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Numero do processo: 10240.721364/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.445
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COFINS. MULTA Recorrente DUPORTO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ALIMENTOS E PRODUTOS DIVERSOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 13 64 /2 01 1- 19 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos no ano de 2009, no valor total de R$ 904.124,89, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de autos de infração (fls. 02/22) lavrados pela DRF/Porto Velho/RO, em que foram lançados créditos de PIS/Pasep e Cofins nos valores respectivos de R$ 161.284,09 e R$ 742.840,80 (incluídos nesse montante os juros de mora e a multa proporcional aplicada). 2. Segundo a fiscalização (Relatório de fls. 494/509) os lançamentos decorreram da utilização indevida de créditos das contribuições em operações de revenda de mercadorias adquiridas através da Área de Livre Comércio de Guajará Mirim (ALCGM) sem incidência das contribuições (redução para zero – Lei nº 10.996, de 2004). 3. Ciente em 15.12.2011 (fls. 12 e 21), a interessada apresentou tempestivamente, em 13.01.2012, impugnação (fls. 512/528), na qual alega: a) “As mercadorias compradas e regularmente lançadas nos livros próprios são para comercialização e não para consumo ou industrialização como quer fazer crer os auditores envolvidos, portanto não são atingidas pela vigência do artigo 2o da Lei 10.996/2004”; b) “as notas fiscais as quais foram utilizadas os créditos (cópias de alguns exemplares em anexo) não estão indicando o valor do abatimento das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS, cuja exigência era da Portaria da SUFRAMA 162/2005, o que levou a crer que os fornecedores da defendente não se beneficiaram do que vige o caput do artigo 2o da Lei 10.996/2004 já citado anteriormente, ou seja, da alíquota zero das contribuições” ; Fl. 903DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10240.721364/201119 Acórdão n.º 3202001.445 S3C2T2 Fl. 903 3 c) “Portanto, não há nenhum óbice legal da impugnante utilizar os créditos oriundos de tais compras para comercialização, pois, se houve ilegalidade, foi praticada unicamente pelos fornecedores por terem utilizado benefício sem cumprir as exigências legais.” ; d) “Não bastasse, como já dito, as compras realizadas para a filial de GuajaráMirim/RO tratamse de compras para comercialização e não para consumo ou industrialização na qual a lei veda a utilização do crédito” ; e) Requer a aplicação do art. 106 do CTN em função da inclusão posterior dos §§ 4º e 5º no art. 2º da Lei nº 10.996, de 2004, para, segundo entende, correção da interpretação do artigo; f) Entende haver sido viciado o procedimento da fiscalização, por ferir o princípio constitucional da legalidade e o da eficiência, “uma vez que foi feito em desacordo com as práticas contábeis geralmente aceitas, bem como com desprezo a realidade dos fatos”. Explica: “De forma presumida, sem ao menos manusearem fisicamente as notas fiscais que originaram os créditos, os auditores acusaram a defendente de ter utilizado crédito de forma ilegal e indevida, aplicando o auto de infração para cobrar esses créditos com aplicação de multa de 75% e mais juros e atualização monetária.” ; g) Entende caracterizar confisco a multa proporcional aplicada; h) Requer a realização de diligência para apurar se as empresas fornecedoras beneficiaramse da redução das contribuições e se o benefício seria legal por não terem as mesmas cumprido o determinado na Portaria Suframa; i) Ao final, requer: “a) a realização de diligências diretamente nos fornecedores da defendente em busca da verdade real trazendo aos autos as respostas dos quesitos apresentados; b) seja decretado nulo o auto de infração por vício insanável por ferir o princípio constitucional da legalidade e da eficiência; c) seja declarado IMPROCEDENTE o Auto de Infração haja vista a inexistência de ilegalidade na utilização dos créditos originados das compras de mercadorias para comercialização no mercado interno; d) caso seja mantido o auto de infração, seja aplicado o teor do artigo 106 do CTN para extinguir a multa aplicada, ou se assim não for o entendimento de Vossa Senhoria, seja reduzida a multa de 75% (setenta e cinco por cento) para 20% (vinte por cento); e) a suspensão dos débitos nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional; Fl. 904DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 f) que todas as notificações, citações e intimações sejam realizadas no endereço da empresa Matriz, situada na avenida Amazonas, 3578, bairro Agenor de Carvalho, Porto Velho RO.” A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 0126.127, de 17/4/2013 (fls. 863 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE A instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 875/889, por meio do qual, depois de relatar os fatos, repisa os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10240.721364/201119 Acórdão n.º 3202001.445 S3C2T2 Fl. 904 5 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento do PIS e da Cofins, apurados na sistemática não cumulativa, em face da utilização indevida de créditos com origem em aquisições de mercadorias, sem a incidência das contribuições, por pessoa jurídica localizada na Área de Livre Comércio de GuajaráMirim (ALCGM). Sustenta a fiscalização que, no ano de 2009, de acordo com a Lei n.º 10.996, de 2004, com as alterações promovidas pela Lei n.º 11.945, de 2009, estavam reduzidas a zero as alíquotas de PIS/Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ALCGM quando realizadas por empresas situadas fora desta área. Acresce que o § 1º do art. 2º da Lei n.º 10.996, de 2004, define mercadorias para consumo que sendo aquelas que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as utilizem diretamente ou as comercializem por atacado ou varejo. Vejamos: Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o As disposições deste artigo aplicamse às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994, por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). § 4o Não se aplica o disposto neste artigo às vendas de mercadorias que tenham como destinatárias pessoas jurídicas atacadistas e varejistas, sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecidas nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o caput deste artigo, deverá constar a expressão “Venda de mercadoria efetuada com alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”, com a especificação do dispositivo legal Fl. 906DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 correspondente. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifamos). De fato, a aquisição de mercadorias não sujeitas às contribuições para o PIS e à Cofins não dá, como regra, o direito a créditos dessas contribuições. É o que preconizam o § 2º do art. 3º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, cuja redação é idêntica e cuja aplicação foi expressamente prevista no § 2º do art. 2º da Lei n.º 10.996, de 2004: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Em sua defesa, a Recorrente alega que as mercadorias adquiridas destinaramse à comercialização na ALCGM, não ao consumo. Ora, como visto, o § 1º do art. 2º da Lei n.º 10.996, de 2004, incluiu, no conceito de consumo, a comercialização, ao menos para os efeitos da redução a zero das alíquotas do PIS/Cofins de que trata esse diploma legal, de modo que, considerado ao menos esse dado, a autuação é irrepreensível. No que concerne ao argumento de que não fora indicado nas notas fiscais de aquisição a redução a zero das alíquotas das contribuições para o PIS/Cofins, isso em nada altera o regime jurídicotributário aplicável ao caso, tampouco estabelece uma presunção de que a operações foram tributadas, em ordem a permitir o direito ao aproveitamento de créditos. A Recorrente reclama, e sem razão, a aplicação do disposto no art. 106 do CTN, em face da posterior inclusão, pela Lei n.º 12.350, de 2010, dos §§ 4º e 5º no art. 2º da Lei nº 10.996, de 2004, pois, no seu entender, tratase uma mera correção na interpretação do dispositivo. Ocorre que, como já destacado na decisão recorrida, o que houve foi uma alteração de fundo da legislação, não a edição de uma lei de caráter interpretativo, porquanto passouse a prever, em parágrafos apartados, que às vendas de mercadorias destinadas a pessoas jurídicas atacadistas e varejistas, sujeitas ao regime não cumulativo, não mais se aplicaria a redução à alíquota zero. Portanto, não há, nem explícita nem implicitamente, a natureza interpretativa que a Recorrente quer emprestar à Lei n.º 12.350, de 2010. Tampouco falhas há no lançamento que permitem acoimálo de ilegal, como quer crer a Recorrente, ao afirmar ter sido “feito em desacordo com as práticas contábeis geralmente aceitas, bem como com desprezo a realidade dos fatos”. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10240.721364/201119 Acórdão n.º 3202001.445 S3C2T2 Fl. 905 7 Não houve presunção, mas a demonstração cabal, com apoio em dispositivos legais que fundamentaram a conclusão, que os créditos que a Recorrente reclama não encontravam amparo na legislação à época dos fatos vigente. A questão que envolve o caráter confiscatório da multa não pode ser apreciada por este Colegiado Administrativo, visto que, nos termos da Súmula CARF nº 2, este não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A realização de diligência é de ser indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, já que absolutamente desnecessária. Por fim, ressaltese que as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito do contribuinte, em conformidade com o disposto no art. 23, II, do mesmo Decreto n.º 70.235, de 1972. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 908DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10768.720140/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação.
IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA DOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE IR-FONTE.
A legislação tributária autoriza que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual deduzam do imposto de renda devido os valores de IR-Fonte incidentes sobre receitas integrantes da base de cálculo, desde que tais valores estejam devidamente comprovados. Serão glosadas as deduções de IR-Fonte que não constarem das DIRFs entregues pelas fontes pagadoras ou que não puderem ser confirmadas por meio de comprovantes de retenção apresentados pela interessada.
IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA DOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS PAGAS.
A legislação tributária autoriza que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual deduzam do imposto de renda devido as estimativas mensais, desde que efetivamente pagas. Serão glosadas as estimativas objeto de compensações não homologadas pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 1301-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA DOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE IRFONTE. A legislação tributária autoriza que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual deduzam do imposto de renda devido os valores de IRFonte incidentes sobre receitas integrantes da base de cálculo, desde que tais valores estejam devidamente comprovados. Serão glosadas as deduções de IRFonte que não constarem das DIRFs entregues pelas fontes pagadoras ou que não puderem ser confirmadas por meio de comprovantes de retenção apresentados pela interessada. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA DOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS PAGAS. A legislação tributária autoriza que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual deduzam do imposto de renda devido as estimativas mensais, desde que efetivamente pagas. Serão glosadas as estimativas objeto de compensações não homologadas pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 40 /2 00 7- 64 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.720140/200764 Acórdão n.º 1301001.684 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Em 22/11/2004, a Interessada apresentou ao Fisco o PER/DCOMP de n° 27280.86054.221104.1.3.043684 (fls. 08/12), posteriormente retificado pelo PER/DCOMP de n° 22979.84856.280105.1.7.041243 (fls. 03/07), objetivando liquidar os débitos de ESTIMATIVA de IRPJ e de CSLL do mês de OUTUBRO/2004, mediante aproveitamento de um suposto crédito junto à Fazenda, no valor de R$ 1.081.006,26, decorrente do PAGAMENTO A MAIOR do AJUSTE de IRPJ relativo ao ANOCALENDÁRIO 2003. Submetido o feito à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ, a decisão proferida pelo titular daquela unidade foi no sentido de não homologar as compensações efetuadas pelo contribuinte conforme Despacho Decisório, fl. 149. A DRJ/RIO DE JANEIRO manteve a decisão a quo (Acórdão 1235.077, de 06/01/2011), nos termos assim fundamentado: Da glosa do IRFonte relativo ao Banco de Crédito Nacional S.A. Com relação a este primeiro item, a glosa me parece correta. A DIRF apresentada pelo Banco de Crédito Nacional S.A. não aponta a Interessada como beneficiária de qualquer rendimento no anocalendário 2003 (cfr. pesquisas, fls. 372/373). A Interessada protestou, é bem verdade, pelo direito de apresentar a posteriori o comprovante de retenção. Ocorre que, passados mais de onze meses da protocolização de sua peça de defesa, a impugnante não logrou trazer a referida prova aos autos. Quanto à alegada negativa de acesso às informações contidas no relatório "DIRF/Resumo de Beneficiário", devo dizer, primeiramente, que não há nenhuma prova de que a Interessada tenha formalizado qualquer pedido para obtenção do referido relatório. De mais a mais, para contraditar eficientemente a glosa que lhe foi imposta, bastaria à impugnante ter acesso à pesquisa de fl. 42, referente à DIRF entregue pelo Banco de Crédito Nacional S.A. O direito de vista de tal documento, até onde se saiba, nunca lhe foi negado. Por conta de tais razões, mantenho a glosa do IRFonte relativo ao Banco de Crédito Nacional S.A., no valor deR$ 17.130,52. Da glosa dos valores de IRFonte relativos a órgãos públicos Com relação a este item, a Interessada reconhece o equívoco cometido e solicita a expedição de Darf para pagamento dos débitos indevidamente compensados. Da glosa das estimativas dos meses de abril, maio e junho de 2003 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 No que diz respeito a este terceiro e último item, a Interessada questiona a glosa fiscal, argumentando que as compensações das estimativas referentes aos meses de abril, maio e junho de 2003 ainda estão sendo discutidas no âmbito dos processos administrativos de n° 13710.001053/200334 e de n° 10768.012826/00 40. Alega que, enquanto não houver uma decisão administrativa final, irrecorrível, a respeito das aludidas compensações, os débitos correspondentes deverão ser considerados extintos, em razão do disposto no art. 74, § 2o , da Lei n° 9.430/1996, e do art. 156, inciso II, do CTN. A não homologação das compensações envolvendo as estimativas dos meses de abril, maio e junho de 2003 está sendo, realmente, objeto de questionamento, por parte da Interessada, não havendo, até onde se sabe, nenhuma decisão definitiva a respeito da referida controvérsia. Senão vejamos: • No que diz respeito, especificamente, à estimativa do mês de abril de 2003, a matéria está sendo examinada nos autos do processo administrativo n° 13710.001053/200334. As pesquisas efetuadas junto aos sistemas de controle da Receita Federal dão conta de que a Interessada recorreu da decisão que deixou de homologar a compensação da referida estimativa, mas seu apelo foi julgado improcedente na primeira instância administrativa — cfr. Acórdão DRJ/RJ1 n° 12 33.135, de 09/09/2010 (cópia às fls. 391/405); • No que diz respeito às estimativas dos meses de maio e junho de 2003, a discussão que se travou no âmbito do processo n° 10768.012826/0040 já foi encerrada na esfera administrativa, tendo sido confirmada a decisão que deixou de homologar as compensações — cfr. Despacho Decisório DERAT/RJ n° 170/2005 (cópia às fls. 247/248); Acórdão DRJ/RJOII n° 11.202, de 06/01/2006 (cópia às fls. 279/305); Acórdão n° 20402.300, de 28/03/2007 (cópia às fls. 306/322); e Acórdão n° 340200.187, de 09/07/2007 (cópia às fls. 326/327). Sabese, por outro lado, que a Interessada ajuizou, em 04/10/2007, a Ação Ordinária de n° 2007.51.01.0252993, distribuída à 28a Vara Federal de Execução Fiscal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, postulando a anulação da decisão administrativa (cfr. petição inicial, cópia às fls. 328/359). Consulta ao site da Justiça Federal na Internet indica que a referida Ação Ordinária encontrase aguardando sentença de primeiro grau (cfr. pesquisas, fls. 418/431). Entendase, porém: — o fato de existirem recursos pendentes de julgamento não significa dizer que os débitos permanecerão extintos, até que haja uma decisão final a respeito da validade do ato de não homologação. Tal raciocínio resulta de uma interpretação equivocada do dispositivo legal que diz: — "A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação" (art. 74, § 2o , da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002). Ao contrário do que sustenta a impugnante, o efeito extintivo da declaração de compensação cessa, de imediato, com a ciência do ato da não homologação. O eventual recurso administrativo interposto contra o referido ato não opera, nem prorroga a extinção do débito, apenas suspende sua exigibilidade (art. 74, §§ 9 o a 11, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003). Pois bem. Levando em conta que, até o presente momento, não se tem notícia de qualquer decisão, administrativa ou judicial, que haja reformado ou anulado os despachos decisórios que deixaram de homologar as compensações referentes às estimativas de abril, maio e junho de 2003; e considerando, ainda, que a legislação tributária só autoriza ao contribuinte deduzir do imposto de renda devido as estimativas mensais efetivamente pagas (art. 2o, § 4o , inciso IV, da Lei n° 9.430, de Fl. 545DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.720140/200764 Acórdão n.