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Numero do processo: 15374.906622/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação.
Numero da decisão: 3803-004.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que convertia o julgamento em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(Assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que convertia o julgamento em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 66 22 /2 00 8- 38 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de declaração de compensação formalizada em 13.02.2004, com o propósito de extinguir débitos no valor de R$ 2.210,99, com créditos no valor de R$ 2.073,71 proveniente do recolhimento indevido de PIS realizado por meio do DARF no valor de R$ 9.073,61, recolhido em 15.09.2003, código 6912, correspondente ao PA 08/2003. O despacho decisório anexo à fl. 09 não homologou a compensação pleiteada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cumpre informar de que o contribuinte retificou, à fl. 13, a DCTF em 21.08.2008, após o despacho decisório, com a finalidade de corrigir o valor devido a título de PIS originalmente reconhecido em R$ 9.073,61, agora para R$ 6.999,90, sob a alegação de que efetuou o recolhimento a maior da contribuição referente ao PA de 08/2003. Entretanto, o acórdão exarado pela DRJ do Rio de Janeiro e anexo às fls. 23/30, compreendeu que a Recorrente não comprovou qual seria o valor efetivamente devido a título de PIS referente ao PA 08/2003. Neste passo, fundamentou o indeferimento do pleito nos arts. 15 e 16 do Decreto n. 70.235/72 em face da ausência de planilha de apuração da contribuição e de livros contábil do período, a fim de que nestes documentos pudesse verificar se realmente era devido somente PIS no valor de R$ 6.999,90 e não R$ 9.073,61. Já o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls.29/32, alegando como defesa que o seu direito está fundamento em provas robustas, ou seja, Planilha de Apuração do Crédito; Balancete; Razão Contábil e DARF referente ao crédito. Argumenta que o art. 149, inciso I do CTN autoriza a revisão do lançamento de ofício pela autoridade administrativa e insiste no fato de que a DCTF retificadora substitui a original para todos os efeitos, por força do art. 18 da MP n. 218949/2001, razão pela qual requer a reforma da decisão atacada e a homologação da compensação realizada. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Relator Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade. Analisando o Acórdão exarado pela DRJ, observo que esta fundamentou adequadamente o indeferimento a compensação do PER/DCOMP em análise e aplicou com Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.906622/200838 Acórdão n.º 3803004.576 S3TE03 Fl. 168 3 rigor as regras processuais existentes no Decreto n.º 70.235/72, bem como o artigo 74 da Lei n.º 9.430/96. É evidente que o PER/DCOMP apresentado tem por finalidade realizar o encontro de contas entre os débitos pertencentes ao sujeito passivo e os créditos fazendários, cabendo ao Fisco homologálo ou não. Também é verdade que a DCTF tem efeito de confissão de dívida, motivo pelo qual perfaz ônus do contribuinte constituir prova da inexistência do débito confessado por meio da apresentação de documentos idôneos. Assim, uma vez não trazidos aos autos, até a decisão de primeiro grau, os documentos contábeis capazes de provar o direito alegado, decidiram corretamente os julgadores quando negaram o pedido de homologação. Deste modo, o contribuinte concorreu com a decisão denegatória, na medida em que deixou de anexar aos autos provas em seu favor. Em outras palavras, o que pretendo dizer é que não há reparos a fazer na decisão da DRJ, pois no momento em que esta foi proferida não havia provas capazes de socorrer o contribuinte em relação a homologação da compensação. Logo, sob o enfoque do princípio da ampla defesa, não houve qualquer prejuízo. Entretanto, com a interposição do recurso voluntário a situação é outra. Pois, se antes o contribuinte não havia colacionado qualquer prova capaz de garantir robustez ao seu direito, agora quero crer que isso não acontece mais. Contudo, antes de ingressar ao mérito das provas acostadas, primeiro é necessário compreender os fundamentos que sustentam o direito creditório alegado. Note que inicialmente o Recorrente confessa ser devedor de PIS no valor de R$ 9.073,61, mas posteriormente demonstra o suposto equívoco ao apresentar DCTF retificadora agora no valor de R$ 6.999,61, ou seja, reduziu o débito declarado. Contudo, bem se sabe, as alegações do contribuinte somente devem ser acolhidas na hipótese deste demonstrar, por meio da contabilidade, o motivo desta redução do PIS devido, sob pena de o seu pedido ser indeferido, caso deixe de fazer esta prova. Ora, é verdade que somente com o Recurso Voluntário o contribuinte anexou aos autos “indícios” de que o débito do PIS no PA de 08/2003 corresponde a R$ 6.999.90. Refirome à fl. 63, por intermédio da qual o Recorrente aponta que o débito da contribuição é igual a R$ 6.999,90, sendo que no documento em exame há a descrição da Receita Operacional Bruta, Créditos e com destaque o PIS a recolher no PA de 08/2003. Contudo, em razão de que há apenas fortes indícios de que o contribuinte possui o direito que alega ter, opto por converter o julgamento em diligência com a finalidade de que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado, bem como que seja intimado o contribuinte a se manifestar após a realização da diligência. É o voto. Sala das sessões, 25 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Juliano Eduardo Lirani Relator Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado Já está consignado pelo i. Relator que foi escorreita a decisão de primeira instância, por não ter a Manifestante anexado à defesa a prova e a demonstração do quanto realmente devido da contribuição. No voto vencido o Relator fixa o parâmetro que deve balizar a decisão nesta instância, que dê justificação à reforma da decisão recorrida com o provimento do recurso, fundamento que é admissível pela maioria do Colegiado, o que seja, a anexação de cabal demonstração e correspondentes provas de erro de fato na apuração original do débito. Eis os termos: Contudo, bem se sabe, as alegações do contribuinte somente devem ser acolhidas na hipótese deste demonstrar, por meio da contabilidade, o motivo desta redução do PIS devido, sob pena de o seu pedido ser indeferido, caso deixe de fazer esta prova. Ocorre, no caso presente, que a Recorrente não teve o desvelo de demonstrar de forma pontual e expressa as receitas que levara em conta na apuração e quais créditos considerara como dedução. Isso seria assaz necessário pelo fato de a matéria em foco tratar de PIS sob o regime não cumulativo, sob o qual todas as receitas auferidas devem ser conduzidas ao cálculo e nem todas as aquisições de insumos e bens consumidos na atividade econômica da empresa dão legalmente direito a crédito. Na sistemática de compensação inaugurada pela MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, o contribuinte possui o direito subjetivo de extinguir unilateralmente o seu débito de tributos federais administrados pela RFB com créditos apuráveis e passíveis de restituição e ressarcimento perante este órgão sem prejuízo da atuação da Fazenda de homologar ou não essa atividade do contribuinte, exercida no âmbito do lançamento por homologação. O exercício desse direito pelo contribuinte põe sobre si o ônus da prova – no bojo de processo administrativo tributário , quando em momento posterior à confissão de sua dívida efetuar nova apuração, reduzindo sua base de cálculo, com utilização concomitante do crédito decorrente em DComp, sem, antes, ter procedido à retificação da DCTF. Neste caso, o balancete de verificação referenciado pelo i. Relator, registrando a recuperação da contribuição paga, supostamente a maior, até que pode ser considerada indício, como aduzido pelo Relator. Contudo, como dito acima, no regime de que aqui se trata, é indispensável a demonstração dos elementos componentes do cálculo, de sorte tal que com eles sob vista se pudesse ter o norte a dar à presente decisão. Isso porque, sendo da Recorrente o ônus de fazêlo o que haveria de ter ocorrido na primeira instância, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72 , assentese que, primeiro: (i) não cabe a inversão desse ônus ao se determinar diligencia à Repartição de origem para que apure o que já haveria de estar pronto, demonstrado, nesta fase recursal para que se pudesse, legitimamente, afastar a preclusão na apresentação da prova, em privilégio da verdade material, por ser este princípio que deve informar o Processo Administrativo Fiscal (ainda que esta oposição seja controversa, Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.906622/200838 Acórdão n.º 3803004.576 S3TE03 Fl. 169 5 segundo o posicionamento de alguns julgadores); segundo, e, principalmente, (ii) porque a apuração neste regime – uma vez não elencados, no recurso, os créditos deduzidos –, o resultado da diligência pode suscitar uma nova disputa cuja análise do mérito suprimiria indevidamente a manifestação do Colegiado de primeira instância. Assim, não logrou a Recorrente eximirse do seu ônus de expor o motivo da redução da base de cálculo do PIS relativo a agosto de 2003, e de demonstrar o caminho de sua apuração, a justificar os documentos trazidos aos autos no recurso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 20/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13855.722588/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ.
Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola.
