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Numero do processo: 10380.720778/2010-45
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/03/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP - APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS.
NULIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS LEGAIS E CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA ELEMENTOS ESSENCIAIS. INEXISTÊNCIA.TODOS O ELEMENTOS ESTÃO PRESENTES. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DA REALIDADE DOS AUTOS. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. CÁLCULO DA MULTA. FIXADO EM LEI. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. MULTA NO VALOR MÍNIMO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 12/03/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP - APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. NULIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS LEGAIS E CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA ELEMENTOS ESSENCIAIS. INEXISTÊNCIA.TODOS O ELEMENTOS ESTÃO PRESENTES. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DA REALIDADE DOS AUTOS. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. CÁLCULO DA MULTA. FIXADO EM LEI. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. MULTA NO VALOR MÍNIMO. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/03/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. NULIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS LEGAIS E CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA ELEMENTOS ESSENCIAIS. INEXISTÊNCIA.TODOS O ELEMENTOS ESTÃO PRESENTES. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DA REALIDADE DOS AUTOS. DIVÓRCIO IDEOLÓGICO. CÁLCULO DA MULTA. FIXADO EM LEI. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. MULTA NO VALOR MÍNIMO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 07 78 /2 01 0- 45 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.720778/201045 Acórdão n.º 2803002.639 S2TE03 Fl. 119 2 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.720778/201045 Acórdão n.º 2803002.639 S2TE03 Fl. 120 3 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.256.0638, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, sendo o período de apuração, de 01/2006 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 06 a 08, o auto de infração, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 22/03/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 22/04/2010, conforme carimbo de recepção, de fls. 73, a defesa está acostada, as fls. 73 a 79, acompanhada dos documentos, de fls. 80 a 85. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 86 e 87. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 0821.972 5ª Turma da DRJ/FOR, em 14/10/2011, fls. 88 a 92, sendo a impugnação considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 07/06/2012, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo TCDP, de fls. 100 e 101. Entretanto, o Termo de Abertura de Documento – TAD, de fls. 102 e 103, dizem que a ciência ocorreu em 15/06/2012. Consta, ainda, as fls. 104, Aviso de Recebimento, pelo qual foi entregue o Acórdão Nº 0821.973 5ª Turma da DRJ/FOR, com recebimento, em 28/05/2012. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recusais, as fls. 106 a 112, recebida, em 26/06/2012, acompanhado dos documentos, de fls. 113 e 114. As razões recursais resumidas são as seguintes. · que um único auto de infração seria mais funcional, atendendo ao §1º, art 9º do PAF com maior clareza; · que apesar de solicitada a reunião dos seis autos para um único julgamento isso não foi atendido, assim, mais uma vez em benefício ao direito de defesa vem solicitar a reunião dos processos, tendo em vista que a matéria de um reflete nos outros, pela exigência de supostos seguros, cita os números de protocolo; · que em relação ao seguro saúde dos diretores, a impugnante não pagou em favor de seus dirigentes nenhum serviço medico, apenas arrecadou a parcela do seguro saúde de cada um e repassou à Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.720778/201045 Acórdão n.º 2803002.639 S2TE03 Fl. 121 4 seguradora, o que não se traduz em salário de contribuição, sendo que tais fatos não preenchem o tipo fiscal, ocorrendo simples repasse sem refletir e sua conta de custos, salários ou contribuição social, ocorrendo idêntico equivoco nos demais processos, pois o fatiamento das infrações levou a grande confusão; · que no processo 10380.720671/201005 há valores lançados que são inferiores ao limite de DARF – R$ 10,00, que isso viola o princípio da eficiência, pois leva a máquina pública a perda de tempo, busca resultados pífios e produz cerceamento de defesa, por não respeita o artigo 10, do Decreto 70.235/72; · que houve cerceamento do direito de defesa dado que o formulário “DD – Discriminação do débito” (sic) não preenche o que se entende por descrição dos fatos, o que feri o art. 142 do CTN e o art. 243 do Decreto nº 3.048/1999, o que se dá nos processos de obrigação principal nºs 10380.720670/201052, 10380.720671/201005 e 10380.720672/201041, cita exemplo e faz alusão ao artigo 41, do CPP; · que o valor de dois centavos no mês de setembro de 2006, “ é absurdo e fruto de arredondamento aritmético”, sendo que ninguém com juízo sonegaria R$ 0,02 centavos de real, mas que o pior e não existir qualquer descrição do fato, isto é, de como a autoridade lançadora teria chegado a tal valor, pois não demonstra os respectivos detalhes e sem este o administrado não pode se defender; · que é impossível defenderse da cobrança dos R$ 0,02 centavos e dos juros de mora, uma vez que inexiste mínima demonstração do seu cálculo, requerendose em preliminar a nulidade do lançamento por violação ao artigo 10, do PAF; · que na fiscalização foram aplicados dois tipos de multa: 1 – suposta ausência de GFIP; 2 – erro na GFIP, para a primeira serve de exemplo a não apresentação da GFIP relativa a competência 13/2006, ou seja, 13º salário de 2006, a ser cumprida em janeiro de 2007, configura uma única obrigação de entregar a GFIP em janeiro de 2007, sendo que em matéria penal, não se repete o ilícito em razão do decurso de tempo, daí porque não tem cabimento aplicar a mesma multa, repetidamente, todos os meses, por conta de uma infração praticada uma única vez, num único mês; · que no segundo caso erro – repetese aqui os argumentos que contestam os supostos erros, inexistência de ilícito, em razão do seguro saúde, cerceamento das diferenças não demonstradas; · Pede ao final: a) improcedência do auto. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do Recurso Voluntário, fls. 117. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.720778/201045 Acórdão n.º 2803002.639 S2TE03 Fl. 122 5 Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 117. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.720778/201045 Acórdão n.º 2803002.639 S2TE03 Fl. 123 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado A disposição de lei não obriga a reunião dos vários autos lançados em razão de um mesmo sujeito passivo, mas apenas indica tal possibilidade, quando a comprovação dos fatos depender do mesmo conjunto probatório. No caso destes autos tal situação não ocorre, uma vez que ele é decorrência da apresentação de GFIP com dados incorretos ou omissos, o que representa descumprimento de dever instrumental, que por si só já o diferencia do auto de nº 10380.720777/201009 e 10380.720.780/201014, pois neste primeiro a infração é a não apresentação ou apresentação fora de prazo da GFIP, no segundo apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, ou seja, os três autos cuidam do mesmo documento, mas com situações distintas e relação a cada um deles. O Termo de Intimação Fiscal – 02 – Constatação, de fls. 34. Decorrente do que acima exposto a reunião dos autos como solicitado não se mostra viável, pois eles apresentam situações distintas com elementos distintos. Não havendo a citada repercussão geral de um sobre o outro. A tese relativa ao seguro saúde se mostra desprovida de juridicidade em relação a estes autos, que cuida de multa por apresentação de GFIP com atraso e que só levou em consideração no cálculo desta multa, segundo consta da decisão de primeiro grau e abaixo transcrito valores que não se referem a citada rubrica. Entretanto, tais diferenças não foram consideradas na presente exação, que, com relação ao sócios, adveio da diferença de contribuição descontada e não da remuneração omitida na competência 04/2006, consoante fls. 64 e 66. Dessa forma, para o deslinde do valor do AI, não interessa solução da controvérsia sobre ser o seguro saúde rubrica componente ou não do salário de contribuição previdenciário. Assim sendo, ocorre o divórcio ideológico entre o que dos autos consta e o que recorrido, conforme aresto abaixo transcrito. Desta forma, esta tese não será objeto de avaliação nestes autos. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.720778/201045 Acórdão n.º 2803002.639 S2TE03 Fl. 124 7 INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) (o realce é meu). A situação descrita em relação ao processo 10380.720671/201005 deve ser verificada dentro daqueles autos, pois não tem reação com estes. Podese extrair da informação do contribuinte que o citado processo cuida de exigir a contribuição previdenciária em espécie, ou seja, a obrigação principal, pois só este tipo de processo tem Discriminativo de Débito – DD, enquanto esse cuida de dever instrumental não cumprimento de obrigação acessória. Sonegação de dois centavos e outros, que não se referem a obrigação acessória. Todavia, apesar do que dito, acima, fazendo uma busca no site da receita www.receita.fazenda.gov.br link COMPROT, verifiquei que o citado processo se refere ao DEBCAD 37.256.0598, o que se confirma no espelho reproduzido pelo contribuinte, sendo que do Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF, de fls. 37, consta que o valor do citado lançamento é de R$ 8.508,63. Desta forma, o valor da competência e rubrica isoladamente são irrelevantes, pois o crédito deve ser pago pelo total, em um único DARF. De forma que, independentemente, do que dito acima sobre o aludido processo, cabe aqui a mesma solução aplicada ao seguro saúde, isto é, também, em relação a estes argumentos ocorre o divórcio ideológico, pois tais fatos não constam destes autos relativos ao descumprimento de dever instrumental. Quanto a aplicação do juros de mora taxa SELIC esta é variável no tempo e não com determinála nos autos, pois a cada mês que se passa ela se altera e o valor eventualmente demonstrado não seria condizente com a realidade. Contudo, sua determinação é de simples verificação. No presente caso o lançamento se deu em 22/03/2010, logo o mês do vencimento é abril/2010 – juros 1%; a partir de maio/2010 até mês anterior ao pagamento SELIC com cumulação simples – tabelas no site da receita; no mês do pagamento se ocorrer juros de 1%, esta é a sistemática determinada em lei e que só pode ser averiguada com um simples cálculo aritmético, pois os juros são variáveis no tempo. Não há cerceamento de defesa em razão de desrespeito ao artigo 10, do Decreto 70.235/72, como assevera o contribuinte, basta observar o que diz o texto legal. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.720778/201045 Acórdão n.º 2803002.639 S2TE03 Fl. 125 8 I – a qualificação do autuado – folha 01 e diversas outras nome e CNPJ; II– o local, a data e a hora da lavratura– fls. 01, Horizonte; 12/03/2010; 10:20h III – a descrição do fato – fls. 01 – Descrição Sumária IV – dispositivo legal infringido e penalidade – fls. 01 V – determinação da multa e intimação para cumprimento impugnação – Tabelas de fls. 58 a 76 e REFISC, de fl.s 67 e 68; Instruções para o Contribuinte – IPC, de fls. 03 e 04 VI – assinatura, cargo e matrícula do autuante – fls. 01. Ficou demonstrado que todos os elementos exigidos pelo artigo suscitado pela recorrente estão presentes aos autos, assim em função destas causas não há nulidade alguma no lançamento. A sistemática de aplicação da multa pela entrega de GFIP com informações incorretas ou omissas esta estabelecida no artigo 32 – A, I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 e é bem simples, isto é, R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas e da observação da planilha, de fls. 66, que são 130 erro/omissões, assim temse treze grupos de dez erros/omissões, que resultaria em R$ 260,00 de multa, porém pelo inciso II, do parágrafo 3º, do artigo 32, A, I a multa mínima é de R$ 500,00, sendo este o valor aplicado. Não há a citada repercussão em vários meses. Declinadas as razões acima não há motivos para declarar a improcedência da autuação. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902415/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2003
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 24 15 /2 00 9- 05 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902415/200905 Acórdão n.º 3801002.196 S3TE01 Fl. 131 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao fato gerador de 31/08/2003. Por intermédio do despacho decisório de fl. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) foi alocado para o débito declarado conforme Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) apresentada pela própria contribuinte. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 09/23, na qual alega, em síntese, que: I. A contribuinte auferiu na competência em questão receitas constituídas de valores outros que não a venda de veículos e serviços correlatos (oficina mecânica e outros que compõe o objeto social da empresa), receitas essas que juridicamente não estavam sujeitas à incidência de PIS e Cofins, dada a irregularidade do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento para fins de incidência de PIS e Cofins; II. A lei ordinária, ao fixar novo conceito de faturamento, abarcando todas as receitas auferidas pela empresa, sem qualquer distinção, acabou por imiscuirse em matéria privativa de lei complementar (majoração de base de cálculo) criando uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social; III. O dispositivo em questão é inconstitucional, pois fere o art. 146 e 195 da Constituição Federal, além de violar o art. 110 do Código Tributário Nacional, alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado; IV. De acordo com a doutrina, faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços. Sendo o faturamento uma espécie de receita, forçoso concluir que o Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902415/200905 Acórdão n.º 3801002.196 S3TE01 Fl. 132 3 primeiro, dada a qualificação, não abrange a segunda, razão pela qual é conceito jurídico limitado e assim deve ser interpretado pelo jurista; V. O Supremo Tribunal Federal, por seu pleno, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, ao julgar os RREE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal; VI. Demonstrada a ilegitimidade da cobrança do PIS e da Cofins sobre as receitas não provenientes de venda de mercadorias ou da prestação de serviços no período que se cuida, não há razão para se considerar inexistente o crédito apontado na PER/DCOMP; VII. Ao final, requereu que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de que se reconheça a existência do direito ao crédito e conseqüentemente à compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 35/37, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. COFINS. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da Cofins passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraída de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 41 a 64, no qual, na essência, apresenta as seguintes alegações : Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902415/200905 Acórdão n.º 3801002.196 S3TE01 Fl. 133 4 • Conforme demonstram os julgados transcritos, não só o STF já consolidou a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em questão, como os demais tribunais nacionais assim o fizeram; • Deste modo, considerando especialmente os termos do artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, sendo certo que a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 foi inequivocamente declarada pelo STF, é de se reconhecer o direito creditório da recorrente; • Quanto à comprovação documental do crédito, argumenta que efetuou tal prova por meio do registro e indicação do crédito na PER/DCOMP (comprovante de pagamento – DARF); • Além disso, a falta de comprovação não foi o motivo da não homologação, e sim considerar que a recorrente não possuía o direito creditório; • Por fim, argumentase que a comprovação é facilmente extraída do cruzamento das DCTF com as DIPJ, que demonstram os montantes a que a empresa faz jus. Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através de resolução exarada, entendeuse por bem converter o julgamento em diligência a fim de: 1. Verificar se o contribuinte possui ação judicial relativa à Lei nº 9.718/98; 2. Apurar a base de cálculo da Cofins devida pela recorrente no PA agosto/2003 e a contribuição correspondente, considerando o disposto na LC nº 70/91; 3. Intimar a recorrente do resultado do item acima para, se assim desejar, apresentar complementação ao recurso voluntário interposto, relativamente à diligência realizada, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Realizada a diligência, a fiscalização, após intimar o contribuinte a apresentar documentação comprobatória dos créditos declarados, demonstrou que, considerando que as receitas operacionais não podem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, de fato, existem créditos do contribuinte que são passíveis de compensação. Em apuração realizada, a fiscalização demonstrou, de forma detalhada, os aludidos créditos. Intimado sobre as conclusões da fiscalização, o Recorrente não se manifestou. Assim, os autos foram remetidos para julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902415/200905 Acórdão n.º 3801002.196 S3TE01 Fl. 134 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902415/200905 Acórdão n.º 3801002.196 S3TE01 Fl. 135 6 No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Concluise, assim, ser improcedente a exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente no limite dos créditos apontados pela fiscalização, que foram levantados de acordo com a análise dos documentos e escriturações fiscais do contribuinte. Ressaltese que, como relatado acima, não houve oposição do Recorrente com relação aos valores levantados, mesmo tendo sido expressamente intimado a se manifestar. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902415/200905 Acórdão n.º 3801002.196 S3TE01 Fl. 136 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite dos valores levantados pela autoridade fiscal. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908200/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 60/64), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 0/ 20 09 -1 3 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908200/200913 Resolução nº 3802000.119 S3TE02 Fl. 97 2 conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de PIS/Pasep, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 15/10/2001. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 66 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 69/76, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 79/85), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 86/91, e cópias de DARF (fls. 92/93). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908200/200913 Resolução nº 3802000.119 S3TE02 Fl. 98 3 alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 79) que as receitas financeiras do mês de setembro/2002 correspondem a R$ Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908200/200913 Resolução nº 3802000.119 S3TE02 Fl. 99 4 1.722.685,04, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota do PIS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 11.197,46. As rubricas que compõem o total das receitas financeiras constam da tabela de fls. 85. Nesta, contudo, observase que alguns dos registros geram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras. Tal questão, merece ser analisada pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas discriminadas na tabela de fls. 85, notadamente: “outras receitas” e “descontos s/pagamentos Farma”. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 19515.004338/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/04/2009
PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL E POR FALTAREM OS REQUISTOS LEGAIS.