º 1301001.684 S1C3T1 Fl. 13 5 27/12/1996), sou de entendimento que a glosa referente ao item aqui examinado, no valor de R$ 19.329.720,27, também deve ser mantida. Das conclusões Em face de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de: a) NÃO RECONHECER nenhum direito creditório em favor da Interessada, decorrente do alegado PAGAMENTO A MAIOR do AJUSTE de IRPJ relativo ao ANOCALENDÁRIO 2003; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas no PER/DCOMP de n° 22979.84856.280105.1.7.041243. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 GLOSA NÃO IMPUGNADA. COBRANÇA DA PARCELA NÃO LITIGIOSA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A glosa não impugnada reputase definitiva na esfera administrativa, sujeitando o contribuinte ao recolhimento imediato da parcela não litigiosa do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA DOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE IRFONTE. A legislação tributária autoriza que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual deduzam do imposto de renda devido os valores de IRFonte incidentes sobre receitas integrantes da base de cálculo, desde que tais valores estejam devidamente comprovados. Serão glosadas as deduções de IRFonte que não constarem das DIRFs entregues pelas fontes pagadoras ou que não puderem ser confirmadas por meio de comprovantes de retenção apresentados pela interessada. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA DOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS PAGAS. A legislação tributária autoriza que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual deduzam do imposto de renda devido as estimativas mensais, desde que efetivamente pagas. Serão glosadas as estimativas objeto de compensações não homologadas pela Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise do relatório que o presente processo administrativo tem como objeto a compensação do crédito de pagamento a maior (DARF no valor de R$ 4.744.901,97, pago em 31/03/2004), apurado no ajuste de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, ano calendário de 2003, com débitos de IRPJ e CSLL, conforme consta da Declaração de Compensação – DCOMP retificadora n° 22979.84856.280105.1.7.041243. Na peça recursal, em síntese, alega a recorrente: DA DECADÊNCIA “tendo em vista o prazo decadencial qüinqüenal previsto no art. 150, § 4o, do CTN, concernente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e da CSLL, verificase que os períodos de apuração objeto do crédito aproveitado pela Recorrente foram fulminados pelo instituto da decadência. Notese que o período de apuração mais recente do crédito utilizado pela Recorrente referese ao anocalendário de 2003, pelo que o respectivo fato gerador se considera ocorrido em 31/12/2003, razão pela qual a decadência se aperfeiçoou em 31/12/2008. Tendose que a Recorrente somente foi intimada acerca do Despacho Decisório não homologatório do presente processo administrativo em 18/12/2009, verificase que esta se deu depois de expirado o prazo decadencial, restando, portanto, nula. Ora, ainda que a Administração Tributária tenha o dever de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela Recorrente em sua Declaração de Compensação, o Fisco não dispõe de prazo ilimitado para retroceder no tempo e revisar a apuração do crédito pleiteado pelo contribuinte. Ao contrário, o procedimento de revisão da apuração feita pelo contribuinte somente poderá ser feito dentro do prazo de 5 (cinco) anos de que dispõe a autoridade administrativa para efetuar a constituição do crédito tributário, contados a partir do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN. (...) Assim, após o decurso do prazo decadencial, o Fisco não poderá mais recalcular as bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas pelo contribuinte, ainda que no âmbito de eventual processo de compensação, pois a homologação (expressa ou tácita) confere definitividade à apuração feita pelo contribuinte. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre a matéria que defende. DA RETENÇÃO PELO BCN E DE SUA EFETIVA COMPROVAÇÃO Como já adiantado, a Recorrente, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, protestou pela juntada posterior de provas, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto 70.235/72. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.720140/200764 Acórdão n.º 1301001.684 S1C3T1 Fl. 14 7 Isso porque o comprovante da retenção de IR realizada pelo BCN, informada no item 6 da ficha 53 da DIPJ 2004, somente lhe seria disponibilizado alguns dias após a apresentação da aludida Manifestação de Inconformidade. Por esta razão, em 08/02/2010, a Recorrente protocolou petição na qual requereu a juntada do já aludido comprovante de retenção de IRFonte realizada pelo BCN, conforme comprovado pelo documento acostado ao presente recurso (doc. 2). Desta forma, a glosa do IRFonte não pode ser mantida, eis que comprovada, de forma cristalina, a retenção realizada pelo BCN. DAS PARCELAS DE IRPJESTIMATIVA COMPENSADAS E DA IMPOSSIBILIDADE DE SE GLOSÁLAS O último argumento trazido no Acórdão recorrido para negar o direito creditório da Recorrente é que o IRPJestimativa de abril/03 a junho/03 quitados em pedidos de compensação não homologados devem ser glosados, a despeito da pendência de discussões administrativas e judiciais acerca dos créditos compensados naqueles feitos. Ora, tal raciocínio encontrase em desacordo com o entendimento da própria RFB, com a legislação específica sobre a matéria, com a legislação tributária de um modo geral e com a mais abalizada doutrina e jurisprudência pátrias, além de afrontar a lógica tributária e desrespeitar os princípios inerentes à tributação e à atuação da Administração Pública, conforme restará esclarecido. A Receita Federal do Brasil, ao desconsiderar as compensações de IRPJ estimativa e a relevar a inexistência de decisões definitivas acerca de suas pertinências, termina por imputar à Recorrente débitos que sequer podem ser considerados como efetivamente devidos. Nesse passo, cumpre à Recorrente desconstituir pontual e didaticamente o equivocado raciocínio fiscal quanto à eficácia dos despachos não homologatórios exarados naqueles dois processos, de modo a demonstrar que os IRPJestimativa neles quitados se encontram efetivamente extintos, até as decisões finais administrativas e judiciais irrecorríveis acerca de seu objeto, de modo que não há que se imputálos à Recorrente no cálculo do IRPJajuste devido no exercício 2004. Isto porque, caso as decisões finais daqueles feitos entendam pelo não reconhecimento do crédito naquelas compensações, os débitos de IRPJestimativa em aberto serão considerados como débitos autônomos, independentes e desvinculados do IRPJajuste e plenamente exigíveis, ao passo que foram confessados pela Recorrente em DCOMP, como corrobora o art. 74, §6°, da Lei n° 9.430/96. Assim, após a decisão administrativa definitiva e desfavorável acerca do procedimento compensatório, os débitos serão inseridos em cobrança pela RFB, macularão a Certidão de Regularidade Fiscal da Recorrente, serão inscritos em Dívida Ativa da União Federal DAU pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN e posteriormente cobrados pelo trâmite judicial previsto na Lei n° 6.830/80. Conclusão outra não se pode extrair da análise minuciosa da legislação inerente à matéria. Prescreve o § 1° do art. 5o do DecretoLei n° 2.124/1984 que os créditos tributários declarados em obrigações acessórias dos contribuintes se Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 afiguram como confissões de dívida capazes de ensejar sua imediata cobrança, a despeito da existência de lançamento de ofício. [...] Resta evidente, portanto, o equívoco cometido no despacho decisório ao desconsiderar as parcelas de IRPJ estimativa compensadas pela Recorrente em outros feitos, haja vista que a RFB poderá cobrálas regular e individualizadamente na hipótese de definitivamente não homologadas. O presente feito não é a via própria para se realizar a exigência de tais débitos, que ainda sequer se sabe se são definitivamente devidos. [...] E o que é pior, o entendimento do despacho decisório vergastado enseja inclusive a impossibilidade de a Recorrente reaver os recolhimentos indevidos objeto deste feito. Por certo, as seguintes situações ocorrerão num futuro próximo: (i) a decisão administrativa e/ou judicial reconhecerá o direito do crédito à Recorrente para que seja homologadas as compensações de IRPJestimativa objeto dos processos administrativos n°s 13710.001053/200334 e 10768.012826/0040, e (ii) a decisão administrativa e/ou judicial não reconhecerá o direito do crédito à Recorrente e não homologará as compensações objeto deste feito, ao argumento de que os IRPJestimativa não foram extintos, como pretende o despacho decisório. DA COMPENSAÇÃO REALIZADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 13710.001053/200334 ESTIMATIVA DO MÊS DE ABRIL DE 2003 As glosas realizadas pelo Acórdão recorrido quanto aos débitos de IRPJ estimativa extintos pela compensação se mostram ilegais e infundadas, pois é imprescindível se aguardar o término da revisão administrativa das decisões não homologatória prolatada naquele feito para que se possa considerálos como efetivamente devidos. Conforme se infere do art. 156, inciso II, do CTN, e do § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, considerase extinto o débito objeto de compensação pelo contribuinte, até ulterior decisão administrativa acerca de sua homologação. (...) E essa condição resolutória, por óbvio e na linha do que dispõe o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/969, é a homologação tácita da compensação ou, no que importa à presente, decisão formal da Administração Pública acerca de seu mérito. Ocorre que, diferentemente do que entende o despacho decisório impugnado, os despachos decisórios não são decisões formais administrativas definitivas, haja vista que passíveis de controle e revisão pela própria Administração Pública, conforme determinam os §§ 9o. a 11° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. § 9° É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o., apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10 Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o. e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.720140/200764 Acórdão n.º 1301001.684 S1C3T1 Fl. 15 9 no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Em conclusão, os débitos de IRPJestimativa compensados pela Recorrente e pendentes de decisão final administrativa não podem ser glosados para fins de determinação do IRPJajuste, tampouco para desconsideração do crédito compensado na DCOMP originária deste feito. Ainda que assim não seja, na hipótese de ser prolatada decisão administrativa definitiva e desfavorável à Recorrente naqueles feitos, para fins do caso presente aqueles débitos de IRPJestimativa devem ser deduzidos na apuração do IRPJ ajuste da Recorrente e cobrados individualizadamente, tudo na linha da legislação aplicável e das decisões da própria RFB, conforme exposto anteriormente. DA COMPENSAÇÃO REALIZADA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 10768.012826/0040 ESTIMATIVA DOS MESES DE MAIO E JUNHO DE 2003 Assim, o crédito compensado no processo administrativo n° 10768.012826/0040 ainda está pendente de decisão judicial, repisese, com carta de fiança já aceita como garantia da Execução Fiscal pela própria PGFN. Destarte, podem ocorrer as seguintes situações porvir: (i) a judicial reconhecerá o direito do crédito à Recorrente para que sejam homologadas as compensações de IRPJestimativa objeto do processo administrativo n° 10768.012826/0040, ou (ii) a decisão judicial não reconhecerá o direito do crédito à Recorrente, razão pela qual a Fazenda Nacional promoverá a execução da fiança bancária a fim de quitar os débitos compensados. Vejase, que, em qualquer das hipóteses levantadas; seja pela compensação dos créditos tributários; seja pela execução da carta de fiança, as estimativas dos meses de maio de junho de 2003 serão devidamente quitadas. Ora, uma vez quitadas as estimativas mensais, a Recorrente possui pleno direito de deduzilas em seu Imposto de Renda IR, pelo que o faz efetivamente jus ao crédito apurado em decorrência do pagamento a maior de Ajuste de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica do anocalendário de 2003, que, conforme informado no próprio Acórdão recorrido, assim como na linha 19 da Ficha 12A da DIPJ da Recorrente, originouse do DARF no valor de R$ 4.744.901,97, recolhido em 31/03/2004.” Pois bem. Passemos a análise. Quanto a decadência a qual não foi perquerida na impugnação, portanto, não apreciada pela decisão de primeira instância, por se tratar de matéria de ordem pública merece apreciação. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, em 18/12/2009 (ciência do Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Despacho Decisório, caso dos autos) o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no ano calendário de 2003, ou seja, constituir exigências tributária, nos exatos termos do 150, § 4o. do CTN, conforme alegação da recorrente. Por outro lado, não há dúvidas de que na modalidade de lançamento por homologação, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Digo isso, porque o procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito, consoante o disposto no art. 264 do Decreto n° 3.000, de 1999, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n° 486, de 1969, art. 4°). De fato, o interregno para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Nesse contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. E, reforçando o teor do art. 264 do RIR/99, assim dispõe o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” A simples leitura do dispositivo em questão evidencia sua absoluta coerência com os princípios da decadência e da homologação tácita, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado da apuração de crédito tributário no futuro, é passível de revisão até que Fl. 551DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.720140/200764 Acórdão n.