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Numero do processo: 13896.004120/2002-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164)
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO.
O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício.
CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir o valor das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente(s), temporariamente, o(s) conselheiro(s) Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164) CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62A do RI CARF REsp 993164) CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir o valor das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 41 20 /2 00 2- 61 Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente(s), temporariamente, o(s) conselheiro(s) Domingos de Sá Filho. Relatório O estabelecimento matriz de Quatro Marcos Ltda. requereu o ressarcimento do saldo credor do Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e regulamentado pela Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, relativo ao 1o trimestre do ano de 2001, no montante de R$ 583.333,52 a ser aproveitado em compensações declaradas. A DRF/OSASP emitiu, em 25/10/2007, o despacho decisório de fls. 1.518, que, apoiado no Parecer SEORT/DRF/OSA nº 997/2007, fls. 1.516 e 1.517, indeferiu totalmente o pedido. A Fiscalização procedeu aos seguintes ajustes: a) glosa de R$ 266.476,20 do valor do pedido, por serem decorrentes de entradas de produtos adquiridos a pessoas físicas (produtores rurais), não contribuintes do PIS e da Cofins, nos termos da legislação; de gastos relativos à energia elétrica e combustíveis e de custos relacionados a compras junto a pessoas jurídicas para os quais não houve a efetiva comprovação documental dos pagamentos, e; b) glosa de R$ 316.857,32 referente à não aceitação de comprovantes de pagamentos em face de existência de fornecedores que não comprovaram as operações realizadas, por serem inaptas e/ou não localizadas em seus endereços cadastrais. Sobreveio reclamação, fls. 1.483 a 1.500, por meio da qual o requerente, em preliminar, requer o sobrestamento do feito até que seja julgado o auto de infração objeto do processo 19515.001985/200612, referente à glosa de custos. Nada obstante, adentra o mérito da glosa efetivada pelo Fisco, reproduzindo as razões de defesas opostas ao lançamento. Aduz que apresentou, nos autos do processo fiscal de lançamento, cópias dos demais documentos comprobatórios de pagamentos que a Fiscalização disse não terem sido entregues. Rechaça a glosa das aquisições de insumos a pessoas físicas, argumentando que as restrições impostas pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, já se encontram superadas pela jurisprudência do STJ e da CSRF. Quanto aos gastos com energia elétrica e combustíveis, entende inexistir fundamento jurídico para a glosa. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.568 3 Solicitou perícia a fim de certificar (a) a correta contabilização dos documentos apresentados ao Fisco; (b) que todos os insumos adquiridos eram necessários à realização da receita auferida pela empresa; (c) que os insumos foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos vendidos e (d) que as aquisições foram efetivamente pagas diretamente aos credores ou a terceiros por eles autorizados. A 8ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1434.214, de 14 de junho de 2011, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido do IPI. CUSTOS. PAGAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Devem ser glosados os custos cujos pagamentos não são comprovados com documentos hábeis e idôneos por contribuinte optante pelo lucro real regularmente intimado. Consideramse comprovados como custos dedutíveis na apuração do lucro real aqueles cujos pagamentos foram feitos aos fornecedores das mercadorias constantes nas notas fiscais de entrada e em data e valor coincidentes. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. DESCABIMENTO. Perícia e diligência prescindíveis na apreciação da lide devem ser indeferidas pelo órgão julgador de primeira instância administrativa. FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 1.556 a 1.558, após síntese dos fatos relacionados com a lide, em preliminar, argúi a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento de defesa, consistente no indeferimento da realização da competente prova pericial, julgada prescindível. No mérito, entende ter demonstrado que todas as aquisições de insumos relativas às notas fiscais glosadas foram efetivamente contabilizadas e regularmente registradas nos livros próprios, sem qualquer mácula. Em síntese, estando todas as operações materializadas na escrita fiscocontábil da recorrente, não poderia o órgão julgador, Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 simplesmente, afastálas, sem ao menos apontar eventual mácula. Lembra que a contabilização sem vício faz prova a favor do contribuinte. Repete que a informação do Fisco não contrariou a veracidade das aquisições, nem das notas fiscais. Considerando que toda a documentação fiscal se apresentou regular, deve ela fazer prova em favor (e não contra) o contribuinte. Tratandose de atividade frigorífica, argumenta que não se poderia, de plano, aceitar a glosa relativa à aquisição de gado, carnes, couros e respectivos insumos, todos envolvidos no processo produtivo e contabilmente demonstrados, e, estando comprovadas a efetividade e regularidade das respectivas operações, a glosa só se sustenta com base em meras e desautorizadas presunções. Não demonstrando que os custos não ocorreram; que as matérias primas não se incorporaram no processo produtivo, temse, então, que a glosa é manifestamente indevida. No que diz respeito à prova do pagamento das respectivas aquisições, é de concluirse que a recorrente agiu nos estritos limites da lei civil em vigor, como, aliás, ficou exaustivamente provado ao tempo da manifestação de inconformidade, inclusive através de documentos públicos, cuja recusa da fé é constitucionalmente vedada. Retoma as alegações referentes às glosas das aquisições de insumos a pessoas físicas e dos gastos com energia elétrica e combustíveis. Conclui, requerendo a reforma da decisão recorrida, para o fim de afastar o indeferimento tanto no que se refere à glosa das aquisições efetuadas a pessoas físicas e jurídicas, bem assim com relação aos custos de energia e combustíveis O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.556 a 1.558 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO8ª Turma nº 1434.214, de 14 de junho de 2011. Esta Turma Recursal já teve oportunidade de apreciar feito idêntico ao presente, referente ao 2º trimestre de 2001, em que se discutiam os mesmos ajustes, decidindo negar provimento ao recurso, nos termos do Acórdão nº 340300.600, de 27 de outubro de 2010. A propósito, por compartilhar integralmente do seu entendimento, transcrevo na íntegra o voto do Conselheiro Winderley Morais Pereira, que cumprimento pela clareza e concisão. Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A análise das glosas por falta de comprovação dos pagamentos das aquisições de pessoas jurídicas, merece uma abordagem objetiva em relação às provas constantes dos autos. O trabalho da fiscalização foi exaustivo e trouxe provas claras Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.569 5 que demonstram a falta de comprovação de diversas aquisições de insumos, constantes da base de cálculo do crédito presumido. A Recorrente argumenta em seu socorro a possibilidade da quitação das aquisições de seus fornecedores de diversas formas, previstas no código civil. A legislação não determina a forma do pagamento dos insumos para fruição dos créditos, tampouco veda qualquer tipo de operação de pagamento. Neste aspecto, apesar da operação normal ser o pagamento direto ao fornecedor, nada obsta a existência de modalidade diversa de quitação das obrigações com as empresas fornecedoras. Entretanto, não é este o ponto aqui a ser analisado. O fundamento para a glosa das aquisições das pessoas jurídicas, constantes do despacho decisório de não homologação é a ausência total de qualquer prova, por qualquer meio, do pagamento das aquisições de insumos objeto de glosa. É condição sine qua non para cálculo do crédito presumido, a comprovação dos pagamentos dos insumos adquiridos, com o respectivo desembolso financeiro. Não existindo a comprovação do desembolso financeiro, não pode ser aceita as aquisições apresentadas para fruição do crédito. Neste diapasão caminhou a fiscalização, antes de concluir pela efetiva glosa das aquisições de pessoas jurídicas, intimando e reintimando a Recorrente a comprovar os pagamentos realizados aos seus maiores fornecedores. Entretanto, não foi apresentado documento contábil ou fiscal que comprovasse a quitação das aquisições destes fornecedores. Não logrando êxito nas intimações feitas a Recorrente, a fiscalização, de forma diligente, intimou os maiores fornecedores de insumos, a apresentar a comprovação das vendas realizadas a Recorrente, que justificariam os créditos objeto do pedido de ressarcimento. Após a análise dos relatórios dos fornecedores, apresentados em resposta as intimações, concluiu a fiscalização, estarem comprovadas parcialmente as aquisições realizadas pela Recorrente. A planilha apresentada às fls. 824 demonstra o trabalho realizado na auditoria e as operações não confirmadas pelos fornecedores. Considerando a comprovação parcial das aquisições, a unidade preparadora refez os cálculos do pedido de ressarcimento, chegando à conclusão da improcedência total dos créditos alegados. A empresa em sede de impugnação não questionou em nenhum momento os valores levantados pela fiscalização junto aos fornecedores, limitouse a argumentar que o direito civil lhe permite diversas modalidades de quitação de dívidas. Realmente, não há que se discutir que diversas possibilidades existem para comprovação de pagamentos. Entretanto, no caso em tela, não foi apresentado nenhuma prova da quitação das aquisições junto aos fornecedores. Portanto, inexistindo a comprovação do pagamento, entendo estar correta a posição adotada no despacho decisório combatido. Quanto ao questionamento em relação às glosas das aquisições de pessoas físicas. Também nesta matéria não assiste razão a Recorrente. A premissa utilizada no despacho decisório considerou que as aquisições de matériasprimas Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 adquiridas de não contribuintes, não podem ser utilizadas para cálculo dos créditos presumidos do IPI. Para analisar melhor a questão transcrevo o artigo 1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” O artigo 1º da Lei 9.363/96 determina que o crédito presumido do IPI tem o condão de ressarcir as empresas produtoras e exportadoras, do PIS e da Cofins incidente sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. Apesar de tratarmos de ressarcimento do IPI, a norma visa restituir os valores pagos de PIS e Cofins, nos insumos utilizados pelas empresas exportadoras. Para que tenha plena eficácia é necessário entender o objetivo finalístico da norma. No caso em tela, seria restituir os valores de PIS e Cofins. Para atingir tal fim, o legislador entre diversos caminhos, escolheu aplicar um percentual sobre as aquisições dos insumos a serem utilizadas na produção. No corpo da própria lei do crédito presumido, consta a obrigatoriedade de se aplicar as normas de regência do PIS e da Cofins para a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme pode ser visto no art 3º, da Lei nº 9.363/95, transcrito abaixo. “Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador” Portanto, ao tratarmos dos procedimentos para apuração do crédito presumido é necessário que se obedeça as normas de regência do PIS e da Cofins. No caso em tela que paira dúvida sobre a possibilidade ou não da utilização destas aquisições de pessoas físicas, basta, para o deslinde da questão, buscar a posição da norma relativa ao PIS e a Cofins. Neste caso, a determinação legal é que o PIS e a Cofins são devidos pelas pessoas jurídicas não atingindo as pessoas físicas, portanto, não sendo contribuinte do PIS e da Cofins, tal tributo não e recolhido pelas pessoas físicas. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.570 7 Seguindo o raciocínio, a idéia finalistica da norma é restituir o PIS e a Cofins sobre as aquisições de insumo. Se não existe o PIS e a Cofins nos insumos adquiridos, não se pode restituir o que não existe. Aquelas aquisições onde o PIS e a Cofins não se faz presente, não podem ser objeto de pedido de ressarcimento. Se assim fosse, o estado estaria devolvendo valores que não foram recolhidos aos cofres públicos e, portanto não estaríamos diante de uma restituição e sim de um repasse de valores, afrontando sobremaneira a Lei nº 9.363/96 onde o crédito presumido do IPI, tratase de uma restituição, ou seja, devolução do PIS e da COFINS. As aquisições de pessoas físicas, objeto da lide deste processo, não figuram no pólo passivo da obrigação tributária de pagamento do PIS e da COFINS. Portanto, as aquisições feitas destas pessoas não podem ser utilizadas para cálculo do crédito presumido do IPI. Finalmente, quanto a alegação que as aquisições de energia elétrica e combustíveis estariam incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI é necessário analisar as exigências legais para utilização de insumos no crédito presumido. Inicialmente, procederemos a verificação das determinações do parágrafo único, do artigo 3º, da Lei nº 9.363/96. “Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” O texto legal determina que o conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem a ser utilizado na sistemática do crédito presumido do IPI, deverá seguir a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. A legislação do IPI trata diretamente do conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem no seu Regulamento, matéria já consolidada e de conhecimento geral, portanto, para a análise que se faz presente, utilizaremos os conceitos previstos na legislação do IPI, conforme definido no Regulamento, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. O artigo 164, do citado regulamento, apresenta as situações que possibilitam a utilização de crédito para cálculo do imposto. “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante.” Observandose o inciso I, do artigo 164, concluímos que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem serão considerados para cálculo de crédito quando forem incorporados ao novo produto. A exceção é feita, no próprio inciso, para aqueles produtos que apesar de não se incorporarem ao novo produto, são consumidos na sua industrialização. Portanto, para que as aquisições de energia elétrica e combustíveis sejam considerados como produtos intermediários seria necessário que corresse o contato físico direto com o produto final o que não ocorre, sendo, portanto estes produtos não estão incluídos na base de cálculo utilizada para aferição do crédito presumido do IPI. Este entendimento já foi explicitado por meio da emissão da Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Com a edição da Súmula nº 19, não resta dúvida. As aquisições de energia elétrica e combustíveis não são considerados no cálculo do crédito presumido. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.571 9 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Como isto, o voto do Conselheiro Winderley foi proferido em 27 de outubro de 2010, antes da introdução do art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. A partir de então, ressalvando meu entendimento pessoal, o julgamento da matéria referente o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas deve reproduzir a decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, em julgamento conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ, transitada em julgado em 06/08/2012 e à qual me curvo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando se aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 10 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.572 11 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 12 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Forte no art. 62A do RICARF, dou provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito do recorrente de utilizar o valor das aquisições de insumos aos produtores rurais pessoas físicas listados às fls. 214 a 236, desde que devidamente comprovadas nos autos, na composição da base de cálculo do credito presumido do IPI, reformandose a decisão recorrida que vetou essa utilização. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 12897.000002/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa.
MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA.
Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas.
Numero da decisão: 1202-000.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Sunstituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA. Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA. Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 02 /2 01 0- 11 Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.454 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Sunstituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase do exame do recurso de ofício do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, que julgou procedente a impugnação do contribuinte contra os Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, PIS e na Cofins, além da aplicação de multa isolada pela prestação incorreta de informações em arquivos digitais. Os autos de infração referemse ao anocalendário de 2004 e encontramse nas fls. 242 a 268 do processo. De acordo com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, são as seguintes as infrações apuradas, fls. 226 a 241: i) glosa de provisões não autorizadas ao ser verificada a existência de conta denominada “provisão gastos futuros” lançada contra custos de vendas de produtos; ii) omissão de receitas decorrente de devolução não comprovada de mercadorias vendidas. As notas fiscais de entrada não teriam a força probante do efetivo retorno ao estoque das mercadorias vendidas; iii) não adição ao lucro liquido da parcela do custo de aquisição de mercadoria do exterior que excedeu o limite calculado na sistemática do preço de transferência; iv) multa isolada pela prestação de informações incorretas nos arquivos magnéticos apresentados à fiscalização. Contra as autuações, a empresa interessada apresentou sua impugnação, que se encontra assim resumida no relatório do Acórdão nº 1230.876 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1387 a 1414, o qual passo a transcrever e adotar: “a) preliminarmente: que "o auto de infração em questão é nulo, pois, como ato administrativo, deve ser utilizado conforme a estrita legalidade, tendo como condição de existência a infração e a penalidade, o que não ocorreu “in casu"; que "a presente acusação revela vício que compromete sua validade, prejudicando sobremaneira a defesa da impugnante, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5°, da CF/88, além de ofender a segurança jurídica (artigo 5°, XXXVI, CF/88), pois o Fisco não colheu Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.455 3 provas necessárias à elucidação dos fatos, além de não ter considerado argumentos decisivos para a aplicação da legislação tributária ao caso concreto"; b) no mérito: b.1) quanto às provisões não autorizadas: que "o termo 'provisão' constante da planilha mencionada no Auto de Infração não guarda qualquer correlação com o conceito técnico contábil/fiscal. Com efeito, a administração da Impugnante utilizou a expressão 'provisão' na referida planilha em sentido vulgar, ou seja, no sentido de fornecimento de materiais, partes e peças"; que "os valores tratados pelos D. Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil como provisões representam, na verdade, custos efetivamente incorridos pela impugnante, razão pela qual devem ser computados na conta 0030201001 (Custo de Vendas dos Produtos). Com efeito, não se tratam de meras estimativas de desembolsos da Impugnante, mas sim de gastos despendidos na produção de máquinas e equipamentos"; que "os D. Agentes Fiscais formularam a exigência constante do Auto de Infração partindo da equivocada premissa de que a Impugnante teria artificialmente aumentado os seus custos, por meio do reconhecimento, a titulo de provisão, da quantia de R$ 76.784.316,89, quando da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL"; que, para demonstrar a correção fiscal de seu procedimento, "decompôs o valor de R$ 76.784.316,89 (...) em função de sua natureza, a saber (i) custos incorridos, no montante de R$ 76.328.326,88; e (ii) provisões de custos, no montante de R$ 455.990,01"; que "a comprovação de que a impugnante efetivamente incorreu em custos nos seus projetos pode ser obtida da análise (i) do resumo dos lançamentos dos custos incorridos (doc. 7), e (ii) da lista dos lançamentos individualizados por projeto extraídos do sistema de contabilidade SAP (docs. 7.1 a 7.111), que totalizam R$ 76.328.326,88"; que "por outro lado, a impugnante traz à colação o resumo dos lançamentos das provisões de custos (doc. 8) e a lista dos lançamentos individualizados por projeto extraídos do sistema de contabilidade SAP (doc 8.1), que totalizam R$ 455.990,01. Ressaltese, na oportunidade, que essas provisões de custos foram efetivamente adicionadas ao Lucro Liquido para fins de apuração do Lucro Real do anocalendário de 2004. Essa conclusão pode ser inferida da análise da movimentação do LALUR no referido anocalendário, razão pela qual tampouco se pode falar de qualquer adição como pretende o D. Fisco Federal"; b.2) quanto à omissão de receitas decorrente de devolução não comprovada de mercadorias vendidas: que "o software ContAgil utilizado pelos D. AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil na pesquisa realizada na conta 010105Estoques não identificou os lançamentos de entrada por devolução de vendas, em virtude de utilizar uma metodologia de análise incompatível com o sistema de contabilidade SAP que desdobra o mesmo lançamento contábil em diversos campos. Por esse motivo, a pesquisa realizada pelo D. Fisco Federal se mostrou infrutífera"; Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.456 4 que, "com vistas a evidenciar o retorno das mercadorias devolvidas ao seu estoque, bem como o cancelamento de determinadas Notas Fiscais, a impugnante pede vênia para trazer à colação: (i) o razão da conta 0041220001, denominada de vendas canceladas e devoluções CBV (doc. 10); e (ii) a lista dos lançamentos individualizados e das respectivas notas fiscais canceladas ou relacionadas ás devoluções (docs. 10.1 a 10.12)"; b.3) quanto à aplicação das normas de preços de transferência: que "os cálculos efetuados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil não se encontram alinhados com a metodologia fixada pela legislação dos preços que "o primeiro equivoco dos cálculos é a não utilização do prego FOB ou do preço CIF acrescido do Imposto de Importação para fins de determinação do preço praticado pela Impugnante"; que "o segundo equivoco dos cálculos é a inclusão indevida da Contribuição ao PISImportação e da COFINSImportação na determinação do preço praticado na importação do equipamento. Nos termos do artigo 12, §4°, da IN SRF 243/2002 [sic], por se tratarem de tributos recuperáveis, tais contribuições não deveriam ser integradas ao preço praticado na importação"; que "o terceiro equivoco dos cálculos é a aplicação da margem de lucro de 20% sobre o preço praticado na importação do bem, ao invés da sua aplicação sobre o preço bruto de revenda do equipamento descontados apenas os descontos incondicionais"; que "o quarto equivoco dos cálculos é a dedução do IPI em duplicidade do valor de venda do equipamento. Além disso, os D. AgentesFiscais não consideraram para o cálculo os valores da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as vendas. Isso significa dizer que o próprio D. Fisco ignorou o disposto no artigo 12, §7°, da IN SRF 243/02"; que "o quinto equivoco dos cálculos é a ausência do cômputo dos ajustes financeiros em virtude de se tratar de uma venda realizada a prazo. Mediante tal procedimento, as D. Autoridades Tributárias descumpriram o comando trazido pelo artigo 12, §5°, da IN SRF 243/02"; b.4) quanto à multa isolada: que "a diferença identificada pelos D. Agentes Fazendários entre o saldo do ativo circulante informado na Ficha 45A da DIPJ 2005 (anocalendário 2004) (doc. 11) e o saldo registrado nos arquivos magnéticos (doc. 12) se justifica em função de o Manual de Preenchimento da DIPJ trazer regras para a alocação de valores que diferem do critério de alocação de contas contábeis da estrutura do balanço da impugnante" (sic); que, "em estrita observância às normas tributárias atualmente em vigor, os contribuintes são livres para adotar os critérios contábeis que mais se adéqüem [sic] ao seu modelo de negócio, de modo a viabilizar a demonstração de sua situação patrimonial da forma mais real"; que, "neste sentido, a impugnante optou por alocar determinados ativos (depósitos judiciais, créditos com pessoas vinculadas etc) no subgrupo Circulante, enquanto o manual de preenchimento da DIPJ determina que tais ativos sejam informados no subgrupo Realizável a Longo Prazo"; Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.457 5 que, "em virtude de se tratar de mera alocação de valores entre contas patrimoniais ativas, se forem somados os subgrupos Circulante e Realizável a Longo Prazo, não será identificada qualquer divergências [sic] entre os montantes informados nos arquivos digitais e na DIPJ 2005, anocalendário 2004, conforme demonstramos na planilha abaixo": [...] que, "em relação ao suposto erro na prestação das informações relativas ao montante de receita operacional bruta, destacamos que o saldo registrado na contabilidade da contribuinte (vide doc. 9), bem como o valor informado às D. Autoridades Fazendárias por meio dos arquivos digitais exigidos pela IN SRF 86/01, são idênticos, totalizando R$ 263.461.181,52"; [...] Por fim, a interessada protesta pela realização de perícia contábil a fim de demonstrar que não houve provisões indedutíveis, omissão de receitas, violação às regras de pregos de transferência ou erros materiais no preenchimento dos arquivos digitais. Para tanto, nomeia perito contábil e formula os quesitos que entende necessários (fls. 492/493).” Na sequência, foi proferido o Acórdão nº 1230.876 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1387 a 1414, julgando procedente a impugnação do contribuinte, contendo o seguinte ementário: ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE ANEXAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A falta de anexação aos autos dos elementos de prova dos fatos constitutivos das obrigações tributárias que se pretendeu constituir acarreta a nulidade dos lançamentos efetuados, por vicio material, em decorrência do cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os autos de infração decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem, em função da relação de causa e efeito que os une. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. ARQUIVOS DIGITAIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.458 6 Comprovado que os dados constantes dos arquivos digitais apresentados fiscalização da RFB estão de acordo com a contabilidade da pessoa jurídica, não há que se falar na aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei n° 8.218/91. Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: a presente acusação revela vício que compromete sua validade, prejudicando sobremaneira a defesa da impugnante, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5°, da CF/88, além de ofender a segurança jurídica (artigo 5°, XXXVI, CF/88), pois o Fisco não colheu provas necessárias à elucidação dos fatos, além de não ter considerado argumentos decisivos para a aplicação da legislação tributária ao caso concreto; contatase que, à exceção dos documentos apresentados pela interessada no anexo VIII de sua resposta ao termo de intimação n° 02943/5/2009 (fls. 410/433) — todos eles relacionados à questão do preço de transferência —, não se juntou aos autos nenhum comprovante dos fatos de que decorreram os lançamentos efetuados; acusase a interessada de escriturar provisões indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL sem ajuste no LALUR, mas não se anexam aos autos documentos indicativos dos lançamentos contábeis das referidas provisões, nem cópia do LALUR; imputase à interessada a infração de omissão de receita por conta da falta de contabilização do retorno ao estoque das mercadorias que foram objeto de vendas canceladas, mas não se traz à colação cópia dos razonetes das contas representativas do estoque dessas mercadorias; alegase que a interessada não calculou corretamente o preço de transferência referente a mercadoria por ela importada de pessoa jurídica vinculada, mas não se juntam documentos que embasem o cálculo supostamente correto; o procedimento adotado parece indicar que se teve em elevada conta a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a ponto de utilizála como fundamento de validade para a dispensa da juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que subsidiaram a constituição do crédito tributário. No entanto, não se pode presumir a legitimidade dos atos administrativos em situações jurídicas das quais possam advir restrições a direitos fundamentais das pessoas, sob pena de restarem fulminados princípios constitucionais, tais como o do devido processo legal (art. 5°, inciso UV, da CF188) e o do contraditório e ampla defesa (art. 5°, inciso LV, da CF/88); reconhecese a nulidade, por vício material, com base nos arts. 9° e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa da interessada, consubstanciado na falta de anexação aos autos dos elementos de prova dos supostos ilícitos tributários; Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.459 7 o lançamento da multa isolada é improcedente porque a acusação que se formula contra a interessada é a de consignar informações incorretas nos arquivos digitais disponibilizados à fiscalização,conforme previsto nos arts. 11, caput, e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Ocorre que, no caso, os dados constantes nos arquivos digitais apresentados à fiscalização estão de acordo com a contabilidade da interessada, conforme se percebe na comparação entre os valores apostos no termo de constatação e verificação fiscal de fls. 226/241 e os documentos juntados às fls. 1206/1224 (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício). Se houve incorreção, isso se deu na declaração DIPJ/2005. E tal fato não se subsume ao estabelecido nos dispositivos legais acima transcritos. Dessa decisão, a DRJ/Rio de Janeiro I recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, e Portaria do Ministro da Fazenda n° 3, de 03 de janeiro de 2008. O contribuinte não se manifestou a respeito. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 03, de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de tributo e de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria, portanto, dele tomo conhecimento. A autuação decorreu da adição ao lucro líquido dos valores registrados a título de: i) provisão gastos futuros; ii) devolução de mercadorias; iii) valor excedente ao preço parâmetro calculado na sistemática dos preços de transferência. Além disso, foi aplicada a multa isolada pela prestação de informações incorretas nos arquivos magnéticos apresentados à fiscalização. O acórdão recorrido cancelou as exigências relacionadas às três primeiras infrações porque a fiscalização teria deixado de juntar aos autos as provas das infrações imputadas ao contribuinte, o que desatendeu o disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e, por conseqüência, violação ao princípio constitucional da ampla defesa. O cancelamento da multa isolada ocorreu em virtude da não subsunção dos fatos à tipificação legal da multa. As questões foram bem decididas pelo órgão julgador de primeira instância. Pelo que se depreende dos autos, a fiscalização descreveu os fatos e as infrações apuradas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, de fls. 226 a 241, mas deixou de juntar os documentos necessários à comprovação dos ilícitos fiscais apurados, fato Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.460 8 que desatende disposição expressa contida no art. 9º do Decreto nº 70235, de 1972 e alterações, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) No presente caso, o agente fiscal não tomou o cuidado de fazer a juntada dos elementos de prova indispensáveis para a comprovação do ilícito fiscal. Os fatos relatados revelam apenas indícios da ocorrência de infrações fiscais, mas não foram trazidas provas que demonstrassem convicção e certeza dessas infrações, condição indispensável à constituição do crédito tributário. Como conseqüência, há um nítido cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que não pode avaliar e se defender plenamente das infrações imputadas por absoluta falta dos elementos probatórios que embasam as exigências fiscais. O dispositivo legal é suficientemente claro em estabelecer que as infrações apuradas devem vir acompanhadas com os elementos de prova da ocorrência dos ilícitos fiscais e devem ser trazidas juntamente com o término dos trabalhos de fiscalização, por ocasião da lavratura do auto de infração. A esse respeito, vejase a opinião de Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martínez López na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 126, que assim se manifestaram sobre o mencionado art. 9º: “O artigo 9º do PAF, ao estabelecer que o auto de infração e a notificação de lançamento devem estar instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, explicita a necessidade de demonstração dos pressupostos com base nos quais o ato foi emanado. Deste modo, a lei define o momento processual adequado para a apresentação das provas coletadas no curso da ação fiscal.” Com efeito, a falta de juntada dos elementos de prova trouxe evidente prejuízo para a defesa, que não pode se defender adequadamente, bem como dificulta a tarefa do próprio órgão julgador na solução do litígio, que não pode confrontar os fatos e as provas, porque inexistentes, o que impossibilita a formação da sua livre convicção. Vejase a fundamentação utilizado no voto condutor do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, fls.1403/1404: “Com efeito, contatase que, à exceção dos documentos apresentados pela interessada no anexo VIII de sua resposta ao termo de intimação n° 02943/5/2009 (fls. 410/433) — todos eles relacionados questão do preço de transferência —, não se juntou aos autos nenhum comprovante dos fatos de que decorreram os lançamentos efetuados, conforme se demonstra a seguir: fls. 01 a 225: DIPJ/2005 da interessada; fls. 226 a 241: termo de constatação e verificação fiscal; fls. 242 a 269: autos de infração; Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.461 9 fls. 270 a 305: termos de intimação emitidos ao longo do procedimento fiscal; fls. 306 a 433: respostas da interessada aos termos de intimação emitidos; fls. 433 a 452: cópia de documentos constitutivos da interessada; fls. 453 em diante: impugnação e seus anexos. [...] 0 procedimento adotado parece indicar que se teve em elevada conta a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a ponto de utilizála, ao que tudo indica, como fundamento de validade para a dispensa da juntada aos autos do processo administrativofiscal dos elementos de prova dos fatos que subsidiaram a constituição do crédito tributário. No entanto, ao meu ver, não se pode presumir a legitimidade dos atos administrativos em situações jurídicas das quais possam advir restrições a direitos fundamentais das pessoas, sob pena de restarem fulminados princípios de assento constitucional, tais como o do devido processo legal (art. 5°, inciso UV, da CF188) e o do contraditório e ampla defesa (art. 5°, inciso LV, da CF/88).” Na atividade do lançamento, a caracterização plena do fato gerador e da matéria tributável há de restar perfeitamente configurada (art. 142 do CTN), sob pena de não se poder sequer ter certeza do crédito tributário exigido, o que contamina o lançamento fiscal pela via da insegurança da relação jurídica entre os sujeitos ativo e passivo. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destaques meus) Nesse mesmo sentido, vejase a jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE COMPRAS A simples constatação de omissão de compras na escrituração do contribuinte, a despeito de constituirse em irregularidade, não autoriza a tributação de receitas omitidas pelo somatório dos valores não escriturados, quando não comprovado o seu efetivo pagamento à conta de recursos mantidos à margem da contabilidade. O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza, indispensáveis à constituição do crédito Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.462 10 tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN. Art. 3º), não pode ser usado como sanção. DECORRÊNCIA IRRF, PIS, COFINS E CSLL O entendimento emanado em decisão relativa ao auto de infração do imposto de renda pessoa jurídica é aplicável às demais contribuições dele decorrentes, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Acórdão 40105572, sessão de 04/12/2006) (destaques meus) No caso em análise, a fiscalização apenas trabalhou com base nas verificações efetuadas nos arquivos magnéticos do contribuinte. Chegou a conclusão de que determinado registro contábil denominado “provisão gastos futuros” era indedutível para fins de apuração do lucro tributável. O fato dessa conta ter o nome de “provisão” chamou a atenção da fiscalização que, baseado em uma presunção, concluiu tratarse de conta com características típicas daquelas que se referem à reduções de valores ativos ou à constituição de obrigações. As despesas incorridas que determinam a constituição das provisões, por serem valores estimativos e de difícil precisão do momento em que se consideram gerados, seus registros se realizam, geralmente, por ocasião da elaboração das demonstrações financeiras, sob a forma de ajustes de balanço. A fiscalização deixou, entretanto, de juntar a prova desse registro contábil/fiscal necessária para caracterizar o lançamento como “provisão”, bem como deixou de esclarecer a sua verdadeira natureza, fatos que evidenciam a falta de aprofundamento das investigações e, por conseqüência, na incerteza quanto à matéria tributável. Quanto à glosa dos valores das devoluções de vendas de mercadorias, o agente fiscal considerou que o registro das notas fiscais de devolução de vendas eram insuficientes para a comprovação do cancelamento dessas vendas (fls. 231). Mais uma vez, faltou à fiscalização um aprofundamento das investigações. Caberia ao agente fiscal desqualificar as notas fiscais de emissão dos compradores mediante circularização nos clientes (fls. 1273) da autuada as quais, até sólida justificativa em contrário, fazem prova a favor do contribuinte. No que se refere à adição ao lucro relativo ao preço de transferência, a fiscalização não juntou documentos que embasam o cálculo efetuado. Ademais, como mencionado na impugnação, o agente fiscal laborou em erro no cálculo do preço parâmetro. Dentre outros, computou indevidamente as contribuições recuperáveis do PISimportação e da Cofinsimportação no preço de aquisição do equipamento (IN 243/2002, art. 4º, § 4°) e aplicou a margem de lucro de 20% sobre o preço praticado na importação do bem, ao invés da sua aplicação sobre o preço bruto de revenda do equipamento no mercado nacional (IN 243/2002, art. 12, § 8°), o que evidentemente, distorceu completamente o valor preço parâmetro calculado. Por fim, quanto ao lançamento da multa isolada, transcrevo os fundamentos do acórdão recorrido, cujas razões de decidir também passo a adotar: “No entanto, se não cabe o reconhecimento de nulidade, é forçoso concluir que o lançamento da multa isolada é improcedente. Isso porque a acusação que se formula contra a interessada é a de consignar informações incorretas nos arquivos digitais disponibilizados fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.463 11 (RFB), conforme estatuído nos arts. 11, caput, e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/2001: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Ocorre que, no caso, os dados constantes nos arquivos digitais apresentados 6 fiscalização da RFB estão de acordo com a contabilidade da interessada, conforme se percebe na comparação entre os valores apostos no termo de constatação e verificação fiscal de fls. 226/241 e os documentos juntados às fls. 1206/1224 (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício). Se houve incorreção, isso se deu na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2005. E tal fato não se subsume ao estabelecido nos dispositivos legais acima transcritos.” Pelo exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720370/2011-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou do CNPJ do prestador.
JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou do CNPJ do prestador. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso provido
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DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 70 /2 01 1- 26 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2008, exercício 2009 (fls. 3/9), lavrado pela omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 15.134,23 e dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 21.500,00, que resultou no imposto suplementar de R$ 10.047,71, acrescido de multa de oficio, juros de mora e demais encargos legais. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado parcialmente procedente, para reconhecer a inexistência de omissão de receitas e manter a glosa das despesas médicas declaradas, apontando como devido o imposto suplementar no valor de R$ 5.912,59 considerando que: “Os recibos emitidos pela Dra. Danielle Lima Nascimento não especifica o serviço prestado e não informa o endereço do profissional, as datas em que em que tal serviço teria sido prestado, o nome do paciente e a forma de pagamento. Os recibos emitidos pelo Dr. Francisco Bezerra Coutinho não especifica o serviço prestado e não informa as datas em que em que tal serviço teria sido prestado e a forma de pagamento”. Nas razões de Voluntário (fls. 77/88), junta declaração do profissional Francisco Bezerra Coutinho, com a descrição dos serviços realizados (fl. 81). Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A insurgência do contribuinte se restringe à glosa das despesas médico odontológicas com o profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00. Não há qualquer prova ou menção quanto à glosa com a profissional Danielle Lima. A DRJ manteve a glosa das despesas odontológicas referente aos serviços prestados pelo profissional Francisco Bezerra Coutinho, sob o fundamento da ausência de Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10480.720370/201126 Acórdão n.º 2802002.255 S2TE02 Fl. 88 3 indicação do serviço prestado, falta de informação quanto às datas em que tal serviço teria sido prestado, além da omissão, nos respectivos recibos, sobre qual a forma de pagamento utilizada. Em sede recursal o Recorrente junta declaração à fl. 81, na qual o odontólogo Francisco Bezerra Coutinho especifica o serviço prestado ao Recorrente e à sua esposa dependente (Tereza Maria Jacques Coutinho Lapa) e indica a sua realização durante o ano calendário 2008; não há referência quanto à forma de pagamento. Com a devida vênia do decidido em 1ª instância, o Recorrente trouxe os documentos comprobatórios das despesas médicas que, em meu entendimento, são suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. Isso porque, nos recibos e nas declarações apresentadas, lá constam os dados do profissional (CPF e n. de inscrição do respectivo órgão profissional), endereço do estabelecimento e descrição do tratamento e do beneficiário (o próprio Recorrente e sua cônjuge); ou seja, preenchidos se encontram os requisitos previstos em lei para fins de reconhecimento do seu valor probante. Nesse sentido já decidiu esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 2802 00.402, em 27/07/2010, relatoria do i. Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Suprida em parte a exigência feita pelo AFRFB e pela DRJ, é de se excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho. Pela falta de previsão legal quanto à exigência de comprovação do efetivo pagamento, admito os recibos, acompanhados da declaração de fl. 81, como suficientes para a comprovação dos dispêndios. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Preliminar acolhida. Recurso provido Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”.(Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento, para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001863/2005-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
O CARF é incompetente para se manifestar sobre a onstitucionalidade das leis tributárias. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. ISENÇÃO.
A isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, de 1996 (Recurso Extraordinário n.º 377457/PR, DJe-241, em 19/12/2008).
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.736
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2001 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. O CARF é incompetente para se manifestar sobre a onstitucionalidade das leis tributárias. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. ISENÇÃO. A isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, de 1996 (Recurso Extraordinário n.º 377457/PR, DJe-241, em 19/12/2008). Recurso Voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. O CARF é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis tributárias. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. ISENÇÃO. A isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, de 1996 (Recurso Extraordinário n.º 377457/PR, DJe241, em 19/12/2008). Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza aa Trindade Torres (Presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura De Albuquerque Alves. Relatório Fl. 100DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 A interessada apresentou pedidos eletrônicos de restituição, cumulados com pedidos de compensação de débito próprio, de crédito de Contribuição para financiamento da Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo. Por meio do Despacho Decisório de fls. 48/49, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou as compensações, ao fundamento de não houve nenhum pagamento no período indicado. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O contribuinte acima identificado apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01 e seguintes, pleiteando direito creditório e compensações com débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no valor de R$ 13.998,17, relacionados a recolhimentos a titulo de Cofins no anocalendário de 2001, considerados indevidos. Alega que por tratarse de sociedade civil de exercício de profissão legalmente regulamentada, gozaria de isenção da contribuição, com base no disposto no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91. A DRF/Presidente PrudenteSP, em Despacho Decisório datado de 13 de setembro de 2005, indeferiu o pleito, uma vez apurado que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, a titulo de Cofins, encontramse integralmente alocados a débitos da mesma contribuição, confessados em DCTF. Cientificado, o contribuinte protocolizou, em 01/03/2006, manifestação de inconformidade, na qual alega: a) que na condição de sociedade civil prestadora de serviços médicos, faria jus à isenção da Cofins prevista no art. 6°, da Lei Complementar . n° 70/91; b) que não teria validade a revogação de tal dispositivo legal pelo art. 56 da Lei n° 9.430, de 1996, em razão do principio da hierarquia das leis; c) que julgado do STJ estaria a amparar seu entendimento. Ao final, requer reforma da decisão administrativa recorrida e homologação das compensações pleiteadas. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou, noutros termos, improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 1419.388 (fls. 73 e ss), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS ANOCALENDÁRIO: 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. ISENÇÃO. A isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, de 1996. Compensação não Homologada Fl. 101DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10835.001863/200558 Acórdão n.º 3202000.736 S3C2T2 Fl. 101 3 Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 87/94, por meio da qual repisa argumentos já delineados na manifestação de inconformidade, quanto à inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n.º 9.430, de 1996. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em que pese não aderir à tese sustentada pela interessada, no sentido de que o art. 59 da Lei n.º 9.430, de 1996 (conversão da Medida Provisória 2.15835, de 2001), ao revogar a isenção conferida no art. 6º, II, da Lei Complementar n.º 70, de 1971, confrontou com Texto Magno, as razões do nosso convencimento seriam de registro totalmente desnecessário nesta sede processual. Afinal, como já pacificamente assentado, o CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). No entanto, esta matéria já foi definitivamente apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, que, no julgamento de mérito da repercussão geral reconhecida no Recurso Extraordinário n.º 377457/PR (DJe241, em 19/12/2008), relatado pelo Min. Gilmar Mendes, assim se pronunciou: “EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. 3. O pronunciamento exarado pelo Tribunal de origem não divergiu desse entendimento. 4. Agravo regimental desprovido.” Cumpre observar que as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral, e pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do recurso repetitivo, são de observância obrigatória por este Colegiado, por imposição do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/6/2009. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 102DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10783.900286/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO RECURSAL.
Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação recursal.