A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Ademais, a recorrente não cumpriu os requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72.
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT. HIPERMERCADOS.
A alíquota do SAT para a atividade de hipermercados possui previsão específica no Decreto 3.048/99 - Regulamento da Previdência Social (RPS) por conta da dinâmica do trabalho nesses locais e os riscos a ela associados que são diferentes daqueles existentes em lojas especializadas.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA.
Para fatos geradores até 11/2008, a mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em indeferir o pedido de perícia, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza, Adriano Gonzáles Silvério, que votaram pelo deferimento da perícia; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza, Adriano Gonzáles Silvério, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação: Marcos Paulo Caseiro. OAB: 228.072/SP. Declaração de voto: Leonardo Henrique Pires Lopes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Pires Lopes Declaração de Voto.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL E POR FALTAREM OS REQUISTOS LEGAIS. A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Ademais, a recorrente não cumpriu os requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT. HIPERMERCADOS. A alíquota do SAT para a atividade de hipermercados possui previsão específica no Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS) por conta da dinâmica do trabalho nesses locais e os riscos a ela associados que são diferentes daqueles existentes em lojas especializadas. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. Para fatos geradores até 11/2008, a mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 38 /2 01 0- 49 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 677 2 por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em indeferir o pedido de perícia, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza, Adriano Gonzáles Silvério, que votaram pelo deferimento da perícia; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza, Adriano Gonzáles Silvério, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação: Marcos Paulo Caseiro. OAB: 228.072/SP. Declaração de voto: Leonardo Henrique Pires Lopes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Declaração de Voto. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes , Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 678 3 Relatório Tratase de lançamento nº 37.296.7329, lavrado em 06/12/2010, que constituiu crédito tributário relativo a diferenças do adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT) e à glosa de compensações de SAT, no período de 06/2008 a 04/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 39.988.167,34, fls. 01. A autoridade fiscal relatou que foi observado que houve uma diminuição no recolhimento de SAT/GILRAT pela recorrente no período de 06/08 a 04/09, o que motivou diligências para apurar a justificativa para tanto. A partir de tais diligências foi aberto o procedimento fiscalizatório que constatou que o art. 2º do Contrato Social define o objeto social enquadrado no CNAE Fiscal 471103/01 – Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios – hipermercados, cuja alíquota do SAT é de 2%. Porém, no período de 06/08 a 04/09 o fiscalizado recolheu com base na alíquota de 1%. Em adição, foi apurado que no mesmo período foram feitas compensações com créditos que o contribuinte entendeu possuir pela diferença de 1% relativa ao período de 12/2003 a 06/2004. Após tomar ciência postal da autuação em 23/12/2010, fls. 398, a recorrente apresentou impugnação, fls. 403/425, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 13ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 598/616, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/07/2011, fls. 619. O recurso voluntário, apresentado em 24/08/2011, fls. 623/650, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. O lançamento teria utilizado alíquota do GILRAT/SAT diversa daquela prevista pela Lei 8.212/91, pelo Decreto 3.048/99, ratificados pela súmula 351 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entende que a alíquota do SAT é definida pela atividade preponderante, sendo esta entendida como aquela que ocupa, no estabelecimento, o maior número de trabalhadores, em conformidade com o art. 202, §3º do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS) e com o art. 86 da Instrução Normativa (IN) 3/2005. Acrescenta que a Súmula 351 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que o grau de risco é de ser aferido por estabelecimento individualizado pelo seu CNPJ. Aponta que a IN 971/2009 contraria a súmula 351 do STJ, bem como os dispositivos legais atinentes à matéria, o que contraria o princípio da legalidade. Ademais, tal IN não poderia ser aplicável ao caso, uma vez que os fatos geradores são anteriores à edição de tal norma infralegal. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 679 4 Por todos esses argumentos insiste na nulidade da autuação, por ausência de enquadramento legal adequado. Defende o enquadramento segundo o que determina o §5º do art. 202 do RPS, o que levaria o enquadramento a ser conduzido segundo o Anexo V daquele Decreto. Aponta incongruências nos critérios utilizados na fixação das alíquotas no Anexo V, porém submetese às suas determinações para propor que seja a alíquota apurada considerando cada uma das atividades desenvolvidas por seus funcionários. Conclui que mesmo não considerando os empregados na atividademeio, teria 62,54% de empregados em atividades submetidas a um grau de risco leve. Colaciona jurisprudência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) e do STJ que daria apoio a seus argumentos. Suscita a aplicação do caput do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). O fisco não teria se desincumbido do ônus de prova. Por fim, requer a conversão do julgamento em diligência para que “conhecimentos especializados” apurem a atividade preponderante da empresa. É o relatório. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 680 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Perícia requerida – indeferimento A recorrente requer nominalmente diligências, mas o que pretende é que seja realizada uma perícia, uma vez que é esta que poderia utilizar os conhecimentos especializados a que se refere. Porém, seu pedido não merecer prosperar, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Ademais, a recorrente não cumpriu os requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72 no tocante a um pedido de perícia. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu Fl. 691DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 681 6 enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT) A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei no. 8.212/1991, alterada pela Lei no. 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 692DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 682 7 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigente à época dos fatos, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1° As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 683 8 § 5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). ... Como se vê, a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma, o que afasta qualquer argumento de ilegalidade na fixação de alíquotas por meio de Decreto. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça já assentou jurisprudência no sentido da legalidade da fixação da alíquota por meio de Decreto. Transcrevemos um Acórdão nesse sentido: “REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." Fl. 694DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 684 9 Estabelecida a legalidade da definição dos graus de risco por meio de Decreto, restanos definir outro ponto que é suscitado sobre o assunto: o grau de risco deve ser aferido por estabelecimento ou na totalidade da empresa? A controvérsia, a despeito da explícita referência do art. 22, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c”, bem do art. 202 do Decreto 3.048/99 a atividade preponderante da empresa – e não do estabelecimento , é alimentada pela existência da Súmula 351 do STJ que tem o seguinte conteúdo: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Para compreendermos os fundamentos do surgimento de tal súmula, pesquisamos os precedentes que ensejaram a sua origem. Notamos que em todos eles há uma cadeia de citações de decisões que acabam por ter como origem comum Acórdãos do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) que se referiam ao regime jurídico da referida exação antes da edição da Lei 8.212/91, especialmente a Lei 6.367/76 e o Decreto 83.081/79. Verificamos que o art. 15 da Lei 6.367/76 transferiu para o poder regulamentar a competência de classificar os três graus de risco segundo “ a atual experiência de risco”, in verbis: Art. 15. O custeio dos encargos decorrentes desta lei será atendido pelas atuais contribuições previdenciárias a cargo da União, da empresa e do segurado, com um acréscimo, a cargo exclusivo da empresa, das seguintes percentagens do valor da folha de salário de contribuição dos segurados de que trata o Art. 1º: I 0,4% (quatro décimos por cento) para a empresa em cuja atividade o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II 1,2% (um e dois décimos por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado médio; III 2,5% (dois e meio por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado grave. § 1º O acréscimo de que trata este artigo será recolhido juntamente com as demais contribuições arrecadadas pelo INPS. § 2º O Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) classificará os três graus de risco em tabela própria organizada de acordo com a atual experiência de risco, na qual as empresas serão automaticamente enquadradas, segundo a natureza da respectiva atividade Fl. 695DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 685 10 Exercendo sua função regulamentadora, o Decreto 83.081/79 trazia textualmente como parâmetro para a definição do grau de risco a separação por CGC, conforme pode ser observado em seu art. 40, a seguir reproduzido: Art. 40. Para os efeitos do artigo 38, a empresa se enquadrará na tabela do Anexo I em relação a cada estabelecimento como tal caracterizado pelo Cadastro Geral de Contribuintes CGC do Ministério da Fazenda. § 1º Quando a empresa ou o estabelecimento com CGC próprio, que a ela se equipara, exercer mais de uma atividade, o enquadramento se fará em função da atividade preponderante. § 2º Para os efeitos do § 1º, considerase atividade preponderante a que ocupa o maior número de segurados. Seguindo tais dispositivos, o TFR assentou entendimento de que era o CGC de cada estabelecimento que determinava o grau de risco das empresas, sendo que, existindo um único CGC, deverseia apurar a atividade preponderante. Fácil notar que nenhum esforço hermenêutico foi necessário para tanto, pois o então Decreto regulamentador já previa que a classificação seria feita por estabelecimento com CGC próprio. Ocorre que o regime jurídico da contribuição para financiamento do Seguro de Acidente do Trabalho foi modificado com a entrada em vigor da Lei 8.212/91. A nova lei, além de ampliar a destinação dos recursos da contribuição para o financiamento de todos os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, faz referência à atividade preponderante em seu art. 22. Por seu turno, o Decreto 3.048/99, ao exercer a função regulamentadora, não trouxe mais como critério a separação por CGC ou CNPJ, tendo preferido explicitar seu conceito de atividade preponderante em toda a empresa. Logo, com a mudança do regime jurídico, restaram superados os fundamentos da jurisprudência do antigo TFR e, por conseqüência, os fundamentos jurídicos que ensejaram o surgimento da Súmula 351 do STJ, posto que toda a argumentação dos Ministros do STJ nos precedentes da referida súmula amparamse nas superadas decisões do TFR. Mesmo reconhecendo a necessidade de ser preservada a segurança jurídica que as súmulas ajudam a concretizar, não podemos assumir que as decisões judiciais prevaleçam sobre as leis que lhe são posteriores. Modificada a lei que dava fundamento à Súmula, e não tendo esta força vinculante, desaparece sua força como instrumento que viabiliza a segurança jurídica. Por mais que entendamos que o grau de risco a que os trabalhadores estão expostos é melhor avaliado por atividade ou por estabelecimento, com o atual regime jurídico aplicável ao assunto, estaríamos decidindo em ofensa à legislação e, portanto, com desprestígio da segurança jurídica, se tomássemos como critério o estabelecimento ou a atividade dentro de um mesmo estabelecimento. Se o Decreto 3.048/99 regulamentou o grau de risco sem extrapolar os limites do poder regulamentar, como entendemos ser o caso, suas determinações sobre o assunto devem ser acatadas. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 686 11 Assim, a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Definida a atividade preponderante, a alíquota aplicável na incidência da contribuição será definida pela consulta à tabela do Anexo V do mesmo Decreto. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da alíquota do SAT temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.120/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para Fl. 697DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 687 12 efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, normalmente passamos a votar pela aferição do grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Porém, tal posicionamento não resolve o caso dos autos, pois a recorrente possui vários CNPJs e não pretende seja a alíquota do SAT individualizada considerando cada estabelecimento e seu CNPJ. O que a recorrente discute é a aferição de sua atividade preponderante considerando todas as suas filiais e a atividade exercida individualmente por cada empregado. Porém, nesse aspecto não assiste razão à recorrente. Observamos que existe um enquadramento específico para sua atividade de hipermercado. O Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social (RPS), ao criar uma alíquota específica para atividade de hipermercado, afastou a possibilidade de os empregados deste serem considerados em cada uma de suas atividades individuais como se estivessem trabalhando numa loja especializada. No ramo da recorrente, podemos tranquilamente admitir que os funcionários dos setores de biscoitos e salgados, frutas, legumes e verduras e do setor de perfumaria, por exemplo, estejam exercendo atividades típicas de um hipermercado e submetidos a um grau de risco típico daquela atividade. É razoável inferir que o Decreto adotou como premissa que a dinâmica do trabalho num hipermercado e os riscos a ela associados são diferentes daqueles existentes em lojas especializadas (padarias, mercados de frutas e perfumarias), o que justifica a diferenciação de alíquotas adotada, por conta da relação lógica entre a discriminação adotada e o direito a que se refere. É o que nos ensina a lição de Celso Antonio Bandeira de Melo: “O ponto nodular para exame da correção de uma regra em face do princípio isonômico reside na existência ou não de correlação lógica entre o fator erigido em critério de discrímen e a discriminação legal decidida em função dele. “ (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antonio. O Conteúdo jurídico do princípio da igualdade. 3. ed. São Paulo: Malheiros , 2001, p.37) Obviamente que registramos tal posição somente a título argumentativo, pois a constitucionalidade do RPS e seus anexos não pode aqui ser apreciada na esteira de Súmula deste Colegiado: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 688 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não vemos reparos a fazer no procedimento fiscal quanto ao enquadramento da alíquota do SAT a que estava submetida a recorrente nos períodos em questão. Tal conclusão resulta em consideramos corretas as glosas de compensações efetuadas, uma vez que não existiam os créditos da recorrente apontados por ela que poderiam amparar as compensações. Quanto a aplicação do art. 62A, não vislumbramos tal possibilidade, uma vez que as decisões do STJ apontadas não foram tomadas em recursos julgados na sistemática do art. 543C. Ao contrário do que alega a recorrente, não há entre os fundamentos legais do débito a referência a IN 971/2009. No relatório fiscal de fls. 332/333 a autoridade fiscal cita a IN 3/2005. Por fim, o conjunto probatório colhido pelo fisco está em conformidade com o art. 142 do CTN de modo a demonstrar a ocorrência de todos os aspectos do fato gerador. Dois elementos de prova essenciais constam dos autos: o contrato social e as GFIP com recolhimentos a menor. Toda a divergência da recorrente, na verdade, não se baseia nas provas e sim na interpretação e aplicação da norma de incidência. Porém, como demonstramos, não prosperaram seus argumentos. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual Fl. 699DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 689 14 temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% Fl. 700DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 690 15 (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 701DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 691 16 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 692 17 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do Fl. 703DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 693 18 lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que: Fl. 704DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.004338/201049 Acórdão n.º 2301003.036 S2C3T1 Fl. 694 19 · A penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Feitas as considerações jurídicas gerais sobre o regime de multas, passamos ao caso. In casu, a multa de mora aplicada até 11/2008 deve ser limitada a 20%, ao passo que, quanto a multa de ofício aplicada após essa data, não há reparos a fazer. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a limitar a multa de mora a 20% nas competências até 11/2008. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes O Superior Tribunal de Justiça já sumulou seu entendimento de que a alíquota do SAT será definida de acordo com a atividade preponderante na empresa em cada estabelecimento individualizado por CNPJ, o que demonstra a preocupação daquela Corte com a realidade fática, em preferência ao CNAE estabelecido no contrato social. Sendo o SAT utilizado para financiar os benefícios decorrentes dos riscos do trabalho desenvolvido pelo segurado e tendo suas alíquotas variação conforme o risco da empresa, mostrase razoável que sua definição seja feita baseado no efetivo risco da atividade preponderante no estabelecimento. Por esta razão, deve ser feita a perícia a fim de verificar a atividade preponderante da empresa por CNPJ. Neste ponto, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11020.003589/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
REDUÇÃO DE ALÍQUOTA.
A redução de 50% da alíquota incidente nas saídas de refrigerantes da posição 2202 da TIPI está condicionada à emissão prévia de ato declaratório pela RFB reconhecendo o direito a utilização desse benefício.
EFEITOS DOS ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS DE RECONHECIMENTO DO DIREITO DE REDUÇÃO DE IPI
A inexistência de manifestação de inconformidade, nos processos específicos de petição de reconhecimento de direito da redução de alíquota de IPI conforme NC 22-1, capítulo 22 da TIPI, contra o dies a quo definido nos Atos Declaratórios Executivos exarados pela autoridade competente, , torna- os atos perfeitos e vigentes, sendo impossível reformá-los no âmbito de processo de lançamento decorrente dos efeitos definidos nos mesmos.
ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL.
A exigência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. A redução de 50% da alíquota incidente nas saídas de refrigerantes da posição 2202 da TIPI está condicionada à emissão prévia de ato declaratório pela RFB reconhecendo o direito a utilização desse benefício. EFEITOS DOS ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS DE RECONHECIMENTO DO DIREITO DE REDUÇÃO DE IPI A inexistência de manifestação de inconformidade, nos processos específicos de petição de reconhecimento de direito da redução de alíquota de IPI conforme NC 22-1, capítulo 22 da TIPI, contra o dies a quo definido nos Atos Declaratórios Executivos exarados pela autoridade competente, , torna- os atos perfeitos e vigentes, sendo impossível reformá-los no âmbito de processo de lançamento decorrente dos efeitos definidos nos mesmos. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
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A redução de 50% da alíquota incidente nas saídas de refrigerantes da posição 2202 da TIPI está condicionada à emissão prévia de ato declaratório pela RFB reconhecendo o direito a utilização desse benefício. EFEITOS DOS ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS DE RECONHECIMENTO DO DIREITO DE REDUÇÃO DE IPI A inexistência de manifestação de inconformidade, nos processos específicos de petição de reconhecimento de direito da redução de alíquota de IPI conforme NC 221, capítulo 22 da TIPI, contra o “dies a quo” definido nos Atos Declaratórios Executivos exarados pela autoridade competente, , torna os atos perfeitos e vigentes, sendo impossível reformálos no âmbito de processo de lançamento decorrente dos efeitos definidos nos mesmos. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 89 /2 00 9- 22 Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Jonathan Barros Vita, que davam provimento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Por retratar a realidade dos fatos, reproduzo o relatório de primeira instância administrativa, a saber: “O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, para exigência do montante de R$ 8.663.348,61, à data da autuação, que corresponde ao IPI, acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 75% de que trata o art. 80, inc. I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996 e demais alterações posteriores, conforme Auto de Infração de fls. 03/04 (a numeração doravante mencionada referese ao processo digital). Conforme esclarecido no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 97/102) foi efetivado procedimento para fins de verificação da classificação fiscal e aliquotas do IPI adotadas nas saídas efetivadas pelo estabelecimento. Em conseqüência, foram constadas as seguintes irregularidades: o contribuinte deu saída a produtos classificados no código (NCM) 2202.10.00 com redução de 50% da alíquota do IPI, prevista no art. 65 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002 – e Nota Complementar NC (221) da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 2002 e alterado pelo decreto 6.006, de 28/12/2006, sem que existisse Ato expedido pela RFB e publicado no Diário Oficial da União (DOU) reconhecendo tal benefício para o período auditado; e, não houve lançamento do IPI devido nas saídas de produtos classificados no mesmo código a que se referem as Notas Fiscais enumeradas no anexo III ao Relatório de Auditoria Fiscal. Irresignado com o lançamento, o contribuinte protocolizou a impugnação tempestiva de fls. 1.527 a 1.561 e anexos, na qual são elencadas as razões a seguir sintetizadas. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.701 3 Inicialmente esclarece que se trata empresa dedicada à industrialização de produtos naturais – refresco ou bebida de fruta – os quais se classificam Código (NCM) 2202.10.00, da Tabela do IPI, aplicandose, por consequência, a Nota Complementar NC 221, da TIPI/2002, que prevê redução de 50% do IPI incidente na saídas desses produtos, e que, atendendo à legislação de regência (Decreto n. 2.314, de 1997 e Portaria n. 544, de 1998, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA), realiza todos os atos atinentes ao seu registro junto àquele Ministério. Assim, com fundamento no art. 65 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002 – solicitou à DRF em Caxias do Sul a expedição de Atos Declaratórios reconhecendo o direito à redução de alíquotas do IPI, o que efetivamente ocorreu através dos Atos Declaratórios Executivos ADEs ns. 56, de 02/09/2009 e 63, de 14/09/2009. Todavia referidos ADEs somente reconheceram tal direito a partir das respectivas datas de publicação no DOU, ocorridas em 04/09/2009 e 17/09/2009. Ressalta que foi autuado porque embora correta a classificação fiscal adotada, não havia, no período autuado, a prévia manifestação da RFB. Todavia, esse entendimento seria equivocado, pois os produtos foram registrados no MAPA em datas anteriores, e os Atos Declaratórios, ao reconhecer como válido e juridicamente eficaz tal registro, convalidam (homologam) a redução de alíquota praticada, não podendo ser considerados como "atos constitutivos de direito”. A seguir discorre, sobre a natureza dos atos administrativos, trazendo diversas definições doutrinárias, no sentido de que os atos declaratórios constatam a existência ou não de eventos necessários à produção de um evento jurídico e que, se este já ocorreu na data da expedição, o seu objeto seria, tãosomente, reconhecer validade do evento, desde o nascedouro, retroagindo à sua data de ococrrência. Prossegue argumentando que seu procedimento teria respaldo no art. 100, inciso III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que reconhece como normas complementares à legislação tributária as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Isto porque a própria empresa teve emitidos em seu favor dois Atos Declaratórios Executivos que reconheceram o direito de redução de 50% da alíquota do IPI de forma retroativa, até a data do registro dos produtos no MAPA, conforme documentos comprobatórios Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 que anexa. Além disso, pesquisa recente no Diário Oficial da União demonstrou a existência de Atos Declaratórios Executivos expedidos pela DRF em São José do Rio Preto também reconhecendo tal direito de redução da alíquota de forma retroativa. Cita ainda jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que admitiu o direito à redução de alíquota, apesar da inexistência de Ato Declaratório, se cumpridos os requisitos previstos nas NC 211 e 221 da TIPI/1988. A título de argumentação, caso não seja acolhido seu entendimento, sustenta que a prática reiterada da autoridade administrativa seria o reconhecimento ao direito de redução de forma retroativa e que a mudança de orientação valeria apenas a partir da publicação dos ADES. Nesse caso, por força da aplicação do art. 100, parágrafo único do CTN, e observando o princípio da segurança jurídica, não seriam devidos penalidades, juros de mora e atualização monetária do valor lançado. Contesta a penalidade aplicada, que no seu entendimento seria abusiva, ferindo princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Sustenta, baseado na doutrina que transcreve, que poderia ser exigida, no máximo, multa de 20%. Invoca também a interpretação mais benigna ao contribuinte, prevista no art. 112 do CTN, especialmente porque teria agido de boafé, não obstando a ação do Fisco, que, neste caso, estaria atuando com demasiado rigor, típico de excesso de exação. Quanto aos débitos a que se refere o Anexo III ao Auto de Infração, discorda do lançamento do valor integral do imposto, pois seriam também amparados pela redução, estando registrados no MAPA e atendendo as condições estabelecidas na NC (221) da TIPI/2002. Assim, solicita que seja aplicado em relação a essas saídas o mesmo que for decidido quanto aos demais itens constantes no auto de infração. Após encerrado o prazo para impugnação, o contribuinte apresentou arrazoado complementar de fls. 1.630 no qual dá conta da publicação dos Atos Declaratórios Executivos ns. 22 e 56, através do quais os Delegados da Receita Federal do Brasil em Maceió/AL e Niterói/RJ, declararam que a redução de 50% da aliquota do IPI, para os produtos neles especificados, cuja vigência, restou expressa, é da data dos respectivos registros dos produtos no MAPA, conforme cópias que anexa. Por fim, reitera o pedido apresentado na impugnação.” Após analisar as razões trazidas pela impugnante, a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre DRJ/POA proferiu, em 17/11/2011, o Acórdão nº 1035.520 (fls. Eletrônicas 1643/1649), por meio do qual acordaram os seus membros, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, para manter integralmente a Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.702 5 exigência formalizada no Auto de Infração de fls. 03/04, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. A redução de 50% da alíquota incidente nas saídas de refrigerantes da posição 2202 da TIPI está condicionada à emissão prévia de ato declaratório pela RFB reconhecendo o direito a utilização desse benefício. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. A exigência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC encontra respaldo na legislação de regência, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada do acórdão em 23 de novembro de 2011 (AR de fl. 1664),por meio da intimação nº 2/225/11/ARF/Sorac, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário em 20 de dezembro de 2011 (fls. 1666/1697) a este Eg. Conselho, refutando o acórdão da primeira instância e repisando as alegações da Manifestação de Inconformidade, segundo os itens e subitens cujos títulos abaixo se transcreve, a ela acrescentando questão preliminar , argüindo cancelamento do Auto de infração em face de emissão de nova Instrução Normativa nº 1.185, consoante a seguir: 1 SÍNTESE DOS FATOS 2. DAS RAZOES DE DIREITO QUE JUSTIFICAM 0 PEDIDO DE REFORMA DA R. DECISÃO RECORRIDA E DE PROVIMENTO DESTE RECURSO 2.1 Considerações iniciais 2.2 – Questão preliminar – O cancelamento do Auto de Infração por Força do Disposto na IN RFB nº 1.185/2011 Alcance e efeitos, no tempo e no espaço, das instruções normativas 2.3 Quanto ao mérito propriamente dito: Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 A) Síntese da Legislação que Versa sobre a Redução de 50% da Alíquota do IPI — NC (221). B) 0 Objeto e os Efeitos do Ato Declaratório Administrativo C) A Prática Reiterada da Administração, como Norma Complementar da Lei D) A Dispensa do ADE Quando Atendidos os Requisitos da NC (221) da TIPI 2.4 A Dispensa de Imposição de Penalidades e Outros Encargos Quando Ocorre Mudança de Orientação — Aplicação do Princípio da Confiança 2.5. A Redução da Multa na Hipótese de Manutenção do Crédito Tributário Lançado 3 A APLICAÇÃO, AO CASO CONCRETO DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DAS ORIENTAÇÕES CONTIDAS NO ART. 112, DO CTN 4 DA NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃ0 DOS DÉBITOS LANÇADOS ATRAVÉS DO ANEXO III 5 DO PEDIDO “Por todo o exposto, requer o provimento do presente recurso para, pela ordem: a) determinar o cancelamento do auto de infração que deu origem a este processo administrativo, considerando, preliminarmente, o disposto na Instrução Normativa RFB n. 1.185/2011, conforme razões de direito expostas no subitem 2.2, supra, ou, então, caso tal pedido não seja acolhido este pedido, hipótese que se levanta apenas para fins de argumentação; b) determinar o cancelamento do auto de infração, pelas razões de direito postas no subitem 2.3, supra, ou, ainda, caso não acolhidos os pedidos das letras “a” e “b”, supra; c) determinar a dispensa das penalidades (multa) e outros encargos (juros e atualização pela Taxa SELIC), de conformidade com o que consta no parágrafo único do art. 100 do CTN; considerando as razões de direito postas no subitem 2.4, e, caso este pedido não seja acolhido; d) determinar a redução da multa, considerando as razões de direito elencadas no subitem 2.5. Requer, ainda, que, com relação aos débitos no Anexo Ill seja aplicado o que for decidido quanto aos demais itens do Auto de Infração, considerando, para tanto, o contido no item 4 deste recurso.” Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.703 7 Em conformidade com o Regimento Interno do CARF, os autos foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele se conhece. Consoante se constata dos autos o presente lançamento deuse pelo o fato de a contribuinte ter dado saída a produtos classificados no código (NCM) 2202.10.00 com redução de 50% da alíquota do IPI, prevista no art. 65 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002 – e Nota Complementar NC (221) da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 2002 e alterado pelo decreto 6.006, de 28/12/2006, sem que existisse Ato expedido pela RFB e publicado no Diário Oficial da União (DOU) reconhecendo tal benefício para o período auditado e, também, por não ter a contribuinte efetuado lançamento do IPI devido nas saídas de produtos classificados no mesmo código a que se referem as Notas Fiscais enumeradas no anexo III ao Relatório de Auditoria Fiscal. A recorrente afirma que requereu, junto Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, a expedição de Atos Declaratórios Normativos, visando homologar a redução do IPI já exercitada, por entender ter atendido as exigências contidas na NC (221) e que, segundo suas palavras, os Atos Declaratórios Normativos “não podem ser considerados como ‘atos constitutivos de direito’, na medida em que, ao reconhecer (DECLARAR) válido e juridicamente eficaz o registro dos produtos no MAPA, convalidam (homologam) a redução de 50% da alíquota do IPI, aplicada sobre os mesmos, nas operações de venda.” Contudo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul expediu os Atos Declaratórios Executivos DRF/CXL nº 56, de 02 de setembro de 2009 e 63, de 14/09/2009 nos quais afirma expressamente que a contribuinte faz jus à redução de 50% da alíquota do IPI incidente nos produtos a que se referem a partir a das datas de suas respectivas publicações, que ocorreram em 04 e 17 de setembro de 2009. Portanto, tais Atos Declaratórios Executivos não homologaram as reduções exercitadas pela a contribuinte em períodos anteriores, o que decorreu na autuação ora contestada. Verificase, pois, que argumentos apresentados pela a contribuinte quanto à exigência do IPI não recolhido por aplicação indevida de redução, visa, em síntese, alterar o “"dies a quo" fixado nos referidos Atos Declaratórios Executivos para o efetivo exercício de tal direito, ou seja, visa, em conseqüência, consoante já registrado pelo o acórdão ora recorrido, confirmar a “suposta legitimidade do seu procedimento, por ter providenciado o registro do produto junto ao Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária, o que considera suficiente para assegurar o seu direito, conforme extenso arrazoado mencionado no Relatório.” Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 O Acórdão ora recorrido registrou que no “Ato Declaratório nº 56, de 2009, há menção ao fato de que foi emitido considerando o que consta no processo administrativo nº 13016.000760/200855. Pesquisa feita nos bancos de dados da RFB revela que nesse processo foi instaurado contraditório em virtude de não ter sido reconhecido o direito à redução para um dos produtos a que se referiu a solicitação, tendo o contribuinte apresentado, na época, manifestação de inconformidade contra os termos do respectivo Despacho Decisório, mas nada tendo oposto ao reconhecimento do benefício a partir da data de publicação. Atualmente, o referido processo encontrase no CARF, para julgamento.” De fato, em pesquisa no sistema e –processo, confirmase que não há litígio sobre esta matéria (arts. 15 e 17 do Decreto nº 70.235/72) no processo nº 13016.000760/2008 55, que se refere ao pedido de redução da alíquota de IPI dos produtos ali identificados, haja vista que a contribuinte apresentou naquele processo a sua manifestação de inconformidade apenas contra o DESPACHO DECISÓRIO DRFICXL/GABINETE N. 633, de 02 de setembro de 2009, em face do indeferimento do pedido de redução de alíquota do IPI, para o produto Refresco de Pêssego, marca Rossoni, Certificado de Registro n. RS 10220 000470. Em não tendo havido manifestação de inconformidade, nos processos específicos de análise da redução de alíquota de IPI conforme NC 221, capítulo 22 da TIP contra o “dies a quo” definido nos Atos Declaratórios Executivos, estes tornaramse Atos perfeitos e vigentes, posto que exarados pela autoridade competente para tanto, o Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul, o que não é possível, no âmbito deste processo, efetuar qualquer alteração, para se atribuir efeito retroativo que foi expressamente afastado pelos próprios Atos Declaratórios, não sendo, portanto, possível desconsiderar os precisos termos daqueles Atos, haja vista que tal questionamento, como já ressaltado, não foi objeto de inconformidade da contribuinte no processo específico. Os lançamentos efetuados nestes autos são exatamente decorrentes deste fato. Não obstante tal conclusão, para não caracterizar cerceamento de defesa ao contribuinte e tendo em vista que a DRJ/POA julgou os argumentos da impugnação, é de se ressaltar ser indevidas as alegações trazidas no recurso voluntário, tanto na preliminar, quanto no mérito. Seguiremos, tanto quanto possível, os itens do recurso.Vejamos: Síntese dos fatos Consta do acórdão recorrido que “que embora tenha providenciado o registro dos produtos junto ao MAPA a partir do ano de 2001 até 2006, sendo a maioria deles registrada no ano de 2003, como dão conta os documentos acostados ao processo (fls . 