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Numero do processo: 10665.720819/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO.
Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I).
PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo.
FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto.
FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL.
Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO.
O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refirase à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 19 /2 01 0- 15 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 351 3 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/09/2006 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A manifestação de inconformidade referese à pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à vendas efetuadas com alíquota zero, formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O acórdão da DRJ não reconheceu o crédito relativo ao frete nas aquisições e nos retornos de produtos enviados para industrialização perante terceiros; na “remessa de arroz acabado para entrega a clientes, mas antes passando pela Matriz”; no transporte de subprodutos, de arroz a granel entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica e na aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. O ressarcimento foi admitido apenas no tocante ao frete na aquisição de matériaprima (arroz em casca) de produtor rural pessoal física, de embalagens e na remessa de matériaprima para industrialização, nos anos de 2005 e 2006. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 321339, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando que o frete na remessa e no retorno de matériaprima para industrialização por terceiros estaria vinculado ao processo produtivo, integrando, assim, o custo de industrialização do produto acabado. Sustenta ainda que a Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 não poderia ser invocada como fundamento para a vedação do crédito de frete Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 na transferência de produto acabado entre a filial e a matriz, porquanto, de acordo com o art. 16, § 4º, da Instrução Normativa nº 740/2007, seus efeitos não podem retroagir. Alega ter direito ao crédito nas transferências entre estabelecimentos, uma vez que se trata de operação realizada com o intuito de aperfeiçoar a logística de distribuição, isto é, despesas vinculadas diretamente à operação de venda. Aduz que o frete na remessa de subprodutos e de arroz a granel para ser industrializado, de produto acabado e de subproduto destinado à venda deve ser reconhecido, segundo recente jurisprudência do Carf, que interpreta o conceito de insumo de modo abrangente de todos os custos e despesas necessários para a operação do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 29/08/2011 (fls. 320), interpondo recurso tempestivo em 28/09/2011 (fls. 321). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O pedido de ressarcimento foi formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõem: Lei nº 11.116/2005 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Lei nº 11.033/2004 “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Os créditos em discussão, por sua vez, referemse às despesas de frete devido no transporte (i) de produtos enviados para industrialização por terceiros (“retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”); (ii) de produto acabado para Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 352 5 venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (iii) de subprodutos; (iv) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (v) de aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. I PRODUTOS ENVIADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Cumpre destacar que, embora a decisão recorrida se refira à “aquisições e retorno de produtos enviados para industrialização junto a terceiros, com alíquota zero (item C)”, notase, a partir do termo de verificação de fls. 10 e seguintes, que, a rigor, a glosa do crédito diz respeito ao frete no “retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”. A legislação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/Pasep e da Cofins disciplina o creditamento decorrente das despesas com frete nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; É preciso ter cautela na interpretação da amplitude do direito ao crédito relativo às despesas com frete. Isso porque, embora o art. 3º, IX, refirase à “frete nas operações de venda”, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos. Este, porém, não decorre do inciso IX, mas dos incisos I e II do art. 3º, porque a base de cálculo do crédito constitui o custo de aquisição do bem, que também é composto pelo frete pago na entrega. O creditamento do frete, assim, ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou bem adquirido para revenda. Com efeito, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, o cálculo do crédito deve considerar o custo de aquisição do bem ou serviço: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de frota própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Na aquisição de insumos e de mercadorias para revenda, portanto, o contribuinte tem direito ao crédito do frete, à medida que este integre o custo de aquisição, consoante amplamente reconhecido em diversas soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo (Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006). FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 353 7 contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática (Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. No mesmo sentido, cf.: Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010; Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006; Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Ao promover a glosa do crédito, a autoridade competente não divergiu dessa orientação, consoante se depreende da seguinte passagem do ato que serviu de fundamento para o despacho decisório (fls. 10 e seguintes): “Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens, conforme artigo 289, § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, como é o caso das aquisições de pessoas físicas e com alíquota zero, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito.” De fato, na industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora está sujeita à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 25, I, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 25. A pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, sujeitase, conforme o caso, às alíquotas previstas nas alíneas a ou b do inciso I do art. 1o da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos nelas referidas. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o caput: I as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a 0 (zero); e” Assim, não há direito ao crédito, porque, nas hipóteses de alíquota zero, o adquirente somente pode se creditar quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep ou pela Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Portanto, como o crédito do frete na aquisição de bens não é autônomo em relação ao crédito do insumo adquirido porque se operacionaliza de forma atrelada ao crédito Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 do insumo, compondo a respectiva base de cálculo , não há como reconhecer o direito ao crédito ao Recorrente, uma vez que a operação não está sujeita à incidência da contribuição. II PRODUTO ACABADO PARA VENDA, PORÉM, COM PASSAGEM PRÉVIA PELO ESTABELECIMENTO DA MATRIZ A legislação, consoante destacado acima, estabelece que o contribuinte tem direito ao crédito de frete nas operações de venda, desde que tenha suportado o ônus respectivo (Lei nº 10.8333, art. 3º, IX): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu que o Recorrente não teria direito ao crédito, porque a mercadoria, por questões de logística, circulava pelo estabelecimento da matriz: “As remessas dos produtos acabados da unidade de Capivari do Sul para Minas Gerais para entrega aos clientes; por questão de logística, esta mercadoria circula pelo estabelecimento matriz. Esse gasto não pode ser considerado como insumo porque se refere a frete de produto acabado da filial para a matriz. Portanto, não gera crédito, conforme orientação da citada Solução de Divergência.” (fls. 314). A decisão recorrida referese à Solução de Divergência Cosit nº 26/2007, que recebeu a seguinte ementa: EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Essa interpretação, entretanto, carece de sentido. Isso porque “se o crédito é assegurado na hipótese de transporte da indústria diretamente para o consumidor final, não há razões para negar esse mesmo direito quando a mercadoria é remetida previamente a um centro Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 354 9 de distribuição. O que ocorre, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Ao invés de manter o estoque na fábrica, remetendo a mercadoria para o destino final após a concretização da venda, o contribuinte promove o deslocamento em duas etapas” 1. No caso em exame, a partir do Anexo IV do termo de verificação fiscal, nota se claramente que se trata de “remessa de arroz acabado para entrega a clientes”. O fato da mercadoria, por questões de logística, circular previamente pelo estabelecimento da matriz em nada afeta o direito ao crédito, porque a legislação autoriza o creditamento desde a unidade produtora até o consumidor final. Desse modo, entendese que deve ser reconhecido o direito ao crédito. III FRETE NO TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS O crédito do frete no transporte de subprodutos destinados à venda não foi reconhecido, porque, de acordo com a decisão recorrida, “o transporte de subproduto está fora do processo produtivo e não pode ser considerado como insumo”. Por outro lado, “seguindo o disposto na Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, o gasto com o transporte de subprodutos não deve gerar créditos de PIS/Cofins” (fls. 316). Entendese, entretanto, que a SD nº 26/2008 não pode ser invocada fundamento para a vedação do direito ao crédito, porque, de acordo com sua ementa, reproduzida no item anterior, a mesma não trata do transporte de subprodutos. Na verdade, devese ter presente que subproduto nada mais é do que um resíduo ou produto secundário do processo industrial. Muitas empresas, limitamse ao seu descarte no ambiente ou em aterros sanitários, dentro de uma etapa do procedimento industrial conhecida como lançamento ou disposição de resíduos. Outras, por política ambiental ou por razões econômicas, notadamente quando o produto secundário apresenta valor comercial ou quando a sua disposição se apresenta muito onerosa, promovem a sua comercialização. A legislação, ao conceder o direito ao crédito, não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX). Portanto, em se tratando de venda de produto ou subproduto, o que é irrelevante , o sujeito passivo pode se creditar. IV REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO De acordo com a decisão recorrida, “[...] o gasto com transporte de arroz a granel, mesmo que ainda em fase de industrialização, entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica não proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins”, porque “o arroz a granel equivale a um produto ou a um subproduto para o contribuinte” (fls. 316). Essa interpretação, porém, não pode ser acolhida. Afinal, se o transporte do arroz à granel ocorre para fins de industrialização, não cabe qualificálo como produto nem como subproduto. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: 1 SEHN, Solon. PISCofins: nãocumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 334. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 “Art. 8º [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Na verdade, arroz a granel em nada difere do arroz em casca remetido para industrialização. Ambos são matériaprima para o produto final. Portanto, se a DRJ reconheceu o direito ao crédito em relação a este, também deveria ter admitido o creditamento em relação ao primeiro, porque, consoante destacado no exame do item I, o frete integra o custo de aquisição. O acórdão, portanto, deve ser reformado nesse particular. V – AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA A DRJ não admitiu o creditamento do frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete, fuso transportador e de pêssego enlatado, com base nos seguintes fundamentos: “Segundo contribuinte, neste caso se trata de frete incidente sobre a aquisição de produto acabado (pêssego enlatado), subprodutos adquiridos e destinados a revenda, produtos estes tributados pelo PIS e a Cofins. Tratase, também, da glosa de créditos relativos a frete sobre transporte na aquisição de roletes, cone de roletes, fuso transportador. Na presente situação, não se vislumbra que esse frete referese a insumos. Esse gasto está fora do processo produtivo. Por isso não gera direito ao crédito de PIS/Cofins.” (fls. 316/317). No que tange aos roletes, cone de roletes, fuso transportador, o Recorrente alega que seriam insumo do processo produtivo, inclusive com contato direto com a matéria prima. Todavia, do exame dos autos, verificase que não há qualquer prova nesse sentido. Tampouco há qualquer elemento que permita aferir a vida útil de tais bens, o que se afigura relevante à medida que tais produtos, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato. O Recorrente, dito de outro modo, deveria ter demonstrado as circunstâncias da utilização de tais bens no processo produtivo e, principalmente, que o mesmos sofrem um desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. Por fim, em relação ao frete na aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) adquirido para revenda, entendese que o crédito deve ser reconhecido, porque, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, reproduzido acima, o cálculo deve considerar o custo de aquisição do bem, no qual se inclui o frete. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para efeitos de reconhecimento do direito ao crédito relativo às despesas de frete devido no Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 355 11 transporte (a) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (b) venda de subprodutos; (c) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (d) de aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) para revenda. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso presente, filiome ao voto exarado pelo i. Conselheiro Relator no que toca ao reconhecimento de direito creditório da COFINS (regime nãocumulativo) previsto na Lei nº 10.833, de 2003, referente às despesas de frete devido no transporte relativo à: i) venda de subprodutos (art. 3º, IX, da Lei); ii) remessa de arroz à granel para industrialização (art. 3º, II, da Lei); (iii) aquisição de produto acabado – “pêssego enlatado” para revenda (art. 3º I, da Lei). Entendo, em consonância com os fundamentos exposto pelo i. Relator, que, em relação ao itens ii e iii acima, o custo do frete integra o custo de aquisição do insumo ou do produto para revenda refletindo positivamente no direito creditório previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.833, de 2003. Noutro giro, peço vênia ao i. Relator para, acompanhando a divergência inaugurada pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, pontuar meu entendimento de que as despesas de frete devido no transporte de produto acabado para entrega a clientes, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz, não são hábeis à geração de créditos. Tratase, no caso, de frete de produto acabado da filial para a matriz, custo este não albergado pela legislação de referência. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Destaquei. Com efeito, o mero deslocamento de mercadorias acabadas de uma unidade para outra da mesma pessoa jurídica – operação em que inexiste qualquer contrato subjacente de transferência de propriedade do produto não se confunde com o serviço de frete na operação de venda. A estrutura do artigo 3º da Lei apresenta, a par de um dispositivo aberto que remete ao conceito de insumo (inciso II), um rol taxativo de hipóteses de creditamento que, em que pese não se enquadrarem no conceito de insumo, são, ainda assim, admitidos ao creditamento, de maneira a exigir uma interpretação restritiva nesses demais casos – e.g., aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; edificações e benfeitorias em imóveis; vale Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Ainda, havendo previsão literal sobre as hipóteses de creditamento não se tratando, portanto, de ausência de disposição expressa (art. 108 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN) – penso incabível o uso de analogia no presente, ainda mais quando para fins de alargamento das hipóteses de creditamento legalmente elencadas, como sói ocorrer na tentativa de equiparar as despesas de transporte de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da empresa ao serviço de frete na operação de venda. Também não há que se falar em crédito por conta do artigo 3º, II da Lei em estudo por também não se tratar aqui de frete na aquisição de insumos – hipótese em que o custo de transporte integraria o custo dos mesmos. Dessa forma, entendo, por ausência de dispositivo legal permissivo, não existir direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Conselheiro Presidente Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10240.001688/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
RECURSO DO CONTRIBUINTE
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
RECURSO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO
SOLIDARIEDADE. CISÃO PARCIAL.
A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.
RESPONSABILIDADE. CISÃO PARCIAL.
A pessoa jurídica constituída pela fusão de outros, ou em decorrência de cisão de sociedade respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas.
RESPONSABILIDADE POR CISÃO. INÍCIO E FIM DOS EFEITOS.
É responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, cindidas, transformadas ou incorporada.
Recurso do contribuinte não conhecido.
Recurso do responsável solidário negado.