Numero da decisão: 2201-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado) e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 19/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado) e NATHALIA MESQUITA CEIA.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA EFICAZ. Constituem provas eficazes da área utilizada com produtos vegetais as notas fiscais vinculadas ao estabelecimento fiscalizado, referentes à comercialização ou à transferência da produção agrícola. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado) e NATHALIA MESQUITA CEIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 25 88 /2 01 2- 99 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 03 lavrada em 03.09.12, exigese do Contribuinte o montante de R$ 6.618.921,89 de imposto, R$ 1.900.954,36 de juros de mora e R$ 4.964.191,41de multa de ofício, referente ao ITR do exercício de 2009 incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Campo Grande, com área total de 5.592,8 ha, localizado no município de Colômbia/SP. O lançamento decorreu da não comprovação, pelo Contribuinte, da área efetivamente utilizada para plantação com produtos vegetais e da não comprovação do Valor da Terra Nua. A Autoridade Lançadora descreve que, diante do Valor da Terra Nua, declarado pelo Contribuinte encaminhou em 09.01.12 Termo de Intimação Fiscal nº 08123/00010/2012 (fls. 15), recepcionado em 16.01.12 (fls. 17), vindo em 23.01.12 retificar o referido Termo (fls. 18) que foi recepcionado em 09.02.12 (fls. 20). Foi juntada aos autos página digital dos correios informando o histórico da postagem, apontando que em 10.09.12 o documento foi entregue. O Contribuinte apresentou Impugnação às fls. 25 aduzindo: · Haver apresentado, em 29.02.12, documentação que comprova toda produção da fazenda para uso no exercício de 2009. · Que a alteração do valor da terra nua declarado é arbitrária porque se baseia em um sistema ao qual o contribuinte não tem acesso e é discricionária porque não há divulgação nem do critério do arbitramento, pelo Fisco, nem dos parâmetros que devem ser seguidos pelo contribuinte para apuração do valor da terra nua em sua declaração de ITR. · Insegurança jurídica quanto ao VTN, uma vez que a cada ano as fiscalizações espalhadas pelo país adotam, cada uma, um critério diferente, sujeitando o contribuinte a arbitrariedade de cada fiscalização. Aponta que a última informação que teve acesso é que o VTN para as unidades estabelecidas no Estado de São Paulo deveriam seguir os valores mínimos divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo – IEA referente ao mês de novembro do exercício anterior. Entretanto a autoridade utilizou o valor médio do IEA para o mês de junho do próprio exercício do ITR, posterior ao fato gerador do ITR. · Análise da documentação anexa à impugnação, que já havia sido apresentada em 29.02.12, a qual comprova a área de produtos vegetais, requerendo assim a aplicação da alíquota correta. · Aplicação do Valor da Terra Nua divulgado pelo Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo – IEA, com base no valor mínimo do mês de novembro do exercício anterior. · Aplicação do princípio da estrita legalidade em especial no que tange a parte final do art. 3º do CTN “atividade administrativa plenamente vinculada”, onde a Administração Tributária não pode alterar a forma de fiscalização e cobrança anteriormente aceita, sem publicação de um ato legal novo alterando o procedimento anterior. A 1ª Turma da DRJ/CGE através do acórdão 0430.129 de 03.12.12 deu parcial provimento à Impugnação para reconhecer a área utilizada com produtos vegetais, mantendo o Valor da Terra Nua arbitrado com base no SIPT. O acórdão recorrido ressaltou que o que importa ao Contribuinte, não é conhecer ou rebater os valores constantes do SIPT, mas provar o valor de mercado de seu Fl. 375DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13855.722588/201299 Acórdão n.º 2201002.304 S2C2T1 Fl. 3 3 imóvel na data do fato gerador. A omissão do Contribuinte autoriza o Fisco adotar a técnica do arbitramento com base no art. 148 do CTN e art. 14 da Lei nº 9.363/96. Afastou a solicitação para aplicação do valor mínimo apurado pelo IEA para novembro de 2008, pois a avaliação mínima em princípio não condiz com uma área plantada e altamente produtiva, como é o caso do imóvel. O Contribuinte foi notificado da decisão no dia 04.02.13 conforme AR de fls. 364. Uma vez que o Contribuinte não interpôs recurso o valor de R$ 67.598,91 de Imposto Territorial Rural suplementar, acrescidos de multa de ofício e juros de mora foram transferidos para o processo nº. 13855720.923/201303 (fls. 370). Com base no art. 1º da Portaria MF nº 03/08 o crédito tributário remanescente subiu para presente instância administrativa via Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso atende ao requisito específico de admissibilidade previsto na Portaria MF nº 3º/08, uma vez que o imposto suplementar foi reduzido em R$ 6.551.322,98, portanto dele conheço. Às fls. 42 foi juntada cópia de página do sítio na INTERNET da Receita Federal referente à comprovação de inscrição e de situação cadastral da Sucocítrico Cutrale LTDA, estabelecimento Fazenda Campo Grande I, situada à estrada Vicinal CLB002 Antônio João Abdala s/n Km 19, município de Colômbia/SP, sob o número de inscrição: 61.649.810/009629. O Contribuinte juntou, das fls. 111 a 349, notas fiscais de entrada emitidas, pelos estabelecimentos; Fábrica Colina e Fábrica Araraquara, onde consta por natureza da operação a transferência para industrialização, cujo destinatário/remetente é a Sucocítrico Cutrale Ltda, Fazenda Campo Grande com CNPJ 61.649.810/000249. Nas referidas notas fiscais consta como produto transferido para industrialização: laranjas. Desta feita, uma vez que os documentos apresentados estão vinculados ao imóvel fiscalizado, referemse ao período do lançamento e são eficazes para comprovar a utilização do imóvel com produtos vegetais da área de 4.931,2 ha, a qual corresponde ao grau de utilização do imóvel de 91,1% e a alíquota de 0,45%. Desta feita, com base na documentação apresentada pelo Contribuinte resta comprovado que a área utilizada com produtos vegetais é compatível com aquela informada na DITR/09. Conclusão Fl. 376DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora Fl. 377DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.923587/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2001
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543-B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 87 /2 00 9- 31 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923587/200931 Acórdão n.º 3802002.072 S3TE02 Fl. 42 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842574112), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 34085.98375.300506.1.3.042532, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 27,82, pois o pagamento informado de R$ 13.259,94, sob o código 8109, efetuado em 14/12/2001, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 11/2001. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação” A DRJ/CTA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 14/12/2001 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade.” Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923587/200931 Acórdão n.º 3802002.072 S3TE02 Fl. 43 3 Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alegou que o STF proferiu decisão definitiva de mérito, na sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarando inconstitucional o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, decisão que deveria ser aplicada ao presente caso para afastar a exigência da contribuição ao PIS/Pasep sobre as receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. A questão de direito diz respeito à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre receitas financeiras, ao amparo do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Este parágrafo foi declarado inconstitucional pelo STF, no julgamento de alguns recursos extraordinário, por exemplo o RE 346.084/PR e o RE nº 585.235/MG, em que a decisão foi proferida na sistemática do art. 543B do CPC. Em resumo, o STF afastou a ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, tal como previsto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, baseandose em sua jurisprudência consolidada de que as expressões “receita bruta” e “faturamento” deveriam ser tomadas como sinônimas, significando venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Ressalvo entendimento do Ministro César Peluso segundo o qual incluise na expressão “receita de mercadorias e serviços” “todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresarias típicas”, de modo que “se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receita financeiras, isto não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘renda bruta igual a faturamento’” 1 Aplicase ao caso o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações das Portarias MF nºs. 446, de 27/08/2009, e 586, de 21/12/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos 1 Esclarecimento feito pelo Ministro César Peluso durante o julgamento do RE nº 346.084/PR. Extraído de consulta ao inteiro teor do acórdão deste julgamento no site do STF.. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923587/200931 Acórdão n.º 3802002.072 S3TE02 Fl. 44 4 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Portanto, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Tendo em vista que a DRJ/CTA, ao se pronunciar incompetente para afastar a legislação, não apreciou o mérito da existência do direito de crédito, em especial, não apreciou a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado, bem como, restou prejudicada a apreciação da prova, os autos devem retornar para delegacia da RFB, com vistas a decidir sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado, sob pena de supressão de instância. Assim já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923587/200931 Acórdão n.º 3802002.072 S3TE02 Fl. 45 5 na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos a ̀instância a quo, para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 15540.000638/2010-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
OMISSÃO DE RECEITA. LIMITE DE FATURAMENTO QUE ULTRAPASSA O DISPOSTO EM LEI PARA PEQUENAS E MICRO EMPRESAS.
A empresa que se enquadra no dispositivo de omissão de rendimentos e ultrapassar o limite de faturamento, disposto legalmente para as pequenas e micro empresas, deve ser excluída do SIMPLES.
LANÇAMENTO POR DEPÓSITO BANCÁRIO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO.
Quando o lançamento ocorre por depósito bancário, a inversão do ônus da prova se perfaz e depende do contribuinte efetuar a comprovação de todas as suas alegações, alcançando ao fisco a sua contabilidade ou que de mais próximo dela houver. A presunção estabelecida dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda pelos depósitos sem origem comprovada, restando ao contribuinte assim o fazê-lo. Aplicação da Súmula CARF n° 26.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ULTRAPASSAR O LIMTE ESTABLECIDO EM LEI.
Sempre que o limite estabelecido em lei, para Pequenas e Médias Empresas, do faturamento anual é ultrapassado, deve-se proceder a Exclusão do sistema simplificado.
Numero da decisão: 1803-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). OMISSÃO DE RECEITA. LIMITE DE FATURAMENTO QUE ULTRAPASSA O DISPOSTO EM LEI PARA PEQUENAS E MICRO EMPRESAS. A empresa que se enquadra no dispositivo de omissão de rendimentos e ultrapassar o limite de faturamento, disposto legalmente para as pequenas e micro empresas, deve ser excluída do SIMPLES. LANÇAMENTO POR DEPÓSITO BANCÁRIO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO. Quando o lançamento ocorre por depósito bancário, a inversão do ônus da prova se perfaz e depende do contribuinte efetuar a comprovação de todas as suas alegações, alcançando ao fisco a sua contabilidade ou que de mais próximo dela houver. A presunção estabelecida dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda pelos depósitos sem origem comprovada, restando ao contribuinte assim o fazêlo. Aplicação da Súmula CARF n° 26. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ULTRAPASSAR O LIMTE ESTABLECIDO EM LEI. Sempre que o limite estabelecido em lei, para Pequenas e Médias Empresas, do faturamento anual é ultrapassado, devese proceder a Exclusão do sistema simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 06 38 /2 01 0- 91 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15540.000638/201091 Acórdão n.º 1803002.002 S1TE03 Fl. 112 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração, lavrado em 14.01.2011, relativo ao ano calendário de 2006 para exigir da empresa recorrente IRPJ/Simples, PIS/Simples, CSLL/Simples, COFINS/Simples e INSS/Simples, todos acrescidos de multa de ofício de 75% e encargos moratórios. Foi procedida a exclusão do Simples a partir do ano calendário de 2007, haja vista que a empresa ultrapassou o limite de receita bruta estabelecido na Lei 9.317/96 para permanecer no sistema simplificado de recolhimento de tributo. Tudo segundo ADE n°1 de 03.01.2011. Temse que a empresa foi intimada a apresentar os livros contábeis/fiscais e diversos documentos, entre eles os extratos bancários de suas contas correntes (fs. 100/101) e com isso restou constatado que diversos valores depositados em suas contas correntes não foram escrituradas na contabilidade. Assim a empresa recorrente foi novamente intimada a comprovar com documentação hábil e idônea a origem destes recursos. Cumpre frisar que alguns depósitos não restaram comprovados, razão pela qual foi levado a efeito o lançamento de ofício por omissão de receita, já excluídos os valores declarados a título de receita bruta da declaração simplificada da pessoa jurídica Simples (PJSI 2007). Devidamente cientificada a empresa recorrente apresenta suas razões, de forma tempestiva, em seara de manifestação de inconformidade alegando a nulidade do auto de Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15540.000638/201091 Acórdão n.