1.591, 1.592, 1.594 a 1.616), o processo nº 13016.000760/200855 tendo por objeto a emissão de Ato Declaratório reconhecendo o direito à redução foi protocolizado somente em 04/07/2008.” Da análise ao processo nº 13016.000760/200855 acima referido verificase, que no pedido consta “A requerente pretende utilizar a redução de 50% do imposto conforme NC 221, capítulo 22 da TIPI, reduzindo à metade o valor constante da pauta do Art. 139 do Decreto n°4544/02.” Ou seja, ao contrário do argumentado, ali não ficou registrado que a requerente pretendia homologar atos pretéritos em vista de já ter efetuado, sem a devida manifestação da RFB, as reduções de 50% do IPI nos produtos ali mencionados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, em face do pedido formulado, expediu os Atos Declaratórios Executivos — ADEs de ns. 56 e 63, fazendo constar dos mesmos o reconhecimento do direito à redução da alíquota do IPI, mas somente a partir da data em que os mesmos ADEs foram publicados. Por não ter havido manifestação de Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.704 9 inconformidade, nos processos específicos de análise da redução de alíquota de IPI conforme NC 221, capítulo 22 da TIP contra o “dies a quo” definido nos Atos Declaratórios Executivos, estes tornaramse Atos perfeitos e vigentes. Assim registrado, passase à análise do mérito, deixando a questão preliminar para análise posterior. Quanto ao mérito propriamente dito, adoto e ratifico, com base. no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, os fundamentos utilizados no voto do Acórdão da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, em face de recurso especial, proferido em 28 de setembro de 2010 pelo o ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres no processo nº 13603.000376/200417, cujos trechos pertinentes transcrevo a seguir: “0 acórdão proferido pela Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso voluntário interposto sob o entendimento de que a contribuinte não poderia usufruir do beneficio de redução de alíquota a que se refere a NC (22 1), sem prévia comunicação à Receita Federal, mesmo se os refrigerantes estiverem devidamente registrados perante o órgão competente do Ministério da Agricultura. Por sua vez, a contribuinte apresentou acórdão que decidiu em sentido contrário, reconhecendo o direito ao beneficio mesmo sem a expedição do Ato Declaratório executivo pelo órgão competente da Receita Federal. Vejamos o que prescreve a legislação acerca dessa matéria, iniciando pela disposição da NC (221) da TIPI/96 (aprovada pelo Decreto 2.092, de 10 de dezembro de 1996): NC (221) Ficam reduzidas de cinqiienta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de,fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registradas no órgão competente desse Ministério. Em uma primeira leitura, a redação da nota transcrita parece indicar que a redução é auto aplicável, bastando que o produto atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e esteja devidamente registrado naquele Ministério para fazer jus à redução. Todavia, pesquisando o histórico dessa redução de alíquota percebese que, desde 1976, tal redução subordinase à declaração por parte da Secretaria da Receita Federal.. Vejamos a disposição do art. 2° do Decreto 78.289/76: Art 2º A redução de alíquota conferida pelo artigo 1º do Decreto 7.5.659, de 25 de abril de 1975, ,relativa às bebidas incluídas no destaque constante do Anexo a que se refere o artigo anterior; será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. (grifos acrescidos) Registrese que, à época da edição do decreto acima transcrito, a redução era objeto de Ex da posição 2202.0100, segundo Anexo V do Decreto 75.659/75, ou seja, ainda não era objeto de Nota Complementar. O beneficio tornouse objeto de Nota Complementar a partir da publicação do Decreto 84.637, de 1980, A época NC (222), que posteriormente, e com alterações na redação, foi transformada na atual NC (221). Vejamos as disposições do Decreto 84.637/1980: Art. 4º São criadas as Notas Complementares NC (211) e NC (222) aos Capítulos 21 e .22 da Tabela a que se refere o artigo anterior, com a seguinte redação: (...) ‘NC (222) Ficam reduzidas de 50% as alíquotas do IPI incidente sabre as mercadorias classificadas nos códigos 72.02.01.01, 77. 07. 01.0 7, 7.2.0.2.02 01 e 2 7 .0 7 02.02, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e estejam registradas no órgão competente desse Ministério.’ Art. 5º 0 artigo 336 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n.° 83 263, de 9 de março de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação. ‘Art 336. As reduções de alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (222) da Tabela serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, ap6s audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos paia a concessão do beneficio . Parágrafo único. Os Ministros da Fazenda e da Agricultura poderão expedir normas complementares para execução do disposto neste artigo.’ A leitura das disposições transcritas comprova que foi mantida a exigência de declaração por parte da Receita Federal para usufruir a redução de alíquota em foco. Tal exigência, inclusive, passou a constar de artigo do Regulamento do IPI, à época, o art, 336 do RIPI/79. Importante observar que o mesmo decreto que conferiu a redução exigiu a declaração da Receita Federal, não havendo conflito de hierarquia de normas infralegais. Relevante também ressaltar que todos os Regulamentos do IPI que sucederam ao de 1979 mantiveram a disposição da exigência de declaração por parte da Receita Federal, merecendo citar o art. 57, I, do RIPI198, que corresponde ao art. 65, I, do RIPI/2002. Desta forma, à luz da legislação mencionada, só é possível concluir que a redução sob comento não é autoaplicável, necessitando de ser formalmente declarada pela Receita Federal. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.705 11 Em não sendo autoaplicável, e por não constituir uma obrigação (a utilização do beneficio é opcional), depende da manifestação dos contribuintes para sua fruição . Essa manifestação se concretiza com a apresentação do pedido de redução de alíquota à Receita Federal, órgão competente para declarar o direito em pauta. Assim, apenas a partir da formalização do pleito perante a administração tributária fica consignada a vontade do contribuinte de usufruir a redução de alíquota.” Da Dispensa do ADE Quando Atendidos os Requisitos da NC (221) da TIPI Em face do disposto no art. 3º do Decreto nº 78.289, de 18 de agosto de 1976, Os Ministros de Estado da Fazenda e da Agricultura no uso de suas atribuições editaram a PORTARIA INTERMINISTERIAL nº 113, de 04 de março de 1977, por meio da qual aprovaram as normas complementares que deveriam ser observadas para a percepção do benefício instituído pelo Decreto nº 75.659, de 25 de abril de 1975, com as modificações, introduzidas pelos Decretos nºs 75.808 de 02 de junho de 1975 e 78.289, de 18 de agosto de 1976. O item 1 das Normas Complementares a que se refere a Portaria nº 113, de 04 de março de 1977 assim estabeleceu: “1. Para a percepção do benefício instituído pelo Decreto nº 75.659, de 25 de abril de 1975, a partir de 1º de novembro de 1975, os fabricantes (ou equiparados) dos refrigerantes, refrescos e néctares, que contiverem suco de fruta ou extrato de semente de guaraná, deverão requerer ao Coordenador do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal a Declaração a que se refere o art. 3º do decreto nº 78.289 de 18 de agosto de 1976”. Assim, de acordo com o disposto no item 1 da referida portaria e consoante os fundamentos acima aduzidos fica demonstrado claramente que a expedição de Ato declaratório Executivo a partir da solicitação da contribuinte é formalidade a ser cumprida por todos os contribuintes que daquela redução pretendem usufruir. Do Objeto e os Efeitos do Ato Declaratório Administrativo Quanto aos argumentos aduzidos sobre o objeto e os efeitos do Ato Declaratório Administrativo temse a registrar que os atos declaratórios executivos expedidos nos processos atinentes aos pedidos de redução de IPI de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (222) da TIPI têm como objeto, de fato, declarar tal direito à redução pleiteada, quando o Ministério da Agricultura manifestarse positivamente quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão da redução. Contudo, os efeitos são, em regra, mencionados nos respectivos Atos Declaratórios Executivos, cabendo à contribuinte, em caso de discordância, manifestar o seu inconformismo no processo específico, sob pena de tais atos tornaremse válidos e vigentes. Foi o que se deu no presente caso, consoante já acima ressalvado. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 Da Prática Reiterada da Administração, como Norma Complementar da Lei e da Dispensa de Imposição de Penalidades e Outros Encargos Quando Ocorre Mudança de Orientação — Aplicação do Princípio da Confiança O art. 65 do RIPI 2002 dispõe: Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício;(grifei) A disposição de que a declaração deverá ser expedida pela então Secretaria da Receita Federal –SRF, em cada caso, demonstra que os Atos Declaratórios Executivos expedidos para a mesma contribuinte ou para outrem não podem, ao contrário do alegado, ser considerados como prática reiterada da administração, como norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN, porquanto tais atos, exatamente por serem declaratórios, têm por objeto declarar o direito analisado e verificado caso a caso, não se constituindo em atos interpretativos aptos a complementar leis, tratados, convenções internacionais e decretos. A referência feita por HUGO DE BRITO MACHADO, em "Comentários ao Código Tributário Nacional", (Editora Atlas, São Paulo, Vol. II, págs. 92 e 93), transcrita pela recorrente em seus argumentos de defesas e abaixo reproduzida denota que as "práticas reiteradas" decorrem de atos interpretativos, o que não é o caso dos questionados Atos Declaratórios executivos : "Elas representam uma posição sedimentada do Fisco na aplicação da legislação tributária e devem ser acatadas como boa interpretação da lei. Se as autoridades fiscais interpretam a lei em determinado sentido, e assim a aplicam reiteradamente, essa pratica constitui norma complementar da lei. De certo modo isso representa a aceitação do costume como fonte de Direito. 0 Código Tributário Nacional não estabelece qualquer critério para se determinar quando uma pratica deve ser considerada como adotada reiteradamente pela autoridade administrativa, devendose, todavia, entender como tal uma prática repetida, renovada. Basta que tenha sido adotada duas vezes, pelo menos, para que se considere reiterada." Demonstrado, então, que os Atos Declaratórios Executivos atinentes a declarar o direito à redução de alíquota de IPI, em cada caso específico, quando o órgão competente do Ministério da Agricultura manifestase positivamente quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério, não se constitui em práticas reiteradas nos termos previstos no art 100 do CTN, não há como se aplicar a regra contida .no parágrafo único do art. 100 do CTN, quanto a dispensa de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária do valor monetária da base de cálculo do tributo. Quanto à Redução da Multa na Hipótese de Manutenção do Crédito Tributário Lançado Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.706 13 Neste sub item de seu recurso a contribuinte deseja seja efetuada a redução da multa, de 75% para um patamar de, no máximo, 20%, justificando a sua conduta, em face da prática reiterada já acima analisada e com base nos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade.e da nãoutilização de tributo com efeito de confisco., bem como a aplicação do art. 112 do CTN. Não merece acolhida tais argumentos. Consoante tudo o que já foi acima analisado, restou demonstrado que cabia à contribuinte efetuar a solicitação da redução de IPI pretendida e aguardar a edição dos Atos declaratórios Executivos, em cada caso específico. O lançamento deveuse à inobservância, no período autuado, dos requisitos necessários à fruição do benefício da redução do IPI, os quais decorrem de expressa disposição legal plenamente vigente, inclusive no que se refere à aplicação das penalidades, haja vista que a contribuinte deu saída a produtos classificados no código (NCM) 2202.10.00 com redução de 50% da alíquota do IPI, prevista no art. 65 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002 – RIPI/2002 – e Nota Complementar NC (221) da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 2002 e alterado pelo decreto 6.006, de 28/12/2006, sem que existisse Ato expedido pela RFB e publicado no Diário Oficial da União (DOU) reconhecendo tal benefício para o período auditado; bem como, também, deu saída a produtos classificados no mesmo código a que se referem as Notas Fiscais enumeradas no anexo III ao Relatório de Auditoria Fiscal sem o correspondente lançamento do IPI devido. E, neste sentido, convém ressalvar que a regra disposta no art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009), veda que este Conselho afaste a aplicação de legislação vigente, sob o fundamento de inconstitucionalidade: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. No mais, adoto e ratifico, com fulcro. no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, os fundamentos utilizados no voto do Acórdão ora recorrido que assim se manifestou: Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 “Em primeiro lugar, devese referir que não podem ser acolhidos na esfera administrativa os argumentos visando afastar a exigência de multa de ofício por afronta a princípio como da razoabilidade e da nãoutilização de tributo com efeito de confisco. Com efeito, o processo administrativo fiscal não se presta à discussão acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de leis emanadas e regularmente editadas pelo Congresso Nacional, porque a autoridade administrativa não tem competência para tanto, pois encontrase estritamente vinculada aos textos legais, que deve cumprir, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, de modo que a apreciação de tais matérias são de exclusiva atribuição do Poder Judiciário, que detém a palavra final sobre o assunto, nos termos do art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Ainda, a esse respeito, cabe ressaltar a expressa vedação constante no Art.26A, caput, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), segundo o qual, “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. No mesmo sentido, o entendimento referendado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a publicação, no Diário Oficial da União de 12 de janeiro de 2011, da seguinte súmula, que se transcreve, para maior clareza: ‘Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.’ Quanto aos juros de mora, considerando que na parte final da impugnação o contribuinte solicita que seja afastada a aplicação da Taxa Selic, devese dizer que referido acréscimo foi exigido estritamente de acordo com a legislação vigente, além do que falece competência ao julgador administrativo para examinar tais questões, o que implicaria no indevido afastamento da presunção de validade de norma regularmente inserida no ordenamento jurídico, pelas razões já expostas com respeito à multa de ofício. Cumpre todavia, esclarecer que esse acréscimo foi exigido em razão do disposto no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, norma de aplicação obrigatória pela administração tributária. Assim, os juros de mora, incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Ressaltese que esse entendimento consta, inclusive, da Súmula nº 3, do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, do Ministério da Fazenda, aprovada na Sessão Plenária de 18 de Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.707 15 setembro de 2007, daquele colegiado, publicada no Diário Oficial da União de 26 de setembro de 2007, Seção 1, página 28, a seguir transcrita: ‘SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais.’ Juízo esse que veio a ser mantido pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na dicção do enunciado de sua Súmula 04 (DOU 07/12/2010, seção 1, pág. 42), abaixo reproduzida: ‘Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.’ (...).” Da Questão preliminar – O cancelamento do Auto de Infração por Força do Disposto na IN RFB nº 1.185/2011 Alcance e efeitos, no tempo e no espaço, das instruções normativas A recorrente afirma que depois de apresentada a impugnação (18/12/2009) foi editada a IN RFB nº 1.185, de 26 de agosto de 2011, que dispõe sobre a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicável a refrigerante, refresco e extrato concentrado para elaboração de refrigerante que contenham suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná em sua composição, tendo em vista as disposições contidas nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006 e aduz que a referida norma deixa absolutamente claro que, desde a sua publicação, a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicável a tal caso “independe de pedido do fabricante e de reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)”. Para que não paire dúvidas acerca desse direito que aduz ser aplicável retroativamente ao presente caso, consoante, ressalva a recorrente, previsto no art. 5º da própria instrução, efetua longa argüição acerca do alcance e efeitos, no tempo e no espaço, das instruções normativas, para, ao final, requerer o cancelamento do auto de infração. A recorrente ainda afirma que, em 14 de setembro de 2011, antes de ser proferida a decisão da autoridade julgadora administrativa de 1ª instância (17 de novembro de 2011), protocolou petição junto à DRJ/POA informando sobre a Instrução Normativa 1.185, de26 de agosto de 2011, na qual foi anexada cópia do inteiro teor da instrução em comento, e que aquela autoridade simplesmente ignorou o assunto. Em relação a esta última afirmativa, convém ressaltar que, anteriormente à interposição do recurso voluntário, ora sob análise, não se constatou nos autos nenhuma outra manifestação da contribuinte acerca desse assunto. Embora a mesma faça alusão à essa comunicação em momento anterior à decisão proferida pela DRJ/POA, não efetua nenhuma Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 comprovação desse protocolo. Motivo pelo o qual, há de se concluir que este fato não foi, em tempo hábil, submetido à análise daquela autoridade administrativa. Sabese que a impugnação ou manifestação de inconformidade do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário e seria naquela fase que deveria carrear aos autos as provas de suas alegações. Contudo, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF) assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) (...). (grifei) Verificase que quando da impugnação efetuada em 18 de dezembro de 2009 a contribuinte, então impugnante, não poderia fazer menção à Instrução Normativa nº 1.185, haja vista tratarse de legislação superveniente. Dessa forma, mesmo não tendo sido localizada a petição aludida pela recorrente acerca desse questionamento, é de se entender estar o questionamento efetuado em fase do recurso voluntário acobertado pela regra constante no art 16, parágrafo 4º, alínea “b”, e parágrafo 5º, do Decreto nº 70.235/72 acima transcrita. Assim entendendo, passase à análise dos argumentos da recorrente. Não há discordância com os argumentos trazidos pela recorrente para demonstrar o alcance e efeitos, no tempo e no espaço, das instruções normativas. De