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Numero do processo: 11080.918881/2012-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 88 81 /2 01 2- 32 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918881/201232 Acórdão n.º 3802002.415 S3TE02 Fl. 113 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 63 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 17/09/2013 (fls. 60), interpondo recurso tempestivo em 08/10/2013 (fls. 63). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918881/201232 Acórdão n.º 3802002.415 S3TE02 Fl. 114 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918881/201232 Acórdão n.º 3802002.415 S3TE02 Fl. 115 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000008/2010-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem instrua o presente processo com o inteiro teor das decisões definitivas prolatadas nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00, inclusive sobrestando o presente processo até advir a possibilidade da providência.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem instrua o presente processo com o inteiro teor das decisões definitivas prolatadas nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00, inclusive sobrestando o presente processo até advir a possibilidade da providência. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem instrua o presente processo com o inteiro teor das decisões definitivas prolatadas nos processos nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, inclusive sobrestando o presente processo até advir a possibilidade da providência. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 00 8/ 20 10 -6 1 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/08/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 4 ___________ Relatório Retornam os autos diligência à repartição de origem para onde foram encaminhados por meio da Resolução nº 3803000.175, com a finalidade de obtenção do inteiro teor das decisões prolatadas nos processos de nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas. Do Relatório anexo podese inferir que os acórdãos referentes a esses processos foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as declarações de compensação constituem instrumentos de confissão de dívida bastante e suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e aqueles objeto das compensações não homologadas. Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao mérito das querelas, a saber: o pedido de ressarcimento de crédito relacionado à Cofins não cumulativa mercado externo 4º trimestre/2005, no valor de R$ 1.411,66. Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo. A conclusão a que chegou o referido relatório é que os dois processos retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/08/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 12571.000008/201061 Resolução nº 3803000.337 S3TE03 Fl. 5 3 causa de pedir, havendo sido tal situação reconhecida pela Turma e convertido o julgamento em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo. Como já antecipado, nos casos em que ocorrem tal situação o julgador originário se torna prevento em relação a todos os processos relacionados com a matéria. Isto posto e considerando a pesquisa previamente realizada acerca dos autos, bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, em face do que dispõe o § 8º do artigo 58 do RICARF/20091, pugno em declinar da competência para o julgamento do presente processo em favor do Conselheiro Antônio Lisboa, integrante da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARFMF. É como voto. Sala de sessões em 21 de agosto de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. 1 RICARF/2009, Art. 58, § 8º os processos que versem sobre a mesma questão jurídica poderão ser julgados conjuntamente quanto à matéria de que se trata, sem prejuízo do exame e julgamento das matérias e aspectos peculiares. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/08/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720351/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto de Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Relator
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista (suplente convocado), Hélio Eduardo Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, e Alberto Pinto de Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista (suplente convocado), Hélio Eduardo Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, e Alberto Pinto de Souza Junior.
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Relator (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista (suplente convocado), Hélio Eduardo Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, e Alberto Pinto de Souza Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 35 1/ 20 12 -9 1 Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720351/201291 Resolução nº 1302000.315 S1C3T2 Fl. 2.614 2 TNL PCS S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 12 053.530, de 05/03/2013, da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1737 e segs.) e da Contribuição Social para o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1745 e segs.), por fatos geradores ocorridos no ano calendário 2010. O total da exação alcançou R$ 10.058.312,71, aí incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até a data do lançamento, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 2). A acusação fiscal é de que o contribuinte teria excluído indevidamente das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o total de R$ 21.938.236,12, a título de dispêndios de inovação tecnológica. A descrição detalhada dos procedimentos do Fisco e de suas conclusões se encontra no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1754/1776), do qual transcrevo o excerto a seguir (destaques no original): [...] 4.1 Da dedução dos dispêndios de inovação tecnológica 4.1.1 O Contribuinte, em atendimento ao TIPF e aos Termos de Intimações subseqüentes, apresentou a planilha em que detalha os dispêndios que efetuou com inovação tecnológica (de acordo com a Lei n°11.196/2005) e o respectivo percentual incentivado no anocalendário de 2010 (Anexo Resposta à Intimação em 29032012). A planilha foi reproduzida abaixo. [Quadro 1] 4.1.2 Benefícios utilizados pelo Contribuinte Esta Auditoria verificou que o Contribuinte se aproveitou do benefício fiscal previsto no art. 19, caput e § 1° da Lei n°11.196/2005 (regulamentado pelo art. 8º do Decreto n°5.798/06) tendo excluído oitenta por cento daquele valor das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 4.1.3 Dispêndios de 2010 não lançados em contas contábeis específicas Esta Auditoria constatou que o Contribuinte não observou a exigência legal do registro dos dispêndios informados no Formulário MCT 2010 (Anexo FORMULÁRIO MCT _TNL PCS_2010) em contas contábeis específicas (inciso I do art. 22 da referida Lei do Bem) utilizandose tão somente de contas contábeis criadas para controle dos dispêndios. 4.1.3.1 Contas contábeis de controle dos dispêndios Os extratos dos Razões das contas 13215080 e 13250240 utilizadas para controle dos dispêndios fornecidos pelo Contribuinte (Anexos Lçto extemporâneo conta 13215080 custo 2010 e Lçto extemporâneo conta 13250240 amort 2010), revelam que no anocalendário de 2010 não foram efetuados lançamentos referentes aos controles dos dispêndios declarados no Formulário MCT 2010. Tais lançamentos de controle só foram efetuados em 31/10/2011. Tais lançamentos contábeis, efetuados no anocalendário 2011, demonstram a natureza extemporânea dos lançamentos dos controles dos dispêndios uma vez que os mesmos ocorreram no ano de 2010 e a utilização do Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720351/201291 Resolução nº 1302000.315 S1C3T2 Fl. 2.615 3 incentivo fiscal relativo a 80% dos respectivos dispêndios foram utilizados na apuração do IRPJ e da CSLL no anocalendário 2010. [...] 4.2 Anocalendário 2010 glosa da exclusão do incentivo fiscal no lucro líquido para apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL 4.2.1 No anocalendário de 2010, apesar do contribuinte ter realizado dispêndios com a contratação de serviços na área de tecnologia, conforme se depreende das informações enviadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, formulários em anexo, os mesmos não podem ser enquadrados como dispêndios de inovação tecnológica, não ensejando, portanto, a exclusão de oitenta por cento de seu valor a título de benefício fiscal. PROVA CABAL DISSO é o Parecer Técnico Conjunto n° 077/2011 (PTC n° 077/2011) da Coordenação Geral de Inovação Tecnológica (CGIT) e da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação (CGTE), ambas do Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI), QUE NÃO CORROBORA O ENQUADRAMENTO COMO PROJETOS DE P, D & I APRESENTADOS PELA BENEFICIÁRIA TNL PCS S/A NO ANO BASE 2010, CONFORME OS TERMOS E OS PROPÓSITOS ESTABELECIDOS NA LEI N° 11.196, DE 21/11/2005 (página 3 do Anexo Parecer TNL PCS 2010 [fls. 1725/1727]). 4.2.2 De fato, como já visto, pelo art. 17, § 7° da Lei n° 11.196/2005 e pelo art. 14 do Decreto n° 5.798/2006, as pessoas jurídicas beneficiárias dos incentivos fiscais relacionados à pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica são obrigadas a prestar informações ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) sobre seus programas nessa área até 31 de julho de cada ano, informações essas que são repassadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) por força do § 2° do art. 14 do citado Decreto. 4.2.3 O referido Parecer PTC n°077/2011 menciona ainda que o MCT relativo ao ano base 2010 classificou a empresa TNL PCS S/A no Anexo V do Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais, na relação das "Empresas que Apresentaram Informações Imprecisas e/ou Incompatíveis ao Atendimento dos Dispositivos da Lei nº 11.196/05" (página 2 do Anexo Parecer TNL PCS 2010 [fls. 1725/1727]). 4.2.4 Contas contábeis específicas 2010 No que pese o parecer produzido pelo MCTI, não recomendando o enquadramento como projetos de P,D&I apresentados pela TNL PCS S/A no ano base de 2010, conforme os termos e os propósitos estabelecidos na Lei nº 11.196/05, esta Auditoria ainda constatou, pela análise dos esclarecimentos, documentos e arquivos digitais apresentados, e da contabilidade do ano de 2010 (apresentada pela empresa), que o Contribuinte deixou de observar as disposições contidas no inciso I do art. 22 da referida Lei, que determina que os dispêndios e pagamentos de que tratam os artigos 17 a 20 da Lei do Bem sejam controlados contabilmente em contas específicas. 4.2.4.1 O Contribuinte encaminhou telas do seu sistema contábil Sistema Contábil SAP (Anexo Telas SAP Prest Serv PJ 2010 [fls. 1207/1277]), contendo consultas aos lançamentos contábeis dos valores dos dispêndios pagos aos prestadores de serviços indicados no Formulário MCTI (páginas 26 a 29 do Anexo FORMULÁRIO MCT_TNL PCS_2010 [fls. 275/278]). A partir destas telas de consulta, esta Auditoria selecionou, por amostragem, 04 (quatro) prestadores de serviços, identificados pelas siglas B2BR, BSI, CPDT e CSC e, identificados os códigos dos fornecedores e as respectivas notas fiscais de serviços (NFS), emitidas pelos respectivos prestadores, no âmbito das informações contidas no Formulário MCTI, extraiu da conta contábil Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720351/201291 Resolução nº 1302000.315 S1C3T2 Fl. 2.616 4 0021120140 FORNECEDORES ENTR MERC / SERVENTR FATURA (conta indicada nas telas do Sistema Contábil SAP) todos os lançamentos contábeis destes 04 prestadores de serviços, os quais foram relacionados no Anexo Amostragem Lçtos Contábeis Fornecedores [fls. 1728/1736]. Verificase, a partir da extração contábil realizada, que nesta conta contábil estão lançados tanto os valores dos dispêndios relativos aos incentivos fiscais (assinalados por "X" na coluna IT Inovação Tecnológica) quanto diversos outros valores relativos às demais prestações de serviços não relacionadas aos incentivos fiscais à inovação tecnológica. Daí se conclui que o Contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para registro dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica. 4.2.4.2 O fato do Contribuinte ter efetuado uma reclassificação contábil nas contas 13215080 (DISPÊNDIOS COM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA – INTANGÍVEL) e 13250240 (DEP. DE DISPÊNDIOS COM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA INTANG), registrando nestas, no ano de 2011, os valores dos dispêndios com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de inovação tecnológica ocorridos no anocalendário de 2010, não atende ao requisito legal que obriga o controle destes dispêndios em contas específicas (Anexos Lçto extemporâneo conta 13215080 custo 2010 e Lçto extemporâneo conta 13250240 amort2010 [fls. 1278/1285]). 