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Numero do processo: 10920.911404/2012-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 04 /2 01 2- 44 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 220,81, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/02/2006. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911404/201244 Acórdão n.º 3803005.346 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911404/201244 Acórdão n.º 3803005.346 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911404/201244 Acórdão n.º 3803005.346 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13603.001617/2007-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. OBSCURIDADES. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Devem ser rejeitados quando não configuradas as omissões e obscuridades apontadas.
Numero da decisão: 3803-005.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. OBSCURIDADES. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Devem ser rejeitados quando não configuradas as omissões e obscuridades apontadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 17 /2 00 7- 80 Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratam os presentes de Embargos de Declaração interpostos pela pessoa jurídica acima identificada, com fulcro no art. 65, II, da Portaria nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), contra o Acórdão nos Embargos de Declaração nº 3803004.598, de 26 de setembro de 2013. O acórdão embargado está ementado como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Devem ser rejeitados quando não configuradas as omissões apontadas. Nos primeiros Embargos, a Embargante arguiu a ocorrência das omissões no julgado, abaixo discriminadas, por ter deixado o acórdão no recurso voluntário de se manifestar expressamente sobre as seguintes questões trazidas no recurso voluntário: a) enquadramento das receitas decorrentes da venda de combustíveis derivados do petróleo entre as receitas submetidas ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins; b) art. 21, II, da instrução normativa RFB nº 600/2005, repetido no art. 27, II, da instrução normativa nº 900/2008. que assegura o direito ao crédito decorrente dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de revenda da gasolina e do óleo diesel combustível, restrição apenas aos créditos de aquisição dos próprios produtos; c) caracterização da embargante como sujeito passivo da obrigação tributária; d) fundamento/parâmetro utilizado pelo legislador para inclusão ou não das receitas decorrentes das [re]vendas de gasolina e óleo diesel no regime não cumulativo de PIS/Cofins, isto é, que o enquadramento se deu em razão do objeto e não do sujeito envolvido; se foi em razão do objeto, a revenda desses combustíveis pelo distribuidor é indistintamente sujeita à não cumulatividade. Tendo o acórdão embargado destacado cada tópico em que a Embargante equacionou a sua defesa, submetendose a essa forma de apresentação enfrentouos pontualmente, descrevendo os fatos pertinentes, e apresentando o que foi exposto e disposto pelo acórdão no recurso voluntário, segundo seus teores abaixo: “1. Omissão quanto ao enquadramento das receitas decorrentes da venda de combustíveis derivados do petróleo entre as receitas submetidas ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins. No acórdão embargado o i. Relator discorreu, preliminarmente, sobre a evolução da tributação do PIS. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.118 3 Partiu da sua instituição por meio da Lei Complementar n° 7/70, mencionou sua alteração pela Lei n° 9.718/98, enfocando o estabelecimento do regime de substituição tributária para os derivados de petróleo, com as refinarias como substitutas tributárias. Aduziu à seguida mudança deste regime para o monofásico, mediante a Lei n° 9.990/2000, e, sucessivamente, a MP nº 2.158/2001 fixou a alíquota zero para as receitas decorrentes da revenda dos derivados de petróleo dos distribuidores e varejistas. Destacou a instituição do regime não cumulativo pela Lei n° 10.637/2002, que, em sua redação original excluiu da sistemática as ditas operações de venda, dos combustíveis derivados de petróleo, nas redações do art. 1°, §3°, IV, do art. 2°, do art. 3°, I e II e §§7° e 8°, e art. 8°, VI. Enfocou a substancial mudança trazida pela Lei n° 10.865/2004, migrando as receitas de derivados de petróleo para o regime não cumulativo, exceto álcool para fins carburantes. Neste ponto, assentou que esta mudança alcança apenas as refinarias, sem modificação da tributação monofásica. Transcreveu o artigo 37 da citada lei, que veiculou esta mudança, texto sobre o qual erigiu a norma individual e concreta em cujo comando positivou o alcance da não cumulatividade para as refinarias, não para os distribuidores e varejistas, tendo assentado que “não é possível o creditamento de PIS/COFINS pelas distribuidoras de combustíveis, na venda ou qualquer outra operação”. Eis o texto que sintetiza o entendimento: Em 1° de agosto de 2004, entraram em vigor novas alterações na incidência da contribuição para o PIS no que se refere aos derivados de petróleo, desta vez, trazidas pela Lei 10.865/2004. As mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS aplicada aos derivados de petróleo, mas apenas para as refinarias. Estas poderiam se creditar nas compras efetuadas e utilizar estes créditos para abater do valor da contribuição a recolher mensalmente.”. (grifei) O acórdão embargado, então, faz o remate do que fora sustentado no acórdão no recurso voluntário “Ora, a norma individual e concreta construída no acórdão considerou as receitas auferidas pelos distribuidores e varejistas como não alcançadas pelo regime não cumulativo, e fêlo diretamente a partir da clara semântica textual do art. 2º, § 1º, da lei nº Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 10.637/2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865/2004, transcrito no acórdão.”. “2. Omissão quanto à caracterização da embargante como sujeito passivo da obrigação tributária. Os posicionamentos adotados no acórdão, na linha do voto condutor, andaram na contramão do interesse da Recorrente, ao nela não ver a condição de sujeito passivo da contribuição que a habilitasse a se servir de créditos na apuração de suas contribuições devidas, pois, como afirmado no acórdão, “as mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS aplicada aos derivados de petróleo, mas apenas para as refinarias.”;[...]. O acórdão embargado, de fato, não embarcou na armadilha acadêmica de conceituála como sujeito passivo das contribuições, conforme propôs a Recorrente. E nem precisava, pois, nos termos do Código Tributário Nacional “Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária”. E essa condição não é a sua, não obstante sobre si gravitar uma incidência tributária potencial em face da imposição da alíquota zero, sem eficácia no plano pragmático de dispêndio/arrecadação. Apesar de o acórdão reconhecer haver incidência tributária na revenda de combustíveis derivados de petróleo, pelo influxo da alíquota zero vigorante nessas relações negociais, a sua conclusão foi que esta “peculiaridade(s) não produz consequência no caso da tributação monofásica”. Assim, vejo que não há omissão se o argumento não foi rebatido nos termos como esperado pela Recorrente. A sua expectativa, neste ponto, foi suplantada, no acórdão, pelas demais razões de direito esgrimidas pelo Relator.”.[grifei] “3. Omissão quanto ao art. 21, II, da instrução normativa RFB nº 600/20051, repetido no art. 27, II, da instrução normativa nº 900/2008. que assegura o direito ao crédito decorrente dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de revenda da gasolina e do óleo diesel combustível. restrição apenas aos créditos de aquisição dos próprios produtos.” 1 Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3 º da Lei n º 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3 º da Lei n º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: [...] II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência; ou Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.119 5 Na solução do conflito o acórdão embargado transcreveu o dito artigo e considerou que o arrazoado em torno do seu conteúdo não configurava uma nova questão, mas um argumento de reforço da questão debatida nos dispositivos legais, no que concerne ao aproveitamento de créditos decorrentes de custos vinculados à revenda dos combustíveis à alíquota zero, tratada em tópico anterior. Daí, o acórdão embargado consignou que não havia necessidade de o acórdão no recurso voluntário ter reproduzido o mesmo teor da exposição fincada em dispositivo legal. Vejase o excerto: “É inelutável que a decisão precisa conter sua fundamentação, elemento essencial e indispensável para a sua validade e que é pressuposto do controle de legalidade efetuado pelo órgão judicante. Do dispositivo regulamentar acima sobressai o argumento trazido pela Recorrente, em torno da qual contrapõese à resistência ao seu alegado direito ao creditamento das despesas de armazenamento e frete na revenda dos combustíveis. Trazer à baila o disposto acima, da instrução normativa nº 600/2004, não configura uma questão a mais, mas um arrazoado, um argumento, uma tese que desenvolve para reforço da questão já debatida nos dispositivos legais, qual seja, a prescrição de aproveitamento de créditos decorrentes de custos vinculados às vendas com alíquota zero não lhe diz respeito; como tal não precisa ser rebatido pelo julgador. Acerca da fundamentação das decisões é bom ter presente a lição de Arruda Alvim em que pontifica: Apesar de o princípio jurídico que determina a fundamentação da sentença ser de ordem pública, o juiz, ao fundamentála, não é obrigado a responder à totalidade da argumentação, desde que conclua com firmeza e assente o decisório em fundamentos idôneos a sustentarem a conclusão. O critério é o de exigir uma fundamentação suficiente, mas não absolutamente exaustiva, pois muitas vezes há argumentos impertinentes (...); neste sentido, a jurisprudência já se manifestou, afirmando que não é nula a sentença com motivação sucinta.[grifo aqui] Motivação sucinta nem é o que ocorre no presente caso. O mesmo sustenta o Superior Tribunal de Justiça: “Desse modo o julgador não estaria obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão”(Resp nº 542.422, 7/12/2004, Min. Luiz Fux). De todo modo, a disposição contida na instrução normativa foi tangencialmente abordada e de forma conclusiva pelo Relator, ao registrar que: .[grifo aqui] Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 ‘[...] A recorrente busca creditarse com os valores gastos com os dois serviços realizados. Porem não é possível o creditamento de PIS/COFINS pelas distribuidoras de combustíveis, na venda ou qualquer outra operação. Entendemos que não se pode aplicar entendimentos diversos, baseado em opiniões minoritárias e ao arrepio da Lei. Considerando as peculiaridades do regime de tributação monofásico, a fixação, no art. 42, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, de alíquota zero para a contribuição para o PIS sobre as receitas auferidas pelas distribuidoras não produz consequência no caso da tributação monofásica’. [grifo aqui] “A conclusão acima é corolário da abordagem, no voto condutor, consoante o explicitado no tópico antecedente. O encadeamento da argumentação já ali, feita sobre dispositivo legal, não se compadece com interpretação de dispositivo regulamentar que ande em direção contrária, o que permite concluirse que a aplicabilidade do teor da instrução normativa não se dá no contexto da incidência monofásica, mas no âmbito, só, do regime não cumulativo, este pertinente aos sujeitos passivos produtores e importadores, segundo o disposto reiterese no art. 2º,§ 1º, da lei nº 10.637/2002. Assim, considero que a matéria neste ponto também foi abordada pelo Relator, inocorrente a omissão apontada.”. “4. Omissão quanto à caracterização da embargante como sujeito passivo da obrigação tributária.”. Na conclusão capturada do acórdão no recurso voluntário, transcrita em grifo no parágrafo a seguir, o acórdão nos embargos demonstrou o posicionamento ali adotado, de considerar que a não cumulatividade relativamente aos derivados de petróleo abarca apenas as refinarias: “Os posicionamentos adotados no acórdão, na linha do voto condutor, andaram na contramão do interesse da Recorrente, ao nela não ver a condição de sujeito passivo da contribuição que a habilitasse a se servir de créditos na apuração de suas contribuições devidas, pois, como afirmado no acórdão, ‘as mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS aplicada aos derivados de petróleo, mas apenas para as refinarias.’”;[grifo aqui]. O acórdão embargado, de fato, não embarcou na armadilha acadêmica de conceituála como sujeito passivo das contribuições, conforme propôs a Recorrente. E nem precisava, pois, nos termos do Código Tributário Nacional ‘Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.120 7 obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária’. E essa condição não é a sua, não obstante sobre si gravitar uma incidência tributária potencial em face da imposição da alíquota zero, sem eficácia no plano pragmático de dispêndio/arrecadação.”. [grifo aqui]. Inconformada com a decisão nos embargos, a ALESAT COMBUSTIVEIS S/A., interpõe os presente embargos centrando o seu argumento na “NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO DO ACÓRDÃO V. EMBARGADO – O ACÓRDÃO PERMANECEU OMISSO E É OBSCURO QUANTO A QUESTÕES DETERMINANTES PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA”; apontadas as questões abaixo: “1) OBSCURIDADE NA CONFUSÃO ENTRE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA E SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA, QUE NÃO SE EXCLUEM MUTUAMENTE O CARF NÃO PODE AGIR COMO ‘LEGISLADOR POSITIVO’ [...]. 2) OBSCURIDADE POR FUNDAMENTARSE EM DISPOSITIVO LEGAL IMPRÓPRIO PARA AFASTAR O CRÉDITO DOS PRODUTOS VINCULADOS A VENDAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO” [...]. 3) OMISSÃO E CONTRADIÇÃO COM O COMANDO DO ART. 17 DA LEI 11.033/04, QUE EXPLICITAMENTE GARANTE O DIREITO AOS CRÉDITOS VINCULADOS A VENDAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO [...]. 4) OMISSÃO SOBRE A CONFIRMAÇÃO DA REFERIDA NORMA POR OCASIÃO DA CONVERSÃO DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS NºS. 413/08 E 451/08 NAS LEIS N°. 11.727/08 E 11.945/09 MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DO LEGISLATIVO [...]. 5) OMISSÃO QUANTO À INSTRUÇÃO NORMATIVA DA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL AUTORIZANDO O CRÉDITO PLEITEADO [...].”. Os novos embargos foram objeto de exame de admissibilidade. Em sua manifestação o em. Conselheiro assim assentou: Confrontandose as alegações do Embargante acima relacionadas com o voto condutor do acórdão embargado, é possível concluir o seguinte: 1) as possíveis confusões que se vislumbram no acórdão embargado em relação aos institutos da incidência monofásica e da sistemática da não cumulatividade podem ser encontradas nos trechos a seguir reproduzidos, em que o relator, no primeiro deles, se referiu ao regime monofásico, quando pretendia, s.m.j., se referir à sistemática da não cumulatividade, e, no segundo, quando não se expressou de forma clara quanto ao alcance do art. 21 da IN SRF nº 600, de 2005, verbis: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 A norma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, dispondo sobre a aferição do quantum debeatur na sistemática não cumulativa, ao tempo em que excepciona a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores da regra geral do caput, é inclusiva dessa mesma receita bruta no regime monofásico, ao estipular para essas bases de cálculo alíquotas diferenciadas(grifei). a aplicabilidade do teor da instrução normativa não se dá no contexto da incidência monofásica, mas no âmbito, só, do regime não cumulativo, este pertinente aos sujeitos passivos produtores e importadores, segundo o disposto – reiterese – no art. 2º,§ 1º, da Lei nº 10.637/2002. 2) a meu ver, mostrase infundada a alegação do Embargante de que seria contra legem a afirmativa do relator de que somente a refinaria, e não as revendedoras, estaria submetida à sistemática não cumulativa, pois, conforme consta do voto sob comento, o relator embasou seu posicionamento no “art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865/2004”, dispositivo esse que alcança somente os “produtores ou importadores”; 3) quanto à alegação de não apreciação do argumento de defesa relativo ao art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que garante o direito aos créditos vinculados a vendas sujeitas à alíquota zero, há que se destacar que referida lei não constou dos primeiros embargos de declaração, não se podendo exigir do julgador, por conseguinte, que apreciasse argumento não ventilado pela parte interessada 4) no que se refere à ausência de manifestação quanto à tentativa frustrada do Poder Executivo de extinguir o direito ao crédito por meio de medidas provisórias, há que se registrar que, não obstante tal matéria ter constado do breve relatório presente nos primeiros embargos – relatório esse denominado pelo Embargante de “Síntese do processo” –, ela não foi incluída dentre as omissões então apontadas, não tendo sequer sido ventilada no pedido final constante da peça recursal, não se podendo exigir do julgador, porquanto, que se expressasse acerca de matéria não recorrida; 5) por fim, em relação à alegada inobservância das Instruções Normativas RFB nº 600, de 2005, e nº 900, de 2008, cujo comando, segundo o Embargante, vincula a Administração tributária federal, tal questão, ainda que não referenciada nos mesmos termos expostos pelo Embargante, foi objeto de apreciação por parte do relator, conforme se verifica no trecho reproduzido na sequência. Não se pode perder de vista que, nos termos do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, somente vinculam os membros das turmas do CARF os tratados, os acordos Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.121 9 internacionais, as leis e os decretos, inexistindo determinação no mesmo sentido quanto às normas complementares da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O encadeamento da argumentação já ali, feita sobre dispositivo legal, não se compadece com interpretação de dispositivo regulamentar que ande em direção contrária, o que permite concluirse que a aplicabilidade do teor da instrução normativa não se dá no contexto da incidência monofásica (grifei). Diante do exposto, é possível concluir pela ocorrência parcial, no voto condutor do acórdão embargado, das contradições/omissões/obscuridades alegadas pelo Embargante, em razão do que, com base no § 2º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pronunciome pela admissibilidade como Embargos de Declaração da petição apresentada por Alesat Combustíveis S/A. Das cinco questões que compuseram o objeto dos presentes embargos, apreciadas, apenas o primeiro tópico passou pelo crivo do n. Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Os embargos preenchem os pressupostos de existência, de adequação, e são tempestivos, portanto deles conheço. Seguese a exploração de cada tópico: 1. OBSCURIDADE NA CONFUSÃO ENTRE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA E SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA, QUE NÃO SE EXCLUEM MUTUAMENTE O CARF NÃO PODE AGIR COMO ‘LEGISLADOR POSITIVO’ Ao admitir a existência de obscuridade a gerar confusão na leitura do acórdão embargado, em relação aos institutos da incidência monofásica e da não cumulatividade , o em. Conselheiro identificoua, primeiramente, no texto abaixo, ao imaginar que o relator mencionou o regime monofásico quando queria citar o não cumulativo. Eis o texto do acórdão nos embargos considerado pelo conselheiro com possível obscuridade: A norma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, dispondo sobre a aferição do quantum debeatur na sistemática não cumulativa, ao tempo em que excepciona a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores da regra geral do caput, é inclusiva dessa mesma receita bruta no regime Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 monofásico, ao estipular para essas bases de cálculo alíquotas diferenciadas (grifou). No acórdão, o texto acima é complementado pela transcrição do artigo e sua análise, conforme reproduzida abaixo: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1ª, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:[grifo aqui] I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...] O texto é pontual, direto, completo, sem lacuna, penumbra ou ambiguidade, de sorte a requerer a aplicação do método de integração para que se alcance o conteúdo da norma que sobre ele se pode erigir. Como se pode ver, o texto legal que fundamenta a decisão foi transcrito e a interpretação foi feita, implicitamente nestes termos: A receita bruta auferida pelos produtores e importadores submetese ao regime não cumulativo, porém, não à alíquota de 1,65%, que devem aplicar as alíquotas [...]. Ante este proceder, não há como conspurcar o acórdão de omisso, neste ponto. Podese discordar da interpretação dada. Afirma a então a Recorrente, no recurso voluntário: Lei nº 10.865/04: alterou a redação do art. I9, §3º, IV, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 para afastar do regime da não cumulatividade apenas as receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes, de modo que as receitas de todos os demais produtos submetidos ao regime monofásico passaram a se sujeitar concomitantemente à sistemática da não cumulatividade.[grifo da Recorrente] Notese que, neste último parágrafo acima, a Recorrente fez uma paráfrase do texto legal, conforme a interpretação que quis dar e erigiu assim a norma que lhe era conveniente. Na sequência da transcrição do parágrafo acima, o acórdão nos embargos continuou em sua análise, conforme abaixo, contrapondo a interpretação da então Recorrente: Sobre esta paráfrase do dispositivo legal a Recorrente cometeu o equívoco de referir que a inclusão das receitas de gasolina e óleo diesel na não cumulatividade do PIS/Cofins se deu em razão do OBJETO da operação de venda e não do SUJEITO envolvido nessa mesma Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.122 11 operação, porquanto o destinatário dessa norma, como aduzido acima, são os produtores ou importadores. [grifo aqui] Como se vê, o texto citado no exame de admissibilidade é apenas um excerto de todo o arrazoado. Sabese que extrair um texto do seu contexto é um passo que se dá no rumo de várias compreensões possíveis de se obter ou da própria impossibilidade de compreendêlo. Urge, pois, que se tenha o excerto no corpo do texto em que se insere. De toda maneira, vejo que é possível apreender com clareza o conteúdo do texto do acórdão, pela leitura dele só. O texto faz a exegese do art. 2º da Lei nº 10.637/02 e diz que sua cabeça fixa a regra geral de incidência não cumulativa, à alíquota de 1,65%; que o parágrafo primeiro diz que esta regra geral da não cumulatividade não vale para (“excepciona” ou excetua, como no texto legal) a receita bruta dos produtores e importadores, porque tal regra a incluí (“é inclusiva dessa mesma receita) no regime monofásico, com alíquotas diferenciadas antes previstas. Então, o texto não é obscuro e quis mesmo dizer regime monofásico. Observese que no parágrafo a seguir do texto supostamente obscuro o acórdão nos primeiros embargos informa que o texto legal acima estava no acórdão do recurso voluntário e que fora interpretado implicitamente nos termos que o acórdão nos embargos consignou, nos seguintes termos: “A receita bruta auferida pelos produtores e importadores submetese ao regime não cumulativo, porém, não à alíquota de 1,65%; devem aplicar as alíquotas [...].[grifei] Assim, a posição dada pelo acórdão no recurso voluntário, e destacada no acórdão nos embargos, foi construído sobre o teor do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/02, segundo o qual o regime não cumulativo comunga, sim, com o monofásico, porém, relativamente à receita bruta dos produtores e importadores. Esta posição assentada contraria de forma clara o entendimento da Recorrente/Embargante, segundo a qual “as receitas de todos os demais produtos submetidos ao regime monofásico passaram a se sujeitar concomitantemente à sistemática da não cumulatividade”, e que a mudança de regime se dera em razão do objeto, não do sujeito. Enfim, o acórdão no recurso como o acórdão nos embargos deixaram claro que os destinatários da norma da não cumulatividade são os produtores e importadores. E o fez sobre a leitura do art. 2º da Lei nº 10.737/02, tendo afirmado que “o texto [legal] é pontual, direto, completo, sem lacuna, penumbra ou ambiguidade, de sorte a requerer a aplicação do método de integração para que se alcance o conteúdo da norma que sobre ele se pode erigir”. O raciocínio desenvolvido foi conciso e permite o pleno conhecimento da motivação da decisão, de sorte que sobre o indigitado texto não vejo que se tenha baixado o véu da obscuridade. 2) OBSCURIDADE POR FUNDAMENTARSE EM DISPOSITIVO LEGAL IMPRÓPRIO PARA AFASTAR O CRÉDITO DOS PRODUTOS VINCULADOS A VENDAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 Como se pode ver no texto abaixo, transcrito dos embargos, muito embora se esteja discorrendo sobre o segundo tópico, o conteúdo da objeção da Embargante circula em torno da mesma questão já solucionada no tópico anterior: “No acórdão embargado, o direito ao creditamento foi negado a partir de equivocada interpretação restritiva da legislação, principalmente quanto ao art. 2o, §1°, I, da Lei n°. 10.637/02 , pois segundo tal entendimento, apenas ‘o produtor e o importador’ de combustíveis teriam o direito a crédito”. [...] Por certo, não haveria como os produtores e importadores ficarem sujeitos à alíquota de 1,65% quanto ao PIS, haja vista que, quanto à cadeia de combustíveis, o legislador optou pela incidência monofásica (concentrada). A incidência unicamente sobre a etapa inicial da cadeia, ocupada pelos produtores ou importadores trouxe a tais sujeitos a incidência de uma alíquota diferenciada (majorada), em nada significando tal técnica de arrecadação na impossibilidade de que os demais sujeitos que incidência na cadeia apurem e aproveitem créditos relativos a outros custos e despesas vinculados ao produto principal. O acórdão é obscuro quanto ao ponto. Tanto mais ao perceberse que a lei determina que a submissão à nãocumulatividade se dá em razão do OBJETO da operação de venda de mercadorias (produtos), e não do SUJEITO envolvido nessa mesma operação. Daí a irrelevância da qualidade do contribuinte envolvido na operação de venda (fabricante, importador, distribuidor ou varejista), como insiste o acórdão embargado. Prova disso é que até a entrada em vigor da Lei n° 10.865, em 01/08/2004, todas as operações com produtos sujeitos a incidência/recolhimento monofásico submetiamse ao regime cumulativo. Mas com a entrada em vigor da Lei n° 10.865/04, os produtos sujeitos ao regime monofásico do PIS e da COFINS passaram a sujeitarse à não cumulatividade, com exceção do álcool para fins carburantes. [...] Tanto é assim que as Soluções de Consulta 174/12 e 175/12 (SRFF/8ª RF) decidiram:[...] Por isso seria ‘contra legem’ afirmar que apenas a refinadora (que paga a contribuição de forma concentrada) e não as revendedoras (sujeitas à alíquota zero) estaria submetida à sistemática nãocumulativa. O acórdão embargado merece esclarecimento também sobre este ponto. É bom que se coloque a questão no esquadro em que ela deve se conter, qual seja, o foco deve ser de natureza processual, não envolve interpretação em torno do direito Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.123 13 material. Sob esse prisma, é importa elucidar o conceito de obscuridade, qualidade que conspurca o acórdão e que, presente, concretiza o pressuposto recursal objetivo da adequação sobre o qual os embargos foram admitidos. Segundo Marinoni[2], a obscuridade significa falta de clareza no desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Diz ele que ela representa hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância etc., capazes de prejudicar a interpretação da motivação. A Embargante sustenta que é imprópria a fundamentação sobre a qual os acórdãos antecedentes desproveram o pleito da Recorrente, o art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/02, e faz a defesa do seu entendimento citando genericamente a Lei nº 10.865/04 e sem proceder a uma dialética hermenêutica, argumentativa em torno da norma que estaria a amparar o direito por que pugna. Sustenta que todos os produtos monofásicos foram enquadrados na sistemática não cumulativa, e, assim, em razão do objeto, não do sujeito, mas não demonstra em que norma se ampara essa pretensão, para contrariar o teor do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/02. Dessa forma, não se vê configurada confusão argumentativa dos Julgadores ad quem, muito menos impróprio o uso do citado dispositivo legal como esteio da decisão, que suscitasse nela obscuridade. 3) OMISSÃO E CONTRADIÇÃO COM O COMANDO DO ART. 17 DA LEI 11.033/04, QUE EXPLICITAMENTE GARANTE O DIREITO AOS CRÉDITOS VINCULADOS A VENDAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Quanto a este tópico, confirmo a observação contida no despacho de admissibilidade, item “3”, segundo o qual o dispositivo legal acima não fez parte dos questionamentos levantados nos primeiros embargos, não compondo o rol das omissões pontuadas ali. Pelo que, não deve ser alvo de tréplica: 3) quanto à alegação de não apreciação do argumento de defesa relativo ao art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que garante o direito aos créditos vinculados a vendas sujeitas à alíquota zero, há que se destacar que referida lei não constou dos primeiros embargos de declaração, não se podendo exigir do julgador, por conseguinte, que apreciasse argumento não ventilado pela parte interessada. Contudo, consigno o entendimento de que este artigo inscrevese na sequência de outros (art. 13 ao art. 17) que têm um destinatário específico, os beneficiários do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO, constituindose, por isso, em norma especial a compor a política de benefício 2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 fiscal a este setor. Como benefício que é, necessita de literalidade para que seu conteúdo se estenda a outros sujeitos. Não há na norma do art. 17 parâmetro algum (vocábulo ou expressão) que a conecte com as normas gerais de creditamento previstas nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, o até na Lei nº 10.865/04. A conexão com estas, pela técnica legislativa usual, se daria por meio de nova redação dada ao respectivo artigo de lei, com a introdução de parágrafo. Nada obstante a técnica legislativa adotada, numa interpretação um pouco mais ampla, podese ter que a aplicação do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 a par de não estar criando novas possibilidades de créditos destinase a manter o creditamento sobre determinados insumos aplicados em produtos e mercadorias cujas receitas de vendas sofrem normalmente a incidência das contribuições, que poderiam ser utilizados caso não houvesse a adoção de alíquota zero na saída destes. 4) OMISSÃO SOBRE A CONFIRMAÇÃO DA REFERIDA NORMA POR OCASIÃO DA CONVERSÃO DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS NºS. 413/08 E 451/08 NAS LEIS N°. 11.727/08 E 11.945/09 MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DO LEGISLATIVO De semelhante modo, esta objeção ao acórdão não esteve contida no rol das omissões apontadas nos embargos, como também observado no Despacho de Admissibilidade; a esta se deve dar a mesma atenção do tópico anterior. Eis o texto do despacho: 4) no que se refere à ausência de manifestação quanto à tentativa frustrada do Poder Executivo de extinguir o direito ao crédito por meio de medidas provisórias, há que se registrar que, não obstante tal matéria ter constado do breve relatório presente nos primeiros embargos – relatório esse denominado pelo Embargante de “Síntese do processo” –, ela não foi incluída dentre as omissões então apontadas, não tendo sequer sido ventilada no pedido final constante da peça recursal, não se podendo exigir do julgador, porquanto, que se expressasse acerca de matéria não recorrida; Conquanto isso, assento que não se pode acolher a conclusão que a Embargante pretende extrair das citadas medidas provisórias, de ser inequívoco o direito ao creditamento antes da edição de ambas, por estarem prevendo a exclusão ao direito de quaisquer créditos para os revendedores distribuidores e varejistas de produtos inseridos no sistema de tributação monofásica. Por essa lógica só se exclui o que antes estava incluído. Porém, a conclusão a se alcançar das ditas medidas provisórias é que elas vieram apenas destacar expressamente o entendimento de que não se aplica o disposto no art. 17 da Lei 11.033∕04 aos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias previstas no art. 2º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. A força deste entendimento está em convergir com o que já se disse no art. 17, citado. Os dispositivos das medidas provisórias interpretaram a lógica da incompatibilidade do regime monofásico dos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das ditas mercadorias com o sistema de apuração de créditos da não cumulatividade. Tal incompatibilidade não existe, como já manifestado, em relação aos produtores e importadores, que suportam a carga do tributo. Para os demais da cadeia de comercialização o que se dá é repercussão econômica. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.124 15 5) OMISSÃO QUANTO À INSTRUÇÃO NORMATIVA DA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL AUTORIZANDO O CRÉDITO PLEITEADO Neste quesito, o n. Conselheiro reconheceu que a matéria fora apreciada, embora não tenha destacado a identificação de ambos os regulamentos. Eis os seus termos: 5) por fim, em relação à alegada inobservância das Instruções Normativas RFB nº 600, de 2005, e nº 900, de 2008, cujo comando, segundo o Embargante, vincula a Administração tributária federal, tal questão, ainda que não referenciada nos mesmos termos expostos pelo Embargante, foi objeto de apreciação por parte do relator, conforme se verifica no trecho reproduzido na sequência. Não se pode perder de vista que, nos termos do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, somente vinculam os membros das turmas do CARF os tratados, os acordos internacionais, as leis e os decretos, inexistindo determinação no mesmo sentido quanto às normas complementares da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Citou o excerto abaixo, como correspondente à manifestação do acórdão sobre a matéria, extraído do contexto desenvolvido no tópico “OMISSÃO QUANTO AO ART. 21, II, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 600/2005, REPETIDO NO ART. 27, II, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 900/2008. QUE ASSEGURA O DIREITO AO CRÉDITO DECORRENTE DOS CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE REVENDA DA GASOLINA E DO ÓLEO DIESEL COMBUSTÍVEL. RESTRIÇÃO APENAS AOS CRÉDITOS DE AQUISIÇÃO DOS PRÓPRIOS PRODUTOS”: O encadeamento da argumentação já ali, feita sobre dispositivo legal, não se compadece com interpretação de dispositivo regulamentar que ande em direção contrária, o que permite concluirse que a aplicabilidade do teor da instrução normativa não se dá no contexto da incidência monofásica (grifei). Neste ponto trago à baila o segundo texto do acórdão embargado apontado no Despacho de Admissibilidade que poderia conter obscuridade: aplicabilidade do teor da instrução normativa não se dá no contexto da incidência monofásica, mas no âmbito, só, do regime não cumulativo, este pertinente aos sujeitos passivos produtores e importadores, segundo o disposto – reiterese – no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002. Analisemos: Reza o art. 21, II, da IN SRF nº 600/2005: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3 º da Lei n º 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3 º da Lei n º 10.833, de Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: [...] II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência; É trivial dizer que a cabeça do artigo é regra geral de aproveitamento dos créditos apurados no regime da não cumulatividade. Ora, tudo o quanto antes foi dito deságua na conclusão de que “a aplicabilidade do teor da instrução normativa não se dá no contexto da incidência monofásica, mas no âmbito, só, do regime não cumulativo, este pertinente aos sujeitos passivos produtores e importadores, segundo o disposto – reiterese – no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002”. E quanto ao inciso II, registrese que dentre os inúmeros dispositivos legais que esta instrução normativa veio regulamentar, consta do seu preâmbulo o indigitado art. 17 da Lei nº 11.033/04, regulamentando a forma de utilização dos créditos mantidos, verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Assim, o teor do inciso II, art. 21 da IN SRF 600/05, explicase no contexto do que já se assentou sobre o art. 17, citado. Elucidado como está o teor e a motivação das decisões não consigo enxergar qualquer obscuridade, confusão, seja nas parágrafos mencionados, nem nos conceitos estampados dos regimes de incidência (não cumulativo e monofásico) e sua convivência no sistema. De tudo, é possível concluir que não se afirmou que a instrução normativa fez disciplina contra legem, como aduziu a Embargante, nem esta Turma do CARF atuou como legislador positivo. As normas foram, de fato, desintegradas, na hermenêutica procedida nas decisões, reconhecendo cada uma em seu campo de gravitação próprio, mas nem por isso o olhar de aplicador deixou de ser sistêmico. Conclusão Não se tenha o que segue como fundamento da decisão, mas como meros argumentos. · Que lógica haveria no sistema para o âmbito das finanças públicas que anda pari passu com o Direito Tributário, como seu tributário , com a instituição de regime monofásico para diversos setores, se a Fazenda tem que “ressarcir” créditos a distribuidores e varejistas que não apuram o tributo? (e até nem serviria, porque não é argumento jurídico); Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001617/200780 Acórdão n.º 3803005.296 S3TE03 Fl. 1.125 17 · Qual a lógica (jurídica) dentro do próprio regime da não cumulatividade “ressarcir” créditos sem a contrapartida de débitos que esses outros sujeitos não apuram, quando o princípio convertido em regra legal é: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação:...”? (este é argumento jurídico); · Qual a lógica, no plano da Administração Tributária, de instituir o regime monofásico de arrecadação e ocupar um arsenal de fatores de atuação para administrar ressarcimentos aos já referidos sujeitos? Por todo o exposto, voto por rejeitar os embargos interpostos. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16682.900799/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 28/09/2007
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O pagamento a maior de estimativa caracterizase
como indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa Selic, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP, inclusive com o próprio IRPJ por estimativa, mas sem a dedução daquele excedente. A IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito tributário de IRPJ aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos antes de 1º de janeiro
de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.
