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Numero do processo: 12259.001670/2009-47
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2000, 2001
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2000, 2001 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
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NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 16 70 /2 00 9- 47 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001670/200947 Acórdão n.º 2803002.678 S2TE03 Fl. 2.979 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.49 e seguintes) foi interposto contra decisão a quo(fls. 60 e seguintes), que manteve o crédito tributário oriundo de incidência das "referese a contribuições da empresa, devidas a Seguridade Social, relativas a parte da empresa, seguro de acidentes de trabalho SAT, as destinadas aos Terceiros, como também, sobre as retiradas prolabore e sobre serviços prestados por cooperativas", obtidos de por cruzamento de dados das folhas de pagamento, livro diário, GPS, e outros no período de 01.2000 a 05.2001, e glosa de compensações realizadas em 12/2000. A ciência do auto de infração inaugural foi em 04.07.2001 (fls. 01). A ciência da decisão recorrida ocorreu em 05.11.2003, conforme demonstra o Aviso de Recebimento Postal (fls. 75). A autoridade preparadora certificou o trânsito em julgado (fls. 79). O recurso voluntário foi protocolizado em 17.03.2004, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: legalidade das compensações, cerceamento de defesa, nulidade do lançamento. Assim, os autos vieram à presente turma especial para apreciação. Este é o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001670/200947 Acórdão n.º 2803002.678 S2TE03 Fl. 2.980 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 05.11.2003 e o prazo para interposição de recurso vigente à época é de 15 (quinze) dias a contar da ciência da decisão (art. 305, §1º, do Dec. 3048/1999, antes do Dec. 6032/2003), considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 05.12.2003. Contudo, nos autos o comprovante protocolo do recurso demonstra a data como 17.03.2004, cinco dias após o final do prazo, logo fora do prazo normativo, precluindose o direito de apresentação do recurso voluntário. Em que pese as alegações, da contribuinte quanto à apreciação de ofício, a intempestividade recursal de certa forma retira a possibilidade de conhecimento da instância de julgamento, pois equivalese à confissão tácita (art. 21, do Dec. 70.235). Isso posto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestividade, mantendose o lançamento. (Assinatura Digital) Gustavo Vettorato Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19707.000335/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção refere-se aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA- Relator.
EDITADO EM: 25/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA (Relator), CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, GONCALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção refere-se aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA- Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA (Relator), CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, GONCALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção referese aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 25/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA (Relator), CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, GONCALO BONET ALLAGE, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 7. 00 03 35 /2 00 8- 64 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 8 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, para exigir a importância total de R$32.575,57, acrescidos de cominações legais em razão de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, onde afirmou que solicitou cópia do processo e cópia dos DARF's recolhidos do IRRF e constatou que os DARF's foram recolhidos com o CPF do mesmo e não com o CNPJ da fonte pagadora; que, sendo assim, não existirá mesmo DIRF apresentada pela fonte pagadora Banco Bradesco S/A, mas existe os DARF's recolhido em CPF do mesmo; que sendo assim, o IRRF está recolhido e não há razão para o Lançamento de Oficio. Fez anexar cópia dos DARF's recolhido nos valore de R$ 41.412,50 e R$ 26.068,48, totalizando R$ 67.481,08. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fl.34). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Deve ser mantida a GLOSA de IMPOSTO de RENDA RETIDO na FONTE (IRRF) declarado pelo sujeito passivo, quando não restar comprovado que o valor da retenção referese aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 10/09/2010 (fl. 41), o recorrente impugna o lançamento efetuado, tempestivamente, alegando, em síntese, que os DARF, confirmados e admitidos pela autoridade recorrida, indicam o número do processo judicial cujas verbas foram tributadas, o que leva a crer, sem sombra de dúvida, que a origem dos rendimentos situase no processo a que os DARF se referem. Não existe outra alternativa. Inexiste outra fonte. Tratase de únicos rendimentos obtidos pelo Recorrente tendo por origem o aludido processo judicial trabalhista. O impugnante carreia para os autos, cópia da memória dos cálculos das verbas trabalhistas a que foi condenada a empresa reclamada, de modo a satisfazer a exigência de detalhamento feita pelo julgador a quo. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19707.000335/200864 Acórdão n.º 2101001.507 S2C1T1 Fl. 98 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator A decisão de 1ª Instância manteve a glosa de imposto de renda retido na fonte, motivada pela falta de DIRF referente aos rendimentos e respectivo imposto incidente. Contudo, conforme admitido expressamente pelo julgador a quo, o imposto foi recolhido em nome e sob o CPF do Recorrente coincidente com o valor por ele declarado. No voto condutor da decisão recorrida, a manutenção da referida glosa foi justificada sob a alegação de que não foi comprovado nos autos que os valores do IRRF glosados são correspondentes aos rendimentos incluídos na base de cálculo apurada na declaração de ajuste anual. Ressaltese no entanto que restado comprovado o recolhimento do tributo devido, ainda que informado incorretamente a fonte pagadora mas mediante apresentação de prova inequívoca de que se refere ao CPF do recorrente, o lançamento de ofício não pode prosperar. O recorrente colecionou aos autos os DARFs recolhidos, com anexação de declaração emitida pela Receita Federal comprovando a existência de tais DARFs. Mesmo que a legislação tributária estabeleça a obrigatoriedade da fonte pagadora reportar os fatos geradores de IRRF na DIRF, se esta não o faz, não pode penalizar o contribuinte que teve o imposto retido e recolhido em seu próprio nome, ao invés de em nome da fonte pagadora. Isso é possível através do controle administrativo da própria Administração Tributária, que deriva do poderdever de autotutela que a Administração tem sobre seus próprios atos e agentes, e que é normalmente exercido pelas autoridades superiores. Para a Administração Pública é amplo o dever de anular os atos administrativos ilegais. Impõe, nesse sentido, o art. 55 da Lei nº 9.784/99 o dever à Administração de declarar ou reconhecer a nulidade de todos os atos, tanto os atos nulos como os anuláveis, ressalvadas as exceções legais, que podem ser convalidados expressamente. Assim, todo agente público, ao detectar algum vício que torne ilegal o ato administrativo, tem o dever de comunicar o fato à sua chefia imediata, para que o ato seja revisto de ofício pela autoridade competente. De um modo geral, essa revisão pode se dar, por iniciativa da autoridade administrativa, por meio de fiscalização hierárquica, ou ainda por recursos administrativos, caso do PAF. Nos termos do art. 114, da Lei nº 8.112/90, a Administração deve rever seus atos, a qualquer tempo, quando eivados de ilegalidade, não havendo assim prazo para a eliminação dos atos inválidos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Com fundamento no parágrafo único do art. 149, do CTN, em regra, a Administração fazendária tem prazo para efetuar a revisão, de ofício ou a pedido, do ato de lançamento tributário. Por sua vez, a revisão de ato de lançamento tributário pode resultar tanto a favor do sujeito passivo, quando há uma redução ou anulação do valor do crédito tributário exigido, como desfavorável a ele, ao se agravar a exigência tributária. Podese sustentar que, com base no parágrafo único do art. 149, do CTN, a Administração teria prazo para efetuar qualquer revisão do ato de lançamento tributário, independentemente de o resultado da revisão ser favorável ou não ao sujeito passivo. Assim, se a Administração, ou o contribuinte, permanecer inerte, por determinado prazo legal, o direito de revisar ou pleitear a revisão do ato estaria extinto pela decadência. É cediço que para que o contribuinte possa usufruir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, relevante que sejam cumpridas as regras processuais, em especial o prazo para interposição de recurso, disposto na legislação regente. Desse modo, a Administração Fazendária deve rever, a qualquer tempo, seus atos eivados de ilegalidade, de ofício ou a pedido, quando os seus efeitos forem prejudiciais ou desfavoráveis ao contribuinte ou responsável, ou seja, não há prazo para assim proceder. Ante ao exposto voto por dar provimento ao recurso. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA, Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 12898.000502/2010-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
A omissão e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos restando comprovadas em parte, os embargos de declaração interpostos devem acolhidos em parte para fins de supri-las.
Numero da decisão: 1801-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Recorrente, e re-ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-00.772 proferido por este colegiado em sessão realizada em 22 de novembro de 2011, nos termos do voto da Relatora
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Recorrente, e reratificar o decidido no Acórdão nº 180100.772 proferido por este colegiado em sessão realizada em 22 de novembro de 2011, nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 05 02 /2 01 0- 42 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 259 2 Contra a Embargante, Infoglobo Comunicação e Participações S/A foi lavrado o Auto de Infração às fls. 138140 com a exigência do crédito tributário a título de multa de ofício isolada no valor de R$40.922,07 por falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada referente ao fato gerador ocorrido no mês de abril do anocalendário de 2005. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 151167, com suas alegações. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1232.562, de 19.11.2010, fls. 201205: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DIPJ. RETIFICAÇÃO. ERRO DE FATO A retificação de declaração apresentada no decorrer da ação fiscal deverá vir acompanhada de documentos que comprovem a veracidade dos valores ou dos dados retificados, para que se caracterize que ocorreu erro de fato. Notificada a Embargante apresentou o recurso voluntário, fls. 210226, com suas razões de defesa. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801000.772, de 22.11.2011, fls. 231238: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.” Restou ementado Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 NULIDADE No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 260 3 DIPJ. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL A DIPJ apresentada após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Notificada pelo domicílio fiscal eletrônico em 14.11.2012 e considerado intimado em 29.11.2012, fl. 224, a Embargante interpôs embargos de declaração em 22.11.2012, fls. 248251 e 255, com as alegações a seguir resumidas. Alega que o Acórdão embargado contém contradição e omissão. No que se refere à contradição suscita que Em que pese os argumentos apresentados pela Embargante, no caso em tela foi negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pela mesma, constando ao final do acórdão n° 1801000.772 o seguinte: "(...) Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário, por ter sido interposto fora do prazo legal." Todavia, o Acórdão deve ser objeto de reparo, pois apresenta contradição entre a decisão e seus fundamentos, bem como é omissa ponto sobre qual a Turma deveria se pronunciar. Em relação à omissão defende que O voto recorrido nada menciona sobre os valores já declarados na DCTF do período e limitase a recusar a retificação feita na DIPJ por ela ter sido apresentada após o início de procedimento fiscal. Todavia, a Turma deveria ter se posicionado se os valores do Imposto de Renda retido na fonte corretamente declarados em DCTF seriam suficientes para dirimir a multa aplicada no Auto de Infração, o que não o fez. A 1a Turma [...] também deveria ter exposto em seu voto se a retificação da DIPJ para adequar seus valores à DCTF já apresentada poderia ser apresentada a qualquer tempo, ainda que após o início de procedimento fiscal. Conclui Por todo o exposto, requerse que esta E. Turma, com vistas a sanar a contradição e omissão, conheça e dê provimento aos presentes embargos para reformar o julgado ora embargado, de modo a corrigir a referida contradição e Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 261 4 omissão, pronunciandose acerca dos argumentos/apontamentos acima mencionados objetos da presente demanda para melhor solução do litígio. Nestes Termos, P. deferimento, Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os embargos de declaração apresentados pela Embargante atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. O Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009, determina: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. A Embargante argui que há contradição entre a parte dispositiva e a conclusão. No que diz respeito à contradição, cabe esclarecer que esse instituto justifica opor embargos de declaração é aquela havida no interior da própria decisão, ou seja, a desconformidade interna da decisão jurisdicional; nunca a eventual dissonância entre as provas existentes nos autos, a legislação que se entende aplicável ou a jurisprudência predominante nas cortes superiores e o que se decidiu. Consta expressamente no Acórdão embargado consta: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 262 5 [...] O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. [...] Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário, por ter sido interposto fora do prazo legal. Cabe razão à Embargante alegar a contradição entre a parte dispositiva e a conclusão do Acórdão embargado. Nesse sentido, a conclusão deve ser alterada para “Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário”, para excluir a expressão “por ter sido interposto fora do prazo legal”. A Embargante menciona que não há menção sobre a apresentação da DCTF. Em relação à omissão, vale ressaltar que esse instituto, em termos de embargos de declaração, é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. Na peça de defesa originalmente apresentada pela Embargante está registrado, fls. 151167: Não resta dúvida de que, examinada a DIPJ 2006 originalmente apresentada e compulsando a DCTF que possui força de confissão de divida, observarse que o valor apurado/declarado pela Impugnante corresponde a R$0,00. Sem dúvida, pois do contrário teríamos caso de cobrança de imposto neste mesmo lançamento ou em outro, o que não aconteceu. Ou seja, há erro do tipo legal imposto. Mesmo que assim não fosse, como no caso em concreto o tributo que deixou de ser recolhido foi R$0,00, o valor da multa seria R$0,00 também. O lançamento se fundamenta nos valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) de R$333.643,18, fls. 0343, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de R$0,00, fls. 9294 e nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de R$251.799,05, fls. 95137. A base de cálculo de R$81.444,13 do crédito tributário decorrente da diferença entre os valores de IRPJ informados na DIPJ e confessados na DIRF (R$333.643,18 R$251.799,05) pela aplicação da multa de ofício isolada de 50% (cinquenta por cento), nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Embargante foi reiterada intimada a prestar esclarecimentos e apresentar os documentos fiscais, fls. 4450, 5253, 5556, 6169, 7273, 79 82 e 8491, ou seja, não lhe faltou oportunidade de comprovar os valores que entendia estavam corretos. No Voto Condutor do Acórdão embargado está registrado: A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 263 6 balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). [...] Os presentes autos não estão instruídos com a comprovação dos pagamentos integrais, tampouco com as transcrições no Livro Diário dos balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução e no Lalur da demonstração do lucro real do respectivo período. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. Os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Assim, o Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A Embargante deve apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com as informações corretas e os dados ali constantes faz prova a seu favor desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 264 7 Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010). No presente caso a Embargante apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com valor igual a R$0,00, fls. 9294, de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada referente ao fato gerador ocorrido no mês de abril do anocalendário de 2005. Contudo pelos demais elementos de prova que instruem os autos esta informação não pode ser corroborada. O Auto de Infração, por essas razões, está correto. Sobre a apresentação da DIPJ temse que o enunciado da Súmula CARF nº 33 dispões que A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. No Voto Condutor do Acórdão embargado está registrado: Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da entrega da DIPJ, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentadas após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Por esta razão, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício4. A DIPJ entregue pela Recorrente depois de cientificada do Termo de Intimação recebido em 25.07.2008, fls. 4748 não tem efeito jurídico sobre a exigência. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. Assim, essa matéria foi expressamente analisada no Acórdão embargado. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. Registrese que os embargos de declaração são recursos de saneamento. Pela análise dos autos se infere que na apreciação da prova, a autoridade judicante formou livremente sua convicção fundamentada aplicando o princípio da persuasão racional em relação aos elementos comprobatórios ali produzidos (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, foram observadas as formalidades essenciais processuais próprias do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões, da garantia dos direitos dos administrados foram regularmente cumpridos de acordo com o que está prescrito na legislação de regência (incisos LIV e LV do art. 5º e art. 93 da Constituição Federal e art. 2 º e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Portanto, a omissão e a contradição entre a decisão e os seus fundamentos estão supridas com os exaustivos fundamentos jurídicos explicitados. Em assim sucedendo, voto por conhecer e acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela Recorrente, e reratificar o decidido no Acórdão nº 180100.772 proferido por este colegiado em sessão realizada em 22 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12898.000502/201042 Acórdão n.º 1801001.684 S1TE01 Fl. 265 8 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13702.000641/97-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 02/06/1992 a 21/08/1997
OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório reverte-se em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação.
