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Numero do processo: 13502.000033/99-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CONCEITO DE INSUMO NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DA LEI 9.363/1996.
1. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, segundo os critérios estabelecidos na Lei nº 9.363, de 1996, são considerados insumos as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem adquiridos no mercado interno e utilizados no processo fabricação de produto exportado.
2. Também se incluem no conceito de insumos, para o mesmo efeito, os produtos não registrados no ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. CUSTO COM ENERGIA ELÉTRICA E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE.
Por não atender o conceito de insumo da Lei nº 9.363, de 1996, os custos de aquisição de energia elétrica e de prestação de serviços de industrialização por encomenda não integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI.
ICMS. VALOR DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE COMPRA. INCLUSÃO NOS CUSTOS DOS INSUMOS. PREVISIBILIDADE.
Para efeito do cálculo do crédito presumido do IPI, o valor do ICMS destacados nas notas fiscais de compra não se exclui dos custos das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem aplicados na produção de produto exportado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar que os valores do ICMS, destacados nas respectivas notas fiscais de entrada, sejam incluídos no valor do crédito presumido, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CONCEITO DE INSUMO NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DA LEI 9.363/1996. 1. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, segundo os critérios estabelecidos na Lei nº 9.363, de 1996, são considerados insumos as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem adquiridos no mercado interno e utilizados no processo fabricação de produto exportado. 2. Também se incluem no conceito de insumos, para o mesmo efeito, os produtos não registrados no ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. CUSTO COM ENERGIA ELÉTRICA E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Por não atender o conceito de insumo da Lei nº 9.363, de 1996, os custos de aquisição de energia elétrica e de prestação de serviços de industrialização por encomenda não integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI. ICMS. VALOR DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE COMPRA. INCLUSÃO NOS CUSTOS DOS INSUMOS. PREVISIBILIDADE. Para efeito do cálculo do crédito presumido do IPI, o valor do ICMS destacados nas notas fiscais de compra não se exclui dos custos das matérias-primas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem aplicados na produção de produto exportado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. CONCEITO DE INSUMO NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DA LEI 9.363/1996. 1. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, segundo os critérios estabelecidos na Lei nº 9.363, de 1996, são considerados insumos as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem adquiridos no mercado interno e utilizados no processo fabricação de produto exportado. 2. Também se incluem no conceito de insumos, para o mesmo efeito, os produtos não registrados no ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. CUSTO COM ENERGIA ELÉTRICA E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 00 33 /9 9- 45 Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar que os valores do ICMS, destacados nas respectivas notas fiscais de entrada, sejam incluídos no valor do crédito presumido, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Pedido de Compensação (fl. 02) de crédito presumido do IPI, no valor de R$ 398.509,62, apresentado pela filial Camaçari/BA em 22/2/1999, para compensação de débitos de mesmo valor da Contribuição do PIS/Pasep e da Cofins dos meses de dezembro de 1998 e janeiro de 1999 da matriz. Por meio do despacho decisório de fls. 13/15, proferido em 18/11/2003, o pedido de compensação foi integralmente indeferido, sob o fundamento fático de que a recorrente, embora intimada, não havia apresentado a documentação necessária a apreciação do pleito, e jurídico, com respaldo no art. 31, § 6°, combinado com o art. 32, caput, da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 323, de 2003. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 20/27), alegou a interessada que o citado despacho decisório não podia prevalecer, pois, independente das causas que lhe impediram de apresentar a documentação solicitada, o crédito compensado era legítimo, conforme documentação e demonstrativos apresentados naquela oportunidade. Os fatos seguintes, foram assim resumidos no relatório integrante do acórdão recorrido: O processo foi encaminhado para apreciação pela DRJ/Recife, que mediante o Acórdão DRJ nº 9.599, de 24/09/2004, proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ Recife/PE, de fls.228/236, indeferiu a solicitação da interessada amparado na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, ante a ausência de apresentação da documentação quando da intimação, por prazo dilatado em até quatro vezes, com fundamento no art. 3º, III, 28, 39 e 40, que reproduz e art. 3º da IN SRF nº23, de 1997, e art.3º da Portaria MF nº 38, de 27/02/1997. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 11 3 Consta no acórdão que a própria interessada reconheceu que não apresentou a documentação solicitada e nem pleiteou dilatação de prazo para fazêlo e que, apesar de a interessada ter na manifestação de inconformidade apresentado a documentação relativa ao direito ao ressarcimento e compensações que entendia comprobatória, a instância julgadora estaria impedida de analisar os referidos documentos, sob pena de suprimir uma instância decisória, e assim, não tendo a requerente apresentado os documentos hábeis para comprovar o direito, após intimada, este seria indeferido. Quanto aos argumentos da interessada de que apresentara Pedido de Ressarcimento no valor de R$ 530.157,15, informou que não houve qualquer apresentação de documentação e portanto não há litígio quanto a existência do direito creditório, vindo assim a se pronunciar somente quanto a não homologação da compensação, nos termos dos §§ 9º a 12º do art.74 da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art.49 da Lei nº10.637, de 2002 e art.17 da Medida Provisória nº135, de 30/10/2003, convertida na Lei nº10.833, de 2003. A interessada foi intimada do acórdão DRJ à fl. 238. À fl.239 consta despacho da SOAT/Camaçari informando que decorrido o prazo para interposição de recurso voluntário não houve manifestação de interessada nesse sentido e encaminhamento para cobrança do crédito tributário indevidamente compensado. A empresa matriz, localizada em São Paulo, impetrou Medida Cautelar nº2006.61.00.0201471 e Ação Anulatória de Débito Fiscal nº2006.61.00.022643.1 na 8ª Vara da justiça Federal de São Paulo, que foi parcialmente deferida intimando a União a suspender a exigibilidade do crédito tributário, ante o depósito (fls.306, 729 e 730/742, 822/841 e Mandado de Citação de fl. 820). O Juiz da 8ª Vara da Justiça Federal determinou a anulação do PAF 13502.000033/9945 desde a prolação do acórdão da DRJ e anulação da carta cobrança e eventual inscrição em dívida ativa e determinou a análise do pedido de compensação, fl. 862. A decisão está em grau de recurso junto ao TRF da 3ª Região. A Equipe de Análise de ação Judicial/DERAT/SPO (fl.725, 728) analisou a documentação constante dos autos (fls.729/803, 804/805 e andamento processual na justiça de fls. 848/853, 855/865, e demonstrativos de cálculo RFB de fls.806/811) e promoveu a suspensão da exigibilidade dos débitos no PROFISC por concluir pela suficiência dos depósitos (fl.811 e 812, 866/867 e 870), mediante Despacho de fl. 866/867 e 870. O processo foi encaminhado a DRF/Camaçari, órgão jurisdicionante do estabelecimento detentor do crédito, para realização de diligência, para apuração do valor total a ser compensado (fls.873/874 e ciência em 23/11/2009, fl.875), tendo a interessada apresentado ofício confirmando a entrega de cópias de balancetes, CD com planilha de custos e entradas de Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 insumos e DCP (fl.876 e documentos de fls.877/914, além do descritivo do processo industrial de fls.925/952 e Balancetes Analíticos de fls.953/974 e 975/1.097). Às fls.1.099/1.105 consta relatório fiscal, cientificado a contribuinte em 23/02/2010, fl.1103, relativo ao MPF 0510400200900115 expedido para realização da diligência fiscal com vista a subsidiar a análise do crédito presumido do período de julho/1997 a dezembro/1998, ora sintetizado: •a análise dos créditos tinha sido iniciada em outro procedimento fiscal MPF 0510400/00024/2007, que ficou prejudicada ante a autuação fiscal que tombou sob o processo administrativo de nº 13807.007601/200107, sob julgamento, considerados nesta análise os relatórios e documentos, bem como o Acórdão DRJ/São Paulo nº 1620.479/ 2009 proferido no referido processo, o qual admitiu tão somente os custos dos insumos adquiridos diretamente pelo contribuinte e pela empresa Química da Bahia Ltda, com a qual a interessada mantinha contrato de industrialização por encomenda, quando utilizados na industrialização dos produtos comercializados pela contribuinte (acetona, etanol, amônia, hidrogênio e nitrogênio), desconsiderando os custo fixos, aí incluídos os demais custos envolvidos indiretamente na produção, depreciação e energia, além dos custos administrativos e remuneração pelos serviços de industrialização prestados pela Química da Bahia; • neste trabalho a análise se resume ao crédito presumido pleiteado pelo estabelecimento 0018, sem levar em consideração a veracidade, efetividade ou qualquer aspecto relacionado ao contrato de industrialização por encomenda. A utilização como custo de produção dos insumos adquiridos pela Química da Bahia e utilizados como custo de produção segue a decisão da DRJ/São Paulo; •após mencionar os dispositivos legais que amparam o benefício do crédito presumido, considera o disposto no art. 147 do Decreto n° 2.637, de 25 de março de 1998 RIPI/ 1998, com redação atual pelo artigo 164 do Decreto n° 4.544 de 26 de dezembro de 2002 RIPI/ 2002 e PN CST n° 65/79 publicado no DOU de 06/11/1979, para caracterizar o conceito de insumos; • à falta da memória de cálculo, esta não apresentada pela interessada, utilizouse a fiscalização das planilhas fornecidas pelo contribuinte com os dados das entradas de insumos e saídas de produtos e exportações, detalhamento do consumo geral da produção, discriminando os insumos consumidos por período, arquivos magnéticos com fichas de estoque individualizados por insumo, para elaborar o demonstrativo de apuração do crédito presumido. Os insumos que foram considerados para efeito de composição da base de cálculo foram aqueles informados no documento "autoavaliação para o licenciamento ambiental ALA", quando enquadrados no conceito de insumos previsto na Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 12 5 legislação, sendo desconsiderados os produtos acetona e o isopropanol quando importados; • foi efetuada a apuração do crédito presumido seguindo as disposições constantes na Lei n° 9.363/96, Portaria MFn° 38/97, IN SRF n° 23/97 e IN SRF n° 103/97, na qual a apuração efetuada pela fiscalização se consolida no Demonstrativo de apuração do crédito presumido, tendo como fonte de referência os balancetes, livros fiscais de entradas, saídas e apuração do IPI e notas fiscais de entradas e saídas, além das fichas de estoque de matérias primas, tambores, total geral de processos, estoque de produtos acabados e em processo, entradas de insumos, saídas de produtos e exportações, apurado conforme normas citadas anteriormente, onde os valores apurados em ação fiscal foram de R$ 58.430.62 (cinqüenta e oito mil quatrocentos e trinta reais e sessenta e dois centavos) para o ano de 1997, e R$ 69.937,30 ( sessenta e nove mil, novecentos e trinta e sete reais e trinta centavos) para o ano de 1998 (fls.1104 e 1105). A interessada apresentou em 25/03/2010 sua manifestação ao termo de verificação fiscal, fls.1106/1116, alegando que: •segundo o Termo de Verificação Fiscal, a utilização dos insumos adquiridos pela Química da Bahia S.A. e utilizados na produção de produtos comercializados pela Air Products seguiria a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, que julgou a impugnação apresentada pela Air Products procedente em parte, considerando que realmente houve custo com os insumos adquiridos diretamente pela Química da Bahia S.A., os quais estavam vinculados à industrialização dos produtos comercializados pela Air Products, porém, houve manutenção da autuação em relação ao que a decisão denominou de custos fixos. Atualmente, aguardase o julgamento do Recurso Voluntário interposto ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF; •quando da análise dos insumos que dariam direito ao crédito presumido pleiteado, a fiscalização afirma que teria considerado aqueles valores informados no documento "autoavaliação para o licenciamento ambiental ALA", em suma, não foram considerados os seguintes itens: energia elétrica, o vapor e a água clarificada, em que pese a própria fiscalização ter reconhecido que a maioria deles possuía características de insumos; •ao contrário do que afirmou no inicio de seu relatório, a fiscalização adotou aquele mesmo equivocado critério aplicado quando da fiscalização que originou o auto de infração relacionado ao processo administrativo n° 13807.007601/200107, ao analisar os documentos disponibilizados pela Air Products, refez a base de cálculo do crédito presumido de IPI pleiteado, desconsiderando Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 praticamente todos os insumos despendidos no processo de industrialização por encomenda, para reconhecer apenas os valores de R$ 58.430,62, no ano de 1997, e R$ 69.937,30, no ano de 1998, dentre estes: os valores relacionados ao contrato por encomenda firmado entre a Air Products e a Química da Bahia S.A., que visa à remuneração dos custos de produção, encargos, despesas e margem de lucro, matériaprima, materiais, embalagens, utilidades, depreciação, mão de obra, entre outros, insumos efetivamente foram utilizados no contrato de industrialização por encomenda; •salienta que o processo administrativo de compensação n° 13502.000033/9945 não guarda relação alguma com o processo n° 13807.007601/200107, isto é, a decisão a ser proferida pelo CARF, nos autos do segundo processo, sobre a existência ou de contrato de industrialização por encomenda não reflete na apuração da base de cálculo do direito creditório pleiteado pela Air Products nos autos do primeiro processo, porque efetivamente houve aplicação de capital na aquisição de insumos para a concretização do processo de industrialização, fazendo com que o crédito presumido de IPI fosse gerado e, portanto, fosse passível de ser pleiteado nos autos do processo administrativo de compensação n° 13502.000033/9945; •em 18 de dezembro de 1996, foi celebrado Contrato Industrialização por Encomenda entre a Air Products e a Química da Bahia S.A., para a finalidade de que esta Empresa industrializasse o produto denominado "alquilamina", mas a Química da Bahia teve como custos os valores pagos a título de matériaprima, insumos, utilidades, máquina e mãodeobra, dentre outros, enquanto a interessada tinha como custo do produto o preço pago à empresa industrializadora, além dos eventuais insumos adquiridos diretamente; •o custo da Air Products com a "alquilamina" corresponde ao somatório do preço pago à Química" da Bahia S.A. pela operação de industrialização e o montante do valor pago a terceiros diretamente pela aquisição de insumos, sendo necessária a utilização de matériasprimas (etanol, amônia, hidrogênio, ácido acético, cicloexano, ácido sulfúrico, monoetileneglicol, produtos para tratamento de água, "diatomoceous earth"), insumos (npropanol, isopropanol, acetona, cicloexano, catalisadores), além de outras utilidades (vapor, energiaelétrica, água clarificada e nitrogênio), conforme quantidades definidas relativas ao processo industrial. •conforme verificase na planilha elaborada pela fiscalização nenhum valor a título de industrialização de terceiros foi indicado, o que confirma que nenhum custo foi aproveitado para o refazimento da base de cálculo do crédito presumido; •a fiscalização não deu aplicabilidade à Instrução Normativa n° 130/97, já que excluiu o ICMS dos custos das Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 13 7 matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem; • elaborou uma nova planilha, cuja estrutura é a mesma do que aquela apresentada pela fiscalização, na qual apontou todos os valores que equivocadamente deixaram de ser reconhecidos, inclusive, com a inclusão do ICMS sobre os custos das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem, assim como determina a Instrução Normativa n° 130/97, inserindo todos aqueles custos que efetivamente foram incorridos durante a industrialização por encomenda, perfazendo, assim, o direito creditório no valor de R$ 229.435,99, para o ano de 1997, e de R$ 298.209,40, para o ano de 1998, conforme fls.1118/1121; • apenas por hipótese, ainda que se pudesse imaginar que haveria relação entre o processo administrativo de compensação n° 13502.000033/9945 e o processo administrativo n° 13807.007601/200107, a Air Products entende que, no mínimo, a fiscalização deveria ter adotado o mesmo posicionamento da DRJ/SP (nos autos do processo administrativo n° 13807.007601/200107), isto é, considerado os custos relativos aos insumos adquiridos pela Química da Bahia que foram denominados de "custos variáveis” porque, ainda que se entenda que não houve industrialização por encomenda, o que se admite apenas por hipótese, o fato é que houve aquisição de insumos, os quais geram créditos que não foram considerados no cálculo elaborado pela fiscalização; •requer seja reconhecido a totalidade dos insumos utilizados no processo de industrialização por encomenda, ajustandose, assim, a base de cálculo do crédito presumido de IPI pleiteado nos autos do processo administrativo n° 13502.000033/9945, nos termos da planilha ora anexada, outrossim, caso não seja esse o entendimento, o que admite apenas por hipótese, requer sejam reconhecidos, no mínimo, aqueles valores que a DRJ/SP denominou de "custos variáveis", quando do julgamento da impugnação apresentada nos autos do processo administrativo n° 13807.007601/200107. Às fls.1132/1136 a Equipe de Análise de Tributos Diversos EQITD/DERAT proferiu o Despacho Decisório, consubstanciado no Relatório Fiscal, concluindo pelo reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 58.430,62, para o ano de 1997, e R$ 69.937,30, para o ano de 1998, referente ao crédito presumido, e, por conseguinte, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A interessada, cientificada do despacho decisório em 11/05/2011 (fl.1137), ingressou com manifestação de inconformidade de fls.1151/1172, em 12/05/2011, apresentando basicamente as mesmas alegações anteriores, discordando do fato de não terem Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 sido homologadas totalmente as