º 1301001.684 S1C3T1 Fl. 16 11 encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado conforme o artigo 170 do CTN. Não há como se interpretar a matéria de modo a inviabilizar a fiscalização por parte do Fisco. A jurisprudência também não desborda de tal entendimento. Como exemplo, citase o decidido no recente Acórdão 1402001.590, de 11 de março de 2014, do i. relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Enfim, no caso, não se trata de procedimento fiscal que tenha modificado a base de cálculo do IRPJ para exigir tributo não declarado. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL que norteou a análise da Delegacia de origem é exatamente a constante da DIPJ, ou seja, declarada pelo próprio Contribuinte. Não houve nenhuma das atividades inerentes ao ato de lançamento, no que diz respeito à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, como pressuposto para o lançamento tributário de que trata o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Desse modo, tornase insubsistente qualquer alegação da Recorrente que conduza à existência de lançamento tributário e decadência do direito ao Fisco para verificar a procedência do crédito pleiteado. Portanto, não havendo crédito constituído por procedimento fiscal na modalidade de lançamento tributário sujeito ao prazo decadencial nos moldes do artigo do artigo 150 do CTN, não há que se falar em homologação tácita como restrição ao direito creditório pleiteado, tampouco a “decadência” cogitada pela Reclamante. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Pelo que rejeito a preliminar de decadência. Com relação ao segundo ponto atacado pelo recurso voluntário (DA RETENÇÃO PELO BCN E DE SUA EFETIVA COMPROVAÇÃO), de fato, encontrase nos autos cópia de documento com protocolo em 08/02/2010, referente retenção na fonte de imposto de renda pelo Banco de Crédito Nacional só que relativo ao ano calendário de 1999. A glosa mantida pela DRJ diz respeito ao ano calendário de 2003, conforme assentado pela própria recorrente em sua peça de defesa, vejamos: “Isso porque o comprovante da retenção de IR realizada pelo BCN, informada no item 6 da ficha 53 da DIPJ 2004, somente lhe seria disponibilizado alguns dias após a apresentação da aludida Manifestação de Inconformidade.” Por restar incomprovado, mantenho a glosa do IRFonte relativo ao Banco de Crédito Nacional S.A., no valor de R$ 17.130,52. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 DAS PARCELAS DE IRPJESTIMATIVA COMPENSADAS E DA IMPOSSIBILIDADE DE SE GLOSÁLAS Neste item, para o deslinde da questão, convém transcrever o seguinte excerto do voto condutor ora combatido: “No que diz respeito a este terceiro e último item, a Interessada questiona a glosa fiscal, argumentando que as compensações das estimativas referentes aos meses de abril, maio e junho de 2003 ainda estão sendo discutidas no âmbito dos processos administrativos de n° 13710.001053/200334 e de n° 10768.012826/00 40. Alega que, enquanto não houver uma decisão administrativa final, irrecorrível, a respeito das aludidas compensações, os débitos correspondentes deverão ser considerados extintos, em razão do disposto no art. 74, § 2o , da Lei n° 9.430/1996, e do art. 156, inciso II, do CTN.” Aqui não resta dúvida o equívoco da recorrente. Como bem assinalado pela DRJ o fato de existirem recursos pendentes de julgamento não significa dizer que os débitos deverão ser considerados extintos, até que haja uma decisão final a respeito da validade do ato de não homologação. Vejamos as assertivas da decisão recorrida: “Tal raciocínio resulta de uma interpretação equivocada do dispositivo legal que diz: — "A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação" (art. 74, § 2o., da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002). Ao contrário do que sustenta a impugnante, o efeito extintivo da declaração de compensação cessa, de imediato, com a ciência do ato da não homologação. O eventual recurso administrativo interposto contra o referido ato não opera, nem prorroga a extinção do débito, apenas suspende sua exigibilidade (art. 74, §§ 9o. a 11, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29/12/2003). Pois bem. Levando em conta que, até o presente momento, não se tem notícia de qualquer decisão, administrativa ou judicial, que haja reformado ou anulado os despachos decisórios que deixaram de homologar as compensações referentes às estimativas de abril, maio e junho de 2003; e considerando, ainda, que a legislação tributária só autoriza ao contribuinte deduzir do imposto de renda devido as estimativas mensais efetivamente pagas (art. 2o., § 4o. , inciso IV, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996), sou de entendimento que a glosa referente ao item aqui examinado, no valor de R$ 19.329.720,27, também deve ser mantida.” No ato decisório de primeiro grau, restou consignado: “Quanto às estimativas mensais, verificase que o contribuinte declarou em DCTF (fls. 25/36) que quitou as de janeiro a junho total ou parcialmente por compensação, e as demais por pagamento com DARF. Como mencionado anteriormente, todos os DARF foram confirmados no sistema SINAL 07, fls. 37 e 134. Em relação às estimativas compensadas, temse que: a) os débitos de janeiro e fevereiro estão extintos por compensação, conforme extrato do processo administrativo n° 13710.001054/200389, fl. 135; b) o de março também está extinto, conforme extrato do processo administrativo n° 13710.001053/200334, fl. 136; c) já o débito de abril não foi extinto, conforme extrato do processo administrativo n° 13710.001053/200334, fl. 136, o que foi motivo de manifestação Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.720140/200764 Acórdão n.º 1301001.684 S1C3T1 Fl. 17 13 de inconformidade por parte do contribuinte para a DRJ, ainda sem Acórdão proferido; d) tampouco os de maio e junho foram extintos, conforme extrato do processo administrativo nº. 10768.012826/0040, fls.137/138, cuja manifestação de inconformidade contra o Despacho que não homologou as compensações não foi acatada (vide cópia do Acórdão, fls. 139/140), encontrandose atualmente no Conselho de Contribuintes (fl. 141). Entretanto, no caso ora em exame, tais débitos de estimativas não estão pagos de acordo com o disposto nos §§ 2º. e 11 do art. 74 da mesma Lei 9.430/1996: § 2o. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (incluído pela Lei n3 10.637, de 2002) (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de marco de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) , relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei 10.833, de 2003). [...] Portanto, os débitos não se encontram extintos, posto que não foram homologados, nas sim com a exigibilidade suspensa, em face tanto da manifestação de inconformidade contra o despacho proferido no processo 13710.001053/200334, quanto do recurso voluntário impetrado contra o Acórdão da DRJ no processo 10768.012826/0040. Por este motivo, serão glosados os valores de R$ 80.125,39 R$ 1.135.973,85 e R$ 18.113.621,03, referentes às estimativas de abril, maio e junho, respectivamente, no total de R$ 19.329.720,27. Com isso, o valor admitido na linha 17 da ficha 12A a título de estimativas pagas fica alterado de R$ 32.923.617.09 para R$ 13.593.896.82. Em face das alterações acima indicadas, e do valor de R$ 4.744.901,97 recolhido sob o código 2430 (IRPJ declaração de ajuste), fl. 38, concluise que não há qualquer valor a título de pagamento a maior de ajuste anual do anocalendário 2003, motivo pelo qual proponho a não homologação da Dcomp n° 22979.84856.280105.1.7.041243, fls. 03/07.” De se ressaltar que em pesquisa atual o processo 13710.001053/200334 encontrase nesta Corte Administrativa pendente de distribuição e o processo 10768.012826/0040 encontrase findo na esfera administrativa, tendo sido confirmada a decisão que deixou de homologar as compensações (Acórdão n° 20402.300, de 28/03/2007, cópia às fls. 306/322; e Acórdão n° 340200.187, de 09/07/2007 cópia às fls. 326/327), neste caso, há pendência na esfera judicial (Ação Ordinária encontrase aguardando sentença de primeiro grau). Em face de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para acompanhando a decisão de primeira instância: a) NÃO RECONHECER nenhum direito creditório em favor da recorrente, decorrente do alegado PAGAMENTO A MAIOR do AJUSTE de IRPJ relativo ao ANOCALENDÁRIO 2003; b) Fl. 554DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas no PER/DCOMP de n° 22979.84856.280105.1.7.041243. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 555DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10410.720070/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
IRPJ - SALDO NEGATIVO - ESTIMATIVA APURADA - PARCELAMENTO - COMPENSAÇÃO - CABIMENTO.
Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial.
Numero da decisão: 9101-002.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, negado provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado).
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, negado provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2002 IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTO COMPENSAÇÃO CABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, negado provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado). (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 70 /2 00 6- 11 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 9101002.093 CSRFT1 Fl. 3 2 Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório A questão objeto de recurso especial tem relação com PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, com utilização de direito creditório referente a saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002. A DRJ reconhecera parcialmente o direito creditório no montante de R$ 7.995.793,11, porém determinou que fosse efetivada a glosa do valor correspondente a R$ 178.034,40, tendo em vista que este valor, a seu juízo, não poderia compor o saldo negativo por ter sido incluído em parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009. O contribuinte interpôs recurso voluntário, que foi julgado na sessão plenária de 06 de março de 2013, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento que, por unanimidade de votos, deulhe provimento, conforme Acórdão nº 1302 001.047, cuja ementa apresenta o teor a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA APURADA. PARCELAMENTO. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Tendo o recorrente efetuado o parcelamento de débitos decorrentes de estimativa mensal a ser recolhida, cabível a sua compensação com débitos em períodos posteriores. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, visando a revisão do julgado. Assevera a Fazenda Nacional que o acórdão vergastado atribuiu à matéria interpretação divergente da abraçada por outros colegiados, indicando como paradigma o Acórdão 10809.834, proferido em 05/02/2009, ementa a seguir: Acórdão nº 10809.834 LUCRO REAL SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPENSAÇÃO PARCELAMENTO DE ESTIMATIVA – O saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário, oriundo de estimativa mensal não recolhida tempestivamente e inscrita no REFIS, não poderá ser utilizado pelo sujeito passivo na compensação de débitos próprios enquanto as prestações pagas no parcelamento não sobrepujarem o imposto devido no período. O recurso foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 9101002.093 CSRFT1 Fl. 4 3 Em contrarrazões, levanta a preliminar de intempestividade do recurso da Fazenda Nacional. Diz que a intimação da Fazenda só se efetivou em 09/05/2013, e o recurso foi interposto em 06/05/2013, de forma extemporânea. No mérito, diz serem descabidos os argumentos da Fazenda Nacional, porque é manifesto que a inclusão daquela quantia no parcelamento se deu em momento bastante posterior à transmissão da DCOMP em apreço. Esclarece que referida quantia é originária de compensação formalizada em 24/12/2002, através do Processo nº 10410.007361/200289, e que apenas em 2009, com a desconsideração pelo fisco da compensação remanescente em contenda, houve sua inclusão no parcelamento. Aduz que o parcelamento de que se trata é confissão irretratável e irrevogável de dívida. Destaca considerações contidas no Acórdão recorrido, inclusive quanto à possibilidade de enriquecimento ilícito por parte da administração. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O contribuinte, em contrarrazões, postula pelo não conhecimento do recurso, alegandoo, extemporâneo, ao argumento de que foi interposto no dia 06/05/2013, antes que se efetivasse a ciência do acórdão por parte da Fazenda Nacional, que ocorreu em 09/05/2013. Baseiase na informação de que “o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PFN data de 10/04/2013. Assim, a intimação presumida ocorrerá em 09/05/2013. Já o prazo de 15 dias para interposição de recurso especial tem como termo inicial o dia 10/05/2013 e final em 22/05/2013”. Equivocado o raciocínio do contribuinte, uma vez que a parte não é obrigada a aguardar o decurso do prazo para que se consume a intimação presumida, podendo darse por intimada a qualquer momento, comparecendo aos autos. Isto posto, o recurso atende os pressupostos que o legitimam, devendo, portanto, ser conhecido. A questão objeto de recurso especial se relaciona a glosa de parcela de estimativa que compôs o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, desconsiderada em razão de ter sido objeto de parcelamento especial. A meu juízo, não merece reparo o acórdão vergastado. De fato, tratase, na origem, de parcela da estimativa de fevereiro de 2002, declarada em DCTF, e quitada por compensação formalizada no Processo nº Fl. 595DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 9101002.093 CSRFT1 Fl. 5 4 10410.007361/200289, e que, em 2009, diante da não homologação da compensação, foi incluída no parcelamento especial. Obviamente, se o valor da estimativa quitado por compensação não foi homologado, e o correspondente débito foi objeto de parcelamento cuja regularidade do adimplemento não foi questionada, não há como desconsiderála na composição do saldo negativo de 2002, sob pena de resultar em exigência em duplicidade. A situação é análoga à das estimativas quitadas por compensação declarada após a vigência da MP 135/2003 (com caráter de confissão de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem confessadas, a Secretaria da Receita Federal expediu orientação no sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Esclarece a Solução de Consulta Interna Nº 18/2006: “(...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres PGFN/CAT nº 1658/2011 e 193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de, verbis: “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Portanto, é induvidoso que, em se tratado de estimativas objeto de compensação não homologada, mas que se encontram confessadas, quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), quer por parcelamento, os respectivos valores devem ser computados no saldo negativo do ano calendário porque serão cobrados através do instrumento de confissão de dívida. Ante o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 21 de janeiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 596DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10410.720070/200611 Acórdão n.º 9101002.093 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000217/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ASSIDUIDADE/ABSENTEÍSMO. META. VALIDADE/POSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
O legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise.
