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Numero do processo: 16327.904239/2008-73
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 23 9/ 20 08 -7 3 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 195 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, em virtude da decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São PauloSP1, a qual julgou improcedente o pedido do contribuinte, mantendo a não homologação da declaração de compensação no. 17290.25567.260804.1.3.046764. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 87 a 91 (PER/DCOMP nº 17290.25567.260804.1.3.046764), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód. receita 2362) relativo ao período de apuração de novembro de 2002. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 03 o contribuinte foi cientificado, em 29/08/2008 (fls. 92), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 739,00). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 29/09/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em apertada síntese, o seguinte: 4.1 Que conforme apurado na DIPJ de 2003, anocalendário 2002, a empresa apresentou um recolhimento a maior de IRPJ, uma vez que os recolhimentos por estimativa ultrapassaram o débito real do período, conforme a seguinte tabela: 4.2 Que os valores acima foram utilizados para compensar os débitos informados na DCOMP com os devidos acréscimos legais. 4.3 Que o crédito foi devidamente corrigido até a data da apresentação da DCOMP. 4.4 Que o saldo remanescente do crédito foi devidamente compensados com outros créditos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 196 3 4.5 Por fim solicita que seja cancelado o despacho decisório, uma vez que o débito foi devidamente pago conforme a utilização de parte do crédito gerado no ano de 2001. É o relatório. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo SP1, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1634.7068, sessão de 10 de novembro de 2011, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 18/12/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO. INCOMPATIBILIDADE. Não se pode substituir suposto crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, por crédito de pagamento indevido ou a maior referente a estimativas devidamente quitadas, mormente quando se pretende construir tal saldo credor com pagamentos efetuados em períodos distintos. Não é possível operacionalizar tal compensação, uma vez que ao se alocar parcela do pagamento na composição do saldo negativo restaria sem cobertura a mesma parcela do débito originalmente vinculado a tal pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em apertada síntese que a decisão da DRJ é nula por falta de fundamentação; que houve a decadência/prescrição das cobranças dos períodos compensados com o crédito pleiteado; e, quanto ao mérito, ante a existência de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2002, possui direito à compensação desse crédito com outros tributos federais administrados pela SRFB; requerendo, ao final, acolhimento da defesa para reforma do julgado. É o relatório, passo a decidir. Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 15.02.2012, conforme aviso de recebimento fls. 101 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 14.03.2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 197 4 Preliminares Nulidade da Decisão da DRJ Alega o contribuinte que a decisão da DRJ é nula, porque é vazia e totalmente desprovida de fundamentação jurídica, pois, limitase a declarar como incorreto o procedimento adotado, aduzindo que não estaria comprovado direito creditório. Tal afirmação não merece prosperar. Nesta perspectiva, verificase que a decisão recorrida claramente delimitou o ponto sobre o qual analisaria o pedido da recorrente, conforme trecho da decisão recorrida sobre esse ponto: 7. Segundo informações constantes na Manifestação de inconformidade apresentada, percebese que o pretenso direito creditório seria, na realidade, de saldo negativo de IRPJ apurado em 2002 e não de pagamento a maior conforme declarado. Seguindo com sua fundamentação, a decisão recorrida trouxe os motivos pelos quais não reconhecera o crédito tributário pleiteado, ante a não comprovação do pagamento a maior do que o devido ou saldo negativo por documentos contábeis e fiscais: 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em dezembro de 2002 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de IRPJ no valor de R$ 3.081,16, declarado na DCTF referente a novembro de 2002 (ND: 00001.002.004/81783008) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de IRPJ do referido período fosse inferior ao declarado. Ademais a própria DIPJ anexada pelo manifestante contraria seu pedido. Notase que o valor do IRPJ a pagar apurado em novembro de 2002 (fls. 47) é maior que o declarado na DCTF, o qual foi devidamente quitado com o pagamento em comento. Assim, não havendo prova de que tal pagamento tenha sido feito de forma indevida ou a maior do que o devido, há que se reconhecer acertada a decisão contida no despacho combatido. 9. Em que pese a suficiência do relatado acima para o indeferimento do pleito, cumpre frisar que, mesmo havendo saldo negativo de IRPJ no referido anocalendário, não haveria como se substituir tal suposto crédito (saldo negativo) por este solicitado (pagamento indevido ou a maior), por terem naturezas distintas. Enquanto aquele nasce apenas no ajuste efetuado ao final do anocalendário, este surgiria no momento do recolhimento, e nesta situação o reajuste do crédito para sua adequação aos valores corretos à data da transmissão do PER/DCOMP produziriam diferenças que afetariam sua liquidez e certeza, dada a imprecisão do valor a ser considerado, mormente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 198 5 quando se pretende construir o suposto crédito de saldo negativo com parcelas dos pagamentos efetuados em períodos de apuração distintos como é o caso em tela. Na mesma linha de raciocínio não haveria como operacionalizar tal compensação pelo fato dos pagamentos estarem devidamente alocados para a quitação dos respectivos débitos, em outras palavras, ao se utilizar todo o pagamento, ou parcela do mesmo para compor o saldo negativo pretendido, restaria sem cobertura ,e portanto passível de cobrança, a mesma parcela do débito vinculadas originalmente a tais pagamentos. Portanto, só seria possível a análise da existência do crédito se o mesmo fosse declarado na sua forma correta, sendo, neste contexto, analisado, verificada a sua existência e reajustado corretamente de maneira a aferir sua suficiência para a extinção dos débitos pelo instituto da compensação. Desta forma, constatase que a decisão recorrida está plenamente fundamentada. Com efeito, rejeito a preliminar argüida. Decadência e Prescrição Alega o contribuinte, como preliminar, que houve prescrição do direito de cobrança da Fazenda, em relação aos débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo, porque os débitos são de 2003 e a cobrança foi efetuada apenas em 2012. Entendo que a referida alegação também não merece prosperar. Cabe alertar, primeiramente, que os débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ora debatido, estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, e, portanto, não podem ser cobrados. A existência do processo administrativo de cobrança no. 16327.904760/2008 19, constante à fl. 99, relacionando tais débitos, serve apenas de controle da Secretaria da Receita Federal, para adotar as medidas cabíveis após o desfecho do presente processo e não implica qualquer restrição aos direitos do contribuinte. No caso concreto, ora em análise, em agosto de 2008, a Contribuinte tomou ciência do despacho decisório não homologando as compensações realizadas, sob o argumento de que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O referido despacho decisório fora objeto de impugnação administrativa, a qual recebera decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São PauloSP1, que manteve o indeferimento da compensação efetuada, conforme Acórdão n° 1634.7068, na sessão de 10 de novembro de 2011. E, diante dessa decisão contrária, a Recorrente apresentou recurso voluntário que ora está sendo analisado pelo CARF. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 199 6 Portanto, percebese que o presente processo está seguindo seu curso normal e, em momento algum, a Recorrente foi cobrada pelos débitos compensados, não havendo que se cogitar sobre a ocorrência de prescrição do direito da Secretaria da Receita Federal, em efetuar tal cobrança, sendo totalmente descabida tal alegação pela Recorrente. Ademais, como se não bastasse, está sendo analisada a não homologação de declaração de compensação, referentes a crédito de 2002, mas, submetidas em agosto de 2004. Desta feita, o prazo para homologação dos tributos iniciase a partir da data de transmissão das declarações e; somente a partir desta data, iniciase o prazo decadencial de cinco (5) anos para o Fisco homologar expressamente as compensações realizadas (art. 74, §§2º e 5º da Lei 9.430/96). Caso esse prazo decorra sem qualquer manifestação por parte do Fisco, ocorre a chamada homologação tácita. Ocorre que, em agosto de 2008, o Fisco emitiu despacho decisório não homologando as compensações realizadas, determinando o pagamento dos valores devidos. Ou seja, percebese que não há que se cogitar prescrição ou decadência, vez que houve análise dos pedidos de compensação do Recorrente dentro do prazo por Lei estipulado. Desta forma, rejeito a preliminar. Do Mérito Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse ter mantido a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 17290.25567.260804.1.3.046764, referente a crédito decorrente saldo negativo do ano calendário de 2002, utilizado para quitar os débitos de IRPJ. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (devidamente declarado em DCTF), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ademais, ressaltou em seu julgado que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovasse cabalmente o crédito pleiteado. Na verdade, apesar da Recorrente em seu recurso voluntário reforçar a tese de que está usando o suposto pagamento indevido de R$1.073,32, referente ao período de apuração de novembro, pelos argumentos e provas trazidos aos autos, em especial, a manifestação de inconformidade, concluise que o presente processo tratase do reconhecimento de um crédito de R$15.300,48, a título de saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2002, cuja origem decorre de pagamento de estimativas mensais, no valor de R$28.045,56, que ultrapassou o imposto realmente devido, no montante de R$12.744,56. Verifico que o despacho Decisório, ao mencionar que o crédito pleiteado já havia sido utilizado para outros pagamentos, o fez, porque o contribuinte informou em sua PER/DCOMP, tratarse de pagamento “indevido ou a maior” de estimativa e não “saldo negativo do período”, que é o caso. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 200 7 Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP, o recolhimento de estimativa como origem do crédito e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever o seguinte julgado: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 201 8 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 202 9 Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: 8. Primeiramente, independentemente de qualquer outra análise, não haveria como se reconhecer o direito creditório aqui pleiteado, vez que o pagamento efetuado em dezembro de 2002 foi totalmente utilizado para a quitação do débito de IRPJ no valor de R$ 3.081,16, declarado na DCTF referente a novembro de 2002 (ND: 00001.002.004/81783008) e o contribuinte não demonstrou que o pagamento efetuado realmente tivesse sido feito a maior, trazendo documentação que pudesse de fato demonstrar que a apuração de IRPJ do referido período fosse inferior ao declarado. Ademais a própria DIPJ anexada pelo manifestante contraria seu pedido. Notase que o valor do IRPJ a pagar apurado em novembro de 2002 (fls. 47) é maior que o declarado na DCTF, o qual foi devidamente quitado com o pagamento em comento. Assim, não havendo prova de que tal pagamento tenha sido feito de forma indevida ou a maior do que o devido, há que se reconhecer acertada a decisão contida no despacho combatido. 9. Em que pese a suficiência do relatado acima para o indeferimento do pleito, cumpre frisar que, mesmo havendo saldo negativo de IRPJ no referido anocalendário, não haveria como se substituir tal suposto crédito (saldo negativo) por este solicitado (pagamento indevido ou a maior), por terem naturezas distintas. Enquanto aquele nasce apenas no ajuste efetuado ao final do anocalendário, este surgiria no momento do recolhimento, e nesta situação o reajuste do crédito para sua adequação aos valores corretos à data da transmissão do PER/DCOMP produziriam diferenças que afetariam sua liquidez e certeza, dada a imprecisão do valor a ser considerado, mormente quando se pretende construir o suposto crédito de saldo negativo com parcelas dos pagamentos efetuados em períodos de apuração distintos como é o caso em tela. Na mesma linha de raciocínio não haveria como operacionalizar tal compensação pelo fato dos pagamentos estarem devidamente alocados para a quitação dos respectivos débitos, em outras palavras, ao Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 203 10 se utilizar todo o pagamento, ou parcela do mesmo para compor o saldo negativo pretendido, restaria sem cobertura ,e portanto passível de cobrança, a mesma parcela do débito vinculadas originalmente a tais pagamentos. Portanto, só seria possível a análise da existência do crédito se o mesmo fosse declarado na sua forma correta, sendo, neste contexto, analisado, verificada a sua existência e reajustado corretamente de maneira a aferir sua suficiência para a extinção dos débitos pelo instituto da compensação. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. A Contribuinte com base na DIPJ anexada aos autos, alegou que efetuou recolhimentos a título de estimativas de IRPJ que ultrapassaram o valor real devido no período a título de IRPJ, conforme quadro abaixo: Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Ademais, o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora e a condução do exame do PER/DCOMP não permitiu que a documentação contábil e fiscal fosse confirmada. Desta forma, entendo que a solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, em Marília, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que entenda necessários verifique e informe: 1) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002 Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 2) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 1999, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 17154.50534.260804.1.3.048610. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 16327.904239/200873 Resolução nº 1802000.452 S1TE02 Fl. 204 11 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de afastar as preliminares e converter o julgamento em diligência, para que a DRFSP, em Marília atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 11080.723647/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO.
As atividades que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, ainda que requeiram para a sua execução a instalação ou construção, por conta da pessoa jurídica prestadora dos referidos serviços, de equipamentos e estruturas que não devam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não se caracterizam como obras de construção civil, mas sim como atividades de manutenção industrial, sujeitando-se as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido.