4.2.5 Assim, considerando que o Contribuinte não utilizou contas contábeis específicas para controle dos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica no transcurso do anocalendário 2010, conforme exigência contida na Lei do Bem e, em virtude da conclusão do Parecer PTC n° 077/2011, cujo objeto foi justamente a avaliação do enquadramento dos projetos realizados pelo Contribuinte no escopo da mesma Lei do Bem e do decreto que a regulamentou, cabe a glosa das exclusões realizadas no período fiscalizado com base no benefício fiscal previsto naquele diploma legal. A interessada apresentou a impugnação de fls. 1860/1890, em que traz razões de defesa acerca “Do Registro Contábil dos Dispêndios com Inovação Tecnológica” e “Dos Questionamentos Apontados no Parecer do MCTI”, e conclui com o pedido de cancelamento das glosas. A 15ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 12053.330, de 05/03/2013 (fls. 1960/1983), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. INCENTIVOS FISCAIS. O interessado que pleiteia o aproveitamento de um incentivo fiscal tem o ônus de comprovar o atendimento dos requisitos legais exigidos para o gozo do benefício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ. LUCRO REAL. EXCLUSÕES. GLOSA DE DISPÊNDIOS COM PESQUISAS E DESENVOLVIMENTO DE INOVAÇÕES Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720351/201291 Resolução nº 1302000.315 S1C3T2 Fl. 2.617 5 TECNOLÓGICAS. FALTA DE DETALHAMENTO DOS PROJETOS. PARECER DO MCTI. A pessoa jurídica beneficiária do incentivo de que trata o art. 19 da Lei nº 11.196/2005 fica obrigada a prestar ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação MCTI informações sobre seus programas de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Não logrando a interessada detalhar, com suficiente precisão, os projetos por ela executados, cabe a glosa do incentivo. Ratificação do parecer técnico emitido pelo MCTI, diante da ausência de elementos capazes de infirmálo ou desmentilo. IRPJ. LUCRO REAL. EXCLUSÕES. GLOSA DE DISPÊNDIOS COM PESQUISAS E DESENVOLVIMENTO DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS. DISPÊNDIOS EFETUADOS COM EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE. A pessoa jurídica beneficiária do incentivo de que trata o art. 19 da Lei nº 11.196/2005 não está impedida de contratar, junto a empresas de médio e grande porte, serviços técnicos de apoio aos seus projetos de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovações tecnológicas. Para fazer jus, todavia, ao incentivo fiscal, a empresa deverá comprovar que os serviços contratados junto a estas empresas não caracterizam transferência, ainda que parcial, da execução do projeto. Na falta de tal comprovação, reputase correta a glosa do incentivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. DECORRÊNCIA. O que ficou decido em relação ao IRPJ, no tocante à glosa do incentivo fiscal a que se refere o art. 19 da Lei nº 11.196/2005, aplicase, também, à CSLL. Ciente da decisão de primeira instância em 11/03/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 2344, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/04/2013 conforme despacho à folha 2349. No recurso interposto (fls. 1990/2015), a interessada historia o ocorrido, por sua ótica, e afirma que a decisão recorrida já teria estabelecido o descabimento da glosa fundamentada na suposta inobservância do art. 22, I, da Lei nº 11.196/2005. Desta forma, restaria tão somente a necessidade de suprir as lacunas apontadas pelo Parecer do MCTI. Passa, então, a desenvolver seus argumentos em dois tópicos, dos quais segue apertada síntese. 3. DO PARECER DO MCTI, DOS PROJETOS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA CONSTANTES DO FORMULÁRIO APRESENTADO PELA RECORRENTE E DO LANÇAMENTO EFETUADO · Neste item, a recorrente sustenta que o Parecer do MCTI jamais teria afirmado que os projetos descritos no formulário não atenderiam os requisitos previstos em lei, mas sim que as informações apresentadas no formulário seriam insuficientes para permitir uma conclusão definitiva. Em assim sendo, incumbiria ao Fisco, durante o procedimento de Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720351/201291 Resolução nº 1302000.315 S1C3T2 Fl. 2.618 6 fiscalização, exigir as informações e os documentos que entendesse necessários para sanar qualquer dúvida acerca da existência ou não de inovação tecnológica. Ao não fazêlo, e lavrar os autos tão somente com base no Parecer inconclusivo do MCTI, o fundamento da autuação seria mera presunção. Com isso, entende a recorrente que teria havido inversão do ônus da prova, em seu desfavor e sem previsão legal para tanto. · Não obstante, afirma ter juntado ao recurso “laudos técnicos elaborados por empresa especializada que atestam, inequivocamente, que os 27 projetos descritos no FORMULÁRIO estão vinculados a atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e/ou de inovação tecnológica (DOC. 01)” e, ainda, “informações sobre a competência e experiência da empresa contratada para a elaboração dos referidos laudos (DOC. 02)”. Com isso, entende ter provado cabalmente que todos os projetos constantes do formulário estariam enquadrados no incentivo previsto na Lei nº 11.196/2005. 4. DA IMPROCEDÊNCIA DA MANUTENÇÃO DA GLOSA DOS DISPÊNDIOS COM A CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOAS JURÍDICAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE · A recorrente tece comentários sobre o inciso I do art. 17, art. 19 e art. 18, todos da Lei nº 11.196/2005, e sobre as duas possíveis linhas interpretativas desses dispositivos. Sustenta (item 4.15) que a decisão recorrida teria concluído que “os dispêndios com a contratação de empresas de médio e grande porte podem ser objeto do incentivo fiscal, desde que não caracterizem transferência da execução da pesquisa ou do desenvolvimento da inovação tecnológica”. Com isso, entende que a decisão recorrida teria mantido o lançamento com base em novo fundamento, qual seja, o de que a interessada deveria ter comprovado que os projetos de inovação tecnológica eram por ela geridos, sob sua exclusiva responsabilidade e risco, sendo os serviços contratados de mero apoio. Por outro lado, o Parecer do MCTI, utilizado pelo Fisco como base do lançamento, estaria fundamentado exclusivamente no argumento de que não seria permitido o uso de incentivos fiscais na contratação de empresas classificadas como de médio e grande porte, sem qualquer discussão acerca da natureza dos serviços prestados. A alteração do fundamento legal do lançamento seria motivo de reforma da decisão recorrida. · Acrescenta que, também aqui, a fiscalização deveria ter exigido, durante o procedimento fiscal, os documentos e elementos de prova necessários. Ao surgir tal exigência após efetuado o lançamento, haveria inversão do ônus da prova, em seu desfavor. · Ao final, afirma que traz aos autos (DOC. 03) documentos que comprovariam que dispõe de equipe e estrutura próprias e dedicadas às pesquisas e inovações tecnológicas em seu campo de atuação. Entende que isso constituiria indício de que não teria transferido a terceiros a execução de seus projetos de inovação tecnológica, inexistindo qualquer indício em contrário. Traz, ainda, (DOC. 04) “relatórios de prestação de serviço assinados pelos representantes legais de várias das empresas de médio e grande porte por ela contratadas que comprovam que os serviços prestados configuraram mero apoio aos projetos de inovação tecnológica concebidos pela própria RECORRENTE e geridos sob sua exclusiva responsabilidade”. Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720351/201291 Resolução nº 1302000.315 S1C3T2 Fl. 2.619 7 A recorrente conclui com o pedido de improcedência dos lançamentos e cancelamento dos créditos tributários. Em 12/12/2013, a interessada protocolou petição para que fossem acostados aos autos: (i) copias de laudos técnicos elaborados pelo Instituto Nacional de Tecnologia — INT; e (ii) copias de relatórios de prestação de serviços emitidos por empresas que prestam serviços à Recorrente. Referidos documentos foram digitalizados e acostados ao processo, às fls. 2352/2590, devendose ressalvar que não foi feita qualquer apreciação acerca de sua força probante ou mesmo se serão admitidos como provas nesta fase processual (vide Despacho às fls. 2350/2351). Ao tomar ciência desses documentos, a D. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN – houve por bem se manifestar (fls. 2592/2601), pugnando, em primeiro lugar, pela preclusão para apresentação de prova documental, forte nas disposições do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972. Caso vencida esta preliminar, passa a desenvolver razões sobre a falta de força probante dos documentos, que sintetizo a seguir: · O PTC nº 077/2011, no qual se louvou o Fisco para a constatação das irregularidades, foi emitido por órgãos do MCTI. Os laudos técnicos ora trazidos pela recorrente são elaborados pelo INT, vinculado ao MCTI. Não haveria como aquilatar qual teria procedido a uma análise mais aprofundada ou teria maior força probante. A PGFN lembra, ademais, que os laudos técnicos do INT contém a observação: “esse trabalho foi fundamentado essencialmente com base nas informações fornecidas pela administração da Consulente e foram conduzidos considerandose que, tanto as informações prestadas quanto os documentos disponibilizados, são completos e precisos. Tais informações não se submeteram a testes ou auditorias, razão pela qual nos eximimos da responsabilidade acerca de qualquer aspecto relacionado à sua exatidão ou fidedignidade. Ressaltamos que o trabalho foi elaborado com base na legislação vigente até o momento de sua conclusão”. · Ao trazer os laudos elaborados pelo INT, a recorrente incorreria em contradição, visto que, ao contestar o PTC nº 077/2011, teria afirmado que a Receita Federal seria o órgão competente para verificar o correto enquadramento dos projetos desenvolvidos pelos contribuintes. · A PGFN tece comentários acerca da exigência de controle contábil dos dispêndios e pagamentos em contas específicas (art. 22, inciso I, da Lei nº 11.196/2005), que seria também motivo para perda do benefício, conforme o lançamento. · Sobre os relatórios de empresas contratadas pela recorrente, a PGFN sustenta que se trata de declarações produzidas unilateralmente por algumas das empresas em questão, não podendo ser considerados como elemento capaz de comprovar que não houve transferência da execução dos projetos (terceirização de P,D&I). É o relatório. Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720351/201291 Resolução nº 1302000.315 S1C3T2 Fl. 2.620 8 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, foi submetido e deferido por este Colegiado o pedido da recorrente de juntada aos autos dos documentos de fls. 2352/2590, que se tratam de: (i) copias de laudos técnicos elaborados pelo Instituto Nacional de Tecnologia — INT; e (ii) copias de relatórios de prestação de serviços emitidos por empresas que prestam serviços à Recorrente. Pelo simples exame da ementa do acórdão recorrido, é de se verificar que a insuficiência probatória foi fundamental para aquela decisão. Confiramse os seguintes trechos: “[...] Não logrando a interessada detalhar, com suficiente precisão, os projetos por ela executados, cabe a glosa do incentivo. Ratificação do parecer técnico emitido pelo MCTI, diante da ausência de elementos capazes de infirmálo ou desmentilo”. E, também “[...] Para fazer jus, todavia, ao incentivo fiscal, a empresa deverá comprovar que os serviços contratados junto a estas empresas não caracterizam transferência, ainda que parcial, da execução do projeto. Na falta de tal comprovação, reputase correta a glosa do incentivo”. Os documentos ora trazidos aos autos pela recorrente se destinam exatamente a tentar suprir as deficiências probatórias encontradas pelo julgador de primeira instância. Os documentos foram produzidos posteriormente ao lançamento, e, por esse motivo, não foram oportunamente juntados à impugnação, como seria normal. Ademais, não se trata de nova alegação de defesa, nem de mudança na discussão travada no curso do processo, mas sim de “mais do mesmo”, ou seja, de novos elementos em reforço das alegações apresentadas desde o estabelecimento do litígio. Dado que o principal motivo para a rejeição, em primeira instância, dos argumentos de defesa foi a insuficiência de provas, entendo que rejeitar de plano a apreciação dos documentos aqui discutidos consistiria em claro cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Pelo exposto, recebo os documentos de fls. 2352/2590 nesta fase processual. Sedo assim, voto por converter o julgamento em diligência para que sejam analisados os documentos juntados, seja feito um relatório conclusivo e intimada a interessada para que se pronuncie, no prazo de trinta dias, sobre o mesmo. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10935.906321/2012-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/01/2011
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 1802-003.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 21 /2 01 2- 74 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/01/2011 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 54DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA Processo nº 10935.906321/201274 Acórdão n.º 1802003.287 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Numero do processo: 10880.909119/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO PIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. LEGÍTIMO INDEFERIMENTO DE CRÉDITO.
