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7438776 #
Numero do processo: 11020.003567/2005-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. JUROS. MULTA. MORA. O prazo decadencial para lançamento da multa e dos juros de mora é regido pela legislação que o determina para o tributo, dada a natureza jurídica de consectários de um valor principal de tais acréscimos moratórios.
Numero da decisão: 1003-000.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON

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1003­000.191  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  13 de setembro de 2018  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO DCTF  Recorrente  MECANOFAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  DECADÊNCIA. JUROS. MULTA. MORA.  O prazo decadencial para lançamento da multa e dos juros de mora é regido  pela  legislação  que  o  determina  para  o  tributo,  dada  a  natureza  jurídica  de  consectários de um valor principal de tais acréscimos moratórios.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a  preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson ­ Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Abelson,  Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).             AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 67 /2 00 5- 39 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11020.003567/2005­39  Acórdão n.º 1003­000.191  S1­C0T3  Fl. 85          2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas  39/44) que julgou improcedente a impugnação contra o lançamento efetuado mediante o Auto  de Infração às folhas 29/30, com anexos às folhas 31/34, relativo a diferença de multa de mora,  no  valor  de  R$689,17,  e  diferença  de  juros,  no  valor  de  R$  209,52,  decorrentes  do  recolhimento  em  atraso  da  primeira  e  da  segunda  cotas  do  IRPJ  do  primeiro  trimestre  e  da  primeira e da segunda cotas do terceiro trimestre do ano­calendário de 2.000 sem o acréscimo  da multa e dos juros de mora correspondentes., no valor total de R$ 898,69.  A  recorrente  alega,  em  síntese,  que  à  data  da  ciência  do  auto  de  infração  (11/10/2005, folha 36) encontrava­se extinto o direito da Fazenda de lançar de ofício o crédito  tributário relativo a multa de mora e juros de mora relativos a imposto já pago do primeiro e  terceiro trimestres de 2000, bem como, subsidiariamente, alega ser ilegal a cobrança da multa  de mora quando do pagamento em atraso, mas espontâneo, em face ao disposto no art. 138 do  Código Tributário Nacional.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Sérgio Abelson, Relator  O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço.  Tendo ocorrido o pagamento em atraso do IRPJ ­ Lucro Presumido (código  de receita 2089) do qual os referidos acréscimos moratórios são consectários, e sendo o prazo  decadencial para o lançamento de ofício de tal imposto regido pelo art. 150, §4º, do CTN, por  apresentar  natureza  de  tributo  lançado  por  homologação,  o  prazo  decadencial  para  o  lançamento de ofício do  referido  imposto  é de  cinco anos  contados da data do  fato  gerador,  conforme abaixo transcrito:   Art.  150  ­ O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  § 1° ­ O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação do lançamento.  [...]  § 4°  ­ Se a lei não  fixar o prazo à homologação,  será ele de 5  (cinco) anos, a contar da ocorrência do  fato gerador; expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.003567/2005­39  Acórdão n.º 1003­000.191  S1­C0T3  Fl. 86          3 considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  No presente caso, embora realizados com atraso em relação aos  respectivos  vencimentos,  os  pagamentos  foram  antecipados  em  relação  ao  exame  da  autoridade  administrativa.  Os  prazos  decadenciais,  portanto,  iniciam  sua  contagem  nas  datas  dos  respectivos fatos geradores, 30/04/2000 e 30/09/2000.  Desta  forma, à data da ciência pela contribuinte do auto de  infração, estava  extinto o direito da Fazenda de lançar de ofício o referido imposto.  A decadência dos acréscimos moratórios em questão deve acompanhar a do  tributo  principal,  visto  que  tais  acréscimos  apresentam  natureza  jurídica  inafastável  de  consectários dos referidos tributos, ainda que estejam sendo exigidos de forma isolada.  À  data  da  ciência  pela  contribuinte  do  auto  de  infração,  portanto,  estava  extinto o direito da Fazenda de lançar de ofício a multa de mora e os juros de mora em questão.  Pelo exposto, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência suscitada  e, no mérito, por consequência, dar provimento ao recurso.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson                                Fl. 86DF CARF MF

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7483631 #
Numero do processo: 10715.004022/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2007 a 28/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
Numero da decisão: 3302-006.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e atribuir-lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para sanar erro material na decisão de primeira instância, reduzindo a multa regulamentar de R$30.000,00 para R$20.000,00 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração e atribuir-lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para sanar erro material na decisão de primeira instância, reduzindo a multa regulamentar de R$30.000,00 para R$20.000,00 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.

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3302­006.022  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de setembro de 2018  Matéria  ADUANEIRO ­ PENALIDADES  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AMERICA AIRLINES INC.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/2007 a 28/06/2007  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  OMISSÃO.  CONTRADIÇÃO.  ACOLHIMENTO  Existindo  obscuridade,  omissão  ou  contradição  no  acórdão  embargado,  impõe­se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher  os embargos de declaração e atribuir­lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao  recurso voluntário para sanar erro material na decisão de primeira instância, reduzindo a multa  regulamentar de R$30.000,00 para R$20.000,00   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Walker Araujo ­ Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (presidente  da  turma),  Orlando  Rutigliani  Berri  (suplente  convocado),  Vinícius  Guimarães  (suplente  convocado),  Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo,  José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 40 22 /2 01 0- 26 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10715.004022/2010­26  Acórdão n.º 3302­006.022  S3­C3T2  Fl. 340          2 Relatório  Trata­se  de  Embargos  de Declaração  opostos  contra  o  v.  acórdão  nº  3302­ 004.714 que deu provimento ao recurso voluntário para excluir da cobrança as multas impostas  em decorrência das  informações prestadas dentro do prazo de 7 dias  (IN SRF n.1.096/2010),  nos termos da ementa abaixo:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 03/04/2007 A 29/04/2007  REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE  NA  EXPORTAÇÃO.  MULTA  DO  ART.  107,  IV,  E,  DO  DECRETO­LEI  37/1966  (IN  SRF  28/1994,  510/2005  E  1.096/2010).  VIGÊNCIA  E  APLICABILIDADE.  RETROATIVIDADE BENIGNA.  Em  se  tratando  de  descumprimento  do  prazo  de  registro  dos  dados de  embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da  IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL  37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN  SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna.  Segundo  a  Embargante,  o  acórdão  embargado  é  omisso/contraditório  nos  seguintes termos:    Com a  devida  vênia,  ao  compulsar  o  teor  do  voto  condutor  do  aresto ora embargado, nota­se que a ilustre relatora do julgado  incorreu  em  omissão  e  contradição  em  seu  voto,  conforme  se  verá a seguir.   Segundo consta do auto de  infração (fls. 10/11), há uma tabela  na  qual  informa  precisamente  as  datas  nas  quais  foram  promovidos os Registros de Embarque, bem como as datas nas  quais foram prestadas as Informações.   Tal  circunstância  não  passou  despercebida  pela  DRJ,  ao  apreciar  a  Impugnação.  Verifica­se,  da  leitura  do  acórdão  de  piso, que aqueles registros protocolizados em prazo inferior aos  7  (sete)  dias  contados  do  efetivo  embarque  já  haviam  sido  exonerados da multa, consoante se verifica da ementa do julgado  e do voto­condutor do acórdão a seguir transcritos, nos excertos  que são relevantes para o deslinde da questão, verbis:   Acórdão 0728.935 1 ª Turma da DRJ/FNS   “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007   REGISTRO  NO  SISCOMEX  DOS  DADOS  DE  EMBARQUE.  PRAZO.  O  registro  dos  dados  de  embarque  no  Siscomex  em  prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque,  Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10715.004022/2010­26  Acórdão n.º 3302­006.022  S3­C3T2  Fl. 341          3 para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na  alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do Decreto­Lei n° 37/66.   PENALIDADE.  RETROATIVIDADE  BENIGNA  DA  LEI  TRIBUTÁRIA.  Aplica­se  a  lei  tributária,  em  matéria  de  penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado  quando for mais benéfica ao sujeito passivo.   INFRAÇÃO  CONTINUADA.  EMBARQUES  DIFERENTES.  MERA  REITERAÇÃO  DA  CONDUTA  INFRACIONAL.  É  incabível  falar  em  infração  continuada  quando  os  atos  caracterizadores  da  infração  não  resultam  do  aproveitamento  das  condições  objetivas  que  balizaram  a  prática  das  infrações  anteriores.   APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIOS  DA  RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Tendo em vista  a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram  legitimamente  inseridas  no  ordenamento  jurídico,  cabe  à  autoridade regência e aplicar a penalidade em face da existência  de  expressa  determinação  legal,  dado  que  o  lançamento  não  é  atividade  discricionária,  mas,  bem  ao  contrário,  vinculada  e  obrigatória.   Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte”   Voto:   “(...)   Dessa forma, o art. 37 da IN SRF nº 28/94, na redação atual, por  estabelecer prazo mais dilatado para o cumprimento da referida  obrigação que o anteriormente previsto, é mais benéfico para o  sujeito passivo, pelo que perfeitamente aplicável à circunstância  pretérita  não  definitivamente  julgada,  com  amparo  na  retroatividade  benigna  prevista  nos  termos  da  alínea  “b”  do  inciso II do art. 106 do CTN, uma vez que, dentro do interstício  de sete dias, não se pode classifica­lo como contrário a qualquer  exigência de ação ou omissão.   Todavia, quanto aos embarques no(s) vôo(s) AA/904, AA/2980,  ocorridos  em  ,  informações  foram  prestadas  de  forma  intempestiva  (DDE  nº  20706569121,  20706606892,  20706974646,  20707106656).  Sendo  assim,  a  multa  com  referência a estes vôos deve ser mantida.   Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos  fatos  presentes  no  caso  concreto,  voto  no  sentido  de  JULGAR  PROCEDENTE  EM  PARTE  A  IMPUGNAÇÃO,  mantendo  em  PARTE o crédito tributário no valor R$30.000,00.” (g.n.)   Revela­se,  portanto,  evidente  a  omissão  e  contradição  do  acórdão embargado, na medida em que este deu provimento ao  recurso  voluntário  para  “que  as  multas  impostas  em  decorrência  das  informações  prestadas  dentro  do  prazo  de  7  Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10715.004022/2010­26  Acórdão n.º 3302­006.022  S3­C3T2  Fl. 342          4 dias  (IN  SRF  n.  1.096/2010)  sejam  canceladas”,  todavia,  o  acórdão de piso já havia aplicado este mesmo entendimento.  Em outras palavras, a matéria devolvida a este Colegiado, por  ter  sido mantida  em  parte  a  exigência  fiscal,  diz  respeito  aos  Registros  de Embarque  (DDE nº  20706569121,  20706606892,  20706974646,  20707106656)  prestados  de  forma  intempestiva,  ou seja, aqueles que foram prestados em prazo superior aos 7  (sete) dias previstos na IN SRF n. 1.096/2010.  Às  fls.  337­338,  foi  proferido  despacho  admitindo  os  Embargos  de  Declaração para que seja sanada a omissão/contradição.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Walker Araujo ­ Relator  Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, ora Embargante,  teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento.  O  despacho  que  admitiu  a  omissão/contradição  anteriormente  citada  está  correto, merecendo aclaramento desta Turma.   Pois bem.  A  Embargante  tem  razão  quando  afirma  que  o  v.  acórdão  embargado  não  agiu de forma correta ao dar provimento ao recurso voluntário para afastar as multas impostas  em decorrência das  informações prestadas dentro do prazo de 7 dias  (IN SRF n.1.096/2010),  posto que a decisão de piso já havia aplicado este mesmo entendimento.   Ou  seja,  não  havia  interesse  processual,  por  parte  do  contribuinte,  recorrer  daquilo que a própria DRJ  já o havia exonerado. Tanto não havia interesse processual que, o  próprio Recorrente não trouxe em suas razões recursais tal discussão.  Do que se extrai do recurso voluntário, as matérias suscitadas pela Recorrente  foram as seguintes: (i) auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; (ii)  erro material  na  decisão  de  primeira  instância,  posto  que  estabeleceu multa  regulamentar de  R$30.000,00, ao invés de R$20.000,00 (iii) infração não é objetiva, sendo necessário perquirir  se houve dolo ou dano ao Erário; (iv) do art. 654 quanto à relevação multa, tendo em vista a  ausência  de  dolo  ou  dano  ao  Erário;  e  (v)  manutenção  da  multa  ofende  os  princípios  da  proporcionalidade e razoabilidade.  Referida  matérias  foram  alvo  de  julgamento  através  do  acórdão  nº  3801­ 004.795  que,  à  época,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  por  entender  que  a  situação  ensejaria  a  aplicação  da  denúncia,  afastando,  outrossim,  com  exceção  do  erro  material  anteriormente citado, os demais argumentos suscitados pela Recorrente.  Contra  referida  decisão,  a  Embargante  interpôs  Recurso  Especial  julgado  parcialmente  procedente  para,  afastado  a  denúncia  espontânea,  determinar  que  o  retorno  do  Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10715.004022/2010­26  Acórdão n.º 3302­006.022  S3­C3T2  Fl. 343          5 processo  à  instância  "a  quo"  para  apreciação  as  das  demais  questões  trazidas  em  recurso  voluntário e que não foram objeto de deliberação na oportunidade de seu julgamento.   Neste cenário, considerando que toda matéria arguida pelo contribuinte já foi  objeto  de  deliberação  anterior  e,  que  não  existe  outra  matéria  à  ser  analisada  por  este  Colegiado, entendo que o destino correto à ser dado ao recurso voluntário é dar­lhe provimento  parcial para sanar erro material na decisão de primeira instância, posto que estabeleceu multa  regulamentar  de  R$30.000,00,  ao  invés  de  R$20.000,00,  pelos  motivos  já  explicitados  no  acórdão 3801­004.795.  Diante do  exposto, acolho os Embargos de Declaração para  sanar os vícios  suscitados,  atribuindo­lhes  efeitos  infringentes,  para  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  sanar  erro  material  na  decisão  de  primeira  instância,  reduzindo  a  multa  regulamentar de R$30.000,00 para R$20.000,00.  É como voto  (assinado digitalmente)  Walker Araujo                                Fl. 343DF CARF MF

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7441222 #
Numero do processo: 10166.727508/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. Não cabe conhecer de argumentação não veiculada quando da impugnação, na ausência de fato impeditivo para tanto, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
Numero da decisão: 2202-004.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos recursos para, na parte conhecida, rejeitar a nulidade suscitada e negar-lhes provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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2202­004.770  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de setembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  SUPERMERCADO TATA S/A E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO.  Não cabe conhecer de argumentação não veiculada quando da  impugnação,  na  ausência  de  fato  impeditivo  para  tanto,  sendo  vedado  à  parte  inovar  no  pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.  NULIDADE. LANÇAMENTO.   Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato  e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há  motivos para decretação de sua nulidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  em  parte  dos  recursos  para,  na  parte  conhecida,  rejeitar  a  nulidade  suscitada  e  negar­lhes  provimento.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Ronnie  Soares  Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente  convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 08 /2 01 1- 81 Fl. 491DF CARF MF     2 Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita Federal  de  Julgamento  em Brasília  (DF)  ­ DRJ/BSB, que  julgou procedente  auto de  infração DEBCAD nº 37.344.173­8 (e­fls. 2/241), no qual foram lançados valores referentes à  contribuição destinada à Seguridade Social, a cargo da empresa, na condição de sujeito passivo  sub  rogado  no  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  principais  do  produtor  rural  contribuinte, nas operações de aquisição da produção de produtores rurais pessoas físicas.  Segundo  relata  a  autoridade  fiscal  (e­fls.  11/26),  a  empresa  deixou  de  arrecadar,  na  condição  de  sujeito  passivo  sub  rogado  no  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  principais  do  produtor  rural  contribuinte,  nas  operações  de  aquisição  de  produtores rurais pessoas físicas.   Foi  realizada  imputação  de  responsabilidade  tributária,  reconhecendo grupo  econômico  de  fato  em  relação  à  recorrente  com  mais  nove  empresas,  todas  com  o  nome  fantasia BIG BOX SUPERMERCADOS. A  fiscalização alegou que,  além do uso do mesmo  nome  fantasia,  foi  verificado  que  sete  empresas  tiveram  sua  natureza  jurídica  alterada,  de  sociedade empresária limitada para sociedade anônima de capital fechado, no mês de março de  2008, sendo que a participação ostensiva dos sócios Maria Habka e Jorge Helou Filho constava  na estrutura de todas as sociedades listadas que continuaram na gestão dos negócios através de  procuração com amplos poderes, passadas pelos administradores com poderes delegados pela  Assembléia Geral Extraordinária.  A ciência do autuado e dos responsáveis solidários consta às e­fls. 212/231.  O contribuinte, em sua impugnação (e­fls. 244/245), apontou o que considera  serem  vícios  formais  no  lançamento,  e  passou  a  discorrer  sobre  assuntos  estranhos  ao  DEBCAD nº 37.344.173­8, como "alimentação sem PAT", vale transporte, "FOPG, premiação,  dissídio retroativo e outros adicionais de férias não declarados no GFIP", pedindo ao final "a  nulidade dos autos de infração".  Mantida  a  exigência  no  julgamento  de  primeiro  grau  (e­fls.  266/273),  o  contribuinte interpôs recurso voluntário repisando as razões de impugnação (e­fls. 277/307). E,  após  terem  sido  cientificados  dessa  decisão  por  força  da  Resolução  nº  2403­000.195  (e­fls.  309/312), os responsáveis solidários interpuseram seus recursos voluntários (e­fls. 342 e ss).  Por meio do Acórdão nº 2403­002.693 (e­fls. 364/371), em 09/09/2014 a 3ª  Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu provimento  ao  recurso voluntário  conforme ementa a seguir:  (...)  PRODUÇÃO  RURAL.  INCONSTITUCIONALIDADE.  REPERCUSSÃO GERAL.  No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542B, de relatoria  do  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi  julgada  a  inconstitucionalidade  da  contribuição  de  2%  sobre  a  produção  rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência  de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e  por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova  fonte de custeio para a seguridade social.  Nada obstante, o exame do recurso especial (e­fls. 372/379) da Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) levou a prolação  Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10166.727508/2011­81  Acórdão n.º 2202­004.770  S2­C2T2  Fl. 492          3 em 13/04/2016 do Acórdão nº 9202­003.928 (e­fls. 414/419), no qual foi revertida a decisão da  Turma Ordinária, nos termos da ementa abaixo reproduzida:  (...)  Contribuições  previdenciárias  devidas  pelo  produtor  rural  pessoa  física  subrogação  do  adquirente  pessoa  jurídica  inconstitucionadlidade da lei 10.256 ainda não reconhecida pelo  STF  À  ocasião,  além  de  ter  sido  dado  provimento  ao  recurso  voluntário  para  afastar a inconstitucionalidade arguída, foi determinado o retorno dos autos ao colegiado a quo,  para apreciação das demais questões do recurso voluntário.  Considerando a extinção da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, foi  distribuído e sorteado o processo ao presente relator, para prosseguimento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator  Os recursos são tempestivos, porém merecem conhecimento apenas parcial.  Conforme relatado, o recorrente alude, como já o havia feito por ocasião da  impugnação,  a  uma  série  de  questões  que  pertinência  nenhuma  tem  com  a  lide  versada  nos  presentes  autos,  a saber as  já mencionadas  rubricas  "alimentação sem PAT", vale  transporte,  "FOPG, premiação, dissídio retroativo e outros adicionais de férias não declarados no GFIP".  É evidente que razões relacionadas a insurgência contra outra autuação foram  transpostas  para  a  peça  em  comento,  motivo  pelo  qual  deve  seu  exame  ser  prontamente  rejeitado.  De outra  parte,  verifica­se  que os  sujeitos  passivos  solidários  não  verteram  inconformidade  quanto  à  caracterização  de  grupo  econômico  em  sede  de  primeira  instância  administrativa, formulando tal arguição somente em sede de recurso voluntário.  Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra  causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da  congruência e ofensa aos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 141, 223,  329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora  aduzir os questionamentos referidos.  Cumpre, destarte, não conhecer dessa arguição, por estar ela preclusa, face à  expressa disposição legal.  Cabe,  por  fim,  enfrentar  a  alegação,  veiculada  pelos  recorrentes,  de  que  a  fiscalização não teria descrito o fato gerador de maneira completa e adequada, "importando­se  apenas com o dispositivo para o enquadramento".  Fl. 493DF CARF MF     4 Não procedem tais assertivas.  Compulsando os autos, constata­se que além das disposições legais aplicáveis  à espécie, constantes à e­fl. 7 ("FLD ­ Fundamentos Legais do Débito"), dentre outras, consta  no  Relatório  Fiscal  (e­fls.  11/26)  a  descrição  da  ação  fiscal,  dos  motivos  que  ensejaram  a  imputação  de  solidariedade  e  caracterização  de  grupo  econômico,  e,  destaque­se, minuciosa  caracterização do fato gerador apurado, relativo às contribuições por subrogação, por aquisição  de produção rural de pessoas físicas.  Anote­se, aliás, que, contrariamente ao que insinua a empresa, encontram­se  na autuação os documentos apresentados pela empresa no curso do procedimento, vide Anexo  III (e­fls. 62/89).  Restam  portanto  sem  suporte  fático  os  pedidos  de  nulidade  formulados,  devendo ser  reparado, por oportuno, que não se verifica no particular qualquer das hipóteses  ensejadoras  da  decretação  de  nulidade  do  lançamento  consignadas  no  art.  59  do Decreto  nº  70.235/1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente,  sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte e dos responsáveis solidários, que  recorrem  de  seus  termos  evidenciando  pleno  conhecimento  das  exigências  que  lhe  são  imputadas.  Ante o exposto, voto no sentido de conhecer em parte dos recursos para, na  parte conhecida, rejeitar a nulidade suscitada e negar­lhes provimento.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                              Fl. 494DF CARF MF

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7430135 #
Numero do processo: 14041.720037/2017-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. O fato de o sócio investidor ter contato com o cliente não desnatura a sociedade por conta de participação Como se observa § único do art. 993 do CC, não existe vedação à participação do sócio participante nas atividades empresariais. O que existe, é uma conseqüência jurídica à sua participação, passando a responder solidariamente pelas obrigações em que intervier. O sócio oculto, por sua vez, também denominado de sócio investidor, é aquele ao qual é atribuído o dever de fornecer todo o investimento necessário ao sócio ostensivo para que este pratique os atos concernentes de interesse da sociedade. No presente caso o ativo fornecido pelo sócio investidor é o material e seu conhecimento, além do capital para constituição da sociedade. Assim, em regra, o sócio oculto responde apenas perante o sócio ostensivo, salvo na hipótese daquele houver intervindo na relação do sócio ostensivo com o terceiro, cuja responsabilidade será solidária, conforme disciplina o parágrafo único do artigo 993. O que se verifica é o inconformismo da fiscalização com o fato de a sistemática adotada pela recorrente ter permitido uma tributação menor, entretanto, o inconformismo do agente fiscal não pode fundamentar um lançamento tributário, ainda mais diante da inexistência de qualquer restrição legal.
Numero da decisão: 1401-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO

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1401­002.823  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2018  Matéria  IRPJ E IRRF ­ MULTA ISOLADA E JUROS ISOLADOS   Recorrente  PONTO ON­LINE CURSOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2012, 2013, 2014  SOCIEDADE  EM  CONTA  DE  PARTICIPAÇÃO.  PLANEJAMENTO  TRIBUTÁRIO LÍCITO.  O  fato  de  o  sócio  investidor  ter  contato  com  o  cliente  não  desnatura  a  sociedade por conta de participação Como se observa § único do art. 993 do  CC,  não  existe  vedação  à  participação  do  sócio  participante  nas  atividades  empresariais. O que existe,  é uma conseqüência  jurídica à  sua participação,  passando a responder solidariamente pelas obrigações em que intervier.   O  sócio  oculto,  por  sua  vez,  também  denominado  de  sócio  investidor,  é  aquele ao qual é atribuído o dever de fornecer todo o investimento necessário  ao sócio ostensivo para que este pratique os atos concernentes de interesse da  sociedade.  No  presente  caso  o  ativo  fornecido  pelo  sócio  investidor  é  o  material e seu conhecimento, além do capital para constituição da sociedade.  Assim, em regra, o sócio oculto  responde apenas perante o sócio ostensivo,  salvo  na  hipótese  daquele  houver  intervindo  na  relação  do  sócio  ostensivo  com  o  terceiro,  cuja  responsabilidade  será  solidária,  conforme  disciplina  o  parágrafo único do artigo 993.  O  que  se  verifica  é  o  inconformismo  da  fiscalização  com  o  fato  de  a  sistemática  adotada  pela  recorrente  ter  permitido  uma  tributação  menor,  entretanto,  o  inconformismo  do  agente  fiscal  não  pode  fundamentar  um  lançamento tributário, ainda mais diante da inexistência de qualquer restrição  legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 72 00 37 /2 01 7- 32 Fl. 1329DF CARF MF     2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso. Vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano e Luiz Augusto de Souza  Gonçalves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Cláudio de Andrade Camerano ­ Relator   (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva ­ Redator designado    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves  (Presidente),  Livia  de  Carli  Germano  (Vice­Presidente),  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira  Barbosa,  Abel  Nunes  de  Oliveira  Neto,  Cláudio  de  Andrade  Camerano  (Relator),  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Recurso  Voluntário  ao  Acórdão  de  nº  01­ 34.871, proferido pela Quinta Turma da DRJ/BEL em que julgou improcedente a impugnação  apresentada  pela  Contribuinte,  ocasião  em  que  manteve  integralmente  o  crédito  tributário  exigido.  A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida:  "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2012, 2013, 2014  SOCIEDADE  EM  CONTA  DE  PARTICIPAÇÃO.  PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO.  A  autoridade  fiscal  deve  efetuar  os  lançamentos  necessários  quando  demonstrada  a  existência  de  planejamento  tributário  com objetivo de reduzir ou suprimir o recolhimento de tributos.  MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.  A  aplicação  da  multa  de  ofício  decorre  do  cumprimento  da  norma  legal.  Apurada  a  infração,  é  devido  o  lançamento  da  multa de ofício.  MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA ISOLADOS. FALTA  DE  RETENÇÃO  DO  IMPOSTO.  BENEFICIÁRIOS:  PESSOAS  FÍSICAS.  Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.322          3 Comprovada  a  falta  de  retenção  do  imposto  com  natureza  de  antecipação  do  devido  na  declaração  de  ajuste  anual  dos  beneficiários,  após  o  termo  final  do  prazo  fixado  para  entrega  dessas  declarações,  é  devido  pela  fonte  pagadora  dos  rendimentos a multa de ofício e os juros de mora isolados.  MULTA QUALIFICADA.  Constatada a prática de atos tendentes a ocultar da fiscalização  o  conhecimento  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  justifica­se a aplicação da multa de ofício duplicada.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  SOLIDÁRIA.  ATRIBUIÇÃO. COMPETÊNCIA.  A  autoridade  fiscal  detém  competência  para  arrolar  os  responsáveis solidários no momento do lançamento.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.  São  responsáveis  solidários  os  sócios  que  participam  da  concepção  e  manutenção  do  modelo  tributário  de  fachada  adotado pela sociedade.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Relatório  Trata­se de processo administrativo formalizado em decorrência  de  procedimento  fiscal  que  deu  origem  aos  seguintes  Autos  de  Infração, relativos aos anos­calendário de 2012 a 2014:  Auto de Infração Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls.  2 a 46) no valor original de R$ 2.273.653,81, acrescido de juros  de mora e da multa prevista no art. 44,  inc.  I,  e §1º, da Lei nº  9.430/96;  Auto de Infração Imposto de Renda Retido na Fonte(fls. 47 a 58)  referente  à  multa  exigida  isoladamente  prevista  no  art.  9º  e  §  único da Lei  nº  10.426/02  e  nos arts.  620,  628,  639,  717,  722,  725,  843,  953  e  957,  inc.  II  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda, no valor de R$ 6.513.089,31, acrescido de juros isolados.  Do procedimento fiscal  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls.60 a 100, a  contribuinte  teria  se  utilizado  de  sociedades  em  conta  de  participação (SCPs) para realizar pagamentos a prestadores de  serviço na forma de lucros distribuídos, conduta que teria como  objetivo  afastar  o  recolhimento  integral  do  IRPJ,  das  contribuições previdenciárias e do IRRF.  Além dos lançamentos que compõem o presente processo, foram  formalizados  créditos  tributários  referentes  às  contribuições  Fl. 1331DF CARF MF     4 previdenciárias  através  do  processo  administrativo  de  nº  10166.728636/2016­56.  A  fiscalização  informa que a autuada tem como objeto social a  promoção de cursos preparatórios para concursos via internet e  a  administração,  intermediação  e  cessão  de  projetos  de  produções  editoriais  e  que,  durante  o  período  fiscalizado,  a  sociedade era constituída pelos sócios Vicente Paulo das Graças  Pereira  (99,5% do capital  social)  e  José  Jayme Moraes  Júnior  (0,5% do capital social), tendo optado pela tributação na forma  de lucro presumido.  Para implementar os cursos preparatórios oferecidos, “a Ponto  On­Line  celebra  com  os  professores  especialistas  CONTRATO  DE  SOCIEDADE  EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO  (SCP),  no  qual a Fiscalizada atua como “sócio ostensivo” e os professores  especialistas como “sócios participantes. (...) Assim, no período  auditado, (...) apurou­se a constituição de 3.632 Sociedades em  Conta de Participação (SCP)(...)”  A  autoridade  lançadora  constatou  que  “o  modus  operandi  do  sujeito  passivo  traduz  uma  realidade  operacional  bem  adversa  daquela preconizada pela legislação (...)” relativa às sociedades  em  conta  de  participação  e  que  “os  professores  especialistas  (sócios  participantes)  nada  mais  são  do  que  prestadores  de  serviços de ensino, auferindo sua remuneração não pelos frutos  do capital investido nas respectivas SCP, mas sim em razão e na  proporção direta dos serviços prestados ao sócio ostensivo (...)”.  Diante desse cenário,  tendo em vista que os rendimentos pagos  aos  sócios  participantes  não  possuíam  natureza  jurídica  de  lucros distribuídos e sim de remuneração por serviços prestados,  a  auditoria  efetuou  os  lançamentos  supra  citados,  qualificando  as  multas  aplicadas  com  base  no  §1º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96  (sonegação,  fraude  e  conluio)  e  incluindo  ambos  os  sócios  como  responsáveis  solidários  nos  termos  dos  arts.  124,  inc.  I  (interesse  comum)  e  135,  inc.  III  (prática  de  atos  com  excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto)  do Código Tributário Nacional (CTN).  Além disso, constatadas condutas que constituem, em tese, crime  contra a ordem tributária, a auditoria ensejou a formalização de  representação  fiscal  para  fins  penais  através  do  processo  administrativo de nº 10166.720080/2017­31.  Cientificados do lançamento em 10/01/2017 (Ponto On Line,  fl.  774,  Vicente  Paulo  das  Graças  Pereira,  fl.  779  e  José  Jayme  Moraes  Júnior,  fl.  784),  os  interessados  protocolaram,  em  03/02/2017,  as  impugnações  de  folhas  863  a  899,  824  a  845  e  790 a 809, respectivamente.  Das impugnações  Ponto On Line Cursos LTDA  O  sujeito  passivo  defende  que  a  fiscalização  não  teria  compreendido  corretamente  o  modelo  de  negócios  por  ela  adotado  e  que  os  Autos  de  Infração  devem  ser  declarados  improcedentes pelos motivos expostos a seguir:  Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.323          5 Baseiam­se  em  apenas  4  depoimentos  prestados  por  ex­sócios  em relação aos quais a impugnante não teve acesso. Alega que,  em  virtude  desses  mesmos  depoimentos  terem  embasado  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias,  “o  Fisco  sequer  conseguiu  obter  provas  adicionais  que  justificassem  suas  alegações.”  Não  existe  “qualquer  desvirtuamento  do  instituto  da  SCP”  e  a  desconsideração dessa natureza jurídica seria indevida e ilegal;  As SCP constituídas pela Ponto apresentam todos os elementos  empresariais do art. 981 do Código Civil;  Que o art. 129 da Lei nº 11.196/05 dispõe que “para fins fiscais e  previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os  de  natureza  científica,  artística  ou  cultural,  em  caráter  personalíssimo  ou  não,  com  ou  sem  a  designação  de  quaisquer  obrigações  a  sócios  ou  empregados  da  sociedade  prestadora  de  serviços,  quando  por  esta  realizada,  se  sujeita  tão­somente  à  legislação  aplicável  às  pessoas  jurídicas,  de  tal  forma  que  a  requalificação roposta pela D. Fiscalização não prospera”  A  totalidade  dos  valores  distribuídos  aos  professores  especialistas eram lucros e não remuneração pela prestação de  serviços;  Inexistência  de  qualquer  ato  de  sonegação,  fraude,  conluio  ou  que tenha sido praticado de forma abusiva ou dolosa;  Que, ao contrário do alegado pela fiscalização, a legislação civil  não  proíbe  que  os  professores  especialistas  participem  das  atividades desenvolvidas pela SCP;  Se  a  autoridade  lançadora  tivesse  aplicado  o  modelo  de  tributação  com  base  no  lucro  real  teria  apurado  um  resultado  negativo,  tratando­se“evidentemente,  de  mais  um  excesso  que  deve ser prontamente corrigido por essa DRJ.”  Que a multa qualificada fere os princípios da razoabilidade e da  proporcionalidade  e  deve  ser  afastada  tendo  em  vista  a  inexistência de qualquer das hipóteses previstas nos arts. 71 a 73  da Lei nº 4.502/64;  Que  a  multa  isolada  não  pode  ser  aplicada  por  encontrar­se  revogada  após  a  conversão  da  MP  nº  351/07  na  Lei  nº  11.488/07;  Que os juros isolados são descabidos por serem devidos apenas  sobre o crédito tributário pago após ao vencimento.  Ao final, defende que a impugnação seja considerada procedente  e  solicita  autorização  de  juntada  posterior  de  documentos  e  provas necessários.  Responsáveis  solidários  Vicente  Paulo  das  Graças  Pereira  e  José Jayme Moraes Júnior  Fl. 1333DF CARF MF     6 Em  relação  ao  mérito,  ambos  os  responsáveis  arrolados  utilizam­se  dos  mesmos  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo e, complementarmente, defendem que a responsabilidade  solidária  a  eles  atribuída  deve  ser  afastada  com  base  nas  seguintes afirmações:  Incompetência  da  fiscalização  para  atribuição  de  responsabilidade  solidária  por  se  tratar  de  competência  exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional;  Inexistência de sujeição passiva com base tanto no art. 124, inc I  do CTN como no art. 135, inc. III da mesma norma;  Que, ao utilizar um e­mail enviado por um dos sócios da Ponto  On­Line  a  um  professor  especialista  desligado  do  quadro  de  profissionais  como  evidência  de  prática  de  atos  de  gestão,  a  autoridade  lançadora  estaria  confundindo  trato  social  com  administração ou gerência;  Que  o  depoimento  de  Jean  de  Figueiredo  Cronemberger  não  possui validade pois durante o período fiscalizado o depoente já  não  pertencia  ao  quadro  societário  da  autuada,  além  de  ter  deixado a sociedade em decorrência de grave desavença com o  impugnante Vicente Paulo das Graças Pereira;  Que os sócios, por serem auditores fiscais, têm conhecimento da  legislação e da  limitação contida no art. 117,  inc. X, da Lei nº  8.112/90;  Que  o  mero  inadimplemento  de  obrigação  fiscal  não  constitui  infração  legal  para  os  fins  de  responsabilização  pessoal  dos  administradores;  Ao  final,  solicitam  o  acolhimento  integral  das  impugnações  no  sentido  de  afastar  a  responsabilidade  solidária  e,  subsidiariamente, no caso de entendimento contrário, que todos  os argumentos trazidos na  impugnação apresentada pela Ponto  sejam  considerados,  cancelando­se  os  créditos  tributários  em  litígio.  