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Numero do processo: 10935.906226/2012-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/04/2006
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/04/2006 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 11 1 10 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906226/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802003.193 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente L A G MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/04/2006 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 26 /2 01 2- 71 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/04/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906226/201271 Acórdão n.º 1802003.193 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13850.720100/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2012
Ementa:
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO .
Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas.
MULTA. CONFISCO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o Relator pelas conclusões. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2012 Ementa: MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO . Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas. MULTA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o Relator pelas conclusões. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2012 Ementa: MULTA ISOLADA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. FALSIDADE NAS DECLARAÇÕES. CABIMENTO . Correta a aplicação da multa prevista no art. 18, §2º, da Lei nº 10.833/2003, quando for negada homologação às compensações declaradas e for caracterizada falsidade nas declarações apresentadas. MULTA. CONFISCO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o Relator pelas conclusões. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 72 01 00 /2 01 2- 39 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 268 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório TECNOCUBA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1533.234, de 30/08/2013, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de auto de infração para constituição de crédito tributário pela aplicação de multa regulamentar pela compensação indevida, efetivada em declaração apresentada com falsidade. A multa busca fundamento no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Os fatos apurados pelo Fisco foram minuciosamente descritos no relatório intitulado Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 8/15), do qual peço vênia para transcrever os excertos mais relevantes para a perfeita compreensão da lide. 1 – DESCRIÇÃO GERAL Por meio do processo n° 10166.000429/201218, protocolado em 13/01/2012, o contribuinte acima identificado formulou pedido de restituição de supostos indébitos (créditos) no valor de R$ 14.000.000,00 contra a Fazenda Nacional (RFB). Poucos dias depois e utilizando aquele suposto crédito, o mesmo contribuinte transmitiu 03 declarações de compensação (DCOMP) de tributos federais: em 19/01/2012 as DCOMP n° 05099.22104.190112.1.3.029279 e 37421.34016.190112.1.3.029283, e em 23/01/12 a DCOMP 13034.96647.230112.1.3.034717. Os débitos compensados totalizaram R$ 1.383.483,49 – com base nas datas de transmissão. Conforme será fartamente elucidado nos itens posteriores, tais compensações acabaram por vestir a roupagem da falsidade, tendo o contribuinte o claro fito de se eximir do pagamento dos tributos devidos e confessados nas citadas DCOMP. 2 – DESCRIÇÃO DOS FATOS 2.1 DA PROTOCOLIZAÇÃO 2.1.1. Iniciando com as circunstâncias pouco usuais que culminaram na transmissão das Dcomp acima referidas, temse que o processo administrativo (em papel) n° 10166.000429/201218 foi protocolado no PROTOCOLO GERAL DO MINISTÉRIO DA FAZENDA (SAMFPROTORGRE), ou seja, em órgão distinto desta Receita Federal do Brasil (RFB). O assunto tratado no processo é de competência exclusiva desta RFB, nos termos de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 587/2010. Portanto, tal protocolo deveria darse apenas nos protocolos desta Secretaria, através dos Fl. 268DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 269 3 Centros de Atendimento ao Contribuinte (CAC) das unidades descentralizadas, conforme a jurisdição do domicílio tributário do contribuinte. 2.1.2. Como o contribuinte possui domicílio tributário em ArujáSP, o procedimento normal esperado seria efetuar o protocolo do processo de restituição no órgão da RFB que o jurisdiciona, no caso o CAC/Mogi das Cruzes ou mesmo esta DRF/S. José dos Campos. 2.1.3. Dessa forma seriam fornecidas todas as instruções necessárias e eventuais alertas quanto à correta protocolização do processo e sua adequação ao caso; havendo, ainda, plantão fiscal disponível para esclarecimentos sobre a legislação afeta à restituição de tributos e contribuições administrados por esta RFB. 2.1.4. Entretanto, o contribuinte preferiu se esquivar do local e meio corretos à protocolização do processo n° 10166.000429/201218, já que o local de protocolo “escolhido” não se submete às regras desta RFB, para efeitos de orientação e conferência de todos os documentos exigidos para que tal processo fosse corretamente instruído, nos termos da legislação de regência. No caso, a Portaria Conjunta PGFN/RFN n° 04/2010, a qual dispõe sobre o Sistema Integrado de Atendimento ao Contribuinte – Siscac, e mesmo a IN RFB n° 900/2008 (vigente por ocasião do protocolo), esta última predizendo em seu art. 57 que “a decisão sobre o pedido de restituição cabe ao titular da DRF que à data do reconhecimento do direito creditório tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo”. 2.1.5 Inferir que o contribuinte desconhecia tais procedimentos não serve de consolo ao esdrúxulo método adotado, ainda mais considerandose que poucos dias após o citado protocolo no Ministério da Fazenda o contribuinte utilizouse indevidamente do mesmo, como será detalhado nos itens seguintes, para transmitir a esta RFB, desta feita pelos trâmites corretos, 03 (três) declarações de compensação (Dcomp) de débitos federais. 2.1.6. Também é importante destacar que o crédito pleiteado no citado processo administrativo é no exato valor de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais). Como o contribuinte chegou a esse “quantum” exato não se sabe, já que não há nem demonstração nem elementos comprobatórios do direito creditório alegado. 2.2 DO PROCESSO DE RESTITUIÇÃO N° 13804.001546/201135 2.2.1. Apesar de aparentemente não haver relação direta com o pleito acima relatado, outro fato indica que o contribuinte sabia perfeitamente que deveria se utilizar, na via normal, dos protocolos da RFB para efetuar sua petição: Houve um pedido anterior de restituição, efetuado por meio do processo n° 13804.001546/201135, este protocolado no CAC/LAPA (São Paulo/SP), em 13/04/2011 (cópia em anexo a este AI). 2.2.2 De plano se verifica dos autos deste processo que o contribuinte também não o instruiu adequadamente, sequer informando os montantes dos supostos “créditos” requeridos. Além disso, a petição e o protocolo se deram por “absoluta insistência do interessado”, conforme consta do despacho acostado à petição. 2.2.3. Um dia após esta protocolização, em 14/04/2011 o interessado transmitiu a DCOMP n° 42429.06325.140411.1.3.040470, vinculando a mesma ao processo citado, indicando suposto crédito de R$ 1.625.520,25 e débitos compensados de R$ 1.476.755,07. Seis dias depois, porém, o interessado cancelou esta DCOMP por meio do documento de n° 29889.18600.200411.1.8.045755. Por Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 270 4 fim, em 26/04/2011 o interessado informou a desistência do processo n° 13804.001546/201135, tendo em vista a falta de documentação para complementação do pedido e o prazo indeterminado para providenciála. 2.2.4. Ou seja, poucos dias depois do protocolo, o próprio interessado reconheceu a insubsistência do pedido de restituição e das DCOMP transmitidas. 2.2.5. Porém, menos de um (1) ano após, o interessado ingressou com novo processo de restituição, de n° 10166.000429/201218, e transmitiu outras DCOMP, objeto deste AI, com falhas ainda maiores que as já relatadas. Desta feita, porém, as DCOMP transmitidas foram mantidas e, apesar de ter sido intimado a prestar esclarecimentos, como se verá adiante, o interessado se omitiu. A forma de atuação adotada pelo interessado nos dois pedidos de restituição e nas DCOMP vinculadas é muito semelhante: Inicialmente protocolase pedido de restituição sem o mínimo lastro documental e, depois, transmitemse DCOMP com valores vultosos de débitos federais. 2.3. DO CRÉDITO SOLICITADO E DOS PROCEDIMENTOS PARA AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS 2.3.1. No formulário do pedido de restituição constam três supostas origens para o crédito pleiteado: “Pagamento indevido ou a maior”, “Pagamento indevido ou a maior – Simples Nacional” e “Outros créditos”. Tal fato constitui nova inconsistência. 2.3.2. Mesmo desconsiderandose todos os fatos já mencionados, estranhos aos procedimentos rotineiros desta RFB, apenas com a simples verificação do processo n° 10166.000429/201218 já se constatam diversas deficiências de instrução: Não há identificação do direito pleiteado, assinatura no requerimento e identificação do peticionante, assim como Contrato Social, procuração e documentos de identificação. 2.3.3. No mínimo, o processo deveria pautarse pelo disposto no art. 6°, incisos IV e V, da Lei n° 9.784/99, conforme abaixo colocado: “Art. 5º O processo administrativo pode iniciarse de ofício ou a pedido de interessado. Art. 6º O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I – ............................................................ II .......................................................... III ………………………………………… IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; V data e assinatura do requerente ou de seu representante.” Destaques acrescentados 2.3.4 Com a constatação de referidas irregularidades, esta RFB encaminhou ao interessado duas intimações para a prestação de esclarecimentos: Termo de Intimação Seort n° 188, de 14/03/2012, recebido em 20/03/2012, e Termo de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 271 5 Reintimação Seort n° 266, de 09/04/2012, recebido em 12/04/2012. Ressaltese que nenhuma destas intimações foi atendida. 2.3.5 Deve ser mencionado, apenas para registro porque não houve produção de quaisquer efeitos práticos, que foi protocolado em 23/04/2012 um pedido de prorrogação do prazo para atendimento do Termo de Reintimação Seort n° 266/2012. Tal pedido, protocolado no COGRL/SPOA do Ministério da Fazenda, foi indeferido por meio do Despacho Decisório Seort n° 399, de 03/05/2012 (em anexo). O indeferimento se deu por três motivos: primeiro por já ter sido prolatado o respectivo Despacho Decisório nos autos do processo de restituição (e compensações), segundo pelo fato de o “pedido de prorrogação” se encontrar igualmente eivado com os mesmos vícios de instrução do pedido inicial, principalmente quanto à falta de identificação do requerente e, terceiro, pelo fato de o prazo solicitado (30 dias) ser incompatível com o pedido formulado, sendo considerado como meramente protelatório. 2.3.6 A profusão de tipos de crédito utilizados nas DCOMP transmitidas foi de tal monta que podem ser identificados, ao menos, 04 (quatro) tipos de créditos baseados no processo de restituição e informações nas próprias Dcomp, conforme consta do Despacho Decisório Seort/DRF/SJC n° 291/2012, de 25/04/2012, cópia em anexo, do qual se extraem os seguintes trechos elucidativos: “Trata o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais), protocolado em 13/01/2012, na SAMFPROTORGRE, BrasíliaDF, através do qual, utilizandose do formulário aprovado pela IN RFB n° 900, de 2008, o “peticionante” solicita, em tese, o valor acima referente a créditos de : (a) pagamento indevido ou a maior; (b) pagamento indevido ou a maior – Simples Nacional e (c) outros créditos, sem mencionar os montantes devidos a cada um dos tipos de créditos mencionados nem justificálos por quaisquer meios de provas ou comprovações. ......................................................................................................... ............. Relativamente às DCOMP transmitidas com base no presente processo, estas contêm, em seu bojo, uma série de créditos – 04 (quatro) cada uma, a embasar suas compensações, ou seja, além dos supostos créditos apontados no presente processo (PGIM e “outros créditos”), indicam, conforme tabela acima, em duas delas, saldo negativo de IRPJ LP do 4° trimestre de 2008 e na última, saldo negativo da CSLLLP, também do 4° trimestre de 2008, sendo que o contribuinte sequer possui tais créditos, conforme demonstra sua DIPJ entregue do exercício de 2009, anocalendário de 2008, onde apurou saldos a pagar do IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 61.141,18 (IRPJ) e R$ 36.256,24, respectivamente.” 2.3.7. Relativamente ao processo de restituição n° 10166.000429/201218 e declarações de compensação – DCOMP – transmitidas com base no mesmo, outra não poderia ter sido a decisão prolatada no Despacho Decisório Seort/DRF/SJC n° 291/2012, ante a inexistência de comprovações e instrução processual deficiente, conforme trechos extraídos abaixo: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 272 6 “Inclusive, é importante frisar que as DCOMP transmitidas, por não possuírem créditos minimamente averiguáveis e confiáveis, e lastrearemse em processo administrativo eivado de diversos vícios de instrução, onde são citados diversos créditos a esmo, sem quantificações, comprovações e alto valor indicado como crédito total (“fechado” em exatamente R$ 14.000.000,00) incluindo a questão da localidade não usual de seu protocolo, e datas sequenciais de transmissões, 19/01/2012 e 23/01/2012, próximas à protocolização do processo (13/01/2012), levam à conclusão que essas DCOMP não se mostram com a confiabilidade necessária para que o contribuinte pudesse efetuar alguma compensação tributária. Com base no todo exposto, e em atenção ao disposto no artigo 295, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21/12/2010, e no artigo 7º, I, da Portaria DRF SJC n° 75, de 12/05/2011, INDEFIRO o pedido de restituição formulado através do presente processo, não reconhecendo o direito creditório solicitado e NÃO HOMOLOGO as declarações de compensação n° 05099.22104.190112.1.3.029279, 37421.34016.190112.1.3.02 9283 e 13034.96647.230112.1.3.034717.” 2.3.8. Apesar de o processo de restituição acima ter sido indeferido e não homologadas as compensações entregues, à parte da cobrança dos débitos indevidamente compensados, situação já ocorrida, há outras consequências das compensações nãohomologadas. Uma delas é a imposição legal de lançamento de multa isolada sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados, nos termos do art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, embasamento primário deste Auto de Infração. 3 – DA CARACTERIZAÇÃO DA FALSIDADE DAS DCOMP TRANSMITIDAS (nos termos do art. 18 da Lei n° 10.833/03) 3.1. O caso se enquadra, nitidamente, no art. 18 da Lei n° 10.833/03, em seu caput, e parágrafo 2°, o qual se repete abaixo, já como enquadramento legal ao presente auto de infração de multa isolada: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1°........................................................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).” Destaques acrescentados 3.2. A falsidade das declarações de compensação transmitidas, de n° 05099.22104.190112.1.3.029279, 37421.34016.190112.1.3.029283 e Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 273 7 13034.96647.230112.1.3.034717, totalizando débitos de R$ 1.383.483,49, se mostra evidente pois não há crédito líquido e certo, nem ao menos indícios do mesmo, a favor do sujeito passivo, para contrapor as compensações efetuadas. 3.3. Aos fatos acima se soma a suposta “facilidade”, em tese, que o contribuinte teve ao transmitir as DCOMP alguns dias após o protocolo efetuado em órgão que não esta RFB, apenas inserindo o número do processo administrativo como fonte do crédito de restituição, produzindo, em princípio, os efeitos próprios das declarações de compensação válidas, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com sua redação atual, conforme abaixo resumido : [...] 3.4. Ou seja, a declaração de compensação, aceita como válida em princípio pela RFB, sob inteira responsabilidade do contribuinte que a entrega/transmite, possui diversos efeitos importantes na exigibilidade dos débitos compensados, sendo o mais importante a extinção dos créditos tributários sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do art. 170 c/c art. 156, II do CTN (Lei n° 5.172/66). 3.5. É obrigação do contribuinte, portanto, ao efetuar ou transmitir quaisquer declarações de compensação à RFB, atentar para a certeza e a liquidez do crédito solicitado/utilizado (a chamada fumaça do bom direito). Se não o fizer, pode ser penalizado futuramente, mormente após a edição e publicação da Lei n° 12.249/10, que em seu artigo 62, com vigência a partir de 14/06/2010, acrescentou os parágrafos 15 a 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, instituindo as multas isoladas de 50% ou 100%, conforme o caso, sobre os créditos indeferidos (ressarcimentos) e utilizados em Dcomp não homologadas. 3.6. Apenas para exemplificar, a preocupação do legislador, e em última instância desta RFB por meio de atos infralegais, é tamanha com a solidez mínima dos créditos a serem utilizados em compensações de tributos, que há a previsão, no caso de créditos oriundos de ações judiciais – repetição de indébitos – de se efetuar a habilitação prévia dos mesmos. Tal procedimento, anterior à transmissão de quaisquer declarações de compensação, permite que seja averiguada a correção do crédito oferecido. 3.7. A declaração de compensação (DCOMP) não se trata de mero pedido, mas sim de veículo por meio do qual se formaliza a compensação com a consequente extinção do crédito tributário (art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96). 3.8. Em razão de tais efeitos, a DCOMP foi criada para viabilizar compensações nos estritos termos do disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02. 3.9. Vejase, inclusive, a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/02: “35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais.” 3.10. Justamente para coibir o uso indevido, abusivo ou com indícios de falsidade da compensação tributária, é que se prevê a aplicação de multa punitiva. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 274 8 Em consequência, para a aplicação da penalidade bastam as evidências da forma e do conteúdo da declaração assim apresentada. 