Numero da decisão: 1402-001.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso apresentado pelo coobrigado e não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo, por perempção. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RECURSO DO CONTRIBUINTE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. RECURSO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO SOLIDARIEDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. RESPONSABILIDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica constituída pela fusão de outros, ou em decorrência de cisão de sociedade respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas. RESPONSABILIDADE POR CISÃO. INÍCIO E FIM DOS EFEITOS. É responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, cindidas, transformadas ou incorporada. Recurso do contribuinte não conhecido. Recurso do responsável solidário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso apresentado pelo coobrigado e não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo, por perempção. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RECURSO DO CONTRIBUINTE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. RECURSO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO SOLIDARIEDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. RESPONSABILIDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica constituída pela fusão de outros, ou em decorrência de cisão de sociedade respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas. RESPONSABILIDADE POR CISÃO. INÍCIO E FIM DOS EFEITOS. É responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, cindidas, transformadas ou incorporada. Recurso do contribuinte não conhecido. Recurso do responsável solidário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 16 88 /2 00 7- 51 Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 ACORDAM os membros do Colegiado, negar provimento ao recurso apresentado pelo coobrigado e não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo, por perempção. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Sandra Dias Nunes e Paulo Roberto Cortez. Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório SG – SUPERMERCADOS LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 34.748.558/000171, com domicílio fiscal na cidade de Porto Velho, Estado de Rondônia, na Rua. Almirante Barroso, nº 2.240 Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho RO, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 542/550, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 566/570. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho RO, em 08/10/2007, Auto de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 240/272 e 294/306), com ciência pessoal, em 09/10/2007 (fls. 240/306), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.844.242,60), a título de tributo e contribuições, acrescido de multa lançamento de ofício normal 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuição referente aos exercícios de 2004 a 2008, correspondente aos anoscalendário de 2003 a 2007, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2004 a 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – Através da metodologia de comparação entre as informações constantes da escrituração; DCTF; IRPJ; PIS e COFINS, verificouse a redução indevida da base de cálculo do PIS/COFINS, referentes aos anos de 2003 a 2007; e insuficiência de declaração de IRPJ e CSLL no ano calendário de 2005. Infração capitulada nos arts. 247 e 841 do RIR/99. 2 – Apurouse, também, Responsabilidade Solidária, por sucessão, uma vez que houve cisão parcial da empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171, resultando na empresa SUPERMERCADO GONÇALVES, CNPJ 06.225.625/000138, tornando esta última “sujeito passivo” das obrigações tributárias da primeira. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo do Termo de Verificação de Infração (fls. 309/312), entre outros, os seguintes aspectos: que, no que diz respeito à Redução Indevida na Base de Cálculo do PIS e COFINS e conseqüente insuficiência de declaração, é de se dizer, que tendo em vista a não localização na escrituração de conta contábil relativa às deduções da base cálculo do PIS e COFINS dos lançamentos a título de vendas de mercadorias tributadas por substituição tributária, em 25/09/2007 intimamos o contribuinte a justificar tais valores; que, em resposta, o contribuinte alegou não ter uma conta específica tanto para escriturar vendas como as compras de mercadorias sujeitas à substituição tributária. No Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 entanto, verbalmente informou que teria controles extra contábeis para o cálculo da exclusão destes valores da base de cálculo da COFINS e do PIS, conforme informado no Dacon. Porém, limitouse a apresentar tais controles somente em relação às compras de mercadorias tributadas por substituição tributária; que verificamos que em vários meses o total de mercadorias compradas superou em muito as vendas informadas na redução da base de cálculo da COFINS e do PIS, nos dezoito meses em que houve dedução da base de cálculo do montante de vendas de mercadorias tributadas por substituição; que tal fato determinou que adotássemos um critério no sentido de considerar tais mercadorias como vendidas até o valor informado no Dacon, pois a comprovação de que tais mercadorias adquiridas não foram vendidas dependeria de uma auditoria específica em estoques, impossível ao escopo verificações obrigatórias; que a guisa de conclusão, foi recalculada a base de cálculo para a incidência de PIS e COFINS, considerando a dedução de “vendas de mercadorias sujeitas à substituição tributária” no montante das compras, limitadas ao total deduzido no Dacon; que, no que diz respeito aos créditos informados no Dacon, utilizando a própria escrituração do contribuinte para chegar à base de calculo e respectivos créditos, verificamos que houve majoração deste e conseqüente redução indevida da COFINS e PIS apurados e declarados, é de se dizer, que as referidas planilhas, anexas a este Termo, mostram que, ao comparar as informações da escrituração com aquelas consignadas no Dacon, houve erro na informação de compras e devoluções de mercadorias para revenda, energia elétrica, despesas financeiras e depreciação. Tais fatos resultaram que os créditos calculados foram Inferior àqueles apurados e informados no Dacon, fato que resultou em uma base de cálculo maior do que àquela informada pelo contribuinte nos anoscalendários de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007; que, no que diz respeito à insuficiência de Declaração de IRPJ e CSLL, é de se dizer, que, em 21/05/2007, intimamos o contribuinte a manifestarse a respeito das divergências entre a as obrigações tributárias provisionadas na escrituração, frente a valores menores declarados em DCTF; que no que se refere ao IRPJ e CSLL, somente houve diferenças entre o valor escriturado e o valor declarado em 2005, conforme explicitado na tabela anexa a este Termo, sendo que tais diferenças não foram justificadas na resposta apresentada em 22/05/2007; que, no diz respeito à RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, é de se dizer, que a empresa SG SUPERMERCADOS LTDA., CNPJ 34.748.558/000171, promoveu uma cisão parcial, em 25/03/2004, constituindo a empresa SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA., CNPJ 06.225.625/000138. Sendo, que tal situação caracteriza a responsabilidade dos sucessores nos termos do art. 121 da Lei nº 5.172, de 1966. SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA., como responsável solidário, apresenta a sua peça impugnatória de fls. 328/334, tempestivamente, em 08/11/2007, instruído pelos documentos de fls. 335/386, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 4 5 que foi lavrado um auto de infração contra a empresa SG SUPERMERCADOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrito no CNPJ 34.748.558/000171, sendo colocado a impugnante, como responsável solidário do débito apurado, o que não pode ser aceito; que a impugnante foi incluída com responsável solidários dos débitos nesse feito em razão de ter surgido através do processo de cisão parcial da empresa autuada em março de 2004, o que não pode ser aceito; que cisão é a operação jurídica pela qual uma empresa transfere parcelas do seu patrimônio (ativo e passivo) para uma ou mais sociedades, constituídas para fim ou já existentes, podendo ser total ou parcial; que, assim, após o processo de cisão passaram a existir duas empresas distintas, a impugnante (cisionada), que surgiu nesse processo, e a empresa cindida (SG Supermercados), cada uma com sua personalidade e responsável apenas pelos seus atos; que, pelo fato da cisão ter sido parcial é que é ilegal a responsabilização da impugnante, ainda mais em períodos posteriores à cisão; que, como no caso se trata de cisão parcial, onde a empresa cindida continuou normalmente suas atividades, a responsabilidade da impugnante pelos débitos tributários da empresa que lhe transferiu parte do seu patrimônio, apenas e tão somente os devidos até a data da cisão, é apenas subsidiária; que com referência aos débitos de períodos posteriores à cisão, ou seja, cujo fato gerador ocorreu em data posterior a março de 2004, é mais do que claro a ilegalidade da responsabilização da impugnante. Em relação a estes fatos nenhum vínculo existe entre as duas empresas, vez que pessoas jurídicas diferentes; que, sendo subsidiaria a responsabilidade da impugnação pelos débitos da cindida anteriores à cisão, o fisco deve exigir o pagamento diretamente da empresa SG SUPERMERCADOS, reservando o seu direito de cobrar da impugnante esses débitos anteriores à separação somente se aquela for insolvente, desaparecer ou tomar impraticável a cobrança, o que não é definitivamente o caso, e aliás, não foi provado; que somente se provada a insolvência da empresa cindida é que a Fazenda Nacional poderia exigir algo da impugnante. Como nada foi provado, descabe a responsabilização da impugnante ate mesmo com relação aos débitos anteriores à cisão. SG SUPERMERCADOS LTDA. em sua peça impugnatória de fls. 349/380, apresentada, tempestivamente, em 08/11/2007, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, no que diz respeito ao lançamento de PIS e da COFINS, é de se dizer, que é totalmente improcedente o lançamento do PIS e da COFINS, não existindo as divergências apontadas pela fiscalização; Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que primeiro erro da agente fiscal referese ao valor das compras das mercadorias consideradas em seu levantamento. A referida apuração foi feita através dos valores informados no balancete da empresa; que ocorre que a empresa lança nos balancetes o valor líquido das compras, já excluído o ICMS incidente sobre a operação, não sendo correto, assim, a utilização de tais valores na apuração do crédito; que o crédito do PIS e da COFINS deve ser calculado sobre os valores brutos das compras, incluindo o ICMS. Tais valores estão devidamente informados no livro de apuração de ICMS, o qual deveria ter sido utilizado para a referida apuração; que, a título de amostragem, exemplificamos o mês de outubro de 2003, onde a fiscalização utilizou em sua apuração de crédito o valor líquido das compras lançadas no balancete, no importe de R$ 4.108.721,89. O valor bruto dessas compras, que deveria ter sido utilizado e consta no livro de apuração anexado, é de R$ 4.227.929,08. Tal equivoco resultou na apuração de um valor de crédito inferior ao que o impugnante tem direito. Assim, deve ser retificado tal valor na apuração de crédito realizado pela fiscalização; que esse erro ocorreu em todo o período apurado, o que pode ser verificado por simples análise dos livros de apuração anexados, devendo ser retificados tais valores na apuração do crédito do PIS e da COFINS; que outro equívoco na apuração dos créditos da COFINS e do PIS foi causado por erros de somas da referida planilha. A agente fiscal deve ter cometido algum erro na fórmula criada para fazer os cálculos, o que também deve ser corrigido; que para chegar à base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS, a agente fiscal fez a seguinte operação aritmética em seu demonstrativo: compras à vista + compras a prazo – devolução de compras + energia elétrica = despesas financeiras = depreciação = devolução das vendas sujeitas alíquota 1,65%; que, por algum erro, ao fazer esse cálculo, foi subtraído duas vezes o valor referente à devolução de compras, reduzindo indevidamente a base de cálculo para apurar o crédito; que, no que diz respeito as vendas com substituição tributária, é de se dizer, que o agente fiscal, na apuração do PIS e da COFINS do período de março de 2003 a junho de 2004, considerou como dedução da base de cálculo dos tributos as vendas de mercadorias por substituição tributária, fazendo o levantamento com base nas entradas de mercadorias tributadas por substituição tributária; que acontece que o mesmo deve ocorrer também nos períodos seguintes, ou seja, de julho de 2004 a julho de 2007, vez que a impugnante continuou comprando e vendendo produtos tributados por substituição tributária; que, no que diz respeito a compensação, é de se dizer, que foi constatado pela própria autoridade fiscal, que a recorrente possui créditos decorrentes de pagamentos a maior da COFINS e do PIS em alguns meses no período fiscalizado, o que devem ser usados para saldar os débitos supostamente remanescentes deste auto de infração; que uma grande ilegalidade e inconstitucionalidade constante em todo lançamento impugnado, e que deve ser retificado na remota hipótese de não ser cancelado totalmente o presente lançamento, o que colocamos como suposição, é a utilização da Taxa Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 5 7 Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC a título de juros moratórios. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente se faz necessário verificar se esta correta a apresentação da empresa Gonçalves Companhia, CNPJ 06.225.625/00038, como responsável solidário dos créditos tributáveis devidos pela empresa SG Supermercados, CNPJ 34.748.558/000171; que a impugnante contrasta a tese da fiscalização argüindo que a situação se adéqua ao disposto no art. 133 do CTN; que a tese da impugnante não merece prosperar: 1) o art. 133 se aplica aos casos em que há “aquisição do fundo de comércio”, ao passo que o disposto no art. 207, § único, II do Decreto 3.000, de 1999 se aplica ao caso de cisão, que é o que houve de fato e de direito; que, assim, está correta a apresentação da empresa GONÇALVES COMPANHIA, CNPJ 06.225.625/000138, como responsável solidária dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171; que o ato da cisão ocorreu, em 07/06/2004, através da vigésima sexta alteração contratual da empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171; logo esta é a data limite para considerarmos “solidárias” as empresas acima citadas; que a partir desta data, após 07/06/2004, para caracterizarse a solidariedade deverseia provar o “interesse comum” entre ambas, e para isto não basta o fato de os sócios serem as mesmas pessoas nas duas empresas! Os sócios até poderiam figurar na condição de sujeitos passivos solidários, mas não a empresa resultante da cisão, em virtude de ser oriunda de cisão parcial; que o ato da cisão ocorreu em 07/06/2004, para caracterizarse a solidariedade deverseiá provar “interesse comum” entre ambas, e para isto não basta o fato de os sócios serem as mesmas pessoas nas duas empresas! Os sócios até poderiam figurar na condição de sujeitos passivos solidários, mas não a empresa resultante da cisão, em virtude de ser oriunda de cisão parcial; que a impugnante descreve como entende correta a apuração dos tributos PIS e COFINS, diz, ainda, que apresenta notas fiscais e contabilidade, em anexo. Mas ocorre, entretanto, que estes elementos não contrapõem às conclusões da fiscalização, que apresentou os valores que apurou como corretos, fez comparação com os valores declarados pela fiscalizada, e apurou o que ainda era devido; que a impugnante deveria ter contraposto só cálculos realizados pela fiscalização, apontando, um a um, item a item, onde estavam certos, onde estavam errados; mas não o fez; apenas, a título de amostragem, afirmou estarem errados os cálculos da fiscalização. Assim, considero não provadas as alegações da impugnante; Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que, no que diz respeito a situação tributaria dos tributos IRPJ e CSLL, é de se dizer, que há da impugnante no cálculo dos tributos, e a fiscalização está correta, em relação à competência março/2005; que para a competência setembro/2005, há erro no preenchimento da declaração, mas a impugnante alega que o tributo devido fora pago, conforme DARF em anexo; ocorre que até o momento esta alegação não fora comprovada; que a discussão acerca da utilização da taxa de juros da SELIC, ou seja, o questionamento acerca da utilização da taxa de juros SELIC encontrase, no âmbito administrativo fiscal, exaurido através das Súmulas n° 04 e 05 do CARF. Sendo assim, a utilização dos juros da SELIC na correção do saldo devedor é correto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 SOLIDARIEDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. RESPONSABILIDADE. CISÃO PARCIAL. A pessoa jurídica constituída pela fusão de outros, ou em decorrência de cisão de sociedade respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas. RESPONSABILIDADE POR CISÃO. INÍCIO E FIM DOS EFEITOS. É responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporada. IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova incumbe ao autor, quando ao fato constitutivo do seu direito; no caso a fiscalização, ou ao réu, no caso, impugnante, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar da sujeição passiva a empresa GONÇALVES COMPANHIA, CNPJ 06.225.625/000138, como responsável solidário dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ 34.748.558/000171, para os fatos geradores ocorridos após o dia 07/06/2004. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/06/2011, conforme Termo constante às fls. 562/563, e, com ela não se conformando, o responsável solidário Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 6 9 SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA. interpôs, em tempo hábil (30/06/2011), o recurso voluntário de fls. 566/570, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a recorrente foi mantida como responsável solidária dos débitos até 07/06/2004, em razão de ter surgido através do processo de cisão parcial da empresa autuada nessa data, o que não pode ser aceito; que como fundamento do direito da recorrente ter seu nome retirado do presente processo citamos o artigo 133 do Código tributário Nacional, que regulamenta a responsabilidade tributária nos casos de sucessão por transferência de bens; que que, sendo subsidiaria a responsabilidade da impugnação pelos débitos da cindida anteriores à cisão, o fisco deve exigir o pagamento diretamente da empresa SG SUPERMERCADOS, reservando o seu direito de cobrar da impugnante esses débitos anteriores à separação somente se aquela for insolvente, desaparecer ou tomar impraticável a cobrança, o que não é definitivamente o caso, e aliás, não foi provado. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/05/2011, conforme Termo constante às fls. 556/560, e, com ela não se conformando, o contribuinte autuado SG SUPERMERCADOS LTDA. interpôs, intempestivamente (30/06/2011), o recurso voluntário de fls. 572/581, instruído pelos documentos de fls. 581/611, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, a tempestividade do recurso, podese, observar, que o Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que os prazos serão contínuos, excluindose da contagem o dia de inicio, incluindose o do vencimento. Os prazos iniciam e vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. O recorrente foi intimado da decisão recorrida no dia 01/06/2011. Assim, a contagem do prazo iniciase dia 02/06/2011, com término no dia 01/07/2011; que, do lançamento de IRPJ e CSLL dos meses e março e setembro do ano de 2005, sob alegação de que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados; que, não pode prevalecer o lançamento em razão apenas da falta de obrigação acessória de declaração, vez que os tributos, obrigação principal, foram devidamente recolhidos em seu tempo correto. Assim, deve ser cancelada essa parte do lançamento, vez que a importância exigida se encontra paga; que, e totalmente improcedente o lançamento do PIS e da COFINS, não existindo as divergências apontadas pela fiscalização; que, da apuração dos créditos, podese, observar, através de planilha de “demonstrativo dos créditos sobre compras”, a fiscalização apurou os créditos de PIS e COFINS que a empresa teria para descontar dos valores devidos dessas contribuições; Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que, existem equívocos nessas apurações, reduzindo os reais créditos da empresa, o que deve ser corrigido, levando, por conseqüência, ao cancelamento de quase todo auto de infração; que, o primeiro erro da agente fiscal referese ao valor das compras das mercadorias consideradas em seu levantamento. Referida apuração foi feita através dos valores informados no balancete da empresa; que, ocorre que a empresa lança nos balancetes o valor líquido das compras, já excluindo o ICMS incidente sobre a operação, não sendo correto, assim, a utilização de tais valores na apuração do crédito; que, o credito do PIS e da COFINS deve ser calculado sobre os valores brutos das compras, incluído o ICMS. Tais valores estão devidamente informados no livro de apuração de ICMS, o qual deveria ter sido utilizado para a referida apuração; que, de ser refeito o demonstrativo dos créditos sobre as empresas, colocando no campo compras de mercadoria o valor bruto, incluindo o ICMS, o qual consta no livro fiscal de apuração; que, cabe dizer que para apurar a COFINS e o PIS devidos foi utilizado o valor bruto de vendas, com a inclusão do ICMS, gerando um tratamento desigual que não pode ser aceito; que, esse erro ocorreu em todo o período de apuração, o que pode ser verificado por simples análise dos livros de apuração anexados, devendo ser retificados tais valores na apuração do crédito do PIS e da COFINS; que, esse equívoco acontece em todos os meses que ocorreu devolução de compras, quais sejam: abril, maio, agosto, outubro e novembro de 2003; janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro de 2004; janeiro, fevereiro, abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro de 2005; janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 2006; e janeiro, fevereiro, abril, maio, julho de 2007; que, das vendas com substituição tributária, o agente fiscal, na apuração do PIS do período de março de 2003 a junho de 2004, considerou como dedução da base de cálculo dos tributos as vendas de mercadorias por substituição tributária, fazendo o levantamento com base nas entradas de mercadorias tributadas por substituição tributaria; que, acontece que o mesmo deve ocorrer também nos períodos seguintes, ou seja, de julho de 2004 a julho de 2007, vez que a Recorrente continuou comprando e vendendo produtos tributados por substituição tributaria; que, tais valores devem deduzir a base de cálculo do PIS e da COFINS, sob pena de exigir pagamento em duplicidade; que, o valor que deve ser utilizado como dedução da base de cálculo na apuração do PIS e COFINS, no período mencionado, é o valor constante na soma final de cada mês (total 01 + total 03); que, dos equívocos na apuração de saída, além dos equívocos já comprovados, que devem ser retificados, o agente fiscal também cometeu outro equivoco ao apurar o PIS e COFINS do ano 2006 e 2007, ao incluir na base de cálculo saída de mercadorias que possui alíquota zero ou são isentas de PIS e COFINS, o que é indevido. Incluiu também Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 7 11 saídas cuja tributação é monofásica, as quais também não poderiam constar dessa base de cálculo; que, pelos relatórios anexados, verificamos que foi incluída pela fiscalização, na base de cálculo do PIS e COFINS do ano de 2006, saídas no importe de R$ 4.216.473,80 que não são tributadas dessas contribuições, devendo ser retirado da apuração do fisco; que, no ano de 2007, foi incluída pela fiscalização na base de cálculo do PIS e COFINS, saídas no importe de 2.772.284, 34 que também não são tributadas dessas contribuições, devendo ser retirado da apuração do fisco; que, da compensação, após as correções das folhas da apuração citadas no itens 4.1, 4.2 e 4.3, ainda existir débito de PIS e COFINS a pagar, o que não acreditamos e colocamos como suposição, deve ser ele compensado com os créditos da Recorrente apurados pela própria agente fiscal; que, tal medida deve ser tomada até mesmo em atendimento ao principio da verdade material e da eficiência, que regem o processo administrativo e a atividade do administrador público; que, da diligencia fiscal, para que seja feita a justiça fiscal, que é o objeto desse Conselho de Recursos Fiscais, caso ache necessário, Requer que baixe o processo em diligencia, para que outro auditor fiscal verificando nos livros fiscais da empresa, Confirme as falhas da fiscalização levantadas nesse recuso, tais como não exclusão das vendas de alíquota zero na apuração do PIS e COFINS de 2006 e 2007, assim como cálculo equivocado de crédito, vez que foi utilizado valor líquido e não o bruto como determina a Lei. É o relatório. Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE: Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Impõese, assim, necessário verificar se, em verdade, houve ou não apresentação tempestiva do recurso voluntário, bem como se existe alguma justificativa razoável para se processar o recurso voluntário em outra data, senão aquela original prevista na legislação de regência. Ao tratar da intimação o Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972 e suas alterações posteriores) se manifesta da seguinte forma: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 8 13 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Pela análise preliminar das peças processuais é possível se inferir, a primeira vista, que os fatos ocorreram da forma abaixo discriminada, e por via de conseqüência com o resultado previsível ali exposto. Senão, vejamos. A decisão proferida pela Primeira Instância foi encaminhada via correio, com emissão de AR, com ciência, em 20/05/2011, uma sextafeira, conforme consta às 556/560. O marco inicial para a contagem do prazo se deu em 23/05/2011, uma segundafeira. Portanto, o prazo final para apresentação da defesa encerrarseia no dia 21/06/2011, uma terçafeira, dia expediente normal na repartição de origem. Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 A peça recursal, foi protocolizada, somente, em 30/06/2011, uma quinta feira, conforme consta às fls. 572, portanto, fora do prazo fatal. Ora, não há mais nada para se discutir, o recorrente foi cientificado em 20/05/2011 da decisão. É indiscutível que o prazo para apresentar a peça recursal é de trinta dias, contados na forma do disposto no artigo 5º, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235, de 1972, combinado com o art. 33 do mesmo Decreto. Por tal imposição legal o termo final seria 21/06/2011, sendo que o suplicante apresentou a sua peça recursal em 30/06/2011, fora do prazo regulamentar. Desta forma, não se instaurou a fase litigiosa do processo na Segunda Instância, como dispõe o artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e, após isto, qualquer ato de defesa ou decisória é ineficaz. Ou seja, se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de Primeira Instância, não se apresentar no processo para se manifestar pelo pagamento ou para interpor recurso voluntário para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre a perempção. Daí sua intempestividade. Nestes termos, posicionome no sentido de negar conhecimento ao recurso voluntário, por extemporânea a peça recursal. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 566/570), interposto por SUPERMERCADO GONÇALVES, CNPJ nº 34.748.558/000171, contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA. O presente trata da responsabilidade solidária, em razão da cisão parcial da empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ nº 34.748.558/000171, resultado na empresa SUPERMERCADO GONÇALVES, CNPJ nº 06.225.625/000138. A decisão recorrida decidiu, por unanimidade de votos, afastar da sujeição passiva a empresa GONÇALVES COMPANHIA, CNPJ nº 06.225.625/000138, como responsável solidário dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ nº 34.748.558/000171, para os fatos geradores ocorridos após o dia 07/06/2004. Inconformado com a decisão o responsável solidário apresente o seu recurso voluntário onde sustenta, basicamente, que sendo subsidiaria a responsabilidade da impugnação pelos débitos da cindida anteriores à cisão, o fisco deve exigir o pagamento diretamente da empresa SG SUPERMERCADOS, reservando o seu direito de cobrar da impugnante esses débitos anteriores à separação somente se aquela for insolvente, desaparecer ou tomar impraticável a cobrança, o que não é definitivamente o caso, e aliás, não foi provado. De início, entendo que a validade (ou não) da indicação de uma terceira pessoa como responsável solidário, em lançamento de ofício, em situações como a deste Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 9 15 processo, comporta discussão no âmbito do Processo Administrativo. É que a identificação do sujeito passivo, e é disso que se trata neste caso, é parte do procedimento administrativo do lançamento, contra o qual é garantido aos apontados sujeitos passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Não há dúvidas de que a autoridade administrativa quanto a esse aspecto da matéria tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do lançamento, sendo legítimos para se opor às conclusões da autoridade lançadora os indigitados responsáveis solidários. Quanto ao mérito da questão, cumpre assinalar, de início, que a sujeição passiva tributária, sendo elemento essencial do lançamento, se subordina ao princípio da legalidade estrita. É dizer, as possibilidades de sujeição passiva se submetem aos limites e às condições definidas em lei. Pois bem, o Código Tributário Nacional – CTN, assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, se manifesta da seguinte forma: RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Art. 207. respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º: I – a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 II – a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III – a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; IV – a pessoa física da pessoa jurídica extinta mediante liquidação, ou seu espólio, que continuar a exploração da atividade social, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual; V – os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação; Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º): I – as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por cisão; II – a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; III – os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V. A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em função de estado da pessoa, isto é, ser proprietário de imóvel, importar mercadoria, obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, “é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo.” A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, o art. 124 do Código Tributário Nacional, conforme se constata às fls. 316/317. Passo ao exame desse dispositivo. Reza o art. 124, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso II, e este deve ser interpretado em conformidade com os limites estabelecidos no art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10240.001688/200751 Acórdão n.º 1402001.394 S1C4T2 Fl. 10 17 àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária. Assim, a tese do recorrente não merece prosperar, já que o art. 133 do Código Tributário Nacional, se aplica aos casos em que há “aquisição do fundo de comércio”, ao passo que o disposto no art. 207, § único, II do Decreto 3.000, de 1999 se aplica ao caso de cisão, que é o que houve de fato e de direito nos presentes autos. Desta forma, está correta a apresentação da empresa SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA., CNPJ nº 06.225.625/000138, como responsável solidária dos créditos tributários devidos pela empresa SG SUPERMERCADOS, CNPJ nº 34.748.558/000171, até o ato da cisão que ocorreu, em 07/06/2004, através da vigésima sexta alteração contratual da empresa SG SUPERMERCADOS. Logo esta é a data limite para se considerar como “solidárias” as empresas acima citadas. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo coobrigado e não conhecer do recurso apresentado pelo sujeito passivo, por perempção. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 19515.003401/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/04/2004
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO/COMPENSADO EM DCOMP.