Voto  As  impugnações  apresentadas  são  tempestivas  e  atendem  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  nº  70.235, de 6 de março de 1972, norma que disciplina o processo  administrativo fiscal.  Do lançamento  A  impugnante  defende  que  os  Autos  de  Infração  devem  ser  cancelados pois os valores pagos aos professores apresentavam  todas  as  características  de  distribuição  de  lucro  e  que  as  sociedades  em conta de participação por  ela  constituídas eram  verdadeiras  sociedades  empresárias,  nas  quais  haveria  “efetivamente  a chamada affectio  societatis,  isto é,  a  conjunção  de  esforços  econômicos  pelos  sócios  e,  especialmente,  a  assunção  compartilhada  dos  riscos  decorrentes  da  atividade  econômica.”  Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.324          7 Nos  autos,  está  exposto  o modus  operandi  das  SCPs:  a  Ponto  On­Line  (sócia  ostensiva)  celebra  os  contratos  com  os  professores especialistas, vende os cursos e materiais, realiza a  cobrança, recolhe os tributos e assume a parte negocial perante  terceiros.  Por  outro  lado,  os  sócios  participantes  da  sociedade  conta  participação  “desenvolvem  o  conteúdo  das  aulas  sob  medida para o portal online.”  A sócia ostensiva, depois de subtrair custos e despesas  sobre a  receita  auferida,  paga  diretamente  aos  sócios  participantes  valores  a  título  de  lucros,  de  acordo  com  o  volume  e  a  modalidade de serviço prestado individualmente por este sócio.  Neste  ponto,  evidencia­se  uma  questão:  o  montante  da  remuneração do sócio participante depende, principalmente, de  sua produção, e não do seu investimento na SCP. Aliás, a defesa  confirma que os rendimentos individuais dos sócios participantes  eram  apurados  mensalmente  de  acordo  com  o  volume  de  trabalho  e  pagos  no  mês  seguinte.  Dessa  forma,  os  valores  repassados  não  podem  ser  classificados  como  lucros  distribuídos.  De  plano,  é  possível  inferir  que  a  conta  de  participação,  por  suas  características,  constitui  muito  mais  uma  “parceria  em  investimento”  do  que  propriamente  uma  sociedade. As  pessoas  participantes entregam recursos ao sócio ostensivo que, atuando  isoladamente  perante  terceiros,  deverá  executar  o  investimento  objeto da conta de participação.  Após ter praticado a atividade objeto, o sócio ostensivo apura e  recolhe  os  tributos  incidentes  sobre  a  atividade,  quantifica  os  ganhos  ou  perdas  e,  por  fim,  presta  contas  aos  sócios  participantes.  Ocorre  que,  ao  contrário  do  exposto  acima,  o  trabalho  executado pelos sócios participantes é o gerador de receitas em  decorrência dos contratos firmados pelo sócio ostensivo, ou seja,  o  sucesso  do  empreendimento  (SCP)  depende,  fundamentalmente,  da  atividade  desenvolvida  pelos  sócios  participantes e não pelo sócio ostensivo, que deveria exercer a  atividade objeto da SCP.  Também não procedem as alegações da  impugnante no sentido  de  que  as  SCP  em  análise  são  sociedades  e  possuem  todos  os  atributos previstos no art. 981 do Código Civil pois, observando­ se  as  regras  previstas  para  as  sociedades  simples,  pode­se  considerá­las aplicáveis às SCP desde que não sejam contrárias  a  sua  própria  natureza  jurídica  enquanto  sociedade  de  investimento, onde os sócios participantes entregam recursos ao  ostensivo  a  fim  de  que  este,  de  forma  exclusiva  e  isolada,  empreenda e, posteriormente, retorne lucros aos investidores.  A defesa argumenta que não existe “qualquer desvirtuamento do  instituto  da  SCP”  e  a  desconsideração  dessa  natureza  jurídica  seria indevida e ilegal. Ocorre que, efetivamente, a ação do fisco  não está desconsiderando a natureza jurídica e nem invalidando  Fl. 1335DF CARF MF     8 a existência formal da SCP. Seu objetivo é unicamente buscar a  verdade  material,  para  se  determinar  os  atos  realmente  ocorridos, e não aqueles aparentes, ou de fachada. No presente  caso, o objetivo é a identificação da efetiva natureza jurídica dos  valores pagos aos sócios participantes.  Quanto à alegação de a SCP apresentar resultado negativo e o  sócio participante  ser chamado a  repor a perda, a  impugnante  não  junta  aos  autos  nenhum documento  comprovando o  aporte  feito pelo sócio participante ao projeto que apresentou resultado  negativo.  Ainda,  a  interessada  cita  em  sua  defesa  o  art.  129  da  Lei  nº  11.196/05,  que  determina  que  a  prestação  de  serviços  intelectuais sujeita­se à legislação aplicável às pessoas jurídicas.  Entretanto,  trata­se  de  previsão  legal  aplicável  aos  negócios  jurídicos em conformidade com a verdade material, não podendo  ser invocada no caso em questão.  A  impugnante  entende  que  a  autoridade  fiscal  teria  desconsiderado  a  personalidade  jurídica  da  sociedade  em  função  do  parágrafo  único  do  art.  116  do  CTN.  Ocorre  que,  como  se  verifica no Termo de Verificação Fiscal,  a autoridade  administrativa não se valeu do citado artigo. Lastreando­se em  informações  sempre  acompanhadas  de  documentos  e  provas,  desconsiderou os negócios com base no art. 149 do CTN pois os  professores  especialistas  eram,  na  verdade,  prestadores  de  serviços da Ponto On­line e, dessa  forma, considerou os  lucros  distribuídos  pelas  SCP  como  remuneração  por  serviços  prestados.  Em  seguida,  a  defesa  argumenta  que  o  lançamento  deve  ser  considerado  improcedente  pois  a  fiscalização  teria  efetuado  o  lançamento  com  base  no  lucro  presumido  ao  passo  que,  se  a  apuração  tivesse sido  feita com base no  lucro real, o  resultado  obtido  seria negativo  e não haveria, conseqüentemente,  IRPJ a  pagar.  Entretanto,  convém  esclarecer  que  a  autoridade  lançadora  não  escolheu  a  opção  mais  vantajosa  para  o  fisco.  Nos termos do art. 13, § 1, da Lei nº 9.718/9, trata­se de opção  irretratável  realizada  pelo  próprio  contribuinte,  conforme  se  verifica no Termo de Verificação Fiscal:  Foi  escolhido  como  forma  de  tributação  nos  anos­calendário  2012, 2013 e 2014 o Lucro Presumido, conforme Declarações de  Informação  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica­DIPJ  e  Escrituração Contábil Fiscal­ECF. Consequentemente o PIS e a  COFINS  são  tributados no  regime cumulativo,  conforme artigo  2' da lei 9.718/98 combinado com o artigo 8' da lei 10.637/2002  (Pis) e o artigo 10 da lei 10.833/2003 (Cofins).  Finalmente,  quanto  ao  argumento  de  que  os  mesmos  depoimentos  foram  utilizados  para  embasar  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  e  de  que  “o  Fisco  sequer  conseguiu  obter  provas  adicionais  que  justificassem  suas  alegações”,  tem  razão  a  impugnante  ao  alegar  que  os mesmos  depoimentos fundamentaram os lançamentos nos dois processos.  E  nem  poderia  ser  diferente  já  que  a  prática  adotada  pela  sociedade  afastou  ou  reduziu  a  cobrança  tanto  do  IRPJ  como  Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.325          9 das  contribuições  previdenciárias  e  do  IRRF. Entretanto,  esses  depoimentos não foram os únicos a motivar o lançamento já que  foram  acompanhados  de  provas  e  indícios  adicionais  como  já  visto anteriormente.  Da multa qualificada  Conforme texto legal, a aplicação da multa qualificada de 150%  está  relacionada  à  ocorrência  das  circunstâncias  previstas  nos  artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64:  Art  .  71.  Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  No Termo de Verificação Fiscal, os argumentos e fatos expostos  evidenciam  muito  robustamente  a  existência  de  planejamento  tributário  visando  diminuir  ou  suprimir  o  recolhimento  de  tributos.  Sendo  assim,  da  legislação  acima  e  do  conjunto  probatório  constante  dos  autos,  pode­se  concluir  que,  comprovada  a  prática  dolosa  da  empresa  de  remunerar  os  sócios participantes na forma de distribuição de lucros quando,  na verdade, se tratava de remuneração decorrente da prestação  de serviços, é cabível a aplicação da multa qualificada.  Quanto aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade  aos quais a contribuinte se refere em sua peça  impugnatória, é  importante  esclarecer  que  as  instâncias  administrativas  de  julgamento não detêm competência para apreciar alegações da  natureza  da  acima  aventadas,  pois  tal  competência  é  atribuída  privativamente  ao  Poder  Judiciário,  nos  termos  do  art.  102,  I,  “a” e III, “b” da Constituição Federal. Além disso, não se pode,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  deixar  de  aplicar  as  normas cuja validade está  sendo questionada pela autuada, em  observância  ao  artigo  142,  parágrafo  único,  do  Código  Tributário Nacional – CTN.  Da multa isolada  Fl. 1337DF CARF MF     10 Não  procede  a  alegação  de  que  a  multa  isolada  pela  falta  de  retenção/recolhimento  do  IRRF,  fixada  pelo  art.  9º  da  Lei  nº  10.426/2002, tenha sido revogada pela MP nº 351/2007, que foi  convertida na Lei nº 11.488/2007.  Antes da edição da MP, a redação do art. 9º da Lei nº 10.426/02  era a seguinte:  Art. 9º. Sujeita­se às multas de que tratam os incisos I e II do art.  44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora  obrigada  a  reter  tributo  ou  contribuição,  no  caso  de  falta  de  retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  independentemente  de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Tal  dispositivo  previa  a  aplicação  de  multa  de  ofício  em  duas  situações específicas:  1.  No  caso  da  fonte  pagadora  obrigada  a  reter  tributo  não  adotar tal providência ou, assim procedendo, deixar de recolhê­ lo;  2. No caso da fonte pagadora obrigada a reter tributo, recolhê­ lo em atraso sem o acréscimo de multa de mora.  O  legislador,  ao  invés  de  fixar  já  no  referido  dispositivo  o  percentual  da  multa  a  ser  aplicada,  entendeu  por  bem  fazer  referência  à  multa  de  ofício  prevista  no  art.  44,  I  da  Lei  nº  9.430/96, a fim de utilizar o percentual previsto neste dispositivo.  Com  o  advento  da  MP  nº  351/2007,  convertida  na  Lei  nº  11.488/2007, especificamente de seu art. 16, o art. 9º da Lei nº  10.426/2002  sofreu  alteração  em  sua  redação,  consoante  transcrito a seguir:  Art. 9º Sujeita­se à multa de que trata o inciso I do caput do art.  44  da  Lei  nº9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicada  na  forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada  a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou  recolhimento,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  Comparando­se as duas redações do art. 9º, original e alterada,  verifica­se que  a  única modificação ocorrida  foi  a  exclusão  da  hipótese  de  exigência  de  multa  isolada  no  caso  da  fonte  pagadora efetuar o recolhimento em atraso sem o acréscimo de  multa  de  mora.  Tal  alteração  está  em  consonância  com  a  modificação procedida pelo art. 14 da mesma MP no art. 44 da  Lei  nº  9.430/96,  que  revogou  a  multa  pelo  recolhimento  de  tributos em atraso sem multa de mora.  Dos juros isolados  A autuada rebate a aplicação de juros isolados informando que  sua incidência se dá apenas sobre os tributos em atraso e, como  a  responsabilidade  pelo  imposto  de  renda  que  deveria  ter  sido  retido passa a ser do beneficiário do rendimento, na perspectiva  da  fonte  pagadora  não  haveria  atraso,  já  que  inexigível  a  obrigação correspondente.  Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.326          11 Nesse  contexto,  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  1,  de  2002,  esclarece  que,  constatada  a  falta  de  retenção  do  imposto  que  tiver  a  natureza  de  antecipação,  após  a  data  fixada  para  a  entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física,  serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de  mora  isolados,  calculados  desde  a  data  prevista  para  recolhimento do  imposto que deveria  ter  sido  retido até a data  fixada para a entrega da declaração de ajuste anual.  [...]  IRRF.  ANTECIPAÇÃO  DO  IMPOSTO  APURADO  PELO  CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE.  Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do  imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da  fonte  pagadora  pela  retenção  e  recolhimento  do  imposto  extingue­se,  no  caso  de  pessoa  física,  no  prazo  fixado  para  a  entrega  da  declaração  de  ajuste  anual,  e,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  na  data  prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal estimado ou anual.  IRRF.  ANTECIPAÇÃO  DO  IMPOSTO  APURADO  PELO  CONTRIBUINTE.  Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza  de  antecipação,  antes  da  data  fixada  para  a  entrega  da  declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da  data prevista para o encerramento do período de apuração em  que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  serão  exigidos  da  fonte  pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora.  Verificada  a  falta  de  retenção  após  as  datas  referidas  acima  serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de  mora  isolados,  calculados  desde  a  data  prevista  para  recolhimento do  imposto que deveria ter sido retido até a data  fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de  pessoa  física,  ou,  até  a  data  prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica;  exigindo­se  do  contribuinte  o  imposto,  a  multa  de  ofício  e  os  juros  de  mora,  caso  este  não  tenha  submetido  os  rendimentos à tributação. (grifei)  Portanto,  não  merece  reparo  o  lançamento  de  juros  isolados  pela falta de retenção do imposto de renda na fonte.  Da  alegação  de  incompetência  de  atribuição  de  responsabilidade solidária  Ambos  os  impugnantes  defendem  a  nulidade  dos  Termos  de  Sujeição Passiva sob alegação de que se  trata de atribuição de  competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional:  Fl. 1339DF CARF MF     12 “Isso porque, como o artigo 135, do CTN, como regra geral, não  define  um  sujeito  passivo  para  o  crédito  tributário  e  somente  trata do deslocamento da situação de devedor para um terceiro,  seria possível atribuir qualquer responsabilidade ao Requerente  pelo  débito  lançado  contra  a  PONTO  apenas  em  sede  de  execução fiscal”.  Citam os acórdãos CARF 1101­000.513, de 03/08/2011, e 1101­ 000.578, de 15./09/2011, transcritos a seguir:  “RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  ­  IMPUTAÇÃO.  A  lavratura do Auto de Infração não é o momento oportuno para  decidir a respeito do cabimento da execução a ser proposta junto  ao  possível  responsável  solidário. A  competência  para  análise  da  imputação  de  responsabilidade  solidária  é  do  órgão  administrativo  responsável  pela  execução  fiscal,  no  caso  a  Procuradoria da Fazenda Nacional.” (Acórdão 1101­ 000.513,  de 3.8.2011 – não destacado no original)  “TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NULIDADE  —  Compete  exclusivamente  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  nos  casos  da  responsabilidade  prevista  nos  artigos  128  a  138  do  CTN,  imputar  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceiro,  no  bojo  da  cobrança  executiva.  A  imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula  por  sua  incompetência  para  praticar  tal  ato.”  (Acórdão  1101­ 000.578, de 15.9.2011 – não destacado no original)  Em  relação  às  decisões  acima,  convém  esclarecer,  preliminarmente,  que  os  julgados,  sejam  eles  judiciais  ou  administrativos,  apenas  vinculam  os  julgadores  de  1ª  instância  nas situações expressamente previstas na legislação.  No caso  em questão, a  responsabilidade  solidária  foi  atribuída  no  momento  do  lançamento  nos  termos  do  art.  135  do  CTN  combinado  com  o  art.  2º  da  Portaria  RFB  nº  2.284/2010,  transcritos a seguir, e não se confunde com a etapa de execução  da cobrança realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional,  disciplinada pela Lei nº .830/80.  CTN  ­  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  Portaria RFB nº  2.284/2010  ­  Art.  2º Os Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  na  formalização  da  exigência,  deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito  tributário,  identificarem  hipóteses  de  pluralidade  de  sujeitos  passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos  responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.  Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.327          13 §  1º  A  autuação  deverá  conter  a  descrição  dos  fatos  e  o  enquadramento  legal  das  infrações  apuradas  e  do  vínculo  de  responsabilidade.  § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado  de Procedimento Fiscal para os responsáveis.  Diante  do  exposto  verifica­se  que,  ao  contrário  do  alegado,  a  autoridade  fiscal  possui  não  só a  competência  como  também o  dever de identificar e arrolar todos os responsáveis pelo crédito  tributário no momento do lançamento.  Da responsabilidade solidária  Os  impugnantes  alegam  que  não  podem  ser  incluídos  automaticamente como responsáveis solidários pelo simples fato  de serem sócios da autuada, que a fiscalização não obteve êxito  em comprovar qualquer prática de atos de gestão, muito menos  com  excesso  de  poderes  e  infração  a  lei,  contrato  ou  estatuto  social e que o depoimento de Jean de Figueiredo Cronemberger  não  possui  validade  pois,  durante  o  período  fiscalizado,  o  depoente já não pertencia ao quadro societário da autuada, além  de ter deixado a sociedade em decorrência de grave desavença  com o impugnante Vicente Paulo das Graças Pereira.  Argumentam que, ao utilizar um e­mail enviado pelo sócio José  Jayme Moraes  Júnior a um professor  especialista desligado do  quadro  de  profissionais  como  evidência  de  prática  de  atos  de  gestão, a autoridade lançadora estaria confundindo trato social  com administração ou gerência.  Defendem que tanto no art. 124, inc. I, como no art. 135, inc. III,  do  CTN  prevêem  a  “necessidade  de  comprovação  de  fato  jurídico  tributário, distinto da ocorrência do  fato gerador, capaz  de  permitir  a  inclusão  dos  sócios  no  pólo  passivo  da  relação  jurídico  tributária” e  que  o mero  inadimplemento  de  obrigação  fiscal  não  constitui  infração  legal  para  os  fins  de  responsabilização pessoal dos administradores.  Esclarecem que, por  serem auditores  fiscais,  têm conhecimento  da legislação e da limitação contida no art. 117, inc. X, da Lei nº  8.112/90  e  que  a  “não  declaração  na  GFIP  dos  dados  correspondentes às contribuições previdenciárias” não pode ser  utilizada como fundamentação para o lançamento de Imposto de  Renda.  No  caso  em  tela,  ambos  os  sócios  não  participavam,  formalmente,  da  administração  da  autuada.  E  nem  poderiam:  por  serem  servidores  públicos  federais,  são  proibidos  de  participar  de  gerência  ou  administração  de  sociedade  privada,  nos  termos  do  art.117,  inc.  X,  da  Lei  nº  8.112/90.  Entretanto,  verifica­se  que  há  nos  autos  evidências  suficientes  para  demonstrar  que,  na  realidade,  os  impugnantes  exerciam,  à  época, papel ativo na condução e na manutenção da sociedade  empresária.  Fl. 1341DF CARF MF     14 Pode­se  chegar  a  esse  convencimento  em  decorrência  dos  inúmeros  depoimentos  trazidos  a  termo  pela  fiscalização,  conforme trechos transcritos a seguir:  Anabelle Vieira Denega ­ administradora  (...) QUE,  como  administradora,  pode  tomar  todas  as  decisões  da empresa com base em parâmetros pré­determinados desde a  sua  contratação;  QUE  situações  novas  são  decididas  pela  depoente  e,  se  necessário,  são  submetidas  à  apreciação  dos  proprietários  da  empresa  (...)  QUE  os  contratos  seguem  os  padrões  prédefinidos  e,  em  caso  de  alguma  especificidade,  desconhece o tratamento a ser dado (...)  Jean de Figueiredo Cronemberger – ex­sócio  (...) QUE, quem tomava as decisões da empresa, de  fato, era o  sócio majoritário Sr. Vicente Paulo (...)  Marcos Henrique Girão da Silva – professor especialista  (...)  QUE  foi  contatado  inicialmente  pelo  coordenador  do  PONTO,  Sr.  Moraes  Júnior,  com  quem  mantinha  todos  os  relacionamentos  inerentes  ao  lançamento  de  cursos  e  organização pedagógica até a sua saída (...)  O impugnante Vicente Paulo das Graças Pereira defende que o  depoimento  de  Jean  de  Figueiredo  Cronemberger  não  possui  validade pois, durante o período  fiscalizado, o depoente  já não  pertencia ao quadro societário da autuada, além de ter deixado  a  sociedade  em  decorrência  de  grave  desavença  com  o  interessado. Ocorre que esses argumentos não podem ser aceitos  pois,  em  primeiro  lugar,  ainda  que  não  pertencesse  mais  à  sociedade,  as  informações  relativas  ao  funcionamento  da  sociedade  são  válidas  por  demonstrar  uma  sistemática  que  se  prolonga no tempo. Já em relação à alegada desavença, convém  destacar  que,  conforme  se  verifica  na  fl.  428,  o  depoente  foi  devidamente cientificado de que a prestação de declaração falsa  constitui crime, nos termos da Lei nº 8.137/90. Válidas, portanto,  as declarações por ele prestadas.  Em que pesem as alegações apresentadas, não foi o depoimento  acima o motivo principal que levou à inclusão dos impugnantes  no  pólo  passivo  em  questão.  Merece  destaque  o  fato  de  que,  tanto  a  antiga  administradora,  Cleonice Maria  de  Oliveira  da  Silva Borges  de  Souza,  como  a  atual,  Anabelle  Vieira Denega,  ao  serem  intimadas  para  comparecer  pessoalmente  e  prestar  esclarecimentos  e  informações,  declararam  não  ter  “preparo  contábil/tributário  para  esclarecer,  de  forma  adequada  e  elucidativa,  eventuais  indagações  necessárias  àquela  fiscalização”  e  solicitaram  que  as  indagações  fossem  “formalizadas  em  Termo  de  Esclarecimentos,  intimando­se  a  efetiva  fiscalizada  para  responder  as  dúvidas  dos  dignos  Auditores.”    Se  as  intimadas  fossem,  de  fato,  as  reais  administradoras  da  sociedade, não  teriam nenhuma dificuldade em prestar  todo o  tipo  de  esclarecimento  necessário  ao  andamento  do  procedimento fiscal.  Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.328          15 Além disso, o depoente Marcos Girão apresentou um e­mail no  qual  o  sócio  José  Jayme  Moraes  Júnior  não  trata  apenas  de  relacionamento  social  e  sim  de  assuntos  diretamente  relacionados ao contrato firmado com o depoente:  "Prezado Marcos,  Primeiramente, agradeço por  todo o  tempo que permaneceu no  Ponto,  pelo  seu  comprometimento  e  dedicação. Desejo  sucesso  em sua nova empreitada.  Quanto  ao  pagamento  dos  cursos  em  andamento,  seguem  o  mesmo padrão, ou seja, serão pagos da mesma maneira que os  anteriores.  Quanto ao Ponto +, solicitarei ao Igor que apague todas as suas  questões  do  banco  de  dados.  Não  precisa  mais  cadastrar  nenhuma.  Como  você  bem  sabe,  no  Ponto,  sempre  solicitamos  exclusividade. Como vai tocar outro projeto, não há sentido em  te manter com questões no Ponto +.  Oi,  Igor,  Por  favor,  peça  ao  Neirivan  que  delete  todas  as  questões de Legislação de Trânsito e de Segurança Corporativa  do banco de questões. Vamos precisar de outro professor".  Verifica­se  que  as  provas  apresentadas  demonstram que  houve  participação dos sócios na gerência da empresa.  Acrescente­se  que,  ao  contrário  do  alegado,  o  que  levou  à  responsabilização dos  sócios não  foi a  simples  inadimplência e  sim a prática de atos com simulação, fraude e dolo.  Quanto  ao  enquadramento  da  responsabilidade  solidária  nos  arts.  124,  I,  e  135,  inc.  III  do  CTN,  verifica­se  que  o  procedimento fiscal descreveu circunstâncias que não se limitam  ao  mero  interesse  econômico  no  resultado  e  evidenciaram  a  participação conjunta dos sócios na concepção e manutenção do  modelo  adotado  pela  Ponto  On­Line.  Cabível,  portanto,  a  inclusão dos interessados no pólo passivo em questão com base  em  ambos  os  fundamentos  legais,  seja  pelo  interesse  comum,  seja pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de  lei, contrato social ou estatutos.    Não cabe, portanto, o afastamento da responsabilidade solidária  atribuída  a  Vicente  Paulo  das  Graças  Pereira  e  José  Jayme  Moraes Júnior.  Da apresentação posterior de manifestação e provas  A  interessada  solicita  que  lhe  seja  autorizada  a  “juntada  posterior  de  documentos  que  possam  ser  necessários”.  A  esse  respeito, cumpre registrar o art. 16 do Decreto n º 70.235, de 6  de março de 1972, determina que a impugnação deve conter os  motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir. Além disso, esse  mesmo  artigo  determina  que  a  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  Fl. 1343DF CARF MF     16 impugnante fazê­lo em outro momento processual, ao menos que  essa  nova  manifestação  ocorra  em  decorrência  dos  motivos  expostos em seu §4º.  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  voto  pela  improcedência  da  impugnação,  mantendo  na  íntegra  o  crédito  tributário  impugnado  e  a  responsabilidade  solidária  atribuída  aos  sócios  Vicente  Paulo  das Graças Pereira e José Jayme Moraes Júnior."  Cientificada da decisão do acórdão da DRJ, a Contribuinte e os responsáveis  solidários  interpõem  recurso  voluntário,  no  qual  repetem  a  argumentação  apresentada  nas  Impugnações,  ora  transcritas  na  decisão  recorrida  e  que  foram  devidamente  apreciadas  pela  instância de piso.    Voto Vencido  Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano  Preenchidos  os  requisitos  de  admissibilidade  dos  Recursos  Voluntários  apresentado, deles conheço.  Como  relatoriado,  a Fiscalização  descaracterizou  a  sociedade  em conta de  participação entre a Recorrente e as várias outras  sociedades  (sócios participantes), no caso  tratavam­se  de  centenas  de  pessoas  físicas  (professores),  por  entender  que  os  pressupostos  inerentes a este  tipo de sociedade não foram observados e/ou por estar em desacordo com as  regras deste instituto.  Cientificada da decisão do acórdão da DRJ, a Contribuinte e os responsáveis  solidários  interpõem  recurso  voluntário,  no  qual  repetem  a  argumentação  apresentada  nas  Impugnações, ora transcritas na decisão recorrida, então apreciadas por aquela instância.  Em assim  sendo, de  se  utilizar  a  faculdade prevista ao Conselheiro Relator  nos termos do parágrafo 3 do art.57 do Regimento Interno do CARF:   Art.57.  Em  cada  sessão  de  julgamento  será  observada  a  seguinte ordem:  [...]  Parágrafo  1º.  A  ementa,  relatório  e  voto  deverão  ser  disponibilizados  exclusivamente  aos  conselheiros  do  colegiado,  previamente  ao  início  de  cada  sessão  de  julgamento  correspondente, em meio eletrônico.  [...]  2  A  exigência  do  Parágrafo  1º.  pode  ser  atendida  com  a  transcrição  da  decisão  de  primeira  instância,  se  o  relator  registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa  perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção  da decisão recorrida.  (Redação dada pela Portaria MF n. 329,  2017).  Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.329          17 Na  apreciação  da  questão,  o  acórdão  recorrido  mostrou­se  sólido  em  suas  conclusões e encontra­se adequadamente fundamentado. Portanto, adoto como minhas razões  de  decidir  a  decisão  recorrida,  pelos  seus  próprios  fundamentos,  cujo  voto  condutor  do  Acórdão transcrevo a seguir:  Voto  As  impugnações  apresentadas  são  tempestivas  e  atendem  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  nº  70.235, de 6 de março de 1972, norma que disciplina o processo  administrativo fiscal.  Do lançamento  A  impugnante  defende  que  os  Autos  de  Infração  devem  ser  cancelados pois os valores pagos aos professores apresentavam  todas  as  características  de  distribuição  de  lucro  e  que  as  sociedades  em conta de participação por  ela  constituídas eram  verdadeiras  sociedades  empresárias,  nas  quais  haveria  “efetivamente  a chamada affectio  societatis,  isto é,  a  conjunção  de  esforços  econômicos  pelos  sócios  e,  especialmente,  a  assunção  compartilhada  dos  riscos  decorrentes  da  atividade  econômica.”  Nos  autos,  está  exposto  o modus  operandi  das  SCPs:  a  Ponto  On­Line  (sócia  ostensiva)  celebra  os  contratos  com  os  professores especialistas, vende os cursos e materiais, realiza a  cobrança, recolhe os tributos e assume a parte negocial perante  terceiros.  Por  outro  lado,  os  sócios  participantes  da  sociedade  conta  participação  “desenvolvem  o  conteúdo  das  aulas  sob  medida para o portal online.”  A sócia ostensiva, depois de subtrair custos e despesas  sobre a  receita  auferida,  paga  diretamente  aos  sócios  participantes  valores  a  título  de  lucros,  de  acordo  com  o  volume  e  a  modalidade de serviço prestado individualmente por este sócio.  Neste  ponto,  evidencia­se  uma  questão:  o  montante  da  remuneração do sócio participante depende, principalmente, de  sua produção, e não do seu investimento na SCP. Aliás, a defesa  confirma que os rendimentos individuais dos sócios participantes  eram  apurados  mensalmente  de  acordo  com  o  volume  de  trabalho  e  pagos  no  mês  seguinte.  Dessa  forma,  os  valores  repassados  não  podem  ser  classificados  como  lucros  distribuídos.  De  plano,  é  possível  inferir  que  a  conta  de  participação,  por  suas  características,  constitui  muito  mais  uma  “parceria  em  investimento”  do  que  propriamente  uma  sociedade. As  pessoas  participantes entregam recursos ao sócio ostensivo que, atuando  isoladamente  perante  terceiros,  deverá  executar  o  investimento  objeto da conta de participação.  Após ter praticado a atividade objeto, o sócio ostensivo apura e  recolhe  os  tributos  incidentes  sobre  a  atividade,  quantifica  os  Fl. 1345DF CARF MF     18 ganhos  ou  perdas  e,  por  fim,  presta  contas  aos  sócios  participantes.  Ocorre  que,  ao  contrário  do  exposto  acima,  o  trabalho  executado pelos sócios participantes é o gerador de receitas em  decorrência dos contratos firmados pelo sócio ostensivo, ou seja,  o  sucesso  do  empreendimento  (SCP)  depende,  fundamentalmente,  da  atividade  desenvolvida  pelos  sócios  participantes e não pelo sócio ostensivo, que deveria exercer a  atividade objeto da SCP.  Também não procedem as alegações da  impugnante no sentido  de  que  as  SCP  em  análise  são  sociedades  e  possuem  todos  os  atributos previstos no art. 981 do Código Civil pois, observando­ se  as  regras  previstas  para  as  sociedades  simples,  pode­se  considerá­las aplicáveis às SCP desde que não sejam contrárias  a  sua  própria  natureza  jurídica  enquanto  sociedade  de  investimento, onde os sócios participantes entregam recursos ao  ostensivo  a  fim  de  que  este,  de  forma  exclusiva  e  isolada,  empreenda e, posteriormente, retorne lucros aos investidores.  A defesa argumenta que não existe “qualquer desvirtuamento do  instituto  da  SCP”  e  a  desconsideração  dessa  natureza  jurídica  seria indevida e ilegal. Ocorre que, efetivamente, a ação do fisco  não está desconsiderando a natureza jurídica e nem invalidando  a existência formal da SCP. Seu objetivo é unicamente buscar a  verdade  material,  para  se  determinar  os  atos  realmente  ocorridos, e não aqueles aparentes, ou de fachada. No presente  caso, o objetivo é a identificação da efetiva natureza jurídica dos  valores pagos aos sócios participantes.  Quanto à alegação de a SCP apresentar resultado negativo e o  sócio participante  ser chamado a  repor a perda, a  impugnante  não  junta  aos  autos  nenhum documento  comprovando o  aporte  feito pelo sócio participante ao projeto que apresentou resultado  negativo.  Ainda,  a  interessada  cita  em  sua  defesa  o  art.  129  da  Lei  nº  11.196/05,  que  determina  que  a  prestação  de  serviços  intelectuais sujeita­se à legislação aplicável às pessoas jurídicas.  Entretanto,  trata­se  de  previsão  legal  aplicável  aos  negócios  jurídicos em conformidade com a verdade material, não podendo  ser invocada no caso em questão.  A  impugnante  entende  que  a  autoridade  fiscal  teria  desconsiderado  a  personalidade  jurídica  da  sociedade  em  função  do  parágrafo  único  do  art.  116  do  CTN.  Ocorre  que,  como  se  verifica no Termo de Verificação Fiscal,  a autoridade  administrativa não se valeu do citado artigo. Lastreando­se em  informações  sempre  acompanhadas  de  documentos  e  provas,  desconsiderou os negócios com base no art. 149 do CTN pois os  professores  especialistas  eram,  na  verdade,  prestadores  de  serviços da Ponto On­line e, dessa  forma, considerou os  lucros  distribuídos  pelas  SCP  como  remuneração  por  serviços  prestados.  Em  seguida,  a  defesa  argumenta  que  o  lançamento  deve  ser  considerado  improcedente  pois  a  fiscalização  teria  efetuado  o  lançamento  com  base  no  lucro  presumido  ao  passo  que,  se  a  Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.330          19 apuração  tivesse sido  feita com base no  lucro real, o  resultado  obtido  seria negativo  e não haveria, conseqüentemente,  IRPJ a  pagar.  Entretanto,  convém  esclarecer  que  a  autoridade  lançadora  não  escolheu  a  opção  mais  vantajosa  para  o  fisco.  Nos termos do art. 13, § 1, da Lei nº 9.718/9, trata­se de opção  irretratável  realizada  pelo  próprio  contribuinte,  conforme  se  verifica no Termo de Verificação Fiscal:  Foi  escolhido  como  forma  de  tributação  nos  anos­calendário  2012, 2013 e 2014 o Lucro Presumido, conforme Declarações de  Informação  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica­DIPJ  e  Escrituração Contábil Fiscal­ECF. Consequentemente o PIS e a  COFINS  são  tributados no  regime cumulativo,  conforme artigo  2' da lei 9.718/98 combinado com o artigo 8' da lei 10.637/2002  (Pis) e o artigo 10 da lei 10.833/2003 (Cofins).  Finalmente,  quanto  ao  argumento  de  que  os  mesmos  depoimentos  foram  utilizados  para  embasar  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  e  de  que  “o  Fisco  sequer  conseguiu  obter  provas  adicionais  que  justificassem  suas  alegações”,  tem  razão  a  impugnante  ao  alegar  que  os mesmos  depoimentos fundamentaram os lançamentos nos dois processos.  E  nem  poderia  ser  diferente  já  que  a  prática  adotada  pela  sociedade  afastou  ou  reduziu  a  cobrança  tanto  do  IRPJ  como  das  contribuições  previdenciárias  e  do  IRRF. Entretanto,  esses  depoimentos não foram os únicos a motivar o lançamento já que  foram  acompanhados  de  provas  e  indícios  adicionais  como  já  visto anteriormente.  Da multa qualificada  Conforme texto legal, a aplicação da multa qualificada de 150%  está  relacionada  à  ocorrência  das  circunstâncias  previstas  nos  artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64:  Art  .  71.  Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.  Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.  Fl. 1347DF CARF MF     20 No Termo de Verificação Fiscal, os argumentos e fatos expostos  evidenciam  muito  robustamente  a  existência  de  planejamento  tributário  visando  diminuir  ou  suprimir  o  recolhimento  de  tributos.  Sendo  assim,  da  legislação  acima  e  do  conjunto  probatório  constante  dos  autos,  pode­se  concluir  que,  comprovada  a  prática  dolosa  da  empresa  de  remunerar  os  sócios participantes na forma de distribuição de lucros quando,  na verdade, se tratava de remuneração decorrente da prestação  de serviços, é cabível a aplicação da multa qualificada.  Quanto aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade  aos quais a contribuinte se refere em sua peça  impugnatória, é  importante  esclarecer  que  as  instâncias  administrativas  de  julgamento não detêm competência para apreciar alegações da  natureza  da  acima  aventadas,  pois  tal  competência  é  atribuída  privativamente  ao  Poder  Judiciário,  nos  termos  do  art.  102,  I,  “a” e III, “b” da Constituição Federal. Além disso, não se pode,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  deixar  de  aplicar  as  normas cuja validade está  sendo questionada pela autuada, em  observância  ao  artigo  142,  parágrafo  único,  do  Código  Tributário Nacional – CTN.  Da multa isolada  Não  procede  a  alegação  de  que  a  multa  isolada  pela  falta  de  retenção/recolhimento  do  IRRF,  fixada  pelo  art.  9º  da  Lei  nº  10.426/2002, tenha sido revogada pela MP nº 351/2007, que foi  convertida na Lei nº 11.488/2007.  Antes da edição da MP, a redação do art. 9º da Lei nº 10.426/02  era a seguinte:  Art. 9º. Sujeita­se às multas de que tratam os incisos I e II do art.  44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora  obrigada  a  reter  tributo  ou  contribuição,  no  caso  de  falta  de  retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  independentemente  de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Tal  dispositivo  previa  a  aplicação  de  multa  de  ofício  em  duas  situações específicas:  1.  No  caso  da  fonte  pagadora  obrigada  a  reter  tributo  não  adotar tal providência ou, assim procedendo, deixar de recolhê­ lo;  2. No caso da fonte pagadora obrigada a reter tributo, recolhê­ lo em atraso sem o acréscimo de multa de mora.  O  legislador,  ao  invés  de  fixar  já  no  referido  dispositivo  o  percentual  da  multa  a  ser  aplicada,  entendeu  por  bem  fazer  referência  à  multa  de  ofício  prevista  no  art.  44,  I  da  Lei  nº  9.430/96, a fim de utilizar o percentual previsto neste dispositivo.  Com  o  advento  da  MP  nº  351/2007,  convertida  na  Lei  nº  11.488/2007, especificamente de seu art. 16, o art. 9º da Lei nº  10.426/2002  sofreu  alteração  em  sua  redação,  consoante  transcrito a seguir:  Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.331          21 Art. 9º Sujeita­se à multa de que trata o inciso I do caput do art.  44  da  Lei  nº9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicada  na  forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada  a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou  recolhimento,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  Comparando­se as duas redações do art. 9º, original e alterada,  verifica­se que  a  única modificação ocorrida  foi  a  exclusão  da  hipótese  de  exigência  de  multa  isolada  no  caso  da  fonte  pagadora efetuar o recolhimento em atraso sem o acréscimo de  multa  de  mora.  Tal  alteração  está  em  consonância  com  a  modificação procedida pelo art. 14 da mesma MP no art. 44 da  Lei  nº  9.430/96,  que  revogou  a  multa  pelo  recolhimento  de  tributos em atraso sem multa de mora.  Dos juros isolados  A autuada rebate a aplicação de juros isolados informando que  sua incidência se dá apenas sobre os tributos em atraso e, como  a  responsabilidade  pelo  imposto  de  renda  que  deveria  ter  sido  retido passa a ser do beneficiário do rendimento, na perspectiva  da  fonte  pagadora  não  haveria  atraso,  já  que  inexigível  a  obrigação correspondente.  