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Numero do processo: 19515.720119/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral a Dra. Marina Tanganelli Bellegarde, OAB/SP nº 338.460, advogada do sujeito passivo.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral a Dra. Marina Tanganelli Bellegarde, OAB/SP nº 338.460, advogada do sujeito passivo. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração de Cofins nãocumulativa relativa aos períodos de apuração janeiro e julho a novembro, todos de 2007. As infrações capituladas no lançamento foram a inobservância de requisito formal na emissão de notas fiscais de vendas com suspensão do tributo (ausência da expressão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 11 9/ 20 12 -7 2Fl. 8737DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.720119/201272 Resolução nº 3401000.902 S3C4T1 Fl. 3 2 “venda com suspensão ...”); venda com suspensão a empresa não habilitada no RECAP (Lei nº 11.196/2005); créditos não comprovados; apropriação de créditos relativos a notas fiscais de simples faturamento para entrega futura; falta de estorno de créditos por devolução de compras de insumos; apropriação de créditos de estabelecimento filial baseada em lançamentos realizados em “livro não oficial”; e, serviços não classificáveis como insumo (fotografia, consultoria, reparação de computadores, tradução, representação comercial, transporte de passageiros, apoio administrativo, serviço em informática, impressão de material publicitário, assessoria contábil, digitação, processamento de dados, preparação de documentos, hospedagem, editoração gráfica, gastos com veículos, motoboy, táxi, digitalização, programação de computadores, impressão, arquivo externo, serviços de escritório em geral e outros.). Em impugnação o contribuinte alegou que a empresa não habilitada no RECAP era, na verdade, administradora de contrato firmado entre ela (autuada) e outra empresa autorizada, esta sim, a operar no regime, citando o ato declaratório executivo respectivo; que em parcela das notas arroladas na autuação, na condição de tributo suspenso, houve destaque da exação, relacionandoas; que o descumprimento de requisito formal na emissão da nota fiscal com suspensão de tributos poderia gerar, quando muito, multa pela falta, não, porém, redundar na cassação da suspensão; que o direito de apropriação de crédito, nas compras para entrega futura, deveria ser feito na emissão da nota fiscal de simples faturamento, citando soluções de consulta da RFB; que houve cerceamento do direito de defesa, ante a falta de individualização de determinadas glosas; que o conceito de insumo, para fins da não cumulatividade do PIS/Pasep e Cofins, deveria observar o conceito de despesas operacionais insculpido no art. 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99); por fim, alegou boafé e respeito ao princípio da verdade material. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ acolheu em parte o recurso, afastando as glosas pelos créditos de simples faturamento para entrega futura, em decisão assim ementada: “PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. AUSÊNCIA DE PROVAS Nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a impugnação deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações no lançamento do crédito tributário. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser Fl. 8738DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.720119/201272 Resolução nº 3401000.902 S3C4T1 Fl. 4 3 considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. RECAP. SUSPENSÃO . HABILITAÇÃO. A venda com suspensão das contribuições em virtude do RECAP exige que a compradora seja previamente habilitada ao RECAP e preencha os demais requisitos legais. VENDA SUSPENSÃO. REQUISITOS NOTA FISCAL A ausência do registro na Nota Fiscal da expressão “Venda efetuada com suspensão da exigência do PIS e da COFINS” descaracteriza a suspensão. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. ADQUIRENTE. MOMENTO. APURAÇÃO CREDITO NÃO CUMULATIVIDADE Na aquisição de bens ou serviços que geram crédito da não cumulatividade para recebimento posterior, o crédito poderá ser apropriado no registro da Nota Fiscal de Simples faturamento uma vez que já ocorreu o fato jurídico representativo da aquisição. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSENCIA. Não se configura cerceamento de defesa quando a infração está claramente demonstrada e o contribuinte foi devidamente cientificado, possibilitando que seja apresentada a correspondente defesa. DEVOLUÇÃO DE COMPRAS Ocorrendo a devolução de mercadorias que geraram crédito na aquisição, deve ser efetuado o estorno do crédito apurado. IPI. CUSTO. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens para fins de apuração do crédito da não cumulatividade.” O recurso voluntário reprisou os argumentos do recurso inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Revendo as razões de defesa e os elementos acostados, à luz de determinadas glosas realizadas e do objeto social da empresa, verifico que o processo ainda não ostenta todas as informações necessárias ao seu julgamento, como passo a expor. Consoante estatuto social juntado pelo recorrente, esse seria o seu objeto social: Fl. 8739DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.720119/201272 Resolução nº 3401000.902 S3C4T1 Fl. 5 4 “(...) a) comércio, importação e industrialização, em estabelecimentos de terceiros, de equipamentos e sistemas para tratamentos de água, resíduos líquidos e sólidos, lixos e gases; b) prestação de serviços de engenharia civil e mecânica, c) montagem, instalações e assistência técnica de equipamentos e sistemas eletromecânicos e de instrumentação, d) execução por administração, empreitada ou subempreitada de construção civil, obras hidráulicas e outras semelhantes, inclusive serviços auxiliares ou complementares; e) operação, manutenção, administração e gerenciamento de obras, equipamentos e sistemas; (...)” A fiscalização realizou uma glosa genérica de serviços que não se enquadrariam no conceito de insumo, tais como, fotografia, consultoria, reparação de computadores, tradução, representação comercial, transporte de passageiros, apoio administrativo, serviço em informática, impressão de material publicitário, assessoria contábil, digitação, processamento de dados, preparação de documentos, hospedagem, editoração gráfica, gastos com veículos, motoboy, táxi, digitalização, programação de computadores, impressão, arquivo externo e serviços de escritório em geral. O contribuinte, por seu turno, defendeu que os serviços de consultoria, assessoria, consultoria e projetos, consultoria técnica, “pessoa física”, cálculos, projetos, elaboração de projetos e estudos de projetos, diriam respeito aos serviços de engenharia necessários à instalação dos sistemas de tratamento de ar e água por ele produzidos; que os serviços de inspeção, “mãodeobra”, controle de qualidade, serviços de topografia, análise de água, “testes e análises”, gerenciamento de projetos, serviços de medição e revisão, vincular seiam às obras de construção civil necessárias à instalação e funcionamento do equipamento, eis que fica responsável pela sua entrega em perfeito funcionamento; que o aço inoxidável e o material isolante são utilizados nas áreas externas dos prédios em que instalados os sistemas de ar e água produzidos pela empresa; que os serviços de informática, processamento de dados, reparação de computadores e serviços de digitação e manutenção de computadores estão relacionados ao desenvolvimento de softwares e manutenção dos sistemas computadorizados/automatizados dos equipamentos produzidos pela empresa. Como se vê, é muito difícil estabelecer uma correlação entre as glosas elencadas e os serviços acima descritos, o que não possibilita sequer afirmar que tais serviços foram, de fato, excluídos da apuração do tributo. Demais disso, especificamente em relação às glosas da filial Rio de Janeiro/RJ, motivadas por defeitos do livro fiscal, a decisão reclamada deixou claro que o meio de prova necessário ao reconhecimento do direito de crédito, ante a dúvida fundada do vício de escrituração, seria a apresentação das notas fiscais correspondentes. É certo que aludidos documentos deveriam ser apresentados por ocasião da impugnação, segundo dispõe o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, entretanto, cuidandose de lançamento para exigência de crédito tributário, milita em favor do recorrente o princípio da verdade material, mesmo porque, a afirmação categórica que os documentos aptos à demonstração do direito rogado seriam as notas fiscais correspondentes só vieram à tona na decisão recorrida. Por derradeiro, há uma situação contraditória no que tange a certas notas fiscais de saída, pretensamente emitidas com suspensão do tributo, onde a fiscalização assevera que Fl. 8740DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.720119/201272 Resolução nº 3401000.902 S3C4T1 Fl. 6 5 não foram oferecidas à tributação e o contribuinte, por seu turno, afirma que não foram emitidas com suspensão do tributo. Com estas considerações, sem antecipar qualquer juízo de ordem meritória, proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: 1) Verificar se as notas fiscais de aquisições juntadas no recurso voluntário correspondem às glosas da filial Rio de Janeiro/RJ, no montante de R$ 129.812,42; 2) Em caso positivo ao item anterior, informar se aludidos documentos foram registrados nos livros fiscais do respectivo estabelecimento (filial); 3) Informar se os materiais constantes das aludidas notas fiscais, segundo os critérios adotados pela fiscalização, qualificamse como insumos e, em caso negativo, qual a razão para sua inadmissão nesta condição; 4) Informar se as notas fiscais 25, 26, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 40, 44, 45, 46, 47, 56, 1 e 2, mencionadas no Anexo 01 do Termo de Constatação nº 02, sofreram a incidência da Cofins nãocumulativa, tendo em vista que o contribuinte sustenta que tais vendas não foram realizadas com suspensão do tributo, conforme item 3.1.b do recurso voluntário; 5) Informar se, de fato, foram glosados os seguintes serviços, como argumentado no recurso voluntário: consultoria, assessoria, consultoria e projetos, consultoria técnica, “pessoa física”, cálculos, projetos, elaboração de projetos e estudos de projetos, inspeção, “mãodeobra”, controle de qualidade, serviços de topografia, análise de água, “testes e análises”, gerenciamento de projetos, serviços de medição, revisão, informática, processamento de dados, reparação de computadores e serviços de digitação e manutenção de computadores; 6) Em caso positivo ao item anterior, isto é, se realmente houve glosa, informar como estes serviços são efetivamente empregados na produção/prestação de serviços do recorrente, inclusive com realização de visita in loco, se necessário; 7) Elaborar relatório circunstanciado das verificações realizadas, esclarecimentos, observações e conclusões reputadas necessárias; 8) Cientificar o contribuinte deste relatório e franquearlhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação; Finda da diligência, com ou sem a referida manifestação, devolvamse os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 8741DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.723492/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES. NECESSIDADE.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 2201-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade por falta de intimação de co-titular da conta-corrente e, assim, dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Relator), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA.
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente-Substituto.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
Assinado Digitalmente
MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Redator Designado.
EDITADO EM: 28/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-Substituto), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, momentaneamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Recurso apreciado na sessão de 09/12 às 09:00h.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES. NECESSIDADE. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade por falta de intimação de co-titular da conta-corrente e, assim, dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Relator), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente-Substituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. Assinado Digitalmente MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Redator Designado. EDITADO EM: 28/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-Substituto), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, momentaneamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Recurso apreciado na sessão de 09/12 às 09:00h.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. NECESSIDADE. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade por falta de intimação de cotitular da contacorrente e, assim, dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Relator), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO e CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI PresidenteSubstituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 34 92 /2 01 3- 16 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assi nado digitalmente em 07/01/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA 2 Assinado Digitalmente MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA – Redator Designado. EDITADO EM: 28/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (PresidenteSubstituto), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, momentaneamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Recurso apreciado na sessão de 09/12 às 09:00h. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2009 e 2010, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 762/772, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.308.083,40, calculado até 30/10/2013. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 1. Os depósitos bancários apurados pela autoridade lançadora são decorrentes da intermediação da venda de produtos da empresa Laticínios Cerejeira Multibom Ltda promovida pelo autuado, o qual recebia os valores dos clientes para depois realizar o pagamento para aquela empresa, descontando a sua comissão; 2. Após início da fiscalização, buscou orientação profissional que lhe informou ter cometido equívoco em não apresentar a declaração de ajuste anual referente ao período fiscalizado; 3. Insta mencionar, contudo, que estava impedido de apresentar a declaração de ajuste em razão de a empresa Laticínios Cerejeira Multibom Ltda não ter lhe entregado qualquer informe de rendimentos; 4. Em razão disso, providenciou a entrega das declarações de ajuste anual que estavam omissas, informando todos os créditos realizados em sua conta corrente durante os anoscalendário 2009 e 2010, abatidos os montantes destinados ao pagamento remetido à empresa Laticínios Cerejeira Multibom Ltda (operação feita por meio de livrocaixa), cujo resultado foi levado à tributação; 5. Portanto, não há que se falar em omissão de rendimentos, pois estes foram informados na declaração de ajuste anual. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assi nado digitalmente em 07/01/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11020.723492/201316 Acórdão n.º 2201002.715 S2C2T1 Fl. 3 3 Ao final, pleiteou: 1. a procedência de sua impugnação; 2. a intimação dos atos praticados nos presentes autos nas pessoas de seus procuradores. A 4ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: INTIMAÇÃO DO ADVOGADO POR VIA POSTAL. IMPOSSIBILIDADE. A intimação por via postal dever ser feita no domicílio eleito pelo sujeito passivo, não havendo previsão legal para que seja feita no endereço do advogado ou procurador do contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação eficaz, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A infração à legislação tributária independe da intenção do agente, conforme prevê o art. 136 do Código Tributário Nacional. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. O início do procedimento fiscal implica a perda da espontaneidade do sujeito passivo. Impugnação Improcedente O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 06/02/2014 (fls. 823/824) e, em 07/03/2014, interpôs o recurso de fls. 826/834, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo: nulidade do auto de infração, em razão da falta de intimação do cotitular; Os depósitos bancários são decorrentes da intermediação da venda de produtos da empresa Laticínios Cerejeira Multibom Ltda, o qual recebia os valores dos clientes para depois realizar o pagamento para aquela empresa, descontando a sua comissão; É o relatório. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assi nado digitalmente em 07/01/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA 4 Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário 2009 e 2010. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pelo recorrente. Alega o suplicante que o lançamento é nulo, já que o cotitular não foi intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários, consoante o que dispõe a Súmula CARF nº 29. De início, penso que não assiste razão ao recorrente. Compulsandose o Termo de Início de Procedimento Fiscal – Intimação Fiscal nº 001/2013, fl. 13, verificase que a autoridade fiscal intimou o contribuinte a “... informar se a cotitularidade paras as contas correntes. Caso afirmativo, indicar o nome do cotitular e a data de ingresso”. No entanto, o suplicante quedouse silente, consoante se observa da resposta de fls. 23/25. Resta claro, portanto, que o recorrente deixou deliberadamente de fornecer à fiscalização as informações necessárias à aferição exata da base de cálculo da exação. Com efeito, não pode o contribuinte omitir informações necessárias à efetiva constituição da exigência e, posteriormente, alegar que nulidade da exigência. De sua desídia não pode advir vantagem para si. Isso posto, correto o lançamento perpetrado pela autoridade fiscal, pois, repisese, o contribuinte foi regulamente intimado a informar quais as contas que possuía cotitularidade e, no entanto, não as informou. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: Fl. 841DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assi nado digitalmente em 07/01/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11020.723492/201316 Acórdão n.º 2201002.715 S2C2T1 Fl. 4 5 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cumpre esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que os valores movimentados são procedentes de intermediação da venda de produtos, já que foram repassados às empresas cabendo ao contribuinte apenas uma comissão. Para tanto, efetuou a entrega das Declarações de Ajuste, ainda que intempestivamente, como forma de comprovar o alegado. De pronto, cumpre esclarecer que a declaração de imposto de renda apresentada após o início do procedimento fiscal, não produz seus regulares efeitos, não podendo interferir na apuração do imposto procedida pela autoridade fiscal, conforme determina a Súmula CARF nº 33, cujo entendimento é obrigatório em termos regimentais: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Quanto à alegação de que os valores que transitaram em seu movimento bancário advêm de operações comerciais, na qualidade de intermediário, verifico, pois, que o contribuinte nada apresentou para comprovar efetivamente a origem dos depósitos bancários levantados pelo fisco. Com efeito, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe, para efeito de determinação da receita omitida, que os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Ressaltese que as declarações firmadas pelas empresas de que o recorrente exercia atividade de intermediação de vendas, sem a efetiva vinculação dos valores aportados em sua conta bancária com as respectivas notas fiscais de vendas, é absolutamente ineficaz para comprovar a origem dos depósitos. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assi nado digitalmente em 07/01/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA 6 Ante a ausência de prova do uso comercial da conta bancária, torna lícito o lançamento sobre o titular da conta, conforme expressamente dispõe a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Redator Designado Em que pese o brilhantismo do voto do Ilustre Relator, Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, permitome discordar de seu entendimento, pelas razões lançadas abaixo. No curso do procedimento fiscal o contribuinte apresentou o cadastro da conta corrente na qual foram apurados os valores dos depósitos bancários com origem não comprovada (fls. 335/336). O referido cadastro evidencia, de forma incontroversa, que a conta corrente nº 160.0702, na agência 02690, era conjunta do tipo solidária, cujos titulares eram o Recorrente e Lisale Dala Rosa Salvi. Igualmente, as cópias dos cheques acostadas aos autos em fls. 204/334, também apresentadas pelo Recorrente no curso do procedimento fiscal. Nesse contexto, penso que a Autoridade lançadora deveria ter se certificado de que os cotitulares da conta apresentaram declaração em separado e, em caso afirmativo, ter intimado ambos a comprovar a origem dos recursos, em linha com a antiga jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes e a atual jurisprudência do CARF. A título ilustrativo, o seguinte precedente: Acórdão 10422.049, de 9 de novembro de 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos Fl. 843DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assi nado digitalmente em 07/01/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 11020.723492/201316 Acórdão n.º 2201002.715 S2C2T1 Fl. 5 7 os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários (jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes). Na espécie, embora o contribuinte não tenha apresentado declaração em conjunto com a cotitular, não consta dos autos que esta tenha sido intimada a comprovar a origem dos recursos, o que atrai a aplicação da Súmula CARF nº 29, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. Assinado Digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 844DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assi nado digitalmente em 07/01/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Numero do processo: 16643.000428/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCROS PRODUZIDOS NO BRASIL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM EMPRESA COLIGADA DE CONTROLADA NO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA TRIBUTAÇÃO.