In casu, afastar a possibilidade de a empresa estabelecer como parâmetro/condição ao pagamento da PLR a assiduidade/absenteísmo, aferido mensalmente, mas pago em duas parcelas, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Constatando-se que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Convenção Coletiva com a explicitação de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição, ainda que apurada mensalmente a partir de valor fixo ajustável de acordo com o número de faltas do trabalhador, não há se falar em afronta a legislação de regência e, por conseguinte, na incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ASSIDUIDADE/ABSENTEÍSMO. META. VALIDADE/POSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. O legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise. In casu, afastar a possibilidade de a empresa estabelecer como parâmetro/condição ao pagamento da PLR a assiduidade/absenteísmo, aferido mensalmente, mas pago em duas parcelas, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatando-se que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Convenção Coletiva com a explicitação de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição, ainda que apurada mensalmente a partir de valor fixo ajustável de acordo com o número de faltas do trabalhador, não há se falar em afronta a legislação de regência e, por conseguinte, na incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ASSIDUIDADE/ABSENTEÍSMO. META. VALIDADE/POSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. O legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise. In casu, afastar a possibilidade de a empresa estabelecer como parâmetro/condição ao pagamento da PLR a assiduidade/absenteísmo, aferido mensalmente, mas pago em duas parcelas, é de cunho subjetivo do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 02 17 /2 00 8- 23 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Convenção Coletiva com a explicitação de regras claras e objetivas e mecanismos de aferição, ainda que apurada mensalmente a partir de valor fixo ajustável de acordo com o número de faltas do trabalhador, não há se falar em afronta a legislação de regência e, por conseguinte, na incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 417 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 04 17.698 de lavra da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.134.2465. O crédito sob discussão referese a lançamento para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada aos financiamento dos benefícios acidentários. Nos termo do relatório fiscal, fls. 21 e segs., os fatos geradores considerados no lançamento foram os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados repassados aos segurados empregados. Segundo o fisco o pagamento não se amolda à hipótese desonerativa prevista na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que a sua concessão não está de acordo com os ditames da Lei n.º 10.101/2000. Vale a pena transcrever excerto do relatório de trabalho da auditoria fiscal: "Demonstrado que a Verba PLP MENSAL não é paga como distribuição por participação nos lucros e resultados fruto da integração entre capital e trabalho incentivada pela Lei 10.101/2000; considerando o viés salarial da Verba PLP MENSAL calculada com base financeira no "salário reajustado" ou "salário normativo" apurada, creditada, contabilizada, mensalmente, como "premiação" ao trabalhador por sua assiduidade; diante da apropriação mensal dos Custos Diretos dos Serviços Prestados como Abonos Salariais (Conta 92002006), ferindo o princípio da periodicidade semestral (art. 3.º , § 2.º da Lei 10.10112000) e, caracterizado o pagamento ou crédito em desacordo com a Lei 10.101/2000 a Verba PLP MENSAL enquadrase no conceito de salário de contribuição e remuneração previsto no inciso I do art. 28 da Lei no 8.212/91, na redação dada pela Lei no 9.528/97, c/c o inciso I do art. 22, tanto na redação dada pela Lei no 9.528/97 quanto pela redação atual dada pela Lei n.º 9.876/99." Cientificada do lançamento em 07/07/2008, a empresa ofertou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão julgador de primeira instância, que manteve o lançamento na íntegra (ver fls. 158 e segs.). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 169 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que o lançamento é improcedente, haja vista que os objetivos almejados pela Lei da PLR foram plenamente alcançados pelos procedimentos adotados pela empresa, que atendeu plenamente as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho que firmou com o Sindicato representativo da categoria dos seus empregados. A seguir transcreve os argumentos lançados na impugnação, os quais podem ser resumidos nos seguintes itens. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) a assiduidade é um parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da PLR, uma vez que, sendo a recorrente uma empresa concessionária de serviço público, os principais indicadores de resultados são a qualidade e a continuidade da prestação; b) a falta ao serviço de um trabalhador prejudica a performance da empresa, posto que impacta na qualidade no serviço e no custo da execução contratual; c) assiduidade é um resultado pretendido pela empresa empregadora, uma vez beneficia os seus usuários e representa incremento nos ganhos de produtividade na prestação dos serviços; d) conforme o texto constitucional a desvinculação da PLR da remuneração é norma auto aplicável, que impede a incidência de contribuições sobre este benefício trabalhista. Cita textos doutrinários que abonariam a sua tese; e) a Convenção Coletiva atende inteiramente as exigências da Lei n.º 10.101/2000, haja vista que contém as regras claras e objetivas que fixam os direitos à participação, além das normas necessários ao acompanhamento pelos empregados do cumprimento do acordado e a periodicidade para revisão do acordo e para o pagamento. f) a Lei da PLR indicou em lista exemplificativa critérios e condições que poderiam ser impostos visando ao pagamento da participação, portanto, não há qualquer vedação para que as partes elejam a assiduidade como parâmetro mestre para aquisição do direito ao benefício; g) a Lei n.º 8.212/1991, na parte relativa à tributação da PLR, deve ser interpretada de forma que não reduza o alcance do desejo do legislador constitucional de excluir a verba do conceito de remuneração; h) para dar força a suas teses, apresenta estudo elaborado pelo ExMinistro do STF, Sidney Sanches, e pelo tributarista Kiyoshi Harada, que reforça a ideia da não incidência de contribuições sobre a PLR; i) o procedimento adotado pela empresa, conforme os preceitos da Convenção Coletiva, está em perfeita consonância com a norma de regência, pois que a redução no absentismo, resultando num aumento da "assiduidade", reflete diretamente no resultado operacional da empresa e num cálculo bastante transparente para os empregados, quanto ao direito à PLR; j) a utilização do lucro como parâmetro seria de difícil acompanhamento pelos próprios empregados, inclusive muitas empresas têm tomado o "resultado" como regra mestra para o pagamento da verba em questão. Cita texto doutrinário que reforça o seu entendimento; k) mesmo que se desconsidere a verba como PLR, não há de prevalecer o lançamento, posto que o STJ tem entendido que o "abono assiduidade" tem natureza indenizatória, sendo insuscetível de incidência de contribuições. Cita decisões do STJ; m) a decisão recorrida despreza a prerrogativa dos entes sindicais de representar a classe em tratativas sobre os seus direitos. Ao final, requer o provimento do recurso, com consequente cancelamento da lavratura. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 418 5 É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da eficácia plena do dispositivo constitucional que trata da PLR Não posso concordar com a recorrente quando afirma que a desvinculação da participação nos lucros e resultados é norma constitucional de eficácia plena. Ao defender tal tese, o sujeito passivo, por via oblíqua, defende que as normas previstas na Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais, além de que a alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também representaria uma contrariedade Carta Magna. Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O seu art. 1.º dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Essa diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer regramento infraconstitucional que venha a lhe impor determinados condicionamentos, a recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 419 7 A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estarseia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. Antes de apreciar as supostas desconformidades das regras acima frente à Constituição Federal, é curial que a priori façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de leis trazidas pela recorrente. Assim, partindose do pressuposto que os dispositivos da Lei n. 8.212/1991 e da Lei n. 10.101/2000 que tratam da participação nos lucros e resultados das empresas por seus empregados são constitucionais, vejo que a decisão de primeira instância não merece censura quanto a esse aspecto. Assiduidade como condição para pagamento da PLR A outra questão abordada no recurso referese a utilização da assiduidade dos empregados como condição para que façam jus a participação nos resultados. Iniciemos pela transcrição dos dispositivos da Convenção Coletiva de Trabalho que deu ensejo ao pagamento da verba sob discussão. "44.0 PLR (PRODUTIVIDADE) Fica assegurado aos empregados a percepção dos valores decorrentes a título de prêmio de produtividade de acordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000 que disciplina a matéria, considerando os seguintes critérios: I. A apuração e aquisição do direito será realizada mensalmente e corresponderá a 11% (onze por cento) por mês efetivamente trabalhado sobre o salário normativo do mês, desde que os empregados atenda o seguinte requisito: quem tiver uma primeira falta perderá somente 20% (vinte por cento) sobre o PLR. Na Segunda falta, perderá mais 30% (trinta por cento), e numa terceira falta perderá 100 (cem por cento) do PLR. Ficou acertado também entre as partes laboral e patronal, que o funcionário que vier a faltar ao serviço por questão de nascimento de filhos e/ou falecimento de ascendente ou descendente justificado através certidões não terá perda do PLR do corrente mês. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 420 9 11. O pagamento observará o valor calculado e acumulado mensalmente e ocorrerá conforme previsto no. art. 3.º , § 2.º, da Lei 10.101, de 19/12/2000, em folha suplementar nos meses de janeiro e julho de 2005, juntamente com a folha de pagamento do mês imediatamente anterior. Parágrafo Único O benefício da presente cláusula não se incorporará ao salário, não refletirá no cômputo da média das horas extras, prêmios, adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade, além de outras vantagens e também não integrará base de cálculo para efeito previdenciário." Conforme se observa não há qualquer resultado ou meta estipulada na CCT, o que esta dispõe é a possibilidade de se reduzir o valor do benefício em razão do absenteísmo dos funcionários. A recorrente, por sua vez, sustenta que essa condição está em perfeita consonância com a Lei n.º 10.101/2000, posto que as faltas dos empregados gera uma perda de produtividade, que impacta nos resultados do negócio. De acordo com a Lei n.º 8.212/1991, transcrita acima, os valores pagos a título de PLR somente estarão excluídos do saláriodecontribuição caso sejam pagos em obediência à lei específica que no caso é a Lei n.º 10.101/2000. Esta exige que o instrumento de negociação entre patrão e empregados contenha regras claras e objetivas quanto à aferição do direito à percepção do benefício. Eis o que dispõe o § 1.º do art. 2.