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Numero do processo: 13982.000735/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostra-se imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais.
Numero da decisão: 1101-001.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Federal; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Nacional; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO relativamente às exigências principais a partir de outubro/2008; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de responsabilidade a Bread King Alimentos Ltda., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 07 35 /2 01 0- 59 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Federal; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do SIMPLES Nacional; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO relativamente às exigências principais a partir de outubro/2008; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação de responsabilidade a Bread King Alimentos Ltda., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Orlando José Gonçalves Bueno, José Sérgio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório LUCRÉCIA ALIMENTOS LTDA e BREAD KING ALIMENTOS LTDA, já qualificadas nos autos, recorrem de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, bem como contra lançamento formalizado em 01/03/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.420.313,93. Durante o procedimento fiscal dirigido à verificação dos fatos tributáveis do anocalendário 2006, a contribuinte apresentou à Fiscalização os extratos bancários de contas mantidas junto às instituições financeiras Banco SICOOB/SC Credialfa, Banco Bradesco S/A e Banco BESC S/A. A movimentação financeira junto ao Banco BESC S/A não foi escriturada no Livro Razão e apenas parte dos depósitos bancários foram associados a vendas contabilizadas diretamente na conta Caixa. Desta parcela, a autoridade fiscal recusou parcialmente a justificativa apresentada por não identificar na conta Caixa a correlação estabelecida pela contribuinte. Além disso, vários depósitos verificados na conta mantido junto ao Banco SICOOB/SC Credialfa, referentes a títulos descontados ou cobrança, foram contabilizados como depósitos efetuados por meio da conta Caixa, sem a demonstração de que houve outro lançamento em contrapartida a receitas da atividade, ainda que com trânsito pela conta Caixa. Especificamente os depósitos verificados no mês de janeiro/2006 sequer foram contabilizados. A autoridade fiscal também constatou que a conta Caixa era suprida, de forma regular e contínua, por numerários originados de saídas da conta Banco, representados por cheques compensados. Ressaltando que este procedimento é possível, desde que imediatamente seja contabilizada, também, a saída da conta Caixa correspondente ao destino dos cheques compensados, consignou que este procedimento não realizado conforme demonstrado às fls. 225, 227, 231, 237, 244, 250, 260, 267, 273, 283, 292 e 303. Ressaltando que o art. 7o, §1o da Lei nº 9.317/96 dispensa de escrituração as empresas optantes pelo Simples Federal, desde que estas mantenham Livro Caixa integrado pela movimentação bancária, a autoridade lançadora conclui que desde 01/01/2006 a escrituração da contribuinte não permite aferir a sua real movimentação financeira, em especial, a bancária, dada a manutenção de conta bancária à margem da contabilidade, acerca da qual a contribuinte não logrou comprovar a origem de parte preponderante dos recursos, bem como a escrituração de movimentação financeira desamparada de documentação de suporte e em descompasso com a realidade fática verificada pela autoridade fiscal. Em conseqüência, propõe a exclusão da empresa do SIMPLES Federal por prática reiterada de infração à legislação tributária, com fundamento no art. 14, inciso V, da Lei nº 9.317/96. Totaliza em R$ 1.746.018,30 a receita omitida no anocalendário 2006, e somandoa à receita escriturada (R$ 1.987.724,40), demonstra que a pessoa jurídica Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 6 5 ultrapassou o limite legal de R$ 2.400.000,00 previsto para permanência na sistemática simplificada de recolhimentos. A Fiscalização também descreve a ocorrência de simulação/dissimulação em razão dos seguintes fatos: · Em 30/11/2006 é constituída Bread King Alimentos Ltda, tendo como sócios Nelcir Zuqui e Ernani Magalhães Rigon, este pai dos então sócios da fiscalizada – Juliano Sfoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon. A empresa criada tem o mesmo ramo de atividade da fiscalizada e é administrada por Alexandre Sfoggia Rigon, evidenciando a inobservância, pela fiscalizada, do art. 3o, §4o, inciso V da Lei Complementar nº 123/2006, que não permite a opção, pelo Simples Nacional, de pessoa jurídica cujo sócio seja administrar de outra pessoa jurídica, desde que a receita bruta ultrapasse o limite legal para permanência na sistemática simplificada de recolhimentos. · A manutenção no quadro social de Bread King Alimentos Ltda de pessoas estranhas ao regular funcionamento caracteriza interposição de pessoas e enseja a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal e do Simples Nacional na forma do art. 14, inciso V a Lei nº 9.317/96 e do art. 19, inciso IV da Lei Complementar nº 123/2006; · Bread King Alimentos Ltda tem o mesmo endereço da fiscalizada, apenas que acrescido da expressão “sala 01”; o imóvel no qual funcionam foi objeto de um único contrato de locação tendo como locatária a mãe de Alexandre e Juliano Sfoggia Rigon; a identificação externa da empresa referese apenas à marca Bread King; não há separação entre os funcionários das duas empresas, que apresentam uniforme com a logomarca Bread King; a fiscalizada utiliza esta marca em sua apresentação comercial; fotografias do local de atividade evidenciam que não há separação entre as empresas; notas fiscais emitidas por Bread King são recebidas via banco tendo como cedente a fiscalizada; Bread King não possui contas contábeis referentes a instituições financeiras e a fiscalizada apresenta movimentação bancária superior a seu faturamento; e Bread King não possui capacidade operacional para produção da receita contabilizada, apresentando número ínfimo de empregados. Em conclusão, Bread King Alimentos Ltda caracteriza uma simulação, onde se procura aparentar algo que não existe (no caso duas empresas) ou de dissimulação (também denominada simulação relativa) qual seja, esconder algo que existe (uma empresa só); · Verdadeiro é que a empresa BREAD KING e a empresa LUCRECIA tratamse de uma entidade só e o objetivo desta suposta separação é manter a empresa LUCRECIA no SIMPLES (FEDERAL e NACIONAL), com o desiderato de, em especial, escusarse do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários. A aparente separação faz com que o faturamento Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 7 6 da empresa LUCRECIA se mantenha dentro dos limites permitidos aos optantes por aqueles regimes de tributação. A Fiscalização também acusa a ocorrência de sonegação, na medida em que até mesmo os valores apurados e reconhecidos contabilmente pela fiscalizada na sistemática do SIMPLES Federal, em 2006 e 2007, não foram recolhidos e, embora constassem originalmente das declarações simplificadas apresentadas, foram objeto de retificadoras anulando as informações anteriores. Assim, o contribuinte se valendo da possibilidade de retificar as suas declarações apresentou outra com informações FALSAS com a finalidade de impedir que o fisco lhe exigisse os valores efetivamente devidos a título de SIMPLES FEDERAL. As retificações promovidas em 26/09/2007 e 22/10/2007 teriam por objetivo burlar a vedação à opção do SIMPLES NACIONAL em face daqueles que possuem débitos perante o INSS ou as Fazendas Públicas (art. 17, inciso V da Lei Complementar nº 123/2006). Frente a tais circunstâncias, o Delegado da Receita Federal em Joaçaba/SC aprovou o parecer de fls. 772/791 e expediu os Atos Declaratórios Executivos nº 80/2010 e 81/2010 para exclusão da contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional. A exclusão do Simples Federal teve efeitos a partir de 01/01/2006, em razão da prática reiterada de infração à legislação tributária e constituição de Bread King Alimentos Ltda mediante interposição de pessoas. A exclusão do Simples Nacional teve efeitos a partir do ingresso da pessoa jurídica em 01/07/2007, tendo em vista o excesso de receitas, a constituição de Bread King Alimentos Ltda com interposição de pessoas, a administração desta por sócio da fiscalizada e a existência de débitos anteriores (fls. 793/794). Manifestando sua inconformidade, a contribuinte contestou a conclusão fiscal de serem indistintas as pessoas jurídicas da impugnante e da Bread King Alimentos Ltda, asseverando que a Fiscalização se fundamentou equivocadamente no fato de ambas possuírem o mesmo endereço, o mesmo objeto social e o mesmo administrador. Defendeu, ainda, que os efeitos da exclusão por excesso de receitas somente se verificariam a partir de 01/01/2007, alegando que Bread King Alimentos Ltda somente foi criada em 30/11/2006 e começou a realizar vendas significativas em 2007. Ainda, no âmbito do SIMPLES Nacional defendeu que a exclusão somente poderia operar efeitos a partir de janeiro/2010. Além da apuração de omissão de receitas no anocalendário 2006, a autoridade fiscal também identificou infrações semelhantes nos anoscalendário 2007 a 2009, muito embora nestes tenha se valido de Requisições de Movimentação Financeira para obtenção dos extratos bancários que a contribuinte, intimada, não apresentou, verificandose não só o embaraço à fiscalização, como também identificandose evidências de movimentação financeira superior a dez vezes a receita declarada. Dentre as informações recebidas, a autoridade fiscal observou que as contas bancárias mantidas junto ao Banco BESC S/A, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil S/A não constavam da escrituração da contribuinte. Intimada, a contribuinte não comprovou a origem dos depósitos bancários. Observou, ainda, que receitas contabilizadas não foram declaradas no ano calendário 2006 e até junho/2007. A partir de julho/2007 parcela ínfima foi informada na Declaração Anual do Simples Nacional. A partir das receitas apuradas o lucro foi arbitrado, considerando que a contribuinte, intimada na forma do art. 32, §2o da Lei Complementar nº 123/2006 não respondeu à intimação que exigiu manifestação expressa acerca de sua opção por um regime de tributação do IRPJ após sua exclusão. Além disso, a escrituração da contribuinte não permitia, Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 8 7 ante a manutenção de movimentação financeira à margem da contabilidade e escrituração em descompasso com a realidade fática, aferir a sua real movimentação financeira (art. 530, inciso II, alínea “a” do RIR/99). Sobre as receitas omitidas também foram exigidas a Contribuição ao PIS e a COFINS, e os pagamentos promovidos pela contribuinte na sistemática simplificada de recolhimentos foram aproveitados para reduzir as exigências. Os lançamentos foram acrescidos de multa qualificada em razão da sonegação antes descrita, bem como tendo em conta os valores significativamente inferiores aos devidos declarados de julho/2007 a dezembro/2009, já na sistemática do Simples Nacional. A Fiscalização destaca a importância das declarações prestadas e os efeitos da falsidade, caracterizadora da fraude, e recorda, ainda, que houve simulação na constituição de Bread King Ltda, como antes descrito, inclusive a justificar sua responsabilização solidária pelo crédito tributário, com fundamento no art. 124, I do CTN. Assevera que a empresa BREAD KING e a empresa LUCRECIA têm interesse comum na situação que constitui os fatos geradores dos créditos tributários ora lançados visto que restou demonstrada a existência de um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelas mesmas. Em verdade, as mesmas somente têm apensa aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação das empresas é complementar; da mesma forma restou caracterizada a confusão patrimonial (mesmas instalações, funcionários e utilização de contas bancárias), e a vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores (características de um grupo econômico de fato). Cientificadas, as pessoas jurídicas apresentaram impugnação conjunta, alegando decadência das exigências pertinentes a janeiro e fevereiro/2006; afirmando a autonomia das empresas; defendendo os efeitos da exclusão apenas a partir de janeiro/2010, ou ao menos a partir de 2007 em razão do excesso de receita bruta verificado em 2006; negando a ocorrência de simulação na medida em que Bread King foi criada em 30/11/2006 e praticamente não teve faturamento naquele ano; alegando a sujeição de suas receitas à alíquota zero no campo de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS; opondose ao arbitramento dos lucros por inexistência de fraude ou vícios que impedissem a identificação da movimentação financeira, até porque a Fiscalização teve acesso a seus extratos bancários; requerendo a exclusão do adicional de 20% para cálculo do lucro arbitrado; contestando a qualificação da penalidade e invocando a aplicação do art. 112 do CTN. A Turma de Julgamento rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 Exclusão. Prática Reiterada de Infração à Legislação Tributária. Configuram prática reiterada de infração à legislação tributária, prevista como hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES, a manutenção de conta corrente (e de depósitos) à margem da escrituração, assim como as graves irregularidades na escrituração das contas correntes contabilizadas, por conta de terem se verificado, de forma sistemática, durante todo o anocalendário de 2006, não passível de caracterizar mero erro contábil. Efeitos. Prática Reiterada de Infração à Legislação Tributária. A exclusão do SIMPLES surte efeito a partir, inclusive, do mês de ocorrência da prática reiterada de infração à legislação tributária, in casu, desde janeiro de 2006. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 9 8 Exclusão. Constituição de Pessoa Jurídica por Interposta Pessoa. Comprovada a simulação de constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim garantir a permanência indevidamente da pessoa jurídica no regime tributário simplificado, caracterizase a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa, hipótese de exclusão do SIMPLES. Efeitos. Excesso de Receita Bruta. Como no anocalendário de 2006, a contribuinte teria ultrapassado o limite legal de receita bruta, não poderia ter permanecido no SIMPLES FEDERAL de janeiro a junho de 2007. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 Exclusão. Limite da Receita Bruta. Para efeito de enquadramento no SIMPLES NACIONAL, considerase microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no ano calendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos na Lei, respectivamente, de R$240.000,00 e R$2.400.000,00. Comprovado que, no ano calendário de 2006, a empresa auferiu receitas em montante superior ao limite legal, deve ser a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL a partir de julho de 2007. Exclusão. Constituição de Pessoa Jurídica por Interposta Pessoa. Comprovada a simulação de constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim garantir a permanência indevidamente da pessoa jurídica no regime tributário simplificado, caracterizase a constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa, hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL. Exclusão. Existência de Débitos de Tributos Federais. Comprovado que a contribuinte possuía débitos de tributos federais, apurados em sua escrituração e informados nas declarações originais apresentadas à RFB, cuja exigibilidade não estava suspensa, mas que foram fraudulentamente desconstituídos por meio de retificadora, deve ser a sua exclusão do regime tributário simplificado. Exclusão. Escrituração que não Identifica a Movimentação Financeira. A manutenção de contas correntes à margem da escrituração, sem comprovação da origem regular dos recursos ali depositados, configura a hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL, porque a escrituração apresentada não possibilita a identificação da real movimentação financeira, inclusive bancária. Efeitos. Como a interposição de pessoas para constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e os vícios apurados na escrituração impeditivos de identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, ocorreram desde janeiro de 2007, válido o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, a partir de julho de 2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 10 9 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Dolo. Fraude. Simulação. Configura fraude a constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento de outro empreendimento, e assim, impedir a incidência da norma jurídica em que previsto o limite legal de receita bruta para adesão ao regime simplificado. Configura sonegação a apresentação de declarações retificadoras única e exclusivamente para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração comercial apresentada. Responsabilidade de Terceiros, Interesse Comum. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 Arbitramento. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve ser determinado com base no Lucro Arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Exercício: 2008, 2009 Omissão de Receitas. Alíquota Zero. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008, 2009 Omissão de Receitas. Alíquota Zero. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 11 10 Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. Cientificadas da decisão de primeira instância em 07/10/2013 e 04/11/2013 (fls. 1315 e 1333), a contribuinte e a responsável solidária apresentaram recurso voluntário conjunto, tempestivamente, em 31/10/2013 (fls. 1316/1332). Reafirmam a autonomia das empresas, na medida em que elas possuem sede própria, embora próximas, não possuem o mesmo objeto social e Alexandre Sfoggia Rigon é apenas procurador de Bread King Alimentos Ltda, e não seu administrador. Daí a impossibilidade de soma do faturamento de ambas para alcançar o limite de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional. Novamente argumentam que o excesso de receita no anocalendário só enseja a exclusão do Simples Federal a partir do anocalendário subseqüente, mas reiteram que Bread King Alimentos Ltda somente foi criada em 30/11/2006 e não realizou vendas significativas em 2006. Aduzem que também no Simples Nacional o excesso de receitas somente opera efeitos a partir do anocalendário subsquente e concluem que ainda que somadas os faturamentos de ambas as sociedades, o que se admite para efeito de argumentação, a recorrente somente poderia ser exclusa do Simples Nacional a partir de janeiro de 2010. Argúem a decadência dos créditos tributários referentes a janeiro e fevereiro/2006, em razão do disposto no art. 150, §4o do CTN, tendo em conta que o lançamento somente lhe foi cientificado em 01/03/2011. Citam doutrina em favor da aplicação daquele prazo nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Aduzem que a autuada importa farinha de trigo para utilização na fabricação de seus produtos, e que industrializa e vende no mercado nacional produtos resultantes de processo de panificação, favorecidos com alíquota zero no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS. Afirmam a ilegalidade do arbitramento, porque não demonstrados evidentes indícios de fraude ou vícios que impeçam a identificação da movimentação financeira de Lucrécia Alimentos Ltda. Aduzem que a fiscalizada apresentou as informações exigidas acerca de sua movimentação financeira e que o Fisco teve acesso às demais informações junto às instituições financeiras. Transcrevem doutrina acerca da finalidade do arbitramento e reportam se a jurisprudência administrativa e judicial, pleiteando a anulação do arbitramento, afastando se assim o adicional de 20% (vinte por cento) incidente sobre a base de cálculo dos respectivos tributos. Argumentam, por fim, que não houve omissão de informações, tampouco verificouse a existência de dolo, logo, não tem cabimento a qualificação da penalidade. Defendem a necessidade de prova contundente da fraude, invocam a Súmula nº 14 do 1o Conselho de Contribuintes, citam julgados deste Conselho, enfatizam que o procedimento fiscal contou com a participação espontânea das recorrentes e com a apresentação de documentos que permitiram as apurações fiscais, recordando que nos termos do art. 112 do CTN a legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 12 11 Pedem, assim, a anulação dos atos de exclusão – ou, alternativamente, que a exclusão do Simples Federal somente opere efeitos a partir de janeiro/2007, e do Simples Nacional a partir de janeiro/20010 –, bem como a anulação dos lançamentos em razão dos demais argumentos deduzidos no recurso. Em 17/06/2014 foi requerida a juntada, a estes autos, de petição apresentada por Lucrecia Alimentos Ltda em 06/06/2014, na qual renuncia expressa e parcialmente ao direito em que se funda sua defesa, informando que os débitos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS constantes deste processo administrativo, mais especificamente o débito relativo às competências de 31/01/2006 até 30/09/2008 será incluso no parcelamento especial criado pela Lei nº 11.941/2009, cuja adesão se comprova pela cópia do pedido de parcelamento que acompanha esta petição. Conclui, assim, que o contencioso deve prosseguir unicamente em relação aos valores de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS exigidos para as competências de 31/10/2008 até 31/12/2009 (principal, multas e juros). Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente noticia a desistência de parte do recurso voluntário interposto em razão da adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, o que retira do objeto do litígio as exigências pertinentes aos períodos de janeiro/2006 a setembro/2008. Tal circunstância, porém, não dispensa a apreciação dos argumentos opostos contra a exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do Simples Federal, na medida em que somente é noticiada a desistência do litígio em relação aos débitos aqui constituídos no período de vigência daquela sistemática de recolhimento, mas é possível que outros tributos tenham sido lançados em razão daquela exclusão, visto que também estavam abrangido por aquela sistemática o recolhimento de contribuições previdenciárias. Assim, iniciando a apreciação do litígio a partir da exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do Simples Federal, observase que as recorrentes defendem que o excesso de receita no anocalendário só enseja a exclusão a partir do anocalendário subseqüente, e além de antes defender que há autonomia entre Lucrecia Alimentos Ltda e Bread King Alimentos Ltda, destacam que esta somente foi criada em 30/11/2006 e não realizou vendas significativas em 2006. As recorrentes reproduzem, aqui, a mesma defesa apresentada em 1a instância, sem enfrentar a acusação fiscal de prática reiterada de infração. Por sua vez, o voto condutor da decisão recorrida, de lavra da I. Julgadora Maria Lucia Aguilera, demonstra à exaustão a procedência da acusação fiscal: Do ADE de exclusão do SIMPLES FEDERAL Conforme Parecer Safis da DRF Joaçaba/SC a empresa teria sido excluída do SIMPLES, devido à incidência dos seguintes dispositivos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anter ior , receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 14 13 I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) IV const i tuição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista , ou o t i tular , no caso de f irma indiv idua l ; V prática re iterada de infração à leg islação tr ibutária ; De notar que a nova redação do art. 9º, incisos I e II, dada pelo art. 1º da Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006 – conversão da Medida Provisória nº 275, de 2005, teve efeito a partir de 1º de janeiro de 2006, conforme expressamente consignado no art. 5º do referido diploma legal. Diante do quadro normativo exposto, fica claro que a pessoa jurídica não poderia ter sido excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2006 diretamente por conta de apuração de receita bruta acima do limite previsto no art. 9º, II da Lei nº 9.317, de 1996, mesmo porque tal limite diz respeito expressamente ao “anocalendário imediatamente anterior”. Todavia, a fiscalização apurou irregularidades praticadas pela empresa, no ano calendário de 2006, justamente no intuito de ocultar o auferimento de receitas acima do limite legal, tais como (i) a existência de conta corrente de depósito mantida à margem da escrituração, sem comprovação da origem regular dos recursos ali depositados (conta corrente mantida no Banco BESC S.A.), e (ii) a escrituração de movimentação financeira não amparada em documentação de suporte, e em descompasso com a realidade fática apurada (conta corrente mantida no Banco SICOOB/SC Credialfa). As condutas acima descritas de manutenção de conta corrente (e de depósitos) à margem da escrituração, e as graves irregularidades na escrituração das contas correntes contabilizadas configuram a prática reiterada de infração à legislação tributária , prevista como hipótese de exclusão de ofício no art. 14, V da Lei nº 9.317, de 1996, por conta de terem se verificado durante todo o ano calendário de 2006, e de forma sistemática, não passível de caracterizar mero erro contábil. Ademais, a constituição da Bread King foi reputada como operação simulada, efetivada apenas para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos, e assim permitir que esta última permanecesse no SIMPLES, no anocalendário subseqüente, apesar de auferir receita bruta acima do limite (R$ 2.400.000,00). É verdade que a constituição da Bread King somente teria se dado em 30 de novembro de 2006. Entretanto, se confirmada a prática da simulação, tal fato é suficiente para manter a exclusão do SIMPLES no próprio anocalendário de 2006, porque comprovada a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas , conforme se verá adiante. Para demonstrar que a Bread King não era uma empresa autônoma e independente, mas apenas uma “fachada” por detrás da qual se ocultava parte do faturamento da própria Lucrecia Alimentos, a fiscalização trouxe à colação diversos fatos, que ora serão apreciados com base na documentação que integra os autos. De acordo com o Contratos Sociais apresentados, a Lucrecia Alimentos tinha por sócios Srs. Juliano Stoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon , até 26/10/2009, quando este último foi substituído por Sr. Edson Leandro Hochamann. Já a Bread King teria sido constituída em 30/11/2006, pelos sócios Sr. Ernani de Magalhães Rigon e Nelcir Zuqui, sendo o primeiro genitor dos sócios da Lucrecia, Srs. Juliano Stoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon . Apesar de serem distintos os sócios, podese dizer que existe um vínculo entre as Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 15 14 empresas devido a relação de parentesco existente entre as pessoas físicas, ainda que insuficiente para denotar qualquer irregularidade. No que diz respeito à administração dos empreendimentos, verificouse que as intimações encaminhadas à Lucrecia, assim como as correspondentes respostas da empresa teriam sido subscritas pelo Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , que teria se apresentado como administrador do empreendimento. Na alteração do contrato social da Lucrecia, datada de 26/10/2009, em que consignada a retirada do sócio Sr. Alexandre Sfoggia Rigon também foi registrado que o Sr. Juliano Stoggia Rigon teria passado a ser o administrador da empresa. Entretanto, no instrumento de mandato apresentado à fiscalização, datado de 01/11/2009 – fls. 49, a Lucrecia justamente, por intermédio do referido administrador, teria nomeado e constituído como seu bastante procurador o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , com amplos poderes de administração do empreendimento , conforme se depreende do excerto abaixo transcrito: Bastante que faz, como OUTORGANTE, a empresa LUCRECIA ALIMENTOS LTDA EPP, pessoa jurídica de direito privado, com sede e foro jurídico nesta cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina, na Avenida Irineu Bornhausen, nº 239 – E, Bairro Palmital, CEP 89.814650, inscrita no CNPJ 05.924.681/000106, neste ato representada por seu Administrador Sr. JULIANO SFOGGI RIGON, brasileiro, solteiro, residente e domiciliado na cidade de Chapecó SC, portador da RG 12C.3.340.471 SSP/SC e CPF nº 051.318.379,52, nomeia e constitui seu bastante procurador Sr. ALEXANDRE SFOGGIA RIGON, brasileiro, solteiro, empresário, residente em Chapecó SC, na Av. Getúlio Vargas nº 6008, Apto 701, Centro, CEP 89.801100, portador da Cédula de Identidade RG 12C.2.439.452 SSP/SC e CPF nº 736.439.049,91, para os fins especiais, e com os mais amplos gerais e ilimitados poderes, onde com esta se apresente e se necessário for, representar a Outorgante em todos os seus negócios e nas relações com terceiros, inclusive em qualquer instituição financeira, podendo assinar propostas ou contratos de abertura de contas bancárias e movimentálas, emitir e endossar cheques, fazer retiradas mediante recibos, autorizar débitos, pagamentos e transferências, solicitar saldos, extratos de contas e requisitar talões de cheques, receber quaisquer quantias devidas à Outorgante, a qualquer título, assinando os necessários recebidos e dando quitação; emitir, endossar e aceitar duplicatas; entregar para cobrança bancária duplicatas, assinando os necessários contratos de abertura de crédito, junto a qualquer instituição financeira, propostas e borderôs; assinar todas as correspondências da outorgante, inclusive aquelas dirigidas aos bancos dando instruções sobre títulos, autorizando abatimentos, protestos e o que mais preciso for; ajustar e receber os preços das vendas que efetuar; dar quitações totais ou parciais, assinar contratos de promessa de compra e venda; ajustar cláusulas e condições, prazos, juros, multas e eleger foros; contratar e despedir empregados, gerentes e vendedores, fixandolhes atribuições, ordenados e comissões; liquidar litígios trabalhistas, bem como fazer acordos de qualquer natureza; assinar livros e papéis fiscais, balanços e correspondências; contratar advogados, constituir procuradores, transigir, desistir, firmar compromissos, receber e dar quitações, concordar, abater, acordar, rescindir contratos de promessa de compra e venda; receber citações; representar a outorgante perante repartições Públicas Federais, Estaduais, Municipais e Autarquias, inclusive perante o INSS/FGTS, perante empresas Públicas e de Economia Mista, Caixas Econômicas e em todas as suas relações com o governo da União, Estados e Municípios em todas as suas relações, firmar documentos que se fizerem necessários, tudo assinado, declarando e requerendo; representar a outorgante em juízo ou fora dele, praticando e assinando todos os atos para o fiel cabal desempenho do presente mandato, inclusive substabelecer este, no todo ou em parte. Da mesma forma, a Bread King, em 12/01/2007, já logo após na sua constituição, em 30/11/2006, por intermédio do administrador designado no contrato social, Sr. Ernani de Magalhães Rigon, também teria nomeado e constituído seu bastante procurador o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , e novamente com amplos Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 16 15 poderes de administração do empreendimento , conforme se depreende do excerto abaixo transcrito (fls. 731): Bastante que faz, como OUTORGANTE, a empresa BREAD KING ALIMENTOS LTDA EPP, pessoa jurídica de direito privado, com sede e foro jurídico nesta cidade de Chapecó, Estado de Santa Catarina, na Avenida Irineu Bornhausen, nº 239 – E, Sala 01, Bairro Palmital, CEP 89.814650, inscrita no CNPJ 08.474.768/000109, neste ato representada por seu Administrador Sr. ERNANI DE MAGALHÃES RIGON, brasileiro, casado, residente e domiciliado na cidade de Chapecó SC, portador da RG 701.0435 SSP/SC e CPF nº 318.987.66968, nomeia e constitui seu bastante procurador Sr. ALEXANDRE SFOGGIA RIGON, brasileiro, solteiro, empresário, residente em Chapecó SC, na Av. Getúlio Vargas nº 6008, Apto 701, Centro, CEP 89.801100, portador da Cédula de Identidade RG 12C.2.439.452 SSP/SC e CPF nº 736.439.049,91, para os fins especiais, e com os mais amplos gerais e ilimitados poderes, onde com esta se apresente e se necessário for, representar a Outorgante em todos os seus negócios e nas relações com terceiros, inclusive em qualquer instituição financeira, podendo assinar propostas ou contratos de abertura de contas bancárias e movimentálas, emitir e endossar cheques, fazer retiradas mediante recibos, autorizar débitos, pagamentos e transferências, solicitar saldos, extratos de contas e requisitar talões de cheques, receber quaisquer quantias devidas à Outorgante, a qualquer título, assinando os necessários recebidos e dando quitação; emitir, endossar e aceitar duplicatas; entregar para cobrança bancária duplicatas, assinando os necessários contratos de abertura de crédito, junto a qualquer instituição financeira, propostas e borderôs; assinar todas as correspondências da outorgante, inclusive aquelas dirigidas aos bancos dando instruções sobre títulos, autorizando abatimentos, protestos e o que mais preciso for; ajustar e receber os preços das vendas que efetuar; dar quitações totais ou parciais, assinar contratos de promessa de compra e venda; ajustar cláusulas e condições, prazos, juros, multas e eleger foros; contratar e despedir empregados, gerentes e vendedores, fixandolhes atribuições, ordenados e comissões; liquidar litígios trabalhistas, bem como fazer acordos de qualquer natureza; assinar livros e papéis fiscais, balanços e correspondências; contratar advogados, constituir procuradores, transigir, desistir, firmar compromissos, receber e dar quitações, concordar, abater, acordar, rescindir contratos de promessa de compra e venda; receber citações; representar a outorgante perante repartições Públicas Federais, Estaduais, Municipais e Autarquias, inclusive perante o INSS/FGTS, perante empresas Públicas e de Economia Mista, Caixas Econômicas e em todas as suas relações com o governo da União, Estados e Municípios em todas as suas relações, firmar documentos que se fizerem necessários, tudo assinado, declarando e requerendo; representar a outorgante em juízo ou fora dele, praticando e assinando todos os atos para o fiel cabal desempenho do presente mandato, inclusive substabelecer este, no todo ou em parte. Notese que em ambas as empresas o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon , tinha amplos poderes de administração do empreendimento, inclusive no que tange à movimentação financeira, via instituições financeiras. Como teria restado comprovado a partir das próprias procurações apresentadas que, apesar das disposições em contrário do contrato social, o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon era de fato o administrador de ambos os empreendimentos, pelo menos a partir de 12/01/2007, já estaria afastada a possibilidade de adesão à sistemática do SIMPLES NACIONAL, por conta dos preceitos do art. 3º, §4º, V da Lei Complementar nº 123, de 2006, verbis: Art. 3º (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 