Numero da decisão: 1302-001.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Hélio Eduardo de Paiva Araújo
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O pagamento a maior de estimativa caracterizase como indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa Selic, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP, inclusive com o próprio IRPJ por estimativa, mas sem a dedução daquele excedente. A IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito tributário de IRPJ aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos antes de 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Giulherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 07 99 /2 01 0- 24 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 2 Relatório RIO POLÍMEROS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ, que por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação – DCOMP n° 02064.96060.301107.1.3.042609, por meio da qual a contribuinte, ora recorrente, fez uso de pagamento indevido ou a maior de IRPJ verificado no período de apuração encerrado em 31/08/2007. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 02064.96060.301107.1.3.042609, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação: 28/09/2007 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 1.466.837,75 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 1.466.837,75 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 1.374.300,33 O crédito teria origem no DARF recolhido em 28/09/2007, de IRPJ (código 2362), no valor de R$ 1.466.837,75. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 07, nº de rastreamento 880538985, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.466.837,75. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF nº 600/2005, art. 74 da Lei nº 9.430/96.” A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/09/2010, fls. 11. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 21/10/2010, fls. 12/130, alegando: I – Do inequívoco direito à compensação Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900799/201024 Acórdão n.º 1302001.351 S1C3T2 Fl. 230 3 a compensação não foi homologada ao argumento de que o montante oriundo de recolhimento indevido ou a maior que o devido, a título de estimativa de IRPJ e CSLL, somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ e da CSLL devidos no final do período de apuração, em 31 de dezembro, em razão do disposto no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005. o litígio é restrito à possibilidade de compensação de valores pagos indevidamente ou a maior que o devido, a título de estimativa de IRPJ e CSLL, somente poderá ser utilizado na dedução do IRPJ e da CSLL devidos no final do período de apuração, em 31 de dezembro, em razão do disposto no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005. conforme se infere na Ficha 11 da DIPJ/2008 e DCTF, o valor devido a título de estimativa de IRPJ no mês de agosto de 2007 é de R$ 1.712.631,75, quitado com o DARF no valor de R$ 9.000.000,00; porém, fez outro recolhimento de estimativa no valor de R$ 1.466.837,75. a IN SRF nº 600/2005 foi revogada pela IN SRF nº 900/2008, em vigor quando o despacho decisório foi proferido. a IN SRF nº 900/2008, que regula e interpreta a legislação relativa à compensação tributária, diferentemente do que constava na IN SRF nº 600/2005, não veda a compensação de valores pagos indevidamente a título de débito de estimativa de IRPJ e CSLL. esta norma complementar da legislação tributária deveria ter sido observada nos termos do artigo 106, I do CTN. além de ter revogado o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, a IN SRF nº 900/2008 trata juridicamente o pagamento indevido de estimativa como efetivo indébito tributário, sua real natureza jurídica, com incidência da regra do artigo 106, II, “b” do CTN. também deixou de classificar a compensação do indébito como sendo uma infração, aplicandose o artigo 106, II, “a” do CTN. II – A inexistência do fundamento legal para o artigo 10 da IN SRF nº600/2005. o despacho decisório está fundamentado no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, que não possui base legal. tendo que (1) o artigo 2º da Lei nº 9.430/96 define como débito de IRPJ e CSLL um valor exato a ser recolhido mensalmente, com imposição de penalidade pelo não pagamento, e (2) sendo que somente este montante poderá ser deduzido do imposto devido no final do exercício, certamente que os valores recolhidos além do apurado conforme legislação configurase Pagamento Indevido ou Maior a ensejar a sua restituição, nos termos do art. 165, I do CTN. ou seja, a legislação do IRPJ e CSLL vincula a utilização de saldo negativo apenas os valores efetivamente devidos a titulo de estimativa, não havendo vinculação ao saldo negativo de valores pagos a maior. o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 viola as disposições do artigo 2º da Lei nº 9.430/96 e do artigo 165 do CTN. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 4 III – Da improcedência do processo de cobrança correlato em razão da inexistência de débito a ser exigido do contribuinte. no caso de não reconhecimento do direito creditório, cabe o cancelamento da cobrança do processo correlato nº 16682.901005/201040. tanto o crédito quanto o débito compensado são estimativas de IRPJ do mesmo período. com a aplicação do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, por decorrência lógica, é improcedente a cobrança, já que o valor da estimativa indevidamente pago deverá ser utilizado para o abatimento do imposto apurado no final do exercício, como determina a segunda parte do citado artigo. a diferença entre reconhecer a utilização do crédito quando da realização da compensação, ou somente para a dedução no final do exercício, nos termos do artigo 10, influencia apenas no cumprimento das normas pertinentes ao Regime de Estimativa Mensal, mas não no valor do imposto devido no exercício, que no caso será o mesmo. o recolhimento de R$ 1.466.837,75 a título de estimativa de IRPJ do mês de agosto/2007 é incontroverso; a aplicabilidade do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 apenas tem o condão de (1) reconhecer a realização deste pagamento a título de estimativa no mês de outubro de 2007 (objeto da compensação pleiteada), o qual será abatido do valor apurado ao final do exercício; ou (b) reconhecer este pagamento como estimativa paga a maior no mês de agosto de 2007, igualmente compensável com os débitos decorrentes da apuração do imposto no final desse ano de 2007. ou seja, recolheu na integralidade os valores que eram devidos a título de estimativa no exercício de 2007, não havendo qualquer débito a ser imputado; sendo inequívoco o recolhimento de R$ 1.466.837,75 a título de estimativa de IRPJ no exercício de 2007, seja como se der o reconhecimento do crédito (quando da compensação em outubro ou no final do exercício), o presente processo de cobrança deve ser extinto por inexistir débito a ser pago. é incabível a cobrança das estimativas após o final do anocalendário, conforme artigos 15, 16 e 49 da IN SRF nº 93/97. Cientificada da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera os pedidos já formulados quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, e enfatiza os seguintes dois tópicos: I – Da atualização do indébito pela Taxa Selic desde o momento do recolhimento indevido. não se discute a compensação dos montantes que foram apurados e que são devidos conforme a sistemática de cálculo das Estimativas do IRPJ e CSLL, prevista no artigo 2º da Lei 9.430/96; indiscutível a aplicação da Taxa Selic com fulcro no artigo 39, §4º, da Lei 9.520/1995. tal dispositivo estabelece que o termo a quo da incidência da Taxa Selic é a data do pagamento indevido ou a maior; II – Da comprovação do recolhimento indevido ou a maior de estimativas em agosto/2007. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900799/201024 Acórdão n.º 1302001.351 S1C3T2 Fl. 231 5 não pode prevalecer ou mesmo ser preponderante o entendimento de que a Declaração de Compensação não poderia ser homologada sem a comprovação cabal de que o pagamento de estimativas foi indevido ou a maior, já que restou comprovado nos autos, através da DIPJ, DCTF mensal de agosto/2007 e das guias de arrecadação, a ocorrência de um pagamento a maior de valores a título de estimativa de IRPJ. por via de dúvidas, apresenta Balancete referente ao mês de agosto/2007 que comprova o Lucro Líquido apurado no mês em questão. III – Da inexistência de duplicidade no uso do crédito de IRPJ na monta de R$ 1.466.837,75. equivocado o entendimento da D. Julgadora da 1ª Instância que homologou o crédito apenas parcialmente, sob o argumento de que os créditos foram utilizados em duplicidade na composição do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, considerando que o que aconteceu, em verdade, fora um mero erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP nº 37103.44284.220909.1.07.023050; ora, um mero erro de fato no preenchimento de uma Declaração de Compensação não teria a prerrogativa de afastar o direito creditório do Contribuinte, ainda mais, porque restou comprovado a composição do saldo negativo e, consequentemente, a existência do crédito tributário em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele conheço. Para análise do presente, copio o histórico dos fatos apresentada pela nobre relatora de 1a instância, pois também entendo serem estes relevantes para a formação da convicção do julgamento: *28/09/2007, a interessada efetuou os seguintes pagamentos a título de IRPJ devidos por estimativa, relativo ao mês de agosto/2007, código 2362, totalizando R$11.348.819,64: R$ 9.000.000,00 R$ 1.466.837,75 R$ 881.981,89 *03/10/2007, apresentou DCTF mensal do mês de agosto/2007, declarando débito de IRPJ deste mês, no valor de R$ 11.348.819,64, vinculando os três pagamentos efetuados. *30/11/2007, retificou a DCTF alterando o débito de IRPJ do mês de agosto/2007 para o valor de valor de R$ 1.712.631,75, vinculando os três pagamentos efetuados, mas aproveitando somente o crédito do pagamento no valor de R$ 9.000.000,00, conforme quadro abaixo: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 6 Período Apuração Código Receita Data Vencimento Valor Principal Valor Multa Valor Juros Valor Total DARF Valor Pago Débito 31/08/2007 2362 28/09/2007 881.981,89 0,00 0,00 881.981,89 0,00 31/08/2007 2362 28/09/2007 1.466.837,75 0,00 0,00 1.466.837,75 0,00 31/08/2007 2362 28/09/2007 9.000.000,00 0,00 0,00 9.000.000,00 1.712.631.75 *30/11/2007 apresentou a DCOMP n° 02064.960060.301107.1.3.042609, objeto deste processo, pretendendo compensar o crédito relativo ao pagamento recolhido indevidamente, no valor de R$ 1.466.837,75. O débito a ser compensado é da estimativa de IRPJ, do mês de setembro/2007, no valor de R$ 1.250.749,62, mas que com os encargos legais, já que a DCOMP foi intempestiva, totaliza R$ 1.387.081,32; o crédito original utilizado para compensação é de R$ 1.374.300,35. *24/06/2008, apresentou DIPJ/2008, informando a estimativa devida de IRPJ para o mês de agosto de 2007 no valor de R$ 1.712.631,75, apurando saldo negativo de IRPJ de R$ 2.713.470,37. *26/08/2009, apresentou DIPJ/2008 retificadora, mantendo a estimativa de IRPJ no valor de R$ R$ 1.712.631,75, e reduzindo o saldo negativo de IRPJ para R$ 1.837.320,24, em razão da exclusão do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 876.150,13, do imposto devido no final do período. *18/06/2009 apresentou DCOMP nº 11635.65776.180609.1.3.020828, retificada pela DCOMP nº 37103.44284.220909.1.7.023050, fls. 136/147, aproveitando o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, no valor de R$ 1.837.320,24. Atualmente, a análise da DCOMP está aguardando o julgamento das DCOMP referenciadas, na composição de suas estimativas, como é a DCOMP do objeto do presente recurso. Nos termos do voto vencido da relatora de 1a instancia, verificouse que o pagamento de R$ 1.466.837,75 não está vinculado ao débito de IRPJ por estimativa, o que tornou evidente que o pagamento foi efetuado indevidamente, no valor de R$ 1.466.837,75. Logo, há crédito de R$ 1.374.300,33 para compensação, conforme pleiteado na DCOMP, objeto do presente processo. No entanto, o não reconhecimento do direito creditório teve como fundamento o artigo 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, que assim determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ou seja, quer o dispositivo acima que qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, o qual é claramente determinado em observância ao artigo 2º da Lei nº 9.430/96, seja utilizado somente para redução do IRPJ devido no final do período de apuração ou para composição do saldo negativo. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900799/201024 Acórdão n.º 1302001.351 S1C3T2 Fl. 232 7 Relevante notar que durante a vigência da referida Instrução Normativa n° 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Dessa forma, o pagamento a maior ou indevido não poderia ser compensado ou restituído, via PER/DCOMP, já que tal pagamento, enquanto se caracterizar apenas como pagamento por estimativa, não tem natureza de indébito, que daria direito à restituição por PER/DCOMP, sendo passível, apenas, de dedução na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Para efeitos da dedução ao final do período de apuração, as antecipações recolhidas seriam confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito só seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subsequente ao do encerramento do anocalendário, ou seja, a partir do mês de janeiro que se seguir ao encerramento do período de apuração. Contudo, no modesto entendimento deste julgador, o débito por estimativa sempre teve – desde o advento de tal imposição às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e independentemente da entrada em vigor da IN SRF nº 900/2008 e consequente revogação da IN SRF nº 600/2055 – fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento estabelecidos pela legislação, de forma que o pagamento que superar o valor devido no período, apurado de acordo com a legislação de regência (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996), configura, sim, pagamento indevido, passível de restituição ou Compensação de imediato. Nesse sentido, transcrevese a ementa do Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. (Acórdão CARF nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção – Sessão de 9 de julho de 2010) Corroborando o entendimento acima, peço vênia aos meus pares para transcrever os fundamentos utilizados na Solução de Consulta Interna n° 19 – Cosit, onde a própria autoridade reconhece que o artigo 10 da IN RFB nº 600 tem caráter meramente interpretativo, explicitando o sentido e o alcance dos atos legais. Assim, por serem meramente interpretativos, não tendo natureza constitutiva, devem ser aplicados aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa: O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 8 contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Quanto à natureza jurídica das instruções normativas, são atos que têm por função complementar e normatizar a legislação tributária, enquadrandose no art. 100, inciso I do CTN. Têm, também, esses atos, natureza interpretativa, explicitando o sentido e alcance dos atos legais. Nessa acepção, embora se enquadre na categoria de atos normativos, não possuem natureza de ato constitutivo, uma vez que não se revestem do poder de criar, modificar ou extinguir relações jurídicotributárias, em razão, precisamente, de seu caráter meramente interpretativo. Muitas vezes é difícil distinguir nos atos normativos a função complementar da função interpretativa. Em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, estabeleceu que a Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação (função complementar, de natureza procedimental). Contudo, no presente caso, o art. 10 das IN SRF nº 460, de 2004, e SRF nº 600, de 2005, e o art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, têm nítido caráter interpretativo, pois visam dar o entendimento da administração tributária acerca das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Assim, em face do caráter interpretativo do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, é de se responder à primeira questão da seguinte maneira: a alteração de entendimento constante do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Ressaltese que não se aplica à espécie o art. 2º da LICC – Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 – dispositivo este que trata de vigência e revogação das leis no tempo –, uma vez que as normas legais interpretadas, que dispõem sobre estimativa/restituição/compensação, permaneceram inalteradas, mas de mudança de interpretação quanto às regras a serem adotadas no caso de pedido de restituição/compensação, quando o crédito do contribuinte decorrer de pagamento indevido a título de estimativa. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, é de se responder à interessada que, havendo pagamento em valor superior ao débito efetivamente apurado, realizado após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, caracterizase como pagamento indevido ou a maior, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Portanto, tendo sido o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada exarado em 06/09/2010, a nova interpretação quanto à formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL trazida pelo art. 11 da Instrução Normativa RFB n° Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 16682.900799/201024 Acórdão n.º 1302001.351 S1C3T2 Fl. 233 9 900/2008, deveria ter sido adotada pela recorrida, aplicandose automaticamente ao pedido de compensação – DCOMP objeto deste processo. Dessa forma, sendo incontroverso a existência do crédito pleiteado, uma vez que os comprovantes dos recolhimentos foram trazidos aos autos, tendo sido certificado, inclusive, pela relatora de 1a instancia que o crédito ora pleiteado de pagamento indevido foi tão somente utilizado para compensação de estimativa de IRPJ do mês de setembro/2007, conforme consta nas informações que compõem o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, não há como negar o direito do contribuinte, ora recorrente, em utilizar tal indébito para o pagamento de crédito tributário futuros via PER/DCOMP. Ademais, considerando tratarse de indébito tributário, não resta dúvida que e o mesmo deverá ser atualizado à taxa Selic desde o momento do recolhimento indevido – mais precisamente a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior ao da compensação e de 1% relativamente ao mês que estiver sendo efetuada, na forma do art. 39, § 4º da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei 9.532/97. A matéria tratada nestes autos foi inclusive objeto de Súmula neste Colegiado, qual seja, a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84 – Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. As súmulas CARF são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Ainda, no que diz respeito à existência da duplicidade no uso do crédito de IRPJ na monta de R$ 1.466.837,75, apesar de a nobre colega da 1ª Instância ter entendido que na composição do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 foi utilizado o mesmo crédito em duplicidade, tomo a liberdade de me opor a tal opinião. A partir dos documentos apresentados pela Recorrente, sobretudo a PER/DCOMP nº 37103.44284.220909.1.07.023050, a qual, inegavelmente, retifica a PER/DCOMP nº 11635.65776.180609.1.3.020828, chegase à conclusão de que o montante de R$ 830.649,86 decorreu de um erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP retificadora. Não obstante, a partir da Ficha 12A da DIPJ/2008, ano calendário2007, foi constatado que a Recorrente deveria levar aos cofres públicos o montante de R$ 48.753.827,06 a título de IRPJ sobre o lucro real apurado no período em questão. Com efeito, tendo em vista a forma de apuração sob o regime do Lucro Real, verificase que o montante acima aludido foi integralmente recolhido pela Recorrente ao longo do anocalendário de 2007 através do pagamento das Estimativas Mensais de IRPJ devidas, os quais totalizaram o montante de R$ 50.591.147,30. Ora, uma vez comprovado o recolhimento integral do IRPJ devido no período, resta um saldo credor em favor do contribuinte, no montante de R$ 1.837.320,24, sendo exatamente este o valor utilizado pela Recorrente para compensação de outros débitos próprios no PER/DCOMP nº 37103.44284.220909.1.07.023050. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 10 Portanto, podese concluir, sem hesitar, que a duplicidade na composição do crédito, na realidade, nunca existiu, tratandose, apenas, de um mero erro de fato no preenchimento da DIPJ, o que, inquestionavelmente, não possui o condão de afastar o que a Recorrente comprovou através dos documentos citados. Por todo o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 1.466.837,75, devidamente atualizado pela taxa Selic, homologando a compensação pleiteada, com o consequente cancelamento do Processo de Cobrança nº 16682.901005/201040. Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 4/04/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900105/2013-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/08/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/08/2011 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 01 05 /2 01 3- 87 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 3 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. 4 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, 5 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de 6 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não 7 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10882.900060/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat May 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI.