Correto o cancelamento de lançamento de ofício de crédito tributário declarado e compensado, mediante a apresentação de Declaração de Compensação, em data anterior à do lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/04/2004 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO/COMPENSADO EM DCOMP. Correto o cancelamento de lançamento de ofício de crédito tributário declarado e compensado, mediante a apresentação de Declaração de Compensação, em data anterior à do lançamento. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/04/2004 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO/COMPENSADO EM DCOMP. Correto o cancelamento de lançamento de ofício de crédito tributário declarado e compensado, mediante a apresentação de Declaração de Compensação, em data anterior à do lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 01 /2 00 7- 24 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recursos de ofício interposto pela DRJ em São Paulo I, capital, contra sua própria decisão que julgou procedente a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com incidência não cumulativa, referente ao fato gerador ocorrido no mês de abril de 2004. O lançamento decorreu do fato de a autoridade competente não ter admitido a compensação do débito declarada na Dcomp nº 35942.56382.140504.1357.5939, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 79 e Termo de Constatação às fls. 72/74. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento (fls. 84/101), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “... que é detentora de crédito apto para fins de compensação, pois na ação judicial 94.00225865 foi reconhecido seu direito de compensar Finsocial recolhido acima da alíquota de 0,5%; de que a autuação fiscal ‘está eivada do vicio da nulidade (...) em manifesta afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa’ (fl. 84), pois ‘os supostos débitos apontados pela d. fiscalização não foram discriminados no Termo de Constatação Fiscal, conforme exigência do artigo 142 do Código Tributário Nacional (...)’ (fl. 84); de que nos autos do processo de execução fiscal 2007.82.01.426081, ajuizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, foi proferida decisão anulando o processo executivo diante da constatação da existência de trânsito em julgado das decisões judiciais que reconheceram o direito da Impugnante efetuar compensação; de que a Fiscalização considerou insuficiente o crédito da Impugnante para fins de compensação de importâncias recolhidas a título de Finsocial, mas que tal entendimento não merece prosperar porquanto os permissivos jurisdicionais disponibilizaram à Impugnante a inclusão de expurgos inflacionários e a atualização do indébito com juros de mora; de que, como alternativa de cálculo em compensação, no aproveitamento do indébito devese amortizar inicialmente os juros e depois o principal; e de que a multa de oficio, com base no principio da retroatividade benigna, foi derrogada pelo art. 18 da Lei 10.833/03, haja vista que esta limitou o lançamento de oficio tratado no art. 90 da Medida Provisória 2.15835 (dispositivo este voltado para a compensação indevida ou não comprovada) a aplicação da multa de caráter isolado em certas hipóteses nas quais não se inclui o caso do Auto de Infração guerreado.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente e cancelou o lançamento, conforme acórdão nº 1627.613, datado de 04/11/2010, às fls. 275/279, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. AUTO DE INFRAÇÃO. DISPENSABILIDADE. Reputase dispensável o Lançamento da exação lançada quando esta foi objeto de declaração de compensação apresentada antes do inicio do procedimento fiscal.” Por ter exonerado crédito tributário (contribuição e respectiva multa de ofício), em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003401/200724 Acórdão n.º 3301001.927 S3C3T1 Fl. 319 3 Cientificada dessa decisão, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento do lançamento de ofício pela autoridade julgadora de primeira instância teve como fundamento o fato de a contribuição, ora exigida, ter sido declarada e compensada pela recorrente, mediante a transmissão da Dcomp nº 35942.56382.140504.1357.5939, objeto do processo administrativo nº 10880.720840/200681, em trâmite nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). De acordo com a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, a Declaração de Compensação (Dcomp) é instrumento de confissão de divida, instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário confessado, assim dispondo: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...]. §º 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. [...].” Conforme demonstrado e provado na decisão recorrida, a contribuição, objeto do lançamento em discussão, foi declarada e compensada, mediante a apresentação da Dcomp nº 35942.56382.140504.1357.5939, objeto do processo administrativo nº 10880.720840/2006 81, em trâmite nesse (CARF). Caso a decisão definitiva naquele processo seja favorável à recorrente, a contribuição em discussão, compensada mediante àquela Dcomp, será homologada, se desfavorável será exigida por meio daquele processo. Dessa forma, correto o cancelamento do lançamento em discussão pela autoridade julgadora de primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001824/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
AUTO-DE-INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AUTO-DE-INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IRREGULARIDADES OMISSÕES INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 18 24 /2 00 8- 06 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 15/12/2008, com ciência em 17/12/2008, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, no período de 01/2004 a 12/2007. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls. 62/67, a autuada, apresentou os Livros Diário e Razão com omissões de lançamentos acerca de acordos firmados na Justiça do Trabalho, de notas fiscais de prestação de serviço, além de lançar operações fictícias de crédito junto a bancos (Banrisul S/A e Caixa Econômica Federal) que nunca se realizaram e despesas fictícias como combustível e lubrificantes, sendo que não possui veículos. Ainda, no período de 2004 a 2006, omitiu na sua contabilidade a movimentação bancária mantida junto ao Banco o Estado de Santa Catarina S/A, conforme dados de CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, relativa a esses exercícios. Após a impugnação, Acórdão de fls. 89/91, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese: a) que está passando por sérias dificuldades financeiras, que comprou a empresa após a fiscalização ter se realizado, que a atual sócia foi ludibriada pelos antigos proprietários, que não sabia estar em débito com a receita, discorre sobre toda a situação que enfrentou até encerrar as atividades em 2009, para dizer da ilegitimidade da parte; b) que apresentou todos os documentos solicitados, sendo descabida a cobrança dos créditos tributários; c) que os erros e omissões foram realizados pelo profissional de contabilidade contratado pela recorrente; d) que as contribuições previdenciárias foram todas recolhidas. Requer o cancelamento do lançamento, ou a compensação dos créditos fiscais com valores retidos, ou a restituição dos valores existentes como sobra de retenções, a declaração de que nada deve à Receita; que o débito seja cobrado do proprietário da época dos fatos. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 293 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos não vislumbro a tese de ilegitimidade passiva, pois conforme atestam os contratos sociais colacionados, não houve qualquer solução de continuidade da empresa que permanece com a mesma razão social e atividade no período da autuação. Os representantes legais da autuada constam por período, no REPLEG – Relatório de Representantes Legais, às fls. 04 e no Relatório Vínculos Relação de Vínculos às fls. 05. Quanto a alegação de que as contribuições previdenciárias estão todas recolhidas, cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No caso presente, foi descumprida a obrigação acessória, porque os livros contábeis apresentados pela recorrente continham omissões e irregularidades, afrontando a legislação vigente. A atividade fiscal possui caráter vinculatório não existindo a possibilidade da escolha entre o cumprimento de determinada lei ou não, e a Administração Pública, em decorrência do art. 37 da Constituição Federal, deve obediência ao princípio da legalidade. O professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais,1991, 16ª ed. atual. pela constituição de 1988, 2ª tiragem, p.78), nos diz: “A legalidade como princípio de administração (Const.Rep., art. 37,caput), significa que o administrador está, em toda sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. “A eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.” “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘pode fazer assim’, para o administrador público significa ‘deve fazer assim.” Portanto, ao se deparar com os Livros contábeis, Diário e Razão, com inúmeras irregularidades, descritas pormenorizadamente no relatório fiscal da autuação, às fls.62/67, não restou outra alternativa ao Fisco que não fosse a lavratura do pertinente Auto de Infração. A seguir transcrevo parte da decisão recorrida, onde constam as irregularidades encontradas: que não consta o registro contábil de valores pagos a segurados empregados que efetuaram acordos na Justiça do Trabalho, referentes as ações trabalhistas 012292005, 002462005, e 006052004, arquivadas na Vara da Justiça do Trabalho de Concórdia/SC. Que na competência 12/2004, não foram contabilizadas notas fiscais de prestação de serviço que totalizaram o valor de R$ 74.029,50 e apresenta documentos em anexo que comprovam este fato. Relata operação fictícia de crédito no valor de R$ 35.000,00, i registrada na contabilidade em 01/08/2005, de R$ 64.587,00 em 03/01/2006 , de 37.274,86 em 31/03/2006, de R$ 51.350,00 em 03/04/2006 e R$ 5.800,00 em 26/12/2006, sendo que os valores não ingressaram na conta corrente bancária relativas aos bancos envolvidos. Cita que as operações se configuram como empréstimo fictício para cobrir omissão de receitas e junta documentos para comprovação dos fatos apurados. Acusa o desaparecimento de saldo bancário da conta "13Banrisul S/A na abertura do exercício de 2006 e anexa comprovante. Consta registro contábil de pagamento de empréstimo junto a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 64.587,00 que não ocorreu, conforme exame no extrato de conta Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 294 5 corrente bancária. Que o exercício contábil de 2006 foi encerrado com empréstimo fictício no valor de R$ 28.815,58 junto a Caixa Econômica Federal e de R$ 73.297,43 relativo ao Banrisul S/A. Que em 2004 e 2006 foi lançado despesas fictícias na contabilidade da empresa sem a devida comprovação, tais como despesa com combustível e lubrificantes sendo que a empresa não possui nenhum veículo em seu imobilizado. Apresenta quadro com valores que foram registrados a este título. que os valores foram contabilizados no final do mês para evitar o aumento exagerado da conta Caixa. Relata diversas operações de empréstimos e pagamentos realizados junto a Caixa Econômica Federal e no Banrisul S/A, sendo que na realidade estas movimentações financeiras não foram realizadas, conforme exame nos extratos de conta corrente. Apresenta quadro demonstrativo dos valores fictícios, durante o exercício de 2007, sendo que os saldos finais dos exercícios registrados na contabilidade não são reais. Informa que nos exercícios sociais de 2004 a 2006 a empresa omitiu em sua contabilidade a movimentação bancária mantida junto ao Banco do Estado de Santa Catarina S/A — BESC, conforme dados de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira — CPMF relativas a estes exercícios. Ao apresentar os livros legais com irregularidades intrínsecas, a recorrente descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 233,parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, que conceitua documento deficiente: Lei n.º 8.212/91 Art.33 (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Portanto, aqui não se trata da falta de apresentação de documentos como diz a recorrente, mas sim da sua apresentação deficiente, eis que os livros contábeis apresentados continham omissões e informações diversas da realidade, conforme ampla e comprovadamente apontado pelo Fisco, e que não foram sequer contraditadas pela autuada. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da contabilidade possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, uma vez que a fiscalização atesta que houveram inúmeras irregularidades nos livros apresentados pela recorrente, que não se manifestou sobre o assunto, limitandose a discorrer sobre a situação de penúria da empresa. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria MPS/MF n.º 77 de 11/03/2008, na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13982.001824/200806 Acórdão n.º 2302002.611 S2C3T2 Fl. 295 7 As solicitações da recorrente quanto à compensação ou restituição de valores retidos que venham a ser apurados para quitar o presente débito, que a cobrança seja feita dos sócios anteriores e que lhe seja expedida certidão de regularidade pela Receita Federal, são improcedentes porque alheias ao presente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória fugindo da competência deste colegiado. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003803/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA. ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO.
Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ALEGAÇÃO DE DIFERENÇA DE RECOLHIMENTOS. JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA APONTADA COMO DEVIDA TINHA SIDO OBJETO DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DE PERÍODO ANTERIOR. RECURSO PROVIDO. Diante da diligência que concluiu pela inexistência de imposto a pagar em virtude de que o valor alegadamente devido tinha sido objeto de compensação com saldo de exercício anterior, cabe dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 38 03 /2 00 5- 63 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fl. 22), notificado à parte recorrente em 9/8/2005 (fl. 29), indicando as infrações abaixo relacionadas: 001 Falta de recolhimento/declaração do imposto de renda insuficiência de recolhimento ou declaração Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2001 171.693,81 75% A infração imputada à recorrente encontrase assim descrita (fl. 23): Em procedimento de análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa , Jurídica DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF entregues pelo contribuinte, foi verificado que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1 informado na DIPJ estava superior ao declarado na DCTF, ensejando o lançamento da diferença apurada. Na ficha 12 (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ/2002, ano calendário 2001, o contribuinte apurou um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 171.639,81, já deduzidos os valores relativos ao Programa de Alimentação dc Trabalhador (linha 5), isenção ou redução do imposto (linha 10), Imposto de Renda retido na fonte (linha 13) e Imposto de Renda mensal pago por estimativa (linha 16). 0 débito correspondente ao saldo do imposto apurado em 31 de dezembro do ano calendário 2001 (ajuste) deveria ter sido declarado em separado na DCTF do trimestre do anocalendário 2002 e pago em quota única, até o último dia útil do mês de março de 2002. Por meio de consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal SRF examinamos SRF, examinamos as DCTF apresentadas pelo contribuinte, relativas ao ano calendário 2001 e 1º o trimestre do anocalendário 2002, e verificamos que, em relação ao IRPJ, só haviam sido declarados os valores correspondentes ao imposto pago por estimativa (Cód. | Receita: 2362), no valor total de R$ 222.112,66. Este valor foi aproveitado como dedução na ficha 12 da DIPJ/2002. Também fizemos consultas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte e não localizamos nenhum pagamento com o código de receita 2430, a ser utilizado no recolhimento do IRPJ apurado na declaração de ajuste pelas empresas obrigadas a apurar o lucro real. Consultamos ainda outros códigos de receita, como 2456 e 2390, os quais J são destinados a outros tipos de empresas, mas também não encontramos pagamentos. Diante do exposto, com o intuito de regularizar o valor do IRPJ ainda não i declarado em DCTF, efetuamos o lançamento do saldo de imposto a pagar apurado na J linha 18 da ficha 12 da DIPJ/2002. Notificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 32 e seguintes, alegando: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 4 3 a) que ao preencher a linha 13 da FICHA 12A a contribuinte equivocouse. Lançou R$ 227.540,08, quando o valor correto era R$399.180,29, devidamente contabilizado na folha 839 do Livro Diário de nº 75, devidamente registrado na Junta Comercial em 2/4/2002, gerando uma diferença de R$ 171.639,81; b) como no caso se trata de lançamento feito a partir de cruzamento de dados, a contabilidade não foi intimada a prestar esclarecimentos, para apontar o citado equívoco. c) antes de compensar o imposto devido em 31/12/2001, na conta do razão contábil nº 32212 IRRF a recuperar o valor atualizado era de R$532.052,08 e após utilização para amortizar o saldo referente ao ano base de 2001, no valor de R$399.180,29, o saldo da conta acima ficou em R$132.871,79. d) em síntese, a empresa não deve imposto de renda referente ao ano base de 2001, pois utilizou créditos de imposto retido na fonte, para saldar tal débito. Neste sentido apresentou documentos e o demonstrativo de fl. 6, que transcrevo: A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento com acórdão alicerçado nos seguintes fundamentos: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 5 4 Intimada do acórdão em 15/5/2007 (fl. 80), a contribuinte, de forma tempestiva, ingressou com o recurso de fls. 109 e seguintes, alegando que a DRJ firmou entendimento de que houve retenção na fonte de 241.782,99 e não de R$ 399.180,29, como alegado pela recorrente. Contudo, para desfazer tal equívoco a recorrente faz a comprovação de que a diferença de R$ 157.397,30 é fruto de IRRF pelas instituições financeiras, conforme extratos anexos, comprovando o pagamento do imposto devido ao fisco federal. O recurso foi instruído com os seguintes documentos: a) demonstrativo de controle de IRRF utilizado na DIPJ do ano base de 2000 (fl. 123/124) b) estratos bancários do ano de 2000 relativo a aplicações financeiras (fl. 125/129) c) extratos bancários de 2001, relativos às aplicações financeiras e IRRF (132/133 d) DARFs comprobatórios do pagamento do imposto de renda (135); O processo esteve em pauta na sessão de 10/5/2010, sob a relatoria do Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, ocasião em que a turma decidiu converter o julgamento em diligência para que fiscalização verificasse a veracidade das informações e elaborasse relatório conclusivo, com intimação do contribuinte e retorno dos autos a este Conselho. O relatório da autoridade fiscal consta das fls. 227/229 e pode ser sintetizado no quadro de fl. 229, elaborado pela autoridade fiscal: Intimado do conteúdo da diligência, o advogado da contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada e está devidamente fundamentado. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Em sua defesa a contribuinte alegou que ao preencher a linha 13 da FICHA 12A equivocouse. Lançou R$227.540,08, quando o valor correto era R$399.180,29, devidamente contabilizado na folha 839 do Livro Diário de nº 75, registrado na Junta Comercial em 2/4/2002, gerando uma diferença de R$ 171.639,81. No recurso, em face do entendimento da DRJ de que o SIEF da Receita Federal indicava retenções de R$ 241.782,99 e não no montante de R$ 399.180,29, a contribuinte apresentou os documentos de fls. 113/135 com o objetivo de comprovar os efetivos valores retidos na fonte e os montantes utilizados, demonstrando, com base em tais documentos, que o imposto cobrado não era devido. Colocado o processo em pauta esta Turma decidiu por converter o julgamento em diligência para que fossem conferidas as efetivas retenções e demais alegações feitas pela recorrente. Na origem, por meio da petição de fls. 152, a recorrente apresentou o Livro Razão de fls. 155/166, referente ao anocalendário de 2000. Na diligência a autoridade fiscal intimou a recorrente para que comprovasse a origem do saldo a recuperar no valor de R$ 310.560,91, no anocalendário de 2001, constante da planilha de fl. 117. Em face da diligência foram carreado aos autos os documentos de fls. 169/225. De posse dos documentos acima mencionados, indicando as receitas tributáreis e os impostos retidos, a autoridade fiscal elaborou o parecer conclusivo de fls. 227/229, a seguir transcrito: "Com o fito de solucionar o litígio e responder os questionamentos do ilustre julgador, efetuouse consulta na base de dados desta RFB a todas as retenções de IRRF, a partir de 1996 e aos valores registrados nas declarações de imposto de renda da pessoa jurídica como retenção na fonte, telas em anexo. Ressaltase que foram consideradas todas as retenções relativas a aplicações financeiras e congêneres (mercado de renda variável, operações de day trade, aplicações financeiras de renda fixa e outras). Com base nessas informações, elaborouse o demonstrativo anexo a esse relatório, no qual consta o somatório das retenções dos anos 1996 a 2001, os valores compensados na DIPJ e o saldo restante para o ano seguinte: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10283.003803/200563 Acórdão n.º 1402001.429 S1C4T2 Fl. 7 6 No tocante ao ano de 2001, objeto do auto de infração, considerouse como retenção na fonte o valor de R$ 241.739,34, retificado pelo julgador de 1 a instância. Além disso, levouse em conta a quantia de R$ 399.180,29, compensada no anocalendário 2001, apenas nos registros contábeis, restando, ainda, um saldo de IRRF no total de R$ 12.957,65. Em síntese, o quadro de fl. 229, que transcrevi no relatório, elaborado em parecer conclusivo da autoridade fiscal, demonstra que no momento em que se considera o saldo do ano anterior, no caso R$ 170.398,60, mais o valor do IRRF de 241.739,39 e se confronta com o valor do imposto devido em 2001, em vez de tributo a pagar resta saldo de R$ 12.957,65 para ser compensado no ano seguinte. ISSO POSTO, dou provimento ao recurso para cancelar o lançamento. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722119/2009-38
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORREÊNCIA.
Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão.
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se deve conhecer do recurso interposto quanto se trata de discussão de matéria estranha à lide.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Quando o contribuinte conseguir demonstrar a área de reserva legal através de provas inequívocas, como o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, o que deve prevalecer é a verdade material.
No caso em concreto o contribuinte não conseguiu fazer essa prova.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua - VTN declarado, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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NULIDADE. INOCORREÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se deve conhecer do recurso interposto quanto se trata de discussão de matéria estranha à lide. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Quando o contribuinte conseguir demonstrar a área de reserva legal através de provas inequívocas, como o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, o que deve prevalecer é a verdade material. No caso em concreto o contribuinte não conseguiu fazer essa prova. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 19 /2 00 9- 38 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 125 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00212/2009 de fls. 01/04, emitida em 13.07.2009, a contribuinte identificada no preâmbulo foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$34.265,26, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2006, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Manacá II”, cadastrado na RFB sob o nº 6.412.8326, com área declarada de 8.712,0 ha, localizado no Município de Moju/PA. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2006 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 02101/00026/2009 de fls. 05/07, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º documentos que comprovem as áreas ocupadas com benfeitorias declaradas, tal como Laudo elaborado por Engenheiro Agrônomo, acompanhado de ART registrada no Fl. 125DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 126 3 CREA, discriminando as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel em 01.01.2006, nos termos da alínea “a” do inciso IV, do §1º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 e art. 17 do Decreto nº 4.382/02 (RITR); 5º Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2006. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte protocolou correspondência de fls. 14, acompanhada dos documentos de fls. 15/31. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2006, a fiscalização resolveu glosar a área ocupada com benfeitorias de 2.100,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$50.000,00 (R$5,74/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$519.757,00 (R$59,66/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando o imposto suplementar de R$16.519,75, conforme demonstrado às fls. 01 e 03. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificada do lançamento em 16.07.2009, às fls. 32 e 34, ingressou a contribuinte, em 10.08.2009, às fls. 35, com sua impugnação de fls. 35/46, instruída com os documentos de fls. 47/50, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: entende que houve erro na base de cálculo e na alíquota do ITR, posto que declarou a área total do imóvel de 8.712,0 ha e áreas de preservação permanente de 4.356,0 ha; afirma que foi apresentada uma cópia autêntica da certidão de averbação da área constituída exclusivamente como reserva legal, correspondente ao mínimo de 80% da superfície do imóvel, e essa averbação teria ocorrido em 04.05.2006, ocorre que a Lei nº 10.267/2001, regulamentada pelo Decreto nº Fl. 126DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 127 4 4.449/2002, alterado pelo Decreto nº 5.570/2006, criou o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais, tornando obrigatório o georreferenciamento do imóvel, condição essa necessária para que se realize qualquer alteração cartorial da propriedade, informando que não apresentou o georrefenciamento do imóvel, tornando a averbação insubsistente para fins de isenção da área de reserva legal; informa que declarou um VTN de R$25.000,00, e, que intimado a apresentar Laudo de Avaliação, para comprovação do VTN declarado, solicitou prazo, que foi concedido, e, em expediente de 28.11.2008, informa a impossibilidade de proceder à avaliação do imóvel e solicita que a avaliação seja feita pela fiscalização; preliminarmente, há que ser impugnado o lançamento, quando a própria fiscalização reconhece e declara no corpo da Notificação de Lançamento que a averbação a que se refere a área ocorrera em 04.05.2006, sendo certo que os documentos que instruíram o cadastramento em tela indicam uma Escritura Pública de Compra e Venda, datada de 05.04.2006, ocasião em que a impugnante passou a fazer frente a propriedade do imóvel, sendo incontestável que anteriormente a essa nada tinha ela com mencionada área; entende que não há nenhum embasamento que pudesse dar azo a qualquer interpretação, simplesmente por não ter atendido a intimação da Receita, em decorrência de não apresentar Laudo Técnico, em virtude das terras estarem ocupadas por terceiros; ressalta que, as menções de lançamento efetivado pela fiscalização referente ao ano de 2006, não passam de mera elucubração do agente fiscal, sendo nulo de pleno direito; discorre sobre teorias gerais do Direito e considera que o Direito não pode ser aplicado sem a formação do contraditório; entende, quanto ao mérito, o inequívoco erro na capitulação das supostas infrações fiscais, que teriam sido perpetradas, em tese, pela contribuinte; entende, ainda, que não soube o Fisco, diante da inexatidão e da insuficiência do método presuntivo aplicado, conduzir sua crítica a essa operação a partir de pressupostos inválidos, questionando de onde teria sido buscado o lançamento do exercício de 2006, aduzindo que a presunção do Fisco é de pouca validade no âmbito da aplicação do direito tributário; considera, desde logo, que a declaração de invalidade constitucional do auto de infração é um imperativo em guarda das supremas normas do Estado de Direito; salienta que o art. 110 do CTN prescreve que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos e conceitos e formas do direito privado utilizado pela constituição Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 128 5 ou por leis superiores para definir ou limitar competências tributárias; ressalta que a presunção é um meio especial de prova, consistente em um raciocínio que, do exame de um fato conhecido, conclui pela existência de um fato ignorado, e, portanto, seriam consequências que o aplicador da lei extrai de um fato conhecido para determinar um fato ignorado; considera que o Fisco deve motivar analiticamente os lançamentos, isto é, deve provar a investigação procedida sob pena de nulidade, concluindo que é vedado o emprego das presunções em direito tributário, não tendo o Fisco qualquer poder discricionário nessa matéria, porquanto o objetivo do lançamento é exclusivamente declarar o resultado da rigorosa aplicação da lei a determinados fatos; observa que a obrigatoriedade da prova e contraprova, análise de dados e fatos, investigações e levantamentos, minuciosamente dispostos pela lei, tem em mira garantir não a prevalência da opinião dos agentes fiscais ou mesmo do interesse do estado (considerado como parte no processo), mas do interesse público consistente na rigorosa observância da lei; ressalta que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão e isto não ocorreu; considera que o CTN prevê a interpretação mais benéfica ao contribuinte, principalmente nos casos de aplicações de sanções, é o que desde logo se requer; considera, também, que foi intimada a apresentar laudo de avaliação que pudesse comprovar a área de reserva de 80% da área total do imóvel, contudo, conforme documentos comprobatórios de contratação da profissional Ana Raquel Lima de Araújo, com a incumbência de proceder ao levantamento geral da área em questão, se dirigiram ao local e não lograram êxito na empreitada, uma vez que foram impossibilitados de adentrar na área por fazendeiros que ali se instalaram, ocasião registraram Boletim de Ocorrência Policial, relatando os fatos, e requer a juntada de uma cópia de respectiva fatura de contratação dos engenheiros; entende que, se o local se refere as glebas com títulos distribuídos pelo Governo do Estado do Pará, por meio do Instituto de Terras do Pará, não seria possível a superposição de várias fazendas no mesmo espaço útil, sendo certo que não pode a impugnante arcar com ônus tributários e penalizadores de uma área que não detém nem a posse nem a tradição; considera que, como pode ser observado pelos documentos do processo movimentado junto à SECAT (2006/385505), o governo do Estado do Pará informa que a documentação da impugnante está lastreada em títulos outorgados pelo Governo do Estado, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 129 6 porém, na mesma área existem requerimento de outros títulos em favor de comunidade São Domingos Alto Tabocal 2006/133141, Alfredo Hélio Pereira TD.N.23, Edsom Muniz de Queiroz TD nº 21, Luiz Vicente Pereira dos Santos TD.N.20, Almey Lisboa Pereira dos Santos TD.n. 25 e fazenda Alto Cararí; ressalta que o mapa da situação elaborado pelo Estado do Pará demonstra a superposição de áreas, conforme cópia que se requer juntada; salienta que não pode prevalecer a imposição de multa e tampouco o lançamento tributário onde a área, que inicialmente fora considerada boa, pois titulada pelo próprio Governo do Estado do Pará, e agora se apresenta como inexistente, conforme superposições apresentadas pelo Governo do mesmo Estado; observa que, em decorrência das circunstâncias expostas, tem sido julgada pelos tribunais administrativos, insubsistente a penalidade quando o contribuinte, em caso de impossibilidade material e força maior, não fornecem os elementos solicitados na intimação, determinandose o cancelamento do auto de infração, os quais são importantes precedentes para o contribuinte que estiver em idêntica situação; ante a demonstração da insubsistência da autuação e em sendo injustificada e indevida a aplicação da sanção imposta, clama por justiça e sob o manto dos princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados pela Constituição da República, pleiteia que o ato impugnado seja julgado IMPROCEDENTE, com desconstituição tanto da multa aplicada do lançamento do imposto, com o cancelamento da exigência fiscal; por fim, em caso de ser julgado procedente o termo, o que se admite apenas como forma de raciocínio, requerse, igualmente, a aplicação por equidade, relevandose a aplicação de qualquer penalidade. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 60/77, que restou assim ementado: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 130 7 DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto a distribuição das áreas do imóvel, que não é objeto da lide. DAS ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS A aceitação para fins de cálculo do ITR de áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel somente é possível quando apresentada prova documental hábil. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, caracterizada a subavaliação do VTN, com base no SIPT, posto que o Laudo de Avaliação apresentado possui um VTN maior que o arbitrado pela fiscalização, e o seu acatamento implicaria no agravamento da exigência. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA E DOS JUROS DE MORA Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN declarado, cabe exigilo juntamente com os juros e a multa aplicados aos demais tributos Regularmente cientificada daquele acórdão em 22/08/2011 (fl. 80), a interessada, representado por sua advogada (fls. 116/117), interpôs recurso voluntário de fls. 83/115, em 21/09/2011. Em sua defesa, alega, em síntese, que: · Teve ciência de fato novo, superveniente e incontroverso, devidamente comprovado neste recurso e que muda radicalmente a situação dos autos, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação o que leva à inexistência de fato gerador e nulidade do lançamento tributário; · A questão agrária no Estado do Pará é caótica em termos de registros e até mesmo de segurança, e chegase ao ponto de existirem registros que superam a área territorial do próprio estado o que levou a Corregedoria Nacional de Justiça a tomar decisão de extrema gravidade visando restabelecer a ordem; · O caso foi levado ao Conselho Nacional de Justiça a pedido do próprio Estado do Pará, da Procuradoria Geral do Estado, do Instituto de Terras do Pará ITERPA, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, do Ministério Público Federal, do Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 131 8 Ministério Público Estadual, da Advocacia Geral da União, da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pará, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura FETAGRI, da Comissão Pastoral da Terra CPT, solicitando providências e determinando ao TJPA a baixa de atos normativos necessários ao cancelamento administrativo das matrículas irregulares, tidas como nulas de pleno direito nos cartórios de registro de imóveis nas comarcas do interior; · Alternativamente, caso não se entenda pela nulidade, requer seja suspenso o processo, em face do tumulto processual e da situação pendente de análise pelo STF que poderá repercutir sobre este caso; · Afastadas ambas as hipóteses acima, o que se admite apenas por amor à argumentação, devolve a Recorrente a matéria de fato e de direito apresentada na defesa requerendo sejam novamente analisados os argumentos para afastar o lançamento de ofício em razão de sua inadequação diante das áreas de preservação permanente e de reserva legal e valor da terra nua declarados sobretudo diante da situação de fato apresentada; · A multa de ofício deverá também ser afastada pelo seu caráter confiscatório posto que a contribuinte não cometeu infração ao fazer as declarações sobre a área já que, para tanto, levou em consideração a situação de conflito agrário específica daquela região que afeta consideravelmente o valor da terra e a declaração perante os órgãos da Receita. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente suscita a nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, tendo em vista ordem do CNJ para o cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. Entretanto, não traz aos autos prova alguma deste fato, mas apenas notícias de decisão do Conselho Nacional de Justiça que determinou o cancelamento de títulos irregulares no Estado do Pará, possivelmente fruto de grilagem de terras públicas. Destarte, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Na espécie, também, não se trata de reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e da determinação do sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 132 9 No que tange à pretensa exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da incidência do ITR, verificase que consiste em matéria estranha à lide, não cabendo a esta instância se posicionar sobre tal questão, haja vista que a área de preservação permanente declarada não foi objeto de alteração pelo fisco, ou seja, foi aceita. Já a área de reserva legal sequer foi informada na DITR sob exame. Ademais, a recorrente não logrou demonstrar a existência da área de reserva legal mediante documentação comprobatória para que se reconheça o direito à isenção, qual seja: o protocolo de Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, conforme parágrafo 1º da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, nos termos do art. 44 da Lei nº 4.771, de 15/09/1965, com a redação dada pelo art. 1o da Medida Provisória nº 1.511, de 25/07/1996. Assim, no que diz respeito a área de reserva legal, entendo que deve prevalecer no presente caso a verdade material, e a recorrente não conseguiu trazer elementos suficientes para comprovar a reclamada área, razão pela qual não pode ser considerada para fins de exclusão da área tributável. Registrese que a recorrente não contesta a glosa da área de benfeitorias. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN, importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, na época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 133 10 a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. “ (grifos acrescidos) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629, passou a ser a seguinte: “Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 134 11 Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso, conforme atestado pela decisão de primeira instância, as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, não decorrem de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitam se ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fl. 58. Ora, o VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel, não permitem a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, neste tocante, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Na mesma linha dos fundamentos expostos, como razões de decidir, cito a ementa correspondente ao seguinte precedente: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. (Ac. nº 280100.571, julgado em 17.06.2010, Rel. Cons. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende) No que tange ao caráter confiscatório do crédito tributário exigido, destaque se a súmula nº 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua VTN declarado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.722119/200938 Acórdão n.º 2801003.151 S2TE01 Fl. 135 12 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/08/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11516.000931/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PIS NÃO-CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS.
Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Insumo dedutível para efeito de PIS não-cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos.