º: §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Quando analisamos o texto da Convenção Coletiva acima, fica evidente o não atendimento da regra legal citada. Sabese que esta norma menciona critérios e condições que podem ser eleitos no instrumento de negociação, sendo a relação meramente exemplificativa, todavia, o pagamento da PLR deve estar atrelado a algum parâmetro. No caso sob apreciação, verificase que a empresa fica obrigada a pagar a cada empregado o valor correspondente a 11% do seu salário nominal, desde que o empregado não conte com nenhuma falta ao trabalho, podendo este valor ser reduzido em razão do absenteísmo do trabalhador. Na verdade estamos diante de um benefício que não decorre de qualquer meta da empresa, o qual, todavia, pode ser reduzido como punição ao empregado pela falta ao trabalho. De se concluir que, inexistindo na Convenção Coletiva metas corporativas ou individuais a serem alcançadas, o pagamento da verba em questão está em dissonância com a Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 lei de regência, não se aplicando a isenção prevista na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Observando a jurisprudência do CARF pude encontrar vários decisões que não acolhem a tese da empresa. Vejamos o que disse o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, quando se deparou com situação semelhante: "É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento, ou mesmo previsão em Acordo Coletivos de Trabalho (Convenção) referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. A Recorrente argumenta ainda que as metas para a aquisição do direito de receber a PLR estariam inseridas nos acordos coletivos, tais como número de faltas injustificadas ao trabalho, apuração de freqüência e rotatividade. Essa alegação não será acatada, eis que não existe indício da interferência dos resultados indicados nas planilhas no pagamento da PLR, nem há previsão de metas objetivas nos acordos coletivos firmados nos anos 2006, 2007 e 2008. Além disso, os índices de ausências dos trabalhadores (absenteísmo) e da rotatividade, por si só, e desacompanhados de elementos subjacente à meta ou resultado que se pretende comprovar, não atendem os parâmetros do programa de metas delineados no art. 2o da Lei 10.101/2000. Assim, por não estarem de acordo com o que determina a legislação pertinente, tais valores integram o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999." (Acórdão n.º 2402 003.680) Não devo acatar também a tese de que a verba poderia ser tratada como "abono assiduidade", a qual estaria fora do campo de tributação para a Seguridade Social. Analisando o § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, dispositivo que traz relação exaustiva dos casos de exclusão de parcelas do saláriodecontribuição, não se verifica qualquer menção ao abono relacionado à frequência ao trabalho. Assim, por falta de previsão legal não se admite que este tipo de abono deixe de sofrer a incidência de contribuições. Quando a Lei (item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28) fala não incidência sobre o abono, faz a ressalva que devem ser excluídos do saláriodecontribuição apenas os abonos expressamente desvinculados do salário, o que não é o caso, haja vista que na espécie o ganho representa o percentual de 11% do salário do empregado para cada mês trabalhado. No mesmo Acórdão do CARF acima mencionado, o Relator também manteve o lançamento na parte relativa ao "abono assiduidade", por vislumbrar a sua natureza salarial. Vejamos as palavras do Conselheiro Ronaldo Macedo: "Diante disso, não têm natureza de indenização as verbas pagas a empregados em razão de acordos trabalhistas (prêmio férias e prêmio assiduidade), que são remuneratórias e, por isso, sobre elas incide a contribuição previdenciária. Isso está em consonância com o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu: “(...) É cediço nesta Corte que as verbas decorrentes de acordos trabalhistas celebrados com os empregados não têm caráter indenizatório, mas, ao reverso, remuneratório, devendo, pois, incidir sobre elas a contribuição previdenciária. Todavia, querendo afastar essa incidência, cabe ao interessado comprovar que tais parcelas são, na realidade, indenizatórias. (...)” (RESP 200400799770, 1a Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 28.08.2006, p. 220). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 421 11 Caminha com o mesmo entendimento, o disposto no art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na medida em que a legislação trabalhista é aplicável subsidiariamente à previdenciária, sempre que não conflitante com a mesma. Nesse passo, dispõe textualmente o art. 457 da CLT, in verbis: Art.457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1° Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (g. n.) Considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. De tudo exposto, não merecem sucesso os argumentos recursais. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Voto Vencedor Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões de decidir do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos autos, a contribuinte fora autuada em relação aos pagamentos de PLR, com esteio nas Convenções Coletivas dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande/MS, referente ao período fiscalizado, as quais, em suma, assim prescreviam: “44.0 PLR (PRODUTIVIDADE) Fica assegurado aos empregados a percepção dos valores decorrentes a título de prêmio de produtividade de acordo com a Lei 10.101 de 1911212000 que disciplina a matéria, considerando os seguintes critérios: I. A apuração e aquisição do direito será realizada mensalmente e corresponderá a 11% (onze por cento) por mês efetivamente trabalhado sobre o salário normativo do mês, desde que os empregados atenda o seguinte requisito: quem tiver uma primeira falta perderá somente 20% (vinte por cento) sobre o PLR. Na Segunda falta, perderá mais 30% (trinta por cento), e numa terceira falta perderá 100 (cem por cento) do PLR. Ficou acertado também entre as partes laboral e patronal, que o funcionário que vier a faltar ao serviço por questão de nascimento de filhos e/ou falecimento de ascendente ou descendente justificado através certidões não terá perda do PLR do corrente mês. II. O pagamento observará o valor calculado e acumulado mensalmente e ocorrerá conforme previsto no. art. 3 0, § 20, da Lei 10.101, de 1911212000, em folha suplementar nos meses de janeiro e julho de 2005, juntamente com a folha de pagamento do mês imediatamente anterior. Parágrafo Único O benefício da presente cláusula não se incorporará ao salário, não refletirá no cômputo da média das horas extras, prêmios, adicionais noturno, de insalubridade, periculosidade, além de outras vantagens e também não integrará base de cálculo para efeito previdenciário.” Por sua vez, a autoridade fazendária entendeu por bem descaracterizar aludidos pagamentos de PLR, concluindo que a sua vinculação à assiduidade dos empregados afasta a natureza de participação nos lucros, devendo ser admitidos, em verdade, como “Prêmio Assiduidade”, inexistindo qualquer meta a ser alcançada, sobretudo considerando que o cálculo de referida verba se dava mensalmente, baseandose na quantidade de faltas dos funcionários. Em suma, extraise do voto do ilustre Relator que a manutenção da exigência fiscal sobre os pagamentos das PLR’s fora motivada basicamente em razão de o Programa ter Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 422 13 adotado o absenteísmo dos funcionários, se caracterizando como uma verdadeira penalidade, afastandose, assim, da essência dessa verba no sentido da integração entre capital e trabalho. Por outro lado, suscita a contribuinte que a assiduidade é um parâmetro aceitável para aferição do direito ao pagamento da PLR, uma vez que, sendo a recorrente uma empresa concessionária de serviço público, os principais indicadores de resultados são a qualidade e a continuidade da prestação. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz que a falta ao serviço de um trabalhador prejudica a performance da empresa, posto que impacta na qualidade no serviço e no custo da execução contratual. Conclui que a assiduidade é um resultado pretendido pela empresa empregadora, uma vez beneficia os seus usuários e representa incremento nos ganhos de produtividade na prestação dos serviços. Em que pesem os substanciosos fundamentos de fato e de direito constantes do voto do ilustre Conselheiro Relator, constatase que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, impondo seja afastada a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de PLR. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 423 15 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida/atribuída pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese vertente, em suma, o ponto de controvérsia repousa na possibilidade de a meta utilizada pelas CCT´s se escorar na assiduidade dos empregados. De um lado, a fiscalização, corroborada pelo nobre Conselheiro relator, entende que aludido parâmetro não encontra sustentáculo na Lei nº 10.101/2001. De outro, no entendimento da maioria da Turma, traduzido neste voto vencedor, é possível adotarse o absenteísmo como lastro da PLR. Aliás, neste ponto, impende fazer uma ressalva, de maneira a esclarecer que o legislador ordinário, ao contemplar os pressupostos da PLR, optou por prestigiar os acordos feitos entre as partes, ou melhor, a negociação coletiva levada a efeito pelos Sindicatos em conjunto com as respectivas empresas ou mesmo comissões de empregados, não cabendo, via de regra, à autoridade fazendária ou julgadora adentrar a essência do acordo, mas, sim, verificar se, de fato, existem metas, mecanismos de aferição, regras claras e objetivas, etc, bem como se foram cumpridos pela contribuinte por ocasião do pagamento da verba sob análise. Destarte, a discussão e os parâmetros do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados é objeto de negociação entre as partes interessadas em reuniões específicas, levando em consideração as especificidades de cada seguimento e/ou setor das respectivas empresas e seus funcionários. Em outras palavras, como explicitado alhures, a PLR, na forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, deverá ser negociada entre as partes envolvidas/interessadas, as quais estabelecerão todas as condições para o pagamento do benefício. Não pretendeu o legislador engessar tal verba, para não fugir à sua própria essência, eis que as especificidades das atividades desenvolvidas por cada empresa e respectivos funcionários, ou mesmo por suas entidades de classe, é que deverão ser levadas a efeito nas tratativas de maneira específica. É exatamente o que se verifica no caso vertente, onde as Convenções Coletivas dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande/MS contemplam situações específicas para as empresas de ônibus, estabelecendo o absenteísmo como parâmetro para o pagamento da PLR, que será apurado mensalmente, com reduções dos valores na hipótese de faltas, como muito bem explicitado no voto no ilustre Conselheiro Relator. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14120.000217/200823 Acórdão n.º 2401003.802 S2C4T1 Fl. 424 17 Ora, tratandose de empresas de ônibus, com mais razão a assiduidade dos funcionários, especialmente motoristas, é determinante ao alcance de lucros ou resultados pretendidos. Havendo faltas de funcionários desse ofício, como exemplo, diminuirão os veículos em trânsito, exigindo o cumprimento de horas extras de outros motoristas ou deslocamentos para cumprir o serviço. Em outra via, o fato de a apuração do valor a ser pago ser mensal, igualmente, não afronta à legislação de regência. Tratase de simples mecanismo de aferição da importância a ser paga, verificada a cada mês, mas apurada ao final do ano para o pagamento em duas parcelas no ano subseqüente. Ou seja, não há se falar em pagamento mensal, mas, sim, de apuração mensal, com percentual predeterminado, estabelecendo o critério da assiduidade para fins de se chegar ao valor a ser destinado a cada funcionário. Como se observa, é um critério claro e objetivo e de fácil entendimento por parte dos funcionários, indo, portanto, ao encontro com os pressupostos exigidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria. Partindo dessas premissas, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de considerar o Plano de Participação nos Lucros de Resultados da empresa em conformidade com a legislação de regência, decretando, portanto, a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração em dissonância com as normas que regem a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, para decretar a improcedência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALH AES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13807.721130/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LEI 7.713/88, ART. 12. APLICAÇÃO.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros atualização monetária, deduzidos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive honorários advocatícios, nos exatos termos do art. 12 da Lei no 7.713/88, art. 12.
APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF)
Numero da decisão: 2101-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72, pago a título de honorários advocatícios, da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no exercício de 2008. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, que votou pela dedução apenas proporcional dos honorários advocatícios e pela aplicação da maior alíquota vigente do tributo a cada período de apuração, e Eduardo de Souza Leão, que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. LEI 7.713/88, ART. 12. APLICAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros atualização monetária, deduzidos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive honorários advocatícios, nos exatos termos do art. 12 da Lei no 7.713/88, art. 12. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF nº 63. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72, pago a título de honorários advocatícios, da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no exercício de 2008. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, que votou pela dedução apenas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 11 30 /2 01 2- 98 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO 2 proporcional dos honorários advocatícios e pela aplicação da maior alíquota vigente do tributo a cada período de apuração, e Eduardo de Souza Leão, que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 88/92) interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (efls. 77 81), o qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de efls. 47/52. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS JUROS MORATÓRIOS. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. RENDIMENTO BRUTO BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO IRRF. Deve integrar a base de cálculo do imposto o valor bruto dos rendimentos recebidos sem a dedução do imposto de renda retido na fonte incidente. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2101002.639 S2C1T1 Fl. 136 3 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. Somente poderá ser deduzida dos rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista a despesa com honorários advocatícios devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMPENSAÇÃO. Para fins de compensação, o montante do imposto retido na fonte deve ser correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. No caso em que não oi oferecida à tributação a totalidade dos rendimentos recebidos, a base de cálculo deve ser reajustada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (efl. 77). Inconformado com o resultado do julgamento, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 88/92), requerendo o cancelamento do lançamento tributário e juntando o recibo de honorários advocatícios relacionados à ação judicial que resultou no recebimento da verba objeto do presente lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Pereira Artuzo, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (efls. 77 81), o qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de efls. 47/52, Na DIRPF/2008, o contribuinte informou ter recebido de Procuradoria Geral do Estado (CNPJ 71.584.833/000276) o total de rendimentos tributáveis de R$ 205.221,52, com o IRRF de R$ 161.133,70 (fls. 70/75). Em sua impugnação, o contribuinte alega que o imposto de renda retido na fonte glosado na DIRPF/2008 é decorrente de rendimentos recebidos por força de decisão judicial no anocalendário 2007, equivocadamente declarados também no anocalendário 2006. A DIRF do anocalendário 2006 apresentada pela Procuradoria do Estado de São Paulo indica o pagamento de rendimentos ao contribuinte no valor de R$ 587.768,30 com a incidência de IRRF de R$ 161.133,70, em dezembro de 2006. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO 4 Conforme peças judiciais do processo judicial juntadas à impugnação, o Recorrente foi um dos autores da ação ordinária movida contra o Estado de São Paulo com pedido de pagamento de complementação de aposentadoria. O comprovante de depósito judicial juntado pelo contribuinte (efl. 7) demonstra que a Procuradoria do Estado de São Paulo efetuou o depósito, em 28/12/2006, na conta vinculada ao processo 723/1987 (26.6923581), de R$ 4.625.574,07. O Mandado de Levantamento Judicial de (efl. 6) comprova que, em 14 de junho de 2007, os autores da ação sacaram da mesma conta o valor de R$ 2.250.116,94. O Demonstrativo de Atualização (efl. 8) discrimina as verbas pagas aos autores da ação. Ao contribuinte Sebastião Ambrósio Gonçalves, ora Recorrente, coube o valor total de R$ 587.768,30 (R$ 284.570,24 de principal e R$ 303.108,05 de juros moratórios), tendo sido retido a título de IRRF o valor de R$ 161.133,70. Com base na documentação apresentada pelo Recorrente percebese que o recebimento dos rendimentos sobre os quais incidiu o IRRF glosado foi de fato recebido no anocalendário 2007 e não de 2006 como informado na DIRF, conforme acertadamente decidido na decisão ora recorrida. Entretanto, o contribuinte não ofereceu à tributação na declaração de ajuste do anocalendário 2007 o valor integral do rendimento recebido. O contribuinte informou como rendimentos tributáveis recebidos da Procuradoria apenas R$ 205.221,52 enquanto deveria ter informado o total bruto recebido de R$ 587.768,30. Pela análise dos autos, percebemos que o Recorrente declarou como tributável o valor total recebido (R$ 587.768,30) deduzido dos juros moratórios (R$ 303.108,05) e de honorários advocatícios de R$ 79.348,72 (os quais somente foram comprovados no Recurso Voluntário documento de efl 100). O Recorrente argumenta que a tributação do montante recebido deveria ter sido realizada com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos, mês a mês, de acordo com as tabelas relativas a cada ano de referência. Entretanto, não podemos concordar com tal pensamento, uma que o art. 56 do Decreto n.º 3.000 (RIR/99), determina que "No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária", podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados. Assim, devidamente comprovado o pagamento de honorários advocatícios relacionados à ação judicial no valor de R$ 79.348,72, entendo que os mesmos devem ser deduzidos da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. Importante destacar que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise da constitucionalidade das normas existentes no ordenamento jurídico brasileiro, conforme determina o art. 62 do anexo II do RICARF e a Súmula n.º 02 do CARF. Neste sentido, aplicável o art. 56 do RIR/99, devendo o Imposto de Renda incidir no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos recebidos. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO Processo nº 13807.721130/201298 Acórdão n.º 2101002.639 S2C1T1 Fl. 137 5 Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário somente para reconhecer o direito do Recorrente de deduzir o valor de R$ 79.348,72 da base de cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no exercício de 2008. (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO
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Numero do processo: 10925.720086/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, e Alexandre Gomes. RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração para a constituição de crédito tributário de multa equivalente ao valor aduaneiro, relativo ao dano ao erário causado pela ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta, prática punível com a pena de perdimento das mercadorias que, em virtude de seu consumo, substituiuse por este lançamento. A empresa adquirente ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ 32.951.535/000134, foi autuada como responsável solidária. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 20 08 6/ 20 13 -4 5 Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10925.720086/201345 Resolução nº 3302000.457 S3C3T2 Fl. 1.642 2 Ambos sujeitos passivos apresentaram impugnação. A Sexta Turma da DRJ em Recife proferiu o Acórdão nº 1144.750, no qual decidiu pela improcedência da impugnação, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 06/10/2008 a 12/01/2012 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco e proporcionalidade, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este Colegiado. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO DA PENALIDADE PELA IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA. PREJUÍZO À RELEVAÇÃO. A hipótese de relevação da pena de perdimento se aplica à mercadoria apreendida, que pela impossibilidade de sua apreensão, convertese em penalidade pecuniária, mediante lançamento de ofício, regido em conformidade com as disposições do Decreto 70.235/72 (Procedimento Administrativo Fiscal PAF), o qual não prevê qualquer hipótese de relevação do lançamento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada em 12/03/2014, a recorrente interpôs recurso voluntário em 09/04/2014. Já em relação à responsável solidária ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, não constam nos autos sua ciência do Acórdão nº 1144.750, proferido pela Sexta Turma da DRJ em Recife, nem recurso voluntário interposto. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10925.720086/201345 Resolução nº 3302000.457 S3C3T2 Fl. 1.643 3 Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Verificase que o responsável solidário ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ 32.951.535/000134, não foi cientificado do Acórdão nº 1144.750, proferido pela Sexta Turma da DRJ em Recife, em desconformidade com o artigo 68 do Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 68. O órgão preparador dará ciência da decisão ao sujeito passivo, intimandoo, quando for o caso, a cumprila no prazo de trinta dias, contados da data da ciência, facultada a apresentação de recurso voluntário no mesmo prazo (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 31 e 33). Destarte, tendo sido violados os princípios do contraditório e ampla defesa e o devido processo legal, voto para encaminhar os autos à unidade de origem para que o sujeito passivo ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ 32.951.535/0001 34, seja cientificado do Acórdão nº 1144.750, sendolhe facultado o prazo de trinta dias para apresentação de recurso voluntário, com posterior retorno dos autos a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10855.900742/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancelase o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 07 42 /2 00 8- 03 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900742/200803 Acórdão n.º 1102001.270 S1C1T2 Fl. 471 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão PretoSP que concluiu pela improcedência de manifestação de inconformidade acerca da compensação de crédito decorrente de pagamento indevido a título de estimativa com débito de outra estimativa de sua responsabilidade, ambos referentes ao mesmo anocalendário de 2003. Pleitos semelhantes, apenas alterando o tributo (IRPJ ou CSLL) e/ou o mês de apuração da estimativa, estão consubstanciados em onze processos, a saber: 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/2008 15, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. A unidade de origem não homologou a compensação porque constatou que o pagamento indicado pela interessada havia sido utilizado na quitação de outros débitos. A empresa interpôs, então, manifestação de inconformidade na qual alegou que houve erro na apresentação da PER/DCOMP. Tratarseia de pedido de compensação vazio e o débito indicado já teria sido pago. Por isso, pediu o cancelamento do débito. A DRJ, contudo, negou o pedido. Argumentou que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Em seu recurso, a empresa repetiu os motivos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescentou que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos. Ao final, torna a pedir que se constate a inexistência do débito. Na sessão realizada em 25/05/2011, esta Turma Julgadora, sob proposta da então relatora, a ilustre Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem confirmasse a inexistência do débito, mediante análise dos livros fiscais da recorrente e da DCTF correspondente ao período, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. A unidade de origem procedeu, então, a diligência requerida e apresentou Informação Fiscal na qual conclui que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário de 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, foram efetivamente pagos. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados. É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900742/200803 Acórdão n.º 1102001.270 S1C1T2 Fl. 472 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. Ocorre que a diligência solicitada confirmou que os montantes informados em DCTF, em sintonia com os equívocos cometidos, são incongruentes com a escrita contábil e fiscal. Além disso, atestou que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo o do presente processo. Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 491DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10380.001968/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovado que a receita auferida supera o limite legal estabelecido para usufruir do Simples, impõe-se a exclusão do referido sistema a partir do anocalendário subseqüente.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado que a receita auferida supera o limite legal estabelecido para usufruir do Simples, impõese a exclusão do referido sistema a partir do anocalendário subseqüente. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 19 68 /2 00 5- 01 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 17/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Eliza Bruzzi Boechat, Luiz Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório A empresa, mediante Ato Declaratório Executivo n° 22 de 11 de março de 2005, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES em razão de excesso de receita bruta no anocalendário de 1999, em relação ao limite estabelecido no inciso do art. 9° da Lei n° 9.317/1996 (microempresa). O efeito da exclusão foi a partir de 01/01/2000. Inconformada com a exclusão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 12 a 20, protocolizada em 06/05/2005, na qual alega, em síntese, o seguinte: Nas alegações ressalta que o solicitante não havia declarado todas as receitas oriundas da revenda de mercadorias (produtos hortifrutigranjeiros), partindo de suas constatações descritas no Termo de constatação e dos Demonstrativos dos Depósitos Bancários na conta corrente 7369x, agência 2879 do Banco do Brasil e conta corrente 1119.02203213 agência 1119Maracanaú do HSBC Bank Brasil S.A., relativos ao ano calendário de 1.999 ocorrendo desta feita os efeitos da exclusão considerados à partir da data de 01/01/2000, em obediência ao disposto no art.15, inc.IV da Lei 9.317/96. Ocorre ilustre Julgador singular, que a impugnante jamais ou tempo algum deixou de ser optante do Simples, e que o termo de constatação é um grande equívoco, haja vista que efetivamente a empresa não ultrapassou os valores de R$1.200.000,00 (Um milhão e duzentos mil reais) à época do ano base de 1999 até 2000, e sim ocorrera um grave equivoco, sendo portanto à época realmente optante do Simples, e como tal, neste deve ser tratada fiscalmente. Pelo que se assevera da Lei nº 9.317/96, não poderia a Impugnante ser excluída do simples na forma que se deu, tão pouco ser autuada da mesma forma, haja vista que o princípio da ampla defesa ainda está em vigor na nossa legislação (Carta Magna) e não poderá arcar com o encargos de elevada autuação pela exclusão de certa forma arbitrária. Em momento algum ocorreu omissão de receitas, e a dedução do ilustre fiscal que culminou no ato ora guerreado está eivado de equívocos quanto a este fato inicial. Ademais, a empresa jamais teve livros contábeis, até pela sua condição de optante do Simples, portanto sempre foi optante por esse regime. Senão vejamos a seguir. O Ato declaratório e conseqüentemente a lavratura do Auto de Impugnação deramse pelos motivos supra informados. No entanto referidos atos ocorreram por conclusões precipitadas e deduções ilógicas, haja vista que o agente do fisco caracterizou como agente passivo da obrigação tributária a Impugnante N R DA SILVA. Ou seja, esta difere totalmente daquela constante nos extratos bancários, pois o titular da contas correntes é a pessoa física Nascimento Raimundo da Silva portador do CPF 250.001.79072 e não a pessoa jurídica N R DA SILVA, inscrita no CNPJ sob número 02.243.401/000106. É FATO. Em momento algum, a pessoa jurídica pode ser confundida com a pessoa física, pois ambas tem natureza jurídica e objetivos diferentes, seus patrimônios não se Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 17/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.001968/200501 Acórdão n.