Numero da decisão: 1102-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araujo, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As atividades que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, ainda que requeiram para a sua execução a instalação ou construção, por conta da pessoa jurídica prestadora dos referidos serviços, de equipamentos e estruturas que não devam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não se caracterizam como obras de construção civil, mas sim como atividades de manutenção industrial, sujeitando-se as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As atividades que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, ainda que requeiram para a sua execução a instalação ou construção, por conta da pessoa jurídica prestadora dos referidos serviços, de equipamentos e estruturas que não devam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não se caracterizam como obras de construção civil, mas sim como atividades de manutenção industrial, sujeitandose as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 47 /2 01 2- 29 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araujo, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ESTRUTURAL SERVIÇOS INDUSTRIAIS LTDA, contra acórdão no. 1041.168 proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre em sessão de 08/11/2012, que concluiu pela procedência do lançamento de ofício efetuado, cuja ementa é a seguinte: LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. O Relatório da Ação Fiscal (fls 194/211) registra que a ação fiscal começou em 13/07/2011 referente aos anoscalendário de 2007 e 2008, com devido pedido de disponibilização de toda documentação que deu suporte aos lançamentos contábeis efetuados pela Recorrente. Referida medida resultou em lavratura de Auto de Infração (fls 212/224 períodos de apuração 2007 e 2008), em detrimento da aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 12% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de serviços em geral, quando o correto seria de 32%, o que acarretou valores declarados e recolhidos a menor de CSLL pela contribuinte. A ora Recorrente informou que realizava reformas em bens imóveis (tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres, bens estes que são fixados ao solo), em virtude do desgaste decorrente de seu uso e, por força dos contratos, aplicava materiais na realização de seus trabalhos. Entendia,assim, que poderia adotar como coeficiente de presunção da base de cálculo do IRPJ o percentual de 8%, e para a CSLL de 12%, invocando ainda, para tanto, o entendimento expresso pela Secretaria da Receita Federal no Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit nº 30/1999, embasando a sua atividade como sendo de construção civil. Contudo, em pesquisa sobre as atividades da contribuinte, a fiscalização encontrou informações no site da empresa segundo as quais as atividades por ela prestadas seriam de serviços de engenharia, manutenção e montagem, todos os quais ali expressamente relacionados se enquadrariam como atividades privativas da área de engenharia mecânica, de acordo com a relação de atividades específicas daquela modalidade profissional para fins de Fl. 410DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 4 3 preenchimento de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no site do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREARS). Os serviços prestados pela contribuinte nos períodos objeto da ação fiscal decorreram de diversos contratos, alguns dos quais executados pela fiscalizada na condição de sócia ostensiva em Sociedades em Conta de Participação (SCP), tendo a fiscalização, por conta deste fato, formalizado diversos processos administrativos. Intimada, a Recorrente apresentou sete contratos de SCP. Desenvolvendo a sua análise, segue o auditor fiscal relatando que os serviços prestados pela contribuinte, ora Recorrente, não se enquadrariam no conceito fixado pelo ADN Cosit 30/99, estando mais alinhados com aqueles dispostos como de competência privativa do engenheiro mecânico no art. 12 da Resolução CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura) n° 218/1973. Tais serviços seriam referentes a processos mecânicos, máquinas em geral, instalações industriais e mecânicas, equipamentos mecânicos e eletromecânicos, sistemas de produção de transmissão e de utilização de calor, sistemas de refrigeração e de ar condicionado, seus serviços afins e correlatos, incluindo execução de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção. Dessa forma, a fiscalização concluiu que a prestação de serviços na área da engenharia mecânica ou mesmo de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais, tem suas receitas sujeitas à aplicação do percentual de 32% para determinação da base de cálculo presumida, tanto do IRPJ, quanto da CSLL. Nas DIPJs apresentadas para os anoscalendário de 2007 e 2008, foi constatado que a fiscalizada informou IRPJ e CSLL a pagar relativos a SCP. O regime de apuração dos lucros adotado para a SCP foi o mesmo regime que havia sido adotado para a fiscalizada, ou seja: presumido. Seguem as considerações apontadas no Acórdão combatido: A contribuinte inicia seu arrazoado com a síntese dos fatos que levaram ao lançamento. Naquele ponto, salienta que as atividades por ela desenvolvidas, que originaram as diferenças de IRPJ lançadas, eram de manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção prestados para a empresa Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, objeto do contrato n° 1400.0035600.07.02. Tais serviços foram executados por ela, individualmente, bem como através da SCP com a empresa BG Engenharia Ltda.. Partindo do contrato, a impugnante procura demonstrar que a situação de fato enquadraria sua atividade como de construção de imóveis ou obras de serviços auxiliares e complementares da construção civil, conforme disposto no ADN Cosit 30/99. (...) O contrato disporia de forma sucinta que a prestação de serviços seria de manutenção, mas em regime de empreitada global, com fornecimento de mãodeobra e materiais. Ainda que a palavra utilizada no contrato fosse manutenção, que traduziria em linhas gerais a combinação de todas as ações (técnicas ou administrativas) com o objetivo de manter ou recolocar um bem em estado de plena utilização, a verdade material seria outra. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 5 4 Abaixo, transcrevemos a síntese da exposição dos argumentos da contribuinte, colocada ao final da impugnação para justificar sua solicitação de cancelamento da autuação: a) os serviços de montagem, reparação, pintura e manutenção de torres, vasos, permutadores, tubulações, reatores e outras estruturas da empresa contratante (PETROBRÁS), constituemse em obras de grande vulto, executadas em bases de sustentação que estão fixadas ao solo, portanto, realizadas em "bens imóveis", caracterizandose como "prestação de serviços de construção civil"; b) doutrina e legislação conceituam "construção civil" como sendo a atividade que se exerce sobre bens imóveis, assim considerado o solo e tudo o que nele se agrega, não se podendo transportar, sem destruição, de um lugar para outro (Código Civil, arts. 79 e 81); c) de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 30, de 14.10.1999, a atividade de "construção" é gênero, da qual são espécies a "edificação", "demolição", "reforma", "reconstrução", "reparação", "pintura", "colocação de vidros e esquadrias", em bens imóveis; d) os serviços prestados pela Impugnante, nos anos de 2007 e 2008, junto à PETROBRÁS, abrangem montagem e desmontagem de andaimes; caldeiraria, tubulação e soldas; pintura; manutenção de torres, vasos e permutadores; manutenção de caldeira; reconstituição das bases de concreto dos equipamentos; substituição de tubulações de vasos e permutadores e de outros componentes internos e periféricos; montagem e instalação de iluminação e alimentação elétrica, enquadrandose no conceito de "construção civil", definido pelo ADN COSIT n. 30/99, havendo, inclusive, decisões no mesmo sentido, como se vê na ementa do Acórdão 1020315, de 13.07.2009, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, e, no Acórdão n. 1202 000.612, de 18 de outubro de 2011, da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); e) tanto os serviços de "engenharia" como os de "construção civil", exigem a "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART), não sendo esse requisito, por si só, suficiente para diferenciar ambas as atividades; (...) voto: (...) Ou seja, nenhuma das informações fornecidas pela contribuinte em sua divulgação pela internet, nos contratos firmados ou na ART que dava suporte à atividade permitiria concluir pela execução de atividade de construção civil, mas sim de serviços na área de engenharia mecânica ou industrial, a título de manutenção. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 6 5 Analisando as cópias do razão contábil da contribuinte, à fl. 344, seguidos de notas fiscais de fornecedores, às fls. 345/352, observase que os materiais empregados são quase totalmente ligados a atividades de soldagem: varetas e eletrodos de solda, gás oxigênio industrial, gás argônio, gás acetileno e abrasivos. Ou seja, mesmo o material empregado pela impugnante indica que a atividade era de manutenção.(...) Ocorre que na especificação dos serviços do contrato firmado entre a Estrutural (contratada) e a Petrobrás (contratante), posta no Anexo I daquele contrato, no item 8.4, às fls. 324/325, encontramse os materiais que deveriam ser fornecidos pela contratada: (...) Dispõe o referido Acórdão os tipos de materiais que seriam empregados (eletrodos, varetas, gases, estopas, escova de aço, lonas, etc.) buscando traduzir que não demonstram atividade específica de construção civil com fornecimento de materiais. No mesmo momento, apresenta os materiais que deveriam ser disponibilizados pela Contratante Petrobrás necessários à execução dos serviços a serem incorporados no imóvel, sendo que, por ventura fossem esses fornecidos pela Recorrente, isto seria exceção e não regra, embora não teria a Recorrente feito a prova disto. Com base em suas análises, foi julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário lançado. Contesta a Recorrente a análise e as conclusões a que chegou a turma julgadora a quo. Destaca que, de acordo com as cláusulas do Contrato de Prestação de Serviços em comento, a contratada “se obriga a fornecer os materiais, equipamentos, máquinas, veículos e ferramentas, necessários à execução de todos os serviços, conforme definido no Anexo n. 1”. Aduz que, contrariamente ao que entenderam os nobres Julgadores, os materiais relacionados nas notas fiscais juntadas aos autos não são apenas materiais de consumo, mas sim materiais essenciais às obras e que as integram fisicamente, destas não podendo ser separadas. Reitera os demais fundamentos apresentados na impugnação, e, ao final, requer a reforma da decisão de origem e o cancelamento das exigências. Notificado contribuinte em 26/11/2012 (fls. 375), apresentou Recurso em 06/12/2012 (fls 376/405). Fez sustentação oral, pela recorrente, Dr. Dilson Gerent, OAB/RS 22.484. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 7 6 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Toda a questão envolvendo a lide focase em torno da natureza dos serviços prestados pela Recorrente, ou seja: serviços de construção civil com fornecimento de materiais, ou serviços em geral (manutenção). Da solução desta questão depende a fixação da alíquota de presunção do lucro para a CSLL (e também para o IRPJ, embora este não faça parte do presente processo). O presente litígio envolve exclusivamente o Contrato no 1400.0035600.07.2 (fls. 93/113) firmado entre a Recorrente e a empresa Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás. Em primeiro lugar, é importante registrar que a Lei nº 9.249, de 1995, no seu art. 15, § 2º, determina que, no caso de a pessoa jurídica exercer atividades diversificadas, deve ser aplicado o percentual correspondente a cada atividade. Vale exemplificar apresentandose o objeto do contrato acima citado e as obrigações das partes envolvidas: CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, de serviços de manutenção de parada programada na unidade de recuperação de enxofre (URE), UMTBE, GV5602 e periféricos da U5600, no âmbito da Refinaria Presidente Getúlio Vargas REPAR, em Araucária PR, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e no Anexo 1 Especificação dos Serviços, CLÁUSULA SEGUNDA OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA (...) 2.4 Quanto a materiais, equipamentos, máquinas, veículos, ferramentas e instalações 2.4.1 Fornecer os materiais, equipamentos, máquinas, veículos e ferramentas necessários à execução de todos os serviços, conforme definido no Anexo 1 Especificação dos Serviços, deste Contrato 2.4.2 Responsabilizarse pela correta utilização, guarda e conservação dos materiais, equipamentos, ferramentas, máquinas, veículos e instalações fornecidos pela PETROBRAS, bem como ressarcir eventuais extravios, danos ou depreciações não relacionadas com a execução do presente Contrato. 2.4.3 Retirar seus materiais, equipamentos, máquinas, veículos e ferramentas, às suas e, pensas, após o término dos serviços ou rescisão do Contrato, ou ainda aqueles que tenham sido recusados, no prazo fixado pela Fiscalização, findo o qual a PETROBRAS fica com o direito de promover sua retirada, como lhe convier, depositandoos em mãos de terceiros e debitando as respectivas despesas à CONTRATADA. 2 4.4 Carregar e transportar os materiais necessários à execução do presente Contrato. (...) CLÁUSULA TERCEIRA OBRIGAÇÕES DA PETROBRAS (...) Fl. 414DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 8 7 3.8 Fornecer e transportar, quando for o caso, os materiais, os equipamentos e as ferramentas relacionadas no Anexo 1 Especificação dos Serviços, deste Contrato. (...) também, a título ilustrativo, seguimos apresentando algumas das condições impostas pelo Anexo I do referido contrato com a Petrobrás observando o que cabe a Recorrente (contratada) no concernente a materiais: 8.4 Quanto a materiais, equipamentos e ferramentas: 8.4.1 A CONTRATADA deverá fornecer todos os eletrodos e varetas necessários aos serviços, em perfeitas condições de uso, devendo ser adquirido somente de fornecedores qualificados, conforme listagem divulgada na página da internet da Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem FBTS www.fbts.com.br; 8.4.2 A CONTRATADA deverá fornecer todos os gases (acetileno, oxigênio e argônio) com as respectivas garrafas, necessários à execução dos serviços; 8.4.3 A CONTRATADA deverá providenciar e fornecer, em perfeitas condições de funcionamento e segurança, os equipamentos e ferramentas necessários à execução dos serviços. (...); 8.4.3.1 Faz parte deste Item o fornecimento de rádio transceptor para a equipe própria da CONTRATADA. (...); 8,4.4 Fornecer todo o material de consumo geral, tais como: estopa, solvente, graxas, lixas, trapos, discos abrasivos, lâmpadas de 110V e 24V, fusíveis, escovas de aço, lonas plásticas ou encerados, conectores, resistências, madeirit, coberturas, etc, exceto os materiais previstos como fornecimento da Petrobras; 8.4.5 As ferramentas usadas (...); 8.4.6 A CONTRATADA montar e manter todo o circuito elétrico de alimentação das frentes de trabalho da parada como um todo. Fornecer os materiais de consumo para os circuitos elétricos, iluminação interna e externa dos equipamentos, sendo as luminárias, para locais onde o costado fique em contato com o corpo do trabalhador, devem ser de 24V; (...) 8.4.10 Fornecer as seguintes ferramentas especiais: Ferramenta Hidráulica de Torque Controlado, Tôrquimetros, parafusadeiras pneumáticas, mandriladoras e expansores para tubos troca térmica, exceto aquelas previstas como fornecimento da Petrobras. A abertura e fechamento de flanges, BVs, de bocais, desmontagem e montagem de componentes de permutadores e outras uniões similares; só poderá ser feita com uso de ferramenta de torque manual, hidráulico ou pneumático. Na impossibilidade técnica do uso de tais ferramentas, só será permitido o uso de ferramentas de impactos manuais desde que autorizado pela FISCALIZAÇÃO. É correto, também, comentar sobre obrigação da contratante – Petrobrás – quanto aos materiais que lhe serão exigidos: 9 RESPONSABILIDADES DA PETROBRAS: 9.1Materiais de Aplicação A PETROBRAS fornecerá todo o material de aplicação necessário à execução dos serviços tais como: juntas, porcas, parafusos, tubos, chapas, componentes, tintas e materiais de isolamento térmico, salvo quando especificados neste anexo como sendo de responsabilidade da CONTRATADA. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 9 8 Uma rápida análise às condições contratualmente firmadas, verificase a dificuldade de poderse enquadrar tal atividade na forma defendida pela Recorrente, seja quanto a questão das condições de como operar pela Recorrente, seja quanto a questão materiais aplicados. Se nos apegássemos tão somente ao disposto na cláusula 9.1 acima, restaria a Recorrente somente a obrigação de empregar algumas partes e peças. Bem esforçouse a Recorrente em buscar demonstrar os serviços por ela prestados bem como materiais aplicados, tudo no ensejo de configurarse a modalidade de empreitada de construção civil com fornecimento de materiais. Mas, quanto mais se analisam as provas e considerações, maior tornase a distância entre a intenção e a prática. Resta cada vez mais sólido que os serviços prestados pela Recorrente, e que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, caracterizamse como serviços de manutenção, e não de construção civil. O fato de que, na execução desses serviços, a Recorrente tenha eventualmente se responsabilizado pelo fornecimento, montagem e instalação de equipamentos e estruturas que, contudo, não deveriam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não faz com que os serviços se caracterizem como obras de construção civil. Os demais argumentos recursais não prosperam. Somente se se tratasse de obra de construção civil haveria qualquer sentido em se analisar o teor do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30, de 14 de outubro de 1999 (que dispõe sobre a vedação ao exercício da opção pelo Simples aplicável às pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção de imóveis, bem como a obras e serviços auxiliares ou complementares da construção civil), ou o teor do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13 de janeiro de 1997 (que define o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, sendo de 8% ou de 32%, conforme haja ou não emprego de materiais). Aliás, no que toca ao ADN COSIT nº 6/1997, ainda que se admitisse que a atividade da recorrente fosse de construção civil, mesmo assim estaria correta a aplicação do percentual de 32% aos serviços prestados em cumprimento ao contrato aqui analisado, em razão do quanto acima exposto, no que toca à utilização de materiais. A alegação de que a retenção do imposto de renda na fonte feita pela Petrobrás determinaria o percentual de presunção que a pessoa jurídica beneficiária do pagamento deverá utilizar, não pode prosperar até porque não há respaldo na legislação citada pela Recorrente, ao menos no presente caso. A Instrução Normativa SRF nº 480/2004 citada pela recorrente (a exemplo das que lhe antecederam ou sucederam) possuía a seguinte disposição: “Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005) I alcançam somente a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e 34 da Lei nº 10.833, de 2003; (Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005) Fl. 416DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 10 9 II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005)” Sem alongarme no mérito do quanto nela disposto, observo apenas que o dispositivo é expresso no sentido de que a retenção efetuada não altera o percentual de presunção a ser aplicado pela beneficiária do pagamento. A exceção prevista na parte final do dispositivo não se conforma às circunstâncias fáticas dos autos anteriormente relatadas, em primeiro lugar, porque os serviços prestados pela recorrente não são nem de construção por empreitada, nem tampouco hospitalares. Ademais, mesmo que se admitisse tratarse de empreitada, são os seguintes os serviços de construção por empreitada a que se refere o inciso II do art 1º ali citado, verbis: “II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.” (grifos acrescidos) Portanto, o fato de a Petrobrás ter feito as retenções do imposto de renda considerando no cálculo destas a aplicação do percentual de 8% sobre o valor das notas fiscais, é de todo irrelevante para o deslinde do litígio em questão, mesmo sob a ótica do ato normativo apontado pela recorrente em sua defesa. Em síntese e conclusão, resta claro que os serviços prestados pela recorrente em decorrência do contrato aqui analisado enquadramse como serviços gerais, submetidos ao percentual de 32% para a apuração da base de cálculo da CSLL no lucro presumido, consoante o disposto nos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, abaixo transcritos (grifos acrescidos): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 11 10 b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade.(...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)” Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 418DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 11080.723647/201229 Acórdão n.º 1102000.908 S1C1T2 Fl. 12 11 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO
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Numero do processo: 10314.011251/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/10/2003
DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. LEI nº 10.182/01.
A dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais não alcança o benefício fiscal de que trata o art. 5º da Lei nº. 10.182/2001. A habilitação prévia junto ao SECEX/MIDICT, de que trata referida lei, tem apenas o condão de tornar apto o contribuinte para pleitear o benefício, cuja concessão deve ser requerida, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, a cada desembaraço aduaneiro, devendo, em cada operação de importação, ser apresentada a prova de tal quitação.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.O Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Mônica Monteiro Garcia de los Rios .
