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Numero do processo: 15563.000496/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar em nulidade do feito, uma vez que o procedimento adotado pela fiscalização está respaldado na Lei Complementar nº 105 de 2001 e encontra fundamento no Decreto nº 3.724, de 2001, que autoriza a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF.
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Correto o arbitramento do lucro efetuado com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, quando a contribuinte intimada regularmente para apresentar livros e comprovantes não o faz.
APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. TOTAL DAS RECEITAS AUFERIDAS.
A sistemática de apuração pelo lucro arbitrado não convive com outras modalidades. Daí porque devem ser consideradas na base tributável todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo, seja omitidas ou declaradas. Cabível apenas a dedução dos tributos pagos na apuração original do resultado feita pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1402-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade do feito, uma vez que o procedimento adotado pela fiscalização está respaldado na Lei Complementar nº 105 de 2001 e encontra fundamento no Decreto nº 3.724, de 2001, que autoriza a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Correto o arbitramento do lucro efetuado com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, quando a contribuinte intimada regularmente para apresentar livros e comprovantes não o faz. APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. TOTAL DAS RECEITAS AUFERIDAS. A sistemática de apuração pelo lucro arbitrado não convive com outras modalidades. Daí porque devem ser consideradas na base tributável todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo, seja omitidas ou declaradas. Cabível apenas a dedução dos tributos pagos na apuração original do resultado feita pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 04 96 /2 00 9- 60 Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.222 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.223 3 Relatório Para efeito de relatório, adoto o que constou no acórdão recorrido, "in verbis": Trata o presente processo de autos de infração lavrados sobre fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005 nos valores principais de R$ 784.925,27 de IRPJ; e R$ 359.552,46 de CSLL. 2. Conforme descrição dos fatos houve arbitramento do lucro pelo fato de o contribuinte não ter apresentado os livros e documentos da sua escrituração apesar de intimado conforme Termo de Início de Fiscalização e termo (s) de intimação anexos. 3. O arbitramento se deu sobre depósitos bancários de origem não comprovada e sobre as receitas declaradas em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal que integra o auto de infração. 4 Em síntese o Termo de Constatação Fiscal às fls. 38/40 do IV volume menciona que: A análise das Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (DCPMF) relativas ao anocalendário 2005 indicou um total de movimentação financeira no valor de R$ 19.252.465,73 tendo a contribuinte declarado optando pelo Lucro Presumido uma receita de R$ 625.915,72; Em 15/05/2008 foi lavrado o Termo de Inicio da Ação Fiscal n° 158703/0357/2008 (fls. 51 do I Volume) encaminhado para a empresa por via postal e recepcionado em 26/05/2008 determinando à empresa a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, relativamente ao anocalendário 2005, livros comerciais e fiscais, talonários de notas fiscais emitidas e documentação comprobatória de seus registros contábeis, inclusive extratos bancários; Em 07/07/2008 foi lavrado o Termo de Reintimação n° 158703/ 0522/2008 (fls. 66 do volume I), encaminhado para a empresa por via postal e recepcionado em 11/07/2008. Em resposta, o contribuinte declarou: "Estamos encontrando uma certa dificuldade para localizar os livros e documentois exigidos. E tão logo consigamos reunir toda a documentação, faremos a entrega a V. S'" Para o desenvolvimento da ação fiscal foi emitida Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira em 06/08/2008 (fls. 68/74) abrangendo o ano sob fiscalização, dando origem às RMF números 07.1.03.002008003490, 003482, 003431, 003474, 003504, 003440, 003466 e 003458, encaminhadas em 08/08/2008 para o Banco Bradesco S/A, Banco Itaú S/A, Banco Rural S/A, Banco Safra S/A, Banco Sofisa S/A, Banco Triângulo S/A, Banif internacional do Funchal (Brasil) S/A e Unibanco — Unido de Bancos Brasileiros S/A; (fls. 76 a 113). Todas as solicitações foram atendidas mediante apresentação dos extratos bancários e informações relativas às contas movimentadas. Com base nos extratos bancários recebidos e após as exclusões das transferências Interbancárias entre contas do próprio contribuinte, bem como dos créditos que não representassem ingresso de receitas como aqueles decorrentes de empréstimos Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.224 4 obtidos, resgates de aplicações financeiras, créditos de CPMF, devolução de cheques, DOC ou TED, etc, foram emitidas intimações em 14/05/2009 ( Termos de Intimação nºs 158703/ 652/2009 e 653/2009 (fls. 201 do Vol III e 10 do Vol IV) para que o contribuinte comprovasse, no prazo de 20 (vinte) dias, o lançamento em sua escrituração contábil dos registros constantes de 18 (dezoito) planilhas anexas, relativos as suas contas nos bancos Bradesco, Itaú, Rural, Safra, Sofisa, Triângulo, Banff e Unibanco informando, ainda, a origem do numerário, bem como a apresentação de documentos comprobatórios, coincidentes em datas e valores. Em resposta, em 26/06/2009 o contribuinte declarou: "Informamos que estamos com dificuldades de localizar os livros comerciais e fiscais relativos ao ano de 2005, bem como os documentos contábeis desse mesmo ano. Desta forma, não temos como comprovar o lançamento em nossa escrituração contábil dos registros bancários relacionados naquele Termo." Em face do exposto nos itens anteriores, o contribuinte teve seu lucro arbitrado com base no inciso III do art. 530 do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), por falta da apresentação de qualquer livro comercial e fiscal e respectiva documentação comprobatória. Para determinação da base de cálculo do lucro arbitrado, tomouse a receita omitida à vista dos créditos efetuados em suas contas correntes relacionados nas planilhas anexas ao Termo de Intimação de 14/05/2009, e a receita declarada constante de sua DIPJ do exercício 2006, ano calendário 2005. Os valores devidos referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao anocalendário 2005 foram compensados no crédito tributário constituído. Não se aplica a tributação reflexa para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), tendo em vista a natureza dos produtos comercializados pelo contribuinte, sujeitos à tributação monofásica nos termos do art. 2°, § 1º, inciso II, da Lei n° 10.637 de 30/12/2002 e art. 2°, § 1°, inciso II, da Lei nº 10.833 de 29/12/2003, combinado com o inciso I do art. 1° da Lei n° 10.147 de 21/12/2000; Restou então a lavratura do Auto de Infração desta data para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e para a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), e o encerramento da ação fiscal. 5 A contribuinte foi cientificada do feito fiscal em 30/09/2009 na pessoa de sua sócia majoritária, Srª Cleonice de Paiva Pacheco Fernandes, apresentando em 30/10/2009 a impugnação de fls. 73/78, que em resumo, contém as seguintes argumentações e pedidos: A Lei complementar nº 105/2001 deve ser observada com rigor pelas autoridades administrativas para que seja possível o acesso aos dados bancários do contribuinte ainda que tal autorização somente fosse possível por meio de ordem judicial; Nesses termos, o artigo 6º da referida LC complementada pelo Decreto nº 3724/2001 estabeleceu o procedimento para que, nos termos dela, o acesso aos dados bancários do contribuinte seja lícito; Assim, a autoridade tributária antes de requisitar às instituições financeiras os dados bancários do contribuinte deve antes intimálo, é o que dispõe o parágrafo. 2°, do art. 4°, do Decreto n° 3.724, de 2001: Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.225 5 “§ 2° A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF”. Ocorre que mencionada intimação, tendo por objeto o acesso aos dados bancários do contribuinte, deve ser motivada indicando os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta, exvi dos inc. I e II do art. 50, da Lei n°. 9.784, de 1999 c/c o par. 5°, do art. 2°, do Decreto n° 3.724, de 1999; Ora, no Termo de Inicio de Fiscalização foi requerido os dados bancários da impugnante, porém, não há a devida fundamentação indicando a indispensabilidade dos mesmos. Sequer há no Termo de Constatação supramencionado os fundamentos do pedido de acesso aos dados bancários. Nesses termos, o procedimento de acesso aos dados bancários — previsto em Lei Complementar — não foi irrestritamente cumprido, vez que não foram observadas formalidades essenciais. Portanto, tais dados bancários foram obtidos ilicitamente o que os tornam imprestáveis como fundamento do impugnado lançamento devendo isso serem os mesmos desentranhados do presente processo em cumprimento ao art. 30, da Lei n° 9.784, de 1999: “Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos.” Ainda que mencionados extratos bancários se prestem a fundamentar a impugnada exigência, o que se admite somente a titulo de argumentação, o auto de infração não merece prosperar porque consta nos extratos ilicitamente acostados créditos com históricos próprios de “Liquidação de cobrança” e “Liberação de cobrança vinculada” que não foram analisados. Se auditora verificasse os dados da cobrança teria percebido que muitos dos créditos tributados tiveram origem em vendas efetuadas no ano de 2004. Para suprir tal deficiência a impugnante dirigiuse através de cartas protocoladas a cada um dos oito bancos solicitando que informassem qual o saldo em cobrança no dia 31/12/2004 bem como qual o montante enviado em 2005 com a mesma finalidade não tendo obtido resposta até a data da apresentação da impugnação (fls. 79/86 do volume IV) O montante mensal por banco dos créditos oriundos de tais operações estão demonstrados no quadro a seguir, tendo sido elaborado com base nas planilhas anexas (fls.87/95 do volume IV): Excluídos da tributação os montantes acima resta ainda ser excluído da tributação por depósitos bancários sem origem o montante total da receita declarada em Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.226 6 obediência ao comando do § 6°, do art. 6°, da Lei n°8.021, de 1990, vez que é a forma que mais favorece o contribuinte: § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte.; 6. A contribuinte finaliza sua impugnação pedindo: a) a juntada e apreciação das respostas dos Bancos quantos aos elementos por ela solicitados; b) a improcedência do auto de infração vez que fundamentado em extratos bancários obtidos ilicitamente; c) alternativamente que se dê a redução dos valores tributados daqueles créditos oriundos de cobrança de vendas efetuadas no ano de 2004 bem como a não tributação da receita auferida e declarada relativa ao ano calendário de 2005. A DRJ, por meio do acórdão de fls., por maioria de votos, negou provimento à impugnação, mantendo integralmente crédito tributário constituído, nos valores principais de R$ 784.925,27 de IRPJ e R$ 359.552,46 de CSLL. A decisão recorrida está assim ementada: REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF Justificase a necessidade da emissão da RMF quando demonstrada com precisão e clareza a situação enquadrada na hipótese de sua indispensabilidade para o andamento do procedimento fiscal em curso nos termos do art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3724/2001. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Correto o arbitramento do lucro com base na receita conhecida representada pela declarada e adicionada à omitida apurada pela fiscalização quando a contribuinte intimada regularmente para apresentar livros e comprovantes não o faz. AUTO DE INFRAÇÃO CORRELATO. Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observada sua base de cálculo e alíquota própria. Impugnação Improcedente. Intimada do acórdão recorrido (efl. 789), de forma tempestiva, a parte interessada apresentou o recurso de efls. 790 e seguintes, em que repisa os argumentos articulados quando da impugnação. Vindo os autos ao CARF, para o julgamento do recurso voluntário, foram inicialmente distribuídos ao Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva para que fosse relatado. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.227 7 Em primeira análise, concluiu o relator que o julgamento do processo deveria ser sobrestado até que o STF se manifestasse definitivamente acerca do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Isso porque o STF reconheceu a relevância jurídica da questão constitucional em relação à matéria objeto de respectivo RE, verificando, quanto à ela, repercussão geral nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. E a matéria de que trata o referido recurso é justamente a questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. A proposta de Resolução foi acatada por unanimidade pelo colegiado (v. Res. nº 1402000.214, de 11 de setembro de 2013, efls. 1.170/1.179), tendo sido o julgamento do processo sobrestado até ulterior decisão do STF quanto à matéria relativa ao sigilo bancário. Após nova análise por parte do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, o processo foi pautado para julgamento na Sessão de 23 de setembro de 2014. Desta feita, preliminarmente, foi examinada pelo colegiado a questão da nulidade arguida pela recorrente em relação aos requisitos para a expedição de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Isso porque a recorrente alega a nulidade do auto de infração, não porque o acesso aos seus dados financeiros foi obtido sem autorização judicial, mas sim porque a fiscalização não teria motivado, em suas intimações, o pedido dos respectivos extratos e demais documentos bancários. Transcrevemos abaixo a íntegra do voto do Conselheiro Moisés para melhor evidenciar os contornos da discussão e o decidido ao final: I Da questão relacionada aos requisitos para expedição de RMF. Sem entrar na questão relacionada à constitucionalidade do acesso às informações financeiras por parte da Administração, matéria esta afeta à competência do Supremo Tribunal Federal, observo que nos termos do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2005, "As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” O artigo 8º da Lei Complementar nº 105, de 2005 antes referida contém o seguinte preceito: "o cumprimento das exigências e formalidades previstas nos artigos 4º, 6º e 7º, será expressamente declarado pelas autoridades competentes nas solicitações dirigidas ao Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários ou às instituições financeiras." Demonstrando o rigor no procedimento em relação ao acesso aos dados sob sigilo, a norma prevê que o servidor que utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação em finalidade ou hipótese diversa da prevista em lei, regulamento ou ato administrativo, será responsabilizado administrativamente por descumprimento do dever funcional de observar normas legais ou regulamentares, de que trata o art. 116, inciso III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, se o fato não configurar infração mais grave, sem prejuízo de sua responsabilização em ação regressiva própria e da responsabilidade penal cabível. Por fim, a quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas na Lei Complementar, nº 105, de 2001, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis." (art. art. 10 da Lei Complementar nº 105, de 2001). Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.228 8 Dos preceitos legais acima referidos, o Poder Público podia ter adotado os seguintes procedimentos: a) permitir que cada servidor fizesse avaliação pessoal relacionado à necessidade de acesso e exame dos dados bancários; b) estabelecer normas com base em dados objetivos definindo as hipóteses em que e o exame dos dados bancários seriam considerados indispensáveis. Entendeu o Poder Público adotar o segundo procedimento conferindo maior segurança ao servidor público e ao particular, evitando que eventuais equívocos na interpretação da lei resultasse na obtenção de provas por meios ilícitos. Neste sentido, nos termos do artigo 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamentou a Lei Complementar nº 105, de 2001, o acesso às informações junto às instituições financeiras são consideradas essenciais nas seguintes situações: I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país com tributação favorecida ou beneficiária de regime fiscal de que tratam os art. 24 e art. 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014) XII intercâmbio de informações, com fundamento em tratados, acordos ou convênios internacionais, para fins de arrecadação e fiscalização de tributos. (Incluído pelo Decreto nº 8.303, de 2014) § 1º Não se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. § 2º Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.229 9 II a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. A Requisição de Movimentação Financeira enviada à recorrente consta da fl. 68 dos autos e assinala como motivo a "realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível". No meu entendimento não basta assinalar a opção aqui indicada. É necessário que se descreva os fatos indicando em que se constitui a realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível. Neste ponto andou bem a fiscalização, pois à fl. 75, integrante da Requisição de Movimentação Financeira, destacou que a mesma se justificava por ter a contribuinte, no anocalendário de 2005, movimentação financeira de R$ 19.252.436,73 apresentando DIPJ com receita declarada no valor de R$ 625.915,79. Tal fundamentação, constante da RMF, deixa claro que a autoridade fiscal atendeu aos requisitos contidos no artigo 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. Quanto aos demais argumentos relacionados ao Decreto nº 3.724, de 2001, tenho que a necessidade de indicar a motivação da RMF dirigese ao contribuinte, a quem a norma deseja proteger e não às instituições financeiras. Em outras palavras, o fato de não constar dos ofícios enviados às instituições financeiras os motivos da expedição de RMF não causa qualquer nulidade, pois como dito anteriormente, tal garantia destinase ao titular das contas bancárias e não às instituições financeiras. (grifei) Assim, com relação à argumentação da recorrente de que a autoridade fiscal teria incorrido em ilegalidade ao ter acesso aos seus extratos bancários, por ter descumprido o disposto na LC nº 105/01 e o Decreto nº 3.724/01, decidiu o colegiado que tal fato não ocorreu, razão pela qual, neste ponto, restou consignada a total higidez do procedimento fiscal. Vencida essa questão prejudicial, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva passou à análise das questões de mérito. Atevese à principal argumentação feita pela defesa, de que parte dos depósitos bancários, em especial os indicados em cobrança bancária, referirseiam a vendas realizadas no ano calendário imediatamente anterior ao fiscalizado, ou seja, ao ano de 2004. Abaixo reproduzimos a linha de sua argumentação : Para infirmar os fundamentos do acórdão recorrido, com o recurso, a parte interessada trouxe os documentos de fls. 807 e seguintes onde se verifica que a recorrente tinha por hábito descontar títulos por meio de operações bancárias, transações conhecidas como antecipação de recebíveis ou, no jargão comercial, troca de duplicatas/boletos bancários. Neste tipo de operação a empresa vende a prazo e, necessitando de recursos, dirige se à uma instituição financeira e troca os títulos a vencer por dinheiro. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, trata da presunção de omissão de receita e o § 1º deste dispositivo menciona que esta omissão considerase ocorrida no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Isto não quer dizer que tal presunção não admite prova em contrário para comprovar que o referido depósito referese à operação comercial que se deu em momento anterior (regime de competência). Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.230 10 No caso dos autos a parte juntou com o recurso inúmeros documentos sustentando que os depósitos creditados no início de 2005 correspondem a operações comerciais realizadas em 2004, devendo ser observado o regime de competência e não o regime de caixa. Neste sentido, a título de exemplo, transcrevo o quadro abaixo: Para que se possa afirmar, por exemplo, que uma operação realizada em 03/01/2005, como a indicada à fl. 807, no valor de R$ 38.827,34, corresponde a transações comerciais efetivadas em 2004, necessário que a recorrente comprove, por meio de planilhas, quais as notas fiscais ou documentos equivalentes a que corresponde tal depósito. Diante da presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, militar em favor do fisco, o levantamento deve ser feito pela recorrente, por meio de planilhas. Assim, para facilitar sugiro o seguinte levantamento, tendo por base exemplo hipotético: Data das transações e NF que originaram o depósito e valor Valor Data do depósito Data Nota Fiscal Valor Cliente/sacado 38.827,34 03/01/2005 15/12/2004 9036 10.000,00 Centro Metropolitano 16/12/2004 9085 5.000,00 Carlos Eduardo Cazari 17/12/2004 9105 15.000,00 Bazar e Perfumaria 18/12/2004 9120 8.827,34 Prisma Centro de Distribuição Total 38.827,34 Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.231 11 Dado ao grande número de operações que ocuparam quase duas dezenas de planilhas, concedo prazo de 90 (noventa) dias para que a fiscalizada realize o levantamento acima indicado. Feito o levantamento, quer usando a planilha acima, quer utilizando planilha do Excel, caberá a autoridade de origem selecionar algumas operações para que a fiscalizada apresente os respectivos documentos fiscais, emitindo a fiscalização relatório conclusivo quanto à correção dos levantamentos feitos, com posterior intimação da contribuinte para, querendo, manifestarse sobre o relatório fiscal. Concluídas as diligências, retornem os autos ao CARF. Assim foi feito, tendo o processo retornado ao CARF para julgamento, após realizada a diligência requerida pelo relator até então e aprovada pelo colegiado. É o relatório. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.232 12 Voto Conselheiro LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. De forma sintética, a recorrente requer o seguinte: a) a nulidade do auto de infração, haja vista a obtenção ilícita de seus extratos bancários, em desconformidade com o disposto na Lei Complementar nº 105/2001, notadamente pela ausência de motivação das intimações em que fora requerida a apresentar os respectivos documentos; b) alternativamente, em não sendo acatada a preliminar de nulidade, que sejam excluídos da base de cálculo tributável os ingressos em conta corrente relativos a vendas realizadas no ano calendário anterior (2004), recebidos apenas no ano calendário de 2005, através de suas carteiras de cobrança; e, c) apesar de não conter um pedido expresso, como fez quando da impugnação, alega em seu recurso voluntário que da base de cálculo arbitrada, deveria a fiscalização ter excluído a receita declarada. A argüição de nulidade do Auto de Infração foi analisada com elogiável abrangência no voto condutor da Resolução nº 1402000.280, de 23 de setembro de 2014 (v. e fls. 1.180/1.189). Ressaltese que o colegiado já havia aprovado, por unanimidade, as razões lá expostas (fielmente reproduzidas no relatório), às quais me alio integralmente. Confundese a recorrente ao alegar que as intimações feitas a ela requerendo seus documentos bancários deveriam conter motivação de indispensabilidade. Esta motivação, segundo a Lei Complementar nº 105/2001, c/c com o Decreto nº 3.724/2001, foi dirigida pelo legislador aos requerimentos realizados pelas autoridades fiscais às instituições financeiras. O relatório, constante da Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira de efls. 68/75, é claro ao fundamentar a necessidade do pedido dos extratos diretamente às instituições bancárias nos seguintes fatos: a) movimentação financeira realizada pela autuada no ano calendário de 2005 no importe de R$19.252.465,73, enquanto que os valores declarados em DIPJ importaram em apenas R$625.915,79 (uma relação percentual de pouco mais de 3%); b) a realização de 02 (duas) intimações requerendo a apresentação de livros e documentos fiscais (incluindo os extratos bancários), não atendidas pela fiscalizada; c) diante destes fatos, conforme as próprias palavras da autoridade fiscal, "impõese a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF)", Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.233 13 revelando a indispensabilidade de tal solicitação para dar seguimento ao procedimento fiscalizatório. As RMFs enviadas às Instituições Financeiras são igualmente claras ao conter a seguinte assertiva: “Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724, de 2001.” Assim, quanto a este ponto, considero equivocado o entendimento esposado pela requerente de que os extratos bancários foram obtidos ilicitamente, razão pela qual rejeito sua arguição de nulidade do auto de infração. Passemos à análise do segundo ponto contestado pela recorrente. Alega que, da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal, deveriam ser expurgados os valores referentes a vendas realizadas no ano calendário de 2004, mas que teriam sido pagas apenas no decorrer de 2005. Juntou aos autos os documentos de efls. 807/1.167, obtidos junto aos bancos com o qual se relacionou no período fiscalizado, para comprovar que a maioria dos lançamentos a crédito em suas contascorrentes em 2005 se refeririam às vendas realizadas em 2004. Porém, ao proceder a análise dos autos, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, identificou ser impossível vincular os valores constantes dos referidos documentos ("francesinhas", extratos da carteira de cobrança etc) com os depósitos bancários constantes de seus extratos. Isso porque, cada um dos depósitos efetuados em suas contas, poderia conter parcelas diversas de vendas realizadas a prazo em momento anterior. Diante desse quadro, resolveu o colegiado converter o julgamento em diligência para que a contribuinte comprovasse, por meio de planilhas e documentos fiscais, essa vinculação. Ressalvou a Resolução a desnecessidade da juntada de todos os documentos fiscais, bastando que a autoridade fiscal fizesse a necessária validação dos dados a serem entregues na planilha sugerida para legitimar as informações porventura fornecidas. Entretanto, conforme assentado no Relatório de Diligência de efls. 1.219, decorridos 164 (cento e sessenta e quatro) dias da intimação para o atendimento da Resolução do CARF, não houve nenhuma manifestação da recorrente. Foram várias as vezes, durante todo o trâmite do presente processo, em que a contribuinte esquivouse de atender à fiscalização e de comprovar suas alegações. Foi assim antes da lavratura do auto de infração, também quando da sua impugnação, ou ao apresentar seu recurso voluntário ao CARF. Ainda assim, mais uma chance (dentre tantas) foi dada para comprovar suas alegações, tendolhe sido sugerida, inclusive, um modelo de planilha, com os dados mais elementares para vincular as supostas vendas à prazo aos respectivos recebimentos (via desconto de duplicatas), entretanto, quedouse inerte a recorrente. Assim, resta impossível acolher suas alegações de que "a maioria" dos depósitos feitos em suas contas corrente no ano calendário de 2005 referemse a vendas realizadas em 2004, devendo o auto de infração manterse intocável neste ponto. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15563.000496/200960 Acórdão n.º 1402002.271 S1C4T2 Fl. 1.234 14 Finalmente, em relação ao último ponto, que versa sobre a alegação de que a base de cálculo do lucro arbitrado deveria ser expurgada da receita declarada, também não assiste razão à recorrente. Primeiro, porque não existe nada na legislação que determine a exclusão da receita declarada, da tributação dos depósitos bancários sem origem comprovada, no caso do arbitramento do lucro. Isso porque a sistemática de apuração do lucro arbitrado não convive com outras modalidades. Por isso, devem ser consideradas na base tributável todas as receitas auferidas pelo sujeito passivo, sejam omitidas ou declaradas. Conforme bem assentado na decisão recorrida, "quando a contribuinte não comprova a origem de depósitos não há porquê considerar que neles está contida a receita declarada. A presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 é a de que os depósitos sem origem conhecida caracterizamse como receita omitida. E receita omitida, até prova em contrário, não foi declarada. O ônus da prova é da contribuinte sendo este um dos efeitos de uma presunção legal como ocorreu no caso em exame. Cabe apenas a dedução dos tributos pagos na apuração original do resultado feita pelo sujeito passivo. E foi exatamente esse o procedimento adotado pelo Fisco que, nessa questão, não merece qualquer censura. Basta que se visitem as páginas 12/50 (DCTF), 676 e 684/685 (Auto de Infração) para verificar que os valores pagos pelo contribuinte foram compensados quando da apuração do IRPJ e da CSLL devidos. Também neste ponto, irretocável o auto de infração. Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. Em 10 de agosto de 2016 (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES – Relator Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10540.001352/2003-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À JURÍDICA. EXPLORAÇÃO
HABITUAL DE ATIVIDADE ECONÔMICA.
São equiparadas as sociedades individuais as pessoas físicas que, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DESTINAÇÃO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
São legalmente presumíveis como receitas omitas os depósitos bancários cuja origem e destinação não foram comprovados.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL /FISCAL. POSSIBILIDADE.
Reputa-se correto o arbitramento do lucro quando o contribuinte intimado a fazê-lo, não apresenta a documentação capaz de nortear o Fisco na apuração da base de cálculo.
Numero da decisão: 1802-000.348
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr.