A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência.
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Sendo plenamente demonstrados os motivos da glosa é impertinente a arguição de nulidade do ato decisório por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3401-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Sendo plenamente demonstrados os motivos da glosa é impertinente a arguição de nulidade do ato decisório por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 00 60 /2 00 6- 01 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de fls. 70/75, que diante do valor do crédito solicitado/utilizado de R$ 688.272,89, reconheceu o valor de R$ 442.017,45 e, conseqüentemente, homologou as compensações vinculadas ao presente processo até o limite do crédito deferido. O pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa, em virtude da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Consta às fls. 71/72 os demonstrativos de apuração do saldo credor ressarcível. Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 79/83, instruída com os documentos de fls. 84/91, alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, requereu nulidade do despacho decisorio pela ausência de fundamentação que justifique o indeferimento dos dois últimos pedidos formulados, o que dificulta o direito de defesa e do contraditório da requerente; 2. Diligenciou diretamente à SEORT na Secretaria da Receita Federal de Barueri/SP para obter a fundamentação do indeferimento dos dois últimos pedidos de compensação que não foram homologados com o objetivo de obter embasamento para a elaboração de sua defesa; 3. Constatou que no Demonstrativo de Créditos e Débitos da análise de créditos dos PERDCOMP, especificadamente os créditos constantes da coluna "f" (créditos não ressarcíveis ajustados) não tiveram sua origem especificada, constando na declaração como créditos "diversos e/ou outros"; 4. Esclareceu que os créditos constantes da referida coluna "f" referemse a créditos oriundos de IPI referente à transferência entre estabelecimentos do mesmo titular (de filial para matriz), bem como, créditos de IPI na importação de mercadorias para revenda. Ao final, requereu que seja recebida e devidamente conhecida a manifestação de inconformidade, para que seja decretada a nulidade do despacho decisório, bem como, seja reconhecido seu direito em compensar os valores apresentados nos PER/DCOMP. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados I P I Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10882.900060/200601 Acórdão n.º 3401002.577 S3C4T1 Fl. 6 3 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. IMPROCEDÊNCIA. Sendo plenamente demonstrados os motivos da glosa em planilhas de apuração disponíveis em sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, é impertinente a arguição de nulidade do ato decisório por cerceamento do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente O RECORRENTE apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima. É o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. Dos argumentos preliminares, cerceamento de defesa informo que a glosa de créditos se resume às aquisições de insumos cujos créditos são considerados como não ressarcíveis, conforme a planilha "Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI)" (fl. 71), e enquadramento legal descrito na decisão (fl. 70): art. 11 da Lei n° 9.779/99 (trata dos créditos passíveis de ressarcimento), art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544/2002 (estabelece quais os tipos de créditos que podem ser aproveitados) e art. 74 da Lei 9.430/96 (trata da restituição e compensação de tributos e contribuições). A Recorrente fora cientificada do Despacho Decisório, mas aparentemente não teve o( zelo necessário para levar em conta a seguinte advertência na decisão: "Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 www.receita.fazenda.com.br, opção Serviços ou através de certificação digital na opção e CAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório". Logo, não pode a recorrente alegar desconhecimento da motivação e fundamentação, nem mesmo desconhecimento dos valores apurados. Por conseguinte, não houve cerceamento do direito de defesa até mesmo porque a mesma teve oportunidade de defesa, até a presente instância administrativa, o CARF. Apuração do valor passível de ressarcimento. A Recorrente no mérito, sustenta a procedência dos créditos de IPI, esclarecendo que referemse a créditos oriundos de IPI referente à transferência entre estabelecimentos do mesmo titular (de filial para matriz), bem como, créditos de IPI na importação de mercadorias para revenda. Quanto a tal aspecto, é necessário esclarecer que a legislação do IPI não permite o ressarcimento de todos os créditos lançados na escrita do contribuinte, mas apenas daqueles para os quais essa modalidade (ressarcimento) é autorizada, como é o caso, por exemplo, do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, abaixo transcrito, e do crédito presumido crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e para a seguridade social (COFFNS), na forma prevista nas Leis n° 9.363/96 e 10.276/2001. "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, \ produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. " Os créditos não passíveis de ressarcimento de IPI, aqueles decorrentes de outras aquisições/entradas do estabelecimento detentor de crédito, distintas daquelas que dão direito a créditos passíveis de ressarcimento, em que pese não poderem ser ressarcidos/compensados, na forma do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, eles podem ser mantidos na escrita fiscal do IPI, para deduzir dos débitos das saídas futuras. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10882.900060/200601 Acórdão n.º 3401002.577 S3C4T1 Fl. 7 5 Incluemse dentre esses créditos, por exemplo, os seguintes valores: aquisição de mercadorias para revenda tributada, devolução e retorno de mercadorias, crédito presumido para ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e para seguridade social (COFINS) previsto nas Leis n° 9.363/96 e 10.276/2001 recebidos em transferência da matriz pelos estabelecimentos filiais. No presente processo, os créditos informados pelo Recorrente no PER/DCOMP foram integralmente certificados, sem nenhuma glosa (somatório dos valores da coluna "e" e " i " do demonstrativo de créditos e débitos, fl. 71). O sistema certificou todos créditos ressarcíveis apurados no 3 o trimestre de 2003, totalizando o valor de R$ 442.017,45 (somatório da coluna "e"), bem como o crédito não ressarcível no valor de R$ 289.899,88 (somatório da coluna "i"). Diante do exposto nego provimento ao Recurso Voluntário. Angela Sartori Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10783.722210/2011-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE RELATIVAS À CÔNJUGE. ENTREGA DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA EM SEPARADO. DIREITO À DEDUTIBILIDADE SE COMPROVADA A AUSÊNCIA DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS NA DECLARAÇÃO DO DEPENDENTE E A NÃO DEDUTIBILIDADE EM DUPLICIDADE.
Comprovado que a cônjuge, apesar de entregar declaração em separado, e optar pela modalidade simplificada, nada deduziu, é de se reconhecer a dedutibilidade das despesas incorridas com plano de saúde.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de plano de saúde no valor de R$ 4.941,94 (quatro mil, novecentos e quarenta e um reais e noventa e quatro centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 18/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite e Ricardo Anderle. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE RELATIVAS À CÔNJUGE. ENTREGA DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA EM SEPARADO. DIREITO À DEDUTIBILIDADE SE COMPROVADA A AUSÊNCIA DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS NA DECLARAÇÃO DO DEPENDENTE E A NÃO DEDUTIBILIDADE EM DUPLICIDADE. Comprovado que a cônjuge, apesar de entregar declaração em separado, e optar pela modalidade simplificada, nada deduziu, é de se reconhecer a dedutibilidade das despesas incorridas com plano de saúde. Recurso provido
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ENTREGA DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA EM SEPARADO. DIREITO À DEDUTIBILIDADE SE COMPROVADA A AUSÊNCIA DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS NA DECLARAÇÃO DO DEPENDENTE E A NÃO DEDUTIBILIDADE EM DUPLICIDADE. Comprovado que a cônjuge, apesar de entregar declaração em separado, e optar pela modalidade simplificada, nada deduziu, é de se reconhecer a dedutibilidade das despesas incorridas com plano de saúde. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer dedução de plano de saúde no valor de R$ 4.941,94 (quatro mil, novecentos e quarenta e um reais e noventa e quatro centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 18/02/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 22 10 /2 01 1- 15 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite e Ricardo Anderle. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Versam os presentes autos sobre Notificação de Lançamento decorrente da glosa de dedução de despesas médicas pleiteada indevidamente na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2009, exercício 2010, no valor de R$ 21.034,21, pelos seguintes motivos: R$ 318,00 (Biodiagnóstico Lab) e R$ 10.916,21 (Unimed) falta de comprovação e R$ 9.800,00 (Marcos Salles) falta de endereço no recibo. O valor glosado se refere a despesas médicas próprias e da cônjuge Cirlene Dalva Machado Amboss (CPF nº 005.274.78750), que apresentou Declaração em separado mas não as deduziu. Apreciada a Impugnação (fl.2/3), o lançamento foi mantido em parte por ocasião da decisão da 1ª instância, para restabelecer as despesas médicas de R$ 16.092,27, que resultou na manutenção do Imposto Suplementar no valor de R$ 1.359,04, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados nos termos da legislação vigente, sob o seguinte fundamento: “As notas fiscais de fls. 10/13 comprovam despesas médicas no valor de R$ 318,00 com o Laboratório Biodiagnóstico e autorizam o restabelecimento do valor. Os recibos de fls. 14/19, emitidos pelo Dr. Marcos Salles Magalhães, indicam o endereço do prestador dos serviços, único requisito indicado na Notificação de Lançamento para não aceitação da referida despesa. Assim, fica restabelecida a despesa no valor de R$ 9.800,00. A declaração firmada pela Unimed Vitória (fls. 21/23 – quadro resumo abaixo) demonstra que no ano de 2009 o contribuinte teve gastos com plano de saúde no valor total de R$ 10.916,21, sendo que R$ 5.974,27 correspondia a despesas próprias e R$ 4.941,94 a despesas com o cônjuge Cirlene Dalva Machado Amboss (não dependente)”. Mantida a glosa sobre as despesas com plano de saúde da cônjuge Cirlene Dalva Machado Amboss, no valor de R$ 4.941,94, não relacionada como dependente na DIRF, do recorrente, bem como por ter esta apresentado declaração simplificada em separado. Nas razões de Voluntário (fls. 74), o recorrente reiterou os argumentos apresentados por ocasião da Impugnação, defendendo a possibilidade de dedução das despesas com plano de saúde de sua cônjuge, apesar desta ter apresentado declaração em separado na modalidade simplificada. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10783.722210/201115 Acórdão n.º 2802002.605 S2TE02 Fl. 46 3 Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. O recurso apenas versa sobre a mantença da glosa com despesas de plano de saúde referente à sua cônjuge. Esta, por sua vez, não foi relacionada como dependente pelo recorrente, bem como apresentou declaração em separado, na modalidade simplificada, no exercício autuado. A decisão recorrida é clara quanto ao fundamento para a mantença da glosa ora combatida: O contribuinte informa que o cônjuge apresentou Declaração de Imposto de Renda em separado no exercício 2010, mas que não pleiteou dedução de despesas médicas. A despeito do cônjuge não haver aproveitado as despesas médicas, a legislação tributária permite somente a dedução de despesas próprias e dos dependentes. O cônjuge que apresenta Declaração em separado não é considerado dependente. Assim, as despesas com plano de saúde do cônjuge somente poderiam ser deduzidas em sua própria Declaração, é o que esclarece a pergunta nº 359 do manual Perguntas e Respostas – IRPF 2010. O recorrente se insurge contra o decidido pela DRJ, com fundamento no fato de que a cônjuge, apesar de ter entregue declaração em separado, não realizou a respectiva dedução, ao adotar o modelo simplificado. O fato de a cônjuge ter entregue declaração no modelo simplificado e portanto, não ter deduzido as despesas com plano de saúde já deduzidas pelo recorrente, me faz decidir pelo cancelamento da glosa mantida pela decisão recorrida. Explico e fundamento. A não inclusão do cônjuge na relação de dependentes não impede a dedutibilidade de despesas, se provado no curso do processo administrativo a relação de dependência e a dedutibilidade das despesas de acordo com o exigido pela legislação. Ao analisar a declaração apresentada pela cônjuge, verifico que esta, apesar de apresentar declaração em separado, declarou apenas rendimentos isentos ou não tributáveis decorrentes de aposentadoria e distribuição de lucros. Logo, a opção pela entrega da declaração simplificada em nada afeta a necessidade de simetria com a declaração apresentada pelo recorrente e a necessidade de colação dos rendimentos dos dependentes para fins de apuração da base de cálculo do imposto. Vale dizer, a apresentação de declaração em separado em nada afetou a grandeza tributável de ambos; apenas impediu a dedução de despesas com plano de saúde efetivamente comprovadas e cuja glosa deriva de critério jurídico adotado pela administração tributária com vistas a evitar a dupla dedutibilidade de despesas, o que à evidência não ocorreu e nem ocorrerá no caso presente, dada a impossibilidade de retificação de declaração simplificada que tenha por finalidade a alteração para o modelo completo. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Aliás, assim decidiu a 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII), em sessão realizada em 22 de outubro de 2008, em relação ao mesmo contribuinte, no ano calendário 2004, acórdão n. 1321.915, a caracterizar, no mínimo, prática reiterada, a justificar a exclusão da multa aplicada, nos termos do artigo 100, III e parágrafo único, do CTN (nesse sentido REsp 162616/CE, 1.ª T., rel. Min. José Delgado, j. 02.04.1998). Logo, provada a não dedução das despesas com plano de saúde pela cônjuge, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer a dedutibilidade das despesas incorridas pelo recorrente, referente ao plano de saúde de sua cônjuge Cirlene Dalva Machado Amboss, referente ao anocalendário 2009, no valor de R$ 4.941,94. É como voto, sob o crivo de meus ilustres pares. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/02/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000902/2006-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 2001. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO.
