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Numero do processo: 10675.900297/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. A contribuinte AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0938.534, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA, que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 00 29 7/ 20 09 -7 2 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900297/200972 Resolução nº 3802000.102 S3TE02 Fl. 120 2 Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu o Dcomp nº 30757.85791.310505.1.3.04 7673, visando compensar os débitos nele declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, efetuado em 15/01/2005; A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que o crédito foi apurado conforme DIPJ e DCTF retificadoras; É o breve relatório” O órgão julgador a quo esclarece que “a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que há de ser líquido e certo para dar suporte à extinção do débito” e que “a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e comunica à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora).” Prossegue afirmando que “com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso.” Os motivos fornecidos pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega que o direito creditório pleiteado seria decorrente do indevido recolhimento da Cofins em função da redução a zero da alíquota do referido tributo incidente sobre a importação e a receita bruta de venda no mercado Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900297/200972 Resolução nº 3802000.102 S3TE02 Fl. 121 3 interno dos produtos mencionados no art. 1º da Lei nº 10.925/04, juntando aos autos diversos documentos fiscais (DIPJ, DCOMP’s, Notas Fiscais e planilhas com resumo de apuração do período considerado. É o relatório. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que “procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)”. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim “(defensivos, adubos, sementes, etc.)”. Apresenta então a Recorrente sua tese central de origem dos créditos: Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900297/200972 Resolução nº 3802000.102 S3TE02 Fl. 122 4 Ora, o art. 1o da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9o, § 1o, e 15, § 3o), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1o. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime – o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo. Por outro lado, a documentação comprobatória juntada pela Recorrente é deveras numerosa, de modo que este julgador não tem possibilidade de conferirlhe o exercício de cognição de modo exauriente o suficiente para afirmar seu quantum. Assim sendo, diante da impossibilidade concreta de se confirmar, peremptoriamente, o montante líquido e certo passível de compensação, a prudência recomenda a conversão do feito em diligência. Diante disso, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para que a contribuinte também se manifeste a respeito. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.004198/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.352
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 04 19 8/ 20 08 -8 5 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 135 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 03/12/2008 (fl. 3), para exigência de contribuições previdenciárias referente à parte dos segurados empregados, não retidas, incidentes sobre as remunerações pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR sem observância dos requisitos legais, nas competências 08/2004 e 12/2004. Consta do Relatório Fiscal (fls. 14/18) o seguinte: “7. Conforme descrição da lei nº 8212, art. 28, parágrafo 9º, alínea j, a empresa precisa cumprir alguns requisitos exigidos em lei específica para que não haja incidência da contribuição social. Auditorando as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas pelo contribuinte a todos empregados, referente ao ano de 2004, verificamos que a empresa pagou Participação nos Resultados a seus funcionários. Solicitamos documentação à empresa, referente aos resultados, e até o término da fiscalização a documentação necessária não foi apresentada. Os valores foram escriturados no Livro diário conta: 3.1.2.01.006. 8. Outro ponto verificado é que a empresa não efetuou o pagamento da participação conforme acordado em Convenção Coletiva de Trabalho, pagando um salário para cada funcionário no mês de agosto e dezembro de 2004. Logo, a empresa distribuiu lucro em desacordo com a lei n° 10.101/00 (converteu em lei a MP n° 794/94), que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. 9. Apesar do pagamento das verbas, constar no acordo coletivo a empresa não cumpriu todos os requisitos exigidos em lei: deixou de elaborar os programas de metas, resultados e prazos, índices de produtividade, além de não cumprir o próprio acordo. Portanto, a empresa não se enquadra na alínea j, parágrafo 9º, da lei 8212/91, que condiciona o cumprimento da lei acima citada.” Este processo foi apenso ao de nº 18471.004200/200816, decorrente da mesma ação fiscal (fl. 25). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 26/39), sustentando, em síntese, (i) a imunidade da PLR conforme previsto na CF/88, (ii) não incidência das contribuições sobre a PLR paga aos seus empregados e (iii) não incidência das contribuições sobre as verbas pagas de forma eventual, requerendo, ao final, que o auto seja cancelado, com a consequente extinção do crédito tributário nele exigido. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação improcedente (fls. 63/73), concluindo, em suma, que (i) o pagamento de verba a título de participação nos lucros fora dos parâmetros legais impostos pela Lei nº 10.101/00 está suscetível de incidência de contribuição Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 136 3 previdenciária, (ii) a PLR não integrará o salário de contribuição somente se a sua concessão estiver em consonância com os ditames estabelecidos pela referida lei, o que não foi demonstrado pela empresa e (iii) descumpridas as exigências legais, não prospera a argumentação de que o pagamento eventual da PLR macula a sua natureza salarial. Dessa decisão a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 82/102), que foi considerado tempestivo e encaminhado a este Conselho para prosseguimento (fl. 132). Nas razões de Recurso Voluntário a Recorrente essencialmente repisa os mesmo argumentos já apresentados na impugnação, sob os seguintes e principais fundamentos: (i) a PLR é desvinculada da remuneração por determinação constitucional (art. 7º, inciso XI, da CF/88), cuja imunidade não pode ser restringida por lei, (ii) ainda que essa imunidade pudesse ser restringida por lei, a exigência das contribuições seria descabida, posto que a Recorrente observou as regras da Lei nº 10.101/00 e (iii) mesmo que os pagamentos efetuados não correspondessem à PLR, o auto seria improcedente por exigir contribuições sobre ganhos eventuais, contrariando o disposto no art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 137 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, verifico que o ponto fulcral está em determinar se os pagamentos efetuados pela Recorrente a título de PLR em favor de seus empregados, em 08/2004 e 12/2004, sujeitamse ou não à incidência das contribuições que foram lançadas no presente auto de infração. Entendeu a DRJ/RJ1, em suma, que tais pagamentos não foram efetuados em consonância com os ditames estabelecidos pela Lei nº 10.101/00, e que a empresa não trouxe aos autos quaisquer elementos probatórios de suas alegações referentes ao pagamento de PLR com base em acordos mais favoráveis com seus empregados, concluindo consequentemente que os valores pagos integram o salário de contribuição sujeito à incidência das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, transcrevo o seguinte trecho da decisão de 1ª instância: “12. Não obstante as alegações da empresa quanto ao disposto nos incisos do § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, conforme item 3 (três) da sua impugnação, resta claro pelos documentos acostados aos autos que a Convenção Coletiva de Trabalho de 2003/2004 não estabeleceu qualquer critério ou condição quanto à fixação dos direitos da participação, determinando somente o pagamento de um valor fixo para os empregados, de acordo com o porte da empresa, independentemente de qualquer lucro ou resultado, desobedecendo, portanto, o disposto nos incisos do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101 de 19/12/2000. 13. Desta forma, em análise aos documentos anexados ao processo, concluise que pelo disposto na Convenção Coletiva apresentada pela fiscalização não só foram desobedecidas as regras referentes aos prazos e valores pactuados assim como, observase que tal documento não dispunha de qualquer regra referente a esta distribuição conforme previsto em Lei. 14. Tal constatação é confirmada pela própria impugnante em sua defesa ao alegar ser descabida a afirmação de que efetuou o pagamento do PLR sem a observância das regras previstas em Convenção Coletiva de Trabalho uma vez que tal fato ocorreu tendo em vista que as regras previstas nos acordo celebrados entre a impugnante e seus empregados eram mais favoráveis. Porém em momento algum juntou ao processo qualquer documento que pudesse comprovar tais alegações acerca da existência de outros acordos com seus empregados. 15. Ou seja, cabe ressaltar que a empresa não traz aos autos quaisquer elementos probatórios de suas alegações referentes ao pagamento de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 138 5 PLR com base em acordos mais favoráveis com seus empregados. Portanto, em que pesem suas alegações, em nenhum momento foram juntados elementos hábeis à cabalmente comproválas. (...) 17. Desta forma temos que a Convenção Coletiva de Trabalho de 2003/2004 não estabeleceu qualquer critério ou condição quanto à fixação dos direitos da participação. Desta forma, verificase que a impugnante não respeitou o requisito legal de negociação entre a empresa e os empregados. Tal inobservância fez incidir a contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas em desacordo com a norma específica, parcelas estas que representaram uma vantagem econômica para os segurados empregados, obtida em razão da relação de trabalho. 18. Como se pode inferir dos dispositivos legais acima transcritos, o conceito de salário de contribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. 19. Concluise, portanto, que a participação nos lucros e resultados não integrará o salário de contribuição somente se a sua concessão estiver em consonância com os ditames estabelecidos por lei específica, sendo esta a Lei 10.101/00, vigente à época e que ocorreram os fatos geradores do crédito previdenciário em questão. O que não foi demonstrado pela empresa.” Contudo, analisando o presente processo, verifico que juntamente com o seu Recurso Voluntário a Recorrente traz aos autos os “Termos de Acordos” de fls. 107/112, celebrados entre ela e seus empregados “para o fim de disciplinar as condições de pagamentos da participação nos lucros ou resultados, de acordo com a Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000”. Pretende a Recorrente demonstrar que “o pagamento de PLR tinha por critérios claros e objetivos o resultado auferido pela empresa no ano de 2004, aliado com a assiduidade dos seus empregados naquele ano” e que “o pagamento de PLR relativa ao ano de 2004 se deu em conformidade com as regras previstas nos referidos ACORDOS, por serem mais favoráveis aos empregados da RECORRENTE, e não conforme as regras previstas em Convenção Coletiva de Trabalho (doc. 2).” (itens 1.3 e 3.11 do seu Recurso Voluntário). Nesse tocante, esclarece ainda a recorrente que “não juntou os referidos acordos em sua impugnação, pois, conforme expressamente consignado no Relatório Fiscal que acompanha o AUTO, eles foram apresentados à fiscalização e estavam anexados ao AUTO”, citando trechos do Relatório Fiscal que segundo entende comprovam sua assertiva (item 3.9 do Recurso Voluntário). Diante disso, para que se possa julgar com segurança o presente processo, concluindo pela procedência ou não da autuação (ainda que parcialmente), e em homenagem ao princípio da verdade material que orienta a atuação administrativa, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência, a fim de que a fiscalização esclareça e documente os seguintes aspectos em relação aos valores pagos a título de PLR em cada uma das competências do período fiscalizado: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 139 6 (i) a regularidade dos “Termos de Acordo” juntado aos autos pela Recorrente com o seu Recurso Voluntário (fls. 107/112), esclarecendo se estão ou não em consonância com os ditames estabelecidos na legislação pertinente ao PLR, especialmente a Lei nº 10.101/00; (ii) independentemente dos esclarecimentos a serem prestados no item anterior, quais são exatamente os resultados, metas e requisitos que foram estabelecidos nos referidos “Termos de Acordo”, bem como se a empresa tem ou não provas e controles do seu cumprimento; (iii) se os referidos “Termos de Acordo”, com os esclarecimentos dos itens (i) e (ii) acima, aplicamse ou não para todas as competências e pagamentos a título de PLR exigidos no presente processo e, caso negativo, para quais competências e pagamentos se aplicam; (iv) apresentar a fiscalização outros esclarecimentos adicionais que porventura entender pertinentes para o adequado entendimento da questão. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e responda as questões expostas acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 11239.000918/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1995 a 30/11/1998