Numero da decisão: 1803-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO RECURSAL. Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como “Valor Original Utilizado”, o “Crédito Original na Data da Transmissão”, procede a irresignação recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 02 86 /2 00 8- 84 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de DCOMP eletrônica na qual a empresa recorrente declara pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 38.428,84 de IRPJ (2362), referente ao débito de R$ 6.410,09 reais. Contudo, o Despacho Decisório proferido foi no sentido de ter sido localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizado para quitação de débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa recorrente apresenta manifestação de inconformidade, de forma tempestiva, referindo que possui um crédito proveniente de um pagamento a maior no valor de R$ R$38.428,84, competência de abril de 2001, que foi utilizado em mais de um período de compensação e que deveria ter, na presente DCOMP em julgamento, mencionado o PER/DCOMP n° 06374.85682.051203.1.3.040466. Requer, a empresa, a homologação do pedido de compensação sob exame. A autoridade julgadora a quo refere que a compensação, que antes podia ser efetuada diretamente na contabilidade, passou a ser efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular e também as informações do débito que lastreado, em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. E, em ato contínuo, aduz que as informações confessadas em DCOMP, que constitui confissão de dívida, culminaram com a não homologação da compensação declarada, isso porque colidiram com as informações que a interessada já havia prestado à Secretaria da Receita Federal em outras declarações (DCOMP, DCTF, DIPJ). A autoridade julgadora afere que o DARF de R$ 38.428,84 (crédito ora em comento) foi indicado como sendo a fonte do direito creditório alegado e realiza quadro demonstrando a utilização das DCOMPs pela empresa recorrente. Conclui a autoridade: a) R$ 6.410,09, na Dcomp de final 0466; b) R$ 17.818,79, na Dcomp final 1540 e c) R$ 14.199,96 na Dcomp de final 8501. Todavia, observa, a segunda DCOMP referida acima teve a compensação homologada, de acordo com a consulta sief, implicando utilização de R$ 19.905,78 do valor do DARF. O que se pode concluir que a utilização do DARF foi parcial e após a compensação parcial restou um saldo de R$ 18.523,0. Relativamente ao DARF de R$ 38.428,84, a autoridade de primeira instância entende que originalmente havia sido informado que se destinava ao pagamento de débito de IRPJ, mas a empresa entregou sete DCTFs (quatro delas complementares) nas quais confessou débitos de IRPJ. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 113 3 Entende o julgador de primeira instância que o direito creditório alegado decorreu das sobreditas retificações, mas que em sede deste julgamento, para o reconhecimento de tal direito, é imprescindível a prova das retificações veiculadas, bem como a prova de que os lançamentos contábeis relativos às compensações porventura realizadas diretamente na contabilidade foram devidamente estornados/retificados, fato que não ocorreu. Cita o artigo 16 do Decreto 70235/72 e o art.147 do CTN. Devidamente cientifica da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em recurso voluntário de forma tempestiva, alegando em apertada síntese que o julgador a quo deixou de considerar o saldo existente de crédito no DARF utilizado em compensação e que sequer homologou parcialmente o encontro de contas levado à apreciação. Ainda, a empresa recorrente argumenta existir um equívoco no acórdão prolatado na primeira instância, isso porque segundo o seu entendimento a autoridade julgadora a quo mesmo tendo reconhecido a existência de parcela do crédito utilizado no abatimento requerido, não reconheceu a procedência da compensação até o limite do respectivo montante. E, segundo seu raciocínio, se parte do crédito apontado na PER/DCOMP existe, a compensação pleiteada deve ser parcialmente homologada. Atenta, a empresa recorrente, que no acórdão em apreço restou consignado como fundamento para o não reconhecimento da integralidade do crédito da mesma que a retificação da DCTF promovida pela empresa não foi acompanhada da documentação que lhe comprovasse a correção, especialmente os contábeis (relativos ao desfazimento de compensações realizados diretamente na contabilidade). Reforça que, ao contrário do que intenta fazer crer o eminente julgador a quo, o art. 147 do CTN sequer é aplicável ao caso examinado, posto que o crédito que se pretende ver reconhecido se refere a tributo sujeito ao lançamento por homologação, regido pelo art. 150 do CTN. Afere a empresa recorrente, que o art. 147 do CTN trata de outra modalidade de lançamento, qual seja, o lançamento por declaração. Prossegue referindo que a Instrução Normativa n° 974/09 da SRF corrobora a afirmação de que a comprovação de erro na DCTF retificadora, para fins de validação da retificação, apenas é exigida em casos específicos quais sejam, os descritos no §3° do art.9°. Assim, nos termos do §1° do art9° da IN n°974/09 "a DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (...)" Neste caminho, a empresa recorrente salienta que uma vez transmitida e aceita a retificação da DCTF via sistema, apenas por procedimento fiscal específico o seu conteúdo pode ser questionado, o que não ocorre na situação sob exame e que levandose em conta que o fundamento do acórdão não procede, ou seja, que o argumento para o não reconhecimento do crédito utilizado em compensação é frágil, concluise pela necessidade de homologação da compensação promovida. É o relatório Voto Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 114 4 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de DCOMP eletrônica na qual a empresa recorrente declara pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 38.428,84 de IRPJ (2362), referente ao débito de R$6.410,09 reais. Contudo, o Despacho Decisório proferido foi no sentido de ter sido localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizado para quitação de débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De conformidade com o Despacho Decisório de fls. 3, o valor total do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), de R$ 38.428,84, informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 06374.85682.051203.1.3.040466, transmitido em 19/11/2003, objeto deste processo. A autoridade julgadora de primeira instância busca, no entanto, cobrar um débito, cujo valor original utilizado corresponde a R$ 6.410,09 (fls. 41), sendo a quantia de R$38.428,84 o equivalente ao crédito original na data da transmissão. Tudo conforme se verifica da tela que segue: Observando, no entanto que a busca intentada pela autoridade a quo resta infrutífera, posto que ainda que se pudesse entender que o crédito original utilizado no PER/DCOMP n°29094.00712.191103.1.3.041540 fosse insuficiente para a compensação a que se destina, as diferenças verificadas devem ser objeto de cobrança em vias competentes. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 115 5 Em outras palavras, a presente peça não se presta para a busca a que se destina, qual seja cobrar os créditos tributários referente ao PER/DCOMP original. Assim, entendo restar comprovado o erro do Despacho Decisório de fls. 03, bem como ser matéria estranha a estes autos a tentativa da DRJ jurisdicionante de questionar Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) retificadora, apresentada pela empresa recorrente, não se inserindo, ainda, na competência daquele órgão (fls. 85): "25. Por isso, em sede deste julgamento, o reconhecimento de tal direito não se pode dar sem a prova das retificações veiculadas, tampouco sem a comprovação de que os lançamentos contábeis relativos às compensações informadas como tendo sido realizadas diretamente na contabilidade do interessado foram objeto de lançamentos contábeis de estorno/retificação." Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001543/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a
penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei
1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se
o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC
nos termos do art. 62-A,
Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF,
com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve
recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no processo
conexo referente à obrigação principal.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2005 a
123/2008, a ciência do AIOA ocorreu em 15.07.2010, dessa forma, já se
operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até
a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de
Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP,
com
dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração,
o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na
administração previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.318
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituição dos
créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no processo conexo referente à obrigação principal. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2005 a 123/2008, a ciência do AIOA ocorreu em 15.07.2010, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no processo conexo referente à obrigação principal. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2005 a 123/2008, a ciência do AIOA ocorreu em 15.07.2010, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 165 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 159 a 161, interposto pela Recorrente – CONSELHEIRO PENA PREFEITURA contra Acórdão nº 0230.955 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Belo Horizonte MG, fls. 152 a 156, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.271.6318, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 28.215,80. A Recorrente está sendo autuada por descumprimento de obrigação acessória CFL 68 – por deixar de informar valores das remunerações pagas ao segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de segurados empregados, contribuintes individuais e transportadores rodoviários autônomos, bem como informou base de cálculo e desconto de contribuição previdenciária do segurado a menor e deixou de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações h Previdência Social GFIP, contribuições previdenciárias descontadas, e outras não descontadas, dos segurados constantes na folha de pagamento, notas de empenhos, DIRF e RAIS, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008, conforme demonstrado nas planilhas anexas; igualmente, no mesmo período, deixou de recolher as respectivas contribuições previdenciárias relativa a esses segurados. As informações incorretas/omissas da GFIP ocorreram no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008, em relação aos segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados e Contribuintes Individuais, conforme demonstrado nas planilhas anexas do Relatório Fiscal da Infração. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, as planilhas, em anexo, mostram os valores das remunerações pagas aos segurados e não declaradas na GFIP; as diferenças de base de cálculo e descontos de contribuições previdenciárias declaradas a menor na GFIP, as contribuições descontadas dos segurados na folha de pagamento, e as não descontadas, todas discriminadas por competência e por segurados, bem como a fonte da Informação de tais valores. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto no 3.048/99 e nem a redução prevista na Lei 8.212/91, no art. 32A, § 20, I e II, acrescentado pela MP 449/08. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 06, a multa aplicada pela infração corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no § 4 0 do art. 32 da Lei n° 8.212/91, calculada conforme quadro anexo. O valor da multa foi reajustado pela Portaria MPS/MF no 333, de 29/06/2010. Informa o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 06, que para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP no 449/2008, a multa aplicada deve observar o principio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), para tanto está sendo efetuada a comparação pelo Sistema, por competência, da multa aplicada acima (revogada) e da multa atualmente em vigor (Multa de oficio de 75%, no mínimo, conforme art. 44 da Lei 9.430/96), conforme anexos. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 166 5 O Relatório Fiscal do processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334 informa que em relação às compensações efetuadas pela Recorrente com fulcro em Mandado de Segurança Individual no processo 2007.38.13.0035190 – 1ª Vara Federal de Governador Valadares, a Fiscalização não efetuou qualquer glosa, permanecendo portanto tais compensações válidas: O Relatório Fiscal do processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334l também informe ter sido feita a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 07 a 08, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610300.2010.00067. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05, é de 01/2005 a 12/2008. A Recorrente teve ciência do AIOP em 15.07.2010, conforme Aviso de recebimento – AR nº RJ174861186BR, às fls. 128. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 131 a 133. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0230.955 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Belo Horizonte MG, fls. 152 a 156, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 159 a 161, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em sede Preliminar. (i) Do cerceamento de defesa da renúncia do contribuinte ao direito de impugnar administrativamente A auditora dispôs no próprio Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal a sua ciência acerca da sentença do Mandado de Segurança, processo n° 2007.38.13.0035190 que teve curso na l a Vara Federal de Governador Valadares. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 167 7 No Mérito. (ii) Da não declaração em GFIP de remunerações pagas a segurados A recorrente na tentativa de cumprir o determinado nos incisos I a VII da IN 15/2006, efetuou em 2008 a correção das GFIPs das competências 01/2005, 10/2005, 11/2005, 13/2006, 08/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007, 13/2007, 01/2008, 02/2008,03/2008, 04/2008. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.271.6318 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 168 9 de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 169 11 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 170 13 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (C) Da Decadência. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 171 15 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 172 17 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, no processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334, verificase que o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, disposto às fls. 54 a 56, apresenta nas competências 01/2005 a 12/2008, objeto do presente AIOP, pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal. Observase que o Relatório Fiscal do processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334 aponta a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. Não obstante a formalização da RFFP, entendo que nessa etapa do processo administrativofiscal em que ocorre a formalização da RFFP apenas, em tese, se aponta a configuração de dolo, fraude ou simulação. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Desta forma, por óbvio, enquanto não houver um pronunciamento judicial acerca da conduta da Recorrente em relação à hipótese dos autos, nesta etapa do processo administrativofiscal não resta materialmente configurada as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o que implica o não afastamento da hipótese de aplicação da regra decadencial insculpida no art. 150, § 4º, CTN. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do AIOA pela Recorrente, às fls. 31, se deu em 15.07.2010 e o período objeto do AIOA: 01/2005 a 12/2008. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 06/2005, inclusive. (i) Do cerceamento de defesa da renúncia do contribuinte ao direito de impugnar administrativamente Analisemos. No processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334, o Relatório Fiscal informa que em relação às compensações efetuadas pela Recorrente com fulcro em Mandado de Segurança Individual no processo 2007.38.13.0035190 – 1ª Vara Federal de Governador Valadares, a Fiscalização não efetuou qualquer glosa, permanecendo portanto tais compensações válidas. Desta forma, conforme o informado pela Fiscalização de que não houve a glosa de compensação, não prospera a argumentação da Recorrente no sentido de ter havido violação a princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa pela não apreciação da Impugnação do contribuinte. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DO MÉRITO (ii) Da não declaração em GFIP de remunerações pagas a segurados Analisemos. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 173 19 Conforme já esclarecido no processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334 em sede de decisão de primeira instância, no Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 54 a 56, estão listadas por competência todas as GPS apresentadas e constantes como recolhidas pela Recorrente e devidamente apropriadas nos sistemas da RFB e também no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA mostrase como tais recolhimentos foram apropriados no crédito lançado pela AuditoriaFiscal. Desta forma, todos os recolhimentos tempestivamente efetuados pela Recorrente foram considerados pela Fiscalização no presente AIOP. Em relação aos recolhimentos que porventura tenham sido recolhidos posteriormente, os mesmos serão apropriados e considerados pela Unidade de Jurisdição da RFB quando da execução do presente processo. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em dar provimento parcial ao recurso para, EM PRELIMINAR, reconhecer a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10855.901984/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.60) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 01 98 4/ 20 08 -1 4 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 3 2 PER/Dcomp de n° 23330.68631.210906.1.7.041324, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 4º trimestre de 2003. A contribuinte apresentou quadrosdemonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 4° trimestre de 2003, efetuado em 27/02/2004, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que sei a acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.724, de 26 de novembro de 2010 (fls.59/62), cientificado ao interessado em 07/01/2011 (fl.65). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.59): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 27/02/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/01/2011, fls.66/67, no qual argúi, em síntese, que: Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 4 3 Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 4º trimestre de 2003, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registro de Saídas dos meses de 10/2003, 11/2003 e 12/2003 (fls.69/97). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 23330.68631.210906.1.7.041324 (fls.1/2), retificador, transmitido em 21/09/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 5.382,94, código 2372, relativa ao 1º trimestre de 2004, com a utilização de crédito no valor de R$ 5.117,36, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 31/12/2003; Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 11.397,98 ). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.03, emitido em 18/07/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito (R$ 11.397,98) foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Consta da decisão recorrida o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado (fls.61/62): ... 0 valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), código de receita: 2372, no valor de R$ 5.117,36, relativo ao quarto trimestre de 2003. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, atinente ao quarto trimestre do anocalendário de 2003, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da divida originariamente declarada, de R$ 33.855,39 para R$ 18.503,31, de modo a delinear o crédito pretendido (fls. 57/58 dos autos). Para melhor elucidação, cabe esclarecer que originariamente a contribuinte apurou, a titulo de CSLL, 4° trimestre de 2003, o montante de R$ 33.855,39, que foram pagos mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13), m 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 5 4 Posteriormente, a contribuinte apresentou DCTFretificadora informand que a CSLL devida no 4° trimestre de 2003 seria no montante de R$ 18.503,31, que em três quotas resultaria na cifra de R$ 6.167,77, o que demonstraria, em tese, o valor do crédito utilizado na presente PER/Dcomp, 2ª quota, no valor de R$ 5.117,36 (R$ 11.285,13 menos R$6.167.77). Depreendese da sucinta alegação da pessoa jurídica expressa no recurso voluntário e demonstrativo (fl.74) que, no 4º trimestre de 2003, sobre parte da receita bruta total no valor de R$ 1.713.268,67 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% em relação à atividade “industrialização por encomenda” (R$ 852.893,75 x 32% x 9% industrialização por encomenda) quando o correto seria o coeficiente de 12% (R$ 852.893,75 x 12% x 9%) como calculado sobre a receita bruta nas atividades comerciais e industriais de acordo com o artigo 22 da Lei nº10.684, de 30/05/2003 que alterou a redação do artigo 20 da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/09/2003 (artigo 29, inciso III Lei nº10.684/2003). Ou seja, sobre a mencionada parte da receita bruta: R$ 852.893,75, apurou CSLL no valor de R$ 24.563,34 (852.893,75 x 32% x 9%) quando o correto seria R$ 9.211,25 (852.893,75 x 12% x 9%), resultando em pagamento a maior na ordem de R$ 15.352,09 (24.563,34 9.211,25) em três quotas de R$ 5.117,36, partindo da premissa que a CSLL total relativa ao 4º trimestre fora paga mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13, em 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Sobre o alegado indébito tributário, vale transcrever o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26 que dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, verbis: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26, de 25 de abril de 2008 DOU de 28.4.2008 – Dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , e o que consta do processo n º 10168.002277/200701, declara: Art. 1 º Para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4 º do Decreto n º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 , observadas as disposições do art. 5 º c/c o art. 7 º do referido decreto. Art. 2 º Fica revogado o ADI RFB n º 20, de 13 de dezembro de 2007 . A Receita Federal revogou uma interpretação dada em dezembro/2007, que resultava em aumento do Imposto de Renda e de CSLL para as empresas que pagam o imposto Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 6 5 pelo regime de lucro presumido ou por estimativa. O Ato Declaratório Interpretativo RFB 20/2007, revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB 26/2008, gerou muita controvérsia enquanto esteve vigente, pois aumentava a base de cálculo de 8% para 32% (no caso do IRPJ) e de 12% para 32% (no caso da CSLL) para a maioria das operações de industrialização por encomenda. Pela interpretação anterior, consideravase prestação de serviço, para fins da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) as operações de industrialização por encomenda quando na composição do custo total dos insumos do produto industrializado por encomenda houvesse a preponderância dos custos dos insumos fornecidos pelo encomendante. Com a revogação desta interpretação, a Receita Federal definiu que, para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (adiante reproduzido), observadas as disposições do art. 5º c/c o art. 7º do referido decreto: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento Contraditando os fundamentos da decisão recorrida e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário, Planilha de Calculo da CSLL 4° trimestre/2003; DARFs relativos ao 4° trimestre/2003; Registro de Saídas (Vendas com o código 5101 e 5102 Industrialização por encomenda com código 5124). Apesar da documentação apresentada, não se tem objetivamente conhecido o faturamento do quarto trimestre de 2003, pois, não foram juntadas as notas fiscais tampouco a DIPJ/2004. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 7 6 Portanto, não se sabe ao certo qual a receita bruta e o coeficiente aplicado para a presunção da base de cálculo da CSLL do mencionado trimestre declarado na DIPJ/2004. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2003. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10166.002902/2005-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. .
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. .
