370 S3TE03 Fl. 636 6 Na mesma senda prevê a máxima "que não se deve exportar tributos". Sob este prisma duas são as formas de ressarcir os valores de PIS e de Cofins, a saber: (i) uma é o crédito presumido de IPI; e (ii) é o ressarcimento em espécie. A exposição de motivos ensejadora do texto legal segue a mesma linha do disposto no art. 1º transcrito suso, cujos excertos se extrai e se transcreve adiante: Permitir a desoneração fiscal da COFINS e PIS/PASEP incidentes sobre os insumos, objetivando possibilitar a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros, dentro da premissa básica de diretriz política do setor, no sentido de que não se deve exportar tributos. (...). Por outro lado, as dificuldades de caixa do Tesouro Nacional demonstram que, em lugar do ressarcimento de natureza financeira, melhor e de efeitos mais imediatos será que o exportador possa compensar o valor resultante da aplicação das alíquotas com seus débitos de IPI, recebendo em espécie apenas a parcela que exceder o montante que deveria ser recolhido a esse título. (Grifei). Nesse ponto o art. 4º da Lei nº 9.363/96 estabeleceu a possibilidade de o contribuinte se ressarcir, inclusive em espécie, in verbis: Art. 4º. Em caso de comprovada a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Com estas observações resta descortinado o cunho finalístico da desoneração do crédito presumido de IPI, bem assim que a empresa produtora exportadora de mercadoria nacional faz jus à utilização de crédito presumido de IPI. No que atine ao fato de a empresa produzir e exportar produtos não tributáveis pelo IPI, apontado pelo juízo a quo como impedimento ao ressarcimento, releva enfatizar que o benefício previsto no art. 1º da Lei nº 9.363/96, encontrase direcionado para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. É cediço que o produto industrializado, seja ou não tributável, é uma mercadoria, entretanto nem toda mercadoria é um produto industrializado e, sendo assim, as mercadorias são gênero e os produto industrializados são espécie. O termo mercadorias é mais abrangente, alcança a todas as mercadorias. Inferese, pois, que o legislador ao tratar do benefício concedido ao empresário produtor e exportador de mercadorias nacionais, não o fez de maneira a restringir esse benefício apenas aos produtos industrializados tributáveis, caso assim o fosse teria gravado no art. 1º da Lei nº 9.363/96 a expressão ‘produtos industrializados tributáveis’, o que não ocorreu. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13204.000011/200304 Acórdão n.º 3803006.370 S3TE03 Fl. 637 7 Portanto, sendo produtos industrializados tributáveis simplesmente ou industrializados não tributáveis, a distinção é irrelevante para a análise em curso, eis que tanto um quanto o outro são mercadorias, estando todos amparados pelos dispositivos contidos no art. 1º da Lei nº 9.363/96. No mesmo sentido encontrase o Acórdão n° 20175.229, cuja decisão foi confirmada pelo Acórdão CSRF/0201.851. Ante todo o exposto direciono o meu voto para DAR provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da Turma para redigir o voto vencedor do presente acórdão, passo a expor as razões que ensejaram a divergência. De início, registrese que o Crédito Presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não obstante se destinar ao ressarcimento dos valores da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes nas operações de aquisição de insumos, se encontra juridicamente concebido como um crédito fiscal passível de utilização na apuração periódica do IPI, caracterizandose, portanto, como um crédito escritural a ser, em regra1, compensado com os débitos decorrentes das saídas de produtos industrializados do estabelecimento produtor exportador. Notese que, apesar de o art. 1° se referir à “empresa produtora e exportadora de mercadorias” (grifei), ele, em seu final, se reporta às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que vêm a ser, justamente, de acordo com a legislação do IPI, os insumos que comumente se utilizam no processo industrial. Nesse sentido, referido crédito presumido de IPI somente pode ser apurado e utilizado relativamente a operações de industrialização, não alcançando, por conseguinte, as operações Não Tributadas (NT), pois que estas se referem a situações de imunidade ou de não incidência lato sensu, em relação às quais não se apura IPI na saída das respectivas mercadorias. Os créditos passíveis de compensação são aqueles incidentes nas operações de aquisição de insumos (matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem), insumos esses que deverão ser aplicados no processo industrial, pois, de acordo com a sistemática da não cumulatividade, para se ter direito ao creditamento, o bem adquirido deve ser utilizado na industrialização, da qual decorrem produtos sujeitos ao IPI. 1 Somente na hipótese de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, poderseá ressarcir o valor do crédito presumido em moeda corrente (art. 4º da Lei nº 9.363, de 1996) Fl. 425DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13204.000011/200304 Acórdão n.