compensações constantes dos pedidos de compensação apresentados pelo estabelecimento filial, com débitos de as titularidade, em 09/12/1998 sob o nº 13502.000271/9842 no valor de R$279.348,02 e em 22/02/1999, que deu origem ao presente processo, no valor de crédito presumido de R$398.509,62, totalizando R$677.857,64, mas que, após ajustes, verificou ser o crédito no valor de R$530.157,15, conforme petições de fls. 337/338. Alega ainda que: •a matéria suscitada nos autos do PAF nº13807.007601/200107 não deve prevalecer, pois referia se a auto de infração lavrado para exigir o IRPJ e CSLL em virtude da glosa de custos que teriam sido indevidos ante o entendimento equivocado de que o Contrato Industrialização por Encomenda entre a Air Products e a Química da Bahia S.A era simulado, contudo, não prosperou pois a DRJ/São Paulo no julgamento daquele processo considerou o custo dos insumos adquiridos diretamente pela Química da Bahia quando vinculados a industrialização dos produtos comercializados, estes denominados de custos variáveis, mantendo porém a autuação no que tange aos custos fixos; •na hipótese de ver relação entre estes dois processos, no mínimo deveriam ter sido considerados aqueles valores que foram denominados custos variáveis reformando o despacho decisório; •quando da composição do cálculo presumido a fiscalização teria dito que consideraria os valores informados no documento “auto avaliação para licenciamento ambiental – ALA (fls.434/440), mas neste contexto, deixouse de considerar o vapor, energia elétrica, água clarificada e n propanol, catalisador de cobalto, níquel, acetona e isopropanol porque como reconhecera a maioria deles tinham características de insumos, bem como pelo fato de que alguns desses teriam sido importados; •a fiscalização desconsiderou a parcela fixa do contrato entre a interessada e a Química da Bahia que visa a remuneração dos demais custos da produção, encargos, despesas e margem de lucro, valor pago aos empregados das fábricas, os tributos sobre a folha de salários, depreciação, entre outros. Na produção da “alquilamina”, cuja industrialização se dava por encomenda à Química da Bahia Ltda, esta teve como custos os valores pagos a título de matéria–prima (etanol, amônia, hidrogênio, ácido acético, cicloexano, ácido sulfúrico, monoetileneglicol, produtos para tratamento de água, "diatomoceous earth"), insumos (npropanol, isopropanol, acetona, cicloexano, catalisadores), insumos, utilidades, vapor, energia elétrica, água clarificada e nitrogênio, máquina e mãodeobra dentre outros, sendo necessários, além do custo do preço pago à empresa industrializadora, os valores por esta adquiridos; •não reconhecer a totalidade dos insumos significa não dar aplicabilidade àquilo que almejou a legislação quando Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 14 9 permitiu a acumulação de IPI originados dos recolhimentos do PIS/Cofins; •o despacho decisório violou a legislação do IPI em seu art.243,§1º, na redação da Lei nº10.276, de 2001, quando desconsiderou a energia elétrica como custo a ser incluído na base de cálculo do crédito presumido, custo passível de inclusão na base de cálculo do benefício, conforme decisão do conselho de Contribuinte que transcreve; •nenhum valor a título de industrialização de terceiros foi indicado, o que confirma que nenhum custo com insumos utilizados no processo de industrialização por encomenda foi aceito. Apesar de afirmar, a fiscalização não deu aplicabilidade a Instrução Normativa SRF nº103/97, já que excluiu o ICMS dos custos dos insumos; •apresenta nova planilha inserindo todos os custos efetivamente incorridos durante a industrialização por encomenda, perfazendo o direito ao crédito de R$229.435,99 e R$298.209,40, para os anos de 1997 e 1998, respectivamente; •conforme verifica, a planilha elaborada pela recorrente sequer foi analisada pelo auditor quando da prolação do despacho decisório recorrido, se baseando apenas nas informações contidas na planilha do Termo de Verificação Fiscal, mas em observância ao princípio da verdade material, o auditor deveria ter analisado todas os documentos e informações contidos nos autos; •requer seja reconhecido a totalidade dos insumos utilizados no processo de industrialização por encomenda, nos termos da planilha ora anexada, outrossim, caso não seja esse o entendimento, o que admite apenas por hipótese, requer sejam reconhecidos os valores que a DRJ/SP denominou de "custos variáveis", quando do julgamento da impugnação apresentada nos autos do processo administrativo n° 13807.007601/200107. Após diversos encaminhamentos, o processo, em atendimento à determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.440, de 30/11/2012, foi encaminhado a esta DRJ/Salvador para julgamento em 04/12/2012 (fl.1201). Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1202/1221), em que, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem conceituados na legislação tributária podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Além disso, quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice versa, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. Os gastos com lubrificantes, combustíveis e energia elétrica, ainda que sejam consumidos pelo estabelecimento industrial, não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, não podendo ser computados no cálculo do crédito presumido. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O valor pago a terceiros pelo serviço de beneficiamento de insumos não integra o valor da base de cálculo do Crédito Presumido. INSUMOS ADQUIRIDOS POR TERCEIROS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os insumos adquiridos pela empresa contratada para efetuar a industrialização por encomenda integram o cálculo do crédito presumido. ICMS. Não havendo comprovação nos autos de que o ICMS relativo às aquisições dos insumos feitas pela empresa contratada para efetuar a industrialização integrou o valor do custo do produto remetido à encomendante da industrialização, não há como considerálo no cálculo do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 7/5/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 6/6/2013, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 1.251/1273, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do objeto da controvérsia. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 15 11 Conforme delineado no relatório precedente, o cerne da controvérsia cingese a glosa parcial dos valores dos créditos presumidos do IPI, relativos aos 1º e 4º trimestres dos anos de 1997 e 1998, apurados e informados pela recorrente nos Demonstrativos de Crédito Presumido (DCP) dos respectivos trimestres. De acordo com os Demonstrativos de fls. 1104/1105, que integram o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 1099/1103, apurou a fiscalização que, nos referidos anos, a interessada teria direito apenas ao valor total de R$ 128.367,92 de crédito presumido do IPI, sendo R$ 58.430,62 do ano de 1997 e R$ 69.937,30 do ano de 1998. Por sua vez, ao corrigir os Demonstrativos da fiscalização, a recorrente apresentou os Demonstrativos de fls. 1118/1121, no qual apurou o valor total de R$ 527.645,39 de crédito presumido do IPI, sendo R$ 229.435,99 do ano de 1997 e R$ 298.209,40 do ano de 1998. Comparando, o valor total apurado pela fiscalização e com o apurado pela recorrente, temse uma diferença de R$ 399.277,47 (R$ 527.645,39 R$ 128.367,92). Logo, especificamente, fica demonstrado que o litígio em apreço limitase à glosa dos créditos presumidos do IPI dos anos de 1997 e 1998, no valor total de R$ 399.277,47. No recurso voluntário em apreço, em síntese, alegou a recorrente: a) ausência de relação deste processo com o de n° 13807.007601/20007; b) o conceito de insumo da Lei n° 10.276, de 2001, também se aplicava à sistemática de apuração da Lei nº 9.363, de 1996; c) a totalidade dos produtos utilizados no processo produtivo da “alquilamina” eram insumos; d) a fiscalização desconsiderou o disposto no art. 3º da Instrução Normativa n° 103, de 1997, ao excluir o valor do ICMS dos custos dos insumos; e e) era indevida a exclusão da energia elétrica e dos custos de industrialização por encomenda da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Da ausência de relação deste processo com o de n°13807.007601/200107 Alegou a recorrente que a utilização de provas e documentos do processo nº 13807.007601/200107 feria o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal, sob o argumento de que no referido processo se discutia a existência ou não de contrato de industrialização sob encomenda, realizado entre a recorrente e a pessoa jurídica Química da Bahia Ltda., nos anos de 1997 e 1998, enquanto que neste processo discutiase o direito ao crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de matérias primas utilizadas na industrialização por encomenda de produtos destinados ao exterior. Não procedem as alegações da recorrente. Os documentos utilizados pela fiscalização para a apuração do crédito presumido do IPI em apreço foram os seguintes: a) balancetes; b) livros fiscais de entrada, saída e de apuração do IPI; c) notas fiscais de entradas e saídas; e d) fichas de estoque, conforme consignado no item 17 do Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 1099/1103), a seguir parcialmente transcrito: 17 Conforme procedimentos de auditoria previstos para a Operação 1502, foi efetuada a apuração do crédito presumido seguindo as disposições constantes na Lei n° 9.363/96, Portaria MF nº 38/97, IN SRF n° 23/97 e IN SRF n° 103/97, na qual a apuração efetuada pela fiscalização se consolida no Demonstrativo de apuração do crédito presumido, tendo como Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 fonte de referência os balancetes, livros fiscais de entradas, saídas e apuração do IPI e notas fiscais de entradas e saídas, além das fichas de estoque de matériasprimas, tambores, total geral de processos, estoque de produtos acabados e em processo, entradas de insumos, saídas de produtos e exportações, apurado conforme normas citadas anteriormente, [...] (grifos não originais) Toda essa documentação foi fornecida pela própria recorrente em atendimento aos Termos de Intimação e Reintimação colacionados aos autos (fls. 873/874, 916 e 921/923), expedidos pelo mesmo AuditorFiscal, com o objetivo de apuração da certeza e liquidez do crédito presumido do IPI dos anos de 1997 e 1998, informados pela recorrente nos respectivos Demonstrativos de Crédito Presumido do IPI. Logo, ao contrário do que alegou, nos presentes autos não foram utilizados documentos do processo nº 13807.007601/200107, mas apenas a documentação entregue pela própria recorrente e destinada ao fim específico de apuração da certeza e liquidez dos citados créditos. É oportuno ainda esclarecer que o trabalho de verificação fiscal em comento teve início em 23/2/2007, com a ciência da recorrente do Termo de Início de Fiscalização de fls. 921/922, porém foi encerrado sem a conclusão dos trabalhos por força da pendência do julgamento do citado processo, conforme expressamente consignado pela autoridade fiscal no Termo de Encerramento de Fiscalização de fl. 924. Aliás, tal fato foi oportunamente relatado, pela mesma autoridade fiscal, no item 3 do citado Termo de Verificação Fiscal (fl. 1100), com os seguintes dizeres, in verbis: 3 A análise dos créditos havia sido iniciada em outro procedimento fiscal MPF n° 0510400/00024/2007 (fls.420 a 424), porém, tal análise foi prejudicada pela existência de autuação fiscal sob julgamento perante a DRJ/São Paulo, processo administrativo fiscal n° 13807.007601/200107. [...] (grifos não originais) Dessa forma, fica esclarecido que, ao contrário do que alegou a recorrente, nos presentes autos não foram utilizados nenhum documento extraído dos autos do processo nº 13807.007601/200107, mas apenas os documentos solicitados e fornecidos pela própria recorrente no âmbito do trabalho de verificação fiscal desenvolvido, pela mesma autoridade fiscal (ressaltase mais uma vez), com a finalidade exclusiva de apuração da certeza e liquidez dos créditos em apreço. Além disso, é oportuno esclarecer que, segundo consta do Termo de Devolução de Documentos de fl. 1098, em 23/2/2010, tais documentos foram devolvidos à recorrente, portanto, na data em que foram apresentadas as defesas colacionadas aos autos, toda documentação já se encontrava em poder da recorrente, tornando descabida a presente alegação. Assim, resta demonstrado que não tem a menor procedência a alegação de afronta ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal, haja vista que a recorrente exerceu o contraditório e o direito de defesa na forma da legislação vigente, o que está consonância com o princípio do devido processo legal. Da exclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI dos custos com energia elétrica e com combustíveis. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 16 13 Alegou a recorrente que o disposto no art. 1º, § 1º, I, da Lei nº 10.276, de 2001, havia apenas explicitado que os custos com energia elétrica e com combustíveis, utilizados na produção de produto exportado, também integravam o conceito de insumos veiculado pela Lei nº 9.363, de 1996. A alegação da recorrente não procede por dois motivos. O art. 1º da Lei nº 10.276, de 2001, introduziu uma nova forma alternativa de apuração do crédito presumido do IPI, que não se aplica à sistemática de apuração do crédito presumido estabelecida na Lei nº 9.363, de 1996. Com efeito, ao contrário do que alegou a recorrente, são as demais normas desta Lei que se aplicam a nova sistemática de apuração do crédito presumido do IPI, conforme determina o§ 5º do art. 1º da citada Lei. É oportuno ressaltar ainda que a utilização dessa nova forma de apuração do crédito presumido do IPI é natureza opcional, a critério do contribuinte, porém, uma vez exercida, passa ser irretratável por todo anocalendário. Para melhor compreensão do novo regime de apuração, veja os excertos relevantes do art. 1º da referida Lei que seguem transcritos: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. [...] § 4º A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 14 § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. [...] (grifos não originais) Além disso, é oportuno consignar que, por força do art. 45, VI, do Anexo I do Regimento Interno deste Conselho, o entendimento aqui esposado é de observância obrigatória por este Conselheiro, pois se trata de matéria sumulada por este Conselho, por meio da Súmula CARF nº 19, aprovada pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010, cujo enunciado segue transcrito: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Assim, o conceito de insumo aqui aplicado é aquele estabelecido no caput dos arts. 1º e 2º da Lei nº 9.363, de 13 dezembro de 1996, a seguir transcritos: Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. [...] Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. [...]. (grifos não originais) Por força do disposto no parágrafo único do artigo 3º da referida Lei, o conceito de insumo da referida Lei não é outro que não aquele definido no inciso I do artigo 147 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998, na época vigente, que segue transcrito: Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 17 15 [...] Logo, diferentemente do que alegou a recorrente, nem todos custos aplicados na produção integram a base de cálculo do benefício fiscal em apreço, mas somente as matériasprimas (MP), os produtos intermediários (PI) e os materiais de embalagem (ME) utilizados no processo produtivo, bem como aqueles produtos que, “embora não se integrando ao novo produto”, forem consumidos no processo de industrialização mediante o “desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde de que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo” e desde que não integrem o ativo permanente, consoante o entendimento exarado no item 10 do Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979, a seguir reproduzido: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos ‘que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. 10.1. Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 – A expressão “consumidos...” há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde de que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (negritos não originais) Ad argumentandum tantum, o fato de nos períodos de apuração dos créditos pleiteados ainda não se encontrar vigente a Lei nº 10.276, de 2001, também configura outra a circunstância impeditiva da aplicação a norma veiculada no citado art. 1º, § 1º, I. Com base nessas considerações, fica devidamente demonstrada a improcedência da alegação em apreço. Dos insumos aplicados no processo produtivo da “alquilamina” Alegou a recorrente que todos os produtos utilizados na produção da “alquilamina” enquadravamse no conceito de insumo de diversos tipos, a saber: “matérias primas (etanol, amônia, hidrogênio, ácido acético, cicloexano, ácido sulfúrico,monoetileneglicol, petróleo líquido gasoso, produtos para tratamento de água, “diatomoceous earth”), produto intermediário (npropanol, isopropanol, acetona, cicloexano, catalisadores) e uma grande quantidade de energia elétrica, vapor, água clarificada e nitrogênio.” Para a recorrente, também integram o conceito de insumo os produtos não contabilizados como ativo permanente que sejam consumidos, alterados ou desgastados no processo produtivo de forma direta ou indireta. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 16 Embora tenha se baseado em jurisprudência consolidada no âmbito deste Conselho, é evidente que a recorrente, no intuito de justificar a sua pretensão distorce de modo explícito os entendimentos contidos nos correspondentes julgados, ao concluir que também integrariam o conceito de insumo os produtos INDIRETAMENTE consumidos, alterados ou desgastados no processo produtivo. Com efeito, compulsando os excertos dos referidos julgados transcritos na peça recursal em apreço, em todos eles verificase, sem exceção, que somente os produtos DIRETAMENTE consumidos, alterados ou desgastados no processo produtivo integram o conceito insumo utilizado como base de cálculo do crédito presumido do IPI. Foi dessa forma que procedeu a fiscalização na apuração dos créditos em apreço, portanto, em consonância com o entendimento aqui esposado e consolidado na jurisprudência deste Conselho. Ratifica o asseverado, o disposto no item 9 do citado do Relatório de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fl. 1101), a seguir transcrito: 9 Tendo em vista o disposto no art. 147 do Decreto n° 2.637, de 25 de março de 1998 —RIPI/98, com redação atual pelo artigo 164 do Decreto n° 4.544 de 26 de dezembro de 2002 RIP1/2002 e PN CST n° 65/79 publicado no DOU de 06/11/1979, para efeito de cálculo do crédito do IPI, a legislação não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, mas especificamente a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (os quais também são insumos) adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (grifos não originais) É oportuno ainda esclarecer que, nos anos de 1997 e 1998, a produção da “alquilamina” era realizada pela empresa Química da Bahia Ltda., sob regime de industrialização por encomenda, mas, no procedimento de apuração do crédito, a fiscalização incluiu na base cálculo do crédito tanto os insumos adquiridos diretamente pela recorrente, como aqueles adquiridos pela citada empresa, conforme relatado nos itens 4 e 5 do Relatório de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fl. 1100), in verbis: 4 No período sob análise, o contribuinte mantinha contrato de industrialização por encomenda com a empresa QUIMICA DA BAHIA LTDA. Para operacionalização do contrato, os insumos necessários à produção eram adquiridos diretamente pelo contribuinte, ou por intermédio da empresa contratada. Quando adquiridos pelo contribuinte, eram remetidos à contratada por meio de nota fiscal de remessa. No retorno do produto industrializado, emitiase outra nota fiscal dos produtos anteriormente remetidos, juntamente com mais 2 notas fiscais: uma de custos variáveis, englobando os insumos adquiridos diretamente pela empresa Química da Bahia, e outra de custo fixo, onde estariam inclusos os demais custos envolvidos indiretamente na produção (depreciação, energia, etc), além dos custos administrativos e remuneração pelos serviços de industrialização prestados pela empresa Química da Bahia. A fiscalização anterior realizada na empresa (PAF n° 13807.007601/200107), considerou que os custos fixos e variáveis decorrentes do contrato de industrialização não teriam Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 18 17 existido, servindo tal somente como pagamento pela aquisição da planta industrial pela fiscalizada. Posteriormente, a DRJ/São Paulo, através do acórdão n° 1620.479/2009, aceitou como custo os insumos adquiridos diretamente pela empresa Química da Bahia e vinculados industrialização dos produtos comercializados pela Air Products, desconsiderando, porém, os custos fixos; 5 Para análise dos créditos, foram considerados os insumos adquiridos diretamente pelo contribuinte, além dos insumos adquiridos pela empresa Química da Bahia e utilizados na industrialização dos produtos comercializados pelo contribuinte (acetona, etanol, amônia, hidrogênio e nitrogênio). Fica registrado que este trabalho fiscal se resume à análise do crédito presumido pleiteado pelo estabelecimento 0018, não fazendo parte do escopo do mesmo a análise da veracidade, efetividade ou qualquer outro aspecto relacionado ao contrato de industrialização por encomenda firmado entre a empresa Air Products do Brasil e a Química da Bahia Ltda. A utilização, como custo de produção, dos insumos adquiridos pela Química da Bahia e utilizados na produção de produtos comercializados pela Air Products segue a decisão proferida pela DRJ/São Paulo; [...] (grifos não originais) Da leitura dos textos em destaque, fica evidenciado que a fiscalização computou na base de cálculo do crédito em apreço os insumos adquiridos pela recorrente e aqueles adquiridos pela empresa Química da Bahia Ltda., responsável pela industrialização do citado produto. Na verdade, o que recorrente pretende é a inclusão nos custos de produção da “alquilamina” de uma extensa relação de produtos, sem, contudo, apresentar qualquer prova de que tais produtos são, de fato, matériasprimas ou produtos intermediários utilizados na produção do citado produto, ou se foram consumidos, alterados ou desgastados no correspondente processo produtivo. Ademais, no que tange aos custos com energia elétrica, incluídos no citado rol, ficou demonstrado anteriormente que, em hipótese alguma, tais custos integram a base de cálculo do referido benefício fiscal. É oportuno ainda mencionar que os insumos que foram considerados na apuração da base cálculo foram os informados pela própria recorrente no documento denominado de “autoavaliação para o licenciamento ambiental – ALA” (fls. 932/940), adquiridos no mercado interno e discriminados nas notas fiscais de entrada registradas no respectivo livro fiscal, consoante informação constante dos itens 12 e 13 do citado Relatório de Verificação Fiscal (fl. 1102), a seguir transcritos: 12 – Os insumos que foram considerados para efeito de composição da base de cálculo foram aqueles informados no documento "autoavaliação para o licenciamento ambiental — ALA", folhas 434 a 440, e que se enquadram no conceito de insumos previsto na legislação, conforme itens 8, 9 e 10. Outros insumos utilizados no processo produtivo, mas que não se integraram ao produto final, nem tampouco sofreram qualquer alteração em decorrência do contato direto com o produto em Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 18 fabricação, não foram incluídos na apuração do crédito presumido. Entre estes produtos, incluemse a energia elétrica, o vapor e a água clarificada. Também não foram incluídos produtos que, embora tenham a característica de insumos, foram importados pela empresa, estando, assim, fora da previsão do artigo 1º da lei n° 9.363/99 (aquisições no mercado interno). Estes produtos foram o npropanol, catalisador de cobalto e catalisador de níquel. Outros insumos importados foram a acetona e o isopropanol, porém, a empresa também efetuou aquisições destes produtos no mercado interno. Assim, para efeito de apuração do crédito, consideramos como custo destes insumos o total das aquisições no mercado interno (fls. 503, 506, 509, 512 e 516); 13 Foram verificadas as Notas Fiscais de entradas dos insumos considerados na base de cálculo do crédito presumido (fls 555 a 597), em relação ao livro registro de entradas, não tendo sido encontrada nenhuma irregularidade; (grifos não originais) Dessa forma, na ausência de provas, em conformidade com o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o que dispõe o art. 333 do CPC, tais alegações não tem como subsistir. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do crédito presumido do IPI A recorrente alegou que, ao excluir o valor do ICMS, dos custos dos insumos a fiscalização não deu aplicabilidade ao disposto no art. 3º da Instrução Normativa n° 103, de 1997, que tem o seguinte teor: Art. 3° Para efeito do cálculo do crédito presumido, o ICMS não será excluído dos custos das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem. Procede a alegação da recorrente. O preceito normativo é claro ao determinar que, para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, o valor do ICMS deve ser mantido no custo do insumo aplicado no processo produtivo. O preceito normativo em destaque não apresenta nenhuma exceção, logo, é defeso ao intérprete da norma acrescentar qualquer outro mandamento nela previsto. O fato de o ICMS não integrar o custo dos produtos, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como entendeu o colegiado julgador primeiro grau, não se aplica à apuração da base de cálculo do crédito presumido, por expressa determinação do art. 3º da Instrução Normativa n° 103, de 1997. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o valor do ICMS excluído dos custos dos insumos que, segundo a fiscalização, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Da exclusão dos custos de industrialização por encomenda da base de cálculo do crédito presumido do IPI. A recorrente alegou que era indevida a exclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI dos valores correspondentes à prestação de serviços de industrialização por encomenda, sob o argumento que estes custos eram essenciais ao processo industrial e que não havia qualquer impedimento na Lei nº 9.363, de 1996, para que eles integrassem a base de cálculo do referido benefício fiscal. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 13502.000033/9945 Acórdão n.º 3102002.012 S3C1T2 Fl. 19 19 Essa alegação não procede. Os fundamentos jurídicos são os mesmos anteriormente aduzidos para justificar o não acatamento da inclusão dos custos da energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido do IPI, a saber: a) o disposto no art. 1º, § 1º, da Lei nº 10.276, de 2001, não se aplica à sistemática de apuração do crédito presumido do IPI, estabelecido na Lei nº 9.363, de 1996; e b) ad argumentandum tantum, no período de apuração dos créditos a referida Lei ainda não se encontrava vigente. Também não está em consonância com a melhor exegese, o entendimento da recorrente no sentido de que, na Lei nº 9.363, de 1996, não havia qualquer mandamento que impedisse que os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda integrassem a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Com efeito, por se tratar de norma especial concessiva de benefício fiscal, por força do art. 111 do CTN, o disposto na referida lei não pode ser interpretado nem extensiva nem analogicamente, como entendeu a recorrente. Dessa forma, somente os insumos expressamente previstos na referida Lei, que se enquadrem no conceito do art. 147, I, do RIPI/1998, integram a mencionada base de cálculo. A recorrente alegou ainda que com a promulgação da Lei 10.276, de 2001, houve o reconhecimento de que tanto a industrialização por encomenda quanto a energia elétrica eram para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, logo, entendimento diverso feriria o principio da isonomia, pois haveria tratamento diferenciado entre pessoas jurídicas na mesma situação. Mais uma vez a recorrente incorre se equivoca. A sistemática de apuração do crédito presumido do IPI veiculada no novel diploma legal não fere o princípio da isonomia, haja vista que se trata de norma de natureza opcional, cuja adesão ficou a critério de beneficiário, sem distinção de qualquer tipo. Assim, como qualquer contribuinte pode manifestar a sua adesão ao novo regime de apuração, consequentemente, inexiste o alegado tratamento discriminatório. Também não é permitida a aplicação simultânea dos critérios de apuração estabelecidos para ambos os regimes. Assim, ou o contribuinte adere à sistemática de apuração da Lei nº 10.276, de 2001, e aplica os critérios e utiliza os conceitos de custos instituídos neste diploma legal, ou se mantém na sistemática antiga da Lei nº 9.363, de 1996, e adota os critérios de apuração e os conceitos de insumo nesta fixados. Por essas razões, rejeitase a alegação de exclusão dos custos de industrialização por encomenda suscitados pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para que: a) sejam restabelecidos os valores do ICMS, destacados nas respectivas notas fiscais de entrada, indevidamente excluídos dos custos dos insumos utilizados pela fiscalização no cálculo do valor do crédito presumido, relativos aos anos de 1997 e 1998; e b) seja homologada a compensação dos débitos declarados pela recorrente até o limite do valor do crédito a ser apurado. (assinado digitalmente) Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 20 José Fernandes do Nascimento Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10675.902586/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 86 /2 00 9- 14 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902586/200914 Acórdão n.º 1801001.594 S1TE01 Fl. 108 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 32158.75003.280306.1.3.040444 em 28.03.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$2.038,42 do valor total R$4.746,62 de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em novembro de 2005, código nº 2362, efetuado em 29.12.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0918, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de IRPJ determinado a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de IRPJ no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de IRPJ. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902586/200914 Acórdão n.º 1801001.594 S1TE01 Fl. 109 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.320, de 11.08.2011, fls. 5457:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 59, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 6066, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.102, de 10.05.2012, fls. 6972, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de IRPJ, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 04.12.2012, fl. 103, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902586/200914 Acórdão n.º 1801001.594 S1TE01 Fl. 110 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902586/200914 Acórdão n.º 1801001.594 S1TE01 Fl. 111 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902586/200914 Acórdão n.º 1801001.594 S1TE01 Fl. 112 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. 99101, a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 180100101/2012 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 180100102/2012 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 180100103/2012 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 180100108/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de IRPJ, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de IRPJ (código 2362), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$ 7.161,57, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de IRPJ do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD. DATA PGTO PA 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2.414,95 IRPJ 2362 29/11/2005 31/10/2005 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2.038,42 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 936,23 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 1.771,97 IRPJ 2362 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO IRPJ 7.161,57 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 12 A o Imposto de Renda sobre o Lucro Real devido de R$35.040,18, que deduzido das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$42.201,75) resultou no saldo negativo anual de IRPJ no valor de R$7.161,57. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902586/200914 Acórdão n.º 1801001.594 S1TE01 Fl. 113 7 estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$7.161,57. Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701818 2362 28/02/2005 2.636,88 0208825456 2362 28/03/2005 3.562,13 0209761906 2362 29/04/2005 3.328,67 5072607948 2362 31/05/2005 4.762,16 5116279058 2362 28/06/2005 3.286,40 5167127548 2362 26/07/2005 2.903,37 1892652971 2362 26/08/2005 3.641,93 1987429031 2362 28/09/2005 4.014,45 2076652641 2362 28/10/2005 4.017,65 2133582461 2362 14/11/2005 140,34 2133582641 2362 14/11/2005 310,39 2155698471 2362 29/11/2005 4.850,76 2.414,95 2246085411 2362 29/12/2005 4.746,62 4.746,62 [TOTAL DO CRÉDITO IRPJ] 42.201,75 7.161,57 Dessa forma, confirmada a existência do crédito de saldo negativo de IRPJ para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$7.161,57 (sete mil cento e sessenta e um reais e cinqüenta e sete centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$7.161,57 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. VALOR SITUAÇÃO DCOMP 10675.902585/200961 11037.45423.280306.1.3.042021 2362 01/2006 24/02/2006 2.301,27 Homologada Total 10675.902586/200914 32158.75003.280306.1.3.040444 2362 01/2006 24/02/2006 1.915,28 Homologada Total 10675.902587/200951 15993.58727.280306.1.3.046838 2362 02/2006 31/03/2006 969,75 Homologada Total 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 Homologada Parcial Concluindo, remanesceria com saldo devedor o débito abaixo discriminado, a ser exigido do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Cód. P. A Venc. Vr. original do Vr .extinto por compensação Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902586/200914 Acórdão n.º 1801001.594 S1TE01 Fl. 114 8 débito (R$) (R$) 2362 03/2006 28/04/2006 1.860,57 1.824,56 36,01 10675.902592/200963 11090.04575.250406.1.3.049136 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de IRPJ no valor de R$2.038,42 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$2.038,42 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.904122/2011-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-004.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 41 22 /2 01 1- 16 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de pedido de compensação de COFINS recolhido indevidamente ou a maior em 14.11.2003, no valor de R$ 1.013,18, referente ao período de apuração de 31.10.2003, com débito da mesma contribuição. À fl. 07 está anexo o despacho decisório por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. A Recorrente foi devidamente intimada e do despacho decisório e apresentou tempestivamente às 09/19 a Manifestação de Inconformidade, por intermédio da qual a contribuinte requereu a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que o inciso III, § 2º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 autoriza a dedução da base de cálculo da COFINS dos valores transferidos para terceiros. Assim, às fls. 38/49 foi exarado o Acórdão n.º 1037.250 pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. COFINS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. INADMISSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991/00. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima prolatada indeferiu o pedido, sob o argumento de que o Recorrente não trouxe aos autos provas de que tenha ocorrido o recolhimento a maior da contribuição, nem fez referência aos valores do indébito apurado em cada período de apuração. Os julgadores de primeiro grau, ainda fundamentaram o indeferimento do pleito no fato de que o III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não havia sido regulamentado pelo Poder Executivo e por isto esta norma estava com sua eficácia suspensa. Ademais, foi destacado que as decisões colacionadas pelo contribuinte não possuem efeito “erga omnes” e o inciso IV do art. 47 da MP nº 1.99118/2000, revogou, antes mesmo que fosse regulamentado, o dispositivo sobre o qual se fundamenta o pedido do contribuinte. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte inova seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade para discordar da IN n.º 517/2005 que define procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Segundo o contribuinte o art. 74 da Lei n.º 9.430/96, determina que a compensação de crédito Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904122/201116 Acórdão n.º 3803004.236 S3TE03 Fl. 56 3 será realizada com a simples entrega do pedido de compensação, aplicandose homologação tácita após o transcurso de 5 (cinco) anos, nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Embora, em sua Manifestação de Inconformidade, tenha discorrido a respeito do seu pretenso direito creditório com fundamento no III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, agora o contribuinte no Recurso Voluntário volta a inovar quando argumenta possuir direito ao crédito em razão da inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.449/88, pois, segundo seu entendimento, recolheu indevidamente o tributo no período de janeiro/89 até outubro/95. Teceu ainda comentários a respeito do art. 166 do CTN para alegar que em se tratando de PIS e COFINS não há a possibilidade de transferência do encargo do ônus tributário para terceiros, já que nas leis de regência não consta nada neste sentido. Por fim, requer que seja dado provimento ao apelo e que seja reconhecido o direito de compensar a importância recolhida indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, mas não reúne os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele não conheço. Em seu recurso o contribuinte afirma que a IN n.