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I ..'• . MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo ir 10540.001352/2003-80 Recurso n° 158.277 Voluntário Acórdão n° 1802-00.348 - 2* Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 • Matéria IRPJ. Recorrente Manoel Silveira Sobrinho - ME. Recorrida Turma/DRJ - Salvador/BA. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À JURÍDICA. EXPLORAÇÃO HABITUAL DE ATIVIDADE ECONÔMICA. São equiparadas as sociedades individuais as pessoas fisicas que, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DESTINAÇÃO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. São legalmente presumíveis como receitas omitas os depósitos bancários cuja origem e destinação não foram comprovados. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL /FISCAL. POSSIBILIDADE. Reputa-se correto o arbitramento do lucro quando o contribuinte intimado a fazê-lo, não apresenta a documentação capaz de nortear o Fisco na apuração da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do orio e voto que passam a integrar o presente julgado. ES UES S *I —A -Presid e EDWAL .31 b EÍNANDES JUNIOR - Relator Processo n° 10540.00135212003-80 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00348 Fl. 2 EDITADO EM: 19 MAR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente convocado), Nelso ICichel (Suplente convocado) e Edwal Casoni de Paula Femandes Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida.. Processo n°10540.001352/2003-80 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00348 Fl. 3 Relatório Ocupamo-nos de Recurso Voluntário, interposto pela contribuinte acima qualificada com o qual pretende reformar decisão proferida pela P Turma da DAI de • Salvador/BA. A matéria ventilada relaciona-se aos autos de infração encartados às folhas 23 a 49, lavrados para formalização de crédito tributário do Impostos de Renda das Pessoas Jurídicas e seus correspondentes reflexos. • Depreende-se da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais constantes • dos autos de infração, bem como do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 50 — 53), que arbitrou- se o lucro da recorrente, ante a ausência de escrituração contábil e de outros elementos que pudessem permitir a mensuração do resultado tributável da recorrente, inscrita de oficio no CNPJ em decorrência da equiparação da pessoa fisica do Sr. Manoel Silveira Sobrinho a pessoa jurídica, devido à constatação da prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, capitulando-se como enquadramento legal o artigo 47, inciso I da Lei n°. 8.891/95. Consignou-se ainda, que o arbitramento do lucro baseou-se na omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários não contabilizados, os quais a recorrente, apesar de intimada, não comprovou a origem. A par disso, assentou a Fiscalização, que o contribuinte Manoel Silveira Sobrinho foi selecionado para auditoria por ter apresentado movimentação financeira incompatível com os dados disponíveis na Receita Federal, já que, apesar de ter • movimentado no ano calendário 1998 o montante de R$ 1.219.165,18, conforme Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF (fl. 55), o contribuinte declarou condição de isento para o aludido período. Cientificada da autuação em 19/12/2003 (fl. 54), a recorrente apresentou Impugnação para cada lançamento (fls. 180 — 207), sustentando de início a aplicação dos princípios constitucionais da ampla defesa e contraditório ao caso concreto, bem como evidenciando ter havido excesso da Fiscalização ao "quebrar seu sigilo bancário", conquanto solicitara a entrega da documentação bancária, expediente que a recorrente julgou inoportuno e que teria configurado ilicitude da prova em que se apurou o crédito tributário. Arguiu, portanto, em preliminar, a nulidade do presente processo ante a ocorrência do cerceamento de defesa, visto que os documentos entregues ao Fisco, não lhe teriam sido devolvidos. No mérito, afirmou que os depósitos bancários seriam oriundos da intermediação na compra e venda de feijão, que por se tratar de pequenas quantidades dá-se por intermédio de ambulantes que recebem os depósitos efetuados por grandes comerciantes e compram pequenas quantidades de cada produtor, e que para confirmar-se tal assertiva bastaria ao ente tributante solicitar que o Banco do Brasil identificasse a origem dos recursos depositados em conta corrente. Processo n° 10540.001352/2003-80 SI-TEM Acórdão n.° 1802-00348 Fl. 4 Ademais, o arbitramento como realizado não prosperaria na medida em que o ambulante não trabalharia com recursos próprios e seu lucro é irrisório, e par disso, afirmou ser inaplicável à espécie a legislação capitulada no auto de infração, conquanto não exerceria atividade comercial, apenas prestaria serviços como um empregado, intermediando a aquisição de feijão em nome de compradores diversos, razão pela qual, não poderia manter eScrituração na forma das leis comerciais e fiscais, mesmo assim, teria atendido todas as intimações entregando tudo quanto lhe fora solicitado demonstrando assim, sua honestidade e boa-fé. Afirmou que a inscrição de oficio no CNPJ seria uma medida sem fundamentação legal, bem como insistiu-se na impropriedade do arbitramento do lucro vez que inexistindo a concreta disponibilidade econômica ou jurídica dos recursos provenientes da intermediaçâo, comprovado apenas pela movimentação financeira, não haveria falar em efetivo lucro, não cabendo à autoridade administrativa arbitrar o lucro de pessoa fisica como se jurídica fosse. Conheceu da Impugnação a P Turma da DRJ de Salvador/BA, que nos termos do acórdão e voto de folhas 217 a 230 julgou o lançamento procedente. De inicio, enfrentou-se a questão atinente à nulidade do auto de infração ante o alegado cerceamento de defesa e nesse particular sustentou-se na decisão recorrida que a arguição da recorrente funda- se na falta de devolução dos documentos fornecidos à Fiscalização, e, se verificaria pelo termo de retenção (fls. 63 — 64) que os documentos originais entregues foram as escrituras de propriedades, as quais foram devolvidas ao procurador da recorrente, sr. Pedro Risério da Silva (fi. 60), em 30/08/2001 consoante termo de devolução (fl. 147) e a 4' via das notas fiscais de vendas avulsas que foram anexadas ao presente processo. Os demais documentos, segundo a decisão recorrida teriam sido encartados na forma de cópias, tais como extratos bancários, ou foram produzidos pela recorrente, a • exemplo da relação de bens, nota explicativa e demonstrativos de vendas de feijão. Nessa contextura, portanto, não haveria falar em privação de documentos à recorrente, tampouco no consequente cerceamento de defesa. No que se relaciona à arguida violação dos preceitos constitucionais em decorrência da quebra do sigilo bancário, esclareceu a decisão recorrida que tal enfrentamento escapa à competência da autoridade administrativa conquanto se trata de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, os extratos bancários foram fornecidos pela recorrente, em atendimento à intimação, não sendo requisitadas informações diretamente às entidades bancárias o que no entender da decisão recorrida afastaria os argumentos da recorrente. Quanto à equiparação da pessoa fisica a jurídica, assentou-se ter ocorrido ante a constatação de prática habitual de atividades comerciais com o objetivo de lucro, equiparando-se o sr. Manoel Silveira Sobrinho a pessoa jurídica, destacou-se nesse ponto em particular e à luz dos argumentos expendidos pela recorrente, o tratamento tributário dos rendimentos recebidos por pessoas fisicas que praticam atos mercantis consoante o artigo 45, III e 150, §§ 1° e 2°, III, todos do RIR199. Na sequência da fundamentação, evidenciou-se que a atividade de representante comercial autônomo é regulada pela Lei n°. 4.886/65 relembrando toda disposição normativa acerca do tema, para então concluir-se que no caso concreto o contribuinte efetuava habitualmente operações comerciais com o objetivo de lucro, praticando negócios mercantis por conta própria, conquanto negociava com os produtores e efetuava a Processo n° 10540.001352/2003-80 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.348 Fl. 5 compra do produto, finalizando a operação por sua decisão, só então repassava aos compradores finais, e que diferentemente atua o representante comercial, que apenas aproxima os interessados, agindo sempre em nome de terceiro. As notas fiscais de venda emitidas pelo recorrente (fls. 106 — 118) reafirmariam a prática de atividades comerciais, pelo que se concluiu por sua equiparação à pessoa jurídica. Quanto ao arbitramento e à omissão de receitas, enfatizou a decisão recorrida que a determinação da base de cálculo foi efetuada mediante uma das formas previstas no artigo 219 do RIR/99, e que o arbitramento do lucro é forma de tributação prevista em lei, devendo ser adotado quando se verificar uma das hipóteses previstas no artigo 47, 1, da Lei n°. 8.891/95. Assim sendo, e tendo em conta que a mesma decisão recorrida considerou correta a equiparação do contribuinte à pessoa jurídica, e este não mantinha escrituração contábil e fiscal, tampouco apresentou documentos que permitissem aferir o lucro real, considerou-se não haver reparos na forma de tributação adotada pelo lançamento de oficio. Assentou-se ainda, que a omissão de receitas caracterizou-se por depósitos bancários cuja origem a recorrente não comprovou, traduzindo-se assim, em presunção legal de omissão de receitas à luz do artigo 42 da Lei n°. 9.430/96, e, tratando-se de presunção legal, caberia ao contribuinte provar a origem dos apontados depósitos, mediante documentação hábil e idônea, entretanto, limitou-se a alegar a impropriedade do procedimento, remanescendo a infração de omissão de receitas. Por sua vez, a determinação do lucro arbitrado teria sido feita mediante a aplicação de um percentual fixado para a atividade do contribuinte, acrescido de 20% (vinte por cento), sobre a receita bruta conhecida, atendendo ao disposto no artigo 532 do RIR/99, podendo-se concluir que a base de cálculo do lucro arbitrado é a receita bruta quando conhecida, sendo nesse caso, a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, pelo que, diante da determinação legal da forma de apuração do lucro arbitrado, não seria possível acolher as alegações da recorrente quanto à suposta irregularidade da autuação por não refletir a rentabilidade de sua atividade. No mais, assentou-se que o percentual utilizado para obter o lucro arbitrado foi de 38, 4% (trinta e oito virgula quatro por cento), resultante da escolha do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a atividade da recorrente. Entretanto, esse coeficiente seria legalmente fixado para a atividade de serviços, enquanto o contribuinte foi equiparado à pessoa jurídica por exercer atividade de comércio. Diante disso, o coeficiente de presunção de atividade seria de 8% (oito por cento), que majorado em 20% (vinte por cento) monta um patamar de 9,6 (nove virgula seis por cento). Em razão disso, deu-se pela parcial procedência do lançamento exonerando os valores resultantes da diferença de coeficiente, estendendo-se o entendimento aos lançamentos reflexos. Cientificada em 31/03/2007 (fl. 233) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 234 — 244), insistindo na preliminar de nulidade ante a preterição do seu ireito Processo n° 10540.00135212003-80 Sl-TE02 Acórdão n.° 1802-00348 Fl. 6 de defesa decorrente da não devolução dos documentos apresentados, bem como reiterando os argumentos já relatados e tecendo substanciosas razões de fato e de direito, para ao fim pugnar por provimento. É o relatório. \/ Processo n° 10540.001352/2003-80 SI-TE02 Acórdão n."1802-00348 Fl. 7 VOO) Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, tomo conhecimento. Apresenta-se para debate questão afeta à equiparação de pessoa fisica à pessoa jurídica, por verificar-se a prática reiterada de atos de comércio e por vultuosa movimentação financeira (depósitos bancários) culminando com a inscrição do contribuinte no CNPJ. Num segundo plano, a questão cinge-se à regularidade do arbitramento do lucro ante a não apresentação, por parte do contribuinte, de sua regular escrita fiscal e contábil, tampouco, outros elementos dos quais se pudesse depreender o lucro real, havendo de outra banda, presunção legal de omissão de receitas em razão de depósitos bancários cujas origens o contribuinte não comprovou. Resumidamente é esse o panorama tático/jurídico que permeia o presente processo, sendo de boa sugestão, analisar detidamente num primeiro momento, a preliminar de nulidade invocada pelo sujeito passivo. Segundo arrazoou o recorrente, o processo em trato seria nulo na medida em que os originais dos documentos fornecidos à Fiscalização não lhe foram devolvidos ao tempo da elaboração da defesa. Com efeito, não assiste razão ao recorrente. É no mínimo desarrazoado, ainda que os tais documentos não tivessem sido devolvidos ao recorrente - o que como bem enfrentou a decisão recorrida não é a realidade dos fatos — imaginar que isso por si só inquinaria o feito de nulidade por cerceamento de defesa. Ora, se os tais documentos foram entregues à Fiscalização, juntá-los novamente seria mera redundância documental. Ademais, não vejo implicação de ordem prática para o deslinde do feito, em se ter acesso aos originais de determinados documentos quando sua juntada em cópia satisfaria todo e qualquer desígnio probatório nesses autos, haja visto, a vigência do princípio da verdade material, em razão do que, afasto a preliminar de nulidade e passo ao enfrentamento do mérito. Primeiramente deve-se analisar a equiparação da pessoa fisica (sr. Manoel Silveira Sobrinho) à pessoa jurídica, e como visto exaustivamente no relatório acima lançado e cristalinamente narrado no Relatório de Atividade Fiscal de folhas 50 a 53, a inscrição do recorrente no CNPJ se deu de oficio ante a constatação da prática habitual de atividades comerciais com objetivo de lucro. O agente fiscalizador bem narrou os fatos sucedidos, resultando da análise dos extratos bancários apresentados ou obtidos da base de dados da CPMF, a elaboração de um detalhado relatório de valores depositados/creditados nas contas correntes que caracterizaram entrada de recursos, solicitando-se que o recorrente segregasse os créditos oriundos de its Processo n° 10540.001352/2003-80 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00348 Fl. 8 transferências entre contas da própria pessoa fisica dos proventos, aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários entre outros. É de se destacar, que o recorrente não apresentou a documentação que lhe fora solicitada, tampouco segregou os valores comprovando por meio de documentação hábil e idônea quais recursos eram oriundos da compra e venda de feijão e quais eram decorrentes de outras situações, permitindo ao Fisco concluir pela reiterada prática de atividades comerciais com o objetivo de lucro, a saber a confessada compra e venda de feijão. Corolário disso, foi a equiparação da pessoa fisica à jurídica ao teor do disposto no artigo 150, § 1°, inciso II, do RIR/99 litteris: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas. (..) § I'. São empresas individuais: II - as pessoas fisicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. (..) Tem-se, portanto, que o motivo ensejador da equiparação com pessoa jurídica foi o fato de o senhor Manoel Silveira Sobrinho explorar habitual e profissionalmente atividade econômica com o fim de obter lucro, fazia isso, segundo afirmações próprias constantes dos arrazoados encartados nesse processo, comprando feijão de pequenos produtores e revendendo ou apenas repassando a grandes compradores. Diante disso, para desabonar a equiparação efetivada pelo Fisco, cabia ao recorrente demonstrar que não praticava tais atividades, ao contrário disso, as afirmações do sujeito passivo apenas reiteram tal assertiva, pelo que, reputa-se correta a inscrição da pessoa fisica no CNPJ e sua equiparação com uma empresa individual. Remanesce, em última análise, a questão atinente ao arbitramento do lucro e à omissão de receitas, presumidamente ocorrida ante a existência de depósitos bancários cujas origens o recorrente não comprovou. Para afastar essa vertente da autuação cumpria ao recorrente demonstrar detalhada e correspondentemente a origem e destinação dos valores depositados, bem como sua escrituração contábil fiscal, como não o fez persiste incólume o lançamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões,26 ti- janeiro de 2010. ji ii dia Edwal Casoni i - • . .. : - . des Junior ----- 8