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 22/10/2003 DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. LEI nº 10.182/01. A dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais não alcança o benefício fiscal de que trata o art. 5º da Lei nº. 10.182/2001. A habilitação prévia junto ao SECEX/MIDICT, de que trata referida lei, tem apenas o condão de tornar apto o contribuinte para pleitear o benefício, cuja concessão deve ser requerida, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, a cada desembaraço aduaneiro, devendo, em cada operação de importação, ser apresentada a prova de tal quitação. Recurso Voluntário negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 340 1 339 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.011251/200552 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.155 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria II.RESTITUIÇÃO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA (Antiga SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/10/2003 DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. LEI nº 10.182/01. A dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais não alcança o benefício fiscal de que trata o art. 5º da Lei nº. 10.182/2001. A habilitação prévia junto ao SECEX/MIDICT, de que trata referida lei, tem apenas o condão de tornar apto o contribuinte para pleitear o benefício, cuja concessão deve ser requerida, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, a cada desembaraço aduaneiro, devendo, em cada operação de importação, ser apresentada a prova de tal quitação. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.O Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Mônica Monteiro Garcia de los Rios . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 12 51 /2 00 5- 52 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n°03/09156577, em 22/10/2003 (fls. 6/10). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5° das Medidas Provisórias n°s. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal beneficio consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente A importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Em 22/10/2003 submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/09156577, tendo deixado de pleitear o beneficio em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 06/12/2005, por requerimento de fls. 1, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 1.416,18 (hum mil, quatrocentos e dezesseis reais e dezoito centavos), Pedido de Restituição de fls. 2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 25 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa esta habilitada a fruir o beneficio da Lei 10.182/2001 desde 12/02/2001. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRFSP), e em 07/12/2005 foi encaminhado para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Em 26/12/2005 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação, sob as seguintes alegações (v. fls. 40/42): 1 O requerente teria recolhido integralmente o Imposto de Importação por ocasião do despacho aduaneiro, por ter espontaneamente renunciado ao beneficio da Lei 10.182/2001; agora estaria tentando obter os benefícios previstos naquela norma legal, sem apresentar autorização formal do DECEX para tal. 2 Que o momento oportuno para pleitear a redução do II seria na data do registro da Declaração de Importação (data do fato gerador), e não posteriormente, como ocorreu, inexistindo amparo legal para atendimento do pedido. Da decisão denegat6ria do pleito foi dada ciência ao interessado em 10/01/2006 — (fls. 42v). Ciente do teor da decisão e inconformado com a mesma, o requerente apresentou arrazoado de fls. 44161, em 09/02/2006 (trinta dias após a ciência), que denominou como "manifestação de inconformidade". Fl. 341DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.011251/200552 Acórdão n.º 3202001.155 S3C2T2 Fl. 341 3 Em 03/03/2006 (fls. 91), foi proferido despacho no sentido de desconhecimento do recurso administrativo acima, por extemporâneo. No entender da equipe que analisara o pleito, a Lei 9.784/99 regeria o tema discutido, o que implicaria, conforme o disposto em seu artigo 59, em um prazo de 10 dias para interposição de recurso administrativo. Ao recorrer 30 (trinta) dias após a ciência do despacho denegatório, têloia feito intempestivamente. O requerente apresentou novo recurso administrativo (fls. 93/105), desta feita contra a decisão que não conheceu a manifestação de inconformidade anteriormente apresentada, e o indeferimento foi mantido (fls. 108). Diante do exposto, o requerente impetrou Mandado de Segurança contra Inspetor da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, de n° 2006.61.00.0191556 (Justiça Federal / SP — 22a Vara Cível de São Paulo) , tendolhe sido concedida liminar (fls. 112/113), reconhecendo ao impetrante o direito de apresentar seus recursos na forma e nos prazos previstos no Decreto n° 70.235/72, e determinando à autoridade impetrada que receba e processe regularmente a Manifestação de Inconformidade apresentada em 09/02/2006 (fls. 44/61), nos autos do presente processo. Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 44/61, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 1 Alega terse habilitado junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001, conforme documento de fls. 25. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDs (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal). Com esse argumento o interessado refuta a alegação, para indeferimento da retificação da DI, de que não teria autorização formal da DECEX para usufruir do beneficio da Lei 10.182/2001. 2 Posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras às fls. 49/50, acabava não usufruindo o beneficio fiscal da Lei 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. "Diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI 03/09156577 foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do beneficio fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrar se impossibilitada de apresentála." (fls. 49/50). Com tal argumento, o interessado refuta a hipótese de ter renunciado espontaneamente ao beneficio da Lei 10.182/2001. 3 Menciona a titulo de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente a Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de "drawback". Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada. 4 Alega que na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CNDs (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho. 5 Coloca que a época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou Fl. 342DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: "... III verificação de que o contribuinte, época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)". Com tal alegação o recorrente refuta o argumento de que o único momento para solicitação de reconhecimento do beneficio seria a data do fato gerador, e que inexiste amparo legal a seu pleito. Em atendimento ao determinado pelo Judiciário, e antes do encaminhamento da Manifestação de Inconformidade de fls. 44/61 a esta Delegacia de Julgamento, foi elaborado resumo dos fatos as fls. 118/120 (para fins de saneamento dos trâmites do processo), colocandose que o fulcro da questão a ser examinada referese às admissibilidade da exigência da CND a cada desembaraço de mercadorias importadas ao amparo de beneficio fiscal. A conclusão é no sentido de que a não disponibilidade da CND da data de desembaraço da DI impede a fruição do beneficio pretendido e, por conseqüência o deferimento do pedido de retificação da Declaração de Importação. A seguir é elaborado despacho decisório relativo ao Pedido de retificação de Declaração de Importação e de restituição de Imposto de Importação (reconhecimento do direito creditório), constando na ementa tratarse de pleito improcedente, pelo não atendimento de todas as condições legais no momento da ocorrência do fato gerador do imposto, tudo conforme CTN, art. 179 e Lei no 9.069/95. art; 60, e Decreto 4.543/2001, art. 109 (Regulamento Aduaneiro) — v. fls. 121/123. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 44/61 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo.” A DRJ São Paulo II/SP decidiu indeferir a solicitação da contribuinte (efls. 252/276), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/10/2003 Ementa PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.011251/200552 Acórdão n.º 3202001.155 S3C2T2 Fl. 342 5 APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Solicitação indeferida. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 282/310), alegando, em apertada síntese, que a apresentação da CND somente era obrigatória no momento da habilitação no SISCOMEX e, considerando que a RECORRENTE obteve regularmente a sua habilitação junto aquele órgão (o que significa dizer que a CND foi oportuna e devidamente apresentada), não há argumentos para impedila de fruir da redução do imposto e obter os créditos correspondentes, que não lhe foram assegurados em época oportuna Outrossim, asseverou que a Lei nº 10.182/01, que regula o benefício em apreço, não exige a apresentação de CND a cada importação, e que da interpretação do art. 60, da Lei nº 9.069/95, depreendese que apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal está condicionado à apresentação de CND, não sendo, portanto, necessária sua reapresentação para fruição do aludido benefício. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, para que fosse retificada a DI nº. 03/09156577, com a consequente redução de 40% do Imposto de Importação, bem como seja reconhecido o direito creditório decorrente da referida redução. É o relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de pedido de restituição do Imposto de ImportaçãoII pago pela contribuinte, referente à DI nº. 03/09156571, registrada em 22/10/2003, em razão de a querelante entender que preenche todas as condições para usufruir o benefício instituído pela Lei n º. 10.182/2001, que, no seu art. 5º, estabelece a redução em 40% do II, nos seguintes termos (redação vigente à época): Fl. 344DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. § 1o O disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: I veículos leves: automóveis e comerciais leves; II ônibus; III caminhões; IV reboques e semireboques; V chassis com motor; VI carrocerias; VII tratores rodoviários para semireboques; VIII tratores agrícolas e colheitadeiras; IX máquinas rodoviárias; e X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição § 2º O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. (grifo não constante do original) Entende a recorrente que, uma vez habilitada no SISCOMEX, já tendo apresentado naquela oportunidade a CND, esta não seria mais exigível quando da efetivação da importação, razão pela qual teria direito à redução de 40% do II, conforme previsto em lei. Assim, vez que, quando do registro da DI, efetuou o pagamento integral do Imposto de Importação, sem a referida redução, teria incorrido em pagamento a maior daquele tributo, razão pela qual lhe seria cabível a restituição. Desta forma, conforme asseverou a DRJ, o fulcro da questão a ser examinada referese à admissibilidade da exigência da CND a cada desembaraço de mercadorias importadas ao amparo do benefício fiscal. O artigo 6º da Lei nº 10.182/01 assim dispõe: Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único. A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.011251/200552 Acórdão n.º 3202001.155 S3C2T2 Fl. 343 7 I comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. (grifo não constante do original) Claro está que a habilitação deve ser requerida perante o SECEX/MIDCT, e que, quando de sua solicitação perante àquele órgão, deverá ser apresentada a comprovação de regularidade fiscal relativa aos tributos e contribuições federais. Acontece que “habilitação” não significa “concessão de benefício”. Este – o benefício – é concedido pela Secretaria da Receita Federal; a habilitação, in casu, tem apenas o condão de demonstrar que o contribuinte está apto para pleitear, perante a SRFB, a redução do imposto de importação em 40%, na forma da lei. Assim, para que o benefício seja concedido, deverá ser requerido junto à Receita Federal por ocasião do registro de cada Declaração de Importação e caberá à autoridade fiscal concedêlo, ou não, caso sejam preenchidas todas as exigências legais. É o que preconiza o art. 120 do Regulamento Aduaneiro, corroborando o disposto no Código Tributário Nacional, no art. 179: Regulamento Aduaneiro Art. 120. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei nº. 5.172,de 1966, art. 179) §1º. O reconhecimento referido no caput não gera direito adquirido e será anulado de ofício, sempre que se apure que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do benefício (Lei nº. 5.172, de 1966, art. 179, §2º) . (sublinhado não constante do original) A base legal para exigência da apresentação da CND reside no art. 60 da lei nº. 9.069/2005, que assim dispõe: Art. 60 A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte , pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Por outro lado, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº. 07, de 07/07/1998, (DOU de 09/07/1998, Seção I, página 11) reafirma a dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais somente em relação às mercadorias importadas isentas ou com alíquota zero, o que deixa claro ver que, contrario sensu, em casos de concessão de redução de alíquota, tal como este, em que não se trata de mercadoria isenta nem com alíquota zero, a comprovação se faz necessária. Vejase: "O Coordenador do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, DECLARA: Em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que o despacho e conseqüente desembaraço de mercadorias importadas, quando isentas ou tributadas à aliquota zero, prescindem da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de beneficio ou incentivo fiscal concedido subjetivamente ao importador. " (grifo não constante do original) Neste ponto, adoto, ainda, como razões de decidir, os fundamentos esposados pelo ilustre conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, nos autos do processo nº. 10814.007086/200501, cujo voto transcrevo abaixo, excertos: “O ponto fulcral do litígio, como se percebe da leitura da ementa da decisão recorrida, é definir se, no momento do reconhecimento da isenção, o sujeito passivo reunia as condições exigidas pela legislação de regência. Para se chegar a tal definição é necessário que se responda a duas indagações: se o art. 60 da Lei nº 9.069/95 incide sobre a modalidade de isenção debatida e, caso incida, em qual momento se dá o reconhecimento da isenção de caráter subjetivo. Definido tal momento, definese, por consequência, quando o sujeito passivo deverá comprovar a quitação dos tributos federais. A redução em litígio encontrase prevista no art. 5º da Lei nº 10.181, de 2001, que criou o que se convencionou denominar “Novo Regime Automotivo”, em substituição àquele disciplinado pela Lei nº 9.449, de 1997, transcrevoos: Art. 5º Fica reduzido em quarenta por cento o imposto de importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. §1oO disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: (...) X.autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. §2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei nº 666, de 2 de julho de Fl. 347DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.011251/200552 Acórdão n.º 3202001.155 S3C2T2 Fl. 344 9 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. O parágrafo 2º acima transcrito, a meu ver, enumera taxativamente quais são as condições de caráter geral excepcionadas pela norma que disciplina especificamente os benefícios do Novo Regime Automotivo: exame de similaridade (art. 17 e 18 do DL nº 37/66) e transporte em navio de bandeira brasileira (art. 2º do DL nº 666/69). Como é possível verificar, o dispositivo é silente quanto às demais exigências de caráter geral, dentre as quais, evidentemente, está a comprovação da regularidade no pagamento dos tributos e contribuições, o que leva à conclusão de que tal exigência não foi afastada. Por outro lado, não vejo como aplicar a regra geral do art. 37 da Lei nº 9.784, de 1999 em detrimento da específica do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, categórico ao determinar que o ônus de fazer prova da quitação de tributos federais é do Administrado. Subsistiria, portanto, dúvida acerca do momento em que o benefício é reconhecido, máxime em razão de que, a lei que o instituiu prevê a realização de um procedimento de habilitação prévia do importador, disciplinada no do seu art. 6º, que reza: (os grifos não constam do original): Art.6º A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único.A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: I. comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II.cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Diferentemente do que se tem invocado, não vejo como reconhecer que a comprovação levada a efeito no momento da habilitação ao regime dispense a importadora de comprovar a regularidade fiscal no momento do fato gerador. Para entender os efeitos da conclusão do procedimento realizado pela Secex, mais relevante do que o nome que lhe foi atribuído (habilitação) é preciso lembrar do que diz o art. 179 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Fl. 348DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. Com efeito, como é possível concluir, a partir da leitura conjunta dos dois dispositivos, o procedimento de habilitação constituise mais uma exigência para reconhecimento da isenção e não o próprio reconhecimento do benefício. Em primeiro lugar, a leitura do caput do art. 179, lido conjuntamente com seu parágrafo 1º, deixa claro que a autoridade competente para reconhecimento do benefício deve se manifestar a cada fato gerador ou, tratandose de tributo lançado por período certo, antes do encerramento de cada período. Ora, como é cediço, nos termos do art. 23 do DL 37/665, para efeito de cálculo do imposto de importação incidente sobre mercadoria despachada para consumo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da correspondente DI. Assim, ainda que se admita que a Secretaria de Comércio Exterior possuísse competência para conceder isenção, certamente a habilitação não preencheria a exigência do dispositivo insculpido no art. 179 do CTN. Como se percebe, a habilitação ocorre uma única vez. Finalmente, mesmo se superada a exigência de manifestação prévia, equiparando a habilitação ao despacho da autoridade competente, não haveria como reconhecer a definitividade dessa manifestação. Cabe relembrar o que dizem o parágrafo 2º do art. 179 e o art. 155 do CTN: § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Ou seja, ainda que se considerasse que a isenção teria sido previamente concedida, verificado que a recorrente deixara de atender um dos requisitos para a sua concessão, revogado estaria o benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.” Por oportuno, cumpre destacar, ainda, que este tema não é novidade nesta Turma julgadora, que, nos autos do processo nº. 10314.010732/200541, efetuou a análise dessa mesma questão, a qual envolvia a mesma contribuinte. Naquela oportunidade, a Turma, Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.011251/200552 Acórdão n.º 3202001.155 S3C2T2 Fl. 345 11 por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa adiante transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/10/2003 ......................................................................................................... DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. LEI nº 10.182/01. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 07/1998. A dispensa da comprovação de quitação de tributos e contribuições federais aplicase somente em relação às mercadorias importadas isentas ou com alíquota zero, não alcançando o benefício de que trata o art. 5º da Lei nº. 10.182/2001, vez que a habilitação junto ao SECEX/MIDICT, de que trata referida lei, tem apenas o condão de habilitar o contribuinte para pleitear a concessão de benefício junto a Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário negado Este também foi o entendimento manifestado por diversas outras Turmas julgadoras da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. Confiramse os exemplos: Acórdão nº. 380200.983 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2003 REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Precedentes da Turma. Recurso Voluntário Negado. Crédito Creditório Não Reconhecido. Acórdão 3201001.098 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/10/2000 REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. FRUIÇÃO AO BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Recurso Voluntário negado Por fim, em diversos processos nos quais figura como recorrente a mesma contribuinte, temse que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já assentou o entendimento de que é cabível a exigência da CND em cada desembaraço aduaneiro. Cito como exemplo o Acórdão nº. 9303002.699, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/06/2000 REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO. Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostrase cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Também este foi o entendimento adotado pela CSRF em diversos outros processos da mesma contribuinte em que se discute essa mesma questão. Vejamse os Acórdãos 9303002.675, 9303002.674, 9303002.673, 9303002.672, 9303002.671, 9303 002.670, 9303002.669 e 9303002.668, Assim, vez que a contribuinte não preenchia todos os requisitos legais à época da concessão do benefício pretendido, entendo descaber a restituição pleiteada, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10950.904402/2009-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. REQUISITOS.
O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, preenchendo assim os requisitos de liquidez e certeza do crédito tributário, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dando-se conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, abrangendo-se também a compensação, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ.