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CONCOMITÂNCIA. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 23 9. 00 09 18 /2 01 0- 61 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Período de apuração: 01/03/1995 a 30/11/1998 Data da lavratura da NFLD: 30/05/2000. Data da ciência da NFLD: 30/05/2000. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em face da empresa acima identificada, referente a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, devidas e não recolhidas nos prazos e na forma prevista na legislação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 30/32. Informa a fiscalização que contribuições lançadas incidem sobre as seguintes rubricas: · Diferenças de salário de contribuição de empregados incluídos em folha de pagamento; · Remunerações de trabalhadores, considerados indevidamente como autônomos pela empresa, por não atenderem aos pressupostos previstos no artigo 12, inciso IV, alínea "a", da Lei n° 8.212/91, em decorrência dos elementos verificados pela fiscalização, constatando, em observância à legislação previdenciária, serem segurados empregados; · Retiradas prólabore do sóciogerente; · Remunerações a autônomos. Os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram com: · Pagamento a empregados incluídos em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho, recibos de férias, recolhidos a menor; · Pagamento da remuneração aos trabalhadores relacionados em planilha anexa (Anexo II), em razão dos serviços de armador, pedreiro, pintor, bombeiro, servente de pedreiro e carpinteiro, os quais foram qualificados como segurados empregados, uma vez que se encontravam presentes os pressupostos legais de tal qualificação: Pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade; · Retiradas prólabore do sóciogerente Tarciso de Queiroz Bicalho e remunerações a autônomos (contadores, advogados, médicos e engenheiros), verificadas em recibos, cópias de cheques e registros contábeis. No desenvolvimento da ação fiscal foram examinados os seguintes documentos: Folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho, Livros Diários de número 1 a 9, sendo o último registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais/JUCEMG sob nº 52.001.595, em 04/04/2000. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.495 S2C3T2 Fl. 353 3 A empresa Recorrente ajuizou Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2001.38.03.0012417, copia a fls. 258/285, perante a 2ª Vara Federal Subseção Judiciária de Pato de Minas /MG, visando a desconstituir o lançamento formalizado pela NFLD ora em julgamento e a afastar a incidência de juros moratórios à taxa SELIC. Sentença a fls. 218/222 julgou procedente o pedido do autor. Porém, o INSS interpôs recurso de apelação, a fls. 331/338, pendente ainda de julgamento no TRF1. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 95/108. O Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva em Uberaba/MG lavrou DecisãoNotificação a fls. 136/141, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/12/2000, fl. 143. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 145/158, requerendo, ao fim o cancelamento da Autuação. Contrarrazões pelo Órgão Fazendário a fls. 187/188. A 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social converteu o julgamento em diligência para que, in verbis: (a) a Autarquia elabore nova planilha, relacionando quais são os segurados indevidamente caracterizados como "autônomos", expondo os motivos que levaram a tal conclusão e exibindo indícios comprobatórios de suas alegações; (b) caso entenda ser necessária a retificação da autuação, proceda à elaboração de nova DecisãoNotificação e, após, cientifique o autuado dos seus termos, oferecendo prazo para apresentação de defesa, caso lhe interesse; (c) caso entenda pela desnecessidade de retificação, profira despacho fundamentado e, após, cientifique o autuado dos seus termos, antes de encaminhar os autos à presente CaJ para regular processamento. Informação Fiscal a fl. 212, pugnando pela manutenção do lançamento. Devidamente intimada da Informação Fiscal acima referida, o Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/12/2000, sextafeira, dia útil, conforme revela Carimbo de Recebimento a fl. 143, e extrato de Consulta a Dados Identificadores do Processo a fl. 349. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91 e ao Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que concederam ao sujeito passivo o prazo de 15 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528/1997) (grifos nossos) §1º Em se tratando de processo que tenha por objeto a discussão de crédito previdenciário, o recurso de que trata este artigo somente terá seguimento se o recorrente, pessoa jurídica, instruílo com prova de depósito, em favor do Instituto Nacional de Seguro SocialINSS, de valor correspondente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. (Incluído pela Lei nº 9.639/98) §2º Após a decisão final no processo administrativo fiscal, o valor depositado para fins de seguimento do recurso voluntário será: (Incluído pela Lei nº 9.639/98) I devolvido ao depositante, se aquela lhe for favorável; (Incluído pela Lei nº 9.639/98) II convertido em pagamento, devidamente deduzido do valor da exigência, se a decisão for contrária ao sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 9.639/98) §3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711/98) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.495 S2C3T2 Fl. 354 5 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. §1º É de quinze dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (grifos nossos) Art. 307. A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/12/2000, sextafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do prazo recursal na terçafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 02/01/2001, dia útil. Sendo de 15 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário vigente à época dos fatos ora em debate, este se encerraria aos 16 dias do mês de janeiro de 2001, inclusive, terçafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, circunstância que foi devidamente considerada no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 02/01/2001, o que implica na fixação do 16 do mesmo mês e ano como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de janeiro de 2001, como assim denuncia o carimbo de protocolo do INSS PAF em Pato de Minas, aposto na folha de rosto do Recurso Voluntário a fl. 145 dos autos, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo. Tal conclusão não discrepa das disposições contidas no Decreto nº 70.235/72 que rege o Processo Administrativo Fiscal no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal de constituição de crédito previdenciário. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.495 S2C3T2 Fl. 355 7 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725850/2010-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial ou remuneratória.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, devendo ser a decisão a quo e o lançamento reformado em parte para exonerar/cancelar o crédito tributário lançado com base nos valores pagos a título de aviso prévio indenizado. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira entendem que o resultado da decisão deve ser: recurso voluntário provido em parte e não recurso voluntário provido.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial ou remuneratória. Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Mantido em Parte
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BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial ou remuneratória. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, devendo ser a decisão a quo e o lançamento reformado em parte para exonerar/cancelar o crédito tributário lançado com base nos valores pagos a título de aviso prévio indenizado. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira entendem que o resultado da decisão deve ser: recurso voluntário provido em parte e não recurso voluntário provido. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 58 50 /2 01 0- 21 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 179 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.163169) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 150157), que manteve o crédito tributário oriundo de incidência de contribuições previdenciárias do segurado não retidas sobre verbas pagas a título de prolabore, aviso prévio indenizado e salários não informados em GFIP, nas competências 01/2009 e 06/2009 a 12/2009. A ciência do auto de infração inaugural foi em 13.12.2010 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apenas recorreu da incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, em razão de sua natureza indenizatória, deixando de recorrer quanto às demais créditos lançados pelo auto de infração. Esse é o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 180 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Como o recurso voluntário em questão apenas recorreu de parte da decisão a quo, no que tange à incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamento a título de aviso prévio indenizado, as demais possíveis questões já transitaram em julgado administrativamente, não sendo objeto do presente julgamento. No ponto recorrido, a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de aviso prévio indenizável, devese anotar que a fiscalização e o julgador a quo entenderam que, em vista que o Decreto 6.727/2009, houve a revogação do disposto na alínea “f” do parágrafo 9º do art. 214 do Decreto 3.048/99, isso porque Lei nº 8.212/91, que originalmente previa a não incidência sobre o aviso prévio indenizado, assim haveria a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos sob tal rubrica. Contudo, devese anotar que esse entendimento fiscal não é o correto. Como já ressaltado anteriormente, as contribuições previdenciárias têm como hipótese de incidência e base de cálculo (arts. 22, 23, 28, I, da Lei n. 8212/1991) são os valores pagos ou creditados aos empregados/contribuintes individuais a título de contraprestação ou remuneração por serviços prestados. Os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, ou não trabalhado, não tem natureza de remuneração ao trabalho, pois não há mais trabalho a remunerar, ou seja, tem clara natureza indenizatória pelo ato imotivado de dispensa do trabalhador, inclusive por própria determinação legal (art. 487, da CLT). Observese que o art. 111, do Código Tributário Nacional, é claro em determinar que a legislação tributária é vedada de alterar o conteúdo e o alcance de institutos legais do direito privado. Ou seja, nem a lei em sentido estrito, nem decreto (instrumento infralegal), podem alterar a natureza indenizatória. Atentese ao fato de que a legislação (lei em sentido estrito) que estabelece que a hipótese de incidência da contribuição previdenciária em momento algum foi alterada para incluir verbas indenizatórias como fato gerador do tributo em questão. Atentese, que a alínea “f” do parágrafo 9º do art. 214 do Decreto 3.048/99, revogada pelo Decreto n. 6727/2009, apenas exercia sua função integralizadora e consolidadora da legislação ordinária e complementar, não podendo exercer função criadora ou inovadora como pretendeu a fiscalização, sob pena de ferir o princípio da estrita legalidade (art. 97, do CTN), em que a administração fiscal somente pode cobrar tributos sobre fatos que estejam expressamente previstos em lei em sentido estrito. O caso em pauta tratase de um caso típico nãoincidência, campo do mundo dos fatos que não foi previsto na hipótese de incidência de uma norma geral e abstrata, pois considerando que as verbas pagas tem clara natureza de indenização, e os valores pagos a título de indenização são a própria antítese dos valores que são incluídos pela hipótese de incidência das contribuições previdenciárias (remuneratória). Nesse passo, devese colocar que não trata se de afastar a aplicação da norma de incidência tributária, pois os pagamentos a título de aviso Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 181 4 prévio indenizado sequer são previstos no antecedente da regramatriz de incidência tributária, isso é, sequer tratase de um caso de incidência tributária. Essa interpretação é pacifica nos tribunais superiores: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não incide contribuição previdenciária sobre os primeiros 15 dias do pagamento de auxíliodoença e sobre o aviso prévio, ainda que indenizado, por configurarem verbas indenizatórias. Precedentes do STJ. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 231.361/CE, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/12/2012, DJe 04/02/2013) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Tratase de agravo regimental interposto contra decisão que, ao negar seguimento ao recurso especial, aplicou jurisprudência do STJ no sentido de que é indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado. 2. "A contribuição previdenciária incide sobre base de cálculo de nítido caráter salarial, de sorte que não a integra as parcelas de natureza indenizatória" (REsp 664.258/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 31.5.2006) 3. "Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial" (REsp 812.871/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1218883/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 22/02/2011)PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS GOZADAS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. É pacífico no STJ o entendimento de que o salário maternidade não tem natureza indenizatória, mas sim Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 182 5 remuneratória, razão pela qual integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. O pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória e salarial, nos termos do art. 148 da CLT, e integra o salário de contribuição. Salientese que não se discute, no apelo, a incidência da contribuição sobre o terço constitucional. 3. O valor pago ao trabalhador a título de aviso prévio indenizado, por não se destinar a retribuir o trabalho e possuir cunho indenizatório, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária sobre a folha de salários. Precedentes do STJ. 4. Agravos Regimentais não providos. (AgRg nos EDcl no AREsp 135.682/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 29/05/2012, DJe 14/06/2012) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA. ART. 22, INC. I, DA LEI N. 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A indenização decorrente da falta de aviso prévio visa reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na CLT, bem como não pôde usufruir da redução da jornada a que fazia jus (arts. 487 e segs. da CLT). 2. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1.198.964/PR, 2ª T. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 04/10/2010) Por esses motivos, está clara que a natureza dos valores pagos aos empregados a título de aviso prévio indenizado não sofrem a incidência do tributo questionado, logo o crédito lançado é nulo e insubsistente, devendo ser cancelado. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, devendo a decisão a quo e o lançamento reformados em parte para exonerar/cancelar o crédito tributário lançado com base nos valores pagos a título de aviso prévio indenizado. (Assindado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 183 6 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 35476.000973/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO
ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES,
DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS
EMPREGADOS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados servidores públicos estatutários a seu serviço.
SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a titulo de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
CO-RESPONSÁVEIS
Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-000.505
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que entendeu que deveria ser excluídos da relação de co-responsáveis os sócios da recorrente.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados servidores públicos estatutários a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a titulo de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. CO-RESPONSÁVEIS Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que entendeu que deveria ser excluídos da relação de co-responsáveis os sócios da recorrente.
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo e 35476.000973/2007-11 Recurso n° 147.064 Voluntário Acórdão n° 2301-00.505 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente NATURE S PLUS FARMACÊUTICA LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS- Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados servidores públicos estatutários a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a titulo de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. CO-RESPONSÁVEIS Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n°35476.000973/2007-li S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.505 Fl. 232 ACORDAM os membros da 3' Câmara / l Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do iiii i voto da relatora. Vencido , C. elheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que entendeu que deveria ser excluídos da re .: a.7. r co-responsáveis os sócios da recorrente. ‘ i 144IN JULIO ti 5' 1 !EIRA GOMES Presiden". BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora • Participaram do julgamento os conselheiros: Daznião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira . Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°35476.000973/2007-li S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00305 9. 233 Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 18/12/2006, por ter a empresa acima identificada deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o inciso I, alínea "a", do art. 30, da Lei 8.212/91, e art. 4, "caput", da Lei 10.666/03, ele o art. 216, inciso!, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 04/05), a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos segurados que lhe prestaram serviços, incidentes sobre os pagamentos efetuados pela empresa por intermédio de cartões de premiação, no período de 09/1996 a 12/2005, e sobre prêmios, comissões, gratificações, salários, 13° salário e férias, no período de 09/96 a 12/99. A autoridade autuante esclarece que, apesar de intimada por meio do TIAD, a empresa não forneceu a relação com os valores creditados nos cartões de cada segurado beneficiado, o que impossibilitou o cálculo das quantias exatas que deixaram de ser descontadas, sendo aferidas com base na alíquota de 8% sobre os valores creditados nos cartões. A autuada impugnou o débito (fls. 75 a 102), alegando, em apertada síntese, decadência do débito e inexistência da co-responsabilidade tributária dos sócios. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN n° 21.424.4/176/2007, fls. 105 a 109, julgou a autuação procedente e a autuada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 112 a 143), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, reitera que a maior parte dos créditos tributários ora exigidos encontram-se extintos pela decadência, nos termos do § 4°, do art. 150, ou art. 173, ambos do CTN, pelo fato de terem sido constituído em lapso temporal superior a cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. No mérito, em apertada síntese, insiste na natureza não salarial do prêmio concedido e na impossibilidade de sua inclusão na base de cálculo de Contribuições Previdenciárias. Defende que os termos "salário" e "remuneração" não são próprios de direito tributário e traz conceitos de salário pelo trabalho tentando demonstrar a diversa natureza jurídica dos prêmios de incentivo e a impossibilidade de utilizá-los como base de cálculo das Contribuições Sociais em voga. Argumenta que, ao contrário dos conceitos de remuneração e do salário, nos prêmios concedidos não se vislumbra nenhum ajuste de vontades e muito menos retribuitividade a serviço prestado ou habitualidade, pois se trata de mero ato unilateral de declaração de vontade, configurando como promessa de recompensa. 3 Processo n° 35476.000973/20074 52-C3T1 Acórdão n.• 2301-00305 Fl. 234 Traz a doutrina e a jurisprudência para reforçar a alegação de que os prêmios de incentivo em função de campanhas motivacionais não apresentam natureza salarial, até porque não apresentam caráter remuneratório do trabalho, não podendo, portanto, se cogitar em incidência de contribuições previdenciárias sobre tais valores. Insiste no entendimento de que não se aplica a responsabilidade solidária aos administradores da recorrente, já que não restou comprovada, nos autos, a realização de atos excessivos, ilegais ou de controle, administração e gerência efetiva da recorrente. Em Contra-Razões, às fls 217/218, a Secretaria da Receita Previdenciária manteve a decisão recorrida. É o relatório. • 4 Processo n°35476.000973/2007-li S2-C3T1 Acórdão n.• 230140.505 Fl. 235 Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a notificada alega decadência de parte do débito nos termos do art. 150, § 40, ou art. 173, do CTN, pelo fato de terem sido constituído em lapso temporal superior a cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. No entanto, o auto em questão foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, consoante determinação contida no art. 30, I, "a", da Lei 8.212/91 e art. 4°, caput, da Lei 10.666/03: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: 1- a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; Lei 10.666/2003: Art. 4° Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. A penalidade pela infração ao dispositivo legal transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de competências em que se verificou a ocorrência da infração. Portanto, basta que a empresa deixe de efetuar o desconto de contribuição de um segurado a seu serviço em apenas uma competência não alcançada pela decadência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. No caso presente; a empresa deixou de arrecadar contribuições dos segurados no período compreendido entre 09/1996 a 12/2005. Dessa forma, constata-se que houve infração à legislação previdenciária em período não alcançado pela decadência, não havendo que se falar que é indevida a maior parte do montante objeto do lançamento, como quer a recorrente, já que, conforme exposto acima, o valor da penalidade aplicada pela infração cometida independe do número de competências em que tenha ocorrido, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 06). te--) Processo Tr 35476.00097312007-11 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00305 Fl. 236 Assim, rejeito a preliminar de decadência. No mérito, a recorrente não nega que tenha deixado de arrecadar as contribuições devidas pelos segurados incidentes sobre os valores relativos aos bónus de premiação concedido por meio de empresas contratadas, administradoras do programa de premiação. Ela apenas entende que tais valores não se subsumem à definição de remuneração e, portanto, não integram o salário de contribuição. Contudo, o conceito de salário-de-contribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral. Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários à Lei Básica da Previdência Social), "O conceito previdenciário de salário-de- contribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mais razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tipo legal circunscrever o fato gerador, impondo suas condições". A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4° do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional n°20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciá ria e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Restou claro, nos autos da NFLD que lançou as contribuições devidas incidentes sobre a verba em comento, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho, como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas, como a própria recorrente insiste em afirmar em sua defesa, possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Dalfalar- se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracteriza-se, também, pelo seu aspecto condicional Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In "Teoria Jurídica do Salário", Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: "Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" 7S7' pleno E-RR 1943/82 - DJU 06/12/85 - pág. 22644". A fiscalização constatou, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal, que tais prêmios poderão ser trocados por produtos ou serviços nas redes de fornecedores das empresas administradoras, ou mesmo que poderia ser efetuado o saque em dinheiro em caixas eletrônicos. Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente a seus empregados integram o salário de contribuição, conforme inciso 1, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1.596-14/1997, convertida na Lei 9.528/97. 6 Processo n0 35476.000973/2007-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 230140305 Fl. 237 Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, "a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...". No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio das empresas prestadoras listadas no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 90, art. 28, da Lei 8.212/91. Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza "salário-utilidade" e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salário-utilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos seus empregados não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. A recorrente alega, ainda, que não incide contribuição previdenciária sobre notas fiscais pagas relativas a serviços prestados pelas empresas de marketing de premiação, ressaltando que as empresas citadas, ainda que prestadora de serviço, não recebe do tomador salário ou remuneração sendo, por conseguinte, impossível tributar tais valores, pois nesse caso não há que se cogitar em existência do fato gerador dos tributos cobrados pelo agente fiscal. No entanto, em nenhum momento a fiscalização afirmou que as prestadoras de serviço recebem salário do tomador, ou tentou enquadrar tais empresas de marketing no conceito de trabalhador constante do art. 195 da Constituição Federal, como entendeu de forma equivocada a recorrente. A autoridade notificante deixou muito claro, no Relatório Fiscal, que o fato gerador da contribuição lançada por intermédio da NFLD 35.848.359-0 é a concessão, pela empresa recorrente, a seus empregados, de prêmios por intermédio das empresas administradoras ali discriminadas, por ela contratadas. Cumpre informar, ainda, que a referida NFLD já foi objeto de análise por esse Conselho de Contribuintes, que conheceu do recurso apresentado nos autos do processo n° 10830.006566/2007-19, acolheu parcialmente a preliminar de decadência e, no mérito, negou- lhe provimento. Portanto, não cabe mais discussão sobre o mérito da questão. Com relação ao entendimento de que não se pode imputar responsabilidade solidária aos sócios pelo pagamento das obrigações tributárias sem a comprovação de que ocorreram as hipóteses previstas nos arts. 134, 135 e 137 do CTN, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos co-responsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito, e visa principalmente o sucesso de futura execução fiscal, nos termos do art. 4° da lei 6830/80. 4-, 7 Processo n°35476.000973/2007. 11 S2-C3TI Acórdão n.• 2301-00.505 Fl. 238 Vale ressaltar que os diretores e/ou sócios não estão sendo penalizados com a lavratura do AI em tela, já que o mesmo foi lavrado contra a NATURE'S PLUS, que é o sujeito passivo da obrigação tributária. Conforme restou demonstrado na identificação do autuado, à fl. 01 é a NATURE'S PLUS FARMACÊUTICA LTDA que foi autuada, e não os seus sócios. E, ao constatar o inadimplemento das obrigações acessórias previdenciárias, o agente autuante lançou corretamente o débito em nome do contribuinte inadimplente, fazendo constar os co-responsáveis nos relatórios do AI, consoante determinações contidas nos normativos legais que regem a matéria. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009 e BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora • Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1
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Numero do processo: 19311.720037/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PROVA. ESCRITA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova dos fatos nela registrados. Insurgindo-se contra ela, deve o sujeito passivo demonstrar o erro, com base em provas hábeis e idôneas. Não o fazendo, é correta a adoção pela fiscalização dos valores escriturados, para lançamento.
MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA.
São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02
Numero da decisão: 1302-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) pelo voto de qualidade, em manter a multa isolada por não recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Márcio Frizzo, e Guilherme Pollastri Gomes da Silva; b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nas demais matérias.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 PROVA. ESCRITA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova dos fatos nela registrados. Insurgindo-se contra ela, deve o sujeito passivo demonstrar o erro, com base em provas hábeis e idôneas. Não o fazendo, é correta a adoção pela fiscalização dos valores escriturados, para lançamento. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02
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ESCRITA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova dos fatos nela registrados. Insurgindose contra ela, deve o sujeito passivo demonstrar o erro, com base em provas hábeis e idôneas. Não o fazendo, é correta a adoção pela fiscalização dos valores escriturados, para lançamento. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do anocalendário. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) pelo voto de qualidade, em manter a multa isolada por não recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Márcio Frizzo, e Guilherme Pollastri Gomes da Silva; b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nas demais matérias. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 37 /2 01 2- 14 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 267 2 EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/CPS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar IMPROCEDENTE a impugnação, para MANTER o crédito tributário lançado relativo ao IRPJ e CSLL e multas isoladas, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE ESCRITURAÇÃO E DCTF. IRPJ. CSLL. A falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ/CSLL e de declaração em DCTF (ou amortização em DCOMP), antes do início do procedimento fiscal, justifica sua exigência por meio do competente Auto de Infração, com os consectários legais para a constituição de ofício do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não podendo a administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas, sendo a multa isolada completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal decorrente da apuração de valor devido ao final do período. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 269 4 OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase dos autos de infração, lavrados em 02/02/2012, na sistemática do Lucro Real, abrangendo o anocalendário de 2010, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, nos valores principais de IRPJ – R$ 3.092.674,84 e CSLL – R$ 1.571.763,96, ambos com juros de mora calculados até 02/2012 e multa de ofício aplicada no percentual de 75%; além da formalização, em cada um deles, da exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa. As irregularidades que ensejaram as exigências foram descritas no auto de infração do IRPJ e de CSLL, como segue: IRPJ Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 270 5 CSLL Consta dos autos o Termo de Verificação Fiscal com o seguinte teor, em síntese: “.... A COMPALEAD, conforme se depreende de seu contrato social e posteriores alterações, tem como objeto a fabricação e montagem de produtos eletrônicos, de computadores portáteis (laptops), monitores de cristal líquido, aparelhos de televisão de tela de cristal líquido, telefones Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 271 6 celulares, modems, e demais equipamentos de informática, de aparelhos telefônicos e de outros equipamentos de comunicação, e registra um capital de R$ 20.109.300,00. A presente ação fiscal teve início por intermédio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, com a exigência de que fossem apresentados os Livros de Apuração do Lucro Real (Lalur) referentes aos anoscalendário de 2008 a 2010, bem como arquivos digitais pertinentes à escrituração das notas fiscais de saída e de entrada. Intimações Fiscais posteriores foram lavradas para a apresentação de escrituração contábil e fiscal, e de esclarecimentos quanto ao preenchimento de Declaração Dacon. Devese anotar que a Escrituração Contábil Digital (ECD – Sped Contábil) relativa ao anocalendário de 2010 foi importada no curso desta fiscalização diretamente da base nacional Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). O IRPJ e a CSLL referentes ao anocalendário de 2010 foram apurados pelo regime do Lucro Real, na modalidade anual, sendo que o Lucro Real importou, após a compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores, em R$ 53.473.345,09. Do confronto dos valores prestados nas declarações DCTF contra os valores escriturados no livro Lalur de 2010, restou constatado que os débitos confessados de IRPJ e CSLL em DCTF mostraramse aquém dos apurados no livro fiscal, conforme demonstrativo a seguir, motivo pelo qual são exigidos de ofício na presente autuação. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 272 7 Foi também constatado que, ao serem reapuradas as estimativas mensais de IRPJ e CSLL, houve recolhimento a menor destes tributos em alguns dos meses de 2010, o que enseja a cobrança da multa exigida isoladamente, nos termos do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 273 8 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 274 9 Conclusões Em face do acima exposto, procedese ao presente lançamento de ofício, em relação à constatação de infrações à legislação tributária, descritas anteriormente, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, além dos acréscimos moratórios e das multas, demonstrados nos presentes Autos de Infração com o pertinente embasamento legal. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 275 10 ....” Inconformado com a exigência fiscal, da qual foi cientificado em 03/02/2012, o contribuinte, por intermédio seu representante legal, interpôs em 01/03/2012, impugnação expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: De início, resume os fatos. A seguir, preliminarmente, argúi nulidade do AIIM em razão da não atualização monetária em compensação admitida. Neste contexto, assevera que a atividade fiscal, consubstanciada no lançamento ora guerreado, restou comprometida na medida que, a autoridade fiscal, em ato de ofício no curso dos trabalhos desenvolvidos, teria procedido às compensações dos créditos constantes dos Per/Dcomp, porém sem a devida atualização dos créditos, isto é, não foi considerada a atualização dos créditos da autuada insertos em Per/Dcomp, ou seja, não se levou em conta as devidas atualizações – Selic e Juros , como preceituam as instruções normativas da RFB. A corroborar seu pleito, cita os artigos 3º e 72 da IN nº 900, de 2008 e alterações introduzidas pela IN nº 1.224, de 2011. Diz que o lançamento fiscal deve repousar em dados concretos e objetivos, e não em mera pretensão fiscal, sob pena de se respaldar tal ato em mera visão arrecadatória ou fiscalista, a qual não se acha recepcionada pelo atual ordenamento jurídico tributário pátrio. Cita jurisprudência. Conclui este tópico pugnando pela exclusão do montante relativo às atualizações monetárias, do valor exigido no auto de infração. Quanto à multa isolada, ainda em caráter preliminar, defende que esta não há que subsistir, porquanto fora lançada concomitantemente à multa de ofício, fato que caracteriza dupla penalidade, em absoluta desobediência às normas tributárias de regência. Cita jurisprudência e diz ser este o posicionamento do CARF, quando a infração decorre de insuficiência dos recolhimentos mensais estimados. Passa, então, às razões de mérito. Assim, com espeque nos princípios, limites e regras que normatizam o ordenamento jurídico tributário, desenvolve extenso arrazoado asseverando que, in casu, a fiscalização não apontou, pormenorizadamente, a origem das diferenças apuradas, não bastando à autuação, pura e simplesmente, alegar recolhimento a menor, decorrente de mero confronto entre as declarações DCTF e Lalur. Alega que realmente as diferenças existiram e que tais erros, foram, de fato, observados pela autuada quando do encerramento do anocalendário de 2010, porém diante do início do procedimento fiscal, viuse impedida de retificar as DCTF. Prosseguindo, argumenta que não houve acréscimo patrimonial decorrente de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, na forma do que dispõe o Código Tributário Nacional, a justificar a pretendida exação fiscal e que o erro verificado pela autoridade administrativa, o qual o interessado não pôde corrigir, não poderia, jamais, servir de base para incidência de imposto de renda e da contribuição social, posto que, igualmente, inexistente a apuração de lucro. Alega que a prosperar a exigência fiscal, comprometerseia a continuidade do exercício da atividade da impugnante. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 276 11 No tópico seguinte, sustenta que a autuação ora guerreada fere o princípio constitucional da capacidade contributiva, e, por conseqüência, também o princípio da isonomia, posto que atinge o próprio patrimônio da impugnante e não o lucro tributável, o qual deveria resultar da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como reza a legislação de regência. Quanto à multa de ofício lançada, face ao seu elevado percentual (75%), entende ser ela confiscatória e abusiva, o que, igualmente, é vedado pela Constituição Federal, e mais, pela inexistência de ato doloso praticado pela autuada, estarseia diante de verdadeira nulidade da exigência. Acrescenta, ainda, que em decisão prolatada pelo STF, em sede de ADIM, tal vedação estendese às penalidades e não somente aos tributos. Cita doutrinadores. Continuando, noutros pontos da defesa ofertada, sustenta que dada a irrazoabilidade, irracionalidade e desproporcionalidade da multa lançada em elevado patamar, contrariamente a princípios constitucionais, deve a autoridade competente (julgadora) reduzila, como forma de observar as prescrições superiores da Carta Magna. Ao final, reforça os argumentos apresentados e requer o cancelamento do auto de infração. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos apontados na impugnação. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 277 12 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Incidência de juros Selic na apuração do IRPJ devido A recorrente argúi que na apuração do crédito tributário o AFRFB teria procedido a compensações de créditos constantes de Per/Dcomp, sem sua devida atualização – Selic e Juros, como preceituam as instruções normativas da RFB (art. 72 da IN RFB nº 900/2008). Tal suposição fundase no cálculo da matéria tributável, em que o auditor fiscal subtraiu dos valores a lançar valores relativos a rubrica “Compensação IRPJ 2009 (Per/Dcomp)”, sendo de R$4.057.989,72 (IRPJ) e R$1.684.943,91 (CSLL), conforme abaixo demonstrado. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 278 13 Assim, vêse que o débito foi apurado pela fiscalização em 31/12/2010, consoante os valores declarados pelo próprio contribuinte para esta data em seu Lalur (fl. 17), vejase: E, como é cediço, para apurar o valor devido, o auditor efetuou corretamente a subtração, tanto do IRPJ devido como da CSLL devida, dos valores que o próprio contribuinte elencou a título de Compensação com a DIPJ 2009 (saldo negativo), IRRF sobre aplic. Financeira, e débitos confessados em DCTF, restando ao final, tão somente o valor devido, já devidamente subtraído daqueles confessados em DCTF. Assim, contrariamente ao que afirma a recorrente, a fiscalização não efetuou a homologação da compensação pleiteada na DCTF; tão somente reajustou os valores a pagar de IRPJ e CSLL por ter verificado que os valores declarados pela recorrente omitiam valores a pagar, os quais foram lançados. Assim, eventual incidência de juros sobre o saldo negativo de 2009 é questão estranha à discussão aqui travada. Desta forma, a homologação pleiteada em PER/Dcomp seguirá o rito normal do processo administrativo que apura a compensação feita, o qual obedecerá o procedimento correto para compensação, inclusive, observando o art. 72 da IN RFB nº 900/2008, apurando, ao final, compensação total, parcial ou indeferimento do pedido. Assim, a regra invocada pela recorrente (art. 72 da IN RFB nº 900/2008), como se vê, será aplicada no procedimento administrativo destinado a apurar a compensação declarada, relativa ao saldo negativo de 2009, formalizado por meio de PER/Dcomp, sendo que havendo saldo em favor da recorrente (se houver) será creditado a seu favor. Todavia, no âmbito deste procedimento é correto o ajuste de valores com base nos valores declarados/escriturados. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 279 14 Independência entre multa isolada por não recolhimento de estimativas e multa de ofício pelo não pagamento de IRPJ e CSLL A multa de ofício proporcional e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas não consistem numa dupla incidência sobre idêntico fato. A multa proporcional tem por fato gerador o crédito devido e não pago apurado ao final do período de apuração, relativo ao tributo ou contribuição apurados naquele período, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Já a multa isolada tem por fato gerador o crédito devido e não pago relativo às estimativas mensais devidas pelo contribuinte optante do lucro real anual, apurado ao final do mêscalendário, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96. Vejamos as situações: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Neste ponto, entendo que as incidências mensais não são meras antecipações, posto que seu inadimplemento constitui o contribuinte em mora e é sancionado. Desta forma, se constituem o devedor em mora, e ensejam aplicação de penalidades (as quais incidem sobre o não pagamento de obrigações principais) não podem deixar de ser consideradas como Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 280 15 obrigações tributárias, pois se não o fossem, restariam violados o art. 3º e o art.113 do CTN. Assim, são obrigações tributárias compensáveis, porém, com o tributo ou contribuição apurados no final do período de apuração (art. 2º, §4º, IV, da Lei nº 9.430/96). Esta a saída encontrada pelo legislador, que não as prescreveu como meras antecipações exatamente para poder sancionar seu inadimplemento. Daí ser inócuo reputálas como meras antecipações, sugerindo seu saneamento com base no recolhimento ao final do exercício, após realizada a apuração anual. Isto porque tal raciocínio vai contra o conteúdo prescritivo desejado pelo legislador, que para garantir tal cumprimento, ainda fez constar que o pagamento é devido mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Notese, ademais, que a opção mencionada na redação do art.2º não diz respeito à qualquer faculdade de efetuar ou não o pagamento das estimativas, mas se relaciona com a outra possibilidade prevista em lei, qual seja, a de que o contribuinte opte pela suspensão ou redução do pagamento do imposto, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto ou da contribuição, calculados com base no lucro real do período em curso, nos termos do art.35 da Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95, in verbis: Lei nº 8.981/95 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 281 16 A multa isolada foi reduzida para o percentual de 50%, tendo em vista a retroatividade da lei tributária mais benigna, prevista no art.106 do CTN. Cabe ressaltar, por fim, que as normas que prescrevem ambas as infrações (isolada, por falta de recolhimento de estimativas e proporcional, por falta de recolhimento do tributo ao final do exercício) e cominam as penalidades pela sua violação estão ambas vigentes, não cabendo ao Órgão Julgador Administrativo deixar de observar os efeitos legais daí decorrentes pelo sugerido efeito confiscatório promovido pela dupla incidência, pois tal afastamento da norma que prescreve a multa isolada implicaria violação do art.26A do Decreto nº 70.235/72, que veda o afastamento de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Prova do débito calcada na escrituração do contribuinte A recorrente entende que como o crédito foi apurado com base em sua escrita (Lalur), não foi devidamente provada a origem do débito. Não merece acolhida o argumento, pois os dados utilizados: a) foram espontaneamente produzidos e entregues à fiscalização, para provar suas obrigações; b) estão lastreando sua escrita, a qual, de acordo com a legislação tributária (art. 923, RIR/99), faz prova dos fatos tributários ocorridos. De fato, não é porque a redação do art. 923, RIR/99 (cuja base legal reside no §1º do art.9º do DecretoLei nº 1.598/77) menciona que a escrita faz prova a favor do contribuinte, que se pode entender que ela não possa também fazer prova contra ele. Isto porque a prova, uma vez admitida no processo, não possui dono, servindo a ambas as partes, desde que válida, visto que o objetivo do processo é atingir a verdade material. Além disso, o CPC expressamente ressalta (art. 334, IV) que os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade não dependem de prova. De acordo com os incisos II e III art. 262 do RIR/99, o controle de prejuízos fiscais, e dos demais valores a compensar com o lucro real de períodos futuros, bem como a demonstração do lucro real e a deverão ser feitos no Lalur. Demais disso, a escrituração do contribuinte faz prova dos fatos nela registrados, cabendo à autoridade tributária a prova da inveracidade (art.924, RIR/99). Neste caso, os fatos registrados no Lalur do contribuinte foram adotados pela autoridade fiscal, não cabendo falarse em inexistência do débito, já que o próprio contribuinte o apurou. Quisesse a recorrente questionar a veracidade dos dados ali lançados e de lá colhidos pela autoridade para lançamento deveria pontualmente informar, com base em documentos hábeis e idôneos qual o erro praticado, explicando as razões que o induziram a Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 282 17 erro, bem como qual o valor correto, com demonstração de sua apuração. Não foi o que se viu dos autos. Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial, as violações ao conceito de renda, de capacidade contributiva, e de efeito confiscatório da multa de ofício. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 8 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10280.005409/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário:
2009
SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO.
É causa excludente do Simples a existência de débito cuja exigibilidade não
estiver suspensa.
