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Numero do processo: 10920.911174/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 74 /2 01 2- 13 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911174/201213 Acórdão n.º 3801003.371 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904393/2012-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 93 /2 01 2- 33 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 88 2 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 89 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/05/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 90 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 92 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904393/201233 Acórdão n.º 3801003.207 S3TE01 Fl. 93 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000416/2004-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999, 2000
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
CONTA-CONJUNTA - FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Sumula CARF 29)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2202-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator) e Rafael Pandolfo que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 51.333,33 e R$ 282.868,33, relativos aos anos calendários 1998 e 1999, respectivamente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1999, 2000 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONTA-CONJUNTA - FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Sumula CARF 29) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 16 /2 00 4- 98 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 CONTACONJUNTA FALTA DE INTIMAÇÃO NULIDADE Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (Sumula CARF 29) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator) e Rafael Pandolfo que acolhiam a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, rejeitar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 51.333,33 e R$ 282.868,33, relativos aos anos calendários 1998 e 1999, respectivamente. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente Substituto ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco De Souza, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite. Ausente justificadamente o conselheiro Fabio Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 841 3 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls.659/666), exercícios 1999 e 2000, anoscalendário 1998 e 1999, por AFRF da DRF/Brasília/DF. O autuado teve ciência do lançamento em 22/12/2004, conforme Aviso de Recebimento de fl. 667. O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários não Comprovados omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas junto ao Unibanco — União Brasileira de Bancos S/A, nos valores totais de R$ 242.455,03 (AC 1998) e R$ 848.605,00 (AC 1999), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O autuado apresentou impugnação ao lançamento em 21/01/2005 (fls. 669/703), acompanhada dos documentos de fls. 704/750. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Brasilia, DRJ/BSA ao analisar a impugnação, decidiu por unanimidade de votos e manter parcialmente o lançamento através do acórdão DRJ/BSA 0318.646 de 25 de setembro de 2006, consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR — No caso do imposto de renda, quando não houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO — Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresente tempestivamente recurso voluntário onde alega sem síntese: Nulidade do lançamento tendo em vista que as informações e dados bancários foram obtidas sem a devida autorização judicial, portanto violando sigilo bancário do Recorrente; Decadência do lançamento do anocalendário de 2002, e parcial do ano calendário de 1999 tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu em 20 de dezembro de 2004; Que depósitos bancários não podem ensejar a presunção de auferimento de renda; Nulidade parcial do lançamento por se tratar de contaconjunta a conta 195.1501 e os cotitulares não foram devidamente intimado; e, Que é indevida a aplicação da taxa selic no presente lançamento. É o relatório. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 842 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 843 7 os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 844 9 Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. Decadência Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: Fl. 848DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não Fl. 849DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 845 11 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente aos anos calendários de 1998 e 1999, em que foi apurada omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, infrações sujeitas ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Para o anocalendário 1998, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.1998, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2003 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 20/12/2004, poderia ter ocorrido a decadência, ocorre todavia que não houve pagamento algum no presente caso, desta forma não havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Para o anocalendário 19998, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.1999, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2004 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 20/12/2004, desta forma não havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. Nulidade Falta de Intimação Contaconjunta – 195.1501 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 846 13 A autoridade lançadora reconheceu que as contas correntes do Banco Unibanco, 195.1501, tinha três titulares, e dois deles não foram devidamente intimados para comprovar a origem dos depósitos nelas referidos. O fato é que, em momento algum, os cotitulares foram chamado aos autos para justificar ou informar a respeito da movimentação que lhes cabia em cada uma das contas bancárias, o que macula o procedimento fiscal como um todo. Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado o comentado do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. .... “§ 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” (grifouse) Tratase, pois, de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Constatese que há dois requisitos exigidos pelo dispositivo retrotranscrito: 1º. que os titulares da conta conjunta tenham apresentado declaração de rendimentos em separado, o que efetivamente aconteceu, conforme se extrai da declaração de ajuste anual do Contribuinte, 2º. que todos os titulares da conta corrente sejam intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários. É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro titular da referida conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independentemente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto, não foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias. Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se vê das seguintes ementas: “DEPÓSITO BANCÁRIO CONTA CONJUNTA Tratandose de conta conjunta, é imprescindível que todos os titulares Fl. 852DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 estejam sob o procedimento de ofício. Ademais, o lançamento com base em depósitos bancários deve ter a base tributável dividida pelo número de titulares da conta conjunta, nos casos em que estes tenham rendimentos próprios e declarem em separado.” (Acórdão nº 10421006, de 13.09.2005, Relatora Cons. Meigan Sack Rodrigues) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatório intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de ofício, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6º do artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Exigência cancelada.” (Acórdão nº 10247838, de 16.08.2006, Relator Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva) “... OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários. ...” (Acórdão nº 10421419, de 23.02.2006, Relator Cons. Pedro Paulo Barbosa) Tal posicionamento foi ratificado através da Súmula nº 29 do CARF, que foi publicada através da Portaria de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na faze que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Fl. 853DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 847 15 Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento no que tange a conta bancária 195.1501, por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, supratranscrita, eis que ambas as contas correntes cujos depósitos não tidos como não comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável pelo número dos titulares, na esteira da jurisprudência desse Conselho de Contribuintes. Diante, disso entendo que deve ser excluído da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 51.333,33 relativo ao anocalendário de 1998 e R$ 282.868,33 relativo ao anocalendário de 1999. Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida parte da presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Fl. 855DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 848 17 Além do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do CARF, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que diz respeito a essa matéria. Assim, por tudo o que dos autos consta, conheço do recurso, rejeito a preliminar de decadência, acolho a preliminar de nulidade no que diz respeito a falta de intimação dos cotitulares, excluindo da base de cálculo do valor de R$ 51.333,33 relativo ao anocalendário de 1998 e R$ 282.868,33 relativo ao anocalendário de 1999, e no mérito nego provimento ao recurso. . (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 856DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 857DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000416/200498 Acórdão n.º 2202002.634 S2C2T2 Fl. 849 19 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 858DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 859DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 35301.000793/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 9202-000.005
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em devolver os autos à Câmara de origem para que seja feita nova análise quanto à admissibilidade do recurso especial.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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(Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Especial (fls. 199/236), interposto pela CIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, em face do Acórdão nº 20600.084 (fls. 185/ss) da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, proferido em 10/10/2007, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de violação do art. 146 do CTN, de decadência e de exclusão dos coresponsáveis; e no mérito negou provimento ao recurso voluntário. Tratase de crédito tributário suplementar lançado pela fiscalização, pertinente às contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos administradores da empresa, na condição de segurados empregados, em relação a serviços prestados no período epigrafado. O valor do presente lançamento foi de R$ 92.026,30 (oitocentos e noventa e dois mil, vinte e seis reais e trinta centavos), consolidado em 06 de novembro de 2006. A Administração Tributária, em relatório de fls. 19/24, que as bases de cálculo das contribuições lançadas correspondem aos valores contabilizados pela empresa na rubrica Participação Estatutária Administradores, e que haviam sido excluídas da NFLD 37.017.3350, por ter sido comprovado vinculo empregatício dos beneficiários até 02/2004. Cientificada do lançamento, em sede de impugnação administrativa, a contribuinte apresentou as seguintes alegações: A exação tem por objeto a remuneração paga a três administradores empregados da impugnante, relativa ao mesmo período objeto de NFLD anterior, o que caracteriza duplicidade de lançamentos O lançamento anterior é definitivo e só pode ser alterado nas hipóteses do art. 145 do CTN. O direito do INSS de constituir o crédito em comento foi alcançado pela decadência, face ao disposto no art. 150 § 40 do Código Tributário Nacional. O pagamento das participações nos lucros efetuadas aos administradores da impugnante foram realizadas com fundamento no art. 7° da CF/88, nos arts. 190 e 152 da Lei 6.404176, bem como no art. 33 do seu Estatuto Social, sendo absolutamente dissociado dos ditames da lei 10.101/2000. Enfatiza que os referidos valores foram declarados para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda. Mesmo que fosse possível criar um vinculo entre a remuneração creditada aos administradores empregados da impugnante e o pagamento em questão, os valores relativos a tal pagamento jamais poderiam receber status de verba salarial, pois não gozam de habitualidade Não existem razões legais para que a NFLD indique diretores da impugnante como coresponsáveis, por não se enquadrarem nas hipóteses do art. 135 do CTN. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao analisar a impugnação da contribuinte, a Delegacia da Receita Previdenciária de Rio de Janeiro/RJ considerou o lançamento procedente, conforme a Decisão Notificação nº 17.401.4/0977/2006: PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. NATUREZA JURÍDICA. A teor do § 90 inciso X do art. 28 da Lei 8.212/91, não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, exclusivamente quando paga ou creditada de acordo com lei especifica. LANÇAMENTO PROCEDENTE Em sede de Recurso Voluntário (fls. 148/ss), o contribuinte reiterou as alegações apresentadas na primeira instância, argumentando que, como os trabalhadores contemplados com o pagamento da verba em discussão são administradores da recorrente, o pagamento de suas respectivas Participações nos Lucros deve, sob pena de ilegalidade, se submeter aos ditames contidos nos arts 152 e 190 da Lei n° 6.404/76, bem como aos ditames relativos à remuneração dos Administradores contidos nos Estatutos da recorrente. Alegou que a verba em questão, paga pela recorrente aos administradores empregados, jamais poderia integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois seu pagamento não é habitual, haja vista depender da ocorrência de evento futuro e incerto, qual seja, a obtenção de lucro pela recorrente. Em outubro de 2010, ao analisar o recurso interposto pelo contribuinte da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de violação do art. 146 do CTN, de decadência e de exclusão dos coresponsáveis; e no mérito negou provimento ao recurso voluntário, conforme o teor do Acórdão 20600.084: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2004 Ementa: PREVIDENCIARIO — SALÁRIO INDIRETO — PAGAMENTO DE PRÊMIO — PRODUTIVIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. 0 valor referente A participação nos resultados, pago em desacordo com a legislação, integra o salário de contribuição por força do disposto no art. 28 da Lei n° 8.212/91. Recurso negado. O que se observa do acórdão combatido é que, segundo o voto condutor, a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito pela Lei n° 10.101/00. E, segundo o acórdão, como a alínea "j", do § 9°, do art. 28 da Lei n° 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei especifica, no caso a Lei n° 10.101/99, a referida verba, paga pela contribuinte a favor de seus administradores empregados, em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 4 4 Ademais, entendeu a decisão recorrida que a verba paga pela empresa aos empregados administradores representa uma vantagem econômica para o trabalhador e integra o saláriodecontribuição. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Especial com o fundamento com fundamento nos art 7º, inciso II do Regimento Interno do CSRF. Alega a recorrente que a decisão recorrida entendeu que o prazo de decadência a ser aplicado ao caso das contribuições previdenciárias é o disposto no art. 45, da Lei n.° 8.212/91, qual seja, 10 (dez) anos, e que, por isso, não há nenhum período alcançado por indigitado instituto. Argumenta que com a edição Súmula Vinculante n.° 8 do E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, afastando definitivamente a possibilidade de se considerar que o prazo de decadência para as contribuições seria de 10 anos e não de cinco como determina o Código Tributário Nacional. No sentido de fundamentar a controvérsia, a contribuinte traz à balia jurisprudência da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes como paradigma: Acórdão 10709349 CSLL. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 45 DA LEI 8212/91. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 40 DO CTN. Tendo a Suprema Corte, de forma reiterada, proclamado a natureza tributária das contribuições de seguridade social, determinando, pois, em matéria de decadência, a lei e o direito aplicável, por força do que dispõe o art. 146, III, b da Constituição Federal, aplicase as regras do CTN em detrimento das dispostas na Lei Ordinária 8212/91. Interpretação mitigada do disposto na Portaria MF 103/02, isto em face do disposto na Lei 9.784/99 que manda o julgador, na solução da lide, atuar conforme a lei e o Direito. Portanto, devese reconhecer, a favor da recorrente, a decadência do direito da Fazenda Pública. Recurso voluntário provido Sustenta a recorrente que se tratando de tributo, as contribuições previdenciárias em comento submetemse aos prazos de prescrição e decadência fixados na Lei n.° 5.172/66 — Código Tributário Nacional , lei materialmente complementar competente para tanto, nos termos previstos no artigo 146 da Constituição Federal, não podendo prevalecer nenhum outro prazo decadencial ou prescricional fixado em Leis especificas, como, no caso, os prazos previstos na Lei 8.212/91, cujos artigos 45 e 46 foram declarados inconstitucionais. Desse modo, continua a contribuinte, o prazo decadencial para a constituição de eventual crédito tributário, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Em sua peça recursal, a contribuinte argumenta, ainda, que não houve alteração, mas sim a confecção de um novo lançamento, suficiente para violar a norma contida no artigo citado, e que o acórdão recorrido, ao determinar que normas infraconstitucionais — Leis nº 10.101/00 e 8.212/91 — se sobrepõem ao dispositivo constitucional — artigo 7°, XI da CF — posicionase de forma contrária ao decidido no acórdão paradigma, o acórdão n.