3.11. Em resumo, resta claro no caso presente que o contribuinte intentou a extinção de débitos tributários de elevados valores, de sua responsabilidade, por meio de compensação. O crédito utilizado, totalmente desprovido de identificação e comprovação, foi objeto de pedido de restituição em processo protocolado em órgão externo a esta RFB, sem os controles a esta inerentes. 3.12. Por ordem cronológica, as etapas das compensações efetuadas pelo interessado foram as seguintes: 1) Protocolo do processo administrativo em que se pleiteia a restituição do alegado crédito; 2) Transmissão das declarações de compensação com a utilização do crédito citado no item 1, e 3) Transmissão de DCTF originais informando a extinção dos débitos compensados e citando os documentos eletrônicos citados no item 2. 3.13. A harmonia e a coerência entre os passos citados demonstram, de maneira nítida, a vinculação existente entre eles. De fato, a transmissão das DCOMP implicava o conhecimento do processo administrativo de crédito. Por sua vez, a transmissão das DCTF implicava o conhecimento das DCOMP citadas. 3.14. De todo o exposto, há de se concluir que o crédito alegado pelo interessado, e que foi objeto de utilização em compensações, é falso, fictício. Ou, em outras palavras, o interessado utilizouse de crédito falso, fictício, para extinguir, de maneira irregular, débitos de tributos federais de sua responsabilidade. 3.15. Pela presunção da falsidade das declarações de compensação transmitidas, aplicase a previsão da multa isolada, com base no art. 18 da Lei n° 10.833/03, em seu caput, e parágrafo 2°. 4 – DA QUANTIFICAÇÃO Caracterizada a falsidade nas compensações efetuadas, devese partir para a quantificação da multa isolada aplicável ao caso. Nos termos do art. 18, § 2°, da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, o valor da mesma seria, normalmente, de 150% sobre os débitos indevidamente compensados. No caso em análise, porém, a sanção deverá ser aumentada pela metade (225%), por conta do não atendimento às intimações efetuadas para prestação de esclarecimentos, conforme previsão no § 5° do mesmo dispositivo, abaixo reproduzido : “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1°........................................................................................... Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 275 9 § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). .............................................................................................. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).” Destaques acrescentados Por sua vez, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, citado no parágrafo 5º acima, é parcialmente transcrito a seguir: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)” Destaques acrescentados Portanto, o presente Auto de Infração fica assim constituído: [Quadro à fl. 14] Total de Débitos (Base De Cálculo): R$ 1.383.483,49 Multa Isolada (225% BC): R$ 3.112.837,85 A interessada tomou conhecimento da exigência e, com ela irresignada, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 143/168). Suas razões de defesa foram sintetizadas pelo relator do processo em primeira instância, como segue: 1. Por meio do processo nº 10166.000429/201218, protocolado em l3/01/2012, formulou pedido de restituição/compensação de seus créditos no valor de R$ 14.000.000.000 (quatorze milhões de reais) que possui contra a Fazenda Nacional nos processos nº 10166.008551/201143 e 10166.008550/201107, créditos constituídos junto ao Ministério da Fazenda, Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e Administração, Coordenação Geral de Recursos Logísticos; 2. A impugnante realizou o procedimento via processo administrativo junto ao Ministério da Fazenda e depois junto à Receita Federal do Brasil via PERDCOMP; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 276 10 3. Logo, informou a compensação dos referidos créditos a todos os Órgãos necessários, como determina a legislação, e em momento algum utilizou créditos falsos, como alega o agente fiscal, que também alega que não foram apresentados documentos requeridos por diversas vezes, o que o levou a entender que a impugnante deixou de apresentalos por máfé; 4. Ocorre, porém, que os documentos solicitados estão localizados em outro Estado, nos processos judiciais nº 10166.008551/201143 e 10166.008550/201107, tendo sido solicitado prazo ao agente fiscal para que pudesse solicitar cópia integral do processo mencionado para juntar no Procedimento Fiscal ora combatido; 5. Entretanto, o agente fiscal negouse a prorrogar o prazo para a devida apresentação dos documentos, e assim, com base nas Leis nº 12.249, de 2010, e nº 9.430, de 1996, aplicou multa confiscatória no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) sobre o valor originário, ultrapassando mais que o dobro do valor compensado pela impugnante; 6. A impugnante não entregou os referidos documentos não por descaso ou má fé, mas por demora dos Tribunais Pátrios em realizar procedimentos administrativos, e não haveria tempo hábil para solicitar a cópia dos processos de capa a capa dentro do prazo estipulado pelo agente fiscal; 7. Por tais razões, devemos aplicar o principio da razoabilidade, tanto nos prazos quanto na aplicação da multa; 8. Observando o brocardo "acessorium sequitur principale", e em face da interposição da presente defesa, a exigibilidade das multas aplicadas restará suspensa, visto o disciplinado pelo inciso III do artigo 151 do CTN; 9. Como é sabido, o auto de infração é um ato jurídico que produz efeitos jurídicos e, como tal, exige todos os requisitos para tanto, ou seja, que o agente seja capaz, que o objeto seja lícito, possível, determinado ou determinável, e que obedeça à forma prescrita ou não defesa em lei (artigo 104 do CC); 10. E mais, é um ato administrativo, ou seja, é um ato jurídico praticado por autoridade pública, que tem por finalidade apurar infrações, mas sempre de maneira vinculada, ou seja, seguindo as exatas prescrições da lei; 11. Na modalidade de ato vinculado, o auto de infração deve conter os exatos e precisos ditames determinados na lei específica, já que vícios existem, dentre eles o direito de realizar a compensação dos débitos tributários via crédito advindo de precatórios, acarretando, por certo, a nulidade do ato em tela, citando doutrina que corroboraria seus argumentos; 12. O agente fiscal não observou os princípios Constitucionais, sendo um deles o direito de realizar a compensação dos débitos fiscais via crédito de precatório, como determina nossa Legislação; 13. Fica claro que a impugnante apenas tentou valerse de seu direito de credora junto a União, sem nenhuma máfé, tampouco nenhum intuito de fraudar o fisco federal, razão pela qual a manutenção dessa multa vexatória e exorbitante extrapola os limites do Princípio da Razoabilidade e do Princípio da Proporcionalidade; 14. A compensação dos débitos tributários com créditos advindos de precatórios é autorizada pela Emenda Constitucional nº 62, de 09/12/2009, e pelo artigo 100 da Constituição Federal do Brasil de 1988; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 277 11 15. O artigo 100, § 13, de nossa Carta Magna autoriza a cessão de crédito de precatórios, independentemente da qualidade, seja alimentar ou não, isto porque a ausência anterior de disposição expressa no corpo ordinário da Constituição Federal deu lugar à autorização legal por excelência, tornando concreta a possibilidade inserida no art. 170 do Código Tributário Nacional; 16. Quando a Carta da República declara no § 13 do artigo 100 que o credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros, não faz qualquer distinção sobre a qualidade deles (credor ou créditos), de modo a atingir toda a generalidade de pessoas (jurídicas e físicas) que possuem ativos a receber do Poder Público; 17. Assim, sem sombra de dúvidas, os créditos de precatórios inseremse na possibilidade de compensação com débitos fiscais, tanto é verdade que a parte final do mesmo parágrafo faz remissão a outros dois (2º e 3º), os quais tratam tão somente da possibilidade de recebimento prioritário, porque estão representados por aqueles de natureza alimentícia, cujos titulares sejam idosos (o que, digase de passagem, representa a grande maioria deles); 18. Essa prioridade concedida pela Constituição, consoante se vê da parte final do § 13 do artigo 100, desaparece por completo com a transferência de propriedade do crédito, e não beneficia o cessionário, seja ele pessoa jurídica ou física, vale dizer, cedido o crédito, a prioridade no recebimento ou a forma diferenciada de pagamento não mais tem lugar, submetendose o cessionário à regra geral de pagamento (ordem cronológica); 19. Embora a modificação trazida pela EC nº 62, de 2009, produza efeitos apenas a partir de sua vigência, notadamente quanto à dispensabilidade da concordância do credor (Fazenda Pública), esse mesmo benefício foi estendido às demais cessões e compensações anteriores, por força do disposto nos artigos 5º e 6º da Emenda Constitucional supramencionada; 20. Assim, a única exigência feita ao cessionário é a comunicação da cessão ao Tribunal de origem e à entidade devedora, nos termos do § 14 do art. 100, o que a impugnante o fez, como menciona o próprio agente fiscal, ao relatar que o Ministério da Fazenda foi informado de que seria realizada a compensação dos créditos do precatório com os débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil; 21. Portanto, havendo crédito no precatório, a sua cessão a terceiro não encontra obstáculo algum no ordenamento vigente, muito menos a sua compensação, conforme doutrina transcrita; 22. Bem se percebe, destarte, que o artigo 78 do ADCT e seus parágrafos vigem apenas casuisticamente, não servindo para monitorar hipóteses de caráter geral, como é a possibilidade de cessão dos créditos, ainda que vincendos, sendo a única ressalva, portanto, é que a compensação darseá somente após o decurso do prazo concedido ao Poder Público para efetuar o pagamento de seu débito; 23. De qualquer modo, uma melhor interpretação do artigo 78 do ADCT revela que a exclusão, dentre outros, do crédito de natureza alimentícia serviu unicamente para impedir o seu parcelamento e não a sua cessão; 24. Daquele dispositivo, não há dúvida, possui valor jurídico o seu § 2º quando afirma que se o débito não for liquidado no prazo estipulado (até o final do exercício a que se refere), terá valor liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 278 12 25. Ora, caso não haja o pagamento do crédito alimentar, de modo que, feita a sua cessão como largamente permitido pela Constituição, deve a entidade devedora recebelo como liberação de débito fiscal, como inicialmente pretendido; 26. Impedir a cessão de crédito alimentar para efeito de compensação equivale a penalizar ainda mais o credor comum, poder fazêlo tranquilamente e auferir, na medida do negócio bilateral, o rendimento que lhe aprouver, não se podendo esquecer que a cessão de crédito não é negócio constitucional, mas que interessa ao direito civil, nos termos do que dispõem os artigos 286 a 298 do Código Civil de 2002; 27. A bem da verdade, se é livre a cessão de créditos, como transação comum admitida pela legislação vertical, foge da razoabilidade pensarse em venda de crédito alimentar a alguém que não possa dele utilizarse como moeda de pagamento efetivo, sob pena de admitirse que o negócio não passa de mero intuito de possuir verdadeira "moeda podre"; 28. Outrossim, a natureza bilateral da compensação, regulada no artigo 368 do Código Civil, impõe a compensação de precatório alimentar por iniciativa de seu titular, também ela vale tanto entre os particulares como entre estes e o poder público; 29. Atenta contra os princípios da isonomia e da moralidade pública consagrados na Constituição Federal a tese da insubmissão da Fazenda Pública ao instituto da compensação, principalmente se o próprio texto constitucional prescreveu a prévia compensação da dívida ativa do poder público antes da expedição do precatório judicial; 30. Neste particular, a regra do § 3° do art. 16 da Lei n° 6.830/80, que veda a compensação em execução fiscal, não foi recepcionada pela EC n° 62/2010, e por essas razões o E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em recente julgado, deu provimento ao apelo do contribuinte devedor de tributo e credor por precatório ao mesmo tempo a fim de conceder a segurança e determinar a compensação do débito tributário com o crédito consignado em precatório vencido e não pago; 31. Não temos dúvidas, pois, que o art. 6° da EC n° 62/2009 convalidou as compensações operadas anteriormente à data de sua promulgação, não distinguindo os precatórios comuns dos precatórios alimentares, com o fito de encerrar definitivamente as discussões como as travadas nos RREE ns. 55.400RS e 566.349MG; 32. Nesse sentido é o julgado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que deu provimento ao apelo do precatorista para reconhecerlhe o direito à compensação de precatório alimentar à luz da EC n° 62/2009; 33. Ilustrativo, também, o acórdão proferido no julgamento da Apelação n° 994.09.3862175 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, onde Excelentíssimo Desembargador Relator cita trecho da decisão monocrática proferida pelo Ministro Eros Grau no julgamento do RE n° 550400/RS, em que é reconhecido o direito à compensação de crédito tributário com débito de precatório, sem qualquer distinção entre precatório alimentar e não alimentar; 34. Contudo, nada impede ao precatorista credor e devedor da Fazenda ao mesmo tempo requerer essa compensação ao Presidente do Tribunal, se quiser, entretanto o sequestro da quantia em dinheiro para satisfação do crédito por precatório, surte o mesmo efeito que a compensação; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 279 13 35. A impugnante não agiu de má fé como menciona o agente fiscal, tampouco agiu com intuito de fraudar o Fisco Federal, ocorre que no máximo a impugnante possa ter realizado o procedimento administrativo de forma errada, mas não de forma fraudulenta, e assim esperase seja reconhecido o direito de compensação dos créditos advindos do precatório supra mencionado, tornandose nulo o Auto de Infração; 36. Não sendo esse o entendimento da Delegacia de Julgamento, dado o "curtíssimo" prazo para apresentação de documentação hábil em face da grande burocracia em envolve o tema, melhor sorte ainda não terá o agente fiscal, tendo em vista a exorbitância e o exagero na aplicação da multa, extrapolando os limites do princípio da razoabilidade e do princípio da proporcionalidade, sendo, portanto, ainda que admitida pela legislação, confiscatória a multa aplicada no percentual de 225% sobre valor do tributo que a impugnante não deixou de pagar ou sonegou, mas apenas realizou a compensação que lhe é de direito; 37. A multa ofende os dispositivos da Constituição Federal, sendo que seu artigo 150, inciso IV, repele o confisco tributário, não distinguindo se ele se aplica a tributos, juros, multa ou contribuições, a fim que o coroláriogarantia do direito de propriedade, bem como os outros direitosgarantias, se mantenham incólumes, mesmo porque a imposição fiscal deve aterse à capacidade contributiva, e a multa, como pena, deve sua gradação aos elementos de fato, subjetivos, e de forma que seja respeitado o principio da proporcionalidade e da discricionalidade; 38. No caso presente, o montante da multa exigido conduz ao confisco tributário, que o citado dispositivo da CF/88 veda, e tal vedação, sendo norma maior, não pode ser desconhecida pela Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal, nem ofendido pela legislação ordinária invocada pela Certidão de Dívida Ativa; 39. Por conseguinte, com o critério usado pelo Agente Fiscal em aplicar 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) sobre o valor do crédito tributário, ele impõe abusivamente a cobrança de uma multa, sem qualquer discernimento jurídico, conforme doutrina e jurisprudência citadas, inclusive do STF; 40. Não existe nenhum motivo plausível para a aplicação de uma multa deste porte, não podendo o Agente Fiscal com alegações simplistas, como "deixou de entregar documentos", aplicar uma multa desta magnitude; 41. O agente fiscal deveria ter apurado os prejuízos que a impugnante supostamente causou ao “herbário público”, e aplicar os juros e correção monetária a fim de que a impugnante realizasse o devido pagamento; 42. Como já destacado, o princípio da proporcionalidade é sempre utilizado como instrumento de interpretação judicial no que se refere à análise e concretude do princípio da proibição do confisco da multa punitiva, que deve ser, pois, proporcional ao tributo cuja arrecadação e fiscalização deu azo à imposição da obrigação, uma vez inadimplida, originou, por sua vez, a multa punitiva; 43. O princípio da proporcionalidade, muito embora não esteja consagrado explicitamente na Lei Fundamental Brasileira, nela se mostra presente de forma implícita, e quanto a isso a doutrina se mostra majoritária; 44. Neste caso o Agente Fiscal deixou de aplicar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, uma vez que a multa advinda do inadimplemento de obrigação tributária, o mesmo aplicou multa no seu valor máximo sem se valer do princípio da Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 280 14 proibição do excesso, veja que o valor da multa supera o dobro do valor do tributo a ser recolhido pela impugnante; 45. E, portanto, um ato administrativo praticado em desconformidade com os princípios Constitucionais elencados nos artigos Artigos 5º, XX, XXII, 150, IV, 170II e III da CF/88, em seu procedimento formativo devendo ser decretado nulo, afastando seus efeitos principais e secundários; 46. Diante de todo o exposto, requer que seja decretada nula a aplicação da multa no importe de 225% por configurar confisco, e caso não seja esse o entendimento, requer que a mesma seja estabelecida no percentual máximo de 20% (vinte por cento) sobre o valor a ser compensado, dessa maneira respeitando os princípios constitucionais previstos em nossa Carta Magna. A 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1533.234, de 30/08/2013 (fls. 212/231), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2012 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA COM FALSIDADE. MULTA ISOLADA. QUALIFICAÇÃO. Aplicase a multa isolada qualificada na compensação indevida em que ficar caracterizada a falsidade na declaração. Ciente da decisão de primeira instância em 17/09/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 235, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/10/2013 conforme carimbo de recepção à folha 237. No recurso interposto (fls. 238/263), a interessada