Os lucros apurados no Brasil, reconhecidos por equivalência patrimonial em sociedade localizada coligada de controlada no exterior não podem ser novamente tributados, quando demonstrado que o resultado decorre de valores já oferecidos à tributação na origem.
Numero da decisão: 1201-001.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 LUCROS PRODUZIDOS NO BRASIL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM EMPRESA COLIGADA DE CONTROLADA NO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA TRIBUTAÇÃO. Os lucros apurados no Brasil, reconhecidos por equivalência patrimonial em sociedade localizada coligada de controlada no exterior não podem ser novamente tributados, quando demonstrado que o resultado decorre de valores já oferecidos à tributação na origem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCROS PRODUZIDOS NO BRASIL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM EMPRESA COLIGADA DE CONTROLADA NO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA TRIBUTAÇÃO. Os lucros apurados no Brasil, reconhecidos por equivalência patrimonial em sociedade localizada coligada de controlada no exterior não podem ser novamente tributados, quando demonstrado que o resultado decorre de valores já oferecidos à tributação na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 04 28 /2 01 0- 15 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL lavrados contra a empresa em epígrafe e relativos a lucros obtidos no exterior. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela última Resolução exarada neste Conselho, que explica em detalhes o andamento processual, peço vênia para reproduzila a seguir: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 28/12/2010 (fls. 376 e 384), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa de ofício e juros de mora, referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/2005 e 31/12/2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 389 a 402), a fiscalizada é sucessora por incorporação, ocorrida em 28 de abril de 2006, da empresa VCP Exportadora e Participações Ltda., CNPJ 04.200.557/000127. A VCP deixou indevidamente de adicionar ao lucro líquido apurado em 31/12/2005, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lucros auferidos em 2005 por sua controlada (100% do capital) Newark Financial Inc., estabelecida nas Ilhas Virgens Britânicas, no montante de U$ 55.769.817,16 equivalentes a R$ 130.540.411,03 à taxa de câmbio de R$ 2,3407 (cotação de fechamento Ptax/venda em 31/12/2005). Devido à matéria tributável apurada em 31/12/2005, os “estoques” de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL compensados em 31/12/2006 mostraramse insuficientes cada um no montante de R$ 12.232.475,97, o que também foi objeto do lançamento de ofício. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes autos de infração: 3.1. IRPJ (fls. 375 a 378) com base nos artigos 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 16 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, 21 e 74 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, 247, 249, inciso II, 250, inciso III, 251, 394, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), formalizando Fl. 675DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 4 3 crédito tributário, calculado até 30/11/2010, no montante de R$ 58.769.052,34; e 3.2. CSLL (fls. 383 a 386) com base nos artigos 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 58 da Lei nº 8.981, de 22 de janeiro de 1995, 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei nº 9.430/1996 e 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, formalizando crédito tributário, calculado até 30/11/2010, no montante de R$ 21.175.428,77. 4. O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 6º, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 e da multa de ofício é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (fls. 374 e 382). 5. Irresignada, a empresa, representada por procuradores (fls. 419 a 436), apresentou a impugnação de fls. 407 a 419, protocolizada em 26/01/2011 e instruída com os documentos de fls. 420 a 492, na qual alega, em síntese, que: 5.1 a fiscalização deixou de considerar os prejuízos fiscais acumulados em anos anteriores pela controlada no exterior, conforme documentos de fls. 469 a 486, que podem compensar o resultado apurado em 2005 no montante de R$ 130.540.411,03, na forma do artigo 4º da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) nº 213, de 07 de outubro de 2002; 5.2. assim não há lucros no exterior relacionados à controlada Newark Financial Inc. a computar no lucro real da controladora “pela simples razão de que os resultados desta controlada são negativos no período sob exame”; 5.3. se não forem suficientes os documentos apresentados, requer que se converta o julgamento em diligência para apuração dos valores dos prejuízos fiscais acumulados da Newark Financial Inc. a serem compensados com o resultado de R$ 130.540.411,03 apurado em 2005; 5.4. a existência destes prejuízos restou devidamente comprovada no processo administrativo 16561.000177/200775 objeto de julgamento pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na sessão iniciada em 15/12/2010 e retomada em 27/01/2011, cabendo registrar que os documentos de fls. 469 a 486, que instruem esta impugnação, foram coletados naquele processo administrativo; 5.5. a fiscalização se limitou a adicionar ao lucro real da impugnante o lucro líquido contábil da controlada no exterior, no montante de R$ 130.540.411,03, sem proceder aos ajustes determinados pela legislação brasileira a despeito do mandamento legal expresso neste sentido contido no artigo 25, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.249/1995; 5.6. “estivesse correta a pretensão do auto ora impugnado de adicionar o lucro líquido contábil de controlada, sem os ajustes exigidos pela legislação brasileira, consagrada estaria a Fl. 676DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 5 4 utilização desenfreada de paraísos fiscais, visto que, apurado o lucro, poderseia deduzir a sua quase totalidade a título de ‘pagamento a beneficiários não identificados’ que, segundo a legislação brasileira seria não dedutível, mas que constituiria fator de redução do lucro contábil a praticamente zero, lucro contábil este que, no querer da Fazenda Nacional, constituiria o montante a ser computado na determinação do lucro real do investidor brasileiro”; 5.7. a legislação brasileira citada no inciso I do § 2º do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995 compreende não somente a lei comercial aplicável à apuração do lucro contábil, mas também a legislação fiscal, como era a dicção expressa do projeto de lei originalmente encaminhado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo (artigo 24, § 2º, do Projeto de Lei nº 913B, de 1995, do Poder Executivo, mensagem nº 932/95); 5.8. quanto à equivalência patrimonial, cabe lembrar a ponderação feita no Parecer da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados em torno da redação final do artigo 25, parágrafo 6º, da Lei nº 9.249/95, segundo a qual “pelas normas propostas, os resultados da avaliação do investimento pelo método da equivalência patrimonial continuarão excluídos da tributação”; 5.9. “a única interpretação do art. 7º da IN/SRF n. 213/02 compatível com o texto legal do art. 25, parágrafo 6º, da Lei n. 9.249/95 é a de que, a norma isencional relacionada ao resultado da equivalência patrimonial, não elide a tributação dos lucros auferidos no exterior, no sentido de que os resultados de equivalência patrimonial não constituem parcela a deduzir dos lucros auferidos no exterior apurados em consonância com a legislação de regência (art. 25, parágrafo 2º, da Lei n. 9.249/95)”; 5.10. “a adequada interpretação do dispositivo contido no art. 7º da IN SRF n. 213/02 é no sentido de que a equivalência patrimonial foi lembrada na regulamentação administrativa 1º) porque ela integra (é parte de) o lucro, 2º) para que não fosse subtraída do montante dos lucros auferidos no exterior a pretexto de ser isenta e 3º) para regular os efeitos temporais inerentes às diversas sistemáticas de apuração do lucro real (trimestral, anual ou com base em balancete de verificação)”, não havendo como se cogitar que a disposição contida no artigo 7º da IN/SRF nº 213/02 possa ser fundamento autônomo do lançamento ex officio relacionado à autuação sob exame; 5.11. em se tratando de subsidiárias indiretas, a disposição aplicável é o § 6º do artigo 1º da IN/SRF nº 213/02 que determina a consolidação dos resultados das subsidiárias indiretas com o da controlada direta, inexistindo base legal para acrescentar aos lucros auferidos pela controladora brasileira a parcela de equivalência patrimonial correspondente à participação que a controlada no exterior detém em sociedade coligada; Fl. 677DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 6 5 5.12. a autuação adicionou ao lucro real da impugnante não somente a equivalência patrimonial de controlada no exterior, mas também a equivalência patrimonial nela contida de coligada da controlada domiciliada no Brasil, em contradição manifesta com as disposições regulamentares, que determinam a consolidação dos resultados na hipótese de participações indiretas relativamente aos lucros auferidos no exterior, não se aplicando aos resultados apurados por coligadas ou controladas domiciliadas no Brasil, por não se subsumir a regra do artigo 25 da Lei nº 9.249/1995 que manda tão somente tributar os lucros auferidos no exterior e também porque esta sociedade brasileira já foi submetida à tributação no Brasil; 5.13. integram o resultado de R$ 130.540.411,03 parcela de R$ 191.746.756,00 correspondente à participação de 12,5% da controlada no capital da coligada Aracruz Celulose S.A, sociedade constituída e domiciliada no Brasil (CNPJ 42.157.511/000161, conforme documento de fls. 490 a 492), líquida da respectiva variação cambial (R$ 200.832.232,00 – R$ 9.085.567,00); 5.14. cobrar sobre a receita da Aracruz os mesmos tributos já anteriormente cobrados fere o princípio da capacidade contributiva; 5.15. se prevalecerem os fundamentos da autuação, como o artigo 26 da Lei nº 9.249/1995 prevê a compensação contra os impostos devidos no Brasil dos créditos fiscais correspondentes aos impostos pagos pelas coligadas e controladas estrangeiras, a impugnante requer diligência para apurar os valores do IRPJ e da CSLL pagos pela Aracruz a serem compensados contra os tributos objetos dos lançamentos impugnados; 5.16. requer que, na hipótese de ser declarada a inconstitucionalidade dos artigos 21 e 74 da MP n. 2.15835/01 pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 2.588, seja declarada a correspondente nulidade da presente autuação, fundada que está nos dispositivos em questão, inexistindo no presente feito qualquer alegação, muito menos comprovação, de que tenha ocorrido qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na Lei nº 9.532/1997; 5.17. deve ser rechaçada a pretensão, contida no auto de infração, de fazer incidir multa de ofício sobre os supostos créditos tributários devidos por empresa incorporada pela impugnante, com a justificativa de que as empresas envolvidas na incorporação são controladas pelos mesmos sócios e/ou administradores, visto que em 2009 ocorreu a incorporação da Aracruz Celulose S.A à impugnante, o que fez com que a impugnante seja companhia com quadro acionário inteiramente diverso do anterior, sendo atualmente o BNDES seu maior acionista; 5.18. ao interpretar sistematicamente o artigo 132 do CTN, o autuante se esqueceu de promover também a integração do artigo 139 do CTN que esclarece que o crédito fiscal diz respeito Fl. 678DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 7 6 exclusivamente à obrigação principal, relacionada ao pagamento do tributo; 5.19. o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou em diversos julgados no sentido de afastar a penalização da sucessora por infração cometida pela sucedida; e 5.20. em homenagem ao princípio da verdade material, protesta por todos os meios de prova em Direito admitidos. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI), decidiu a matéria por meio do Acórdão 1632.374, de 28/06/2011 (fls. 497), julgando a impugnação improcedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2005, 31/12/2006 ESPÉCIES DE PROVAS. PERICIAL. DILIGÊNCIA. DOCUMENTAL. MOMENTO PARA REQUERER OU APRESENTAR. IMPUGNAÇÃO. O processo administrativo fiscal federal prevê a prova pericial, a diligência e a prova documental, devendo as primeiras ser formuladas e justificadas na impugnação e a última, em regra, ser apresentada juntamente com a mesma impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 COLIGADA DE CONTROLADA NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXCLUSÃO DOS EFEITOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor do resultado de equivalência patrimonial integrante do lucro da controlada no exterior em decorrência de sua participação em empresa domiciliada em território brasileiro deve compor a base de cálculo do Imposto de Renda da controladora brasileira por inexistência de previsão legal que permita esta exclusão. COLIGADA BRASILEIRA DE CONTROLADA NO EXTERIOR. IMPOSTO PAGO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para compensação, pela controladora brasileira, de qualquer imposto que tenha incidido no Brasil em parte do lucro apurado pela controlada no exterior, podendo apenas ser compensado, pela controladora, até o limite do imposto renda e da contribuição social sobre o lucro incidente no Brasil, em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, o valor do imposto pago no domicílio da controlada. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 COLIGADA DE CONTROLADA NO EXTERIOR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXCLUSÃO DOS EFEITOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor do resultado de equivalência patrimonial integrante do lucro da controlada no exterior em decorrência de sua participação em empresa domiciliada em território brasileiro deve compor a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da controladora brasileira por inexistência de previsão legal que permita esta exclusão. COLIGADA BRASILEIRA DE CONTROLADA NO EXTERIOR. IMPOSTO PAGO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para compensação, pela controladora brasileira, de qualquer Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que tenha incidido no Brasil em parte do lucro apurado pela controlada no exterior, podendo apenas ser compensado, pela controladora, até o limite do imposto renda e da contribuição social sobre o lucro incidente no Brasil, em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, o valor do imposto pago no domicílio da controlada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. Convém salientar que os autos do presente processo vieram a julgamento por esta Turma Ordinária em Sessão do dia 11 de julho de 2013, da qual por unanimidade de votos os membros da Turma resolveram sobrestar o julgamento nos termos do disposto no art. 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho (Resolução 1301000.140). No entanto, em decorrência da revogação dos parágrafos 1o e 2o do citado art. 62A pela Portaria (GMF) 545, de 18/11/2013, pondo fim ao sobrestamento do feito, retorna o processo a julgamento por esta Corte Administrativa. Em sessão de 04 de julho de 2014, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção entendeu, mediante Resolução, que os fatos narrados neste processo são idênticos Fl. 680DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 9 8 àqueles discutidos nos autos n. 16561.000177/200775 e que a resposta aos quesitos lá formulados seria essencial para o debate, de sorte que o julgamento foi convertido em diligência para que os dois feitos fossem julgados em conjunto. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, nas quais pugna pela manutenção integral dos lançamentos efetuados. Entende a Fazenda, com base na legislação em vigor, que os lucros devem ser tributados conforme o artigo 74 da MP 2.15835/2001, pelo fato de que os resultados foram reconhecidos pelo método da equivalência patrimonial. Aduz que a constituição e utilização de controlada no exterior (NEWARK) foi opção do contribuinte que, ao assim proceder, atraiu a tributação. Manifestase contra a compensação de prejuízos no exterior, assim como contra o aproveitamento dos tributos recolhidos no país pela Aracruz. Discorre, ainda, com esteio em farta doutrina e decisões jurisprudenciais, sobre a responsabilidade, por sucessão, quanto ao crédito e às multas. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Em preliminar, alega a Recorrente a existência da seguinte nulidade: a) Nulidade dos Autos de Infração em razão de existência de insubsistências na apuração dos valores Entende a empresa que o lançamento deve ser preciso, o que não teria ocorrido no caso, pois a autoridade fiscal desconsiderou os prejuízos fiscais da Newark, no exterior, além de ter aplicado a multa punitiva, incorretamente, contra a Fibria, que teria, em seu entender, quadro de acionistas completamente diverso daquele anteriormente detido pela Votorantim Celulose e Papel (VCP S/A). Diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nos autos qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 681DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 10 9 Como os atos e termos foram lavrados por pessoa competente, dentro dos preceitos legais e com o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Com efeito, percebese que as alegações atingem situações de mérito, que serão apreciadas a seguir. Entendo que a solução reclamada nos autos passa pela análise de duas questões, igualmente importantes: 1. É possível a tributação, a título de lucros no exterior, de coligada de empresa controlada, ainda que o resultado tenha origem no país? 2. Resta demonstrada, nos autos, a composição do resultado apurado pela Newark, de forma a comprovar a origem dos lucros no Brasil, relativos à Aracruz S/A? Quanto à primeira questão, na esteira do voto formulado no processo n. 16561.000177/200775, entendo que não há previsão legal para essa dupla incidência. No caso sob análise, o lucro no exterior corresponde ao resultado obtido pela Aracruz Celulose S/A, auferido e tributado no Brasil, da qual a Newark detinha, ao tempo dos fatos, 12,35% de participação. A Lei n. 9.249/95 instituiu, no Brasil, o regime de tributação universal, presente em quase todos os Estados desenvolvidos, segundo o qual devem ser tributados no país de residência da empresa o resultado obtido por filiais, sucursais ou controladas no exterior. Tratase do princípio da renda mundial, que busca atrair para o sistema tributário nacional lucros que, de outra forma, escapariam à competência pátria, notadamente quando se tratasse de empresas sediadas em países com tributação favorecida ou, ainda, nos casos de planejamento tributário internacional que tivessem por objetivo precípuo a fuga de capitais. É legítima, portanto, a tributação de resultados auferidos no exterior, sendo que a norma funciona como verdadeiro imã, permitindo que o país exerça competência tributária em relação a fatos jurídicos produzidos fora do território nacional. A interpretação da lei, todavia, transcende o mero aspecto gramatical, pois é evidente que o seu objetivo fundamental é o de capturar e tributar atividade econômica extraterritorial, mas que aproveita empresas residentes no país. De se notar que igual raciocínio também se aplica às pessoas físicas (e nem poderia ser diferente), pois a construção deriva dos princípios constitucionais que devem informar o imposto de renda, como a universalidade, a generalidade e a progressividade. E foi a partir dos preceitos constitucionais que o legislador decidiu trazer para a competência nacional os resultados obtidos no exterior. Desnecessário dizer que, para lucros auferidos no país vige, desde sempre, o princípio da territorialidade, pelo qual aqui são tributados. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 11 10 No caso dos autos temos uma situação peculiar, em que resultados originados no Brasil, mas reconhecidos por equivalência patrimonial em sociedade estrangeira, foram objeto de autuação, pois esta sociedade é coligada de empresa controlada por outra empresa nacional. Estaria a conduta fiscal albergada pela legislação e pelos princípios que a norteiam? Pensamos que não. O próprio caput do citado artigo 25 parece esclarecer que só deverão ser computados os resultados auferidos no exterior: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (grifamos) Por mais que se possa argumentar que o parágrafo 2o do mesmo artigo (abaixo reproduzido) induz à conclusão de que todos os lucros auferidos por entidade no exterior deverão ser tributados, o raciocínio contraria a lógica, pelos motivos a seguir expostos. § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (...) Em primeiro lugar, é cediço que a interpretação de um artigo deva ser feita do caput para os incisos e parágrafos, e não em sentido contrário. O comando principal sempre se encontra no caput, enquanto que os incisos e parágrafos tratam de situações especiais ou procedimentos para a sua aplicação. Assim, o que deve ser tributado é o resultado produzido no exterior; acaso não houvesse a norma, o resultado não poderia sequer ser alcançado pelo sistema brasileiro, pois a Constituição incumbiu a lei ordinária de regulamentar os seus critérios: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) III renda e proventos de qualquer natureza; (...) § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; E mais, tanto a análise sistemática como a teleológica apontam para a conclusão de que só devem ser trazidos para o Brasil os resultados produzidos extraterritorialmente, posto que os aqui gerados possuem regra própria, que é a automática incidência prevista em lei. Com efeito, parece discrepar da lógica e da boa hermenêutica a tese de que qualquer resultado apurado no exterior, ainda que exclusivamente produzido no Brasil, deva ser novamente submetido à tributação. Haveria, na espécie, bis in idem sem qualquer Fl. 683DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 12 11 fundamento econômico ou jurídico, além de quebra de paridade entre situações equivalentes, situação vedada pelo artigo 150, II, da Carta Magna. A Fazenda Nacional, em contrarrazões, alega que a tributação seria devida por força de opção da própria interessada: Segundo afirma a recorrente, a lei tributária brasileira efetivamente incidiu sobre os lucros da ARACRUZ, que é sediada no Brasil, e não sobre os lucros da NEWARK. Ocorre que foi opção da contribuinte a estruturação societária com a constituição de controlada no exterior (NEWARK). Não quis a contribuinte optar pela aquisição de participação diretamente na ARACRUZ, o que não geraria tributação dos lucros. Pois bem, na aquisição de participação societária indireta, ocorrida com a constituição da NEWARK, o tratamento fiscal é diverso, ensejando a tributação dos lucros. Ora, a opção foi da contribuinte, não podendo ser dado o mesmo tratamento tributário à aquisição de participação societária direta e à indireta, como almeja a recorrente. A formatação societária levada a efeito pela recorrente, com a constituição de controlada no exterior (NEWARK), traz o bônus de ter feito operação societária com empresa sediada em paraíso fiscal. Todavia, acarreta ônus também, o qual consiste em reconhecer o lucro de coligada indireta como sendo lucro proveniente do exterior, não podendo a contribuinte se favorecer dos efeitos fiscais e societários. (grifos no original) Conquanto o raciocínio formulado pela Fazenda Nacional possa ser uma das hipóteses de interpretação da situação, vislumbro solução distinta para o caso, a partir de iguais premissas, até porque me perece irrelevante, em termos jurídicos, se a participação é direta ou indireta, dado que o objeto da tributação é sempre a renda. No caso dos autos, penso que justamente em razão do princípio da igualdade, inexiste espaço para a tributação de lucros auferidos no Brasil, como se gerados no exterior. E mais, não há argumento econômico ou jurídico que assim o determine, pois se estamos falando de uma holding pura, em que o resultado deriva da participação em outras empresas, certamente não há atividade econômica que preencha o conceito de renda ou ganho pelo simples fato de o resultado no Brasil ser reconhecido na empresa localizada no exterior, ainda que em país com tributação favorecida. Aqui não se configura hipótese de ganho indevido, fuga de capitais ou vantagem tributária, oriunda da localização no exterior, mas apenas o reconhecimento de lucros que já foram apurados e tributados no país. Não vislumbro qualquer perda ou escape tributário nem tampouco ofensa à legislação. Ao contrário, a norma menciona expressamente auferir lucros no exterior, o que implica alguma atividade econômica ou acréscimo patrimonial, ocorrido alhures e, num primeiro momento, não alcançado pela competência tributária nacional. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 13 12 Por tudo isso entendo que não há razão para se tributar o resultado apurado pela Newark a partir do lucro obtido pela Aracruz no Brasil. Contudo, remanesce a segunda questão, vale dizer, qual a composição do resultado global da Newark no exterior e o impacto gerado pelo lucro auferido no país. Aqui discutese a teoria das provas, de forma que precisaremos verificar se o resultado foi devidamente comprovado pela interessada. A própria autoridade fiscal reconhece a existência do lucro de US$ 55.769.817,16, apurado no anocalendário de 2005, que convertido à taxa de 2,34, em 31 de dezembro daquele ano, resultou na base tributável, em reais, de R$ 130.540.411,03, conforme item 8, fls. 411, do Termo de Verificação Fiscal. Não há, no Termo de Verificação Fiscal, qualquer comentário adicional sobre a composição desse lucro. Tampouco existe contestação do montante pela empresa, razão pela qual devemos considerálo inequívoco, para os limites do presente processo. Os documentos relativos à composição do resultado da Newark ao longo dos períodos que interessam ao caso estão acostados aos autos entre as fls. 420 e 492 (numeração do processo original). Neste ponto, aduz a Recorrente que os documentos foram extraídos do processo n. 16561.000177/200775, no qual houve, inclusive, diligência para a confirmação dos valores. Numa primeira análise, os números são consistentes com as alegações da Recorrente. Percebese que pequenas variações decorrem da taxa cambial utilizada. Além disso, há despesas a título de amortização de ágio que reduzem o resultado global. Na esteira da Resolução já proferida nos autos, entendo que a diligência formulada no processo n. 16561.000177/200775, com a resposta aos quesitos formulados, deverá servir de referência para a validação ou não dos cálculos apontados. Ressaltese que o AuditorFiscal que promoveu a diligência naquele processo é o mesmo que lavrou os autos de infração aqui discutidos e que, como visto, não há divergência quanto à base de cálculo original a ser utilizada, mas apenas sobre a possibilidade jurídica da tributação. Dizemos isso sem olvidar, por certo, que a Recorrente pede, alternativamente, a possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais incorridos no exterior pela Newark ou, como último refúgio, a compensação com os tributos já pagos pela Aracruz. Reproduzimos, a seguir, a íntegra das conclusões formuladas na diligência solicitada por este Conselho no processo n. 16561.000177/200775, que concluiu pela procedência dos valores e procedimentos relativos ao lucro da Aracruz S/A, para o ano calendário de 2006. Conquanto não tenha sido taxativa na resposta, a autoridade diligenciante acatou os documentos e argumentos apresentados pela empresa, conforme descrito abaixo: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 14 13 QUESITO 01: DIPJ 2007 / Ano Calendário 2006 Ficha 35 Linha 9 Outras Receitas, Valor de R$ 185.981.197,00 – Pedese à autoridade oficiante para verificar e demonstrar, mediante os registros contábeis e documentos pertinentes, se a referida parcela decorre, total ou parcialmente, do resultado positivo auferido pela Newark relativo à sua participação societária na sociedade brasileira Aracruz. Em caso positivo, apurar e demonstrar com os respectivos documentos os valores efetivamente recebidos ou disponibilizados pela sociedade Aracruz no País à sua controladora Newark no exterior. RESPOSTA AO QUESITO 1: O sujeito passivo foi intimado a: Explicar o valor de R$ 185.981.197,00, constante da Ficha 35 Linha 9 Outras Receitas da DIPJ 2007 / Ano Calendário 2006 da fiscalizada. Apresentar toda documentação necessária à sua comprovação; A resposta pode ser encontrada às fls 1 e 2 do arquivo RESPOSTA FIBRIA CELULOSE 240314 onde o contribuinte explica que tal valor se refere ao resultado de equivalência patrimonial e apresenta o doc. 1 (fls. 5 a 7 do mesmo arquivo) contendo a demonstração financeira da Newark. Considerada insuficiente a resposta do contribuinte, este foi intimado a: Demonstrar os cálculos que levaram à determinação das duas parcelas (Equity Aracruz e Exchange Variation) que compuseram o valor de R$ 185.981.197,00, objeto do item 1 do Termo de Ciência de Início de Diligência e Intimação; Comprovar e demonstrar a escrituração contábil nos demonstrativos e/ou registros contábeis (diário, razão) da fiscalizada dos valores originais utilizados nos cálculos acima. Apresentar toda documentação necessária à sua comprovação; Explicar e comprovar documentalmente se o valor acima foi de alguma forma disponibilizado à Newark; Informar e comprovar se a Newark recebeu efetivamente ou se beneficiou, por qualquer meio possível, de alguma parcela de tal valor; A resposta, constante das fls. 1 a 3 da arquivo RESPOSTA FIBRIA CELULOSE 230414, o contribuinte apresenta o doc 01 (fls 10 do arquivo acima) tabela do cálculo mês a mês da equivalência proporcional à participação da Newark na Aracruz (12,35%), o efeito cambial na equivalência e o saldo contábil da equivalência, em Reais e em Dólares Americanos, dando conta do valor de R$ 185.981.196,86; No doc. 02 (Demonstração de Resultado da Aracruz fls 12 do arquivo acima) o sujeito passivo apresenta os resultados, mês a mês, da Aracruz, valores esses utilizados no cálculo da equivalência patrimonial no doc. 01. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 15 14 No doc. 03 (Balanço da Aracruz fls. 14 do arquivo) é apresentado o Patrimônio Líquido da Aracruz, mês a mês, utilizado para o cálculo do efeito da variação cambial, constante do doc 01. O contribuinte também anexa, como forma de comprovação dos valores apresentados, o razão contábil da Newark (doc 04, fls. 16) e o razão contábil da própria fiscalizada (doc 05, fls. 18). Com relação à parte do quesito 1 que solicita: “Em caso positivo, apurar e demonstrar com os respectivos documentos os valores efetivamente recebidos ou disponibilizados pela sociedade Aracruz no País à sua controladora Newark no exterior.” O sujeito passivo declara, no item 3 da RESPOSTA FIBRIA CELULOSE 230414: “Do resultado apurado pela Aracruz Celulose S.A. em 2006 e refletido por equivalência patrimonial na Newark (R$ 185.981.196,97, incluída a variação cambial) a Newark recebeu juros sobre capital próprio da ordem de R$ 29.454.750,00 líquido de imposto de fonte (cf. planilha anexa sob o título “Pagamento de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) da Aracruz à Newark” – doc 6). Além dos JCP a fiscalizada recebeu dividendos da ordem de R$ 20.622.241,86 (cf. planilha anexa sob o título “Pagamento de Dividendos da Aracruz à Newark” doc.07), tudo em conformidade com a deliberação assemblear de 24.04.2007 dos acionistas da Aracruz Celulose S.A. (doc 8). Tais valores foram integral e imediatamente repassados à fiscalizada, adicionados aos lucros acumulados de exercícios anteriores, resultando em um pagamento de dividendos da Newark à Fiscalizada da ordem de R$ 283.389.009,72, como se depreende da planilha ora anexada intitulada “Pagamentos de Dividendos da Newark à VCP (doc.9) e das fichas razão e demais documentos contábeis anexos intitulados “Provisão de dividendos a receber VCP 2006” (doc 10), Dividendos recebidos VCP 05.2007” (doc 11), Dividendos recebidos VCP 10.05.2007” (doc. 12). Dividendos recebidos VCP 17.05.2007” (doc 13). QUESITO 02: DIPJ 2007 / Ano Calendário 2006 Ficha 35 Linha 10 Outras Despesas Valor de R$ 91.438.360,00. Consoante planilha constante no processo (fls. 1.722) e reproduzida no memorial da defesa na sessão de julgamento, tal parcela referese ao ágio verificado na aquisição da sociedade Aracruz pela controladora Newark. Pedese à autoridade oficiante para apurar a regularidade do registro contábil do aventado ágio, inclusive o valor efetivamente adicionado ao resultado da autuada no ano calendário de 2006, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. RESPOSTA AO QUESITO 2 O sujeito passivo foi intimado a : Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 16 15 Apresentar toda a documentação relativa à formação do ágio quando da aquisição da Aracruz pela Newark Financial Incorporation, como Laudo de Avaliação, Atas de Assembléias e de Reuniões de Diretoria, registros contábeis desde o seu nascedouro, pagamentos efetuados e outros necessários à perfeita compreensão de seu valor, legitimidade e suposto aproveitamento direto ou indireto pela fiscalizada; A empresa declara, às fls 2 da RESPOSTA FIBRIA CELULOSE 240314 que a explicação “encontrase nas notas das Demonstrações Financeiras, desde o período de 2001 e 2002, conforme documento anexado às fls 702 e seguintes desses autos, demonstrações estas devidamente auditadas pela PricewaterhouseCoopers, como a seguir transcrito:” , e passa a transcrever, às fls. 3 do mesmo documento a informação da auditoria externa. Declara ainda às mesmas fls. 3 que: “Cabe notar que todos esses valores do ágio correspondente ao investimento na Aaracruz Celulose S.A. amortizados contabilmente pela Newark Financial Inc. foram por ela própria adicionados na apuração dos lucros auferidos no exterior e serem computados, para fins de tributação, pela sua controladora Votorantim Celulose e Papel S.A., como sobejamente demonstrado na impugnação e em conformidade com o documento ora anexado (doc. 3).” Com relação à formação e legitimidade do ágio, a autuada apresentou, posteriormente, o RESPOSTA FIBRIA CELULOSE 150814 onde constam o contrato de compra e venda de participação societária, bem como o Laudo de Avaliação, com base em rentabilidade futura, da Aracruz. Apresentou ainda o extrato de conta do Citibank (doc. Extrato Ágio) onde se pode constatar movimentação financeira no valor da aquisição da operação societária na Aracruz, ou seja, US$ 370 milhões. Com relação à parte do presente quesito que dispõe: Pedese à autoridade oficiante para apurar a regularidade do registro contábil do aventado ágio, inclusive o valor efetivamente adicionado ao resultado da autuada no anocalendário de 2006, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Apresentou então o contribuinte, uma série de planilhas (doc. Demonstrativo de Lucros e Prejuízos Fibria) desde 2001 até 2006, onde, demonstra os resultados ano a ano, incluindo a amortização do ágio e o resultado da equivalência patrimonial. Expurgandose essas parcelas (amortização do ágio e resultado de equivalência patrimonial Aracruz) dos demonstrativos, obtémse os valores de lucros/prejuízos, sujeitos a tributação. Com base nos documentos apresentados referentes a 2006, observase que a Newark obteve, em 2006, um lucro já expurgado da amortização do ágio e da equivalência patrimonial da Aracruz, de R$ 85.944.970. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 17 16 Com base nos mesmos documentos apresentados de 2001 a 2005, observase que a Newark tem, até 2005, um prejuízo acumulado de R$ 92.871.149. (grifamos) QUESITO 03: Pedese à autoridade oficiante para verificar e informar se a autuada e a Newark utilizaramse do método da equivalência patrimonial como método de avaliação do investimento. Se constatado que não houve a utilização do método de equivalência patrimonial como método de avaliação do investimento, verificar e informar, demonstrando qual método foi utilizado. RESPOSTA AO QUESITO 3: A autuada e a Newark se utilizaram do método da equivalência patrimonial, conforme documentos 04 a 13 do RESPOSTA FIBRIA CELULOSE 240314 bem como os cálculos e informações dos documentos 01 a 05 da RESPOSTA FIBRIA CELULOSE 230414. Pela plausibilidade das informações e dos documentos apresentados, que não foram infirmados pelo relatório da diligência, aliados aos argumentos jurídicos já esposados neste voto, entendo que devem ser afastados os lançamentos relativos aos lucros apurados pela Newark e oriundos da Aracruz no Brasil. Ressaltese que os valores apontados na diligência se referem ao ano calendário de 2006, mas que toda a composição dos saldos e resultados foi analisada pela autoridade fiscal, que não questionou, conforme visto acima, a idoneidade dos documentos apresentados ou o montante apurado pela empresa. Igual circunstância pode ser verificada no presente processo, em que não se questiona o resultado apurado em 2005, mas tão somente a necessidade de tributação, nos termos já apresentados. Portanto, tanto sob o prisma jurídico como no que refere à comprovação dos fatos econômicos, entendo que assiste razão à Recorrente. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 689DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16643.000428/201015 Acórdão n.º 1201001.352 S1C2T1 Fl. 18 17 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 16327.721480/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DDL. PESSOA LIGADA. SÓCIO OU ACIONISTA CONTROLADOR.