Nesse  contexto,  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  1,  de  2002,  esclarece  que,  constatada  a  falta  de  retenção  do  imposto  que  tiver  a  natureza  de  antecipação,  após  a  data  fixada  para  a  entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física,  serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de  mora  isolados,  calculados  desde  a  data  prevista  para  recolhimento do  imposto que deveria  ter  sido  retido até a data  fixada para a entrega da declaração de ajuste anual.  [...]  IRRF.  ANTECIPAÇÃO  DO  IMPOSTO  APURADO  PELO  CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE.  Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do  imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da  fonte  pagadora  pela  retenção  e  recolhimento  do  imposto  extingue­se,  no  caso  de  pessoa  física,  no  prazo  fixado  para  a  entrega  da  declaração  de  ajuste  anual,  e,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  na  data  prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em  que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal estimado ou anual.  IRRF.  ANTECIPAÇÃO  DO  IMPOSTO  APURADO  PELO  CONTRIBUINTE.  Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza  de  antecipação,  antes  da  data  fixada  para  a  entrega  da  declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da  data prevista para o encerramento do período de apuração em  que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado  Fl. 1349DF CARF MF     22 ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica,  serão  exigidos  da  fonte  pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora.  Verificada  a  falta  de  retenção  após  as  datas  referidas  acima  serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de  mora  isolados,  calculados  desde  a  data  prevista  para  recolhimento do  imposto que deveria ter sido retido até a data  fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de  pessoa  física,  ou,  até  a  data  prevista  para  o  encerramento  do  período  de  apuração  em que  o  rendimento  for  tributado,  seja  trimestral,  mensal  estimado  ou  anual,  no  caso  de  pessoa  jurídica;  exigindo­se  do  contribuinte  o  imposto,  a  multa  de  ofício  e  os  juros  de  mora,  caso  este  não  tenha  submetido  os  rendimentos à tributação. (grifei)  Portanto,  não  merece  reparo  o  lançamento  de  juros  isolados  pela falta de retenção do imposto de renda na fonte.  Da  alegação  de  incompetência  de  atribuição  de  responsabilidade solidária  Ambos  os  impugnantes  defendem  a  nulidade  dos  Termos  de  Sujeição Passiva sob alegação de que se  trata de atribuição de  competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional:  “Isso porque, como o artigo 135, do CTN, como regra geral, não  define  um  sujeito  passivo  para  o  crédito  tributário  e  somente  trata do deslocamento da situação de devedor para um terceiro,  seria possível atribuir qualquer responsabilidade ao Requerente  pelo  débito  lançado  contra  a  PONTO  apenas  em  sede  de  execução fiscal”.  Citam os acórdãos CARF 1101­000.513, de 03/08/2011, e 1101­ 000.578, de 15./09/2011, transcritos a seguir:  “RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  ­  IMPUTAÇÃO.  A  lavratura do Auto de Infração não é o momento oportuno para  decidir a respeito do cabimento da execução a ser proposta junto  ao  possível  responsável  solidário. A  competência  para  análise  da  imputação  de  responsabilidade  solidária  é  do  órgão  administrativo  responsável  pela  execução  fiscal,  no  caso  a  Procuradoria da Fazenda Nacional.” (Acórdão 1101­ 000.513,  de 3.8.2011 – não destacado no original)  “TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NULIDADE  —  Compete  exclusivamente  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  nos  casos  da  responsabilidade  prevista  nos  artigos  128  a  138  do  CTN,  imputar  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceiro,  no  bojo  da  cobrança  executiva.  A  imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula  por  sua  incompetência  para  praticar  tal  ato.”  (Acórdão  1101­ 000.578, de 15.9.2011 – não destacado no original)  Em  relação  às  decisões  acima,  convém  esclarecer,  preliminarmente,  que  os  julgados,  sejam  eles  judiciais  ou  administrativos,  apenas  vinculam  os  julgadores  de  1ª  instância  nas situações expressamente previstas na legislação.  Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.332          23 No caso  em questão, a  responsabilidade  solidária  foi  atribuída  no  momento  do  lançamento  nos  termos  do  art.  135  do  CTN  combinado  com  o  art.  2º  da  Portaria  RFB  nº  2.284/2010,  transcritos a seguir, e não se confunde com a etapa de execução  da cobrança realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional,  disciplinada pela Lei nº .830/80.  CTN  "Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado".  Portaria RFB nº 2.284/2010  "Art.  2º Os Auditores­Fiscais  da Receita Federal  do Brasil,  na  formalização  da  exigência,  deverão,  sempre  que,  no  procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem  hipóteses  de  pluralidade  de  sujeitos  passivos,  reunir  as  provas  necessárias  para  a  caracterização  dos  responsáveis  pela  satisfação do crédito tributário lançado.  §  1º  A  autuação  deverá  conter  a  descrição  dos  fatos  e  o  enquadramento  legal  das  infrações  apuradas  e  do  vínculo  de  responsabilidade.  § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado  de Procedimento Fiscal para os responsáveis".  Diante  do  exposto  verifica­se  que,  ao  contrário  do  alegado,  a  autoridade  fiscal  possui  não  só a  competência  como  também o  dever de identificar e arrolar todos os responsáveis pelo crédito  tributário no momento do lançamento.  Da responsabilidade solidária  Os  impugnantes  alegam  que  não  podem  ser  incluídos  automaticamente como responsáveis solidários pelo simples fato  de serem sócios da autuada, que a fiscalização não obteve êxito  em comprovar qualquer prática de atos de gestão, muito menos  com  excesso  de  poderes  e  infração  a  lei,  contrato  ou  estatuto  social e que o depoimento de Jean de Figueiredo Cronemberger  não  possui  validade  pois,  durante  o  período  fiscalizado,  o  depoente já não pertencia ao quadro societário da autuada, além  de ter deixado a sociedade em decorrência de grave desavença  com o impugnante Vicente Paulo das Graças Pereira.  Argumentam que, ao utilizar um e­mail enviado pelo sócio José  Jayme Moraes  Júnior a um professor  especialista desligado do  Fl. 1351DF CARF MF     24 quadro  de  profissionais  como  evidência  de  prática  de  atos  de  gestão, a autoridade lançadora estaria confundindo trato social  com administração ou gerência.  Defendem que tanto no art. 124, inc. I, como no art. 135, inc. III,  do  CTN  prevêem  a  “necessidade  de  comprovação  de  fato  jurídico  tributário, distinto da ocorrência do  fato gerador, capaz  de  permitir  a  inclusão  dos  sócios  no  pólo  passivo  da  relação  jurídico  tributária” e  que  o mero  inadimplemento  de  obrigação  fiscal  não  constitui  infração  legal  para  os  fins  de  responsabilização pessoal dos administradores.  Esclarecem que, por  serem auditores  fiscais,  têm conhecimento  da legislação e da limitação contida no art. 117, inc. X, da Lei nº  8.112/90  e  que  a  “não  declaração  na  GFIP  dos  dados  correspondentes às contribuições previdenciárias” não pode ser  utilizada como fundamentação para o lançamento de Imposto de  Renda.  No  caso  em  tela,  ambos  os  sócios  não  participavam,  formalmente,  da  administração  da  autuada.  E  nem  poderiam:  por  serem  servidores  públicos  federais,  são  proibidos  de  participar  de  gerência  ou  administração  de  sociedade  privada,  nos  termos  do  art.117,  inc.  X,  da  Lei  nº  8.112/90.  Entretanto,  verifica­se  que  há  nos  autos  evidências  suficientes  para  demonstrar  que,  na  realidade,  os  impugnantes  exerciam,  à  época, papel ativo na condução e na manutenção da sociedade  empresária.  Pode­se  chegar  a  esse  convencimento  em  decorrência  dos  inúmeros  depoimentos  trazidos  a  termo  pela  fiscalização,  conforme trechos transcritos a seguir:  Anabelle Vieira Denega ­ administradora  (...) QUE,  como  administradora,  pode  tomar  todas  as  decisões  da empresa com base em parâmetros pré­determinados desde a  sua  contratação;  QUE  situações  novas  são  decididas  pela  depoente  e,  se  necessário,  são  submetidas  à  apreciação  dos  proprietários  da  empresa  (...)  QUE  os  contratos  seguem  os  padrões  prédefinidos  e,  em  caso  de  alguma  especificidade,  desconhece o tratamento a ser dado (...)  Jean de Figueiredo Cronemberger – ex­sócio  (...) QUE, quem tomava as decisões da empresa, de  fato, era o  sócio majoritário Sr. Vicente Paulo (...)  Marcos Henrique Girão da Silva – professor especialista  (...)  QUE  foi  contatado  inicialmente  pelo  coordenador  do  PONTO,  Sr.  Moraes  Júnior,  com  quem  mantinha  todos  os  relacionamentos  inerentes  ao  lançamento  de  cursos  e  organização pedagógica até a sua saída (...)  O impugnante Vicente Paulo das Graças Pereira defende que o  depoimento  de  Jean  de  Figueiredo  Cronemberger  não  possui  validade pois, durante o período  fiscalizado, o depoente  já não  pertencia ao quadro societário da autuada, além de ter deixado  Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.333          25 a  sociedade  em  decorrência  de  grave  desavença  com  o  interessado. Ocorre que esses argumentos não podem ser aceitos  pois,  em  primeiro  lugar,  ainda  que  não  pertencesse  mais  à  sociedade,  as  informações  relativas  ao  funcionamento  da  sociedade  são  válidas  por  demonstrar  uma  sistemática  que  se  prolonga no tempo. Já em relação à alegada desavença, convém  destacar  que,  conforme  se  verifica  na  fl.  428,  o  depoente  foi  devidamente cientificado de que a prestação de declaração falsa  constitui crime, nos termos da Lei nº 8.137/90. Válidas, portanto,  as declarações por ele prestadas.  Em que pesem as alegações apresentadas, não foi o depoimento  acima o motivo principal que levou à inclusão dos impugnantes  no  pólo  passivo  em  questão.  Merece  destaque  o  fato  de  que,  tanto  a  antiga  administradora,  Cleonice Maria  de  Oliveira  da  Silva Borges  de  Souza,  como  a  atual,  Anabelle  Vieira Denega,  ao  serem  intimadas  para  comparecer  pessoalmente  e  prestar  esclarecimentos  e  informações,  declararam  não  ter  “preparo  contábil/tributário  para  esclarecer,  de  forma  adequada  e  elucidativa,  eventuais  indagações  necessárias  àquela  fiscalização”  e  solicitaram  que  as  indagações  fossem  “formalizadas  em  Termo  de  Esclarecimentos,  intimando­se  a  efetiva  fiscalizada  para  responder  as  dúvidas  dos  dignos  Auditores.”    Se  as  intimadas  fossem,  de  fato,  as  reais  administradoras  da  sociedade, não  teriam nenhuma dificuldade em prestar  todo o  tipo  de  esclarecimento  necessário  ao  andamento  do  procedimento fiscal.  Além disso, o depoente Marcos Girão apresentou um e­mail no  qual  o  sócio  José  Jayme  Moraes  Júnior  não  trata  apenas  de  relacionamento  social  e  sim  de  assuntos  diretamente  relacionados ao contrato firmado com o depoente:  "Prezado Marcos,  Primeiramente, agradeço por  todo o  tempo que permaneceu no  Ponto,  pelo  seu  comprometimento  e  dedicação. Desejo  sucesso  em sua nova empreitada.  Quanto  ao  pagamento  dos  cursos  em  andamento,  seguem  o  mesmo padrão, ou seja, serão pagos da mesma maneira que os  anteriores.  Quanto ao Ponto +, solicitarei ao Igor que apague todas as suas  questões  do  banco  de  dados.  Não  precisa  mais  cadastrar  nenhuma.  Como  você  bem  sabe,  no  Ponto,  sempre  solicitamos  exclusividade. Como vai tocar outro projeto, não há sentido em  te manter com questões no Ponto +.  Oi,  Igor,  Por  favor,  peça  ao  Neirivan  que  delete  todas  as  questões de Legislação de Trânsito e de Segurança Corporativa  do banco de questões. Vamos precisar de outro professor".  Fl. 1353DF CARF MF     26 Verifica­se  que  as  provas  apresentadas  demonstram que  houve  participação dos sócios na gerência da empresa.  Acrescente­se  que,  ao  contrário  do  alegado,  o  que  levou  à  responsabilização dos  sócios não  foi a  simples  inadimplência e  sim a prática de atos com simulação, fraude e dolo.  Quanto  ao  enquadramento  da  responsabilidade  solidária  nos  arts.  124,  I,  e  135,  inc.  III  do  CTN,  verifica­se  que  o  procedimento fiscal descreveu circunstâncias que não se limitam  ao  mero  interesse  econômico  no  resultado  e  evidenciaram  a  participação  conjunta  dos  sócios na  concepção  e manutenção  do  modelo  adotado  pela  Ponto  On­Line.  Cabível,  portanto,  a  inclusão dos interessados no pólo passivo em questão com base  em  ambos  os  fundamentos  legais,  seja  pelo  interesse  comum,  seja pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de  lei, contrato social ou estatutos. GRIFEI  Não cabe, portanto, o afastamento da responsabilidade solidária  atribuída  a  Vicente  Paulo  das  Graças  Pereira  e  José  Jayme  Moraes Júnior.  Da apresentação posterior de manifestação e provas  A  interessada  solicita  que  lhe  seja  autorizada  a  “juntada  posterior  de  documentos  que  possam  ser  necessários”.  A  esse  respeito, cumpre registrar o art. 16 do Decreto n º 70.235, de 6  de março de 1972, determina que a impugnação deve conter os  motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir. Além disso, esse  mesmo  artigo  determina  que  a  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante fazê­lo em outro momento processual, ao menos que  essa  nova  manifestação  ocorra  em  decorrência  dos  motivos  expostos em seu §4º.  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  voto  pela  improcedência  da  impugnação,  mantendo  na  íntegra  o  crédito  tributário  impugnado  e  a  responsabilidade  solidária  atribuída  aos  sócios  Vicente  Paulo  das Graças Pereira e José Jayme Moraes Júnior."    Não  obstante  a  clareza  da  decisão  recorrida,  acrescento  algumas  considerações,  seja  para  ratificar  a  fundamentação  da  decisão  recorrida  ou  para  comentar,  adicionalmente, algumas questões.  No tópico relativo a qualificação da multa de ofício, no Recurso Voluntário  (item 127), a Recorrente apresenta uma tabela indicando os valores trimestrais do que seria o  seu  faturamento  nos  anos  de  2012,  2013  e  2014,  onde  procura  enfatizar  "a  correção  da  adoção do regime de tributação pelo lucro presumido", apontando os valores que teria pago,  representados na coluna tributos pagos, onde arremata que a adoção de SPC não teria sido por  economia tributária.   Reproduzo dados de um trimestre desta tabela, o 2º trimestre de 2012:  Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.334          27 Ano  Período de Apuração  Faturamento  Tributos Pagos  2012  2º trimestre de 2012  3.764.072,24  411.395,55  Este valor de faturamento encontra­se na planilha "Resumo do Faturamento",  às fls.110, ANEXO 5, às fls.103/104, onde mostra também os recolhimentos de IRPJ, mensais.  Para  este  2º  trimestre  de  2012,  consta  na  planilha  "Pagamentos  Efetuados  (DARFs)" ­ ANEXO 2, que foi recolhido a importância de R$ 89.296,43.  Veja  que  a  coluna  tributos  pagos  da  tabela  apresentada  no  recurso  não  discrimina  qual  seria  a  parcela  correspondente  ao  IRPJ  apurado  segundo  as  regras  do Lucro  Presumido, neste trimestre, e também para todos os outros.   Curioso  que  para  um  faturamento  de  R$  3.764.072,24,  trimestral,  foi  recolhido um IRPJ apurado sob as regras do lucro presumido, da ordem de R$ 89.296,43.  Do citado ANEXO 5, tem­se os valores mensais apurados de IRPJ. Vejamos  o apurado e recolhido referente ao 2º trimestre de 2012:  Mês/Ano  Receita Bruta  IRPJ  abril/2012  1.237.055,28   29.688,17  maio/2012  1.516.225,78   36.388,08  junho/2012  1.010.791,18   24.257,79  Total  3.764.072,24   90.334,04  Se aplicarmos 16% sobre a receita bruta e daí a alíquota aplicável de IRPJ,  de 15%, vamos encontrar os seguintes valores:   Receita Bruta  Base de Cálculo ­ 16%  IRPJ ­ 15%  1.237.055,28  197.928,84   29.689,32  1.516.225,78  242.596,12   36.389,41  1.010.791,18  161.726,58   24.258,98  IRPJ TOTAL   90.337,71  Foi  esta  a  apuração  efetivada  pela  Recorrente,  mas  porque  utilizou­se  do  percentual de 16% para determinação da base de cálculo do Lucro Presumido?   A aplicação deste percentual de 16% deve seguir as condições permitidas de  sua  utilização  no  parágrafo  4º  do  art.519  do  RIR/99,  contemplado  no  SUBTÍTULO  IV  ­  LUCRO PRESUMIDO:  Base de Cálculo  Fl. 1355DF CARF MF     28 Art.518. A base de cálculo do imposto e do adicional (art.541 e  542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação  do percentual de 8% sobre a receita bruta auferida no período  de apuração, observado o que dispõe o parágrafo 7º do art.240 e  demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art.15,  e Lei nº 9.430/96, de 1996, arts.1° e 25, e inciso I).  Art.519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera­ se receita bruta a definida no art.224 e seu parágrafo único.  Parágrafo 1º. Nas seguintes atividades, o percentual de que trata  este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art.15, parágrafo 1º)  [...]  III. trinta e dois por cento, para as atividades de :  a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares;  [...]  Parágrafo 4º. A base de cálculo trimestral das pessoas jurídicas  prestadoras de serviços em geral cuja receita bruta anual  seja  de  até  cento  e  vinte  mil  reais,  será  determinada  mediante  a  aplicação do percentual  de dezesseis por  cento  sobre a  receita  bruta auferida no período de apuração  (Lei nº 9.250, de 1995,  art.40, e Lei nº 9.430/96, de 1996, arts.1°).  Se o faturamento do 2º trimestre de 2012 foi de R$ 3.764.072,24, conforme  planilha apresentada no recurso voluntário, como se fazer valer do dispositivo legal supra?  A resposta encontramos no TVF:  Ressalte­se que o pagamento de serviços prestados dissimulados  de distribuição de lucros desonerou as duas partes envolvidas: o  sujeito passivo (sócio ostensivo), pois houve a pulverização das  receitas em milhares de SCPs, o que ocasionou um percentual de  presunção  de  lucro  mais  baixo  (16%  de  IRPJ),  além  da  não­ incidência  do  adicional  de  IRPJ;  e  o  professor  especialista  (sócio  participante  da  SCP),  tendo  em  vista  que  os  valores  recebidos  nessa  modalidade  foram  considerados  isentos  e  não  tributáveis para fins de imposto de renda da pessoa física.  Consoante  TVF  ­  Anexo  1  ­  Receitas  Escrituradas  ­  DRE,  temos  a  discriminação  das  receitas  operacionais  da  Recorrente,  contabilizadas,  onde  os  valores  ali  considerados a título de PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS e RECEITAS FINANCEIRAS, foram  objeto de tributação no presente lançamento. Conforme consta no TVF:  98.  O  cálculo  do  IRPJ  foi  efetuado  a  partir  dos  valores  escriturados  nas  contas  contábeis  “410103409  – Prestação  de  Serviços”  e  “410201424  –  Receitas  Financeiras.  Dos  valores  apurados abateu­se os valores retidos em DIRF e os recolhidos a  título de IRPJ, conforme informações constantes nos sistemas da  Receita Federal.  Neste  Anexo  1,  por  exemplo,  vejamos  os  valores  correspondentes  a  PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, no 2º trimestre de 2012:  Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.335          29 Código 410103409 Prestação de Serviços  Valores em R$  Abril/2012   3.184.577,67  Maio/2012   1.523.559,68  Junho/2012   1.017.173,66  Total trimestral (*)   5.725.311,01  (*)  este  valor  escriturado  a  título  de  RECEITA  COM  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS,  como demonstrado,  é que  foi  considerado como  tributável,  conforme consta no  Auto de Infração, onde, neste  trimestre, foi apurado um imposto da ordem de R$ 452.024,87  (conforme Demonstrativo de Apuração do IRPJ ­ Lucro Presumido, imposto devido antes  das deduções),  daí  que  houve,  sem dúvida,  sim,  a  aludida economia  tributária  por  força da  adoção da SCP, pois esta economia aconteceu em doze trimestres, nos anos de 2012 a 2014.   Este  imposto  apurado pela Fiscalização,  conforme consta no demonstrativo de  apuração  de  IRPJ  neste  trimestre,  foi  deduzido  de  R$  89.296,43,  porque  este  foi  o  valor  recolhido  (código  2089)  pela  Contribuinte  neste  trimestre,  conforme  planilha  Pagamentos  Efetuados  (DARFs),  informado pela  autoridade  fiscal,  acostado  às  fls.  103/104  ­ Anexo 02  IRPJ ­ Pagamentos Efetuados (DARF).  Considerando­se esta dedução efetivada pela Fiscalização, de se concluir que a  receita  considerada  e  ora  tributada  contempla  todo  o  faturamento  da  Recorrente  neste  trimestre,  o  que  vem  a  demonstrar  que,  além  do  de  não  reter  na  fonte  os  pagamentos  aos  professores, a Recorrente ainda omitia receitas da prestação de serviços.  Das intimações  A contribuinte foi intimada, dentre várias solicitações, a esclarecer, com relação  aos sócios da SCP, "se os serviços são prestados ao sujeito passivo pelos próprios sócios das  SCP  ou  por  terceiros  contratados",  ocasião  em  que  a Contribuinte  informou  genericamente  que  os  serviços  "foram  executados  por  pessoas  físicas  e  jurídicas  informadas  na  contabilidade...".  Novamente intimada, pois nada esclareceu, informou:  Os  lucros  distribuídos  pelas  SCP  aos  respectivos  sócios,  decorrentes  de  participação  no  capital  social  destas,  não  derivam dos serviços por eles prestados ao sujeito passivo;  Os  serviços  prestados  à  PONTO  ON­LINE  CURSOS  LTDA  foram executados pelas pessoas  físicas e  jurídicas  identificadas  na documentação já fornecida ao fisco;  Estas  respostas  não  atendiam  ao  que  foi  demandado nas  intimações,  daí  as  circularizações  aos  professores  especialistas  uma  vez  que  se  tratavam  de  "informações  relevantes ao exame do fisco", de forma que se pode constatar que desde o início já se notava  uma predisposição em não revelar a quem se destinavam os lucros distribuídos.  Fl. 1357DF CARF MF     30 Eis  a  conclusão  que  consta  no  TVF,  ratificada  na  decisão  recorrida,  e  inteiramente de acordo com o que vimos nos autos e que não merece reparos:  6.3  Natureza  jurídica  dos  rendimentos  pagos  aos  sócios  participantes das SCP – verdade material apurada  65. Com base na documentação e esclarecimentos apresentados  pelo  sujeito  passivo,  assim  como  nos  depoimentos  tomados  a  termo pela Auditoria Fiscal, observou­se que as atividades e os  negócios  jurídicos  desenvolvidos  pela  PONTO  ON­LINE  possuem  aspectos  diversos  da  realidade  formal  relatada  nos  itens  precedentes.  Os  sócios  participantes  (professores  especialistas)  das  SCP  constituídas  prestaram,  na  realidade,  serviços ao sócio ostensivo, devendo os valores pagos por este,  no  âmbito  desses  contratos,  ser  classificados  segundo  a  sua  efetiva  natureza  jurídica,  como  remuneração  de  prestação  de  serviços,  que  corresponde  à  verdade material  dos  fatos,  e  não  como  lucros  isentos  de  tributação  que  é  a  versão  apresentada  pela Fiscalizada.  Na  abalizada  lição  de  Fábio  Ulhoa  Coelho  em  seu  Curso  de  Direito  Comercial (vol.2, 1999) temos, acerca da natureza das SCP:  A  conta  de  participação  se  constitui  da  seguinte  forma:  um  empreendedor  (chamado  sócio  ostensivo)  associa­se  a  investidores  (os  sócios  ocultos),  para  a  exploração  de  uma  atividade  econômica.  O  primeiro  realiza  todos  os  negócios  ligados à atividade, em seu próprio nome, respondendo por eles  de  forma  pessoal  e  ilimitada.  Os  agentes  econômicos  que  entabulam  negociações  com  o  sócio  ostensivo  não  precisam  saber, necessariamente, que a atividade em questão é explorada  sob  a  forma  de  uma  conta  de  participação.  Com  os  ocultos,  o  sócio ostensivo tem contrato, pelo qual aqueles são obrigados a  prestar determinadas somas, a serem empregadas na empresa, e  são, em contrapartida, credores eventuais, por uma parcela dos  resultados desta.   Em Comentários ao Novo Código Civil  – Direito das Sociedades, de Attila  de Souza Andrade Jr., tem­se (pg.42):  2.3. Da sociedade em conta de participação  O art.991 do novo Código estabelece que na sociedade em conta  de  participação,  a  atividade  constitutiva  do  objeto  social  é  exercida  unicamente  pelo  sócio  ostensivo,  em  seu  nome  individual  e  sob  sua  própria  e  exclusiva  responsabilidade,  participando os demais dos resultados correspondentes.  A Recorrente subverteu totalmente a lógica e o funcionamento das SCP.  Vejam que,  além de não oferecer  à  tributação  a  totalidade de  suas  receitas,  ainda  distorcia  toda  a  reduzida  legislação  que  rege  o  instituto  das  sociedades  em  conta  de  participação,  uma  vez  que  os  sócios  participantes  (professores  especialistas)  das  SCP  constituídas prestaram, na realidade, serviços ao sócio ostensivo, devendo os valores pagos por  este,  no  âmbito  desses  contratos,  ser  classificados  segundo  a  sua  efetiva  natureza  jurídica,  como remuneração de prestação de serviços, que corresponde à verdade material dos fatos, e  não como lucros isentos de tributação, conforme corretamente constatado na decisão recorrida.  Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.336          31 Relativamente à alegação da Recorrente de que estaria havendo tributação em  duplicidade  da  multa  de  ofício  isolada  e  dos  juros  isolados,  uma  vez  que  "a  Fiscalização  passou a lavrar Autos de Infração de IRPF em face dos professores da PONTO", nada tenho a  comentar sobre situações que constam ou podem constar em outros autos, o que é certo é que  foi  corretamente  aplicada  a  legislação  pertinente  neste  processo,  relativamente  às  exações  impugnadas.   Conclusão  Posto isto, e considerando o que consta nos autos, acolho as razões trazidas no  acórdão  recorrido  (decisão  da  DRJ)  aliado  às  razões  complementares  aqui  colocadas,  para  manter  integralmente  o  crédito  tributário  e,  portanto,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário da Recorrente e dos Responsáveis Solidários.   É como voto.   (assinado digitalmente)    Cláudio de Andrade Camerano  Fl. 1359DF CARF MF     32 Voto Vencedor    Conselheiro Daniel Ribeiro Silva ­ Redator Designado  Com a devida vênia ao excelente voto proferido pelo Nobre Colega Relator,  dele divirjo integralmente.  O lançamento decorre do planejamento tributário realizado pelo contribuinte,  em  que,  segundo  a  autoridade  fiscal,  utilizando­se  de  milhares  de  Sociedades  em  Conta  de  Participação­SCPs,  pulveriza  a  receita  e  promove  pagamentos  a  título,  indevido,  de  “Lucros  Distribuídos”. Segundo o  agente  fiscal,  tal  conduta objetivou o não  recolhimento  integral  do  IRPJ e das Contribuições Previdenciárias, além de evitar a incidência do IRRF.  Nos termos das conclusões do TVF, além da preparação e entrega, o contrato  também exige do sócio participante a obrigatoriedade de promover a atualização semanal do  material técnico e o esclarecimento de dúvidas dos alunos formuladas durante o curso por meio  do fórum disponível no site do sócio ostensivo. Aduz que essa responsabilidade estabelece uma  relação direta entre professor e alunos, durante o período de desenvolvimento do curso, cujo  fato, à vista da lei supracitada, descaracteriza a forma jurídica da sociedade constituída (SCP).  Defende  que  o  artigo  991  do  Código  Civil  é  claro  ao  preconizar  que  “na  sociedade  em  conta  de  participação,  a  atividade  constitutiva  do  objeto  social  é  exercida  unicamente  pelo  sócio  ostensivo,  em  seu  nome  individual  e  sob  sua  própria  e  exclusiva  responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes”.  Igualmente, em relação ao sócio participante, o § único do art. 993 da mesma  lei estabelece que o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo  com  terceiros,  sob  pena  de  responder  solidariamente  com  este  pelas  obrigações  em  que  intervier.  Em razão disso, e restando configurada a relação direta do professor com os  alunos, entendeu a autoridade fiscal por bem desconsiderar a existência das SCPs e concluiu se  tratar de remuneração por serviços prestados diretamente pelos professores à contribuinte.  Ocorre  que,  com  a  devida  vênia,  não  poderia  ser  mais  equivocada  a  conclusão a que chegou a autoridade fiscal.  Como se observa, não existe vedação à participação do sócio participante nas  atividades  empresariais.  O  que  existe,  é  uma  conseqüência  jurídica  à  sua  participação,  passando a responder solidariamente pelas obrigações em que intervier.     É isso o que se extrai do § único do art. 993, senão vejamos:    Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de  fiscalizar a gestão  dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte  nas  relações  do  sócio  ostensivo  com  terceiros,  sob  pena  de  Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.337          33 responder  solidariamente  com  este  pelas  obrigações  em  que  intervier.    Ou  seja  a  cláusula  não  é  impeditiva,  mas  sim  de  ampliação  da  responsabilidade  do  sócio  participante  nos  casos  em  que  participe  diretamente  da  atividade  operacional.  Salta aos olhos o modelo de negócios inovador implementado pela empresa,  ainda mais no momento em que  tais  atividades  iniciaram. A administração pública não pode  ignorar ou engessar suas interpretações sem levar em consideração o dinamismo e a evolução  das relações empresariais.  A sociedade em conta de participação é formada duas ou mais pessoas com  identidade  de  propósitos  e  qualidades  em  comum,  sendo  uma  delas  qualificado  como  sócio  ostensivo,  responsável  por  praticar  todos  os  atos  concernentes  ao  propósito  pelo  qual  foi  instituída a sociedade, e sócio oculto, do qual recebe a atribuição de realizar os investimentos  necessários para que se torne executável os atos realizados por aquele.  No  presente  caso,  fica  claro  que  o  bem  mais  valioso  do  negócio  era  o  conhecimento técnico dos professores participantes que, por meio de seu conhecimento próprio  ministravam aulas, elaboravam apostilas, questões, resolviam dúvidas, etc.  Sem o  conhecimento  dos  professores  nada  funcionaria,  pois  o  interesse  em  nível nacional despertado pelo serviço só decorreu do conhecimento disponibilizado no portal  pelos professores.  Assim, será que esses professores se disponibilizariam a firmar contratos sem  participação dos resultados para disponibilizar aulas e conhecimento para todo um país? Seria  muito difícil e respondo o porque.  Tanto para os professores quanto para o  recorrente é muito difícil  estimar a  quantidade de interessados em cada curso a fim de fixar um valor para o serviço. Exemplifico:  Um  curso  para  concurso  de  analista  da  receita  federal,  que  normalmente  tem  milhares  de  candidatos poderia ser adquirido por mil pessoas ou por cem mil pessoas. Não dá para fixar um  valor de antemão.  Por isso me parece plausível a forma de contratação dos professores. Sendo  um contrato de SCP existe uma divisão de riscos e do respectivo lucro em função do número  de  interessados.  Assim  o  professor  fica  motivado  a  melhorar  seu  conteúdo  e  material  para  agregar cada vez mais interessados e aumentar seus rendimentos.  Da forma como realizados estes contratos de SCP se assemelham, em muito,  aos contratos de parceria  rural nos quais um sócio  ingressa com os  recursos financeiros para  aquisição dos animais, bens, etc e o outro entrega o seu serviço para a consecução do objetivo.  Ao final, deduzem­se os custos e reparte­se o lucro.  A fiscalização entende existir vedação nas normas do Código Civil (art. 993,  parágrafo  único),  no  entanto  não  existe  um  impedimento  da  participação  do  sócio  perante  terceiros o que existe é uma proibição cuja sanção já está aplicada no próprio dispositivo, qual  Fl. 1361DF CARF MF     34 seja  a  de  que  este  sócio,  que  antes  não  detinha  responsabilidade  com  terceiros,  passe  a  ter  responsabilidade solidária com o sócio ostensivo nas obrigações da sociedade.  O  sócio  oculto,  por  sua  vez,  também  denominado  de  sócio  investidor,  é  aquele o qual é atribuído o dever de fornecer todo o investimento necessário ao sócio ostensivo  para que este pratique os atos concernentes de interesse da sociedade. Assim, em regra, o sócio  oculto responde apenas perante o sócio ostensivo, salvo na hipótese daquele houver intervindo  na  relação  do  sócio  ostensivo  com o  terceiro,  cuja  responsabilidade  será  solidária,  conforme  disciplina o parágrafo único do artigo 993.  Assim, a participação do sócio perante terceiros, civilmente não é impedida e  não pode, no meu pensar, ser alegada como fato impeditivo ou desconstitutivo dos contratos de  SCP firmados.  Na verdade, o que se verifica é o inconformismo da fiscalização com o fato  de  a  sistemática  adotada  pela  recorrente  ter  permitido  a  tributação  das  receitas  por  alíquotas  reduzidas e sem adicional e, mais ainda, o recebimento do valor dos serviços pelos professores  sem a incidência de IRRF.  Entretanto,  o  inconformismo  do  agente  fiscal  não  pode  fundamentar  um  lançamento tributário, ainda mais diante da inexistência de qualquer restrição legal.  Mais  ainda,  verificando  os  valores  repassados  aos  professores  participantes  sob  a  forma  de  lucro,  é  possível  constatar  que  ao  longo  dos  três  anos  encontrei  diversos  professores com rendimentos na casa das centenas de milhares. Inclusive um com rendimento  de mais de R$ 900.000,00 e outros dois com rendimentos de mais de R$ 800.000,00.  Por outro lado, alguns professores se tornaram devedores na medida em que o  "produto" ofertado não gerou lucro aos sócios.  Ora a existência destes rendimentos (positivos ou negativos) para serviços de  professores  indica,  no  meu  entender,  que  as  sociedades  eram  de  fato  existentes  e  que  as  vantagens  tributárias  auferidas  não  podem,  por  si  só,  implicar  na  ilegalidade  das  SCP  em  questão.  Que  instituição  de  ensino  iria  realizar  pagamentos  de  tal  monta  para  um  professor contratado? Basta ver que as universidades mais conceituadas não chegam nem perto  do pagamento de tais montantes para professores que façam parte do seu corpo docente.  Consoante estabelecido no artigo 992 do Código Civil, a sociedade em conta  de participação independe de qualquer formalidade, podendo ser instituída inclusive de forma  verbal, sendo possível ser comprovada por todos os meios de direito, desde que não afronte a  intimidade e privacidade do outro sócio.  Por  sua  vez,  foi  a  própria  administração  tributária  que  regulou  de  forma  expressa  a  tributação  desse  tipo  de  sociedade,  apesar  da  questionável  existência  de  personalidade jurídica.  As  conclusões  a  que  chegou  a  autoridade  fiscal  são  absolutamente  irrazoáveis.  Levar  estas  normas  para  o  sentido  de  vedar  este  tipo  de  sociedade  (que  não  depende de formalidades por sua própria natureza), inclusive para fins de incidência tributária,  acho que  é  exorbitar do direito de o  fisco de não  se  submeter  aos negócios  realizados pelos  particulares.  Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 14041.720037/2017­32  Acórdão n.º 1401­002.823  S1­C4T1  Fl. 1.338          35 Quanto à possibilidade de redução das alíquotas de presunção do lucro pela  criação  das  SCP  e  conseqüente  fracionamento  do  faturamento,  este  fato  somente  poderia  decorrer  se  fosse  plenamente  justificada  a  desconstituição  das  SCP.  Como  assim  não  entendemos, não há razão para o cálculo do IRPJ pelo faturamento acumulados das SCP.    A título de registro talvez a fiscalização, para tal fim, pudesse ter utilizado as  normas do ADN COSTI nº 22/2000 que estabelece a impossiblidade de redução das alíquotas  para os serviços regulamentados e expressamente trata das escolas. Vejamos:    ATO  DECLARATÓRIO  NORMATIVO  COSIT Nº 22, DE 31  DE  OUTUBRO DE 2000  Multivigente Vigente Original Relacional  (Publicado(a) no DOU de 07/11/2000, seção 1, página 12)  Dispõe  sobre  o  percentual  do  Lucro  Presumido  aplicável  às  sociedades  prestadoras  de  serviços  relativos  ao  exercício  de  profissões  legalmente  regulamentada.    O COORDENADOR­GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso  das  atribuições  que  lhe  confere  o  art.  199,  inciso  IV,  do  Regimento  Interno aprovado pela Portaria MF No 227, de 3 de setembro de 1998,  e  tendo em vista as disposições do art. 40 da Lei No 9.250, de 26 de  dezembro de 1995 e dos parágrafos 4o e 5o do art. 519 do DecretoNo  3000,  de  26  de  março  de  1999,  http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0declara,  em  caráter  normativo,  às  Superintendências  Regionais  da  Receita  Federal,  às  Delegacias  da  Receita  Federal  de  Julgamento  e  aos  demais  interessados  que  as  sociedades prestadoras de serviços relativos ao exercício de profissões  legalmente regulamentadas, como por exemplo as escolas, inclusive as  creches,  mesmo  com  receita  bruta  anual  de  até  R$  120.000,00,  não  podem aplicar o percentual de 16% sobre a receita bruta para fins de  determinação  do  Lucro  presumido,  devendo,  portanto,  aplicar  o  percentual de 32%.  CARLOS ALBERTO DE NIZA E CASTRO    Como se percebe a imputação da alíquota de 32% poderia ter sido feita sem a  necessidade de descaracterização das sociedades. Entretanto, não tendo sido esse o fundamento  do TVF, não há como manter o lançamento.  Em relação à aplicação do adicional do IRPJ, este somente seria possível caso  houvesse a descaracterização por completo das SC, o que não ocorreu.  Assim,  face  a  tudo  o  quanto  exposto,  voto  por  dar  provimento  integral  ao  Recurso Voluntário.  Fl. 1363DF CARF MF     36 É como voto.  (assinado digitalmente)  Daniel Ribeiro Silva                           Fl. 1364DF CARF MF

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7429586 #
Numero do processo: 10860.722032/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 MATÉRIA IMPUGNADA. NULIDADE DA DECISÃO. Considera-se nula a decisão que não enfrenta a totalidade da matéria impugnada, devendo proceder novo julgamento. Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3301-004.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e realização de um novo julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN

