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Numero do processo: 15586.720041/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO
ILÍCITO.
Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado.
USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO.
Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública.
MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS.
Aplica-se a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO.
A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora.
Numero da decisão: 3402-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 41 /2 01 2- 00 Fl. 351DF CARF MF 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revele se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao Cofins nãocumulativo associado a operações de exportação, referente ao 2º trimestre de 2008. Por razões de economia se recorrerá ao relatório da decisão recorrida para relatar o feito: A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 69, com base no Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 139/2012 em fls. 58/68, decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar as compensações declaradas. No referido Parecer consta consignado, em resumo, que: a) O contribuinte exerce atividade de comércio atacadista de café em grão; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 3 3 b) O contribuinte atendeu à intimação para apresentação das notas fiscais referentes à compra de café, acompanhada dos respectivos comprovantes de pagamento da fornecedora Cafeeira Centenário Imp. E Exp. Ltda, bem como o nome e CPF das pessoas físicas que efetuaram essas vendas; c) Intimada, a empresa apresentou notas fiscais e respectivos números de registro de exportação ou da declaração de exportação de diversas vendas realizadas em 2008 e 2009, informando que os créditos solicitados estão vinculados às receitas no mercado externo; d) No curso de diversas ações fiscais, a DRF/Vitória verificou uma mudança de comportamento no mercado cafeeiro após alterações legislativas relativas ao PIS e à COFINS. Detectou que grande parte dos tradicionais fornecedores de café, produtores rurais pessoas físicas haviam sido substituídas por empresas atacadistas desconhecidas até então. Investigadas, constatouse que não passavam de pseudoatacadistas, empresas inexistentes, com sócios “laranjas” ou “testas de ferro”, capital social diminuto, sem instalações físicas e os recursos humanos mínimos necessários à realização desse tipo de negócio. Foram instaurados processos administrativos para declaração de inaptidão das mesmas; e) Foram reproduzidas no Termo, algumas reportagens acerca das operações “Tempo de Colheita”, deflagrada em 2007 e a “Broca”, empreendida em 2010; f) Adame Café Importação e Exportação Ltda e Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda foram diligenciadas em 2008. Foram coletados Termos de Declaração dos sócios dessas empresas, corroborando o entendimento da fiscalização de que se trata de fornecedores de fachada; g) Em março de 2012, a RFB emitiu Atos Declaratórios Executivos declarando a baixa de ofício das empresas citadas; h) Foram determinados os valores de compras de fornecedores de fachada. Ante o fato de os créditos reivindicados terem sido gerados através da simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente foram de produtores rurais pessoas físicas, impôsse a elaboração de nova apuração da contribuição devida, segundo a realidade fática apresentada; i) Foi elaborado o Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Descontar – PIS nãocumulativo” com os ajustes procedidos nas bases de cálculo e a apuração dos créditos passíveis de ressarcimento; j) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos os valores de aquisição de bens de empresas inaptas. Tais operações foram consideradas como tendo sido realizadas com produtores rurais pessoas físicas e apurado o crédito presumido previsto na legislação. Fl. 353DF CARF MF 4 Cientificada em 16/10/2012 (fl. 75), a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 77/134, em 13/11/2012, na qual alega, em síntese, que: a) Em nenhum momento, a Fiscalização traz a informação de que nenhum diretor da recorrente foi sequer citado na Operação Broca, ou seja, não houve denúncia, indiciamento, mandados de prisão ou de busca e apreensão com relação a Exportadora Yalkins Sons; b) É absurdo dizer que a recorrente se beneficiou desse suposto esquema, uma vez que, se não houvesse esses compradores com preços irresistíveis (atacadistas), os produtores rurais seriam obrigados a vender para as exportadoras, como sempre fizeram; c) As provas documentais trazidas pela fiscalização são produto unilateral de terceiros, originadas de buscas e apreensões. Mesmo que implicassem em alguma prova contra a recorrente, se a fiscalização tem por fraudadores aquelas empresas, não deveria usálas para afastar a boafé de uma empresa que sequer é citada na Operação Broca; d) Todas as mercadorias compradas da Cafeeira Centenário foram entregues, registradas na contabilidade da empresa e os pagamentos foram feitos através de depósitos, TEDs ou DOCs. Além disso, a empresa estava ativa na época das compras, como se verifica do CNPJ e SINTEGRA; e) As baixas da Cafeeira Centenário e da Adame Café foram realizadas somente em 28/02/2012; f) A recorrente não negocia diretamente com os produtores. Os documentos em anexo comprovam que as compras são realizadas através de corretores; g) Em nenhum momento provouse que a Recorrente deu início a empresas “laranjas” ou sabia que elas não recolhiam seus impostos, bem como que notas dos produtores eram substituídas por uma de venda emitida pela pseudoatacadista; h) Nos depoimentos acostados aos autos jamais se afirma que os gestores da Recorrente sabiam da suposta interposição fraudulenta. Não há depoimentos de produtores rurais nos autos; i) As alegações da Fiscalização são meras presunções de máfé, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico; j) É dever e obrigação exclusiva do Fisco lançar e cobrar dessas empresas os créditos tributários devidos (art. 145 da CF, 142 do CTN, 904 do RIR e Lei 11.457/07). A negligência e a omissão da Fiscalização não podem dar margem à punição dos contribuintes; k) A legitimidade dos créditos está patente ainda quando se analisa o art. 43 da IN/RFB 200/2002, precisamente o § 5o; l) O art. 3o da Lei 10.637/2002 não condiciona à requerente a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias; Fl. 354DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 4 5 m) Como prevê a Lei 12.350/2010 em seu art. 56A e parágrafos, as empresas que possuem direito a créditos presumidos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, na forma do § 3o do art. 8o da Lei 10.925/2004, podem utilizálos para a quitação de outros tributos ou, em caso de sobra, requerer seu ressarcimento; n) Como a atividade da Requerente é considerada produção, não há dúvida de que ela pode usar os créditos presumidos, tão bem calculados pela Fiscalização nos demonstrativos de fls. 68/69 para o pagamento de quaisquer tributos administrados pela RFB; o) Caso seja mantida a glosa de créditos, deve ser determinada à autoridade fazendária a apuração e restituição dos valores pagos a título de IR e CSLL, uma vez que os valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo; p) Requer a realização de diligência ou perícia, visando confirmar as alegações acima, certificar a efetiva entrada de mercadorias, pagamentos, legalidade das notas fiscais, escrituração contábil e fiscal e a composição exata dos créditos glosados, sob pena de nulidade do procedimento fiscal. Nomeia perito e formula quesitos. Em 13/03/2013, a empresa interessada solicitou a juntada aos autos do requerimento em fls. 225/227, acompanhado dos documentos de fls. 228/244, onde informa que no dia 14/11/2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2a Região, analisando o Hábeas Corpus nº 001431181.2012.4.02.000, em face de ato do Juízo Federal de ColatinaES que instaurou a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383, por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Entende, assim, que os argumentos que motivaram o Parecer SEORT e o Despacho Decisório foram rechaçados definitivamente pelo TRF da 2a Região, reafirmando a natureza inverídica das alegações do Fisco. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Fl. 355DF CARF MF 6 Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera as razões de sua Impugnação, aduzindo também a) Da nulidade do acórdão de DRJ, no tange a extinção da ação penal nº 2008.50.05.005383 (Operação Broca); b) Da ausência de análise dos documentos anexados e de argumentos aduzidos na impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este colegiado. Em razão dos diversos pontos trazidos pela peça recursal, será feita uma análise item a item para abarcálos inequivocamente, buscando nos esquivarmos de eventuais omissões. 1. Das Nulidades do Acórdão da DRJ e do Processo 1.1 Da Extinção da Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 (Operação Broca) Fl. 356DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 5 7 Alega o Recorrente que o PAF foi instruído por provas ilícitas provenientes da "Operação Broca", de modo que o trancamento da Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 implicaria em rechaçar dos argumentos que motivaram a autuação. Em primeiro lugar, devese frisar que o trancamento da referida ação não se deu em razão de qualquer vício nas provas lá produzidas, o que poderia comprometer a sua utilização no âmbito administrativo. O fundamento se deu pela ausência de decisão definitiva acerta da constituição do crédito tributário, como se vê no acórdão, acostado em fl. 513: Em segundo lugar, as provas utilizadas para justificar a oposição ao creditamento pretendido pela Recorrente foram, principalmente, aquelas que indicaram a inexistência das empresas das quais ela comprou o café para exportar. Tratase, pois, dos termos de declaração de fls. 2838, produzidos no âmbito de atividade fiscalizatória da própria Receita Federal e cuja utilização no âmbito do presente processo não é corresponde a nulidade alguma, haja vista ter sido franqueado à Recorrente pleno contraditório dessas provas, conforme previsto pelo art.372 do CPC, verbis: Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. No caso, os requisitos inerentes ao contraditório e à ampla defesa foram observados tanto no processo de origem como no de destino, com a ciência integral do Despacho Decisório, contra o qual o contribuinte pode deduzir robusta defesa, apresentando a competente Impugnação dentro do prazo legal. Logo, não houve cerceamento de defesa. Por outro lado, tendo sido o lançamento efetuado por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos na legislação de regência, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, em consonância ao que determina o Decreto 70.235/72, art. 59, II. 1.2. Da ausência de análise dos documentos anexados e de argumentos aduzidos na impugnação administrativa. Alega o recorrente que a relatora da decisão a quo apenas reproduz a fundamentação do auto de infração, sem enfrentar os argumentos da peça impugnatória, especialmente em razão da ausência do nome da Recorrente nas investigações das operações "Broca" e "Tempo de Colheita", além de não ter enfrentado a aplicação do Recurso Especial nº 1.148.444 do STJ. Invoca jurisprudência do CARF. Em primeiro lugar, não há qualquer irregularidade formal em fundamentar a decisão no auto de infração e seus componentes, nos termos do art.50, §1º da lei 9.784/99, verbis: Fl. 357DF CARF MF 8 Art.50. (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Além disso, a decisão a quo trata das "pseudoatacadistas" e da relação entre elas e a Recorrente, para justificar a impossibilidade de tomada do crédito integral, considerandoo como se a passagem por aquele fosse meramente simulada. Exemplo disto são os parágrafos das fls.554559, que tratam especificamente disto. Inclusive trata da questão da nota inidônea no trecho abaixo, fl.558: O simples fato de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria”, o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: “de quem ?”. E as provas dos autos direcionam para a resposta de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria” de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar “empresas” sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. Desse modo, também não deve prosperar a presente preliminar de nulidade da decisão recorrida. 1.3. Das Provas Ilícitas e do Ônus probatório O Recorrente traz longo arrazoado sobre as provas ilícitas e de como elas são rechaçadas pela doutrina e jurisprudência pátrias, mas sem indicar em qualquer momento quais seriam as provas ilícitas e qual o fundamento da ilicitude. Além disso, faz novo arrazoado sobre o ônus da prova de cunho absolutamente doutrinal e jurisprudencial, mas sem indicar a razão do ônus probatório da fiscalização não ter sido atendido a despeito de farta documentação sobre a natureza dos pseudoatacadistas concluindo que em razão do Recorrente e nenhum de seus sócios terem sido citados na "operação broca" haveria nulidade do auto de infração, o que, a meu ver, não faz sentido. A fiscalização na fica adstrita aos limites da investigação policial, podendo à partir dos dados apurados no inquérito e em investigações próprias constatar ilícitos tributários que fujam à competência policial. Desse modo, não deve prosperar essa preliminar de nulidade processual. 2. Da possibilidade de creditamento e da boafé da Recorrente. A Recorrente faz longo arrazoado explicando a dinâmica do mercado de café, para sustentar que sua boafé está comprovada pelo fato do processo de inaptidão das "pseudo atacadistas" ter se iniciado apenas em 2011, tendo a Recorrente verificado o CNPJ e SINTEGRA das mesmas, nos sistemas da Receita Federal e Estadual, respectivamente. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 6 9 Aqui reside, a meu ver, o cerne da discussão de mérito, qual seja, a possibilidade das notas fiscais, emitidas à partir de operações de compra de café de empresa, realizadas no 2º trimestre de 2008, considerada posteriormente inidônea, gerarem créditos integrais nessa aquisição. Ao enfrentar a matéria, a decisão a quo afirmou: Uma vez demonstrado que as fornecedoras da contribuinte não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de “guiar o café”, conclui se que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda tampouco poderia ter havido a compra, a contrario sensu, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria”, o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: “de quem ?”. E as provas dos autos direcionam para a resposta de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria” de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar “empresas” sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. Por outro lado, o Recorrente sustenta o direito ao crédito por ter agido com boafé, ao verificar o CNPJ e SINTEGRA das vendedoras, e por ter prova do pagamento das compras de café, com comprovação da entrega de mercadorias, conforme apurado em relatório de diligência de fls. 726730, o que ensejaria a aplicação do parágrafo único do art.82 da Lei 9.430/94, verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (g.n.) Naturalmente, tal dispositivo tem como escopo claro a proteção daqueles que, agindo de boafé, realizaram negócios jurídicos com empresas que posteriormente sofreram a sanção de inaptidão, garantindo que aqueles documentos produzidos (neste caso, notas fiscais) tenham os efeitos tributários adequados. Em razão da diligência solicitada pelo relator pretérito, restou plenamente reconhecido pela Receita Federal o pagamento das operações e o efetivo recebimento da Fl. 359DF CARF MF 10 mercadoria, o que já se presta a justificar a aplicação do art.82, par. único, da lei 9.430, que exige tais comprovações para sua incidência. Todavia, em se tratando de inexistência de fato das "pseudoatacadistas", verificase que se trata claramente de uma interposição simulada de terceira pessoa, nos termos do art. 167, §1º, I do Código Civil, que tem plena aplicabilidade na configuração dos fatos geradores tributários por força dos arts. 109 do CTN: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Há que se pontuar brevemente a distinção entre simulação e dissimulação (ou simulação relativa). Ambos são vícios do negócio jurídico, mais precisamente em relação à ocorrência dos atos ou negócios declarados pelas partes envolvidas. Nesse sentido pontua Humberto Ávila: Quando aquilo que as partes declararam ter feito simplesmente não ocorreu, dizse ter havido simulação. Simular é não fazer o que se declara fazer. Quando aquilo que as partes declararam ter feito não ocorreu como elas declararam, dizse ter havido dissimulação. Dissimular é fazer algo diferente do que se declara fazer. (ÁVILA, Humberto. A Prestação de Serviços Personalíssimos por Pessoas Jurídicas e sua Tributação: o Uso e Abuso do Direito de criar pessoas jurídicas e o poder de desconsiderálas. In: ROCHA, Valdir de Oliveira. Grandes Questões Atuais de Direito Tributário, v.17. São Paulo: Dialética, 2013. P.140) Na citação feita anteriormente de trecho da decisão recorrida, se verifica que a relatora reconhece a ocorrência de uma operação comercial com o café, mas diverge quanto a quem seria o efetivo vendedor se o produtor rural ou o "pseudoatacadista" concluindo que o café seria vendido pelo produtor rural, devendo a Recorrente ter direito apenas ao crédito presumido. A passagem pela atacadista seria puramente simulada, já que, como apurado em fls.2840, elas sequer teriam armazéns ou capacidade operacional/financeira para o montante de café vendido no período, tendo como sócios pessoas humildes e sem capacidade econômica para operar competitivamente nesse mercado. Fica clara a intenção de apenas "guiar o café" no depoimento de Jasson Quirino Dias, sócio da Cafeeira Centenário, ao afirmar que trabalhava com o seu pai realizando a venda do café utilizando a nota do produtor rural, mas que as compradoras (grupo ao qual podese racionalmente presumir fazer parte a Recorrente, diante das largas operações que Fl. 360DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 7 11 realizara com essa atacadista) passaram a não aceitar nota do produtor rural, exigindo a criação das pseudoatacadistas, o que é respaldado no depoimento de Samuel Quirino (fl.38): Daí, no depoimento de Celso Francisco Tavares sócio da Cafeeira Centenário e gestor da Adame Café (no período das aquisições em questão) resta claro que ambas as atacadistas foram abertas apenas para emissão das notas fiscais, haja vista que não possuíam patrimônio algum, não recolhiam quaisquer tributos federais, e não possuíam armazéns para o café adquirido. Tal fato é provado pela fiscalização, conforme registrado na decisão a quo: Registrese, de passagem, que os dois únicos fornecedores da contribuinte no período em exame foram constituídos após o advento da MP nº 66, de 29/08/2002, que passou a dispor sobre a apuração nãocumulativa do PIS/Pasep, e que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda foi constituída em 25/07/2005 e Adame Café Importação e Exportação Ltda em 18/10/2007. Conforme registrado pela autoridade fiscal, por ocasião da análise dos autos, ambas já haviam sido declaradas inaptas por motivo de inexistência de fato. (...) Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador, porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Como verificado na fiscalização, as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte interessado, constituídas como visto já em pleno regime da não cumulatividade, estiveram sempre em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. Além disso, é fantasioso achar que tais empresas operavam efetivamente, conforme relatado pela decisão recorrida: Fl. 361DF CARF MF 12 No conjunto, essas duas empresas movimentaram no ano de 2008 (considerando apenas as operações envolvendo a Exportadora Yalnik Sons) R$ 1.397.500,00, mas nada recolheram de PIS/Cofins. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de inaptidão declarada, se junta mais um fato, constatado em diligências nas empresas: nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, nenhum funcionário contratado, nenhuma estrutura logística (conforme informações constantes dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão). Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrandose, ao invés disso, pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. Não restam dúvidas que, A DESPEITO DA EXISTÊNCIA DE FARTA DOCUMENTAÇÃO FISCAL QUE DEMONSTRE AS OPERAÇÕES ENTRE A RECORRENTE E A ATACADISTA, que esta era pessoa jurídica simulada interposta em relação aos produtores rurais. Portanto, podese dizer que a compra ocorria, de fato, dos produtores rurais. Diante disso, procedeu da seguinte forma a fiscalização (fl.56): Entendo correta a posição da fiscalização, por se tratar a venda para o atacadista de uma operação simulada (simulação absoluta), o que permite à autoridade fiscal desconsiderar tal operação e verificar quem foi o real adquirente da mercadoria, para fins tributários. Caso se estivesse tratando de uma operação dissimulada (simulação relativa), a fiscalização estaria tolhida de desconsiderar o negócio realizado diante da ausência de regulação legal do art.116, parágrafo único do CTN, mas não é o caso. Tal fato foi reconhecido também pela decisão a quo: No conjunto, essas duas empresas movimentaram no ano de 2008 (considerando apenas as operações envolvendo a Exportadora Yalnik Sons) R$ 1.397.500,00, mas nada recolheram de PIS/Cofins. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de inaptidão declarada, se junta mais um fato, constatado em diligências nas empresas: nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, nenhum funcionário contratado, nenhuma estrutura logística (conforme informações constantes dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão). Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a Fl. 362DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 8 13 existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrandose, ao invés disso, pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. Tudo indica que as autodenominadas “atacadistas” são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, uma existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. Portanto, diante da comprovação de inexistência fática das atacadistas, mas mera existência simulada para "guiar o café", pode a fiscalização, independente da inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão à época das transações cuja verificação foi efetivamente realizada pela Recorrente através do CNPJ e SINTEGRA considerar a operação como realizada entre o produtor rural e o Recorrente, eliminandose o intermediário. Frisese que as alegações de desconhecimento são irrelevantes porque, independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovada a ocorrência de simulação, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa Diante disso, caberia a aplicação do art.82, p.u. da lei 9.430, para reconhecer os efeitos tributários dos documentos que comprovam as operações de aquisição de bens feitas pelo Recorrente. Todavia, por força do art.167, §1º, I do Código Civil, devese considerar as aquisições como realizadas diretamente do produtor rural, como considerado pela fiscalização na sua autuação. Portanto, a despeito da comprovação da regularidade do pagamento e do recebimento da mercadoria, o referido dispositivo do art.82, p.u. da lei 9.430 não deve ser lido isoladamente, mas contextualizado com o art. 149, VII do Código Tributário, para reconhecer os efeitos tributários da documentação fiscal apresentada pela Recorrente, mas considerando a aquisição como efetuada diretamente do produtor rural, e não dos atacadistas simulados. Considerando, assim, que as aquisições foram feitas diretamente do produtor rural, é mister aplicar a sistemática de créditos presumidos do art. 8º da lei 10.925/2004, suficientemente explanada no termo de verificação fiscal e na decisão recorrida, pelo que faço referência ao conteúdo destes. Uma consideração especial deve ser feita em relação aos processos fundamentos utilizados no voto proferido no processo nº 15586.720615/201231, onde se analisou pedido de ressarcimento de crédito de Cofins nãocumulativo referente ao 3º trimestre de 2008, e no processo nº 10786.721822/201263, pedido de ressarcimento de crédito de PIS Fl. 363DF CARF MF 14 nãocumulativo referente ao 3º trimestre de 2008, que tiveram idêntico fundamentos nas suas decisões de 1ª instância. Ocorre que a glosa descrita no Parecer se refere a créditos apurados em relação a aquisições de café junto às pseudoatacadistas no 2º trimestre de 2008 (PIS e Cofins), especificamente no mês de Junho. Por razões de brevidade, reproduzo abaixo a decisão a quo, que também fez esta ressalva: De acordo com o Parecer, a autoridade fiscal afastou os créditos integrais calculados pelo contribuinte em relação às aquisições de empresas declaradas inaptas e apurou, em substituição, o crédito presumido, reduzindo, desta forma, o crédito a ressarcir/compensar pleiteado pelo contribuinte nos PER/DCOMPs que compõem os processos administrativos nº 15586.720615/201231 e 10786.721822/201263. Mencionadas glosas e os respectivos ajustes na base de cálculo do crédito a descontar produziram reflexo na análise do crédito pleiteado no presente processo (3o trimestre de 2008), na medida em que alterou o saldo de crédito vinculado ao mercado interno a ser transferido do mês de junho para julho, o que pode ser verificado através do Demonstrativo de Calculo dos Créditos a Descontar – COFINS nãocumulativa e PIS não cumulativo (fls.4245), que integram o Parecer SEFIS. Em relação especificamente ao 3o trimestre de 2008, houve equívoco por parte da inconformada, uma vez que não há glosa de crédito promovida pela autoridade fiscal, o que facilmente se constata através do mencionado Demonstrativo de Cálculo. O crédito a descontar apurado pela fiscalização no mês de setembro corresponde a R$ 11.928,96, exatamente o crédito pleiteado pelo contribuinte. Ocorre, no entanto, que o crédito apurado foi integralmente utilizado na dedução da contribuição devida no mesmo período, no valor de R$ 16.296,53 restando ainda, saldo de Cofins a pagar no valor de R$ 4.367,57, cuja exigência foi formalizada através de auto de infração lavrado neste processo. O mesmo aconteceu em relação ao PIS, com diferenças apenas nos valores. Na manifestação de inconformidade apresentada nos processos mencionados acima, a interessada contesta as glosas efetuadas relativas a créditos calculados sobre o valor de aquisições junto a empresas de fachada. Como dito acima, os créditos glosados são pertinentes ao 2º trimestre de 2008, período analisado nos processos nº 15586.720041/201200 e 15586.720039/201222. Desse modo, o deslinde dos processos 15586.720615/201231 e 10786.721822/201263 está estritamente condicionado àqueles que julgam os créditos apurados no 2º trimestre de 2008. Já em relação aos débitos apurados nos meses de julho, agosto e setembro de 2008, nos valores indicados no Demonstrativo de Cálculo, a interessada não apresentou contestação específica, devendose ter por definitivos tais valores, consoante disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis:. “Art. 17 – Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Pois bem. Feito esse esclarecimento, e com base no entendimento firmado neste processo, julgado conjuntamente com os demais processos relativos à ressarcimento/compensação, que deram origem ao presente lançamento, concluise que mantidas as glosas e não contestados os valores das contribuições devidas nos períodos de julho, agosto, setembro e novembro, consideradas no Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Fl. 364DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 9 15 Descontar – PIS e COFINS nãocumulativos, prevalecem os créditos tributários exigidos de ofício relativos às diferenças apuradas e não recolhidas de PIS e COFINS no que se refere ao principal lançado. Resta analisar a imposição da multa de 150%. 3. Das Multas Aplicadas Sobre os valores lançados de ofício relativos a diferenças a pagar de PIS e Cofins nos períodos de agosto, setembro e novembro de 2008, a autoridade autuante aplicou a multa qualificada de 150%, com base no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Além disso, foi lavrado auto de infração relativo à multa isolada de 150% calculada sobre os valores dos débito indevidamente compensados, conforme previsto no art. 18 da Lei 10.833/2003 com redação dada pela Lei 11.488/2007. Não há nos autos de infração contestados, a imposição de multa de mora de que trata o art. 61 da Lei 9.430/96 citada pelo contribuinte. Também não há nos Pareceres e despachos decisórios proferidos nos processos de compensação qualquer menção à aplicação de multa de mora, conforme alegado no Recurso Voluntário. 3.1. Do Bis in idem A Recorrente requer seja afastada a dupla imposição de multas sobre a mesma base de cálculo, tanto no que se refere ao art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96 e o art. 61 da Lei 9.430/96, quanto ao art. 18 da lei 10.833/2003 e o § 15 do art. 74 da Lei 9.430/96, pois a base de cálculo das duas primeiras é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e as duas últimas têm como base de cálculo o valor do débito indevidamente compensado. Mais uma vez não procede a alegação da autuada. Conforme já apontado anteriormente neste voto, não há, nos autos de infração contestados, exigência de multa de mora prevista no art. 61 da Lei 9.430/96. Da mesma forma, não há nos autos exigência de multa com base o art. 74, § 15 da Lei 9.430/96, citado pelo contribuinte, dispositivo este que estabelece a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, razão pela qual deve ser afastada a alegação da impugnante. Logo, não há que prosperar este pleito. 3.2. As infrações imputadas Em primeiro lugar, há que se verificar o art.18 da lei 10.833/2003, que prevê a multa isolada sobre débitos indevidamente compensados: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por sua vez, o art.44 da Lei 9.430/96 estabelece: Fl. 365DF CARF MF 16 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; À partir do Parecer SEFIS, dos processos de compensação e do Termo de Verificação Fiscal, a DRJ entendeu pela falsidade nas compensações declaradas, em razão de conduta específica e concreta do contribuinte, em relação às suas obrigações fiscais, que teria a intenção de reduzir o montante dos tributos devidos e forjar créditos de PIS e Cofins não cumulativos. A relatora da decisão recorrida aduziu que: O contribuinte autuado, ora impugnante, para obter indevidamente créditos de PIS e COFINS, utilizou de uma ‘indústria’ erguida, cujo produto são notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por pessoas jurídicas construídas com este fim específico. Já quanto à multa do art. 44, §1º da Lei 9.430, essa tem sua multa aumentada nos casos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, assim define as infrações que agravam essa multa: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 10 17 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Novamente entendeu a fiscalização e a decisão a quo que o contribuinte exibiu inequívoco dolo em reduzir o montante dos tributos devidos mediante a forja de créditos referentes ao regime da nãocumulatividade. Parecenos que o ponto, neste caso, diz respeito à existência de dolo específico de falsear a declaração de compensação e de redução do montante dos tributos devidos. O contribuinte, por sua vez, aduziu que realizou pesquisas do CNPJ e SINTEGRA das "pseudoatacadistas" no momento da realização dos negócios e que as mesmas estariam regulares perante as administrações federal e estadual, alegando que isso comprovaria a sua boafé e a ausência de dolo. Além disso, alegou que a empresa foi vítima da inação da fiscalização em declarar a inaptidão das pseudoatacadistas. É impossível, ou pelo menos extraordinariamente improvável, que a Recorrente não tivesse ciência de que as atacadistas somente existissem para "guiar o café", permitindo o aproveitamento do crédito integral das aquisições, sobretudo quando ambas as empresas simuladas existiam em locais absolutamente incompatíveis com a prática da venda de café no atacado, sem funcionários, e sem qualquer outro indício de funcionamento regular e efetivo. Não se presume aqui a máfé do contribuinte, como o mesmo acusa a fiscalização, mas se prova a simulação ocorrida para, a partir dela, racionalmente se inferir a participação da Recorrente, o que caracteriza inequivocamente o seu dolo tanto em relação à falsidade das informações declaradas nas compensações, bem como para a redução do montante de tributos devidos. Não há presunção de dolo ou de máfé, mas sim comprovação. Como afirmado na decisão recorrida, os procedimentos descobertos no trabalho de fiscalização evidenciaram consciente intuito de se ter por restituído, sob a forma de ressarcimento e/ou compensação, tributo que sequer chegou a ser objeto de recolhimento ao longo das etapas anteriores da cadeia produtiva, capaz de, supostamente, dar direito à apropriação dos créditos correspondentes, impondo à autoridade fiscal a aplicação da pena pecuniária de 150% sobre os valores dos débitos indevidamente compensados. Em seguida a Recorrente alega que os débitos exigidos já haviam sido declarados em DCTF, declaração esta que dispensaria o lançamento de ofício. Além disso, entende que a declaração espontânea é suficiente para afastar a suposição de fraude. A alegação é totalmente improcedente. Em pesquisa às DCTFs do 1º e 2º semestre de 2008 (fls. 523/525), verificase que a empresa declarou débitos de PIS e Cofins apenas no mês de dezembro, período este não abrangido pelos autos de infração. As contribuições formalizadas nos autos de infração se referem a diferenças apuradas e não declaradas ou pagas, impondose a constituição de ofício dos valores calculados pela fiscalização, com o acréscimo da multa de ofício e juros de mora. Fl. 367DF CARF MF 18 Desse modo, não procedem as alegações da Recorrente relativas às multas aplicadas. 4. Da possibilidade de aproveitamento do crédito presumido para a quitação de outros tributos federais Requer a Recorrente que seja deferido o direito à utilização dos créditos presumidos para quitação de outros tributos federais, com bae no art.56A da Lei 12.350/2010. Em primeiro lugar, esclareçase que a questão foge ao escopo do presente processo, em que se analisa crédito tributário lançado de ofício, já tendo sido apreciada quando da análise das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de compensação. Ademais, não merece prosperar esse pleito, haja vista que se tratam nesse processo de créditos apurados em 2008, anteriormente ao regime de compensação que pretende utilizar a Recorrente. O Código Tributário, arrimado na irretroatividade das leis tributárias consagrada no art. 150, III, a da Constituição Federal, estabelece hipóteses taxativas de retroação em seu art.106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Não se tratando, neste caso, de nenhuma das hipóteses de aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não há que se reconhecer o direito do recorrente ao regime de compensação pretendido. 5. Da desnecessidade de novas diligências Quanto ao pedido para realização de perícia com a finalidade de acrescentar novas provas a fim de demonstrar os valores efetivamente pagos e mercadorias efetivamente recebidas deve ser indeferida de plano, dado a inutilidade de tal comprovação. As provas acostadas aos autos reputamse suficientes à convicção do julgador, logo, mais diligência aqui, se deferida, apenas procrastinaria a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Neste sentido, dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis, ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei nº 8.748/1993) Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 11 19 6. Pedido de Restituição de IR e CSLL Finalmente a Inconformada pede, se indeferidos os pedidos anteriores, seja determinada a restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%). Entretanto, o pedido de reconhecimento de direito creditório (ou mesmo de compensação) devem ser formulados em procedimentos próprios, não se prestando a manifestação de inconformidade de veículo a tais pretensões. 7. Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendo a integralidade das autuações realizadas. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Declaração de Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 1. Conforme já relatado tratase de Auto de Infração que redundou a exigência de PIS e COFINS contra a Recorrente. Segundo a acusação fiscal, a Recorrente teria arquitetado um esquema fraudulento que, dentre outras medidas, teria implicado a criação de empresas para intermediar a compra de café entre seus produtores e a Recorrente. Este suposto ardil teria por escopo gerar créditos (nãocumulatividade) de PIS e COFINS para a Recorrente. 2. Não obstante, ainda segundo se constata dos autos, no presente caso, este suposto esquema fraudulento teria sido apurado apenas com a juntada de depoimentos de supostos envolvidos no esquema fraudulento (responsável pelas empresas intermediárias fls. 28/39) e que são egressos de outros processos administrativos, o que resta atestado pela inexistência de simetria entre os números de mandados de procedimentos fiscais do presente caso com aquele em que colhidos tais depoimentos. 3. Em outros termos, tais declarações colhidas unilateralmente pela Receita Federal do Brasil e em outros processos administrativos que não o aqui tratado, configuraram o elemento probatório que desqualifica o creditamento aproveitado pela Recorrente e de todas as demais “provas” aqui apuradas. É exatamente aí que se encontra a nulidade absoluta a macular o processo administrativo em epígrafe. 4. Para se chegar à sobredita conclusão, insta desde já destacar que a natureza predominantemente inquisitorial de um procedimento fiscalizatório por parte do Fisco não lhe Fl. 369DF CARF MF 20 atribui um poder, ou melhor, um deverpoder absoluto, até porque inexistem direitos absolutos (seja ele do Fisco ou do contribuinte) no ordenamento jurídico nacional1. 5. O que se quer dizer com isso é que, apesar da fiscalização ter o dever poder de ouvir depoimentos/testemunhos em sede fiscalizatória – o que não se limita pelo presente voto –, não pode fazêlo com portas cerradas, como se estivesse conduzindo um processo inquisitório de idos medievais2. Em tempo de pósmodernidade não se pode olvidar que mesmo um procedimento inquisitorial está inserido e, portanto, contextualizado, em um Estado Democrático de Direito, devendo, pois, respeitar os valores e limites próprios deste modelo de comunidade histórica, dentre os quais destacamos o devido processo legal e seus consectários lógicos, i.e., o contraditório e a ampla defesa. 6. Logo, não há vedação para que a fiscalização, em fase inquisitorial, colha declarações/depoimentos que venham contribuir com a apuração dos fatos em cotejo e objeto de fiscalização. O que não se admite é que tais declarações sejam colhidas sem a substancial participação do contribuinte fiscalizado ou do interessado. Assim, em situações como essa, é dever da fiscalização intimar o contribuinte para que (i) lhe seja dado ciência do dia e local em que as declarações serão colhidas, bem como para que, nesta oportunidade, (ii) lhe seja franqueada a possibilidade dele (contribuinte) também realizar questionamentos ao declarante/depoente. 