repisa, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. Nenhum documento novo foi juntado aos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 281 15 O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o processo de multas exigidas isoladamente, com base no art. 18 e seus §§ 2º e 5º da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O pedido de restituição constante do processo administrativo n° 10166.000429/201218 foi indeferido, da mesma forma que não foram homologadas as compensações a ele associadas (DCOMPs nº 05099.22104.190112.1.3.029279, 37421.34016.190112.1.3.029283 e 13034.96647.230112.1.3.034717). Em consulta ao sistema eprocesso, constatei que o processo nº 10166.000429/201218 foi juntado por apensação ao processo nº 13884.720825/201230. Este último, por sua vez, consiste em representação para inscrição em Dívida Ativa dos débitos confessados nas DCOMPs. A inscrição foi feita e ajuizados os débitos. Assim, entendo que não está em discussão a não homologação, discussão que, se fosse o caso, deveria ter sido iniciada com a apresentação de manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que negou a homologação, nos autos do processo nº 10166.000429/201218. No presente processo se discute tão somente a multa exigida isoladamente no percentual de 225%, se houve ou não falsidade na declaração e se cabe o agravamento por falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos. Diante dessa constatação, os argumentos de defesa da interessada no sentido da correção de seu procedimento perdem sentido. Não obstante o extenso discurso, o que dele se depreende é que a recorrente tenta fazer crer que os créditos da pretendida compensação teriam origem em precatórios. Ora, não cabe aqui tal análise, que deveria ter sido feita, se tempestivamente suscitado o contraditório, no processo que não homologou as compensações. No entanto, cumpre ressaltar que não há nem naquele processo nem neste, uma única prova da existência dos alegados precatórios. A autoridade julgadora em primeira instância assim se manifestou (fls. 227/228): Fl. 281DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 282 16 Mais uma vez, somente em 15/02/2013, ou seja, mais de 1 (um) ano depois do protocolo em 13/01/2012 do Pedido de Restituição, foi solicitada (fl. 138) a juntada de “Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios”, tendo Arnaldo Córdova Duarte como cedente e a autuada como outorgada cessionária (fls. 139/140), por meio da qual foram cedidos e transferidos direitos de crédito em face do Instituto de Colonização e Reforma Agrária –INCRA, oriundos do Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas – 54715SR28/ DFEF4, processo nº 54700.000763/200696, processo de Restituição de Assuntos Previdenciários nº 10166.008551/201143 e Processo Restituição nº 10166.008550/201107. Ressaltese que os citados processos nº 10166.008551/201143 e 10166.008550/201107 não são processos judiciais, como alegou a impugnante, mas são processos administrativos que têm Arnaldo Córdova Duarte como interessado, conforme serviço de consulta “Comprot” na internet (http://comprot.fazenda.gov.br/egov/ default.asp). Embora a contribuinte alegue que pretendeu compensar débitos tributários com créditos advindos de precatórios, o único documento por ela apresentado foi a referida escritura de cessão e transferência do direito ao crédito. Sabese, agora, que o suposto crédito se referiria a valores em face do INCRA, mas desconhecese por completo qualquer outra informação. E por mais que a impugnante alegue “demora dos Tribunais Pátrios em realizar procedimentos administrativos”, a referida escritura de transferência foi o único documento por ela apresentado. Não foi informado o número do processo judicial, em que Vara Federal e em qual Seção Judiciária transitaram os autos, nem em que data a decisão teria transitado em julgado. Nenhuma comprovação da existência do crédito foi trazida aos autos. Não foram anexadas cópias do inteiro teor da decisão judicial em que o direito creditório foi reconhecido, da homologação, pelo Poder Judiciário, da cessão de direitos de crédito e cópia da homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução. O acima transcrito é relevante para, em conjunto com os demais fatos, permitir a correta avaliação acerca da conduta dolosa da interessada. E os fatos descritos no relatório e comprovados nos autos não podem conduzir a conclusão diversa. Confirase a seqüência dos procedimentos adotados pela interessada: · Protocolizou pedido de restituição no valor de R$ 14 milhões, em unidade do Ministério da Fazenda, fora da Receita Federal, em desacordo com os procedimentos administrativos, informando três diferentes origens para o crédito, sem qualquer detalhamento ou documento comprobatório. · Apresentou PER/DCOMPs indicando tratarse de créditos de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, muito embora em sua DIPJ do período em questão constasse saldo a pagar. Além disso, indicou que os créditos teriam origem no processo administrativo de pedido de restituição, mencionado no item anterior. · Intimada e reintimada a informar a origem do crédito, a apresentar documentos comprobatórios e a sanear seu pedido, não atendeu às intimações. · Somente após ter sido cientificada do presente Auto de Infração fez anexar ao processo Escritura Pública por meio da qual teriam sido cedidos e transferidos por Fl. 282DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 283 17 terceiros à autuada direitos de crédito em face do INCRA. Não há quaisquer outras informações nem documentos comprobatórios da existência desse alegado crédito, seja no âmbito judicial, seja no administrativo. A conclusão é inescapável. A conduta da interessada teve claramente o intuito de mascarar os fatos, trazendo créditos sabidamente inexistentes à compensação, de maneira deliberadamente confusa, de tal forma a dificultar ou impedir a apuração por parte da autoridade administrativa a quem incumbia a análise das compensações. Com isso, pretendia obter a homologação tácita das compensações e consequentemente a extinção dos débitos tributários. Os fatos se amoldam à perfeição ao descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/19641, de ação tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador tributário (em particular sua extinção), de modo a evitar ou diferir seu pagamento. Também não se pode aceitar a alegação de ocorrência de mero erro no procedimento adotado, ausente a máfé. A descrição do Fisco acerca de conduta praticamente idêntica adotada um ano antes (processo nº 13804.001546/201135) e cancelada pelo próprio contribuinte, antes de qualquer providência por parte da Autoridade Fazendária, bem revela que se tratou de “ensaio” do que viria a ser feito, agora de forma definitiva, um ano depois. Caracterizada a falsidade das declarações, tenho por correta a decisão de primeira instância, que manteve o lançamento, e nego provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. Esclareço que não houve recurso (nem impugnação) específica quanto ao agravamento da multa pelo não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, pelo que não me manifesto sobre a matéria. Finalmente, sobre os reclamos da recorrente acerca do caráter confiscatório da multa aplicada, vedado pelo art. 150, IV, da Constituição Federal, bem como os pedidos de aplicação dos princípios da capacidade contributiva, razoabilidade e proporcionalidade, trago à colação o teor da Súmula CARF nº 2, o que dispensa maiores considerações. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 1 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13850.720100/201239 Acórdão n.º 1302001.484 S1C3T2 Fl. 284 18 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13609.903796/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO..
A homologação de compensação de credito tributário, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, só é possível quando comprovada a certeza e liquidez dos
indébitos fiscais utilizados por ele.Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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HOMOLOGAÇÃO.. A homologação de compensação de credito tributário, efetuada pelo próprio sujeito passivo, só é possível quando comprovada a certeza e liquidez dos indébitos fiscais utilizados por ele.Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 37 96 /2 00 9- 01 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O interessado transmitiu em 11/05/2005 Per/DComp de fls. 66/70, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao período de 30/06/2004. A Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 03) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/06/2009 (fl. 60), o contribuinte apresentou, em 15/07/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, com os argumentos a seguir sintetizados, fazendo anexar os documentos de fls. 03/58. Aduz que não há que se falar em “pagamento de débitos indevidamente compensados”, uma vez que a DCTF foi retificada, demonstrando créditos suficientes para a quitação dos débitos cobrados (documentos em anexo). Por fim, requer sejam os débitos revisados e cancelados. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BHE/MG no 02.29.891, de 06/12/2010, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2004 DCTF retificadora apresentada fora do prazo legal. Compensação indeferida. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de INDEFERIR a solicitação contida na manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório no montante e não homologando a compensação dos débitos declaradas pela empresa. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.903796/200901 Acórdão n.º 3802003.334 S3TE02 Fl. 92 3 É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de compensação de débito, nela declarado, com crédito apontado de pagamento a maior de PIS, relativo ao período de 30/06/2004. O despacho decisório aborda sobre o pagamento mencionado no Per/Dcomp (transmitida em 11/05/2005) ter sido já utilizado na quitação de débito de PIS relativo a 30/06/2004. A recorrente argumenta que com a entrega de DCTF retificadora, a mesma traduz o real valor devido de PIS para o período em litígio, proporcionando, dessa maneira, o crédito a ser compensado. Enfim, o despacho decisório não homologou a compensação, tendo em vista que a empresa não dispunha dos indébitos utilizados. Ressaltese que o litígio versa sobre a certeza e liquidez dos indébitos fiscais referentes ao PIS que foram utilizados pela empresa na compensação e não homologada pela Delegacia. A DCTF, na qual, foi retificado o débito de PIS referente ao período de apuração de 30/06/2004 (2º Trimestre de 2004) foi enviada pelo contribuinte apenas em 13/07/2009 e a DCTF ativa (última declaração enviada e processada) foi transmitida em 14/07/2009. Os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Pode ocorrer erro de fato, quando do cálculo na extinção do crédito tributário declarado em DCTF (art. 156 do CTN) que sempre autorizam o acesso à via da repetição do indébito (arts. 165 a 168 do CTN) ou da compensação (art. 170 e 170A do CTN; art. 66 da Lei nº 8383/91; art.74 da Lei 9430/96), no entanto, além da liquidez e certeza do crédito, devem ser observados o rito e o prazo legalmente estabelecidos, pois, não se pode ignorar a preclusão processual, para alteração de DCTF, no caso. No caso sob litígio, verificase que o motivo determinante do indeferimento da compensação ora pleiteada, invocado tanto no Despacho Decisório, como pela decisão de primeira instância, foi a inexistência do suposto crédito contra a Fazenda Pública, bem como a impossibilidade de revisão do suposto erro cometido pela Recorrente na DCTF,; pelo transcurso do prazo decadencial, tal como ressaltado na decisão recorrida, in verbis: Como o PIS se amolda ao chamado lançamento por homologação, aplicase ao presente caso a regra do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), que Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 estabelece o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador para a homologação do lançamento, salvo a comprovação de dolo, fraude ou simulação. O Parecer COSIT nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) Portanto, não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer outra prova que demonstre a existência do direito creditório, não pode ser considerada a DCTF retificadora enviada à RFB após cinco anos contados do fato gerador correspondente ao crédito de PIS indicado na declaração de compensação. Destarte, a compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156 do CTN, só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Ilustro, através do acórdão de n° 3402001.611, de 25/01/2012, processo n° 13609.903792/200915, de relatoria de Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça , da mesma empresa, que trata, também, da matéria: PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RETIFICAÇÃO DE DCTF ERRO DE FATO PRAZO DECADENCIAL IMUTABILIDADE DO LANÇAMENTO COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. A revisão de lançamento efetuado em DCTF por erro de fato (art. 149 do CTN) deve ser iniciada dentro do prazo decadencial ininterrupto de cinco anos previsto para a homologação do lançamento original (§ 4º do art. 150 do CTN), a partir do qual, o lançamento se torna imutável (arts. 145 e 149 do CTN). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e MP nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação de pedidos que tenham por objeto créditos relativos a lançamentos ainda não e definitivamente homologados, cujo direito à revisão, ainda não se ache extinto pela decadência (§ único do art. 149 do Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.903796/200901 Acórdão n.º 3802003.334 S3TE02 Fl. 93 5 CTN), como ocorreu no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira,Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Helder Massaaki Kanamuru (Suplente) e Nayra Bastos Manatta. A Conselheira Silvia de Brito Oliveira apresentará declaração de voto. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724199/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa e com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa e com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS SEGURADOS. MULTA DE OFÍCIO. Recorrente TRANSPORTADORA CANCELA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência daMP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa e com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 41 99 /2 00 9- 79 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.724199/200979 Acórdão n.º 2402004.057 S2C4T2 Fl. 208 3 Relatório Tratase de crédito lançado referente a contribuição previdenciária de ônus dos segurados empregados e contribuintes individuais incidente sobre a remuneração que lhes foram pagas e não declaradas em GFIP. Nos termos do relatório fiscal, os valores das bases de cálculo foram extraídos das Folhas de Pagamento confrontados com aqueles constantes nas GFIPs entregues antes do início da ação fiscal (fls. 42/59). Ainda de acordo com o REFISC, houve comparação das multas aplicadas (fls. 60/62) concluindo que, com exceção das competências de 13/2005, 13/2006 e 13/2007, a multa mais benéfica foi aquela prevista na legislação anterior às alterações trazidas pela MP 449/08. Houve, ainda, aplicação de multa de ofício nas competências de 13/2005, 13/2006 e 13/2007, agravada nos termos do inciso II, § 2°, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por ter a empresa deixado de apresentar os arquivos digitais solicitados. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 130/139, que restou improcedente sob os seguintes fundamentos: 1) Quanto à ilegalidade da cobrança dos juros SELIC, não cabe a autoridade administrativa verificar a ilegalidade dos juros aplicados, vez que pautado em legislação vigente; 2) Quanto ao valor das multas aplicadas, todas foram fundamentadas em dispositivos de lei vigentes, com aplicação da retroatividade benigna. Ademais, a majoração da multa de ofício nas competências de 13/2005, 13/2006 e 13/2007 foi devida, uma vez que verificada condição do art. 44, I e §2°, II, da Lei n° 9.430/96; 3) Sobre a análise de legalidade ou constitucionalidade do dispositivo vigente, não cabe à autoridade administrativa, sendo esta prerrogativa de competência restrita do judiciário. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 170/179, no qual alegou, em síntese que: 1) O inconformismo da Recorrente se limita aos acréscimos legais (juros e multas) aplicados sobre o valor original do débito, vez que fixados em valores exorbitantes; 2) A taxa SELIC não foi instituída por lei mas sim por ato normativo de terceiro nível, sendo ilegal sua aplicação na forma de juros; 3) As multas aplicadas possuem caráter confiscatório e devem ser reduzidas. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ao final, requereu a procedência do recurso para afastar a penalidade imputada e, alternativamente, sejam aplicados juros simples e reduzida a penalidade de 112,50% para 30%. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.724199/200979 Acórdão n.º 2402004.057 S2C4T2 Fl. 209 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Sem preliminares. No Mérito Primeiramente, esclareçase que a Recorrente não se insurgiu quanto à questão de mérito da autuação, recorrendo apenas da parte que trata da multa e juros aplicados. Portanto, a matéria não discutida em recurso tornouse incontroversa. Da Aplicação da SELIC A Recorrente alega a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC. Pretende o reconhecimento neste sentido. O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, prevê expressamente a possibilidade de lei fixar juros diversos do quanto por ele previsto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, em seu art. 89, § 4°, prevê: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 4° O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento, inclusive mediante Súmula, a respeito da aplicação da SELIC para aplicação de juros nos casos referentes às contribuições previdenciárias: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ademais, não cabe a este Conselho discutir quanto ao caráter remuneratório da Taxa SELIC, pois a Administração Pública é regida pelo Princípio da Legalidade e, sendo assim, deve respeito às normas vigentes. Destarte, patente o indeferimento do pedido de redução da taxa SELIC a 1% ao mês, bem como sua exclusão. Da Multa aplicada Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.724199/200979 Acórdão n.º 2402004.057 S2C4T2 Fl. 210 7 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias, somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência de parte dos fatos geradores (aqueles em que houve pagamento em atraso), são duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5°, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. A regra acima mencionada, portanto, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Não é o caso. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Assim, nas competências em que não houve declaração em GFIP e recolhimento da obrigação principal, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, necessária a verificação da penalidade mais benéfica, com limite ao percentual de 75%. Da majoração aplicada nos termos do § 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.724199/200979 Acórdão n.º 2402004.057 S2C4T2 Fl. 211 9 Quanto à não apresentação dos arquivos digitais, em face do critério da especialidade da Lei 8.212/91, não se aplica a lei 9.430/96, portanto não há que se falar em majoração da multa. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para afastar a penalidade do § 2° do artigo 44 aos fatos geradores ocorridos antes de 01/01/1997, e com relação aos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000191/2007-07