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903357/2008-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente THREE BOND DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 33 57 /2 00 8- 34 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903357/200834 Acórdão n.º 9303004.062 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3402001.422, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903357/200834 Acórdão n.º 9303004.062 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903357/200834 Acórdão n.º 9303004.062 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903357/200834 Acórdão n.º 9303004.062 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903357/200834 Acórdão n.º 9303004.062 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903357/200834 Acórdão n.º 9303004.062 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.903357/200834 Acórdão n.º 9303004.062 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 17437.720394/2015-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, uma vez comprovado, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente IRMA RUBIS FERRAZ PACHECO MAZZINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, uma vez comprovado, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 03 94 /2 01 5- 83 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 17437.720394/201583 Acórdão n.º 2402005.424 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevemos o relatório da decisão recorrida (fls. 52/57), por bem retratar os fatos ocorridos até aquele momento: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 03 a 04, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2013, que apurou a seguinte infração: omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 97.175,42 decorrentes de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave pela não comprovação da moléstia, uma vez que não houve apresentação do laudo pericial documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios. Fonte pagadora: São Paulo Previdência SPREV. Cientificada do lançamento em 21/10/2015 (fl. 11), a interessada apresentou a impugnação de fls. 12 a 13, em 11/11/2015, por intermédio de procuradora (procuração a fl. 06), alegando que o valor de R$ 97.175,42 é isento, por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave. A impugnação foi julgada improcedente, em 05/05/2016, por meio do acórdão no 1672.603 15a Turma da DRJ/SPO (fls. 52/57) fundamentada nos seguintes termos: No caso em tela, foi apresentado o laudo médico de fls. 20 a 22, emitido por médico perito do Instituto Nacional do Seguro Social Gerência Executiva em Pelotas RS Agência de Bagé RS, onde consta que a contribuinte é portadora de moléstia classificada no CID 10 como G30, correspondente a Doença de Alzheimer, a qual não se encontra elencada no rol das doenças passíveis de isenção previstas no inciso XIV do art. 6° da Lei n.° 7.713/88. Cabe lembrar que a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é literal (art. 111 do CTN). Não comprovado, pois, ser a contribuinte portadora de moléstia grave elencada no inciso XIV do art. 6° da Lei n.° 7.713/88, devese manter a imputação de omissão de rendimentos pela contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação apresentada. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 Cientificado da decisão da DRJ em 19/05/2016 (f. 59), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 61/63), em 02/06/2016, aduzindo, em síntese, que a recorrente sofre de doença de Alzheimer em estágio avançado, conforme laudos e documentos anexados. Requer o acolhimento do recurso e, se necessário mais alguma prova, que o Órgão mande um médico para que possa ser feita avaliação da recorrente. Anexa documentos (fls. 63/77). É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 17437.720394/201583 Acórdão n.º 2402005.424 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Isenção decorrente de doença grave Temse em pauta recurso voluntário no qual o Interessado pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física incidente sobre os rendimentos provenientes de pensão, alegando que é portador de doença grave. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Os rendimentos são provenientes de pensão, conforme consta nos documentos de fls. 25, 26, 40 e 50. Com o recurso, o sujeito passivo trouxe laudo pericial (f. 70), emitido pelo Posto de Saúde Sá Monmanny, da cidade de Bagé/RS, datado de 04/11/2014, concluindo pelo diagnóstico de mal de Alzheimer, CID X G 30, desde 08/2009, sob a rubrica de alienação mental. Impõese, portanto, o reconhecimento de que a contribuinte é portadora de doença enumerada no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988, desde 08/2009. Considerase, então, a contribuinte é portadora de moléstia grave prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995, nos termos do laudo médico de fls. 70, fazendo jus, em razão disso, à isenção do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de pensão, da fonte pagadora São Paulo Previdência SPREV. Recurso provido na matéria. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
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Numero do processo: 19985.721308/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA DO BENEFICIÁRIO PRESTADOR DO SERVIÇO.
Apurandose que o trabalho desenvolvido para o êxito em ações judiciais foi prestado pelo sujeito passivo na condição de advogado, os honorários advocatícios decorrentes devem ser tributados no beneficiário pessoa física.
LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS.
Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS REPASSADOS. IMPOSSIBILIDADE.
O contribuinte que perceber rendimentos pelo exercício da atividade individual e em trabalho não assalariado poderá deduzir remunerações pagas a terceiros, encargos trabalhistas e previdenciários, emolumentos pagos a terceiros ou despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente escriturados em Livro Caixa.
Rendimentos de honorários de sucumbência recebido pelo advogado, pessoa física, e repassado para a sociedade, pessoa jurídica, não pode ser utilizado como despesa de Livro Caixa.
Numero da decisão: 2202-003.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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TRIBUTAÇÃO NA PESSOA DO BENEFICIÁRIO PRESTADOR DO SERVIÇO. Apurandose que o trabalho desenvolvido para o êxito em ações judiciais foi prestado pelo sujeito passivo na condição de advogado, os honorários advocatícios decorrentes devem ser tributados no beneficiário pessoa física. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS REPASSADOS. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte que perceber rendimentos pelo exercício da atividade individual e em trabalho não assalariado poderá deduzir remunerações pagas a terceiros, encargos trabalhistas e previdenciários, emolumentos pagos a terceiros ou despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente escriturados em Livro Caixa. Rendimentos de honorários de sucumbência recebido pelo advogado, pessoa física, e repassado para a sociedade, pessoa jurídica, não pode ser utilizado como despesa de Livro Caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 13 08 /2 01 3- 15 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 509 2 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Contra o contribuinte, devidamente identificado nos autos, foi emitida Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, por revisão da Declaração de Ajuste Anual, para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, no valor de R$ 3.942,48, relativo à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2009, anocalendário 2008, acrescido de Multa de Ofício, no percentual de 75%, no valor de R$ 2.956,86. O crédito tributário totalizou, em 29/11/2013, o valor de R$ 8.546,11. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o crédito tributário decorreu de infração de dedução indevida de despesa de Livro Caixa. Glosa do valor de R$ 89.741,75, pelo seguinte motivo: O contribuinte informou dedução a titulo de livro caixa o valor de R$ 90.367,65 referente a pagamentos a pessoas físicas e jurídicas e outras despesas. Com exceção do valor pago à Ordem dos Advogados do Brasil, os valores deduzidos não foram considerados haja vista que: os pagamentos/despesas não se enquadram nas condições /requisitos do art. 75, caput e incisos, do Regulamento do Imposto de Renda/1999, o contribuinte não pode alterar a definição do sujeito passivo conforme art. 123 da Lei nº 5.172/1966 (CTN) e considerando o Principio da Entidade pelo qual não se confunde a pessoa física com a pessoa jurídica. A infração de dedução indevida de despesas de Livro Caixa teve por fundamento os seguintes fatos: Na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2009, anocalendário 2008, o senhor contribuinte informou Fl. 509DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 510 3 rendimentos percebidos de pessoas físicas, no valor total de R$ 18.332,49, dedução de Livro Caixa, no valor de R$ 90.367,65 e recolhimento de Carnêleão o valor de R$ 9.500,00. Conforme se depreende do procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual, do valor de R$ 90.367,65, informado como despesa de Livro Caixa, o valor de R$ 89.741,75 corresponde a rendimentos de honorários de sucumbência repassados para a empresa Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, CNPJ nº 07.938.860/000110, e para dois sócios da empresa. No procedimento de revisão da declaração, o senhor contribuinte foi intimado a esclarecer a despesa de Livro Caixa, informada na Declaração de Ajuste Anual; em montante de R$ 90.367,65. Em resposta, informou que exerce a atividade de advocacia e que as despesas de Livro Caixa correspondem a despesas de custeio e a rendimentos de honorários de sucumbência repassados para a pessoa jurídica, Nelson Ramos Kuster Advogados Associados e para mais duas pessoas físicas, advogados que atuaram no processo judicial. Esclareceu que os valores repassados para a pessoa jurídica foram tributados na pessoa jurídica, através da respectiva Declaração de Informações Econômico Fiscais. Da mesma forma, os valores repassados para as pessoas físicas foram tributados nas respectivas Declarações de Ajuste Anual. Rendimentos relativos a honorários de sucumbência recebidos da Caixa e Econômica Federal e posteriormente repassados, e que, por falta de espaço na Declaração de Ajuste Anual, foram informados como despesa de Livro Caixa. Honorários de sucumbência relativos a processos judiciais pagos na pessoa física do senhor contribuinte, com utilização do CPF do senhor contribuinte e com retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, alíquota de 3%. A Caixa Econômica Federal, fonte pagadora dos rendimentos de honorários de sucumbência, forneceu DIRF e Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, em nome do senhor contribuinte. Conforme informação do senhor contribuinte, tratase de honorários de sucumbência relacionados a processos judiciais com atuação do senhor contribuinte, da pessoa jurídica e de mais dois profissionais. Honorários de sucumbência não pertencentes ao todo ao senhor contribuinte, que foram repassados, posteriormente, para a pessoa jurídica Nelson Ramos Kuster Advogados Associados e para mais duas pessoas físicas. Nelson Ramos Kuster, Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster. Houve emissão de Nota Fiscal de Serviço pela associação dos advogados, relativamente a cada repasse. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 511 4 Os honorários de sucumbência não pertencentes ao senhor contribuinte que foram repassados para a pessoa jurídica e para os sócios e que foram tratados como despesas de Livro Caixa, na Declaração de Ajuste Anual, para que não houvesse tributação indevida, uma vez que foram informados como rendimentos tributáveis percebidos da Caixa Econômica Federal. O autor do procedimento de revisão da declaração não aceitou o procedimento adotado pelo senhor contribuinte: em ter considerado o repasse dos honorários de sucumbência, recebidos da Caixa Econômica Federal, em nome do senhor contribuinte, para a pessoa jurídica e para mais duas pessoas físicas, como despesa de Livro Caixa na Declaração de Ajuste Anual, e glosou a despesa de Livro Caixa. Os dispositivos legais infringidos, a penalidade aplicável e a fundamentação legal encontramse discriminados nas respectivas Notificações de Lançamento. Inconformado com a Notificação de Lançamento, da qual o senhor contribuinte tomou ciência, por via postal, em 28/11/2013, conforme Aviso de Recebimento, fls. 95, o senhor contribuinte apresentou, em 26/12/2013, impugnação, fls. 02/04, contra a Notificação de Lançamento, argumentando contra a infração de dedução indevida de Livro Caixa, com os seguintes fundamentos: 1) exerce a atividade de advocacia percebendo rendimentos de pessoas jurídicas e de pessoas físicas; 2) a atividade de advocacia era exercida através da pessoa jurídica Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, CNPJ nº 07.938.860/0001 10. Mantinha Livro Caixa; 3) a pessoa jurídica, Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, possuía os seguintes sócios: a sua pessoa, Nelson Ramos Kuster, e mais duas pessoas, quais sejam: Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster; 4) nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, recebeu honorários de sucumbência dentro de diversos processos judiciais, precatórios, no âmbito Tribunal Federal da 4ª Região; 5) no anocalendário de 2008, os honorários de sucumbência foram pagos pela Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 84.405,49, tendo havido retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 2.532,15, conforme o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, fornecido pela Caixa Econômica Federal; 6) os honorários de sucumbência foram informados na sua Declaração de Ajuste Anual como rendimentos tributáveis percebidos de pessoa jurídica, Caixa Econômica Federal, no valor total de 84.405,49; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 512 5 7) informou na Declaração de Ajuste Anual rendimentos percebidos de pessoas físicas, no valor total de R$ 18.332,49 e informou também despesas de Livro Caixa que totalizaram o valor de R$ R$ 90.367,65; 8) do valor total informado como despesas de Livro Caixa, no valor de R$ 90.367,65, foram glosadas despesas que totalizam o valor de R$ 89.741,75; 9) o autor do procedimento de fiscalização considerou como despesas de Livro Caixa apenas os pagamentos feitos à OAB/PR, que somaram o valor de R$ 625,90; 10) a glosa da dedução de despesas de Livro Caixa é indevida pelos seguintes motivos: 10.1) o valor glosado de R$ 89.741,75 corresponde a: 10.1.1) repasses de recebimentos de honorários de sucumbência em processo judicial através da Caixa Econômica Federal, no valor total de R$ 56.364,45; 10.1.2) pagamentos a terceiros, não sócios, advogados que atuaram nos processos judiciais, no valor total de R$ 33.023,00 10.1.3) despesas de custeio, devidamente escriturada no Livro Caixa, no valor total de R$ 905,98; 10.2) nos processos judiciais atuaram advogados da pessoa jurídica Nelson Ramos Kuster Advogados Associados que são: sua pessoa, Nelson Ramos Kuster, Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster; 10.3) nos processos judiciais atuaram outros advogados não sócios da pessoa jurídica, que foram: Sibelle Hochsteiner do Amaral, Shainde Zanella Alonso Kuster e Carlos Mário Hampf; 10.4) dedução de Livro Caixa na Declaração de Ajuste Anual, no valor total de R$ 90.367,65, compreendendo: despesas de custeio no valor de R$ 905,98, pagamentos a terceiros, no valor de R$ 33.023,00, e repasses de honorários de sucumbência, no valor total de R$ 56.364,45; 10.5) rendimentos de honorários de sucumbência, no valor bruto de R$ 84.405,49, devidamente informados como rendimentos tributáveis percebidos da Caixa Econômica Federal, na Declaração de Ajuste Anual; 10.6) retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 2.532,15, devidamente compensado na Declaração de Ajuste Anual; 10.7) rendimento líquido, no valor de R$ 81.873,34. 