7. Nem se alegue que a ulterior intimação do contribuinte para se manifestar a respeito das declarações colhidas unilateralmente pelo Fisco seria suficiente para pretensamente legitimar as garantias fundamentais aqui tratadas. Por se tratar de uma prova dinâmica, a colheita de declarações/testemunhos também pressupõe um contraditório dinamizado, ou seja, que garanta, na realização do ato (colheita dos depoimentos), a oportunidade para que a parte interessada efetivamente participe da produção da prova, ou seja, do seu processo de enunciação. Simplesmente permitir que o contribuinte se manifeste a respeito das declarações já enunciadas, ou seja, depois de já produzidas e materializadas de forma documental, é apequenar indevidamente as garantias aqui tratadas e reduzilas a uma questão de forma3. 8. Ademais, não há que se falar em incidência da súmula n. 46 deste Tribunal Administrativo4. Referido enunciado sumular é passível de convocação quando o Fisco, munido previamente de documentos formados e apresentados pelo contribuinte fiscalizado 1 Convém lembrar que mesmo o direito a vida, o mais importante bem jurídico salvaguardado pelo direito, não constitui um direito absoluto. Nesse esteio, basta a leitura do art. 5º., inciso XLVII, alínea “a” da CF, bem como algumas excludentes de ilicitude próprias do direito penal, mais precisamente a legítima defesa e o estado de necessidade, para afastar esse tipo de “fundamentalismo”. 2 A clássica obra de Beccaria, Dos delitos e das penas, já tratou disso em 1764, ano da sua publicação. 3 Acontece que o due processo of law tratase de uma garantia fundamental que vai para muito além de forma. Como já dito, é um dos pilares essenciais para a material existência de um Estado Democrático de Direito. Logo, deve ser tutelado sob uma perspectiva eminentemente substancial. Nesse sentido: O princípio do devido processo legal, contudo, não pode e não deve ser entendido como mera forma de procedimentalização do processo, isto é, da atuação do Estadojuiz em determinados modelos avalorativos, neutros, vazios de qualquer sentido ou finalidade mas, muito além disto, ele diz respeito à forma de atingimento dos fins do próprio Estado. É o que parcela da doutrina acaba por denominar “legitimação” pelo procedimento, no sentido de que é pelo processo devido (e, por isto não é qualquer processo que se faz suficiente) que o Estado Democrático de Direito terá condições de realizar amplamente suas finalidades.(...). O princípio do devido processo legal, neste contexto, é amplo o suficiente para se confundir com o próprio Estado Democrático de Direito. (BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil – volume 01. 4ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 138.) (grifos do Autor). 4 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 12 21 (v.g., notas fiscais, livros e demais documentos fiscais), lavra a autuação exclusivamente com base em tais documentos. De fato, nesta hipótese não há que se falar, ao menos em tese, em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos, já que referida documentação é de conhecimento prévio do contribuinte, já que por ele produzido. Não é esse, todavia, o caso dos autos, já que as provas aqui debatidas – e que deflagraram todo o procedimento fiscalizatório que se seguiu – são testemunhais e, portanto, produzidas no bojo do processo fiscalizatório do presente processo administrativo ou, o que é ainda mais grave, em outro processo administrativo onde a Recorrente sequer figura como parte ou interessado. 9. Não obstante, ainda em relação às limitações do caráter inquisitorial das declarações/depoimentos colhidos em sede de processo administrativo fiscal, convém destacar que tais balizas devem ser aqui prestigiadas (no âmbito tributário) com um maior rigor, na medida em que tais declarações são colhidas (processo de enunciação) pela parte diretamente interessada no seu resultado (enunciado), quer dizer, pelo Fisco. O Fisco colhe as declarações para, eventualmente, delas se aproveitar ulteriormente na lavratura de uma exigência fiscal acrescida de multa. Fundamental, portanto, que o processo de produção desta prova também seja franqueado ao contribuinte interessado, de modo a existir um contraponto minimamente válido aos interesses do Fisco enquanto parte. 10. Tal fundamentação também serve para aqueles testemunhos/depoimentos acostados nos autos na qualidade de prova emprestada. Ressaltese, desde que já, que entendemos perfeitamente válida a utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, haja vista o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/1972, arts. 24 e 64 do Decreto 7.574/2011 e, ainda, o que prevê o art. 332 do Código de Processo Civil, o qual se aplica aqui subsidiariamente. 11. A validade, todavia, quanto ao uso da prova emprestada no processo administrativo não lhe afasta de certas limitações. Nesse sentido, o primeiro aspecto a se destacar é que a prova emprestada é utilizada no processo onde será aproveitada com a mesma natureza probatória que lhe fora atribuída no processo em que produzida. Assim, em se tratando de um testemunho/depoimento emprestado, referida prova, embora se materialize documentalmente, mantém a natureza de prova testemunhal, motivo pelo qual é imprescindível que se dê oportunidade para que o contribuinte interfira no seu processo de produção (enunciação) e não para que apenas fale a seu respeito após a sua juntada nos autos no qual será emprestada (enunciado)5. A única exceção admissível ocorreria na hipótese do testemunho/depoimento ter sido produzido no processo de origem com a efetiva participação do contribuinte67 contra a qual o testemunho/depoimento será direcionado no processo para o qual a prova será emprestada, sob pena de nulidade da prova emprestada, bem como de todas as provas daí derivadas (fruits of the poisonous tree)8. 5 Neste diapasão: DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil – volume 02. 10ª. ed. Salvador: JusPodivm. 2015, pp. 131/132. 6 Ainda que na qualidade de interessado, haja vista o teor do disposto no art. 3o., inciso II da lei n. 9.784/99. 7 Quando se fala em “efetiva participação” o que se quer dizer é que o Fisco deverá oportunizar ao contribuinte/interessado a possibilidade de interferir ativamente no processo de construção do testemunho que será colhido, o que consiste em franquear ao contribuinte a possibilidade de realizar perguntas ao depoente. 8 A teoria dos frutos da árvore envenenada já vem sendo acolhida pelo Supremo Tribunal Federal de longa data, conforme se observa do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: PROVA ILÍCITA: ESCUTA TELEFÔNICA MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL: AFIRMAÇÃO PELA MAIORIA DA EXIGÊNCIA DE LEI, ATÉ AGORA NÃO EDITADA, PARA QUE, "NAS HIPÓTESES E NA FORMA" POR ELA ESTABELECIDAS, POSSA O JUIZ, NOS TERMOS DO ART. 5., XII, DA CONSTITUIÇÃO, AUTORIZAR A INTERCEPTAÇÃO DE COMUNICAÇÃO TELEFÔNICA PARA FINS DE INVESTIGAÇÃO Fl. 371DF CARF MF 22 12. Em não se tratando da exceção alhures não haveria que se falar em permissão para o uso da prova emprestada. Neste caso, deveria a fiscalização novamente colher os depoimentos que ela (fiscalização) entendesse pertinentes à apuração dos fatos fiscalizados, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de conteudisticamente participar da produção da enunciação da referida prova, conforme já mencionado anteriormente. 13. Dito isso e analisando o caso decidendo é possível constatar que os depoimentos/testemunhos foram fundamentais para a autuação do Recorrente e para a derivação das demais provas acostadas no presente processo administrativo. Fazendo um exercício de abstração e imaginando inexistir nos autos tais declarações, o que se encontraria aqui seriam os seguintes elementos de prova: (i) notas fiscais de saída regularmente emitidas pelas empresas intermediárias para a Recorrente; (ii) registro de entradas das referidas notas fiscais pela Recorrente; (iii) pagamento das mercadorias retratadas em tais notas fiscais, o que foi feito pela Recorrente em favor das empresas intermediárias por meio de depósito bancário; (iv) empresas intermediárias idôneas à época dos fatos aqui narrados, bem como existentes, em sua maioria, antes do benefício fiscal que teria sido gozado pelo Recorrente, o que afastaria a ilação de que tais intermediárias teriam sido criadas com o propósito exclusivo de permitir o gozo do aludido benefício; e, por fim (v) registro e utilização regular do crédito de PIS e COFINS aqui debatido. 14. Percebese, portanto, que as provas acima referidas e que, em princípio, atestavam a licitude da operação perpetrada pela Recorrente só foram retiradas deste contexto a partir dos depoimentos/testemunhos já mencionados e que, a nosso ver, encontramse calcados de notória ilegalidade. 15. Ex positis, ouso divergir do r. Relator do caso para reconhecer a nulidade das provas produzidas nos autos e, por conseguinte, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. 16. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Conselheiro CRIMINAL; NÃO OBSTANTE, INDEFERIMENTO INICIAL DO HABEAS CORPUS PELA SOMA DOS VOTOS, NO TOTAL DE SEIS, QUE, OU RECUSARAM A TESE DA CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS DECORRENTES DA ESCUTA TELEFÔNICA, INDEVIDAMENTE AUTORIZADA, OU ENTENDERAM SER IMPOSSÍVEL, NA VIA PROCESSUAL DO HABEAS CORPUS, VERIFICAR A EXISTÊNCIA DE PROVAS LIVRES DA CONTAMINAÇÃO E SUFICIENTES A SUSTENTAR A CONDENAÇÃO QUESTIONADA; NULIDADE DA PRIMEIRA DECISÃO, DADA A PARTICIPAÇÃO DECISIVA, NO JULGAMENTO, DE MINISTRO IMPEDIDO (MS 21.750, 24.11.93, VELLOSO); CONSEQUENTE RENOVAÇÃO DO JULGAMENTO, NO QUAL SE DEFERIU A ORDEM PELA PREVALÊNCIA DOS CINCO VOTOS VENCIDOS NO ANTERIOR, NO SENTIDO DE QUE A ILICITUDE DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA A FALTA DE LEI QUE, NOS TERMOS CONSTITUCIONAIS, VENHA A DISCIPLINÁLA E VIABILIZÁLA CONTAMINOU, NO CASO, AS DEMAIS PROVAS, TODAS ORIUNDAS, DIRETA OU INDIRETAMENTE, DAS INFORMAÇÕES OBTIDAS NA ESCUTA. (FRUITS OF THE POISONOUS TREE), NAS QUAIS SE FUNDOU A CONDENAÇÃO DO PACIENTE. (STF; HC 69912 segundo, Relator: Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 16/12/1993, DJ 25031994 PP06012 EMENT VOL0173801 PP00112 RTJ VOL0015502 PP00508). Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10235.720049/2004-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas de Administração Tributária
Fato gerador: 31/10/2001
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - PROVA - Faz-se
necessário que o direito material a ser restituído seja liquido, certo e comprovado com documentação hábil. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido.
Numero da decisão: 1802-000.431
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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I • • VI 9 MA ! EDITADO EM: Presidentez Relatora; .N.0 Oa DF C7ARF MP' F . 371 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Proce-,so n° 10235.720049/2004-14 ecurso n° 160.754 Voluntário Acórdlo n° 1802-00.431 — r Turma Especial Sessio de 06 de abril de 2010 Matéria CSLL Recorrente A R FILHO & CIA LTDA O Recorrida la Turma/DRJ/Belém/PA Assunto: Normas de Administração Tributária Fato gerador: 31/10/2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - PROVA - Faz-se necessário que o direito material a ser restituído seja liquido, certo e comprovado com documentação hibil.É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram da s ao de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de • Sousa, Jose De Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista (Suplente convocado), Nelso Kichel, Edwal Casoni De Paula Fernandes Júnior e Jo-do Francisco Bianco. Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo De Almeida. trupresso ern Ü3!U4f2Of2 per ANDREA FERNANDES CARDiA - VERSO EM BRANCO 44 ) ea FL 372 4, S1-TE02 Fl. 2 DF .CAR F NIL • •• Processo n° 10235.720049/2004-14 Acórdão n.° 1802-00.431 • Cientificada, em 28106/2007, do Acórdão acima mencionado (AR A f1.27), a empresa interpôs, em 26/07/2007, tempestivamente, o Recurso de fls.28 a 31, no qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: - que durante o ono calendário de 1995 o regime de tributação da recorrente era pelo lucro real mensal, totalizando o montante recolhido de R$ 164.291,86, e que no fechamento do referido ano calendario, apurou-se o imposto devido de R$ 77.694,54, ficando um crédito a compensar de R$ 36.397,12; - que, fato idêntico aconteceu no ano de 1996, quando foi pago R$ 180.110,83, e apurado na D23, o valor de R$ 64.412,06, ficando um saldo a compensar de R$ 115.698,77; - que, em 1997, de janeiro a julho foi pago R$ 144.053,53, enquanto que foi apurado como devido apenas R$ 51.037,22, ficando um saldo de R$ 93.016,31. Considerando que não houve compensação, o saldo de crédito acumulado de 1995 a 1997, totalizou R$ 295.312,20; - que, a partir de 1998, os débitos apurados foram compensados com os créditos existentes, estendendo aos anos de 1999 e 2000, conforme DCTF dos respectivos períodos; - que, em 30/10/2001, a recorrente constatou que tinha efetuado recolhimento indevido no valor de R$ 37.738,91, conforme PERDCOlVEP (fl.01), cujo valor atualizado totalizou o montante de R$ 52.792,96, deste montante parte foi utilizada para quitação da CSLL (1 0 trimestre de 2003 no valor corrigido de R$ 26.114,54, ficando ainda um crédito original remanescente de R$ 19.071,00. Este é o crédito que alega possuir e que, pretende compensar com débitos da CSLL existentes em 2001. A recorrente insurge-se contra a decisão de primeira instancia, alegando que o Razão analítico é prova da existência do crédito, e, como reforço faz juntada dos DARFs e planilha de resumo dos pagamentos para dizer que os créditos a serem compensados não são frutos de ficção, mas de apuração contábil real e legitima. Os DARFs e planilha referem-se a pagamentos efetuados por estimativa (código 2484) no período de 1995 a 1997. . Afirma que, o crédito no valor de R$ 117.476,88 corresponde ao valor do saldo total do crédito acumulado em 2001, e, que está apenas compensando o valor de R$ 17.738,91, que corresponde ao débito apurado no 3° trimestre de 2001, dai a possível divergência entre os valores, conforme alegado pelo julgador "a quo". Por fim, requer a reforma da decisão para reconhecer o direito da recorrente de restituir/compensar o valor de R$ 18.667,91, e que, seja realizada diligência para aferir a certeza e liquidez e legalidade dos registros contábeis. o relatório. 3 Impress° etn 03f04120 2 mir ANDREA FERNANDES GARCiA - VERSO EM BRANCO ster arqu DF EAR F MI; Fl. 373 • Processo n° 10235.720049/2004-14 Sl-TE02 Acórdão n.° 1802-00.431 Fl. 3 O indébito tributário poderia ser comprovado, minimamente, casbri o contribuinte tivesse juntado aos autos pelo menos as Declarações (DCTF), e a justificativa de modo a comprovar, de forma clara e evidente, que o pagamento por meio do DARF superou a divida confessada. Não o fez. A recorrente requer seja realizada diligência para aferir a certeza e liquidez e legalidade Jos registros contábeis. A admissibilidade de diligencia, depende do livre convencimento do julgador como meio de melhor apurar os fatos, na apuração da prova. Apesar de a recorrente pugnar por realização de diligência, em nada prova a sua r..cessidade haja vista serem os elementos acostados aos autos suficientes para a análise conclusiva da lide. • • Não pode o contribuinte transferir ao órgão fazenclario • o Onus para comprovar o indébito tributário, mediante diligência, porque o requerente alega que efetuou recolhimento indevido ou a maior do que o devido, sem sequer trazer aos autos os documentos necessários para que o julgador possa firmar sua convicção acerca do alegado e da necessidade da diligência. Aqui cabe muito bem a maxima "Alegar e não comprovar é mesmo que não alegar". Apesar de a Recorrente alegar o indébito tributário, não traz aos autos a prova do pagamento indevido ou a maior. Cabe ao interessado comprovar a liquidez e certeza do alegado indébito tributário para fins de restituição. A simples alegação de que possui crédito tributário não faz prova por si só do indébito tributário. É do sujeito passivo. ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido: - Destarte, bá de se manter o indeferimento do direito Creditório, belt como a não homologação da compensação pleiteada. • Diante do exposto o sentido de NEGAR provimento ao recurso. 5 travesso em 03104f2012 pc ANDREA R ANDES GARUA - VERSO EM ERI;NCO
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000365/2001-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DE IRPJ NO AJUSTE ANUAL. Uma vez comprovada a quitação das estimativas bem como a efetividade das retenções em fonte, cumpre reconhecer o direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.584
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as preliminares e no mérito, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo do ano-calendário de 2000, no valor de R$ 11.751.955,02 (original),
bem como homologar as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antonio Jóse Praga de Souza
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SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DE IRPJ NO AJUSTE ANUAL. Uma vez comprovada a quitação das estimativas bem como a efetividade das retenções em fonte, cumpre reconhecer o direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em superar as preliminares e no mérito, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo do anocalendário de 2000, no valor de R$ 11.751.955,02 (original), bem como homologar as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima Fl. 1761DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório AVENTHIS PHARMA LTDA., com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em 14/02/2001, a Interessada protocolizou, junto à CAC/SANTO AMARO/SPO, pedido de RESTITUIÇÃO (fl. 01), cumulado aos pleitos de COMPENSAÇÃO anexos aos autos, objetivando o aproveitamento de saldo negativo do IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000, no valor de R$ 12.610.803,12, com vistas à quitação de débitos. 2. Em 28/11/2005, a DERAT/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 677/681), DEFERINDO EM PARTE o pedido da Interessada, sob a alegação de não ter logrado êxito na comprovação integral do direito líquido e certo, conforme exigência do art.170 do CTN. Foilhe reconhecido, após o resultado da correção dos valores efetuados pela autoridade fiscal, o montante de R$ 4.596.577,70. Houve a alteração de dois campos da DIPJ/2001, a saber: o IRRF foi alterado de R$ 3.840.776,07 para R$ 3.342.905,87 e o Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa de R$ 15.456.188,21 para R$ 8.839.953,35 (considerouse apenas os valores informados em DCTF). 3. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 31/01/2006 (AR, fl. 682 verso) e dela recorreu a esta DRJ em 24/02/2006 (fls. 683/695), alegando, em princípio, sua inconformidade pelo não reconhecimento de seu direito creditório referente ao anocalendário de 2000. As alegações expostas pela impugnante são resumidas a seguir. 3.1 Efetuou a entrega de declarações retificadoras (DCTF) informando as compensações realizadas durante o anocalendário de 2000; 3.2 Discrimina a composição de seu direito creditório: R$ 5.350.032,57 de pagamentos; Utilização de créditos da empresa incorporada (Rhodia Farma Ltda, CNPJ nº 60.633.328/000177) para compensação do Imposto de Renda Devido por Estimativa no valor de R$ 2.887.393,05 (valor original de R$ 2.757.331,10) informados na ficha 13 da DIPJ/2000; Utilizouse do saldo negativo do anocalendário de 1999, DIPJ/2000, no valor de R$ 6.448.669,43 (valor original de R$ 5.865.951,47) para compensação do Imposto de Renda Devido por Estimativa; Houve compensação no valor de R$ 763.701,57, referente a créditos de IPI oriundos do processo nº 13811.001809/0039; Diz ter direito ao IRRF de R$ 3.840.776,07 e afirma estar tomando as providências junto às fontes retentoras para comprovar o referido valor; Fl. 1762DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 3 3 3.3 Em relação aos valores da COFINS houve equívoco no preenchimento das DCTF tendo em vista não ter sido considerada a decisão em Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0145382, o qual afastou a majoração da alíquota da COFINS em 1% e a ampliação da base de cálculo da referida contribuição da Lei nº 9.718/98. Tais equívocos já foram objeto de retificação por meio da apresentação de DCTF retificadoras; 3.4 No entanto, a decisão da ação em Mandado de Segurança nº 1999.61.00.014538 2 foilhe desfavorável razão pela qual efetuou os depósitos das diferenças pagas a menor, portanto, caracterizada a suspensão de sua exigibilidade nos moldes do art.151 do CTN; 3.5 Nas DCTF originais foram informados apenas os valores da COFINS calculados à alíquota de 2% previstas na LC nº 70/91, sem considerar os montantes objeto de discussão judicial; 3.6 Portanto, o valor total declarado pela requerente engloba o valor de R$ 14.084.074,74 devidos pela LC nº 07/70, já quitados por pagamento por DARF (R$ 11.342.495,14) e compensações (R$ 2.741.579,60), bem como o montante de R$ 8.218.115,75 (valores com exigibilidade suspensa), inexistindo, portanto, a diferença apurada pelo Fisco de R$ 6.036.301,36(entre o informado na DIPJ/2001 e nas respectivas DCTF); 3.7 Requer, por fim, a procedência da sua manifestação de inconformidade. A decisão recorrida está assim ementada: IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. O IRRF somente será dedutível do imposto devido caso haja a tributação das respectivas receitas financeiras. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. IRPJ. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. Solicitação Indeferida Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/02/2007, fls. 1439 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. O recurso foi inicialmente apreciado pela então 5a. Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes, que converteu o julgamento em diligência mediante Resolução nº.10501364 de 22/07/2008, cujo voto condutor, está assim fundamentado: Fl. 1763DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 4 4 “ (...) Como se pode verificar pelas longas peças de defesa e de julgamento, o processo contém considerável diversidade de valores e situações, que devem ser inicialmente delimitadas. Isso faz com que seja recomendável a conversão do julgamento em diligência, como se verá. O relatório de fls. 1462, constante de uma planilha que embasa o pedido da recorrente, traz um valor de R$ 3.840.776,07 e dela consta a indicação de retenções do IRFonte contabilizadas, que somente foram apreciadas pela fiscalização em valor de R$ 3.342.905,87, relativo às declarações das fontes pagadoras. Porém, independe da comunicação pelas fontes pagadoras o direito ao crédito, bastando que a empresa comprove a efetiva retenção e a tributação das receitas correspondentes. Assim, entendo necessário que a fiscalização proceda à verificação se todos esses valores indicados na referida planilha (fls. 462) corresponderam à retenções efetivas e em concordância com os valores das receitas tributadas. Ainda, a recorrente assegura que efetuou retificações de DCTFs que estariam corrigindo os valores mencionados anteriormente e recolhidos por DARFs, para adequação à DIRPJ. Se faz necessário que a fiscalização verifique se elas foram recepcionadas adequadamente e com validade, propiciando o acolhimento das modificações nelas propostas. Esse procedimento tem relevância para quantifjcação do montante do direito creditório, até porque esse parâmetro, mesmo sendo cotejado com a DIPJ, sobre ela tem predominância, uma vez que o lançamento do IRPJ se vincula à homologação, servindo a declaração de rendimentos como mero elemento informativo ao fisco. Também deve a fiscalização verificar junto à recorrente o crédito tributário alegadamente oriundo de sua incorporada, a empresa Rhodia Farma Ltda (R$ 2.757.331,10, com observação do tributo a que corresponde e se tem ele creditamento válido. Essa solicitação prendese à tentativa que fiz de validar tal crédito alegado, que foi infrutífera pela escassez de documentos relacionados. Outra parcela que não logrei obter comprovação foi aquela que a recorrente indica ser originária de crédito do IPI, que teria sido compensada dentro dos cálculos retificados pelas DCTFs retificadoras apresentadas. Tendo em vista não ser deste 1o Conselho a competência para apreciar seu direito creditório, mesmo assim é importante concluir sobre a forma como influiu naquela compensação. Essas informações são necessárias diante do duplo pedido da recorrente, que pede o reconhecimento do direito creditório dos montantes que pretende ter a homologação deferida e também pede a confirmação da homologação tácita relativa aos pedidos protocolados. Esses valores encontramse referenciados em diversos documentos, inclusive em alguns que se encontram em poder da repartição, mas é necessária a sua validação, o que motiva essa diligência. Pedese que a autoridade diligenciante elabore relatório circunstanciado acerca das verificações acima indicadas, podendo aditar informações que entender necessárias, levando à ciência da recorrente para que a mesma, querendo, manifestar prazo de trinta dias. (...)” Fl. 1764DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 5 5 A diligência fiscal resultou na juntada dos documentos de fls. 1575 e seguintes, tendo sido lavrado o relatório de fls. 17511756, a seguir parcialmente transcrito: “(...) 1. Atendendo a solicitação contida na Resolução número 10501.364, da 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes às fls. 1.554 a 1.572, que solicita que se verifique se todos os valores relativos a IRRF indicados na planilha às fls. 1.462 corresponderam às retenções efetivas e em concordância com os valores das receitas tributadas. 2. Reproduzindo a planilha apresentada às fls. 1.462, teremos: Fonte Pagadora CNPJ IR Fonte Uclaf Ltda. 00.585.663/000115 10.107,47 MTN do Brasil Ltda 02.605.224/000152 340.968,70 Fairway Poliester Ltda. 02.685.377/000157 136.095,90 Ind. Q. e F. ScheringPlough S.A. 33.060.740/000172 19.608,29 HSBC Investment Bank Brasil s.a 33.254.319/000100 583.112,40 Banco Citibank S.A. 33.479.023/000180 786.876,94 Bco dc Invest. CSFB Garantia S.A. 33.987.793/000133 10.487,05 Interconsultoria Industrial Ltda. 47.260.641/000149 11.979,98 Ofimex Farmacêutica Ltda 54.046.313/000100 3.670,17 Banco Votorantin S.A. 59.588.111/000103 1.069.968,70 Banco Itau S.A. 60.701.190/000104 311.582,07 Banco Sudameris S.A. 60.942.638/000173 166.615,99 Banco Europeu para a AL S.A. 61.088.183/000133 73.901,99 Banco Barclays e Galicia S.A. 61.146.577/000109 14.332,58 Aventis Behring Ltda. 62.969.589/000198 28.290,10 Banco AGF Braseg S.A. 75.647.891/000171 373.061,44 Aventis Cropscience 89.163.430/000138 86.050,11 Totais 3.840.179,16 3. Destes declarantes, o contribuinte apresentou os informes de rendimentos, nos termos do artigo n° 55 da Lei n° 7.450/85, cuja soma representa Imposto de Renda Retido na Fonte no montante de R$ 3.223.016,73. (..) VALORES REGISTRADOS EM COMPROVANTES Fonte Pagadora CNPJ IR FonteFls. Ind. Q. e F. ScheringPlough S.A. 33.060.740/000172 19.608,29136 HSBC Invest. Bank Brasil S.A. 33.254.319/000100 583.112,40138 a 139 Banco Citibank S.A. 33.479.023/000180 786.876,94141 a 145 Bco de Invest. CSFB Gar. S.A. 33.987.793/000133 10.487,05146 Banco Votorantin S.A. 59.588.111/000103 1.069.968,70161 Banco Itau S.A. 60.701.190/000104 311.582,07162 Banco Sudameris SA 60.942.638/000173 166.615,99163 Banco Europeu para a AL S.A. 61.088.183/000133 73.901,99165/166 Banco Barclays e Galicia S.A. 61.146.577/000109 14.332,58167 Banco AGF Braseg S.A. 75.647.891/000171 186.530,72176 Totais 3.223.016,73 Fl. 1765DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 6 6 4. Na DIPJ o valor relativo à retenção do Banco AGF Braseg S.A, CNPJ 75.647.891/000171, está registrada em dobro, ou seja, na DIPJ é informado o montante de R$ 373.061,44 (fls. 1.584) , enquanto que o informe de rendimentos às fls. 176, registra exatamente a metade, R$ 186.530,72. 5. O contribuinte ingressou com o Pedido de Restituição em 14 de fevereiro de 2001, entretanto as informações contidas na DIPJ, base para início de análise do direito creditório do contribuinte, só aportariam bem depois, em 14 de junho de 2001. 6. Empresas como Aventis Pharma Ltda, CNPJ 00 773.091/000106 (titular do presente processo); Interconsultoria Industrial Ltda, CNPJ 47.260.641/000149; Ofimex Ltda, CNPJ 54.046.313/000100; Uclaf Ltda, CNPJ 00.585.663/000115; Fairway Ltda, CNPJ 02.685.377/0001 57 e MTN Ltda, CNPJ 02.605.244/000152 foram todas incorporadas pela Sanofi Aventis Farmacêutica Ltda que, intimada a esclarecer a falta de retificação da DIRF, apresenta alguns DARFs e esclarece que não retificará sua DIRF por estar prescrito. Constatase que os DARFs e os outros documentos apresentados não informam o beneficiário daqueles eventuais recolhimentos, e não atende o disposto no artigo n° 55 da Lei n° 7.450/85. 7. A empresa Aventis Behring Ltda, depois de intimada, informa não constar de seus registros contábeis nenhuma retenção na fonte de imposto em nome da Aventis Pharma Ltda (fls. 1.715). 8. Os rendimentos pagos pelos Bco. de Invest. CSFB Garantia S.A, CNPJ 33.987.793/000133 (fls. 146); Banco Sudameris S.A, CNPJ 60.942.638/000173 (fls. 163) e Banco Barclays e Galicia S.A CNPJ 61.146.577/000109 (fls. 167), nos montantes de R$ 10.487,05, R$ 166.615,99, R$ 14.332,58 foram pagos à Rhodia Pharma Ltda, CNPJ 60.633.328/000177, que havia sido incorporada pela Aventis Pharma Ltda em 01/02/2000. 9. Desta forma, respeitando o preceito legal disposto no artigo n° 55 da Lei n° 7.450/85, considerando ainda as informações contidas no sistema Sief, tomando como ponto de partida a planilha de fls. 1.462, verificase que o contribuinte comprova retenções na fonte até o limite de R$ 3.305.992,53, valor ainda inferior ao que foi reconhecido de R$ 3.342.905,87 (fls. 678). Registrese que não foram considerados como provas os DARFs apresentados. VALORES COMPROVADOS Fonte Pagadora CNPJ IR Fonte Ind. Q. e F. ScheringPlough S.A. 33.060.740/000172 19.608,29 HSBC Investment Bank Brasil s.a 33.254.319/000100 583.112,40 Banco Citibank S.A. 33.479.023/000180 786.876,94 Bco de Invest. CSFB Garantia S.A. 33.987.793/000133 10.487,05 Banco Votorantin S.A. 59.588.111/000103 1.069.968,70 Banco Itau S.A. 60.701.190/000104 311.582,07 Banco Sudameris S.A. 60.942.638/000173 166.615,99 Banco Europeu para a AL S.A. 61.088.183/000133 73.901,99 Banco Barclays e Galicia S.A. 61.146.577/000109 14.332,58 Banco AGF Braseg S.A. 75.647.891/000171 186.530,72 Aventis Cropscience (*) 89.163.430/000138 59.642,76 IRRF das Filiais 23.333,04 Totais 3.305.992,53 Fl. 1766DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 7 7 (*) O contribuinte declarou R$ 86.050,11, mas só há registro interno do sistema Sief de RS 59.642,76. 10. Causa estranheza, que justamente a falta de comprovação originase de empresas que orbitavam o universo da litigante e foram incorporadas e hoje fazem parte da mesma empresa. Estas não corrigiram a falta de informações junto à RF, apesar de que, conforme informa o contribuinte às fls. 1.462/3, ter enviado cartas junto às fontes pagadoras em regime de urgência. O contribuinte argumenta que as retenções foram feitas por instituições financeiras e somente elas podem emitir e fornecer os respectivos informes de rendimentos, melhor seria verificar que a falha de informação veio das empresas do mesmo grupo empresarial. 11. Quanto à parcela de R$ 41.272,36, representada por retenções por órgãos públicos, que o contribuinte alega não terem sido consideradas, cabe um esclarecimento: essas retenções foram consideradas, não no montante reclamado de R$ 41.272,36, mas no valor encontrado no sistema Sief, ou seja, R$ 126.072,32, ocorre que as retenções nos códigos 6147 e 6190 representam também retenções de outros tributos como Cofins, CSLL e etc., desta forma, a parcela de IRRF eqüivale à importância de R$ 25.832,71. 12. O contribuinte argumenta que no Despacho Decisório de fls. 677 a 681, apenas o pedido de restituição foi levado em consideração, portanto, todos os pedidos de compensação já estariam homologados tacitamente, por força do disposto § 5o do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pela Lei n° 10.833/03, e está previsto também no artigo 29 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, a saber: (...) 13. Contrariando o que argumenta o contribuinte, verificase que no primeiro parágrafo do Despacho Decisório de fls. 677 a 681, encontrase a informação de que o pedido de restituição será analisado conjugandoo com pedidos de compensação do crédito com débito próprio às fls. 02. 25 a 27 e 29. "O contribuinte acima identificado, através de seu representante legal, por meio do requerimento de fls. 01, na data de 14/02/2001, vem solicitar a restituição de valor relativo a Imposto de Renda pago a maior no decorrer do anocalendário de 2000, conjugandoo com pedidos de compensação do crédito com débito próprio às fls. 02, 25 a 27 e 29." 14. O segundo aspecto a considerar é o que dispõe a legislação, em especial o artigo 29 da IN/SRF n° 600/2005, que diz que a autoridade que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo, o que de forma alguma é o caso, a compensação foi homologada até o limite do crédito reconhecido. 15. A Resolução número 10501.364, da 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes solicita mais e maiores explicações das que já foram até aqui apresentadas, porém se tornarão redundantes diante dos fatos. Verificase que o contribuinte apresentou os seguintes pedidos de compensação neste processo: Data Valor Fls. 14/02/2001 1.037.594,63 02 13/03/2001 1.458.364,55 25 11/04/2001 1.692,326,31 26 14/04/2001 1.796.570,47 27 12/07/2001 3.028.439,57 29 7.322.661,856 Fl. 1767DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 8 8 16. Ao mesmo tempo, o contribuinte lançava mão do mesmo saldo negativo apurado no encerramento do anocalendário de 2000, no montante de R$ 11.751.955,02, para compensações sem processo, no montante de R$ 8.082.745,20 (fls. 1.746 a 1.748). Com a ajuda do sistema Sapo às fls. 1.749/0 verificase que após estas compensações sem processo, o que resta é o que já foi concedido ao contribuinte. Desta forma, mesmo que se aceite como procedente toda a argumentação do contribuinte, nada mais resta a restituir relativamente ao saldo apurado no anocalendário de 2000. (...) A seguir o processo foi reencaminhado à 1a. Seção do CARF que procedeu novo sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Jose Carlos Passuello, então relator, não mais compõe o CARF. Na reunião de 27/01/2011, o processo foi novamente convertido em diligência, mediante Resolução 140200.034, nos seguintes termos: Conforme relatado o presente processo retorna de diligência, na qual foi determinado que ao final dos trabalhos o contribuinte fosse cientificado, com prazo de 30 dias para manifestação. Compulsando os autos, verifiquei que também consta ao final do relatório dos trabalhos fiscais, fl. 1756, a orientação para que o contribuinte fosse cientificado. Ocorre que não há prova da ciência nos autos, tampouco manifestação do contribuinte quanto aos resultados da diligência. Diante do exposto, propugno por nova conversão do julgamento em diligência, visando seja o contribuinte regularmente cientificado relatório final e dos resultados dos trabalhos da diligência anterior, para que, caso deseje, manifestese no prazo de 30 dias. Cientificada, conforme termo de fls. 17591760, a contribuinte compareceu nos autos em 21/03/2011, no qual contesta com veemência as conclusões do relatório fiscal, trazendo aos autos quase 500 folhas de documentos para comprovar suas alegações, cuja síntese transcrevo do memorial encaminhado aos Conselheiros: (...) O despacho decisório da DERA I/SP glosou as seguintes "estimativas" de IRPJ, sob o fundamento de que não estavam informadas em DCTF: Período de Apuração Estimativas de IRPJ 02/2000 R$ 1.758.380,78 04/2000 R$ 1.129.012,28 04/2000 R$ 452.573.40 05/2000 R$ 406.446,24 06/2000 RS 2.884.394,33 6. Entretanto, a Recorrente retificou as DCTFs dos Io e 2° trimestres de 2000 para declarar todas as "estimativas" de IRPJ não confirmadas pelo despacho decisório (fls. 739, 822, 823 e 824), as quais foram validamente recepcionadas e processadas pelo sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, conforme documentos juntados às fls. 1587/1589, não persistindo, portanto, o fundamento invocado para a glosa das "estimativas" em questão. Fl. 1768DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 9 9 7. Por sua vez, e muito embora não tenha sido objeto de contestação específica, esclarece a Recorrente que (I) as "estimativas" de IRPJ nos valores de R$ 452.573,40, R$ 406.446,24 e R$ 2.884.394,33 foram liquidadas, por compensação, com crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 (crédito próprio), conforme comprovado às fls. 822/824; e (II) as "estimativas" de IRPJ nos valores de R$ 1.758.380.78 e RS 1.129.012,28 foram liquidadas, por compensação, com crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pela pessoa jurídica sucedida, conforme comprovado às fls. 739 e 822. 8. E, por fim, cumpre destacar que o despacho decisório da DERAT/SP confirmou a integralidade da estimativa de IRPJ do mês de 08/2000 declarada em DCTF, inclusive, a parte compensada com crédito de IPI, no valor de R$ 763.701,57, o que evidentemente não pode ser alterado nos presentes autos. III DA CONFIRMAÇÃO DO IRRF 9. O despacho decisório da DERAT/SP confirmou todo o IRRF declarado em DIRF pelas fontes pagadoras, no valor total de RS 3.342.905,87 (fl. 650). 10. O que permanece em discussão é o Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente aos rendimentos creditados no ano calendário de 2000 pelas seguintes fontes pagadoras: Fonte Pagadora CNPJ IRRF não confirmado (R$) Uclaf Ltda. 00.585.663/000115 10.107,47 MTN do Brasil Ltda. 02.605.224/000152 340.968,70 Interconsultoria Ltda. 47.260.641/000149 11.979.98 Ofimex Farm. Ltda. 54.046.313/000100 3.670,17 Aventis Behring I.tda. 62.969.589/000198 28.290,10 Aventis Cropscience 89.163.430/000138 26.407,36 11. Nestes casos, todos os rendimentos creditados a favor da Recorrente se referem aos mútuos firmados com as pessoas jurídicas indicadas no quadro acima, não tendo sido localizadas as DIRFs e os respectivos informes de rendimentos. 12. De toda forma, e na linha do entendimento manifestado na Resolução n° 105 01.364 da antiga 5a Câmara do Io Conselho de Contribuintes, no sentido de que ''independe da comunicação pelas fontes pagadoras o direito ao crédito, bastando que a empresa comprove a efetiva retenção e a tributação das receitas correspondentes", a Recorrente apresentou elementos da sua contabilidade ("Livro Razão" e planilha suporte da elaboração da DIPJ 2001, devidamente juntados aos autos) que comprovam o IRRF em discussão, bem como o oferecimento das respectivas receitas à tributação. III. 1 Da confirmação do IRRF/Órgão Público RS 41.272,26 13. O despacho decisório da DERA T/SP não glosou o IRRF Órgão Público, no valor de RS 41.272,26, de modo que é absolutamente descabida a sua desconsideração no cálculo do crédito a que tem direito a Recorrente. 14. Pelo exposto, é a presente para requerer sejam recebidos os memoriais e considerados por ocasião do julgamento, com o provimento do Recurso Voluntário. (...) É o relatório. Fl. 1769DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 10 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de pedido restituição, cumulado com compensações, relativo ao saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2000, no valor original de R$ 11.751.955,02, interposto pela contribuinte em 2001. A DRF de origem reconheceu em parte o direito creditório em despacho decisório confirmado pelo acórdão de 1a. instancia. Conforme relatado esse processo foi objeto de conversão em diligência, cujo inteiro teor do relatório das verificações fiscais transcrevi no relato supra. Intimada a contribuinte manifestou sobre cada ponto do relatório fiscal, apontado equívocos e contradições, calcado em documentos extraídos de sua escrituração contábil. Vejamos as justificativas da recorrente: “(...) 