17 16 (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Todavia, o relevante para a fiscalização não era a comprovação de que as empresas tinham o mesmo administrador, mas verificar se realmente se tratava de empreendimentos distintos, e não de um único empreendimento, fragmentado apenas para atendimento, de forma fraudulenta, ao limite de receita bruta previsto em Lei. Nesse aspecto, a própria fiscalização tomou o cuidado de comparar as receitas contabilizadas das empresas, demonstrando que se comprovada a ocorrência de simulação na constituição da Bread King, e somadas as receitas, não seria possível a manutenção da Lucrecia no SIMPLES: Quanto aos elementos capazes de caracterizar a autonomia ou não das empresas, foi verificado que, segundo as informações contratuais e cadastrais, ambas tinham praticamente o mesmo endereço (Avenida Irineu Bornhausen, 239E, Palmital , Chapecó/SC), sendo que a única diferença seria que a Bread King estaria estabelecida em uma sala (sala 01) no mesmo endereço . O imóvel seria alugado em nome de Jussara Sfoggia Rigon, genitora dos sócios da Lucrecia, até 26/10/2009, Srs. Juliano Stoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon , mais uma vez a reforçar se tratarem de empresas pertencentes aos membros de mesma família. A fiscalização compareceu ao endereço e verificou que, além de inexistir qualquer separação física, de atividades ou de funcionários entre a Lucrecia e a Bread King, a marca desta última é a que identifica o prédio para o público externo, é usada no uniforme de todos os funcionários, e como marca ou expressão comercial pela Lucrecia (conforme fotografias). As atividades das empresas praticamente idênticas também não sustentam a invocada autonomia e a independência dos empreendimentos: a Lucrecia Alimentos tem por objeto social a fabricação de produtos de panif ício, pães, bolos, confeitos , comércio, importação e exportação de gêneros alimentícios e mercadorias em geral; comércio e distribuição de equipamentos para indústria alimentícia; transportes de produtos alimentícios; enquanto a Bread King, dedicase ao comércio atacadista de pães, bolos, biscoitos e similares . Talvez o mais relevante seja a confusão patrimonial entre as pessoas jurídicas identificada a partir das Notas Fiscais nº 4895 e 4890, emitida pela Bread King por conta de venda efetuada a terceiros, mas em cujo boleto de cobrança a Lucrecia Alimentos é que é identificada como cedente, ou seja, como titular do crédito (fls. 686/689). Mas não só. A fiscalização ainda demonstrou que, enquanto a Bread King não tinha qualquer conta corrente escriturada na sua contabilidade (cf. balanços patrimoniais), a Lucrecia apresentou movimentação financeira nas contas correntes Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 18 17 de sua titularidade em valores muito superiores ao faturamento contabilizado, a confirmar a informação anterior de que o faturamento da Bread King (notas fiscais) era depositado nas contas correntes da Lucrecia (a cedente dos boletos de cobrança). Foi ainda apontada a falta de capacidade operacional (recursos humanos) para que a Bread King desse conta do faturamento por ela contabilizado, conforme abaixo: Diante da robusta construção probatória da fiscalização, considerase comprovada a simulação do contrato social da Bread King, inclusive quanto aos sócios ali designados, e assim comprovada a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas , pelo que procedente o ADE de exclusão da empresa do SIMPLES FEDERAL. Dos efeitos do ADE de exclusão do SIMPLES FEDERAL Conforme visto anteriormente, a exclusão do SIMPLES fundamentouse nos preceitos do art. 14, incisos IV e V da Lei nº 9.317, de 1996, e os efeitos da exclusão se encontram definidos logo a seguir no art. 15, inciso do mesmo diploma, verbis: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) IV const i tuição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista , ou o t i tular , no caso de f irma indiv idua l ; V prática re iterada de infração à leg islação tr ibutária ; (...) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) V a part ir , inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos menc ionados nos inci sos II a VII do art igo anter ior . (...) In casu, apesar de a constituição da pessoa jurídica, por interposta pessoa, ter ocorrido apenas em 30/11/2006, a prática reiterada de infração à legislação tributária teve por termo inicial 01/01/2006, o que ratifica a procedência do ADE de exclusão do SIMPLES FEDERAL editado pela autoridade competente. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 19 18 Demais disso, como no anocalendário de 2006, a contribuinte teria ultrapassado o limite legal de receita bruta, não poderia ter permanecido no SIMPLES FEDERAL de janeiro a junho de 2007. Naquele ano, além das receitas escrituradas da ordem de R$ 1.987.724,40, teria omitido receitas no valor de R$ 1.746.018,42, – apurada a partir da movimentação de recursos em contas correntes mantidas à margem da escrituração, sem comprovação da regular origem dos valores depositados (R$ 521.702,43), e em contas correntes, cuja movimentação, quando escriturada, não seria condizente com os fatos descritos nos extratos bancários (R$ 1.224.315,99) – a totalizar R$ 3.733.742,82 de receitas auferidas na atividade. Diante disso, não poderia ter permanecido na sistemática em discussão no ano calendário de 2007, tendo em conta os expressos preceitos do art. 9º, II da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006, verbis: DAS VEDAÇÕES À OPÇÃO Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) (...) Assim, por estas mesmas razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do SIMPLES Federal de 01/01/2006 a 30/06/2007. Contra a exclusão do SIMPLES Nacional a partir de 01/07/2007, as recorrentes novamente afirmam a autonomia das empresas para discordar da soma do faturamento de ambas para alcançar o limite de exclusão. Acrescentam que também no Simples Nacional o excesso de receitas somente opera efeitos a partir do anocalendário subsquente e concluem que ainda que somadas os faturamentos de ambas as sociedades, o que se admite para efeito de argumentação, a recorrente somente poderia ser exclusa do Simples Nacional a partir de janeiro de 2010. A apreciação destes argumentos também subsiste necessária, na medida em que a desistência parcial do recurso voluntário não alcançou todas as exigências aqui formalizadas após a exclusão de Lucrecia Alimentos Ltda do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/07/2007, aqui aplicados até 31/12/2009. Por sua vez, idênticas razões de defesa já foram validamente refutadas na decisão recorrida: Do ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL O ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL teria se fundamentado nos preceitos abaixo transcritos da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 20 19 (...) II no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada anocalendário , receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). (...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerarseá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendár io anter ior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. (...) Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas ; (...) VIII houver fa lta de escr ituração do l ivrocaixa ou não permit ir a ident i f i cação da movimentação f inanceira, inc lusive bancária ; (...) Além da simulação do contrato social da Bread King, única e exclusivamente, para fragmentar o faturamento da Lucrecia Alimentos, de modo a impedir que o limite legal de receita bruta fosse ultrapassado, o que já caracterizaria a hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista no art. 29, IV da Lei Complementar nº 123, de 2006, e da prova de ser o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon o administrador de fato de ambas as empresas (art. 3º, §4º, inciso V do mesmo diploma legal), a fiscalização levantou outras razões para que a empresa não pudesse ter optado pela sistemática mais benéfica. De acordo com a redação do § 1º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 2006, vigente à data da ocorrência dos fatos geradores em questão, para efeito de enquadramento no Simples Nacional, consideravase microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendário anterior ao Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 21 20 da opção estivesse compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar, ou seja, de até R$ 240.000,00 para as microempresas, e de até R$ 2.400.000,00 para as empresa de pequeno porte. Como restou comprovado, conforme visto acima, que a contribuinte teria auferido receita bruta da ordem de R$ 3.733.742,82, no anocalendário de 2006, não poderia ter optado pela sistemática em discussão no anocalendário de 2007, tendo em conta os expressos preceitos do §1º do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 2006. A fiscalização ainda reforça tal interpretação mediante a menção aos preceitos do art. 12 da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – CGSN nº 4 de 30/05/2007 e art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 23/07/2007, devidamente transcritos no termo de verificação. De outro lado, apesar de haver apresentado a competente declaração, constitutiva dos créditos tributários de SIMPLES FEDERAL, e relativa aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2006, a autuada não teria efetuado qualquer dos pagamentos, e para não incidir na vedação do art. 17, V acima transcrito, procedeu à retificação de referida declaração, para zerar todos os débitos. Imperioso dizer que tais débitos se referiam a receitas declaradas e escrituradas, pelo que a retificação se revelou completamente infundada, denunciando que a única intenção da empresa era regularizar, de forma completamente abusiva, a sua situação fiscal. Afora os débitos do SIMPLES FEDERAL devidos de janeiro de 2006 até junho de 2007, da mesma forma, os débitos de SIMPLES NACIONAL foram informados nas competentes declarações em valores bem inferiores à base de cálculo (receita bruta) contabilizada pela contribuinte – fls. 474/508 do processo em papel). Diante de tal quadro fático, evidentemente que também descumprido o preceito do art. 17, V da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, tendo a pessoa jurídica usado de subterfúgio (apresentação de declarações retificadoras) para ocultar os débitos apurados para com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não estava suspensa. Finalmente, conforme apurado no curso do procedimento fiscal, a pessoa jurídica teria optado por manter a escrituração comercial (Livros Diário e Razão). Entretanto, foi verificado que a escrituração, relativa aos anoscalendário 2007 a 2009, continha o mesmo vício da escrituração relativa ao anocalendário 2006, que impossibilitava a identificação da real movimentação financeira: a manutenção de contas correntes à margem da escrituração, sem comprovação da origem regular dos recursos ali depositados (contas correntes mantidas no Banco BESC S.A. – atualmente Banco do Brasil S.A. e na Caixa Econômica Federal). Configurada assim outra hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista no art. 29, VIII da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Apenas esclareçase a defesa que o art. 31, inciso I da Lei Complementar nº 123, de 2006, somente se aplica aos casos em que a exclusão do SIMPLES NACIONAL se dá por opção da pessoa jurídica, e não obrigatoriamente, mediante ato de ofício (ADE), como ocorreu no caso em litígio, por ter incorrido nas situações de vedação previstas na Lei. Diante dos fatos levatantados de ofício procedente o ato declaratório de exclusão do SIMPLES NACIONAL. Dos efeitos do ADE de exclusão do SIMPLES NACIONAL Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 22 21 Transcrevemse abaixo os preceitos da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que fundamentaram a exclusão, e os que regulam os efeitos do ato de acordo com cada hipótese legal, verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) II no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada anocalendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em alguma das situações previstas nos incisos do § 4º deste artigo, será excluída do regime de que trata esta Lei Complementar, com efeitos a part ir do mês seguinte ao que incorr ida a s ituação impedit iva . (...) § 9º A empresa de pequeno porte que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput deste artigo fica excluída, no ano calendário seguinte , do regime diferenciado e favorecido previsto por esta Lei Complementar para todos os efeitos legais. (...) Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas ; (...) VIII houver fa lta de escr ituração do l ivrocaixa ou não permit ir a ident i f i cação da movimentação f inanceira, inc lusive bancária ; (...) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efe i tos a partir do próprio mês em que incorr idas , impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. § 2º O prazo de que trata o § 1º deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. (...) Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 23 22 Salientese que desde que instituído o SIMPLES NACIONAL, em 1º de julho de 2007, a contribuinte já tinha incorrido em todas as hipóteses de vedação. Conforme já acima assinalado, a contribuinte sequer poderia ter optado pela nova sistemática, porque a receita bruta no anocalendário anterior ao da opção (em 2006), teria ultrapassado o limite máximo de R$ 2.400.000,00. Ademais, comprovado que o Sr. Alexandre Sfoggia Rigon era o administrador de fato do empreendimento fragmentado nas pessoas jurídicas de Lucrecia Alimentos e Bread King Alimentos, praticamente desde a constituição desta última (a empresa foi constituída em 30/11/2006 e a procuração tem data de 12/01/2007) até o final do procedimento fiscal (contexto em que foram apresentadas as procurações acima referidas), válido o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, desde 01/07/2007. Da mesma forma, a interposição de pessoas para criação da Bread King (empresa artificialmente criada apenas para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos), e os vícios apurados na escrituração impeditivos de identificação da movimentação financeira, inclusive bancária (falta de escrituração de contas correntes), como ocorreram desde janeiro de 2006, e persistiram até 2009, são suficientes para sustentar o ato de exclusão do SIMPLES NACIONAL, a partir da instituição do regime, em julho de 2007. Logo, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão da contribuinte do SIMPLES Nacional a partir de 01/07/2007. Passando ao mérito dos lançamentos aqui formalizados, as recorrentes preliminarmente argúem a decadência dos créditos tributários referentes a janeiro e fevereiro/2006, em razão do disposto no art. 150, §4o do CTN, tendo em conta que o lançamento somente lhe foi cientificado em 01/03/2011. Todavia, tais créditos tributários estão alcançados pela desistência formulada pela recorrente, mostrandose desnecessária a apreciação deste argumento de defesa. Na seqüência, as recorrentes questionam a motivação do arbitramento dos lucros, porque não demonstrados evidentes indícios de fraude ou vícios que impeçam a identificação da movimentação financeira de Lucrécia Alimentos Ltda, mormente tendo em conta que a fiscalizada apresentou as informações exigidas acerca de sua movimentação financeira e que o Fisco teve acesso às demais informações junto às instituições financeiras. Citam doutrina e jurisprudência e pedem que seja afastado o adicional de 20% (vinte por cento) incidente sobre a base de cálculo dos respectivos tributos. Esta argumentação ainda precisa ser apreciada porque, considerando a desistência parcial do recurso voluntário, restaram débitos apurados a partir de 30/09/2008 afetados pelo arbitramento dos lucros. Ocorre que, nos termos do art. 530, inciso II, alínea “a” do RIR/99, o arbitramento é pertinente quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para, no caso, identificar a efetiva movimentação financeira. Nestes termos, não basta que a Fiscalização tenha acesso à movimentação financeira do sujeito passivo, é necessário que esta esteja escriturada para que os resultados daí decorrentes prestemse como base imponível do IRPJ e da CSLL. A autoridade lançadora, por sua vez, demonstrou as contas bancárias mantidas à margem da contabilidade e, mesmo em relação àquelas escrituradas, apontou depósitos bancários de origem não comprovada. De outro lado, como bem observa a autoridade Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 24 23 julgadora de 1a instância, não houve qualquer questionamento quanto às infrações de omissão de receitas apuradas a partir da falta de comprovação da origem de recursos depositados: (i) não contabilizados, (ii) em contas correntes não contabilizadas, ou ainda (iii) contabilizados, mas cuja escrituração não era compatível com os históricos constantes dos extratos. Ademais, a fiscalizada não respondeu à intimação que lhe foi dirigida facultando a opção pela apuração do lucro presumido ou real. A opção pelo lucro presumido, por sua vez, exigiria minimamente a escrituração do Livro Caixa integrado pela movimentação bancária, de modo que a omissão da fiscalizada durante o procedimento fiscal enseja a rejeição, neste momento, da pretendida exclusão da majoração em 20% dos coeficientes aplicados sobre a receita bruta para determinação do lucro tributável. As recorrentes argumentam, também, que a autuada importa farinha de trigo para utilização na fabricação de seus produtos, e que industrializa e vende no mercado nacional produtos resultantes de processo de panificação, favorecidos