10.8) do valor líquido recebido houve transferência para a pessoa jurídica e para pessoas físicas, nos seguintes valores: Fl. 512DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 513 6 10.8.1) transferências para a pessoa jurídica, no valor total de R$ 39.358,71; 10.8.2) transferência para duas pessoas físicas, sócias da pessoa jurídica, no valor total de R$ 17.005,74; 10.9) do valor liquido dos honorários de sucumbência, de R$ 81.873,34, recebidos da Caixa Econômica Federal, repassou para a empresa Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, CNPJ nº 07.938.860/000110, um total de R$ 39.358,71. A empresa emitiu notas fiscais de prestação de serviços que totalizam esse valor. Repassou, também, para os sócios Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster, um total de R$ 17.005,74; 10.10) o total repassado para a empresa e para os sócios foi no valor de R$ 56.364,45, que deve ser considerado como despesas de Livro Caixa. Os honorários de sucumbência próprios somaram o valor de R$ 25.508,89, devidamente informados como tendo sido recebidos da Caixa Econômica Federal; 10.11) não pode assumir o ônus pela tributação do valor de R$ 56.364,45, efeito da glosa; 10.12) a glosa da despesa de Livro Caixa, no valor de R$ 56.364,45, corresponde a uma bitributação, haja vista que os recebedores dos repasses tributaram esse valor: a pessoa jurídica na respectivamente declaração e as pessoas físicas em suas respectivas declarações; 10.13) houve despesas de custeio, inclusive pagamento a OAB, no valor total de R$ 980,20, e pagamentos a terceiros, advogados, no valor total de R$ 33.023,00; 10.14) a pessoa jurídica Nelson Ramos Kuster Advogados Associados tributou os honorários de sucumbência recebidos do senhor contribuinte, através da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica; 10.15) os sócios, Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster, tributaram os honorários de sucumbência recebidos do senhor contribuinte, através da respectiva Declaração de Ajuste Anual; 10.16) posteriormente, a pessoa jurídica Nelson Ramos Kuster Advogados Associados distribuiu os honorários de sucumbência para os sócios, que são: o senhor contribuinte, Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster, proporcionalmente à participação do capital social; 10.17) por falta de campo especifico na Declaração de Ajuste Anual, os honorários de sucumbência que foram repassados à pessoa jurídica, Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, e aos sócios, Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster, foram informados no campo destinado à informações de despesa de Livro Caixa, no valor total de R$ 56.364,45; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 514 7 10.18) considerando que a pessoa jurídica tributou os honorários de sucumbência, relacionados às parcelas do repasse, no valor de R$ 39.358,71, e que os sócios tributaram os honorários de sucumbência, relacionados às respectivas parcelas do repasse, no valor de R$ 17.005,74, não houve prejuízo para o Tesouro Nacional. 10.19) os rendimentos recebidos da pessoa jurídica, Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, foram informados na Declaração de Ajuste Anual como rendimentos isentos ou não tributáveis, a título de lucros distribuídos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. O contribuinte que perceber rendimentos pelo exercício da atividade individual e em trabalho não assalariado poderá deduzir a remunerações paga a terceiros, a encargos trabalhistas e previdenciários, a emolumentos pagos a terceiros ou a despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devidamente escriturados em Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 CONTRIBUINTE PESSOA FÍSICA. SERVIÇOS DE ADVOCACIA. ADVOGADO PERTENCENTE A SOCIEDADE SIMPLES. O contribuinte do Imposto de Renda é a pessoa que mantém a relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Ao advogado, patrono em processo judicial, atuante como pessoa física, é devido o honorário de sucumbência, sendo ele o contribuinte do Imposto de Renda, mesmo na hipótese de o advogado pertencer a uma associação de advogados, sociedade simples, pessoa jurídica. Cientificado dessa decisão em 25/08/2014, por via postal (A.R. de fl. 136), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/09/2014 (fls. 137 a 158), no qual alega o seguinte, em resumo: os valores glosados das deduções do livro caixa são referentes a recebimentos de honorários de sucumbência em processos judiciais através da Caixa Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 515 8 Econômica Federal, repasassados à pessoa jurídica de Nelson Ramos Kuster Advogados Associados e a outros advogados; não há vínculo empregatício com os advogados, mas um contrato realizado entre advogados autônomos, relativos a pagamento de honorários advocatícios; os valores são referentes a processos iniciados nos anos de 1998, 2000, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, que só foram concluídos em 2008; foi necessário que se utilizasse de serviços advocatícios de outros advogados para acompanhamento e elaboração de petições ou recursos. devem ser deduzidas as despesas referentes à contribuição para a FUNCEF, pois são referentes à previdência complementar e dedutíveis do imposto de renda; o pagamento à Clínica Neurofisiológia referese a despesas com saúde, devendo ser deduzido no livro caixa; para que os outros advogados sócios possam participar do rateio dos honorários de sucumbência, ele deduz o IRRF e repassa para a sociedade, a qual emitiu nota fiscal desses valores recebidos e recolheu os tributos correspondentes; apresenta um quadro com os valores recebidos e os repassados à sociedade de advogados e a outros advogados; a pessoa jurídica somente poderia atuar em Juízo utilizando as pessoas físicas de seus sócios e não diretamente; a partir da constituição da sociedade de advogados em 2006, todas as rendas de honorários advocatícios passaram a ser contabilizadas pela referida empresa, que emitiu notas fiscais e recolheu o imposto de renda; a Justiça Federal já passou a emitir requisições de pagamento ou precatórios em nome da sociedade de advogados, mas há casos, geralmente os mais antigos, que os Juízes efetuam a liberação em nome dos advogados; a legislação específica sobre a escrituração do Livro Caixa não fornece uma relação precisa do que se pode ou não deduzir, estando a matéria sempre sujeita à interpretação; no site da Receita Federal existem algumas respostas do Fisco, onde se destaca uma que afirma ser dedutível no livrocaixa os pagamentos feitos a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; cita acórdão do CARF nesse sentido (Acórdão nº 10247.227); exigirse o pagamento dos tributos na sua pessoa física incidiria no princípio do bis in idem, o que é vedado pela Constituição; cita doutrina. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 516 9 Ao final, requer o cancelamento total do lançamento de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O Recorrente alega que os valores glosados das deduções do livro caixa são referentes a recebimentos de honorários de sucumbência em processos judiciais através da Caixa Econômica Federal, pertencentes à pessoa jurídica de Nelson Ramos Kuster Advogados Associados e a outros advogados, para os quais foram repassados os valores recebidos, além de contribuição para a FUNCEF e pagamento à Clínica Neurofisiológia. A possibilidade de dedução das despesas de livro caixa está disposta no Decereto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), conforme abaixo: Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 517 10 § 1º O excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º). § 3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. É incontroverso que os valores glosados, que foram declarados pelo Contribuinte a título de despesas de livro caixa, são referentes a honorários advocatícios recebidos em seu nome, como pessoa física, assim como contribuição para a FUNCEF e pagamento à Clínica Neurofisiológia. A discussão aqui reside em saber se tais valores podem ser deduzidos do imposto de renda, em conformidade com a legislação vigente. Segundo o Recorrente, os valores deduzidos a título de livro caixa e glosados pela Fiscalização foram os seguintes: Anocalendário 2008: Nelson Ramos Kuster Advogados Associados ............ R$ 39.358,71 Elisete Mary Salles Stefani .......................................... R$ 8.502,87 Thiago Ramos Kuster .................................................. R$ 8.502,87 Sibelle Hochsteiner do Amaral .................................... R$ 13.100,00 Shaie Zanella Alonso Kuster ....................................... R$ 13.585,00 Carlos Mário Hampf .................................................... R$ 6.338,00 Contribuição para a FUNCEF ...................................... R$ 665,98 Fisioterapia na Clínica Neurofisiológica Scola Ltda. ... R$ 240,00 Total ............................................................................ R$ 90.293,43 Na realidade, verificase pela Notificação de Lançamento de fls. 11 a 14 que o total glosado foi de R$ 89.741,75, tendo sido acatada apenas a dedução relacionada aos pagamentos à OAB pelo Contribuinte. Dos valores deduzidos referentes a honorários advocatícios, afirma o Recorrente que uma parte foi repassada para a sociedade de advogados Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, CNPJ nº 07.938.860/000110, e outra parte para outros advogados. Para o deslinde dessa questão, é fundamental saber quem foi o patrono nos processos judiciais. No presente caso, observase que o patrono foi o Contribuinte, ora Recorrente, uma vez que foi em seu nome que foram liberados os valores pela Justiça Federal, Fl. 517DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 518 11 por meio da Caixa Econômica. Também não consta dos presentes autos nenhum documento que comprove que a ação foi patrocinada por outros advogados em conjunto. Corroborando esse entendimento, o próprio Recorrente afirma em seu recurso que se trata de processos iniciados nos anos de 1998, 2000, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, que só foram concluídos em 2008, e que a sociedade de advogados somente foi constituída em 2006. O fato de o Contribuinte ter repassado os valores recebidos para a pessoa jurídica (sociedade de advogados) e para outros advogados não lhe retira a condição de beneficiário dos rendimentos e, por consequência, de contribuinte do imposto de renda. Conforme o Código Tributário Nacional CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. [...] Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Em relação aos valores repassados a outros advogados, também não assiste razão ao Recorrente, pois seria necessária a comprovação de que esses advogados tinham patrocinado a causa em conjunto ou tivessem contribuído com o trabalho desenvolvido. Porém, não consta dos autos nenhuma prova a esse respeito. O que existe nos autos são apenas declarações dos advogados Elisete Mary Salles Stefani e Thiago Ramos Kuster, ambos sócios da Nelson Ramos Kuster Advogados Associados, e do advogado Carlos Mário Hampf, afirmando que haviam recebido os valores supostamente repassados. Quanto aos demais advogados, não consta nenhuma prova. Para que fossem admitidas as deduções pleiteadas, seria necessário que houvesse prova incontroversa que os beneficiários fizeram jus ao recebimento dos valores, com a comprovação da natureza dos rendimentos, não sendo bastante alegações e meros recibos. Nesse sentido temos a recente decisão da Primeira Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 518DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.721308/201315 Acórdão n.º 2202003.575 S2C2T2 Fl. 519 12 Anocalendário: 2008, 2009 IRPF. RENDIMENTOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA DO BENEFICIÁRIO PRESTADOR DO SERVIÇO. Apurandose que o trabalho desenvolvido para o êxito em ações judiciais foi prestado pelo sujeito passivo na condição de advogado, os honorários contratuais decorrentes devem ser tributados no beneficiário pessoafísica. SUJEITO PASSIVO. DEFINIDO EM LEI. ACORDO ENTRE AS PARTES. INCABÍVEL COMO OPOSIÇÃO AO FISCO. Acordo firmado entre partes não tem o condão de alterar o sujeito passivo da obrigação tributária definido em lei. [...] (Acórdão nº 2201002.694, de 11/03/2015. Redator designado: Francisco Marconi de Oliveira). Em relação às demais despesas, observase que se referem à contribuição para a previdência privada e despesas de saúde do próprio Contribuinte, as quais não são dedutíveis como despesas do livro caixa, por não serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Assim, não há como acatar as argumentações do Contribuinte em relação às deduções do livro caixa que foram corretamente glosadas pela Fiscalização. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 519DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16327.910471/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (grifaremos): O interessado, supra qualificado, entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 13/17 (PER/DCOMP RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 10 47 1/ 20 09 -2 1 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.910471/200921 Resolução nº 1201000.222 S1C2T1 Fl. 3 2 n°21908.18224.230806.1.3.040164), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (cód. receita 2469) relativo ao período de apuração encerrado em 30/06/2005. Pelo Despacho Decisório de fls. 11 o contribuinte foi cientificado, em 18/08/2009 (fls. 12), de que: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 19.456,49). Irresignado, o contribuinte apresentou em 17/09/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/05, alegando, em apertada síntese, que: 1) o art. 10 da IN SRF n° 600/2005 não encontra amparo na legislação, e portanto não pode ser aplicado; 2) com a edição da MP n° 449/2008, foi introduzida a vedação à compensação de débitos relativos ao pagamento mensal de estimativa de IRPJ e CSLL, mas referida MP não foi convertida em lei; e 3) além disso, ao dispor que o pagamento indevido ou a maior não poderá ser objeto de compensação, devendo compor o saldo negativo, a IN 600/2005 fere o art. 73 da Lei n° 9.532/97, que determina a atualização pela Selic a partir do mês subsequente ao pagamento indevido ou a maior.Em sessão de 29 de setembro de 2010 a 8a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Com a ciência da decisão, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos anteriormente defendidos, com destaque para a inaplicabilidade do artigo 10 da IN 600/05. A Recorrente juntou, ainda, documentos que entende aptos para comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.910471/200921 Resolução nº 1201000.222 S1C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. O debate relativo ao indeferimento de compensações baseado no artigo 10 da IN 600/05 normalmente engloba duas questões: a) Se a interessada efetivamente recolheu a maior o valor das estimativas mensais dos períodos em exame; b) Se é possível compensar os valores porventura recolhidos a maior imediatamente, vale dizer, a partir do próprio pagamento. Para a solução da primeira questão devemos analisar os documentos presentes nos autos. Como a Recorrente apresentou, junto com o Recurso Voluntário, documentos e informações que entende suficientes para comprovar a liquidez e a certeza do direito creditório pleiteado, considero essencial que tal documentação seja objeto de análise pela delegacia de origem, dado que o Despacho Decisório não se manifestou expressamente sobre o montante do crédito, pois fundamentou sua decisão na impossibilidade de compensação no próprio exercício, no que foi seguido pela DRJ. Por força disso, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de Jurisdição do contribuinte: a) Analise a documentação apresentada e os sistemas da Receita Federal para informar a este Conselho sobre a existência e pertinência do crédito pleiteado ou, em caso de divergência, sobre qual seria o valor passível de compensação; b) Intime a interessada acerca do resultado da diligência, para que esta se manifeste, se assim desejar, no prazo de 30 dias. Adotadas as providências acima os autos deverão retornar a este Conselho e Relator para apreciação e julgamento. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e voto por CONVERTER o julgamento em diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/ 09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007573/2006-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/06/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 75 73 /2 00 6- 48 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 441 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3102002.187. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966 com a redação dada pela Lei 12.350/2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 442 3 A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 443 4 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 444 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 445 6 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 446 7 bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 447 8 tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 448 9 Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 449 10 No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007573/200648 Acórdão n.º 9303003.552 CSRF‐T3 Fl. 450 11 Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. É como voto. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 09/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13855.000492/2004-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/12/1989 a 30/09/1990
RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL.RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.