fato, consoante as palavras da recorrente, “as ‘Instruções Normativas’, expedidas pelas autoridades administrativas, a teor do que dispõem os arts 96 e 100 do Código Tributário Nacional, são normas complementares das leis, em decorrência do que, desde que não afetadas por vícios, que as tornem ilegais e inconstitucionais, são de observância obrigatórias tanto pelos os contribuintes quanto pelos os agentes fiscais. Nesse sentido, aliás, foi editada a Portaria SRF nº 001, de 02 de janeiro de 2001,que, no seu anexo I, Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.708 17 assim estabelece ‘quando baixadas pelo Secretário da Receita Federal, as instruções normativas complementam e normatizam a legislação tributária”. Acrescentando, em conformidade com o disposto no art. 100 do CTN, as instruções normativas complementam e normatizam as disposições, não só de leis, mas, também, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos , podendo, ainda, ter natureza interpretativa da legislação tributária. Apesar da concordância aqui manifestada, os argumentos da recorrente não embasam a conclusão à que chegou a mesma acerca do cancelamento do auto de infração ora questionado, pela simples razão de que foi feita leitura equivocada da Instrução Normativa nº 1.185/2011. É que essa instrução normativa não tem natureza interpretativa. Mas, sim, visa complementar e normatizar o Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, novo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI 2010). Tal Decreto, no capítulo IV, ao tratar sobre a redução e majoração do IPI, suprimiu a regra que fazia referência à redução do IPI nos casos de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI e que continha a exigência da declaração da então SRF, em cada caso, para usufruto da referida redução. O art. 69 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, correspondente ao art. 64 do RIPI/2002 (regra originada do DecretoLei no 1.199, de 1971, art. 4º), com respaldo no disposto no art. 153, §1º da Constituição Federal de 1988, que estabelece ao IPI atenuação ao princípio da legalidade, em face da natureza extrafiscal desse tributo, confere ao poder executivo, a possibilidade de reduzir alíquotas do imposto até zero ou majorálas até trinta unidades percentuais, quando se tornar necessário para atingir os objetivos da política econômica governamental, mantida a seletividade em função da essencialidade do produto, ou, ainda, para corrigir distorções. E, no art. 73, que é o correspondente ao art. 65 do anterior RIPI/2002, há menção apenas à redução da alíquota do IPI anteriormente prevista no inciso II do art. 65 do RIPI 2002, referente às habilitações em Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI ou Programas de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário – PDTA. Dessa forma, o novo RIPI 2010 não trouxe mais a redação que exigia a declaração da RFB acerca da redução do IPI nos casos de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI. O art. 65 do RIPI/2002, vigente à época da petição efetuada pela ora recorrente, que exigia a declaração da então SRF, em cada caso específico, tinha a seguinte redação: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; e II de cinqüenta por cento da alíquota do imposto, Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 prevista na TIPI, incidente sobre equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, bem assim sobre os acessórios sobressalentes e ferramentas que acompanhem esses bens, destinados à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, quando adquiridos por empresas industriais e agropecuárias nacionais que executarem PDTI e PDTA (Lei nº 8.661, de 1993, arts. 3º e 4º, inciso II, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 43); § 1º Os Ministros da Fazenda e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderão expedir normas complementares para execução do disposto no inciso I. (...).” Já, os arts. 69 e 73 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, novo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi 2010), assim dispõem: “CAPÍTULO IV DA REDUÇÃO E MAJORAÇÃO DO IMPOSTO Seção I Das Disposições Preliminares Art.69.O Poder Executivo, quando se tornar necessário para atingir os objetivos da política econômica governamental, mantida a seletividade em função da essencialidade do produto, ou, ainda, para corrigir distorções, poderá reduzir alíquotas do imposto até zero ou majorálas até trinta unidades percentuais (DecretoLei no 1.199, de 1971, art. 4o). Parágrafo único.Para efeito do disposto neste artigo, as alíquotas básicas são as constantes da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001 (Lei nº 10.451,de 2002, art. 7º). Seção IV Dos Produtos Destinados ao PDTI e ao PDTA Art.73.As empresas industriais e agropecuárias nacionais que foram habilitadas em Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industria lPDTI ou Programas de Desenvolvimento Tecnológico AgropecuárioPDTA, nas aquisições de equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, assim como acessórios sobressalentes e ferramentas que acompanhem esses bens, destinados à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, fazem jus à redução de cinquenta por cento da alíquota do imposto, prevista na TIPI (Lei no 8.661, de 2 de junho de 1993, arts. 3o e 4º, inciso II, Lei no 9.532, de 1997, art. 43, e Lei nº 11.196, de 2005, art. 133, inciso I, alínea “a”). Parágrafo único.Os PDTI e PDTA e os projetos aprovados até 31 de dezembro de 2005 permanecem regidos pela legislação em vigor em 16 de junho de 2005, autorizada a migração para o regime previsto no art. 72, conforme disciplinado pelo Poder Executivo (Lei nº 11.196, de 2005, art. 25).” Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.709 19 Em função das novas regras do RIPI/2010, e da supressão da regra que exigia a declaração da RFB acerca da redução do IPI nos casos de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI., em cada caso, é que foi editada a Instrução Normativa nº 1.185, de 26 de agosto de 2011, que em seu art. 1º explicita, in verbis: “Art. 1º A redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicável a refrigerante, refresco e extrato concentrado para elaboração de refrigerante que contenham suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná em sua composição: I fica sujeita, a partir da edição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi), à observância exclusiva do disposto nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006; e II independe de pedido do fabricante e de reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)”. Parágrafo único. Para efeito da redução de alíquota de que trata o caput, deverá ser observada especificação, expedida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), dos produtos que atendem ao disposto nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tipi. Vêse, portanto, que a leitura do disposto no inciso II do art. 1º da referida instrução não pode ser feita de forma isolada do contexto de todo o artigo, posto que, conforme consta do inciso I , somente a partir da edição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi), é que redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicável a refrigerante, refresco e extrato concentrado para elaboração de refrigerante que contenham suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná em sua composição fica submetida à observância exclusiva do disposto nas Notas Complementares NC (211) e NC (221) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Assim, os pedidos de redução de IPI nos casos de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI. efetuados em períodos anteriores à edição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, estavam submetidos às regras vigentes no Decreto nº 4.544/2002 , 26/12/2002 (RIPI/2002), no qual já se mostrou ser necessário a edição de atos declaratórios executivo para usufruir de referida redução de IPI, salvo se tais petições para reconhecimento do direito de redução de alíquota de IPI estivessem, até a data da publicação da referida instrução normativa ( 29 de agosto de 2011), pendentes de análise e decisão pela RFB, em face da previsão contida no art. 5º da mencionada Instrução Normativa nº 1.185, de 26 de agosto de 2011: “Art. 5º Os processos de reconhecimento do direito à redução do IPI incidente sobre os produtos de que trata o art. 1º pendentes de análise pela RFB na data de publicação desta Instrução Normativa deverão ser arquivados, sem prejuízo do disposto nos arts. 2º a 4º.” Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 Não foi o que se deu com o caso ora sob recurso. Pois, consoante já se relatou acima, as petições para reconhecimento do direito de redução formuladas pela contribuinte, ora recorrente, foram objeto de análise e decisão pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul que expediu os correspondentes Atos Declaratórios Executivos ADEs ns. 56, de 02/09/2009 e 63, de 14/09/2009, eficazes e vigentes, nos quais reconheceram o direito requerido a partir das respectivas datas de publicação no DOU, ocorridas em 04/09/2009 e 17/09/2009. Portanto, como os períodos objeto da autuação em análise abrangem os fatos geradores ocorridos antes da vigência dos referidos atos declaratórios executivos, é de se concluir que as saídas dos produtos efetuados no período auditado encontravamse sem amparo para usufruto de redução de alíquota. de IPI. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS A controvérsia nos autos limitase à questão da data em que a Recorrente passou a fazer jus à redução do IPI, objeto do Pedido de Redução de alíquota do imposto se desde a data do protocolo do pedido de redução perante a Receita Federal (segundo entendimento da DRJ), ou se desde a data em que foi deferido o registro do produto pelo Ministério da Agricultura – MAPA (segundo entendimento da Recorrente). Entendo que para melhor solução da questão ora colocada, importa consignar que a redução de alíquota sob análise tem como requisito a concessão do registro do produto pelo Ministério da Agricultura. Logo, o que constitui o direito da Recorrente ao benefício fiscal é a constatação, pelo MAPA, da presença dos requisitos legais. Nestes termos, o registro do produto somente é conferido após o órgão atestar que o item submetido à sua análise atendia aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério para registro do produto como tal (refrigerantes). Ressaltase que estes critérios intrínsecos foram, no caso dos produtos da Recorrente, analisados e atestados pelo Ministério, tendo sido expedidos os respectivos registros dos produtos. Posteriormente ao registro, a Recorrente entrou com pedido perante a Receita Federal, visando a redução do tributo objeto dos autos. E aqui chegamos ao ponto nevrálgico da questão: a declaração da Receita Federal, que reconhece o benefício fiscal em virtude da constatação do preenchimento dos requisitos pelo MAPA tem efeito declaratório ou constitutivo? Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.710 21 É de se destacar que a própria legislação, expressamente, estabelece o efeito declaratório da manifestação da Secretaria da Receita Federtal, verbis: Decreto n° 84.637/80: “Art. 50: 0 artigo 336 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto n.° 83.263, de 9 de março de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 336: As reduções de alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (222) da Tabela serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. Parágrafo único. Os Ministros da Fazenda e da Agricultura poderão expedir normas complementares para execução do disposto neste artigo." (destaquei) Disposição legal similar permaneceu nas alterações normativas posteriores, sendo que a redação dos Regulamentos do IPI de 1998 e de 2002 – aplicáveis ao período pleiteado, são no seguinte sentido, verbis: RIPI/98: “Art 57. Haverá redução: I – das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221), da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício. RIPI/98: NC 221. Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes, refrescos e néctares, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento e esteja registrado no órgão competente desse Ministério.” (destaquei) RIPI/02: “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; e (...)” (destaquei) Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 A natureza declaratória do Pedido de Redução de alíquota objeto dos autos é coerente com as demais disposições normativas, no sentido de que a Secretaria da Receita Federal não tem competência técnica para verificar o cumprimento dos requisitos exigidos dos produtos. Conforme já esclarecido, é o órgão técnico do Ministério que irá constatar a presença dos requisitos e a possibilidade de classificação como “refrigerantes”, com o conseqüente enquadramento dos produtos nas Notas Complementares beneficiadas com a redução do imposto. E não poderia ser diferente, porque é preciso possuir competência técnica e material para efetivar as análises referentes às características, aos padrões de qualidade e identidade, que são exigíveis para classificação de produtos do gênero. Portanto, pareceme claro que o RIPI, quando mencionou expressamente “serão declaradas, em cada caso, pela SRF ...” estava se referindo, efetivamente, a um ATO de natureza DECLARATÓRIA. O Pedido de Redução perante a Receita Federal, a meu sentir, tem intenção de cientificar o órgão que determinado contribuinte, em cumprimento à legislação e com base em registro obtido perante o Ministério da Agricultura, faz jus ao aproveitamento do benefício. A resposta da Receita Federal a este Pedido, portanto, não poderia ter força constitutiva, mas apenas declaratória, sendo certo que o direito foi constituído/passou a existir no momento em que o contribuinte cumpriu os requisitos objetivos necessários ao gozo da redução da alíquota (o que foi verificado pelo órgão que possui competência para tanto – qual seja, o MAPA). A natureza declaratória, e não constitutiva, do reconhecimento do Pedido de Redução pela Receita Federal já foi objeto de análise por este Conselho, verbis: “PRODUTOS POSIÇÃO TIPI 2202/90 Redução de alíquota em 50%. Tendo os produtos seus registros atualizados e estando dentro do prazo de concessão estabelecido pelo Ministério da Agricultura, é de se reconhecer o gozo do benefício de que trata a norma contida no art. 2º do Decreto 97.976/88, suplementada pelas NC 211 e 221 da TIPI/88. A não expedição do AD não fulmina o direito do contribuinte, porquanto os preceitos determinantes de fruição foram atendidos.” (Acórdão nº 202 07.657, de 05/04/95 DO de 17/05/96 destaquei). Coerente, portanto, a interpretação de que, uma vez atendidos os requisitos para o gozo do benefício, conforme reconhecimento do órgão que possui competência técnica, material e legal para tanto – qual seja, repisese, o Ministério da Agricultura – o contribuinte já poderia se aproveitar da redução de alíquota. Neste sentido, cito jurisprudência desta Casa, verbis: “REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (223) DA TIPI/83 Baixado o Ato Declaratório pelo Departamento da Receita Federal, reconhecendo que o produto satisfaz pressupostos para a redução, esta alcançará as saídas desde a data em que o produto passou a atender aos requisitos legais. Recurso provido.” (Acórdão n° 20166.632/90, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei). “IPI AUDITORIA DE PRODUÇÃO Cabível a presunção legal se a fiscalização serviuse de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (211) DA TIPI/88 Excluise do Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.003589/200922 Acórdão n.º 3302002.212 S3C3T2 Fl. 1.711 23 lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do benefício fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender aos requisitos legais.” (Acórdão n° 20209805, 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei) “IPI AUDITORIA DE PRODUÇÃO Cabível a presunção legal se a fiscalização serviuse de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA NC (211) DA TIPI/88 Excluise do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do benefício fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender os requisitos legais.” (Acórdão n° 20209806, 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes destaquei) Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 15889.000256/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 89 .0 00 25 6/ 20 10 -2 6 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000256/201026 Resolução nº 2401000.308 S2C4T1 Fl. 217 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 33.372 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.297.9920. A lavratura em questão teve como motivo a conduta do sujeito passivo de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, constituemse nos presentes autos a obrigação acessória acima descrita conexas aos autos de obrigação principal abaixo relacionados: a) AI n° 37.297.9807 remunerações sobre gratificações a diretores; b) AI n° 37.297.9815 remunerações na forma de plano de opção de compras de ações; c) AI n° 37.297.9858 aferição indireta na prestação de serviços (quota patronal); d) AI n° 37.297.9866 aferição indireta na prestação de serviços (quota dos segurados empregados); e) AI n° 37.297.9882 receita obtida com revenda de mercadorias (receita de agroindústria); f) AI n° 37.297.9904 receitas de exportação indireta. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, que apresentou recurso voluntário, alegando em, apertada síntese, que não sendo procedentes os lançamentos para exigência da obrigação principal, deve ser cancelada a multa decorrente da falta de declaração das contribuições. Alega também que a aplicação da penalidade mais benéfica levaria a adoção da norma inserta no inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000256/201026 Resolução nº 2401000.308 S2C4T1 Fl. 218 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de Diligência Fiscal Essa Turma de Julgamento tem decidido reiteradamente que a decisão acerca dos recursos apresentados para desconstituir os AI relativos à falta de declaração de fatos geradores em GFIP é vinculada ao destino das lavraturas para exigência da obrigação principal conexas. Analisando os lançamentos para exigência das contribuições vinculados ao presente AI, verificamos a seguinte situação: a) Processo n. 15889.000243/201057/AI n. 37.297.9807 (remunerações sobre gratificações a diretores): julgamento convertido em diligência, por essa Turma, para apreciação de documentos juntados pelo fisco; b) Processo n. 15889.000245/201046/AI n° 37.297.9815 remunerações na forma de plano de opção de compras de ações: processo julgado no CARF com decisão pelo provimento parcial ao recurso (acórdão ainda não publicado); c) Processo n. 15889.000249/201024/AI n° 37.297.9858 aferição indireta na prestação de serviços (quota patronal): crédito incluído em parcelamento; d) Processo n. 15889.000250/201059/AI n° 37.297.9866 aferição indireta na prestação de serviços (quota dos segurados empregados): crédito incluído em parcelamento; e) Processo n. 15889.000252/201048/AI n° 37.297.9882 receita obtida com revenda de mercadorias (receita de agroindústria): crédito incluído em parcelamento; f) Processo n. 15889.000254/201037/AI n° 37.297.9904 receitas de exportação indireta: processo julgado por essa Turma, que não conheceu do recurso voluntário. Assim, considerandose que, dos processos para exigência da obrigação principal, apenas o de n. 15889.000243/201057 encontrase com julgamento administrativo pendente (requisição de diligência), sugiro que o AI sob cuidado seja apensado aquele, de modo que tenham julgamento conjunto após o cumprimento da diligência requerida. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/08 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15983.001141/2008-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto . Convocados os Conselheiros Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 01 14 1/ 20 08 -6 6 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, referente a contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, autarquia vinculada ao Ministério da Educação, no período de 12/2002 a 06/2004, referente ao custeio do Salário Educação, na forma da Lei 9.766/1998, e incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, conforme Relatório Fiscal de fls.31 a 36 e anexos de fls. 37 a 123. Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls 529, a 10 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP DRJ/SP II, em 04 de março de 2009, exarou o Acórdão n° 1730.311 mantendo procedente o Não obstante o êxito parcial, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 544, onde combatendo o decisium reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . Resumidamente, a Autoridade Fiscal procedeu à constituição do crédito em comento em razão da ocorrência dos fatos geradores acima descritos bem como do Ato Cancelatório registrado conforme o Relatório Fiscal fls.31, itens 07 e 15 : “ Do Cancelamento da Isenção Previdenciária 7. Através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2008, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos em 03.03.2008, a instituição teve cancelado, com efeitos a partir de 01/01/1993, o direito que usufruía de isenção das contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91, pelo descumprimento dos requisitos previstos para essa finalidade nos incisos I, 1V e V do art. 55 e, mesma Lei. (..) 15. Ora, como vimos o reconhecimento da isenção previdenciária da Fundação Lusíada, cuja manutenção depende da observância dos requisitos contidos no art. 55 da Lei 8.212/91 sendo que possuir o Certificado CEAS é apenas um deles , foi cancelado pela Receita Federal, em 03.03.2008, conforme mencionado no item 9 acima. O próprio CEAS relativo ao período de vigência de 01/2001 a 12/2006, conforme também mencionado no item 10, encontrase também cancelado por decisão administrativa respaldada por decisão judicial transitada em julgado em , 02.07.2008. Teve a autuada portanto a oportunidade de, aproveitando a espontaneidade existente antes de iniciada a ação fiscal, recolher as importâncias devidas e corrigir o descompasso existente entre as suas declarações em GFIP e os fatos geradores de contribuições previdenciárias.” Fl. 580DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 4 3 DO VOTO Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator Cumpre destacar que o Relatório Fiscal não faz alusão ao recurso interposto pela Recorrente recebido pela RFB conforme carimbo de protocolo às fls. 410, datado de 16/04/2008, destaquese, anterior ao início da ação fiscal cujo Termo de Início ocorreu em 17/06/2008, fls.17, que se infere na oportunidade tramitava no então Conselho de Contribuintes. Aduz que na forma do registro de fls. 01, a empresa foi notificada do Crédito em 16/10/2008. Em sede de impugnação , às fls. 768, o item 7.4 do Relatório “ ad quod ”, revela que a Recorrente já exortara o Recurso Voluntário interposto contra a decisão do Ato Cancelatório que sofrera : “ 7.4. O interposto Recurso Voluntário contra o Ato Cancelatório possui efeito suspensivo, nos moldes do art. 151, III do CTN e do art. 206, IV do Decreto 3.048/99, não havendo desta forma motivo, conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal.” Na condução do voto, a instância “ad quod ” se referindo a esta alegação grifando que a exigibilidade ficaria suspensa se manifestou na forma dos itens 10.3 de fls. 534 abaixo transcrito: “ 10.3. Em relação à emissão do Auto de Infração, uma vez emitido o Ato Cancelatório, sem interposição de recurso, a Fiscalização será comunicada para constituir o crédito respectivo que terá tramitação normal. Em caso de interposição de recurso contra o Ato Cancelatório a Fiscalização será comunicada para constituir o crédito respectivo, cuja exigibilidade ficará suspensa até o julgamento final do processo de cancelamento da isenção pelo 2° Conselho de Contribuintes.” Nos itens 10.4 a 10.6 seguintes, o texto sugere mas não deixa claro se o decisium” considerou que a autuação teria ocorrido tãosomente para ilidir hipótese decadencial. No que se refere a isto, também o Relatório Fiscal é silente: “ Não efetuado o lançamento no curso do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá fazêlo, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito acharse fulminado pela decadência. É que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo .a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. 10.5. Ressaltase que, como já afirmado, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não possui o condão de impedir o lançamento, por este ser ato vinculado e obrigatório, indispensável para prevenir a decadência. Além disso, a suspensão da exigibilidade do crédito Fl. 581DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 5 4 tributário não afeta a obrigação tributária que lhe deu origem. Assim já afirmava Aliomar Baleeiro: "O direito de crédito da Fazenda não se extingue, mas,enquanto duram as causas arroladas no art. 151 (CTN), não poderá ser exercido por ausência de exigibilidade. Mais uma vez se comprovaque a existência do direito não se confunde com a sua exigibilidade ou seu exercício." (BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro,1 l a ed., Rio de Janeiro, Forense, 2004, p. 840). 10.6. O que a suspensão da exigibilidade impede é que sejam executados pelo sujeito ativo os atos executórios (de cobrança) do crédito enquanto suspensa a sua exigibilidade. Entendamse como atos executórios (de cobrança) os consubstanciados na inscrição em Dívida Ativa e propositura da ação de execução fiscal.” Em Recurso Voluntário, a Recorrente aludiu o item 10.3 acima referido exortando que se deva observar a SUSPENSÃO e ainda a conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal : “ Importante destacar que como o Recurso Voluntário interposto contra o ato cancelatório esta sujeito ao efeito suspensivo, não havendo desta forma motivo, conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal.” Enfrentando a matéria, entendo que neste sentido, assiste parcial razão à Recorrente quando alude à suspensão, entretanto descabe provimento quanto a questionar o poder de a administração efetuar o lançamento e mantêlo sobrestado até o trânsito em julgado. Esta questão potestativa foi bem esclarecida na condução do voto “ ad quod ” , no item 10. 5, quando o I. Julgador exorta lição do Mestre Aliomar Baleeiro que corrobora que o direito de crédito da Fazenda não se extingue : “ 10.5. Ressaltase que, como já afirmado, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não possui o condão de impedir o lançamento, por este ser ato vinculado e obrigatório, indispensável para prevenir a decadência. Além disso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afeta a obrigação tributária que lhe deu origem. Assim já afirmava Aliomar Baleeiro: "O direito de crédito da Fazenda não se extingue, mas,enquanto duram as causas arroladas no art. 151 (CTN), não poderá ser exercido por ausência de exigibilidade. Mais uma vez se comprova que a existência do direito não se confunde com a sua exigibilidade ou seu exercício." (BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro,1 l a ed., Rio de Janeiro, Forense, 2004, p. 840).” DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Nos autos, a Recorrente discutiu apenas matéria de direito não exercendo o direito de impugnar faticamente os motivos relatados pela Autoridade Fiscal para a Fl. 582DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15983.001141/200866 Resolução nº 2403000.086 S2C4T3 Fl. 6 5 constituição do crédito ora em apreço. Isto posto, inferese desde já ocorridos os fatos geradores. DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM FACE DO ATO CANCELATÓRIO. A Recorrente informa que o Cancelamento do Ato foi objeto de Recurso Voluntário n° 03909/2008. Na forma do abaixo transcrito, busca no sitio deste Conselho revelou que para o sobredito Recurso Voluntário datado de 16/04/2008, em face do Ato Cancelatório n° 01/2008(Decisão Notificação n° 21.433.4/006812007 e 21.433.4/0069/2007), não se verifica registro. Número do Processo Número do Recurso 35569.003489/200624 265874 15983.001140/200811 507543 15983.001137/200806 507550 15983.001139/200897 507553 15983.001143/200855 507555 15983.001141/200866 507559 15983.001142/200819 507562 15983.001138/200842 507563 15983.001135/200817 873795 15983.001136/200853 873796 CONCLUSÃO Dado que o Acórdão de primeira instância, aparentemente, considerou a existência do Recurso supra, é fundamental que se esclareça se naquele julgamento houve entendimento que a autuação ocorreu para ilidir hipótese decadencial visando sobrestar o lançamento até o trânsito em julgado. Resta esclarecer , também, qual o número do processo que Recurso supra obteve por ocasião do cadastro neste Conselho e a fase em que se encontra. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos sejam encaminhados à DRJ de origem para as providências supraelencadas. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721448/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.303
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.052 1 1.051 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.721448/201197 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.303 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de julho de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente JUAZEIRO PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 21 44 8/ 20 11 -9 7 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.053 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD 37.186.8882), cuja ciência ao sujeito passivo ocorreu em 01/04/2011, por meio do qual são exigidas obrigações principais decorrentes de glosas de créditos utilizados na compensação de Contribuições Sociais Previdenciárias efetuadas pelo Ente Municipal, referentes ao período de 01/2009 a 10/2010. Da leitura do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD 37.186.8882) e do seu respectivo Relatório Fiscal, fls.11/20, extraise que, segundo a autoridade fiscal, o Ente Municipal, com base em “teses jurídicas” por ele construídas, efetuou compensações indevidas com contribuições declaradas em GFIP nos meses de: jan/2009; mar/2009 a mai/2009; out/2009 a dez/2009; 13º/2009; jan/2010 a abr/2010 e jun/2010 a out/2010, conforme consta do “Discriminativo de débito” de fls. 5 e 6. Passamos então a descrever as compensações indevidas segundo os itens 4, 5, 6 e 7 do Relatório de Infração. Compensações com créditos de PASEP No item 4 do Relatório Fiscal (fl. 12), consta a informação que o Ente Municipal inicialmente formulou pedido de Restituição de Contribuições para o PASEP, através do Processo Administrativo nº 10530.721390/201009. Tal pleito foi indeferido através do Despacho Decisório DRF/FSA 3.358 de 03.12.2010 sob a seguinte fundamentação: 24. De fato, observase que, em 26/03/2010, data do protocolo de restituição, já transcorrera o prazo decadencial para pleitear a restituição dos recolhimentos do PIS/PASEP efetuados em 1995. Diga se, que caberia à interessada pleitear administrativamente o direito à restituição de eventual crédito até cinco anos contados da data do pagamento (...). 34. Desta forma, configurase improcedente o requerimento da contribuinte, visto que o direito à restituição de eventual saldo credor apurado em favor da interessada, no presente processo, tornase inviável, pois fulminado pela decadência. 35. Ante o exposto, considerando o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para o exercício do direito à restituição de pagamentos relativos ao PIS/PASEP, efetuados em 1995, CONCLUO pelo indeferimento do Pedido de Restituição à fl. 02. Intimado desta decisão, o Ente Municipal apresentou em 13.01.2011 (fls. 102/113) Manifestação de Inconformidade. Entretanto, conforme descrito no Relatório Fiscal, antecipandose aos fatos, efetuou compensação do valor ainda em discussão com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP nos meses de jan/2009, mar/2009 a mai/2009, out/2009 a dez/2009, 13º/2009, jan/2010, abr/2010 a mai/2010, desrespeitando a decisão administrativa fundamentada na legislação de regência. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.054 3 O Fiscal Autuante alega, ademais, que a compensação de créditos de PASEP com débitos de contribuições previdenciárias encontra óbice no art. 26, da Lei n. 11.457/2007, e art. 34, da IN RFB nº 900/2008. Compensação com créditos decorrentes de NFLDs que tem por objeto a cobrança de quantias já decaídas No item 5 do relatório (fl. 13), informa o Fiscal autuante que o Ente Municipal também compensou Contribuição Social Previdenciária declarada na GFIP do mês de fevereiro/2010, com crédito da referida contribuição, apurado nos documentos de créditos constituídos e/ou confessados, abaixo mencionados, cuja situação de cada um (crédito) era a seguinte, conforme consulta feita pelo Auditor Fiscal à base de dados do Sistema de Cobrança Administrativa – SICOB em 21/03/2011: Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 37.053.4298, de 26/12/2006, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 30.903.8227, de 20/03/1986, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Confissão de Dívida Fiscal – CDF Debcad nº 31.159.8258, de 16/04/1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 08.455.5629, de 1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 08.615.7728, de 1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Confissão de Dívida Fiscal – CDF Debcad nº 31.159.8258, de 16/04/1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Confissão de Dívida Fiscal – CDF Debcad nº 31.159.8266, de 06/09/1980, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria” Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 31.143.4860, de 29/07/1988, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 31.143.4878, de 29/07/1988, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos – NFLD Debcad nº 31.143.4886, de 31/07/1988, na situação atual “Em cobrança pela Procuradoria”; Entende o Ente Municipal que os créditos acima mencionados estariam alcançados pela Súmula Vinculante n. 8/2002. Ou seja, foram constituídos quando já havia decaído o direito de lançar. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.055 4 No Relatório Fiscal, o Autuante assevera que “débitos em cobrança” é completamente diferente de “recolhidos indevidamente”. Assevera, ademais, que “ainda que valores decorrentes desses créditos Notificados/Parcelados tivessem sido liquidados só seria possível compensar aqueles cuja data de pagamento tivesse ocorrido após 11/06/2008, data do Acórdão do RE 560.6261/RS que julgou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que motivou, portanto, a edição da Súmula Vinculante nº 8 retromencionada, pois, o efeito a ser aplicado à referida decisão é ex nunc, conforme determinação expressa pelo próprio Supremo Tribunal Federal”. Compensação indevida com créditos de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a agentes políticos no período de janeiro/2001 a setembro/2004 No item 6 do seu relatório, prossegue o fiscal afirmando que o Ente Municipal compensou Contribuição Social Previdenciária declarada na GFIP de março/2010, por conta de supostas contribuições que diz incidentes sobre as remunerações pagas a agentes políticos no período de janeiro/2001 a setembro/2004, as quais teriam sido recolhidas com amparo em legislação decretada inconstitucional (alínea ‘h’ do inciso I, art. 12, da lei n. 8.212/1991), mas, mais uma vez, pleiteou restituição desrespeitando o prazo (fls. 15/16) que, com o advento da Lei n. 118/2005, passou a ser quinquenal: Portanto a partir da data de eficácia (09062005) da Lei Complementar número 118/2005, o prazo para postular repetição de indébito ou compensação de tributo e contribuição social inclusive previdenciária é de cinco anos contados da data do seu efetivo pagamento. Citese que com o advento da Súmula Vinculante nº 8/2008, não há que se falar mais na chamada tese dos cinco mais cinco. Admitir referida tese para restituir ou compensar qualquer espécie de exação é admitir também, período decadencial ou prescricional de 10 anos para constituir crédito de tributo ou contribuição lançado por homologação, questão fulminada pela Egrégia Corte da Justiça Brasileira. (...) O auditor fiscal, em seu Relatório, ressalta que o Ente Municipal informou que as contribuições cobradas por força do dispositivo julgado inconstitucional, relativas ao ano de 1999, integram a NFLD 35.073.3481, incluída em parcelamento da Lei n. 11.941/2009, formalizado em 240 parcelas. Assim, não havendo comprovação de pagamento, os valores não recolhidos e lançados não podem ser objeto de compensação: O Ente informa também, que as aludidas contribuições dos agentes políticos, ora em discussão, cobradas por força do dispositivo legal julgado inconstitucional relativas ao ano de 1999, fazem parte da NFLD Debcad 35.073.3481 e que em decorrência elevou o prazo de início da prescrição para pleitear a repetição do indébito dessas contribuições. Na verdade tratase de um Lançamento de Débito Confessado – LDC Debcad 35.073.3481 e não de NFLD. Referida informação reforça mais ainda, o fato de o Ente Municipal estar compensando valor de Contribuição Social Previdenciária