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Numero do processo: 19515.000088/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 07/01/2004 a 30/06/2007
CPMF. DÉBITOS NÃO RECOLHIDOS POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL PRECÁRIA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA RESPONSÁVEL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGITIMIDADE.
A falta de retenção e de recolhimento, pela instituição financeira responsável, em vista de quaisquer das hipóteses elencadas no inciso IV do artigo 45 da MP nº 2.158-35, de 24/08/2001, enseja a exigência de ofício da CPMF, de cujo lançamento integram os juros de mora e a multa de ofício de 75%.
Recurso ao qual se nega provimento
Com base em tal regra, relativamente aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004 (período com respeito ao qual o sujeito passivo suscita a decadência), a contagem do prazo decadencial iniciou-se em 1º/01/2005, ou seja, no primeiro dia do exercício seguinte. Por sua vez, o lançamento foi formalizado em 15/01/2009, portanto, dentro do prazo decadencial legalmente estipulado para a realidade examinada, que perdurou até 31/12/2009.
Prejudicial de mérito da decadência afastada.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA EXAME.
À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula no 2 do CARF.
AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER DESPROPORCIONAL OU CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício.
Numero da decisão: 3301-002.696
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 30/06/2007 CPMF. DÉBITOS NÃO RECOLHIDOS POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL PRECÁRIA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA RESPONSÁVEL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGITIMIDADE. A falta de retenção e de recolhimento, pela instituição financeira responsável, em vista de quaisquer das hipóteses elencadas no inciso IV do artigo 45 da MP nº 2.158-35, de 24/08/2001, enseja a exigência de ofício da CPMF, de cujo lançamento integram os juros de mora e a multa de ofício de 75%. Recurso ao qual se nega provimento Com base em tal regra, relativamente aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004 (período com respeito ao qual o sujeito passivo suscita a decadência), a contagem do prazo decadencial iniciou-se em 1º/01/2005, ou seja, no primeiro dia do exercício seguinte. Por sua vez, o lançamento foi formalizado em 15/01/2009, portanto, dentro do prazo decadencial legalmente estipulado para a realidade examinada, que perdurou até 31/12/2009. Prejudicial de mérito da decadência afastada. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA EXAME. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula no 2 do CARF. AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER DESPROPORCIONAL OU CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/01/2004 a 30/06/2007 CPMF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A CPMF, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação do seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadra dentre os tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso de prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, onde o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Com base em tal regra, relativamente aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004 (período com respeito ao qual o sujeito passivo suscita a decadência), a contagem do prazo decadencial iniciouse em 1º/01/2005, ou seja, no primeiro dia do exercício seguinte. Por sua vez, o lançamento foi formalizado em 15/01/2009, portanto, dentro do prazo decadencial legalmente estipulado para a realidade examinada, que perdurou até 31/12/2009. Prejudicial de mérito da decadência afastada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 88 /2 00 9- 34 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA EXAME. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula no 2 do CARF. AFASTAMENTO DE NORMA EM VISTA DE SEU ADUZIDO CARÁTER DESPROPORCIONAL OU CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Falece à autoridade administrativa excluir ou reduzir obrigação tributária fundada exclusivamente em argumentos relacionados à alegada desproporcionalidade ou efeito confiscatório da exação constituída de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 30/06/2007 CPMF. DÉBITOS NÃO RECOLHIDOS POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL PRECÁRIA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA RESPONSÁVEL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGITIMIDADE. A falta de retenção e de recolhimento, pela instituição financeira responsável, em vista de quaisquer das hipóteses elencadas no inciso IV do artigo 45 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, enseja a exigência de ofício da CPMF, de cujo lançamento integram os juros de mora e a multa de ofício de 75%. Recurso ao qual se nega provimento Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Fl. 340DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.000088/200934 Acórdão n.º 3301002.696 S3C3T1 Fl. 340 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Brasília (fls. 276/280), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta pelo sujeito passivo, nos termos do Acórdão nº 0353.972, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não tendo ocorrido pagamento espontâneo pelo sujeito passivo, não há que se falar no lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN, e, nesta hipótese, o prazo decadencial de cinco anos regese pelo disposto no art. 173 do mesmo Código. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos julgadores administrativos é defeso apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Os juros de mora incidem sobre a obrigação em atraso, independentemente do motivo da falta de recolhimento no prazo. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Na ausência de recolhimento espontâneo pelo sujeito passivo, cabe a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, com a respectiva penalidade prevista em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado pela Defis/SP o auto de infração às fls. 140/160, formalizando lançamento de ofício de crédito tributário proveniente da falta de recolhimento de CPMF nos períodos de apuração de 07/01/2004 a 30/06/2007, incluindo juros de mora e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 593.801,99. De acordo com a descrição dos fatos da acusação fiscal, que remete ao Termo de Verificação Fiscal integrante do auto de infração, a fiscalizada havia recorrido à tutela do Poder Judiciário para afastar a incidência da CPMF, impetrando Mandado de Segurança que veio a ser denegado por decisão proferida em 21/11/2001 pelo TRF/3ª Região, cujo Acórdão transitou em julgado em 18/12/2003, tornando exigível a contribuição não recolhida. A contribuinte foi cientificada pessoalmente da exigência em 15/01/2009, e, irresignada com a acusação fiscal, apresentou em 13/02/2009 a impugnação acostada às fls. 162 e seguintes, da qual se extrai a síntese exposta a seguir. Preliminar de decadência, com fundamento no prazo de cinco anos art. 150 do CTN, que teria alcançado o período de janeiro de 2004, trazendo em defesa de sua tese decisão do STJ e a Súmula Vinculante nº 8 do STF, ambas afastando o prazo de dez anos fixado pelo art. 45 da Lei nº. 8.212, de 1991, julgado inconstitucional. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Inexigibilidade da CPMF por insanável vício formal ocorrido na tramitação da Emenda Constitucional nº. 21, de 1999, nas Casas Legislativas do Congresso Nacional. Aponta que a mesma EC não poderia prorrogar a cobrança da CPMF, isto porque a Lei nº. 9.537, de 1997, que tratava da contribuição, teve vigência até 22/01/1999, enquanto que a EC foi editada em 18/03/1999, e, assim, não poderia prorrogar uma situação que não mais existia no mundo jurídico. Necessidade de lei complementar para instituição de contribuições sociais não previstas na Constituição Federal, na forma do art. 154, I, da Lei Maior, o qual constitui cláusula pétrea que não poderia ter sua aplicabilidade excepcionada pela EC nº. 12, de 1996. A instituição da CPMF viola os princípios da isonomia e da capacidade contributiva (CF, 150, II), além de ter caráter confiscatório, desrespeitando o disposto na CF, 150, IV. Não incidência de multa de ofício e juros de mora, porque o jurisdicionado não pode ser apenado ou onerado em razão de se ter socorrido do Poder Judiciário, ainda que não lhe tenha sido reconhecido finalmente o direito cuja tutela jurisdicional pretendia. No máximo, a teor do disposto no § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, caberia multa de mora a partir do 31º dia subseqüente à data da publicação da decisão judicial que considerou a CPMF devida pela impugnante. Afirma que, no caso, é imprescindível diferenciar (a) ausência de pagamento e pagamento fora de prazo de (b) autorização judicial, para ausência de pagamento ou pagamento fora de prazo, e, em razão disso, durante o período de vigência da decisão judicial que afasta do contribuinte o dever de cumprir a obrigação perante o Fisco não há descumprimento da norma tributária. Cita em defesa de sua tese posicionamentos doutrinários, e, por fim, decisão do STF proferida no RE 81.550, que reduziu o percentual de penalidade para 30%, requerendo que, no caso de não acolhimento das argumentações anteriores, igual tratamento lhe seja dispensado. Cientificada da referida decisão em 20/12/2013 uma sextafeira (vide AR de fls. 300), a interessada, em 20/01/2014 uma segundafeira (fls. 301), apresentou o recurso voluntário de fls. 301/327, onde repisa os argumentos aduzidos na primeira instância e requer, preliminarmente, seja declarada a decadência relativamente ao período de janeiro de 2004, e, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração; alternativamente, pleiteia a exclusão dos juros de mora e da multa de ofício, ou reduzida a multa cominada para 30%, em conformidade com orientação do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e deve ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.000088/200934 Acórdão n.º 3301002.696 S3C3T1 Fl. 341 5 As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social – CSLL, COFINS, PIS/PASEP e CPMF –, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte1: Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este – diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. (grifo nosso) Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, aplicável também se demonstrada fraude ou simulação (cujo conceito envolve o dolo). Em tais hipóteses, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. No caso presente, o lançamento da CPMF relativa aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2004 (período com respeito ao qual o sujeito passivo suscita a decadência) se deu em 15/01/2009. Considerando a regra do artigo 173, inciso I, do CTN já que não houve pagamento antecipado , temse que o lançamento foi formalizado dentro do prazo legítimo de constituição do crédito tributário por parte da Fazenda Pública, de sorte que não há que se falar em decadência do direito. Com efeito, com base na regra do artigo 173, inciso I, do CTN, a contagem do prazo decadencial referente aos fatos geradores de janeiro de 2004 iniciouse em 1º/01/2005, ou seja, no primeiro dia do exercício seguinte. Por sua vez, o lançamento foi 1 Direito Tributário Brasileiro. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 364/365. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 formalizado em 15/01/2009, portanto, dentro do prazo decadencial legalmente estipulado para a realidade examinada, que perdurou até 31/12/2009. No mais, quanto a regra do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, reportada pela interessada, a mesma não foi aplicada para fins de contagem do prazo decadencial. Vale lembrar, contudo, que o dispositivo em tela foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. De fato, em respeito ao princípio constitucional da reserva de lei complementar, no qual se fundou sólida jurisprudência judicial e administrativa, o STF aprovou, em 12/06/2008 (DOU de 20/06/2008), a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com efeito, o reconhecimento da natureza tributária das contribuições sociais, por força do artigo 195 da Constituição Federal, implicou sua subsunção à regra inserta no artigo 146, III, “b”, da lei maior, onde se exige que o estabelecimento de normas gerais sobre decadência e prescrição tributárias se dê mediante a edição de lei complementar. Aliás, os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91 foram expressamente revogados pelo artigo 13, inciso I, alínea “a”, da Lei Complementar no 128, de 19/12/2008. Assim, definida a inconstitucionalidade formal dos dispositivos da Lei no 8.212/91 acima citados, válido, também para as contribuições sociais, as regras de prescrição e decadência estabelecidas pelo Código Tributário Nacional. O lançamento, contudo, já foi formalizado dentro do prazo traçado pelas regras em evidência, conforme já demonstrado. Afastada a prejudicial de mérito relativa à decadência, passase ao exame dos demais argumentos aduzidos pelo sujeito passivo. Da legitimidade da exigência dos juros de mora e da multa de ofício A exigência da multa de ofício está em sintonia com o disposto nos artigos 44 e 45 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, que abaixo transcrevo: Art. 44. O valor correspondente à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, não retido e não recolhido pelas instituições especificadas na Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas, deverá ser retido e recolhido pelas referidas instituições, na forma estabelecida nesta Medida Provisória. Art. 45. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: I apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; II efetuar o débito em conta de seus clientescontribuintes, a menos que haja expressa manifestação em contrário: a) no dia 29 de setembro de 2000, relativamente às liminares, tutelas antecipadas ou decisões de mérito, revogadas até 31 de agosto de 2000; b) no trigésimo dia subseqüente ao da revogação da medida judicial ocorrida a partir de 1o de setembro de 2000; Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.000088/200934 Acórdão n.º 3301002.696 S3C3T1 Fl. 342 7 III recolher ao Tesouro Nacional, até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do débito em conta, o valor da contribuição, acrescido de juros de mora e de multa moratória, segundo normas a serem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; IV encaminhar à Secretaria da Receita Federal, no prazo de trinta dias, contado da data estabelecida para o débito em conta, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: a) nome ou razão social do contribuinte e respectivo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; b) valor e data das operações que serviram de base de cálculo e o valor da contribuição devida. Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV deste artigo, a contribuição não se sujeita ao limite estabelecido no art. 68 da Lei no 9.430, de 1996, e será exigida do contribuinte por meio de lançamento de ofício. [...] (grifo nosso) Como se vê, o acréscimo de juros de mora e de multa de mora é restrito aos casos em que o pagamento da CPMF foi realizado pelas instituições financeiras responsáveis por sua retenção e recolhimento (conforme artigo 45, inciso III); diferentemente, ou seja, nos casos de contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, ou que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II do mencionado artigo 45, a contribuição "será exigida do contribuinte por meio de lançamento de ofício". Tal preceito, aliás, está em franca sintonia com o que determina o § 3º do artigo 5º da Lei n.º 9.311, de 24/10/1996, verbis: § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Assim, em vista da necessidade de formalização ex officio do lançamento, deverá ser observado o disposto no artigo 44, inciso I, da Lei no 9.430/96, que contempla a cominação da multa de 75%. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Destaquese que a aplicação do disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 está explicitada no artigo 14 da Lei nº 9.311/96, abaixo transcrito: Art. 14. Nos casos de lançamento de ofício, aplicarseá o disposto nos arts. 44, 47 e 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 Ademais, como bem destacado na decisão a quo, em vista do disposto no artigo 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96, não haveria sequer a incidência de multa de mora se o sujeito passivo houvesse efetuado o recolhimento da obrigação que se encontrava com a exigibilidade suspensa em até trinta dias após a publicação da decisão judicial que considerou devida a contribuição. Não tendo adotado tal providência, incorre nas exações relativas ao lançamento de ofício determinadas pela lei. Em relação aos juros de mora, legítima, também, sua exigência, eis que alicerçada no artigo 161, parágrafo 1°, do CTN, bem como no artigo 61, parágrafo 3o, da Lei no 9.430/96. Com efeito, de acordo com o artigo 161, § 1º, do CTN, “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária”. Por seu turno, estabelece o artigo 61, caput e § 3º, da Lei no 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º [taxa SELIC], a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo nosso). Finalmente, quanto ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 81.550, o mesmo, além de não exercer caráter vinculante para este CARF eis que não é objeto de súmula vinculante, nem fruto de julgamento realizado segundo a sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC diz respeito a matéria diversa2, qual seja, a da redução da multa de mora. Conforme ressaltado, o lançamento aborda a exigência do principal, juros de mora e de multa de ofício. Não há, pois, como se aplicar o julgado do STF à realidade presente. Diante do exposto, concluise que é perfeitamente legítima a exigência da multa de ofício e dos juros de mora objeto do presente auto de infração. Dos argumentos em defesa da inconstitucionalidade da norma ou do aduzido caráter confiscatório da exação Finalmente, sobre a inconstitucionalidade das normas que tratam da CPMF, da suposta violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, ou ainda, de seu reclamado caráter confiscatório, temse que a instância administrativa não tem competência para se manifestar sobre aspectos valorativos da norma ou de sua eventual inconstitucionalidade. 2 Digo isso com base nas informações trazidas pelo sujeito passivo, eis que não localizei aludido Recurso Especial no sítio do STF. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 19515.000088/200934 Acórdão n.º 3301002.696 S3C3T1 Fl. 343 9 Eventual manifestação sobre inconstitucionalidade em nada diferiria, quanto aos seus efeitos, da declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, que, como se sabe, é prerrogativa do Poder Judiciário. Se isso fosse possível, estarseia diante de hipótese de atuação do julgador administrativo como verdadeiro legislador negativo, prerrogativa, como já dito, exclusiva do Poder Judiciário, que tem no Supremo Tribunal Federal a atribuição de ser o guardião principal da Constituição, nos termos do artigo 102, caput, da Constituição Federal. Como se sabe, o julgador administrativo, está, sim, vinculado à legalidade estrita, por força do disposto no artigo 116, III, da Lei no 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015. Aliás, especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no § 1º do dispositivo em tela, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. O disposto acima também está pacificado no âmbito deste Conselho, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10930.000316/2007-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