É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante requisição de movimentação financeira, quando não apresentada pelo contribuinte e efetuada com base e estrita obediência ao disposto na lei.
Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores relativos a transferência de recursos entre contas-correntes e de poupança do contribuinte.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Francisco Marconi de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canario da Silva e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Ausente temporariamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 2001. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante requisição de movimentação financeira, quando não apresentada pelo contribuinte e efetuada com base e estrita obediência ao disposto na lei. Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 2001. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante requisição de movimentação financeira, quando não apresentada pelo contribuinte e efetuada com base e estrita obediência ao disposto na lei. Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 02 /2 00 6- 23 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores relativos a transferência de recursos entre contascorrentes e de poupança do contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Eivanice Canario da Silva e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Ausente temporariamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Contra o contribuinte Luis Fernando Paulilo, já qualificado neste processo, foi lavrado o Auto de Infração de IRPF, exercícios 2001 e 2002, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem. O Contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual Simplificada para os exercícios 2001 e 2002 (fls. 271 e 273), com rendimentos tributáveis declarados de, respectivamente, R$ 17.265,00 e R$ 17.500,00. O crédito tributário constituído, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento, foi de R$ 1.499.428,73 de imposto e R$ 1.124.571,54 de multa de ofício. Intimado para esclarecer e comprovar a origem dos recursos, que propiciaram a movimentação financeira sujeita à CPMF, por meio Termo de Início expedido em 6 de outubro de 2005, o recorrente protocolizou solicitação de prorrogação de sessenta dias de prazo para fornecimento da documentação. Ultrapassado o referido prazo, a auditoria emitiu a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) em 4 de novembro de 2005. Em 27 de março de 2006, em resposta ao Termo de Solicitação de Documentos, cuja ciência se deu em 21 de março de 2006, os procuradores do recorrente alegaram ser “imprescindível que a quebra de sigilo fosse realizada através de ordem judicial” e que seria “nulo todo e qualquer ato emanado de autoridade não competente que vise obter informações revestidas de sigilo”. Para o atendimento à intimação, solicitaram que fosse "apresentada a ordem judicial para quebra do sigilo bancário do Requerente”. O Auto de Infração foi encerrado sem que o contribuinte tenha juntado aos autos ou apresentado a fiscalização qualquer documento que comprovasse a movimentação financeira ocorrida nas contas correntes existentes nos Bancos BCN e Bradesco. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, alegando: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000902/200623 Acórdão n.º 2101002.423 S2C1T1 Fl. 3 3 a) Inépcia do Termo de Autuação, devendo o lançamento ser declarado nulo, pois teria nascido, equivocadamente, da quebra de sigilo bancário determinação judicial; b) Ausência de Ordem Judicial para a quebra do Sigilo Bancário, pois não se encontra dentre os documentos utilizados para a elaboração do auto de infração a autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, e segundo o art. 5ª da CF são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, bem como, de acordo com art. 38 da Lei 4.595, de 1964, as relações jurídicas entre correntista, mutuário, etc. e as instituições financeiras são revestidas de sigilo bancário, e, por isso, as suas informações ou documentos somente poderiam ser exibidos em autos judiciais revestido de segredo de justiça; c) Desconsideração do Auto de Infração, pois a Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos seria clara ao repelir o lançamento tributário efetuado pela administração com base tão somente em extratos bancários; e d) Depósitos constantes nos extratos, cujos cheques foram devolvidos por insuficiência de fundos, conforme demonstrativos anexados pela auditoria, já que tais depósitos em cheques não acrescentaram qualquer valor à conta corrente, já que devolvidos por insuficiência de fundos. Argui que, para se falar em imposto devido, o primeiro dos requisitos a ser observado seria a existência de acréscimo patrimonial, sendo certo que os cheques devolvidos por insuficiência de fundos, em hipótese alguma, poderiam ser computados para o lançamento. Questiona ainda os depósitos realizados intercontas, ou seja, transferência de importâncias de uma conta corrente para outra, e o limite de cheque especial utilizado para realizar depósito em outra conta. Solicita, ainda, que seja designada perícia para individuar e subtrair os valores considerados indevidos. Os membros da 11ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo II, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado em 30 de setembro de 2008 (fl. 309), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 10 de outubro de 2008 (fls. 311 a 329), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação quanto à “Inépcia do Termo de Autuação”, à “Ausência de Ordem Judicial para a quebra do Sigilo Bancário”, “Desconsideração do Auto de Infração” e, por fim, requer que seja reformada a decisão para cancelar o Auto de Infração, tendo em vista que as provas foram colhidas em total ao arrepio aos princípios constitucionais e ao disposto no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, ou seja anulado em razão das incorreções dos valores da base de cálculo, já que esta conteria transferência de valores intercontas e depósitos de cheques que foram devolvidos por insuficiência de fundos. Em 14 de março de 2013, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por meio da Resolução nº 2102000.126, resolveu sobrestar o julgamento recurso até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do Anexo II do RICARF. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Em 18 de novembro de 2013, com a edição da Portaria nº 545 do Ministério da Fazenda, foram revogados os parágrafos primeiro e segundo do supracitado artigo 62A, do Anexo II do RICARF, razão pela qual os autos retornaram para julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000902/200623 Acórdão n.º 2101002.423 S2C1T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe esclarecer que, à luz do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, "caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Assim, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários. A presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. A lei define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não são meros indícios de omissão e não há a necessidade de estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Não há necessidade de que o Fisco prove a origem da movimentação e os depósitos registrados na conta bancária do recorrente, já que, cabe o recorrente o ônus da prova. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas para comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 12 a 23), caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, 1997 e artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). E bem verdade que, como alegou o recorrente, o imposto de renda das pessoas físicas, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Não comprovada a origem dos recursos, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim, descabe a tese da não disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos. Assim, o fato gerador do imposto de renda, nos casos de depósitos bancários, não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, mas à circunstância de tratarse de recursos financeiros sem que o contribuinte, intimado para prestar esclarecimentos, prove sua origem de forma adequada. Não é a toa que a Súmula CARF nº 38 estabelece que ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário “o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Física, relativo a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada”. Também é desprovido de sustentação o questionamento da falta de procedimento fiscal em curso, já que foram adotadas as medidas legais para inicio da ação fiscal, da forma expressa no art. 6º da Lei Complementar nº 105: Art. 6° – As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (grifos no recurso) Está clara a necessidade e imprescindibilidade de acesso aos valores movimentados em contas bancárias para levantamento do imposto de renda devido, já que a informação não foi prestada pelo contribuinte, que escondeu do fisco significativa soma de recursos financeiros transitadas em suas contas bancárias. A matéria está consolidada nos art. 918 do RIR/1999: Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 1964 (Lei n°4.595, de 1964, art. 38, §§ 5° e 6°, e Lei n°8.021, de 1990, art. 8°). A autoridade fiscal intimou o contribuinte, que se esquivou de prestar as informações. Observase ainda que não há quebra de sigilo bancário, e sim, mera transferência de informações, já que elas, de posse da Receita Federal do Brasil, estão sujeitas ao sigilo fiscal, de acesso restrito aos agentes do fisco e o contribuinte. Assim consta no RIR/1999: Art. 998. Nenhuma informação poderá ser dada sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 198 e 199). [...] § 2° A obrigação de guardar reserva sobre a situação de riqueza dos contribuintes se estende a todos os funcionários públicos que, por dever, de ofício, vierem a ter conhecimento dessa situação (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 1°). § 3º É expressamente proibido revelar ou utilizar, para qualquer fim, o conhecimento que os servidores adquirirem quanto aos segredos dos negócios ou da profissão dos contribuintes (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 2°). Art. 999. Aquele que, em serviço da Secretaria da Receita Federal, revelar informações que tiver obtido no cumprimento do dever profissional ou no exercício de oficio ou emprego, será responsabilizado como violador de segredo, de acordo com a lei penal (Decretolei n°5.844, de 1943, art. 202). Em relação aos depósitos constantes nos extratos, cujos cheques foram devolvidos por insuficiência de fundos, conforme se observa nos demonstrativos anexados pela auditoria (fl. 18 a 23), verificase que tais valores são subtraídos do montante apurado, não havendo razão o recorrente neste aspecto. Entretanto, percebese que existem transações identificadas como “transferência entre agências”, “dep. transferido entre ag. BDN”, listadas na planilha de folha Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.000902/200623 Acórdão n.º 2101002.423 S2C1T1 Fl. 5 7 240 a 255, da conta corrente nº 34.146 e da conta poupança nº 34.143, ambas do Bradesco, sem que haja nos autos qualquer indicação de sejam ou não transferências bancárias e, em sendo, se essas operações foram subtraídas da base de cálculo que serviu para apurar a omissão de rendimentos. Analisando as planilhas vêse que os valores relacionados como “Totais mensais dos depósitos c/c e poupança” (fl. 18) coincidem com a somatória dos valores listados nos respectivos meses nas folhas 241 a 249, sendo que nesta relação constam discrições que, em tese, indicam transferência entre agências. Por essa razão, entendo que deva ser excluído da base de cálculo as possíveis transferências ocorridas entre as contas bancárias, corrente e/ou de poupança, do recorrente. Isto posto, voto em dar provimento parcial para excluir da base de cálculo do imposto de renda as transferências ocorridas entre as contascorrentes e de poupança do contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira . Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 4/04/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11610.004384/2007-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
Denúncia Espontânea. Exclusão da Multa de Mora:
De acordo com sólida jurisprudência firmada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, resta configurada a denúncia espontânea (artigo 138, do CTN) no caso em que o contribuinte efetua o pagamento do débito antes de constituí-lo previamente em DCTF. (Recurso Especial nº. 962.379 - RS (2007/0142868-9) - Trânsito: 30/04/2009)
Numero da decisão: 1801-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 Denúncia Espontânea. Exclusão da Multa de Mora: De acordo com sólida jurisprudência firmada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, resta configurada a denúncia espontânea (artigo 138, do CTN) no caso em que o contribuinte efetua o pagamento do débito antes de constituí-lo previamente em DCTF. (Recurso Especial nº. 962.379 - RS (2007/0142868-9) - Trânsito: 30/04/2009)
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EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA: De acordo com sólida jurisprudência firmada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, resta configurada a denúncia espontânea (artigo 138, do CTN) no caso em que o contribuinte efetua o pagamento do débito antes de constituílo previamente em DCTF. (Recurso Especial nº. 962.379 RS (2007/0142868 9) Trânsito: 30/04/2009) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 43 84 /2 00 7- 52 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 10a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra o lançamento consubstanciado nos autos. Histórico. Tratase de auto de infração (fls. 1320) que constituiu, isoladamente, crédito tributário relativo a multa de mora não recolhida por ocasião do pagamento, em atraso, de IRPJ do anocalendário 2003 – código 2430. A interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1/9) alegando que estaria amparada pelo benefício da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, o que afastaria a incidência de encargos moratórios. Afirmou que efetuou o pagamento espontâneo dos valores não adimplidos antes do inicio do procedimento fiscal, sem o cômputo da multa e que sempre que o pagamento do tributo for efetuado com juros de mora e antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, estará presente o instituto da denúncia permitido pelo referido art. 138 do CTN. Apreciando o litígio a 10a. Turma da DRJ em São Paulo/SPI julgou a exigência procedente ao argumento de que o benefício da denuncia espontânea não abrange os encargos moratórios, que deveriam ter sido recolhidos juntamente com o principal por ocasião do pagamento a destempo. Notificada da decisão, em 11/06/2010 (AR fl. 35) e irresignada, apresentou a interessada, em 13/07/2010, recurso voluntário (fls. 36 e ss.), no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. Em sessão realizada em 7 de novembro de 2012, esta Turma Julgadora converteu o julgamento na realização de diligências para que fosse anexada aos autos a cópia da DCTF original relativa ao período, com as informações a respeito da data de entrega e do tributo em questão 2430 – IRPJ lucro real –com vencimento em 31/03/2004. Realizada a diligência com a anexação, ao processo, dos documentos inclusos às fls. 141/159, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório de fls. 160 (processo digital). A recorrente foi cientificada digitalmente do resultado da diligência fiscal, em 02/07/2013, como atesta o Termo de Abertura de Documento à fl. 165 (p.d). Antes disso já havia sido lavrado o Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 164 (p.d.). Não houve manifestação da parte. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Cristiane Tamy Tina de Campos, OAB/SP 273.788. É o relatório. Voto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.004384/200752 Acórdão n.º 1801001.883 S1TE01 Fl. 3 3 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O cerne do litígio cingese à discussão a respeito da caracterização ou não, in casu, da denúncia espontânea prevista no artigo 138 da Lei 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional. O mencionado comando legal encontrase assim redigido: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. De outra parte, a incidência de encargos moratórios sobre débitos vencidos independe de previsão em ato normativo, por decorrerem de previsão legal. Tais encargos estão atualmente previstos no artigo 61 da Lei n°. 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Assim, sobre os débitos declarados em DCTF mas que na data de sua quitação já se encontrem vencidos, devem acrescidos juros de mora e multa de mora. No presente caso a recorrente apurou o débito relativo ao IRPJ devido sobre o lucro real do anocalendário 2003 (31/12/2003)– código 2430. De acordo com o relatório produzido pela DERAT/DRF/SP, a recorrente apresentou DCTF original em 14/05/2004 mas não constituiu ou declarou nessa DCTF Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 qualquer valor relativo ao tributo IRPJ Lucro Anual – Ajuste – código 2430, como se verifica à fl. 142, na qual constituiu o débito de IRPJ do código 2430, no valor de R$ 2.012.292,74 (fl. 144 p.d.). Posteriormente foram entregues várias DCTFs retificadoras nas datas de 22/07/2005, 12/01/2006, 09/08/2006 e até uma DCTF retificadora apresentada em 08/05/2009, que não está sendo considerada por ter sido apresentada em data posterior à lavratura do auto de infração sob análise. Na DCTF retificadora apresentada em 12/01/2006 a recorrente constituiu o débito de IRPJ – Lucro Anual – Ajuste – código 2430, no valor de R$ 2.012.292,74. A esse débito foram vinculadas as seguintes quitações: Pagamento: R$ 402.665,45 Compensação Pgto Indevido ou a Maior: R$ 736.438,57 Outras Compensações: R$ 873.188,72 As parcelas com vinculação de compensação R$ 736.438,57 e R$ 873.188,72 não foram objeto do lançamento e não estão sendo discutidas. A discussão cinge se à parcelada vinculada ao pagamento de R$ 402.665,45, com vencimento em 31/03/2004, recolhido em 22/12/2005, acrescidos de juros no valor de R$ 623.005,82, totalizando R$ 1.025.671,27 Assim, temos a seguinte situação em relação à declaração e pagamento do IRPJ sobre o Lucro Real – ajuste do anocalendário 2003: Situação DCTF Data Entrega DCTF Valor Declarado Cód. 2430 (R$) Vencimento Débito Pagamento Data Recolhimento Original/Cancelada 14/05/2005 0,00 Retificadora/Cancelada 22/07/2005 0,00 Retificadora/Cancelada 12/01/2006 0,00 Retificadora/Cancelada 12/01/2006 2.012.292,74 31/03/2004 402.665,45 22/12/2005 Retificadora/Cancelada 09/08/2006 2.012.292,74 31/03/2004 402.665,45 22/12/2005 Retificadora/Ativa 08/05/2009 0,00 Verificase, portanto, que a recorrente efetuou um recolhimento do débito relativo ao IRPJ Lucro Real – Ajuste (cód. 2430) em atraso (22/12/2005), mas antes de constituílo na DCTF retificadora entregue em 12/01/2006. Cumpre reconhecer que sobre os débitos declarados na DCTF mas que na data de sua quitação já se encontrem vencidos, devem acrescidos juros de mora e multa de mora. In casu, não há dúvidas de que, por ocasião do recolhimento, em 22/12/2005, do débito relativo à quota única do IRPJ sobre o Lucro Real do anocalendário 2003, vencido em 31/03/2004 a recorrente já se encontrava em mora perante a Fazenda Nacional. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.004384/200752 Acórdão n.º 1801001.883 S1TE01 Fl. 4 5 Resta analisar, portanto, o pleito da contribuinte que, para afastar o acréscimo da multa de mora, invoca o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do mesmo CTN, já que teria promovido o recolhimento dos débitos antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados à infração. É certo que referido artigo 138 do CTN tem sido alvo de intermináveis discussões. Não obstante não desconhecer a existência de posições em outros sentidos, entendo que no presente caso, nas condições em que estão postos os fatos, deve ser aplicado o entendimento já consagrado pelo STJ, como se constata da Súmula STJ n º 360: Súmula STJ no. 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. No mesmo sentido a decisão definitiva proferida pelo STJ, com efeito repetitivo, se verifica no Recurso Especial nº. 962.379 RS (2007/01428689) Trânsito: 30/04/2009: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Recurso Especial nº. 962.379 RS (2007/01428689) Trânsito: 30/04/2009 Proposição: configuração da denúncia espontânea Decisão: não configuração de denúncia espontânea (art. 138 do CTN) relativamente a tributo federal sujeito a lançamento por homologação (PIS/COFINS), regularmente e previamente constituído pelo contribuinte mediante a declaração (DCTF), mas pago com atraso. No presente caso a recorrente efetuou o pagamento do débito de IRPJ antes de constituílo previamente na DCTF, razão pela qual deve serlhe reconhecido o benefício da denúncia espontânea e excluída a multa punitiva exigida no auto de infração combatido. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 É de ser observando que a última declaração retificadora apresentada – em 08/05/2009, na qual a recorrente declarou nada dever a título de IRPJ apurado com base no lucro real – não tem validade pois foi apresentada após o lançamento de ofício. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15956.000275/2008-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003, 2004
MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO.