com alíquota zero no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS. A defesa subsiste pertinente depois da desistência parcial do recurso voluntário, na medida em que créditos tributários aqui exigidos a partir de 30/09/2008 seriam afetados pela circunstância aventada pelas recorrentes. A autoridade julgadora de 1a instância, porém, demonstrou a impossibilidade de aplicação deste benefício no presente caso: Dos lançamentos reflexos Diante da apuração de omissão de receitas, foram também lavrados os lançamentos reflexos da CSLL, PIS e Cofins, conforme previsto no art. 24 e seus parágrafos com a redação em vigor nos anoscalendário objeto de autuação (2006, 2007, 2008 e 2009), verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 4º Para a determinação do valor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep, na hipótese de a pessoa jurídica auferir receitas sujeitas a alíquotas diversas, não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a esta a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse ao recolhimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, calculadas por unidade de medida de produto, não Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 25 24 sendo possível identificar qual o produto vendido ou a quantidade que se refere à receita omitida, a contribuição será determinada com base na alíquota ad valorem mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º Na determinação da alíquota mais elevada, considerarseão: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – para efeito do disposto nos §§ 4º e 5º deste artigo, as alíquotas aplicáveis às receitas auferidas pela pessoa jurídica no anocalendário em que ocorreu a omissão; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – para efeito do disposto no § 5º deste artigo, as alíquotas ad valorem correspondentes àquelas fixadas por unidade de medida do produto, bem como as alíquotas aplicáveis às demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Em seu favor a Impugnante afirmou que, as exigências de PIS e Cofins seriam improcedentes porque importaria farinha de trigo, e venderia, no mercado nacional, produtos resultantes do processo de panificação, tributados à alíquota zero, conforme os preceitos da Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, incisos XIV, XV e XVI, verbis: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de : (Vigência) (Vide Decreto nº 5.630, de 2005) (...) XIV far inha de trigo classificada no código 1101.00.10 da TIPI; (Incluído pela Medida Provisória nº 433, de 2008) XV t rigo classificado na posição 10.01 da TIPI; e (Incluído pela Medida Provisória nº 433, de 2008) XVI prémisturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI. (Incluído pela Medida Provisória nº 433, de 2008) XIV far inha de tr igo classificada no código 1101.00.10 da Tipi; (Incluído pela Lei nº 11787, de 2008) XV tr igo classificado na posição 10.01 da Tipi; e (Incluído pela Lei nº 11787, de 2008) XVI prémisturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da Tipi. (Incluído pela Lei nº 11787, de 2008) De pronto, assinalese que tal preceito somente seria aplicável aos fatos geradores a partir de 28/05/2008. Ademais, para que fosse possível a sua incidência, necessário que fosse feita a prova de que as receitas omitidas e ora tributadas ex officio se originaram da venda dos produtos tributados à alíquota zero, fato dependente da apresentação das notas fiscais de venda, não escrituradas na contabilidade. Na medida em que o recurso voluntário, à semelhança da impugnação, não está acompanhado de qualquer prova documental, novamente não é possível acolher a pretensão das recorrentes. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências decorrentes da exclusão da contribuinte do Simples Nacional, apuradas a partir de 01/10/2008, e não alcançadas pela desistência. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 26 25 Por fim, no que tange à multa aplicada, as recorrentes argumentam que não houve omissão de informações, tampouco verificouse a existência de dolo, logo, não tem cabimento a qualificação da penalidade. Defendem a necessidade de prova contundente da fraude, invocam a Súmula nº 14 do 1o Conselho de Contribuintes, citam julgados deste Conselho, enfatizam que o procedimento fiscal contou com a participação espontânea das recorrentes e com a apresentação de documentos que permitiram as apurações fiscais, recordando que nos termos do art. 112 do CTN a legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida. O voto condutor da decisão recorrida, mais uma vez, pela excelência de sua abordagem, merece transcrição: Da ocorrência de dolo, fraude ou simulação A imputação de fraude foi feita com base em dois fatos: (i) a constituição da Bread King, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos, e assim, impedir a incidência da norma jurídica em que previsto o limite legal de receita bruta para adesão ao regime simplificado; e (ii) a apresentação de declarações retificadoras única e exclusivamente para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração comercial apresentada. Ambos os fatos já foram acima analisados, mas não é excessivo fazer constar novamente. É robusta a construção probatória levantada pela autoridade fiscal acerca da ausência de autonomia e independência das atividades empresariais das duas pessoas jurídicas, com prova inclusive de confusão patrimonial entre elas. Ficou suficientemente demonstrado que, por detrás da pessoa jurídica da Bread King, não há uma atividade empresarial distinta da atividade empreendida pela Lucrecia Alimentos, inclusive com a utilização de recursos humanos e patrimoniais pertencentes a esta última. De outro lado, a retificação das declarações apresentadas para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração pela própria contribuinte, denota a conduta dolosa ou fraudulenta descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. É certo que, com a retificação das declarações, providência adotada para novamente simular a regularidade fiscal requerida para adesão ao regime simplificado, a pessoa jurídica teve a intenção (dolo) de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, fato a caracterizar a fraude fiscal ou sonegação. Notese ainda que em relação aos períodos em que não apresentada retificadora, observou a fiscalização que a pessoa jurídica informou receita bruta muito inferior, não apenas à apurada de ofício pela fiscalização, mas à receita bruta escriturada em seus livros, o que confirma o intuito de reduzir indevida e fraudulentamente a base de cálculo dos tributos devidos. [...] Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 27 26 Inaplicável ao caso a Súmula 14 do CARF, porque não apurada “simples” omissão de receitas, decorrente de mero erro na escrituração, mas comprovadas: (i) a simulação da constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento da autuada e assim garantir a sua manutenção no regime simplificado de tributação; e (ii) a existência de contas correntes mantidas à margem da escrituração, de depósitos não contabilizados e de depósitos contabilizados, mas cuja contabilização está em descompasso com o histórico contido no extratos, e desprovida de documentação de suporte. Definitivamente, não se trata de “simples” omissão de receitas. Registrese que não afeta a aplicação da multa qualificada o fato de a fiscalização ter tido acesso a todas as informações necessárias para determinação da base tributável, mediante a documentação apresentada pela própria Impugnante, e pelas informações prestadas pelas instituições financeiras. Na verdade, tais pressupostos fáticos teriam a ver com o agravamento da penalidade, e não com a qualificação por conta da conduta dolosa. Veja abaixo a distinta redação dos preceitos relativos às multas de ofício qualificada (art. 44, inciso I, §1º) e agravada (art. 44, inciso I, §2º), verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade , nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para : (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esc larecimentos ; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou si stemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Não procede a aplicação do art. 112 do CTN, porque não há qualquer dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário também em relação à qualificação da penalidade. E, quanto à imputação de responsabilidade solidária a Bread King Alimentos Ltda, as recorrentes reafirmam, em vários momentos da defesa, a autonomia entre elas, discordando da identidade de endereços apontada pela Fiscalização, afirmando distintos os Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 28 27 objetos sociais, e alegando que Alexandre Sfoggia Rigon é apenas procurador da segunda, e não seu administrador. Mais uma vez são adotados, aqui, os fundamentos esposados pela autoridade julgadora de 1a instância para rejeitar as alegações das recorrentes: Da imputação de responsabilidade solidária à Bread King O termo de Sujeição Passiva Solidária se encontra juntado às fls. 1165/1166 e foi cientificado à interessada, assim como os lançamentos, conforme AR de fls. 1167. Fundamentou a atribuição de responsabilidade solidária à Bread King o preceito do art. 124, I, do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) De acordo com provas carreadas para o processo a Bread King foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL. Comprovada a simulação, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica – a Lucrecia Alimentos, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto (Lucrecia e Bread King), inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. Considerase regularmente comprovado assim o interesse comum das pessoas jurídicas nas situações que constituíram os fatos geradores da obrigação tributária ora exigida exofficio. Assim, também no que tange à responsabilidade tributária imputada a Bread King Alimentos Ltda, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO à parte do recurso voluntário não alcançada pela desistência, para manter as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, com efeitos desde 01/01/2006 e 01/07/2007, respectivamente, bem como os lançamentos daí decorrentes cujos créditos tributários não foram incluídos no parcelamento especial, e a imputação de responsabilidade tributária a Bread King Alimentos Ltda. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13982.000735/201059 Acórdão n.º 1101001.158 S1C1T1 Fl. 29 28 Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11020.002216/2004-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2006
COFINS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
COFINS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA.
A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2006 COFINS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE. Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. COFINS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido.
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Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. COFINS BASE DE CÁLCULO CRÉDITO DE ICMS NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 22 16 /2 00 4- 20 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de COFINS recolhido pelo regime da não cumulatividade. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O contribuinte supracitado solicitou ressarcimento de contribuição nãocumulativa (COFINS nãocumulativa), bem como compensação destes valores com débitos, conforme pedido constante nos autos, após apensação do processo nº 11020.007312/200898. O pedido foi deferido parcialmente, visto que o contribuinte não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das cessões de créditos de ICMS, sendo utilizado para compensação até o limite do crédito concedido e exigido o valor dos débitos não compensados por falta de crédito por carta cobrança. O interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, onde discorda da glosa efetuada. Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.002216/200420 Acórdão n.º 3302002.422 S3C3T2 Fl. 11 3 Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa.” Após analisar as alegações trazidas pela Recorrente, a Segunda Turma da DRJ de Porto Alegre lavrou o acórdão nº 1018.439, por meio do qual manteve a glosa realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2004 30/06/2004 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS, decorrente do resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela contribuinte em sua atividade, os quais foram devidamente quantificados e apresentados à fiscalização (valor positivo) e (2) na indicação do valor devido a título de COFINS, regularmente declarado em DCTF (valor negativo). Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 44/45), in casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não calculou seu débito de COFINS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber: “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS a terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Não obstante, o art. 1° da lei 10.833/03 determina que a base de cálculo da COFINS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 ou denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°: “Lei 10.833, de 29/12/2003: Art. 1 A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas á demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3 Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota O (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (NR da lei 10.865/04) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente, importa no auferimento de receitas. É o que dita a Resolução n° 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou o apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade: Resolução N° 774, de 16112194, do CFC: 2.6.3 ALGUNS DETALHES SOBRE AS RECEITAS E SEU RECONHECIMENTO A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.002216/200420 Acórdão n.º 3302002.422 S3C3T2 Fl. 12 5 sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis , com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazêlo num prazo qualquer.” Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o COFINS devido no período, deixou de considerar na base de cálculo do tributo o valor relativo ao Crédito de ICMS não cumulativo, o que gerou a conclusão de recolhimento a menor do tributo. O problema, portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de COFINS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de COFINS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de COFINS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo da COFINS (correspondente ao crédito de ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e, consequentemente, deixou de constituir este tributo. Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Tendo em vista que o julgamento é realizado por um órgão colegiado, em vista da possibilidade de meus pares não concordarem com minhas conclusões preliminares, por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa. Vejamos. De acordo com os autos, a autoridade administrativa entende que deve ser incluído na base de cálculo do PIS e Cofins o produto da venda de créditos acumulados de ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.833/03, a saber: “Lei 10.833, de 29/12/2003. Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” (destaquei) Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa. Em meu entender, exatamente neste ponto que o legislador deixou de se preocupar com a forma, definindose pela essência, quando acenou que a tributação independe de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita. Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.002216/200420 Acórdão n.º 3302002.422 S3C3T2 Fl. 13 7 Inicialmente, é necessário esclarecer que o saldo credor de ICMS, no demonstrativo contábil da apuração do resultado do exercício, será sempre o valor do "débito" do ICMS, pois é o resultado negativo da conjunção dos créditos referentes aos valores de ICMS pago pela Recorrente nas aquisições (registrados na conta de passivo exigível) com os débitos deste mesmo ICMS recebidos pela Recorrente nas operações de venda. Em razão do princípio da não cumulatividade, nas operações de venda de mercadorias, a nota fiscal é emitida com o destaque do ICMS devido, que é pago pelo contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a recuperar. Conforme lecionado pelo ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto1, “Os créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo COFINS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.” A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial. Desta forma, com razão a Recorrente em não incluir na base de cálculo do COFINS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de COFINS, objeto deste processo. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/200316, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 20179.964. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 15374.913764/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
Retificação de PERDCOMP
Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar pedidos de retificação de PERDCOMP é da unidade de jurisdição da solicitante, ressaltando-se que somente são admitidos pedidos de retificação quando o PERDCOMP encontrar-se pendente de decisão na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1801-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Retificação de PERDCOMP Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar pedidos de retificação de PERDCOMP é da unidade de jurisdição da solicitante, ressaltando-se que somente são admitidos pedidos de retificação quando o PERDCOMP encontrar-se pendente de decisão na esfera administrativa.