º 517/2005 definiu procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, bem como que tal restrição não está prevista no art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Todavia, muito embora em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte não tenha abordado a questão relativa à prévia habilitação de crédito e esta discussão não tenha sido remitida para apreciação para este colegiado, vale comentar que o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 1.309.265, julgado em 24/04/2012), manifestou entendimento de que nos termos dos arts. 170, do CTN, e 74, § 14, da Lei n. 9.430/96, os créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, desde 01/03/2005, somente podem ser compensados depois de prévia habilitação do crédito pela RFB, já que esta não passa de mera verificação quanto à existência do crédito. Deste modo, em razão da argumentação atinente à prévia habilitação ter sido trazida somente no Recurso Voluntário, não há que se falar em constituição de lide neste particular, em razão da preclusão consumativa. Já em relação à discussão relativa à exclusão da base de cálculo dos valores transferidos para terceiros, consoante redação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, cumpre esclarecer que o contribuinte também não controverteu este tema em seu Recurso Voluntário, mas sim somente na Manifestação de Inconformidade, razão pela qual ocorreu a preclusão neste ponto. Na realidade analisando o Recurso, notase que o contribuinte alterou a sua linha de defesa e preferiu fundamentar o seu direito creditório no recolhimento indevido do PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.449/88. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A preclusão consumativa encontra fundamento no art. 303 do CPC: Art.303.Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Irelativas a direito superveniente; IIcompetir ao juiz conhecer delas de ofício; IIIpor expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo Além do que, o Decreto n.º 70.235/72 dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, com fundamento neste artigo somente é possível apresentar novas alegações em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão consumativa. Em relação à preclusão consumativa, vale citar a Apelação Cível n.° 200934000248411, julgada pelo TRF da 1ª Região, por intermédio da qual o tribunal PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO RECURSAL NÃO APLICAÇÃO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003 AMPLIAÇÃO DA DIMENSÃO DO DIREITO PLEITEADO PRESCRIÇÃO AÇÃO DE PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PIS E COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 4. No que tange à questão relativa à não aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em razão da opção da empresa autora pelo regime de lucro presumido, entendendo esta não se sujeitar aos efeitos das mencionadas Leis para efeito da incidência de PIS e COFINS, cumpre esclarecer que a parte autora inovou em sua peça de apelo. 5. Ocorre que a inicial trouxe irresignação específica e não tratou de questões atinentes ao pedido acima mencionado. Dessa forma, restou configurada inovação recursal, insuscetível de conhecimento em face da preclusão consumativa. 6. Nesse sentido, "As alegações constantes das razões recursais não foram trazidas na petição inicial, constituindo inovação na causa de pedir a sua inclusão em sede de recurso. Jurisprudência consolidada do STJ no sentido de não admitir tal inovação. (...)". (AC 0126797 56.2000.4.01.0000/GO, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar, eDJF1 p.1390 de 23/03/2012). (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904122/201116 Acórdão n.º 3803004.236 S3TE03 Fl. 57 5 Trago a baila ainda o Agravo Regimentar no Agravo em Recurso Especial n. 143485 – CE. Neste julgado o STJ não conheceu do recurso com fundamento no fato de que o recorrente inovou em seus argumentos, operando assim a preclusão consumativa. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Os fundamentos do agravo regimental vinculados à prescrição estão dissociados das razões da decisão agravada, pois em nenhum momento houve abordagem da referida temática, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A questão prescricional revestese de inovação recursal, pois não fora aduzida nas razões do especial, sobre a qual se operou a preclusão consumativa. Conforme pacífica jurisprudência desta Corte, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes. Agravo regimental não conhecido. Ora, para o conhecimento do Recurso Voluntário há necessidade de que exista correlação entre a decisão da DRJ e os termos do recurso apresentado pelo contribuinte, pois a lógica do sistema implica em considerar que este busca a reforma da decisão denegatória do seu pedido formulado na Manifestação de Inconformidade. Todavia, uma vez constatado que o contribuinte alega aspectos que não constam da decisão atacada, por certo que se opera a preclusão consumativa, pelo que, não poderá ser conhecido o recurso, vez que procedimento ao contrário implicaria em aceitar como válida a inovação à lide na fase recursal, ocasionando ofensa ao devido processo legal, bem como ofensa ao princípio da devolutibilidade. Além do que, a falta de adequação entre o recurso e a decisão atacada configura necessariamente ausência de um dos pressupostos objetivos do recurso, sem o qual o recurso não pode ser conhecido. Ante o exposto, considerando que a matéria controvertida pelo contribuinte limitouse a discussão referente à aplicabilidade do III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, mas em seu Recurso Voluntário não trouxe argumentos em relação a esta matéria, então o recurso não pode ser conhecido em face da ocorrência da preclusão consumativa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.913127/2009-22
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
O instituto da denúncia espontânea aplica-se somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração.
PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA.
Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência.
Numero da decisão: 3803-004.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O instituto da denúncia espontânea aplica-se somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA. Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 125 1 124 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.913127/200922 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.308 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente SANTOSBRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. RECURSOS REPETITIVOS. REsp 962.379. Consoante o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista no art. 543C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O instituto da denúncia espontânea aplicase somente nas hipóteses de extinção do crédito tributário ocorrida após o vencimento do tributo, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida e de qualquer procedimento de fiscalização relacionado à infração. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 31 27 /2 00 9- 22 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 126 2 Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido, em 26 de abril de 2005, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que pretendia compensar débito da contribuição para o PIS, com vencimento em 15 de abril de 2005, com crédito no valor atualizado de R$ 63.391,55, decorrente de alegado pagamento a maior da mesma contribuição (fls. 1 a 3). Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, em razão do pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte (fl. 4). Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 9 a 21) e requereu a homologação integral da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) apresentara DCTF retificadora, comprobatória do crédito correspondente ao valor informado no PER/DCOMP; b) não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo, pois a disponibilização do programa ocorrera 103 dias após esse mesmo vencimento; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 127 3 c) à época, não havia determinação legal para envio do PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, o que impediria lhe fosse imputado o valor de multa e juros; d) caso não fosse acatado tal argumento, terseia ocorrido, no presente caso, a extinção do crédito tributário, via compensação, sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco, enquadrandose a situação no art. 138 do CTN (denúncia espontânea), em razão do que se encontraria eximido do pagamento de qualquer multa, em especial a multa moratória. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias (i) documentos societários, (ii) do despacho decisório, (iii) do PER/DCOMP e (iv) da DCTF retificadora (fls. 22 a 85). A DRJ São Paulo I/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito creditório deveria ser demonstrado pelo sujeito passivo com base em documentação contábil idônea. Destacou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que o contribuinte apresentara DCTF retificadora, precedida de outras DCTFs retificadoras já canceladas, em que buscara desvincular parte do DARF, reduzindo o valor do tributo devido no mês ou alterando a rubrica dos créditos vinculados. No entendimento do relator, o contribuinte deveria ter comprovado não somente a base de cálculo da contribuição como a origem dos novos créditos lançados sob a rubrica “créditos vinculados”, para o que seria necessária a apresentação da escrituração contábilfiscal e das notas fiscais dentre outros documentos. No que se refere à alegação de que o PER/DCOMP não se encontrava disponível na data do vencimento do débito compensado, aduziu o relator que nenhum fundamento teria tal argumento, pois, no presente caso, tratarseia de débito vencido em abril de 2005, enquanto que o PER/DCOMP encontravase disponível desde 14 de maio de 2003. Argüiu, ainda, que, em relação aos débitos não extintos por compensação, haveria a incidência de juros e multa desde a data do vencimento até a data de sua quitação e que o instituto da denúncia espontânea não seria aplicável a este caso, por não se tratar de exigência de multa de ofício, mas de multa de mora, esta destituída de caráter punitivo. Cientificado da decisão em 17 de junho de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19 de julho do mesmo ano e requereu a homologação da compensação declarada, assim como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional (multa de mora), repisando os mesmos argumentos de defesa da Manifestação de Inconformidade. Ressaltou o Recorrente que o débito sob discussão neste processo encontravase suspenso por medida judicial (mandado de segurança nº 2009.61.00.0103036), o que não significava concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, por se tratar de pedido de suspensão da exigibilidade em razão da manifestação de inconformidade interposta, o que seria corroborado pelo silêncio da Delegacia de Julgamento quanto a essa questão. Ao final, protestou o ora Recorrente pela realização de sustentação oral no momento do julgamento do processo, nos termos do art. 58, II, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 128 4 Fiscais (CARF) e requereu que fosse notificado com antecedência da data, hora e local da realização do julgamento. Junto à peça recursal, o Recorrente trouxe aos autos cópia de tela de consulta na internet da ação judicial a que fez referência. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que o Recorrente equivocouse acerca dos elementos fáticos deste processo, pois, ao alegar que não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do débito, pelo fato de que a disponibilização do programa se dera após 103 dias depois, ele não se dera conta de que, no presente caso, diferentemente de outros processos que se encontram em julgamento nesta Turma, o PER/DCOMP fora transmitido em 26 de abril de 2005 e o vencimento do débito compensado ocorrera no dia 15 do mesmo mês, conforme se verifica às fls. 1 a 3 dos presentes autos. Ainda que ele estivesse se referindo ao crédito e não ao débito, também assim nenhuma razão lhe assistiria, pois o indébito reclamado se refere ao PIS do período de apuração junho/2000, pago em 14/7/2000 (fl. 2), quando, conforme o próprio Recorrente afirma, já existia a previsão de entrega de Pedido de Compensação. Por outro lado, assiste razão ao Recorrente ao alegar que o mandado de segurança fora impetrado com o objetivo de suspender a exigibilidade do débito discutido neste processo, não se configurando concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, pois, conforme se verifica da cópia da consulta processual presente às fls. 121 a 122, a ação, efetivamente, tinha o propósito afirmado pelo Recorrente. Feitas essas considerações, temse por superados os argumentos do Recorrente no que se refere a essas matérias. No que tange ao pedido do Recorrente de notificação, com antecedência, da data, hora e local de realização do julgamento, registrese que, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do Regimento do CARF, a pauta de julgamento será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. I. Compensação. Prova. Quanto ao pedido de homologação total da compensação declarada, há que se destacar que, conforme já havia afirmado o relator de piso, o interessado não apresentou nenhum elemento de sua escrituração contábilfiscal, nem os documentos fiscais que a embasam, que pudessem comprovar o direito alegado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 129 5 Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxera aos autos somente cópias de documentos societários e das declarações por ele transmitidas à Receita Federal, incluída a DCTF retificadora transmitida em 5 de setembro de 2005, anteriormente à ciência do despacho decisório, não apresentando quaisquer documentos que comprovassem os dados declarados. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador de primeira instância acerca da necessidade de apresentação da escrituração contábil e de documentos fiscais para se comprovar o direito creditório reclamado, ele se predispôs a instruir os autos com os elementos probatórios hábeis e idôneos, pois, junto ao recurso voluntário, nenhum outro documento foi acrescentado. Não obstante o contribuinte ter apresentado, junto à Manifestação de Inconformidade, a DCTF retificadora transmitida em 5/9/2005, anteriormente à ciência do despacho decisório (fls. 29 e 30), conforme acima apontado, há que se ressaltar que tal declaração fora desconsiderada em razão do fato de que, na data de sua apresentação, o crédito tributário do período de apuração junho/2000, pago em julho do mesmo ano, já se encontrava homologado tacitamente, por força da previsão do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Essa conclusão, por outro lado, não prejudica a apreciação do PER/DCOMP pelo fato de que este fora transmitido em 26 de abril de 2005, antes do transcurso do prazo decadencial acima referenciado e antes de cinco anos da data do pagamento, este ocorrido em 14/7/2000, nos termos disciplinados pelo art. 168, I, do mesmo Código. Passase, então, à análise do mérito, no que tange à comprovação do indébito reclamado. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 130 6 O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Dessa forma, por total ausência de prova da existência do crédito reclamado, não se acatam os argumentos do Recorrente quanto à homologação total da compensação declarada. II Multa de mora. Denúncia espontânea. Quanto ao pedido do Recorrente de exoneração da multa de mora com base no instituto da denúncia espontânea, há que se destacarem os seguintes pontos: 1º) conforme acima já afirmado, o PER/DCOMP fora transmitido em 26 de abril de 2005 e o débito compensado vencera no dia 15 do mesmo mês (fls. 1 a 3); 2º) em abril de 2005, a declaração de compensação já tinha caráter de confissão de dívida, nos termos do § 6ºdo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Lei nº 10.833, de 2003; 3º) referido débito fora declarado em PER/DCOMP antes de qualquer procedimento por parte da Administração tributária, situação que, de acordo com a defesa do Recorrente, reclamaria a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Feitos esses destaques, passase à análise do pedido relativamente à exoneração da multa de mora. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), de observância obrigatória pelos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 131 7 conselheiros do CARF2, já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962.379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixou claro que o afastamento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas após a apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é 2 Conforme preceitua o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 132 8 possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se afastar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e após a sua declaração com efeito de confissão de dívida. Eis a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No presente caso, o sujeito passivo pleiteara a compensação do débito 11 dias após o seu vencimento, portanto, em atraso, mas no mesmo momento em que o informou em declaração que constitui o crédito tributário, situação essa que afasta a possibilidade de aplicação do entendimento do STJ, pois, uma vez não homologada a compensação, a extinção do crédito tributário pela via do pagamento que vier a se realizar darseá após a apresentação da declaração com efeitos de confissão de dívida, no caso, a Declaração de Compensação (DCOMP). Ainda que a não homologação da compensação venha a ser revertida, dado que ainda não se tem o trânsito em julgado deste processo, e considerando que a compensação é uma forma de extinção do crédito tributário, assim como o pagamento, e que uma da formas de extinção, em regra, exclui a outra, sob pena de bis in idem, até se poderia argumentar acerca da aplicação do instituto da denúncia espontânea. Contudo, nem mesmo nessa hipótese, terseia a possibilidade de aplicação do entendimento do STJ, pois para tanto, a declaração com efeito de confissão de dívida deveria ter sido apresentada posteriormente ao pagamento/compensação, o que não corresponde ao caso sob análise. A Lei nº 9.430/1996 assim dispõe sobre os acréscimos moratórios cabíveis nos casos de pagamento extemporâneo: Art.61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.913127/200922 Acórdão n.º 3803004.308 S3TE03 Fl. 133 9 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Verificase que a multa de mora decorrente de pagamentos em atraso, assim como os juros de mora, encontrase prevista em lei válida e vigente, inexistindo qualquer irregularidade em sua exigência nos termos ora analisados. Nesse sentido, não se está diante de uma quitação anterior à apresentação de declaração com poder de constituição do crédito tributário, não lhe sendo estendida, por conseguinte, a regra definida no referido Recurso Especial, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. III Conclusão. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório pleiteado e pelo não cabimento da denúncia espontânea na hipótese de quitação de débito em atraso após a apresentação de declaração com efeito de confissão de dívida. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 12/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15504.001018/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
ÁRBITROS.