No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF - Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Havendo prova do evidente intuito de fraude, o prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ATRIBUIÇÃO. Havendo demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser atribuída responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. ATRIBUIÇÃO. Uma vez provado que gerentes da pessoa jurídica praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, é cabível a atribuição de responsabilidade pessoal, conforme previsto no art. 135, III, do CTN. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA PARA ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. LEGITIMIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA ANTERIORIDADE. NECESSIDADE DE ADOÇÃO DE CRITÉRIO ISONÔMICO. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária (STF Repercussão Geral). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 75 /2 00 8- 97 Fl. 5313DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.313 2 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. ADMISSIBILIDADE. “Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos.” (STJ Recurso Repetitivo) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 5314DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.314 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. Fl. 5315DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.315 4 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 4.901 a 4.908): Em ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receitas proveniente de vendas de mercadorias para os meses de outubro de 2002 e de janeiro, fevereiro, março e junho de 2003. Tendo em vista a ausência de escrituração regular, o lucro do contribuinte foi arbitrado com base na receita bruta conhecida, tendo resultado na lavratura do auto de infração de IRPJ de fls. 47564759, para o último trimestre de 2002 e para o primeiro e o segundo trimestres de 2003. Como reflexos, foram lavrados os autos de infração de PIS (fls. 47634766), COFINS (fls. 47694772) e CSLL (fls. 47754778). Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista que ficou caracterizado evidente intuito de fraude pela omissão de receitas e pela utilização de interpostas pessoas como sócios, a fim de acobertar os reais beneficiários. Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 47034755, o contribuinte apresentou declarações de inativo para os anoscalendário de 2002 e 2003. Apresentou DCTFs para os quatro trimestres do ano de 2002, informando débitos de diminuto valor, e, para o ano de 2003, não apresentou DCTF. Porém, as declarações de CPMF revelaram que, nos anos de 2002 e 2003, o contribuinte teve movimentações financeiras nos montantes, respectivamente, de R$ 2.813.071,35 e de R$ 679.475,92. Consoante o cadastro da empresa na Receita Federal, ela está estabelecida na Rua Eliseu Guilherme, nº 1300, Ribeirão Preto/SP. Ocorre que o atual inquilino e o corretor de imóveis que o administra revelaram que a empresa nunca se estabeleceu nesse endereço. Tampouco os sócios, senhores Pedro Bonfim Lima e Giancarlo Celestino Dantas, foram localizados nos endereços constantes dos cadastros da Receita Federal. Mais que isso, constatouse que Pedro Bonfim Lima está omisso quanto às DIRPF desde 2002, enquanto Giancarlo Celestino Dantas não possui bens declarados. Diante da impossibilidade de obtenção de documentos e informações contábeis/fiscais junto aos sócios (não localizados) e dos fortes indícios de que estes são interpostas pessoas, foi emitida RMF – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira para obtenção de informações bancárias relativas à conta corrente mantida pela empresa junto ao Unibanco. Com base nos extratos bancários obtidos, foram identificados os remetentes dos créditos bancários na contacorrente e intimados a apresentar notas fiscais de compras efetuadas junto ao contribuinte fiscalizado, escrituração contábil e comprovação dos respectivos pagamentos. Vários dos intimados afirmaram nunca ter efetuado qualquer transação com o contribuinte fiscalizado. Outros apresentaram as notas fiscais, comprovantes de pagamento, conhecimentos de transporte rodoviário de cargas e outros documentos. Constatou a autoridade, por meio das notas fiscais obtidas, que, em todas as vendas efetuadas, as mercadorias foram entregues aos destinatários por meio de serviços prestados por transportadoras. Assim, foram intimadas as transportadoras a fim de obter informações acerca de todos os serviços por elas prestados ao contribuinte fiscalizado. Como consequência, foram obtidos os conhecimentos de Fl. 5316DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.316 5 transporte das cargas transportadas para a Tampa Bay Ltda. As empresas adquirentes constantes destes conhecimentos de transporte foram intimadas a apresentar as notas fiscais, comprovantes de pagamentos e demais documentos relacionados às operações. A partir das informações constantes dos conhecimentos de transportes rodoviários de cargas e também dos documentos enviados pelos adquirentes de mercadorias junto à Tampa Bay Ltda. foi apurada a receita bruta auferida nos anos calendário de 2002 e 2003. Ressalta a autoridade que os valores das notas fiscais são coincidentes com os constantes dos conhecimentos de transporte, significando que houve, efetivamente, prestação de serviços de transporte de mercadorias, e, portanto, houve receita de vendas. Caso as notas fiscais houvessem sido emitidas apenas para acobertar mercadorias estrangeiras, não haveria necessidade de prestação de serviços de transporte. Para identificar os reais beneficiários das atividades desenvolvidas pela Tampa Bay Ltda, a autoridade buscou informações acerca dos beneficiários dos cheques emitidos pelo contribuinte fiscalizado. Constatou que, nos microfilmes dos cheques emitidos pelo contribuinte, constava apenas a assinatura do sócio Pedro Bonfim Lima. Ocorre que as assinaturas constantes da Proposta de Abertura de Conta Corrente Poupança – PJ e dos cheques emitidos são visivelmente distintas daquelas constantes dos documentos pessoais e do Cartão de Autógrafo fornecido pelo Unibanco, concluindose que não foi o Sr. Pedro Bonfim Lima quem assinou os cheques. A autoridade intimou os beneficiários dos pagamentos efetuados pela Tampa Bay Ltda, obtendo diversas informações que, quando observadas em conjunto, comprovam que a empresa fiscalizada é de titularidade do Sr. José Antônio Martins, e que participam da respectiva administração e têm relação com as fraudes apuradas a Sra. Camila Fonseca Martins, o Sr. Francisco José Amor e o Sr. Sergio Luiz Delloiagono. A empresa Pereira Alvim Incorp. e Constr. Ltda informou, apresentando documentos comprobatórios, que o cheque emitido pela Tampa Bay Ltda. teve por fim quitar parcelas do contrato de compra e venda de imóvel residencial de propriedade de Carina Fonseca Martins, filha de José Antônio Martins. O Sr. Alair Cândido de Oliveira, exsócio do Posto Gavião da Anhanguera Ltda., informou que os valores recebidos da Tampa Bay Ltda. referemse a pagamentos de fornecimento de combustíveis a empresas terceirizadas que prestavam serviços ao contribuinte fiscalizado. Tal contrato, segundo informado, foi subscrito por Sérgio Delloiagono, gerente do contribuinte fiscalizado, que adimplia as obrigações quinzenalmente mediante a emissão de cártulas. A gerente de contas do Unibanco, Sra. Tânia Marina Cavachioli Spadaro, declarou que o procedimento de abertura da contacorrente da Tampa Bay Ltda. teve início com o contato do Sr. Paulo César Martins, irmão de José Antônio Martins. Em seguida, a Sra. Camila, responsável financeira pela empresa, buscou informações sobre os documentos necessários à abertura da contacorrente. Só então compareceram os Srs. Pedro Bonfim Lima e Giancarlo Celestino Dantas, oportunidade na qual foram preenchidos a Ficha Cadastral e o Cartão de Autógrafo. A gerente afirmou que já conhecia o Sr. Paulo César Martins, pois este já era correntista, mas não soube precisar as características físicas dos sócios da Tampa Bay Ltda., afirmando que se tratava de pessoas simples e que não frequentavam a Agência. Afirmou, ademais, que os contatos telefônicos eram mantidos pela Camila e o Sr. Sérgio Luiz Delloiagono frequentava a Agência, retirando os talões de Fl. 5317DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.317 6 cheques e fazendo saques na boca do caixa. Afirmou que conheceu pessoalmente a Camila em visita à sede da empresa, localizada na Av. Leais Paulista. Informou que a emissão dos cheques sacados na boca do caixa era confirmada, por meio de ligação telefônica, com base em cadastro existente na agência. Perguntada sobre quem respondia pela empresa, a gerente afirmou que os contatos eram sempre feitos com a Camila, que informava que dependia de autorização de Pedro Bonfim Lima, sendo que esta autorização não era dada de imediato. Tendo em vista a informação da Unibanco de que não havia procuração outorgada pelos sócios da Tampa Bay Ltda. para a realização de operações bancárias por outrem e que as confirmações de cheques emitidos eram feitas com base em cadastro existente na agência bancária, a instituição financeira foi intimada a apresentar o referido cadastro. No documento enviado, constam apenas as seguintes informações: “Nome de fantasia: Comercial Digital; Endereço Comercial: Av. Leais Paulista nº 707 – Jd. São Luiz – Ribeirão PretoSP; Telefone: (16) 3993.9100”. A empresa Gráfica Levi Ltda. foi intimada a apresentar cópias dos documentos necessários à impressão das notas fiscais emitidas pela Tampa Bay Ltda. Com base nos documentos obtidos, foi intimado o Sr. Francisco José Amor, responsável pela confecção das notas fiscais junto à Gráfica, tendo ele confirmado as assinaturas no canhoto da nota fiscal nº 14086, emitida pela Gráfica Levi Ltda, e também na Autorização de Confecção de Impresso. O Sr. Francisco José Amor afirmou que não conhece o Sr. Pedro Bonfim Lima, sócio da Tampa Bay Ltda., e que não recebeu qualquer procuração dele. Informou, ainda, que recebeu os talonários de notas fiscais confeccionados pela Gráfica e que desconhecia os cheques (nºs 100263, 100487 e 10849), nos valores de R$ 2.407,00, R$ 3.182,00 e R$ 7.280,00, depositados em sua conta pela Tampa Bay Ltda. O Sr. Milton Rodrigues Agostinho, sócio da empresa SIMM Computadores e Serviços Ltda, declarou que a Tampa Bay Ltda. foi uma sucessora da Digitat e Multmart, das quais a SIMM Computadores também comprava, pois os vendedores e entregadores eram os mesmos. A autoridade encaminhou Ofício ao Ministério Público Federal com o objetivo de solicitar cópias dos processos judiciais relativos aos seguintes contribuintes: Tampa Bay Informática Ltda.; Paulo César Martins; Flávio Soares de Oliveira; Sérgio Luiz Delloiagono; Carina Fonseca Martins; Camila Fonseca Martins; Francisco José Amor, tendo a Procuradoria da República em Ribeirão Preto atendido a intimação. Foi obtida, ademais, autorização judicial para utilização, no procedimento fiscal, de cópias de documentos constantes dos processos judiciais 2002.61.02.0031942 e 2006.61.02.0114403, documentos estes arrecadados no interior da residência de Camila Fonseca Martins. Dentre estes documentos destacamse três boletos bancários emitidos pelo Banco do Brasil, tendo como sacado Sergio Luiz Delloiagono e como cedente Gaplan Veículos Pesados Ltda., duas faturas da Globalstar do Brasil, quatro faturas da Nextel, um boleto da Nextel e cinco faturas da Claro/Tess, todas em nome de Sérgio Luiz Delloiagono, revelando os interesses comuns entre este e Camila Fonseca Martins. Esta conclusão é reforçada pela declaração da gerente de contas do Unibanco de que Camila Fonseca Martins e Sérgio Luiz Delloiagono seriam os responsáveis pela contacorrente em nome da Tampa Bay Ltda. Foi também apreendida uma nota fiscal de serviços da Borracharia Gavião, na qual aparece a placa DBG8352, de um semireboque Facchini de cor prata, ano 2000, pertencente a Francisco José Amor, nota esta que tem em seu verso o registro do telefone 39939100, vale dizer, o mesmo número utilizado pelo Unibanco para confirmar junto a Camila Fonseca Martins a emissão de cheques em nome de Tampa Bay Ltda. Este documento revela a relação entre Fl. 5318DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.318 7 ambos. Foi apreendida também uma correspondência do Unibanco para a Tampa Bay Ltda., informando a senha de acesso à contacorrente bancária e um talonário do Unibanco em nome da empresa. Estes documentos revelam o envolvimento da Sra Camila Fonseca Martins com os ilícitos cometidos pela Tampa Bay Ltda., pois somente uma pessoa com poderes para administração teria acesso à senha da conta corrente bancária e aos talões de cheque em branco da empresa. Com base nos documentos provenientes dos processos judiciais, comprovou se, ainda, que pertencia ao Sr. José Antônio Martins o telefone (16) 97910517, que foi utilizado pelo Unibanco para confirmação, junto a Camila, da emissão de cheques em nome da Tampa Bay Ltda. O telefone (16) 39162005, utilizado também pelo Unibanco para confirmar, junto a Camila, a emissão de cheques do contribuinte, estava em nome de Digitat Comercial Ltda., empresa esta cujo proprietário era o Sr. José Antônio Martins. No processo judicial nº 2005.61.02.014693 foram obtidos diversos documentos que comprovam que o Sr. José Antônio Martins era o administrador da Digitat Comercial Ltda. Dentre estes documentos, destacase um papel, apreendido na residência do Sr. José Antônio Martins, contendo manuscritos diversos, no qual está indicada a senha de acesso à contacorrente bancária da empresa Digitat. No interior do escritório da Wellness Sport Club foi apreendido boleto bancário em nome de Digitat Com. Ltda., liquidado na conta de Juliana Machado de Oliveira Martins, esposa do Sr. José Antônio Martins. No interior do escritório de contabilidade ASPEC foi apreendido o contrato social da empresa Digitat, no qual consta que, em 01/02/2001, os sócios da empresa eram Francisco José Amor e Glauco Alves. Posteriormente, em 27/11/2002, Glauco Alves retirouse da sociedade, admitindose como sócio Magnum Ownership Corp, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, que passou a ser titular de 99,99% da Digitat. Os contratos sociais da Magnum Ownership Corp revelam que suas ações são ao portador e há procuração por ela conferida ao Sr. Francisco José Amor. Na residência da Sra. Camila Fonseca Martins foi apreendida pasta contendo certificados de ações da Magnun Ownership Corp, revelando que ela era a proprietária da empresa ou estava servindo de depositária, para alguém, dos mencionados certificados. Finalmente, foi obtida a transcrição do diálogo, registrado sob o nº 030122142854.c017, ocorrido em 22/01/2003, no qual José Antônio Martins fala para Camila, sua filha, que terá que rever a decisão de fechar a Digitat, revelando sua condição de proprietário da empresa. Dos autos do processo judicial nº 2006.61.02.0114403, foi obtido depoimento do Sr. Edson Brussolo Saraiva Caldeira, no qual este afirma que é o contador responsável pela contabilidade da empresa Digitat e que essa empresa é, de fato, do Sr. José Antônio Martins. A Sra. Fernanda Machado de Oliveira, cunhada do Sr. José Antônio Martins, declarou que o veículo Golf, placa HAB3123, foi adquirido junto à Biscayne Veículos Ltda., por meio de um cheque de R$ 80.000,000 da Tampa Bay Ltda., em seu nome, mas, na verdade, não é seu. Afirmou que o veículo foi colocado em seu nome pelo seu cunhado, mas nunca o utilizou. Informou que sua irmã, Sra. Juliana de Oliveira Martins, esposa do Sr. José Antônio Martins, o usava à época e que não sabe com quem o veículo se encontra atualmente. Ao tentar encontrar o imóvel situado na Av. Leais Paulista, nº 707, endereço constante do cadastro da Tampa Bay Ltda. no Unibanco, constatou a autoridade que o referido número não existe no local, havendo apenas os imóveis de nº 705 e 711. Também nas listas telefônicas publicadas em 2002 e 2003 constam apenas os Fl. 5319DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.319 8 números 705 e 711. O Sr. José Roberto Montans, proprietário do imóvel situado no nº 705, confirmou que nunca locou o imóvel a empresa de nome Tampa Bay e, após ouvir da autoridade que, segundo descrição da gerente do Unibanco, o imóvel era de ótima aparência, com vidros na parte frontal, afirmou que havia prédio com essas características na mesma Avenida, a 300 metros dali. Com base nessas informações, a autoridade localizou o imóvel de número 407, no qual havia placa informativa referente à empresa Digitat Distribuidora. O proprietário do imóvel, Sr. José Rodrigues Piedade Neto, afirmou que a empresa Digitat Comercial Ltda. foi inquilina no imóvel no ano de 2002, mas não soube precisar se também foi no ano de 2003. Informou que o prédio foi alugado à Digitat por intermédio da imobiliária Montmar, que recebeu os aluguéis até março de 2002, repassandoos ao proprietário. A partir de abril de 2002, os aluguéis passaram a ser recebidos pelo proprietário, no endereço do imóvel locado. Na lista telefônica 2002/2003, constatase que o nº 407 da Av. Leais Paulista é o endereço telefônico de cinco pessoas, dentre elas a empresa Digitat Comercial (39162005) e o Sr. Paulo C. Martins (6204918). O telefone de nº 39162005 é o mesmo utilizado pelo Unibanco para confirmar as emissões de cheques da Tampa Bay Ltda. Assim, concluise que as pessoas responsáveis pela Digitat Comercial e pela Tampa Bay Ltda. se confundem, comprovandose que a segunda é sucessora da primeira. Diante de todos esses fatos, a autoridade lavrou os autos de infração para constituição dos créditos tributários devidos e incluiu, como sujeitos passivos solidários, com base nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, os seguintes contribuintes: 1 Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos: em sua residência foram encontrados talão de cheque em branco em nome da Tampa Bay Ltda. e correspondência do Unibanco informando a senha de acesso à conta da empresa. Além disso, a gerente de contas do Unibanco informou que a responsável pela movimentação financeira chamavase Camila. Finalmente, foi comprovado o recebimento de valor proveniente da contacorrente do contribuinte fiscalizado; 2 Sr. José Antônio Martins: era o proprietário de fato da empresa Digitat Comercial Ltda. e da Tampa Bay Informática Ltda., sucessora daquela. Conforme declaração da Sra. Fernanda Machado de Oliveira, era o verdadeiro proprietário do veículo Golf, placa HAB3123, pago com cheque, no valor de R$ 