IPI. CREDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CREDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária sobre créditos escriturais do IPI. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 16 /2 00 7- 39 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 37/40), a qual, por unanimidade de votos, e fundamentada em inexistência de previsão legal, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não reconheceu alegado direito à correção pela taxa SELIC de créditos presumidos do IPI. Cientificada da referida decisão em 30/01/2013 (vide AR de fls. 44), a interessada, em 01/03/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 45/50, onde aduz que teria direito à correção monetária sobres os créditos presumidos com base em jurisprudência do CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Diante do exposto, requer a interessada seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito de aplicação da correção monetária sobre os créditos em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O mérito da contenda envolve discussão concernente a pedido de correção monetária, pela taxa SELIC, de créditos presumidos do IPI. No entanto, como já destacado na decisão recorrida, não há previsão legal que autorize o deferimento de pleito nesse sentido. Tal entendimento, inclusive, está sedimentado no Recurso Especial nº 1.035.847/RS (transitado em julgado em 03/03/2010), que, sob o regime do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, consolidou entendimento segundo o qual “a correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal”. Vale lembrar que, por força do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, referida decisão deverá ser obrigatoriamente observada por este Conselho. Contudo, extraise da mesma decisão que o impedimento, pela autoridade administrativa, à utilização do direito de créditos escriturais do IPI, descaracteriza referida natureza escritural, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente pela taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Referido acórdão ficou assim ementado: 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10930.000316/200739 Acórdão n.º 3301002.667 S3C3T1 Fl. 72 3 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Mas, concernente à hipótese em que se admite a atualização, tal não ocorreu no caso presente, posto que a própria petição que inaugurou o processo se restringe unicamente à discussão do alegado direito à correção monetária dos créditos escriturais do IPI (v. fls. 02/06). Assim, considerando o pacificado entendimento prolatado pelo STJ no RE nº 1.035.847/RS, e diante do disposto no caput do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, deverá prevalecer o entendimento de que, por ausência de previsão legal, não se admite a correção monetária de créditos escriturais do IPI. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 18471.000469/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, conforme a Súmula Vinculante n° 8. O prazo decadencial das contribuições sociais submete-se às regras gerais de decadência, do Código Tributário Nacional
Numero da decisão: 3201-001.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro SouzaPresidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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BOZANO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, conforme a Súmula Vinculante n° 8. O prazo decadencial das contribuições sociais submetese às regras gerais de decadência, do Código Tributário Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza–Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 69 /2 00 8- 23 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente a auto de infração para a cobrança de Cofins. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 24 em virtude da apuração de falta de recolhimento da COFINS nos períodos de apuração 03/2001, 06/2001, 09/2001 e 12/2001, sendo exigida a contribuição de R$ 564.138,15, multa de ofício de R$ 423.103,59 e juros de mora de R$ 585.126,98, perfazendo o total de R$1.572.368,72. Igualmente, utilizandose dos mesmos elementos de prova, foi lavrado auto de infração de fls. 30 em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao PIS nos mesmos períodos de apuração, sendo exigida a contribuição de R$ 122.229,92, multa de ofício de R$ 91.672,42 e juros de mora de R$ 126.777,49, perfazendo o total de R$ 340.679,83. No Termo de Verificação Fiscal, o autuante esclarece que o contribuinte não incluiu na base de cálculo da Contribuição os valores referentes aos Juros sobre o Capital Próprio ( JCP) recebidos e contabilizados conforme Livro Diário. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação, alegando em síntese que: 1. Todos os supostos "fatos geradores" apurados no presente processo referemse ao ano de 2001, mais propriamente 16.03.2001, 13.06.2001, 14.09.2001 e 31.12.2001, estando, portanto, fulminados pela decadência conforme prescreve de forma textual o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, que estabelece o prazo de 5 (cinco) anos para o exercício do direito potestativo de lançar por parte da Fazenda Pública; 2. Nem se alegue que os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 teriam estabelecido o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições nela referidas, entre elas o PIS e a COFINS, uma vez que, como já pacificado no seio do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e, também, dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cabe apenas e tão só à Lei Complementar (CTN) dispor sobre prescrição e decadência em matéria fiscal; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000469/200823 Acórdão n.º 3201001.966 S3C2T1 Fl. 94 3 3. Esse entendimento veio a ser novamente reafirmado pelo Plenário, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 396.2663/ SC, no qual atuou como relator o Ministro Carlos Velloso, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 2004. Mais recentemente, merece realce a decisão do Ministro Marco Aurélio, que negou seguimento ao Recurso Extraordinário (RE) nº 552710 impetrado pela Fazenda Nacional contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.112/91; 4. Admitindose, por absurdo, que a preliminar de decadência acima exposta não venha a ser acolhida, mesmo assim, o lançamento não merece prosperar quanto ao mérito do direito em debate; 5. Com efeito, no ano de 2001 a Impugnante detinha participação acionária na Embraer S.A, participação essa equivalente a 20% do capital votante e de 10,4421% no capital total daquela empresa, submetendose assim à obrigatoriedade de adotar o registro contábil dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial para atender às normas emanadas da Lei nº 6.404/76; 6. Como é de ciência comum, esse método consiste, basicamente, em manter registrado no ativo da investidora o valor do investimento em percentual equivalente ao patrimônio da investida, refletindose, em contrapartida de resultado da investidora os acréscimos e decréscimos decorrentes de lucros ou prejuízos, respectivamente, apurados pela investida. Da adoção dessa metodologia decorre o assim denominado resultado positivo ou negativo de equivalência patrimonial, conforme o caso; 7. Nessas circunstâncias, os JCP recebidos, tal como ocorre com os dividendos, deverão ter na empresa investidora que tenha participação acionária sujeita ao método da equivalência patrimonial o tratamento contábil adequado, mediante o registro a crédito da conta de investimentos, em razão de terem sido anteriormente computados no resultado da investidora por ocasião da apuração do resultado da equivalência patrimonial; 8. O regime dispensado aos dividendos é caracterizado pela indedutibilidade do montante pago na pessoa jurídica que os distribui, pela não integração da respectiva quantia na base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no país ou no exterior, e pela não sujeição desses lucros ao imposto de fonte (Lei nº 9.249/95, art. 10); Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 9. Já os JCP são dedutíveis para a empresa que os distribui e estão sujeitos ao imposto de fonte, que será considerado antecipação do devido na declaração de ajuste anual do beneficiário, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; 10. Outra distinção importante reside no fato de que, ao seguir as determinações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os juros sobre o capital próprio não transitam pela conta de resultado, em razão do que o contribuinte deve fazer a respectiva adição ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real, como forma de compatibilizar os comandos emanados da legislação societária e os ditames da legislação fiscal; 11. Nada obstante as semelhanças e dessemelhanças antes resumidas, a forma de contabilização dos JCP é irrelevante juridicamente para o deslinde da presente controvérsia, porquanto não se pode transmudar algo que possui natureza jurídica de dividendos ou, na pior hipótese, de receita financeira, não compreendida no conceito de faturamento, portanto, em receita tributável para o efeito de compor a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS; 12. Basta recordar que, pela Lei nº 9.718/98, passou a ser considerada, para efeito de cálculo dessas contribuições, a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, dentre as quais, as receitas financeiras e as não operacionais (rendimentos de aplicações de renda fixa e ganhos líquidos de aplicações de renda variável, juros, descontos obtidos no pagamento de obrigações, variações monetárias ativas, aluguéis, e t c ); 13. O Supremo Tribunal Federal, entretanto, entendeu ser inconstitucional tal ampliação ou "alargamento" da base de cálculo dessas contribuições, dando ganho de causa aos contribuintes que ingressaram em juízo objetivando o recolhimento das referidas contribuições, a partir de fevereiro/99, somente sobre o seu faturamento, excluídas as demais receitas que não fossem provenientes da venda de mercadorias ou serviços; 14. É por isso que o artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, realmente redefiniu, de forma ilegal e inconstitucional, o conceito de faturamento no momento em que determinou que este correspondesse à receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente do tipo de atividade por ela exercida ou da denominação contábil que se atribuir à receita; 15. Nada obstante, ainda que receita financeira os juros sobre o capital próprio sejam, isto em nada altera a conclusão a que se chega pela não incidência das Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000469/200823 Acórdão n.º 3201001.966 S3C2T1 Fl. 95 5 contribuições do PIS/COFINS, visto como receita e faturamento, repitase, são conceitos inconfundíveis e, além disso, a instituição da cobrança das referidas contribuições sobre os JCP deuse por decreto (Decreto nº 5.164 de 30.07.2004), editado 3 anos após os fatos geradores em causa no presente processo, e não por lei formal como exige a nossa Constituição; 16. De fato, a instituição da cobrança do PIS/COFINS sobre os juros sobre o capital próprio deuse de forma sorrateira, por ato do Poder Executivo que, a pretexto de estabelecer alíquota zero para as receitas financeiras, excluiu, sem qualquer fundamento, os JCP desse "favor" fiscal, "criando" assim, nova hipótese de incidência, sem amparo na lei ou na Constituição Federal; 17. Nada obstante, sem embargo da discussão acerca da forma de instituição da cobrança do PIS/COFINS sobre os juros sobre o capital próprio, a verdade dos fatos é que não há base legal para o lançamento para o ano em causa (2001); 18. Dito de outro modo, até existe essa base legal, mas ela repousa em artigos de lei já declarados inconstitucionais pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, cuja aplicação deve ser, portanto, afastada pela Autoridade Administrativa, a quem incumbe o dever legal de guarda da Constituição e preservação do primado da legalidade; 19. Voltando ao cerne da questão em debate, quer se entenda que os JCP são dividendos, quer se pense que estes são receitas financeiras, as contribuições para o PIS/COFINS serão indevidas de qualquer forma, como se acaba de demonstrar. Salientandose, inclusive, que o próprio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários (REs) 357950, 390840, 358273 e 346084, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que havia ampliado a base de cálculo das contribuições sem previsão constitucional, pretendendo tributar o contribuinte sobre a totalidade das receitas auferidas, pouco importando o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas; 20. Por todo o exposto, tendo em vista o dever legal da Administração de rever atos contrários à Lei por ela praticados, requer a essa Delegacia de Julgamento que, acolhendo os argumentos ora apresentados, determine a desconstituição do lançamento, seja em razão da manifesta preclusão temporal (decadência) demonstrada ao início da Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 presente, seja ainda em função das razões de mérito expendidas. Junto com a petição impugnatória, o contribuinte carreou aos autos documentos de identidade, Procuração e Ata da Assembléia Geral Ordinária realizada em 25 de abril de 2006. Posteriormente, em 18/09/2008, a contribuinte carreou aos autos – fls. 148, aditamento à impugnação com novas alegações sobre a decadência do lançamento. A Delegacia de Julgamento julgou procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Após a publicação da Súmula Vinculante STF nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tratase de recurso de ofício de decisão que exonerou o crédito tributário, pela aplicação da Súmula Vinculante n. 8, decorrente de auto de infração para a cobrança de PIS, Cofins e consectários. cobrados de juros sobre capital próprio. Depreendese dos autos que a ciência da autuação deuse em 14/04/2008 (cf. fl.24 e 30), e os períodos de apuração referemse a 03/2001, 06/2001, 09/2001 e 12/2001, de maneira que todo o intervalo em referência já foi alcançado pela decadência. Observese que houve parte do recolhimento das contribuições ao PIS e a Cofins, sendo objeto da autuação, tão somente, a falta de inclusão na base de cálculo Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000469/200823 Acórdão n.