É legítimo o indeferimento de crédito quando o contribuinte não apresenta os documentos exigidos pela autoridade fiscal, que comprovariam a existência de pagamento indevido ou a maior.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL.
O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02 do CARF, a qual foi consolidada pelo CARF com a seguinte redação:
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Numero da decisão: 3401-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. LEGÍTIMO INDEFERIMENTO DE CRÉDITO. É legítimo o indeferimento de crédito quando o contribuinte não apresenta os documentos exigidos pela autoridade fiscal, que comprovariam a existência de pagamento indevido ou a maior. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL. O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02 do CARF, a qual foi consolidada pelo CARF com a seguinte redação: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 91 19 /2 00 6- 39 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 29/07/2003 (fls.02/84), pelo qual se pretende ressarcir PIS, no valor de R$ 15.042.998,59 (quinze milhões, quarenta e dois mil, novecentos e noventa e oito reais e cinquenta e nove centavos), supostamente pagos indevidamente ou a maior no ano de 1999, para compensar com diversos débitos. A DRF em São Paulo/SP indeferiu o direito creditório (fls.107/112), fundamentando que a Contribuinte não apresentou documentos essenciais para comprovar o crédito, tais com cópia autenticada do DARF e fundamentação do direito creditório. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.115/139), mas a DRJ São Paulo I/SP manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão (fls.116/1167) com a seguinte ementa: “SUSPENSÃO. COBRANÇA. Dentro da sistemática administrativa federal, é a controvérsia com relação ao não reconhecimento de direito creditório e à não homologação de declarações de compensação que deve ser apreciada na esfera do julgamento, não outros assuntos paralelos como cobrança. COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. Incabível a compensação fundada em recolhimento que não foi comprovado pela Interessada e nem encontrado pela Unidade a quo. ALTERAÇÃO. DESCABIMENTO. Incabível alterar a pretensão quando o processo já se encontra em estágio recursal. Solicitação Indeferida”. A Contribuinte foi intimada do acórdão em 01/10/2009 (fl.1169) e interpôs Recurso Voluntário em 30/10/2009 (fls.1170/1189), com as alegações resumidas abaixo: 1 A origem do crédito é o pagamento indevido do PIS entre os anos de 1996 e 1999, em razão das ilegalidades nas reedições da Medida Provisória 1.212/95; 2 A PER/DCOMP foi preenchida com erro. Tentouse apresentar a retificação, mas ela não foi aceita eletronicamente e nem fisicamente pelos servidores da Receita Federal; 3 Apesar de ter informado que seu crédito era oriundo de somente uma DARF, em vez de informar que tinha origem em diversas DARFs, o crédito é de fato existente e esse erro material não pode invalidar o pleito; Fl. 628DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10880.909119/200639 Acórdão n.º 3401002.434 S3C4T1 Fl. 1.260 3 4 A Medida Provisória 1.212/95 é inconstitucional por não ter relevância e urgência; 5 As reedições da Medida Provisória 1.212/95 tinham vícios insanáveis, pois deveriam ter sido reeditadas antes do término do prazo de validade de trinta dias, mas as reedições ocorreram depois desse prazo; 6 O prazo decadencial para o ressarcimento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ser contado pela tese dos 5+5. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do “despacho decisório para que sejam reconsiderados os equívocos constantes no pedido de restituição e nas declarações de compensações entregues” (sic). E que “seja reconsiderado o despacho decisório que não deferiu o pedido de restituição formulado e não homologou as compensações”. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento de PIS supostamente recolhido indevidamente entre os anos 1996 e 1999. Contudo, o pleito foi indeferido, porque ela não entregou os documentos que comprovam o recolhimento. O indeferimento foi mantido pela DRJ. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que tentou retificar o pedido a PER/DCOM, mas a retificadora não foi aceita. Além disso, sustenta a inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições, o que, segundo ela, teria originado os pagamentos indevidos. As matérias devolvidas para apreciação deste Conselho foram as seguintes: possibilidade de aceitação da retificação da PER/DCOMP e dos documentos posteriormente apresentados; inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições; e o prazo decadencial para o pedido de restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. 1 Da retificação da PER/DCOMP Fl. 629DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 A Recorrente alega que cometeu erro material ao preencher na PER/DCOMP que o crédito tinha origem em apenas um DARF, quando, na verdade, os pagamentos indevidos foram divididos em várias DARFs. Ainda segundo a Recorrente, ela tentou apresentar retificadora de modo eletrônico e físico, mas nenhum dos dois foi permitido. Ao compulsar os autos, notase que, antes de proferir o despacho decisório, a autoridade fiscal intimou a Recorrente a apresentar os DARFs e a fundamentação que dão origem ao seu direito creditório (fl.85). Em resposta a essa intimação, a Recorrente apresentou petição (fls.86/87) na qual pede o recebimento dos PER/DCOMPs retificadores, mas não entregou as DARFs solicitadas, nem informou o fundamento da origem de seus créditos. Diante desses fatos, concluise que foi oportunizado à Recorrente, antes do despacho decisório, a apresentação dos documentos que a autoridade fiscal entendeu necessários à comprovação do crédito. Não obstante, muito embora tenha peticionado em resposta à intimação, a Recorrente deixou de cumprir o que lhe era exigido, motivo que torna legítimo o indeferimento do pleito. Insta esclarecer que a Recorrente apresentou os DARFs que comprovam os pagamentos de PIS durante os anos de 1996 a 1999 anexados à sua manifestação de inconformidade, nas fls.161/178. Sabendose que no processo administrativo deve prevalecer a verdade material, este Conselho poderia ordenar o retorno dos autos à origem, a fim de que os DARFs, apresentados mesmo depois do despacho decisório, fossem analisados. Todavia, essa medida seria inócua, pois o crédito continuaria indeferido, pelas razões fundamentadas no tópico seguinte. 2 Da Inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95 Segundo a Recorrente, a Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições são inconstitucionais, haja vista a medida provisória original padecer da falta de urgência e as suas reedições terem ocorrido após o prazo de validade da medida provisória original. Com isso, segundo a Recorrente, os recolhimentos de PIS efetuados com base na Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições são indevidos. Ocorre que a alegação da Recorrente não é suficiente para o deferimento do crédito na esfera administrativa. Isso porque a competência para apreciar a constitucionalidade de normas pertence ao Poder Judiciário. À Administração Pública, cabe aplicar as normas que estão vigentes. Com base nisso, as esferas de julgamento administrativo não podem afastar normas vigentes com base em inconstitucionalidade. Assim determina o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 630DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10880.909119/200639 Acórdão n.º 3401002.434 S3C4T1 Fl. 1.261 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993”. Ainda para que não haja dúvida, a Súmula nº 2 do CARF é bem clara, ao afirmar que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, diante dessas considerações e da situação fática, o crédito da Recorrente somente poderia ser deferido caso o Pleno do STF tivesse julgado a inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições, o que não aconteceu. A única declaração de inconstitucionalidade da aludida medida provisória foi parcial, em relação ao seu art. 15, que lhe dava aplicação retroativa, desrespeitando, assim, o Princípio da Anterioridade Nonagesial. Essa declaração ocorreu no julgamento do RE nº 232.8963 – Pa e é objeto da Resolução do Senado nº 10, de 2005. Não obstante, essa declaração de inconstitucionalidade não socorre a pretensão creditória da Recorrente, pois, com base nessa declaração, poderseia questionar somente parte dos recolhimentos ocorridos antes março de 1996, quando prevalecia a sistemática da Lei Complementa nº 7/70. Além disso, o fundamento de inconstitucionalidade levantado pela Recorrente é diferente do utilizado pelo STF para declaração da inconstitucionalidade parcial da Medida Provisória nº 1.212/95. Por essas razões, seria inócuo enviar os autos de volta à delegacia de origem para analisar os DARFs apresentados pela Recorrente depois do despacho decisório, vez que a autoridade fiscal não poderia deferir o crédito com base na inconstitucionalidade alegada pela Recorrente. Pelas mesmas razões, também deixo de apreciar a alegação de inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1.212/95. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo o acórdão da DRJ em sua integralidade. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 631DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917831/2011-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 83 1/ 20 11 -6 4 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917831/201164 Resolução nº 3802000.171 S3TE02 Fl. 139 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917831/201164 Resolução nº 3802000.171 S3TE02 Fl. 140 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13819.900273/2012-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 73 /2 01 2- 25 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 40/43 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de COFINS, no valor de R$ 1.705,99, referente ao mês de nov/2004, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900273/201225 Acórdão n.º 3802003.627 S3TE02 Fl. 133 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 45). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 47/52, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 45). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900273/201225 Acórdão n.º 3802003.627 S3TE02 Fl. 134 5 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10480.002455/2003-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2012
IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO
Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 3201-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Redator designado.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Mara Cristina Sifuentes, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2012 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 24 55 /2 00 3- 19 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Mara Cristina Sifuentes, Tatiana Midori Migiyama e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação, relativo ao período compreendido entre 01/07/2002 a 31/07/2002, com fulcro no art.11 da Lei n. 9779/99. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, decorrente de insumos empregados na industrialização de produtos tributados pela alíquota zero, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, relativo ao período de 01/07/2002 a 31/12/2002, no valor de R$ 184.837,44, conforme pedido da fl. 01, cumulado com pedido de compensação, da fls. 88, 92, 96, 100 e 107. No Termo de Informação Fiscal, fls. 179 a 193, a fiscalização: (i) discorre sobre a apuração do valor do IPI relativo ao ressarcimento na sistemática prevista no art. 11, da Lei 9.779, de 1999 e quanto a escrituração fiscal do IPI para apuração do saldo credor acumulado prevista no art. 347 do RIPI/1998 e art. 371 RIPI/2002; (ii) faz análise detalhada dos produtos, reclassificados (rótulo, imagem adesiva, notas fiscais, pasta persona e mala direta) e, ao final, propõe: o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pela contribuinte no valor de R$ 40.870,89; e homologação das compensações declaradas pela interessada, fls. 88, 92, 96, 100 e 107, até o limite do direito creditório reconhecido. A Delegacia da Receita Federal em Recife deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito, no valor de R$ 40.870,89, e homologou parcialmente os pedidos de compensação, até o limite do crédito apurado, e determinou a cobrança dos débitos cujas compensações foram declaradas, mas não foram integralmente cobertos pelo crédito reconhecido. Cientificada da decisão em 08/03/2007, fl. 195, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de folhas 198 a 213, alegando, em síntese: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 365 3 seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário enquanto pendente de julgamento a presente manifestação de inconformidade, tal como ordena o §11, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação pela Lei n° 10.833, de 2003, ao enquadrar tal expediente no inciso III, do art. 151 do CTN. as notas fiscais e blocos estão enquadrados na posição 4820.40.00, pois outra opção não há senão subsumilos na tipificação "formulários contínuos com dizeres impressos". as pastas personalizadas possuíam classificação 4920.10.00 (atualmente esta subposição não existe mais), com alíquota de 0%, tratavase de "blocos de