80.000,00, emitido pela Tampa Bay Ltda. Os telefones utilizados pelo Unibanco para confirmar a emissão de cheques pela Tampa Bay eram de propriedade dele e da Digitat Comercial Ltda., também de sua propriedade; 3 Sr. Sérgio Luiz Delloiagono: foi beneficiado pelo recebimento de 24 cheques emitidos pela Tampa Bay Ltda., no total de R$ 271.241,76. Foi indicado pelo exsócio do Posto Gavião da Anhanguera Ltda., como gerente da Tampa Bay Ltda. É a pessoa que, segundo a gerente do Unibanco, frequentava a agência para movimentar a contacorrente pertencente à Tampa Bay Ltda. e também para retirar os talões de cheques desta. Finalmente, os documentos encontrados na residência da Sra. Camila Fonseca Martins (boletos bancários, contas de telefones pagas) evidenciam seu envolvimento com o grupo de pessoas responsável pela Tampa Bay Ltda. Apresentaram impugnação aos autos de infração lavrados apenas o Sr. José Antônio Martins (fls. 48004843) e a Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos (fls. 48454889). Na impugnação apresentada pelo Sr. José Antônio Martins foram deduzidos os argumentos a seguir resumidamente discriminados: Fl. 5320DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.320 9 O Sr. José Antônio Martins encontrase preso na penitenciária do Município de Rio Claro, desde novembro de 2005, em virtude dos mandados de prisão expedidos nos processos judiciais nº 2005.61.02.0149693, 2006.61.02.0013088 e 2006.61.02.0046264. Portanto, não pode receber intimações por via postal, tal como previsto no inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado, por analogia, o art. 392, I, do Código de Processo Penal, segundo o qual a intimação da sentença, para o réu preso, deve ser feita pessoalmente. O contribuinte tece extensas considerações, citando farta doutrina, sobre os princípios jurídicos, a supremacia da Constituição, os princípios da máxima efetividade, do devido processo legal e do contraditório. Afirma que o auto de infração e o termo de sujeição passiva descrevem apenas os fatos que ensejaram a constatação da suposta sujeição passiva solidária, sem apresentar qualquer documento que prove tais alegações, de forma que ficou caracterizado cerceamento ao direito de defesa e ofensa ao devido processo legal. Sustenta que caberia à fiscalização apresentar a documentação onde se relata os motivos de fato e de direito que deram azo ao termo de sujeição passiva, explicitando claramente a configuração da sujeição passiva da empresa Tampa Bay Informática Ltda. Invoca jurisprudência do Conselho de Contribuintes, na qual se conclui que o cerceamento ao direito de defesa é causa de nulidade do lançamento. Aduz que, até a apresentação da impugnação, não teve acesso aos documentos que ensejaram a lavratura do termo e do auto de infração, que se encontram em posse da fiscalização, de modo que foi prejudicado o exercício do direito de defesa. Para a lavratura do auto de infração, foram analisados os extratos bancários da empresa, violando o sigilo bancário protegido pelo art. 5º, X e XII, da Constituição Federal, de modo que o lançamento tem por base prova ilícita. Os extratos bancários foram obtidos diretamente pela autoridade administrativa junto às instituições financeiras, sem ordem judicial. O fisco empregou equivocado entendimento no sentido de que as várias transações financeiras realizadas caracterizam omissão de rendimentos. O sigilo bancário, protegido por cláusula pétrea, não pode ser extinto por nenhum instrumento normativo. A ordem judicial é o único instrumento legítimo, imparcial e confiável na avaliação das circunstâncias concretas ensejadoras de uma possível quebra do sigilo bancário. O art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, bastando a vontade do agente público, ainda que motivada e fundamentada, vai de encontro ao entendimento atual do STF, razão pela qual não pode ser admitido em nosso ordenamento jurídico, sob pena de violar o art. 5º, X e XII, da Constituição Federal. As provas ilicitamente obtidas contaminaram todas as demais provas e atos decorrentes. A fiscalização, em seu relatório fiscal, reconhece e afirma ser o Sr. José Antônio Martins uma interposta pessoa da empresa Tampa Bay Ltda. e que, portanto, sua atividade (inclusive a movimentação financeira extraída dos depósitos bancários) é, na verdade, daquele, e não desta. Assim, nos termos do art. 42, § 5º, da Lei 9.430/96, o lançamento deveria ter sido realizado contra o Sr. Antônio Martins, e não contra a empresa Tampa Bay Ltda., de modo que há ilegitimidade do sujeito passivo incluído nos autos de infração, causando a nulidade destes. A imposição de responsabilidade solidária exige previsão legal. O art. 124 do CTN contempla as hipóteses de solidariedade passiva. No inciso I deste dispositivo exigese que o responsável solidário tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador, enquanto o inciso II faculta ao legislador prever outras hipóteses de responsabilização solidária. A fiscalização, ao atribuir responsabilidade solidária, não pode se pautar por meros indícios ou presunções, de maneira que cabe Fl. 5321DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.321 10 a ela o ônus da prova do interesse comum quanto ao fato gerador. Na situação de que trata o presente processo administrativo, não existe qualquer situação que configure o interesse comum na constituição do fato gerador para os créditos tributários descritos no auto de infração. Somente se pode impor responsabilidade tributária solidária por interesse comum, nos termos do art. 124, I, do CTN, para os participantes do fato jurídico tributário. É impossível atribuir tal responsabilidade a quem não tenha participado do fato gerador na mesma relação obrigacional. Não se trata, ademais, de um interesse meramente de fato, exigindose um interesse jurídico, consistente naquele que decorre de uma situação jurídica, como é o caso daquele que se pode estabelecer entre os cônjuges em se tratando de imposto de renda ou sobre a propriedade de bens. Não é possível impor ao Sr. José Antônio Martins a participação no fato jurídico tributário, estabelecendo uma vinculação de interesse jurídico comum no fato gerador, já que ele não tem qualquer relação direta com a pessoa jurídica que praticou o fato gerador. Nos termos do art. 42, § 1º, da Lei nº 9.430/96, o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Portanto, o fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa jurídica, para fins de tributação quando da existência de omissão de receita lançada por presunção com base em extratos bancários, será o mês em que houver o crédito pela instituição financeira. Partindose dessa premissa, o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN deve ser contado a partir do mês em que houve o crédito, de modo que houve a decadência para os fatos geradores ocorridos entre 31/12/2002 e 30/06/2003. Para os lançamentos decorrentes (PIS, COFINS e CSLL), reitera o impugnante todos os argumentos já deduzidos. Os juros moratórios em matéria tributária tem caráter indenizatório. A taxa Selic, por outro lado, tem natureza remuneratória, de modo que é descabido seu uso para cálculo de juros moratórios em matéria tributária. A Lei nº 9.065/95, a despeito de autorizar a utilização da taxa Selic, não pode alterar a natureza das coisas, sob pena de violar o art. 110 do CTN. O art. 161, § 1º, do CTN autoriza a definição de outra taxa de juros, desde que esta contenha e reflita natureza moratória. O limite de 1% de juros moratórios, previsto no art. 161, § 1º, do CTN, deve ser interpretado como limite máximo, tendo em vista os índices inflacionários baixos que caracterizam o momento atual da economia brasileira. Ademais, é a lei que deve definir o percentual a ser cobrado a título de juros moratórios, sendo descabida sua delegação ao Poder Executivo, por meio do Banco Central do Brasil. A multa aplicada ofende os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, devendo ela ser cancelada, ou, caso assim não se entenda, seu patamar deve ser reduzido a 20%, de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Por fim, pede o impugnante que seja reconhecida a improcedência do lançamento tributário e a configuração de sua responsabilidade subsidiária. A impugnação apresentada pela Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos reproduz os mesmos argumentos deduzidos pelo Sr. José Antônio Martins, com exceção da alegação de necessidade de intimação pessoal para réu preso, que é exclusiva deste. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 4.899 a 4.901): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 5322DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.322 11 Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 DECADÊNCIA SIGILO BANCÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SELIC MULTA QUALIFICADA. A apuração do lucro arbitrado é trimestral, ocorrendo o fato gerador do IRPJ no último dia de cada trimestre. Havendo prova do evidente intuito de fraude, o prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. É cabível a utilização de dados bancários do contribuinte, desde que observadas as exigências previstas na Lei Complementar 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Havendo demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser atribuída responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN. Da mesma forma, uma vez provado que gerentes da pessoa jurídica praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, é cabível a atribuição de responsabilidade pessoal, conforme previsto no art. 135, III, do CTN. Selic e multa qualificada aplicados nos termos da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 DECADÊNCIA SIGILO BANCÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SELIC MULTA QUALIFICADA A apuração do lucro arbitrado é trimestral, ocorrendo o fato gerador da CSLL no último dia de cada trimestre. Havendo prova do evidente intuito de fraude, o prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. É cabível a utilização de dados bancários do contribuinte, desde que observadas as exigências previstas na Lei Complementar 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Havendo demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser atribuída responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN. Da mesma forma, uma vez provado que gerentes da pessoa jurídica praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, é cabível a atribuição de responsabilidade pessoal, conforme previsto no art. 135, III, do CTN. Selic e multa qualificada aplicados nos termos da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/06/2003 DECADÊNCIA SIGILO BANCÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SELIC MULTA QUALIFICADA. A apuração da COFINS é mensal, ocorrendo o respectivo fato gerador no último dia de cada mês. Havendo prova do evidente intuito de fraude, o prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. É cabível a Fl. 5323DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.323 12 utilização de dados bancários do contribuinte, desde que observadas as exigências previstas na Lei Complementar 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Havendo demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser atribuída responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN. Da mesma forma, uma vez provado que gerentes da pessoa jurídica praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, é cabível a atribuição de responsabilidade pessoal, conforme previsto no art. 135, III, do CTN. Selic e multa qualificada aplicados nos termos da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/06/2003 DECADÊNCIA SIGILO BANCÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SELIC MULTA QUALIFICADA. A apuração do PIS é mensal, ocorrendo o respectivo fato gerador no último dia de cada mês. Havendo prova do evidente intuito de fraude, o prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. É cabível a utilização de dados bancários do contribuinte, desde que observadas as exigências previstas na Lei Complementar 105/2001 e no Decreto nº 3.724/2001. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Havendo demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser atribuída responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN. Da mesma forma, uma vez provado que gerentes da pessoa jurídica praticaram atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, é cabível a atribuição de responsabilidade pessoal, conforme previsto no art. 135, III, do CTN. Selic e multa qualificada aplicados nos termos da lei. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificados da referida decisão em 16/06/2011 e 22/06/2011 (fls. 5.065 verso e 5.246 numeração digital ND), a tempo, em 28/06/2011 e 22/06/2011, respectivamente, apresentam os Responsáveis Solidários Camila Fonseca Martins Vivancos e José Martins Recursos de fls. 5.269 a 5.304 (ND) e 5.206 a 5.244 (ND), neles reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o auto de infração imputou multa qualificada no percentual de 150 % diante da omissão de rendimentos baseados em extratos bancários; b) que essa multa qualificada deve ser reduzida para o percentual de 75 %; c) que a qualificação da multa é “exceção da exceção”, a ponto de não poder ser aplicada mediante ilações subjetivas, em especial, quando se tem a presunção de boafé, bem como o “in dúbio pro reo”; d) que a fiscalização não descreveu, de forma pormenorizada, quais seriam as condutas praticadas pelo recorrente, a fim de tipificar o evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, tendo feito uma justificativa genérica; Fl. 5324DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.324 13 e) que não se pode negar que o recorrente agiu de forma lícita, tendo por premissa a licitude de sua conduta; f) que, em momento algum, teve por intenção de praticar conduta dolosa ou de fraude, já que possui plena convicção da licitude e legitimidade de seus atos; g) que não procede a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada; h) que não existe previsão legal para a incidência dos juros sobre a multa, o que contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, bem como o disposto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal de 1988; e i) que, por isso, os juros sobre a multa lançada não podem prosperar. Em mesa para julgamento. Fl. 5325DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.325 14 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento dos Recursos. 4. Observase, de início, que os Recursos apresentados nada mais são do que transcrições ipsis litteris das impugnações anteriormente ofertadas (exceto no que se refere, especificamente, aos juros de mora, à multa de ofício aplicada e aos juros sobre a multa de ofício aplicada), substituindose apenas os termos “requerente” e “impugnante” por “recorrente” e “impugnação” por “recurso”. 5. Dessa forma, faço minhas as palavras do acórdão recorrido, de nenhuma forma contraditado pelos Recursos apresentados (fls. 4.909 a 4.917): Equivocase o impugnante ao afirmar que as receitas omitidas foram apuradas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, vale dizer, com base na presunção baseada em depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme esclarece a autoridade autuante à fl. 4726, “praticamente todo o trabalho de reconstituição das receitas de vendas efetuadas pela contribuinte fiscalizada foi feito com base nas informações contidas nos Conhecimentos de Transportes, os quais foram enviados pelas Transportadoras, e também, nas notas fiscais apresentadas”. Portanto, as informações bancárias colhidas pela autoridade foram apenas o ponto de partida para as investigações. O lançamento tem por base outros elementos de prova. No tocante à contagem do prazo decadencial, cabe esclarecer que o imposto sobre a renda e a contribuição social sobre o lucro líquido foram apurados com base na sistemática do lucro arbitrado, já que o contribuinte não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais e está constituído por interpostas pessoas, conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal”. Consoante esta sistemática de tributação o período de apuração do IRPJ e da CSLL é trimestral, reputando se ocorrido o fato gerador no último dia de cada trimestre. Esta é a razão pela qual estes tributos foram lançados apenas para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2002 (outubro a dezembro de 2002), 31/03/2003 (janeiro a março de 2003) e 30/06/2003 (abril a junho de 2003). Tendo em vista a constatação de evidente intuito de fraude, caracterizado pela omissão de receitas e pela utilização de interpostas pessoas como sócios, a fim de acobertar os reais beneficiários, a contagem do prazo decadencial não se regula pelo art. 150, § 4º, do CTN, mas pelo art. 173, I. Assim, o termo inicial de contagem do prazo de cinco anos é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 5326DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.326 15 realizado. Ora, o lançamento de IRPJ e da CSLL relativo ao último trimestre de 2002, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2002, somente poderia ter ocorrido em 2003, de modo que o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 1º de janeiro de 2004 (exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado), encerrandose em 31/12/2008. Portanto, não há que se falar em decadência do IRPJ e da CSLL. O prazo decadencial da COFINS e do PIS, em razão da constatação de evidente intuito de fraude, também é regulado pelo art. 173, I, do CTN. Para estes tributos, cujo período de apuração é mensal, foram lançados os fatos geradores ocorridos em 31/10/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003 e 30/06/2003. O prazo decadencial do fato gerador ocorrido em 31/10/2002 começou a ser contado em 01/01/2003, esgotandose em 31/12/2007. Assim, ocorreu a decadência para os lançamentos de PIS e de COFINS relativos ao fato gerador do mês de outubro de 2002. Para os fatos geradores ocorridos em 2003, a contagem do prazo decadencial teve início apenas em 01/01/2004, esgotandose em 31/12/2008, de modo que não houve o transcurso do prazo decadencial para estes fatos geradores. [...]. De início, é preciso esclarecer que a oportunidade de defender se das imputações feitas nos autos de infração lavrados é garantida precisamente pela possibilidade de apresentar impugnação ao lançamento. Conforme ensina Alberto Xavier, a ação fiscal, até a lavratura do auto de infração, é procedimento inquisitório, razão pela qual não há que se falar em direito de defesa antes da lavratura do auto de infração. Eis a lição do mestre: [...]