º 3201001.966 S3C2T1 Fl. 96 7 das referidas contribuições dos valores referentes aos Juros sobre Capital Próprio (JCP), recebidos e contabilizados em seu Livro Diário, conforme descrito no Termo de Constatação e Verificação Fiscal. Assim, considerandose os ditames do art.150,§4o do CTN, que se aplicam às contribuições sociais, por força do entendimento veiculado pela Súmula Vinculante n. 8, é de se reconhecer o argumento da Recorrida, no sentido de que o período compreendido na autuação foi atingido pela decadência. O Pleno do Supremo Tribunal Federal reconheceu a decadência das contribuições sociais, nos Recursos Extraordinários 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641, com base nas regras do Código Tributário Nacional, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula Vinculante n° 8, in verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decreto lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Sobre os efeitos da súmula vinculante, o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, prescreve que terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 21/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 35464.002126/2006-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo (Presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 54 64 .0 02 12 6/ 20 06 -4 0 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002126/200640 Resolução nº 2402000.505 S2C4T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo — Sul / SP, fls. 0235 a 0243, que julgou procedente o lançamento, efetuado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001, nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. AUXÍLIO CRECHE E AUXÍLIO BABÁ. DECADÊNCIA. INCRA. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. Não integram o salário de contribuição, exclusivamente, as parcelas elencadas no § 9°, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, dentre elas o reembolso creche, desde que pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, e devidamente comprovadas as despesas realizadas. É de 10 (dez) anos o prazo para apuração e constituição do crédito previdenciário, na inteligência do art. 45 da Lei n° 8.212/91. São legítimas as contribuições destinadas a Entidades e Fundos Terceiros ( INCRA), inteligência do artigo 94 e parágrafo único da Lei n° 8.212/91. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa a inconstitucionalidade de lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 090 a 093, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos segurados empregados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo são oriundos de pagamentos de auxílios creche e babá, pagos em desconformidade com a legislação, devido a recorrente não ter apresentado à fiscalização documentação referente aos benefícios. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 28/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 095. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 098 a 0116, acompanhada de anexos, onde argumenta, em síntese, que: Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002126/200640 Resolução nº 2402000.505 S2C4T2 Fl. 4 3 1.Afirma que as contribuições previdenciárias são regidas pelo disposto no Artigo 150 do Código Tributário Nacional relativamente ao prazo de homologação de cinco anos, ou seja, a impugnante tem o dever legal de antecipar o pagamento das contribuições devidas, sem que haja um prévio exame da autoridade administrativa. Assim, eventuais inexatidões nos recolhimentos deveriam ser formalizados pelo AFPS, dentro do prazo previsto no artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional. Cita jurisprudência; 2.Logo, para a impugnante, os lançamentos ocorridos de 09/1995 a 11/2000 foram homologados tacitamente de setembro a novembro/2005, respectivamente; 3.Portanto, considera não ser cabível o lançamento fiscal deste período; 4.Aduz que a Lei 8.212/91 é ordinária, não podendo alterar o disposto no Código Tributário Nacional, por força do artigo 146, III da Constituição Federal que limita à lei complementar a instituição de normas gerais sobre legislação tributária, especificamente, entre outros, da decadência. Cita doutrina, jurisprudência e julgado da 43 CAJ do CRPS; 5.Quanto ao Auxílio Creche e Auxílio Babá, equivocase a autoridade fiscal ao pretender tributar tais verbas como integrantes do salário de contribuição, uma vez que estas têm caráter iminentemente indenizatório; 6.Interpreta o artigo 195, l da Constituição Federal afirmando que as contribuições dos empregadores incidem apenas sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro, sendo inconstitucional a tributação dessas verbas; 7.Afirma que as verbas indenizatórias não são vinculadas ao salário e não se destinam à contraprestação de serviços, pois visam, tão somente, o reembolso de despesas ou a reparação de dano; 8.Ressalta que tais verbas são eventuais e jamais devem ser consideradas de natureza salarial. Cita Parecer 384/71 da Consultoria Jurídica do Instituto Nacional do Seguro Social; 9.Alega que os pagamentos efetuados a título de AuxílioCreche e AuxílioBabá referemse a meros reembolsos de gastos efetuados pelo funcionários da impugnante, nos termos da Portaria do Ministério do Trabalho n° 3.296/86. Transcreve ainda, o parecer da Secretaria Executiva do Ministério do Trabalho e Emprego, de 24.02.1999; 10.Apresenta ainda, diversas decisões do Superior Tribunal de Justiça que ratificam o entendimento de se tratarem de verbas de caráter indenizatório de contribuição; 11.Em relação à Contribuição ao INCRA afirma ser improcedente sua cobrança, pois o STJ a vem rechaçando após o advento das Leis 7789/89 e 8212/91 e transcreve julgados a respeito; 12.Diante do exposto requer: o conhecimento da impugnação; a decretação da decadência do direito do Fisco efetuar lançamentos nos Fl. 552DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002126/200640 Resolução nº 2402000.505 S2C4T2 Fl. 5 4 meses de 09/1995 a novembro/2000; provimento à impugnação com a desconstituição do crédito tributário, tendo em vista não se tratar de pagamento com natureza salarial e, seja considerado indevido o montante apurado a título de contribuição ao INCRA. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0253 a 0274, acompanhado de anexos. No recurso, a recorrente alega, em síntese, que: 1. O prazo decadencial deve ser o determinado no Código Tributário Nacional (CTN); 2. Os auxílios citados têm caráter indenizatório; 3. A falta de apresentação de comprovantes e documentos não tem o condão ti descaracterizar a natureza indenizatória das verbas; 4. Face ao exposto, a recorrente postula o conhecimento do recurso e seu deferimento. Posteriormente, a DRP emitiu contrarazões, fls. 0287 a 0293, onde, em síntese, mantém a decisão proferida, enviando o processo ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Já no Conselho de Contribuintes, foi proferido o acórdão 230100.020, em 03/03/2009, que, em síntese, anulou o lançamento, pela fiscalização não ter fundamentado a utilização da aferição indireta. A nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) recorreu à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), para alterar a decisão. Em 08/05/2014, a CSRF proferiu o acórdão 9202003.228, que reformou a decisão a quo, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. No que tange ao recurso especial do contribuinte, que versa sobre a regra aplicável a decadência, não merece ser conhecido, uma vez que o acórdão recorrido não prolatou decisão acerca da decadência. Recurso especial do contribuinte não conhecido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE FORMAL NÃO DECLARADA. NÃO CONFIGURADO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002126/200640 Resolução nº 2402000.505 S2C4T2 Fl. 6 5 De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito prejuízo. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad. Para perfeito esclarecimento, segue trecho do voto: " No presente caso, o contribuinte sequer argüiu a nulidade do lançamento, o que nos faz inferir que este não se sentiu prejudicado em sua defesa ante a ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido. Tendo a nulidade por vício formal sido declarada de ofício pela câmara a quo. Destarte, não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito/prejuízo. Isto posto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE E CONHECER E DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para afastar a nulidade por vício formal declarada no acórdão recorrido, em decorrência da ausência de fundamentação legal do arbitramento, devendo o colegiado a quo apreciar as demais matérias pertinentes ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Conseqüentemente, pela decisão da CSRF, devemos analisar as demais questões constantes do recurso. É o relatório. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002126/200640 Resolução nº 2402000.505 S2C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Antes de analisarmos as questões do recurso, há dúvida que deve ser sanada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A aplicação de uma das regras, em detrimento da outra, depende da existência de recolhimentos, conforme súmula CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, pela ausência de informação nos autos sobre a existência de recolhimentos parciais, já que na época essa informação não era relevante, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização informe: 1. Houve recolhimentos, ainda que parciais, nas competências 04/1999 a 08/2000?; e 2. Conforme GFIP entregues pela recorrente, esses recolhimentos eram referentes a parte da empresa, empregados, SAT e Terceiros? Fl. 555DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35464.002126/200640 Resolução nº 2402000.505 S2C4T2 Fl. 8 7 Após a elaboração da informação a recorrente deve ter ciência da mesma e abertura de prazo de trinta dias para apresentação de seus argumentos, caso deseje. CONCLUSÃO: Resolvo converter o julgamento em diligência, para as providências acima. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16327.001409/2006-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RESULTADOS APURADOS A PARTIR DE 1996. IRPJ. Os lucros auferidos por meio de coligadas ou controladas no exterior, a partir do ano-calendário 1996, sujeitam-se à tributação no momento em que disponibilizados. Ausente prova da distribuição efetiva ou presumida dos lucros, o saldo de lucros acumulados até 2001 é considerado disponibilizado em 31/12/2002. Os lucros auferidos a partir ae 2002 são considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados.
RESULTADOS APURADOS A PARTIR DE 1999. CSLL. Somente os lucros auferidos a partir de 1 ° de outubro de 1999 sujeitam-se a incidência da CSLL no momento de sua disponibilização.
TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS . Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação a norma interna.CONVENÇÃO BRASIL-PORTUGAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. PREMISSAS PARA ANALISE DO CONFLITO NORMATIVO. O art. 74 da Me lida Provisória n° 2A58-35/2001 estabelece tributação sobre dividendos percebidos por beneficiários situados no pais mediante ficção de disponibilização (Ins resultados auferidos por inter médio de coligadas ou controladas no exterior. COMPATIBILIDADE COM O TRATADO INTERNACIONAL. O acordo firmado entre Brasil e Portugal autoriza a tributaça, de dividendos no Estado onde se situa o beneficiário dos rendimentos e somente proibe o pais onde se situa a fonte pagadora de tributar lucros não distribuídos. CRÉDITO INDIRETO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO EXIGIVEL OU PAGO. Sendo vedada a tributação de lucros não distribuídos no pais de origem, não há porque se cogitar de dedução de imposto de renda pago no exterior cm face de tributos devidos no Brasil por disponibilização ficta de lucros. TRIBUTAÇÃO SOBRE O RESULTADO ANTES DE DESCONTADOS OS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE O LUCRO. IMPROCEDÊNCIA. Se a incidência se dá sobre os lucros fictamente disponibilizados, a base de calculo está limitada ao montante passível de distribuição, já liquido dos tributos incidentes sobre o lucro no pais de origem.
CONVENÇÃO BRASIL-LUXEMBURGO PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. SEDE ANTERIOR NAS ILHAS CAYMAN. Os resultados apurados e considerados disponibilizados enquanto a empresa mantinha sede nas Ilhas Cayman não são afetados por acordo internacional firmado entre Brasil e Luxemburgo. RESULTADOS APURADOS E CONSIDERADOS DISPONIBILIZADOS EM LUXEMBURGO. HOLDING. A Convenção Brasil-Luxemburgo não se aplica As sociedades "holdings" residentes em Luxemburgo. ARGUMENTAÇÃO SUBSIDIARIA PARA INAPLICABILIDADE DA CONVENÇÃO BRASIL-LUXEMBURGO. PREMISSAS PARA ANALISE DO CONFLITO NORMATIVO. O art. 74 da Medida Provisória no 2.158-35/2001 estabelece tributação sobre dividendos percebidos por beneficiários situados no pais mediante ficção de disponibilização dos resultados auferidos por intermédio de coligadas ou controladas no exterior. COMPATIBILIDADE COM O TRATADO INTERNACIONAL. O acordo firmado entre Brasil e Luxemburgo autoriza a tributação de dividendos no Estado onde se situa o beneficiário dos rendimentos e somente proíbe o pais onde se situa a fonte pagadora de tributar lucros não distribuídos. CRÉDITO INDIRETO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO EXIGÍVEL OU PAGO. Sendo vedada a tributação de lucros não distribuídos no país de origem, não há porque se cogitar de dedução de imposto de renda pago no exterior em face de tributos devidos no Brasil por disponibilização ficta de lucros.
CONVERSÃO PARA REAIS - Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras cm que tenham sido apurados os correspondentes lucros pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas.
PREJUÍZOS E BASES DE CALCULO NEGATIVAS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Restabelecidos parcialmente o prejuízo e a base de cálculo negativa declarados, admite-se a compensação legitimada pelos novos valores apurados.
Numero da decisão: 1101-000.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mas com as seguintes ressalvas em relação ao relatório e voto que integram o presente julgado: 1) Por maioria de votos, admitir a prevalência de tratados sobre a legislação interna, no que divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 2) Por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento por ausência de referência aos tratados internacionais, no que divergiram os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Marcos Vinicius Banos Ottoni, e votaram pelas conclusões os Conselheiros José Ricardo da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; 3) Por voto de qualidade, admitir a tributação sobre os lucros disponibilizados e apurados em Portugal e Luxemburgo porque equivalentes a distribuição de dividendos, divergindo os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni, que consideraram a tributação incidente sobre lucros, e votando pelas conclusões o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; 4) Por unanimidade de votos, admitir a tributação sobre os lucros apurados até 31/12/2002 pela IEHL, quando situada nas Ilhas Cayman. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 5) Por unanimidade de votos manter a incidência da CSLL apenas sobre os lucros apurados nos balanços encerrados a partir de 01/10/1999; 6) Por voto de qualidade, cancelar as exigências sobre a base de cálculo R$ 11.491,08, no ano-calendário 2002, divergindo os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni, que entenderam a tributação incidente sobre lucros e não sobre dividendos; 7) Por maioria de votos, estabelecer a conversão dos lucros e prejuízos na data do balanço em que apurados, no que divergiram os Conselheiros José Ricardo da Silva e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Fará declaração de voto o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Fizeram sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Antonio Airton Ferreira (OAB/SP no 156.464) e, representando a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Procurador Dr. Moisés de Souza Carvalho Pereira.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, mas com as seguintes ressalvas em relação ao relatório e voto que integram o presente julgado: 1) Por maioria de votos, admitir a prevalência de tratados sobre a legislação interna, no que divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 2) Por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade do lançamento por ausência de referência aos tratados internacionais, no que divergiram os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Marcos Vinicius Banos Ottoni, e votaram pelas conclusões os Conselheiros José Ricardo da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; 3) Por voto de qualidade, admitir a tributação sobre os lucros disponibilizados e apurados em Portugal e Luxemburgo porque equivalentes a distribuição de dividendos, divergindo os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni, que consideraram a tributação incidente sobre lucros, e votando pelas conclusões o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; 4) Por unanimidade de votos, admitir a tributação sobre os lucros apurados até 31/12/2002 pela IEHL, quando situada nas Ilhas Cayman. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; 5) Por unanimidade de votos manter a incidência da CSLL apenas sobre os lucros apurados nos balanços encerrados a partir de 01/10/1999; 6) Por voto de qualidade, cancelar as exigências sobre a base de cálculo R$ 11.491,08, no ano-calendário 2002, divergindo os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni, que entenderam a tributação incidente sobre lucros e não sobre dividendos; 7) Por maioria de votos, estabelecer a conversão dos lucros e prejuízos na data do balanço em que apurados, no que divergiram os Conselheiros José Ricardo da Silva e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Fará declaração de voto o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Fizeram sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Antonio Airton Ferreira (OAB/SP no 156.464) e, representando a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Procurador Dr. Moisés de Souza Carvalho Pereira.