Para efeitos da presunção correspondente à distribuição disfarçada de lucros, considera-se pessoa ligada o sócio ou acionista controlador, pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade.
DDL. VALOR DE MERCADO. NEGOCIAÇÕES ANTERIORES.
Para efeitos da presunção correspondente à distribuição disfarçada de lucros, o valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem entre pessoas não compelidas a comprar e vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influem de modo relevante na determinação do preço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DDL. PESSOA LIGADA. SÓCIO OU ACIONISTA CONTROLADOR. Para efeitos da presunção correspondente à distribuição disfarçada de lucros, considera-se pessoa ligada o sócio ou acionista controlador, pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade. DDL. VALOR DE MERCADO. NEGOCIAÇÕES ANTERIORES. Para efeitos da presunção correspondente à distribuição disfarçada de lucros, o valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem entre pessoas não compelidas a comprar e vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influem de modo relevante na determinação do preço. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Desmutualização das bolsas. Distribuição disfarçada de lucros. Recorrente PLANNER CORRETORA DE VALORES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DDL. PESSOA LIGADA. SÓCIO OU ACIONISTA CONTROLADOR. Para efeitos da presunção correspondente à distribuição disfarçada de lucros, considerase pessoa ligada o sócio ou acionista controlador, pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade. DDL. VALOR DE MERCADO. NEGOCIAÇÕES ANTERIORES. Para efeitos da presunção correspondente à distribuição disfarçada de lucros, o valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem entre pessoas não compelidas a comprar e vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influem de modo relevante na determinação do preço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 80 /2 01 2- 45 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 385 2 Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por PLANNER CORRETORA DE VALORES S/A contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Deinf/SP, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2007, totalizaram o valor de R$ 18.117.612,02. A autuação considerou a existência de distribuição disfarçada de lucros na negociação de ações valorizadas no contexto da desmutualização da BOVESPA. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: A fiscalização apurou os seguintes fatos e infrações (fls. 64/71): • Para operar como corretora na Bolsa de Valores.de São Paulo BOVESPA, a PLANNER estava obrigada à deter títulos patrimoniais, da referida bolsa, entidade que; na ocasião da aquisição dos títulos, era constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. • Em 28.08.2007, como conseqüência de um processo de reestruturação, houve uma série de alterações na estrutura societária da BOVESPA, denominada desmutualização, que por meio de cisão parcial, entre outras alterações, transformou a BOVESPA (associação sem fins lucrativos) em Bovespa Holding S/A (sociedade com finalidade lucrativa), que recebeu 99,97% do patrimônio cindido. Nessa data o valor dos Títulos Patrimoniais da BOVESPA foi devolvido, à seus detentores, por meio de ações da Bovespa Holding S/A. • Dessa forma, em 28.08.2007, a PLANNER recebeu 5.534.816 ações da Bovespa Holding S/A “referente à devolução de capital de 06 Títulos Patrimoniais da BOVESPA”. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 386 3 • Na mesma data da AGE que deliberou a desmutualização da BOVESPA, realizouse AGE na Bovespa Holding S/A, que deliberou: "4.19 Autorizar o Conselho de Administração da Companhia a (i)tomar todas as providências necessárias à realização de oferta de distribuição pública secundária de suas ações ("Oferta Pública")..." • A venda de ações da Bovespa Holding S/A para terceiros era fato formalmente previsto, já na data do ato societário da desmutualização. A abertura do capital da nova sociedade desde sempre esteve presente no planejamento da reestruturação da BOVESPA. • Apenas dois meses depois de efetuada a desmutualização, em 25.10.2007, deuse o início das negociações com a Oferta Pública de determinada parte das ações recebidas pelos antigos proprietários de títulos patrimoniais da BOVESPA. • Complementarmente e em, obediência aos acordos previamente estabelecidos entre a companhia e seus acionistas primários, outras duas janelas de negociação foram oportunamente abertas alguns meses depois da Oferta Pública, já no ano de 2008, propiciando a venda do restante das ações ao mercado. • Em 18.09.2007, a PLANNER vendeu 2.767.408 ações da Bovespa Holding S/A às pessoas ligadas Carlos Arnaldo Borges Souza, CPF nº 006.031.27851 e Maurício Antônio Quadrado, CPF n° 032.718.30800, sendo 1.383.704 ações adquiridas por cada comprador pelo preço de R$ 2,23/ação. O valor total da venda foi de R$ 6.171.319,84. • No início do mês seguinte ao da venda, foi publicado em 05/10/2007, o Prospecto Preliminar de Oferta Pública Inicial de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Bovespa Holding S/A, o qual previa que o preço das ações seria entre R$ 15,50 e R$ 18,50. • Ainda no mês de outubro de 2007, em 26/10/2007, foi realizada a Oferta Pública de ações da Bovespa Holding S/A, na qual as ações foram negociadas a R$ 23,00. • A alienação das ações da Bovespa Holding S/A pela PLANNER a pessoas ligadas representou efetivo prejuízo ao erário à medida que escamoteou um lucro que auferiria, caso realizasse a venda a preço de mercado, maior que o praticado na operação. Tal lucro seria tributado pelo IRPJ (alíquota de 15% e adicional de 10%) e pela CSLL (alíquota de 9%). • A figura da distribuição disfarçada de lucros, criada peio legislador tributário, permite atribuir a certos fatos econômicos das empresas, independentemente de sua natureza jurídica, tratamento destinado a impedir a evasão fiscal pelo deslocamento irregular de rendimentos ou de patrimônio em favor de pessoa ligada ou de acionista controlador, direta ou indiretamente, decorrente de manipulação de negócios com favorecimento destes. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 387 4 • Os elementos centrais para caracterização da "presunção legal são a definição da expressão "valor notoriamente inferior ao de mercado" e "pessoa ligada". • No momento em que a PLANNER alienou as ações da Bovespa Holding S/A aos seus controladores, não havia mercado ativo para essas ações, todavia, nos termos do §3º, do artigo 465 do RIR/99, o mercado já valorava essas ações na faixa entre R$15,50 e R$18,50. • No ano calendário 2007, os senhores Carlos Arnaldo Borges de Souza e Maurício Antônio Quadrado controlavam 95,2925% do capital total da PLANNER CV S/A, através de sociedades sob seu controle, com os seguintes percentuais para cada pessoa física: Carlos Arnaldo Borges de Souza % Capital Total 52,52% x 100,00 52,5200 99,00% x 0,45% 0,4455 Total 52,9655 Maurício Antônio Quadrado % Capital Total 90,00% x 47,03% 42,3270 Total 42,3270 • Resta assim comprovada a presunção de distribuição disfarçada de lucros prevista no artigo 464, inciso I, e artigo 466 e par. único, do RIR/99, na medida.em que a compra e venda de ações da Bovespa Holding S/A, realizouse entre a pessoa jurídica PLANNER CV S/A (vendedora) e as pessoas físicas Carlos Arnaldo Borges de Souza e Maurício Antônio Quadrado (compradores), que, através de sociedades, detinham o controle da vendedora, podendo, portanto, deliberar por maioria sobre as operações da sociedade PLANNER CV S/A. • A PLANNER vendeu ações da Bovespa Holding S/A a seus controladores em 10/09/2007, quando ainda não havia mercado ativo para esse bem, uma vez que as ações somente seriam negociadas em bolsa a partir do IPO. Por outro lado, até três meses antes da desmutualização (28/08/2007), houve mercado para a renegociação de títulos patrimoniais, os quais geraram as ações da Bovespa Holding S/A. • Tal circunstância encaixase perfeitamente no disposto pelo §3° do artigo 465 do RIR/99, que espelha a disposição legal do DL n° 1.598/77, com as alterações do DL n° 2.065/83, o qual prevê a determinação do valor de mercado das ações vendidas com base em negociações contemporâneas de bens semelhantes, no caso os títulos patrimoniais da BOVESPA, os quais representavam o direito de recebimento de ações da Bovespa Holding S/A na desmutualização. • Resta assim demonstrado que a adoção do preço de R$10,81/ação reflete concretamente o preço que o mercado atribuía, refletido na forte valorização dos títulos patrimoniais da BOVESPA negociados em leilão realizado em 29/05/2007. • Demonstramos abaixo o valor tributável a ser adicionado ao lucro líquido para apuração do lucro.real e base de cálculo da CSLL do ano calendário 2007, considerando o preço de mercado de R$10,81 por ação na caracterizada DDL realizada pela PLANNER e seus controladores: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 388 5 Qtde de Ações Vendidas Preço de Venda da Ação Preço de Mercado da Ação Diferença entre o Preço de Mercado e o Preço de Venda DDL – Valor a Ser Adicionado ao Lucro Real e BC CSLL 2.767.408 2,23 10,81 8,58 23.744.360,64 A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 16/1/2013 (fls. 85/94), alegando em síntese o seguinte: a) A despeito do esforço do agente fiscal na demonstração de que a alienação ocorreu entre pessoas ligadas a Carlos Antonio Borges Souza, em verdade, o que houve foi a alienação de ações por parte da Impugnante, pessoa jurídica, a outra pessoa jurídica, qual seja Brite Smile que, nos idos de 2007 operava de forma absolutamente independente da impugnante. b) Portanto, nos idos de 2007, existiam duas empresas distintas, controladas por pessoas físicas distintas, sem qualquer laço de parentesco, que possa sugerir a transmissão de propriedade em prejuízo do Fisco. c) O legislador, ao cuidar da hipótese prevista no inciso I, somente cuidou do acionistapessoa física e não do acionistapessoa jurídica, razão pela qual a distribuição disfarçada de lucros somente poderia ocorrer para a hipótese da letra "a", quando nos dois extremos da operação questionável estiverem de um lado uma pessoa jurídica e de outro uma ou mais pessoas físicas. d) Da legislação em apreço presumese a distribuição disfarçada de lucros no negócio jurídico pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada, vale dizer: a pessoa física a ela ligada, ou a pessoa jurídica, cujos acionistas/sócios tenham relação de parentesco com o acionista/sócio da pessoa jurídica que procede à alienação. e) Ainda, para que se verifique a dita distribuição de lucro, imperiosa se faz a demonstração de que de fato houve a transmissão de um direito e de outro o acréscimo de um patrimônio que, em função dela foi desfalcado. f) Se a própria fiscalização afirma que a empresa Brite em passou a ser sócia minoritária da empresa Impugnante, EM FUNÇÃO DA AQUISIÇÃO DAS AÇÕES, indagase em que medida teria o patrimônio da Impugnante aumentado? Ou melhor, em que consistiria o desfalque do alienante, mais especificamente, do Impugnante? g) Não há como se demonstrar as condicionantes acima referidas, pois, nem a distribuição disfarçada de lucros é figura aplicável nas relações entre pessoas jurídicas, nem a constituição de uma sociedade anônima, com ações detidas por acionista fundador constitui alienação. h) E ainda que os dois pressupostos ocorressem o que se admite apenas à guisa de argumentação , a constituição da nova empresa se dá e se deu em momento distinto, de forma que não há como relacionar a constituição de empresa não ligadas à distribuição disfarçada de lucros. i) Quando da integralização do capital de uma nova sociedade, a pessoa jurídica que passou a fazer parte do quadro societário da Impugnante, estava apenas vinculada às pessoas dos seus então sócios que, por seu turno, relação nenhuma tinham com os sócios pertencentes ao quadro societário na nova empresa, que pudesse acionar a suspeita de distribuição disfarçada. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 389 6 j) Por todo o exposto, a assunção de pessoas, seja jurídica ou física, no quando societário da empresa, que aliena o seu ativo, não é hipótese prevista no art. 465 do Regulamento do Imposto de Renda, que trata da distribuição disfarçada de lucros, sendo defeso ao FISCO, portanto, valendose de técnica da interpretação extensiva, sob pena de ferimento aos artigos 107 e 112 do Código Tributário Nacional. k) A questão que envolve o valor de mercado das ações cai por terra. Ora, se, evidentemente, foram elas adquiridas abaixo ou acima de seu valor nominal, o importante é que o valor contabilizado corresponda ao valor da aquisição, vale dizer: seu valor de mercado seria necessariamente o valor contabilizado e nenhum outro. l) Com relação à Contribuição sobre o Lucro Líquido, por ser tributo reflexo ao Imposto de Renda, pelas mesmas razões jurídicas, também não merece prosperar, sendo de rigor a decretação de sua inexigibilidade, ao lado das multas aplicadas. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 8ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1651.812, de 17 de outubro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Fica caracterizada a distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena a pessoa ligada, ações de seu patrimônio por valor notoriamente inferior ao de mercado. CSLL. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repetiu os argumentos deduzidos na impugnação. Em resumo, acrescentou que: (i) em 2007, a Brite Smile não compunha o seu quadro societário; (ii) a fiscalização presumiu que o Sr. Maurício Quadrado era seu sócio por intermédio de empresa controlada, o que não corresponde à realidade dos fatos; e (iii) a fiscalização não procedeu à juntada de documentos que comprovassem os valores de mercado atribuído às ações negociadas. É o relatório. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 390 7 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, a autuação referese à distribuição disfarçada de lucros, assim considerada pela fiscalização, como consequência da alienação, para pessoas ligadas, das ações da Bovespa Holding S/A obtidas no processo de desmutualização. Tratase, portanto, de caso distinto de outros que foram recentemente apreciados neste Colegiado, os quais tributavam o ganho de capital verificado sobre os títulos patrimoniais na desmutualização ou sobre as ações, obtidas na desmutualização, quando alienadas na subsequente Oferta Pública. No presente caso, a fiscalização detectou que as ações foram alienadas, por preço substancialmente inferior ao de mercado, para duas pessoas físicas: os senhores CARLOS ARNALDO BORGES DE SOUZA e MAURÍCIO ANTÔNIO QUADRADO. A recorrente sustenta que a alienação não se deu para pessoas físicas, mas, sim, para a empresa BRITE SMILE, que operava de forma absolutamente independente de si. Afirma que as duas eram empresas distintas, controladas por pessoas físicas distintas, sem qualquer laço de parentesco. Em sede de recurso, acrescenta que a Brite Smile não compunha o seu quadro societário em 2007 e que a fiscalização presumiu que o Sr. MAURÍCIO QUADRADO era seu sócio por intermédio de empresa controlada, o que não corresponderia à realidade dos fatos. Nada obstante, não trouxe qualquer documento para comprovar o quanto alegado. Ora, foi a própria empresa autuada quem, em atendimento à intimação lavrada no procedimento fiscal, forneceu a prova de que as ações foram alienadas para as pessoas físicas de CARLOS ARNALDO BORGES DE SOUZA e MAURÍCIO ANTÔNIO QUADRADO (vide o Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Ações fls. 29 a 31). Outrossim, forneceu a prova de que aquelas pessoas físicas eram detentoras de participações societárias que as enquadravam na posição de pessoas ligadas à própria empresa (vide os mapas de composição de capital fls. 33 a 43 visàvis os extratos dos sistemas de informação da Receita Federal fls. 44 a 58). De posse dessas informações, como já repisado pela instância a quo, a autoridade fiscal elaborou a evolução societária das empresas PLANNER CORRETORA (a recorrente), PLANNER HOLDING, MERCAP e BRITE SMILE (fls. 67 e 68). Foi possível, então, concluir que, na data da alienação, a empresa autuada era indiretamente controlada pelos adquirentes das ações, os senhores CARLOS ARNALDO BORGES DE SOUZA (com participação efetiva de 52,9655%) e MAURÍCIO ANTÔNIO QUADRADO (com participação efetiva de 42,3270%). Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 391 8 As regras legais da distribuição disfarçada de lucros (DDL), segundo reproduzidas no Regulamento do Imposto de Renda (aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 RIR/99), preveem que: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; (...) Art. 465. Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, §3º, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso IV): I o sócio ou acionista desta, mesmo quando outra pessoa jurídica; (...) Art. 466. Se a pessoa ligada for sócio ou acionista controlador da pessoa jurídica, presumirseá distribuição disfarçada de lucros ainda que os negócios de que tratam os incisos I a VI do art. 464 sejam realizados com a pessoa ligada por intermédio de outrem, ou com sociedade na qual a pessoa ligada tenha, direta ou indiretamente, interesse (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, sócio ou acionista controlador é a pessoa física ou jurídica que, diretamente ou através de sociedade ou sociedades sob seu controle, seja titular de direitos de sócio ou acionista que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria de votos nas deliberações da sociedade (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 61, parágrafo único, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso VI). Portanto, em conformidade com o § único do artigo 466, está claro que as ações foram alienadas para pessoas ligadas no contexto disciplinado pela DDL. E mesmo que houvesse alguma chance de proceder o argumento segundo o qual o artigo 464, I, só se aplicaria quando a pessoa ligada fosse pessoa física, verificase que é exatamente este o caso dos autos. Repitase. A recorrente alega que a operação de alienação de ações em questão se deu para a empresa BRITE SMILE, mas, além de não trazer nenhuma contraprova nesse sentido, isso vai totalmente de encontro ao que consta no Instrumento Particular de Contrato de Compra e Venda de Ações de fls. 29 a 31. É mais provável que a recorrente tenha se confundido ao ler no Termo de Verificação Fiscal (fls. 68) que houve uma alienação de ações para a empresa BRITE SMILE. No entanto, essa se trata de outra operação. A alienação de 3.400.983 ações da PLANNER HOLDING, em 22/02/2007, pelo Sr. CARLOS ARNALDO BORGES DE SOUZA, pelo preço de R$ 4.000.000,00. Ela foi citada pela Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 392 9 autoridade fiscal porque fez parte do contexto que explica o controle indireto da recorrente pelo Sr. MAURÍCIO ANTÔNIO QUADRADO. Assim, também não procedem os argumentos que partem dessa premissa, quais sejam, o de que não teria havido aumento no patrimônio da recorrente (porque a BRITE SMILE teria passado a ser sua sócia minoritária) e o de que a fiscalização teria se utilizado de interpretação extensiva do artigo 465. Quanto ao valor de mercado adotado pela fiscalização, vale reproduzir o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 69 e 70): No momento da desmutualização da BOVESPA, deliberada em AGE de 28/08/2007, a nova sociedade Bovespa Holding S/A já se preparava para sua Oferta Pública Inicial de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias (IPO). No período anterior ao início das negociações em bolsa (menos de dois meses), confirmouse a expectativa do mercado que previa o atingimento de excelente valorização sobre o valor patrimonial de R$2,06 das ações resultantes da desmutualização. De fato, o Prospecto Preliminar de 05/10/2007 já estimava que o preço por ação alcançaria o patamar entre R$15,50 e R$18,50. No IPO, realizado em 26/10/2007, o preço por ação alcançou R$23,00. Cabe observar que a possibilidade de lucros com a reorganização societária da BOVESPA já afetava o mercado financeiro há algum tempo. De fato, um ano antes da desmutualização, os títulos patrimoniais eram negociados a preços crescentemente superiores ao seu valor patrimonial, refletindo a positiva expectativa do mercado com relação aos prováveis ganhos que seriam realizados com a desmutualização. Periodicamente, a BOVESPA realizava leilões, de títulos patrimoniais que eram oferecidos por associados interessados em negociálos,.sendo que no período de um ano que precedeu a desmutualização, observouse um excepcional e contínuo aumento do preço de venda desses títulos. Assim, no leilão de junho/2006, o título foi negociado por R$1.451.000,00 e em maio/2007, o preço alcançou R$7.640.000,00. A tabela abaixo ilustra bem o forte e contínuo aumento no preço dos títulos patrimoniais leiloados pela BOVESPA entre 2006 e 2007. Data Preço 08/06/2006 1.451.000,00 13/07/2006 2.500.000;00 21/07/2006 2.400.000,00 14/08/2006 2.400.000,00 19/10/2006 2:760.000,00 08/11/2006 2.900.000,00 22/11/2006 3.600.000,00 07/12/2006 3.690.000,00 05/01/2007 3.910.000,00 12/04/2007 5.070.000,00 16/04/2007 6.361.000,00 29/05/2007 7.640.000,00 Conforme já relatado, com a desmutualização, os proprietários dos títulos patrimoniais receberam ações da Bovespa Holding S/A, numa relação de 706.762 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 393 10 ações por título. Ou seja, esses dois bens estavam intrinsecamente relacionados, o direito de propriedade sobre um (títulos) resultou em direito de propriedade sobre o outro (ações). E isso era do conhecimento do mercado meses antes da desmutualização. Dada essa relação, verificase com base no preço da última negociação de títulos que o preço da ação equivaleria a R$10,81 (R$7.640.000,00 / 706.762 ações). Considerando o preço mínimo da "ação estimado no Prospecto Preliminar (R$15,50), é possível assegurar que o preço praticado por pessoas não relacionadas, na compra e venda de ações antes do IPO, oscilou na faixa de R$10,81 e R$15,50. No caso, a PLANNER vendeu ações da Bovespa Holding S/A a seus controladores em 10/09/2007, quando ainda não havia mercado ativo para esse bem, uma vez que as ações somente seriam negociadas em bolsa a partir do IPO. Por outro lado, até três meses antes da desmutualização (28/08/2007), houve mercado para a renegociação de títulos patrimoniais, os quais geraram as ações da Bovespa Holding S/A. Tal circunstância encaixase perfeitamente no disposto pelo §3° do artigo 465 do RIR/99, que espelha a disposição legal do DL n° 1.598/77, com as alterações do DL n° 2.065/83, o qual prevê a determinação do valor de mercado das ações vendidas com base em negociações contemporâneas de bens semelhantes, no caso os títulos patrimoniais da BOVESPA, os quais representavam o direito de recebimento de ações da Bovespa Holding S/A na desmutualização. Verificase, portanto, que a venda das ações pela PLANNER a seus controladores foi realizada entre pessoas com autonomia de vontade e que tinham pleno conhecimento das condições do mercado que influíam na determinação do preço das ações da Bovespa Holding S/A. Resta assim demonstrado que a adoção do preço de R$10,81/ação reflete concretamente o preço que o mercado atribuía, refletido na forte valorização dos títulos patrimoniais da BOVESPA negociados em leilão realizado em 29/05/2007. (grifei) Destarte, a fiscalização balizou seu procedimento para a determinação do valor de mercado nas regras reproduzidos nos §§ do artigo 465 do RIR/99. Vejase: §1º Valor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §4º). §2º O valor do bem negociado freqüentemente no mercado, ou em bolsa, é o preço das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em quantidade e em qualidade semelhantes (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §5º). §3º O valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 394 11 vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 60, §6º). §4º Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§2º e 3º e o valor negociado pela pessoa jurídica basearse em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá à autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento à distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §7º). Mais especificamente, a fiscalização afirma que procedeu na conformidade do § 3º, ou seja, como não havia mercado ativo na data da negociação, utilizou o valor negociado em negociações anteriores e recentes (29/05/2007) do mesmo bem (considerando que os títulos patrimoniais e as ações estavam intrinsecamente relacionados) entre pessoas não compelidas a comprar e vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influem de modo relevante na determinação do preço (o mercado). A recorrente, em sede de impugnação, apenas argumenta que o valor contabilizado deve corresponder ao valor da aquisição. No entanto, a tributação se deu pela sistemática da DDL, na qual a legislação exige a predominância do valor de mercado sobre o valor da aquisição. Portanto, o valor de mercado é quem deveria ter sido contabilizado. Já em sede de recurso, a recorrente inova ao alegar que a fiscalização não juntou documentos que comprovassem o valor de mercado. Nada obstante, dada a razoabilidade da metodologia adotada pela fiscalização, caberia à recorrente trazer documentos que infirmassem os parâmetros utilizados. Mas, isso não foi feito. Simples alegações não são suficientes para descaracterizálos. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.721480/201245 Acórdão n.º 1401001.533 S1C4T1 Fl. 395 12 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19515.720479/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EFETIVA DE CONTESTAÇÃO. CONHECIMENTO DO RECURSO.
Deverá ser conhecido o recurso uma vez evidenciado que o sujeito passivo, efetivamente, contestou a matéria citada em sua impugnação.
Recurso voluntário ao qual se dá parcial provimento para devolver os autos à instância a quo, para que esta se manifeste sobre a existência dos créditos reclamados.
Materializada hipótese em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior, necessária a aplicação da retroatividade benigna autorizada pela lei à situação ainda pendente de julgamento definitivo.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3301-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por uninimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, e Semíramis de Oliveira Duro. Declarou-se impedida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Bruno Fajersztatn, OAB/SP nº 206.899.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Compensação. Necessidade de manifestação quanto aos créditos alegados. Recorrentes ALCOA WORLD ALUMINA BRASIL LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/03/2013 MULTA DE OFÍCIO. NORMA POSTERIOR SUPRESSORA DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE À CONDUTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A possibilidade de retroação da norma para beneficiar o responsável é princípio insculpido na Constituição Federal e nas normas infraconstitucionais, notadamente no artigo 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. No caso, o § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que previa "multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido", foi expressamente revogado pela Medida Provisória nº 668, de 30/01/2015, posteriormente convertida na Lei nº 13.137, de 19/06/2015. Materializada hipótese em que a lei nova elide os efeitos da incidência da norma anterior, necessária a aplicação da retroatividade benigna autorizada pela lei à situação ainda pendente de julgamento definitivo. Recurso de ofício negado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EFETIVA DE CONTESTAÇÃO. CONHECIMENTO DO RECURSO. Deverá ser conhecido o recurso uma vez evidenciado que o sujeito passivo, efetivamente, contestou a matéria citada em sua impugnação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 79 /2 01 3- 55 Fl. 4800DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 77 2 Recurso voluntário ao qual se dá parcial provimento para devolver os autos à instância a quo, para que esta se manifeste sobre a existência dos créditos reclamados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por uninimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar parcial provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, e Semíramis de Oliveira Duro. Declarouse impedida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Bruno Fajersztatn, OAB/SP nº 206.899. Relatório Tratase de recurso voluntário e de recurso de ofício interpostos contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (efls. 4740/4743), a qual, por unanimidade de votos, julgou "procedente a impugnação, exonerando a multa por ressarcimento indevido, e declarar a definitividade da glosa de créditos não contestada pela autuada". O Acórdão em tela foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/03/2013 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Exonerase a multa tributária contra ato não definitivamente julgado, quando lei posterior deixe de definilo como infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não especificamente contestada na impugnação é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita da interessada, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Impugnação Procedente Fl. 4801DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 78 3 Crédito Tributário Exonerado Por bem descrever os fatos, transcrevo, abaixo, o relatório da decisão recorrida: O presente processo trata da glosa de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, dos anos de 2009 a 2011, efetuada em decorrência de procedimento fiscal para verificação da procedência de 24 (vinte e quatro) pedidos de ressarcimento apresentados pela interessada. Como resultado do referido procedimento, a fiscalização lavrou os autos de infração de fls. 2246/2260, intimando a contribuinte a “cumprir a retificação no(s) saldo(s) do(s) crédito do regime não cumulativo” das contribuições. Também foi lançada a multa regulamentar de 50% sobre os valores considerados indevidos em cada pedido de ressarcimento, resultando na exigência de R$ 109.424.491,90 formalizada no auto de infração de fls. 2243/2245. A descrição do procedimento e o demonstrativo dos valores lançados encontrase no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 2230/2242. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2270/2299, se insurgindo exclusivamente contra o auto de infração da multa regulamentar. Relatou os fatos relativos aos processos de ressarcimento, nos quais apresentou manifestação de inconformidade contra os deferimentos parciais, alegando conexão e “prejudicialidade” daqueles com a multa isolada objeto do presente, requerendo a reunião dos feitos “para o fim de que se aguarde a prolação de decisões finais nos autos daqueles processos para o deslinde do presente caso”. No mérito, argumentou ser inaplicável a multa, uma vez que teria agido “em observância do entendimento do próprio Fisco”, e por significar “violação ao Direito de Petição e aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade”. Por fim, alegou “a impossibilidade de a multa ser calculada com base nos períodos anteriores à vigência da Lei n° 12249, de 11.6.2010, que trouxe alteração do art. 74, parágrafo 15, da Lei n° 9430”, requerendo seu cancelamento. Em vista do montante do crédito tributário exonerado, a primeira instância recorreu de ofício de sua própria decisão, o que fez com base no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, combinado com a Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 29/01/2015 (efls. 4747). Em 27/02/2015 (efls. 4752) o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário de efls. 4752/4776, no qual, relativamente ao entendimento da primeira instância pela não apresentação parcial de impugnação, aduz que "insurgiuse efetivamente contra a glosa dos créditos relativos a aquisições no mercado interno e importações, não havendo que se cogitar de matéria não impugnada, o que impõe o imediato cancelamento dessa parte da decisão, para que uma nova seja proferida". Fl. 4802DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 79 4 Afirma a interessada que apresentou pedidos de ressarcimento relativamente a créditos decorrentes do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS nos anosbase de 2009, 2010 e 2011. Segundo informa, a análise dos pleitos em tela redundou no reconhecimento parcial do direito e na lavratura de autos de infração para exigir a multa isolada de 50% sobre os valores considerados indevidos em cada pedido de ressarcimento, bem como para intimar a recorrente a retificar os saldos dos créditos apropriados em função das aquisições efetuadas pela recorrente nos mercados interno e externo (importações). Tais questões são objeto de análise em 24 processos administrativos específicos. Assevera, contrariamente ao entendimento da DRJ, que teria havido "impugnação da totalidade do trabalho fiscal objeto do auto de infração". Na sequência, descreve o procedimento adotado pela fiscalização no âmbito dos processos administrativos em evidência. Afirma que uma vez que os despachos decisórios emitidos nos 24 processos formalizados em nome da interessada "apenas controlavam os pedidos de ressarcimento apresentados, e com o intuito de formalizar a exigência da multa e impor a retificação dos saldos de créditos apropriados, a fiscalização emitiu os autos de infração 'sub judice'". E continua, textualmente: Assim, única e exclusivamente pela impossibilidade de intimar a recorrente no âmbito dos processos administrativos nos quais foram emitidos os despachos decisórios que glosaram os créditos, é que a fiscalização formalizou um novo procedimento fiscal. Mas a glosa fiscal e toda a sua fundamentação já havia sido lavrada nos despachos decisórios proferidos nos processos referentes aos pedidos de ressarcimento. Dessa forma, percebese que, em relação aos créditos apropriados, o presente processo apenas formaliza, por meio de auto de infração, a exigência de retificação dos saldos registrados em DACON, em virtude das glosas já efetuadas nos processos de ressarcimento. Não se trata de uma nova glosa de créditos, mas simples desdobramento formal das glosas já efetuadas nos despachos decisórios referidos. Tanto é assim que o Termo de Verificação Fiscal (TVF) que acompanha os autos de infração 'sub judice', ao tratar dos créditos, nem chega a tratar de cada um dos itens de glosa, limitandose a fazer referência aos despachos decisórios proferidos e aos anexos àqueles despachos. Em decorrência do exposto, restando claro que as glosas foram verdadeiramente efetuadas naqueles processos administrativos supra listados e não no presente processo, temse que a recorrente, ao apresentar manifestação de inconformidade contra as referidas glosas e ao apresentar referidas manifestações de inconformidade como anexos à impugnação apresentada contra os presentes autos de infração, nada mais fez que se insurgir contra a totalidade das glosas efetuadas. (grifo do original) A interessada apresenta exemplo do procedimento adotado pela autoridade administrativa e ressalta [...] que os créditos em questão nos presentes autos, além de auditados nos despachos decisórios, foram lá quantificados, o que dispensou qualquer outra análise no presente processo. Por isso o TVF que acompanha os Fl. 4803DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 80 5 presentes autos de infração limitouse a fazer referência às glosas que já haviam sido feitas no despacho decisório. É inegável, portanto, que a glosa fiscal propriamente dita está consignada nos despachos decisórios, tendo os presentes autos de infração sido lavrados apenas como desdobramento formal daquelas glosas, a fim de notificar a ora recorrente a retificar seus saldos regrados em DACON. Nada mais que isso. Essa intimação, vale repisar, realmente não poderia ter sido formalizada no âmbito dos despachos decisórios, eis que eles foram emitidos a propósito dos pedidos de ressarcimento. Diante disso, não há outra conclusão possível senão a de que as manifestações de inconformidade apresentadas contra os citados despachos decisórios representam efetiva resistência da ora recorrente contra todas as glosas efetuadas. Não bastasse as defesas protocoladas em cada um dos 24 processos, todas elas foram novamente acostadas a estes autos, sendo parte integrante da impugnação interposta. [...] No limite, diante do que foi acima exposto, poderseia dizer que as defesas apresentadas contra os despachos decisórios proferidos por si só já seriam suficientes para se reconhecer que as glosas de créditos apropriados foram de fato impugnadas. Em última análise, as glosas estariam impugnadas mesmo se nada tivesse sido feito em relação a elas no presente processo. Mas a recorrente, ao apresentar sua impugnação, não silenciou a respeito. Justamente em virtude da correlação entre os despachos e o presente auto de infração, a recorrente, ao apresentar a impugnação nos presentes autos, optou por (i) anexar todas as 24 manifestações de inconformidade apresentadas nos processos acima, trazendo a estes autos todos os fundamentos de defesa apresentados contra os despachos decisórios, os quais, dessa forma, passaram a integrar a impugnação apresentada e (ii) solicitar a conexão entre as demandas nos despachos decisórios, evitandose decisões conflitantes. (grifos e destaque do original) Aduz também a reclamante que em seu pedido requereu a improcedência total do lançamento, a qual "abarca, indiscutivelmente a glosa de créditos efetuadas quando da análise dos pedidos de ressarcimento". A suplicante ressalta que "ainda que se entenda que as glosas de créditos vinculados ao mercado interno não estão formalizadas nos citados despachos decisórios e que os autos de infração 'sub judice' possuem 'vida própria', ainda assim deverseia concluir que eles foram impugnados", em vista do conteúdo da impugnação formulada, que, segundo entende, abarcou também as glosas em questão (ver efls. 4760/4771). Assim, considerando que a autoridade de primeira instância deixou de analisar parte da impugnação, o acórdão correspondente teria incorrido em nulidade, devendo, portanto, ser anulado, para o fim de ser proferida nova decisão contendo manifestação expressa sobre as defesas apresentadas contra as glosas efetuadas. Se alicerça nos princípios Fl. 4804DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 81 6 constitucionais do contraditório e da ampla defesa, no artigo 2º, caput e inciso VII, bem como artigo 38, todos da Lei nº 9.784/99. Ressalta também que dada a "intrínseca relação entre o presente processo e os processos decorrentes dos pedidos de restituição", "[...] verificase a imprescindível necessidade de conexão do presente processo aos demais processos, decorrentes de pedidos de ressarcimento, de modo a haver julgamento conjunto, em obediência aos princípios da celeridade e da economia processual [...]". Por fim, defende a necessidade de manutenção parcial da decisão recorrida dada a inaplicabilidade da multa isolada. Aduz que não obstante a revogação do parágrafo 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que foi objeto da Medida Provisória nº 656 de 2014 (artigo 56, inciso I), tenha sido vetada na sua conversão em lei (Lei nº 13.097/2015), a Medida Provisória nº 668/2015, editada posteriormente à conversão da MP nº 656/2014, determinou novamente a revogação do parágrafo 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, correto o cancelamento da multa isolada "em vista de sua expressa revogação pelo art. 4º, inciso II, da Medida Provisória n. 668/15 e de sua aplicação à hipótese dos presentes autos por força do art. 106, inciso II, alínea 'c' do Código Tributário Nacional". É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do recurso de ofício Inicio a análise da questão abordando o recurso de ofício formalizado pela primeira instância recursal. Conforme termo de verificação fiscal efls. 2240 , vêse que foi lançada contra a recorrente a multa isolada de 50% capitulada no parágrafo 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, dispositivo este que foi incluído pela Lei nº 12.249, de 11/06/2010. O preceito em tela segue abaixo transcrito: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Não obstante, a exação acima foi afastada à unanimidade pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto, o que foi feito com fundamento na retroatividade benigna de que trata o artigo 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional, eis que aludido dispositivo foi revogado pelo artigo 56, inciso I, da Medida Provisória nº 656, de 07/10/2014. De fato, a referenciada Medida Provisória nº 656/2014 previa, em seu artigo 56, que "ficam revogados: I imediatamente, [...] os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de Fl. 4805DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 82 7 27 de dezembro de 1996". Todavia, tal preceito não foi mantido no texto da Lei nº 13.097, de 19/01/2015, resultado da conversão em lei da citada medida provisória. Apesar disso, os mesmos dispositivos foram expressamente revogados pelo artigo 4º, inciso II, da Medida Provisória nº 668, de 30/01/2015, revogação esta que foi mantida na Lei nº 13.137, de 19/06/2015, referente à conversão da medida provisória em comento em lei. Confirase: Art. 27. Ficam revogados: [...] II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Não resta dúvida, portanto, que a exigência em tela deverá ser afastada. Com efeito, quanto ao prosseguimento da exigência de penalidade cuja fundamentação legal não mais se encontre em vigência, ou alteração legislativa posterior tenha reduzido sua gravidade, dispõe o artigo 106 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, cuja conduta a lei nova deixou de definir como infração, penso que deverá ser afastada a multa de ofício de 50%, na sua integralidade. Correto, pois o entendimento exarado pela primeira instância. Assim, há que se negar provimento ao seu recurso de ofício. Do recurso voluntário Conforme relatado, vêse que a interessada formalizou recurso voluntário contra o entendimento da primeira instância segundo o qual a reclamante não teria apresentado contestação relativamente à glosa de créditos perpetrada. Inicio a análise reproduzindo, na íntegra, a parte do voto da decisão recorrida que trata dessa questão: Conheço da impugnação. Fl. 4806DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 83 8 Preliminarmente, definese o objeto do presente julgamento, qual seja, a multa regulamentar de 50% sobre ressarcimentos indevidos, uma vez que apenas tal auto de infração foi contestado. Sobre os autos de infração de glosa de créditos das contribuições não cumulativas, a interessada não apresentou contestação. Destarte, tratase de matéria incontroversa. Assim dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A questão não pode ser mais abordada em momento processual posterior, notadamente no que concerne a eventual recurso voluntário. (destaque do original) Na impugnação do sujeito passivo (efls. 2270/2299) não consta, de fato, expressa contestação às glosas realizadas pela autoridade fiscal. Não obstante, a interessada, em sua argumentação, ressalta, concernente à matéria, que foram proferidos 24 despachos decisórios nos 24 processos administrativos formalizados para cada pedido de ressarcimento apresentado (ver efls. 2273/2274). Comparando exemplificativamente alguns dos números dos PER/DCOMP correspondentes a esses processos vêse que os mesmos coincidem com aqueles elencados pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de efls. 2230/2242 (ver, especialmente, efls. 2230/2231). Alega a recorrente em sua impugnação que Em face dos referidos despachos decisórios proferidos no âmbito dos processos acima [os 24 processos formalizados para cada um dos 24 PER/DCOMP], a impugnante apresentou as competentes manifestações de inconformidade (doc. anexo), através das quais demonstrou, de forma cabal, seu direito aos créditos ali pleiteados, apresentando vasta documentação comprobatória de seu direito creditório (mais de quatro mil e quinhentos documentos, se considerados os 24 processos). (grifo nosso) E, com efeito, a recorrente anexou aos autos as manifestações de inconformidade inerentes aos 24 processos acima referidos (ver efls. 3310/4650). Examinando exemplificativamente um desses documentos (processo nº 10880.725302/201221 efls. 4596/4650 , que, segundo informa a reclamante em sua impugnação efls. 2274 é referente ao PER/DCOMP nº 17822.75930.130112.1.1.081800 o qual é listado no Termo de Verificação Fiscal efls. 2231), constatase que a interessada, dentre outros argumentos, aduziu, na manifestação de inconformidade em tela, a necessidade de reunião de todos esses 24 processos administrativos e do presente processo (19515.720479/201355), tendo se contraposto também, de forma analítica, às glosas realizadas pela autoridade fiscal. Diante do exposto, não me parece razoável considerar como não impugnada e, assim, incontroversa, matéria a qual é objeto de discussão em outros processos da interessada, até porque essa matéria foi efetivamente contestada naqueles processos que guardam efetiva conexão com o assunto de que tratam os presentes autos. Fl. 4807DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 19515.720479/201355 Acórdão n.º 3301002.867 S3C3T1 Fl. 84 9 Portanto, entendo que há que ser dado provimento em parte ao recurso voluntário do sujeito passivo, de forma que, para não caracterizar supressão de instância, sejam os autos devolvidos à instância recorrida para apreciação dos argumentos apresentados pela suplicante, manifestandose, pois, quanto à legitimidade dos créditos alegados pela mesma, devendo referido colegiado tratar como superada a aduzida inexistência de contestação do feito. Por fim vale lembrar que a questão relativa às glosas dos créditos apresentados pela interessada está pendente de exame em outros processos específicos, o que requer sejam adotados os procedimentos necessários em vista da conexão processual. Da conclusão Por todo o exposto, voto no seguinte sentido: a) para negar provimento ao recurso de ofício formulado pela primeira instância; b) para dar provimento em parte ao recurso voluntário protocolizado pelo sujeito passivo, nos termos abordados no presente voto. Sala de Sessões, em 15 de março de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 4808DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10950.004177/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos, Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho, Relator.