Numero da decisão: 1802-002.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (presidente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. REQUISITOS. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, preenchendo assim os requisitos de liquidez e certeza do crédito tributário, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dando-se conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, abrangendo-se também a compensação, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. REQUISITOS. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, preenchendo assim os requisitos de liquidez e certeza do crédito tributário, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dandose conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, abrangendose também a compensação, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 44 02 /2 00 9- 46 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 58 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (presidente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 59 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano calendário de 2003, no valor de R$ 12.129,23. Os débitos arrolados na DCOMP referemse à estimativa de CSLL devida nos meses de janeiro, fevereiro, março, julho, agosto e setembro e outubro de 2004. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 2a Turma da DRJ/CTA, constante às efls. 42, através do Acórdão n° 0637.011: Trata o processo das Declarações de Compensação Per/Dcomp retificadora 33541.43600.101007.1.7.030577, págs. 10/17, cuja original foi enviada em 14/05/2004; Dcomp original 14967.41556.101104.1.3.037032, enviada em 10/11/2004, de págs. 18/21 e original 21614.49514.040205.1.3.038801, págs. 22/25, enviada em 04/02/2005, relativas à compensação de débitos 248401CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ e CSLL com base em estimativa mensal, de 01, 02, 03, 07, 08, 09, 10/2004, com direito creditório de Saldo Negativo (SN) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do exercício 2004, nos valores originais requeridos, respectivamente, de R$ 3.760,81, R$ 3.281,85 e R$ 772,48. 2. A DRF em Maringá/PR emitiu o Despacho Decisório de págs. 23/30, em 11/05/2009, nº de rastreamento 834761263, comunicando que analisou as três Dcomp já descritas e ainda uma quarta de nº 25282.94488.130804.1.3.038500, enviada em 13/08/2004, na qual o contribuinte pleiteou o mesmo direito creditório, e reconheceu como existente o total dos créditos pleiteados de R$ 12.129,23; homologou as compensações declaradas nas Dcomp 25282.94488.130804.1.3.038500, 33541.43600.101007.1.7.030577; homologou em parte os débitos da Dcomp 14967.41556.101104.1.3.037032 e não homologou a Dcomp 21614.49514.040205.1.3.038801, porque o crédito foi insuficiente; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2009, no valor do principal de R$ 1.143,39 (R$ 256,04 do período de apuração 09/2004 e R$ 887,35 de 10/2004), acrescido de multa e juros de mora. 3. O contribuinte apresentou, em 17/06/2009, a manifestação de inconformidade de págs. 2/5. 4. Descreve como apurou SN CSLL em 31/12/2003, no montante de R$ 12.129,23, resultante e que, à medida que venciam as datas de recolhimento das estimativas mensais de CSLL de 2004, aquele SN CSLL, devidamente utilizado, foi sendo utilizado nas compensações conforme a tabela à pág. 4, onde demonstra que as estimativas mensais de CSLL no total de R$ 15.868,38 devidas Fl. 59DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 60 4 no anocalendário 2004, foram compensadas, no total de R$ 12.953,12, com aquele crédito de R$ 12.129,23 e R$ 3.181,58 foram recolhidas via Darf, restando dessa maneira saldo credor de R$ 266,62, cuja devolução não pleiteia no momento. 5. Com isso demonstra que não mais remanescem quaisquer débitos de estimativas do anocalendário 2004 a serem exigidos, descabendo a cobrança constante do Despacho Decisório. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme sintetiza a seguinte Ementa (efls 42): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/10/2004 PER/DCOMP ELETRÔNICO HOMOLOGADO EM PARTE. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL RECONHECIDO. CRÉDITO INSUFICIENTE. Correta a homologação em parte da compensação se o crédito pleiteado, embora reconhecido, não foi suficiente para extinguir todos os débitos. DÉBITOS. MULTA E JUROS DE MORA. DATA DA EXTINÇÃO. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação, que corresponde à data da extinção do débito pela compensação, se homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Intimada do Acórdão em 19/11/2012, conforme comprovante de AR às efls 52, restou irresignada pelo que interpôs recurso voluntário em 18/12/2012, (efls 53/54) aduzindo em apertada síntese que efetuou recolhimento das estimativas mensais em excesso ao devido no final do período e que tal crédito é passível de compensação ao final indicando a decadência dos débitos exigidos. Em síntese, o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 61 5 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, passo a tomar conhecimento. Preliminarmente, há que se verificar a questão da “decadência”, eis que suscitada pela recorrente como matéria prejudicial de mérito e esta merece ser de plano afastada, senão vejamos. A Declaração de Compensação (DCOMP) inicial entregue pelo contribuinte foi a de n° 14967.41556.101104.1.3.037032, portanto, entregue na data de 10/11/2004. Assim, a autoridade fiscal possuía 5 (cinco) anos para se manifestar, sob pena de consolidar os efeitos da compensação efetuada pela referida DCOMP. Contudo, o contribuinte veio a retificar a Declaração de Compensação, (DCOMP) pela de n° 33541.43600.101007.1.7.030577, portanto, na data de 10/10/2007. O Despacho Decisório que não homologou a compensação foi cientificado à recorrente entre 18/05/2009 e 17/06/2009. O contribuinte alega que o “prazo decadencial” para homologação de sua compensação teve início com a entrega da primeira compensação, a saber, 10/11/2004, o que findaria, portanto, em 10/11/2009, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 62 6 [...] Como foi intimada da não homologação de sua compensação depois de 14/05/2009, sustenta que teria decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Contudo, conforme se depreende do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, não é a data da DCOMP que posteriormente foi retificada que se conta o início do prazo da homologação da compensação. Isto se dá porque não é nesta primeira DCOMP que busca homologação, procedimento que atesta a liquidez e certeza do crédito pleiteado, a perfeita constituição do débito arrolado pela DCOMP e a possibilidade deste crédito extinguir o débito constituído, pelo processo de compensação, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário Nacional – CTN. O procedimento de retificação indica que a primeira DCOMP entregue conteve alguma inexatidão material em sua constituição que obrigou a entrega de uma retificadora. Assim, é da data da entrega da DCOMP retificadora, que a autoridade fiscal dispõe 5 (cinco) anos para se manifestar, pois é esta que será homologada ou não pela autoridade fiscal, através da análise de consistência dos créditos e débitos arrolados na declaração, exercendo a atividade de que dispõe o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Pois bem; como a entrega da declaração retificadora se deu em 10/10/2007, a autoridade fiscal tinha à sua disposição 5 (cinco) anos contados a partir desta data para constituir o crédito tributário, pela determinação de não homologação da compensação, fulminando portanto, somente a partir de 10/11/2012. Como o despacho ocorreu antes de 17/06/2009, visto que nesta data o contribuinte manifestou sua inconformidade, identificase como válido e tempestivo (dentro do prazo decadencial) o despacho decisório que não homologou a compensação declarada, em sua totalidade. Exercendo sua atividade dentro do prazo legal estabelecido, afastase qualquer hipótese de “decadência” do crédito tributário. Analisando o mérito da questão, a saber, a possibilidade do crédito tributário ser utilizado para extinguir pela via da compensação os débitos constituídos pelo contribuinte, têmse o seguinte. A validade do crédito tributário deve preencher a dois requisitos essenciais, nos termos do art. 170, do Código Tributário Nacional – o da liquidez e o da certeza de sua existência: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 63 7 Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. A liquidez do crédito tributário pleiteado é evidenciada pela disponibilidade do valor pago pelo contribuinte, quando este efetua um excesso de pagamento(s) que lhe dão o direito ao ressarcimento, à restituição e/ou a compensação. A certeza é evidenciada pela documentação capaz de não deixar dúvidas da existência do alegado excesso de pagamento(s), pelas informações constantes das obrigações acessórias, pela documentação contábil e fiscal e por todas as evidências capazes de não deixar dúvida de que o crédito pleiteado realmente existe. In casu, tanto a liquidez como a certeza do crédito tributário pleiteado pelo contribuinte estão atestadas, não havendo dúvidas da existência e disponibilidade do crédito tributário relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, de R$ 12.129,23. Contudo, os débitos que se tentaram compensar na data da entrega das DCOMP já estavam vencidos, motivo que obriga o contribuinte a corrigilos monetariamente, o que se observa que não foi feito. Ressaltase que os débitos estavam devidamente constituídos em DCTF que, como obrigação acessória de caráter de confissão de dívida, afasta qualquer hipótese de espontaneidade de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Como exceção, os débitos relativos ao 3° trimestre de 2004 não haviam sido confessados, conforme arrazoado pela própria Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) em seu Acórdão, às efls 45: 14. Destaquese que os débitos cuja compensação pleiteia foram confessados como dívidas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF entregues nas mesmas datas que as Dcomp, exceto a do 3º trimestre, entregue m 11/11/2004, um dia depois da Dcomp, págs. 40/41. Ora, sobre os débitos constituídos no 3° trimestre de 2004, objetos da DCOMP em análise de n° 14967.41556.101104.1.3.037032, não deve incidir a multa, eis que estão alcançados pela benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, por ter o contribuinte “quitado” o débito assim que supostamente soube de sua existência, antes mesmo de declarálo em obrigação acessória pertinente. Isto porque, assim dispõe a base legal em apreço: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 63DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 64 8 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O Superior Tribunal de Justiça já consolidou a matéria, no sentido de reconhecer a aplicação da denúncia espontânea quando restar evidenciado que o contribuinte ao “descobrir” sua existência, promove sua extinção por uma das modalidades constantes do art. 156 do Código Tributário Nacional, sobretudo, pelo pagamento: Súmula n° 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. (Grifase) Assim, caso os débitos estejam regularmente declarados e pagos a destempo, fora do prazo, não cabe as benesses desse instituto. Nesse sentido é a decisão do Recurso Especial representativo da controvérsia (art. 543C do CPC) emitido pelo STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificada (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 65 9 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Este também já foi o entendimento desta Turma, de que o instituto da Denúncia Espontânea tem cabimento na hipótese do débito não estar declarado, conforme colaciono a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTOS OCORRIDOS ANTES DE DECLARADOS EM DCTF E ANTES DO INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O pagamento de tributos sujeitos a lançamento por homologação feito em atraso, desde que não confessados em instrumento próprio e desde que ocorrido antes de iniciado procedimento fiscal tendente a consolidar o lançamento, estão albergados pelo instituto da denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 66 10 (Acórdão nº 1802001.319, Processo 10070.000013/200793, Relator Conselheiro Marciel Eder Costa, 2ª Turma Especial, 2ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, CARF/MF/DF, julgado em 07.08.2012) Tal entendimento foi também aplicado em Acórdão mais recente dessa turma, por unanimidade: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, em se tratando de saldo negativo, considerando inclusive o tributo declarado por terceiros, quando do saldo negativo houver imposto de renda retido na fonte por terceiros. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dandose conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ. (Acórdão nº 1802001.674, Processo 19740.000113/200754, Relator Conselheiro Marciel Eder Costa, 2ª Turma Especial, 2ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, CARF/MF/DF, julgado em 11.06.2013) Portanto, sobre os débitos que se tentaram compensar relativos ao 3° trimestre de 2004, por não terem sido constituídos em obrigação acessória, é de se aplicar as benesses da denúncia espontânea, conforme entendimento consolidado pelo STJ, independentemente da modalidade de extinção ter sido o pagamento ou a compensação. Nos demais débitos que se tentaram compensar, relativos aos 1°, 2° e 4° trimestres, não se aplica o entendimento acima porque os débitos foram constituídos em momento anterior à compensação, ou seja, já estavam declarados quando o contribuinte intentou promover sua extinção. Nestes casos o valor dos débitos devem ser atualizados tanto pela multa, como pelos juros cabíveis, reduzindose este montante do saldo negativo apurado como crédito Sobre os débitos relativos ao 1°, 2° e 4° trimestres de 2004, nenhum reparo deve ser dado às conclusões expostas pela Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) em seu Acórdão, às efls. 45: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1802002.141 S1TE02 Fl. 67 11 15. Pelo exposto se evidencia que o motivo da diferença no resultado dos .cálculos de compensação que apresentou em sua impugnação, em relação aos do Despacho Decisório e deste voto, é o fato de que não levou em conta que a extinção dos débitos que confessou nas Dcomp, por compensação, passou a ser efetivada a partir da data do envio da Declaração de Compensação, e como estes envios (constantes da tabela supra) foram posteriores aos vencimentos dos débitos compensados, sobre estes incidiram multa moratória e juros e como resultado, o crédito não foi suficiente para quitar todos. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, exonerando a multa moratória sobre os débitos constantes da DCOMP relativos ao 3° trimestre de 2004, pela aplicação da benesse da denúncia espontânea, reduzindose assim o valor não homologado. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 67DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.029853/97-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, acrescido de juros e multa proporcional, referente a períodos de apuração compreendidos nos anoscalendários de 1993 a 1995. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 50/52), lavrado contra a Contribuinte em epígrafe, constituindo crédito tributário da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS referente aos períodos de apuração de setembro de 1993 a outubro de 1995. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 29 85 3/ 97 -4 2 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.029853/9742 Resolução nº 3202000.199 S3C2T2 Fl. 286 2 O crédito tributário apurado, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 29.08.1997), perfaz o total equivalente a R$ 118.652,41 (cento e dezoito mil, seiscentos e cinquenta e dois reais e quarenta e um centavos), apontando a Autoridade Fiscal "Falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social" (fl. 51). O feito fiscal foi impugnado (fls. 56/66) alegando a Interessada, em síntese, no sentido: de que a feitura do Lançamento com suspensão "não se configura como a atitude mais adequada, haja visto a ocorrência de trânsito em julgado da decisão proferida nos autos n° 93.00301594, da 11ª Vara Federal em São Paulo, que garantiu à Requerente, em definitivo, o direito de não se sujeitar aos critérios jurídicos determinados nos Decretoslei n° 2.445 e 2.449/88 (...)" (fl. 57); de que "a decisão a ser proferida neste procedimento administrativo terá o condão de homologar os atos da Requerente no que diz respeito à sistemática de cálculo adotada e aos valores dos créditos decorrentes da decisão judicial" (fl. 58); de que houve erro de fato no apontamento do valor do faturamento do mês de junho de 1997; de que as diferenças em aberto ou a menor apuradas pela Fiscalização "não encontram qualquer respaldo na legislação pertinente, tampouco na jurisprudência (...)" (fl. 57), sendo que a Autuada discutiu judicialmente os Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88, obtendo declaração de inexistência de relação jurídica decorrente dos referidos diplomas e, com "a retirada de circulação dos Decretoslei n°s 2.445 e 2.449/88" (fl. 59), se impõe que a contribuição para o PIS seja calculada pela "aliquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, em conformidade com o artigo 6°, parágrafo único cia LC 7/70 (...)" (fl. 5 ,k e de que os juros não poderiam exceder a 12% ao ano, ficando a aplicação dos mesmos acima do legalmente previsto "pela inclusão dos juros da SELIC' (fl. 65), o "que macula de maneira incurável o AI lavrado, que deve ser julgado improcedente e arquivado" (fl. 65). Não discute a multa aplicada. Clama pela improcedência do Lançamento. Há noticias de sentença judicial — cópia trazida pela Interessada — concluindo "que o PIS é exigível, afastada, apenas, a modificação instituída pelos DL 's il. 2.445 e 2.449, ambos de 1.988" (fl. 124), com a seguinte determinação: "Convertamse em renda da União as importâncias depositadas e incontroversas relativas ao recolhimento do PIS, conforme a Lei Complementar n. 7/70. O eventual excedente será levantado pelos autores ao trânsito e julgado desta decisão" (fl. 125). Conforme Certidão Judicial de fl. 119, 'foi negado seguimento ao recurso". Conforme Certidão Judicial de fl. 120, foram reconhecidos como "corretos os recolhimentos do PIS nos moldes da Lei Complementar 07/70". A Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e do Crédito Tributário Sub Adice da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (DICAT) da Delegacia de Administração Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.029853/9742 Resolução nº 3202000.199 S3C2T2 Fl. 287 3 Tributária de São Paulo relatou que "depósitos judiciais foram convertidos integralmente em renda da União" (fl. 140). É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 1621.960, de 26/06/2009 (fls. 144/149), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1993, 1994, 1995 PIS.SEMESTRALIDADE. A apuração do PIS devido e, daí, a apuração do PIS a ser convertido em renda da União, passa necessariamente pela eleição dos critérios de apuração, sendo inerente ao cálculo da contribuição decidir sobre qual base imponível deve recair a exação, o que equivale a também decidir pela aplicação ou não da "semestralidade" (PIS apurado com base no faturamento do sexto mês anterior). PIS.CONVERSÃO DE DEPÓSITOS EM RENDA DA UNIÃO. Se o impugnante alega que, nos termos da tese da "semestralidade", haveria parcelas depositadas a maior no curso da demanda judicial a serem levantadas, mas se, ao contrário, houve a integral conversão dos depósitos em renda da União, deve ser descartada a referida tese. JUROS CALCULADOS COM O CONCURSO DA TAXA SELIC. Alegações voltadas, direta ou indiretamente, contra juros calculados com o concurso da Taxa Selic, por supostas máculas de qualquer espécie, devem ser desprezadas no julgamento administrativo. Lançamento Procedente Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 180/195, por meio do qual alega, depois de relatar os fatos: Durante o curso da Ação Cautelar n.º 93.00301594, procedeu a depósitos judiciais periódicos, em valores integrais, correspondentes ao cálculo da contribuição ao PIS com base nos Decretosleis n.º 2.445 e 2.449, de 1988, cuja constitucionalidade passou a ser questionada na Ação Ordinária de n.º 93.00331850. Em 27 de março de 1995, foi proferida sentença, posteriormente transitada em julgado, abrangendo os dois processos referidos e julgando procedente em parte o pedido, de modo a reconhecer a aplicação da Lei Complementar LC n.º 7/70, afastandose definitivamente os Decretosleis declarados inconstitucionais. Dessa forma, por consequência da sentença, à Recorrente foi reconhecido o direito de recolher a contribuição ao PIS com fundamento apenas na LC 7/70, reconhecendo se, ainda, a validade dos depósitos judiciais efetuados integralmente. Os valores excedentes, decorrentes da aplicação dos malfadados Decretosleis, poderiam ser levantados ou compensados pela Recorrente, nos termos das normas aplicáveis. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.029853/9742 Resolução nº 3202000.199 S3C2T2 Fl. 288 4 A Recorrente julgou por bem não proceder ao levantamento dos depósitos, a fim de manter o crédito que lhe cabia e efetivamente cabe, para compensação com tributos devidos a vencer (o que já vinha sendo efetuado), nos termos da legislação aplicável. Requereu, então, a conversão de todos os depósitos, no montante integral, em renda da União, conforme atesta o doc. de fl. 261. Obviamente, a União concordou expressamente com a conversão dos depósitos em renda (fl. 263). Muito embora amparada plenamente em decisão judicial, foi surpreendida com o auto de infração que exige valores da contribuição ao PIS relativos ao período de setembro/1993 a outubro/1995. E o mais espantoso: a decisão ora recorrida, que manteve a exigência, tem por fundamento o fato de os depósitos da Recorrente terem sido integralmente convertidos em renda, o que demonstraria a inexistência de qualquer crédito a seu favor, além de ser indevido, segundo a fiscalização, o cálculo da contribuição nos moldes da LC n.