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar pedidos de retificação de PERDCOMP é da unidade de jurisdição da solicitante, ressaltandose que somente são admitidos pedidos de retificação quando o PERDCOMP encontrarse pendente de decisão na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 37 64 /2 00 8- 51 Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorrente apresentou PERDCOMP em 23/08/2004 a fim de compensar débito de estimativa mensal de IRPJ apurada como devida no mês de junho de 2003, indicando como direito creditório a fazer frente a essa compensação, recolhimento a maior ou indevido efetuado por DARF de estimativa mensal de IRPJ apurada no mês de setembro de 1999, no valor de R$ 3.829,03. Pelo Despacho Decisório da DERAT do Rio de Janeiro/RJ (fl. 8 p. d.) a compensação foi não homologada porque o DARF indicado pela recorrente como tendo veiculado o pagamento indevido, teria sido alocado a débito no valor de R$ 3.829,03, de estimativa de IRPJ declarada como devida em DCTF no mês de setembro/2009. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada explicitou a recorrente que teria apurado créditos acumulados de IRPJ dos exercícios de 1995 a 1998, no montante de R$ 100.902,27 e que no exercício de 1999, efetuou antecipações de IR aumentando ainda mais o crédito existente, correspondentes ao montante de R$ 104.519,87, tendo apurado prejuízo fiscal nesse mesmo período. No exercício de 2000, teria apresentado imposto a pagar de R$ 48.760,76, compensado com os créditos do período de 1996 a 1998, ressaltando que nesse ano de 2000 efetuou, desnecessariamente, antecipações de impostos, já que detinha credito de exercícios anteriores. Apresentou, então, o saldo do crédito, calculado após o exercício de 2000: Créditos de 1995 a 1998: R$ 100.902,97 Crédito no exercício de 1999: R$ 104.519,87 Imposto Devido de 2000: (R$ 48.760,76) Antecipações de 2000: R$ 48.760,76 TOTAL DO CRÉDITO: R$ 205.422,84 Aduziu que no exercício de 2001, teria apurado imposto a pagar no valor de R$ 30.433,97, que por sua vez, teria sido compensado com os créditos gerados pelas antecipações efetuadas no em 1999, destacando que no exercício de 2001 e 2002, realizou antecipações de imposto nos montantes de R$ 22.880,92 e R$ 9.384,39, respectivamente, para serem compensados nos exercícios subseqüentes. Apresentou os seguintes créditos que alega possuir nos respectivos exercícios: Saldo Credito Remanescente anterior a 1998: R$ 52.141,51 Saldo Credito Remanescente 1999: R$ 74.085,90 Saldo Credito Remanescente 2000: R$ 38.973,23 Saldo Credito Remanescente 2001: R$ 22.880,92 Saldo Credito Remanescente 2002: R$ 9.384,39 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.913764/200851 Acórdão n.º 1801002.059 S1TE01 Fl. 3 3 Observou que as compensações realizadas até setembro de 2002 poderiam ser efetuadas contabilmente sem necessidade de autorização prévia da administração tributária e que teria apresentado diversas PERDCOMP em 2004 utilizando os créditos supracitados para compensar os meses de março, junho e setembro de 2003 Alerta que na data da apresentação dos PERDCOMP, os créditos não estavam prescritos, "todavia, a declaração deveria ter sido apresentada como saldo negativo” e que na época existiam muitas dúvidas em relação ao preenchimento do PERDCOMP, e que por um equívoco, o documento foi preenchido como pagamento indevido a maior. Ressaltou que os DARFs recolhidos de IR, superaram os valores devidos nos períodos de 1998 a 2002, o que lhe confere o legítimo direito à compensação do tributo do exercício de 2003. A Turma Julgadora de 1a. Instância em sintética decisão observou que a recorrente estaria a introduzir matéria nova, não examinada pela DERAT, que se refere a direito creditório referente a saldos negativos de IRPJ dos anos de 1998 a 2002, o que não integraria a lide. Assinalou que após a emissão de Despacho Decisório denegatório não é possível retificar o PERDCOM e que eventual pedido de retificação não pode ser apreciado por falta de competência do órgão julgador, devendo ser dirigido à autoridade competente. Notificada da decisão, em 08/04/2010 (AR fl. 84 p.d.) apresentou a recorrente, em 07/05/2010, o presente recurso voluntário, no qual aduz que não teria introduzido matéria nova na manifestação de inconformidade, uma vez que a origem direito de crédito indicado na manifestação de inconformidade seria exatamente a mesma declarada no PERD/COMP de que as antecipações de recolhimento mensal por estimativa efetuadas em valores maiores que o IRPJ efetivamente apurado como devido. Aduz que teria nomeado o crédito de saldo negativo em função da edição da IN SRF n º 600, de 2005, que no art. 10 determina que pagamentos a maior de estimativa devem compor o saldo negativo apurado ao final do período. Assim, pouco importaria nomenclatura dada ao direito creditório. Referese ao princípio da legalidade para concluir ser dever da fiscalização auditar as antecipações efetuadas e comparálas que os valores do IRPJ apurados ao final de cada PA, pugnando, ao final, pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Encontrase estampado no PERDCOMP analisado que a recorrente indicou, como direito creditório a amparar as compensações declaradas, pagamento indevido de estimativa de IPRJ apurada como devida no mês de setembro de 1999, efetuada por DARF. Como o DARF se encontra alocado a débito de mesmo valor, natureza e fato gerador declarado como devido em DCTF, não se reconheceu o indébito invocado. Na manifestação de inconformidade a recorrente altera completamente o seu pedido. Alega possuir saldo negativo de IRPJ acumulado nos anos de 1996 até 2002, em montante que ultrapassa R$ 190.000,00. Pretende, assim, com a manifestação de inconformidade, cujas alegações reproduz no recurso voluntário, alterar a natureza jurídica , o período de apuração e o valor do indébito. Observo que esta esfera de julgamento não tem competência regimental para apreciar pedidos de retificação de PERDCOMP. Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar tais solicitações é da DRF de jurisdição da recorrente, razão pela qual não se pode tomar conhecimento de tal pleito. Saliento, entretanto, que a legislação de regência determina que somente podem ser objeto de retificação, os PERDCOMP que ainda se encontrem pendentes de análise e não tenham sido objeto de decisão, o que não é o caso dos autos. A respeito, transcrevo os artigos pertinentes da IN SRF n º 1.300, de 2012: Art. 87. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando Fl. 17DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.913764/200851 Acórdão n.º 1801002.059 S1TE01 Fl. 4 5 formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. Art. 90. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. § 3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. ... Art. 107.Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 88, 93 e 97, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso, em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ, Deinf, IRF ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. (*) destaques acrescidos. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 18DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Maria de Lourdes Ramirez Fl. 19DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10611.002007/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Adriene Maria de Miranda Veras e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COLEÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE INFORMÁTICA, TELECOMUNICAÇÕES E ELETRÔNICA LTDA.contra Acórdão nº 1138.185, de 14 de setembro de 2012, proferido pela 6ª Turma da DRJ/REC, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 11 .0 02 00 7/ 20 10 -1 0 Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.131 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração (AI), às fls.03 a 13 do processo digital, lavrado por Auditoria da IRF Belo Horizonte MG, em razão da classificação incorreta das mercadorias importadas através de Declarações de Importação (DI) registradas na DRF/Varginha, relacionadas às fls. 04 a 12 do AI e objeto dos Demonstrativos de fls. 14 a 41 dos autos digitais. As autoridades lançadoras apuraram que a empresa importou no período investigado, outubro de 2007 a março de 2010, produtos conhecidos vulgarmente como “caixas de som para computador”, originárias da China, em modelos que variavam de acordo com o número de altofalantes por caixa de som, potência e outras características. As classificações tarifárias para estas mercadorias, de acordo com a NCM/TEC e NBM/TIPI, vigentes à época dos fatos geradores, eram: 8518.21.00 e 8518.22.00, com alíquotas do Imposto de Importação (II) de 20% e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 15%, o que dependia apenas de se caracterizarem como altofalantes únicos, montados no seu receptáculo (8518.21.00) ou altofalantes múltiplos, montados no mesmo receptáculo (8518.22.00). Salientaram as autoridades lançadoras que ambos os códigos mencionados sujeitavamse aos direitos antidumping e ao licenciamento administrativo prévio, nos termos da Resolução Camex n°25, de 2007 (alíquota específica provisória, até 13.12.2007, no valor de US$2,75/kg,) e, posteriormente, da Resolução Camex n° 66, de 2007 (alíquota específica definitiva de US$ 2,35/kg.) Nas importações promovidas pela empresa, no período investigado, foram utilizados em algumas DI os códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 (corretos). Contudo na grande maioria das DI, que são objeto do presente AI, as mercadorias foram classificadas no código 8518.50.00, da NCM/TEC e NBM/TIPI então vigentes. Duas Soluções de Divergência (SD) da Coana que versam sobre os bens em questão, foram apresentadas, além de diversas Soluções de Consultas (SC), formuladas pelo próprio contribuinte à Diana/SRRF 6ª RF, que concluem pela classificação dos produtos consultados nos códigos 8518.21.00 (altofalantes únicos, montados cada um em seu respectivo receptáculo) e 8518.22.00 (alto falantes múltiplos montados no mesmo receptáculo) (8518.22), às fls.133 a 178. As autoridades lançadoras informaram, ainda, no Relatório Fiscal, que em 13 de abril de 2010, baseandose nessas SC, o interessado protocolizou alguns pedidos de retificação de DI, alterando a classificação fiscal do código 8518.50.00 para as Subposições 8518.21.00 e 8518.22,00, dependendo do número de altofalantes por receptáculo (a relação das DI retificadas consta às fls. 76 a 81 dos autos digitais). Informou, ainda, a fiscalização, no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, que o interessado deu entrada também em consultas relativas à aplicação ou não do direito antidumping, tendo sido todas consideradas ineficazes, porque questões inerentes à aplicação de direito antidumping, não se compatibilizam com o instituto da consulta. A competência para tal está atribuída à Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), nos termos dos artigos 10, 12, § 3º, e 15, inciso II, da INRFB nº 740, de 2007. Esclarecem as autoridades lançadoras que o ato de classificar equivocadamente os bens no código 8518.50.00, reclassificados para os códigos 8518.21.00 e 8518.22.00, não agravou a cobrança do II ou do IPI, uma vez que as Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.132 3 alíquotas eram as mesmas, mas gerou a cobrança dos direitos antidumping e a necessidade de licenciamento não automáticos das importações. Discorreram, a seguir, sobre a necessidade de licenciamento para as mercadorias em questão, informando que, em consulta à tela de tratamento administrativo do Siscomex, para os códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 existia uma anuência do Decex, sem restrições, no período de 17.07.2007 a 07.02.2008, donde concluiu a fiscalização que todas as mercadorias classificadas nesses códigos estavam obrigadas ao licenciamento não automático, nesse período. Posteriormente a anuência foi exigida apenas nos seguintes casos: Destaque 001, a partir de 07.02.2008, produto sujeito a direito antidumping (Resolução Camex nº 66/2007); Destaque 555, a partir de 17.08.2004 Produto amparado pelo inciso V, artigo 4º, do Decreto nº 5.171, de 2004 (máquinas, equipamentos, aparelhos, instrumentos, suas partes e peças de reposição, e películas cinematográficas virgens destinadas à indústria cinematográfica, audiovisual e de radiodifusão). Concluem as autoridades lançadoras que para todas as importações objeto do presente AI havia a exigência de licenciamento não automático (até 07.02.2008, de forma irrestrita e, a partir dessa data, para as mercadorias descritas na Resolução Camex mencionada). Em razão da classificação incorreta dos bens importados e por sua falta de licenciamento quando da sua reclassificação tarifária, considerando que na sua descrição, nos documentos de importação, faltaram os elementos necessários à sua perfeita identificação e correta classificação, foi lavrado o AI de fls. 03 a 13 para a cobrança de: a) multa por infração ao controle administrativo das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, no montante de R$ 1.541.631,92 (um milhão, quinhentos e quarenta e um mil, seiscentos e trinta e um reais e noventa e dois centavos), de acordo com o artigo 169, inciso I, alínea “b”, e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003; e b) multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, no montante de R$ 35.684,13 (trinta e cinco mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e treze centavos), ao amparo do artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003. Totalizou o crédito tributário o valor de R$ 1.577.316,05 (um milhão, quinhentos e setenta e sete mil, trezentos e dezesseis reais e cinco centavos), de acordo com o Termo de Encerramento, à fl.42. Ao Auto de Infração, além dos Demonstrativos de Apuração do Crédito Tributário, às fls. 14 a 41, e do Termo de Encerramento, à fl.42, foram anexados: Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 43 a 110, além de cópia das Resoluções Camex nºs 25 e 66/2007, às fls.123 e 124, e dos extratos dos documentos referentes às importações dos produtos, às fls.183 a 465. Há que ressaltar, finalmente, que há dois Autos de Infração (AI), lavrados pela fiscalização da mesma Inspetoria (IRFBHE), contra a mesma empresa, tratando ambos de altofalantes, porém com infrações diferentes, a saber: Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.133 4 1) AI objeto do presente processo, nº 10611.002007/201010, do qual constam as mesmas DI que fazem parte do outro processo; o presente lançamento versa sobre a reclassificação dos produtos importados para a cobrança de multa administrativa ao controle das importações, no percentual de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias (falta de licenciamento), e multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens (classificação incorreta). 2) AI objeto do processo nº 10611.002006/201067, do qual constam as mesmas DI abrangidas pelo presente processo, que cobrem a importação de bens reclassificados pelas autoridades lançadoras; mas, além dessas DI, também constam outras, nas quais os mesmos bens foram corretamente classificados pelo importador; esse segundo AI foi lavrado para a cobrança dos direitos antidumping incidente sobre a totalidade dos bens mencionados, acrescidos da multa de ofício de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Intimado, o sujeito passivo apresentou tempestivamente a sua impugnação, recebida pela DRFVarginha/ MG em 26.10.2010, às fls. 483 a 496 do processo digital, e encaminhada à IRFBHE/ MG, conforme despacho de fl.481, datado de 28.10.2010, acompanhada da seguinte documentação: Contrato Social e documentação relativa à sua representação, às fls. 494 a 508; cópia da Resolução Camex nº 66, de 2007, e do seu anexo, onde é descrito o procedimento de apuração do dumping, às fls. 509 a 513; cópia do trâmite judicial do Mandado de Segurança nº 500135396.2010.404.7208, às fls.514 a 524, que diz respeito às DI nºs 10/08249329 e 10/07622824 (de Itajaí/SC), cuja sentença se encontra às fls. 516 a 519, concedendo a segurança para a não exigência do recolhimento de direitos antidumping relativamente aos produtos constantes dessas duas DI (item 3, fl.518 do processo digital). A argumentação da defendente pode ser assim resumida: 1. Revisão das DI Alegou que a maioria das Aduanas do país, ao final do despacho aduaneiro, no desembaraço, libera produtos tais quais os importados pela empresa autuada, sem a exigência dos direitos antidumping, por entenderem que tais mercadorias se enquadram nas exceções do artigo 2º da Resolução Camex nº 66, de 2007, enquanto outras Alfândegas exigem o recolhimento, não obstante a referida exclusão estar expressa no citado artigo da norma, o que tem causada insegurança jurídica e consequente instabilidade econômica. Que algumas das DI objeto do AI foram selecionadas para o canal amarelo e o canal vermelho, tendo sido desembaraçadas sem exigência alguma, depois de examinada toda a documentação que amparava as importações. 