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/04/2006
ISENÇÃO. PEDIDO INDEFERIDO. MATÉRIA ALHEIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
0 exame do pedido de isenção faz-se em autos próprios e ocorre em momento processual anterior. À época da constituição do lançamento a declaração de isenção realizada pelo órgão competente em processo apartado ao de constituição era pré-requisito ao reconhecimento da isenção das contribuições de previdenciárias. Assim, é defesa a análise do ato declaratório que negou o pedido de isenção da cota patronal, nos autos do processo de notificação fiscal de lançamento de débito, por lhe ser matéria estranha.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 30/04/2006 ISENÇÃO. PEDIDO INDEFERIDO. MATÉRIA ALHEIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. 0 exame do pedido de isenção faz-se em autos próprios e ocorre em momento processual anterior. À época da constituição do lançamento a declaração de isenção realizada pelo órgão competente em processo apartado ao de constituição era pré-requisito ao reconhecimento da isenção das contribuições de previdenciárias. Assim, é defesa a análise do ato declaratório que negou o pedido de isenção da cota patronal, nos autos do processo de notificação fiscal de lançamento de débito, por lhe ser matéria estranha. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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E SOC. DORCAS DA COM. LUT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 30/04/2006 ISENÇÃO. PEDIDO INDEFERIDO. MATÉRIA ALHEIA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. 0 exame do pedido de isenção fazse em autos próprios e ocorre em momento processual anterior. À época da constituição do lançamento a declaração de isenção realizada pelo órgão competente em processo apartado ao de constituição era prérequisito ao reconhecimento da isenção das contribuições de previdenciárias. Assim, é defesa a análise do ato declaratório que negou o pedido de isenção da cota patronal, nos autos do processo de notificação fiscal de lançamento de débito, por lhe ser matéria estranha. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 01 91 /2 00 7- 07 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11176.000191/200707 Acórdão n.º 2803003.208 S2TE03 Fl. 115 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que manteve os créditos tributários lavrados pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, de contribuições previdenciárias patronais em razão de não ter sido reconhecido o direito à isenção/imunidade na forma do art. 55, §1º, da Lei n. 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores e do lançamento,reconhecendo a decadência dos créditos constituídos com base em fatos geradores ocorridos entre as competências de 10/2004 a 04/2006. A decisão recorrida entendeu que a defesa pretendeu apenas rediscutir os fundamentos da decisão de indeferimento de reconhecimento da declaração de beneficiária de isenção( Proc. 35187.000426/200449) já com o trânsito em julgado. E mesmo que a empresa tenha apresentado novo pedido em 2006 (Proc. 35201.00386/200671), em caso de deferimento, o mesmo somente operará retroativamente até a data do protocolo do novo pedido que foi protocolizado após 04/2006. A Recorrente, tempestivamente, alegando que é beneficiária da imunidade na forma do art. 195, §7º, da CF/1988, sendo ela passível de afastar o crédito lançado, pois ainda não teria sido definitivamente julgado. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, o qual considerou nula a decisão anterior, por causa de seus pressupostos fáticos. Esse é o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11176.000191/200707 Acórdão n.º 2803003.208 S2TE03 Fl. 116 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Em que pese a fundamentação da defesa, à época dos fatos geradores e do lançamento, o art. 55, da Lei n. 8.212/1991, até a Lei 12.101/2009, regulamentava a imunidade do art. 195, §7º, da Constituição Federal/1988, que esclarece também que a isenção será regulada por lei. No art. 55, §1º, da Lei n. 8.212/1991, era claro: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (...) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. O reconhecimento da isenção das contribuições patronais, além dos requisitos materiais, exigia declaração expressa do INSS. Assim, essa é uma condição sine qua non para fins de reconhecimento da imunidade/isenção à época. Tal pedido da contribuinte foi indeferido com decisão transitada em julgado, e novamente protocolizado, mas sem qualquer notícias suas nos presentes autos. Mesmo assim, o novo pedido somente teria efeitos retroativos até seu novo protocolo (art. 208. do RPS, aprov. Pelo Dec. 3048/1999). Assim, as alegações sobre a aplicação da isenção, sem considerar o requisito do art. 55, §1º, da Lei n. 8.212/1991, não têm o condão de afastar a tributação lançada. Logo, os demais fundamentos demonstram descolado do presente lançamento, pois dizem respeito a apreciação de outro processo próprio e vigente à época dos fatos. Do art. 17, do Dec. 70.235, extraise a interpretação de que a defesa deve contestar a matéria do lançamento, não podendo vigorar por questões não vinculadas a ela. Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11176.000191/200707 Acórdão n.º 2803003.208 S2TE03 Fl. 117 4 Gustavo Vettorato Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 35013.000381/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/01/1999
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de lançamento por responsabilidade solidária na cessão de mão de obra, os fatos geradores de contribuição previdenciária continuam sendo os valores de remuneração pagas aos segurados empregados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-004.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de lançamento por responsabilidade solidária na cessão de mão de obra, os fatos geradores de contribuição previdenciária continuam sendo os valores de remuneração pagas aos segurados empregados. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 3. 00 03 81 /2 00 5- 85 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35013.000381/200585 Acórdão n.º 2402004.193 S2C4T2 Fl. 695 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento realizado em 20/12/2004. O crédito é decorrente de responsabilidade solidária do contratante de serviços por cessão de mão de obra. A decisão recorrida reconheceu a decadência das contribuições pelo artigo 173, I do CTN, restando assim apenas o mês de 01/99. Seguem transcrições do acórdão recorrido: Período de apuração: 01/04/1996 a 31/01/1999 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE nº 08. Dispõe a Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 foram revogados pela Lei Complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Período de apuração: 01/04/1996 a 31/01/1999 Ementa:RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. A responsabilidade solidária somente seria elidida se fosse comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, ressalvados os direitos de regresso e da retenção dos valores. MULTA Sobre as contribuições previdenciárias em atraso incide. multa de caráter irrelevável. JUROS. É lícita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 • a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário e o pagamento antecipado e a homologação tácita do lançamento; • inclusão indevida dos diretores no pólo passivo; • incompetência do INSS para fiscalizar, arrecadar e cobrar contribuições de empresas optantes pelo SIMPLES; • recolhimento já efetuado, afirmando que a fiscalização equivocouse ao sustentar que, com a edição da Lei n° 9.032/95, a elisão da responsabilidade solidária ocorre mediante apresentação de guias de recolhimento "específicas" elaboradas distintamente para cada empresa. Isto porque a mencionada Lei 9.032/95 criou para a prestadora de serviços a obrigação acessória de preencher as guias de contribuições, não para a tomadora; • transcrevendo a Ordem de Serviço INSS/DAF n° 176, afirma que a obrigação da empresa tomadora de serviços e apenas exigir da prestadora a exibição das guias comprovante dos recolhimentos para a Previdência Social, tanto é que para o caso de transporte e manutenção a legislação previdenciária continua permitindo o preenchimento de guia de forma global, conforme prevê os itens 3.1.2 e 3.1.3 da referida O. S. n° 176; • inexistência de responsabilidade solidária por preenchimento incompleto de guias; • ausência de constituição do crédito tributário pelo lançamento • inexistência jurídica do crédito fiscal; que o INSS não procedeu à fiscalização a que estava legalmente obrigado no contribuinte original da obrigação, a empresa contratada, não tendo o referido órgão feito prova de que tal empresa tenha inadimplido suas obrigações previdenciárias em relação aos seus empregados; • falta de prova quanto ao efetivo débito da empresa contratada, seguida da responsabilização solidária da impugnante, constitui cerceamento de defesa, na medida em que o INSS não discrimina valores devidos, não aponta os períodos, não esclarece se as contribuições impugnadas são relativas à parcela patronal ou de empregados; • impossibilidade de alteração dos conceitos de Direito Privado pela legislação tributária, citando doutrina, legislação e jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; que a legislação tributária não pode mudar os conceitos de Direito Privado, com muito mais razão, os agentes da fiscalização, que são meros aplicadores do direito positivo; • desobediência, pela Fiscalização, às exigências da Lei n° 8.212/91 que, por sua obra, procurou abarcar contratos ampliando o conceito de cessão de mãodeobra para incluir prestações de serviço que pela própria natureza são incompatíveis com o regime de cessão de mãodeobra; • que o Direito Tributário está afeto aos princípios da tipicidade cerrada e o da legalidade estrita, de modo que a obrigação Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35013.000381/200585 Acórdão n.º 2402004.193 S2C4T2 Fl. 696 5 tributária só nasce, assim como o fato gerador só ocorre, se previamente prevista em lei; citando o art. 108, parágrafo 1°, do CTN, afirma que o emprego da analogia não pode resultar em exigência de tributo não previsto em lei, e que conforme a Constituição, apenas a lei pode criar obrigação; • que o lançamento por arbitramento apresentase como verdadeira medida punitiva, sancionatória, devendo ter sua aplicação em restritas hipóteses, por se tratar de penalidade, em atenção aos princípios que regem do direito sancionatório; reportandose a doutrina e ao art. 148 do CTN, afirma que há de se assegurar à empresa, já no âmbito administrativo, a possibilidade de realização de avaliação contraditória, afirmando que, segundo os termos do CTN, arbitramento dá lugar a presunção relativa, capaz de ser elidida pelo sujeito passivo mediante prova real dos fatos geradores; • injustificada utilização de aferição indireta, que é excepcional, como previsto no art. 33, § 6° da Lei 8.212/91 e jurisprudência que transcreve, sendo cabível tão somente no caso de fraude nos registros contábeis que omita o montante do valor efetivamente devido ao órgão previdenciário; • responsabilidade solidária instituída fora das hipóteses do CTN; • enriquecimento ilícito do INSS ao autuar a impugnante sem anterior e regular constituição do débito através da fiscalização da empresa contratada; • que a instituição do SAT exige lei complementar, sendo que no presente caso, o art. 22, parágrafo 3°, inciso II, da Lei 8.212, de 1991, delegou de forma inconstitucional ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer e alterar o enquadramento das empresas para efeito de contribuição devida ao SAT, ao tempo em que afirma que a empresa ora impugnante não está obrigada a recolher o referido SAT em alíquota superior a 1%, tendo em vista a lei não apontar qual dos graus de risco a recorrente deve se enquadrar; • pessoalidade da responsabilidade por infração; • que a multa aplicada não pode guardar relação com o tempo que o contribuinte levar para satisfazer a obrigação tributária, pois não objetiva remuneração ou reposição de qualquer patrimônio, e sim punição ao sujeito passivo por infração cometida; • inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic; • erros de cálculos. É o Relatório. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35013.000381/200585 Acórdão n.º 2402004.193 S2C4T2 Fl. 697 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35013.000381/200585 Acórdão n.º 2402004.193 S2C4T2 Fl. 698 9 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra no artigo 150, §4º do CTN. No caso de lançamento por responsabilidade solidária na cessão de mão de obra, os fatos geradores de contribuição previdenciária continuam sendo os valores de remuneração pagas aos segurados empregados, aferida por percentual aplicado sobre o valor correspondente ao serviços prestados e constantes na nota fiscal emitida pelo contratado. Assim, reconheço a decadência inclusive para o mês de 01/99. Voto pelo provimento ao recurso voluntário. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 703DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.900374/2008-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/02/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 74 /2 00 8- 76 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900374/200876 Acórdão n.º 3802003.540 S3TE02 Fl. 523 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2001 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Dispositivos legais: arts. 2º e 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF nº 51, de 03/11/1978. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão de bonificações na base de cálculo das contribuições. Após a conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte seria insuficiente para o reconhecimento do direito. Isso porque as bonificações não constaram da nota fiscal de venda dos bens, tendo sido objeto de nota fiscal própria, o que impede a exclusão da base de cálculo, à medida que não poderiam ser consideradas descontos incondicionais. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900374/200876 Acórdão n.º 3802003.540 S3TE02 Fl. 524 3 O Recorrente, nas razões de fls. 479 e ss., alega que, embora as bonificações tenham sido objeto de nota fiscal separada, as mesmas eram emitidas conjuntamente às notas fiscais de venda, de forma sequencial, o que comprovaria a sua vinculação às operações de venda e a incondicionalidade do desconto concedido. Sustenta que as bonificações tanto podem ser concedidas mediante abatimento do preço ou com entrega de mercadorias em quantidade superior à paga pelo comprado, como na hipótese dos autos. Aduz não ter havido o recebimento de qualquer valor decorrente das notas fiscais de bonificação. Requer, assim, o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 30/03/2010 (fls. 521), interpondo recurso tempestivo em 28/04/2010 (fls. 479 e 521). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900374/200876 Acórdão n.º 3802003.540 S3TE02 Fl. 525 4 REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900374/200876 Acórdão n.º 3802003.540 S3TE02 Fl. 526 5 verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte apresentou como prova da liquidez e da certeza do direito de crédito as notas fiscais de bonificação. A DRJ, entretanto, após a Fl. 526DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900374/200876 Acórdão n.º 3802003.540 S3TE02 Fl. 527 6 conversão do julgamento em diligência, entendeu que tais documentos seriam insuficientes porque a nota fiscal em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. Entendo, no entanto, que as notas fiscais, mesmo isoladas ou emitidas em separado, são suficientes para a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito, porque denotam claramente que se trataram de bonificação. Cumpre considerar que há, na verdade, dois tipos de bonificação: as bonificações vinculadas e as desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço de venda e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto (condição), têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Nesse sentido, cumpre destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de Fl. 527DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900374/200876 Acórdão n.º 3802003.540 S3TE02 Fl. 528 7 doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Registrese ainda o Acórdão nº 3802002.410, decidido por unanimidade pela Turma, em sessão de 27 de fevereiro de 2014: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação1. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, as notas fiscais, mesmo isoladas, são suficientes para a demonstrar a liquidez e a certeza do direito, sobretudo quando descrevem claramente a natureza da operação. 1 Isso não significa que todos as bonificações vinculadas à operações de venda devam ser concedidas na mesma nota fiscal. Há casos em que, mesmo em operações subsequentes, a bonificação redutora de custo de aquisição pode estar vinculada a uma ou mais vendas anteriores. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.900374/200876 Acórdão n.º 3802003.540 S3TE02 Fl. 529 8 Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos do processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 529DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000639/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IPI. APLICAÇÃO.
O art. 42 da Lei 9.430/96 não trata de hipótese incidência tributária, mas apenas de meio de prova indireta (presunção relativa) da existência de receita omitida, razão pela qual a sua aplicação não fica adstrita aos lançamentos do IRPJ.