Numero da decisão: 3803-003.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PIS NÃOCUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. Os pagamentos referentes às aquisições de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos sólidos, monitoramento do ar e outros serviços necessários a recuperação do meio ambiente, conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de PIS nãocumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e afetem as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gerem despesas, estas devem ser consideradas insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que restringiu o provimento à reversão das glosas de créditos atinentes aos custos de recuperação ambiental assumidos no TAC. Fez sustentação oral: Dr. Luciano Lemos Spader, OAB/RS nº 27.811. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 31 /2 00 9- 61 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e Fábia Regina Freitas. Relatório Cuidase de PER/DCOMP com a finalidade de ressarcimento do PIS, correspondente ao primeiro trimestre de 2007 com fundamento em créditos oriundos da aquisição de insumos utilizados “supostamente”no processo produtivo. Inicialmente cumpre esclarecer que se trata de empresa que possui como objeto social bastante extenso, sendo que cabe destacar: produção, a pesquisa, a lavra, a extração, a industrialização, a comercialização, a importação e a exportação de quaisquer substâncias minerais e vegetais, tais como antracito para tratamento de água, construção de Estações de Tratamento de Água; prestação de serviços na área laboratorial de análises químicas e físicas em geral. Em que pese o amplo objeto social da empresa, o cerne da lide repousa exclusivamente em relação ao conceito de insumo vinculado a aquisição de produtos e serviços adquiridos pela empresa em especial no tocante as atividades de extração, beneficiamento e comercialização de carvão mineral. Às fls. 160 e seguintes consta Informação Fiscal, por meio do qual o agente fazendário cita a legislação afeta a contribuição, bem como as Instruções Normativas da SRF n.º 404/2004 e 247/2002, com a intenção de demonstrar que o Recorrente creditouse indevidamente e ao arrepio do conceito de insumo contido na legislação federal e ressalta que os produtos sobre os quais recaiu a glosa estão arrolados na planilha anexa às fls. 146/149, por não estarem relacionados ao processo produtivo. Às fls. 179/197 sobreveio a Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que acolheu na íntegra as conclusões da repartição de origem e homologou apenas parcialmente o pedido do contribuinte, conforme se verifica às fls. 170/171. Já às fls. 223 e seguintes consta a Decisão 0725.807 – 4ª Turma da DRJ/FNS, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 231 3 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2007 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas a sua obrigatoriedade ou a caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente ha produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Com efeito, conforme se pode observar a DRJ manifestouse no sentido de que o contribuinte não provou o seu direito e se limitou a apenas alegar que os gastos são indispensáveis e obrigatórios para manter a mina de extração de carvão em funcionamento e reclama pela correta interpretação da legislação e pelo afastamento da IN da SRF n.º 247/2002. A decisão “a quo” comenta que o Recorrente relacionou os gastos glosados que compreende gerar créditos, todavia, não demonstrou, a partir da planilha elaborada pelo agente fazendário, quais daquelas notas fiscais, a DRJ deveria considerar para que o Despacho Decisório fosse reformado em seu favor. Importante fazer contar no relatório, que a decisão de primeira instância menciona que no PAF n.º 13963.000565/200573 a Recorrente juntou diversos documentos que possuem correlação com notas fiscais para as quais se pretendem os créditos, quais sejam: a) Termos emitidos pela Fundação do Meio Ambiente — FATMA; b) Acordos Coletivos de Trabalho e aditivos; c) Termo de Convênio com a Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina — UNESC; d) Oficios do Departamento Nacional de Produção Mineral; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 e) Contratos de prestação de serviços de limpeza e conservação e vigilância; contratos de prestação de serviços relacionados à manutenção do equilíbrio e controle do impacto ambiental. A DRJ afirma ainda que os serviços de consertos e manutenção de motores; consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais, rodantes, etc., apresentaram também correlação com notas fiscais relacionadas pelo agente fazendário na planilha que fundamentou a glosa. Os julgadores comentam também que há gastos para os quais o contribuinte pleiteia créditos que não constam relacionados na planilha elaborada pelo auditor fiscal e o Recorrente não apresentou na Manifestação de Inconformidade cópia de notas fiscais. Assim, no entender da decisão de primeiro grau, o Recorrente deixou de instruir adequadamente os autos com documentos que demonstre o seu direito e inclusive deixou de provar se realmente ocorreu a glosa sobre os seguintes gastos, sobre os quais a DRJ não se manifestou: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) mudas de roupa; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos. Insiste a DRJ no sentido de que se equivocou o contribuinte quando utiliza o critério da “essencialidade” ou “obrigatoriedade” da despesa para definir o conceito de insumo. No seu entender, o conceito de insumo, deve ser aquele previsto na IN da SRF n.º 247/2002, ou seja, somente as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e serviços aplicados na produção de produtos postos a venda. Já em relação aos contratos firmados com a empresa GR Terraplanagem Ltda., a DRJ destaca que a Recorrente deixou de apresentar notas fiscais de prestação de serviços. No seu entender, estas notas seriam úteis para demonstrar os valores glosados e a vinculação com o processo produtivo. De qualquer forma, os julgadores consideram que essas notas fiscais são aquelas anexas às fls. 475/479 do PAF n.º 13963.000565/200573. No tocante as despesas com manutenção de máquinas e equipamentos, retífica de motores, consertos de bombas hidráulicas, empilhadeiras, reformas de materiais rodantes, etc., a DRJ pondera que a Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova de que estes serviços tenham sido utilizados em máquinas e equipamentos pertencentes da cadeia produtiva da empresa. No recurso voluntário, o contribuinte cita o Acórdão n.º 320200.226 – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária julgado em 08 de dezembro de 2010, para fundamentar a tese de que deve ser considerado como insumo toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ e não da legislação aplicada ao IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é diferente da materialidade da COFINS e PIS. Assim, em suas razoes recursais, a empresa insiste na tese de que o conceito de insumo trazido pela IN da SRF n.º 247/2002 não se aplica ao caso em exame, por restringir o direito subjetivo ao creditamento previsto no art. 195 do Texto Constitucional e na Lei. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 232 5 A empresa lembra que a exploração de uma mina de carvão, difere da atividade industrial habitual em que os maquinários ficam instalados num galpão industrial, pois a mina localizase no campo e ao redor de vegetação nativa e cursos de água e por esse motivo a rigidez da legislação ambiental. Protesta pelo reconhecimento de crédito em relação a todas as despesas indispensáveis e obrigatórias à exploração, ao beneficiamento e a produção do carvão mineral. Ressalta que o Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Fundação do Meio Ambiente — FATMA, Departamento Nacional de Produção Mineral e o Ministério do Trabalho impõe exigências, que caso descumpridas, inviabilizam o funcionamento da mina. A empresa insiste em afirmar que a Fazenda Nacional não reconheceu créditos sobre as seguintes despesas: (i) turfas ambientais; (ii) terraplenagem; (iii) análise da água dos córregos arroios e rios; (iv) análise de solo; (v) recomposição da vegetação nativa; (vi) dragagem das bacias de decantação do carvão; (vii) tratamento de efluentes líquidos da mineração e respectivo beneficiamento e decantação do carvão; (viii) topografia; (ix) auditorias ambientais; (x) projetos de conservação e reparação de meioambiente; (xi) análises de lodo flotado; (xii) coleta de resíduos e serviços de elaboração de RIMA; Reclama ainda os crédito em relação as despesas com: (i) correias transportadoras no interior da mina; (ii) cabos elétricos; (iii) mangueiras; (iv) material de iluminação; (v) energização de máquinas e equipamentos; (vi) suprimento de água de alta pressão; (vii) controle e prevenção de pneumoconiose; (viii) equipamento de proteção individual; (ix) uniforme; (x) exames médicos e laboratoriais; (xi) assistência ao trabalhador acidentado; (xii) vale alimentação; (xiii) aquisição de caixas de papelão; (xiv) embalagens BIG BAG; (xv) etiquetas; (xvi) explosivos e cursos técnicos relativos a operação de explosivos; (xvii) consertos de bombas hidráulicas, (xviii) empilhadeiras; (xix) reformas de materiais rodantes; (xx) consertos e manutenção de motores; (xxi) leite; (xxii) água; (xxiii) cálculos estruturais para muro e suporte de rampa; (xxiv) recarga de extintores; (xxiv) pilares de sustentação; (xxv) auditorias de certificação de qualidade e de procedimentos como as ISSO; (xxvi) serviços técnicos de geologia da mineração; (xxvii) pino e bucha do britador; (xxviii) soldas permanentes; (xxix) copos plásticos e serviços prestados pela empresa GR Terraplenagem Ltda. Ainda destaca que em relação aos bens que gerem créditos apurados sobre a depreciação ou amortização, fazse obrigatório o recalculo dos valores dos créditos devidos na proporção e equivalência destas depreciação/amortização. Por fim, requer a reforma do acórdão hostilizado e a homologação integral dos créditos pleiteados. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e por isso merece ser conhecido. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 A lide no presente processo administrativo gira em torno do conceito de insumo em relação aquisições de produtos e serviços em função da produção de carvão mineral. Conforme se extrai da decisão da DRJ, foram homologados parcialmente os créditos pleiteados, sob o argumento de que o contribuinte desrespeitou a redação da IN da SRF n.º 247/2002, razão pela qual as aquisições de vários produtos e serviços, relacionados na planilha anexa, já citada no relatório, foram glosadas pela fiscalização. Controversa em Relação à Extensão da Glosa O agente fazendário informou em seu relatório que a glosa recaiu apenas em relação aos produtos e serviços que “não” estavam vinculados diretamente ao processo produtivo e cita especificamente: aquisições de cartuchos para impressora, serviços de conservação e limpeza, sementes, serviços relacionados a preservação do meio ambiente, serviços de vigilância e consultoria, impressão gráfica, encadernações, transporte de trabalhadores, etc, conforme planilha já citada. Já o contribuinte insiste que a glosa teve por objeto não apenas os produtos e serviços descritos na planilha citada pelo agente fiscal, mas também a aquisição de outros serviços e produtos, conforme menciona no Recurso Voluntário, ou seja, despesas com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, exames médicos e laboratoriais, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação, aquisição de caixas de papelão, embalagens BIG BAG, etiquetas e explosivos e cursos em relação aos explosivos, manutenção de motores, empilhadeira e bombas hidráulicas. Conforme dito em relatório, os julgadores de primeiro grau já haviam identificado que o contribuinte pleiteou créditos em relação aos produtos e serviços, citados no parágrafo anterior, que não estavam indicados na planilha apresentada pela fiscalização. Assim, no tocante a esses serviços e produtos, a DRJ conclui que o contribuinte não apresentou prova de que os mesmos estavam relacionados com o processo produtivo e por isso negou também o creditamento. Das Provas Produzidas pelo Contribuinte e da Análise do PAF 13963.000565/200573 No PAF n.º 13963.000565/200573, o contribuinte trouxe várias provas de seu direito e que merecem ser analisadas com atenção. Cumpre informar inclusive que a própria DRF à fl. 874 PAF 13963.000565/200573, comenta que as provas juntadas serão úteis para todos os processos administrativos do contribuinte em que se pleiteiam os créditos de PIS/PASEP e COFINS. Assim, deve ser afastado qualquer argumento no sentido de que o Recorrente deveria ter trazido as provas específicas para o presente processo. Em relação às provas de interesse do contribuinte, vale citar as seguintes: Número das fls. Descrição do contrato de prestação de serviços, notas fiscais e outras provas 140/149 Termo de Acordo Judicial celebrado entre o Recorrente e a Procuradoria da República de Criciúma. Nesta ação judicial a interessada era Ré na Ação Civil Pública n.º 2000.72.040025.439 e tinha por objeto a Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 233 7 Recuperação de Áreas Degradadas. 150/161 Termo de Ajusta de Conduta firmado entre a Recorrente e o MPF/MP SC/FÁTMA/DNPM, com a finalidade de obrigar aquele a recuperar o meio ambiente. 162/172 Termo de Ajuste de Conduta celebrado entre a FÁTMA e o contribuinte, com o fito de obrigar este a realizar auditorias ambientais. 177/188 Acordo Coletivo de Trabalho que obriga o contribuinte a realizar o transporte gratuito dos trabalhadores; realizar o controle e prevenção de pneumoconiose; fornecer equipamento de proteção individual aos trabalhadores, bem como roupas, água potável e custear exames médicos e laboratoriais. 189 Termo Aditivo ao Acordo de Coletivo de Trabalho, por meio do qual a interessada foi obrigada a fornecer leite aos empregados. 216/238 Contrato de transporte de trabalhadores. 239/467 Contrato de prestação de serviços de vigilância, limpeza e conservação. 468 Contrato de venda a Recorrente pela CSN rejeitos de carbono fino. Vale citar esse contrato porque na seqüência o contribuinte irá pleitear os créditos em relação ao transporte e destinação final desses rejeitos. 470/479 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental e manuseio de carvão mineral e rejeitos celebrado com a empresa GR Terraplanagem. Neste contrato há a previsão para a prestação dos serviços de escavação, carga, transporte, etc. 475 550/555 746 Contrato de prestação de serviços de recuperação ambiental. 483/489 Contrato firmado com a GR Terraplanagem com o objetivo de que fossem prestados serviços de terraplanagem e drenagem para a área de reposição de rejeitos. 490 783/796 Nota fiscal emitida pela GR Terraplanagem para a prestação de serviços de recuperação ambiental. 494 Nota fiscal emitida pela empresa PROFAMI em razão da aquisição de pallets. 497 Nota fiscal emitida em razão da prestação dos serviços de construção de muro de contenção, pintura de banheiro, emenda, manutenção de redutor de correias, manutenção elétrica e serviço de guincho. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 498/499 Nota fiscal referente a conserto de motor. 501/503 Relação de empresas fornecedoras de produtos e serviços. 504/508 542/545 586/591 601/605 724/727 Contrato de prestação de serviços com a finalidade de que esta realize a coleta de resíduos sólidos. 509/522 826/829 Contrato de prestação de serviços planialtimétricos e anteprojeto de recuperação de área ambiental. Contrato de prestação de serviços planialtimétricos, projeto de drenagem etc. 523/525 Contrato de prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas. 526/531 Contrato de prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina. 532/539 Contrato de prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas. 592/595 Contrato de prestação de serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA). 596/598 Contrato de Ensaio técnico. 606/744 Contrato de concessão de certificação e direito de uso de logomarca. 703/809 Contrato de locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental. 709/712 738/743 760/763 802/805 Contrato de prestação de serviços para a realização de Estudos de Ambientais. 713/723 Contrato de prestação de serviços de Estudos Hidrológicos. 764/766 Contrato de prestação de serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental. 771 Contrato de prestação de serviços de monitoramento do ar na área de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 234 9 influência das minas. 772/825 Contrato de prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia. 780/782 Contrato de prestação de serviços de terraplanagem com a finalidade de promover a recuperação ambiental. 835/841 Contrato de prestação de serviços de auditoria ambiental. 848/853 Ofício expedido pelo DNPM em relação ao Plano de Fechamento das Minas. 780/782 Contrato de prestação de serviços de análise de risco ambiental da atividade mineradora Das Aquisições de Bens e Serviços que Geram Créditos Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: Data da Emissão da NF Nome do Fornecedor CNPJ Descrição da aquisição do material ou serviço 05/10/2005 FUNDACAO EDUC. DE CRICIUMA FUCRI 83661074000104 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 04/10/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 10 10/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 18/10/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 17/11/2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 35 MEIO AMBIENTE 18/11/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 5 MEIO AMBIENTE 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 02/12/2005 TISCOSKI & CIA. LTDA. . 82838434000634 SEMENTES 01/12/2005 COMERCIAL AGRICOLA VALE AZUL LTDA 78207750000126 SEMENTES 09/12/2005 RADAR SERVICOS LTDA 72256654000191 MEIO AMBIENTE 05/12/2005 AQUAFLOT INDUSTRIAL LTDA 04322694000134 MEIO AMBIENTE 08/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA 80982945000195 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 2005 ELIZANDRO MENEGAZ FELISBERTO ME 05918906000103 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 MINERACAO FORQUILHA LTDA 02895730000123 MEIO AMBIENTE 16/12/2005 LOUBER LTDA ME 02254873000156 MEIO AMBIENTE 20/12/2005 METRO EXTRACAO DE ARGILA LTDA 06167524000158 MEIO AMBIENTE Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 235 11 21/12/2005 ENGEMIL IND.COM .MAQUINAS EQUIP.SERVICOS 06947454000150 MEIO AMBIENTE 15/12/2005 GR TERRAPLANAGEM LTDA. 80982945000195 MEIO AMBIENTE Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se extrai do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de insumos aplicados na produção alimentícia, conforme o julgado administrativo colacionado, todavia, por outro lado, as despesas com a proteção do meio ambiente são geradas em função de uma imposição do Poder Público e neste caso é inexigível conduta diversa por parte do contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao rígido controle ambiental, por certo que a empresa não estaria autorizada a extrair o carvão mineral, ou seja, estaria impossibilitada de realizar o seu processo produtivo. Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 12 de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência nãocumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado. Das Aquisições de Bens e Serviços que Não Geram Créditos Por outro giro, observo que o contribuinte deseja ver aplicado ao conceito de insumo a legislação do IRPJ para efeito de credimento da COFINS e PIS/PASEP. Todavia, penso que não lhe assiste razão, pois caso o legislador desejasse, teria permitido aos contribuintes a dedução das despesas operacionais, em outras palavras, nem ao mar, mas também nem à terra. Assim, seguindo esse raciocínio, não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. Neste sentido, cito Apelação Cível n.º 00054351120104036102 – TRF 3ª Região, DJF de 03.08.2012, Desembargadora Cecília Marcondes: APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. REFEIÇÕES, CONVÊNIO MÉDICO, VALETRANSPORTE, UNIFORME E SEGURO DE VIDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. As Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS) disciplinam a nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS, dispondo sobre os limites objetivos e subjetivos para a implementação dessa técnica de tributação. (...) 7. Resta claro que as despesas com refeições, convênio médico, valetransporte, uniforme e seguro de vida não se qualificam como insumos, pois não são bens ou serviços utilizados diretamente no processo de fabricação/produção dos produtos comercializados pela impetrante.(...) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.000931/200961 Acórdão n.º 3803003.880 S3TE03 Fl. 236 13 Apelação Improvida. A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas. Da Elaboração do Conceito de Insumo É preciso ter em mente que a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo não cumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Seus créditos possuem natureza financeira. Outra constatação não menos importante é a de que a hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas. Deve ainda ser fixada a premissa de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN 14 compõem o produto, conforme no IPI. Neste sentido são os ensinados de Marco Aurélio Grego em Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS, Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan.2003, Belo Horizonte. Com foco nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as IN da SRF ns. 247/02 e 404/04 não têm condições de trazer para a COFINS e PIS o conceito de insumo aplicado ao IPI, sob pena de ir de encontro com a vontade do legislador no que se refere ao princípio da nãocumulatividade. Disso tudo se conclui que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 (PIS) e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 (COFINS) exige que: a) não é preciso que ocorra o consumo do bem ou que a prestação do serviço esteja em contato direto com o produto, logo é possível admitir apenas o emprego indireto no processo produtivo; b) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos, conseqüentemente aqui se mostra importante a pertinência ao processo produtivo e por fim que a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição e aqui chama à atenção a essencialidade ao processo produtivo. A essencialidade do bem ou serviço é fundamental para que estes sejam considerados insumo. É importante que o processo produtivo dependa da aquisição do bem ou serviço e do seu emprego direito e inclusive o emprego indireto também. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e lhe dou parcial provimento para reconhecer direito ao creditamento em relação a todas as despesas com preservação com o meio ambiente, nos termos do voto e bens do ativo imobilizado em razão da depreciação. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 16004.000299/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO MENSAL DAS ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES.