2. Licenciamento e classificação fiscal. Multas 2.1. Falta de licenciamento. Multa de 30% sobre o valor aduaneiro: Alegou a defendente que, em razão da cobrança dos direitos antidumping não prosperar, “...não há que se falar em licenciamento não automático”(fl.484); “...os produtos importados não são passíveis de aplicação de direitos antidumping, por expressa e manifesta exceção legal” (artigo 2º da Resolução Camex nº 66/2007), não cabendo, portanto, a aplicação de multa administrativa por falta de licenciamento das importações. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.134 5 Descreveu detalhadamente cada um dos modelos dos equipamentos importados (TCS3150, TCS 3252, CT683601, CT683951 e B511ME), à fl.486 do processo digital. A descrição dos equipamentos, segundo a defendente, pode ser assim resumida: sistemas de áudio, constituídos por caixa acústica amplificada com um altofalante tipo subwoofer (ou, dependendo do modelo, composto por três ou seis caixas acústicas, sendo uma amplificada com um altofalante tipo subwoofer), duas caixas acústicas satélites/laterais (ou, dependendo do modelo, cinco caixas satélites), com um único altofalante por caixa, interligados por cabos elétricos, contendo amplificador interno de alta potência, conectores para entrada de fonte externa de sinal de áudio 2.1 (ou, dependendo do modelo, 5.1), compatíveis com DVD, MP3, reprodutor de CD/DVD e microcomputadores (outros modelos apresentam também compatibilidade com MP4, vídeo games, notebooks e aparelhos de televisão); as dimensões das caixas e as potências dos equipamentos variam de acordo com os modelos; todos vêm acondicionados para venda a retalho. Arguiu que, de acordo com a Resolução Camex nº 66/2007, os produtos, objeto da investigação de dumping, foram definidos como altofalantes, montados ou não, importados da República Popular da China, classificados nos códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 da NCM, sujeitos à alíquota específica de US$ 2,35/kg. Todavia, o artigo 2º da citada Resolução excluiu da incidência dos direitos antidumping os altofalantes destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não fossem de uso em automóveis, tratores e outros veículos terrestres. Esses são exatamente os “sistemas de som” pela empresa importados, “...destinados a aparelhos de áudio e vídeo, quais sejam, televisões, PSP’S, MP4 players, microcomputadores, notebooks, DVD’s, etc...”, de uso exclusivo em residências, estabelecimentos comerciais ou industriais, e impossíveis de serem utilizados em automóveis e outros veículos terrestres, porque “.. além de requererem alimentação de rede elétrica com 127V ou 220V...”, precisam de tomada elétrica para o seu funcionamentos (fl.489, § 1º, 2º e 3º). Acrescentou, ainda, a impugnante que, corroborando o seu entendimento, foi prolatada Sentença no MS nº 5001.353.2010.404.7208/SC, por ela impetrado, contra ato do Delegado da RFB em Iajaí/SC, que ratificou a liminar e concedeu a segurança “...para que seja dado prosseguimento ao desembaraço aduaneiro das mercadorias da impetrante (DI 10/08249329 e 10/07622824), sem a exigência de recolhimento de direitos antidumping, medida já cumprida pela autoridade coatora, assim como que a autoridade coatora se abstenha, em futuras importações, de efetivar a mencionada exigência quanto à internalização de produtos idênticos aos mencionados nas DI 10/08249329 e 10/07622824...” Frisou, porém, que a apresentação da referida sentença tinha caráter complementar, tendo em vista referirse a outras DI, desembaraçadas em outro Porto, embora dissessem respeito a mercadorias similares e ao mesmo interessado. Ilustrou a defesa, com gravuras de alguns dos modelos dos equipamentos importados (fls.487 e 488). E concluiu, neste tópico, recorrendo ao artigo 5º, inciso II, da CF, que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. 2.2. Classificação fiscal incorreta. Multa de 1%: Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.135 6 Alegou a interessada, no que toca às DI nºs 08/11384548, 08/15019950, 08/16871307, 08/18515494, 08/19047915 e 09/05921288, que a fiscalização afirmou que houve a cobrança do valor de R$ 500,00 a titulo de multa por erro de classificação tarifária, embora esse pagamento já tivesse sido feito por parte da impugnante. A fiscalização fez incidir a multa sobre cada uma das mercadorias constantes das aludidas DI, quando deveria ter sido aplicada sobre cada Adição dessas DI. Citou o artigo 711, § 4º, incisos I e II, do Regulamento Aduaneiro de 2009, que dispõe: “Art.711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (...) § 4º Na ocorrência de uma ou mais das condutas descritas nos incisos do caput, em relação a mercadoria distintas, para as quais a correta classificação na NCM seja idêntica, a multa referida neste artigo será aplicada somente uma vez e corresponderá a: I um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias, quando resultar em valor superior a R$ 500,00; ou II R$ 500,00, quando da aplicação de um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias resultar valor igual ou inferior a R$ 500,00” (Grifos acrescentados pela defendente) Apresentou, à fl.493, a tabela, a seguir reproduzida: Arguiu que a tabela mostrou o equivoco do cálculo, no AI, da multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias abrangidas pelas mencionadas seis DI. Acrescentou, ainda, no que diz respeito aos demais valores devidos, em virtude da errônea classificação (relativamente às demais DI), que a empresa impugnante demonstrou “...a boa fé procedimental que norteia todos seus atos...”, recolhendo a quantia remanescente, a titulo de "multa regulamentar", abatida, apenas, do valor demonstrado na tabela mencionada, que flagrantemente foi exigido "a maior". 3. Perícia Por todo o exposto, e considerando, ainda, que a segurança concedida no MS citado (impetrado pela empresa em Itajaí/SC) determinou que a RFB se abstivesse de perpetrar a exigência dos direitos antidumping na nacionalização de idênticos produtos, no futuro, requereu a realização de perícia técnica, para tal apresentando: os motivos, as questões a serem respondidas e o técnico credenciado Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.136 7 (fls.493 a 495), nos termos dos artigos 16, inciso IV, e 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. Encerrou a sua defesa, requerendo: a) que o órgão julgador a acolhesse para julgar improcedente o AI lavrado, relativamente à cobrança da multa administrativa por não licenciamento das mercadorias importadas, uma vez que as mesmas não se sujeitaram ao disposto na Resolução Camex 66/2007, excluídas que foram pelo artigo 2º da norma (alto falantes para aparelhos de áudio e vídeo); b) que fossem corrigidos, no AI, os valores correspondentes à multa de 1% incidente sobre o valor aduaneiro das mercadorias constantes das DI nºs 08/11384548, 08/15019950, 08/16871307, 8/18515494, 08/19047915 e 09/05921288, já recolhidos pela defendente; relativamente às demais DI, ainda no que toca a essa penalidade, que ela fosse extinta, em razão do pagamento efetivado pela interessada; c) que, em razão da controvérsia estabelecida, relativamente às características e utilização das mercadorias importadas, fosse deferido o pedido de realização de perícia, nos termos dos artigos 16, inciso IV, e 18, do Decreto nº 70.235/72.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 Mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, e atualizações posteriores. Altofalantes montados em seus receptáculos, em diversos modelos, tamanhos e potências, próprios para uso em máquina de processamento de dados, apresentandose: um único altofalante por receptáculo e múltiplos altofalantes no mesmo receptáculo, classificamse, respectivamente, nos códigos 8518.21.00 e 8518.22.00 da NCM/TEC/2007. Infração ao Controle Administrativo das Importações. Multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Mercadorias importadas ao desamparo de licenciamento, nos termos do artigo 169, inciso I, alínea “b” e § 2º, inciso I, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, sujeitamse à multa administrativa ao controle das importações, quando incorretamente descritas e/ou com a falta de elementos necessários à sua identificação e correta classificação tarifária na NCM/TEC, de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/10/2007 a 19/01/2010 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.137 8 Classificação incorreta. Multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. A incorreção da classificação das mercadorias, em código da NCM/TEC indicado pelo importador, evidenciouse, cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%), de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 Revisão Aduaneira. O reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador, e a decorrente reclassificação dos produtos importados em código da NCM/TEC diverso daquele informado nas declarações não caracteriza alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Jurisprudência judicial. Efeitos. O alcance dos efeitos advindos de sentença judicial circunscrevese às partes envolvidas na lide e ao caso concreto julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 19/10/2007 a 18/03/2010 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo técnico sobre os produtos, uma vez que não foi esse o motivo da autuação, e, sim, a sua incorreta classificação fiscal na NCM/TEC, ao desamparo das RGI do SH nºs 1 e 6. Além do mais, os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011.” Cientificado do referido acórdão em 7 de novembro de 2012, a interessada apresentou recurso voluntário em 6 de dezembro de 2012, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.138 9 Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Depreendendose da análise do processo, vêse que a lide envolve a notificação recepcionada pela recorrente para a promoção do pagamento de R$ 1.577.316,05, correspondente a multas fiscais, em virtude de que a importação de conjuntos de áudio da China estavam “desamparadas de licença de importação” e, também, por existir, na concepção da i. Fiscal “mercadoria classificada incorretamente na NCM”. A autuação relacionou as Di´s referenciadas no Auto de Infração em epígrafe, uma vez que a Receita Federal ao elaborar o termo de verificação fiscal entendeu serem devidas as referidas “multas”, pelas seguintes motivações: “Mercadoria importada ao desamparo de Licença de Importação ora exigida para todas as Declarações de Importação registradas no período de vigência da Resolução Camex 25/2007 e da Resolução CAMEX 66/2007”. “Como é sabido a Resolução Camex 66/2007 fixa a aplicação de uma medida de defesa comercial – antidumping – sobre as importações de mercadorias classificadas nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, quando originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica de US$ 2,35/kg (dois dólares estadunidenses e trinta e cinco centavos por kilograma). [...] a Coleção não recolheu os direitos antidumping ora devidos para as mercadorias importadas e como conseqüência deixou de solicitar a licença de importação obrigatória.” Em respeito à controvérsia, apresentou a recorrente recurso voluntário, a fim de reformar a decisão de primeira instância administrativa. Para melhor elucidar o cerne da questão, importante descrever os pontos trazidos pela recorrente. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.139 10 Sendo assim, quanto ao licenciamento, traz a recorrente que não há que se falar em licenciamento não automático, tendo em vista que pelo art. 9º da Portaria Secex nº 36, apenas poderia haver tal licenciamento em casos de o produto estar sujeito a medidas de defesa comercial – o que para ela não seria o caso. Quanto à aplicabilidade do direito antidumping aos amplificadores para uso em equipamentos diversos de áudio e vídeo, insurge a recorrente que: · a autoridade fazendária entendeu que os mencionados produtos provenientes da China se enquadravam no conceito de altofalantes, sujeitos ao pagamento de direito antidumping imposto pelas Resoluções CAMEX 25 e 66/2007; · a despeito de a importação das mercadorias enquadradas na subposição 8518.21.00 estarem, em regra, sujeitas ao seu pagamento, os produtos importados pela recorrente, em particular estariam em qualquer hipótese excluídos do campo de incidência dessa regra impositiva; · o direito antidumping devido na importação de mercadorias classificadas na subposição 8518.21.00 foi instituído por meio da Resolução CAMEX nº 66/2007, que assim dispôs: “Art. 1º. Encerrar a investigação com a fixação de direito antidumping definitivo sobre as importações de altofalantes, classificados nos itens 8518.21.00, 8518.22.00 e 8518.29.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM, quando originárias da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 2,35/kg (dois dólares estadunidenses e trinta e cinco centavos por quilograma). Art. 2º Ficam excluídos os altofalantes para telefonia, para câmeras fotográficas e de vídeo, pra notebooks, para uso em equipamentos de segurança (normas EVAC BS 58398, IEC 60849 ou NFPA) e aqueles destinados a aparelhos de áudio e vídeo, que não sejam de uso em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres”. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.140 11 · o Direito Antidumping é devido em regra sobre a importação de alto falantes em geral, ficando a salvo da incidência, excepcionalmente, alguns altofalantes específicos mencionados na referida resolução. · Os equipamentos importados pela recorrente não se encontram dentro do escopo da Resolução CAMEX 66/2007; · Os produtos são, assim como os home theaters, destinados ao uso em aparelhos de áudio e vídeo, não utilizáveis em veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, e portanto, não sujeitos à medida antidumping, por expressa exclusão contida no art. 2º da Resolução CAMEX que estabeleceu os direitos antidumping. · Por decorrência desa suposta infração, foi lavrado auto de infração para exigir o valor dos direitos antidumping – que são atualmente discutidos no processo administrativo nº 10611.002006/201067. Ademais, traz também que o único argumento trazido pela autoridade fazendária para corroborar com a determinação de que os direitos antidumping deveriam ser recolhidos sobre as importações dos produtos objeto da presente ação fiscal, referese à suposição de que a aplicação das mercadorias importadas seria exclusiva para computadores. Clarifica a recorrente, no entanto, que as mercadorias importadas pela recorrente não se aplicam exclusivamente a computadores, como deixar transparecer a autoridade administrativa. Sendo que os produtos destinamse à utilização em quaisquer aparelhos que possuam uma entrada P2 fêmea compatível, como é o caso de MP4, Ipods, televisões portáteis e DVD players. Justifica também, trazendo a imagem dos altofalantes a que se refere: Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.141 12 Continuando, ressalta a recorrente que os computadores, notebooks e até aparelhos celulares – os smart phones, também possuem elementos processadores de dados e são, efetivamente, aparelhos de áudio e vídeo, e que nos dias atuais podem ser utilizados para assistirse a filmes, conectarse ao mundo, baixar e ouvir música e receber e transmitir imagens a qualquer lugar do planeta. O que, por conseguinte, enfatiza que para a recorrente afirmar que os computadores não podem ser classificados como aparelhos de áudio e vídeo e que estes são apenas processadores de dados é uma ignorância tecnológica que a realidade desmente por si só. Em relação à alegação da impossibilidade de revisão de classificação fiscal fundada em erro de direito, expõe a recorrente que: · O Auto de Infração exige valores a título de recolhimento de direito antidumping, juros e multa em razão das mercadorias importadas, entre 2007 e 2010, sob a premissa de que estas estariam enquadradas na normativa da Resolução CAMEX 66/2001 e que algumas delas teriam sido classificadas erroneamente no NCM 8518.40.00, e não no NCM 8518.21.00; · Mas, depois de efetuado desembaraço aduaneiro, não pe dado á Administração proceder à revisão da classificação fiscal; · A exigência de recolhimento de direito antidumping, por decorrência de suposto equivoco na classificação fiscal, em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, configura “Mudança de critério jurídico adotado pelo fisco”; · O que conclui que o Auto de Infração não pode subsistir. Quanto à multa por classificação incorreta da mercadoria invocada pela autoridade fazendária, expõe a recorrente: · A fiscalização da receita expôs que houve classificação errônea nos produtos da empresa recorrente, pelo que se faria incidir multa, conforme segue: “As mercadorias descritas como “caixa” de som amplificada” foram classificadas incorretamente na Nomenclatura Comum do Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.142 13 Mercosul na posição 8518.50.00. AS corretas classificações fiscais para os produtos são 8518.21.00, se altofalante único montado em seu receptáculo ou 8518.22.00, se altofalantes múltiplos montados em seus receptáculos.” · E, no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, ainda consta: “Em consulta ao Sistema Sinal 06 da Receita Federal do Brasil foram encontrados recolhimentos relativos a multa acima descrita para quinze Declarações de Importação. [...] Porem, não foram recolhidas todas as multas devidas para as Declarações de Importação objeto deste auto de infração, assim cobrarseá a multa referente ao erro de classificação tarifária [...]” · Mas, a incidência da multa não se pode fazer sobre todas as Di´s referenciadas no auto, conforme reza o § 4º do art. 711 do Decreto 6.759/09; · Considerando que o fiscal fez incidir a multa sobre cada uma das mercadorias, e não sobre a adição da respectiva Di´s, houve equívoco da autoridade fazendária; · Ademais, no tocante aos ouros valores devidos em virtude da errônea classificação, a empresa impugnante vem demonstrar a boa fé procedimental que norteia todos seus atos, recolhendo a quantia remanescente, a título de multa regulamentar, abatida a quantia que se exigiu a maior. Cessadas as alegações trazidas pela recorrente e depreendendose da análise do processo, bem como do acórdão proferido pela DRJ, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal do Brasil, com o intuito de se constatar a correta classificação fiscal da mercadoria importada; Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10611.002007/201010 Resolução nº 3202000.270 S3C2T2 Fl. 1.143 14 Dentre os quesitos que deverão ser observados no laudo, devem constar, obrigatoriamente a definição de um aparelho de áudio e vídeo e se, dentre ele, se inclui os aparelhos, inclusive, computador, que o produto importado apresenta destinação; se os produto importado constantes das DI´s são de utilização em veículos automóveis, tratores e outros veículos. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 14120.000455/2008-39
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 04 55 /2 00 8- 39 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 84 2 Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado, em 03/12/2008,Auto de Infração, conforme fl. 03 e seguintes, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2004, ano calendário de 2003, no valor de R$ 1.502,38 com multa proporcional de 75 % e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou a seguinte infração (fl. 5): 1 – Dedução Indevida de Base de Calculo. Redução indevida da Base de Cálculo com deduções não comprovadas pelo contribuinte, em sua declaração de ajuste. O contribuinte foi intimado, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO MALHA IRPF/2004 de 20/10/2008, a apresentar os comprovantes de PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL, além dos comprovantes de dependência dos seis dependentes utilizados como dedução, sem atender, entretanto, à solicitação efetuada. Dessa forma, estamos lavrando o presente auto de infração, desconsiderando os valores de dedução utilizadas, referentes à pensão, no valor de R$ 6.622,68, além da exclusão dos dependentes Madalena Jacinta Rosa e Alexandre Gonçalves de Castro. (destaquei) Fato Gerador 31/12/2003. Portanto, houve glosa da pensão alimentícia e da dedução com dois dependentes, dos seis que o contribuinte havia declarado (fl. 14). O Termo de Intimação Fiscal está na folha 15, com informação do recebimento conforme sítio eletrônico dos Correios, na folha 16. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 22), onde em suma argumenta que: a) o não atendimento ao Termo de Intimação deveuse a mudança de endereço, ficando a residência provisoriamente desocupada para reforma, pelo que não tomou efetiva ciência; b) apresenta documentos que comprovam o pagamento de pensão no valor de R$ 6.622,68 e a dependência dos seis dependentes declarados. Na folha 12 consta cópia da DIRPF/2004 e na folha 24 cópia do Comprovante de Rendimentos emitida pela fonte pagadora (Ministério da DefesaExército), onde consta “pensão alimentícia” pelo valor de R$ 6.622,68 a Alesir Gonçalves de Castro, mãe de seu filho Alexandre, nascido em 03/03/1982. Na folha 27, consta cópia de determinação judicial decorrente de ação de investigação de paternidade, a fim de que seja descontado em folha de pagamento o correspondente a “20% do líquido percebido” pelo contribuinte, a partir de agosto de 1987. A Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 85 3 partir de junho de 2004, esse valor foi reduzido para R$ 230,00 mensais, conforme determinação da 4ª Vara de Família e Sucessões (fl. 28). Conhecida a manifestação pela DRJ/CAMPO GRANDE, foi assim tratada, em resumo: no que diz respeito à ausência de intimação, tal fato não acarreta a nulidade da notificação de lançamento pois a fase litigiosa, se inicia com a impugnação onde o contribuinte tem acesso à ampla defesa e ao contraditório. Tudo conforme artigo 14 do Decreto 70.235 de 6 de março de 1972. Ao ser cientificado do auto de infração, o contribuinte poderá apresentar sua defesa através da impugnação, o que foi aconteceu no presente processo e não houve qualquer prejuízo para o contribuinte. quanto á dedução com dependentes, Em relação a MADALENA JACINTA ROSA, é mãe do interessado conforme comprovado pela certidão de casamento de folha 27. Além disso, não foi localizada DIRF em nome de MADALENA e não consta nos autos nenhum outro indício de que ela tenha tido rendimentos. Assim, MADALENA JACINTA ROSA deve ser aceita como dependente. Em relação a ALEXANDRE GONÇALVES DE CASTRO, embora seja filho do interessado, não pode ser dependente, pois não pode haver concomitantemente a dedução como dependente e com despesas com pensão alimentícia judicial. Além disso, em caso de filhos de pais separados somente podem ser dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Assim, ALEXANDRE GONÇALVES DE CASTRO, não pode ser aceito como dependente. quanto á dedução com pensão alimentícia judicial, entendeu que resta comprovado que existe sentença judicial. Quanto aos pagamentos, o interessado não trouxe aos autos os comprovantes de rendimentos mensais para se comprovar o valor descontado referente à pensão alimentícia judicial e que os descontos estão dentro do limite de 20% dos rendimentos líquidos até o mês de maio de 2004 previsto na sentença. A partir do mês de junho é sabido que o valor passou a ser de R$ 230,00 e consta no comprovante de rendimentos e de retenção de imposto de renda retido na fonte (folha 16) um desconto suficiente para arcar com este valor. Não podendo precisar qual o valor correspondente a 20% e sabendose que é, no mínimo, R$ 230,00, este será o valor aceito. Assim, será aceito o valor de R$ 2.760,00 equivalente a 12 vezes de R$ 230,00. verificando ainda que no cálculo do imposto houvera glosa de despesas médicas e com instrução, não descritas no Auto de Infração, tratou de cancelálas. Dessa forma, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente em parte a impugnação e manter o crédito tributário exigido apenas de R$ 195,64, com multa de 75%. (fl. 60). Cientificado dessa decisão em 26 de junho de 2010, conforme AR na folha 66, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/07/2010, folha 67. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: 1 – entende que está comprovado nos autos que existe sentença judicial determinando o pagamento da pensão. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 86 4 2 – contesta que o valor considerado como dedutível a título de pensão alimentícia e as alegações e fundamentações efetuadas pelo Julgador de 1ª instância nesse sentido. 3 – manifestase também quanto à glosa de despesas médicas e com instrução. Não se manifesta quanto à manutenção da glosa da dedução com o dependente ALEXANDRE, conformandose com o decidido em 1ª instância. Pede que seja acolhido seu recurso para “retificar os cálculos efetuados” e que lhe seja pago o valor de restituição pleiteado na DIRPF, “com juros e correção”. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). A controvérsia restringese à possibilidade de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68, glosada da DIRPF/2004 do contribuinte recorrente. Isso porque o contribuinte, como relatado, não se manifestou quanto á glosa do dependente ALEXANDRE, uma vez que, como explicado pela decisão recorrida, sendo o mesmo beneficiário de pensão alimentícia paga pelo Recorrente, não poderia deduzilo como dependente. Também assento que em relação a glosas efetuadas relativas a despesas médicas e com instrução (v. fl 38), o Julgador de piso já as reputou indevidas, uma vez que não foram descritas no Auto de Infração e verificouse um vício, portanto, no lançamento. Então, quanto a isso, não subsiste controvérsia, a autoridade recorrida já determinou seu cancelamento. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, em seu artigo 78, traz que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, reproduzindo a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II. Considerando que o artigo 73 do RIR/1999 comanda que todas as deduções pleiteadas na DIRPF estão sujeitas à comprovação e justificação, a juízo da autoridade lançadora, é possível identificar que sejam necessários documentos a comprovar o efetivo Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 87 5 pagamento da pensão e que este se deu em virtude de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente, e não por mera liberalidade do alimentante. Nesse sentido, tem se posicionado esta Turma Especial. Vejamos nos vários Acórdãos, à guisa de exemplo: 2801003.350 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Recurso Voluntário Negado 2801003.082 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de junho de 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Voto (...) Por ocasião da impugnação o Interessado já havia juntado aos autos os recibos de fls. 28/39, supostamente assinados por sua ex cônjuge, totalizando o montante de R$ 3.600,00 pagos a título de pensão alimentícia no decorrer do ano calendário de 2005 (12 recibos de R$ 300,00). Embora entendendo que os recibos apresentados não fazem prova inequívoca do efetivo pagamento da pensão alimentícia, penso que a glosa relativa à pensão da ex cônjuge Etelvina deve ser restabelecida, uma vez que, em relação a ela, a decisão de piso julgou improcedente a impugnação exclusivamente pelo fato de que não foi apresentada a cópia da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente,... 2801002.836 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 88 6 2801002.925 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito à dedução de pensão alimentícia na Declaração Anual de Ajuste do alimentante é condicionado à prova inequívoca do cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente. 2801002.727 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2012 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Voto (...) Apesar de o acordo homologado judicialmente ter determinado que os valores pagos ao cônjuge virago, a título de pensão alimentícia, também fossem depositados em conta corrente (fl. 14), o acórdão recorrido restabeleceu a glosa relativa a tais valores, que foram comprovados mediante a apresentação dos recibos de fls. 32/43. De fato, como diz o recurso, não se discute que o pagamento tenhase dado em decorrência de determinação judicial, o que se observa na folha 27. O que persiste é a discussão em relação ao valor. Quanto importaria “20% do líquido” percebido pelo contribuinte no ano de 2003? Também assiste razão ao Recorrente quanto aponta o equívoco da Autoridade recorrida ao estabelecer como limite dedutível 12 vezes R$ 230,00, pois a redução a esse valor mensal só se deu em meados de 2004, e aqui tratase do ano calendário de 2003. Verifico que conforme o comprovante de rendimentos emitido pelo Comando do Exército, cuja cópia consta da folha 24, no ano de 2003 o contribuinte percebeu R$ 36.968,40, com dedução de previdência oficial de 3.955,44, restandolhe, “líquidos”, R$ 33.012,96. Vinte por cento disso importa em R$ 6.602,59. Destaco uma diferença ínfima ao que foi declarado, R$ 6.622,68 que, no entanto, corresponde exatamente ao descontado pela fonte pagadora, como consta do comprovante emitido, o que o eximiria de qualquer penalidade sobre essa diferença. Considero que a indicação da dedução na fonte do valor da pensão serve como prova do efetivo pagamento. Assim, pelo exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ 6.622,68. Assinado digitalmente Fl. 88DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 14120.000455/200839 Acórdão n.º 2801003.545 S2TE01 Fl. 89 7 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 89DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13588.000203/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002
NA OCORRÊNCIA DE LAPSO MANIFESTO ESTE DEVE SER CORRIGIDO COM A EMISSÃO DE NOVO ACÓRDÃO.
As inexatidões devidas a lapso manifesto existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar clara a obrigatoriedade de elaboração de nova decisão de primeira instância, com a ciência do sujeito passivo da decisão e reabertura de seu prazo de defesa, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002 NA OCORRÊNCIA DE LAPSO MANIFESTO ESTE DEVE SER CORRIGIDO COM A EMISSÃO DE NOVO ACÓRDÃO. As inexatidões devidas a lapso manifesto existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar clara a obrigatoriedade de elaboração de nova decisão de primeira instância, com a ciência do sujeito passivo da decisão e reabertura de seu prazo de defesa, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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score : 1.0
Numero do processo: 10768.008739/99-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE VÍNCULO JUDICIAL.