.É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, se houve a adequação de seu pedido administrativo ao quanto determinado em sentença judicial transitada em julgado.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3201-002.246
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conclusão de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Cássio Schappo apresentará declaração de voto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Adelmo M. Silva, OAB/SP nº 126066.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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COMPENSAÇÃO. .É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, se houve a adequação de seu pedido administrativo ao quanto determinado em sentença judicial transitada em julgado. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conclusão de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo, que davam provimento ao recurso. O conselheiro Cássio Schappo apresentará declaração de voto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Adelmo M. Silva, OAB/SP nº 126066. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 04 92 /2 00 4- 66 Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório Referese o presente processo administrativo a pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Ressarcimento em formulário (fl. 002), protocolado em 26/03/2004, e de Requerimento inominado em papel pleiteando a compensação do crédito a ser ressarcido (fls. 674/677), protocolado em 13/05/2005, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R$ 34.157.092,99 em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditoprêmio, fundamentado em ação judicial transitada em julgado (fl. 037), referente ao período de 15/12/1989 a 30/09/1990. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Franca SP, que, em 11/03/2008, emitiu Despacho Decisório (fls. 854/866), no qual a autoridade competente indeferiu o ressarcimento em virtude de entender que o créditoprêmio teria sido extinto a partir de 30/06/1983 por meio do DecretoLei 1.658/1979, alterado pelo DecretoLei nº 1.722/1979, normas que não teriam sido objeto da ação judicial, de se tratarem de produtos tributados a alíquota 0%, de a contribuinte estar pleiteando uma forma de reaver o crédito (ressarcimento) que não é compatível com o teor da decisão judicial e de não ser cabível a aplicação de correção e juros a ressarcimento de IPI. Cientificada do Despacho Decisório, em 26/03/2008 (fl. 866), a contribuinte ingressou, em 25/04/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 867/878 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Afirma que a decisão judicial transitada em julgado efetivamente determina o que a empresa aplicou no seu Pedido de Ressarcimento, que seria o direito ao créditoprêmio de IPI no período de dezembro de 1989 a setembro de 1990, legitimado a ser levado a efeito para compensação com débitos próprios ou de terceiros relativos a fornecimento de matériaprima e embalagens, devidamente atualizado monetariamente e com aplicação de juros a contar do trânsito em julgado. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13855.000492/200466 Acórdão n.º 3201002.246 S3C2T1 Fl. 4.919 3 2. Sustenta que caberia à autoridade administrativa tãosomente a conferência dos cálculos para verificar sua concordância com os valores da planilha apresentada com a inicial e se os critérios de correção monetária e juros estão em consonância com a determinação judicial, pois o momento para discussão do cálculo do benefício fiscal apresentado nos autos da ação expirou com o trânsito em julgado. 3. Acrescenta que, em cumprimento à decisão judicial, cabe à autoridade administrativa verificar a existência de débitos da requerente quanto aos tributos sob sua administração e ao REFIS e realizar a devida compensação, assim como permitir a transferência para terceiros no pagamento de aquisições de insumos e matériasprimas. 4. Insiste que o não atendimento do mandado judicial caracteriza crime de desobediência a ordem legal, não cabendo qualquer discussão quanto ao lançamento do créditoprêmio do IPI no período de dezembro de 1989 a setembro de 1990 nos moldes calculados na planilha anexa aos autos nem quanto à aplicação da correção monetária e dos juros ou à compensação com débitos próprios ou de terceiros na aquisição de insumos e matériasprimas. Inconformase também com a demora de 4 anos para a manifestação da Administração. Conclui requerendo a procedência da manifestação de inconformidade, para a reforma do despacho impugnado, para que seja efetuada a compensação dos valores apontados no Pedido de Ressarcimento devidamente atualizados até a data de julgamento com eventuais débitos existentes no âmbito da SRF e da PGFN, além do valor consolidado no REFIS. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/12/1989 a 30/09/1990 RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI por força de decisão judicial transitada em julgado limitase aos termos da decisão ou do pedido, quando a decisão judicial a ele se reporta. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. INADEQUAÇÃO ÀS NORMAS. INDEFERIMENTO. Indeferemse o ressarcimento e a compensação administrativos quando não solicitados nos moldes previstos nas normas aplicáveis. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De acordo com a decisão recorrida, temse que: i. o Pedido de Ressarcimento efetuado pela Recorrente, regido pela IN SRF nº 210/2002 não atendeu às condições estabelecidas para ressarcimento de crédito de IPI, pois seu objeto é o valor do créditoprêmio apurado e acrescido de correção monetária e juros aplicados como se não houvesse sido escriturado, desatendendose duas condições da norma:o crédito pleiteado não é o saldo credor resultante ao final de um trimestrecalendário e o crédito originário é anterior a 31/12/1998; ii. o pedido de compensação inominado apresentado, regiase pela Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, embora a compensação do crédito previamente e, portanto, o pedido de compensação foi feito por meio inadequado, pois deixou de utilizar, sem justificativa expressa, o formulário eletrônico e o formulário em papel estipulado para esse fim; iii. embora a compensação de créditoprêmio de IPI é expressamente excluída pela norma, por se tratar de crédito reconhecido em ação judicial transitada em julgado, essa última característica se sobreporia à primeira para habilitar esse crédito à compensação, caso houvessem sido atendidas as demais condições; iv. excluise a incidência de juros no ressarcimento de créditos do IPI utilizado para compensação, logo não cabe a aplicação de juros no cálculo do crédito a ser ressarcido naquilo que não seja albergado pela decisão judicial; v.o Mandado de Segurança nº 94.03097418 da 1ª Vara Federal em Ribeirão Preto – SP, transitado em julgado, restringiu o período a ser considerado nos cálculos do créditoprêmio, excluindo o período inicial entre 01/11/1989 a 14/12/1989, em face da prescrição, restando o período entre 15/12/1989 a 30/09/1990, em que se autorizou a escrituração do créditoprêmio reconhecido, acrescido da correção monetária correspondente, “para os devidos efeitos e consectários”; vi. não obstante, contribuinte optou pela escrituração do créditoprêmio corrigido antes de obter a decisão definitiva a seu favor, de sorte que os únicos resultados cabíveis para a sentença conforme proferida seriam o estorno da parcela do créditoprêmio referente ao período alcançado pela prescrição (01/11/1989 a 14/12/1989) e a sujeição do valor correspondente ao período não prescrito à revisão do cálculo pela Administração; vii.o Pedido de Ressarcimento relacionase apenas indiretamente com o créditoprêmio de IPI e com os efeitos da ação judicial correspondente, pois esses efeitos limitamse ao momento da escrituração do crédito apurado, pois após a escrituração e ultrapassado o trimestre em que ela foi efetuada, o créditoprêmio fundese com o restante dos créditos acumulados; viii. o valor do ressarcimento solicitado deveria corresponder ao saldo credor existente ao final de um determinado trimestrecalendário, o que não ocorre; ix. a contribuinte desconsiderou totalmente que o créditoprêmio já havia sido escriturado ao final de 1994 e recalculou o valor a partir dos valores originais, com aplicação Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13855.000492/200466 Acórdão n.º 3201002.246 S3C2T1 Fl. 4.920 5 de correção monetária e juros ao longo de todo o período, incluindo o período ao longo do qual esse crédito já estava disponível na sua escrita fiscal para abatimento de débitos; x. não foi comprovado o estorno na sua escrita no momento do pedido de ressarcimento, e que não sofreu reduções por exposição aos débitos do período em que se manteve na escrita; xi. não há nos autos cópia do RAIPI para períodos posteriores a março/1995, o que é incompatível com o pedido de ressarcimento de um crédito escriturado em 1994 e solicitado em 2004; xii. o Pedido de Ressarcimento sequer é compatível com a figura tipificada nas normas, pois deveria ter por objeto o saldo credor de um trimestrecalendário, e, no caso, seu objeto é um crédito reconhecido em decisão judicial, mas utilizado em desacordo com ela e com as normas; Em suma, negouse o direito creditório sob o argumento de que o direito reconhecido na decisão judicial transitada em julgado já teria sido usufruído pela contribuinte por meio da escrituração do créditoprêmio em 30/11/1994 e 20/12/1994, não cabendo a reutilização desse mesmo crédito em ressarcimento/compensação. No recurso voluntário apresentado, reiterouse os argumentos aduzidos na peça de impugnação, quais sejam: i. a primeira instância administrativa decidiu através de análise da matéria de mérito do mandado de segurança transitado em julgado, alterando o seu teor; ii.a Recorrente não elaborou 'Pedido de Compensação', haja vista seu interesse cingirse apenas ao ressarcimento, apenas antecipouse à concordância com a compensação de ofício; iii.protocolou em 13.05.2005 autorização para análise e deferimento do 'Pedido de Ressarcimento' e que procedesse a competente compensação de ofício desses créditos com os débitos em cobrança da requerente, conforme cópia de seu conta corrente juntado à época , bem como aos valores devidos e consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), haja vista ser este condição do ressarcimento; iv. cabe ao órgão administrativo apenas o direito de aferir os valores apontados, restrito à conferência se o crédito de acordo com a planilha de cálculo apresentada, bem como se os critérios de correção monetária e aplicação de juros estão em consonância com a determinação judicial; v.o acórdão recorrido aponta de maneira equivocada que o crédito fora lançado no livro Registro de Apuração do IPI e que influiu nos períodos de apuração subsequentes, mas o valor escriturado sempre esteve envolvido no saldo credor de IPI transmitido aos períodos seguintes, haja vista que sua utilização só ficou garantida em 20.05.2002, data do trânsito em julgado da decisão judicial; vi. a autoridade administrativa recusase a cumprir a ordem judicial transitada em julgado negando à Recorrente o direito de ressarcir os valores pleiteados relativos ao créditoprêmio de IPI do período de dezembro de 1989 a setembro de 1990. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Processado e distribuído o processo a esta turma de julgamento, foi proposta e aceita a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Conforme se depreende dos autos, não se discute a existência do crédito em si, mas o alcance da decisão judicial, bem como o exaurimento do crédito, pela sua utilização. Destarte, na decisão recorrida, afirmase que a Recorrente escriturou o créditoprêmio corrigido antes mesmo de obter a decisão definitiva a seu favor, de sorte que, em princípio, não teria crédito, mas débitos, considerandose que deveria ser o estorno da parcela do créditoprêmio referente ao período alcançado pela prescrição (01/11/1989 a 14/12/1989). Não teria sido considerado que o crédito havia sido escriturado já no exercício de 1994, de maneira que o valor do crédito foi feito a partir dos valores originais, além de que, não haveria correspondência com o saldo credor existente ao final de um determinado trimestrecalendário, não foi comprovado o estorno na sua escrita no momento do pedido de ressarcimento, e que não sofreu reduções por exposição aos débitos do período em que se manteve na escrita. Essas questões não seriam passíveis de ser integralmente apuradas, pois não há nos autos cópia do RAIPI para períodos posteriores a março/1995, o que é incompatível com o pedido de ressarcimento de um crédito escriturado em 1994 e solicitado em 2004. Portanto, a questão primordial para análise do presente recurso, é a demonstração incontrastável de que os valores referentes ao crédito pleiteado, escriturados pela Recorrente já em 1994, e essa circunstância não se nega, não foram utilizados. Assim sendo, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa preparadora, apure e demonstre que não houve utilização do crédito escriturado em 1994, até a data de sua solicitação em 2004, intimandose a Recorrente para apresentar a documentação respectiva. Ademais, e, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, deve ser demonstrado se houve ou não a escrituração do período compreendido entre 01/11/1989 a 14/12/1989 e, em caso positivo, a comprovação de seu estorno. Após, deve ser dada a ciência à Recorrente e à Procuradoria da Fazenda Nacional para que, querendo, manifestemse. Após, voltem os autos a essa Turma, para prosseguimento da sua apreciação. Assim sendo, a autoridade preparadora, no cumprimento dos termos da diligência proposta, assim se manifestou: O CARF, por meio da Resolução nº 3201000.503 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, solicitounos Diligência para averiguarmos Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13855.000492/200466 Acórdão n.º 3201002.246 S3C2T1 Fl. 4.921 7 a utilização e a escrituração do crédito discutido no Mandado de Segurança nº 94.03097418 (fls. 1079 a 1085), conforme segue: [...] Iniciei esta Diligência com intimação para o contribuinte comprovar o estorno do crédito prescrito, demonstrar a utilização do crédito discutido neste mandado de segurança e apresentar os Livros de Registro de Apuração do IPI (fls. 1086 a 1101), conforme segue: “Em atendimento à Resolução nº 3201000.503 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, anexa ao presente Termo de intimação, INTIMAMOS o sujeito passivo acima identificado a encaminhar os documentos discriminados nos itens abaixo, no prazo de 30 (trinta dias) corridos, contados a partir do recebimento deste Termo de Intimação. 