EDITADO EM: 29/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário n 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos, Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho, Relator. EDITADO EM: 29/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Por meio da Notificação de Lançamento nº 2005/60945036252480 (fls. 16), por meio da qual foi efetuada a revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do contribuinte acima identificado, relativa ao Exercício 2005, AnoCalendário 2004, reduzindose o valor do saldo de imposto a restituir, de R$ 16.924,04 para R$ 7.949,41. Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 17 e verso), a redução do saldo de imposto a restituir resultou da constatação das seguintes irregularidades na declaração de ajuste anual do contribuinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .0 04 17 7/ 20 07 -8 4 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10950.004177/200784 Resolução nº 2102000.063 S2C1T2 Fl. 11 2 Dedução indevidade de despesas médicas, no montante de R$ 22.175,00. Essa dedução foi considerada indevida porque o contribuinte, apesar de regularmente intimado, não comprovou a efetiva prestação dos serviços, nem o efetivo pagamento dos valores informados. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no montante de R$ 10.460,01. Esse valor foi apurado com base na documentação apresentada pelo contribuinte, na qual constatouse que o total de rendimentos tributáveis recebidos na ação movida contra o Banco do Brasil S/A foi de R$ 139.498,72 (já descontados honorários advocatícios), enquanto o montante declarado foi de apenas R$ 129.038,71. Registro que o crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos tem na sua base de cálculo rendimentos recebidos acumuladamente. Em razão das determinações no voto a seguir, este relato é o suficiente. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. O presente caso trata de rendimentos recebidos acumuladamente, sendo certo que o recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10830.917837/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 37 /2 01 1- 31 Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.704, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 56/62 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 06708.02070.100406.1.2.048040, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917837/201131 Acórdão n.º 3402002.758 S3C4T2 Fl. 2.971 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fl. 65). Inconformada, a mesma apresentou, em 30/01/2014, o Recurso Voluntário (fls. 67/87), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.177 (fls. 131/133), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.177 (fls. 131/133), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917837/201131 Acórdão n.º 3402002.758 S3C4T2 Fl. 2.972 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.915/2.916 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 06708.02070.100406.1.2.048040, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 1.170,15 referente a crédito de PIS/PASEP relativo ao período de apuração 08/2001, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 5.759.549,21, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 5.416.744,57, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 177.575,16 a título das receitas que se pretende excluir. Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da PIS/PASEP totalizam R$ 177.575,16. Assim, a parcela de PIS/PASEP relativa a essas receitas somam R$ 1.154,24. Em sua manifestação (fls. 2.921/2.924), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.923: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 1.154,24, referente a parcela de credito do PIS/Pasep, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917837/201131 Acórdão n.º 3402002.758 S3C4T2 Fl. 2.973 7 Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10768.004183/2001-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1996
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE EM PARTE CINGE-SE À MERA REMISSÃO ÀS RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE CONFORMIDADE COM AS PRESCRIÇÕES DOS ARTS. 16 E 17 DO DECRETO 70.235/72.
Não se conhece de recurso interposto na parte que traz como fundamentação a mera remissão às razões da impugnação, face às regras dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. SUCESSIVAS OPORTUNIDADES PARA A DEFESA DO CONTRIBUINTE.
Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância por falta de atendimento ao princípio da ampla defesa, quando foram propiciadas ao contribuinte sucessivas oportunidades para a comprovação de suas alegadas razões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, negar provimento.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1996 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE EM PARTE CINGE-SE À MERA REMISSÃO ÀS RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE CONFORMIDADE COM AS PRESCRIÇÕES DOS ARTS. 16 E 17 DO DECRETO 70.235/72. Não se conhece de recurso interposto na parte que traz como fundamentação a mera remissão às razões da impugnação, face às regras dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. SUCESSIVAS OPORTUNIDADES PARA A DEFESA DO CONTRIBUINTE. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância por falta de atendimento ao princípio da ampla defesa, quando foram propiciadas ao contribuinte sucessivas oportunidades para a comprovação de suas alegadas razões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, negar provimento. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE CONFORMIDADE COM AS PRESCRIÇÕES DOS ARTS. 16 E 17 DO DECRETO 70.235/72. Não se conhece de recurso interposto na parte que traz como fundamentação a mera remissão às razões da impugnação, face às regras dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. SUCESSIVAS OPORTUNIDADES PARA A DEFESA DO CONTRIBUINTE. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância por falta de atendimento ao princípio da ampla defesa, quando foram propiciadas ao contribuinte sucessivas oportunidades para a comprovação de suas alegadas razões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 41 83 /2 00 1- 11 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, negar provimento. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10768.004183/200111 Acórdão n.º 2402004.917 S2C4T2 Fl. 47 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) – DRJ/REC, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e contribuições do ano calendário de 1995 (fl. 19), exigindo crédito tributário no montante total de R$ 837,79 relativo ao imóvel rural denominado "Marimbondo", com área de 193,5 ha e cadastrado na então Secretaria da Receita Federal sob o nº 4094073.0, localizado no Município de Macaé/RJ. A inventariante do epigrafado apresentou Solicitação de Retificação do Lançamento SRL (fl. 4), para inclusão do número do CPF, retificação do nome e contestar a cifra atribuída ao Valor da Terra Nua na notificação, sendo acatado pela DRF/RJ somente as retificações quanto ao nome e ao CPF (fls. 1/3). Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 12/13), defendendo, em síntese, ter ocorrido a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento, e que o imóvel, "em se achando ocupado por posseiros, que ali executam atividades rurais, pelo que deverão os mesmos ser chamados ao processo administrativo, como coresponsáveis pelo eventual débito". A instância de primeiro grau rejeitou os argumentos do contribuinte e manteve a notificação (fls. 19/20), frisando, quanto à alegação de que o imóvel se encontra ocupado por posseiros, que ela não ficara comprovada no processo. O recurso voluntário foi interposto em 19/6/2002, arguindo a nulidade da decisão recorrida por violação ao art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, sob o entendimento de que não lhe foi aberta a oportunidade de apresentar as provas demandadas pelo referido aresto. Ao final, expõe sua contestação de mérito nos seguintes termos: Reiterando todos os termos da defesa apresentada no processo cuja apreciação é devolvida à Superior Instância ao ser conhecido o presente recurso o Recorrente pede a remessa do processo ao egrégio 3º Conselho de Contribuintes, para fins de direito. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, cabendo seu conhecimento parcial para fins de apreciar exclusivamente as alegações de nulidade da decisão de primeira instância, pelos motivos na sequência aduzidos. Da leitura dos termos do recurso, é possível verificar prontamente que o recorrente não formula quaisquer razões de mérito salvo a arguição preliminar de nulidade, mencionando singelamente estar "reiterando todos os termos da defesa apresentada no processo cuja apreciação é devolvida à Superior Instância ao ser conhecido o presente recurso [sic]" Ora, inviável acatar a mera referência aos termos da impugnação, para fins de dar algum suporte de mérito à sua contestação. Não obstante a regra geral aplicável ao processo administrativo fiscal seja a do informalismo moderado, mister destacar que a irresignação do contribuinte quanto ao lançamento deve atender aos requisitos mínimos indicados no art 16 do Decreto nº 70.235/72, dentre os quais se destaca o disposto no inciso III: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; É ônus do notificado, por conseguinte, apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação do decisão atacada; tratase de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede a formulação de negação ou impugnação de caráter genérico. Por sua vez, o art. 17 do precitado Decreto giza que: Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vejase, assim, que recursos administrativos que não apresentem expressamente as razões de fato e de direto do pedido de reforma da decisão atacada não se consubstanciam em recurso aptos a serem conhecidos, ou, caso conhecidos, não reúnem as condições necessárias para o seu provimento, no tocante à parte não fundamentada. De fato, no particular, como foram expostas no recurso razões de fato e de direito pertinentes à nulidade da decisão de primeira instância, são estas passíveis de valoração pelo julgador, que poderá ou não lhes dar provimento. Assim, o recurso foi conhecido, ainda que, parcialmente, quanto a esse aspecto. Equivocase, porém, o recorrente, quanto à sua pretensa defesa de mérito, visto que as razões eventualmente vertidas quando da impugnação não são devolvidas Fl. 55DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10768.004183/200111 Acórdão n.º 2402004.917 S2C4T2 Fl. 48 5 automaticamente, como parece ele entender, para o recurso voluntário, via mera referência genérica, como bem esclarecem os dispositivos legais supra transcritos. Dessa feita, temse que o presente recurso foi então parcialmente conhecido, tão somente para a apreciação das questões atinentes à aventada nulidade do acórdão a quo. Nesse sentido, oportuno trazer o seguinte precedente do CARF, o qual rejeita com veemência a possibilidade de a peça recursal cingirse à mera remissão aos argumentos da impugnação (Acórdão nº 2102001.397, j. 28/7/2011, relator Giovanni Christian Nunes Campos): RECURSO VOLUNTÁRIO. MERA REMISSÃO AOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO PER RELATIONEM. IMPOSSIBILIDADE. O recorrente deve expressamente trazer as razões da insurgência no recurso voluntário, por aplicação analógica do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante), não sendo possível a argumentação per relationem, como feita pelo recorrente, a impingir o ônus ao relator para compulsar as defesas deduzidas na primeira instância, extraindo aquelas que eventualmente fossem compatíveis com o julgado recorrido e o recurso voluntário. Ora, é ônus do recorrente apontar expressamente os pontos para os quais pretende que a Turma julgadora aprecie, não sendo viável a mera remissão aos argumentos da impugnação. Anotese que a defesa da contribuinte foi conduzida por advogados, não carecendo estes, em tese, das condições de apresentar peça recursal em conformidade com as prescrições legais. No tocante à arguição de nulidade, não há como prosperar o intento do recorrente. Notese que, inicialmente, quando da realização de sua Solicitação de Retificação do Lançamento em 13/12/1996 (fl.4), o contribuinte nada mencionou acerca da suposta presença de posseiros no imóvel rural em questão. Na sequência, no curso do prazo de 30 dias para impugnar o lançamento (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), teve ele propiciada outra chance para carrear documentos que dessem alguma base para os seus argumentos, mas optou por apenas mencionar, de maneira sucinta, a aludida presença de posseiros no imóvel, sem juntar qualquer documentação comprobatória. Ao final, no prazo de trinta dias para interposição do recurso voluntário (art. 33 do Decreto nº 70.235/72), teve novamente propiciada a oportunidade de atestar a existência de posseiros em suas terras, mas quedouse inerte, uma vez mais. Em suma, o contribuinte teve diversas oportunidades para exercer o seu direito à ampla defesa no curso do presente procedimento administrativo, quando poderia ter comprovado documentalmente suas alegadas razões, ônus do qual não se desincumbiu. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Sem respaldo algum, por conseguinte, o pleito de decretação de nulidade, da decisão de primeira instância, restando afastada a hipótese de nulidade prevista no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, por ter sido devidamente assegurado o direito à ampla defesa do contribuinte, em consonância com os ditames do inciso LV do art. 5º da Carta Magna. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO. Ronnie Soares Anderson. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13161.001178/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a dedução de despesas médicas no montante de R$8.900,00.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 11 78 /2 00 9- 13 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a dedução de despesas médicas no montante de R$8.900,00. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13161.001178/200913 Acórdão n.º 2402004.773 S2C4T2 Fl. 117 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no montante de R$ 2.605,93, relativo ao anocalendário 2008 (fls. 81/86). O lançamento decorreu da glosa de despesas médicas no valor total de R$ 13.505,95. Em sua impugnação de fl. 1, a contribuinte limitouse a questionar as glosas atinentes aos dispêndios médicos efetuados junto a Hélio Adas Pereira (R$ 4.700,00) e a Robson Ferreira Cantarella (R$ 6.900,00 declarados, fl. 14, e R$ 4.200,00 segundo referido na peça recursal). A decisão de primeiro grau manteve a exigência (fls. 54/58), argumentando que se tratando de despesas de valor considerável, necessária seria a apresentação de documentos complementares, tais como extratos bancários, cheques, e a comprovação da efetiva prestação dos serviços. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/10/2011 (fl. 64), alegando que não apresentava novas provas além dos recibos e declarações, pois pagara os valores em dinheiro, e pedindo ao final o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Registrese, de início, que a irresignação ora em apreciação restringese à glosa das despesas médicas vinculadas aos profissionais Hélio Adas Pereira e a Robson Ferreira Cantarella, tratandose, portanto, de recurso de natureza parcial. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13161.001178/200913 Acórdão n.º 2402004.773 S2C4T2 Fl. 118 5 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Vejase que a própria legislação tributária conferiu a documentos do tipo descrito no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, supra transcrito, o valor de prova do pagamento um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Reconhecese, sob outro prisma, que a fiscalização bem como o julgador de primeiro grau, no caso de documentos apresentados em primeira mão nessa instância recursal tem a faculdade de demandar elementos adicionais com vistas a atestar a efetividade dos pagamentos, forte nos §§ 3º e 4º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 (respectivamente, §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). Convém atentar, todavia, ser necessário que essas normas sejam lidas e interpretadas em conjunto com o art. 79, § 1º (art. 845, § 1º do RIR/99) desse mesmo diploma, o qual estabelece: Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: (...) § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...) Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos e/ou notas fiscais de prestação de serviços, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de outros elementos para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. No caso concreto, verificase que os pagamentos declarados como efetuados a Hélio Adas Pereira e a Robson Ferreira Cantarella foram glosados pela fiscalização com base no entendimento de que não havia identificação do paciente nos recibos apresentados (fl. 84). Não obstante, a contribuinte carreou aos autos recibos médicos (fls. 3/4 e 6/7) e declarações (fls. 2 e 5) que atestam que ela pagou R$ 4.200,00 a Robson Ferreira Cantarella e R$ 4.700,00 a Hélio Adas Pereira, pela prestação de serviços odontológicos e médicos, respectivamente. Registrese que não trilha bom caminho interpretação que parece ter sido a adotada, ainda que implicitamente, pela autuação – segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário no recibo. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 De uma maneira geral, como é cediço, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio ou apartado a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa que está realizando a quitação. Destarte, à míngua de evidências outras que assim o justifiquem, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Nesse sentido, temse o entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013 (Diário Oficial da União de 10/2/2014), da qual se reproduz a respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. (grifei) Ademais, oportuno notar que a DRJ/CGE manteve a glosa com esteio em motivação diversa da que fundamenta a Notificação de Lançamento, ao levantar a necessidade de apresentação de comprovação do efetivo pagamento e prestação de serviços, consubstanciando inovação que prejudicou o direito de defesa da contribuinte. Por conseguinte, deve ser restabelecida a dedução de R$ 4.700,00 pagos a Hélio Adas Pereira na DIRPF/2008. No tocante aos R$ 6.900,00 declarados como pagos a Robson Ferreira Cantarella, a contribuinte logrou comprovar documentalmente apenas a despesa de R$ 4.200,00 (fls. 2/5), valor a ser restabelecido, também, como dedução na declaração de ajuste. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13161.001178/200913 Acórdão n.º 2402004.773 S2C4T2 Fl. 119 7 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer dedução de despesas médicas no montante de R$ 8.900,00 (oito mil e novecentos reais), nos termos deste voto. Ronnie Soares Anderson. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 13982.720792/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE - MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL
Não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado.