papel para cartas com dizeres impressos"; os envelopes, os que são impressos pela impugnante são sim "com dizeres impressos", isto é, timbrados, razão pela qual a subposição correta seria 4817.10.00, inexistindo qualquer incorreção também neste particular. requer produção de prova pericial para confirmar a classificação na TIPI correta para os produtos acima mencionados. Em atendimento ao inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235, de 1973, formula quesitos a serem submetidos à perícia, referentes a classificação e alíquota dos produtos: imagem adesiva, notas fiscais, pastas personalizadas e envelopes, nomeia a gerente administrativa, Sra. Sandra Gláucia Teixeira Bonifácio, CPF 004.987.34587, para assistir a impugnante na prova pericial. caso seja superado o fundamento de defesa anteriormente elencado, devese considerar outro fundamento que se sobrepõe à questão da classificação dos produtos na TIPI, pois se trata da não incidência do IPI sobre os produtos tributados no despacho decisório (valores conseqüentemente subtraídos do crédito requerido), frutos da prestação de serviço gráfico, submetido exclusivamente ao Imposto Sobre Serviço (ISS). o serviço gráfico encontrase arrolado no item 77 da lista de serviços anexa ao Decretolei n° 406, de 1968, logo, fica afastada a incidência de qualquer outro imposto, inclusive o IPI, conforme disciplinava o §1o, do art. 8o, do citado Decreto. Afirma que diante da caudalosa jurisprudência, o entendimento pela não incidência do IPI no caso em foco foi sedimentado nas súmulas 156 do STJ e 143 do TRF. Cita diversas decisões do STJ, e decisão do 2o Conselho de Contribuintes que corroboram com a tese de incidência isolado do ISS nos serviços gráficos. diz que os produtos foram industrializados a pedido dos seus clientes, sob encomenda, e que está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a incidência do IPI, inexiste valores a serem subtraídos do crédito submetido à homologação, em conformidade com o §1o, do art. 8o do Decretolei n° 406, de 1968. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 por fim, pede a homologação total do credito submetido a compensação neste processo, seja por: a) constatar a correta classificação na TIPI adotada pela impugnante e, conseqüentemente, inexistindo IPI a recolher nas cogitadas operações; b) constatar a não incidência pura do IPI sobre os produtos base da autuação, posto se tratar de produtos decorrentes da prestação de serviço gráfico, personalizados e sob encomenda, submetidos isoladamente ao ISS; e c) requer a produção de prova pericial. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de que serviços prestados por contribuinte estão catalogados em lista anexa ao Decretolei n.° 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese de incidência do ISS não se confunde com a do IPI operação que se caracteriza dentre as modalidades de industrialização previstas nos Decretos n° 2.092, de 1996, n° 3.777, de 2001 e n.° 4.544, de 2002. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Dentre os produtos industrializados pela contribuinte, as notas fiscais classificamse no código 4820.9000, os blocos, no código 4820.1000, pasta personalizada, no código 4820.9000 e o Envelope, no código 4817.1000, com alíquota de 15%. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Solicitação Indeferida Na decisão ora recorrida entendeuse, em síntese, que a diligência era desnecessária, pois todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador estariam reunidos neste processo e no auto de infração, processo n° 19647.001895/200715, que trata da mesma matéria e contém amostras dos respectivos produtos. Quanto ao mérito, sobre a incidência do IPI sobre os produtos originados da prestação de serviços de artes gráficas, tomou como questão prejudicial em relação ao tema da classificação fiscal, entendendose que na CF, de 1988, quando a obrigação de fazer, consistente na prestação do serviço, se consubstanciar numa operação de industrialização, deve ser a incidência concomitante do IPI e do ISS. Nesse contexto, afirmase na decisão recorrida que enunciado da Súmula 156 do STJ não pode ser aplicado ao caso concreto para afastar a incidência do IPI, pois os precedentes que embasam a interpretação veiculada no verbete referemse apenas ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICMS. O mesmo raciocínio deve ser aplicado à Súmula 143 do extinto TFR, uma vez que publicada em 1984, sob a égide da CF, de 1969, onde existiam problemas de conflito de competência entre a União e os Municípios, nos âmbitos de incidência do IPI, do IOF e do ISS Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 366 5 Finalmente, afirma que só seria jurídico excluir a incidência do IPI se houvesse previsão expressa em lei excluindo do conceito de industrialização a atividade de artes gráficas, a exemplo do que ocorre com os casos elencados no art. 5o, do RIPI/98 exclusões ao conceito de industrializarão. Quanto à classificação fiscal, às fls. 179 a 193 verificouse que a maior parte dos produtos industrializados pela contribuinte estão sujeitos à alíquota zero do IPI, no entanto, haveria a falta de destaque do imposto em diversas notas fiscais de saídas contendo classificação fiscal com alíquota positiva, alterada posteriormente pela impugnante, após intimação, para classificação fiscal com alíquota zero, sob alegação de que houve erro de classificação para os referidos produtos Assim, na decisão recorrida, entendeuse que em relação a: Produto: nota fiscal de acordo com a decisão recorrida : A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4820.4000 (Ex 01) Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4820 contém diversos produtos de papelaria (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processo e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluídos os formulários em blocos tipo "minifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão), com exclusão dos artigos para correspondência da posição 4817 (envelopes, aerogramas, bilhetespostais não ilustrados e cartões para correspondência, de papel ou cartão; caixas, sacos e semelhantes, de papel ou cartão, conte1* ^o um sortido de artigos para correspondência) e dos artigos referidos na Nota 10 do capítulo 48 (folhas e cartões não reunidos, cortados em formato próprio, mesmo impressos, estampados ou perfurados). A codificação 4820.4000 compreende os formulários em blocos tipo "manifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), sendo que no Ex 01 compreende os formulários contínuos, com dizeres impressos. Pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715, auto de infração que trata da mesma matéria, e pelas informações reunidas nos autos, podemos constatar que não se aplica ao formulário em questão a classificação feita pela contribuinte, pois O mesmo não apresenta as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" (são formulários constituídos por vários jogos e impressos de escritório fixados sobre papel autocopiante ou Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 contendo folhas de papelcarbono papel químico, conforme descrição da NESH) ou dos formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Quanto ao produto em referência, tratase de formulários em papel, com campos impressos de caráter acessório e campos destinados a serem complementados à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono. Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: blocos de acordo com a decisão recorrida : O estabelecimento emitia notas fiscais de saída do referido produto sem codificação fiscal, conforme planilha elaborada pela fiscalização, "Planilha Demonstrativa de Apuração do IPI", fls. 196 a 219. Em sua defesa a contribuinte diz que os "blocos" estão enquadrados na codificação 4820.4000. Pelas informações contidas nos autos, podemos constatar que não se aplica aos produtos em questão a classificação feita pela contribuinte, tendo em vista que os blocos não apresentam as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" ou formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Observase dos autos que se trata de formulários em papel com campos destinados a serem preenchidos à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono, conforme descrição constante da planilha elaborada pela fiscalização, fls. 196 a 219, (bloco para anotações 20x1 via III Workshop, blocos pedidos de venda regional NE 50x2, blocos de receituário, blocos 40x1 via 3o encontro de agentes, blocos relatórios de despesas, blocos slip contabilidade 02.01.035, blocos aut p/abastecimento 07.03.095 1, blocos 50x1 vias comanda restaurante, blocos de bilhetes campina da sorte, etc). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.1000 blocos de nota, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: pastas personalizadas de acordo com a decisão recorrida : Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 367 7 A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou o produto para o código 4920.1000, com alíquota 0 (zero). Posteriormente, afirma, na impugnação, que se trata de blocos de papel para cartas com dizeres impressos, e que esta subposição deixou de existir. Verificase, pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715 e pelas informações constantes dos autos, que se trata de pasta personalizada, com impressão de caráter acessório, próprios para uso em escritório. Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: envelope de acordo com a decisão recorrida : A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4817.1010, com alíquota de 5%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4817.1000 Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4817 abrange os artefatos de papel ou cartão para correspondência (envelopes, aerogramas, bilhetes, etc..) e na subposição 4817.1000 envelopes, Ex 01 com dizeres impressos. Cabe salientar que não existe divergência quanto a posição e subposição de Io nível, apenas em relação a alíquota, cujo "ex 01" tarifário prevê alíquota 0 (zero). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que classificou o produto que não tinha os "dizeres impressos", conforme Termo de Informação Fiscal, fl. 233, com o código 4817.1000 envelopes, com alíquota de 15%, sem desdobramentos regionais, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 RGI /SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decretos n° 2.092, de 1996, e n° 3.777, de 2001. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade, atacando a desclassificação fiscal empregada pela fiscalização, e , defendendo que as alíquotas de IPI aplicada aos produtos por ela produzidos seriam: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 PRODUTO CLASSIFICAÇÃO CONFORME A RECORRENTE ALÍQUOTA Imagem Adesiva 4908.90.00 0% Notas Fiscais 4820.40.00 0% Pastas Personalizadas 4920.10.00 0% Envelope 4817.10.00 0% Assim, não haveria dúvidas que o exame da classificação fiscal demandaria a produção de prova pericial, sob pena de cerceamento do direito de defesa e vulneração ao inciso LV. do art. 5o da Carta da República, de maneira que requer a conversão do julgamento em diligência. Ademais, afirma o direito pleno ao crédito diante da não incidência do IPI sobre produtos tributados em decorrência da prestação de serviço gráfico, submetido exclusivamente ao Imposto Sobre Serviço (ISS), pois o elemento preponderante na operação é uma obrigação de fazer, da industrialização gráfica sob encomenda. Ainda, haveria a abrangência de cada um dos serviços elencados na lista do incidência do ISS, tais como composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia,litografia e fotolierafia. Assim, afastada estaria a incidência de qualquer outro imposto, inclusive o IPI, conforme disciplinava o §12, do art. 8o, do Decreto Lei n° 406/68, entendimento corroborado pelas Súmulas 156 do STJ e 143 do extinto TFR. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre pedido de ressarcimento de IPI, relativo ao período compreendido entre 01/07/2002 a 31/07/2002, decorrente de pagamento a maior do IPI, verificado em virtude de erros de classificação fiscal adotada pelo contribuinte para a imagem adesiva, pasta personalizada, envelope, notas fiscais. Inicialmente, como bem salientado na decisão recorrida, prejudicial ao julgamento da presente contenda, é decidir quanto à inclusão da operação em comento, no campo de incidência do IPI, uma vez que esta determinará o prosseguimento do julgamento ou não, quanto aos demais itens ventilados. Em consonância com a decisão recorrida, os bens originários dos serviços gráficos por encomenda, estariam sujeitos concomitantemente ao IPI e ao ISS, uma vez que sob a égide da Constituição Federal de 1988, não haveria vedação para tanto. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 368 9 Assim, fato incontroverso nos autos é que os serviços aqui referidos estão arrolados na lista de serviços, que à época dos fatos geradores, era veiculada pelo Decreto Lei n° 406/68, de sorte que não se contesta a incidência do imposto sobre serviços na hipótese. Ora, a afirmação veiculada na decisão recorrida ignora a rígida delimitação de competências tributárias, tão cautelosamente delineada na Carta Constitucional de 1988, sustentáculo de nossa estrutura federativa, cláusula pétrea constitucional. Cada um dos entes federativos detém competência para instituir e arrecadar os tributos incidente sobre fatos geradores prescritos e determinados nas regras de competência constitucional, com exclusividade. É certo que é infinita a riqueza da realidade fática, que muitas vezes pode levar o aplicador da norma a se defrontar com conflitos de competência, quando não fica claro para determinado fato gerador, qual a regramatriz de incidência que este se subsume, situações este de zona cinzenta. De acordo com a CF/88, compete aos Municípios instituir ISSQN sobre "serviços de qualquer natureza, não compreendidos no artigo 155, II, definidos em lei complementar" (CF, art. 156, III). Anexo ao Decreto Lei n° 406/68, havia a lista dos serviços objeto de incidência do imposto, de competência municipal, posteriormente, modificada pelo Decretolei nº 834, de 8 de setembro de 1969, e, ainda, pela Lei Complementar nº 56, de 15 de dezembro de 1987. Dispunha o Decretolei nº 406/68, no seu § 1º do art. 8º, que 'os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao imposto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria', ao passo que na redação determinada pela LC nº 56, de 15 de dezembro de 1987, ressalva os casos em que a mercadoria fornecida com serviço fica sujeita ao ICMS. Nessa esteira, o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1092206 / SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, pela Primeira Seção, e sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o entendimento que para os serviços de composição gráfica, apenas incide o ISS, chancelando o disposto no verbete 156 desta Corte, como se depreende: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DELIMITAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ENTRE ESTADOS E MUNICÍPIOS. ICMS E ISSQN. CRITÉRIOS. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. SÚMULA 156 DO STJ. 1.Segundo decorre do sistema normativo específico (art. 155, II, § 2º, IX, b e 156, III da CF, art. 2º, IV, da LC 87/96 e art. 1º, §2º, da LC 116/03), a delimitação dos campos de competência tributária entre Estados e Municípios, relativamente à incidência de ICMS e de ISSQN, está submetida aos seguintes critérios: (a) sobre operações de circulação de mercadoria e sobre serviços de transporte interestadual e internacional e de comunicações incide ICMS; (b) sobre operações de prestação de serviços compreendidos na lista de que trata a LC 116/03 (que sucedeu Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 10 ao DL 406/68), incide ISSQN; e (c) sobre operações mistas, assim entendidas as que agregam mercadorias e serviços, incide o ISSQN sempre que o serviço agregado estiver compreendido na lista de que trata a LC 116/03 e incide ICMS sempre que o serviço agregado não estiver previsto na referida lista. 2. As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluídos na Lista Anexa ao DecretoLei 406/68 (item 77) e à LC 116/03 (item 13.05). Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirmase o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1ª Seção. 3. Recurso especial provido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Mutatis mutandis, o mesmíssimo entendimento aplicase para as hipóteses de conflito de competência envolvendo o ISS e o IPI, para os serviços de composição gráfica, como já se manifestou, da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça, in verbis: RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 156/STJ. 1. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, está sujeita apenas ao ISS, não se submetendo ao ICMS ou ao IPI. Precedentes. 2. Aplicação analógica da Súmula n. 156/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1308633 / SP, SEGUNDA TURMA, Ministro CASTRO MEIRA, DJe 01/10/2013) Assim, entendese que as operações realizadas no caso em tela, estão fora do campo de incidência do IPI, isto é, são produtos não tributados. A partir daí, outro campo de questionamentos se abre, qual seja, sobre a possibilidade de ressarcimento de créditos de IPI, no caso dos produtos não tributados. Sobre essa questão, da mesma forma, a jurisprudência, seja do Judiciário, seja a administrativa, da mesma forma, é assente. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do IPI, pressupõe que o produto esteja no campo de incidência do IPI, não havendo o direito à manutenção dos créditos de IPI relativos às aquisições de insumos, pois referido princípio realizase nas situações em que há débitos na saída dos produtos. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 369 11 Assim, determina a Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Interessante observar que em outros processos administrativos, em que figura como parte a Recorrente decidiuse nesse sentido, como se verifica: Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGENCIA. INEXISTÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendêlas desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PREPONDERÂNCIA DOS SERVIÇOS. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Nos casos em a atividade empresarial se constitui em uma obrigação de fazer, personalizada, para uso próprio do encomendante, o que prepondera é o serviço e não a indústria, e, como tal, está realizada a hipótese de incidência do ISS, que grava os serviços, e não há lugar para estar concomitantemente gravada pela incidência do IPI pelo fato de ter havido “transformação”, pois que esta, no caso, é da essência (atividade meio) do próprio serviço (atividade fim). IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. OPERAÇÃO DE SAÍDA NÃO TRIBUTADA. VEDAÇÃO À MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS. ARTS. 11, DA LEI Nº 9.779/99, 190, § 1º E 193, INC. I, “A” DO RIPI/02 (ARTS. 171 E 174 DO RIPI/98) E IN/SRF nº 33/99. Encontrandose fora do campo de incidência do IPI a saída do produto adquirido pela Recorrente, não há como se cogitar a aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI, cujo pressuposto é exatamente a efetiva incidência do tributo na saída do estabelecimento industrializador. Nesse sentido, a legislação em vigor expressamente veda a manutenção de créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, obrigando ainda ao estorno dos referidos créditos. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 3402002.024 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Classificação de Mercadorias Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 12 Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 Ementa: CRÉDITO DE IPI.. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RESSARCIMENTO INDEVIDO. FATO GERADOR DO ISS. As operações de prestação de serviço a encomendante, ainda que realizadas por industrial, por não estarem no campo de incidência do IPI, não qualificam a aquisição para conferir o direito ao crédito. Indevido, portanto, o crédito escritural e a apuração do saldo credor para percepção dos créditos acumulados de IPI, nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO (Acórdão nº310100.713– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Finalmente, em face do exposto, verificase que as demais questões ficam prejudicadas em virtude da prejudicial. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Verifico, inicialmente, diante das provas trazidas aos autos, que o procedimento de diligência solicitado é desnecessário, encontrandose o presente processo apto para julgamento. Esclareço ainda que concordo em relação a negar provimento ao recurso voluntário; minha divergência em relação ao voto da eminente relatora restringese aos fundamentos que motivaram o indeferimento do pleito. Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação, ao qual foi concedido apenas provimento parcial devido a não inclusão na base de cálculo do tributo de valores percebidos com a saída de produtos sujeitas à tributação. A questão inicial, e o motivo da discordância, referese a definir se as saídas de produtos decorrente de prestação de serviços gráficos por encomenda estariam sujeitas ao IPI. Sobre o tema já se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. 9303002265 – 3ª Turma, sessão de 9/5/13), em voto da lavra do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, o qual transcrevese abaixo: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 370 13 [...] Como relatado, a questão a ser dirimida é única: cabe IPI sobre atividade que conste na lista de serviços anexa ao Decretolei 406/68 e na Lei Complementar 116/2003? Entendo que sim. É que, a meu ver, ditas listas – e isso fica claro ao menos depois da promulgação da Carta Política de 1988 – destinamse exclusivamente a dirimir conflitos de competência entre os Estados e Municípios no que tange à incidência do ISS e do ICMS, dado que a Constituição expressamente impediu sua cumulação. Nada nela há, contudo, que impeça a cumulação de IPI com ISS, assim como não há para evitar que se tribute o IPI numa atividade já submetida ao ICMS. Essa consideração inicial já é suficiente para afastar a pretensão da recorrente de que se aplique hoje a Súmula 143 do extinto Tribunal Federal de Recursos: embora ela, de fato, mencione o IPI, foi editada na vigência da Carta anterior. Nela, como aliás reconhecido pelos renomados doutrinadores citados pela i. relatora que me antecedeu, havia dúvidas quanto à possibilidade de cumulação do IPI com o ISS. Realmente, faço coro com as abalizadas considerações expendidas pelas autoridades julgadoras de primeiro grau que peço vênia para transcrever: O que se debate nos autos consiste em saber se existe alguma incompatibilidade entre a incidência do IPI, do ISS e do ICMS numa operação econômica em que para se prestar um serviço é necessário industrializar um produto e entregar uma mercadoria, tal como se dá no caso do serviço de artes gráficas. Tendo em conta que o debate versa sobre competência tributária, a investigação deve principiar pela Constituição Federal, pois os âmbitos de incidência dos tributos estão predefinidos na Carta pelos respectivos arquétipos constitucionais. O art. 153 da CF/88 ao dizer que "...Compete à União instituir impostos sobre: ... IV produtos industrializados; "e que o IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior;" revela que o critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Esta é também o critério quantitativo da regra matriz de incidência, porquanto, ao estabelecer que o IPI "...será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" o dispositivo constitucional nada mais fez do que dizer que a base de cálculo do imposto é o valor de cada operação da qual resulte num produto industrializado. O art. 155 da CF/88, por seu turno, ao fixar a regramatriz de incidência do ICMS estabelece que "Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 14 relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, (...)". Depreendese daí que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto estadual é a realização de operações relativas à circulação de mercadorias ou sobre a prestação dos serviços indicados. O imposto não incide sobre a mercadoria e nem sobre a circulação, incide sobre operações relativas à circulação, ou seja, negócios jurídicos de natureza mercantil que importem a transferência de domínio sobre a mercadoria. Estas operações relativas à circulação de mercadorias, consubstanciando negócios jurídicos de natureza mercantil, encerram duas obrigações de dar (entregar a mercadoria e pagar o preço). Relativamente ao ISS, sua regramatriz insculpida no art. 156 da CF/88 estabelece que ".... Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar."Ou seja, o imposto municipal incide sobre todos os serviços não inseridos na órbita de incidência do imposto estadual. (...) Conforme o termo de verificação, os clientes do autuado, ao encomendarem as etiquetas mediante o envio das especificações técnicas, estão em verdade encomendando uma prestação de serviço, consistente na execução personalizada de etiquetas impressas em suportes de plástico (art. 8° do DL n° 406/68). Para que a encomenda possa ser executada, o autuado é obrigado a adquirir insumos no mercado interno e a transformálos em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4°, I e 32, II do RIPI/98). Finalmente, ao consumar a prestação do serviço, mediante a tradição da coisa e do recebimento do preço, promove a circulação de uma mercadoria (art. 2°, I, da LC n° 87/96). Inequívoco, portanto, que neste caso, a prestação de serviço (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Logo, para poder prestar o serviço o autuado pratica os fatos geradores dos três impostos, IPI, ISS e ICMS, tudo dentro de uma mesma operação econômica. Resta verificar se existe alguma vedação constitucional para esta tríplice incidência tributária. A CF/69, quando tratava da competência dos Municípios para instituir impostos, excluía expressamente a competência municipal, diante de fatos sujeitos às competências da União e dos Estados, conforme se pode verificar em seu art. 25, verbis: Art 25 Compete aos Municípios decretar impostos sobre: ' I— (omissis); Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 371 15 II serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos Estados, definidos em lei complementar. Como na CF/88 esta exclusão de competência foi mantida apenas em relação ao ICMS (art. 156, III, da CF88), a conseqüência jurídica disto é que nos casos como no dos autos, quando a obrigação de fazer consistente na prestação do serviço se consubstanciar numa operação de industrialização, é perfeitamente possível a incidência do IPI e do ISS, á luz das respectivas regrasmatrizes