º 7/70, a partir da denominada “semestralidade”. Expressa o auto de infração que a Recorrente teria efetuado depósitos judiciais a menor, relativamente ao período de setembro/1993 a outubro/1995. Depreendese dos cálculos fiscais que a suposta diferença entre o devido e o depositado decorre da aplicação da "semestralidade" para apuração da base de cálculo da contribuição. O auto de infração, lavrado em 01/04/1997, desconsiderou que o trânsito em julgado da sentença favorável à Recorrente ocorreu em 18/02/1997, como atestam os docs. 03 a 05 acostados à impugnação. Não bastasse o equivoco, a fiscalização desconsiderou o teor da decisão judicial transitada em julgado, vedando ao Recorrente o direito de aplicar integralmente as disposições da LC n.º 7/70, que lhe permitiam apurar a contribuição ao PIS mediante a sistemática da "semestralidade". De acordo com a sentença, que determinou a aplicação das Leis Complementares em detrimento dos Decretosleis julgados inconstitucionais, a Recorrente aplicaria a alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (art. 6°, par. único, da LC n.º 7/70). A decisão ora Recorrida é ainda mais absurda que o auto de infração. Entendeu a Delegacia de Julgamento que o fato de os depósitos terem sido convertidos integralmente em renda da União demonstra que a "semestralidade" da contribuição não teria sido acolhida pela decisão transitada em julgado. A conversão dos depósitos em renda da União apenas foi realizada integralmente porque assim escolheu a Recorrente. E assim o fez porque já vinha, no curso da demanda, compensando administrativamente os créditos que detinha. Não poderia, portanto, simplesmente levantar os valores depositados se tais valores já estavam sendo objeto de compensação administrativa, nos termos das normas aplicáveis. Assim, a mera informação da repartição competente, afirmando que "depósitos foram convertidos integralmente em renda da União", não poderia servir de amparo à decisão da Delegacia de Julgamento. Não houve sequer a leitura dos autos da ação judicial, o que facilmente demonstraria que a conversão dos depósitos deuse por opção da Recorrente, com a concordância da União, em nada afetando o direito à aplicação integral da LC n.º 7/70 e à apuração da contribuição a partir da "semestralidade". Observese, ainda, que a decisão recorrida inova quanto ao fundamento do próprio auto de infração. Enquanto este se restringe a exigir a contribuição ao PIS por desconsiderar a "semestralidade" prevista na LC 7/70, aquela afirma que a conversão dos depósitos em renda da União confirmaria o fato de que a decisão judicial favorável à Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.029853/9742 Resolução nº 3202000.199 S3C2T2 Fl. 289 5 Recorrente não lhe reconheceu o direito à apuração da contribuição aplicandose a sistemática da "semestralidade". Além de criar a absurda tese de que a conversão dos depósitos significa que a decisão judicial não reconheceu o direito à aplicação da "semestralidade", que está na LC 7/70, a decisão recorrida viola o devido processo legal administrativo, ao alterar o fundamento da exigência do auto de infração. É extreme de dúvidas, pois a simples leitura dos autos judiciais mostra o porquê da conversão dos depósitos em renda, que permanece o direito à apuração da contribuição ao PIS tal como fez a Recorrente, aplicando a "semestralidade", por imposição da decisão judicial. A sentença transitada em julgado, que ampara o direito da Recorrente, conformase à esmagadora jurisprudência construída sobre o tema, nas esferas administrativa e judicial. Até 1995 a semestralidade foi mantida. Até referida data, a base de cálculo consistia no faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sendo a data de pagamento do tributo determinada conforme a Lei n.º 7.961/88 e outros diplomas que se sucederam. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento da contribuição para o PIS apurado no período de setembro de 1993 a outubro de 1995. Informa a fiscalização, no Termo de Verificação de fls. 40/41, que a Recorrente ingressou em juízo, mediante processo judicial de n°. 93.00301594 (Medida Cautelar), protocolado na 11ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, objetivando o direito de efetuar o depósito judicial dessa contribuição. Obtida a medida liminar, foi suspensa a exigibilidade do montante depositado. Contudo, assevera que os depósitos judiciais não foram realizados em seus montantes integrais (de Jan à Dez/92; Jan à Ago/93; Nov/95; Dez/95; Fev/96; Jan/97 e Junho/97), contrariando as Leis Complementares n.º 7, de 1970, e 17, de 1973, assim como as Leis n.º 8.383, de 1991 e 8.981, de 1995, daí o auto de infração visando exigir a diferença não recolhida (anexada aos autos cópia da Ação Ordinária n.º 93.00331850, por meio da qual a Recorrente pretendeu obter declaração negativa da obrigação de recolher o PIS ou a pagálo na forma da Lei Complementar n.º 7, de 1970). Na sentença, concluiu o magistrado exigível a contribuição, mas sem a modificação introduzida pelos Decretoslei n.º 2.445 e 2.449, ambos de 1988, motivo pelo qual reconheceu corretos os recolhimentos efetuados com base na Lei Complementar n.º 7, de 1970, concedendo, também, o direito de restituição sobre os valores que extravasavam a exigência nos moldes do referido diploma legal. Aliás, foi o parágrafo único de seu art. 6º que estabeleceu a conhecida “semestralidade” na determinação da base de cálculo do PIS Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.029853/9742 Resolução nº 3202000.199 S3C2T2 Fl. 290 6 (“Parágrafo único. A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente.”). Por seu turno, afirma a Recorrente que os valores objeto do depósito judicial foram calculados com base nos Decretosleis n.º 2.445 e 2.449, de 1988, cuja constitucionalidade passou a ser questionada na Ação Ordinária de n.º 93.00331850. Como obteve, em decisão judicial transitada em julgado, o direito a recolher om PIS com base nas disposições encartadas na Lei Complementar n.º 7, de 1970, os valores recolhidos excederam os devidos, daí que optou pleitear a sua conversão em renda da União e compensar o excedente com débitos próprios. Já a fiscalização, como já deixamos entrever, sustenta que os valores foram depositados a menor, contrariando as próprias Leis Complementares n.º 7, de 1970, e 17, de 1973, assim como as Leis n.º 8.383, de 1991 e 8.981, de 1995 – justo as que a Recorrente visa fundamentar o recolhimento do PIS nos períodos de apuração já mencionados. Anexado aos autos, há apenas a planilha de fl. 39, por meio da qual a fiscalização discrimina os valores das receitas de venda, das exclusões e das bases de cálculo do PIS (cabe registrar que, a despeito de a fiscalização indicar os períodos de apuração em que os valores teriam sido recolhidos a menor, não há cobrança de contribuição, no auto de infração, em relação a todos eles). Não há qualquer planilha cotejando os valores que teriam sido depositados com aqueles que, no entender da fiscalização, deveriam ter sido depositados em conformidade com a decisão judicial, tampouco há referência a quaisquer valores já recolhidos no Demonstrativo de Apuração do PIS, parte integrante do auto de infração. Ante o exposto, remanescendo dúvidas quanto aos valores lançados, bem como se os depositados o foram a maior ou menor que o devido segundo a decisão judicial assegurada à Recorrente, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem: a) elabore planilha demonstrando de onde derivam as diferenças exigidas pela fiscalização (os valores lançados), consignando expressamente, e para cada período de apuração, os valores depositados em juízo, os devidos em conformidade com a decisão transitada em julgado e as diferenças (a maior ou a menor). b) informe a data do trânsito em julgado da ação ordinária ajuizada pela Recorrente. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10880.029853/9742 Resolução nº 3202000.199 S3C2T2 Fl. 291 7 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13884.002281/2001-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/10/1999
RECURSO ESPECIAL. PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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PIS. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Questão referente ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 22 81 /2 00 1- 78 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 431 a 437) e UNIMED DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA (fls. 446 a 476) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 402 a 429) que, I) por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento; II) por maioria de votos, reconheceu a decadência do lançamento com relação aos períodos de apuração anteriores a junho de 1996; e III) pelo voto de qualidade, negou provimento quanto ao período a partir de novembro de 1999. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da decisão recorrida, quando nesta são apreciadas todas as alegações contidas na peça impugnatória, sem omissão ou contradição, e perícia é negada porque despicienda. Preliminar rejeitada. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. PIS. DECADÊNCIA. 03/1996 e 05/1996. 1. As contribuições sociais, dentre elas a referente ao PIS, embora não compondo o elenco dos impostos, têm caráter tributário, devendo seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem específicas. À falta de lei complementar específica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recepcionada pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. 2. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se desloca da regra geral, prevista no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150 do mesmo Código, hipótese em que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. PIS/FATURAMENTO. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. PERÍODOS DE APURAÇÃO DE JUNHO DE 1996 A OUTUBRO DE 1999. PIS FATURAMENTO NAS OPERAÇÕES COM NÃOASSOCIADOS. PIS O SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. CONCOMITÂNCIA. No período até outubro de 1999 as cooperativas contribuem com PIS faturamento, incidente à alíquota de 0,65% sobre as receitas de Fl. 710DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13884.002281/200178 Acórdão n.º 9303002.754 CSRFT3 Fl. 710 3 operações com não associados, cumulativamente com o PIS sobre a folha de salários. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO NOVEMBRO DE 1999 E DEZEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999, com o fim da isenção concedida de forma ampla às cooperativas, as receitas auferidas por estas sociedades compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas na legislação de regência. Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando violação aos artigos 45 da Lei nº 8.212/91 e 150, § 4º, do CTN, especificamente para que o v. acórdão recorrido seja reformado quanto à decadência, reconhecendose o direito da Seguridade Social apurar e constituir os créditos relativos ao PIS no prazo de dez anos, nos termos do já referido artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Esse recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 439 a 442. Contrarrazões às fls. 477 a 486. A Unimed, por outro lado, interpôs o já mencionado recurso especial, mas, conforme noticiado às fls. 680, apresentou desistência total do recurso interposto, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentaram o referido recurso, para fins de adesão ao programa de anistia/parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Restou pendente, assim, apenas o julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional merece ser conhecido. No tocante ao mérito, todavia, melhor sorte não assiste à Recorrente. Com efeito, a matéria ora controvertida diz respeito, apenas, ao prazo decadencial ser de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: Fl. 711DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 712DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MAR COS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 36624.000679/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
DILIGÊNCIA. INFORMAÇÃO FISCAL COM NATUREZA DE RÉPLICA. PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEZ DIAS. ART. 44 DA LEI Nº 9.784/99.
A lei tributária apenas prevê a devolução de prazo ao sujeito passivo para impugnação quando, e tão somente quando, em razão de exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões das quais resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exação lançada, hipóteses em será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, contemplando tal agravamento da exigência, se for o caso, reabrindo-se o prazo de impugnação no concernente à matéria agravada.
Inexistindo em razão da diligência qualquer agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, em atenção ao princípio constitucional da transparência, da informação fiscal deve ser dada ciência ao sujeito passivo, assinalando-se o prazo de dez dias para se manifestar nos autos, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/99.
GPS. RETIFICAÇÃO. DESDOBRAMENTO EM DOIS DOCUMENTOS OU ALTERAÇÃO DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Serão indeferidos pedidos de retificação que versem sobre desdobramento de GPS em dois ou mais documentos ou sobre alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito lançado de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição do débito, a teor do art. 4º da IN RFB nº 1.265/2012.
RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis - CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para excluir do valor do Principal lançado, a importância recolhida tempestivamente a título de 13º salário nas GPS da competência 12/2002, devendo os juros e multa moratórios incidir, tão somente, sobre o saldo devedor do Principal, na forma fixada nos artigos 34 e 35, II e §4º, ambos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pelas leis nº 9.528/97 e 9.876/99, respectivamente, em atenção ao constante do art. 144 do CTN.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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MORGAN S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DILIGÊNCIA. INFORMAÇÃO FISCAL COM NATUREZA DE RÉPLICA. PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEZ DIAS. ART. 44 DA LEI Nº 9.784/99. A lei tributária apenas prevê a devolução de prazo ao sujeito passivo para impugnação quando, e tão somente quando, em razão de exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões das quais resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exação lançada, hipóteses em será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, contemplando tal agravamento da exigência, se for o caso, reabrindose o prazo de impugnação no concernente à matéria agravada. Inexistindo em razão da diligência qualquer agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, em atenção ao princípio constitucional da transparência, da informação fiscal deve ser dada ciência ao sujeito passivo, assinalandose o prazo de dez dias para se manifestar nos autos, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/99. GPS. RETIFICAÇÃO. DESDOBRAMENTO EM DOIS DOCUMENTOS OU ALTERAÇÃO DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 06 79 /2 00 6- 41 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Serão indeferidos pedidos de retificação que versem sobre desdobramento de GPS em dois ou mais documentos ou sobre alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito lançado de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição do débito, a teor do art. 4º da IN RFB nº 1.265/2012. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida, darlhe parcial provimento para excluir do valor do Principal lançado, a importância recolhida tempestivamente a título de 13º salário nas GPS da competência 12/2002, devendo os juros e multa moratórios incidir, tão somente, sobre o saldo devedor do Principal, na forma fixada nos artigos 34 e 35, II e §4º, ambos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pelas leis nº 9.528/97 e 9.876/99, respectivamente, em atenção ao constante do art. 144 do CTN. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 502 3 Relatório Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Data da lavratura da NFLD: 29/12/2005. Data da Ciência da NFLD: 29/12/2005. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo do empregador, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o décimo terceiro salário de segurados empregados – competência 13/2002 , conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 26/27. Informa a Autoridade Lançadora que, em atenção ao programa de metas do ano de 2006, a ação fiscal desenvolvida na empresa observou rito próprio e caráter célere, razão pela qual não foram examinados demais elementos além dos atos constitutivos da empresa, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, guias de recolhimento da Previdência Social GPS e folha de pagamento de 13/2005. Irresignada com o supracitado lançamento tributário, a notificada apresentou impugnação a fls. 37/43. A Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo – Oeste baixou o feito em diligência para que aos fiscais autuantes se pronunciassem a respeito da alegação de extinção pelo pagamento e analisassem os documentos acostados com a Defesa, conforme despacho a fl. 144. Informação Fiscal a fl. 145, na qual a fiscalização informa que não consta no banco de dados da Previdência recolhimentos relativos ao 13° salário para a matriz e a filial. A fiscalização constatou que a empresa efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias referentes às competências 12/2002 e 13/2002 em documento único, qual seja, a GPS referente à competência 12/2002. Aduz que, como nestas situações de erro da empresa, não há a possibilidade de serem efetuadas as devidas averbações no sistema da Previdência, os valores levantados na NFLD em debate devem ser mantidos. Devidamente notificada acerca da informação fiscal acima citada, a Notificada apresentou, a fls. 156/161, aditivo à impugnação administrativa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 163/171, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15 de fevereiro de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 174. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 177/191, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Cerceamento do direito de defesa, em razão de haver sido assinalado ao Recorrente o prazo de 10 dias para se pronunciar sobre a informação fiscal quando o correto seria de 30 dias; · Que as contribuições referentes ao 13º salário de 2002 foram integralmente recolhidas; · Que a Auditoria Fiscal, arbitrária e ilegalmente, imputou responsabilidade solidária aos diretores da Recorrente para o pagamento do suposto crédito tributário; · Que a utilização da taxa Selic como juros moratórios é descabida; Ao fim, requer a declaração de improcedência do lançamento. O Julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência para que a fiscalização, analisando com olhar mais clínico a documentação completa da empresa em tela, se pronunciasse de maneira conclusiva sobre os valores efetivamente devidos pelo Recorrente a título de contribuição previdenciária a cargo dos segurados e a cargo da empresa destinadas ao custeio da seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes individuais relativas às competências dezembro/2002 e 13º salário/2002, individualizadamente, assim como os recolhimentos efetuados pelo Recorrente nessas competências, conforme Resolução nº 230200.172, de 19 de junho de 2012, a fls. 221/225. Fruto do incidente processual acima referido, foi emitido o Relatório de Diligência Fiscal a fls. 424/425. Promovida a ciência do referido Relatório de Diligência Fiscal ao Sujeito Passivo, fl. 464, este se manifestou a fls. 466/476. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 503 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Afirma o Recorrente que a utilização da taxa Selic como juros moratórios é descabida Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando as peças de Defesa à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo Impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 508DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de Fl. 509DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 504 7 energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA. Sustenta o Recorrente que se houve por cerceado o direito de defesa, em razão de lhe haver sido assinalado o prazo de 10 dias para se pronunciar sobre a informação fiscal quando o correto seria de 30 dias. Razão não lhe assiste. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ao contrário do que afirma o Recorrente, a Informação Fiscal a fl. 145 não se configura, de forma alguma, retificação de lançamento fiscal. De fato, o pronunciamento da Autoridade Lançadora a fl. 145 possui natureza de réplica à alegação erguida pelo Impugnante de que o crédito tributário objeto do lançamento já se encontrava extinto pelo pagamento, conforme consta expressamente consignado no último parágrafo do pedido de diligência requerida pela Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo – Oeste a fl. 144. Sem engano. Da perfunctória análise do processo ora em apreciação constata se que, na fase de instrução, foram coligidos pela fiscalização aos autos todos os relatórios e documentos exigidos pela legislação tributária para a constituição do crédito previdenciário em questão, sendo a empresa devidamente notificada do procedimento administrativo em formação, abrindoselhe o prazo normativo para o oferecimento de impugnação ao lançamento. No prazo assentado, o Notificado, exercendo o seu direito de defesa e instaurando a fase litigiosa do procedimento, apresentou ao órgão fazendário impugnação à exigência fiscal, instruindo o seu instrumento de defesa com os motivos de fato e de direito em que se fundamentavam suas alegações, os pontos de discordância e as razões e provas que possuía, passando a se considerar como não impugnadas as matérias não expressamente contestadas pelo sujeito passivo. Ocorre que, ao tratar do julgamento em 1ª instância, prevê o Decreto nº 70.235/72 a faculdade do órgão julgador de determinar, ex officio, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) §2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Fl. 511DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 505 9 Há que se registrar que, conforme expressamente consignado no §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, a lei tributária apenas prevê a devolução de prazo ao sujeito passivo para impugnação quando, e tão somente quando, em razão de exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões das quais resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exação lançada. Nestas hipóteses, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, contemplando tal agravamento da exigência, se for o caso, reabrindose o prazo de impugnação no concernente à matéria agravada. A todo ver, no caso presente, o Processo Administrativo Fiscal em análise encontravase quase que perfeitamente instruído, apenas requerendo o Órgão Julgador de 1ª Instância, para a formação de sua livre convicção, o pronunciamento do agente fiscal notificante sobre um determinado argumento de defesa levantado pelo Notificado em sede de impugnação administrativa. Com efeito, mediante a diligência requerida não foram apuradas quaisquer incorreções, omissões ou inexatidões, tampouco dela resultou qualquer agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, não havendo que se falar, portanto, em devolução do prazo para impugnação. Ocorre, todavia, que o art. 38 da Portaria RFB n° 10.875/2007 prevê a aplicação subsidiária da Lei nº 9.784/99 nos casos de omissão da legislação previdenciária. Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 38. Aos casos não tratados nesta Portaria, aplicamse subsidiária e sucessivamente as disposições do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil. Assim, havendo a fiscalização se manifestado em réplica sobre os argumentos de defesa, mesmo que de tal manifestação não haja resultado qualquer agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, ante a inexistência de previsão expressa na legislação tributária, restando então encerrada a instrução do processo, pautou por bem a administração tributária, em atenção ao princípio constitucional da transparência e com espeque no art. 44 da Lei nº 9.784/99, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, dar ciência ao sujeito passivo do inteiro teor do resultado da diligência realizada, assinalandolhe o prazo de dez dias para se manifestar nos autos. Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Não merece reparo, portanto, o desfecho da demanda proferido pela autoridade de 1ª Instância, o qual reproduzimos in totum a seguir: Fl. 512DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 “Portanto, no caso dos autos, não há que se falar em reabertura do prazo de defesa, já que não houve qualquer vício ou inexatidão no lançamento, a concessão de prazo se deu apenas para a manifestação da Impugnante sobre a informação fiscal para atender ao princípio da audição jurídica, uma vez que, no processo, há duas pessoas com interesses conflitantes, sendo óbvio que ambas devem ser ouvidas. Ademais, no prazo de dez dias concedido, a Impugnante apresentou adendo à Impugnação, no qual contestou o mérito da diligência, não houve qualquer prejuízo processual, portanto não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, já que a Notificada apresentou adendo contestando a informação fiscal e o mérito do lançamento”. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre ab initio assentar que não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões já decididas pelo órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. Pondera o Recorrente que as contribuições referentes ao 13º salário de 2002 foram integralmente recolhidas. Malgrado tal circunstância possa transparecer verdadeira, ela não tem o condão de ilidir o presente lançamento tributário. Não é bem isso o que se extrai das provas dos autos. Muito embora extremamente difundido pelos causídicos militantes do Direito Tributário, a busca sem mesuras da verdade material, nesse ramo do Direito, não passa de um mito, que não consegue vencer, nem por instantes, as expressas determinações inseridas nas leis tributárias que reclamam todas pelo formalismo exacerbado. Não resta dúvida que a verdade material se configura na meta colimada pelo julgador de qualquer ordem, seja nas diversas instâncias judiciais, seja nas variadas áreas administrativas. O que varia, com certeza, é o âmbito de perquirição da verdade material o qual, de regra, se circunscreve às provas acostadas aos autos. No ramo do Direito Tributário, ao contrário do prisma pelo qual enxerga o Recorrente, a legislação impõe a observância de um formalismo hercúleo, o qual, muita vez, suplanta a própria verdade material demonstrada nos autos, como sói ocorrer nas hipóteses de Fl. 513DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 506 11 retenção de contribuições previdenciárias de que tratam os artigos 30, I, ‘a’ e 31 da Lei nº 8.212/91, este, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, e art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Nesses casos, mesmo que reste demonstrado que a empresa obrigada não efetuou a retenção das respectivas contribuições previdenciárias (verdade material), estas sempre se presumirão feitas, oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Dessarte, nessas e em outras hipóteses, de nenhuma valia será a verdade material eis que a lei expressamente a desconsidera. O ramo do direito tributário se configura, quiçá, como aquele mais agrilhoado pelos imperativos do formalismo, tanto no âmbito do direito material quanto na parte processual, o qual não pode ser desprezado pelo operador do direito, circunstância que caracterizaria negativa de vigência à norma tributária impositiva e eficaz. Nessa perspectiva, avulta que negligenciada não pode ser a forma dos atos jurídicos, quando a legislação tributária assim o exige, sob pena de nulidade. Da áurea pena da Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha colhemos o ensinamento que reza: “A civilização é formal. As formas desempenham um papel essencial na convivência civilizada dos homens; elas delimitam espaços de ação e modos inteligíveis de comportamento para que a surpresa permanente não seja um elemento de tensão constante do homem em seu contato com o outro em sua busca de equilíbrio na vivência com o outro e, inclusive, consigo mesmo". Não por acaso já prelecionava Ihering: "Inimiga jurada do arbítrio, a forma é a irmã gêmea da liberdade". Vencidas estas breves, mas necessárias digressões, verificamos que, formalmente, o Recorrente efetuou em 20 de dezembro de 2002, recolhimento no valor global de R$ 926.083,93 em favor da pessoa jurídica identificada pelo CNPJ nº 33.172.537/000198 e R$ 64.792,64 em favor da pessoa jurídica identificada pelo CNPJ nº 33.172.537/000945, ambas referentes à competência 12/2002, mas nenhum recolhimento se houve por efetuado em relação à competência 13/2002 por nenhuma das pessoas jurídicas acima identificadas. Malgrado existam indícios de que, nos valores acima indicados, tenham sido englobadas contribuições previdenciárias referentes às competências 12/2002 e 13/2002, formalmente, os recolhimentos aludidos contemplaram, tão somente, a competência 12/2002. Esta é a verdade formal. O Manual de Preenchimento da Guia da Previdência Social GPS, aprovado pela Ordem de Serviço n° 205, de 10 de março de 1999, é claro ao dispor que as contribuições previdenciárias relativas ao décimo terceiro salário devem ser recolhidas em documento individualizado, até o dia 20 de dezembro de cada ano, fazendose constar no campo 4: competência (mês/ano), a inscrição “13/xxxx”, onde “xxxx” referese ao ano/calendário, in casu, “13/2002”. No caso em apreço, ao não observar os formalismos exigidos pela fiscalização, promovendo a empresa, ao que sugerem os indícios, o recolhimento das contribuições previdenciárias referentes a 12/2002 e 13/2002 em uma única GPS e esta referenciada à competência 12/2002, fez o sujeito passivo em foco destinar a esta competência todo o montante assim recolhido e nada à outra, permanecendo esta outra a descoberto. Assim, para todos os fins de direito, os recolhimentos acima assinalados referemse, única e exclusivamente, à competência 12/2002. Em nada à competência 13/2002. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Ora, aquele que, por iniciativa própria, mesmo que em razão de negligência, imprudência ou imperícia, deu causa ao erro carrega o fardo de sua eficaz reparação. O Órgão Julgador de 1ª Instância enfrentou com clareza a questão ora em trato, deixando bem claro ao Recorrente que “No caso dos autos, a Impugnante recolheu erroneamente as contribuições do décimo terceiro salário na competência 12. Ocorre que, conforme informação fiscal, tal erro não pode ser corrigido, uma vez que deveria a Notificada ter recolhido estes valores na competência 13. Ao recolher na competência 12, não tem como se considerar o recolhimento da competência 12, como competência 12 e 13, já que efetuado na mesma guia. Se tivesse a Impugnante recolhido em guias separadas, mesmo que na competência 12, seria possível a alteração da guia para apropriação na competência 13. Recolhimento feito em guia única, não há como se fracionar tais valores. Portanto, deve a empresa no caso requerer a restituição do valor pago a maior erroneamente e solicitar a operação concomitante”. Aditese que a impossibilidade de correção do recolhimento efetuado pelo Recorrente não dessai de qualquer desídia da autoridade julgadora. Antes, tem assento legislativo no art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.265/2012, a qual estabelece procedimentos para retificação de erros no preenchimento de Guia da Previdência Social (GPS), nos termos que se vos seguem: Instrução Normativa RFB nº 1.265, de 30 de março de 2012 Art. 4º Serão indeferidos pedidos de retificação que versem sobre: I desdobramento de GPS em 2 (dois) ou mais documentos; (grifos nossos) II alteração da informação constante no campo Identificador emitida no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) relativa a retenções ou pagamentos efetuados por órgãos ou entidades públicas; III conversão de GPS em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e viceversa; IV conversão de GPS em Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) ou em Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE) e viceversa; V alteração do valor total do documento; (grifos nossos) VI alteração da data do pagamento; VII alteração de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos; (grifos nossos) VIII alteração de GPS que vise a sua alocação simultânea para quitação de débito declarado em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações da Previdência Social (GFIP) e débito sob controle de processo; (grifos nossos) IX alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito lançado de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição deste débito; (grifos nossos) X alteração de campos de GPS que já tenha sido utilizada em regularização de obra de construção civil com Certidão Fl. 515DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 507 13 Negativa de Débitos ou com Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa liberada; XI alteração de código de pagamento do Simples Federal ou Nacional para empresa em geral e viceversa, para recolhimentos efetuados a partir de 4 janeiro de 2010; XII alteração de campos de GPS alocada a débito que se encontre liquidado, ressalvados os casos em que o erro tenha sido causado pela RFB; XIII erro não comprovado. Parágrafo único. Na hipótese do inciso III, poderá ser solicitada a conversão de documentos na forma do art. 16A da Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006. Nesse contexto, apondo a legislação tributária vedação expressa à correção das GPS recolhidas com erro pelo Recorrente, outra alternativa a este não se abriria que não a formulação de pedido de restituição dos valores recolhidos a maior na competência 12/2002 e operação concomitante, se outro empecilho de cunho legal, tal como eventual prescrição, não se opor como impedimento para tais operações, como nesse sentido alertou o Julgador a quo, conforme abaixo transcrito: “9.14. Alertase ao contribuinte, portanto, que, sendo do seu interesse e preenchidas todas as formalidades legais Lei n° 8.212/91 (art. 31, §2° e art. 89), Decreto n° 3.048/99 (art. 219, §9º e art. 247 a art. 250) e normativas Instrução Normativa n° 03/2005 (art. 205 a art. 211), dirijase à Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil circunscricionante de seu domicilio tributário, para formalizar o pedido de restituição dos créditos previdenciários existentes, o que certamente demandará exame da documentação pertinente. A Empresa poderá, na hipótese do pedido de restituição, fazer acompanhar de solicitação de operação concomitante, na forma disciplinada, abaixo: 9.15. Portanto, confirma a Impugnante que realmente não recolheu corretamente as contribuições previdenciárias do decimo terceiro salário de 2002, lançamento procedente. Cabe a ela solicitar eventual restituição e operação concomitante com este débito”. Nesse contexto, havendo a fiscalização constatado a ocorrência de pagamentos a título de 13º salário, e inexistindo o correspondente recolhimento das contribuições previdenciárias relativas a tais remunerações, houvese por lavrada o presente lançamento tributário, por dever de ofício e em razão da natureza plenamente vinculada de suas atribuições, em atenção aos ditames assentados no art. 37 da Lei nº 8.212/91. Não se pode, todavia, fechar os olhos à realidade dos fatos. Nessa perspectiva, o julgamento do feito houvese por convertido em Diligência Fiscal para que a fiscalização, Fl. 516DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 analisando com olhar mais clínico a documentação completa da empresa em tela, se pronunciasse, de maneira conclusiva, sobre os valores efetivamente devidos pelo Recorrente a título de contribuição previdenciária a cargo dos segurados e a cargo da empresa destinadas ao custeio da seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes individuais relativas às competências dezembro/2002 e 13º salário/2002, individualizadamente, assim como os recolhimentos efetuados pelo Recorrente nessas competências. Fruto de tal incidente processual, a Fiscalização informou a fls. 421/425 os seguintes dados relativos a recolhimentos e valores devidos pelo Sujeito Passivo em tela, nas competências dezembro e 13º de 2002: MATRIZ COMPETÊNCIA COMPETÊNCIA 33.172.537/0001‐98 dez/02 dez/02 SEGURADOS EMPREGADOS VALORES RECOLHIDOS Salário de Contribuição 1.881.260,47 GPS 1 (campo 6) 918.977,64 SEGURADOS 41.858,15 GPS 2 (campo 6) 1.202,39 EMPRESA (22,5%) 423.283,61 GPS 3 (campo 6) 1.374,16 SAT (1%) 18.812,60 SAL. MATERNIDADE ‐1.967,74 sub‐total 921.554,19 INCRA (0,2%) 3.762,52 GPS (campo 9) 7.106,33 SUB‐TOTAL 485.749,14 SUB‐TOTAL 928.660,52 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS VALORES RECOLHIDOS Salário de Contribuição 46.739,03 EMPRESA (22,5%) 10.516,28 GPS (campo 6) 10.516,28 SUB‐TOTAL 10.516,28 SUB‐TOTAL 10.516,28 TOTAL DEVIDO (dez/2002) 496.265,42 TOTAL RECOLHIDO 939.176,80 MATRIZ COMPETÊNCIA COMPETÊNCIA 33.172.537/0001‐98 13º/2002 13º/2002 SEGURADOS EMPREGADOS VALORES RECOLHIDOS Salário de Contribuição 1.746.610,45 GPS 1 (campo 6) NÃO HÁ SEGURADOS 41.954,14 EMPRESA (22,5%) 392.987,35 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 508 15 SAT (1%) 17.466,10 INCRA (0,2%) 3.493,22 GPS (campo 9) NÃO HÁ SUB‐TOTAL 455.900,81 SUB‐TOTAL ‐ MATRIZ COMPETÊNCIAS COMPETÊNCIA 33.172.537/0001‐98 (12 + 13º)/2002 (12 + 13º)/2002 TOTAL DEVIDO (13º salário) 952.166,23 TOTAL RECOLHIDO 939.176,80 DIFERENÇA A RECOLHER 12.989,43 FILIAL COMPETÊNCIA COMPETÊNCIA 33.172.537/0009‐45 dez/02 dez/02 SEGURADOS EMPREGADOS VALORES RECOLHIDOS Salário de Contribuição 135.299,60 GPS (campo 6) 64.277,76 SEGURADOS 1.889,47 EMPRESA (22,5%) 30.464,91 SAT (1%) 1.354,00 sub‐total 64.277,76 INCRA (0,2%) 270,80 GPS (campo 9) 514,88 SUB‐TOTAL 33.979,18 SUB‐TOTAL 64.792,64 FILIAL COMPETÊNCIA COMPETÊNCIA 33.172.537/0009‐45 13º/2002 13º/2002 SEGURADOS EMPREGADOS VALORES RECOLHIDOS Salário de Contribuição 122.042,20 GPS 1 (campo 6) NÃO HÁ SEGURADOS 1.889,47 EMPRESA (22,5%) 27.459,50 SAT (1%) 1.220,42 INCRA (0,2%) 244,08 GPS (campo 9) NÃO HÁ SUB‐TOTAL 30.813,47 SUB‐TOTAL ‐ FILIAL COMPETÊNCIAS COMPETÊNCIA Fl. 518DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 33.172.537/0009‐45 (12 + 13º)/2002 (12 + 13º)/2002 TOTAL DEVIDO (FILIAL) 64.792,65 TOTAL RECOLHIDO 64.792,64 DIFERENÇA A RECOLHER 0,01 Da Informação Fiscal a fls. 421/425 extraímos, então, os seguintes valores relativos à matriz e à filial: MATRIZ + FILIAL dez/02 13º/2002 TOTAL VALOR DEVIDO (MATRIZ) 496.265,42 455.900,81 952.166,23 VALOR DEVIDO (FILIAL) 33.979,18 30.813,47 64.792,65 TOTAL (MATRIZ + FILIAL) 530.244,60 486.714,28 1.016.958,88 VALOR RECOLHIDO (MATRIZ) 939.176,80 0,00 939.176,80 VALOR RECOLHIDO (FILIAL) 64.792,64 0,00 64.792,64 TOTAL (MATRIZ + FILIAL) 1.003.969,44 0,00 1.003.969,44 DIFERENÇA (MATRIZ + FILIAL) ‐473.724,84 486.714,28 12.989,44 Valor devido ao INSS na competência 12/2002 = R$ 530,244,60 Valor recolhido na competência 12/2002 = R$ 1.003.969,44 Valor recolhido a maior na competência 12/2002 = R$ 473.724,84 Valor devido ao INSS na competência 13º/2002 = R$ 486.714,28 Valor recolhido na competência 13º/2002 = R$ 0,00 Valor devido na competência 13º/2002 = R$ 486.714,28 Dos dados coletados nos autos, avulta que o valor global recolhido ao INSS mediante as GPS acima especificadas (R$ 1.003.969,44) é consideravelmente superior ao montante devido à autarquia previdenciária em foco exclusivamente na competência dezembro/2002 (R$ 530.244,60), mas, também, se revela insuficiente para cobrir o crédito previdenciário devido pela empresa referente às competências 12/2002 e 13º salário/2002 em conjunto (R$ 1.016.958,88), restando a descoberto uma importância de, pelo menos, R$ 12.989,44. Muito embora o formalismo dos documentos em realce conduzam exclusivamente à competência dezembro/2002 a totalidade dos recolhimentos efetuados pela empresa em foco (R$ 1.003.969,44), as evidências plasmadas nos autos revelam o animus Fl. 519DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 509 17 solvendi do Sujeito Passivo dirigido às competências 12/2002 e 13/2002, circunstância que não pode ser desprezada por este colegiado. Nesse contexto: · Considerando que os pagamentos efetuados pelo Sujeito Passivo foram apropriados pela autarquia previdenciária para cobrir o crédito tributário referente à competência 12/2002, conforme indicado no Campo 4 das GPS recolhidas; · Considerando que houve um recolhimento a maior na competência 12/2002 na ordem de R$ 473.724,84; · Considerando a intenção do Sujeito Passivo de recolher as contribuições previdenciárias relativas ao 13º salário/2002 juntamente com a competência 12/2002; · Considerando que os recolhimentos em relevo houveramse por realizados em 20/12/2002, data de vencimento das obrigações relativas ao 13º salário de 2002; · Considerando que as contribuições previdenciárias devidas pela empresa referentes ao 13º salário/2002 somam a importância de R$ 486.714,28 , conforme informação fiscal a 421/425; · Considerando que o valor recolhido a maior na competência 12/2002 (R$ 473.724,84) são insuficientes para cobrir o valor devido pela empresa na competência 13º salário/2002 (R$ 486.714,28), restando um débito a descoberto de R$ 12.989,44. Considerando tudo o mais que dos autos consta, pugnamos pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para excluir do valor do Principal (R$ 486.714,28) da presente NFLD a importância de R$ 473.724,84 (quatrocentos e setenta e três mil, setecentos e vinte e quatro reais e oitenta e quatro centavos) recolhida tempestivamente a título de 13º salário nas GPS da competência 12/2002, devendo os juros e multa moratórios incidir, tão somente, sobre o saldo devedor do Principal (R$ 12.989,44), na forma fixada, respectivamente, nos artigos 34 e 35, II e §4º, ambos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pelas leis nº 9.528/97 e 9.876/99, respectivamente, em atenção ao princípio tempus regit actum encartado no art. 144 do CTN. 3.2. DO RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS Alega o Recorrente que a Auditoria Fiscal, arbitrária e ilegalmente, imputou responsabilidade solidária aos seus diretores para o pagamento do suposto crédito tributário. O apelo clamado não merece seguimento. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é da empresa, não dos diretores arrolados no relatório intitulado "CORESPONSÁVEIS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relação de Coresponsáveis CORESP", a fls. 14/15, possui apenas caráter informativo, prestandose como mero subsídio à Procuradoria, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Tal entendimento encontrase consolidado no Verbete da Súmula CARF nº 88, conforme se vos segue: Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de Fl. 521DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36624.000679/200641 Acórdão n.º 2302002.993 S2C3T2 Fl. 510 19 fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura do Auto de Infração em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (..) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação"; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de Corresponsáveis – CORESP, não se encontra impregnada de qualquer arbitrariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do valor do Principal (R$ 486.714,28) da presente NFLD a importância de R$ 473.724,84 (quatrocentos e setenta e três mil, setecentos e vinte e quatro reais e oitenta e quatro centavos) recolhida tempestivamente a título de 13º salário nas GPS da competência 12/2002, devendo os juros e multa moratórios incidir, tão somente, sobre o saldo devedor do Principal (R$ 12.989,44), na forma fixada, respectivamente, nos artigos 34 e 35, II e §4º, ambos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pelas leis nº 9.528/97 e 9.876/99, respectivamente, em atenção ao princípio tempus regit actum encartado no art. 144 do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11843.000276/2009-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
PETIÇÃO DE DESISTÊNCIA.