° 301121616. Em Despacho à fls. 247/ss, o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial unicamente à alegação de decadência, tendo vislumbrado a Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 5 5 similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendeu que está configurada divergência jurisprudencial apontada. Em sede Contrarrazões (fls. 273/ss), a PGFN afirma que a jurisprudência desta corte administrativa, por diversas vezes, já entendeu que para o reconhecimento da decadência dos créditos tributários deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4º do CTN ou no artigo 173, inciso I, dependo da existência ou não de pagamento parcial nos termos da jurisprudência firmada pelo STJ. Em 20 de setembro do corrente foi protocolizada petição da Recorrente – tendo sido encaminhada cópia digitalizada a este Conselheiro no dia seguinte [21/09/2012] –que alega e, ao final, requer: [...]Após o exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Recorrente, o ilustre Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por inadmitílo em parte, pautado na premissa de que a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente não restou configurada uma vez que esta não teria cumprido os requisitos previstos nos §§7º e 9º do artigo 67 do RI/CARF. [...] Assim, fundamentado na premissa de que a Recorrente não teria cumprido os requisitos previstos nos §§7º e 9º do artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com relação à aplicaçãoo dos artigos 110 e 146 do Código Tributário Nacional. Ocorre que a decisão prolatada pela ilustre Presidência do CARF está pautada em premissa equivocada na medida em que os 3 Acórdãos apontados como paradigma pela Recorrente foram devidamente juntados, na íntegra, quando do protocolo do Recursos Especial em 30 de outubro de 2008. Contudo, o que ocorreu no presente caso foi que os autos do processo foram reconstituídos e, nesse momento, os Acórdãos paradigmas juntados pela ora Recorrente foram extraviados. [...] Isto posto, tendo em vista que a Recorrente cumpriu o requisito previsto no §7º do artigo 67 RI/CARF na medida em que os Acórdãos Paradigmas foram devidamente juntados quando da interposição do Recurso Especiale, conforme comprovado, não se encontram acostados aos autos por circunstâncias alheias à sua vontade, a Recorrente requer V. Sa. se digne reconsiderar a decisão que inadmitiu em parte o Recurso Especial a fim de que, além da divergência relativa à decadência, também sejam analisadas as divergências de interpretação apontadas pela Recorrente com relação à aplicação dos artigos 110 e 146 do Código Tributário Nacional. É o que tenho a relatar. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 35301.000793/200731 Resolução n.º 920200.005 CSRFT2 Fl. 6 6 VOTO Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e demonstrada a divergência parcial, passo ao exame das questões de mérito. Não obstante os apontamentos e pedido da contribuinte ter sido aviado às vésperas do julgamento, entendo que sua pretensão merece acolhida, pois se configura como prejudicial para o julgamento por esta instância, neste momento. Como registrado no relatório alhures, em sua peça recursal, a contribuinte argumenta, ainda, que não houve alteração, mas sim a confecção de um novo lançamento, suficiente para violar a norma contida no artigo citado, e que o acórdão recorrido, ao determinar que normas infraconstitucionais — Leis nº 10.101/00 e 8.212/91 — se sobrepõem ao dispositivo constitucional — artigo 7°, XI da CF — posicionase de forma contrária ao decidido no acórdão paradigma, o acórdão n.° 301121616. Em Despacho à fls. 247/ss, o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial unicamente à alegação de decadência, pois em face demais questões suscitadas não teria satisfeito a exigência constante dos §§7º e 9º, do art. 67, do RICARF, ou seja: (i) o recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas; ou (ii) as ementas poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Diante disso e após análise dos autos sob à luz das informações/argumentos apresentados pela Contribuinte, estou convencido que as provas indiciárias são veementes e convergem à pretensão recorrente, qual seja, foram juntadas com o recurso interposto as cópias dos acórdãos paradigmas, o que, de per se, repercute a necessidade de revisão do exame de admissibilidade do Especial pelo i. Presidente da Câmara a quo. Pelo exposto, resolvo anular o Despacho de fls. 247 e ss, para que seja realizado novo exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
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Numero do processo: 10882.902512/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.741
Decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteu-se o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: Por maioria, converteuse o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (relator) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 02 51 2/ 20 08 -4 3 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 147 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão que julgou improcedente a homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 27365.49083.280906.1.7.046681, em virtude do alegado direito de crédito encontrarse integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade a contribuinte salientou que efetuou recolhimento em valor maior que o devido, e aproveitou o indébito para compensação com outros tributos administrados pela RFB, porém, de fato, não providenciou a retificação da DCTF, mas que a DIPJ apresentada refletiria o valor efetivamente devido, o que, em nome da verdade material, deveria ser considerado no exame da questão. Na oportunidade foram juntadas ao processo cópias do DARF, DCTF, PERDCOMP, DACON e DIPJ. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento que, para homologação da compensação declarada, fazse necessária a demonstração da liquidez e certeza do direito de crédito vindicado. Em recurso voluntário o contribuinte reafirma que a DCTF está incorreta, sendo que o valor efetivamente devido está perfeitamente indicado na DIPJ e no DACON, asseverando que tais declarações nunca foram questionadas pelas autoridades administrativas, pelo que, estariam homologadas pela Administração Tributária. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. O ponto fulcral a ser enfrentado por este colegiado reside exclusivamente na possibilidade de se admitir o reconhecimento de indébito tributário a partir de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, não havendo discussões acerca de nulidade de ato administrativo ou cerceamento de defesa, como é comum nestas situações. No caso vertente, o contribuinte não trouxe cópia de documentos contábeis que pudessem confirmar o acerto de suas declarações, cuja exatidão baseiase tão somente em sua afirmação em sede recursal. É certo que as declarações prestadas pelo contribuinte gozam de presunção de idoneidade e veracidade, porém, dita presunção não é absoluta, mas relativa, de maneira que havendo incongruência entre os dados delas constantes, apontados pelo próprio contribuinte, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10882.902512/200843 Resolução nº 3401000.741 S3C4T1 Fl. 148 3 caberia a demonstração, a partir de elementos contábeis, de qual destas informações é a verídica. O próprio contribuinte reconhece que há uma discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON. Neste passo, não há como afirmar que a DIPJ e a DACON deveriam prevalecer sobre a DCTF, eis que não há esta “hierarquia” entre as declarações prestadas pelo sujeito passivo à RFB, mas sim uma natureza específica a cada uma, cumprindo a esta última o status de instrumento de confissão de dívida e às primeiras a função meramente informativa da apuração do tributo. Outrossim, não procede a afirmação que os dados indicados nas DACON/DIPJ estariam homologados por ausência de questionamento por parte das autoridades fiscais, aliado ao decurso do prazo, o que as tornaria suficiente para comprovação do crédito vindicado. O instituto da homologação em matéria tributária, mormente a modalidade tácita, por representar a aquiescência da autoridade administrativa em relação a procedimentos adotados pelo sujeito passivo ou terceiros submetidos à legislação específica, exige previsão legal para sua ocorrência, não sendo decorrência natural dos atos administrativos ou simplesmente abstraída por presunção. Assim, por exemplo, sua incidência nas hipóteses previstas no art. 150 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Tocante à homologação de informações prestadas em declarações à RFB, desconheço a existência de previsão legal que a ampare, de maneira que, enquanto não extinto o direito de exigir o crédito tributário, as autoridades administrativas podem sim desprezálas e, no caso deste autos, o despacho decisório de não homologação da compensação foi expedido no prazo legal. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações –, tenho que apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe confere expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação para contraposição às declarações para checagem do que é realmente devido. Ou seja, a questão diz respeito a prova ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório, isto é, a quem caberia fazer a prova do direito em jogo. O contribuinte, na primeira oportunidade em que se manifestou, pugnou pela observância da verdade material, porém, há de se ter em conta, inicialmente, a quem competiria demonstrar o direito vindicado, o que, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, seria atribuição sua. Destarte, consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constituvio de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo pertence ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10882.902512/200843 Resolução nº 3401000.741 S3C4T1 Fl. 149 4 Nestes autos, a incumbência da prova então caberia ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a remissão às declarações, justamente porque as informações são díspares. Aliás, esta observação foi pontualmente feita pela decisão de primeira instância, porém, ainda assim o recorrente não atentou para o ponto. Pelo exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA O julgador ao prolatar suas decisões deve atentarse para a função social do processo administrativo, para que ele não se torne apenas um “amontoado de papeis”, que não reflete a verdade real dos fatos. É pacífico o entendimento que a verdade material ou real é princípio informador do processo administrativo tributário, que se vincula ao princípio da oficialidade, sendo um direito/dever da administração perseguir as informações, para que possa prolatar uma decisão equitativa. O abordar o tema em tela, o autor Celso Antônio Bandeira de Mello assim dispôs: “Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado...” Sendo assim, tendo em vista que as declarações juntadas pela contribuinte apresentam discrepância entre os dados da DCTF e da DIPJ/DACON, é imperioso que os documentos sejam explicados, sob pena de se prolatar uma decisão socialmente ilegítima. CONCLUSÃO Observando a função social do processo, à luz do princípio da verdade material ou real, baixemse os autos à origem, com a finalidade de que sejam esclarecidas as informações. Depois de cumprida a diligência, abrase vista à contribuinte, em honra aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 19679.012479/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 1102-000.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado. Embargos rejeitados.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REVISÃO DO JULGADO. Os embargos de declaração não são instrumento hábil a viabilizar a revisão do ato decisório embargado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face de acórdão proferido por esse Colegiado assim ementado, verbis: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 24 79 /2 00 4- 14 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 3 2 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Recurso voluntário provido.” No que interessa ao exame do recurso, o acórdão embargado afastou os fundamentos utilizados pela RFB e pelo acórdão de primeira instância para justificar o indeferimento do direito de fruição do incentivo fiscal pela Contribuinte, porquanto todas elas reportavamse à situação fiscal da Contribuinte em 2008 (fls. 26 e ss) e não na data da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, momento em que a Contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. Por meio desses declaratórios, sustenta a Fazenda Nacional que o acórdão embargado teria sido omisso em sua fundamentação, pois teria desconsiderado a existência de “débitos à época da opção pelo benefício (DIPJ ano calendário 2001), notadamente no que se refere a “Inscrições em Divida Ativa ns. 80.7.04.00081835 — (Pis relativo a março, abril, maio e junho de 1999), 80.6.04.00304900 (CSLL relativa ao mês de junho de 1999), 80.2.04.00238584 (IRPJ relativo ao mês de junho de 1999), conforme se infere do extrato emitido pelo Ministério da Fazenda (fls. 15/18 e 23/26) e decisão de primeira instância (201/212)”. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Conheço dos embargos de declaração, posto que tempestivos e apresentados por parte legítima. Ao contrário do referido pela Fazenda Nacional, o acórdão embargado não padece de quais quer dos defeitos relacionados no art. 65 do Regimento Interno dessa Corte. Não há omissão, obscuridade, contradição ou dúvida que justifique a apresentação de embargos. O acórdão recorrido assentou o entendimento de que (a) é ilegítimo o indeferimento do PERC por alegada irregularidade fiscal do contribuinte quando não for comprovado pela RFB que esta irregularidade é contemporânea à opção pelo benefício fiscal (e não ao exame do Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 4 3 PERC); (b) não há prova nos autos de que houvesse tal irregularidade à data da citada opção, já que os relatórios emitidos pela RFB referemse exclusivamente à situação fiscal da Contribuinte no anocalendário de 2008. Tais embargos pretendem, em verdade, impugnar as conclusões do acórdão embargado e obter a reforma do entendimento nele consubstanciado, o que é defeso em sede de embargos de declaração. No particular, o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou o entendimento de que os embargos de declaração são instrumento inadequado para obter a revisão do ato decisório embargado. Os embargos de declaração não devem ser acolhidos quando ausentes omissão, contrariedade, obscuridade ou dúvida a serem supridas no julgado, tal como ocorre nos autos. Vejase, nesse sentido, acórdão proferido pela extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: Número do Recurso: 131361 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 11030.000183/9846 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: DATASA COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida/Interessado: 1ª TURMA/DRJSANTA MARIA/RS Data da Sessão: 24/02/2005 01:00:00 Relator: Victor Luís de Salles Freire Decisão: Acórdão 10321871 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos de declaração interpostos pela contribuinte e ratificar a decisão do acórdão nº 103 21.243, de 14/05/2003, no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir as exigências do IRPJ, IRF e PIS/REPIQUE. Inteiro Teor do Acórdão ac10321.871131361.pdf Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – OMISSÃO DO JULGADO – Não é de se acolherem embargos de declaração quando não há omissão de julgamento. Publicado no D.O.U. nº 63 de 04/04/05. No mesmo sentido: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 5 4 Número do Recurso: 119170 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 10855.000315/9873 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: ANDREW COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida/Interessado: DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 08/11/2000 01:00:00 Relator: Tânia Koetz Moreira Decisão: Acórdão 10806287 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, ACOLHER em parte os embargos de declaração opostos, a fim de suprir a omissão apontada no Acórdão 10805.798, de 13/07/99, mantendose contudo a decisão nele consubstanciada. Ementa: Processo Administrativo Fiscal – Embargos de Declaração – Os Embargos de Declaração não constituem o instrumento adequado para reexame do julgado. Embargos acolhidos na parte em que se confirma a existência de omissão no acórdão embargado. Lançamento "exofficio" Multa – O apelo ao Poder Judiciário, em busca de amparo a procedimento que o sujeito passivo entende correto, não configura denúncia espontânea da infração. A denúncia espontânea apenas afasta a aplicação da multa se acompanhada do pagamento do tributo devido. Embargos parcialmente acolhidos. Por mero amor ao debate, digase que também não há error in judicando na hipótese. Ao contrário do sugerido pela Fazenda Nacional, não há mínima prova de que a Contribuinte se encontrava em situação fiscal irregular na data da opção pelo benefício. O fato de existirem débitos de fatos geradores ocorridos anteriormente à opção pelo benefício não impõe a conclusão de que o contribuinte estivesse em situação irregular nessa data (opção). Conforme mencionado no voto condutor do acórdão recorrido, a RFB retratou a situação fiscal da Contribuinte no anocalendário de 2008, momento do exame do PERC, e não na data da opção pelo benefício (entrega da DIPJ 2002). Os extratos citados pela Fazenda em seus embargos, aos quais o acórdão embargado fez expressa referência, foram emitidos em 24.06.2008 e 14.08.2008, respectivamente. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração para, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 1102000.986 S1C1T2 Fl. 6 5 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 19647.013210/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E DERIVADOS.
O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana-de-açúcar.
O cultivo da cana-de-açúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial.
PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ.
Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora) e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designada a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA -Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Alexandre Gomes, Fabíola Cassiano Keramidas, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de canadeaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Designada. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora) e Alexandre Gomes, que davam provimento parcial. Designada a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 32 10 /2 00 5- 11 Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.459 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabíola Cassiano Keramidas, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de IPI (fl. 05/48), originado pela análise de pedido de restituição (fl. 01) de créditos. Ao proceder a verificação da existência do direito creditório pleiteado, a fiscalização conclui pela glosa de créditos contabilizados pela Recorrente, promovendo a consequente reconstituição do saldo credor do IPI e constatando débito do imposto, que foi objeto de lançamento. A fiscalização registra que o procedimento adequado seria a realização de pedido de ressarcimento não restituição e na forma trimestral, mas como isso não afetou o valor global, optou por aceitar a forma apresentada1. O Relatório da Fiscalização (fls. 2041/2063 – efls. 2262/2284) esclarece que foi realizada a glosa de créditos (i) relativo a produtos que não se enquadram no conceito de insumo (seja porque seriam considerados ativo e/ou materiais de uso e consumo, seja porque na produção agrícola – da cana de açúcar, no caso não se pode falar em insumos de industrialização); (ii) créditos que deveriam ser estornados, por se referirem à produção de aguardente, que diante da saída com suspensão do imposto, teria de gerar o estorno dos créditos correspondentes, conforme previsão legal; (iii) estorno relativo a créditos que são objeto do Pedido de Ressarcimento (Processo nº 13407.000040/200209), no qual ainda não havia sido autorizado o ressarcimento de valor algum e que, portanto, estariam sendo objeto de 1 Termo de Verificação Fiscal fls.01 "Entendemos também que o pedido não seria propriamente de restituição, que é cabível no caso de pagamento indevido ou a maior, mas sim de ressarcimento, categoria em que se enquadram os pedidos relativos a utilizações de créditos do lPI acumulados na escrita fiscal.Restanos então verificar se, no momento da protocolização do pedido, o estabelecimento dispunha, em sua escrita fiscal, de saldo credor acumulado passível de ressarcimento com base na legislação do lPI. Obs.: A rigor, o contribuinte deveria ter feito um pedido para cada trimestre calendário, mas, como isto não afeta o valor global, optamos por aceitar a forma de pedido único, registrando apenas que este valor é referente a todos os trimestres de 1999 a 2001." Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.460 3 creditamento e pedido de ressarcimento simultaneamente; e (iv) créditos derivados da aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. A Fiscalização promoveu a reconstituição da escrita fiscal da Recorrente, no período, e concluiu pela necessidade do lançamento dos valores de IPI que não poderiam ser considerado quitados, pois utilizados créditos supostamente indevidos (a planilha de reconstituição do saldo encontrase às fls. 49/71). É mencionada, também no Relatório da Fiscalização, a existência de mandado de segurança impetrado pela Recorrente visando o reconhecimento de seu direito ao crédito extemporâneo de créditos derivados da aquisição de insumos isentos, não tributados e/ou sujeitos à alíquota zero do imposto. A ação judicial teria tido sentença favorável, porém seus efeitos teriam sido suspensos por uma medida de suspensão da segurança – ajuizada pela Fazenda Nacional, bem como em virtude do provimento do Recurso de Apelação apresentado pela União. Intimada a Recorrente apresentou Impugnação ao lançamento (fls. 2.303/2.317), na qual alega que a glosa promovida pela Fiscalização ofende o princípio da não cumulatividade. Especialmente em relação à questão da atividade de cultivo de canadeaçúcar a Recorrente afirma que é ilegal considerar que a fase de cultivo não faz parte da produção de seus produtos, pois seu processo produtivo não pode ser dissociado, como se apenas a fase de entrega do produto final fosse considerada industrialização, já que, o cultivo é fase essencial, pois sem ele não haveria produção ou industrialização. Enumera, ainda, uma série de notas fiscais de entrada, em relação às quais houve glosa dos créditos, e com a qual não concorda, vez que tratam de aquisições de produtos que são considerados matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, efetivamente utilizados na industrialização e, alguns, com desgaste efetivo quando em contato com o produto industrializado. A Recorrente indica que, consideradas tais aquisições, ainda que se admitisse as demais glosas promovidas, o valor do auto de infração seria inferior (conforme quadro acostado à defesa). Em relação a este valor remanescente, que a Recorrente admitiria ser devido, promoveu seu pagamento por meio de compensação, com vistas a sua manutenção no REFIS ao qual havia aderido. Requereu, ainda, a realização de perícia, mormente para se determinar, diante do pagamento efetuado, qual seria o montante ainda passível de cobrança nos autos. A DRJ não conheceu da Impugnação (fls. 2.334/2.340), por entender que se trata de matéria objeto de ação judicial – concomitante, portanto – o que impediria sua análise na esfera administrativa, motivo pelo qual deveria ser aguardada decisão final da esfera judicial para então serem tomadas as providências cabíveis. Entendeu, ainda, ser desnecessária a perícia solicitada pela Recorrente, por entender se tratar de matéria já conhecida na jurisprudência administrativa, não havendo dúvidas quanto aos fatos relacionados ao processo. Aduziu que em processo da mesma Recorrente, tratando também de créditos de IPI, aquela Turma já havia entendido que na atividade de cultivo de canadeaçúcar não se confunde com industrialização, razão pela qual não há direito a crédito de IPI sobre diversas aquisições, pois não podem ser consideradas aquisições de insumos. O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 2.344/2.356) insurgese contra a decisão da DRJ, especialmente em relação à decisão de não autorizar a perícia, pois entende que é necessário esclarecer que tipo de produto é utilizado no cultivo canavieiro, possibilitando seu tratamento como insumo, inclusive em relação a produtos que se Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.461 4 desgastam e entram em contato com o produto industrializado.A discussão, portanto, travase em relação (i) aos produtos que não se enquadram no conceito de insumo (seja porque seriam considerados ativo e/ou materiais de uso e consumo, seja porque na produção agrícola – da cana de açúcar, no caso não se pode falar em insumos de industrialização). Não há qualquer discussão acerca das matérias referentes aos itens: (ii) que se refere aos créditos que deveriam ser estornados, por se referirem à produção de aguardente, os quais diante da saída com suspensão do imposto, teriam de gerar o estorno dos créditos correspondentes, conforme previsão legal; (iii) que trata do estorno relativo a créditos que são objeto do Pedido de Ressarcimento (Processo nº 13407.000040/200209) e (iv) que se refere à matéria vinculada ao processo judicial, qual seja, créditos derivados da aquisição de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Vieramme, então, os autos para decisão. Em decisão proferida em 26 de abril de 2012, esta turma de julgamento entendeu por bem converter o presente processo em diligência (Resolução 3302000.212) para o fim de prescrutar a origem dos insumos glosados, a saber: “Intimar o contribuinte Recorrente a indicar: (i.a) por meio da elaboração de planilha, os insumos que foram utilizados em sua lavoura, e que foram objeto de glosa nestes autos, indicando, em ordem cronológica e com apontamento das datas, as respectivas notas fiscais; (i.b) adicionalmente, o Recorrente deve apresentar esclarecimentos quanto à utilização e finalidade de cada um dos insumos (ou grupos de insumos) objeto da glosa, também com a correspondente indicação das notas fiscais, quando necessário, ou seja, quando sua própria descrição já não for suficiente para esclarecer sua funcionalidade; (ii) recebida a manifestação do contribuinte deverá o agente administrativo competente: (ii.a.) analisar as informações apresentadas pelo contribuinte, atestandoas, bem como apresentando os eventuais comentários que entender pertinentes; (ii.b.) elaborar planilha indicando, em ordem cronológica e com indicação de datas, quais bens foram considerados como sendo material de uso e consumo, e que por isso tiveram os respectivos créditos glosados, informando, ainda, se algum foi ativado; (ii.c.) elaborar planilha indicando, em ordem cronológica e com indicação das datas, quais bens foram considerados com sendo ativo, o que ocasionou a glosa dos créditos sobre as respectivas aquisições, bem como, esclarecendo se tais bens estavam, de fato, contabilizados no ativo da Recorrente.” Cumprindo a diligência requerida, a Recorrente apresentou esclarecimentos fáticos (documentos acostados a partir das fls. 2387), sendo que o fluxo de produção apresentado não foi aceito pela fiscalização, conforme verificase da anotação realizada às fls. Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.462 5 2387 pelo próprio agente administrativo e os documentos não foram apresentados em ordem cronológica. Em conclusão, as autoridades administrativas manifestaramse acerca dos documentos apresentados (fls. 2440/2441). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele o conheço. Conforme relatado, a controvérsia se dá em relação à contabilização de uma série de créditos de IPI que foram glosados pela Fiscalização e, na reconstituição do saldo credor da empresa, que gerou débito do imposto, objeto do lançamento ora sob discussão. Cabe, portanto, analisar a legalidade das glosas efetuadas, para determinar se o auto de infração deve ou não ser mantido. Dentre as glosas efetuadas, a matéria que permanece controversa referese ao entendimento de quais insumos podem ser considerados como matéria prima/produto intermediário/embalagem utilizado para a produção do produto final “álcool”, sujeito à alíquota zero ou alíquota de 8%. Neste sentido, percebese que o objeto da Recorrente, à época dos fatos, era a produção de álcool, aguardante e bagaço de cana de açúcar, conforme se verifica do constatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2043/ efls. 2264), a saber: “Conforme declarado pelo contribuinte às fls. 1.436, o estabelecimento só passou a produzir açúcar em 2004. No período abrangido pelo pedido, pelo constante dos arquivos digitais que nos foram entregues, verificamos que era produzido álcool, de diversos tipos (anidro e hidratado, para fins carburantes ou não e neutro), e aguardente, tendo como resíduo industrial o bagaço de canadeaçúcar.” Todavia, o bagaço de cana de açúcar era consumido na própria produção, então não consistia em “produto final” e o produto “aguardente” saía do estabelecimento com a suspensão da incidência de IPI e a discussão de sua glosa, conforme relatado, não consta dos termos do Recurso Voluntário. Os créditos foram glosados pelas seguintes razões: (i) os produtos utilizados na lavoura da canadeaçúcar não podem ser considerados insumos, posto que “a atividade agrícola do cultivo da cana não se enquadra no conceito de industrialização”; (ii) apropriação de créditos decorrentes de bens registrados no ativo ou classificados pelo contribuinte como material de uso e consumo (CFOP 1.91, 2.91, 1.97, 2.97); (iii) apropriação de itens que não se enquadram no conceito de MP/PI/ME. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.463 6 De acordo com a manifestação da fiscalização (efls. 2440/2444), a maioria dos insumos cujo crédito foi glosado, teve como causa o entendimento pela fiscalização de que faziam parte do ativo permanente, verbis: “Os produtos adquiridos que o contribuinte lançou no Registro de Entradas de Mercadorias e transferiu para o RAIPI (Registro de Apuração do IPI) como sendo material de uso e consumo estão identificados pelos CFOP 1.97 e 1.556. Os produtos cujos CFOP são diferentes dos dois mencionados acima foram considerados pela fiscalização como bens da ativo permanente. São veículos, máquinas e equipamentos, suas partes e peças. Na época da fiscalização, não foi verificado se os custos de aquisição desses produtos foram efetivamente contabilizados no ativo permanente. No entendimento da fiscalização, o fato de o contribuinte não contabilizálo como tal, por erro ou convicção, não muda a natureza de bens do ativo permanente. Portanto, o imposto pago na sua aquisição não pode ser utilizado como crédito.” Ao atender a diligência realizada, o contribuinte trouxe à colação planilhas explicando os itens que apropriou como crédito, bem como esclareceu a função destes insumos no sistema produtivo. Ainda, explicou o processo produtivo e apresentou um fluxograma que não foi aceito pela fiscalização. Registrase que a discussão na parte do “cultivo de cana de açúcar” o contribuinte limitase a pleitear créditos referentes à manutenção de veículos no setor canavieiro. Ocorre que entendo que este tipo de custo não pode ser considerado insumo para fins de IPI em nenhum hipótese, razão peal qual tornase irrelevante, a meu ver, a discussão acerca de o cultivo da cana fazer parte da fase de produção do álcool. Neste aspecto, pareceme que a principal discussão referese a análise das planilhas apresentadas (efls. 2390/2437), bem como da atividade relatada (efls. 2388/2389) e a conceituação de os itens listados serem ou não MP/PI/ME do álcool produzido pela Recorrente. Da análise que fiz entendo que são passíveis de crédito, por não serem parte do ativo imobilizado e serem consumidos no processo produtivo os seguintes itens: (i) abraçadeira de alumínio utilizada na caldeira de produção de vapor; (ii) alumínio utilizado como isolamento; (iii) arame recozido utilizado na transferência da vinhaça; (iv) bico de corte para maçarico; (v) cantoneira; (vi) cartões eletrônicos para sensor capacitivo; (vii) o diluente utilizado na linha de vapor; (viii) filtros; (ix) laminas pvc utilizadas como material de manutenção. Todos os demais itens, a meu ver, são partes e peças que deveriam estar ativados e, portanto, não podem gerar crédito de IPI. Ante o exposto, conheço do presente para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, nos termos do voto proferido. É como voto. Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.464 7 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Redatora Como ressaltado no voto vencido, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual deve ser conhecido. A interessada é empresa agroindustrial que conta com parque industrial dotado de equipamentos modernos para a produção de aguardente e álcool dos tipos neutro, anidro e hidratado, para fins industriais e carburantes, e a partir de 2004, açúcar. Preliminarmente, a recorrente contesta o Acórdão da Autoridade Julgadora de 1ª instância administrativa por ter ela lhe negado o pedido de perícia, que, segundo seus argumentos, visava esclarecer a adequação nos procedimentos realizados quanto aos créditos de insumos do setor agroindustrial, haja vista que a matéria foge ao conhecimento jurídico tributário, imiscuindose em juízo técnico. Relativamente à tal negativa da DRJ alega que “Não é juridicamente inteligível, pois, a tentativa de se pretender opor ao creditamento de imposto sobre produtos industrializados, limites econômicos, com o devido respeito, ao arrepio, ainda, de conhecimentos técnicos acerca do funcionamento da empresa ora impugnante, sem sequer oportunizar tal prova em perícia técnica.” Acerca da solicitação de perícia, o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72 (PAF), a seguir transcrito: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93).” Portanto, o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível para formar sua convicção, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto no 70.235/72. Foi exatamente o que aconteceu no presente caso. De fato, a perícia não se fez necessária, pois para se chegar à resolução acerca da questão ora contestada atinente à possibilidade de se creditar, ou não, de insumos utilizados na atividade de plantio de canade açucar, diferentemente do alegado, não se exige conhecimento técnico. Tratase de interpretação jurídica. Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.465 8 Contudo, como relatado acima, em julgamento proferido em 26 de abril de 2012, esta turma de julgamento entendeu por bem converter o presente processo em diligência (que, diferentemente de perícia não se trata de desvendar questões técnicas) (Resolução 3302 000.212) para o fim de prescrutar a origem dos insumos glosados, consoante os termos transcritos no relatório acima. A Recorrente apresentou Fluxograma do processo produtivo do setor Sucroalcoleiro (este não recebido e nem anexado aos autos em face da impossibilidade de digitação para o eprocesso, consoante consta despacho à efl 2387dado por servidor da unidade competente); Memorial descritivo do processo produtivo e Planilhas demonstrando a utilização dos insumos glosados na lavoura e nas fases do processo produtivo. Desta forma, terminou o CARF por atender ao pedido da recorrente, embora sob a sistemática de diligência e não de perícia, posto que esta se fazia desnecessária. DO MÉRITO Consoante constatase dos autos, a ação fiscal deuse ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 04.1.01.002003004326, de 08/08/2003 (fls. 001), complementado pelo MPF n.° 04.1.01.0020030043261, de 01/09/2004 (fls. 002), a partir do qual procedeuse à verificação, iniciada em 25/03/2004 (fls. 141 a 146), da exatidão das informações prestadas em Pedidos de Ressarcimento cumulados com compensação apresentados pelo contribuinte nos processos nº 13407.000083/200286 (Períodos de apuração de 1998 e de março a maio de 2002; cópia do Termo de Informação Fiscal anexado às efls 2287 a 2308) e nº 13407.000040/200209 ( Períodos de apuração de janeiro de1999 a fevereiro de 2002; cópia do Termo de Informação Fiscal anexado às efls 2262 a 2276). Retirase do Relatório Fiscal anexado ao Auto de Infração (efls 73 a 86) que o levantamento dos créditos por entradas escriturados nos livros Registro de Apuração do IPI (fls. 1.728 a 2.079), com base no escriturado nos livros Registro de Entradas estendeuse até o 3º decêndio de dezembro/2003, período limite estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal, sendo que na Planilha 01 – CRÉDITOS BÁSICOS GLOSADOS (efls. 87 A 125), estão listadas todas as notas fiscais de entradas que levaram ao registro de créditos indevidos, de janeiro de 1999 a dezembro de 2003, bem como está totalizado, por decêndio, o valor do crédito glosado. Segundo consta no Auto de Infração, na ação fiscal foram detectados as seguintes infrações à legislação do IPI: “001 CRÉDITOS INDEVIDOS FALTA DE ESTORNO DE CRÉDITOS. O estabelecimento industrial não estornou os créditos dos insumos utilizados na fabricação de aguardente destinada ao mercado interno, conforme RELATÓRIO FISCAL às fls. 072 a 085. 002 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS. O estabelecimento industrial registrou créditos básicos indevidos em sua escrita fiscal, conforme RELATÓRIO FISCAL às fls. 072 a 085.” Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.466 9 O Relatório Fiscal de efls 73 a 86 esclarece que, em face das infrações detectadas na ação fiscal, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do 1PI, considerando: • as glosas de créditos básicos; • os estornos referentes às saídas de aguardente; • pequenos erros de transcrição do saldo credor de um período para outro nos livros Registro de Apuração do IPI; • o estorno e a reversão de estorno decorrentes da análise dos Pedidos de Ressarcimento; • os créditos básicos extemporâneos reconhecidos pela Fiscalização. E mais, que na reconstituição aparecem saldos devedores que obviamente não estavam declarados quando do início deste procedimento fiscal, ensejando o lançamento de oficio, através deste auto de infração, do imposto que deixou de ser recolhido, consoante consta na Planilha 06 – Reconstituição da Escrita Fiscal do IPI/ Diferenças a lançar, às e fls. 138 a 141 e no "Demonstrativo de Apuração de Diferenças a Cobrar", às efls. 043 a 048. Vêse, portanto, que os fatos que ensejaram o lançamento ora sob litígio são os mesmos que geraram as glosas dos pedidos de ressarcimentos formulados nos processo nº 13407.000083/200286 e 13407.000040/200209. Tanto é assim que o autuante, no Relatório Fiscal anexado ao Auto de Infração (efl 73) assim se pronuncia: “Para dar um melhor embasamento às nossas conclusões, faremos, inicialmente, uma breve digressão sobre o creditamento do IPI, sendo que remetemos ainda aos Termos de Verificação Fiscal dos Processos n.° 13407.000040/200209 (fls. 2.249 a 2.266) e n.° 13407.000083/200286 (fls. 2.267 a 2.297), a título de complemento do aqui descrito.” Em decorrência de tal circunstância, por ser oportuno, registrase o rumo tomado por tais processos: 1) O processo nº 13407.000083/200286 teve o pedido de ressarcimento parcialmente deferido, reconhecendolhe um saldo credor apurado pela fiscalização no PA do 1° trimestrecalendário de 2002, consoante consta da cópia do Termo de Informação à efl.2304, in verbis: “Ao final do 1° trimestrecalendário de 2002 restou acumulado saldo credor no valor de R$ 2.443,33, que não foi consumido até o decêndio imediatamente anterior ao da protocolização do pedido, sendo portanto este o valor passível de ressarcimento”(grifos do original) Em pesquisa ao sistema COMPROT (documento que se anexou à efl 2444, conforme Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl.2456 a 2457) detectouse que tal processo Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.467 10 encontrase arquivado. Tal se deu em face de o contribuinte ter aproveitado dos benefícios previstos na MP 4702, de 13 de outubro de 2009, tendo, para isso, desistido expressamente da impugnação antes apresentada e renunciado a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentaram a referida impugnação, conforme Termo extraído do Processo de Parcelamento nº 13401.000462/200901 e que se anexou à efl.2445, nos termos do Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl. 2456 a 2457. 2) O processo nº 13407.000040/200209, cujo ressarcimento foi indeferido pela Autoridade Administrativa, teve o litígio instalado julgado pelo o CARF, em 2 de fevereiro de 2011, que, por meio do Acórdão nº 3102000.887 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade, negou provimento ao recurso voluntário, consoante se demonstra com a ementa e dispositivo a seguir transcritos: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. Recurso voluntário conhecido, mas desprovido. Crédito tributário negado. 2 MP 470, , de 13 de Outubro de 2009 Art. 3 º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1 º do DecretoLei n º 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006 , com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. § 1 º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. § 2 º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento ou parcelamento nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes aos débitos, inclusive multas e juros, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação desta Medida Provisória, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3 º Na hipótese do § 2 º deste artigo, o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de vinte e cinco por cento e nove por cento, respectivamente. § 4 º A opção pela extinção do crédito tributário na forma deste artigo não exclui a possibilidade de adesão ao parcelamento previsto na Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 . Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.468 11 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.” O Referido Processo, igualmente encontrase arquivado por, também, ter a contribuinte requerido a benesse prevista na MP 470, de 13 de outubro de 2011, consoante se demonstra pelos os documentos retirados do processo de parcelamento nº 13401.000462/2009 01 e que se anexou às efls 2446 a 2451, por meio do Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl. 2456 a 2457. Creio ser ainda conveniente registrar que, igualmente, a contribuinte desistiu do Resp. interposto no MS 2003.83.00.0193113 (este mencionado no Relatório Fiscal efl 83), para usufruir dos benefícios constantes na MP 470, de 13 de outubro de 2009, conforme se demonstra com o documento extraído do processo de Parcelamento nº 13401.000462/200901 que se anexou à efl. 2452, também por meio do Despacho 330201/CAJ2014 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2014 de efl. 2456 a 2457. Não obstante tenha havido por parte da contribuinte renúncia expressa das alegações de direito quando das desistências de impugnação no processo de ressarcimento e compensação nº 13407.000083/200286 e do Resp. interposto no MS 2003.83.00.0193113, tendo em vista tratarse os presentes autos de lançamento de ofício e tendo em conta os princípios da ampla defesa e do contraditório, defendo a conveniência de se analisar o litígio do presente processo. Assim registrado, passase à análise do mérito, relembrando que o litígio a ser analisado neste recurso voluntário, consoante bem destacou a Ilustre Conselheira relatora do voto vencido, diz respeito a questão dos créditos básicos considerados indevidos pela fiscalização, os quais foram glosados pelas seguintes razões: (i) os produtos utilizados na lavoura da canadeaçúcar não podem ser considerados insumos, posto que “a atividade agrícola do cultivo da cana não se enquadra no conceito de industrialização”; (ii) apropriação de créditos decorrentes de aquisição de bens registrados no ativo ou de material de uso e consumo (CFOP 1.91, 2.91, 1.97, 2.97); e outros itens que não se enquadram no conceito de insumos. Atentese que quanto à questão atinente à possibilidade de anulação dos créditos lançados na produção de aguardente, não há questionamento nestes autos, mas o litígio foi julgado desfavoravelmente à recorrente no Acórdão nº 3102000.887 proferido no Processo de Ressarcimento nº 13407.000040/200209. Convém ressaltar que o objeto da Recorrente, à época dos fatos, era a produção de álcool, aguardente e bagaço de cana de açúcar, conforme se verifica do constatado no Relatório Fiscal de efl. 73, a saber: “Conforme declarado pelo contribuinte às fls. 459, o estabelecimento só passou a produzir açúcar em 2004. No período abrangido pelo pedido, pelo constante dos arquivos digitais que nos foram entregues, verificamos que era produzido álcool, de diversos tipos (anidro e hidratado, para fins carburantes ou não e neutro), e aguardente, tendo como resíduo industrial o bagaço de canadeaçúcar.” Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.469 12 Assim ressaltado, passase à análise das questões contestadas: DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Relativamente à Atividade Agroindustrial a recorrente argúi, in verbis: “Não obstante o exposto acima, que guerreia qualquer tipo de cerceamento ou limite ao princípio da cumulatividade, a atividade econômica agroindustrial da defendente se revela predominantemente na industrialização de produção própria de canadeaçúcar numa cadeia integrada, jamais segregada como almeja a autoridade fiscal. A atividade empresarial, tanto no bojo econômico quanto jurídico não pode ser dissociada. O que há, na verdade, é tão somente um deslocamento físico da cana deaçúcar na sua fase de produção para a industrialização. (...) Não há, portanto, como considerar, jurídico, econômico ou contabilmente, o processo agroindustrial segregado em duas fases distintas. Assim, é atecnia que deve ser refutada, máxima vênia, a afirmação da impossibilidade da defendente se creditar de insumos e análogos aplicados ao processo de produção da canadeaçúcar.” Não tem razão a recorrente. Consoante se extrai das regras contidas nos artigos 2° e 3° do RIPI/19823, a atividade agrícola do cultivo da canadeaçúcar não se enquadra no conceito de industrialização. A etapa industrial se inicia no momento em que a canadeaçúcar (matéria prima) é despejada nas moendas; antes disto não há operação de industrialização. A própria contribuinte, quando do atendimento de diligência, no Memorial Descritivo do processo produtivo do álcool por ela apresentado (efls 2388 e 2388) não fez menção à atividade do cultivo da canadeaçucar como sendo fase do processo produtivo. Pelo 3 Art. 3° Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Art. 4° Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°, parágrafo único, e Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.470 13 o contrário, iniciou a descrição do processo produtivo pela recepção da canadeaçucar na fábrica. Desta forma, como bem destacou o Auditor em seu Relatório Fiscal, “os insumos utilizados na etapa agrícola, não podem gerar créditos do IPI (são, na realidade, ‘insumos de insumo’ industrial)”. Aliás, esta questão, como acima salientado, já foi julgada pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do CARF, em 2 de fevereiro de 2011, por meio do Acórdão nº 3102000.887 proferido no Processo de Ressarcimento nº 13407.000040/200209, cujas fatos são os mesmos descritos nestes autos, posto que o lançamento ora sob litígio decorreu das glosas dos créditos apurados na mesma ação fiscal, em face da apuração de saldo devedor, quando da reconstituição da escrita fiscal. Portanto, o fundamento proferido pela relatora daquele voto deve ser adotado e ratificado, que a respeito, assim se manifestou: “Por outro lado, o conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de canadeaçúcar. Em outras palavras, ainda que seja possível o creditamento de IPI sobre a canadeaçúcar, por ser espécie de insumo, não se pode proceder à mesma operação na fase de cultivo, plantação, desse mesmo produto. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. O conceito de agroindústria não socorre o Interessado, pois somente podese cogitar de atividade sujeita ao recolhimento do IPI quando há transformação do produto primário, elemento essencial da atividade industrial. Isso não ocorre no cultivo da canadeaçúcar, que não sofre transformação na lavoura, mas é plantado.” DO CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO AQUISIÇÃO DE BENS REGISTRADOS NO ATIVO OU DE MATERIAL DE USO E CONSUMO (CFOP 1.91, 2.91, 1.97, 2.97); E OUTROS ITENS QUE NÃO SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE INSUMOS. Nesta questão, a Ilustre Conselheira Relatora concluiu que: “Da análise que fiz entendo que são passíveis de crédito, por não serem parte do ativo imobilizado e serem consumidos no processo produtivo os seguintes itens: (i) abraçadeira de alumínio utilizada na caldeira de produção de vapor; (ii) alumínio utilizado como isolamento; (iii) arame recozido utilizado na transferência da vinhaça; (iv) bico de corte para maçarico; (v) cantoneira; (vi) cartões eletrônicos para sensor capacitivo; (vii) o diluente utilizado na linha de vapor; (viii) filtros; (ix) laminas pvc utilizadas como material de manutenção. Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.471 14 Todos os demais itens, a meu ver, são partes e peças que deveriam estar ativados e, portanto, não podem gerar crédito de IPI.” Neste aspecto, discordo da relatora quanto à primeira parte, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário, também neste item de autuação, pelos os fundamentos a seguir postos: Para relembrar, neste item de autuação a glosa deuse em face de escrituração de créditos básicos indevidos referente à entrada de bens que, na concepção da fiscalização, não se enquadram no conceito de insumos, quais sejam peças e materiais adquiridos para utilização na manutenção e/ou reparo de bens do ativo permanente (máquinas e equipamentos), bem como a entradas de itens tais como engrenagens, eixos, bobinas, reguladores de voltagem, bombas, pneus, tacômetros, tubos, conexões, válvulas, acoplamentos, buchas, motores elétricos, fontes de alimentação, parafusos, pregos, filtros, tintas, vernizes, solventes, aditivo para radiador, reguladores de oxigênio e de acetileno, maçaricos de corte, chapas, vigas, varões, cantoneiras e barras de aço, ferro de construção, torneiras plásticas, instrumentos de laboratório, conjuntos de irrigação, turbinas, resfriadores de água, colunas para lavagem, tanques, lavadores, caldeiras, painéis de força, exaustores, ventiladores, telhas, terceiros eixos veiculares, caçambas basculantes, semi • reboques, caminhões, automóveis, cimento, aventais de couro e até mesmo tapetes persas e cestas natalinas. Registra ainda a fiscalização (Relatório Fiscal efl.81) que a contribuinte creditase indiscriminadamente de itens do ativo permanente e de materiais de uso e consumo, já que ele próprio registra diversas aquisições, com crédito do 1PI, utilizando Códigos Fiscais de Operações e Prestações — CFOP inerentes a entradas desta natureza (1.91, 2.91, 1.97, 2.97, 1.551, 1.556, 2.551). Sendo assim, constatase que a controvérsia centrase no direito ao creditamento de IPI na aquisição de produtos que sofrem desgaste indireto no processo de industrialização, haja vista que, in caso, tratase, repitase, de bens do ativo permanente e de peças e materiais adquiridos para utilização na manutenção e/ou reparo de bens do ativo permanente (máquinas e equipamentos) e outros itens acima mencionados. Pois bem, os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, conforme autorização legal contida no art. 164, inciso I, do RIPI/2002, repetido nos demais regulamentos, podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. A regra do art. 164, I do Regulamento do IPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) revela a expressa vedação à utilização de créditos do IPI oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa. De modo que, quanto à esta questão não resta maiores dúvidas. Contudo, em relação à outros bens, é equivocada a interpretação de que a lei apenas veda o crédito dos bens classificáveis no ativo imobilizado. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.472 15 Sabese que as normas complementares, gênero do qual os Pareceres Normativos são espécie, enquanto "atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas" (art. 100, inciso I, do CTN), caracterizamse como verdadeiras fontes do Direito Tributário, como complemento da tarefa legislativa, que visam explicitar o sentido e o alcance da lei tributária, produzindo efeitos que se presumem válidos enquanto não expurgados formalmente do mundo jurídico, vinculando indistintamente, em caráter geral e obrigatório, contribuintes e agentes públicos. Pois bem, de acordo com os esclarecimentos contidos no Parecer Normativo CST n° 65, de 1979: ““4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. (.) 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em 'incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.473 16 hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários `stricto sensu', semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida (...).”. Assim, diante da legislação tributária acima mencionada, é de se concluir que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Portanto, não há como reconhecer o direito ao creditamento de IPI dos produtos que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo. Neste mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62 A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais , RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010), que assim prescreve: “Art. 62 A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. (Portaria MF nº 586/2010) O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias (artigo 543C, do CPC), apresenta a seguinte ementa: “EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.474 17 Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Grifei) De início, ressaltese que a matéria tratada em tal recurso repetitivo é idêntica à tratado no presente item da autuação, conforme se constata pela identificação feita pelo o relator em seu voto, o Sr. Ministro Luiz Fux : “O ponto nodal da atual controvérsia cingese à possibilidade de creditamento, a título de IPI, dos valores decorrentes da aquisição de bens destinados ao uso e consumo e ao ativo fixo do estabelecimento que, apesar de não integrarem fisicamente o produto final nem se desgastarem por ação direta física ou química , sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrandose financeiramente ao produto final”.(grifei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: “(...) A sentença bem concluiu, ao vaticinar que: ‘... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento. A legislação do IPI limita o creditamento aos produtos intermediários utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham contato físico direto com o bem produzido produtos que embora não se integrando ao novo produto são consumidos no processo de industrialização. Notese que a doutrina e a jurisprudência também adotam o conceito de crédito físico para reconhecer o direito ao creditamento’. (...). Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.475 18 Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. (...).”(grifei). Para fundamentar o posicionamento adotado em seu voto, o Min. Relator do Resp 1075508, Sr. Luiz Fux, faz transcrições e referências à diversos precedentes da Corte, dos quais, escolhese dois deles para se transcrever as ementas a seguir, inclusive um de sua própria autoria, visando melhor compreensão do que foi decidido no Resp 1075508, representativo de controvérsia: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. DECRETO 2.637/98. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 49, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. 1. É vedada a utilização de créditos do IPI, oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, consoante a ratio essendi do artigo 147, inciso I, do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que estabelecia que, entre as matérias primas e produtos intermediários, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluíamse "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 2. In casu, pretende a recorrente o creditamento de IPI relativo à aquisição de bens de uso e consumo, tais como material de expediente, uniformes e alimentação, conservação e manutenção, bens duráveis de pequeno valor etc, além das máquinas e equipamentos que serão incorporados ao seu ativo permanente , que, segundo incontroversa inferência da instância ordinária, apesar de não integrarem fisicamente o produto final, nem se desgastarem por ação direta (física ou química), sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrandose financeiramente ao produto final. 3. Precedentes desta Corte: REsp 608181 / SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ de 27/03/2006; RESP 500076/PR, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 15.03.2004; RESP 497187/SC, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 08.09.2003). 4. Recurso especial desprovido." (REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007).(grifei). Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.476 19 "TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO DE VALORES PAGOS NA AQUISIÇÃO DE BENS DE USO E CONSUMO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. DESGASTE INDIRETO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. 1. ‘A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral’. (RESP 30.938/PR, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, DJ de 07.03.1994; RESP 500.076/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, 1ª Turma, DJ de 15.03.2004). 2. No caso dos autos, ficou assentado que os bens de uso e consumo sofreram desgaste indireto no processo produtivo, não sendo cabível o creditamento do IPI pago na sua aquisição. 3. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006).(grifei) Portanto, em face do que foi acima exposto e tendo em vista que o Superior Tribunal de Justiça, já decidiu em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) ser incabível o creditamento de IPI na aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de produtos de uso e consumo que sofreram desgaste indireto no processo produtivo, devese nesta questão negar provimento ao recurso voluntário para manter a glosa dos créditos de IPI atinentes à aquisição dos produtos identificados na autuação e acima mencionados, pelo o fato de os mesmos apenas terem se desgastados de forma indireta no processo produtivo. Registrese que a presente lide igualmente já foi objeto de decisão deste Conselho, consoante consta do Acórdão nº 3102. 000.887, de 02 de fevereiro de 2011, proferido no Processo de Ressarcimento da contribuinte, ora recorrente, nº 13407.000040/200209, cujo fundamento se transcreve a seguir: “Por fim, o art. 147 do RIPI é claro quanto à impossibilidade de utilização de créditos oriundos da compra de máquinas e equipamentos utilizados na produção industrial quando esses integram o ativo permanente da empresa. Uma vez que esse maquinário não é consumido na industrialização, sofrendo apenas o desgaste natural pelo uso, o seu valor não se incorpora ao IPI para efeito de compensação escritural.” O art. 147 do RIPI/1998 previa o seguinte: “Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n.°4.502, de 1964, art. 25): 1 do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.” Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.013210/200511 Acórdão n.º 3302002.475 S3C3T2 Fl. 2.477 20 CONCLUSÃO Diante da fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar o provimento ao recurso voluntário, para manter o lançamento de IPI. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918344/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 44 /2 01 2- 92 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720569/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A Área de Preservação Permanente deve ser comprovada por meio de Ato Declaratório Ambiental tempestivo.
ITR. RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA VEGETAL. AVERBAÇÃO.
O Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal averbado no Registro de Imóveis é prova suficiente para comprovar a área de Reserva Legal.
VALOR DA TERRA NUA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE.
A ausência de comprovação pelo contribuinte do VTN reportado em sua DITR por meio de Laudo Técnico com a observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT autoriza o arbitramento com base nos valores constantes no SIPT.
ITR. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável em caso de pagamento intempestivo do imposto, enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo, aplica-se a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a ARL - Área de Reserva Legal de 206,18 hectares.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A Área de Preservação Permanente deve ser comprovada por meio de Ato Declaratório Ambiental tempestivo. ITR. RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA VEGETAL. AVERBAÇÃO. O Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal averbado no Registro de Imóveis é prova suficiente para comprovar a área de Reserva Legal. VALOR DA TERRA NUA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE. A ausência de comprovação pelo contribuinte do VTN reportado em sua DITR por meio de Laudo Técnico com a observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT autoriza o arbitramento com base nos valores constantes no SIPT. ITR. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável em caso de pagamento intempestivo do imposto, enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo, aplica-se a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a ARL - Área de Reserva Legal de 206,18 hectares. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A Área de Preservação Permanente deve ser comprovada por meio de Ato Declaratório Ambiental tempestivo. ITR. RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA VEGETAL. AVERBAÇÃO. O Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal averbado no Registro de Imóveis é prova suficiente para comprovar a área de Reserva Legal. VALOR DA TERRA NUA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE. A ausência de comprovação pelo contribuinte do VTN reportado em sua DITR por meio de Laudo Técnico com a observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT autoriza o arbitramento com base nos valores constantes no SIPT. ITR. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável em caso de pagamento intempestivo do imposto, enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo, aplicase a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 69 /2 00 8- 01 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a ARL Área de Reserva Legal de 206,18 hectares. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio de Notificação de Lançamento (fls. 03 a 07) lavrada em 16/06/2008, exigese da contribuinte Angela Gontijo Assunção Pimenta o montante de R$ 29.754,56 de imposto, R$ 5.861,64 de juros de mora e R$ 22.315,92 de multa de ofício, referente ao ITR do exercício de 2006, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Luanda no Município de Conselheiro Lafaiete /MG. Na descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 04) a Autoridade Fiscal relata: · A Contribuinte não comprovou a isenção da Área de Preservação Permanente nem a área de Reserva Legal através de Ato Declaratório Ambiental (ADA). · A Contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel o VTN informado, assim com base no art. 14 da Lei nº 9.393/96, arbitrou o VTN tendo por referência os valores constantes do SIPT. No tocante à área de Reserva Legal, a fiscalização constatou que da área declarada de 306,1 ha, apenas em relação a 206,1 ha houve averbação tempestiva à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis, porém a área total declarada a título de Reserva Legal de 306,1 ha não foi objeto de ADA. Por sua vez, em relação à área de preservação permanente, a área declarada de 96,0 ha também não foi objeto de ADA. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 3 3 Neste contexto a fiscalização glosou integralmente as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, além de alterar, com base no SIPT, o valor da terra nua do imóvel. Às fls. 10 foi anexada tela de consulta do SIPT com os valores para o município de Conselheiro Lafaiete/MG referente ao exercício de 2006, onde consta que para matas o VTN médio/ha é de R$ 1.000,00. Às fls. 26 foi juntado Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas para Fazenda Luanda, firmado pela Contribuinte e uma terceira pessoa, onde ambas declaram perante a autoridade florestal que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 206,18 ha, não inferior a 20% do total da fazenda Luanda fica gravada como utilização limitada. O referido documento foi registrado sob o protocolo 218.706 no 2º Ofício de Imóveis da comarca de Conselheiro Lafaiete/MG em 02/08/2004 (fls. 113 – carimbo). Conforme documento de fls. 67, a Contribuinte foi notificada em 20/06/2008, vindo a apresentar, em 21/07/2008 (fls. 115), Impugnação acostada às fls. 69, aduzindo: · entende que a fiscalização impôs cobrança de ITR tomando como, base de cálculo valores pautados e, ainda, desconsiderando áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente sem qualquer fundamentação, pois a Notificação de Lançamento desconsidera as referidas áreas, sem manifestarse fundamentadamente sobre a glosa, bem como outras áreas que não devem integrar a base de cálculo do imposto. · preliminarmente, considera o arbitramento do VTN equivocado, não apenas pelos vícios materiais, mas também, pelos confusos critérios de apuração do imposto, que não foram descritos pela fiscalização. · entende que o arbitramento é contrário ao texto legal (Lei n° 9393/96). · afirma que o relatório fiscal simplesmente desconsidera o valor venal declarado e arbitra um valor duas vezes maior, sem indicar o critério aplicado, dizendo apenas ter utilizado informações sobre preços de terra do sistema SIPT, que em nenhum momento é colocado ao conhecimento do contribuinte, que fica totalmente desamparado em termo de contraditório. · ressalta que o cerceamento de defesa é evidente e que em suma o arbitramento, considerando um valor de mais de um milhão de reais, sem critério, é agressivo à ampla defesa. · o arbitramento do valor venal do imóvel mostrase contraditório em relação ao descrito no relatório fiscal, que somente faz menção ao arbitramento da terra nua, que é o valor obtido pelo resultado do valor venal do imóvel subtraindose o valor das benfeitorias, não fazendo menção de como foi feito o arbitramento do valor venal, implicando em vício do lançamento e cita e transcreve ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes. · afirma que, mesmo que o lançamento pudesse ser tido como correto, foram desconsideradas áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, devidamente comprovadas pelos documentos anexos, que totalizam 456,16 ha e que tais áreas devem ser levadas em consideração na apuração da base de cálculo do ITR, uma vez que a lei determina a sua exclusão. · entende que os valores das pastagens de 381,4 ha foram desconsiderados. Registra que o fisco ignorou os preceitos legais, pois o VTN é o valor de mercado do imóvel excluídos os valores Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 relativos a: I — construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III — pastagens cultivadas e melhoradas; IV — florestas plantadas. · considera que além do erro na composição da base de cálculo, há erro no cálculo do ITR, pois o VTN arbitrado desconsiderou o valor das pastagens; que devem seguido mesmo arbitramento, caso não comprovado pelo contribuinte. · salienta que a presunção é a favor do contribuinte, nestes casos, cabendo ao fisco provar a ausência de veracidade das declarações, ou seja, até que o fisco prove o contrário, as áreas de preservação permanente e de reserva legal devem ser excluídas da base de cálculo do imposto, assim como o valor das pastagens. · entende que carece de fundamento legal a glosa da APP e da área de Reserva Legal, motivadas na falta de apresentação do ADA. · considera que a exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel como précondição à isenção não encontra amparo legal. · afirma que demonstra a existência das ditas áreas através de "Memorial Descritivo da reserva legal da Fazenda Luanda" e mediante "Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas", ambos firmados por engenheiros florestais e devidamente averbado nos registros imobiliários. · a informação produzida em laudo técnico subscrito por profissional competente para identificar e quantificar a área de preservação permanente termos descritos no art. 2° da Lei n° 4.771/64, tem presunção de validade, assumindo o contribuinte, e também o técnico que subscreveu o laudo, responsabilidade solidária pela informação prestada. · ressalta que trouxe provas aos autos a administração tributária simplesmente se apoia na inexistência do ADA, infringindo os princípios da legalidade e da verdade material. · cita e transcreve Ementas de Acórdão do Conselho de Contribuintes, para referendar seus argumentos. · entende indevida a majoração da alíquota por fundamento exclusivo na inexistência do ADA e ressalta, aliás, que no relatório fiscal inexiste qualquer fundamento acerca da majoração da alíquota, o que, por si só, já infirma o lançamento, lavra o sem fundamentação legal. · requer seja anulado o lançamento, por vício o material, em razão do cerceamento de defesa por falta de publicidade do SIPT, utilizado no arbitramento. · ultrapassada a preliminar, requer seja julgado improcedente, mesmo parcialmente, o lançamento tributário, em razão da desconsideração das áreas de reserva legal, preservação permanente e pastagens, na apuração do Tributo e, consequentemente, se restabeleça a alíquota de 0,85%. A 1ª Turma da DRJ/BSA na sessão de 18/02/2009 julgou procedente o lançamento através do acórdão 03.29.462 (fls. 118 a 132), nos seguintes termos: · Não acolheu a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa vez que a notificação de lançamento contém todos os requisitos legais, tendo identificado as irregularidades de forma motivada, o que possibilitou a contribuinte impugnar as irregularidades de forma clara e precisa. Observou também que desde a intimação para prestar informações, a contribuinte tinha conhecimento de que a falta de apresentação de laudo de avaliação ou sua apresentação em discordância com as regras da ABNT acarretaria o arbitramento do VTN com base no SIPT. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 4 5 · O trabalho de revisão da fiscalização é eminentemente documental cabendo o ônus à contribuinte de manter em guardar e apresentar, quando solicitado, a documentação que comprove as informações prestadas na DITR na forma do art. 40 do Decreto nº 4.382/02. · Quanto à alegada falta de publicidade dos valores constantes do SIPT, cabe ressaltar que o acesso aos sistemas internos da RFB está, de fato, submetido a regras de segurança, contudo, tal restrição não prejudica à publicidade das informações armazenadas no referido sistema, tanto é verdade que a tela do mesmo está anexada aos autos. · Para área de Reserva Legal constatou a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel (02/08/2004) de apenas 206,1 ha dos 306,1 ha declarados. Entretanto por não haver apresentado ADA, mesmo que intempestivo, exigência comum para exclusão das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal não acolheu a exclusão da base de cálculo dos 402,1 ha declarados como APP e Reserva Legal. · Asseverou ainda que a contribuinte informou na DITR que as áreas ambientais totalizariam 402,1 ha, entretanto, a documentação dos autos “memorial Descritivo da Reserva Legal” fls. 26/27 e “termo de Responsabilidade Preservação ambiental” de fls. 24/25 faziam referência a uma área de apenas 206.1 ha. · Constatou que em princípio, não poderia a autoridade Fiscal deixar de arbitrar novo Valor da Terra Nua, tendo em vista que o VTN declarado, por hectare (R$ 290,84) até prova documental hábil em contrário, está de fato subavaliado, por ser muito inferior não só a todos os VTNs por hectares listados para qualquer aptidão agrícola da terra, correspondendo a 29,1% do menor valor constante no SIPT (R$ 1.000,00/ha – Matas), como também ao VTN médio por hectare de R$ 19.500,10/ha apurado no universo da DITRs do exercício de 2006. · Uma vez que a contribuinte não apresentou Laudo Técnico de Avaliação para justificar o VTN declarado na DITR manteve a tributação do imóvel com base no VTN de R$ 942.100,00 ou 1.000,00 por hectare. A Contribuinte foi notificada da decisão em 07/05/2009 conforme aviso de recebimento de fls. 136, vindo apresentar Recurso Voluntário em 08/06/2009 acostado às fls. 137, aduzindo: · Não há previsão legal para averbação da área de Reserva Legal e APP para gozo da isenção de ITR. Fundamentou que, tendo em vista que é a lei que dá publicidade e eficácia necessária para o cumprimento, por todos, das limitações administrativas, o Poder Público, por sua vez, fiscaliza seu cumprimento em decorrência do poder de polícia que lhe garante os direitos administrativo e constitucional. Assim não é uma simples averbação nos ofícios de Registro Imobiliário que garantirá a devida satisfação de uma determinada limitação administrativa. Logo, uma vez que as leis ambientais são limitações administrativas, as APP e Reserva Legal existem independente do seu registro ou averbação, o proprietário do imóvel deve observálas na forma e nos limites legais. Exigindo, portanto a aplicação do princípio da verdade material e o reconhecimento da área de 456,16 ha correspondente a Reserva Legal e APP. · Ressalta que a DRJ /BSA em momento algum questiona a existência da área de Reserva Legal, pelo contrário, a reconhece, mas cria empecilhos ilegais que afrontam a legislação do ITR junta jurisprudência administrativa. · Quanto ao VTN inicialmente aponta que o art.10 da Lei nº 9.393/96 delimita a base do ITR como sendo aquela correspondente a área total do imóvel, subtraídas as APP, bem como as Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 construções, instalações, benfeitorias, culturas permanentes e temporária, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. · Argumenta que a justificativa do Acórdão de que os valores declarados pela recorrente não seriam idôneos, pois não houve por parte desta apresentação de laudo técnico com avaliação conforme procedimento da ABNT seria risível, pois a declaração da recorrente segue todos os requisitos legais. · Aponta que a Receita Federal, de ofício, não pode utilizar o VTN mínimo, sem a produção de provas cabais que demonstrem inadequadas ou omissas as informações do contribuinte. Sem um laudo técnicopericial hábil o ato administrativo é ilegal, uma vez que somente por meio de sua realização poderseá comprovar cabalmente o argumento legal incluído na notificação. Isto porque não há qualquer disposição legal que obrigue o contribuinte a apresentar laudo de avaliação de imóvel rural seguindo as normas da ABNT. · Insurgese ainda quanto à aplicação da multa de ofício (75%), vez que diante da especialidade da Lei nº 9.393/96 a multa cabível seria a multa prevista no art. 13, I do susomencionado texto normativo, qual seja 20%. É o relatório. Voto Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1. Do Mérito 1.1. Da Área de Preservação Permanente – APP A autoridade lançadora e a DRJ/BSA não reconheceram a área de 96 ha como APP haja vista, que a Contribuinte não apresentou o respectivo Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado junto ao IBAMA conforme determina o art. 17 O, § 1º, à Lei nº 6.938/81: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 5 7 § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000).” (Grifos e Negritos Nossos) Até o exercício de 2000 por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Ocorre que, em 2000, com o advento da Lei nº 10.165/00, que incluiu o art. 17 O, § 1º, à Lei nº 6.938/81, a exigência de apresentação do ADA passou a ter fundamento legal. Em que pese o posicionamento da 1ª Turma da DRJ/BSA compreendo que a apresentação do ADA não é condição para fruição do benefício fiscal, mas sim meio comprobatório da existência da APP, competindo ao contribuinte, diante da ausência de ADA, juntar aos autos outros meios, que comprovem a existência das respectivas áreas. Neste sentido leciona Alexandre Naoki Nixhioka: “Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei nº. 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O § 1º, à Lei nº 6.938/81, para fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo.” (A Prova das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal para efeitos de Redução da Base de Calculo do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, in ANAN JR, Pedro e PEIXOTO, Marcelo Magalhães Coordenadores. Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. São Paulo: MP Editora. 2012, pág. 19). A justificativa se encontra no fato das restrições ao direito de propriedade trazidas pelo direito ambiental (APP) decorrem explicitamente, da ocorrência ou verificação in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. A respeito especificamente da Área de Preservação Permanente (APP), dispunha o Código Florestal (Lei n º 4.771/65) vigente à época do fato gerador o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:” (Grifos e Negritos Nossos).” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Neste contexto, uma vez que a APP decorre diretamente da Lei, o contribuinte pode fazer a comprovação da existência da referida áreas através de outros meios probatórios além do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Logo, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta nº. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação de uma série de documentos além do ADA: “Ministério do Meio Ambiente INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas Coordenação Geral de Autorização de Uso da Flora e Floresta Coordenação de Monitoramento e Controle dos Recursos Florestais ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) Respostas às Perguntas mais frequentes sobre o ADA 40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? • Ato do Chefe do Poder Executivo declarando as áreas cobertas com florestas ou outras formas de como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o 'Código Florestal' (Lei 12.651/12) em seu artigo 6º; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente OEMA) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; • Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN); • Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo ITR da posse” (http://servicos.ibama.gov.br/phocadownload/manual/perguntas_frequentes_ada_2013.pdf link acessado em 01.08.13) (Grifos e Negritos Nossos). O direito ambiental é o ramo do direito com competência para definir e reconhecer APP, bem como os seus meios de prova. Assim uma vez que o IBAMA reconhece Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 6 9 como meio de prova da APP outros documentos além do ADA, não compete ao direito tributário, direito de sobreposição afastar os demais meios probatórios, sob pena de violar, por via transversa o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN). A exclusão do ITR é sobre as áreas de interesse ambiental e não sobre o formalismo de como se comprova a referida área. Neste sentido, esta corte tem reconhecido outros meios de prova para comprovar a existência de APP: “Considerandose que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denotase que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. (...) VOTO (...) Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo. (...) Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factunz propriwn, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto.” (Processo nº. 10183.005825/200596, Rel. Alexandre Naoki Nishioka, 1ª Câmara/1ª Turma, sessão de 18.08.10). “ITR EXCI,USÃO DA BASE DE CALCULO AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL EXERCICIO POSTERIOR A 2001 EXIGIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n" 10 165, dc 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal Entretanto, aquele documento pode ser substituído por outro de igual valor probante, emitido por órgão ambiental.” (Processo 10950.720115/200713 Rel. Ana Neyle Olímpio Holanda. 1ª Câmera/ 1ª Turma, sessão de 01.12.10.) Não obstante o meu posicionamento pessoal acima, é cediço nessa Turma o entendimento de que o ADA tempestivo, obtido pelo menos antes de iniciada a ação fiscal, é documento imprescindível para comprovar a APP, não sendo admitidos outros meios hábeis de prova para comprovação da APP. Passase a análise dos documentos apresentados pela Contribuinte para comprovar a existência da APP. A Contribuinte declarou, no ano de 2006, área de 96,0 ha correspondente à APP requerendo isenção para toda área. Para fins de comprovação da referida área, a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Contribuinte não colaciona aos autos do presente processo administrativo tributário qualquer documento que comprove a existência da referida área. O parágrafo 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 determina que o contribuinte não está sujeito a comprovação prévia das áreas de preservação permanente e Reserva Legal declaradas na DITR: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” Todavia, isto não significa que a Contribuinte possa se esquivar de comprovar a veracidade de suas declarações na DITR de forma privar a Autoridade Fiscal do seu poder de fiscalização. O art. 47 do Decreto nº 4.382/02 determina que a DITR apresentada pelo contribuinte está sujeita revisão pela Receita Federal, podendo exigir do contribuinte a documentação que comprove as informações prestadas na DITR. O art. 40 do referido dispositivo normativo deixa expresso à harmonização do seu art. 47 com o art. 10 §7º da Lei nº. 9.393/96: “CAPÍTULO III DA REVISÃO DA DECLARAÇÃO Art. 47. A DITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal, que, se for o caso, pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas.” “Documentos Comprobatórios Art. 40. Os documentos que comprovem as informações prestadas na DITR não devem ser anexados à declaração, devendo ser mantidos em boa guarda à disposição da Secretaria da Receita Federal, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, parágrafo único).” Neste sentido, diante da ausência de qualquer documentação que comprove a informação prestada pela Contribuinte na DITR de 2006, quanto à existência da Área de Preservação Permanente, entendo que o lançamento é procedente quanto à exclusão da área de 96 ha reportada como APP. No entendimento dessa Turma, o lançamento também é procedente no tocante à APP, por não ter sido apresentado ADA tempestivo que comprove a APP declarada. 