. O Sr. José Antônio Martins e a Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos receberam, junto das intimações, cópias dos autos de infração, do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Nestes documentos há expressa referência ao presente processo administrativo (15956.000275/200897), no qual estão todos os documentos que dão base às afirmações e conclusões da autoridade autuante e aos lançamentos. Os autos estiveram, durante todo o prazo de 30 dias para a apresentação de impugnação, à disposição dos impugnantes para o exercício do contraditório e da ampla defesa. Destarte, não há qualquer violação aos princípios invocados pelos recorrentes. [...]. Conforme já ressaltado anteriormente, as informações bancárias colhidas pela autoridade foram apenas o ponto de partida para as investigações. O lançamento tem por base outros elementos de prova, de modo que é descabida a afirmação de que o fisco empregou equivocado entendimento no sentido de que as várias Fl. 5327DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.327 16 transações financeiras realizadas caracterizam omissão de rendimentos. [...]. Quanto às alegações de inconstitucionalidade das normas que autorizam a utilização de dados bancários dos contribuintes em procedimentos de fiscalização, cabe esclarecer que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. [...]. Os impugnantes equivocamse ao afirmar que eles foram reputadas interpostas pessoas da empresa Tampa Bay Ltda. A autoridade autuante, no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 47034755) deixou claro que as interpostas pessoas eram os sócios indicados no contrato social da empresa, vale dizer, o Sr. Pedro Bonfim Lima e o Sr. Giancarlo Celestino Dantas. Eis, a título de exemplo, um trecho do referido Termo (fl. 4707) que esclarece esse fato: “Diante da impossibilidade de se obter documentações e informações contábeis/fiscais junto aos sócios (não localizados), e tendo em vista indícios de serem referidos sócios interpostas pessoas, foi emitido a RMF – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira nº 08109002007 000259 (fl. 129), referente à contacorrente movimentada na instituição financeira UnibancoUnião de Bancos Brasileiros S/A, sendo requisitados os seguintes documentos:”. Como se vê, a autoridade foi clara ao afirmar que os sócios indicados no contrato social eram apenas interpostas pessoas utilizadas pelos sócios de fato para ocultarse dos ilícitos praticados pela Tampa Bay Ltda. O lançamento, evidentemente, deve ser efetuado contra a pessoa jurídica, que é o contribuinte. Nos termos do art. 121, parágrafo único, I, do CTN, contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Na situação de que trata o presente processo administrativo, as operações de venda que deram origem às receitas omitidas foram realizadas pela empresa Tampa Bay Ltda, de modo que é contra ela que os autos de infração devem ser lavrados. A atribuição de responsabilidade solidária a terceiros decorre dos fatos verificados pela autoridade autuante no curso da ação fiscal, que podem ser resumidos na afirmação de que estes terceiros administravam a empresa e se beneficiaram dos ilícitos tributários por ela praticados. Tampouco há que se falar em aplicação do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.637/2002, já que, conforme ressaltado anteriormente, não houve aplicação da presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. [...]. Fl. 5328DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.328 17 Inicialmente, é preciso esclarecer que a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Antônio Martins e à Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos tem por fundamento não apenas o art. 124, I, do CTN, mas também o art. 135, III, deste mesmo diploma normativo, conforme atestam o “Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 001” (fls. 46974698) e o “Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 002” (fls. 46994700). A atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN, exige a demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A autoridade autuante demonstrou sobejamente que o Sr. José Antônio Martins e a Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos tinham interesses comuns com as atividades desenvolvidas pela Tampa Bay Ltda, tendo inclusive participação ativa na administração da empresa e na prática dos ilícitos tributários apurados. Quanto à Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos, em sua residência foram encontrados talão de cheque em branco em nome da Tampa Bay Ltda e correspondência do Unibanco informando a senha de acesso à conta da empresa. Além disso, a gerente de contas do Unibanco informou que a responsável pela movimentação financeira chamavase Camila. Finalmente, foi comprovado o recebimento de valor proveniente da conta corrente do contribuinte fiscalizado; O Sr. José Antônio Martins, conforme foi apurado, era o proprietário de fato da empresa Digitat Comercial Ltda e da Tampa Bay Informática Ltda, sucessora daquela. Segundo declaração da Sra. Fernanda Machado de Oliveira, era o verdadeiro proprietário do veículo Golf, placa HAB3123, pago com cheque, no valor de R$ 80.000,00, emitido pela Tampa Bay Ltda. Ademais, os telefones utilizados pelo Unibanco para confirmar a emissão de cheques pela Tampa Bay eram de propriedade dele e da Digitat Comercial Ltda, também de sua propriedade. Portanto, as provas carreadas aos autos demonstram o interesso comum de ambos nas atividades desenvolvidas pela Tampa Bay Ltda, inclusive com participação ativa na administração da empresa e na prática dos ilícitos tributários apurados. A responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, é aplicável nas hipóteses em que diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado praticam atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Também nesse caso foram apresentadas provas bastantes a justificar a atribuição de responsabilidade tributária ao Sr. José Antônio Martins e à Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos. Em razão dos fatos já referidos acima, concluise com segurança que ambos atuaram como gerentes da Tampa Bay Ltda. Mais que isso, agiram com infração de lei ao constituir a empresa por Fl. 5329DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.329 18 meio de interpostas pessoas, quais sejam, o Sr. Pedro Bonfim Lima e o Sr. Giancarlo Celestino Dantas. Houve infração de lei também quando da emissão dos cheques pela Tampa Bay Ltda. Com efeito, para identificar os reais beneficiários das atividades desenvolvidas pela empresa, a autoridade buscou informações acerca dos beneficiários dos cheques por ela emitidos. Constatou que nos microfilmes dos cheques emitidos pelo contribuinte constava apenas a assinatura do sócio Pedro Bonfim Lima. Ocorre que as assinaturas constantes da Proposta de Abertura de Conta Corrente Poupança – PJ e dos cheques emitidos são visivelmente distintas daquelas constantes dos documentos pessoais e do Cartão de Autógrafo fornecido pelo Unibanco, concluindose que não foi o Sr. Pedro Bonfim Lima quem assinou os cheques. Assim, há fundamentos fáticos suficientes para a atribuição de responsabilidade ao Sr. Sr. José Antônio Martins e à Sra. Camila Fonseca Martins Vivancos, nos termos do art. 135, III, do CTN. [...]. Pelas razões já apontadas anteriormente, falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. A multa aplicada obedece aos ditames do art. 44 da Lei nº 9.430/96, de modo que a autoridade administrativa limitouse a aplicar a legislação, conforme exige o art. 142, parágrafo único, do CTN. 6. Relativamente à questão da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. Fl. 5330DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.330 19 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a Fl. 5331DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.331 20 ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores. (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. (REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.332 21 7. Relativamente à questão da incidência da taxa Selic para atualização de débitos tributários, é o seguinte o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática de Repercussão Geral (art. 543B do CPC): 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. [...]. 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 582461, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/05/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL0256802 PP00177) Preclusão 8. Questionam os Recorrentes, unicamente em seus Recursos, a qualificação da multa, pleiteando a sua redução para o percentual de 75 %, e que não procederia a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada. 9. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Demais exigências 10. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15956.000275/200897 Acórdão n.º 1803002.098 S1TE03 Fl. 5.333 22 Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10850.900131/2006-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Marcelo Baeta Ippolito, Jose Evande Carvalho Araujo, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Marcelo Baeta Ippolito, Jose Evande Carvalho Araujo, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1435.135 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, em sessão de 30/08/2011 (fls. 163 a 171), que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações desse crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 13 1/ 20 06 -3 5 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.900131/200635 Resolução nº 1102000.216 S1C1T2 Fl. 3 2 Restou assim decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.. Incumbe ao sujeito passivo a'demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do "crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Pretendia a contribuinte, ora Recorrente, compensar débito de sua responsabilidade com crédito de saldo negativo de IRPJ, concernente ao anocalendário de 2002. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da Recorrente e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o valor informado na DIPJ não corresponde ao valor do saldo negativo informado na PER/DCOMP, a saber: Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que embora impedida de apresentar PER/DCOMP retificadora, por existir o despacho decisório, esclarece que o saldo negativo no valor de R$ 65.793,37 estaria correto e constaria na DIPJ 2003/2002, página 11, linha 18. O saldo seria composto por três documentos de arrecadação relativos aos períodos de apuração de junho, agosto e novembro de 2001, pertencentes ao saldo negativo de 2001, no valor de R$ 19.642,07, compensados e utilizados na DIPJ 2003/2002, mês de julho, página 09, linha'06, ocasião em que não seria exigida PER/DCOMP, tendo os DARFs passado a compor o saldo negativo de 2002. O saldo seria composto, ainda, por dois documentos de arrecadação relativos aos períodos, de apuração de julho e agosto de 2002. Nos PER/DCOMP apresentados, estariam incompletas as informações referentes aos pagamentos que compõem o saldo negativo. A Recorrente foi devidamente intimada em 21/12/2011 (fls 179) e, inconformada em decorrência da decisão terse fundamentado na falta de apresentação de documentos contábeis, balancetes, entre outros, apresentou Recurso Voluntário em 13/01/2012 (fls 180) sob o seguinte fundamento: Ora i. Julgadores, não obstante a referida juntada dos documentos em questão pudessem ter sido solicitadas através de simples intimação da ora recorrente, possibilitando a análise mais minuciosa dos fatos apresentados pela contribuinte, fato é que não se fez Justiça com o proferimento da decisão ora recorrida, já que a simples falta de juntada dos mesmos com a Manifestação de Inconformidade não retira o legítimo direito da Fl. 294DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.900131/200635 Resolução nº 1102000.216 S1C1T2 Fl. 4 3 contribuinte recorrente ter reconhecido o seu direito creditório líquido e certo. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Nos termos do art. 156, II, do Código Tributário Nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário,mediante á qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o.contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever derestituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). 0 art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda". Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintiva do ,direito do autor. À luz do disposto na legislação de regência, cabe indagar se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Em análise a legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, verificase que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Por exclusiva decisão da empresa, se esta faz a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.900131/200635 Resolução nº 1102000.216 S1C1T2 Fl. 5 4 Cabe relembrarmos alguns artigos do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: Apuração Trimestral do Imposto Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei no.9.430, de 1996, art. 1o). Apuração Anual do Imposto Art.221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do'imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n 9.430, de 1996, art. 2o, §3o). Pagamento por Estimativa Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei no 9.430, de 1996, art. 2°). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei no 9.430, de 1996, art. 3o, parágrafo único). Base de Cálculo Art.223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei n 9.249, de 1995, art, 15, e Lei no. 9.430, de 1996, art. 2o.). Alíquota do Imposto e Adicional Art.228. O imposto a ser pago mensalmente na forma desta Seção será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento (Lei no. 9.430, de 1996, art. 2o , §1o ). Parágrafo único. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais ficará sujeita à incidência de adicional do imposto à alíquota de dez por cento (Lei no. 9.430, de 1996, art. 2o, §2o). Deduções do Imposto Mensal Art. 229: Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto apurado no mês, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, , Atividade Audiovisual, e ValeTransporte, este último até 31 de dezembro de 1997, observados os limites e prazos previstos para estes incentivos (Lei no 8.981, de 1995, art. 34, Lei no 9.065 de 1995, art. 1o, Lei no 9.430, de 1996, art.2o e Lei no. 9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea f.) Parágrafo único. No caso em que o imposto retido na fonte seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto mensal a pagar relativo aos meses subseqüentes. Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art.230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei no. 8.981, de 1995, art. 35, e Lei no. 9.430, de 1996, art. 2o). Deduções do Imposto Anual Art.231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei no. 9.430, de 1996, art. 2o, §4o): (...) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.900131/200635 Resolução nº 1102000.216 S1C1T2 Fl. 6 5 III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Opção da Forma de Pagamento Art.232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 220, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a referida no art. 221, será irretratável para todo o anocalendário (Lei no 9.430, de 1996, art. 3°). Tratandose de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, necessário a atenção para: (i) a comprovação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; (ii) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; (iii) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, (iv) os valores não teria fruto de outras compensações. Tratandose das compensações de estimativas mensais com créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, inevitável se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. A Recorrente não apresenta nessa fase recursal novos elementos de prova em relação aos pagamentos de IRPJ, embora a autoridade de primeira instância de julgamento tenha ressaltado a relevância de que os registros contábeis e os documentos pertinentes teriam que instruir os autos para fins de comprovação das alegações constantes na pela de defesa, já que já que à época a compensação tributária fosse efetivada na própria escrituração. Além disso, embora lhe fossem oferecidas oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que suas alegações estão corretas. Não foram produzidos nos autos elementos de prova que comprovem a correção das informações indicadas na peça de defesa. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. Relativamente à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso1. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decretolei no.1.598, de 1977, art. 9o, § 1o). 1 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10850.900131/200635 Resolução nº 1102000.216 S1C1T2 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, determinando: · apontamento dos valores que por ventura não compensados em detrimento da falta de saldo negativos. · que a autoridade preparadora cientifique a recorrente da decisão ali proferida, facultandolhe a interposição do recurso voluntário no prazo legal. · dar ciência desta resolução à Contribuinte, entregandolhe cópia; · intimar a Contribuinte para que esta apresente, no prazo de 30 dias, com base em documentação hábil e idônea, a composição dos saldos negativos de IRPJ formados nos anos de 2001 e 2002 e passíveis de utilização, bem como a forma de utilização desses saldos nos anos de 2001 a 2003, cotejando cada valor e demonstrando possíveis saldos negativos não utilizados; · esclarecer, de forma conclusiva e fundamentada, a respeito das informações que serão prestadas pela Contribuinte, a fim de que confirme a existências dos referidos saldos negativos, se cada compensação realizada foi corretamente feita, quais valores não puderam ser compensados (e seus correspondentes períodos), e sobre a existência ou não de saldos negativos após compensações; sejam solicitados os documentos necessários para referida averiguação. Em relação a todas as verificações efetuadas, deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. Após concluídas todas as providências devidas, encontrandose o processo devidamente saneado, retornem os autos a esta Turma para o competente julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO
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