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3301­004.805  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2018  Matéria  IPI  Recorrente  PEUGEOT­CITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA E FAZENDA  NACIONAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL E PEUGEOT­CITROEN DO BRASIL  AUTOMÓVEIS    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009  MATÉRIA IMPUGNADA. NULIDADE DA DECISÃO.  Considera­se  nula  a  decisão  que  não  enfrenta  a  totalidade  da  matéria  impugnada, devendo proceder novo julgamento.  Recurso Voluntário provido em parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  parcial  provimento ao  recurso voluntário para anular a decisão da primeira  instância e  realização de  um novo julgamento.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Valcir Gassen ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa  Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão  Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira  Duro e Valcir Gassen.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 20 32 /2 01 3- 16 Fl. 4916DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.917          2   Relatório  Trata­se  de Recurso  de  Ofício  e  de Recurso Voluntário  (fls.  4294  a  4337)  interposto pelo Contribuinte,  em 8 de dezembro de 2014,  contra decisão  consubstanciada no  Acórdão nº 10­52.392 (fls. 4181 a 4203), de 24 de outubro de 2014, proferido pela 3ª Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que  decidiu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  procedente  em  parte  a  Impugnação  (fls.  3989  a  4028).   Para auxiliar na elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o  relatório do acórdão ora recorrido:  Trata­se de impugnação tempestiva aos autos de infração das fls. 3 a 8 e 24 a  25,  lavrados  pela  fiscalização  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Taubaté/SP para formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados,  acrescido de juros de mora e multa de oficio, e de multa regulamentar, totalizando o  crédito tributário em R$ 73.907.964,82 à data da autuação.   Conforme  a  descrição  dos  fatos  e  o  Relatório  Fiscal  das  fls.  29  a  60,  o  contribuinte incorreu nas seguintes infrações à legislação tributária:   a) deu saída a automóveis de sua importação sem lançamento do imposto, por  ter  se  utilizado  incorretamente  do  instituto  da  isenção  em  vendas  para  deficientes  físicos, em virtude de:   a.1) não possuir a primeira via da autorização da unidade competente da RFB;   a.2) não comprovação de que os veículos foram destinados aos beneficiários  da isenção, pela ausência da nota fiscal da concessionária;   a.3) autorizações com prazo de validade vencido;   a.4) venda a pessoa diversa da constante na autorização;   a.5) venda tão somente com o despacho decisório que reconheceu o beneficio;  e   a.6) vendas às concessionárias contrariando disposição normativa que dispõe  que a nota fiscal deve ser emitida diretamente ao beneficiário da isenção;   b)  deu  saída  a  produtos  tributados  com  insuficiência  do  lançamento  do  imposto, por não observar o valor  tributável mínimo em transferências para outras  filiais e remessas a título gratuito;   c) creditou­se indevidamente do imposto:   c.1)  por  retorno  e  devoluções  de  saídas  anteriormente  tributadas,  sem  implementar as condições que legitimam os créditos, ou seja, a devida escrituração  do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de controle equivalente;  e   c.2) decorrente de devoluções fictas prevista no art. 3o do Decreto no 6.687,  de 11 de dezembro de 2008, por não ser estabelecimento produtor, nos termos do art.  2o, inc. I da Lei no 6.729 de 28 de novembro de 1979, e sim comercial atacadista,  equiparado a industrial;   d) apresentou arquivos magnéticos de documentos fiscais que não atendem ao  padrões estabelecidos nos atos normativos que disciplinam a matéria.   Fl. 4917DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.918          3 Em virtude das glosas de créditos e dos débitos apurados, foi reconstituída a  escrita  fiscal  do  estabelecimento,  conforme  demonstrativo  das  fls.  22  e  23,  tendo  emergido os saldos devedores que estão ora sendo exigidos.   O enquadramento legal das infrações está discriminado às fls. 5 a 8 e da multa  de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora, no respectivo demonstrativo da  fl.  17.  O  enquadramento  legal  da  multa  regulamentar,  correspondente  a  1%  da  receita bruta da autuada, consta na fl. 25.   Irresignado  com a  imputação,  o  interessado,  por meio  de  seus  procuradores  devidamente  habilitados  (fls.  4173  a  4178)  apresentou  suas  razões  às  fls.  3989  a  4028, alegando em síntese, o que segue.   Preliminarmente, ressalta que parcela substancial do crédito tributário lançado  no Auto de Infração está extinta pela decadência porque, entre a data do fato gerador  do  IPI exigido  e  a data de  intimação do auto de  infração, que  constituiu o  crédito  tributário, transcorreram­se mais de 5 (cinco) anos, ou seja, a intimação do auto de  infração deu­se  tão somente em 27/12/2013, pelo que os  fatos geradores ocorridos  antes  de  27/12/2008  estão  extintos  pela  decadência,  tal  como  impõe  o  prazo  qüinqüenal estabelecido pelo art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, e que  em  todos  os  períodos  ali  mencionados,  a  impugnante  apurou,  em  livros  fiscais  próprios,  e  recolheu  o  IPI  mensalmente,  de  tal  modo  que  se  mostra  de  todo  inaplicável a regra constante no art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional.   Em relação ao mérito, alega:   I)  quanto à  exigência do  IPI nas  saídas com  isenção para deficientes  físicos  e/ou mental.   I.a) Que  não obstante  criarem diversas obrigações  para  regular  a  fruição do  benefício  fiscal,  a  Lei  e  a  Instrução  Normativa  não  imputam  qualquer  obrigação  principal  à  impugnante,  mas  somente  obrigações  acessórias  a  fim  de  auxiliar  a  administração  pública  na  fiscalização  do  tributo  e  por  isso  mesmo,  não  há  um  dispositivo sequer na legislação que rege o benefício em comento, determinando que  ela efetue o pagamento do tributo, caso não mantenha em seu poder a primeira via  da autorização da RFB nas hipóteses de aquisição de veículos com isenção do IPI,  por deficientes físicos ou mentais, e nem poderia ser diferente, pois o art. 5° da IN  607/06  determina  tão  somente  que  o  estabelecimento  deve  estar  de  posse  da  autorização emitida pela RFB na saída do veículo com isenção de IPI, assim sendo,  não  há  que  se  falar  em  cobrança  do  imposto,  acrescido  de  juros  e  multa  proporcional,  como  quer  a  fiscalização,  pelo  descumprimento  do  referido  dispositivo, pela falta de expressa previsão  legal para  tanto. Acrescenta que, ainda  que  a  impugnante  não  disponha  da  primeira  via  das  referidas  autorizações  fazendárias para cada uma das vendas de veículos para deficientes físicos autuadas  pela fiscalização, é certo que: (i) em todas as notas fiscais constam os números dos  processos administrativos instaurados pelos adquirentes perante à RFB; e (ii) houve  procedimento  administrativo  próprio  tendente  à  apuração  da  isenção  e  esses  são  absolutamente disponíveis para os Auditores da RFB, requerendo, com lastro no art.  16, §4°, alínea "a", do Decreto n°. 70.235/72, a produção de prova documental pela  RFB  no  sentido  de  apresentar  cópia  de  todos  os  processos  administrativos  de  requerimento de isenção de IPI  formalizados pelos deficientes  físicos e/ou mentais  mencionados nas notas fiscais autuadas pela fiscalização. Arremata que para que não  se  tenha duvidas  sobre  a  lisura  de  conduta da  impugnante,  é  fundamental  pontuar  que o preenchimento das notas  fiscais evidencia a ausência de  fraude por parte da  Impugnante,  posto  que  esses  documentos  só  poderiam  ter  sido  preenchidos  de  maneira completa, com ela de posse da autorização emitida pela RFB para a isenção  do IPI, em observância ao art. 5o da IN 607/06, aduzindo que é de se notar também  que a segunda via da autorização para a fruição do benefício concedida pela RFB,  Fl. 4918DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.919          4 em  processo  administrativo  próprio,  fica  em  posse  da  concessionária,  em  cumprimento ao art. 4o, inc. II da IN SRF 607/06 o que significa que o beneficiário  da isenção fica impossibilitado de comprar outro veículo com a mesma autorização  da RFB em concessionárias distintas.   I.b)  Que  apresentou  algumas  autorizações  que  por  pequenos  equívocos  de  grafia  do  nome  dos  beneficiários,  a  autoridade  fiscal  decidiu  rejeitá­los,  contudo,  conforme se verifica nos documentos anexos, fica evidente o mero erro formal.   I.c)  Alega,  por  outro  lado,  ainda  que  a  legislação  previsse  que  o  fabricante/importador  tinha  a  obrigação  de  guardar  consigo  cópia  das  referidas  autorizações, cumpre ressaltar que o prazo de guarda já teria expirado para grande  parte dos documentos em  razão do disposto no art. 195, parágrafo único, do CTN  que  determina  que  a  obrigação  de  guardar  os  documentos  fiscais  se  extingue  juntamente com a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que  se refiram e que, como visto anteriormente, os fatos geradores de IPI ocorridos antes  de  27/12/2008  estão  extintos  pela  decadência,  e,  portanto,  tal  fenômeno  também  macula a prescrição no dever de guardar documentos fiscais de operações ocorridas  até esse período.   II)  Quanto  aos  créditos  indevidos  por  devoluções/retornos  de  vendas/revendas/remessas  em  consignação  com  destaque  de  IPI  diz  que  o  relato  fiscal  não  traz  nenhuma  justificativa  razoável  para  desconsiderar  o  controle  de  mercadorias mantido pela impugnante, não havendo uma descrição minuciosa sobre  quais  requisitos  legais  em  específico  não  foram  cumpridos.  Afirma  que  todos  os  veículos  que  circulam  pelo  seu  ativo  ou  pelo  seu  estoque  estão  plenamente  identificados  no  Livro  Kardex  que,  conforme  se  verifica  no  anexo,  possui  os  seguintes  campos:  Inscrição Estadual; CNPJ; Número  da Folha,  Produto  (Chassi);  Classificação  Fiscal  (NCM);  Mês  e  Ano;  Código  de  Entradas  e  Saídas  (estabelecimento  próprio,  estabelecimento  de  terceiros  ou  outras);  Movimentação  (saída,  entrada,  transferência  e  etc);  Quantidade;  Valor  Final;  Fatura;  e  CFOP.  Enfim,  todas  as  informações  necessárias  para  que  as  autoridades  fiscais  consigam  aferir  a  regularidade  fiscal  das operações  da  empresa. Registre­se que,  ao  final do  documento, há um resumo mensal com as quantidades inicial e final dos produtos,  os  valores  iniciais  e  finais,  segregados  pela  espécie  de  operação.  Diz  que  para  reforçar a precisão desse controle, é fundamental pontuar que todos os veículos que  circulam pelo ativo ou pelo estoque da empresa são controlados pela numeração do  CHASSI,  salientando  que,  por  convenção  internacional  entre  fabricantes  de  veículos, o número do CHASSI atribui uma identificação única a cada veículo, não  sendo possível a existência, no mundo, de dois veículos com o mesmo chassi. Frisa  que  os  arts.  169,  172  e  388  do  RIPI/2002  não  condicionam  o  aproveitamento  de  créditos escriturais de IPI à utilização do Livro de Registro de Controle da Produção  e  do  Estoque; muito  ao  contrário,  autorizam  a  utilização  de  controle  equivalente,  mantendo  o  direito  ao  creditamento,  e  em  que  pese  a  autorização  legal  para  utilização de controles próprios de estoque, a fiscalização enveredou na comparação  entre o Livro Kardex e o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque,  como se a impugnante fosse obrigada a escriturar e manter esse último, quando, na  verdade, estava dispensada pelo próprio RIPI/2002. Menciona novamente que  ,  os  veículos  que  circulam  pelo  seu  ativo  ou  pelo  seu  estoque  estão  plenamente  identificados no Livro Kardex cujos campos são suficientes para atender o prescrito  no  art.  383  do  RIPI/2002.  No  que  diz  respeito  aos  requisitos  do  art.  384  do  RIPI/2002,  diz  que  com  menos  razão  ainda  a  fiscalização  pode  exigir  o  seu  cumprimento,  uma  vez  que  tratam  da  forma  do Livro  de Registro  de Controle  da  Produção  e  do  Estoque,  mostrando­se  um  verdadeiro  roteiro  para  o  seu  preenchimento,  mas  que  mesmo  não  estando  obrigada  a  dispor  de  controle  em  formato  idêntico  ao  Livro  de  Registro  de  Controle  da  Produção  e  do  Estoque,  a  Fl. 4919DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.920          5 maioria  das  informações  pode  ser  encontrada  nos  campos  do  Livro  Kardex,  conforme ilustrado em quadro comparativo. Diz que os arts. 385 a 387 do RIPI/2002  reforçam a  formalidade moderada que  reveste o Livro de Registro de Controle da  Produção e do Estoque. Nesse sentido, diz que não há que se falar em ilegitimidade  dos créditos em operações de devoluções, retornos de vendas, revendas e remessas  em  consignação  com  destaque  de  IPI  por  falta  de  atendimento  dos  requisitos  estabelecidos nos arts. 169, 172, 383 a 388 do RIPI/2002 e que ainda que o Livro  Kardex  não  constituísse  documento  capaz  de  atestar  o  retorno  das mercadorias,  a  Fiscalização  Federal  deveria  ter  lançado  unicamente  penalidade  decorrente  desse  fato (descumprimento de obrigação acessória e não principal), já que todo o resto da  documentação  fiscal  (notas  fiscais,  Livro  de Registro  e Apuração  do  IPI)  serviria  para comprovar que as devoluções de fato ocorreram e o direito ao aproveitamento  de  créditos  escriturais  de  IPI  existe;  em  suma,  a  autoridade  fiscal  optou  pelo  caminho mais fácil, na medida em que efetuou a glosa indiscriminada dos créditos  apropriados  nas  devoluções  e  nos  retornos  das  mercadorias,  o  que  evidencia  a  completa desídia do levantamento fiscal.   III)  Quanto  aos  créditos  supostamente  indevidos  por  devoluções  fictas  ­  Decreto  n°  6.687/2008,  diz  que  a  acusação  fiscal  parte  de  algumas  premissas  equivocadas:  (i)  o  termo  "produtor"  utilizado  no  art.  2o  da  Lei  n°.  6.729/1979  abrange  a  figura  do  "importador";  (II)  a  redução  de  alíquotas  do  IPI  trazida  pelo  Decreto n°. 6.687/2008 não fazia distinção entre veículos nacionais ou importados e  visava  estimular  as  vendas  do  setor  automobilístico  como  um  todo;  e  (III)  o  estabelecimento  autuado,  embora  destine­se  precipuamente  a  revenda  de  veículos  importados, por uma questão de logística, é filial de estabelecimento produtor. Aduz  que  a  tese  de  que  os  importadores  não  estão  abrangidos  pelo  art.  2°  da  Lei  n°.  6.729/1979 é completamente desarrazoada, se considerado que a lei foi promulgada  na década de 70, os importadores não faziam parte daquela realidade e que mesmo  nas  alterações  sofridas  pela  legislação  na  década  de  90,  a  importação  de  veículos  ainda  não  fazia  parte  do  cenário  nacional,  e  que  tão  somente  em meados  daquela  década  é  que  os  veículos  importados  começaram  a  ganhar  espaço  no  mercado  brasileiro com volume, portanto, não  fazia sentido que a  legislação mencionasse a  figura do  importador. Registra que, nos  termos do  art  1o da Lei n° 6.729/1979 "a  distribuição  de  veículos  automotores,  de  via  terrestre,  efetivar­se­á  através  de  concessão  comercial  entre  produtores  e  distribuidores",  logo,  defender  que  "produtor" e "importador” não estão equiparados significa dizer que esse último não  pode comercializar veículos no  território nacional, o que é desprovido de qualquer  senso jurídico ou fático. Ademais, alega que, como se verifica do art. 1o do Decreto  n°. 6.687/2008, a redução de alíquotas do IPI  foi aplicada para as posições 8703 e  8704  da  TIPI  que  não  fazem  qualquer  distinção  entre  veículos  nacionais  ou  importados,  não  cabendo  ao  intérprete  distinguir  onde  a  legislação  não  distingue,  principalmente em matéria tributária, que, assim como no Direito Penal, se socorre  do princípio da legalidade e da tipicidade. Diz que no contexto econômico em que  foi aplicada, se os objetivos da redução de alíquotas do IPI para automóveis foram  estimular o consumo, aumentar as vendas e esvaziar os estoques das distribuidoras,  mostra­se  ainda mais  absurdo o  entendimento da  fiscalização de que o direito  aos  créditos  de  IPI  na  devolução  ficta,  criada  justamente  para  fomentar  a  venda  de  automóveis  e  desafogar  os  estoques,  não  se  aplica  aos  estabelecimentos  importadores.   IV)  Quanto  às  transferências  tributadas  para  outras  filiais,  aduz  que  a  impugnante fez uso do valor do preço de custo como base de cálculo do IPI apenas  nas  transferências  entre  filiais,  o  que  restou  consignado  no  relatório  fiscal,  sendo  que,  havendo  operação  de  venda  ao  comércio  atacadista,  obviamente  o  preço  praticado foi o de mercado, tudo isso em perfeita consonância com o que dispõem os  Fl. 4920DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.921          6 arts.  46  e  47  do  CTN,  valendo  notar  que  o  CTN  é  lei  complementar  material,  conforme pacífica e consolidada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pelo  que supre a exigência formal inserta o art. 146, inciso III, alínea "a", da Constituição  Federal, que delega à  lei  complementar a determinação da base de cálculo do IPI,  mas  que  o  legislador  ordinário,  de  forma  distinta,  estabelece  um  valor  tributável  mínimo  relativamente  a  certas  operações,  independentemente  do  valor  real  da  operação  de  saída,  ou  seja,  uma  lei  ordinária  determina  base  de  cálculo  ficta  e  incompatível  com  aquela  estabelecida  na  lei  complementar:  é  o  que  se  infere  da  leitura do art. 136 do RIPI/2002, que se fundamenta no art. 15 da Lei n° 4.502/64.  Agrega que o efeito para a arrecadação é simplesmente nenhum, (i) na medida em  que a filial recebe veículos como transferência apenas para fins de cumprimento de  estratégias de logística e atendimento de demandas regionais e que (ii) os veículos  são vendidos em alguns dias para as concessionárias pelo valor integral de mercado,  ou  seja,  tributar  pelo  valor  tributável  mínimo,  como  quer  a  fiscalização,  ou  pelo  valor  de  custo,  como  fez  a  impugnante,  ou  simplesmente  não  tributar,  como  na  legislação do ICMS (reconhecido pelo STF),  tem um efeito meramente temporal e  nenhum efeito para a arrecadação, a não ser para antecipá­la.   V) Quanto às remessas com destaque de IPI para armazenagem, esclarece que  o  procedimento  adotado  pela  impugnante  nas  remessas  para  armazenagem  nas  empresas GEFCO Logística do Brasil Ltda. e GEFCO DO BRASIL LTDA. foi pelo  destaque de IPI e  ICMS, pelo fato de tais empresas não estarem cadastradas como  armazém, entretanto, assim como defendido no tópico anterior, fez uso do valor do  preço de custo como base de cálculo do IPI já que as remessas foram para simples  armazenagem  e  quando  da  venda  ao  comércio  atacadista,  obviamente  o  preço  praticado foi o de mercado, tudo isso em perfeita consonância com o que dispõem os  arts. 46 e 47 do CTN. Aduz que, em suma, a base de cálculo mínima consignada no  art.  133 do RIPI/2002 contraria expressamente o disposto no  art.  47 do CTN. que  apenas  prevê  que  a  base  de  cálculo  é  o  valor  da  saída  e,  por  conseguinte,  em  operações em que o valor da saída (art. 47 do CTN) seja  inferior ao valor mínimo  (art. 133 do RIPI), deve­se ignorar a diretriz desta lei ordinária e utilizar­se a base de  cálculo  determinada  por  aquela  lei  complementar,  até  mesmo  em  atenção  ao  art.  146, inciso II, alínea "a", da Constituição Federal.   VI) Quanto à multa por arquivos magnéticos fora dos padrões normativos, diz  que , a cobrança da referida multa não procede, pois:   VI.1) deveria ter sido lavrado auto de infração separado para tributo e multa,  nos termos do art. 9o do Decreto 70.235/72;   VI.2)  os  arquivos  magnéticos  previstos  na  IN  86/2001  foram  corretamente  preenchidos. O ponto nodal é que o documento entregue à fiscalização foi elaborado  à parte, a pedido do Auditor Fiscal e no esforço para colaborar com a Fiscalização,  quando, por disposição legal, o documento é entregue pelo CNPJ da matriz e não da  filial.   VI.3)  as  informações  incorretas/omissas  não  prejudicaram  a  fiscalização,  já  que  o  auto  de  infração  foi  lavrado  para  cobrar  tributo  sobre  várias  rubricas  diferentes, com base exatamente na IN 86/2001, documento que o auto de infração  afirma ser imprestável;   VI.4) as  informações constantes nos outros campos dos arquivos magnéticos  são  suficientes  para  atestar  a  correta  tributação  das  operações  e  a  inexistência  de  prejuízo ao erário (ex. NCM);   VI.5)  como  reconhecido  pela  fiscalização,  a  empresa  colocou  todas  informações à disposição em documentos físicos.   Colacionou decisões administrativas que diz ampararem suas alegações.   Fl. 4921DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.922          7 Encerra pedindo que seja julgada procedente a presente impugnação para:   1)  determinar  à  competente  autoridade  da RFB que  apresente  nos  presentes  autos, em conformidade com o art. 16, §4°, alínea "a", do Decreto n°. 70.235/72, a  íntegra  dos  processos  administrativos  formalizados  pelos  deficientes  físicos  e  mentais, nos quais o auto de infração alega falta de recolhimento de IPI, em razão da  não apresentação da primeira via da autorização de venda;   2)  reconhecer  a  decadência  dos  fatos  geradores  de  IPI  ocorridos  antes  de  27/12/2008, e   3)  no  que  couber,  declarar  improcedente  o  crédito  tributário  de  IPI  e multa  regulamentar formalizados no auto de infração ora combatido.   Depois  de  proferida  a  decisão  da  DRJ/POA,  houve,  por  parte  do  Contribuinte, a interposição de Embargos de Declaração (fls. 4220 a 4231), de 11 de novembro  de 2014, visando a correção de alegado erro no Acórdão ora analisado.   Como  resposta  a  estes  embargos,  a DRJ/POA,  por meio  de Despacho  (fls.  4287 a 4291), de 8 de dezembro de 2014, entendeu por bem indeferir o pedido do Contribuinte,  alegando que não houve a alegada omissão no referido acórdão.   Com a decisão que acolheu a preliminar de decadência e  julgou procedente  em parte a Impugnação apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário  visando reformar a referida decisão.   Salienta­se  que  há  Recurso  de  Ofício  pelo  fato  do  crédito  tributário  exonerado exceder o limite de alçada, em que se cancelou a exigência do IPI no montante de  R$ 3.284.109,78 (três milhões, duzentos e oitenta e quatro mil, cento e nove reais e setenta e  oito centavos), bem como, os respectivos juros de mora e multa de ofício exigidos no Auto de  Infração.  Diante do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, a 1ª Turma da  3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, converteu o julgamento em diligência  em 25 de abril de 2017 por intermédio da Resolução 3301­000.302.  A  resposta  da  autoridade  administrativa  fiscal,  frente  a  conversão  do  julgamento  do  recurso  em  diligência,  foi  apresentada  em  15  de  setembro  de  2017  por  intermédio  da  Informação  Fiscal  às  fls.  4515  a  4521.  Já  o  Contribuinte  apresentou  Manifestação (fls. 4535 a 4547) em 30 de outubro de 2017 a respeito da referida Informação  Fiscal.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Valcir Gassen ­ Relator  O  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  da  decisão  consubstanciada  no  Acórdão nº 10­52.392 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo  pelo qual deve ser conhecido.  O  ora  analisado Recurso Voluntário  e Recurso  de Ofício  visam  reformar  a  decisão que possui a seguinte ementa:  Fl. 4922DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.923          8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.  O  IPI  é  tributo  sujeito  à  sistemática  do  lançamento  por  homologação.  Em  tendo  havido pagamento antecipado, flui o prazo decadencial em cinco anos da ocorrência  do fato gerador.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se não  impugnada a matéria não expressamente  contestada,  tornando­se  definitiva na esfera administrativa.  PRODUÇÃO DE PROVAS.  As  provas  devem  ser  apresentadas  junto  à  impugnação,  descabendo  ao  julgador  produzi­las quando tal ônus incumbe ao impugnante.  SAÍDAS  COM  ISENÇÃO DO  IPI  PARA DEFICIENTES  FÍSICOS.  PRIMEIRA  VIA DA AUTORIZAÇÃO EXPEDIDA PELA RFB. REQUISITO.  As  saídas  de  automóveis  com  a  isenção  do  IPI  destinados  a  deficientes  físicos  exigem que o estabelecimento industrial ou equiparado esteja de posse da primeira  via  da  autorização  expedida  pela  unidade  competente  da  RFB,  caso  contrário  é  correta a exigência do imposto que deixou de ser lançado.  NOTA  FISCAL  DA  CONCESSIONÁRIA.  EXIGÊNCIA  NÃO  PREVISTA  NA  LEGISLAÇÃO.  Por sua vez a posse da autorização pelo estabelecimento é suficiente para albergar a  saída com isenção não havendo de ser exigidas as notas fiscais da concessionária.  SAÍDAS DENTRO DO PRAZO HÁBIL. ERRO DE FATO. DOCUMENTAÇÃO  COMPROBATÓRIA.  Comprovado  que:  as  saídas  se  deram  dentro  do  período  de  validade  das  autorizações; houve tão somente erro formal na menção aos beneficiários nas notas  fiscais; e os documentos carreados aos autos suprem a ausência da autorização, é de  ser reconhecida como correta a saída com isenção.  CRÉDITOS  RELATIVOS  A  DEVOLUÇÕES  E  RETORNOS  DE  PRODUTOS.  FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO  ESTOQUE OU DE SISTEMA EQUIVALENTE.  O aproveitamento de créditos de IPI  relativos a devoluções e  retornos de produtos  tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de  Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente.  CRÉDITOS POR DEVOLUÇÕES FICTAS.  O  termo produtor  implica  em  estabelecimento  industrial,  ou  seja,  que  realize pelo  menos  uma  das  operações  consideradas  industrialização.  Se  quisesse  o  legislador  alcançar o benefício também aos estabelecimentos equiparados a industrial assim o  teria feito.  TRANSFERÊNCIAS  PARA  FILIAIS  E  REMESSAS  PARA  ARMAZENAGEM  COM  LANÇAMENTO  DO  IPI.  OBSERVÂNCIA  DO  VALOR  TRIBUTÁVEL  MÍNIMO.  Nos  casos  de  transferências  para  filiais  e  remessas  para  armazenagem  com  lançamento do imposto, em que não há transferência da propriedade dos produtos e,  Fl. 4923DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.924          9 portanto,  não  há  valor da operação,  deve  ser observado o  valor  tributável mínimo  estabelecido na legislação do imposto.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 19/12/2013  APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS EM DESACORDO  COM AS NORMAS QUE REGULAMENTAM. MULTA REGULAMENTAR.  A  legislação  prevê  a  multa  de  cinco  por  cento  sobre  o  valor  da  operação  correspondente,  aos  que  omitirem  ou  prestarem  incorretamente  as  informações  solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Acórdão  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos,  acordam  os  membros  da  3ª  Turma  de  Julgamento, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, declarar  definitiva  na  esfera  administrativa  a  parcela  não  impugnada,  e,  no  mérito,  julgar  procedente em parte a impugnação, para cancelar a exigência do IPI no valor de R$  3.284.109,78  (três  milhões,  duzentos  e  oitenta  e  quatro mil,  cento  e  nove  reais  e  setenta e oito  centavos),  e  respectivos  juros de mora  e multa de ofício,  do crédito  tributário  exigido  no Auto  de  Infração  das  folhas  3  a  8,  e manter  integralmente  a  exigência da multa  regulamentar objeto do Auto de  Infração das  fls.  24  e 25, nos  termos do relatório e voto que integram este julgado.  O presidente da Turma  recorre de ofício  ao Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais em relação ao crédito tributário exonerado, por exceder ao limite de alçada.  Preliminarmente  se  verifica  no  acórdão  da  decisão  ora  recorrida  que,  por  unanimidade de votos, declarou­se definitiva na esfera administrativa a parcela não impugnada.   Os  embargos  de  declaração  interpostos  pelo  Contribuinte  em  relação  ao  decidido pela DRJ tratam exatamente da parte considerada não impugnada, sendo que na época  o mesmo efetuou depósito administrativo no montante integral embargado.  Como  informado  acima  quando  do  relatório,  esses  embargos  não  foram  admitidos  pela  autoridade  fiscal  e  cito  trecho  do Despacho  para  elucidar  o  objeto  relativo  a  matéria não impugnada (fls. 4287):  Cuida­se  de  requerimento do  sujeito  passivo  para  correção  de  erro no Acórdão  nº  10­52.392, proferido por esta 3ª Turma de Julgamento em sessão de 24 de outubro  de  2014,  vez  que  não  reconheceu  como  impugnada  a  discussão  quanto  as  notas  fiscais correspondentes aos DANFES n°. 6029, 6111, 6210 e 6211, conforme Anexo  12  ao  auto  de  infração  decorrente  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n°  0710500.2013.00220.  (...)  O Contribuinte em seu Recurso Voluntário  reforça a questão dos  embargos  afirmando que não procede o entendimento da DRJ de que há matéria não impugnada. Nestes  termos (fls. 4296):  Fl. 4924DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.925          10     Ainda em relação a esta questão, matéria não  impugnada e os embargos  , a  autoridade administrativa fiscal assim se pronunciou em 9 de janeiro de 2015 (fls. 4492):  1.  Cientificada  do  Acórdão  de  julgamento  em  1ª  instância  administrativa  (fls.  4181/4203),  por  meio  eletrônico  (fl.  4286)  em  21/11/2014,  a  contribuinte  opôs  embargos  quanto  à  parte  considerada  não  impugnada  (fls.  4219/4282);  concomitantemente,  efetuou  depósito  administrativo  do  montante  integral  embargado.  2. Referidos  embargos  foram  rejeitados  por meio  do Despacho de  fls.  4287/4291,  com ciência eletrônica ao contribuinte em 22/12/2014.  3.  O  Recurso  Voluntário  foi  protocolado  nesta  unidade  em  08/12/2014  (fls.  4294/4403).  4. A falta de atualização quanto ao ingresso do recurso voluntário no sistema Sief­ Processo provocou o ingresso pela interessada dos documentos de fls. 4408/4491.  5. Observa­se finalmente, que a parte não admitida na 1ª instância foi apartada para  os  autos  13784.720516/2014­50,  a  este  vinculado,  cuja  cobrança  encontra­se  devidamente suspenso pelo depósito do montante integral.  6.  Concluída  a  instrução  processual,  encaminho  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (Carf), para julgamento em 2ª instância.  Constata­se assim, devido a vinculação, a conexão entre o presente processo  e o processo nº 13784.720516/2014­50.  Assim, quanto a questão da matéria considerada não  impugnada na decisão  ora  recorrida,  cabe  verificar  a  impugnação  para  se  verificar  se  existe  ou  não  matéria  não  impugnada. Cita­se  trechos  da  impugnação  com  o  intuito  de  elucidar  a  questão  (fls.  3997  e  seguintes):  Fl. 4925DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.926          11     Fl. 4926DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.927          12        (...)  Fl. 4927DF CARF MF Processo nº 10860.722032/2013­16  Acórdão n.º 3301­004.805  S3­C3T1  Fl. 4.928          13   Com  a  leitura  e  análise  percebe­se  que  a  impugnação  contemplou  toda  a  matéria  relacionada  "Das  saídas  com  isenção  IPI/Deficiente",  e,  que  não  procede,  o  entendimento da decisão ora recorrida, de que teve matéria não impugnada, e que foi apartado  em outro processo (nº 13784.720516/2014­50)   Portanto,  por  entender  de  que  não  há  matéria  não  impugnada,  voto  por  anular a decisão da primeira instância para que se realize novo julgamento contemplando toda  a matéria impugnada.       (assinado digitalmente)  Valcir Gassen                               Fl. 4928DF CARF MF

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Numero do processo: 10660.905848/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/09/2000 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/09/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235. Por força do Art. 62-A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento, não se incluindo nesta concepção as receitas financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 15/09/2000 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.905839/2011-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­004.882  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  Recorrente  MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do Fato Gerador: 15/09/2000  FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.  Nos  pedidos  de  restituição  e  compensação  PER/DCOMP,  a  falta  de  retificação  da  DCTF  do  período  em  análise  não  é  impedimento  para  deferimento  do  pedido,  desde  que  o  contribuinte  demonstre  no  processo  administrativo  fiscal,  por  meio  de  prova  cabal,  a  existência  da  liquidez  e  certeza do crédito pleiteado.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do Fato Gerador: 15/09/2000  INCONSTITUCIONALIDADE DO ART.  3º,  §1º, DA  LEI Nº  9.718/1998.  RECONHECIMENTO.  Quanto  à ampliação da base de  cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998,  tal  fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão  geral, RE 585.235. Por  força do Art. 62­A, Anexo  II, do  regimento  interno  deste Conselho,  é  obrigatória  a  aplicação  do  entendimento  do STF  sobre o  conceito  de  faturamento,  não  se  incluindo  nesta  concepção  as  receitas  financeiras, salvo se estas forem receitas operacionais da pessoa jurídica.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do Fato Gerador: 15/09/2000  COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.  Pertence  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  a  certeza  e  a  liquidez  do  crédito  para  o  qual  pleiteia  compensação.  A  mera  alegação  do  direito  creditório,  desacompanhada  de  provas  baseadas  na  escrituração  contábil/fiscal  do  período,  não  é  suficiente  para  demonstrar  que  as  receitas     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 48 /2 01 1- 78 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 3          2 (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da  incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.   Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10660.905839/2011­87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.   (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (presidente  da  turma),  Valcir  Gassen  (vice­presidente),  Liziane  Angelotti  Meira,  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Semíramis  de  Oliveira  Duro,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior.    Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  de  pedido  de  restituição  realizado  através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto  pagamento a maior ou indevido.  A  unidade  de  origem  proferiu  despacho  decisório  indeferindo  o  crédito  pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no  entanto,  integralmente  utilizado  para  quitação  dos  débitos  declarados  pelo  contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  Intimada  da  decisão,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  para  instaurar  o  contencioso  administrativo,  juntando  demonstrativos  para  subsidiar a existência de seu crédito.  Em síntese, a contribuinte afirmou:  ­ o Despacho Decisório adotou equivocada premissa de que inexiste crédito a  ser restituído, porque não converteu o julgamento em diligência para solicitar esclarecimentos  ou a apresentação de documentos que comprovassem o valor exato do crédito pretendido;  ­ Não considerou que o valor informado em DCTF como devido foi apurado  em conformidade com a ilegal e inconstitucional base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718;  ­ o Supremo Tribunal Federal,  em  julgamento de Recursos Extraordinários,  consolidou  o  entendimento  no  sentido  da  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo das  referidas contribuições, promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998,  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 4          3 deixando de considerar como faturamento receita de natureza diversa da venda de mercadorias  e de serviços.  ­  A  retificação  da  DCTF  para  a  apresentação  do  PER/DCOMP  representa  requisito  meramente  formal  que  não  pode  se  sobrepor  à  verdade  material,  uma  vez  comprovada, por outros meios, a liquidez e certeza do crédito pleiteado.  ­  Ressalta  que  as  informações  contidas  nos  documentos  que  instruem  a  manifestação atestam, de forma inquestionável, que a restituição abordada no Per/Dcomp deve  ser  deferida,  quer  por  força  do  dever  de  busca  da  verdade  material,  quer  sob  pena  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  mediante  a  análise  das  razões  e  dos  documentos  que  acompanham  este  recurso,  eventuais  diligências  administrativas  e  a  realização  de  prova  pericial, que se requer.  A DRJ  julgou a manifestação de  inconformidade  improcedente,  nos  termos  do Acórdão nº 06­046.538. O fundamento adotado, em síntese, foi pela inexistência nos autos  de documentação comprobatória do direito alegado.  Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso  Voluntário  que  ora  se  analisa,  repisando  os  argumentos  trazidos  em  sua  manifestação  de  inconformidade e insistindo na realização de perícia.  É a síntese do necessário.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­004.872,  de  26  de  julho  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10660.905839/2011­87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­004.872):  "O  recurso  voluntário  foi  interposto  no  prazo  e  reúne  os  pressupostos  legais de interposição.  Realizada  a  suma  adrede,  passa­se  a  analisar  as  questões  levantadas,  especialmente  sobre  i)  a  decisão  de  indeferimento  fundamentada  no  valor  informado  em DCTF com a  correspondente  quitação  do montante  declarado,  não  havendo  crédito  a  compensar;  ii)  a  declaração  de  inconstitucionalidade  proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543­ B do STF; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE  nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543­B do STF; iii) a análise do  crédito  decorrente  de  receitas  financeiras  a  partir  das  provas  juntadas  aos  autos.  Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 5          4 I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de  retificação da DCTF  Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de  restituição,  sob  a  fundamentação  de  que  foi  efetuada  uma  declaração  por  DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para  quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para restituição.  O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente  apresentou  o  PER/DCOMP,  mas  não  realizou  a  retificação  da  DCTF  do  período  correspondente,  qual  seja,  06/2000. Desta  feita,  o montante  pago  foi  utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso  resultante do pagamento indevido.  Ressalte­se,  no  entanto,  que  a  retificação  da DCTF,  por  si  só,  não  se  presta  para  solidificar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado  pelo  contribuinte,  sendo  indispensável  a  apresentação  de  prova,  tais  como  demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito.  Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais  deste  E.  CARF,  no  julgamento  do  processo  10909.900175/2008­12,  manifestando  o  entendimento  no  acórdão  nº  9303­005.520  (sessão  de  15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior  ao  Despacho  Decisório,  não  haveria  impedimentos  para  o  deferimento  do  pedido  quando  acompanhada  de  provas  documentais  comprovando  a  erro  cometido  no  preenchimento  da  declaração  original,  comparecendo  nos  autos  com  qualquer  prova  documental  hábil  a  demonstrar  o  erro  que  cometera  no  preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal):  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004  DCTF  RETIFICADORA  APRESENTADA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.  A  retificação  da DCTF  após  a  ciência  do Despacho Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  não  é  suficiente  para  a  comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do  erro em que se funde.  Recurso Especial do Contribuinte negado.  Este  entendimento  vem  sendo  adotado  em  sede  de Recurso  Voluntário  pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Data do fato gerador: 14/11/2003  Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 6          5 REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO.  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF.  PROVA DO INDÉBITO.  O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia  retificação  de  DCTF  que  contenha  erro  material.  A  DCTF  (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do  crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito  pleiteado,  deve­se  apreciar  as  provas  apresentadas  pelo  contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (Número do Processo 10283.902681/2009­13. Relator WALBER  JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302­ 002.104)  ­­­  Assunto: Normas de Administração Tributária  Ano­calendário: 2001  CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Os  processos  referem­se  a  períodos  diferentes,  o  que  ocasiona  fatos  jurídicos  tributários  diferentes,  com  a  consequente,  diferenciação  no  que  concerne  à  produção  probatória,  impossibilitando a conexão.  FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.  Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas  demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a  referida formalidade não se faz necessária.  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2011  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  ART.  3º,  §1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998. RECONHECIMENTO.  Quanto  à  ampliação  da  base  de  cálculo  prevista  pela  Lei  nº  9.718/1998,  tal  fato  já  foi  decidido  pelo  Supremo  Tribunal  Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QO­RG.  (Número  do Processo  10280.905792/2011­26. Relatora  SARAH  MARIA  LINHARES  DE  ARAUJO  PAES  DE  SOUZA.  Data  da  Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302­004.623) (grifo não consta  do original)  Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado  entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material,  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado  pelo  contribuinte  pode  ser  demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação  da DCTF,  conforme  é  possível  constatar  pelo  recente  acórdão  relatado  pela  ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro:  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 7          6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2012  COMPENSAÇÃO.  APRESENTAÇÃO  DE  DCTF  RETIFICADORA  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  Se  transmitida  a  PER/Dcomp  sem  a  retificação  ou  com  retificação  após  o  despacho  decisório  da  DCTF,  por  imperativo  do  princípio  da  verdade  material,  o  contribuinte  tem  direito  subjetivo  à  compensação,  desde  que  prove a liquidez e certeza de seu crédito.  (...)  Recurso Voluntário provido.  (Número  do  Processo  11060.900738/2013­11.  Relatora  SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018.  Nº Acórdão 3301­004.545)   Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação  pela  Recorrente,  nos  autos,  trazendo  elementos  de  prova  capaz  de  trazer  liquidez e certeza de seu crédito.   II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE  nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543­B do STF  Quanto  ao  ponto  sobre  a  incidência  da  contribuição  ao  PIS  sobre  receitas  financeiras,  auferidas  por  entidade  que  não  desenvolva  atividade  financeira.  Sobre  este assunto,  o Supremo Tribunal Federal  já  se manifestou,  inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art.  3º,  §  1º  da Lei  9.718/1998,  por pretender alargar  o  conceito  de  faturamento,  estabelecendo as  receitas  totais  da  pessoa  jurídica  como base de  cálculo  das  contribuição para o PIS e COFINS.  Trata­se  do  RE  nº  585.235  e  desde  2010  a  PGFN  já  se  manisfestou  formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os  procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria:  Item  1,  Anexo  I,  Portaria  PGFN  nª  294/2010  ­  Resumo:  É  inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da  COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que  tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes  da  venda  de mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  (conceito  restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica  (conceito  ampliativo  de  receita  bruta). (...)  DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve  incidir  somente  sobre  as  receitas  operacionais  das  empresas,  escapando  da  incidencia  do  PIS/COFINS  as  receitas  não  operacionais. Consideram­se  receitas  operacionais  as  oriundas  dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras  (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação  financeira).  Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 8          7 Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do  anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento  do  CARF  estão  autorizados  afastar  a  aplicação  lei  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade  nos  casos  em  que  este  entendimento  já  foi  manifestado  por  decisão  definitiva  em  sessão  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  em  sede  de  julgamento  realizado em repercussão geral nos  termos dos arts.  543­B do CPC/1973, ou  mesmo  no  caso  de  existência  de  Ato  Declaratório  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos  termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002.  Preenche­se as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF)  neste  caso  de  alargamento  da  base  cálculo  das  contribuições  PIS/COFINS  intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998.  Neste sentido:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período  de  apuração:  01/01/2000  a  30/11/2002,  01/07/2003  a  31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004  Ementa:  NÃO  INCIDÊNCIA  DO  PIS  SOBRE  RECEITAS  NÃO  OPERACIONAIS  E  VARIAÇÃO  CAMBIAL  ATIVA.  REGIME  CUMULATIVO  DO  PIS.  CONCEITO  DE  FATURAMENTO  PARA  INCIDÊNCIA  NA  BASE  DE  CÁLCULO.  SUPREMO  TRIBUNAL FEDERAL.  Por  força  do  Art.  62­A,  Anexo  II,  do  regimento  interno  deste  Conselho,  é  obrigatória  a  aplicação  do  entendimento  do  STF  sobre  o  conceito  de  faturamento  ("faturamento  corresponde  à  receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria  e  serviços"  ­  vejam  julgamentos  dos  Recursos  Extraordinários  346.084, DJ  01/09/2006  ­ Rel  p/  acórdão Min. Marco Aurélio,  357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 ­ Rel. Min. Marco  Aurélio).  Sendo  "receitas"  não  operacionais  e  variações  cambiais  ativas,  e,  portanto,  não  se  tratando  de  "faturamento"  vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços,  não há como incidir o PIS.  (Número do Processo 13502.000463/2005­85. Nº Acórdão 3201­ 003.681. Data da Sessão 22/05/2018)  Resta,  portanto,  consolidado  o  entendimento  acerca  da  não  incidência  de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional  da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de  apuração em que se discute o pagamento indevido é 06/2000, em tal momento  aplicava­se  para  a  Recorrente  o  regime  de  tributação  previsto  na  Lei  9.818/1998.  Isto posto, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base  de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, demonstrando­se a  liquidez  e  certeza  do  crédito  a  restituir  declarado  pelo  contribuinte,  será  de  Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 9          8 rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se  passa a analisar.  III) Da liquidez e certeza do crédito  Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco  (06/2000),  considerando  a  original  vigência  da  Lei  nº  9.718/1998,  apurou  a  contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo.  No  entanto,  em  que  pese  a  Recorrente  ressaltar  em  seu  Recurso  Voluntário  que  os  documentos  juntados  aos  autos  atestam,  de  forma  inquestionável, a restituição pleiteada em seu pedido, o que se tem, na verdade,  é  um  simples  demonstrativo  de  cálculo  da  contribuição,  onde  traz  o  total  do  faturamento, as exclusões permitidas, o valor devido da contribuição, o valor  do  recolhimento  e  o  crédito  objeto  do  pedido  de  restituição.  Estes  demonstrativos não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de  outros documentos oficiais, como registros contábeis e fiscais.  A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as  obrigações  acessórias  já  cumpridas,  bastando  baixar  em  diligência  para  verificar  a  informação  também  não  é  pertinente  e  não  merece  guarida  o  alegado  cerceamento  de  defesa  daí  decorrente.  Nos  pedidos  de  restituição  o  ônus  da  prova  da  existência  do  crédito  é  do  contribuinte,  não  tendo  a  Recorrente se desincumbido de tal tarefa.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006  PROVA.  APRECIAÇÃO  INICIAL  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  LIMITES.  PRECLUSÃO.  A  apreciação  de  documentos  não  submetidos  à  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  é  possível  nas  hipóteses  previstas  no  art.  16,  §  4º  do  Decreto  nº  70.235/1972  e,  excepcionalmente,  quando  visem  à  complementar  instrução  probatória  já  iniciada quando da  interposição da manifestação  de inconformidade.  COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.  Pertence  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  a  certeza  e  a  liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.  (Número  do  Processo  10880.674831/2009­54.  Relatora  LARISSA  NUNES  GIRARD.  Data  da  Sessão  13/06/2018.  Nº  Acórdão 3002­000.234) (grifos não constam do original)  A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles  compareceu  ­ manifestação de  inconformidade e  recurso voluntário, qualquer  prova  documental  hábil  capaz  de  sustentar  a  veracidade  e  existência  de  seu  direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e  demonstrações contábeis, nem mesmo a DIPJ do contribuinte para evidenciar o  quantum  de  receitas  financeiras  levadas  à  tributação  do  PIS,  sendo  desnecessária,  portanto,  a  realização  da  perícia  requerida.  A  perícia  será  necessária  quando a matéria  exigir  conhecimento  técnico  específico  diferente  Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.905848/2011­78  Acórdão n.º 3301­004.882  S3­C3T1  Fl. 10          9 da  análise  que  deve  ser  realizada  pela  autoridade  administrativa  competente  para o reconhecimento do crédito. Ademais, a demonstração do crédito, neste  caso,  seria  possível  com  a  simples  apresentação  de  prova  documental,  não  realizada pelo contribuinte.  Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do  crédito pleiteado, deve­se negar provimento ao presente recurso voluntário  Isto  posto,  conheço  do  recurso  voluntário  para,  no  mérito,  negar  provimento."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                           Fl. 167DF CARF MF

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Numero do processo: 15374.967191/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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1401­002.773  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  IRPJ ­ PER/DCOMP  Recorrente  COMPANHIA PEBB DE PARTICIPAÇÕES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2006  SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.  Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem  que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano  calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves  (Presidente),  Livia  de  Carli  Germano  (Vice­Presidente),  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira  Barbosa,  Abel  Nunes  de  Oliveira  Neto,  Cláudio  de  Andrade  Camerano  (Relator),  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 71 91 /2 00 9- 67 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15374.967191/2009­67  Acórdão n.º 1401­002.773  S1­C4T1  Fl. 3          2     Relatório  Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão proferido pela  DRJ/RJ1  em  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório.  A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida:  1.  No  dia  14.07.2009,  a  interessada  transmitiu  para  a  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  o  PER/DCOMP  27335.90842.140709.1.3.04­4138 [...], no qual informou possuir  crédito  original  de  R$  23.088,01  na  data  da  transmissão,  oriundo de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que  o  devido,  do  qual  utilizou o  valor  original  de R$ 14.529,67  na  compensação de débitos fiscais próprios.  2. Não se homologou a compensação declarada porque, segundo  o  despacho  decisório  proferido  eletronicamente  pela  extinta  DERAT/RJ [...], constatou­se que o crédito alegado já havia sido  integralmente utilizado na quitação de débitos da interessada.  3. Fundamentou­se a decisão nos seguintes dispositivos: artigos  165 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN); e art. 74 da Lei  n° 9.430, de 1996.  4.  Cientificada  do  despacho  decisório  em  20.10.2009  [...],  a  interessada apresentou sua manifestação de inconformidade com  ele no dia dezenove seguinte [...]. Preliminarmente, arguiu a sua  nulidade sob a alegação de que lhe falta motivação, sem a qual  fere  o  princípio  constitucional  do  direito  ao  contraditório  e  à  ampla defesa.  5. Sobre o mérito, alegou, em síntese:  5.1. que cometeu um erro material ao informar no PER/DCOMP  que o seu crédito provinha de pagamento indevido de tributo ou  em valor maior que o devido, pois, em verdade, ele se originou  de saldo negativo de imposto de renda;  5.2.  que,  com  efeito,  por  ter  apurado  prejuízo  fiscal  no  ano­ calendário  de  2006,  conforme  denota  a  sua  DIPJ  2007,  os  recolhimentos  efetuados  ao  longo  daquele  ano  por  conta  das  estimativas  do  imposto  resultaram  num  saldo  negativo  de  R$  200.060,00;  5.3.  que,  por  lapso,  informou  no  PER/DCOMP  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  declarada  dimanava  (sic)  do  pagamento  da  estimativa  de  abril  de  2006,  no  valor  de  R$  28.671,53, efetuado no mês seguinte;  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15374.967191/2009­67  Acórdão n.º 1401­002.773  S1­C4T1  Fl. 4          3 5.4. que mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP  não pode servir de fundamento para a negativa da homologação  da  compensação  quando  demonstrada  a  existência  do  crédito  tributário,  uma  vez  que  deve  prevalecer  sempre  a  verdade  material; e  5.5.  que  esse  é  o  entendimento  pacífico  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  conforme  demonstram  as  ementas  de  acórdãos  transcritas  na  manifestação  de  inconformidade.  É o relatório  VOTO  Acolho a manifestação de inconformidade, por ser tempestiva e  reunir os demais requisitos de admissibilidade.  Descarto  a  preliminar  levantada  por  reputá­la  completamente  infundada.  A motivação  do  despacho  decisório  está  estampada  no  seu  quadro  3.  Naquele  quadro,  consta  que  o  crédito  informado  pela  interessada  no  PER/DCOMP  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  seus  débitos,  estes  declarados,  por  certo,  em  sua  DCTF.  Ao  reconhecer,  na  manifestação,  que  cometeu  erro  ­  grosseiro,  diga­se  a  bem  da  verdade  ­  na  informação da origem do crédito utilizado na compensação, ela  deixou claro que entendeu perfeitamente a motivação da decisão  da autoridade administrativa, razão pela qual é inegável que tal  decisão  não  se  encontra  eivada  do  vício  argüido.  Não  houve,  portanto, cerceamento algum do direito de defesa.  Ultrapassada a preliminar, passo a decidir.  A  despeito  de  eu  comungar  no  entendimento  de  que  erros  materiais são sanáveis, não posso deixar de admitir que alguns  deles  são  tamanhos,  que  não  podem  ser  superados,  na  fase  contenciosa  do  processo,  sem  prejudicar  consideravelmente  os  controles operacionais da RFB.  O  caso  em  foco  é  bastante  ilustrativo  do  que  acabo  de  dizer.  Afinal,  não  bastasse  o  crédito  da  interessada  advir  do  saldo  negativo do imposto de renda e não do recolhimento indevido de  tributo, conforme ela indicou, o pagamento que teria originado o  crédito utilizado na compensação nem mesmo indevido foi; com  ele,  ela apenas  liquidou um débito de estimativa de  imposto de  renda  apurado  em  perfeita  harmonia  ­  é  de  se  supor  ­  com  a  legislação  de  regência  da  matéria,  razão  pela  qual  não  lhe  restou crédito algum.  Diante  disso,  deve­se  refrear  o  ânimo  de,  em  homenagem  ao  principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no  art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo  o qual o pedido de  restituição e a declaração de  compensação  somente  poderão  ser  retificados  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio  do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e  Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15374.967191/2009­67  Acórdão n.º 1401­002.773  S1­C4T1  Fl. 5          4 79  no  que  se  refere  à  Declaração  de  Compensação.  Portanto,  acolher a alegação apresentada significaria, em última análise,  admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP.  Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a  restituição  do  seu  verdadeiro  crédito  ­  o  saldo  negativo  do  imposto de renda ­ e utilizá­Io na compensação de débitos fiscais  próprios,  na  medida  em  que  não  se  trata  do  mesmo  crédito  postulado no presente PER/DCOMP.  Em  face  do  exposto,  reputo  infundada  a  manifestação  de  inconformidade apresentada e, portanto, também não homologo  a compensação declarada.  Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso  Voluntário  onde,  após  um  breve  relato  do  indeferimento  ao  seu  direito  alegado,  reitera  seus  argumentos  expendidos  na manifestação  de  inconformidade,  acrescentado  que  não  formulou  pedido  intempestivo  de  retificação  de  Perd/Dcomp,  sendo  inaplicável  ao  caso  os  citados  dispositivos da IN 900/2008, na decisão recorrida.  É o relatório.  Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15374.967191/2009­67  Acórdão n.º 1401­002.773  S1­C4T1  Fl. 6          5     Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1401­002.770,  de  26/07/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  15374.967189/2009­ 98, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401­002.770):  Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso  Voluntário apresentado, dele conheço.  Conforme  relatoriado,  a  Recorrente  informou  como  crédito  no  Perd/Dcomp  um  valor  pago  a  título  de  estimativa  mensal  de  IRPJ  de  2006  e  posteriormente,  por  ocasião  do  indeferimento  de  seu  pleito,  reconheceu  que  a  natureza  do  crédito que deveria/queria informar seria, na realidade, de saldo  negativo de IRPJ, apurado no ano de 2006.  A Recorrente,  após  cientificada  do Despacho Decisório,  apresentou  sua  Manifestação  de  Inconformidade  onde  reconheceu  o  equívoco  no  preenchimento  do  Perd/Dcomp,  afirmando que detinha saldo negativo de IRPJ suficiente para a  compensação  pleiteada,  apresentando  planilha  com  os  valores  que alega ter recolhido a título de estimativas mensais de IRPJ,  apresentando também DCTF e DARF do valor recolhido e DIPJ  do ano­calendário de 2006.  A  Decisão  de  piso  não  homologou  a  compensação  pleiteada porque tratou a situação da seguinte maneira:  Diante disso, deve­se refrear o ânimo de, em homenagem  ao  principio_  da  verdade material,  fazer  tábula  rasa  do  disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900,  de  2008,  segundo  o  qual  o  pedido  de  restituição  e  a  declaração  de  compensação  somente  poderão  ser  retificados  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontrem  pendentes  de  decisão  administrativa  à  data  do  envio  do  documento  retificador,  observado  o  disposto  nos  artigos  78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação.  Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em  última  análise,  admitir  a  retificação  intempestiva  do  PER/DCOMP.  Ora, tal dispositivo normativo não impede e nem proíbe,  absolutamente, que, constatado erros pontuais no preenchimento  Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15374.967191/2009­67  Acórdão n.º 1401­002.773  S1­C4T1  Fl. 7          6 de um Per/Dcomp, e perfeitamente identificáveis, sejam sanáveis  por parte da Unidade de Origem.  Quer se dizer com isto que a fundamentação da decisão  recorrida não se mostra adequada, sendo inaplicável à situação  em  debate.  Como  lembra  a  Recorrente,  "...não  formulou  qualquer pedido intempestivo de retificação do PER/DCOMP..."  Consta  nos  autos  uma  DCTF  Mensal,  de  março/2006,  Totalização  dos  Tributos  e  Contribuições  Apurados  no  Mês,  onde  consta  débitos  apurados  de  IRPJ  da  ordem  de  R$  188.114,64, uma DCTF mensal de março/2006 Débito Apurado  e Créditos Vinculados de R$ 58.851,62 e DARF deste valor.    Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15374.967191/2009­67  Acórdão n.º 1401­002.773  S1­C4T1  Fl. 8          7 Não nos olvidemos, também, de que na decisão recorrida  não se encontra qualquer restrição quanto ao saldo negativo de  IRPJ,  mas,  pelo  contrário,  conforme  se  depreende  do  voto  do  Relator da decisão da DRJ, que assim se posicionou :  Para  sorte  da  interessada,  ainda  lhe  resta  tempo  para  solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito ­ o saldo  negativo  do  imposto  de  renda  ­  e  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  fiscais  próprios,  na medida  em  que não se trata do mesmo crédito postulado no presente  PER/DCOMP.  Eu não diria que a Recorrente teria sorte neste caso, até  porque já se passaram mais de cinco anos da apuração do saldo  negativo  de  IRPJ  de  2006,  uma  vez  que,  inexplicavelmente,  após  a  ciência  da  decisão  recorrida  que  se  deu  em  2011  o  processo  ficou  sem  qualquer  movimentação  por  mais  de  oito  anos (!), o que viria a prejudicar, de fato, a Recorrente se tivesse  que transmitir uma nova DCOMP.  De forma que, sob qualquer ângulo que se vê, a decisão  recorrida tratou de forma equivocada o mérito da questão, sendo  forçoso reconhecer o saldo negativo de IRPJ de 2006, limitado,  entretanto, à importância declarada em DCTF, a título de IRPJ,  na importância de R$ 188.114,64.  Portanto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário,  reconhecendo um saldo negativo de IRPJ de 2006 da ordem de  R$ 188.114,64.   É como voto.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo um saldo negativo de IRPJ para o ano­ calendário de 2006 da ordem de R$ 188.114,64.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves                                Fl. 149DF CARF MF

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Numero do processo: 12585.000066/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­004.876  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO ­ PIS  Recorrente  SYNGENTA PROTECAO DE CULTIVOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005  NÃO­CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.   A não­cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais  de  uma  perspectiva  “Entrada  vs.  Saída”,  mas  de  uma  perspectiva  “Despesa/Custo  vs.  Receita”,  de  modo  que  o  legislador  permitiu  a  apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o  aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.  INSUMO. CONCEITO.   Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido  de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto,  esse  itens,  sejam  serviços,  mercadorias,  ou  intangíveis,  devem  ser  intimamente  ligados  à  atividade­fim  da  empresa  e,  principalmente,  ser  utilizados  efetivamente,  e  de  forma  identificável  na  venda  de  produtos  ou  serviços,  contribuindo  de  maneira  imprescindível  para  geração  de  receitas,  observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial,  a  de que  não  sejam  tratados  como  ativo  não­circulante,  hipótese  em que  já  previsão específica de apropriação.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO  PROPORCIONAL.  Na determinação dos créditos da não­cumulatividade passíveis de utilização  na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as  receitas tributadas e não tributadas.  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  EMBALAGENS.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  As embalagens que não  são  incorporadas ao produto durante o processo de  industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído  o  processo  produtivo  se  destinam  ao  transporte  dos  produtos  acabados     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 66 /2 01 0- 35 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais  podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO  PRODUTIVO. REQUISITOS.  Somente  materiais  de  limpeza  ou  higienização  aplicados  diretamente  no  curso do processo produtivo geram créditos da não­cumulatividade, ou seja,  não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do  parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.  REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS  E INSUMOS IMPORTADOS  O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­ se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem,  material  de  limpeza,  despesas  de  energia  elétrica  registradas  erroneamente  como  aluguéis,  e  produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo  pagamento  da  contribuição  na  importação,  devendo  ainda  ser  afastado  o  critério  de  rateio  adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.     (assinado digitalmente)  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator    Participaram  do  julgamento  os  conselheiros:  Robson  Jose  Bayerl,  Tiago  Guerra  Machado,  Mara  Cristina  Sifuentes,  André  Henrique  Lemos,  Lazaro  Antonio  Souza  Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice­Presidente) e Rosaldo  Trevisan (Presidente).    Fl. 313DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          3 Relatório  Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não­ cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB.  Foi  emitido  Despacho  Decisório  que  reconheceu  parcialmente  o  direito  creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido.  Irresignada  com  o  deferimento  apenas  parcial  de  seu  pleito,  a  contribuinte  encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte:  1)  Créditos  a  descontar  na  importação:  a  empresa  apurou  créditos  decorrentes de  suas operações de importação de  insumos e produtos para  revenda,  norteando­se  pelo  art.  15 da Lei  n°  10.865/2004. O Fisco  questionou  tais  créditos  com  base  nas  seguintes  premissas:  (a)  importação  de  bens  classificados  na  NCM  38.08  assim  como  das  matérias­primas  utilizadas  para  sua  produção  que  supostamente deveriam ser  tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito  tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que  o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa  não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no  rol  de  produtos  abarcados  pela NCM  38.08  diversas  outras mercadorias  e  não  só  defensivos  agrícolas  abarcados  pela  alíquota  zero  da  contribuição.  A  empresa  é  produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os  quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são  tributados pela  alíquota  regular. Não  foram confrontados os NCMs  indicados pela  empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que  todos  os  produtos  comercializados  estariam  classificados  no  NCM  38.08  como  defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta  planilha e folders.   2) Créditos  decorrentes  da  aquisição  de  insumos:  a  Fiscalização  glosou  créditos  da  empresa  relativos  à  aquisição  de  insumos  utilizados  em  seu  processo  produtivo. Estas glosas são refutadas porque:   a)  conceito  de  insumos:  tomando­se  como  referência  os  intentos  do  Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática  nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente  diferente  daquela  adotada  pela  legislação  do  IPI),  reputa­se  claramente  ilegal  o  conceito utilizado pela Fiscalização na definição de  insumos. A definição sugerida  pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas  do  IPI,  também  na  IN  n°247/2002,  que  trata  quase  que  de  forma  idêntica  da  conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada  para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos pré­requisitos  para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto  com  o  produto  final  que  está  sendo  elaborado.  A  intenção  do  legislador  era  a  desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber  como necessários,  para  a  conceituação de  insumos,  a  restrição contida no  referido  dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com  o produto final que se está a elaborar.   Fl. 314DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          4 A  norma  infralegal  agiu  ao  total  arrepio  de  suas  competências  ao  regular  preceito  em  total  desacordo  com  os  intentos  da  legislação  que  lhe  dá  fulcro,  sofrendo,  por  conseguinte,  de  uma  ilegalidade  contida  em  sua  gênese.  Deve  ser  afastada  a  aplicabilidade  da  possível  interpretação  restritiva  do  crédito  aqui  discutido,  pautada  pela  definição  contida  na  IN,  que  obrigue  o  contato  direto  do  insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito  de  insumos  apropriados  pela  empresa  não  pode  ser  contestado  pelos  argumentos  levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma  ilegal emitida pela  RFB  em  desacordo  com  a  legislação  que  lhe  dá  sustento,  devendo  este  ser  reconhecido em sua totalidade;   b)  contato  direto  dos  insumos  glosados  ao  produto  final:  após  análise  exaustiva  dos  diversos  produtos  enumerados  pela Fiscalização  em  sua  planilha de  exclusões,  a  empresa  houve  por  bem  elaborar  demonstrativo  (anexado),  no  qual  justifica  o  enquadramento  dos  produtos  desconsiderados  do  conceito  de  insumos  sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito  de COFINS apropriado. Assim:   1)  materiais  de  embalagem:  em  sua  totalidade,  os materiais  de  embalagem  considerados  pelo  despacho  decisório  como  de  mero  acondicionamento  para  transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas  sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção  até  o  consumo  final.  Os  produtos  elaborados  pela  empresa,  por  serem  de  cunho  tóxico,  se  sujeitam  a  diversas  normas  regulatórias  emanadas  por  Agências  Governamentais,  as  quais  lhe  obrigam  a  acondicionar  suas  mercadorias  em  embalagens padronizadas e  resistentes. As  caixas  (que  compõem grande parte dos  produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas  de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas  no  mercado,  evitando  que  o  produto  químico  produzido  sofra  alterações  em  decorrência do  contato  excessivo  com, por  exemplo,  a  luz  solar. Tal proteção não  visa  o  transporte  da mercadoria,  a  qual  seria  inutilizada  por  seu  consumidor  final  após  o  recebimento  destas, mas  sim  o  acondicionamento  de  produtos  tóxicos  que  devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim  prejuízos  ao  meio  ambiente  decorrentes  de  possíveis  contaminações.  Também  se  pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são  colocados  em  cada  uma  delas  contendo  informações  importantes  acerca  das  recomendações  para  a  utilização  dos  produtos,  assim  como  dos  perigos  que  este  pode  causar  caso  sejam manejados  de  forma  imprópria.  Se  estas  caixas  servissem  apenas para o mero  transporte não  se  fariam necessárias  explicações  atinentes aos  procedimentos  que  devem  ser  adotados  pelo  consumidor  final  para  utilização  dos  produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da  mercadoria  em  si  e  não  para  o  mero  transporte  destas.  Não  há  que  se  falar  em  ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem  (rótulos,  tinta,  etiquetas  e  etc.)  ser  reconhecidos  como  insumos  dos  produtos  comercializados, com geração de créditos;   2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para  a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários  que  visam  a  higienização  das  tubulações  por  onde  passam  os  produtos  químicos  elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho­ maria"  as  matérias  primas  colocadas  na  caldeira  de  produção.  Quanto  a  estes  últimos,  por  serem  de  aplicação  necessária  ao  processo  produtivo,  não  há  que  se  questionar  que  geram  direito  ao  crédito  de  COFINS.  Os  produtos  glosados  pela  fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo  de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e  Fl. 315DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          5 não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir  que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos;   3)  créditos  sobre  matéria  prima  ­  alíquota  zero:  esse  beneficio  é  aplicado  apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas  aquisições  regulares  destas  mercadorias  no  mercado  interno  ou  externo  ocorre  a  incidência  normal  de  COFINS.  Como  dito,  é  empresa  que,  dentre  outros,  produz  mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos  agrícolas),  as  quais  se  sujeitam  à  alíquota  regular  da  contribuição  aqui  tratada  (inseticidas,  raticidas,  fungicidas  e  etc.). Assim,  equivocada  está  a Fiscalização ao  glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data  de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas.   3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos  na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas  Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não  se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas  com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão.  Os  créditos  decorrentes  de  despesas  de  energia  elétrica  não  vislumbram  qualquer  restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua  íntegra.  A  situação  em  tela  se  caracteriza  como  sendo  mero  equivoco  formal  cometido  pela  empresa  no  preenchimento  de  seu  DACON.  Não  se  presta  como  argumento  suficiente  para  a  glosa  de  créditos  pleiteados,  eis  que  nos  processos  referentes  a  ressarcimento/restituição,  o  principio  da  verdade  material  deve  ser  aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários.   4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas  pela  empresa  para  fins  de  apuração  dos  tipos  creditórios  aferidos  no  período  em  questão, sob o argumento de que não poderiam  ter sido  incluídos no cômputo das  "Receitas  de  Vendas  Não  Tributadas  no  Mercado  Interno",  receitas  tidas  com  operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17  da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção  dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas  por normas  isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as  receitas  que  deverão  ser  incluídas  ou  não  no  computo  da  sistemática  de  cálculo  intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento  da  Fiscalização,  a  exclusão  destas  receitas  do  cálculo  do  rateio  proporcional  não  poderia  ocasionar  a  anulação  do  direito  creditório  aferido,  porquanto  o  crédito  permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não  tributadas  para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações.   5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não  resta  outra  alternativa  para  a  análise  efetiva  de  todo  material  apresentado,  assim  como para desvendar a verdade material dos fatos, que se:   a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados,  como  também  outros  que  os  sejam  entendidos  necessários  para  a  validação  do  crédito pleiteado;   b)  realize  trabalhos  periciais,  visando  a  validação  dos  argumentos  apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a  fim de que se reconheça seu direito creditório;   c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16,  inciso IV, do Decreto  nº 70.235/1972).   Fl. 316DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          6 Sobreveio Acórdão  nº  10­047.110,  exarado  pela DRJ/POA,  que  considerou  improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.  Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio  a repetir os argumentos apresentados na impugnação.  É o relatório.          Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3401­004.871,  de  21  de  maio  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  16349.000309/2009­45, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­004.871):  "Da Admissibilidade  O Recurso é  tempestivo, e  reunindo os demais  requisitos de  admissibilidade, dele tomo seu conhecimento.  Do Mérito  A  maior  parte  dos  créditos  glosados  pela  Fiscalização  devem­se ao  fato de que  essa autoridade descaracterizou como  insumos  as  aquisições  de  mercadorias  que  ensejaram  o  respectivo crédito de COFINS não­cumulativa.  Nessa  linha,  foram glosados  créditos  referentes  à  aquisição  de produtos de limpeza industrial e material de embalagens.  Diante  disso,  convém  discorrer  brevemente  sobre  a  não­ cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS  A  modalidade  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  surgiu  em  decorrência  da  edição  das  Medidas  Provisórias  66/2002  e  135/2003,  posteriormente  convertidas  nas  Leis  Federais 10.637/2002 e 10.833/2003.  