1. Comprovação do estorno do créditoprêmio referente ao período escriturado no RAIPI e considerado prescrito pelo Mandado de Segurança nº 94.03097418. 2. Demonstrativo da utilização do créditoprêmio discutido no Mandado de Segurança nº 94.03097418. 3. Livro RAIPI referente ao período de nov/1994 a mar/2004.” (fls. 1086). O contribuinte somente disponibilizou os Livros de Registro de Apuração do IPI nº 08, 09 e 12 a 16, referentes ao período de 11/11/1993 a 31/06/1996 e 01/04/1999 a 31/12/2008 (fls. 1102 a 1104). De acordo com estes livros e a documentação anexa no presente processo administrativo, o crédito proveniente deste mandado de segurança está escriturado no Livro de Registro de Apuração do IPI conforme planilha a seguir (fls. 1106 e 1108) e tem origem nas exportações com data de embarque entre 03/11/1989 a 30/09/1990 (fls. 801 a 812). Nos Livros de Registro de Apuração do IPI disponibilizados pelo contribuinte, referentes ao período de 11/11/1993 a 31/06/1996 e 01/04/1999 a 31/12/2008, somente existem estes registros para o crédito proveniente deste mandado de segurança, ou seja, não há registro da utilização deste crédito e nem do estorno da parcela referente ao período de 03/11/1989 a 14/12/1989 (fls. 1105 a 1438). Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 Tudo leva a crer que no período não disponibilizado pelo contribuinte, de 01/07/1996 a 30/03/1999, também não haja registros que modifiquem esta situação, uma vez que o saldo credor de IPI registrado após a escrituração destes créditos sempre mantevese acima do montante destes créditos escriturados, ou seja, acima de R$ 4.313.113,99 (fls. 1108 a 1438). A apuração destes créditos escriturados no Livros de Registro de Apuração do IPI (fls. 801 a 812) diverge da apuração do crédito pleiteado no presente processo administrativo (fls. 2 e 18 a 25). O crédito pleiteado no presente processo administrativo tem origem nas exportações com data de embarque entre 15/12/1989 a 30/09/1990 (fls. 1 e 18 a 25), enquanto que os créditos escriturados no Livros de Registro de Apuração do IPI têm origem nas exportações com data de embarque entre 03/11/1989 a 30/09/1990 (fls. 801 a 812). Por fim, a declaração do contribuinte reproduzida a seguir informa que não utilizou o crédito pleiteado no presente processo administrativo. “Declaro para os devidos fins de direito, que na qualidade de diretorpresidente da empresa ANGLO Alimentos S/A, CNPJ no. 55.261.853/001140, em atendimento ao Termo de Intimação DRF/FCA/SAORT no. 0872/2007 AFS, que, relativamente ao créditopremio IPI transitado em julgado vinculado ao processo judicial no. 94.0309741 8, tratado no processo administrativo no. 13855.000492/200466, de que não há outro processo relativo a esse mesmo crédito, bem como de que não há qualquer compensação realizada com o mesmo crédito.” (fls. 824). Prosseguindo no atendimento à Resolução nº 3201000.503 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, encaminho o presente relatório para ciência do contribuinte e concedolhe prazo de 30 (trinta dias), contados a partir da data desta ciência, para que este apresente manifestação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o presente processo tem como objeto pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, em virtude de sentença transitada em julgado. Destarte, a sentença em mandado de segurança assim dispôs (fls.515): Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13855.000492/200466 Acórdão n.º 3201002.246 S3C2T1 Fl. 4.922 9 ISTO POSTO, e tendo em vista o mais que consta dos autos, concedo a segurança, para reconhecer em favor da Impetrante o crédito ,prêmio do relativo às exportações entre 15/12/1989 e setembro de 1990 prescritos,os anteriores ao qüinqüênio da data do ajuizamento e consequentemente autorizo a escrituração respectiva no Livro de Apuração IPI, com a correção monetária a partir da conversão de câmbio da época da exportação, para os devidos efeitos e consectários. Fica ressalva à Fiscalização Federal a competência dessa escrituração quanto à exatidão dos números.e o respeito aos parâmetros fixados por esta decisão.(g.n.) Às fls. 549 e ss., há o acórdão que nega provimento ao recurso de apelação da União e à remessa oficial e às fls. 605, encontrase a certidão de trânsito em julgado. Conforme se depreende dos autos, não se discute a existência do direito ao crédito, mas o alcance da decisão judicial, bem como o exaurimento do crédito, pela sua utilização. Destarte, na decisão recorrida, afirmase que a Recorrente escriturou o créditoprêmio corrigido antes mesmo de obter a decisão definitiva a seu favor, de sorte que, em princípio, não teria crédito, mas débitos, considerandose que deveria ser o estorno da parcela do créditoprêmio referente ao período alcançado pela prescrição (01/11/1989 a 14/12/1989). Não teria sido considerado que o crédito havia sido escriturado já no exercício de 1994, de maneira que o valor do crédito foi feito a partir dos valores originais, além de que, não haveria correspondência com o saldo credor existente ao final de um determinado trimestrecalendário, não foi comprovado o estorno na sua escrita no momento do pedido de ressarcimento, e que não sofreu reduções por exposição aos débitos do período em que se manteve na escrita. Essas questões não seriam passíveis de ser integralmente apuradas, pois não há nos autos cópia do RAIPI para períodos posteriores a março/1995, o que é incompatível com o pedido de ressarcimento de um crédito escriturado em 1994 e solicitado em 2004. Portanto, conforme os termos da diligência, a questão primordial para análise do presente recurso, é a demonstração incontrastável de que os valores referentes ao crédito pleiteado, escriturados pela Recorrente já em 1994, e essa circunstância não se nega, não foram utilizados. Retornado os autos e analisado termos do Relatório de Diligência Fiscal, não ficaram esclarecidos e/ou comprovados nos autos, as circunstâncias prescritas na decisão no Mandado de Segurança nº 94.03097418 da 1ª Vara Federal em Ribeirão Preto – SP, que restringiu o período a ser considerado nos cálculos do créditoprêmio, excluindo o período inicial entre 01/11/1989 a 14/12/1989, em face da prescrição, restando o período entre 15/12/1989 a 30/09/1990. Verificouse que a contribuinte optou pela escrituração do créditoprêmio corrigido antes de obter a decisão definitiva a seu favor, de sorte que os únicos resultados Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 cabíveis para a sentença conforme proferida seriam o estorno da parcela do créditoprêmio referente ao período alcançado pela prescrição (01/11/1989 a 14/12/1989) e a sujeição do valor correspondente ao período não prescrito à revisão do cálculo pela Administração; (assinado digitalmente). Não obstante, instada a se manifestar para a comprovação dos créditos e estorno, apurouse, sem que a Recorrente se manifestasse em contrário, os seguintes fatos: não há registro da utilização deste crédito e nem do estorno da parcela referente ao período de 03/11/1989 a 14/12/1989 ; há período de registros não disponibilizado pelo contribuinte, de 01/07/1996 a 30/03/1999; a apuração destes créditos escriturados no Livros de Registro de Apuração do IPI (fls. 801 a 812) diverge da apuração do crédito pleiteado no presente processo administrativo (fls. 2 e 18 a 25) "o crédito pleiteado no presente processo administrativo tem origem nas exportações com data de embarque entre 15/12/1989 a 30/09/1990 (fls. 1 e 18 a 25), enquanto que os créditos escriturados no Livros de Registro de Apuração do IPI têm origem nas exportações com data de embarque entre 03/11/1989 a 30/09/1990 (fls. 801 a 812)"; Contudo, apenas a documentação completa, que reflita de maneira inconteste o direito creditório da Recorrente, nos exatos moldes da decisão judicial transitada em julgado, seriam hábeis a fazer com que o Princípio da Verdade Material, por ela invocado, laborasse a seu favor. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, ressarcimento ou restituição, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Nesse sentido, a despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13855.000492/200466 Acórdão n.º 3201002.246 S3C2T1 Fl. 4.923 11 Em face do exposto, não comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 Declaração de Voto Conselheiro Cássio Schappo: Em face do exposto, não comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. Em sessão do dia 15/10/2014 foi convertido o julgamento em diligência, por unanimidade de votos, nos termos do voto da Relatora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, o que gerou a Resolução n° 3201000.503, proposta nos seguintes termos: Portanto, a questão primordial para análise do presente recurso, é a demonstração incontrastável de que os valores referentes ao crédito pleiteado, escriturados pela Recorrente já em 1994, e essa circunstância não se nega, não foram utilizados. Assim sendo, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa preparadora, apure e demonstre que não houve utilização do crédito escriturado em 1994, até a data de sua solicitação em 2004, intimandose a Recorrente para apresentar a documentação respectiva. Ademais, e, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, deve ser demonstrado se houve ou não a escrituração do período compreendido entre 01/11/1989 a 14/12/1989 e, em caso positivo, a comprovação de seu estorno. Após, deve ser dada a ciência à Recorrente e à Procuradoria da Fazenda Nacional para que, querendo, manifestemse. Justifica a Relatora para proposição da Diligência: Conforme se depreende dos autos, não se discute a existência do crédito em si, mas o alcance da decisão judicial, bem como o exaurimento do crédito, pela sua utilização. Destarte, na decisão recorrida, afirmase que a Recorrente escriturou o créditoprêmio corrigido antes mesmo de obter a decisão definitiva a seu favor, de sorte que, em princípio, não teria crédito, mas débitos, considerandose que deveria ser o estorno da parcela do créditoprêmio referente ao período alcançado pela prescrição (01/11/1989 a 14/12/1989). Em resposta à diligência a autoridade fiscal executora relata o seguinte: Iniciei esta Diligência com intimação para o contribuinte comprovar o estorno do crédito prescrito, demonstrar a utilização do crédito discutido neste mandado de segurança e apresentar os Livros de Registro de Apuração do IPI (fls. 1086 a 1101), conforme segue: Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13855.000492/200466 Acórdão n.º 3201002.246 S3C2T1 Fl. 4.924 13 “Em atendimento à Resolução nº 3201000.503 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, anexa ao presente Termo de intimação, INTIMAMOS o sujeito passivo acima identificado a encaminhar os documentos discriminados nos itens abaixo, no prazo de 30 (trinta dias) corridos, contados a partir do recebimento deste Termo de Intimação. 1. Comprovação do estorno do créditoprêmio referente ao período escriturado no RAIPI e considerado prescrito pelo Mandado de Segurança nº 94.03097418. 2. Demonstrativo da utilização do créditoprêmio discutido no Mandado de Segurança nº 94.03097418. 3. Livro RAIPI referente ao período de nov/1994 a mar/2004.” (fls. 1086). O contribuinte somente disponibilizou os Livros de Registro de Apuração do IPI nº 08, 09 e 12 a 16, referentes ao período de 11/11/1993 a 31/06/1996 e 01/04/1999 a 31/12/2008 (fls. 1102 a 1104). De acordo com estes livros e a documentação anexa no presente processo administrativo, o crédito proveniente deste mandado de segurança está escriturado no Livro de Registro de Apuração do IPI conforme planilha a seguir (fls. 1106 e 1108) e tem origem nas exportações com data de embarque entre 03/11/1989 a 30/09/1990 (fls. 801 a 812). LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI Nº 8 PERÍODO QUE OCORREU A ESCRITURAÇÃO VALOR DO CRÉDITO PRÊMIO ESCRITURADO 21/11/1994 A 30/11/1994 R$ 1.775.988,12 11/12/1994 A 20/12/1994 R$ 2.537.125,87 TOTAL R$ 4.313.113,99 Nos Livros de Registro de Apuração do IPI disponibilizados pelo contribuinte, referentes ao período de 11/11/1993 a 31/06/1996 e 01/04/1999 a 31/12/2008, somente existem estes registros para o crédito proveniente deste mandado de segurança, ou seja, não há registro da utilização deste crédito e nem do estorno da parcela referente ao período de 03/11/1989 a 14/12/1989 (fls. 1105 a 1438). Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Tudo leva a crer que no período não disponibilizado pelo contribuinte, de 01/07/1996 a 30/03/1999, também não haja registros que modifiquem esta situação, uma vez que o saldo credor de IPI registrado após a escrituração destes créditos sempre mantevese acima do montante destes créditos escriturados, ou seja, acima de R$ 4.313.113,99 (fls. 1108 a 1438). A apuração destes créditos escriturados no Livros de Registro de Apuração do IPI (fls. 801 a 812) diverge da apuração do crédito pleiteado no presente processo administrativo (fls. 2 e 18 a 25). O crédito pleiteado no presente processo administrativo tem origem nas exportações com data de embarque entre 15/12/1989 a 30/09/1990 (fls. 1 e 18 a 25), enquanto que os créditos escriturados no Livros de Registro de Apuração do IPI têm origem nas exportações com data de embarque entre 03/11/1989 a 30/09/1990 (fls. 801 a 812). Por fim, a declaração do contribuinte reproduzida a seguir informa que não utilizou o crédito pleiteado no presente processo administrativo. “Declaro para os devidos fins de direito, que na qualidade de diretorpresidente da empresa ANGLO Alimentos S/A, CNPJ no. 55.261.853/001140, em atendimento ao Termo de Intimação DRF/FCA/SAORT no. 0872/2007 AFS, que, relativamente ao créditopremio IPI transitado em julgado vinculado ao processo judicial no. 94.03097418, tratado no processo administrativo no. 13855.000492/200466, de que não há outro processo relativo a esse mesmo crédito, bem como de que não há qualquer compensação realizada com o mesmo crédito.” (fls. 824). Prosseguindo no atendimento à Resolução nº 3201000.503 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, encaminho o presente relatório para ciência do contribuinte e concedolhe prazo de 30 (trinta dias), contados a partir da data desta ciência, para que este apresente manifestação. Pois bem, temos portanto, a resposta da fiscalização à diligência requerida (fls. 1433/1434). Primeiro, quanto ao direito ao créditopremio de IPI, não se discute, cumpre se o que foi sentenciado, inclusive, com trânsito em julgado pelo poder judiciário. Nesta decisão ficou consignado o período de abrangência do crédito, com início em 15/12/1989 a 30/09/1990. Segundo, destacase do relatório da diligência os seguintes pontos: 1. que foi escriturado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI (fls. 1106 e 1108), somente o crédito proveniente do mandado de segurança que deu origem a esse Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13855.000492/200466 Acórdão n.