Provada a existência de receitas omitidas, ainda que por meio de presunção legal, perfeito o enquadramento do auto de infração do IPI no art. 108, § 2º, da Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 1302-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual de multa de ofício de 112,5% para 75%, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri. Ausente o Conselheiro Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Lançamento reflexo. Recorrente FUNDIÇÃO BUNI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IPI. APLICAÇÃO. O art. 42 da Lei 9.430/96 não trata de hipótese incidência tributária, mas apenas de meio de prova indireta (presunção relativa) da existência de receita omitida, razão pela qual a sua aplicação não fica adstrita aos lançamentos do IRPJ. Provada a existência de receitas omitidas, ainda que por meio de presunção legal, perfeito o enquadramento do auto de infração do IPI no art. 108, § 2º, da Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual de multa de ofício de 112,5% para 75%, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri. Ausente o Conselheiro Hélio Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 39 /2 00 9- 60 Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1425.118 da 3ª Turma da DRJ/RPO (doc. a fls. 531 e segs.), cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTW DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DESTRUIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INCÊNDIO. PROCEDIMENTOS REGULAMENTARES. Ocorrendo a eventual destruição de livros e documentos que amparam a escrituração, em decorrência de incêndio, é mister que o contribuinte adote, no intuito de provar suas alegações, todas as providências previstas no art. 264, § 1°, do RIR199. CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. Apenas caracterizase como caso fortuito ou de força maior o evento acontecido inexoravelmente, sem que o homem tenha interferido e sem que possa impedilo ou para ele tenha concorrido, como, por exemplo, por negligência, imperícia, imprudência, omissão etc. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Constatada infração à legislação tributária, impõese o lançamento, que deve observar as normas que regem a matéria. A recorrente, cientificada do Acórdão em 12/11/2009 (AR a fls. 555), interpôs, em 02/12/2009, recurso voluntário(doc. a fls. 556 e segs.), no qual alega as suas razões de defesa: a) que o agente fiscalizador baseado única e exclusivamente em suposta omissão de receitas apurada por presunção legal, com base na legislação de imposto de renda, entendeu pela necessidade de constituição de crédito tributário de IPI em reflexo a essa suposta omissão de receita; b) que o crédito tributário pretendido pelo fisco foi constituído em violação aos princípios que norteiam a relação tributária, especialmente, o principio da legalidade e da tipicidade; c) que não se pode admitir que o fisco utilize a legislação do Imposto de Renda como analogia para a constituição de crédito tributário diferente do próprio Imposto de Renda, pois se assim ocorrer estará por aceitar a violação do principio da legalidade; d) que a quebra de sigilo de informações bancárias por ser potencial meio de agressão a direitos fundamentais, deveriam sempre passar pelo crivo do Judiciário — poder constitucionalmente (e, historicamente no mundo civilizado) criado para dizer o direito; e) que, no caso em apreço, sequer restou comprovado que o recorrente efetivamente produziu os produtos tributados e, tampouco, que na produção desses produtos não utilizou matéria prima isenta de tributação; f) que a norma do artigo 42 da lei n. 9430/96 mostrase inserida no campo das inconstitucionalidades; Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000639/200960 Acórdão n.º 1302001.483 S1C3T2 Fl. 1.425 3 g) que a a lei jamais poderia presumir como base de cálculo do IR e do IPI a soma destes depósitos bancários como algo novo produzido ou como acréscimo de patrimônio; h) impõese afirmar a inconstitucionalidade da aplicação de multa de 112,5% tal como lançada no auto de infração em debate, por ter caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV do artigo 150, da Constituição Federal; i) que a autuação em tela, jamais poderia terse aplicado a taxa SELIC sobre o suposto crédito tributário, pois a referida taxa é imprecisa, incorreta e inconstitucional. É o relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Inicialmente, ressalto que, a fls. 1420, entendeu o Conselheiro Alexandre Gomes, membro da 2ª TO/3ª Câmara/3ª Sejul, que, não obstante o único auto de infração lavrado constitua apenas crédito de IPI, a competência seria desta Primeira Seção, razão pela qual minutou despacho ao Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, propondo o encaminhamento a esta 1ª Sejul. Ocorre que, equivocadamente, os autos foram encaminhados a esta 1ª Sejul, antes de qualquer pronunciamento do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Sejul sobre a proposta do Conselheiro Gomes. De qualquer sorte, uma vez que foi sorteado os autos para a minha relatoria nesta 2ª TO/3ª Câm./1ª Sejul, não cabe mais o saneamento dos autos, para que o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Sejul se pronuncie sobre a proposta a fls. 1420. Não obstante o Termo de Constatação Fiscal a fls. 283 do Vol. 002 possa levar à conclusão de que a fiscalização foi única e exclusivamente do Imposto sobre Produto Industrializado, o relatório do Acórdão nº 1425.117, da 3º Turma da DRJ/RPO (doc. a fls. 523), que julgou os autos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, deixa claro que tais autuações foram decorrente do procedimento de fiscalização realizado em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08.1.90.002008039126, ou seja, o mesmo número de MPF informado no auto de infração do IPI (doc. a fls. 510), ora em julgamento. Assim sendo, concluo que esta Turma é competente para julgar os presentes autos, uma vez que resta demonstrado que a exigência do IPI está lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 573, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, ressalto que, nos termos da Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre alegações de inconstitucionalidade de lei tributária, razão pela qual deixo de apreciar as questões levantadas pela recorrente sobre a constitucionalidade: do art. 42 da Lei 9.430/96, da majoração da multa de ofício; e dos juros de mora calculados pela taxa Selic. No que tange à aplicação dos juros de mora, a matéria é o Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 objeto da Súmula CARF nº 4, a qual dispõe que “Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Com relação à fundamentação da autuação, é importante frisar que o art. 42 da Lei 9.430/96 dispõe apenas sobre um meio de prova indireta de receitas, ou seja, de uma presunção juris tantum que autoriza a Fiscalização a concluir pela existência de receitas omitidas, quando o contribuinte não logra demonstrar a origem de ingressos devidamente comprovados na sua conta bancária. Tratase, assim, de uma presunção relativa, pois cabe prova em contrário. Ademais, embora o TVF (a fls. 285) tenha se valido do art. 287 do RIR/99, a base legal desse dispositivo é o art. 42 da Lei 9.430/96, o qual se aplica a todos os tributos federais, pois, como já dito, não trata de um aspecto da hipótese de incidência do IRPJ, mas de um meio de prova da existência de receitas omitidas. Por sua vez, embora a presunção legal em tela admitisse a prova em contrário, a recorrente nada trouxe, aos autos, para demonstrar a origem dos ingressos nas suas contas bancárias, razão pela qual há que se concluir que se tratavam de receitas cujas origens a recorrente não logrou comprovar, razão pela qual, perfeito o enquadramento do auto de infração no art. 108, § 2º, da Lei 4.502/64. Por último, sustento que a majoração da multa de ofício deve ser cancelada, pois, ao se compulsar os autos, verifico que a recorrente respondeu os termos de intimação, tanto que o TVF (a fls. 288) justifica a majoração (que denomina como qualificação) no fato de que a recorrente intimada várias vezes deixou de apresentar suas notas fiscais. Ora, deixou de apresentar porque não as tinha, já que se tratava de receita omitida, mas apresentou espontaneamente os extratos bancários e os livros. Logo, não cabe a majoração da multa de ofício, pois não se verificou nos autos que a recorrente tenha deixado de prestar esclarecimentos. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de ofício de 112,5% para 75%. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000439/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE.DA NOTIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Para que seja válida a notificação por edital, basta a demonstração de que foi improfícua a tentativa de notificação por apenas um dos meios ordinários (notificação pessoal ou postal ou por meio eletrônico), sem ordem de preferência. Considera-se efetuada a notificação 15 (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, ou uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência.
DECADÊNCIA.
Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE.
O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES DO EXTERIOR
Correto o lançamento por arbitramento com base nos elementos de que dispõe a autoridade fiscal, quando sejam omissos os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, notadamente quando os rendimentos omitidos decorrem de pratica atividade irregular à margem do Sistema Financeiro Nacional que funciona sem os registros documentais próprios das atividades regulares.
SÚMULA CARF Nº 26
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO
Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO
Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria.
SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos:
1) por unanimidade de votos, cancelar a multa isolada (Infração 003) e
2) por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada (Infração 002). Vencidos os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho (Relator) e José Raimundo Tosta Santos, que mantinham a qualificação. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi.
3) por voto de qualidade, manter a multa de ofício qualificada sobre a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior (Infração 001). Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira lima, Ewan Teles Aguiar e Núbia Matos Moura, que desqualificavam a multa.
Realizou sustentação oral o Dr. Cleber Renato de Oliveira, OAB/SP nº 250.115.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Alice Grecchi - Redator designado.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 10/03/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE.DA NOTIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para que seja válida a notificação por edital, basta a demonstração de que foi improfícua a tentativa de notificação por apenas um dos meios ordinários (notificação pessoal ou postal ou por meio eletrônico), sem ordem de preferência. Considera-se efetuada a notificação 15 (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, ou uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência. DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES DO EXTERIOR Correto o lançamento por arbitramento com base nos elementos de que dispõe a autoridade fiscal, quando sejam omissos os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, notadamente quando os rendimentos omitidos decorrem de pratica atividade irregular à margem do Sistema Financeiro Nacional que funciona sem os registros documentais próprios das atividades regulares. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE.DA NOTIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para que seja válida a notificação por edital, basta a demonstração de que foi improfícua a tentativa de notificação por apenas um dos meios ordinários (notificação pessoal ou postal ou por meio eletrônico), sem ordem de preferência. Considerase efetuada a notificação 15 (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, ou uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência. DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES DO EXTERIOR Correto o lançamento por arbitramento com base nos elementos de que dispõe a autoridade fiscal, quando sejam omissos os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, notadamente quando os rendimentos omitidos decorrem de pratica atividade irregular à margem do Sistema Financeiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 39 /2 00 8- 26 Fl. 5111DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 3 2 Nacional que funciona sem os registros documentais próprios das atividades regulares. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, cancelar a multa isolada (Infração 003) e 2) por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada (Infração 002). Vencidos os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho (Relator) e José Raimundo Tosta Santos, que mantinham a qualificação. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. 3) por voto de qualidade, manter a multa de ofício qualificada sobre a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior (Infração 001). Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira lima, Ewan Teles Aguiar e Núbia Matos Moura, que desqualificavam a multa. Realizou sustentação oral o Dr. Cleber Renato de Oliveira, OAB/SP nº 250.115. Fl. 5112DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 4 3 Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Alice Grecchi Redator designado. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 10/03/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 2.374 a 2.404: O presente processo que ostenta como última página a de n° 2.373 trata de auto de infração de fls. 2.291/2.305, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 2003 e 2004, anoscalendário 2002 e 2003, no valor de R$ 2.362.808,73 (dois milhões, trezentos e sessenta e dois mil, oitocentos e oito reais e setenta e três centavos), a ser acrescido de multa de oficio de 150% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente e mais a multa exigida isoladamente de R$ 347.304,17 (trezentos e quarenta e sete mil, trezentos e quatro reais e dezessete centavos). 2. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatadas as seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior; b) Depósitos Bancários de origem não comprovada; c) Falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. 3. As fls. 2.273/2.290, é acostado o Termo de Verificação Fiscal, onde a fiscalização informa o seguinte: “........... À instauração do procedimento fiscal foi motivada pelas Representações Fiscais elaboradas pela Equipe Especial de Fiscalização (constituída pela Portaria SRF n° 463, de 30/04/2004), em decorrência dos trabalhos realizados, conforme referenciado no MemoCircular Cofis/GAB n° 2004/00652, de 24/06/2004 (fls.24 a 28), relacionado ao Caso 'Beacon Hill e ainda, no MemoCircular Cofis/GAB n° 2005/994, de 16 de Fl. 5113DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 5 4 agosto de 2005 (/7s. 1.095 a 1.098), relacionado aos Doleiros dos casos Merchants Bank', `MTBHudson Bank', Tespan' e 'Safra', ambos expedidos no âmbito da SRF. Foi encaminhada â Superintendência Regional da Receita Federal na 8' RF, através do Memorando EEF/Port. 463/04 n° 91/2005, a Representação Fiscal Operador de Câmbio n° 70/2004, na qual o contribuinte foi identificado como responsável pela conta/subconta 530098709CHELLO, administrada pela 'Beacon Hill Service Corporation', junto ao JP Morgan Chase Bank E através do Memorando EEF/Port.463/04 n° 130/2005, de 16/09/2005 (fls. 18) foram encaminhadas as Representações Fiscais de diversos `doleiros' responsáveis por movimentações financeiras em contas mantidas no MTBCBCHudson Bank de New York, sendo apontados, dentre os representados, Richard Andrew de Mol Van Otterloo, CPF n° 022.314.34806 e Raul Henrique Srour, CPF o, CPF N° 043.719.54812 e, conforme observação em anexo relação, são responsáveis por três contas mantidas nesse banco, a saber: Jazz (Sherbone S/A), Digital (Deraboix) e Dairland (Europa). ................. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1258/04INC 0 Laudo (fls. 63 a 69) foi elaborado em 18 de maio de 2004, por peritos do Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal, em atendimento á solicitação do Delegado de Policia Federal, contida no Memorando n° 371/04 PF/FT/SR/DPF/PR, de 14/04/2004 e teve como objetivo a consolidação da movimentação financeira das contas e subcontas administradas pela Beacon Hill, e ainda, informar 'os valores totais e por período movimentados e a identificação de eventuais relacionamentos com correntistas do BANESTADO/NY, doleiros brasileiros... ', conforme transcrição parcial dos termos do referido memorando. Foram examinadas as mídias de movimentação financeira, em meio computacional das contas e subcontas administradas pela Beacon Hill junto ao JP Morgan Chase Bank em Nova Iorque e, de acordo com informações obtidas pelos peritos com o próprio banco, os dados contidos nos arquivos objetos de exame representam transações que foram efetivamente realizadas em suas respectivas contas, quer seja a crédito ou a débito. Conforme descrito no item 5 do Laudo, a 'Beacon Hill era empresa sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancário financeiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas especificas.' Fl. 5114DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 6 5 A conta Chello S/A n° 530098709, está identificada entre as contas correntes individuais junto ao JP Morgan Chase, administradas pela empresa Beacon Hill e sua movimentação financeira, a crédito e a débito, no período de 23/01 a 31/12 de 2002, consta da tabela do item 23 do referido Laudo. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1032/04INC 0 Laudo (fls. 72 a 82) foi elaborado em 20 de abril de 2004, por peritos do Instituto nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal e teve como objeto a conta CHELLO S. A., no 530098709, mantida junto ao JP Morgan Chase Bank, em atendimento à solicitação do Delegado de Policia Federal, contida no Memorando n° 351/04PF/FT/SR/DPF/PR, de 02/04/2004, complementada no Memorando n° 371/04 PF/FT/SR/DPF/PR, de 14/04/2004. Dentre seus objetivos de exame, está a identificação dos titulares, procuradores ou representantes da citada conta. Foram examinadas mídias computacionais, bem como o primeiro volume do dossiê da conta corrente investigada (fls. 83 a 180), contendo cópias reprográficas dos documentos bancários e cadastrais (inclusive correspondências, bilhetes e anotações). Destacaramse nos principais documentos, após exame pormenorizado em todo o dossiê da conta, aqueles relacionados no item 10 do referido laudo, nos quais constam os nomes e/ou assinaturas de Richard A. de Moi Van Otterloo e Raul Henrique Srour. Cópias de ordens de pagamentos coletadas/disponibilizadas estão contidas nos volumes 02 a 04 do dossiê Movimentação Financeira da conta investigada, de fls. 1.081 a 1.094. ......................... Breve histórico das investigações relativas ao `MTBCBC Hudson Bank' Os fatos descritos a seguir foram extraídos do MemoCircular Cofis/GAB n° 2005/0994, de 16/08/2005, itens 7a 10 (fls. 1.096). ............................... Com base nesses elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais, a priori identificados como possíveis `doleiros' brasileiros, ou mesmo brasileiros com participação em empresas 'offshore', teriam atuado como intermediários para a movimentação de divisas no exterior, em seu próprio nome ou em nome de terceiros, com ou sem intermediação de terceiros, utilizandose de contas/subcontas mantidas nas instituições financeiras Merchants Bank, MTBCBCHudson Bank, Lespan e Safra Bank. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n°1.630/05INC Fl. 5115DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 7 6 O Laudo fls. 1.112 a 1.120) foi elaborado em 04 de julho de 2005, por peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Policia Federal e teve como objeto a conta corrente n° 030171954, denominada JAZZ, também conhecida por Sheborne S.A., mantida junto ao MTBCBCHudson Bank, de Nova Iorque Estão, entre seus objetivos de exame, a identificação dos responsáveis (titulares, procuradores) pela conta e a consolidação da sua movimentação financeira. Foram identificados, de acordo com o item '8' do Laudo, como responsáveis (procuradores ou titulares ou representantes) da conta corrente n° 030171954, Richard Andrew de Moi Van Otterloo e Raul Henrique Srour, com base nas documentações relacionadas de letras 'a' a 's' nesse mesmo item '8'. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 2.171/05INC O Laudo (fls. 1.357 a 1.365) foi elaborado em 12 de agosto de 2005, por peritos do Instituto Nacional de Criminalistica do Departamento de Policia Federal e teve como objeto a conta corrente n° 030173019, pertencente a DERABOIX S/A, denominada DIGITAL, mantida junto ao MTBCBCHudson Bank, de Nova Iorque. Estão, entre seus objetivos de exame, a identificação dos responsáveis (titulares, procuradores) pela conta e a consolidação da sua movimentação financeira. Foram identificados, de acordo com o item '8' do Laudo, como responsáveis (procuradores ou titulares ou representantes) pela movimentação financeira da conta corrente n° 030173019, Richard Andrew de Moi Van Otterloo e Raul Henrique Srour, com base nas documentações relacionadas de letras 'a' a ´j' nesse mesmo item '8'. Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 2.296/05INC O Laudo (lis. 1.462 a 1.470) foi elaborado em 31 de agosto de 2005, por peritos do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Policia Federal e teve como objeto a conta corrente n° 030172802, pertencente a DAIRLAND S/A, denominada EUROPA, mantida junto ao MT'BCBCHudson Bank, de Nova Iorque. Estão, entre seus objetivos de exame, a identificação dos responsáveis (titulares, procuradores) pela conta e a consolidação da sua movimentação financeira. Foram identificados, de acordo com o item '8' do Laudo, como responsáveis (procuradores ou titulares ou representantes) pela movimentação financeira da conta corrente n° 030172802, Richard Andrew de Mol Van Otterloo e Raul Henrique Srour, com base nas documentações relacionadas de letras 'a' a 'p' nesse mesmo item '8'. Fl. 5116DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 8 7 Todos os documentos e demais elementos referidos nas Representações Fiscais que foram objetos de análise no transcorrer da presente ação fiscal foram encaminhados pelo Departamento de Policia Federal, com autorização do Juiz da 2º Vara Criminal de Curitiba, e estão anexos ao presente auto. .................. Da análise MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO PAIS Conforme afirmado na carta recepcionada em 19/11/2007, que teria o propósito de responder a intimação de 22/10/1007, os depósitos efetuados nas contas bancárias teriam como origem os dividendos recebidos das empresas: Lumina Empreend. de Neg. e Partic. S/C Lda, Avenca Assess. E Cons. De Neg Rep. Part. Ltd, Avenca Viagens e Turismo Ltda. e M13 Serviços S/C Ltda. Contudo, apenas os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte emitidos pelas empresas Lumina Empreend., Neg. e Partic. S/C Ltda e M13 Serviços S/C Ltda, informam rendimentos a titulo de Lucro e dividendo, conforme resumo a seguir. .................. Os valores consignados nos comprovantes apresentados correspondem a totais anuais pagos. Não foi demonstrado ou comprovado pelo fiscalizado, se os dividendos foram pagos em mais de uma parcela e sendo este o caso, quando e em quantas parcelas, para que fosse possível verificar a correspondência entre os valores destes dividendos pagos e os valores depositados/creditados em contas bancárias. De qualquer forma, efetuouse por esta fiscalização, uma tentativa de encontrar, entre os depósitos nas contas bancárias, os valores anuais declarados como recebidos a titulo de lucros e dividendos, contudo não foi contatada qualquer correspondência entre esses valores. Com relação aos alegados empréstimos nos valores de R$ 1.650.000,00 e R$ 2.100.000,00, respectivamente nos anos de 2002 e 2003, conforme informação contida nos itens "b" e "d" da carta resposta recebida em 19/11/07, devese atentar que, apesar de não estar explicito que esta informação seria uma justificativa da origem dos depósitos na conta bancária, sendo esta a intenção, ainda assim, não foi apresentado qualquer documento comprobatório da transferência destes valores. E ao contrário do que afirmou, não consta em suas declarações de imposto de renda qualquer informação a titulo de empréstimos ou dividas e ônus reais, naqueles valores alegados. Portanto, conforme demonstrado nas planilhas anexas ao presente Termo (fls.2.261 a 2.263) foram apurados os totais mensais de depósitos de origem não comprovada, excluídos os cheques devolvidos.. Fl. 5117DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 9 8 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR A seguir, destacamse os principais documentos coletados junto às instituições financeiras e objeto de exames nos respectivos laudos que deram suporte Representação Fiscal Operador de Câmbio n° 70/2004 (referente à conta Chello), e ainda, às Representações Fiscais do MTBCBCHudson Bank —Doleiro' n° 10/05 (referente à conta Jazz), 13/05 (referente à conta Dairland/Europa) e 28/05 (referente a conta Digital/Deraboix). De todo o exposto, e considerando a vasta documentação acostada ao presente, é de se concluir que, indiscutivelmente, o fiscalizado era de fato o responsável, junto com Raul Henrique Srour, CPF n° 043.719.54812, pelas contas: Chello S/A, mantida no JP Morgan Chase Bank; Jazz, Digital/Deraboix S.A. e Europa Dairland S.A., mantidas junto ao MTBCBCHudson Bank, bem como, que os valores movimentados nessas contas no exterior, são oriundos de intermediação financeira de recursos de terceiros, efetuada pelos mesmos. Nesse mesmo sentido estão as informações contidas nos depoimentos prestados pelo fiscalizado e confirmadas por Raul Henrique Srour, em seus depoimentos Justiça Federal e Ministério Público Federal, conforme cópias extraídas de folhas dos autos n° 2004.61.81.0063123 e 2006.61.81.0148411, entregues a esta fiscalização, por determinação do Juiz Federal da Sexta Vara Criminal Federal em São Paulo, de acordo com o Termo de Entrega datado de 26/10/2007, em atendimento à solicitação de informações contidas no oficio GAB/n° 634, de 21 de setembro de 2007, que vem corroborar e complementar as informações contidas no conjunto de documentos disponibilizados pela Policia Federal. ................ Do Lançamento MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO PAIS ............... MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NO EXTERIOR .................... A remuneração pela atividade de intermediação financeira (inferida dos depoimentos it justiça e descrita nos citados documentos examinados) exercida pelo fiscalizado, por meio das contas mantidas no exterior em nome de offshores, configura fato gerador do Imposto de Renda, uma vez que, foi acatada por esta fiscalização, a declaração prestada em juízo pelo fiscalizado, levandose em conta que na técnica jurídica o depoimento é considerado um meio de prova. Caracterizada a atividade exercida pelo fiscalizado, sem contudo, ter sido demonstrado, pelo mesmo, quer nas respostas às intimações feitas por esta fiscalização ou nos depoimentos Fl. 5118DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 10 9 prestados em juízo, os efetivos valores auferidos (rendimentos) no exercício daquela atividade, aplicase ao presente, o disposto no art. 148 do mesmo dispositivo legal, a seguir transcrito: 'Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular ,arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado,...' Em se considerando as seguintes declarações expressas nos depoimentos em juízo: 'todos os recursos que transitaram pelas contas supracitadas eram de terceiros' e `o ganho só é apurado em pares de operações' e ainda, conforme exemplo citado, 'numa operação de cem mil dólares, nosso ganho variava entre quinhentos e seiscentos dólares', e o principio exarado no art. 112 do CTN, em caso de dúvida, adotouse a interpretação mais favorável ao contribuinte: tomouse como rendimentos auferidos o percentual de 0,5% dos créditos totais. Deste valor, será excluída a parcela correspondente a 50%, relativa à parte que caberia a David Goldman, sócio oculto, conforme depoimento. Partindo deste resultado e uma vez que o fiscalizado sempre figurou em conjunto com Raul Henrique Srour, inclusive constando nos depoimentos que os mesmos eram sócios e abriram juntos as referidas contas, será imputado ao fiscalizado, a parcela correspondente a 50% do valor assim obtido, ou seja, quarta parte do rendimento. ............” 4. Cientificado da exigência tributária por editais de fls. 2.307 e 2.310, o sujeito passivo apresenta impugnação à exigência tributária às fls. 2.317/2.362, de onde se extrai os seguintes argumentos: a) preliminarmente, aduz que o auto de infração foi lavrado com base em Mandado de Procedimento Fiscal MPF ineficaz, porque já extinto pelo decurso de seu prazo de validade; b) o MPF é requisito para a instauração de qualquer procedimento fiscal e, estando extinto, as autuantes não detinham a competência administrativa especifica para fazêlo; c) questiona a modalidade utilizada pela fiscalização para repartição do "bolo" em partes aos três participantes relacionados na denúncia; d) a exigência está baseada na presunção de omissão dos rendimentos, inexistindo provas materiais de auferimento de renda pelo sujeito passivo; e) "Conforme comprovado documentalmente nos autos, o Contribuinte possuía apenas procuração com poderes específicos para realizar transações financeiras em nome dos titulares das contas, sob ordem do Sr. David Goldmann, não guardando nenhum vinculo com os valores movimentados nem auferindo qualquer beneficio com os mesmos, o que, por si só, já afasta a tributação ora imputada.." Fl. 5119DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 11 10 f) não é titular das contas bancárias no exterior, não havendo razão para informálas nas suas Declarações de Ajuste Anual; g) a própria fiscalização é sabedora que a conta Chello é de titularidade da empresa Beacon Hill e não do impugnante, como mencionado no item 1 do Termo de Inicio de Fiscalização A fl. 1.616; h) apresentou em 20/03/2007 documentos obtidos no Registro de Comércio do Estado de Nova Iorque (fls.1.968 e seguintes), onde prova não ser titular da empresa Beacon Hill e mais, As fls. 2.044/2.045, apresenta os assentamentos de constituição das empresas das contas bancárias questionadas, obtidos na Junta Comercial do Uruguai, e As fls. 2.047 e seguintes, indica os titulares das empresas possuidoras das três outras contas acima questionadas, restando provado que não foi possuidor destas; i) questiona se não teria havido confusão por parte da fiscalização entre tributação da pessoa jurídica e tributação da pessoa física; j) " , a par não citação dos verdadeiros titulares no "Termo de Verificação Fiscal" e, observando a extrema ansiedade da autoridade fiscal em buscar um fato que tivesse a pretensão de justificar a imputação fiscal já que não possui provas concretas para tanto, optou por arbitrar a base de cálculo do tributo, como um 'neném' faz com uma batata quente que sua mamãe põe na sua boca. Quer se livrar do problema. .............. Quanto ao movimento financeiro no pais, por deixar de apreciar as informações da distribuição de dividendos, novamente transferindo para o contribuinte sua função de oficio vinculado a sua obrigação funcional de verificar as informações recebidas, negligenciou e, portanto, imputou em duplicidade a tributação sobre tais valores. Relativamente aos empréstimos mencionados na folha n°2282, dos autos, a autoridade fiscal transformou erro material em fato gerador do tributo, ou seja, os empréstimos de fato ocorreram, porém, por erro, não foram registrados na DIRPF do impetrante, nos anoscalendário correspondentes. As provas correspondentes a mencionadas operações, serão apensadas aos autos tão logo seja possível." k) não houve a efetiva disponibilidade econômica relativa A parcela dos rendimentos ganhos pelo impugnante nas operações bancárias; 1) a fiscalização esqueceu de abater do montante dos depósitos bancários os valores recebidos a titulo de lucros e dividendos, cujo montante alcança o valor total de R$ 1.487.358,41 no ano de 2002 e R$ 2.157.680,00 no ano de 2003; m) junta A fls. 2.366/2.368, declaração firmada pelo Sr. David Goldmann, com tradução para o português feita por tradutora juramentada, relativamente A divida originada por comissões não pagas por serviços prestados na intermediação de negócios nos anoscalendário de 2002 e 2003, cujo valores em acordo entre as partes perfaz R$ 200.000,00; n) decaiu o direito de lançar o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2002, bem como para os meses de janeiro e fevereiro do anocalendário de 2003, por ser o IRPF lançamento por homologação; Fl. 5120DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 12 11 o) é nula a intimação por edital, com reflexos nos atos subseqüentes, posto que esta somente é admitida se a autoridade não consegue consumála pelos demais meios e a prova dessa impossibilidade deve ser produzida pela fiscalização e trazida aos autos; p) aduz do instituto da interpretação benigna, devendo ser aplicada a norma do art. 112 do Código tributário Nacional — CTN; q) "Depois de todos esses fatos e das alegações constantes nos subitens anteriores, chegase a conclusão de que a imputação de uma 'quarta parte do rendimento', ao impetrante, como omissão de receitas não declaradas, caracteriza, sem dúvida alguma, pretensão ou tentativa absurda de constituição de crédito tributário (tributação) sem lei que estabeleça, fato gerador para a hipótese pretendida, infringindo, dessa forma, as disposições contidas no artigo n°150 da Constituição Federal de 1988, adiante descrito: .........” r) é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários realizados no pais e no exterior, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas; s) a movimentação financeira relacionada pela autoridade fiscal e considerada como depósitos de origem não comprovada, com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, referese a empréstimos realizados perante terceiros, que, por lapso de sua parte, não foram informados em suas Declarações de Ajuste Anual; t) pede a apresentação posterior de quaisquer outras provas que se fizerem necessárias ao deslinde das questões levantadas pela fiscalização; u) contesta o cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic; v) traz farta jurisprudência administrativa. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, por maioria de votos, não acatou o pedido de diligência, afastou as preliminares de nulidade e decadência e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração. Especificamente, a autoridade recorrida considerou que a omissão de rendimentos oriundos do exterior foi baseada em fatos concretos e não em presunções, pois foram devidamente identificadas, nos autos, as movimentações de numerário realizadas nas contas bancárias, tendo o contribuinte como beneficiário dos recursos e dessa forma, deve ser mantida, integralmente, a infração de omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, com reflexos para a manutenção da multa isolada, por decorrência de tal infração. Já em relação à a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, não houve prova com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos em contas bancárias mantidas no pais, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 5121DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 13 12 Exercício: 2003, 2004 INTIMAÇÃO VIA EDITAL.Ê legitima e válida a intimação por edital, quando o sujeito passivo sempre agiu no sentido de esquivarse da ação da autoridade lançadora, inclusive com mudança de domicilio tributário para outro Estado e restou comprovado nos autos a devolução da intimação pelos correios. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. 0 ato administrativo do lançamento é vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional, conforme determina o artigo 142, § único, do CTN, de modo que eventuais problemas com o MPF não têm o condão de invalidar o trabalho fiscal e não causam a nulidade do auto de infração. DECADÊNCIA.Para os casos mencionados no § 4° do art. 150 do CTN fraude, dolo ou simulação excetuase a regra contida no caput e aplicase a regra do art. 173, I do CTN, para contagem do prazo decadencial. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS E DOCUMENTOS. 0 art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, ressalva da preclusão as provas apresentadas a destempo, somente quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação nas hipóteses ali elencadas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES DO EXTERIOR. Para a incidência do imposto, basta que haja o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo, de rendimentos decorrentes de movimentação de valores expressivos em contas correntes de empresas "de fachada" localizadas em paraísos fiscais, o que restou demonstrado por meio dos documentos acostados aos autos. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997 A Lei n° 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. EMPRÉSTIMOS.A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa fisica ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva. ocorrência da operação, mediante a sua informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual, além da comprovação da transferência de numerário envolvida. ENCARGOS LEGAIS . JUROS DE MORA.A cobrança dos juros de mora juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é exorbitante, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. Fl. 5122DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 14 13 Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 2.417 a 2.479, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: PRELIMINARES a) NULIDADE— INTIMAÇÃO VIA EDITAL. Consoante dispõe o § 1° do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972 (com redação dada pelo artigo 113 da Lei n° 11.196, de 21112005) a intimação por edital somente deve ser admitida se a autoridade não conseguir consumila pelos demais meios, inclusive pelo meio eletrônico recém criado. A prova dessa impossibilidade cabe à autoridade e deve ser produzida nos autos do processo administrativo. A ausência dessa prova determina a nulidade absoluta de todos os atos subseqüentes, incluindo a inscrição em divida ativa. b) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL/REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. A autoridade fiscal julgadora de 1a instância não atacou o cerne das alegações feitas pelo impetrante na impugnação original, limitouse a fazer considerações gerais sobre as violações à legislação do MPF para tentar justificar o injustificável, ou seja, manter uma autuação fiscal que já nasceu morta. O impetrante comprovou que as prorrogações do MPF foram realizadas sempre fora do prazo estabelecido no MPF anterior. c) DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. d) VÍCIO DE FORMA E CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. A tributação deve ser realizada pelos valores mensais efetivamente recebidos (Regime de Caixa) durante o anocalendário. e) CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. No envelope do correio o impugnante constatou a falta do recebimento das folhas n° 11, 12 e 13 do Acórdão n° 1726.809, o que o obrigou a fazer requerimento (Documento anexo n° 2), protocolar na SRFB para obter o inteiro teor do acórdão, objetivando completar de forma integral o seu recurso administrativo, cujo prazo fatal de protocolização previsto na legislação de regência (Processo Administrativo Fiscal — PAF) será dia 08042009. Portanto, o impugnante teve apenas seis dias para poder elaborar integralmente o mencionado recurso, por culpa exclusiva da SRFB. Além desse fato, o recebimento da Intimação n° 1119/2009 (Documento anexo n° 3), datada de 03032009, de remeteu o Acórdão n° 17 26809, para ciência do contribuinte nada relatou em relação ao prazo para o recurso administrativo de 2a instancia, limitandose a intimar o interessado a recolher, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados do recebimento da intimação os débitos discriminados em anexo. f) TRIBUTAÇÃO BASE DE CALCULO PRESUMIDA/INTERPRETAÇÃO BENIGNA. As autoridades fiscais autuante e julgadora de 1a. instância pretendem tributar rendimentos fictícios sem a prova efetiva da propriedade e do recebimento efetivo dos recursos. A autoridade julgadora informa que restou comprovado que o impugnante foi beneficiário dos recursos movimentados correspondentes a 0,25% dos respectivos valores. Onde consta essa comprovação? Nos autos? Nos céus? Voando como passarinho? Ou na vontade das autoridades fiscais (autuante e julgadora) de tributar algum valor? Além de todos esses fatos, ganhar não significa receber. A tributação dos rendimentos da pessoa física só pode ser realizada quando houver o efetivo recebimento do valor ganho, esta foi a razão pela qual o impugnante ainda não declarou as importâncias em sua DIRPF. Lembramos, por derradeiro, que a dúvida não pode beneficiar o fisco. Se não há resposta segura para inevitáveis indagações que surgem da análise das operações praticadas pela contribuinte, é de se aplicar à norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional. NO MÉRITO Fl. 5123DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 15 14 g) FATO GERADOR DO TRIBUTO. Deverá compor a base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas os rendimentos efetivamente percebidos, ou seja, rendimentos O efetivamente recebidos pelo contribuinte (tributação pelo regime de caixa), em obediência à disposição legal especifica (artigo 2° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, consolidado no §2° do artigo 2° do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999. h) FATO GERADOR RENDIMENTOS PRESUMIDOS. Não existe na legislação mencionada nenhuma outra forma de imputação de rendimentos, que não corresponda ao valor efetivamente recebido pelo contribuinte como querem fazer crer as autoridades fiscais autuante e julgadora de 1a. .instância. A ilustre Autoridade Fiscal autuante relacionou todos os depósitos bancários efetuados nas contas no exterior, nos anoscalendário de 2002 e 2003, aplicou o percentual de 0,5% e dividiu o resultado obtido por três, elegendo como Contribuintes o Sr. David Goldman, sócio oculto, a quem pertenceria 50% dos rendimentos obtidos e os senhores: Richard Andrew de Mol Van Otterlloo (impugnante) e Raul Henrique Srour a quem, também, caberiam 50% dos rendimentos obtidos, dessa forma, a parcela no bolo que caberá a impugnante, conforme relato da própria autoridade fiscal autuante, convalidado pela autoridade julgadora de 1a instância, corresponderá a "quarta parte do rendimento" total. Posto isto, podemos questionar porque o "bolo" não foi repartido de outra forma, ou seja, dividido, em partes iguais ou, atribuído integralmente a um dos participantes relacionados na denuncia? Alegorias à parte, o que se deve levar em conta é que os documentos trazidos aos presentes autos demonstram que o impugnante não é o titular das contas no exterior e, principalmente, que não é participante proprietário de exatamente uma "quarta parte do rendimento" produzido pelos depósitos lá realizados. No