º 1803002.002 S1TE03 Fl. 113 3 infração por violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72 e a nulidade do lançamento em relação aos tributos do PIS, COFINS, CSLL e INSS, posto que sequer faz menção ao art. 42 da Lei 9.430/96, sendo que é óbvio que o crédito tributário apurado decorre direta e exclusivamente desse dispositivo legal. Prossegue a empresa recorrente aduzindo que os depósitos bancários não caracterizam, por si só, aferição de receita tributável, sendo imprescindível a apuração de acréscimo patrimonial tributável, sendo que frente ao art. 42 da Lei 9430/96, a autoridade administrativa tem o dever legal de comprovar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda e seus reflexos, sob pena de violação ao art. 142 do CTN. Ainda, observa que os depósitos bancários têm sua origem advinda do exercício de sua atividade empresarial e que a multa de ofício não guarda consonância com os preceitos constitucionais, pois configura confisco. Requer a juntada de documentação suplementar em fase de instrução do processo administrativo, fundamentando o pedido no art. 14, II do Decreto 70.235/72 e em caso de não acolhimento, faz pedido suplementar pela diligência fiscal ou perícia para apuração da correção dos cálculos apresentados pelo fisco, juntamente com os documentos que não foram analisados nos procedimentos de apuração do crédito tributário. Contesta o Ato de Exclusão do Simples referindo que está o mesmo está suspenso por força da instauração do contencioso administrativo fiscal, na forma do art. 15, do Decreto 70.235/72. Ainda, refere a impossibilidade de se atribuiu efeitos retroativos à exclusão do regime de tributação do Simples. A decisão de primeira instância foi no sentido de manter o lançamento efetuado, bem como o Ato de Exclusão do Simples. Considerou, o julgador a quo, não formulada a diligência ou perícia por deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972 e por entender estar presente todos os requisitos necessários para formar a convicção e que a produção das demais provas era ônus da recorrente. No que tange à juntada de documentos posterior, afere o julgador que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Tudo conforme determina o art. 16 do Decreto 70235/72. E no que se refere à nulidade do lançamento, quanto às argumentações de cerceamento do direto de defesa, observa que a nulidade do lançamento só é levada a efeito quando se comprova que o auto de infração não foi formalizado com obediência a todos os requisitos de validade previstos no art. 142 do CTN e quando se apresenta no processo algum dos motivos apontados nos art. 10 e 59 do Decreto 70.235/72, o que não ocorreu no presente feito. Salienta que o princípio constitucional da ampla defesa assegura ao sujeito passivo a possibilidade de se defender de modo irrestrito, podendo para isso utilizarse de todos os meios de prova admitidas em direito, uma vez presente o lançamento. Porém, assevera que inexiste nos autos prova de que a empresa tenha sido de alguma forma impedida de exercer esse direito, posto que todos os elementos de prova em que se embasou a fiscalização para proceder ao lançamento tributário encontramse nos autos, cuja vista era facultada no órgão preparador. Já quanto ao mérito, ou seja, quanto à omissão de receita por depósito bancário de origem não comprovada, afere o julgador de primeira instância tratarse de uma Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15540.000638/201091 Acórdão n.º 1803002.002 S1TE03 Fl. 114 4 presunção legal que abre a possibilidade da produção da prova para a empresa recorrente de demonstrar a origem dos recursos depositados na sua conta bancária, através do princípio da legalidade que rege a Administração Pública. Cita jurisprudência. Afere que no caso em apreço, a empresa recorrente, ainda que intimada a justificar a origem de diversos valores creditados em suas contas bancárias não logrou êxito em comprovála, restando configurada a presunção de omissão de receita. A empresa alegou que os depósitos decorreram do exercício de suas atividades empresariais, mas não trouxe qualquer documento para a sua comprovação, assim, entendeu o julgador a quo que meras alegações desprovidas de elementos de provas não têm o condão de alterar o lançamento tributário. Da nulidade dos lançamentos de CSLL, PIS, COFINS e INSS. Afere o julgador de primeira instância que o Simples Federal (Lei 9.317/96), tratava da opção facultativa, de livre iniciativa das empresa e a sua inscrição implicava no pagamento mensal unificado do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEp, do COFINS, do IPI, tendo como base de cálculo a receita bruta mensal auferida. Atenta para o fato de que a Lei 9.31796 foi substituída pela Lei Complementar 123/2006 e instituiu o Simples Nacional. Conforme o entendimento do julgador a quo a empresa recorrente não logrou comprovar a origem de todos os valores creditados em suas contas bancárias, tendo sido excluídas as receitas informadas na declaração simplificada, a diferença foi autuada como omissão de receita (base de cálculo) com base no art. 42 da Lei 9.430/96. Observa que o referido artigo ter sido citado apenas no enquadramento legal do auto de infração do IRPJ/Simples não acarreta a nulidade dos demais lançamentos, muito embora a comprovação da tipicidade seja requisito essencial à demonstração do ilícito e aduz que a base de cálculo do Simples é única. Cita jurisprudência e salienta que deve ser rejeitada a preliminar arguida, sendo que no mérito também não merece reproche a autuação. No que tange à multa confiscatória, o julgador de primeira instância deixa de apreciar as alegações quanto ao efeito confiscatório por entender que a via administrativa não é apropriada para se arguir da inconstitucionalidade de ato legislativo formalmente editado, conforme disposto no art.26A do Decreto 70.235/72. Esclarece, no entanto, que o princípio constitucional do não confisco é aplicado exclusivamente aos tributos, não se estendendo às penalidades. Ao apreciar a exclusão do Simples Federal, afere que a empresa foi excluída do sistema simplificado, através do Ato Declaratório Executivo n.01, por ultrapassar, no ano calendário de 2006, os limites de receita bruta, estabelecidos no art. 9°, II, da Lei 9.317/96 (R$2.400.000,00). Salienta que a referida exclusão surtiu efeitos a partir de 01/01/2007, fato contestado pela empresa que entende não ser possível o ADE atribuir efeitos retroativos. Prossegue referindo que os art. 15, IV e 16 da Lei 9.317/96 são claros em estabelecer que a pessoa jurídica excluída do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas no anocalendário subsequente à ocorrência da situação excludente. Cita jurisprudência. Assim, finaliza o julgador aduzindo que restou afastada a alegação de que os efeitos do ADE não seriam retroativos e como não logrou a empresa elidir os créditos tributários lançados, ratificou os efeitos do ADE a partir de 01.01.2007. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15540.000638/201091 Acórdão n.º 1803002.002 S1TE03 Fl. 115 5 Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o cerceamento do direito de defesa, porquanto que não lhe foi propiciado efetuar a prova da origem dos depósitos em virtude do volume dos depósitos. Assim, aduz a nulidade do lançamento, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72 em virtude do cerceamento do direito de defesa pela manifesta limitação do direito de produção das provas. No mérito, a empresa recorrente aduz a insubsitência do auto de infração, referindo ser o lançamento uma atividade vinculada não sujeita a presunções legais, bem como ser incabível a inversão do dever probatório no procedimento de lançamento. Cita doutrina a respeito. Atenta para o conceito de renda, disciplinado no art. 43 do CTN e o descunprimento do dever legal de comprovação do fato gerador da obrigação tributária. Cita jurisprudênicas deste Egrégio Conselho. Já quanto aos tributos PIS, COFINS, CSLL e INSS refere a nulidade do lançamento, vez que não há capitulação legal e tão pouco enquadramento para cada um dos mesmos. Observa a necessidade de o tributo reflexo ser corretamente lançado de acordo com o enquadramento legal que fundamentou o ato administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora Tratase, o presente feito, de auto de infração, relativo ao ano calendário de 2006, cuja finalidade é a exigência de IRPJ/Simples, PIS/Simples, CSLL/Simples, COFINS/Simples e INSS/Simples, todos acrescidos de multa de ofício de 75% e encargos moratórios. Foi procedida a exclusão do Simples a partir do ano calendário de 2007, haja vista que a empresa ultrapassou o limite de receita bruta estabelecido na Lei 9.317/96 para permanecer no sistema simplificado de recolhimento de tributo. Tudo segundo ADE n°1 de 03.01.2011. A origem da fiscalização foram os depósitos bancárias sem origem comprovada, da empresa recorrente, mediante requerimento para entrega de extratos bancários que foi cumprida pela empresa recorrente. Assim, entendo não ser motivo para sobrestamento do feito, bem como não se enquadrar no descumprimento de nenhum princípio constitucional, haja vista a entrega espontânea dos documentos (extratos bancários). A empresa recorrente no caso em tela foi excluída do simples por ter ultrapassado no limite de receita bruta, limitador para a permanência na sistemática Simplificada de recolhimento. Foi lavrado o Ato Declaratório de Exclusão e dada a devida ciência para a empresa, referindo que a exclusão se daria a conta do ano seguinte ao Fl. 461DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15540.000638/201091 Acórdão n.º 1803002.002 S1TE03 Fl. 116 6 fiscalizado, qual seja, a partir do ano de 2007, tomando em conta o ano calendário presente 2006. A empresa recorrente insurgese aduzindo transgressão, por parte da fiscalização e da decisão de primeira instância, aos princípios constitucionais. Atento para o fato de que a esfera administrativa não é a esfera competente para julgar e processar supostos dissensos constitucionais, entanto pois adstrita a cumprir os dispositivos imputados na lei. O Poder Judiciário, mais especificamente o Supremo Tribunal Federal, seria o órgão competente para receber e julgar as objeções inconstitucionais dispostas pela empresa recorrente. Ainda que essa julgadora não tenha vislumbrado transgressão a princípio algum possivelmente ocasionado tanto pelo auto de infração, quanto pela decisão de primeira instância. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Já no que diz respeito ao mérito da demanda, temse que a questão: omissão de rendimento por depósitos bancários resumese à prova, qual seja, uma vez a empresa recorrente intimada a comprovar a origem dos depósitos, com o intuito de demonstrar não se tratar de rendimentos tributáveis e não logrando êxito, cumpre a incidência do artigo 42 da Lei 9.430/96. Tudo como foi imputado à mesma. Não se pode olvidar que a empresa foi devidamente intimada, teve tempo hábil para demonstrar cabalmente a origem dos depósitos e não juntou ao feito essa prova, apenas alegando a falta de tempo hábil para a produção da prova. Ademais, as alegações da empresa de que o embasamento dado no auto de infração é entendimento fictício da fiscalização, visto que sequer foi realizado o levantamento das transferências das contas da mesma titularidade da empresa em Bancos distintos, para dar sustentação de validade (prova material) aos demonstrativos que acompanham a ação fiscal; e, sem essa apuração não possui qualquer valor legal a ação fiscal. Ocorre que a empresa recorrente novamente olvidouse de que se trata de um auto de infração por depósitos bancários, nos quais se inverte sim o ônus da prova, dependendo dela mesma, da própria empresa recorrente efetuar essa contraprova, alcançando ao fisco, a contabilidade ou o que de mais próximo dela puder. Ainda que se trate de uma presunção, de igual modo cumpre à empresa, interessada em demonstrar que não se encontrar em situação de devedora dos seus tributos, comprovar que os depósitos não se tratavam de renda omitida, já que a norma nesse caso específico determina a inversão em favor da fiscalização, impondo a conduta demonstrativa à recorrente. Importa citar jurisprudência nesse sentido: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15540.000638/201091 Acórdão n.º 1803002.002 S1TE03 Fl. 117 7 É regular o procedimento de fiscalização que verifica incompatibilidade entre os registros efetuados no Livro Caixa do contribuinte, e aqueles informados ao fisco, e a movimentação financeira espelhada nos extratos bancários. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, especificamente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com Mero no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITO BANCÁRIO. PROVA. Não pode o contribuinte, pessoa jurídica, pretender que se admita, para provar a origem dos créditos bancários individualizados, o total do rendimento bruto do sócio, informado em DIRPF, sem provar, com documentação hábil, a efetiva transferência de valores nas datas dos créditos. (Processo n. 11543.003273/200427, Acórdão: 19100.079, Ministério da Fazenda, 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Turma Especial, 29.01.2009, Relatora Ana de Barros Fernandes)” No presente caso, temos que a fiscalização apartou em uma conta o que se tratou de simples transferência entre bancos diferentes. Mas, para todo depósito que a empresa foi intimada e não demonstrou, não juntou um indício de prova ou algo do gênero, há como não aduzir como omissão de rendimentos. Neste sentido, importa citar a Súmula do CARF n° 26: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” No mesmo caminho, entendo que o Ato Declaratório de Exclusão do Simples cumpre sua função estando de acordo com os requisitos imposto nas normas, não ofendendo em nada direito da empresa, haja vista que passou a incidir no ano subsequente, qual seja 2007. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 463DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 15540.000638/201091 Acórdão n.º 1803002.002 S1TE03 Fl. 118 8 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001704/2005-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício:2001, 2002, 2003
FALTA DE COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DO PROCESSO.
Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento.,
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois se trata de matéria de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atílio Pitarelli.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento., Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois se trata de matéria de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atílio Pitarelli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 17 04 /2 00 5- 98 Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10882.001704/200598 Acórdão n.º 2102002.039 S2C1T2 Fl. 621 2 Relatório Este processo trata do auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 240 a 245), mediante o qual se exige desta contribuinte o crédito tributário total de R$3.080.430,99, decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apurados Pagamentos a Beneficiários não Identificados/Pagamentos sem causa. Este relato é o bastante para o Voto que segue. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O presente processo trata de infrações de IRRF – Pagamentos sem causa / Operação não comprovada, decorrentes de processo reflexo do IRPJ, senão vejamos: Termo de Verificação Fiscal fl. 228: 4) Assim sendo, ficou caracterizado como omissão de receitas o valor de R$2.114.789,64, base para o IRPJ e seus reflexos. De outro lado o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf), determina: ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS (...) Das Seções de Julgamento Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10882.001704/200598 Acórdão n.º 2102002.039 S2C1T2 Fl. 622 3 IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Posto isso, voto para RECONHECER a incompetência desta Turma para processar e julgar o recurso voluntário, pois se trata de matéria de competência das Turmas da Primeira Seção do CARF, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para as providências cabíveis de devolução deste processo para que seja redistribuído à Seção de Julgamento competente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000414/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo a homologação tácita do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, até a competência 11/2002. Vencido o Conselheiro Relator, que entendeu aplicar-se o art. 173, I do Código Tributário Nacional. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor, quanto à decadência.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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THOMAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo a homologação tácita do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, até a competência 11/2002. Vencido o Conselheiro Relator, que entendeu aplicarse o art. 173, I do Código Tributário Nacional. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi fará o voto divergente vencedor, quanto à decadência. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 04 14 /2 00 8- 29 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 256 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 Data da lavratura da NFLD: 26/12/2007. Data da ciência da NFLD: 26/12/2007. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belém/PA que julgou procedente em parte o lançamento tributário formalizado mediante a NFLD nº 37.143.9965, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos, creditados ou devidos a segurados empregados e a diretoria, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 119/139. Informa a fiscalização que a instituição recorrente, embora devidamente intimada mediante termo próprio, não apresentou e não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS ), e nem apresentou Pedido de Deferimento de Entidade Beneficente de Assistência Social isenta de Contribuições Previdenciárias (Parte Patronal) concedido por Órgão Competente. Constatou ainda a Fiscalização que a empresa, detentora de Personalidade Jurídica de Direito Privado, conforme Lei Instituidora, assim como seus Regimentos Internos, remunera sua DiretoraPresidente, Superintendente, assim como os demais cargos de Diretores/Coordenadores. Constituemse fatos geradores do vertente lançamento tributário: · Levantamento: ABO — Abono conforme Decreto Municipal. A remuneração mínima dos servidores do Poder Executivo do Município, a partir de 01/10/2001, fica fixada em R$ 300,00 (trezentos reais) e a diferença entre o valor da remuneração do servidor e a mínima fixada de R$ 300,00 será considerada abono, até ulterior deliberação. · Levantamento NE2 — Notas de Empenho a partir de 1999. Referese às remunerações pagas e/ou creditadas aos Segurados Contribuintes Individuais, sendo os pagamentos verificados por meio do exame de Notas de Empenho e confrontados esses lançamentos com os dados declarados em GFIP. · Levantamento PD1— Pagamento à Diretoria antes de 1999. Referese a pagamentos efetuados à Diretoria da empresa, compreendendo os cargos de DiretoraPresidente, Superintendente, Coordenadora/Diretora Administrativa, ocupantes de cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 · Levantamento PD2 — Pagamento à Diretoria a partir de 1999. Referese a pagamentos efetuados à Diretoria da empresa, a partir de 199, correspondendo os cargos de Ex DiretoraPresidente, ExDiretor Administrativo, ExDiretora Financeira, ExDiretora de Assistência Social, até 31/12/2004, Atual DiretoraPresidente, Atual Superintendente, Atual Coordenadora de Administração e Finanças. · Levantamento : RFG — Rubricas Fora da GFIP. Referese a Diferenças de Remuneração a maior que não constam em GFIP e que foram informadas em Folhas de Pagamento da empresa. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 189/193. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão a fls. 198/204, julgando procedente em parte o lançamento, fazendo dele excluir os fatos geradores alcançados pela decadência, nos termos do art. 173, I do CTN, retificando o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 208/243. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 03/10/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 245. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 181/183, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Decadência parcial do direito de lançar; · Que as supostas irregularidades não passam de erros materiais em documentos (meras formalidades), e não causaram qualquer prejuízo ao erário, tendo em vista que todos os tributos foram devidamente recolhidos. Aduz que, quando do descumprimento de obrigação acessória não resultar prejuízo à Fazenda Pública, não há falar em lavratura de auto de infração; · Que quando a empresa é primária, deve ser aplicada a atenuante, a fim de reduzir o valor da multa; Ao fim, requer a improcedência da NFLD. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 257 5 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 03/10/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 04 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 258 7 indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontrase extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 259 9 Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos que, em favor das rubricas objeto do lançamento, não se houve por efetuado qualquer prévio recolhimento de contribuições previdenciárias correspondentes. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito, não consta qualquer crédito a favor do Notificado. Além disso, os fatos geradores então apurados pela Fiscalização, nas competências a contar de janeiro de 1999, sequer houveramse por declaradas nas GFIP correspondentes. Registrese que, em relação ao Levantamento “ABO Abono conforme Decreto Municipal”, o próprio art. 3º do Decreto Municipal nº 5.818/2001 da Prefeitura de Manaus/AM, que instituiu o abono em tela, estatui que “Os abonos ora concedidos não serão computados para cálculo de quaisquer vantagens remuneratórias ou descontos, o previdenciário inclusive”. Decreto Municipal nº 5.818, de 17 de dezembro de 2001. Artigo 1 °: A remuneração mínima dos servidores do Poder Executivo do Município, a partir de 01/10/2001, fica fixada em 300,00 (trezentos reais). §1°: A diferença entre o valor da remuneração do servidor e a mínima fixada no "caput " deste artigo será considerada abono, até ulterior deliberação. (grifos nossos ) §2°: Excluemse do calculo do abono as parcelas referentes a 113 de férias, 13° salário e diferenças de qualquer natureza. ( grifos nossos ) Artigo 2°: A partir de 01/10/2001, também será concedido abono aos servidores relacionados no anexo único deste Decreto, conforme valores indicados. Artigo 3°: Os abonos ora concedidos não serão computados para calculo de quaisquer vantagens Fl. 263DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 remuneratórias ou descontos, o previdenciário inclusive. ( grifos nossos ) Artigo 4°: Estendese aos servidores inativos e pensionistas o beneficio concedido pelo artigo 1º deste Decreto. Tal conclusão é corroborada pelo fato de o Recorrente não reconhecer como base de incidência os valores por ele pagos a título das rubricas compreendidas na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências da empresa em questão é que os fatos geradores objeto do presente lançamento poderiam ter sido apurados. Mostrase alvissareiro examinar, ainda, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário, sob a ótica do regramento insculpido no art. 173, I do CTN. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) De outro eito, o §2º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação acessória da empresa de entregar a GFIP até o até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 260 11 (...) §2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) (grifos nossos) No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para a entrega da GFIP, digase, o dia 07 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício pelo descumprimento de tal obrigação acessória, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com a referida prestação de declarações ao Fisco. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 08 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o Fl. 265DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2001 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2003, o que implica dizer que, à luz do art. 173, I do CTN, a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2007, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 26 dias do mês de dezembro de 2007, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, nos termos do art. 173, I, do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, bem como aquelas relativas ao 13º salário desse mesmo ano. Anotese que a decisão de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA já havia contemplado a exclusão dos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, em razão da decadência, observando o critério fixado no art. 173, I do CTN, nos termos consignados no Acórdão nº 0111.728 – 5ª Turma da DRJ/BEL a fls. 198/204, retificando o crédito tributário na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 208/243. Pelo exposto, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de 01/01/1997 a 31/12/2006, concluise restarem finadas pela decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, devendo ser excluídas do presente lançamento todas aquelas decorrentes dos fatos geradores ocorridos na competência novembro/2001, bem como nas competências anteriores a essa, como assim decidiu a DRJ em Belém/PA. Aditese que o reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário não inquina de vício o processo. A declaração de caducidade parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em foco possui, apenas, o condão de extirpar do lançamento tributário, tão somente, as parcelas atingidas pelo citado instituto de direito tributário uma vez que a ocorrência deste constituise causa extintiva do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN, e não hipótese de nulidade do lançamento tributário. Dessarte, o crédito tributário relativo às competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, encontrase extinto, e não nulo, sendo por aquele motivo, e não por este, excluído do presente lançamento. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 261 13 Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2001, exclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Exorta o Recorrente que as irregularidades apuradas pela fiscalização não passaram de erros materiais em documentos (meras formalidades), e não causaram qualquer prejuízo ao erário, tendo em vista que todos os tributos foram devidamente recolhidos. Aduz que, quando do descumprimento de obrigação acessória não resultar prejuízo à Fazenda Pública, não há falar em lavratura de auto de infração. Pondera, em ádito, que, quando a empresa é primária, deve ser aplicada a atenuante, a fim de reduzir o valor da multa. Inicialmente, se nos antolha que tais alegações estejam aqui postadas por engano, eis que são pertinentes a autos de infração lavrados em razão de descumprimento de obrigação acessória, enquanto que o presente processo tem por objeto Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em razão de descumprimento de obrigação principal – recolhimento de tributo – a qual não guarda qualquer relação com a primeira. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 No caso em apreço, apesar de regularmente intimada mediante termo próprio, a empresa não logrou comprovar ser detentora do direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais. Por outro viés, também não fez a empresa comparecer aos autos os documentos comprobatórios do efetivo, tempestivo e integral recolhimento das exações objeto do presente lançamento. Diante de tais circunstâncias, conforme detalhadamente descrito e alertado nos itens 3.3. e 4. do Relatório Fiscal, procedeu a fiscalização à formalização do presente lançamento de contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, nos montantes arrolados no Discriminativo Analítico de Débito, segundo os lançamentos constantes do Relatório de Lançamentos. Não procede a alegação do Recorrente de que “quando do descumprimento de obrigação acessória não resultar prejuízo à Fazenda Pública, não há falar em lavratura de auto de infração”. Ao contrário do aventado pelo Recorrente, o prejuízo da autarquia previdenciária revelouse evidente, consistindo no montante que deixou de ser vertido aos cofres públicos a título de contribuições sociais. De outro canto, o presente feito não versa sobre auto de infração lavrado em razão de descumprimento de obrigação acessória, mas, sim, de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito formalizada em razão de descumprimento de obrigação principal – recolhimento de tributo. Citese por relevante, de molde a espancar qualquer dúvida, que o Relatório Fiscal descreve de forma abrangente e clara os motivos ensejadores da lavratura do vertente lançamento, indicando de forma precisa todas as características que compõem o levantamento, discriminando por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros, da multa de mora e do total cobrado. De maneira semelhante, o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito FLD o informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, em atenção às disposições inscritas no art. 144 do CTN. O Relatório Fiscal relata fielmente quais os documentos que deixaram de ser apresentados, as pessoas jurídicas a que eles estão relacionados, as respectivas competências, assim como os TIAD mediante os quais tais documentos foram solicitados. Todas as informações postadas nos parágrafos precedentes encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal e nos demais relatórios que compõem o presente lançamento, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF e TIAD dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, permitindo ao autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões do Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 262 15 lançamento, sendolhe dessarte garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Por outro viés, mas ária de outra ópera, também não se coaduna com o presente lançamento a alegação deduzida pelo Recorrente de que “quando a empresa é primária, deve ser aplicada a atenuante, a fim de reduzir o valor da multa”. Isso porque tal atenuação somente era prevista, hoje não mais, para as penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, na estrita hipótese em que o agente infrator houvesse corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação, nos termos do art. 292, V c.c. art. 291, caput, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Conforme já exaustivamente demonstrado alhures, não trata o vertente processo de Auto de Infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, mas, sim, repisese, de Notificação Fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, cuja única penalidade pecuniária aplicável consubstanciase na multa de mora pelo atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias, a qual é irrelevável por força do art. 34, in fine, da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Por tais razões, pautamos pela negativa de provimento ao recurso voluntário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 Voto Vencedor Decadência. A controvérsia dos autos que interessa ao presente voto diz respeito a qual regra decadencial contida no CTN deve ser aplicada. A recorrente sustenta que deve ser aplicada a regra decadencial expressa no parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, pois os recolhimentos devem ser verificados pelo total da folha de pagamentos e não separadamente, rubrica por rubrica. No Auto de Infração, todavia, foi aplicada a regra decadencial estabelecida no inciso I do art. 173 do CTN, na medida em que não foram comprovados recolhimentos sobre as rubricas lançadas. É cediço que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Assim, se há recolhimento em uma determinada competência e não em outra, àquela competência seria aplicável a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, mas não a esta, que seguiria o disposto no artigo 173, I, do CTN, quanto ao cálculo do prazo decadencial. Ocorre que, quanto às contribuições previdenciárias, temos ainda a particularidade de ela ser integrada por diversas rubricas ou levantamentos, que são as parcelas integrantes da totalidade da remuneração. Por tal especificidade, indagase, de forma recorrente, se o fato gerador, e consequentemente o pagamento, deve ser analisado por rubrica/levantamento ou pela totalidade da remuneração no mês. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional define o fato gerador como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência / fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não Fl. 270DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 263 17 atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado saláriodecontribuição mensal (art. 20 da Lei n° 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o saláriodecontribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – saláriodecontribuição. É verdade que o saláriodecontribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei n° 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico – vejase novamente a definição da alíquota para segurados empregados e avulsos. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN. Ilustramos nossa conclusão com trecho do voto do Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, contido em Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF: Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do saláriodecontribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. (Recurso Especial 10640.001896/200747, Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, 2ª Turma, julgado em 12/04/2011) Diversas são as decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido: DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERMO INICIAL E PRAZO É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito tributário relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 264 19 (Recurso Especial 13971.001934/200716, Rel. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, 2ª Turma, julgado em 25/04/2013) DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir crédito relativo a contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, ainda que se trate de recolhimento genérico, relativo a valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo, o prazo se inicia na data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. (Recurso Especial 36550.000603/200715, Rel. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, 2ª Turma, julgado em 07/11/2012) DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há informação do próprio Fisco sobre a existência e verificação de recolhimentos, o que determina a aplicação do § 4°, Art. 150 do CTN. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 (Recurso Especial 13637.000873/200762, Rel. Conselheiro Marcelo Oliveira, 2ª Turma, julgado em 08/08/2013) DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há recolhimentos parciais efetuados, motivo do provimento do recurso. (Recurso Especial 37213.000269/200785, Rel. Conselheiro Marcelo Oliveira, 2ª Turma, julgado em 25/04/2013) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a exclusivamente a contribuições incidentes sobre o salário utilidade representado pelo fornecimento de veículos blindados e veículos convencionais para funcionários da alta administração. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregandose, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos, especificamente no Relatório Fiscal (fls. 349), possibilitam concluir que houve antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo no período em discussão. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 03/12/1999, as contribuições com fatos geradores ocorridos até a competência 11/1994 encontravamse fulminados pela decadência. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 10283.000414/200829 Acórdão n.º 2302002.795 S2C3T2 Fl. 265 21 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. Esta regra deve ser ressalvada quando se tornar necessária a observância dos princípios constitucionais que prescrevem a irredutibilidade de salários e do direito adquirido e, ainda, na hipótese de transferência temporária do empregado. A extensão da PLR pactuada em acordo coletivo de trabalho para trabalhadores da empresa que prestam serviço em locais distintos daqueles da base territorial do sindicato, não é, por si só, fato que altere a natureza do pagamento efetuado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DIFERENÇA DE SAT ATIVIDADE PREPONDERANTE A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. (Recurso Especial 44000.000608/200441, Rel. Conselheiro Elias Sampaio Freire, 2ª Turma, julgado em 22/03/2012) (destaques nossos) Destarte, estando comprovado que há recolhimentos a homologar, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. É como voto. André Luís Mársico Lombardi, Redator Designado Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 22 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 12/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 13603.001247/00-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Em que pese o julgador não estar obrigado analisar todos os argumentos apresentados pelas partes, para que não haja cerceamento de defesa, o mérito da lide deve ser analisado, quando imprescindível para o deslinde da questão. Se a Delegacia de Julgamento não apreciou o mérito, os autos devem retornar para a análise, evitando-se, assim, a supressão de instância administrativa
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão do DRJ por cerceamento do direito de defesa. O conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso com base na alteração do fundamento jurídico e nos arts. 146 e 100, III, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Em que pese o julgador não estar obrigado analisar todos os argumentos apresentados pelas partes, para que não haja cerceamento de defesa, o mérito da lide deve ser analisado, quando imprescindível para o deslinde da questão. Se a Delegacia de Julgamento não apreciou o mérito, os autos devem retornar para a análise, evitandose, assim, a supressão de instância administrativa Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão do DRJ por cerceamento do direito de defesa. O conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso com base na alteração do fundamento jurídico e nos arts. 146 e 100, III, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 12 47 /0 0- 98 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Juiz de Fora: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 2º/2000, no valor de R$ 68.318,02, formalizado em 10/08/2000, com fulcro no art 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/1999, cf. fls. 3/4. A solicitação foi inicialmente indeferida [Despacho Decisório de fls. 84/85, de 26/10/2001] tomando por base o Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Seção de Fiscalização [fls. 82/84] que propôs o indeferimento em decorrência da ação fiscal da qual resultou a lavratura de Auto de Infração do IPI consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125, para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escrita fiscal [fls. 76/80]. Inconformada a pleiteante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 86/93, tendo sido ratificado o indeferimento do pleito em 08/07/2004, por intermédio do Acórdão DRJ/JFA nº 07.693 [fls. 98/104], em face da existência do auto de infração e da apuração de saldo devedor no período. Contra o referido acórdão foi interposto Recurso Voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes [fls. 107/116], com posterior juntada, em 29/09/2004, de cópia da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT N° 288, de 17/08/2004 [ fls. 123/125]. O Segundo Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência [fls. 130/134], em 09/11/2005, para juntada aos autos da decisão final que viesse a ser proferida no Processo Administrativo 13603.001578/200125 (Auto de Infração do IPI) dada a estreita vinculação entre os processos. Às fls. 135/147 foi anexada cópia do Acórdão n° 20216.818, por intermédio do qual a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu, em atendimento a recurso apresentado pelo contribuinte, que a atividade exercida pela autuada consiste em prestação de serviços, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, afastando, por conseguinte, a exigência de IPI1. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 13 3 O mencionado Acórdão foi objeto de Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) [fls.148/158], que em Acórdão de n° 0202.652 [fls. 182/189], negou provimento ao recurso especial. Assim, cumprida a exigência contida na Resolução de fls. 130/134 foram os autos remetidos em 21/11/2007 ao Segundo Conselho de Contribuintes para apreciação do Recurso Voluntário de fls. 107/116. Resultou daí o Ac. Nº 20403.164 [fls. 224/228], de 09/04/2008, por intermédio do qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em uma nova análise do caso, considera o desfecho favorável do processo 13603.001578/200125 ao contribuinte, mas, entendendo que o procedimento fiscal instaurado para averiguar a legitimidade do crédito pleiteado não foi conclusivo quanto ao mérito do ressarcimento retorna os autos à unidade de origem para reexame e prolatação de uma nova decisão com enfrentamento do mérito, uma vez afastada a prejudicial de análise de mérito2. Em cumprimento ao determinado pelo CARF foi elaborado em 13/08/2009 o Termo de Verificação Fiscal de fls. 235/238 que, considerando que a desconstituição da exigência veiculada pelo Auto de Infração em comento com a conseqüente invalidação da reconstituição da escrita fiscal promovida pela fiscalização restabeleceu a situação anterior do contribuinte no que diz respeito à escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI e, mencionando a Solução de Consulta DISIT/SRRF/6ª RF nº 288, de 17/08/2004, sugeriu o DEFERIMENTO PARCIAL[em razão de glosas de créditos considerados indevidos] do direito creditório no valor de R$ 61.601,40. Tomando por base o TFV retro mencionado e em cumprimento à determinação do CARF foi prolatado, pela DRF/Contagem/MG novo Despacho Decisório [DRF/CON nº 1.213, de 27/08/2009, fls. 239/242] para DEFERIR o direito creditório relativamente ao saldo credor apurado no trimestre 2º/2000, da ordem de R$ 61.601,40. Cientificado do referido despacho decisório e comunicado da compensação de ofício do crédito reconhecido com débitos constantes dos sistemas da RFB a interessada manifestouse contrariamente à compensação de ofício [fls. 244/247] e, posteriormente, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº 35542.89474.230410.1.1.010230 [fls. 272/273] e as DCOMPs de nº 40786.43960.230410.1.3.016630 [fls. 274/277], 37101.99619.290410.1.3.019096 [fls. 278/281], 31775.80735.200510.1.3.019494 [fls. 282/287], 04325.02196.310510.1.3.019804 [fls. 288/291], 12275.23234.150610.1.3.012833 [fls. 292/295] e 14987.12849.180610.1.3.018360 [fls. 296/299], para utilização do direito creditório reconhecido. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 14 4 Posteriormente, em 31/08/2010, em face da informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG [fls. 260/261], inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi o presente processo [juntamente com diversos outros que tratam da mesma matéria] encaminhados por meio do despacho de fls. 248/249 à Seção de Fiscalização para análise. Resultou daí o Despacho de Instrução de fls. 250/256, que, depois de circunstanciar todos os fatos atinentes à ação judicial e à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao auto de infração consubstanciado no processo nº 13603.001578/200125, em síntese, concluiu que “De tudo o que foi aqui relatado, fica claro 2 "ACORDAM os. Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prejudicial de análise de mérito que motivou as decisões proferidas nos autos e determinar o retorno à unidade de origem para que nova decisão seja prolatada com enfretamento do mérito".para o servidor que esta subscreve, que como conseqüência do afastamento do campo de incidência decorre a impossibilidade de que a pessoa jurídica possa aproveitar os créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, um vez que tais aquisições não foram e nem serão, por força do comando judicial, utilizadas em processo que possa ser considerado industrialização, em descompasso, portanto com o fixado pelos artigos 164, inciso I e 165 do Decreto n° 4.544/2002 e artigos 226, inciso I e 227 do Decreto n° 7.212/2010”. Assim, foram os autos encaminhados à Saort para prosseguimento. Em seguida foi juntado ao presente processo o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, proferido nos autos do processo nº 13603.000572/200815 [processo tomado como paradigma para análise da situação da pessoa jurídica], que conclui, dentre outros pontos, pela ANULAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON nº 1.213, de 27/08/2009 [fls.239/242] que havia reconhecido o direito creditório; pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento – PER 35542.89474.230410.1.1.010230 e pela não homologação das declarações de compensação – DCOMP 40786.43960.230410.1.3.016630,37101.99619.290410.1.3.01909 6,31775.80735.200510.1.3.019494,04325.02196.310510.1.3.019 804, 12275.23234.150610.1.3.012833 e 14987.12849.180610.1.3.018360, sob os seguintes fundamentos, em síntese: Fl. 470DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 15 5 • tendo demonstrado os efeitos da decisão judicial transitada em julgado dentro da esfera administrativa, notadamente em relação aos processos n.° 13603.001578/200125 e n.