Nos termos da legislação previdenciária, o árbitro e seus auxiliares que atuam em conformidade com a Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, são segurados obrigatórios da previdência social na condição de contribuintes individuais.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitá-los para manter a decisão embargada.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 ÁRBITROS. Nos termos da legislação previdenciária, o árbitro e seus auxiliares que atuam em conformidade com a Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, são segurados obrigatórios da previdência social na condição de contribuintes individuais. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitá-los para manter a decisão embargada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Nos termos da legislação previdenciária, o árbitro e seus auxiliares que atuam em conformidade com a Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, são segurados obrigatórios da previdência social na condição de contribuintes individuais. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitálos para manter a decisão embargada. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 10 18 /2 00 9- 71 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pelo contribuinte contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega a embargante omissão do acórdão por não enfrentar questões relacionadas a vício material: a) inaplicabilidade de inversão do ônus da prova; b) desconsideração de escrituração contábil; c) falta de demonstração da ocorrência dos fatos geradores; d) falta de exame da incidência sobre as parcelas pagas aos segurados; e e) indeterminação da matéria tributável. Enfatiza especialmente a omissão quanto ao exame da isenção de contribuições previdenciárias trazida pela Lei nº 9.615/98: Art. 88. Os árbitros e auxiliares de arbitragem poderão constituir entidades nacionais e estaduais, por modalidade desportiva ou grupo de modalidades, objetivando o recrutamento, a formação e a prestação de serviços às entidades de administração do desporto. Parágrafo único. Independentemente da constituição de sociedade ou entidades, os árbitros e seus auxiliares não terão qualquer vínculo empregatício com as entidades desportivas diretivas onde atuarem, e sua remuneração como autônomos exonera tais entidades de quaisquer outras responsabilidades trabalhistas, securitárias e previdenciárias. Defende a embargante que: Com efeito, a referida norma, em pleno vigor, representa hipótese excludente da tributação dos rendimentos auferidos pelos árbitros e auxiliares de arbitragem, seja em relação às suas próprias remunerações, seja em face da instituição associativa (Federação), responsável por sua contratação e pagamento. A lei é explicita ao afastar não só a relação de emprego entre as entidade, controladoras e gerenciadoras de futebol nos Estados (Federações), mas também a responsabilidade pelo pagamento, de contribuições previdenciárias pelas Federações. A Lei 9.615/98, aliás, possui caráter especial, não havendo antinomia jurídica com a Lei 8.212/91, que regulamenta, de forma Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001018/200971 Acórdão n.º 2402003.700 S2C4T2 Fl. 515 3 geral, o custeio da previdência social. Assim, a previdência é da .lei especial e, portanto, da norma de isenção nela veiculada. Ainda que antinomia houvesse, aliás, prevaleceria o disposto na lei 9.615/98, que tem a mesma hierarquia e é posterior. Demais disso, o Estatuto do Torcedor (Lei no. 10.671/03) prevê, expressamente, que a remuneração dos árbitros é de responsabilidade do clube mandante e não da Federação. É o Relatório. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Como já salientado no relatório do acórdão embargado, o presente processo está correlacionado com o processo onde se constitui crédito sobre obrigação principal nº 15504.001016/200982 e, portanto, nele se encontram os fundamentos e as descrições detalhadas dos fatos. Ao contrário do que afirma a embargante, a Lei nº 9.615/98 não confere isenção de contribuição previdenciária, mas apenas elucida que a atividade de arbitragem não contém os elementos da relação de emprego e que as remunerações são pagas na condição de contribuinte individual, o que implica a incidência de contribuição previdência sobre esses valores. É o que se constata da interpretação da parte final do parágrafo único do artigo 88: Art. 88. Os árbitros e auxiliares de arbitragem poderão constituir entidades nacionais e estaduais, por modalidade desportiva ou grupo de modalidades, objetivando o recrutamento, a formação e a prestação de serviços às entidades de administração do desporto. Parágrafo único. Independentemente da constituição de sociedade ou entidades, os árbitros e seus auxiliares não terão qualquer vínculo empregatício com as entidades desportivas diretivas onde atuarem, e sua remuneração como autônomos exonera tais entidades de quaisquer outras responsabilidades trabalhistas, securitárias e previdenciárias. Fazse agora necessária a verificação do exato enquadramento realizado pela fiscalização quanto aos prestadores de serviços beneficiários das taxas de arbitragem. Inicialmente, constatase que foram contratados e remunerados pela embargante, o que afasta a alegação de mera repassadora. Os recursos públicos foram repassados à embargante como ajuda para a realização dos eventos, mas os pagamentos e demais despesas são de responsabilidade da embargante e não dos órgãos públicos. Quanto à relação jurídica dos beneficiários com a embargante, constatase que apenas em um dos levantamentos, código TAE, apontase o enquadramento como segurado empregado. Examinando os relatórios Discriminativo Analítico do Débito – DAD e de Lançamentos, constatase que de fato para o levantamento TAE os beneficiários foram considerados segurados empregados. Para os demais, os árbitros, auxiliares e delegados, entretanto, foram considerados contribuintes individuais. Embora a fiscalização tenha afirmado que o levantamento em questão se refere aos segurados empregados da embargante, não há nos autos documentos que comprovem que alguns árbitros e auxiliares teriam sido registrados como empregados. Seguem transcrições do relatório fiscal: 3.2.1 — Os árbitros e delegados das partidas são contratados e remunerados pela Federação, para atuação em diversos campeonatos, por ela, promovidos na capital e no interior do Estado de Minas Gerais. ... Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001018/200971 Acórdão n.º 2402003.700 S2C4T2 Fl. 516 5 LEVANTAMENTO TAE — Taxas de Arbitragens Empregados — taxas de arbitragens pagas a empregados, referentes a serviços prestados, por ocasião das partidas de futebol, lançadas na conta de despesa Taxas de Arbitragens. ... LEVANTAMENTO TAI — Taxas de Arbitragens Individualizadas taxas de arbitragens e taxas de delegados pagas a Contribuintes Individuais (árbitros e delegados de partida), referentes a serviços prestados por ocasião das partidas de futebol, lançadas nas contas de despesas: Taxas de Arbitragem e Taxa de Delegados. ... LEVANTAMENTO TAN — Taxas de Arbitragens Não Individualizadas — taxas de arbitragens pagas a Contribuintes Individuais, referentes a serviços prestados por ocasião das partidas de futebol, lançadas na conta de despesa Taxas de Arbitragem, cujos beneficiários não foram identificados nos Lançamentos Contábeis. LEVANTAMENTO TNL — Taxas de Arbitragens Não Lançadas no Diário — Taxas de arbitragens pagas a Contribuintes Individuais, referentes a serviços prestados por ocasião das partidas de futebol, que não foram lançadas na Contabilidade, portanto, os fatos geradores foram baseados em recibos constantes da Documentação de Caixa. Nesse sentido, não procede o enquadramento como segurado empregado no levantamento TAE. Não houve caracterização da relação de emprego e nem comprovação de que espontaneamente teria a embargante registrado árbitros e auxiliares como segurados empregados; no entanto, a autuação se mantém pela ocorrência da falta de desconto das contribuições relativas aos demais levantamentos, o que torna incólume a multa aplicada. O reconhecimento da improcedência de um dos levantamentos não altera, nesse caso, a autuação. Assim, voto no sentido de conhecer dos embargos opostos e, ao examinar a questão suscitada, rejeitálos para manter a decisão embargada. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007960/2009-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO - ERRO DE FATO - DIPJ - PARCELAMENTO - CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA
A confissão de dívida em parcelamento, ainda que irretratável, não pode ser absoluta, quando dívida não há. Entretanto, cabe ao confesso a comprovação categórica da inexistência da dívida por erro de fato na DIPJ. Há verossimilhança do erro de fato alegado pela recorrente, porém, insuficiente, no caso vertente, em que a comprovação do erro deve ser cabal.
MULTA ISOLADA - EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM A DA MULTA PROPORCIONAL DO MESMO PERÍODO
Apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Aplicação do princípio da consunção em matéria apenatória e interpretação lógica e teleológica do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1103-000.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso para afastar a exigência da multa isolada sobre a estimativa de IRPJ de julho de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que votaram pela manutenção da multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 LANÇAMENTO - ERRO DE FATO - DIPJ - PARCELAMENTO - CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA A confissão de dívida em parcelamento, ainda que irretratável, não pode ser absoluta, quando dívida não há. Entretanto, cabe ao confesso a comprovação categórica da inexistência da dívida por erro de fato na DIPJ. Há verossimilhança do erro de fato alegado pela recorrente, porém, insuficiente, no caso vertente, em que a comprovação do erro deve ser cabal. MULTA ISOLADA - EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM A DA MULTA PROPORCIONAL DO MESMO PERÍODO Apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Aplicação do princípio da consunção em matéria apenatória e interpretação lógica e teleológica do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso para afastar a exigência da multa isolada sobre a estimativa de IRPJ de julho de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que votaram pela manutenção da multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO ERRO DE FATO DIPJ PARCELAMENTO CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA A confissão de dívida em parcelamento, ainda que irretratável, não pode ser absoluta, quando dívida não há. Entretanto, cabe ao confesso a comprovação categórica da inexistência da dívida por erro de fato na DIPJ. Há verossimilhança do erro de fato alegado pela recorrente, porém, insuficiente, no caso vertente, em que a comprovação do erro deve ser cabal. MULTA ISOLADA EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM A DA MULTA PROPORCIONAL DO MESMO PERÍODO Apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Aplicação do princípio da consunção em matéria apenatória e interpretação lógica e teleológica do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso para afastar a exigência da multa isolada sobre a estimativa de IRPJ de julho de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Eduardo Martins Neiva Monteiro, que votaram pela manutenção da multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 79 60 /2 00 9- 28 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 276 2 Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 277 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, de fls. 1, 7 a 13 e 98, no total de R$ 3.681.582,25, referente ao anocalendário de 2004, contemplando valor de principal dos tributos mencionados, acrescidos de multa de ofício à razão de 75% e multa isolada à razão de 50% sobre valores de estimativas mensais de IRPJ pagos a menor, bem como juros de mora calculados até 29/5/2009. Em 17/12/2008, a autoridade fiscal lavrou termo de intimação fiscal exigindo a apresentação de arquivos magnéticos contendo contas relativas a tributos a pagar e a recuperar do Livro Razão dos anoscalendário de 2007 e 2008 (até outubro), bem como LALUR de 2003 a 2007. Após a recorrente atender a todas as solicitações realizadas pelo fisco este juntou aos autos os documentos de fls. 62 97. Foram apuradas, pela autoridade fiscal, as seguinte irregularidades constantes do termo de verificação fiscal, de fls. 2 a 6: i)"as verificações confirmaram que o contribuinte compensou os débitos de IRPJ e CSLL, referentes a setembro/2004 e outubro/2004 (...), por meio das Declarações de Compensação n's 07309.89192.291004.1.3.576341 e 20817.78635.301104.1.3.570617. Essas DCOMP foram tratadas manualmente por meio do processo administrativo n°10830.721015/200518, nesta mesma ação fiscal"; ii) "o Despacho Decisório do Serviço de Orientação e Análise desta Delegacia concluiu pela não homologação das compensações e determinou o encaminhamento dos débitos não compensados para cobrança. Em seguida, no âmbito do Serviço de Fiscalização, foi lavrado Auto de Infração para aplicação da multa isolada". iii) "enfim, o contribuinte esclareceu quase todas as diferenças apontadas nos Termos de Intimação Fiscal lavrados em 19 e 20 de janeiro de 2009, com exceção da relativa ao Imposto de Renda Mensal por estimativa, referente a julho de 2004, no valor de R$ 1.600.000,00. Esta diferença não foi declarada em DCTF nem recolhida" (destaques no original); iv) 44a escrituração do contribuinte ampara os valores informados na D1PJ/2005 (/Is. 62 a 89) a titulo de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, conforme demonstram as cópias do Razão anexados a este processo 6/1s. 92 a 97). Obviamente, por conta da diferença do IR por estimativa do mês de julho/2004, a escrituração não ampara o valor declarado em i Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 278 4 DCTF. En: suma, a escrituração comprova que houve recolhimento a menor no referido mar"; v) "segundo a DIPJ/2005, Como também, segundo o Razão (..) o valor do IRPJ a ser antecipado em z julho foi de R$ 2.834.211,33. Contudo a DCTF (lis. 90 e 91) registra débitos no valor de apenas R$ 1.234.211,34, tendo sido pago com DARE o valor de R$ 34.211,33 e compensado o valor de RS 1.200.000,00. Resta uma diferença de R$ 1.600.000,00, que deveria ter sido recolhida como antecipação do imposto de renda, mas não for (negrito no original); vi) “a compensação de R$ 1.200.000,00 (IRPJ de jul/2004) foi efetivada por meio da DCOMP n° 21529.54421.310804.1.3.51 0410, que compõe o processo administrativo n° 10830.003714/200492, que também foi verificado nesta ação fiscal. O Despacho Decisório também concluiu pela não homologação e os débitos foram encaminhados para cobrança. Na sequência foi lavrado Auto de Infração para aplicação da multa isolada"; vii) "este recolhimento a menor referente à estimativa do Imposto de Renda mensal no mês de julho, resultou em diferença no Imposto de Renda a Pagar, apurado ao final do ano calendário, de R$ 1.237.420,99". À fl. 5 juntaramse planilhas demonstrativas da falta ou insuficiência de pagamentos relativos às estimativas mensais de IRPJ e a consequente diferença no ajuste anual do IRPJ a pagar. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 29/7/2009, de fls. 100 a 131, em que aduz, em síntese, o que segue. Em linhas gerais, discorreu sobre a figura do lançamento de ofício, sobre o princípio da verdade material, sobre erros de fato cometidos pelos contribuintes e a possibilidade de correção dos referidos erros, sobre a aplicação de multas de ofício (75%) e multa isolada (50%) sobre o mesmo fato gerador, sobre imposição de penalidade com efeito de confisco e sobre a imposição de limites ao poder de tributar realizadas pelo legislador constituinte, juntando doutrina e jurisprudência corroborando os entendimentos expressados. Abordou também a questão da divergência apontada pela autoridade fiscal, no montante de R$ 1.600.000,00, que deu origem aos lançamentos tratados pelos presentes autos. Afirmou, sobre esse ponto, ter ocorrido mero erro de preenchimento da DIPJ e da DCTF apresentadas. Manifestouse, ipsis litteris, da seguinte forma: "o lançamento fiscal referese exclusivamente ao valor do IRPJ declarado como devido na DIPJ/2005 AnoCalendário 2004 do mês 07/2004, em razão da divergência encontrada no valor de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 279 5 R$ 1.600.000,00 entre o valor declarado na DIPJ/2005 com o valor declarado na DCTF e na PER/DCOMP do referido mês" e que "analisando os valores declarados na DIPJ/2005 Ano Calendário 2004, no razão contábil, na DCTF e na PER/DCOMP referente ao IRPJ e CSLL do mês de julho de 2004, a Impugnante constatou que de fato o valor do IRPJ a pagar declarado conforme a DIPJ/2005 é de R$ 2.834.211,33", e "no entanto, constou equivocadamente o valor de R$ 1.234.211,33 do IRPJ a pagar declarado na DCTF referente ao 1176S de julho de 2004, que na realidade é o valor apurado na DIPJ/2005 da CSLL do mesmo período e não do IRPJ.” E, ainda: · que, "portanto, houve uma troca/inversão dos valores, o que era para ser lançado a titulo de CSLL foi lançado como sendo do IRPJ e o que era para ser lançado a titulo de IRPJ foi lançado a titulo de CSLL"; · que "assim, em razão do valor do IRPJ TER SIDO escriturado ERRONEAMENTE na DCTF como sendo de apenas R$ 1.234.211,33, a Impugnante efetuou a compensação conforme PER/DCOMP no valor de RS 1.200.000,00 e recolheu a diferença do valor de R$ 34.211,33"; · que, "ocorreu o mesmo equivoco relativamente a CSLL do mês de julho de 2004, posto que como se comprova da DIPJ/2005 AnoCalendário 2004 e do razão contábil o valor declarado a pagar a titulo de CSLL é de APENAS R$ 1.224.674,20"; · que, "no entanto, equivocadamente o valor da CSLL a pagar declarado na DCTF referente ao 117êS de julho de 2004 é de R$ 2.824.211,33, ou seja, o valor devido do IRPJ e não da CSLL, tendo com isso declarado a compensação conforme PER/DCOMP no valor de R$ 2.800.000,00 e recolhido a diferença no valor de R$ 24.674,20"; · que, "da análise da DIPJ/2005 AnoCalendário 2004 relativamente aos valores apurados a titulo de IRPJ e CSLL, logo se verifica o ERRO DE FATO cometido pela contabilidade que ao efetuar os lançamentos dos valores apurados da CSLL e do IRPJ para a DCTF TROCOU/INVERTEU os valores, lançando como devido para o IRPJ o valor da CSLL, consequentemente para a CSLL o valor do IRPJ, como se infere do quadro demonstrativo abaixo": Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 280 6 Valor do IRPJ a pagar do mês 07/2004 conforme DIPJ = R$ 2.834.211,33 Valor do IRPJ a pagar conforme DCTF = R$ 1.234,211,33 Valor do IRPJ na PER/DCOMP = R$ 1.200.000,00 Valor recolhido = R$ 34.211,33 Valor da CSLL a pagar conforme DIPJ = R$ 1.224.674,20 Valor da CSLL a pagar conforme DCTF = R$ 2.824.674,20 Valor da CSLL na PER/DCOMP = R$ 2.800.000,00 Valor recolhido = R$ 24.674,20 · que, "da análise do quadro acima, logo se verifica o ERRO DE FATO ocorrido nos lançamentos da DCTF e consequentemente na PER/DCOMP em, razão da INVERSÃO/TROCA dos valores, eis que declarou como devido e compensado o valor do IRE' corno sendo o valor da CSLL e viceversa"; · que, "percebese que a diferença apontada e cobrada pela Fiscalização como não recolhida ou não antecipada a titulo de IRPJ do mês de julho de 2004, foi declarada, compensada e está sendo recolhida através de parcelamento como sendo valor devido da CSLL do mesmo mês". (destaques do texto original) Enfatizou, ainda, que, no quadro exposto, com o erro de fato alegado, não sucedeu prejuízo alguma ao fisco. Colacionou doutrinas e jurisprudência sobre a possibilidade de retificação de declaração e de lançamento e sobre o princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. Pelo exposto, requereu fosse efetuada de ofício a revisão do lançamento em razão de comprovado erro de fato na escrituração de IRPJ e CSL em DCTF em virtude de troca de valores. Isso porque escriturado a título de CSL valor a maior no montante de R$ 1.600.000,00 “como devida, compensada e que está sendo recolhida através de parcelamento, quando na realidade referido valor compõe o valor apurado e declarado na DIPJ/2005” a título de IRPJ. E que, consequentemente, seja determinado o cancelamento do auto de infração, sendo decretado o arquivamento definitivo do presente processo administrativo. Por fim, protestou pela produção de todas as provas em direito admitidas. Acrescentou, ainda, caso não fossem suficientes as provas a serem apresentadas, o pedido de perícia técnica para responder aos quesitos de fls. 129 e 130. DA DECISÃO DA DRJ Em 8/11/2011, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Campinas, por unanimidade de votos, julgar procedentes os lançamentos, conforme o entendimento que segue. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 281 7 Inicialmente, acerca dos temas “provas” e “juntada de documentos”, afirmou se que não se justifica a realização de diligência quando houver nos autos elementos suficientes para formação da convicção do julgador. É o que ocorre nos presentes autos e, por essa razão, foi indeferido o pedido. Foi reconhecida a alegação da recorrente sobre a ocorrência de mero erro de fato que teria ensejado a presente autuação, ou seja, verificouse a inversão de informações dos dados inseridos na DIPJ/2005 que teve como consequência a divergência entre o valor pago a menor a título de estimativa mensal de IRPJ em julho de 2004. Confirmando essa teoria, nem mesmo o próprio fisco detectou diferença em relação à CSL, que estaria declarada a maior em DCTF. Apesar de tudo o que acima se afirmou, e ainda que verificada a inexistência de dolo por parte da recorrente, não restou nem declarado, nem pago o valor de R$ 1.600.000,00, de forma que era de rigor a constituição do referido crédito tributário no ajuste anual do período. Na DCTF apresentada deveria constar o valor efetivo do crédito tributário, no entanto, foi apresentado o montante de R$ 1.234.211,33 a título de IRPJ. Assim, estava o fisco diante de um crédito tributário não constituído, sendo impositivo o lançamento realizado. A ausência de dolo da recorrente não possui o condão de alterar a natureza do procedimento vinculado da autoridade fiscal por força do art. 142 da CTN. Reconheceuse, ainda e por fim, que, em virtude da inversão praticada no preenchimento de sua DIPJ, a recorrente parcelou valor a maior a título de CSL. Assim, se afirmou que eventuais pagamentos a maior poderão ser oportunamente recuperados pela recorrente por via administrativa. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a r. decisão, a recorrente, em 10/4/2012, interpôs recurso voluntário de fls. 210 a 245, acentuando que o próprio acórdão a quo reconheceu a consecução do erro de fato alegado pela recorrente, reiterando no mais o quanto alegado em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 282 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 207, 208, 210, 145, 146, 247, 248, 249, 250, 251 e 252). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a controvérsia decorre de valor de estimativa de IRPJ de julho de 2004 declarado a menor na DCTF, comparativamente ao informado na ficha 11 da DIPJ/05, resultando num valor declarado a menor na DCTF de IRPJ efetivo a pagar em montante de R$ 1.237.420,99, em relação ao informado na ficha 12A da DIPJ/05. A exigência é desse valor acrescido da multa de ofício, e de multa isolada sobre a diferença da estimativa de IRPJ de julho de 2004. Segundo a recorrente, o quadro apresentado na impugnação e repetido na peça recursiva, conectado com a cópia da DIPJ/05 e da conta do Razão, juntadas aos autos com a impugnação, comprovam o seguinte erro de fato perpetrado pela recorrente. A diferença de R$ 1.600.000,00 de estimativa de IRPJ de julho de 2004 entre o informado na DIPJ/05 e o declarado na DCTF referente ao 3º trimestre de 2004 é de rigor. Entretanto, a recorrente declarara essa mesma diferença, a maior, como valor devido de estimativa de CSL de julho de 2004, na DCTF já mencionada, tendo sido informado o valor correto na DIPJ/05. Quer dizer, a recorrente declarara na DCTF R$ 1.600.000,00 a mais de estimativa de CSL de julho de 2004, diferença essa que não consta na ficha 16 da DIPJ/05; é a mesma diferença que declarara a menor na DCTF quanto à estimativa de IRPJ de julho de 2004, e que gerou a exigência em lide (IRPJ efetivo – anual – de R4 1.237.420,99). E isso fora confirmado pelo próprio órgão julgador a quo a 2ª Turma da DRJ/Campinas. Logo, em respeito ao princípio da verdade material ou do formalismo moderado, caberia o abatimento da diferença, com o que resultaria derruído o lançamento efetuado. Ainda, notase nos autos que a recorrente aderira ao parcelamento dos débitos indicados no processo administrativo nº 10830.003.714/200492, e que se referem a débitos objeto de DCOMP. No caso, figuram o débito de IRPJ de R$ 1.200.000,00, referente à estimativa de julho de 2004, e o débito de CSL de R$ 2.800.000,00 da estimativa de julho de 2004 (fls. 176 e 179). Do exame da documentação acostada aos autos, constato o seguinte. No procedimento fiscal que resultou no lançamento em dissídio, não houve a verificação, pelo autuante, da estimativa de CSL de julho de 2004, apurada com base em balanço de suspensão ou redução. Isso se vê das fls. 14 a 18, 21 a 25. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 283 9 Embora no Termo de Início de Fiscalização o autuante solicite o Livro Razão e o Lalur (fls. 14 e 15), percebese que o foco da fiscalização são as compensações declaradas pela recorrente e as diferenças entre valores informados em DIPJ e os declarados em DCTF. Isso fica evidente, no que interessa à presente lide, no Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 22 e 23, em que a recorrente é intimada a esclarecer as diferenças entre estimativas de IRPJ de julho, setembro e outubro de 2004, e as estimativas de CSL de maio, setembro e outubro de 2004, informadas na DIPJ e declaradas em DCTF. Noutras palavras, não se vê a análise e verificação da estimativa de CSL de julho de 2004, que teria sido informada a maior tanto na ficha 16 da DIPJ/05 como na DTCF relativa ao 3º trimestre de 2004, no valor da diferença da estimativa de IRPJ de julho de 2004 (R$ 1.600.000,00), e que gerou a diferença de IRPJ efetivo de R$ 1.237.420,99 objetivado no lançamento em discussão. Aliás, a própria recorrente reconhece isso em sua peça recursiva. As cópias das fichas 11 e 16 da DIPJ/05 juntadas aos autos com a impugnação indicam que a recorrente informara como estimativa de IRPJ de julho de 2004 o valor de R$ 2.834.211,33 (fl. 147) e de estimativa de CSL de julho de 2004 o valor de R$ 1.224.674,20 (fl. 152). As estimativas em questão foram apuradas com base em balanço de suspensão ou redução. Na DCTF referente ao 3º trimestre de 2004 foram declarados débitos de estimativa de IRPJ de julho de 2004, no valor de R$ 1.234.211,33, sendo R$ 1.200.000,00 adimplidos por compensação (objeto do parcelamento), e de estimativa de CSL de julho de 2004, no valor de R$ 2.824.674,20, sendo R$ 2.800.000,00 adimplidos por compensação (objeto do parcelamento) – fls. 157 e 159. Na fl. 93 há cópia da conta do Razão “2104.0001 – IRPJ a Pagar”, com lançamento a crédito, em 31/7/04, de R$ 2.847.830,04, a título de Provisão de IRPJ de julho de 2004, lançamento a débito, em 31/7/04, de R$ 11.934,34 e de R$ 1.684,37, a título de IRRF sobre aplicações financeiras. O saldo de R$ 2.834.211,33 tem lançamento a débito (baixa), com explicação de contrapartida para caixa, banco, e processo de compensação. Na fl. 162, há cópia da conta do Razão “1101.2104.0002 – Provisão de CSLL a Pagar”, com lançamento a crédito, em 31/7/04, de R$ 1.224.674,20, e com lançamento a débito (baixa), em 31/7/04, de R$ 1.224.674,20, com explicação de contrapartida para caixa, banco, e processo de compensação. Disso tudo, o que posso extrair é a conclusão de que há verossimilhança na alegação do erro de fato da recorrente. É muito provável a consecução do erro de fato arguido. Sucede que não foram carreados aos autos o plano de contas da recorrente, a demonstração de que o valor de estimativa de CSL indicado na DIPJ/05 é o valor apurado conforme o balanço de suspensão ou redução. Não há a cópia da Parte A do Lalur, na qual se tenha registrado o lucro e os ajustes para determinação da base de cálculo da CSL de julho de 2004, ou outra documentação que demonstre o lucro e os ajustes ao lucro para apuração da base de cálculo da CSL. Aliás, também não há cópia do balancete e/ou da demonstração do resultado até julho de 2004, tampouco sua transcrição no Diário. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 284 10 Todos os livros apresentados ao autuante devem ter sido devolvidos à contribuinte. Esse é o procedimento fiscal de rigor. Por outro lado, impõese observar que o ônus da prova quanto ao erro alegado é da recorrente. A esta compete a comprovação da consecução do erro em questão. A determinação de diligência não se presta para substituir papel “primário” que cabe ser levado a termo pela parte, à qual insta provar ou demonstrar. Máxime quando se está diante de débitos com “confissão irretratável de dívida”, como no parcelamento comentado. Evidente que a confissão de dívida não se pode por como absoluta, quando comprovadamente dívida não há. Ou seja, a confissão irretratável de dívida de parcelamentos ou anistias não se pode colocar como absoluta. Entretanto, se tal dívida não existe, cabe ao confesso comprovação categórica dessa inexistência, diante da confissão pretérita, nos termos descritos. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. A recorrente carreou aos autos muita doutrina, e pouca prova do caso concreto. Igualmente as decisões do CARF colacionadas não a socorrem, pois na presente lide o que se põe é a questão da prova, nos termos acima articulados. Segue daí a afirmação feita de que há verossimilhança quanto ao erro de fato arguido pela recorrente. Porém, a comprovação categórica não se apresentou. Divirjo, por conseguinte, e pelas razões expostas, da asserção feita pelo órgão julgador de origem de que inexiste dúvida quanto ao erro de fato perpetrado pela recorrente. Houvesse a comprovação categórica do erro de fato alegado pela recorrente, caberia o abatimento da diferença a maior da CSL efetiva anual – decorrente de valor confessado a maior (em DCTF e no parcelamento) da estimativa de CSL de julho de 2004 do valor de IRPJ exigido no lançamento em dissídio. Isso, aliás, implicaria abatimento do total do principal exigido e, por conseguinte, da multa proporcional, porquanto na DIPJ/05 não se apurou saldo a pagar de CSL, conforme a linha 51 da ficha 17 (inclusive, sem a informação de R$ 1.600.000,00 alegadamente a maior, para a estimativa de CSL de julho de 2004, na DIPJ/05, ficha 16, e essa diferença evidentemente não foi transportada para a linha de deduções, para as aumentar, na apuração da CSL a pagar – linha 43 da ficha 17). Sob o manto dessas considerações, nego provimento ao recurso quanto ao afastamento do principal de IRPJ e da multa proporcional exigidos. Há ainda a questão da multa isolada exigida sobre a diferença de estimativa de IRPJ de julho de 2004 (50% de R$ 1.600.000,00 – fls. 6, 9 e 10). Tratase de questão da aplicação de multa isolada concomitantemente com a multa proporcional (de 75% sobre a diferença do IRPJ efetivo – anual). Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 285 11 Antecipo que o entendimento que se deduz a seguir é o pacífico desta Turma, como de muitas outras Turmas da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Bem se sabe que a partir da Lei 9.430/96, com a instituição do IRPJ e da CSL apurados trimestralmente (sem prejuízo da opção pela apuração anual no caso de lucro real), o IRPJ mensal, assim como a CSL mensal, deixaram de ser IRPJ e CSL efetivos, tornandose IRPJ e CSL por estimativa. Isso resulta claro no “título” dos arts. 2º e 6º, da Lei 9.430/96 (e para a CSL, em virtude do art. 28 dessa lei) que preconizam “pagamento por estimativa”1. Não por menos a Instrução Normativa 93/97, alterando o que dispunha a Instrução Normativa 11/96, passou a prever que a falta de pagamento do IRPJ e da CSL mensais por estimativa não autoriza sua cobrança, mas tão só a multa isolada por falta do referido pagamento. Ora, com a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor dos IRPJ efetivos e não pagos2, juntamente com a exigência desses tributos, como se pretender aplicar, ao mesmo tempo, a multa de 50% sobre o IRPJ por estimativa não pagos dos mesmos anos calendário3? Constitui, a meu ver, uma incoerência lógica, teleológica e axiológica a aplicação concomitante dessas multas, à vista do bem jurídico tutelado. Aliás, no caso vertente, a base de cálculo para a aplicação da multa isolada é inclusive maior que a base de cálculo da utilizada para aplicação da multa de ofício proporcional: R$ 1.600.000,00 contra R$ 1.237.420,99. 1 Pagamento por Estimativa Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (...) Pagamento por Estimativa Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. 2 Multa do art. 44, I, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/07, ou multa do art. 44, I e § 1º, I, da Lei 9.430/96 na redação original. 3 Multa isolada do art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 com a redação da Lei 11.488/07. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 10830.007960/200928 Acórdão n.º 1103000.895 S1C1T3 Fl. 286 12 É de cartesiana nitidez, para mim, que a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor não pago do IRPJ efetivamente devido, cobrável juntamente com esse, exclui a aplicação da multa de ofício de 50% (multa isolada) sobre o valor não pago do IRPJ mensal por estimativa, do mesmo anocalendário. Isso, seja por interpretação lógica dos preceitos citados (aliás, para além disso, podese dizer que é corolário lógico), seja por interpretação finalística do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96. Apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Se já se penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo. Noutros termos, é a aplicação do princípio da consunção em matéria penal. Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo? Isso seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos – e mesmo finalísticos (teleológicos). É a aplicação do princípio da consunção em matéria apenatória. Em tais termos, dou provimento ao recurso quanto à exigência da multa isolada sobre a estimativa de IRPJ do anocalendário de 2004, para o qual houve lançamento de multa proporcional sobre o IRPJ efetivo. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso, para afastar a exigência da multa isolada sobre a estimativa de IRPJ de julho de 2004. É o meu voto. Sala das Sessões, em 10 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900894/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA.