IPI. SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO
Descumpridas as condições para a suspensão do IPI, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível.
MULTA DE OFÍCIO. PRESENÇA DE MAIS DE UMA CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A teor do disposto no art. 45 da Lei 4.502/64, aplicável retroativamente nos termos do art. 106 do CTN, comprovada a presença de fraude e conluio, a multa de ofício deve ser lançada no percentual de 300% do imposto não destacado nem recolhido, descabendo reduzi-la para 225%.
Numero da decisão: 3401-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Maques Cleto Duarte, que davam provimento parcial para reduzir a multa para o percentual de 75%. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 02/06/1992 a 21/08/1997 OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório revertese em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que as entradas financeiras constantes de sua movimentação bancária não se configuram como receita para fins de tributação. IPI. SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO Descumpridas as condições para a suspensão do IPI, o imposto tornarseá imediatamente exigível. MULTA DE OFÍCIO. PRESENÇA DE MAIS DE UMA CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A teor do disposto no art. 45 da Lei 4.502/64, aplicável retroativamente nos termos do art. 106 do CTN, comprovada a presença de fraude e conluio, a multa de ofício deve ser lançada no percentual de 300% do imposto não destacado nem recolhido, descabendo reduzila para 225%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Maques Cleto Duarte, que davam provimento parcial para reduzir a multa para o percentual de 75%. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 2. 00 06 41 /9 7- 69 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 6 3 Relatório Contra a contribuinte identificada acima, foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/23, para a exigência da importância de 42.242.292,66 UFIR decorrente do descumprimento de obrigação acessória e acréscimos legais, sendo constatada no procedimento fiscal as seguintes irregularidades: a) Omissão de receita na saída de produtos tributados através de notas fiscais sem o lançamento do IPI ou com utilização indevida do instituto da suspensão do imposto, conforme descrição dos fatos constante no item 2 do AI à fl. 13; b) Infração prevista no art. 365, II, do RIPI/82, pela emissão e pelo recebimento das notas fiscais de venda e de remessa a diversos títulos, com suspensão ou sem o destaque do imposto de produtos tributados pelo IPI, sendo todas sem a data da saída dos produtos; c) Recebimento de nota fiscal em desacordo com o art. 173 do RIPI/82. O AI descreve que o estabelecimento recebeu de sua filial e de sua interdependente Centrinel S.A, os produtos constantes das notas fiscais relacionadas na Planilha CENTRI51.XLS através de notas fiscais consideradas inidôneas para efeitos fiscais, com insuficiência , ou sem destaque do IPI, sem observar as exigências contidas no art. 173 do RIPI; d) Omissão de receita decorrente da presunção de venda sem nota fiscal de produtos tributados recebidos através de notas fiscais de remessas a diversos títulos, que não foram propriamente inventariados nem contabilizados, com apenas registro no Livro de Entrada. A fiscalização entendeu que as referidas notas fiscais são inidôneas, por estarem sem data de saída dos produtos, com inversão do ônus da prova, passando tais documentos a fazerem prova a favor do Fisco e presumiu a omissão de receitas e intuito de fraude. Em razão destas constatações a fiscalização lavrou auto de infração, exigindo o tributo devido, no valor de 478.924,09 UFIR e as seguintes penalidades: a) Juros de mora no total de 105.398,14 UFIR; b) Multa de 600% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, decorrente da multa básica prevista no art. 364, III do RIPI/82, com o percentual de 300% fixado pelo art. 32 da Lei 82.18/91, agravada Fl. 505DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 em 100% em função da constatação de mais uma circunstância qualificativa, de acordo com o estabelecido nos arts. 352,II e 351, §2o, do RIPI/82; c) A mesma multa do item acima cobrada pelo recebimento de nota fiscal em desacordo com o que preceitua o art. 173 do RIPI/82, em decorrência do estabelecido no art. 368 do RIPI/82; d) Multa de 100% do valor comercial das mercadorias das notas fiscais inidôneas que recebeu e emitiu, em razão da emissão e pelo recebimento das notas fiscais de venda e de remessa a diversos títulos, com suspensão ou sem o destaque do imposto de produtos tributados pelo IPI. Em consonância com o art. 365,II do RIPI/82. DA IMPUGNAÇÃO Notificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 243/262), requerendo ao final o julgamento conjunto do presente PAF com os 13702.000701/9527 e 13702.000700/9564, e a anulação dos Autos de Infração lavrados contra si. DO JULGAMENTO NA DRJ A DRJ no Rio de Janeiro, deu provimento parcial à impugnação, mantendo parte do lançamento, para excluir o montante de 37.345.697,94 UFIR a título de multa regulamentar e 2.156.136,24 UFIR, relativos à alteração do percentual da multa de ofício (retroatividade benigna do art. 106, II, “c”, do CTN para aplicação da multa de 300% do art. 45 da Lei 9.430/96). Eis a ementa do julgado: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS OMISSÃO DE RECEITA. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DE SUSPENSÃO. Presumida na data da emissão fiscal de produto tributado com utilização indevida da suspensão (art. 36, II e II do RIPI/82). OMISSÃO DE RECEITA. VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. Presumida na data do registro do Livro de Entrada de nota fiscal de produto tributado que não foi corretamente inventariado nem contabilizado (art. 343 do RIPI/82) MULTA DO ART. 364,III, C/C OS ARTS. 352,II E 351, §2O,TODOS DO RIPI/82. Sujeição em caso de saída de produto tributado sem o lançamento e/ou recolhimento do respectivo imposto mediante mais de uma circunstância qualificativa. MULTA DO ART. 365,CAPUT E INC II DO RIPI/82. Incompatível em caso de se acatar a efetividade da saída do produto, descrito na nota fiscal, do estabelecimento emitente. ART. 368 C/C OS ARTS. 173; 364,III; 352 II E 351, §2, TODOS DO RIPI/82. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 7 5 A essência do conluio é ideologicamente incompatível com a da denúncia da nota fiscal pelo estabelecimento recebedor. MULTA – ABRANDAMENTO – LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE A lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (art. 106, II, “c” da Lei 5.172/66CTN) LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Cumpre, ainda, esclarecer que desta decisão houve recurso de ofício para o 2o Conselho de Contribuintes, com decisão unânime no sentido de negarlhe provimento e manter, na íntegra, a decisão proferida pela DRJ/RJ (PAF 13702.000702/9590). O referido recurso foi interposto, conforme cópia acostada nas fls. 442/452, oriundo do processo 13702.000702/9590, no qual houve julgamento de parcial procedência pela DRJ/RJ/Sepin n. 32/97. A partir da parcial procedência e considerando valor do crédito exonerado houve recurso de ofício, que foi julgado pelo Conselho. Porém, importante destacar que apenas o Recurso de Ofício foi julgado, não tendo o então Segundo Conselho de Contribuintes se manifestado acerca daquele recurso apresentado pelo contribuinte. Apesar de constar no processo o acórdão proferido pelo segundo conselho de contribuintes, este julgador buscou no sítio eletrônico do CARF, o acórdão proferido que foi ementado da seguinte forma: IPI – Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82, quando a autuação dá como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível a multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retroação benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. Recurso de ofício negado. Estando o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte pendente de análise, passamos a narrar os argumentos apresentados nos autos: DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a autuada apresenta recurso voluntário em fls. 442/452, pleiteando ao final pela reforma do julgado atacado e exoneração do débito. Os argumentos que se utiliza para tanto são, em síntese, os seguintes: a) Toda a presunção de sonegação encontrase baseada na inexistência de data de saída da maioria das notas fiscais emitidas; b) Em resumo, se aceita as notas fiscais para presumirse omissão de receita, porém, determinase que estas mesmas notas são imprestáveis para comprovar a Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 remessa regular de camisas para tratamento térmico da Centrifugal para a Centrinel e o respectivo retorno da Centrinel para a Centrifugal das mesmas camisas. Entende a Recorrente que a solução para o caso seria considerar a data da emissão da nova nota fiscal como data de saída; c) O art. 252, I do RIPI/82 não autoriza reputar como inidônea a nota fiscal que não contiver apenas o requisito exigido no inc. VII do art. 242 do RIPI/82 e sim a que não observar os outros também; d) Nenhuma prova material foi produzida, preferindo a decisão prestigiar o caminho fácil e ilegítimo adotado pela fiscalização da inversão do ônus da prova, violentando expressa disposição legal (art. 223, §2o do RIR/94) aplicável à espécie, em razão do critério técnico que deveria ter presidido o levantamento físico e quantitativo de estoques iniciais e fiscais conciliados com a movimentação de mercadorias em cada ano; e) No direito tributário o ônus da prova recai sobre o Fisco e essa regra somente será excepcionada pela via de presunção quando a lei expressamente autorizar, o que não se observa neste caso; f) Tais operações não são passíveis de registro no Livro Diário, pois possuem natureza puramente fiscal. As operações em comento não deveriam ter sido objeto de lançamentos contábeis pois possuem repercussão meramente fiscal, ou seja, devem ser registradas nos Livros de Entrada e Saída e se fazer acompanhar das respectivas notas fiscais, o que efetivamente ocorreu; g) Nas operações para guarda e retorno a recorrente debitouse do IPI, lançandoos no RAIPI para os devidos efeitos legais; h) O art. 46 da Lei 9.430/96 determina que a multa de que trata o art. 80 da Lei 4.502/64 é de 250% e não de 300% como aplicou os julgadores da DRJ/RJ. É o breve relato do necessário. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira Ângela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia quanto à ocorrência ou não de omissão de receita na saída de produtos tributados, tendo em vista que a ora recorrente teria efetuado vendas através de notas fiscais sem o lançamento do IPI, bem como, se utilizado indevidamente do instituto da suspensão do IPI. Foram juntadas aos autos cópias de notas fiscais emitidas no período em apuração (fls. 122/148), cálculo do estoque (fls. 149/168), assim como as Planilhas de fls. 169/237 que demonstram a emissão e o recebimento de inúmeras notas fiscais irregulares pela ora Recorrente. Para embasar a lavratura do auto, bem como para instruir o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais, foram apreendidas diversas notas fiscais registradas no Livro de Entrada (fls. 90/92, 101/102, 113/118), bem como o próprio Livro de Entrada e de Saída (fl. 100). Dos documentos que o contribuinte anexou, por ocasião do contraditório, é pertinente mencionar a cópia das notas fiscais de fls. 294/301, emitidas pela CENTRINEL S.A. DA VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL E DA OMISSÃO DE RECEITAS É fato gerador do Imposto Sobre Produtos Industrializados –IPI a saída de produto industrializado do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, consoante o art. 29, II do RIPI/82. O IPI é tributo que tanto se sujeita ao lançamento de ofício quanto por homologação, sendo este último o ato por meio do qual o contribuinte procede à verificação da ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e efetua o pagamento no prazo estabelecido em lei, cabendo ao Fisco apenas a conferência da apuração e do pagamento realizados, sendo esta a modalidade mais comum. Pertinente mencionar que o IPI é devido no momento em que o produto sai do estabelecimento industrial ou a ele equiparado, devendo ser lançado pelo contribuinte através da nota fiscal de venda (art. 55, I, “b” e II, “c”, ambos do RIPI/82). Neste contexto, depreendese da leitura dos autos que nos anos de 1992 a 1994, a ora recorrente, emitiu juntamente com seu estabelecimento filial e CENTRINEL S.A inúmeras notas fiscais, informando algumas operações de venda, e nas demais “remessa”, “para industrialização”, “simbólica”, “para guarda”, “de devolução”, “para efeito de transporte”, “de retorno de industrialização”, “de retorno simbólico” e a título de “simples remessa”, conforme se observa das notas fiscais de fls. 122/ 130 e planilha CENTRI41.XLS (fls. 189/225). Fl. 509DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 A fiscalização relata, ainda, que todas as notas fiscais anotadas como