Anteriormente, a não­cumulatividade tributária no Brasil foi  inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de  tributação  sobre  o  valor  agregado,  em  voga  em  muitos  países  Fl. 317DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          7 europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se  desenvolveu  de  doutrina  –  e  jurisprudência  –  a  respeito  da  definição  dos  itens  que  poderiam  ser  admitidos  como  crédito;  primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens  creditáveis;  segundo,  até  o  advento  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  os  debates  jurídicos  eram  monopolizados  pelos  conflitos  de  ordem  eminentemente  formal,  especialmente  nos  casos  em  que  o  contribuinte  leis  ordinárias  est  de  forma  conflituosa  com  os  dispositivos  constitucionais  sobre  tais  tributos nos últimos cinquenta.  Contudo, diferentemente de outros  tributos não­cumulativos,  como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou­ se  a  delegar  à  lei  ordinária  para  que  essa  estabelecesse  quais  setores  de  atividade  econômica  o  regime  não­cumulativo  seria  aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao  artigo 195, da Constituição Federal:  § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para  os quais as contribuições  incidentes na forma dos  incisos  I, b; e IV do caput, serão não­cumulativas.  Vejam  que,  em  relação  ao  ICMS  e  ao  IPI,  a  Constituição  Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites  mínimos  para  a  aplicação  do  conceito  da  não  cumulatividade  tributária:  Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:  IV ­ produtos industrializados;  II  ­  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores;  (...)  Art.  155.  Compete  aos  Estados  e  ao  Distrito  Federal  instituir impostos sobre:   (...)  II  ­  operações  relativas  à  circulação  de  mercadorias  e  sobre prestações de  serviços de  transporte  interestadual e  intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações  e as prestações se iniciem no exterior;  (...)  § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:   I ­ será não­cumulativo, compensando­se o que for devido  em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou  prestação  de  serviços  com  o  montante  cobrado  nas  anteriores  pelo  mesmo  ou  outro  Estado  ou  pelo  Distrito  Federal;  Fl. 318DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          8 De  tal  forma,  ainda  que  o  princípio  da  não­cumulatividade  guarde  um  significado  próprio  –  qual  seja  a  de  viabilizar  a  tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  deve  ser  encarada  mormente  pelos mandamentos  previstos  nas  respectivas  leis  de  sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites  objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional.  Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra  coletiva “Não Cumulatividade Tributária:  Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar  que se trata de um regime de não­cumulatividade parcial,  pois  ele  não  assegura  plena  dedução  de  créditos,  mas  apenas  dos  valores  listados  “numerus  clausulus”  e  segundo  regras  de  cálculo  prescritas  expressamente.  (Editora Dialética, 2009. Página 427)  Assim,  deve­se  ter  em  vista  que  a  não­cumulatividade  não  comporta um conceito absoluto e independente da legislação que  regra  os  tributos  com  essa  particularidade.  Isso  não  será  diferente com as contribuições sociais.  Na  miríade  de  atos  normativos  que  regem  a  contribuições  sociais  não­cumulativas,  é  muito  claro  que  nos  detemos  no  artigo  3º,  das  Leis  Federais  de  regência,  muito  embora  as  modalidades  de  direito  ao  crédito  estejam  espalhadas  na  legislação ordinária que regulam as contribuições  sociais para  setores  específicos  e  operações  específicas,  as  quais  algumas  serão objeto de análise mais adiante.  Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º:  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  calculados  em  relação  a:   I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos  referidos nos  incisos  III e  IV  do § 3o do art. 1o;  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela  Lei nº 10.865, de 2004)  a)  nos  incisos  III  e  IV  do  §  3o  do  art.  1o  desta  Lei;  e  (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)   a) no  inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela  Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos  a) no  inciso  III do § 3o do art. 1o desta Lei;  e  (Redação  dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)  b)  no  §  1o  do  art.  2o  desta  Lei;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  Fl. 319DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          9 b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada  pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  II ­ bens e serviços utilizados como insumo na fabricação  de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços,  inclusive combustíveis e lubrificantes;  II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação  dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata  o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  III ­ (VETADO)  IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos  a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  V  ­  despesas  financeiras  decorrentes  de  empréstimos  e  financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno Porte (Simples);  V  –  despesas  financeiras  decorrentes  de  empréstimos,  financiamentos  e  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoas  jurídicas,  exceto  de  optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  –  SIMPLES;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.684, de 30.5.2003)  V  ­  valor  das  contraprestações  de  operações  de  arrendamento  mercantil  de  pessoa  jurídica,  exceto  de  optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  VI  ­ máquinas e equipamentos adquiridos para utilização  na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a  outros bens incorporados ao ativo imobilizado;  VI  ­ máquinas, equipamentos e outros bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação a terceiros ou para utilização na produção de bens  Fl. 320DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          10 destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  de  terceiros,  quando  o  custo,  inclusive  de  mão­de­obra,  tenha  sido  suportado pela locatária;  VIII ­ bens recebidos em devolução, cuja receita de venda  tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e  tributada conforme o disposto nesta Lei.  IX  ­  energia  elétrica  consumida  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Incluído  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  IX  ­  energia  elétrica  e  energia  térmica,  inclusive  sob  a  forma  de  vapor,  consumidas  nos  estabelecimentos  da  pessoa  jurídica.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)  X  ­  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica que explore as atividades de prestação de  serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído  pela Lei nº 11.898, de 2009)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para utilização na produção de bens destinados a venda ou  na prestação de serviços.   E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o  início  da  vigência  do  regime  não­cumulativo  é  aquele  que  se  refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.”  Vejam  que  a  expressão  “insumo”,  na  legislação  de  referência,  não  foi  adicionada  de  uma  definição  própria  para  aplicação,  de  modo  que,  nos  termos  do  artigo  11,  da  Lei  Complementar 95/1998, que  trata da elaboração e redação das  leis,  as  palavras  devem  ser  utilizadas  no  texto  legal  em  seu  sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve  seguir tal comando como premissa.   Diante  disso,  cabe  mencionar  que,  segundo  o  Dicionário  Aurélio1,  insumo pode ser definido como o “elemento que entra  no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e  equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”.  No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o  eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira:                                                              1   Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro:  Nova Fronteira, 1999.  2   In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214.  Fl. 321DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          11 (...) é uma algaravia de origem espanhola,  inexistente em  português,  empregada  por  alguns  economistas  para  traduzir a expressão inglesa  'input',  isto é, o conjunto dos  fatores  produtivos,  como  matérias­primas,  energia,  trabalho,  amortização  do  capital,  etc.,  empregados  pelo  empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...)  De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito  acima  nos  parece  apropriado.  Para  a  ciência  econômica,  tal  definição  inclui  todos  os  elementos  necessários  à  produção  de  um bem, mercadoria ou serviço, tais como matérias­primas, bens  intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc.   Todavia,  para  fins  fiscais,  o  termo  insumo  é  utilizado  de  maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até  hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro.   Nas  raras  remissões  legislativas  encontradas,  usualmente  trata­se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação  física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal,  mesmo  porque  constituem  impostos  sobre  a  “produção  e  circulação  de  bens  e  serviços”,  tal  como  disposto  em  nosso  Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 ­  CTN).  No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual  do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e  evidente da tríade matéria­prima/produto intermediário/material  de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama  produto intermediário.  Nas  raras  oportunidades  em  que  a  legislação  estadual  enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser  considerado  como  pioneiro  na  definição  de  insumo:  a Decisão  Normativa  CAT  01/2001,  do  Estado  de  São  Paulo,  que,  ao  exemplificar  mercadorias  que  poderiam  ser  consideradas  insumos,  deu  especial  destaque  àqueles  produtos  que  são  utilizados  no  processo  ainda  que  não  componham  o  produto  final:  Entre  outros,  têm­se  ainda,  a  título  de  exemplo,  os  seguintes  insumos  que  se  desintegram  totalmente  no  processo  produtivo  de  uma mercadoria  ou  são  utilizados  nesse  mesmo  processo  produtivo  para  limpeza,  identificação,  desbaste,  solda  etc.:  lixas;  discos  de  corte;  discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de  aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral ­  tais  como  etiquetas,  fitas  adesivas,  fitas  crepe,  papéis  de  embrulho,  sacolas,  materiais  de  amarrar  ou  colar  (barbantes,  fitas,  fitilhos,  cordões  e  congêneres),  lacres,  isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no  interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis  para  marcação  de  embalagens;  óleos  de  corte;  rebolos;  modelos/matrizes  de  isopor  utilizados  pela  indústria;  produtos  químicos  utilizados  no  tratamento  de  água  Fl. 322DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de  insumos e de produtos.  Porém,  como  podemos  verificar,  o  conceito  amplificado  de  insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão  de  que  são  os  elementos  que  participam  efetivamente  do  processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente,  o  ICMS  demanda  uma  intrínseca  relação  entre  a  entrada  da  mercadoria  utilizada  no  processo  econômico  que  ensejará  a  saída do produto final.   Ademais, verifica­se que enquanto o ICMS e o IPI possuem  profunda  relação  com  a  movimentação  física  de  bens  e  mercadorias,  o  que  se  reflete  na  maneira  como  a  não­ cumulatividade se manifesta – como regra, apropria­se créditos  na  entrada  de  bens  e  mercadorias  que  venham  a  serem  movimentados posteriormente com débito do imposto ­, o PIS e  a  COFINS  possuem  relação  com  um  aspecto  absolutamente  econômico,  representado  e  controlado  graficamente  pela  contabilidade, a geração de receitas tributáveis.  Nessa linha, a não­cumulatividade das contribuições sociais  deve  se  performar  não mais  de  uma  perspectiva  “Entrada vs.  Saída”, mas  de uma perspectiva  “Despesa/Custo vs. Receita”,  expressivamente mais  complexa  e mais  alheia  aos  operadores  do  Direito  e  aos  legisladores,  que  durante  cinquenta  anos  acostumaram  com  a  “não­cumulatividade  física”  em  detrimento de uma “não­cumulatividade econômica”   De  certo,  é  possível  entender  essa  falha  conceitual  ao  se  analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se  observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir  o  crédito,  por  exemplo, desde a entrada dos bens para  estoque  (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito  intrínseco  da não­cumulatividade econômica está sobre a noção de custo e  despesa,  que  não  são  registrados  no momento da  aquisição  do  estoque,  mas  sim  quando  da  sua  realização  pela  venda,  e  consequente registro contábil da receita.  Desse  modo,  acredito  que  o  conceito  de  insumo  para  a  legislação  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  parece  ser  mais  abrangente  que  o  utilizado  para  créditos  do  IPI  e  do  ICMS  –  como  faz  crer  das  conclusões  da  decisão  ora  recorrida  –,  de  maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que  ultrapassem  a  vinculação  física  e  recaiam  sobre  o  aspecto  econômico da operação de entrada de bens e serviços.  Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto  de créditos das contribuições além dos elementos que compõem  os  custos diretos e  indiretos de produção através alocação por  atividade  (i.e.  “Sistema  de  Custeio  ABC”),  e  incluiu  componentes  que,  em  uma  análise  puramente  contábil,  seriam  classificados  como  despesas  variáveis,  estritamente  atreladas  com a geração de receitas.  Fl. 323DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de  PIS/PASEP e COFINS,  temos que os custos diretos e  indiretos  constituem  base  de  cálculo  de  forma  inquestionável;  já  as  despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que  cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou  serviço.  Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com  a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao  regulamentar a  cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu  insumo de  uma maneira mais  restrita,  contrariando,  em última  análise,  o  espírito  das  Leis  Federais  nº  10.637/2002  e  nº  10.833/2003,  que  visavam  mitigar  o  efeito  cascata  das  contribuições e “estimular a eficiência econômica”3:  Art. 66. (...)  §  5º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados à venda:  a)  as  matérias  primas,  os  produtos  intermediários,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde  que não estejam incluídas no ativo imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...)  Partindo  esse  entendimento,  a  Receita  Federal  amenizou  algumas  restrições,  criando  um  entendimento,  que  vigora  até  hoje  em  diversas  Soluções  de Consulta,  de  que  deve  haver  um  vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo  bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos.  Assim,  destacou  a  Solução  de  Consulta  que  inaugurou  esse  raciocínio:  “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal)  PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS.                                                              3   Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003.  Fl. 324DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          14 Consideram­se insumos, para fins de desconto de créditos  na  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa,  os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoas  jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens  destinados à venda ou na prestação de serviços.  O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e  qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para  a  atividade  da  empresa,  mas,  sim,  tão  somente,  como  aqueles,  adquiridos  de  pessoa  jurídica,  que  efetivamente  sejam  aplicados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  do  serviço.  Dessa  forma,  somente  os  gastos  efetuados  com  a  aquisição  de  bens  e  serviços  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção de bens ou prestação de serviços geram direito a  créditos  a  serem  descontados  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP devida.  Não  dão  direito  a  crédito  os  valores  pagos  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País,  a  título  de  despesas  administrativas,  contábeis,  de  venda,  de  propaganda,  de  advocacia,  assim  como,  a  aquisição  de  bens  e  serviços  destinados  a  essas  atividades,  efetuados por  empresa que  se  dedica  à  indústria  e  comércio  de  alimentos,  por  não  configurarem pagamento de bens  e  serviços  enquadrados  como  insumos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  destinados à venda.  Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso  II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o.  COFINS. CRÉDITO. INSUMOS.  Consideram­se insumos, para fins de desconto de créditos  na apuração da Cofins não­cumulativa, os bens e serviços  adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos  na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação  de serviços. O  termo "insumo" não pode ser  interpretado  como  todo  e  qualquer  bem  ou  serviço  que  gera  despesa  necessária  para  a  atividade  da  empresa,  mas,  sim,  tão  somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que  efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  do  serviço.  Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição  de  bens  e  serviços  aplicados  ou  consumidos  diretamente  na  produção  de  bens  ou  prestação  de  serviços  geram  direito a créditos a serem descontados da COFINS devida.  Não  dão  direito  a  crédito  os  valores  pagos  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  País,  a  título  de  despesas  administrativas,  contábeis,  de  venda,  de  propaganda,  de  advocacia,  assim  como,  a  aquisição  de  bens  e  serviços  destinados  a  essas  atividades,  efetuados por  empresa que  se  dedica  à  indústria  e  comércio  de  alimentos,  por  não  configurarem pagamento de bens  e  serviços  enquadrados  Fl. 325DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          15 como  insumos  utilizados  na  fabricação  de  produtos  destinados à venda.  Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso  II;  IN  SRF  no  404,  de  2004,  art.8o,  §  4o.(DOU  de  08/12/2008)”  Já  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  404/2004  manteve  a  definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs:  Artigo 8º. (...)  §  4º  Para  os  efeitos  da  alínea  "b"  do  inciso  I  do  caput,  entende­se como insumos:  I  ­  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados à venda:  a) a matéria­prima, o produto intermediário, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações,  tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam incluídas no ativo imobilizado;  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação  do produto;  II ­ utilizados na prestação de serviços:  a)  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado; e  b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  do  serviço.  (...)  Consideradas,  pois,  as  manifestações  acima,  podemos  afirmar  que  o  conceito  de  insumo para  fins  de  apropriação de  créditos  de  PIS  e  COFINS  deve  ser  tido  de  forma  mais  abrangente,  desde que  tais  itens  estejam  intimamente  ligados à  atividade­fim  da  empresa  e  que  principalmente  venham  a  ser  utilizados  efetivamente  e  de  forma  identificável  na  venda  de  produtos  ou  serviços,  contribuindo  para  geração  de  receitas,  devendo  ser  inquestionável  o  crédito  decorrente  dos  elementos  que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto.  Passo  a  analisar  item  a  item  que  fora  glosado  pela  fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau:  (A) MATERIAL DE EMBALAGEM  Tal  como  ficou  demonstrado  pelas  declarações  e  documentação  fornecida  pela  Recorrente,  os  materiais  de  embalagem  e  transporte  que  foram objeto  de  glosa de  créditos  Fl. 326DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação  vigente  que  regula  a produção e  comercialização dos  produtos  ofertados  pela  Recorrente,  de  modo  que  não  há  como  não  considerá­los como custo operacional.   Diante  da  exposição  anterior,  sobre  a  não­cumulatividade  das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa.  (B) MATERIAL DE LIMPEZA  Da  mesma  forma,  a  atividade  da  Recorrente  requer  a  obediência  de  diversas  regras  exigidas  pelas  autoridades  sanitárias.  Tal  fato  por  si  só  já  justifica  a  apropriação  de  créditos  pela  Recorrente,  eis  que,  tais  dispêndios  são  verdadeiros  custos  indiretos  que  deve  ensejar  o  direito  ao  desconto de crédito.  Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida.  (C)  DESPESAS  DE  ENERGIA  ELÉTRICA  REGISTRADAS  COMO ALUGUÉIS  Tendo  sido  comprovado que houve apenas  erro material  na  demonstração  dos  créditos  na  DACON,  não  há  como  não  reconhecer  o  direito  ao  crédito  de  energia  elétrica  eis  que  tal  despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de  apropriação  de  crédito  não  cumulativo.  Ainda,  como  a  fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas  de  energia  elétrica,  não  cabe  somente  em  sede  de  recurso  avaliar  a  procedência  e  sua  regularidade  documental,  razão  pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência.  (D)  AQUISIÇÃO  DE  PRODUTOS  IMPORTADOS  E  VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO  Em  obediência  ao  artigo  15,  inciso  II,  da  Lei  Federal  10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na  posição  38.08,  em  que  houver  pagamento  da  COFINS,  não  há  qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese.  Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há  menor dúvida de que são garantidos os  créditos  sobre  insumos  que  implicam  em  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS .  (E) RATEIO PROPORCIONAL  Por  fim,  não  vejo  razão  da manutenção  da  decisão  no  que  tange  ao  rateio  dos  créditos  da  não­cumulatividade  segundo  a  proporção  entre  as  receitas  obtidas  com  operações  de  exportação  e  de  mercado  interno,  haja  vista  que  somente  há  previsão  para  o  rateio  entre  receitas  cumulativas  e  não­ cumulativas,  nos  termos  do  artigo  3º,  da  Lei  Federal  10.833/2003,  mesmo  porque  não  houve  qualquer  menção  no  despacho  decisório  de  que  a  Recorrente  teria  parte  de  suas  receitas tributadas no regime cumulativo.  Fl. 327DF CARF MF Processo nº 12585.000066/2010­35  Acórdão n.º 3401­004.876  S3­C4T1  Fl. 0          17 Por  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  e  dou­lhe  parcial  provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de  embalagem,  material  de  limpeza,  despesas  de  energia  elétrica  registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados  classificados  na  posição  3808  da  NCM  para  os  quais  tenha  havido  efetivo  pagamento  da  contribuição  na  importação,  devendo  ainda  ser  afastado  o  critério  de  rateio  adotado  pela  fiscalização, por carência de fundamento legal expresso."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  os  créditos  referentes  a  material  de  embalagem, material de  limpeza, despesas de energia elétrica  registradas erroneamente como  aluguéis,  e  produtos  importados  classificados  na  posição  3808  da NCM para  os  quais  tenha  havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério  de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan                                Fl. 328DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.014299/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 02-22.168 - 3ª Turma da DRJ/BHE, o qual julgou improcedente a impugnação do contribuinte. Adotamos o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: O auto de infração a folhas 2 a 6 exige o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 202.378,50, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) 84.215,60 55.001,20 63.161,70 202.378,50 DESCRIÇÃO DA INFRA ÇÃO IMPUTADA O autuante, reportando-se ao termo de verificação a folhas 7 a 70, atribui à autuada uma só infração, de cuja descrição adiante se faz uma síntese. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS OU CREDITADOS - O contribuinte efetuou recolhimento a menor do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito dos juros a titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital próprio. Data do fato gerador: 31.12.2003. Enquadramento legal: artigo 9o da Lei n° 9.249, de 1995; artigos 668, 682, 685, 865, inciso II, todos do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda 1999 - RIR 1999; artigo 29, § 6o, da Instrução Normativa SRF n° 11, de 1996. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 7 a 10 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraem-se as observações e argumentos resumidos adiante. A vista dos elementos apresentados pela empresa após intimação e dos valores consignados na linha 35 da ficha 6 da declaração de informações econômico-fiscais (DIPJ), observou-se que a empresa, em 31.12.2003, deduziu na apuração do lucro líquido o valor de R$ 3.500.000,00 a título de juros sobre capital próprio. O § 2o do artigo 9o da Lei n° 9.249, de 1995, e o § 6o do artigo 29 da Instrução Normativa n° 11, de 1996, preveem que os juros remuneratórios ficarão sujeito à incidência do IRRF à alíquota de 15% na data do pagamento ou crédito. Constatou-se, porém, que o recolhimento a esse título atingiu R$ 23.661,84, montante inferior ao resultante da aplicação da alíquota de 15% sobre a totalidade dos juros sobre o capital próprio deduzido na apuração do lucro líquido em 31.12.2003. Instada a comprovar o registro contábil dos juros sobre o capital próprio e o recolhimento do respectivo IRRF, a fiscalizada apresentou cópia de Darf nos valores de R$ 414.592,56, R$7.010,51 e R$ 20.478,41, referentes a recolhimentos realizados respectivamente em 23.04.2004, 12.05.2004 e 26.05.2004, que perfizeram R$ 442.081,48 e que foram declarados na DCTF relativa ao 2o trimestre de 2004. De acordo com a cópia do lançamento contábil n° 112120, os R$ 3.500.000 de juros sobre capital próprio foram creditados à rubrica “Remuneração do Capital a Pagar” em 30.12.2003, em contrapartida ao débito na rubrica representativa daqueles encargos. Por sua vez, a cópia do lançamento contábil n° 104.115 ocorreu somente em 04.04.2004. O aspecto temporal do fato gerador do IRRF é marcado pelo momento do pagamento ou do crédito. Uma vez segregado contabilmente o valor devido a cada beneficiário, mesmo que não ocorra o pagamento, fica caracterizado o fato gerador do IRRF. Trata-se de hipótese legal autônoma de incidência, que a tipifica para o instante mesmo de sua verificação. Embora o registro contábil da apropriação do IRRF tenha ocorrido na época dos pagamentos aos beneficiários dos juros sobre o capital próprio, o registro contábil efetuado em segregando os respectivos valores em nome dos beneficiários, configura a materialização da disponibilidade jurídica da renda a que se refere o artigo 43 do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, por força do disposto no inciso II do artigo 865 do RIR 1999, o IRRF deveria ter sido recolhido até o terceiro dia da semana subsequente ao crédito dos juros, ou seja, em 07.01.2004. Comprovado o recolhimento do IRRF fora do prazo regulamentar, a empresa deveria ter calculado e recolhido os respectivos acréscimos legais a que se sujeitava. Como não o fez, há de se considerar que os valores recolhidos fora de época correspondem não somente ao principal de IRRF, mas também às parcelas exigíveis a título de multa e de juros de mora, em face do disposto nos artigo 950 e 953 do RIR 1999. Para determinar o valor de IRRF que a fiscalizada deixou de recolher no vencimento, em 07/01/2004, elaboraram-se os demonstrativos a folhas 35 a 37, pelos quais se procede à vinculação dos pagamentos realizados aos correspondentes créditos tributários à época do fato gerador. De acordo com os demonstrativos, cumpre exigir saldo de IRRF devido, não declarado na DCTF relativa ao 4o trimestre de 2003 e não recolhido, igual a R$ 84.215,60. IMPUGNA ÇÃO DO LANÇAMENTO Conforme recibo dado por representante legal da autuada, a notificação do lançamento foi feita pessoalmente em 30.10.2008. Em 28.11.2008 o lançamento foi contestado mediante a apresentação da impugnação juntada a folhas 65 a 74. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. A sociedade preza, nas suas relações empresariais, pela transparência e pela honestidade nas diversas relações estabelecidas no exercício normal de suas atividades, entre as quais se inserem as jurídico-tributárias. Discordando veemente dos parâmetros assinalados pelo autuante, a impugnante demonstrará os motivos pelos quais o auto de infração ocorreu de maneira precipitada e equivocada, sem observar a inocorrência do fato gerador do imposto de renda a que se refere o artigo 43 do CTN. Dessa forma, espera-se que seja revisto, de forma que melhor atenda aos preceitos legais e constitucionais. O caput do artigo 43 do CTN estabelece o fato imponível do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. O autuante constatou que ocorreu a materialização da disponibilidade jurídica da renda no momento do registro contábil, ou seja, em 30.12.2003. Com relação à disponibilidade econômica ou jurídica, é de suma importância observar que o fato gerador não alcança a mera expectativa de ganho futuro ou potencial. A Sankyu registrou contabilmente os valores que foram distribuídos aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio em 30.12.2003. Esses valores, porém, não foram distribuídos ao final de 2003, mas somente em abril de 2004, depois de a assembléia ter deliberado a distribuição aos acionistas. Ou seja, após a assembléia é que os valores foram efetivamente disponibilizados e ocorreu o fato imponível do imposto de renda. Hugo de Brito Machado afirma que a disponibilidade não se configura pelo fato de o adquirente da renda ter ação para a sua cobrança. Não basta ser credor da renda se esta não está disponível, e a disponibilidade pressupõe ausência de obstáculos jurídicos. A disponibilidade está intimamente ligada ao direito incondicional do recebimento da renda. Assim também ensina Paulo Caliendo. Ainda com respeito a esse assunto, transcreve-se na impugnação trecho do voto do Ministro Marco Aurélio proferido no julgamento da inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988. Esse é o entendimento do Conselho de Contribuintes em caso similar ao da impugnante, ao afirmar que o lançamento contábil não constitui fato gerador do IRRF, por não estar caracterizada a disponibilidade de valores ao contribuinte. Em abono do argumento, cita-se ementa atribuída ao órgão mencionado. Uma vez que o fato gerador do IRRF somente ocorreu após a deliberação da assembléia geral ordinária, que aprovou os valores que seriam distribuídos a título de juros sobre o capital próprio, é patente o direito da impugnante a que o auto de infração seja cancelado. Pelo exposto, após a devida e regular instrução processual, requer a impugnante que seja cancelado o auto de infração. Requer ainda que a intimação de quaisquer atos processuais seja realizada na pessoa e no endereço de seus procuradores infra-assinados. Foi prolatado o Acórdão nº 02-22.168 - 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 155/160), que julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO - FATO GERADOR DO IRRF Considera-se ocorrido o fato gerador do IRRF incidente sobre os juros sobre o capital próprio na data em que primeiro ocorrer um destes eventos: o seu efetivo pagamento ou crédito de seu valor. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 28/09/2009 (fl.164) e o recurso voluntário foi protocolado em 29/10/2009 (fls. 375/410), alegando, em síntese, que: 1) Ao cumprir o Mandado de Procedimento Fiscal n°. 06.1.01.00-2008-00002-6, o i. Auditor Fiscal constatou, equivocadamente, que supostamente teria ocorrido a materialização da disponibilidade jurídica da renda no momento do registro contábil, ou seja, em 30/12/2003. In casu, a Sankyu registrou contabilmente os valores que foram distribuídos aos acionistas a título de Juros sobre Capital Próprio em 30/12/2003. 2) Cumpre ressaltar que os valores não foram distribuídos ao final de 2003, mas tão somente em abril de 2004, após a Assembléia da empresa que deliberou pela distribuição de valores aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio. 3) Ora, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem como objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, nos termos do artigo 113, §1° do Código Tributário Nacional. 4) O fato gerador da obrigação tributária principal, por sua vez, é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, conforme redação do artigo 114 do CTN. 5) Diga-se ainda que a situação necessária à ocorrência do fato gerador do imposto de renda, segundo o disposto no art. 43 do CTN, é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda. 6) Segundo essa definição, ocorre automática e instantaneamente no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer atividade anterior ou posterior do sujeito passivo ou ativo. Requer, por fim, seja dado provimento ao Recurso, para o fim de reformar a decisão de primeira instância e desconstituir o crédito tributário exigido no lançamento fiscal, em razão da impropriedade dos argumentos que o fundamentaram. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Verifica-se que não há nos autos o Aviso de Recebimento (AR), com prova da intimação da decisão recorrida no domicílio tributário do sujeito passivo. No referido documento deve constar a prova do recebimento do acórdão, revelando-se imprescindível para se aferir acerca da tempestividade do apelo interposto. Todavia, a unidade preparadora instruiu o presente processo apenas com o documento dos Correios (fl.164), em que consta a informação da entrega do documento em 28/09/2009. Contudo, não há prova do recebimento da intimação. Nesse compasso, entendo que o presente processo administrativo não está devidamente instruído. Diante do Exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade preparadora proceda à juntada do Aviso de Recebimento (AR) - objeto n. RK252282130BR, com a prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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Adotamos o relatório da decisão de primeira instância, por bem sintetizar os fatos: O auto de infração a folhas 2 a 6 exige o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 202.378,50, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) 84.215,60 55.001,20 63.161,70 202.378,50 DESCRIÇÃO DA INFRA ÇÃO IMPUTADA O autuante, reportando-se ao termo de verificação a folhas 7 a 70, atribui à autuada uma só infração, de cuja descrição adiante se faz uma síntese. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS OU CREDITADOS - O contribuinte efetuou recolhimento a menor do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito dos juros a titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital próprio. Data do fato gerador: 31.12.2003. Enquadramento legal: artigo 9o da Lei n° 9.249, de 1995; artigos 668, 682, 685, 865, inciso II, todos do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda 1999 - RIR 1999; artigo 29, § 6o, da Instrução Normativa SRF n° 11, de 1996. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 7 a 10 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraem-se as observações e argumentos resumidos adiante. A vista dos elementos apresentados pela empresa após intimação e dos valores consignados na linha 35 da ficha 6 da declaração de informações econômico-fiscais (DIPJ), observou-se que a empresa, em 31.12.2003, deduziu na apuração do lucro líquido o valor de R$ 3.500.000,00 a título de juros sobre capital próprio. O § 2o do artigo 9o da Lei n° 9.249, de 1995, e o § 6o do artigo 29 da Instrução Normativa n° 11, de 1996, preveem que os juros remuneratórios ficarão sujeito à incidência do IRRF à alíquota de 15% na data do pagamento ou crédito. Constatou-se, porém, que o recolhimento a esse título atingiu R$ 23.661,84, montante inferior ao resultante da aplicação da alíquota de 15% sobre a totalidade dos juros sobre o capital próprio deduzido na apuração do lucro líquido em 31.12.2003. Instada a comprovar o registro contábil dos juros sobre o capital próprio e o recolhimento do respectivo IRRF, a fiscalizada apresentou cópia de Darf nos valores de R$ 414.592,56, R$7.010,51 e R$ 20.478,41, referentes a recolhimentos realizados respectivamente em 23.04.2004, 12.05.2004 e 26.05.2004, que perfizeram R$ 442.081,48 e que foram declarados na DCTF relativa ao 2o trimestre de 2004. De acordo com a cópia do lançamento contábil n° 112120, os R$ 3.500.000 de juros sobre capital próprio foram creditados à rubrica “Remuneração do Capital a Pagar” em 30.12.2003, em contrapartida ao débito na rubrica representativa daqueles encargos. Por sua vez, a cópia do lançamento contábil n° 104.115 ocorreu somente em 04.04.2004. O aspecto temporal do fato gerador do IRRF é marcado pelo momento do pagamento ou do crédito. Uma vez segregado contabilmente o valor devido a cada beneficiário, mesmo que não ocorra o pagamento, fica caracterizado o fato gerador do IRRF. Trata-se de hipótese legal autônoma de incidência, que a tipifica para o instante mesmo de sua verificação. Embora o registro contábil da apropriação do IRRF tenha ocorrido na época dos pagamentos aos beneficiários dos juros sobre o capital próprio, o registro contábil efetuado em segregando os respectivos valores em nome dos beneficiários, configura a materialização da disponibilidade jurídica da renda a que se refere o artigo 43 do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, por força do disposto no inciso II do artigo 865 do RIR 1999, o IRRF deveria ter sido recolhido até o terceiro dia da semana subsequente ao crédito dos juros, ou seja, em 07.01.2004. Comprovado o recolhimento do IRRF fora do prazo regulamentar, a empresa deveria ter calculado e recolhido os respectivos acréscimos legais a que se sujeitava. Como não o fez, há de se considerar que os valores recolhidos fora de época correspondem não somente ao principal de IRRF, mas também às parcelas exigíveis a título de multa e de juros de mora, em face do disposto nos artigo 950 e 953 do RIR 1999. Para determinar o valor de IRRF que a fiscalizada deixou de recolher no vencimento, em 07/01/2004, elaboraram-se os demonstrativos a folhas 35 a 37, pelos quais se procede à vinculação dos pagamentos realizados aos correspondentes créditos tributários à época do fato gerador. De acordo com os demonstrativos, cumpre exigir saldo de IRRF devido, não declarado na DCTF relativa ao 4o trimestre de 2003 e não recolhido, igual a R$ 84.215,60. IMPUGNA ÇÃO DO LANÇAMENTO Conforme recibo dado por representante legal da autuada, a notificação do lançamento foi feita pessoalmente em 30.10.2008. Em 28.11.2008 o lançamento foi contestado mediante a apresentação da impugnação juntada a folhas 65 a 74. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo. A sociedade preza, nas suas relações empresariais, pela transparência e pela honestidade nas diversas relações estabelecidas no exercício normal de suas atividades, entre as quais se inserem as jurídico-tributárias. Discordando veemente dos parâmetros assinalados pelo autuante, a impugnante demonstrará os motivos pelos quais o auto de infração ocorreu de maneira precipitada e equivocada, sem observar a inocorrência do fato gerador do imposto de renda a que se refere o artigo 43 do CTN. Dessa forma, espera-se que seja revisto, de forma que melhor atenda aos preceitos legais e constitucionais. O caput do artigo 43 do CTN estabelece o fato imponível do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. O autuante constatou que ocorreu a materialização da disponibilidade jurídica da renda no momento do registro contábil, ou seja, em 30.12.2003. Com relação à disponibilidade econômica ou jurídica, é de suma importância observar que o fato gerador não alcança a mera expectativa de ganho futuro ou potencial. A Sankyu registrou contabilmente os valores que foram distribuídos aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio em 30.12.2003. Esses valores, porém, não foram distribuídos ao final de 2003, mas somente em abril de 2004, depois de a assembléia ter deliberado a distribuição aos acionistas. Ou seja, após a assembléia é que os valores foram efetivamente disponibilizados e ocorreu o fato imponível do imposto de renda. Hugo de Brito Machado afirma que a disponibilidade não se configura pelo fato de o adquirente da renda ter ação para a sua cobrança. Não basta ser credor da renda se esta não está disponível, e a disponibilidade pressupõe ausência de obstáculos jurídicos. A disponibilidade está intimamente ligada ao direito incondicional do recebimento da renda. Assim também ensina Paulo Caliendo. Ainda com respeito a esse assunto, transcreve-se na impugnação trecho do voto do Ministro Marco Aurélio proferido no julgamento da inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988. Esse é o entendimento do Conselho de Contribuintes em caso similar ao da impugnante, ao afirmar que o lançamento contábil não constitui fato gerador do IRRF, por não estar caracterizada a disponibilidade de valores ao contribuinte. Em abono do argumento, cita-se ementa atribuída ao órgão mencionado. Uma vez que o fato gerador do IRRF somente ocorreu após a deliberação da assembléia geral ordinária, que aprovou os valores que seriam distribuídos a título de juros sobre o capital próprio, é patente o direito da impugnante a que o auto de infração seja cancelado. Pelo exposto, após a devida e regular instrução processual, requer a impugnante que seja cancelado o auto de infração. Requer ainda que a intimação de quaisquer atos processuais seja realizada na pessoa e no endereço de seus procuradores infra-assinados. Foi prolatado o Acórdão nº 02-22.168 - 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 155/160), que julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO - FATO GERADOR DO IRRF Considera-se ocorrido o fato gerador do IRRF incidente sobre os juros sobre o capital próprio na data em que primeiro ocorrer um destes eventos: o seu efetivo pagamento ou crédito de seu valor. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 28/09/2009 (fl.164) e o recurso voluntário foi protocolado em 29/10/2009 (fls. 375/410), alegando, em síntese, que: 1) Ao cumprir o Mandado de Procedimento Fiscal n°. 06.1.01.00-2008-00002-6, o i. Auditor Fiscal constatou, equivocadamente, que supostamente teria ocorrido a materialização da disponibilidade jurídica da renda no momento do registro contábil, ou seja, em 30/12/2003. In casu, a Sankyu registrou contabilmente os valores que foram distribuídos aos acionistas a título de Juros sobre Capital Próprio em 30/12/2003. 2) Cumpre ressaltar que os valores não foram distribuídos ao final de 2003, mas tão somente em abril de 2004, após a Assembléia da empresa que deliberou pela distribuição de valores aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio. 3) Ora, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem como objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, nos termos do artigo 113, §1° do Código Tributário Nacional. 4) O fato gerador da obrigação tributária principal, por sua vez, é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, conforme redação do artigo 114 do CTN. 5) Diga-se ainda que a situação necessária à ocorrência do fato gerador do imposto de renda, segundo o disposto no art. 43 do CTN, é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda. 6) Segundo essa definição, ocorre automática e instantaneamente no momento da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer atividade anterior ou posterior do sujeito passivo ou ativo. Requer, por fim, seja dado provimento ao Recurso, para o fim de reformar a decisão de primeira instância e desconstituir o crédito tributário exigido no lançamento fiscal, em razão da impropriedade dos argumentos que o fundamentaram. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Verifica-se que não há nos autos o Aviso de Recebimento (AR), com prova da intimação da decisão recorrida no domicílio tributário do sujeito passivo. No referido documento deve constar a prova do recebimento do acórdão, revelando-se imprescindível para se aferir acerca da tempestividade do apelo interposto. Todavia, a unidade preparadora instruiu o presente processo apenas com o documento dos Correios (fl.164), em que consta a informação da entrega do documento em 28/09/2009. Contudo, não há prova do recebimento da intimação. Nesse compasso, entendo que o presente processo administrativo não está devidamente instruído. Diante do Exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade preparadora proceda à juntada do Aviso de Recebimento (AR) - objeto n. RK252282130BR, com a prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra

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2201­000.321  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  04 de outubro de 2018  Assunto  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Recorrente  SANKYU S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral  Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton  da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 02­22.168 ­ 3ª  Turma da DRJ/BHE, o qual julgou improcedente a impugnação do contribuinte.  Adotamos  o  relatório  da  decisão  de  primeira  instância,  por  bem  sintetizar  os  fatos:  O  auto  de  infração  a  folhas  2  a  6  exige  o  recolhimento  de  crédito  tributário no montante de R$ 202.378,50, assim discriminado:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 14 29 9/ 20 08 -9 7 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10680.014299/2008­97  Resolução nº  2201­000.321  S2­C2T1  Fl. 187          2   TRIBUTO  JUROS DE  MORA  MULTA  TOTAL  Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)  84.215,60  55.001,20  63.161,70  202.378,50  DESCRIÇÃO DA INFRA ÇÃO IMPUTADA O autuante, reportando­se  ao  termo  de  verificação  a  folhas  7  a  70,  atribui  à  autuada  uma  só  infração, de cuja descrição adiante se faz uma síntese.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  IRRF  SOBRE  JUROS  SOBRE  CAPITAL  PRÓPRIO  PAGOS  OU  CREDITADOS  ­  O  contribuinte  efetuou recolhimento a menor do IRRF incidente sobre o pagamento ou  crédito dos juros a titular, sócio ou acionista a título de remuneração  do capital próprio. Data do fato gerador: 31.12.2003. Enquadramento  legal: artigo 9o da Lei n° 9.249, de 1995; artigos 668, 682, 685, 865,  inciso  II,  todos  do  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  ­  Regulamento do Imposto de Renda 1999 ­ RIR 1999; artigo 29, § 6o, da  Instrução Normativa SRF n° 11, de 1996.  Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 7 a  10 o autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraem­se  as observações e argumentos resumidos adiante.  A vista dos elementos apresentados pela empresa após intimação e dos  valores  consignados  na  linha  35  da  ficha  6  da  declaração  de  informações econômico­fiscais (DIPJ), observou­se que a empresa, em  31.12.2003,  deduziu  na  apuração  do  lucro  líquido  o  valor  de  R$  3.500.000,00 a título de juros sobre capital próprio.  O § 2o do artigo 9o da Lei n° 9.249, de 1995, e o § 6o do artigo 29 da  Instrução  Normativa  n°  11,  de  1996,  preveem  que  os  juros  remuneratórios ficarão sujeito à incidência do IRRF à alíquota de 15%  na data do pagamento ou crédito.  Constatou­se,  porém,  que  o  recolhimento  a  esse  título  atingiu  R$  23.661,84, montante inferior ao resultante da aplicação da alíquota de  15% sobre a totalidade dos juros sobre o capital próprio deduzido na  apuração do lucro líquido em 31.12.2003.  Instada  a  comprovar  o  registro  contábil  dos  juros  sobre  o  capital  próprio e o recolhimento do respectivo IRRF, a fiscalizada apresentou  cópia  de  Darf  nos  valores  de  R$  414.592,56,  R$7.010,51  e  R$  20.478,41,  referentes  a  recolhimentos  realizados  respectivamente  em  23.04.2004, 12.05.2004 e 26.05.2004, que perfizeram R$ 442.081,48 e  que foram declarados na DCTF relativa ao 2o trimestre de 2004.  De  acordo  com  a  cópia  do  lançamento  contábil  n°  112120,  os  R$  3.500.000  de  juros  sobre  capital  próprio  foram  creditados  à  rubrica  “Remuneração do Capital a Pagar” em 30.12.2003, em contrapartida  ao débito na rubrica representativa daqueles encargos. Por sua vez, a  cópia  do  lançamento  contábil  n°  104.115  ocorreu  somente  em  04.04.2004.  O aspecto temporal do fato gerador do IRRF é marcado pelo momento  do pagamento ou do crédito. Uma vez segregado contabilmente o valor  devido a cada beneficiário, mesmo que não ocorra o pagamento,  fica  caracterizado  o  fato  gerador  do  IRRF.  Trata­se  de  hipótese  legal  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10680.014299/2008­97  Resolução nº  2201­000.321  S2­C2T1  Fl. 188          3 autônoma de  incidência, que a  tipifica para o  instante mesmo de  sua  verificação.  Embora o registro contábil da apropriação do IRRF tenha ocorrido na  época  dos  pagamentos  aos  beneficiários  dos  juros  sobre  o  capital  próprio,  o  registro  contábil  efetuado  em  segregando  os  respectivos  valores  em  nome  dos  beneficiários,  configura  a  materialização  da  disponibilidade jurídica da renda a que se refere o artigo 43 do Código  Tributário Nacional ­ CTN.  Assim, por força do disposto no inciso II do artigo 865 do RIR 1999, o  IRRF  deveria  ter  sido  recolhido  até  o  terceiro  dia  da  semana  subsequente ao crédito dos juros, ou seja, em 07.01.2004.  Comprovado  o  recolhimento  do  IRRF  fora  do  prazo  regulamentar,  a  empresa  deveria  ter  calculado  e  recolhido  os  respectivos  acréscimos  legais a que se sujeitava. Como não o fez, há de se considerar que os  valores  recolhidos  fora  de  época  correspondem  não  somente  ao  principal de IRRF, mas também às parcelas exigíveis a título de multa  e de juros de mora, em face do disposto nos artigo 950 e 953 do RIR  1999.  Para determinar o valor de IRRF que a fiscalizada deixou de recolher  no  vencimento,  em  07/01/2004,  elaboraram­se  os  demonstrativos  a  folhas  35  a  37,  pelos  quais  se  procede  à  vinculação dos  pagamentos  realizados  aos  correspondentes  créditos  tributários  à  época  do  fato  gerador.  De  acordo  com  os  demonstrativos,  cumpre  exigir  saldo  de  IRRF devido, não declarado na DCTF relativa ao 4o trimestre de 2003  e não recolhido, igual a R$ 84.215,60.  IMPUGNA  ÇÃO  DO  LANÇAMENTO  Conforme  recibo  dado  por  representante  legal da autuada, a notificação do  lançamento  foi  feita  pessoalmente  em  30.10.2008.  Em  28.11.2008  o  lançamento  foi  contestado mediante  a  apresentação da  impugnação  juntada  a  folhas  65 a 74. Os enunciados seguintes resumem seu conteúdo.  A sociedade preza, nas suas relações empresariais, pela transparência  e  pela  honestidade  nas  diversas  relações  estabelecidas  no  exercício  normal  de  suas  atividades,  entre  as  quais  se  inserem  as  jurídico­ tributárias.  Discordando  veemente  dos  parâmetros  assinalados  pelo  autuante,  a  impugnante  demonstrará  os  motivos  pelos  quais  o  auto  de  infração  ocorreu  de  maneira  precipitada  e  equivocada,  sem  observar  a  inocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  de  renda  a  que  se  refere  o  artigo 43 do CTN. Dessa  forma, espera­se que seja  revisto, de forma  que melhor atenda aos preceitos legais e constitucionais.  O caput do artigo 43 do CTN estabelece o  fato  imponível do  imposto  sobre a renda e proventos de qualquer natureza. O autuante constatou  que ocorreu a materialização da disponibilidade jurídica da renda no  momento do registro contábil, ou seja, em 30.12.2003.   Com  relação  à  disponibilidade  econômica  ou  jurídica,  é  de  suma  importância  observar  que  o  fato  gerador  não  alcança  a  mera  expectativa  de  ganho  futuro  ou  potencial.  A  Sankyu  registrou  Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10680.014299/2008­97  Resolução nº  2201­000.321  S2­C2T1  Fl. 189          4 contabilmente os valores que foram distribuídos aos acionistas a título  de juros sobre o capital próprio em 30.12.2003. Esses valores, porém,  não  foram  distribuídos  ao  final  de  2003,  mas  somente  em  abril  de  2004,  depois  de  a  assembléia  ter  deliberado  a  distribuição  aos  acionistas.  Ou  seja,  após  a  assembléia  é  que  os  valores  foram  efetivamente disponibilizados e ocorreu o fato imponível do imposto de  renda.  Hugo de Brito Machado afirma que a disponibilidade não se configura  pelo fato de o adquirente da renda ter ação para a sua cobrança. Não  basta  ser  credor  da  renda  se  esta  não  está  disponível,  e  a  disponibilidade  pressupõe  ausência  de  obstáculos  jurídicos.  A  disponibilidade  está  intimamente  ligada  ao  direito  incondicional  do  recebimento  da  renda.  Assim  também  ensina  Paulo  Caliendo.  Ainda  com  respeito  a  esse  assunto,  transcreve­se  na  impugnação  trecho  do  voto  do  Ministro  Marco  Aurélio  proferido  no  julgamento  da  inconstitucionalidade do artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988.  Esse é o entendimento do Conselho de Contribuintes em caso similar  ao da impugnante, ao afirmar que o lançamento contábil não constitui  fato gerador do IRRF, por não estar caracterizada a disponibilidade de  valores  ao  contribuinte.  Em  abono  do  argumento,  cita­se  ementa  atribuída ao órgão mencionado.  Uma  vez  que  o  fato  gerador  do  IRRF  somente  ocorreu  após  a  deliberação da assembléia geral ordinária, que aprovou os valores que  seriam distribuídos a título de juros sobre o capital próprio, é patente o  direito da impugnante a que o auto de infração seja cancelado.  Pelo  exposto,  após a devida e  regular  instrução processual, requer a  impugnante que seja cancelado o auto de infração.  Requer  ainda  que  a  intimação  de  quaisquer  atos  processuais  seja  realizada  na  pessoa  e  no  endereço  de  seus  procuradores  infra­ assinados.  Foi prolatado o Acórdão nº 02­22.168 ­ 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 155/160),  que julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa:  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  ­  FATO  GERADOR  DO  IRRF  Considera­se ocorrido o fato gerador do IRRF incidente sobre os juros sobre o  capital próprio na data em que primeiro ocorrer um destes eventos: o seu efetivo  pagamento ou crédito de seu valor.  Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 28/09/2009 (fl.164) e o recurso  voluntário foi protocolado em 29/10/2009 (fls. 375/410), alegando, em síntese, que:   1) Ao cumprir o Mandado de Procedimento Fiscal n°. 06.1.01.00­2008­00002­ 6,  o  i.  Auditor  Fiscal  constatou,  equivocadamente,  que  supostamente  teria  ocorrido  a  materialização da disponibilidade jurídica da renda no momento do registro contábil, ou seja,  em 30/12/2003.  In casu,  a Sankyu  registrou contabilmente os valores que foram distribuídos  aos acionistas a título de Juros sobre Capital Próprio em 30/12/2003.  Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10680.014299/2008­97  Resolução nº  2201­000.321  S2­C2T1  Fl. 190          5  2) Cumpre ressaltar que os valores não foram distribuídos ao final de 2003, mas  tão somente em abril de 2004, após a Assembléia da empresa que deliberou pela distribuição  de valores aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio.   3) Ora, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e  tem como objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, nos termos do artigo 113,  §1° do Código Tributário Nacional.   4) O  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  por  sua  vez,  é  a  situação  definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, conforme redação do artigo 114  do CTN.   5)  Diga­se  ainda  que  a  situação  necessária  à  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  segundo  o  disposto  no  art.  43  do  CTN,  é  a  aquisição  da  disponibilidade  econômica ou jurídica de renda.   6) Segundo essa definição, ocorre automática e  instantaneamente no momento  da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nele não interferindo qualquer  atividade anterior ou posterior do sujeito passivo ou ativo.   Requer,  por  fim,  seja  dado  provimento  ao Recurso,  para  o  fim  de  reformar  a  decisão de primeira instância e desconstituir o crédito tributário exigido no lançamento fiscal,  em razão da impropriedade dos argumentos que o fundamentaram.   É o Relatório.  Voto  Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator   Verifica­se que não há nos autos o Aviso de Recebimento (AR), com prova da  intimação  da  decisão  recorrida  no  domicílio  tributário  do  sujeito  passivo.  No  referido  documento deve constar a prova do recebimento do acórdão, revelando­se imprescindível para  se aferir acerca da tempestividade do apelo interposto.  Todavia,  a  unidade  preparadora  instruiu  o  presente  processo  apenas  com  o  documento  dos Correios  (fl.164),  em que  consta  a  informação  da  entrega do  documento  em  28/09/2009. Contudo, não há prova do recebimento da intimação.  Nesse  compasso,  entendo  que  o  presente  processo  administrativo  não  está  devidamente instruído.  Diante do Exposto, voto por converter o  julgamento em diligência, para que a  Unidade  preparadora  proceda  à  juntada  do  Aviso  de  Recebimento  (AR)  ­  objeto  n.  RK252282130BR, com a prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo.   (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra    Fl. 190DF CARF MF Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 191  ___________       Sankyu.doc      Fl. 191DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.720001/2016-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PROCESSO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do processo de suspensão de imunidade por ausência de fundamentação quando a decisão do delegado que determina a suspensão da imunidade traz de forma expressa os fundamentos e razões da suspensão. PROCESSO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO EM RELATÓRIO DO COAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento ao direito de defesa em processo de suspensão da imunidade por esta ter sido baseada em relatórios do COAF (Relatórios de Inteligência Financeira - RIF), vez que garantido o amplo acesso a todos os documentos na fase litigiosa iniciada com a Impugnação. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NECESSÁRIO ATO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. CORREÇÃO POR SIMPLES DESPACHO DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Para alcance das contribuições sociais, a autoridade fiscal deve cumprir todo o procedimento descrito em lei o que exige Ato Declaratório Executivo próprio de suspensão de isenção. REQUISITOS PARA GOZO DA IMUNIDADE. ART. 14 DO CTN E ART. 12, § 2° DA LEI N. 9.532/97. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE APLICAÇÃO INTEGRAL DOS RECURSOS NA MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DOS OBJETIVOS SOCIAIS. No caso de imunidade, não cabe ao Fisco a comprovação de que o contribuinte descumpriu os requisitos legais para gozo da imunidade mas sim ao contribuinte a comprovação de que cumpriu tais requisitos. A ausência de comprovação de aplicação integral dos recursos pela contribuinte na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, implica em suspensão da imunidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados.
Numero da decisão: 1201-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter apenas o lançamento referente ao IRPJ, devendo ser cancelados os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PROCESSO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do processo de suspensão de imunidade por ausência de fundamentação quando a decisão do delegado que determina a suspensão da imunidade traz de forma expressa os fundamentos e razões da suspensão. PROCESSO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO EM RELATÓRIO DO COAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento ao direito de defesa em processo de suspensão da imunidade por esta ter sido baseada em relatórios do COAF (Relatórios de Inteligência Financeira - RIF), vez que garantido o amplo acesso a todos os documentos na fase litigiosa iniciada com a Impugnação. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NECESSÁRIO ATO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. CORREÇÃO POR SIMPLES DESPACHO DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Para alcance das contribuições sociais, a autoridade fiscal deve cumprir todo o procedimento descrito em lei o que exige Ato Declaratório Executivo próprio de suspensão de isenção. REQUISITOS PARA GOZO DA IMUNIDADE. ART. 14 DO CTN E ART. 12, § 2° DA LEI N. 9.532/97. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE APLICAÇÃO INTEGRAL DOS RECURSOS NA MANUTENÇÃO E DESENVOLVIMENTO DOS OBJETIVOS SOCIAIS. No caso de imunidade, não cabe ao Fisco a comprovação de que o contribuinte descumpriu os requisitos legais para gozo da imunidade mas sim ao contribuinte a comprovação de que cumpriu tais requisitos. A ausência de comprovação de aplicação integral dos recursos pela contribuinte na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, implica em suspensão da imunidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter apenas o lançamento referente ao IRPJ, devendo ser cancelados os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).

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1201­002.353  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2018  Matéria  IRPJ  Recorrentes  FUNDAÇÃO ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE  FEDERAL DA BAHIA              FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  PROCESSO  DE  SUSPENSÃO  DE  IMUNIDADE.  NULIDADE  POR  AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.   Não  há  nulidade  do  processo  de  suspensão  de  imunidade  por  ausência  de  fundamentação quando a decisão do delegado que determina a suspensão da  imunidade traz de forma expressa os fundamentos e razões da suspensão.   PROCESSO  DE  SUSPENSÃO  DE  IMUNIDADE.  FUNDAMENTAÇÃO  EM  RELATÓRIO  DO  COAF.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. INOCORRÊNCIA.   Não ocorre  cerceamento  ao  direito  de  defesa  em processo  de  suspensão  da  imunidade  por  esta  ter  sido  baseada  em  relatórios  do COAF  (Relatórios  de  Inteligência Financeira ­ RIF), vez que garantido o amplo acesso a todos os  documentos na fase litigiosa iniciada com a Impugnação.  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO  DE  SUSPENSÃO  DE  IMUNIDADE.  INAPLICABILIDADE  ÀS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NECESSÁRIO ATO DE SUSPENSÃO DE  ISENÇÃO. CORREÇÃO POR  SIMPLES  DESPACHO  DO  DELEGADO  DA  RECEITA  FEDERAL.  IMPOSSIBILIDADE.   Para alcance das contribuições sociais, a autoridade fiscal deve cumprir todo  o  procedimento  descrito  em  lei  o  que  exige  Ato  Declaratório  Executivo  próprio de suspensão de isenção.   REQUISITOS PARA GOZO DA IMUNIDADE. ART. 14 DO CTN E ART.  12,  §  2° DA LEI N.  9.532/97. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  APLICAÇÃO  INTEGRAL  DOS  RECURSOS  NA  MANUTENÇÃO  E  DESENVOLVIMENTO  DOS  OBJETIVOS SOCIAIS.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 01 /2 01 6- 10 Fl. 3699DF CARF MF     2 No  caso  de  imunidade,  não  cabe  ao  Fisco  a  comprovação  de  que  o  contribuinte descumpriu os requisitos legais para gozo da imunidade mas sim  ao contribuinte a comprovação de que cumpriu tais requisitos.  A  ausência  de  comprovação  de  aplicação  integral  dos  recursos  pela  contribuinte  na  manutenção  e  desenvolvimento  dos  seus  objetivos  sociais,  implica em suspensão da imunidade.   RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a obrigações  resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos e  empregados.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício, e, dar parcial provimento ao recurso voluntário para manter  apenas o lançamento referente ao IRPJ, devendo ser cancelados os lançamentos de CSLL, PIS  e Cofins, nos termos do voto do relator.    (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa  ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Gisele  Barra  Bossa  e  Ester  Marques Lins de Sousa (Presidente).  Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração,  fls.14  a  73,  lavrado  contra  o  contribuinte,  Fundação  Escola  de  Administração  da  Universidade  Federal  da  Bahia  (FEA/UFBA),  e  os  responsáveis,  Reginaldo  Souza  Santos,  Maria  da  Graça  Pitiá  Barreto  e  Luiz  Marques  de  Andrade Filho.  Os  autos  combinados  com  o  Relatório  Fiscal,  fls.  74  a  206,  exige  o  recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 84.779.663,20, assim discriminado:  Fl. 3700DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 3          3   No  Relatório  Fiscal,  a  autoridade  fiscal  apresenta  a  motivação  dos  lançamentos. Dele extraem­se as observações e argumentos resumidos adiante:  O contribuinte apresentou Declaração de Informações Econômico­Fiscais da  Pessoa  Jurídica  (DIPJ),  exercício  2012,  como  entidade  isenta  do  IRPJ,  na  Declaração  de  Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) declarou apenas valores  ínfimos relativos ao  IRRF  e  PIS  Folha  de  Pagamento,  no  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon)  declarou  valores  zerados  e,  por  último,  na Declaração  de  Imposto Retido  na  Fonte  (Dirf)  retificadora,  ativa  no  sistema,  há  indicação  de  pagamento  para  uma  única  pessoa  jurídica, apesar disso, foram encontrados pagamentos de vultuosas quantias, no valor  total de  R$ 32.005.388,07, à quatro pessoas jurídicas.  A  ação  fiscal  teve  como motivação  inicial  denúncia  do Ministério  Público  Federal,  Ofício  nº.  188/2014/MPF/PR­BA/2º.  OCE/FPCM  que  noticia  a  existência  de  Procedimento Investigatório Criminal instaurado contra a FEA/UFBA.  Os Relatórios de Inteligência Financeira ­ RIF, elaborados pelo Conselho de  Controle de Atividades Financeiras ­ Coaf, referem­se às empresas beneficiárias de vultuosos  créditos,  oriundos  da FEA/UFBA,  relacionadas  em  procedimento  administrativo  do Tribunal  de Contas do Município, entre elas:  (i) Brain Brasil  Inovação Consultoria e Assessoria Ltda,  (ii) Digital Instituto de Tecnologia Ltda e a (iii) Glia Criatividade Comunicação e Design Ltda,  que receberam, respectivamente, R$ 7.552.812,82, R$ 6.012.719,11 e R$ 6.012.719,11 no ano  calendário fiscalizado.  Essas  empresas  possuem  sócios  coincidentes,  Flavio  de  Souza  Marinho,  Alexandre Toccheto Pauperio e Fabio Luis Assmann e,  segundo  informação do sistema, Sif,  FGTS e Gfip, essas empresas possuem irrisórios vínculos empregatícios o que revela suposta  incapacidade para a prestação de serviços de tamanha vultuosidade.  Há, no relatório  fiscal,  reportagens nas quais consta que o sócio, Alexandre  Toccheto  Pauperio,  foi  indiciado  em  uma  Ação  Civil  Pública  pela  prática  de  crime  de  improbidade  administrativa  pelos  convênios  realizados  entre  a  Secretaria  de  Educação  do  Município – Secult  ­ e a Fundação Escola de Administração – FEA/UFBA ­ e que ele era o  representante da FEA/UFBA perante a Secult, mesmo não integrando os quadros daquela.  Ainda,  a  empresa  KM  Precision  Ltda  recebeu  da  FEA/UFBA  mais  de  10  milhões  de  reais  no  ano  calendário  de  2011,  não  obstante  a  isso,  conforme  informação  nos  sistemas,  Sif  e  Gfip,  tal  empresa  também  possui  um  número  ínfimo  de  funcionários  o  que  revela suposta incapacidade na prestação de serviços tão vultuosos. Cabe salientar ainda que os  sócios dessa empresa,  José Carlos Manso Cabral Filho e Euclides Paiva Alves  Junior,  foram  empregados da FEA/UFBA durante vários anos, inclusive no ano­calendário fiscalizado, 2011.  Fl. 3701DF CARF MF     4 No  decorrer  da  ação  fiscal,  os  sócios  das  empresas  Brain,  Digital  e  Glia,  Flavio  de  Souza  Marinho,  Alexandre  Toccheto  Pauperio  e  Fabio  Luis  Assmann,  foram  intimados  a prestar  esclarecimentos quanto  aos  recursos  recebidos  da FEA/UFBA,  conforme  relatório  fiscal,  fls.  101  a 105. No mesmo  sentido, os  sócios da  empresa KM,  José Carlos  e  Euclides Paiva, também foram intimados, os depoimentos se encontram às fls. 106 a 108.  A  FEA/UFBA  informou  à  fiscalização  que  goza  da  imunidade  tributária  prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c” da Constituição Federal c/c art; 12 da Lei nº. 9532/97  quanto ao IRPJ por ser uma instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos.  Alega que também faz jus a isenção do IRPJ e da CSLL com arrimo no art. 15 dessa mesma lei  por  ser  instituição de  caráter  cultural  e  científico,  sem  fins  lucrativos,  além de  se  considerar  isenta  do  Pis/Pasep  e  Cofins,  respectivamente,  com  fulcro  nos  arts.  13  e  14  da  Medida  Provisória nº. 2158­35/91.  Os requisitos para gozo da isenção sobre a Cofins e CSLL estão tratados no  art. 29 da Lei nº. 12101/09. O art. 32 da mesma lei ainda prevê a obrigatoriedade da lavratura  dos autos de infração no caso de não atendimento aos referidos requisitos legais.  Com base nisso, a fiscalização apreciou a imunidade/isenção de que tratam os  dispositivos constitucionais e legais mencionados, assim como a imunidade disciplinada no art.  195,  §7º  da  Carta  Magna  e  verificou  que  a  FEA/UFBA  não  cumpriu  com  as  condições  e  requisitos,  constitucionais  e  legais,  necessários  ao  gozo  da  imunidade/isenção  do  IRPJ  e das  contribuições  sociais,  uma  vez  que:  (i)  terceirizou  sua  atividade  fim  contrariando  os  seus  princípios  institucionais  e  distribuiu  parcelas  de  suas  rendas  a  fins  diversos,  em  desconformidade com o disposto nos incisos I e II, do art. 14 do CTN, Lei nº. 5.172/66 e inciso  II  do  art.  29  da  Lei  nº.  12101/09;  (ii)  não  houve  escrituração  regular  dos  livros  contábeis,  Razão e Diário, contrariando o requisito de que trata o inciso III do art. 14 do CTN, inciso IV  do art. 29 da Lei nº. 12101/09 e alínea “c” do art. 12 da Lei nº. 9532/97; (iii) desobedeceu o  preceito legal previsto na alínea “b”, do §2º, do art. 12 da Lei nº. 9.532/97 quando deixou de  aplicar  integralmente  seus  recursos  na  manutenção  e  desenvolvimento  dos  seus  objetivos  sociais e desobedeceu também a alínea “f” do §2º do art. 12 da mesma lei quando deixou de  comprovar  com  exatidão  o  recolhimento  de  tributos  retidos  sobre  os  rendimentos  por  ela  pagos; (iv) não possui qualificação como Organização de Sociedade Civil de Interesse Público  – OSCIP conforme preconiza a Lei nº. 9790, de 23 de março de 1999; e (v)  não possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – Cebas, fornecido pelo  Ministério  da  Educação,  a  instituições  de  educação  que  atendam  ao  disposto  na  Seção  II,  Capítulo II da Lei nº. 12101/09 e sendo assim, deixou também de atender a alínea “h” do §2º  do art. 12 da Lei nº. 9532/97.  Ainda, conforme art. 129, inciso II da Constituição Federal e arts. 66 e 67 do  Código Civil, Lei nº. 10.406/02, o Ministério Público do Estado, MPE, é interessado, desde a  criação  até  a  extinção,  na  consecução  dos  objetivos  e  na  preservação  do  patrimônio  das  fundações  privadas. No  entanto,  a  FEA/UFBA  não  comprovou  a  aprovação  pelo Ministério  Público Estadual de sua alteração estatutária, promovida em 18 de março de 2015, deixando  também  de  ter  a  aprovação  dos  seus  resultados,  patrimonial  e  financeiro,  referente  ao  ano  calendário fiscalizado.  Pelo  exposto,  o  gozo  da  imunidade  tributária  foi  suspenso,  conforme  processo administrativo nº. 10580.727559/2015­45, Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº.  0063  e  houve  a  lavratura  do  auto  de  infração  referente  a  IRPJ,  CSLL,  Pis  e  Cofins,  consubstanciado  no  processo  nº.  10580.720001/2016­10,  conforme  prescreve  §§  6º  e  10º  do  art. 32 da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 32 da Lei nº. 12.101/2009.  Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 4          5 Pelos vícios na  escrituração  apresentada,  o  lucro  foi  arbitrado  com base  no  art. 530, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda.  Ainda  no  decorrer  da  ação  fiscal,  foi  constatado  pagamentos  sem  comprovação de causa à Brain, Digital e Glia no valor de R$ 6.431.709,00, R$ 5.342.318,70 e  R$ 7.073.186,10, respectivamente, para o qual foi lavrado o auto de infração referente a IRRF  consubstanciado no processo administrativo nº 10580.720002/2016­64.  E,  por  fim,  houve  a  qualificação  da multa  em  razão  do  enquadramento  do  impugnante no art. 71, inciso I da Lei nº 4.502/64 em relação ao IRRF, processo administrativo  nº.  10580.720002/2016­64  e,  ainda,  os  representantes  legais  da  entidade  foram  enquadrados  como responsáveis tributários com base no art. 124, inciso I c/c art.135 do CTN.    Impugnação  Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, o contribuinte apresenta  impugnação, fls. 3426 a 3498, com os argumentos sucintamente resumidos a seguir:  O  contribuinte  inicia  a  impugnação  solicitando  julgamento  conjunto  desta  impugnação com aquela  apresentada  contra o Ato Declaratório nº.  63/2015 que suspendeu  a  imunidade  tributária  consubstanciada  no  processo  administrativo  nº.  10580.727559/2015­45,  com base no art. 32, §9º da Lei nº. 9430/96.  Informa que a suspensão da isenção não seguiu os preceitos legais previstos  no  citado  artigo,  uma  vez  que  não  há  ato  do  delegado  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  suspendendo  o  benefício.  Salienta  que  o  Ato Declaratório  nº.  63  suspendeu  apenas  a  imunidade. Isso, segundo o impugnante, tornaria os Autos de Infração de Pis/Pasep, Cofins e  CSLL nulos, para corroborar esse entendimento, julgados administrativos foram apresentados.  Alega  que  o  lucro  arbitrado  foi  feito  com  base  nos  livros  contábeis,  no  entanto, os mesmo livros foram considerados inidôneos para comprovar despesas, contrariando  o  art.  380  do Código  do  Processo Civil,  Lei  nº.  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973. Ademais,  durante  a  ação  fiscal,  os  comprovantes  de  despesas  foram  desconsiderados  pela  fiscalização  injustificadamente e o art. 148 do CTN não foi respeitado.  Afirma ainda que os  ingressos oriundos dos convênios  jamais poderiam ser  considerados como receita pelo próprio conceito da palavra convênio na doutrina e com base  no art. 116, §1º, inciso IV e V e § §3º e 4º da Lei nº. 8.666/93.  Como  preliminar,  contra  a  suspensão  da  imunidade,  o  contribuinte  alega  cerceamento  de  defesa  uma  vez  que  o  relatório  faz  diversas  referências  a  “documentos  anexos”, sem, contudo, apresentar tais documentos mesmo quando solicitado pela FEA/UFBA.  Para corrigir tal impasse, solicita a devolução do prazo de 30 dias para impugnar nos termos do  art. 32, §2º da Lei nº. 9430/96.  Ainda em preliminar,  argúi pela nulidade do processo administrativo  fiscal,  uma vez que o processo não pautou sua fundamentação na verdade material, mas em ilações  não admitidas em processos administrativos.  Fl. 3703DF CARF MF     6 Em  sua  defesa,  alega  que  a  FEA/UFBA  nunca  atuou  fora  do  seu  objetivo  social,  uma  vez  que  todos  os  projetos  desenvolvidos  têm  caráter  geral  e  beneficia  toda  a  sociedade. Para comprovar  isso, cita  e explica o desenvolvimento dos  seguintes projetos:  (a)  Prêmio Monográfico em Administração Política João Ubaldo Ribeiro; (b) Projeto Encontros de  Administração  Política  para  o  Desenvolvimento  do  Brasil;  (c)  Projeto  de  Pesquisa  sobre  o  Padrão  de  desenvolvimento  da  gestão  em  assentamentos  rurais,  estudo  de  caso  da  Fazenda  Cascata em Aurelino Leal; (d) Projeto Elaboração do Plano de Desenvolvimento Integrado do  Turismo  Sustentável  de  Salvador;  (e)  Projeto  Eco  Luzia;  e  (f)  Projeto  Educação  Financeira  Cidadã.  Quanto ao convênio celebrado entre a FEA/UFBA e a Secretária Municipal  de Educação, Cultura, Esporte e Lazer ­ Secult, Convênio nº. 093/2009, informa que todas as  prestações  encaminhadas  foram  devidamente  analisadas  e  aprovadas  pela  Prefeitura  de  Salvador  e  que  o  critério  de  escolha  das  empresas  contratadas  seguiram  parâmetros  normalmente utilizados pela Administração.  Afirma  que  não  se  trata  de  transferência  do  contrato  celebrado, mas  sim  a  contratação  de  consultores  e  parceiros  para  a  consecução  de  atividades  específicas  e  que  a  simples alegação de não prova da efetividade dos serviços prestados, no curso da ação fiscal,  não  merece  prevalecer  uma  vez  que,  em  nome  da  verdade  material,  cada  contratante/convenente deve ser intimado a esclarecer os fatos.  Quanto  ao  convênio  celebrado  entre  a  FEA/UFBA  e  o  Departamento  Estadual  de  Trânsito  ­  Detran/BA,  Convênio  nº.  002/2009,  de  título  gratuito,  informa  que  apenas  apoiou o desenvolvimento de  sistema, metodologias de  trabalho,  planos,  atividades  e  pesquisa,  ou  seja,  dentro  do  objetivo  social  do  requerente.  E  que  o  convênio  não  envolve  dinheiro  público, mas  que,  apesar  disso,  o  critério  de  escolha  da  empresa  contratada  seguiu  parâmetros de ordem técnica, fato permitido pela Lei nº. 8.666/93.  