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 02 90 2/ 20 05 -6 4 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 872 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0331.274, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaDF. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratam os autos de tratamento manual de diversos PER/DCOMP relacionados na planilha às fl. 625/630, originais e retificadores, onde o contribuinte efetuou compensações de débitos no valor total de R$ 4.983.117,26, cadastrados no Profisc às fl. 545/572, com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ referente aos anos calendário 2002, no valor não atualizado de R$ 5.053.723,99. Consoante o Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort às fl. 620/624, as compensações não foram homologadas pelo delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF (DRF/BSA/DF), amparandose, para tanto, nas razões a seguir resumidas: ∙ Na análise dos PER/DCOMP verificouse que para o mesmo crédito de R$ 5.053.723,99 foram indicados diferentes períodos de apuração, quais sejam: exercícios 2002 a 2004, conforme relação às fl. 592/593. Em vista disso, o contribuinte foi intimado em maio de 2007 a esclarecer os fatos e fazer as devidas retificações dos PER/DCOMP (fl. 590/593); ∙ Em resposta (fl. 594/599), o contribuinte alegou que o referido crédito, indicado como saldo negativo de IRPJ, seria, na verdade, composto pelo somatório dos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2002. Informou que já havia dois processos anteriores, de nº 10166.005511/200330 e nº 10166.009005/200310, nos quais foram formulados pedidos de compensação e indicados os saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2002. Alegou, ainda, que havia sido “orientada verbalmente a substituir a Declaração de Compensação manual, apresentada em 13/08/2003 (processo 10166.009005/200310), por uma Declaração de Compensação eletrônica considerando o valor total do crédito, a título de saldo negativo de IRPJ, como fizera anteriormente na declaração manual apresentada em 13/08/2003.”; ∙ De acordo com a IN SRF nº 210/2002, no formulário Declaração de Compensação os créditos, quando se tratarem de saldo negativo, são discriminados individualmente em colunas do quadro 4 (fl. 617/618), sendo indicado no quadro 5 o somatório dos valores indicados; ∙ Em consulta ao programa gerador do PER/DCOMP consta que este deve ser elaborado com a indicação de um único tributo ou contribuição como crédito; ∙ Não se pode aceitar a indicação no PER/DCOMP de um crédito de saldo negativo de IRPJ quando este se refere ao somatório de saldos negativos de IRPJ e CSLL. Portanto, para fins de análise dos PER/DCOMP, o crédito a ser apreciado nas compensações foi considerado na sua integralidade como saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, no montante de R$ 5.053.723,99; ∙ Em sequência, na análise deste direito creditório, tomouse conhecimento de que o contribuinte foi submetido a procedimento de auditoria da DIPJ/2003 referente à Fl. 873DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 873 3 aplicação de parcela do IRPJ no Finor/Finam/Funres no anocalendário 2002, consoante documentos enviados pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 1ª Região Fiscal às fl. 600/615; ∙ A auditoria da DIPJ/2003 concluiu que houve excesso de aplicação dos incentivos fiscais em detrimento do IRPJ no anocalendário 2002. Como consequência, foi apurado IRPJ a recolher no ajuste de R$ 343.626,37 (fl. 603). Portanto, ao invés de haver saldo negativo apurado em DIPJ, houve IRPJ devido no referido montante. Consequentemente não há crédito de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário 2002. Por meio do Comunicado/2008 à fl. 625, o contribuinte foi notificado do referido despacho decisório e da Carta Cobrança às fl. 626/632, tendo a ciência ocorrido em 06/03/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 625 – verso. Inconformado com a decisão, apresentou a manifestação de inconformidade às fl. 633/640 em 02/04/2008, cujo teor está resumido a seguir: ∙ O despacho baseouse em dois aspectos para negar as compensações: 1) impossibilidade de indicação no PER/DCOMP de um crédito de saldo negativo de IRPJ quando se refere ao somatório de saldos negativos de IRPJ e CSLL; 2) a auditoria realizada na DIPJ/2003, que concluiu haver excesso de aplicação em incentivos fiscais em detrimento do IRPJ no ano 2002, apurando, em consequência, imposto a recolher no valor de R$ 343.626,37 e não saldo negativo de IRPJ; ∙ Em relação ao primeiro aspecto – O direito de realizar compensação é assegurado pelos art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentada pela IN SRF nº 600/2005, que, em seus art. 6º e 26 faculta o direito de compensar crédito mediante a entrega de PER/DCOMP. Tal procedimento foi adotado pelo contribuinte; Conforme despacho decisório, os PER/DCOMP foram tempestivos; Intimado a prestar esclarecimentos e retificar os PER/DCOMP, atendeu a intimação em 22/05/2007, prestando as informações solicitadas e requerendo, dentre outras coisas, que as retificações de todos os PER/DCOMP – que visariam a retificação do erro formal quanto à denominação do crédito a ser aproveitado – fossem feitas de acordo com o art. 61 da IN SRF nº 600/2005 e que a Receita Federal admitisse/processasse, internamente, a modificação de seus registros a fim de evitar o grande o trabalho que representaria a retificação de inúmeros PER/DCOMP tanto para ele como para o órgão; Se houve erro de preenchimento dos PER/DCOMP, o mesmo decorreu da falta de clareza nos formulários ou nas instruções que lhe deram origem. Mesmo se confirmando esta hipótese de erro, é inegável reconhecer estar assegurado ao contribuinte o direito de fazer as compensações de débitos próprios seus relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; ∙ Em relação ao segundo aspecto – Ao longo de 2002, calculou o IRPJ mensal por estimativa. Ao apurar imposto a pagar, procedia o cálculo do correspondente incentivo fiscal ao Finam (cód. 6692), recolhido mensalmente de janeiro a julho; IRPJ FINAM 6692 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 874 4 DATA VALOR Jan 80.395,35 Fev 49.118,17 Mar 58.195,33 Abr 50.197,43 Mai 48.194,21 Jun 29.343,57 Jul 28.182,31 Total 343.626,37 A partir de agosto, deixou de apurar o imposto mensal por estimativa, gerando base de cálculo negativa; Com relação ao valor do incentivo, os recolhimentos foram feitos no cód. 6692, muito embora, tendo em vista a mudança de opção de tributação naqueles anos, devessem ter providenciado Redarf, mudandoos para o cód. 2362, o que teria impedido a ocorrência de todo esse processo; Não é verdadeira a afirmação de que houve excesso de aplicação de incentivos fiscais em detrimento do IRPJ do anocalendário 2002. Conforme dito, o valor do incentivo foi recolhido. Muito embora tenha mudado a forma de apuração a partir de agosto, abandonando a modalidade estimativa, esse fato não foi notado pelo Auditor, restando a idéia equivocada de que foi feita aplicação em excesso; A afirmação de que não há saldo negativo, mas IRPJ devido, não guarda conformidade com a realidade. Ainda que fosse excluído o valor de R$ 343.626,37 questionado, a base de cálculo permaneceria negativa, conforme demonstrativo elaborado à fl. 638. Após, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF (DRJ/BSA/DF) em 07/04/2008, conforme despacho à fl. 641. Posteriormente, em 05/11/2008, o sujeito passivo apresentou petição com razões aditivas à manifestação de inconformidade às fl. 648/662, onde, amparandose no princípio da verdade material, trouxe exclusivamente novos argumentos de defesa. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, DEFERIU EM PARTE a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 875 5 RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS. PRECLUSÃO. O direito do contribuinte a apresentar razões de defesa preclui transcorrido o prazo de trinta dias contado da ciência da decisão que não homologou a compensação. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E DE CSLL. UMA DECLARAÇÃO PARA CADA CRÉDITO. Se o contribuinte pretende compensar débitos com créditos representados por saldo negativo de IRPJ e de CSLL, deve apresentar um PER/DCOMP para cada tipo de crédito. Não é permitida a inclusão em um PER/DCOMP da somatória dos referidos créditos. IMPOSTO ESTIMADO. PARCELA DESTINADA AO FINAM. VEDAÇÃO À RESTITUIÇÃO. O montante destinado ao Finam não pode integrar o montante deduzido no ajuste a título de imposto estimado pago e, por conseguinte, compor a formação do saldo negativo, vez que sua restituição é vedada, conforme art. 7º da IN SRF nº 210/2002. AUSÊNCIA DE PERC. PERDA DE PRAZO. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Transcorrido o prazo para a apresentação de Perc destinado a revisar o resultado da auditoria que concluiu pela existência de excesso de destinação ao Finam e, por conseguinte, pela ausência de recolhimento de imposto estimado, preclui o direito do contribuinte de contestar administrativamente o não reconhecimento do incentivo pleiteado. SALDO NEGATIVO APÓS EXCLUSÃO DA PARCELA DESTINADA AO FINOR. DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. Verificada a existência de saldo negativo mesmo após a exclusão do imposto estimado destinado ao Finam, é devido reconhecer o direito creditório neste montante e homologar as compensações efetuadas até o limite deste direito, devidamente atualizado. O recurso voluntário repisou as razões trazidas na impugnação (manifestação de inconformidade), pediu a validação das provas trazidas aos autos, declarou e tentou demonstrar a regularidade de sua contabilidade, pediu a aplicação do artigo 112 do CTN que representa a interpretação mais favorável ao contribuinte, que apoiou em jurisprudência, e encerrou solicitando o provimento ao seu pedido. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Esta Quarta Câmara, em 26 de maio de 2011, baixou o julgamento em diligência para, em síntese, transmutar a situação do crédito no valor de R$ 1.705.092,36, Fl. 876DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 876 6 inicialmente na natureza de UROH oara CSLL constante de outro processo e prosseguir na validação do saldo negativo desse crédito apurando a sua liquidez e certeza. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência, acatando na essência a transmutação solicitada e o valor do crédito, mas discordando em vários pontos do processo de compensação dos débitos apontados, seja no aspecto de valoração das compensações seja em retificações não consideradas pela fiscalização, haja vista as diversas dcomps retificadoras desconsideradas. É o relatório. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 877 7 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratam os autos de processo administrativo, relativo a Declaração de Compensação referente a saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002. Ao apreciar os PER/DCOMP, a autoridade fiscal, bem assim a DRJ entenderam que o crédito informado pelo contribuinte como decorrente de saldo negativo de IRPJ de 2002, no montante de R$ 5.053.723,99, deveria ser assim tratado, apesar de o contribuinte ter informado em sua resposta à intimação fiscal que o referido crédito se referia, na realidade, à somatória dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL. Esclareceu, todavia, após intimação efetuada pela autoridade fiscal em maio de 2007, que o crédito referiase, na realidade, à somatória dos saldos negativos de IRPJ (R$ 3.348.631,63) e de CSLL (R$ 1.705.092,36) apurados na DIPJ/2003. Os fundamentos do indeferimento pela DRF das compensações foram 2(dois): (i) a indicação do montante dos créditos sob o titulo único de "saldo negativo de IRPJ"; (ii) a constatação de que, no montante dos créditos (R$ 5.053.723,99), estavam incluídos recolhimentos efetuados com o código de aplicações no FINAM, no valor de R$ 343.626,37. Sob essas fundamentações a solicitação foi integralmente indeferida. A DRJ, manteve o indeferimento da CSLL – item (i), mas em relação ao item (ii) constatou que o excesso de aplicação FINAM não conduzia ao completo indeferimento do pleito, deferindo assim quase que a totalidade do IRPJ efetivamente pleiteado (à parte a CSLL) no montante de R$ 3.024.556,91. Em relação ao item 1), que é o alvo desta Resolução, a DRJ, por seu turno, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação sob o fundamento de que a IN SRF nº 210/2002, vigente à época da transmissão dos PER/DCOMP exigia a discriminação individual dos créditos quando decorrentes de saldo negativo, orientação contida também no Ajuda do programa gerador do PER/DCOMP. Em vista disso, não seria possível aceitar a indicação no PER/DCOMP de um crédito de saldo negativo de IRPJ, quando na verdade este se refere ao somatório de saldos negativos de IRPJ e CSLL. Conforme já se disse, a empresa não se quedou inerte quando alertada pela DRF do referido equívoco.,Esclareceu que o saldo de R$ 5.053.723,99 é composto pela soma dos saldos negativos de IRPJ (R$ 3.348.631,63) e de CSLL (R$ 1.705.092,36). Esclareceu também as razões do engano e ponderou, dado o volume de documentos (Dcomps) envolvidos (499 folhas), sobre a possibilidade de se fazerem, no âmbito da própria Receita Federal, os ajustes Fl. 878DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 878 8 necessários para apropriação das receitas dos débitos compensados e para estorno das receitas dos créditos utilizados, independente da apresentação de novas DCOMP. Concluiu que, se houve erro de preenchimento, o mesmo decorreu de falta de clareza nos formulários da IN SRF 210/2002. Alegou ainda que independente do erro formal cometido tinha assegurado o seu direito a compensar, ex vi art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentada pela IN SRF nº 600/2005. A recorrente se por um lado cometera erros formais que poderiam comprometer a operacionalidade do sistema, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar também o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2002. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, através da Resolução nº 14010000.0072 esta 4a Câmara baixou o feito em diligência dado que reconheceu a necessidade de se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto. Em síntese, baixouse o feito em diligência para transmutar a situação do crédito no valor de R$ 1.705.092,36 inicialmente na natureza de IRPJ para CSLL constante de outro processo (10166.005511/200330) e prosseguir na validação do saldo negativo desse crédito apurando a sua liquidez e certeza. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência, acatando na essência a transmutação solicitada e o valor do crédito, mas discordando em vários pontos do processo de compensação dos débitos apontados, seja no aspecto de valoração das compensações seja em retificações não consideradas pela fiscalização, haja vista as diversas dcomps retificadoras desconsideradas. Eis, em resumo, abaixo, os termos da manifestação de inconformidade da Recorrente contra o resultado de diligência: A PRIMEIRA DIVERGÊNCIA: (...)30. Vêse, pois, que a autoridade fiscal, ao expedir os Demonstrativos Analíticos de Compensação (DAC) de fls. 729/794, corrigiu acuradamente todos os equívocos apontados acima, que já tinham sido expostos nos itens 25/28 das Razões Aditivas de fls. 654/670. 31. Todavia, a autoridade fiscal fez surgir novas pequenas discrepâncias. As 195 compensações processadas por meio dos DAC de fls. 729/794 passaram a constituir, dentro do processo, mais uma relação de débitos, cuja soma alcança o valor de R$ 4.992.132,30, valor esse que volta a divergir da soma dos débitos compensados nas DCOMP. 32. Há uma diferença de R$ 507,89. 33. Constatouse que essa diferença foi provocada por dois fatores, expostos a seguir. 34. Em primeiro lugar, houve engano da autoridade fiscal em proceder à "compensação 044 de 195", no DAC de fl. 743, do débito de R$ 534,89, referente ao código 5987, como se explica a seguir. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 879 9 34.1. Verificase, pela DCOMP 31078.85291.180204.1.3.025149 (f. 115/117), que nela foi declarado um "débito global" no valor de R$ 2.487,24, referente a "retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado CSLL, COFINS e PIS/PASEP", sob o código "59520". 34.2. Houve um engano de codificação, porque esse "débito", segundo observação explícita na própria DCOMP, engloba três tipos de contribuições distintas, as quais deveriam ter sido declaradas sob os códigos específicos de 5987 (CSLL), 5960 (COFINS) e 5979 (PIS), nos valores de R$ 534,89, R$ 1.604,67 e R$ 347,68. 34.3. A empresa tentou corrigir o engano, apresentando em 27.04.2004 a DCOMP retificadora 14609.23624.270404.1.7.021508 (f. 118/121) e, em 07.05.2004, a DCOMP retificadora 28073.36800.070504.1.7.024950 (f. 122/125), nas quais o "débito global" de R$ 2.487,24 foi devidamente apropriado aos códigos competentes, como se vê às fls. 120/121 e 124/125. 34.4. Todavia, a DIORT, ao examinar as três DCOMP, decidiu acolher a DCOMP original, fazendo o registro no PROFISC dos débitos consignados na fl. 117 (código 1708: R$ 802,34; código 3208: R$ 1.163,97; código 5952: R$ 2.487,24), como se vê pelos carimbos "PROFISC" apostos apenas na referida fl. 117. Foram, também, esses os débitos consignados, seja nos Relatórios do Profísc: o débito de R$ 802,34 à fl. 551, o débito de R$ 1.163,97 à fl. 560 e o débito de R$ 2.487,24 à fl. 562; seja nos Demonstrativos que integram a Carta de Cobrança: os três débitos à fl. 634. 34.5. Constatase, por essas razões, que a "compensação 044 de 195", feita no DAC de fl. 743, foi indevida. Cumpre ser cancelada, com o restabelecimento do crédito nela utilizado.: A SEGUNDA DIVERGÊNCIA: 35. Em segundo lugar, houve também engano da autoridade fiscal, quando, na "compensação 076 de 195", ao tratar os débitos da DCOMP 06741.70659.160304.1.3.023370 (fls. 248/251), atribuiu ao débito de código 3208 o valor de R$ 369,99, em vez do valor correto de R$ 396,99, como na DCOMP à fl. 250. 35.1. Haverá também que se corrigir esse segundo engano, utilizandose crédito adicional de R$ 27,00, na "compensação 076 de 195", que se refere ao débito de código 3208, no valor de R$ 396,99, declarado na DCOMP 06741.70659.160304.1.3.023370. 36. Finalmente, constatouse uma última discrepância que, embora não resulte em modificação do montante dos débitos compensados, precisa ser corrigida, para se resguardar a empresa de possíveis aborrecimentos futuros com cobrança indevida. 36.1. Tratase da indicação equivocada de código do tributo na "compensação 067 de 195". 36.2. Em relação à DCOMP 13766.84441.100504.1.7.020732 (fls. 236/238), retificadora da DCOMP 38211.75630.150304.1.3.023519 (f. 230/232), cujos débitos foram tratados nos itens 067 e 068 do DAC de fl. 751, observase que a autoridade fiscal compensou o débito de R$ 9.630,92 como se fosse débito do código 6912, como Fl. 880DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 880 10 consta na DCOMP original. Ocorre que, no presente caso, houve o acolhimento da DCOMP retificadora, de tal sorte que o débito de R$ 9.630,92 referese ao código 8109, como consta à fl. 238. 36.3. Haverá que se corrigir, portanto, a "compensação 067" do DAC de fl. 751. Pois, o código do débito de R$ 9.630,92 é "8109", conforme consta no Registro do Profísc (à fl. 571), bem como no Demonstrativo da Carta de Cobrança (à fl. 634). Por fim, a TERCEIRA DIVERGÊNCIA relativa a data da valoração das compensações: 39.Nesse contexto, dãose por atendidas as questões levantadas nos itens 77/78 e 86, 'd', do Recurso Voluntário: os DAC de fls. 729/794 atendem à exigência do item V do art. 55 da IN 900/2008, que tem lastro no art. 74, § 7o, da Lei 9.430/96. 40.Ora, se o trabalho fiscal foi, assim, bem realizado, como se explicaria a existência da insuficiência de crédito, no valor de R$ 135.979,72? 41.Essa falta de crédito explicase, basicamente, pela forma como a autoridade fiscal tratou os débitos da DCOMP 16039.84029.170305.1.3.020804 (f. 12/15). 41.1.Essa DCOMP foi transmitida com o objetivo de substituir a compensação que se fizera, em 13.08.2003, por meio de Declaração Manual formalizada no Processo 10166.009005/200310, conforme esclarecimentos prestados nos itens 03/05 e 08 do Recurso Voluntário (à fl. 689). 41.2.Encontramse, às fls. 143/148 do Processo 10166.005511/200330 ("disponível para consulta no eprocesso fl. 802", conforme item 5 do Relatório da Diligência), os elementos essenciais que constituem a compensação feita mediante formulário de preenchimento manual, protocolada em 13.08.2003. Por meio desses elementos é possível constatar que os débitos declarados na compensação manual são exatamente os mesmos que constam da DCOMP eletrônica de fls. 12/15, os quais foram tratados nas compensações de n° 190 a 195 dos DAC de fls. 792/792. 41.3.Por essas compensações (190 a 195 dos DAC), observase que a autoridade fiscal fez incidir sobre os débitos compensados na DCOMP de fls. 12/15 os encargos de multa e juros, considerando como data de liquidação dos débitos a data de "17.03.2005", data em que foi transmitida a DCOMP, e não a data de 13.08.2003, quando foi protocolada a compensação manual, conforme protocolo de abertura do Processo 10166.009005/200310, constante da fl. 143 do Processo 10166.005511/2003 30. 41.4.Com isso, houve incidência de multas e juros de mora, que não constam da DCOMP 16039.84029.170305.1.3.020804 (f. 12/15), provocando um consumo maior de crédito, conforme se vê pela comparação dos dois quadros apresentados a seguir: 41.5. A recorrente pleiteia que os encargos sejam calculados tendo como termo final da liquidação a data de 13.08.2003, situação que resultará em redução das multas e juros de mora, especialmente em relação às compensações 192 e 195. (...) Ainda no mesmo contexto dessa TERCEIRA DIVERGÊNCIA, questiona a forma de cálculo de três outras Dcomp: Fl. 881DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 881 11 42. Ademais, houve, ainda discrepâncias na forma de cálculo de encargos legais em relação a três DCOMP, como se explana a seguir. (...) 42.1. Em relação à DCOMP 41949.37154.070504.1.7.021834 (f. 24/27), retificadora Oda DCOMP 33178.71157.311003.1.3.020467 (f. 16/19), cujos débitos foram tratados nas compensações 001, 004, 005 e 006, realizadas nos DAC de fls. 729/730, embora esses débitos tenham sido compensados em data posterior às datas dos respectivos vencimentos, deixaram de ser computados os juros e as multas. 42.1.1.Mas, a autoridade fiscal não deixou de computar esses encargos, tomando, como base para aferir a pontualidade da liquidação, a data da DCOMP original, ou seja, 31.10.2003. 42.1.2.Assim sendo, a autoridade fiscal consumiu parcela do crédito disponível maior do que a parcela consumida pela empresa, como se vê pela comparação dos dois quadros a seguir: Como foi colocado na primeira Resolução, devese levar em consideração que os referidos pedidos foram feitos parte na sistemática de compensação manual e parte através da nova Sistemática (PER/Dcomp) o que é razoável se levar em conta a ocorrência de acontecer certos equívocos. Diante desse contexto, converto o feito novamente em diligência: Para que a fiscalização corrija as duas primeiras divergências, considerando a existência das Dcomps retificadoras, bem assim justifique o motivo pelo qual a forma de valoração adotada por ela discrepa da forma pretendida pela Recorrente e pontuada na Terceira divergência. Havendo equívoco, fazer as devidas correções. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo desse crédito apurando a sua liquidez e certeza, após retificado os equívocos; Após as verificações acima, certificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores sobre os pontos 34.5, 35.1, 36.3 e 41.5 da manifestação de inconformidade da Recorrente contra o resultado de diligência Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 882DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 15504.015264/2009-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO.SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PACTO NA FORMA DA LEI ESPECÍFICA.
Entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada sem o pacto exigido pela Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, integra o salário de contribuição.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
MULTA DE OFÍCIO
Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PACTO NA FORMA DA LEI ESPECÍFICA. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada sem o pacto exigido pela Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, integra o salário de contribuição. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 52 64 /2 00 9- 19 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 MULTA DE OFÍCIO Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi , na íntegra, com grifos de minha autoria: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 88.638,64, no período de 01/05 a 07/05, consolidado em 03/09/2009, que, conforme informado no Relatório Fiscal de fls. 14/17, foi apurado com base em folhas de pagamento e Livro Diário , referindose a contribuições da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de participação nos lucros e resultados PLR, em desacordo com a lei especifica Lei 10.101/2000, e ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy. A ação fiscal foi precedida de Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, fls. 48/49. A interessada foi cientificada da presente autuação em 09/09/2009, conforme documento de fl. 1, e apresentou impugnação, as fls. 105/116, com os seguintes argumentos: alega que o pagamento da participação nos lucros e resultados durante o período fiscalizado foi realizado dentro do previsto na Convenção Coletiva firmada entre os sindicatos representantes das categorias, em 26/12/2004, vigorando no período de 01/10/2004 a 30/09/2005; que a mencionada convenção, cópia anexa à defesa, atende todas as determinações impostas pela Lei 10.101//00, uma vez que é fruto de negociação entre a impugnante e seus empregados e nela constam regras claras e objetivas sobre a forma, periodicidade e vigência da distribuição de lucros pactuada, conforme disposição contida em seus parágrafos segundo e septuagésimo oitavo; que o § 1°, I e II, do art. 2° da Lei 10.101/00, ao dispor sobre "programas de meta, resultados e prazos, previamente pactuados", em nenhum momento trata da obrigatoriedade da utilização de tais programas, mas, sim, faculta, permite sua utilização pela empresa, sendo que o que é permitido não é obrigatório; reforça seu entendimento de que as regras da PLR adotas na convenção coletiva são claras, objetivas e simples, já que sua aferição se baseava em valores fixos, não havendo necessidade Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 de descer a detalhes e estabelecer formular complexas, de difícil compreensão; diz, ainda, que o auto de infração se baseia no RPS, art. 214, § 9 0, X, e § 10, cujas normas regulamentares restringem o alcance da Lei n.10.101 e os direitos dela decorrentes; que o citado regulamento, que não é lei, mas simples decreto, diz o que a lei não diz, sendo que as restrições regulamentares usadas pela União ofendem o principio da legalidade CF, art. 5°, II, 37 e 1501; quanto ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy, esclarece que o referido advogado presta serviço ao Banco Nordeste do Brasil S/A (BNB), sendo que os valores a ele pagos referemse a honorários de sucumbência, ônus da impugnante, derrotada na execução, na ação ordinária 0433.00.0065592 e nos embargos de n. 0433.01.0667742, conforme cópia das petições que anexa; que o fato de ter pago honorário ao advogado da parte contrária não torna a impugnante devedora da contribuição previdenciária, pois ele não prestou serviço a ela, requisito essencial para que a empresa se tornasse devedora, conforme art..22, III, da Lei 8.212, de 1991; pede redução da multa aplicada, em atenção A retroatividade benigna da norma punitiva, aplicandose ao caso o CTN, art. 106, II, "c"; quanto aos juros, alega que os mesmos devem incidir apenas sobre valor de tributo e não sobre multa, como ocorreu no presente lançamento, conforme determina o art. 161 do CTN e art. 61 da Lei 9.430/96. Sobre a matéria cita, ainda, Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que trata da inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de oficio. Ao final, pede o cancelamento do auto de infração atacado, com extinção da exigência por ele lançada ou a redução dos montantes lançados. Requer, ainda, que as intimações dos atos processuais sejam remetidas aos signatários da impugnação, procuradores devidamente constituídos pela autuada. Considerando os argumentos da impugnante em relação ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy, o processo retomou ao Auditor notificante, que emitiu a Informação Fiscal de fls. 179, sendo a empresa dela cientificada em 24/08/2010, conforme ciência de seu representante legal As mesmas fls. 179. Concedido prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da Informação Fiscal acima mencionada, a empresa não apresentou nova manifestação. É o relatório. ” Cumpre ressaltar que muito embora não tenha sido considerado no Relatório supra, o Auditor Fiscal notificante considerou procedente a impugnação sobre o contribuinte Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 4 5 individual José Wilson Fonseca Cambuy e na forma do item 3 do Relatório Complementar de fls. 179, registrou que : “no Auto 37.245.6340 procedeuse à exclusão de Base de calculo no levantamento, CI”. Aduz que às fls. 180, o Auditor assim se manifestou : “ Empresa: Minasfer S/A CNPJ: 16.518.649/000139 Assunto: Impugnação DEBCAD: 372456340 Atendendo a solicitação da DRJBHE temos a dizer o seguinte: 1 Impugnação procede. A empresa apresentou fatos novos, referentes ao contribuinte individual Jose Wilson Fonseca Cambuy. 2 Com os novos fatos apresentados, procedeuse exclusão de valores nos Autos: 37.245.6340, 37.240.3921 e 37.240.3875. 3 Foi entregue a empresa a segunda via do relatório fiscal complementar para dar ciência e conhecimento. 4 Segue abaixo quadro de exclusão do Auto: 37.245.6340 5 A consideração do supervisor. ” ( grifos de minha autoria) DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.183, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 10 de fevereiro de 2011, exarou o Acórdão n° 0230.824 , mantendo parcialmente procedente o lançamento em razão de ter havido entendimento de que seria cabível a retificação proposta pelo Auditor Notificante em sua Informação de fls. 178/180, devendo ser retirado do presente lançamento os valores constantes nos levantamentos Cl E Z1 , nas competências 01/2005 a 07/2005, para exclusão da contribuição previdenciária lançada relativamente ao segurado contribuintes individual José Wilson Fonseca Cambuy. DO RECURSO Não obstante o êxito parcial, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.181, onde combatendo o decisium reiterou em parte as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO De plano , convém trazer à lume o registro do item 09 do Relatório Fiscal onde a Autoridade Fiscal assim se pronuncia: “ Da análise do que foi apresentado e demais elementos verificados por esta auditoria, na própria empresa e acompanhado pela funcionaria do RII da empresa, a senhora Maria Mônica Wanderley verificouse que o "programa de participação nos lucro e resultados" da empresa está em desacordo com Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, que regula matéria, representando, na verdade, uni complemento salarial.” ( grifos de minha autoria) Às fls 149, consta colacionada pela Recorrente que seria a CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO que sustentaria a prática dos pagamentos de PLR. A cláusula segunda do documento supra registra quais as empresas estariam pactuando a PLR com os sindicatos das categorias. É de se destacar que na sobredita cláusula não se observa o recorrente como pactuante do acordo. DA IMPUGNAÇÃO E DO RECURSO Às fls. 110, na peça de impugnação , reiterado na íntegra às fls. 185 na peça recursal, a empresa afirma que agiu com correção na medida em que naquela oportunidade denominavase Minaço S/A então parte integrante do acordo. Cumpre ressaltar que não juntou prova alguma a respeito do que afirmara: “ Tal participação se baseia na convenção coletiva de trabalho firmada entre o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas Minasfer S/A e de Material Elétrico de Várzea da Palma, Corinto e Lassance (representante da à época, denominada Minaço S/A) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Várzea da Palma vejase a clausula segunda, caput e parágrafos, da convenção. A mencionada convenção (texto anexado a esta peça de defesa), firmada em 26/12/2004, vigorou no período de 12/10/2004 a 30/9/2005.” Em contraponto à genérica afirmação da empresa, a Autoridade Fiscal é pontual e efetiva ao apontar a origem dos fatos geradores : Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 5 7 “ 2Contribuições devidas à Seguridade Social, calculadas sobre os salários de contribuição, dos segurados empregados e contribuinte individual, quadro em anexo, levantados com base nas folhas de pagamento analíticas e seus respectivos resumos gerais, cujas verbas foram comandadas sob as rubricas Participações nos Lucros e Resultados e Livro Diário que comprova pagamento a contribuinte individual.”( grifos de minha autoria) Assim, os documentos que instruíram o presente lançamento registram pagamentos efetuados pela MINASFER S/A.. É oportuno ressaltar que o lançamento reportase ao período 01/01/2005 a 31/07/2005 e em 31 de janeiro de 2005 e no Relatório de Representantes Legais REPLEG, que registra o cadastro da empresa, recebido e não contestado pela Recorrente, à exceção de apenas um , todos os representantes são contemporâneos ao lançamento atuando desde período bastante anterior . De relevo,também, destaquese que conforme fls. 119 a empresa com a mesma denominação MINASFER S/A , em 31 de janeiro de 2005 , realizara assembléia geral sem alteração da denominação, na forma do extrato parcial abaixo: “ MINASFER S.A . CNPJ/MF 16.518.649/000139 NIRE/JUCEMG N° 31300044025 ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA NO DIA 31 DE JANEIRO DE 2005.” No mesmo diapasão, às fls. 134, em documento datado de maio de 2006, o advogado José Wilson Fonseca Cambuy excluído em sede de impugnação da incidência como contribuinte individual na forma do item 3 do Relatório Complementar de fls. 179, registra nos autos do litígio de n.: 433.00.005.0420 (Execução) que tramitara na 3° VARA CÍVEL DA COMARCA DE MONTES CLAROS/MG a existência de ambas empresa Minaço S/A Minasfer S.A que a Recorrente que fazer acreditar ser a mesma pessoa jurídica: “ 3° VARA CÍVEL DA COMARCA DE MONTES CLAROS/MG Autos de n.: 433.00.005.0420 (Execução) Exeq0ente: Banco do Nordeste do Brasil S/A Executado: Minaço S/A Minasfer S.A. e outros ” ( grifos de minha autoria) Por derradeiro, consulta ao sitio da Fazenda Nacional desqualifica a alegação posto o registro da data de abertura da empresa MINASFER S/A é datado de 24/04/1971: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 16.518.649/000139 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 24/09/1971 NOME EMPRESARIAL MINASFER S/A TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) MINASFER S/A CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 24.51200 Fundição de ferro e aço CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2046 SOCIEDADE ANONIMA ABERTA LOGRADOURO AV AMAZONAS NÚMERO 7700 COMPLEMENTO CEP 30.510000 BAIRRO/DISTRITO GAMELEIRA MUNICÍPIO BELO HORIZONTE UF MG SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 03/11/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL O artigo 2° da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000 determina que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados : "Art 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo.” Tudo isto posto, muito embora a instância “ ad quod ” não tenha percebido a empresa MINASFER S/A não tem um pacto convencionado de pagamento de PLR conforme o Fl. 432DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 6 9 exigido na forma da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Desta forma, o lançamento é procedente. DOS JUROS Os juros aplicados estão de acordo com a normas contidas nos dispositivos legais constantes do Relatório dos Fundamentos Legais do DébitoFLD ( fls. 11/12), e, ao contrário do argumento da empresa, foram calculados sobre o valor originário, conforme explicitado no referido Relatório. DA MULTA. É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Na hipótese de novos critérios de apuração ou de novos processos de apuração é que se aplica a previsão do § 1º deste artigo: “ § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios ” O presente lançamento não está submetido à novos critérios de apuração. Na forma do registro de fls.11, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. Entretanto o artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, estabelecendo não novos critérios de apuração mas determinando que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” No item 14 do Relatório Fiscal de fls. 16, na forma do texto abaixo transcrito, o Auditor registra que procedera a apuração da multa mais benéfica : “14Esta sendo aplicado a multa de oficio, nas competências 01, 02, 03 e 04 de 2005 que é a mais benéfica para Autuada, e a anterior a medida provisória 449 nas competências 05, 06 e 07 de 2005 que é a mais benéfica para a Autuada, após comparação feita entre as multas, conforme quadro, em anexo.” O quadro anexo a que se refere o Auditor autuante consta de fls. 45. No quadro em questão não se vislumbra coluna que estabelece o cálculo considerando a aplicação da multa em 0,33% ao dia, limitada a 20% . A planilha supra não permite concluir que fora construída na forma dos preceitos atuais posto que e não fica claro se teria considerado o artigo 35 da Lei 8.212/91, que sustenta a penalidade, no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 7 11 O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DA MULTA DE OFÍCIO Conforme registra o Relatório Fiscal, tratase de crédito lançado em razão de fatos geradores ocorridos no período de 01/05 a 07/05, consolidado em 03/09/2009. Exortando os mesmos artigos para aplicação da multa de mora, se nota que a penalidade de impingir multa de ofício às contribuições previdenciárias só se observa a partir da ocorrência de fatos geradores contemplados a partir da vigência da edição da Medida provisória MP 449 ocorrida em, 03/12/2008, consolidadas pela redação dada pela Lei 11.941/2009. Ocorre que às mesmas fls.11, no mesmo Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, desconsiderando que os fatos geradores ocorreram antes da emissão da aludida MP 449, de 2008, imputaramse, também, os efeitos desta penalizando a infração com aplicação de multa de ofício : Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 “ 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 01/2005 a 04/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 “ Assim, muito embora o crédito tenha sido constituído e lançado de ofício , pós emissão da sobredita MP 449/2008, entendo que esta não alcança lançamentos pretéritos como os em comento que se reportam ao período 01/05 a 07/05 posto que sem previsão à época dos fatos geradores. O legislador ao revogar o anterior artigo art. 35 e seus incisos I, II, III da Lei 8.212/91, sabedor da existência de um estoque de autos lavrados e outros ainda por lavrar sob a égide daquele preceituado, foi explícito ao determinar que a nova redação dirigiase aos débitos NÃO PAGOS. Assim. devese ter presente que o artigo 35 da Lei 8.212/91 sob o comando da nova redação é aplicado e sopesado nos termos do benefício da retroatividade benigna nos casos em que se verifiquem obrigações principais ainda NÃO PAGAS, verbis: “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). ” A novidade está em que nos casos de lançamento de ofício por óbvio nas ocorrências de fatos geradores inadimplidos pós emissão da MP 449/2008 se deva , DE FORMA NÃO CUMULADA com a multa de mora, observar a multa de ofício – penalidade nova na legislação previdenciária disposta no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzida pela Lei 11.448, de 2007 na forma do disposto no comando do artigo 35 – A introduzido pela Lei 11.941/2009, verbis: “ Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( Incuído pela Lei n 11.941/2009).” Abaixo, com grifos de minha autoria, vasta jurisprudência deste Conselho, corrobora meu entendimento sobre a questão: “ 05/12/2000 Acórdão nº 20306981 do Processo 108300017319551PIS MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício exclui a multa de mora. Recurso negado.” “ 06/03/2008 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 8 13 Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10196598 do Processo 11030001309200680 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA A utilização de crédito de natureza não tributária justifica o lançamento de ofício para imposição de multa isolada. MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de ofício, mas sim, que a multa de ofício é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO A multa de ofício, absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação.” “ 26/01/2007 Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20217713 do Processo 10980009260200105 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/1997 Ementa: MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. De acordo com a Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a MP nº 351, inexiste previsão legal para lançamento de multa de ofício pelo recolhimento a destempo da multa de mora. Recurso provido” “ 14/05/2003 Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20176943 do Processo 108450008609932 MULTA DE OFÍCIO. O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A conseqüência prática da perda da espontaneidade é que o contribuinte fica sujeito à multa de ofício ao invés da multa de mora em relação aos valores que venham a ser levantados pela fiscalização. O termo de início de fiscalização vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Se o Fisco não formaliza qualquer ato escrito indicando o prosseguimento, ou o encerramento, dos trabalhos, a partir do 61º. dia, o contribuinte readquire a espontaneidade. O resultado concreto desse fato é que o contribuinte pode efetuar o Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 recolhimento dos valores devidos acrescidos de multa de mora ao invés da multa de ofício. Se o contribuinte já havia recolhido os tributos, acrescidos de multa de mora, antes de readquirir a espontaneidade e por inércia do Fisco a recupera, fica dispensado da multa de ofício e sujeito, apenas, à multa de mora. Recurso provido” “ 08/10/2008 Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10249304 do Processo 10768000216200227 CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de ofício isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. ERRO DE FATO. Tratandose de mero erro de fato no preenchimento da DCTF pelo contribuinte, mas estando mencionado o período correto nas guias DARF`s não há que se aplicar qualquer sanção ao contribuinte. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido.” “ 26/06/2008 Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10423323 do Processo 10825002460200111 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1998 RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Lei nº 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN). CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de ofício isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso provido.” “ 19/03/2004 Turma Ordinária da 8ª Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou em Acórdão nº 10807758 do Processo 108350015859966 : “ CSL COOPERATIVAS RESULTADO TRIBUTÁVEL ATOS NÃO COOPERATIVOS Constatado que a entidade também praticou atos não abrangidos pelo conceito do cooperativismo, correta é a exigência da contribuição sobre o resultado líquido destas operações. PERÍCIA DESNECESSIDADE Rejeitase o pedido de realização de perícia, quando os autos estão corretamente instruídos permitindo ao julgador formar a sua Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 9 15 convicção em relação à matéria discutida. NORMAS PROCESSUAIS ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO CONHECIMENTO A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal. No julgamento de recurso voluntário fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. (Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, art. 22A, acrescentado pelo art. 5º da Portaria MF nº 103/2002). MULTA DE OFÍCIO FALTA DE PAGAMENTO DECLARAÇÃO INEXATA APLICABILIDADE No caso de falta de pagamento cumulada com declaração inexata a multa de ofício está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 6.430/96, em consonância com os incisos IV e V do artigo 149 do CTN. Já a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 6.430/96 é aplicável apenas aos procedimentos espontâneos ou de cobrança de valores já declarados. JUROS DE MORA TAXA SELIC Para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. (Lei 9.065/95, art. 13). Por sua vez, o CTN prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º). Recurso negado.” ARTIGO 44 DA LEI NO 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996 “ Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). (...) ” Portanto, no caso em comento, não há que falar em multa de ofício ainda que seja para beneficiar o infrator uma vez que a multa de ofício atualmente aplicada exclui a multa de mora. Como visto alhures, no item 14 do Relatório Fiscal de fls. 16, na forma do texto abaixo transcrito, o Auditor registra que procedera a apuração da multa mais benéfica tendo como paradigma a MP 449/2008: “14Esta sendo aplicado a multa de oficio, nas competências 01, 02, 03 e 04 de 2005 que é a mais benéfica para Autuada, e a anterior a medida provisória 449 nas competências 05, 06 e 07 de 2005 que é a mais benéfica para a Autuada, após comparação feita entre as multas, conforme quadro, em anexo.” Desse modo, em razão de tudo que foi exposto, entendo que é pertinente o recálculo da multa cujo valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO,DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 10 17 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000967/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO.
Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F ao único sócio (instituição financeira) da contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO.
Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando- se na determinação
do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio.
JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO
LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA.