de incidência fixadas na constituição vigente. Portanto, uma vez promulgada a Constituição vigente, tal cumulação só é expressamente impedida entre o ISS e o ICMS. Outra não é, a propósito, a razão para que a Súmula 156 do STJ, esta sim já editada na vigência da atual Carta Política, apenas faça referência ao ICMS, nenhuma menção havendo ao IPI. Nesse primeiro ponto, pois, não divirjo das decisões proferidas nos autos: não há Súmula oriunda de tribunal superior que indique a impossibilidade de cumulação pretendida. [...] Adotando o conteúdo da decisão acima transcrita como fundamento deste voto, manifestome pela incidência do IPI em relação a saída de produtos industrializados decorrente de prestação de serviços gráficos por encomenda. No tocante a segunda questão posta em julgamento, qual seja a falta de inclusão na base de cálculo do IPI de saídas tributadas, e que resultou no indeferimento dos créditos em litígio, resta definir a classificação fiscal adequada aos produtos nota fiscal, blocos, pastas personalizadas e envelope. Neste ponto, novamente se mostra correta a decisão recorrida, da qual extrai se o entendimento abaixo transcrito, ao qual se adota como fundamento do voto: Classificação Fiscal Segundo o Termo de Informação Fiscal, fls. 179 a 193 a maior parte dos produtos industrializados pela contribuinte estão sujeitos à alíquota zero do IPI, no entanto, observou a falta de destaque do imposto em diversas notas fiscais de saídas contendo classificação fiscal com alíquota positiva, alterada posteriormente pela impugnante, após intimação, para classificação fiscal com alíquota zero, sob alegação de que houve erro de classificação para os referidos produtos. Os produtos tributados pela fiscalização foram classificados com base na Tabela de Incidência do IPI TIPI/1996, aprovada pelo Dec. n° 2.092, de 1996, para os produtos saídos até 31/03/2001, e na TIPI/2001, aprovada pelo Dec. n° 3.777, de 2001, e por meio das Regras Gerais para Interpretação (RGI) e Regras Gerais Complementares (RGC) da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Sistema Harmonizado NBM/SH, substituída pela Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 16 Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, com utilização subsidiária das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), em acordo com os artigos do RIPI/98 e Resolução CBN n° 75, de 23 de agosto de 1988. Produto: nota fiscal A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4820.4000 (Ex 01) Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4820 contém diversos produtos de papelaria (livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processo e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluídos os formulários em blocos tipo "minifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão), com exclusão dos artigos para correspondência da posição 4817 (envelopes, aerogramas, bilhetespostais não ilustrados e cartões para correspondência, de papel ou cartão; caixas, sacos e semelhantes, de papel ou cartão, contem um sortido de artigos para correspondência) e dos artigos referidos na Nota 10 do capítulo 48 (folhas e cartões não reunidos, cortados em formato próprio, mesmo impressos, estampados ou perfurados). A codificação 4820.4000 compreende os formulários em blocos tipo "manifold", mesmo com folhas intercaladas de papel carbono (papel químico*), sendo que no Ex 01 compreende os formulários contínuos, com dizeres impressos. Pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715, auto de infração que trata da mesma matéria, e pelas informações reunidas nos autos, podemos constatar que não se aplica ao formulário em questão a classificação feita pela contribuinte, pois o mesmo não apresenta as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" (são formulários constituídos por vários jogos e impressos de escritório fixados sobre papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono — papel químico, conforme descrição da NESH) ou dos formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Quanto ao produto em referência, tratase de formulários em papel, com campos impressos de caráter acessório e campos destinados a serem complementados à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10480.002455/200319 Acórdão n.º 3201001.639 S3C2T1 Fl. 372 17 Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: Blocos O estabelecimento emitia notas fiscais de saída do referido produto sem codificação fiscal, conforme planilha elaborada pela fiscalização, "Planilha Demonstrativa de Apuração do IPI", fls. 196 a 219. Em sua defesa a contribuinte diz que os "blocos" estão enquadrados na codificação 4820.4000. Pelas informações contidas nos autos, podemos constatar que não se aplica aos produtos em questão a classificação feita pela contribuinte, tendo em vista que os blocos não apresentam as características próprias dos formulários em blocos tipo "manifold" ou formulários contínuos, condições determinantes para a classificação do produto na referida codificação. Observase dos autos que se trata de formulários em papel com campos destinados a serem preenchidos à mão ou à máquina, que não são fabricados em papel autocopiante ou contendo folhas de papelcarbono, conforme descrição constante da planilha elaborada pela fiscalização, fls. 196 a 219, (bloco para anotações 20x1 via III Workshop, blocos pedidos de venda regional NE 50x2, blocos de receituário, blocos 40x1 via 3o encontro de agentes, blocos relatórios de despesas, blocos slip contabilidade 02.01.035, blocos aut. p/abastecimento 07.03.095 1, blocos 50x1 vias comanda restaurante, blocos de bilhetes campina da sorte, etc). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.1000 blocos de nota, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: pastas personalizadas A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4820.1000, com alíquota de 15%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou o produto para o código 4920.1000, com alíquota 0 (zero). Posteriormente, afirma, na impugnação, que se trata de blocos de papel para cartas com dizeres impressos, e que esta subposição deixou de existir. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 18 Verificase, pelo exame da amostra anexada ao processo n° 19647.0018895/200715 e pelas informações constantes dos autos, que se trata de pasta personalizada, com impressão de caráter acessório, próprios para uso em escritório. Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que reclassificou o produto para o código 4820.9000 outros..., sem desdobramentos regionais, com alíquota de 15%, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decreto n° 2.092, de 1996, e Decreto 3.777, de 2001. Produto: envelope A contribuinte indicou nas notas fiscais do período, para este produto, o código 4817.1010, com alíquota de 5%, entretanto não destacava o valor do IPI no documento fiscal, alegou durante a fiscalização que houve erro na classificação, e reclassificou para o código 4817.1000 Formulários contínuos com dizeres impresso, com alíquota 0 (zero). A posição 4817 abrange os artefatos de papel ou cartão para correspondência (envelopes, aerogramas, bilhetes, e t c . ) e na subposição 4817.1000 envelopes, Ex 01 – com dizeres impressos. Cabe salientar que não existe divergência quanto a posição e subposição de Io nível, apenas em relação a alíquota, cujo "ex 01" tarifário prevê alíquota 0 (zero). Portanto, correta a classificação feita pela fiscalização que classificou o produto que não tinha os "dizeres impressos", conforme Termo de Informação Fiscal, fl. 233, com o código 4817.1000 envelopes, com alíquota de 15%, sem desdobramentos regionais, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1 RGI /SH e Tabelas de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelos Decretos n° 2.092, de 1996, e n° 3.777, de 2001. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 26/08/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10380.003656/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2002, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3101-001.081
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário e declinar da competência para a apreciação das matérias em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário e declinar da competência para a apreciação das matérias em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tarásio Campelo Borges Presidente Substituto Corintho Oliveira Machado Relator Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 06/14), lavrado contra o contribuinte, acima identificado, relativo aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, exigindolhe o crédito tributário no valor total de R$ 1.630.213,52, incluindo encargos legais, conforme discriminação constante em campo próprio da referida peça impositiva (fls. 06). 2. Referida exigência originouse em função de ter sido detectada, conforme Auto de Infração do PIS, a seguinte irregularidade, cujo teor da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal aplicados à matéria, transcrevese abaixo: 2.1 – PIS/Faturamento – Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago (Verificações Obrigatórias) 2.1.1 durante o procedimento de verificações obrigatórias constatouse que o contribuinte deixou de recolher ou recolheu a menor os valores relativos ao PIS, bem como não apresentou as DCTFs de todos os períodos com as informações corretas dos débitos concernentes à referida contribuição, referente aos períodos de apuração dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004; 2.1.2 adotouse para efeito de tributação no anocalendário de 2004 os dados constantes das Guias de Informação Mensal do ICMS, uma vez que no citado período em função de o contribuinte não ter apresentado os livros contábeis e/ou fiscais que justificasse a tributação do IRPJ pelo Lucro Real, bem como não ter efetuado a opção pelo Lucro Presumido, o que ensejou inclusive para o IRPJ a tributação, via lançamento de ofício, pelo Lucro Arbitrado, conforme julgamento proferido no processo nº 10380.003654/200534, sendo então utilizado os valores constantes nas citadas GIMs para efeito de cálculo do PIS no citado anocalendário; 2.1.3 – ressaltese que as bases de cálculo apuradas do PIS nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, encontramse discriminados, conforme assinalado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, c/c os Demonstrativos de Apuração da Contribuição, da Multa e Juros de Mora, bem como os Demonstrativos de Composição da Base de Cálculo, Apuração do Débito e de Situação Fiscal Apurada, partes integrantes do instrumento de autuação (fls. 07/23); Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.025 3 2.1.4 Enquadramento Legal: art. 149 da Lei nº 5.172/66; arts. 1º e 3ºda Lei Complementar nº 07/70; art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73; título 5, Capítulo 1, Seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela PortariaMF nº 142/82; arts. 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715/98; arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, c/c os arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 23, 59 e 63 do Decreto nº 4.524/2002 (fls. 08 e 10); 2.1.5 Sobre a contribuição decorrente da infração acima qualificada, aplicouse a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 86, § 1º da Lei nº 7.450/85; art. 2º da Lei nº 7.683/88, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 (fls. 14); 3. Inconformado com a exigência, das qual tomou ciência em 17/05/2005 (AR, V. I, fls. 210), o contribuinte ingressou em 13/06/2005 (V. II, fls. 215/229), com impugnação contra o lançamento. Alega, em síntese, que: 3.1 chegou à conclusão que o Auto de Infração por não refletir a verdade dos fatos é totalmente incabível e imprestável, uma vez que a autoridade autuante agiu açodadamente, sem o mínimo de interesse em perquirir a verdade dos fatos e, talvez pelo simples fato de a impugnante se encontrar com suas obrigações fiscais para com o Fisco Federal rigorosamente em dia, sendo esta a maneira mais simples, fácil e hedionda, dado ao apego exclusivo à lei do menor esforço em constituir o crédito tributário a favor da Fazenda Nacional, totalmente inexistente e irreal, ao arrepio da lei; 3.2 assim, apresenta suas razões de defesa, respaldada na documentação que ora anexa, requerendo Impugnação Total do Auto de Infração, tempestivamente, conforme consta da ciência aposta no AR em 17/05/2005, dentro dos 30 (trinta) dias regulamentares, portanto; 3.3 o Auto de Infração se encontra eivado de erros e/ou enganos, sendo, pois, uma peça imprestável para o fim proposto, considerando que a Autoridade fiscal responsável pelo procedimento jamais pôs os pés no estabelecimento da impugnante, somente mantendo contato com a empresa e seus representantes legais através do telefone, procedendo, portanto ao arrepio das normas legais que regulamentam a espécie, arbitrando valores totalmente inadequados como oníricas vendas/faturamento da empresa para calcular quantias exorbitantes e estratosféricas de que seriam as parcelas do PIS/Faturamento, por motivos totalmente inverídicos e infundados, ou por puro desconhecimento, o que é mais provável; 3.4 aduz, nesse sentido, sobre a dificuldade financeira que está enfrentando e a forma de sua atividade (indústria de plástico), esclarecendo que recebe o material de seus clientes e executa apenas a etapa de transformar a matériaprima recebida em material