A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta.
Numero da decisão: 1801-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por desistência da Recorrente, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por desistência da Recorrente, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 3. 00 02 76 /2 00 9- 39 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11843.000276/200939 Acórdão n.º 1801001.850 S1TE01 Fl. 541 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 29803.56465.181006.1.3.027375 em 18.10.2006, fls. 0212, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$259.175,49 apurado pelo lucro real anual referente ao anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 116121, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido, no seguinte sentido O montante de R$306.423,52 foi deduzido a titulo de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa, sendo correspondente a soma dos seguintes valores: R$212.871,17 referentes aos pagamentos a titulo de estimativa mensal, sob o código 5993; R$55.000,45 referentes a compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação n° 09917.58928.091104.1.3.020729 [processo n° 10746.001210/200659, que se encontra findo na esfera administrativa e devidamente arquivado]; e R$38.551,90 relativos ao IRRF por Órgão Público Federal, deduzidos na apuração da estimativa mensal. [...] Ocorre que, de acordo com a DIRF (fls. 94105) o montante total das retenções efetuadas, no anocalendário de 2004, no código de receita 6147 Produtos Retenção em Pagamentos por Órgão Público é equivalente a R$72.817,57. Sendo que deste total, já foram deduzidos na Linha 11/09 IRRF por Órgão Público Federal no decorrer do anocalendário o montante de R$38.551,87, [remanescendo o valor de R$34.265,70]. Todas essas informações podem ser resumidas de acordo com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 Cálculo de IRPJ a Pagar no AnoCalendário de 2004 (A) Valores da DIPJ Fls. 1525 e 106134 R$ (B) Valores do Despacho Decisório R$ (B) IRPJ Devido 123.075,07 123.075,07 () IRPJ Retido na Fonte (75.827,04) (34.265,70) () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (306.423,52) (306.423,52) (=) IRPJ a Pagar (259.175,49) (217.614,15) Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11843.000276/200939 Acórdão n.º 1801001.850 S1TE01 Fl. 542 3 Cientificada em 28.08.2009, fl. 133, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.09.2009, fl. 139, com os argumentos a seguir transcritos. Continuamos a manifestar nossa inconformidade e para tanto, encaminhamos em anexo, relatório das retenções (e de quais órgãos públicos), lr que foram objetos dos créditos ora discutidos. Lamentamos o fato de estar havendo desencontros quantos aos valores apresentados em DIRF's pelos órgãos que fizeram as retenções, mais INFORMAMOS através desta, que já solicitamos juntos a todos os Órgãos, esclarecimentos bem como o procedimento quanto A regularização das DIRF's. Assim sendo, colocandonos à vossa disposição para os esclarecimentos que julgarem necessários. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0347.213, de 27.02.2012, fls. 502507: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DCOMP Compensação Saldo Negativo de IRPJ. Nos termo da legislação tributária de regência, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Nacional. Prova A legislação processual tributária que rege o contencioso administrativo fiscal prevê que, salvo exceções, a prova documental deverá ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Notificada em 04.04.2012, fl. 5087, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.05.2012, fls. 510514, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que o IRPJ de fato foi retido na fonte no valor total originalmente pleiteado. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante todo o exposto, requer: Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11843.000276/200939 Acórdão n.º 1801001.850 S1TE01 Fl. 543 4 (i) seja recebido e conhecido o presente recurso, por atender os pressupostos legais; (ii) pelas razões fáticas e jurídicas apresentadas, seja dado provimento ao recurso voluntário, de sorte que seja reformada a decisão e, de conseguinte, que seja reconhecido o referido crédito, em sua totalidade, homologandose a compensação declarada, nos limites da comprovação. Termos em que, Pede e espera deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 1801000.235, de 12.06.2013, fls. 525532, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: referente ao suposto pagamento a maior intime as fintes pagadoras identificas na Tabela 2 a ratificar e/ou retificar os valores de IRRF que a Recorrente diz estarem corretos, fls. 141149 e aqueles constantes nas DIRF, fls. 95106, bem como demonstrar as quantias retidas efetivamente no período em favor da Recorrente, tendo em vista discrepância com os valores indicados com as notas fiscais de saída emitidas pela Recorrente que estão juntadas nos autos, fls. 161499. A Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário, fl. 536. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário. Acerca da desistência total do recurso voluntário, estabelece o art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] §3° No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11843.000276/200939 Acórdão n.º 1801001.850 S1TE01 Fl. 544 5 recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010). A Recorrente, por meio da petição, fl. 536, apresentou desistência total do recurso voluntário e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Por conseguinte, não há mais litígio por falta de objeto. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/02/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11128.006572/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/11/2004
Vistoria Aduaneira. Responsabilidade.
Afora as hipóteses em que se presume a responsabilidade do transportador ou do depósitário, a fixação de responsabilidade por avaria leva em consideração a relação de causalidade entre a ação ou omissão e o evento que redundou no perecimento da mercadoria.
Restando de demonstrado que não se está diante de uma das hipóteses em que se presume a responsabilidade do transportador e que este, apesar de apontado pela autoridade fiscal como responsável, não deu causa ao evento que provocou a avaria, não há como manter a exigência fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/11/2004 Vistoria Aduaneira. Responsabilidade. Afora as hipóteses em que se presume a responsabilidade do transportador ou do depósitário, a fixação de responsabilidade por avaria leva em consideração a relação de causalidade entre a ação ou omissão e o evento que redundou no perecimento da mercadoria. Restando de demonstrado que não se está diante de uma das hipóteses em que se presume a responsabilidade do transportador e que este, apesar de apontado pela autoridade fiscal como responsável, não deu causa ao evento que provocou a avaria, não há como manter a exigência fiscal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 65 72 /2 00 4- 14 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente de Notificação de Lançamento, fls. 01/09, contra o contribuinte acima qualificado, com a exigência do Imposto de Importação, no valor de R$ 4.097,36, pelas razões a seguir expostas. O importador Benassi São Paulo Imp. Exp. Ltda., requereu, fls. 10, a realização do procedimento de Vistoria Aduaneira para a mercadoria importada (980 caixas com pêras frescas in natura), amparada pelo Conhecimento de Transporte Internacional nº JAIA 4383, fls.12/13, tendo a mercadoria sido acondicionada no container TRIU 829.8321, por apresentar indícios de avaria e/ou falta de mercadoria, conforme Termo de Descarga e/ou Avaria nº 05641/2004, emitido em 10/08/2004. O auditor fiscal designado solicitou laudo técnico nº 2658/04 GLAP, fls. 62, o qual se encontra às fls.62/69, no qual o técnico informa, em resposta aos quesitos formulados: “ Na análise expedita da carga, constatouse anormalidade significativa, indicando depreciação do produto, inviabilizando se a sua comercialização. Toda a carga de Pêras, apresentase com coloração marrom escura e com consistência mole, desmanchandose no toque. As frutas que normalmente são de coloração verde e de consistência firme, apresentavamse em avançado estado de maturação e senescência. Foi constatada a alteração física e morfológica de algumas caixas de pêra e níveis de odores acima do normal. O processo de maturação e senescência das pêras são identificáveis pela intensificação da cor na epiderme, redução na firmeza da polpa, liberação de substâncias voláteis, como o da pressão nos níveis de etileno interno, alterações químicas nos carboidratos, ácidos orgânicos, proteínas, compostos fenólicos, pigmentos e pectinas. Com a evolução da maturação das pêras, ocorre, em geral, decréscimo e estabilização da acidez; aumento no teor de açúcares; intensificação da cor na epiderme, e por fim, redução na firmeza da polpa, resultante da perda excessiva de água dos tecidos, além da diminuição da pressão de turgescência em virtude da atividade enzimática. Analisandose as condições físicas do container, constatouse na lateral direita e esquerda deste, pequena avaria no revestimento metálico como o amassamento da estrutura metálica do container. Constatouse porém que o revestimento interno estava preservado, exercendo função de isolante térmico, não tendo sido observada fuga de temperatura decorrente desta avaria. Natureza do dano: O dano na mercadoria se originou pela maturação e senescência das frutas, devido a sua exposição a Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006572/200414 Acórdão n.º 3102001.834 S3C1T2 Fl. 252 3 temperatura acima das recomendadas para a sua conservação aliada ao tempo de armazenamento da carga. Percentual de depreciação: Pelas amostragens realizadas, analisandose as caixas de frutas armazenadas na frente e no meio, nos fundos e na porção inferior do container, constatouse que 100% da mercadoria depreciouse, estando imprópria para o consumo in natura. Causas determinantes da avaria: Analisandose os registros dos termógrafos, verificase que a carga ficou exposta a temperaturas acima de 10ºC pelo período de cerca de 6 dias, chegando a atingir a temperatura máxima próxima aos 26º C, enquanto a temperatura recomendada para a conservação do produto é de 0º C. Neste período de elevação da temperatura, a carga entrou em processo de maturação vindo a senescer no período subseqüente. Considerandose o elevado estágio senescência da mercadoria não há condições de aproveitamento para o consumo humano in natura, não se aplicando ao fim a que se destina a mercadoria. Pelas análises realizadas a carga não possui resíduo com valor econômico que possibilite a sua comercialização, estando 100% comprometida para o fim a que se destina. Considerações: ...a carga foi estufada e embarcada na origem (EUA) entre os dias 10/08 a 18/08/04, chegando ao porto de Santos no dia 22/08/04. A análise dos termógrafos revelam que a carga ficou exposta a temperatura acima do recomendado para a sua conservação entre os dias 30/07 a 06/08/04, ou seja, dentro do país de origem. Este fato isoladamente é a principal causa da depreciação da carga, sendo agravado ainda pelo tempo de viagem e de armazenamento da mercadoria, impossibilitando desta forma o seu uso para a finalidade a que se destina”’ Às fls. 70, encontrase o Termo de Vistoria nº 91/2004, no qual o auditor fiscal concluiu, diante do laudo técnico e dos fatos, que a mercadoria encontrase 100% comprometida para o fim a que se destina, não havendo resíduo de valor econômico e que a principal causa da deterioração da carga, decorreu de exposição à temperatura cima do recomendado para a sua conservação, entre os dias 30/07 a 06/08/04, conforme dados registrados nos termógrafos. Ressalta, ainda, que por ocasião do exame da mercadoria pelo Serviço de Vigilância Agropecuária do Porto de Santos Ministério da Agricultura e do Abastecimento, após a chegada da carga ao depositário, foi lavrado o Termo de Fiscalização nº 5703/04 e a Proibição de Despacho nº 0006/04, declarando a carga imprópria para consumo humano e animal. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Considerando que a mercadoria já chegou ao país deteriorada, imputou a responsabilidade do crédito tributário ao transportador, representado pela Aliança Navegação e Logística, com fundamento no art. 41 do DecretoLei nº 37/66 e nos arts. 591 e 592 do Regulamento Aduaneiro –Decreto nº 4.543/02. O valor do referido crédito tributário foi apurado conforme DACFA Demonstrativo de Apuração e Cálculo de Falta/Avaria, fls.71/72. O contribuinte foi notificado e cientificado em 13/12/04, fls. 77v., e apresentou sua impugnação, em 17/12/04, fls.78/98, tempestivamente, conforme despacho de fls. 123. Em apertada síntese alega que: Em Preliminar Alega que: houve falta de motivação do ato administrativo pois a legislação no art. 591 do Regulamento Aduaneiro estabelece que a responsabilidade pela avaria é de quem lhe deu causa; ocorreu ilegitimidade do agente marítimo para responder por débito fiscal imputado ao transportador, ainda que estrangeiro; a exação advém de decreto e não de lei ordinária, contrariando a Constituição Federal (art. 150) e Código Tributário Nacional (art.9º, I, art. 97, III e IV, art.110, art. 121§ único, art. 124, I e II), Código Civil (art.265). Mérito “ é mera agente mandatária em Santos, da transportadora marítima Hamburg Sud (art.653, 661 e 663 do Código Civil), não sendo nem contribuinte do imposto de importação, nem transportadora da mercadoria e muito menos responsável solidária, mas mera agente mandatária da transportadora; as avarias decorreram de fato (sujeição a temperaturas positivas elevadas) ocorridos antes de iniciado o contrato de transporte, portanto antes de a carga cruzar a balaustrada do navio e, o transportador só responde pelo ocorrido durante o transporte, pelo fato de ficar exposta a temperatura de até 26 graus Celsius antes do embarque, conforme ficou claro no laudo de Assistência Técnica, excluindo a sua responsabilidade; o transportador não teria condições de verificar a temperatura interna de containers estivados automaticamente, à razão de 300/400 unidades por período trabalhado, estando amparado pela Convenção para a Facilitação do Tráfego Marítimo Internacional/1965, no seu artigo I; tratandose de fato de terceiro, ocorrido antes do contrato de transporte, fica excluída a responsabilidade do transportador que só responde por dano durante o transporte, conforme art.102 do C.Civil e art.3º do DecretoLei nº 116/1967; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006572/200414 Acórdão n.