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. RESULTADOS APURADOS A PARTIR DE 1996. IRPJ. Os lucros auferidos por meio de coligadas ou controladas no exterior, a partir do ano-calendário 1996, sujeitam-se à tributação no momento em que disponibilizados. Ausente prova da distribuição efetiva ou presumida dos lucros, o saldo de lucros acumulados até 2001 é considerado disponibilizado em 31/12/2002. Os lucros auferidos a partir ae 2002 são considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados. RESULTADOS APURADOS A PARTIR DE 1999. CSLL. Somente os lucros auferidos a partir de 1 ° de outubro de 1999 sujeitam-se a incidência da CSLL no momento de sua disponibilização. TRATADOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS . Não obstante o STF tenha se posicionado no sentido de inexistência de primazia hierárquica do tratado internacional, em se tratando de Direito Tributário a prevalência da norma internacional decorre de sua condição de lei especial em relação a norma interna.CONVENÇÃO BRASIL-PORTUGAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. PREMISSAS PARA ANALISE DO CONFLITO NORMATIVO. O art. 74 da Me lida Provisória n° 2A58-35/2001 estabelece tributação sobre dividendos percebidos por beneficiários situados no pais mediante ficção de disponibilização (Ins resultados auferidos por inter médio de coligadas ou controladas no exterior. COMPATIBILIDADE COM O TRATADO INTERNACIONAL. O acordo firmado entre Brasil e Portugal autoriza a tributaça, de dividendos no Estado onde se situa o beneficiário dos rendimentos e somente proibe o pais onde se situa a fonte pagadora de tributar lucros não distribuídos. CRÉDITO INDIRETO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO EXIGIVEL OU PAGO. Sendo vedada a tributação de lucros não distribuídos no pais de origem, não há porque se cogitar de dedução de imposto de renda pago no exterior cm face de tributos devidos no Brasil por disponibilização ficta de lucros. TRIBUTAÇÃO SOBRE O RESULTADO ANTES DE DESCONTADOS OS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE O LUCRO. IMPROCEDÊNCIA. Se a incidência se dá sobre os lucros fictamente disponibilizados, a base de calculo está limitada ao montante passível de distribuição, já liquido dos tributos incidentes sobre o lucro no pais de origem. CONVENÇÃO BRASIL-LUXEMBURGO PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. SEDE ANTERIOR NAS ILHAS CAYMAN. Os resultados apurados e considerados disponibilizados enquanto a empresa mantinha sede nas Ilhas Cayman não são afetados por acordo internacional firmado entre Brasil e Luxemburgo. RESULTADOS APURADOS E CONSIDERADOS DISPONIBILIZADOS EM LUXEMBURGO. HOLDING. A Convenção Brasil-Luxemburgo não se aplica As sociedades "holdings" residentes em Luxemburgo. ARGUMENTAÇÃO SUBSIDIARIA PARA INAPLICABILIDADE DA CONVENÇÃO BRASIL-LUXEMBURGO. PREMISSAS PARA ANALISE DO CONFLITO NORMATIVO. O art. 74 da Medida Provisória no 2.158-35/2001 estabelece tributação sobre dividendos percebidos por beneficiários situados no pais mediante ficção de disponibilização dos resultados auferidos por intermédio de coligadas ou controladas no exterior. COMPATIBILIDADE COM O TRATADO INTERNACIONAL. O acordo firmado entre Brasil e Luxemburgo autoriza a tributação de dividendos no Estado onde se situa o beneficiário dos rendimentos e somente proíbe o pais onde se situa a fonte pagadora de tributar lucros não distribuídos. CRÉDITO INDIRETO. INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO EXIGÍVEL OU PAGO. Sendo vedada a tributação de lucros não distribuídos no país de origem, não há porque se cogitar de dedução de imposto de renda pago no exterior em face de tributos devidos no Brasil por disponibilização ficta de lucros. CONVERSÃO PARA REAIS - Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras cm que tenham sido apurados os correspondentes lucros pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas. PREJUÍZOS E BASES DE CALCULO NEGATIVAS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Restabelecidos parcialmente o prejuízo e a base de cálculo negativa declarados, admite-se a compensação legitimada pelos novos valores apurados.
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000323/2005-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004
COFINS. DIREITOS E OBRIGAÇÕES. TAXA DE CÂMBIO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. ART. 9o DA LEI N. 9.718/1998.
As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
COMPENSAÇÃO. REQUISITO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
É requisito necessário à compensação a comprovação, pelo postulante, da certeza e da liquidez do crédito utilizado.
Numero da decisão: 3401-003.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 COFINS. DIREITOS E OBRIGAÇÕES. TAXA DE CÂMBIO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. ART. 9o DA LEI N. 9.718/1998. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. É requisito necessário à compensação a comprovação, pelo postulante, da certeza e da liquidez do crédito utilizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. É requisito necessário à compensação a comprovação, pelo postulante, da certeza e da liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 03 23 /2 00 5- 06 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 COFINS. DIREITOS E OBRIGAÇÕES. TAXA DE CÂMBIO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. ART. 9o DA LEI N. 9.718/1998. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Declarações de Compensação apresentadas em formulário (fls. 2 a 90)1, referentes a crédito relativo à COFINS, apurado nos meses de março a dezembro de 2004, no valor total de R$ 6.175.765,64, com débitos referentes à própria contribuição, dos mesmos períodos de apuração. No Parecer Conclusivo de fls. 181 a 184, que embasa o Despacho Decisório (DD) proferido em 14/05/2009 (fl. 185), informase que do exame dos pedidos e da DIPJ e dos DACON percebese que se trata de crédito oriundo de retenções sofridas por ocasião do recebimento de receitas por prestação de serviços a órgão público, matéria disciplinada no art. 64, § 3o da Lei no 9.430/1996, que considera as retenções na fonte como antecipação do devido por quem sofreu a retenção, não podendo ser consideradas como crédito passível de restituição ou compensação, mas como dedução do montante devido a mesmo título ao final do período de apuração. A possibilidade de restituição/compensação surge apenas com o art. 5o da Medida Provisória no 413/2008, convertida na Lei no 11.727/2008. Como as Declarações de Compensação foram apresentadas antes da vigência de tais normas, os valores retidos não eram passíveis de restituição, devendo as compensações serem consideradas como não declaradas, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 691DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10768.000323/200506 Acórdão n.º 3401003.088 S3C4T1 Fl. 691 3 conforme estabelece o inciso VIII do § 3o do art. 26 c/c o inciso I do art. 31 da Instrução Normativa SRF no 460/2004, vigente à época. Entretanto, devem ser reconhecidas as deduções, conforme demonstrativo de fl. 183, destacandose que não cabe manifestação de inconformidade, por força do art. 66, § 8o da Instrução Normativa SRF no 900/2008 e art. 74, § 16 da Lei no 9.430/1996. Após ciência à empresa (cf. AR de fl. 192), os débitos são inscritos em Dívida Ativa (cf. termo de fls. 206 a 208). Por força de decisão judicial (antecipação dos efeitos da tutela recursal para que a manifestação de inconformidade apresentada no presente processo administrativo seja analisada pela DRJ), o delegado de julgamento envia o ofício de fl. 217 à PGFN, pedindo remessa dos autos à RFB, e cancelamento da inscrição em Dívida Ativa. No entanto, na sentença judicial, a segurança foi denegada (fls. 254 e 255), retornando o processo à PGFN. Tendo a apelação no MS no 2009.51.01.02349752006 sido recebida no duplo efeito, com antecipação dos efeitos da tutela recursal, pelo TRF2 (fls. 219 a XX), a inscrição em Dívida Ativa foi alterada, retornando os autos à RFB, para que a DRJ apreciasse a manifestação de inconformidade apresentada. Na Manifestação de Inconformidade (fls. 3 a 35 do processo apensado, de no 15374.002460/200948), a empresa alega que: (a) emite notas fiscais referentes a serviços de estudos a clientes, como a Petrobrás, que retém os tributos (Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS), desobrigando a empresa em relação às parcelas retidas; (b) nas declarações de compensação a empresa buscava compensar os valores retidos na fonte com seus débitos; (c) não há disposição legal que considere as compensações como não declaradas, nem vedação às compensações; (d) a manifestação de inconformidade deve ser analisada; e (e) não se pode admitir a cobrança de tributo indevido decorrente de erro manifesto na prestação de informações ao fisco (opção por declarações de compensação ao invés de compensação escritural), devendo ser aceita retificação da compensação. E, na sequência, detalha, para os meses de março a dezembro, a composição do faturamento.2 Na decisão de primeira instância, proferida em 26/01/2012 (fls. 412 a 447), a DRJ não conheceu dos argumentos relativos à admissibilidade da manifestação e das alegações de falta de amparo legal para que fossem consideradas não declaradas as compensações, diante da unidade de jurisdição, por estarem ambas as matéria submetidas ao crivo do Poder Judiciário, e, em relação à inexistência de saldo devedor nos meses de março, maio, agosto e dezembro, reconheceu a parcial procedência da manifestação de inconformidade, conforme tabela de fl. 447. A seguir, as considerações da DRJ individualizadas por mês: Mês MI Composição da base de cálculo DRJ Decisão de piso Março Emissão de duas notas fiscais (no 251 e 252 Petrobrás). Apuração cumulativa (art. 10, XI da Lei n. 10.833/2003). Quitação com retenções. Comprovada a retenção, há inexistência de saldo devedor. Reconhecida a parcela referente ao regime cumulativo na composição da base de cálculo. Abril Não foram emitidas notas fiscais, motivo pelo qual não há faturamento. Em abril foi emitida a nota fiscal no 253, informada pelo contribuinte em DACON e DIPJ. Deve ser mantido o DD. 2 A tabela com o detalhamento das razões será aqui didaticamente reproduzida em quadro contendo também as observações da DRJ, para que já se insira o que decidiu aquele órgão julgador em relação a cada mês. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Maio Emissão de duas notas fiscais (no 254 e 255 Petrobrás), pagas somente em 21/06/2004 e 17/06/2004, respectivamente (apuração cumulativa). Assim, as retenções não foram utilizadas para abater débitos de maio. Quitação com DCOMP de final 5620, restando crédito. Reconhecida a parcela referente ao regime cumulativo na composição da base de cálculo. A compensação informada (conforme o SIEF) já foi concluída. Deve ser mantido o DD, deduzindo o valor extinto pela DCOMP de final 5620. Junho Emissão da nota fiscal no 256 (Petrobrás) cumulatividade. Compensação com créditos de retenções de meses anteriores. Reconhecida a parcela referente ao regime cumulativo na composição da base de cálculo. Deve ser mantido o DD, deduzindose a parcela reconhecida. Julho Emissão de três notas fiscais (no 257, 258 e 259 Petrobrás), pagas em 29/07/2004 (apuração cumulativa). Compensação com créditos de retenções do próprio mês. Reconhecida em parte a parcela referente ao regime cumulativo na composição da base de cálculo, exceto em relação a contrato não comprovado. Deve ser mantido o DD, deduzindose o valor retido, e considerando saldo e contrato aceito. Agosto Emissão de duas notas fiscais (no 260 e 261 Petrobrás), com valor reduzido em decorrência de variações cambiais no pagamento de faturas escrituradas na DACON como vendas canceladas. Apuração não cumulativa. Quitação com créditos da não cumulatividade, retenções e DCOMP de final 5620 (saldo). As informações prestadas na MI divergem das declaradas na DCOMP. Não constam vendas canceladas nem na DACON nem na DIPJ, não havendo prova sobre a alegação nos autos. E as despesas financeiras em função de variação cambial não se enquadram nas hipóteses de dedução da base de cálculo. Há ainda outras alegações não comprovadas, como a referente a créditos da não cumulatividade. Deve ser mantido parcialmente o DD. Setembro Emissão de cinco notas fiscais (no 262 BPBrasil, e no 263 a 266 Petrobrás), com valor reduzido em decorrência de variações cambiais no pagamento de faturas tidas como vendas canceladas. As notas no 262 e 263 eram de contratos anteriores a out/2003 apuração cumulativa. Quitação com créditos da não cumulatividade (parcela), retenções, DCOMP de final 5620 (saldo) e DARF. Idem, acrescentandose que houve reconhecimento da parcela referente ao regime cumulativo na composição da base de cálculo. Outubro Emissão de cinco notas fiscais (no 267, 270 e 271 BPBrasil, e no 268 e 269 Petrobrás). As notas no 268 e 269 eram de contratos anteriores a out/2003 apuração cumulativa. Quitação com créditos da não cumulatividade (parcela), retenções e DCOMP de final 5620 (saldo). Deve ser considerado o valor retido, e também a DCOMP de final 5620 (saldo), assim como a parcela referente ao regime cumulativo na composição da base de cálculo, cabendo as mesmas observações já externadas sobre a fundamentação referente a divergências nas declarações e a carência probatória. Novembro Emissão de três notas fiscais (no 273, 274 e 275 Petrobrás), pagas em 29/07/2004 (apuração cumulativa), com valor reduzido em decorrência de variações cambiais no pagamento de faturas tidas como vendas canceladas. Apuração não cumulativa. Quitação com créditos da não cumulatividade (parcela), retenções e DCOMP de final 5620 (saldo). Manutenção parcial da cobrança, considerando a alegação sobre a inexistência de valor retido, e compensações, mas reconhecendo a carência probatória em relação a créditos da não cumulatividade e vendas canceladas. Dezembro Emissão de sete notas fiscais (no 280 BPBrasil, e no 276 a 279, 281 e 282 Manutenção parcial da cobrança, considerando a existência de valor retido e a DCOMP. Há Fl. 693DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10768.000323/200506 Acórdão n.º 3401003.088 S3C4T1 Fl. 692 5 Petrobrás), com valor reduzido em decorrência de variações cambiais no pagamento de faturas. Apuração não cumulativa. Quitação com créditos da não cumulatividade (parcela), retenções e DCOMP de final 5620 (saldo). carência probatória em relação a créditos da não cumulatividade e vendas canceladas. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 462) em 16/06/2012, apresentase o recurso voluntário de fls. 465 a 485 (em 17/07/2012), no qual se argumenta que: (a) há impossibilidade de se entender a variação cambial como despesa financeira no presente caso (oscilação da taxa de câmbio entre a emissão da nota fiscal e sua efetiva quitação), tendo a DRJ tratado o assunto como se a variação cambial fosse decorrente de investimento em moeda estrangeira; e (b) há clara existência dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, v.g., para energia elétrica, devendo o processo ser baixado em diligência para que o contribuinte possa comprovar os créditos com documentação hábil. Sobre as bases de cálculo mensais, questiona os meses de julho (mormente em relação ao contrato não comprovado), agosto, setembro, novembro e dezembro (pelas razões descritas nas letras "a" e "b" deste parágrafo), e outubro (pelas razões expressas na letra "b" deste parágrafo). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado é tempestivo. Os demais requisitos de admissibilidade restam atendidos apenas em função da existência de decisão judicial (nos autos do Mandado de Segurança no 2009.51.01.0234975) determinando a apreciação da manifestação de inconformidade, como destacado na decisão de piso (fl. 413): "Cientifiquese a Interessada, mediante entrega de cópia do presente Acórdão, de que deverá recolher o crédito tributário, bem como os acréscimos legais pertinentes, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência, ressalvandolhe o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, em cumprimento à decisão proferida, em 22/02/2010, no Agravo de Instrumento nº 2009.02.01.0186840 interposto pela Interessada contra decisão do MM. Juiz da 23ª VF/RJ, nos autos do processo Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0234975." (grifo nosso) Verificandose o andamento da referida ação judicial no sítio web do TRF2, percebese que estão os autos com conclusão para despacho no gabinete da Dra. Lana Maria Fontes Regueira desde 13/12/2012. Assim, reiteramse as considerações expressas no Fl. 694DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 julgamento de piso sobre unidade de jurisdição e impossibilidade de análise por este colegiado administrativo das questões levadas ao Poder Judiciário (no caso, as discussões sobre admissibilidade da peça recursal e falta de amparo legal para considerar as compensações como não declaradas). Ademais, neste CARF a matéria é inclusive plasmada na primeira súmula do tribunal administrativo: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Passase, então, aqui, a analisar o restante das argumentações de defesa, que se concentra em duas teses, que impactam, conjunta ou isoladamente, a constituição da base de cálculo da contribuição ao longo dos meses de março a dezembro de 2004: (a) da clara existência de créditos da COFINS; e (b) da impossibilidade de se entender a variação cambial como despesa financeira. Cabe, ainda, ao final, análise sobre parcela dos créditos decorrente de contratação (no 198.2.003036) para a qual não se comprovou a celebração em data anterior a 31/10/2003, para enquadramento na disposição do art. 10, XI da Lei no 10.833/2003. Da existência de créditos da não cumulatividade É de se recordar, já de início, que as DCOMP foram registradas alegando créditos referentes a retenções na fonte relativas a contratos com entes públicos. No entanto, a empresa, em sua manifestação de inconformidade, por diversas vezes, admite ter cometido erros no pedido e no registro das informações, demandando em nome da verdade material que fossem analisados não conforme solicitou, mas considerando também saldos e créditos decorrentes da não cumulatividade (créditos básicos). Contudo, não apresenta qualquer prova de que efetivamente se enquadra nas situações que ensejam a tomada de tais créditos. A DRJ, tomando em conta as argumentações de existência de erros nos pedidos da empresa, passa a analisar, também em nome da verdade material, a existência de tais créditos, chegando à conclusão de que as alegações se encontram desprovidas de prova e de que caberia à empresa apresentar a prova de seu crédito no momento da impugnação/manifestação de inconformidade, conforme arts. 15 e 16 do Decreto no 70.235/1972. Em seu recurso voluntário, a empresa, novamente, ao invés de fazer prova da existência dos créditos, limitase a alegar (fl. 475) que: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10768.000323/200506 Acórdão n.º 3401003.088 S3C4T1 Fl. 693 7 Olvidase, no entanto, a empresa, de seu ônus probatório, buscando genericamente informar que todas as empresas incorrem ao menos em despesas com energia elétrica e aluguéis, para concluir que teria direito ao menos parcial ao crédito, devendo o fisco abrir, nesta etapa (final) do processo administrativo, em nome da verdade material, a possibilidade de que a contribuinte venha a trazer (em oportunidade posterior) ao processo documentos que já podia ter trazido desde o pedido de compensação. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 3 E faltou com seu dever duplamente a recorrente: primeiro, pela inconsistência entre suas próprias declarações e pedidos, e segundo, pela ausência de apresentação de documentos comprobatórios do crédito, desde a etapa inicial do processo. Reiterese que o ônus probatório em processos desta natureza (DCOMP) é da postulante ao crédito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF: 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. Não se pode em nome da verdade material promover uma dilação probatória ad infinitum, com conversões em diligência ou demandas de perícia para que a recorrente apresente detalhamentos ou documentos que já deveria ter apresentado desde o início do processo. Daí a importância do disposto no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Assim, incabível a solicitação de diligência para que a própria recorrente junte ao processo provas que já poderia ter juntado desde o início do contencioso. É requisito necessário à compensação a comprovação, pelo postulante, da certeza e da liquidez do crédito utilizado. Não havendo tal prova, resta desatendido o art. 170 do CTN, sendo incabível a compensação. Nesse tópico, portanto, deve ser negado provimento ao recurso voluntário interposto. Da variação cambial Também em relação à variação cambial ocorre equívoco no pedido. Na manifestação de inconformidade alega a empresa que o crédito se refere a "variações cambiais no pagamento de faturas escrituradas na DACON como vendas canceladas" ou "tidas como vendas canceladas". A DRJ verifica que, além de não haver registro ou comprovação de vendas canceladas, a variação cambial, no caso, constitui uma despesa financeira (fl. 432): "82. Primeiramente, cabe registrar que, ao contrário do alegado, não consta do DACON (fl. 170 VOL.I) qualquer Fl. 697DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10768.000323/200506 Acórdão n.º 3401003.088 S3C4T1 Fl. 694 9 informação sobre a existência de vendas canceladas nesse período. Tal informação também não consta da DIPJ (fl. 128 VOL.I). 83. Não foi anexada aos autos documentação que pudesse comprovar a existência de vendas canceladas nesse valor. O único documento trazido foi a cópia de email (fl. 110 VOL.II proc. apens.) por meio do qual a Petrobrás comunica a CGG do Brasil Participações Ltda. que, em conformidade com o item “7.5” do contrato nº 198.2.004.039 estaria providenciando Nota de Débito no valor de R$ 57.320,16 referente à variação da taxa cambial da emissão do BM2 e a taxa cambial do pagamento. A Nota de Débito mencionada deve ser a ND 257, informada na planilha que acompanhou a DCOMP (fl. 50, VOL.I). 84. Da leitura do referido email, inferese que, por cláusula contratual, a diferença apurada entre o valor pago com base na conversão efetuada na data da emissão do Boletim de Medição e o valor devido pela conversão efetuada na data do pagamento, deveria ser complementada pela Petrobrás ou debitada da empresa contratada, conforme o caso. No caso em análise, a diferença de R$ 57.320,16 deveria ser debitada da empresa, por ser a taxa cambial do dia do pagamento menor que a taxa cambial da emissão do Boletim de Medição. 85. Como pode ser observado, o caso em análise não trata de venda cancelada, já que o serviço foi executado e pago conforme instrumento contratual (fl. 99, VOL.II, proc. apens.), ou seja, não houve cancelamento do serviço contratado. O que se tem nesse caso é uma despesa financeira em função da variação da taxa de câmbio, a qual não se incluí dentre as hipóteses de dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins." (grifo nosso) E, no recurso voluntário, já não fala mais a recorrente em "venda cancelada" na sua argumentação, mas simplesmente em "variação cambial", defendendo que não constitui, no caso, uma despesa financeira, pois não se está a tratar de investimentos em moeda estrangeira, mas de ajuste no preço contratado. No entanto, quando junta jurisprudência para corroborar sua tese, o único julgado com ementa transcrita versa sobre "devoluções e vendas canceladas", e em nenhum momento menciona "variação cambial". E a recorrente continua a não fazer prova específica individualizada dos referidos "ajustes" de preço. O que se percebe é uma mutação constante do pedido espelhado inicialmente em DCOMP como "crédito decorrente de retenções na fonte" ao longo do presente contencioso. Já não se está a julgar aquela solicitação, mas outra(s) nascidas no contencioso, após a recorrente reconhecer equívocos no pedido, em DACON, em DIPJ, entre outros. Não se vê presentes neste processo, mesmo com as explicações prestadas em sede de recurso voluntário, a liquidez e a certeza dos créditos, demandadas pelo art. 170 do CTN, para que se possa acatar as compensações. Ademais, como conclui a DRJ, e determina o art. 9o da Lei no 9.718/1998: "as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função Fl. 698DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação (...) da contribuição PIS/PASEP (...), como receitas ou despesas financeiras (...)". Não há, assim, como se opor ao comando legal neste tribunal administrativo, em função da Súmula CARF no 2. Assim, tanto pela ausência de comprovação quanto pela expressa disposição legal, devese negar provimento ao recurso voluntário neste item. Da comprovação de contratação em data anterior a 31/10/2003 Alega a recorrente que nas contratações anteriores a 31/10/2003, aplicase o disposto no art. 10, XI da Lei no 10.833/2003, referente à cumulatividade. E tal argumentação foi acatada pela DRJ. Contudo, especificamente em relação ao contrato de no 198.2.003036, analisado no período de julho de 2004, entendeu a DRJ não haver nos autos comprovação da celebração em data anterior a 31/10/2003. Nas palavras do julgador de piso (fls. 429/430): "64. Conforme já visto, anteriormente, na análise referente ao mês de maio, o contrato nº 198.2.004.039 foi firmado antes de 31/10/2003, estando a Cofins incidente sobre as receitas auferidas em função deste contrato sujeita à apuração pelo regime de incidência cumulativa, na forma prevista no artigo 10, inciso XI, da Lei nº 10.833/2003. 65. No que se refere ao contrato nº 198.2.003.036, não foi trazido aos autos documentos que comprovem ter sido este firmado antes de 31/10/2003. Tanto a nota fiscal nº 259 quanto o Relatório de Medição referente ao serviço prestado (fl. 103, VOL.II do proc. apens.) não contém informação sobre a data em que foi firmado o contrato, nem a data na qual foi iniciada a prestação de serviço contratada. 66. No caso em tela, verificase que se encontra desprovida de prova a alegação efetuada pela Impugnante de que o contrato nº 198.2.003.036 teria sido firmado antes de 31/10/2003. De acordo com o disposto no Decreto nº 70.235/72, artigos 15 e 16, caberia à Impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos necessários a sua comprovação. (...)" (grifo nosso) De forma diversa ao que fez nas demais situações constantes no processo para as quais operou insuficiência probatória, aqui a empresa, em seu recurso voluntário, trouxe (fl. 476) informação de que o contrato foi celebrado em 28/05/2003, trazendo como "Doc. 7" às fls. 599 a 630, cópia do referido contrato, de no 198.2.003036, de modo a atestar suas alegações. Transcrevese a seguir excerto do contrato, pertinente à apreciação do tema: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10768.000323/200506 Acórdão n.º 3401003.088 S3C4T1 Fl. 695 11 (...) Assim, não há óbice a que se acate em tal contrato a aplicação do disposto no art. 10, XI da Lei no 10.833/2003, no presente processo. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer os créditos decorrentes da aplicação do art. 10, XI da Lei no 10.833/2003 ao contrato de no 198.2.003036. Rosaldo Trevisan Fl. 700DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13971.002169/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Valdete Aparecida Marinheiro - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. Antonio Carlos Atulim Presidente Valdete Aparecida Marinheiro - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Valdete Aparecida Marinheiro Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em nome da empresa Recorrente, em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para a COFINS, referente ao período de agosto de 1997, com o lançamento da contribuição, da multa de ofício e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 02 16 9/ 20 02 -3 9 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINH EIRO Processo nº 13971.002169/200239 Resolução nº 3402000.723 S3C4T2 Fl. 4 2 Conforme consta do competente Termo de Verificação de Infração Fiscal, o procedimento fiscal iniciouse para averiguar pedidos de ressarcimento do IPI através do processo nº 13.971.000193/9713 ainda não definitivamente julgado até o julgamento da impugnação desse processo. A 4ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0732.984, referente a sessão de julgamento ocorrida em 09 de outubro de 2013, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte à impugnação, mantendo o crédito tributário referente a agosto de 1997. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMETO DA SEGURIDADE SOCIAL Anocalendário 1997 LANÇAMENTO. REVISÃO DCTF. DÉBITO COMPENSADO. CANCELAMENTO. DÉBITO NÃO COMPENSADO. LANÇAMENTO. Devese cancelar somente o lançamento, decorrente de revisão interna de DCTF, quando comprovada a extinção do crédito tributário por compensação em data anterior à lavratura do auto de infração. Não comprovada a compensação com crédito líquido e certo, o lançamento deve ser mantido em razão de que o pedido de compensação foi apresentado antes do advento da legislação que determinou que sua não homologação configura confissão de dívida (MP 135/2003). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente interpôs o seu recurso voluntário, requerendo o efeito suspensivo da não homologação/confirmação da compensação levada a efeito com o crédito pleiteado no Pedido de Ressarcimento nº 13971.000193/9713, ainda em reconhecida tramitação perante o CARF, determinando o sobrestamento deste até o julgamento definitivo daquele processo, por ser medida de direito e de JUSTIÇA. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Segundo consta nos autos, tratamse de Auto de Infração resultante do processo de ressarcimento do IPI nº 13971000193/9713 que pretendeu ser compensado com o débito de COFINS de agosto de 1997 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINH EIRO Processo nº 13971.002169/200239 Resolução nº 3402000.723 S3C4T2 Fl. 5 3 Assim, diante da questão prejudicial, o presente julgamento do lançamento de ofício derivado da negativa a pleito de compensação, por dependerem da solução que a final venha se dar no julgamento do direito creditório, não pode ser levado a termo senão após a solução dada ao direito creditório controvertido. Também, de fato, nos termos do artigo 265, inciso IV, do Código de Processo Civil (CPC), é preciso suspender por diligência o processo quando a sentença de mérito “depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência do objeto principal de outro processo pendente”. Isto posto, converto o presente julgamento em diligência, com retorno dos autos a sua origem, para aguardar o resultado definitivo do processo acima identificado referente ao período de apuração, ou seja, agosto de 1997, anexandoo aos presentes autos cópia da decisão definitiva do processo acima referido. Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 18 /12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por VALDETE APARECIDA MARINH EIRO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000697/2004-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS. POSSIBILIDADE.