A obrigação tributária principal dá-se com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º., IV, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1301-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada ; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à desmutualização. Vencido nesse ponto o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, que apresentou Declaração de voto; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à taxa SELIC. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator
Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente INDUSVAL S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F ao único sócio (instituição financeira) da contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computando se na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 67 /2 01 0- 29 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 2 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º., IV, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada ; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à desmutualização. Vencido nesse ponto o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, que apresentou Declaração de voto; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à taxa SELIC. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior – Relator Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidasse de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte INDUSVAL S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrado autos de infração para formalização e cobrança do crédito tributário no valor originário de R$ 14.315.590,38, incluindo as multas de ofício, juros de mora (calculados até 30/07/2010) e Multa Exigida Isoladamente (fls. 165 – 176). Fl. 560DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 3 3 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 145 – 151), a Fiscalização descreveu as circunstâncias que redundaram na autuação, aduzindo que a recorrente, constituída em 24/07/1989, tem como objeto social operar em Bolsa de Valores, de Mercadorias e de Futuros, com títulos e valores mobiliários de negociação autorizada, comprar e revender títulos e valores mobiliários, vender e intermediar operações com mercadorias, inclusive ouro, em bolsa ou fora dela, à vista ou a termo, e exercer outras atividades regulamentadas pelo Banco Central do Brasil, sendo que nesta condição, para operar como corretora na Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e na Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F era detentora de títulos patrimoniais e que no ato da Constituição da Corretora, o Banco Indusval integralizou parte do Capital Social de Ncz$ 1.400.000,00 (...) mediante a conferência do Título Patrimonial nº 15 da Bolsa de Valores de São Paulo pelo valor de RS Ncz$ 1.328.236,99. Atestou a Fiscalização que em 02.12.1996, a Corretora adquiriu do Banco Indusval o título de Membro de Compensação n° 15 pelo preço de RS 2.180.000,00; o título de Corretora de Mercadorias n° 15 pelo preço de RS 1.060.000,00; e 2 (dois) títulos de Sócio Efetivo pelo valor unitário de RS 8.287,00, todos da BM&F, perfazendo o montante de RS 3.256.574,00, conforme Contrato de Compra e Venda celebrado entre as partes e respectivos registros contábeis às folhas 88 a 92. Destacousse que a forma de contabilização dos títulos patrimoniais está prevista no Capítulo I, item 11, subitem 3, parágrafo 3º do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro NacionalCOSIF, (são atualizados por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos lançamentos de ajustes nas contas "TÍTULOS PATRIMONIAIS" e "RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS) e que os títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F representavam frações ideais dos seus respectivos patrimônios e estavam sujeitos a atualizações de seus valores através de informações fornecidas pelas próprias Bolsas com base na variação dos seus patrimônios líquido de conformidade com o artigo 9º do Anexo à Resolução CMN (BACEN) n° 2.690, de 28 de janeiro de 2000, sendo registrados no Ativo Permanente Investimentos (2.1.4.10.208), e as referidas atualizações eram registradas como acréscimos ao valor dos títulos em contrapartida a subconta "Reserva de Atualização de Títulos" (6.1.3.70.009), integrante da conta de Reserva de Capital do Patrimônio Líquido, por força do disposto na Portaria MF n° 785 de 20 de dezembro de 1977. Frisou a Fiscalização, que em 30 de março de 2007 conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária, foi aprovada a redução do capital social da corretora Indusval S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários "Corretora" no montante de RS 16.774.786,83 (...), passando o capital de RS 22.593.139,76 (...) para R$5.818.352,93 (...), mediante o cancelamento de 1.758 (...) ações ordinárias e 1.758 (...) ações preferenciais, nominativas sem valor nominal e, em decorrência da redução do seu capital social, a Corretora a transferiu para o Banco Indusval S/A (único acionista) 06 Títulos Patrimoniais da Bovespa pelo valor contábil de R$ 7.693.335,60; Título de membro de Compensação da BM&F pelo valor contábil de R$ 4.570.013,55; e Título de Corretora da BM&F pelo valor contábil de R$ 4.511.437,68. Mencionouse ainda, que a redução de capital foi realizada a débito da conta do Patrimônio Líquido nº 6.1.1.40.10.01 "Reservas de Capital País" e a crédito das respectivas contas do Ativo Permanente n° 2.1.4.10.10.01 "Títulos Patrimoniais Bovespa" e 2.1.4.10.20.01 "Títulos Patrimoniais BM&F" conforme lançamentos contábeis (fls. 31/33) e as atualizações monetárias dos Títulos Patrimoniais decorrentes das alterações patrimoniais da BOVESPA e da Fl. 561DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 4 BM&F foram debitadas nas contas contábeis do Ativo Permanente que registravam os Títulos Patrimoniais e creditadas na conta 6.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" cujo saldo em 30.03.2007 era de RS 11.912.501,34 sendo que nesta data foi capitalizado o montante de RS 11.066.395,84, correspondente ao saldo da reserva em 31.12.2006, mediante lançamento a débito da conta COSIF n° 6.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" e crédito das contas COSIF n° 1.1.20.13.01" Ações Ordinárias País" RS 5.533.197,92 e 1.1.20.16.01" Ações Preferenciais não Cumulativas e não Resgatáveis País" RS 5.533.197,92 e na mesma data de 30.03.2007 o Banco Indusval S/A também reduziu seu capital no mesmo montante procedido pela INDUSVAL mediante transferência dos mesmos títulos patrimoniais aos seus acionistas, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada às 14:00hs (fls. 27/30) e, ainda na mesma data, os acionistas do Banco Indusval venderam para a CORRETORA os mesmos títulos patrimoniais anteriormente cedidos ao Banco Indusval na redução do capital social, pelo mesmo valor, conforme "Instrumento Particular de Cessão de Transferência de Direitos sobre Titulo Patrimonial de Corretora de Mercadorias e Membro de Compensação da Bolsa de Mercadorias& Futuros e Outras Avencas" e "Instrumento de Cessão e Transferência de Direitos sobre Título Patrimonial de Corretora de Valores da Bolsa de Valores de São Paulo e Outras Avencas (fls. 39 a 52), sendo que os lançamentos contábeis desta operação foram efetuados a débito da conta COSIF nº 2.1.4.10.10.01 "Títulos Patrimoniais Bovespa" no valor de RS 7.693.335,60 e a débito da conta COSIF n° 2.1.4.10.20.02 "Títulos Patrimoniais BM&F" no valor de RS 9.081.451,23 e as atualizações monetárias mensais foram efetivadas a débitos destas contas e a crédito da conta COSIF Cód. 6.1.3.70.00.01" Reserva de Atualização de títulos Patrimoniais" e o saldo das atualizações do título patrimonial da BOVESPA em 28/08/2007 era de R$ 1.067.828,52 e o saldo das atualizações monetárias dos títulos da BM&F em 20/09/2007 era de RS 767.880,16. Esclareceuse que tendo em vista a existência de cláusula resilitiva da Cessão e Transferência, a propriedade dos títulos patrimoniais teria retornado aos sócios do Banco Indusval por ocasião das desmutualizações. Entretanto, a Corretora teria participado efetivamente do processo de desmutualização e, portanto, ainda era a real detentora dos títulos patrimoniais. Feitas tais assertivas, passou a Fiscalização a discorrer acerca do processo de desmutualização das Bolsas de Valores (fls. 149/150), destacando que em 28/08/2007 (data da desmutualização da Bovespa), o proprietário de um título patrimonial da extinta BOVESPA passou a deter 706.762 ações da “Bovespa Holding S/A” de valor unitário de R$ 2,06 (data base 30/06/2007), que foi recebido a título de devolução de patrimônio social. O valor de cada ação da CBLC foi determinado em R$ 4.224,98. Tendo por base os valores apurados em demonstrativos contábeis levantados em 28/08/2008, o valor do título patrimonial foi determinado em R$ 1.568.803,71, com valor residual de R$ 86,46. Pela devolução de 6 (seis) títulos patrimoniais de sua propriedade, a Corretora recebeu 4.240.614 ações pelo valor unitário de R$ 2,23 por ação. Com a incorporação da CBLC, houve novo aumento de capital e emissão de ações, com a troca de 25 ações da CBLC por 46.223 ações da Bovespa Holding. A corretora era detentora de 700 ações da CBLC cujo valor contábil em 28/08/2007 era de R$ 2.206.255,32 e, em troca dessas ações, recebeu 1.294.244 ações da Bovespa Holding. No mais, destacouse que em 20/09/2007 (data da desmutualização da BM&F) e, em decorrência da operação, o capital social da BM&F S/A passou a ser de R$ 901.877.292,00 divididas em 901.877,292 ações ordinárias que foram distribuídas aos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F, conforme tabela à fl. 150. Considerando que a recorrente era detentora de 01 Título de Membro de Compensação, 01 Título de Corretora de Mercadorias e 02 Títulos de Sócio Efetivo, a Corretora recebeu 9.879.625 ações da BM&F Fl. 562DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 4 5 S/A, das quais 9.859.625 foram transferidas aos correntistas do Banco Indusval em decorrência da redução de capital da Corretora em 30 de março. Mencionouse no item seguinte, que a contribuinte alegou não ter havido nem perda nem ganho de capital na operação de desmutualização, entendendo a Fiscalização, no entanto, que nas datas das desmutualizações, a recorrente detinha a posse dos títulos patrimoniais conforme registros contábeis, e, portanto, não haveria como não impor a ela a sua participação nos processos. Para fundamentar a autuação em comento, aduziu a Fiscalização que as Bolsas eram associações regidas pelos arts. 53 a 61, da Lei n° 10.406, de 2002 (Código Civil), e, pela sua natureza, sem fins lucrativos, gozavam da isenção preconizada pelo art. 15 da Lei n° 9.532, de 11 de dezembro de 1997, sendo que tal isenção fiscal também se refletia para os associados, uma vez que as atualizações dos títulos patrimoniais eram registradas em conta de "Reserva" por força do disposto na Portaria MF n° 785 de 20 de dezembro de 1977, norma tributária complementar, que autorizou as corretoras a postergar a tributação dos acréscimos ao valor de aquisição dos títulos patrimoniais, em função do aumento do capital social das bolsas, para o momento em que houvesse a redução do capital ou ocorresse a sua extinção, razão pela qual, os valores que compunham as reservas de atualização foram utilizados para 'aumento de capital’, e, ao mesmo tempo, compuseram o montante distribuído ao sócio Banco Indusval em operação de redução de capital, considerando que neste momento ocorreu a disponibilidade econômica, fato gerador da incidência tributária previsto no artigo 249 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999, que contempla a tributação de acréscimo patrimonial ainda não tributado, independentemente se houve ou não trânsito por conta de resultado, ou seja, mesmo que ele tenha sido contabilizado diretamente em conta do patrimônio líquido. Considerousse que em relação ao processo de desmutualização, as bolsas de valores só poderiam destinar seu patrimônio em caso de extinção para outra entidade de fins não lucrativos conforme previsto no art. 61 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que instituiu o novo Código Civil e que a desmutualização foi um processo contrário ao que preconiza o citado art. 61 da Lei n° 10.406, de 2002, pois a "transformação" dos títulos patrimoniais em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A representou uma devolução do capital aos associados em forma de ações, porquanto as corretoras deixaram de ser associadas das extintas Bovespa e BM&F para serem acionistas das novas empresas, pessoas jurídicas com finalidade lucrativa submetidas às normas da Lei n° 6.404, de 1976. Atestou a Fiscalização que este foi o entendimento consolidado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Solução de Consulta n° 10 expedida em 10 de outubro de 2007 pela COSIT , constituindose em Norma Complementar conforme definido no artigo 100 do Código Tributário Nacional, destacando que referida consulta foi formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores (CNB), no processo n° 10768.002443/200700, visando esclarecer o processo de desmutualização e suas implicações tributárias, concluindo na apontada Solução de Consulta, pela tributação do ganho de capital obtido no processo de desmutualização, conforme disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97, com correspondência no artigo 239 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3000/1999. Concluiuse, destarte, que o valor a ser adicionado à base de cálculo do Imposto de Renda corresponde à diferença entre o valor nominal das ações recebidas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das Bolsas. Diferença esta correspondente aos valores das atualizações do valor do título patrimonial de Fl. 563DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 6 titularidade da corretora, espelhados no saldo da conta de "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", sendo que os acréscimos patrimoniais permaneciam não tributados até o momento de sua distribuição e, se distribuídos, a qualquer forma ou título, passariam a integrar a base de cálculo do imposto de renda, de sorte que o artigo 17 da Lei n° 9.532/97 guardaria concordância com o que já previa a Portaria MF n° 785, de 1977, afirmandose que por se tratar de operação estritamente patrimonial, os acréscimos patrimoniais foram classificados como resultados não operacionais e o resultado deve ser adicionado ao Lucro Líquido para ser computado no Lucro Real e na Base de Cálculo da CSLL do ano calendário 2007. Quanto à apuração dos valores tributáveis lançados de ofício o autuante informa serem correspondentes: (a) ao montante entregue pela Corretora na operação de redução do seu capital em 30 de marco, originário da reserva de atualização de títulos patrimoniais das bolsas ainda não tributado, reduzido do custo de aquisição respectivos títulos patrimoniais; e (b) à mais valia correspondente a diferença entre o novo valor de aquisição dos títulos em 30.03.2007 e valor na data desmutualizações. Conforme demonstrativos de folhas 154 a 155. Por fim, lançouse os fundamentos para a aplicação da multa isolada e registrou, em relação à “baixa de um título de sócio efetivo”, alegou o autuante que (a) a corretora interessada adquiriu do Banco Indusval, em 02/12/1996, 02 Títulos de Sócio Efetivo pelo preço unitário de R$ 8.287,00, conforme Contrato de Compra e Venda celebrado entre as partes (fl. 88), cujo lançamento contábil foi efetuado a débito da conta que registrava os títulos patrimoniais da BM&F n° 2.1.4.10.20 (fl. 91); e (b) no processo de desmutualização da BM&F. a Corretora recebeu 20.000 ações da BM&F S/A no valor de R$ 1,00/ação, relativamente à devolução dos dois títulos, sendo que em 16/11/2007 o contribuinte alienou 1000 ações ao Grupo General Atlantic, pelo preço de R$ 9.698,59, realizando um lucro de R$ 8.698,59 e na mesma data a Corretora efetuou uma baixa de 10.000 ações com prejuízo de R$ 10.000,00, o que foi contabilizado a débito da conta 8.3.1.10.00.01 Prejuízo na Alienação de Investimentos e a crédito da conta 2.1.5.10.20.02 Ações BM&F S/A (fls. 131 a 133). Destacou a Fiscalização que regularmente intimada a esclarecer esta baixa, a Corretora respondeu que "o título de sócio efetivo era de propriedade do sócio Luiz Masagão Ribeiro e que até a respectiva baixa contábil estava emprestado à Corretora", entretanto, não teriam sido apresentados quaisquer documentos que comprove a propriedade do título pelo referido sócio, nem tampouco o alegado empréstimo à Corretora e seu motivo. Mencionou a Fiscalização ainda, que "mesmo que o alegado empréstimo e sua motivação tivessem sido comprovados, o lançamento contábil deveria ter sido a crédito de conta passiva de empréstimo e, a sua liquidação, a débito desta mesma a débito de prejuízo" e conclui pela inexistência do prejuízo de R$ 10.000,00, que deveria ser objeto de glosa, asseverando que a recorrente era a detentora dos dois títulos de sócio efetivo, pois foi quem recebeu as 20.000 ações da BM&F no processo de desmutualização e também porque a propriedade do título remonta a 1996 conforme contrato de Compra e Venda (fls. 88), considerando que as ações da BM&F foram transferidas ao sócio Luiz M. Ribeiro pelo valor de R$ 1,00, notoriamente inferior ao valor de mercado de R$ 9,69, concluindo que em relação à diferença (R$ 8,69 X I000) presumemse "distribuição disfarçada de lucros", preconizada nos artigos 60 a 62 do Decreto Lei n° 1.598 de 26 de dezembro de 1.977 com as alterações do art. 20 do Decreto Lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1.983, com transposição no art. 464, inciso I, do RIR/99. Aponta que o valor de mercado das ações é aquele negociado em 16/11/2007 com o Grupo General Atlantic que, consoante definição contida no item 7 do Parecer Normativo CST n° 449, de 1971, é notória a inferioridade do valor das ações da BM&F transferidas a pessoa ligada. Conclui, assim, pela adição, no lucro líquido do exercício, da diferença de R$ 86.985,90 mais o valor de R$ 10.000,00 referente ao prejuízo na alienação de investimento Fl. 564DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 5 7 indevidamente apurado, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. À folha 160 a autoridade fiscal, considerando as infrações apuradas, apresenta a recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL relativamente ao ano calendário 2007 (Valor tributável: R$ 16.829.628,56). Inconformada com as imputações fiscais, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 179 – 221), acompanhada dos documentos de fls. 222 a 370 e ao descrever os fatos destacou (i) dos dois títulos da categoria de Sócio Efetivo da BM&F por ela adquiridos em 1996, um era patrimonial e o outro não; (ii) as operações de aumento e redução de capital foram realizadas num momento em que o Banco Indusval passava por um processo de oferta inicial de ações (IPO) e, assim, não poderia o Banco (ou a sua subsidiária, recorrente) deter ativos (por exemplo títulos das bolsas) que suscitassem dúvidas aos investidores quanto ao seu real valor de mercado, tendo inclusive atendido ao disposto nos artigos 173 e 174 da Lei n° 6.404, de 1976; (iii) a reaquisição dos títulos ocorreu por meio de contratos de cessão com cláusula de resilição no caso de ocorrer a desmutualização antes de 24/03/2008, e os títulos que os acionistas voltaram a deter foram substituídos por ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A.; (iiii) o Sr. Luiz Masagão Ribeiro, que detinha um título patrimonial da BM&F (categoria de sócio efetivo), e a recorrente firmaram contrato (verbal), pelo qual restouestabelecido o empréstimo à recorrente para que pudesse conferilo em garantia à BM&F e, por tal motivo, não há registro nos livros contábeis da interessada. Passou a recorrente a elencar as infrações apuradas pela fiscalização: (i) falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", em março de 2007, em razão da operação de redução de capital social (ii) falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", em agosto e outubro de 2007, em razão da operação de desmutualização da Bovespa e BM&F ; (iii) a distribuição disfarçada de ao Sr. Luiz Masagão Ribeiro e dedução indevida de prejuízo; e (d) falta de recolhimento de IRPJ e CSLL devidos por estimativa (aplicação de multa isolada) pela falta de adição às correspondentes bases de cálculo, nos meses de março, agosto e outubro/2007, decorrentes de redução de capital, e da desmutualização da Bovespa e da BM&F. Quanto ao Direito, discordou a recorrente do entendimento da Fiscalização no sentido de que as operações de aumento e redução de capital, por ela realizadas, dariam ensejo à aplicação do artigo 249, parágrafo único, inciso I do RIR/99, com a conseqüente tributação do valor registrado na conta destinada à atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F e neste, defendeu que: o dispositivo contido no artigo 249 do RIR/99 foi editado no período em que os lucros apurados pelas empresas eram tributados também quando distribuídos aos sócios, o que já não ocorre desde a edição do artigo 10 da Lei n° 9.249/1995; hoje não mais se tributa aumentos de capital, realizados com o aproveitamento de lucros acumulados ou reservas de lucro, mesmo quando ocorre uma posterior redução desse capital; equivocase a Fiscalização ao utilizar o mencionado dispositivo legal para tributar montante que não se configura, e não se pode configurar, como lucro, rendimento ou acréscimo patrimonial tributável da Impugnante; a simples leitura do artigo 249, parágrafo único, inciso I do RIR/99 evidencia que o legislador pretendeu tributar, com esse dispositivo, as quantias retiradas dos lucros (inclusive lucros suspensos ou acumulados) não tributados por qualquer razão; no presente caso, conforme quadros de fls. 10 e 11 do Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização entendeu por tributar o valor registrado em conta de patrimônio líquido que reflete a atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F detidos pela Impugnante que não podem ser confundidos com "lucros"; o montante de R$ 14.187.809,30 (composto pelos Fl. 565DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 8 valores de R$ 7.256.358,04 e R$ 6.931.451,23) representa, tão somente, a diferença entre o valor de aquisição dos títulos (BMF e Bovespa) e o valor atualizado desses títulos, conforme variações dos patrimônios das respectivas Bolsas. Ou seja, não se trata de acréscimo patrimonial ou lucro, previsto no artigo 249 do RIR/99, pelo que não se pode admitir o entendimento do Sr. Agente Fiscal; tal valor (R$ 14.187.809,30), bem como sua contabilização, é resultado de determinação expressa da Portaria MF n° 785/1977 e equiparase ao resultado da aplicação do método de equivalência patrimonial, trazido pela Lei n° 6.404/1976, e, nos termos dos artigos 225 e 388 do RIR/99, esse valor, enquanto resultado de aplicação do método de equivalência patrimonial, não é submetido à tributação pelo IRPJ e CSSL; não pode ser aceito o entendimento adotado pela Fiscalização, no presente processo, para tributar o valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", quer pela inaplicabilidade do artigo 249, parágrafo único, inciso I do RIR/99 ao presente caso (visto que não se trata de lucro/rendimento não tributado); ou pela impossibilidade de se tributar o resultado de equivalência patrimonial; não se aplicando ao presente caso as hipóteses de disponibilização presumida do artigo citado o aumento e a redução de capital realizados pela Impugnante não representam, por si só, situações de disponibilização do lucro, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional como afirmou, equivocadamente, o Sr. Agente Fiscal; Argumentou ainda, no tocante à aplicabilidade do artigo 17 da Lei n° 9.532/97, que (i) à época da desmutualização, eram os acionistas que detinham os títulos patrimoniais e não a recorrente; (ii) a fiscalização equivocouse ao afirmar que a recorrente é que teria participado desse processo e recebido as ações da Bovespa S/A e da BM&F; (iii) conforme se observa dos lançamentos contábeis realizados seria claro que, em data anterior à realização da operação de desmutualização, a recorrente devolveu os Títulos aos acionistas realizando um lançamento a crédito em sua conta de ativo que espelhava a detenção dos Títulos; (iiii) o contrato de cessão (instrumento pelo qual a recorrente adquiriu os títulos) previa a "resilição" daquela cessão, com a devolução dos Títulos aos cedentes (acionistas), caso se confirmasse a expectativa acerca da operação de desmutualização. Segundo arrazoou, a aplicação do artigo 17 da Lei n° 9.532, de 1997 não seria cabível, pois não teria ocorrido na operação de desmutualização, a extinção das associações e a criação das sociedades anônimas, mas, sim, mera reestruturação societária, operação permitida e expressamente prevista pelo art. 2.033 do Código Civil de 2002, alegando que, após a referida alteração da estrutura societária das associações, as entidades continuaram a existir e a operar, porém sob a forma de sociedades anônimas e, conseqüentemente, os títulos transformaramse em ações, sendo que a operação de desmutualização implica mera reclassificação de um direito, ou, quando muito, uma permuta de ativos, frisando não ter havido devolução de capital, por se tratar de simples substituição. Mencionou por fim, que se a não incidência preconizada pela Portaria nº 785/77 foi expressamente reconhecida e o artigo 17 da Lei n° 9.532/97 é inaplicável ao presente caso, então não haveria dúvidas de que não resta nenhum outro fundamento legal hábil a justificar a incidência dos tributos exigidos por meio dos autos de infração ora combatidos, defendendo que não seria permitida a tributação da "valorização" do título, vez que, de acordo com a Portaria nº 785/77 do Ministério da Fazenda, referidas atualizações, quando positivas, não estão sujeitas à tributação, disposição que entende encontrarse em vigor até hoje. Registrou que a conta de reserva que espelha a atualização do valor dos títulos seria elevada quando as bolsas apresentassem resultado positivo e reduzida quando tal resultado fosse negativo, o que nada mais é do que a aplicação do regime jurídico da equivalência patrimonial. Procedimento este de observância obrigatória em face de determinações do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários, concluindo que seriam aplicáveis ao caso os preceitos legais que versam sobre o tratamento tributário das Fl. 566DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 6 9 avaliações procedidas pelo método da equivalência patrimonial (arts. 225 e 389 do RIR), que estabelecem a não incidência do IRPJ e da CSL sobre a atualização dos títulos das bolsas e que este entendimento estaria alinhado com a conclusão da Decisão COSIT n° 13, de 1997, repelindo o entendimento no sentido de que a substituição dos títulos patrimoniais por ações pode ser classificada como uma operação de alienação e, conseqüentemente, como a realização da reserva de atualização dos títulos) pois a desmutualização não possibilita às corretoras qualquer outra alternativa que não seja a substituição dos títulos pelas ações da Bovespa Holding S.A. e BM&F S/A correspondentes. Assim, não existe a prerrogativa de venda dos títulos ou de permuta por outro ativo. Considerou a recorrente não haver falar na realização de qualquer ganho por de sua parte ou de qualquer detentor dos Títulos, uma vez que inexiste qualquer pagamento em dinheiro pelas bolsas por ocasião da desmutualização, insistindo haver apenas uma troca de ativos de valores idênticos (títulos x ações), lembrando que operação análoga, que envolveu a substituição de títulos patrimoniais da Bovespa por ações da Clearing, atual CBLC, já foi objeto de apreciação pela Receita Federal, que na Decisão 13 da COSIT de 1997, acentuou que tal operação é, efetivamente, mera permuta, conforme se infere do excerto que transcreve à fl. 155, arrematando que este ato permutativo é previsto no art. 22 da Lei n° 9.249/95, que assevera não haver incidência do Imposto sobre a Renda em decorrência de operações dessa natureza. Acerca do tópico "III.4 Da Distribuição Disfarçada de Lucros e da Baixa do Título não Patrimonial", a contribuinte sustentou a não ocorrência de Distribuição Disfarçada de Lucro (DDL) ao sócio Luiz Masagão Ribeiro, assentando que a fiscalização não teria acatado sua justificativa de que não se tratou de alienação ou transferência do título para o sócio, mas, sim, da devolução de um empréstimo feito pela interessada com o sócio e que o Sr. Luiz Masagão Ribeiro sempre foi o detentor do título de sócio efetivo da BM&F S/A, apresentando as Declarações de Ajuste Anual do sócio referentes aos anos base de 1990. 