º 3803006.370 S3TE03 Fl. 638 8 Não obstante constarem do objeto social no estatuto da pessoa jurídica – além de operações de “comercialização de produtos minerais” –, “o beneficiamento de minérios” e a “transformação industrial”, no presente caso, estáse diante de um pleito relativo à mercadoria denominada “caulim”, que, segundo a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), é Não Tributado (NT). De acordo com o caput do art. 1° da Lei nº 9.363, de 1996, o crédito presumido destinase aos produtores exportadores, assim considerados, nos termos da legislação tributária, os estabelecimentos industriais, sendo que, havendo a cumulação de atividades industriais com outras, somente em relação ao processo produtivo de caráter industrial se aplica a sistemática da não cumulatividade do IPI, pois, de acordo com o art. 3° da Lei nº 4.502, de 1964, somente são considerados como produtores os estabelecimentos industriais. Desse modo, tratandose de produto não tributado pelo IPI, não se está diante de uma operação de industrialização, não se configurando a sociedade empresária como produtora. Conforme apontara o relator do voto condutor do acórdão recorrido, “o escopo desse favor fiscal (...) é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não o de incentivar a comercialização de produtos primários ou semielaborados”. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 426DF CARF MF Impresso em 15/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assina do digitalmente em 21/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10935.906395/2012-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/12/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 95 /2 01 2- 19 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.843, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 39663.79093.111209.1.2.047802, rastreamento nº 041907316, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.738,35, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/11/2008, efetuado em 24/12/2008, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906395/201219 Acórdão n.º 3802002.693 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/12/2008 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906395/201219 Acórdão n.º 3802002.693 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906395/201219 Acórdão n.º 3802002.693 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906395/201219 Acórdão n.º 3802002.693 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011751/2007-23
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 01/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO EM FACE DA CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE DETERMINAÇÃO LEGAL. UTILIZAÇÃO DA AFERIÇÃO INDIRETA PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SITUAÇÃO AUTORIZADA POR LEI, NA AUSÊNCIA DE PROVA FORMALIZADA E REGULAR DESSE ELEMENTO. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE GOIAS S/A CELG E OUTRO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 01/02/1999 CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO EM FACE DA CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE DETERMINAÇÃO LEGAL. UTILIZAÇÃO DA AFERIÇÃO INDIRETA PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SITUAÇÃO AUTORIZADA POR LEI, NA AUSÊNCIA DE PROVA FORMALIZADA E REGULAR DESSE ELEMENTO. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 17 51 /2 00 7- 23 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 589 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 35.616.2940, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, parte patronal, parte descontada e SAT, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 93 a 97, com período de apuração de 05/1995 a 01/1999, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 20 a 25. O sujeito passivo solidário – CELG foi cientificado do lançamento, em 26/04/2004, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O sujeito passivo principal – ELCOM foi cientificado do lançamento pela segunda vez, em 26/09/2005, conforme AR, de fls. 108. O contribuinte solidário CELG apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 109 a 115, recebida, em 12/03/2004, estando acompanhada dos documentos, de fls. 116 e 117. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 121 e 122. Consta um segundo, AR, as fls. 125, que promoveu a primeira notificação ao contribuinte ELCOM, em 15/04/2004. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a Decisão – Notificação DN Nº 08.401.4/0387/2004, Seção de Análise de Defesas e Recursos – ANDEREC da Delegacia da Receita Previdenciária de Goiânia, em 11/11/2004, fls. 126 a 132. O lançamento foi considerado procedente. O contribuinte CELG tomou conhecimento desse decisório, em 07/12/2004, conforme AR, de fls. 135. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 138 e 139, e, razões recursais, as fls. 142 a 159, recebida, em 06/01/2005, acompanhada dos documentos, de fls. 160 a 698. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminar. · que a decisão – notificação não rechaçou os argumentos, da inexistência da elisão na construção civil e da aferição indireta; · que a elisão da responsabilidade solidária não está prevista em lei, o que torna impossível sua efetivação, estando tal elisão prevista apenas Fl. 778DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 590 3 no Decreto 612/92, porém tal decreto não pode criar direitos ou obrigações, artigo 5º, II, da CF/88, desta forma a recorrente não deixou de cumprir a regra de elisão, bem como não deixou de exercer, qualquer direito; Mérito. · que a responsabilidade solidária está disciplinada no artigo 124, do CTN e no artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, só existindo solidariedade se existir o débito em relação ao devedor principal, mas o executor da obra não foi fiscalizado, assim, não se sabe se há débito e a não elisão da responsabilidade não implica existência de débito; · que o Parecer/CJ Nº 2.376/2000 explica a situação, assim, só quando existir débito na construtora pode o INSS exigir do responsável o pagamento, pois a elisão da responsabilidade solidária é um direito e não uma obrigação; · que a aferição indireta está estabelecida nos parágrafos 1º a 6º, do artigo 33, da Lei 8.212/91, se adequando mais ao caso o parágrafo 3º, porém não houve recusa no fornecimento de documentação e nem sua apresentação deficiente, assim, não há justa causa para a aferição, sendo que o item 13, da OS/INSS/DAF Nº 100/1993, revogada, disciplinava o tema e evitava a constituição de autos desnecessários, bem como o CRPS no Acórdão nº 02/04345/1999 cuidou do tema · que o parágrafo 4º, do artigo 33, da Lei 8.212/91, é uma obrigação do construtor executor da obra e não do dono, estando o INSS criando exigência que não existe na lei e passando os pés diante das mãos, não havendo justificativa para lavratura da notificação por aferição; · que o Parecer/CJ nº 2.376 exige que conste da CDA todas os devedores solidários, mas só o solidário foi notificado do débito, apesar de constar citação no REFISC de que o devedor principal foi cientificado, este está fora da lide e não sofrerá nenhuma restrição ou sanção do poder público, o que é contrário ao citado parecer que é de observação obrigatória segundo artigo 19, da PT 520/2004, ainda, que superados esses esclarecimentos, para o STJ a responsabilidade é subsidiária, transcreve precedentes; · que o artigo 31, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 estabelece o direito de regresso, mas como o INSS não fiscalizou a executora dos serviços e não sabe se existe débito a recorrente pode não ter sucesso na demanda, pois o débito pode não existir e quem ressarcirá a devedora solidária; · que a recorrente invoca o art. 2º, da Lei 9.784/99, pois as alegações da impugnação não foram devidamente afastadas e esclarecidas, estando a notificação eivada de erros formais que resultam em sua nulidade; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 591 4 · Solicitação: a) que seja declarada a improcedência da notificação em razão de sua insubsistência e da sua ilegal cobrança, conforme § 3º, do artigo 32, da PT nº 520/2004. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 700 e 701. Consta um terceiro, AR, as fls. 703, que promove nova notificação ao contribuinte ELCOM, em 31/08/2006, porém em nome de uma pessoa física XXnaldo Ribeiro Alves, sem esclarecer quem seja. Foi emitido, as fls. 705 a 716, a Reforma de Decisão – Notificação Nº 08.401.4/234/2006, datado, de 08/12/2006. A CELG foi cientificada dessa reforma pelo, AR, de fls. 719. O antigo e extinto Segundo Conselho de Contribuinte emitiu a Resolução n° 2302000.147, de 12/03/2012, fls. 739 a 740, onde solicita a juntado da DN da NFLD anulada e substituída por essa ora em julgamento, visando elidir a ausência da qualificação do vício que gerou a nulidade do primitivo lançamento. O Serviço de Fiscalização da DRF Goiânia emitiu a Informação Fiscal, as fls. 744 a 760, visando atender a diligência. A empresa CELG foi cientificada da diligência e de seu resultado, em 25/04/2013, AR, de fls. 761. A empresa ELCOM foi cientificada da diligência via EDITAL, de fls. 773. As notificada não se manifestaram quanto à diligência, fls. 774. O processo foi devolvido ao CARF, fls. 774. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, fls. 775 e 776, Lote 01. É o Relatório. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 592 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele mereceria ser apreciado. Preliminar. Não ocorre na DN primitiva as falhas apontadas pela recorrente, pois no item 08 a 13, a questão da possibilidade de se elidir ou não a responsabilidade solidária foi expressamente definida. No que tange ao lançamento por aferição indireta a situação esta esclarecida, nos itens 14 a 18, assim resta evidente que questões foram abordadas e elucidadas. Equivocado está o contribuinte a elisão da responsabilidade solidária está prevista nos parágrafos 3º e 4º introduzidos, na Lei 8.212/91, pela Lei 9.032/95, nos termos abaixo transcrito, que teve vigência até 31 de janeiro de 1999, conforme determina o artigo 21, da MP 1.66315, abaixo, também, transcrito, o que engloba todo o período deste lançamento que vai até a competência 12/1998. Art. 2º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 31. ................................................................. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Art. 29 O art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, produzirá efeitos a partir de 1º de fevereiro de 1999, ficando mantida, até aquela Fl. 781DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 593 6 data, a responsabilidade solidária na forma da legislação anterior. Embora, a elisão da responsabilidade tributária solidária seja um instituto a favor do contratante dos serviços em verdade é uma obrigação a medida que a lei usa o vocábulo “devendo”, que não indica faculdade, mas sim obrigação. Assim sendo, afasto as preliminares suscitadas. Mérito. Cabia ao contratante solidário o dever de exigir da contratada executora dos serviços os documentos mencionados pela lei para promover a elisão de sua responsabilidade solidária, sendo esse um dever de auxílio a fiscalização, pois em um só lugar o fisco poderia verificar o correto cumprimento da obrigação, não o fazendo e desrespeitando a lei atraiu para si a obrigação em razão da ausência de prova de pagamento e da existência da solidariedade. O Parecer /CJ 2.376/2000 não tem a extensão que a recorrente atribui a ele, em verdade, ele não veda o lançamento em face do responsável tributário, aliás, ele diz ser possível até a existência de dois lançamentos sobre o mesma obrigação tributária, vendando apenas a cobrança de uma obrigação já paga, ou seja, extinta. Porém, no presente caso não existe prova da extinção da obrigação em discussão, observese a ementa do parecer. EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação. A recorrente ao não fornecer os documentos exigidos por lei para a elisão da responsabilidade solidária, também, deixou de atender ao que determinado no artigo 33, 3º e 6º, e, assim o fisco pode utilizar o critério da aferição para determinar a base de cálculo da exação. A decisão do CRPS é válida dentro da relação jurídica da qual foi emanada não irradiando efeitos para fora daquele processo onde foi deliberada pelo colegiado, sendo apenas uma indicação da posição daquele órgão sobre eventual matéria e nada mais, bem como não vincula o CARF, suas turmas ou suas decisões. No que tange a citada OS/INSS/DAF Nº 100/1993 a constituição desses autos não é desnecessária, uma vez que se está dando cumprimento ao que determinado em lei e essa suplanta qualquer orientação da ato normativo administrativo, pois o lançamento está lastreado na lei e o fisco deve cumprir o artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 33, §3º, da Lei 8.212/91. A exigência de apresentação dos documentos de elisão da responsabilidade solidária, bem como a utilização do método da aferição indireta, não estão lastreados no artigo 33, §4º, da Lei 8.212/91, como diz a recorrente tal artigo referese a possibilidade de utilização Fl. 782DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 594 7 da aferição indireta, quando ocorre a falta de prova regular e formalizada relativa à base de cálculo da contribuição contribuição previdenciária, a elisão da responsabilidade foi esclarecida acima e é exigida por outra norma legal e a utilização da aferição está lastreada em outro normativa legal, também, esclarecido alhures. A CDA é documento emitido na fase da execução fiscal judicial e de responsabilidade da procuradoria e essa fase não chegou, ainda, não se pode saber, hoje, o que constará dessa certidão amanhã. Por outro lado, não só a CELG, mas, também, a Elcom estão fazendo parte da notificação desde o inicio, pois consta na Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, fls. 01, e, em muitos outros documentos dos autos a expressão “outros”, as fls. 101, consta os dados cadastrais das duas empresas. Verificase, ainda, dos autos, as fls. 108; 125 e 703, mais um Edital, as fls. 773, o que demonstra que não só o solidário, mas também, o principal foi notificado do lançamento. Mas, isso é irrelevante, pois a lei não estabelece ordem, assim, é prerrogativa do fisco cobrar de quem melhor possa adimplir o débito. A questão do Parecer CJ 2.376/2000 foi esclarecida em tópico acima. As decisões do STJ são inter partes e fazem lei entres os sujeitos da lide e em