Numero da decisão: 1402-000.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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EXCLUSÃO. DÉBITO. É causa excludente do Simples a existência de débito cuja exigibilidade não estiver suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, João Carlos de Figueiredo Neto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 175 2 Relatório Vigia Produtos do Mar Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de manifestação de inconformidade ao ato declaratório (fl. 20) de exclusão do Simples Nacional — Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) —, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123/2006, com efeitos a partir de 1 ° de janeiro de 2009. 2. O motivo de exclusão da empresa da sistemática do Simples Nacional foi a existência de débitos no âmbito da Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa (fl. 21). 3. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, as fls. 01/09, de 16 de outubro de 2008, em que aduz: a) Pagou integralmente os débitos nãoprevidenciários da Receita Federal (código 6106), Darfs de fls. 22/25; b) O débito inscrito em divida ativa sob o n. 2040400130017 está com a exigibilidade suspensa desde 06 de julho de 2006, por força da interposição de embargos à execução (n. 200610002115) e nomeação de bem em valor suficiente à garantia do débito objeto da execução; c) Evidenciase a ausência de fundamentação legal para que ocorra a exclusão do Simples, ante à inexistência de débito com exigibilidade não suspensa.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 18.139 (fls. 157159) de 21/06/2010, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte sob o argumento de que a existência de débito sem que esteja com sua exigibilidade suspensa é causa de exclusão do Simples Nacional. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES. A exigibilidade do crédito tributário está suspensa ante o preenchimento de alguma das hipóteses enumeradas, numerus clausus (art. 111, do CTN), no art. 151, do Código Tributário Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/07/2010 (A.R. de fl. 160), a interessada interpôs recurso voluntário em 11/08/2010 (fls. 161171) onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 176 3 É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Tendo em vista que o recurso apresentado repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação, e considerando que tais argumentos foram bem enfrentados na decisão de primeira instância, peço vênia ao autor para adotar os fundamentos ali levantados como razão de decidir no presente voto. Por pertinente, transcrevo parte relevante daquele decisum. “5. De acordo com a fundamentação legal do ato impugnado, a opção pelo Simples Nacional esta regulamentada pela Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá:(incluído pela Resolução CGSN n9 56; de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009). 6. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei n° 123/2006, inciso V, base legal utilizada na emissão do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl. 07): Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (destaquei) 7. Não há que se inferir que a efetivação da penhora ou a apresentação de garantia, no curso de cobrança executiva, implica suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 8. Se há cobrança executiva em curso é porque não há suspensão da exigibilidade. O art. 206 do CTN da efeito semelhante (de certidão negativa) para institutos que não se confundem: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 177 4 Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. 9. A garantia da execução permite ao executado evitar a penhora (Art. 7° da Lei nº 6.830/80), bem como a apresentação de embargos à execução (§ 1° do art. 16 da Lei 6830/80), mas não significa suspensão do crédito tributário. 10. O art. 111 do CTN prescreve que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão do crédito tributário. Já o art. 151 prevê as hipóteses (numerus clausus) em que se suspende a exigibilidade do crédito tributário, entre as quais não há a apresentação de garantia no curso de execução fiscal. 11. Ou seja, a despeito do pagamento dos outros débitos, como não há suspensão do crédito tributário de natureza previdenciária, procedente a exclusão impugnada. [...]” Ex positis, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.014876/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO.
Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial.
CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos.
Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Fernando Tissi Ribeiro, OAB/DF nº. 29.576.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO. Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial. CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. Recurso Voluntário negado.
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Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial. CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Fernando Tissi Ribeiro, OAB/DF nº. 29.576. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 48 76 /2 00 2- 41 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através do Auto de Infração eletrônico nº 0034952 (efls. 10/17), para a cobrança da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social no montante de R$ 440.149,21, relativo aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho/1997 a setembro/1997, em decorrência da constatação de que a empresa declarou os valores relativos ao tributo em DCTF, entretanto, os pagamentos não foram localizados. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1997 a setembro de 1997, declarados na DCTF, pois foi constatado “Pagto não Localizado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 10 e 11, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 31/05/2002, perfazendo o total de R$440.149.21 (quatrocentos e quarenta mil. e cento e quarenta e nove reais e vinte e um centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1 a 4 LC 70/91; Art 1 L 9249/95; Art 57 L 9069/95; Arts 56 e par Un, 60 e 66, L 9430/96. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/06/2002 (AR à fl. 43), a contribuinte protocolizou, em 10.07.2002, a impugnação de fls. 2 a 7, acompanhada dos documentos de fls. 842, na qual alega: DO MÉRITO 2.1. Preliminarmente, cumprenos esclarecer que a autuação se deu por não terem sido localizados os DARF do recolhimento da COFINS dos meses de competência de agosto e setembro de 1997. 2.1.1. Outrossim, a ora Impugnante informou na DCTF que efetuou compensações da contribuição COFINS com valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL, decorrentes do Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 143 3 processo judicial nº 92.00004946. No entanto, o anexo I do Auto de Infração informa que o "processo judicial não comprova". 2.1.2. Fato é, a Impugnante não só recolheu os valores autuados como também recolheu a maior e no prazo estipulado pela legislação vigente à época. Dessa forma, não há porque se exigir os valores contestados como também, os valores referentes a juros e multa. I Falta de recolhimento do débito principal 2.2. De certo, a presente autuação não deve prevalecer, eis que os valores lançados, relativos à COFINS, apurada no período de agosto e setembro de 1997 foram regularmente pagos ao Erário, mediante DARF'S (Doc. 03). 2.2.1. Inclusive, a Impugnante recolheu valores maiores que os autuados, a título de COFINS devida no período. 2.2.2. Dessa feita, não cabe a autuação, uma vez que o recolhimento a maior que o devido gera um crédito para o contribuinte. Como poderia, então, o Sr. Fiscal autuante exigir novamente, valores que não só foram pagos, como os foram a maior? II Da Compensação do FINSOCIAL com a COFINS 2.3. Por ter sido declarada inconstitucional a majoração de alíquotas do FINSOCIAL do período compreendido entre setembro de 1989 a março de 1992, a Impugnante efetuou compensações dos valores recolhidos a maior à titulo de FINSOCIAL, conforme se comprova com as guias de recolhimento DARF em anexo (Docs. 04 a 17), termos do art. 22 do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987." — grifamos. 2.3.1. Resta, pois, cabalmente provado, que as compensações informadas na DCTF foram feitas respeitando todos os aspectos legais do ordenamento tributário. III — Falta de pagamento dos acréscimos legais (multa de mora e/ou juros de mora parcial ou total) 2.4. Conforme consta no Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, anexo III ao AI, está sendo imputado à Impugnante, uma suposta falta de recolhimento dos acréscimos legais, a multa de oficio capitulada no artigo 44, da Lei n 2 9.430/96, a qual incide sobre 75% do valor do imposto devido. 2.4.1. Porém, é improcedente a autuação em tela, visto que a Impugnante efetuou o recolhimento dos débitos de COFINS, digase mais uma vez, a maior do que o supostamente devido. 2.4.2. Para maior clareza, apresentamos o quadro seguir, que demonstra que a Impugnante efetuou o recolhimento da COFINS a maior que o autuado: AUTO DE INFRAÇÃO (DOC Nº 2) DARF (DOC Nº03) CÓDIGO TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VENCIMENTO VALOR PRINCIPAL VALOR RECOLHIDO DATA DE RECOLHIMENTO 2172 31.08.97 10.09.1997 55.282,20 56.282,20 10.09.1997 2172 30.09.97 10.10.1997 15.342,42 15.342,42 10.10.1997 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 2.4.3. Como se observa, a Impugnante efetuou o recolhimento dos débitos em questão dentro do prazo previsto na legislação para recolhimento da COFINS, não cabendo, portanto a incidência de acréscimos moratórios (juros e multa pagos a menor), tampouco a multa de ofício, como assim pretende o Ilustre Fiscal Autuante. 2.4.4. Ressaltese que foi recolhida a maior a COFINS apurada em agosto de 1997, gerando para a Impugnante um crédito, e não um débito, como assim pretende a Autoridade Fiscal autuante. 2.4.5. Pela simples análise da guia de recolhimento DARF, concluise que, apesar do campo "Data de Vencimento" estar preenchida com a data incorreta (15.10.97), a mesma foi devidamente recolhida em seu vencimento, ou seja, em 10.10.97. 2.4.6. Ora, por que se aplicar multa e juros se os valores foram recolhidos, repitase, a maior e dentro do prazo estabelecido pela legislação? DO PEDIDO 2.5. Face ao que se expõe, vem a Impugnante requerer seja o auto de infração, objeto da presente, totalmente julgado improcedente pela r. Autoridade Julgadora, e, consequentemente seja desconstituído, em sua totalidade, o lançamento fiscal dele decorrente, uma vez que os valores lançados, referidos pelo código de receita nº 2172 "COFINS", multa e juros decorrentes, foram regularmente recolhidos, não justificando qualquer exigência, a título de principal e respectivos acréscimos. 2.5.1. Requer, outrossim, que em conformidade com o inciso IV do art.16, do Decreto nº 70.235/72, seja efetuada diligência, no caso de permanecer dúvida quanto aos documentos apresentados pela Impugnante a este I. Órgão Administrativo Julgador, verificandose as operações realizadas que deram origem ao tributo exigido. 2.6. Por fim, pede Deferimento. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita FederalDERAT/DICAT/EQAAR em São PauloSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, efetuou a revisão de ofício na forma do artigo 149, III do Código Tributário Nacional (CTN) e exarou o DESPACHO em 21/09/2010 (fl. 56), onde consta: “1. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal a fl. 10. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 01 a 06, com seus argumentos de defesa. 3. Os demonstrativos de consolidação e recalculo de fls. 51 a 54 apresentam o resultado parcial da análise do lançamento. 