sendo de “remessa”, a diversos títulos, não foram objeto de quaisquer lançamentos contábeis, nos anos calendários de 1993 e 1994, e somente foram contabilizadas, em parte, no ano calendário de 1992. Apesar de encontraremse, em sua totalidade, e em todos os períodos apontados, registradas nos Livros de Saída, dos estabelecimentos emitentes; de Entrada, dos estabelecimentos destinatários; e no RAIPI de ambos, embora, em sua maior parte, como operações sem débito do imposto. Preceitua o art. 242 do RIPI/82 que a nota fiscal conterá: Art. 242 A Nota Fiscal conterá: I a denominação "Nota Fiscal"; II o numero de ordem, serie, subserie e numero da via; III a natureza da operação de que decorrer a saída (venda, transferência, conserto, devolução, consignação, remessa para fins de demonstração, de industrialização ou qualquer outro, locação, doação e outras saídas); IV a data da emissão; V o nome, endereço e números de inscrição, do estabelecimento emitente, no Cadastro Geral de Contribuintes e no Fisco estadual, podendo constar o endereço de mais de um estabelecimento, se for indicado, de forma destacada, o do estabelecimento que emitir a Nota; VI o nome, endereço e numero de inscrição, do estabelecimento destinatário, no Cadastro Geral de Contribuintes e no Fisco estadual, alem de outras indicações que venham a ser exigidas em atos normativos; VII a data da efetiva saída dos produtos; VIII a quantidade e discriminação dos produtos por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade, numero, se houver, e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; IX a classificação dos produtos por posição, suposição e item da Tabela (oito dígitos); X os valores, unitário e total, dos produtos, e o valor total da operação; XI a alíquota e o valor do imposto, quando for o caso, sendo permitido um único calculo do imposto pelo valor total, se os produtos forem de uma mesma posição, suposição e item; XII o valor tributável, quando diferente do valor da operação, e o preço de venda no varejo ou no atacado, quando a ele estiver subordinado o calculo do imposto; XIII o nome e endereço do transportador, e o numero da placa do veiculo condutor; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 9 9 XIV a forma de acondicionamento dos produtos, bem como a marca, numeração, quantidade, espécie e peso, liquido e bruto, dos volumes; XV o nome, endereço e números de inscrição, do impressor da Nota, no Cadastro Geral de Contribuintes e no fisco estadual, a data da impressão, a quantidade de Notas impressas, o numero de ordem da primeira e da ultima Nota e respectiva serie e subserie, e o numero da autorização para impressão; XVI outros elementos de interesse do emitente, que não prejudiquem a clareza do documento; XVII o Código Fiscal de Operações, anexo a este Regulamento. Sabendo que o fato gerador do IPI ocorre quando da saída do produto do imposto do estabelecimento industrial ou equiparado, a informação da efetiva saída dos produtos na nota fiscal se mostra elemento verdadeiramente essencial do documento para a apuração e lançamento do tributo. No entanto, percebase que a data da saída da mercadoria é o único item que não está de acordo com o disposto no artigo antecedente. O § 4º, do artigo 277 do RIPI/82, dispõe acerca da ausência de data de saída no documento fiscal, ou seja, considerarseá a data da emissão da nota fiscal como data da saída, in verbis: Art. 277 .... §4º Quando se verificar, à vista da via conservada no talonário ou na sanfona, ou da cópia feita no livro Copiador, que a Nota Fiscal não contém a data de saída dos produtos, considerarseá, para efeito de ocorrência do fato gerador , que a saída se realizou no dia da emissão da Nota, sem prejuízo do disposto no artigo 252" (grifos nossos) Portanto, este fato por si só não caracteriza intuito de dolo, fraude, ou qualquer outro ato ilícito de que se possa cogitar, o que seria mero descumprimento de obrigação acessória. Conforme entende o recorrente, no entanto, o descumprimento não se esgota nesse ponto. Caracterizase omissão de receita todo o procedimento realizado pela empresa que importe em venda de mercadorias e prestação de serviços, assim como, operações de pagamentos das obrigações e manutenção da atividade quando o contribuinte não apresente o registro contábil nem documentação hábil e idônea que dê suporte a estas operações. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica, consoante estabelece o art. 41 e seus parágrafos, do RIR/82. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Há de se destacar o fato de que além de emitir centenas de notas fiscais de remessa com sua filial e CENTRINEL S.A sem a efetiva data de saída do produto, a CENTRIFUGAL nunca foram contabilizadas e inventariadas corretamente. Por tal razão tais documentos fiscais fazem prova contra a contribuinte, que em momento algum conseguiu infirmar as alegações fiscais. A presunção de omissão de receitas se deu na data da emissão das notas fiscais, assim como pelo seu valor declarado, nas notas fiscais de "remessa", no estabelecimento fiscalizado ser seu emitente, e na data do seu registro no Livro de Entrada, quando destinatário, do que resulta, consequentemente, a venda, de um para o outro estabelecimento da outra empresa, das mercadorias sem emissão da correspondente Nota Fiscal de Venda e, portanto, sem o destaque do IPI devido. Cumpre, ainda, esclarecer que o contribuinte foi intimado inúmeras vezes para: · Apresentar os documentos que provassem a efetividade das operações anotadas nas referidas notas de “remessa”; · Apresentar o controle permanente de estoque; · Apresentar o Registro de Inventário das mercadorias discriminadas nas referidas notas fiscais; · Comprovar o efetivo reingresso e reincorporação ao estoque dos produtos apontados nas notas fiscais de “remessa”; · Informar em que páginas do Livro Diário encontravamse efetuados os lançamentos contábeis das referidas notas; Contudo, apesar de intimada, em todas as ocasiões a autuada quedouse inerte. Do exame do conjunto probatório percebese que a fiscalização logrou em demonstrar a existência de fortes indícios que apontam para omissão de receitas nos anos de 1992 a 1994. A presunção deferida pela lei pode ser elidida por prova apresentada pelo contribuinte. No entanto, o ônus probatório invertese em favor da Administração Tributária, competindo ao contribuinte provar que tais operações não foram realizadas ao arrepio da lei.1 É bem verdade que a autuada apresentou por ocasião do contraditório, as notas fiscais de fls. 276, 278, 291 e 293/301, mas que também não comprovam o alegado por estarem despidas das formalidades legais. DO USO INDEVIDO DA SUSPENSÇÃO DO IPI Em que pese o usufruto indevido da suspensão do IPI, eis o que relata o auditor fiscal no auto de infração impugnado: 1 Processo 15504.002550/201121. Acórdão 1401000.861. 1ª SJ/ 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Julgado em 12/09/2012. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 10 11 O estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributado sem lançamento do IPI, através de diversas Notas Fiscais, apontadas na Planilha CENTRI41.XLS em anexo, sem que delas constasse a data da efetiva saída dos produtos e, por isso mesmo, reputadas inidôneas neste Auto de Infração, por força das disposições contidas no inciso I, do art. 252, combinado com o inciso VII do art. 242, ambos do RIPI/82, e utilizandose indevidamente do instituto da suspensão do imposto, ou em alguns casos, qualquer modo, com insuficiência do IPI devido. E assim o é, porque, frente a regra contida no caput do referido art. 252, os documentos fiscais considerados inidôneos prestam se, apensas de prova em favor do Fisco. Por outro lado, o fato gerador do imposto é a saída do produto do estabelecimento industrial ou equiparado (art. 29, II, do RIPI/82), sendo devido o imposto independentemente da finalidade do produto e do título jurídico da operação (art. 32 do RIPI/82) Ainda assim não fosse, em alguns casos, o estabelecimento não poderia mesmo terse utilizado do INSTITUTO DA SUSPENSÃO DO IPI EM OPERAÇÕES COMO AS DE “REMESSA PARA GUARDA EM ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL DE INTERDEPENDENTE”; NEM AS DE VENDA, TAMBÉM PARA INTERDEPENDENTE E PARA O MERCADO INTERNO, DE MATÉRIAS PRIMAS ADQUIRIDAS PARA USO PRÓPRIO; MUITO MENOS AS DE SAÍDA DE MERCADORIAS SEM QUALQUER ESPECIFICAÇÃO DE SUA NATUREZA, eis que tal instituto da SUSPENSÃO do imposto não agasalha operações dessa natureza. As hipóteses de saída do produto com suspensão do IPI estão previstas no art. 36 do RIPI/82. Destaco as situações dos dois incisos iniciais posto que são pertinentes para o deslinde da controvérsia: Art. 36 Poderão sair com suspensão do imposto: I as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados a industrialização, desde que os produtos industrializados devam ser enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos (Lei nº 4502/64, Art. 5º, II, "a"); II os produtos que, industrializados na forma do inciso anterior, forem remetidos ao estabelecimento de origem, desde que por este sejam destinados a comercio, a emprego como matériaprima ou produto intermediário em nova industrialização, ou a emprego no acondicionamento de produto tributado, e o executor da encomenda não tenha utilizado, na respectiva operação, produtos tributados de sua industrialização ou importação (Lei nº 4502/64, Art. 5º, II, "b"); Como já se relatou, a autuada emitiu inúmeras notas fiscais com suspensão de IPI ao amparo do art. 36, I e II do RIPI/82, em alguns casos, com falta ou insuficiência do IPI Fl. 513DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 devido, para a sua interdependente CENTRINEL S.A e sua filial, nos anos de 1992 a 1994, nos quais a natureza da operação informada foi de “simples remessa”, “para industrialização, “simbólica’, “para guarda”, “devolução”, “para efeito de transporte”, “de retorno de industrialização”, “de retorno de guarda”, “de retorno simbólico” e “simples remessa”. Outrossim, a autuada recebeu inúmeras outras notas fiscais com suspensão de IPI da CENTRINEL S.A e sua filial, no mesmo período de apuração, todas “de remessa” a diversos títulos, como “simples remessa p/ guarda”, “simples remessa”, “remessa p/ industrialização”, “para efeito de transporte” e algumas não especificadas, pelo que se observa da planilha CENTRI51.XLS (226/237). Como se não bastasse, a fiscalização não encontrou a escrituração desses produtos no Livro Registro de Inventário da empresa, nem das demais envolvidas nessas operações. Do excerto transcrito acima, percebese que é condição para o usufruto da suspensão que os produtos remetidos retornem ao estabelecimento de origem. O Livro de Registro de Inventário destinase a arrolar, pelos seus valores e com especificações que permitam sua perfeita identificação, as MP, PI, ME, produtos acabados e produtos em fase de fabricação existentes em cada estabelecimento à época do balanço da firma. Deverão ser separadamente arrolados as MP, PI, ME e produtos manufaturados pertencentes ao estabelecimento, em poder de terceiros, assim como, aquelas, os produtos acabados e produtos em fabricação, de terceiros, em poder do estabelecimento. Não merece guarida o argumento do sujeito passivo de que as operações em comento não deveriam ter sido objeto de lançamentos contábeis por possuírem repercussão meramente fiscal, porquanto o Livro de Registro de Inventário é de uso obrigatório inclusive para a contabilidade, sendo imprescindível para o cálculo do lucro da empresa, controle fiscal e aferimento da ocorrência de ilícitos tributários. O art. 111, I, do Código Tributário Nacional preceitua que deverá ser interpretada de forma literal a legislação tributária que disponha sobre suspensão de crédito tributário. Não satisfeitas as condições para a suspensão do IPI, o imposto será imediatamente exigível. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Outro ponto objeto de impugnação pelo sujeito passivo foi a multa reduzida pela DRJ de 600% sobre o imposto não destacado, prevista no art. 368 c/c art. 364,III, 352, II e 351, todas do RIPI/82, para 300% em virtude da alteração do percentual básico estabelecido no art. 45 da Lei 9.430/96, em função do art. 106,II, “c” do CTN que permite a retroatividade benigna da lei quando cominar penalidade mais branda. O contribuinte requereu a redução da multa de ofício para 225%, com fulcro no art. 46 da Lei 9.430/96. Neste ponto, entendo que a decisão recorrida deve ser reparada. O art. 364 do RIPI/68 determina que a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, ou a falta de recolhimento do imposto lançado Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13702.000641/9769 Acórdão n.