Ainda  segundo  o  impugnante,  a  terceirização  em  nada  afetaria  a  isenção/imunidade do contribuinte uma vez que a manutenção de uma gama de profissionais  das mais diversas áreas para poder prestar serviços para a Administração Pública, nos termos  do art. 30, §1º do inciso 1º da Lei nº. 8666/93, tornaria a parceira inviável na prática.  Quanto a contratação dos sócios da KM Precision, José Carlos Manso Cabral  Filho  e  Euclides  Paiva  Alves  Junior,  como  empregados  da  FEA/UFBA,  explica  que  a  contratação se deu pois eles são os interlocutores junto à iniciativa privada, notadamente junto  ao sistema financeiro. E que os custos incorridos com esses empregados foram na execução do  convênio,  pouco  importando  se  deveriam  ser  transferidos  a  pessoa  jurídica  ou  assumidos  diretamente pela FEA/UFBA.  Para a falta de apresentação dos livros contábeis que pudessem desvendar os  lançamentos  globais  efetuados,  afirma  que  a  fiscalização  foi  impaciente  por  não  aguardar  a  localização de tais livros, uma vez que a empresa sofreu com mudanças em seus programas e  sistemas.  Segundo  o  impugnante,  a  Solução  de  Consulta  nº.  89  de  24  de  março  de  2010,  a Secretaria da Receita Federal  do Brasil  esclareceu que  a  ausência do preenchimento  dos  requisitos  para  fazer  jus  à  imunidade  prevista  no  art.  195,  §7º  da Constituição  Federal,  como entidade beneficente de assistência social, não impede o enquadramento da isenção em  outras hipóteses previstas nos art.s 13 e 14 da MP nº. 2158­35/2001.  Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 5          7 Nessa consulta, ficou esclarecido que a ausência do Certificado de Entidade  Beneficente de Assistência Social – Cebas – em nada prejudica o enquadramento da  isenção  em outras hipóteses previstas nos  arts. 13 e 14 da MP nº. 2158/2001, uma vez que o caráter  beneficente de assistência social não é restrito ao assistencialismo.  Ainda, o fato de a FEA/UFBA atuar com parceiros por ela contratados para  ajudar  na  execução  e  projetos  não  pode  ser  confundido  com  cessão  ou  transferência  de  contrato.  Informa que a atividade da FEA/UFBA está intimamente ligada a educação,  se  enquadrando,  com  perfeição,  na  imunidade  prevista  no  art.  150,  IV,  “c”  da  Constituição  Federal e nas isenções previstas nos arts. 12 e 15 da Lei nº. 9.532/97, arts. 13 e 14 da Medida  Provisória  nº.  2158­35/2001.  Ainda  justifica  sua  imunidade  alegando  que  a  finalidade  da  FEA/UFBA  é  a  integração  entre  universidade  e  sociedade,  uma  vez  que  todos  os  projetos  desenvolvidos além de importar em pesquisa com geração de conhecimento têm o caráter geral  e beneficia toda a sociedade.  Também a fiscalização não comprovou a finalidade lucrativa, pois o Auditor  Fiscal  não  aponta  a  existência  de  distribuição  de  resultados,  apenas  conclui  que  os  livros  contábeis  não  são  capazes  de  justificar  o  gozo  da  imunidade  por  parte  da  FEA/UFBA,  contrariando entendimento do Carf.  Por  último,  finaliza  a  impugnação  solicitando  o  acolhimento  da  presente  impugnação com declaração de nulidade dos lançamentos efetuados.  Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, a responsável Maria da  Graça Pitiá Barreto, apresenta impugnação, fls. 3366 a 3385, com os argumentos sucintamente  resumidos a seguir:  Esclarece que a responsabilidade tributária foi atribuída com base no art. 135,  inciso III e art. 124, inciso I ambos do CTN. No entanto, o vínculo apenas recaiu sobre ela pelo  exercício da vice­diretoria na Escola de Administração da UFBA e por  força do Estatuto da  Fundação da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia que assim previa:      Defende  também  que  pela  literalidade  do  art.  135,  não  há  espaço  para  imputar responsabilidade para pessoa diversa do cargo de diretor, gerente ou representante de  pessoa jurídica de direito privado, sendo que Maria da Graça era vice­diretora. Para corroborar  esse entendimento, apresenta doutrina e entendimentos jurisprudenciais.  Fl. 3705DF CARF MF     8 Assim, a fiscalização não identificou a prática de qualquer ato realizado por  Maria  da  Graça  Pitiá  Barreto  durante  o  período  fiscalizado,  uma  vez  que  a  mesma  nunca  substituiu o diretor, não exercendo, portanto, os poderes de gerência, administração ou diretoria  da FEA/UFBA.  Quanto  ao  enquadramento  previsto  no  inciso  I  do  art.  124,  doutrina  e  jurisprudência  são  pacíficas  no  sentido  de  que  “tem  interesse  comum  aqueles  que  figuram  conjuntamente como contribuintes (...) e não pessoas que não preencham a própria condição de  devedor.”  Houve  referência  ao  art.  136  do  CTN  na  autuação.  No  entanto,  tal  enquadramento  também não merece prosperar  uma vez  que  sem poderes  de  administração  e  sem gerir a FEA/UFBA, impossível o cometimento de qualquer infração tributária.  Por último, não se pode aceitar a autuação feita de forma presumida como no  caso.  Finaliza  a  impugnação  solicitando  que  o  auto  de  infração  seja  julgado  improcedente  quanto à legitimação passiva em sua totalidade.  Irresignado  com  o  lançamento  do  Auto  de  Infração,  os  responsáveis,  Luiz  Marques de Andrade Filho e Reginaldo Souza Santos, apresentaram impugnação idêntica, fls.  3392 a 3402 e fls. 3408 a 3419, respectivamente , com os argumentos sucintamente resumidos  a seguir:  Defende  a nulidade da  autuação uma vez que o Mandado de Procedimento  Fiscal – MPF – foi emitido em nome da Fundação, não constando o nome do impugnante nesse  documento.  Informa  que  os  autos  de  infração  tem  como  fundamento  legal  o  art.  135,  inciso  III  c/c  art.  124,  inciso  I  do  CTN.  No  entanto,  nem  os  autos  nem  o  relatório  fiscal  apontam qual seria o interesse comum do autuado na situação. Além disso, o termo “infração à  lei” previsto no art. 135, inciso III, se refere a lei comercial ou civil e não a tributária, e possui  como função a proteção à pessoa jurídica,  Afirma  que  em  todos  os  convênios  e  contratos  celebrados,  a  FEA/UFBA  realizou sua finalidade social, beneficiando toda a sociedade, não havendo, portanto, prática de  ato  contrário  ao  estatuto  e  que  a  existência  de  suposto  ilícito  tributário  não  autoriza  a  responsabilização  nos  termos  do  art.  135  do  CTN,  para  validar  seu  entendimento  apresenta  Súmula do STJ nº. 430.  Alega que a ação fiscal não foi aprofundada, pois, caso contrário, o autuante  chegaria  a  conclusão  de  que  os  serviços  foram  efetivamente  prestados  e  que  os  contratos  e  convênios firmados tinham o escopo de cumprir a finalidade de seus estatutos.  Finaliza solicitando que seja julgado procedente a impugnação para que seja  declarada  a  insubsistência do  auto de  infração  impugnado e,  principalmente,  improcedente  a  responsabilização solidária dos impugnantes.    Da decisão da DRJ  Em  sessão  de  21  de  fevereiro  de  2017,  a  2°  Turma  da  DRJ/BHE  julgou  parcialmente procedente a Impugnação apresentada para:  Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 6          9 ­ AFASTAR as preliminares de nulidade;  ­  MANTER,  integralmente,  as  exigências  do  IRPJ,  CSLL,  Pis  e  Cofins  acrescidas da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora;  ­ MANTER o vínculo de responsabilidade  tributária  (tributos e multas) aos  senhores Luiz Marques de Andrade Filho e Reginaldo Souza Santos;  ­ AFASTAR a responsabilidade tributária (tributos e multas) para a senhora  Maria da Graça Pitiá Barreto;  A decisão da DRJ/BHE foi assim ementada:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  IRPJ. EFEITOS DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE.  Confirmada  a  suspensão  da  imunidade,  a  instituição  de  educação  fica  sujeita  ao  pagamento  do  IRPJ  da mesma  forma  que as demais pessoas jurídicas, e, na falta de apresentação dos  livros  e  documentos  de  sua  escrituração,  a  tributação  pelo  arbitramento do lucro.  BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA CONHECIDA.  Deve  ser  mantida  a  base  de  cálculo  do  lançamento  quando  a  fiscalização aponta  objetivamente,  em demonstrativos  próprios,  todas as parcelas que a compõem e o contribuinte não comprova  erro algum no levantamento assim empreendido.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.  São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a  obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os  mandatários,  prepostos,  empregados,  bem  como  os  diretores,  gerentes ou representantes de pessoas jurídicas.  SUSPENSÃO  DA  IMUNIDADE  TRIBUTÁRIA  DO  IRPJ.  REPERCUSSÃO NA CSLL.  A  instituição  de  assistência  social  ou  de  educação  que  teve  suspensa a sua imunidade tributária com relação ao Imposto de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  fica  sujeita,  também,  ao  recolhimento  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL.  SUSPENSÃO  DA  IMUNIDADE  TRIBUTÁRIA  DO  IRPJ.  REPERCUSSÃO NO PIS E NA COFINS.  A  instituição  de  assistência  social  ou  de  educação  que  teve  suspensa a sua imunidade tributária com relação ao Imposto de  Renda da Pessoa Jurídica  ­  IRPJ,  sujeitando­se à apuração do  lucro real,  fica obrigada ao recolhimento do PIS e da COFINS  Fl. 3707DF CARF MF     10 sobre  seu  faturamento,  observadas  as  regras  da  não  cumulatividade.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2011   NULIDADE.   Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  e  não  se  tratar  de  caso  de  inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de  infração,  é  incabível  falar  em  nulidade  do  lançamento  quando  não houve transgressão alguma ao devido processo legal.    Recurso Voluntário  Foi  apresentado  Recurso  Voluntário  pela  contribuinte,  ora  Recorrente,  por  meio do qual são ratificados os termos da Impugnação.     Recurso de Ofício  Foi  apresentado  Recurso  de  Ofício  em  razão  do  afastamento  da  responsabilidade solidária de Maria da Graça Pitiá Barreto.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator    Admissibilidade  O Recurso Voluntário  é  tempestivo  e preenche  os  demais  requisitos  legais,  portanto, merece ser apreciado.     Preliminares  Nulidade do Processo ­ Falta de Motivação  A Recorrente  traz diversos  fundamentos para  arguir a nulidade do processo  de suspensão da imunidade.   Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 7          11 Primeiramente, defende que não fora observado o disposto no § 3°do art. 32  da Lei n. 9.430/96 que assim dispõe:  § 3° O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre  a  procedência  das  alegações,  expedindo  o  ato  declaratório  suspensivo  do  benefício,  no  caso  de  improcedência,  dando,  de  sua decisão, ciência ao interessado.   Defende a Recorrente que é imprescindível seja expedida decisão explicita do  Delegado da Receita Federal  acerca  da  improcedência  da  defesa  apresentada  e  na  seqüência  aponta que no caso em tela tal regra não foi observada vez que a decisão do Delegado da DRF  limitou­se  a  uma  ementa  de  conclusão  sem  apresentação  de  qualquer  fundamentação  o  que  desrespeita também o Princípio da Motivação.  Assim,  defende  a  Recorrente  a  nulidade  da  decisão  que  determinou  a  suspensão da imunidade.  Concordo com a teoria da Recorrente mas entendo que não reflete a realidade  do ocorrido no presente caso.   Isso porque, a decisão do delegado que determina a suspensão da imunidade  (fls. 3.268) é clara no sentido que ratifica os fundamentos e razões do Relatório:    Assim, entendo que o ato está devidamente fundamentado e, por isso, afasto  tal preliminar de nulidade.     Nulidade ­ Cerceamento do direito de defesa  Neste  tópico,  alega  a  Recorrente  cerceamento  de  defesa  em  relação  à  suspensão da imunidade, pois, entende que o início da ação fiscal fora baseada em relatórios do  COAF  (Relatórios de  Inteligência Financeira  ­ RIF) que  têm natureza  confidencial  e,  se  tais  relatórios não podem ser juntados aos autos, jamais poderiam servir de base para a fiscalização  e, menos ainda, para o ato de suspensão de imunidade.   Pois bem, os  relatórios  acima mencionados,  de  fato, motivaram o  início da  ação fiscal. Trata­se de mera aplicação de inteligência da administração federal no sentido de  que  os  diversos  órgãos  fiscalizadores  devem  agir  de  forma  coordenada  para  alcançar maior  efetividade no exercício de suas obrigações.   Fl. 3709DF CARF MF     12 Não  há  nada  de  errado  nisso.  Pelo  contrário,  temos  aqui  verdadeiro  atendimento ao Princípio da Eficiência.   Além  disso,  é  importante  ressaltar  que  não  obstante  tenham  mencionados  relatórios  do  COAF  servido  para  início  da  ação  fiscal,  resta  claro  nos  autos  que  todos  os  documentos que serviram de base para o ato de suspensão da imunidade da Recorrente foram  devidamente  juntados  aos  autos,  permitindo  seu  integral  conhecimento  pela  Recorrente  e  conseqüente exercício pleno de seu direito de defesa.   Cabe aqui também um esclarecimento: tais relatórios são confidenciais e não  puderam  ser  acessados  pela  Recorrente,  pois,  referem­se  às  empresas  beneficiárias  dos  pagamentos efetuados pela Recorrente e não à ela.   Assim,  não  enxergo  aqui  qualquer  cerceamento  ao  direito  de  defesa  e,  por  isso, afasto tal preliminar de nulidade.     Mérito  Suspensão da imunidade e isenção  Processo n. 10580.727559/2015­45  De início, cabe aqui  ressaltar as  regras aplicáveis ao processo de suspensão  da imunidade:  Lei 9.430/94  32.A suspensão da  imunidade  tributária, em virtude de  falta de  observância  de  requisitos  legais,  deve  ser  procedida  de  conformidade com o disposto neste artigo.  §1º  Constatado  que  entidade  beneficiária  de  imunidade  de  tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150  da  Constituição  Federal  não  está  observando  requisito  ou  condição previsto nos arts. 9º, §1º, e14, da Lei nº 5.172, de 25 de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário  Nacional,a  fiscalização  tributária  expedirá  notificação  fiscal,  na  qual  relatará  os  fatos  que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a  data da ocorrência da infração.  §2º  A  entidade  poderá,  no  prazo  de  trinta  dias  da  ciência  da  notificação,  apresentar  as  alegações  e  provas  que  entender  necessárias.  §3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a  procedência  das  alegações,  expedindo  o  ato  declaratório  suspensivo  do  benefício,  no  caso  de  improcedência,  dando,  de  sua decisão, ciência à entidade.  §4º  Será  igualmente  expedido  o  ato  suspensivo  se  decorrido  o  prazo  previsto  no  §2º  sem  qualquer  manifestação  da  parte  interessada.  §5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da  prática da infração.  Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 8          13 §6º Efetivada a suspensão da imunidade:  I  ­a  entidade  interessada  poderá,  no  prazo  de  trinta  dias  da  ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será  objeto  de  decisão  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento competente;  II ­a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se  for o caso.  §7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá  às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal.  §8º A  impugnação  e  o  recurso  apresentados  pela entidade  não  terão  efeito  suspensivo  em  relação  ao  ato  declaratório  contestado.  §9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o  ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão  reunidas  em  um  único  processo,  para  serem  decididas  simultaneamente.  §10.Os  procedimentos  estabelecidos  neste  artigo  aplicam­se,  também,  às  hipóteses  de  suspensão  de  isenções  condicionadas,  quando  a  entidade  beneficiária  estiver  descumprindo  as  condições ou requisitos impostos pela legislação de regência.  §  12.  A  entidade  interessada  disporá  de  todos  os  meios  legais  para  impugnar  os  fatos  que  determinam  a  suspensão  do  benefício.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  Conhecidos os dispositivos legais aplicáveis, trago aqui o ato de suspensão de  imunidade do caso concreto para, então, iniciar minha análise:    Fl. 3711DF CARF MF     14   Vemos  aqui  que  o  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/SDR  n°63/15  trata  apenas da suspensão da imunidade prevista no art. 150, VI, alínea "c" da CF mas não trata do  benefício da isenção.   A  análise  desta  questão  é  de  suma  importância  para  o  subsequente  julgamentos dos lançamentos fiscais de CSLL, PIS e COFINS, vez que, caso entendido que o  ato de  suspensão alcança  somente  a  imunidade prevista no  art.  150, VI,  "c" da CF que  trata  somente do imposto, não há que se falar em lançamento das contribuições.   Essa é a análise que passo a fazer.  Da leitura do § 10° acima transcrito, me parece que o legislador faz menção a  dois  atos  distintos,  pois,  nos  parágrafos  anteriores,  trata  de  todo  o  procedimento  referente  à  suspensão da imunidade para então, mencionar que aplica­se à suspensão da isenção o mesmo  procedimento.   Minha  leitura  aqui  é  que  a  autoridade  fiscal  deve  também  cumprir  todo  o  procedimento descrito no caso da suspensão da isenção.   Cabe ressaltar, ainda que existam dúvidas se deveria ser mantida a isenção da  Recorrente  do  ponto  de  vista  de  descumprimento  dos  requisitos  legais,  vejo  que  não  foram  cumpridos  pela  autoridade  fiscal  os  requisitos  formais  do  procedimento  de  suspensão  da  isenção.   Não  há  que  se  falar  aqui  em  desconhecimento  da  fiscalização  de  que  a  Recorrente  também  gozava  de  isenção,  pois,  é  possível  verificar  que  tal  situação  foram  informado ao Fisco conforme se verifica nos Termos de Intimação Fiscal n°06 e 07.   Destaco aqui que o Despacho Decisório que ratificou o ato de suspensão da  imunidade menciona  expressamente  que  tal  ato  também  se  aplica  isenção  das  contribuições  sociais.  Não reputo tal menção no despacho decisório como suficiente para estender  os efeitos do ADE de suspensão de imunidade de imposto prevista no art. 150, VI, "a" para a  isenção das contribuições sociais também.   Isso  seria  admitir  que  uma  decisão  sobre  determinado  ato  administrativo  tenha o condão de consertá­lo ou alterá­lo. É o mesmo que admitir que um acórdão da DRJ ou  mesmo do CARF tenha o poder de alterar e ou aumentar o escopo de um Auto de Infração.   Tais  hipóteses  implicariam  em  verdadeiro  desrespeito  ao  Princípio  da  Legalidade.   Digo aqui que o ADE foi de suspensão de imunidade de impostos, e não de  contribuições sociais.  Compreendo  que  o  texto  empregado  pela  CF  e  pela  legislação  ordinária  promove uma certa  confusão ao usar a expressão “isenção” para  imunidade de contribuições  sociais da seguridade social. A impropriedade técnica é originada na lei ordinária ao tratar de  institutos  distintos,  a  imunidade  e  a  isenção,  usando  sempre  a  terminologia  “isenção”  para  ambos.   Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 9          15 Contudo, isso não pode ser argumento para que a autoridade tributária alegue  que ao perfectibilizar ato de suspensão de imunidade de imposto também estaria tratando das  contribuições sociais. Tal atecnia não pode ser permitida e muito menos gerar insegurança para  os contribuintes.   Assim, entendo que o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n°63/15 ora em  análise,  refere­se  tão  somente  à  imunidade  do  IRPJ,  sendo  certo  que  não  alcança  as  contribuições  sociais,  pois,  para  tanto,  seria  necessário  ADE  específico  de  suspensão  da  isenção, conforme leitura que faço do § 10° do art. 32 da Lei n°9.430/96.  Aliás,  trago aqui  acórdão n° 1103­000.952 de  lavra do Conselheiro Marcos  Takata que ratifica tal entendimento:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO CSLL  Ano­calendário: 2003, 2004  NULIDADE  FORMAL  LANÇAMENTOS  SUSPENSÃO  DE  IMUNIDADE DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS  Verifica­se que o ato de  cancelamento  efetivado pelo  INSS não  foi  de  imunidade,  mas  de  isenção,  e  de  contribuições  previdenciárias,  não  alcançando  a  CSLL,  o  PIS  e  a  Cofins.  Constata­se que houve a notificação fiscal, o despacho decisório  e  o  Ato  Declaratório  Executivo  de  suspensão  de  imunidade,  todos  concernentes  somente  a  impostos.  Inexistiram  a  notificação  fiscal,  o  despacho  decisório  e  o  Ato  Declaratório  Executivo de suspensão de imunidade das contribuições sociais,  de  modo  que  resultam  inquinados  de  nulidade  formal  os  lançamentos de CSLL, de PIS e de Cofins. Plena aplicabilidade  do  art.  32  da  Lei  9.430/96  à  suspensão  de  imunidade  de  contribuições  sociais  da  seguridade  social, máxime a  partir da  Lei 11.457/07.    Da suspensão da imunidade  À exemplo do tópico anterior, cabe primeiramente trazer os requisitos para o  gozo  da  imunidade  pelas  instituições  de  ensino  que,  se  descumpridos,  levam  à  perda  de  tal  benefício:  CTN  Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos  Municípios:  (...)  IV ­ cobrar imposto sobre:  (...)  Fl. 3713DF CARF MF     16 c)  o  patrimônio,  a  renda  ou  serviços  dos  partidos  políticos,  inclusive  suas  fundações,  das  entidades  sindicais  dos  trabalhadores,  das  instituições  de  educação  e  de  assistência  social,  sem  fins  lucrativos,  observados  os  requisitos  fixados  na  Seção II deste Capítulo;  (...)  § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às  entidades  nele  referidas,  da  condição  de  responsáveis  pelos  tributos  que  lhes  caiba  reter  na  fonte,  e  não  as  dispensa  da  prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento  de obrigações tributárias por terceiros.  §  2º  O  disposto  na  alínea  a  do  inciso  IV  aplica­se,  exclusivamente,  aos  serviços  próprios  das  pessoas  jurídicas  de  direito público a que se refere este artigo, e  inerentes aos seus  objetivos.  (...)  Art.  14.  O  disposto  na  alínea  c  do  inciso  IV  do  artigo  9º  é  subordinado  à  observância  dos  seguintes  requisitos  pelas  entidades nele referidas:  I  – não distribuírem qualquer parcela de  seu patrimônio ou de  suas  rendas,  a qualquer  título;(Redação dada pela Lcp nº 104,  de 2001)  II  ­  aplicarem  integralmente,  no  País,  os  seus  recursos  na  manutenção dos seus objetivos institucionais;  III ­ manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros  revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.  § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º  do  artigo  9º,  a  autoridade  competente  pode  suspender  a  aplicação do benefício.  § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo  9º  são  exclusivamente,  os  diretamente  relacionados  com  os  objetivos  institucionais  das  entidades  de  que  trata  este  artigo,  previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.    Já a Lei nº 9.532/1997 prevê os requisitos para o gozo da imunidade:  Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c",  da  Constituição,  considera­se  imune  a  instituição  de  educação  ou  de  assistência  social  que  preste  os  serviços  para  os  quais  houver  sido  instituída  e  os  coloque  à  disposição  da  população  em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem  fins lucrativos.  (...)  § 2º Para o gozo da  imunidade, as  instituições a que  se  refere  este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos:  Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 10          17 a)  não  remunerar,  por  qualquer  forma,  seus  dirigentes  pelos  serviços prestados;  b)  aplicar  integralmente  seus  recursos  na  manutenção  e  desenvolvimento dos seus objetivos sociais;  c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em  livros  revestidos  das  formalidades  que  assegurem  a  respectiva  exatidão;  d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado  da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de  suas  receitas  e  a  efetivação  de  suas  despesas,  bem  assim  a  realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a  modificar sua situação patrimonial;  e)  apresentar,  anualmente,  Declaração  de  Rendimentos,  em  conformidade  com  o  disposto  em  ato  da  Secretaria  da  Receita  Federal;  f)  recolher  os  tributos  retidos  sobre  os  rendimentos  por  elas  pagos  ou  creditados  e  a  contribuição  para  a  seguridade  social  relativa  aos  empregados,  bem  assim  cumprir  as  obrigações  acessórias daí decorrentes;  g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição  que  atenda  às  condições  para  gozo  da  imunidade,  no  caso  de  incorporação,  fusão,  cisão  ou  de  encerramento  de  suas  atividades, ou a órgão público;  Conhecido o arcabouço legal, vamos aos fatos do caso em tela.  Após  minuciosa  verificação,  a  fiscalização  concluiu  que  a  ora  Recorrente  desobedeceu as regras do art. 14 do CTN, bem como, descumpriu os requisitos previstos no §2º  do art. 12 da Lei nº. 9.532/97.  Isso  porque,  conforme  leitura  dos  autos,  a Recorrente  não  logrou  êxito  em  comprovar  a  aplicação  integral  de  seus  recursos  na manutenção  e desenvolvimento  dos  seus  objetivos  sociais,  bem  como,  deixou  de  manter  escrituração  completa  de  suas  receitas  e  despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão.  Além disso, constatou a fiscalização também que a Recorrente não conservou  em  boa  ordem,  pelo  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  emissão,  os  documentos  que  comprovem  a  origem  de  suas  receitas  e  a  efetivação  de  suas  despesas  ou  realização  de  quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial.  Por fim, deixou a Recorrente de apresentar a DIPJ.  Tais  ocorrências  foram  bem  sintetizadas  pelo  Despacho  Decisório  de  fls.  3.258/3.268:    Fl. 3715DF CARF MF     18     Soma­se a todos esses argumentos, o desvio de sua finalidade precípua, pela  terceirização da sua atividade fim praticando uma atividade econômica eminentemente privada  e com características de mercado competitivo.  Tal  situação  restou claro vez que não obstante alegar  a Recorrente ser uma  entidade de apoio ao ensino universitário, deixou de comprovar o desempenho de tal atividade  relacionada ao ensino em relação aos contratos celebrados com Brain Brasil, Glia Criatividade,  Digital  Instituto e KM Precision cujo argumento para  justificar  a contratação de  tais pessoas  jurídicas  centrou­se  no  fato  de  tais  pessoas  possuírem  elevado  currículo  ou  servirem  de  intermediadoras com o iniciativa privada, conforme destacado no relatório.   No  contexto  da  discussão  de  mérito,  traz  a  Recorrente  argumentação  no  sentido de que faltou ao trabalho fiscal fazer a prova das acusações feitas.   Acaso  estivéssemos  tratando  de  um  processo  criminal  simples,  de  fato,  a  prova cabe a quem denuncia. Contudo, uma vez que se trata aqui de gozo de benefício fiscal,  considero aqui aplicável a inversão do ônus da prova.   Assim, diante dos fatos narrados e documentos constantes nos autos, entendo  acertado  o  ato  administrativo  de  suspensão  da  imunidade  da  Recorrente,  vez  que  os  fatos  apurados pelo Fisco comprovam o não atendimento pelo contribuinte de vários dos requisitos  legais para o usufruto da imunidade.    Do Lançamento Fiscal   Auto de Infração   Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 11          19 Conforme  relatado,  foram  lavrados  auto  de  infração  para  lançamento  de  IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.   No  concernente  a  tais  autos,  devo  apenas  ratificar  aqui  que  não  enxergo  e  devo afastar as nulidades suscitadas pelo Recorrente baseadas em vagos argumentos de que o  trabalho fiscal não se baseou na busca da verdade material. Isso porque, entendo que o trabalho  fiscalizatório não incorreu em qualquer uma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do  PAF, bem como, cumpridos os requisitos do art, 10 do mesmo diploma.   Os lançamentos foram efetuados por arbitramento, contra o qual a Recorrente  se insurge sob argumento de que tal arbitramento fora efetuado com base nos próprios livros o  que seria contraditório vez que o arbitramento teria sido aplicado, exatamente, pelo motivo da  fiscalização tê­los considerados imprestráveis.   No  caso  em  tela,  a  fiscalização  conseguiu  identificar  a  receita  bruta  da  Recorrente, muito embora a contabilidade apresentasse vícios que a tornaram imprestável nos  termos do art. 530, inciso II do RIR/99.  Tal identificação foi alcançada através da soma dos valores de “Repasses de  Projetos e Convênios creditados nos Bancos”, anexo 1 do TVF, dos valores de “Repasses de  Projetos e Convênios creditados no Caixa da FEA/UFBA, anexo 2 do TVF e dos valores da  “Taxa  de  Administração”  detalhados  no  anexo  3,  contabilizados,  de  forma  globalizada,  no  Livro Razão da Recorrente, nas contas contábeis referentes a repasses de projetos e convênios,  e,  por  fim,  as  “Receitas  Financeiras”  constantes  do  anexo  4,  obtendo­se,  assim,  a  base  de  cálculo para o lucro arbitrado.  A Recorrente  teve  a  chance  de  se defender,  pois,  foi  chamada a  apresentar  livros  auxiliares  com  os  registros  individualizados  desses  lançamentos,  todavia,  não  houve  comprovação  da  exatidão  desses  registros,  nem  fora  apresentados  os  livros  auxiliares  que  pudessem imprimir alguma validade à sua contabilidade.   Durante  a  ação  fiscal  foi  alegado  “dificuldade  de  encontrar  os  livros  auxiliares da contabilidade que levaram ao lançamento de forma consolidada”.  Até agora, a Recorrente apresentou apenas indignação, nas não trouxe provas  suficientes para comprovar que contabilizou  todas as suas  receitas  individualmente,  inclusive  apresentando livros auxiliares.    Convênios  No  trabalho  fiscalizatório  foi  identificado  que  a  FEA/UFBA  celebrou  convênios  com  diversos  entes  públicos,  tais  como  o  Detran/BA,  a  Secretária  Municipal  de  Educação, Cultura, Esporte e Lazer – Secult e a Superintendência de Controle e Ordenamento  do Uso do Solo do Município – Sucon. Para  realizar os serviços conveniados, a FEA/UFBA  terceirizou a execução, contratando as empresas KM, Glia, Brain e Digital.  A  Recorrente  defende  que  tais  ingressos  decorrentes  dos  convênios  não  poderiam  ser  considerados  como  receitas,  uma  vez  que  o  significado  literal  da  palavra  Fl. 3717DF CARF MF     20 convênio não permite essa interpretação embasando seu entendimento no art. 116, §1º, inciso  IV e V da Lei nº. 8.666/93.  Contudo,  foram  identificadas  pela  fiscalização  uma  série  de  irregularidades  em tais “convênios”.  Isso  porque,  a  fiscalização  identificou  que  os  convênios  possuem  atividade  tipicamente econômica, inexistindo a característica essencial de ausência de partes, ou seja, há  contraposição de interesses, elemento essencial ao contrato e não ao convênio.   Além  disso,  não  existe nos  autos  comprovação  da  efetividade  na  prestação  dos serviços “conveniados” e verificou­se um distanciamento do fim institucional sob a qual a  FEA/UFBA se constituiu.   Cabe  destacar  que  há  julgados  judiciais  nos  quais  o  conceito  de  receita  e  faturamento  é alargado para  albergar qualquer  ingresso que provém de outras atividades que  integrem  o  objeto  social  da  empresa,  conforme  amplamente  explicado  no  Termo  de  Verificação Fiscal.  Pelo  exposto,  os ditos  convênios  não  se  revestem de  roupagem própria dos  verdadeiros convênios e podem ser descaracterizados pela fiscalização  Responsabilidade Tributária  Dada a extrema tecnicidade e meu total alinhamento com a análise da DRJ,  transcrevio abaixo os trechos do acórdão da DRJ que tratam da responsabilidade tributária das  pessoas Reginaldo Souza Santos, diretor da Escola de Administração da UFBA, presidente do  Conselho  da  FEA/UFBA,  Maria  da  Graça  Pitiá  Barreto,  vice­diretora  da  Escola  de  Administração  da  UFBA,  vice­presidente  do  Conselho  da  FEA/UFBA  e  Luiz  Marques  de  Andrade Filho, superintendente da FEA/UFBA.   Os  Termos  de  Responsabilidade  lavrados  pela  fiscalização  constam o enquadramento legal do art. 124, inciso I, art. 135 e  art. 136 do Código Tributário Nacional, que assim dispõem:  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  (...)  Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  I ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II ­ os mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.”  Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 12          21 independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  Segundo  relatório  fiscal,  fl.  146,  os  administradores  foram  responsabilizados  “por  terem  viabilizado  o  envolvimento  da  FEA/UFBA  nas  atividades  de  prestação  de  serviços,  representadas  por  terceirização  de  suas  atividades  fins,  intermediação, e demais práticas de atos contra o estatuto social  tratados no curso da referida ação fiscal.”  Não  verificamos,  no Relatório Fiscal,  os  requisitos necessários  para arrolar os responsáveis  tributários no inciso I do art. 124  do Código Tributário Nacional, portanto,  afasto a responsabilização com base nesse artigo para todos os  responsáveis, Luiz Marques de Andrade Filho, Reginaldo Souza  e Maria da Graça Pitiá Barreto.  Passamos  a  análise  quanto  ao  art.  135  do  Código  Tributário  Nacional  que  estabelece  a  responsabilidade  tributária  aos  mandatários,  prepostos  e  empregados,  diretores,  gerentes  e  administradores  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  pelos  créditos  decorrentes  de  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei.  Os  responsáveis,  Luiz  Marques  de  Andrade  Filho  e  Reginaldo  Souza Santos, defendem a nulidade da autuação uma vez que o  MPF foi emitido em nome da Fundação, não constando o nome  do  impugnante  nesse  documento.  Ainda,  informa  que  nem  os  autos  nem  o  relatório  fiscal  apontam  qual  seria  o  interesse  comum do autuado na situação. E, além disso, o termo “infração  à lei” se refere a lei comercial ou civil e não a tributária. Afirma  que em todos os convênios e contratos celebrados, a FEA/UFBA  realizou sua finalidade social, não havendo, portanto, prática de  ato  contrário  ao  estatuto  e  que  a  existência  de  suposto  ilícito  tributário  não  autoriza  a  responsabilização.  E,  por  fim,  alega  que a ação fiscal não foi aprofundada. Convém esclarecer que é  dispensável  a  emissão  de  novo  MPF,  dirigido  ao  responsável  tributário, quando as infrações a ele imputados, na condição de  solidário,  foram  apuradas  em  ação  fiscal  regularmente  constituída em face do contribuinte.  Também não é imprescindível que o administrador, para fins de  responsabilização  tributária,  tenha praticado diretamente o ato  ilícito, sendo suficiente que apenas o tenha tolerado, quando em  condição de  interferir para evitar a  sua ocorrência. É bastante  para  a  configuração  da  responsabilidade  a  prova  de  que,  encontrando­se  na  administração  da  sociedade  à  época  do  cumprimento  da  obrigação  tributária,  possuía  poder  para  decidir  ou  exercer  influência  na  decisão  de  pagar  ou  não  os  tributos devidos.  Logo, é indiscutível a responsabilidade, já que, na data dos fatos  geradores  eles  ocupavam  os  cargos,  respectivamente,  de  presidente  do  conselho  e  superintendente  da  FEA/UFBA.  Destarte, sendo administradores ao tempo do fato gerador, não  Fl. 3719DF CARF MF     22 tem  cabimento  algum  eximi­los  da  responsabilidade  tributária  que lhes foi imputada.  Ainda,  em  referência  ao  Sr.  Luiz  Marques  de  Andrade  Filho,  pesa,  ainda  mais,  sua  assinatura  nos  convênios/contratos  firmados, como representante da entidade, conforme documentos  anexados ao processo.  A  terceirização  da  atividade  fim,  atividade  desvirtuada  da  finalidade  prevista  no  estatuto  se  encaixa  perfeitamente  na  previsão  legal  de  responsabilização  solidária,  pois  conforme  literalidade do art. 135 do CTN “são pessoalmente responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração de lei, contrato social ou estatutos.”  Ademais,  o  Termo  de  Responsabilidade  Tributária  confere  aos  responsáveis tributários legitimidade para impugnar a exigência  fiscal. Assim  sendo,  resguarda­se  a  lógica  do  direito  de  defesa  daqueles  aos  quais  é  atribuído  o  dever  jurídico  de  extinguir  a  obrigação  tributária.  E  justamente  por  isso  é  que  se  mostra  plenamente justificável a conjugação do artigo 135 do CTN com  a Portaria nº. 2.284, de 29 de novembro de 2010 e, por  último,  utilizada  subsidiariamente  no  processo  administrativo  fiscal, a Lei nº 9.784/1999, arts. 9º e 58.  A responsável tributária, Maria da Graça Pitiá Barreto, afirma,  em apertada síntese, que o vínculo apenas recaiu sobre ela por  força do estatuto da FEA/UFBA que prevê que o cargo de vice­ presidência do conselho da FEA será exercido pela vice­diretora  na Escola de Administração da UFBA. Defende, ainda, que pela  literalidade  do  art.  135  do  CTN,  não  há  espaço  para  imputar  responsabilidade para o cargo de vice­diretora. Acrescenta, por  último, que a fiscalização não identificou a prática de qualquer  ato realizado por ela, uma vez que a mesma nunca substituiu o  diretor.  No  caso  em  concreto,  a  autoridade  fiscal  não  comprovou  que  Maria  da  Graça  substituiu  efetivamente  o  presidente  do  conselho, Reginaldo Souza Santos, nos atos de administração da  FEA/UFBA.  Assim,  não  restou  comprovada  a  participação  efetiva  da  Maria  da  Graça  na  infração  efetuada  pelo  sujeito  passivo.  Pelo  exposto,  mantenho  a  responsabilidade  solidária  para  os  tributos  e multas  apenas  para  o  Sr.  Luiz Marques  de  Andrade  Filho e o Sr. Reginaldo Souza Santos, pela aplicação no inciso I,  art.  135  e  art.  136  do  Código  Tributário  Nacional,  afastando,  assim, a responsabilidade da Sra. Maria da Graça Pitiá Barreto.  Em  total  alinho  com  a  posição  da  DRJ,  entendo  deva  ser  afastada  a  responsabilidade  apenas  da  Sra.  Maria  da  Graça  Pitiá  Barreto,  devendo,  neste  ponto,  ser  negado provimento ao Recurso de Ofício.     Das Contribuições Sociais  Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 10580.720001/2016­10  Acórdão n.º 1201­002.353  S1­C2T1  Fl. 13          23 Em  razão  de  toda  a  análise  feita  ao  norte,  no  sentido  que  o  ADE  ora  em  combate  alcança  a  imunidade  prevista  no  art.  150,  VI.  "a"  da  CF  mas  não  a  isenção  das  contribuições  sociais,  vez  que  necessário  ato  administrativo  de  suspensão  próprio  para  isso,  entendo deva ser mantido apenas o lançamento referente ao  IRPJ, devendo ser cancelados os  lançamentos de CSLL, PIS e COFINS.     Conclusão  Diante  do  exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO  para NEGAR­ LHE  PROVIMENTO  e  CONHEÇO  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  para  DAR­LHE  PARCIAL PROVIMENTO para cancelar os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS.  É como voto!  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Relator                                   Fl. 3721DF CARF MF

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