sem o devido recolhimento infringindo a lei. Os valores das parcelas Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.056 5 vencidas e quitadas dentro do prazo prescricional de cinco anos contados do pagamento, em relação à data do pleito (para compensar) são passíveis de compensação. Ocorre que o crédito supramencionado foi incluído em parcelamento especial com base na lei nº 11.960/2009 (Processo nº 13527001194/200910) liquidável, em princípio, em 240 parcelas mensais (20 anos), situação em que o valor de cada parcela, na maioria das vezes sequer quita os juros. Por este motivo, vale afirmar, não há que se falar em compensação e sim em solicitação de expurgo do valor dessas contribuições do processo de parcelamento. Reforçase mais uma vez que valores sem comprovação de pagamento não podem ser objeto de compensação, independentemente de estarem ou não prescritos. Compensação com créditos de contribuições previdenciárias incidentes sobre parcelas indenizatórias Por fim, no item 7 do relatório, o Fiscal Autuante esclarece estar exigindo também as contribuições previdenciárias indevidamente compensadas nas GFIPs de junho/2010 a outubro/2010, por entender indevido o crédito que, conforme explicitado pelo Ente Municipal, decorre do indevido recolhimento das contribuições previdenciárias sobres as remunerações dos segurados do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, sobre parcelas indenizatórias, não sujeitas à incidência da contribuição: 7. O Ente Municipal compensou ainda, Contribuições Sociais Previdenciárias declaradas na GFIP dos meses de junho/2010, julho/2010, agosto/2010, setembro/2010 e outubro/2010, que alega indevidas (...) composta pelas rubricas: Gratificações referentes ao período de janeiro/2001 a março/2010; Diferenças Cargo Comissão referentes ao período de novembro/2000 a março/2010; Horas Extras referentes ao período de novembro/2000 a março/2010; Função Gratificada referente ao período de novembro/2000 a julho/2004 (período totalmente alcançado pela prescrição); Terço de Férias referente ao período de novembro/2000 a julho/2007. (...) Como pode ser analisado (...) todas as rubricas retromencionadas e indevidamente questionadas são pagas em retribuição ao serviço prestado pelo segurado do RGPS e farão parte de toda sua vida laboral que decerto constará do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS com reflexo direto no benefício previdenciário quando de sua concessão decorrente de aposentadoria ou de fortuito. Exceção feita apenas para a rubrica Terço de Férias, cuja contribuição incidente decorre da necessidade de manter o equilíbrio Explicitando o procedimento aplicado para apuração dos valores que compõem o crédito previdenciário (GC – GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA), consta no mencionado Relatório Fiscal do Auto de Infração que os valores foram aferidos a partir das GFIPs apresentadas nos meses compreendidos no período de jan/2009; mar/2009 a mai/2009; out/2009 a dez/2009; 13º/2009; jan/2010 a out/2010. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.057 6 Cientificado da presente autuação em 01.04.2011 (fl. 27), o contribuinte apresentou impugnação (fls.193/243), alegando, em breve síntese, que os créditos compensados em GFIP no período que se estende de 01/2009 a 10/2010 se respaldam nas seguintes teses: Recuperação de créditos de PASEP em decorrência da Resolução n° 10, de 2005, do Senado Federal, suspendendo parte do art. 15 da Medida Provisória n° 1.212, de 28/11/1995, no período que se inicia com o advento da Medida Provisória n° 1.212, de 1995, incluindo também as bases de cálculo nos últimos 5 (cinco) anos (competências: 01/09, 03/09, 04/09, 05/09, 10/09, 11/09, 12/09, 13/09, 01/10, 04/10 e 05/10); Recuperação de créditos previdenciários que tenham sido indevidamente confessados, liquidados, parcelados, ou apontados como devidos em lançamento de ofício realizado pelo Fisco Previdenciário, desde que atingidos por decadência ou prescrição, de acordo com o enunciado da Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal (competência 02/10); Recuperação de créditos previdenciários que tenham sido indevidamente confessados, liquidados, parcelados, ou apontados como devidos em lançamento de ofício realizado pelo Fisco Previdenciário, que tivessem por fundamento a remuneração creditada em favor dos agentes políticos, sob a égide da Lei n° 9.506, de 1997, que acrescentou a alínea "h" ao art.12, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, dispositivo declarado inconstitucional pelo STF no RE n° 351.717/PR, Rel. Min. Carlos Velloso (DJ 21.11.2003), o que culminou com a edição da Resolução n° 26/2005, do Senado Federal (competência: 03/10); Recuperação de créditos previdenciários que tenham sido indevidamente confessados, liquidados, parcelados, ou apontados como devidos em lançamento de ofício realizado pelo Fisco Previdenciário, desde que decorrentes de verbas indenizatórias consideradas na base de cálculo e que não fazem parte da regramatriz constitucional de incidência do tributo (competências: 06/10, 07/10, 08/10, 09/10, e 10/10). Em relação à primeira tese, o Autuado/Recorrente se reporta a um Pedido de Restituição de PASEP efetuado em 26.03.2010 (Processo nº 10530.721390/201009) relativo aos recolhimentos indevidamente realizados no período de setembro/1995 a novembro/1999, o qual, segundo alega, foi equivocadamente indeferido pelo Fisco sob a justificativa de restar configurada a decadência do direito à restituição. Defende que o prazo decadencial é decenal, pois os recolhimentos antecedem a LC 118/2005. Salienta, ademais, que o termo inicial do prazo para repetição é a publicação da Resolução nº 10/2005 do Senado Federal, responsável pela suspensão da aplicação do art. 15 da MP 1.212/1995; ou seja, 07.06.2005. Assim, tendo a restituição sido pleiteada em 26.03.2010, não há que se falar em decadência. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.058 7 Prossegue o Autuado alegando que a partir da unificação da Receita Previdenciária e da Receita Federal, criandose a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não há óbice à compensação de valores de quaisquer tributos e/ou contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil com débitos de contribuições previdenciárias. Por fim, quanto ao direito à restituição dos créditos de PASEP, assevera que “todas as medidas provisórias anteriores à promulgação da Lei n. 9.715/98, de 26/11/98 perderam a validade e a eficácia, em razão de que a própria Lei referida foi publicada fora de prazo (um dia após a perda de validade da MP 1.67638/98) e, ainda, que tal norma só produziu efeito noventa dias após a sua publicação, em conformidade com o prazo de anterioridade prescrito no art. 195, § 6º da Constituição Federal. A consequência jurídica relevante decorrente desses acontecimentos está no fato de que a exação PASEP não teve exigibilidade legal eficaz no período anterior à vigência da lei n 9.715/98 e quem a recolheu laborou em pagamento indevido, podendo repetir e/ou compensar.” Em relação à segunda tese, “Compensação de Créditos Caducos, conforme Súmula Vinculante nº 08 do STF”, realizada em GFIP de 02/2010, afirma o contribuinte que, diferentemente do que conclui o fiscal autuante, a situação “em cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional”, traduz parcelamento de crédito que já havia sido encaminhado à Procuradoria para ajuizamento de execução fiscal. Segue afirmando que apenas compensou os valores que efetivamente tiveram apropriação em razão dos pagamentos das parcelas do parcelamento, deixando de lado os que não se encontravam nessa situação, os quais foram objeto de pedido de exclusão de parcelamento. Concluiu pela impossibilidade de se alegar prescrição ou qualquer outra causa impeditiva da compensação, posto que o parcelamento remeteu para a atualidade o início do prazo para promover a compensação administrativa. Já em relação à terceira tese, “Créditos decorrentes da remuneração creditada em favor dos Agentes Políticos, sob a égide da lei nº 9.506, de 1997, que acrescentou a alínea "h" ao art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991”, compensado em GFIP no mês de 03/2010, o Autuado/Recorrente afirma que os pagamentos declarados inconstitucionais se referem a competências anteriores à edição da Lei Complementar nº 118/ 2005, pelo que não poderia esta retroagir, sendo aplicável, portanto, o prazo prescricional de 10 anos (tese dos “cinco mais cinco”) para eventual compensação/pedido de restituição do contribuinte. Ressalta que as competências do ano de 1999 foram objeto da NFLD n. 35.073.3481, incluída em parcelamento e que os recolhimentos referentes às competências 01/2001 a 09/2004 ocorreram em menos de um decênio a contar da data da compensação – 03/2010. Assevera, por fim, que em relação aos débitos objeto da NFLD n. 35.073.3481, apenas procedeu à compensação dos valores liquidados no parcelamento. Por fim, tece suas considerações em relação à quarta tese: “Créditos decorrentes de verbas indenizatórias consideradas na base de cálculo e que não fazem parte da Regra matriz constitucional de incidência do tributo”, compensados em GFIP nos meses de 06/2010 a 10/2010. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.059 8 Ressalta que os Tribunais Superiores já decidiram pela impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre parcelas indenizatórias e que procedeu ao recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as seguintes verbas, pagas aos seus funcionários nos últimos dez anos (devendo ser aplicada a tese dos “cinco mais cinco”, posto que os recolhimentos antecedem a LC n. 118/2005): abono de férias, indenização de férias, abono de férias indenizadas, terço de férias, gratificações (parcelas pagas de forma transitória, sob diversas nomenclaturas, em razão do exercício de cargos em comissão), diferença de cargo em comissão, Funções Gratificadas e horasextras. Solicitou ainda o contribuinte a realização das seguintes diligências: Anexação ao processo do procedimento fiscalizatório que gerou a presente autuação, tendo em vista que houve um prévio esclarecimento ao auditor fiscal de toda a fundamentação e documentos que respaldaram as compensações; E, considerando a omissão do auditor fiscal em apurar as apropriações das parcelas dos parcelamentos administrativos que deram origem ao crédito compensado, solicitou a emissão de extrato no intuito de confirmar as parcelas pagas, que satisfariam o requisito de “recolhimento” questionado no relatório da fiscalização, referentes aos seguintes documentos: NFLD – DEBCAD nº 37.053.4298; NFLD – DEBCAD nº 30.903.8227; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258; NFLD – DEBCAD nº 08.455.5629; NFLD – DEBCAD nº 08.615.7728; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258 CDF – DEBCAD nº 31.159.8266 NFLD – DEBCAD nº 31.143.4860; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4878; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4886; LDC – DEBCAD nº 35.073.3481. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador proferiu o Acórdão1528.726, fls. 967/978, abaixo ementado, do qual o contribuinte foi cientificado em 17.11.2011 (fl. 981): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO. PRAZO. O direito de compensação do indébito tributário prescreve após 5 (cinco) anos contados da data do pagamento. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.060 9 COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA INDEVIDA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Compensação administrativa é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação da Receita Federal do Brasil para a compensação de créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão proferida pela primeira instância administrativa, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16.12.2011, alegando, preliminarmente, a nulidade do acórdão, em razão de o mesmo ter sido completamente omisso em relação às argumentações apresentadas acerca da inexistência de prescrição, precipuamente nos casos relacionados à compensação de créditos caducos por força da Súmula Vinculante nº 08 (segunda tese), e na parte da remuneração dos agentes políticos (terceira tese), e ainda pugnando a nulidade em razão do indeferimento do pedido de diligência. No mérito, reiterou toda a longa argumentação aduzida na impugnação. Requereu, por fim, o acolhimento do recurso para anular ou reformar o acórdão recorrido. À fl. 1.046, foi realizado o encaminhamento dos autos para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.061 10 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Assiste razão à Recorrente no que tange à necessidade de realização de diligência com vistas à verificação da regularidade da compensação formalizada na GFIP de 02/2010. Sustenta o Recorrente que os débitos apurados naquela GFIP foram compensados com créditos que, quando da sua constituição – via lançamento ou confissão de dívida, já estavam extintos em razão da decadência, como veio a ser posteriormente reconhecido com a edição da Súmula Vinculante nº 08/2008 do Supremo Tribunal Federal, que determinou a aplicação do prazo quinquenal, previsto no Código Tributário Nacional, para constituição de créditos previdenciários, afastando o prazo decenal, previsto em lei ordinária. Assim, o Recorrente alega que verificou os valores incluídos em parcelamento que já haviam sido liquidados em decorrência da apropriação das parcelas, passando a compensar tais valores. Quanto aos valores ainda não liquidados, esclarece que não os compensou, tendo promovido pedido administrativo de exclusão destes débitos do parcelamento. A tese defendida pelo Recorrente encontra respaldo na jurisprudência do STJ, tendo sido enfrentada recentemente (em 12.06.2013), sob a sistemática prevista no art. 543C, do CPC. Transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. (...) 3. A decadência, consoante a letra do art. 156, V, do CTN, é forma de extinção do crédito tributário. Sendo assim, uma vez extinto o direito, não pode ser reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja ela via documento de confissão de dívida, declaração de débitos, parcelamento ou de outra espécie qualquer (DCTF, GIA, DCOMP, GFIP, etc.). 4. No caso concreto o documento de confissão de dívida para ingresso do Parcelamento Especial (Paes Lei n. 10.684∕2003) foi firmado em 22.07.2003, não havendo notícia nos autos de que tenham sido constituídos os créditos tributários em momento anterior. Desse modo, restam decaídos os créditos tributários correspondentes aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1997 e anteriores, consoante a aplicação do art. 173, I, do CTN. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.062 11 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8∕2008. (REsp 1355947/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/06/2013, DJe 21/06/2013) Nos termos da decisão do STJ, quaisquer confissões de débitos lançados em inobservância aos termos da Súmula Vinculante n. 08/2008 para fins de sua inclusão em parcelamento, ou mesmo confissões de débitos que não tenham sido objeto de lançamento prévio e que datem de mais de cinco anos dos fatos geradores, não tem o condão de reavivá los. Neste cenário, para análise do Recurso por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é necessário confirmar se, como afirma o Recorrente, os valores utilizados na compensação formalizada na GFIP de 02/2010 correspondem a parcelas pagas relativas a parcelamento de créditos que foram constituídos em prazo superior a cinco anos contados dos seus fatos geradores; ou seja, em inobservância à Súmula Vinculante n. 08/2008. Lembro aqui que a autoridade fiscal afirmou que o contribuinte não teria efetuado nenhum recolhimento da lista de NFLDs e LDCs constante do item 5 do Relatório Fiscal, todas “em cobrança pela Procuradoria”. Por outro lado, o contribuinte traz os seguintes esclarecimentos, quando da fiscalização, em resposta ao TIF 01: Partindo da análise jurídica descrita [Súmula Vinculante nº 08 do STF], o Município analisou, através de auditoria específica todos os débitos constituídos pelo Fisco Previdenciário em seu favor, merecendo registro que a pesquisa foi realizada pelo próprio sistema de processamento de dados da RFB, por meio de solicitação do relatório denominado “CCREDEST”. Tal análise decorre da circunstância de que a RFB, para dar cumprimento à Súmula Vinculante, apenas se predispõe, administrativamente, a cancelar as autuações inconstitucionais, não realizando análise das autuações indevidas (segundo a ótica da Súmula) que foram objeto de baixa por liquidação, ou que eventualmente se encontram parceladas, com apropriação de algumas parcelas pagas para a sua liquidação. E o município fez exatamente isso, agindo de maneira complementar ao que, de ofício, a RFB se predispôs a fazer. Em suas atividades, identificou créditos passíveis de recuperação, via compensação administrativa, no montante de R$ 1.379.747,56, tendo utilizado R$ 875.747,56 para compensação com obrigações correntes da competência 02/2010. Tais créditos foram apurados mediante análise das NFLD’s DEBCAD nº 37.053.4298; 30.903.8227; CDF nº 30.159.8258 (08.455.562 9/08.615.7728); e CFF nº 30.159.8266 (30.159.8258; 31.143.4860; 31.143.4878; 31.143.4886), que foram incluídos em sucessivos parcelamentos, sendo que o último ainda está em vigor, e, por meio da apropriação dos valores pagos, baixados por liquidação. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.063 12 (...) É necessário ainda verificar se o pagamento das parcelas foi realizado no prazo máximo de cinco anos contados da data da compensação formalizada na GFIP da competência 02/2010. Isto porque o STF, ao analisar o Recurso Extraordinário com repercussão geral n. 566621, cujo acórdão foi publicado em 11.10.2011, se posicionou no sentido de que o prazo de cinco anos para repetição de créditos tributários de que trata a Lei Complementar n. 118/2005 deve ser aplicado a todas as ações ajuizadas/pedidos de restituição apresentados após o decurso da vacatio legis de 120 dias a contar da publicação da citada lei; ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. O STJ também se posicionou desta forma, em sede de recurso representativo de controvérsia, RESP n. 1269570/MG, cujo acórdão foi publicado em 04.06.2012. Desta forma, determino a conversão do feito em diligência, cujo escopo será o seguinte: 1. Verificar se os documentos abaixo listados tem por objeto (total ou parcialmente) créditos tributários que, quando da sua constituição – via lançamento de ofício ou confissão, já estavam decaídos, nos termos da orientação constante na Súmula Vinculante n. 08/2008: NFLD – DEBCAD nº 37.053.4298; NFLD – DEBCAD nº 30.903.8227; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258; NFLD – DEBCAD nº 08.455.5629; NFLD – DEBCAD nº 08.615.7728; CDF – DEBCAD nº 31.159.8258 CDF – DEBCAD nº 31.159.8266 NFLD – DEBCAD nº 31.143.4860; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4878; NFLD – DEBCAD nº 31.143.4886; LDC – DEBCAD nº 35.073.3481. Para tanto, a autoridade diligente deverá elaborar quadro demonstrativo discriminando os créditos tributários incluídos em cada um dos documentos acima indicados, a data da sua lavratura ou formalização de parcelamento ou equivalente, as quantias pagas ou amortizadas de cada débito, com as indicações das datas de cada evento. 2. Em caso positivo: 2.1. Verificar se tais créditos foram pagos/liquidados em parcelamentos; Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721448/201197 Resolução nº 2401000.303 S2C4T1 Fl. 1.064 13 2.2. Quantificar os valores pagos nos últimos cincos anos a contar da compensação informada na GFIP de 02/2010, atualizandose tais valores até a data da compensação. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.728650/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.320