1.2. Da Área de Reserva Legal RL No tocante à área de Reserva Legal, a fiscalização constatou que da área declarada de 306,1 ha, apenas em relação a 206,1 ha houve averbação tempestiva à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis, porém a área total declarada a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 7 11 título de Reserva Legal de 306,1 ha não foi objeto de ADA. Desta feita, a fiscalização desconsiderou a totalidade da área como sendo de Reserva Legal. A Área de Reserva Legal, na forma do Código Florestal abrogado, é uma área legal mínima de vegetação nativa que o proprietário do imóvel deve manter para que possa efetuar a supressão de parte da vegetação de sua propriedade. “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento)” A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da, forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa, Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça„ In: Revista de Direito Ambiental n." 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p, 120). Neste contexto, uma vez que a Reserva Legal decorre diretamente da lei, o contribuinte pode fazer a comprovação da existência da referida áreas através de outros meios probatórios além do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Assim, nos mesmos moldes que o APP, a área de Reserva Legal pode ser comprovada por outros meios que não o ADA. Com base na premissa acima, passase a análise dos documentos apresentados pela Contribuinte para comprovar a existência da área de Reserva Legal. A Contribuinte, às fls. 26, juntou Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas para Fazenda Luanda, onde declara perante a autoridade florestal que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 206,18 ha, não inferior a 20% do total da fazenda Luanda fica gravada como utilização limitada. O referido documento foi registrado sob o protocolo 218.706 no 2º Ofício de Imóveis da comarca de Conselheiro Lafaiete/MG em 02/08/2004 (fls. 113 – carimbo), portanto antes da ocorrência do fato gerador. Conforme já ventilado, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta nº. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação de uma série de documentos dentre eles o TRARL – Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal, juntado pela Contribuinte às fls. 26. O TRARL abrange uma área de 206,18 ha e memorial descritivo de Reserva Legal da Fazenda Luanda que acompanha o TRARL de fls. 30 relata de forma detalhada a localização da área de Reserva Legal na Fazenda: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 “LIMITES E CONFRONTA OES: Partindo da margem direita do Rio Paraopeba do Marco 01 de coordenadas UTM, Este 612316.6144, doravante denominadas X, e Norte 7715748.196, doravante denominadas Y, confrontando ao sul com as terras da Companhia Siderúrgica Nacional, e a oeste, pela margem esquerda do Rio Paraópeba, com as terras do Sr Neef, segue por 1067.34 metros, rumo nordeste; confrontando com a área denominada Mãe Rita de Cima ate o Marco ROI de coordenadas X = 612527.8283 Y = 7716807.0556, deste deflete a direita, rumo nordeste, por 807,26 metros , confrontando com as terras da fazenda Luanda ate o Marco R02, de coordenadas X = 613287.0201 Y = 7717171.1618, deste deflete a direita rumo sudeste, confrontando com as terras da fazenda Luanda e segue por 2153,98 metros ate o Marco R03 .de ,coordenadas X = 613676.4487,. Y = 7715091.4472, deste deflete a direita rumo sudoeste, e segue por; 760.63 metros confrontando com as terras do Sr Jairo ate o, Marco, 13, de coordenadas coordenadas X =613133.8660 Y = 7714615.0645, deste segue, por 2000. metros, confrontando com terras da Companhia Siderúrgica Nacional, ate a margem direita do Rio Paraopeba, no Marco 01, de coordenadas X= 612316.6144 Y 48.196, onde teve inicio esta descrição.” Embora a Contribuinte venha pleiteando o reconhecimento de 306,1 ha de área de Reserva Legal somente 206,18 ha restaram comprovados pelos documentos acostados aos autos. Desta feita, diante da comprovação da averbação de 206,1 ha de área de Reserva Legal e do TRARL de fls. 26 que demonstra de forma precisa a localização da Área de Reserva Legal de 206,18 ha dentro da Fazenda Luanda, compreendese restar comprovada para fins de aplicação do inciso II do art. 2º da Lei nº. 9.393/96 a área de Reserva Legal de 206,18 ha. 1.3. Do Valor da Terra Nua A Autoridade Lançadora aponta que a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT o Valor da Terra Nua, havendo assim arbitrado o VTN com base nos valores constantes do SIPT para município de Itabirito/MG. Embora a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que acompanha o Auto de Infração tenha feito referência ao SIPT de Itabirito/MG, o documento de fls. 10 refere se à cópia da tela do SIPT para o Município de Conselheiro Lafaiete, municipalidade onde se localiza o imóvel. Na forma do art. 14 da Lei nº 9.393/96 na hipótese de subavaliação, informação incorreta, inexata ou fraudulenta a autoridade fiscal pode arbitrar o Valor da Terra Nua: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Neste contexto se insurge a Contribuinte alegando que a Receita Federal, de ofício, não poderia arbitrar o VTN com base no SIPT sem a produção de provas cabais que demonstrem inadequadas ou omissas as informações do contribuinte, levando inclusive a Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 8 13 ilegalidade do ato administrativo de arbitramento. Abrigase ainda na argumentação de que não há necessidade de comprovação prévia dos valores reportados na DITR. Pois bem. De fato não há necessidade de comprovação prévia dos valores reportados na DITR, porém, quando da fiscalização, cabe ao contribuinte comprovar os valores declarados e, caso não consiga comproválos, no caso do VTN com base em Laudo Técnico de Avaliação, a autoridade tributária poderá arbitrar o VTN com base no SIPT. Logo, tendo em vista que a Contribuinte não apresentou Laudo Técnico de Avaliação, nos moldes da estabelecidos pela NBR 14.6533 da ABNT, seja para comprovar o VTN informado na DITR, seja para contestar o valor arbitrado, entendo procedente o arbitramento do VTN com base no SIPT. 2.4. Da Multa de Oficio A Contribuinte invoca o principio da especialidade para afastar a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, requerendo a aplicação da multa prevista no art. 13, I da Lei nº 9.393/96 de 20 %. Confirase: “Art. 13. O pagamento do imposto fora dos prazos previstos nesta Lei será acrescido de: I multa de mora calculada à taxa de 0,33% (zero vírgula trinta e três por cento), por dia de atraso, não podendo ultrapassar 20% (vinte por cento), calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento;” Improcedente a argumentação da Contribuinte por se tratarem de multas distintas não havendo conflito entre o art. 13 da Lei nº 9.393/96 e o art. 44 da Lei nº 9.430/96 para ensejar a aplicação de um dos métodos de solução de conflito aparente de normas. A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável quando do pagamento do imposto fora do prazo legal é prevista para ser aplicável enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo a multa decorrente da falta de pagamento ou recolhimento ou da falta de declaração ou na hipótese de declaração inexata é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº. 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007).” Logo, correta a aplicação da multa de ofício de 75% no caso sob análise. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de 206,18 ha a título de Reserva Legal. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15563.720311/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.391
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Fez sustentação oral: Alessandro Barreto Borges - OAB/SP 196.401
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Alessandro Barreto Borges - OAB/SP 196.401 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Alessandro Barreto Borges OAB/SP 196.401 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 31 1/ 20 11 -5 1 Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.992 ___________ RELATÓRIO Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora: Trata o presente processo de crédito tributário exigido por meio de auto de infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe às fls. 2743/2753, com demonstrativos de fls. 2711/2742 e termo de verificação fiscal de fls. 2619/2626, referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI) no montante de R$ 52.268.876,52, acrescido de multa de ofício proporcional, passível de redução, no valor de R$ 39.201.657,24 e de juros de mora que, até a data de 31/01/2012, perfaziam R$ 19.397.283,28. A descrição dos fatos e enquadramento legal consta de fls. 2745/2753, tendo a Fiscalização fundamentado a lavratura do auto de infração nos seguintes itens: “001 – CRÉDITOS INDEVIDOS GLOSA DE CRÉDITOS POR FALTA DE REQUISITOS LEGAIS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal” Enquadramento legal: “Arts. 122, 127, 175, 195, 196, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV e 202, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)”. “002 – IPI NÃO LANÇADO – BEBIDAS DO DECRETO nº 97.976/89 SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI EM VENDAS PARA LEYROZ Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal” Enquadramento legal: “Arts. 24, ( ) inciso II,( ) inciso III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea “b” e inciso II, alínea “c”, 127, 139, 143, 149, 150, ( )199,( )199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso II e 448 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)”. No termo de verificação fiscal de fls. 2619/2626, foram detalhados os procedimentos, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação, assim sintetizados: “O primeiro o fato que a fiscalizada foi extinta por incorporação à Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ: 73.410.326/000160, ao final de 2009, conforme Distrato da Cervejaria Petrópolis Ltda, CNPJ: 04.469.628/000191, de 31/12/2009, registrado na Jucerja em 28/01/2010 e Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 31/12/2009 da Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ: 73.410.326/000160, registrada na Jucerja em 28/01/2010. Após a incorporação o estabelecimento da incorporada, segundo item 4.9 da Ata da Assembléia, se transformou na filial de CNPJ: 73.410.326/000918, e, portanto, sucessora dos fatos geradores ora constituídos. O segundo aspecto é que a Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ 73.410.326/000160 é detentora de decisão favorável em processo de consulta em que a Cervejaria Petrópolis S/A (consulente) estaria a princípio resguardada em casos em que distribuidores seus, questionem judicialmente a validade do regime de tributação imposta pela legislação (no presente caso, pauta fiscal), e tenham deferida a antecipação de tutela no sentida de impedir a indústria de promover o destaque e o Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.993 3 recolhimento de IPI. Segundo a decisão em processo de consulta, o eventual insucesso da ação de seus distribuidores devem ser por estes suportados, sendolhes exigíveis os valores devidos e consectarios moratórios ou punitivos. (...) Analisando o inteiro teor do Processo de Consulta de n° 13748.000523/200587 (anexo ao presente processo) se verifica que o consulente só menciona a ação judicial movida por um de seus clientes, JM INDÚSTRIA COMÉRCIO E LOGÍSTICA LTDA, CNPJ: 04.660.550/000198. O processo é fartamente documentado (mais de 200 folhas), culminando na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n° 60, de 17 de fevereiro de 2006. Em momento algum, é feita qualquer menção a LEYROZ DE CAXIAS, outro distribuidor detentor de medida judicial. (...) Ao tempo da formulação da consulta já se tinha conhecimento do efeito multiplicador de diversas ações judiciais da mesma natureza interpostas por contribuintes de todo o País questionando a cobrança do IPI com base em pautas fiscais. Dada a inovação de tal sistemática, muitas liminares eram concedidas, para pouco tempo depois terem seus efeitos cassados. Não havia um padrão de comportamento, "cada história é uma história". Sendo assim, a consulente já poderia àquela época ter informado o órgão consultivo da existência de outros processos judiciais de seus clientes que estivessem sendo beneficiados por decisões judiciais similares. Mais especificamente, o da LEYROZ DE CAXIAS, a que veio dar saída sem destaque de IPI em "cumprimento a ordem judicial". Ao não informar ao órgão consultivo da existência de outro processo judicial, assumiu o risco de dar saída a produtos de sua fabricação para terceiros, sem que estivesse coberto pelos efeitos da consulta. (...) Assim, por todo o exposto, a decisão favorável em processo de consulta não faria seus efeitos nas saídas para a LEYROZ DE CAXIAS mesmo que fossem efetuadas por filial da Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ: 73.410.326/000160. Sendo as saídas sem destaque de IPI feitas pelo CNPJ: 04.469.628/000191 da Cervejaria Petrópolis Ltda, e portanto de outro contribuinte, de qualquer forma a consulta não faria seus efeitos. O art. 14, § 2°, da IN SRF n. 740/2007 dispõe que: "os efeitos da consulta que se reportar a situação não ocorrida somente se aperfeiçoarão se o fato concretizado for aquele sobre o qual versou a consulta previamente". Por essa razão, o contribuinte não poderia socorrerse da Solução de Consulta para afastar sua condição responsável da obrigação tributária do IPI, uma vez que seu efeito vinculante somente abrange os fatos sobre os quais ela versou previamente, o que não é o caso da ação judicial interposta por distribuidora distinta de seus produtos (LEYROZ DE CAXIAS). Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.994 4 Analisando as notas fiscais de compra, que deram origem aos créditos presumidos, verificamos que em todas as notas fiscais a base legal da isenção foi o inciso II do artigo 69 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002. A descrição do produto da nota fiscal de produto adquirido da ÓTIMO foi "OTIMAZON CONCENTRADO P/ BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS", classificação fiscal 21069010 Ex01, e o da CONCENTRE foi "PLANA PREPARADO LÍQUIDO DA AMAZÔNIA NÃO ALC", classificação fiscal 21069010Ex01. A classificação fiscal 21069010Ex01 tem alíquota de 27%: (...) Como visto no item 8, em todas as notas fiscais de compra que dariam origem aos pretensos créditos presumidos, a base legal da isenção foi o inciso II do artigo 69 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002. Assim, está descumprida a condição para gozo do benefício fiscal que seria que o produto adquirido o fosse com a isenção do inciso III do artigo 82 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002. Devem, portanto, ser glosados os créditos escriturados a título de "outros créditos", por descumprimento das condições previstas. Base legal: art. 175, 195 e 196 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002 (Regulamento do imposto sobre Produtos Industrializados) (negritos no original)” Cientificado da autuação em 15/02/2012, (fl. 2744), a autuada apresentou sua impugnação (fls. 2807/2837) cujas razões podem ser sintetizadas pelos trechos abaixo transcritos: “Com isso, subordina a aquisição de direitos à mera questão formal de preenchimento de informações complementares na nota fiscal (documentos normalmente elaborado por leigos), elevando a mera forma a uma atitude que suplanta o conteúdo, isto é, a forma é mais do que a substância e as vestes mais do que o corpo. Mais: o erro do fornecedor faria perecer o direito do adquirente? (...) Importante salientar que nas notas fiscais apresentadas à fiscalização às fls. 2.142/2.233, referentes às saídas isentas do referido insumo das empresas Ótimo e Concentre, consta expressamente a matriz legal que concede a isenção do imposto, ou seja, o artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75. Sendo assim, o direito ao crédito pela impugnante se dá por aplicação do §1º deste artigo. Não há como impedir o aproveitamento do crédito nos termos do art. 6º, § 1º, do mencionado decreto, simplesmente porque o remetente dos produtos mencionou também o art. 69, II, do Decreto nº 4.544/02 nas Notas Fiscais, haja vista que direito ao crédito está expresso em lei. (...) Por isso, como se verifica acima, o RIPI/02 apenas reproduz o disposto no DecretoLei nº 1.435/75,. não há distinção entre eles, não impondo Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.995 5 nenhum requisito adicional (nem poderia fazêlo), para aproveitamento dos créditos além dos que já constam do DecretoLei mencionado. (...) Embora o direito ao crédito de IPI no presente caso se dê por expressa previsão legal, no artigo 6º, do DecretoLei nº 1.435/75, no que concerne ao tema central da glosa do crédito, o produto adquirido com isenção gera direito ao crédito nos moldes da sedimentada jurisprudência brasileira, observandose para tanto que há regime especial a ser adotado, no caso em que o produto elaborado na Amazônia Ocidental seja empregado como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, pelas indústrias estabelecidas em todo o território nacional, em vista do princípio da nãocumulatividade... (...) Logo, sua situação é apenas de terceira que esteve sujeita à determinação judicial que recebeu e que deveria dar cumprimento, sob pena de responder por crime de desobediência (artigo 330 CP)". (...) Portanto, durante todo o período objeto da presente autuação, de 06/2007 a 12/2008. a determinação judicial direcionada à impugnante estava vigente e eficaz para produzir seus regulares efeitos de direito. (...) Assim, não sendo parte do processo, imperioso lembrar do disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, pelo qual, a decisão judicial não pode atingir terceiros... (...) Em harmonia com essa regra, o disposto no artigo 811 do mesmo CPC ressalta que a repercussão de decisão em sede de medida liminar/antecipação de tutela não pode recair sobre terceiro que não tenha participado da ação. (...) Desta forma, por observância dos artigos 472 e 811 do CPC, não responde a impugnante pelo insucesso da empresa Leyroz (contribuinte de fato), em relação ao objeto nesta discutido, ou seja, débitos de IPI referentes às saídas destinadas a autora, haja vista que a impugnante não foi parte no processo. (...) Importante destacar, que a consulta formulada pela impugnante versou sobre fato concreto ocorrido à época da sua apresentação na Receita Federal, buscando a segurança jurídica em relação às operações descritas na formulação da consulta. ... Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.996 6 Emitida a solução de consulta a Administração Pública fica a esta vinculada, haja vista que este é justamente o efeito almejado pelo consulente, e o fundamento para a existência deste procedimento, ou seja, a segurança jurídica. ... Como é cediço, a empresa incorporadora, Cervejaria Petrópolis S/A, assume a empresa incorporada passando a prevalecer como entidade jurídica em todos os seus aspectos, razão social, CNPJ e os direitos, tal como o direito adquirido com a solução de consulta de não ser responsabilizada por insucesso da autora da ação judicial contribuinte de fato do IPI (Leyroz). o que restou expresso na Solução nº 60/2006. Assim, não merece prosperar o argumento de que a empresa que deu as saídas de produtos sem o destaque do IPI, por determinação judicial. Cervejaria Petrópolis Ltda., CNPJ nº 04.469.628/000191, não estaria "coberta" pela consulta. ... Tais dispositivos estabelecem que haverá apenas uma consulta e uma resposta sobre determinado assunto, evitandose a repetição da consulta e da resposta sobre o mesmo tema. ... Ocorre que a situação jurídica existente em ambos os processos judiciais tanto no processo como na conseqüência jurídica em relação à impugnante é exatamente a mesma. .. De qualquer forma, o que dá identidade ao objeto da ação é o pedido formulado pelas partes, nos termos do artigo 301, §2º, do CPC... Assim, os fundamentos de fato, aquisição pelas autoras das ações, de produtos sujeitos à incidência do IPI cuja a base de cálculo era obtida através de pauta fiscal, e os fundamentos de direito, ilegalidade e inconstitucionalidade da fixação da base de cálculo através de pauta fiscal ou pauta de valores são idênticos nas duas ações. ... Como se verificou, as situações são idênticas juridicamente, portanto, se sujeitam as mesmas regras, aplicandose integralmente a Solução de Consulta para ambos os casos. ... Além da Solução de Consulta emitida em favor da impugnante nº 60/2006, ainda emanam no mesmo sentido favorável, diversos outros atos normativos/decisões administrativas da Receita Federal... Como é possível averiguar, a Administração Pública Federal, por diversas vezes emitiu atos e julgou processos favoravelmente ao entendimento de que a responsabilidade tributária, como na hipótese Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.997 7 dos autos, deverá ser imposta e exclusivamente ao contribuinte de fato, ou seja, à distribuidora, autora da ação. ... Há de se levar em consideração, ainda, que a. solução de consulta fiscal integra o conceito de legislação tributária, previsto no artigo 100 do CTN e. nesse sentido, tratase de lei em sentido amplo, apto a afastar ou determinar a responsabilidade tributária de contribuinte de fato do IPI, conforme expresso na solução de consulta nº 60/2006, ato normativo da Receita Federal, plenamente válido e eficaz, que está a produzir seus efeitos até o presente momento. ... Não pode a autoridade responsável pelo auto de infração atribuir efeito não previsto em lei à solução de consulta perfeita e vigente, visando apenas não aplicar a decisão da própria Receita Federal, invocando requisitos criados para a formulação da consulta e não para a interpretação desta após já ter sido respondida. Concluise que o disposto no art. 3, III, da IN nº 740 é destinado à autoridade competente para a emitir a solução de consulta e não para interpretação de seu alcance após ter sido validamente emitida. ... Quanto ao artigo 14, §2º da IN nº 740/07, este se refere a situação em que, embora previamente informada na formulação de consulta, não ocorresse na prática... ... No entanto, tal dispositivo não se aplica ao caso destes autos, já que a situação mencionada na formulação de consulta ocorreu efetivamente na prática e, inclusive, mais de uma vez, de forma idêntica em ambos os casos, como já demonstrado supra. ... Ocorre que não houve no caso dos autos qualquer convenção entre particulares, mas sim decisão judicial e solução à consulta emanadas do próprio Poder Público (Judiciárío e Executivo), com o que se torna inaplicável o disposto no artigo 123, do CTN, invocado no auto de infração como regente dos fatos.” No decorrer de sua impugnação fez diversas citações a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que entendia serem capazes de corroborar sua alegações. Ao final veio requerer o reconhecimento do seu direito aos créditos por terem sido erroneamente glosados e que seja aplicada ao caso a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 60/2006, devendo o lançamento ser julgado totalmente improcedente. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgala improcedente, em decisão que assim ficou ementada: Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.998 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008 INSUMO DESONERADO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as entradas isentas que se derem com fundamento no inciso III, do art. 82, do Decreto nº 4.544/02, irão garantir o direito ao crédito incentivado instituído pelo Decreto Lei nº 1.435/75, conforme disposição expressa do art. 175, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI 2002). INSUMO DESONERADO. DIREITO AO CRÉDITO. Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo que não seja onerado pelo imposto, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. A consulta deve circunscreverse a fato determinado, aplicandose a sua solução a situação não ocorrida somente se o fato concretizado for aquele sobre o qual versou a consulta previamente formulada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008 ELEMENTOS DE PROVA. Os elementos de prova no processo administrativo são, quando não mais é possível comprovar, in loco, a situação descrita pelo contribuinte, a sua escrituração fiscal regulamente realizada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se pode verificar do relatório acima transcrito, o auto de infração sob análise esta calcado em dois pontos distintos, um relativo a créditos decorrentes de aquisições da Amazônia Ocidental e o outro relacionado às saídas promovidas pela Recorrente sem tributação pelo IPI em decorrência de obrigação decorrente de decisões judiciais em favor de seus clientes. A controvérsia dos autos em relação ao primeiro item da fiscalização (001 – CRÉDITOS INDEVIDOS GLOSA DE CRÉDITOS POR FALTA DE REQUISITOS LEGAIS), diz respeito a aplicação do benefício instituído pelo Decreto Lei nº 1.475/75, com a redação dada pelo Decreto Lei nº 1.593/77, que assim determinava: "Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.999 9 estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA." (grifos nossos) Referido tratamento diferenciado restou regulamentado, à época dos fatos, pelo Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544/02, nos seguintes termos: Aquisição da Amazônia Ocidental Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto.(Decreto lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º)(grifos nossos) O art. 82, inciso III do RIPI/02 assim prescreve: Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). Assim, a Recorrente adquiriu produtos isentos, por força do art. 82, III do RIPI/02, de empresa situada na Amazônia Ocidental e creditouse do Imposto, como se devido fosse, com base no disposto no art. 175 do mesmo Regulamento. A autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos por entender que a Recorrente não cumpriu os requisitos para fazer jus ao credito presumido estabelecido na legislação acima transcrita. Para tanto analisou as notas fiscais de aquisição que davam conta que as mercadorias teriam sido compradas para comercialização e não como matéria prima a ser utilizada em seu processo de industrialização. Tal conclusão seria decorrente do fato de os fornecedores da Recorrente terem incluído nas notas fiscais de venda, mais especificamente no campo de observações complementares a informação de que o fundamento para a saída isente seria o disposto no art. 69, inciso II, do Decreto nº 4.455/02 que assim normatiza: Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 3.000 10 Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; e Tal informação confirmaria, no entender da fiscalização, que os produtos foram adiquiridos para comercialização, descarcterizandose assim a aquisição de matéria prima para industrualização. Vale destacar que os produtos que foram adquiridos são: a) da empresa ÓTIMO "OTIMAZON CONCENTRADO P/ BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS", classificação fiscal 21069010 Ex01; e, b) CONCENTRE foi "PLANA PREPARADO LÍQUIDO DA AMAZÔNIA NÃO ALC", classificação fiscal 21069010Ex01. Buscamos na Tabela TIPI que os produtos classificados no código 21069010Ex01 são “preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebidas da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado.” A Recorrente, por sua vez, aduziu, que o fato de as notas fiscais de aquisição informarem que o motivo da isenção ser o art. 69, II do RIPI/02, por erro de seus fornecedores, não desvirtua a natureza da operação efetuada (compras para industrialização) e que as mesmas notas fiscais citam o disposto no art. 6º do Decreto Lei . 1.435/75. Entendo que assiste razão em parte à Recorrente. A glosa dos créditos efetuada pela autoridade fiscal se fundamentou exclusivamente na informação existente no campo de informações complementares das notas fiscais de aquisição (art. 69), e a partir disto concluiu que os produtos adquiridos teriam a natureza de compras para comercialização. Não há nos autos nenhum outro indicio ou prova de que a Recorrente de fato revendeu tais mercadorias. Analisandose a descrição das mercadorias temse que, aparentemente, tratase efetivamente de matérias primas para a produção de bebidas não alcoólicas que foram registradas nos livros fiscais da Recorrente nos códigos CFOP 2.101 e 2.122 (ambos relacionados a compras para industrialização) É evidente que estas informações não são suficientes para garantir o direito ao crédito pela Recorrente, mas são suficientes para que este relator fique em duvida sobre os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal que acompanhou o Auto de Infração. Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 3.001 11 A Recorrente, de fato poderia ter trazido aos autos prova de que as mercadorias são utilizadas em seu processo produtivo, mas não o fez. Da mesma forma, a autoridade fiscal poderia ter aprofundado mais sua análise no sentido de aprofundarse no processo produtivo e no destino dos produtos adquiridos. O que importa saber é se as mercadorias foram adquiridas para revenda ou pra utilização em seu processo produtivo. Entendo ser necessária a apuração mais detalhada das atividades desenvolvidas pela Recorrente, para então se poder verificar se de fato as mercadorias foram adquiridas para industrialização ou para comercialização. Já em relação ao segundo item do auto de infração (IPI NÃO LANÇADO – BEBIDAS DO DECRETO nº 97.976/89 SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI EM VENDAS PARA LEYROZ), me parece correta afirmação da decisão recorrida de que a matéria em discussão no processo é eminentemente de direito e diz respeito aos efeitos da consulta formulada em outra ocasião pela Recorrente. Tendo em vista a necessidade de maiores esclarecimentos em relação aos fatos descritos no item 1 do auto de infração, analisarei os argumentos aduzidos em relação ao item 2, após o retorno do presente processo da diligencia que passo a propor. Por todo o exposto acima, entendo por bem baixar o presente processo em diligência, para que a autoridade fiscal informe: a) junte ao processo as planilhas elaboradas pela Recorrente e que foram juntadas com a petição de fls 2.138; b) se os produtos "OTIMAZON CONCENTRADO P/ BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS" e "PLANA PREPARADO LÍQUIDO DA AMAZÔNIA NÃO ALC", ambos com classificação fiscal 21069010 Ex01, foram beneficiados e posteriormente comercializados, e quais insumos fora utilizados no processo; c) se as empresas fornecedoras estão situadas na ZFM ou na Amazônia Ocidental; e, Em relação ao segundo ponto, diante da ausência de informações contundentes sobre as decisões proferidas no processo envolvendo a empresa Leyroz, entendo por bem baixar o processo em diligência para solicitar à autoridade preparadora que solicite, a Recorrente e PGFN, informações sobre o andamento do processo judicial nº 2004.51.10.0064842, bem como cópia das principais peças deste. Caso não seja possível obter cópia das decisões judiciais proferidas diante de eventual segredo de justiça, determino que a DRF aguarde o trânsito em julgado do processo judicial, providenciando, em seguida, cópia de suas principais peças para que seja dada continuidade ao presente julgamento. Cumprida a diligência deve ser o Recorrente intimado para se manifestar a cerca do seu resultado. Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 3.002 12 É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES
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