acabado (embalagens plásticas/sacarias), percebendo Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 como contraprestação (faturamento/vendas), apenas o valor dessa etapa final industrial. Assevera que, recebe dos clientes a matériaprima (materiais plásticos – polipropileno e outros aglutinadores), industrializa e devolve, através de Notas Fiscais, não de vendas, mas de simples remessa, sem destaque de qualquer tributo como prevê a legislação aplicável, o produto de propriedade de terceiros, e não de propriedade da autuada, portanto, não podendo jamais se confundir com venda ou faturamento, sendo apenas destacado o valor comercial da mercadoria, nos termos da legislação estadual aplicável à espécie; 3.5 simplesmente é inaceitável a afirmação do Auditor Fiscal autuante na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que o lançamento fora decorrente do fato de ter verificado “Diferença apurada entre o valor escriturado e o Declarado/Pago de PIS/FATURAMENTO, referentes aos períodos de 3º Trimestres de 2002, 2003 e 2004” , bem assim por não ter declarado em DCTF os valores dos débitos correspondentes, porquanto lhe foram entregues tão logo solicitado todas as DCTFs relativas aos períodos em fiscalização, cumprindo sua solicitação rigorosamente em dia, conforme fotocópias da totalidade dessa exigência legal, que nesse ato anexa ao processo (Doc. II, Volume I) Além disso, querer que os valores de sua imaginação que foram listados nas GIMs que não dizem respeito a faturamento e/ou venda da impugnante, fossem também adicionados como de sua propriedade, é querer o impossível, assevera; 3.6 discorda, também, da afirmação do Auditor Fiscal autuante, de que a impugnante não teria apresentado as bases de cálculo da referida contribuição, uma vez que a prova inconteste do pronto atendimento dessa exigência se encontra contida na cópia dos seguintes documentos que junta ao processo (Doc. III, Vol. I), a saber: a) fotocópia da Declaração oficial fornecida pela empresa na data de 17/01/2005, em atendimento, dentre outras, da solicitação da autoridade fiscal relacionado com os Demonstrativos das bases de Cálculos do PIS e da COFINS; e b) fotocópia do protocolo de Documentos e Livros Contábeis da autuada, que em seu item 4, confirma a entrega dos Demonstrativos das bases de Cálculo do PIS e da COFINS, firmada sob protocolo do AFRF, Dr. Sérgio Siqueira, que assim autorizou o seu recebimento por via telefônica; 3.7 nesse sentido, tendo prestado tais informações e entregue os livros contábeis e fiscais solicitados, discorda do procedimento adotado pela Fiscalização ao utilizar como base de cálculo do PIS/Faturamento os valores constantes das GIMs fornecidas pelo Fisco Estadual, sem ao menos ler os dados nelas contidos, lançando o que seriam pretensas receitas brutas mensais da empresa, adotando, todavia, os valores apenas das saídas mensais de mercadorias constantes das GIMs prontamente informados pelo contribuinte ao Fisco estadual, não refletindo, assim, a realidade dos fatos, já que prontamente sempre atendeu às solicitações do Fisco quanto às intimações para entrega de livros e demais documentos, o que para a impugnante caracterizase um verdadeiro absurdo; Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.026 5 3.8 – tendo entregue os livros fiscais solicitados e os blocos de notas fiscais e, diante da afirmação da autoridade fiscal de que não mais lhe interessaria ver ou analisar tais documentos, bastando para tanto que fossem efetuados pela empresa demonstrativos das vendas (Doc. IV, Vol. I) retratando a apuração dos impostos e contribuições federais no período, elaborou os seguintes demonstrativos/quadros: a) quadro do faturamento real da empresa (vendas de produtos e serviços, incluindo venda de imobilizado) e bases de cálculo para apuração e valores de recolhimentos de Cofins e PIS, demonstrados mês a mês; b) demonstrativos de apuração do IRPJ e da CSLL, por trimestre; e c) relatório do demonstrativo das vendas, cálculo dos impostos, demonstrativo de apuração do ICMS e do IPI e o demonstrativo para pagamentos dos impostos e contribuições. 3.9 ora, partindose do pressuposto de que tais demonstrativos são a expressão da verdade, discorda da afirmação da autoridade fiscal de que tais demonstrativos estariam incompletos, pois querer que a empresa demonstrasse como venda ou faturamento a totalidade dos valores representativos das saídas de mercadorias de seu estabelecimento, a conta e ordem de terceiros, que não são de sua propriedade, é de todo inacreditável, pois jamais poderia se coadunar os valores das mercadorias que tiveram simples saídas de seu estabelecimento com aqueles de suas vendas e/ou faturamento. Além disso, assevera, se os referidos documentos, foram assinados pela empresa, não seria motivo para a pretensa desconsideração dos mesmos como meio de prova; 3.10 ademais, com base nos livros e documentos fiscais entregues, o servidor autuante simplesmente “arrastou”, pelo total, sem se importar do que se referiam, a totalidade das saídas de mercadorias do estabelecimento da autuada, constante dos livros Fiscais e Contábeis, afirmando corresponder, tais valores, à totalidade listada nas Guias de Informação do ICMS (GIMs), sem, todavia, excluir, como é obrigatório e lógico, todas as “remessas e/ou retorno de mercadorias” ou “operações de remessas de mercadorias por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem, além de todas as saídas nos códigos 6.902, 6.903, 6.909, entre outros que discrimina, que não representariam venda e, portanto, deveriam ser excluídas do conceito de venda ou faturamento (fls. 224); 3.11 assim, para melhor visualização dos argumentos que ora expõe, encaminha em anexo (Doc. V, Vol. I), as identificações legais dessa codificação, que obrigatoriamente são expressas nas respectivas Notas Fiscais que acompanham as mercadorias e se encontram expressas devidamente nos Livros Fiscais da empresa autuada, conforme fotocópias de todos esses livros que deram origem as saídas de mercadorias e apuração do ICMS, que neste ato anexa aos autos (Doc. VI, Vol. I), sem, no entanto, representarem vendas de sua responsabilidade, e sim, de Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 terceiros, quando foi o caso, pois essas mercadorias não pertenciam a ora impugnante; 3.12 reafirma, dessa maneira, que o declarado pela autoridade fiscal, que, por supostamente ter a impugnante deixado de apresentar os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, teria adotado as saídas de mercadorias através das Guias do ICMS (GIMs), não possui qualquer resquício de verdade, dado que todos os livros e a documentação correspondente foram colocados à disposição do Auditor Fiscal autuante, enquanto que os livros foram entregues na SEFIS dessa Delegacia da Receita Federal, sendo posteriormente, devolvidos à impugnante. Assinala ainda que, como prova irrefutável e definitiva, anexa, também, fotocópias de capa a capa dos Livros Diário e Razão do ano de 2003 (Docs. VII, Vol. 2 e Doc. VIII, Vol. 3, respectivamente), todos igualmente e devidamente revestidos das formalidades legais intrínsecas e extrínsecas, estando os originais em poder da empresa, bem como os demais Livros, aguardando qualquer solicitação da Autoridade Fiscal para se assim for julgado necessário, leválos à presença do julgador; 3.13 quanto aos valores oníricos adotados pela Fiscalização, no período de 07 a 09/2002 e de 06 a 12/2003, são totalmente infundadas e precipitadas as afirmações, pois desprovidas da verdade, conforme passa a demonstrar: 3.13.1 em seu desiderato, a Fiscalização, agrupa e adota os valores totais de saída dos produtos de terceiros, reitera, que não foram vendas realizadas pela autuada, e sim produtos de terceiros para beneficiamento, objeto das entradas (materiais ou matériasprimas parcialmente beneficiadas), onde reafirma, apenas o valor da etapa industrial de confecção da embalagem propriamente dita é que se configura como faturamento ou venda da empresa, etapa esta que se resume em transformar essa matériaprima de terceiros em embalagens plásticas acabadas e que foram em seguida remetidas para esses clientes, acompanhadas de Notas Fiscais nos moldes instituídos pela Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará (SEFAZ/CE), para cada caso específico (operação dentro ou fora do Estado etc), entretanto, por simples remessa e não como venda, dado que não houve compra de mercadoria por parte da empresa autuada, tendo ocorrido tãosomente “dação para facção” em mercadorias de terceiros, entregues para beneficiamento final; 3.13.2 houve, no caso, arrolamento de valores constantes de simples saídas de mercadorias do estabelecimento da autuada, que jamais poderia ter sido considerado faturamento ou venda da impugnante, pois com a única finalidade de cumprir uma determinação da Fazenda Estadual, tais saídas são obrigatoriamente acompanhadas por Notas Fiscais com códigos diferenciados, sem destaque de qualquer tributo, servindo apenas para acompanhar as mercadorias em trânsito, como simples remessa, para tráfego estadual ou interestadual. Faz anexar, também, aos autos, as Declarações do IRPJ da empresa autuada com os correspondentes Recibos de Entrega, relativas aos anos de 2003 e 2004, conforme Doc. IX, Vol. I (fls. 226); Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.027 7 3.14 Quanto à Inadequação da Base de Cálculo da Cofins, alega que: 3.14.1 se for considerado que o critério utilizado teve como objetivo a apuração das receitas da impugnante para efeito de incidência da contribuição ao PIS, a conseqüência inafastável será que a base de cálculo utilizada foi totalmente incorreta, irreal e inadequada, dado que a autoridade buscou, para apurar a disponibilidade econômica, elementos que não se amoldam a esse conceito; 3.14.2 – o legislador, ao definir a hipótese de incidência, não pode se utilizar de fatos que estejam fora de sua competência tributária. Logo, o mesmo ocorrerá, certamente, quando se tratar da base de cálculo; 3.14.3 traz à lume a opinião do eminente tributarista Alfredo Augusto Becker, segundo o qual na composição da hipótese de incidência do Imposto de Renda, o elemento mais relevante é o núcleo. É a natureza do núcleo da hipótese de incidência, segundo o referido autor, que permite distinguir as distintas naturezas jurídicas dos negócios jurídicos, sendo também o núcleo que confere gênero jurídico ao tributo, assinalando, outrossim, que nas relações jurídicas de tributação, o núcleo da hipótese de incidência é sempre a base de cálculo; 3.14.4 a conseqüência imediata dessa definição é a de que ao desvirtuar a base de cálculo do tributo se está ao mesmo tempo descaracterizando o próprio tributo, já que em relação ao citado tributo a base de cálculo deve refletir o fato econômico da existência de renda. Nesse sentido, tomandose como exemplo a venda de um imóvel, se a base de cálculo for o saldo que resultar do preço de venda depois de deduzido o preço de aquisição e benfeitorias, tratarseá de um verdadeiro imposto de renda. Por outro lado, se a base de cálculo for o preço de venda, não se admitindo tais deduções, o tributo pertencerá ao gênero jurídico dos tributos de atos jurídicos, sendo, no caso, um genuíno imposto de vendas; 3.14.5 reforça tal entendimento à luz das palavras do Prof. Paulo de Barros Carvalho, bem como, no tocante à base de cálculo do ICMS, que corresponde igualmente para a Cofins, as palavras do prof. Roberto Siqueira Campos (fls. 227/228); 3.14.6 noutras palavras, aduz, sendo a base de cálculo uma descrição legal de um padrão ou unidade de referência que possibilite a quantificação financeira do fato tributário, nas palavras do Prof. Aires Barreto, e se esse fato tributário, no caso em tela, é o faturamento bruto advindo das vendas, a base de cálculo deve, necessariamente, aferir a intensidade desse fenômeno, e não um valor arbitrariamente fixado com base em elementos que a ele não guardam nenhuma relação ou devam ser excluídos; 3.14.7 há de se registrar, também, que o procedimento utilizado para a apuração da base de cálculo do PIS, em última análise, Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 fere o princípio da legalidade, porquanto inexiste previsão legal para a adoção “dessa base de cálculo” da impugnante como base de cálculo para a incidência da referida contribuição, sobretudo porque tal princípio deve sempre nortear a atuação da Administração, conferindolhe poderes para a defesa dos interesses do Estado, assinalando, todavia, que à Administração somente é permitido atuar dentro dos limites que a lei conferir, pois, fora deles, ocorrerá abuso de poder; 3.14.8 aduz ainda que inúmeras são as decisões emanadas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, espalhadas pelo Brasil inteiro, bem como e principalmente as proferidas pelo Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a metodologia adotada pela Fiscalização será sempre uma medida extrema, somente utilizável quando todos os esforços foram desenvolvidos e se tornarem em vão para se aferir os reais resultados das empresas, sob pena de não poder prosperar a autuação. Deixa, também, de transcrever tais decisões, uma vez que já são de inteiro conhecimento de todos os julgadores de primeira instância; 3.14.9 assim, não paira nenhuma dúvida de que os valores arrolados pelo Auditor Fiscal autuante contra a impugnante como crédito tributário apurado a favor da Fazenda Nacional por pretensa falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), não subsistem; 3.15 ante o exposto, requer a improcedência total da exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração ora em litígio, com a conseqüente exoneração integral do contribuinte da respectiva exigência lançada, nos termos do Processo Administrativo Fiscal; 3.16 Ressaltese que o processo foi convertido em diligência, conforme teor da Resolução nº 665, de 17/08/2005 (fls. 936/940), cujo resultado vêse do Relatório proferido pelo órgão preparador, conforme fls. nºs 943/946 dos autos. A DRJ em FORTALEZA/CE considerou procedente em parte o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Diferença apurada entre os valores declarados e os escriturados (Verificações Obrigatórias) Mantémse em parte a exigência decorrente das diferenças verificadas entre os valores da Cofins declarados e os escriturados, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte forem suficientes para infirmar parcialmente os valores lançados pela Fiscalização. Diligência: Anocalendário: 2004 Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10380.003656/200523 Acórdão n.