A insuficiência de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devidos por estimativa por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado.
O valor da base de cálculo mensal das estimativas é a receita bruta, e somente se exclui de seu cálculo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. (parágrafo único do art. 31 Lei nº 8.981, de 1995). Não havendo cobrança do IPI não há que se falar em excluir qualquer valor a esse título da base de cálculo mensal das estimativas de IRPJ e CSLL.
Numero da decisão: 1402-001.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência em relação ao mês de outubro/2000. No mérito, negar provimento ao recurso: i) por voto de qualidade em relação à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que votaram pela não incidência da multa; e ii) por unanimidade em relação à base de cálculo da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. Não se confunde a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa com a exigência de tributo não recolhido. A multa de oficio isolada submetese à regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pois não é tributo nem está sujeita ao lançamento por homologação, uma vez que somente pode ser constituída por meio de lançamento de ofício. O vencimento para recolhimento da estimativa mensal é o último dia útil do mês subsequente ao período de apuração. Portanto, a penalidade isolada somente pode ser exigida no primeiro dia do segundo mês após o respectivo período de apuração mensal da estimativa não recolhida. Desse modo, o dies a quo para contagem do prazo decadencial das multas isoladas (primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento) é o primeiro dia do ano seguinte ao respectivo período de apuração mensal em relação às estimativas dos meses janeiro a outubro de cada anocalendário (vencimento para recolhimento de estimativas até o último dia do mês de novembro do respectivo anocalendário, o que possibilita o lançamento ainda no próprio anocalendário). Em relação às multas isoladas pela falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas dos meses de novembro e dezembro (vencimento no último dia útil de dezembro e janeiro, respectivamente), o prazo inicial para contagem da decadência é o primeiro dia do segundo anocalendário após o respectivo período de apuração mensal. Portanto, a data limite para lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de outubro de 2000 foi 31 de dezembro de 2005, enquanto que em relação aos meses de novembro e dezembro de 2000 o prazo decadencial se estendeu até 31 de dezembro de 2006. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 02 99 /2 00 6- 04 Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.495 2 Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO MENSAL DAS ESTIMATIVAS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. A insuficiência de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devidos por estimativa por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado. O valor da base de cálculo mensal das estimativas é a receita bruta, e somente se exclui de seu cálculo “as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário”. (parágrafo único do art. 31 Lei nº 8.981, de 1995). Não havendo cobrança do IPI não há que se falar em excluir qualquer valor a esse título da base de cálculo mensal das estimativas de IRPJ e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência em relação ao mês de outubro/2000. No mérito, negar provimento ao recurso: i) por voto de qualidade em relação à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez que votaram pela não incidência da multa; e ii) por unanimidade em relação à base de cálculo da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.496 3 Relatório Por bem resumir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida: Lavrouse multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL, nos valores de R$558.928,39 e R$322.556,02, respectivamente. As diferenças apuradas estão listadas nas planilhas de fls. 611 e 613. A fundamentação legal achase descrita nos autos de infração correspondentes (fls. 616/633). Segundo consta do Termo de Constatação Fiscal n. 2 (fls. 607/615), na apuração da base de cálculo do valor devido por estimativa a contribuinte deduzia da receita bruta valores de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que não estavam sendo destacados nos documentos fiscais tampouco recolhidos aos cofres públicos em face de discussão judicial que em sede liminar permitiu tal circunstância (fls. 217/260), além de outros débitos daquele tributo confessados em Parcelamento Especial de Débitos referente ao período de outubro de 2000 a dezembro de 2002 No registro de apuração do IPI não há qualquer lançamento contábil que retrate a saída do produto do estabelecimento industrial. Entretanto, a partir de janeiro de 2003, a contribuinte emitiu documentos fiscais sem destacar o imposto; na contabilização reajustou o preço de venda para calcular o IPI, a partir do valor total das notas, registrando na escrita contábil a importância correspondente, a débito da conta de resultado "Imposto sobre VendasIPI" e a crédito da conta de passivo exigível a longo prazo "Tributo sub judice IPI". O substrato legal para considerar o recolhimento de estimativa de IPRJ insuficiente achase assentado no art. 31 e seu parágrafo, da Lei n. 8.981, de 1995, a seguir: Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto de venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Regularmente intimada da imposição, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 635/645, em que alega: decadência do direito de o fisco lançar, relativamente às competências anteriores a junho de 2001; Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.497 4 a natureza de nãocumulatividade do IPI tem assento constitucional que não se modifica pelo fato de que a contribuinte não destacar o tributo nos documentos fiscais; embora nos documentos fiscais não exista o destaque na apuração do resultado o IPI lançado em conta de passivo é adicionado ao lucro real; em face de já ter havido balanço para levantar o valor devido, a forma correta de apuração da multa deve levar em conta o total do imposto devido, apurado ao final do período e desse valor deve ser deduzida a quantia recolhida a título de estimativa. Ao final propugnou pelo acolhimento do pedido e que as intimações e notificações sejam remetidas no endereço dos mandatários. A impugnação foi julgada procedente em parte, tendo sua ementa a seguinte redação: ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. A multa de ofício isolada submetese à regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pois não é tributo nem está sujeita ao lançamento por homologação. ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO. FALTA. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO LEGAL. A multa isolada incidente sobre a falta ou insuficiência de pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa foi reduzida para 50% (cinquenta por cento), nos termos da nova redação dada ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n° 11.488, de 2007. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No recurso voluntário apresentado, a recorrente repete seus argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.498 5 Voto O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 11/06/2010 (fl. 1435), apresentando recurso voluntário em 08/07/2010 (fls. 14371453). Considerandose que o recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 1 ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA O lançamento diz respeito a multas isoladas aplicadas em razão do recolhimento a menor de estimativas de IRPJ e CSLL dos meses de outubro de 2000 a dezembro de 2003. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 31/05/2006. Considerou a decisão recorrida que se aplica aos lançamentos de multas isoladas a contagem de prazo decadencial nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que não se tratam de tributos e somente podem ser exigidas de ofício, não se aplicando, portanto, o art. 150 do CTN que diz respeito ao prazo de homologação do recolhimento de tributos. Entendeu ainda a turma julgadora que o lançamento relativo às multas isoladas relativas ao ano calendário de 2000 somente poderiam ser exigidas a partir de janeiro de 2001, e que, portanto, o primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado (marco inicial da contagem do prazo decadencial) seria 1º de janeiro de 2002. Nessa linha de raciocínio, concluiu que o prazo fatal para ciência da exigência seria 31 de dezembro de 2006. Logo, não haveria que se falar em decadência. Concordo parcialmente com a conclusão da autoridade julgadora. Em relação à aplicação do art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, entendo perfeita a conclusão, uma vez que não há exigência de tributos, e sim de penalidade. Portanto, não há que se falar em aplicação da contagem do prazo decadencial com base no art. 150 do CTN, uma vez que esse se aplica aos recolhimentos de tributos por homologação. Ora, se não há lançamento em razão da ausência de recolhimento de estimativa, não há como se aplicar tal dispositivo legal, pois, repisese, a exigência diz respeito a penalidades isoladas, o que somente pode ser feito por meio de lançamento de ofício. Nesse sentido decidiu a extinta Primeira Câmara do Conselho de Contribuintes: MULTA ISOLADA – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DEPÓSITO JUDICIAL DO VALOR DO TRIBUTO DEVIDO NO PRAZO LEGAL DE VENCIMENTO – Afastase a preliminar de decadência posto que se trata de,exclusivamente, exigência de multa isolada nos termos do art. 44, 1§ da Lei nº 9.430/96, não se cuidando de discussão sobre lançamento por homologação, eis que se aplicou corretamente o art. 173 do CTN, iniciandose a contagem do exercício seguinte a data que o lançamento poderia ter sido efetuado, razão porque, no caso vertente, não se considera caduco o lançamento. (Acórdão 10194.849, Relator Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 28 de janeiro de 2005) Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.499 6 Por outro lado, para se aplicar multas isoladas não há necessidade de aguardar o término do respectivo anocalendário, podendo ser exigidas após a data de vencimento para o recolhimento das estimativas, que é o último dia útil do mês subsequente ao período de apuração (caput do art. 6º da Lei nº 9.430/96). Assim, o lançamento da penalidade relativa à insuficiência de recolhimento de estimativa referente ao mês de outubro de 2000 poderia ser ter sido realizado ainda no mesmo anocalendário, pois o vencimento das estimativas do mês de outubro se deu ao final do mês de novembro de 2000. Já a penalidade relativa ao mês de novembro somente poderia ter sido aplicada a partir de janeiro de 2001, uma vez o prazo de recolhimento da estimativa daquele mês se deu no último dia útil do mês de dezembro de 2000. Desse modo, devese dar provimento parcial ao recurso para exclusão da penalidade relativa às multas isoladas do mês de outubro de 2000, pois, a contagem do prazo decadencial teve início de 01 de janeiro de 2001, exaurindose o prazo disponível para lançamento em 31 de dezembro de 2005, seis meses antes da data em que o contribuinte foi cientificado do lançamento. Já em relação às exigências referentes aos meses de novembro de 2000 e competências seguintes, somente poderiam ser realizadas, no mínimo, a partir do início do ano calendário de 2001, acarretando a transferência do dies a quo para contagem do prazo decadencial para 01 de janeiro de 2002 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado). Por consequência, o prazo fatal para lançamento era dia 31 de dezembro de 2006, seis meses após a ciência da exigência. Isso posto, voto por acolher parcialmente a arguição de decadência, exonerando o crédito tributário relativo às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL referentes ao mês de outubro de 2000. 2 MÉRITO No mérito, não merecem prosperar os argumentos da recorrente. Não havendo o destaque do IPI nas notas fiscais de vendas, não há que se falar em excluir o suposto valor devido deste tributo das bases de cálculo mensais de recolhimento de estimativas. Os argumentos tecidos pela recorrente a respeito da não cumulatividade do IPI não possuem qualquer relação com a exação, pois o valor da base de cálculo mensal das estimativas é a receita bruta, e somente se exclui de seu cálculo “as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário”. (parágrafo único do art. 31 Lei nº 8.981, de 1995) Não havendo cobrança do IPI não há que se falar em excluir qualquer valor a esse título da base de cálculo mensal das estimativas de IRPJ e CSLL. A respeito do argumento do contribuinte de que obteve, posteriormente, antecipação de tutela para não recolhimento do IPI em nada altera o panorama. A uma, porque não foi cobrado o IPI nas vendas efetuadas, portanto, não há valor a se excluir do cálculo da receita bruta mensal. A duas porque os tributos com exigibilidade suspensa não podem se deduzidos das bases de cálculo dos tributos. Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.500 7 A alegação de que o § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/1995 somente contempla os incisos I a IV do art. 151 do CTN, e a suspensão da exigibilidade em seu caso se deu com base no inciso V (antecipação de tutela) não se mostra razoável. De fato, tal dispositivo não contempla expressamente as hipóteses de suspensão da exigibilidade de tributos de que tratam os incisos V e VI do art. 151 do CTN. Porém, tal fato não implica que o legislador quisesse excluir os casos de antecipação de tutela e de parcelamento (respectivamente incisos V e VI do art. 151 do CTN) das hipóteses de indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa. Tratase, simplesmente, do aspecto temporal: tais incisos foram incluídos no CTN somente no ano de 2001 (Lei Complementar 104/2001), enquanto a Lei nº 8.981 é de 1995. De qualquer modo, a despeito da discussão de se haveria, ou não, necessidade de alteração do § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95 para adequação à nova redação do art. 151 do CTN, não se pode olvidar que a contabilização de tributos que o contribuinte não reconhece como devido não poderia, em hipótese alguma, sequer alteração seu resultado contábil. Se ao menos o contribuinte tivesse declarado tais valores como devidos correta estaria a sua inclusão no resultado contábil. Contudo, ao não reconhecer tais tributos como devidos, ainda que haja contabilização dos valores que supostamente poderiam ser exigidos, tal reconhecimento contábil classificase como provisão, a qual, regra geral, é indedutível das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, com exceção às provisões para décimo terceiro salário, férias e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável (arts. 335 a 338 do RIR/99). A doutrina aborda o tema. A família Higuchi assim discorre sobre a matéria: Não se tratando de despesas incorridas, a reserva de valores lançados na escrituração contábil nada mais representa que mera provisão. A provisão não dedutível na determinação do lucro real terá que ser adicionada também na apuração da base de cálculo da CSLL porque assim determina o art. 2º da Lei nº 7.689/88, alterado pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. O imposto ou a contribuição como ICMS, PIS, COFINS, IOF etc. com exigibilidade suspensa por impugnação ou recurso administrativo ou medida judicial favorável não constitui despesa incorrida mas mera provisão. Despesa incorrida é a irreversível enquanto a provisão pode resultar em despesa incorrida ou não, dependendo da decisão final na esfera administrativa ou judicial. (HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática. 35. ed. São Paulo: IR Publicações, 2010, p. 359360) O recorrente alega ainda que houve erro da autoridade fiscal na apuração da base de cálculo das estimativas. Além de não incluir IPI, alega ainda que deveria ter sido considerada somente a diferença entre os valores recolhidos ao final do ano e a estimativa supostamente minorada. Entendo incorreta novamente a conclusão do recorrente, pois os valores devidos a título de estimativa não se confundem com montante de IRPJ ou CSLL apurados ao Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16004.000299/200604 Acórdão n.º 1402001.428 S1C4T2 Fl. 1.501 8 final do período de apuração (anual). O valor efetivamente devido de IRPJ/CSLL no respectivo anocalendário somente é apurado após o encerramento do anobase. Desse valor, descontam se os valores recolhidos por estimativas (entre outros) para se chegar ao saldo de IRPJ/CSLL a recolher. Portanto, não há qualquer lógica o mecanismo proposto pelo recorrente, até mesmo porque, inviabilizaria a aplicação da penalidade isolada antes do encerramento do ano calendário. Inviável, pois, fazer o lançamento das penalidades por insuficiência do recolhimento de estimativas com base na diferença entre as estimativas calculadas e o saldo de IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração. 3 CONCLUSÃO Desse, voto acolher parcialmente a arguição de decadência para excluir a exigência das penalidades relativas ao mês de outubro de 2000. No mérito, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 35601.001929/2007-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Conscrato dos Santos.