4. Diante do exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), proponho o Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 144 5 cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos de fls. 51 a 54.” 3.1. Após a revisão de ofício, cancelou os débitos abaixo (fl. 54): DÉBITOS CANCELADOS PELA DERAT/EQAAR PA COFINS 2172 MULTA 75% 08/97 56.282,20 42.211,65 09/97 15.342,42 11.506,82 TOTAL 71.624,62 53.718,47 3.2. Restaram em litígio os seguintes débitos (fl. 57): DÉBITOS EM LITÍGIO PA COFINS 2172 MULTA 75% 07/97 90.845,22 68.133,92 4. No tocante a Ação Judicial, em 29/03/11, a EQAMJ proferiu o seguinte DESPACHO (fl. 71): “O débito foi declarado em DCTF como compensação com/DARF com processo judicial n° 92.00.004946, da 3ª Vara Federal/DF. O contribuinte apresentou impugnação alegando compensação Finsocial com base nos permissivos legais vigentes à época. Quanto à ação judicial, não fez menção específica, tampouco trouxe qualquer cópia de decisão que autorizasse a compensação. Pelo acompanhamento no sitio da Justiça Federal do Distrito Federal o que se pode extrair foi que: 1) A ação era de Repetição de Indébito e não de Compensação Acórdão fl. 66; 2) O acórdão do TRF 01°, que transitou em julgado em 1997, entendeu pela carência da ação, por falta de anexação de documentos necessários — Acórdão II. 66; Para a devida verificação do conteúdo decisório transitado em julgado, o contribuinte será intimado a apresentar cópia da petição inicial, da sentença e do acórdão correlatos. Como já mencionado, na esfera administrativa há impugnação do contribuinte. Diante do exposto, proponho a manutenção dos autos nesta equipe, para aguardar o prazo da intimação que será enviada. 4.1. Em 28/04/11, a EQAMJ proferiu DESPACHO (88) nos seguintes termos: “Apenas remeto ao despacho anterior de fl. 69 e registro que, após a resposta apresentada pelo contribuinte, foi possível confirmar ser a Ação Judicial em pauta de Repetição de Indébito e não de Compensação. Possível também foi a constatação de que houve o trânsito em julgado em 1997, de maneira desfavorável ao contribuinte, por carência da ação.” Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 5. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1636.217 de 16 de fevereiro de 2012 (folhas e89/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO. O Processo Judicial foi desfavorável ao Impugnante por carência da ação, tendo transitado em julgado. Assim, não há proteção judicial para a pretendida compensação do débito da COFINS com eventual crédito do FINSOCIAL. CRÉDITO DO FINSOCIAL COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES IMPOSSIBILIDADE O artigo 66 da Lei 8.383/91 autorizou a compensação entre tributos e contribuição da mesma espécie. O ADN COSIT 15/94, de 30/03/1994 definiu que não é passível a compensação do crédito de FINSOCIAL com o débito da COFINS por se tratar de contribuição de espécies diferentes. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA ENTRE CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES. OBRIGATÓRIA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação administrativa entre contribuições de espécies diferentes está sujeita a apresentação do Pedido de Compensação disciplinado artigo 12, § 3º da IN SRF nº 21, de 10/03/1997, o que não consta nos autos tal comprovação. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo em 08/03/2012 (folha e100) interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2012 (fls. e101/ss), aduz, em apertada síntese, que: há ilegalidade de conteúdo no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/97, que extrapolou o comando da Lei, ferindo o princípio da legalidade (arts. 96 e 100/CTN); não poderia ter sido negada a compensação administrativa, uma que a decisão transitada em julgado, nos autos do processo n° 92.00004946, reconheceu a inconstitucionalidade do FINSOCIAL. Entende, assim, que houve um pagamento indevido (a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 145 7 maior), que deve ser restituído à Recorrente por meio da compensação administrativa ora exercida; a única condição estabelecida pelo art. 66 da Lei n.° 8.383/91 foi a de que a compensação somente poderia ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Aduz que no presente caso estáse diante da compensação de dois tributos da mesma espécie, duas contribuições; e, ainda que assim não o fosse, afirma que a Instrução Normativa n° 21, de 10/03/1997, vigente à época da compensação realizada pela Recorrente, continha, em seu art. 12, § 1º, previsão expressa sobre a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas e/ou com destinação constitucional distinta; assim, entende que não há, tanto na Lei n.º 5.172/66 (CTN), como na Lei n.º 8.383/91 e mesmo na Instrução Normativa n° 21/97, qualquer previsão no sentido de que não seria possível a compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos de COFINS, existindo, no máximo, a exigência de que sejam tributos da mesma espécie, o que, conforme alega, é o caso da Cofins e do Finsocial ambas contribuições; embora a decisão recorrida tenha cancelado a multa de ofício, no DARF que acompanhara a intimação acerca da decisão foi incluída multa no percentual de 20%, inclusão esta não determinada na decisão administrativa ora recorrida, devendo, portanto, ser excluída. Sendo o lançamento consubstanciado no Auto de Infração lavrado em 11/05/2002, ele restou substancialmente reformado pela decisão recorrida, a qual, por consequência, passa a integrar o lançamento em todas as suas características. Partindo dessa premissa, tudo o que não constar da decisão que reforma o Auto de Infração, não compõe o lançamento do crédito tributário. Deste modo, não pode o Fisco realizar a cobrança de valores não autorizados pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal. E mais, afirma que o quadro “Demonstrativo de Crédito Tributário em Real”, constante da decisão recorrida, não possui a multa de mora como componente da coluna “Mantido”. Conclui, assim, que a multa de mora não compõe este lançamento, não foi penalidade aplicável no entendimento da autoridade administrativa que efetuou, integrou o ato de lançamento. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia que restou para análise neste litígio referese exclusivamente à compensação do débito da Cofins, período de apuração de julho/1997, no montante de R$ 90.845,22, com eventual crédito do Finsocial (objeto de ação judicial). A decisão recorrida afastou a incidência da multa de ofício, no montante de R$ 68.133,92, em decorrência do princípio da retroatividade benigna (vide efolha 96). A Recorrente, em sua defesa, alega que os valores correspondentes à competência de julho/97 foram informados em DCTF como compensados com valores recolhidos a maior a título de Finsocial, decorrentes do processo judicial nº 92.00004946. O Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 conteúdo do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/97 seria ilegal frente aos dispositivos constantes do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e da Lei nº 5.172/66 (CTN). Cita, ainda, a Instrução Normativa n° 21, de 10/03/1997, que conteria, em seu art. 12, § 1º, previsão expressa sobre a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas e/ou com destinação constitucional distinta. Não assiste razão à Recorrente, quanto ao pleito para compensar de débito da Cofins, período de apuração de julho/1997, no montante de R$ 90.845,22, com eventual crédito do Finsocial, objeto de ação judicial. A compensação de tributos é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, CTN), nos termos do que dispõe o artigo 170/CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste diapasão, a Lei nº 8.383/91, em seu artigo 66 estabeleceu as condições para a exclusão do crédito tributário por meio da compensação, vejamos: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) O dispositivo legal acima transcrito prescreve que a compensação poderá ser efetuada entre tributos da mesma espécie e que a Receita Federal do Brasil expedirá as instruções necessárias ao cumprimento da norma legal. Assim, em atendimento ao §4º, do artigo 66, da Lei nº 8.383/91 normas infra legais foram editadas para regulamentar os procedimentos para que os contribuintes efetuem a compensação de tributos. A IN SRF nº 21, de 10/03/1997, vigente à época dos fatos, estabelecia que os pedidos de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, seriam efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa (artigo 1º). O artigo 12, § 3º, desta Instrução Normativa prescrevia que os créditos, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgados, a serem compensados com débitos do contribuinte, devem ser formalizados com base em “Pedido de Compensação”, com base em modelo próprio aprovado no Anexo III da citada Instrução Normativa. Por sua vez, o artigo 17 da Instrução Normativa, indicava que para efeito de compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deveria anexar ao pedido Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 146 9 uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição ou a compensação. Nada disso foi feito! A Recorrente não cumpriu os procedimentos necessários para efetuar o Pedido de Compensação. Em momento algum restou comprovada a “certeza e liquidez” dos supostos créditos de Finsocial. Ademais, conforme muito bem destacado no voto vencedor do acórdão recorrido, “consta no Despacho da EQAMJ (fl.71 e 88), o resultado final do processo judicial n° 92.00.004946, da 3ª Vara Federal/DF foi desfavorável à Impugnante, por carência da ação, tendo transitado em julgado em 1997, restando assim, não reconhecida judicialmente a compensação pretendida”. A ação judicial impetrada referiase a Repetição de Indébito e não a compensação, e mesmo assim, transitou em julgado de forma desfavorável ao Recorrente. Para corroborar o acima afirmado, transcrevese a ementa e trechos do voto constantes dos autos da Apelação Cível nº 94.01.10915/DF prolatada pelo TRF da 1ª Região (efolhas 81/86): EMENTA CONSTITUCIONAL. . FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 1. 0 Egrégio Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 150.7641, declarou a inconstitucionalidade do artigo 9º da Lei nº 7.689, de 15.12.88, do artigo 72 da Lei n2 7.787, de 30.06.89, do artigo 12 da Lei nº 7.894, de 21.11.89 e do artigo 12 da Lei nº 8.147, de 28.12.90, que majoraram alíquotas do FINSOCIAL. 2. Tratandose de repetição de indébito, é indispensável a comprovação do pagamento do valor recolhido a maior que se pretende repetir. 3. É carecedor de ação o autor que não apresenta qualquer titulo relacionado com o interesse que pretende seja tutelado. 