2. Confirase a apuração do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, conforme Ficha 12A da DIPJ 2001 (fl. 104): AJUSTE ANUAL IRPJ IRPJ apurado no ajuste anual 8.020.695,05 Incentivos Fiscais (434.413,53) IRRF (3.840.776,07) IRRF/Órgão Público (41.272,26) Estimativas de IRPJ (15.456.188,21) Saldo Negativo (11.751.955,02) 3. No r. despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em Sao Paulo (fls. 677/680), entendeuse pelo reconhecimento parcial do crédito pleiteado, correspondente a R$ 4.596.577,70 (original), tendo em vista que: (I) dos R$ 15.456.188,21 declarados na Ficha 12A da DIPJ 2001 a titulo de estimativa de IRPJ, foram confirmadas apenas as estimativas declaradas em DCTF, no montante total de R$ 8.839.953,35; (II) dos R$ 3.840.776,07 declarados na Ficha 12A da DIPJ 2001 a titulo de IRRF, foi confirmado apenas o IRRF declarado em DIRF pelas fontes pagadoras, no montante total de R$ 3.342.905,87; e (III) muito embora não tenha sido contestado expressamente pelo r. despacho decisório (ou seja, não foi glosado pelo r. despacho decisório), o IRRF/Órgão Público, no valor total de R$ 41.272,26, foi, simplesmente, desconsiderado no cálculo do crédito reconhecido a favor da Requerente. Fl. 1770DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 11 11 4. Contra o r. despacho decisório em questão, a Requerente apresentou Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente. Seguiuse com a interposição de Recurso Voluntário, tendo o julgamento sido convertido em diligência pela antiga 5' Camara do 1° Conselho de Contribuintes. 5. Em atendimento à Resolução n° 105 01.364 da antiga 5° Camara do 1° Conselho de Contribuintes (fls. 1554/1572), foi apresentada Informação Fiscal (fls. 1751/1756), datada de 27/11/2009, sobre a qual a Requerente passa a se manifestar nos seguintes termos. I — ESCLARECIMENTOS PRÉVIOS QUANTO AO OBJETO DA RESOLUÇÃO N° 10501.364 E AO TEOR DA INFORMAÇÃO FISCAL DATADA DE 27/11/2009 6. Em 22/01/2008, o processo administrativo em referência entrou na pauta de julgamentos da antiga 5' Camara do 1° Conselho de Contribuintes para análise do recurso voluntário interposto pela Requerente. 7. Tendo em vista o amplo acervo probatório produzido pela Requerente para comprovar o direito creditório pleiteado e a diversidade de situações Micas em análise, entendeu a antiga 5a Camara do 1° Conselho de Contribuintes pela conversão do julgamento em diligencia. 8. Na Resolução n° 10501.364 da antiga 5a Camara do 1° Conselho de Contribuintes foi determinado que a autoridade administrativa competente confirmasse: (I) se o Imposto de Renda Retido na Fonte indicado pela Requerente na planilha de fl. 1462 corresponderia a "retençães efetivas e em concordância com os valores das receitas tributadas"; (II) se as DCTFs retificadoras (fls. 737/1115) transmitidas eletronicamente pela Requerente foram "recepcionadas adequadamente e com validade, propiciando o acolhimento das modificações nelas propostas"; (III) "junto à recorrente o crédito tributário alegadamente oriundo de sua incorporada, a empresa Rhodia Pharma Ltda (R$ 2.757.331,10), com observação do tributo a que corresponde e se tem ele creditamento válido'', e (IV) a compensação de parte da estimativa de IRPJ do mês de 08/2000, no valor de RS 763.701,57, com crédito de IPI objeto do Processo Administrativo n° 13811.001809/0039. 9. Contudo, a autoridade administrativa responsável pela diligência não se pronunciou expressamente sobre (Io) a recepção válida das DCTFs retificadoras pelo sistema informatizado da Receita Federal do Brasil; (2o) o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 apurado pela empresa sucedida e utilizado na liquidação de parte das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000; e (III) a compensação de parte da estimativa de IRPJ do mês de 08/2000 com o crédito de IPI. 10. Além de a autoridade administrativa responsável pela diligência não ter se pronunciado expressamente sobre todos os pontos objeto da Resolução n° 105 01.364 da antiga 5a Câmara do Io Conselho de Contribuintes, opinou sobre questões que não eram objeto da diligência, como, por exemplo, a homologação tácita das compensações e os débitos compensados com o crédito pleiteado nos presentes autos. 11. É evidente, portanto, que a diligência requerida pela Resolução n° 105 01.364 da antiga 5a Câmara do Io Conselho de Contribuintes não foi Fl. 1771DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 12 12 integralmente cumprida pela autoridade administrativa competente, o que, a rigor, conduziria à nova determinação de diligência para os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa. 12. De toda forma, e não obstante a diligência requerida pela Resolução n° 105 01.364 da antiga 5a Câmara do Io Conselho de Contribuintes não ter sido integralmente cumprida pela autoridade administrativa competente, a Requerente passa a demonstrar, pontualmente, os elementos comprobatórios da existência do direito creditório pleiteado. II DA CONFIRMAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ GLOSADAS PELO DESPACHO DECISÓRIO 13. No procedimento de análise das parcelas computadas na formação do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor original de R$ 11.751.955,02, o r. despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (fls. 677/680) confirmou apenas as estimativas de IRPJ declaradas em DCTF (fl. 653), no montante total de R$ 8.839.953,35. 14. De acordo com o r. despacho decisório em questão, as seguintes estimativas de IRPJ não teriam sido confirmadas (todas computadas na formação do crédito pleiteado): Período de Apuração Estimativas de IRPJ não confirmadas pelo despacho decisório 02/2000 R$ 1.758.380,78 04/2000 R$ 1.129.012,28 04/2000 R$ 452.573,40 05/2000 R$ 406.446,24 06/2000 R$ 2.884.394,33 15. Contudo, a Requerente retificou as DCTFs dos Io e 2o trimestres de 2000 para declarar todas as estimativas de IRPJ não confirmadas pelo r. despacho decisório, conforme se verifica claramente das DCTFs retificadoras juntadas às fls. 739, 822, 823 e 824. 16. Muito embora a autoridade administrativa responsável pela diligência não tenha se pronunciado expressamente sobre essa questão, conforme solicitado pela Resolução n° 10501.364 da antiga 5a Câmara do Io Conselho de Contribuintes, os documentos juntados às fls. 1587 a 1589 [telas impressas do próprio sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (DCTF Gerencial Versão 4.8 Extrato dos Débitos)] comprovam que as DCTFs retificadoras transmitidas eletronicamente pela Requerente foram validamente recepcionadas e processadas. 17. Comprovado, portanto, que as DCTFs retificadoras transmitidas eletronicamente pela Requerente foram validamente recepcionadas e processadas pelo sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, não subsiste o único fundamento invocado pelo r. despacho decisório para a glosa desses valores da composição do crédito originalmente pleiteado, qual seja, a ausência de declaração em DCTF. 18. Diante do exposto, o recurso voluntário interposto pela Requerente deve ser provido, determinandose que todas as estimativas de IRPJ declaradas nas DCTFs (originais e retificadoras) sejam computadas na formação do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. Fl. 1772DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 13 13 19. Ainda que não tenha sido objeto de contestação específica pelo r. despacho decisório e de análise pela autoridade administrativa responsável pela diligência, a Requerente passa a demonstrar a forma de liquidação das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 não confirmadas pelo r. despacho decisório. II.1 DAS COMPENSAÇÕES REALIZADAS COM O SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1999 (CRÉDITO PRÓPRIO) 20. Conforme comprovado pela documentação juntada aos autos, especialmente as DCTFs retificadoras juntadas às fls. 822, 823 e 824, as seguintes estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 foram compensadas com crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 (crédito próprio): Período de Apuração Valor da Estimativa de IRPJ (R$) Crédito utilizado na compensação 04/2000 452.573,40Saldo Negativo de IRPJ de 1999 (crédito próprio) 05/2000 406.446,24Saldo Negativo de IRPJ de 1999 (crédito próprio) 06/2000 2.884.394,33Saldo Negativo de IRPJ de 1999 (crédito próprio) 21. De acordo com a Ficha 13A da DIPJ 2000 (CNPJ/MF n° 00.773.091/0001 06, fl. 241), no encerramento do anocalendário de 1999 foi apurado saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$ 5.865.951,43, composto, basicamente, pelas estimativas de IRPJ liquidadas no curso do anocalendário de 1999 e pelo Imposto de Renda Retido na Fonte. 22. Os documentos juntados às fls. 244/266 (DARFs e Pedidos de Compensação) comprovam a liquidação de todas as estimativas de IRPJ do anocalendário de 1999, computadas na formação do saldo negativo apurado no encerramento deste ano calendário. 23. Além disso, o documento juntado à fl. 653 [tela impressa do próprio sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (DCTF Gerencial Versão 4.5 Extrato dos Débitos)] comprova que todas as estimativas de IRPJ do ano calendário de 1999 foram declaradas em DCTF e o documento juntado à fl. 1594 (SINAL08 Consulta Pagamento) confirma as estimativas pagas (DARFs). 24. Por sua vez, o documento juntado à fl. 649 (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF ano calendário de 1999 Resumo do Beneficiário) comprova o Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor total de R$ 18.677.961,60. 25. A receita correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte em questão foi declarada na Ficha 07A(Demonstração do Resultado) da DIPJ 2000 (fl. 233), comprovando o seu oferecimento à tributação no anocalendário de 1999. 26. Notese que, o r. despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (fls. 677/680) analisou o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 (crédito próprio) e confirmou expressamente a sua existência, nos seguintes termos: Ressaltase que o Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa no ano calendário de 2000 foi em parte quitado por compensação com o saldo existente oriundo do anocalendário anterior, saldo este comprovado pelo documento de fls. 649, que registra um crédito de IR/Fonte que, conforme se observa às fls. Fl. 1773DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 14 14 665, foi suficiente para quitar o imposto devido no ano calendário de 1999 e ainda tera um crédito que foi utilizado no ano subsequente. Foram examinadas as receitas financeiras declaradas e relação com os valores reclamados de IR/Fonte e foram consideradas pertinentes. (...) 27. Diante do exposto, está comprovado o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 (crédito próprio), no valor original de R$ 5.865.951,43, utilizado para liquidar, por compensação, estimativas de IRPJ dos meses de 04/2000, 05/2000 e 06/2000. II.2 DAS COMPENSAÇÕES REALIZADAS COM O SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1999 (CRÉDITO APURADO PELA SUCEDIDA) 28. Conforme comprovado pela documentação juntada aos autos, especialmente as DCTFs retifícadoras juntadas às fls. 739 e 822, as seguintes estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 foram compensadas com crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 apurado pela empresa sucedida (CNPJ/MF n° 60.633.328/000177): Período de Apuração Valor da Estimativa de IRPJ (RS) Crédito utilizado na compensação 02/2000 1.758.380,78 Saldo Negativo de IRPJ de 1999 (crédito apurado pela sucedida) 04/2000 1.129.012,28 Saldo Negativo de IRPJ de 1999 (crédito apurado pela sucedida) 29. De acordo com a Ficha 13A da DIPJ 2000 (CNPJ/MF n° 60.633.328/000177, fl. 1194), no encerramento do anocalendário de 1999 foi apurado saldo negativo de IRPJ pela empresa sucedida, no valor original de R$ 2.750.730,36, composto, basicamente, pelas estimativas de IRPJ liquidadas no curso do ano calendário de 1999 e pelo Imposto de Renda Retido na Fonte. 30. Os comprovantes de pagamento juntados às fls. 288/299 (DARFs) demonstram a liquidação de todas as estimativas de IRPJ do anocalendário de 1999 pela empresa sucedida, computadas na formação do saldo negativo apurado no encerramento deste anocalendário. 31. Além disso, o documento juntado à fl. 1742 [tela impressa do próprio sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (DCTF Gerencial Versão 4.8 Extrato dos Débitos)] comprova que todas as estimativas de IRPJ do ano calendário de 1999 foram declaradas em DCTF e o documento juntado à fl. 1593 (SINAL08 Consulta Pagamento) confirma todos os pagamentos (DARFs) efetuados pela empresa sucedida. 32. Por sua vez, os Informes de Rendimentos juntados às fls. 1547 e 1548 comprovam o Imposto de Renda Retido na Fonte no curso do anocalendário de 1999, no valor total de R$327.304,14. 33. A receita correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte em questão foi declarada na Ficha 07A (Demonstração do Resultado) da DIPJ 2000 (fl. 1186), comprovando o seu oferecimento à tributação no anocalendário de 1999. 34. Com relação ao saldo remanescente do IRRF declarado na Ficha 13A da DIPJ 2000, esclarece a Requerente não ter localizado em seus arquivos os respectivos informes de rendimentos e que, em demonstração de sua boafé, encaminhou carta às fontes pagadoras solicitando o envio de tais documentos (doe. 02). Fl. 1774DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 15 15 35. Diante do exposto, está comprovado o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa sucedida, no valor original de R$ 2.750.730,36, utilizado para liquidar, por compensação, estimativas de IRPJ dos meses de 02/2000 e 04/2000. II.3 Da confirmação da estimativa de 08/2000 pelo próprio r. despacho decisório (compensação com crédito de IPI) 36. Como já destacado, o r. despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (fls. 677/680) confirmou todas as estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000 declaradas em DCTF. 37. Conforme se verifica do documento juntado à fl. 653 [tela impressa do próprio sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (DCTF Gerencial Versão 4.5 Extrato dos Débitos)], ao qual o r. despacho decisório fez referência expressa, foi confirmada a estimativa de IRPJ do mês de 08/2000, no valor total de R$ 1.774.448,56. 38. De acordo com as informações declaradas na DCTF do mês de 08/2000 (fls. 930/931), o valor de R$ 1.774.448,56 é composto pela somatória dos seguintes valores: Período de Apuração Valor Estimativa de IRPJ (R$) Forma de Liquidação 08/2000 298.483,76 Pagamento (DARF) 08/2000 763.701,57 Compensação com crédito de IPI (PA n° 13811.001809/0039) 08/2000 712.263,23 Compensação com saldo negativo de IRPJ de 1999 (crédito próprio) Total confirmado pelo r. despacho decisório 1.774.448,56 39. Portanto, independentemente do desfecho do Processo Administrativo n° 13811.001809/0039, certo é que, para efeito de composição do crédito pleiteado nos presentes autos, o r. despacho decisório confirmou a integralidade das estimativa de IRPJ do mês de 08/2000 declarada em DCTF, inclusive, a parte compensada com crédito de IPI, no valor de R$ 763.701,57, o que evidentemente não pode ser alterado no julgamento do recurso voluntário interposto pela Requerente. III DA CONFIRMAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE NO ANOCALENDÁRIO DE 2000 40. O r. despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (fls. 677/680) confirmou todo o IRRF declarado em DIRF pelas fontes pagadoras, no valor total de R$ 3.342.905,87 (fl. 650), o que evidentemente não pode ser alterado no julgamento do recurso voluntário interposto pela Requerente. 41. Na informação fiscal datada de 27/11/2009, a autoridade administrativa responsável pela diligência contestou o IRRF, no valor de R$ 136.095,90, correspondente aos rendimentos creditados pela fonte pagadora inscrita no CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 (Fairway Poliester Ltda.). 42. Contudo, é absolutamente descabida a contestação feita pela autoridade administrativa responsável pela diligência, pois, além de o IRRF em questão ter Fl. 1775DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 16 16 sido regularmente declarado em DIRF e a Requerente possuir o informe de rendimentos (fl. 63 e doe. 03), foi expressamente confirmado pelo r. despacho decisório, não sendo mais objeto de discussão nos presentes autos. 43. Alegou a autoridade administrativa responsável pela diligência, ainda, que o IRRF correspondente aos rendimentos creditados pela fonte pagadora inscrita no CNPJ/MF n° 75.647.891/000171 (Banco AGF Braseg S.A.) teria sido utilizado em duplicidade. 44. Entretanto, tal alegação é manifestamente improcedente, pois o Imposto de Renda Retido na Fonte pela pessoa jurídica inscrita no CNPJ/MF n° 75.647.891/000171, no valor total de R$ 186.530,72, foi utilizado uma única vez na apuração do saldo negativo de IRPJ, conforme se verifica do Informe de Rendimentos juntado à fl. 176. 45. Em realidade, a Requerente cometeu equívoco ao elaborar a planilha juntada à fl. 1462 e, como tais informações não foram conferidas pela autoridade administrativa responsável pela diligência, foi feita a alegação genérica de suposta utilização em duplicidade do IRRF em questão. 46. O que efetivamente permanece em discussão nos presentes autos é o Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente aos rendimentos creditados no anocalendário de 2000 pelas seguintes fontes pagadoras: Fonte Pagadora CNPJ IRRF não confirmado (R$) Uclaf Ltda. 00.585.663/000115 10.107,47 MTN do Brasil Ltda. 02.605.224/000152 340.968,70 Interconsultoria Ltda. 47.260.641/000149 11.979.98 Ofímex Farm. Ltda. 54.046.313/000100 3.670,17 Aventis Behring Ltda. 62.969.589/000198 28.290,10 Aventis Cropscience 89.163.430/000138 26.407,36 47. Nesses casos, todos os rendimentos creditados a favor da Requerente se referem aos mútuos firmados com as pessoas jurídicas indicadas no quadro acima, não tendo sido localizadas as respectivas DIRFs e os informes de rendimentos, mas apenas os comprovantes de pagamento do Imposto de Renda (DARFs, fls. 115/208) que incidiu nas operações em questão. 48. De toda forma, e na linha do entendimento manifestado na Resolução n° 10501.364 da antiga 5a Câmara do Io Conselho de Contribuintes, no sentido de que "independe da comunicação pelas fontes pagadoras o direito ao crédito, bastando que a empresa comprove a efetiva retenção e a tributação das receitas correspondentes", a Requerente apresenta elementos da sua contabilidade que comprovam o IRRF em discussão, bem como o oferecimento à tributação das respectivas receitas. 49. As cópias do "Livro Razão" e da planilha suporte da elaboração da DIPJ 2001 ora juntadas aos autos comprovam (doc. 03): (I) a contabilização das receitas dos mútuos; (II) a contabilização do respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF a recuperar); e (III) o oferecimento das receitas à tributação no anocalendário de 2000. 50. Comprovado, portanto, por meio de documentação hábil e idônea, a contabilização das receitas de mútuos e o seu oferecimento à tributação, bem como a retenção na fonte do Imposto de Renda, o recurso voluntário da Requerente Fl. 1776DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 17 17 deve ser provido, reconhecendose a integralidade do crédito em discussão. III. 1 DA CONFIRMAÇÃO DO IRRF/ÓRGÃO PÚBLICO 51. Na formação do direito creditório pleiteado foi computado, também, o IRRF/Órgão Público, no valor de R$ 41.272,26, que, por sua vez, não foi contestado expressamente pelo r. despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo. 52. Analisando o teor do r. despacho decisório em questão, verificase, claramente, que o IRRF/Órgão Público, no valor de R$ 41.272,26, não foi glosado para efeito de apuração do crédito a que tem direito a Requerente. 53. Em realidade, no cálculo do crédito reconhecido pelo r. despacho decisório, o IRRF/Órgão Público, no valor de R$ 41.272,26, foi, simplesmente, desconsiderado, não havendo qualquer motivação específica para tanto. 