relação somente a eles, a recorrente não está amparada por decisão judicial que a desobrigue, assim, inaplicável ao caso. A eventual ação de regresso e o sucesso ou não nessa demanda é absolutamente irrelevante para o fisco. O fisco tem o dever legal de proteger o direito da sociedade/coletividade, cabendo a recorrente diligenciar em prol de seus próprios direitos e não o fisco. O Fisco não tem o dever de fiscalizar a prestadora para exercer a atribuição da elisão da solidariedade, que era dever da recorrente, nos termos da lei. As nulidades no Processo Administrativo Fiscal – PAF estão determinadas ou descritas no artigo 59, do Decreto 70.235/72, não se aplicando o que contido na Lei 9.784/99 e essa é a visão do STJ, como abaixo transcrito. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 595 8 "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o Fl. 784DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 596 9 prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). A recorrente alega que a notificação está eivada de vícios formais, mas não os aponta e muito menos comprova a existência de tais vícios. Os dois tópicos reclamados pela recorrente como não abordados na decisão a quo, quais sejam, solidariedade e aferição indireta foram desmistificados, logo no início do voto desse acórdão, ainda, no tópico denominado de preliminar. Quanto a possibilidade de decadência aventada pela Resolução 2302 000.147, datada, de 12/03/2012, – 3ª Câmara – 2ª Turma Ordinária, em razão desse crédito ser substitutivo da NFLD Nº 35.180.1111, entendo inexistente tal instituto, ou seja, não há decadência ser considerada. A razão da inexistência da decadência e muito simples, segundo os relatórios DAD – Discriminativo Analítico de Débito, fls. 04 a 08, e, Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 09 a 11, o lançamento enseja as competências 11/1996 a 12/1998, de forma intercalada ou intermitente. A DN juntada aos autos para fins de cumprimento da Resolução que determinou a diligência informa que a consolidação do crédito se deu em 24/08/2001. Logo, retroagindose cincos anos a partir da consolidação teríamos como termo inicial da decadência a data, de 25/08/1996, e a primeira competência lançada no crédito foi 11/1996, isto é , não se verifica a ocorrência de decadência. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.011751/200723 Acórdão n.º 2803003.581 S2TE03 Fl. 597 10 Assim com esses esclarecimentos rejeito e afasto todas as alegações da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10680.912630/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência examinar os documentos trazidos aos autos e verificar se demonstram a recolhimento da diferença de receita financeira no valor de R$ 46.902,84, a maior do que o devido, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Pedro Júlio Sales dAraújo, OAB/DF 40.666.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência examinar os documentos trazidos aos autos e verificar se demonstram a recolhimento da diferença de receita financeira no valor de R$ 46.902,84, a maior do que o devido, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Pedro Júlio Sales d’Araújo, OAB/DF 40.666. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 63 0/ 20 09 -1 7 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.912630/200917 Resolução nº 3801000.845 S3TE01 Fl. 9 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 10680.912630/200917, contra o acórdão n° 0241.152, julgado na sessão de 14 de novembro de 2012, pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 40, por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n. 21203.37767.150206.1.3.044409, transmitida em 15/02/2006, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de COFINS de código 5856, no valor de R$ 46.902,84, efetuado em 13/01/2006, através de DARF no valor de R$ 5.311.713,94. Consta do despacho decisório, que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas o valor recolhido foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 46.902,84(principal). Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que deixou de homologar pedido de compensação formulado pela Requerente através do PER/DCOMP n.