Consoante disposição do art. 170-A do Código Tributário Nacional, a compensação de créditos oriundos de ação judicial somente é admitida após o trânsito em julgado do respectivo título judicial.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso com base nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. Consoante disposição do art. 170A do Código Tributário Nacional, a compensação de créditos oriundos de ação judicial somente é admitida após o trânsito em julgado do respectivo título judicial. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso com base nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 08 94 /2 00 8- 01Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Albergam estes autos despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 04505.32796.300404.1.3.040029, em virtude do direito de crédito encontrarse integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustenta que a não homologação da compensação se deveu a equívoco nas informações prestadas em DCTF e que não foram devidamente retificadas para adequar o valor devido/direito creditório; e, que o seu crédito tem origem em decisão judicial que garantiu isenção de Cofins a empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. Com a peça recursal vieram cópias do DARF, DCOMP e decisões judiciais proferidas no Mandado de Segurança Coletivo nº 2001.83.00.014525 (TRF 5ª Região). A DRJ Recife/PE, após exame da ação judicial em referência e seus desdobramentos, concluiu pela inexigibilidade do título judicial aliado ao fato que a compensação fora realizada (30/04/2004) antes do seu trânsito em julgado (09/09/2004), em afronta ao art. 170A do CTN, o que motivou o não acolhimento da manifestação de inconformidade. Em recurso voluntário o contribuinte assevera que a decisão de primeiro grau inovou o feito e não apenas procedeu à revisão do despacho decisório, como era de se esperar, passando a fundamentar a não homologação da compensação pela sua realização antes do trânsito em julgado da decisão judicial que a amparou, em claro cerceamento do direito de defesa, porquanto não lhe foi franqueado o contraditório. Aduz, ainda, que há erronia na conclusão da decisão sob vergasta quando examina os efeitos de decisão liminar proferida em ação rescisória, ao passo que a decisão rescindenda estaria com seus efeitos apenas suspensos e não cassados, o que lhe franquearia o direito vindicado. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10480.900894/200801 Acórdão n.º 3401002.311 S3C4T1 Fl. 11 3 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Respeitante à alegação de inovação da fundamentação inicial do despacho decisório pela decisão atacada, entendo que não assiste razão ao recorrente. Destarte, como já destacado pela DRJ, o contribuinte, ora recorrente, ao encaminhar a PERDCOMP afirmou peremptoriamente que o crédito tinha origem em pagamento indevido de Cofins e NÃO decorria de ação judicial. Pois bem, após a prolação do despacho eletrônico o contribuinte então inaugura o contencioso administrativo afirmando que, diferentemente do que indicara em seu PERDCOMP, o seu direito creditório estava sim alicerçado em decisão judicial que lhe garantia a pretendida repetição do indébito. Portanto, quem inseriu elemento novo na lide não foi a DRJ, mas o próprio recorrente ao desdizer os dados antes prestados à RFB. Diante deste panorama cumpria ao órgão julgador de piso examinar e julgar os argumentos deduzidos pelo recorrente à luz destes novos fatos, o que efetivamente ocorreu. Caso assim não agisse, incorreria em flagrante e indevida omissão no julgamento. Não vislumbro na decisão proferida uma revisão disfarçada do despacho decisório para acréscimo de razões para sua manutenção, como faz crer o recorrente, pelo contrário, enxergoa como manifestação sóbria das colocações apresentadas na peça recursal vestibular, mesmo porque estes fatos, até então, eram desconhecidos do Fisco. Por este motivo – ausência de inovação do feito – é que entendo não haver qualquer cerceamento de defesa ou inobservância ao contraditório, haja vista que foi oportunizada ao contribuinte a interposição do recurso voluntário. Demais disso, a decisão recorrida não enveredou em debates jurídicos de alta indagação, limitandose a dissecar o teor da decisão judicial e seus desdobramentos a fim de dar exato cumprimento às suas determinações. Neste diapasão, tenho que o conteúdo, o alcance e os efeitos da decisão judicial transitada judicial e da respectiva ação rescisória (200605.006.0442426 – TRF 5ª Região) somente tem influência no deslinde desta demanda se, anteriormente, for respondido afirmativamente o seguinte ponto: à luz da legislação vigente, havia permissão legal ou mesmo judicial que sufragasse a compensação perpetrada? Perscrutando a legislação em vigor por ocasião da transmissão do PERDCOMP eletrônico, constatase que havia vedação expressa para tal pretensão no art. 170 A do Código Tributário Nacional, verbis: “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Da mesma forma, atenta ao dispositivo adrede reproduzido, a decisão judicial consubstanciada no acórdão proferido pela TRF 5ª Região (AMS nº 80.558/PE) foi categórica em atrelar sua produção de efeitos ao trânsito em julgado, como se destaca do seguinte excerto: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “(...) 3. É cabível a compensação do que foi pago indevidamente a titulo de COFINS com outros tributos da mesma natureza, administrados e/ou arrecadados pela Secretaria da Fazenda Nacional (sic), após o trânsito em julgado desta Decisão (art. 170A, CTN, nos termos da LC n° 104/2001), tudo devidamente corrigido monetária e integralmente desde o pagamento indevido, de acordo com os mesmos indexadores aplicados aos créditos do Fisco em idêntico período, havendo a incidência sobre tal montante dos juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, contados do trânsito em julgado desta decisão (CTN, arts. 161, § 1º c/c 167, P. Ún.). (...)” (grifado) Diante destas constatações, considerando que a certidão de fl. 82, apensada pelo próprio contribuinte, noticia que o trânsito em julgado ocorreu somente no dia 09/09/2004, enquanto a PERDCOMP foi transmitida em 30/04/2004, forçoso concluir que a compensação, ao tempo de sua realização, não possuía qualquer suporte legal ou jurídico para sua efetivação, levada a efeito por conta e risco do interessado, que assumiu todos os ônus e riscos decorrentes desta conduta. De outra banda, acentuo que não é possível, hodiernamente, retroagir a data do trânsito em julgado à realização do procedimento de modo a convalidar sua adoção, por falta de previsão legal, uma vez que, em matéria tributária, salvo exceções, os fatos devem ser confrontados com a legislação e a situação jurídica em vigor por ocasião de sua ocorrência e como tal devem ser regidos. Assim, dessumese que inexistindo possibilidade para acolher a compensação aviada, despiciente discutir os efeitos das medidas judiciais, mormente a ação rescisória, vinculadas à ação judicial, que, em tese, respaldariam o direito creditório. Com estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios fundamentos, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723298/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO.
O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados.
JUROS(TAXA SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Federal/SIMPLES-Nacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. JUROS(TAXA SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS Recorrente EC SERVIÇOS DE MIDIA EXTERNA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). EXCLUSÃO DO SIMPLES. COMPETÊNCIA. DISCUSSÃO EM FORO ADEQUADO. O foro adequado para discussão acerca da exclusão da empresa do tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESFederal/SIMPLESNacional) é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário o exame dos motivos que ensejaram a emissão do ato de exclusão. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. JUROS/TAXA SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 32 98 /2 01 0- 83 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723298/201083 Acórdão n.º 2402003.749 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), para as competências 01/2005 a 12/2007. O Relatório Fiscal informa que os valores lançados foram apuradas com base em folhas de pagamento e lançamentos contábeis, contendo os seguintes fatos geradores: 1. a remuneração dos segurados empregados informadas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), na condição de optante pelo Simples e Simples Nacional, em decorrência dos Atos Declaratórios de Exclusão; 2. as remunerações pagas aos segurados empregados, incluídas em folha de pagamento e não informadas nas GFIP’s; 3. os valores pagos indiretamente aos segurados empregados, por meio de Cartão Super Bônus, Cartão Convênio ou Cartão Super Premiação, intermediados através da empresa SONAE DISTRIBUIÇÃO BRASIL S/A – WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL S/A – CNPJ 93.209.765/000117. Consta no relatório que a empresa tem como atividade econômica “prestação de serviços veículos de comunicação e mídia externa, e está enquadrada no código 74993 de Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE e no código 8299799 CNAE Fiscal e no código 566 do FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social. O Relatório Fiscal informa ainda que a empresa foi excluída do SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a partir da competência janeiro/2005, através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 157, de 02/08/2010, e do SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007 através do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 158, de 02/08/2010. A exclusão da empresa do Simples foi em decorrência da prática reiterada de infração à legislação tributária, conforme disposto no artigo 14, inciso V, da Lei 9.317/1996, de acordo com o ADE DRF/POA nº 157, de 02/08/2010. A exclusão do Simples Nacional teve como base os incisos V, VIII e XII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, de acordo com o ADE DRF/POA nº 158, de 02/08/2010. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/08/2010 (fl. 01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 236/243) – acompanhada de anexos –, alegando, em síntese, que: Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. a empresa atua na prestação de serviços, veículos de comunicação e mídia externa, tendo sido constituída em 24 de fevereiro de 2003 e sempre esteve enquadrada no SIMPLES, e, sucessivamente no SIMPLES NACIONAL A pretensão fiscal é equivocada e o desenquadramento da empresa do Simples é ilegal e arbitrário, pois o faturamento da empresa é inexpressivo, não havendo nenhuma irregularidade nos recolhimentos efetuados. Alega, ainda, que apresentou os documentos solicitados na ação fiscal pelo serviço de fiscalização, não concordando com os motivos que embasaram sua exclusão do SIMPLES; 2. possui alta rotatividade de funcionários, e muitas vezes contrata prestadores de serviços por curto período (semanas e/ou dias), sendo os pagamentos realizados diretamente aos mesmos, fato comprovado pelas Notas Fiscais apresentadas e que não foram consideradas quando do procedimento fiscalizatório; 3. é possível averiguar pela contabilidade que foi correta a escrituração do livro caixa e a movimentação financeira da empresa e que todos os pagamentos foram realizados de acordo com a legislação vigente. Os fiscais não verificaram os documentos da empresa, bem como ignoraram a contabilidade da mesma, sendo que a análise dos documentos poderia comprovar a idoneidade dos atos praticados pela empresa; 4. o lançamento não foi praticado segundo as formas prescritas em lei, tendo em vista que não há a assinatura do chefe do órgão expedidor e tampouco foi comprovado que o auditorfiscal, Sr. Cláudio Geraldo Tedesco, tenha poderes para assinar o auto de infração, não sendo respeitado o inciso IV, do artigo 11 do Decreto 70.235/72. Transcreve os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72. É nulo o Mandado de Procedimento Fiscal nº 010100200900270, pois a numeração do MPF não é composta de dezessete dígitos, conforme determina o artigo 7º, inciso I, da portaria da RFB nº 3.007/01. Assim como, a natureza do procedimento fiscal não foi corretamente esclarecida, não tendo sido expostos os motivos que ensejaram o MPF. Além disso, não foi fornecido à empresa o código de acesso à internet para consulta às informações, o que caracteriza cerceamento de defesa; 5. o cálculo apresentado é obscuro, na medida que apenas expõe a consolidação do débito. Que não foram apresentados os critérios utilizados para calcular o montante do tributo devido, bem como não há informação do período que está sendo cobrado. Que não há indicação da taxa de juros utilizada e nem do período de apuração. Que é indevida a multa de mora e de ofício pelo mesmo motivo. Conclui dizendo que se considera vício formal toda inobservância aos requisitos e formas prescritas em lei para a elaboração do ato administrativo do lançamento, sendo aplicável ao caso o artigo 59 do Decreto 70.235/72; 6. efetuou pagamentos de tributos na forma estabelecida pelo sistema Simples e Simples Nacional, pois está enquadrada como microempresa, não sendo obrigada ao recolhimento da contribuição Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723298/201083 Acórdão n.º 2402003.749 S2C4T2 Fl. 4 5 prevista no artigo 22 da Lei 8.212/91. Portanto indevida sua exclusão do Sistema Simples e Simples Nacional, não sendo devidas as contribuições lançadas nos autos de infração; 7. quanto à contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, caso fosse devida, diz que deveria ser considerada ilegal, uma vez que as atividades desenvolvidas pela empresa não são consideradas de risco, conforme previsão legal. Acrescenta que o anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.957, de 9 de setembro de 2009 – DOU de 10/9/2009, não contém na Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco o CNAE 74.993, no qual a empresa se enquadra, não sendo devida portanto esta contribuição; 8. requer sejam afastadas as multas aplicadas de 24% e de 75%, eis que confiscatórias, o que é vedado pela Constituição Federal. Requer sua exclusão ou diminuição. Requer, ainda, que as intimações e notificações sejam enviadas em nome dos procuradores da impugnante, no endereço referido na procuração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão 1038.214 da 6a Turma da DRJ/POA (fls. 271/280) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que, em decorrência da exclusão do Simples Federal somente ocorreu a partir da competência 02/2005, os valores apurados na competência 01/2005 foram excluídos, e manteve integralmente o crédito tributário remanescente (competências 02/2005 a 12/2007). A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), para as competências 02/2005 a 12/2007. Esclarecemos que a empresa foi excluída do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES”, por meio de processo próprio (12269.001346/201043 e 12269.001647/201077), no qual foram expedidos os Atos Declaratórios Executivo (ADE) DRF/POA nº 157, de 02/08/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e DRF/POA nº 158, de 02/08/2010, a partir de 01/07/2007, ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS. Como os motivos fáticos e jurídicos da exclusão da empresa do “SIMPLES” estão devidamente registrados nos processos nos 12269.001346/201043 e 12269.001647/2010 77, consubstanciados pelos Atos Declaratórios Executivo (ADE) n° 157/2010 a 158/2010 DRF/POA, iremos afastar e não conhecer todos os motivos que fundamentam o pleito de declaração de ilegalidade ou nulidade dos aludidos ADE, que não estão em julgamentos nesta oportunidade, pois este não é o momento ou o local oportuno para analisar essas matérias. O foro adequado para a discussão dessas matérias são os respectivos processos instaurados para esse fim (processos nos 12269.001346/201043 e 12269.001647/201077) e não o presente processo de lançamento fiscal de crédito previdenciário oriundo de uma obrigação tributária principal. Com isso, a decisão desta Turma da Corte Administrativa (CARF) vai restringirse exclusivamente às demais questões que não dizem respeito ao âmbito da matéria da sua exclusão do sistema de tratamento tributário diferenciado “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. Esse entendimento está consubstanciado nos artigos 2o e 3o do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 –, que estabelecem as atribuições (competências) específicas de cada órgão dessa Corte Administrativa. Regimento Interno do CARF Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723298/201083 Acórdão n.º 2402003.749 S2C4T2 Fl. 5 7 (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); ................................................................................................ Art. 3°. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Dessas regras do Regimento Interno do CARF, retromencionadas, percebe se, então, que os processos de exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade. De fato, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (relação obrigacional principal) e a matéria referente ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL (processos nos 12269.001346/201043 e 12269.001647/201077), uma vez que essa última matéria, sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários (lançamento da obrigação principal). Por outro lado, ainda que se tenha notícia de que a Recorrente encontrase questionando a sua exclusão do SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL – conforme relato na peça recursal –, o que se deve preponderar, para fins de análise do lançamento fiscal da obrigação tributárioprevidenciária principal, é a informação de que a Recorrente permanece excluída desse sistema de recolhimento dos tributos (SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL). Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva sobre o enquadramento da empresa no SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL, o qual deverá ser analisado pela Primeira Seção do CARF. Como a empresa foi excluída do sistema “SIMPLES”, os tributos que antes vinham sendo recolhidos na sistemática do programa devem ser recolhidos pela sistemática aplicável às demais empresas não incluídas no sistema. Isso permitiu o lançamento das contribuições sociais devidas pela empresa em função de sua exclusão do Simples, conforme o art. 16 da Lei 9.317/1996, in verbis: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) O mesmo entendimento está consubstanciado na regra estampada no art. 32 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (g.n.) Diante desse quadro, faremos análise apenas das matérias que não dizem respeito da sua exclusão do sistema “SIMPLES FEDERAL/SIMPLES NACIONAL”. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais destinadas a outras Entidades/Terceiros. Os valores das contribuições sociais decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, declaradas em folhas de pagamento e documentos contábeis. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723298/201083 Acórdão n.º 2402003.749 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal e seus anexos, complementados pelos documentos acostados pela Recorrente, são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA); base de cálculo declarada nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. DO MÉRITO: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723298/201083 Acórdão n.º 2402003.749 S2C4T2 Fl. 7 11 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita no Relatório de Fundamentos Legais do Débito (FLD). Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723298/201083 Acórdão n.º 2402003.749 S2C4T2 Fl. 8 13 Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Caso o Fisco ainda não tenha proferida a decisão definitiva das questões concernentes à exclusão do regime diferenciado de tributação SIMPLES FEDERAL/NACIONAL (processos 12269.001346/201043 e 12269.001647/201077), deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo de exclusão desse regime diferenciado. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11516.007025/2008-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Qualquer que seja o modo de pagamento ao trabalhador do vale transporte, não há alteração de sua natureza indenizatória, razão pela qual é impossibilitada a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas desta natureza. Entendimento pacificado dos Tribunais Superiores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência até a competências 09/2003 nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. E no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Qualquer que seja o modo de pagamento ao trabalhador do vale transporte, não há alteração de sua natureza indenizatória, razão pela qual é impossibilitada a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas desta natureza. Entendimento pacificado dos Tribunais Superiores. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 70 25 /2 00 8- 14 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência até a competências 09/2003 nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. E no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007025/200814 Acórdão n.º 2403002.084 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 511/528, interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis/SC, fls. 486/508, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para exonerar o crédito previdenciário de R$ 86.368,17, mantendose o montante de R$ 538.703,84 (quinhentos e trinta e oito mil setecentos e três reais e oitenta e quatro centavos). A presente autuação foi consubstanciada no DECBAD nº. 37.197.4984 (Outras Entidades e Fundos), referente ao período de 01/2003 a 12/2007, no que concerne a ValeTransporte pago em pecúnia. O Relatório Fiscal, fls. 98/103, evidencia os seguintes fatos: 2.1. No desenvolvimento do procedimento fiscal, constatouse que a empresa realizou, de 01/2003 a 12/2007, pagamentos habituais a seus segurados empregados a título de transporte. (...) 2.6. Do exposto, concluise que o pagamento de transporte em pecúnia caracterizase como saláriodecontribuição. Tais verbas caracterizamse como verdadeira remuneração por serviços prestados, incorporandose ao patrimônio dos trabalhadores. 2.7. Este entendimento prospera ainda que os pagamentos sejam, eventualmente, realizados por força de acordo ou convenção coletiva, uma vez que tais instrumentos de negociação entre empregadores e trabalhadores não tem o condão de afastar a aplicabilidade das normas tributárias. (...) 3.1. Face aos fatos narrados, é realizado o presente lançamento fiscal, com o objetivo de constituir os créditos previdenciários relativos às seguintes contribuições, todas incidentes sobre a remuneração de segurados empregados: a) SalárioEducação: 2,5% b) INCRA: 0,2% c) SENAC: 1,0% d) SESC: 1,5% e) SEBRAE: 0,6% TOTAL: 5,8% 3.2. Além das contribuições devidas pela empresa, foram lançadas as contribuições devidas pelos segurados (AI nº 37.151.0007) e as contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos (AI nº 37.197.4984). 3.3. Os valores lançados encontramse discriminados mensalmente, por estabelecimento, no Relatório de Fl. 543DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Lançamentos – RL integrante deste Auto de Infração, segundo os códigos de proventos que foram utilizados para pagamento em folha a título de transporte (os códigos e descrições mencionados foram estabelecidos pela empresa). 3.4. Para a correta apuração das bases de cálculo, foram deduzidos, dos valores dos proventos listados acima, os descontos realizados em folha de pagamento relacionados com o fornecimento de transporte em pecúnia, os quais foram identificados pela empresa em atendimento ao TIAD nº 04. (...) 4.1. No curso de procedimento de fiscalização, a empresa apresentou cópias de certidão objeto e pé, petição inicial, liminar e sentença proferida no Mandado de Segurança Coletivo n. 1999.61.00.0456685, impetrado pelo então denominado Sindicato das Empresas de Asseio de Conservação do Estado de São Paulo – SINDICON (atualmente, SEACSP). A petição inicial é datada de 10/09/1999 e a sentença, de 25/05/2001, assegurou aos associados da impetrante a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre valetransporte pago em pecúnia. Atualmente, apelação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS relativa ao mesmo mandado de segurança encontrase aguardando decisão no TRF da 3ª Região. 4.2. Por meio do TIAD n. 06, intimouse a empresa a comprovar que se encontrava filiada ao citado sindicato à época da propositura da ação em questão. Em atendimento à intimação foi apresentada declaração de filiação desde 19/11/2002. 4.3. Portanto, a empresa não está amparada pela decisão judicial apresentada, não havendo base para a suspensão da exigibilidade das contribuições objeto deste lançamento fiscal. 4.4. Adicionalmente, há que se destacar que, do total das contribuições ora lançadas, no valor originário de R$ 381.694,83, apenas R$ 960,72 (ou seja, 0,25%) referemse a contribuições incidentes sobre a remuneração de trabalhadores lotados no estabelecimento 00.482.840/000561, que vem a ser a filial da empresa localizada em São Paulo, base territorial do sindicato que impetrou a ação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 136/168. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007025/200814 Acórdão n.º 2403002.084 S2C4T3 Fl. 4 5 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, DRJ/FNS, prolatou o Acórdão n° 07 29.572, fls. 486/508, julgando a impugnação parcialmente procedente para exonerar o crédito previdenciário relativo à competências que se encontravam decadentes, mantendose, contudo, os demais valores anteriormente mencionados no relatório. Segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 VALETRANSPORTE. A concessão de vale transporte em desacordo com a lei específica integra o salário de contribuição conforme o disposto no artigo 28, § 9º, alínea ‘f’, da Lei 8.212, de 1991. CONVENÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO. As Convenções Coletivas de Trabalho, no que tange à matéria tributária, não se sobrepõe à lei e não pode ser oposta à Fazenda Pública para o não pagamento de contribuição previdenciária. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 280/2006. VIGÊNCIA. A possibilidade legal de pagamento em pecúnia do vale transporte ocorreu apenas no período entre a publicação da MP nº 280 e a revogação do artigo 4º desta pela MP nº 283, de 23/02/2006. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. A decadência das contribuições para terceiros (outras entidades e fundos) é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pelo artigo 3º, § 3º, da Lei nº 11.457/2007, e pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. Verificando Fl. 545DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 se nos autos a regular ciência e prorrogação do MPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, sob pena de preclusão, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PERÍCIA. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindoo se a entender desnecessária, protelatória ou impraticável, ou ainda, não conhecêlo quando o requerimento não preencher os requisitos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 11.941, DE 2009. ART. 106, CTN. ART. 35 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. São aplicáveis às multas nos lançamentos de ofício, quando benéficas, as disposições da novel legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Fls. 511/528) alegando, em síntese, a não incidência de contribuição previdenciária sobre vale transporte pago em pecúnia, amparandose em diversos julgados dos Tribunais Superiores e do CARF e da aplicação mais benéfica da multa de mora. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007025/200814 Acórdão n.º 2403002.084 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl., o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 547DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Na esteira do entendimento esposado, verificase, então, o equívoco do acórdão da DRJ quando reconheceu a decadência apenas das competências que possuíam antecipação de pagamento tanto ao INSS quanto a Outras Entidades. Assim, diante dos dados fornecidos pela DRJ acerca da existência de antecipação de pagamento, fls. 496/497, cujas autoridades fiscais possuem fé de ofício nas informações que prestam, são suficientes para que se aplique o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/2003 a 12/2007, inclusive o 13º salário. A notificação ocorreu em 07/10/2007, fl. 02. Portanto, temse que a decadência fulminou os créditos previdenciários referentes aos fatos geradores ocorridos entre 01/2003 a 09/2003. MÉRITO VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: “Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007025/200814 Acórdão n.º 2403002.084 S2C4T3 Fl. 6 9 conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias”. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, o vale transporte não é incluído no conceito de salário de contribuição, nos termos do art. 2º da Lei 7.418/85, in verbis: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas da concessão de valetransporte, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento da sua residência ao trabalho e viceversa. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão do entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art.5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos. (STJ. 816829 RJ 2008/02249664, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 14/03/2011, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 25/03/2011) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua Fl. 550DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007025/200814 Acórdão n.º 2403002.084 S2C4T3 Fl. 7 11 totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, este Conselho reúne inúmeros julgados que seguem o mesmo raciocínio dos Tribunais Superiores, conforme a seguir são transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 (...) VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 15758.000509/200832. Acórdão nº. 240102.093 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 26 de outubro de 2011) ************************************************* ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 (...) VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA, NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO. DECRETO 95.247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em, pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto a. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n. 7418/85. (...) Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 14041.001.393/200862. Recurso de Ofício e Voluntário nº. 561.928. Acórdão nº. 230101.591 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 08 de julho de 2010) ************************************************ ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. SALÁRIO INDIRETO. VALE TRANSPORTE. VALOR PAGO EM DINHEIRO. NÃO INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. LEI 7.418/85. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. No presente caso aplicase a regra do artigo 173, inciso 1, do CTN, haja vista se tratar de auto de infração lavrado em desfavor do contribuinte por descumprimento de obrigação acessória. O valetransporte pago em espécie pela empresa não integra o salário de contribuição, ou seja, o beneficio não tem caráter salarial, porquanto está de acordo com a legislação que trata do assunto, em especial ao disposto no artigo 2º, da Lei n. 7.418/85. O beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010) Fl. 552DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007025/200814 Acórdão n.º 2403002.084 S2C4T3 Fl. 8 13 Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em pecúnia a título de vale transporte, razão pela qual a autuação em epígrafe deve ser anulada. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do recurso para reconhecer a decadência até a competência de 09/2003, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN e, no mérito, dar provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10166.015557/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer contribuição à previdência oficial, no valor de R$ 3.005,97, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer contribuição à previdência oficial, no valor de R$ 3.005,97, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 55 57 /2 00 8- 71 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.015557/200871 Acórdão n.º 2801003.141 S2TE01 Fl. 120 2 “Tratase de Notificação de Lançamento expedida em nome do contribuinte em epígrafe, relativa ao exercício de 2005 para cobrança de crédito tributário, no valor de RS 15.222,40, já acrescido de multa de ofício, multa de mora e juros de mora, calculados de acordo com a legislação aplicável. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício em questão, onde foram constatadas as seguintes infrações: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL foi deduzido o valor de RS 11.064,82, sendo R$ 10.396,02 relativo à fonte pagadora Caixa Econômica Federal e R$ 668,80 relativo à fonte pagadora Meta Fomento Mercantil Ltda. Motivo: contribuinte não atendeu à intimação; COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE foi glosado o IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de RS 5.467,69 relativo à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Motivo: o contribuinte não atendeu à intimação. Encontramse identificados nos demonstrativos de fls. 3/7 o enquadramento legal das infrações, as alterações na base de cálculo, bem como o valor do imposto suplementar apurado. O contribuinte teve ciência da notificação de lançamento em 12/11/2008 e, em 25/11/2008, apresentou impugnação acompanhada dos documentos de fls. 8/18 na qual alega resumidamente que recebeu em juízo rendimentos de ação trabalhista impetrada contra a Caixa Econômica Federal cujo valor de RS 45.707,30 foi desmembrado conforme Alvará de fl. 9. Afirma que os documentos de fato existem, são verídicos e que não tentou lesar o fisco. Requer o acolhimento da impugnação para o fim de cancelar o débito fiscal reclamado.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 69/77, para restabelecer a parcela de R$ 668,80 referente à dedução a título de contribuição à previdência oficial, bem como o valor de R$ 5.467,69 referente ao imposto de renda retido na fonte. Regularmente cientificado daquele acórdão em 22/02/2011 (fl. 85), o interessado interpôs recurso voluntário de fl. 87, em 21/03/2011. Em sua defesa, pretende seja considerado o valor de R$ 3.005,97 recolhido ao INSS por parte do empregado, deduzindoo do montante glosado de R$ 9.635,55, tendo em vista os documentos que ora apresenta, especificamente a conclusão dos autos do processo n° 1127/2002 do TRT 10a REGIÃO, onde encontramse devidamente discriminados todos os valores a serem recolhidos, inclusive ao INSS, tanto a parte do empregado quanto a parte do empregador. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.015557/200871 Acórdão n.º 2801003.141 S2TE01 Fl. 121 3 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa da contribuição à previdência social referente à fonte pagadora Caixa Econômica Federal. No que diz respeito à referida questão, assim se pronunciou a decisão recorrida: “Na impugnação, o recorrente alega com relação à Previdência oficial que o valor foi desmembrado conforme determinação do Alvará n° 137/2004 de fl. 9. Na referida determinação judicial há ordem para que seja efetuada transferência de 21,0810% do saldo total da conta epigrafada para o INSS, mediante guia GPS. Pela GPS de fl. 10, verificase que houve recolhimento no valor de R$ 9.635,55 para o INSS, entretanto, nem o alvará nem a GPS discriminam que valor se refere ao empregado nem que valor se refere ao empregador. Assim, não se pode identificar o valor a ser deduzido. Conforme determina o Art. 37 da INSRF 15/2001, adiante transcrito, só são admitidas as deduções de contribuições, cujo ônus tenha sido do próprio contribuinte e desde que destinadas a seu próprio beneficio. Art. 37. São admitidas, a título de dedução, as contribuições, cujo ônus tenha sido do próprio contribuinte e desde que destinadas a seu próprio beneficio(gn) I para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II para as entidades de previdência privada domiciliadas no Brasil e as contribuições para os Fapi, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. Dessa forma, devese manter a glosa do valor de R$ 9.635,55 por não comprovar o contribuinte que sofreu o ônus da contribuição.” Em sede de recurso, o contribuinte pleiteia o restabelecimento da parcela de 3.005,97 recolhido ao INSS por parte do empregado, deduzindoo do montante glosado de R$ 9.635,55, conforme documentos carreados aos autos, às fls. 99/111. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.015557/200871 Acórdão n.º 2801003.141 S2TE01 Fl. 122 4 Na cópia extraída do Processo n° 1127/2002, à fl. 99, consta: “Vistos. Homologo a presente atualização para fixar o débito da executada em R$45.933,73,valor atualizado até 29/03/2004, sem prejuízo das atualizações de direito e na forma abaixo discriminada: R$ 35.176,18 (Total bruto do exequente) R$ 221,19 (Custas processuais) R$ 175,88 (Custas art. 789Á, CLT) R$ 3.005,97 (INSS empregado) R$ 6.596,61 (INSS empregador + S A T ) R$ 757,90 (Terceiros) R$ 45.933,73 (Total do cálculo) Fixo, ainda, o IRPF em R$5.449,01, também atualizado até 29/03/2004, valor que deverá ser deduzido do principal a ser pago ao reclamante.” Portanto, resta comprovado que o valor de R$ 3.005,97 referese à contribuição do empregado. razão pela qual a correspondente dedução deve ser restabelecida. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer contribuição à previdência oficial no valor de R$ 3.005,97. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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