° 13603.000708/9837, a Seção de Fiscalização se manifesta novamente pela impossibilidade da pessoa jurídica aproveitar créditos de IPI decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois, inexistindo a relação jurídicotributária entre a União e o sujeito passivo por força da decisão judicial, este não pode se beneficiar apenas dos benefícios desta relação; • a constatação da existência da decisão judicial transitada em julgado declarando que a atividade exercida pela sociedade empresarial não se sujeita ao IPI, implica na Revisão de Oficio dos Despachos Decisórios que reconheceram créditos de ressarcimento de IPI em favor da Editora Alterosa Ltda; • o fato de o sujeito passivo possuir decisão judicial declarando a inexistência da relação jurídico tributária entre as atividades desenvolvidas pelo mesmo e o campo de incidência do IPI o desqualifica da condição de contribuinte deste tributo. Portanto, o interessado não se sujeita a nenhuma norma atinente ao IPI; • o sistema de crédito consiste em atribuir ao contribuinte do IPI o imposto relativo aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Portanto, não sendo o interessado contribuinte do IPI por força de decisão judicial e inexistindo a relação jurídico tributária entre ele e a Unido Federal, não há, nestas circunstânciasprevisão legal para utilização de créditos de IPI pelo sujeito passivo; • a opção pela compensação de débitos se restringe àqueles contribuintes que apurem crédito do imposto passível de restituição ou de ressarcimento. No presente caso, não foi apurado crédito passível de restituição, tampouco de ressarcimento; sequer existe a possibilidade da apuração de qualquer tipo de crédito, haja vista que o interessado é possuidor de decisão judicial transitada em julgado que o desqualifica da condição de contribuinte do IPI; • quanto à Solução de Consulta 288, citada pelo interessado em sua manifestação de inconformidade, temse que a mesma foi obtida pelo fato de o consulente de ter omitido a informação sobre a existência de decisão judicial anterior declarando a inexistência de relação jurídico tributária relativa ao IPI entre a União Federal e a Editora Alterosa Ltda; • reafirmando este entendimento, fazse necessário citar o Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, contido no processo 13603.721576/201047, motivado por Representação formalizada pela DRF/CONTAGEM dirigida ao chefe da DISIT/SRRF 06 para que fosse analisada a anulação da citada Solução de Consulta. Após análise, a DISIT/SRRF 06 assim concluiu: A vista do exposto, entendese que a consulta formulada (fls.10/13) deve ser declarada ineficaz, considerando que o fato nela exposto foi objeto de decisão judicial anterior proferida em litígio em que foi parte a consulente, conforme art. 52, inc. IV, do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF) e art. 15, inc. VI, da IN RFB n.°230/2002". Fl. 471DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 16 6 "Em consequência e com base nos fundamentos acima, entendese que deve ser declarada nula a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004 (fls. 14/16), com efeitos retroativos (ex tunc), tendo em vista ferir frontalmente a legislação da espécie, uma vez que prolatada em resposta a consulta ineficaz, em que a consulente, proferindo declaração inveridica, omitiu o fato de que possuía decisão judicial transitada em julgado em seu favor cujo objeto tem relação direta com o fato exposto na consulta, na data de sua apresentação". • no intuito de atender ao principio da economia processual e dar celeridade às demais decisões relacionadas a processos distintos do mesmo interessado que, pela matéria, vinculamse à presente análise, o cancelamento dos atos administrativos que reconheceram créditos de IPI relativos a outros períodos de apuração em favor da Editora Alterosa Ltda será efetivado pelo presente Despacho Decisório, juntamente com o indeferimento dos mesmos, bem como as decisões referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensação ainda pendentes de decisão administrativa. • por todo o exposto, e com base nas informações trazidas pelo Termo de Informação Fiscal da SAFIS da DRF/CONTAGEM, proponho: .• que sejam anulados os Despachos Decisórios ... • que sejam indeferidos os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) ... • que sejam consideradas não homologadas as compensações apresentadas pelas seguintes Declarações de Compensação (DCOMPs)... Cientificado do referido despacho decisório [nº 1.376/DRF/CON] em 29/11/2010 [fl. 270] manifestou a interessada a sua inconformidade em 20/12/2010 por intermédio do arrazoado de fls. 302/312, no qual:ó inicialmente historia os fatos atinentes à ação judicial [processo nº 32.1710] desde a petição inicial até decisão final favorável transitada em julgado, mencionando, ainda, os autos de infração lavrados, formalizados sob os números 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, cujo desfecho, no julgamento pelo Segundo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais foi pela improcedência dos lançamentos em face da existência de coisa julgada afastando a incidência do IPI sobre os serviços de impressão prestados por ela e da caracterização da atividade da empresa como mera composição gráfica sujeita apenas ao ISS. ó alegou que a mudança de entendimento manifestada no despacho decisório que anulou o despacho anterior só ocorreu depois que ela obteve êxito nos processos 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, denotando retaliação pela vitória; questiona o por quê da exigência do IPI da empresa em 1998 e 2001 e do deferimento dos ressarcimentos se a decisão judicial transitada em julgado existe desde 1984 e conclui que o Fisco alterou sua visão somente quando se viu impedido de cobrar o Fl. 472DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 17 7 IPI da defendente; ó argumenta, mencionando o art. 146 do CTN [a modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução] e o art. 2ºXIII da Lei nº 9.784/99 [que veda a aplicação retroativa de nova interpretação], que a nova opinião só pode valer para o futuro; ó reproduz excertos de doutrina, jurisprudência do Conselho de Contribuintes e dos Tribunais que entende favoráveis à sua tese; ó pondera que “como a mudança de entendimento da DRF/Contagem acerca da caracterização da contribuinte como mera prestadora de serviços só foi externada em 29/11/2010, todos os pedidos de ressarcimento e de compensação formalizados até essa data estão albergadas pelo entendimento anterior, razão pela qual ela faz jus ao aproveitamento dos créditos de IPI previstos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 pelo menos até 29/11/2010”; ó acrescenta, ainda, que “por ter classificado a contribuinte como indústria e ter conferido a ela os ônus e os bônus dessa categorização (autuações por suposta fabricação de cartões de crédito com tarja magnética e, na outra ponta, deferimento do aproveitamento dos créditos de IPI descritos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99), a revisão desse enquadramento e o deslocamento da contribuinte para um status diferente caracteriza um erro de direito (erro na caracterização jurídica dos fatos), o qual, como demonstrado, não enseja revolvimento de situações passadas e já definitivamente constituídas, motivo pelo qual todos os ressarcimentos, compensações e atos praticados pela empresa até 29/11/2010 permanecem regidos pelo entendimento (critério jurídico) anterior”; ó requer, ao final, que esta DRJ cancele o Despacho Decisório DRF/CON nº 1.376/2010 e, com isso, (i) restabeleça os despachos decisórios que reconheceram créditos de IPI, (ii) valide todos os ressarcimentos de IPI pedidos (inclusive os eletrônicos) e (iii) homologue as compensações feitas. Nestes termos vieram os autos, em 29/11/2011, a esta Terceira Turma da DRJ/JUIZ DE FORA/MG para julgamento. Em vista da informação recebida da Saort/DRF/CON/MG, por telefone, acerca da obtenção, pela pessoa jurídica, de sentença favorável em mandado de segurança [processo nº 89641.31.2010.4.01.3800] impetrado em 15/12/2010, anexada às fls. 264/270 do processo nº 13603.721576/201047 [no qual foi formalizada a Representação para Cancelamento da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 288/2004] esta Relatora entendeu por bem anexar dito documento ao presente processo [fls. 325/331]. Analisando o processo, a DRJ em Juiz de Fora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 18 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL EM ANDAMENTO. IÉ vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido, cabendo, nessa situação, ser indeferido o pleito. IICOMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Considerando a decisão proferida no Mandado de Segurança no. 89641.31.2010.4.01.3800, que restabeleceu a consulta que havia reconhecido o direito de aproveitamento dos créditos para ressarcimento/compensação; a DRJ deveria deferir o pedido de ressarcimento de IPI e homologar as compensações ou, por cautela, aguardar o trânsito em julgado do Mandado de Segurança. A DRJ deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade sob a justificativa de que foi proferida decisão judicial que interfere na questão discutida nos presentes autos. Contudo, o tema submetido ao Poder Judiciário (anulação da Solução de Consulta SRRF/6a. RF/Disit no. 288/2004) é diferente do tratado nestes autos (possibilidade de a autoridade fiscal aplicar, retroativamente, entendimento/critério jurídico novo). Razão pela qual o acórdão da DRJ deve ser cancelado, de modo que não haja o cerceamento de defesa da Recorrente. Assim, requer que seja anulado o Acórdão proferido pela DRJ em Juiz de Fora, para que esta enfrente as razões da defesa e, se no mérito este Colegiado for favorável à Recorrente, que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório pretendido (ressarcimento de IPI) e homologando as compensações glosadas. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 19 9 Conforme se depreende de todo o exposto no relatório, trata o presente caso de ressarcimento do saldo credor de IPI, verificado no 2° trimestre de 2000, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. De se destacar que a Recorrente jamais se conformou com a condição de contribuinte de IPI, pelo fato de ser prestadora de serviço, detendo, inclusive, decisão judicial transitada em julgado em que restou reconhecido que esta não deve IPI relativamente aos serviços de composição gráfica e impressão em geral. Não obstante, sempre foi surpreendida com a cobrança do IPI pelo órgão fazendário. Basta verificar que contra ela foi lavrado o Auto de Infração consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125, para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escrita fiscal. Esse cenário levou a Recorrente a formular consulta à Receita Federal sobre a possibilidade de aproveitar o crédito de IPI decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, não obstante sua atividade fosse, basicamente, a prestação de serviços gráficos. Foi, assim, emitida a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, que confirmou à Recorrente o seu direito ao crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Então, passou a requerer o ressarcimento do saldo credor de IPI, verificado no 1° trimestre de 2000, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, o qual não vinha sendo deferido justamente pelo fato de a Recorrente, de outra banda, questionar administrativamente a própria incidência do imposto. Ocorre que, posteriormente, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Ac Nº 20403.166, julgou favoravelmente à Recorrente o processo 13603.001578/200125. Diante dessa decisão, foi elaborado pela Delegacia de Origem, em 13/08/2009, o Termo de Verificação Fiscal que, considerando que a desconstituição da exigência veiculada pelo Auto de Infração em comento com a conseqüente invalidação da reconstituição da escrita fiscal promovida pela fiscalização restabeleceu a situação anterior do contribuinte no que diz respeito à escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI e, mencionando a Solução de Consulta DISIT/SRRF/6ª RF nº 288, de 17/08/2004, sugeriu o DEFERIMENTO INTEGRAL do direito creditório no valor de R$ 61.601,40. Tomando por base o TVF retro mencionado e em cumprimento à determinação do CARF foi prolatado, pela DRF/Contagem/MG Despacho Decisório [DRF/CON nº 1.194, de 27/08/2009, fls. 248/250] para DEFERIR o direito creditório relativamente ao saldo credor apurado no trimestre 1º/2000, da ordem de R$ 61.601,40. A Recorrente manifestouse contrariamente à compensação de ofício e, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº posteriormente, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº 35542.89474.230410.1.1.010230 [fls. 272/273] e as DCOMPs de nº 40786.43960.230410.1.3.016630 [fls. 274/277], Fl. 475DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 20 10 7101.99619.290410.1.3.019096 [fls. 278/281], 31775.80735.200510.1.3.019494 [fls. 282/287], 04325.02196.310510.1.3.019804 [fls. 288/291], 12275.23234.150610.1.3.012833 [fls. 292/295] e 14987.12849.180610.1.3.018360 [fls. 296/299], para utilização do direito creditório reconhecido. Na seqüência foi proferido o Despacho Decisório DRF/COM nº 1.841, de 15/12/2009, que, considerando o deferimento do direito creditório no Despacho Decisório anteriormente mencionado homologou as DCOMPs retro discriminadas. Porém, em 31/08/2010, considerando a informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG, inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi prolatado o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON que conclui pela anulação do Despacho Decisório da DRF que havia reconhecido o direito creditório, pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento e pela não homologação das declarações de compensação. Quanto à Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, que confirmava à Recorrente o seu direito ao crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, dispõe a DRJ ter sido declarada ineficaz pelo Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010. Ocorre que, em face do Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança no. 89641.31.2010.4.01.3800, através do qual passou a questionar a legitimidade da anulação da Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, o qual foi julgado procedente e encontrase com Recurso de Apelação da Fazenda Nacional, recebido apenas em seu efeito devolutivo, pendente de julgamento pelo TRF da 1a. Região. Significa isso dizer que o Despacho Decisório 199/2010 não produz quaisquer efeitos jurídicos e não deve ser observado nem pela autoridade fiscal e tampouco por este Conselho. Fato é que ao cancelar o Despacho Decisório 199/2010, que anulou a Solução de Consulta, a decisão judicial restabeleceu a solução de consulta que havia reconhecido o direito de aproveitamento dos créditos para ressarcimento/compensação. Como se não bastasse, o Recurso de Apelação da Fazenda Nacional foi recebido em seu efeito devolutivo, mantendo se os efeitos da decisão judicial exarada. Por conseguinte, imperioso se torna aferir se, diante desse cenário, deve ou não prevalecer o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, que concluiu pela anulação do Despacho Decisório da DRF que havia reconhecido o direito creditório, pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento e pela não homologação das declarações de compensação. A DRJ deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade sob a justificativa de a decisão judicial mencionada interfere na questão discutida nos presentes autos. É de se admitir, contudo, que a matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário (anulação da Solução de Consulta SRRF/6a. RF/Disit no. 288/2004), não pode ser confundica com a submetida à análise neste processo administrativo (possibilidade de a autoridade fiscal aplicar, retroativamente, entendimento/critério jurídico novo). Fl. 476DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.001247/0098 Acórdão n.º 3801002.481 S3TE01 Fl. 21 11 Assim, para que não haja supressão de instância e o consequente cerceamento de defesa da Recorrente, entendo que devem os atos retornar à DRJ para que esta se pronuncie quanto ao mérito, muito bem destrinchado pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 477DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004424/2002-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
A inobservância da trava pode gerar hipótese de postergação, quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subsequentes até o lançamento. Se não demonstrada a postergação, não há como a mesma ser acatada pela fiscalização ou pelo órgão julgador.