º 1201000.977 S1C2T1 Fl. 73 3 confundem, nem tampouco suas obrigações. Não se pode imputar uma obrigação tributária a uma entidade, em que não se configura a materialização do possível fato gerador do tributo ou do possível ato de infração a legislação tributária. É uma afronta aos princípios constitucionais, fiscais, tributários, previdenciários, enfim, evidentemente violadores a qualquer ramo do direito a que se apresente. Os motivos que o levaram esta douta delegada a decretar o Ato declaratório e concomitantemente acatar o Auto de Infração ora discutido, está eivado de vícios. Vícios estes que por si só, anulam o auto ali lavrado e por via de conseqüência, o ato declaratório. Ou seja, agente do fisco conseguiu o feito de criar uma situação no mínimo duvidosa quanto ao real agente passivo da obrigação tributária, pois, os extratos de contas correntes, únicos elementos, que formam a base de sustentação do agente fiscal para o encaminhamento da formação de juízo para a decretação do Ato Declaratório de exclusão, e o auto de Infração ora guerreado não pertencem ao contribuinte AUTUADO. Ou seja, se ocorreu a "pretensa" omissão de receita, deveria o agente fiscal observar os livros de caixa e inventário, vez que se tratava de empresa inscrita no SIMPLES, ocasionando assim absoluto equívoco passível da mais ampla nulidade. Ora, ilustre julgador, se o lançamento de oficio há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstanciais e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN. Desta forma, face as conseqüências que poderão advir em face aos atos praticados (Auto de infração e Ato Declaratório), e os efeitos deste, merece absoluta revisão e justiça a serem aplicadas. Portanto, se afigura no caso em tela, pelas preliminares apresentadas de absoluta nulidade. A movimentação bancária pode representar indício de capacidade/contributiva, mais indícios não é a realidade. Uma pessoa física que em suas declarações afirma receber rendimentos anuais equivalentes a "X" mais movimenta no mesmo período "Y" possivelmente possui capacidade contributiva superior aquela pela qual esta sendo tributada, pode ter omitido rendimentos em sua declaração. O que não é o caso. Não se pode dizer porém, que o "Y" movimentados sejam todos, rendimentos tributáveis, a serem onerados pela Receita Federal. É comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente na mesma conta, transferirem valores de uma conta para outra; sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com retorno integral dos valores para a conta correspondente, etc. (Hugo de Brito). Esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como "rendimentos", para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado realmente equivale a um rendimento omitido na respectiva declaração. É de se ressaltar, porém, que uma Lei não pode mudar a necessidade de fundamentação concreta e comprovada da ocorrência do fato gerador, pois essa exigência decorre da própria natureza da fundamentação do ato administrativo, e ainda dos elementos Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 17/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 4 necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte. E mais, como será adiante desenvolvido essa exigência decorre da natureza do lançamento tributário que é atividade privativa da administração. Isso reforça a contestação de que, ainda que a Lei n° 9.430/96 afirmasse que a mera existência de um depósito bancário sem outro dado exterior que comprove omissão de rendimentos, autoriza a tributação pelo Imposto de renda e transfere o ônus de prova em contrário para o contribuinte, essa norma seria inválida. Isso porque o fato meramente alegado ou cuja ocorrência não é demonstrada, simplesmente não tem o condão de obrigar o contribuinte aqui autuado. Desta forma, demonstrando absoluta e incompreensível inconformidade com o Auto de Infração aplicado, vem a Impugnante requerer justiça haja vista acreditar que não deva subsistir a autuação defendida, tão pouco a exclusão aqui guerreada face a flagrante nulidades ali apontadas, as próprias alegações do agente fiscal e justificação da Impugnante. Não merece prosperar o Auto de Infração por completamente insubsistente, pois jamais poderia o auditor fiscal equiparar o solicitante ( Pessoa Jurídica à Pessoa Física, e ainda basear toda a autuação em depósitos bancários de outra personalidade jurídica e por fim com isto efetivar tamanhos equívocos e iminentes prejuízos incalculáveis. Em face de todo o exposto requer que se digne de tornar insubsistente o presente auto de infração, como prática da mais lídima justiça, é o que requer. A DRJ manteve a exclusão do Simples , conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1999 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovado que a receita auferida supera o limite legal estabelecido para usufruir do Simples, impõese a exclusão do referido sistema a partir do anocalendário subseqüente. Solicitação Indeferida. Algumas questões de fato e de direito foram importantes para a DRJ manter a exclusão, segundo consta do voto proferido em sede de primeira instância administrativa: A primeira delas decorre do fato do próprio contribuinte ter apresentado os extratos bancários; A segunda delas é o fato da informação trazida nos autos de que o Sr. Nascimento Raimundo da Silva ter declarado textualmente nos autos que a movimentação financeira das contas bancárias ser oriunda de movimentação financeira da empresa excluída do Simples; Por fim, em razão do contribuinte não ter conseguido justificar as origens das movimentações financeiras realizadas nas contas bancárias da pessoa física, considerou que a receita pertence à Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 17/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.001968/200501 Acórdão n.º 1201000.977 S1C2T1 Fl. 74 5 pessoa jurídica, e aplicou a inversão do ônus da prova nos termos do artigo 42 da Lei n°. 9430/96. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, de forma tempestiva (07/08/2006), alegando em síntese os mesmos fundamentos trazidos na impugnação quanto à nulidade, acrescido da questão da interposição de pessoa, que à época dos fatos geradores não havia ocorrido a alteração na legislação tributária aplicada ao caso concreto, não podendo haver retroatividade. Vejamos: O agente do fisco conseguiu o feito de criar uma situação no mínimo duvidosa quanto ao real agente passivo da obrigação tributária, pois, os extratos de contas correntes, ÚNICOS ELEMENTOS, que formam a base de sustentação do agente fiscal para o encaminhamento da formação do juízo para a lavratura do Auto de infração, não pertencem ao contribuinte AUTUADO, vez que há época do fato gerador NÃO EXISTIA DETERMINAÇÃO LEGAL QUE EVIDENCIASSE INTERPOSIÇÃO DE PESSOA, na forma do parágrafo 5º do art. 42 da Lei 9.430/96 incluído pela Lei 10.637/2002. Ora, ilustres Julgadores, se o lançamento de oficio há de ser celebrado de maneira precisa e induvidosa, de modo a assegurar que os fatos que o ensejaram constituem, efetivamente, infração à legislação tributária. Se houver dúvida quanto à correta identificação das circunstâncias e da qualificação dos fatos, impõese a solução mais favorável ao sujeito passivo, consoante estabelece o inciso II do artigo 112 do CTN. Portanto, se afigura no caso em tela, pelas PRELIMINARES supra apresentadas de absoluta NULIDADE. Destacase que o processo conexo com este, qual seja Processo n° 10380.012387/200413, mencionado inclusive no relatório fiscal e no recurso da contribuinte, fora julgado pelo Conselho de Contribuintes, em 15 de março de 2009, tendo como desfecho a manutenção da cobrança do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, em razão da mesma receita omitida na Pessoa Jurídica, existindo trânsito em julgado da decisão. Nestes autos confirmouse, após a baixa em diligência do processo por meio de Resolução dessa Colenda Turma, que há declaração expressa do Sr. Nascimento Raimundo da Silva quanto à imputação da movimentação bancária à pessoa jurídica dele, conforme narrado na decisão da DRJ, ou seja, afirma à fl. 64 dos autos que os depósitos bancários realizados em sua conta corrente na pessoa física pertencia à pessoa jurídica, ou seja, conforme ficou decidido, tratavamse de receita da pessoa jurídica. Assim, julgouse o Recurso Voluntário nos autos do Processo n° 10380.012387/200413, considerando intempestivo, pela manutenção da cobrança de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins sobre a omissão de receita da pessoa jurídica, a despeito das receitas terem sido movimentadas nas contas bancárias da pessoa física do sócio da pessoa jurídica. Este é o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 17/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO 6 Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, a alegação da contribuinte não se sustenta quando afirma que o Ato Declaratório que excluiu a pessoa jurídica do Simples por ter ultrapassado dos limites de receita previstos em lei, possuía erro do sujeito passivo em relação aos valores movimentados em conta bancária, presumidos como receita da pessoa jurídica, enquanto encontravamse em conta de pessoa física, qual seja o Sr. Nascimento Raimundo da Silva. Como ficou apontado na decisão da DRJ, sendo inclusive confirmado por essa Colenda Turma em baixa em diligência dos autos para a análise dos documentos que existentes no Processo nº 10380.012387/200413, constatase que há documento assinado e juntado pelo Sr. Nascimento Raimundo da Silva, à fl. 64, assinado pelo mesmo, informando que as movimentações de valores em sua conta corrente pertenciam à sua pessoa jurídica. Ora, se o próprio dono da empresa traz essa informação por meio de declaração ao fisco federal, através de documento que reconhece inclusive ter sido expedido e assinado por ele, não dá para aceitar toda a retórica trazida pela empresa sobre esse tema, pois nega seu próprio ato de maneira esdrúxula. E mais, outro questionamento feito pela contribuinte no seu Recurso é o motivo pelo qual não se analisou livros fiscais e contábeis da empresa. É resposta é muito simples, a própria contribuinte não apresentou os livros e afirma em sua impugnação que jamais possuiu livros fiscais pela sua própria condição do Simples. Portanto, outra contradição argumentativa que se aponta em seus petitórios. Com isso, não vejo a existência de vícios nos autos, seja em relação ao Ato expedido de exclusão pela Receita Federal, seja na decisão proferida pela DRJ. Quanto ao mérito, a despeito da própria contribuinte afirmar que os valores movimentados pertenciam à sua pessoa jurídica, e por isso autuouse a pessoa jurídica, busca por meio da retórica da interposição de terceiros e da inexistência da legislação aplicar o artigo 112 do CTN, considerando que na data dos fatos geradores (1999) não existia a regra da interposição de terceiros, que fora incluída no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 10.637/2002. “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 17/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.001968/200501 Acórdão n.º 1201000.977 S1C2T1 Fl. 75 7 Quanto a essa argumentação, cumpre destacar que o artigo 149 do CTN, inciso VII, inserido no ordenamento jurídico bem antes da ocorrência dos fatos geradores objeto da autuação, autoriza ao agente fiscal a realizar o lançamento de ofício diretamente naquele que agiu com dolo, fraude ou simulação, afastandose o sujeito passivo aparente, cuja constituição forma visava apenas ocultar o real titular da renda. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; E mais, a despeito da pessoa jurídica ser uma entidade autônoma, que goza de direitos e deveres, com identidade própria, a movimentação bancária se deu pelo seu sócio, majoritário, administrador, idealizador e quem a constituiu de fato e de direito, o que vincula em todos os aspectos a confusão da receita omitida. Assim, não há que se falar em falta de existência de regra jurídica ou retroatividade da Lei nº 10.637/2002, que inseriu o disposto no § 5º no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Por fim, diante da autuada não ter trazido aos autos provas da origem das receitas omitidas e movimentadas na pessoa jurídica do administrador/sócio, considerando que nos termos do artigo 42, caput, da Lei nº 9.430/96, invertese o ônus probatório, mantendose a presunção a favor do fisco até prova em contrário a ser trazido pela pessoa que omitiu a receita, não há como acolher os argumentos trazidos no Recurso Voluntário. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e NEGOLHE provimento, mantendo exclusão da empresa do Simples em razão de excesso de receita bruta no ano calendário de 1999, em relação ao limite estabelecido no inciso do art. 9° da Lei n° 9.317/1996. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 17/11 /2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720193/2011-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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score : 1.0
Numero do processo: 13866.000149/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
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Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Adotase o relatório do acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJRIBEIRÃO PRETO/SP: “Trata o presente de Declaração de Compensação — DCOMP na qual o interessado compensa débito da contribuição para o PIS do período de apuração fev/2003, com crédito decorrente de pagamento a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 66 .0 00 14 9/ 20 03 -1 0 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 3 2 maior ou indevido do PIS, referente ao período de apuração jun/2002, crédito esse de valor declarado de R$ 472,14 — fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 64/66, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da base de cálculo do PIS o valor de R$ 417.213,24 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fls. 85) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 10/04/2008, fl. 69, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/05/2008, fls. 71/78, alegando, em síntese: Que a base de cálculo da Cofins é o faturamento nos termos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 3º da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; Que é operadora de planos de assistência à saúde, atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, acordaram os Membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Intimada em 10/03/2009, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 23/03/2009. É o Relatório. Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 4 3 O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente, faço as devidas homenagens à Conselheira Fabiola Keramidas, cuja experiência no segmento permitiulhe contextualizarme os fatos ora discutidos, além de ter fornecido a esse conselheiro os dispositivos legais necessários à correta apreciação do tema. Conforme relatado, a discussão em tela referese à conceituação da base de cálculo, para as contribuições sociais de PIS e COFINS, das empresas do ramo de seguro de saúde1 operadoras (“OP’s”), as quais são fiscalizadas pela ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, vinculada ao Ministério da Saúde e criada pela Lei 9.961/00. Especialmente, interessa, para o caso em apreço, as operadoras de saúde denominadas como de “medicina de grupo”, a saber: RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. SEÇÃO V DA MEDICINA DE GRUPO Art. 15. Classificamse na modalidade de medicina de grupo as empresas ou entidades que operam Planos Privados de Assistência à Saúde, excetuandose aquelas classificadas nas modalidades contidas nas Seções I, II, IV e VII2 desta Resolução.” destaquei As operadoras de medicina de 1 RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. "Art. 10. As operadoras segmentadas conforme o disposto nos arts. 3º ao 9º desta Resolução deverão classificarse nas seguintes modalidades: I administradora; II cooperativa médica; III cooperativa odontológica; IV autogestão; V medicina de grupo; VI odontologia de grupo; ou VII filantropia." RESOLUÇÃO NORMATIVA – RN Nº 159, DE 3 DE JULHO DE 2007 "Art. 2º Para fins desta resolução, definese: I – operadora de planos privados de assistência à saúde OPS: a pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação, sociedade simples ou empresária que opere produto, serviços ou contrato de planos privados de assistência à saúde definidos no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998." 2 “SEÇÃO I DA ADMINISTRADORA Art. 11. Classificamse na modalidade de administradora as empresas que administram planos ou serviços de assistência à saúde, sendo que, no caso de administração de planos, são financiados por operadora, não assumem o risco decorrente da operação desses planos e não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares ou odontológicos. SEÇÃO II DA COOPERATIVA MÉDICA Art. 12. Classificamse na modalidade de cooperativa médica as sociedades de pessoas sem fins lucrativos, constituídas conforme o disposto na Lei n.º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que operam Planos Privados de Assistência à Saúde. (...) SEÇÃO IV Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 5 4 grupo oferecem basicamente dois tipos de serviços na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. Os planos de saúde oferecem aos segurados serviço de assistência médica prestado por profissionais vinculados à operadora (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Existem ainda àquelas que denomino “operadoras puras”, porque não possuem rede credenciada, apenas rede própria. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede credenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde” porque não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não de rede própria. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de credenciados, mas apenas alguns possuem o custo de uma rede própria. No caso em análise a Recorrente é operadora de saúde (OP) que comercializa planos de saúde e, em razão deste fato, com base no parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, pleiteou a restituição de valores que teria incluído indevidamente na base de cálculo do PIS e Cofins, sendo estes valores – pelo que averiguei dos autos referentes ao pagamento de credenciados e do custo de rede própria. Logo, a questão a discutirse é, se a legislação permite que os valores referentes à credenciados e rede própria sejam deduzidos da base de cálculo do PIS e Cofins. A Receita Federal vêm entendendo que não existe esta possibilidade, pois se existisse o PIS e a Cofins das OP’s incidiria sobre receita líquida, não sobre faturamento, elemento que efetivamente compõe o aspecto quantitativo da regra matriz de incidência tributária. In casu, o v. acórdão recorrido entendeu que a legislação não permite a dedução pretendida pela Recorrente, a saber: DA AUTOGESTÃO Art. 14. Classificamse na modalidade de autogestão as entidades de autogestão que operam serviços de assistência à saúde ou empresas que, por intermédio de seu departamento de recursos humanos ou órgão assemelhado, responsabilizamse pelo Plano Privado de Assistência à Saúde destinado, exclusivamente, a oferecer cobertura aos empregados ativos, aposentados, pensionistas ou exempregados, bem como a seus respectivos grupos familiares definidos, limitado ao terceiro grau de parentesco consangüíneo ou afim, de uma ou mais empresas, ou ainda a participantes e dependentes de associações de pessoas físicas ou jurídicas, fundações, sindicatos, entidades de classes profissionais ou assemelhados. (...) SEÇÃO VII DA FILANTROPIA Art. 17. Classificamse na modalidade de filantropia as entidades sem fins lucrativos que operam Planos Privados de Assistência à Saúde e tenham obtido certificado de entidade filantrópica junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS e declaração de utilidade pública federal junto ao Ministério da Justiça ou declaração de utilidade pública estadual ou municipal junto aos Órgãos dos Governos Estaduais e Municipais." Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 6 5 “Trecho do v. acórdão recorrido: (...) Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado.” destaquei. Posta a questão, passo ao voto. É indiscutível que o segmento de saúde é altamente específico, tanto que possui, inclusive, Plano de Contas Próprio, aprovado e “controlado” pela ANS. Tal fato é imprescindível para o deslinde da questão, pois as matérias fiscais em discussão apenas têm sentido se forem analisadas com base neste Plano de Contas, o qual reflete as especificidades do setor. Pois bem. Em primeiro lugar fazse necessário consolidar o entendimento do que é faturamento para uma operadora de saúde, nos termos da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (“receita da venda de produtos e serviços”). A empresa que opera saúde tem como faturamento todos valores recebidos a título: (i) das prestações pagas pelos seus beneficiários bem como (ii) da utilização de sua rede (hospitais, clínicas, etc) por terceiros, aqui entendidos empresas, outros operadoras de saúde, particulares e o próprio SUS. É esta, conceitualmente, toda a receita recebida pela operadora de saúde, logo, estes valores é que consistem no faturamento das OP’s. A problemática se inicia na análise prática deste conceito, justamente porque a ANS estabeleceu no Plano de Contas Contábil das Operadoras, (a) algumas rubricas de custos classificadas no mesmo Grupo de Contas do Faturamento/Receita das Operadoras e (b) outras rubricas de faturamento classificadas no mesmo Grupo de Contas de Despesas. É o caso, respectivamente : a) dos CUSTOS COM CONGÊNERES que são contabilizados no Grupo 3 – RECEITA (conta 3117 e 3118) junto com o Faturamento / Receitas Operacionais da Operadora, como contas redutoras do ativo, portanto reduzindoas; e b)das receitas advindas dos FATURAMENTO CONTRA AS CONGÊNERES que são classificadas no Grupo 4 – DESPESA (conta 4123 e 4124) junto com os custos e despesas dos eventos assistenciais, como contas redutoras do passivo, reduzindoos. Desta forma, o faturamento das OP’s, conforme conceito prédefinido (total dos valores referentes a venda de produtos e serviços), não é encontrado apenas na conta contábil do GRUPO 3, conta de RECEITA. Acrescido a este fato, o legislador optou, para fins de incidência das contribuições ao PIS e COFINS que sabidamente, no sistema cumulativo, incidem sobre o faturamento e de forma cumulativa a possibilidade de abatimentos na base de cálculo do tributo. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 7 6 Isso posto, não houve alteração no conceito de faturamento, como havia quando pretendeuse a equiparação do conceito de faturamento à receita bruta3 (o que foi julgado inconstitucional pela Suprema Corte), o legislador apenas adequou o plano contábil específico à incidência tributária e concedeu determinado benefício de diminuição de carga tributária, consubstanciado na redução da base de cálculo do tributo. Neste particular, erra a fiscalização, ao limitar a interpretação das deduções de base, sob pena de alterarse o conceito de faturamento. Diz o dispositivo legal: “Art. 2°. O art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I— coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Importante a partir desse momento discutirse o alcance dos incisos I a III do parágrafo 9º. Para melhor compreensão desse Colegiado passarei a analisar cada inciso, com base na legislação específica do setor, bem como do Plano de Contas que se aplica a este segmento, definido pela Agência Nacional de Saúde. CoResponsabilidades Cedidas A determinação contida na Lei nº 9.718/98 claramente dispõe (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OP’s), dos valores referentes às coresponsabilidades cedidas. Neste ponto, importante conceituarse o que são “coresponsabilidade cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria ou com o auxílio de terceiros. Estes terceiros são, obrigatoriamente, credenciados perante a ANS. Ocorre que os credenciados podem ser contratados de forma direta ou indireta. 3 Tai equiparação foi declarada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 357.950, em sessão de 09/11/2005. “Lei nº 9.718/98 (...) Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...)” Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 8 7 Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados), prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da operadora contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade. O credenciado é contratado por tarefa a ser prestada dentro de sua especialidade médica, trata da saúde por evento. Já os credenciados contratados de forma indireta (chamados de congêneres), são OP’s que prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres (empresas de mesmo gênero) obrigatoriamente devem ser OP’s, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde das vidas que assumiu de outra operadora, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” deste beneficiário que foi “transferido” aos seus cuidados, recebe portanto um valor fixo independente do serviço prestado, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso, a responsabilidade é da OP contratante, enquanto no segundo caso, a responsabilidade pelo atendimento médico é da contratada. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir o beneficiário exige, cada vez que a OP credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações. A troca da rede credenciada é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPs, justamente porque transfere a responsabilidade do atendimento. Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque o inciso I menciona “co responsabilidade cedida”. Trata portanto de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite a exclusão da base de cálculo dos valores pagos justamente para estas congêneres, credenciados contratados de forma indireta que se responsabilizam por parte dos beneficiários da operadora, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos demais credenciados não se enquadram neste inciso primeiro. No Plano de Contas veiculado e imposto pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costumam gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3117 e 3118. São os CUSTOS COM CONGÊNERES estão contabilizados“erroneamente” no Grupo 3 relativo à RECEITA. A mera análise do Plano Contábil – que peço vênia a esse Colegiado para juntar aos autos, em vista da imprescindibilidade das informações nele contidas – é suficiente para se constatar que, na prática, este valor já deveria ser deduzido das Receitas, uma vez que está indicado como “conta redutora” do ativo, com a necessária aposição do sinal negativo, verbis: “ CONTA: 3.1.1.7 () CONTRAPRESTAÇÕES DE CORRESPONSABILIDADE TRANSFERIDA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” A providência legislativa, portanto, ao definir a exclusão da conta 3.1.1.7, responsável pelo registro do Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 9 8 “custo” com a contratação indireta de prestadores de serviços, ajustou o valor da base de cálculo da OP, retirando do total faturado o montante “repassado” aos terceiros que “assumiram” a assistência de parte de seus beneficiários. Assim sendo, resta inconteste que, por força de lei, houve a redução da base do PIS e Cofins para exclusão de valores pagos a credenciados, neste item em particular credenciados congêneres (que assumem a responsabilidade do serviço de saúde), mas sem dúvida terceiros. E este fato não significa que a legislação alterou o significado de faturamento, mas que definiu, isso sim, um benefício ao setor de saúde ao permitir a exclusão da base de cálculo, do valor repassado aos terceiros que efetivamente prestaram os serviços para os quais a OP foi contratada. Tratase apenas de exceção legal que, enquanto válida, vigente e eficaz no ordenamento jurídico, deve ser observada por toda administração pública. Provisões Técnicas A possibilidade da exclusão de provisões técnicas também não gera dúvida, em virtude da setorização em rubrica contábil própria. As provisões técnicas são garantias exigidas pela ANS para a manutenção da atividade das OP’s em caso de risco de atendimento aos beneficiários, e se justificam pela característica social do serviço prestado. Neste aspecto, na hipótese de a empresa deixar de atender os beneficiários em virtude, por exemplo, de má administração da OP a ANS prevê diversas regras para a manutenção do serviço até a equalização do problema, regras estas que determinam, inclusive, a intervenção na direção da OP. Para estas situações, prevêse a utilização das provisões realizadas pelas empresas, na mesma linha do que ocorre com o sistema financeiro, sujeito à determinações deste tipo do Banco Central – BACEN. Mais uma vez a rubrica precisa ser excepcionada por tratarse de conta do ativo, registrada no Grupo de RECEITAS, indicada expressamente na conta 3.1.2. Aqui não se faz a referência à conta redutora, até porque consiste, sem dúvida, em conta pertencente ao Ativo. Todavia, penso que não há discussão/dúvida sobre o fato de que a mencionada receita não se refere ao faturamento de uma OP, posto que totalmente desvinculada da “prestação de serviços médicos” razão pela qual a exclusão do cálculo do PIS e COFINS não causa qualquer surpresa. Mister lembrar que, à época da promulgação da Medida Provisória nº 2.13835, vigorava o § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que expressamente determinava que a base de cálculo do PIS e Cofins era “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Com esta determinação, se não houvesse expressa determinação legal para a exclusão da Conta 3.1.2., a tributação – prima facie deveria incidir sobre os valores consubstanciados nas Provisões Técnicas, ainda que se tratasse de receitas totalmente díspares de faturamento. Atualmente, após o julgamento da Suprema Corte e a revogação do mencionado dispositivo legal, estivesse a questão sob a análise deste Egrégio Tribunal, não haveria sequer a necessidade de dispositivo legal definindo a exclusão, posto que esta seria automática, visto o valor não constituir faturamento. Todavia, à época a realidade era outra. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 10 9 Ante o exposto, pareceme clara a exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, dos valores referentes às Provisões Técnicas. E vez que os valores estão definidos em conta específica não costuma causar problemas de interpretação entre os agentes da Receita Federal. Entendo que a questão não está diretamente discutida nestes autos, mas é preciso analisar todas as hipóteses de exclusão para que seja possível concluir se o procedimento adotado pela Recorrente encontra supedâneo legal. Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, dos conceitos trazidos pela legislação, o mais difícil de se interpretar. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos entendem que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a conta, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite qualquer exclusão neste inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de que não é possível a exclusão da base de cálculo do valor pago aos credenciados. Esta interpretação não é possível, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo pretendeu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, para alcançarmos o sentido da norma, é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do artigo III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “...poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, cuja tarefa agora é a de encontrarmos qual o será. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 11 10 Em meu entendimento, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tome as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, importante denotar que o posicionamento adotado pela fiscalização foi no sentido de que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos. Ora, então não restaria outra alternativa de interpretação. A intenção da lei foi desonerar o pagamento a terceiros, credenciados, o que significa o inciso I, que conforme consenso trata expressamente da Conta 3.1.1.7., a qual alcança os pagamentos aos credenciados, ainda que contratados de forma indireta. Com este raciocínio importante nesse momento conceituar o que seriam “eventos incorridos”. O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão. A despeito do entendimento da fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase apenas de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias empresas do setor aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como tratase de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos realizados com rede própria e rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “... valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos 4 Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 12 11 ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde obedece ao seguinte critério: (1) O credenciado presta o serviço para o beneficiário; Janeiro /2012 (2) após o serviço prestado, este credenciado informa a operadora, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere); Fevereiro/2012 (3) apenas após validar a informação da credenciada a operadora realiza o pagamento e reconhece a despesa. Março/2012 As operadoras de saúde possuem controles contábeis integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/pagamento/despesas/utilização de rede credenciada que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garante o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Pode se citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcir o SUS na hipótese dos hospitais público virem a atender um de seus beneficiados). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/2012, apenas serão reconhecidos contabilmente e efetivamente pagos em março/2012, sendo impossível qualquer outro procedimento. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores ainda não pagos e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A rede própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos decorrentes de hospitais, clínicas, inclusive folha de salário dos funcionários (médicos/enfermeiros/recepcionistas....). Ocorre que estes eventos não são “indenizados” pela operadora, mas sim custeados por ela. A folha de salário não precisa ser avisada ou aguardar qualquer Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 13 12 procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente paga, de forma automática, todos os meses. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e este entendimento decorre justamente dos termos legais. Todavia, é visível a identidade do procedimento adotado com os credenciados com os dizeres apostos no inciso III. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as operadoras de saúde, esta questão já foi superada quando foi definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar o setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento do tributo (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou a exclusão dos valores pagos aos prestadores de serviços (rede credenciada e SUS), os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de responsabilidade e transferência. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a OP é contratada indiretamente e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da operadora que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, as vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a empresa de quem tomam serviços de saúde possui estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários e com a devida autorização da ANS, as OPs se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da operadora. Está vinculado ao objeto social da empresa e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de DESPESA. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO CONTRA AS CONGÊNERES(empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) compõe uma conta redutora do passivo, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13866.000149/200310 Resolução nº 3302000.224 S3C3T2 Fl. 14 13 ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora do ativo que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo do tributo. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo das empresas de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta de passivo podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo em faturamento da empresa. *** Outrossim, dito isso, verifico que às fls. 65 dos autos a SAORT ao efetuar a glosa considerou insubsistente o valor de R$ 417.213,24 por tratarse de valores a título de “outras exclusões”, referindose à DIPJ de fls. 26 a 31. Ocorre que, na informação do contribuinte em relação à sua base de cálculo, consta às fls. consta às fls. 48 que foram excluídos os valores de R$ 390.472,43 relativos às despesas das contas 4.1.1.1 (Eventos Conhecidos de Assistências Médicas) e R$ 22.345,69 relativos às despesas da conta 4.4.1.3.4), perfazendo valor inferior ao glosado, da ordem de R$ 412.818,12. Verificando o Plano de Contas do setor, a numeração adotada não nos permitiria correlacionálas ao que o referido Plano, combinado com a legislação, permitiria excluir pelas contas 3.1.1.7, muito embora sua redação seja parecida, ou seja, o contribuinte, ao invés de contabilizála em conta do grupo 3, como uma redutora de receitas, a contabilizaria numa conta de despesa, que poderia ser a 4.1.2.3 mas o fora em outra rubrica. Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 417 mil ou de R$ 412 mil, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. É como voto, Sala das Sessões, em 26 de junho de 2012. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 17/11/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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