requerimento solicitando a anexação de provas, o impugnante anexou declaração do Sr. David Goldman reconhecendo dividas não pagas ao impugnante, por conta dos serviços a ele prestados nessas transações internacionais. i) MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS NO PAIS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Cabe à fiscalização a efetiva prova de omissão de receitas, não sendo elemento bastante e suficiente para a configuração do ilícito o simples cotejo de declaração e/ou informações prestadas pelo contribuinte ou por terceiros. Como é sabido, a exigência fiscal do tributo não pode estar assentada unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários realizados no Brasil ou no exterior, porque estes por si só não constituem, na realidade, fato gerador do imposto de renda, porquanto não caracterizam disponibilidade econômica e jurídica de renda ao abrigo do que dispõe o artigo 43 da Lei n°5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Assim, é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários realizados no Pais ou no exterior, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. j) MULTAS E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADA. Pela nova redação dada ao § 5º do art. 33 da Lei n° 9.430/96, pelo art. 15 da Lei n°11.488/2007, a multa qualificada aplicase às infrações cometidas pelo contribuinte durante o período em que estiver submetido a regime especial de fiscalização. Conforme já mencionamos anteriormente neste recurso administrativo, é "manjado" o procedimento adotado pela Receita Federal do Brasil, em impor Auto de Representação Fiscal para Fins Penais e, conseqüentemente, agravamento da multa de oficio (multa qualificada) nos processos fiscais que tenha ocorrido a decadência do direito de lançar os tributos. k) MULTAS ISOLADAS. A aplicação de multa isolada em conjunto com a multa de oficio, não pode prosperar, pois, nessa hipótese, cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. l) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Com base em todas as alegações e provas anteriores, comprovamos à saciedade que não houve dolo, fraude ou simulação nas operações praticadas pelo impugnante, ainda, que em tais procedimentos pudesse vir a ocorrer à omissão de rendimentos, mormente quando demonstrada a boa vontade e esforço do contribuinte em prontamente atender ao fisco durante todo o procedimento fiscal, pois, o lançamento de multa Fl. 5124DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 16 15 qualificada exige a prova inconteste de que o contribuinte agiu de forma a demonstrar que quis os resultados caracterizados pelo art. 72 da Lei n° 4.502/64 como sendo fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Não existe fraude em tese.Assim, não cabe, também o Processo de Representação Fiscal para fins Penais e, dessa forma, o auto de infração tornase nulo de pleno direito em razão dos erros de fatos ou materiais cometidos na sua elaboração, bem como, pelo prazo decadencial analisado nesta impugnação. m) JUROS SELIC. A taxa dita SELIC é taxa remuneratória de capital e não pode ser exigida como juros de mora. Posteriormente, às fls. 2.486 a 2.534, foram juntados pelo recorrente, documentos que comprovariam que os valores recebidos eram recursos transitados pelas contas bancárias, de fato, pertencem às empresas das quais o recorrente era apenas Procurador. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Vencido Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Desde já esclareço que conforme o que consta nos autos, verifiquei que a fiscalização auditou em conjunto, para este contribuinte, os exercícios 2002, 2003 e 2004 e formalizou a exigência do exercício 2002 em processo separado nº 19515.003733/200717 que já se encontra julgado nesse Conselho no Acórdão nº 280201.221 Turma Especial, sessão de 30 de novembro de 2011. Ainda, a fiscalização da RFB auditando os mesmos fatos deste processo, lavrou outras autuações, inclusive em relação a exesposa do recorrente, Sra. Sabrina Malka Goldmann De Mol Van Otterloo, Processo nº 19515.002601/200760, que também já se encontra julgado nesse Conselho no Acórdão nº 220201.692– 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 13 de março de 2012. Registro que os fundamentos de ambos acórdãos serão utilizados de forma livre a seguir. PRELIMINARES NULIDADE— INTIMAÇÃO VIA EDITAL. No presente processo as intimações, na fase de fiscalização, as notificações vinham ocorrendo por via postal, até que o contribuinte providenciou alteração de seu domicilio tributário pela internet (fls. 947 do processo 19515.003733/200717). Ao tomar ciência desse fato, as autoridade fiscais expediram, por via postal, o auto de infração para o novo endereço. Entretanto, a tentativa de notificação foi infrutífera, o Fl. 5125DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 17 16 que foi comprovado pelo Aviso de Recebimento no qual os Correios descreveram que o destinatário é desconhecido no endereço. Em razão desse novo fato, as autoridades fiscais procederam as notificações por edital, no caso específico do Auto de Infração que se julga, tratase do Edital nº 021/2008, afixado no dia 12/03/2008. Não há vicio no procedimento de notificação feito dessa forma. Portanto, sem razão o recorrente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL/REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. O auto de infração teve origem em procedimentos de revisão interna de malha fiscal, portanto, dispensada a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal pelo artigo 11 da Portaria nº 3007, de 26 de novembro de 2001, in verbis: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...) IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). (g.n) Oportuno ressaltar que, mesmo não sendo o caso da dispensa supra, a falta do MPF inicial não acarreta a nulidade do procedimento, mas tãosomente uma irregularidade administrativa. Neste sentido, filiome ao entendimento majoritário expressado em diversos acórdãos desse Conselho: MPF – FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR – NULIDADE – INOCORRÊNCIA – O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (CSRF/0105.189, Sessão de 14/03/2005). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7º, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. (ACÓRDÃO 20308483, Sessão de 16/10/2002) Fl. 5126DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 18 17 NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Acórdão 10808091, Sessão de 01/12/2004). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão deobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° do Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos artigos 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 10707756, Sessão de12/08/2004) Assim, o MPF é instrumento administrativo que não impede o lançamento e sua falta não o torna nulo. Dessa forma, não há como acatar a nulidade argüida. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Inicio apreciando o pleito decadencial no tocante ao crédito tributário do ano calendário 2002. Para tal análise, considerando a reprodução nos julgamentos do Carf, conforme art. 62a, do anexo II, do Ricarf, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, utilizome de entendimento pacífico dessa Turma de julgamento, expresso no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 5127DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 19 18 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Feitas estas considerações, nos presentes autos, para o anocalendário 2002, mais antigo nestes autos, considerando que não há pagamentos de IR na declaração, fls. 04 a 06, devese, portanto, aplicar a regra decadencial do artigo 173, I, do CTN, ou seja, como o Fl. 5128DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 20 19 fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2002 a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2008. Considerando que a ciência do contribuinte se deu em 27/03/2008 (intimação via edital de fl. 2.310, afixado em 12/03/2008), não prospera a tese da extinção do lançamento pela decadência. Dessa forma, sigo na análise das demais matérias recursais. VÍCIO DE FORMA E CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Alega a recorrente cerceamento ao amplo direito de defesa na decisão de primeira instância por ter tido dificuldades de acesso ao acórdão da DRJ dentre outras peculiaridades. Na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado em diversas vezes a apresentar documentação comprobatória da origem dos seus recursos durante a fiscalização, como se vê, v.g., nas intimações e prorrogações de prazo às fls.: 1.915, 1.959, 1.976, 2.102, 2.151, dentre vários outros, e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Especificamente sobre a falta de folhas na ciência do acórdão recorrido e a demora para o respectivo saneamento da repartição da RFB em repor as informações faltantes, não há nos autos prova a este respeito para que possa prosperar a alegação do contribuinte. Não há provas dessa falha e ressaltese que a intimação foi realizada conforme AR de fl. 2.415, em 09/03/2009 e o pedido de nova cópia do Acórdão DRJ somente foi protocolado em 02/04/2009, fl. 2.416, se houve alguma demora nessa questão foi do próprio contribuinte e não há realmente como considerar qualquer alegação de cerceamento nesse sentido. Não encontramos nos autos nenhum indício de embaraço para ter acesso aos autos por conta da administração local da RFB. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, embora demonstre que está ciente de todos os aspectos do lançamento, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. Sobre a questão que a tributação deve ser realizada pelos valores mensais efetivamente recebidos (Regime de Caixa) durante o anocalendário, falta substância nessa argumentação, uma vez que os lançamentos foram efetivados com base em informações bancárias cuja sujeição passiva restou inconteste pelas investigações policiais e fiscais, reduzidas em farta documentação acostada aos autos. Os valores lançados tiveram como base Fl. 5129DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 21 20 remessa de valores em nome do recorrente e depósitos bancários em seu nome, como detalhadamente está na análise do voto a seguir. Destarte, não merece prosperar nenhuma das alegações preliminares. NO MÉRITO INFRAÇÃO 001 – RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. Da análise do presente processo, entendo que a recorrente tenta se isentar da movimentação financeira realizada sob a sua ordem, alegando ilegitimidade passiva. Como visto, no presente processo, o suplicante, quer na impugnação, quer no recurso voluntário, limitouse a perfilhar pontos de vista acerca da validade e da eficácia do lançamento, pertinentes aos procedimentos da fiscalização no curso da ação fiscal. Para ela, o lançamento é nulo pelos argumentos que desenvolveu. A extremarse o formalismo, como desejado pela recorrente, a ação fiscal haveria de terse desenvolvido apenas em uma frente. Ou seja, junto a pessoa física por ela citada. Porém, das peças processuais, observase que o suplicante foi intimado a comprovar documentalmente o alegado, apresentando documentos hábeis pertinentes. Ora, verificase do exame dos autos, por exemplo decretação de prisão preventiva de fls. 2.244 a 2.248, determinada pelo Juiz Federal Fausto Martin De Sanctis, que o nome da autuado figura como ordenante e como beneficiária final, nas operações de movimentação de divisas. Por outro lado o recorrente limitouse a alegar ser apenas preposto do Sr. David Goldmann, mas não apresentou nenhum documento eficaz que pudesse comprovar que os valores não lhe pertenciam. Registro que tampouco os documentos de fls. 2.486 a 2.534, tem capacidade de socorrer o interessado. Não restam dúvidas, que somente o próprio recorrente titular do valor questionado pela fiscalização poderia colher e fornecer os comprovantes relativos às operações ou negócios particulares de que participou e que deram, no seu entender, origem aos recursos utilizados nos repasses efetuados. Entretanto, não é essa a prática que a jurisprudência administrativa testemunha. Pois como se sabe, desde remotíssima data temse entendido que a intimação deve ser feita ao próprio titular da quantia remetida, seja quanto à apresentação de documentação hábil e idônea seja quanto à origem dos recursos questionados. Com efeito, qualquer procedimento fiscal digno do nome há de estar suficientemente instruído para possibilitar ampla defesa do contribuinte contra quem for instaurado. No caso, os elementos de prova, informações, etc., necessárias e suficientes para embasar o lançamento contra o titular da remessa efetuada está nos autos. Destacase que a natureza das operações do recorrente não se pauta em escrituração ou documentação regular, como o próprio afirma em um de seus depoimentos, a atividade funciona na "base da palavra". Fl. 5130DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 22 21 Em situações como essa não é adequado querer pautar a tributação exclusivamente em base documental, como se estivéssemos diante de uma atividade regular e licita, não é esse o sentido a ser atribuído à legalidade tributária. Diante da fundamentação adotada no lançamento, embasada no conjunto probatório dos autos (depoimentos perante o Ministério Público e em juízo, ações criminais, ordens de prisão, Laudos periciais, documentos mantidos por instituições financeiras, etc) é incabível a alegação do recorrente de que está sendo tributado por rendimentos que não recebeu, posto que a sistemática das operações imputadas ao recorrente, e por ele próprio admitida, consistia na operação de um mercado de câmbio à. margem do sistema financeiro nacional, que dependia de prévio recebimento de Reais ou moedas estrangeira no Brasil que seguida das respectivas operações no exterior (e viceversa), sob o manto de pessoas jurídicas, concretizavam a remessa de recursos à margem do controle das Autoridade Brasileiras. Nessas circunstâncias, a comprovação das transferências no exterior completa o ciclo das operações e não há que se aceitar a alegação de que os ganhos não eram recebidos. Destarte, não merecendo reparos da decisão recorrida, mantenho a Infração 001. INFRAÇÃO 002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Inicialmente, esclareço que a autoridade fiscal anotou a origem das informações bancárias do contribuinte e intimouo com os extratos de suas contas bancárias. Auditados os extratos bancários, a autoridade compilou todos os créditos bancários, fls. 2.264 a 2.266 e intimou a contribuinte a comproválos, considerados de origem não comprovada, para os quais o contribuinte poderia comproválos, até, no curso desse contencioso fiscal, contudo, não o fez. Importante observar que o contribuinte em nenhum momento não atacou as omissões de forma individual, demonstrando de forma inequívoca, quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Ressalto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 obriga o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, sob pena deles serem presumidos como rendimentos omitidos. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz Fl. 5131DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 23 22 de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Acerca da alegação que depósito bancário não é renda temos a Súmula CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências lançadas. INFRAÇÃO 003 MULTAS ISOLADAS. CUMULATIVIDADE. Verificase na autuação impugnada, cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício, que voto pelo seu cancelamento, pelo Princípio da Moralidade e para adequarse à jurisprudência desse órgão julgador, especialmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa.( Acórdão: CSRF/0105.078) Resta assim cancelada a Infração 003 – MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNÊLEÃO. MULTAS E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADA. Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa aplicada, pois ela é conseqüência pelo não recolhimento da contribuição, apurada em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. O Termo de Verificação Fiscal, à fl. 2.290, assim fundamentou a qualificação da multa: A se ver dos rendimentos insertos em suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2003 e 2004, anoscalendário 2002 e 2003, os valores apurados não foram submetidos à tributação. Por conseqüência será objeto de lançamento de oficio para formalização do imposto devido acrescido dos juros de mora e da multa de oficio no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada em decorrência das circunstâncias que qualificaram a infração, já que a omissão de rendimentos por si só ensejaria a aplicação da multa normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96; com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, porém se considerar as peculiaridades em que a Fl. 5132DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 24 23 infração foi apurada, sobretudo em relação conduta do fiscalizado quanto ao ilícito praticado, porquanto a omissão de rendimentos foi apurada sem que o mesmo tivesse efetuado, nas suas declarações de ajuste anual, qualquer registro das contas e das operações constatadas por esta auditoria, o que caracteriza o intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 e, portanto, imprime à infração apurada o caráter de multa mais gravosa. No pertinente à aplicação da multa qualificada, além do que consta no Termo de Verificação Fiscal, verificase pelos vários processos de representação fiscal, que o contribuinte estabeleceu e logrouse de um intricado sistema negocial, inclusive sendo condenado em processo na Justiça Federal na 6.ª Vara Criminal Federal, Operação Farol da Colina, desencadeada em 2004 pela Polícia Federal. A missão foi desdobramento do caso Banestado – evasão de US$ 30 bilhões nos anos 90, registros incontestes da constatação de dolo – aqui caracterizada como o intuito deliberado de obter benefício de dedução fiscal– impondo a manutenção da qualificação da multa. Pelas vastas e incontestáveis provas constantes nos autos, não me restam dúvidas do intuito de fraude em ambas infrações obrigando este julgador a manter as multas qualificadas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic é matéria que não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo provimento PARCIAL do recurso, cancelando a Infração 003 – MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNÊLEÃO e mantendo as demais exigências na forma lançada. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 5133DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, relatora designada. Divirjo do brilhante voto do ilustre relator apenas no que tange à qualificação da multa incidente sobre o crédito tributário constituído em relação omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, realizados em contas bancárias no Brasil, em nome do sujeito passivo, exclusivamente neste item acompanho a divergência suscitada pela nobre Conselheira Núbia Matos Moura. Ocorre, que ao meu sentir, conforme comprova a transcrição do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 2.290, o Fisco, ao fundamentar a qualificação da multa, o fez genericamente, sem tipificar as respectivas infrações cometidas, vejamos: “A se ver dos rendimentos insertos em suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2003 e 2004, anoscalendário 2002 e 2003, os valores apurados não foram submetidos à tributação. Por conseqüência será objeto de lançamento de oficio para formalização do imposto devido acrescido dos juros de mora e da multa de oficio no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada em decorrência das circunstâncias que qualificaram a infração, já que a omissão de rendimentos por si só ensejaria a aplicação da multa normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96; com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, porém se considerar as peculiaridades em que a infração foi apurada, sobretudo em relação conduta do fiscalizado quanto ao ilícito praticado, porquanto a omissão de rendimentos foi apurada sem que o mesmo tivesse efetuado, nas suas declarações de ajuste anual, qualquer registro das contas e das operações constatadas por esta auditoria, o que caracteriza o intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 e, portanto, imprime à infração apurada o caráter de multa mais gravosa.” Em relação à omissão de rendimentos por decorrente de depósitos bancários sem origem comprovada cabe a aplicação a contrário senso da Súmula CARF n.º 34, ou seja: “SÚMULA CARF Nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.” Compulsandose os autos resta comprovado que os depósitos bancários eram realizados em contas bancárias em nome próprio contribuinte, portanto, ao contrário senso da súmula supracitada, deve ser aplicada a multa normal. Fl. 5134DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 2102002.849 S2C1T2 Fl. 26 25 Ante o exposto voto no sentido de desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, realizados no Brasil, para 75% (setenta e cinco por cento). (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 5135DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/03/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado d igitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10880.950151/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO AO FISCO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO REALIZADOS AO LONGO DO TEMPO UTILIZANDO PARTE DO CRÉDITO. ALEGAÇÃO DE QUE O PRIMEIRO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO SE CONSTITUI EM CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO EM RELAÇÃO AO SALDO NÃO UTILIZADO. INEXISTÊNCIA DE CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO. RECURSO IMPROVIDO.
O saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas tem origem na regra-matriz de direito ao crédito, que não se confunde com a regra-matriz de incidência tributária que fundamenta a exigência de tributos por parte da Administração.
A partir do momento da constituição/apuração do saldo negativo o contribuinte tem prazo de cinco anos para pedir a restituição ou utilizá-lo em processos de compensação. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, com a redação atribuída pela Lei nº 11.941, de 2009.
O pedido de restituição é causa interruptiva da prescrição. Uma vez formulado, nada obsta que o contribuinte, enquanto não restituído o valor solicitado, aproveite tal crédito para, com base nele, ao longo do tempo, ainda que isto se estenda por mais de 5 anos, apresente pedidos de compensação. Poderá assim proceder até a efetiva extinção do crédito ou restituição pela Administração.
No entanto, nos casos em que não existe pedido de restituição e sim pedido de compensação envolvendo parte do crédito, em relação ao saldo não há interrupção de prescrição. Assim o é porque o direito exercido de forma parcial não se constitui em causa de interrupção da prescrição em relação à parcela do crédito não contemplada no pedido compensação.
Recurso Voluntário Improvido.
Numero da decisão: 1402-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE EM RELAÇÃO AO FISCO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO REALIZADOS AO LONGO DO TEMPO UTILIZANDO PARTE DO CRÉDITO. ALEGAÇÃO DE QUE O PRIMEIRO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO SE CONSTITUI EM CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO EM RELAÇÃO AO SALDO NÃO UTILIZADO. INEXISTÊNCIA DE CAUSA INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO. RECURSO IMPROVIDO. O saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas tem origem na regramatriz de direito ao crédito, que não se confunde com a regramatriz de incidência tributária que fundamenta a exigência de tributos por parte da Administração. A partir do momento da constituição/apuração do saldo negativo o contribuinte tem prazo de cinco anos para pedir a restituição ou utilizálo em processos de compensação. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, com a redação atribuída pela Lei nº 11.941, de 2009. O pedido de restituição é causa interruptiva da prescrição. Uma vez formulado, nada obsta que o contribuinte, enquanto não restituído o valor solicitado, aproveite tal crédito para, com base nele, ao longo do tempo, ainda que isto se estenda por mais de 5 anos, apresente pedidos de compensação. Poderá assim proceder até a efetiva extinção do crédito ou restituição pela Administração. No entanto, nos casos em que não existe pedido de restituição e sim pedido de compensação envolvendo parte do crédito, em relação ao saldo não há AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 01 51 /2 00 8- 61 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 10 2 interrupção de prescrição. Assim o é porque o direito exercido de forma parcial não se constitui em causa de interrupção da prescrição em relação à parcela do crédito não contemplada no pedido compensação. Recurso Voluntário Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 11 3 Relatório A controvérsia no presente processo versa sobre o prazo prescricional no caso em que os pedidos de compensação, de forma a abranger a totalidade do crédito, ocorram no decorrer do tempo, estendendose após a data de 5 (cinco) anos, contados da constituição/formação do saldo negativo. Conforme quadro existente às fls. 225/226, relacionando cada uma das DCOMPs, não foram homologadas as apresentadas a partir de 13/05/2009, sob o fundamento de que o crédito indicado à compensação já se encontrava prescrito. A contribuinte defendese sustentando que a partir da primeira Declaração de Compensação – DCOMP nº 06066.17227.191004.1.7.022176, apresentada em 19/10/2004, na qual foi demonstrada a composição do saldo negativo, não há o que se falar em prescrição, tendo em conta que todo o direito creditório teria sido ali informado. A decisão da DRJ pode ser sintetizada, por meio da ementa a seguir transcrita: Anocalendário: 1999 PER/DCOMP. Prescrição. A fluência do prazo prescricional para formalização de compensação ou pedido de restituição ocorre até a data da transmissão do instrumento hábil previsto na legislação (PER/DCOMP). A apresentação de DCOMP em que apenas demonstrada a composição do crédito, e para vinculação de PER/DCOMP a serem posteriormente apresentados, como não formaliza a compensação ou o pedido de restituição, não tem o condão de suspender ou interromper a contagem do prazo de prescrição. Direito Creditório. Prescrição. Prazo. Em decisão definitiva do Pleno e com Repercussão Geral, o STF reconheceu a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/05, mas considerou válida a aplicação do novo prazo de cinco anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Decorre daí que deve ser aplicado o prazo prescricional de cinco anos aos PER/DCOMP apresentados após 09/06/2005. Não se homologam as compensações e indeferese o pedido de restituição de indébito tributário apurado em 31/12/1999, mas apenas formalizados a partir de 13/05/2009. Dos fundamentos da decisão da DRJ colho a seguinte passagem: nos termos do artigo 35 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, apresentada DCOMP indicando o crédito a ser nela utilizado, "mas que não Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 12 4 formaliza a sua integral utilização, porque os débitos compensados são inferiores ao crédito informado, não se presta a suspender ou interromper a fluência do prazo prescricional. É necessária a formalização posterior, dentro do prazo prescricional, de PER ou DCOMP para a restituição ou compensação do saldo remanescente do crédito." Intimada do acórdão, de forma tempestiva aparte interessada apresentou o recurso de fls. 236 e seguintes, alegando, em síntese: Que no anocalendário de 20001 apurou saldo negativo na DIPJ e veio a realizar diversas compensações tendo a primeira declaração de compensação sido apresentada em 13/05/2005, portanto, antes de esgotado o período quinquenal da prescrição; Sustenta a recorrente que o entendimento da Receita Federal de que o crédito indicado nas DCOMPs apresentadas a partir de 13/05/20052 já estava atingido pela prescrição não levou em conta que estes mesmos créditos já haviam sido declarados em compensações anteriores. Desta forma, não se tratam de créditos declarados após o transcurso do prazo prescricional. Assim, diz a recorrente, há que se reconhecer o seu direito de realizar as compensações levadas a termo sobre os citados créditos, tendo em vista que a totalidade do valor de seu crédito compensável fora declarado em 13.05.2005, sendo as demais DCOMPs sempre vinculadas a esta declaração inicial que se deu antes do suposto prazo prescricional. Sustenta, ainda, em seu favor, o entendimento consubstanciado na ementa dos Embargos de Divergência nº 644.736, em que o STJ consolidou a tese dos 5 + 5. É o relatório. 1 O anocaclendário do saldo negativo é 1999 e o exercício 2000. 2 Esta alegação consta do terceiro parágrafo da fl. 239 (recurso). Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela parte encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim, conheçoo e passo a examinar a questão a partir da constituição do saldo negativo do direito ao crédito por parte do contribuinte, destacando, de início, que não se pode confundir "declaração do crédito" por meio de DCOMP, como apontado pela recorrente, com a constituição do crédito em favor do sujeito passivo. O crédito, indicado para fins de compensação, precisa estar devidamente constituído e isto ocorre em momento anterior, por meio de incidência de regra jurídica própria, que analisarei em momento seguinte. Outra questão a ser esclarecida é que não se trata de saldo negativo do ano calendário de 2000. O saldo negativo em questão é referente ao anocalendário de 1999, exercício de 2000. Em relação ao citado crédito, referente ao anocalendário de 1999, a primeira compensação apresentada foi em 19/10/2004 e foram homologadas todas as compensações subsequentes apresentadas até 15/12/2004. Após esta data, provavelmente impulsionada pela tese dos 5 + 5, até então consagrada pela jurisprudência do STJ, a partir de 15/05/2009 a recorrente veio apresentar novos pedidos de compensação em face ao crédito antes referido, alegando que o primeiro pedido apresentado em 19/10/2004 suspendera o prazo prescricional. Fixado os fatos, passo à análise da natureza jurídica, o momento da constituição do saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas e a questão relacionada à prescrição. I Da Natureza jurídica, o momento da constituição do saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas e a questão relacionada à prescrição Nos termos da Súmula 436 do STJ e do Resp 962.279/RS, submetido ao rito do artigo 543C, do CPC, “a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Neste cenário, no momento da entrega da DCTF, à semelhança do que ocorre com o lançamento de ofício, temse uma norma individual e concreta constituindo o crédito tributário. Todavia, além da regramatriz de incidência tributária, da qual resulta o débito tributário, há a regramatriz de direito ao crédito. Da primeira surge a obrigação do particular em face da Administração e da segunda advém a obrigação da Administração frente ao particular. É da segunda que nasce a constituição do crédito em favor do contribuinte3. 3 A questão da existência da regramatriz de incidência tributária, da qual decorre o débito do particular frente à Administração e a regramatriz de direito ao crédito tributário, da qual decorre a obrigação da Administro frente ao particular, foi apontada pelo Ministro Fux quando do julgamento dos Resp 773.675 e 1.065.234/RS. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 14 6 Assim, em se tratando de IRPJ, o saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas, decorrente de retenção de imposto de renda na fonte e ou recolhimento de estimativas, resulta constituído no momento em que o contribuinte, mediante procedimento adequado4, (i) informa as receitas e os rendimentos sujeitos à tributação; (ii) apura o montante dos tributos devidos e (iii) dele subtrai o que foi pago de forma antecipada, declarando tal procedimento à Administração. Neste momento temse a constituição do saldo negativo em favor do contribuinte, com prazo de cinco anos para ser utilizado em processo de compensação ou pedido de restituição. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, com a redação atribuída pela Lei nº 11.941, de 2009. "Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em auto de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributos ou penalidades (...). § 4º. O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada a infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Partindo do entendimento de o direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, tem razão o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes à constituição, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo e informadas em DIPJ. Passados 5 (cinco) anos, e diante do que dispõe o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009, não há como alterar o valor do saldo negativo. Em outras palavras, o sujeito passivo pode entregar DCTF reconhecendo imposto a pagar, situação em que resta constituído o débito tributário em favor do Fisco, como pode realizar procedimento, previsto em lei, apontando crédito em seu favor. Neste sentido, conforme reiteradamente destacado pelo Conselheiro Carlos Pelá, temse que a relação entre Contribuinte e Fisco é de crédito e débito, que ora pode ser a favor de um e ora a favor de outro. Nesta mesma linha encontramse ensinamentos em artigos de doutrina de Jefferson Medina nas Revistas Dialética de Direito Tributário de nºs 225 e 226, editadas, respectivamente, nos meses de junho e julho de 20145. O fato dos referidos julgamentos versarem sobre ICMS em nada altera os pressupostos e a natureza jurídica do direito ao crédito. A propósito, do REsp 77.675, (DJ de 2.4.2007, p. 239), colho a seguinte passagem: "(...) O direito de crédito do contribuinte não decorre da regramatriz de incidência tributária do ICMS, mas da eficácia legal da norma constitucional que prevê o próprio direito ao abatimento (regramatriz de direito ao crédito) (...) porquanto a compensação se dá entre operações de débito (obrigação tributária) e crédito (direito ao crédito)." 4 A expressão "procedimento adequado" deve ser entendida como situação onde inexistam omissões a serem tributadas. 5 Jefferson Marcos Biagini Medina Natureza Jurídica do Crédito e Débito no ICMS e suas Implicações no Ordenamento Jurídico. In. Revista Dialética de Direito Tributário, 225, p. 113124. Junho 2014. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 15 7 Ademais, por oportuno, registrase que a partir da premissa de que o pedido de restituição ou de compensação pressupõe a existência de crédito líquido e certo, temse que tal crédito deve estar constituído quando do pedido de restituição ou compensação. Nesta linha, tenho por equivocada a jurisprudência e as posições doutrinárias que entendem que o prazo do artigo 168 do CTN tem natureza decadencial e não prescricional. Da obrigação tributária até o advento da constituição do crédito o prazo é de decadência. Da constituição ou do pagamento indevido do crédito, até sua exigência, o prazo é de prescrição. Fixados tais pressupostos, cabe analisar a situação concreta em que o sujeito passivo constituiu o crédito em seu favor e, dentro do prazo prescricional, requereu a compensação de parte deste crédito. Há que se fazer distinção entre pedido de restituição e pedido de compensação. No pedido de restituição, formulado dentro do prazo, em que o contribuinte pede que a Fazenda lhe restitua a integralidade de seu crédito, enquanto tal crédito não lhe for restituído, por inteiro, não há o que se falar em prescrição, pois o direito já foi exercido e a mora é da Administração. Por outro lado, uma requerida a restituição, nada obsta que o contribuinte, enquanto não lhe for restituído o valor solicitado, aproveite tal crédito para, com base nele, ao longo do tempo, ainda que isto se estenda por mais de 5 anos, apresente pedidos de compensação. Assim poderá proceder até a efetiva extinção do crédito ou restituição pela Administração. No entanto, nos casos em que não existe pedido de restituição e sim pedido de compensação envolvendo parte do crédito, em relação ao saldo não há interrupção de prescrição. Assim o é porque o direito exercido de forma parcial não se constitui em causa de interrupção da prescrição em relação à parcela do crédito não contemplada no pedido compensação. No mais, registrase que a prescrição tem como fundamento os seguintes elementos: 1º existência de uma ação ou requerimento exercitável pelo titular de um direito. 2º inércia do titular da ação ou requerimento, caracterizado pelo seu não exercício durante um determinado lapso de tempo estabelecido em lei 3º ausência de ato ou fato que possua um efeito impeditivo, suspensivo ou interruptivo desse prazo prescricional. Do exposto, sem razão os argumentos da recorrente de que o pedido de compensação inicialmente formulado se constitui em causa de interrupção da prescrição em Jefferson Marcos Biagini Medina Inconstitucional ide do Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz. Efeitos Jurídicos para os Signatários e Consumidor Final não Contribuintes do ICMS. In . In. Revista Dialética de Direito Tributário, 226, p. 91105, julho 2014. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 16 8 relação ao valor integral do crédito tributário. O direito exercido de forma parcial não se constitui em causa de interrupção da prescrição em relação à parcela do crédito em relação a qual não pedido de restituição ou compensação dentro do prazo de cinco anos. Tal critério aplicase tanto em favor do Fisco quanto do Contribuinte. Da alegação da tese dos 5 + 5 Quanto à alegação da tese que resultou conhecida como sendo dos 5 + 5, isto é, que uma vez apurado o saldo negativo ou realizado pagamento indevido a Administração tem 5 (cinco) anos para homologar e o contribuinte mais 5 (cinco) para pedir a restituição, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, com Repercussão Geral, em 04/08/2011, cuja ementa segue transcrita, resultou assentado que tal tese não se aplica aos pedidos de compensação realizados a partir de 09/06/2005, quando entraram em vigor as disposições da Lei Complementar nº LC 118/05. “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis , conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.950151/200861 Acórdão n.º 1402001.790 S1C4T2 Fl. 17 9 tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art . 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. ISSO POSTO, e tendo por norte a distinção entre os efeitos decorrentes do pedido de restituição integral do crédito e os efeitos decorrentes de pedidos de compensação de parte do saldo negativo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 280DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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