PERÍCIA CONTÁBIL
Não deve ser aceito pedido de perícia, se a prova é de natureza eminentemente documental.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PROVA DIRETA - os depósitos bancários serviram apenas como elemento indiciário. A autuação se baseou em prova direta obtida junto aos clientes do autuado.
MULTA QUALIFICADA - são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Os valores omitidos são de elevada monta e se perpetuam por diversos anos, o que permite concluir que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações.
RESPONSABILIDADE PESSOAL - A atribuição de responsabilidade pessoal aos sócios, nos termos do art. 135 do CTN, deve se calcar numa conduta individualizada de cada um deles. Não é suficiente a constatação geral de omissão, mesmo qualificada pela intenção e com a aplicação da multa qualificada.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - INTERESSE COMUM - o simples fato de ser sócio, por maior que seja a sua participação, não caracteriza o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Do contrário, os sócios sempre deveriam ser incluídos no rol dos responsáveis e não fariam sentido as previsões de atribuição específica de responsabilidade a sócios previstas no CTN, como a responsabilidade no caso de sociedades de pessoas do art. 134.
Numero da decisão: 1401-001.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento para MANTER integralmente os lançamentos; e 2) por maioria de votos, DAR provimento apenas para excluir a responsabilidade tributária atribuída aos sócios-administradores da empresa. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Ricardo Marozzi Gregório.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. PERÍCIA CONTÁBIL Não deve ser aceito pedido de perícia, se a prova é de natureza eminentemente documental. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PROVA DIRETA os depósitos bancários serviram apenas como elemento indiciário. A autuação se baseou em prova direta obtida junto aos clientes do autuado. MULTA QUALIFICADA são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Os valores omitidos são de elevada monta e se perpetuam por diversos anos, o que permite concluir que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. RESPONSABILIDADE PESSOAL A atribuição de responsabilidade pessoal aos sócios, nos termos do art. 135 do CTN, deve se calcar numa conduta individualizada de cada um deles. Não é suficiente a constatação geral de omissão, mesmo qualificada pela intenção e com a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA INTERESSE COMUM o simples fato de ser sócio, por maior que seja a sua participação, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 07 92 /2 01 3- 09 Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 caracteriza o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Do contrário, os sócios sempre deveriam ser incluídos no rol dos responsáveis e não fariam sentido as previsões de atribuição específica de responsabilidade a sócios previstas no CTN, como a responsabilidade no caso de sociedades de pessoas do art. 134. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento para MANTER integralmente os lançamentos; e 2) por maioria de votos, DAR provimento apenas para excluir a responsabilidade tributária atribuída aos sóciosadministradores da empresa. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente aos anoscalendário de 2008 e 2009, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e Cofins, mais acréscimos legais com multa qualificada de 150%. Também foi atribuída responsabilidade tributária aos sócios Álvaro Luís Munaretto, CPF 464.832.92953, e Altêmio Domingos Munaretto Júnior, CPF 638.651.49987. O contribuinte e os dois responsáveis tributários apresentaram impugnações, respectivamente, às fls. 2.286 a 2.304, 2.342 a 2.353 e 2.388 a 2.397. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13982.720792/201309 Acórdão n.º 1401001.513 S1C4T1 Fl. 2.586 3 Tratase de impugnação formalizada com o objetivo de contraditar os lançamentos a seguir quantificados: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 2.316.375,00 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 1.250.842,46 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins R$ 3.485.145,12 Contribuição para o PIS/Pasep R$ 755.114,82 Valor Total Lançado R$ 7.807.477,40 O procedimento fiscal foi deflagrado mediante o encaminhamento ao domicílio tributário do sujeito passivo de Termo de Início de Fiscalização, fls. 289/291, recepcionado em 30/11/2011, fl. 298, em que foi determinada a apresentação do documentário necessário à ação fiscal. Dada a inércia da pessoa jurídica, em 31/01/2012 a empresa foi notificada do Termo de Intimação Fiscal 01, fls. 299/301 e 308, em que foi repetida a relação de documentos constantes do termo anteriormente encaminhado. Destaquese que o segundo documento foi encaminhado ao endereço do estabelecimento filial, situado no município de Garças/MT, procedimento decorrente de solicitação verbal do representante da empresa, conforme registrado no Relatório Fiscal, fl. 77. Em documento recebido pela autoridade fiscalizadora em 23/02/2012, fl. 309, a pessoa jurídica registrou a apresentação dos extratos bancários do Banco Bradesco, dos atos constitutivos da sociedade e das alterações posteriores e, por último, dos arquivos contábeis fornecidos em meio magnético. Quanto aos extratos bancários das demais instituições financeiras, foi requerida a concessão de um prazo adicional de 20 (vinte) dias, medida que foi deferida pelo agente fiscal. No dia 05/03/2012, a demandada noticiou a apresentação dos extratos bancários da Sicoob Transcredi (agência Concórdia), do Banco HSBC (agência Garça) e do Banco Bradesco (agência Concórdia), fl. 469. Em 11/04/2012, a interessada recebeu, pela via postal, o Termo de Intimação Fiscal nº 02, fls. 470/473, em que foi requisitada a apresentação dos extratos bancários em meio magnético. Também foi solicitado que a empresa informasse acerca da eventual existência de ações judiciais concernentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Em 12/06/2012, fl. 539, o sujeito passivo recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 03, fls. 473/474, em que foi determinada a apresentação dos extratos bancários do Banco Santander e do Banco Bradesco (agência 0705), ainda faltantes. Adicionalmente, deuse a intimação para a apresentação da documentação comprobatória da origem dos depósitos bancários listados às fls. 475/538. Em documento datado de 02/07/2012, representante legal da requisitada solicitou a concessão de 60 (sessenta) dias adicionais para o atendimento da requisição fiscal, fl. 540. Nos dias 15/08/2012 e 17/10/2012, o sujeito passivo foi notificado dos Termos de Intimação Fiscal de números 04 e 05, fls. 541/543 e 544/546, documentos em que foi reiterada a requisição constante do Termo de Intimação Fiscal nº 03. Conforme consta de documento datado e recebido pelo agente do fisco em 21/11/2012, fl. 547, a empresa sob procedimento fiscal voltou a solicitar mais 60 (sessenta) dias para o atendimento à exigência fiscal. Nada tendo sido apresentado, deuse a expedição do Termo de Intimação Fiscal nº 06, fls. 548/549, recebido pela empresa em 20/12/2012, fl. 550, em que foi estabelecido o dia 21/01/2013 como o termo final para a apresentação da documentação em falta. Em 21/01/2013, fl. 551, a empresa manifestouse, quanto aos valores em suas contas depositados, no sentido de que “boa parte do movimento constante do extrato bancário não tem relação com o faturamento da empresa (receita de transporte)”, que “Boa parte são transferências oriundas de contas bancárias e do caixa da própria empresa, adiantamentos para giro de caixa, venda de caminhões e outros componentes de propriedade da empresa, ou empréstimos com empresas do ramo com quem temos parceria, etc”, que “São transações normais das empresas de transporte e que não tem relação com o recebimento de faturas de serviços prestados”. Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 Quanto à efetiva comprovação dos valores depositados, fez constar que “estamos tendo dificuldade de localizar os comprovantes”, que “Já entregamos todos que foram encontrados e continuamos nos esforçando para entregar o máximo possível de documentos”. No que se refere ao Termo de Intimação Fiscal nº 07, fl. 552, notificado em 21/02/2013, consignou o prosseguimento da ação fiscal e informou a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal até o dia 31/05/2013. Em 24/04/2013, a empresa foi notificada do Termo de Intimação nº 08, fls. 554/556, contendo a determinação para a apresentação dos Livros de Registro de Saídas, dentre outros documentos. Em 06/05/2013, deuse o atendimento da demanda fiscal, fls. 577/1002. Por derradeiro, foram expedidos o Termo de Intimação Fiscal nº 09, fls. 1003/1011, em que foi requisitado que o sujeito passivo promovesse a apresentação dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), e o Termo de Intimação Fiscal nº 10, fls. 1012/1014, em que foi reiterada a determinação constante do documento anterior. Até o encerramento da auditoria fiscal, contudo, nenhum CTRC foi apresentado pela pessoa jurídica. Conforme consignado no Relatório Fiscal, fls. 76/89, “a maioria das contas bancárias mantidas pelo sujeito passivo não possuíam o devido registro em sua escrita contábil”, que “apenas as contas do Banco Real e do Banco SICOOB foram contabilizadas”, tendo sido assegurado que as seguintes contas se mostraram ausentes dos registros contábeis: • Banco Bradesco, agência nº 0705, conta nº 23.9879; • Banco do Brasil, agência nº 05711, conta nº 13.9645; • Banco HSBC, agência nº 04951476524; e • Banco Santander. A partir da posse dos extratos bancários parcialmente fornecidos pelo sujeito passivo, a autoridade lançadora relacionou os valores recebidos a crédito, conforme planilha anexa ao TIF nº 03, e intimou a empresa a se manifestar acerca da origem e da natureza dos valores creditados em suas contas bancárias, procedimento não atendido a contento por parte da demandada, conforme registrado pela autoridade fiscal. Ao trabalhar uma amostra, referente ao primeiro semestre/2008, a autoridade fiscal verificou que a empresa recebeu de seus clientes um valor aproximado de R$ 6 milhões, enquanto a receita contabilizada não passou de R$ 4,7 milhões, o que foi considerado o indício de uma significativa divergência entre os valores creditados nas contas da fiscalizada e aqueles objeto de registro contábil. Diante da escassez de documentos apresentados pela implicada, resolveu a autoridade fiscal diligenciar perante seus principais clientes, identificados a partir dos extratos bancários, com vistas à coleta de informações e de provas, o que se deu mediante circularização, conforma adiante se faz reproduzir: [...] 4.1 DILIGÊNCIA FISCAL NA JBS S/A, CNPJ n° 02.916.265/000160 O procedimento de circularização junto à JBS S/A se deu da seguinte forma: O diligenciado foi cientificado por via postal, em 02/01/2013, do teor do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, que o intimou a apresentar a relação de notas fiscais emitidas pelo fornecedor Transportes ÁlvaroJunior Ltda., no período de 01/2008 a 12/2009. O relatório de pagamento a fornecedor deveria estar baseado nos dados de sua escrita contábil e indicar a data, número e valor de cada nota fiscal (CTRC). Em resposta datada de 22/01/2013, inicialmente a JBS requereu prazo. Posteriormente, conforme manifestação de 29/01/2013, apresentou um relatório emitido por seu sistema contábil (RAZÃO CONTÁBIL – Conta "2.1.01.05.000000297 Transportes Álvaro Junior 3391"), de onde se pode aferir, entre outras informações, a data de entrada, número e valor, bem como o registro de pagamento de cada nota fiscal (CTRC). Apresentou a JBS também um "Relatório de CTRC", extraído de sua escrita contábil, juntado aos autos (Anexo Diligência JBS), onde se visualiza o número, a data de emissão e o valor dos mais de 2.200 CTRC emitidos pela ÁlvaroJunior para cliente JBS. Esta auditoria processou eletronicamente esse "Relatório de CTRC", na sua forma digital, de modo que os dados dos CTRC neles constantes fossem cruzados com os do Livro de Registro Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13982.720792/201309 Acórdão n.º 1401001.513 S1C4T1 Fl. 2.587 5 de Saídas (apresentados pelo sujeito passivo, também em mídia digital, em atendimento ao TIF n° 0008). Os valores mensais encontramse consolidados no demonstrativo "Resumo da Apuração da Receita Omitida TOTAL". Registrese que as contas bancárias do sujeito passivo, em sua maioria, não foram contabilizadas, como já visto, e que nelas os tomadores de serviço depositaram o montante correspondente à prestação de serviços de transportes, o qual foi considerado, em parte, como receita bruta omitida, conforme tratado na presente autuação. Do cruzamento de dados, identificou esta auditoria que mais de 2.000 CTRC pagos pela JBS foram lançados no "Livro de Registro de Saídas" e, conseqüentemente, na contabilidade da ÁlvaroJunior com valores menores do que o real (em alguns casos sequer foram lançados), sendo que deste proceder resultou a planilha denominada "Apuração da Receita Omitida JBS S/A". O demonstrativo "Apuração da Receita Omitida JBS S/A" detalha, portanto, o valor correto do CTRC (conforme registro na JBS), o valor lançado na escrita da ÁlvaroJunior e a apuração da diferença de valor, a qual foi considerada como receita omitida de fretes. Em muitos casos, há divergência de data de emissão do CTRC entre o registro do cliente e da ÁlvaroJunior: CTRC que supostamente foram emitidos em tal data na ÁlvaroJunior já haviam ingressado dias ou meses antes no cliente. Verificouse, nestes casos, que a data correta é a menor, ou seja, a de entrada no cliente, estando o registro na escrita da Álvaro Junior equivocado. Não há qualquer dúvida quanto à veracidade e confiabilidade das informações prestadas pela JBS (e demais clientes), as quais encontram base em seus registros contábeis. De toda forma, para encerrar qualquer discussão, esta auditoria obteve no decurso do procedimento de diligência cópias dos CTRC (por amostragem, juntados aos Autos), os quais validam as informações da JBS e demais clientes e demonstram que o registro da AlvaroJunior está incorreto, nos casos em que há divergência de valor e/ou data. A confiabilidade das informações prestadas pela JBS pode ser atestada também ao se cotejar, no razão contábil, os pagamentos realizados à ÁlvaroJunior, na coluna "débito", com os créditos nas contas bancárias (Bradesco), conforme amostragem dos extratos bancários e planilha anexa ao TIF n° 0003: para cada registro a débito, ou grupo de registro de mesma data, no relatório contábil existe o correspondente lançamento a crédito nos extratos da conta bancária da empresa. Todo o exposto acima demonstra a fidedignidade das informações constantes dos relatórios contábeis apresentados pela JBS S/A, sendo estes que devem orientar a apuração da receita de frete, ainda mais que a ÁlvaroJunior negouse a apresentar os CTRC por ela emitidos, em que pese ter sido intimada várias vezes para tanto. [...] A documentação concernente à diligência da JBS S/A encontrase acostada aos autos, fls. 1015/1222. No que se relaciona aos demais clientes da Transportes Álvaro Júnior Ltda, que também foram objeto de diligência fiscal, os procedimentos adotados pela fiscalização em nada divergiram daquele praticado na JBS S/A. É o que pode ser verificado na documentação a seguir indicada: • Bertin Alimentos S/A, CNPJ 03.853.896/000140, fls. 1223/2081; • Marfrig Alimentos S/A, CNPJ 03.853.896/000140, fls. 2083/2133; • Frigorífico Mercosul S/A, CNPJ 00.411.002/000173, fls. 2135/2220; e • Cooperativa de Transportes de Cargas de Santa Catarina, CNPJ 81.800.849/000141, fls. 2221/2243. A partir das informações colhidas nas empresas diligenciadas, a autoridade fiscal elaborou os demonstrativos de apuração da receita omitida a seguir especificados: JBS S/A, fls. 95/129; Bertin Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 