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação aos dependentes, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 86 50 /2 00 9- 30 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do auxílio educação aos dependentes, nos termos do voto do Redator. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 271 3 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte Módulo Administração Baiana de Cursos Ltda, contra acórdão que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário lançado, cuja ementa abaixo transcrevo: BOLSA DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Bolsas de estudos concedidas aos filhos e dependentes dos empregados e dirigentes da empresa, ainda que trabalhem em instituição de ensino, integram o salário de contribuição. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. O recurso apresentado tenta demonstrar a ilegalidade do Auto de Infração referente, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 56/67, às contribuições previdenciárias parte da empresa e às correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em virtude dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 3. Informa o Relatório Fiscal, ainda, que as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração indireta concedida na forma de bolsas de estudo a dependentes de empregados. As referidas bolsas têm como característica o desconto na mensalidade escolar de dependentes de empregados da empresa. 4. O sujeito passivo foi regularmente cientificado e apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: a) os valores lançados não representam ganho financeiro para os empregados; b) a bolsa de estudos é adotada para o auxílio da concretização dos direitos sociais do cidadão; c) os ganhos indiretos não dispõem do requisito da habitualidade; d) a CLT dispõe expressamente que a bolsa de estudos não deve ser considerada como salário; e) a isenção prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei 8.212/91 abarca as bolsas de estudos concedidas a dependentes. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador houve por bem em não acolher a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado em sua totalidade. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 272 5 6. Irresignada, a recorrente apresentou o presente recurso voluntário, reiterando as alegações lançadas em sua impugnação, pleiteando a exoneração do crédito tributário, entendendo que sua conduta foi pautada na legislação de regência. 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. O Recurso Voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso voluntário. BOLSA DE ESTUDOS PARA DEPENDENTES 2. No tocante ás contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos aos funcionários sob o título de bolsa de estudo aos dependentes o auditor fiscal justificou que esse benefício não estaria elencado no parágrafo 9º, artigo 28, da Lei 8212/9, que exclui do Salário de Contribuição as parcelas nele especificadas. Assim, não se afasta a tributação em comento, ainda que prevista a natureza não salarial na cláusula 13 das Convenções Coletivas 2004/2005 e 2005/2006, assinadas entre o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia e o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia. 3. Todavia, no meu entender, os planos educacionais disponibilizados pelas empresas a seus empregados ou dependentes não geram a incidência da contribuição em comento. No caso, a ajuda escolar ofertada aos dependentes é, notoriamente, desvinculada do seu salário. 4. Inclusive, a Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 458, §2º, inciso II, afastou a natureza salarial do benefício de educação, facultando à empresa a oferta de cursos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Não há exceção que pudesse permitir a composição do salário. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...)” [grifo nosso] Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 273 7 5. Vale lembrar que a Mensagem 1.115/00, do Poder Executivo, quando encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei 10.243/2001, justificou o acréscimo do § 2º ao art. 458, da CLT, como proposta para desvincular os benefícios do salário, como se constata: 4. A proposta modifica, ainda, o § 2º do art. 458, da CLT, que dispõe sobre o salário in natura, para determinar que os benefícios, concedidos pelo empregador, relativos a educação, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, não integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisfação, sem ônus subseqüente de outra natureza. A proposta atende a essas expectativas desvinculando tais benefícios do salário. (o negrito é nosso) 6. Logo, não convém que a legislação trabalhista exclua da composição do salário determinado benefício e a legislação previdenciária considereo para efeitos de incidência de sua respectiva contribuição. Nessa situação, não se trata de dar razão ao princípio da especificidade da norma previdenciária, pois o que está em jogo para o sistema é a segurança jurídica, a saber, na sua concretude enquanto confiança na estabilidade da norma. 7. Afinal, a segurança jurídica nada mais é que a efetivação do princípio do Estado de Direito, sendo integrante de um sistema constituído de ordem normativa, hierarquicamente superior ao da especificidade por sua natureza de sobreprincípio, uma vez que em si estão ligados outros princípios exaltadores de sua concretização, como asseverou o ilustre doutrinador Paulo de Barros. 8. E, segundo Nuno Sá Gomes, em Estudos sobre a Segurança Jurídica na Tributação e as Garantias dos Contribuintes, a segurança jurídica, sendo referida como certeza do direito, visando à respectiva cognoscibilidade e previsibilidade, supõe não só o conhecimento dos princípios e normas aplicáveis em termos gerais e abstratos, mas ainda o conhecimento dos previsíveis efeitos da respectiva aplicação da norma. 9. Assim, quando a empresa recorrente concedeu aos seus funcionários a ajuda escolar para cada dependente, agiu em boafé por confiar na estrutura normativa que lhe conferiu a possibilidade dessa concessão sem que sobreviesse a exigência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Esta é a segurança jurídica a ser preservada. 10. Em sendo, seria inapropriado admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista. O próprio Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. 11. Transcrevo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho." Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 12. Seguindo esta linha de raciocínio, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ – é pacífica quanto à natureza não salarial da verba em apreciação, não sendo possível o recolhimento previdenciário. Eis as ementas de alguns acórdãos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. AUXÍLIO ESCOLAR. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Não podem ser considerados como salário in natura os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar a seus empregados, porquanto não retribuem o trabalho efetivo. Desse modo, em relação a tal verba não deve incidir contribuição previdenciária, pois não integra a remuneração. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 642.591/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/2006, DJ 16/11/2006, p. 219) “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Quanto à análise de pedido formulado em Agravo Regimental, configurandose omissão, devese acolher os aclaratórios para sanála e apreciar a matéria. 2. O entendimento do STJ é pacífico no sentido de que os valores gastos pelo empregador com a educação de seus empregados não integram o saláriodecontribuição; portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. 3. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeito infringente. (EDcl no AgRg no REsp 479.056/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 02/03/2010) RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIOEDUCAÇÃO (BOLSA DE ESTUDO) NÃOINCIDÊNCIA NATUREZA NÃO SALARIAL ALÍNEA "T" DO § 9º DO ART. 28 DA LEI N. 8.212/91, ACRESCENTADA PELA LEI N. 9.258/97 PRECEDENTES. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 274 9 O entendimento da Primeira Seção já se consolidou no sentido de que os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não integram o saláriode contribuição e, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária mesmo antes do advento da Lei n. 9.528/97. Recurso especial improvido. (REsp 371088/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 25/08/2006 p. 318) TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO – VALORES GASTOS COM EDUCAÇÃO DO EMPREGADO – INEXISTÊNCIA DE CARÁTER SALARIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NÃOINCIDÊNCIA. 1. Não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores gastos pela empresa a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados. 2. Recurso especial provido. (REsp 853969/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2007, DJ 02/10/2007 p. 234) [grifo nosso] 13. Do exposto, resta clara a não incidência de tributação previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos aos dependentes. 14. Em sendo, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bolsa de estudos dependentes, pois não têm natureza salarial e não podem compor o saláriodecontribuição, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista. CONCLUSÃO 15. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, com o desiderato de exonerar o crédito tributário em sua totalidade. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de bolsa de estudo. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de bolsas de estudo tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 275 11 § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação), quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 276 13 Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “t”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas de estudo, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade bolsa de estudo), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. Fitas tais considerações jurídicas gerais sobre o tema, passamos a analisar o caso concreto. Como apontamos, os valores dispendidos a título de bolsa de estudo oferecida aos dependentes dos empregados não desfrutam da isenção, portanto não há como acatar os argumentos da recorrente nesse aspecto. Votamos pelo não provimento do Recurso quanto a esse aspecto. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 277 15 Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 278 17 casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10580.728650/200930 Acórdão n.º 2301003.320 S2C3T1 Fl. 279 19 GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10166.721628/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE GFIP. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. MULTA. LEGALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de entregar GFIP informando todos os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS.
MULTA. AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DA SANÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise da constitucionalidade da legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
Ana Maria Bandeira Presidente Substituta
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira Presidente Substituta Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares.
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AUSÊNCIA DE ENTREGA DE GFIP. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. MULTA. LEGALIDADE. Constitui infração deixar a empresa de entregar GFIP informando todos os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. MULTA. AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DA SANÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise da constitucionalidade da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente Substituta Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 16 28 /2 00 9- 50 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.721628/200950 Acórdão n.º 2402002.680 S2C4T2 Fl. 101 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA – SESI DEPARTAMENTO REGIONAL DO DF em face do acórdão fls. 169/173 que manteve a integralidade do Auto de Infração 37.225.4365, lavrado para a cobrança de multa por não ter a recorrente entregue em tempo hábil a GFIP da competência 13/2006. O período apurado compreende a competência de 13/2006 tendo sido o contribuinte cientificado em 31/08/2009 (fls. 01) Consta do relatório fiscal que a GFIP referente à competência 13/2006 foi entregue somente após o início da ação fiscal, em 03/06/2009. Na fase de “Verificações Preliminares Previdenciárias” não foi analisada a folha de pagamento deste período, apenas a regularidade de entrega de GFIP. Informa a autoridade fiscalizadora que “houve recolhimento por meio de GPS – Guia da Previdência Social das contribuições previdenciárias à competência em questão, antes do início da presente ação fiscal.” Ante o exposto, o agente fiscal caracterizou o fato como, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337A do Código Penal, razão pela qual foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais. A multa aplicada tem valor de R$ 65.129,82, nos termos do art. 32, inciso IV, §§ 4º e 7º e art. 102, ambos da Lei n.º 8.212, de 24.07.91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97, vigente à época, combinados com o artigo 284, I, e §§ 1º e 2º, e no art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social – RPS., aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Em seu recurso, o recorrente sustenta que a multa não deve prevalecer, pois fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Ressalta que de acordo com o próprio relatório fiscal ficou demonstrado que a irregularidade é obrigação acessória, sendo que a obrigação principal foi recolhida, o que destaca o fato de não ter havido sonegação, apenas uma infração formal. Caso esta penalidade seja mantida, o recorrente aduz a necessidade de ser reduzido o seu valor , tendo em vista que tão logo constatada a irregularidade, foi procedida a devida correção. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, o recorrente defendese alegando que não há necessidade da mesma, por não ter configurado nenhum crime de sonegação, baseouse no relatório fiscal que demonstrou que houve o recolhimento das contribuições previdenciárias referentes à competência, apenas não houve a entrega da GFIP. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.721628/200950 Acórdão n.º 2402002.680 S2C4T2 Fl. 102 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Conforme já relatado, de fato a infração é incontroversa, tendo sido, inclusive, confessada pelo próprio recorrente. Este sustenta ter corrigido a totalidade da falta mediante a entrega da GFIP da competência de 13/2006 logo após o início da ação fiscal, quando intimado para tanto, antes mesmo de apresentada a impugnação e recolhido as contribuições previdenciárias nela informadas, situação que não poderia ensejar o lançamento da multa. Todavia, tal argumento não merece prosperar. A legislação é clara em determinar a obrigatoriedade da prestação de informações mediante entrega da GFIP, conforme se depreende dos dispositivos legais a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV. informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. DECRETO 3.048/1999 Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Fl. 190DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Assim, uma vez que a fiscalização verificou o descumprimento de obrigação acessória a cargo do contribuinte, laborou de forma correta ao lavrar o Auto de Infração, em obediência ao que determina a legislação acerca da aplicação da respectiva multa. Ressaltese que na aplicação da multa a fiscalização já levou a efeito a comparação da legislação mais benéfica que deveria ser aplicada ao presente caso, aplicando a multa com base no artigo 32 da Lei 8.212/91, eis que mais benéfica em relação à nova multa preconizada pelo art. 32A também da Lei 8.212/91. A forma de cálculo da multa obedeceu os parâmetros fixados em Lei, já tendo sido aplicada em seu patamar mínimo, de sorte que nada há que se prover sobre este tópico. Ademais, também merece ser afastada a alegação da máinterpretação do art. 113 do CTN pelo v. acórdão de primeira instância, pois referido artigo, a seguir transcrito, é plenamente aplicável ao presente caso e demonstra que o recolhimento da obrigação principal em momento algum desobriga o contribuinte em cumprir com suas obrigações acessórias. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Tenho, ainda, que também devem ser afastadas as alegações de desproporcionalidade de ausência de razoabilidade na aplicação da multa, uma vez que somente fora levado a efeito aquilo o que determinado pela legislação previdenciária sobre o assunto. E mesmo que assim não o fosse, notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por fim, quanto a representação fiscal para fins penais, este conselho não detém competência para analisar a questão, conforme enunciado da Súmula. 28 do CARF, a seguir: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10166.721628/200950 Acórdão n.º 2402002.680 S2C4T2 Fl. 103 7 Súmula CARF 28 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para fins Penais Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/09/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES
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