2006 e 2007 (fls. 312 a 351). Destacou que pela Declaração referente ao ano base 2007, resta evidente que o referido título foi substituído por 10.000 ações da BM&F S/A, em decorrência do processo de desmutualização daquela associação. Ou seja, as ações ingressaram diretamente no patrimônio do Sr. Luiz Masagão Ribeiro, não passando, em nenhum momento, pelo patrimônio da recorrente e conclui ser evidente o equívoco cometido em seus registros contábeis, ao justificar a baixa do montante de R$ 10.000,00 como sendo decorrente da "baixa ações BM&F S/A do Sr. Luiz M. Ribeiro", porque, como afirmado, em momento algum houve o ingresso contábil do título de propriedade do Sr. Luiz, nos livros da recorrente que justificasse um retorno/baixa contábil. No subtópico "Do Equívoco Cometido pela Fiscalização correta Baixa de Título Não Patrimonial e Dedução da Despesa" a contribuinte frisa que adquiriu em 1996, (...), dois títulos da categoria de Sócio Efetivo da BM&F, sendo um deles patrimonial e o outro não e que tais títulos não se confundem com um terceiro título da categoria de Sócio Efetivo da BM&F, também utilizado pela recorrente, mas em decorrência do empréstimo firmado com o Sr. Luiz Masagão Ribeiro. Dos dois títulos da Categoria Sócio Efetivo adquiridos e contabilizados em 1996, apenas um (o patrimonial) resultou em ações (processo de desmutualização, o outro (não patrimonial), no jargão do mercado financeiro, "virou pó" e, assim, seguindo o que restou consignado em Ofício Circular da BM&F, sendo que a recorrente teria baixado este título que estava registrado em seu ativo, deduzindo a despesa decorrente Fl. 567DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 10 dessa baixa, tendendo que o fato de ter registrado em sua contabilidade apenas 10.000,00 ações da BM&F, no valor de R$ 10.000,00, após a desmutualização faria prova do que ala alega. Registra por fim, que este título baixado estava ligado às operações da recorrente na BM&F pelo que a perda de seu valor em decorrência da desmutualização implica em despesa dedutível, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Por fim se insurge contra a aplicação da multa isolada e da Taxa Selic. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 373 a 401, manteve integralmente as exigências fiscais, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano calendário: 2007 INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F ao único sócio (instituição financeira) da contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS E VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. TÍTULO PATRIMONIAL. Fica caracterizada a distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica entrega a seu sócio ações da BM&F por valor notoriamente inferior ao de mercado. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. E MULTA PROPORCIONAL. APLICAÇÃO. A materialidade da multa calculada sobre a totalidade ou diferença de contribuição nos casos de falta de pagamento/declaração inexata, não se confunde com aquela calculada sobre a base estimada ao longo do ano calendário e que deixou de ser paga. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 7 11 A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Ano calendário: 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da mesma infração.Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente notificada da decisão desfavorável (fls. 402 – 404), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 405 – 454), reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões afirmando o acerto da decisão recorrida e pretendendo o desprovimento do Recurso Ordinário. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 12 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admito o para julgamento. Analisase prioritariamente a questão atinente à redução do capital social da recorrente e disponibilização ao único sócio da recorrente do valor registrado na conta “Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais”. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, entende a Fiscalização que a recorrente disponibilizou ao seu sócio, Banco Indusval, o valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais" (R$ 14.187.809,27) no momento em que realizou a redução de seu capital social, de sorte que esse valor disponibilizado deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do período de março de 2007, nos termos do artigo 249 do RIR/99. A decisão recorrida, acatando o entendimento da Fiscalização, assim se manifestou em conclusão: "Assim, a realização da reserva de atualização dos títulos patrimoniais, ainda não tributada, impõe que o valor correspondente seja, por força da norma acima transcrita, adicionado ao Lucro Líquido do Exercício para fins de apuração do Lucro Real." (fls. 387 dos autos) (...) "Concluise pelo descumprimento dessa condição, como ocorreu in casu com a distribuição (devolução) dos títulos ao único sócio (Banco Indusval S/A), resulta na tributação dos acréscimos patrimoniais (valorização dos títulos desde a aquisição)." (fls. 389 dos autos) (...)” Como bem descreve a Procuradoria da Fazenda Nacional em suas Contrarrazões, mesmo que as operações de redução do capital social da recorrente tenham ocorrido em momento anterior ao processo desmutualização das bolsas, para o deslinde da questão em apreço, de rigor pontuarse alguns aspectos do funcionamento das bolsas de valores naquele período. Atentese ao oportuno trecho extraído das Contrarrazões: (...) Isso porque, a Desmutualização ocorreu em 28 de agosto de 2007 (Bovespa) e 20 de setembro de 2007 (BMF), enquanto as operações que passaremos a analisar neste tópico ocorreram em março de 2007, mais especificamente em 30 de março de 2007. Dessa forma, convém registrar que a Bovespa e a BMF (Bolsas) nasceram, respectivamente em 1967 e 1985, como Associações sem Fins Lucrativos. Tal característica assim permaneceu até agosto e setembro de 2007, data em que tais entidades assumiram a forma de sociedades anônimas. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 8 13 Durante sua existência, essas associações emitiram diversos títulos, representativos de frações do seu patrimônio, cuja propriedade dos mesmos era condição necessária ao acesso às operações por elas intermediadas. Ou seja, as pessoas físicas e jurídicas que desejassem participar de operações organizadas pelas bolsas (Bovespa e BMF, posteriormente BM&F) deveriam adquirir tais títulos patrimoniais. (...) Tal como se observa dos autos, a recorrente era detentora de alguns desses títulos patrimoniais: um título patrimonial da Bovespa, que fora utilizado pelo Banco Indusval S.A. para integralizar parte do capital social da recorrente – Indusval S.A. Corretora; e 4 (quatro) títulos da BM&F, adquiridos em 1996 do Banco Indusval. Sendo a propriedade destes títulos condição para operar nas bolsas a legislação dispunha que a contabilização dos acréscimos do valor nominal dos títulos, traduzidos no aumento do patrimônio social da Bovespa e da BM&F, deveriam constituir reserva para futura e compulsória incorporação ao capital do Associado, sendo requisito para a postergação da tributação do ganho de capital experimentado pela valorização dos títulos não apenas a manutenção em conta de reserva de capital, mas, também, não haver distribuição dos acréscimos. Ocorreu, como bem descrito no relatório acima minudenciado, que em 30 de março de 2007, foi aprovada a redução do capital social da recorrente (Indusval S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários), no montante de R$ 16.774.786,83, passando o capital de R$ 22.593.139,76 para R$ 5.818.52,93, mediante o cancelamento de 1.758 ações ordinárias e 1.758 ações preferenciais, nominativas, sem valor nominal e, corolário desta redução do seu capital social, a recorrente transferiu para o Banco Indusval S/A., os seis Títulos Patrimoniais da Bovespa e o Título de Membro de Compensação da BM&F e o Título de Corretora de Mercadorias da Bolsa de Mercadorias e Futuros. Com a referida operação, de redução de capital, foi realizada a débito da conta do Patrimônio Líquido nº 96.1.1.40.10.01 "Reservas de Capital País" e a crédito das respectivas contas do Ativo Permanente nº 92.1.4.10.10.01 "Títulos Patrimoniais Bovespa" e 2.1.4.10.20.01 "Títulos Patrimoniais BM&F" conforme lançamentos contábeis (fls. 31 33), sendo que as atualizações monetárias dos Títulos Patrimoniais decorrentes das alterações patrimoniais da BOVESPA e da BM&F foram debitadas nas contas contábeis do Ativo Permanente que registravam os Títulos Patrimoniais e creditadas na conta 6.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" cujo saldo em 30/03/2007 era de R$ 11.912.501,34. Na mesma data foi capitalizado o montante de R$ 11.066.395,84, correspondente ao saldo da reserva em 31/12/2006, mediante lançamento a débito da conta COSIF nº 96.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" e crédito das contas COSIF nº 91.1.20.13.01 "Ações Ordinárias País" R$ 5.533.197,92 e 1.1.20.16.01 "Ações Preferenciais não Cumulativas e não Resgatáveis País" R$ 5.533.197,92. Ainda na mesma data (30 de março de 2007) o Banco Indusval S.A. também reduziu seu capital no mesmo montante procedido pela recorrente, mediante transferência dos mesmos títulos patrimoniais aos seus acionistas, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária (fls. 27 30), sendo que os acionistas do Banco Indusval venderam para a Fl. 571DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 14 recorrente os mesmos títulos patrimoniais anteriormente cedidos ao Banco Indusval na redução do capital social, pelo mesmo valor, conforme "Instrumento Particular de Cessão de Transferência de Direitos sobre Titulo Patrimonial de Corretora de Mercadorias e Membro de Compensação da Bolsa de Mercadorias & Futuros e Outras Avencas" e "Instrumento de Cessão e Transferência de Direitos sobre Título Patrimonial de Corretora de Valores da Bolsa de Valores de São Paulo e Outras Avenças" (fls. 39 a 52). As operações acima descritas, a exemplo do que concluiu a decisão recorrida, mesmo sem grande esforço investigativo revelam efetiva distribuição de tais valores, seguramente, ao reduzir o Capital Social e transferir os títulos patrimoniais que detinha ao seu acionista (Banco Indusval), a recorrente distribuiu os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, acumulados ao longo do tempo, e que, até então, não haviam sofrido qualquer tributação. A decisão recorrida bem resumiu esta imputação ao delinear no item 5.1.2, que na espécie o que está sendo objeto de tributação é justamente o valor de "atualização de título patrimonial" que não transitou por conta de resultado e, por conseguinte, deixou de ser tributado, ou seja, não se está tributando o valor distribuído ao sócio (sob o ponto de vista de quem o recebe o rendimento art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995), mas sim o valor que foi usado para aumento de capital e que ainda não havia sofrido tributação (do IR e da CSLL), exatamente o caso previsto no artigo 249 do RIR/99, confirase: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 6o, § 2o): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único. Incluem se nas adições de que trata este artigo: I ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados; (...) Observase ainda, que a Portaria MF nº 785/77 era induvidosa ao vedar a distribuição dos acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, se sorte que tendo havido a distribuição, como no caso, não há correções a serem feitas no lançamento de ofício realizado e no entendimento sufragado pela decisão recorrida. No tocante ao item da autuação atinente à falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", em agosto e outubro de 2007, em razão da operação de desmutualização da Bovespa e BM&F, convém registrar analisando a operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F, a Fiscalização entendeu que o montante de R$ 2.544.833,39, que corresponderia à diferença entre o custo de aquisição dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e dos Títulos Patrimoniais da Associação Fl. 572DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 9 15 BM&F e o valor total das ações que teriam sido recebidas em substituição a tais Títulos, que estaria refletido na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", deveria ter sido adicionado ao lucro líquido dos meses de agosto e outubro de 2007, respectivamente, para tributação pelo IRPJ e CSLL. Ou seja, tratase de autuação pelo não oferecimento à tributação de ganho obtido com a devolução de patrimônio de entidade isenta por ocasião do processo de desmutualização das bolsas de valores, mais pontualmente a aplicação do artigo 17 da Lei 9.532/97. Especificamente em relação a este tópico tratase na espécie, resumidamente, de autuação acerca do processo de desmutualização das Bolsas de Valores, assim compreendidos os procedimentos pelos quais se levou a efeito diversas alterações societárias que modificaram a estruturação jurídica das Bolsas de Valores, e a Fiscalização reputa que a recorrente deixou de recolher o IRPJ e a CSLL incidente sobre a atualização de títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F. A Fiscalização, bem como a recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos arrazoados que apresentaram, bem cuidaram de delinear em que consistiu o processo de desmutualização das bolsas de valores, sendo que estas, falo das bolsas de valores, nos termos da Lei nº 6.385/76, ostentam a posição de órgão integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários (art. 15, IV), bastando referir, para que se entenda o processo de desmutualização, que em sua constituição originária detinham natureza jurídica de Associações sem Fins Lucrativos e assim o foi até o ano de 2007, quando então se alterou o regime jurídico das bolsas de valores. Enquanto existiram como “associações sem fins lucrativos”, as bolsas de valores emitiram títulos representativos do seu patrimônio, sendo condição inarredável para “operar” no mercado financeiro, melhor dizendo, às operações nas bolsas de valores, ser detentor dos apontados títulos. Sabidamente, dado a natureza jurídica distinta, bem como a destinação das bolsas de valores, estas dispunham de tratamento tributário diferenciado, mas, sem prejuízo disso, as bolsas de valores aprovaram o que se chamou de processo de desmutualização, acarretando a extinção das “associações sem fins lucrativos” com a conversão dos títulos patrimoniais dos associados, a exemplo da recorrente, em ações ordinárias da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. A Fiscalização reputa, em resumo, que a extinção das associações sem fins lucrativos, irradiou a aplicação do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, de sorte que tendo havido devolução de patrimônio de pessoa isenta, o constatado ganho haveria de ser tributado. A recorrente, por seu turno sustenta ter havido mera cisão parcial e incorporação no processo de desmutualização das bolsas, ou seja, teria ocorrido a cisão parcial do patrimônio das antigas associações e a incorporação da parcela cindida em novas sociedades, situação que obstaria a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, porquanto não teria havido qualquer devolução de patrimônio. Antes mesmo de seguirse com os demais fundamentos, convém reproduzir o referido artigo, in verbis: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 16 Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17. da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Conquanto não se tenha formado uma jurisprudência sólida no âmbito deste CARF, entendo que na espécie a decisão recorrida conferiu correta interpretação aos fatos sucedidos e não está, portanto, a merecer qualquer reforma. Não me parece legítimo concluir, por tudo quanto já se relatou nestes autos e pelo que se sabe do processo de desmutualização das Bolsas de Valores, ter havido cisão parcial e posterior incorporação sem qualquer devolução de patrimônio de sociedade isenta, contrário disso, não sobram dúvidas de que a desmutualização alterou de tal modo a situação jurídica, que atraiu para a espécie a incidência do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, porquanto em momento ao processo, a recorrente participava de uma entidade isenta (em tópico próprio se analisará se de fato a recorrente era a detentora dos títulos), que não podia distribuir resultados e era participante por exigência da legislação, pois lhe era impossível o exercício de sua atividade em caso contrário. Com a desmutualização, a recorrente recebeu da BM&F e da Bovespa, cotas do capital social, na forma de devolução de capital social. Como bem descrito no termo de verificação fiscal e reafirmando pela decisão impugnada, os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo Método de Equivalência Patrimonial, mas, sim, autorizados pela Portaria nº 785/1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. Como bem reconheceu a decisão recorrida, o embate que se trava nestes autos coincide com o que tratado no âmbito da Receita Federal do Brasil, pela Coordenação Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 10 17 Geral de Tributação por meio da Decisão Cosit nº 13/1997, que, numa primeira interpretação, reconheceu a aplicação do Método de Equivalência Patrimonial – MEP para avaliar os títulos patrimoniais representativos da participação das corretoras no capital das Bolsas, que eram instituições isentas, admitindo a neutralidade dos seus efeitos quanto à tributação, o que, segundo a recorrente acolheria sua tese e seria aplicável ao presente caso. Mas, como referido acima, a despeito do posicionamento da COSIT supramencionado, o que se imputa à recorrente é que, em momento posterior à Decisão 13/97, foi promulgada, em 10/12/1997, a Lei 9.532 que, em seu artigo 17, afastou a eficácia daquele entendimento porque previu, no caso de devolução de patrimônio, a tributação do valor de atualização do investimento no patrimônio de instituição isenta, representado pelo montante que excede o custo histórico do investimento, situação que esvazia o argumento de que se teria mudado o entendimento fiscal sem alteração do critério jurídico. Importante também salientar que os títulos representativos do patrimônio das Bolsas eram contabilizados na conta de ativo permanente das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com as informações fornecidas pela BM&F e pela Bovespa, decorrentes do engrandecimento do patrimônio das Bolsas. Essas atualizações eram contabilizadas como acréscimos ao valor dos citados ativos, em contrapartida à sub conta "reserva de atualização dos títulos patrimoniais", dentro da conta "reserva de capital", que compõe o patrimônio liquido das corretoras de acordo com as orientações contidas no COSIF — Plano Contábil das Instituições Financeiras, Capitulo 1, item 11, sub item 3, § 3º; A Portaria MF n° 785/1977 conferiu neutralidade tributária aos referidos acréscimos do valor desses títulos, enquanto mantidos no ativo de seus detentores. Assim disposto: I " Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II "Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DL n° 1.109/70, art. 3°, § 3°." Decreto n° 1.109/70, art. 3°: " Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do IR(..)§3° Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 anos subseqüentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao imposto de renda da declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução." Portanto, em função da Portaria, os aumentos nominais dos títulos patrimoniais em virtude de aumento do capital social das bolsas ficam sujeitos à tributação em caso de extinção ou redução do capital social (a qualquer titulo) da bolsa de valores. A descrição da legislação e dos fatos evidencia que houve aumento patrimonial da recorrente decorrente do aumento do patrimônio das Bolsas e que esse aumento de riqueza teve sua tributação diferida para momento futuro que foi alcançado com o processo de desmutualização e a Lei 9.532/97 definiu esse como o critério temporal da hipótese tributária. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 18 De igual modo, é certo que houve a devolução de capital pelas extintas bolsas à recorrente e esses direitos recebidos foram utilizados para compor o capital das novas empresas. Considerar de forma diferente seria admitir isenção sem lei que a autorize, pois é inegável que os associados aportaram recursos no momento de ingressarem na associação sem fins lucrativos e, tiveram acréscimos nos valores de suas participações decorrentes dos acréscimos patrimoniais nas associações, acréscimos estes que não foram tributados pela permissão do diferimento dada pela Portaria MF 785/77, mas deveriam ser tributados no momento da devolução. Registrase ainda, para afastar o argumento de que possa ter havido mera cisão e posterior incorporação do patrimônio das bolsas, e apenas em complemento ao que já que foi exposto, é que sendo as Bolsas, primitivamente associações sem fins lucrativos, regida por normas do Direito Civil, é seguramente inaplicável a sua sucessão a forma da legislação comercial, próprio das sociedades mercantis, situação que ainda mais se evidencia com a presença do tratamento distinto da associação e da sociedade, inclusive tratamento tributário, mas sem afastarse do fato de serem tratadas em capítulos inteiramente distintos na legislação civil e tributária. Tanto é assim que o Novo Código Civil dispõe separadamente seus preceitos legais, princípios, órgãos, e a sua própria dissolução, conforme se constata do Livro I do Código Civil que rege os preceitos das associações, ao passo que o Livro II rege a sociedade empresarial. Sendo assim, somados aos outros fundamentos já expostos, tem se que o que de fato ocorreu, ainda que outra tenha sido outra a denominação, foi a dissolução da BM&F e Bovespa, com a respectiva restituição do seu patrimônio, tal como expresso no artigo 61, § 1º, do Código Civil, na forma de ações a seus associados, e a constituição de novas sociedades. Em conclusão, não se pode olvidar também o posicionamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil nos termos da Solução de Consulta nº 10/2007, que tem como interessado a Comissão Nacional de Bolsa de Valores: (...) 