54. Tendo em vista que o IRRF/Orgão Público, no valor de R$ 41.272,26, não foi contestado/glosado expressamente pelo r. despacho decisório proferido nos presentes autos, é absolutamente descabida a sua desconsideração no cálculo do crédito reconhecido. 55. Além disso, destaca a Requerente que juntou aos autos cópia do "Livro Razão" comprovando que o saldo da conta contábil do IRRF/Órgão Público em 31/12/2000 era de R$ 41.272,26 (fls. 1533) e que a própria autoridade administrativa juntou às fls. 65/70 cópia de DIRFs emitidas por Órgãos Públicos. 56. Diante desse cenário, não há qualquer justificativa razoável para a desconsideração da parcela do IRRF/Órgão Público, no valor de R$ 41.272,26, na composição do crédito pleiteado, de modo que o recurso voluntário interposto pela Requerente, também nessa parte, deve ser provido. IV DOS DÉBITOS COMPENSADOS COM O CRÉDITO PLEITEADO NOS PRESENTES AUTOS 57. Os débitos compensados pela Requerente com o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor original de R$ 11.751.955,02, foram os débitos de PIS e COFINS dos períodos de apuração de 01/2001 a 06/2001 informados nos Pedidos de Compensação juntados aos presentes autos e devidamente vinculados ao processo administrativo em questão pelo sistema "PROFISC" (fls. 647/648). 58. Com o evidente propósito de tumultuar o processo e absolutamente desvinculado do objeto da Resolução n° 10501.364 da antiga 5o Câmara do Io Conselho de Contribuintes, alegou a autoridade administrativa responsável pela diligência que a Requerente supostamente teria utilizado o crédito pleiteado nos presentes autos para liquidar "sem processo" também as estimativas de IRPJ dos meses de 04/2001, 05/2001 e 06/2001 (fl. 1749). 59. Contudo, com o devido respeito, a alegação feita pela autoridade administrativa responsável pela diligência não tem cabimento, especialmente porque, repitase, os débitos compensados com o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, no valor original de R$ 11.751.955,02, são apenas os que foram devidamente vinculados ao presente feito. Fl. 1777DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 18 18 60. A Requerente não tem conhecimento da informação trazida á fl. 1749 pela autoridade administrativa responsável pela diligência e do suposto procedimento de compensação "sem processo", tendo em vista que, conforme a DIPJ 2001 transmitida eletronicamente em 07/05/2004 (doe. 04), não apurou IRPJ a pagar nos meses de 04/2001 e 05/2001, e no mês de 06/2001 apurou IRPJ a pagar, no valor de R$ 1.078.113,75, muito inferior ao valor apontado na fl. 1.749 (R$ 5.402.502,06). 61. Em outras palavras, de acordo com a DIPJ 2001 transmitida eletronicamente em 07/05/2004 não existem débitos de IRPJ nos meses de 04/2001 e 05/2001, de modo que seria impossível a realização de qualquer compensação "sem processo", e o valor do débito de IRPJ apurado no mês de 06/2001 é muito inferior (R$ 1.078.113,75) ao apontado à fl. 1749 (RS 5.402.502,06) e foi regularmente liquidado pela Requerente sem a utilização do crédito pleiteado nos presentes autos. 62. Para evidenciar a manifesta divergência de informações e o total descontrole da autoridade administrativa responsável pela diligência, ela vinculou, indevidamente, o crédito pleiteado nos presentes autos (saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, no valor original de R$ 11.751.955,02) e os supostos procedimentos de compensação "sem processo" ao Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 (fl. 1750). 63. Entretanto, o Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 não tem qualquer relação com o crédito pleiteado nos presentes autos e com as supostas compensações "sem processo" noticiadas pela autoridade administrativa responsável pela diligência. 64. Conforme se verifica claramente do pedido de restituição que deu origem ao Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e do r. despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (doc. 05), o Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 tem por objeto: (I) créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados em 01/09/2001 em virtude de evento especial (incorporação), nos valores originais de R$ 8.358.235,61 e R$ 1.961.317,17; e (II) DÉBITOS DE PIS E COFINS DOS PERÍODOS DE APURAÇÃO DE 09/2001 E 10/2001. 65. Por outro lado, ainda que existissem os procedimentos de compensação "sem processo" descabidamente mencionados pela autoridade administrativa responsável pela diligência, fato é que eles não estão vinculados ao processo administrativo em referência, de modo que não devem (e não podem) ser objeto de qualquer consideração por esta E. Turma. 66. De fato, considerando essa hipótese, o procedimento correto seria a formalização de processo administrativo autônomo e específico para análise das supostas compensações "sem processo", o que decididamente não ocorreu e também não deve ser admitido nos presentes autos. 67. Além disso, cumpre destacar que a Receita Federal do Brasil dispõe do meio próprio para contestar eventuais compensações indevidas, inclusive, as denominadas compensações "sem processo qual seja, a lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, para o que, aliás, já decorreu o prazo de 5 (cinco) anos, previsto no §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 1778DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13811.000365/200121 Acórdão n.º 140200.584 S1C4T2 Fl. 19 19 68. Diante do exposto, deve ser desconsiderada a alegação feita pela autoridade administrativa responsável pela diligência por ser questão absolutamente estranha ao processo administrativo em referência e impertinente para o julgamento do recurso voluntário. (...) (os grifos não são do original). Confrontei as justificativas acima transcritas com as provas trazidas aos autos, especialmente os pontos por mim grifados, e formei convencimento de que cabe razão ao contribuinte. Em verdade, tanto na auditoria, quanto na diligencia fiscal, foram realizadas verificações superficiais e falhas, transferindose ao contribuinte, integralmente o ônus da prova, o que a meu ver não foi adequado. Caberia à fiscalização ter aprofundado nas verificações, tal qual determinado na Resolução 10501.364, ao assim não proceder, restou no processo apenas o conjunto probatório apresentado pelo contribuinte, os quais, repito, analisei, concluindo que corroboram o pleito. Registrese que a juntada de documentos aos autos pela contribuinte se deu em função do comando da Resolução 10501.364, que determinou a reabertura de prazo ao contribuinte após o encerramento da diligência fiscal. A documentação acostada foi teve por objetivo justamente infirmar as conclusões da autoridade fiscal. Portanto, considero atendido ao disposto no art. 16, parágrafos 4º e 5º do Decreto 70.235/1972. Frisese, ainda, que não há disposição Regimental determinando seja a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional cientificada para eventual contarrazões, quando do retorno de processo, após cumprida diligência em que o contribuinte se manifesta ao final, instado pela autoridade diligenciante, em face dos resultados e conclusões do trabalho fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de superar as preliminares argüidas e, no mérito, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo do anocalendário de 2000, no valor de R$ 11.751.955,02 (original), bem como homologar as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1779DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 12278.720115/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Ao beneficiário da não-incidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Não existindo comprovante do pagamento dos honorários advocatícios deve ser mantida a notificação.
RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos acumuladamente deve ser pleiteada, exclusivamente, mediante a apresentação de DIRPF retificadora.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário..
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ao beneficiário da nãoincidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Não existindo comprovante do pagamento dos honorários advocatícios deve ser mantida a notificação. RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A restituição de imposto retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria percebidos acumuladamente deve ser pleiteada, exclusivamente, mediante a apresentação de DIRPF retificadora. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 27 8. 72 01 15 /2 01 1- 12 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário.. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 12278.720115/201112 Acórdão n.º 2401004.458 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 26/07/2011, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2009, AnoCalendário 2008 a qual foi constatada a omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 231.307,24 (duzentos e trinta um mil, trezentos e sete reais e vinte quatro centavos), recebidos pelo titular. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos em análise eram isentos por corresponderem a proventos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial ordinária previdenciária, processo nº 153/97 que tramitou pela Segunda Vara Judicial da Comarca de Salto. Informa ainda que os valores são referentes a benefícios previdenciários devidos mensalmente, no entanto foram pagos acumuladamente gerando imposto de renda. Alega, ainda, que requisitou o desarquivamento do processo para extrair cópia, no entanto, até o momento do protocolo da impugnação ainda não havia sido desarquivado, impossibilitando a sua apresentação a Receita Federal. Por fim, peticiona novamente juntando aos autos cópia do processo judicial, do suposto recibo do advogado e requer a aplicação da Instrução Normativa n RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, declarando a notificação inexistente e a restituição do IRRF no ato do levantamento do depósito judicial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “Os rendimentos tributáveis do contribuinte, provenientes do trabalho assalariado e remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, bem como quaisquer proventos ou vantagens percebidas são considerados sujeitos à tributação do Imposto de Renda na Fonte, devendo ser declarados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, conforme disciplinado pelos artigos 1º, 2º, 3º e parágrafos da Lei nº 7.713/88 e artigos 43 e 718 do Decreto nº3.000/99 do RIR/99; entre outros. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/99), em seu art. 56 recepciona o art.12 da Lei nº 7.713/1988 citado acima. O próprio art. 2º da referida Lei diz textualmente que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos”. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 Pela norma acima, quaisquer rendimentos recebidos acumuladamente pela pessoa física serão tributados em bases correntes, ou seja, no mês de seu efetivo recebimento (regime de caixa), seja ele decorrente de aluguéis, rendimentos do trabalho, aposentadoria, reforma, pensão, e quaisquer outros rendimentos tributáveis passiveis de ajuste na Declaração Anual. Portanto, os rendimentos são tributados no mês do recebimento e declarados na Declaração Anual de Ajuste (DAA) do ano do recebimento, independentemente do mês ou ano em que o rendimento foi efetivamente ganho (regime de competência). Cabe observar que em função do advento do Parecer PGFN/CRJ/Nº2331/2010, que suspendeu os efeitos do Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009, os rendimentos recebidos acumuladamente até o dia 31 de dezembro de 2009 devem ser tributados na forma do art.12 da Lei nº 7.713/88.” (...) “RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA. Os rendimentos tributáveis pagos acumuladamente estão sujeitos a tributação na fonte e na declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário em que foram recebidos.” (...) “Observase que a documentação juntada não é numericamente conclusiva a respeito do valor pago a título de honorários advocatícios a partir do valor levantado e ora lançado como omitido (fls.70, 71, 78 e 28 – item “h”). Ademais, não foi juntado aos autos o recebido de honorários emitido advogado que patrocinou a causa, o Dr. Vitório Matiuzzi.” (...) “Isto posto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que: · A decisão fere o princípio da capacidade contributiva do contribuinte, artigo 145, §1º da Constituição Federal e esta contrária as decisões do Superior Tribunal de Justiça. · Alega que o imposto de renda tem caráter pessoal e deve ser graduado segundo a capacidade econômica do contribuinte, segundo os critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, ou seja, quem tem rendimentos mais expressivos deve ser proporcionalmente mais tributado, por via do imposto de renda, do que aqueles têm rendimentos menores. · Afirma que o Dr. Vitório Matiuzzi não forneceu recibo dos honorários, mas que ele reteve do Recorrente o valor aproximado de R$ 69.592,17 a títulos de honorários, conforme pode ser observado dos extratos referentes ao levantamento, onde consta o valor de R$ 154.775,85 depositado na sua conta corrente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 12278.720115/201112 Acórdão n.º 2401004.458 S2C4T1 Fl. 4 5 · Resta sedimento o entendimento jurisprudencial, inclusive no CARF, de que não pode prevalecer a tributação integral, do IRPF, das verbas recebidas acumuladamente, levando em conta a tabela progressiva vigente no mês do recebimento do montante. · Por fim, requer a declaração de inexistência da notificação, extinguindo o crédito tributário e ainda a restituição do IRRF no ato do levantamento do depósito judicial, no valor de R$ 6.932,22. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 07/10/2014, conforme AR às fls. 90, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/03/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 231.307,24 (duzentos e trinta um mil, trezentos e sete reais e vinte quatro centavos), recebidos pelo titular em virtude de Ação Ordinária Previdenciária que concedeu aposentadoria por tempo de serviço desde a data do pedido formulado junto a Agência Previdenciária. 2.1. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nesse tocante, o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A reprodução de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil. Sobre o tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, no qual sobrou reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Ficou sedimentado o entendimento de que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deve ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referiam cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Confirase: “IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.” (STF, RE 614.406 RS) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 12278.720115/201112 Acórdão n.º 2401004.458 S2C4T1 Fl. 5 7 Nesse interregno, como o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS foi realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos atrai a incidência do disposto no §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Recordese: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Noutro giro, o Código Tributário Nacional em seu artigo 149 prevê a prerrogativa do Fisco de rever o lançamento. Assim, como a época do Lançamento em questão não existia o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS, deve o fisco rever o lançamento de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo Supremo. Confirase: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Em razão do exposto e da disposição contida no artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF e ao artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: “IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENT E. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 12278.720115/201112 Acórdão n.º 2401004.458 S2C4T1 Fl. 6 9 deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acordão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324, rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016).” 2.2. DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Se as parcelas individualmente requeridas na via judicial formadoras dos rendimentos são integralmente tributáveis, não há dúvidas de que as despesas com a ação, inclusive os honorários advocatícios, devem ser totalmente deduzidos da base de cálculo do imposto de renda. Nesse sentido, os honorários advocatícios, efetivamente pagos pelo contribuinte para que o advogado desempenhe suas funções em relação à ação judicial, têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Isso porque, sem a intervenção do advogado, não haveria ação judicial e, consequentemente não seria possível o recebimento de qualquer valor, seja ele tributável ou não tributável. Confirase: “Acórdão 10249.013 “RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Nas ações judiciais em que são pagos rendimentos tributáveis e rendimentos isentos ou fora do campo de incidência, a dedução da base de cálculo dos honorários pagos, sem indenização, deve ser rateada entre os rendimentos tributáveis e os rendimentos isentos ou não tributáveis. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL A contribuição à previdência oficial não pode ser deduzida quando decorrente de ação trabalhista na qual se declara, expressamente, que tal recolhimento ficou por conta da empresa (reclamada).“ Notese ainda que a mera menção de que “na presente requisição foram solicitados separadamente os honorários contratuais devidos ao advogado”, não é elemento de prova suficiente a aferir que, de fato, a requisição em comento tenha sido acolhida e que tal procedimento tenha sido adotado. Assim, os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte não devem ser considerados dedutíveis até porque, ao contrário do alegado pelo recorrente, o extrato apresentando não é prova suficiente a comprovar se houve o pagamento dos referidos honorários advocatícios, já que não está especificado o número da ação judicial a que se refere, o valor recebido, a data e todas as demais informações necessárias que comprovam o fato controvertido. Não merecendo provimento o recurso nesse tocante. 2.3. DA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE O Recorrente pleiteia se lhe restitua o valor do imposto de renda retido na fonte IRRF no ato do levantamento do depósito judicial, no valor de R$ 6.932,22. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 10 Por seu turno, a Instrução Normativa RFB nº 1.300, publicada no DOU de 20/11/2012, assim dispõe: “Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; ou III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela RFB, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos administrados pela RFB. § 2º A RFB promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf e GPS que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. § 3º Compete à RFB efetuar a restituição dos valores recolhidos para outras entidades ou fundos, exceto nos casos de arrecadação direta, realizada mediante convênio. Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Nessa conformidade, não há como acolher o pedido do recorrente de restituição, pois essa não é a via adequada para tal solicitação, motivo pelo qual não merece provimento o recurso também nesse tocante. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 12278.720115/201112 Acórdão n.º 2401004.458 S2C4T1 Fl. 7 11 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 14/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914799/2012-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.262
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.800, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 47 99 /2 01 2- 39 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914799/201239 Acórdão n.º 9303004.262 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.914799/201239 Acórdão n.º 9303004.262 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725110/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada obscuridade ou contradição do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação.