º 3102001.834 S3C1T2 Fl. 253 5 segundo o mesmo C. Civil, no art.393, o devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior. O impugnante traz à colação doutrina, e jurisprudência administrativa e judicial. Diante do que consta do processo, o julgamento foi convertido, por unanimidade dos julgadores, em diligência, Resolução nº 832, de 07/08/2008, fls. 123/127, onde foram solicitados esclarecimentos da fiscalização e do assistente técnico, deste, relativamente ao laudo de sua autoria. Às fls. 132/138, encontrase o Aditamento do Laudo Pericial, onde juntou cópia do Registro dos termógrafos, referente a variação da temperatura no contêiner nº TRIU 8298321, de 23/07/04 a 01/09/04,um termógrafo encontravase no meio (no início da fita consta:DATE 723 TIME 7 50 AM), e outro na porta do contêiner (no início da fita consta:DATE 723 TIME 8 00 AM), indicando o início da leitura no dia 23 de julho e o horário de instalação. Esclarece o laudista como é feita a leitura da variação de temperatura no temógrafo, no período de 40 dias, sendo que o início do registro na fita indica o numero 0 (dias), correlacionando o dia 23/07 ao registro 0, o dia 24/07 ao registro 1, o dia 25/07 ao registro 2, e assim por diante até o final da fita decorridos 40 dias. Destaca que, embora um pouco apagado, é possível observar o comportamento da temperatura no interior do contêiner. Após 07 dias do início dos registros (dia 30/07) a temperatura que muito pouco variava próximo dos 5° C chega a 10° C (registro 7). Nos dias subseqüentes até o registro 13 (dia 05/08) a temperatura variou de 10° a 25° C, vindo a se estabilizar a partir de 06/08 (registro 14) entre 5° e 10° C. Finalmente declarou que não seria possível determinar com precisão se no momento da estufagem a carga já teria se deteriorado. Considera provável que, no período em que a carga foi submetida a temperaturas acima do recomendado para a conservação das frutas, que tenha ocorrido, nesta fase, o aceleramento do seu amadurecimento, diminuindose desta forma a sua durabilidade, vindo a senecerem e se deteriorarem efetivamente após este período. Considerando que a perícia se realizou no dia 30/09/04, ou seja cerca de dois meses após o aquecimento acima do recomendado, estimase que a efetiva deterioração da carga se deu no período de viagem e no seu posterior armazenamento. Foi, também, solicitada à fiscalização que investigasse onde a mercadoria se encontrava no período de 30/07/04 a 06/08/07 e, se a estufagem foi realizada pelo exportador em seu depósito ou pelo transportador em seu armazém, enquanto aguardava o embarque. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 A Alf/Santos intimou a empresa Benassi São Paulo Importadora e Exportadora Ltda., fls. 139, que se manifestou às fls. 143, esclarecendo que a mercadoria encontravase em poder do exportador, onde a mesma foi estufada. O transportador, por seu representante legal, declarou que, no período mencionado a carga ainda não se encontrava sob a guarda e responsabilidade da intimada, tendo recebido o contêiner carregado com a carga para o embarque. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/11/2004 VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA TOTAL DA MERCADORIA. O transportador é responsável tributário pela avaria da mercadoria, constatado no processo de vistoria aduaneira e confirmado pelo próprio laudista ao declarar que ‘a efetiva deterioração da carga se deu no período de viagem...’, cabendo indenizar a Fazenda Nacional dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche as condições de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. O litígio, como se viu, está concentrado na fixação da responsabilidade pela avaria de mercadorias (pêras) que pereceram por deficiência de refrigeração. Defende o Fisco, em síntese, que o responsável pela avaria seria o transportador, representado pela recorrente, pois a avaria teria ocorrido no momento em que a carga encontravase sob sua guarda. Já a recorrente, após defender que não reuniria condições para figurar no pólo passivo, sustenta que a avaria foi causada por evento anteiror à entrega da carga sob a sua responsabilidade. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11128.006572/200414 Acórdão n.º 3102001.834 S3C1T2 Fl. 254 7 Embora não tenha dúvidas de que a recorrente, por força do inciso II do parágrafo único do art. 32 do Decretolei nº 37, de 1966, seria parte legítima para figurar como responsável solidária, penso que recurso deve ser provido. Com efeito, para apuração da responsabilidade por avaria, há que se recorrer, regra geral, ao art. 591 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002. Dizia o dispositivo: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). É fato que o mesmo regulamento elenca hipóteses em que essa responsabilidade é presumivelmente do transportador. São elas: Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): I substituição de mercadoria após o embarque; II extravio de mercadoria em volume descarregado com indício de violação; III avaria visível por fora do volume descarregado; IV divergência, para menos, de peso ou dimensão do volume em relação ao declarado no manifesto, no conhecimento de carga ou em documento de efeito equivalente, ou ainda, se for o caso, aos documentos que instruíram o despacho para trânsito aduaneiro; V extravio ou avaria fraudulenta constatada na descarga; e VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. No caso do presente processo, relembrese, anotou a autoridade lançadora, com base em laudo técnico (original não destacado): Por ocasião, foi solicitado assistente técnico credenciado que emitiu o Laudo if 2658/04 GLAP, constatando que a mercadoria apresentavase em avançado estado de maturação e seneseencia, com alteração fisica e morfológica e níveis de odores acima do normal, inviabilizandose a sua comercialização tendo como causa determinante da avaria, a exposição do produto à temperatura acima de 10°C, pelo período de cerca de 06 dias, chegando a atingir a máxima próxima de 26°C, conforme registros dos termógrafos, enquanto que a temperatura recomendada para sua conservação, conforme B/L e informação do exportador contida no documento "Compass", anexo ao processo, é de 0°C. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Por outro lado, após a conversão do julgamento em diligência, restou definido que, no período em que a carga foi armazenada a uma temperatura superior à recomendada a carga não se encontrava sob a guarda do transportador. Como é possível perceber, a hipótese narrada não se enquadraria nos incisos do art. 592, já transcrito acima, que tratam das circunstâncias em que a responsabilidade do transportador é presumida. Tal responsabilidade, portanto, será avaliada à luz da regra geral do art. 591, ou seja, em razão da relação de causalidade entre sua conduta, omissiva ou comissiva, e o resultado. Dentro desses limites, não vejo como considerar que o transportador deu causa à avaria, pois não foi indicado qualquer ação ou omissão que cotribuisse para tal evento. Aliás, não ficou claro sequer se havia alguma providência que pudesse ser tomada para interromper o processo de maturação. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10380.906734/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Estando o valor do pagamento indevido incluído em pedido de restituição, havendo novo pedido de restituição sobre o mesmo pagamento, há que se excluir o valor pleiteado no primeiro pedido para apurar a existência de eventual indébito no segundo pedido de restituição. Inexistindo crédito a favor do contribuinte, não se homologa a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Estando o valor do pagamento indevido incluído em pedido de restituição, havendo novo pedido de restituição sobre o mesmo pagamento, há que se excluir o valor pleiteado no primeiro pedido para apurar a existência de eventual indébito no segundo pedido de restituição. Inexistindo crédito a favor do contribuinte, não se homologa a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 34 /2 00 9- 77 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.906734/200977 Acórdão n.º 3302002.406 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 27/04/2005 a empresa recorrente transmitiu Pedido Eletrônico de Restituição de Restituição/Declaração de Compensação, declarando a compensação de débitos de PIS Não Cumulativo com créditos decorrente de pagamento considerado a maior de Cofins, realizado no dia 15/03/2002. A empresa Recorrente declarou que o valor original do crédito inicial não foi informado em outro PER/DCOMP e montava em R$ 13.534,48, sendo o saldo desse valor, na data da transmissão do PER/DCOMP, de R$ 4.720,57, utilizado integralmente na compensação do débito declarado, conforme PER/DCOMP nº 03342.15912.270405.1.3.048243. A DRF em Fortaleza CE indeferiu o pedido da recorrente, alegando que o pagamento realizado, no valor de R$ 192.692,13, foi integralmente utilizado da seguinte forma: R$ 13.534,48 no PER/DCOMP nº 06275.70852.020603.1.3.042898 e R$ 179.157,65 no débito de Cofins declarado em DCTF, conforme Despacho Decisório nº 831209365. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando o seguinte: 1 Sobre os fatos: De acordo com informação contida no referido documento, o PER/DCOMP n° 06275.70852.020603.1.3.042898 foi utilizado R$ 13.534,48 de crédito original, não restando mais saldo disponível, mas podemos verificar no pedido de compensação, que o total do crédito original utilizado foi R$ 4.519,00, restando, R$ 9.015,48 de saldo para próxima compensação, conforme disposto na planilha de atualização do crédito, anexa (doc. 03). Deste modo, frente às evidências demonstradas e do direito que assiste a este contribuinte, pugnamos por uma nova análise e a homologação total da compensação declarada. 2 Sobre o direito à compensação Discorre sobre a legislação que dispõe sobre a compensação para concluir que tem direito à compensação pleiteada. 3 Sobre a verdade material Entende a Recorrente que o débito objeto da compensação está suspenso por força da apresentação da Manifestação de Inconformidade e no processo administrativo prevalece o princípio da verdade material, uma conseqüência das “Basilares Normas Diretivas da Igualdade, do Inquérito e do Interesse Público”. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.906734/200977 Acórdão n.º 3302002.406 S3C3T2 Fl. 4 3 A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 0821.444, de 02/08/2011, cuja ementa abaixo se transcreve: PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Não se homologa a compensação com crédito já integralmente consumido em compensação anterior. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 30/01/2012, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 27/02/2012, com Recurso Voluntário, no qual inova seus argumentos de defesa quanto aos fatos que, no seu entender, levaram ao indeferimento de seu PER/DCOMP. Acrescenta, ainda, novos argumentos e citações jurisprudenciais sobre a aplicação do princípio da verdade material. Abaixo se transcreve as novas razões de fato trazidas pela Recorrente. 4.0. O caso em tela, na verdade, trata de erro de fato no preenchimento da PERDCOMP nº 03342.15912.270405.1.3.04 8243, transmitida em 27.04.2005, motivo pelo qual o valor correto do crédito não foi considerado na compensação requerida. 5.0. Notese que, pela cópia anexa da mencionada PERDCOMP que o valor original informado como crédito inicial é de R$ 5.515,52 (cinco mil quinhentos e quinze reais e cinqüenta e dois centavos), entretanto, o valor correto é de R$ 13.534,48 (treze mil quinhentos e trinta e quatro reais e quarenta e oito centavos). 6.0. Comprovase o mencionado valor pelas cópias anexas do recibo e da página 44 da DCTF do primeiro trimestre de 2002 que especificam o valor de Cofins de R$ 179.157,65, bem assim como, do DARF de pagamento da Cofins, no valor de R$ 182.692,13, através dos quais se pode inferir que a diferença entre o montante devido e o efetivo pagamento é exatamente de 13.534,48. 7.0. Vejase que, há um equívoco de preenchimento também na PERDCOMP nº 06275.70852.020603.1.3.042898 – que trata do mesmo crédito da PERDCOMP nº 03342.15912.270405.1.3.04 8243 – uma vez que, não ficou especificado que o valor do débito compensado, além do montante principal (R$ 4.519,00), compreendeu também o valor dos juros, qual seja, R$ 1.054,28, perfazendo o total compensado de R$ 5.573,28, e, deixou de considerar a Selic acumulada para o período quanto ao valor do crédito. 8.0. Além disso, há ainda a PERDCOMP nº 14747.67855.020603.1.3.045765, que trata do pagamento do mesmo débito da PERDCOMP nº 06275.70852.020603.1.3.04 2898, através do qual, foi compensado o valor total de R$ 10.199,12, mas, cujo preenchimento também contém o equívoco de não especificar o valor dos juros (R$ 2.111.64), assim como também deixou de considerar a Selic acumulada para o período no que tange ao valor do crédito. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.906734/200977 Acórdão n.º 3302002.406 S3C3T2 Fl. 5 4 9.0. Notese, portanto, que as duas PERDCOMPs mencionadas perfazem o pagamento do total de R$ 15.772,40, do débito em questão, que referese a uma multa isolada sobre Cofins (art. 43, Lei nº 9.430/96), sendo R$ 10.199,12 PERDCOMP nº 14747.67855.020603.1.3.045765, e, R$ 5.573,28 na PERDCOMP nº 06275.70852.020603.1.3.042898. 10. Quanto à PERDCOMP nº 03342.15912.270405.1.3.048243, como dito, há um erro em seu preenchimento, pois, o valor do crédito original foi incorretamente informado no valor de R$ 5.515,52, quando na verdade era de R$ 13.534,48. 11. Ademais, o valor a ser pago na compensação em tela é de R$ 4.720,57, assim, o referido crédito acrescido da selic acumulada para o período é mais do que suficiente para a compensação pleiteada. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário merece ser conhecido por tempestivo e conforme à legislação de regência. Conforme relatado, no dia 27/04/2005, a empresa Recorrente transmitiu o PER/DCOMP nº 03342.15912.270405.1.3.048243, pleiteando a restituição de R$ 13.534,48, referente ao pagamento a maior da Cofins de 02/02, realizado no dia 15/03/2002, no valor total de R$ 192.692,13, sendo que o valor devido da Cofins desse mesmo PA é R$ 179.157,65, devidamente declarado em DCTF. Ocorre que, para esse mesmo pagamento de Cofins do PA 02/02, realizado no dia 15/03/2002, a empresa Recorrente já havia transmitido, no dia 02/06/2003, o PER/DCOMP nº 06275.70852.020603.1.3.042898, pleiteando a restituição dos mesmos R$ 13.534,48. Registrese que o crédito pleiteado em 27/04/2005 (PER/DCOMP nº 03342.15912.270405.1.3.048243), objeto deste processo, é crédito novo: NÃO é crédito informado em outro PER/DCOMP, conforme registrado na Página 2 do PER/DCOMP. Exatamente por ter o crédito pleiteado neste processo sido objeto de anterior pedido de restituição (PER/DCOMP nº 06275.70852.020603.1.3.042898) é que a RFB indeferiu o pedido de restituição objeto deste processo, conforme Despacho Decisório nº 831209365, no qual a autoridade da RFB informa que do pagamento da Cofins de 02/02 feito pela Recorrente (R$ 192.692,13), parte foi objeto de Pedido de Restituição PD Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.906734/200977 Acórdão n.º 3302002.406 S3C3T2 Fl. 6 5 06275.70852.020603.1.3.042898 (R$ 13.534,48) e parte foi alocado ao débito declarado em DCTF (R$ 179.157,65). Sobre o valor pleiteado, ao contrário do alegado pela Recorrente, o valor original do crédito inicial informado no PER/DCOMP objeto deste processo (nº 03342.15912.270405.1.3.048243) foi R$ 13.534,48 e não R$ 5.515,52, como alega a Recorrente. A cópia do PER/DCOMP que veio com o Recurso Voluntário não é do PER/DCOMP transmitido para a RFB. Cópia do PER/DCOMP recebido pela RFB está acostado às fls. 02/06 dos autos (numeração eletrônica). A empresa Recorrente reconhece que o valor original do pagamento indevido, realizado no dia 15/03/2002 e relativo à Cofins de fevereiro de 2002, é R$ 13.534,48. Está provado que esse mesmo valor foi pleiteado pela Recorrente no PER/DCOMP nº 06275.70852.020603.1.3.042898, transmitido no dia 02/06/2003, e no PER/DCOMP nº 03342.15912.270405.1.3.048243, transmitido no dia 27/04/2005, objeto deste processo. Embora preclusas, as alegações sobre a existência de erros de fato quanto ao valor dos débitos declarados nas PER/DCOMP citadas pela Recorrente em sua defesa, mesmo admitindo procedentes tais alegações, em nada afeta a decisão proferida pela RFB, posto que o motivo do indeferimento do PER/DCOMP foi a inexistência de crédito por ter o pagamento sido aproveitado na alocação de débito declarado em DCTF e em outro PER/DCOMP apresentado anteriormente. Em conseqüência, a jurisprudência sobre a aplicação do princípio da verdade material, trazida à colação pela Recorrente, em nada à socorre. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.906734/200977 Acórdão n.º 3302002.406 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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