Numero da decisão: 9101-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo- Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava pode gerar hipótese de postergação, quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subsequentes até o lançamento. Se não demonstrada a postergação, não há como a mesma ser acatada pela fiscalização ou pelo órgão julgador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo- Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava pode gerar hipótese de postergação, quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subsequentes até o lançamento. Se não demonstrada a postergação, não há como a mesma ser acatada pela fiscalização ou pelo órgão julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Susy Gomes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 44 24 /2 00 2- 45 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Hoffmann (VicePresidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior sendo substituído pelo Conselheiro Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls.165/170) em face do acórdão de n° 180500.073, proferido pela 5ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em sessão de 28 de maio de 2009. O auto de infração, lavrado em 26/07/2002 (fls. 56/59), consubstancia a exigência de CSLL no montante de R$ 86.592,36 referente ao fato gerador ocorrido em 31/03/1998, em razão de compensações indevidas realizadas relativas a períodos anteriores e acima do limite de 30% do lucro líquido ajustado. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 60/73) na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do lançamento em razão do mandado de procedimento fiscal referirse exclusivamente ao IRPJ, sendo que a expedição de mandado suplementar para a exigência da CSLL culminaria em nulidade do procedimento. Quanto ao mérito, aduziu, em síntese: (i) Inconstitucionalidade da limitação de 30% na compensação. (ii) Alternativamente, afirma que tratase de postergação do pagamento da exação e não de falta de pagamento, vez que no anocalendário de 1997 o estoque de prejuízo fiscal de anos anteriores foi integralmente consumido pelo lucro líquido obtido no período em questão. Assim, o valor que deixou de ser recolhido no anocalendário de 1997 foi pago nos anos calendários seguintes, consoante legislação de regência e Parecer Normativo n° 02/96. Sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) que, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10410.004424/200245 Acórdão n.º 9101001.840 CSRFT1 Fl. 11 3 Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. A partir do anocalendário 1995, a compensação de base de calculo negativa da CSLL é limitada a 30% (trinta por cento) do Lucro Liquido ajustado pelas adições e exclusões determinadas na legislação de regência, limitada ainda ao saldo existente no período de apuração. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL. POSTERGAÇÃO. Considerase postergada a parcela da contribuição relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. A compensação de base de cálculo negativa, por sua natureza diversa, não pode ser aplicado o tratamento de postergação previsto na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 120/132) no qual reiterou as razões de sua impugnação. A 5ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em sessão de 28 de maio de 2009, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte (Acórdão 1805 00.073) (fls. 153/160), em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Os casos de decretação de nulidade no seio do processo administrativo fiscal estão adstritas aos casos de incompetência da autoridade administrativa ou cerceamento de defesa. CSLL BASE DE CÁLCULO NEGATIVA INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% PARA A COMPENSAÇÃO POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO O lançamento de oficio para exigir contribuição social sobre o lucro, devida em razão da falta de observação da trava de 30% para a compensação da base de cálculo negativa, deve atender ao disposto nos artigos 219 e 193 do RIR/94, relativo à postergação no pagamento do imposto. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria n° 256/2009) interpôs recurso especial ( fls. 165/170) aduzindo divergência jurisprudencial com o acórdão de n° 10513924 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 (paradigma). Aduz a d. Procuradoria que “Diversamente do julgado da Quinta Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes indica que a compensação indevida de bases de cálculo negativas da CSLL não caracteriza hipótese de postergação de tributos”. Em exame de admissibilidade às fls. 206/207, por meio do Despacho de n° 12000.403/2009, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 204/213. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Delimitando a lide, cuidase de autuação objetivando a cobrança dos valores compensados acima do limite de 30% relativos ao fato gerador ocorrido em 31/03/1998. Em sua defesa, o contribuinte aduz que na realidade tratase de postergação do pagamento da exação uma vez que, “no anocalendário de 1997, o estoque de prejuízo fiscal, de anoscalendários anteriores, foi consumido, integralmente, pelo lucro líquido obtido nesse período, passando, então, a autuada a pagar normalmente o tributo nos períodos base seguintes, uma vez que esgotou o seu estoque de prejuízos fiscais. Na realidade não houve falta de pagamento do tributo, mas sim postergação do seu pagamento, uma vez que o valor que deixou de ser recolhido no anocalendário de 1997 foi pago nos anoscalendários seguintes, conforme dispõe a legislação tributária a respeito da matéria, especialmente o Parecer Normativo n° 02/96.” A Fazenda Nacional, por seu turno, citando jurisprudência da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sustenta que a compensação indevida de bases de cálculo negativas da CSLL não configura hipótese de postergação de tributos, alegando que no presente caso não há qualquer relação entre a infração apurada no Auto de Infração a redução indevida de base de cálculo com a postergação do pagamento em razão de inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou reconhecimento de lucro. Antes de adentrar às questões específicas do caso, para elucidação da questão, fazse necessário tecer alguns comentários preliminares. A Lei n° 8.383/91 reconhecia o direito à compensação integral das bases de cálculo negativas da CSLL com os resultados positivos apurados nos períodos subseqüentes, conforme o artigo 44, parágrafo único, abaixo transcrito: “Parágrafo Único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada no lucro real.” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10410.004424/200245 Acórdão n.º 9101001.840 CSRFT1 Fl. 12 5 Com o advento da Medida provisória nº 812, de 30.12.94, o limite para o aproveitamento do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL deixou de ser temporal, para ser quantitativo. Assim, a Lei nº 8.981, de 30.01.95, objeto de conversão da Medida Provisória nº 812, de 30.12.94, em seu artigo 58, determinou que a partir de janeiro de 1995 o lucro líquido ajustado somente poderia ser reduzido por compensação das bases de cálculo negativas da CSLL apuradas em períodos anteriores em, no máximo, 30% (trinta por cento), conforme abaixo transcrito: “Art. 58. Para determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos base anteriores em, no máximo, trinta por cento.” A Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, manteve em seu artigo 16 o limite de 30% previsto na Lei n° 8.981/95 para a compensação das bases de cálculo negativas da CSLL: “Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendários subseqüentes, observado o limite máximo de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995”. A compensação das bases de cálculo negativas da CSLL passou a ser limitada ao percentual de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, sem, contudo, haver limite temporal para que os contribuintes efetuassem tal compensação. Não há que se discutir, pois, a legalidade da trava em hipótese de continuidade da pessoa jurídica, vez que já foi, inclusive, declarada pelo judiciário, além de ser objeto da Súmula nº 3 do 1º Conselho de Contribuintes, (Súmula CARF n° 03) Súmula 1ºCC nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Assim, deve o contribuinte observar o limite quantitativo para o aproveitamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, sendo certo que, se não integralmente utilizado o prejuízo fiscal ou a base de cálculo negativa da CSLL no ano imediatamente subseqüente, poderá ser utilizado nos demais anos subseqüentes, sem que ocorra a prescrição deste direito. O que se discute, portanto, é se ao desrespeitar a trava, o prejuízo causado ao erário é o de não recolhimento ou o da postergação do tributo. Isso porque, dado o fato de o contribuinte compensar integralmente a base negativa da CSLL em determinado anocalendário, verificase a (in)existência de base negativa a ser utilizada nos anoscalendários subsequentes. Melhor dizendo, a base de cálculo negativa utilizada num determinado anocalendário, implica, por decorrência lógica, na sua não utilização nos anoscalendários subsequentes. Se nestes anoscalendário subsequentes o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 6 contribuinte auferiu lucro e o tributou, então acabou por recolher a contribuição que seria devida caso não houvesse desrespeitado a trava. Ao recolher em momento posterior o tributo que deveria ser recolhido no anocalendário em que desrespeitada a trava, estáse diante de postergação de imposto. Sobre a postergação do pagamento do imposto, foi editado o Parecer Normativo COSIT nº 2, de 28.08.1996, que fixou os procedimentos que devem ser integralmente adotados pela fiscalização, quando do lançamento do tributo postergado: “§5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou de reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; b) redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. §6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência de aplicação do disposto no § 4º. §7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. (...) 5.3 Chamase a atenção para a letra da lei: o comando é para se ajustar o lucro líquido, que será o ponto de partida para a determinação do lucro real; não se trata, portanto, de simplesmente ajustar o lucro real, mas que este resulte ajustado quando considerados os efeitos das exclusões e adições procedidas no lucro líquido do exercício, na forma do subitem 5.2. Dessa forma, constatados quaisquer fatos que possam caracterizar postergação do pagamento do imposto ou da contribuição social, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) tratandose de receita, rendimento ou lucro postecipado: excluir o seu montante do lucro líquido do períodobase em houver sido reconhecido e adicionálo ao lucro líquido do períodobase de competência; b) tratandose de custo ou despesa antecipada: adicionar o seu montante ao lucro líquido do períodobase em que houver ocorrido a dedução e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10410.004424/200245 Acórdão n.º 9101001.840 CSRFT1 Fl. 13 7 c) apurar o lucro real correto, correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação e a respectiva diferença de imposto, inclusive adicional, e de contribuição social sobre o lucro líquido; d) efetuar a correção monetária dos valores acrescidos ao lucro líquido correspondente ao períodobase do início do prazo de postergação, bem assim dos valores das diferenças do imposto e da contribuição social, considerando seus efeitos em cada balanço de encerramento de períodobase subseqüente, até o períodobase de término da postergação; e) deduzir, do lucro líquido de cada períodobase subseqüente, inclusive o de término da postergação, o valor correspondente à correção monetária dos valores mencionados na alínea anterior; f) apurar o lucro real e a base de cálculo da contribuição social, corretos, correspondentes a cada períodobase, inclusive o de término da postergação, considerando os efeitos de todos os ajustes procedidos, inclusive o da correção monetária, e a dedução da diferença da contribuição social sobre o lucro líquido; g) apurar as diferenças entre os valores pagos e devidos, correspondentes ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido." Nos termos do referido Parecer, devem ser efetuados todos os ajustes e recomposições inerentes à legislação aplicável a ambos os exercícios, inclusive com a correção monetária sobre os valores que integrariam o Patrimônio Líquido da empresa, se corretamente contabilizada, deduzindose esses montantes da base de cálculo do período subseqüente (item 5.3, letras “d” e “e” do citado parecer). Só depois desses ajustes tornarseia possível quantificar a postergação. A compensação do prejuízo fiscal, como já reiteradas vezes decidido por esse colegiado relativamente a outras matérias, não faz parte do momento da quitação do tributo, mas da sua formação de base de cálculo. A partir dessa premissa, temse também o disposto no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o qual traz em seu artigo 273 a seguinte previsão: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º, § 5 º ): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 8 § 1 º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2 º do art. 247 (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º , § 6 º ). § 2 º O disposto no parágrafo anterior e no § 2 º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 6 º , § 7 º , e DecretoLei n º 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Assim, se entre o ano calendário em que houve a compensação acima da trava e o anocalendário em que efetuado o lançamento verificouse que não houve prejuízo ao erário quanto ao valor principal devido, porquanto o montante compensado a maior em um ano implicou em tributação nos anos subsequentes, há que se lançar, sobre esse valor, tão somente os efeitos da postergação, vale dizer, da mora. Voltando ao presente, verifico que cuidase, in casu, exatamente de hipótese de postergação no pagamento do imposto, uma vez que o valor que deixou de ser recolhido pelo contribuinte no primeiro trimestre do anocalendário de 1997, em virtude da compensação de base negativa em percentual superior a 30%, foi integralmente paga, de forma espontânea, nos trimestres subseqüentes no mesmo anocalendário, conforme informações constantes da tabela abaixo reproduzida: Conforme bem asseverou o Conselheiro Edwal Casoni no acórdão de recurso voluntário (AC 180500.073): “(...) equivocouse a fiscalização ao não considerar o direito remanescente de absorção dos prejuízos, pois as parcelas que a empresa compensou a maior (além do limite de 30%), tendo em vista que a glosa se refere unicamente ao primeiro trimestre do ano calendário em questão, e nos demais houve pagamento de CSLL, poderiam ter sido realizadas nos períodos seguintes àquelas consignados, e antes mesmo da autuação, bastando analisar a DIPJ da contribuinte às fls. 29 a 32.” Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10410.004424/200245 Acórdão n.º 9101001.840 CSRFT1 Fl. 14 9 Cobrar o valor da base de cálculo negativa da CSLL sabendo que a mesma poderia, mas não foi aproveitada, nos anoscalendário/exercícios ou trimestres subsequentes, como sói ocorre neste caso, é tributar valor que sabidamente não era devido. Se há prejuízo ao erário, este corresponde à postergação do pagamento do imposto, aos efeitos da mora. Nesse sentido é a jurisprudência dominante neste Egrégio Conselho: IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% PARA A COMPENSAÇÃO — POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. O lançamento de oficio para exigir imposto de renda devido em razão da não observância da trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal deve observar o disposto nos artigos 219 e 193 do RIR/94 e no PN 02196. IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA DO BALANÇO — PERÍODOBASE DE 1989 — PLANO VERÃO — IPC X BTNF — Para efeitos da correção monetária de balanço do ano de 1989, devese utilizar o IPC, real indexador da inflação e, conseqüentemente, da CMB. Recurso Provido (Recurso Voluntário n°. 121743, Acórdão n°. 10705988, 7° Câmara do 1° CC, Proc. n°. 10980.007933/9827, Relator Paulo Roberto Cortez). POSTERGAÇÃO DE RECEITAS — À inobservância do regime de competência, aplicase o disposto no art. 219 e seus §§ do RIR/94, sendo exigível apenas a diferença do imposto, se houver, bem como os acréscimos da correção monetária, multa e juros moratórios (PN CST n°. 02/96). (Recurso de Oficio n°. 124932, Acórdão n°. 10320573, Câmara do 1° CC, Proc. n°. 10283.013004/9978, Relator Paschoal Raucci). CSLL TRAVA PARA APROVEITAMENTO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA — CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava geral, não impede a hipótese de postergação quando o sujeito passivo comprova o pagamento de tributo postergado em exercícios subseqüentes. Se não demonstrada à postergação, mantémse a exigência fiscal. Recurso especial provido. (Recurso Voluntário n°. 142997, Acórdão n°. CSRF/01 06.054, la Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Proc. n°. 10283.000677/0091, Relator Karem Jureidini Dias). Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da d. Fazenda. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2013. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10280.720919/2010-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. REVENDA DE BEM SUJEITO AO REGIME NÃO-CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
A revenda de bens sujeitos ao regime monofásico de incidência de PIS não participa da apuração de PIS sob o regime não-cumulativo. Tal como a receita da revenda não está sujeita à incidência de PIS - não se submetendo ao regime não-cumulativo de apuração, por já ter incidido a contribuição em regime de incidência monofásica -, igualmente a aquisição destes bens não gera direito de crédito, pois não corresponde a um bem cuja revenda seja submetido à apuração pelo regime não-cumulativo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausentes os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. REVENDA DE BEM SUJEITO AO REGIME NÃO-CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A revenda de bens sujeitos ao regime monofásico de incidência de PIS não participa da apuração de PIS sob o regime não-cumulativo. Tal como a receita da revenda não está sujeita à incidência de PIS - não se submetendo ao regime não-cumulativo de apuração, por já ter incidido a contribuição em regime de incidência monofásica -, igualmente a aquisição destes bens não gera direito de crédito, pois não corresponde a um bem cuja revenda seja submetido à apuração pelo regime não-cumulativo. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausentes os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 97 1 96 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720919/201058 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.494 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria PIS/Pasep Recorrente ATLAS VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. REVENDA DE BEM SUJEITO AO REGIME NÃOCUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A revenda de bens sujeitos ao regime monofásico de incidência de PIS não participa da apuração de PIS sob o regime nãocumulativo. Tal como a receita da revenda não está sujeita à incidência de PIS não se submetendo ao regime nãocumulativo de apuração, por já ter incidido a contribuição em regime de incidência monofásica , igualmente a aquisição destes bens não gera direito de crédito, pois não corresponde a um bem cuja revenda seja submetido à apuração pelo regime nãocumulativo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Ausentes os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 19 /2 01 0- 58 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de Pedido de Ressarcimento combinado com Declarações de Compensação (fls. 03/09e) que apresentam como crédito valor de saldo credor de PIS não cumulativo relativo ao 1º trimestre de 2007. A Delegacia da Receita Federal em Belém/PA (DRF) proferiu Despacho Decisório (fl. 23e) homologando parcialmente as compensações. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 26/46) alegando vício do ato administrativo por não existir no Relatório Fiscal ou no Despacho Decisório qualquer fundamentação ou motivo legal que justificasse o deferimento apenas parcial do crédito. Alega que a falta de fundamentação acarretou cerceamento ao seu direito defesa. No mérito, sustenta possuir direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo em relação às aquisições, para revenda, de produtos sujeitos à tributação monofásica, e que este seu direito teria sido reconhecido pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Argumenta que “não pode a Autoridade Fiscal interpretar o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 de forma a restringir a aplicação das regras e benefícios do sistema não cumulativo a uma parte dos contribuintes, haja vista que os mesmos estão, por opção única, do legislador, no sistema não cumulativo, sob pena de configurar desigualdade injustificada para os contribuintes que possuem saída tributada à alíquota zero, o que representa violação direta ao princípio da igualdade tributária.” (fl. 43e). Ressalta a ilegalidade da Instrução Normativa RFB nº 594/2005, no que pretende limitar, sem amparo na Lei, a fruição do direito a manutenção dos créditos. Afirma que em hipótese alguma podese permitir que Instrução Normativa faça o papel de Lei, restringindo ou limitando um direito que a Lei reconheceu. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0124.897, de 9 de maio de 2012 (fls. 61/67e), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a conclusão do Despacho Decisório, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 ATOS ADMINISTRATIVOS. MOTIVAÇÃO. A motivação dos atos administrativos que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.720919/201058 Acórdão n.º 3403002.494 S3C4T3 Fl. 98 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 ILEGALIDADE DE ATO NORMATIVO. O julgador administrativo, nesta instância, deve estrita observância aos atos expedidos pela Receita Federal, consoante estabelece o art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 71/90e) reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e, “esteado na legislação pátria, especificamente nos artigos 150, II da Constituição Federal, art. 17 da Lei nº 11.033/04, art. 1º da Lei nº 10.865/04, 156 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/96, pugna o contribuinte pela reforma total da decisão exarada que “glosou” (indeferiu) o pedido de ressarcimento para que o mesmo seja julgado procedente e, por conseqüência, homologadas as compensações efetuadas por meio dos PER/DCOMPs, em respeito à legislação pátria, e, sob pena de violação ao princípio da igualdade em razão da distinção estar centrada no tipo de atividade exercida.” É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi interposto em 01/06/2012 (fl. 71e), dentro do prazo de 30 dias contados da data da notificação do acórdão da DRJ, em 25/05/2012, conforme Aviso de Recebimento (fl. 70e). Por ser tempestivo, conheço do recurso. 1. A falta de motivação da decisão. As decisões dos pedidos de ressarcimento e das declarações de compensação são tomadas por um chefe de setor, sob o título de Despacho Decisório, o qual necessariamente remete a um termo de verificação ou relatório lavrado por um Auditor ou uma equipe, nos quais consta o detalhamento das razões de decidir. É isto o que ocorre no presente caso, em que o Despacho Decisório se fez complementar do Relatório Fiscal apresentado pela Fiscalização. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Assim, fica claro o equívoco do Recorrente em acusar de nulo o Despacho Decisório, tal como se não existisse motivação, quando na verdade, como já dito, a motivação existe e integra a referida decisão, mesmo não estando em seu corpo, pois é suficiente que a decisão remeta para estes fundamentos. Não tem razão o Recorrente, portanto, no que se refere à preliminar de nulidade. 2. O direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo e as aquisições de mercadorias para revenda, sujeitas à incidência monofásica. A revenda de bens sujeitos ao regime monofásico de incidência de PIS não participa da apuração de PIS sob o regime nãocumulativo. Tal como a receita da revenda destes bens não está sujeita à incidência de PIS – não se submetendo ao regime nãocumulativo de apuração, por já ter incidido a contribuição em uma etapa anterior em regime de incidência monofásica –, igualmente a aquisição destes bens não gera direito de crédito, pois não corresponde a um bem cuja receita decorrente da revenda seja submetida à apuração pelo regime nãocumulativo. A legislação da época retrata esta inteligência pela combinação dos seguintes dispositivos, conforme o texto vigente na época da apropriação do crédito (2007): Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) ................... Art. 1º (omissis) § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no9.990, de 21 de julho de 2000,no10.147, de 21 de dezembro de 2000, eno10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; Ou seja, de um lado retirase da incidência de PIS nãocumulativo a receita da revenda de bens sujeitos à incidência monofásica para, de outro lado, proibirse o creditamento em relação à aquisição destes mesmos bens. Com isso, colocase à margem do regime nãocumulativo a revenda de bens que estejam sujeitos ao regime monofásico. É verdade que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 pode causar dúvida a respeito do seu alcance, conforme se confere de seu texto: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.720919/201058 Acórdão n.º 3403002.494 S3C4T3 Fl. 99 5 da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Devese reconhecer, no entanto, que este dispositivo não revogou os dispositivos citados anteriormente, não revogando o tratamento neles previsto para os bens sujeitos ao regime monofásico. A interpretação sistemática conduz ao entendimento de que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 apenas se aplica aos casos em que a aplicação, na operação de venda, de suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, estejam referidas à aquisições que geram direito de crédito. Este dispositivo impede que se pretenda estornar os créditos correspondentes à aquisições que dão direito de crédito em razão exclusivamente da aplicação, na operação de venda, das referidas desonerações. Percebase que estas situações naturalmente ocorrem em relação a cadeias de produção, nas quais haja transformação, quando se adquirem insumos que dão direito de crédito e se dá saída a produtos contemplados com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No caso da revenda de produto sujeito à alíquota zero, no entanto, já desde a aquisição não existe direito de crédito, em razão dos art. 3º, I, “ a” c/c art. 1º, § 3º, IV da Lei nº 10.637/2002, na redação vigente na época. Por estas razões, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900876/2008-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2003
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 76 /2 00 8- 99 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900876/200899 Acórdão n.º 9303002.478 CSRFT3 Fl. 161 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900876/200899 Acórdão n.º 9303002.478 CSRFT3 Fl. 162 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900876/200899 Acórdão n.º 9303002.478 CSRFT3 Fl. 163 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900876/200899 Acórdão n.º 9303002.478 CSRFT3 Fl. 164 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900876/200899 Acórdão n.º 9303002.478 CSRFT3 Fl. 165 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900876/200899 Acórdão n.º 9303002.478 CSRFT3 Fl. 166 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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