Numero da decisão: 3402-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Humberto Ávila, OAB/RS 30.675 e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada obscuridade ou contradição do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Humberto Ávila, OAB/RS 30.675 e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada obscuridade ou contradição do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Humberto Ávila, OAB/RS 30.675 e o Dr. Pedro Augusto Junger Cestari, Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 51 10 /2 01 4- 90 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Relatório O presente processo tem origem em recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre operações entre empresas do mesmo grupo, sem o respectivo recolhimento do IOF nos anos de 2009 a 2010. Tempestivamente impugnado o lançamento tributário, sobreveio o Acórdão n. 1453.683, da 14ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. CONTA CORRENTE. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação de mútuo, sobre ela incidindo o IOF, sendo irrelevante para fins tributários o fato de que os recursos disponibilizados pela mutuante sejam feitos na forma de pagamentos de obrigações da mutuária. Irresignada, a Contribuinte dirigiuse a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 679/723, No julgamento do recurso voluntário, mediante o Acórdão nº 3402003.018, este Colegiado entendeu que não tendo provado o Fisco que as operações escrituradas na contabilidade do Contribuinte devem ter sua natureza jurídica reavaliada, porque teriam características de “operação de crédito correspondentes a mútuo”, deve prevalecer a presunção de veracidade e legitimidade dos livros, não havendo a incidência do IOF sobre operações comerciais lançadas na contacorrente entre empresas ligadas. Ademais, foi apreciada questão de decadência levantada pela Recorrente em petição apresentada posteriormente ao protocolo do recurso voluntário, decidindose que o lançamento tributário calculado com base no artigo 7º, inciso I, alínea “a” do Decreto n. 6.306/2007 utiliza como base de cálculo o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. O mesmo Decreto, em seu artigo 3º, §1º, inciso I, estabelece que o fato gerador do IOF ocorre na data da efetiva entrega do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado. Pela leitura conjunta dos dois dispositivos, concluise que, na apuração dos saldos devedores diários, base de cálculo do IOF, a Fiscalização não pode computar valores que haviam sido transacionados anteriormente ao prazo decadencial. Diante desta decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, cujo conteúdo afirma que o Acórdão aponta corretamente que o auto de infração referese ao período compreendido entre 01/2009 a 12/2010. No entanto, o julgado reconhece a decadência do direito de constituir o crédito tributário relacionado os fatos geradores ocorridos Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.250 S3C4T2 Fl. 112 3 em 2007 e em 2008. Alega então que a questão discutida não versava sobre decadência, mas sim sobre a composição da base de cálculo utilizada no primeiro mês do período autuado: janeiro de 2009. É nesse ponto que entende a Embargante existir contradição e obscuridade no acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz De acordo com o despacho de admissibilidade, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3º do Regimento Interno do CARF. Assim, passo ao mérito. Inicialmente, saliento que a indignação fazendária cingese a matéria da decadência que foi julgada por este Colegiado, não tendo sido objeto dos Embargos a questão de mérito a incidência do IOF entre as operações praticadas pelas empresas ligadas à Recorrente, como bem se depreende do relato acima. Pois bem. Para a delimitação da questão trazida à tona pelos embargos fazendários, destaco o seguinte trecho do acórdão embargado: 2.3. DA DECADÊNCIA DE PARTE DOS VALORES LANÇADOS Embora não tenha apresentado qualquer questão relativa à decadência do auto de infração em seu recurso voluntário, a Recorrente apresenta tal ponto no memorial de autoria do Professor Humberto Ávila entregue aos Conselheiros deste Colegiado antes do julgamento do feito. Uma vez que a decadência constitui matéria de ordem pública, conhecível a qualquer tempo do processo, admito a sua análise. A lavratura do auto de infração ocorreu em 26/05/2014, exigindo valores do Contribuinte no período compreendido entre 01/2009 e 12/2010. Uma vez que não houve antecipação de qualquer pagamento relativo ao IOF, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, vale dizer, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o tributo poderia ser lançado. Nesse contexto, a Recorrente clama pelo reconhecimento da decadência dos valores referentes aos fatos geradores (operações financeiras) datados entre 01/2007 e 12/2008, cujos prazos decadenciais teriamse expirado em 01/01/2013 e 01/01/2014, respectivamente. A constatação de que as operações de crédito datadas entre 01/2007 e 12/2008 foram inseridas na base de cálculo do IOF ocorre tanto em relação ao Razão Contábil 0012201030 Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 (“Conta Corrente – Comp. Ligadas”), quanto ao Razão Contábil 0012201040 (“Mútuo a Receber – Comp. Ligadas”), em cujos cálculos foram considerados os saldos acumulados em períodos anteriores a 31/12/2008. Quanto à primeira Conta, foi utilizado o saldo inicial acumulado R$ 1.559.553.285,64. Já na segunda, constatase a utilização do montante de R$ 78.044.942,10. Chegase a esta conclusão pela análise dos relatórios de apuração do IOF devido, elaborados pela Autoridade Fiscal nos anexos ao Auto de Infração (fls. 718 e 724), pelos quais: i) a base de cálculo já constante antes do primeiro lançamento do ano é composta de “saldo inicial” que pertence a lançamentos efetuados antes de 01.01.2009; ii) o saldo inicial é equivalente aos valores contidos dos razões de 01.01.2007 a 31.12.2008 (fls. 535 e 571) apresentados pela Recorrente em 25/09/2013 em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 01 – MPF 04.0.01.00.2013000085 (fl. 510). Com razão, a Recorrente sobre a decadência. O lançamento tributário foi calculado com base no artigo 7º, inciso I, alínea “a”, do Decreto n. 6.306/2007, in verbis: "Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação" Este mesmo Decreto, em seu artigo 3º, §1º, inciso I, estabelece que o fato gerador do IOF ocorre na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado. Vejase: "Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado;" Pela leitura conjunta dos dois dispositivos, concluise que na apuração dos saldos devedores diários, base de cálculo do IOF, a Fiscalização não pode computar valores que haviam sido transacionados anteriormente ao prazo decadencial. Em outros termos, a dívida acumulada no passado não pode ser computada na base de cálculo do IOF. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.250 S3C4T2 Fl. 113 5 Nesse sentido, o Relator Berbardi Leite de Queiroz Lima proferiu os seguintes dizeres em caso com questão análoga: "Para que exista saldo devedor no mês, é necessário que, antes disso, tenham sido disponibilizados recursos ao mutuário. O saldo devedor nada mais é do que o valor que o mutuário deve ao mutuante e que ainda não foi amortizado. Isto porque o IOF é apurado considerando o prazo em que o recurso fica à disposição do tomador do crédito, sendo este prazo um critério para definir o valor do tributo, mas não a ocorrência do fato gerador, que se dá no momento da disponibilização. (Processo 15504.010425/201011, Acórdão 3401002.877" Dessarte, para que não restassem extintos pela decadência os fatos geradores ocorridos entre 2007 e 2008, a autoridade fiscal possuía como prazo fatal para o lançamento os dias 01/01/2013 e 01/01/2014 (cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o IOF poderia ser lançado), respectivamente. Entretanto, o lançamento efetivouse em 26/05/2014. Portanto, encontrase extinto pela decadência o crédito tributário referente a todas as operações de crédito ocorridas em 2007 e 2008, que devem ser expurgadas da base de cálculo do IOF devido pela Recorrente. (grifei) Nas palavras de Candido Rangel Dinamarco, “ obscuridade é, como o nome diz, falta de clareza em uma raciocínio, em um fundamento ou em uma conclusão constante da sentença (p. ex., condenar a entregar o bem devido, sem esclarecer qual, quando a demanda contém pedidos alternativos). Contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p. ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de indenização etc)”.1 Trazendo o instituto para o âmbito do processo administrativo fiscal federal, o artigo 65 do Regimento interno do CARF dispõe que "cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." Disto já se constata que inexiste in casu a contradição ou obscuridade alegadas pela Embargante, quando afirma: "o julgador somente pode reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário quando próprio auto de infração/lançamento disser respeito ao período decaído. Em outros termos: os fatos geradores caso ocorridos em 2007 e 2008 não fazem parte do período fiscalizado e autuado, pelo que é impertinente reconhecer a decadência referente aos exercícios apontados". Explico. Como bem se sabe, a decadência consiste na perda do direito do fisco em constituir o crédito tributário, de modo que sua verificação culmina justamente na extinção do mesmo crédito (artigo 156, inciso V do Código Tributário Nacional "CNT").2 Ou seja, uma vez que o contribuinte efetua determinado ato ou negócio jurídico (fato gerador artigo 114 do CTN), 3 o qual se subsume à hipótese de incidência traçada pela legislação como apta a desencadear da relação jurídica tributária (direito do Fisco receber o objeto, em contrapartida 1 Instituições do Direito Processual Civil, Malheiros Editores, 2005, vol. III, páginas 687688. 2 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; 3 Artigo 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 ao dever do contribuinte adimplir tal obrigação), caso o contribuinte não efetive o devido recolhimento do tributo aos Cofres Públicos, poderá/deverá a Administração Tributária promover o lançamento tributário, para constituir o crédito tributário e cobrar a importância devida a título de tributo. É o que preceitua o artigo 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Em outros termos, é justamente a diferença entre o fato gerador da obrigação tributária e crédito tributário constituído através do lançamento que permite falar em decadência do direito do Fisco lavrar auto de infração, realizando o lançamento tributário. Tendo isto em vista, já adianto que o acórdão embargado foi hialino ao colocar que foi verificada a decadência pela análise conjunta do artigo 7º, inciso I, alínea “a”, 4 e do artigo 3º, §1º, inciso I, do Decreto n. 6.306/2007. Este último dispositivo cuida justamente da determinação do fato gerador do IOF, o qual ocorre na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado. É, portanto, do preciso momento em que os valores transacionados como mútuo são disponibilizados que se reputa ocorrido o fato gerador do IOF, culminando na contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 173, inciso I do CTN, in casu, já que não houve nenhuma antecipação do pagamento do imposto. Ocorre que, no caso da Recorrente, não existia um contrato disciplinando a forma (valor, datas, etc) pela qual tais transações ocorriam entre as empresas do grupo econômico, de modo que a própria fiscalização se valeu dos dizeres do artigo 7o , inciso I, alínea "a" do Decreto n. 6.306/2007 para a definição do quantum devido a título de IOF (base de cálculo) relativamente à Conta 0012201040 – Mútuo a Receber – Comp Ligadas, ao lavrar o auto de infração. Deste ponto exsurge a indignação da Embargante, imputando os vícios de contradição e obscuridade ao arrêt, pois, no seu sentir, ao se debruçar sobre a base de cálculo do imposto não se estaria mais no campo da discussão sobre a decadência. Com a devida vênia, enganase a Embargante. É preciso recordar que a base imponível (ou base de cálculo) é “uma perspectiva dimensível do aspecto material da hipótese de incidência que a lei qualifica com a finalidade de fixar critério para a determinação em cada obrigação tributária concreta, do quantum debeatur.” 5 Com isso Geraldo Ataliba evidencia que, o aspecto material da hipótese de incidência, que tem caráter abstrato e genérico, é sempre passível de mensuração. Disto já se conclui a íntima relação entre base de cálculo e aspecto material da hipótese de incidência tributária, o qual, não custa recordar, nada mais é do que a descrição normativa do fato gerador do tributo in abstracto. 4 Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação" 5 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, São Paulo, Malheiros Editores, 2005. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10480.725110/201490 Acórdão n.º 3402003.250 S3C4T2 Fl. 114 7 Nesse sentido Paulo de Barros Carvalho apresenta três funções distintas para a chamada base de cálculo, quais sejam: i) medir as proporções reais do fato (função mensuradora), ii) compor a específica determinação da dívida (função objetiva) e iii) confirmar, infirmar ou afirmar o correto elemento material do antecedente normativo (função comparativa). 6 De tudo quanto exposto, confirmase que não há contradição ou obscuridade a ser sanada no acórdão embargado, que nada mais fez do que reconhecer que a tributação pretendida pela Autoridade no auto de infração em questão abarcou fatos geradores decaídos pela forma com que apresentou a base de cálculo do IOF, sendo que a esta última cumpre justamente mensurar a dimensão do primeiro, confirmandoo comparativamente. Assim se dá a relação indissociável entre os institutos. Com efeito, constatouse que, muito embora a autuação verse sobre os anos de 2009 e 2010, operações de crédito datadas entre 01/2007 e 12/2008 foram inseridas na base de cálculo do IOF quanto ao Razão Contábil 0012201040 (“Mútuo a Receber – Comp. Ligadas”), em cujos cálculos foram considerados os saldos acumulados em períodos anteriores a 31/12/2008, nos termos do acórdão recorrido. Por conseguinte, fato geradores do IOF (artigo 3º, §1º, inciso I, do Decreto n. 6.306/2007) estão sendo indevidamente cobrados. Ao reconhecer a decadência desses fatos geradores, dever de ofício deste Colegiado, uma vez que se trata de matéria de ordem pública, fez valer o objetivo do instituto da decadência: "garantir a desejada estabilidade das relações jurídicas",7 nas palavras de Luis Eduardo Schoueri. Não há, efetivamente, "ideias que se repelem" no julgamento, e sim que se agregam (relação entre fato gerador e base de cálculo, levando à conclusão de que pela leitura conjunta dos dispositivos dos Regulamento do IOF na apuração dos saldos devedores diários, base de cálculo do IOF, a Fiscalização não pode computar valores que haviam sido transacionados anteriormente ao prazo decadencial, sob pena de abarcar fatos geradores decaídos). Tampouco há "falta de clareza em um raciocínio, em um fundamento ou em uma conclusão", uma vez que, com a devida vênia, com a precisa definição dos institutos necessários para a solução da lide e suas interrelações (decadência, fato gerador e base de cálculo) constatase o retilíneo do raciocínio do acórdão embargado. Por tudo quanto exposto, entendo que a lide foi devidamente solucionada, não havendo contradição no acórdão embargado, e se eventual obscuridade sobre a relação entre fato gerador da obrigação tributária e sua base de cálculo foi percebida pela leitura da 6 Inclusive, é de se notar que a base de cálculo pode representar uma verdadeira distorção do fato gerador e, assim, desnaturar o próprio tributo. Pode desvirtuar a natureza específica do tributo (e.g. ao invés de imposto sobre o patrimônio ser imposto sobre a renda), como também pode desvirtuar a natureza genérica do tributo (e.g. transformando imposto em taxa). Nos casos em que há descompasso entre o disposto pela hipótese de incidência apontada pelo legislador e pela base de cálculo por ele escolhida, a doutrina vem se firmando no sentido de fazer valer o disposto na base de cálculo, fazendo valer a autêntica natureza jurídica do tributo. 7 Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 1ª ed., p. 568. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 Embargante, agora encontrase devidamente clarificada, sem nenhuma implicação, contudo, no resultado do julgamento pretérito. Diante do exposto, voto pela rejeição dos Embargos de Declaração. Thais de Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 5/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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Numero do processo: 10680.910371/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa compensação formalizada por meio de declaração que indique crédito inexistente.