º 310101.081 S3C1T1 Fl. 1.028 9 Tendo em vista que a Fiscalização no anocalendário de 2004 utilizou os dados totais das saídas de mercadorias e/ou serviços registrados pelo contribuinte nas Guias de Informação Mensal do ICMS GIMs, sem excluir os valores que não corresponderiam às vendas efetivas, recompõese, com base no resultado da diligência procedida a base de cálculo do PIS, excluindose dos valores originalmente lançados aqueles que não dizem respeito à receita bruta. Lançamento Procedente em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 996 e seguintes, onde requer, em preliminar, diligência para apurar os reais valores da base de cálculo do PIS nos anoscalendário 2002 e 2003, nos mesmos moldes do ocorrido com o anocalendário 2004, que resultou no cancelamento da quase totalidade da exigência; quanto ao anocalendário 2004, reprisa a alegação de higidez da sua escrita fiscal, juntando cópias de todos os livros fiscais dos períodos lançados, e novamente requer a improcedência da ação fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau, por conta do recurso voluntário e do recurso de ofício. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado, bem como o recurso de ofício interposto. A matéria deste contencioso, apesar de versar sobre contribuição para o PIS, que normalmente é da nossa órbita de competência, hodiernamente, é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no inciso IV do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009 demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Cumpre observar que adotouse para efeito de tributação no anocalendário de 2004, os dados constantes das Guias de Informação Mensal do ICMS, uma vez que no citado período o contribuinte não apresentou os livros contábeis e/ou fiscais que justificasse a tributação do IRPJ pelo Lucro Real, bem como não efetuou a opção pelo Lucro Presumido, o que ensejou inclusive para o IRPJ a tributação, via lançamento de ofício, pelo Lucro Arbitrado, conforme julgamento proferido no processo nº 10380.003654/200534, sendo então utilizado os valores constantes nas citadas GIMs para efeito de cálculo do PIS no citado anocalendário. Naquele aludido processo consta, inclusive, o demonstrativo de fls. 217, que serviu para recompor as bases de cálculo do PIS do anocalendário de 2004, na diligência levada a efeito neste contencioso quando do julgamento em primeiro grau. Demais disso, também houve desconsideração da escrita fiscal e lançamento pelo Lucro Arbitrado nos anoscalendário 2002 e 2003, apenas que as bases de cálculo utilizadas para o PIS aí advieram das respectivas DIPJ. Dessarte, em virtude de os presentes recursos tratarem de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de inexistência de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No vinco do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER dos recursos, e endereçálos à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 26/05/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11060.722092/2013-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE.
A Suprema Corte no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91.
Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. A Suprema Corte no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91. Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 20 92 /2 01 3- 17 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 849 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa HERTER CEREAIS LTDA, em face de acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente, em parte, a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. 2. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 654/658), o auto de infração refere se às contribuições devidas a previdência social, contribuições sobre a comercialização de produtos rurais ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), no presente caso FPAS 744. 3. Além disso, tratase de contribuições incidentes sobre a comercialização de produtos rurais devidas a outras entidades, no caso ao SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Ambas no período de janeiro de 01/2008 a 12/2009. 4. A matéria em discussão referese à cobrança de Obrigação Principal – AIOP, correspondentes aos DEBCAD’s a seguir: a) Debcad 37.391.8267 destinado à aplicação da multa prevista no artigo 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 e artigos 284, II e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, no valor de R$ 13.739,04 (treze mil, setecentos e trinta e nove reais e quatro centavos), em decorrência do descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no artigo 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212/91 e artigo 225, IV e § 4º do RPS "apresentar GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias". b) Debcad 37.391.8275 destinado ao lançamento das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física (inclusive alíquota RAT), incidentes sobre a comercialização da sua produção, nos termos do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, cujo recolhimento está a cargo da autuada na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no artigo 30, IV da Lei nº 8.212/91, totalizando o montante de R$ 213.713,48 (duzentos e treze mil, setecentos e treze reais e quarenta e oito centavos), incluindo o valor principal, juros e multas de ofício e de mora. c) Debcad 37.391.8283 destinado ao lançamento da contribuição ao SENAR incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física, cujo recolhimento está a cargo da autuada na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista na legislação, totalizando o montante de R$ 19.492,66 (dezenove mil, quatrocentos e noventa e dois reais e sessenta e seis centavos) incluindo o valor principal, juros e multas de ofício e de mora. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 850 3 5. Destaco trecho do relato fiscal que delimita os fatos geradores que ensejaram na presente autuação: “(...). 4. DOS FATOS GERADORES Os fatos geradores de contribuição previdenciária apurados no desenvolvimento da auditoria fiscal, foram classificados por Tipo de Levantamento, levandose em consideração o período ao qual ocorre o tipo de multa menos severa de modo a emitir autos de infração distintos em: Contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para o FPAS 744 (RURAL e SAT); Contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para outras entidades (Terceiros SENAR). Os levantamentos estão discriminados conforme segue: a) LEVANTAMENTO RU Valores de aquisição de produtos rurais (grãos e/ou cereais) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 07/2008 a 10/2008. b) LEVANTAMENTO RU1 Valores de aquisição de produtos rurais (grãos e/ou cereais) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 11/2008 a 11/2008. c) LEVANTAMENTO RU2 Valores de aquisição de produtos rurais (grãos e/ou cereais) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 12/2008 a 12/2009. d) LEVANTAMENTO RV Valores de aquisição de produtos rurais (sementes e/ou farelo) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos gerador j não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 07/2008 a 09/2008. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 851 4 e) LEVANTAMENTO RV1 Valores de aquisição de produtos rurais (sementes e/ou farelo) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 03/2008 a 11/2008. f) LEVANTAMENTO RV2 Valores de aquisição de produtos rurais (sementes e/ou farelo) de segurados pessoas físicas para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente ao período 01/2009 a 07/2009. (...).” 6. Irresignada com a lançamento fiscal efetuado a empresa apresentou impugnação às fls. 672/697, no entanto a DRJ de Rio Preto (SP) manteve parte do lançamento. A decisão (fls. 803/808) restou ementada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. PAGAMENTO PARCIAL DA OBRIGAÇÃO. Sujeitamse ao prazo decadencial de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador as contribuições relativas às competências em que se verifique o pagamento parcial da obrigação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” (fl. 803). 7. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 818/836), no qual aduz em síntese que: Fl. 851DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 852 5 a) existe decisão judicial determinando que o Delegado da Receita Federal do Brasil, não exigisse da recorrente a obrigação de reter e recolher a contribuição social prevista no art. 25, da Lei nº 8.212/91. Dessa forma o crédito lançado pelo Fisco tornase inexigível; b) em relação à base de cálculo, a recorrente reportase aos argumentos lançados no julgamento do RE 363852, a fim de reconhecer a inexigibilidade da contribuição social do empregador rural, com a consequente ausência de relação jurídicotributária com o fisco, o que implica na sua desobrigação de repassar para o Fisco o valor da exação. c) a substituição da contribuição sobre a folha pela contribuição incidente sobre a receita ou faturamento somente é possível depois do advento da EC 42/03, de modo que a superveniência dessa alteração constitucional não tem o condão de convalidar as substituições levadas a efeito anteriormente; d) não se pode considerar que a Lei nº 10.256/01 tenha instituído validamente nova contribuição, pois afronta o princípio da estrita legalidade; e) é inconstitucional a exação; f) as expressões “receita” e “faturamento” para fins de contribuição previdenciária não são equivalentes. 8. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 853 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNRURAL 2. Conforme descrito no relatório fiscal, o lançamento referese às contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para o FPAS 744 (RURAL e SAT) e a contribuição sobre comercialização de produtos rurais adquiridos pela empresa, de segurados pessoas físicas, para outras entidades Terceiros – SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. (fl. 655) no período de 01/2008 a 12/2009. 3. A decisão de primeira instância considerou improcedente a impugnação, sob os argumentos de que, em regra, é vedado à autoridade administrativa reconhecer tese de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei. De fato, razão lhe assiste. 4. No entanto, entendo que em cumprimento ao princípio da economia processual e em prol da unificação dos julgados, a esfera administrativa pode, em determinadas circunstâncias, seguir o entendimento do judiciário no que diz respeito às matérias as quais a Corte Constitucional já consolidou seu entendimento, isso para que se evite a situação de o contribuinte, ao final da demanda administrativa, tenha que recorrer ao judiciário para ver a lide satisfeita. 5. Assim, apesar de estar ciente que as decisões judiciais possuem efeitos inter partes, entendo que é necessário se valorizar a jurisprudência consolidada pelos tribunais superiores, in casu, cumpre atentar para o posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao enfrentar a matéria sob análise. 6. Com efeito, a corte constitucional no julgamento do Recurso Extraordinário – RE n.º 363.852, já se manifestou sobre a questão e, por entender que a contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, nos termos abaixo: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a Fl. 853DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.722092/201317 Acórdão n.º 2803003.617 S2TE03 Fl. 854 7 inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisas V e VII, 25, incisos I e II, 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualização até a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior, Plenário, 03.02.2010.” 7. Em assentada posterior, em sessão plenária (17/03/2011), o STF ratificou o seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852. 8. Os embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. 9. Porém, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural. 10. Diante do exposto, entendo que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não pode ser validamente exigida. CONCLUSÃO 11. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, nos termos acima alinhavados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 854DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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