Não sendo o contribuinte parte de ação judicial em que se discute o direito de isenção de imposto de renda sobre rendimentos de aplicação financeira procede o reconhecimento do direito de repetir ou compensar imposto retido de beneficiário protegido por ação judicial.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 25.699,05.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 25.699,05. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 25/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE VÍNCULO JUDICIAL. Não sendo o contribuinte parte de ação judicial em que se discute o direito de isenção de imposto de renda sobre rendimentos de aplicação financeira procede o reconhecimento do direito de repetir ou compensar imposto retido de beneficiário protegido por ação judicial. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 25.699,05. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 87 39 /9 9- 28 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 414 2 Relatório BBM FUNDO DE INVESTIMENTO FINANCEIRO 60 DIAS YIELD apresentou Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, fls. 01, vinculado a Pedido de Restituição, fls. 02, de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 25.699,05, recolhido em 02/12/1998, conforme Darf, fls. 03. Tal recolhimento se deu em razão da retenção do IRRF sobre rendimentos auferidos pela Fundação CESP, em decorrência de aplicações financeiras. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro indeferiu o pleito da contribuinte, conforme Despacho, fls. 39/40, sob a alegação de que o Pedido de Restituição teria sido baseado em decisão proferida no curso de processo judicial, para o qual ainda não teria ocorrido o trânsito em julgado e também porque o requerente não seria o contribuinte de fato do tributo. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 43/47, que está assim resumida no Acórdão DRJ/RJOI nº 5.227, de 17/06/2004, fls. 80/85. que a Fundação CESP é associada da ABRAPP, a qual obteve da Justiça decisão determinando que as associadas estavam eximidas, desde 10/03/1998, do recolhimento do IRRF de suas aplicações financeiras; que, em novembro e dezembro de 1998, desconhecendo a decisão, reteve e recolheu o IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos pela Fundação CESP nas aplicações realizadas em seu Fundo; que, em razão dessa retenção, a Fundação CESP requereu a devolução do valor retido e recolhido, considerando que o mesmo foi recolhido indevidamente (carta de fls. 50/51) que, em face do exposto, e com base na carta já referida, foi feito o pleito do reconhecimento do direito creditório; que tem legitimidade para requerer a compensação em questão, já que no momento em que devolveu à Fundação o valor recolhido assumiu o referido encargo financeiro, conforme comprovado pela carta da Fundação e que todas as atitudes que tomou foram realizadas com base na lei e em decisões judiciais, não podendo o mesmo ser penalizado pela impossibilidade de realizar a compensação em questão, ficando com o ônus do imposto. A autoridade julgadora de primeira instância, por unanimidade de votos, indeferiu o Pedido de Restituição, em suma, por entender que é vedado o reconhecimento de Fl. 414DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 415 3 direito creditório relativo a tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/09/2004, fls. 111, a contribuinte apresentou, em 14/10/2004, recurso voluntário, fls. 114/129, cujas conclusões estão a seguir reproduzidas: VI – CONCLUSÕES E O PEDIDO 55 – Diante do acima exposto, restou demonstrado que: (i) o BBM FUNDO administra fundos de investimento, por meio do qual efetua aplicações financeiras de renda fixa e variável com valores de seus clientes. Dentre os clientes do BBM FUNDO, encontrase a Fundação CESP; (ii) a ABRAPP, associação da qual a Fundação CESP faz parte, impetrou Mandado de Segurança coletivo buscando o reconhecimento da não incidência do IRRF decorrente de aplicações financeiras em renda fixa e variável de seus associados. A liminar foi obtida; (iii) inobstante a vigência da liminar concedida, determinando a não retenção do IRRF, o BBM FUNDO efetuou retenção e recolhimento do tributo quando do pagamento, para a Fundação CESP, de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras em renda fixa e variável; (iv) os Recorrentes arcaram com o encargo econômico desse tributo, conforme inclusive foi reconhecido pelo V. Acórdão recorrido. Tais recolhimentos de IRRF foram indevidos, pois existe provimento jurisdicional vigente dando de que o tributo não deve ser pago; (v) o BBM FUNDO apresentou pedido de restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos com débitos de terceiro, no caso, do recorrente BANCO BBM S.A.; (vi) as DD. Autoridades Julgadoras indeferiram o pedido de compensação pautandose na (a) insubsistência do crédito reclamado, ao argumento de que o IRRF seria devido, independente da existência de decisão judicial em sentido contrário e (b) inexistência de decisão transitada em julgado, supostamente necessária para dar liquidez e certeza ao crédito a ser compensado nos presentes autos; (vii) contra essa decisão os Recorrentes interpõem o presente Recurso Voluntário, demonstrando que viola diversos dispositivos legais e constitucionais; (viii) encontrase vigente a liminar que reconheceu a inexistência de relação jurídica que obrigue o BBM FUNDO a recolher o IRRF sobre os pagamentos que efetua à Fundação CESP, relativos a rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e variável que administra. Todos os recolhimentos efetuados Fl. 415DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 416 4 a esse título são indevidos e, portanto, passíveis de compensação. (ix) o artigo 170 do CTN (vigente à época da apresentação do pedido de compensação) em momento algum aponta a necessidade de trânsito em julgado de decisão que reconheça o crédito para que se possa proceder à compensação. (x) tanto é assim, que foi editada a Lei Complementar 104/2001, para acrescentar o artigo 170A ao Código Tributário Nacional. Esse dispositivo sim aponta como requisito necessário à compensação o trânsito em julgado de decisão favorável em eventual discussão judicial que discuta o crédito. (xi) contudo, o artigo 170A do CTN não se aplica ao caso dos autos. Isso porque, a discussão judicial cm torno da imunidade dos rendimentos auferidos cm aplicações de renda fixa e variável não é travada pelos Recorrentes, mas sim pela Fundação CESP. Os Recorrentes não mantém qualquer discussão judicial sobre o tema. (xii) além disso, a Lei Complementar n° 104/2001 e, portanto, o artigo 170A no CTN, passaram a viger em 11.1.2001. O pedido de compensação em comento foi apresentado anteriormente, em 11.5.1999. Portanto, a vedação do artigo 170A do CTN não se aplica ao presente caso. (xiii) o E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA firmou o entendimento de que os valores indevidamente recolhidos antes da publicação de lei que modifique a forma de compensação deverão ser compensados com base nas regras em vigor época do recolhimento indevidamente efetuado. Em 20/09/2010, a contribuinte apresentou petição, fls. 405, onde requer a juntada aos autos de cópia do Acórdão nº 930400.143, de 05/05/2009, esclarecendo tratarse de caso análogo, relativo a outro fundo de investimento administrado pelo Banco BBM, onde reconheceuse expressamente o direito de repetição/compensação quanto ao IRRF, nos casos em que o responsável tributário não é parte na ação. É o Relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 417 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que a contribuinte possui quatro processos, que tramitam neste CARF, cuja matéria de fundo é a mesma: 10768.008739/9928, 10768.008740/9915, 10768.008741/70 e 10768.008742/9932. O primeiro deles é o processo de que ora se cuida, os três seguintes foram julgados pela Sexta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, sendo que o segundo e o terceiro tiveram seu julgamento realizado em 11/08/2005, sob a relatoria da Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, ocasião em que negouse provimento ao recurso. Já o quarto processo foi julgado em 22/02/2006 e deuse provimento ao recurso, funcionando como relator o Conselheiro José Ribamar Barros Penha. Digase, ainda, que no último julgado, ocorrido em 22/02/2006, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti acompanhou o relator e inclusive fez Declaração de Voto, onde esclarece as razões que a fizeram mudar de posicionamento. Acrescentese que houve recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, contudo, confirmouse a decisão assentada no Acórdão nº 10615.342, de 22/02/2006, conforme Acórdão nº 930400.143, de 05/05/2009. Da análise da matéria de que cuida estes autos, resta cristalino tratarse do mesmo caso enfrentado no Acórdão nº 10615.342, de 22/02/2006, e por concordar inteiramente com os fundamentos exarados pelo relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, peço vênia para aqui transcrevêlo, adotando suas razões de decidir para o presente caso: A empresa BBM Brady Fundos de Investimento Financeiro requereu a restituição/compensação de Imposto de Renda retido na fonte sobre aplicações financeiras realizadas pela Fundação Enersul beneficiária de proteção judicial para que dita retenção não fosse efetivada. Diante de comunicação, a respeito de tal proteção, restituiu o valor retido à beneficiária conforme atestado pelo Acórdão recorrido, recaindo contra a recorrente o ônus do valor arrecadado, assim atendido aos requisitos do art. 166 do Código Tributário Nacional, como atesta o julgamento recorrido. Ou seja, o julgamento recorrido atesta que o valor retido indevidamente tornouse ônus da BBM uma vez que reconhecido o impedimento judicial para que a retenção fosse realizada promoveu a entrega do valor retido. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 418 6 Sabidamente, a Secretaria da Receita Federal editou o Parecer Normativo n° 1, de 24.09.2002, mencionado à fl. 54, que estabelece, verbis: DECISÃO JUDICIAL. NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO. RESPONSABILIDADE. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na por antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, caso o procedimento de oficio, em nome deste. O julgamento recorrido, embora reconheça que o encargo tributário pesa contra a ora recorrente, diante da pendência judicial, da qual não é parte a fonte pagadora, entendeu que deve ser dado este tratamento. Isto é, somente transitado em julgado a ação em favor das afiliadas da ABRAPP pode haver a restituição do valor ao banco. Sendo favorável à Fazenda Nacional, o BBM terá que obter junto à ENERSUL a devolução do valor. Merece destacar, que a fonte pagadora, em princípio, não poderia promover a restituição de valor já em poder dos cofres do Fisco. Vista a falha perpetrada pelo desconto indevido caberia à contribuinte ENERSUL requerer, diretamente, à Receita Federal a repetição do indébito, que poderia indeferir o pedido uma vez que a proteção judicial é para não haver retenção do imposto e não para a restituição, uma vez retido e recolhido. O Banco BBM, contudo, não sendo parte na ação judicial que discute a incidência tributária sobre as aplicações financeiras das entidades ABRAPP, tampouco em litisconsorte, encontrase em situação ímpar. Cabe, destacar acerca da não homologação de compensação realizada pelo contribuinte a edição da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, estabelece: Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Em face da orientação normativa, é do conhecimento deste Conselheiro, por julgamento de processo nesta Sexta Câmara, que a Fazenda Nacional vem realizando o lançamento do valor compensado, em processo autônomo, com vistas a prevenir a Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 419 7 decadência do direito de constituir o crédito tributário inclusive com os encargos moratórios. Com o mesmo objetivo, prevenir a decadência, encontramse sob julgamento processos relativos a Imposto de Renda na Fonte que deixou de ser retido por força da liminar à ABRAPP, lançado contra entidades beneficiadas por dita medida judicial. Na situação presente, diante da orientação normativa e legal, art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, e mesmo do Parecer Normativo n° 1, sobre o valor questionado seria possível lançar sobre o mesmo fato tanto à contribuinte, com relação aos valores não retidos por força de medida judicial liminar, quanto ao responsável pelo valor compensado. Esta situação, poderia ensejar a conversão do julgamento em diligência para que fosse informada sobre a existência de lançamento de IRRF contra a ENERSUL com vistas à prevenção da decadência e, ainda, contra à recorrente a respeito da homologação indeferida. Contudo, não se enfrentaria, a meu ver, a questão principal posta no julgamento de primeira instância, qual seja, estar ou não a ora recorrente subordinada à ação judicial da ABRAPP. Nesta Câmara, em matéria idêntica, foi proferido o Acórdão n° 106 14.849, de 11 de agosto de 2005, da relatoria da Eminente Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que se decidiu por unanimidade negar provimento ao recurso tendo por razão os seguintes pontos: (...) Do exposto, observase, que no julgamento também não se deixou com toda clareza a posição da recorrente diante da ação judicial. O meu entendimento é que o BBM não sendo parte na Ação judicial não pode ser submetida ao seu resultado, para só então saber de quem deve obter de volta o valor já entregue tanto à ENERSUL posto que a Justiça definiu não caber a retenção, quanto ao Fisco, recolhido por desconhecer a situação jurídica da beneficiária da aplicação. Considero, pois, aplicável as disposições do Parecer Normativo n° 01/2002, no sentido de reconhecer que a recorrente não estava obrigada a promover a retenção do IRRF, posto amparada em decisão judicial, com base na mesma normativa, à Receita Federal cabia a constituição do crédito preventivo à decadência. Conferindose o recolhimento indevido, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, há que ser promovida a restituição a quem de direito. VOTO, no sentido de DAR provimento ao recurso. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10768.008739/9928 Acórdão n.º 2102003.066 S2C1T2 Fl. 420 8 Ressaltese que no presente caso, também não há que se falar em legitimidade da recorrente para pleitear a restituição, conforme já assentado na decisão recorrida, fundamentada no documento, fls. 50/51, e que, conforme explicitado no relatório, aqui cuidase de IRRF sobre rendimentos auferidos pela Fundação CESP, em decorrência de aplicações financeiras. Ouso, ainda, acrescentar, que ao caso aplicase o disposto no art. 165, inciso I, do Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162 nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Explicase: a recorrente incorreu em recolhimento de tributo indevido, posto que à época em que reteve e recolheu o IRRF sobre os rendimentos de aplicações financeiras da Fundação CESP, havia determinação expressa da Justiça Federal para não fazêlo. Logo, a retenção e o recolhimento foi indevido e caso a recorrente não houvesse devolvido os valores retidos e recolhidos à Fundação CESP estaria incorrendo em desobediência de decisão judicial. Logo, em razão das circunstâncias materiais do fato gerador houve recolhimento indevido passível de restituição, conforme disposto na legislação acima transcrita. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 25.699,05. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10840.910146/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL
Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento
Numero da decisão: 3801-003.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 01 46 /2 00 9- 73 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.910146/200973 Acórdão n.º 3801003.785 S3TE01 Fl. 161 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.910146/200973 Acórdão n.º 3801003.785 S3TE01 Fl. 162 3 Relatório Tratase de pedido de compensação por intermédio do qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/COFINS. Preliminarmente a Recorrente foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anos calendário de 2001 e 2002. A interessada, em cumprimento ao despacho apresentou demonstrativo de fls. informando que a alteração se deu em decorrência da existência de valores excluídos da base referentes a comissões, descontos obtidos, juros recebidos, receitas financeiras e variação monetária ativa, apresentando na manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário cópia parcial do livro razão e do Registro de Apuração do ICMS. Por despacho decisório, foi reconhecido em parte direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que seu crédito decorre do pagamento a maior de receitas financeiras que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições e da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das mesmas. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2002 CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL. A instancia administrativa não possui competência regimental para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.910146/200973 Acórdão n.º 3801003.785 S3TE01 Fl. 163 4 A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para reexame de decisões sobre pedidos de restituição e compensação, em sede recursal administrativa, limitase à matéria objeto do pedido, que tenha sido apreciada pela autoridade a quo competente, e sobre a qual se estabeleça litígio. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário no qual alega em síntese que: a) é INADMISSÍVEL a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS/PIS, haja vista que, por força da interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça à Lei Federal n° 9.718, de 1998, APENAS o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação, EXCLUÍDAS, assim, as receitas financeiras e outras receitas, que não se encaixam nesse conceito; b) é correta a exclusão de valores de ICMS da base de cálculo da COFINS, eis que não se trata de faturamento ou sequer receita da pessoa jurídica, mas simples ingresso pertencente a terceiros (no caso, o Estado de São Paulo) que circula no caixa da empresa, mas para ela representa ônus. É o que importa relatar. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.910146/200973 Acórdão n.º 3801003.785 S3TE01 Fl. 164 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme apontado são dois os pontos em exame no presente processo, o um a inclusão na base de cálculo das contribuições cumulativas para o PIS e para a COFINS das receitas financeiras da pessoa jurídica; e, o dois a possibilidade de se excluir da respectiva base de cálculo o ICMS. Em prelação ao primeiro ponto, como se sabe, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) julgou indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.910146/200973 Acórdão n.º 3801003.785 S3TE01 Fl. 165 6 constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), os Conselheiros do CARF são obrigados a aplicar as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, e assim, devemos afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.910146/200973 Acórdão n.º 3801003.785 S3TE01 Fl. 166 7 Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López4: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Quanto à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS tenho que não é possível aos membros desse conselho examinar a matéria, pois se trata de matéria constitucional e o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) (...) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.910146/200973 Acórdão n.º 3801003.785 S3TE01 Fl. 167 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por julgar parcialmente procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13888.000701/00-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1990, 31/01/1991, 28/02/1991, 31/03/1991, 31/01/1992, 28/02/1992, 31/03/1992
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1990, 31/01/1991, 28/02/1991, 31/03/1991, 31/01/1992, 28/02/1992, 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 07 01 /0 0- 16 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13888.000701/0016 Acórdão n.º 9303003.034 CSRFT3 Fl. 170 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial fundado no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, interposto em face do Acórdão nº 310200.124, proferido em 10/10/2009. Eis a ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 31/12/1990, 31/01/1991, 28/02/1991, 31/03/1991, 31/01/1992, 28/02/1992, 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. Segundo entendimento consolidado pelo STJ, está fluido o prazo para repetição de indébito após esgotado o prazo de 10 (dez) anos, contados do fato gerador, condizente A. soma do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no § 40 do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no artigo 168, I, do referido diploma. Recurso Voluntário Provido em Parte. A PGFN apresentou Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Pede a reforma do julgado. O sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pleiteia a manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13888.000701/0016 Acórdão n.º 9303003.034 CSRFT3 Fl. 171 3 Cuidase de pedido de reconhecimento de direito creditório decorrente de recolhimentos indevidos mediante a aplicação de alíquotas superiores a 0,5% vinculados aos fatos geradores do período de 31/12/1990 e 31/03/1992. Foi protocolizado o pedido de compensação em 31/07/2000. Assim, não assiste razão à PGFN, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de compensação em 31/07/2000, os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição,o que não ocorreu in casu, pois o fato gerador mais remoto foi em dezembro de 1990. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, não existe nenhum período cujo direito a se pleitear a repetição esteja prescrito. Ante o exposto voto por negar provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 171DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13888.000701/0016 Acórdão n.º 9303003.034 CSRFT3 Fl. 172 4 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10935.906299/2012-62
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/07/2011
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 99 /2 01 2- 62 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/07/2011 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906299/201262 Acórdão n.º 1802003.266 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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