4. Apelos e remessa oficial improvidos. VOTO 2. DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO O MM. Juiz a quo julgou improcedente o pedido de restituição das quantias tidas corno pagas indevidamente, à mingua de prova. Não merece reparo, neste ponto também, a r. sentença monocrática. (...) Na espécie, em se tratando de repetição de indébito, firmouse a jurisprudência no sentido de que é indispensável a comprovação do pagamento que se pretende repetir: (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 De acrescentar, finalmente, que apesar de a União Federal ter suscitado na Contestação (cf. fl. 107) preliminar no sentido de que, não tendo sido apresentados juntamente com a petição inicial os documentos necessários à instrução do processo, impunhase a sua extinção, limitaramse, todavia, as Autoras a afirmar que como os recolhimentos dos valores são efetuados através de documentos de arrecadação próprios, em beneficio dos cofres públicos, e sendo eles destacados automaticamente para o órgão arrecadador competente, desnecessária era tal apresentação, por isso que os mesmos "já se encontravam à disposição da União Federal". Portanto, tiveram ainda as Autoras a oportunidade de suprir aquela omissão, mas não tomaram qualquer providência. (...) Ora, tãosomente após o sentenciamento do feito, por ocasião da interposição do Recurso de Apelação de fls. 135/138, é que carrearam para os presentes autos os documentos comprobatórios do recolhimento da contribuição em questão. Assim sendo, não merece prosperar o apelo. Depreendese, portanto, que não há “crédito líquido e certo”, como prescreve o artigo 170/CTN, possível de ser compensado, uma vez que a Recorrente também não obteve sucesso em sua demanda judicial, quanto ao reconhecimento do indébito tributário. No tocante à multa cobrada da Recorrente (vide DARF, efolha 99), assiste razão à Recorrente quando afirma que a unidade de origem adotou procedimento indevido na execução do acórdão proferido pela DRF – São Paulo. Vejamos. A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância por meio da Intimação nº 174/2002, de 01/03/2002 (efolhas 97), acompanhada do “Demonstrativo de Débito – Intimação nº 174/2012” (efolha 98), onde não consta a cobrança de multa, e de formulário do DARF a pagar (efolha 99), onde consta a cobrança de multa no valor de R$ 18.169,04 (portanto, 20% sobre o valor do tributo, o que nos leva supor tratarse de multa de mora). Entendo que a cobrança da multa constante do DARF (efolha 99) é indevida. O lançamento de ofício, veiculado através do Auto de Infração nº 0034952 (efolha 10/11), constituiu o crédito tributário composto de tributo (Cofins), multa de ofício (75%) e juros de mora, nos termos do que dispõe o artigo 142 do CTN. Por sua vez, o Acórdão nº 1636.217, de 16/02/2012, proferido pela 9ª Turma da DRJ – São Paulo afastou a cobrança da multa de ofício (75%), extinguindo essa parte do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso IX, do CTN, restando, portanto cabível apenas a cobrança do tributo e juros de mora. Deste modo, não há previsão legal para a cobrança administrativa de valores não constituídos, através do competente ato administrativo de lançamento, nos termos do que prescreve o artigo 142 do CTN. Ante o exposto, conheço do Recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade para, no mérito negar provimento, mantendo a cobrança da Cofins, relativa ao período de apuração de julho/97 e respectivos juros moratórios. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 147 11 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10331.000145/00-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RETIFICAÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL FINSOCIAL.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ERRO MATERIAL. PEDIDO EFETUADO EM 27 DE DEZEMBRO DE 2000. PRAZO. TERMO INICIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95 (31 DE AGOSTO DE 1995). RETIFICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR PARA CONSIDERAR EXTINTO O DIREITO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
Considerando-se que, em verdade, o pedido de restituição deu-se em 27 de dezembro de 2000, e tendo em vista o meu entendimento de que, em tal caso, o termo inicial do respectivo prazo é o dia da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, retifico minha decisão anterior, para dar pela extinção do direito do contribuinte à restituição/compensação do FINSOCIAL, e não prover o recurso especial do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-001.794
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração para sanar a contradição existente no acórdão CSRF n° 0305.517, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado participou do julgamento em substituição ao
Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, ausente momentaneamente.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ERRO MATERIAL. PEDIDO EFETUADO EM 27 DE DEZEMBRO DE 2000. PRAZO. TERMO INICIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95 (31 DE AGOSTO DE 1995). RETIFICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR PARA CONSIDERAR EXTINTO O DIREITO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Considerandose que, em verdade, o pedido de restituição deuse em 27 de dezembro de 2000, e tendo em vista o meu entendimento de que, em tal caso, o termo inicial do respectivo prazo é o dia da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, retifico minha decisão anterior, para dar pela extinção do direito do contribuinte à restituição/compensação do FINSOCIAL, e não prover o recurso especial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração para sanar a contradição existente no acórdão CSRF n° 0305.517, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, ausente momentaneamente. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10331.000145/0041 Acórdão n.º 910301.794 CSRFT3 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório O processo em epígrafe versa sobre pedido de restituição de valores pagos a maior a título de contribuição ao Finsocial, concernente ao período de setembro de 1989 a março de 1992, com base na declaração de inconstitucionalidade da alíquota superior a 0,5%, promovida pelo STF. Inicialmente indeferido o seu pleito pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em julgamento de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negoulhe provimento, conforme a seguinte ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO EFETIVADO EM 27/12/2000. MATÉRIA COMPREENDIDA NA COMPETÊNCIA DESTE CONSELHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INÍC10 DA CONTAGEM DE PRAZO. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95, PUBLICADA EM 31/08/1995. CARACTERIZADA A DECADÊNCIA É DE SE MANTER A DECISÃO PROFERIDA EM PRIMEIRA INSTANCIA. Recurso negado. Considerouse como termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos para o pedido de restituição a data da edição da Medida Provisória n° 1110/95 (31 de agosto de 1995). O contribuinte interpôs recurso especial interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial, argumentando no sentido de que o prazo para o pedido de restituição/compensação da contribuição ao Finsocial iniciouse com a edição da Medida Provisória n° 162136, de 10 de junho de 1998. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 526/534). Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10331.000145/0041 Acórdão n.º 910301.794 CSRFT3 Fl. 3 3 Em julgamento do recurso especial, fui designada para redigir o voto vencedor. Interposto, pela Fazenda Nacional, recurso extraordinário (fls. 555/563), o ilustre Conselheiro Antonio Praga, à época presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, preferiu despacho nos seguintes termos: “Ao apreciar a matéria, evidenciase erro material no julgado. Cristalino o posicionamento da ConselheiraRelatora, às fls. 543 do Acórdão em comento, no sentido de que o contribuinte protocolizou seu pedido de restituição em 27 de dezembro de 2000, data essa constante tanto na capa dos autos como no protocolo do pleito à fl. 01, verso. A I. Conselheira designada para redigir o VotoVencedor assentou que o pedido do contribuinte se deu em 31 de agosto de 2000 e que, portanto, não teria ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição/compensação ora em lide. Cristalino o erro material, a ser sanado pela C. Terceira Turma da CSRF. Pelos fatos acima, deixase de apreciar o extraordinário interposto. Ciência Representação da Procuradoria da Fazenda Nacional. Após, sejam os autos encaminhados à Conselheira SUZY (sic) GOMES HOFFMANN para nova inclusão em pauta de julgamento para o devido saneamento.” Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Quanto ao tema versado nos autos, o meu entendimento é no sentido de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em 05 (cinco) anos a contar da publicação da Medida Provisória nº 1.110 ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendose o prazo em 31 de agosto de 2000. Conforme se depreende do meu voto (fls. 548/551), considerei que o pedido de restituição fora formulado em data anterior a 31/08/2000, de modo que, com isso, a decadência não haveria ocorrido. No entanto, em verdade, o pedido ocorreu em 27 de dezembro de 2000. Evidente, destarte, o erro material, o qual, aliás, influenciou o deslinde do caso. Tendo como parâmetro aquela data, e sob o entendimento de que o prazo decadencial teve como termo inicial a publicação da Medida Provisória n° 1.110/95 (31 de agosto de 1995), é de se concluir pela extinção do direito do contribuinte Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10331.000145/0041 Acórdão n.º 910301.794 CSRFT3 Fl. 4 4 Diante do exposto, retifico a decisão de fls. 548/555, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de restituição pleiteado no presente processo. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933066/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 66 /2 00 9- 76 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 28/31 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/PASEP relativo ao fato gerador de 30/11/2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduz haver exercido direito amparado pela legislação vigente, e que apenas não retificara as respectivas DCTF e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante foram acolhidos em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, onde ficou consignado que a recorrente, muito embora tivesse afirmado não haver apresentado DCTF retificadora, procedera com a correspondente retificação, esta admitida no âmbito daquele julgamento, já que a retificação em tela não se enquadrava em nenhuma das hipóteses normativas que impedissem seu acolhimento. Assim: [...] Na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 30/11/2005, foi indicado um débito da contribuição correspondente ao valor informado no Dacon. Com o envio da DCTF retificadora, houve a apropriação de parcela do Darf (R$ 33.449,85), no valor de R$ 28.648,37, restando um saldo de crédito de R$ 4.801,48, inferior ao valor pleiteado e utilizado no Per/Dcomp (R$ 5.468,05). Cientificada da referida decisão em 14/03/2012 (vide AR de fls. 35), a interessada, em 04/04/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 36/45, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda que a decisão recorrida incorrera em equívoco ao não reconhecer a DCTF retificadora e, consequentemente, glosar a compensação pleiteada, em ofensa ao disposto na IN 903/08 e Lei no 9.430/96. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933066/200976 Acórdão n.º 3802001.597 S3TE02 Fl. 110 3 O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A defesa da recorrente não condiz com a realidade dos fatos, posto que, como relatado, a primeira instância acolheu a retificação da DCTF apresentada pela empresa, tendo, no entanto, deferido apenas em parte o pedido, já que o saldo do crédito em favor da empresa foi inferior ao valor pleiteado e utilizado na DCOMP. Com efeito, vêse do extrato de fls. 32, que o valor principal do débito cadastrado no processo, de R$ 7.292,65, foi reduzido para R$ 2.326,93, isso, justamente, em vista do acatamento da retificação do débito declarado na DCTF retificadora, conforme relatado. Assim, permanece apenas a situação em aberto dos débitos não liquidados por compensação depois dos cálculos decorrentes do reconhecimento parcial, pela primeira instância, do crédito alegado pela reclamante. Ao que parece, a recorrente apresentou o presente recurso buscando contestar a legitimidade da exigência do saldo devedor remanescente – depois de admitida a retificação da DCTF pela instância recorrida. Contudo, comparece a este foro sem apresentar nenhuma prova capaz de infirmar, minimamente, a exigência tributária atrelada a este processo. Vale lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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