º 3401002.314 S3C4T1 Fl. 11 13 nesta, porém não declarado ao órgão arrecadador, no prazo legal e na forma prevista no regulamento do IPI, sujeitará o contribuinte à multa de ofício. Por sua vez, o inciso III daquele mesmo dispositivo, permitia o agravamento da multa, constatada infração qualificada, qual seja, a existência de fraude, conluio ou sonegação. Da leitura da descrição dos fatos e enquadramentos legais do auto de infração, bem como compulsando as provas acostadas pela fiscalização, percebese que o auditor logrou êxito em comprovar de forma clara e cristalina a emissão irregular de notas fiscais e o usufruto indevido da suspensão do IPI por parte da ora Recorrente. Conforme se observa, os demais fatos narrados no auto de infração, apesar de graves, encontramse despidos de lastro probatório aptos a convencer este julgador da realização de operações por parte da autuada com o dolo específico de fraudar ou sonegar à tributação. Não consta nenhum documento fraudulento, notas frias, notas calçadas, mas tão somente notas fiscais que fazem provas contra o contribuinte por não destacar o imposto devido. Importante ressaltar que a presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a incidência da multa de ofício qualificada: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Posto isto, entendo descabida a imposição da multa de ofício agravada e sou pela sua exclusão, impondose a multa do art. 80, caput, da Lei 4502/64 , no percentual de 75%, pela falta de lançamento do valor do IPI na respectiva nota fiscal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, lhe dar provimento parcial, reduzindo a multa de ofício de 300% para 75% com fulcro no art. 80, caput, da Lei 4502/64, pela falta de lançamento do valor do IPI devido na respectiva nota fiscal. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 Dissentiu a Câmara, pelo voto de qualidade, da proposta da i. relatora no sentido de reduzir o percentual da multa aplicada para 75%. Tendo sido minhas as razões que os demais acolheram, designeime para redigir o voto vencedor. Primeiramente, é imperioso repisar que o próprio contribuinte não postulara tal redução, como, aliás, aponta a n. relatora em seu voto. Conforme está ali registrado, o pleito do contribuinte era pela redução para o percentual de 225%, o que, implicitamente, indica o reconhecimento da ocorrência de ao menos uma circunstância qualificativa. E assim de fato o é, porquanto não se pode concordar com a afirmação da dra. Ângela de que não há nos autos qualquer documento fraudado. A essa conclusão só se poderia chegar se houvéssemos afastado –e nem mesmo ela o propôs – a acusação fiscal de que as mercadorias não saíram do estabelecimento como consta nas inúmeras notas fiscais glosadas pela fiscalização. Uma vez, porém, admitido que as notas retratam operações inexistentes, não há outro qualificativo que se lhes possa apor: tratandose de documentos maculados por falsidade ideológica, a eles só se pode chamar mesmo de documentos fraudulentos. E se de fraude se trata, inafastável o comando do art. 72 da Lei 4.502, o que, por si só, já eleva o percentual da multa para 150%. Mesmo assim, ainda caberia analisar a postulação do contribuinte, dado que o percentual de 225% também se destina às infrações qualificadas. Ocorre que a ele somente se chega pela aposição do agravamento previsto inicialmente no art. 80 da Lei 4.502 e convalidado no art. 45 da Lei 9.430/96. Mas tal circunstância não foi cogitada pela fiscalização, valendo aqui relembrar que à época do lançamento a multa na presença de uma única circunstância qualificativa já era de 300%, passando a 600% quando mais de uma qualificativa se fazia presente. A acusação fiscal, com efeito, é de que ocorreram fraude e conluio. A existência do conluio é, pois, o ponto. E o colegiado entendeuo presente especialmente diante do quanto já decidido em primeira instância. Deveras, a DRJ afastou a multa de valor igual ao da mercadoria, previsto para a hipótese de nota fria, sob o argumento de que ela seria incompatível com a figura do conluio. Embora questionável esse posicionamento, parecendonos melhor manter aquela e afastar o conluio, fato é que a decisão da DRJ se tornara definitiva, e afastar a segunda qualificativa implicaria equiparar a situação do contribuinte à daquele que, “meramente” cometeu fraude documental, quando em verdade ele dela se aproveitou em duplicidade. Com essas considerações, o colegiado manteve a multa lançada no percentual já reduzido pela DRJ, isto é, em 300%, sendo esta a parte do acórdão que assumi redigir. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator designado. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/10/2 013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11080.905516/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que deram provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente em exercício e Redator designado
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e os Suplentes Paulo Guilherme Deroulede e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Relator e a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que deram provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício e Redator designado (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e os Suplentes Paulo Guilherme Deroulede e Adriana Oliveira e Ribeiro. RELATÓRIO Trata o presente PER/DCOMP transmitida em 12.11.2004 para realizar a compensação de crédito no valor de R$ 7.645,29, proveniente de IPI recolhido a maior em 10.05.2004. O despacho decisório, emitido em 18.07.2008 e anexo à fl. 01, indeferiu a compensação almejada, sob a justificativa de que o DARF informado em PER/DCOMP foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 05 51 6/ 20 08 -8 1 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11080.905516/200881 Resolução nº 3803000.265 S3TE03 Fl. 481 2 utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pleiteada. Em sua Manifestação de Inconformidade às fls.10/16, o contribuinte afirmou que em 13.08.2004 apresentou DCTF original anexa às fls. 29/100, preenchida com valor de IPI equivocado de R$ 14.297,77, em função de erro material e depois em 22.08.2005, apresentou DCTF retificadora às fls.102/248, referente ao 2º trimestre/2004, informada com valor correto de R$ 6.652,48. Destaca que o valor de R$ 7.645,29, representa a importância recolhida a maior a título de IPI, já que é a diferença entre o valor informado equivocadamente de R$ 14.297,77 e o valor correto do débito do imposto é somente R$ 6.652,48. Citou decisões exaradas pelo CARF com o objetivo de fundamentar o seu direito, alega ser possível corrigir erro de fato, ainda que a retificação da DCTF ocorra após o despacho decisório, consoante dispõe o art. 149, IV do CTN. Já às fls. 252/253 foi anexado Acórdão nº 1034.636 da 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre, denegatório do pedido formulado com fundamento em que a simples alegação de recolhimento a maior de tributo, declarado em DCTF, ainda que posteriormente retificada, não é suficiente para atestar a veracidade dessa afirmação, pois é necessária a apresentação de documentos que comprovem o erro no preenchimento da declaração. Os julgadores “a quo” afirmam que o contribuinte apenas juntou as DCTFs originais e as retificadoras referentes ao 2º trimestre/2004 e falhou na instrução probatória para demonstrar o erro formal alegado. Neste sentido, a DRJ lembra que a DCTF tem caráter de confissão de dívida e por isso a sua retificação somente é admitida com a apresentação de documentos contábeis comprobatórios. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário repisando as alegações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e ainda destacou que no IRPJ informado nas DCTFs originais, referentes ao 2º trimestre/2004, foi apurado no valor de R$ 14.297,77, enquanto que o correto era R$ 6.652,48, conforme informado em DCTF retificadora apresentada em 22.08.2008, cuja diferença no valor de R$ 7.645,29, perfaz o crédito informado em PER/DCOMP. Cumpre informar que o DARF no valor de R$ 14.297,77, recolhido em 10.05.2004, consta anexo no Documento 2. O contribuinte apresentou apenas em seu recurso, Livro Razão relativo a abril/2004 e Livro de Registro de IPI e Notas Fiscais do período, respectivamente no Documento 03, 06 e 07. Afirma que no Livro Razão do período de abril/2004, anexo no Documento 03, está demonstrado o lançamento do débito de IPI no valor de R$ 6.652,29, bem como no Livro de Registro de IPI, juntado no Documento 06. Destaca que também é possível verificar o valor do débito no saldo anterior referente ao IPI escriturado na 1ª quinzena de maio/2004. Esclarece que no Livro Razão anexo no Documento 5, consta o lançamento do valor de R$ 14.297,77, recolhido indevidamente a título de IPI. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11080.905516/200881 Resolução nº 3803000.265 S3TE03 Fl. 482 3 Explica que às fls. 22/24 do Livro de Registro de Apuração do IPI relativo à 2ª quinzena de abril/2004, anexo no Documento 06, é possível verificar o débito do imposto no valor de R$ 6.652,48, que por sua vez é originário da apuração do crédito no valor de R$ 3.907,98, em contraposição ao débito de R$ 10.560,46. Esclarece ainda que as notas fiscais de entrada do período, juntadas aos autos, originam o crédito de R$ 3.907,98. O contribuinte colaciona aos autos decisões do CARF para demonstrar que é possível a comprovação do erro no preenchimento da DCTF, ainda que posteriormente ao despacho decisório, com fulcro no princípio da verdade material. Ao final, requer a reforma da decisão e a homologação do pedido de compensação informado em DCTF retificadora. É o relatório. VOTO Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani Relator O recurso é tempestivo, atende às demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide em análise versa em saber se o contribuinte conseguiu ou não fazer prova a respeito do crédito no valor de R$ 7.645,29, proveniente de IPI recolhido a maior em 10.05.2004 Compulsando os autos, verificase que o recorrente não obteve êxito em eximirse do ônus probatório de seu direito no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, pois juntou somente no Recurso Voluntário a documentação contábil e fiscal necessária para comprovar a origem do crédito que insiste ter. Ao meu juízo, restou demonstrado no Recuso Voluntário o direito ao crédito no valor de R$ 7.645,29, principalmente quando se verifica dos lançamentos contidos no Livro Razão anexo, a apuração do IPI no valor de R$ 14.297,77, bem como no Livro de Apuração do IPI o débito correto do imposto no valor de R$ 6.652,48. Consequentemente, está devidamente demonstrado o recolhimento indevido R$ 14.297,77, realizado em 10.05.2004, por meio do DARF juntado aos autos. Ademais, retirase do princípio da verdade real que uma vez demonstrado o direito creditório, ainda que intempestivamente, por meio da apresentação de documentos contábeis e fiscais do período discutido, a Fazenda Nacional está obrigada a homologar o pedido de compensação formulado. Neste sentido é o posicionamento da jurisprudência do CARF, conforme se verifica do Acórdão nº 20402364 do Processo 10805001679/200212, julgado em 26.04.2007 pelo Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária: “COFINS. EQUIVOCO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. Erro no preenchimento de DCTF, devidamente comprovado por documentação contábil fiscal da contribuinte, não enseja cobrança de tributo indevido. Recurso Provido”. Deste modo, resta tão somente reconhecer o direito do contribuinte para que seja homologado o pedido de compensação informado em DCTF retificadora, tendo em vista ter Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 11080.905516/200881 Resolução nº 3803000.265 S3TE03 Fl. 483 4 sido comprovado o equívoco em seu preenchimento, por meio da juntada de Livro Razão, Livro de Apuração de IPI e Notas Fiscais do período. Diante do exposto,dou provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani VOTO VENCEDOR Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado Conforme acentuou o nobre Relator, a Recorrente trouxe aos autos registros e documentos contábeis e fiscais que acenam fortemente para a verossimilhança da sua alegação de existência de crédito de IPI decorrente de pagamento a maior no mês de abril, a convencer este Colegiado pelo acolhimento desses dados e inclinálo na direção do provimento do recurso. Porém, não antes, como entende a maioria, da manifestação da Delegacia de origem. Dessarte, com fundamento no art. 18, I, do Anexo II, do RI/CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre ateste a autenticidade dos registros contábeis/fiscais (Razão e LRAIPI), no cotejo com os originais, e, à vista destes e respaldado, se necessário, nas notas fiscais presentes, confirme o correto valor do IPI de abril de 2004 apurado pela Contribuinte em R$ 6.652,48. Após a verificação, dêse ciência à Interessada para que se manifeste no prazo 30 dias, conforme dispõe o art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 2011, retornando, em seguida, estes autos para o CARF. É como voto. Sala das sessões, 23 de abril de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 13706.002772/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROVA DE PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A comprovação do pagamento dos tributos confessados em DCTF, efetuados dentro do prazo legal, extingue o crédito tributário.