º 3201002.246 S3C2T1 Fl. 4.925 15 processo administrativo, baseado nas exportações com data de embarque entre 03/11/1989 a 30/09/1990 (fls. 801 a 812), que totalizam R$ 4.313.113,99 atualizados pela UFIR; 2. que não há registro do estorno de crédito referente ao período de 03/11/1989 e 14/12/1989, considerado prescrito pelo mandado de segurança nº 94.03097418; 3. que não há registro da utilização do crédito pleiteado, ressalvando, porém, que não foram disponibilizados pelo contribuinte os livros do período de 01/07/1996 a 30/03/1999, mas tudo leva a crer que neste período não haja registro que modifiquem o saldo credor acumulado, que se manteve sempre acima de R$ 4.313.113,99 correspondente aos créditos extemporaneamente registrados; 4. que os créditos escriturados reportamse ao período de 03/11/1989 a 30/09/1990, enquanto que o crédito pleiteado no presente processo administrativo restringemse ao período de 15/12/1989 a 30/09/1990; O fato de o contribuinte não ter efetuado o estorno do créditoprêmio de IPI para o período de 03/11/1989 a 14/12/1989, em nada interfere na análise do pleito requerido pelo contribuinte e nem na tomada de decisão ao reconhecimento ao crédito para o período de 15/12/1989 a 30/09/1990, visto que o recorrente limitase a pedir o que foi contemplado no processo de mandado de segurança. O dispositivo de sentença do mandado de segurança estabelece em seus termos: · "reconhecer em favor da Impetrante o créditoprêmio do relativo às exportações entre 15/12/1989 e setembro de 1990"; · "autorizo a escrituração respectiva no Livro de Apuração do IPI, com a correção monetária a partir da conversão de cambio da época da exportação, para os devidos efeitos e consectários"; · "Fica ressalva à Fiscalização Federal a competência dessa escrituração quanto à exatidão dos números.e o respeito aos parâmetros fixados por esta decisão"; Seguindo o que ficou determinado em juízo, vêse que todos os pontos foram atendidos pela autoridade fiscal que cumpriu e relatou a diligência. Que o crédito escriturado no Livro Registro e Apuração do IPI contempla o período de 15/12/1989 a 30/09/1990, inclusive corrigidos pela UFIR. Superada a questão do crédito e a escrituração de seus valores, cabe a esse Colegiado determinar a DRF de origem, conferir as planilhas de fls. 18 a 25 que integram o pedido de ressarcimento da contribuinte (fls. 2), levando em consideração os devidos efeitos e consectários da decisão em mandado de segurança. É o meu entendimento. Cássio Schappo Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13888.904219/2009-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 19 /2 00 9- 30 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904219/200930 Acórdão n.º 9303004.084 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.506, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904219/200930 Acórdão n.º 9303004.084 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904219/200930 Acórdão n.º 9303004.084 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904219/200930 Acórdão n.º 9303004.084 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904219/200930 Acórdão n.º 9303004.084 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904219/200930 Acórdão n.º 9303004.084 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904219/200930 Acórdão n.º 9303004.084 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13312.720136/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 72 01 36 /2 00 8- 23 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento n° 03103/00008/2008 de fls. 02/03, intimando a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício de 2005 acrescido de juros de mora e multa proporcional, totalizando o crédito tributário de R$ 833.090,51 relativos a propriedade rural denominada “Fazenda Queimadas”, NIRF 0.045.2750, com área declarada de 11.521,4 ha, localizada no Município de Ubajara – CE. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 03/05), consta as seguintes informações: que o sujeito passivo após intimado não comprovou a isenção da área de preservação permanente, de benfeitorias, bem como área de reserva legal e o valor de terra nua declarados para o exercício de 2005. O contribuinte informou em sua DIRT, área de preservação permanente de 2.301,0 ha, porém não apresentou Ato Declaratório Ambiental – ADA, laudo técnico ou certidão de órgão público competente. Referente a área de reserva legal, não foi comprovada a averbação na matrícula do imóvel nem apresentou Termo de Responsabilidade de Averbação da área. Resumo da autuação: Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 11.521,4 11.521,4 02. Área de Preservação Permanente 2.304,0 0,0 03. Área de Reserva Legal 4.500,0 0,0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0,0 0,0 05. Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal 0,0 0,0 06. Área Tributável 4.717,4 11.521,4 07. Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural 480,4 480,4 08. Área Aproveitável 4.237,0 11.041,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 17. Valor Total do Imóvel 4.593.440,00 18. Valor das Benfeitorias 865.401,00 865.401,00 19. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 847.689,00 847.689,00 20. Valor da Terra Nua 112.225,00 2.880.350,00 Cálculo do Imposto Declarado (R$) Apurado (R$) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.720136/200823 Acórdão n.º 2301004.851 S2C3T1 Fl. 273 3 21. Valor da Terra Nua Tributável (08 / 01) * 23 45.957,19 2.880.350,00 22. Alíquota 0,45 12,00 23. Imposto Devido (24 * 25) / 100 206,80 345.642,00 DIFERENÇA DE IMPOSTO APURADA 345.435,20 Após o contribuinte ser cientificado do lançamento em 28/11/2008, conforme Aviso de Recebimento AR à fl. 195, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 72 a 86, em 23/12/2008, onde alega que: a base de cálculo e a alíquota utilizadas para determinar o valor de ITR, encontramse em desacordo com a legislação aplicável, assim como a multa aplicada de 75% possui caráter confiscatório; a área total da propriedade rural foi mensurada pelo antigo proprietário adotando um método completamente falho, para isso no ano de 2008 efetuou o levantamento topográfico e georeferenciamento da Fazenda Queimadas, constatando que a área de terra possuía 5.767,33 ha, sendo confirmado pela vistoria do INCRA e emitindo seu correspondente CCIR; o Código Tributário Nacional em seu art. 147, § 2° que diz “Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. ” Reforçando a possibilidade de retificação de erros materiais pela autoridade administrativa; cita, ainda, jurisprudência do STJ (REsp 770.236/PB, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 14/08/2007, DJ 24/09/2007, p. 252); aduz que 1.153,4386 ha da propriedade são áreas de reserva legal, certificadas no INCRA (fl. 123) e registradas na matrícula do imóvel (fl. 101). Da mesma maneira que 165,8790 ha referentes à área de preservação permanente certificada pelo Laudo de avaliação (fl. 148); ressalta que após o abatimento dos valores das áreas destinadas à reserva legal e preservação permanente o total do imóvel para fins de tributação de ITR seria de 4.449 ha; refuta o valor determinado pela fiscalização de R$ 250,00 por hectare, com o Laudo de Avaliação elaborado por Engenheiro Agrônomo qualificado que determinou para o exercício de 2004, o valor médio de R$ 166,41 por hectare; sobre a alíquota a ser utilizada, alega que deveria ser implantado o percentual de 0,45% para a apuração do imposto devido, pelo fato da propriedade possuir um grau de utilização da terra maior que 80%. Dispondo de 1080 hectare correspondentes à área de vegetação nativa, além das áreas de benfeitorias e riachos naturais, equivalentes a 15 ha. Ressalta ainda que na época da elaboração do Laudo Técnico possuía cerca de 739 cabeças de gado; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 declara que a multa fixada possui “caráter eminentemente confiscatório” tendo valor superior a 50% do valor da terra nua; cita dispositivos da Constituição Federal, que em seu art. 150 veda a utilização de tributos com efeitos de confisco, bem como traz jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e Tribunal Regional Federal da 4ᵃ Região onde se manifestam contrários à aplicação de multas abusivas e confiscatórias (STF – ADI 551 / RJ 14022003 PP00058) e (TRF4, 1ᵃ T, unânime, AC 2000.04.01.0634150, rel. Juiz Federal Leandro Paulsen, out/2003). Requer: a correção da área inicialmente apresentada de 11.521,40 ha para a real dimensão da propriedade de 5.767,3392 ha, assim como a dedução das áreas legalmente exigidas para reserva legal e preservação permanente, restando apenas 4.449,00 ha para o cálculo do ITR; que seja reduzido o valor de avaliação do hectare ao patamar de mercado da região; que seja adotada a alíquota para o cálculo do tributo para o percentual de 0,45% com base no grau de utilização da terra; que sejam anuladas as multas lavradas contra a Impugnante, por seu caráter confiscatório. Estando anexos à impugnação os documentos de fls. 87 a 181. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação parcialmente procedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando à contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO / ÁREA TOTAL Com base em provas documentais hábeis e idôneas, cabe alterar a área total originariamente declarada, de modo a adequar a exigência à realidade fática do imóvel. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.720136/200823 Acórdão n.º 2301004.851 S2C3T1 Fl. 274 5 da matrícula do imóvel, em data anterior à do fato gerador do imposto. DA REVISÃO DO VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no Sipt, quando apresentado Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, em consonância com as normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel rural avaliado, com a sua área real, a preços daquela época. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após três tentativas de entrega através de Aviso de Recebimento – AR (fl. 218), não sendo possível cientificar o contribuinte, foi expedido o Edital ARF/UBJ/CE N° 07/2013 em 04/06/2013, afixado em 05/06/2013 (fl. 219). O termo de perempção foi lavrado em 25/10/2013 (fl. 220). O recorrente protocolou o recurso voluntário em 24/12/2013 (fls. 236/243). Além de reforçar as razões da impugnação, o contribuinte apresentou em seu recurso as seguintes alegações: que a notificação de lançamento é um ato processual administrativo inexistente e inválido, pois não consta identificação por assinatura da autoridade competente, sendo assim um documento anônimo, passível de anulação por ausência de requisito legal; aduz que “descabe ao órgão julgador inovar para aperfeiçoar o lançamento tributário”, assim sendo que no auto de infração não houve glosa nas áreas de benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural totalizando 480,4 ha, no acórdão 0350.115 a área referida foi reduzida para 5,3 ha, refletindo na área aproveitável do imóvel. reforça que da área total do imóvel de 5.767,0 ha devem ser deduzidas a área de 1.153,4 ha de reserva legal, área de preservação permanente de 165,8 ha e 1.080,0 ha relativa à vegetação nativa, resultando em uma área de 3.369,0 ha a qual deve ser considerada para base de cálculo do ITR devido; disserta que mesmo o Ato Declaratório Ambiental – ADA sendo entregue após a data do fato gerador, deve ser considerado válido; cita acórdão 30333.545 do processo 10240.000705/200317 sobre a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel posterior a data de ocorrência do fato gerador, não ser um fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR; ressalta que sobre o valor da multa de ofício não devem incidir juros de mora, “pois, de acordo com o artigo 61 da Lei n° 9.340/96 a incidência dos juros de mora restringese aos débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições e não sobre penalidade (multa lançada de ofício) ”. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Em 14/03/2014, às fls. 261, consta Memorando nº 020/2014 DRF/SOB/Sarac, encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, solicitando cancelamento da inscrição em DAU nº 30814000000248, para que seja encaminhado ao CARF o presente recurso, conforme disciplina o art. 35, do Decreto 70.237/72. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como consta nos autos, foi encaminhado em 28/05/2013, ao endereço Avenida Desembargador Moreira, 1647, Fortaleza CE o acórdão 0350116 1ª Turma DRJ/BSB através de Aviso de Recebimento (fl. 217/218), para tomar ciência da decisão de primeira instância. Após três tentativas (28/05/2013, 29/05/2013 e 31/05/2013) não foi possível localizar o contribuinte para efetuar a entrega do documento. Salientase que o endereço para o qual foi enviado o Acórdão para ciência é o mesmo em que foi recebido o Auto de Infração. Conforme preceitua o disposto no art. 23, §1°, inciso II, §2°, inciso IV do Decreto n° 70.235/1972 foi afixado o Edital ARF/UBJ/CE N° 07/2013 em 05/06/2013 (fl. 219), sendo considerada ocorrida a intimação em 20/06/2013. Assim, o termo final para interposição do recurso voluntário foi em 22/07/2013. O termo de perempção foi lavrado em 25/10/2013 (fl. 220). No que se refere a intimação editalícia, a legislação dispõe que se resultar improfícuo um dos meios previstos no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 ela poderá ser feita por Edital. O art. 23, inciso II e § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: [...] § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: [...] Fl. 277DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13312.720136/200823 Acórdão n.º 2301004.851 S2C3T1 Fl. 275 7 § 2° Considerase feita a intimação: [...] IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. [...] O recurso foi interposto somente em 24/12/2013 (fl. 236). Temse, portanto, que o recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do 16 º (décimo sexto) dia de afixação do Edital, ou seja, 30 (trinta) dias após a ciência. Nesse sentido, é forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. Alice Grecchi Relatora (Assinado digitalmente) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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