Numero da decisão: 1301-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação formalizada por meio de declaração que indique crédito inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flavio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 71 /2 00 9- 90 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 305 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0235.480, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 11 de outubro de 2011, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e não reconhecer o direito creditório. Pelo Despacho Decisório, eletrônico, de fls. 09 a Per/Dcomp foi sumariamente considerada improcedente e não homologada a compensação, por tratarse de inexistência de pagamento indevido ou a maior. A empresa manifestouse contrariamente ao despacho denegatório argumentando que cometeu o equívoco de solicitar restituição de estimativas mensais de tributos, quando deveria ter solicitado saldo negativo de CSLL apurado ao final do ano calendário. Critica o Despacho Eletrônico por extremamente sucinto e por não ter tido oportunidade de, antes de emitido, consertar o erro material de preenchimento, em apertada síntese. A manifestante juntou diversos documentos, tais como a Per/Dcomp, DCTF, DIPJ e outros para corroborar o que sustenta. Saliento que a autoridade preparadora não trouxe quaisquer informações a respeito das DCTF entregues originalmente pela manifestante. De igual forma, antes da emissão do Despacho Decisório não consta do processo que a declarante foi intimada a apresentar a contabilidade completa para analisarse a procedência do pedido. Às fls. 195 a 200, a 2ª Turma da DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº 0235.480, entendendo, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e não reconhecer o direito creditório, por tratarse de pedidos de restituição de estimativa mensal e por inadmitir a alteração do pedido de estimativa para saldo negativo de CSLL, após a expedição do despacho decisório. Transcrevo a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Declaração de Compensação Estimativa Mensal Paga a Maior. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 306 3 Segundo as normas infralegais de regência, no caso de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativas mensais somente poderá ser utilizado na dedução da CSLL devido ao final do respectivo período de apuração ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido em 19/11/2011 sábado (fls. 205), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 21/12/2011 (fls 207), tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão apreciados quando do julgamento: É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 307 4 Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. A decisão recorrida, manteve o Despacho Decisório ora contestado, que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível no PER/DCOMP. Antes, porém, de analisar os argumentos apresentados em sede de recurso, necessário pronunciarme sobre os novos documentos juntados pela recorrente, por ocasião do protocolo do recurso voluntário. DA EXCEPCIONAL ADMISSÃO DA JUNTADA DE PROVAS EM SEDE RECURSAL Uma questão inicial a ser considerada no presente feito, diz respeito à possibilidade da juntada, após a apresentação da competente impugnação, de documentos/provas necessários à defesa do contribuinte. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material para a consecução dos fins processuais. No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em eu recurso, quais eles, DIPJ 2006 (AC 2005); DARF´s IRPJ (código 5993); DARF´s CSLL (código 2484), pois não se trata de novos documentos, vez que são documentos de pleno conhecimento e posse da Administração Tributária. Aliás, não vejo impedimento em eventual requisição, por parte do julgador administrativo, a seu critério, para trazer aos autos documentos se façam necessários e que se encontrem sob a guarda da Administração Tributária, ainda que eles não tenham sido juntados pela interessada quando do protocolo de sua peça de impugnação. Tal iniciativa só vem a assegurar o equilíbrio entre as partes, celeridade e oficialidade, e a busca do Princípio da Verdade Material. Nesse sentido se encontra o disposto no art. 37, da Lei 9784/99, a seguir transcrito: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 308 5 Diante dessas considerações, entendo admissível a juntada dos documentos apresentados pela recorrente quando da interposição de seu Recurso Voluntário, devendo estes serem aqui considerados na formulação deste julgamento. DA ANÁLISE INICIAL DO RECURSO DA POSSIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCOMP // DA COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL e consequente não homologação de compensação entre crédito e débito. Desde a sua peça inicial de defesa, a recorrente está a dizer que seu crédito é resultante de saldo negativo e não de pagamento a maior de estimativa, apesar de ter indicado equivocadamente a natureza de crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa. Assim, evidenciase um erro formal na composição da Declaração de Compensação apresentada, onde a recorrente de forma equivocada pleiteou um crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do que o devido, quando na verdade, se tratava de saldo negativo de CSLL. Penso haver mero erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, como está a ocorrer no caso presente. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa, no meu entender, é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. No caso vertente, verifico que a fiscalização não aprofundou sua investigação acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado, quando desprezou completamente a DIPJ enviada pelo contribuinte que indicava saldo credor, em descompasso com a Per/Domp. apresentada. Ora, a Administração Tributária não pode limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp, já que existiam informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado. Isto é, caberia à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DComp) e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações. Compulsando os autos, não encontro comprovação de ter sido intimado o contribuinte para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Por consequência lógica, também não existe prova nos autos que o contribuinte quedouse inerte, em face de eventual Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 309 6 intimação para correção da divergência existente entre as duas declarações apresentadas pelo próprio contribuinte. Ressaltese que o procedimento de emitir Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomps que o sistema rejeita, tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a sequência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela prescrição. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp, importa verificar a liquidez do crédito pleiteado. Isso porque se não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, pode existir, em tese, saldo negativo de CSLL no período, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação perseguida. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Per/Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que, segundo meu entendimento, ficou configurado no caso concreto em que há divergência perceptível entre o Per/Dcomp apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração.. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: a) Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2005, levando a PER/Dcomp a tratamento manual; b) Intimar o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, inclusive a exibir a sua contabilidade, no que interessar, viabilizando a análise do mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 310 7 c) Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; d) Após as verificações acima, apurando a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. e) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. No relatório ainda deve constar informações se o débito de CSLL mês apuração 03/2006 já foi quitado no PERD/COMP de nº20490.11239.280406.1.3.04032. f) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator designado Não obstante o voto do ilustre Conselheiro relator, que revela um acendrado espírito de justiça, peço licença para divergir. No caso em exame, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era. Não havia indébito. O direito creditório não existia. A recorrente alegou ter cometido erro ao identificar a natureza do crédito como pagamento indevido, quando o correto seria saldo negativo. Ocorre que na DIPJ, referente ao respectivo ano base, o saldo negativo apurado é diferente do valor inserido na Dcomp. Além disso, o código de receita informado na Dcomp é o código do pagamento por estimativa, e o período de apuração indicado também é o da estimativa, o que revela com clareza que o crédito pretendido pela recorrente era o pagamento feito por estimativa, e não o saldo negativo. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 311 8 Não houve de erro de preenchimento. Tratase claramente de erro de direito. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem ao Delegado da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de mero erro material ou de forma. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório quanto ao pagamento por estimativa (como quer a recorrente), implica fragilizar o controle da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em Dcomps diferentes. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10680.910371/200990 Acórdão n.º 1301002.166 S1C3T1 Fl. 312 9 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator designado. Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.916500/2012-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.306
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.845, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 65 00 /2 01 2- 81 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916500/201281 Acórdão n.º 9303004.306 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916500/201281 Acórdão n.º 9303004.306 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10530.001065/2005-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004
MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF. PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se a retroatividade benigna da penalidade prevista no art. 1º da Lei no 11.945/2009 em casos de falta entrega de DIF- Papel Imune sancionado com base no art. 57 da Medida Provisória nos 2.158-35/ 2001, em sua redação original, quando norma superveniente lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
Numero da decisão: 9303-004.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF. PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se a retroatividade benigna da penalidade prevista no art. 1º da Lei no 11.945/2009 em casos de falta entrega de DIF- Papel Imune sancionado com base no art. 57 da Medida Provisória nos 2.158-35/ 2001, em sua redação original, quando norma superveniente lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIF. PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase a retroatividade benigna da penalidade prevista no art. 1º da Lei no 11.945/2009 em casos de falta entrega de DIF Papel Imune sancionado com base no art. 57 da Medida Provisória nos 2.15835/ 2001, em sua redação original, quando norma superveniente lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 10 65 /2 00 5- 51 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 20181.259, proferido pela 1º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, julgado na sessão de 03 de julho de 2008, o qual deu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para cancelar o lançamento em face do erro no fundamento da multa aplicada relativo ao atraso na entrega da DIF Papel Imune dos anos calendários de 2002 a 2004. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL.A falta de apresentação de DIFPapel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI12002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI12002. Recurso voluntário provido. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que o descumprimento de obrigações acessórias enseja a aplicação de multa, contudo, em dispositivos legais diferentes. No caso de ausência ou atraso na declaração do imposto, a multa é a do artigo 505 do RIPI/02, já para o caso de atraso na entrega do documento de prestações de informações, a multa é a do artigo 507 do RIPI/02. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões e pugna pelo desprovimento do Recurso Fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância, Dele conheço. A discussão que ora se apresenta referese à ausência de cumprimento dos deveres instrumentais (obrigações acessórias) quanto a entrega de declaração, no caso DIF PAPEL IMUNE. Portanto, não se discute falta de recolhimento de impostos. A matéria encontrase pacificada nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10530.001065/200551 Acórdão n.º 9303004.210 CSRFT3 Fl. 162 3 Com efeito, a discussão já foi objeto de análise nos autos do processo nº10882.000448/20051, acórdão n° 3803006.954, relatado por este julgador, quando se decidiu nos seguintes termos: MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DIFPAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Aplicase a retroatividade benigna da penalidade prevista no art. 1º da Lei n° 11.945/2009 em casos de falta entrega de DIFPapel Imune sancionado com base no art. 57 da Medida Provisória nos 2.15835/ 2001, em sua redação original, quando norma superveniente lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, deuse provimento parcial ao recurso, para reconhecer a redução da multa ao valor de R$ 5.000,00 para cada DIF PAPEL IMUNE não apresentada no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, deuse provimento parcial ao recurso, para reconhecer a redução da multa ao valor de R$ 5.000,00 para cada DIFPAPEL IMUNE não apresentada no prazo legal. Demes Brito Relator. Sem embargo, utilizo trecho do voto condutor acima como fundamento das razões de decidir. "O lançamento foi amparado com fundamento no artigo 57 da MP 2.l5835/ 2001, a IN SRF 7l/2001 e a IN SRF159/2002. Conforme se extrai da ementa da autuação (fl.19): “Art. 16 da Lei 9779, de 19/O1/1999; art. 57 da MP 2.15834, de 27/07/2001; arts. 2° 10 e 12 da IN SRF nº 71, de 24/08/2001, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 101, de21/12/2001 e art. 2º, § único da IN SRF nº 159, de 16/05/2002”. “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. (...)” (grifo nosso) (o art. 16 da Lei no 9.779/1999 dispões que “compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO 4 A Medida Provisória nº 451/2008, convertida na lei nº 11.945/2009, a qual trata especificamente da infração praticada pela Recorrente. O artigo 1º e 2º da lei 11.945/2009, assim dispõe: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; eII adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Art. 2º. O Registro Especial de que trata o art. 1o desta Lei poderá ser cancelado, a qualquer tempo, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil se, após a sua concessão, ocorrer uma das seguintes hipóteses: I desatendimento dos requisitos que condicionaram a sua concessão; II situação irregular da pessoa jurídica perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; III atividade econômica declarada para efeito da concessão do Registro Especial divergente da informada perante o CNPJ ou daquela regularmente exercida pela pessoa jurídica; (...)” (grifo nosso). Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO Processo nº 10530.001065/200551 Acórdão n.º 9303004.210 CSRFT3 Fl. 163 5 Portanto, passou, assim, haver penalidade específica para o caso, sendo possível aplicar a retroatividade benigna, considerando o dispositivo contido no art. 106, II, “c” do Código Tributário NacionalCTN, o qual assim dispõe: “a lei se aplica a ato ou fatopretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. Quanto ao fato de ser benigna a retroatividade, no caso em análise, não há dúvidas, visto que a penalidade prevista no inciso II do art. 1º da Lei no 11.945/2009, de R$ 5.000,00, não é por mêscalendário, mas por DIF não apresentada. Assim, no caso em análise o Fisco apurou a falta de 5 (cinco) DIF’s PAPEL IMUNE, a cada uma delas deve ser aplicada a penalidade de R$ 5.000,00. E a soma das oito penalidades de R$ 5.000,00 será inferior aos R$ 370.000,00 lançados. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas no patamar de R$ 5.000,00, para cada uma das 5 DIF’s PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar o valores para efeito de liquidação deste julgado" Portanto, no caso em espécie, passou, assim, haver penalidade específica para infração, sendo possível aplicar a retroatividade benigna, considerando o dispositivo contido no art. 106, II, “c” do Código Tributário NacionalCTN, o qual assim dispõe: “a lei se aplica a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. Quanto ao fato de ser benigna a retroatividade, no caso em análise, não há dúvidas, visto que a penalidade prevista no inciso II do art. 1º da Lei no 11.945/2009, de R$ 5.000,00, não é por mêscalendário, mas por DIF não apresentada e R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei no 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIF’s PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar o valores e a condição da empresa ( Microempresa/EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO 6 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por RODR IGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DEMES BRITO
score : 1.0
Numero do processo: 15463.721383/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2201-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestivo.
Assinado digitalmente
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 06/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestivo. Assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 06/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15463.721383/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.296 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria IRPF Recorrente MARIA NEUMA CASTELLO BRANCO SAMPAIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso por intempestivo. Assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 06/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 13 83 /2 01 3- 14 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2012 do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 06/10. (...). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 270.814,50, compensado o Imposto de Renda Retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 58.464,72. (...). Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02/03, e dos documentos de fls. 11/15, alegando, em síntese, que: Por ocasião do envio da Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda de 2012, AnoCalendário 2011 não dispunha dos Informes de Rendimentos devidos pela Rio previdência; Em observância ao prazo de encaminhamento da declaração anual, lançou todo o equivalente às verbas percebidas no espaço a este fim destinado, deixando para a sede da declaração retificadora o lançamento das verbas percebidas à guisa de pensionamento. Todavia, antes de ultimada a providência, a Requerente recebeu em sua residência a notificação de lançamento endereçada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; Consoante se verifica no Comprovante de Rendimentos Pagos e de imposto sobre a Renda Retido na Fonte emitido pela Subsecretaria de Administração de Pessoal da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Anexo), exsurge claríssima a dedução da Contribuição Previdenciária Oficial no montante de R$ 26.964.96. bem como Imposto sobre a Renda retido na fonte no equivalente a RS 58.464.72. O lançamento ora impugnado considera o valor de imposto devido sem o registro da dedução originária das verbas já referenciadas (Contribuição Previdenciária oficial e Imposto de Renda Retido na Fonte). Requer, diante do exposto, o acolhimento da impugnação apresentada. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15463.721383/201314 Acórdão n.º 2201003.296 S2C2T1 Fl. 3 3 Impugnação Parcial – Pagamento do crédito relativo à parte não impugnada. Tendo em vista a apresentação de impugnação parcial ao lançamento e o pagamento do crédito tributário relativo à parte não impugnada, ficam retificados os valores conforme abaixo: (...). Despacho Decisório Em função dos documentos apresentados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I emitiu o Despacho Decisório, de fls. 27/28, deferindo a proposta de manutenção da notificação de lançamento, constante do Termo Circunstanciado, de fls. 25/26, que assim dispôs: “Quanto a omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro no valor de R$ 270.814,50 com IRRF de R$58.464,72, a peça impugnatória concorda explicitamente com a omissão de rendimentos porém, solicita ser consideradas as deduções referentes a previdência oficial e do imposto de renda retido na fonte. No Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de fl. 9, verificase que o imposto de renda na fonte retido pela fonte pagadora no valor de R$ 58.464,72 (Linha 10) foi considerado no cálculo do imposto suplementar. Quanto a dedução do valor da previdência oficial, verificase que a contribuinte optou, quando da entrega da declaração de ajuste, pelo modelo simplificado cujo regime de tributação se utiliza do desconto de 20% dos rendimentos tributáveis. Este desconto substitui todas as deduções legais, sem a necessidade de comprovação. Até o prazo final de envio da declaração, a contribuinte poderia usar a declaração retificadora para trocar a forma de tributação, ou seja, passar do modelo simplificado para o completo e viceversa. Fora do período normal de entrega, não é admitida retificação que tenha por objetivo a mudança de opção pela forma de tributação. Além disso, conforme artigo 147, §1°, do Código Tributário Nacional, é vedada a retificação de declaração após o início de procedimento de fiscalização ou notificação. Portanto, a autuação deve ser MANTIDA. CONCLUSÃO De acordo com todo o acima exposto, chegase à conclusão de que a Notificação de Lançamento n° 2012/807850305292388 (fls. 07/10) deve ser mantida na Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 integralidade, uma vez que as alegações contidas na contestação não procedem.” Devidamente intimada do Despacho Decisório e do teor do Termo Circunstanciado, fl. 38, a Impugnante não apresentou contestação, fl. 43. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 Ementa: IRPF. DESPACHO DECISÓRIO. Efetuada a revisão do lançamento quanto às questões de fato constantes da impugnação e não havendo questões de direito a serem apreciadas, mantémse o lançamento nos termos da revisão. Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustentou, em síntese, que: a) por ocasião do envio da Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda de 2012, ano calendário 2011, a recorrente não possuía os informes de rendimentos devidos pela Rio previdência; b) houve o recolhimento das verbas devidas na integralidade; c) a autuação é improcedente e foi inadequado o valor fixado na cobrança; d) inexistiu preclusão lógica ou consumativa a respeito do Despacho Decisório. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Conforme se extrai do artigo 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 15463.721383/201314 Acórdão n.º 2201003.296 S2C2T1 Fl. 4 5 Observase dos autos que a ciência do contribuinte acerca do acórdão vergastado ocorreu em 19/08/2015 (quartafeira), fl. 58 (AR) e fl. 104 (extrato do processo), e a contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/09/2015 (segundafeira), fls. 61 a 67, sendo o termo final o dia 18/09/2015 (sextafeira), portanto, fora do prazo de trinta dias. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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