É possível a compensação de créditos tributários ante o reconhecimento da existência de saldos negativos por decisão deste Conselho, devidamente confirmada pela delegacia de jurisdição do contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
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DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE SALDOS NEGATIVOS. POSSIBILIDADE. É possível a compensação de créditos tributários ante o reconhecimento da existência de saldos negativos por decisão deste Conselho, devidamente confirmada pela delegacia de jurisdição do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 06 97 /2 00 4- 83 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.000697/200483 Acórdão n.º 1201001.220 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de processo de compensação que havia sido sobrestado mediante Resolução n. 1202000.161, da 2a Turma desta Câmara, até que ocorresse o julgamento definitivo do processo n. 19647.013200/200497. Como os fatos e a matéria jurídica já foram relatados naquela Resolução, peço vênia para reproduzir os seus principais trechos: Tratase de PER/DCOMP apresentada em 26/01/2004 (fls. 01/02), em que o contribuinte pretende compensar débitos tributários com a utilização de crédito apurado no ano calendário de 2001, exercício de 2002. A DRF/RecifePE não homologou a compensação pretendida, pelas razões expostas no “Termo de Informação Fiscal” (fl. 67), a seguir transcrito: O processo em questão foi encaminhado ao SEFIS/DRFRecife para análise dos créditos do contribuinte, haja vista procedimento de fiscalização que se encontrava em andamento na empresa. Na forma do Relatório de Informação Fiscal de fls. 66, o SEFIS/DRFRecife informa que os créditos em questão, alegados pelo contribuinte, relativos a pagamentos por estimativa e imposto retido na fonte, foram integralmente utilizados para compensar os débitos tributários objeto do auto de infração do mesmo tributo e anocalendário, no processo de nº 19647.013200/200497, do qual o contribuinte já foi intimado. Na manifestação de inconformidade (fls. 78/79), o contribuinte pede que seja deferido integralmente seu pedido de compensação, argumentando, em resumo, que: (i) a apresentação da PER/DCOMP é anterior à lavratura do auto de infração que deu origem ao processo administrativo nº 19647.013200/200497; (ii) à época em que declarada a compensação, efetivamente existia o crédito apontado pelo contribuinte, o qual somente em momento posterior foi utilizado para compensar os débitos tributários objeto do mencionado auto; (iii) está suspensa a exigibilidade do crédito tributário objeto do referido auto de infração, uma vez que pende de apreciação, pela autoridade administrativa competente, a impugnação apresentada pelo contribuinte; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.000697/200483 Acórdão n.º 1201001.220 S1C2T1 Fl. 4 3 (iv) antes de haver a constituição definitiva do crédito tributário objeto do auto de infração impugnado, não há que se falar em efetiva utilização do crédito para compensação de débitos tributários. A 3ª Turma de Julgamento da DRF/Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação, consignando que “na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização”. Cientificado dessa decisão em 23/05/2008 (cfe AR, fl.158), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário em 25/06/2008 (fls. 160/172), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação e acrescenta: “caso porém se entenda que as declarações de compensação só poderiam ser homologadas caso provido o recurso do Recorrente interposto nos autos do processo administrativo n° 19647.013200/200497, requer então seja sobrestado o julgamento do presente feito, ou suspensa a exigibilidade do crédito tributário”. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte no processo n. 19647.013200/200497 foi submetido à análise da 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que, através do Acórdão n.º 1201000.285, de 09/07/2010, deulhe provimento parcial e determinou à unidade de jurisdição que efetuasse os respectivos ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas do contribuinte (itens 2.5, 2.6, 3.1 e 3.2 do termo de verificação fiscal). A decisão transitou em julgado, conforme manifestação do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, exarada no Despacho n. 1201.000.094R, em 29/04/2013, que não admitiu, naquele processo, o Recurso Especial pleiteado pela Fazenda Nacional. Assim, os autos retornaram a este Conselho, após informação fiscal da Delegacia de Recife, para apreciação e julgamento das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como relatado, o crédito objeto de compensação nos autos dependia de decisão definitiva a ser prolatada no processo n. 19647.013200/200497, no qual se discutia Auto de Infração que havia recomposto o saldo negativo de IRPJ apurado pela interessada, de forma que, em princípio, não haveria créditos a compensar, nos termos do que foi destacado pela Resolução da 2a Turma: Fl. 442DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.000697/200483 Acórdão n.º 1201001.220 S1C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, vale observar que a autoridade fiscal, ao proceder ao lançamento relativo ao ano calendário de 2002, recompôs o lucro no respectivo período utilizando os valores relativos ao IRRF e os valores pagos por estimativa correspondentes ao mesmo período utilizado na apuração do saldo negativo informado na PER/DCOMP. O auto de infração formalizado no processo nº 19647.013200/200497 foi reduzido pela compensação do IRPJ pago por estimativa e do IRRF lançados nas DIPJ, nos anos calendários de 2001 e 2002, conforme Fichas 12A, linha 18 – Imposto de Renda a pagar, nos valores apurados de R$ (11.413.421,21) e R$ (11.924.782,29), respectivamente. Com a decisão definitiva daquele processo, os autos baixaram para a Delegacia de Recife, que jurisdiciona o contribuinte, para adequação da sua situação àquilo que fora decidido pelo CARF. Depois de tramitar pelos setores competentes, a autoridade responsável elaborou um Termo de Informação Fiscal, no qual indica a situação dos saldos negativos do contribuinte, a partir da seguinte cronologia: 1. A decisão proferida pela 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, conforme Acórdão nº 1201 000.285, nos autos do processo 19647.013.200/200497, tornouse definitiva na esfera administrativa, conforme decisão do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, exarada no Despacho n° 1201.000.094R, em 29/04/2013. 2. A Unidade de Origem (SEFIS/DRFREC) por meio da Informação Fiscal lavrada em 19/05/2014, promoveu a apuração do saldo a pagar dos tributos autuados no processo 19647.013.200/200497, bem como, promoveu os ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. 3. O sujeito passivo foi cientificado e apresentou manifestação em 17/06/2014. 4. Houve necessidade de retificação da Informação Fiscal, face a equívocos constatados pela Fiscalização, conforme Termo de Ciência lavrado em 30/06/2014. 5. O sujeito passivo foi novamente cientificado e apresentou manifestação em 17/07/2014. 6. Finalmente, em 05/09/2014 foi lavrada nova Informação Fiscal, por meio da qual a Fiscalização se pronunciou acerca da manifestação do contribuinte. 7. Diante do exposto, solicitase que seja juntada ao presente processo cópia integral da documentação acostada no processo 19647.013.200/200497, abaixo indicada, para fins de conhecimento e adoção das medidas cabíveis. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19647.000697/200483 Acórdão n.º 1201001.220 S1C2T1 Fl. 6 5 As compensações pleiteadas neste processo, no valor original de R$ 1.338.096,90, decorrem de créditos oriundos de saldos negativos do anocalendário de 2002, conforme indica a DCOMP de fls. 3/4. A Delegacia de Recife, ao aplicar a decisão proferida por este Conselho, reconheceu e convalidou a existência de saldos negativos para o período, conforme tabela a seguir: Exercício AC (Data Apuração) Acatado pela Fiscalização no TVF Utilizado para Compensar Infração neste Processo Saldo Disponível 2002 2001 (31/12/2001) 11.413.421,21 0,00 11.413.421,21 2003 2002 (31/08/2002) 11.924.782,29 0,00 11.924.782,29 Como o saldo negativo disponível em 2003, apurado pela DRF depois da recomposição, é suficiente para suprir as compensações efetuadas, entendo pertinente a pretensão da interessada. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DARLHE provimento, para homologar as compensações deste processo, até o limite do crédito reconhecido pela Delegacia de Recife, observadas, no que couber, as decisões proferidas nos processos n. 19647.003910/200671, 19647.003911/200615 e 19647.003912/200660. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 444DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000774/2005-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. MANUTENÇÃO.
A ausência de comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora autoriza a glosa do valor indevidamente compensado na declaração de ajuste anual do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. MANUTENÇÃO. A ausência de comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora autoriza a glosa do valor indevidamente compensado na declaração de ajuste anual do contribuinte. Recurso Voluntário Negado
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GLOSA. MANUTENÇÃO. A ausência de comprovação da retenção do imposto pela fonte pagadora autoriza a glosa do valor indevidamente compensado na declaração de ajuste anual do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 07 74 /2 00 5- 56 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10855.000774/200556 Acórdão n.º 2201002.797 S2C2T1 Fl. 162 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se apurou, após a revisão da declaração de ajuste anual do contribuinte, saldo de imposto a restituir no valor de R$ 51,85. Consta do “Demonstrativo das Infrações”, à fl. 8 deste processo digital, que houve dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. De acordo com a Autoridade lançadora, o contribuinte, “Intimado a comprovar a retenção na fonte de ação trabalhista de R$ 11.472,73, demonstrou somente R$ 10.104,81”. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/6 deste processo digital. O lançamento foi julgado procedente por intermédio do acórdão de fls. 64/66, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo, juntamente com a impugnação. RETENÇÃO DE IR. ONUS DA PROVA. O contribuinte possui o encargo probatório de demonstrar a efetiva retenção de imposto de renda, nos termos dos artigos 15 e 16, inciso III e § 4°, do Decreto n° 70.235/1972. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2008 (fl. 72), o Interessado interpôs, em 04/11/2008, o recurso de fls. 73/76, acompanhado dos documentos de fls. 77/156. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Ficou comprovado pelos documentos juntados à impugnação ao Auto de Infração que parte das verbas recebidas pelo ora Recorrente tinham caráter isento de tributação. A Certidão 36/2005, emitida pela Justiça do Trabalho, apresenta o seguinte texto: "De acordo com a sentença homologatória, do total de R$ 46.439,83, R$ 34.745,16 referese a titulo de principal, R$ 2.163,67 referese a titulo de desconto previdenciário e R$ 9.531,00 referese a titulo de desconto fiscal, valores devidos em 01/10/1999; sendo certo que a base de cálculo para o desconto fiscal foi de R$ 36.280,21". Base de calculo para o desconto fiscal é exatamente a parte da condenação que é tributável pelo Imposto de Renda. Logo, se deduz matematicamente que R$ 10.159,62 são verbas isentas e não tributáveis, como FGTS e multa de 40%, férias indenizadas, etc. O eminente julgador desconsiderou as verbas isentas. Quando recalculou todas as verbas na decisão ora atacada o fez com base na tributação sobre o total. Isso está Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10855.000774/200556 Acórdão n.º 2201002.797 S2C2T1 Fl. 163 3 errado. No julgamento da impugnação a Receita Federal tributou indevidamente verbas isentas assim definidas em sentença transitada em julgado. A Receita Federal considerou como rendimento bruto tributável o valor de R$ 56.027,64. Mas esse é o valor bruto, a soma das verbas tributáveis e das isentas. Isso está errado. Há que se deduzir do valor bruto recebido as verbas isentas e não tributáveis, que montam R$ 12.757,09, valor de 09/2001. Também não procedeu à dedução dos valores pagos à advogada contratada, que foi remunerada em R$ 4.391,97, deduzidos dos valores efetivamente recebidos pelo contribuinte. É de se lembrar também que o INSS recolhido deve ser deduzido do total para a elaboração da conta e que foram efetivamente recolhidos R$ 10.104,81 de imposto de renda. Ao final, elabora demonstrativo que, segundo ele, recompõe as bases de cálculo com os mesmos parâmetros utilizados na decisão recorrida, apenas corrigindo o erro de tributar verbas isentas, chegando a conclusão de que tem direito a uma restituição de R$ 2.831,05. De seguida, solicita a restituição do valor de imposto de renda pago a mais, devidamente corrigido nos termos da legislação vigente. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Oportuno delimitar, por primeiro, o objeto da controvérsia. Consoante se observa no “Demonstrativo das Infrações”, à fl. 8, o objeto do lançamento foi a “Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF”. O contribuinte compensou R$ 11.472,73 e a Autoridade lançadora entendeu que somente houve a comprovação de R$ 10.104,81. De conseguinte, glosou R$ 1.367,92 a título de IRRF. Após o início do procedimento fiscal, em 20/01/2005, um dia antes da lavratura do Auto de Infração, o Interessado enviou declaração retificadora, alterando os valores dos rendimentos tributáveis e do IRRF, relativamente à fonte pagadora Heublein do Brasil. Conforme “Notificação de NãoAceitação de Declaração Retificadora”, à fl. 106, a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB não acatou a retificação, por não ser admitida esta após o início do procedimento fiscal. O entendimento da RFB está em consonância com a Súmula CARF nº 33, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. Pois bem. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10855.000774/200556 Acórdão n.º 2201002.797 S2C2T1 Fl. 164 4 O contribuinte contestou o lançamento pleiteando a retificação da declaração de ajuste anual do anocalendário de 2001, nos termos descritos na peça impugnatória. O voto condutor da decisão recorrida, após delimitar com precisão o objeto da controvérsia, conclui que o sujeito passivo não havia logrado comprovar o IRRF no valor de R$ 11.902,74, valor este que fora pleiteado na impugnação e que difere do valor da declaração original (R$ 11.472,73) e da declaração retificadora não aceita (R$ 11.786,37). Considerou, então, como comprovado, o valor de R$ 10.104,81 a título de IRRF, com base no DARF apresentado pelo contribuinte (cópia à fl. 17). O valor de IRRF considerado na decisão de 1ª instância coincide com o valor considerado pela Autoridade lançadora. Mas ao invés de pararem por aí, uma vez que o objeto do lançamento era a glosa de IRRF, os membros da Delegacia de Julgamento pretenderam usurpar a competência da Autoridade lançadora mediante a feitura de novo lançamento. Confira: 8. Outrossim, se o contribuinte pretendia a retificação de sua declaração de rendimentos, em sede de impugnação, haveria de se reconstituir integralmente a base de cálculo. Ocorre que o contribuinte informou no campo de "rendimentos tributáveis" apenas o rendimento liquido recebido no bojo do processo trabalhista (R$ 40.923,43), ou seja, já descontado da contribuição previdenciária e do próprio IRRF. Como se sabe, os rendimentos tributáveis devem ser declarados pelo valor bruto, com exceção apenas do honorário advocatício (pois tal quantia não apresenta campo especifico dentre as deduções). 9. Do documento de fl. 12, constatase que R$ 43.399,76 teria sido apenas o rendimento depositado em sua conta bancária. Todavia, a certidão de fl. 09 informa que o valor total recebido pelo contribuinte foi de R$ 43.628,90 (= 42.037,31 + 1.591,59). Como a certidão emitida pela Justiça do Trabalho possui caráter compilatório, adotarseá tal quantia como o total auferido pelo sujeito passivo. 10. Conforme visto anteriormente, sobre tal valor deve ser acrescentado a contribuição previdenciária (R$ 2.293,93, cf. fl. 09) e o IRRF (R$ 10.104,81, cf. fl. 09) para obtenção matemática do rendimento bruto tributável recebido da Heublein do Brasil (R$ 56.027,64). Destaquese que a contribuição previdenciária é dedução da base de cálculo do imposto de renda; e que o IRRF é antecipação do imposto devido. Portanto, tais valores serão computados no momento apropriado, conforme se destaca na reconstituição da declaração de rendimentos a seguir: Como se vê, os aos julgadores administrativos pretenderam substituir a Autoridade fiscal no exercício do lançamento. Contudo, a tentativa se mostrou infrutífera, porquanto, nas palavras dos mesmos julgadores, “O contribuinte foi autuado a devolver restituição indevida no valor de R$ 51,85. Todavia, com o transcurso do prazo qüinqüenal do fato gerador (leiase: decadência do direito do fisco), não se poderia agravar o lançamento, razão pela qual fica mantida a autuação original”. (sic) O entendimento deste Relator é no sentido de que a usurpação da competência da Autoridade Fiscal, pelos julgadores de 1ª instância, é motivo de anulação da Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10855.000774/200556 Acórdão n.º 2201002.797 S2C2T1 Fl. 165 5 decisão recorrida. Afinal, “não é competente quem quer, mas quem pode, segundo a norma de direito” (Caio Tácito, O Abuso de Poder Administrativo no Brasil, Rio, 1959, p.27). Nada obstante, no presente caso a usurpação da competência não se concretizou, pelos motivos explicitados acima, razão pela qual entendo que não é caso de anulação da decisão da instância de piso, haja vista que houve a apreciação da infração objeto do lançamento, chegandose a conclusão de que somente houve a comprovação do recolhimento de R$ 10.104,81 a título de IRRF (DARF à fl. 17). O Recorrente alega que os julgadores a quo desconsideraram as verbas isentas no cálculo que formularam na decisão recorrida e pleiteia a restituição de imposto de renda nos termos do demonstrativo por ele elaborado e que consta da peça recursal, ou seja, o Interessado requer, no bojo do presente processo administrativo, que seja retificada a sua declaração de ajuste anual do anocalendário de 2001, mediante a recomposição da base de cálculo com os mesmos parâmetros utilizados na decisão recorrida, mas sem a tributação das verbas que entende isentas. A pretensão do Recorrente, no entanto, esbarra na Súmula CARF nº 33, acima transcrita. Demais disso, não compete às Turmas do CARF, em meu entendimento, alterar os valores de “rendimentos tributáveis” e de “rendimentos isentos e não tributáveis” quando o objeto do lançamento se restringe à compensação indevida de IRRF. Acrescento, por derradeiro, que o Interessado não se desincumbiu de comprovar, nos autos, que houve retenção de imposto de renda em valor superior ao que foi recolhido por meio do DARF de fl. 17, de modo que entendo que deve ser mantida a infração de compensação indevida de IRRF. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13609.000950/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor exonerado do crédito referente às contribuições e à multa seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no polo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais.