Numero da decisão: 1302-001.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A comprovação do pagamento dos tributos confessados em DCTF, efetuados dentro do prazo legal, extingue o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matozinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 27 72 /2 00 3- 31 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Relatório Versa o presente processo sobre auto de infração de IRPJ no valor de R$ 2.803.832,61, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, juros pagos a menor de R$ 4.424,51, e multa isolada de R$ 331,838,54, relativas aos 2º, 3º e 4º trimestres de 1998. Cientificada do lançamento a autuada apresentou impugnação acompanhada dos documentos de fls. 6 a 57, alegando que o imposto já havia sido recolhido no prazo, conforme cópia dos DARF´s de fls. 46 à 57, e finalmente requer a anulação do auto. Foi feita uma Revisão de Ofício cancelando a multa isolada, em razão da aplicação do regime mais benéfico dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e mantendo os demais créditos. Cientificada a sucessora da interessada apresentou manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos de fls. 109 a 135, reafirmando que recolheu os tributos antes de seu vencimento. Alega ainda cerceamento de direito de defesa, pelo indeferimento da perícia contábil, por não ter tido acesso aos autos antes do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, bem como da inobservância do devido processo legal. A 5ª Turma da DRJ/RJ1, pelo acórdão de nº 1249.713, por maioria de votos julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo a cobrança relativa aos juros de mora no montante de R$ 4.424,51 e recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 NULIDADE. PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia, sem indicação dos quesitos a serem respondidos, bem como do nome, endereço e qualificação profissional do perito. A não apreciação de pedido de perícia, nestes casos, não importa em nulidade, por cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VISTA DOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. Não incorre em nulidade a revisão de lançamento, efetuada após a impugnação, e que manteve em parte os créditos tributários previamente lançados, cujo processo não foi dada vistas ao contribuinte após a ciência da decisão que revisou a autuação, uma vez que não há prejuízo para defesa do autuado, realizada com a impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 AUDITORIA INTERNA DE DCTF. PROVA DO PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A comprovação do pagamento dos tributos confessados em DCT efetuados dentro do prazo legal, impõe o reconhecimento da extinção dos créditos tributários e a improcedência da autuação por falta de pagamento do imposto. PAGAMENTO COM ATRASO. ESTIMATIVA. LANÇAMENTO APÓS O TERMINO DO ANOCALENDÁRIO. JUROS. CABIMENTO. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 13706.002772/200331 Acórdão n.º 1302001.158 S1C3T2 Fl. 237 3 Cabe o lançamento de juros, efetuado após o término do anocalendário, por eventual pagamento com atraso de imposto incidente sobre base de cálculo estimada, com base no artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Intimada em 22/11/12, a autuada recolheu o saldo mantido pela DRJ e não apresentou recurso voluntário. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese observar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, que obriga aos Presidentes de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) a recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00. No caso em tela, ao somar os valores correspondentes aos tributos e multa exonerados em primeira instância, se verifica que superaram o limite de um milhão de reais estabelecido pela norma referência, portanto, é cabível o recurso de ofício e dele conheço. Em impugnação a interessada alegou que já efetuara o pagamento dos débitos confessados em suas DCTF´s de 1998 e apresentou como prova os Darf´s dos respectivos períodos de apuração, devidamente autenticados. Ressaltase que a autuada, por erro, transmitiu declaração complementar, relativamente aos 2º e 4º trimestres, quando deveria ter transmitido declaração retificadora. A declaração em duplicidade foi considerada nova dívida, e, portanto, a DRJ, corretamente extinguiu os créditos tributários. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 14033.000674/2010-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2425; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 663 1 662 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.000674/201011 Recurso nº 14.033.000674201011Voluntário Resolução nº 2803000.191 – 3ª Turma Especial Data 17 de julho de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Outros eventos ocorridos: Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 67 4/ 20 10 -1 1 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.191 S2TE03 Fl. 664 2 Relatório Tratase de Recuso Voluntário apresentado pela contribuinte contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve o indeferimento ao Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestações de serviços (11% NFS), na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 07/2007. O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em 18/12/2009. Foi emitido o Despacho Decisório n. R60/SRFB/DRF/BSA, em 29/09/2010, com a decisão de não reconhecimento do direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado: a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2825, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 16,19%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. Dessa decisão monocrática, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, que também foi julgada improvida pela DRJ, pelos mesmos motivos. Do acórdão da DRJ, apresentou Recurso Voluntário, repetindo os argumentos da manifestação de inconformidade, nos seguintes termos reduzidos: durante o procedimento de fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente todas as solicitações realizadas pelo Fisco apresentando toda a documentação requerida, inclusive conciliando as informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando, assim, qualquer possibilidade de arguição de omissão, fraude ou simulação por parte da Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente de documentos solicitados pelo Fisco; os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente à situação fiscal, vez que em nenhum momento existiu, por parte do Fisco, solicitação de documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não foram apresentados; devese anular a decisão recorrida, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada; a não observância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização; a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as informações constantes nos documentos descaracterizados pelo Fisco são as mesmas que embasaram tal decisão acarretando um confronto de fundamentação (folha de pagamento, GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado); Fl. 665DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.191 S2TE03 Fl. 665 3 não obstante existirem valores retidos dos subcontratados, a Recorrente não utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09); Com o objetivo de cumprimento das normas de direito tributário que disciplinam sobre procedimento de restituição, bem como para afastar a possibilidade de agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição ora em apreço; a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada de massa salarial na verdade é apenas uma parcela dos proventos integrantes da folha de pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP, (iii) concluise que toda a sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0 são falhos, devendo toda e qualquer apuração através deste ser desconsiderada em sua totalidade; as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente recurso em razão da inaplicabilidade do instituto do arbitramento/aferição indireta, conforme restou comprovado, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório da recorrente e consequentemente deferindo o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados; quanto ao mérito, admitido em respeito ao princípio da eventualidade, seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições Previdenciárias, bem como às relativas à formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99 e, consequentemente, deferir o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados. na remota hipótese de não acolhimento dos requerimentos já realizados, seja dado provimento ao presente recurso em virtude da ilegitimidade dos fundamentos que sustentam o acórdão recorrido, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99; nos termos do art. 58, II do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, requer, desde já, seja reconhecido o direito da Recorrente de sustentar oralmente toda a fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso; requer a reunião dos processos de restituição, nos termos do art. 47 do Regimento Interno do CARF. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.191 S2TE03 Fl. 666 4 O contribuinte apresentou memoriais ratificando a impugnação e recurso voluntário. É o relatório. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.191 S2TE03 Fl. 667 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator O recurso voluntário é tempestivo, devendo ser conhecido. Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n. 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentouse na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n. 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do mesmo que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções prémoldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: Fl. 668DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.191 S2TE03 Fl. 668 6 A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Contudo, o presente caso demanda algumas particularidades, como se há realmente outro motivo para negativa ao pedido, pois nem sequer foi apontada falha ou irregularidade da documentação apresentada. Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de requisito (ex.: preenchimento incorreto de formulário, GFIP, etc) que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Tudo conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000674/201011 Resolução nº 2803000.191 S2TE03 Fl. 669 7 (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 670DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10920.001991/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/08/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA.
A simples indicação incorreta do endereço no auto de infração não é causa de nulidade do auto de infração, notadamente quando a cientificação do débito foi realizada pessoalmente.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da não integração ao Salário de Contribuição (SC) dos valores referentes a cartão de incentivo, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente
Mauro José Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. A simples indicação incorreta do endereço no auto de infração não é causa de nulidade do auto de infração, notadamente quando a cientificação do débito foi realizada pessoalmente. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, fazendo parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 19 91 /2 01 0- 08 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao recurso, no mérito, na questão da não integração ao Salário de Contribuição (SC) dos valores referentes a cartão de incentivo, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 123 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa KG MOTOS LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada referente ao lançamento de débito relativo ao período de 01/2006 a 08/2008. 2. Conforme consta do relatório fiscal a apuração de débito previdenciário se deu em decorrência do não recolhimento de contribuições previdenciárias, calculadas sobre as remunerações mensais de seus segurados empregados, e da ausência da declaração destas em GFIP’s: “1. Tratase de auto de infração – AI, lavrado contra a empresa acima, com a finalidade de se promover o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias dos segurados empregados, não descontadas, não recolhidas e não declaradas em guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP’s. 2. O presenta lançamento decorrente dos mesmos fatos e se fundamenta nos mesmos elementos de convicção apresentados no AI n.º 37.273.1902, que trata do lançamento das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, e constitui o processo principal.” (f. 15) 3. A ementa do acórdão recorrido restou lavrada nos termos que passo a transcrever: “AUTO DE INFRAÇÃO. ENDEREÇO INCORRETO. A simples indicação incorreta do endereço no auto de infração não é causa de nulidade do auto de infração, notadamente quando a cientificação do débito foi feito pessoalmente. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. REMUNERAÇÃO. CARTÕESPRÊMIO Os prêmios pagos de forma habitual e de cunho contraprestativo dos serviços prestados pelo trabalhador caracterizamse com remuneração devendo sofrer incidência de contribuição previdenciária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. As Delegacias Regionais de Julgamento não são competentes para se pronunciar acerca de Representações Fiscais para Fins Penais encaminhadas ao Ministério Público. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 79) 4. Em sede recursal, o contribuinte apresentou a mesma peça juntada no processo de n.º 10920001989201021, na qual teceu as seguintes considerações: a) preliminarmente, repete a argumentação trazida em sede de impugnação para defender a nulidade do auto de infração, tendo em vista que o endereço da sede da autuada está incorreto nos autos, o que caracterizaria vício formal; b) que é indevida a atribuição de responsabilidade tributária subsidiária aos sócios da empresa, motivo pelo qual devem ser excluídos da presente autuação todas as pessoas físicas, diretores, sócios e contadores relacionados no “Relatório de Vínculos”; c) no mérito, alega que o pagamento de prêmio não possui natureza jurídica de salário o que impede a incidência de contribuição previdenciária; d) não ocorreu o pagamento de premiação durante toda a contratualidade, mas sim durante determinados períodos, que serviram para o crescimento da empresa; e) os pagamentos realizados por intermédio do marketing de incentivo possui características próprias e distintas do conceito de remuneração previsto na legislação trabalhista, por se tratar de promessa de recompensa de natureza excepcional e que será facultativamente implementada pelo funcionário, por conseguinte sua natureza jurídica é indenizatória; f) a incompatibilidade entre a aplicação da multa de ofício cumulada com a incidência da taxa SELIC, pois não pode haver cobrança de juros sobre multa aplicada; g) não há que se falar em representação fiscal para fins penais, pois tal fato somente poderá ocorrer após proferida a decisão final na esfera administrativa; h) por fim, afirma que encontrase à disposição deste conselho para juntar demais documentos que façamse necessários. 5. Sem contrarrazões por parte do fisco. Os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 124 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Preliminarmente, aduz o contribuinte que o auto de infração deve ser considerado nulo, pois “o endereço da sede da Recorrente é essencial para dar força ao ato administrativo combatido, e seu incorreto preenchimento é fatos de nulidade absoluta da autuação”. 3. E não obstante o bom arrazoado trazido pela empresa, entendo que razão não lhe assiste. Isso porque o documento fiscal, na forma em que foi constituído, atingiu sua finalidade essencial, qual seja, dar ciência ao contribuinte da atuação do fisco, que, inclusive, apresentou sua impugnação tempestivamente. Destaquese que o contribuinte recebeu pessoalmente os documentos relativos ao débito, de maneira que o erro no endereço da empresa não vicia o procedimento perfilhado pelo auditor fiscal. 4. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR E DOS SÓCIOS 5. A recorrente sustenta que “devem ser excluídos da presente autuação, todas as pessoas físicas, diretores, sócios e contador, em face de não possuírem responsabilidade tributária perante os lançamentos efetuados neste AI” (f. 105). E neste ponto, entendo que assiste razão a recorrente. 