32. Visto que não se aplica às associações (bolsas de valores) nenhum dos institutos regulados pela Lei n. 6.404, de 1976, pois esses entes estão submetidos ao regime jurídico do Código Civil, analisemos, então, a natureza da operação denominada pela consulente como “desmutualização”. 33. A primeira questão que se coloca é que tanto o Código Civil de 1916 não versava como o de 2002 não versa sobre cisão de associação ou mesmo sobre sua incorporação a uma sociedade de fins lucrativos, mesmo porque, conforme já abordado, estes são institutos próprios das sociedades, em especial das S. A., e estranhos aos entes sem fins lucrativos. Assim sendo, ainda que a consulente insista em chamar a operação descrita de “cisão parcial” e de “incorporação”, na verdade, a natureza das operações consiste em uma mera devolução e patrimônio aos associados divididas em duas etapas, conforme a seguir explicado: 33.1. Na primeira etapa, quando ocorrer o que a consulente chama de “cisão parcial”, com a aquisição de parte do patrimônio da associação (bolsa de valores) por uma pessoa Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 11 19 jurídica com fins lucrativos (sociedade) e a troca dos títulos patrimoniais dos associados, proporcionais a parte segregada, por ações desta sociedade, ou seja, o associado deixa de assim ser qualificado, para se tornar sócio de empresa lucrativa, com todas as liberdades próprias da qualificação resultante desta transformação. 33.2. Na segunda etapa, diz a consulente que o patrimônio remanescente nas associações bolsas de valores serão “incorporados” por uma pessoa jurídica de fins lucrativos (sociedade) e novamente os associados passarão a condição de sócios desta empresa lucrativa, o que na verdade se constitui numa transformação disfarçada, já que também sem esteio no Código Civil. (...) De qualquer sorte, para o prisma tributário, tais efeitos são tributados abstratamente de sua legitimidade formal, nos termos do artigo 118, I e II, do Código Tributário Nacional. Assim, a aludida “desmutualização”, qual seja, a transformação de títulos em ações gera acréscimo patrimonial, já que de mera associada, passou a recorrente a ser sócia de empresa com fins lucrativos, cuja projeção econômica foi divulgada internacionalmente por todos os meios de comunicação, dada a dimensão econômica dos negócios. Daí o patente acréscimo patrimonial, interpretado nos termos do artigo 118 do CTN, em sintonia com a norma impositiva de dissolução da associação. Verificado ser devida a tributação do ganho obtido com o processo de desmutualização das Bolsas de Valores, de rigor analisar o argumento da recorrente de que à época do referido processo, não era mais detentora dos títulos patrimoniais das associações, em razão de cláusula resilitiva, firmada no bojo do contrato pelo qual reaquisição dos títulos patrimoniais do seu sócio. Tenho para mim que as alegações da recorrente não prosperam, pois ficou demonstrado nos autos que ela foi quem recebeu ações da Bovespa e BM&F decorrentes da desmutualização, situação que por si só já invalidaria seu argumento. Demais disso, não passou despercebido pela decisão recorrida o fato de que a recorrente não tomou as providências formais exigidas pelas bolsas de valores, porquanto a comunicação das transferências efetuadas em 30/03/2007 e a sua anotação no "Livro de Registro de Títulos Patrimoniais da Bolsa de Valores de São Paulo" se fazia imperativa inclusive para que a recorrente não tivesse cessada sua atividade perante à Bolsa, anotandose que na correspondência datada de 17/08/2007 (cópia à fl. 26), o último registro anotado aponta que a titularidade dos 6 Títulos Patrimoniais era "Indusval S.A. CTVM". Não consta carta posterior da Bovespa comunicando a alteração desse último registro. Com razão, portanto, a decisão recorrida ao concluir que a documentação acostada aos autos corrobora a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a corretora participou efetivamente do processo de desmutualização e, portanto, nas datas das mesmas, ainda era a real detentora dos títulos patrimoniais. Por fim, necessário o enfretamento da parcela da autuação relacionada à distribuição disfarçada de lucros ocorrida, segundo inteligência da decisão recorrida, na transferência de ação da BM&F pela recorrente, ao sr. Luiz Masagão Ribeiro. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 20 Acerca do comentado tópico, a Fiscalização teceu as seguintes considerações: (...) Na desmutualização da BM&F a Corretora recebeu 20.000 ações da BM&F S/A pelo valor unitário de R$ 1,00 por ação, correspondente a devolução dos 02 (dois) títulos de sócio efetivo. Em 16/11/2007 o contribuinte alienou 1000 (um mil) ações ao Grupo General Atlantic, pelo preço de R$ 9.698,59, realizando um lucro de R$ 8.698,59. Na mesma data a Corretora efetuou uma baixa de 10.000 ações com prejuízo de R$ 10.000,00 , o que foi contabilizado a débito da conta 8.3.1.10.00.01 Prejuízo na Alienação de Investimentos e a crédito da conta 2.1.5.10.20.02Ações BM&F S/A (fls. 131 a 133). Regularmente intimada a esclarecer esta baixa, a Corretora respondeu que "o título de sócio efetivo era de propriedade do sócio Luiz Masagão Ribeiro e que até a respectiva baixa contábil estava emprestado à Corretora". Entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos que comprove a propriedade do título pelo referido sócio, nem tampouco o alegado empréstimo à Corretora e seu motivo. Mesmo que o alegado empréstimo e a sua motivação tivessem sido comprovados, o lançamento contábil deveria ter sido efetuado a crédito de conta passiva de empréstimo e, a sua liquidação, a débito desta mesma conta e não a débito de prejuízo. Assim, concluímos que inexiste o prejuízo de R$ 10.000,00 o que importa em sua glosa. Por outro lado, se na desmutualização a Corretora recebeu 20.000 ações da BM&F S/A em troca dos dois títulos de sócio efetivo, é indiscutível que a Corretora era a detentora dos mesmos. (...) Efetivamente a propriedade deste título pela Corretora remonta a 1996 uma vez que o mesmo foi adquirido do Banco Indusval conforme Contrato de Compra e Venda às fls. 88, já acima referido. Diante disso, considero que os fatos descritos pela fiscalização e a documentação acostada aos autos apenas confirmam o acerto da autoridade fiscal na apuração da infração concernente à Distribuição Disfarçada de Lucro e à Glosa de Prejuízo na Alienação de Investimento (R$ 10.000,00), não tendo a recorrente logrado apresentar prova em contrário. Tratandose do argumento da recorrente segundo o qual não haveria previsão legal para cobrança de juros sobre a multa, mencionou a contribuinte que o artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos, concluindo que multa não é tributo e por isso não há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre elas (multas). Seguramente, a matéria alusiva à cobrança de juros sobre multa é daquelas controvertidas no âmbito administrativo, sendo certo que a própria CSRF, no julgamento do PA nº 18471.001680/200430, manifestado no Acórdão nº 0203.133, entendeu não ser aplicável os juros sobre a multa. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 12 21 Ocorre, que configurada a relação obrigacional, polarizada entre sujeito ativo e passivo e tendo por objeto uma prestação em dinheiro, se afigura pelo sujeito ativo o “crédito” e pelo sujeito passivo um “débito”, a revelar que “débito” e “crédito” são duas facetas de obrigação dita cumulativa. Com efeito, não me parece prosperar a tese defendida pela recorrente, de ausência de fundamento legal para hospedar a cobrança de juros sobre a multa, na medida em que o próprio artigo 161, § 1º, do CTN dispõem exatamente que “crédito” não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, e que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Sendo assim, não se concebe conclusão outra, diversa daquela consagradora de sobre o crédito tributário (sua totalidade, principal e consectários), não pago no vencimento incidem sempre juros de mora (exceto na pendência de consulta, conforme § 2º do mesmo artigo 161). Tanto é assim que o artigo 139 do CTN, estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal, possuindo a mesma natureza. Obrigação que a seu turno, consoante o § 1º do artigo 113 do mesmo CTN dispõe que “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Diante disso, aperfeiçoado o fato gerador, presente a obrigação principal nasce o crédito dela decorrente, ou seja, da concretização do fato gerador, surge o direito de lançamento que, conforme define o artigo 142 do CTN, implica identificar o sujeito passivo e calcular o montante do tributo devido e, se for o caso, aplicar a multa, a revelar, estreme de dúvidas, que a multa de ofício proporcional decorrente do descumprimento da obrigação principal compõe o crédito tributário (é parte dele), ou seja, não há falar em ausência de fundamento legal para as exigências da espécie. Tanto é assim, que artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que a multa de ofício, se não paga do vencimento, sujeitase a juros de mora segundo a taxa Selic (§ 3° do art. 5° da Lei 9.430/96), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por fim, reputo que a única parte da decisão recorrida que merece reparos diz com a aplicação da multa isolada. A exemplo do que tenho manifestado em casos semelhantes, conquanto vencido, entendo que a multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como, considero que no curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, é que incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas, situação que obsta tal exigência após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Com tais ponderações, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para o único fim de afastar a multa isolada. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 22 Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 13 23 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Inobstantes as valiosas considerações do Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu do entendimento acerca da incidência da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas Para o Relator, a referida sanção só pode ser aplicada dentro do próprio exercício fiscal. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Com efeito, predominou o entendimento de que inexiste na legislação de regência as condições acima referenciadas, isto é, o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada só subsistiria no caso de apuração de saldo positivo de imposto. Destacouse, inclusive, que a norma impositiva estabelece, de forma expressa, que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigiuse no sentido de que os requisitos condicionadores da aplicação da penalidade indicados pelo Ilustre Relator decorrem de exercício de interpretação da norma sancionadora que, na visão do Colegiado, não pode ser recepcionado. Mantida, assim, as multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento das estimativas devidas. Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2012. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 581DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 24 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. A discussão em torno da regularidade nas operações apontadas já foi objeto de análise neste CARF, sendo relevante, a título de destaque, o acórdão exarado nos autos do processo 16327.000679/201074, da lavra do Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, que, por maioria, negou provimento ao recurso da empresa CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, em acórdão que assim restou ementado: Nº Recurso 902838 Número do Processo 16327.000679/201074 Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento Contribuinte CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Recurso Voluntário Negado POR MAIORIA Data da Sessão 10/04/2012 Relator(a) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Nº Acórdão 1302000.879 Tributo / Matéria Decisão Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos Lavinia e Eduardo quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL e por maioria de votos, manter a aplicação da multa isolada, vencidos lavinia, Guilherme e Diniz. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. IRPJ e CSLL Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA. O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9532. Método de Equivalência Patrimonial. O MEP só se aplica aos investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem fins lucrativos, não reguladas pela Lei 6404. Decadência. Não há de admitir a decadência do direito de lançar se entre o momento da ocorrência do fato gerador e o lançamento não foi ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no art. 150 do CTN Multa isolada e multa de ofício. Não há impedimento de aplicação simultânea da multa de ofício por pagamento insuficiente de tributo e da multa isolada por falta de pagamento de estimativa. Em que pesem, entretanto, os relevantes fundamentos adotados naquela decisão, entendo, particularmente, que, do ponto de vista da exclusiva análise jurídica, a conclusão possível e aplicável à hipótese, com a devida vênia, não poderia, de forma alguma, imputar à contribuinte a referida sustentação do gravame apontado. Isso porque, conforme aqui restará apontado, ao menos em análise sumária, não se verifica – ab initio , no patrimônio da contribuinte, o recebimento ou a disponibilidade de um “ganho” quando das referidas operações. Senão, vejamos. Em primeiro lugar, insta destacar a discussão em torno da (im)possibilidade de aplicação dos critérios de “cisão/incorporação” às chamadas associações civis sem fins lucrativos. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 14 25 Ora, sustenta a recorrente que o sistema jurídico pátrio, não veda a utilização dessas formas de “transformações” societárias a essas entidades, havendo, ao revés inclusive, expressa previsão legal, conforme se afere nas disposições do invocado Art. 2033 do Código Civil Brasileiro, que assim especificamente se apresenta: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. O invocado art. 44, por sua vez, assim especificamente se apresenta: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) (...) O entendimento fazendário a respeito da impossibilidade de aplicação das sistemáticas de cisão/incorporação às chamadas associações civis, seria decorrente da interpretação das disposições da Lei 6.404/76, que, pela redação contida nas disposições de seu art. 220 e seguintes, apenas a admitiria às “sociedades”, não fazendo, assim, qualquer referência às associações e/ou outras das pessoas jurídicas mencionadas. Ainda de acordo com a visão fazendária, o único destino possível para as associações seria a sua dissolução, a teor, então, do que determinariam as disposições do art. 61 do Código Civil. Ocorre que, com todas as vênias, a meu ver, aqui se verifica um efetivo e verdadeiro equívoco exegético, uma vez que, ao contrário do que sustentado pela r. decisão recorrida, nas relações civis provadas – ao contrário das relações próprias de direito público , não se exige a expressa autorização legal para a admissão e/ou execução de atos lícitos, sendo aplicável, a esse respeito – inclusive , a expressa garantia constitucional da liberdade, constante nas disposições do Art. 5o, inciso II da CF/88, que determina: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 26 (Grifos nossos) Nessas circunstâncias, ao contrário do que pretende fazer crer a douta Procuradoria, entendo que, inexistindo óbice legal específico para a aplicação de transformação (cisão, fusão, incorporação) de uma “associação civil” em “sociedade por ações”, tal ato seria pois perfeitamente lícito e regular, apenas dependendo da concordância estatutária/regimental dos agentes envolvidos. Sob essas mesmas razões, inclusive, não vejo suficiência no argumento de inexistência de referências à possibilidade de aplicação da cisão/incorporação a entidades que não sejam “sociedades mercantis”, de acordo com as disposições da Lei 6.404/76, seja pela simples análise das disposições do mencionado art. 2033 do Código Civil, aqui antes comentado, ou ainda, pela própria verificação de que, tratandose a Lei 6.404/76 de norma específica anterior às disposições do Novo Código Civil (Lei 10.406/2002 – norma geral), aqui restaria pois perfeitamente aplicada a chamada “Teoria do Diálogo das Fontes”, tendo em vista a dinâmica da interpretação das disposições aplicáveis à matéria. Assim, em que pese inexistir na Lei 6.404/76 qualquer referência ás “associações civis”, a partir das novas disposições do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2002), inexiste óbice para a sua aplicação a essa modalidade de atuação civil, podendo ser lhes aplicadas assim, perfeitamente, as disposições daquela norma. A possibilidade de admissão da aplicação de transformações societárias também às associações civis, cumpre destacar, encontram se também travestidas nas disposições da referida lei 9.532/97, que, em seu art. 16, assim especificamente aponta: Art. 16. Aplicam se à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei n.º 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Além do mais, entender, no âmbito das relações jurídico civis privadas(como o é a das associações civis e também a das sociedades comerciais), que o fim único possível das instituições privadas não seria outro, senão, a extinção/dissolução da entidade, é simplesmente desconsiderar a liberdade contratual e o “princípio da preservação”, aplicável, por nosso sistema, com vistas à manutenção e a continuidade das atividades civis. Em síntese: nada, absolutamente nada, veda a aplicação das formas de transformações societárias às associações civis, apenas sendo exigível a manutenção do respeito às regras específicas a elas aplicáveis, ao respeito das suas próprias disposições estatutárias e, ainda, em cada caso, a adequação dessa transformação a sua atuação própria. A partir desses paradigmas, entendendo pela possibilidade de alteração da formatação jurídica das associações civis, para a sua transformação em sociedades mercantis, verifico, desde logo, como afastada a obrigatoriedade da conclusão de que, na apontada “desmutualização”, a única conseqüência possível seria a entrega (devolução) de dinheiro, bens e/ou direitos às associadas, tendo ocorrido de fato, da forma como antes amplamente apontado pela contribuinte, a simples “permuta”, substituindose os títulos de associadas pelas, agora, ações das respectivas sociedades mercantis. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 15 27 Ora, afastado o óbice supostamente existente da aplicação de cisão/incorporação no presente caso, conforme aqui apontado, verificase que, por conseguinte, inexiste qualquer “devolução” dos valores apontados, sendo relevante, nesse ponto, as disposições contidas nos art. 227 e 229 da Lei 6.404/76, que, sobre aquelas transformações, assim determina: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléia geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. (...) Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléia geral da companhia à vista de justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo 224; a assembléia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia. § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). § 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento Fl. 585DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 28 e publicação dos atos da operação; na cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio. § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) Diante dessas considerações, em ambas as hipóteses (cisão/incorporação) inexiste, de fato, qualquer devolução de numerário, bens e/ou direitos aos anteriores sócios, mas apenas, como se sabe, a alteração da formatação jurídica de atuação da entidade, o que, como se sabe, foi exatamente o que acontecido no caso tratado nos presentes autos. Em face dessas considerações, forçosa se faz a conclusão de que, não se tratando de finalização das atividades da associação, inexistindo, como se verifica, qualquer ato de dissolução dos haveres, não se tratando de qualquer tipo de “devolução” de bens/direitos, concluise, inexoravelmente, na total impossibilidade de aplicação das disposições do Art. 17 das lei 9.532/97, que, em suas disposições, assim arremata: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicam se as normas do inciso I do art. 17 da Lei n.º 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 16 29 Ora, inexistindo a finalização das atividades da entidade, inexistindo a dissolução da associação (mas apenas a sua transformação), inexistindo qualquer forma de “devolução” de dinheiro, bens e/ou direitos, inexiste, por conseqüência, a possibilidade de incidência das referidas disposições, sendo, portanto, inexistente, também por isso, a obrigação de sustentação do ônus tributários sobre o eventual ganho apontado. A BOVESPA e a BM&F, como é de sabença geral, não deixaram de existir. O que ocorreu – e isso é completamente incontroverso nos autos , foi apenas a sua readequação à formatação jurídica mundialmente aplicável ás bolsas de valores, a partir de atos e operações perfeitamente admitidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, e, ainda, expressamente acolhidos pela CVM, pelo BACEN e por todos os órgãos de controle das atividades relacionadas ao mercado financeiro brasileiro. A recorrente, por sua vez, era antes associada daquelas entidades, e, agora, acionista das mesmas, mantendo, inclusive, com elas relevante relação de atuação. Tal apontamento, a nosso sentir, apresentase como relevante, tendo em vista que, ultrapassadas as discussões a respeito da validade jurídica da operacionalização das referidas “transformações societárias”, discutese ainda, nos autos – conforme antes destacado, a (ir)regularidade do tratamento contábil da atualização dos títulos patrimoniais antes da desmutualização. Conforme destaca a recorrente, em decorrência das regras de controle das atividades do mercado financeiro estabelecidas pelo BACEN e pela CVM (Resolução BACEN 1.656/89 e Ofício Circular CVM 325/79), tinham as empresas associadas a obrigatoriedade de manutenção da escrituração contábil da valorização dos títulos daquelas referidas associações, o que, inclusive, deveria ser feito sob rubrica contábil própria, criada para esse específico fim, conforme, inclusive, expressamente contido no COSIF, intitulada “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais – RATP”. A portaria MF 785/77, por sua vez, expressamente reconhecera que a atualização dos títulos patrimoniais não seria tributada, desde que registrada a contrapartida da atualização do ativo em conta de Reservas de Capital no Patrimônio Líquido, e que tal valor registrado em Reservas de Capital não seja distribuído e seja usado somente para capitalização. O caso é de expressa não incidência tributária, e não de diferimento de tributação, da forma como parece pretender a fiscalização, o que se confirma, inclusive, no fato de que a Portaria, em suas disposições, expressamente invoca o art. 3º do Decreto lei 1.190/70, segundo o qual a incorporação de reservas de lucros não deve ser tributada. Por essa razão, verifica se que, existindo a específica regra relativa à manutenção da escrituração contábil da valorização patrimonial do ativo mantido pela recorrente – que era o título de associação à BM&F e BOVESPA , ulteriormente transmutado em participação acionária desta naquelas entidades (em decorrência da referida “transformação”), completamente nula, se verifica, é a substituição dos referidos ativos, inexistindo, naquela oportunidade, qualquer possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL, da forma como pretendido. Por essas razões, pedindo vênia à maioria já formada, entendo pela inexistência de óbice para a materialização da referida operação, e, por essas razões, completamente insubsistente o lançamento efetivado. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 30 É como voto. Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2012. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier – Declaração de Voto. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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