º 21203.37767.150206.1.3.044409. Por força da não homologação, a Receita Federal está a exigir débito no valor total de R$ 74.340,99 para pagamento. Por se tratar de crédito vinculado a um único DARF, no valor de R$ 5.311.713.94, para a solução da questão basta perquirir se houve montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 46.902,84. ∙ No presente caso, a simples análise da DCTF original não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. Ao débito apurado foi vinculado como crédito o DARF utilizado na compensação em questão. ∙ O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da DCTF ou da PER/DCOMP. ∙ O art. 165 do CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pago tributo a maior ou indevidamente No presente caso, a Requerente, tendo apurado créditos decorrentes de pagamento indevido a título de contribuições sociais, pretendeu Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.912630/200917 Resolução nº 3801000.845 S3TE01 Fl. 10 3 efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tais valores. (...) ∙ Inicialmente, a Requerente apurou, a título de contribuições devidas, um determinado valor, e efetuou o recolhimento com o DARF desse mesmo valor. Tais dados foram informados na DCTF original. Posteriormente, verificando suas declarações contábeis e fiscais, a empresa requerente identificou ajustes de créditos que não haviam sido apropriados no momento oportuno, o que fez com que fosse reduzido o tributo devido incidente sobre as operações próprias. (...) ∙ Com base nas alegações acima, a Requerente acrescenta que: fica claro que: o montante de R$ 46.902,84 foi recolhido a maior, a título de contribuição social; tal valor consta do DARF cujo total é de R$ 5.311.713,94; a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; o valor do crédito já se encontra disponibilizado em DCTF, pois o montante do DARF que corresponde ao pagamento a maior foi liberado em declaração retificadora; e, o citado valor foi corretamente utilizado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade. ∙ Pelo exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório, com a consequente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado, até o limite do crédito demonstrado. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 13/01/2006 COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 63/102, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância tendo em vista: Em preliminar: 1 A falta de fundamentação, prejudicando o contraditório e da ampla defesa; No mérito: 2 Erro de preenchimento de DCTF, tendo em vista que o crédito é oriundo de reclassificação de receitas tributáveis das quais colaciona no recurso voluntário, a planilha de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.912630/200917 Resolução nº 3801000.845 S3TE01 Fl. 11 4 com a reapuração do crédito (fl. 87), os lançamentos contábeis reclassificados (fl88), o balancete original (fl.90/92), o balancete após a reclassificação (fl. 94/96), apuração e resumo do PIS e da COFINS (fl. 98/100) e o DARF (fl. 102); 3 – Requer que o recurso seja à luz do princípio da verdade material. É o sucinto relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.912630/200917 Resolução nº 3801000.845 S3TE01 Fl. 12 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificadas, nem transmitidas no programa da RFB, sendo este o motivo pelo indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 15/05/2009, ou seja, após a ciência do despacho decisório que ocorreu em 30/04/2009, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Mesmo diante destas evidências, importa que a recorrente trouxe aos autos, em sede de recurso voluntário, documentação contábil em que comprova o valor recolhido a maior e que fundou a retificadora. Diante destes documentos, é possível verificar se o contribuinte tem direito ao crédito pretendido, se, de fato, por equívoco de preenchimento, erro do operador na realização da DCTF foi recolhido contribuição a maior, transparecendo a necessidade de relativizar a forma do processo administrativo para que a verdade material seja alcançada. Considero que ainda que apresentados apenas em sede recursal tais documentos devem ser aceitos, analisados, estudados e finalmente valorados, permitindo assim a imprescindível conclusão sobre a questão. Observado que o fundamento da decisão de primeira instância foi basicamente pela carência de documentação complementar às retificadoras, ou seja, juízo de valoração Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10680.912630/200917 Resolução nº 3801000.845 S3TE01 Fl. 13 6 probante, entendo que o exame das provas que acompanham as razões de defesa é fundamental para firmar o convencimento da turma julgadora. Nesta senda, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de: a) a Delegacia de Origem examine os documentos trazidos aos autos: a planilha com a reapuração do crédito (fl. 87), os lançamentos contábeis reclassificados (fl. 88), o balancete original (fl. 90/92), o balancete após a reclassificação (fl. 94/96), apuração e resumo do PIS e da COFINS (fl. 98/100) e o DARF (fl. 102), para verificar se demonstram a recolhimento da diferença de receita financeira no valor de R$ R$ 46.902,84, a maior do que o devido, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. b) requerer ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; c) conceda prazo para o contribuinte se manifestar finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos em seguida ao CARF para retomada do julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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