6. A responsabilidade da pessoa física não pode decorrer da simples falta de pagamento de tributo. É inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte. Porém, o que é questionável é a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. 7. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 8. Inexiste, no direito tributário pátrio, espécie de responsabilização objetiva do sócio por créditos tributários inadimplidos pela sociedade. O que o sistema prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. 9. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 10. Sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. Nesse sentido leciono o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). 11. In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. 12. Em uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” 13.Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos administradores da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas. DO PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 125 7 14. Narra o relatório fiscal que o lançamento de débito contra o contribuinte se deu com base nas “parcelas remuneratórias pagas ou creditadas aos segurados empregados por serviços prestados, efetuadas mediante créditos em cartões eletrônicos de premiação, não relacionadas em folhas de pagamento, nem declaradas em GFIP’s” (f. 15). 15. Em contrapartida, alega a recorrente, que os valores pagos em cartão premiação não tem qualquer relação remuneratória, portanto não podem ser objeto de incidência de contribuições sociais previdenciárias. 16. Dessa forma, verificase que o cerne da controvérsia trazida nos autos consiste em considerar, ou não, o pagamento de quantias por meio do chamado cartão premiação a empregados como base de cálculo de contribuições previdenciárias. 17. Assim, inicio a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre a rubrica levantada pelo auditor fiscal, por meio de cartão de incentivo, tomando como base o conceito de salário, a habitualidade e o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Da Previsão Constitucional 18. Como é cediço, a contribuição social do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada está baseada na folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A base jurídica originária para a incidência do tributo está na Constituição Federal, verbis: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” 19. Dessa forma, a remuneração percebida em razão do trabalho prestado pelo trabalhador será a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É imperioso que haja um perfeito enquadramento dos valores que se pretende lançar, em “salário” para, em seguida, concluir sobre a incidência, ou não, do tributo na hipótese de premiação de empregados, em virtude do implemento de programas de marketing de incentivo. 20. A respeito do modo como deve ser interpretado os dispositivos constitucionais o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 166.772/RS firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas de forma restritiva e em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. Pois devese evitar admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista. 21. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 22. O termo “salário” não é próprio do direito tributário. O salário nasce de uma relação privada, ou seja, de um contrato de trabalho, sendo regulado por essa esfera do direito. Em vista disso, as exigências que tenham por base de cálculo o valor do salário pago ao empregado deverão fundarse nas prescrições de direito do trabalho, que delimitam sua abrangência. 23. Assim sendo, o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição e na legislação trabalhista é unívoco e deve expressar a mesma ideia, de maneira que não se admite em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição previdenciária, que possa o lançamento de tributo incidir sobre os valores que a justiça trabalhista não considere como salário. 24. Caminhando neste sentido, vejo com restrição a ideia de que os valores pagos a título de incentivo, por intermédio de empresas de marketing promocional ou equivalente, sejam cunhados de imediato como base de cálculo da contribuição social previdenciária. Notadamente se inserido no conceito a habitualidade dos pagamentos para efeito de consideralos como ganhos habituais. E isso é importante porque faço um cotejamento entre os arts. 195 e 201 da Carta Magna. 25. O art. 201 a Carta magna prevê como a previdência social será organizada e sobre quais valores haverá incidência da contribuição social, sendo que nesse dispositivo ele dispõe que os ganhos habituais serão considerados como base de cálculo. “Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.” 26. Como se constata da leitura do art. 201 da CF/88 a constituição considera como base de cálculo da contribuição os ganhos habituais. Nesse campo, a habitualidade é um Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 126 9 dos elementos fundamentais para se determinar se o pagamento feito deve ou não ser considerado como salário e como tal, ser computado para fins de contribuição previdenciária. Mas o que é habitualidade? 27. Habitualidade, conforme o Dicionário Aurélio, é oque ocorre de maneira comum, frequente, ainda que de maneira espaçada, tudo aquilo que “se faz, ou que se sucede por hábito, comum, vulgar, frequente, usual”. O conceito contrasta com o ganho eventual que, conforme a mesma obra, é algo que depende de acontecimento incerto, casual, fortuito, acidental. 28. De tal forma, numa relação de trabalho pode haver, além dos pagamentos contratuais, pagamentos eventuais e aleatórios, o que torna essencial considerar a natureza jurídica de cada um para fazer incidir ou não o tributo. 29. No caso dos autos tratase de pagamentos realizados a título de incentivo por produtividade (prêmio), por meio de cartão premiação. Tais pagamentos ocorrem quando determinada empresa fixa metas e impõe requisitos para que os empregados aufiram resultados financeiros ou de outra natureza, poderemos concluir que, em certos casos, não estaremos diante de uma prestação aleatória, tampouco habitual, conforme os conceitos expostos, pois não se trata de algo que será feito com habitualidade com relação ao mesmo empregado, pois necessita de cumprimento de determinadas condições preestabelecidas e tampouco se trata de um evento sujeito ao acaso ou ao fortuito, tratase desse modo de uma conduta eventual, posto que falamos de algo que será perseguido pelo empregado, mas o seu resultado será incerto. 30. O pagamento de determinado benefício ao empregado que atingir metas preestabelecidas é apenas uma das modalidades que fazem parte do chamado “marketing de incentivo” ou “programas de incentivo” implementados por determinada empresa. Sobre o conceito dessa atividade, Elidie P. Bifano e Luciana Aguiar, especialistas em direito tributário e economia, assim delimitam o termo: “Programa de incentivo pode ser definido como ação planejada e orientada para motivar toda e qualquer pessoa ou grupo de pessoas, de uma empresa ou não, oferecendo reconhecimento e recompensa por meio de premiação. Os beneficiários podem estar compreendidos em equipes de vendas, distribuidores, revendedores, serviços pósvendas, assistência técnica, controle de qualidade, atendimento ao cliente e similares. Toda campanha dessa natureza tem seu início no planejamento e na criação, quando se determinam os objetivos e metas que a campanha pretende atingir, o público alvo, a marca da campanha (logotema), o universo de ambientação e as formas de premiação. Após essas fases, fazse o lançamento da campanha que será o marco inicial decisivo para atrair o interesse e consequente adesão do públicoalvo. Os programas de incentivo são instrumentalizados e documentados por regulamentos claros e objetivos, com explicação detalhada sobre a mecânica de avaliação e premiação, o que lhes atribui transparência e credibilidade, potencializando as adesões e aumentando o número de participantes.” 31. Com efeito, tratase de uma forma de motivação interna dos funcionários, colaboradores ou prestadores de serviços de uma empresa. Há quem diga que essa prática faz parte do denominado endomarketing, atividade que surgiu em 1990, desenvolvida pelo setor de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 recursos humanos, para estabelecer uma comunicação interna com os funcionários de uma empresa com o intuito de aumentar e estimular a produtividade e, por consequência, atingir a satisfação dos seus empregados. 32. Não me coloco na linha daqueles que entendem que há salário pago pelo simples fato de o pagamento desse incentivo ter como condição resolutiva o alcance de metas de produtividade, de maneira que, receberá o benefício aquele funcionário que cumprir sua função atingindo a meta de produtividade estabelecida pela empresa. Tratase de uma estratégica de gestão de pessoal da empresa que a fará ser mais produtiva e acelerará o seu crescimento dentro do mercado, premiando o empregado pelo cumprimento de determinada finalidade instituída pelo empregador, no caso, o atingimento de metas, tanto em espécie, equipamentos, passagens aéreas, etc. 33. Nesta linha de raciocínio temos várias rubricas dentro do escopo trabalhista, as quais não há base de cálculo de contribuição social previdenciária, como é o caso dos valores recebidos a título de Participação nos Lucros ou Resultados das empresas, de abono Salarial do PIS equivalente ao valor de um salário mínimo, dentre outros. 34. Alertase que a ferramenta ”cartão de premiação” é examinada somente na hipótese em que o beneficiário pode utilizála se atingir os níveis de comprometimento exigidos pelo encomendante para fazer jus a esse benefício. Assim a utilização do cartão, do ponto de vista operacional, depende sempre de autorização do emitente de comum acordo com o encomentdante, de tal sorte que nenhum detentor se torna, automaticamente, beneficiário se não tiver preenchido as condições para tanto. Do Entendimento da Justiça do Trabalho 35. Retornando ao conceito do que pode ser considerada verba salarial, o fator ‘habitualidade’ será importante para a minha posição. Dentro da interpretação do que constitui saláriodecontribuição, a Justiça do Trabalho têm decidido que estes valores pagos habitualmente integram o montante do salário, sendo assim passível de incidência do tributo. Todavia a Corte trabalhista pondera que, quando não há habitualidade ou quando os valores são pagos esporadicamente ao mesmo empregado, não é coerente entender que esses valores sejam considerados base de cálculo de contribuição social pelo fisco. 36. Vêse que o direito do trabalho abrange ao conceito de salário não só a remuneração fixa e ajustada entre empregado e empregador em retribuição a execução de suas atividades, mas também outros valores percebidos em decorrência do vínculo empregatício (gorjetas, comissões, percentagens e gratificações). Dispõe o artigo 457 da CLT, in verbis: “Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” 37. Para a CLT salário é a retribuição pelo trabalho prestado, paga diretamente pelo empregador. Esse conceito bem simples traduz o que é salário no ordenamento jurídico brasileiro e suas principais características, pois só é salário aquilo que é pago pelo empregador e somente aquilo que corresponda a uma retribuição, que represente um acréscimo patrimonial pelo trabalho prestado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 127 11 38. Arnaldo Sussekind comenta que “remuneração é a resultante da soma do salário percebido em virtude do contrato de trabalho e dos proventos auferidos de terceiros, habitualmente, pelos serviços executados por força do mesmo contrato”. Sérgio Pinto Martins, por sua vez, define remuneração como “o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, mas decorrentes do contrato de trabalho, de modo a satisfazer suas necessidades básicas e de sua família. caracterizase a remuneração como uma prestação obrigacional de dar. Não se trata de obrigação de fazer, mas de dar, em retribuição pelos serviços prestados pelo empregado ao empregador, revelando a existência do sinalagma que é encontrado no contrato de trabalho. essa remuneração tanto pode ser em dinheiro, como em utilidades, de maneira que o empregado não necessite compralas, fornecendo o empregador tais coisa (...)”. 39. Tratandose de binômio salárioremuneração, Amauri Mascaro enfatiza que salário “é uma qualificação jurídica que acarreta reflexos na área trabalhista, previdenciária e tributária, sendo que tais reflexos interdisciplinares levam a uma concepção ampla de salário mas que não pode ser tão larga a ponto de desestimular certas concessões por parte do empregador, especialmente soba a forma de serviços e utilidade sendo. 40. A legislação trabalhista menciona o “salário”, termo largamente utilizado para referirse, de forma genérica, à remuneração do empregado. Insta mencionar a definição do termo sob a ótica de Amauri Mascaro do Nascimento, em sua obra “Curso de Direito do Trabalho”. Editora Saraiva: São Paulo. 18ª Edição, p. 717, in verbis: “é a totalidade das percepções econômicas dos trabalhadores, qualquer que seja a forma ou meio de pagamento, quer retribuam o trabalho efetivo, os períodos de interrupção do contrato e os descansos computáveis na jornada de trabalho”. 41. In casu, o auditor fiscal autuou a empresa por considerar salários os valores pagos a título de “prêmio por produtividade”, conforme Relatório Fiscal de ff. 15 a 20, ocorre que como já mencionamos o conceito de salário deve ser interpretado conforme a conceituação trabalhista. 42. Para a Corte trabalhista o pagamento de prêmios eventualmente são vinculados a comportamentos e resultados de ordem pessoal do empregado e entende que o implemento desse incentivo está diretamente vinculado à produtividade e não se trata de uma retribuição pelo trabalho, pois foi espontaneamente outorgado pelo empregador, vinculado a uma meta preestabelecida pela empresa, e pode a qualquer momento ser suprimido pela empresa se o trabalhador não preencher os requisitos para o reconhecimento da vantagem. O que não ocorre quando falamos de salário, um dos elementos do contrato de trabalho bilateral e que não poderá ser suprimido por liberalidade do empregador, portanto não há como incluir tais rubricas no conceito de salário. 43. O Tribunal pondera que quando esse prêmio é pago habitualmente, ele passa a se confundir com o salario do empregado pois o empregado contará com o pagamento do prêmio correspondente, no seu orçamento mensal. 44. Conforme o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho “a doutrina e a jurisprudência têm reconhecido a natureza salarial do prêmio assiduidade, desde que não tenha caráter eventual, como na hipótese do prêmio esporádico, ou prêmio troféu.” (Acórdão Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 da 2ª, Turma nº RR540686/1999, de 11 Dezembro 2002, TST. Tribunal Superior do Trabalho, Recurso n.º RO2977/199800003.00, Ministro Renato de Lacerda Paiva). 45. Assim, é indiscutível que havendo habitualidade em sua prestação, passam a assumir um novo papel no contrato de trabalho do empregado, qual seja, própria remuneração. Portanto, demonstrado então a habitualidade na concessão das referidas gratificações (ou prêmios), é inevitável o reconhecimento da natureza salarial de tal parcela, razão pela qual, deverá refletir na incidência de contribuições previdenciárias, considerado a expansão do salário. 46. Cumpre citar a jurisprudência do TST, apenas para firmar o entendimento: “INTEGRAÇÃO DOS PRÊMIOS. O entendimento dominante nesta Corte é no sentido de que os prêmios pagos habitualmente detêm natureza jurídica salarial, nos exatos termos do artigo 457, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho. Recurso de revista de que não se conhece. (Processo: RR 520500 08.2004.5.09.0004 Data de Julgamento: 23/05/2012, Relator Ministro: Pedro Paulo Manus, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 25/05/2012). RECURSO DE REVISTA. SALÁRIO PAGO FORA DA FOLHA DE PAGAMENTO. INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. O Tribunal Regional constatou que as Reclamadas depositavam, com habitualidade, créditos em cartões magnéticos como contraprestação às metas atingidas pelo Reclamante. Por entender que as Reclamadas pagavam verbas salariais fora da folha de pagamento, a Corte de origem decidiu manter a determinação de integração ao salário das referidas verbas. Registrado que o dinheiro depositado nos cartões representava correspondência às metas atingidas pelo Reclamante e era pago com habitualidade, a decisão de integração ao salário da verba não ofende o art. 457 da CLT, pois, nos termos do referido dispositivo, compreendese na remuneração do empregado toda parcela paga como contraprestação do serviço. Ressaltase que este Tribunal Superior tem decidido que o pagamento de prêmio por alcance de metas adquire natureza salarial quando pago com habitualidade. Recurso de revista de que não se conhece. (...) Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (Processo: RR 10440004.2007.5.03.0037 Data de Julgamento: 07/03/2012, Relator Ministro: Fernando Eizo Ono, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 23/03/2012). PRÊMIO. NATUREZA JURÍDICA. ART. 457, § 1º, DA CLT. Deixando o acórdão regional de consignar a habitualidade do pagamento da verba denominada prêmio objetivo, e tendo registrado que a sua percepção não correspondia ao pagamento pela regular e obrigatória prestação de serviços, não há que se cogitar acerca da violação literal do Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 128 13 artigo 457, parágrafo 1º, da CLT, porquanto o prêmio pago como incentivo ao melhor desempenho do empregado não possui conotação salarial, já que esta se reserva apenas às verbas decorrentes da contraprestação direta pelo empregador dos serviços realizados pelo empregado. Incide, à hipótese, o teor do Enunciado n. 221 do TST, com óbice ao destrancamento da revista. ((TST – 4ª T., AIRR 783.871/2001.7, Rel. Juiz convocado Luiz Antonio Lazarim, DJ de 25022005) Trechos do voto: “a verba denominada prêmio objetivo foi instituída pela ré para graciar aqueles vencedores que conseguissem atingir metade de vendas traçadas pela empresa, podendo o valor desta premiação variar de acordo com o volume das metas atingidas. Logo, é inequívoco que esta parcela tinha por objetivo recompensar e incentivar atributos individuais, sendo certo que as condições dessa benesse estão estipuladas pelo empregador como liberalidade sua, não possuindo, pois, o caráter de pagamento compulsório ínsito aos salários”. Os prêmios pagos aos obreiros, por liberalidade patronal, que dependem do implemento de determinada condição, não possuem natureza salarial, razão pela qual não integram a remuneração do empregado. (TST – 2ª T, RR 316.466/96.0, Rel. Min. José Bráulio Bassini) O prêmio desempenho não integra o salário. Recurso de Revista provido para declarar que a parcela “prêmio desempenho” não integra o salário, não gerando , portanto, os reflexos deferidos quer ficam excluídos (TST – 3ª T, RR 175549/95, Rel. Min. Zito Calasãs)” 47. Dessa feita, resta patente a impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre as premiações ofertadas em razão dos implementos de campanhas de marketing de incentivos quando ficar clara a inabitualidade dos pagamentos, bem como fundadas em eventos a serem cumpridos pelos empregados. 48. Nessa esteira, cumpre citar ainda o entendimento de Sérgio Pinto Martins em sua obra “Direito da seguridade social” a respeito dos ganhos habituais, onde ele ressalta que na Constituição Federal, art. 201, § 11 dispõe que somente “os ganhos habituais do empregado serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão dos benefícios” e esclarece: “ganhos” serão as prestações fornecidas ao empregado de maneira periódica, incluindo tanto o pagamento em dinheiro, como o fornecimento de utilidade. “habitual” é o que é feito com costume, de forma repetida, duradoura, frequente. será considerado ganho habitual qualquer prestação proporcionada ao empregado que seja repetida no tempo, tendo, portanto, habitualidade. (...) Sobre ganhos eventuais não incidirá a contribuição previdenciária. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 49. Dessa forma, o incentivo em questão não possui natureza de remuneração de que trata o art. 195, inc. I, alínea “a, ou do art. 201, §11, da Constituição Federal, o art. 22 ou qualquer outro da Lei nº 8.212/91, haja vista que a relação de que estamos tratando não se enquadra na hipótese de incidência prevista em tais dispositivos normativos. 50. O conceito da verba ora em discussão poderia amoldase perfeitamente ao instituto de promessa de pagamento futuro a alguém, sob uma condição resolutiva, por ter caráter recompensatório e não haver qualquer conotação inerente à remuneração paga no âmbito de um contrato de trabalho. 51. A respeito do prêmio pago a empregados e a sua não relação com a remuneração, Amauri Mascaro do Nascimento preleciona: “os prêmios não têm natureza salarial unicamente enquanto não habituais, assim considerados os feitos a esse título, por exemplo, uma vez por ano ou em função de campanhas de incentivo à produção eventualmente realizadas pela empresa especialmente quando não pagos em dinheiro, mas em outras vantagens como uma viagem ao exterior etc” 52. Na esteira desse raciocínio asseverou Valentin Carrion (in Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho – 28ª ed. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 297): “Gratificações. Somente as não habituais deixam de ser consideradas como ajustadas; as demais integramse na remuneração para todos os efeitos. É a aplicação do princípio de que todas as vantagens obtidas pelo empregado aderem ao contrato definitivamente”. 53. Reforça o entendimento, o posicionamento de Wagner Balera ao emitir parecer na consulta solicitada pela Associação de Marketing Promocional (AMPRO) publicado na obra “O marketing de incentivo e as contribuições sociais”, p. 115: “Premiações conferidas a quem deu cabal cumprimento a certas e determinadas metas, nada mais são do que incentivos ao bom desempenho no trabalho, vantagens esporádicas e estímulos à disputa leal entre companheiros de trabalho, conferidos por simples liberalidade do empregador, que de nenhum modo remuneram o trabalho prestasdo. p. 114 (...) Os prêmios pagos ao segurado empregado não integram seus saláriode contribuição e consequentemente não são passíveis de incidência previdenciária, posto que não configuram nenhuma das espécies de remuneração. Tratase de situações esporádicas, não habituais, aleatórias, excepcionais, motivadas por campanhas promocionais com prazo determinado de duração, mediante condições fixadas em regulamentos próprios, com montantes e expressões variáveis e em caráter de recompensa pelo êxito alcançado naquela jornada. A premiação decorre do resultado positivo da disputa de que participou cada beneficiário, por sua livre e espontânea vontade, distinta completamente das naturais atribuições que desempenha na vida ordinária do seu labor, consoante os termos de regulamento tornado público por terceiro, alheio ao contrato de trabalho, especialmente incumbido de promover um certame que é o desdobramento de ato unilateral de vontade (...)” Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 129 15 54. Dessa forma, pelos argumentos expostos, estou certo de que sobre parcelas de prêmios pagos sem a habitualidade e com regras igualitárias (não aleatórias) que consistem na instrumentalização e documentação por regulamentos claros e objetivos para o acesso dos empregados, não incide contribuição previdenciária. Da Legislação Previdenciária 55. A legislação previdenciária também não foge às regras acima delineadas. Segundo dispõe a Lei 8.212/91, em seu artigo 28, inciso I, constitui salário de contribuição “(...) a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” (g.n.) 56. A própria Lei de Organização da Seguridade Social dispõe ainda que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais, conforme segue abaixo: “Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... e) as importâncias: ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” (g.n.) 57. Desse modo, muito embora esta Câmara já tenha se manifestado, em julgamentos anteriores, no sentido de que os valores pagos através de cartões de premiação são considerados salário e sobre eles há a incidência de contribuição (acórdão n.º 20501475 de minha relatoria), prefiro avançar na discussão do tema para firmar posição no sentido de que, restando demonstrado que as premiações ocorriam de forma regular, em pagamentos eventuais e que havia regras claras e objetivas disponíveis para o recebimento da verba, não há incidência de contribuição social previdenciária. 58. Embora discorde do posicionamento, porque entendo que é possível a incidência de tributo sobre os valores em comento quanto se revestirem de caráter salarial, vale ressaltar o que assevera Elidie P. Bifano e Luciana Aguiar na obra “marketing de incentivo: uma visão legal”, p. 43, in verbis: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 “(...) em nenhuma hipótese a vantagem ou prêmio recebidos em virtude de programas de incentivos comporiam base de cálculo da contribuição previdenciária posto que: i) o prêmio não tem natureza de verba salarial, (ii) não se destina a retribuir trabalho (iii) tem natureza aleatória e principalmente eventual.” Do Pagamento Limitado a Duas Vezes ao Ano 59. Neste ponto, convencido que a habitualidade é fator imprescindível para caracterizar o prêmio como saláriodecontribuição, é preciso estabelecer parâmetros temporais para considerar o pagamento habitual ou não. 60. Mas fica sempre a dúvida quanto ao conceito de habitualidade. Quantas vezes o empregado poderia receber a chamada gratificação sem que isso fosse considerando para efeito da incidência da contribuição? Nesse ponto, creio que a norma de Participação nos Lucros ou Resultados pode servir como parâmetro, já que em vezes a própria justiça assim o considerou no exame do chamado prêmio por produtividade básica e a gratificação semestral. 61. Como a atividade de marketing de incentivo ainda não possui regulamentação legislativa no tocante à sua atuação no mercado e tão pouco há menção desta na legislação previdenciária, para manter, uma coerência nas decisões proferidas, entendo cabível analisarmos o posicionamento da Justiça Federal que entendeu que o prêmio por produtividade equivale à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Sobre essas verbas não incide contribuição previdenciária desde que pagos semestralmente conforme o disposto no § 2º do art. 3º da MP nº 794/94. “TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. ANULAÇÃO DE NFLD. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LICENÇAPRÊMIO NÃO USUFRUIDA (INDENIZADA). AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AJUDA DE CUSTO TRANSPORTE/DIAS DE REPOUSO. REEMBOLSO CRECHE/BABÁ/DEFICIENTES. PRÊMIO PRODUTIVIDADE BANESPA. GRATIFICAÇÕES SEMESTRAIS. NÃO INCIDÊNCIA. DESLOCAMENTO NOTURNO. SUPERVISOR DE CONTAS. ALIMENTAÇÃO/DIAS DE REPOUSO. INCIDÊNCIA. DECADÊNCIA QUINQUENAL. (...) 6. O prêmio por produtividade básica e a gratificação semestral ou de balanço se equivalem à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Sobre essas verbas não incide contribuição previdenciária desde que pagos em conformidade com o disposto no § 2º do art. 3º da MP nº 794/94 (periodicidade semestral). (...) 13. Apelação a que se dá parcial provimento. (AC 1997.34.00.0228345/DF, Rel. Juiz Federal Osmane Antônio Dos Santos, Oitava Turma, eDJF1 p.576 de 29/10/2008)” 62. Dentro desse contexto transcrevemos trechos do acordão onde o relator equipara o pagamento do prêmio ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultado (PLR). Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 130 17 “(...) Sobre o “Prêmio Produtividade Banespa” e “Gratificações Semestrais ou de Balanço”, tem razão o autor ao sustentar a sua natureza não salarial. É que, efetivamente, são verbas pagas para apenas alguns funcionários, de forma individualizada e ocasionalmente, que tenham atingido determinadas metas, o que constitui mera expectativa de direito do empregado. Assim, se são criadas pelo Banco para implementar determinadas condições e para ter direito ao pagamento do prêmio o empregado tem de determinar produtividade, interesse e etc, não há de se falar em habitualidade, pois é intuitivo que não são concedidas sempre aos mesmos empregados. Ademais, tais parcelas se equivalem à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Portanto, não constitui base de cálculo para a contribuição previdenciária.” 63. Assim, considerando necessário estabelecermos um parâmetro temporal para caracterizar, habitual ou eventual, o pagamento de valores por meio do chamado ‘cartão de premiação’ e diante do posicionamento do judiciário que trata o prêmio por produtividade equivalente ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), entendo cabível nesse caso, a interpretação por analogia (art. 108, inciso I, do CTN). Até porque a analogia, no Direito Tributário, é sempre forma de integração. Acredito ser razoável o pagamento de prêmio de produtividade por, no máximo, duas vezes ao ano, assim como estipula a regulamentação da PLR. 64. Por fim, embora não seja argumento jurídico para a minha convicção, chamo a atenção, apenas como registro, para o fato de haver sérias distorções no sistema tributário brasileiro, o que ocasiona certa confusão por parte nos contribuintes para determinarem o que é ou não efetivamente devido ao fisco, o que torna necessária uma urgente reforma tributária. Vejamos a matéria abaixo: “Presidente vê "resistência", mas diz que mudanças são "prementes" e cita o caso da tributação de energia. A presidente Dilma Rousseff quer atacar de forma "específica" as distorções do sistema de impostos, um dos entraves ao crescimento do País. Ao classificar de "inadequada" a tributação brasileira, em discurso na abertura da marcha dos prefeitos, ontem em Brasília, Dilma disse que a opção é fazer mudanças pontuais. "Já tentamos duas vezes fazer uma reforma de maior fôlego. Resolvemos agora atuar, em vez de ficar discutindo se a reforma sai ou não sai." Dilma deixou claro que uma das primeiras áreas que serão atacadas é a de energia. "Não conheço muitos países que tributam energia elétrica. Nós tributamos. Tem várias formas de tributação nossas que são regressivas." Dilma disse saber que há "resistências" à reforma tributária, mas afirmou que "tem coisas que são prementes". (O Estado de S. Paulo 16/05/2012) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 65. Diante do exposto, voto no sentido de limitar a incidência da contribuição social previdenciária às parcelas excedentes a dois pagamentos anuais. excluindo totalmente da base de cálculo os valores pagos àqueles empregados segurados em até duas únicas vezes a cada ano. 66. No caso concreto, da análise das planilhas juntadas às ff. 137 a 150 do processo principal (Marketing & Icentivo Avant Senna), depreendese que a premiação foi paga por mais de duas vezes, no mesmo ano, a vários funcionários, mas alguns empregados da empresa como José Carlos Boege (e outros) recebeu, no ano de 2006, valores somente duas vezes, sendo assim essas quantias pagas não integrarão a base de calculo da contribuição, pois esta respeitando o limite de dois pagamentos anuais. 67. Todavia o empregado José Lucas Baraúna (e outros) recebeu valores quase todos os meses. Logo o benefício foi incorporado à remuneração do empregado de forma constante, passando a ter notoriamente caráter salarial. Excluo, entretanto, as duas primeiras parcelas. 68. Assim, dentro da sistemática que adoto, estariam excluídas da base de cálculo os pagamentos recebidos as primeiras duas vezes, sofrendo incidência do tributo as quantias que excederem esse limite. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 69. A recorrente afirma que aplicação da taxa SELIC não pode ser feita em conjunto com a multa de ofício, pois tal imposição contraria o ordenamento jurídico: “(...) Penalidades como multa de ofício e taxa de juros Selic, embora previstas em lei, não se encontram autorizadas para incidir uma sobre a outra”. (f. 114) 70. Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária, assim, a multa de ofício constitui, ao lado do tributo propriamente devido, a obrigação tributária principal, conforme dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (g.n.) 71. Dessa forma, verificase que a obrigação principal é formada tanto pelo tributo cobrado quanto pela penalidade pecuniária aplicada (multa). Portanto, o crédito tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 131 19 72. Além disso, o artigo 43 da Lei n.