Recurso de Ofício não Conhecido e Recurso Voluntário Negado.
MULTA. VALOR SUPOSTAMENTE EXORBITANTE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem valor exorbitante.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-005.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Abrese ao Fisco a possibilidade de arbitrar as contribuições previdenciárias devidas, quando o sujeito passivo apresenta documentação que não reflete a sua realidade econômicofinanceira. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL No presente caso a existência de grupo econômico de fato resta demonstrada pela fato de uma das empresas deter 99% do capital da outra, de serem administradas pela mesma pessoa, além de funcionarem no mesmo endereço. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS ACIDENTÁRIOS. FIXAÇÃO DE ALÍQUOTA POR ATO DO EXECUTIVO. LEGALIDADE. É legal a fixação da alíquota da contribuição decorrente dos riscos ambientais do trabalho por ato do Poder Executivo, consoante jurisprudência pacífica do STJ. MULTA. VALOR SUPOSTAMENTE EXORBITANTE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem valor exorbitante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 09 50 /2 00 7- 11 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor exonerado do crédito referente às contribuições e à multa seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no polo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. Recurso de Ofício não Conhecido e Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 744 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pelo presidente da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) contra o seu Acórdão n.º 02042.792, que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.º 37.099.7158. Desta decisão também recorreu o sujeito passivo. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, além da contribuição dos segurados. As contribuições foram apuradas a partir de diferenças entre as remunerações pagas a segurados empregados apuradas por aferição indireta e aquelas contidas em folhas de pagamento da empresa. A mensuração da base de cálculo tomou como parâmetro os valores das notas fiscais de prestação de serviço, sobre os quais foram aplicados os percentuais previstos nos arts. 600 a 605 da Instrução Normativa SRP n.º 03/2005. Vale salientar que essa turma anulou decisão de primeira instância anteriormente exarada neste processo, ao identificar falha processual consistente na falta de intimação do sujeito passivo acerca de informações produzidas em sede de diligência fiscal. A nova decisão reconheceu a decadência parcial das contribuições apuradas, expurgando do crédito os seguintes períodos: a) 01/1997 a 11/2001, declaradas decadentes para todos os estabelecimentos; b) 12/2001 a 08/2002, declaradas decadentes para o estabelecimento 01.182.232/000170 (existência de recolhimentos); c) 12/2001 a 07/2002, declaradas decadentes para o estabelecimento 11.712.01514/72 (existência de recolhimento). Depois afastou a tese de ilegalidade do lançamento pela suposta colocação dos representantes legais da empresa no polo passivo. Para a DRJ, a relação acostada à NFLD tem função meramente informativa, não importando em qualquer gravame às pessoas físicas ali indicadas. Na sequência foi reconhecida a ocorrência de grupo econômico, este formado pela autuada e a empresa Erege Participações Ltda, a qual detém 99% do capital social da RAL Engenharia Ltda e os 1% restantes pertencem ao Sr. Eduardo Barcelos Góes, que é o responsável legal pelas duas empresas, as quais funcionam na mesma sede. Para a DRJ a apuração das contribuições por arbitramento foi legítima, posto que as evidências apresentadas pelo fisco mostraramse consistentes, estando o procedimento adotado em consonância com a legislação de regência. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Também foi corroborada a afirmação do fisco de que teria havido apresentação deficiente de documentos. As falhas citadas foram a falta de contabilização de operações bancárias, o não registro de livros contábeis, além da omissão na apresentação de documentos relativos a reclamatórias trabalhistas. Afirmouse na decisão original que a única falha do fisco na apuração da base de cálculo não teria interferência na apuração final, posto que ocorrida em competência abarcada pela decadência. Também foi afastado o argumento da empresa de que estaria impossibilitada de fazer a matrícula CEI de obra, em razão do caráter itinerante de sua atividade. Afirmase que o fisco efetuou de ofício as matrículas relativas aos contratos apresentados, para os casos em que a empresa não houvera adotado tal providência. Ficou consignado que o Termo de Arrolamento de Bens é documento integrante da notificação e está previstos na legislação previdenciária, descabendo o inconformismo da empresa quanto a esse documento. A DRJ declarouse incompetente para enfrentar questionamentos acerca da Representação Fiscal para Fins Penais e sobre inconstitucionalidade de leis vigentes e eficazes. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, no qual inicialmente narra os principais fatos do processo e alega ser ilegal a inclusão dos sócios da recorrente na condição de coobrigados. Sustenta que não existe a possibilidade de enquadramento da empresa Erege Participações Ltda como codevedora, uma vez que o fisco não demonstrou interesse comum vinculando esta à notificada; Advoga com veemência que o trabalho fiscal está calcado em presunções, não se preocupando o fisco em levar a efeito a adequada investigação, por isso o lançamento não deve prosperar; A seguir, passa a discorrer pontualmente acerca dos motivos que o fisco adotou para justificar o arbitramento das contribuições, tentando afastar cada um deles. Alega ser inconstitucional a contribuição ao SAT, posto que, embora prevista na Carta Magna, a sua regulamentação por lei ordinária deixou de observar o princípio da tipicidade, indispensável para a válida instituição de tributos. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais RFFP pela constatação, em tese, de ilícitos fiscais não se coaduna com o Direito Penal vigente no Brasil, posto que a evidência sugerida pela lei exige provas irrefutáveis pautadas em documentação idônea, afastando presunções, ficções ou qualquer outro meio de prova indireta. Sustenta que, caso o lançamento seja mantido, deve haver a redução dos acréscimos de multa e juros, posto que exorbitantes. Ao final pede a exclusão do polo passivo das pessoas físicas relacionadas no relatório da NFLD; o provimento integral do recurso ou, ao menos, a redução dos acréscimos legais. É o relatório. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 745 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício não atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor de contribuições e multa exonerado foi de R$ 987.050,19 (novecentos e oitenta e sete mil, cinquenta reais e dezenove centavos), portanto, abaixo do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita aFederal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Assim, não merece conhecimento o recurso necessário. O recurso voluntário, todavia, merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão dos representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da empresa notificada. Os administradores, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Essa questão, inclusive, é objeto de súmula do CARF, redigida nos seguintes termos: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso Fl. 747DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. De se concluir que a alegação do sujeito passivo não procede. Responsabilidade solidária Para vincular a empresa Erege Participações Ltda ao crédito lançado na qualidade de devedora solidária, o fisco lançou mão da regra insculpida no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, segundo a qual são responsáveis pelo cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias as empresas integrantes de grupo econômico. Para justificar a existência de grupo econômico entre a notificada e a Erege Participações, a autoridade lançadora lançou os seguintes argumentos: "5. O devedor solidário Erege Participações Ltda. participa do capital social de Ral Engenharia Ltda., caracterizando grupo econômico de direito e de fato, nos termos do Código Tributário Nacional CTN, art. 124, inciso II; Lei 8.212/1991, art. 30, inciso IX e Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, art. 222. 5.1.1. A propósito, a Lei Básica da Previdência Social Lei 8.212, de 24/07/1991 trata do efeito da existência do grupo econômico, estabelecendo: ´Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas a Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n°. 8.620, de 05/01/1993). ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei...´. 5.1.2. No caso em tela, o Sr. Eduardo Barcellos Góes é o responsável legal pelas duas empresas, que também possuem sede social em comum. (...) Embora a recorrente alegue que as duas empresas têm autonomia e que não há interesse comum que as vincule, os autos revelam forte entrelaçamento entre as mesmas. A Erege Participações detém 99% das cotas da empresa notificada, sendo que os 1% restantes pertencem ao Sr. Eduardo Barcelo Góes, o qual é o representante legal de ambas as empresas, como se pode ver do contrato social da autuada, fl. 371, e do próprio relatório fiscal, onde consta que esta pessoa é o sócio gerente da empresa Erege Participações. Não bastasse isso, o fisco constatou ainda que as empresas tem como sede o mesmo endereço, o que também demonstra inequivocamente o entrelaçamento existente. Nos termos do art. 124 do CTN a solidariedade pode decorrer de interesse comum das empresas na situação que constitua o fato gerador (inciso I) ou de disposição legal (inciso II). Na espécie, a solidariedade imputada prescinde da demonstração de interesse comum, pois ela está fundamentada no inciso II do art. 124 do CTN, uma vez que há uma norma determinado a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes de grupo econômico, qual seja, o inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Fl. 748DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 746 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a regra legal é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, entre as empresas que o integrem. Para investigação acerca da existência de grupo econômico, é necessário que se busque o conceito legal desse instituto, o qual extraio do § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, assim redigido: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (...) Inspirada no dispositivo acima, a IN SRP n.º 03/2005, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. A situação fática encontrada pela Auditoria foi a existência de empresas sob comando único, funcionando com a mesma estrutura administrativa. Essa estreita vinculação societária das pessoas jurídicas, aliada a sua administração centralizada, levame a concluir pela existência do grupo econômico de fato. Constatandose a ocorrência desse pressuposto legal, ou seja, a existência de grupo econômico a vinculação por solidariedade é automática nos termos do inciso II do art. 124 do CTN c/c inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Superadas essas questões preliminares, passemos ao mérito da contenda. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Aferição indireta da base de cálculo Conforme noticiado acima, a apuração das contribuições deuse por aferição indireta da base de cálculo, procedimento este que foi justificado pelo fisco mediante a narrativa de diversas situações que supostamente redundariam na desconsideração da contabilidade da empresa. Esses motivos eleitos pelo fisco para motivar a lavratura foram veementemente rechaçados pelo sujeito passivo, cabendo a nós, nesse momento, lançar o olhar sobre cada um deles, de modo a chegar a uma conclusão segura acerca da procedência ou não do lançamento. a) falta de apresentação do livro Razão e apresentação sem as formalidades legais Segundo o fisco os livros Razão dos exercícios de 1996 a 1999 estariam desprovidos das formalidades extrínsecas tais como encadernação, termo de abertura e encerramento, autenticação, etc. Considerando que este período foi abarcado pela decadência, deixo de apreciar a suposta desconformidade nesse interregno, uma vez que a sua análise já não teria interferência no resultado do julgamento. Afirma ainda que empresa teria também se recusado a apresentar o Razão para os exercícios de 1997, 1998, 2000, 2001 e 2002. Como a decadência foi declarada até a competência 07/2002, interessanos apenas o Livro relativo a este último exercício. Não considero que a falta de apresentação deste elemento seja causa a justificar o arbitramento das contribuições, haja vista que os Livros Diários foram apresentados. Pelo menos o fisco não fez qualquer menção à falta de exibição deste elemento. De posse dos lançamentos do Diário, a autoridade fiscal teria como averiguar a ocorrência dos fatos geradores, assim, a falta do Razão, de per si, não seria hábil a justificar o arbitramento. b) Falta de escrituração individualizada dos fatos geradores de contribuições previdenciárias por estabelecimento/obra de construção civil O fisco acusa a empresa de, em todo o período auditado, não ter feito a escrituração dos fatos geradores em conformidade com as normas de regência. De acordo com o seu relatório, foram fiscalizados o estabelecimento matriz e diversas obras de construção civil, algumas matriculadas pela empresa, outras de ofício durante a ação fiscal. Afirma que não há como identificar na contabilidade as parcelas integrantes e não integrantes do salário decontribuição e as contribuições descontadas dos segurados para cada uma das obras e para a matriz. A título ilustrativo, foi feita a transcrição de lançamentos da "Conta n.º 3.1.01.01.0001 Salários", onde o fisco demonstra que eram registradas ali parcelas que integram a base de cálculo das contribuições juntamente com outras que não se submetem à tributação, além de que os lançamentos eram efetuados de forma globalizada, sem diferenciação por centro de custo. Por conta deste prática irregular, foi lavrado auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 747 9 Alega a empresa que o arbitramento não seria justificável, na medida em que o fisco poderia ter apreciado o conjunto da documentação apresentada e chegar ao montante do tributo devido, sem necessidade de lançar mão do arbitramento, que deve ser utilizado apenas em casos extremos. Nesse ponto eu não vejo como dar razão à empresa. A falta de discriminação das parcelas integrantes e não integrantes do salário decontribuição impediu que o fisco com base apenas na contabilidade pudesse aferir o montante da base de cálculo. Vejamos o que diz o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999 acerca dessa obrigação das empresas. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I tender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. As normas acima não representam meros formalismos, de fato, não basta que a empresa contabilize o total da folha de pagamento, mas é obrigatório que individualize em contas apropriadas os fatos geradores das contribuições daqueles que se referem, por exemplo, a verbas indenizatórias. O objetivo desses preceitos é permitir uma maior agilização dos trabalhos fiscais, de modo que a auditoria possa de pronto verificar se a contabilidade espelha a realidade econômicofinanceira da empresa. Outra falha que praticamente inviabilizou a apuração das contribuições por estabelecimento/obra de construção civil foi o lançamento dos salários na contabilidade sem fazer a individualização do centro de custo ao qual se referem. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Observase que, mesmo para as obras que a própria empresa efetuou a matrícula, não há como o fisco, com base na contabilidade, identificar a qual obra o pagamento se refere ou mesmo se o pagamento diz respeito a um servidor administrativo ou a um operário do canteiro de obras. Essas falhas, em verdade, acabam por criar uma barreira ao fisco, que se vê impossibilitado de levar adiante o seu mister de conferir se os recolhimentos efetuados pela empresa quitariam as contribuições devidas para cada estabelecimento/obra de construção civil que integram o empreendimento fiscalizado. Assim, a falta de escrituração em contas individualizadas das parcelas conforme a sua natureza tributária, além do lançamento das remunerações sem levar em conta o estabelecimento a que se referem, pode levar à desconsideração da contabilidade. c) falta de escrituração da movimentação bancária A autoridade lançador acusou a empresa de não haver escriturado, no período de 01/2001 a 11/2006 a sua movimentação bancária, mesmo possuindo contas correntes em diversos estabelecimentos bancários. Afirma que a conta "Caixa" possui saldo irreal, em razão da falta de registro contábil da movimentação bancária, isso impossibilitaria uma auditoria visando à conciliação da referida conta. A empresa afirma haver juntado documento entregue a Receita Federal em que encaminha a escrituração das operações bancárias registradas no Livro "Razão Auxiliar de Disponibilidades". Assevera ainda que o fisco não efetuou intimação específica para apresentação de registros auxiliares que contemplassem sua movimentação bancária. Observo que o documento juntado pela empresa para comprovar que efetuava a sua escrituração contábil em livro auxiliar não é hábil a afastar a acusação fiscal. O ofício de encaminhamento de extratos bancários, acompanhados do Livro "Razão Auxiliar de Disponibilidades" sequer contém comprovante de que foi recepcionado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas (MG). Por outro lado, o mencionado ofício não indica a que período a documentação juntada se refere. Observese que o fisco menciona a falta de escrituração para as competências de 01/2001 a 11/2006 e o ofício em questão está datado de 13/08/2007, mas sem mencionar o período de referência. Não custa lembrar que o Livro "Razão Auxiliar de Disponibilidades" também não foi acostado aos autos. Desse modo, afasto a alegação do sujeito passivo de que teria efetuado a escrituração de sua movimentação bancária, posto que não apresentou as provas hábeis a dar suporte a sua argumentação. d) falta de contabilização do pagamento da PLR de 2005 Essa acusação do fisco foi rebatida pela recorrente, sob o argumento de que o fisco não teria demonstrado que no exercício em questão haveria lucro a ser distribuído. Também não tem razão a empresa quanto a esse ponto. É que o fisco mencionou a falta de contabilização da PLR com base no documento de fl. 343, relativo à pagamentos de PLR em 05/2005. Ora, se há a comprovação de que houve o pagamento desta rubrica a empregados, não haveria necessidade de se demonstrar a ocorrência do lucro, até Fl. 752DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 748 11 porque em muitos casos a PLR é paga em decorrência do alcance de metas vinculadas ao resultado da empresa, sem que haja necessariamente lucro apurado. e) não contabilização de pagamentos decorrentes de processos trabalhistas Segundo o fisco, a empresa fiscalizada apresentou diversas guias de recolhimento relativas a pagamentos de verbas decorrentes de reclamatórias trabalhistas, todavia, ao ser intimada a apresentar a contabilização das quantias envolvidas, bem como dos recolhimentos efetuados, não respondeu satisfatoriamente. A recorrente alega que o fisco não individualizou os processos trabalhistas sobre os quais a empresa teria que se pronunciar, por esse motivo não pode atender à intimação. A tese da empresa não merece acolhimento O fisco, diante guias de recolhimento específicas de pagamentos decorrentes de reclamatórias trabalhistas, solicitou, sem sucesso, esclarecimentos acerca dos processos que teriam dado origem a tais guias. A empresa poderia ter, ou apresentado os processos em questão, ou demonstrado que as guias que foram localizadas em sua documentação teriam sido preenchidas com erro na codificação e, assim, não estariam relacionadas a reclamatórias trabalhistas. Ao simplesmente alegar que desconhece a existência dos processos trabalhistas, a empresa busca transferir ao fisco a culpa pela sua inércia em justificar a origem dos recolhimentos previdenciários, deixando transparecer mais uma vez que sua contabilidade não reflete o seu real movimento econômicofinanceiro, posto que não contém a contabilização das guias de reclamatórias trabalhistas e dos valores correspondentes pagos aos segurados. f) contabilização de despesas com base em cupons fiscais A autoridade lançadora tomou como desconformidade com as normas tributárias o fato de haver a contabilização de despesas com base apenas em cupons fiscais, onde não existe a indicação do CNPJ da compradora, a descrição do bem ou serviço objeto da operação, a data e o valor envolvido. Para a empresa essa observação do fisco não tem pertinência com o lançamento, posto que os referidos cupons fiscais não guardam relação com a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Alega que, pela natureza das atividades que desempenha, não tem como obter notas fiscais de pequenas despesas, a exemplo de lanches, abastecimento de veículos, material de escritório, etc. Advoga que a própria jurisprudência administrativa admite que não deve subsistir o lançamento fundamentado unicamente no fato das notas simplificadas e tickets de caixa não serem hábeis a comprovar despesas. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 De fato, vejo que esse motivo tomado isoladamente não teria a força necessária para afastar a confiabilidade da escrituração contábil da recorrente, todavia, quando essa constatação se junta a outras evidências de omissões e incorreções contábeis, assume relevância a justificar a desconsideração da contabilidade. g) aquisição de vales transportes sem o correspondente registro de empregados Outra constatação apresentada pelo fisco para demonstrar que havia segurados laborando para a notificada no exercício de 1997 sem o respectivo registro do vínculo empregatício, foi a aquisição de vales transportes no período. A recorrente contestou essa evidência, sob o argumento de que a mera aquisição dos valores não serve como prova para desconsiderar sua contabilidade. Considerando que as competências de 1997 foram alcançadas pela decadência, tenho como prejudicado esse ponto da contenda. h) pagamentos a pessoas físicas O fisco apontou que pagamentos realizados a pessoas físicas por serviços prestados foram contabilizados como despesa de pagamento a pessoas jurídicas, com lançamentos nas contas contábeis n.º 3.1.01.02.0009 e 3.1.02.01.0004. A recorrente se defende alegando que, de fato, são pagamentos a pessoas físicas, todavia, os prestadores apresentaram notas fiscais avulsas emitidas pela Prefeitura Municipal de Santa Luzia. Observase aí mais um procedimento contábil totalmente inadequado por parte da empresa fiscalizada. Fatos geradores de contribuição foram contabilizados como se fora pagamentos não sujeitos à tributação. O fato do prestador pessoa física apresentar uma nota fiscal avulsa não altera a sua natureza frente às normas do custeio previdenciário, posto que o documento entregue não afasta sua vinculação ao RGPS como contribuinte individual e, por conseguinte, segurado obrigatório da Previdência Social. A inclusão desses pagamentos em conta contábil de prestador pessoa jurídica é conduta que leva à redução da base de cálculo das contribuições sociais, indicando que a contabilidade não reflete a realidade econômica da empresa. i) fornecimento dos elementos solicitados pelo fisco Alega a recorrente que apresentou todos os elementos requeridos e, assim, não haveria necessidade do fisco de levar adiante o arbitramento das contribuições, posto que dispunha de dados para aferir diretamente a base de cálculo dos tributos em questão. Notase que tem razão a recorrente quando assevera que disponibilizou farta documentação para a autoridade fiscal, todavia, foi exatamente com base nos elementos fornecidos que o fisco pode chegar à conclusão de que a escrita contábil da contribuinte destoava da sua realidade econômica financeira, com base, dentre outros fatos, na ocorrência de segurados não registrados e valores salariais não lançados nas folhas de pagamento. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 749 13 Na verdade, a motivação da aferição não reside na falta de apresentação de documentos, mas na sua exibição com deficiências e omissões que comprometeram a confiabilidade dos registros da empresa, justificando, por isso, a aferição indireta do saláriode contribuição. j) necessidade de efetuar matrícula CEI Citando o art. 162 da IN SRP n.º 03/2005, a recorrente afirma que não teria obrigação de efetuar matrícula CEI haja vista que os seus empregados laboravam prestando serviço a vários tomadores simultaneamente. Essa afirmação não condiz com a realidade dos autos. Parte das matrículas CEI fiscalizadas foram abertas pelo próprio sujeito passivo, o que contradiz o sua tese. Por outro lado, o fisco relacionou os contratos de prestação de serviço apresentados na ação fiscal e concluiu que para as execuções que envolveram, dentre outros, os serviços de pavimentação asfáltica, construção de vias urbanas, construção de quadras poliesportivas e reformas de escolas, caberia o cadastramento de matrícula CEI, providência que foi adotada de ofício, para os casos em que houve omissão da empresa. Todas essas situações, em absoluto, incluemse nos casos de dispensa de efetivação de matrícula como defende a recorrente, além de que não restou comprovada a existência de trabalhadores laborando simultaneamente em serviços relativos a diferentes tomadores. Afastase assim o argumento de dispensa da obrigatoriedade de efetivação do cadastramento de matrícula CEI. k) Existência de folhas de pagamento não escrituradas Nos termos do relatório fiscal, foram localizadas folhas de pagamento não escrituradas, onde se verifica a existência de empregados não registrados e o pagamento de remuneração adicional não oferecida à tributação. Acerca dessa acusação a notificada mantevese silente. A meu sentir essa é mais grave das constatações do fisco. Ao localizar documento que comprova a utilização de mãodeobra não formalizada e de pagamentos de remunerações não registradas em folha de pagamento e, logicamente, não integrantes das demonstrações contábeis, a auditoria apresentou fato que, fora de dúvida, subsumese à hipótese de arbitramento das contribuições prevista no art. 148 do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Os fatos narrados demonstram de forma contundente que a escrituração contábil do sujeito passivo, bem como toda sua documentação comprobatória de pagamentos de remunerações não apresentam confiabilidade, sendo cabível, portanto, a apuração da base de cálculo por aferição indireta. Esse procedimento encontra respaldo também no § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) Nessa toada, afasto o argumento recursal de que o arbitramento das contribuições teria sido efetuado ao arrepio da legislação tributária. Contribuição para financiamento dos benefícios acidentários Afirma a recorrente que a contribuição destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT é inconstitucional posto que a lei instituidora não observou o princípio da tipicidade, deixando de fixar inteiramente as suas alíquotas, o que foi feito mediante ato do Poder Executivo, em total afronta ao ordenamento tributário pátrio. Não devemos lhe dar razão. Da leitura da Lei n.º 8.212/1991, verificase que as alíquotas da contribuição ao RAT encontramse definidas em seu texto, como se pode ver: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 750 15 c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) As atividades econômicas preponderantes e os correspondentes graus de risco encontramse enumeradas no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. O entendimento dominante da jurisprudência pátria é de que a Lei n.º 8.212/1991 define satisfatoriamente todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária, quais sejam sujeito passivo, alíquota e base de cálculo, não havendo ofensa ao princípio da legalidade o fato da lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco". Vêse, portanto, que a irresignação da recorrente não merece provimento, eis que a decisão da DRJ está em perfeita sintonia com a jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre o tema, no sentido de que a indicação do grau de risco e da atividade preponderante por Decreto, para fixar a alíquota da contribuição ao RAT, é perfeitamente legal, como se pode ver da ementa de recentíssimo julgado daquela Corte: TRIBUTÁRIO. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO N. 6.042/2007. LEGALIDADE. 1. O Decreto n. 6.042/2007, em seu Anexo V, reenquadrou a Administração Pública em geral no grau de periculosidade médio, majorando a alíquota do Seguro de Acidentes de Trabalho SAT para 2% (dois por cento), o que se aplica, de todo, aos municípios. 2. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido da legalidade do enquadramento, mediante decreto, das atividades perigosas desenvolvidas pela empresa, escalonadas em graus de risco leve, médio ou grave, com vistas a fixar a contribuição o SAT (art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991). Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1496216 / PE, Relator Ministro Humberto Martins, DJe. 20/02/2015). Acerca da suposta inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n.º 8.212/1991 que tratam da matéria, é questão sobre a qual este colegiado falece de competência para se pronunciar nos termos de súmula do CARF, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Encaminho, então, por afastar o inconformismo da recorrente quanto à exigência da contribuição ao GILRAT. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Multa Requer a recorrente a redução da multa aplicada, em face do seu valor exorbitante. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato já apreciado aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários, a multa e os juros aplicados no lançamento. Não há, portanto, que se deferir o pedido para redução da multa. Juros SELIC Quanto à substituição da taxa de juros SELIC, não merece melhor sorte a recorrente. Esta matéria já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13609.000950/200711 Acórdão n.º 2402005.026 S2C4T2 Fl. 751 17 porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Não merece provimento o pedido para redução dos juros aplicados ao lançamento. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto ao argumento que ataca a lavratura da Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Voto por não conhecer do recurso de ofício e por conhecer do recurso voluntário, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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