S/A, fls. 130/253; Marfrig S/A, fls. 254/273; Mercosul S/A, fls. 274/277; e Coopecarga Santa Catarina, fls. 278/284. Em cada um desses demonstrativos o agente fiscal identificou o nº do CTRC, o período de competência, o valor contabilizado pela empresa diligenciada (a), o valor contabilizado pela empresa fiscalizada (b) e, finalmente, o valor a lançar (a – b). A consolidação dos valores a lançar foi efetivada por meio do demonstrativo “Resumo Mensal de Apuração de Omissão de Receitas de Transportes”, fls. 335/339, em que para cada um dos meses dos anoscalendário 2008 e 2009 são transpostas as omissões de receitas apuradas nos demonstrativos de apuração de omissão de receita levantados em um dos cinco clientes diligenciados. Destaquese que referido resumo mensal deu substrato ao lançamento do crédito tributário neste processo controlado, efetivado sob a modalidade do lucro presumido e parcialmente reproduzido nos itens que se seguem: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE – RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTES Omissão de receita de frete (transporte de cargas) conforme descrito no Relatório Fiscal em anexo. [...] Enquadramento Legal: • Art. 3º da Lei nº 9.249/95; Arts. 518, 519 e 528 do RIR/99. [...] CSLL – OMISSÃO DE RECEITA – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE OMITIDAS Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 26/07/2012, o Auto de Infração de fls. 982/1.073, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ (R$ 441.394,47), de PIS (R$ 166.727,48); 2), de COFINS (R$ 769.511,34) e de CSLL (R$ 275.918,89), incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 08/2012. Fundamento legal: 1) IRPJ – fls.983; 2) PIS – fls.1.015; 3) COFINS – fls.1.010, e 4) CSLL – fls.998. O Termo de Descrição dos Fatos (fls.3.013/3.030) constatou os seguintes fatos e infrações: DOS FATOS: • Conforme consultas nos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil verificouse que o sujeito passivo apresentou para o período sob auditoria fiscal a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (art. 808 do RIR/99), Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF com Informações/Declarações divergentes do apurado nos extratos de Movimento de Vendas das Operadoras de Cartão de Crédito Redecard, Visa e América Express, e nas Movimentações Financeiras das Instituições Financeiras Itaú / Unibanco e Bradesco S/A; • Nos procedimentos de auditoria Fiscal elaboramos planilhas para cada operadora de Cartão de Crédito e Instituição Financeira e após o cotejo com a Contabilidade, Livros Fiscais, DIPJ, DACON e DCTF constatamos que as receitas originadas do Movimento de Vendas através de CARTÕES DE CRÉDITO e Movimentações Financeiras de Créditos não Justificados eram superiores às receitas de vendas escrituradas e/ou oferecidas a tributação. DAS INFRAÇÕES • A Receita ou Rendimento omitido não escriturado e/ou não oferecido à tributação: trata se da diferença apurada entre os créditos não justificados, estornado os cheques devolvidos, acrescidos do movimento de vendas através de cartão de crédito e débito excluídos os valores declarados em DCTF e DACON; Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13982.720792/201309 Acórdão n.º 1401001.513 S1C4T1 Fl. 2.588 7 • Multa Qualificada: Nos casos de lançamento de ofício com ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, conforme determinação legal, artigo 44, parágrafo 1º da Lei 9430/96 e artigo 71 da Lei 4.502/64 aplicase o percentual de multa de 150%. A contribuinte tendo ciência do Auto de Infração (13/08/2012 – fls. 997) e, sentindose inconformada, dele recorreu a esta DRJ com a impugnação de fls.958/975 em 11/09/2012, com as alegações resumidas a seguir. • Inexistindo justa causa para a lavratura dos autos de infrações, ilegítima e nula se apresenta a proposta de autuação, cuja pretensão está eivada de nulidade absoluta; • O apontamento dos créditos tributários baseouse em meras presunções; • Os lançamentos inquinados foram baseados exclusivamente nos extratos bancários que representam somente meros indícios de acréscimo patrimonial; • Para que esteja revestido de eficácia jurídica e validade administrativa, deve preencher os requisitos legais, para tanto, apresentando (i) fundamentação fática, concreta e real, ocorrida e verificada, estando provada a ocorrência e a materialidade do fato gerador, (ii) esteja embasado em motivos reais, idôneos e existentes, de forma que não tenha suporte somente em mera ficção, suposição ou mesmo presunção fiscal, sem qualquer comprovação material através de documentos ou perícias; • Ocorreu a violação aos princípios do contraditório, ampla defesa e direito à petição; da capacidade contributiva, do não confisco e isonomia; • A multa no importe de 150% foge da atual realidade, pois é descabida e fora de qualquer critério de razoabilidade, proporcionalidade e equidade; • Se não há provas, inexiste fato gerador de tributos e tampouco elementos de fraude, observando, ainda, que a fraude não se presume, deverá sim ser comprovada na esfera administrativa para que surta efeitos e implique em tipificação pena a lei não ampara e jamais amparou a tributação pura e simples dos depósitos bancários; • As alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, que incidem sobre a receita bruta decorrente da venda a varejo de computadores, notebooks e complementos informáticos ficam reduzidas a zero; • Apesar dessa isenção legal pela falta de ter sido oportunizado à Impugnante a possibilidade de demonstrar as vendas que nela se enquadram, foi considerado que todos os depósitos bancários "não justificados" e os recebimentos de cartões eletrônicos como receitas aptas a compor a base de cálculos para a incidência dos tributos PIS/PASEP e COFINS, ignorando a isenção; • É imperiosa a realização de perícia contábil, que foi vedada à Impugnante; • Os depósitos bancários já foram tributados caracterizando dupla tributação, o que é vedado pelo ordenamento jurídico; • Inexigíveis os juros moratórios pela Taxa Selic pelo simples motivo de que a mora não se aperfeiçoou; • Requer a suspensão da exigibilidade tributária enquanto perdurar o trâmite da presente cognição, administrativa fiscal, deixando de praticar quaisquer atos executórios até a solução definitiva. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1.083 a 1.102) deu provimento parcial à defesa, nos seguintes termos. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 8 Com relação às alegações de nulidade do procedimento fiscal, em razão de supostas falhas no MPF, a autoridade julgadora não só rechaçou a existência de qualquer das alegadas, como também consignou que, nos termos da ementa: O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) representa mero instrumento interno de planejamento e controle da atividade de auditoriafiscal. Eventuais irregularidades em relação a este documento, por não interferirem na competência da autoridade fiscal nele designada, nem representarem cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, não ensejam a nulidade do lançamento. No tocante ao questionamento dos depósitos bancários como base da autuação, a decisão recorrida consignou que a autoridade fiscal poderia simplesmente ter se valido de presunção legal de omissão de receita em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, mas foi muito além. Nos seus próprios termos: Tendo em visa a insuficiente resposta da empresa fiscalizada, poderia a autoridade fiscalizadora proceder aos lançamentos com fundamento no determinado pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, segundo o qual “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Seria um caminho passível de ser trilhado pela autoridade fiscal, visto a existência da presunção legal de omissão de receita decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada constante do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Caso assim tivesse procedido, terseia a chamada inversão do ônus da prova, restando ao sujeito passivo demonstrar, na impugnação, que os rendimentos objeto da autuação já teriam sido levados espontaneamente à tributação, ou que corresponderiam a transferências bancárias entre contas da mesma titularidade, ou, ainda, que estivessem albergados por alguma isenção ou não incidência, sendo o caso. Todavia, ao invés de adotar a solução mais cômoda, optou o agente fazendário por aprofundar as investigações, empreendendo diligências fiscais perante os principais clientes do sujeito passivo (a JBS S/A, a Bertim Alimentos S/A, a Marfrig Alimentos S/A, o Frigorífico Mercosul S/A e a Cooperativa de Cargas do Estado de Santa Catarina – Coopercarga), identificados a partir das informações constantes dos extratos bancários. Assim é que os clientes da Transportes Álvaro Júnior Ltda foram instados a apresentar a relação das notas fiscais emitidas pela prestadora dos serviços, concernentes aos anos calendário 2008 e 2009, cujo relatório deveria estar baseado na escrita fiscal das empresas diligenciadas e indicar a data, o número e o valor de cada nota fiscal, vinculandoas aos CTRCs respectivos. Recebidos os relatórios, deuse o cruzamento das informações neles constantes com os valores encontrados no Livro de Registro de Saídas da Transportes Álvaro Júnior Ltda (apresentado em mídia digital, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 08), (...) Mas o julgador consignou ainda: Verificase, portanto, que a autoridade fiscal demonstrou a perfeita sincronia entre os valores lançados nos assentamentos contábeis das empresas tomadoras dos serviços, objeto das diligências fiscais, sob a conotação de obrigações a pagar, com os valores recebidos a crédito nas contas bancárias da empresa fiscalizada, argumento que sequer foi refutado pela defesa. Assim, concluiu que a autoridade fiscal fez prova direta da omissão de receita. A decisão atacada, no entanto, reconheceu que, em alguns casos, a fiscalizada havia registrado na sua escrituração valores de receita superiores àqueles apontados pela Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13982.720792/201309 Acórdão n.º 1401001.513 S1C4T1 Fl. 2.589 9 autoridade fiscal, os quais não serviriam para infirmar todo o conjunto de elementos, mas deveriam ter sido deduzidos da base de cálculo. Assim, deduziu da autuação essas diferenças favoráveis ao contribuinte. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS O contribuinte e os dois responsáveis tributários apresentaram recursos voluntários, respectivamente, às fls. 2.529 a 2.548, 2.502 a 2.514 e 2.517 a 2.527. Na sua peça de defesa, o contribuinte praticamente se limitou a reiterar (aliás, ipsis litteris) argumentos já trazidos na impugnação. Só não renovou o questionamento acerca da representação fiscal para fins penais. Expediente similar foi adotado pelos dois responsáveis tributários. O recurso do responsável Álvaro Luís Munaretto é, quase integralmente, cópia literal da impugnação. Só inova no seu item II, mediante o qual aduz que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento se equivoca ao se calcar no fundamento de que compete ao sócio gerente demonstrar que não agiu com dolo, culpa, fraude ou excesso de poderes nos termos da Súmula 435 do STJ. O outro responsável, na sua peça recursal, também repetiu quase integralmente os termos da impugnação e igualmente apenas agregou trecho em que contesta o mesmo fundamento da autoridade julgadora atacado no recurso do sr. Álvaro Luís Munaretto. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Nulidade em razão de questões atinentes ao MPF A decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo quanto ao questionamento preliminar. O MPF só previa expressamente a fiscalização de IRPJ. No entanto, o mandado se estendeu aos demais tributos em razão da previsão contida no art. 9º da mesma Portaria: Art. 9º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Ademais, ainda que tivesse havido alguma falha na expedição do MPF ou incompatibilidade deste com o conteúdo da autuação, tais falhas não maculariam o lançamento Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 10 em razão de se tratar de procedimento vinculado à lei, cuja validade, portanto, não se condiciona a expedição de atos de caráter discricionário. Depósitos bancários como base da autuação A defesa se assenta também na alegação de ilegitimidade da presunção com base em depósito bancário de origem não comprovada. No entanto, conforme minuciosamente demonstrado na decisão recorrida, a autuação foi esteada em prova direta. Assim, cai por terra todas as alegações trazidas pelas defesas (contribuinte e responsáveis) quanto a este ponto. Multa qualificada Ao compulsarmos os autos, podemos constatar que as receitas omitidas foram significativamente superiores às declaradas. A qualificação da sanção deve sempre ser aplicada no caso de o sujeito passivo ter praticado o delito intencionalmente. É evidente que não é dada à condição sensorial humana a aptidão de penetrar a consciência alheia. A aferição de se um sujeito quis ou não praticar essa ou aquela conduta deve ser promovida pelas próprias circunstâncias. É razoável se acreditar que alguém possa ter matado outrem acidentalmente se houve apenas um disparo. No entanto, se foram promovidos vários tiros à “queima roupa”, todos na cabeça da vítima, as circunstâncias da conduta levam à conclusão de que o agir foi intencional: o autor quis disparar e para matar! O mesmo se pode dizer aqui. Omissões em um único período, ou mesmo em vários, mas pouco significativas, não revelariam a vontade de ocultar. Todavia, as omissões foram reiteradas (2 anos consecutivos) e de valores sempre significativos (78% nos dois anos), como demonstrado no termo de verificação fiscal. Ademais, vale consignar que foram registrados no período mais de 10.000 (dez mil) documentos com valores a menor. Tudo isso me leva a uma só conclusão: houve o querer de “não fazer” e com a clara motivação de se evadir. Dessarte, há plena justificativa para a aplicação da multa qualificada de 150%, bem como da regra de decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. Perícia contábil Conforme já bem explanado pela autoridade de primeiro grau, não há que se deferir perícia contábil. Em primeiro lugar, a prova contábil é sempre documental e, dessa forma, pode e deve ser carreada aos autos. Em segundo lugar, o julgador administrativo é técnico e, portanto, não se atém exclusivamente a enfrentar as questões de direito, mas também aquelas de âmbito contábil. Responsáveis A atribuição de responsabilidade de cada um dos dois sócios não se esteou em qualquer conduta individualizada. A imputação decorreu da constatação geral de omissão. Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13982.720792/201309 Acórdão n.º 1401001.513 S1C4T1 Fl. 2.590 11 É bem verdade que muitas das condutas (mais de dez mil registros) foram claramente intencionais, o que legitima a imputação da multa qualificada. Todavia, a imputação de responsabilidade deve decorrer de uma conduta de cada um dos responsáveis, o que não foi realizado pela autoridade fiscal. Não há, pois, como manter as responsabilidades com base no art. 135. Com relação ao interesse comum, o simples fato de ser sócio, por maior que seja a sua participação, não caracteriza o interesse comum previsto no art. 124 do CTN. Do contrário, os sócios sempre deveriam ser incluídos no rol dos responsáveis e não fariam sentido as previsões de atribuição específica de responsabilidade a sócios previstas no CTN, como a responsabilidade no caso de sociedades de pessoas do art. 134 do CTN. Afasto, pois, as duas responsabilidades imputadas. Conclusão Voto, pois, por rejeitar as preliminares negar, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e dar provimento aos recursos voluntários dos dois responsáveis para os retirar do pólo da relação jurídica tributária. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES – Relator Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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