º 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, in verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. 73. E a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, reza que as contribuições sociais arrecadadas e outras importâncias arrecadadas pelo INSS (como é o caso das multas) estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34, verbis: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) 74. Nesse sentido, sito ementa de acórdão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão n.º 920201.806. Recurso especial negado” 75. Assim, tenho como certo que a aplicação da SELIC sobre a multa de ofício não ofendem ao ordenamento jurídico pátrio e que sua imposição é devida. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 DA MULTA APLICADA 76. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 77. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 78. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 79. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 80. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 81. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando a: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 132 21 a) exclusão da relação fiscal (Relatório de Vínculos) dos administradores, sócios administradores e sócio, bem como afastar a incidência de contribuição previdenciária sob as parcelas pagas até duas vezes a título de prêmio; b) redução da multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Divergimos do Relator com relação à configuração do requisito da habitualidade para os prêmios. Sabendo da dificuldade de conceituarmos o que é habitual, adotaremos, como primeiro critério, a habitualidade como a qualidade daquilo que é freqüente, que é repetido muitas vezes, o que implica tomarmos como habitual aquilo que é, ou poderá ser, repetido mais de três vezes durante a duração do contrato de trabalho. No caso em destaque, os pagamentos eram feitos em várias parcelas anuais, repetindose em mais de ano, o que nos leva à conclusão que se tratam de ganhos que ocorrerão mais de três vezes durante o contrato de trabalho, tendo, portanto, o atributo da habitualidade. Conforme incisivamente defendido pelo Relator: (...) é indiscutível que havendo habitualidade em sua prestação, passam a assumir um novo papel no contrato de trabalho do empregado, qual seja, própria remuneração. Portanto, demonstrado então a habitualidade na concessão das referidas gratificações (ou prêmios), é inevitável o reconhecimento da natureza salarial de tal parcela, razão pela qual, deverá refletir na incidência de contribuições previdenciárias, considerado a expansão do salário. Logo, caracterizada a habitualidade, correta a conclusão de que os pagamentos possuíam natureza salarial e que deviam compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Votamos por negar provimento ao Recurso Voluntário nesse aspecto, acompanhando o Relator nos demais pontos. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.001991/201008 Acórdão n.º 2301002.923 S2C3T1 Fl. 133 23 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10875.901141/2006-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 01 14 1/ 20 06 -1 8 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.357 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ, senão vejamos: “Tratase do Despacho Decisório n° 745563031 de 14/02/2008, emitido pela DRF Guarulhos/SP para não homologar a compensação formalizada na DCOMP n° 19840.55524, transmitida em 23/12/2003, tendo em conta que o crédito informado (pagamento indevido de CSLL Lucro Real Trimestral, efetuado por meio de DARF, no valor de R$ 36.893,40, com cód. de receita 6012, relativo ao 3 o trimestre de 1999, arrecadado em 30/11/1999) estava utilizado para quitação de débito da empresa, não remanescendo crédito disponível para a compensação formalizada na DCOMP sob apreciação. Cientificada da decisão, em 27/02/2008 (AR de fls. 84), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/05, em 25/03/2008, de seguinte teor: 1. apresenta balanço, demonstrativo de resultado e DIPJ para provar que não apurou CSLL a pagar no 3 o trimestre de 1999, na medida em que a CSLL apurada teria sido completamente absorvida pela dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga; 2. que teria extinto a CSLL de R$ 163.363,00, com o saldo negativo de CSLL de 1998 de R$ 53.778,58 e por três DARF no total de R$ 36.528,14; 3. que com a dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga de R$ 101.187,79 a CSLL devida seria de apenas R$ 62.175,21, extinta mediante compensação com o saldo negativo de CSLL de 1998 de R$ 53.778,58, e pelo pagamento, no valor de R$ 8.396,63, efetuado em 29/10/1999; 4. que a compensação do crédito de 1/3 da Cofins com a CSLL apurada teria sido formalizada mediante as DCOMP n° 40830.82504, 19840.55524 e 23033.21354 ora sob apreciação, apresentadas em 23/12/2003, antes do decurso do prazo prescricional; Requer a homologação das compensações.” A DRJ de Campinas (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 DEDUÇÃO DE 1/3 DA COFINS. PRAZO Fl. 147DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.357 S1TE02 Fl. 4 3 Na forma da legislação em vigor, a dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga da CSLL devida, não pode ensejar, em nenhuma hipótese, saldo de CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subsequ entes. Decorre daí que a dedução somente pode ser admitida até a data da extinção e no valor necessário à extinção da CSLL devida, não podendo ser reconhecida a posteriori. Compensação com Saldo Negativo de Período Anterior. Para que seja possível validar tal extinção do débito fiscal e apurar se houve ou não indébito tributário, é imprescindível a prova da compensação porventura efetuada com o saldo negativo de período anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/03/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/04/2011 onde busca demonstrar as compensações realizadas e ao fim pugna pela sua homologação. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.357 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente a Recorrente alega a preliminar de prescrição dos débitos referentes aos 5 (cinco) anos anteriores ao lançamento do presente processo. Essa preliminar deve ser inteiramente rejeitada. Ao julgar os Embargos no Recurso Extraordinário n° 94.4621/SP, o Plenário do Supremo Tribunal Federal enfrentou essa questão, resolvendoa da seguinte forma: "Prazos de prescrição e decadência em direito tributário com a lavratura do auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário (art. 142, CTN). Por outro lado, a decadência só é admissível no período anterior a essa lavratura; depois, entre a ocorrência dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contribuinte, não mais corre prazo de decadência, e ainda não se iniciou a fluência de prazo para prescrição; decorrido o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco". O STF entendeu, que, com o auto de infração, consumase o lançamento do crédito tributário, ou seja, constituise o crédito tributário, fluindo, até aquele momento, o prazo decadencial. A partir do auto de infração não se pode mais cogitar de decadência, e, se houve recurso administrativo, também não cabe falar em prescrição, cujo prazo somente começa a fluir na data da decisão administrativa final, quando, mantido o lançamento, no todo ou em parte, temse como definitivamente constituído o crédito tributário lançado. No entanto, essa decisão do Supremo está em consonância com o disposto no art. 151, inciso 111, do CTN, por força do qual as reclamações e os recursos administrativos figuram como causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não pode ele ser cobrado, nem, consequ entemente, prescrever. Conforme já esclarecido pela DRJ, tratase a processamento eletrônico de compensação, sem que incidisse em critérios de baixa para tratamento manual ou mais pormenorizado, mas apenas com as informações disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. A DRJ confirmou que efetivamente houve erro no preenchimento da DIPJ por parte da contribuinte, razão pela qual passouse a considerar a retificação da declaração que retratou o 3º trimestre do anocalendário de 1999 transmitida em 11/09/2003. Foi constatado Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.357 S1TE02 Fl. 6 5 então que a diferença entre as bases de cálculo informadas na DIPJ original e retificadora de R$ 31.728,44 decorre da retificação, na Ficha 07A da DIPJ Demonstração do Resultado da Linha 30 Despesa Operacional, de R$ 556.820,04 para R$ 588.548,48. A partir daí a DRJ passou para a análise do direito creditório da Recorrente, externando suas conclusões da seguinte forma: “Da leitura dos preceitos, concluise que a dedução de 1/3 Cofins efetivamente paga da CSLL devida, tinha uma série de restrições, dentre as quais cumpre destacar a expressamente consignada no §3° do art. 8º , qual seja: da dedução não poderia decorrer, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subsequ entes. É o que pretende a Manifestante, tendo em conta que a CSLL devida no 3º trimestre de 1999 foi extinta mediante compensações e pagamentos, e com a apresentação da DCOMP n° 19840.55524, transmitida em 23/12/2003, pretende a contribuinte o reconhecimento do indébito tributário em relação à CSLL paga, já que teria direito à dedução de 1/3 da Cofins efetivamente paga. (...) Por fim, não se pode deixar de mencionar que as compensações porventura efetuadas da CSLL devida no 3º trimestre de 1999, com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998, não se encontra regularmente comprovada no processo, principalmente tendo em conta as informações prestadas na DCTF acerca do saldo a pagar em três quotas da CSLL de R$ 163.363,00. Deveriam ser trazidas aos autos provas hábeis, capazes de corroborar a compensação efetuada na escrituração comercial da pessoa jurídica, e não informada na DCTF. Nos bancos de dados da RFB, constam apenas os pagamentos efetuados em 29/10, 30/11 e 30/12/1999, no valor total de R$ 109.584,38, insuficiente para extinguir o valor devido da CSLL de R$ 163.363,00” A Recorrente por sua vez alega que seu direito creditório não está suportado pelo terço de COFINS compensada com a CSLL, mas que após reconhecer o valor da COFINS efetivamente paga como dedução na apuração de sua base de cálculo da CSLL no 3º trimestre de 1999, os pagamentos feitos através de DARF’s somados com o saldo negativo do ano calendário anterior geraram um crédito de R$ 101.187,79. Considerando que a nova base de cálculo da CSLL, ajustada pela dedução de 1/3 do valor da COFINS calculada pela Recorrente em sua escrita fiscal não teve qualquer óbice pela autoridade fazendária, a lide passa a se concentrar nos valores que foram recolhidos / compensados para a extinção da obrigação tributária da Recorrente no 3º trimesre de 1999. De acordo com a escrita fiscal e declarações prestadas temos os seguintes dados: 1 – CSLL apurada conforme DIPJ retificada, ficha 30, linha 31 R$ 62.175,21 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.357 S1TE02 Fl. 7 6 2 – Composição dos créditos 2.1 Saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998 R$ 53.778,58 2.2 DARF’s recolhidos, conforme fls. 99 /100 Cód. 6012 (Registro 23091960389) R$ 36.528,14 Cód. 6012 (Registro 23445181183) R$ 36.528,14 Cód. 6012 (Registro 23752467483) R$ 36.528,14 Total R$ 109.584,42 Pelo que foi depreendido, os documentos apresentados portanto fazem prova a favor da Recorrente, sendo certo que a DRJ se equivocou ao entender que a Recorrente intencionava a compensar o 1/3 de COFINS de exercícios anteriores ao invés de saldo recolhido a maior em decorrência da correção da base de cálculo da CSLL que não havia considerado o aproveitamento da dedução do 1/3 de COFINS. Essa correção gerou um recolhimento de CSLL (através da DARF’s) a maior, e, portanto, inteiramente passível de compensação. A DRJ alegou que não foi juntado aos autos a comprovação da existência do saldo negativo de 1998, bem como a falta de dados constantes na DCTF para a comprovação do crédito, me parece um argumento um tanto quanto absurdo. Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, necessário se faz a complementação das provas. Considerando que os DARF’s foram juntados (fls. 99/100), falta apenas a comprovação do saldo negativo do anocalendário de 1998 compensado. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem Guarulhos/SP para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. É primordial que a DRF Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10875.901141/200618 Resolução nº 1802000.357 S1TE02 Fl. 8 7 junte aos autos a cópia da DIPJ do anocalendário de 1998, bem como ateste o pagamento da COFINS referente ao 3º trimestre de 1999, nos valores indicados na DIPJ. Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13839.003139/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação de recibos sem os requisitos exigidos na legislação de regência, são insuficientes para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Hipótese em que o recorrente teve sucesso em complementar as informacoes necessárias a adequação dos requisitos necessários para sua dedutibilidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-002.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 02/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canario da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação de recibos sem os requisitos exigidos na legislação de regência, são insuficientes para comprovar o direito à dedução pleiteada. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em complementar as informacoes necessárias a adequação dos requisitos necessários para sua dedutibilidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 31 39 /2 00 9- 41 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 EDITADO EM: 02/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canario da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.89/90) interposto em 28 de dezembro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (II) (fls.73/82), do qual o Recorrente teve ciência em 08 de dezembro de 2010, fls.88, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 04/08, oriundo de Notificação emitida em 14 de setembro de 2009, em decorrência de deduções indevidas com despesas com instrução, médicas e pensão alimentícia judicial, verificadas no anocalendário de 2004, exigindose Imposto de Renda suplementar no valor de R$ 2.565,89 mais acréscimos legais. A decisão teve exarada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO COM DEPENDENTE E DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos a regularidade das deduções informadas com Dependente e Instrução na DIRPF e glosadas pela fiscalização recompõese a elas o valor correspondente. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. GLOSA. Mantémse a glosa da Dedução Indevida de Pensão Alimentícia quando não comprovada a sua regularidade. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa física. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 89/90, no qual pugna tão somente quanto às despesas médicas, argumentando a regularidade das mesmas e carreando aos autos cópias dos recibos contendo o CPF dos médicos Maurício Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13839.003139/200941 Acórdão n.º 2101002.299 S2C1T1 Fl. 122 3 Haddadd e Maria Aparecida Onuki Haddadd, bem como declarações dos referidos profissionais sobre os serviços prestados. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em relação à glosa das despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” No presente caso, verificase que a fiscalização glosou a despesa de R$ 20.000,00 efetuada com os doutores Maurício Haddadd – R$ 10.000,00 e Maria Aparecida Onuki Haddadd – R$ 10.000,00, vez que os documentos comprobatórios não indicavam o paciente bem como o número do CPF do prestador. Compulsandose os autos verificase que os documentos carreados ao voluntário, suprem os requisitos estabelecidos pela legislação de regência, senão vejamos: As declarações de folhas 109 e 111 cita o nome do paciente LUIS SHINTATE e os recibos de folhas 104 a 108 e 112 a 116, que totalizam R$ 20.000,00, foram emitidos contendo o CPF dos profissionais prestadores. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para admitir deduções de despesas médicas no valor de R$20.000,00. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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