Relatório
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Conscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 56 01 .0 01 92 9/ 20 07 -4 6 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35601.001929/200746 Resolução nº 2403000.154 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Na forma do Relatório Fiscal de fls. 26, aduz que : “ O débito constante desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, abrangendo o período de 06/2002 a 07/2003, incluindo 13° salários de 2002, referese a contribuições devidas a Previdência Social, correspondentes ao acréscimo para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, de acordo com o previsto no § 6° do artigo 57, da Lei n.° 8.213, de 24/0711991, com as alterações introduzidas pela Lei n.° 9.732, de 11/12/1998, e cobrança de acréscimos legais conforme legislação em vigor. 2. O adicional, introduzido com o advento da Lei n.° 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e correspondente às alíquotas estabelecidas conforme atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa e a espécie do beneficio concedido (aposentadoria especial após 25 anos de trabalho), foi exigido de forma progressiva, nos termos do art. 6° da citada Lei. 3. A presente NFLD é para os débitos da Matriz, não tendo sido identificado exposição a riscos ambientais nos demais estabelecimentos.” No Mandado de Procedimento Fiscal Complementar MPF n° 09341931C 01 de fls.19, consta que tratase de nova ação fiscal que teve por objeto a relavratura de NFLD entre as quais a de n° 35.639.6703 que deu origem ao presente tornada nula pelo então CRPS, verbis: “ MPF para realizar Auditoria Fiscal Coordenada Fase de Diagnóstico, com prevenção da decadência ref. 1996 e relavratura das NFLD . DEBCAD 35.639.6690 e 35.639.6703, tomadas nulas pelo CRPS. MPF Complementar para inclusão da NFLD 35.639.6711 para relavratura.” Consulta ao sítio Fazenda na tentativa de obter os dados do MPF inicial, a senha de acesso 21341204 disponibilizada no sobredito MPF Complementar n° 09341931C01 – único colacionado nos autos – não permite acesso. Aduz que o documento complementar colacionado não registra assinatura do preposto. O Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF de fls.17, na parte final do documento, no campo Informações Complementares, registra que o presente foi constituído com o mesmo fato gerador, verbis: “ Emitido documentos de debito, NFLDS substitutas dos DEBCADS. nr. 35.639.6711, 35.636.6690 e 35.639.6703 tornadas nulas pelo CRPS, novas notificações foram emitidas com o mesmo fato gerador da época.” Muito embora às fls. 01 se afirme que o anexo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD estaria colacionado como parte integrante da notificação, compulsado os autos isto não se confirma. O Relatório Fiscal da NFLD anulada , também, não consta nos autos. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 35601.001929/200746 Resolução nº 2403000.154 S2C4T3 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator Na forma do art. 9° do Decreto n° 70.235/72 e 25 do Decreto n° 7.574, de 29 setembro de 2011, “ os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. O art. 28 da Lei no 9.784, de 1999 aduz que o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo para manifestação , verbis: “Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Isto posto, não se tratando de documentos ou fatos novos insculpidos no comando do sobredito artigo, é despiciendo intimar o contribuinte com abertura de prazo para eventual manifestação. CONCLUSÃO Desse modo, no exercício da prerrogativa da formação da livre convicção, com fulcro no art. 29 do Decreto 70.235/72, determino diligência para que as Autoridades autuantes providenciem cópias datadas e assinadas do Mandado de Procedimento Fiscal MPF inicial; do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; do Relatório Fiscal da NFLD 35.639.6703 anulada ; e Informação das competências que integraram o período em que foram constituídos os créditos anulados. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 501DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10880.665242/2009-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
VENDAS A PRAZO
Os valores correspondentes aos juros integram a base de cálculo do PIS e do COFINS, uma vez que fazem parte da receita bruta da venda.
Numero da decisão: 3803-004.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. VENDAS A PRAZO Os valores correspondentes aos juros integram a base de cálculo do PIS e do COFINS, uma vez que fazem parte da receita bruta da venda.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. VENDAS A PRAZO Os valores correspondentes aos juros integram a base de cálculo do PIS e do COFINS, uma vez que fazem parte da receita bruta da venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 52 42 /2 00 9- 85 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 84 2 Relatório Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de São Paulo, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP transmitida para compensar débitos de tributo administrado pela RFB, com crédito proveniente do recolhimento indevido de COFINS e PIS, no período de agosto/2004 a dezembro/2007, incidente sobre encargos financeiros cobrados sobre as vendas a prazo de seus produtos e mercadorias. À fl. 03 está anexo o despacho decisório, por meio do qual foi indeferida a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 07/20, argumentando não ocorre a incidência das contribuições sobre vendas a prazo, pois encargos financeiros se caracterizam por meras operações financeiras sujeitas ao IOF. Deste modo, fundamenta a compensação no art. 170 e 165 do CTN, bem como no art. 74 da Lei n. 9.430/96. À fl. 31 anexou planilha apontando os valores recolhidos indevidamente. Advoga que o art. 195 da CF definiu a hipótese de incidência das contribuições, devendo ser destacado que a base de cálculo é o faturamento, razão pela qual não há possibilidade de incluir nesta valores referentes a vendas a prazo. Cita acórdãos do STF para demonstrar que este tribunal já decidiu pela exclusão da base do cálculo do ICMS, dos encargos financeiros relativos ao financiamento do preço da mercadoria. Às fls. 35/42 sobreveio o acórdão n.º 1631.4789ª Tuma da DRJ de São Paulo, que por sua vez indeferiu o pedido por compreender que não houve cerceamento de defesa, já que restou demonstrado que o sujeito passivo foi cientificado do despacho decisório e a este foi oportunizada a defesa. Além do que, o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório e nas vendas a prazo, o custo do financiamento, inserido no valor dos bens, integra a receita bruta da venda, não constituindo receita financeira. Os julgadores de piso, fundamentaram ainda o indeferimento do pedido no entendimento de que as vendas para pagamento a prazo não representa operação financeira, pois tal acréscimo no valor da venda integra o valor da operação de venda. Neste sentido, cita o Parecer Normativo CST nº 21/79 e o Ato Declaratório Normativo – ADN nº 07/93. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário às fls. 45/68 repisando os mesmos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade, destacando que o despacho decisório constitui um lançamento por parte do Fisco e que ocorreu cerceamento de defesa em razão de que não lhe foi dada a possibilidade de justificar a origem do crédito. Tece ainda comentários, a respeito da obrigação de a Fazenda realizar a sua intimação para que fornecesse esclarecimentos a respeito do direito creditório. Destaca que os encargos financeiros exigidos dos seus clientes nas vendas a prazo, não configura hipótese de incidência do PIS e COFINS, por força do art. 195 da CF que determina que a base de cálculo destes tributos será somente as receitas provenientes do faturamento. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 85 3 Destaca que as planilhas apresentadas à fls. 81, foi anexada planilha para demonstrar o direito creditório em questão. Por fim, insiste na realização de diligência a fim de que seja verificado que lhe assiste razão ao direito creditório, com fundamento no art. 16 do Decreto n. 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Não assiste qualquer razão ao contribuinte. Primeiramente porque não há necessidade da RFB o intime a justificar a origem do crédito, antes de emitir o despacho decisório, pois basta que na manifestação de inconformidade sejam apresentadas as provas que embasaram o creditamento realizado por meio das PER/DCOMPs para que o débito seja excluído. Além do que, não há fundamento jurídico para que prospere a alegação de que o despacho decisório possui natureza de lançamento, pois uma vez realizada a compensação, por iniciativa do contribuinte, cabe a Fazenda Nacional verificar a regularidade de tal ato, nos termo do art. 74 do § 11 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, a compensação sempre é realizada sob condição resolutória, por força da lei. Quanto a alegação de falta de motivação do despacho decisório, compreendo que este argumento também deve ser afastado, principalmente porque a justificativa do indeferimento da compensação foi a ausência de crédito disponível para fazer frente ao débito informado. Logo, aqui está a motivação, ou seja, carência de crédito. Por outro lado, se o contribuinte pretende demonstrar que o débito inexiste, então deveria ter apresentado prova do seu direito com a finalidade de reduzir ou extinguir o débito confessado por meio de PER/DCOMP, ou seja, lastro contábil, visto que sobre ele recai o ônus probatório, nos termos do art. 16 do Decreto n. 70.235/72. O que é inadmissível é a alegação fazia de que a origem do crédito decorre de receitas tributadas indevidamente, sem demonstrar a sua origem. Já o argumento de que o despacho decisório constitui lançamento de ofício é descabido, tendo em vista que o débito em exame teve origem na confissão realizada pelo próprio contribuinte, logo desnecessário o ato de constituição do crédito por parte da Fazenda. Em relação a base de cálculo da COFINS e PIS, alega o contribuinte que não compõe a base imponível os valores referentes a juros cobrados sobre vendas a prazo de seus produtos e mercadorias. Todavia, não assiste razão ao contribuinte. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 86 4 O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou, por meio do Resp n. 674.445 – PR, no sentido de que os valores recebidos a título de correção monetária das vendas a prazo compõem a base de cálculo das contribuições, pois integram o preço da contraprestação ofertada pelo cliente e fazem parte do preço bruto da mercadoria. No mesmo sentido é o posicionamento do TRF 4ª Região: TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 3859 PR 2001.70.11.003859 4(TRF4) Data de publicação: 02/08/2006 TRIBUTÁRIO. PIS . COFINS. FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. VENDAS A PRAZO. ACRÉSCIMOS FINANCEIROS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Aplicase à hipótese de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS o regime de competência, pelo que, interessa para fins de apuração da base de cálculo as receitas decorrentes das operações financeiras efetuadas no período, sendo irrelevante seu adimplemento ou se realizadas à vista ou a prazo. 2. Outrossim, a legislação regente não distingue a venda à vista ou a prazo, nem inclui dentre as hipóteses de exclusão os acréscimos financeiros, tais como juros e correção monetária, decorrentes da venda a prazo. Realizado o negócio entre as partes, extraise a respectiva receita do valor efetivamente cobrado com a venda da mercadoria ou serviços, independentemente se o montante cobrado tenha sido majorado em razão de eventual parcelamento ou prazo concedido para pagamento. 3. Apelação desprovida. (grifo) Quanto ao pedido de diligência formulado pelo contribuinte, compreendo que agiram bem os julgadores de piso em negar o pedido, pois analisando os autos, concluise que realmente não se mostra necessária a realização de diligência, principalmente porque o recorrente não trouxe aos autos nem mesmo indício do seu direito. Ante o exposto, nego provimento. É como voto. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.665242/200985 Acórdão n.º 3803004.556 S3TE03 Fl. 87 5 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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